9 # 13 o Ed iç ã MAPA DO CÉREBRO Oásis O mais completo atlas da nossa cabeça SOS LÊMURES Mansos demais para sobreviver O CHAMADO DA AVENTURA Vídeo espetacular de uma viagem pelos Estados Unidos MASSA CINZENTA O cérebro é democrático por Luis Raça, em termos cerebrais, é um conceito inteiramente destituído de sentido. Todos fazemos parte de uma única e mesma espécie – a humana – e as diferenças que podemos notar devem-se apenas a questões de adaptação ao clima, à latitude, à menor ou maior incidência de luz, aos hábitos alimentares e a outros fatores circunstanciais Pellegrini Editor M uito dinheiro acumulado nas contas bancárias costuma ser associado a gente egoísta, argentária, pouco ou nada interessada nos destinos do mundo e da humanidade. Mas há muitas e honrosas exceções. Uma delas é Paul Allen, cofundador da Microsoft, que há cerca de dez anos decidiu aplicar parte da sua imensa fortuna (cerca de 100 milhões de dólares apenas no investimento inicial) na criação do Allen Institute for Brain Science. Com sede na cidade de Seattle, essa organização se especializa, como o próprio nome indica, na investigação da anatomia, fisiologia, funções e possibilidade do cérebro. Forrado com a fina flor dos neurocientistas e outros profissionais correlatos, o Allen Institute acaba de publicar o Allen of Human Brain Atlas. Trata-se simplesmente do mais completo atlas do cérebro humano até hoje realizado, e abre caminho a novos modos de estudar esse órgão. Melhor ainda: os resultados da pesquisa e o atlas dela decorrente foram disponibilizados no site do Allen Institu- oásis . Editorial 2/37 te, e qualquer um, em qualquer lugar do mundo em que exista um computador conectado à Internet pode ter livre acesso ao material. por Luis Pellegrini Editor Dentre as inúmeras descobertas decorrentes das pesquisas que foram desenvolvidas para a criação desse atlas, uma das mais interessantes e importantes é a comprovação de que, no fundo, em matéria de cérebro, somos todos praticamente iguais. Não importa qual seja a etnia a que pertence o indivíduo, não importa a tonalidade da sua pele – branca, negra, mulata, amarela, vermelha –, não importa o seu sexo, religião ou terra de origem, os esquemas da anatomia e da fisiologia do cérebro são quase idênticos, as diferenças irrelevantes. Raça, portanto, em termos cerebrais, é um conceito inteiramente destituído de sentido. Fazemos todos parte de uma única e mesma espécie – a humana – e as diferenças que podemos notar devem-se apenas a questões de adaptação ao clima, à latitude, à menor ou maior incidência de luz, aos hábitos alimentares e a outros fatores circunstanciais. A reportagem é completada por uma galeria de imagens cerebrais de rara beleza, obtidas através de tecnologias moderníssimas como certas modalidades de ressonância magnética, o tensor de difusão, a imunofluorescência, etc. Outra matéria acoplada a esta apresenta o vídeo de uma importante conferência (com legendas em português) do cientista Allan Jones, um dos diretores do Allen Institute, explicando tudo sobre o atlas do cérebro. oásis . Editorial 3/37 oásis . neurociência neurociência MASSA CINZENTA O cérebro é democrático 4/37 O mais completo atlas do cérebro até hoje realizado abre caminho a novos modos de estudar esse órgão. E demonstra que ele não tem nenhum preconceito. No fundo, em matéria de cérebro, somos todos praticamente iguais N Por: Equipe Oásis a face do planeta perambulam hoje mais de sete milhões de cérebros humanos vivos e em funcionamento no interior de cabeças brancas, negras, mulatas, amarelas e vermelhas. Todos esses cérebros são muito mais semelhantes entre si do que até há pouco acreditava a maioria dos cientistas. Esta é uma das conclusões tiradas pelos pesquisadores do Allen Institute for Brain Science, de Seattle, EUA, (http://www. oásis . neurociência alleninstitute.org) em um estudo recentemente concluído que levou à realização do mais completo mapa cerebral até hoje elaborado: o Allen of Human Brain Atlas. Todo o material relativo a esse atlas pode ser baixado gratuitamente no site do Allen Institute ou pelo link: API for the Human Brain Atlas Ed Lien, neurocientista do Allen Institute, e os seus colegas analisaram 500 áreas de cada um dos dois hemisférios do cérebro humano, conseguindo evidenciar mais de 100 milhões de expressões genéticas. O estudo mostrou que cerca 84% dos genes humanos possui uma expressão em alguma área do nosso cérebro, com esquemas que são praticamente iguais de indivíduo para indivíduo. “A pesquisa demonstra a validade de uma análise global das expressões genéticas cerebrais como instrumento para compreender a fundo o desenvolvimento do cérebro e das suas patologias”, explica Lien em entrevista para a revista Nature, onde foi publicado o estudo. Uma por todas, todas por uma Várias descobertas curiosas e confirmações importantes foram obtidas a partir dessa pesquisa. As regiões vizinhas ao córtex, por exemplo, são mais semelhantes entre um indivíduo e outro do que as regiões mais 5/37 6/37 3/5 Os hemisférios direito e esquerdo, por outro lado, não apresentam uma diferença substancial na sua arquitetura molecular. Isso sugere que a origem de algumas características peculiares em cada indivíduo – a linguagem, por exemplo - não deve ser buscada na diversidade das estruturas cerebrais, mas apenas nas variações e personalizações de alguns circuitos. Uma neurologia das moléculas distantes: as implicações dessa descoberta ainda não são muito claras mas, segundo os cientistas, poderiam ajudar a compreender os modelos de desenvolvimento e evolução do cérebro humano no decurso dos milênios. Essas diversas outras regiões, além disso, embora controlando funções diversas como a visão, a audição, a capacidade de memorização e a de solucionar problemas, seriam estruturalmente muito parecidas entre si. Isso significa que bastaria compreender a fundo o funcionamento de uma dessas zonas para obter-se a chave de acesso a todas as outras. oásis . neurociência O estudo também forneceu um novo ângulo de visão a respeito do funcionamento do cérebro a nível molecular, ou seja, o nível no qual atuam as doenças degenerativas e também os fármacos que as combatem. Descobriu-se que as sinapses não são todas iguais, mas variam profundamente segundo o gene que as ativou. “As mutações das sinapses com frequência estão ligadas a graves doenças neurológicas”, explica Seth Grant, professor de neurociências moleculares da Universidade de Edimburgo e coautor do estudo. Ficou comprovado também que nossas experiências modificam as sinapses (as conexões entre os neurônios) e essas alterações, que são permanentes, são as responsáveis pela memória. Na prática, quando acontece alguma coisa de que nos recordaremos no futuro, gera-se no cé 7/37 rebro um sinal elétrico que provoca variações químicas e estruturais nos neurônios. Essas variações são possíveis graças a uma cadeia de reações que envolvem diversas moléculas, entre elas os íons de cálcio e algumas enzimas e neurofinas. O resultado final desses processos é a potencialização das sinapses. Esta confirmação deverá fortalecer e dar impulso à recente teoria neurocientífica segundo a qual o cérebro não envelhece e se renova constantemente enquanto o indivíduo se manter no aprendizado de novas coisas. Nesse sentido, as primeiras conclusões é que certos aprendizados são mais eficazes do que outros na preservação da juventude cerebral. Entre os mais eficazes estão o aprendizado da música, sobretudo a instrumental e o canto, e o aprendizado da informática. Imagens do cérebro Os mistérios da mente e do cérebro pouco a pouco se desvelam a nossos olhos graças aos progressos da ciência. Novas técnicas fotográficas, por exemplo, são capazes de produzir imagens nunca antes observadas do emaranhado constituído por nossos neurônios e do seu funcionamento. A galeria abaixo é composta de uma seleção de 10 imagens extraordinárias, não apenas pelo seu valor científico, mas também pela sua beleza. oásis . neurociência 8/37 1 Os caminhos do cérebro Um rapaz de 20 anos possui cerca de 176 mil quilômetros de circuitos cerebrais organizados entre o encéfalo e a medula espinal. Trata-se daquela “massa cinzenta” – o conjunto dos circuitos de fibras nervosas – que coloca em conexão as centenas de bilhões de neurônios presentes em nosso cérebro. Esse extraordinário “emaranhado” de fios nervosos é o responsável pela passagem de informações entre as várias áreas cerebrais. Ele é, também, o principal alvo de algumas patologias degenerativas como o Mal de Alzheimer, que destrói progressivamente as células cerebrais provocando a perda da memória e de muitas outras funções cognitivas. Nesta imagem, em cores falsas, a substância cerebral é visualizada através do “imaging” do tensor de difusão (DTI), uma técnica de neuroimagem que evidencia a passagem das moléculas de água no interior dos tecidos. oásis . neurociência 9/37 2 Mergulho no cérebro O delta do rio Nilo quando encontra o mar? Não, o que mostra a fotografia é o que acontece normalmente em nosso cérebro, mas não podemos ver. Através de uma espessa ramificação de artérias (que pode parecer um grande rio e seus afluentes), o sangue rico de oxigênio é distribuído a cada um dos ângulos do cérebro. O que vemos na foto é uma arteriografia, um exame que avalia o estado de saúde dos nossos vasos sanguíneos. Com um cateter extremamente fino, introduzido com anestesia local em uma artéria, injeta-se um líquido de contraste que se mostra opaco ao raio x e portanto bem visível, em branco, nas chapas radiográficas (embora nesta foto tenham sido usadas cores falsas). O procedimento é um tanto invasivo, porém muito útil para se detectar obstruções ou lesões arteriais perigosas que poderiam causar, por exemplo, um derrame cerebral. oásis . neurociência 10/37 3 “Cola” inteligente Em relação aos neurônios – protagonistas indiscutíveis e unidades básicas do funcionamento do cérebro – as células da glia (também chamadas neuroglia ou simplesmente glia, palavra grega para “cola”, ou gliócitos, são células não neuronais do sistema nervoso central que proporcionam suporte e nutrição aos neurônios). Tais células, aqui vistas numa micrografia de imunofluorescência, durante muito tempo foram relegadas as papel de simples suportes físicos do sistema neuronal. Mas a sua função de nutridoras das células cerebrais é fundamental para o correto funcionamento da comunicação sináptica. Esse colante natural isola e protege os neurônios dos agentes patógenos, mantendo-os no seu devido lugar ao preencher os espaços entre um neurônio e outro, além de regular a quantidade de importantes substâncias químicas como o potássio, que desempenha um papel essencial na química da transmissão neuronal. Os especialistas suspeitam que sua contribuição no processo de análise das informações cerebrais ainda não é bem conhecido, e pode ser muito mais importante do que atualmente se sabe. oásis . neurociência 11/37 4 Com a boca na botija A ação existe, embora não seja visível. Esse neurônio, com efeito, foi “capturado” (e redesenhado no computador) no momento exato em que estava para transmitir um sinal. O nosso cérebro contem bilhões de neurônios que se comunicam e trocam informações através das sinapses (conexões elétricas). Tais mensagens químicas são fundamentais para a formação dos pensamentos, o controle dos movimentos do corpo e os nossos comportamentos. Segundo um recente estudo, seria exatamente a atividade elétrica a influenciar a “linguagem” dos neurônios. Alterando essa atividade, que se inicia no sistema nervoso central, os pesquisadores descobriram que pode-se modificar o modo através do qual os neurônios “conversam” entre si. Tais descobertas poderão no futuro próximo serem utilizadas para corrigir alguns distúrbios psiquiátricos e cerebrais como a esquizofrenia, a depressão e o mal de Parkinson. Foto: Graham Johnson, Graham Johnson Medical Media, Boulder, Colorado oásis . neurociência 12/37 5 Girassóis geniais Os neurônios do cerebelo também são chamados de células de Purkinje (em vermelho na micrografia feita com luz confocal): se para fazer trabalhar o cérebro de um adulto são necessários 150 bilhões de neurônios, os quais criam cerca de 20 mil interconexões, para o cerebelo as células de Purkinje conseguem produzir até 200 mil. A existência dessas conexões, ou sinapses, foi descoberta no final do século 19 pelo fisiologista inglês Charles Scott Sherrington: não se trata na verdade de conexões físicas, já que entre dois neurônios interpõe-se sempre uma fissura microscópica. Para superar esse obstáculo, os sinais são capazes de mudar sua natureza e passar de elétricos a químicos. oásis . neurociência 13/37 6 Ida e volta das informações O escaneamento a ressonância magnética coloca em destaque os caminhos das informações no cérebro. Torna-se visível, particularmente, o tecido neural chamado de “substância branca” ou “massa cinzenta”, constituído principalmente de axônios revestidos de mielina e presente no cérebro e na medula espinal, garantindo a cooperação entre os dois hemisférios cerebrais. Em azul são visualizados os percursos neurais que vão do alto para baixo; em verde os que vão da frente (à esquerda) para trás (à direita); enfim, as linhas vermelhas evidenciam os percursos que vão de um hemisfério ao outro. A massa cinzenta preside a coligação e a interação dos estímulos motores. oásis . neurociência 14/37 7 Um olho dentro do corpo Uma imagem assim tão detalhada do cérebro de um homem só foi possível a partir da introdução de uma metodologia revolucionária que mudou todo o modo de se fazer diagnósticos: a ressonância magnética nuclear. Essa técnica é baseada nos efeitos de um campo magnético de alta intensidade sobre os componentes atômicos dos tecidos. As forças geradas pelo campo causam alterações temporárias na disposição desses componentes. Aparelhos especializados registram os diversos sinais eletromagnéticos emitidos por átomos de várias naturezas. Já que não lança mão de radiações ionizantes, esse método é muito menos invasivo do que os demais e, além disso, é muito mais preciso. oásis . neurociência 15/37 8 A imagem de um cérebro sadio A cada dia, novos progressos são feitos por cientistas de todo o mundo, empenhados em descobrir a fundo o funcionamento do cérebro. Tais progressos certamente irão ajudar no tratamento das patologias cerebrais, permitindo o desvendar cada vez mais completo dos mistérios da mente humana. Na foto, a imagem de um cérebro sadio obtida com ressonância magnética. oásis . neurociência 16/37 9 O pensamento em um grão de areia Numa parte do cérebro do tamanho de um grão de areia podem ser encontrados até cem mil neurônios – para um total de cem bilhões de células de um cérebro médio no momento do nascimento: são elas que tornam possíveis a recepção e a retransmissão das informações que consentem a atividade cerebral. Ter a possibilidade de observar a conformação de uma célula nervosa não significa, no entanto, desvendar por completo a complexidade da estrutura e da funcionalidade nervosa. De qualquer forma, é realmente espetacular essa micrografia colorida de um neurônio da retina agarrado a um vaso capilar. oásis . neurociência 17/37 10 Fósforos no cérebro Uma fotografia, às vezes, pode demonstrar que a ciência também é pura arte. Aqui, quem dá um show são as células do plexo coroide: essas projeções de tecido não nervoso estão presentes nas cavidades encefálicas e estão envolvidas na produção do líquido cérebro-espinhal. As colunas verticais visíveis na foto representam exatamente essas células cujas pontas inchadas estão cheias de líquido que, uma vez expelido, circunda e protege o cérebro e a medula espinhal. oásis . neurociência 18/37 oásis . conferência conferência MAPA DO CÉREBRO O mais completo atlas da nossa cabeça 19/37 Como podemos começar a entender de que maneira o cérebro funciona? Da mesma maneira que começamos a entender uma cidade: fazendo um mapa. Nesta surpreendente palestra visual, Allan Jones mostra como sua equipe está mapeando quais genes estão ativos em cada pequena região cerebral, e de que forma no cérebro tudo se interconecta C crosoft – foi criado para a missão de incrementar descobertas a respeito do cérebro humano. Para tanto, ele reúne um formidável grupo de cientistas, e se relaciona com todas as principais instituições congêneres ao redor do mundo. Allan Jones Vídeo: TED-Ideas Worth Spreading Tradução: Francisco Paulino Dubiela. Revisão: Isabel Villan EO (diretor executivo) do Allen Institute for Brain Science, com sede em Seattle, EUA, Allan Jones lidera um ambicioso projeto de construção de um atlas do cérebro humano aberto a todos os interessados, online e interativo. O Allen Institute for Brain Science – do qual um dos principais cofundadores é Paul Allen, da Mi- oásis . conferência 20/37 Tradução integral da conferência de Allan Jones oásis . conferência 21/37 Tradução integral da conferência de Allan Jones Há tempos os homens têm uma fascinação pelo cérebro humano. Nós o traçamos, nós o descrevemos, nós o desenhamos, nós o mapeamos. Da mesma forma como os mapas físicos de nosso mundo que foram muito influenciados pela tecnologia - pensem nos Google Maps, pensem no GPS - a mesma coisa está acontecendo no mapeamento cerebral por meio de transformação. Então vamos dar uma olhada no cérebro. A maioria das pessoas, ao olhar pela primeira vez para um cérebro humano fresco, dizem: “Isso não parece com o que você vê quando alguém mostra um cérebro”. Normalmente, o que vocês veem é um cérebro fixado. É cinza. E essa camada externa, é a zona de vasculatura, que é incrível, ao redor do cérebro humano. Esses são os vasos sanguíneos. 20 por cento do oxigênio que vêm de seus pulmões, 20 por cento do sangue bombeado pelo seu coração, está a serviço desse único órgão. Basicamente, se você apertar dois punhos juntos, ele será um pouco maior do que esses dois punhos. na fase adulta. É aqui onde todos os processos de tomada de decisão acontecem. É o lugar onde você decide agora mesmo se você vai pedir bife para o jantar. Então, se você der uma olhada mais profunda no cérebro, uma das coisas, se você observá-lo nessa seção, o que você pode ver é que não pode realmente ver um monte de estruturas aqui. Mas há realmente um monte de estruturas aqui. Suas células e suas conexões estão todas ligadas. Então, cerca de 100 anos atrás, alguns cientistas inventaram uma marcação que podia identificar células. E isso é mostrado aqui nesse azul bem claro. Você pode ver áreas onde corpos celulares normais estão marcados. E você pode ver que não é muito uniforme. Você vê um monte de estruturas ali. Então a parte externa desse cérebro é o neocórtex. É uma unidade Os cientistas, perto do fim do século 20, aprenderam que podiam rastrear o fluxo sanguíneo para mapear de forma não invasiva onde a atividade estava ocorrendo no cérebro humano. Então, por exemplo, eles podem ver na parte de trás do cérebro, que está virando aqui. Eis o cerebelo. Isso que está mantendo vocês sentados agora. Ele está me mantendo de pé. Está envolvido em movimentos coordenados. Aqui do lado está o córtex temporal. Essa é a área onde ocorre o processamento auditivo primário -então vocês escutam minhas palavras, e as enviam para centros de processamento de linguagem superiores. Em direção à frente do cérebro está o lugar de todos os pensamentos mais complexos, das tomadas de decisão - é o último a amadurecer oásis . conferência 22/37 Tradução integral da conferência de Allan Jones de processamento contínuo, se preferir. Mas vocês também podem ver coisas embaixo dele. Todas essas áreas em branco são as áreas onde as conexões estão passando. Elas provavelmente são menos densas em células. Então há cerca de 86 billhões de neurônios em nosso cérebro. E como pode-se ver aqui, eles não estão distribuídos uniformemente. E como eles se distribuem contribui muito para sua função subjacente. E é claro, como mencionei antes, como podemos agora começar a mapear a função cerebral, podemos começar a amarrá-las em células individuais. Então vamos dar uma olhada mais profunda. Vamos olhar os neurônios. Como mencionei, há 86 bilhões de neurônios. Há também essas células menores como podem ver. Elas são células de suporte – os astrócitos da glia. E os próprios nervos são aqueles que recebem aferências. Eles estão armazenando, eles estão processando. Cada neurônio está conectado via sinapses com até 10 mil outros neurônios em seu cérebro. E cada neurônio sozinho é muito singular. O caráter singular tanto de neurônios individuais como de neurônios dentro de um aglomerado cerebral é determinada por propriedades fundamentais de sua bioquímica subjacente. Essas são proteínas. São proteínas que controlam coisas como movimento de canais iônicos. Elas controlam com quem as células do sistema nervoso se conectam. E elas controlam basicamente tudo o que o sistema nervoso precisa fazer. Então, se focarmos para um nível ainda mais profundo, todas essas proteínas são codificadas por nossos genomas. Cada um de nós tem 23 pares de cromossomos. Nós recebemos um da mãe e um do pai. E nesses cromossomos estão aproximadamente 25 mil genes. Eles estão codificados no DNA. E a natureza de uma determinada célula que dirige sua bioquímica subjacente é ditada por quais desses 25 mil genes são ativados e em qual nível estão ativados. Então, nosso projeto é tentar verificar essa leitura, e entender quais desses 25 mil genes estão ativados. Para executar um projeto assim, nós precisamos de cérebros, obviamente. Então enviamos nosso técnico de laboratório para fora. Nós estávamos em busca de cérebros humanos normais. Nós começamos na verdade em um instituto médico legal. Esse é um lugar para onde os mortos são trazidos. Nós estamos procurando cérebros humanos normais. Há vários critérios oásis . conferência 23/37 Tradução integral da conferência de Allan Jones pelos quais selecionamos esses cérebros. Nós queremos ter certeza de que temos humanos normais entre as idades de 20 a 60 anos,que morreram devido a morte natural sem danos para o cérebro, sem histórico de doença psiquiátrica, sem drogas envolvidas - nós fazemos um exame toxicológico. E somos muito cuidadosos com os cérebros que levamos. Nós também selecionamos cérebros em que podemos retirar o tecido, podemos conseguir o consentimento para retirar o tecido até 24 horas depois da hora da morte. Pois o que estamos tentando medir, o RNA - que é a leitura de nossos genes - é muito lábil, e por isso temos de agir com rapidez. Uma nota sobre a coleção de cérebros: devido à maneira como os coletamos, e por que pedimos consentimento, nós temos muito mais cérebros de homens do que de mulheres. Os homens tendem muito mais a morrer em acidentes no auge da vida. E os homens tendem muito mais a ter uma companheira, sua esposa, que dá o consentimento, do que o inverso. Então a primeira coisa que fazemos no local da coleta é coletarmos o que chamamos de MR. Isso é imageamento por ressonância magnética - MRI. É uma amostra padrão pela qual vamos basear o resto dos dados. Então coletamos esse MR. E você pode pensar nisso como nossa visão de satélite de nosso mapa. A próxima coisa que fazemos é coletar o que é chamado de imageamento por tensor de difusão. Isso mapeia os cabos principais do cérebro. E de novo, você pode pensar nisso como o mapeamento de nossas rodovias federais, se preferir. O cérebro é removido do crânio, e é então cortado em fatias de 1 centímetro. E elas são congeladas, e são enviadas para Seattle. E em Seattle, nós fazemos isso - isso é um hemisfério humano inteiro - e oásis . conferência o colocamos num tipo de fatiador de carne especial. Há uma lâmina que corta uma seção do tecido e a transfere para uma lâmina de microscópio. Nós vamos aplicar uma das marcações nela, e a escaneamos. E depois o que temos é nosso primeiro mapeamento. Então aqui é onde os experts entram e fazem medidas anatômicas básicas. Você pode considerar como fronteiras entre os estados, se preferir, essas lindas linhas fronteiriças. A partir disso, somos capazes de fragmentar esse cérebro em peças menores, que colocamos em um criostato menor. E isso está mostrado aqui - o tecido congelado, e sendo cortado. Isso tem 6/8 24/37 Tradução integral da conferência de Allan Jones 20 mícrons de espessura, mais ou menos um fio de cabelo de um bebê. E lembre-se, está congelado. E como podem ver aqui, a tradicional tecnologia do pincel sendo aplicada. Nós usamos uma lâmina de microscópio. Então nós a esquentamos com muito cuidado sobre a lâmina. Isso vai depois para um robô que aplica uma dessas marcações nela. E nossos anatomistas vão dar uma olhada mais profunda nisso. Então novamente isso é o que eles veem no microscópio. Vocês podem ver coleções e configurações de células maiores e menores em grupos e lugares variados. E a partir daí é rotina. Eles sabem onde fazer essas medidas. E eles podem fazer basicamente um atlas de referência. Esse é um mapa mais detalhado. Nossos cientistas usam isso para voltar para outra peça desse tecido e fazer a chamada microdissecção por escaneamento a laser. Então os técnicos tomam as instruções. Eles delineiam um lugar ali. E depois o laser o corta. Vocês podem ver esse ponto azul cortando. E esse tecido cai. Vocês podem vê-lo na lâmina de microscópio aqui, isso é o que acontece em tempo real. Há um recipiente abaixo que está coletando esse tecido. Nós pegamos esse tecido, purificamos o RNA dele usando alguma tecnologia básica, e depois colocamos uma marca fluorescente nele. Nós pegamos esse material marcado e o colocamos em algo chamado de “microarray”. Agora isso pode parecer como um monte de pontos para vocês, mas cada um desses pontos individuais representa um pedaço singular do genoma humano que detectamos na lâmina. Esse tem cerca de 60 mil elementos, então nós medimos repetidamente vários genes dos 25 mil genes do genoma. E quando tomamos uma amostra e a hibridizamos, conseguimos uma digital singular, se preferir, quantitativa de quais genes estão ativados naquela amostra. Agora fazemos isso de novo e de novo, esse processo para todos os cérebros. Estamos coletando mil amostras para cada cérebro. Essa área mostrada aqui é chamada de hipocampo. Ela está envolvida em aprendizagem e memória. E ela contribui com cerca de 70 amostras das mil amostras. Então cada amostra nos oferece cerca de 50 mil pontos de dados com medidas repetidas, mil amostras. Então temos aproximadamente 50 milhões de pon oásis . conferência 25/37 Tradução integral da conferência de Allan Jones tos de dados para cada cérebro humano. Nós conseguimos agora dados completos de dois cérebros humanos. Nós juntamos tudo em uma coisa só, e vou mostrar a vocês como se parece a síntese. É basicamente uma grande série de informações que está disponível gratuitamente para qualquer cientista no planeta. Não é preciso fazer cadastro para usar essa ferramenta, analisar os dados, encontrar coisas interessantes com isso. Então eis as modalidades que colocamos juntas. Vocês vão reconhecer essas coisas das que já coletamos antes. Aqui está o MR. Ele fornece a estrutura. Há um operador lateral à direita que permite que você vire, faça um zoom, permite que você destaque estruturas individuais. Mas mais importante, estamos agora mapeando essa estrutura anatômica, que é uma estrutura comum para as pessoas entenderem onde os genes estão ativados. Então os níveis em vermelho são onde um gene está ativado em um nível alto. O verde são as áreas frias onde não está ativado. E cada gene nos dá uma digital. E lembre-se que analisamos todos os 25 mil genes do genoma e temos todos esses dados disponíveis. Então o que os cientistas podem aprender com esses dados? Nós mesmos estamos só começando a olhar para esses dados. Há algumas coisas básicas que vocês gostariam de saber. Dois grandes exemplos são as drogas, Prozac e Wellbutrin. Eles são antidepressivos normalmente prescritos. Agora lembrem-se, estamos analisando genes. Os genes enviam as instruções para fazer proteínas. As proteínas são alvos para as drogas. Então as drogas se ligam a proteínas e as ativam, etc. Então se você quer entender a oásis . conferência ação das drogas, é preciso entender como elas atuam nas maneiras que gostaríamos, e também nas maneiras que não gostaríamos. Seus efeitos colaterais, etc. Você quer ver onde esses genes são ativados. E pela primeira vez, nós podemos fazer isso. Podemos fazer isso em vários indivíduos que analisamos também. Então agora podemos ver através do cérebro. Podemos ver essa digital única. E obter a confirmação. Obtemos a confirmação de que, de fato, o gene está ativado - por algo como o Prozac, em estruturas serotonérgicas, coisas que já se sabia que são afetadas - mas também conseguimos ver o quadro completo. Podemos ver áreas que ninguém havia olhado antes, e vemos esses genes ativados aqui. É um efeito colateral muito interessante. Uma outra coisa que você pode fazer com isso é que você pode, pois é um exercício de comparação de padrões, pois há uma digital singular, podemos escanear o genoma completo e encontrar outras proteínas que mostram uma digital similar. Então se você pesquisa a descoberta de novas drogas, por exemplo, você pode fazer uma lista completa do que o genoma tem a oferecer para encontrar talvez melhores drogas e otimizá-las. A maioria de vocês provavelmente conhece estudos de associação de genomas na forma como as pessoas acompanham as notícias dizendo: “Cientistas descobriram recentemente o gene ou genes que afetam X.” E assim esse tipo de estudos são rotineiramente publicados pelos cientistas e são ótimos. Eles analisam grandes populações. Eles verificam genomas inteiros, e tentam encontrar pontos quentes de atividade 26/37 Tradução integral da conferência de Allan Jones que estão ligados causalmente com genes. Mas o que você obtém com um estudo assim é apenas uma lista de genes. Ele diz o que, mas não diz onde. Assim é muito importante para esses pesquisadores que tenhamos criado esse recurso. Agora eles podem vir e podem começar a ter pistas sobre atividade. Eles podem começar a olhar as vias comuns - outros caminhos que simplesmente não podiam ver antes. Então eu acho que essa audiência em particular pode entender a importância da individualidade. E eu acho que cada humano, todos nós temos contextos genéticos diferentes, todos nós vivemos vidas separadas. Mas o fato é que nossos genomas são mais do que 99 por cento parecidos. Nós somos parecidos no nível genético. E o que estamos descobrindo é que, mesmo no nível da bioquímica cerebral, nós somos muito parecidos. E isso mostra que não é 99 por cento, mas é uma correspondência de 90 por cento em um limite razoável, então tudo na nuvem está correlacionado aproximadamente. E depois encontramos alguns pontos fora da curva, algumas coisas que estão fora da nuvem. E esses genes são interessantes, mas eles são muito sutis. Então acho que é uma mensagem importante para levar para casa hoje que mesmo que celebremos todas as nossas diferenças, nós somos muito parecidos mesmo no nível cerebral. gene que está deletado na esquizofrenia. Esses não são indivíduos esquizofrênicos, mas eles mostram alguma variação na população. E o que vocês estão vendo aqui no doador um e doador quatro, que são as exceções dos outros dois, é que os genes estão sendo ativados em um grupo muito específico de células. É esse precipitado roxo escuro dentro da célula que está nos dizendo que um gene está ativado ali. Se isso é ou não é devido ao contexto genético do indivíduo ou suas experiências, nós não sabemos. Esses tipos de estudos requerem populações bem maiores. Então vou deixar a vocês uma nota final sobre a complexidade do cérebro e quanto ainda precisamos ir. Eu acho que esses recursos são incrivelmente valiosos. Eles oferecem aos pesquisadores uma bússola para onde ir. Mas nós só olhamos para alguns indivíduos até esse ponto. Certamente vamos olhar em mais. Eu vou apenas encerrar dizendo que as ferramentas estão aí, e isso é realmente um continente inexplorado e desconhecido. Essa é a nova fronteira, se preferir. E para aqueles que são destemidos, mas humildes diante da complexidade do cérebro, o futuro aguarda. Obrigado. Agora como essas diferenças se parecem? Isso é um exemplo de um estudo que fizemos para rastrear e ver como eram essas diferenças exatamente - e elas são muito sutis. Essas são coisas onde os genes são ativados em um tipo de célula específico. Esses são dois genes que encontramos como bons exemplos. Um é chamado de RELN - está envolvido com pistas do desenvolvimento inicial. O DISC1 é um oásis . conferência 27/37 ambiente SOS LÊMURES Mansos demais para sobreviver oásis . ambiente 28/37 Um primatologista da Universidade de Antananarivo, no Madagascar, lança o alarme: dentro de 20 anos os lêmures poderão desaparecer por culpa do homem. Para salvá-los da extinção, no entanto, bastam 8 milhões de euros (cerca de 24 milhões de reais) C Por: Equipe Oásis omeçou a contagem regressiva para os lêmures de Madagascar: no decorrer dos próximos 20 anos esses simpáticos primatas endêmicos dessa grande ilha do Oceano Índico poderão estar completamente extintos. Quem lança o alarme é Jonah Ratsimbazafy, primatologista da Universidade de Antananarivo (Madagascar). Sem meias palavras, ele acusa a crise econômica, a ins oásis . ambiente 2/14 29/37 oásis . ambiente 30/37 vência. Vítimas da caça furtiva e ilegal, os lêmures também são ameaçados pela progressiva e constante destruição do seu habitat. A cada ano, em Madagascar, são incendiados mais de 200 mil hectares de florestas. “Nesse ritmo, dentro de 20 a 25 anos não existirá mais nenhuma floresta em nosso país” explica o cientista. Mansos demais para sobreviver Num país onde 92% da população vive com menos de 2 dólares ao dia, os lêmures são caçados inclusive pela sua carne. Fáceis de serem encontrados e aba tabilidade política, a pobreza e a corrupção política avassaladoras em seu país: “Enquanto o Madagascar for assim tão pobre não podemos sequer pensar em salvar os lêmures”, ele declarou há poucos dias à mídia internacional. A notícia é preocupante, pois o Madagascar é o único lugar no mundo onde vivem lêmures em estado selvagem. Esses animais pertencem a 105 espécies diversas, 93 das quais já se encontram na lista das espécies em risco. A concentração dessas espécies numa zona tão pequena do planeta não favorece a sua sobrevioásis . ambiente 31/37 oásis . ambiente 32/37 obrigados a mudar o sítio das plantações a cada ano, deixando atrás de si áreas devastadas e desérticas. E quem paga a conta são os lêmures. Mais frangos, mais lêmures Diversos grupos locais se reuniram para tentar conseguir a soma de 8 milhões de euros (cerca de 24 milhões de reais) necessários para deslanchar um projeto de conservação desses primatas. O objetivo dos ativistas é colocar ao alcance das populações locais fontes de alimentação alternativa, como hortas de folhas e legumes, granjas de frangos e galinhas, porcos e fazendas de peixes. Desse modo, as pessoas não mais seriam obrigadas a tirar seu sustento da depredação das florestas. “Mas os indígenas não costumam pensar a longo prazo, e é difícil mudar sua mentalidade”, comenta Ratsimbazafy. tidos, esses animais mansos e sociais constituem o prato predileto dos que trabalham nas florestas e dos garimpeiros que com frequência penetram no âmago da mata sem levar provisões suficientes. Os policiais ambientais são poucos e não têm nenhuma condição de controlar o massacre. Uma contribuição determinante para o desflorestamento de Madagascar é dada pelos próprios camponeses: o solo do país é muito pobre e os agricultores são oásis . ambiente Os guias que esperam os turistas na entrada da Reserva Natural de Ranomafana, uma espécie de santuário dos lêmures, hoje estão quase completamente desocupados e para ganhar algum dinheiro não hesitam a desempenhar atividades criminosas como o pequeno contrabando e a caça furtiva. Sempre em prejuízo dos simpáticos primatas que deveriam proteger. Vídeo: Belo vídeo do jornal The Guardian e da ONG inglesa Bristol Conservation & Science Foundation, no qual o primatologista Christoph Schwitzer fala da batalha atualmente em curso para salvar os lêmures da extinção. 33/37 oásis . ambiente 34/37 oásis . viagem viagem O CHAMADO DA AVENTURA Vídeo espetacular de uma viagem pelos Estados Unidos 35/37 Shane Black e dois amigos, fotógrafos de Ohio, percorreram com uma minivan, durante dois meses, vários estados norte-americanos, fotografando tudo que viam. Ao final, montaram o maravilhoso vídeo em timelapse que mostramos a seguir. Uma obra-prima do gênero N Por: Shane Black toados no interior de uma velha van, explorando panoramas de tirar o fôlego, compartilhando histórias e risadas, encontrando pessoas maravilhosas e gentis, fazendo novos amigos, encontrando velhos amigos em muitos lugares, compartilhando nosso amor pela fotografia com todos os demais. A viagem me pôs constantemente à prova, já que tínhamos severos limites de tempo em todos os lugares que visitamos. Muitas vezes tive de sair correndo da van, vergado sob o peso do meu equipamento nas costas, para encontrar um ponto a partir do qual a composição da este verão, eu e dois amigos deixamos de lado nossos confortáveis empregos para passar dois meses juntos, viajando através do território norte-americano, fotografando e organizando workshops de fotografia ao longo do caminho. Nós três sentíamos que chegara a hora de sairmos das nossas zonas de conforto... a aventura estava nos chamando. Foi uma viagem de muitas e muitas horas, amon- oásis . viagem 36/37 2/6 imagem poderia ser considerada decente, e finalmente obter a foto pouco tempo depois de descobrir aquele ponto. Foi uma corrida constante contra os caprichos da luz. Durante esses 2 meses atravessamos 32 estados norte-americanos, visitamos 13 parques nacionais e percorremos cerca de 13 mil milhas naquela espécie de velha charanga Dodge Caravan... Mas essa aventura nos deixou forrados de memórias que irão perdurar por muitos anos no futuro. Realmente acho que todos nós devemos viajar para algum lugar e manter nossos olhos abertos para a inesgotável beleza do mundo. Música: Signaling Through The Flames, by The American Dollar facebook.com/theamericandollar Mais informação sobre o trabalho de Shane Black: Facebook: facebook.com/shaneblackphotography Flickr: flickr.com/photos/shaneblack/ 500px: 500px.com/shaneblack Instagram: @shanemichaelblack Email: [email protected] http://vimeo.com/76820114 oásis . viagem 37/37