modelo008-Orientações para a saúde

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Profissionais de saúde
Orientações para a
atenção à saúde de
vítimas de inundações
Profissionais de saúde
Orientações para a
atenção à saúde de
vítimas de inundações
Inundações podem aumentar a transmissão de doenças comunicáveis
transmitidas pela água (mais frequentemente leptospirose e hepatite A,
sendo mais raro em nosso meio casos de hepatite E e febre tifóide), e
doenças transmitidas por vetores (como dengue, e mais raramente febre
amarela e malária).
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Orientações para a
atenção à saúde de
vítimas de inundações
Existe também um risco aumentado de infecções contraídas pelo contato
direto com a água contaminada, como gastroenterites, infecções de
ferimentos, dermatites, conjuntivites e infecções de ouvido, nariz e
garganta, mas que não ocorrem de forma epidêmica.
As inundações podem aumentar de forma indireta os casos de
doenças transmitidas por vetores devido ao aumento do número e
extensão de habitats, especialmente de mosquitos. A equipe de saúde
deve ficar atenta, pois esse aumento de casos pode ocorrer semanas
após a inundação.
As equipes devem estar preparadas para dar suporte à saúde mental das
vítimas de inundações, que podem estar fragilizadas devido à fadiga, doença,
perdas materiais, da moradia e até de familiares.
Durante e após uma inundação, é muito importante intensificar orientações de
higiene para a comunidade, especialmente a lavagem das mãos, além de
orientações sobre o consumo seguro de água e alimentos e cuidados na volta
para casa. Sugerimos que a equipe se aproprie das informações do folder de
orientações para a comunidade, realize educação em saúde na sala de espera e
entregue orientações impressas através dos ACS, especialmente para as pessoas
afetadas pela inundação.
A seguir, abordaremos alguns aspectos importantes para a
compreensão da transmissão, manifestações clínicas e ações de
vigilância das doenças mais frequentes em situação de inundação.
A equipe do TelessaúdeRS, por meio da plataforma
de Telessaúde (www.plataformatelessaude.ufrgs.br)
ou do telefone 0800 644 6543 (somente para
profissionais médicos), está pronta para auxiliar na
resolução de quaisquer dúvidas relacionadas ao
diagnóstico e manejo dos casos. Também contamos
com profissionais capacitados e amplamente
disponíveis para dar suporte à equipe de saúde no
enfrentamento da crise.
Telefones úteis:
CIT- Centro de Informação Toxicológica do Rio Grande do Sul- tel: 0800 721 3000
CEVS- Centro Estadual de Vigilância em Saúde RS- tel: 150
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Orientações para a
atenção à saúde de
vítimas de inundações
Leptospirose
No Brasil, é uma doença endêmica, tornando-se epidêmica em períodos
chuvosos. É a doença de maior potencial epidêmico em situações
deinundação. O principal reservatório são os ratos.
Profissionais de saúde
Transmissão: exposição direta ou indireta à urina de animais
atenção à saúde de
vítimas de inundações
infectados. A bactéria penetra em mucosas, na pele com lesões ou
íntegra imersa em água contaminada. A transmissão entre humanos é
muito rara e de pouca relevância epidemiológica.
Orientações para a
Incubação: de 1 a 30 dias (em média, de 5 a 14 dias).
Manifestações clínicas:
Fase precoce: instalação abrupta de febre, comumente acompanhada de
cefaléia e mialgia, anorexia, náuseas e vômitos. Podem ocorrer diarreia, artralgia,
exantemas, hiperemia ou hemorragia conjuntival, fotofobia, dor ocular e tosse. Esta
fase tende a ser autolimitada e regride em 3 a 7 dias, sem deixar sequelas.
Fase tardia: 15% dos pacientes evoluem para manifestações clínicas graves iniciando-se, em geral,
após a primeira semana de doença. A manifestação clássica é a Síndrome de Weil (tríade de icterícia,
insuficiência renal e hemorragia - mais comumente pulmonar).
Diagnóstico: A suspeita clínica deve ser confirmada por métodos laboratoriais específicos. Os
métodos sorológicos são consagradamente eleitos para o diagnóstico da Leptospirose.
Investigação complementar: hemograma, plaquetas, uréia, creatinina, TGO/TGP, gama-GT,
fosfatase alcalina, CPK, Na+, K+ e bilirrubinas. Se necessário, solicitar: Rx de tórax, eletrocardiograma
(ECG) e gasometria arterial.
Notificação: Todo caso suspeito de leptospirose deve ser imediatamente notificado à Vigilância
Epidemiológica da Secretaria Municipal da Saúde, que desencadeará a investigação epidemiológica e
ambiental, e o diagnóstico laboratorial confirmatório.
Definição de caso suspeito: pessoa com febre, cefaléia e mialgia, que atenda pelo menos um dos
seguintes critérios:
Critério 1– antecedentes epidemiológicos sugestivos nos 30 dias anteriores à data de início dos sintomas, como:
exposição a inundações, fossas, esgoto, lixo, atividades que envolvam risco ocupacional, vínculo epidemiológico
com um caso confirmado por critério laboratorial, residir ou trabalhar em área de risco para a leptospirose.
Critério 2– apresente, pelo menos, um dos seguintes sinais ou sintomas: sufusão conjuntival, sinais de insuficiência
renal aguda, icterícia e/ou aumento de bilirrubinas, fenômeno hemorrágico.
A presença de um dos seguintes sinais de alerta é indicativo de gravidade e sugere necessidade de internação hospitalar:
1. Dispnéia, tosse e taquipnéia
2. Alterações urinárias (geralmente oligúria) 3. Fenômenos hemorrágicos,
incluindo hemoptise e escarro hemoptoico
4. Hipotensão 5. Alteração do nível de consciência 6. Vômitos
frequentes 7. Arritmias 8. Icterícia
Os pacientes que não apresentarem sinais de alerta poderão ser tratados ambulatorialmente. A antibioticoterapia
é indicada para todos os casos suspeitos, e deve ser iniciada precocemente.
Fase precoce: Adultos- Amoxicilina 500mg, VO, de 8/8 horas, durante 5 a 7 dias.
Crianças- Amoxicilina 50mg/kg/dia, VO, a cada 6/8 horas, durante 5 a 7 dias;
Alternativa: Doxiciclina: 100mg, VO, de 12 em 12 horas, durante 5 a 7 dias (não utilizar em crianças menores de 9
anos, gestantes e pacientes com nefropatia ou hepatopatia). A Azitromicina e Claritromicina são alternativas para
pacientes com contra indicação para uso de Amoxacilina e Doxiciclina.
Fase tardia: antibioticoterapia intravenosa, deve ser realizado em nível hospitalar.
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Hepatite A
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Doença viral aguda causada pelo vírus da hepatite A (HAV). O homem é o
principal reservatório. Tem distribuição universal e apresenta-se de forma
esporádica ou em surto. Tem maior prevalência em áreas com más
condições sanitárias. A mortalidade e a letalidade são baixas.
Transmissão: fecal-oral. O vírus pode ser ingerido através da água,
alimentos e objetos pessoais contaminados. Período de transmissibilidade
inicia 2 semanas antes do início dos sintomas e termina 2 semanas depois.
Incubação: de 15 a 45 dias (média de 30 dias).
Manifestações clínicas: formas subclínicas até formas fulminantes. Geralmente os
sintomas são inespecíficos (mal estar, anorexia, febre baixa, náuseas, vômitos,
cefaléia, diarréia, desconforto na região do hipocôndrio direito, icterícia, acolia e
colúria). Há elevação das transaminases, podendo ou não ocorrer aumento das
bilirrubinas, pois nem sempre existe a fase ictérica.
Três fases:
Fase prodrômica ou pré-ictérica: duração aproximada de 7 dias, sintomas
inespecíficos, sem icterícia.
Fase ictérica: duração aproximada de 5 semanas, sintomas mais
específicos: icterícia, acolia, colúria, prurido, hepato ou esplenomegalia.
Convalescença: desaparece a icterícia, mas o cansaço e a fraqueza podem
persistir por vários meses.
Diagnóstico: Necessária a realização de exames sorológicos. Entretanto, pode-se confirmar clinicamente
os casos secundários em um surto, no qual o caso-índice teve sorologia confirmada (anti-HAVIgM). Na
infecção aguda, o anti-HAV IgM é positivo. Na infecção passada e na vacinação, o anti-HAV/IgG é positivo.
Investigação complementar: Dosagem de ALT/TGP e AST/TGO. O nível de ALT pode estar 3 vezes
maior que o normal, podendo atingir até mais de 2.000UI/l. As bilirrubinas podem alcançar valores 25
acima do normal, sobretudo à custa da bilirrubina indireta. O tempo de protrombina pode estar
diminuído (TP>17s ou INR>1,5), indicando gravidade.
Notificação: todos os casos suspeitos ou confirmados (e os surtos) devem ser notificados utilizando a ficha individual
para hepatites virais.
Disponível no site: www.ufrgs.br/telessauders
Tratamento: medicação para os sintomas de náuseas, vômitos e prurido. Repouso relativo. Não consumir
bebidas alcoólicas de seis meses até um ano do início dos sintomas.
Prevenção: lavar bem as mãos e os alimentos. Evitar contato com água contaminada (esgoto a céu aberto, valões).
Evitar compartilhamento de materiais de uso pessoal potencialmente contaminados (ex: escova de dentes). Caso
haja algum doente com hepatite A em casa, usar água sanitária para lavar o banheiro e antes de dar a descarga.
NOVIDADE
Vacinação:
ŸAgora disponível para todas as crianças de 1 ano a menores de 2 anos de idade (na Atenção Básica).
ŸGrupos especiais (no Centro de Referência para Imunobiológicos Especiais).
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Dengue
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Doença infecciosa febril aguda, causada pelo vírus da dengue, transmitida por
mosquitos, que pode ser de curso benigno ou grave. Desde 1986, epidemias vêm sendo
registradas em diversos estados brasileiros. Em 2007, o estado do Rio Grande do Sul
notificou o primeiro caso confirmado de dengue autóctone.
Transmissão: A transmissão se faz pela picada da fêmea do mosquito Aedes aegypti
no homem. Não há transmissão por contato direto de um doente ou de suas secreções
com uma pessoa sadia, nem por fontes de água ou alimento.
Incubação: de 3 a 15 dias (média de 5 a 6 dias).
Manifestações clínicas: A primeira manifestação do dengue é a febre, geralmente alta
(39ºC a 40ºC), de início abrupto, associada à cefaleia, adinamia, mialgias, artralgias, dor retro
orbitária, com ou sem exantema e/ou prurido. Anorexia, náuseas, vômitos e diarreia podem ser
observados por 2 a 6 dias. As manifestações hemorrágicas, como epistaxe, petéquias,
gengivorragia, metrorragia, hematêmese, melena, hematúria, e plaquetopenia podem ser observadas em
todas as apresentações clínicas de dengue. As manifestações clínicas iniciais da dengue grave são as mesmas descritas nas
formas clássicas da doença. Entre o terceiro e o sétimo dia do seu início, quando, da diminuiçãoda febre, podem surgir sinais e
sintomas como vômitos importantes, dor abdominal intensa, hepatomegalia dolorosa, desconforto respiratório, letargia,
derrames cavitários (pleural, pericárdico, ascite), que indicam a possível evolução para formas hemorrágicas severas.
Diagnóstico: deve ser realizada a prova do laço e confirmação laboratorial específica. A confirmação laboratorial é orientada de
acordo com a situação epidemiológica: em períodos não epidêmicos, solicitar o exame de todos os casos suspeitos; em
períodos epidêmicos, solicitar o exame em todo paciente grave ou com dúvidas no diagnóstico, seguindo as orientações da
Vigilância Epidemiológica. O diagnóstico laboratorial específico (virológico) tem por objetivo identificar o patógeno e monitorar
o sorotipo viral circulante.
O antígeno NS1 deve ser coletado até 6 dias após início dos sintomas, e os anticorpos para dengue (IgM e IgG) depois de 7 dias.
Investigação complementar: o hemograma com plaquetas é recomendado para todos os pacientes com
suspeita de Dengue.
Notificação: Todo caso suspeito de dengue deve ser imediatamente notificado à Vigilância Epidemiológica da
Secretaria Municipal da Saúde, que desencadeará a investigação epidemiológica e ambiental, e o diagnóstico
laboratorial confirmatório. Os óbitos decorrentes da doença devem ser investigados imediatamente.
Definição de caso:
Caso suspeito de dengue - Caso suspeito de dengue - todo paciente que apresente doença febril aguda com
duração de até sete dias, acompanhada de, pelo menos, dois sintomas: cefaleia, dor retro orbitária, mialgias,
artralgias, prostração ou exantema, associados ou não à presença de hemorragias.
Caso confirmado de dengue clássico - é o caso suspeito, confirmado laboratorialmente. Durante uma epidemia,
a confirmação pode ser feita pelo critério clínico-epidemiológico, exceto nos primeiros casos da área, os quais
deverão ter confirmação laboratorial.
Tratamento: hidratação oral e analgésicos/antitérmicos para os casos leves, com reavaliação pela equipe de saúde
em 72 horas. Casos moderados devem receber hidratação parenteral, e o resultado do hemograma/plaquetas
determinam a necessidade de internação. Casos graves devem ser encaminhados para internação hospitalar.
Atenção:
Os salicilatos (como o AAS) e os anti-inflamatórios não hormonais (ex:diclofenaco,
ibuprofeno, cetoprofeno) são contraindicados e não devem ser administrados, pois
podem causar ou agravar sangramentos.
Para definição do acompanhamento do paciente, consultar o “fluxograma de
classificação de risco no site do TelessaúdeRS: http://goo.gl/XPcnMM
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