Contos de Fadas - REITORIA DA URI

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ERA UMA VEZ... O CÁPSULA: REFLEXÕES SOBRE UM TRABALHO COM
CONTOS DE FADA NA ESCOLA1
Cristiane Friedrich Feil2
Resumo
Esse trabalho tem como objetivo a ilustração de uma experiência de estágio em
Psicologia Escolar com um grupo de Contos de Fada, especialmente o conto João e Maria
com crianças de uma escola. Para um embasamento teórico foi utilizados autores que
trabalham sobre o assunto da importância dos Contos de Fada, seu valor terapêutico e os
benefícios que esse tipo de atividade pode trazer para o desenvolvimento das crianças. A
importância da escola no desenvolvimento infantil é fundamental na promoção do
conhecimento social, por isso, discutiremos e apresentaremos algumas formas de intervenção
e possibilidades de prevenção por parte do profissional da psicologia no contexto escolar
através deste trabalho realizado em uma escola estadual de Porto Alegre.
Palavras-Chave: Contos de Fada; Infância; Escola.
Abstract
This paper aims illustration of an internship experience in school psychology with a group of
Fairy Tales, especially the tale Hansel and Gretel with children in a school. For a theoretical
foundation was used authors working on the issue of the importance of Fairy Tales, their
therapeutic value and benefits that this kind of activity can bring to the development of
children. The importance of school in child development is crucial in promoting social
knowledge, therefore, discuss and present some forms of intervention and possible prevention
by the professional psychology in the school through this work in a public school in Porto
Alegre.
Key-Words: Fairy Tales, Children, School.
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Trabalho elaborado para conclusão do Estágio de Psicologia Escolar da PUCRS.
Psicóloga (Formada pela PUCRS em 2010). Endereço para correspondência: Rua Coronel Massot, 535/301,
Cristal – 91910-530 – POA/RS. E-mail: [email protected]
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“Brincar com crianças não é perder tempo, é ganhá-lo; se é triste ver meninos sem escola, mais triste ainda é vêlos sentados enfileirados em salas sem ar, com exercícios estéreis, sem valor para a formação do homem.”
Carlos Drummond de Andrade
“Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina.”
Cora Coralina
CONTOS DE FADAS
Era uma vez... – assim começam os contos de fadas, nos levando de volta a um tempo
distante, no qual acontecem coisas extraordinárias, como monstros, bruxas, animais falantes,
fadas ou mágicos. De certo modo o conto de fada é um sonho, o qual, como diz Jung, é aquele
teatro onde o sonhador é cena, ator, diretor, autor, público e crítico (DIECKMANN, 1986).
Ainda de acordo com Dieckmann (1986), os contos de fadas conseguem suscitar o
interesse vivo da gente em praticamente todas as fases da vida, e em pessoas com qualquer
grau de amadurecimento. O conto deve sempre dizer alguma coisa ao homem que tenha
susceptibilidade para captar sua mensagem, deve tocar algo na profundeza dele, e pôr em
movimento aquilo que não se pode expressar ou formular de outro modo, a não ser através
dessas imagens.
O simbolismo dos contos de fadas mesmo com o passar dos séculos e do
desenvolvimento da cultura, em linhas gerais, segundo Dieckmann (1986), permanece igual.
Esse autor aponta que em cada época os contos devem ser compreendidos, formulados e
interpretados a sua maneira, como também em cada fase particular de nossas próprias vidas.
Nunca entenderemos um conto completamente, ficando sempre algo misterioso, que nos atrai
e nos convida a pensar. Mesmo sem interpretação o conto de fada nos fala e se dirige ao
problema mais agudo em nós naquele momento, assim o conto desenvolve sua ação também
no inconsciente humano.
De acordo com o que Bettelheim (2007) aponta, os contos de fadas são terapêuticos
porque a criança encontra suas próprias soluções, por meio da contemplação daquilo que a
história parece surgir acerca de si e de seus conflitos íntimos em determinando momento de
sua vida. O conteúdo do conto escolhido normalmente não tem nada a ver com a vida exterior
da criança, mas sim com seus problemas interiores que parecem incompreensíveis e, portanto
insolúveis. Para esse autor, a natureza irreal dos contos de fadas é um artifício importante
porque torna evidente que o que interessa aos contos de fadas não é a informação útil sobre o
mundo exterior, mas os processos interiores de cada indivíduo.
Tolkien (apud BETTELHEIM, 2007), descreve as facetas necessárias a um bom conto
de fadas. Tais como: fantasia, recuperação, escape e consolo – recuperação de um desespero
profundo, escape de algum perigo, mas acima de tudo, consolo. As histórias atuais, muitas
vezes têm finais tristes, que não conseguem prover o escape e o consolo que os eventos
amedrontadores do conto tornam necessários, de modo a fortalecer a criança para enfrentar os
caprichos da sua vida.
As histórias de fadas asseguram as crianças que elas podem, eventualmente, levar a
melhor sobre os gigantes – isto é, podem crescer para ser como gigantes e adquirir os mesmos
poderes, de acordo com Bettelheim (2007), essas são “as poderosas esperanças que nos
tornam homens” (p. 39). Esse autor ainda aponta, que de modo ainda mais significativo,
quando esses contos são lidos pelos pais, ou então, podemos pensar por figuras de
identificação, permitimos que as crianças tenham certeza de que aprovamos a retaliação feita
em fantasia à ameaça imposta pela predominância adulta, ou seja, não julgamos suas
fantasias.
O final dos contos de fadas, ao contrário de transmitir uma visão irreal do mundo e da
vida, transmite a segurança de que existe uma possibilidade de a criança conseguir resolver as
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suas dificuldades e angústias de forma a amadurecer e se tornar independente. Os contos
possibilitam as crianças, através da forma simbólica, uma melhor assimilação dos conflitos da
criança de acordo com seu estágio de desenvolvimento intelectual e emocional (MARQUES,
LOUREIRO E FAGGIANI, 2009).
Nesses trabalhos com contos de fadas é importante ser considerado alguns pontos
sobre a técnica da contação, sabe-se que a bibliografia disponível é escassa. O psiquiatra
psicanalista Pierre Lafforgue (1988, apud GUTFREIND, 2005), é uma das principais
referências, sendo um dos pioneiros a se interessar por tal trabalho, expondo com clareza um
modelo que abarca o sentido terapêutico na utilização do conto, no qual afirma que se faz
imprescindível a necessidade de haver uma flexibilidade conforme a mudança de
enquadramento.
Esse autor ainda refere sobre a forma de contar, o autor preconiza um ritual de início e
término do conto para delimitar a passagem da realidade ao imaginário, e vice-versa.
Lafforgue (1988, apud GUTFREIND, 2005), destaca a importância do olhar e da voz de quem
conta, visto que possuem uma função regressiva, materna e nutridora. Nesse sentido, a troca
que ocorre entre os participantes é dada por três canais: gestual, vocal e instrumental. Pelo
fato de o contador ter essa característica nutridora, se faz necessário que ele participe da
organização de um segundo momento (que pode realizado de diversas maneiras como: teatro,
desenho, entre outras atividades), para que, assim, fique demonstrada a perseverança em
continuar contando, apesar das dificuldades. Este fator é de grande importância, uma vez que
a criança usará a relação com o contador para explorar outros espaços em sua mentalização.
O coordenador da atividade deve cultivar a capacidade de acolhimento e de
continência. É papel do coordenador o acompanhamento das crianças com uma atitude
materna/paterna, sabendo o tempo certo de estimular a criança, abrindo-lhe um espaço lúdico
(GUTFREIND, 2005). Pedroso (1991), corrobora com a idéia de Gutfreind, ao enfatizar que o
coordenador da atividade deve possuir uma atitude de intuição e empatia, muito mais do que
de interpretação, o que por si só já tem um valor terapêutico. Sendo ainda continente e dando
limites para o grupo.
A preciosidade de um conto de fada reside na sua “insaturabilidade”, ou seja, na
possibilidade da criança poder preencher qualquer conto, em momentos diferentes de seu
estado emocional ou de seu crescimento, com significados diferentes. Isso nos explica
também o porquê às crianças pedem para que os contos sejam contados diversas vezes. O
“aspecto-chave” do conto é o de “conter” os sentimentos, medos e instintos que a criança
teme que a “atropelem”, por suas dificuldades de controlá-los. A possibilidade de
compartilhar os próprios medos com os personagens auxiliam a entendê-los e a nomeá-los,
dando um significado a tramas e angústias que a invadem (FERRO, 1995, apud MARQUES,
LOUREIRO E FAGGIANI, 2009).
Os contos poderiam propiciar, então, ajuda particular à criança. Esta é, muitas vezes,
incapaz de visualizar concretamente, com seus próprios meios, seus medos e esperanças. Os
contos a ajudam no sentido de apresentar-lhe personagens sobre os quais ela pode projetar
suas esperanças e suas angústias (SOUZA, 2005). Bettelheim (2007), em suas considerações,
destaca ainda a importância do contar o conto de fadas, classificando esta experiência de
duplamente pessoal. Em primeiro lugar, do ponto de vista do narrador, pois o contar é
modelado pela personalidade do narrador, que insiste sobre certos detalhes mais que sobre
outros. Em segundo lugar, do ponto de vista do ouvinte, que pede para que determinado
trecho da história seja aprofundada ou explicada. O conto deixa aflorar tanto a imaginação do
contador como do ouvinte, o que lhes permite adaptar suas idéias e sentimentos.
A PSICOLOGIA ESCOLAR, OS CONTOS DE FADA E A ESCOLA
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Desde o início do século passado que a Psicologia da Educação propõem estudar
questões importantes que interessavam a educação escolar. Porém, somente em 1940, tornouse uma prática profissional, proporcionando o surgimento do Psicólogo Escolar, cuja função
estava vinculada a resolver problemas escolares (MEIRA E ANTUNES, 2003).
Segundo Andaló (1984), a psicologia escolar é uma área pouco valorizada na maioria
das instituições e considerada até mesmo dispensável em algumas delas, por não ser previsto
por lei sua necessidade. Passaram-se mais de 20 anos e infelizmente a citação da autora ainda
é válida. Alguns locais acham que os professores, pedagogos ou orientadores educacionais
podem dar conta das dificuldades de seus alunos e dispensam um serviço realmente
direcionado.
Para Bossa e Oliveira (2002), o sentido da aprendizagem é único e particular na vida
de cada um, e que inúmeros são os fatores afetivo-emocionais que podem impedir o
investimento energético necessário às aquisições escolares. Ou seja, muitas vezes não existe
um “culpado” pelo fracasso do aluno, é uma série de fatores de colaboram para que ele não
consiga aprender ou para que tenha atitudes inapropriadas em sala de aula.
Partindo desse princípio que optamos pelo trabalho com contos de Fada na escola, pois
acreditamos sobre a importância desse tipo de trabalho e os benefícios que poderíamos obter
com o mesmo. Gutfreind (2005), aponta diversas experiências bem sucedidas com Contos de
Fada na escola, o que segundo esse autor a relação entre conto e a escola não é apenas
possível, como também desejada. A partir da leitura de diversos trabalhos sobre o assunto,
Gutfreind afirma que o conto pode ser um mediador na integração de dois campos, muitas
vezes pouco inclinados a se misturarem: o terapêutico e o educativo.
Pejú (1989, apud GUTFREIND, 2005), afirma que essa função é de efeito, se não
terapêutico, benéfico, e abre o acesso a outros benefícios, estimulando a imaginação e
propiciando a elaboração dos conflitos a partir das histórias, pré-requisitos que facilitarão a
aprendizagem.
Gillig (1997), também mostrou que o conto, pela sua estrutura e seu valor inegável
como narrativa, possui não somente um potencial terapêutico para as crianças com
dificuldades, mas merece um espaço amplo na escola, em função de seu valor de seu aspecto
lúdico, presente no encantamento referido. O lúdico e o encanto são verdadeiras pontes para a
leitura e o aprendizado.
Consideramos que o conto de fadas libera a imaginação da criança, abrindo-a para o
inesperado, o imprevisível ou, em outras palavras, para o novo, a possibilidade de mudança, a
utopia (PEIXOTO E VIANA, 2002). De acordo com essas autoras, a abertura se encontra na
própria estrutura dos contos de fadas, pois neles as ações dos seres fantásticos rompem com a
cotidianidade e com o caráter repetitivo da realidade e assim abre espaço para se pensar o
novo. Este aspecto fundamental dos contos de fadas geralmente não é analisado. E é esse
aspecto que possui uma importância pedagógica fundamental, pois é ele que abre espaço para
o desenvolvimento da criatividade e do processo criativo na criança que assim pode romper
com a aprendizagem meramente decorativa e repetitiva. Isto colabora tanto com o
desenvolvimento das potencialidades da criança, principalmente sua criatividade, quanto com
o desenvolvimento da capacidade de se imaginar o novo, o que tem um significado político
subversivo. É por isto que consideramos que os contos de fadas possuem um significado
pedagógico (PEIXOTO E VIANA, 2002).
De acordo com Bettelheim (1980), o conto de fadas guia a criança a entender e
abandonar, em sua mente consciente e inconsciente, seus desejos de dependência infantil
e obter uma existência mais independente através da realização do herói, da experiência pelo
mundo e do encontro com o outro. Para Costa e Baganha (1989, apud MATTAR, 2007) a
escola não só é responsável pela propagação de conhecimento, como pode subsidiar a
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formação pessoal de cada ser humano. Os contos podem ser um importante instrumento
pedagógico, por ajudar no processo de simbolização, ao mesmo tempo em que alivia pressões
inconscientes.
Os contos de fadas, segundo Saiani (2003, citado por Mattar, 2007), são um canal
entre o professor e a criança no trabalho afetivo, ajudando-a a superar seus problemas
interiores, possibilitando que o intelecto possa se desenvolver e trabalhar com o mínimo de
interferências emocionais. Porém, autores como Diatkine (1993, apud SOUZA, 2005),
alertam que a leitura dos contos não deve ser encarada como aprendizado escolar, pois, para
esse autor, ler o conto é uma brincadeira que deve ser repartida com prazer. Assim, considera
que os pais, que forçam seus filhos a ler para acelerar o seu aprendizado, cometem um grande
erro.
ERA UMA VEZ... “O CÁPSULA”
O início trabalho com os Contos de Fada na escola se deu a partir do meu interesse
pelo tema e por acreditar que esse tipo de intervenção seria benéfico para uma turma da 4º
série de um colégio estadual de Porto Alegre. A escolha da turma se deu, principalmente por
ser a única turma de ensino fundamental das séries iniciais e a facilidade de trabalhar com a
turma por terem uma única professora. Para o início do trabalho então, foi combinado um
horário que não atrapalharia os conteúdos de sala de aula e iniciamos o trabalho no início do
ano escolar, não tendo inicialmente data para o término.
Zimerman (1997), aponta que o grupo se constitui como um agente terapêutico, um
meio ativo e econômico no sentido de influir sobre seus participantes. De acordo com esse
autor, é com a ajuda dos membros do grupo e dos coordenadores que a criança pode ter a
oportunidade de se conhecer melhor, perceber como são suas atitudes para com os outros,
qual a origem de seus conflitos e buscar saídas para resolver os seus problemas, assim como
aqueles que emergem no grupo. Gutfreind (2003), acrescenta ainda a idéia de um aparelho
psíquico grupal que oferece oportunidade à criança empobrecida emocionalmente de utilizar
recursos psíquicos que pertencem à outra criança e ao grupo.
Com base nisso, uma inquietação em mim surgia, como poderia ajudar essas crianças
a sonhar? Conseguiriam essas crianças em um mundo tão competitivo, onde o conteúdo fica
como prioridade na escola, simbolizarem e criarem suas próprias histórias? Poderiam essas
crianças, com famílias em sua grande maioria com dificuldades criarem suas próprias
histórias de vida?
A proposta inicial do trabalho, então era de trabalhar com Contos de Fada, uma vez
por semana, em torno de 50 minutos em cada encontro. O trabalho foi desenvolvido por mim,
na época, estagiária de psicologia, juntamente com outra colega estagiária e supervisionado
pela psicóloga, supervisora da escola.
O primeiro encontro com a turma foi para que nos apresentássemos e conversássemos
sobre qual era a nossa proposta. A turma mostrou-se bem motivada e propomos a eles que
eles pudessem escolher novos nomes, inspirados em personagens de histórias ou desenhos da
televisão, seriam livres para escolherem seus novos nomes e em nossos encontros os
utilizaríamos para nos comunicarmos. A idéia de escolher novos nomes se deu a partir do
trabalho realizado por Marques, Loureiro e Faggiani (2009), onde em seu trabalho utilizaram
isso para demarcar as diferenças entre o espaço dos contos e o espaço das demais atividades
pedagógicas.
Após escolherem seus nomes, estavam tão empolgados que pediram para que nós, as
estagiárias, também tivéssemos nomes diferentes, foi proposto então que a turma escolhesse e
foi feito isso por uma votação. A segunda proposta do dia, seria de escolher um nome para o
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nosso momento, como chamaríamos o nosso grupo. Foi então, escolhido pela maioria dos
votos o nome de CÁPSULA. Nessa escolha, ficou bem clara a divisão da turma entre meninos
e meninas. O número de meninas e de meninos se equivalem, porém, os meninos se uniram e
todos votaram juntos, fato esse que não ocorreu entre as meninas, onde se dividiram em
pequenos grupos e não conseguiram um número suficiente de votos para que os nomes
escolhidos por elas ganhassem.
No encontro seguinte, tínhamos como objetivo criar uma história para o nosso grupo.
Para ajudarmos a turma a se identificar ainda mais, fizemos um cartaz, uma espécie de mural,
onde cada um poderia colar o seu novo nome e o levaríamos para a sala para estar exposto em
cada encontro que teríamos. Porém, a turma estava muito excitada e nesse dia não foi possível
a realização da história, os alunos pediram que pudessem trocar de nomes. Deixamos então
livre para isso e a grande maioria no segundo encontro então, trocou de nome. Após isso,
iniciamos o grupo Cápsula, criando uma história para ele. Os alunos começaram a se envolver
tanto que sugeriram que não fosse uma história com um final e sim que fizéssemos como
capítulos, para ficar em aberto e cada dia pudéssemos incluir algo de novo na nossa história.
Ao refletir sobre o nome escolhido para o grupo, logo pensei: o que é uma cápsula?
Dei-me conta, então, que o próprio nome nos trazia algo simbólico. Segundo o dicionário
Aurélio, Ferreira (1993), define a palavra cápsula significa película protetora de
medicamentos, ou, compartimento estanque lançado com um foguete espacial, em cujo
interior vão o astronauta e/ou os instrumentos de medidas, ou ainda, qualquer fruto seco que
se abre ao amadurecer. Seria nosso momento de nos “encapsularmos” e podermos re-criar,
reviver ou construir um novo significado viajando pelo espaço como astronautas ou então
amadurecendo como os frutos?
A idéia que tínhamos era de trabalhar com alguns contos clássicos, então sugerimos a
turma que fizéssemos uma votação para elegermos quais os contos gostariam que
trabalhássemos. O primeiro conto escolhido foi o conto do Barba Azul, conto esse que a
maioria escolheu por não conhecer. Porém, ao ler o conto, logo me dei conta do quanto esse
conto mostrava sobre o poder feminino, que inicialmente estava escondido, mas que acaba
dando a volta por cima. Logo que li o conto, pensei que esse conto poderia ser trabalhado e
tinha muita semelhança com que eu estava sentindo daquele grupo, as meninas sem vozes,
desunidas. Mas outra coisa que chama bastante atenção, é o fato de que a primeira a votar
para escolha desse conto, foi uma das meninas que não estava gostando de participar dos
encontros, pois, segundo ela, não gostou do nome escolhido. E após a votação dela e dela
dizer que queria esse conto, pois não o conhecia, a turma inteira começa a dizer que gostaria
de mudar seu voto e acaba pela grande maioria sendo escolhido o conto como o primeiro para
ser trabalhado.
O início do trabalho com o conto se deu então, após um mês de início do nosso
trabalho. No encontro que havíamos nos preparado para o início da leitura da história, a turma
chega logo contando que criaram uma música e gostariam de nos cantar. Nesse momento
então, se combina com o grupo de que a cada início do grupo Cápsula poderíamos cantar a
música e após ela faríamos a chamada e que esse seria nosso ritual de início para o grupo. A
turma mostra-se muito motivada com isso.
Uma das mudanças que o grupo já começa a apresentar é uma maior integração entre
os alunos, a música mostrou uma união, onde meninos e meninas conseguiram encontrar algo
em comum e que os representassem. Durante a primeira leitura do conto, surgiu muita
mobilização por parte do grupo, especialmente em relação à possibilidade de o Barba Azul vir
a matar mais uma pessoa. Uma das verbalizações que surgiram durante o conto foi “sora, vou
ter pesadelo com essa história de noite” (sic). Acredito que o tema de morte e perdas estava
mobilizando aquele grupo. Inclusive na música que criaram contava a história de um esquilo
que é morto, mas acaba sendo salvo por uma ambulância da SAMU. Através desse conto e da
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música pode ser conversado também em um nível simbólico sobre a agressividade e
violência.
No encontro após a leitura do conto Barba Azul, a turma mostrou-se muito mobilizada
com a história, alguns alunos verbalizaram “contei em casa que degolam uma mulher e meu
pai não gostou desse livro” (sic). Ou então, surgiu um comentário sobre a questão de que na
escola sempre falam que não é legal violência e tínhamos contato uma história muito violenta.
Devido à grande mobilização da turma, sugerimos que eles fizessem um desenho sobre algo
que queriam, podendo escolher se gostariam de desenhar o que mais gostaram ou o que
menos gostaram na história. Alguns alunos preferiram desenhar algo que mais gostou e outros
o que menos gostaram.
Um momento interessante foi quando um dos meninos da turma termina seu desenho e
vem até mim mostrar e verbaliza “desenhei a cena que ele degola a mulher, tem muito sangue
nesse desenho, ficou bem legal né?” (sic). Após isso algumas meninas começam a falar de
seus desenhos, em sua maioria haviam desenhado uma parte que gostaram da história, como o
final do livro onde ela encontra um príncipe, ou então, a festa que o Barba Azul ofereceu. O
menino então que havia feito o desenho com muito sangue, levanta-se e diz mostrando
assustado: “eu quero mudar de desenho também, não quero ser tão violento, tendo tantas
coisas legais para desenhar” (sic). Nesse momento percebo o quanto foi importante ele
colocar para fora a agressividade que tinha, falei então a ele estava terminando nosso tempo,
mas que continuaríamos a fazer alguns desenhos. No final desse encontro a turma começa a
falar que não quer mais ler o conto do Barba Azul.
Corso e Corso (2007), referem que sozinhas, as histórias não induzem à violência, não
fazem apelos regressivos, não produzem o isolamento social nem desligam as crianças da
realidade. Porém, como foi à maioria dos alunos que solicitou que trocássemos de conto,
decidimos trocar. Senti que o tema da agressividade, perdas, morte estava muito intenso
naquele grupo e que seria difícil para eles naquele momento trabalhar isso.
Bettelheim (2007), ainda refere que devido ao fato dos contos de fadas colocarem em
cena as angústias, muitas pessoas acham errado, porém, segundo esse autor, eles insinuam o
medo na criança. Na opinião do autor, quem assim pensa esquece que o homem tem
excelentes razões para inventar os contos de fadas e que estes não existiriam se não fossem
contados e escutados com prazer, por motivos igualmente válidos. Os contos possuem então
um papel muito importante: fornecer ocasião para concretização das angústias e também da
possibilidade de dominá-las. Além disso, afirmam para a criança que cada aspectro mau tem o
seu inverso, e que o segundo é mais poderoso para fazer o bem do que o primeiro para fazer o
mal. Aí está alguma coisa que a criança dificilmente consegue imaginar sozinha quando está
dominada pela angústia (SOUZA, 2005).
Bettelheim (2007), aponta que não temos como especificar qual conto será mais
importante para cada faixa etária, somente a criança poderá revelar pela força com que reage
emocionalmente àquilo que determinado conto evoca na sua mente consciente e inconsciente.
Segundo o autor, é natural que os pais optem por contos que ele próprio gostava quando
criança, mas se a criança demonstra não se sentir atraída pela história, isso significa que os
motivos ou temas apresentados não conseguiram despertar uma resposta significativa naquele
determinado momento. Nesses casos, Bettelheim (2007), ressalta que é melhor contar a
criança então outro conto e que a criança indica sinais de qual conto será mais importante para
ela.
Como estávamos trabalhando com um grande grupo, não conseguiríamos trabalhar
com um conto para cada criança, decidimos então, segundo a votação feita seguir com o
segundo conto mais votado. Nesse momento também conseguimos nos estabelecer em uma
sala fixa para os nossos encontros. Anteriormente havíamos utilizados duas salas diferentes
para cada encontro. Gutfreind (2005), aponta para a importância de um local adequado onde
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será contada a história, que deve ser um espaço delimitado para o contador e para os ouvintes,
pois este ambiente deve favorecer a simbolização. Além disso, sugere a freqüência de uma
vez por semana, com uma duração de uma hora cada encontro, como parte dos instrumentos
da técnica, para o investimento simbólico propiciados pelo conto. No momento em que nos
estabilizamos em uma sala comecei a sentir o grupo apropriado com o local, não precisando a
cada encontro reconhecer o espaço onde estávamos.
Conforme então combinado, mudamos para o conto “João e Maria”, assim como no
conto anterior, o primeiro momento foi verificar com a turma o que já conheciam da história e
após isso lemos o livro. Em resumo o conto relata a história dos irmãos João e Maria, filhos
de um pobre lenhador, que de acordo com esposa, decide largá-los na floresta porque a
familia não tem mais condições de mantê-los. No caminho pela floresta João e Mária
espalham pela floresta migalhas de pão, porém essas migalhas acabam sendo devoradas pelos
passáros e com isso João e Mária acabam perdidos na floresta. Na tentativa de encontrar o
caminho de volta, as crianças encontram uma casa feita de doces e, com fome, começam a
comer as guloseimas. São então recolhidos pela dona da casa que se revela uma bruxa. A
bruxa planejava engordar as crianças para depois comer de sua carne. enquanto João se
alimentava e aos poucos engordava, Mária trabalhava na casa para depois ser a próxima.
Porém, espertas, as crianças descobrem o plano da bruxa e a enganam a jogando dentro do
prórpio forno. Assim, livres, João e Maria conseguem com ajuda de um Cisney voltar para
casa, mas levam consigo jóias preciosas que encontraram na casa da bruxa, salvando seu pai
da pobreza.
A primeira reação da turma foi no momento em que é lido o trecho onde as crianças
são abandonadas, sinto a turma agitada, sendo necessário uma pausa para ouvir alguns alunos
onde comentaram: “porque em todos os contos tem que tem uma madrasta má?” (sic). Ou
então “que horror, como um pai faz isso?” (sic). Ao finalizar a leitura da história conversamos
com a turma sobre o que acharam, muitos começaram a dizer que aquele conto não era
verdadeiro, ou então perguntando se era uma história verídica, outros alunos verbalizaram que
na história que conheciam a casa era feita com muitos doces. Um comentário que me chamou
a atenção foi “a bruxa era a mulher do barba azul?” e uma agitação geral da turma começou
quando um dos alunos diz “é a bruxa azul”. Ao falar isso o menino então diz: “toda história
tem violência”.
De acordo com Bettelheim (2007), os contos de fadas oferecem personagens nas quais
as crianças podem exteriorizar sob formas controláveis aquilo que passa em sua mente. Os
contos mostram as crianças de que modo ela pode corporificar seus desejos destrutivos numa
personagem, obter de outra satisfações almejadas, identificar-se com uma terceira, ter ligações
idéias com uma quarta, e daí por diante, de acordo com suas necessidades do momento.
Além do tema agressividade e abandono, pode ser percebido também um conflito em
relação à sexualidade. No momento em que os irmãos, João e Maria conseguem se libertar da
bruxa há uma parte do livro que diz “Joãozinho pulou para fora da casinha como um pássaro
pula da gaiola quando a porta se abre. Como estavam felizes e contentes, se abraçaram,
pularam e se beijaram! (GRIMM, 1991, p.21).” Após a leitura desse trecho alguns alunos
comentam: “se beijam?” ou então “irmãos se beijando? Isso não pode”. O interessante é que
em nenhum momento é falado onde é o beijo, mas todos compreendem como se fosse um
beijo na boca.
De acordo com Freud (1926), é nesse período da latência que ocorre a dissolução do
complexo de Édipo, a qual ocorreu na fase fálica. Esta fase acontece dos 6 aos 12 anos de
idade. Neste período ocorre uma pausa na evolução da sexualidade, este fato não significa
necessariamente que a criança não tenha nenhum interesse sexual até chegar à puberdade, mas
principalmente que não se desenvolverá nesse período uma nova organização da sexualidade.
O surgimento de sentimentos de pudor e repugnância, a identificação com os pais, a
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intensificação das repressões e o desenvolvimento de sublimações são características deste
período.
Nos encontros seguintes a leitura do livro foi proposta uma construção de fantoches
com o grupo e após um teatro de fantoches. No momento da construção dos fantoches
propusemos cinco grupos onde cada um criaria um dos personagens, sendo: Maria, João, o
pai, a madrasta e a bruxa. A turma inteira participou e foi possível trabalhar a integração do
grupo, pois os grupos foram divididos aleatoriamente através de uma brincadeira. Nesses
pequenos grupos, surgiram comentários como “eu não quero fazer grupo com ela” e pode ser
trabalhado isso com os alunos e ao final da atividade todos interagiram em seus pequenos
grupos e posteriormente com o grande grupo apresentando os seus fantoches.
Porém, no encontro seguinte que seria a criação do teatro com fantoches a turma
mostrou-se muito agitada, sendo muito difícil a realização dessa atividade. Começamos a
perceber o quanto a turma estava precisando desses momentos, o quanto estavam mobilizando
eles. Decidimos então mudar um pouco o formato do grupo, dividindo o grande grupo em
dois, para que cada uma das estagiárias ficasse com um grupo menor, assim conseguiríamos
dar mais atenção, pois ficaríamos com menos crianças. A idéia então foi de criar um teatro,
onde um grupo apresentaria ao outro.
O movimento que o grupo foi tendo desde o início foi muito interessante, pude
perceber o quanto a turma estava mais integrada e motivada a cada encontro, mesmo com as
suas agitações. Alunos que mal falavam no início começaram a participar mais e exporem
com mais clareza seus sentimentos, como no dia do teatro de fantoches, muitos ficaram
brabos, pois queriam ter participado mais, porém, havíamos combinado que todos poderiam
participar, então seria dividido o tempo para cada um. Ao final do encontro algumas das
meninas vieram me falar o quanto estavam chateadas com aquele encontro, que não queriam
mais vir ao grupo e pudemos conversar sobre as frustrações que cada uma estava passando.
Segundo Zimerman (1993), a reunião de um grupo vai muito além de uma simples
soma de indivíduos com problemas pessoais. Tudo se processa simultaneamente, gerando a
formação de um campo dinâmico onde surgem necessidades, desejos, ataques, medos, culpas,
defesas, papéis, identificações, movimentos de resistência, transferência e
contratransferências.
Outro fato que começou a ser trabalhado em nossos encontros foi sobre as mudanças
que eles estavam sofrendo. Após o início do grupo com as crianças eles tiveram uma troca de
professora, fato este que percebo ter mexido muito com a turma, especialmente por nessa
faixa etária o professor ter um papel fundamental, especialmente de identificação. Acredito
que muita da agitação que estava ocorrendo durante os grupos foram porque ali eles tinham
um espaço para serem ouvidos e poder falar das suas inquietações de uma maneira mais livre.
Devido a esse entendimento, por parte de nós, estagiárias, e juntamente com a supervisora
optamos em dividir o grande grupo em dois para que conseguíssemos dar mais atenção aos
alunos. Com a proposta da apresentação do teatro, como encerramento de nosso grupo antes
das férias de inverno o grupo mostrou-se muito motivado. E essa foi então nossa meta em
continuar os encontros, a preparação do teatro.
De acordo com o trabalho realizado por Ramos-Cerqueira, Lima, Torres, Reis e
Fonseca (2005), com Contos de Fada e psicodrama para estudantes de medicina, foi possível
verificar que o trabalho com os alunos possibilitou que se reencontrassem e restabelecessem a
identidade junto aos pares, na medida em que puderam expressar coletivamente as
dificuldades pertinentes a este momento de vida. De acordo com essas autoras, “Brincar” com
os Contos de Fada, “inocentes” lembranças de suas infâncias, auxiliou na diminuição das
resistências e catalisação dos afetos e angústias. No caso, pode-se supor que o procedimento
sociodramático utilizado não teve apenas valor exploratório de atitudes e sentimentos, mas
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pode também ter propiciado modificações nos grupos envolvidos, não apenas por seu efeito
catártico, como também “iluminador”.
Com a idéia então de criar um teatro, propusemos recriar uma nova história do conto
João e Maria, apenas com esse título e deixamos livre para que eles pudessem reescrever a
partir do que gostariam que tivessem no conto. A partir dessa atividade então que foi
planejado o teatro e iniciaram os ensaios. Como produção final do grupo foi criado um
pequeno livro com as duas histórias elaboradas no grupo e apresentado o teatro.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O trabalho com Contos de Fada me possibilitou compreender o quanto esse tipo de
atividade pode ser enriquecedora para esse tipo de criança e também para nós, estudantes de
psicologia, e agora como Psicóloga. Ter a oportunidade de coordenar um grupo, com todas as
peculiaridades que um grupo tem foi uma experiência muito significativa para minha vida
pessoal e profissional.
Acredito que o grupo Cápsula tenha muito ainda o que trabalhar, foi apenas o início de
trabalho com essas crianças, mas a cada encontro me sentia realizada, pois, mesmo sendo um
processo lento, pude perceber o quanto aquilo estava possibilitando um espaço diferenciado
para essas crianças, apesar da dificuldade que é trabalhar com esse tipo de atividade em
grande grupo como era o nosso. Porém, o Cápsula acabou me ensinando também que um
grupo não pode ser pré-planejado e sim que ele é construído e recriado a cada encontro.
É difícil poder colocar em palavras, especialmente numa época de encerramento de
estágio onde durante um ano pude conviver com essas crianças, tudo o que essa experiência
me proporcionou, mas sinto-me realizada por ver no rosto destas crianças um sorriso ao
poderem criar novas histórias, explorarem suas fantasias e poderem se sentir ouvidos e
entendidos. Fica aqui um exemplo de trabalho, simples, mas que certamente poderá trazer
muitos “frutos” no futuro e o quanto a psicologia pode contribuir dentro da escola.
Espero que possa ser seguido esse tipo de atividade e que cada vez mais a escola
possibilite esse tipo de trabalho com as turmas. Levo comigo um imenso aprendizado e a
alegria de poder ter vivido esses momentos com essas crianças e poder também ter voltado a
ser criança, reviver um pouquinho do João, da Maria e tantos outros personagens junto a elas.
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Conselho Federal de Psicologia, Ano 4, N° 1/84, 1984.
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Terra, 2007.
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a onze anos. Rio de Janeiro: Editora Vozes, 2002.
CORSO, Diana L. e CORSO, Mário. Fadas no Divã. Porto Alegre: Artmed, 2007.
DIECKMANN, Hans. Contos de fada Vividos. São Paulo: Edições Paulinas, 1986.
11
FERREIRA, Aurélio. B. H. Minidicionário da língua portuguesa. (3° ed). Rio de
Janeiro: Nova Fronteira, 1993.
FREUD, Sigmund. Os três ensaios sobre a Teoria da Sexualidade. São Paulo:
Imago, 1926.
GRIMM, Irmãos. Joãozinho e Mariazinha. (7° ed.) Porto Alegre: Editora Kuarup,
1991.
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de crianças. 2ª Ed. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2005.
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Psicologia: uma experiência em clínica-escola. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2009, p.221246.
MATTAR, R. R. Os Contos de Fadas e suas Implicações na Infância. Trabalho de
conclusão de curso, de Pedagogia da Faculdade de Ciências da UNESP, 2007.
MEIRA, M. E. M. & ANTUNES, M. A. M. Psicologia Escolar: Práticas Críticas.
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RAMOS-CERQUEIRA, A. T. A.; LIMA, M. C. P.; TORRES, A. R.; REIS, J. R. T. e
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conclusão do curso médico. Interface (Botucatu), v.9, n.16, p.81-89, 2005.
SOUZA, M. T. C. C. Valorizações afetivas nas representações de contos de Fadas: um
olhar Piagetiano. Boletim de Psicologia, v.55, n.123, p.205-232, 2005.
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