[MELISSA MCCLONE] AGUAS PROFUNDAS

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ÁGUAS PROFUNDAS
(In Deep Waters)
Melissa McClone
Um mergulho para o amor, ao encontro do destino!
Já fazia anos que a bela Kayla Waterton evitava o mar, pois prometera isso a seu pai
quando criança. Além do mais sempre sentiu uma sensação estranha em relação ao mar,
uma sensação que até então não compreendera e cuja causa ansiava descobrir.
Então, quando recebeu um convite para participar de uma expedição em busca de
um antigo navio naufragado, não resistiu à tentação! Afinal era também uma oportunidade
de desvendar seu passado misterioso... E, talvez, de viver uma paixão ardente nos braços
de um pirata moderno, o capitão Alejandro Mendonza!
Julia no. 1249
Copyright © 2002 by Melissa McClone
Originalmente publicado em 2002 pela Silhouette Books, divisão da Harlequin Enterprises Limited.
Esta edição é publicada através de contrato com a Harlequin Enterprises Limited, Toronto, Canadá.
Silhouette, Silhouette Desire e colofão são marcas registradas da Harlequin Enterprises B.V.
Título original: In Deep Waters
Tradução: Camillo Garcia
Editora e Publisher: Janice Florido
Editora: Fernanda Cardoso
Editoras de Arte: Ana Suely S. Dobón, Mônica Maldonado
Paginação: Dany Editora Ltda.
EDITORA NOVA CULTURAL LTDA.
Rua Paes Leme, 524 - IO9 andar
CEP 05424-010 - São Paulo - Brasil
Copyright para a língua portuguesa: 2003
EDITORA NOVA CULTURAL LTDA.
Impressão e acabamento:
RR DONNELLEY AMÉRICA LATINA
Tel.: (55 11) 4166-3500
PRÓLOGO
Hora de dormir, meu anjo. — Jason Waterton beijou a testa da pequena Kayla,
enquanto a cobria com o lençol. — Já basta de histórias, por hoje.
— Oh, não, papai — Kayla Waterton protestou. — Fale só mais um pouquinho
sobre a Atlântida.
Jason Waterton fitou-a no fundo dos olhos brilhantes, de um tom verdeacinzentado, como as ondas do oceano ao amanhecer.
"Os mesmos olhos de Wailele", ele pensou, comovido.
Aliás, a cada ano que passava, Kayla Waterton se tornava mais parecida com sua
falecida mãe... No sorriso, no tom loiro-dourado dos cabelos, no gênio... Sobretudo no
gênio.
Uma profunda dor oprimiu o coração de Jason, enquanto ele se recordava de tudo
o que havia deixado para trás. Como era difícil suportar a saudade...
— São as minhas favoritas, sabe, papai? — A voz de Kayla trouxe-o de volta ao
momento presente. — Ah, como eu adoro as histórias que você conta sobre a Atlântida!
— Que bom, querida. — Jason afagou-lhe os cabelos loiros, que se espalhavam
sobre o travesseiro.
— Mas sabe o que Heidi Baxter falou?
Kayla se referia a uma coleguinha de classe.
— Sim, meu anjo? — E Jason indagou: — O que foi que ela disse?
— Que a Atlântida, as sereias, e todas aquelas coisas lindas, nunca existiram.
Jason notou um tom de mágoa, na voz da menina.
— Mas Heidi está enganada, não é mesmo, papai? — Kayla o fitava com um misto
de ansiedade e esperança.
Uma forte emoção tomou conta de Jason Waterton.
A pequena Kayla era uma sonhadora, ele concluiu, tomando-lhe a pequenina mão
entre as suas.
Sabia que alguns coleguinhas de escola costumavam zombar dela. Afinal, aos
nove anos, Kayla ainda continuava fiel ao mundo fantástico das histórias do mar e de
seus reinos misteriosos...
Do fundo de seu coração, Jason desejava que aquela criança adorável nunca
mudasse. Que mesmo depois de adulta continuasse a crer naquele vasto mundo, tão
rico e perfeito, que até parecia impalpável.
Kayla o fitava, esperando por uma resposta.
Inclinando-se, Jason respondeu, num tom carregado de ternura:
— Se você acredita que uma coisa, ou um ser, é real, então ele será, querida...
— Eu acredito! — Kayla exclamou, com um largo sorriso, enquanto o abraçava.
— Espero que continue assim, para sempre, meu anjo. — Jason estreitou a
criança nos braços, sabendo que ela era seu único motivo para viver. Aliás, se não fosse
por Kayla, ele já teria desistido de tudo, muito antes...
— Agora seja bonzinho, papai, e me conte mais uma história sobre a Atlântida.
Com um sorriso, Jason cedeu. E como não poderia?
Adorava satisfazer seus caprichos. Só gostaria de poder lhe dar mais, muito
mais...
— Era uma vez, há muito tempo, num mar distante, uma ilha chamada Atlântida
— ele começou. — O povo que lá morava não conhecia a infelicidade. Vivendo em
profundo contato com a Mãe-Natureza, respeitando a terra, o ar, o fogo, a água e os
seres vivos em geral, os habitantes de Atlântida recebiam o retorno merecido... A terra
lhes dava todos os alimentos necessários a uma vida saudável, bem como o mar e os
rios de águas límpidas que cortavam a ilha. O ar puro enchia-lhes os pulmões e a alma
de um grande alento. Em respeito às matas, o povo de Atlântida não cortava árvores.
Apenas aproveitava os galhos que se partiam e caíam ao chão, para fazer fogo.
— Que lindo — Kayla comentou, com um brilho de fascínio nos olhos.
Inclinando-se, Jason afastou-lhe uma mecha loira da testa e prosseguiu:
— Além de respeitar a Natureza, o povo de Atlântida era muito desenvolvido nas
Artes, na Ciência e na Filosofia. Mas os cientistas de Atlântida nunca permitiram que
seus conhecimentos lhes causassem mal... Ao contrário: só os utilizavam para o bem,
para tornar a vida mais confortável. Com base na compreensão, no amor e na
simplicidade, os moradores da ilha levavam uma existência pacífica, perfeita. Viviam num
paraíso terrestre...
Jason fez uma pausa.
A menina sorria docemente, esperando a seqüência da história. Não parecia nada
sonolenta, ao contrário: estava absolutamente desperta. Era sempre assim, quando ele
lhe contava aquelas histórias.
Sorrindo de volta, Jason continuou a narrativa:
— Tudo ia muito bem, no Reino da Atlântida... Até que um dia a terra tremeu, de
modo assustador. Um vulcão adormecido, bem no centro da ilha, despertou. Depois de
uma série de estrondos, começou a cuspir fogo. A fumaça pairava sobre o reino. A lava
descia pelas encostas do vulcão, atingindo a cidade. O forte odor de ácido sulfúrico
dificultava a respiração. Bravamente, o povo de Atlântida lutou para vencer os tremores
de terra e dominar o vulcão. Mas, no fim, acabou perdendo a batalha. E a ilha submergiu,
rumo às profundezas do oceano...
— Deve ter sido assustador, papai — Kayla comentou, estremecendo.
Tomando-lhe a mão, Jason continuou:
— Mas o povo de Atlântida sempre havia amado o mar, tirando dele apenas o
sustento necessário... Sem nunca o desrespeitar, nem poluir, nem turvar suas águas. E,
como retribuição, o mar decidiu ajudar os atlantes a sobreviver. A ilha não se partiu, ao
submergir. E quando pousou, a muitas centenas de metros de profundidade, estava
intacta. Como num passe de mágica, o mar criou uma espécie de cúpula de cristal, ao
redor da ilha. E ali colocou uma grande quantidade de ar, para que os atlantes pudessem
respirar. Os artistas, filósofos e cientistas da ilha ajudaram o povo a se adaptar àquele
novo estilo de vida, sob as águas. Muitos anos se passaram... E houve algumas
modificações com os moradores daquela nova Atlântida, submersa nas profundezas do
mar.
— Eles se transformaram em sereias — Kayla completou.
Jason assentiu, enquanto dizia:
— Mas essa transformação não aconteceu da noite para o dia. Levou muitos anos,
para se concretizar. Aos poucos, os atlantes foram percebendo que não precisavam de
pernas e sim de uma cauda semelhante à dos peixes. Assim, poderiam se mover com
mais leveza e agilidade, nas águas.
— E também não precisavam mais respirar pelo nariz, não é mesmo, papai?
— Sim. Por isso, aos poucos, o nariz foi perdendo sua função...
— Mas ele não desapareceu do rosto dos atlantes — Kayla se lembrou. Afinal, já
tinha ouvido aquela história muitas vezes.
— Exato, filha. Ele não desapareceu, mas passou a ser quase um órgão
decorativo, já que os atlantes começavam a desenvolver guelras, como os peixes. Era
por ali que respiravam. — Jason fez outra pausa. — Alguns atlantes ficaram tão felizes
com essa transformação, que decidiram viver para sempre, no mar. Outros, porém,
sentiam saudade da terra. Por mais que amassem o reino das profundezas, não
conseguiam se imaginar passando o resto da vida ali. E mais uma vez o mar atendeu
seus desejos. Deu, aos atlantes que assim o desejavam, o direito de voltar à terra.
— Mas como eles podiam fazer isso, se já não tinham pernas?
— O mar devolveu-lhes as pernas e a função respiratória do nariz. Enfim, deixou
que voltassem a ser homens e mulheres, em vez de sereias.
— Puxa, como o mar foi bom para os atlantes!
— Ele é bom para todos nós, querida. — E Jason finalizou: — A ilha de Atlântida
já não existia, mas havia outras, onde era possível se iniciar uma nova vida. Assim, os
atlantes se dividiram: alguns continuaram no fundo do mar, como sereias, e outros foram
para a terra, como humanos... Mas esses tiveram de pagar um preço.
— Qual?
— O de deixar para trás, e para sempre, o reino que tanto amavam.
— É isso que me dá pena, sabe, papai?
— Como assim, querida?
— Os atlantes que escolheram viver na terra nunca mais puderam visitar seus
amigos, nem o reino do fundo das águas.
— Eles tiveram de fazer uma escolha, querida.
— Mas o mar devia deixar...
— O mar é absoluto, filha. Ele já havia dado, aos atlantes, um presente precioso:
o direito de viver em suas águas profundas. O que mais poderia fazer?
Kayla assumiu uma expressão de dúvida. E Jason argumentou:
— Mas não pense que os atlantes que foram para a terra se sentiram infelizes. Ao
contrário: instalaram-se em pequenas ilhas, onde podiam se dedicar à agricultura, mas
sem ficar longe do amado mar... E ao amanhecer, juntamente com o sol, eles se
banhavam nas águas abençoadas e agradeciam ao mar o presente que haviam
recebido. Nadavam como peixes, sentindo-se parte daquele universo. O tempo passou,
outros homens chegaram às ilhas. E os atlantes puderam, assim, formar novas famílias,
ter contato com seres diferentes... Mas, no fundo do coração, o amor pelo mar e pelo
reino perdido continuava preservado... para sempre.
— Se você fosse um atlante, papai, o que escolheria? — Antes que Jason
respondesse, Kayla exclamou: — Eu queria tanto ser uma sereia!
— Eu também escolheria morar no fundo do mar, querida — Jason afirmou,
comovido.
— Puxa, por que não somos atlantes, papai? — Os olhos de Kayla tinham uma
expressão séria, quase melancólica. — Aposto que a vida lá embaixo é tão mais simples
e bonita...
— A vida pode ser bela em qualquer lugar, meu anjo.
— Mas o mar... — Kayla não completou a frase.
Jason, porém, compreendia exatamente o que ela queria dizer: o mar era tudo.
CAPÍTULO I
As ondas sacudiam a escuna de um lado a outro, como se a embalassem. Mas o
forte movimento das águas revoltas em nada lembrava um acalanto... Ao contrário: era
assustador.
Tentando a custo manter o equilíbrio, Kayla Waterton apertava com força a borda
da escuna, numa evidente demonstração de nervosismo.
De certa forma, o mar sempre fizera parte de sua vida... Desde o ponto de vista
puramente sensorial e sentimental, ela amava e temia aquele gigante misterioso. Mas
Kayla possuía, também, um embasamento histórico e científico, que lhe valera uma boa
posição no Museu de História Marítima de Portland.
Ela passara os últimos onze anos dando seqüência às pesquisas do pai, o
saudoso Jason Waterton, que perecera numa expedição marítima.
Cerca de duas semanas atrás, Kayla concluíra o trabalho. Agora, já sabia o que
esperar do oceano... Que era a um só tempo fascinante e assustador.
Observando atentamente as ondas, em seu eterno movimento, ela pensou nos
muitos segredos que o mar gigantesco guardava, nas profundezas...
—
Isto a ajudará a se sentir segura, durante a passagem para a outra
embarcação — disse Pappy, o capitão da escuna onde Kayla se encontrava. E sorriu,
para encorajá-la: — Desejo-lhe sorte, srta. Waterton.
—
Obrigada — Kayla agradeceu, tentando sorrir de volta. Mas estava tensa
demais para fazê-lo. Como se pensasse em voz alta, comentou: — Eu apenas gostaria
de saber por que, de repente, as águas se tornaram tão agitadas. Ainda há pouco, tudo
parecia calmo...
— Tem razão, senhorita — o capitão Pappy concordou. — A superfície estava
como um espelho, há uma questão de minutos... Vá se entender os caprichos do mar!
Kayla respondeu com um gesto afirmativo de cabeça.
Após alguns momentos de silêncio, Pappy voltou a falar:
—
Nesses muitos anos de vida como capitão, recebi uma lição preciosa:
quanto mais se aprende sobre o mar, mais se tem a aprender... Pois ele guarda infinitos
mistérios. E este, que acabamos de presenciar, é um claro exemplo.
—
Concordo plenamente, capitão Pappy — Kayla declarou, com um profundo
suspiro. — Essa súbita agitação das águas é simplesmente inexplicável.
Kayla não se atreveu a expressar outra opinião, a respeito daquele mistério... Pois
temia que o capitão Pappy a julgasse louca. Mas tinha certeza de que as ondas haviam
se encrespado no exato instante em que o Xmarks Explorer, um barco de pesquisas e
salvamento, havia aparecido na linha do horizonte.
Ninguém, entre os tripulantes da escuna de Pappy, saberia explicar aquele
fenômeno. Nem mesmo o experiente capitão. Mas Kayla tinha um palpite, a respeito: o
mar estava raivoso... com ela.
Afinal, Kayla sabia que não deveria estar ali, em pleno oceano, pronta para
embarcar no Xmarks Explorer. Pois, antes de morrer, o pai exigira que ela prometesse
que, dali por diante, ficaria longe das águas...
Kayla cedera, embora não compreendesse o motivo daquele estranho pedido.
Afinal, Jason Waterton sempre amara o mar... E ela também.
"Se ao menos papai estivesse aqui, para me fazer companhia nessa aventura
arriscada", Kayla pensou, com uma pontada de dor no coração marcado pela saudade.
Mas Jason Waterton já não pertencia a esse mundo. Dedicara sua vida ao mar e
nele perecera. Kayla resolvera dar seqüência ao trabalho que ele deixara inacabado: a
busca do Isabella.
Estudar os relatórios deixados pelo pai, pesquisar livros, mapas e velhos jornais
no Museu de História Marítima de Portland, tirar conclusões... Todas essas atividades
haviam ajudado Kayla a suportar o sofrimento pela perda de Jason Waterton.
Agora, passados onze anos de intensas pesquisas, ela poderia se dedicar à
segunda etapa do trabalho, ou melhor, à parte prática: uma expedição pelo mar... A
primeira que faria sozinha.
Durante muitos anos, o sonho de Jason Waterton fora encontrar o Isabella, um
navio pirata que naufragara cerca de três séculos atrás.
Jason Waterton estudara exaustivamente a história do Isabella, mas morrera sem
realizar seu sonho.
Através das pesquisas que fizera após a morte do pai, Kayla descobrira que ele
passara anos procurando o Isabella no local errado. Um erro de cálculo, no início das
investigações, resultara em buscas infrutíferas, além de um grande dispêndio de dinheiro
e tempo.
— Está pronta, srta. Waterton? — perguntou o capitão Pappy, interrompendo-lhe
as divagações.
Kayla acenou afirmativamente. Mas, no fundo, sentia-se ainda mais assustada.
O Xmarks Explorer estava, agora, a cerca de dois metros de distância da escuna
onde ela se encontrava. Sob as ordens do capitão Pappy, a tripulação estendeu uma
prancha, ligando as duas embarcações.
Kayla contemplou, com assombro, a prancha por onde deveria passar, em poucos
instantes. Só assim poderia embarcar no Xmarks Explorer, para dar seqüência a sua
expedição.
Entretanto, aquele artefato de madeira e corda parecia tão frágil... Além do mais,
o mar continuava revolto. Ondas se erguiam, ameaçadoras. Suas cristas de espuma se
espalhavam no ar, no momento em que se chocavam contra as embarcações.
Kayla olhou mais uma vez para a prancha, que oscilava perigosamente sobre as
águas do oceano. Parecia impossível manter o equilíbrio naquela ponte improvisada,
segurando-se apenas nos corrimãos de corda que a ladeavam.
Um calafrio percorreu a espinha de Kayla. Quantas vezes ela não lera, nos livros,
uma cena parecida com aquela? Muitos personagens de relatos de aventuras marítimas
já haviam atravessado pranchas menos seguras, sobre mares bem mais perigosos...
Mas a ficção era uma coisa e, a realidade, outra... Muito diferente.
Kayla Waterton adorava pesquisar e ler sobre o mar. Mas estar ali, sobre as águas
revoltas, prestes a passar de uma embarcação para outra, tendo como única via uma
prancha de segurança duvidosa... Era uma experiência que, se pudesse, ela dispensaria.
— Pode não parecer, srta. Waterton, mas a prancha é absolutamente segura —
disse o capitão Pappy, como se lhe adivinhasse os temores.
Kayla assentiu, com um profundo suspiro.
"Pense no quanto será importante encontrar o Isabella" — ela se ordenou.
O Isabella não lhe daria apenas a satisfação de realizar o sonho de Jason
Waterton, ou de se deparar com riquezas de valor inestimável. Mais ainda: ele a ajudaria
a descobrir as respostas sobre seu próprio passado... Isso seria, sem sombra de dúvida,
o maior tesouro que Kayla poderia encontrar.
— Não se preocupe com a bagagem — disse o capitão Pappy, com um sorriso
encorajador. — Eu mesmo cuidarei disso.
— Obrigada — Kayla agradeceu, elevando a voz, para ser ouvida por sobre o
barulho das ondas.
Quanto mais rápido transpusesse aquela prancha e embarcasse no Xmarks
Explorer, mais rápido sua expedição começaria, ela pensou.
Era nesse ponto que devia se concentrar, para vencer o medo.
— Mantenha a coluna ereta, mas não tensa — o capitão Pappy recomendou, num
tom quase paternal. — Agora respire fundo e dê o primeiro passo...
Kayla tentou obedecer. Ergueu o queixo, tomou fôlego... Mas não conseguiu ir
adiante.
— E verdade que o mar está encrespado... — o capitão Pappy tentava tranqüilizála — mas não a ponto de ameaçar as embarcações. Se houvesse algum risco realmente
sério, eu não a deixaria andar por essa prancha. Acredite nisso, por favor.
— Oh, eu acredito! — Kayla declarou, tentando demonstrar uma calma que estava
longe de possuir.
Estendendo-lhe a mão, num gesto de despedida que era também uma
demonstração de solidariedade, o capitão Pappy disse:
— Agora vá, srta. Waterton. E ouça um último conselho: faça o que fizer, não olhe
para baixo.
— Como? — Kayla indagou, arregalando os olhos verde-acinzentados.
— Não olhe para baixo... — o capitão repetiu — em nenhuma hipótese.
Concentre-se apenas no ponto onde deve chegar. — E apontou o Xmarks Explorer.
Kayla olhou na direção indicada e só então percebeu que um grupo de homens a
observava. Era a tripulação do Xmarks Explorer. Um dos homens, que devia ser o
capitão, estava mais à frente, debruçado na amurada do barco, junto à prancha.
Como era mesmo o nome dele?, Kayla se perguntou.
Um funcionário do Museu de História Marítima de Portland havia lhe contado... Só
que ela não conseguia se lembrar, agora.
Bem, isso não importava, Kayla pensou, fitando-o com atenção.
O homem tinha uma postura altiva, quase desafiadora. Usava uma boina azul,
camisa colante listrada de azul e branco, e calça preta. Tinha os cabelos negros, nos
quais o vento parecia brincar, e um rosto de traços perfeitos.
Tratava-se de um belo homem, Kayla constatou, fazendo-lhe um aceno.
...
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