História da Química Grécia Antiga: origens da Ciência Ocidental

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História da Química
Profa. Janete Yariwake
3. Idade Média : Alquimia (Parte I)
1
Grécia Antiga: origens da Ciência Ocidental
conhecimentos científicos da
Grécia Antiga
(astronomia, matemática, física,
química, medicina, biologia)
Influência na
cultura Romana
(Império Romano)
progresso nos
conhecimentos
científicos (Química) :
???
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2
Grécia Antiga: origens da Ciência Ocidental
conhecimentos científicos da
Grécia Antiga
(astronomia, matemática, física,
química, medicina, biologia)
Influência na
cultura Romana
(Roma Antiga)
Influência na
cultura Árabe
(“idade de ouro do
islamismo”,
séc VIII - XI)
3
Divisão clássica da História da humanidade
História Medieval
- período entre a queda do Império Romano (476 dC) e
a queda do Império Bizantino (Constantinopla) / início das
grandes navegações (final do século XV)
“Idade das Trevas”
Alquimia
Inquisição
- até: final do período medieval: Renascença
Invenção da imprensa
(Gutemberg)
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4
A “idade de ouro” do islamismo
(séc. VIII - XI)
séc. II
Império Romano
séc. IX
mundo Árabe
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5
A “idade de ouro” do islamismo
(séc. VIII - XI)
Cultura árabe
- início na Península Arábica; expansão após o declínio e
queda do Império Romano (476 dC)
Ciência na cultura árabe
herança da
cultura grega
+
influência de
culturas
orientais
+
contribuições
originais
(hindú, chinesa)
= influência na cultura ocidental
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6
A “idade de ouro” do islamismo
(séc. VIII - XI)
Cultura no mundo Árabe
Influência da religião
islâmica
Ciência no mundo Árabe
Influência da religião
islâmica
Na cultura islâmica,
religião e ciência não
são estanques
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Ciência no mundo árabe
(séc. VIII - XI)
Astronomia no mundo árabe
- consolidação e aperfeiçoamento da herança “grega”
(Obs.: para os árabes, astronomia e astrologia eram indissociáveis)
Matemática no mundo árabe
- contribuições originais e ainda relevantes na álgebra e
trigononometria
Física no mundo árabe
- trabalhos fundamentais na área de óptica, de
Al-Haytam, sec. X, que foram usados por Kepler e Descartes
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(sec XVII)
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8
Ciência no mundo árabe
(séc. VIII - XI)
Biologia e Medicina no mundo árabe
Herança das culturas gregas, romanas, persas e
indianas e consolidação e aperfeiçoamento de conhecimentos
anteriores.
– criação de animais domésticos: camelo, cavalo
– estudos de anatomia e cirurgia; de epidemias
(varíola, sarampo)
– estudos botânicos (morfologia, agronomia)
– uso de plantas medicinais
extração de óleo essencial
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Ciência no mundo árabe
(séc. VIII - XI)
origem dos perfumes: associada a práticas
religiosas
latim: fumare = fumaça
Durante o início do cristianismo, o uso de perfumes era
associado a rituais pagãos e portanto proibido no mundo cristão.
Cultura árabe
a religião islâmica não fazia restrições ao uso de perfumes
Aprimoramento da extração de perfumes de materiais
vegetais e animais
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Ciência no mundo árabe: alquimia
(séc. VIII - XI)
extração de óleo essencial
em alambique (destilação)
Destilação: técnica básica da
alquimia
Alguns autores consideram o início da alquimia no
Egito antigo, com práticas relacionadas a rituais religiosos e a
conservação dos cadáveres (= mistura de religião, práticas
‘secretas’ e conhecimentos químicos empíricos).
nome do Egito antigo: “Khemia” = em grego: khemeioa (κηεµειοα)
lingua árabe: “Al-khemy”, “Al-khimy”, ‫ء‬
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uma divisão da História da Química
1. Protoquímica
desde a descoberta do fogo até o início da era cristã
2. Alquimia
Entre o início da era cristã até a Idade Moderna
3. Química Pré-Moderna
séculos XVI e XVII
~1.000 anos (!)
4. Química Moderna
da evolução histórica
a partir do século XVIII
da Química
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A alquimia e a história da Química
• Alquimia greco-egípcia (Alexandrina) : sec. I aC – VII dC
• Alquimia no mundo árabe: séc. XII – XVI
• Alquimia medieval européia: séc. XII – XVI
• Alquimia tardia (séc XVI – meados do séc. XVIII)
início ~III aC – I aC, em Alexandria (pólo econômico e cultural
da época), no período helenístico - auge da ciência grega.
combinava artes práticas antigas egípcias e mesopotâmicas +
filosofia grega aristotélica e neoplatônica + misticismo persa e
hebraico.
caráter doutrinário e hermético. Os textos alquímicos eram
deliberadamente obscuros, para possibilitar o acesso das
informações apenas aos “iniciados”.
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alquimia greco-egípcia (Alexandrina)
séc. I aC – VII dC
caráter doutrinário e hermético. Os textos alquímicos eram
deliberadamente obscuros, para possibilitar o acesso das informações
apenas aos “iniciados”.
A alquimia alexandrina
sustentava uma visão
unificadora da natureza
(o“macrocosmo” reletindo-se
no“microcosmo”), e do
alquimista integrado na
natureza.
Ver p.ex.
“A Obra em Negro”,
Marguerite Yourcenar (1903 –
1986)
M. Berthelot (1827 – 1907),
Químico Orgânico
Com a ajuda de filólogos,
realizou a tradução e as primeiras
interpretações científicas dos textos
químicos e alquímicos da Alquimia
alexandrina:
“Les origines de l’alchimie” (1885)
“Collection des anciens alchimistes
grecs” (3 v. 1887 – 1888)
etc.
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alquimia greco-egípcia (Alexandrina)
séc. I aC – VII dC
• Zózimo de Panópolis (350 – 420)
Parte dos textos de Zózimo foram preservados no “Manuscrito de São
Marcos” (Bibl. São Marcos, Veneza) e em manuscritos da Biblioteca Nacional
de Paris.
“A finalidade expressa da Alquimia é a transmutação, que por
sua vez exige a pedra fundamental”.
A teoria dos 4 elementos de Aristóteles sustenta teoricamente a possibilidade da
transmutação, buscada posteriormente pelos alquimistas.
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Alquimia e Química
Os alquimistas alexandrinos já utilizavam alguns
equipamentos de laboratório:
Figura de um sistema de destilação
da Grécia antiga
manuscrito atribuído a S. Marcos (séc. XI),
Bibliothèque nationale de Paris
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Cada processo alquímico era usado
em um tipo diferente de forno.
(apenas no séc. XV conseguiu-se
controlar a temperatura nos fornos)
Ex.:“atanor” = forno especial, usado
na obtenção da pedra filosofal.
Figura da Wikipédia
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Ciência no mundo árabe: alquimia
• Alquimia greco-egípcia (Alexandrina) : sec. I aC – VII dC
• Alquimia no mundo árabe: séc. XII – XVI
• Alquimia medieval européia: séc. XII – XVI
• Alquimia tardia (séc XVI – meados do séc. XVIII)
a Alquimia no mundo árabe passa a ter componentes
“científicos” e forte caráter prático:
- uso de equipamentos e “substâncias” químicas bem descritas
- procedimentos experimentais definidos
- teorias explicando dados empíricos
Porém: há fortes componentes místico-religiosos e
filosóficos/subjetivos em diversas teorias da Alquimia
ciência moderna = busca da objetividade
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Ciência no mundo árabe: alquimia e Química
Jabir ibn Hayyan (~720 – 815):
primeira figura histórica (real) da
alquimia no mundo árabe.
Diversos manuscritos (obras de
alquimia, matemática, astronomia
e filosofia) são atribuídos a Jabir
(há controvérsias).
Destaques da contribuição
resultante das obras atribuídas a
Jabir:
1. Teoria “ dos balanços’”
2. Teoria “enxofre-mercúrio”
figura da Encyclopaedia Britannica
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Ciência no mundo árabe: alquimia e Química
Jabir ibn Hayyan (~720 – 815)
Destaques da contribuição de Jabir à alquimia do mundo árabe:
1. Teoria “ dos balanços’”
Jabir aceita a teoria dos 4 elementos de Aristóteles, mas
acrescenta outras concepções:
- existência de 4 “naturezas” ou “qualidades elementares”: calor,
frio, seco, úmido
- a combinação das “naturezas” com a “substância” forma os
“compostos de 1º grau”: quente, frio, seco, úmido
- dois “compostos de 1º grau” originam os 4 elementos:
fogo
ar
água
terra
= calor + seco + substância
= calor + úmido + substância
= frio + úmido + substância
= frio + seco + substância
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Grécia antiga: conceito de “elemento”
Aristóteles (384 aC – 322 aC)
• um elemento pode ser convertido em outro elemento pela substituição
das suas “qualidades”
umidade
Ar
quente
Água
Fogo
frio
Terra
secura
A teoria dos 4 elementos sustenta teoricamente a possibilidade da
transmutação, buscada posteriormente pelos alquimistas.
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Ciência no mundo árabe: alquimia e Química
Jabir ibn Hayyan (~720 – 815)
Destaques da contribuição de Jabir à alquimia do mundo árabe:
2. Teoria “enxofre-mercúrio”
Alguns autores consideram haver influência chinesa nesta
teoria de Jabir (“yin-yang”; cinábrio, HgS: muito usado na Alquimia
Chinesa)
- todos os metais tem “2 propriedades externas”
e “2 internas”; todos são formados por diferentes
proporções de enxofre e mercúrio enxofre: quente e seco
mercúrio: frio e úmido
Exs.:
- chumbo: externamente = frio e seco;
internamente = quente e úmido
- ouro: inverso do chumbo; a combinação
de proporções no ouro é “perfeita”
!!! a
transmutação
é possível
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Ciência no mundo árabe: alquimia e Química
Jabir ibn Hayyan (~720 – 815) e a Teoria “enxofre-mercúrio”
• Esta teoria justifica teoricamente a transmutação dos
elementos, para os alquimistas.
• A teoria enxofre-mercúrio influenciou a alquimia, até
Paracelso (1493 – 1541).
Porém: Jabir era muito mais um sistematizador do que um
pesquisador
Sua contribuição ilustra
aspectos esotéricos e
simbólico-místicos da
alquimia
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Ciência no mundo árabe: alquimia e Química
Al-Razi (850 – 923 dC)
autor do 1º texto compilando procedimentos práticos
Muitos dos materiais ou procedimentos são semelhantes aos
usados até o final do século XIX, em laboratórios de química ou
farmácia:
- diversas vidrarias: cubas, redomas, frascos, ampolas, etc.
- preparo e descrição de diversas substâncias químicas
- técnicas de purificação (destilação, sublimação, calcinação,
dissolução)
os árabes aprimoraram as técnicas de destilação a
um estágio próximo da Química Moderna
Ex.: alambique = “al-anbiq”
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Ciência no mundo árabe: alquimia e Química
Alambique : “al-anbiq” em árabe = aparato utilizado para
destilação do álcool , essências vegetais e
“águas fortes”
“álcool”: etmologia árabe
mas em árabe “al-kuhl” = khol
Khol (Sb2S3) era um
cosmético, usado pelos
egípcios
ex: água de rosas
(perfumaria, alimentos)
= ácidos minerais: H2SO4, HCl e
HNO3
Os ácidos puros eram
preparados na Europa no séc. XIII
seguindo a descrição de Al-Razi
(séc IX)
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Ciência no mundo árabe: alquimia e Química
A alquimia no mundoárabe teve uma
etapa dedicada à preservação da saúde
e cura de doenças (iatroquímica), que
não focalizava a transmutação.
Exs.:
• uso médico
(específico) de
determinados
minerais e plantas
Destilador
• conhecimentos
figura de um tratado de alquimia
sobre os perigos do
árabe (séc. XVIII)
uso de objetos de
British Museum
cobre na cozinha
(Al Zahrawi, 936 –
sugestão de leitura: Beltran, Quim. Nova Esc.
1013)
4, pg. 24, 1996
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Ciência no mundo árabe: alquimia e Química
Al-Razi (850 – 923 dC)
Al-Razi aceita a “teoria mercúrio-enxofre” e acredita na transmutação.
Principal obra: “Livro do Segredo dos Segredos”
Apesar de ser uma obra de alquimia, é um tratado claro, de cunho prático e
livre de simbolismos. Influenciou os alquimistas do Ocidente islâmico
(Espanha, Marrocos) nos secs. XII – XIII e foi citado por Paracelso (1493 –
1541).
O livro descreve p.ex.
processos: destilação, cristalização, sublimação, filtração, etc.
1ª classificação dos materiais usados pelos alquimistas: minerais,
vegetais e animais. O uso de materiais animais é inovação da
alquimia do mundo árabe.
descrição de um “4º espírito” = sal amoníaco (= NH4Cl), a partir do
esterco de camelo.
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Ciência no mundo árabe: alquimia e Química
Al-Razi (850 – 923 dC)
Principal obra: “Livro do
Segredo dos Segredos”.
4º espírito: “sal amoníaco” = NH4Cl, de
origem animal (esterco de camelo).
O uso de materiais animais é inovação
da alquimia do mundo árabe.
Jabir x Al-Razi
lado esotérico,
simbólico-místico
da alquimia
lado prático,
experimental da
alquimia
Na Alquimia Alexandrina, as substâncias
eram classificadas em 3 grupos:
1. Somata = os “corpos verdadeiros”: ouro,
prata, ferro, estanho, chumbo, ligas
metálicas
2. Asomata = minerais sem “aspecto
metálico”. Ex.: arsênico, auripigmento
(As2S3), mínio (Pb3)O4, etc.
3. Pneumata = substâncias voláteis:
enxofre, mercúrio, sulfetos de arsênio
(na época, os gases eram
desconhecidos como espécies
químicas).
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27
A alquimia e a história da Química
Resumo das principais contribuições da Alquimia árabe
1. Preservação do conhecimento químico-alquímico antigo, em
traduções para a língua árabe (estas obras posteriormente foram
traduzidas para o latim, possibilitando a transmissão de
conhecimento para os europeus);
2. “Teoria mercúrio-enxofre”: influenciou a Alquimia européia até
Paracelso;
3. Obtenção do “sal amoníaco” (NH4Cl) e de diversas substâncias
orgânicas (origem animal e vegetal), consideradas pelos árabes como
“mais finas e desenvolvidas”;
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A alquimia e a história da Química
Resumo das principais contribuições da Alquimia árabe
4. Aperfeiçoamento de alguns procedimentos prático (ex.: destilação);
5. Proposta de doutrinas da Alquimia: “pedra filosofal”, “elixires”;
6. Surgimento de uma “bio-” vertente da Alquimia que posteriormente
evoluiu (na Europa) rumo à Iatroquímica e à Química Farmacêutica
(ιατροσ = prática médica)
Alquimia (“ al Kimiya”, árabe): origem da palavra chimia (latim).
Aprox. no ínicio do séc. XVII evidencia-se a distinção entre o uso das palavras
alquimia (para práticas religioso-esotéricas) e química (para designar o empirismo
farmacêutico e tecnológico-científico).
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A alquimia e a história da Química
Resumo das principais contribuições da Alquimia no mundo árabe
Pequeno vocabulário da alquimia em árabe
árabe
Forma latina
Significado moderno
al-qali
alcalai
álcali
al-quitran
alchitran
alcatrão
al-iksir
elixir
elixir
naft, naptu
naphta
nafta
natrum
natron
soda, carbonato de sódio
(símbolo na alquimia
para fogo)
al-kimia
aquecimento (em
Química)
alchimia
alquimia
ver também outras palavras nos slides anteriores
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A alquimia e a história da Química
• Alquimia greco-egípcia (Alexandrina) : sec. I aC – VII dC
• Alquimia no mundo árabe: séc. XII – XVI
• Alquimia medieval européia: séc. XII – XVI
• Alquimia tardia (séc XVI – meados do séc. XVIII)
na opinião do naturalista von Humboldt (1769 – 1859), a
Química vivenciou um ponto alto na época do auge da
Alquimia árabe
~ séc. XIV : a cultura científica árabe é importante mas dá sinais
de estagnação; começa o crescimento da cultura européia, que já
absorveu as influências da Ciência do mundo árabe.
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http://www.imarabe.org/
https://www.youtube.com/watch?v=WpoApyIY3ww
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