Conhecendo as constelações

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Conhecendo as constelações
Ariana França Clávia (Monitora OAFR)
31/05/10
O QUE É CONSTELAÇÃO
Antes da década de 30, as constelações eram definidas como agrupamentos de
estrelas na esfera celeste* que, imaginariamente, formavam figuras de personagens
como pessoas, animais, objetos ou seres mitológicos. Este conceito passou a ser
inconveniente para o progresso científico do século XX.
Em 1930, Eugène J. Delporte propôs um novo conceito de constelação. Este foi
adotado pela IAU (International Astronomical Union - União Astronômica Internacional)
e continua em vigor até hoje, o qual determina que constelação é a divisão da esfera
celeste, geometricamente, em 88 regiões ou partes. De maneira que, olhando para o céu
de dentro da esfera celeste, qualquer objeto celeste que estiver na região de uma
constelação, além das estrelas da mesma, é considerado parte da constelação. Esse
objeto pode não ter qualquer tipo de ligação astrofísica com os outros objetos
pertencentes à constelação.
Na realidade, as estrelas e outros constituintes de uma constelação geralmente
não têm relação física entre si. Mas tendemos a pensar o contrário. Isto porque quando
olhamos para o céu, não temos a percepção das distâncias reais das estrelas a nós, mas
apenas uma idéia da disposição delas em relação às outras na esfera celeste. Por isso,
temos a impressão de que todas as estrelas, nebulosas, galáxias e outros objetos
celestes, estão todas à mesma distância da Terra e próximos entre si.
Na figura abaixo, temos um exemplo de constelação. A linha vermelha ao redor
do desenho artístico de uma cruz indica a região que delimita a constelação do Cruzeiro
do Sul na esfera celeste. O desenho da cruz está sobre as linhas imaginárias que ligam
as principais estrelas da constelação. A diferença no brilho aparente das estrelas é
representada no tamanho do desenho delas.
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*Esfera Celeste: quando observamos o céu noturno em uma noite estrelada, temos a impressão de
estarmos no meio de uma grande esfera ou abóbada (espécie de teto curvo) onde estariam incrustadas as
estrelas. Isto inspirou os antigos a chamar o céu de esfera celeste. Hoje essa idéia é usada apenas para
simplificar a compreensão do céu, suas regiões e mudança de posição aparente durante o decorrer da noite.
Não fazem parte da esfera celeste os planetas, o Sol e a Lua por suas relações mais dinâmicas em relação
à Terra.
ORIGEM DAS CONSTELAÇÕES
O ser humano desde a antiguidade possui curiosidade a respeito do céu estrelado.
Isto é evidenciado em inscrições e construções antigas. O céu era visto com certo
espanto, receio, admiração e respeito. O desconhecimento das causas científicas dos
fenômenos astronômicos instigava o ser humano a destinar valores divinos aos astros
celestes.
As constelações foram inventadas pelo ser humano. Cada povo e tribo possuíam
suas próprias constelações. Às vezes, coincidia que quase o mesmo conjunto de estrelas
tinha nome e significado diferentes para povos diferentes. Guardar a forma ou a
localização dessas figuras no céu não era um trabalho fácil, e assim, criavam mitos e
histórias sobre as constelações.
Com o tempo, os povos perceberam que as constelações podiam ser úteis. Era
possível identificar os períodos de caça, agricultura e pesca. Serviam para determinar a
passagem do tempo, as estações do ano e o clima. Foram feitos calendários inspirados
nos fenômenos celestes (como os períodos lunares e solares). Demarcaram a trajetória
do Sol durante o ano usando as constelações que chamaram de Zodíaco (dependendo da
posição do Sol no Zodíaco, sabiam-se as condições do clima e as estações do ano).
Atualmente, as constelações não possuem a mesma importância da antiguidade.
Mas ainda são úteis para os estudos astronômicos, como por exemplo, indicar direções
no Universo e tornar mais fácil a identificação de astros no céu. Existem estrelas que
são utilizadas para direcionar equipamentos de navegação espacial, como a Canopus, da
constelação Carina, a Formalhaut, do Peixe austral, e Sírius, do Cão maior.
Algumas constelações só podem ser vistas completamente por alguém que se
encontra num hemisfério terrestre. Por exemplo, a Ursa Menor, por quem está no
Hemisfério Norte, e o Octante, por quem está no Hemisfério Sul.
Das 88 constelações reconhecidas pela União Astronômica Internacional hoje,
mais da metade foram descritas primeiramente pelos gregos antigos. Cláudio Ptolomeu
(127-145 d.C.), baseando-se provavelmente no catálogo de estrelas do astrônomo grego
Hiparco (século II a.C.), atualizou o mesmo e organizou as estrelas em 48 constelações,
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registradas em seu sétimo e oitavo livro Almagesto. Entre o século XVI e XVII d.C.,
astrônomos europeus, navegantes e cartógrafos celestes, adicionaram novas
constelações às de Ptolomeu, principalmente feitas pelos europeus que primeiro
exploraram o Hemisfério Sul: o astrônomo Johannes Hevelius, os holandeses, Frederick
de Houtman, Pieter Dirkszoon Keyser e Gerard Mercator, o astrônomo francês Nicolas
Louis de Lacaille, e outros.
As 88 constelações ocidentais
Segundo a União Astronômica Internacional, a esfera celeste está dividida em 88
partes. Abaixo, estão seus nomes em latim e sua tradução para o português:
Andromeda, Andrômeda (mit.)
Antlia, Bomba de Ar
Apus, Ave do Paraíso
Aquarius, Aquário
Aquila, Águia
Ara, Altar
Aries, Áries (Carneiro)
Auriga, Cocheiro
Boötes, Pastor
Caelum, Buril de Escultor
Camelopardalis, Girafa
Cancer, Câncer (Caranguejo)
Canes Venatici, Cães de Caça
Canis Major, Cão Maior
Canis Minor, Cão Menor
Capricornus, Capricórnio
Carina, Quilha (do Navio)
Cassiopeia, Cassiopéia (mit.)
Cetus, Baleia
Chamaeleon, Camaleão
Circinus, Compasso
Columba, Pomba
Coma Berenices, Cabeleira
Corona Australis, Coroa Austral
Corona Borealis, Coroa Boreal
Corvus, Corvo
Crater, Taça
Crux, Cruzeiro do Sul
Cygnus, Cisne
Delphinus, Delfim
Dorado, Dourado (Peixe)
Draco, Dragão
Equuleus, Cabeça de Cavalo
Eridanus, Eridano
Fornax, Forno
Gemini, Gêmeos
Grus, Grou (tipo de ave)
Hercules, Hércules
Horologium, Relógio
Hydra, Cobra Fêmea
Hydrus, Cobra Macho
Indus, Índio
Lacerta, Lagarto
Leo, Leão
Leo Minor, Leão Menor
Lepus, Lebre
Libra, Libra (Balança)
Lupus, Lobo
Lynx, Lince
Lyra, Lira
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Mensa, Montanha da Mesa
Microscopium, Microscópio
Monoceros, Unicórnio
Musca, Mosca
Norma, Régua
Octans, Octante ou Oitante
Ophiuchus, Caçador de Serpentes
Orion, Órion (Caçador)
Pavo, Pavão
Pegasus, Pégaso (Cavalo Alado)
Perseus, Perseu (mit.)
Phoenix, Fênix
Pictor, Cavalete do Pintor
Pisces, Peixes
Piscis Austrinus, Peixe Austral
Puppis, Popa (do Navio)
Pyxis, Bússola
Reticulum, Retículo
Sagitta, Flecha
Sagittarius, Sagitário
Scorpius, Escorpião
Sculptor, Escultor
Scutum, Escudo
Serpens, Serpente
Sextans, Sextante
Taurus, Touro
Triangulum, Telescópio
Triangulum Australe, Triângulo Austral
Tucana, Tucano
Ursa Major, Ursa Maior
Ursa Minor, Ursa Menor
Vela, Vela (do Navio)
Virgo, Virgem
Volans, Peixe Voador
Vulpecula, Raposa
IDENTIFICANDO ALGUMAS CONSTELAÇÕES
Das 88 constelações ocidentais, algumas são mais fáceis de identificar no céu
noturno por causa de suas estrelas de maior brilho aparente. Uma constelação bastante
fácil é a de Órion, cuja sigla é “Ori”. Esta é uma das mais bonitas do céu noturno, e
representa a figura mitológica de um caçador ou de um guerreiro gigante em companhia
de seus dois cães de caça (representados pelas constelações Cão Maior e Cão Menor).
Na mitologia grega, Órion foi perseguido e ferido mortalmente por um escorpião
enviado para matá-lo. Esses dois personagens, Órion e Escorpião, tornaram-se
constelações, e foram postos no céu em oposição: quando Órion está se pondo no oeste,
Escorpião está nascendo no leste. Mas há outras mitologias, em outras culturas,
relacionadas a estes personagens.
Para encontrar Órion, o observador pode procurar no céu um conjunto de três
estrelas próximas de brilho parecido e enfileiradas, conhecidas como “Três Marias” (seus
nomes verdadeiros são: Alnilam, Alnitak e Mintaka). Estas fazem parte de Órion, sendo
seu cinto ou cinturão. Próximo ao cinturão é possível ver quatro estrelas brilhantes,
duas acima e duas abaixo do cinturão, formando uma figura que lembra asas de
borboleta.
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Há um objeto celeste bem conhecido nesta constelação, que é a Nebulosa de Órion
ou M42 / M43. É uma grande nuvem de gás e poeira formadora de estrelas. Encontra-se
a cerca de 1500 anos-luz de distância. O telescópio Hubble já detectou cerca de 150
regiões nessa nebulosa onde há formação de estrelas e talvez futuros sistemas estelares
com planetas.
Constelações da Bandeira
Abaixo, temos a parte da bandeira do nosso país onde há a representação parcial
ou total das principais estrelas de algumas constelações. As estrelas da bandeira
brasileira representam os estados e o Distrito Federal do nosso país, sendo 26 estrelas
para os estados e uma para o Distrito Federal.
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O céu representado na nossa bandeira corresponde ao céu da cidade do Rio de
Janeiro no dia e hora da Proclamação da República, que aconteceu no dia 15 de
novembro de 1889, às 08h30min. Neste horário, não havia estrelas visíveis no céu além
do nosso Sol, pois a luz dele, espalhada na nossa atmosfera, ofusca o brilho das outras
estrelas. Mas mesmo assim, os astrônomos sabiam as constelações que estavam no céu
naquele momento.
Segundo a Lei nº 5.700 de 1º de Setembro de 1971, as estrelas representadas
na bandeira devem ser postas como se estivessem sendo vistas de fora da esfera
celeste. Por causa disso, as constelações aparecem “espelhadas” (invertidas). Veja
abaixo um exemplo.
Numa constelação, a estrela mais brilhante recebe o nome de alfa; a segunda
mais brilhante recebe o nome de beta; a terceira mais brilhante recebe o nome de
gama, e assim por diante, sempre de acordo com a ordem alfabética do alfabeto grego.
Temos assim: alfa crux, beta crux, alfa leonis, beta leonis e ect.
Cruzeiro do Sul (Cru)
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Esta constelação é importante e famosa no Hemisfério Sul. Apesar de ser
pequena, é bem reconhecível por suas estrelas de brilho considerável.
O Cruzeiro do Sul, para os gregos antigos, pertencia à constelação do Centauro.
Os navegantes europeus no século XVI transformaram essa parte do Centauro em outra
constelação e a chamaram de Cruzeiro do Sul. Por sua vez, o cruzeiro ajudava nas rotas
dos navegantes, pois o eixo maior da cruz aponta aproximadamente para o pólo Sul
celeste. Basta tomarmos o tamanho do eixo maior da cruz e o prolongarmos em linha
reta cerca de quatro vezes e meia.
Um dos objetos celestes interessantes no Cruzeiro do Sul é o Aglomerado Aberto
de estrelas chamado Caixa de Jóias ou NGC 4755. Pode ser visto a olho nu, próximo a
beta crux, como uma pequena mancha. Tem o nome de Caixa de Jóias, pois nos dá a
impressão de estarmos vendo jóias brilhantes ao telescópio.
Na nossa bandeira, as estrelas do Cruzeiro do Sul representam os estados do
sudeste do país e o estado da Bahia.
Temos os estados, em ordem de brilho das estrelas: São Paulo, Rio de Janeiro,
Bahia, Minas Gerais e Espírito Santo.
Escorpião (Sco)
Constelação facilmente reconhecível. Podemos vê-la do lado esquerdo do
Cruzeiro do Sul na direção leste. A “cauda” curva, sugerindo uma interrogação de ponta
cabeça é muito aparente no céu. Faz parte do zodíaco, e se localiza entre as
constelações da Libra e de Sagitário. Na mitologia grega, foi o animal que matou Órion
com sua picada.
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A estrela de maior brilho aparente desta constelação é a supergigante vermelha
Antares, e é centenas de vezes maior que o Sol. É conhecida também como o “coração
do Escorpião”.
Na nossa bandeira, representa os estados do nordeste, em ordem de brilho das
estrelas: Piauí, Maranhão, Ceará, Alagoas, Sergipe, Paraíba, Rio Grande do Norte,
Pernambuco.
Cão Maior (CMa)
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Cão Maior é a constelação que contém a estrela mais brilhante do céu noturno,
Sírius. Para os gregos antigos, este cão era um dos que seguiam o caçador mitológico
Órion em suas caçadas. Sírius é bastante semelhante ao Sol em tamanho e
luminescência. Está a cerca de 8,7 anos luz de distância.
As histórias sobre os cães de Órion não são de proporções míticas, mas os gregos
tinham várias crenças interessantes sobre Sírius, Alpha Canis Majoris. O nome Sírius
talvez tenha vindo do grego, que significa "ardente". O Ano Novo ateniense começava
com o aparecimento desta estrela.
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Na bandeira, representa os seguintes estados, em ordem de brilho das estrelas:
Mato Grosso, Amapá, Rondônia, Roraima e Tocantins.
Cão Menor (Cmi)
Representa o menor dos cães de caça de Órion. O único ponto de interesse é a
sua alfa, Procyon. O nome significa em grego "antes do cão", referindo-se ao fato de que
esta estrela aparece no céu, do Hemisfério Norte, um pouco antes de Sírius nascer. Está
a cerca de 11,4 anos-luz de distância, e está quase tão perto de nós quanto Sírius.
Na nossa bandeira, esta constelação é representada pela estrela Procyon, uma
estrela sozinha, no lado esquerdo e debaixo da faixa “Ordem e Progresso”. Representa o
estado do Amazonas.
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Triângulo Austral (TrA)
"O Triângulo do Sul" é uma constelação que também não é difícil de ser
identificada, pois é uma das poucas que possui uma figura óbvia. Localiza-se próximo ao
Cruzeiro do Sul e da constelação do Centauro.
Na bandeira, representa os estados do sul do país. Em ordem de brilho aparente
das estrelas, temos: Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná.
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Virgem (Vir)
Esta é a segunda maior constelação do céu e a maior do Zodíaco. Virgem possui
uma série de antigos mitos e contos. Para os antigos romanos, era a deusa Ceres do
crescimento das plantas alimentares e das colheitas, e particularmente do milho.
Alpha Virginis é conhecida como Spica: a orelha "de trigo" que a deusa carrega.
Spica é um binário eclipsante azul-branco com um período de pouco mais de quatro
dias. A estrela é o dobro do tamanho do Sol, mas com uma luminosidade de cerca de
duas mil vezes a do sol. Está a 260 anos-luz de distância.
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Há um aglomerado de galáxias chamado Aglomerado de Virgem. Este aglomerado
fica localizado no “ombro” da Virgem. Acima, está representado pelos pequenos círculos
vermelhos no alto da figura.
Na bandeira, a estrela Spica representa o estado do Pará, sendo a única estrela
acima da faixa “Ordem e Progresso”.
Carina (Car)
Esta constelação não é fácil de identificar no céu. Carina significa a quilha (peça
estrutural básica de uma embarcação) do navio mitológico Argo. Fazia parte da figura do
Navio mitológico, que representa a nau dos argonautas, e foi dividida em três partes no
século XVIII: Carina, Popa e Vela.
Carina é o lar da estrela Canopus (alpha Carinae), a segunda estrela mais
brilhante do céu noturno. Localiza-se a cerca de 310 anos-luz de nós.
Na bandeira, a estrela Canopus representa o estado de Goiás.
Hidra (Hya)
Hidra é a maior constelação da esfera celeste. Estende-se por mais de um quarto
do céu, passando perto de constelações como, a Balança, o Centauro, o Corvo, a Taça, o
Sextante e Câncer.
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É difícil de ver no céu, pois suas estrelas em geral têm pouco brilho, e é uma
constelação muito extensa. O que mais chama a atenção nesta constelação é a região da
cabeça, formada por seis estrelas de brilho modesto.
Na mitologia grega, Hidra era um monstro de muitas cabeças morto por Hércules
em um de seus doze trabalhos. Mas no céu é representada como uma cobra d’água de
uma só cabeça.
Na bandeira, a Hidra aparece por apenas duas estrelas, e representam os estados
do Acre e Mato Grosso do Sul.
Octante (Oct)
Representa um instrumento náutico chamado de Octante ou Oitante, que serve
para dividir um círculo em oito partes, o que facilita a tomada de medidas angulares na
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astronomia e navegação. A constelação foi criada pelo astrônomo francês Nicolas Louis
de Lacaille no século XVI. Ela comemora o Octante, que foi inventado por John Hadley
em 1731.
A maioria das estrelas do Octante tem pouco brilho aparente, incluindo sigma(σ)
octantis, a estrela do pólo Sul (que na verdade está a um grau a partir do pólo sul
verdadeiro atualmente). Por seu brilho tão ínfimo, é difícil vê-la a olho nu. Por isso, não
temos no hemisfério sul uma estrela brilhante para demarcar um local próximo ao pólo
assim como a estrela polar Norte, Polaris (Ursa Menor). Mas podemos encontrar o local
aproximado do pólo Sul celeste usando a constelação do Cruzeiro do Sul.
Na bandeira, esta constelação aparece somente pela estrela sigma octantis, e
representa o Distrito Federal. Pode parecer estranho que tenha sido escolhida uma das
estrelas menos brilhantes no céu para representar a capital do nosso país. Mas o motivo
disso é o seguinte: é a estrela mais próxima do pólo Sul celeste, e por isso, as estrelas
das outras constelações giram ao redor da sigma octantis, ou seja, todos os estados do
Brasil “giram” ao redor do Distrito Federal.
Veja a foto abaixo. Esta é uma foto de longa exposição da região do pólo Sul
celeste, onde se podem ver os rastros das estrelas no céu indicando suas trajetórias no
decorrer do tempo. Percebe-se que não há estrelas de brilho muito grande próximas ao
pólo.
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Fonte da foto: www.douglasgalante.com/voar.htm
Constelações do Zodíaco
O Zodíaco é uma faixa do céu limitada por dois paralelos de latitude celeste: um
situado a 8º ao norte e o outro a 8º ao sul da Eclíptica (linha central do Zodíaco). Nessa
faixa, passam sempre o Sol, a Lua e os planetas.
A Eclíptica é o círculo máximo da Esfera Celeste que representa a trajetória anual
do Sol em seu movimento aparente ao redor da Terra. O movimento aparente do Sol é
uma consequência do movimento de translação da Terra, que em um ano, descreve sua
órbita ao redor do Sol. Este se desloca pela Eclíptica atravessando 13 constelações
chamadas de constelações zodiacais, que são: Peixes, Áries, Touro, Gêmeos, Câncer,
Leão, Virgem, Libra, Escorpião, Ofiúco, Sagitário, Capricórnio e Aquário. Para um
observador na Terra, a impressão é de que o planeta está fixo e o Sol, em um ano,
realiza uma volta pela Esfera Celeste, percorrendo a Eclíptica.
O Zodíaco possui importância apenas pelo fato de ser sobre ele que estão o Sol, a
Lua e os planetas. Na realidade, há 24 constelações localizadas na faixa zodiacal,
algumas totalmente inclusas, e outras em somente uma parte. Mas as que são
atravessadas pela Eclíptica são 13 constelações.
O Sol permanece em média um mês em cada constelação na Esfera Celeste. No
caso de Virgem, onde leva mais tempo, são 44 dias, já em Escorpião, onde passa menos
tempo, apenas 07 dias (e daí vai para Ophiuchus, onde passa 18 dias).
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A seguir, as constelações do Zodíaco serão apresentadas de acordo com a ordem
de passagem do Sol durante o ano, considerando como primeira constelação o
Capricórnio (de 19 de janeiro a 15 de fevereiro).
Capricórnio (Cap)
A constelação é antiga, e foi um dos primeiros membros do Zodíaco, sendo a sua
menor constelação. Possui estrelas de pouco brilho, e por isso não é fácil de identificá-la
no céu. A linha vermelha, atravessando Capricórnio na figura, representa a linha da
Eclíptica. Localiza-se entre Aquário e Sagitário. É normalmente traduzida como "A Cabra
do Mar" ou "A Cabra-Peixe", embora o nome signifique, literalmente, com chifres de
cabra.
Na mitologia grega, representava o deus Pã, que era semelhante a um bode. Pã
era muito indeciso, nunca sabia tomar uma decisão depressa. Numa ocasião, os deuses
estavam fugindo de um monstro marinho chamado Tifón. Os deuses se disfarçaram para
despistar o monstro, mas Pã, em dúvida de qual animal se transformar, quando viu a
sombra do monstro aproximar-se, sem conseguir decidir-se, transformou o seu tronco
em cabra e as suas pernas num rabo de peixe: ficou transformado num peixe-cabra.
Aquário (Aqr)
É uma das maiores constelações do Zodíaco, localiza-se entre Capricórnio e
Peixes. O Sol passa em Aquário de 16 de fevereiro a 11 de março. Na mitologia grega,
representa um jovem, e às vezes um homem velho, derramando água de uma jarra. Era
um belo pastor, Ganimedes, de quem Zeus se agradou. Zeus enviou uma águia (há
versões que dizem que o próprio Zeus que se transformou) que levou o rapaz para o
monte Olimpo, onde serviria como copeiro dos deuses.
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Peixes (Psc)
Representa dois peixes ligados pelas suas caudas na estrela alpha piscium. Na
verdade, o nome da alfa, "Al Rischa", significa "o cordão". A constelação é bastante
fraca; as estrelas de Peixes são geralmente de quarta magnitude. Localiza-se entre
Aquário e Áries. O Sol passa em Peixes de 12 de março a 18 de abril.
Sua importância está em conter o ponto em que o Sol cruza o equador indo em
direção ao norte a cada ano, no equinócio de março. Veja na figura abaixo onde a linha
de cor vermelha, a Eclíptica, e a de cor azul, o Equador Celeste, se cruzam.
No mito grego, representa Afrodite e seu filho Eros, que se transformaram em
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peixes e mergulharam no Eufrates para escapar do monstro Tífon.
Áries (Ari)
Seu nome significa carneiro. Situa-se entre Peixes e Touro, e não é muito
brilhante. Uma das formas de encontrá-la no céu é localizar as Plêiades (grande
aglomerado aberto de estrela na constelação de Touro), pois fica próxima a este
aglomerado. O Sol passa em Áries de 19 de abril a 13 de maio.
Na mitologia grega, representa o carneiro cujo velocino de ouro estava num
carvalho na Cólquida, costa leste do mar Negro. Jasão e os argonautas fizeram uma
viagem para levar o velocino à Grécia.
Touro (Tau)
Touro é uma constelação que pode ser encontrada com facilidade. Localiza-se
próxima a constelação de Órion. Sua estrela alfa, Aldebaran, é uma estrela gigante
vermelha de cor muito visível no céu. Possui o grande e nítido aglomerado aberto de
estrelas, Plêiades, conhecido também como Sete Irmãs. Podemos ver seis membros
deste aglomerado a olho nu. Dista cerca de 400 anos-luz da Terra. O Sol passa em
Touro de 14 de maio a 19 de junho.
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Outro aglomerado grande em Touro são as Híades (parte da constelação em
formato de “V”). Está localizado a cerca de 150 anos-luz de nós, e é o aglomerado
considerado mais próximo.
Há também outros objetos celestes interessantes, mas nem todos são possíveis
de ver a olho nu ou com um telescópio pequeno. Um exemplo disso é a Nebulosa do
Caranguejo (Veja abaixo). É o resto de uma estrela que explodiu. Foi visivelmente
registrada em julho de 1054 por astrônomos chineses e japoneses. Na verdade, teria
sido difícil não notar, pois esteve muito brilhante naquela época, o suficiente para ser
visto até mesmo durante o dia por quase um mês.
Na mitologia grega, o Touro representa o disfarce que Zeus usou para atrair a
atenção da princesa da Fenícia chamada Europa. Atravessou o Mediterrâneo a nado
levando Europa nas costas até ilha de Creta.
Gêmeos (Gem)
Esta é uma constelação identificável com facilidade por suas estrelas mais
brilhantes, Castor e Pollux, que representam as cabeças dos gêmeos mitológicos.
Localiza-se entre Touro e Câncer. O Sol passa em Gêmeos de 20 de junho a 20 de julho.
Castor (alpha Geminorum) na verdade não é a mais brilhante de Gêmeos, mesmo
tendo o nome de alfa. A mais brilhante é a Pollux. Castor está a 52 anos-luz de
distância. Não é uma grande estrela em particular, tem cerca de duas vezes o diâmetro
do Sol, e é um notável binário. Já Pollux, está a cerca de 34 anos-luz. É
consideravelmente maior, com um diâmetro estimado de cerca de dez sóis. Elas estão a
4,5 graus de separação uma da outra, o que ajuda a observadores estimarem distâncias
de separação entre outras estrelas no céu.
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Na mitologia grega, os gêmeos são apenas metade irmãos. São filhos da mesma
mãe (Leda), mas têm pais diferentes. O pai de Castor era um rei de Esparta, Tíndaro, e
o pai de Pollux era ninguém menos que Zeus.
Câncer (Cnc)
Câncer, traduzido como caranguejo, é a constelação mais fraca de todas as
constelações do Zodíaco. Localiza-se entre Gêmeos e Leão. O Sol passa em Câncer de 21
de julho a 9 de agosto.
Um dos objetos celestes em Câncer é o aglomerado estelar M44 chamado de
Presépio (ou Colméia, ou Manjedoura). É possível vê-lo a olho nu como um ponto difuso,
e fica bonito pelo binóculo.
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Na mitologia grega, o caranguejo atacou Hércules durante a sua luta com a
Hidra, mas foi esmagado pelo pé do herói.
Leão (Leo)
É uma constelação onde a figura lembra realmente um leão. Localiza-se entre
Câncer e Virgem. O Sol passa nesta constelação de 10 de agosto a 15 de setembro. No
mito grego, Leão atormentava uma pequena aldeia da Grécia chamada Neméia. O
animal era de couro impenetrável, mas Hércules conseguiu matá-lo.
Alpha leonis é chamada de "Regulus", e era vista como "Guardião do Céu". O
nome de Regulus foi dado por Copérnico, mas a estrela era mais conhecida na
antiguidade como “Cor Leonis”, “Coração de Leão”. Regulus é um binário múltiplo.
Localiza-se tão próxima à Eclíptica, que a Lua muitas vezes passa perto, e até oculta a
estrela em raras ocasiões.
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Virgem (Vir)
O Sol passa em Virgem de 16 de setembro a 30 de outubro. Ver detalhes no
tópico “Constelações da Bandeira”.
Libra (Lib)
Libra significa balança. Está localizada entre Virgem e Escorpião. Representa a
balança da justiça segurada por Virgem. O Sol passa em Libra de 31 de outubro a 22 de
novembro.
Para os gregos antigos, esta constelação fazia parte do Escorpião sendo suas
garras. Por isso, suas duas estrelas mais brilhantes, ainda chamadas de Zubenelgenubi
(alfa librae), veja seta vermelha na figura acima, e Zubeneschamali (beta librae), seta
alaranjada na figura acima, significam “garra do sul” e “garra do norte”,
respectivamente.
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Escorpião (Sco)
O Sol passa em Escorpião de 23 de novembro a 29 de novembro. Ver detalhes no
tópico “Constelações da Bandeira”.
Sagitário (Sgr)
O nome Sagitário deriva da palavra em latim sagitta que significa seta. Foram os
romanos que deram o nome à constelação de Sagitário. É uma brilhante constelação do
Zodíaco, entre Escorpião e Capricórnio. Tem como característica um padrão de estrelas
que lembra o formato de um bule. Localiza-se próxima a região do céu onde está situada
a direção do centro da nossa galáxia, Via Láctea. O Sol passa em Sagitário de 18 de
dezembro a 18 de janeiro.
Ofiúco (Oph)
Ofiúco, ou serpentário, é uma constelação distribuída sobre o equador celeste.
Representa um homem segurando uma serpente. A cabeça de Ofiúco fica próxima da
constelação de Hércules, e seus pés sobre a constelação do Escorpião. Embora seja uma
constelação em que o Sol passe de 30 de novembro a 17 de dezembro, ela não faz parte
do zodíaco. Mas vale citá-la aqui. A linha vermelha na figura abaixo é a linha da
Eclíptica.
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Na mitologia grega, Ofiúco era tido como o deus grego da medicina chamado de
Esculápio. Ele ressuscitava os mortos. Hades, deus do Inferno, temendo que isto o
atrapalhasse em seu comércio de almas mortas, pediu a Zeus que matasse Esculápio
com um raio. Zeus pôs Esculápio entre as estrelas, onde é visto segurando uma
serpente, símbolo da cura.
Referências Bibliográficas
OLIVEIRA FILHO, Kepler de Souza; SARAIVA, Maria de Fátima Oliveira. Astronomia e Astrofísica. 2.ed. São
Paulo:Livraria da Física, 2004. 4 e 5p.
RIDAPATH, Ian. Guia ilustrado Zahar astronomia. Tradução:Borges, Maria Luiza X. 2.ed. Rio de Janeiro: Jorge
Zahar Ed., 2008.
-SILVA, Edna Maria Esteves da. As constelações.On-line desde maio de 1999, link:
http://www.cfh.ufsc.br/~planetar/textos/constel.htm
-Wikipédia. Constelação. Link: http://pt.wikipedia.org/wiki/Constela%C3%A7%C3%A3o
-Varella, Irineu Gomes. Constelações do Zodíaco. On-line desde 23 de outubro de 2003, link:
http://www.uranometrianova.pro.br/astronomia/AA001/zodiaco.htm.
-International Astronomical Union (IAU). The Constellations. Acesso em 27 de maio de 2010, link:
http://www.iau.org/public/constellations/.
- DIBON-SMITH, Richard. The Constellations Web Page. Link: http://www.dibonsmith.com/constel.htm.
- OLIVEIRA FILHO, Kepler de Souza; SARAIVA, Maria de Fátima Oliveira. Constelações. Acesso em 30 de maio
de 2010, link: http://www.astro.ufrgs.br/const.htm.
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