1 - Anglo

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HISTÓRIA DO BRASIL – PROFº RODRIGO SIMÃO
HISTÓRIA III
1º PARTE
Introdução:
A Formação de Portugal e a Expansão Marítima
Capítulo I – O interesse pelo Oriente
 Período pré-colonial (1500 – 1530) – O “Achamento”
 As primeiras expedições
 O pau-brasil
 Exercícios
Capítulo II – Estruturas produtivas da Cana de Açúcar
 O Período Colonial
Introdução
Motivos para a implantação da Cana
O sistema de produção da Cana
Tipos de engenhos
 A Escravidão Negra
Principais motivos dessa substituição
O Quilombo de Palmares (1580-1694)
 Pacto colonial
 Sociedade Colonial do Ciclo da Cana
 Atividades complementares
A pecuária
Drogas do Sertão
O tabaco
O algodão
Capítulo III – Administração colonial
 As Capitanias Hereditárias
Motivos para sua implantação
Principais características do processo de implantação das capitanias
Documentação / Legislação
Principais motivos para o relativo fracasso das capitanias
 As Câmaras Municipais
Definição
Principais características das Câmaras Municipais
 O Governo-Geral
A estrutura Política e Jurídica
Os principais governadores
 A Companhia de Jesus no Brasil
 A União Ibérica (1580-1640)
Definição
Professor Rodrigo Simão
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HISTÓRIA DO BRASIL
Conseqüência da União Ibérica
Ordenação Filipina 1603
A restauração Monárquica
Exercícios
Capítulo IV – Invasões Estrangeiras
 As invasões estrangeiras
 As invasões francesas
França Antártica (1555-1567)
França Equinocial (1612-1615)
 As invasões Holandesas
Principais Motivos
Invasões Holandesas a Salvador-Bahia (1624-1625)
Invasões Holandesas a Recife-Pernambuco (1630-1654)
Governo Nassau
 Primeira Insurreição Pernambucana ou Guerra da Luz Divina (1645-1654)
Conseqüência da expulsão
Exercícios
Capítulo V – expedições para o interior e Ciclo do Ouro
 Entradas e Bandeiras
 A Exploração Aurífera
Introdução
Os impostos
 O tratado do século XVIII
A administração do Marquês de Pombal (1750-1777)
 A cultura do século XVIII
Capítulo VII – As Revoltas da crise da Sistema Colonial
 As Revoltas Nativista
Aclamação de Amador Bueno (São Paulo 1641)
A Revolta de Beckman (Maranhão 1681-1684)
Guerra dos Emboabas (Minas Gerais 1708-1709)
Guerra dos Mascates (Pernambuco 1710) Olinda X Recife
Revolta da Vila Rica (Minas Gerais 1720)
 Revoltas Separatistas ou Emancipacionistas
Conjuração Mineira (1789)
Conjuração Carioca (1794) – Conjuração Fluminense ou Revolta do rio de
Janeiro
Conjuração Baiana (1798) – “Revolta dos Alfaiates”
Revolução Pernambucana
2
Prof. Rodrigo Simão
1434, o navegador Gil Eanes conquista a região
do Cabo Bojador, tendo à sua frente as ilhas
Canárias. Paralelamente, as ilhas do Atlântico
africano (arquipélagos de Madeira, Açores e
Cabo Verde), vão sendo anexadas por Portugal.
Nesses arquipélagos, Portugal introduziu a
agricultura açucareira e a pecuária, com mãode-obra escrava e sistema de capitanias
hereditárias. Na costa sul-africana, o português
Diogo Cão atinge a foz do rio Congo e a região
de Angola em 1485. Este contorno da África foi
completado em 1488, quando Bartolomeu Dias
atingiu o Cabo da Boa Esperança, anteriormente
chamado de Cabo das Tormentas. No entanto, o
apogeu do "ciclo oriental", ocorre somente
quando Vasco da Gama atinge a costa da Índia
em 1498, seguida pela expedição cabralina, que
chega ao Brasil em 1500. Com a intenção de
formar um grande império no Oriente, os
portugueses, ainda atingem a região do Golfo
Pérsico (Aden), prosseguindo pela Índia até a
ilha do Ceilão e atingindo a Indonésia, onde foi
conquistada a importante ilha de Java. Com a
conquista de Macau no litoral da China, os
portugueses firmaram diversos acordos com
importantes centros comerciais da China e do
Japão entre 1515 e 1520. A corrupção
administrativa
e
os
excessivos
gastos
burocráticos e militares, associados à queda nos
preços
dos
produtos
orientais,
foram
determinantes para o declínio do comércio
português no Oriente, a partir da década de
1530. Com a penetração de outros países no
comércio oriental, o império lusitano, já
controlado pela Espanha, conhecerá seu
desmantelamento entre os séculos XVI e XVII.
INTRODUÇÃO:
A Formação de Portugal
e a Expansão Marítima.
1° – O Pioneirismo Português
Se fizermos um paralelo entre a realidade
sócio-político-econômica de Portugal e Espanha
encontraremos a resposta para o pioneirismo
português na expansão marítima, mesmo
porque, esse pioneirismo deve ser explicado,
frente ao atraso da Espanha. Em primeiro lugar
deve ser destacada a precoce formação de uma
Monarquia Nacional em Portugal (desde 1385
com a Revolução de Avis – formação do 1º
Estado Nacional), enquanto a Espanha somente
alcançará essa condição em 1469, com o
casamento dos reis católicos Fernando de
Aragão e Isabel de Castela. A situação de paz
externa e interna do reino português e uma
dinâmica burguesia mercantil aliada ao Estado,
também foram fatores decisivos para o
pioneirismo marítimo luso. Os reinos da Espanha
ainda continuavam participando da longa Guerra
de Reconquista contra os mouros, que terminou
somente em 1492 com a derrota muçulmana em
Andaluzia na cidade de Granada. Além desses
fatores, temos o apoio do Estado português aos
estudos náuticos a cargo do infante D. Henrique,
que transformou a cidade de Sagres em um
grande centro de estudos náuticos por volta de
1418, surgindo a Escola de Sagres (centro de
informações náutica de Portugal). Destaca-se
ainda a posição geográfica privilegiada de
Portugal, situado na rota e na escala mar
Mediterrâneo-Atlântico, que atinge o mar do
Norte e valiosos centros comerciais dessa
região. Vale ressaltar que a pesca do bacalhau
nos mares do norte colaborou decisivamente
com o desenvolvimento da tecnologia de
navegação portuguesa promovendo a criação de
uma das embarcações mais versáteis da época
da
expansão
marítima,
a
caravela.
O
desenvolvimento da caravela, a assimililação de
tecnologias como a bússola e o astrolábio, a
busca por metal (interesses mercantilistas), as
crises européias, associados a superação de
inúmeros mitos colaboraram definitivamente
com o processo de expansão marítima.
3° - O Ciclo Ocidental e os Novos
Horizontes.
Após a chegada de Colombo a América em
12 de outubro de 1492, os espanhóis
prosseguiram em sua expansão em busca de um
novo caminho marítimo para as Índias. Nesse
contexto, o almirante Vicente Pinzón, um dos
companheiros de Colombo, atingiu a foz do rio
Amazonas entre 1499 e 1500. O navegador
florentino Américo Vespúcio realiza quatro
viagens à América, confirmando que Colombo
havia chegado em um novo continente, mas
esteve sediado na parte insular do “Novo
Mundo”. O objetivo de atingir o oceano Pacífico,
efetiva-se somente em 1513, com Vasco Núnes
Balboa. Os resultados deste feito não foram os
esperados, pois além da distância com o Oriente
ser considerável, nesta ocasião, os portugueses
já formavam um vasto império na região
oriental. A primeira viagem de circunavegação
da terra é iniciada em 1519 pelo navegador
Fernão de Magalhães(contratado pela Espanha),
sendo concluída pelo espanhol Sebastião del
Cano em 1522. A primeira área importante para
o colonialismo espanhol, foi o antigo Império
Asteca, conquistado sob o comando de Fernão
Cortéz ou Hernán Cortéz, seguido por Francisco
Pizarro, que conquistou o Império Inca. Nessas
regiões, inicia-se uma grande exploração de
OBS: Em 1415 os portugueses venciam os mouros e
tomavam a cidade de Ceuta no norte da África. Em
1492 a Espanha, através do navegador genovês
Cristóvão Colombo chagava na parte insular da
América Central (República Dominicana/São Salvador).
Dois marcos importantes que inauguram a expansão
ultramarina, liderada por Portugal e Espanha.
2° - O Ciclo Oriental ou Périplo Africano
Conhecido
como
"ciclo
oriental"
os
empreendimentos
marítimos
portugueses
prosseguem rapidamente pela costa atlântica
africana após a tomada de Ceuta, quando em
2
metais valiosos, paralelamente a um grande
extermínio das populações indígenas pelas
tropas espanholas.
4° - A Divisão das Novas Terras
A inevitável rivalidade entre Portugal e
Espanha, pela disputa das terras recém
descobertas, determina uma série de acordos
entre os reinos ibéricos.
Pelo Tratado de Toledo em 1480, Portugal
cedia à Espanha as ilhas Canárias e recebia o
monopólio do comércio e navegação no litoral
africano ao sul da linha do Equador sendo
estabelecido um paralelo passando exatamente
pelas Ilhas Canárias e estabelecendo que todas
as terras por serem descobertas abaixo das
Canárias seriam portuguesas, protegendo os
interesses portugueses quanto ao Périplo
Africano. Em 1492-93 o papa Alexandre VI de
nacionalidade espanhola estabeleceu para a Bula
Inter Coetera, um meridiano divisório, que
passaria 100 léguas a oeste de Cabo Verde,
onde a Espanha ficaria com as terras situadas a
oeste (recebendo toda América), enquanto que
Portugal ficaria com a porção leste (Oceano
Atlântico). Essa pseudo divisão provocou uma
forte reação de Portugal, dando origem a
rejeição da Bula e a criação do tratado de
Tordesilhas, que estabelecia uma nova linha
imaginária (meridiano) passando, agora, 370
léguas a oeste das ilhas de Cabo Verde.
Para as terras orientais foi assinado o
tratado de Saragoza em 1529, criando também
uma linha imaginária e divisória que passaria
pelas proximidades da região das ilhas Molucas.
Na prática era uma espécie de extensão do
tratado de Tordesilhas pelo restante do globo,
uma vez que àquela data a esfericidade da terra
já havia sido provada.
Essa série de acordos, provoca uma forte
reação das regiões marginalizadas, como
Inglaterra, França e Holanda, que a partir do
século XVI, iniciam uma série de saques e
invasões das possessões ibéricas, inclusive do
Brasil. Atenção queridos alunos, aqui é o
professor Rodrigo Simão para avisar que os
assuntos específicos de Brasil começam agora.
Capítulo I – O interesse pelo Oriente
Pedro Álvares Cabral
A historiografia hoje indica que a armada de
Pedro Álvares Cabral, possuía duas missões:
garantir os interesses portugueses nas Índias e
tomar posse em caráter oficial das terras
portuguesas na América. Apesar de ter tomado
posse da terra em nome do rei de Portugal, o
principal interesse da monarquia estava voltado
ao Oriente, onde estavam as tão cobiçadas
especiarias. Além disso, a não descoberta de
ouro imediatamente no Brasil impedia o desvio
dos investimentos rentáveis com as especiarias
para iniciar a colonização do Brasil. Por esse
motivo o Brasil sofreu um relativo abandono
durante os anos dos primeiros contatos entre
nativos e europeus. No entanto, a decadência
das especiarias, o medo de perder as terras
americanas e a descoberta de ouro na América
espanhola forçou Portugal a iniciar a colonização
por meio da expedição de Martim Afonso de
Souza e com apoio da iniciativa privada.
OBS: Existem muitas polêmicas quanto ao
descobrimento do Brasil, mas sabe-se que no ano de
1498 o diário de bordo de Duarte Pacheco já registrava
as terras brasileiras. Esse documento acabou editado e
posteriormente ganhou o título de “Esmeraldo de Situ
Orbis”.
Período Pré-Colonial (1500-1530) –
O “Achamento”
A Carta de Pero Vaz de Caminha fala em
“achamento” destas terras, não fala em
“descobrimento” ou “casualidade”. Atualmente
defende-se a teoria da “Intencionalidade”, ou
seja,
que
o
Brasil
foi
descoberto
intencionalmente.
A
antiga
teoria
da
“Casualidade”, atualmente já não é aceita pela
maioria dos historiadores.
“Na terça-feira à tarde, foram os grandes
emaranhados de “ervas compridas a que os
mareantes dão o nome de “rabo-de-asno”.
Surgiram flutuando ao lado das naus e sumiram
no horizonte. Na quarta-feira pela manhã, o vôo
dos fura-buchos – uma espécie de gaivota –
rompeu o silêncio dos mares e dos céus,
reafirmando a certeza de que a terra se
encontrava próxima. Ao entardecer, silhueta dos
contra o fulgor do crepúsculo, delinearam-se os
contornos arredondados de “um grande monte”,
cercado por terras planas, vestidas de um
arvoredo denso e majestoso”.
3 Prof. Rodrigo Simão
Prof. Rodrigo Simão
Era 22 de abril ale 1500. Depois de 44 dias
de viagem, a frota de Pedro Álvares Cabral
vislumbrava terra - mais com alívio e prazer do
que com surpresa ou espanto. Nos nove dias
seguintes, nas enseadas generosas rio sul da
Bahia, os 13 navios da maior amada já enviada
às índias pela rota descoberta por Vasco da
Gama permaneceriam reconhecendo a nova
terra e seus habitantes.
O primeiro contato, amistoso como os
demais, deu-se já no dia seguinte, quinta-feira,
23 de abril. O capitão Nicolau Coelho, veterano
das Índias e companheiro de Vasco da Gama, foi
a terra em um batel e deparou-se com 18
homens “pardos, nus, com arcos e setas nas
mãos”. Coelho deu-lhes um gorro vermelho,
uma carapuça de linho e um sombreiro preto.
Em troca, recebeu um cocar de plumas e um
colar de contas brancas. O Brasil, batizado Ilha
de Vera Cruz – depois Terra de Santa Cruz e
finalmente Brasil -, entrava, naquele instante,
no curso da História Europeia.
Os Tupiniquins: Ao longo dos dez dias que
passou no Brasil, a armada de Cabral tomou
contato com cerca de 500 nativos. O primeiro
grupo indígena que acabou entrando em contato
com os europeus foram os Tupi-Guarani, pois
habitavam a zona litorânea e naturalmente
foram os primeiros silvícolas aculturados,
dizimados
ou
expulsos
das
terras
que
habitavam.
o tratado de Tordesilhas que demarcava as
possessões
portuguesas
na
América.
Sarcasticamente o rei francês lhe retornou um
comunicado perguntando: “onde estava o
testamento de Adão que dizia que o mundo seria
repartido
entre
Portugal
e
Espanha?”
Finalmente, a expedição de Martim Afonso de
Souza iniciou a colonização do Brasil, zarpando
em 1530 de Portugal e fundando a primeira Vila,
São Vicente, em 1532 (litoral de São Paulo).
Antes de fundar a Vila de São Vicente, Martim
Afonso teve que concluir outras missões como:
fazer uma vistoria no litoral brasileiro, organizar
expedições ao interior, ir até a foz da Bacia
Platina e colocar um marco português no local
(dando a entender que aquela região era uma
possessão portuguesa) e finalmente então
retornou até o litoral paulista para fundar a
primeira Vila.
O Pau-Brasil
As
primeiras
atividades
econômicas
concentraram-se na extração do pau-brasil
segundo o regime de estanco, isto é, sua
exploração estava sob regime de monopólio
régio (do rei). Como era costume, o rei colocou
em concorrência o contrato de sua exploração
(era o arrendamento da exploração do paubrasil ou concessão do direito de estanco), que
foi arrematada por um consórcio de mercadores
de Lisboa chefiado pelo cristão novo Fernão de
Noronha, em 1502. No ano seguinte (1503)
Fernão de Noronha montou uma expedição para
a extração do pau-brasil e fez o primeiro
carregamento do produto. Vale lembrar que a
concessão do direito de exploração só era feita
mediante o comprometimento dos exploradores
com o pagamento de 1/5 do valor explorado
como imposto.
As Primeiras Expedições
OBS: Cristãos Novos eram geralmente os judeus
recém convertidos ao cristianismo. Esses indivíduos
controlavam boa parte da economia portuguesa, mas
mediante a perseguição que sofriam muitos
abandonaram Portugal e suas antigas ocupações
foram transferidas para nobres portugueses, muitas
vezes não tão competentes.
Desenho épico de uma Caravela
Primeiras expedições: Entre 1501 e 1502,
Portugal enviou a primeira expedição com a
finalidade de explorar e reconhecer o litoral
brasileiro (Expedição Exploradora). Com certeza,
nessa expedição viajou o florentino Américo
Vespúcio, que, posteriormente, em carta ao
governante de Florença, Lourenço de Médici, irá
declarar que não encontrou aqui nada de
aproveitável. Apesar disso, constata a existência
do pau-brasil, madeira tintorial conhecida dos
europeus desde a Idade Média e de alto valor no
mercado. Outro tipo de expedição foram as
“Guarda-Costas”. Esse modelo de expedição era
voltada à defesa do litoral da ação de corsários
no
saque
do
pau-brasil,
principalmente.
Destacam-se as expedições de Cristóvão
Jacques em 1516 e 1526. Em 1526 Cristóvão
Jacques capturou corsários franceses saqueando
o litoral brasileiro. Esse evento levou o rei
português a enviar uma carta ao rei da França
questionando se ele por ventura não sabia sobre
No Brasil, foram estabelecidas então as
feitorias, que eram lugares fortificados e
funcionavam, ao mesmo tempo, como depósito
de madeira. Na África as feitorias funcionaram
como mecanismos para o início da colonização,
já no Brasil elas não assumiram essa finalidade,
pois tinham caráter itinerante (não se fixavam)
e isso impedia a formação de núcleos
populacionais definitivos. O pau-brasil era
explorado através do escambo, no qual os
indígenas forneciam a mão-de-obra para corte,
transporte e embarque da madeira, em troca de
objetos de pouco valor para os portugueses, as
bugigangas ou quinquilharias, que eram
basicamente: espelhos, pentes, miçangas,
tecidos coloridos, punhais, machadinhas.
4
OBS: Através de acordos diplomáticos, como o
Tratado de Tordesilhas, Portugal tentou garantir
o controle sobre vastas regiões no Atlântico Sul
– destaque para a teoria do “Mare Clausum”
(mar fechado). Por essa teoria os portugueses
tentavam justificar que nenhuma nação deveria
transitar pelo Atlântico Sul, já que Portugal
controlava tanto a costa leste (África), quanto a
costa oeste (Brasil). No final ninguém respeitou
mesmo...
EXERCÍCIOS
1. (UFES) Dentre as principais razões para o
pioneirismo português na Expansão Marítima dos
séculos XV e XVI podemos destacar:
a) a assinatura do Tratado de Tordesilhas, que
determinava uma colonização de exploração
para o Brasil com predomínio do catolicismo
e com direito à miscigenação.
b) a
conquista
de
Constantinopla
pelos
portugueses e turcos em 1453.
c) a Revolução de Avis e a grande influência da
burguesia.
d) O forte interesse português em áreas
litorâneas, diferente dos espanhóis que
preferiam zonas interioranas.
e) um Estado Liberal descentralizado, voltado
para a atividade da guerra contra os mouros.
2. (FGV) Ir às Índias era o grande objetivo de
Portugal com o Périplo Africano, mas o
descobrimento do Brasil também foi parte do
plano imperial da Coroa Portuguesa, no século
XV. Marque a opção correta com relação ao
estabelecimentos dos domínios portugueses:
a) A França nunca foi uma rival na corrida
colonial durante o século XVI, daí a falta de
interesse português em firmar acordos com
franceses.
b) O Tratado de Tordesilhas estabelecia a
divisão territorial americana entre Portugal e
França.
c) A esquadra de Cabral seguia a mesma rota
de Colombo para chegar às Índias.
d) a posse de terras no Atlântico ocidental
consolidava a hegemonia portuguesa neste
Oceano – o controle do Atlântico sul por
Portugal
ficou
conhecido
como
“Mare
Clausum”.
e) Cabral chegou ao Brasil através de uma
grande casualidade. A descoberta do Brasil
foi mero acaso, provocado pelas intempéries
que desviaram a esquadra da rota da Índia.
b) por não poderem participar dos altos cargos
políticos, os chapetones (descendentes de
espanhóis) iniciaram intensos conflitos com
os indígenas.
c) os criollos enquanto espanhóis legítimos, ou
seja, nascidos na Espanha realmente, nunca
agrediram os indígenas na América.
d) através do escambo, portugueses e indígenas
efetivaram uma relação pacífica, pelo menos
no início da colonização.
e) o estanco era um comércio baseado na troca
de bugigamgas por pau-brasil.
4. (UVV)
"... Diziam os mareantes, que depois
desse cabo não há nem gente nem
povoado algum; a terra não é menos
arenosa que os desertos da Líbia, onde
não há água, nem árvores, nem erva
verde; e o mar é tão baixo, que a uma
légua da terra não há fundo mais que
uma braça."
O texto faz referência à época:
a) das Grandes Navegações no início da
Idade Média;
b) da Revolução Industrial na Idade
Contemporânea;
c) do expansionismo marítimo lusitano;
d) das navegações fenícias;
e) do neocolonialismo.
5. (UFES) A esquadra enviada por D. Manuel,
rei de Portugal, às Índias, sob o comando de
Pedro Álvares Cabral, tinha como objetivo:
a) tomar posse oficialmente do Brasil e
estabelecer uma sólida relação comercial e
política com os povos do Oriente;
b) procurar outro caminho que conduzisse
ao Oriente sem utilizar o Mediterrâneo;
c) combater a pirataria nas Colônias
portuguesas na costa oeste da África;
d) confirmar a existência de minas de
metais preciosos no sul da Ásia;
e) verificar as possibilidades de exploração
de mão-de-obra escrava.
6. (FAESA) Destaca-se como resultado das
descobertas e da expansão luso-espanhola
nos tempos modernos a:
3. (UFMG) Marque a opção correta quanto ao
relacionamento entre índio e portugueses
durante os primeiros contatos:
a) contatos marcados pela agressividade
violência por parte dos silvícolas.
e
5 Prof. Rodrigo Simão
a) diminuição do comércio entre Europa e
Novo Mundo, com a hegemonia do mar
Mediterrâneo;
b) formação de novos impérios na África e
na Ásia, com a ampliação do comércio entre
os dois continentes;
c) defesa das culturas nativas das Américas
pelo Clero e pelo Estado;
d) abertura de uma nova era de navegação
e comércio, não mais concentrada no
Mediterrâneo e sim no Oceano Atlântico com
destaque para a tentativa portuguesa de
controle do mesmo.
Prof. Rodrigo Simão
e) preservação da autonomia política das
nações conquistadas, a exemplo do México e
do Peru.
população que aqui se estabelecia, sobretudo na
zona litorânea.
Motivos para a implantação da cana:
7. (UnB) Pelos dados do mapa abaixo, entendemos
A. alto valor do produto no mercado europeu
B. clima e solo favorável no Brasil (destaque
especial para o solo massapê)
C. experiência portuguesa na produção de cana
nas ilhas atlânticas (Açores e Madeira)
D. forte influência do capital holandês – os
holandeses/batavos/flamengos/neerlandeses
participaram da produção de açúcar no Brasil
financiando os engenhos, fazendo o frete do
produto até a Europa, compravam grande
parte do açúcar português, refinavam,
revendiam e obtinham altos lucros.
E. a cana-de-açúcar também fixaria o colono à
terra.
tratar-se:
O sistema de produção da cana:
A. Plantation – sistema produtivo voltado para o
barateamento da produção. Essa estrutura
produtiva era geralmente controlada por um
feitor ou um mestre de engenho. Era uma
espécie de capataz que supervisionava a
agromanufatura e agia sempre com muito
rigor com os escravos. O capitão-do-mato era
outra espécie de capataz que ficava
encarregado de perseguir os cativos fugitivos,
em alguns casos ele também era negro e
escravo.
B. subdivisões do Plantation: monocultura,
latifúndio, mão-de-obra escrava e produção
voltada para o mercado externo.
a) do roteiro de Martin Afonso de Sousa;
b) da viagem de Cabral;
c) da expedição exploradora de Gaspar de Lemos;
d) de uma das expedições guarda-costas de Cristóvão
Jacques;
Capítulo II - Estrutura Produtiva da
Cana-de-Açúcar.
O Período Colonial
Tipos de engenhos:
A. Engenhocas: caracterizado pela produção de
cachaça
B. Trapiches: caracterizado pelo uso da força
motriz animal
C. Engenhos Reais: caracterizado pelo uso da
roda
d’água
(estrutura
mais
tecnologicamente avançada para a produção
de açúcar).
OBS: o engenho era basicamente composto por uma
casa grande (casa do senhor), senzala (dormitório dos
escravos), capela (núcleo religioso) e pela moenda
(local da agromanufatura da cana).
Mapa das capitanias hereditárias
As Comunidades Nativas
Introdução
A colonização do Brasil foi iniciada
fundamentada no plantio da cana-de-açúcar
entregue à iniciativa privada, pois a Coroa
portuguesa não possuía recursos para financiar
tamanho empreendimento. Por isso mesmo
vamos estudar dentro do período colonial cada
um dos métodos desenvolvidos pela Coroa
portuguesa
para
a
implementação
da
agromanufatura da cana e para gerenciar a
Histórico
As
comunidades
indígenas
chegaram
ao
continente
americano
muito
antes
dos
portugueses, mas ainda não recebem a devida
atenção no reconhecimento de seu legado
histórico,
talvez
até
mesmo
porque
reproduzimos, em grande parte, a visão
etnocêntrica portuguesa.
6
1º - Atualmente existem duas teorias sobre a
chegada dos primeiros habitantes ao continente
americano: a teoria de Bering (entre 50 mil e 12
mil anos atrás) e a do Pacífico ou Tansoceânica
(cerca de 10 mil anos atrás, mas existem
controvérsias).
2º- Os índios (ou gentios, ou ameríndios, ou
silvícolas, ou nativos) estavam espalhados por
todo continente americano no momento do
contato com os europeus e existem indícios de
que seriam cerca de 80 milhões de nativos, que
estavam
em
várias
classificações
de
complexidades
sociais.
Algumas
tribos
receberam destaque como: Astecas, Maias e
Incas.
Essas
comunidades
mantinham
grandiosas
estruturas
administrativas,
arquitetura rebuscada e dominavam grandiosas
extensões territoriais. No entanto, a maioria das
comunidades nativas americanas não possuíam
as mesmas características de Astecas, Maias e
Incas.
No
Brasil,
os
nativos
estavam
enquadrados em condições sociais referentes ao
Paleolítico e o Neolítico, viviam basicamente da
caça, pesca e coleta, apenas parte das
comunidades
já
haviam
desenvolvido
a
agricultura e podiam ser enquadrados como
sedentários. Portanto não podemos generalizar
essas comunidades e talvez seja preciso rever
nossos padrões de referência e entender que
cada tribo pode possuir características únicas.
3º - A antiga visão de um nativo que vivia em
equilíbrio com o meio atualmente é questionada,
pois alguns estudiosos entendem que o gentio
também depredava, mas em escala menor.
Essas comunidades são geralmente dividas em
troncos linguísticos como: Jês, Nuaruaques,
Caraíbas e Tupis. Estes, os Tupis, foram os
primeiros a entrar em contato com os
portugueses
e,
portanto,
os
primeiros
aculturados,
acometidos
por
doenças,
massacrados em conflitos ou que fugiram para o
interior.
4º - Atualmente existem cerca de 220 grupos
tribais no Brasil e em torno de 50 ainda não
fizeram contato. No Espírito Santo temos
núcleos como Comboios, Caieiras Velha e Pau-
Brasil, todos no município de Aracruz. Essas
comunidades brasileiras eram fundamentadas
em uma economia de subsistência, viviam em
propriedades comunais, não tinham divisões de
classes sociais, eram politeístas animistas
(elementos da natureza), o trabalho era dividido
por sexo e idade – homens cuidam da caça, da
guerra, enquanto as mulheres cuidam das
crianças,
da
agricultura,
desenvolviam
atividades
artesanais
e
preparavam
os
alimentos. O pajé e o cacique, geralmente
homens mais velhos da tribo, garantiam a
transmissão dos conhecimentos (oralidade) e
dividiam tarefas.
5º - Inicialmente as comunidades indígenas
tiveram
uma
relação
pacífica
com
os
colonizadores (ou conquistadores?) através do
escambo. No entanto, após o breve momento
inicial, acabaram escravizados ou submetidos
culturalmente. Vale lembrar que quando foi
ratificado o Tratado de Tordesilhas, Espanha e
Portugal
não
levaram
em
consideração
interesses dos gentios, portanto temos aí a visão
europeia: os interesses dos ameríndios não
faziam parte dos ideais dos povos “civilizados”.
As vezes ainda fazemos o mesmo com alguns
seguimentos sociais de pouca representatividade
política. Por fim a escravidão indígena sofreu
restrições e os religiosos acabaram beneficiados,
pois submeteram os nativos aos seus interesses
(não era escravidão) e ampliaram sua força
militar, suas capacidades produtivas e suas
posses. Apesar de todas as restrições impostas
pelos colonizadores, o legado cultural indígena à
sociedade brasileira está vivo nos nossos hábitos
mais cotidianos, como o hábito de dormir em
redes, na nossa dieta alimentar baseada em
frutas, peixes, batatas e milho, bem como nas
numerosas palavras indígenas agregadas ao
nosso vocabulário, entre outras inúmeras
contribuições.
A Escravidão Negra
O trabalho escravo do índio foi utilizado nos
primórdios da colonização, mas com a
implantação do Governo-Geral, começa um
processo de substituição do gentio pelo negro
africano enquanto escravo no Brasil. Atenção
queridos alunos, aqui é o professor Rodrigo
Simão para avisar que as questões de etnia são
sempre muito importantes para o ENEM.
Principais motivos dessa substituição:
A. 1° motivo: o alto lucro gerado pelo tráfico de
escravos à burguesia metropolitana (“O
tráfico justificava a escravidão negra”).
B. 2° motivo: o interesse da Igreja em manter o
índio livre e usá-lo como mão-de-obra em
suas atividades (não como escravo).
Bantos, sudaneses e malês
principais grupos trazidos para
7 Prof. Rodrigo Simão
foram os
o Brasil.
Prof. Rodrigo Simão
Resistiam à escravidão fugindo, formando
quilombos, matando seus senhores, provocando
abortos, suicidando e pelo banzo (espécie de
morte por depressão).
o papel desempenhado por negros em novelas
ou filmes. Geralmente ocupavam papéis como
empregados domésticos, motoristas, entre
outros. Essa massificação não colaborava com a
autoestima e ainda fixava padrões sociais que
não prestigiavam as comunidades negras.
O Quilombo de Palmares (1580 – 1694):
A. localizado na Serra da Barriga – Alagoas
B. formado por um aglomerado de núcleos
populacionais chamados de mocambos.
C. o mocambo mais famoso foi o de Cerca Real
dos Macacos (espécie de capital de
Palmares);
os
mocambos
eram
autossuficientes e tiveram seu auge durante
as invasões holandesas (a instabilidade
facilitava a fuga dos escravos). Geralmente
os quilombos aceitavam índios e brancos
foragidos ou marginalizados. No entanto
existem indícios da existência de escravidão
em vários núcleos quilombolas.
D. líderes: Ganga-Zumba e Zumbi (Ganga –
Zumba tentou fechar um acordo com o
governo, que consistia na entrega dos
escravos recém chegados à Palmares aos
seus devidos “proprietários”. Em troca, o
governo concederia a garantia de liberdade
aos escravos nascidos no quilombo. Não
concordando com o acordo, Zumbi e seus
seguidores assumiram a liderança do
quilombo).
E. Domingos Jorge Velho foi bandeirante que
destruiu Palmares em 1694, mas só matou
Zumbi em 1695 – 20/11/1695 é o dia da
morte de Zumbi, atualmente o dia 20 de
novembro é o Dia Nacional da Consciência
Negra, pela forte simbologia que a figura de
Zumbi tem no movimente de luta pelos
direitos dos negros no Brasil.
O Histórico da Escravidão Negra
Justificativas da Discriminação:
e
3º - Ainda vale destacar que a Constituição de
1988 ratificou o racismo como crime inafiançável
e imprescritível, o que abriu uma série de
questionamentos, que apesar das polêmicas,
procuram encontrar um caminho para uma
sociedade mais justa.
Pacto Colonial
Forma de subordinação da colônia aos
interesses da metrópole. A colônia só podia
vender e comprar da metrópole. Essa relação
também
é
conhecida
como
“Exclusivo
Metropolitano”.
as
1º - A escravidão ganhou força após o contato
entre europeus e africanos, sobretudo durante o
Périplo Africano. Os europeus entraram em
contato inicialmente com o norte da África,
região dominada por povos muçulmanos, e
justificaram a escravidão nesse momento como
uma oportunidade de doutrinação cristã. A
escravidão trouxe muitos lucros e logo a inicial
referencia religiosa deixou de ter peso, pois os
nativos das áreas centro e sul da África não
conheciam a religião muçulmana. Foi então que
surgiu a questão da cor como justificativa, na
prática, a questão financeira sempre foi o maior
interesse.
Sociedade Colonial do Ciclo da Cana
(séculos XVI e XVII)
SENHORES
ESCRAVOS
2º - O legado de discriminação que recaiu sobre
as comunidades negras ainda pode ser
percebido quando alguns relacionam a religião
africana com práticas demoníacas, ou seja,
utilizam uma cultura religiosa de herança
europeia para classificar outra que não
compreendem (Eurocentrismo). Outra relevante
manifestação desse legado de discriminação era
Principais Características:
8
a) bipolar (sem mobilidade social – estratificada
e estamental)
b) rural;
c) patriarcal;
d) aristocrática;
e) escravista;
f) não há desenvolvimento de mercado interno;
g) baixo índice populacional (entre 150 e 300
mil habitantes)
Agregados:
eram trabalhadores livres,
como
carpinteiros,
ferreiros,
artesãos,
boiadeiros, mestres de engenho. Não chegaram
a formar oficialmente uma classe social; viviam
flutuando na sociedade bipolar da cana.
Atividades Complementares
A Pecuária:
A. Desenvolvida no interior do Nordeste
(implantada como auxílio à produção de
cana, no litoral, acabou sendo realmente
expressiva durante o ciclo da cana no interior
da região Nordeste).
B. Servia como força motriz no engenho (mover
a
moenda),
transporte,
comida
e
vestimenta.
C. Era uma atividade voltada para o mercado
interno (por isso não interessa tanto à
burguesia metropolitana).
D. Desenvolvida geralmente com mão-de-obra
de índios ou mestiços.
E. Mão-de-obra geralmente livre
F. Pagamento “in natura” (pagamento em
mercadorias – em reses / rebanhos)
G. Destaque para a pecuária desenvolvida ao
longo do rio São Francisco – também
conhecido como “Rio dos Currais”.
H. No Nordeste a pecuária criou uma sociedade
conhecida como “Civilização do Couro”,
enquanto à partir do século XVIII se
desenvolveu no centro-sul a chamada
“Charqueada”, uma nova atividade pecuarista
que ocupava os pampas gaúchos e usava
tanto mão-de-obra livre, quanto escrava.
Drogas do Sertão:
A. Definição: produtos valiosos no mercado
europeu,
caracteristicamente
tropicais,
também
conhecidas
como
“Novas
Especiarias” ou “Especiarias Americanas”
(urucum, guaraná, ervas medicinais como a
salsaparrilha, castanhas...).
B. A exploração se desenvolveu por toda região
do Norte brasileiro até o Maranhão (destaque
para a exploração ao longo do vale
amazônico).
C. Destaque para a atuação jesuítica na
exploração das drogas do sertão (os jesuítas
tinham isenção de impostos para explorarem
as drogas do sertão, alegavam que os
produtos extraídos eram para fazer caridade
na Europa).
D. Utilização, em grande parte, da mão-de-obra
livre indígena.
O Tabaco:
A. Ocupava o segundo lugar na pauta de
produtos exportados pela colônia.
B. Fumo, aguardente e armas de fogo eram os
principais produtos utilizados no escambo por
escravos na África.
C. Seu cultivo era feito em áreas específicas do
litoral da Bahia e Alagoas.
D. Era frequentemente plantado em currais, pois
desgastava o solo facilmente e o estrume
colaborava como um fertilizante no plantio.
O Algodão:
A. Papel secundário na economia do século XVI
– fornecia apenas roupa para escravos.
B. Produção centralizada na capitania de
Itamaracá – mínima exportação
C. Com a Revolução industrial no século XVIII a
procura
pelo
algodão
aumentou
significativamente, principalmente após a
independência dos EUA em 1776 (ex-colônia
da Inglaterra e seu maior fornecedor de
matéria-prima até então).
EXERCÍCIOS
1 – (FDV – Modificada) A única forma de
ocupação do Brasil por Portugal era através
da colonização. Era necessário colonizar
simultaneamente todo o extenso litoral. Essa
colonização dirigida pelo governo português
se deu através da:
a) criação do sistema de governo geral;
b) criação e distribuição de sesmarias;
c) criação das capitanias hereditárias;
d) doação de terras a colonos;
e) sistema de parceria.
2. (UFMG) O pelourinho, a Igreja, o Forte e a
Cadeia são elementos que caracterizam a
função de uma vila colonial. A primeira vila
assim fundada no Brasil foi a de:
a) São Vicente
b) Salvador
c) Olinda
d) Porto Seguro
e) n.d.a.
3. (UFRJ) Atividade econômica desenvolvida ao
longo do vale amazônico com forte participação
de religiosos, sobretudo jesuítas:
a)
b)
c)
d)
e)
Pecuária
Drogas do Sertão
Algodão
Tabaco
Cana-de-açúcar
9 Prof. Rodrigo Simão
Prof. Rodrigo Simão
4. (UFPR –
verdadeira:
Modificada)
Marque
a
opção
Motivos para sua implantação:
A. Intenção da Coroa em transferir o início da
colonização para a iniciativa privada devido a
falta de recursos da Coroa (decadência da
economia portuguesa devido a queda do
comércio das especiarias)
B. Também era uma forma de garantir o início
da colonização efetiva e preservar o território
para os portugueses.
I – Quilombos eram núcleos de foragidos autosuficientes.
II – Zumbi foi o maior líder do quilombo de
Palmares.
III – Domingos Jorge Velho destruiu Palmares no
século XVIII.
a)
b)
c)
d)
e)
Somente
Somente
Somente
Somente
I, II e III
a I é correta.
a II é correta.
a III é Correta.
I e II são corretas.
são corretas.
Principais características do processo de
implantação das capitanias:
A. Primeiro
sistema
político-administrativo
implantado no Brasil
B. Sistema
anteriormente
utilizado
na
colonização da África.
C. O Brasil foi dividido em 15 lotes, com 14
capitanias, entregue a 12 donatários.
D. Somente São Vicente e Pernambuco podem
ser consideradas prósperas economicamente.
E. Apesar do relativo fracasso econômico, as
capitanias cumpriram seu objetivo primário:
o início da colonização efetiva do litoral
brasileiro.
F. Todo donatário tinha o direito de doar lotes
de terra chamados de “sesmarias” (o
donatário agia como uma espécie de
governador / administrador da capitania e
recebia uma sesmaria particular para plantar
cana-de-açúcar – no Espírito Santo essa
sesmaria de Vasco Fernandes Coutinho ficou
conhecida como Sítio do Ribeiro, em Vila
Velha).
5. (UVV – Modificada) A sociedade do Ciclo da
Cana pode ser classificada como:
a) rural, estratificada e com mobilidade
social.
b) bipolar,
com
mercado
interno
desenvolvido e urbana.
c) bipolar, rural e patriarcal.
d) estamental, urbana e rural.
e) marcada por uma classe intermediária,
escravista e aristocrática.
6. (UFF - modificada) O Plantation foi
desenvolvido para garantir maior produtividade
e lucratividade para a Coroa no plantio da canade-açúcar e consistia basicamente em:
a) monocultura, minifúndio e escravidão.
b) policultura, latifúndio e escravidão.
c) Produção voltada para o mercado
interno e mão-de-obra livre.
d) Latifúndio,
mão-de-obra
livre
e
latifúndio.
e) Escravidão, latifúndio e monocultura.
Capítulo
III
COLONIAL
–
Documentação / Legislação:
A. Carta de Doação – garantia ao donatário o
direito de usufruto da terra.
B. Foral – estabelecia os direitos e deveres do
donatário - Os donatários recebiam poderes
políticos, judiciários e administrativos de que
lhes advinham vantagens econômicas como a
fundação de Vilas, concessão de sesmarias,
redízima (1/10) das rendas da Coroa, vintena
(5%) sobre o valor do pau-brasil explorado e
da pesca da capitania, cobrança de tributos
sobre todas as salinas, moendas de água
(rodas d´água) e engenhos (só podiam ser
construídos com a sua licença).
ADMINISTRAÇÃO
As Capitanias Hereditárias
OBS: Apesar de ter o poder descentralizado, o sistema
de capitanias hereditárias não pode ser confundido
com o sistema feudal, pois os donatários eram
obrigados a prestar obediência a Portugal e todas suas
funções eram exercidas em nome do rei. No Brasil a
mão-de-obra era escrava e a produção voltada para o
mercado externo, enquanto na Europa feudal a mãode-obra era servil e a produção predominantemente de
subsistência.
Principais motivos para o relativo fracasso
das capitanias:
Capitanias e seus respectivos donatários
10
A. Falta de contato entre as capitanias
(dificultava a solicitação de ajuda).
B. Ataques de índios e corsários.
C. Escasso número de colonos.
D. A grande distância da metrópole encarecia os
fretes.
E. Falta de recursos da Coroa e dos donatários.
As Câmaras Municipais:
Definição: núcleo de poder local (como eram
vários núcleos, a administração se caracterizava
como descentralizada).
Principais características
municipais:
das
câmaras
A. Formada pelos “homens bons” (proprietários
rurais)
B. Elegiam um representante dos interesses
locais: o juiz ordinário
C. O caráter descentralizador das Câmaras
Municipais
não
interessava
à
Coroa
portuguesa.
OBS: com o advento da implantação do GovernoGeral, a Coroa iniciou a substituição dos juízes
ordinários pelos juízes de fora (um reinol – oriundo de
Portugal) como forma de preservar seus interesses
sobre cada instância na colônia – clara tentativa de
promover centralização administrativa.
O Governo-Geral:
Modelo administrativo criado através do
Alvará de 1548.
Entrou em vigor no Brasil com a chegada do
primeiro governador-geral em 1549 – Tomé de
Souza.
Foi criado com o objetivo de centralizar a
administração da colônia sem acabar com as
capitanias hereditárias e tinha também a
atribuição de dar suporte aos capitães
donatários. Pela primeira vez o governo
português se fez representar oficialmente no
Brasil.
OBS: A instalação do Governo-Geral do Brasil não
implicou na extinção das capitanias hereditárias. As
capitanias privadas seriam definitivamente extintas pelo
Marquês de Pombal, em 1759.
A Estrutura Política e Jurídica:
Estava baseada no Regimento Geral,
documento que continha todas as atribuições
dos governadores-gerais. Os auxiliares dos
governadores eram:
 O Provedor-Mor (Encarregado da Administração)
 O Ouvidor-Mor (Encarregado da Justiça)
 O Capitão-Mor (Encarregado da Defesa)
Os Principais Governadores:
A. Tomé de Sousa (1549-1553)
 Fundou a cidade de Salvador para ser a sede
do Governo-Geral, em 1549.
 Criou o Primeiro Bispado do Brasil, reflexo da
relação entre Portugal e a Igreja Católica
(Padroado Real) na época. O Primeiro Bispo
do Brasil foi D. Pero Fernandes Sardinha;
 Trouxe para o Brasil os primeiros padres
jesuítas, destaque para Manuel da Nóbrega,
líder da Companhia de Jesus no Brasil
(Anchieta chegou com o segundo governador,
Duarte da Costa).
 Implementou a agricultura de Cana-deaçúcar, autorizando a importação de gado da
áfrica para dar suporte à produção.
 Permitiu
a
escravização
de
índios
considerados rebeldes (era o conceito da
“Guerra Justa” – quando as comunidades
tribais lesavam financeiramente os colonos,
era aprovada a decretação de uma ação de
extermínio ou escravização daquela tribo).
B. Duarte da Costa (1553-1558)
 Em seu governo houve conflitos entre
jesuítas e colonos. O motivo: a escravização
indiscriminada de índios.
 Outros padres jesuítas chegaram ao Brasil,
entre eles José de Anchieta;
 Os índios organizaram a Confederação dos
Tamoios, com o objetivo de combater os
portugueses escravizadores e, se aliaram aos
franceses invasores no Rio de Janeiro.
 Em 1555, os franceses, ajudados pelos
tupinambás, invadiram a região do Rio de
Janeiro,
onde
fundaram
uma
colônia
denominada França Antártica. Essa colônia
era para ser um núcleo calvinista na América.
 Em 1554, os jesuítas fundaram no Planalto
de Piratininga, o Colégio de São Paulo de
Piratininga que daria origem à cidade de São
Paulo. Atenção queridos alunos, aqui é o
professor Rodrigo Simão para avisar que os
temas administrativos são cobrados mais
supeficialmente, geralmente.
C. Mem de Sá (1558-1572)
 Diante da resistência dos índios em relação
ao trabalho nas lavouras de cana, o
governador
proibiu
a
escravização
indiscriminada de silvícolas. Com essa
medida
deu
início
ao
processo
de
desarticulação da Confederação dos Tamoios.
 Enfraquecendo a Confederação dos Tamoios,
minava a base de apoio que os franceses
tinham no Rio de Janeiro.
 Para compensar a defasagem de mão-deobra na lavoura canavieira, incentivou a
escravidão de negros nessas áreas.
 Com a ajuda de Estácio de Sá, centralizou os
combates contra os franceses no Rio de
Janeiro, a partir da fundação do Forte de São
Sebastião do Rio de Janeiro, que daria origem
à cidade de mesmo nome.
 Expulsou os franceses em 1567;
OBS: Mem de Sá governaria até 1572, quando morreu
na Bahia. Após sua morte o Brasil foi dividido em dois
11 Prof. Rodrigo Simão
Prof. Rodrigo Simão
herdeiros, seu tio-avô, D. Henrique (cardeal),
assumiu o trono. Dois anos depois, D. Henrique
morre e o trono português vai ser reivindicado
pelo rei da Espanha, Filipe II. Este como tio de
D. Sebastião acaba subjugando a elite
portuguesa e tomando a Coroa portuguesa.
Segundo Filipe tomou o poder por força de seu
sangue português, palavras, armas e dinheiro.
Juramento de Tomar: Portugal assinou um
acordo com a Espanha exigindo ser reconhecido
como uma nação aliada e não subjugada,
preservando sua língua e os interesses da
burguesia lusa.
Com essa união Portugal atraía para si os
inimigos da Espanha (Inglaterra, França e
Holanda).
governos: o Governo ou Repartição do Norte, com
capital em Salvador, e o Governo ou Repartição do Sul,
com capital no Rio de Janeiro. Em 1578 voltou- se ao
governo único.
A Companhia de Jesus no Brasil
Conseqüência da União Ibérica
A. Perda de valor do Tratado de Tordesilhas.
B. Intensificação das expedições ao interior.
C. Expansão da pecuária.
D. Domínio mais efetivo de Portugal sobre o
Norte e Nordeste do Brasil (graças a acordos
e a construção de fortes para impedir
possíveis invasões francesas)
E. Invasão Francesa no Maranhão – França
Equinocial (1612 – 1615).
F. Invasões Holandesas (1ª 1624 – 1625 / 2ª
1630 – 1654)
G. Perda portuguesa da maior parte de sua frota
em combates contra os inimigos da Espanha.
H. Perda colonial portuguesa na África, Ásia e
provisoriamente no Brasil.
Representação jesuítica do século XVI
A Companhia de Jesus, cujos membros são
conhecidos como Jesuítas, foi fundada em 1534
por Inácio de Loyola. Inicialmente seu objetivo
era "desenvolver trabalho de acompanhamento
hospitalar e missionário em Jerusalém, ou para
ir aonde o Papa nos enviar, sem questionar". Era
uma organização rigidamente disciplinada,
enfatizando a absoluta auto-abnegação e a
obediência ao Papa e os superiores hierárquicos
(perinde ac cadaver, disciplinado como um
cadáver, nas palavras de Inácio). O seu grande
princípio tornou-se o lema dos jesuítas: "Ad
Majorem Dei Gloriam" (tudo por uma maior
glória de Deus). Enquanto instituição fundada no
contexto da Contra-Reforma, acabou assumindo
um perfil militar, voltada a garantir os interesses
da Santa Igreja Católica. No Brasil, sobretudo,
através da catequese. O primeiro líder da
Companhia de Jesus no Brasil foi Manuel da
Nóbrega e o segundo, José de Anchieta.
Ordenações Filipinas 1603
A. Conjunto de leis instauradas por Filipe II, em
substituição
às
Ordenações
Manuelinas
(apesar de ser uma espécie de reforma,
seguia à risca os costumes e tradições
portuguesas, quase como uma cópia das
Ordenações Manuelinas)
B. Essas novas leis criavam as províncias do
Maranhão e do Grão-Pará em 1621/ regiões
já a oeste de Tordesilhas. Fundavam a cidade
de Santa Maria do Belém do Pará na foz do
rio Amazonas / vigiavam a via que podia
levar corsários até as minas de Potosí, na
Bolívia
(território
dos
aliados
dos
portugueses, os espanhóis).
A União Ibérica (1580-1640)
A Restauração Monárquica
A. A Restauração Monárquica é o momento final
da União Ibérica e início de uma dinastia
portuguesa e “independente” (na verdade os
portugueses poderiam ter um rei próprio,
mas se tornaram extremamente dependentes
da Inglaterra com o fim da União Ibérica).
B. Uma nova política surgiu em Portugal após a
União Ibérica: surgiram novos órgãos como o
Conselho de Guerra, Conselho ou Junta dos
Três Poderes, Conselho Ultramarino 1642
(órgão responsável por cuidar dos interesses
“ultramar” ou “além-mar” portugueses colônias).
A união entre Espanha e Portugal.
Definição: Período de união entre Portugal e
Espanha.
O rei de Portugal, D. Sebastião, foi dado
como desaparecido na batalha de Alcacer-Quibir,
no norte da África, em 1578. Como não deixou
12
EXERCÍCIOS
1. (UFPE – 2006) No período da expansão
marítima portuguesa, as conquistas de novas
terras modificaram hábitos e relações sociais.
Houve uma euforia em face da exploração e da
conquista de riquezas. Procurou estabelecer,
com o sistema de capitanias hereditárias, o
domínio sobre suas terras na América. Esse
sistema:
(
) foi muito bem sucedido na descoberta do
ouro e da prata, e propiciou o
enriquecimento do governo português e
da sua poderosa burguesia.
(
) fracassou, frustrando Portugal em seus
objetivos e levando-o a abandonar as
terras conquistadas.
(
) não foi amplamente bem sucedido, mas
garantiu maior posse sobre as terras
conquistadas e a consolidação de poderes
para a Metrópole.
(
) na região Norte, fracassou; mas obteve
sucesso nas outras regiões com a lavoura
açucareira.
(
) no século XVIII, conseguiu êxito, graças à
ajuda da Espanha durante a União Ibérica
(1580-1640).
2. (UFSC – 2006)
Maria Diamba
Para não apanhar mais
Falou que sabia fazer bolos
Virou cozinha.
Foi outras coisas para que tinha jeito.
Não falou mais.
Viram que sabia fazer tudo,
Até mulecas para a Casa-Grande.
Depois falou só,
Só diante da ventania
Que ainda vem do Sudão;
Falou que queria fugir
Dos senhores e das judiarias deste mundo
Para o sumidouro.
(LIMA, Jorge de . Poemas Negros. In: "Os
melhores poemas". São Paulo: Global, 1994. p. 60)
Sobre a escravidão no Brasil, é CORRETO
afirmar que:
(01) A escravidão de africanos destinou-se a
fornecer mão-de-obra para a indústria, em
crescente expansão no Brasil do século
XVII.
(02) O mercado de escravos provocou a
desagregação social dos grupos de
africanos que foram transportados para o
Brasil.
(04) Algumas tribos africanas exerciam papel
ativo o tráfico, facilitando o comércio de
escravos pelos europeus e trocando
prisioneiros
de
nações
rivais
por
mercadorias.
(08) Os quilombos, como Palmares, foram
locais de refúgio e socialização dos
escravos que conseguiam escapar de seu
cativeiro.
(16) A Igreja no século XVII e, posteriormente,
a Medicina no século XIX exerceram
importante papel no rompimento com o
preconceito racial do qual os afrodescendentes foram alvo no Brasil.
(32)
No
Brasil
Colônia
imperava
o
patriarcalismo, definido como a autoridade
exercida pelas mulheres sobre os homens
naquela sociedade. (64) a exploração do
escravo em atividades manuais fez com
que estas fossem consideradas impróprias
para um homem livre, preconceito que
perdurou durante muito tempo no Brasil.
SOMA: ____________
3. (UFMG – 2006) Em pouco mais de cem
anos, a ênfase passa do controle dos moradores
para o dos escravos fugidos, do olhar
metropolitano ao colonial, e uma figura central
emerge: a do capitão-do-mato [...]. O termo
capitão-do-mato já aparece em diversos
documentos coloniais desde meados do século
XVII [Contudo o cargo foi normatizado apenas
no início do século XVIII.] Que terá acontecido
no período que vai de meados do século XVII às
primeiras décadas do século XVIII para que essa
ocupação se estabelecesse tão firmemente na
vida colonial?
REIS, João José; GOMES, Flávio dos Santos
(Orgs.). "Liberdade por um fio". São Paulo:
Companhia das Letras, 1996. p.85.
Considerando-se as informações desse texto, é
CORRETO
afirmar
que
o
crescente
fortalecimento do cargo de capitão-do-mato,
entre meados do século XVII e início do século
XVIII, se explica como conseqüência da
a) interiorização da população em direção à área
das drogas do sertão, o que resulta numa
ocupação
desordenada
desses
espaços
produtivos por brancos e negros.
b) explosão demográfica ocorrida na região das
minas dos Goiases e de Cuiabá, que implica
um adensamento populacional propício às
desordens
e
violência,
sobretudo
as
praticadas por escravos fugidos.
c) urbanização do Nordeste, derivada da crise
açucareira, gerada pela expulsão dos
holandeses, crise que promove, nas vilas e
arraiais, a concentração de escravos, que,
até então, trabalhavam nos engenhos.
d) dificuldade das campanhas para a destruição
do quilombo de Palmares e a possibilidade do
surgimento de novos e resistentes núcleos de
quilombolas tanto no Nordeste quanto em
outras áreas de interesse metropolitano.
13 Prof. Rodrigo Simão
Prof. Rodrigo Simão
I.
Garantiu o poder da metrópole no Brasil,
assegurando a transferência da renda do
setor produtivo para o setor mercantil.
II. II. Reduziu-se ao comércio de africanos
entre a África e a América, sem modelar o
conjunto da economia, da sociedade ou da
política da América portuguesa.
III. Na
América,
a
Coroa
portuguesa
reconheceu a liberdade dos índios, mas na
África estimulou o negócio negreiro.
IV. Possibilitou a colonização da África como
concorrencial em relação à colonização do
Brasil.
V. Estimulou o intercâmbio alimentar e de
costumes entre a África e a América,
deixando um legado cultural aos povos
americanos.
4. (UNIFESP – 2006) Para um homem ter o pão
da terra, há de ter roça; para comer carne, há de
ter caçador; para comer peixe, pescador; para
vestir roupa lavada, lavadeira; ... e os que não
podem alcançar a tanto número de escravos, ou
passam miséria, realmente, ou vendo-se no
espelho dos demais lhes parece que é miserável a
sua vida.
(Padre Vieira, 1608-1697)
O texto mostra que, para se viver bem na
Colônia, seria preciso ter, sobretudo,
a) escravos.
b) terras.
c) animais.
d) cultura.
e) habilidades.
Estão corretas as afirmações:
a) I, II e III, apenas.
b) II, III e IV, apenas.
c) I, III e V, apenas.
d) II, III, IV e V, apenas.
e) I, II, IV e V, apenas.
5. (PUCCAMPINAS – 2005) Em sua obra, se
acentuam os contrastes de requinte e fartura das
casas-grandes com a promiscuidade e a miséria das
senzalas, a sensualidade desenfreada e a
subserviência dos homens do eito. Mas há também o
homem e a paisagem. Certamente a observação se
concentra na zona açucareira do Nordeste, rica de
tradições que datam do século XVI, no momento em
que se decompõe essa estrutura tradicional por
força de uma nova ordem econômica.
7. (UFRJ – 2004) As Câmaras municipais
foram instituições fundamentais em todos os
lugares onde houve a presença do Império
ultramarino lusitano. Na América portuguesa
não
foi
diferente,
pois
nas
principais
aglomerações urbanas elas exerciam um papel
político essencial.
(Antonio Candido & José Aderaldo Castello.
"Presença da Literatura Brasileira - Modernismo". 6.ed. Rio
de Janeiro/São Paulo: Difel, 1977).
Considere as seguintes afirmações, referentes à
caracterização dessas instituições.
O texto refere-se a um período da evolução
histórica brasileira em que
I.
Eram os canais de expressão política das
elites locais, dos "homens bons" residentes
nas diferentes vilas coloniais. Através da
ocupação dos cargos na Câmara, essas
elites expressavam suas demandas junto
aos
poderes
centrais,
como
os
governadores e a própria Coroa.
II. Eram órgãos legislativos dedicados à
aplicação das Ordenações Filipinas, sendo a
eleição para os cargos camarários feita pelo
voto direto e democrático do conjunto da
população.
III. Eram corpos deliberativos para os quais
podia ser elegível a maior parte da
população, excetuando-se somente os
escravos africanos e os indígenas.
a) o poder político do senhor de engenho era
assegurado pela monarquia portuguesa
através da sua designação para os mais altos
cargos da administração colonial.
b) a sociedade brasileira caracterizava-se pelas
relações de cordialidade entre senhores e
escravos, forjando os princípios essenciais da
democracia racial no país.
c) o universo social, marcado por uma rígida
estratificação, limitava o desenvolvimento
dos demais segmentos da população situados
entre a camada senhorial e os escravos.
d) a adoção de formas de trabalho compulsório
no litoral brasileiro constituiu uma adaptação
dos tradicionais institutos de servidão e
vassalagem às áreas coloniais.
e) as dificuldades de adaptação às áreas
coloniais levaram os europeus a organizar
uma sociedade com mínima diferenciação
entre os seus vários segmentos.
Quais estão corretas?
a) Apenas I.
b) Apenas III.
c) Apenas I e II.
d) Apenas I e III.
e) Apenas II e III.
6. (UFSCAR – 2004) Sobre o tráfico negreiro,
consolidado pelos portugueses no Atlântico, são
apresentadas as afirmações seguintes.
Capítulo
IV
ESTRANGEIRAS
14
–
INVASÕES
As Invasões Estrangeiras
Países como França e Inglaterra nunca
aceitaram a forma como se operou a partilha de
terras, descobertas e a se descobrir, entre
Portugal e Espanha (Tratado de Tordesilhas);
As invasões holandesas ocorreram em
função da União Ibérica;
As Invasões Francesas
Os franceses eram antigos freqüentadores
do litoral brasileiros desde a época do Período
Pré-colonial. Envolveram-se com os índios e
chegaram a fundar feitorias ao longo do litoral,
onde,
armazenavam
o
pau-brasil
que
exploravam.
França Antártica (1555-1567)
negociado entre os silvícolas e os jesuítas
José de Anchieta e Manuel da Nóbrega)
D. Em 1567, com a ajuda de Estácio de Sá, o
governador-geral, Mem de Sá, funda o núcleo
que daria origem à cidade do Rio de Janeiro e
expulsa os franceses.
França Equinocial (1612-1615)
A. Foi fundada no Maranhão por uma leva de
franceses comanda por Daniel de La Touche.
B. O interesse francês por essa região ligava-se
à entrada natural (Rio Amazonas) que levava
ao Vice-Reinado do Peru, grande centro de
exploração de prata da América Espanhola,
ainda tinham interesse na exploração das
drogas do sertão, peles e madeira.
C. Os franceses fundaram no Maranhão o Forte
de São Luís, em homenagem ao rei Luís XIII.
Mais tarde, depois de tomado pelos
portugueses, esse forte daria origem à cidade
de São Luís.
D. Em
1615,
Jerônimo
de
Albuquerque,
liderando forças luso-espanholas, expulsou os
franceses da região (os franceses entram em
comum acordo com espanhóis e portugueses
e vão para a margem esquerda do rio
Oiapoque – atualmente é a Guiana Francesa).
OBS: As Invasões Inglesas: ao contrário dos
franceses, os ingleses não fundaram colônias no Brasil.
Os ataques desses corsários limitaram-se às pilhagens
de vilas ao longo do litoral, assim como o roubo de
navios que partiam carregados de açúcar para a
Europa.
As Invasões Holandesas
Mapa francês da área invadida na Baía da Guanabara
A. Finalidade: Garantir um local seguro para um
grupo protestante discriminado na Europa.
Foi fundada no Rio de Janeiro por um grupo
de calvinistas huguenotes que fugiam de
perseguições na França. Foram liderados por
Nicolau Durand de Villegaignon.
B. Os franceses se aproveitaram da guerra que
existia entre índios e portugueses (durante o
governo de Duarte da Costa - os portugueses
passaram
a
escravizar,
de
forma
indiscriminada, os silvícolas, desrespeitando a
legislação da época). Os calvinistas fizeram
uma aliança com uma confederação indígena
inimiga dos portugueses, conhecida como
“Confederação dos Tamoios”(em tupi – os
mais antigos do local).
C. No governo de Mem de Sá, a Confederação
dos Tamoios passou a ser desarticulada e os
franceses perderam grande parte do seu
apoio no Rio de Janeiro (assinatura do
Tratado de Paz de Iperoig 1563 – restringia a
escravidão indígena; acabou diminuindo as
hostilidades entre índios e portugueses; foi
Principais Motivos
A. Rompimento das boas relações entre Portugal
e Holanda após a União Ibérica.
B. O histórico conflito entre Holanda e Espanha
C. Adoção do protestantismo na Holanda e, a
partir daí passamos a ter, de fato, uma
situação de conflito: uma metrópole católica
e uma possessão protestante.
D. Na segunda metade do século XVI as
províncias dos Países Baixos se rebelaram
contra a opressão política, tributária e as
perseguições religiosas impostas por Filipe II,
o fanático rei da Espanha católica. Apesar da
repressão violenta e cruel, e das províncias
do sul (atual Bélgica) desistirem da luta, as
províncias do norte (Holanda) resistiram e
proclamaram sua independência em 1581, só
reconhecida definitivamente pela Espanha em
1648.
E. Numa tentativa de minar o poderio
mercantilista dos holandeses, Filipe II proibiu
o comércio entre batavos e as colônias lusoespanholas. A esta proibição deu-se o nome
de embargo espanhol. Do ponto de vista
econômico
o
embargo
prejudicou
sensivelmente as finanças da Espanha, na
medida em que as companhias de comércio
criadas pelos holandeses passaram a atacar
15 Prof. Rodrigo Simão
Prof. Rodrigo Simão
as colônias espanholas. Em 1602, protegidos
e apoiados pelo Estado, vários empresários
holandeses se uniram e criaram a Companhia
das Índias Orientais, que conquistou algumas
possessões espanholas na Ásia e na África. A
política da Companhia das Índias Orientais
acabou por gerar astronômicos prejuízos aos
espanhóis e forçou o governo espanhol a
assinar com a Holanda a chamada Trégua dos
Doze Anos (1609-1621). Findo esse período
de paz, em 1621 os holandeses fundaram a
importantíssima
Companhia
das
Índias
Ocidentais
(WIC,
de
West
Indische
Compagnie), responsável pelas invasões
holandesas das colônias espanholas na
América e inclusive o Brasil, propriedade dos
aliados dos espanhóis. Afinal, o açúcar
brasileiro contribuía em escala considerável
para a sustentação da economia holandesa,
que poderia ir à exaustão com o embargo
espanhol.
Domínio holandês – A Nova Holanda
No intervalo de cinco anos que vai da
expulsão da Bahia à invasão de Pernambuco, o
holandês Piter Heyn, a serviço da Companhia
das Índias Ocidentais, apoderou-se, no litoral da
Bahia, de vários navios carregados de açúcar,
pau-brasil, algodão e tabaco. Capturou também,
nas Antilhas, a frota espanhola que transportava
ouro e prata em grande quantidade. A captura
dos navios e da valiosa carga possibilitou aos
donos da Companhia das Índias Ocidentais
organizar a invasão de Pernambuco, então a
mais rica região açucareira do mundo. As forças
luso-brasileiras
lideradas
por
Matias
de
Albuquerque, concentradas no Arraial do Bom
Jesus, resistiam. Nos primeiros anos que se
seguiram à invasão, a resistência luso-brasileira,
organizada mais uma vez em grupos de
guerrilhas,conhecidas como “Companhias de
Emboscadas”, conseguiu a duras penas evitar o
absoluto domínio dos holandeses. Contudo, o
auxílio de cristãos-novos, negros e mestiços
como Calabar, facilitaram a destruição da
resistência.
Domingos Fernandes Calabar havia lutado
ao lado de Matias de Albuquerque na defesa do
Arraial do Bom Jesus. Profundo conhecedor do
terreno, o mulato nascido em Alagoas passou
para o lado holandês, ajudando os invasores a
abrir caminho para a conquista de várias
regiões. Em 1635 caiu o Arraial do Bom Jesus,
principal centro de resistência. Matias de
Albuquerque fugiu para Alagoas, onde prendeu e
executou Calabar. Atenção queridos alunos, aqui
é o professor Rodrigo Simão para avisar que
Invasão Holandesa é a mais cobrada.
Primeira Invasão Holandesa:
Salvador – Bahia (1624 – 1625)
A. O governador foi preso e enviado à Holanda.
Os holandeses conquistaram e dominaram
toda a zona urbana de Salvador. Entretanto,
no interior, a elite agrária organizou a
resistência e escolheu para líder Matias de
Albuquerque.
B. As ações se davam através de guerrilhas,
mas em 1625 Matias de Albuquerque e seus
homens receberam ajuda de uma forte
esquadra enviada por Portugal e Espanha
(contexto da União Ibérica), composta por 52
navios e mais de 12.000 homens. Essa
esquadra Ficou conhecida como a Jornada
dos Vassalos, sendo sua ajuda decisiva para
a expulsão dos holandeses da Bahia (o
conflito assumiu uma conjuntura cruzadística,
pois era uma guerra entre nações católicas
contra os “infiéis” protestantes).
Governo de Nassau (1637-1644)
A consolidação das relações amistosas entre
a aristocracia canavieira e os holandeses se deu
durante a administração de João Maurício de
Nassau, nomeado pela Companhia das Índias
Ocidentais
para
governar
os
domínios
holandeses no Brasil (conhecida como Nova
Holanda). Hábil administrador, o conde de
Nassau assegurou aos senhores de engenho
proteção, respeito às propriedades, liberdade
religiosa - os holandeses eram protestantes - e
abertura de novos créditos para a recuperação
das plantações, reequipamento dos engenhos e
compra de escravos.
Segunda Invasão Holandesa:
Recife – Pernambuco (1630 – 1654)
16
Maurício de Nassau
Com os novos empréstimos, a empresa
açucareira se reergueu e a Companhia se
recuperou dos prejuízos. Nassau assegurou
também a participação de membros da
aristocracia nos Conselhos de Escabinos, órgãos
administrativos holandeses que substituíram as
Câmaras Municipais. Remodelou e urbanizou
Recife e mandou construir a Cidade Maurícia.
Construiu canais e pontes. Do ponto de vista
cultural e artístico, a época de Nassau foi
marcante. Vivia cercado por intelectuais, artistas
e cientistas como o naturalista Jorge Marcgrav, o
médico Willem Piso e os pintores Frans Post e
Albert Eckhout, que retrataram em famosas
telas a óleo aspectos da flora, da fauna e da vida
humana na colônia. Nassau completou a
conquista holandesa do Sergipe ao Maranhão.
Além disso, durante sua estada no Brasil a
Companhia das Índias Ocidentais ocupou várias
regiões africanas fornecedoras de escravos
como, por exemplo, São Jorge de Minas, a Ilha
de São Tomé, na Guiné, e São Paulo de Luanda,
em Angola. Estava assegurado o abastecimento
de mão-de-obra negra para o Brasil holandês.
Primeira Insurreição Pernambucana ou
Guerra da Luz Divina (1645-1654)
Em
1640
Portugal
restaurou
sua
independência e nascia, com D. João IV, a
dinastia de Bragança. Era o fim do domínio
espanhol. Entretanto arruinado financeiramente,
Portugal não tinha condições de expulsar os
holandeses do Brasil. Daí o governo português
ver-se obrigado a assinar um acordo de paz com
a Holanda. O acordo estabelecia que os
holandeses não podiam ampliar seus domínios
sobre posses portuguesas. Essa determinação
não foi plenamente obedecida pelos holandeses
que, contrariando-a, conquistaram em 1641
áreas da África portuguesa e anexaram o
Maranhão. A WIC passava por problemas
financeiros devido às guerras européias nas
quais a Holanda estava envolvida. Procuraram
então explorar ao máximo seus domínios no
Nordeste: aumentaram o preço do transporte e
os impostos sobre o açúcar, e passaram a exigir
o pagamento das dívidas, ameaçando os
senhores com o confisco dos engenhos caso não
as quitassem no prazo estipulado. Nassau
aconselhou os donos da WIC a mudar seu
comportamento em relação aos senhores de
engenho. Os donos da Companhia, entretanto,
não lhe deram ouvidos e o acusaram de
pretender criar no Brasil um império particular.
As tensões se avolumaram quando foram
criadas leis de restrições de pagamento de
dízimos.
Nassau, em desacordo com a WIC, foi
demitido e voltou à Holanda em 1644. No ano
seguinte explodiu a Insurreição Pernambucana,
que só acabaria em 1654 com a expulsão dos
holandeses após a segunda batalha dos
Guararapes. O início da guerra entre Holanda e
Inglaterra, em disputa pela liderança marítima,
criou as condições ideais para a vitória final da
insurreição.
Conseqüências da Expulsão
O Brasil estava livre, porém a Holanda
continuava mantendo suas pretensões de
domínio sobre a colônia e sobre as regiões
africanas conquistadas de Portugal. Esse
impasse gerou novo conflito armado entre
portugueses e holandeses. Portugal recebeu o
imediato apoio da esquadra britânica, o que
forçou a abertura de negociações diplomáticas
entre Holanda e Portugal e, finalmente, a
assinatura da Paz de Haia, em 1661. Pela Paz de
Haia, Portugal ficava obrigado a pagar à Holanda
uma indenização de quatro milhões de cruzados
em dinheiro, açúcar, tabaco e sal, e a restituir
aos holandeses toda a artilharia tomada no
Brasil. Para o Brasil, a conseqüência mais séria
da expulsão holandesa foi a decadência da
empresa açucareira. Os holandeses, após sua
expulsão do Brasil, foram plantar cana e
produzir açúcar nas Antilhas, valendo-se da
experiência que haviam adquirido na cultura
canavieira do Brasil.
EXERCÍCIOS
1. (UFMG 2003) Durante a fase colonial, o
Brasil foi alvo de vários ataques estrangeiros,
sendo um deles em Pernambuco, marcado pela
administração de João Maurício de Nassau. Este
representava:
a) Os interesses da burguesia inglesa que
avançava na sua acumulação primitiva de
Capital, ao explorar o açúcar brasileiro.
b) A
reação
dos
judeus
portugueses
interessados em manter o exclusivo comércio
do pau-brasil.
c) Os interesses dos holandeses, que, através
da Companhia das Índias Ocidentais, queriam
voltar a ter o controle do comércio do açúcar,
perdido com a União Ibérica.
d) A tentativa dos protestantes franceses de
fundarem uma colônia de povoamento.
e) A intenção da Coroa Portuguesa de garantir a
efetiva exploração aurífera na região.
2. (UFF 2000) A União Ibérica durou 60 anos e
teve influência na colonização portuguesa do
Brasil. Durante o período da união entre Portugal
e Espanha, o Brasil:
a) atingiu o auge da sua produção açucareira
com ajuda de capitais espanhóis.
b) foi invadido pela Holanda, interessada na
produção do açúcar.
c) conviveu com muitas rebeliões dos colonos
contra o domínio espanhol.
d) registrou conflitos entre suas capitanias,
insatisfeitas com a instabilidade econômica.
e) conseguiu ficar mais livre da pressão dos
colonizadores europeus.
17 Prof. Rodrigo Simão
Prof. Rodrigo Simão
3. (FUVEST 2007) Este quadro, pintado por
Franz Post por volta de 1660, pode ser
corretamente relacionado
São verdadeiras as proposições:
a) I e II.
b) I, II e III.
c) II, III e IV.
d) I, III e IV.
e) II e IV.
6. (FGV 2005) A administração de Maurício de
Nassau sobre parte do Nordeste do Brasil, no
século XVII, caracterizou-se
a) por
uma
forte
intolerância
religiosa,
representada, principalmente, por meio do
confisco das propriedades dos judeus e dos
católicos.
b) pela proteção às pequenas e médias
propriedades rurais, o que contribuiu para o
aumento da produção de açúcar e tabaco em
Pernambuco.
c) por uma ocupação territorial limitada a
Pernambuco, em função da proteção militar
efetuada por Portugal nas suas colônias
africanas.
d) por inúmeras vantagens econômicas aos
colonos e pela ausência de tolerância
religiosa, representada pela imposição do
calvinismo.
e) pela
atenção
aos
proprietários
lusobrasileiros, que foram beneficiados com
créditos para a recuperação dos engenhos e a
compra de escravos.
a) à iniciativa pioneira dos holandeses de
construção dos primeiros engenhos no
Nordeste.
b) à riqueza do açúcar, alvo principal do
interesse dos holandeses no Nordeste.
c) à condição especial dispensada pelos
holandeses aos escravos africanos.
d) ao início da exportação do açúcar para a
Europa por determinação de Maurício de
Nassau.
e) ao incentivo à vinda de holandeses para a
constituição de pequenas propriedades rurais.
4. (UFRJ 2001) A exploração açucareira,
ocorrida durante o século XVI e início do século
XVII, envolvia dois países que lucraram com a
imensa riqueza gerada pela produção do açúcar:
7. (PUC – Campinas 2005) Dentre os muitos
observadores do país, que se dedicaram a fazer
tomadas diretas da paisagem, do índio e dos
grupos sociais nascentes, temos artistas
holandeses como Frans Post e Albert Eckhout.
Tais artistas vieram ao Brasil, no século XVII,
em função da
a) Portugal e Inglaterra
b) Inglaterra e Holanda
c) Portugal e Holanda
d) Cuba e Portugal
e) Paraguai e Holanda
5. (FATEC 2006) Em relação ao período da
ocupação holandesa no Nordeste brasileiro,
afirma-se:
I. A invasão deveu-se aos interesses dos
comerciantes
holandeses
pelo
açúcar
produzido na região, interesses esses que
foram prejudicados devido à União Ibérica
(1580-1640).
II. Foi, também, uma conseqüência dos
conflitos econômicos e políticos que
envolviam as relações entre os chamados
Países Baixos e o Império espanhol.
III. As
medidas
econômicas
de
Nassau
garantiam os lucros da Companhia das
Índias Ocidentais e os lucros dos senhores
de engenho, já que aumentaram a
produção do açúcar.
IV. A política adotada por Nassau para assentar
os holandeses na Bahia acabou por
deflagrar sua derrota e o fim da ocupação
holandesa, graças à resistência dos índios e
portugueses expulsos das terras que
ocupavam.
a) Companhia de Jesus, que estimulou a difusão
de obras artísticas que retratavam a beleza
do Brasil, a fim de desmistificar a idéia de
"selvageria" associada à natureza e ao
indígena.
b) administração pombalina, que valorizou a
produção artística e científica desenvolvida
por estrangeiros, no Brasil, exercendo o
chamado "despotismo esclarecido".
c) chamada Missão Francesa, que foi constituída
por
artistas
e
cientistas
de
várias
nacionalidades, encarregados de registrar a
geografia, as raças, a flora e a fauna
brasileiras.
d) Companhia das Índias Ocidentais, que se
empenhou em avaliar economicamente a
riqueza natural brasileira, para atender aos
interesses comerciais da Coroa Portuguesa.
e) administração nassauviana, que procurou
desenvolver a vida cultural da "Nova
Holanda", patrocinando a vinda e a produção
de artistas, cientistas, escritores e teólogos.
18
8. (UFES)
Recife
Não a Veneza americana
Não a Maurício dos amadores das Índias
Ocidentais
Não a Recife dos Mascates
Nem mesmo a Recife que aprendi a amar depois Recife das revoluções libertárias
Mas o Recife sem história nem literatura
Recife sem mais nada
Recife da minha infância
(Manuel Bandeira, "Evocação do Recife,
Libertinagem")
A Companhia das Índias Ocidentais a que o
poema se refere faz parte de um momento da
História brasileira e foi
a) marcada por um conjunto de medidas que
impulsionou a expansão da colonização
portuguesa na América e a descoberta das
áreas mineradoras no planalto central.
b) formada com capitais públicos e privados
lusos; sua finalidade era apoiar a luta pela
expulsão dos holandeses do Nordeste e
recuperar o comércio da colônia com a
metrópole.
c) organizada com a clara intenção de promover
a centralização política, administrativa e
jurídica
da
colônia
nas
mãos
dos
representantes
enviados
pelo
governo
holandês.
d) criada pelo governo e por grupos mercantis e
financeiros neerlandeses com o objetivo de
dominar a produção e o comércio de açúcar,
assim como o tráfico de escravos.
e) responsável pela elaboração de leis, normas
e regras sobre toda administração pública e
sobre a justiça que deveriam ser seguidas no
reino e nas colônias portuguesas.
Capítulo V – Expedições
Interior e o Ciclo do Ouro.
Entradas e Bandeiras
para
o
Desenho clássico de um bandeirante – essa representação é mais
adequada para o indivíduo classificado como “emboaba”.
Entradas e bandeiras foram os nomes dados
às expedições dos colonizadores que resultaram
na posse e conquista definitiva do Brasil. As
entradas, em geral respeitavam a linha de
Tordesilhas,
eram
de
cunho
oficial
e
antecederam as bandeiras, de iniciativa de
particulares que não se preocupavam com as
demarcações firmadas entre Portugal e Espanha.
As bandeiras, fenômeno tipicamente paulista
que datam do início do século XVII e marcam o
começo de uma consciência nativista e
antiportuguesa.
Os documentos dos séculos XVI e XVII
chamam os bandeirantes de armador ou
armadores. A palavra bandeira só aparece nos
documentos do século XVIII. Para designar toda
e qualquer espécie de expedição era comum
empregar-se:
entrada,
jornada,
viagem,
companhia, descobrimento e, mais raramente,
frota. Bandeira é nome paulista e, por isso
mesmo, bandeirante tornou-se sinônimo do
homem paulista, adquirindo uma conotação
heróica, ao juntar no mesmo vocábulo o arrojo e
a tenacidade com que se empenharam na
conquista do território, na descoberta do ouro e
no povoamento de Minas Gerais e do Rio Grande
do Sul.
Principais Tipos de Bandeiras
Embora as bandeiras tenham tido três ciclos
clássicos em sua história -- o da caça ao
índio(Apresamento ou Preamento), o do
Sertanismo de Contrato (extermínio de negros e
índios) e o da mineração (Prospecção ou
Prospectora) -- o bandeirante manteve sempre
as suas características, vivendo em condições
extremamente difíceis. Calcula-se que 300.000
índios foram escravizados até 1641, quando o
bandeirantismo de apresamento declinou e deu
lugar a expedições cada vez maiores em busca
de ouro e pedras preciosas.
Durante a caça ao índio os choques com os
missionários foram intensos, desdobrando-se em
um movimento conhecido como “A Bota dos
Padres Fora”.
Os religiosos que não se
submetiam,
eram
exterminados
se
não
fugissem. Os bandeirantes paulistas atacavam
seguidamente as missões jesuítas, uma vez que
o índio catequizado, vivendo nessas aldeias, era
presa fácil e por ser aculturado, ainda era mais
valorizado em um mercado de escravos
indígenas que se desenvolveu durante a
ocupação holandesa de zonas fornecedoras de
escravos negros aos portugueses. A escassez de
escravos negros viabilizou a comercialização de
índios.
OBS: De todos os feitos bandeirantes, o mais
notável, sem dúvida, é o de Antônio Raposo
Tavares, que ao começar sua última aventura,
em 1648, tinha cinqüenta anos de idade. Partiu
19 Prof. Rodrigo Simão
Prof. Rodrigo Simão
à frente de uma bandeira de mais de 200
paulistas e mil índios, realizando uma das
maiores jornadas de que há notícia na história
universal. Raposo Tavares se internou pelo
Paraguai, em 1648, percorreu grande parte da
região amazônica e ressurgiu em Gurupá, na foz
do Amazonas, em 1652.
Colônia. Logo que foram descobertas as
primeiras jazidas de ouro nas Minas Gerais, a
Coroa publicou, em 1702, o “Regimento dos
Superintendentes”, constituído por GuardaMores
e
Oficiais-Deputados,
visando
a
administração das
minas
de
ouro.
Por
conseguinte,
criou-se,
na
verdade,
uma
administração especial nomeada de “Intendência
de Minas”, a fim de dirigir todos os trabalhos
referentes à exploração das jazidas de ouro,
fiscalizá-los, além de cobrar tributos (dentre
eles,
o
quinto).
Toda
essa
máquina
administrativa estava estreitamente subordinada
ao governo metropolitano de Lisboa, capital do
império português, sem a participação de
qualquer autoridade procedente da Colônia.
Desse modo, a descoberta de uma jazida
aurífera
devia
ser,
obrigatoriamente,
comunicada à Intendência. O guarda-mor ou
intendente dirigia-se, então, ao local, ordenando
a demarcação do terreno a ser explorado. Este
era distribuído por meio de sorteios, dividido em
lotes (“datas”); em seguida, cada um deles era
entregue a um minerador. No dia da distribuição
das
“datas”,
os
contemplados
deviam
comparecer no local, não se admitindo a
interferência, nas negociações, de qualquer
procurador ou representante do minerador. O
descobridor da jazida não só tinha o direito de
escolher uma “data”, bem como o de receber
um prêmio em dinheiro. Em seguida, a
Intendência separava uma “data” para si,
vendendo-a, posteriormente, em leilão público.
As “datas” restantes eram sorteadas entre os
presentes interessados no empreendimento.
Uma vez encerrado o sorteio, caso restassem
terras auríferas, era realizada uma distribuição
suplementar. Caso contrário, em se tratando do
excessivo número de interessados, reduziam-se
as áreas das “datas” consoante a proporção de
interessados. De qualquer modo, as “datas”
compunham-se de pequenos lotes de terra, com
no máximo 50 metros de largura e algumas
variáveis em comprimento. Além da Intendência
de Minas ou das Minas também foi criada a
Intendência dos Diamantes, órgão responsável
pela exploração desse mineral, com destaque
especial para a região do Arraial do Tejuco que
passou a chamar-se Distrito Diamantino e que
atualmente é Diamantina em MG.
Outros Grandes Bandeirantes
Fernão Dias Pais comandou a mais
importante das bandeiras em busca de ouro.
Empregou nessa empreitada toda a sua fortuna,
à época a maior de São Paulo. Auxiliado pelo
genro Manuel de Borba Gato e pelo filho Garcia
Rodrigues Pais, explorou uma grande área da
região centro-sul do país. Durante sete anos,
entre 1674 e 1681, Fernão Dias percorreu a
região e com sua bandeira nasceram os
primeiros arraiais mineiros. Aos 73 anos, sem
ter encontrado o ouro e acometido pela febre
que já matara muitos de seus homens, o velho
bandeirante morreu a caminho do arraial do
Sumidouro.
Borba Gato e Garcia Pais fixaram-se em
Minas
Gerais,
que
continuava
a
atrair
bandeirantes, como Antônio Rodrigues Arzão,
em 1693, e Bartolomeu Bueno de Siqueira, em
1698, que encontraram o sonhado metal em
grande escala na última década do século XVII.
Depois da chamada guerra dos emboabas,
as expedições mudaram de rota, na direção de
Mato Grosso e Goiás. Iniciou-se um novo
período de bandeirismo: o das monções. Eram
expedições de caráter mais comercial e
colonizador, usavam canoas e através de vias
naturais como o rio Tietê e a Bacia Platina,
abasteciam com mercadorias longínquas regiões
como Cuiabá. Entre as monções, encerrando o
ciclo das entradas e bandeiras, destacou-se a de
Bartolomeu Bueno da Silva, o segundo
Anhangüera (Diabo Velho), que saiu de São
Paulo em 1722, comandando 152 homens, à
procura da Serra dos Martírios, onde segundo a
lenda a natureza esculpira em cristais a coroa, a
lança e os cravos da paixão de Jesus Cristo.
Depois de três anos de procura, o sertanista
localizou ouro, a quatro léguas da atual cidade
de Goiás.
A Exploração Aurífera
Introdução
Antônio Rodriguez Arzão foi o primeiro
explorador a encontrar ouro em abundância no
território brasileiro. A localização mais precisa
desse achado foi o extremo oeste da antiga
capitania do Espírito Santo, atualmente são as
cidades mineiras de Caeté e Sabará. Por ocasião
dos insignificantes achados de ouro na região de
São Vicente, a Coroa criara um extenso
regulamento, no qual, dentre os princípios
fundamentais, destacava-se o estabelecimento
da livre exploração, submetido exclusivamente à
fiscalização do império português, reservando
para si a quinta parte de todo ouro extraído da
Cama do século XVIII
20
Guarda-roupa Baú / século XVIII
Vestimenta típica – século XVIII
arrobas anuais em ouro, pagas por toda zona
mineradora à Coroa portuguesa.
C. Derrama: cobrança violenta dos impostos
atrasados. Quando a cota anual de 100
arrobas não fosse atingida, a Coroa poderia
decretar uma derrama (a derrama nunca
ocorreu dentro do padrão ao qual foi
proposta).
OBS: As Casas de Fundição: implantadas em 1720,
tinham a responsabilidade de tirar de circulação o ouroem-pó, dificultando o contrabando. Ainda deveriam
quintar o ouro recolhido, fundi-lo e selá-lo com o brasão
da Coroa portuguesa.
A SOCIEDADE DA MINERAÇÃO
SENHORES
Formas Diferentes de Extrair o Ouro
Os melhores lotes eram chamados de lavras,
enquanto os lotes de menor concentração
aurífera eram conhecidos como faiscação ou
faisqueiras. A lavra era marcada pela alta
produtividade, pelo uso intenso da mão-de-obra
escrava negra, que ultrapassava centenas de
escravos trabalhando em um mesmo lote. Esse
segmento da exploração aurífera ainda usava
algumas técnicas de exploração, muito diferente
da faiscação. A faiscação ou faisqueira era a
zona de baixa produtividade, utilizava mão-deobra geralmente livre e praticamente não
possuía técnicas de exploração, bastando apenas
uma picareta e uma bateia para que qualquer
um pudesse iniciar a exploração em uma
faiscação.
No Brasil a lavra acabou muito rápida. Já na
segunda metade do século XVIII, o esgotamento
das lavras já chamava a atenção do governo,
revelando uma verdade amarga, a queda na
arrecadação de impostos era inevitável. Como
no Brasil predominava o ouro de aluvião, ouro
encontrado, geralmente, na faiscação, o modelo
da baixa exploração vingou por bem mais tempo
que a lavra, caracterizando a exploração aurífera
brasileira.
Os Impostos
A. Quinto: 1/5 ou 20% do ouro extraído deveria
ser entregue à Coroa portuguesa como
imposto.
B. Capitação: devido à sonegação contínua do
quinto, a Coroa decidiu criar um imposto que
incidia sobre cada cabeça de escravo (a
capitação).
A
medida
gerou
muita
insatisfação, sobretudo com os donos das
lavras, que intercederam, substituindo a
capitação por uma cota mínima (finta) de 100
HOMENS
LIVRES
ESCRAVOS
OBS:
século XVIII – Cerca de 3,3 milhões
de pessoas distribuídas pela colônia – na
maioria reinóis esperançosos com a “febre do
ouro”.
A sociedade da mineração era marcada por uma
nova configuração social:
A
O
aumento
populacional
gerou
desenvolvimento do comércio interno.
B
O
aumento
populacional
também
promoveu o desenvolvimento dos núcleos
urbanos.
C
Durante esse período também surgiu a
perspectiva de mobilidade social.
D
A
sociedade
continuava
patriarcal,
aristocrática e com grande concentração
de terras e riquezas nas mãos de poucos.
E
Uma nova classe, a dos homens livres,
surgia durante o período e era composta
por: comerciantes, clérigos, soldados,
profissionais
liberais
–
médicos,
21 Prof. Rodrigo Simão
o
Prof. Rodrigo Simão
advogados, professores, etc.
Atenção queridos alunos, aqui é o professor
Rodrigo Simão para avisar que aspectos sociais
devem ser valorizados.
Os Tratados do Século XVIII
Tratado de Methuen 1703: também
conhecido como “Tratado dos Panos e Vinhos”,
foi ratificado entre Portugal e Inglaterra,
obrigando os portugueses a comprarem os
manufaturados britânicos, sobretudo os tecidos,
enquanto os ingleses passariam a privilegiar a
entrada de vinho português em seu país. Esse
acordo
tornou
a
economia
portuguesa
amplamente dependente da economia britânica,
pois
proibia
Portugal
de
desenvolver
manufaturas, criando um significativo déficit na
economia portuguesa devido às importações. A
dependência portuguesa gerou a transferência
de significativas porções de ouro proveniente do
Brasil para os cofres britânicos, devido ao
pagamento luso pela compra de mercadorias ou
prestações de empréstimos. Dessa forma,
podemos afirmar que o ouro brasileiro colaborou
decisivamente com a Revolução Industrial
inglesa,
pois garantiu aos
britânicos
a
acumulação primitiva de capital necessária ao
investimento no maquinário e na tecnologia
usada no período. Frase clássica do período:
OBS: Os jesuítas espanhóis de Sete Povos das
Missões não aceitaram entregar suas reduções
(o mesmo que missões) aos portugueses e
iniciaram uma violenta guerra contra as
determinações do Tratado de Madri. Esse
conflito
ficou
conhecido
como
“Guerras
Guaraníticas” e impediu a posse portuguesa
sobre o atual Rio Grande do Sul, antiga região
de Sete Povos das Missões. Os desdobramentos
dessa guerra tanto desencadearam a assinatura
de novos acordos entre Portugal e Espanha,
quanto uma conspiração que vai acusar jesuítas
espanhóis e portugueses de tentarem formar um
Estado Teocrático (administração divina) na
América, culminando na expulsão dos jesuítas
dos domínios portugueses e espanhóis.
COMPLEMENTAR:
A
aplicação
das
determinações do Tratado de Madri sofreu muita
oposição, principalmente por parte dos índios
guaranis, insuflados pelos jesuítas. Antes da sua
confirmação, ocorrida em Badajós (1801), os
seguintes Tratados intermediários ocorreram:
 Tratado de El Pardo (1761): suspende o de
Madri parcialmente. É iniciada uma fase de
rivalidades acirradas entre Portugal e Espanha.
Além disso, a Colônia do Sacramento volta
para Portugal e Sete Povos das Missões é
restituída à Espanha.
 Tratado de Santo Ildefonso (1777): a Colônia
do Sacramento e Sete Povos das Missões
passam à Espanha. Portugal recebe de volta a
Ilha
de
Santa
Catarina,
atualmente
Florianópolis, que havia sido invadida e tomada
por espanhóis (momento de fragilidade em
Portugal devido a morte do rei D. José I e a
demissão do Marquês de Pombal).
 Tratado de Badajoz (1801): põe fim à um novo
momento de hostilidades entre Portugal e
Espanha (Guerra das Laranjas). Confirma,
finalmente, o Tratado de Madri. Sete Povos das
Missões ficava com Portugal e o Sacramento
com a Espanha.
“A exploração aurífera do século XVIII deixou
buracos no Brasil, igrejas em Portugal e
indústrias na Inglaterra”
O Tratado de Madri 1750: esse acordo foi
assinado entre Portugal e Espanha e eliminou
definitivamente o Tratado de Tordesilhas,
ampliando de forma significativa o território
português na América. Alexandre de Gusmão,
negociador português no acordo, evocou o
princípio do “Uti possidetis, ita possideatis”
(quem colonizou a terra tem direito a ela).
Utilizando mapas de bandeirantes como Antônio
Raposo Tavares, os portugueses conseguiram
comprovar sua presença nos territórios a oeste,
legitimando o domínio sobre a região. Pelo
Tratado de Madri ainda ficava ratificado que a
região espanhola de Sete Povos das Missões
(parte do Rio Grande do Sul) passaria para o
domínio
português,
enquanto
a
colônia
portuguesa conhecida como Sacramento (atual
Uruguai), deveria passar para o domínio
espanhol.
A Administração do Marquês de Pombal
(1750 – 1777)
Sebastião José de Carvalho e Melo, também
conhecido como Conde de Oeiras, foi incumbido
pelo rei D. José I de reverter os desastrosos
efeitos do Tratado de Methuen. Para tanto,
Pombal
recebeu
uma
autonomia
política
significativa, o que lhe rendeu a referência de
22
“Déspota Esclarecido” (espécie de administrador
autoritário, mas comprometido com os ideais
burgueses – liberais). Pombal tomou uma série
de iniciativas para concretizar os interesses
portugueses. As principais foram:
 Criou companhias de comércio portuguesas
para dar manutenção ao exclusivo comercial
luso. Os ingleses já tinham adquirido tantos
privilégios comerciais sobre o Império
português que se tornava mister criar alguma
instituição para fiscalizar as atividades
comerciais
inglesas
nos
territórios
portugueses.
 Expulsou os jesuítas do Império luso em
1759, acusando-os de tentarem formar um
“Estado Teocrático” (Estado de Administração
Divina). O nível da educação acabou
despencando no Brasil e o governo criou o
“Subsídio Literário”, espécie de imposto para
garantir
as
“Aulas
Régias”
(aulas
patrocinadas pelo governo).
 Eliminou as capitanias particulares, tornandoas capitanias reais. Com essa medida,
Pombal visava ampliar o poder da Coroa no
Brasil, pois havia comprado as antigas cartas
de
doação
que
vinham
passando
hereditariamente, eliminando a poderosa
figura
do
donatário
de
capitania
definitivamente.
 Transferiu a capital de salvado para o Rio de
Janeiro em 1763 visando ampliar o controle
metropolitano sobre a região mineradora,
além de aproximar a sede administrativa do
novo eixo econômico, a região centro-sul.
 Incentivou
o
desenvolvimento
de
manufaturas no Brasil como forma de reduzir
as importações de produtos ingleses, geradas
em grande parte pelos acordos de Methuen.
 Instituiu a Derrama como forma de garantir
os
interesses
portugueses
sobre
o
cumprimento da cota anual de 100 arrobas
de ouro.
 Criou novas políticas de integração e
proteção do gentio contra a escravidão.
 Incentivou a imigração. Vieram os primeiros
sírios, libaneses, persas, egípcios - quase
todos nacionais do Mediterrâneo oriental, que
engloba-se sob o nome genérico de "turco".
A Cultura no Século XVIII
O Arcadismo: valorização da obra literária
nacional que começa a tomar rumos diferentes
do europeu. Caracterizado pelo sentimento
nativista e a valorização do índio como herói.
Destaque para Cláudio Manuel da Costa e Tomás
Antônio Gonzaga.
O Barroco: chegou ao Brasil ainda durante o
ciclo da cana, mas seu auge foi na mineração.
Enquanto movimento importado da Europa, no
Brasil ganhou características próprias, como
anjos negros ou mulatos. O maior destaque foi
Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho.
EXERCÍCIOS
1. (UNESP) A partir de 1750, com os Tratados
de Limites, fixou-se a área territorial brasileira,
com pequenas diferenças em relação a
configuração atual. A expansão geográfica havia
rompido os limites impostos pelo Tratado de
Tordesilhas. No período colonial, os fatores que
mais contribuíram para a referida expansão
foram:
a) criação de gado no vale do São Francisco e
desenvolvimento de uma sólida rede urbana.
b) apresamento do indígena e constante procura
de riquezas minerais.
c) cultivo de cana-de-açúcar e expansão da
pecuária no Nordeste.
d) ação
dos
donatários
das
capitanias
hereditárias e Guerra dos Emboabas.
e) incremento da cultura do algodão e
penetração dos jesuítas no Maranhão.
2. (FUVEST) A sociedade colonial brasileira
"herdou concepções clássicas e medievais de
organização e hierarquia, mas acrescentou-lhe
sistemas de graduação que se originaram da
diferenciação das ocupações, raça, cor e
condição social. (...) As distinções essenciais
entre fidalgos e plebeus tenderam a nivelar-se,
pois o mar de indígenas que cercava os
colonizadores
portugueses
tornava
todo
europeu, de fato, um gentil-homem em
potencial. A disponibilidade de índios como
escravos ou trabalhadores possibilitava aos
imigrantes concretizar seus sonhos de nobreza.
(...) Com índios, podia desfrutar de uma vida
verdadeiramente nobre. O gentio transformouse em um substituto do campesinato, um novo
estado, que permitiu uma reorganização de
categorias tradicionais. Contudo, o fato de
serem aborígenes e, mais tarde, os africanos,
diferentes étnica, religiosa e fenotipicamente dos
europeus, criou oportunidades para novas
distinções e hierarquias baseadas na cultura e
na cor."
(Stuart B. Schwartz, SEGREDOS
INTERNOS)
A partir do texto pode-se concluir que:
a) a diferenciação clássica e medieval entre
clero, nobreza e campesinato, existente na
Europa, foi transferida para o Brasil por
intermédio de Portugal e se constituiu no
elemento fundamental da sociedade brasileira
colonial.
b) a presença de índios e negros na sociedade
brasileira levou ao surgimento de instituições
como
a
escravidão,
completamente
desconhecida da sociedade européia nos
séculos XV e XVI.
c) os índios do Brasil, por serem em pequena
quantidade
e
terem
sido
facilmente
dominados, não tiveram nenhum tipo de
influência sobre a constituição da sociedade
colonial.
23 Prof. Rodrigo Simão
Prof. Rodrigo Simão
d) a diferenciação de raças, culturas e condição
social entre brancos e índios, brancos e
negros, tendeu a diluir a distinção clássica e
medieval entre fidalgos e plebeus europeus
na sociedade colonial.
e) a existência de uma realidade diferente no
Brasil, como a escravidão em larga escala de
negros, não alterou em nenhum aspecto as
concepções
medievais dos
portugueses
durante os séculos XVI e XVII.
c) transferir a capital da Bahia para o Rio de
Janeiro, para onde fluía a maior parte da
produção
açucareira,
ameaçada
pela
pirataria.
d) afastar os jesuítas da colônia por serem
quase todos espanhóis e, nesta qualidade,
defenderem os interesses da Espanha.
e) aliar-se política e economicamente à França
para enfrentar os vizinhos espanhóis,
impondo-lhes suas concepções geopolíticas
na América.
3. (FUVEST) No século XVIII a produção do
ouro provocou muitas transformações na
colônia. Entre elas podemos destacar:
a) a urbanização da Amazônia, o início da
produção do tabaco, a introdução do trabalho
livre com os imigrantes.
b) a introdução do tráfico africano, a integração
do índio, a desarticulação das relações com a
Inglaterra.
c) a industrialização de São Paulo, a produção
de café no Vale do Paraíba, a expansão da
criação de ovinos em Minas Gerais.
d) a preservação da população indígena, a
decadência da produção algodoeira, a
introdução de operários europeus.
e) o aumento da produção de alimentos, a
integração de novas áreas por meio da
pecuária e do comércio, a mudança do eixo
econômico para o Sul.
6. (UFMG) Todas as alternativas contêm
afirmações corretas sobre a tributação do ouro
nas Minas no período colonial, EXCETO:
a) A Derrama era a cobrança dos impostos
atrasados quando não eram preenchidas as
cotas anuais.
b) A tributação do ouro se verificou inicialmente
sob a forma de cobrança por bateias.
c) O imposto da Capitação recaía sobre todo
escravo empregado nos trabalhos auríferos.
d) O ouro passou a ser quintado somente a
partir da instalação das Casas de Fundição.
e) O quinto correspondia a uma porcentagem
sobre a produção paga pelos mineradores.
7. (UFF) No processo histórico de Portugal o
Tratado de Methuen consolidou a:
a) subordinação econômica de Portugal à
Inglaterra.
b) prosperidade
da
indústria
nacional
portuguesa.
c) liberdade de comércio entre as colônias
portuguesas e inglesas.
d) posse das terras situadas além do meridiano
de Tordesilhas.
e) supremacia da França como principal parceira
comercial de Portugal.
4. (UFES) Sobre os jesuítas, intimamente
relacionados com a expansão européia e a
realidade colonial, é correto afirmar que:
a) foram expulsos de Portugal e do Brasil no
reinado de D. José I.
b) respeitaram as culturas alheias, mas fizeram
da educação uma das tarefas menos
constantes na América, na Ásia e na África.
c) a Ordem dos Jesuítas nunca foi reconhecida
pela Santa Sé e pelos monarcas absolutos.
d) deliberadamente buscaram aniquilar os
guaranis catequizados.
e) foram
indispensáveis
na
luta
contrareformista, mas não estavam sujeitos a um
modelo
de
organização
hierarquizada
militarmente.
Capítulo VI - As Revoltas da Crise do
Sistema Colonial.
As Revoltas Nativistas
Rebeliões nativistas: primeiras revoltas que
aconteceram no Brasil, combatiam o domínio
Português, de caráter nacionalista mas não
pensavam em independência, apenas queriam
algumas mudanças administrativas.
 Aclamação de Amador Bueno
 Revolta de Beckman
 Guerra dos Emboabas
 Guerra dos Mascates
 Revolta de Vila Rica
5. (FGV) Entre 1750, quando assinaram o
Tratado de Madrid, e 1777, quando assinaram o
Tratado de Santo Ildefonso, Portugal e Espanha
discutiram os limites entre suas colônias
americanas.
Neste
contexto,
ganhou
importância, na política portuguesa, a idéia da
necessidade de:
a) defender a colônia com forças locais, daí a
organização dos corpos militares do centrosul e a abolição das diferenças entre índios e
brancos.
b) fortificar o litoral para evitar ataques
espanhóis e isolar o marquês de Pombal por
sua política nitidamente pró-bourbônica.
Aclamação de Amador Bueno
(São Paulo 1641)
O Rei D.João IV (dinastia de Bragança),
assume o trono e se preocupa mais com o
nordeste. Os Paulistas estavam insatisfeitos com
os Jesuítas e desencadearam um movimento de
agressão conhecido como “Bota dos Padres
24
Fora” (boa parte das bandeiras de apresamento
se desenvolveram nesse contexto). Como o rei
não se pronunciava os paulistas resolvem
protestar e aclamar Amador Bueno (comerciante
local) como Rei, mas Bueno não aceita ser
coroado temendo retaliações violetas de
Portugal. A aclamação entra para a História pelo
fato de ser a primeira tentativa de se contestar a
autoridade Portuguesa.
A Revolta de Beckman
(Maranhão 1681-1684)
O principal produto comercializado era o
algodão com a mão-de-obra escrava do índio.
Atendendo a pedidos dos Jesuítas, em 1680, a
Coroa cria leis especiais, proibindo a escravidão
indígena no Maranhão, essa atitude desagrada
os proprietários de terras. A coroa responsabiliza
a Cia. de Comércio do Maranhão (instituição
metropolitana) pelo não abastecimento devido
de mão-de-obra escrava negra na região. Sendo
que a Cia. havia se comprometido em fornecer
500 escravos ao ano para o Maranhão. Liderados
pelos irmãos Beckman, os colonos locais pegam
em armas e dominam o Maranhão, mas a
revolta é abafada pela coroa e seus líderes
foram executados.
Guerra dos Emboabas
(Minas Gerais 1708-1709)
Inúmeros portugueses, da metrópole ou da
própria colônia, tão logo souberam da
descoberta do ouro, dirigiram-se para o local das
jazidas. Os paulistas sentiam-se injustiçados
com a ambição portuguesa, principalmente pelos
critérios
de
exploração
aurífera
que
privilegiavam os portugueses, como os melhores
lotes que sempre eram entregues aos maiores
proprietários de escravos negros que eram
portugueses, em sua maioria. O desprestígio dos
paulistas causou o início do conflito (esse
conflito ficou definido como uma disputa pelo
controle da zona mineradora).
Os portugueses eram conhecidos como
emboabas, palavra de origem tupi que servia
para designar os que não haviam nascido na
região, os forasteiros (ou uma ave engraçada
com penas nas pernas). Em 1709, ocorreu uma
sangrenta matança de diversos paulistas, no
chamado Capão da traição. Um exercito de
emboabas de 1000 homens, comandados por
Bento do Amaral Coutinho foi o responsável pela
chacina. Bento do Amaral lhes ofereceu a
rendição mediante a entrega das armas e, em
seguida a entrega das armas, não cumpriu o
acordo, eliminando os paulistas.
Procurando acabar com o conflito, a cora
portuguesa interveio na região e passou a
exercer austero controle econômico das minas.
Em julho 1711, D. João V elevou São Paulo à
categoria
de
cidade,
separando-a
administrativamente das regiões das minas.
O final da guerra dos Emboabas foi
desfavorável aos paulistas e fez com que se
lançassem à procura de novas jazidas de ouro
em outras regiões do Brasil, pois foram proibidos
de retornar à Minas Gerais. Isso teve como
conseqüência a descoberta de ouro na região
Centro-Oeste, em Goiás e em Mato Grosso.
Guerra dos Mascates
Olinda X Recife (Pernambuco 1710)
Olinda capital de PE estava fracassada com
a queda do açúcar e endividados, os senhores
de engenho olindenses dependiam mais do que
nunca dos ricos comerciantes de Recife. Já
Recife, em ascensão econômica, crescia com a
chegada de portugueses que passaram a
controlar o comércio (esses comerciantes eram
conhecidos como mascates). Recife passa a
pleitear sua emancipação de Olinda, o que a
tornaria com status de Vila. Os olindenses não
aceitam tal medida e se inicia um confronto
entre as duas cidades, que só foi sufocado com
a intervenção do governo, que, em seguida,
concedeu a autonomia desejada por Recife.
Revolta de Vila Rica (Minas Gerais 1720)
Mesmo a rígida administração portuguesa
na zona mineradora não conseguia evitar o
contrabando de ouro e diamantes. Alguns
escravos eram treinados desde meninos para
engolir pepitas e passar pelos fiscais. Os
suspeitos eram obrigados a tomar fortíssimos
purgantes para expelir a pedra. A lei de
implantação das casas de fundição desencadeou
uma forte onda de protestos. Um grupo de
insatisfeitos que tinham a sua frente o
minerador Felipe dos Santos, saiu às ruas
promovendo manifestações contra a decisão
metropolitana. Usando artifícios para ganhar
tempo, o governador da capitania, conde de
Assumar, pôde estudar a situação, para, em
seguida, desfechar violenta repressão contra os
rebeldes. Os líderes foram presos, e suas casas
queimadas. Felipe dos Santos foi prontamente
enforcado e esquartejado.
Revoltas Separatistas ou
Emancipacionistas
Inconfidência Mineira (1789)
Causas
 Econômicas:
Fintas e Derrama: medidas autoritárias
provocaram descontentamento desencadeando a
revolta os proprietários mineiros. Ameaçados de
uma derrama violenta, preferiram articular
contra a Coroa portuguesa para defender seus
interesses materiais.
 Ideológicas:
Influenciados pelo: Iluminismo Francês e
pela Independência dos EUA em 1776. Destaque
para o estudante brasileiro José Joaquim da
Maia que, em Paris, entrou em contato com
Thomas Jefferson, representante do governo dos
EUA na França, para solicitar o apoio dos norte
americanos ao movimento de rebelião contra a
25 Prof. Rodrigo Simão
Prof. Rodrigo Simão
dominação portuguesa, que estava prestes a
eclodir no Brasil.
Em uma das cartas mais famosas de Maia a
Thomas Jefferson, o estudante brasileiro
escreveu: "Sou brasileiro e sabeis que minha
desgraçada pátria geme em um espantoso
cativeiro, que se torna cada dia menos
suportável, desde a época de vossa gloriosa
independência...”
Objetivos
 Lutam pela independência local de Minas
Gerais e a capital seria São João Del Rey.
 Implantar uma Republica Presidencialista (
inspiração na Constituição de George
Woshingon 1787).
 Pretendiam implantar universidades em
Minas (o fato deve-se a alguns lideres serem
intelectuais).
 Modernização com Indústrias: a preocupação
era conseqüência do documento Alvará de 5
de janeiro de 1785, assinado pela Rainha
D.Maria I (a louca),que proíbe a instalação de
indústrias no Brasil. Segundo ela, as
indústrias iriam desviar a atenção e mão-deobra da mineração e da agricultura,
atividades que eram mais importantes para
Portugal. Na verdade os motivos reais eram
as pressões Inglesas.
OBS: A inconfidência Mineira foi uma revolta típica de
proprietários, extremamente elitista no seus objetivos,
não apresenta proposta para mudar a estrutura social
do Brasil, em nenhum momento atacou a escravidão,
ainda queriam a criação de um centro universitário em
Vila Rica e a liberalização das manufaturas.
Conjuração Carioca (1794) - Conjuração
Fluminense ou Revolta do Rio de Janeiro
Surgiu no Rio uma "arcádia", sociedade
literária em que os escritores se reuniam com o
objetivo de difundir as idéias da revolução
francesa ( igualdade, liberdade, fraternidade ).
Mas não pensavam em revolução, a Arcádia foi
fechada e os lideres foram presos porque as
idéias dos poetas e escritores contrariavam
Portugal.
Desdobramento
O primeiro movimento emancipacionista
não saiu do papel. Joaquim Silvério, traiu o
movimento delatando a revolta que ocorreria
durante a cobrança da derrama ao governador
Visconde de Barbacena, em troca de favores
pessoais.
A derrama foi cancelada e todos os
envolvidos foram presos, e assim começa a
devassa que envolvia o julgamento dos
participantes. O processo se arrastou por 2
anos, um dos principais lideres, Cláudio Manoel
da Costa, morre supostamente torturado, mas
na versão oficial se suicidou. Durante a devassa,
o Alferes (aspirante a militar) Joaquim José da
Silva Xavier (Tiradentes) que seria o mais
humilde e apaixonado pela revolta, foi
condenado a pena de morte, enquanto os
demais participantes sofreram penas de degredo
e foram incumbidos de indenizações à Coroa
portuguesa. Tiradentes foi enforcado no dia
21/04/1792
no
Rio
de
Janeiro.
Após
esquartejado, as partes do seu corpo foram
espalhadas para exemplificar o destino dos
opositores da Coroa à sociedade – sua casa foi
demolida e o terreno salgado, para demonstrar
infertilidade de sua atitude.
OBS: Essa conjuração foi mais um movimento elitista
formado por intelectuais e muito semelhante à
Conspiração do Suassuna 1801(P.E).
Conjuração Baiana (1798) –
"Revolta dos Alfaiates"
“Animai-vos Povo baiense que está para chegar
o tempo feliz da nossa Liberdade: o tempo em
que todos seremos irmãos: o tempo em que
todos seremos iguais." (in: RUY, Afonso. A primeira
revolução social do Brasil. p. 68.)
Ao contrário das anteriores, tem origem e
liderança popular, tinha os mesmos objetivos
mais amplos que das anteriores, buscavam
principalmente mudanças sociais e foi o primeiro
movimento no Brasil a se posicionar contra a
escravidão(apesar disso, contou com apoio de
intelectuais e até alguns integrantes da elite
baiana).
Em 1797 foi aberta a loja maçônica
"Cavaleiros da Luz", idealizada por Cipriano
Barata (medico dos pobres). Cipriano procurava
divulgar as idéias da Revolução Francesa, assim
como
os
ideais
liberais
iluministas,
a
Independência dos EUA, a Revolução Haitiana e
a Inconfidência Mineira, todos movimentos
influenciadores da Conjuração Baiana.
Lideres mulatos de classe baixa que viviam
na periferia de salvador influenciados pelas
idéias da revolução começam a planejar a
revolta, mas ingênuos espalham cartazes
26
chamando as pessoas para a luta. Com isso, o
governo invade a loja maçônica Cavaleiros da
Luz,
prendendo
muitos
integrantes
do
movimento, que acabaram denunciando os
líderes. Ao final muitos foram condenados ao
degredo e à morte. Finalmente, no dia 8 de
Novembro de 1799, procedeu-se à execução dos
condenados à pena capital, por enforcamento,
na seguinte ordem:
1. soldado Lucas Dantas do Amorim Torres;
2. aprendiz de alfaiate Manuel Faustino dos
Santos Lira;
3. soldado Luiz Gonzaga das Virgens; e
4. mestre alfaiate João de Deus Nascimento.
O quinto condenado à pena capital, o
ourives Luís Pires, fugitivo, jamais foi localizado.
Pela sentença, todos tiveram os seus nomes e
memórias "malditos" até à 3a. geração.
Revolução Pernambucana (1817)
A mais importante, se considerarmos que
foi levada à luta armada. Não se apóia nos
extremos, nem elitista demais nem popular
demais, formada por diversos setores sociais (
comerciantes, profissionais liberais vinculados à
maçonaria - Loja : "Areópago de Itambé"). A
fome provocada por uma grande seca em 1816
impulsionou
setores
mais
populares
a
participarem da revolta. O Seminário de Olinda
foi uma das fontes intelectuais do movimento,
sustentando ideais nacionalistas como um hábito
rebelde de brindar com cachaça (e não vinho –
produto português) com um sonoro grito: morte
à Portugal.
Dentre os lideres principais destaca-se o
comerciante capixaba de Itapemirim, Domingos
Martins que vivia em P.E na época da Revolução
e acabou fuzilado. Domingos Martins foi
executado em 12/06 na Bahia e entra para a
história como herói capixaba.
A revolta armada estoura em março de
1817, os revoltosos pegam em armas e chegam
a dominar o poder, assumindo o governo local
com uma junta revolucionária, mas foi por pouco
tempo. A resposta de Portugal foi rápida porque
o Rei D. João estava no Brasil e ordena uma
violenta repressão. Atenção queridos alunos,
aqui é o professor Rodrigo Simão para lembras
que as revoltas separatistas são prioridade.
c) a maior parte da direção do movimento era
formada por pessoas pobres, e em suas
propostas havia a defesa da extinção da
propriedade privada.
d) a rebelião ocorreu em um contexto no qual
acontecia a diminuição da produção do ouro e
o aumento na cobrança de imposto por parte
da Coroa Portuguesa.
e) a introdução do trabalho livre em substituição
à mão-de-obra escrava e a indenização aos
grandes proprietários escravagistas era
defendida pelos inconfidentes.
2. (UFMG) Leia este trecho de documento:
"Pernambucanos [...] o povo está contente, já
não há distinção entre Brasileiros, e europeus,
todos se conhecem irmãos, descendentes da
mesma origem [...] Um governo provisório
iluminado escolhido entre todas as ordens do
Estado, preside a vossa felicidade [...] Vós
vereis consolidar-se a vossa fortuna, vós sereis
livres do peso de enormes tributos, que gravam
sobre vós; o vosso, e nosso País [=
Pernambuco] subirá ao ponto de grandeza, que
há muito o espera, e vós colhereis o fruto dos
trabalhos e do zelo dos vossos Cidadãos. Ajudaios com [...] a vossa aplicação à agricultura, uma
nação rica é uma nação poderosa. A Pátria é a
nossa mãe comum, vós sois seus filhos, sois
descendentes
dos
valorosos
Lusos,
sois
Portugueses, sois Americanos, sois Brasileiros,
sois Pernambucanos."
Proclamação do Governo Provisório Revolucionário de
Pernambuco, em 9 de março de 1817.
Considerando-se os princípios que fundamentam
a Revolução Pernambucana de 1817, é
INCORRETO afirmar que seus participantes
a) consideravam
irrelevantes
as
questões
tributárias e desigualdades existentes entre
"Brasileiros",
"Pernambucanos"
e
"Portugueses".
b) entendiam que a riqueza tornava uma nação
poderosa, sendo a agricultura vista como
uma atividade econômica importante para a
Pátria.
c) promoveram a constituição de um Governo
Provisório em Pernambuco, em oposição ao
Governo Monárquico chefiado por D. João.
d) reconheciam como identidades coletivas os
"Pernambucanos", os "Portugueses" e os
"Brasileiros", defendendo que todos eles
eram filhos da Pátria.
EXERCÍCIOS
1. (UFPI) Acerca da Inconfidência Mineira
(1789), é correto afirmar que:
a) a Coroa Portuguesa, diante da possível vitória
do
movimento,
negociou
com
os
inconfidentes e propôs a anistia total aos
revoltosos.
b) o projeto dos inconfidentes, com o objetivo
de deslocar mão-de-obra para as minas,
incluía o fechamento de engenhos e de
fábricas de tecidos.
3. (UFES) No final do século XVIII, a colônia
brasileira foi palco de dois movimentos que
atestaram a Crise do Antigo Regime. Acerca das
influências
filosóficas
e
ideológicas
da
Inconfidência Mineira (1789) e da Conjuração
Baiana (1798), é correto afirmar que:
I. os
movimentos
em
questão
foram
conseqüências da expansão napoleônica,
principalmente no que se refere à educação
básica no mundo colonial.
27 Prof. Rodrigo Simão
Prof. Rodrigo Simão
II. estavam presentes o ideal de liberdade
econômica e de igualdade jurídica do
pensamento iluminista.
III. o nacionalismo defendido como princípio
básico da Revolução Francesa não estava
presente.
II. II. Teve a participação apenas de
sacerdotes e militares, não contando com o
apoio de outros segmentos da população.
III. Foi uma revolta sangrenta que durou mais
de dois meses e deixou profundas marcas
no Nordeste, com os combates armados
passando de Recife para o sertão,
estendendo-se também a Alagoas, Paraíba
e Rio Grande do Norte.
IV. A revolta foi sufocada apenas dois anos
depois por tropas aliadas, reunindo forças
armadas portuguesas, francesas e inglesas.
V. Propunha a República, com a igualdade de
direitos e a tolerância religiosa, mas não
previa a abolição da escravidão.
De acordo com as proposições anteriores,
assinale:
a) se todas estiverem corretas.
b) se apenas a proposição I estiver correta.
c) se apenas a proposição II estiver correta.
d) se somente a proposição III estiver correta.
e) se as proposições II e III estiverem corretas.
4. (UNICAMP)
A respeito da caracterização dos inconfidentes,
tema presente em todo o Romanceiro, considere o
texto adiante.
A análise da extração social dos revolucionários
indica, claramente, que em Minas a inquietação está
lastreada pela prosperidade (de lavras, terras de
lavoura, de gado e de escravos): a revolução é
intentada por homens de posse.
É correto apenas o afirmado em
a) I, II e III.
b) I, III e V.
c) I, IV e V.
d) II, III e IV.
e) II, III e V.
(Carlos Guilherme Mota. "A idéia da revolução no
Brasil (1789-1801)". São Paulo: Cortez, 1989, p. 115)
GABARITO
Capítulo I
1. C
2. D
3. D
4. C
5. A
6. D
7. A
A medida da Coroa que incidiu sobre essas
posses e acirrou os desejos de rompimento com
a metrópole foi a
a) resolução da rainha, D. Maria I, de proibir a
agricultura de subsistência na região de
Minas Gerais.
b) ameaça da Derrama, cobrança de 100
arrobas de ouro anuais a todos os habitantes,
de forma indiscriminada.
c) nomeação de Contratadores, encarregados
de cobrar todos os tributos destinados à
metrópole.
d) oficialização do Quinto, imposto que incidia
sobre a produção mineradora, da qual 20%
destinava-se a Portugal.
e) instituição da Devassa, apuração dos
proprietários suspeitos de conspirarem contra
a Coroa.
Capítulo II
1. C
2. A
3. B
4. D
5. C
6. E
Capítulo III
1. F - F - V - F – F
2. 02 + 04 + 08 + 64 = 78
3. D
4. A
5. C
6. C
7. A
5. (UFES) A Conjuração Baiana (1798)
diferenciou-se da Conjuração Mineira (1789),
entre outros aspectos, porque aquela:
a) envolveu a alta burguesia da sociedade do
Nordeste.
b) pretendia a revogação da política fiscal do
Marquês de Pombal.
c) aglutinou a oficialidade brasileira insatisfeita
com seu soldo.
d) teve um caráter popular, com preocupações
sobretudo sociais.
e) ficou também conhecida como "revolta dos
marinheiros".
Capítulo IV
1. C
2. B
3. B
4. C
5. B
6. E
7. E
8. D
Capítulo V
1. B
2. D
3. E
4. A
5. A
6. D
7. A
6. (UFES) Leia os itens a respeito da Revolução
Pernambucana de 1817.
I.
Possuiu forte sentimento anti-lusitano,
resultante do aumento dos impostos e dos
grandes
privilégios
concedidos
aos
comerciantes portugueses.
28
Capítulo VI
1. D
2. A
3. C
4. B
5. D
6. B
29 Prof. Rodrigo Simão
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