texto completo - Nutricao de Plantas

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Capítulo
12
Assimilação de
nutrientes minerais
AS PLANTAS SUPERIORES SÃO ORGANISMOS AUTOTRÓFICOS que podem sintetizar seus componentes orgânicos a partir de nutrientes inorgânicos
obtidos do ambiente. Para muitos nutrientes minerais, o processo envolve a
absorção de compostos do solo pelas raízes (ver Capítulo 5) e a incorporação
em compostos orgânicos, essenciais ao crescimento e ao desenvolvimento.
Essa incorporação dos nutrientes minerais em substâncias orgânicas como
os pigmentos, os co-fatores enzimáticos, os lipídios, os ácidos nucléicos e os
aminoácidos, é denominada assimilação de nutrientes.
A assimilação de alguns nutrientes — em particular nitrogênio e enxofre
— requer uma série complexa de reações bioquímicas, que estão entre as
reações de maior demanda energética dos organismos vivos:
• Na assimilação do nitrato (NO3–), o nitrogênio do NO3– é convertido
em uma forma mais energética, o nitrito (NO2–) e, então, em uma
forma ainda mais energética, o amônio (NH4+), e finalmente em nitrogênio-amida da glutamina. Este processo consome o equivalente a 12
ATPs para cada nitrogênio (Bloom e cols., 1992).
• Plantas como as leguminosas, por exemplo, estabelecem uma relação
simbionte com bactérias fixadoras de nitrogênio, para converter o nitrogênio molecular (N2) em amônia (NH3), que é o primeiro produto
estável no processo natural de fixação; entretanto, em pH fisiológico, a
amônia é protonada para formar o íon amônio (NH4+). O processo de
fixação biológica do nitrogênio, junto com a subseqüente assimilação
de NH3 em um aminoácido, consome cerca de 16 ATPs por nitrogênio
(Patê e Lauzell, 1990; Vande Broek e Vanderleyden, 1995).
• A assimilação de sulfato (SO42–) no aminoácido cisteína, por meio de duas
rotas encontradas nas plantas, consome cerca de 14 ATPs (Hell, 1997).
Para ter-se uma idéia da enorme quantidade de energia envolvida, deve-se
considerar que, se essas reações ocorressem rapidamente em reverso — por
exemplo, de NH4NO3 (nitrato de amônio) para N2 — elas se tornariam explosivas, liberando grandes quantidades de energia como movimento, calor
e luz. Praticamente todos os explosivos são baseados na rápida oxidação de
compostos de nitrogênio ou de enxofre.
2
Capítulo 12
A assimilação de outros nutrientes, especialmente os macro
e os micronutrientes catiônicos (ver Capítulo 5), envolve a formação de complexos com compostos orgânicos. Por exemplo,
o Mg2+ associa-se ao pigmento clorofia, o Ca2+ associa-se a
pectatos na parede celular e o Mo6+ com enzimas como a nitrato redutase e a nitrogenase. Tais complexos são altamente
estáveis, sendo que a remoção do nutriente do complexo pode
resultar na perda total de função.
Este capítulo resume as reações primárias pelas quais os
principais nutrientes (nitrogênio, enxofre, fosfato, cátions e
oxigênio) são assimilados. Serão enfatizadas as implicações fisiológicas do gasto energético requerido e introduzido o tópico da
fixação simbiótica do nitrogênio.
NITROGÊNIO NO AMBIENTE
Muitos compostos bioquímicos presentes nas células vegetais
possuem nitrogênio (ver Capítulo 5). Por exemplo, o nitrogênio
é encontrado nos nucleosídeos fosfato e nos aminoácidos que
formam a estrutura dos ácidos nucléicos e das protínas, respectivamente. Apenas elementos como o oxigênio, o carbono e o
hidrogênio são mais abundantes nas plantas que o nitrogênio. A
maioria dos ecossistemas naturais e agrários apresneta um expressivo ganho na produtividade após serem fertilizados com nitrogênio inorgânico, atestando a importância desse elemento.
Nesta seção, tanto o ciclo biogeoquímico do netrogênio.
O papel crucial da fixação de nitrogênio na conversão do ni-
trogênio molecular em amônio e em nitrato, quanto o destino
do nitrato e do amônio nos tecidos vegetais serão discutidos.
O nitrogênio é transformado em diferentes formas no
ciclo biogeoquímico
O nitrogênio está presente em diversas formas na biosfera. A
atmosfera contém uma vasta quantidade (cerca de 78% por volume) de nitrogênio molecular (N2) (ver Capítulo 9). Porém, esse
grande reservatório de nitrogênio não está diretamente disponível
para os organismos vivos. A obtenção de nitrogênio da atamosfera requer a quebra de uma ligação tripla covalente de excepcional estabilidade, entre os dois átomos de nitrogênio (N≡N) para
produzir amônia (NH3) ou nitrato (NO3–). Tais reações, conhecidas
como fixação do nitrogênio, podem ser obtidas por processo
industrial e por processo natural.
Sob elevadas temperaturas (cerca de 200 ºC) e alta pressão
(cerca de 200 atmosferas), o N2 combina-se com hidrogênio
formando amônia. As condições extremas são necessárias para
superar a alta energia de ativação da reação. Essa reação de
fixação de nitrogênio, conhecida como processo Haber-Bosch,
é o ponto de partida para a fabricação de muitos produtos para
a indústria e agricultura. Indústrias em todo o mundo produzem
mais de 80 x 1012 g ano-1 de fertilizantes nitrogenados (FAOSTAT, 2001).
Os processos naturais fixam cerca de 190 x 1012 g ano-1
de nitrogênio (Tabela 12.1) por meio dos seguintes processos
(Schlesinger, 1997):
TABELA 12.1
Principais processos do ciclo biogeoquímico do nitrogênio
Processo
Definição
Taxa
(1012g ano-1)a
Fixação industrial
Conversão industrial do nitrogênio molecular em amônia
80
Fixação atmosférica
Conversão fotoquímica e plos relâmpagos do nitrogênio molecular em nitrato
19
Fixação biológica
Conversão do nitrogênio molecular em amônia pelos procariontes
170
Aquisição pelos vegetais
Absorção e assimilação do amônio ou nitrato pelos vegetais
1200
Imobilização
Absorção e assimilação do amônio ou nitrato por microrganismos
N/C
Amonificação
Ação de bactérias e fungos no catabolismo da matéria orgânica do solo em amônio
N/C
Nitrificação
Oxidação bacteriana (Nitrosomonas sp.) do amônio em nitrito e a posterior
oxidação pelas bactérias (Nitrobacter sp.) do nitrito em nitrato
N/C
Mineralização
Ação das bactérias e fungos no catabolismo da matéria orgânica do solo em
nitrogênio mineral, por meio da amonificação ou nitrificação
N/C
Volatilização
Perda física do gás amônia para a atmosfera
100
Fixação do amônio
Ligação física do amônio nas partículas do solo
10
Desnitrificação
Conversão bacteriana do nitrato em óxido nitroso e nitrogênio molecular
210
Lixiviação do nitrato
Escoamento físico do nitrato dissolvido no lençol de água das camadas superiores do solo e eventualmente para os oceanos
36
Nota: Organismos terrestres, do solo e dos oceanos contém cerca de 5,2x1015 g e 95x1015 g e 6,5x1015 g, respectivamente, de nitrogênio orgânico que
é ativo no ciclo. Admitindo que a quantidade de N2 na atmosfera permanece constante (entrada=saída), o tempo médio de residência (o tempo médio que
a molécula de nitrogênio permanece na forma orgânica) é cerca de 370 anos [(tamanho do pool)/(fixação input)=(5,21015 g + 95x1015 g)/(80x1012 g
ano-1 +19x1012 g ano-1 + 170x1012 g ano-1)] (Schlesinger, 1997). a N/C não-calculado.
Assimilação de nutrientes minerais
3
• Relâmpagos. Os relâmpagos são responsáveis por aproximadamente 8% do nitrogênio fixado. Convertem o vapor
de água e oxigênio em radicais hidroxilas livres altamente reativos, em átomos de hidrogênio livre e em átomos
de oxigênio livre, que atacam o nitrogênio molecular (N2)
para formar o ácido nítrico (HNO3). Posteriormente, esse
ácido nítrico precipita sobre a Terra junto com a chuva.
manecerem competitivos, os vegetais desenvolveram mecanismos para capturar esses íons, a partir da solução do solo, tão
rápido quanto possível (ver Capítulo 5). Sob as concentrações
elevadas no solo, que ocorrem após a fertilização, a absorção do
amônio e do nitrato pelas raízes pode exceder a capacidade de
uma planta em assimilar esses íons, levando ao seu acúmulo nos
tecidos vegetais.
• Reações fotoquímicas. Cerca de 2% do nitrogênio fixado
é derivado de reações fotoquímicas entre o óxido nítrico
gasoso (NO) e o ozônio (O3), produzindo o ácido nítrico
(HNO3).
O amônio ou o nitrato armazenados podem ser tóxicos
• Fixação biológica do nitrogênio. Noventa por cento
(90%) do nitrogênio restante resultam da fixação biológica, nos quais as bactérias ou algas azuis (cianobactérias)
fixam o N2 em amônio (NH4+).
Do ponto de vista agrícola, a fixação biológica do nitrogênio
é crítica, pois, raramente, a produção industrial de fertilizantes à
base de nitrogênio supre a demanda agrícola (FAOSTAT, 2001).
Uma vez fixado em amônio ou nitrato, o nitrogênio entra
no ciclo biogeoquímico, passando por várias formas orgânica
ou inorgânicas antes de eventualmente retornar à forma de nitrogênio molecular (Figura 12.1; Tabela 12.1). Os íons amônio
(NH4+) e nitrato (NO3–) gerados pela fixação ou liberados por decomposição da matéria orgânica do solo, tornam-se objetos de
intensa competição entre plantas e microrganismos. Para per-
As plantas podem acumular altos níveis de nitrato ou podem translocá-lo através dos tecidos sem efeitos prejudiciais.
Entretanto, se os animais e os homens consumirem material
vegetal com altos níveis de nitrato, eles podem sofrer de metemoglobinemia, uma doença na qual o fígado reduz o nitrato
a nitrito, o que se combina coma hemoglobina, resultando em
uma hemoglobina incapaz de se combinar com o oxigênio. O
homem e os outros animais são capazes também de converter
nitrato em nitrosaminas, as quais são potentes carcinogênicos.
Nesse sentido, alguns países impõem limites nos níveis de nitrato nos vegetais que são consumidos pelo homem.
Em comparação com o nitrato, altos níveis de amônio são
tóxicos tanto para as plantas quanto para os animais. O amônio
é capaz de dissipar os gradientes de prótons transmembrana
(Figura 12.2) necessários ao transporte de elétrons na fotossíntese e na respiração (ver Capítulos 7 e 11), assim como para a
FIGURA 12.1 Ciclo do nitrogênio. O nitrogênio da atimosfera varia desde a forma gasosa à de íons reduzidos, antes de ser incorporado a compostos orgânicos nos organismos vivos. Algumas etapas envolvidas no ciclo do nitrogênio estão representadas.
4
Capítulo 12
Membrana
Alto pH
Estroma, matriz
ou citoplasma
OH–
OH–
OH–
OH–
H2O
NH4+ + OH–
H+
H+
NH3 + H+
OH–
H+
H+
NH4+
Onde NAD(P)H indica NADH ou NADPH. A forma mais comum da enzima nitrato redutase utiliza somente o NADH como
doador de elétrons; outra forma da enzima, encontrada predominantemente em tecidos não-clorofilados, como raízes, pode usar
tanto o NADH quanto o NADPH (Warner e Kleinhofs, 1992).
As nitrato reduases das plantas superiores são formadas por
duas subunidades idênticas com três grupos prostéticos cada:
FAD (flavina andenina dinucleotídeo), heme e um complexo formado entre o molibdênio e uma molécula orgânica denominada
pterina (Mendel e Stallmeyer, 1995; Campbell, 1999).
O
H+
H+
OH
–
Em pH alto, o NH4+
reage com o OH–
para formar NH3–.
H+
H+
OH–
NH3
OH–
Baixo pH
Lume, espaço
intermembrana ou vacúlo
N
HN
NH3 é permeável à
membrana e se
difunde por
intermédio dessa, de
acordo com o seu
gradiente de
concentração.
H 2N
NH3 reage com o H+
para formar NH4+.
FIGURA 12.2 A toxicidade do NH4+ pode dissipar os gradientes de
pH. O lado esquerdo representa o estroma, a matriz mitocondrial ou
o citoplasma, onde o pH é mais elevado. O lado direito representa o
lume, o espaço intermembrana ou o vacúolo, onde o pH é mais baixo;
a membrana representa o tilacóide do cloroplasto, a membrana interna
mitocondrial ou o tonoplasto do vacúolo de uma célula de raiz. O resultado líquido da reação mostra que as concentrações de OH– do lado
esquerdo e de H+ do lado direito diminuíram, isto é, o gradiente de pH
foi dissipado (segundo Bloom, 1997).
N
N
Uma pterina (completamente oxidada)
Nitrato redutase é a principal proteína contendo molibdênio
encontrada nos tecidos vegetativos e um dos sintomas da deficiência do molibdênio é o acúmulo de nitrato, devido à diminuição da atividade da nitrato redutase.
A comparação entre as seqüências de aminoácidos da nitrato redutase de diversas espécies com aquelas de outras proteínas já caracterizadas que se ligam ao FAD, heme ou ao molibdênio, resultou em um modelo para a nitrato redutase com três
domínios apresentados na Figuar 12.3. O domínio de ligação
do FAD aceita dois elétrons do NADH ou do NADPH. Os elétrons são deslocados pelo domínio heme para o complexo molibdênio, onde são transferidos para o nitrato.
O nitrato, a luz e os carboidratos regulam a nitrato
redutase
captura de metabólitos nos vacúolos (ver Capítulo 6). Devido ao
perigo que representam os altos níveis de amônio, os animais
desenvolveram uma forte aversão ao seu odor. Como exemplo, pode-se citar os sais-de-cheiro, composto por carbonato de
amônio, um vapor medicinal liberado sob o nariz para animar
pessoas desfalecidas. As plantas assimilam o amônio próximo
da região de absorção ou produção e rapidamente armazenam
qualquer excesso nos vacúolos para evitar efeitos tóxicos nas
membranas e no citosol.
Na próxima seção, será discutido o processo pelo qual o
nitrato, absorvido pelas raízes por meio de um transportador de
H+ -NO3– do tipo simporte (ver o Capítulo 6 para a discussão
sobre simprote), é assimilado em compostos orgânicos e os processos enzimáticos responsáveis pela redução do nitrato primeiramente em nitrito e depois em amônio.
O nitrato, a luz e os carboidratos interferem na nitrato redutase
em nível de transcrição e tradução (Sivasankar e Oaks, 1996). Em
plântulas de cevada, o mRNA da nitrato redutase foi detectado
aproximadamente 40 minutos após a adição do nitrato, sendo os
níveis máximos obtidos em três horas (Figura 12.4). Ao contrário
Regiões hinge
N Terminal
NO3–
NO3–
MoCo
MoCo
Heme
Heme
C Terminal
FAD
FAD
2 e–
2 e–
NADH
NADH
Nitrato redutase
ASSIMILAÇÃO DO NITRATO
As plantas assimilam a maioria do nitrato absorvido por suas
raízes em compostos orgâncios nitrogenados. A primeira etapa
do processo é a redução do nitrato em nitrito no citoplasma
(Oaks, 1994). A enzima nitrato redutase catalisa esta reação:
NO3– + NAD(P)H + H+ + 2e– →
NO2– + NAD(P)+ + H2O
(12,1)
FIGURA 12.3 Modelo do dímero da nitrato redutase indicando os três
domínios de ligação, dos quais as seqüências de polipeptídeos são similares nos eucariontes: complexo molibdênio (CoMo), grupo heme e FAD;
O NADH liga-se ao domínio de ligação do FAD de cada subunidade e
inicia a transferência de dois elétrons a partir do grupo carboxila terminal (C), através de cada elemento de transferência de elétrons, até o
grupo amino terminal (N). O nitrato é reduzido no complexo molibdênio
próximo à região amino terminal. As seqüências dos polipeptídeos nas
regiões hinge são altamente variáveis entrea as espécies.
Assimilação de nutrientes minerais
Níves Relativos do mRNA da
nitrato redutase (%)
100
20
mRA
nas raízes
80
mRA nas
partes aéreas
15
60
40
Nitrato
redutase
nas partes
aéreas
20
0
4
10
Nitrato redutase nas raízes
8
12
16
Tempo Após a indução (horas)
5
20
Atividade da nitrato redutase
(μmol gmf–1 h–1)
FIGURA 12.4 O aumento da atividade da nitrato
redutase resulta da indução da síntese do mRNA da
enzima em partes aéreas e raízes de cevada; gmf,
grama de massa fresca (Kleinhofs e cols., 1989).
5
24
do rápido acúmulo do do mRNA, houve um incremento gradual
linear na atividade da nitrato redutase, refletindo a síntese mais
lenta da proteína.
Além disso, a proteína sofre também uma modulação póstradução (envolvendo um fosforilação reversível) análoga à regulação da sacarose fosfato sintase (ver Capítulos 8 e 10). A luz e os
níveis de carboidratos, além de outros fatores ambientais, estimulam a proteína fosfatase, que desfosforila vários resíduos de serina
na proteína nitrato redutase, promovendo a ativação da enzima.
Agindo na direção inversa, o escuro e o Mg+ estimulam a
proteína quinase, a qual fosforila os mesmo resíduos de serina,
interagindo com a proteína inibidora 14-3-3 e inativando a nitrato redutase (Kaiser e cols., 1999). A regulação da atividade da
nitrato redutase através da fosforilação e da desfosforilação
possibilita um controle mais rápido do que o obtido através
da síntese ou degradação da enzima (minutos versus horas).
sistem de um único poliperptídeo com dois grupos prostéticos:
um grupo ferro-enxofre, Fe4S4, e um grupo heme especializado
(Siegel e Wilkerson, 1989). Tais grupos agem conjuntamente
ligando-se ao nitrito e o reduzindo-o diretamente a amônio, sem
aculular compostos nitrogenados em estado redox intermediár
ios. O fluxo de elétrons pela ferredoxina, Fe4S4, e heme oodem
ser representados, conforme a Figura 12.5.
A nitrito redutase é codifica no núcleo e sintetizada no citoplasma, apresentando um peptídeo de trânsito N-terminal que
direciona o seu deslocamento para os plastídeos (Wray, 1993).
Enquanto o NO3– e a luz induzem a transcrição do mRNA da
nitrito redutase, os produtos finais do processo — asparagina e
glutamina — reprimem essa indução.
A nitrito redutase converte o nitrito em amônio
Em muitas plantas, quando as raízes recebem pequenas
quantidade de nitrato, é o mesmo reduzido principalmente nesses órgãos. À medida que o suprimento de nitrato aumenta,
uma proporção maior do nitrato absorvido é translocado para
as partes aéreas onde será assimilado (Marschner, 1995). Mesmo
sob condições similares de disponibilidade do nitrato, o balanço do
metabolismo do nitrato entre raízes e a parte aérea — conforme
O nitrito (NO2–) é um íon altamente reativo e potencialmente
tóxico. As células vegetais transportam rapidamente o nitrito
originado pela redução do nitrato (ver Equação 12.1) do citosol
para o interior dos cloroplastos nas folhas e nos plastídeos nas
raízes. Nessas organelas, a enzima nitrito redutase reduz o nitrito a amônio de acordo com a seguinte reação geral:
NO2– + 6 Fdred + 8 H+ + 6 e– →
NH4+ + 6 Fdox + 2 H2O
(12.2)
Onde o Fd representa a ferredoxina e os
símbolos subscritos red e ox, forma reduzida e oxidade, respectivamente. A ferredoxina reduzida deriva do transporte de elétrons da fotossíntese nos cloroplastos (ver
Capítulo 7) e do NADPH gerado pela via
da oxidação da pentose fosfato nos tecidos
não-clorofilados (ver Capítulo 11).
Tanto os cloroplastos quanto os plastídeos das raízes possuem diferentes formas
da enzima, contudo ambas as formas con-
As plantas podem assimilar nitrato tanto nas raízes
quanto nas partes aéreas
Luz
H+
Ferredoxina
(reduzida)
e
NO2–
Nitrito
–
Reação luminosa
da fotossíntese
(Fe4S4)
e–
Heme
Nitrito redutase
Ferredoxina
(oxidada)
NH 4+
Amônio
FIGURA 12.5 Modelo do acoplamento do fluxo de elétrons da fotossíntese, via ferredoxina,
com a redução do nitrito pela nitrito redutase. A enzima nitrito redutase possui dois grupos
prostéticos, Fe4S4 e heme, os quais participam na redução do nitrito a amônio.
6
Capítulo 12
Glutamato + NH4+ + ATP →
Glutamina + ADP +Pi
Cardo
Stellaria media
(12.3)
Trevo branco
Perilla fruticosa
Aveia
Milho
Impatiens
Girassol
Cevada
Feijão
Fava
Ervilha
Rabanete
Tremoço branco
0
10 20 30 40 50 60 70 80 90 100
Nitrogênio nos exsudados do xilema (%)
Nitrato
Amidas
Aminoácidos
Ureídas
FIGURA 12.6 Quantidade relativas de nitrato e outros compostos nitrogenados do exsudados do xilema de várias espécies vegetais. As plantas
foram cultivadas com as suas raízes expostas a soluções de nitrato e a
seiva do xilema foi coletada por rompimento do caule.
Observe a presença de ureídas, compostos nitrogenados especializados, em
feijão e ervilha (que será discutido posteriormente no texto) (Pate, 1983).
indicado pela proporção da atividade da nitrato redutase em
cada um dos dois órgãos ou pelas concentrações relativas do
nitrato e do nitrogênio reduzido na seiva do xilema — varia de
espécie para espécie.
Nas plantas como o cardo (Xanthium strumarium), o metabolismo dos nitratos é restrito às partes aéreas; em outras
plantas, como o tremoço branco (Lupinus albus), a maior parte
do nitrato é metabolizado nas raízes (Figura 12.6); Em geral, as
espécies nativas de regiões de clima temperado dependem mais
intensamente da assimilação do nitrato pelas raízes do que as
espécies das regiões tropicais e subtropicais.
ASSIMILAÇÃO DO AMÔNIO
As células vegetais evitam a toxicidade do amônio pela rápida
conversão do amônio gerado a partir da assimilação do nitrato ou
da fotorrespiração (ver Capítulo 8) em aminoácidos. A principal via
para esta conversão envolve a ação seqüencial da glutamina sintetase e da glutamato sintase (Lea e cols., 1992). Nesta seção serão
discutidos os processos enzimáticos responsáveis pela assimilação
do amônio em aminoácidos essenciais, além do papel das amidas
na regulação do metabolismo do nitrogênio e do carbono.
A conversão do amônio em aminoácidos requer duas
enzimas
A glutamina sintetase (GS) combina o amônio com o glutamato para formar a glutamina (Figura 12.7A):
Esta reação necessita a hidrólise de uma molécula de ATP e
envolve um cátion bivalente, como o Mg2+, Mn2+ ou Co2+ como
co-fator. As plantas possuem duas classe de GS, uma no citosol
e a outra nos plastídeos das raízes ou nos cloroplastos das partes
aéreas. As formas citosólicas são expressas durante a germinação
de sementes ou no feixe vascular das raízes e partes aéreas, produzindo glutamina para o transporte do nitrogênio intracelular.
A GS nos plastídeos das raízes forma o nitrogênio amida que é
consumido localmente, enquanto que a GS dos cloroplastos das
partes aéreas reassimila o NH4+ da fotorrespiração (Lam e cols.,
1996). Tanto os níveis de carboidratos quanto os de luz alteram a
expressão das formas dessa enzima presentes nos plastídeos, mas
apresentam pouco efeito nas formas citosólicas.
Os níveis elevados de glutamina nos plastídeos estimulam
a atividade da glutamoto sintase (conhecido como glutaminas:
2-oxoglutarato aminostransferase, ou GOGAT). Essa enzima
transfere o grupo amida da glutamina para o 2-xooglutarato,
produzindo duas moléculas de glutamto (ver Figura 12.7A). As
plantas possuem dosi tipos de GOGAT: um recebe elétrons do
NADH, e o outro elétrons da ferredoxina (Fd):
Glutamina + 2-oxoglutarato + NADH + H+ →
2 glutamato + NAD+
(12.4)
Glutamina + 2-oxoglutarato + Fdred →
2 glutamato + Fdox
(12.5)
A enzima do tipo NADH (NADH-GOGAT) está localizada
nos plastídeos de tecidos não-fotossintéticos como raízes ou
feixes vasculares de folhas em desenvolvimento. Nas raízes a
NADH-GOGAT está envolvida na assimilação do NH4+ absorvido da rizosfera (porção do solo localizado próximo a superfície
das raízes), enquanto que, nos feixes vasculares de folhas em
desenvolvimento, a NADH-GOGAT assimila a glutamina translocada das raízes ou das folhas senescentes.
A glutamato sintase do tipo ferredoxina-dependente (Fd-GOGAT) é encontrada nos cloroplastos e age no metabolismo fotorrespiratório do nitrogênio. Tanto a quantidade da proteína quanto
a sua atividade aumentam com os níveis de luz. As raízes, em
particular naquelas sob nutrição com nitrato, têm Fd-GOGAT nos
plastídeos. Provavelmente, a finalidade da Fd-GOGAT das raízes seja
incorporar a glutamina gerada durante a assimilação do nitrato.
O amônio pode ser assimilado através de uma rota alternativa
A glutamato desidrogenase (GDH) catalisa uma reação reversível que sintetiza ou desamina o glutamato (Figura 12.7B):
2-Oxoglutarate + NH4+ + NAD(P)H ↔
gluatamato + H2O + NAD(P)+
(12.6)
Uma forma NADH-dependente do GDH é encontrada nas
mitocôndrias e uma forma NADPH-dependente ocorre nos cloroplastos de órgãos fotossintéticos. Embora ambas as formas
sejam relativamente abundantes, elas não podem substituir a
rota da GS-GOGAT para a assimilação do omônio, tendo como
função principal desanimar o glutamato (ver figura 12.7B).
Assimilação de nutrientes minerais
7
(A)
Glutamina
sintetase
(GS)
COOH
HC
NH2
CH2
+
C
HC
ADP
+
Pi
CH2
Amônio
NH4+
ATP
COOH
Glutamato
Amônio
+
C
CH2
CH2
CH2
Glutamato
desidrogenase
(GDH)
COOH
O
CH2
NAD(P)H
O–
C
CH2
CH2
O
O–
C
O–
O
2 Glutamatos
+
NH2
H2O
O–
O
Glutamatos
COOH
NH2
COOH
+
C
CH2
CH2
CH2
C
O
Aspartato
aminotransferase
Asp-AT
COOH
C
C
NH2
O–
C
O
CH2
CH2
O
O–
COOH
CH2
O–
O
C
O
O–
O
Glutamato
Oxalacetato
COOH
COOH
Aspartato
(D)
NH2
+
C
CH2
CH2
CH2
C
C
CH2
NH2
CH2
(C)
HC
NH2 + HC
CH2
C
2-Oxoglutarato
COOH
CH2
NAD(P)+
2-Oxoglutarato
C
NAD+
ou
Fdox
NADH + H+
ou
Fdred
O
HC
O
HC
HC
O–
C
NH2
COOH
COOH
CH2
C
O
CH2
Glutamina
(B)
NH4
C
+
O
O
+
NH2
C
O–
Glutamato
sintase
(GOGAT)
COOH
NH2
Asparagina
sintetase
(AS)
NH2
ATP
O–
O
ADP
+
PPi
2-Oxoglutarato
COOH
HC
NH2
CH2
C
+
HC
NH2
CH2
NH2
O
O
Glutamina
COOH
CH2
C
O–
O
Aspartato
Asparagina
Glutamato
Figura 12.7 Estrutura e rotas de síntese de compostos envolvidos no metabolismo do amônio. O amônio pode ser assimilado por um dos vários processos. (A) A rota da GS-GOGAT que forma a glutamina e glutamato. É necessário um co-fator reduzido para a reação: ferrodoxina nas folhas verdes
e o NADH nos tecidos não-fotossintéticos. (B) A rota do GDH que forma o glutamato, utilizando o NADH ou o NADPH como um reagente redutor.
(C) Transferência do grupo amino do glutamato para o oxalacetato para formar o aspartato (catalisado pela enzima aspartato aminotransferase) . (D)
Síntese da asparagina pela transferência de um grupo aminoácido da glutamina para o aspartato (catalisada pela enzima asparagina sintetase).
8
Capítulo 12
As reações de transaminação transferem o nitrogênio
Uma vez assimilado em glutamina e glutamato, o nitrogênio é
incorporado em outros aminoácidos por meio de reações de transaminação. As enzimas que catalisam tais reações são conhecidas
como aminotransferases. Um exemplo é o aspartato aminotransferase (Asp-AT), que catalisa a seguinte reação (Figura 12.7C):
Glutamato + oxalacetato →
aspartato + 2-oxoglutarato
(12.7)
no qual o grupo amino do glutamato é transferido para o átomo
carboxil do aspartato. O aspartato é um aminoácido que participa
do transporte malato-aspartato, no processo de transferência de
equivalentes redutores das mitocôndrias e cloroplastos para o citosol (ver Capítulo 11) e no transporte do carbono a partir das células
do mesofilo até a bainha do feixe vascular no processo de fixação
C4 do carbono (ver Capítulo 8). Todas as reações de transaminação requerem o piridoxal fosfato (vitamina B6) como co-fator.
As aminotransferases são encontradas no citoplasma, nos
cloroplastos, nas mitocrôndrias, nos glioxissomos e nos peroxissomos. As aminotransferases localizadas nos cloroplastos podem
desempenhar um importante papel na biossíntese dos aminoácidos, pois folhas ou cloroplastos isolados expostos ao dióxido
de carbono marcado radiotivamente, incorporam com rapidez a
marca em glutamato, aspartato, alanina, serina e glicina.
A asparagina e a glutamina unem o metabolismo do
carbono e do nitrogênio
A asparagina, isolada pela primeira vez do aspargo em
1806, foi a primeira amida a ser identificada (lam e cols. 1996).
Esse aminoácido não atua apenas como um precursor de proteína, mas como um elemento-chave no transporte e no armazenamento do nitrogênio, devido à sua estabilidade é a alta razão
nitrogênio:carbono (2N para 4C da asparagina, contra 2N para
5C da glutamina e 1N para 5C do glutamato).
A principal rota para a síntese da asparagina envolve a tranferência do nitrogênio amida da glutamina para a asparagina
(Figura 12.7D):
Glutamina + aspartato + ATP →
asparagina + glutamato + AMP + PPi
assimilação favorável do nitrogênio em asparagina, um composto
rico em nitrogênio e suficientemente estável para ser transportado em longas distâncias e armazenado por muito tempo.
FIXAÇÃO BIOLÓGICA DO NITROGÊNIO
A fixação biológica representa a forma mais importante de
fixar o nitrogênio atmosférico N2 em amônio, representando,
assim, o ponto-chave do ingresso do nitrogênio molecular no ciclo biogeoquímico do nitrogênio (ver Figura 12.1). Nesta seção,
serão abordadas as propriedades das enzimas nitrogenases,
responsáveis pela fixação do nitrogênio, as reações simbiontes
entre organismos fixadores do nitrogênio e plantas superiores, a
formação de estruturas especializadas nas raízes infectadas por
bactérias fixadores de nitrogênio pelos procariontes simbiontes
e seus hospedeiros.
Bactérias fixadoras de nitrogênio de vida livre e
simbiontes
Conforme já mencionado, certas bactérias podem converter o
nitrogênio atmosférico em amônio (Tabela 12.2). A maior parte
desses organismos procariontes fixadores de nitrogênio tem vida
livre no solo. Poucos formam associações simbiontes com plantas
superiores, nas quais o procarionte fornece diretamente à planta
hospedeira o nitrogênio fixado em troca de outros nutrientes e
carboidratos (Tabela 12.2). Tais simbioses ocorrem nos nódulos
formados nas raízes dos vegetais contendo bactérias fixadoras.
O tipo mais comum de simbiose ocorre entre as espécies da
família Leguminosae e as bactérias de solo dos gêneros Azorhizobium, Bradyrhizobium, Photorhizobium, Rhizobium e Sinorhizobium (coletivamente chamados rizóbios; Tabela 12.3 e
Figura 12.8). Outro tipo comum de simbiose ocorre entre várias
espécies de plantas lenhosas, como árvores do gênero Alnus, e
bactérias do solo do gênero Frankia. Podem ser encontrados,
ainda, outros tipos de associações entre herbáceas da América
do Sul do gênero Gunnera e pteridófitas do gênero Azolla, as
quais formam associações com cianobactérias Nostoc e Anabaena, respectivamente (ver Tabela 12.2 e Figura 12.9).
(12.8)
A asparagina sintetase (AS), a enzima que catalisa esta
reação, é encontrada no citosol das células das folhas e raízes e
nos nódulos que fixam o nitrogênio (ver a aproxima seção). Em
raízes de milho, , sobretudo aquelas sob níveis potencialmente
tóxicos de amônia, o amônio pode substituir a glutamina como
fonte do grupo amina (Sivankar e Oaks, 1996).
Altos níveis de luz e carboidratos – condições que estimulam
a GS e a Fd-GOGAT dos plastídeos – inibem a expressão dos
genes que codoficam AS e a atividade da enzima. A regulação
antagônica dessas rotas competitivas auxilia no balanço do metabolismo do carbono e do nitrogênio nos vegetais (Lam e cols.,
1996). As condições de ampla energia (i. é, com altos níveis de
luz e de carboidratos) estimulam a GS e a GOGAT, inibem a AS
e assim favorecem a assimilação do nitrogênio em glutamina e
em glutamato, compostos ricos em carbono e que participam na
síntese de novos compostos nos vegetais.
Por comparação, em condições limitadas de energia ocorre a
inibição da GS e da GOGAT e a estimulação da AS, resultando na
A fixação do nitrogênio requer condições anaeróbicas
Em decorrência da irreversível inativação que o oxigênio provoca na enzima nitrogenase, envolvida na fixação do nitrogênio, este
deve ser fixado sob condições anaeróbicas. Assim, cada organismo fixador de nitrogênio listado na Tabela 12.2 funciona em condições naturais de ausência de oxigênio ou desenvolve condições
internas de anaerobiose, mesmo na presença do oxigênio.
Nas cianobactérias, as condições de anaerobiose são criadas
em células especializadas denominadas heterocistos (ver Figura
12.9). Os heterocistos são células com paredes espessadas,
que se diferenciam quando as cianobactérias filamentosas são
privadas do NH4+. Tais células não apresentam o fotossistema
II, o qual produz o oxigênio nos cloroplastos (ver Capítulo 7); assim, elas não produzem oxigênio (Burris, 1976). Os heterocistos
parecem representar uma adaptação para que ocorra a fixação
do nitrogênio, sendo largamente encontrados entre as cianobactérias aeróbicas fixadoras do nitrogênio.
Assimilação de nutrientes minerais
9
TABELA 12.2
Exemplos de organismos que podem realizar a fixação do nitrogênio
Fixação simbionte do nitrogênio
Planta hospedeira
Fixação simbionte de N
Legumes: leguminosas e Parasponia
Azorhizobium, Bradyrhizobium, Photorhizobium, Rhizobium,
Sinorhizobium
Actinorrízicas: Alnus (árvore), Ceanothus (arbusto), Casuarina (árvore), Datisca (arbusto)
Frankia
Gunnera
Nostoc
Azolla (pteridófita aquática)
Anabaena
Cana-de-açúcar
Acetobacter
Fixadores de nitrogênio de vida livre
Tipo
Gêneros fixadores de N
Cianobactérias (algas azuis-esverdeadas)
Anabaena, Calothrix, Nostoc
Outras bactérias
Aeróbicas
Azospirillum, Azotobacter, Beijerinckia, Derxia Bacillus Klesbsiella
Facultativas
Bacillus Klebsiella
Anaeróbicas
Não-tossintetizantes
Clostridium, Methanococcus (Archaebacteria)
Fotossintetizantes
Chromatium, Rhodospirillum
As cianobactérias podem fixar o nitrogênio em condições de
anaerobiose, como aquelas encontradas em campos alagados. Nos
países asiáticos, ambos os tipos de cianobactérias fixadoras do nitrogênio, com ou sem os heterocistos, representam o princ ipal
modo de manutenção de um suprimento adequado de nitrogênio
no solo das plantações de arroz. Esses microrganismos fixam o
nitrogênio quando os campos estão alagados e morrem quando
secam, liberando o nitrogênio fixado para o solo. Uma outra fonte
importante de nitrogênio em campos alagados cultivador com ar-
roz é a pteridófita aquática Azolla, a qual se associa com a cianobactéria Anabaena. A associação Azolla-Anabaena pode fixar 0,5
Kg de nitrogênio atmosférico por hectare/dia, uma taxa de fertilização suficiente para manter uma lavoura de arroz.
As bactérias de vida livre, capazes de fixar nitrogênio, podem
ser aeróbicas, facultativas ou anaeróbicas (ver Tabela 12.2)
• Bactérias aeróbicas fixadoras de nitrogênio, como a Azotobacter, mantêm condições reduzidas de oxigênio (condições
TABELA 12.3
Associações entre plantas hospedeiras e rizóbios
Planta hospedeira
Rizóbios simbiontes
Parasponia (não-leguminosa, antigamente
chamada de Trema)
Bradyrhyzobium spp.
Soja (Glycine max)
Bradyrhyzobium japonicum (tipo com crescimento lento)
Sinorhizobium fredii (tipo com crescimento rápido)
Alfafa (Medicago sativa)
Sinorhizobium meliloti
Sesbania (aquática)
Azorhizobium (forma nódulos nas raízes e no caule; no caule se desenvolvem
raízes adventícias)
Feijão (Phaseolus)
Rhizobium leguminosarum bv. phaseoli; Rhizobium tropicii; Rhizobium etli
Trevo (Trifolium)
Rhizobium leguminosarum bv. trifolii
Ervilha (Pisum sativum)
Rhizobium leguminosarum bv. viciae
Aeschenomene (aquática)
Photorhizobium (rizóbios fotossinteticamente ativos, que formam nódulos no caule,
provavelmente associados a raízes adventícias)
10
Capítulo 12
microaeróbicas) por meio das suas altas taxas de respiração
(Burris, 1976). Outras, como a Gloeothece, liberam o O2 fotossintético durante o dia e fixam o nitrogênio durante a noite.
• Organismos facultativos capazes de crescer sob condições aeróbicas e anaeróbicas, geralmente fixando o nitrogênio somente sob condições anaeróbicas.
• Para as bactérias anaeróbicas fixadoras de nitrogênio, o
oxigênio não representa um problema, pois está ausente
no ambiente. Tais organismos podem ser tanto fotossintetizantes (como Rhodospirillum) quanto não-fotossintetizantes (como Clostridium).
A fixação simbionte do nitrogênio ocorre em estrututas
especializadas
Os organismos procariontes simbiontes fixadores de nitrogênio
ocorrem no interior de nódulos, órgãos especiais da planta hospedeira que contêm as bactérias fixadoras (ver Figura 12.8). No caso
do gênero Gunnera, esses órgãos ocorrem em glândulas do caule,
que se desenvolvem independentemente do organismo simbionte.
No caso das leguminosas e das plantas actinorrízicas, as bactérias
fixadoras de nitrogênio induzem a formação de nódulos nas raízes.
As gramíneas também podem desenvolver relações simbiontes com organismos fixadores de nitrogênio, mas nessas associações os nódulos não são produzidos. No caso, a bactéria
fixadora de nitrogênio coloniza os tecidos do vegetal ou se ancora na superfície da raiz, principalmente próximas da zona de
alongamento e dos pêlos radiculares (ver Glossário) (Reis e cols.,
2000). Por exemplo, a bactéria fixadora de nitrogênio Acetobacter diazotrophicus vive no apoplasto dos tecidos do caule de
cana-de-açúcar e pode suprir o seu hospedeiro com nitrogênio
suficiente para garantir a sua independência de fertilizantes nitrogenados. (Dong e cols., 1994). O potencial para aplicação de
Azospirillum em milho e em outros grãos tem sido explorado,
porém esse organismo parece fixar pouco nitrogênio quando
associado a plantas (Vande Broek e Vanderleyden, 1995).
As plantas leguminosas e actinorrízicas regulam a permeabilidade dos gases nos seus nódulos, mantendo ali um nível de
oxigênio que pode sustentar a respiração, mas é suficientemente
baixo para evitar a inativação da nitrogenase (Kuzma e cols.,
1993). A permeabilidade gasosa aumenta na luz e decresce sob
condições de seca ou exposição ao nitrato. O mecanismo de
regulação da permeabilidade gasosa ainda não é conhecido.
Os nódulos possuem uma heme proteína que se liga ao
oxigênio chamada de leg-hemoglobina, a qual está presente
em altas concentrações (700 μM nos nódulos de soja) no citoplasma das células infectadas do nódulo, conferindo a esses
nódulos uma cor rosada. A planta hospedeira produz a porção
globina da leg-hemoglobina em resposta à infecção pela bactéria
(Marschner, 1995); a bactéria simbionte produz a porção heme.
A leg-hemoglobina apresenta uma alta afinidade pelo oxigênio
(Km de aproximadamente 0,01 μM), cerca de 10 vezes mais alta
do que a cadeia β da hemoglobina humana.
Embora se acreditasse que a leg-hemoglobina agisse como
um tampão para o oxigênio do nódulo, estudos recentes indicam que ela armazena uma quantidade suficiente de oxigênio
para a manutenção da respiração nodular por poucos segundos
(Denison e Harter, 1995). Sua função é auxiliar o transporte do
oxigênio para a respiração das células bacterianas simbióticas,
de maneira análoga ao transporte de oxigênio realizado pela hemoglobina nos tecidos dos animais (Ludwig e de Vries, 1986).
O estabelecimento da simbiose requer uma troca de
sinais
A simbiose entre as leguminosas e os rizóbios não é obrigatória. As plântulas de leguminosas desenvolvem-se sem
qualquer associação com rizóbios e podem permanecer em tal
condição durante todo seu ciclo de vida. Os rizóbios também
ocorrem como organismos de vida livre no solo. Entretanto, sob
condições limitantes de nitrogênio, os simbiontes procuram uns
aos outros, por meio de uma elaborada troca de sinais. A sinalização, o processo de infecção e o desenvolvimento de nódulos fixadores de nitrogênio envolvem genes específicos tanto da
planta hospedeira quanto dos simbiontes.
Os genes vegetais específicos de nódulos são denominados
genes nodulinos (Nod), enquanto que os genes dos rizóbios
participantes da formação dos nódulos são chamados de genes de
nodulação (nod) (Heidstra e Bisseling, 1996). Os genes nod são
classificados de nod gerais e genes nod hospedeiro-específico. Os
genes nod gerais – nodA, nodB e nodC – são encontrados em
todas as cepas de rizóbios, enquanto os genes nod hospedeiro-es-
Assimilação de nutrientes minerais
11
FIGURA 12.9 Um filamento de cianobactéria fixadora de nitrogênio (Anabaena) com um hererocisto. O heterocisto com paredes espessas, intercalado entre as céluloas vegetativas, possui um
ambiente interno anaeróbico que permite à cianobactéria fixar nitrogêncio em condições aeróbicas
(©Paul W. Johnson/Biological Photo Service)
pecífico – Como nodP, nodQ e nodH, ou os nodF, nodE e nodL –,
diferem entre as espécies de rizóbios e determinam o tipo de hospedeiros. Somente um dos genes nod, o gene regulador nodD, é constitutivamente expresso e, como será explicado em detalhe, o seu
produto proteíco (NodD) regula a transcrição de outros genes nod.
O primeiro estádio no estabelecimento da relação simbionte
entre a bactéria fixadora de nitrogênio e seu hospedeiro é a migração da bactéria em direção as raízes da planta hospedeira. Esta
migração é uma resposta quimiotática, mediada por atrativos
químicos, em especial (isso)flavonóides e betaínas, secretados
pelas raízes. Tais atrativos ativam a proteína do rizóbio NodD, a
qual induz a transcrição de outros neges nod (Phillips e Kapulnik,
1995). A região promotora de todos os operons nod, exceto a
do nodD, possui seqüências altamente conservadas chamadas
de nod box. A ligação da NodD ao nod box induz a transcrição
de outros neges nod.
Os genes nod hospedeiro-específicos que variam entre as
espécies de rizóbios estão envolvidos na modificação das cadeia
acil lipídica ou na adição de grupos importantes na determinação da especificidade do hospedeiro (Carlson e cols., 1995):
• NodE e NodF determinam o comprimento e o grau de saturação da cadeia acil lipídica; aquelas de Rhizobium leguminosarum bv. Viciae e R. meliloti resultam na síntese de grupos
acil lipídicos de 18:4 e 16:2, respectivamente (rever o Capítulo 11, onde o numero que antecede os dois pontos indica o
número total de carbonos na cadeia acil lipídica, enquanto o
número posterior indica o número de ligações duplas).
• Outras enzimas, como NodL, influenciam a especificidade do hospedeiro aos fatores Nod pela adição de substituições específicas nas porções dos açúcares redutores e
não redutores do esqueleto de quitina.
Os fatores Nod produzidos pela bactéria atuam como
sinalizadores para a simbiose
Os genes nod ativados pelo NodD codificam as proteínas de
nodulação, cuja maioria está envolvida na biossíntese dos fatores
Nod, os quais são moléculas sinalizadoras oligossacarídeos de
lipoquitina, que apresentam uma quitina β-1→4 ligada a um esqueleto N-acetil-D-glicosamina (variando em comprimento de
três a seis unidades de açúcar), além de uma cadeia acil lipídica na
posição C-2 do açúcar não-redutor (Figura 12.10).
Três dos genes nod (nodD e nodC) codificam as enzimas
(NodA, NodB e NodC, respectivamente) necessárias à síntese
dessa estrutura (Stokkermans e cols., 1995):
Hidrogênio, Sulfato,
fucose ou 2-O-metil
fucose
O
CH2OH
CH2OH
O
HO
2. A NodB é uma desacetilase quitina-oligossacarídeo que remove o grupo acetil de um açúcar terminal não-redutor.
3. A NodC é uma sintase quitina-oligossacarídeo que liga os
monômeros de N-acetil-D-glicosamina.
O
O
HO
NH
Ácido graxo
1. A NodA é uma N-aciltransferase que catalisa a adição da
cadeia acil lipídica.
CH2
O
HO
O
N
C
CH3
HO
O
N
C
O
n
Hidrogênio
ou glicerol
O
CH3
FIGURA 12.10 Os fatores Nod são oligossacarídeos de lipoquitina. A
cadeia de ácido graxo apresenta normalmente de 16 a 18 carbonos. O
número de sessões intermediárias repetidas (n) é geralmente dois a três
(segundo Stokkermans e cols., 1995)
12
Capítulo 12
Uma elguminosa hospedeira em particular responde a um
fator Nod específico. Os receptores da leguminosa para os fatores Nod parecem ser lectinas especiais (proteína de ligação
a açúcar), produzidas nos pêlos radiculares (van Rhijn e cols.,
1998; Etzler e cols., 1999). Os fatores Nod ativam estas lectinas, aumentando a hidrólise de ligaçõos fosfoanididrida dos
nucleosiídeos de e trifosfato. Tal ativação da lectina direciona
os rizóbios específicos aos hospedeiros apropriados e facilita a
ligação dos rizóbios à parede celular do pêlo radicular.
A formação do nódulo envolve vários fitormônios
Os dois processos — infecção e organogênese do nódulo — ocorrem simultaneamente durante a formação do nódulo da raiz. Durante o processo de infecção, os rizóbios que estão ligados aos pêlos
radiculares liberam os fatores Nod, que induzem um pronunciado e
enrolamento das células do pêlo (Figura 12.11 A e B). Os rizóbios
tornam-se envolvidos por um pequeno compartimento, formando
pelo enrolamento. A parede celular do pêlo radicular também é
degradada nessas regiões em resposta aos fatores Nod, permitindo
que as células bacterians acessam diretamente à superfície externa
da membrana plasmática (Lazarowitz e Bisseling, 1997).
A próxima etapa é a formação de um canal de infecção
(Figura 12.11 C), uma extensão interna tubular da membrana
plasmática, que é produzida pela fusão de vesículas derivadas
do Gogi no local da infecção. O canal cresce no seu ápice pela
fusão de vesículas secretoras na extremidade do tubo. Na região
mais profunda do córtex, próximo ao xilema, as células corticais desdiferenciam-se e iniciam a divisão, formando uma área
distinta no córtex, denominada primórdio nodular, a partir do
qual o nódulo irá se desenvolver. Os primórdios nodulares são
formados opostos aos pólos do protoxilema do feixe vascular da
raiz (Timmers e cols., 1999) (ver Tópico 12.1 na Internet).
Diferentes compostos de sinalização, atuando positiva ou
negativamente, controlam a posição do primórdio nodular. O
nucleosídeo uridina difunde-se do estelo para o córtex, na zona
do protoxilema da raiz e estimula a divisão celular (Lazarowitz e
Bisseling, 1997). O etileno é sintetizado na região do periciclo,
difunde-se para o córtex e bloqueia a divisão celular no pólo
oposto ao floema da raiz.
O canal de infecção, preenchido pelos rizóbios em proliferação, alonga-se através do pêlo radicular e das camadas de
células corticais, em direção ao primórdio nodular. Quando o
canal de infecção atinge as células especializadas no nódulo,
sua extremidade fusiona-se com a membrana plasmática da célula hospedeira, liberando células bacterianas envoltas por uma
membrana derivada da membrana plasmática da célula hospedeira (ver figura 12.11D). A ramificação do canal de infecção
dentro dos nódulos permite a bactéria infectar muitas células
(ver figura 12.11E e F)(Maylona e cols., 1995).
Inicialmente, as bactérias continuam a se dividir e a membrana que as envolve aumenta em superfície para acomodar
esse crescimento pela fusão com vesículas menores. Logo após,
a partir de um sinal da planta, as bactérias param de se dividir
e começam a aumentar em tamanho e a se diferenciarem em
organelas endossimbióticas fixadoras de nitrogênio denominadas bactererióides. A membrana que envolve os bacterióides é
chamada de membrana peribacterióide.
O nódulo como um todo desenvolve características semelhantes a um sistema vascular (o qual facilita a troca de nitrogênio
FIGURA 12.11 O processo de infecção durante a organogênse do
nódulo. (A) Os rizóbios ligam-se a um pêlo radicular em formação,
em resposta a atrativos químicos liberados pela planta. (B) Em resposta aos fatores produzidos pela bactéria, o pêlo radicular apresenta um enrolamento anormal e as células dos rizóbios crescem dentro
dos enrolamentos. (C) A degradação localizada da parede celular do
pêlo radicular leva à infecção e à formação do canal de infecção a
partir das vesículas secretoras do Golgi das células da raiz. (D) O
canal de infecção atinge a extremidade da célula e sua membrana
fusiona-se com a membranaplasmática da célula do pêlo radicular.
(E_ Os rizóbios são liberados no apoplasto e penetram no complexo
da lamela média da membrana plasmática da célula suepidérmica,
iniciando um novo canal de infecção, o qual forma um canal aberto
com o primeiro. (F_ O canal de infecção estende-se e se ramifica até
atingir as células-alvo, onde as vesículas constituídas por membranas
do vegetal, contendo bactérias, são liberadas no citosol.
fixado produzido pelos bacterióides por nutrientes disponibilizados
pela planta) e uma camada de células para excluir o O2 do interior
do nódulo da raiz. Em algumas leguminosas de clima temperado
(p. ex., ervilhas), os nódulos são alongados e cilíndricos, devido à
presença de um meristema nodular. Os nódulos de leguminosas
tropicais, como soja e amendoim, não apresentam um meristema
persistente, além de serem esféricos (Rolfe e Gresshoff, 1988).
O complexo da enzima nitrogenase fixa o N2
A fixação biológica do nitrogênio, semelhante à fixação industrial do nitrogênio, produz amônia a partir do nitrogênio molecular. A reação geral é:
N2 + 8 e- + 8 H+ +16 ATP→
2 NH3 + H2 + 16 ADP + 16 Pi
(12.9)
Observe que a redução do N2 a 2NH3, uma transferência de
seis elétrons, está associada à redução de dois prótons para formar
H2. O complexo da enzima nitrogenase catalisa essa reação.
O complexo da enzima nitrogenase pode ser separado em
dois componentes — a Fe-proteína e a MoFe-proteína —, nenhuma delas com atividade catalítica própria (Figura 12.12):
• A Fe-proteína é a menor dos dois componentes e apresenta duas subnidades idênticas de 30 a 72 kDa cada,
dependendo do organismo. Cada subunidade contém
um grupo ferro-enxofre (4 Fe e 4 S2–), que participa nas
reações redox envolvidas na conversão de N2 em NH3.
A Fe-proteína é irreversivelmente inativada por O2 com
uma meia-vida caracterísitca de 30 a 45 segundos (Dixon
e Wheeler, 1986).
• MoFe-proteína apresenta quatro subunidades, com massa
molecular total de 180 a 235 kDa, dependendo da espécie. Cada subunidade apresenta dois grupos Mo-Fe-S. A
MoFe-proteína é também inativada pelo oxigênio, com a
meia-vida de 10 minutos no ar.
Na reação geral de redução do nitrogênio (ver Figura 12.12),
a ferredoxina atua como um doador de elétrons para Fe-proteína, a qual, por sua vez, hidrolisa ATP e reduz a MoFe-proteína.
A MoFe-proteína pode, então, reduzir inúmeros substratos (Ta-
Assimilação de nutrientes minerais
bela 12.4), embora, sob condições naturais, ela reaja somente
com N2 e H+. Uma das reações catalisadas pela nitrogenase, a
redução do acetileno a etileno, é usada para estimar a atividade
da nitrogenase (ver Tópico 12.2 na Internet).
O balanço energético da fixação do nitrogênio é complexo.
A produção de NH3 a partir de N2 e H2 é uma reação exergônica (ver Capítulo 2 na Internet) para uma discussão de reações
exergônicas), com um ΔGº (mudança na energia livre) de –27
kJ mol–1. Entretanto, a produção industrial de NH3 a partir de
N2 e H2 é endergônica, necessitando-se um grande input de
energia, devido à energia de ativação necessária para quebrar
a ligação tripla do N2– Pela mesma razão, a redução enzimática
do N2 pela nitrogenase também requer um grande investimento
13
de energia (ver Equação 12.9), embora as mudanças exatas na
energia livre ainda sejam desconhecidas.
Cálculos baseados no metabolismo de carboidrato de leguminosas indicam que a planta consome 12 g de carbono orgânico
por grama de N2 fixado (Heytler e cols., 1984). Com base na
Equação 12.9, o ΔGº para a reação geral da fixação biológica
do nitrogênio é cerca de –200 kJ mol–1. Visto que a reação total
é altamente exergônica, a produção de amônio é limitada pela
ação lenta (número de moléculas de N2 reduzida por unidade de
tempo) do complexo nitrogenase (Ludwig e de Vries, 1986).
Sob condições naturais, quantidades substanciais de H+ são reduzidas ao gás H2. Este processo pode competir com a redução do
N2 pelos elétrons da nitrogenase. Nos rizóbios, 30 a 60% da en-
14
Capítulo 12
Figura 12.12 A reação catalisada pela nitrogenase. A ferrodoxina reduz a Fe-proteína. Acredita-se que a ligação e a hidrólise do
ATP à Fe-proteína provoca uma mudança na
conformação dessa proteína, o que facilita as
reações redox. A Fe-proteína reduz a MoFeproteína e esta última reduz o N2 (Dixon e
Wheeler, 1986 e Buchanan e cols., 2000).
Complexo da enzima nitrogenase
Fe-proteína
Ferredoxinaox
MoFe-proteína
Fered
Fered
Feox
Ferredoxinared
16 ATP
MoFeox
Produtos
2 NH3, H2
MoFered
Substrato
N2, 8 H+
MoFeox
16 ADP
+
16 Pi
ergia fornecida para a nitrogenase podem ser perdidos como H2,
diminuindo a eficiência da fixação do nitrogênio. Alguns rizóbios,
entretanto, contêm hidrogenase, uma enzina que pode clivar o H2
formado e gerar elétrons para a redução do N2, aumentando, assim, a eficiência da fixação do nitrogênio (Marschner, 1995).
Amidas e ureídas são formas transportadas de nitrogênio
Os organismos procariontes simbióticos fixadores de nitrogênio liberam amônia que, para evitar a toxidade, deve ser
rapidamente convertida em formas orgânicas nos nódulos da raiz,
antes de serem transportadas pelo xilema para a parte aérea.
As leguminosas fixadoras de nitrogênio podem ser divididas em
exportadoras de amidas ou exportadoras de ureídas, com base
na composição da seiva do xilema. As amidas (principalmente os
aminoácidos asparagina e glutamina) são exportadas por leguminosas de regiões temperadas, tais como ervilha (Pisum), trevo
(Trifolium), fava (Vicia) e lentilha (Lens).
As ureídas são exportadas por leguminosas de origem tropical, tais como a soja (Glycine), o feijão (Phaseolus), o amendoim
(Arachis) e a Vigna. As três ureídas principais são alantoína, ácido
alantóico e citrulina (Figura 12.13). A alantoína é sintetizada nos
peroxissomos a partir do ácido úrico, enquanto o ácido alantóico é
sintetizado a partir da alantoína no retículo endoplasmático. O local
de síntese da citrulina a partir do aminoácido ornitina não foi ainda
determinado. Os três compostos são liberados no xilema e transportados para a parte aérea, onde são rapidamente catabolizados a
amônio. Esse amônio entra na rota de assimilação já descrita.
TABELA 12.4
Reações catalisadas pela nitrogenase
N2 → NH3
Fixação do introgênio molecular
N2O → N2 + H2O
Redução do óxido nitroso
N3– → N2 + NH3
Redução de azida
C 2H 2 → C 2H 4
Redução de acetileno
2H+ → H2
Produção de H2
ATP → ADP + Pi
Atividade hidrolítica do ATP
ASSIMILAÇÃO DE ENXOFRE
O enxofre está entre os elementos mais versáteis dos organismos vivos (Hell, 1997). As pontes dissulfídicas em proteínas exercem funções estruturais e reguladoras (ver Capítulo
8). O enxofre participa no transporte de elétrons por meio dos
grupos ferro-enxofre (ver Capítulos 7 e 11). Os sítios catalíticos
de várias enzimas e co-enzimas, tais como urease e coenzima
A, contêm enxofre. Os metabólitos secundários (compostos
que não estão envolvidos nas vias primárias de crescimento
e de desenvolvimento) que contêm enxofre variam desde os
fatores Nod rizobiais, discutidos na seção anterior, ao anti-séptico alina encontrado no alho e ao anticarcinogênico sulforafano, presente no brocólis.
A versatilidade do enxofre deriva, em parte, da propriedade
que apresenta em comum com o nitrogênio: múltiplos estados
estáveis de oxidação. Nesta seção, serão discutidas as etapas
enzimáticas que participam da assimilação do enxofre e as reações bioquímicas que catalisam a redução do sulfato em dois
aminoácidos contendo enxofre, cisteína e metionina.
O sulfato é a forma de absorção de enxofre nos vegetais
A maioria do enxofre nas células de vegetais superiores deriva do sulfato (SO4–2) absorvido via um transportador H+–SO42–
do tipo simporte (ver Capítulo 6), a partir da solução do solo.
O sulfato no solo é proveniente sobremaneira do desgaste das
rochas. No entanto, a industrialização acrescenta uma fonte
adicional de sulfato: a poluição atmosférica. A queima e combustíveis fósseis libera várias formas de enxofre gasoso, incluindo dióxido de enxofre (SO2) e sulfeto de hidrogênio (H2S), os
quais são levados para o solo pela chuva.
Quando dissolvido em água, o SO2 é hidrolisado e transforma-se em ácido sulfúrico (H2SO4), um ácido forte, que é a
principal fonte de chuva ácida. As plantas podem, também, metabolizar o dióxido de enxofre, que é absorvido na forma gasosa
através dos estômatos. Entretanto, exposições prolongadas
(mais de oito horas) às altas concentrações atmosféricas do SO2
(maiores do que 0,3 ppm) causam extensos danos nos tecidos,
devido à formação do ácido sulfúrico.
Assimilação de nutrientes minerais
Figura 12.13 As principais
ureídas utilizadas para transportar nitrogênio a partir dos
locais onde serão desaminados para fornecer nitrogênio
para a síntese de aminoácidos e nucleosídeos.
H
H 2N
C
C
O
H 2N
H
N
C
N
O
H
C
O
OH
NH H
C
HN
O
Ácido alantóico
C
N
C H
C
NH2
N
CH2CH2CH2C
O
O
Alantoína
COOH
NH2
Citrulina
A primeira etapa na síntese de compostos orgânicos contendo enxofre é a redução do sulfato ao aminoácido cisteína (Figura
12.14). O sulfato é muito estável e necessita ser ativado antes que
alguma reação subseqüente possa ocorrer. A ativação inicia com
a reação entre o sulfato e o ATP, para formar 5’-adenililsulfato (o
qual é, algumas vezes, referido como adenosina-5’-fosfosulfato e
abreviado como APS) e pirofosfato (PPi) (ver Figura 12.14):
SO42– + Mg-ATP → APS + PPi
(12.10)
A enzima que catalisa essa reação, ATP sulfurilase, apresenta duas formas: a maior é encontrada nos plastídeos e amenor,
no citoplasma (Leustek e cols. 2000). A reação de ativação é energeticamente desfavorável. Para levar essa reação adiante, os
produtos APS e PPi devem ser convertidos de imediato em outros compostos. O PPi é hidrolisado a fosfato inorgânico (Pi) pela
pirofosfatase inorgânica, de acordo com a seguinte reação:
PPi + H2O → 2 Pi
(12.11)
O outro produto, APS, é rapidamente reduzido ou sulfatado,
sendo predominante a via de redução (Leustek e cols., 2000).
A redução do APS é um processo de múltiplas etapas,
que ocorre exclusivamente nos plastídeos. De início, A APS
redutase, aparentemente, transfere dois elétrons da glutationa
reduzida (GSH) para produzir sulfito (SO32–):
APS + 2 GSH → SO32– + 2 H+ + GSSG + AMP
APS + ATP – PAPS + ADP
(12.16)
As sulfotransferases, então, podem transferir o grupo sulfato
do PAPS para vários compostos, incluindo colina, brassinosteróides, flavonol, ácido gálico glicosídeo, glucosinolatos, peptídeos e polissacarídeos (Leustek e Saito, 1999).
A assimilação do sulfato ocorre principalmente nas folhas
A redução do sulfato à cisteína altera o número de oxidação
do enxofre de +6 para –4, assim necessitando da transferência
de 10 elétrons. A glutationa, a ferredoxina, o NAD(P)H ou a 0acetilserina podem atuar como doadores de elétrons em vários
passos da rota metabólica (ver Figua 12.14).
Na assimilação do enxofre, as folhas são em geral mais ativas
do que as raízes, provavelmente devido ao fato da fotossíntese disponibilizar a ferredoxina reduzida e a fotorrespiração gerar a serina,
que pode estimular a produção da 0-acetilserina (ver Capítulo 8). O
enxofre assimilado nas folhas é exportado pelo floema para os locais de síntese proteíca (frutos e ápices caulinares e radiculares), sobretudo na forma de glutationa (Bergmann e Rennenberg, 1993):
O
Glicina
Cisteína
(12.13)
O sulfeto resultante reage com 0-acetilserina (OAS) para formar cisteína e acetato. A 0-acetilserina, que reage com o S2–, é
formada na reação catalisada pela serina acetiltransferase:
Serina + Acetil-CoA → OAS + CoA
(12.14)
A reação que produz cisteína e acetato é catalisada pela
OAS tiol-liase:
(12.15)
A sulfatação do APS, localizada no citosol, é a via alternativa. Inicialmente, a APS quinase catalisa a reação da APS com
ATP, para formar 3’-fosfoadenosina-5’ – fosfossulfato (PAPS).
O–
C
H
(12.12)
Onde GSSG representa a glutationa oxidada. (o SH em GSH e o
SS em GSSg representam as pontes S-H e S-S, respectivamente).
A seguir, a sulfito redutase transfere seis elétrons da ferredoxina (Fdred) para produzir sulfeto (S2–):
OAS + S2– → cisteína + acetato
C
H
O
A assimilação do sulfato necessita da redução do sulfato
a cisteína
SO32– + 6 Fdred → S2– + 6 Fdox
H 2N
H
15
C
H
N
H
O
C
H
C
CH2
N
H
O
SH
C
CH2
CH2
Glutamato
H 3N +
C
H
C
O
O–
Glutationa reduzida
A glutationa também atua como um sinal que coordena a absorção
do sulfato pelas raízes e assimilação do sulfato pela parte aérea.
16
Capítulo 12
O
O
Adenina
H
H
CH2
H
HO
OH O
P
P
O
O
O
O–
S
O
Sulfotransferase
O
–
O
R-OH
R
O
S
O–
O
3´-Fosfoadenilato
O–
O–
3´-Fosfoadenosina-5´-fosfossulfato (PAPS)
Metabólito O-sulfatado
COO–
ADP
CH2
APS quinase
NH
ATP
sulforilase
SO42–
Sulfato
ATP
O
Adenina
PPi
H
H
O
H
P
O
O
O–
S
O
–
O
APS sulfotransferase
GSH
H
5´-AMP
OH OH
ATP
Pirofosfatase
inorgânica
H
CH2
O
O
O
C
CH2 S
S
O
NH
C
O
–
Nãoenzimático
GSH
O–
O
S
O– 6Fd
red
GSSG
O
Sulfito
redutase
S2–
6Fdox
Sulfeto
Sulfito
CH2
H 2O
2 Pi
C
CH2
Adenosina-5´-fosfossulfato (APS)
H 3N +
C
H
COO–
S-Sulfoglutationa
HO
CH2
CH
COOH
NH2
Serina
acetiltransferase
Acetil-CoA
CoA
S2–
CH3
C
O
Serina
O
CH2
CH
NH2
Acetato
SH
COOH
O-Acetilserina
tioliase
CH2
O-Acetilserina
CH
COOH
NH2
Cisteína
Figura 12.14 Estrutura e rotas metabólica dos compostos envolvidos na assimilação do enxofre. A enzima ATP sulforilase
cliva o pirofosfato do ATP e o substitui com o sulfato. O sulfeto é produzido a partir do APS por reações que envolvem a
redução pela glutationa e ferredoxina. O sulfeto ou tiossuleto reagem com a 0-acetilserina para formar cisteína. Fd, ferredoxina; GSH, glutationa reduzida; GSSG, glutationa oxidada.
A metionina é sintetizada a partir da cisteína
A metionina, um outro aminoácido contendo enxofre encontrado nas proteínas, é sintetizada nos plástideos a partir da
cisteína (para maiores detalhes ver Tópico 12.3 na Internet).
Após as sínteses da cisteína e da metionina, o enxofre pode ser
incorporado nas proteínas e em diversos outros compostos, tais
como a acetil CoA e o S-adenosilmetionina, sendo este último
um composto muito importante para a síntese do etileno (ver
Capítulo 22), e em reações envolvendo a transferências de grupos metil, como na síntese da lignina (ver Capítulo 13).
ASSIMILAÇÃO DO FOSFATO
O fosfato (HPO42–) na solução do solo é rapidamente absorvido pelas raízes das plantas por intermédio de um transportador
de H+–HPO42– do tipo simporte (ver Capítulo 6) e incorporado
em uma variedade de compostos orgânicos, incluindo açúcares
fosfatos, fosfolipídeos e nucleotídeos. O principal ponto de entrada do fosfato na via de assimilação ocorre durante a formação
do ATP, a molécula de energia da célula. Nessa reação, o fosfato
inorgânico é adicionado ao segundo grupo fosfato da adenosina
difosfato para formar a ligação éster fosfato.
Na mitocôndria, a energia para a síntese do ATP é proveniente
da oxidação do NADH pela fosforilação oxidativa (ver Capítulo 11).
O ATP é também sintetizado segundo reações da fosforilação dependente da luz que ocorrem no cloroplasto (ver Capítulo 7). Além
destas reações que ocorrem nas mitocôndrias e nos cloroplastos,
aquelas que ocontecem no citosol também assimilam fosfato.
A glicólise incorpora o fosfato inorgânico no ácido 1-3-difosfoglicérico, formando um grupo acil fosfato de alta energia. Este
fosfato pode ser doado par ao ADP para formar o ATP, em
uma reação de fosforilação em nível de substrato (ver Capítulo
11). Uma vez o fosfato incorporado ao ATP, o grupo fosfato
pode ser transferido por intermédio de muitas reações diferen-
Assimilação de nutrientes minerais
Os cátions formam ligações não-covalentes com
compostos de carbono
tes, para formar vários compostos fosforilados encontrados nas
células dos vegetais superiores.
As ligações não-covalentes são de dois tipos: ligações de
valência coordenada e ligações eletrostáticas. Na formação
de um complexo de valência coordenada, vários átomos de
oxigênio ou nitrogênio de um composto de carbono doam elétrons não-compartilhados para formar uma ligação com o nutriente catiônico. Como resultado, a carga positiva do cátion é
neutralizada.
As ligações de valência coordenada formam-se tipicamente
entre cátions polivalentes e moléculas de carbono – por exemplo, complexos entre o cobre e o ácido tartárico (Figura 12.15
A) ou entre o magnésio ea clorofila (Figura 12.15B). Os nutrientes que são assimilados como exemplo de valência coordenada
incluem o cobre, o zinco, o ferro e o magnésio. O cálcio também pode formar um complexo de valência coordenada com o
ácido poligaracturônico das paredes celulares (Figura 12.15C).
ASSIMILAÇÃO DE CÁTIONS
Os cátions absorvidos pelas células vegetais formam complexos com compostos orgânicos, nos quais o cátion se torna
ligado ao complexo por ligações não-covalentes (para discussão
de ligações não-covalentes, ver Capítulo 2 na Internet). As
plantas assimilam macronutrientes catiônicos como potássio,
magnésio e cálcio, assim como micronutrientes catiônicos – cobre, ferro, manganês, cobalto, sódio e zinco.
Nesta seção, serão descritas as ligações eletrostáticas e de
valência coordenada, as quais fazem parte da assimilação de
vários cátions que as plantas utilizam como nutrientes e as exigências especiais para a absorção do ferro pelas raízes e sua
subseqüente assimilação nas plantas.
(A)
(B)
H2 C
COOH
HC
HC
CH
CH3
COOH
ÖH
Ö
+
ÖH
Ö
Cu
HC
ÖH
Ö
HC
ÖH Cu
Ö
2+
COOH
C 2H 5
CH3
N
N
Mg
N
COOH
Ácido tartárico
N
CH3
Complexo cobre-ácido tartárico
CH3
CH2
CH2
C
O
O
OCH3
H39C20OOC
Clorofila a
(C)
H
H:
O:
:
H
O:
H
O
:
:
Ca
O
H O:
:
:
:O:
:
O
HO
O:
:
:
Cadeia do ácido poligalacturônico
Os Íons cálcio são
mantidos nos espaços
entre duas cadeias de
ácido poligalacturônico.
Considera-se que a maior
parte do cálcio da parede
celular deve estar ligado
desta forma.
H
H
HO
17
CO2–
H
O
H
H
H
Ácido poligalacturônico
Figura 12.15
Exemplos de complexos de valência coordenada. Os complexos de valência coordenada são formados quando
os átomos de oxigênio ou nitrogênio, do composto do carbono, doam pares de elétrons não-compartilhados (representados por
pontos) para formar uma ligação com o cátion. (A) Íons cobre compartilham elétrons com os oxigênios das hidroxilas do ácido tartárico). (B) Íons magnésio compartilham elétrons com os átomos de nitrogênios da clorofila a. As linhas tracejadas representam as
ligações de valência coordenada entre elétrons não-compartilhados dos átomos de nitrogênio e do cátion magnésio. (C) O modelo
de “caixa de ovos” da interação do ácido poligalacturônico, o principal constituinte das pectinas nas paredes celulares, e os íons
cálcio. Na direita está representado, de forma aumentada, a formação de um complexo de valência coordenada entre um único íon
cálcio com os oxigênios das hidroxilas dos resíduos do ácido galacturônico. (Rees, 1977).
18
Capítulo 12
As ligações eletrostáticas são formadas devido à atração
de um cátion carregado positivamente por um grupo carregado
negativamente, como o carboxilato (–COO-) em um composto
de carbono. Ao contrário da situação das ligações coordenadas,
o cátion em uma ligação eletrostática mantém a sua carga positiva. Os cátions monovalentes, como o potássio (K+), podem formar ligações eletrostáticas com os grupos carboxílicos de muitos
ácidos orgânicos (Figura 12.16A). Entretanto, grande parte do
potássio que é acumulado pelas células vegetais e que atua na
regulação osmótica e na ativação enzimática permanece no citosol e nos vacúolos como íon livre. Os íons divalentes, como
o cálcio, formam ligações eletrostáticas com os pectatos (Figura
12.16B) e os grupos carboxílicos dos ácidos poligalacturônicos
(ver Capítulo 15).
Em geral, cátions como magnésio(Mg2+) e o Cálcio (Ca2+)
são assimilados pela formação de complexos de valência coordenada e ligações eletrostáticas com aminoácidos, fosfolipídeos
e outras moléculas carregadas negativamente.
As raízes modificam a rizosfera para absorver o ferro
O ferro é importante nas proteínas ferro-enxofre (ver Capítulo 7) e como catalisador de enzimas que participam nas reações
de redox (ver Capítulo 5), como aquelas do metabolismo do nitrogênuio aqui discutidas. As plantas obtêm o ferro do solo, onde
ele está presente primariamente como ferro férrico (Fe3+) em óxidos como o Fe(OH)2+, Fe(OH)3 e Fe(OH)4–. Em pH neutro, o ferro férrico é altamente insolúvel. Para que quantidades suficientes
do ferro sejam absorvidas da solução do solo, as raízes necessitam
desenvolver vários mecanismos para aumentar a solubilidade e a
disponibilidade do ferro. Tais mecanismo incluem:
• Aumento da solubilidade do ferro férrico pela acidificação
do solo.
• Redução do ferro férrico a forma ferrosa (Fe2+) mais solúvel.
• Liberação de compostos que formam complexos estáveis
e solúveis com o ferro (Marschner, 1995). Rever o Capítulo 5, no qual esses compostos são chamados de quelantes do ferro (ver Figura 5.2).
Em geral, as raízes acidificam o solo ao seu redor. Elas exsudam prótons durante a absorção e a assimilação dos cátions,
em especial amônio, e liberam compostos orgânicos, como os
ácidos málico e cítrico, que aumentam a disponibilidade do ferro
e do fosfato (ver Figura 5.4). A deficiência do ferro estimula a
exsudação de prótons pelas raízes. Além disso, as membranas
plasmáticas da raiz possuem uma enzima, a redutase ferroquelante, que reduz o ferro férrico à forma ferro ferroso, onde
o NADH ou o NADPH servem como doadores de elétrons. A
atividade dessa enzima aumenta sob condições de deficiência
de ferro.
Vários compostos secretados pelas raízes formam quelados
estáveis com o ferro. Os exemplos incluem o ácido malico, o
ácido cítrico, os fenólicos e o ácido piscídico. As gramíneas produzem uma classe especial de quelantes do ferro denominadas
de fitosideróforos. Os fitosideróforos são constituídos por aminoácidos que não são encontrados nas proteínas, como ácido
muginéico, por exemplo, e formam complexos estáveis com o
Fe3+. As células das raízes das gramíneas possuem um sistema
de transporte de fitosideróforo-Fe3+, que carrega o quelado para
o interior do citoplasmas. Sob deficiência de ferro, as raízes das
gramíneas liberam mais fitosideróforos no solo e aumentam a
capacidade do sistema de transporte do fitosideróforo-Fe3+.
O ferro forma complexos com o carbono e com o fosfato
Uma vez que as raízes tenham absorvido ferro ou um ferro
quelado, eles são oxidados nas raízes à forma férrica e translocados, em sua maior parte, para as folhas, na forma de complexos
eletrostáticos com o citrato.
A maior parte do ferro nos vegetais é encontrada na molécula heme do citocromo, nos cloroplastos e nas mitocôndrias (ver
Capítulo 7). Uma importante reação de assimilação do ferro é a
sua inserção na porfirina, a qual é precursora do grupo heme.
Essa reação é catalisada pela enzima ferroquelatase (Figura
12.17) (Jones, 1983). Além disso, as proteínas ferro-enxofre da
cadeia transportadora de elétrons (ver Capítulo 7) contêm ferro
não-heme covalentemente ligado aos átomos de enxofre dos
resíduos de cisteína na apoproteína. O ferro é encontrado tam-
(A) Cátion monovalente
(B) Cátion divalente
COOH
COO–
HCOH
CH2
COOH
Ácido málico
COO–K+
HCOH
2H
+
Dissociação do H+
CH2
COO–
Malato
HCOH
O
2K
Formação do complexo
–
O
Ca2+
COO–K+
Potássio malato
C
O–
CH2
+
O
C
O
O
C
C
O–
–
O
Ca2+
Cálcio pectato
Figura 12.16 Exemplos de complexos eletrostáticos (iônicos). (A) O cátion K+ monovalente e o malato formam o complexo potássio malato. (B) O cátion divalente Ca2+ e o pectato formam o complexo cálcio pectato. Os cátions divalentes
podem formar ligações cruzadas entre as bordas paralelas que possuem grupos carboxila negativamente carregados. As
ligações do cálcio exercem um papel estrutural nas paredes celulares.
Assimilação de nutrientes minerais
N
N
+ Fe2+
N
Ferroquelatase
N
N
N
19
Figura 12.17 Reação da ferroquelatase. A enzima
ferroquelatase catalisa a inserção do ferro no anel da
porfirina para formar o complexo de valência coordenada. Ver a Figura 7.37 para ilustração da biossíntese
do anel da porfirina.
Fe
N
N
Anel porfirínico
bém nos centros Fe2S2, os quais possuem dois ferros (cada um
complexado com os átomos de enxofre dos resíduos de cisteína)
e dois sulfetos inorgânicos.
O ferro livre (ferro que não está complexado com compostos
de carbono) pode interagir com o oxigênio para formar ânions
superóxidos (O2–), os quais podem danificar membranas pela degradação dos componentes lipídicos insaturados. As células vegetais podem limitar os danos armazenando o excesso de ferro em
complexos de ferro-proteína chamados de fitoferritina (Bienfait
e Van der Mark, 1983). A fotoferritina consiste de uma estrutura
protéica com 24 subunidades idênticas formando uma esfera oca
que possui uma massa molecular de cerca de 480 kDa. No interior dessa esfera, há um núcleo de 5.400 a 6.200 átomos de
ferro presentes como um complexo fosfato-óxido férrico.
A forma pela qual o ferro é liberado da fitoferritina não é
conhecida, porém a quebra da estrutura protéica parece estar
envolvida neste processo. O nível de ferro livre nas células vegetais regula a biossíntese de novo da fitoferritina (Lobreaux e
cols., 1992).
ASSIMILAÇÃO DO OXIGÊNIO
A respiração responde por aproximadamente de 90% do
volume de oxigênio (O2) assimilado pelas células vegetais (ver
Capítulo 11). Uma outra rota importante para a assimilação do
O2 em compostos orgânicos envolve a incorporação do O2 a
partir da água (ver reação 1 da Tabela 8.1). Uma pequena proporção do oxigênio pode ser diretamente assimilada em compostos orgânicos no processo de fixação de oxigênio.
Na fixação de oxigênio, o oxigênio molecular é adicionado
diretamente a um composto orgânico em reações realizadas por
enzimas conhecidas como oxigenases. Lembre-se do Capítulo
8, no qual o oxigênio é diretamente incorporado em um composto orgânico durante a fotorrespiração, em uma reação que
envolve a atividade oxigenase da ribulose-1,5-bifosfato carboxilase/oxigenase (rubisco), a enzima de fixação do CO2 (Ogren,
1984). O primeiro produto estável que contêm oxigênio a partir
da forma molecular é o 2-fosfoglicolato.
Em geral, as oxigenases são classificadas como dioxigenases ou monoxigenases, conforme o número de átomos de
oxigênio que são transferidos a um composto de carbono na
reação catalisada. Nas reações de dioxigenases, ambos os
átomos de oxigênio são incorporados em um ou dois compostos de carbono (Figura 12.18A e B). Os exemplos de dioxigenases nas células vegetais são as lipoxigenases, que catalisam
a adição de dois átomos de oxigênio aos ácidos graxos insaturados (ver Figura 12.18A) e a prolil hidroxilase, a enzima que
converte prolina ao aminoácido pouco comum hidroxiprolina
(ver Figura 12.18B).
A hidroxiprolina é um importante componente da extensina,
uma proteína da parede celular (ver Capítulo 15). A síntese de
todos os outros aminoácidos, pois a reação ocorre após a prolina
ter sido incorporada na proteína e é, portanto, uma reação de
modificação pós-traducional. A prolil hidroxilase esta localizada
no retículo endoplasmático, sugerindo que a maior parte das proteínas contendo hidroxiprolina é encontrada na via secretora.
As monoxigenases adicionam um dos átomos do oxigênio
molecular a um composto de carbono; o outro átomo de oxigênio
é convertido em água. As monoxigenases são algumas vezes referidas como oxidases de função mista devido à sua capacidade de
catalisar simultaneamente a reação de oxigenação e a reação oxidase (redução do oxigênio a água). A reação monoxigenase também necessita de um substrato reduzido (NADH ou NADPH) como
um doador de elétrons, de acordo com a seguinte equação:
A + O2 + BH2 → AO + H2O + B
onde A representa o composto orgânico e B representa o doador de elétrons.
Uma importante monoxigenase vegetal é a família das
heme-proteínas, coletivamente chamadas de citocromo P450,
as quais catalisam a hidroxilação do ácido cinâmico em ácido
p-cumário (Figura 12.18C). Nas monoxigenases, o oxigênio é
primeiramente ativado por ser combinado com o átomo de ferro
do grupo heme; o NADPH serve como um doador de elétrons.
O sistema oxidase de função mista está localizado no retículo
endoplasmático e é capaz de oxidar vários substratos, incluindo
mono e diterpenos e ácidos graxos.
O BALANÇO ENERGÉTICO DA ASSIMILAÇÃO DE
NUTRIENTES
A assimilação de nutrientes geralmente necessita de grandes
quantidades de energia para converter compostos inorgânicos
estáveis de baixa energia em compostos inorgânicos de alta energia. Por exemplo, a redução do nitrato a nitrito e este em
amônio requer a transferência de cerca de 10 elétrons e responde por cerca de 25% do total de energia consumida pelas
raízes e partes aéreas (Bloom, 1997). Conseqüentemente, o
vegetal pode utilizar um quarto da sua energia para assimilar
o nitrogênio, um constituinte que representa menos de 2% do
peso seco total da planta.
Muitas das reações de assimilação ocorrem no estroma do
cloroplasto, onde elas têm acesso imediato a poderosos agentes
20
Capítulo 12
(A) Reação da dioxigenase
H
C
H
H
H
C
C
C
R1
H
H
Lipoxigenase
C
H
C
R2
H
R1
O2
Ácido graxo
CH
H
C
C
C
cis
R2
trans
O
O
A Dioxigenase lipoxigenase catalisa
a adição de dois átomos de
oxigênio ao ácido graxo conjugado
para formar um hidroperóxido
com um par de ligações duplas
conjugadas cis-trans. O ácido
graxo hidróxi-peróxi pode então
ser enzimaticamente convertido
a ácidos graxos hidróxi e outros
metabólitos.
H
(B) Reação da dioxigenase
COOH
O
R1
O2
+
C
H
H
C
C
H
H
4
H
H
H
N
R2
+
O
O
CH2
Prolil hidroxilase
Fe2+, ascorbato
CH2
Prolina
(no polipeptídeo
COOH
COOH
α-Cetoglutarato
R1
C
H
H
C
CH2
H
OH
4
H
H
H
N
R2
+
CH2 + CO2
COOH
4-trans-L-Hidroxiprolina
(no polipeptídeo
Sucinato
(C) Reação da monoxigenase
COOH
COOH
CH
CH
CH
+
Ácido cinâmico
O2
+
NADPH + H
+
Citocromo P450
CH
+
H 2O
+
A Dioxigenase prolil hidroxilase
catalisa a adição de um oxigênio
do O2 na prolina da cadeia
polipeptídica para produzir
hidroxiprolina, e a adição de um
oxigênio ao α-cetroglutarato para
produzir succinato e CO2.
NADP+
A monoxigenase citocromo
P450 utiliza um oxigênio do O2
para hidroxilar o ácido cinâmico
(e outros substratos) e o outro
oxigênio para produzir água. O
NAD(P)H atua como um doador
de elétrons para as reações de
monoxigenase.
OH
Ácido p-cumárico
Figura 12.18
Exemplos de dois tipos de reações da oxigenase em células de vegetais superiores.
redutores como o NADPH, a tieredoxina e a ferredoxina formados durante o transporte de elétrons da fotossíntese. Esse processo
– combinando à assimilação de nutrientes ao transporte de elétrons
da fotossíntese – é denominado fotoassimilação (Figura 12.19).
A fotoassimilação e o ciclo de Calvin ocorrem no mesmo
compartimento, mas a fotoassimilação só ocorre quando a cadeia fotossintética de transporte de elétrons produz agentes redutores além do que é necessário para o ciclo de Calvin (p. ex., sob
condições de alta luminosidade e baixo CO2) (Robinson, 1988).
Altos níveis de CO2 inibem a fotoassimilação (Figura 12.20, ver
Ensaio 12.1 na Internet). Como resultado, as plantas C4 (ver
Capítulo 8) direcionam a maior parte da sua fotoassimilação nas
células do mesofilo, onde as concentrações do CO2 são baixas
(Becker e cols., 1993).
Os mecanismos que regulam a partição dos agentes redutores
entre o ciclo de Calvin e a fotoassimilação demandam maiores investigações, pois é esperado que os níveis atmosféricos de CO2 sejam duplicados durante o próximo século (ver Capítulo 9), de forma que este fenômeno pode afetar as relações planta-nutriente.
RESUMO
A assimilação de nutrientes é o processo pelo qual os nutrientes obtidos pelas plantas são incorporadas em compostos
de carbono necessários ao crescimento e ao desenvolvimento.
Com freqüência, esses processos envolvem reações químicas altamente energéticas e, assim, podem depender diretamente dos
agentes redutores produzidos pela fotossíntese.
A assimilação do nitrogênio é uma das várias etapas que
constituem o ciclo nitrogênio, o qual engloba várias formas do
nitrogênio da biosfera e suas interconversões. As principais fontes de nitrogênio disponíveis para as plantas são o nitrato (NO3–)
e o amônio (NH4).
O nitrato absorvido pelas raízes é assimilado nas raízes ou
nas partes aéreas, dependendo da sua disponibilidade e da espécie vegetal. No processo de assimilação, o nitrato é reduzido a
nitrito (NO2–) no citosol pela enzima nitrato redutase; posteriormente, o nitrito é reduzido a amõnio nos plastídeos da raiz ou
nos cloroplastos pela enzima nitrito redutase.
Assimilação de nutrientes minerais
21
CÉLULA DO MESOFILO
CLOROPLASTO
3 ATP
ATP
NRT
NO3–
NR
NO3–
H+
NO2–
NADH
2 ATP
NiR
GS/
GOGAT
NO2–
Fdred
H+
2 ATP
7 ATP
NH4+
Asp-AT
Glutamato
Glutamato
AS
Aspartato
Asparagina
ATP
ATP
Fdred
Proteínas,
ácidos nucléicos
Outros
aminoácidos
Figura 12.19
Resumo dos processos envolvidos na assimilação do nitrogênio mineral na folha. O nitrato translocado das
raízes pelo xilema é absorvido por uma célula do mesofilo através de um dos simportes nitrato-próton (NRT) para o citoplasma.
O nitrato é, então, reduzido a nitrito via nitrato redutase (NR). O nitrito é translocado para o estroma do cloroplasto junto com
um próton. No estroma, o nitrito é reduzido à amônio, via nitrito redutase (NiR) e esse amônio é convertido em glutamato pela
ação seqüencial da glutamina sintetase (GS) e da glutamato sintase (GOGAT). Novamente no citoplasma, o glutamato é transaminado a aspartato, via aspartato aminotransferase (Asp-AT). Finalmente, a asparagina sintetase (AS) converte o aspartato em
asparagina. As quantidades aproximadas de ATP equivalente para cada reação estão indicadas acima.
Figura 12.20 Quociente de assimilação (QA = CO2 assimilado/O2
liberado) de plântulas de trigo como uma função da quantidade de luz
(radiação fotossinteticamente ativa). A fotoassimilação do nitrato está
diretamente relacionada com o quociente de assimilação, pois a transferência de elétrons para o nitrato e nitrito durante a fotoassimilação
aumenta a liberação de O2 a partir das reações fotossintéticas dependentes de luz, enquanto a assimilação de CO2 pelas reações independentes da luz continua em taxas similares. Entretanto, plantas que
estão fotoassimilando o nitrato exibem um QA menor. Nas medidas
realizadas no ambiente, em concentrações de 360 μmol mol–1 CO2
(linha vermelha), QA diminui como uma função da radiação incidente,
indicando que as taxas de fotoassimilação aumentaram. Em concentrações elevadas (700 μmol mol–1 CO , linha azul), o QA permanece
constante em todos os níveis de luz utilizados, indicando que as reações de fixação do CO2 estão competindo por agentes redutores,
inibindo a fotoassimilação (Bloom e cols., 2002).
CO2 assimilado/O2 liberado
1,0
0,8
0,6
Condições de medição
700 μmol m–1 CO2)
360 μmol m–1 CO2)
0,4
0
400
800
1.200
1.600
2.000
Radiação fotossinteticamente ativa (μmol m–2s–1)
O amônio, derivado da absorção da raiz ou produzido por
assimilação do nitrato ou da fotorrespiração, é convertido a
glutamina e glutamato pelas ações seqüênciais da glutamina
sintetase e da glutamato sintase, as quais estão localizadas no
citosol e nos plastídeos das raízes ou dos clorolastos.
Uma vez assimilado em glutamina ou glutamato, o nitrogênio
pode ser transferido para muitos outros compostos orgânicos
através de diversas reações, incluindo as de transaminação. A
interconversão entre a glutamina e a asparagina pela asparagina
sintetase equilibra o metabolismo do carbono e do nitrogênio
em uma planta.
Muitas plantas formam uma relação simbiótica com bactérias fixadoras de nitrogênio que contêm um complexo enzimático, a nitrogenase, que pode reduzir o nitrogênio atmosférico em
22
Capítulo 12
amônia. Plantas leguminosas e actinorrízicas formam associações com rizóbios e Frankia, respectivamente. Tais associações
são o resultado de uma excelente sintonia na interação entre o
simbionte e a planta hospedeira, envolvendo o reconhecimento
de sinais específicos, a indução de um programa de desenvolvimento especializado na planta, a absorção de bactérias pela
planta e o desenvolvimento de nódulos, os únicos órgãos que
abrigam bactérias nas células vegetais. Alguns microorganismos
procariontes fixadores de nitrogênio não formam relações simbiontes com plantas superiores, porém beneficiam as plantas
pelo aumento dos níveis de nitrogênio do solo.
Semelhante ao nitrato, o sulfato (SO42–) deve ser reduzido
pela assimilação. Na redução do sulfato, é produzida uma forma
ativada do sulfato, denominada 5’-adenililsulfato (APS). O sulfeto (S2–), produto final da redução do sulfato, não é acumulado
nas células, mas, ao contrário, é rapidamente incorporado nos
aminoácidos cisteína e metionina.
O fosfato (HPO42–) está presente em uma variedade de compostos encontrados nas células vegetais, incluindo açúcares fosfatos, lipídeos, ácidos nucléicos e nucleotídeos livres. O produto
inicial da sua assimilação é o ATP, o qual é produzido por fosforilações em nível de substrato no citosol, na fosforilação oxidativa nas mitocôndrias e na fosforilação nos cloroplastos.
Enquanto a assimilação do nitrogênio, do enxofre e do fósforo necessita da formação de ligações covalentes com compostos
de carbono, muitos macro e micronutrientes catiônicos (p. ex.
K+, Mg2+, Ca2+, Cu2+, Fe3+, Mn2+, Co2+, Na2+, Zn2+) simplesmente
formam complexos. Esses complexos podem ser mantidos por
ligações eletrostáticas ou por ligações de valência coordenada.
A assimilação do ferro pode envolver a quelação, as reações
de oxidorredução e a formação de complexos. A fim de armazenar grandes quantidades de ferro, as células vegetais sintetizam
fitoferritina, uma proteína que armazena o ferro. Uma importante
função do ferro nas células vegetais é agir como um componente
redox no sítio ativo de enzimas, freqüentemente como um complexo ferro-porfirina. O ferro é inserido em um grupo porfirínico
na reação da ferroquelatase.
Além de ser utilizado na respiração, o oxigênio molecular
pode ser assimilado no processo de fixação de oxigênio, no qual
ocorre a adição direta de oxigênio aos compostos orgânicos. Tal
processo é catalisado por enzimas conhecidas como oxigenases,
classificadas como monoxigenases ou dioxegenases.
A assimilação de nutrientes necessita de grandes quantidades
de energia para converter compostos inorgânicos estáveis de
baixa energia em compostos orgânicos com alta energia. Uma
planta pode utilizar a energia da fotossíntese para assimilar compostos inorgânicos no processo denominado fotoassimilação.
Material da Internet
Tópicos da Internet
12.1 Desenvolvimento de nódulos na raiz
Os primórdios dos nódulos são formados na região
oposta aos pólos do protoxilema do feixe vascular
da raiz.
12.2 Medição da fixação de nitrogênio
A redução do acetileno é utilizada como uma medida
indireta da redução do nitrogênio.
12.3 A síntese da metionina
A metionina é sintetizada nos platídeos a partir da
cisteína.
Ensaio da Internet
12.1 O CO2 elevado e a fotoassimilação do nitrogênio
Nas folhas que se desenvolvem sob altas concentrações de CO2, o gás carbônico inibe a fotoassimilação do nitrogênio, pois compete pelos agentes
redutores.
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