Anais do SIMCAM4 – IV Simpósio de Cognição e Artes Musicais — maio 2008 Ensino de música para um cérebro em transformação: reflexões sobre a música na adolescência Luciane Cuervo UFRGS [email protected] Resumo: Esta comunicação tem por objetivo problematizar o ensino de música destinado ao adolescente, o qual passa por profundas modificações em seu cérebro e em sua forma de relacionar-se com a sociedade. Aborda características e obstáculos relativos à motivação do adolescente para a aprendizagem sistemática de música, a partir da reflexão sobre a personalidade e transformações psicológicas e neurológicas do indivíduo nessa fase, relacionando-as com seu modo de pensar e fazer música. Levanta a questão: Como pode haver uma significativa resitência à aprendizagem musical nesta faixa etária quando, em seu cotidiano, a música é tão marcante? Serão sugeridas estratégias alternativas para possíveis dificuldades no ensino de música para adolescentes na escola, fundamentadas teoricamente em trabalhos dos neurocientistas Herculano-Houzel (2005) e Sacks (2007), dos psicólogos Inhelder e Piaget (1976) e de educadores musicais, especialmente Eliott (1998) e Palheiros (2006). Serão apresentados relatos da prática docente da autora, como exercício de reflexão teórica. Este trabalho é um recorte da pesquisa de Mestrado em Educação/UFRGS em andamento, a qual investiga a questão da musicalidade no processo de aprendizagem da flauta doce. Palavras-chave: aprendizagem musical, adolescente, flauta doce. 1. Introduzindo o assunto... Os caminhos que me levam à elaboração desse artigo surgem da necessidade constante de criar estratégias de ensino que incentivem e envolvam o aluno adolescente no estudo de música, com o mesmo interesse e engajamento que dedica à música fora da escola. Em minha prática docente em cursos de formação de educadores, coletei relatos de professores de música sobre as dificuldades em manter os alunos adolescentes envolvidos no ensino formal de música na escola. Quando esse objetivo é alcançado, parece difícil mantê-los motivados para a aprendizagem musical. A natureza das dificuldades envolvem fatores sócioculturais, psicológicos, neurológicos e cognitivos em geral, e alguns desses elementos serão discutidos no presente texto. A seguir, refletirei sobre os aspectos mais problemáticos, na minha percepção, do ensino de música para adolescentes. Para isso, busco fundamento teórico nas recentes pesquisas da área de neurologia (Herculano-Houzel, 2005; Sacks, 2007) as quais apontam que, diferentemente do que se afirmava há alguns anos, as características da personalidade do adolescente não devem ser somente relacionadas a questões de ordem hormonal ou cultural, mas a um conjunto de transformações que incluem drásticas mudanças no cérebro deste indivíduo. 2. Em primeiro lugar, quem é esse adolescente? A adolescência é um período complexo e desafiador para quem a vivencia, mas também exige paciência e disposição ao diálogo por parte de quem educa e convive com jovens que se encontram nessa fase. Este é um período no qual predominam alguns conflitos devido à posição desafiadora em relação à família e aos professores, o desrespeito às normas em geral, e a Anais do SIMCAM4 – IV Simpósio de Cognição e Artes Musicais — maio 2008 desmotivação generalizada – mais conhecida como tédio. No entanto, com o auxílio de pesquisas recentes nas áreas principalmente da neurologia, encontramos subsídios para repensar a forma de interagir com os indivíduos nesta fase. Segundo Inhelder e Piaget (1976), a adolescência pode ser considerada como a fase de integração do indivíduo na sociedade adulta, podendo esse período sofrer grande influência do meio. Enquanto a puberdade acontece, mais ou menos na mesma idade em diferentes contextos culturais e sociais, o período relacionado à integração no meio adulto pode ser tão variado quanto os diferentes ambientes sociais conhecidos. Em termos biológicos, ela pode variar entre 10 a 20 anos de idade, incluindo a puberdade, mas segundo HerculanoHouzel (2005), a maturação cerebral não a capacidade de aprender, esta considerada sem limite de idade(!) deve estar completa somente próximo dos 30 anos. Para Herculano-Houzel, a adolescência é a época em que o cérebro da infância se transforma em cérebro de um indivíduo adulto. A atual pesquisa sobre o desenvolvimento humano sofreu uma mudança de foco desde o reconhecimento de que “o cérebro adolescente é fundamentalmente diferente tanto do cérebro infantil quanto do adulto, e que essas diferenças em várias regiões do cérebro podem explicar as mudanças de comportamento típicas dos adolescentes” (HerculanoHouzel, 2005, p. 12). Inhelder e Piaget (1976), ainda na década de 70, apontavam caminhos nessa mesma direção, afirmando que “parece evidente que o desenvolvimento das estruturas formais da adolescência está ligado ao das estruturas cerebrais” (p. 251). Os autores seguem afirmando que, para o meio social atuar efetivamente sobre os cérebros individuais, “é preciso que estes estejam em condições de assimilar as contribuições desse meio, e voltamos à necessidade de uma maturação suficiente dos instrumentos cerebrais individuais” (p. 251). A ocorrência das transformações do cérebro está profundamente ligada ao meio cultural do adolescente, e é essa relação que servirá como base de desenvolvimento da autonomia e a afirmação de sua identidade perante a sociedade. Desta forma, seria incoerente pensar o ensino de música para adolescentes com os mesmos objetivos e metodologia daquele destinado às crianças. Por outro lado, este adolescente ainda não tem a maturidade do adulto, pois está passando por um profundo processo de transformação em seu cérebro, o que se manifesta em seu comportamento. É necessário que o educador musical possua uma postura aberta às características da personalidade, específicas desta faixa etária, bem como construa seu plano de ensino baseado no diálogo e sensibilidade, valorizando a vivência e os gostos de cada um. 3. E o ensino de música na adolescência, como fica na escola? Acredito ser fundamental que o educador demonstre abertura às preferências de seus alunos, mas que também possa interferir na orientação e ampliação destas preferências, para não limitar o ensino de música a poucos artistas ditados pela mídia. Maffioletti (2001, p. 45), comenta a sobre a conseqüência da repetição contínua de músicas, o que acaba estabelecendo um padrão de gosto. E isso define quais serão as estrelas do showbiz do momento, quem serão os artistas mais ouvidos e vendidos. A ampla presença da música na vida dos adolescentes que me cercam, sejam eles alunos, familiares ou amigos, me fez refletir sobre as possíveis causas Anais do SIMCAM4 – IV Simpósio de Cognição e Artes Musicais — maio 2008 da grande desistência ou desinteresse, apontado pela maioria dos educadores musicais em relação ao aprendizado de música nesta faixa etária. Como pode haver uma significativa resistência à aprendizagem musical nesta faixa etária quando, em seu cotidiano, a música é tão marcante? É inegável a importância da música no cotidiano do adolescente, seja ouvindo música, tocando em uma banda de rock, cantando na igreja, dançando na festa ou tocando violão em uma roda de amigos, enfim, nas mais variadas situações a música está presente na vida dos jovens em quase todo o mundo. As diferentes maneiras de ouvir e “usar” música podem estar relacionadas com as funções da música, e podem depender de características pessoais do ouvinte (idade, formação musical), da situação (intenção de ouvir, atenção) e do contexto (físico, social, cultural, educativo) (Palheiros, 2006, p. 309). O desafio que se impõe, no ensino de música para adolescentes, é fazer com que a vivência na escola seja tão rica e apreciada como a vivência informal, fora da escola. Registrei uma situação que pode ilustrar a presença da música na vida do adolescente: Estava saindo de uma observação de aula relativa ao meu mestrado (...), e precisava de uma informação sobre a condução correta a tomar. Resolvi perguntar aos jovens que estavam saindo da escola pública de ensino médio, mas absolutamente todos, ou seja, 100% dos estudantes que por mim passaram durante os 15 minutos de espera, estavam ouvindo música por meio de Mp3. Completamente absortos em trilhas sonoras de suas vidas, não viam nem ouviam nada além de seu mundo próprio. (Diário de campo, 08/11/2007). Sacks critica este tipo de hábito, acrescentando que atualmente “estamos cercados por um incessante bombardeio musical, queiramos ou não”, e isso acarreta temíveis conseqüências, como a “grave perda de audição encontrada em parcelas cada vez maiores da população” (Sacks, 2007, p. 57). Talvez a visão de Sacks seja um pouco pessimis, já que esse fator negativo poderia ser resolvido com a orientação sobre a importância de uma redução do volume (intensidade), ainda que não deva ser uma solicitação simples a um indivíduo que precisa de alguns excessos para obter satisfação. O próprio autor afirma ser agradável e estimulante a audição musical como resultado do aumento de dopamina no núcleo acumbens1 e de contribuição do cerebelo na regulação das emoções Acredito que a satisfação do adolescente em ouvir música não foi ainda produtivamente explorada, em todo seu potencial, pelos educadores musicais. Constata-se, na prática, que o ensino teórico da música é bastante valorizado em sua riqueza de conteúdo e quantidade de informações. Herculano-Houzel afirma que o cérebro adolescente possui como característica fundamental o fato de que “primeiro ele faz, e só depois encontra uma explicação consciente para o que fez” (2005, p. 148). Assim, podemos imaginar quão pequeno deve ser o engajamento de um adolescente para com um ensino de música que prioriza a teoria, os conhecimentos literários/históricos ou a simples descrição de elementos da estrutura musical. Para Elliot (1998, p. 15), “a musicalidade se demonstra em ações, não em palavras. É uma forma de conhecimento prático”. Um exemplo oposto a esta colocação ocorria em uma escola pública de música em Porto 1 Núcleo Acumbens: é um órgão neurotransmissor que possui como função a estimulação cerebral, tendo associado a ele respostas motoras e controle de liberação de dopamina (ligado ao sistema de recompensa). Anais do SIMCAM4 – IV Simpósio de Cognição e Artes Musicais — maio 2008 Alegre2, onde o tipo de ensino empregado há décadas exigia que os alunos cursassem dois anos de teoria até obter permissão do professor para tocar um instrumento musical. Entre os jovens, a desistência era enorme! Piaget investiga as ações do sujeito sobre o objeto, refletindo sobre os processos de fazer e compreender, onde constata que (...) a tomada de consciência parte, em cada caso, dos resultados exteriores à ação, para, somente em seguida, engajar-se na análise dos meios empregados e, por fim, na direção das coordenações gerais (...), isto é, dos mecanismos centrais, mas antes de tudo, inconscientes da ação (Piaget, 1978, p. 173). Uma experiência vivenciada por mim talvez possa indicar algumas pistas dessa divergência entre interesses e conteúdos. Ao cursar o ensino médio em uma escola pública estadual (RS) onde era oferecida a disciplina de música em um turno oposto ao meu, resolvi assistir a uma aula a fim de avaliar se trocaria de turno para estudar música. No entanto, ao entrar na sala de aula, percebi que o quadro negro estava repleto de informações contendo todos os nomes dos instrumentos da orquestra sinfônica, divididos por naipes. Ao questionar uma colega sobre a função daquelas palavras, ela me relatou que se tratava do “conteúdo da prova” que ocorreria na semana seguinte. Conversando sobre as demais atividades da aula de música, constatei que eles nunca ouviam ou faziam música, e que o ensino era baseado somente em conteúdo teórico. Na mesma hora 2 A Escola de Música da OSPA - Orquestra Sinfônica de Porto Alegre fechou suas portas nos últimos anos por falta de recursos financeiros. desisti da idéia de estudar à tarde, pois aquele ensino de música era tudo o que eu não queria experimentar. Paralelamente, segui tocando na banda formada por alunos da escola e que ensaiava informalmente no centro estudantil, dedicada especialmente ao reggae, e por todo ensino médio não tive contato, dentro da sala de aula, com a música. Hoje, como educadora, percebo quão descritivo era esse ensino e como, de fato, deveria ser desestimulante para os alunos. 4. Que tédio...considerações sobre a desmotivação na adolescência Palheiros realizou um estudo para examinar as relações entre ouvir música na escola e em casa, comparando crianças britânicas e portuguesas de dois níveis de idade e graus de ensino: estudantes da escola primária de 9 e 10 anos, e das escolas secundárias, de 13 e 14 anos de idade. Entre os vários aspectos analisados, destaco a questão da desmotivação com relação ao aprendizado musical na escola, constatada pela pesquisadora: Alguns participantes mais velhos, que tinham deixado de aprender o instrumento que tocavam na escola primária, comentaram sobre um decréscimo na sua motivação para a música. Pareciam preferir aulas com grau de dificuldade compatível com a percepção de suas capacidades. (Palheiros, 2006, p. 319). A referida “dificuldade compatível com a percepção de suas capacidades” comentada por Palheiros, pode estar relacionada à construção de um ego frágil que busca recompensar a baixa auto-estima decorrente de uma crise de identidade com a adoção de comportamentos narcisistas, fúteis ou Anais do SIMCAM4 – IV Simpósio de Cognição e Artes Musicais — maio 2008 de risco. Não seria possível falar de ensino de música para adolescentes sem mencionar a enorme transformação e afirmação de identidade inerente a essa fase. Segundo Oliveira, é por meio da formação de tribos tipicamente urbanas, modismos e idolatria de personalidades, que os adolescentes “exercitam as relações socioafetivas, criam códigos de comunicação e atitudes”. No entanto, na busca pela semelhança a seus pares enquanto desejam a diferenciação dos demais, “se deparam com imagens ilusórias que podem favorecer o comportamento de risco e o acirramento das divergências sociais” (Oliveira, 2007, p. 20). No contexto da construção de identidades individuais e coletivas, o repertório musical selecionado – e a forma como é feita essa seleção – pode ser um elemento crucial no sucesso de um projeto de educação musical para adolescentes (ver Cuervo, 2004). Através de pesquisas sobre performance musical de crianças e jovens, Swanwick (2003, p. 72) afirma: “Existe, portanto, maior aceitação, entre alunos mais jovens, de uma seleção mais ampla de idiomas musicais, incluindo aqueles encontrados nas escolas e apresentados em materiais de instrução”. Este autor compara a maior aceitação demonstrada pelo aluno mais jovem, em oposição à grande exigência, em termos de repertório, que o adolescente impõe. Segundo Elliot (1998, p. 26), “a medida que o nível de musicalidade de um estudante avança em complexidade para satisfazer as demandas de obras cada vez mais desafiadoras”, todos os aspectos da consciência são impelidos a seguir adiante. Neste sentido, para o autor, o papel do educador musical é o de proporcionar uma relação equilibrada entre os desafios musicais apropriados para cada passo do caminho. A relação entre a motivação do adolescente e as alterações do seu comportamento é direta: eles sofrem uma queda brusca na produção de receptores de dopamina (cerca de 1/3), e isso explicaria o “tédio” que relatam ou expressam. A necessidade de suprir esta lacuna com atitudes radicais, podem levar a comportamentos extremos. Como resultado surge “uma súbita incapacidade de estímulos outrora interessantes de causar ativação suficiente do sistema de recompensa” (Herculano-Houzel, 2005, p. 100). O “sistema de recompensa” é descrito pela autora como “conjunto de estruturas no cérebro responsáveis por premiar com prazer ou bem-estar aqueles comportamentos que acabaram de se mostrar úteis ou interessantes. (...) A ativação do sistema de recompensa é o que nos faz querer mais tudo o que foi ou pode ser bom” (p. 96). 5. Sons Fortes e Graves! Talvez não haja característica mais marcante na escuta musical do adolescente que a súbita apreciação de fortíssimo volume. Mas essa é mais uma questão complexa a ser tratada quando a música entra na escola. Como adaptar esta preferência em um ambiente no qual se preza o silêncio, ou, pelo menos, a menor invasão sonora possível entre as salas de aula? A necessidade de ouvir música alta foi abordada também no trabalho de Herculano-Houzel (2005, p. 104): “A preferência de dicotecas, raves e shows de rock por sons graves e quase ensurdecedores, portanto, parece ter sido feita de ecomenda para fornecer estimulação vestibular”3. A autora relaciona o hábito de ouvir música alta à necessidade de confortar o sistema de 3 Órgão vestibular é uma estrutura vizinha à cóclea (que é a parte auditiva do ouvido); em pesquisas recentes, foi descoberto que o órgão vestibular também possui função auditiva. (Herculano-Houzel, 2006, p. 103). Anais do SIMCAM4 – IV Simpósio de Cognição e Artes Musicais — maio 2008 recompensa, o qual passa por uma baixa em sua sensibilidade. Essa peculiaridade do adolescente não passa somente por um gênero de música. Se o jovem gosta da obra de Beethoven, por exemplo, talvez sinta uma vontade irresistível de ouvir alguma de suas sinfonias no volume máximo... No ensino de flauta doce é muito comum a insistência, por parte de um “programa” a ser desenvolvido, de que os alunos tenham contato apenas com a soprano, o que faz com desconheçam a riqueza que o aprendizado do quinteto de flautas pode propiciar. Está constatado por pesquisas que o adolescente prefere os sons mais graves (Herculano-Houzel, 2005), por isso talvez seja mais gratificante a prática com a flauta doce tenor, por exemplo, no lugar da soprano. A tenor possui uma sonoridade grave e aveludada, além de ser mais potente e possuir o mesmo sistema de leitura e digitação da soprano, facilitando seu emprego. Também torna-se estimulante o contato com a contralto, em fá, a qual proporcionará o aprendizado do mesmo sistema utilizado pelas flautas sopranino e baixo, esta última podendo ser lida na clave de fá. Essas oportunidades vêm ao encontro de propostas desafiadoras, motivando o adolescente a ampliar sua prática musical coletiva na escola, geralmente limitada à execução da aguda soprano. 6. Algumas considerações finais... Percebo a necessidade de tornar o ensino formal de música mais interessante e instigador para o aluno adolescente, a fim de abarcar as singularidades dessa fase do ser humano. A adolescência não deve ser vista como uma “fase a ser amenizada”, mas potencializada em suas melhores características: a inquietude, a descoberta de novos limites, a busca pela solicialização e aceitação, o gosto pela experimentação e a necessidade por novidade. A investigação e reflexão sobre o ensino para a adolescência torna-se fundamental para a reestruturação de um planejamento pedagógico-musical que busque promover a motivação e o envolvimento desse adolescente nas atividades de educação musical na escola. 7. Referências CUERVO, L. A. Construção do Repertório para Flauta Doce em um Projeto de Inclusão Social. In: ENCONTRO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE EDUCAÇÃO MUSICAL, 13., 2004, Rio de Janeiro. Anais... Rio de Janeiro: ABEM, 2004. p. 630-635. ELLIOT, D. J. Música, Educación y Valores Musicales. In: GAINZA, V. H. (Ed.). La Transformación de La Educación Musical a las puertas del siglo XXI. Buenos Aires: Guadalupe, 1998. p. 11-32. HERCULANO-HOUZEL, S. O Cérebro em Transformação. Rio de Janeiro: Objetiva, 2005. INHELDER, B.; PIAGET, J. Da Lógica da Criança à Lógica do Adolescente: Ensaio sobre a construção das estruturas operatórias formais. São Paulo: Livraria Pioneira Editora, 1976. MAFFIOLETTI, L. de A. 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