A estrela de Natal O rebanho de ovelhas pastava pacificamente no

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A estrela de Natal
O rebanho de ovelhas pastava pacificamente no campo. Só em volta do lume
onde estavam os três pastores é que não havia calma. As suas vozes sobrepunhamse ao crepitar do fogo bruxuleante.
— Ouviram? Nasceu uma criança muito perto daqui. Dizem ser um novo rei.
Um rei sem exército nem cavaleiros mas mais poderoso do que todos os que
alguma vez conhecemos. Dizem ser bom e misericordioso. Um rei de paz e de
alegria.
— Vamos cumprimentar esse rei — sugeriu o mais velho. Mas nenhum deles
sabia onde tinha nascido o menino. Indecisos, conferenciavam que direcção tomar.
— Se pudéssemos ver no firmamento… De certeza que as estrelas conhecem
o local do nascimento do menino sagrado!
Como se as estrelas tivessem escutado o pedido dos pastores, o céu pareceu
pôr-se em movimento. Os pastores olhavam fascinados para o alto e esperavam
ansiosamente por um sinal que lhes indicasse o caminho. Admiravam, com
respeito, o estranho espectáculo realizado pelo firmamento. As estrelas juntaram-
-se, devagar. Foram-se aproximando umas das outras até que formarem uma só
estrela, clara e radiante, que ficou a brilhar no céu
e a sua cauda iluminava a noite azul escura.
Depois, começou a deslizar, devagar, no
horizonte.
Os
pastores
juntaram
apres-
sadamente as suas coisas. Reuniram as ovelhas e
seguiram a misteriosa estrela. Ela mostrar-lhes-ia o caminho até ao menino sagrado.
Mas não só os pastores tinham recebido a
boa nova. Também ao rei do palácio mais bonito
do oriente tinha sido levada a notícia e ele alegrouse com a vinda do novo príncipe da paz. Ao fim de
longos anos de guerra, o povo e o seu rei ansiavam por calma e paz.
O rei e os seus cortesãos descobriram a estrela da grande varanda do palácio.
O seu brilho claro fez cintilar as cúpulas douradas do palácio.
— Selai o meu camelo! — ordenou o rei. — Trazei-me os presentes mais
valiosos e carregai com eles o animal. Quero ir dar as boas vindas ao menino
sagrado. A estrela brilhante no céu indicar-me-á o caminho.
Ao fim de pouco tempo, encontrou outros dois reis que faziam o mesmo
percurso. Que longe a notícia já chegara! O rei aproximou-se deles e falou-lhes:
— Vamos juntos cumprimentar e presentear o jovem príncipe da paz!
E assim os três reis seguiram a estrela de Natal pelo longo caminho através do
deserto.
Os raios da estrela penetraram também nas florestas escuras e cerradas.
“Deve ser a lua cheia”, pensou o lobo, e começou a uivar. A família dos
ouriços-cacheiros pensou que tinha começado a amanhecer e escondeu-se no seu
ninho de folhas secas.
Assustados, os outros animais correram até à orla da floresta e vislumbraram
a grande estrela.
Assim que os animais da floresta se reuniram, a sábia coruja contou-lhes que
o santo menino tinha nascido. E disse ainda que aquela maravilhosa estrela de
Natal os guiaria a todos até ao seu berço.
Os animais fizeram-se ao caminho, cheios de alegria.
Por fim, a estrela de Natal parou sobre uma pequena estrebaria, fazendo a
discreta cabana brilhar festivamente.
Todos queriam dar as boas-vindas ao menino. O lobo estava pacificamente ao
lado do cordeiro, a raposa ao lado da lebre e os poderosos reis conversavam com
os pastores.
O menino estava deitado na manjedoura rodeado pela mãe e pelo pai. Os
raios claros da estrela de Natal entravam pela janela.
Sobre a colina, reinava calma e paz. E todos desejavam que aquele momento
de paz pudesse durar eternamente.
Marcus Pfister
Der Weihnachtsstern
Hamburg, Nord-Süd Verlag, 1994
Tradução e adaptação
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