ISSN: 0000-0000 TECNOLOGIA E EDUCAÇÃO: UMA RELAÇÃO EM CONFLITO Patrícia Alexandra Martinez1 Silvio Carlos Russi2 Kelly Cristina Onofri3 RESUMO O artigo objetiva analisar a relação Tecnologia e Educação e suas novas propostas de prática de ensino em Geografia. Aborda o conceito de tecnologia promovendo o entendimento de que tecnologia é muito mais do que informática e comunicação. Vem mostrar que a educação tem muito a se beneficiar com as novas tecnologias, instigando os alunos a aprender, encantando eles na construção do conhecimento. No Ensino de Geografia, provoca discussões entre as técnicas mais antigas como mapas e atlas impressos x internet, juntamente com o papel do professor. Palavras-chave: Escola. Tecnologia. Tecnologia na Educação. Metodologia da Geografia. ABSTRACT The article aims to analyze the relationship Technology and Education and its new teaching practical proposals in Geography. It discusses the concept of technology promoting the understanding that technology is much more than information technology and communication. It goes to show that education has a lot to benefit from new technologies, prompting students to learn, wowing them in the construction of knowledge. In Geography Teaching, causes discussions among the oldest techniques such as printed maps and atlases x internet, along with the role of the teacher. Key words: School. Technology. Technology in Education. Methodology of Geography. 1 Graduada em Psicologia pela Universidade do Vale do Itajaí – Univali. Especialista em Gestão e Metodologia de Ensino pela Faculdade Educacional de Medianeira. Acadêmica do Curso de Licenciatura em Geografia pelo Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI, Balneário Camboriú/SC. Contato: [email protected] 2 Acadêmico do Curso de Licenciatura em Geografia pelo Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI, Balneário Camboriú/SC. Contato: [email protected] 3 Orientadora. Graduada em Geografia, Pós Graduada em Docência no Ensino Superior e em Docência em Geografia, Professora no Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI, Balneário Camboriú/SC, Contato: [email protected] Tecnologia e educação: uma relação em conflito 1 INTRODUÇÃO As novas tecnologias conquistaram seu espaço de forma irreversível. Sua contribuição na sociedade ultrapassa a esfera da informática. Próteses, cirurgias, implantes, segurança bancária, automatização industrial, lousa digital, são exemplos de tecnologias que com certeza só tendem ao aperfeiçoamento dos processos na sociedade. A escola como instituição promovedora do conhecimento científico se torna porta-voz da sociedade frente às necessidades nos avanços tecnológicos. Abre aos alunos e professores oportunidades de construção do conhecimento através de equipamentos da nova tecnologia, principalmente da informática e comunicação. Contudo, na prática não ocorre essa interação. Equipes técnicas das escolas proíbem o uso de celulares pelos alunos, restringem o uso da internet aos professores, e suas salas de informática acabam sendo apenas depósitos de computadores parados, ou na melhor das hipóteses, salas de aula de informática. Nessa realidade os alunos terminam sempre excluídos e sem acesso ao que o mundo todo já discute e usa: As tecnologias. O mesmo acontece com o ensino da Geografia. Vários são os instrumentos capazes de encantarem os alunos e promoverem um aprendizado significativo e de qualidade. Porém, falta o respaldo da instituição na prática docente. Pergunta-se, portanto, por que tanta tecnologia e tantas capacitações na área da educação? A resposta de MERCADO (2002, P.11) a este questionamento levanta uma luz sobre o tema, As novas tecnologias e o auto exponencial da informação levam a uma nova organização de trabalho, em que se faz necessário: a imprescindível especialização dos saberes; a colaboração transdisciplinar, o fácil acesso à informação e a consideração do conhecimento como um valor precioso de entidade na vida econômica. O presente trabalho visa compreender um pouco sobre a realidade das tecnologias na educação. Partindo de questões simples como o que é tecnologia até as questões de prática docente, em específico no ensino de Geografia, aborda de forma clara os vários desafios e contribuições que as tecnologias, em específico da informática e comunicação podem oferecer no campo da educação. Explora o papel das novas tecnologias e sua importância no processo de ensino e aprendizagem, apresentando o resultado de uma entrevista feita com professores e Geografia 108 da rede pública de ensino nos municípios de Itajaí/SC e Penha/SC. Revista Científica Emersão v.1, nº 1 – maio/2015 – p. 107-116 Porto Belo/ SC Tecnologia e educação: uma relação em conflito 1.1 O QUE É TECNOLOGIA A palavra tecnologia é hoje uma das mais significativas e comentadas. Sua repercussão chega até as escolas levantando questões que por vezes acabam levando gestores, professores e técnicos a repensarem suas posturas e conceitos frente ao tema. Porém, o que realmente significa tecnologia? Qual seu real significado e até onde abrange este conceito? A palavra tecnologia origina-se da palavra grega tekhne – arte, técnica ou oficio e logia – estudo. É, portanto, o estudo das técnicas ou formas de executar uma arte, um ofício ou uma ciência. No site www.significados.com (2014), Tecnologia é um produto da ciência e da engenharia que envolve um conjunto de instrumentos, métodos e técnicas que visam a resolução de problemas. É uma aplicação prática do conhecimento científico em diversas áreas de pesquisa. No dicionário online Michaelis (2014), tecnologia é: [...] 2 Conjunto dos processos especiais relativos a uma determinada arte ou indústria. [...] 4 Aplicação dos conhecimentos científicos à produção em geral . Já KENSKI (apud RAMPAZZO, 2014, p. 5) define tecnologia como, [...] o conjunto de conhecimentos e princípios científicos que se aplicam ao planejamento, à construção e à utilização de um equipamento em um determinado tipo de atividade. [...] Às maneiras, aos jeitos ou às habilidades especiais de lidar com cada tipo de tecnologia, para executar ou fazer algo, nós chamamos de técnica. [...] Chamamos de tecnologia todo esse conjunto, isto é, as ferramentas e as técnicas correspondentes ao seu uso em cada época. Tecnologia é definida, então, como o estudo das maneiras, métodos ou formas de executar determinada ação, voltada a superação de uma necessidade que pode ser imediata ou não. Ao longo da historia, o homem veio aperfeiçoando suas técnicas a fim de superar as necessidades que surgiam: o fogo, a machadinha, a roda, a eletricidade, a escrita, e mesmo no âmbito da saúde através das descobertas científicas, mapeando bactérias, vírus entre outros. Este desenvolvimento gerou cada vez mais a necessidade de novas técnicas que pudessem acompanhar o desenvolvimento da sociedade. Com os avanços militares em estratégias de guerra, a necessidade de estar sempre um passo a frente do seu possível inimigo, impulsionou as descobertas na área da comunicação: telégrafo, telefone, rádio, televisão até chegar aos dias de hoje com a internet, computadores e softwares cada vez mais avançados. 109 Contudo, uma técnica, ou maneira de executar uma ação, não necessariamente transforma uma sociedade, mas sim o uso que o homem faz dos resultados adquiridos por essa Revista Científica Emersão v.1, nº 1 – maio/2015 – p. 107-116 Porto Belo/ SC Tecnologia e educação: uma relação em conflito tecnologia. Por exemplo, a energia nuclear quando descoberta trouxe impactos surpreendentes para a sociedade, tanto pelo seu poder de destruição (bomba atômica) como de cura (medicina nuclear). A forma como esta energia será usada definirá as mudanças na sociedade. Na linha do tempo da evolução da tecnologia, os avanços alcançados nas mais diversas áreas foram enormes: dos desenhos rupestres a escrita universal, do ábaco na matemática ao computador, da medicina primitiva a medicina nuclear, da roda ao carro. O homem conseguiu transformar a sociedade em uma sociedade que busca, pesquisa e produz cada vez mais, procurando melhorar, superar as necessidades mais frementes e assim transformando o meio onde vive. Outra área do conhecimento que sofreu avanços tecnológicos significativos foi a educação. Aristóteles, Platão e Sócrates ensinavam seus discípulos através do diálogo, do questionamento. Este método evoluiu até os dias de hoje para instituições com salas de aula, onde o aluno interage com o professor na construção do conhecimento. Do inicio do século XX, com o antigo quadro negro as lousas digitais da era moderna, a educação passou por avanços nas técnicas de ensino que muitas vezes não foram acompanhados pelos professores. Sejam por falta de adaptação as novas técnicas, seja pela resistência a mudanças ou mesmo pela falta de convicção no sucesso da nova técnica empregada. Essa situação acaba gerando insegurança nos atores da educação: gestores, professores, técnicos e alunos, que acabam tendo uma variedade de técnicas para seu uso, mas falta de habilidade em lidar com elas. 1.2 AS TECNOLOGIAS DE HOJE Como foi dito anteriormente, tecnologia pode ser entendia como técnicas para resolução de problemas ou suprir as necessidades que aparecem no dia-a-dia da sociedade nos mais diversos campos do conhecimento. Levi descreve em uma de suas obras, 3 (três) tipos de tecnologias que ocorrem na sociedade, 110 [...] a primeira, a seleção natural, que pode ser considerada uma tecnologia que a vida aplica a si mesma, produzindo modificações para adaptar-se ao ambiente. A segunda tecnologia é a seleção artificial, em que os homens passam a interferir domesticando e criando. E a terceira e última tecnologia no campo da vida é a biotecnologia, que atua na forma e funções dos organismos por meio da manipulação dos genes ou moléculas (transgênicos, células-troncos, etc.). (LEVI, 2000 apud RAMPAZZO, 2014, p.7) Como seleção natural entende-se que a tecnologia onde o ser humano acaba Revista Científica Emersão v.1, nº 1 – maio/2015 – p. 107-116 Porto Belo/ SC Tecnologia e educação: uma relação em conflito desenvolvendo técnicas que visam à adaptação e/ou modificações no meio ambiente transformando a sociedade. Observa-se essa tecnologia na evolução da linguagem falada ou escrita, das ferramentas, vestuários, educação, entre outros. A segunda tecnologia, a seleção artificial é aquela onde o ser humano passa a interferir diretamente na transformação do ambiente, criando técnicas mais eficazes para as necessidades da sociedade. A evolução dos meios de transportes, das moradias, da comunicação, informática, da produção e desenvolvimento de fontes de energias renováveis e/ou alternativas. Como terceiro tipo de tecnologia encontra-se a biotecnologia, que visa à melhoria do organismo através de técnicas de manipulações da estrutura interna dos organismos. Seu objetivo primeiro é a qualidade melhorada dos organismos. Melhoramento de sementes, desenvolvimento de células-troncos ou manipulação dos genes a fim de tratar determinadas doenças. Contudo, é natural hoje se pensar em tecnologia, apenas aquela voltada à informática: computadores, notebook, aparelhos digitais, entre outros. É raro a sociedade perceber que o simples ato de comprar na internet, é uma forma de melhoramento das técnicas de comércio, de marketing e logística. Além de um aperfeiçoamento das técnicas do ser humano em utilizar a internet para outros fins. No decorrer de um dia, o ser humano acaba por colocar em prática uma variedade de tecnologias sem realmente perceber que fez: dirigir um automóvel, utilização de próteses, localizar-se por GPS, utilizar os cartões eletrônicos de banco ou de crédito, atender um telefone, ler um livro no seu e-book, ou simplesmente acender uma luz com sensor térmico. Assim, pode-se dizer que cada área do conhecimento tem tecnologias que serão utilizadas e superadas por outras cada vez mais eficientes capazes de suprir as necessidades cada vez mais emergentes e complexas da sociedade. Essa sociedade nos impõe novas formas de agir e pensar. Precisamos buscar constantemente atualização. O “aprender a aprender sempre” toma corpo e sentido, tendo como caminho a educação e a formação continuada e contínua. (RAMPAZZO, 2014, p. 11) A educação segundo a autora, passa a ser o caminho para a construção desse novo aprendizado. Possibilitando uma visão voltada ao futuro e, por conseguinte, as novas necessidades da sociedade. O aprender se torna algo continuo, e não estanque, onde o 111 individuo nunca deixa de aprender ou questionar e assim, de inovar com novas tecnologias. Revista Científica Emersão v.1, nº 1 – maio/2015 – p. 107-116 Porto Belo/ SC Tecnologia e educação: uma relação em conflito 2 TECNOLOGIAS NA EDUCAÇÃO Atualmente os conhecimentos sistematizados não são mais encontrados apenas nas bibliotecas, ou em sala de aula. Os avanços tecnológicos referentes à informação no mundo contemporâneo faz com que o conhecimento circule em complexas redes, sendo veiculadas por meios tradicionais e pela informática, sobretudo pela internet. A criação de novos conhecimentos nunca foi tão acelerada como hoje, provocando a necessidade de rever continuamente o já sabido, reorganizando o saber acumulado e repensando todo o processo ensino e aprendizagem. Isso se deve a nossa sociedade que não irá cobrar somente um diploma ou o mero domínio dos equipamentos modernos e de algumas tecnologias dos jovens, mas a excelência do seu conhecimento. Não se trata aqui apenas de usar a qualquer preço as tecnologias, mas acompanhar conscientemente e deliberadamente uma mudança de civilização que recoloca profundamente em causa as formas institucionais dos sistemas educativos tradicionais e notadamente os papéis de professor e aluno. (LEVY, 1999, p. 172) Dominar o uso de equipamentos e das novas tecnologias é necessário, mas não o suficiente. Contudo, nem todos tem acesso às novas tecnologias. Várias partes do país ainda sofrem com a falta de sinal para telefonia móvel, internet, ou mesmo sinal de rede televisiva. De acordo com RAMPAZZO (2014, p. 9), as tecnologias não são neutras. Pertencem a um mundo carregado de valores e interesses que não favorece igualmente toda a população. Há uma parcela da população que tem pouco ou nenhum acesso em maior ou menor grau às tecnologias. Estes fatores vem representar o desejo do homem em adquirir o novo. Porém, este desejo não é igual nos seres humanos, assim como o impacto caudado nem sempre é positivo, gerando um desconforto social àqueles, ainda, excluídos das novas tecnologias. Inserido nesta sociedade tecnológica, encontra-se o ambiente educacional: A escola. Esta enquanto espaço do saber, deve estar em constante sintonia com um contexto amplo de mudanças que acontecem, sendo chamada a responder a novas exigências impostas pela modernidade. Nesse sentido, já não cabe à escola apenas ensinar, mas também propiciar espaço para novas aprendizagens, como “aprender a fazer”, “aprender a conviver” e “aprender a ser”, além do “aprender a conviver”. MERCADO (2002, p. 11) coloca que no contexto de uma sociedade do conhecimento, a educação exige uma abordagem diferente, em que o componente tecnológico não pode ser ignorado. 112 A escola hoje é chamada a incorporar os avanços advindos das novas tecnologias, sem perder de vista a sua especificidade: apresentar às novas gerações as formas Revista Científica Emersão v.1, nº 1 – maio/2015 – p. 107-116 Porto Belo/ SC Tecnologia e educação: uma relação em conflito de convivência que tornam possível a cidadania e o pleno desenvolvimento do ser humano. Ainda que em muitos lugares esses equipamentos não estejam disponíveis no local de trabalho, é necessário que os profissionais da educação estejam cientes, de que hoje a relação das pessoas com o saber sistematizado, passa por muitas alternativas e fontes de conhecimento, além de escola. 3 TECNOLOGIAS NO ENSINO DA GEOGRAFIA A tecnologia evoluiu muito nas últimas décadas. Conquistou espaços, construiu soluções, desenvolveu novos conceitos enfim, transformou a sociedade. E com essa evolução trouxe consigo uma nova visão do que é conhecimento e de como adquiri-lo. MERCADO aborda esta evolução da tecnologia partindo da consciência das necessidades da sociedade: o reconhecimento de uma sociedade cada vez mais tecnológica deve ser acompanhado da conscientização da necessidade de incluir nos currículos escolares as habilidades e competências para lidar com as novas tecnologias (2002, p. 11). O ensino da Geografia sempre foi desenvolvido a partir de um saber empírico, prático, de observação e análise de dados fotografados ou registrados em mapas ou cartas geográficas. Sua importância no desenvolvimento de um pensamento crítico levantou questões a cerca da sociedade nos quatro cantos do mundo, instigando a investigação e registros mais exatos, ou seja, incentivando o aperfeiçoamento de novas tecnologias. O ensino da Geografia vem de encontro com estas necessidades. Em um ambiente onde a tecnologia da informação e comunicação está em evidência, sendo encontrado em qualquer lugar a partir de um telefone móvel, o professor de Geografia deve estar se atualizando e promovendo espaços de inserção das novas tecnologias na sua prática. A prática pedagógica de nossos professores vem se adaptando às necessidades desse meio informatizado, pois a tecnologia é um meio de auxiliar no processo educacional, tomando-se muito cuidado para não haver distorções de informações. (RAMPAZZO, 2014, p.96) Contudo, apesar do avanço da tecnologia, a prática docente em Geografia ainda não alcançou o esperado, ou seja, não tem avançado nas novas tecnologias. Segundo pesquisa realizada com 5 (cinco) professores de Geografia da rede pública de ensino nos municípios de Itajaí/SC e Penha/SC, a importância dos mapas impressos e atlas ainda é muito grande. Já que os mesmo tem por objetivo situar o ser humano em seu espaço físico. 113 Outra questão comentada e de consenso entre os professores entrevistados foi com relação às aulas de campo. Dos 5 professores entrevistados 4 colocaram a importância Revista Científica Emersão v.1, nº 1 – maio/2015 – p. 107-116 Porto Belo/ SC Tecnologia e educação: uma relação em conflito das aulas de campo em Geografia para um melhor aprendizado. O que nos reporta a explicação dada por KENSKI (2007, p. 23) sobre tecnologia: existem outras tecnologias que não estão ligadas diretamente a equipamentos e que são muito utilizadas pela raça humana desde o início da civilização. A observação empírica de um processo, acontecimento ou mesmo de uma paisagem, sempre ajudou o ser humano a aprender e compreender o ambiente em que vive, bem como a sua realidade e sociedade. O aprendizado não deve se restringir a um ambiente fechado, mas sim oportunizar momentos de conhecimento in loco, para que esta observação empírica possa acontecer. A formação do professor de Geografia também foi abordada. Outra vez foi unânime a opinião de que é extremamente necessária uma formação continuada para que o professor possa estar sempre se reciclando, se recriando e consequentemente recriando sua prática. Nesse sentido DEMO (2009 apud RAMPAZZO, 2014, p. 32) expressa a ideia de que: A formação do professor necessita ser pautada na autoria, isto é, na ideia de que é necessário formar o professor para estudar, pesquisar, elaborar, fundamentar seu conhecimento, a fim de contribuir para o processo de ensino aprendizagem. [...] o professor precisa manter sobre as tecnologias um olhar crítico e autocrítico de quem sabe pensar. [...] para isso precisa mergulhar no mundo tecnológico, dominar as tecnologias, saber humanizá-las, fazer delas alavancas para a cidadania. Finalizando a entrevista, foi levantada a importância das mídias digitais na prática docente. Novamente todos concordaram com a praticidade das mesmas em suas práticas. Para eles, as escolas que já oportunizam aos professores essas mídias (lousa digital, Data Show, sala de informática, etc), acabam por promover um ambiente de ensino muito mais criativo, inovador e de fácil acesso as informações de pesquisa. Como visto a tecnologia já adentrou os portões das escolas e ganha impulso com os tablets, notebooks, computadores, lousa digital e até mesmo celular com capacidade de acesso a internet. Cabe ao professor de Geografia estar em sintonia com esses avanços, promovendo aulas onde instigam a curiosidade dos alunos, encantarem com imagens e vídeos dos lugares estudados e promovam debates levando o aluno a se reconhecer como sujeito de fato e ativo no processo de ensino x aprendizagem. 114 4 CONCLUSÃO Revista Científica Emersão v.1, nº 1 – maio/2015 – p. 107-116 Porto Belo/ SC Tecnologia e educação: uma relação em conflito A tecnologia tem avançado a passos largos na sociedade, conquistando espaços e relegando o segundo plano, técnicas amplamente utilizadas e que hoje são consideradas obsoletas. Na educação a tecnologia tem se apresentado como uma revolucionária no processo de ensino aprendizagem, com um discurso de inovações e maior rapidez nas informações e nas pesquisas. Contudo observa-se que em muitos casos as escolas não estão preparadas para esta realidade. Professores despreparados ou falta de suporte técnico no manejo dos equipamentos são dois dos muitos problemas enfrentados pela tecnologia nas escolas. No ensino da Geografia, as novas tecnologias se apresentam como um instrumento de ensino que proporciona uma visão mais apurada do ambiente. Promove ainda uma relação de troca no aprendizado e na visualização das imagens. Ainda assim, andam lado a lado com as técnicas mais antigas, como globo terrestre, cartas geográficas, atlas e mapas impressos em uma relação em que um complementa o outro. É visível a necessidade de aperfeiçoamento e capacitações dos professores frente às novas tecnologias, porém, mais ainda é a necessidade dos alunos em estarem utilizando estas de forma a efetivar seu conhecimento, já que para eles as novas tecnologias não têm segredos. É apenas um novo caminho no processo de aprender. No cenário atual, não basta o professor ter domínio das tecnologias e inovar em suas aulas, é preciso que os alunos também tenham comprometimento com seu aprendizado, se conscientizem do seu papel ativo e responsável na construção do conhecimento, para que o aprendizado possa ser realmente efetivado. É a consciência da importância das tecnologias aplicadas a educação que farão a diferença entre um aprendizado significativo ou não. Formando indivíduos críticos e conscientes de seu papel na sociedade e não apenas receptores passivos de um conhecimento forjado ao longo dos tempos. REFERÊNCIAS CASTROGIOVANNI, Antônio C (org). Ensino da Geografia: caminhos e encantos. Porto Alegre: Edipucrs. 2007. 115 FILANTRO, Andrea. Design institucional contextualizado: Educação e tecnologia. São Paulo. Editora Senac, 2003. KENSKI, Vani M. Educação e tecnologias: o novo ritmo da informação. Campinas, SP: Papirus, 2007. 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