Copa do Mundo e economia

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Copa do Mundo e economia
Continuamos com um olho nos mercados e na economia e o outro, mesmo que de soslaio, na Copa do
Mundo. Falemos então sobre este evento esportivo, já considerado por muitos como a “Copa das Copas”.
Tentemos também mensurar seus impactos sobre a economia do País.
De antemão, já podemos considerar a Copa, superados 70% dos jogos (até o dia 26/6), um sucesso: de
público, com a incomparável contribuição dos latinos, estádios lotados em todos os jogos, audiência de
TV nas alturas, grande cordialidade e simpatia do nosso povo, festas nas ruas e nos Fanfest, sem
esquecer o futebol bem jogado, ofensivo e de muitos gols. Para registro: na fase de grupos (48 jogos e
136 gols), a média de gols (2,83 por partida) foi a maior desde 1970, 21% acima da Copa da África (2,26
gols por partida).
Neste final de semana (dias 28 e 29) ingressamos no chamado “mata-mata”, jogos eliminatórios com
dezesseis seleções se digladiando, oito das Américas, seis da Europa e duas da África. Certo predomínio
das seleções “americanas” se justifica pelas boas equipes montadas, com muitos jogadores “importados”,
mas também pela proximidade dos países. Sempre que jogam, parece que estão em casa, já que os
estádios lotam de patriotas torcedores.
Na imprensa internacional, a repercussão também é das melhores. A revista The Economist, por exemplo,
esperava pouco da Copa no Brasil, mas acabou se surpreendendo positivamente, mesmo com todos os
senões, infraestrutura deficiente, problemas de mobilidade urbana, corrupção (superfaturamento dos
estádios), etc. Para eles, a Copa do Mundo no Brasil é um “sucesso esportivo”.
Além disto, não esperam que este ótimo astral da Copa seja canalizado para a candidatura Dilma
Rousseff nas eleições de outubro. Pelo contrário, a popularidade da presidente continua em baixa, com
rejeição alta e demanda crescente por mudanças e na forma de governar. Isto ajuda a colocar por terra a
tese de que somos um povo alienado, com o futebol como “ópio do povo”. Somos apaixonados pelo velho
“esporte bretão”, mas sem perder um olhar crítico sobre as mazelas sociais e econômicas existentes.
Em relação aos efeitos da Copa sobre a economia, ainda é difícil mensurar, visto que esta também
impacta na produtividade do País, pelos feriados visando mitigar o problema de locomoção. A indústria e
o comércio não estão funcionando nos dias de jogos, abalando o PIB local.
Por outro lado, estudos estimam que o impacto da Copa do Mundo sobre a economia do Brasil deve ter
elevado o PIB em 1,0 a 1,5 ponto percentual nos anos próximos ao evento, com a geração de 200 mil
novos empregos diretos nos variados setores da economia, segundo informações da FIFA. Um estudo da
Ernst & Young, de 2010, estimou o impacto da Copa sobre o PIB em torno de R$ 64,5 bilhões. Não deve
ter chegado a tanto, até porque a economia brasileira, nestes anos, manteve baixo crescimento, na média
próximo a 2,1% ao ano, um dos piores da república, só acima dos governos Collor e Floriano Peixoto,
gestão fiscal caótica, derivada da péssima alocação de recursos públicos, inflação ascendente, crédito
apertado e juro nas alturas.
Segundo Ilan Goldfain, economista-chefe do Itaú, “o impacto direto dos gastos, tanto na infraestrutura
quanto os gastos do setor privado, deve ser de 1% do PIB, com o resto devendo vir do efeito multiplicador
da economia”. Quando um investimento é feito para a Copa acaba se espalhando sobre os vários setores
interligados da economia. Entre o setor público e o privado, os gastos oscilam em torno de R$ 26 bilhões,
com o governo assumindo boa parte dos estádios e as obras de infraestrutura urbana, ainda que
inacabadas algumas em parceria com o setor privado, responsável também pela rede hoteleira,
restaurantes e serviços em geral.
Na África do Sul, por exemplo, o turismo aumentou 25% com a Copa de 2010. No Brasil, os números
parciais indicam até 600 mil de turistas, na sua maioria, vindos de países da America do Sul e de outros
estados não sedes do País. Além disto, estudos sobre as Olimpíadas de Londres, mostraram um ganho
de 1 ponto percentual sobre o PIB do país no ano da sua ocorrência (2012). Por fim, importante lembrar
que este evento coloca o Brasil na vitrine, o que tende a atrair novos investimentos para o futuro.
PS - Apenas para fechar o tema. Num bolão da Copa, para as quartas de final apostamos no Brasil,
Colômbia, Holanda, Costa Rica, França, Alemanha, Argentina e Bélgica. Na semifinal, a disputa deve se
limitar as seleções mais tradicionais, como Brasil, Holanda, Alemanha e Argentina. Para a final, deixemos
para os deuses do esporte, mas seria de bom grado se o Brasil levanta-se o Hexa. Como bem diria
Nelson Rodrigues, sem patriotada, “o escrete é a pátria em calções e chuteiras”. Nada mais certeiro.
Autor: Julio Hegedus, Economista-chefe Lopes Filho.
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