1 CURSO DE BACHARELADO EM ARQUITETURA E URBANISMO CAMILA RIBEIRO VIANA DE ALMEIDA ANTEPROJETO DE UM HOSPITAL ONCOLÓGICO NO MUNICÍPIO DE CAMPOS DOS GOYTACAZES/RJ – HOCG Campos dos Goytacazes/RJ 2015 2 CAMILA RIBEIRO VIANA DE ALMEIDA ANTEPROJETO DE UM HOSPITAL ONCOLÓGICO NO MUNICÍPIO DE CAMPOS DOS GOYTACAZES/RJ – HOCG Trabalho Final de Graduação apresentada ao Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Fluminense Campus Campos – Centro como requisito parcial para a graduação do Curso Bacharelado em Arquitetura e Urbanismo. Orientadora: Prof.ª Msc. Silvana Monteiro de Castro Campos dos Goytacazes/RJ 2015 1 AGRADECIMENTOS Em primeiro lugar, quero não somente agradecer, mas também louvar a Deus por mais esta conquista em minha vida, se não fosse pela graça Dele, tenho certeza que não teria chegado até aqui, e se cheguei foi por que assim Ele quis. Ele me deu a força que precisei para seguir em frente e me fez forte quando me senti fraca, não somente durante este tempo acadêmico, mas por toda minha vida. Sei que Ele tem cuidado de tudo, por isto ao meu Deus todo agradecimento e louvor. Quero agradecer também a minha querida mãe, Nossa Senhora, pois tenho certeza que ela intercedeu por mim durante esta caminhada. Agradeço também a duas pessoas que tanto amo, que me educaram, me amaram, cuidaram de mim e hoje se alegram com a minha vitória, meu pai Paulo Roberto e minha mãe Bernadette, vocês são os maiores exemplos que carrego na vida, muito obrigada por toda dedicação, amor e esforço, obrigada por cada palavra de consolo e por toda a oportunidade que me deram. Meus amados irmãos, Filipe, Thiago e Mateus, eu quero agradecer, por estarem sempre ao meu lado, me dando força e incentivo, por toda ajuda que me deram durante toda minha vida, meus irmãos, amigos e companheiros de vida, vocês contribuíram para realização deste sonho, muito obrigado por tudo. Agradeço as minhas queridas avó Estela e madrinha Míriam, que foram conselheiras e me apoiaram durante toda este tempo. Ao meu namorado Lucas, agradeço por toda paciência, por ser meu companheiro, por me incentivar e acreditar que eu seria capaz de chegar até aqui, muito obrigada. Agradeço a toda minha família. Agradeço as minhas queridas amigas Cecília, Gabryella, Monique, Caroline ,Ena Caroline, Luiza Almeida e Amanda Peixoto, agradeço também aos meus amigos do grupo Jovens Sarados, todos vocês foram muito importantes para que eu chegasse até aqui. Agradeço Empresa Melo Teixeira, por tudo que aprendi, por todo crescimento e amadurecimento profissional que obtive, a Babi Teixeira pela oportunidade eu me concedeu de poder fazer parte desta equipe e as minhas queridas amigas de trabalho, Annamaria, Thaiz, Viviane Pessanha, Maria Clara, Ana Paula, Mayara e Sabrina, obrigada por toda força e apoio. E para finalizar quero agradecer a minha querida orientadora Silvana, a todos os professores do curso de arquitetura do IFF e a todas as pessoas que contribuíram para minha formação, muito obrigada. 2 DEDICATÓRIA Dedico este trabalho a Deus, a minha família, ao meu namorado e aos meus amigos. 2 RESUMO Este trabalho apresenta a proposta de um Anteprojeto de um Hospital Oncológico Humanizado no município de Campos dos Goytacazes, levando em consideração a carência existente hoje, no município e na região em geral, de um hospital especializado no tratamento do câncer e o aumento considerável dos casos da doença em todo o país, o que tem gerado o deslocamento de pessoas para outras cidades em busca de tratamento. Considerou-se também a importância da humanização hospitalar e da influência da arquitetura durante o processo de cura do paciente. Para a elaboração deste trabalho, realizaram-se pesquisas de caráter exploratório aplicado, com abordagem qualitativa e para a coleta dos dados necessários, adotou-se pesquisas bibliográficas e pesquisa de campo. O anteprojeto apresentado tem por objetivo atender às necessidades de toda a população no que se refere ao diagnóstico e tratamento de doenças oncológicas, proporcionando aos usuários conforto, bem-estar, comodidade, motivação, confiança, aumento de sua autoestima e diversos benefícios psicológicos, através de uma arquitetura humanizada e sustentável. Palavras-chave: Arquitetura Hospitalar. Hospital Oncológico. Humanização Hospitalar 3 ABSTRACT This work present the proposal for a Draft of a Oncological Hospital Humanized in the city of Campos dos Goytacazes, taking into account the existing shortage today, the city and the region in general, a hospital specializing in cancer treatment and the considerable increase in cases of the disease across the country, which has led to the displacement of people to other cities for treatment. It will also be considered the importance of humanizing hospital and the influence of the architecture during the healing process of patients. For the preparation of this work was held exploratory applied research with a qualitative approach and data collection needed was adopted bibliographic research, field research and case study. This work aims to meet the needs of the entire population with regard to diagnosis and treatment of cancer, providing comfort users, welfare, comfort, motivation, confidence, increase their self-esteem and various psychological benefits through a humane and sustainable architecture. Keywords: Hospital Architecture. Oncological Hospital. Humanization Hospital 4 LISTA DE FIGURAS FIGURA 01. Hospital da Brigada Militar de Recife................................................................23 FIGURA 02. Hospital da Brigada Militar de Recife............................................................... 24 FGURA 03. Hospital da Brigada Militar de Recife .................................................................24 FIGURA 04. Estudos de Insolação e Ventilação elaborados pelo arquiteto Lelé....................25 FIGURA 05. Rede Sarah de Hospitais de Belo Horizonte.......................................................25 FIGURA 06. Rede Sarah de Hospitais de Belo Horizonte.......................................................26 FIGURA 07. Rede Sarah de Hospitais de Salvador..................................................................26 FIGURA 08. Fachada do Legacy Emanuel Medical Center.....................................................33 FIGURA 09. Fachada do Legacy Emanuel Medical Center.....................................................33 FIGURA 10. Hospital do Cancer I (HCI) ................................................................................35 FIGURA 11. Implantação do Espaço Universitário Campos Cabral........................................38 FIGURA 12. Estudo volumétrico do Espaço Universitário Campos Cabral ...........................39 FIGURA 13. Pátio Interno do Espaço Universitário Campos Cabral.......................................39 FIGURA 14. Espaço Universitário Campos Cabral.................................................................40 FIGURA 15. Projeto do Espaço Universitário Campos Cabral................................................40 FIGURA 16. Museu Grego de Arqueologia.............................................................................41 FIGURA 17. Pátio interno do Museu Grego de Arqueologia...................................................41 FIGURA 18. Museu Grego de Arqueologia.............................................................................42 FIGURA 19. Museu Grego de Arqueologia.............................................................................42 FIGURA 20. Residência Ecológica..........................................................................................43 FIGURA 21. Sistema de Captação de Água da Residência Ecológica.....................................43 FIGURA 22. Fachada da Biblioteca Fabra de Mataraó............................................................45 FIGURA 23. Localização do Oncobeda – Centro Integrado de Oncologia..............................47 5 FIGURA 24. Oncobeda – Centro Integrado de Oncologia........................................... ...........48 FIGURA 25. Sala de Radioterapia............................................................................................48 FIGURA 26. Localização do Hospital Escola Álvaro Alvim...................................................50 FIGURA 27. Sala de Radioterapia Hospital Escola Álvaro Alvim..........................................52 FIGURA 28. Fachada Hospital do Câncer de Muriaé – Fundação Cristiano Varella..............54 FIGURA 29. Localização do Hospital do Câncer de Muriaé – Fundação Cristiano Varella...54 FIGURA 30. Iluminação natural (claraboia) – Hospital do Câncer de Muriaé........................55 FIGURA 31. Enfermaria com dois leitos – Hospital do Câncer de Muriaé.............................56 FIGURA 32. Banheiro acessível – Hospital do Câncer de Muriaé..........................................56 FIGURA 33. Circulação do setor de internação– Hospital do Câncer de Muriaé....................57 FIGURA 34. Expurgo do setor de internação– Hospital do Câncer de Muriaé........................57 FIGURA 35. Espaço de Convivência do setor de internação– Hospital do Câncer de Muriaé.......................................................................................................................................58 FIGURA 36. Estrutura e Instalações da ampliação que está sendo construída – circulação da internação cirúrgica para transplantados de medula óssea – Hospital do Câncer de Muriaé...59 FIGURA 37. Sala de Raio-X – Hospital do Câncer de Muriaé...............................................59 FIGURAS 38. Sala de Mamografia – Hospital do Câncer de Muriaé......................................60 FIGURAS 39. Sala de ultrassonografia – Hospital do Câncer de Muriaé................................60 FIGURA 40. Sala braquiterapia – Hospital do Câncer de Muriaé............................................60 FIGURA 41. Farmácia Central – Hospital do Câncer de Muriaé.............................................61 FIGURA 42. Arquivo Médico – Hospital do Câncer de Muriaé..............................................62 FIGURA 43. C.M.E – Hospital do Câncer de Muriaé..............................................................62 FIGURA 44. Lago – Hospital do Câncer de Muriaé................................................................63 FIGURA 45. O gesto do abraço................................................................................................64 FIGURA 46. Estudo Volumétrico – Vista Superior.................................................................66 6 FIGURA 47. Estudo volumétrico – Perspectiva lateral............................................................66 FIGURA 48. Estudo volumétrico – Perspectiva Superior........................................................67 FIGURA 49. Estudo volumétrico – Vista Lateral.....................................................................67 FIGURA 50. Localização do Estado do Rio de Janeiro no Mapa do Brasil e Localização da cidade de Campos dos Goytacazes no Mapa do Estado do Rio de Janeiro..............................68 FIGURA 51. Localização do terreno no mapa do Município de Campos dos Goytacazes relacionado a uma ampliação com a marcação do terreno........................................................69 FIGURA 52. Anexo I da Lei 7.974 Uso e Ocupação do Solo..................................................70 FIGURA 53. Delimitação do terreno no Mapa de Uso e Ocupação do Solo do Município de Campos dos Goytacazes............................................................................................................71 FIGURA 54. Mapa de Acessos.................................................................................................72 FIGURA 55. Rua Antônio Manuel...........................................................................................74 FIGURA 56. Imagem do Terreno pela Perspectiva da Rua Antônio Manuel..........................74 FIGURA 57. Rua José Idelfonso E. Campos............................................................................75 FIGURA 58. Rua José Idelfonso E. Campos............................................................................75 FIGURA 59. Rua Princesa Isabel.............................................................................................76 FIGURA 60. Avenida Dr. Arthur Bernardes............................................................................76 FIGURA 61. Vista do terreno a partir da Avenida Dr. Arthur Bernardes................................77 FIGURA 62. Vista da Av. Arthur Bernardes do lado oposto ao Terreno.................................77 FIGURA 63. Mapa do terreno com indicação da orientação solar...........................................78 FIGURA 64. Mapa do terreno com indicação do vento dominante.........................................78 FIGURA 65. Mapa de uso do entorno do terreno.....................................................................79 FIGURA 66. Mapa de Gabarito................................................................................................80 FIGURA 67. Fluxograma Interfuncional..................................................................................91 FIGURA 68. Setorização do Pavimento Térreo.......................................................................92 7 FIGURA 69. Setorização do Pavimento Superior....................................................................93 FIGURA 70. Planta Baixa Geral – Pavimento Superior...........................................................95 FIGURA 71. Planta Baixa Geral – Pavimento Térreo..............................................................96 FIGURA 72. Setor Ambulatorial..............................................................................................97 FIGURA 73. Setor Ambulatorial..............................................................................................98 FIGURA 74. A.D.T. – Recepção Geral e Patologia Clínica.....................................................99 FIGURA 75. A.D.T. – Radiologia e Tomografia...................................................................100 FIGURA 76. A.D.T – Ultrassonografia, Ressonância Magnética e Necrotério.....................102 FIGURA 77. A.D.T – Radioterapia e Quimioterapia.............................................................103 FIGURA 78. Reabilitação, Farmácia e Rouparia...................................................................105 FIGURA 79. Nutrição e Dietética...........................................................................................106 FIGURA 80. Apoio de Gestão e Execução Administrativa....................................................107 FIGURA 81. Setor de Convivência........................................................................................108 FIGURA 82. Setor de Apoio Logístico, Infraestrutura predial e Anexo para funcionários...109 FIGURA 83. Setor de Internação............................................................................................110 FIGURA 84. Setor de Internação – U.T.I...............................................................................111 FIGURA 85. C.M.E e Centro Cirúrgico.................................................................................112 FIGURA 86. Perspectiva – Fachada voltada para Rua Princesa Isabel..................................113 FIGURA 87. Perspectiva – Fachada voltada para Rua Princesa Isabel..................................113 FIGURA 88. Perspectiva – Fachada voltada para Rua Princesa Isabel..................................114 FIGURA 89. Perspectiva – Fachada voltada para Rua Princesa Isabel..................................114 FIGURA 90. Perspectiva – Fachada voltada para Rua Antônio Manuel................................115 FIGURA 91. Perspectiva – Fachada voltada para Rua Antônio Manuel................................115 FIGURA 92. Perspectiva – Fachada voltada para Rua Antônio Manuel................................115 8 SUMÁRIO INTRODUÇÃO.......................................................................................................................11 1 A ONCOLOGIA E AS DOENÇAS ONCOLÓGICAS.....................................................15 1.1 Oncologia............................................................................................................................15 1.2 Doenças Oncológicas..........................................................................................................17 2 HISTÓRICO E EVOLUÇÃO DA ARQUITETURA HOSPITALAR............................19 2.1 A Evolução da Arquitetura Hospitalar no Mundo..............................................................19 2.2 Histórico da Arquitetura Hospitalar Brasileira...................................................................22 3 HUMANIZAÇÃO HOSPITALAR.....................................................................................27 3.1 Humanização e o Ambiente Físico.....................................................................................30 3.2 Jardim Terapêutico..............................................................................................................31 4 REFERENCIAIS PROJETUAIS.......................................................................................34 4.1 Referencial funcional.........................................................................................................34 4.1.1Hospital do Câncer I (HCI) ..............................................................................................34 4.2 Referencial Tipológico........................................................................................................37 4.2.1Espaço Universitário Campos Cabral...............................................................................37 4.3 Referencial Plástico-formal.................................................................................................41 4.3.1Museu Grego de Arqueologia...........................................................................................41 4.4Referencial Tecnológico......................................................................................................43 4.4.1Residência Ecológica em São Paulo.................................................................................43 4.4.2Biblioteca Pompeu Fabra de Mataró,Catalunha, Espanha................................................45 9 4.5Pesquisa de Campo..............................................................................................................46 4.5.1OncoBeda – Centro Integrado de oncologia...................................................................46 4.5.2 Hospital Escola Álvaro Alvim – Oncocentro..................................................................49 4.5.3 Hospital do Câncer de Muriaé – Fundação Cristiano Varella.........................................53 5 CONCEITO E PARTIDO...................................................................................................63 5.1 O abraço..............................................................................................................................63 6 LOCALIZAÇÃO ................................................................................................................68 6.1Legislação............................................................................................................................70 6.2 Estudos do Terreno.............................................................................................................72 6.2.1 Acessos.............................................................................................................................72 6.2.3 Visuais e Vizinhança........................................................................................................73 6.2.4 Orientação Solar e Ventilação..........................................................................................78 6.2.5 Entorno.............................................................................................................................79 6.2.6 Gabarito............................................................................................................................80 7 O ANTEPROJETO..............................................................................................................81 7.1 O Programa e Dimensionamento ........................................................................................81 7.2 Fluxograma Geral...............................................................................................................90 7.3 Setorização..........................................................................................................................92 7.4 Planta Baixa Geral..............................................................................................................94 7.5 Setor Ambulatorial..............................................................................................................97 7.6 Setor de Atendimento Imediato..........................................................................................98 7.7 Setor de Apoio Ao Diagnóstico e Terapia..........................................................................99 7.7.1 Recepção Geral e Patologia Clínica.................................................................................99 7.7.2 Radiologia e Tomografia...............................................................................................100 10 7.7.3 Ultrassonografia, Ressonância Magnética e Necrotério................................................101 7.7.4 Radioterapia e Quimioterapia........................................................................................102 7.7.5 Reabilitação, Farmácia e Rouparia................................................................................104 7.8 Apoio Técnico – Nutrição e Dietética..............................................................................105 7.9 Setor de Apoio de Gestão e Execução Administrativa.....................................................106 7.10 Setor de Convivência.....................................................................................................107 7.11 Setor de Apoio Logístico (Armazenamento) Infraestrutura Predial..............................108 7.12. Setor de Internação.........................................................................................................109 7.13. Setor de Internação (U.T.I.)...........................................................................................110 7.14. C.M.E. e Centro Cirúrgico ............................................................................................111 7.15. Volume Final.................................................................................................................113 8 CONSIDERAÇÕES FINAIS...............................................................................................116 REFERÊNCIAS......................................................................................................................118 11 INTRODUÇÃO Hospital é um local destinado a dar diagnóstico e tratamento aos doentes, podendo ser também um local de investigação e ensino. A palavra hospital vem do latim hospitalis que significa “casa de hóspedes” e desde a Antiguidade até a Idade Média, por volta do século XVII, possuía a função de abrigar pobres, doentes e viajantes, tendo como missão dar conforto aos enfermos sem caráter curativo (HISTÓRIAS, 1965). A partir do século XVIII a doença é reconhecida como fato patológico, e no ocidente os europeus passam a tratar seriamente do assunto, quando no final do século XVIII Howard e Tenon desenvolvem pesquisas nos hospitais europeus a fim de estabelecer diretrizes para a criação de um novo conceito hospitalar, chamado por Foucault de Hospital Terapêutico. Durante este período acontece uma revolução na arquitetura hospitalar e passa a existir uma preocupação em atender às necessidades espaciais e funcionais exigidas pela prática médica hospitalar tornando-se um instrumento de cura. Dentre estas mudanças está a separação dos ambientes de acordo com a patologia e a criação de espaços cada vez mais especializados (TOLEDO, 2005). No século XIX é desenvolvida a tipologia de hospital pavilhonar e continuou a ser utilizada até o século XX. Devido ao crescimento das cidades e o alto custo para a implantação desta tipologia, houve a necessidade da compactação e verticalização dos edifícios hospitalares, caracterizando a arquitetura hospitalar atual (CAVALCANTE 2002, apud OLIVEIRA, 2014). Com o desenvolvimento tecnológico da medicina moderna, a sofisticação no tratamento de determinadas enfermidades aliadas aos processos de assepsia de ambientes e materiais e uso de antibióticos, reduziram o índice de infecções hospitalares, fazendo com que a concepção da arquitetura hospitalar exercesse agora um papel secundário no processo de recuperação do paciente. O conceito de humanização hospitalar faz com que o projeto arquitetônico mais uma vez se torne um instrumento fundamental para a cura do paciente, uma vez que é constatado que o bem estar causado por ambientes humanizados, além de proporcionar conforto, acolhimento e confiança eleva a autoestima e traz benefícios psicológicos ao paciente contribuindo em seu processo de cura (TOLEDO, 2005). A Oncologia, também conhecida como Cancerologia no Brasil, é a especialidade médica dedicada a estudar e cuidar de pacientes com tumores seja benigno ou maligno (ONCOGUIA, 2014). 12 Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), a palavra tumor corresponde ao aumento de volume observado numa parte qualquer do corpo. Quando o tumor se dá por crescimento do número de células, ele é chamado neoplasia, que pode ser benigna ou maligna. As neoplasias benignas ocorrem quando o crescimento destas células é lento e possui semelhança com o tecido original e raramente apresentam risco à vida do paciente. Os tumores malignos, ou neoplasias malignas, são caracterizados pelo crescimento acelerado destas células, e tendem a ser extremamente agressivos. Câncer é o nome dado ao conjunto de mais de 100 doenças que tem em comum o desenvolvimento de tumores malignos ou neoplasias malignas e geram sérios riscos à vida do paciente, porque além de se desenvolverem de forma acelerada podem invadir outros tecidos e se espalhar pelo corpo do indivíduo. A oncologia nos últimos tempos se tornou uma especialidade complexa, exigindo uma grande estrutura para o atendimento dos pacientes e equipes multidisciplinares, com o objetivo de atender aos diversos estágios e variações que a doença apresenta (ONCOGUIA, 2014). Portanto, um Hospital Oncológico está caracterizado como um hospital especializado segundo o Ministério da Saúde, uma vez que, deverá atender a pacientes de uma determinada especialidade médica, a oncológica, e fornecer para os mesmos uma estrutura completa para que ali possam ser realizados os preventivos, diagnósticos e o tratamento adequado para cada variação da doença. O INCA informa que o problema do câncer no Brasil tem ganhado relevância pelo perfil epidemiológico que essa doença vem apresentando. O município de Campos dos Goytacazes possui 463.731 habitantes segundo a pesquisa do IBGE no ano de 2010, e não possui um hospital especializado no tratamento deste tipo de doença. As pessoas que necessitam de atendimento através do Sistema Único de Saúde (SUS) podem recorrer ao Hospital Beneficência Portuguesa, Hospital Universitário Álvaro Alvim e Instituto de Medicina Nuclear e Endocrinologia Ltda/IMNE (Unacon). Apesar de possuir esses três centros de tratamento eles ainda não são suficientes para atender a toda população, levando os pacientes muitas vezes a procurarem tratamento nos hospitais da capital, Rio de Janeiro, ou em cidades próximas como Itaperuna, como mostra a reportagem publicada pelo portal de notícias da Globo, G1, no dia 29 de agosto de 2013, com o título “Audiência debate problemas no tratamento, de câncer em Campos, RJ - Pacientes precisam se deslocar até Itaperuna para fazer tratamento. No Norte do estado, apenas três hospitais oferecem assistência.” 13 Nesta quinta-feira (29) foi realizada uma audiência pública para discutir os problemas no tratamento de câncer em Campos dos Goytacazes, Norte Fluminense. O debate aconteceu na Câmara de Vereadores. Na Região Norte do estado, apenas três hospitais dão assistência para o tratamento e muitos pacientes precisam ir até Itaperuna para conseguir atendimento especializado. Nas unidades são feitas cirurgias e quimioterapia. No Hospital Escola Álvaro Alvim, o Centro de Oncologia chega a atender 800 pessoas por mês. No Hospital Beneficência Portuguesa, são 400 pessoas com o câncer, mas só um hospital particular tem o aparelho para o tratamento de radioterapia. Segundo o oncologista Frederico Costa, do Instituto Nacional do Câncer (Inca), a secretaria estadual de Saúde teria recomendado a instalação de mais um aparelho. A assessoria do Hospital Doutor Beda informou que existe outro equipamento de radioterapia, mas que não pode ser utilizado porque a sala para a utilização está sendo reformada. (G1 NORTE FLUMINENSE, 2013). Portanto, seria importante para o município de Campos possuir um Hospital Oncológico onde a população pudesse contar com todo o tipo de tratamento necessário, sem precisar se deslocar para outro município ou recorrer a clínicas particulares. Este trabalho tem por objetivo geral elaborar um Anteprojeto de Hospital Oncológico Humanizado Público para o município de Campos dos Goytacazes/RJ, que poderá vir a atender a toda população no que se refere ao diagnóstico e tratamento de doenças oncológicas. Como objetivos específicos, o anteprojeto deverá proporcionar aos usuários conforto, bem estar, comodidade, motivação, confiança, aumento de sua autoestima e diversos benefícios psicológicos, através de uma arquitetura humanizada e sustentável; aproveitar ao máximo os recursos naturais, promovendo um contato maior entre pacientes e natureza, gerando paz e tranquilidade, oferecendo aos usuários, principalmente aos pacientes, uma qualidade de vida mais saudável, favorecendo o processo de cura e tornando melhor a vida dos pacientes, principalmente os que fazem o tratamento paliativo, oferecendo uma sobrevida mais satisfatória. Este hospital deverá atender à demanda de pessoas portadoras da doença de toda a cidade, assim como das regiões próximas, oferecendo tratamento gratuito através do Sistema Único de Saúde (SUS). As pesquisas realizadas para elaboração deste trabalho são de caráter exploratório aplicado, diretamente vinculado à temática hospitalar, possuindo um foco maior na especialidade oncológica, para que, a partir do conhecimento adquirido possa-se ter um embasamento para o projeto. Possuirá abordagem qualitativa, pois se busca um conhecimento aprofundado do contexto analisado. 14 Para a coleta de dados adotou-se os seguintes procedimentos: pesquisa bibliográfica e pesquisa de campo. A pesquisa bibliográfica se deu através de análises e consultas a livros, artigos e citações, a fim de coletar dados e informações que sejam pertinentes a este tema, gerando um fundamento concreto para este trabalho. Para as pesquisas de campo foram realizadas visitas a hospitais a fim de se obter um conhecimento mais aprofundado sobre o seu funcionamento, buscando identificar suas principais necessidades e adequá-las ao anteprojeto proposto. Este trabalho está dividido em oito capítulos, da seguinte forma: o capítulo 1 apresenta uma abordagem sobre o tema câncer, explicando o que é esta doença e como ela é tratada; o capítulo 2 traz um breve histórico dos hospitais no mundo e no Brasil; o capítulo 3 trata da Humanização Hospitalar, e da sua importância para a elaboração de um projeto hospitalar de qualidade e que favoreça o processo de cura do paciente; o capítulo 4 apresenta as principais referências que foram utilizadas para a elaboração do anteprojeto do Hospital Oncológico; o capítulo 5 aborda o conceito e partido deste trabalho; o capítulo 6 apresenta a localização do anteprojeto; o capítulo 7 apresenta o anteprojeto; o capítulo 8 traz as considerações finais deste trabalho. 15 1 A ONCOLOGIA E AS DOENÇAS ONCOLÓGICAS Um hospital oncológico deve tratar pacientes de uma especialidade médica específica, a oncologia, e fornecer para os mesmos uma estrutura completa para que ali possam ser realizados os preventivos, diagnósticos e o tratamento adequado para cada variação da doença. Portanto, se faz necessário um aprofundamento no contexto relacionado a doenças oncológicas, como ela é tratada, os seus riscos e suas principais necessidades, uma vez que os casos destas doenças tem se tornado cada vez mais frequentes, levando um número cada vez maior de pessoas a óbito devido a sua alta complexidade e sua grande habilidade de mutação. O câncer é responsável por mais de 12% de todas as causas de óbito no mundo: mais de 7 milhões de pessoas morrem anualmente da doença. Como a esperança de vida no planeta tem melhorado gradativamente, a incidência de câncer, estimada em 2002 em 11 milhões de casos novos, alcançará mais de 15 milhões em 2020. Esta previsão, feita em 2005, é da International Union Against Cancer (UICC, apud SITUAÇÃO DO CÂNCER NO BRASIL, 2008). 1.1 Oncologia A palavra oncologia possui origem grega “oykos”, que significa volume. A oncologia é a especialidade médica que estuda os tumores, sejam eles malignos ou benignos. A oncologia, também conhecida no Brasil como cancerologia, se tornou nos últimos tempos uma especialidade complexa, contando com uma equipe multidisciplinar, que envolve desde médicos (oncologistas, cirurgiões, radiologistas, radioterapeutas, patologistas) a nutricionistas, psicólogos, fisioterapeutas, enfermeiros e muitos outros profissionais devido à complexidade da doença e suas particularidades que variam de paciente para paciente (ONCOGUIA, 2014). Na maioria dos casos de neoplasias benignas, o tratamento se dá pela remoção do tumor (através de cirurgia) e o paciente fica curado, sem necessidade de outro tipo de tratamento (PONTES, 2013). Já o tratamento do câncer pode ter finalidade curativa, isto é, a cura total da enfermidade, ou paliativa, que é o alívio dos sintomas e melhora na sobrevida do paciente. 16 Este tratamento é sempre muito individualizado, pois deve-se observar as necessidades e as possibilidades terapêuticas de cada paciente, e mesmo que as chances de cura sejam mínimas deve-se oferecer um bom tratamento para todos os paciente (ONCOGUIA, 2014). O tratamento do câncer pode ser feito por procedimento cirúrgico, quimioterapia e radioterapia, utilizados de maneira isolada ou integrada, dependendo do tipo celular do órgão de origem e do estágio de invasão em outros órgãos ou tecidos que o tumor apresenta. A quimioterapia é um tratamento que utiliza medicamentos, que podem ser aplicados diretamente na veia do paciente, na maioria das vezes, ou por via oral, intramuscular, subcutânea, tópica ou intratecal. Os medicamentos se misturam ao sangue e são levados por todo o corpo destruindo as células cancerígenas existentes no corpo do paciente. A radioterapia é o tratamento que atinge diretamente o tumor através de radiação, visando destruir ou impedir que suas células aumentem. Com este tratamento o paciente não sente dor (INCA, 2015). O principal objetivo da Oncologia é melhorar a qualidade de vida do paciente, e não prolongar uma vida com sofrimento e dor. É proporcionar o tratamento adequado e devolver ao paciente um lugar na sociedade (ONCOGUIA, 2014). Todo cidadão brasileiro portador do câncer possui acesso integral ao tratamento gratuito, através do SUS, pois a atenção à saúde no Brasil é de acesso universal, isto é garantido pelo Ministério da Saúde: A PRESIDENTA DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: Art. 1º O paciente com neoplasia maligna receberá, gratuitamente, no Sistema Único de Saúde (SUS), todos os tratamentos necessários, na forma desta Lei. Parágrafo único. A padronização de terapias do câncer, cirúrgicas e clínicas, deverá ser revista e republicada, e atualizada sempre que se fizer necessário, para se adequar ao conhecimento científico e à disponibilidade de novos tratamentos comprovados. . 2º O paciente com neoplasia maligna tem direito de se submeter ao primeiro tratamento no Sistema Único de Saúde (SUS), no prazo de até 60 (sessenta) dias contados a partir do dia em que for firmado o diagnóstico em laudo patológico ou em prazo menor, conforme a necessidade terapêutica do caso registrada em prontuário único. § 1º Para efeito do cumprimento do prazo estipulado no caput, considerar-se-á efetivamente iniciado o primeiro tratamento da neoplasia maligna, com a realização de terapia cirúrgica ou com o início de radioterapia ou de quimioterapia, conforme a necessidade terapêutica do caso. 17 § 2º Os pacientes acometidos por manifestações dolorosas consequentes de neoplasia maligna terão tratamento privilegiado e gratuito, quanto ao acesso às prescrições e dispensação de analgésicos opiáceos ou correlatos. Art. 3º O descumprimento desta Lei sujeitará os gestores direta e indiretamente responsáveis às penalidades administrativas. Art. 4º Os Estados que apresentarem grandes espaços territoriais sem serviços especializados em oncologia deverão produzir planos regionais de instalação deles, para superar essa situação. Art. 5º Esta Lei entra em vigor após decorridos 180 (cento e oitenta) dias de sua publicação oficial. Brasília, 22 de novembro de 2012; 191o da Independência e 124o da República. (BRASIL, 2012.) Esta lei ampara os portadores de neoplasias malignas, ou câncer, garantindo aos mesmos medicamentos, tratamentos através de intervenção cirúrgica, quimioterapia ou radioterapia conforme a necessidade terapêutica do paciente de forma gratuita. Da mesma maneira que se o paciente sofrer com dores causadas pela enfermidade deverá ser tratado de maneira emergencial priorizada. 1.2 Doenças Oncológicas Segundo o INCA, a palavra tumor corresponde ao aumento de volume observado numa parte qualquer do corpo. Quando o tumor se dá por crescimento do número de células, ele é chamado neoplasia, que pode ser benigna ou maligna. As neoplasias benignas ocorrem quando o crescimento destas células é lento e possui semelhança com o tecido original e raramente apresentam risco à vida do paciente. Quando as células se dividem rapidamente, estas células tendem a ser muito agressivas e incontroláveis determinando a formação de tumores malignos (acúmulo de células cancerígenas) ou neoplasias malignas. Câncer é o nome dado ao conjunto de mais de 100 doenças que tem em comum o desenvolvimento de tumores malignos ou neoplasias malignas e geram sérios riscos à vida do pacientem, devido a sua capacidade de invadir outros órgãos ou tecidos e se espalhar pelo corpo tornando-se uma doença extremamente agressiva. Os diferentes tipos de câncer correspondem as diferentes células existentes no corpo. Outra característica que distingue os diferentes tipos de câncer é a velocidade com que ele se multiplica no organismo e a capacidade que tem de invadir outros órgãos e se espalhar. (INCA, 2015) 18 O câncer pode ter origem interna ou externa, sendo estes fatores inter-relacionados. Quando a causa é de origem interna, significa que a pessoa possui pré-disposição genética de desenvolver a doença, ligado a capacidade que o organismo tem de se defender contra os agressores externos. Quando a causa está relacionada a fatores externos, relaciona-se ao meio ambiente, ou a hábitos e costumes próprios de um ambiente social e cultural. 80% a 90% dos casos de câncer estão associados a fatores externos como, por exemplo, o câncer de pulmão, onde o consumo de cigarros pode ser o maior causador, como a exposição excessiva ao sol que pode ser a causa do câncer de pele, e ainda a leucemia, onde os responsáveis são alguns tipos vírus. (INCA, 2015). 19 2 HISTÓRICO E EVOLUÇÃO DA ARQUITETURA HOSPITALAR Para a elaboração de um projeto hospitalar, deve-se levar em consideração seu elevado nível de complexidade arquitetônica - funcional, suas normas e regras que garantem para os funcionários e pacientes um uso mais eficiente dos espaços. Mas isto não se deu de maneira repentina, o estabelecimento de certas características hospitalares formou-se através de um processo de percepção, estudo e evolução da arquitetura hospitalar, a partir do momento em que se percebeu que o espaço interfere no processo de cura dos pacientes. 2.1 A Evolução da Arquitetura Hospitalar no Mundo Hospital é uma palavra que vem do latim hospitalis, adjetivo derivado hospes (hóspedes, estrangeiro, viajante, conviva). Inicialmente os hospitais eram locais destinados a pessoas com doenças graves, que procuravam os hospitais para morrerem com o mínimo de dignidade, geralmente eram instituições filantrópicas de auxílio aos pobres (GÓES, 2004). A origem dos hospitais é anterior à era cristã, existem documentos históricos que registram sua existência na Babilônia e no Egito, porém a era cristã impulsionou os avanços e desenvolvimento deste tipo de serviço de diversas formas (HISTÓRIAS, 1965). Durante o período que se estende da Antiguidade à Idade Média, a medicina era praticada por sacerdotes de ordens religiosas, considerada a medicina oficial ou por leigos, nomeada medicina popular, que era praticada aos arredores de templos e mercados, em locais públicos com uma multidão que assistia aos processos cirúrgicos. A medicina oficial era praticada dentro dos mosteiros ou em anexos que eram construídos com esta finalidade. Era considerada uma prática secundária às obrigações dos religiosos (DO HOSPITAL, 2002). Para alguns, o primeiro hospital da era cristã construído foi fundado por São Basílio (269-371 d.C.), em Cesaréia, Capadócia, na segunda metade do século IV, para outros foi o hospital construído em Roma no mesmo século. Outro grande marco para os hospitais de inspiração cristã foi o que o Imperador Constantino, de Constantinopla construiu sobe os escombros dos templos de Esculápio (335 d.C.) para atender a estrangeiros que viajavam para Jerusalém (GÓES, 2004). As cruzadas religiosas contribuíram muito para a ascendência religiosa nas casas de assistência médica e para o desenvolvimento de hospitais, principalmente a partir de 1096. O 20 deslocamento de tantas pessoas exigia abrigos para todos que buscassem descanso e tratamento (DO HOSPITAL, 2002). Segundo Góes (2004), um dos maiores marcos dos hospitais foi a construção, pelo arcebispo de Landri, em Lyon (542) na França, do Hotel Dieu, considerado um grande progresso na assistência hospitalar. Na Inglaterra surge o primeiro hospital construído pela igreja, em 1123, dentro dos fundamentos de um hospital geral e segundo destinado ao tratamento de lepra, que é o Hospital John de St. Bartholomeu. Em 1139, nos Concílios de Clermont, proibiram aos monges a prática da medicina, e o Concílio de Viena em 1312, decidiu que o tratamento dos enfermos deveria ser dado por leigos e aos religiosos caberia cuidar somente do conforto espiritual. A religião foi fundamental para o processo de evolução dos hospitais, pois trazia consigo certos aspectos relacionados à higiene humana, e transferiram estes conceitos para as edificações hospitalares. As enfermarias eram separadas por sexo, por especialidade médica, cozinha dietética, biblioteca e asilo de órfãos, mas ainda assim as condições de higiene e conforto eram consideradas precárias (GÓES, 2004). Durante a Renascença, os Hospitais foram deixando de ser responsabilidade das congregações religiosas e passavam a possuir um caráter municipal. Em 1772, ocorreu uma das maiores transformações da história dos hospitais, após um grande incêndio do Hotel Dieu em Paris. Era um hospital de grande porte, até mesmo se comparado aos padrões atuais, possuía cerca de 1.100 leitos individuais e 600 coletivos, porém era uma verdadeira máquina de contaminação. Foi quando o governo organizou uma comissão que deveria elaborar um projeto para sua reforma, composta por Lavoisier, Laplace, Tennon, que a partir de pesquisas e estudos estabeleceram diretrizes que nortearam por mais de um século muitos hospitais pelo mundo (GÓES, 2004). Havia um projeto de reforma do Hotel Dieu, que possuía capacidade para 5.000 leitos, porém, esta proposta foi rejeitada e foram estabelecidas tais recomendações: o número de leitos nos hospitais não deveria ultrapassar 1.200 unidades; redução no número de leitos para a enfermaria; deveria haver um isolamento entre as enfermarias; não deveria possuir salas contínuas; as salas deveriam ser dispostas de maneira a favorecer a circulação do ar, com abertura em todos os lados; deveriam ser feitos pavilhões paralelos; as fachadas deveriam ser uma ao norte e outra ao sul; deveria ser construído um pavilhão destinado aos enfermos ou dois em caso de escassez de terreno; deveria haver permissão para três andares, uma vez que dessa forma pode-se distribuir os setores, sendo o mais elevado para os funcionários o térreo e intermediário para os enfermos e deveriam ser implantados jardins entre um pavilhão e outro. 21 Em 1778 Tennon publicou uma série de relatórios sobre os hospitais parisienses (GÓES, 2004). A descentralização das instalações hospitalares foi um passo fundamental que reduziu de maneira considerável os índices de contaminação, quando os blocos dos hospitais passaram a ser divididos por uma área extensa, originando o hospital jardim (HISTÓRIAS, 1965). O desenvolvimento da tecnologia médica fez com que os processos cirúrgicos evoluíssem cada vez mais, exigindo espaços eficazes e aparelhagem cada vez mais complexa. Foram desenvolvidas especialidades cirúrgicas como oftalmologia, otorrinolaringologia, a neurologia e cirurgia estética solicitando novas condições de técnica e ambiência. A Primeira Guerra Mundial (1914 a 1918) foi um grande campo experimental principalmente para as cirurgias (HISTÓRIAS, 1965). A tecnologia não avançou apenas nas especialidades cirúrgicas, mas como um todo no que diz respeito à medicina, equipamentos, técnicas e pesquisas, o que exigiu espaços que se adequassem às necessidades de cada especialidade. A criação de novos setores se fazia necessária para um melhor rendimento dos profissionais, o que exigiu uma ampliação das instalações hospitalares. Com isso as distâncias entre um setor e outro complicou imensamente o problema de transporte seja de doentes, medicamentos, materiais, de médicos e pessoal subalterno, de material para laboratório. As canalizações de água e esgoto, rede elétrica, sinal luminoso, a tubulação de aquecimento se estendiam por metros para se distribuir por todos os edifícios (HISTÓRIAS, 1965). Todas as circunstâncias exigiam o retorno do edifício hospitalar com tipologia concentrada. No entanto, manteve-se o “tabu” do pavilhão. Alegavam que essa exigência era pertinente à ciência bacteriológica, porém não se via a necessidade de isolar os pacientes não contagiosos. Por outro lado os pavilhões dispersos, mas próximos ao chão eram susceptíveis de invasão pelas moscas e poeira, favorecendo o contágio por fácil acesso. Cientistas fizeram pesquisas e experiências, dentre eles o cientista francês Pasteur, e comprovaram que com o aumento da altitude as placas microbianas decresciam, e a prática de pavilhões dispersos não reduzia o contágio hospitalar (HISTÓRIAS, 1965). O progresso da arquitetura e da engenharia gerou como consequência uma nova solução para a arquitetura hospitalar, a descoberta de novos materiais irá proporcionar a tipologia hospitalar vertical, uma solução compacta com novos métodos construtivos. As funções hospitalares eram divididas em quatro setores: serviço de apoio, localizado no subsolo; consultório médico e raio X, no térreo; laboratórios e serviços administrativos, no 22 primeiro andar e internação, nos andares intermediários, com o bloco operatório no último andar (SAMPAIO, 2005). As novas descobertas modificaram as características dos hospitais, que passaram a ser considerados centros de pesquisa de enfermidades, diagnóstico e tratamento (SAMPAIO, 2005). O programa hospitalar é considerado um dos mais complexos por interagir relações de alta tecnologia, diferentes especialidades e profissionais e principalmente o paciente que carece de cuidados especiais. Funcionalmente, os hospitais deveriam ser edifícios da tipologia horizontal interligado por rampas deixando uma área prevista para ampliações de acordo com as dimensões requeridas, mas para isto as áreas previstas para implantação seriam muito maiores, elevando o custo do hospital (SAMPAIO, 2005). Esta é a nova discussão em relação à tipologia hospitalar: pavilhonar horizontal com no máximo dois pavimentos ou o modelo vertical. É essencial para um hospital pensar nas variações futuras, por isso o projeto deve possuir flexibilidade. Hoje não se tem um modelo formal para os edifícios hospitalares e sim um conceito que deve ser seguido de acordo com suas necessidades (SAMPAIO, 2005). 2.2 Histórico da Arquitetura Hospitalar Brasileira O Primeiro hospital da América Latina foi o Jesus Nazareno, construído por Fernão Cortez em 1512 no México. No Brasil a assistência hospitalar teve início logo após o seu descobrimento, através das obras de Misericórdia criadas pela rainha D. Leonor de Lencastre, cultivando com a instituição das Santas Casas. Em 1543, foi fundado por Brás Cubas o primeiro hospital do Brasil, a Santa Cruz de Misericórdia de Santos. Este tipo de hospital, as Santas Casas de Misericórdia, logo se espalhou pelo país (SAMPAIO, 2005). Em 1884 foi construída a Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, de partido pavilhonar, inspirada no modelo francês do Hospital Laribosière. Esta morfologia foi adotada por muitos arquitetos brasileiros. O modelo vertical foi projetado pelo engenheiro Luiz Moraes Júnior, especialista em edificações laboratoriais, que construiu a Fundação Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro e participou da modernização dos serviços públicos de saúde (SAMPAIO, 2005). Segundo Góes (2004), com a independência e o regime republicano, praticamente não houve iniciativas do governo relacionadas às normas para a construção de hospitais, somente 23 após a revolução de 30 surgiram novas iniciativas que tentaram reestruturar os conceitos, padrões e normas para esse fim. Um dos líderes da revolução de 30 foi o governador de Pernambuco, Carlos Lima Cavalcanti, que trouxe do Rio de Janeiro o arquiteto mineiro, Luís Nunes, que se tornou responsável por um trabalho de reestruturação dos edifícios públicos, criando o Departamento de Arquitetura e Urbanismo. Nunes solicitou a colaboração de outros profissionais como o médico Josué de Castro, o sanitarista Saturnino de Brito, e outros sanitaristas cariocas que produziram trabalhos nos campos habitacional, educacional, de abastecimento, saneamento e saúde. Direcionado ao setor de saúde foram construídos postos de saúde, uma usina de pasteurização de leite, o Leprosário de Mirueira, a Colônia Agrícola de Barreiro para doentes mentais crônicos, o Pavilhão de Óbito da Faculdade de Medicina e o Hospital da Brigada Militar, todos durante o período de 1934 a 1936. O hospital militar está inserido também no sistema de reestruturação da força pública, elemento chave no equilíbrio de forças com o governo central (GÓES, 2004). No Hospital da Brigada Militar, foi adotado o partido “bloco” que era defendido pelas correntes mais avançadas da medicina, em contraposição à tipologia pavilhonar. Esta edificação incorporou as descobertas da medicina no que diz respeito aos vetores de transmissão de diversas doenças contagiosas. É composto por três blocos, dois longitudinais com 3 andares e um transversal com 6 pavimentos como pode-se observar nas figuras 01, 02 e 03. Foi construído em concreto armado, o que era uma inovação para a época (GÓES,2004). Figura 01- Hospital da Brigada Militar de Recife Fonte: Góes (2004) 24 Figura 02 - Hospital da Brigada Militar de Recife Fonte: Góes (2004) Figura 03 - Hospital da Brigada Militar de Recife Fonte: Góes (2004) Outro nome de grande importância para a arquitetura hospitalar brasileira é o João Figueiras Lima, o Lelé. Ele trouxe de volta os primeiros conceitos da humanização hospitalar, que passou a ser gerado no final do século XVIII, quando os cuidados com as condições dos pacientes internados passaram a ter importância, a preocupação com os ambientes e a percepção de que o bem-estar do paciente influencia em seu processo de cura (SAMPAIO, 2005). A arquitetura hospitalar de Lelé busca se adequar com seu entorno e as condições climáticas do local onde é implantado, priorizando em sua arquitetura o conforto ambiental, como mostra um esquema de insolação e ventilação, feitos por Lelé na figura 4. Dentre os hospitais projetados por ele estão os hospitais da rede Sarah, que possuem como característica proporcionar as melhores condições de bem-estar para seus usuários através da humanização, figuras 05, 06 e 07 (SAMPAIO, 2005). 25 Hoje são utilizadas Leis e Portarias, além de normas que orientam a elaboração de projetos hospitalares no Brasil, uma vez que é necessária esta regulamentação para garantir o bem estar e qualidade dos ambientes. Figura 04 - Estudos de Insolação e Ventilação elaborados pelo arquiteto Lelé Fonte: Sampaio (2005) Figura 05 - Rede Sarah de Hospitais de Belo Horizonte Fonte: Rede Sarah de Hospitais (2015) 26 Figura 06 - Rede Sarah de Hospitais do Rio de Janeiro Fonte: Rede Sarah de Hospitais (2015) Figura 07 - Rede Sarah de Hospitais de Salvador Fonte: Rede Sarah de Hospitais (2015) No Brasil as iniciativas relacionadas ao controle e tratamento do câncer tiveram início ainda no século XX, orientadas quase exclusivamente ao diagnóstico e tratamento do câncer, uma vez que a prevenção não era possível devido ao pouco conhecimento sobre a etiologia da 27 doença. Porém o primeiro registro Hospitalar de Câncer no Brasil se deu apenas em 1928 no Instituto Nacional do Câncer (INCA) de acordo com as normas padronizadas e preconizadas pela Organização Pan Americana de Saúde (OPAS), com apoio da Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC) (BARRETO, 2005). Portanto a arquitetura hospitalar atual é o resultado de inúmeros processos de evolução, estudos e aprimoramentos na tecnologia da medicina e da arquitetura, que hoje proporcionam e possibilitam inúmeras possibilidades tipológicas arquitetônicas que variam de acordo com as necessidades de cada instituição. A evolução da arquitetura hospitalar no Brasil é considerada recente se comparada ao resto do mundo, porém a idealização e resgate da ideologia de arquitetura humanizada pelo arquiteto Lelé, reavivou os primeiros conceitos de humanização hospitalar buscando melhorar cada vez mais o conforto e bem estar dos pacientes. Em um hospital oncológico o conforto e bem estar são de extrema importância, pois amenizam os diversos efeitos psicológicos causados pela enfermidade. 28 3 HUMANIZAÇÃO HOSPITALAR Para TOLEDO (2005), humanização hospitalar consiste em unir a beleza dos traços arquitetônicos, a funcionalidade e domínio dos aspectos construtivos com a criação de espaços que favoreçam não somente a realização, mas o surgimento de novos procedimentos, como também um maior bem estar físico e psicológico de seus usuários, sejam eles pacientes, acompanhantes ou funcionários. Por volta do século XVIII, a arquitetura hospitalar exercia um papel que além de atender às necessidades funcionais e espaciais exigidas pela prática médica, possuía como objetivo tornar-se um instrumento de cura, através da criação de barreiras físicas que impediam a disseminação de infecções hospitalares, as antecâmaras, os vestiários-barreira, os prós-pés e os corredores exclusivos (TOLEDO, 2005). Porém, com os avanços tecnológicos, o aprimoramento das práticas médicas, aliados ao progresso na assepsia de ambientes e materiais e a utilização de antibióticos fizeram cada vez menos necessárias as barreiras físicas existentes para conter as infecções hospitalares. Este processo afastou a arquitetura hospitalar das práticas médicas, fazendo com que a participação do arquiteto perdesse parte de sua importância no processo de cura dos pacientes, tornando-o coadjuvante, na medida em que os estudos, fluxos, o dimensionamento dos ambientes e até mesmo o partido arquitetônico não contribuíam significativamente no processo terapêutico (TOLEDO, 2005). Hoje se retoma a discussão sobre as questões de humanização hospitalar, e sobre como o conforto e o bem-estar podem favorecer e tornar satisfatória a qualidade de vida dos usuários, e de maneira especial, melhorar a qualidade de vida dos pacientes (SAMPAIO, 2005). Quando se pensa no principal usuário do hospital, o paciente, devemos levar em consideração que estamos tratando de indivíduos com condições físicas e psicológicas extremamente delicadas, propícias às seguintes sensações: expectativa, ansiedade, desconfiança, insegurança, desânimo, tristeza e medo. Por estar a maior parte das vezes imóvel, sua percepção sobre o que está a sua volta se torna mais aguçada, o ambiente é vivido intensamente. Muitas vezes os profissionais responsáveis por atender estes pacientes se encontram com pressa, sobre tensão e cansaço. Isto acontece pelo estresse gerado pela profissão, somados às características dos ambientes que muitas vezes não recebem um 29 tratamento diferenciado, tornando-se ambientes frios, sem a preocupação de transformar aquele espaço em um ambiente humano e acolhedor (SAMPAIO, 2005). O papel do arquiteto hoje na arquitetura hospitalar se tornou muito mais do que projetar um hospital seguindo as normas e regras básicas de projetos hospitalares, ele deve colaborar e minimizar o desconforto gerado por ambientes frios, impessoais e cheio de ruídos, com pessoas sofrendo e profissionais agitados. O arquiteto deve projetar espaços acolhedores, ambientes de descanso, que transmitam paz e tranquilidade, ao mesmo tempo em que ofereçam confiança, força e aumentem a esperança no paciente de sua recuperação. Este ambiente irá proporcionar também um local mais agradável para os profissionais, que poderão oferecer serviços de melhor qualidade, resultando um maior rendimento, mais produtividade e mais satisfação (SAMPAIO, 2005). Para a elaboração de um projeto hospitalar, é de extrema importância considerar: o clima local, a insolação, topografia, condições ambientais e paisagísticas; o programa hospitalar e suas particularidades, caso o hospital seja especializado; flexibilidade e expansibilidade; segurança; eficiência no desenvolvimento das atividades; adaptabilidade a novas descobertas e tecnologias; e principalmente a satisfação e bem estar dos usuários (SAMPAIO, 2005). A natureza também é um meio importante no processo de humanização hospitalar, a interação com o meio externo estimula os pacientes. Ter acesso a uma área verde em um ambiente hospitalar viabiliza a recuperação do senso de controle do paciente, além de proporcionar para ele um espaço onde ele pode se relacionar com familiares e amigos, além de gerar as sensações de paz e tranquilidade (ALMEIDA, 2015). No caso dos hospitais oncológicos, a humanização gera um conforto que se reflete na expectativa de cura do paciente. Encontrar um lugar que seja acolhedor e ao mesmo tempo proporciona o tratamento para o usuário favorece não somente o paciente, mas também toda a família que acompanha a luta diária contra a doença, e revitaliza neles também a esperança e a confiança. O espaço verde em hospitais oncológicos proporciona a humanização de ambientes que são relacionados à frieza, esterilidade e até mesmo reduz as situações de hostilidade dos pacientes (ALMEIDA, 2015). 30 3.1 Humanização e o Ambiente Físico Para Martins (2004), o arquiteto hospitalar além de conhecer a complexidade do funcionamento de um hospital, deve propor soluções que atendam as suas necessidades técnicas e de humanização. Neste aspecto o conforto ambiental possui primazia, devido sua grande influência sobre os processos de cura dos pacientes internados. Para que uma pessoa se sinta confortável em um ambiente é preciso que ela se sinta em neutralidade em relação a ele. No caso dos hospitais a arquitetura possui função terapêutica se contribuir para o bem-estar físico do paciente que além de acompanhar o desenvolvimento tecnológico deve proporcionar condições de convívio mais humanas (CORBELLA 2003, apud MARTINS, 2004). O desconforto nos ambientes hospitalares não pode ser um problema a mais nestes espaços, construído para muitas vezes, situações estressantes de atendimento associadas a pacientes com risco de vida ou sofrimento profundo (MIQUELIN 1992, apud MARTINS, 2004). Segundo Martins (2004), alguns aspectos são considerados fundamentais para o conforto ambiental nos hospitais, são eles: a iluminação, a cor e o conforto higrotérmico. A iluminação artificial é indispensável na maioria dos estabelecimentos de saúde e acaba influenciando no equilíbrio psicológico e fisiológico dos usuários. Por tanto deve-se pensar primeiro no projeto iluminação antes da seleção de cores e materiais a serem utilizados. Dessa maneira é preciso integrar a luz no projeto arquitetônico com a luminância necessária ao ambiente antes de escolher as cores (MIQUELIN 2003, apud MARTINS 2004). Outros aspectos a serem considerados são a quantidade e a qualidade da iluminação de cada ambiente. Quanto à quantidade, deve-se lembrar que a percepção individual varia segundo os locais e a atividades, se contínua ou intermitente. Quanto à qualidade depende-se do índice de expressões e cor. No caso dos hospitais devem ser realizados estudos específicos em cada ambiente, para que a iluminação proporcione um bem estar visual (MARTINS, 2004). O clima brasileiro proporciona condições de aproveitamento da iluminação natural no interior das edificações. Além de trazer benefícios a saúde por que gera a sensação psicológica de tempo tanto cronológico quanto climático. A luz artificial deve ser usada a noite ou em dias nublados, deve existir como complementação e não para substituir a luz natural (MARTINS, 2004). 31 A luz determina a cor, qualquer luz natural ou artificial que cai sobre uma superfície colorida altera sua aparência, já que esta cor não existe por si própria e é uma excitação do olho. Assim como sabor e o cheiro são sensações, a cor também é resultado de uma sensação individual (MARTINS, 2004). Para Martins (2004), as cores podem provocar diferentes sensações térmicas, e pode melhorar as condições higrotérmicas de um ambiente. Ambientes secos cores de conotação úmidas, como o verde mais escuro. As cores apresentam a capacidade de dar a percepção de espaços maiores ou menores, de tranquilizar o ambiente ou gerar certa animação, isso varia de cor para cor e qual é o objetivo que deve ser alcançado por aquele ambiente. Como por exemplo, uma pessoa com problemas respiratórios se sente mais a vontade em quartos azuis, pois tem a sensação de maior volume de ar (MARTINS, 2004). A harmonia de cores evita o cansaço da retina, a utilização de um ambiente monocromático pode ocasionar desvio de atenção. Por tanto, em centros cirúrgicos uma cor pode dominar contando que se introduza uma cor complementar para perder o efeito monocromático (MARTINS, 2004). Segundo Martins (2004), os efeitos das cores variam de sexo, idade e funcionalidade de determinada instituição hospitalar, para isto deve-se elaborar um estudo cromático adequando às cores as necessidades de cada paciente. A sensação de conforto higrotérmico varia de região para região, e depende da capacidade de adaptação do indivíduo às condições climáticas onde está inserido. Este conforto está condicionado as seguintes variáveis: temperatura, umidade relativa e velocidade do ar (MARTINS, 2004). Algumas estratégias de projeto baseadas em princípios bioclimáticos são: controlar o acúmulo de calor; procurar dissipar a energia térmica no interior do edifício; retirar toda humidade em excesso, promovendo movimentação do ar; privilegiar o uso de iluminação natural e controlar as fontes de ruído. 3.2 Jardim Terapêutico Como citado anteriormente, a natureza é um meio importante no processo de humanização hospitalar, pois a interação com o meio externo provoca estímulos positivos ao paciente. 32 Na Inglaterra, o psicólogo Mathew White e sua equipe da escola de medicina da universidade de Exeter estudaram os dados de 10 mil pessoas que foram entrevistadas anualmente durante 17 anos, apontou que os voluntários que moram perto de áreas verdes demonstraram estar mais felizes e com menos problemas de saúde. Segundo os pesquisadores o contato direto com a natureza reduz a velocidade dos batimentos cardíacos e a pressão arterial, fazendo com que as pessoas se sintam menos estressadas. Outro fator importante gerado pelo contato com a natureza é o estímulo que ela provoca ao indivíduo convidando-o a praticar alguma atividade física, um passeio de bicicleta ou até mesmo uma caminhada. (G1, 2013) Nos Estados Unidos a terapeuta Tereza Hazen se tornou uma das pioneiras na elaboração de jardins terapêuticos, e há 23 anos ajuda na reabilitação de pacientes em hospitais através das plantas. Segundo Teresia o som da natureza, do ar, o cheiro das plantas, da terra fornece uma conexão com o corpo, ajudando a relaxar os músculos e ativar o cérebro (G1, 2013). Ainda na reportagem publicada pelo G1, mostra-se que uma pesquisa publicada em 1984 apontou que estar em um quarto de hospital com uma janela que tenha uma vista voltada para árvores e plantas faz toda a diferença no tratamento do paciente. Este levantamento foi realizado com 46 pacientes nos Estados Unidos e mostrou que ter contato com a natureza mesmo que de longe diminui a quantidade de medicamentos tomados e reduz o tempo de tratamento, pois estar perto de espaços verdes diminui a ansiedade e a depressão, sentimentos muito presentes na vida de pessoas que são portadoras de doenças oncológicas. Estes jardins devem ser construídos ao ar livre ou em átrios e solários dos hospitais, para que todos possam ter acesso. Não se trata de um jardim comum, existem características específicas que devem ser respeitadas para que ele realmente seja terapêutico. Em primeiro lugar deve-se pensar nas questões de segurança, os pisos devem ser antiderrapantes os caminhos devem ser largos para que se possa realizar uma caminhada e deve-se pensar em pontos para descanso e meditação. Podem-se utilizar elementos como fontes d’água, plantas aromáticas, medicinais e ornamentais. As plantas medicinais podem ser usadas simbolicamente, as aromáticas e ornamentais terão a função de atrair borboletas e pássaros para o jardim. O principal objetivo é produzir um ambiente que estimule os sentidos (MOTTA, 2013). Um exemplo de utilização do jardim terapêutico é o hospital Norte Americano Legacy Emanuel Medical Center, figura 8, no estado de Oregon. É um hospital infantil e o jardim, 33 figura 9, tem ajudado no tratamento de crianças que sofreram lesões no cérebro. Este espaço é utilizado para estimular a memória das crianças e exercitar sua coordenação motora. Figura 08 – Fachada do Legacy Emanuel Medical Center Fonte: Motta ( 2013) Figura 09 – Fachada do Legacy Emanuel Medical Center Fonte: Motta ( 2013) Por tanto, a humanização hospitalar além de favorecer o processo terapêutico do paciente contribui para a qualidade dos serviços prestados pelos profissionais de saúde, pois um ambiente confortável traz benefícios a todos os usuários e a qualidade dos serviços prestados também se inserem no conceito de humanização hospitalar. 34 4 REFERENCIAIS PROJETUAIS Neste capítulo serão apresentados os referenciais funcionais, tipológicos, tecnológico e plástico formal que serão necessários para a elaboração e desenvolvimento deste projeto. 4.1 Referencial funcional Este referencial está diretamente ligado ao programa de necessidades. O projeto analisado deve contemplar funções semelhantes a do projeto que será elaborado e atenda satisfatoriamente ao programa de necessidades deste. 4.1.1 Hospital do Câncer I (HCI) O INCA (Instituto Nacional do Câncer) é o órgão auxiliar do Ministério da Saúde no desenvolvimento e coordenação das ações integradas para a prevenção e o controle do câncer no Brasil. Essas ações compreendem a assistência médico hospitalar, prestada direta e gratuitamente aos pacientes com câncer, através do Sistema Único de Saúde, e a atuação em áreas estratégicas como prevenção e detecção precoce, formação de profissionais especializados, desenvolvimento das pesquisas e de geração da informação epidemiológica. O Hospital do Câncer I (HCI) é a maior unidade hospitalar do INCA, e um dos mais bem equipados hospitais do Ministério da Saúde. O HCI presta assistência médico-hospitalar gratuita para pacientes com câncer, e funciona na Praça Cruz Vermelha, no Rio de Janeiro desde 1957. Servindo como sede para a administração do INCA e ao Centro de Transplante de Medula Óssea, esta unidade hospitalar dispõe de 188 leitos (incluindo 10 leitos de CTI), distribuídos num prédio de 11 andares, como mostra a figura 10, que ocupa uma área de 33.000 m². É composto por equipes multifuncionais que são responsáveis pelo serviço de confirmação e diagnóstico do câncer, avaliação de extensão do tumor, tratamento e reabilitação. Oferece recursos avançados de avançados como ressonância magnética, um mamógrafo de alta resolução, tomógrafo helicoidal (INCA, 2015). 35 Figura 10 - Hospital do Cancer I (HCI) Fonte: INCA (2015) A seguir, a lista dos serviços prestados pelo HCI: Divisão Cirúrgica • Serviço de Anestesiologia • Seção de Cirurgia Abdominopélvica • Seção de Urologia • Seção Tecido Ósseo e Conectivo • Seção de Cirurgia Oncológica Pediátrica • Seção de Cirurgia de Cabeça e Pescoço • Seção de Cirurgia Torácica • Seção de Estômato Odontologia e Prótese • Seção de Cirurgia Plástica Reparadora e Microcirurgia • Seção de Neurocirurgia Divisão Clínica • Seção de Clínica Médica • Seção de Oncologia Pediátrica • Seção de Terapia Intensiva 36 • Serviço de Hematologia • Serviço de Radioterapia • Serviço de Oncologia Clínica • Seção de Dermatologia • Seção de Psiquiatria • Área de Emergência • Área de Física Médica • Clínica de Dor Divisão de Diagnóstico • Seção de Endoscopia • Seção de Medicina Nuclear • Serviço de Hemoterapia • Serviço de Patologia Clínica • Serviço de Radiologia Divisão de Enfermagem • Área de Enfermagem - Supervisão Geral • Serviço de Enfermagem em Procedimentos Externos • Área de Enfermagem Ambulatorial - Cirúrgica • Área de Enfermagem Ambulatorial - Clínica/Diagnóstica • Área de Enfermagem em Quimioterapia • Área de Enfermagem em Emergência • Serviço de Enfermagem em Centro Cirúrgico • Serviço de Enfermagem Hospitalar • Área de Enfermagem em Terapia Intensiva • Área de Enfermagem Clínica • Área de Enfermagem Cirúrgica • Área de Enfermagem em Radioterapia • Área de Enfermagem em Pediatria Divisão de Apoio Técnico • Serviço de Nutrição e Dietética 37 • Serviço Social • Serviço de Farmácia Hospitalar • Seção de Psicologia • Seção de Reabilitação (Fisioterapia, Fonoaudiologia e Terapia Ocupacional) Divisão de Administração Hospitalar • Seção de Centro Cirúrgico • Seção de Pacientes Externos • Área de Registro e Documentação • Área de Estatística e Faturamento • Área de Registro de Câncer • Área de Atividades Auxiliares • Atividade de Rouparia • Atividade de Transportes • Atividade de Zeladoria • Núcleo de Informática (INCA, 2015). O objeto deste trabalho apresenta um programa de necessidades e serviços semelhante ao que é apresentado no HCI, principalmente no que se refere ao diagnóstico, tratamento e reabilitação do câncer. 4.2 Referencial Tipológico Este referencial tem como objetivo apresentar o tipo de arquitetura que será utilizada, se a volumetria será linear, verticalizada, horizontal, com pátio interno ou qualquer outra característica que indique o partido arquitetônico de implantação adotado. 4.2.1 Espaço Universitário Campos Cabral Este projeto foi premiado com o primeiro lugar do Concurso Campos Cabral, em Curitiba cuja proposta era a elaboração de um novo Campus Universitário. Visto que a 38 edificação foi projetada em meio a natureza, sua arquitetura tende a integrar-se a ela da maneira menos agressiva possível. Para isto, foi projetado uma volumetria única e compacta, aproveitando ao máximo das vistas naturais através de subtrações em sua composição, que otimizam os elementos naturais, como luz e ventilação, além do enriquecimento do percurso arquitetônico que os levou a criar pátios internos e reentrâncias nesse volume trazendo leveza e dinamismo a massa, como mostram as figuras 11, 12, 13, 14 e 15 (ARCHDAILY , 2015). Para a realização deste trabalho, será adotada a tipologia arquitetônica com pátio interno, para assim como o espaço universitário, interaja com o meio externo proporcionando aos usuários um contato intenso com a natureza e gerando um aproveitamento maior dos recursos naturais. Figura 11 - Implantação do Espaço Universitário Campos Cabral Fonte: Archdaily (2015) 39 Figura 12 - Estudo volumétrico do Espaço Universitário Campos Cabral Fonte: Archdaily (2015) Figura 13 - Pátio Interno do Espaço Universitário Campos Cabral Fonte: Archdaily (2015) 40 Figura 14 - Espaço Universitário Campos Cabral Fonte: Archdaily (2015) Figura 15 - Projeto do Espaço Universitário Campos Cabral Fonte: Archdaily (2015) 41 4.3 Referencial Plástico-formal Este referencial apresenta características volumétricas ou estéticas que inspiraram a elaboração deste projeto, com destaque em detalhes como materiais e formas específicas. 4.3.1 Museu Grego de Arqueologia Este projeto é o vencedor de um concurso cujo objetivo era transformar uma antiga estrutura em um museu arqueológico. Esta proposta é do escritório Tsabikus Petras Architectural Studio, examina a reintrodução da área verde em uma região urbana buscando integrar o mar e a costa. O museu busca formar uma transição entre a paisagem urbana para a paisagem natural. Um dos pontos de destaque é o grande pátio central que é envolvido por um grande deck que interage com toda a arquitetura, como mostra as figuras 16, 17, 18 e 19 (ARCHDAILY, 2015). Para este trabalho atribuiu-se o grande pátio central, que irá favorecer a ventilação e iluminação do Hospital Oncológico, além de ser uma ponte para os usuários entre a construção e a natureza, o movimento gerado pelo formato do pátio, a composição entre o volume mais pesado do prédio com a leveza do deck que envolve o pátio serão as principais características atribuídas a este projeto. Figura 16 - Museu Grego de Arqueologia Fonte: Archdaily (2015)) 42 Figura 17 - Pátio interno do Museu Grego de Arqueologia Fonte: Archdaily (2015) Figura 18 - Museu Grego de Arqueologia Fonte: Archdaily (2015) Figura 19 - Museu Grego de Arqueologia Fonte: Archdaily (2015)) 43 4.4 Referencial Tecnológico São construções que apresentam recursos tecnológicos que poderão ser empregados no projeto, a fim de solucionar problemas futuros. 4.4.1 Residência Ecológica em São Paulo O projeto de arquitetura desta residência localizada no Jardim Europa, bairro nobre de São Paulo, foi pensado para integrar soluções ecoeficientes a um design de alto padrão, como mostra a figura 20. Os principais desafios eram utilizar materiais e acabamentos que resultassem em uma valorização do imóvel para uma breve venda e permitissem que os futuros moradores economizassem energia e água durante a vida útil do imóvel. Para isto, foi utilizado o telhado verde, que capta a água da chuva que é reutilizada na residência (LOSCHIAVO, 2015). Figura 20 - Residência Ecológica Fonte: Loschiavo (2015) O Telhado Verde é uma solução construtiva que consiste na aplicação e uso de um tipo de solo especial e vegetação sobre uma superfície impermeável, no lugar do telhado convencional. (LOSCHIAVO, 2015) 44 O uso de Telhado Verde oferece inúmeras vantagens, como: maior controle da drenagem pluvial drenagem, isolamento acústico e térmico, diferencial estético e ambiental da edificação. Esta tecnologia é uma alternativa sustentável frente aos telhados e lajes convencionais e em áreas urbanas, pois atua como gerenciador de grandes volumes de chuvas, retardando sua drenagem, para as galerias pluviais, contribuindo de forma importante para a mitigação de inundações e enchentes. (LOSCHIAVO, 2015) Outra função do telhado verde é captar a água da chuva. Esta que vai para um reservatório (cisterna). Essa água é utilizada para irrigar a parede verde, a horta e outros jardins. Ela serve também para ser usada nos vasos sanitários da casa. Com uma torneira também é possível acessar a água da cisterna diretamente para outras atividades, como a limpeza do piso. O sistema utilizado na residência ecológica é apresentado na figura 21. (LOSCHIAVO, 2015) Figura 21 - Sistema de Captação de Água da Residência Ecológica Fonte: Loschiavo (2015) Para este anteprojeto hospitalar, utilizou-se esta tecnologia de captação da água da chuva através do telhado verde, que deverá proporcionar também conforto térmico e acústico 45 para a construção, uma vez que a vegetação também favorece o isolamento de calor e som, o que gera economia da energia elétrica. 4.4.2 Biblioteca Pompeu Fabra de Mataró, Catalunha, Espanha A Biblioteca Pompeu Fabra de Mataró, que é uma biblioteca tradicional situada na cidade de Catalunha na Espanha, possui uma característica peculiar em sua arquitetura, que é a utilização de painéis fotovoltaicos em sua fachada. Os painéis fotovoltaicos são uma excelente forma de energia alternativa, que contribui para a sustentabilidade e preservação do meio ambiente. Esta tecnologia capta a energia solar e a transforma através das células fotovoltaicas em energia para o aquecimento da água e alimentação elétrica. Os painéis são flexíveis e se adaptam com facilidade as exigências de dimensionamento do projeto arquitetônico (MACEDO, 2014). Com três pavimentos, a biblioteca possui a fachada completamente revestida pelos painéis, com cavidades internas para facilitar a ventilação dos mesmos, como mostra a figura 22. Estes painéis são utilizados com fonte de energia para todo o prédio. Figura 22 – Fachada da Biblioteca Fabra de Mataraó, Fonte: Macedo (2014) 46 Para este trabalho, utilizou-se a tecnologia dos painéis fotovoltaicos para auxiliar no fornecimento de energia da edificação. 4.5 Pesquisa de Campo Para a elaboração deste trabalho além de toda pesquisa bibliográfica e análise dos referenciais citados acima, foi realizado um estudo de campo através de visitas técnicas a Estabelecimentos de Assistência a Saúde (EAS) a fim de proporcionar um maior embasamento para a estrutura deste trabalho, uma vez que este tema é extremamente específico e a vivência do espaço torna o entendimento de seu funcionamento e organização mais clara. Foram realizadas três visitas, a primeira foi ao OncoBeda – Centro Integrado de Oncologia, a segunda ao Hospital Escola Álvaro Alvim e a terceira visita se deu no Hospital do Câncer de Muriaé – Fundação Cristiano Varella. 4.5.1 OncoBeda – Centro Integrado de Oncologia A visita ao OncoBeda, foi realizada no dia 4 de junho de 2015, com o intuito de analisar os espaços de sua estrutura física e buscar um melhor entendimento do funcionamento deste tipo de estabelecimento, principalmente no que diz respeito a estrutura necessária para o tratamento radioterápico. O Centro Integrado de Oncologia está localizado no município de Campos dos Goytacazes na Rua Saldanha Marinho, no bairro do Centro, nº422. (Figura 23) 47 Figura 23 – Localização do Oncobeda – Centro Integrado de Oncologia Fonte: Google Earth (2015) (Imagem adaptada pela autora) O OncoBeda é um dos estabelecimentos de assistências a saúde especializado na modalidade oncológica do município e tem por objetivo proporcionar o tratamento necessário a pessoas portadoras de doenças oncológicas, onde as mesmas já devem estar diagnosticadas para que posteriormente possa-se dar início ao tratamento. Os serviços oferecidos por este estabelecimento são os de oncologia clínica, psico-oncologia, nutrição, fisioterapia oncológica além dos tratamentos de radioterapia e braquiterapia aliados a um físico médico e quimioterapia. Dentre todos os serviços oferecidos apenas a radioterapia está disponível a pacientes do SUS, os demais serviços são particulares. Não foi possível fotografar o estabelecimento, pois a visita foi realizada durante o horário de funcionamento do centro, havendo assim um número considerável de pacientes, e para a preservação da imagem dos mesmos a fotografia não foi autorizada. O espaço foi construído com o objetivo de se tornar este centro de tratamento, porém a construção nova está anexada a uma casa antiga construída no mesmo terreno, como mostra a figura 24. 48 Figura 24 – Oncobeda – Centro Integrado de Oncologia Fonte: Google Earth (2015) De modo geral, os espaços de atendimento aos pacientes são adequados, e de certa maneira percebeu-se a preocupação com a humanização dos ambientes buscando proporcionar um bem-estar maior aos usuários. Atualmente são tratados no setor radioterápico cerca de 100 pacientes por mês. O espaço de radioterapia além de conter uma ampla sala para o acelerador linear (figura 25) e toda a estrutura necessária para o funcionamento da mesma (como vestiário, sala de molde e máscaras, sala para armazenagem de fonte, área de comando) possui também uma sala para o tratamento de braquiterapia. Os dois espaços, tanto o de radioterapia quanto o de braquiterapia, possuem um tratamento especial, com paredes blindadas, espessas devidamente calculadas para proteger o meio externo de toda a radiação liberada pelos equipamentos. Figura 25 – Sala de Radioterapia Fonte: Oncobeda (2015) 49 O espaço destinado a quimioterapia atende de 4 a 8 pessoas por dia, possui 4 cadeiras e a frequência dos pacientes depende da intensidade do tratamento prescrito para ele. O espaço é pequeno, mas atende aos requisitos necessários para o funcionamento deste tipo de terapia. Dentro do salão de quimioterapia, além de conter as quatro cadeiras, com divisórias entre elas, possui um pequeno posto de enfermagem com toda a estrutura necessária que o acompanha como depósito de materiais e equipamentos, sala de serviço, e uma farmácia com profissionais especializados que ficam isolados fornecendo todo o medicamento necessário para o tratamento quimioterápico. Além dos espaços de terapia, o centro de tratamento possui uma estrutura de apoio que auxilia no funcionamento deste estabelecimento como copa para funcionários, d.m.l., d.m.e., sala de serviços, expurgo, sanitários, salas administrativas além de uma ampla recepção e consultórios médicos. Por tanto, o OncoBeda possui uma boa estrutura, apesar de ser pequeno, para o atendimento de pessoas portadoras da doença, buscando oferecer conforto com espaços humanizados, porém não é capaz de atender a população de modo geral devido a limitações no custo do tratamento e de sua estrutura física. 4.5.2 Hospital Escola Álvaro Alvim – Oncocentro O Hospital Escola Álvaro Alvim, que faz parte da Fundação Benedito Pereira Nunes, foi o segundo local visitado, com o objetivo de contribuir no processo de elaboração deste trabalho. Situado na Rua Barão da Lagoa Dourada, nº 409, no Centro de Campos dos Goytacazes (figura 26), é um dos núcleos de tratamento oncológico do município. Dentro do hospital existe o Oncocentro que é uma clínica associada ao Hospital que fornece tais serviços a população. 50 Figura 26 – Localização do Hospital Escola Álvaro Alvim Fonte: Google Earth (2015) (Imagem adaptada pela autora) O Oncocentro é dividido em dois setores, o setor de tratamento quimioterápico e o setor de tratamento radioterápico, que foi inaugurado em agosto de 2015. Para iniciar o tratamento é necessário que a pessoa já esteja diagnosticada com a doença. O atendimento é realizado pelo SUS. Esta visita não pôde ser fotografada, pois foi realizada durante o horário de funcionamento com um número considerável de pacientes no local, e para a preservação da imagem dos mesmos, não foi dada a autorização para fotografar os espaços. Esta visita foi realizada em dois dias, a primeira, no dia 18 de julho de 2015, tendo acesso ao espaço quimioterápico. Este setor possui cerca de 30 funcionários, e costuma atender uma média de 26 pacientes por dia. O tempo de permanência do paciente no estabelecimento varia conforme o tipo de tratamento que foi prescrito para o mesmo. O paciente pode receber o medicamento durante algumas horas no salão de quimioterapia, ele pode ser internado e receber o medicamento durante um tempo de até 48h ou o paciente pode receber o medicamento e levá-lo para casa. Quanto aos espaços, o setor de quimioterapia é resultado de uma adaptação que o hospital fez para que se tornasse possível oferecer este tipo de tratamento, o que desfavoreceu em alguns aspectos sua arquitetura, prejudicando a iluminação e ventilação natural, assim 51 como o dimensionamento da maioria dos espaços, tornando-se limitada devido a construção existente. Este setor possui uma recepção pequena sem ventilação e iluminação natural, 2 sanitários acessíveis para pacientes, dois consultórios pequenos com dois sanitários, e uma sala pequena para entrega de medicamentos aos pacientes. O salão de quimioterapia possui dimensão adequada para seis cadeiras, e contém uma sala de repouso, um expurgo, um depósito de materiais e equipamentos, uma farmácia exclusiva para este setor, um espaço para esterilização dentro da farmácia e uma sala de emergência. Além da estrutura para atendimento aos pacientes este setor possui sala administrativa, sala da enfermeira chefe, copa, dois banheiros para funcionários (masculino e feminino) e depósito de materiais de limpeza. O setor oncológico possui quatro enfermarias na área de internação do hospital, com 14 leitos (dois masculinos e dois femininos, desses dois, uma enfermaria possui 4 leitos e outra enfermaria possui 3 leitos totalizando 7 leitos para homens e 7 leitos para mulheres). Os espaços de internação não proporcionam conforto aos pacientes, as janelas para ventilação e iluminação natural são pequenas em relação ao tamanho da enfermaria, e seu estado de conservação não é bom. A Roberta Alves, enfermeira chefe do setor de quimioterapia e guia desta visita, relatou alguns pontos que poderiam melhorar a qualidade do serviço tais como, aumento do número de cadeiras no salão de quimioterapia, pois ela acredita que um espaço para dez cadeiras seria o ideal, além do aumento de forma geral da dimensão dos espaços do setor quimioterápico, que são pequenos. Apesar disso, ela afirma que a organização e o fluxo do setor são bons, o que proporciona um funcionamento que atende as necessidades atuais dos pacientes. Como sugestão ela mencionou que seria interessante se houvesse um espaço para distrair os pacientes e proporcionar aos mesmos um contanto maior com a natureza, como a criação de jardins e espaços de convivência. No dia 01 de agosto de 2015 se deu a segunda visita ao Hospital Escola Álvaro Alvim, desta vez ao setor de radioterapia (figura 27), antes de sua inauguração que foi concretizada no dia 08 de agosto de 2015. Durante o início desta pesquisa, havia apenas um estabelecimento que oferecia este tipo de tratamento no município, o OncoBeda, mas felizmente foi criado no Oncocentro do hospital um setor radioterápico, o que dará um maior suporte a população no que diz respeito a este tipo de tratamento. 52 Figura 27 – Sala de Radioterapia Hospital Escola Álvaro Alvim Fonte: Ururau (2015) O tratamento de radioterapia costuma ser eficiente no combate a doença por atuar diretamente na célula cancerígena favorecendo o processo de cura do paciente. A quimioterapia e a radioterapia podem ser utilizadas de forma concomitante. Este setor atende 60% de seus pacientes pelo SUS e 40% é particular. Antes de iniciar o tratamento o paciente deve passar por uma consulta com o médico oncologista, fazer um exame de imagem, geralmente a tomografia, passar o resultado deste exame para a equipe de planejamento e física médica, para que seja possível calcular a dosagem, e somente depois deste processo dar início ao tratamento. A duração da terapia costuma ser uma média de 30 dias por paciente, e seu processo tem duração de 10 a 15 minutos por seção. Além da radioterapia convencional, que é realizada com o acelerador linear, existe também na estrutura do hospital previsão para instalação do tratamento de braquiterapia. Quanto à estrutura deste setor, ela foi projetada exclusivamente para este tipo de tratamento, por tanto obedece às normas regulamentadoras para este tipo de unidade. Este setor é composto por uma recepção ampla e humanizada, com 2 sanitários acessíveis, consultório de enfermagem, consultório médico com uma maca ginecológica, uma sala para a processadora do acelerador linear, uma sala para o processador da braquiterapia uma ampla sala de moldes e máscaras, uma barreira secundária, vestiário para pacientes, área para o estabilizador, área de comando, cuba para escovação além das salas de terapia que possuem suas estruturas preparadas para receber e bloquear a radiação que estes tipos de equipamentos libera para o meio externo. Este setor possui, além de toda a estrutura para receber e tratar os pacientes, ambientes de apoio como sala administrativa, sala de planejamento, sala de física médica, sala de 53 repouso (emergência), copa, depósito de materiais e equipamentos, depósito de materiais de limpeza, copa, e sanitários para pacientes e funcionários. Todos estes ambientes foram projetados de maneira adequada, aproveitando ao máximo os recursos naturais a fim de favorecer o conforto térmico e lumínico. As circulações são acessíveis e amplas e o acesso as diferentes áreas do setor se dão de maneira fluida e organizada, mostrando que a arquitetura se tornou capaz de contribuir para funcionamento e organização do setor. Esta visita foi extremamente válida, pois se tornou mais uma referência para a elaboração deste anteprojeto, contribuindo com os pontos positivos e favorecendo algumas decisões projetuais afim de evitar os pontos negativos encontrados. 4.5.3 Hospital do Câncer de Muriaé – Fundação Cristiano Varella A terceira e última visita foi realizada no Hospital do Câncer de Muriaé (figura 28), que está situado na Av. Cristiano Ferreira Varella, nº 555, Bairro Universitário, em Muriaé, MG no dia 12 de agosto de 2015. (figura 29) Esta visita proporcionou um olhar mais amplo no que diz respeito ao programa de necessidades de um hospital oncológico, seus fluxos, sua organização de uma maneira geral, pois foi possível visitar os setores de apoio técnico, logístico, de gestão e manutenção além dos setores internação e apoio ao diagnóstico e terapia. 54 Figura 28 – Fachada Hospital do Câncer de Muriaé – Fundação Cristiano Varella Fonte: Arquivo Pessoal (2015) Figura 29 – Localização do Hospital do Câncer de Muriaé – Fundação Cristiano Varella Fonte: Google Earth (2015) (Imagem adaptada pela autora) O Hospital do Câncer de Muriaé, que recebeu o credenciamento como Centro de Alta Complexidade em Oncologia pelo Ministério da Saúde em 2002, iniciou suas atividades em janeiro de 2003. Como é um hospital especializado, ele foi projetado especialmente para exercer a função que possui hoje. 55 O estabelecimento de saúde ocupa um terreno de 93.744,71m², com uma área construída de 25.010,23 m² e possui ainda um projeto de ampliação em execução, que se teve acesso através desta visita, com área de 8.247,20m² (FVC). Atualmente ele é considerado um hospital de referência para toda região atendendo a mais de 260 municípios do estado de minas gerais e pessoas de outros estados em busca de tratamento. Por ser fruto de uma fundação este hospital se mantém através dos recursos gerados pelos serviços prestados, sendo 95% de sua assistência ao SUS, além de doações e recursos públicos. Este estabelecimento é considerado um hospital de médio porte, pois possui 196 leitos ativos e cinco salas cirúrgicas. Conta ainda com 48 leitos de quimioterapia ambulatorial e 3 salas de radioterapia, além de uma ampla estrutura para diagnósticos e outros serviços prestados. O projeto de ampliação contempla ainda, novas unidades de internação clínica e cirúrgica, centro cirúrgico, U.T.I., e outras estruturas de apoio. Em 2013 foram atendidas na instituição 37.634 pessoas entre atendimentos ambulatoriais e procedimentos. As internações chegaram a 7.743, cirurgias oncológicas chegaram a 5.575. Foram realizadas ainda 41.948 sessões de quimioterapia e 30.803 aplicações de radioterapia/quimioterapia (FCV). Quanto aos espaços visitados pode se constatar que são amplos e acessíveis. Todo o hospital possui piso em granito, paredes emassadas com rebaixo em gesso removível, a fim de facilitar a manutenção. As recepções gerais são confortáveis e humanizadas acomodando de maneira adequada os usuários do estabelecimento. Buscou-se utilizar ao máximo dos recursos naturais para obter ventilação e iluminação naturais, através de grandes esquadrias e claraboias, como mostra a figura 30. Figura 30 – Iluminação natural (claraboia) – Hospital do Câncer de Muriaé Fonte: Arquivo Pessoal (2015) 56 O setor de internação é dividido em: internação cirúrgica, internação clínica, internação quimioterápica e internação pediátrica. Possui ainda apartamentos com um leito e enfermarias com no máximo dois leitos (figura 31). Todos os apartamentos e enfermaria possuem cada, um banheiro acessível, que atendem os requisitos estabelecidos pela NBR9050 (figura 32). Os espaços destinados a pacientes da internação possuem uma boa estrutura, iluminação e ventilação natural, proporcionando aos mesmos uma estrutura humanizada e confortável. Vale ressaltar ainda que existe um quarto de isolamento para cada 30 leitos. Figura 31 – Enfermaria com dois leitos – Hospital do Câncer de Muriaé Fonte: Arquivo Pessoal (2015) Figura 32 – Banheiro acessível – Hospital do Câncer de Muriaé Fonte: Arquivo Pessoal (2015) 57 Além dos apartamentos e enfermarias o setor de internação é contemplado com circulações largas (todas com bate maca) como mostra a figura 33, postos de apoio/enfermagem com sala de serviços, copa, d.m.l. e expurgo (figura 34), farmácias satélites que facilitam a distribuição dos medicamentos por todo o setor, sala de nutrição, rouparia suja e limpa e um espaço de convivência (figura 35). Foram também identificados, diferentes acessos de serviço para este setor, facilitando a locomoção por entre as alas. Figura 33 – Circulação do setor de internação– Hospital do Câncer de Muriaé Fonte: Arquivo Pessoal (2015) Figura 34 – Expurgo do setor de internação– Hospital do Câncer de Muriaé Fonte: Arquivo Pessoal (2015) 58 Figura 35 – Espaço de Convivência do setor de internação– Hospital do Câncer de Muriaé Fonte: Arquivo Pessoal (2015) Teve-se acesso durante esta visita ao setor de internação que está sendo construído, fator de fundamental importância para este trabalho, por que foi possível observar a estrutura inacabada de cada ambiente com suas instalações prediais à mostra (figura 36). Este novo bloco possui, além da internação clínica, sete quartos para pacientes que passaram por procedimento de transplante de medula óssea, que possuem o estado clínico fragilizado e vulnerável, exigindo para os mesmos uma atenção especial. Estes quartos receberam um tratamento diferenciado, pois seu sistema de refrigeração deve ser utilizado como barreira para impedir a entrada de ar contaminado dentro de cada ambiente, as janelas não poderão ser abertas sendo utilizadas apenas como fonte de iluminação natural e foram instalados vidros fixos nos quartos voltados para circulação geral a fim de facilitar o monitoramento dos pacientes pelos profissionais. 59 Figura 36 – Estrutura e Instalações da ampliação que está sendo construída – circulação da internação cirúrgica para transplantados de medula óssea – Hospital do Câncer de Muriaé Fonte: Arquivo Pessoal (2015) Quanto ao setor de Apoio ao diagnóstico e terapia teve-se acesso as salas de raio-x (figura 37), mamografia (figura 38), ultrassonografia (com banheiro) (figura 39), e braquiterapia (figura 40), onde pode-se observar os diferentes tipos de equipamentos necessários para cada área e seu dimensionamento médio. Este setor ainda possui outros tipos de exames e terapias, mas não se teve acesso a estes espaços. Além das salas de exames e terapias, este setor possui uma estrutura de apoio sendo contemplada por circulações espaçosas, postos de enfermagem, área de espera de pacientes, sala de emergência e observação, copa, sanitários, sala de serviços e utilidades, depósito de materiais de limpeza e depósito de materiais e equipamentos. Figura 37 – Sala de Raio-X – Hospital do Câncer de Muriaé Fonte: Arquivo Pessoal (2015) 60 Figuras 38 e 39 – Sala de Mamografia e ultrassonografia, respectivamente – Hospital do Câncer de Muriaé Fonte: Arquivo Pessoal (2015) Figura 40 – Sala braquiterapia – Hospital do Câncer de Muriaé Fonte: Arquivo Pessoal (2015) 61 Nesta visita não foi autorizada a entrada no centro cirúrgico, porém este setor também está passando por ampliações e o acesso a esta área foi autorizado. Na ampliação está sendo construído para o centro cirúrgico uma nova área de escovação, uma sala para vídeo cirurgia e uma sala para guarda de equipamentos. Apesar de ser apenas uma parte do centro cirúrgico conhecê-lo foi de extrema relevância para a elaboração deste anteprojeto. Nos setores de serviço, como apoio técnico e logístico, teve-se acesso: a farmácia central (figura 41), que contém uma área de distribuição para as farmácias satélites, sala de coordenação e um centro de abastecimento a farmácia (C.A.F); um amplo arquivo médico (figura 42), com sanitários e copa; uma central de materiais esterilizados (C.M.E) (figura 43), que possui um fluxo específico, devendo-se tomar cuidado com os acessos e passagens de materiais limpos e sujos para que não haja nenhum tipo de contaminação, e quanto a este aspecto este setor atende bem a sua função. Figura 41 – Farmácia Central – Hospital do Câncer de Muriaé Fonte: Arquivo Pessoal (2015) 62 Figura 42 – Arquivo Médico – Hospital do Câncer de Muriaé Fonte: Arquivo Pessoal (2015) Figura 43 – C.M.E – Hospital do Câncer de Muriaé Fonte: Arquivo Pessoal (2015) Em relação à humanização hospitalar, este estabelecimento demonstra sua preocupação ao proporcionar aos pacientes, acompanhantes e funcionários espaços 63 confortáveis, amplos, acessíveis e seguros. Para auxiliar os pacientes, que muitas vezes abandonavam o tratamento por não terem um lugar para ficar, foi construída uma casa de apoio com 138 leitos disponíveis e assistência multiprofissional durante toda a semana. Além dos dormitórios, a casa possui uma área de lazer. Outra característica que se destacou neste projeto hospitalar é um lago que se encontra nos fundos do hospital, com um deck que leva até um quiosque construído dentro do lago. Este espaço se tornou uma área de refúgio e reflexão para os usuários deste hospital (figura 44). Figura 44 – Lago – Hospital do Câncer de Muriaé Fonte: Arquivo Pessoal (2015) Por tanto, através deste estudo de campo, obteve-se um embasamento maior para a elaboração da estrutura funcional e organizacional de um projeto hospitalar, no que diz respeito aos seus fluxos, disposições, dimensões, equipamentos utilizados, além do reconhecimento dos espaços, e da identificação de problemas que podem ser evitados durante a elaboração do projeto. 64 5 CONCEITO E PARTIDO Tudo que a gente sofre num abraço se dissolve tudo que se espera ou sonha num abraço a gente encontra. Jota Quest 5.1 O abraço Segundo o dicionário o abraço significa: “Ato de abraças, de apertar entre os braços, geralmente em demonstração de amor, gratidão, carinho, amizade, etc. = AMPLEXO” (PRIBERAM DICIONÁRIO, 2015). O abraço, como mostra a figura 45, é uma demonstração de carinho, afeto, amor e amizade. É um gesto que liga intimamente as pessoas, gera benefícios tanto para quem abraça como para quem está sendo abraçado. Apesar de sua simplicidade, este gesto é rico em sentimentos e emoções. Desde cedo as crianças aprendem a abraçar e a partir deste ato conseguem transmitir as emoções que sentem, sejam elas boas ou ruins, e criam laços afetivos (SIGNIFICADOS, 2015). Figura 45 - O gesto do abraço Fonte: Tumblr (2015) 65 Para quem passa por situações difíceis receber um abraço é reconfortante, porque significa atenção, apoio, acolhimento e transforma-se em um gesto de solidariedade para com o próximo. A pessoa que recebe o abraço pode perceber que não está sozinha. Um estudo realizado pela Universidade Médica de Viena (Áustria) constatou que abraçar alguém pode reduzir o estresse, o medo, a ansiedade e a pressão arterial, promover o bem estar e melhorar a memória. Este fato se dá devido ao aumento de uma substância chamada oxitocina, que tem a particularidade de reduzir os estados de estresse e ansiedade, elevando a felicidade e o bem estar da pessoa. Porém, esta pesquisa aponta que o abraço só gera um resultado positivo se as pessoas confiam umas nas outras e se os sentimentos presentes são mútuos e os sinais correspondentes são transmitidos de dentro para fora (HYPESCIENCE, 2015). Este projeto tem como conceito o gesto do abraço, que pode transmitir tantos sentimentos e emoções, que traz conforto, segurança, confiança e acolhimento. A tradução deste conceito será dada por uma arquitetura voltada para um grande pátio interno, como mostra o primeiro estudo volumétrico ilustrado pela figura 46, com um jardim que deverá ser receptivo e acolhedor, sendo utilizado como um espaço de refúgio, meditação, distração, socialização e atividades alternativas como jardinagem. De diversos pontos da edificação será possível visualizar este jardim, principalmente dos ambientes de internação e tratamento quimioterápico, para que mesmo em situação dolorosa o paciente possa sentir o acolhimento, a paz e o aconchego transmitido por este espaço. O simbolismo deste conceito também poderá ser visto no volume e contorno da edificação, que possuir um formato hexagonal em referência ao fechamento dos braços e o aspecto cheio sobre vazio somado ao volume menor que se destaca sobre a base hexagonal maior (figuras 47, 48 e 49) caracterizará o entrelaçar do gesto do abraço, retomando o aspecto acolhedor e reconfortante desta ideia. 66 Figura 46 - Estudo Volumétrico – Vista Superior Fonte: Fonte própria Figura 47 - Estudo volumétrico – Perspectiva lateral Fonte: Fonte própria 67 Figura 48 - Estudo volumétrico – Perspectiva Superior Fonte: Fonte própria Figura 49 - Estudo volumétrico – Vista Lateral Fonte: Fonte própria 68 6 LOCALIZAÇÃO O terreno escolhido para implantação do Hospital Oncológico está localizado no estado do Rio de Janeiro, no município de Campos dos Goytacazes (figuras 50 e 51), com sua fachada frontal voltada a Rua Princesa Isabel, que já possui a previsão de seu prolongamento até a Av. Dr. Arthur Bernardes, sua fachada posterior voltada para a Rua Antônio Manoel, sua lateral direita voltada para a Av. Dr. Arthur Bernardes e a lateral esquerda para Rua José Edelfonso E. Campos. Para escolha deste terreno levou-se em consideração o fato dele atender as atribuições legais necessárias para execução de um projeto Hospitalar estando situado na Zona Residencial Quatro ZR.4, além de encontrar-se em uma região tranquila e de fácil acesso, pois está a cerca de 260m de uma das principais vias da cidade que é a Av. 28 de Março, além de ter uma fachada voltada para uma via arterial (Av. Dr. Arthur Bernardes) e outra fachada voltada para uma importante via coletora que é a Rua Princesa Isabel. O terreno escolhido possui uma área de 22.688,91m² que se enquadra no perfil deste projeto, devido ao amplo espaço que facilita a horizontalidade da edificação. Figura 50 – Localização do Estado do Rio de Janeiro no Mapa do Brasil e Localização da cidade de Campos dos Goytacazes no Mapa do Estado do Rio de Janeiro. Fonte:Wikipédia (2015) 69 Figura 51 – Localização do terreno no mapa do Município de Campos dos Goytacazes relacionado a uma ampliação com a marcação do terreno. Fonte: Google Earth (2015) ( Imagens alteradas pela autora) Legenda: Terreno 70 6.1 Legislação Segundo a Lei de Uso e Ocupação do Solo do Município de Campos dos Goytacazes, somente é permitido, a construção de edifícios hospitalares na Zona Residencial 4 (ZR-4), devendo estar localizado em um Eixo Local como mostra o Quadro nº 5-3 – Quadro-síntese de usos e atividades em ZR-4, do Anexo I da Lei 7.974 Uso e Ocupação do Solo (figura 52). Figura 52 – Anexo I da Lei 7.974 Uso e Ocupação do Solo. Fonte: CAMPOS DOS GOYTACAZES (2008) (Imagen alterada pela autora) Portanto o terreno escolhido está em conformidade com as leis do município, pois está localizado em uma ZR-4 e um Eixo Local como é possível observar na figura 53, que delimita o terreno no Mapa de Uso e Ocupação. 71 Figura 53 – Delimitação do terreno no Mapa de Uso e Ocupação do Solo do Município de Campos dos Goytacazes Fonte: Mapa de Uso e Ocupação do Solo (2008) (Imagem alterada pela autora) Legenda de Eixos do Mapa de Uso e Ocupação do Solo: Levando-se ainda em consideração a Lei de Uso e Ocupação do Solo, está previsto que empreendimentos de impacto, como as instalações hospitalares, devem estar sujeitos a um Estudo Prévio de Impacto de Vizinhança, devido à geração de tráfego causado por ele, como pode ser vista na seguinte citação da Lei nº 7.974/08. TÍTULO IV Dos Instrumentos Complementares De Controle Urbano CAPÍTULO I DO ESTUDO PRÉVIO DE IMPACTO DE VIZINHANÇA – EIV [...] Parágrafo Único - Nenhum projeto de edificação que possa transformar-se em pólo gerador de tráfego poderá ser aprovado sem prévia anuência do órgão ou entidade com circunscrição sobre a via, conforme estabelece o Código Brasileiro de Trânsito, Lei federal nº 9602. Art. 80 - Sujeitam-se ao Estudo Prévio de Impacto de Vizinhança-EIV, os seguintes empreendimentos e atividades: [...] XXI - Hospital; (CAMPOS DOS GOYTACAZES, 2008) 72 Por tanto, para a construção deste projeto é fundamental a elaboração de um Estudo Prévio de Impacto de Vizinhança, uma vez que este empreendimento hospitalar ocasionará um fluxo de transportes, pedestres e serviços muito maior do que o existente até o presente momento nesta região. 6.2 Estudos do Terreno Os seguintes estudos foram realizados com o objetivo de fornecer um conhecimento maior sobre o terreno escolhido e seu entorno, provendo informações que foram relevantes para a realização deste trabalho, embasando as principais decisões projetuais. 6.2.1 Acessos Como a figura 54 pode apresentar, o terreno possui acesso por três vias distintas que circundam o mesmo. O acesso principal se dará pelo prolongamento da Rua Princesa Isabel, que será para os serviços emergenciais, ambulatoriais, apoio ao diagnóstico e terapia e administrativo. Esta via foi escolhida devido ao seu posicionamento em relação ao estudo de insolação e por ser uma importante via coletora do município possuindo assim dimensões maiores o que provocará um impacto menor ao transito local. Os demais acessos serão considerados de apoio e secundários, porém não menos importantes. 73 Figura 54 – Mapa de Acessos Fonte: Google earth ( 2015) (Imagens alterada pela autora) Legenda: Secundário - Rua Antônio Manuel Acesso Secundário - Rua José Edelfonso E. Campos Av. Dr. Arthur Bernardes Fachada Principal - Previsão de Prolongamento da Rua Princesa Isabel Avenida 28 de Março Terreno 6.2.3 Visuais e Vizinhança A seguir serão apresentadas as imagens do entorno do terreno, com os pontos que se destacam e são relevantes para este projeto. A primeira imagem, a figura 55, é da Rua Antônio Manuel, para onde está voltada a fachada posterior da edificação, por onde se dará um dos acessos secundários do hospital que 74 é o acesso de funcionários e serviços. Esta fachada do terreno está voltada para os fundos do Asilo Nossa Senhora do Carmo. Figura 55 – Rua Antônio Manuel Fonte: Arquivo Pessoal (2015) A figura 56 mostra o terreno ainda através da perspectiva da Rua Antônio Manuel. Esta imagem mostra que a vegetação predominante no terreno é rasteira e que ele não apresenta grandes declives, o que é considerado uma das principais características da topografia de Campos, por se tratar de uma cidade plana. Figura 56 – Imagem do Terreno pela Perspectiva da Rua Antônio Manuel Fonte: Arquivo Pessoal (2015) 75 A Rua José Idelfonso E. Campos pode ser observada através da figura 57. A lateral esquerda do hospital estará voltada para ela. Por ela será dado um dos acessos secundários deste estabelecimento de assistência à saúde. As outras edificações existentes nesta via são de uso residencial em sua grande maioria. Figura 57 – Rua José Idelfonso E. Campos Fonte: Arquivo Pessoal (2015) A figura 58 traz uma nova perspectiva do terreno agora visto da Rua José Idelfonso E. Campos. Nesta imagem pode-se observar mais uma vez as características de sua vegetação rasteira e a sua topografia plana. Figura 58 – Rua José Idelfonso E. Campos Fonte: Arquivo Pessoal (2015) 76 Como está sendo considerado para este projeto o prolongamento da Rua Princesa Isabel, a figura 59 mostra o final desta rua em seu ponto de seu encontro com a Rua José Idelfonso E. Campos atualmente. A partir deste ponto ela deverá ser prolongada até chegar a Avenida Dr. Arthur Bernardes. Figura 59 – Rua Princesa Isabel Fonte: Arquivo Pessoal (2015) A Avenida Dr. Arthur Bernardes, como mostra a figura 60, está localizada na lateral direita do terreno. Figura 60 – Avenida Dr. Arthur Bernardes Fonte: Arquivo Pessoal (2015) 77 A figura 61 mostra o terreno com o observador olhando da Avenida Dr. Arthur Bernardes. Deste ponto pode-se observar a existência de algumas construções que estão voltadas para a avenida, o terreno irá contornar essas construções e apenas a suas extremidades estarão ligadas a via. Figura 61 – Vista do terreno a partir da Avenida Dr. Arthur Bernardes Fonte: Arquivo Pessoal (2015) A figura 62 mostra o lado oposto ao terreno com o observador na Avenida Dr. Arthur Bernardes. Esta área não está edificada, e coberta por vegetações de pequeno e médio porte. Figura 62 – Vista da Av. Arthur Bernardes do lado oposto ao Terreno Fonte: Arquivo Pessoal (2015) 78 6.2.4 Orientação Solar e Ventilação O estudo da figura 63 aponta a orientação do sol nascente e do sol poente em relação ao terreno, e o estudo ilustrado pela figura 64 indica o sentido do vento dominante na cidade de Campos dos Goytacazes, que é na direção nordeste. Figura 63 – Mapa do terreno com indicação da orientação solar Sol Nascente Sol Poente Fonte: Google Earth ( 2015) (Imagens alterada pela autora) Figura 64 – Mapa do terreno com indicação do vento dominante Legenda: Sentido do Vento Predominante - Nordeste Fonte: Google Earth ( 2015) (Imagens alterada pela autora) 79 6.2.5 Entorno Neste estudo são analisados os usos do entorno imediato ao terreno. A figura 65 aponta a partir das manchas que esta região é predominantemente residencial, contendo poucos pontos comerciais e institucionais. Portanto é uma região tranquila e favorável para a construção de um hospital. Figura 65 – Mapa de uso do entorno do terreno Fonte: Google Earth ( 2015) (Imagens alterada pela autora) Legenda: Terreno; Uso Residencial; Uso Comercial; Uso Institucional; 80 6.2.6 Gabarito Quanto ao gabarito, a figura 66 pode apontar que a região está bem divida com construções de 1 e 2 pavimentos, sendo predominante então construções de pequeno porte, havendo poucos pontos com construções de 3 pavimentos. Figura 66 – Mapa de Gabarito Fonte: Google Earth ( 2015) (Imagens alterada pela autora) Legenda: Terreno; 01 pavimento; 02 pavimentos; 03 pavimentos; 81 7 O ANTEPROJETO Um Hospital Oncológico está caracterizado como um hospital especializado segundo o Ministério da Saúde, uma vez que, deverá atender a pacientes de uma determinada especialidade médica, neste caso a oncológica, e fornecer para os mesmos uma estrutura completa para que ali possam ser realizados os preventivos, diagnósticos e o tratamento adequado para cada variação da doença. A RDC nº 50, de 21 de fevereiro de 2002, foi a norma regulamentadora que guiou e embasou a elaboração do programa deste trabalho e seu dimensionamento, uma vez que ela dispõe sobre o Regulamento Técnico para planejamento, programação, elaboração e avaliação de projetos físicos de estabelecimentos assistenciais de saúde. Este projeto hospitalar possui 30 leitos, e uma infraestrutura especializada para o atendimento e tratamento de doenças oncológicas. As pessoas que serão tratadas já deverão estar diagnosticadas com a enfermidade, e este hospital tratará a partir do diagnóstico préestabelecido. Apesar de ser considerado um hospital de pequeno porte, esta unidade contempla atendimento imediato destinado às pessoas que já fazem o tratamento neste hospital. Para a elaboração de um anteprojeto hospitalar existem alguns conceitos que são considerados importantes para um bom funcionamento do projeto em uma estrutura mais eficientes. Estes conceitos devem ser pensados são: Programa, Plano Diretor, Flexibilidade, Expansibilidade, Contiguidade e Valência (GÓES, 2004). Para futuras ampliações, pensou-se em um crescimento verticalizado. 7.1 O Programa e Dimensionamento Para o bom desenvolvimento de qualquer projeto arquitetônico é necessário um planejamento prévio delimitado pelo seu programa de necessidades. No caso de Estabelecimentos de Assistência a Saúde não é diferente, principalmente pela quantidade de itens que devem ser atendidos com obrigatoriedade como é estabelecido na RDC nº 50 de 21 de Fevereiro de 2002, e pela flexibilidade que estes empreendimentos devem ter no que diz respeito a futuras ampliações e adaptabilidade de seus espaços conforme o desenvolvimento da tecnologia da medicina. 82 A organização do programa irá nortear todas as decisões futuras relacionadas ao projeto, pois a partir dele serão definidos os setores, e posteriormente a organização e disposição deles dentro do projeto, analisando qual a interdependência de cada área. Este programa de necessidades contempla dez setores distintos, conforme discriminado na tabela 1, que compões este hospital oncológico. O primeiro setor é o setor de Atendimento Imediato, que irá proporcionar aos pacientes que já fazem tratamento no estabelecimento um atendimento de emergência caso seja necessário. O segundo setor é o de Atendimento Ambulatorial, onde os pacientes poderão realizar consultas médicas, e receber algum tipo de auxílio como curativos e reidratação. O terceiro setor é o de internação, sendo contemplado com quartos individuais, enfermarias e uma U.T.I.. O quarto setor, o mais amplo de todo o estabelecimento, é o de Apoio ao diagnóstico e Terapia, aqui os pacientes terão toda a assistência necessária no que diz respeito à realização de exames médicos, tratamento da doença e terapias diversas. A partir do quinto setor temos os setores de serviço, que é o setor de Apoio técnico, nele se encontra a estrutura técnica que permite o bom funcionamento da instituição com áreas para a preparação de alimentos, a farmácia e o centro de materiais esterilizados. O sexto setor é o Apoio de Gestão e Execução Administrativa, este setor contempla toda parte administrativa do hospital. O sétimo setor é o de Apoio Logístico, nele se encontra, além do necrotério, toda a parte de armazenagem, manutenção e distribuição de equipamentos e materiais do hospital. O oitavo setor ficou classificado como Anexos, são os setores que funcionam fora do estabelecimento, mas que são de estrema importância para o seu funcionamento pois dão suporte a pacientes e funcionários. O nono setor é o de InfraEstrutura Predial, ele contempla toda parte mecânica, de limpeza, geração de energia, vigilância e todas as outras instalações prediais necessárias para um estabelecimento hospitalar. O décimo setor é o de Convivência, que está situado no espaço central da edificação, um espaço para convivência de funcionários e pacientes, permitindo aos mesmos um contato mais direto com a natureza. A seguir observa-se a tabela 1, com o Programa e Dimensionamento Hospitalar: 83 84 85 86 87 88 89 90 7.2 Fluxograma Geral O fluxograma geral é o esquema gráfico que indica a relação entre os setores do hospital, seus fluxos principais e secundários, acessos e que tipo de ligação tem um setor para com outro. O fluxograma foi um passo importante para elaboração deste trabalho, mas para organizar suas principais relações entre setores foi necessário um estudo aprofundado de cada área, seja ela ambulatorial ou de serviço e apoio, pois todas são de fundamental importância para o bom funcionamento do estabelecimento hospitalar. A partir do fluxograma geral é possível definir as principais circulações verticais e horizontais que são necessárias para interligar cada setor do projeto, e deve delimitar o fluxo social e de serviço, uma vez que os pacientes e visitantes não devem ter acesso a todos os setores do hospital. 91 Figura 67 – Fluxograma Interfuncional Fonte: Desenvolvido Pela Autora (2015) 92 7.3 Setorização A setorização foi definida a partir da função e serviço realizado por cada setor dentro do projeto, qual relação determinado setor tem com o outro e onde eles devem exercer seu melhor desempenho dentro do projeto. Foi escolhida esta implantação com esta disposição a fim de favorecer alguns setores em relação à incidência solar e ventilação. Setores com permanência contínua de pessoas, como a internação, estão voltados para o leste, já os setores onde se tem uma maior rotatividade de pessoas estão voltados para o lado poente. A figura 68 indica a setorização do pavimento térreo, e a figura 69 ilustra a setorização do pavimento superior. A divisão dos setores se deu pela utilização das diferentes cores. Figura 68 – Setorização do Pavimento Térreo Fonte: Desenvolvido Pela Autora (2015) 93 Figura 69 – Setorização do Pavimento Superior Fonte: Desenvolvido Pela Autora (2015) 94 7.4 Planta Baixa Geral O anteprojeto de hospital oncológico, nomeado Hospital Oncológico de Campos dos Goytacazes (HOCG), foi projetado em um terreno com 22.688,91m² e possui o total de 12,.542,16m² de área construída. Ele é composto por um grande bloco central, onde se concentram as principais atividades do estabelecimento de saúde, com alguns anexos que servem de suporte para o bloco principal. Com arquitetura claramente horizontalizada, possui um formato hexagonal, que além de atender o conceito plástico deste projeto (remeter ao abraço) é uma disposição que facilita os fluxos dentro do estabelecimento, permitindo que se tenha uma circulação geral capaz de acessar a todos os setores, como mostra a planta baixa geral do térreo, na figura 70. Este formato possibilitou a criação de duas circulações gerais no pavimento térreo, uma interna e outra externa, facilitando o deslocamento dos pacientes e principalmente dos funcionários que terão acesso a toda esta circulação. Além de facilitar os fluxos dentro do hospital, este formato proporcionou um pátio interno que possibilitou a criação de um extenso jardim, espelhos d’agua, dois quiosques, uma lanchonete, uma capela e um auditório. Este jardim deverá ser um refúgio para os usuários do hospital sejam eles funcionários, pacientes ou visitantes, a fim de promover um contato maior entre eles e a natureza. A vegetação deve ser colorida e perene, isto é capaz de resistir as mudanças climáticas da região. A edificação possui três acessos exclusivos de pedestres, e três acessos para veículos. Tem um estacionamento com 154 vagas, sendo elas calculadas a partir da lei de Uso e Ocupação do Solo do município de Campos dos Goytacazes, que estabelece que a cada 25m² de área útil principal de um estabelecimento hospitalar deve-se ter uma vaga de estacionamento, este projeto possui 3.845,32m² de área útil principal, por tanto a quantidade de vagas atende a lei. O pavimento superior, figura 71, ocupa uma apenas uma parte do pavimento térreo, e nele estão instalados os setores de internação, Unidade de Tratamento Intensivo (U.T.I), Central de Material Esterilizado (C.M.E) e o Centro Cirúrgico. Um dos destaques do pavimento superior é a passarela que liga a ala de internação até o lado do centro cirúrgico. É possível visualizar da planta do pavimento superior a cobertura verde que cobre parte da cobertura do pavimento térreo. Esta cobertura favorece o conforto termo acústico dos setores de baixo, além de ser um meio de captação de água da chuva para reutilização. 95 Figura 70 – Planta Baixa Geral – Pavimento Superior Fonte: Desenvolvido pela autora (2015) Circulação Geral Externa Circulação Geral Interna 96 Figura 71 – Planta Baixa Geral – Pavimento Térreo Fonte: Desenvolvido pela autora (2015) Circulação Geral Interna Quanto aos elementos construtivos utilizados, pensou-se em uma estrutura mista de concreto e aço, para que quando necessário, utilizar o aço para vencer grandes vãos. A laje deve ser pré-moldada em concreto. Com exceção dos ambientes em que a alvenaria deve receber tratamento especial (radioterapia e braquiterapia), as paredes internas deverão ser de tijolo cerâmico convencional, sendo toda alvenaria externa com tijolo dobrado. Os pisos internos deverão ser em granito, para facilitar a manutenção e limpeza e o externo deverá ser em blocos de concreto intertravados, para facilitar a permeabilização da água no solo. 97 7.5 Setor Ambulatorial O setor ambulatorial, como mostra a figura 72, é o setor onde os pacientes devem passar por consultas médicas. É composto por uma recepção onde os pacientes serão direcionados ou para sua consulta médica, ou para internação no pavimento superior. Ele possui quatro consultórios indiferenciados, e quatro consultórios de atendimentos específicos. Para facilitar sua ventilação e iluminação natural, foi construído um jardim interno. Além dos consultórios este setor é contemplado ainda com salas de reidratação, inalação coletiva e sala para curativos infecciosos e não infecciosos. Ainda possui um posto de enfermagem e todos os ambientes de apoio que devem ter neste setor conforme é atribuído na RDC nº50. Deste setor se tem acesso, quando paciente, ao pátio interno e área de internação, quando funcionário além de acessar os setores de internação e pátio interno, se tem acesso ao setor de atendimento imediato e administrativo. Figura 72 – Setor Ambulatorial Fonte: Desenvolvido pela autora (2015) 98 7.6 Setor de Atendimento Imediato O setor de atendimento imediato, figura 73, está destinado apenas aos pacientes que já fazem tratamento no hospital. Ele deve chegar ao setor em situações de emergência, passar por uma triagem médica e somente depois, ser direcionado conforme a orientação do profissional que o atendeu. Deste setor se tem acesso ao setor ambulatorial, de apoio ao diagnóstico e terapia e internação. Além de uma pequena recepção com sanitários, este setor possui um consultório para triagem, um posto policial uma sala de repouso, um posto de enfermagem e um quarto para plantonistas, além de todo os ambientes de apoio que deve acompanhá-lo conforme a RDCnº50. Figura 73 – Setor Ambulatorial Fonte: Desenvolvido pela autora (2015) 99 7.7 Setor de Apoio Ao Diagnóstico e Terapia O setor de Apoio ao Diagnóstico e Terapia é o responsável a oferecer aos pacientes toda assistência no que diz respeito ao diagnóstico, tratamento e reabilitação. 7.7.1 Recepção Geral e Patologia Clínica Esta primeira parte do setor de apoio ao diagnóstico e terapia, figura 74, possui uma recepção geral, onde os pacientes deverão marcar seus exames, e anexado a esta recepção geral se encontra a área para entrega de exames. O acesso de pacientes ao setor se dá a partir desta recepção. A primeira parte do setor a ser descrito é o de Patologias clínicas. Ele contém sua própria recepção para que após a marcação, no dia do exame o paciente possa ir diretamente a ela. Ainda contém as áreas para coleta de material divididas em três boxs distintos e uma sala de coleta com maca. Após a coleta, o profissional leva o material para a área de classificação e distribuição, para que seja direcionado ao laboratório equivalente. Na repartição de serviços, este setor é contemplado com uma estrutura de laboratórios para análise dos materiais, além das salas de lavagem e secagem, sala de preparação de reagentes e sala de interpretação de laudos. Os profissionais que trabalham neste setor devem passar pela antecâmara para acessar qualquer parte da área destinada aos profissionais. Além das áreas citadas acima, esta repartição possui os ambientes de apoio conforme discrimina a RDCnº50. Figura 74 – A.D.T. – Recepção Geral e Patologia Clínica Fonte: Desenvolvido pela autora (2015) 100 7.7.2 Radiologia e Tomografia Esta segunda parte do setor de Apoio ao Diagnóstico e Terapia, é responsável por parte dos exames de imagem, a radiologia e tomografia. A área de radiologia está situada à esquerda da figura 75. Esta área contém uma espera com sanitários para pacientes, três salas de exame (uma para exames gerais, uma para mamografia e outra para densitometria), uma sala de preparo do paciente, uma sala de preparo de contraste e uma sala de indução e recuperação anestésica. Acima das salas de exames inicia-se a área destinada apenas aos funcionários, com os ambientes de apoio, sala administrativa, sala de interpretação de laudos e laboratório de processamento de chapas. Do lado direito da figura 75, está à área da tomografia, com espera e sanitários para pacientes, sala de exames, um posto de enfermagem e uma sala de indução e recuperação anestésica. Acima desta área inicia-se o espaço de acesso restrito aos funcionários contendo uma sala de interpretação de laudos, uma sala administrativa, área para guarda de arquivos além dos ambientes de apoio que são exigidos pela RDC nº50. Figura 75 – A.D.T. – Radiologia e Tomografia Fonte: Desenvolvido pela autora (2015) 101 7.7.3 Ultrassonografia, Ressonância Magnética e Necrotério Esta parte do setor de apoio ao diagnóstico e terapia (figura 76) é constituída por mais dois exames de imagem que são a ultrassonografia e a ressonância magnética. O necrotério não faz parte do apoio ao diagnóstico e terapia, mas sim ao setor de apoio logístico, porém está situado ao lado. Apesar de não possuir ligação com este setor, ele será descrito neste item. A área de ultrassonografia é constituída de uma espera para pacientes e sala de exames. A partir da sala de exames inicia-se a área restrita apenas a funcionários, com os ambientes de apoio, sala administrativa e sala de interpretação de laudos. A área destinada à ressonância magnética é constituída de uma espera para pacientes, uma sala com detector de metais, uma sala de indução e recuperação anestésica, um posto de enfermagem, uma sala de emergência e a sala de exames. A partir da sala de exames começa a área restrita a funcionários, com os setores de apoio, com sala administrativa, sala de interpretação de laudos e processamento de chapas. Tanto a área da ressonância quanto a área da ultrassonografia irão compartilhar os sanitários para pacientes e a rouparia. O necrotério está situado na lateral do setor de apoio ao diagnóstico e terapia, porém ele pertence ao setor de apoio logístico. Ele possui dois tipos de acesso. O acesso do térreo se dá pela lateral, e o acompanhante do paciente que veio a óbito aguarda a liberação do corpo na pequena sala de espera. O segundo acesso, é o modo como o corpo chega ao necrotério, como o maior índice de mortalidade do hospital vem do centro cirúrgico, U.T.I e do setor de internação, o paciente quando vem a óbito e está em algum destes setores percorre um caminho separado pelo pavimento superior e desce através do elevador , evitando a circulação do corpo pelo hospital. 102 Figura 76 – A.D.T – Ultrassonografia, Ressonância Magnética e Necrotério Fonte: Desenvolvido pela autora (2015) 7.7.4 Radioterapia e Quimioterapia Esta parte do setor de apoio ao diagnóstico e terapia é destinada ao tratamento dos doentes através da radioterapia e quimioterapia (figura 77). Ela possuirá um acesso separado das demais áreas do A.D.T, se dará pela rua Antônio Manuel, para que o paciente que está fazendo o tratamento não precise percorrendo longas distancias dentro do estabelecimento. A área de radioterapia é uma das áreas do hospital que necessita de mais atenção, por causa das particularidades estruturais que as salas de terapia possuem, elas necessitam de um tratamento especial para bloquear a radiação que seus equipamentos liberam. A radioterapia é composta de uma recepção com espera de pacientes, dois consultórios e uma sala de máscaras e moldes, vestiários para pacientes, sala de preparo de pacientes e as salas de terapia, uma 103 projetada para receber o acelerador linear e outra preparada para receber os equipamentos da braquiterapia. Junto às salas de terapia se tem uma área de comando para cada, e a braquiterapia precisa de um posto de enfermagem com uma sala de serviços e utilidades. A parte restrita para funcionários contém uma sala de planejamento e física, uma sala de reunião, uma sala administrativa e todos os ambientes de apoio que são considerados necessários pela RDCnº 50. A quimioterapia possui uma recepção com espera para pacientes, dois consultórios e dois salões quimioterápicos, um para adultos contendo dez poltronas e um infantil com seis poltronas. Cada salão quimioterápico possui um posto de enfermagem com sala de serviços, uma sala de emergência, uma farmácia, sanitários para pacientes e um espaço para a guarda de materiais e equipamentos. Os dois salões foram posicionados de um modo que os pacientes durante a terapia pudessem contemplar o jardim do pátio interno, a fim de proporcionar mais conforto e bem-estar, uma vez que o tratamento é de extrema agressividade. No final do setor, encontra-se a área restrita para funcionários com sala administrativa, e todos os ambientes de apoio que a norma determina que se tenha neste setor. Figura 77 – A.D.T – Radioterapia e Quimioterapia Fonte: Desenvolvido pela autora (2015) 104 7.7.5 Reabilitação, Farmácia e Rouparia A reabilitação é a última especialidade do setor de Apoio ao diagnóstico e terapia (figura 78). Na área de reabilitação estão presentes os espaços para fisioterapia e terapias alternativas. O setor de fisioterapia contém uma recepção com espera para pacientes, dois consultórios fisioterapêuticos, 6 boxes e um amplo salão de cinesioterapia e mecanoterapia. Na ala restrita aos funcionários encontra-se uma sala administrativa e todos os ambientes de apoio que devem ter neste setor segundo a NBRnº50. A repartição de terapias, conta com espaços alternativos para os pacientes, que ajudam a manter o bem-estar psicológico dos mesmos. Esta área além de possuir uma recepção e espera, contém um consultório psicológico, um consultório de terapia, sala de artes plásticas, sala de musicoterapia, um jardim terapêutico que os próprios pacientes irão cultivar e uma brinquedoteca. A área de funcionários possui uma sala administrativa e todos os ambientes de apoio necessários para o bom funcionamento do setor. A rouparia e a farmácia assim como o necrotério, não pertencem ao A.D. T, porém devido a sua proximidade, e como estarão na mesma prancha, serão apresentados neste item. Rouparia geral pertence ao setor de apoio logístico, sendo utilizada para armazenagem central de toda a roupa suja e limpa do hospital. Deste espaço que sairá toda a roupa suja para a lavanderia, uma vez que este serviço será terceirizado, e será aqui que a roupa limpa será descarregada e estocada. A farmácia clínica pertence ao setor de apoio técnico, ela é constituída de uma sala administrativa, uma central de abastecimento da farmácia (C.A.F.), uma copa, um sanitário além de uma área para recepção e inspeção de medicamentos e uma área para distribuição dos medicamentos para os demais setores. 105 Figura 78 – Reabilitação, Farmácia e Rouparia Fonte: Desenvolvido pela autora (2015) 7.8 Apoio Técnico – Nutrição e Dietética O setor de nutrição e dietética (figura 79) está inserido no setor de apoio técnico. Ele possui tudo o que diz respeito à alimentação dos pacientes e funcionários do hospital. Este setor possui uma cozinha tradicional, conforme é descrito na NBRnº 50, com espaço de recepção, armazenamento, preparação e cocção de alimentos, assim como uma área para o porcionamento e distribuição dos alimentos. Ainda dentro da cozinha existe a uma sala destinada a nutricionista, que deve possuir a frente de vidro para um melhor monitoramento do espaço. Além da cozinha este setor possui um refeitório com espaço para acomodar 75 comensais, que deverá ser dividido em dois turnos, uma vez que o cálculo total de comensais estabeleceu que 138 pessoas em média fariam refeições neste espaço, entre funcionários pacientes e acompanhantes. 106 Figura 79 – Nutrição e Dietética Fonte: Desenvolvido pela autora (2015) 7.9 Setor de Apoio de Gestão e Execução Administrativa O setor de apoio de gestão e execução administrativa (figura 80) é constituído de uma recepção com espera, um posto de informações, salas dos diretores gerais, uma sala subdividida em tesouraria, protocolo e telefonia, amplas salas de arquivo médico e administrativo, uma sala de tecnologia da informação, além dos ambientes de apoio e espaço para controle de funcionários. No seu eixo de circulação foi projetado um jardim interno, para possibilitar a entrada de luz e ventilação natural. 107 Figura 80 – Apoio de Gestão e Execução Administrativa Fonte: Desenvolvido pela autora (2015) 7.10 Setor de Convivência O setor de convivência foi à classificação dada ao grande pátio interno (figura 81) criado no centro do hospital. Além de ajudar na iluminação e ventilação de toda a edificação, se tornou um espaço que pode ser utilizado não somente pelos pacientes, mas também pelos profissionais e visitantes. Ele possui três anexos em seu centro (uma capela, um auditório e uma lanchonete), dois quiosques e dois espelhos d’águas. Além destas construções, foi criado um jardim terapêutico, que deverá ser cultivado pelos pacientes. Possui uma vasta forração de gramado, árvores que dão sombreamento, e flores nos canteiros, proporcionado um colorido diferenciado a esta área e oferecendo aos usuários uma qualidade de vida mais próxima a natureza. A vegetação deve ser perene, para resistir às alterações climáticas da região. 108 Figura 81 – Setor de Convivência Fonte: Desenvolvido pela autora (2015) 7.11 Setor de Apoio Logístico (Armazenamento), Infraestrutura Predial e Anexo para Funcionários Estes setores foram dispostos no mesmo item, pois estão setorizados na mesma região do terreno (figura 82). O setor logístico de armazenamento consiste no anexo de estoque de materiais do hospital. O anexo de funcionários contém uma área para guarda de pertences, uma sala de estar, um vestiário feminino e um vestiário masculino, uma copa, e um quarto de descanso para funcionários e outro para o motorista. A infraestrutura predial consiste em toda parte técnica de alimentação elétrica, hidráulica e de gás, contando com uma oficina para reparo de pequenos danos. 109 Figura 82: Setor de Apoio logístico, Infraestrutura Predial e Anexo para Funcionários Fonte: Desenvolvido pela autora (2015) 7.12 Setor de internação O setor de internação (figura 83) está localizado no pavimento superior do hospital. Ele é formado por dez quartos com um leito, e dez enfermarias com dois leitos. Cada enfermaria e quarto possuem um banheiro acessível e uma varanda com jardineira. Ainda há um quarto de isolamento, com banheiro e expurgo. Para assessorar este setor foram instalados dois postos de enfermagem, com todos os ambientes de apoio necessário para o seu funcionamento conforme discrimina a NBRnº50, além de uma sala administrativa. Um ponto de destaque são os jardins que cortam a circulação proporcionando iluminação natural, cercado por esquadrias, possibilitando a ventilação natural. Além dos jardins foram acomodados três ambientes de estar, para os acompanhantes dos pacientes. Os pacientes internados terão acesso ao setor de diagnóstico e terapia e ao centro cirúrgico através da passarela que corta o pátio, pois desta maneira ele chegará mais rápido ao pavimento térreo onde se concentra a maior parte do setor, sem precisar circular por outros setores do hospital. 110 Figura 83 – Setor de Internação Fonte: Desenvolvido pela autora (2015) 7.13 Setor de Internação (Unidade de Terapia Intensiva – U.T.I.) Este setor é destinado a pacientes com estado de saúde fragilizado e que necessitam de cuidados e assistência 24h por dia. Este setor possui cinco leitos, sendo um no quarto de isolamento e 4 no quarto coletivo. Além dos quartos de isolamento e coletivo, este setor tem um posto de enfermagem, com os ambientes de apoio do mesmo, um quarto para plantonista com banheiro, um laboratório suporte, uma sala de entrevistas e uma ampla sala de espera para visitantes, como mostra a figura 84. 111 Figura 84 – Setor de Internação – U.T.I. Fonte: Desenvolvido pela autora (2015) 7.14 C.M.E e Centro Cirúrgico O C.M.E, é um dos principais setores do hospital, pois nele é feita toda esterilização dos equipamentos e materiais utilizados, e está diretamente interligado ao centro cirúrgico, pois nenhum material pode entrar ou sair do centro cirúrgico sem antes passar pelo processo de esterilização. O C.M.E é dividido em quatro partes: uma é a área que recebe a roupa suja e para descontaminação passando para a área de preparação para esterilização, a terceira área é a de esterilização física ou química, que pode variar de acordo com o material a ser esterilizado e a quarta área é de armazenagem e distribuição do material esterilizado. Uma ala deste setor não pode entrar em contato com a outra, e antes de acessar os ambientes de esterilização não se é permitido à entrada no setor sem antes passar pelo vestiário barreira. 112 Além destes setores o C.M.E possui todos os ambientes de apoio que a RDC nº 50 exige para este departamento. O centro cirúrgico foi projetado de uma maneira na qual ele pudesse seguir o fluxo da ordem dos procedimentos deste setor. O acesso dos médicos e profissionais se dá através do vestiário barreira, e o acesso dos pacientes se dará pelo passa macas. O centro cirúrgico possui três salas cirúrgicas, uma para pequenas cirurgias, uma para médias cirurgias e uma para grandes cirurgias, todas com sala de apoio e torneiras de escovação além do posto de saúde, sala de indução anestésica, sala de recuperação anestésica, área para guarda de medicamentos e sala de serviços. Possui ainda a estrutura de apoio que está discriminada na RDCnº 50. Do centro cirúrgico se tem uma passagem interna que dá acesso a circulação que leva para o necrotério, assim como possui duas passagens diretas para o C.M.E, uma para entrega e material sujo e outra para receber material esterilizado (figura 85). Figura 85 – C.M.E e Centro Cirúrgico Fonte: Desenvolvido pela autora (2015) 113 7.15 Volumetria Final O volume final deste anteprojeto é composto por linhas retas, e uma horizontalidade marcante. A utilização da madeira em sua fachada proporcionou ao mesmo uma imagem acolhedora e aconchegante, retirando a frieza que uma arquitetura deste porte poderia proporcionar. As figuras 86, 87, 88 e 89 apresentam as perspectivas da fachada que está voltada para Rua Princesa Isabel. A sua forma pesada é equilibrada com a utilização de vidro nas esquadrias e a subtração do volume gerado pela sacada que praticamente contorna toda a fachada. Figura 86: Perspectiva – Fachada voltada para Rua Princesa Isabel Fonte: Desenvolvido pela autora (2015) Figura 87: Perspectiva – Fachada voltada para Rua Princesa Isabel Fonte: Desenvolvido pela autora (2015) 114 Figura 88: Perspectiva – Fachada voltada para Rua Princesa Isabel Fonte: Desenvolvido pela autora (2015) Figura 89: Perspectiva – Fachada voltada para rua Princesa Isabel Fonte: Desenvolvido pela autora (2015) As figuras 90, 91 e 92, apresenta a fachada do Hospital que está voltado para Rua Antônio Manuel. Como se pode observar, este lado da edificação possui apenas o pavimento térreo, o que possibilita ver ao fundo a passarela, com os brises verticais, que corta o jardim e o volume do segundo pavimento que se destaca ao fundo. A sua forma permanece horizontalizada, porém seu peso é equilibrado através dos elementos utilizados somados a subtração do volume em sua parte central. 115 Figura 90: Perspectiva – Fachada voltada para Rua Antônio Manuel Fonte: Desenvolvido pela autora (2015) Figura 91: Perspectiva – Fachada voltada para Rua Antônio Manuel Fonte: Desenvolvido pela autora (2015) Figura 92: Perspectiva – Fachada voltada para Rua Antônio Manuel Fonte: Desenvolvido pela autora (2015) 116 8 CONSIDERAÇÕES FINAIS Este trabalho teve como tema a implantação de um Hospital Oncológico no município de Campos dos Goytacazes, sendo desenvolvido um anteprojeto que pudesse atender a toda a população no que diz respeito ao diagnóstico e terapia das enfermidades oncológicas através do Sistema Único de Saúde. Para escolha deste tema, teve-se como base a carência atual do município no que diz respeito ao tratamento de doenças oncológicas, oferecidos pelo S.U.S, onde muitas vezes os pacientes que necessitam de tratamento acabam tendo que recorrer a hospitais de outros municípios ou acabam recorrendo a clínicas particulares. Na parte bibliográfica, para o desenvolvimento deste anteprojeto, se fez necessário um estudo do histórico hospitalar onde se conheceu o processo de evolução destas instituições de saúde podendo-se perceber a partir de então a fundamental importância que a arquitetura exerce no funcionamento dos mesmos. Foi preciso um aprofundamento no que diz respeito oncologia, o que são as doenças oncológicas e que tipo de impacto elas geram na vida dos portadores, a fim de buscar perceber suas principais necessidades e carências. A humanização hospitalar foi outro ponto estudado, para que se tornasse possível à elaboração de um projeto que além de atender as necessidades básicas do paciente, pudesse lhe proporcionar conforto, bem estar, segurança, confiança e comodidade. A justificativa de escolha deste tema é a carência que este tipo de tratamento possui hoje dentro do município. Porém durante o decorrer deste trabalho foi criado no Hospital Escola Álvaro Alvim mais uma estrutura para radioterapia, o que felizmente irá proporcionar a população um suporte maior no tratamento desta doença. Uma das principais dificuldades encontradas para a elaboração deste trabalho foi, além do alto nível de complexidade que esta estrutura hospitalar possui, a pesquisa de campo através das visitas aos estabelecimentos de saúde, pois o acesso foi restrito e não se pode muitas vezes registrar com fotos nem fazer entrevistas com os usuários. Mas ainda assim foi de fundamental importância, pois proporcionou o reconhecimento de campo, o entendimento do funcionamento e organização dos mesmos. Como proposta para futuros trabalhos, é sugerido à criação de uma hospedagem para as pessoas de outros municípios que buscarem atendimento neste hospital, a criação de uma ala especializada no câncer infantil, assim como um aprofundamento quanto à descrição 117 dos materiais construtivos que deverão ser empregados, a fim de promover um equilíbrio entre custo e sustentabilidade. Por fim, este trabalho conseguiu se consolidar, pois teve seu objetivo alcançado, atendendo ao programa de necessidades que lhe foi proposto, mostrando a viabilidade da criação desta estrutura hospitalar no município de Campos dos Goytacazes, com seu conceito diferenciado focado na humanização. Que o mesmo passe a servir como objeto para consulta e aplicação de suas principais ideias em projetos semelhantes. 118 REFERÊNCIAS ALMEIDA, Cristina. Jardim é Terapia. 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