H1N1 - Paulo Margotto

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Luana Dantas Barbosa 1
H1N1
Internato de Pediatria da Universidade Católica de Brasília
Orientadores: Dra. Carmem Lívia Faria da Silva Martins.
Acadêmica: Luana Dantas Barbosa
H1N1
O vírus Influenza é um dos mais importantes microorganismos patógenos que
atacam as vias respiratórias e, apesar do desenvolvimento de imunização e de terapia
antiviral específica, permanece, há gerações, causando epidemias e pandemias
associadas a importante morbimortalidade. Este fato está relacionado, especialmente, à
capacidade que o vírus tem em sofrer constantemente mutações na sua estrutura
antigênica, o que o permite escapar da resposta imune dos seus hospedeiros. (4)
O vírus Influenza A (H1N1) tem o seu material genético organizado em pedaços. São
8 genes, em 8 fragmentos de RNA, que produzem 11 proteínas, sendo isolado em 1933
por Wilson Smith e seus colaboradores Christopher Andrews e Patrick Laidlaw, foi
correlacionado a diversas pandemias, tal qual a Gripe Russa em 1977 e no México em
2009. Tem um curto período de incubação, entre 1 e 7 dias, com média de 2 dias.
A incidência do vírus nos países de clima tropical pode ocorrer em qualquer época
do ano, porém as epidemias têm tendência em acontecer após mudanças nos padrões
climáticos, como por exemplo, relacionadas a estação de chuvas, sendo os pacientes
pediátricos, particularmente afetados tanto em períodos de sazonalidade quanto em
pandemias. A transmissão do vírus Influenza ocorre através de contato próximo, por meio
de gotículas respiratórias produzidas durante a fala, tosse ou espirro do paciente
infectado, sendo recomendado para aquelas crianças que são frequentadoras de creches,
evitar o contato da criança doente com as demais. Recomenda-se que a criança doente
fique em casa, a fim de evitar a transmissão da doença, assim como, não compartilhar
alimentos, copos, toalhas, chupetas, mamadeiras, escovas de dente e objetos de uso
pessoal que possam constituir fômites para o H1N1. (3)
As crianças não têm apenas um papel importante na propagação da epidemia de
influenza, como também, atualmente, sabe-se que as crianças menores de dois anos de
idade apresentam morbidade semelhante à observada nos grupos de risco para infecção
grave por influenza, caracterizada por elevada taxa de hospitalização, aumento do
número de consultas médicas e complicações por infecção secundária. (1)
Os sinais e sintomas classicamente associados ao vírus Influenza e chamados de
Síndrome Gripal são febre de início abrupto associada a dor de garganta e/ou tosse, além
de coriza, obstrução nasal, hiperemia conjuntival, mal-estar, cefaleia, mialgia e artralgia.
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Sintomas gastrointestinais como vômitos, diarreia e dor abdominal são mais comuns em
crianças. Em neonatos e lactentes, o quadro clínico pode ser atípico, mimetizando
septicemia ou apresentando-se apenas como febre sem sinais de localização. (4)
A complicação mais temida da infecção por Influenza é o acometimento das vias
aéreas inferiores através de pneumonia viral, com consequente SRAG e insuficiência
respiratória. Em crianças, é preciso observar batimentos de asa de nariz, cianose, tiragem
intercostal, desidratação e inapetência. Outras complicações incluem, ainda, otite média
aguda, pneumonia bacteriana, miosite, miocardite, pericardite, encefalite, Síndrome de
Reye e Síndrome de Guillain-Barré. (4)
O diagnóstico laboratorial se dá por meio da utilização de secreções respiratórias,
feito especialmente naqueles pacientes com maior risco de complicações, já que o
quadro clínico do quadro é inespecífico com sintomas gerais. A imunofluorescência
direta, que detecta antígenos virais, é o exame mais disponível em nosso meio, tem
especificidade superior a 90%, mas sensibilidade em torno de 50%. Podemos lançar mão
também de testes rápidos para Influenza, porém apresentam como limitação a
sensibilidade em torno de 60%. O padrão ouro para o diagnóstico é o Reverse
Transcription Polymerase Chain Reaction (RT-PCR), que amplifica o genoma viral,
apresenta sensibilidade de 97,8% e especificidade de 100%. Entretanto, este teste não
está disponível na imensa maioria dos serviços de saúde. (4)
No diagnóstico diferencial da influenza deve ser considerado um grande número de
infecções respiratórias agudas de etiologia viral. Dentre essas, destacam-se os resfriados
comuns, causados por inúmeros vírus, sendo os mais freqüentes adenovírus,
coxsackievírus, echovírus, paramyxovírus (incluindo vários vírus parainfluenza), vírus
respiratório sincicial, metapneumovírus, coronavírus e enterovírus. (1)
O tratamento do quadro baseia-se a terapia antiviral específica para o vírus
Influenza no nosso meio consiste nos inibidores de neuraminidase, estando disponíveis
no país os fármacos Oseltamivir e Zanamivir. O primeiro é o mais amplamente utilizado,
sendo a primeira escolha no Brasil. O medicamento é fornecido mediante prescrição
médica gratuitamente pelo SUS e as indicações de terapia recomendadas pelo Ministério
da Saúde para crianças são: idade inferior a 2 anos, pneumopatia (incluindo asma),
cardiopatias, hepatopatias, nefropatias, neuropatias com comprometimento da função
respiratória ou maior risco de aspiração, imunossupressão, distúrbios hematológicos,
doenças onco-hematológicas, população indígenas e indivíduos menor de 19 anos em uso
contínuo de ácido acetil-salicílico. Não se deve esperar a confirmação laboratorial para
iniciar o tratamento. (4)
As principais formas de profilaxia são a quimioprofilaxia com inibidores de NA e
através da imunização. Sendo que quimioprofilaxia é recomendada pelo Ministério da
Saúde em profissionais de saúde expostos a secreções de indivíduos com suspeita ou
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confirmação diagnóstica, para controle de surtos em comunidades fechadas e em
indivíduos com fatores de risco para complicações com exposição há menos de 48 horas,
não vacinados ou com esquema completo há menos de duas semanas, devendo-se
considerar a possibilidade de resposta vacinal inadequada em imunossuprimidos.
Entretanto, nas últimas décadas, a imunização anual contra influenza tem sido a principal
medida para a profilaxia da doença e redução da morbimortalidade. As vacinas inativadas
contra influenza são imunogênicas e apresentam efeitos adversos mínimos. (1,4)
A vacina é constituída por vírus inativados e fragmentados, podendo ser realizada a
partir dos 6 meses de vida. Se idade inferior a 9 anos, esta deve ser feita em duas doses
com 30 dias ou mais de intervalo, no primeiro ano que for realizado, com recomendação
de dose única nos reforços posteriores. Nos demais indivíduos, a vacinação é feita em
dose única. (1,4)
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
1. Almeida, F.J. et AL. Consenso para o Tratamento e Profilaxia da Influenza (Gripe) no
Brasil.
2. Magalhães, J. et AL. Infecção por H1N1 num Serviço de Pediatria. Revista do hospital
de crianças maria pia; 2012, vol XXI, n.º 1.
3. Ministério da Saúde. DIRETRIZES PARA O ENFRENTAMENTO À PANDEMIA DE
INFLUENZA A (H1N1): AÇÕES DA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE. Brasília, 2009.
4. Scotta, M.C. Influenza em pediatria. Bol Cient Pediatr. 2013; 02(2):47-52.
www.paulomargotto.com.br
Brasília, 10 de junho de 2016
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