Relevo do Brasil

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Relevo do Brasil
Texto complementar para os alunos do 1º ano Noturno, contendo, as classificações do
relevo brasileiro, as bacias hidrográficas e o potencial energético dos rios brasileiros.
(Este texto servirá como complemento da matéria para a avaliação trimestral – matéria
de prova)
O Relevo do Brasil é um domínio de estudos e conhecimentos sobre todos os planaltos e
planícies do território brasileiro.
O Brasil é um país de poucos desníveis. Cerca de 40% do seu território encontra-se abaixo
de 200 m de altitude, 45% entre 200 e 600 m, e 12%, entre 600 e 900 m. Apenas 3%
constituem área montanhosa, ultrapassando os 900 m de altitude.
Tradicionalmente, o relevo do Brasil é dividido de acordo com a classificação de Ab'Saber,
respeitado geógrafo paulista, pioneiro na identificação dos grandes domínios
morfoclimáticos nacionais. Sua classificação identifica dois grandes tipos de unidades de
relevo no território brasileiro: planaltos e planícies.
Mais recentemente, com os levantamentos detalhados sobre as características geológicas,
geomorfólogicas, de solo, de hidrografia e vegetação do país, foi possível conhecer mais
profundamente o relevo brasileiro e chegar a uma classificação mais detalhada, proposta,
em 1989, pelo conceituado professor Jurandyr Ross, do Departamento de Geografia da
Universidade de São Paulo. Na classificação de Ross, são consideradas três principais
formas de relevo: planaltos, planícies e depressões.
As duas subseções seguintes detalham ambas as classificações.
O Brasil é um país de poucos desníveis. Cerca de 40% do seu território encontra-se abaixo
de 200 m de altitude, 45% entre 200 e 600 m, e 12%, entre 600 e 900 m. Apenas 3%
constituem área montanhosa, ultrapassando os 900 m de altitude.
Tradicionalmente, o relevo do Brasil é dividido de acordo com a classificação de Ab'Saber,
respeitado geógrafo paulista, pioneiro na identificação dos grandes domínios
morfoclimáticos nacionais. Sua classificação identifica dois grandes tipos de unidades de
relevo no território brasileiro: planaltos e planícies.
Mais recentemente, com os levantamentos detalhados sobre as características geológicas,
geomorfólogicas, de solo, de hidrografia e vegetação do país, foi possível conhecer mais
profundamente o relevo brasileiro e chegar a uma classificação mais detalhada, proposta,
em 1989, pelo conceituado professor Jurandyr Ross, do Departamento de Geografia da
Universidade de São Paulo. Na classificação de Ross, são consideradas três principais
formas de relevo: planaltos, planícies e depressões.
As duas subseções seguintes detalham ambas as classificações.
Relevo segundo Aziz Ab'Saber
Planaltos
Os planaltos ocupam aproximadamente 5.000.000 km² e distribuem-se basicamente em
duas grandes áreas, separadas entre si por planícies e platôs: o Planalto das Guianas e o
Planalto Brasileiro.
Vista aérea do Monte Roraima.
O Planalto das Guianas fica na parte norte do país, abrangendo também Venezuela,
Guiana, Suriname e Guiana Francesa. É muito antigo (do período Pré-Cambriano),
cristalino e desgastado. Pode ser dividido em duas grandes unidades:

Região serrana, situada nos limites setentrionais do planalto. Como o próprio nome
indica, apresenta-se como uma linha de serras, geralmente com mais de 2.000
metros de altitude. Nessa região, na serra do Imeri ou Tapirapecó, localiza-se o Pico
da Neblina, com 2.994 metros, ponto mais alto do Brasil. Fazem parte desse
planalto, ainda, as serras de Parima, Pacaraima, Acaraí e Tumucumaque;

Planalto Norte Amazônico, situado ao sul da região serrana, caracterizado por
altitudes modestas, inferiores a 800 metros, intensamente erodidas e recobertas pela
densa selva amazônica.
O Planalto Brasileiro é um vasto planalto que se estende por toda a porção central do
Brasil, prolongando-se até o nordeste, leste, sudeste e sul do território. É constituído
principalmente por terrenos cristalinos, muito desgastados, mas abriga bolsões
sedimentares significativos. Por ser tão extenso, é dividido em Planalto Central, Planalto
Meridional, Planalto da Borborema, Serras e Planaltos do Leste e Sudeste, Planalto do
Meio-Norte e Escudo Sul-Riograndense.
Chapada dos Guimarães.
O Planalto Central, na porção central do país, caracteriza-se pela presença de terrenos
cristalinos (do Pré-Cambriano) que alternam com terrenos sedimentares do Paleozóico e do
Mesozóico. Nessa região aparecem diversos planaltos, mas as feições mais marcantes são
as chapadas, principalmente as dos Parecis, dos Guimarães, dos Pacaás Novos, dos
Veadeiros e o Espigão Mestre, que serve como divisor de águas dos rios São Francisco e
Tocantins.
O Planalto Meridional, situado nas terras banhadas pelos rios Paraná e Uruguai, na região
Sul, estende-se parcialmente pelas regiões Sudeste e Centro-Oeste. É dominado por
terrenos sedimentares recobertos parcialmente por lavas vulcânicas (basalto). Nessa porção
do relevo brasileiro, existem extensas cuestas emoldurando a bacia do Paraná. Apresenta
duas subdivisões: o planalto Arenito-basáltico, formado por terrenos do Mesozóico
(areníticos e basálticos) fortemente erodidos, e a depressão periférica, faixa alongada e
deprimida entre o planalto Arenito-basáltico, a oeste e o Planalto Atlântico, a leste.
O Planalto Nordestino, é uma região de altitudes modestas (de 200 m a 600 m) em que se
alternam serras cristalinas, como as da Borborema e de Baturité, com extensas chapadas
sedimentares, como as do Araripe, do Ibiapaba, do Apodi e outras.
Pico da Bandeira.
As Serras e os Planaltos do Leste e do Sudeste, estão localizados próximos ao litoral,
formando o maior conjunto de terras altas do país, que se estende do nordeste até Santa
Catarina. Os terrenos são muito antigos, datando do período Pré-Cambriano, e integram as
terras do escudo Atlântico. Merecem destaque, nessa região, as serras do Mar, da
Mantiqueira, do Espinhaço, de Caparaó ou da Chibata, onde se encontra o Pico da
Bandeira, com 2.890 metros, um dos mais elevados do relevo do Brasil. Essas montanhas,
altas para os padrões brasileiros, já atingiram a a altitude dos dobramentos modernos, sendo
conseqüência dos movimentos diastróficos (movimentos de amplitude mundial que
produziram transformações no relevo dos continentes) ocorridos no Arqueozóico. Em
muitos trechos, essas serras desgastadas aparecem como verdadeiros "mares de morros" ou
"pães de açúcar".
O Planalto do Maranhão-Piauí (ou do Meio-Norte) situa-se na parte sul e sudeste da
bacia sedimentar do Meio-Norte. Aparecem, nessa área, vários planaltos sedimentares de
pequena altitude, além de algumas cuestas.
O Escudo Sul-Riograndense aparece no extremo sul do Rio Grande do Sul e é constituído
por terrenos cristalinos com altitudes de 200 a 400 metros, caracterizando uma sucessão de
colinas pouco salientes, conhecidas localmente por coxilhas, ou ainda acidentes mais
íngremes e elevados, conhecidos como cerros.
Planícies
As planícies cobrem mais de 3.000.000 de km² do território brasileiro. Dividem-se em três
grandes áreas: a Planície Amazônica, a planície litorânea e o Pantanal Matogrossense.
Rio Amazonas no Brasil.
Planície Amazônica
A mais extensa área de terras baixas brasileiras está situada na região Norte. Trata-se da
planície Amazônica e planaltos circundantes, localizados entre o planalto das Guianas (ao
norte), o planalto Brasileiro (ao sul), o oceano Atlântico (a leste) e a cordilheira dos Andes
(a oeste).
A planície, propriamente dita, ocupa apenas uma pequena parte dessa região, estendendo-se
pelas margens do rio Amazonas e seus afluentes. Ao redor dela aparecem vastas extensões
de baixos-platôs, ou baixos-planaltos sedimentares.
Observando-se a disposição das terras da planície no sentido norte-sul, indentificam-se três
níveis altimétricos no relevo:

Várzeas, junto à margem dos rios, apresentando-se terrenos de formação recente,
que sofrem inundações freqüentes, as quais sempre renovam a lâmina do solo;

Tesos ou terraços fluviais, cujas altitudes não ultrapassam os 30 m e que são
periodicamente inundados;

Baixos-planaltos ou platôs, conhecidos localmente por terras firmes, salvos das
inundações comuns, formados por terrenos do Terciário.
Planície do Pantanal
A mais típica das planícies brasileiras é a planície do Pantanal, constituída por terrenos do
Quaternário, situada na porção oeste de Mato Grosso do Sul e pequena extensão do
sudoeste de Mato Grosso, entre os planaltos Central e Meridional. Como é banhada pelo rio
Paraguai e seus afluentes, é inundada anualmente por ocasião das enchentes, quando vasto
lençol aquático recobre quase toda a região.
As partes mais elevadas do Pantanal são conhecidas pelo nome indevido de cordilheiras e
as partes mais deprimidas constituem as baías ou largos. Essas baías, durante as cheias,
abrigam lagoas que se interligam através de canais de corixos.
Planície Litorânea
As planícies e terras baixas costeiras formam uma longa e estreita faixa litorânea, que vai
desde o Amapá até o Rio Grande do Sul. Em alguns pontos dessa extensão, o planalto
avança em direção ao mar e interrompe a faixa de planície. Aparecem, nesses pontos,
falésias, que são barreiras à beira-mar resultantes da erosão marinha.
A planície costeira é constituída por terrenos do Terciário, que se apresentam como
barreiras ou tabuleiros, e por terrenos atuais ou do Quaternário, nas baixadas. As baixadas
são freqüentes no litoral e as mais extensas são a Fluminense, a Santista, a do Ribeira de
Iguape e a de Paranaguá.
As planícies costeiras dão origem, basicamente, às praias, mas ocorrem também dunas,
restingas, manguezais e outras formações.
Relevo segundo Jurandyr Ross
Tendo participado do Projeto Radam e levado em consideração a classificação de Ab'Saber,
Jurandyr Ross propôs uma divisão do relevo do Brasil tão detalhada quanto os novos
conhecimentos adquiridos sobre o território brasileiro nos dois primeiros projetos. Por isso,
ela é mais complexa que as anteriores. Sua proposta é importante porque resulta de um
trabalho realizado com o uso de técnicas ultramodernas, que permitem saber com mais
conhecimento como é formado o relevo brasileiro. Esse conhecimento é fundamental para
vários projetos (exploração de recursos minerais, agricultura) desenvovidos no país.
Ross aprofundou o critério morfoclimático da classificação de Ab'Saber, que passou a fazer
parte de um conjunto de outros fatores, como a estrutura geológica e a ação dos agentes
externos do relevo, passados e presentes. Esta terceira classificação considera também o
nível altimétrico, já utilizado pelo professor Aroldo de Azevedo, embora as cotas de
altitude sejam diferentes das anteriores.
Desse modo, a classificação de Jurandyr Ross está baseada em três maneiras diferentes de
explicar as formas de relevo:

morfoestrutural: leva em conta a estrutura geologia|geológica;

morfoclimática: considera o clima e o relevo;

morfoescultural: considera a ação de agentes externos.
Cada um desses critérios criou um "grupo" diferente de formas de relevo, ou três níveis,
que foram chamados de táxons e obedecem a uma hierarquia.

1º táxon: Considera a forma de relevo que se destaca em determinada área —
planalto, planície e depressão.

2º táxon: Leva em consideração a estrutura geológica onde os planaltos foram
modelados — bacias sedimentares, núcleos cristalinos arqueados, cinturões
orogênicos e coberturas sedimentares sobre o embasamento cristalino.

3º táxon: Considera as unidades morfoesculturais, formada tanto por planícies
como por planaltos e depressões, usando nomes locais e regionais.
O relevo de determinada região depende de sua estrutura morfológica. Tendo sido feita uma
nova classificação do relevo, a corresponde uma nova análise da estrutura geológica
brasileira.
As novas 28 unidades do relevo brasileiro foram divididas em onze planaltos, seis planícies
e onze depressões.
Planaltos
Serra da Mantiqueira
Compreendem a maior parte do território brasileiro, sendo a grande maioria considerada
vestígios de antigas formações erodidas. Os planaltos são chamados de "formas residuais"
(de resíduo, ou seja, do ficou do relevo atacado pela erosão). Podemos considerar alguns
tipos gerais:

Planaltos em bacias sedimentares, como o Planalto da Amazônia Oriental, os
Planaltos e Chapadas da Bacia do Parnaíba e os Planaltos e Chapadas da Bacia do
Paraná. Podem ser limitados por depressões periféricas, como a Paulista, ou
marginais, como a Norte-Amazônica.

Planaltos em intrusões e coberturas residuais da plataforma (escudos): São
formações antigas da era Pré-Cambriana, possuem grande parte de sua extensão
recoberta por terrenos sedimentares. Temos como exemplos os Planaltos Residuais
Norte-Amazônicos, chamados de Planalto das Guianas nas classificações anteriores.

Planaltos em núcleos cristalinos arqueados. São planaltos que, embora isolados e
distantes um dos outros, possuem a mesma forma, ligeiramente arredondada.
Podemos citar como exemplo o Planalto da Borborema.

Planaltos dos cinturões orogênicos: Originaram-se da erosão sobre os antigos
dobramentos sofridos na Era Pré-Cambriana pelo território brasileiro. A serras do
Mar, da Mantiqueira e do Espinhaço são exemplos desse tipo de planalto. Fazem
parte dos planaltos e serras do Atlântico Leste-Sudeste.
Depressões
Nos limites das bacias com os maciços antigos, processos erosivos formaram áreas
rebaixadas, principalmente na Era Cenozóica. São as depressões, onze no total, que
recebem nomes diferentes, conforme suas características e localização.

Depressões periféricas: Nas regiões de contato entre estruturas sedimentares e
cristalinas, como, por exemplo, a Depressão Periférica Sul-Rio-Grandense.

Depressões marginais: Margeiam as bordas de bacias sedimentares, esculpidas em
estruturas cristalinas, como a Depressão Marginal Sul-Amazônica.

Depressões interplanálticas: São áreas mais baixas em relação aos planaltos que as
circundam, como a Depressão Sertaneja e do São Francisco.
Planícies
Nessa classificação grande parte do que era considerado planície passou a ser classificada
como depressão marginal. Com isso as unidades das planícies ocupa agora uma porção
menor no território brasileiro. Podemos distinguir:

Planícies costeiras: Encontradas no litoral como as Planícies e Tabuleiros
Litorâneos.

Planícies continentais: Situadas no interior do país, como a Planície do Pantanal.
Na Amazônia, são consideradas planícies as terras situadas junto aos rios. O
professor Aziz Ab'Saber já fazia esta distinção, chamando as várzeas de planícies
típicas e as outras áreas de baixos-platôs.
Relevo Brasileiro
Os pontos mais altos do relevo brasileiro (que, no geral, é marcado por baixas altitudes)
são: o Pico da Neblina (com 2993,78 metros de altitude) e o de Pico 31 de Março (com
2972,66 m. de altitude).
As baixas altitudes dos relevos brasileiros são devido ao Brasil estar situado sobre uma
enorme placa tectônica onde não há choque com outras placas,que originam os chamados
dobramentos modernos,que resultam do movimento de colisão entre placas,onde uma
empurra a outra chamado movimento convergente.
Além de divisores de águas das bacias fluviais do Orinoco (na Venezuela) e do Amazonas
(afluentes da margem esquerda, ao norte), servem de fronteiras entre o Brasil e os países
vizinhos ao norte: Venezuela, Guiana, Suriname e Guiana Francesa.
Depressões do relevo brasileiro
Sob o ponto de vista de influência da estrutura geológica nas formas de relevo, ou seja,
morfoestruturalmente, na região Centro-Oeste e no Meio-Norte do Brasil surgem as
chapadas com seus topos horizontais e declividade acentuada nas bordas. As chapadas do
Centro-Oeste, como a dos Parecis e dos Guimarães, são divisores de águas entre as Bacias
Amazônicas, Platina, do rio São Francisco e do rio Tocantins. No Nordeste Oriental a
Depressão Sertaneja e do [rio São Francisco] sofreram transgressão marinha, o que
contribuiu para a presença de fósseis de répteis gigantescos na Chapada do Araripe e em
jazidas de sal-gema (cloreto de sódio) encontrado no subsolo. Na história do Brasil[época
colonial do Brasil], tais jazidas de sal-gema eram chamadas de “barreiros” – elas
facilitaram a expansão da pecuária pelo Sertão do Nordeste e pelo Piauí, através dos eixos
dos rios São Francisco e Parnaíba. No Sul e Sudeste do Brasil, as depressões desenham um
grande, representado pela Serra Geral, separando os terrenos do Planalto Cristalino
(continuação da Serra do Mar no sul) dos terrenos do Planalto Arenito-Basáltico. Entre este
e o Planalto Vulcânico há uma linha de “cuestas”, relevo dissimétrico produto de erosão
diferencial sobre camadas de rochas de resistências diferentes aos agentes externos do
relevo. As “cuestas” apresentam uma encosta íngreme de um lado (frente de cuesta) e outra
levemente inclinada. Esta escarpa levemente inclinada é constituída de rochas magmáticas
metamórficas mais resistentes à erosão.Por outro lado, a frente de uma cuesta é formada de
terrenos menos resistentes.
Recursos hídricos brasileiros
O BRASIL é um país de fartos recursos hídricos – 35.000 m³ per capita, enquanto na
Alemanha é de apenas 1.500 m³ per capita; e possui 15% da água doce do mundo. No
entanto, alguns rios já se apresentam bastante poluídos, como os rios Tietê (em São Paulo)
e Paraíba do Sul. As bacias fluviais compreendem o rio principal (em nível de altitude mais
baixo) e os seus afluentes (em nível mais alto), bem como toda a superfície drenada por
eles. A drenagem das bacias fluviais brasileiras é exorréica, isto é, o nível de base do rio
principal corresponde ao nível do mar, onde está a foz ou desembocadura dos rios
principais. A foz dos rios brasileiros é sobretudo em estuário: deságuam no mar num
terminal só. Uma exceção é o rio Parnaíba, entre o Maranhão e o Piauí, que deságua em
delta, com várias embocaduras no oceano. Alguns atributos dos recursos hídricos
brasileiros e de sua utilização devem ser evidenciados:




O Brasil apresenta o terceiro maior potencial hidrelétrico da Terra, visto que a
maioria dos seus rios são de planalto. A exceção é o rio Paraguai, que é de planície.
Dos 255.000 MW de potencial estão se aproveitando cerca de 25%. O rio de maior
aproveitamento hidrelétrico é o Paraná, exatamente para atender à demanda
energética do Sudeste. A bacia de maior potencial é a Amazônica.
Embora tenha muitos rios navegáveis, as hidrovias representam os meios de
transportes menos utilizados em nosso país, ao contrário do que ocorre em países de
dimensões continentais, pois são os transportes mais baratos e com maior
capacidade de carga.
O regime dos rios brasileiros é, em sua maior parte, pluvial. Somente o rio Solimões
e parte de seus afluentes são de regime misto, isto é, tem seu volume de águas
condicionado às neves da Cordilheira dos Andes e às chuvas.
Apenas nas Bacias do Nordeste e pequena parte das Bacias de Leste, onde ocorre o
clima semi-árido com suas chuvas escassas e irregulares, na área do Polígono das
Secas, é que se localizam rios temporários ou intermitentes, isto é, cujos leitos ficam
secos em longas estiagens. Portanto, a maioria dos rios brasileiros é permanente ou
perene.
Bacias hidrográficas
Bacia amazônica
A foz do Amazonas
É a de maior potencial hidrelétrico do Brasil (105.500 MW) devido aos seus afluentes,
sobretudo os da margem direita (ao sul do Amazonas) que, ao descerem dos planaltos,
formam cachoeiras e corredeiras. O rio Amazonas é um autêntico rio de planície – o Baixo
Amazonas é uma hidrovia natural escoando bauxita (minério de alumínio) para usinas
eletrometalúrgicas do Pará. Outra hidrovia importante é do rio Madeira, que faz parte do
transporte intermodal para o escoamento das safras agrícolas do norte de Mato Grosso. O
transporte intermodal representa a diversificação das diversas modalidades de transportes,
segundo uma logística de adaptação maior às condições naturais das regiões servidas por
elas (ex: uma região como a Amazônia tem muitos rios navegáveis que podem ser
transformados em hidrovias), reduzindo os custos pela maior capacidade de carga e menor
consumo de combustível. Além disso, as diferenças de fretes e da velocidade dos meios de
transportes ampliam o leque de opções dos produtores no escoamento de suas mercadorias.
O maior desastre ambiental da Amazônia foi o da construção da Represa de Balbina, que
inundou uma área enorme como a da Represa de Tucuruí produzindo, no entanto, 31 vezes
menos energia que a de Tucuruí. Os ambientalistas afirmam que o rio Uatumã deverá
acabar com o tempo; a decomposição da floresta submersa pela represa irá matar seus
peixes. Grande parte da reserva indígena dos Waimiri-Atroari foi inundada. Principais rios:
Amazonas, Solimões, Negro, Xingu, Tapajos.
Bacia do Tocantins- Araguaia
É a terceira maior hidrográfica brasileira em potencial hidrelétrico (28.300 MW, depois da
Amazônica e a do Paraná). As usinas hidrelétricas desta bacia são a de Tucuruí (a maior da
Eletronorte, produzindo 8.000 MW, a maioria subsidiada para as eletrometalúrgicas de
alumínio, vorazes consumidoras de energia), no rio Tocantins (PA) e a de S. Félix, no rio
Araguaia, entre TO e MT.
Bacia Platina ou La Plata
É a 2ª maior bacia fluvial do mundo com cerca de 4.000.000 km² (1.500.000 km² no
Brasil). É formada pelos rios Paraná, Paraguai e Uruguai.
Bacia do Paraná
As Cataratas do Iguaçu, na Bacia do Paraná
É importante pela área drenada (a maior do Sudeste), pela extensão e volume (é o segundo
da América do Sul, depois da Bacia Amazônica), pelo aproveitamento hidrelétrico (o maior
do Brasil, 61.7% do total) e hidroviário. Dos afluentes da margem esquerda do rio Paraná
sobressaem os rios Tietê e Paranapanema. O rio Tietê teve um papel histórico fundamental
na conquista bandeirante do interior, no chamado bandeirismo de monções com destino a
Mato Grosso e Goiás – naquela época era chamado de Anhembi. Ele banha e abastece (pela
Represa de Guarapiranga) a maior metrópole da América do Sul, a cidade de São Paulo,
mas por ela é poluído com o lançamento de esgotos domésticos e industriais. O rio Tietê é
importante atualmente pelo aproveitamento hidrelétrico e pelo transporte hidroviário, este
facilitado pela construção de eclusas (já que é um rio de planalto). As cargas podem ser
transportadas de São Paulo a Buenos Aires, na Argentina. Agroindústrias instalam-se junto
aos rios Tietê e Paranaíba com seus silos e armazéns, a fim de diminuir os custos de
transportes de commodities tanto para o mercado interno como para o externo (Mercosul).
As hidrovias apresentam custos menores que os outros meios de transportes (uma
empurradora levando quatro chatas carregadas de mercadorias equivale a 240 carretas
numa rodovia).
Bacia do rio Paraguai
Uma das características do rio Paraguai (um rio de planície), em quase toda sua extensão,
consiste na regularidade apresentada pela variação periódica do seu regime. Os fatores que
contribuem para o fato são: a regularidade das chuvas periódicas anuais, a extensa zona de
inundação e represamento, representada pela Planície do Pantanal, as chuvas abundantes e
o papel armazenador das chapadas de terrenos porosos. Além da importância econômica do
rio Paraguai como hidrovia, devemos mencionar o ecoturismo.
Bacia do Uruguai
O rio Uruguai surge da junção dos rios Canoas e Pelotas; seu alto curso é limite entre RS e
SC; o médio Uruguai, entre Brasil e Argentina. O Alto Uruguai foi área de colonização
mista alemã e italiana; nesta área situam-se cidades importantes pela agroindústria. A Bacia
do Uruguai apresenta alto potencial hidrelétrico e poucos trechos navegáveis tendo apenas
importância econômica regional.
Bacia Fluvial do São Francisco
A bacia do São Francisco
No período colonial do Brasil foi fundamental na ligação entre o Sertão Nordestino
pecuarista e os centros mineradores do Sudeste. Foi, por isto, denominado de “rio da
unidade nacional”. A Bacia do São Francisco é a de segundo maior aproveitamento
hidrelétrico (sobressaindo-se na Região Sudeste a Usina de Três Marias, que fornece
energia a Belo Horizonte e às siderurgias do rio Doce) e a terceira em potencial
(19.700MW). É o rio que abastece a maior parte do Nordeste de energia. O maior projeto
de irrigação em seu vale é o de Petrolina-Juazeiro. Embora seja um rio de planalto, o São
Francisco é navegável desde Pirapora(MG) até Juazeiro(BA)/Petrolina(PE). A navegação a
vapor feita entre estes pontos extremos do rio passou a ser secundária em face das
dificuldades da mesma pelo assoreamento, além da construção das hidrelétricas e de
rodovias. Parte desse rio se concentra aqui no Brasil! Hoje se assiste, de novo, à polêmica
da transposição de 5% da vazão fluvial média do São Francisco para os rios Paraíba,
Piranhas e Apodi, interligando-se, por canais de 120 km, com o rio Jaguaribe.
Bibliografia
GARCIA. H. C. & GARAVELLO. T. M. Geografia do Brasil I. Apostila Anglo Vestibulares. Editora
Anglo. P. 13 a 18. 2ª ed. 2002.
ADAS. M. Panorama Geográfico do Brasil: Contradições, impasses e desafios socioespaciais.
Editora Moderna. P. 322 a 339.
LUCCI. E. A. GEOGRAFIA – O Homem no espaço global. Editora Saraiva. 4ª ed. P. 320 a 336.
1999.
COELHO. M. A. & TERRA. L. Geografia Geral: O espaço natural e socioeconômico. Editora
Moderna. 4ª ed. P. 68 a 103. 2001.
Comunicação Social do IBGE - 13 de Setembro de 2004.
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