Colégio Alternativo Educação de Jovens e Adultos – Ensino Médio

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Colégio Alternativo
Educação de Jovens e Adultos – Ensino Médio
Artes
Profª. Ms. Sabrina Magalhães
REVISÃO DE ARTES
Arte Rupestre: Há milhares de anos os povos antigos já se manifestavam artisticamente.
Embora ainda não conhecessem a escrita,
eles eram capazes de produzir obras de
arte. A arte rupestre é composta por
representações
gráficas
(desenhos,
símbolos, sinais) feitas em paredes de
cavernas pelos homens da Pré-História. É
considerada a expressão artística mais
antiga da humanidade.
Suas pinturas mostravam os
animais e pessoas do período em que
vivia, além de cenas de seu cotidiano
(caça, rituais, danças, alimentação, etc.).
Expressava-se também através de suas
esculturas em madeira, osso e pedra. O
estudo desta forma de expressão contribui com os conhecimentos que os cientistas têm a
respeito do dia a dia dos povos antigos. Para fazerem as pinturas nas paredes de cavernas, os
homens da Pré-História usavam sangue de animais, saliva, fragmentos de rochas, argila, etc.
Arte Egípcia: Uma das principais civilizações da antiguidade foi a que se desenvolveu no
Egito. Era uma civilização já bastante complexa em sua organização social e riquíssima em suas
realizações culturais. Além de crer em deuses que
poderiam interferir na história humana, os egípcios
acreditavam também numa vida após a morte e
achavam que essa vida era mais importante do que
a que viviam no presente. O fundamento
ideológico da arte egípcia é a glorificação dos
deuses e do rei defunto divinizado, para o qual se
erguiam templos funerários e túmulos grandiosos.
Na pintura destaca-se uma decoração
colorida que era um poderoso complemento das
atitudes religiosas, cujas características são:
ausência de três dimensões, ausência da profundidade, colorido a tinta lisa (sem claro e escuro e
sem indicações de relevo).
A arte do Antigo Egito apresentava
objetivos
políticos e religiosos.
Para
compreender a que nível se expressam estes
objetivos, é necessário ter em conta a figura
do soberano absoluto, o Faraó. Ele é dado
como representante de Deus na Terra e é
este seu aspecto divino que vai vincar
profundamente a manifestação artística.
Deste modo a arte representa, exalta e
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homenageia constantemente o Faraó e as diversas divindades da mitologia egípcia, sendo
aplicada principalmente a peças ou espaços relacionados com o culto dos mortos, isto porque a
transição da vida à morte é vista, antecipada e preparada como um momento de passagem
da vida terrena à vida após a morte, à vida eterna e suprema.
ARTE GREGA:
Os gregos antigos se destacaram muito no mundo das artes. As esculturas, pinturas e
obras de arquitetura impressionam, até os dias de hoje, pela beleza e perfeição.
Os artistas gregos buscavam representar, através das artes, cenas do cotidiano grego,
acontecimentos históricos e, principalmente, temas religiosos e mitológicos. As grandes obras
de arquitetura como os templos, por exemplo, eram erguidos em homenagem aos deuses gregos.
A pintura grega também foi muito importante nas artes da Grécia Antiga. Os pintores
gregos representavam cenas cotidianas, batalhas, religião, mitologias e outros aspectos
da cultura grega. Os vasos, geralmente de cor preta, eram muito utilizados neste tipo de
representação artística. Estes artistas também pintavam em paredes, principalmente de templos e
palácios.
As esculturas gregas transmitem uma forte noção de realismo, pois os escultores gregos
buscavam aproximar suas obras ao máximo do real, utilizando recursos e detalhes. Nervos,
músculos, veias, expressões e sentimentos são observados nas esculturas. A temática mais usada
foi a religiosa, principalmente, representações de deuses e deusas. Cenas do cotidiano, mitos e
atividades esportivas (principalmente relacionadas às Olimpíadas) também foram abordadas
pelos escultores gregos.
Arte Romana: Foi através da arquitetura que a arte romana conseguiu maior expressão e
significação histórica. Suas edificações eram grandiosas, fundamentadas em bases circulares e
no emprego de colunas e arcos falsos para efeito de decoração. Os aquedutos, as entradas e as
muralhas ainda hoje são vistos no continente europeu, demonstrando a imponência que traduziu,
através dos tempos, a grandeza do que foi a civilização romana antiga.
Os romanos preocuparam-se com o caráter funcional e prático de sua arquitetura. Houve, por
isso, uma combinação harmônica entre a beleza e a utilidade nas mais variadas edificações
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romanas, como: teatros, basílicas, templos religiosos, palácios, estradas e pontes que
interligaram as mais diversas regiões do império, facilitando o trânsito de pessoas e o tráfego
de mercadorias para outras regiões.
A escultura romana foi trabalhada através de retratos e estátuas,
muitas vezes apresentando uma característica fúnebre. Os
escultores romanos buscavam a reprodução mais fiel possível da
realidade em suas obras e centravam-se nos aspectos
psicológicos, ou seja, a obra evidenciava o caráter, a honra e a
glória do retratado.
Além disso, sociedade romana também sofreu forte influência
da cultura grega e helenística:
- A alimentação ganhou requintes orientais;
- A roupa ganhou enfeites;
- Homens e mulheres começaram a usar cosméticos;
- Influência da religião grega;
- Escravos vindos do oriente introduziram suas crenças e práticas
religiosas;
- Influência grega na arte e na arquitetura;
- Escravos gregos eram chamados de pedagogos, pois ensinavam para as famílias ricas a língua
e a literatura grega.
A civilização romana deixou para a cultura ocidental uma herança riquíssima:
- A legislação adotada hoje em vários países do mundo tem como inspiração o Direito criado
pelos romanos;
- Várias línguas (inclusive o português) derivaram do latim falado pelos romanos;
- Arquitetura;
- Literatura.
A Mitologia romana pode ser dividida em duas partes: a primeira, tardia e mais literária,
consiste na quase total apropriação da grega; a segunda, antiga e ritualística, funcionava
diferentemente da correlata grega.
O romano, que impregnava a sua vida pelo numen, uma força divina indefinida presente em
todas as coisas, estabeleceu com os deuses romanos um respeito escrupuloso
pelo rito religioso –
o Pax
deorum –
que
consistia
muitas
vezes
em danças, invocações ou sacrifícios.
Ao lado dos deuses domésticos, os romanos possuíam diversas tríades divinas, adaptadas várias
vezes ao longo das várias fases da história. Assim, à tríade primitiva constituída
por Júpiter (senhor
do Universo), Marte (deus
da guerra)
e Quirino (o
rei Rômulo,
mitológico fundador de Roma), os etruscos inseriram o culto das deusas Minerva (deusa
da inteligência e sabedoria) e Juno (rainha do céu e esposa de Júpiter).
Com a república surge Ceres (deusa da Terra e dos cereais), Líber e Libera. Mais tarde, a
influência grega inseria uma adaptação para o panteão romano do seu deus do comércio e da
eloquência (Mercúrio) sob as feições de Hermes, e o deus do vinho (Baco), como Dionísio.
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Idade Média: Marcada por uma série de considerações preconceituosas, a Idade Média
compreende o período que parte da queda do Império Romano, até o surgimento do movimento
renascentista. Longe de ser a chamada “idade das trevas”, esse período histórico possui uma
diversidade que não se encerra no predomínio das concepções religiosas em detrimento da
busca pelo conhecimento. É durante o período medieval que se estabelece a complexa fusão de
valores culturais romanos e germânicos. Ao mesmo tempo, é nesse período que vemos a
formação do Império Bizantino, da expansão dos árabes e o surgimento das primeiras
universidades.
Relatos históricos e renascentistas definiam o mundo medieval como a “idade das trevas”, ou
seja, uma época sucumbida pela ausência de desenvolvimento racional, representando um
retrocesso para a ciência. Esta perspectiva foi corroborada pelo domínio ideológico empregado
pela Igreja Católica, transformando a sociedade em sujeito passível de manipulação, pelo poder
da informação. Contudo, a Idade Média possui avanços artísticos e científicos que puderam
proporcionar conhecimentos para os dias atuais.
A educação era para poucos, pois só os filhos dos nobres estudavam. Esta era marcada
pela influência da Igreja, ensinando o latim, doutrinas religiosas e táticas de guerras. Grande
parte da população medieval era analfabeta e não tinha acesso aos livros.
A arte medieval também era fortemente marcada pela religiosidade da época. As
pinturas retratavam passagens da Bíblia e ensinamentos religiosos. As pinturas medievais e
os vitrais das igrejas eram formas de ensinar à população um pouco mais sobre a religião.
Podemos dizer que, no geral, a cultura medieval foi fortemente influenciada pela
religião. Na arquitetura destacou-se a construção de castelos, igrejas e catedrais.
No campo da Filosofia, podemos destacar a escolástica (linha filosófica de base cristã),
representada pelo padre dominicano, teólogo e filósofo italiano São Tomás de Aquino.
Renascimento: Renascimento, Renascença ou Renascentismo são os termos usados para
identificar o período da História da Europa aproximadamente entre fins do século XIII e meados
do século XVII. Os estudiosos, contudo, não chegaram a um consenso sobre essa cronologia,
havendo variações consideráveis nas datas conforme o autor.
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Chamou-se "Renascimento" em virtude da redescoberta e revalorização das referências
culturais da antiguidade clássica, que nortearam as mudanças deste período em direção a um
ideal humanista e naturalista.
O Renascimento cultural manifestou-se primeiro na região italiana da Toscana, tendo
como principais centros as cidades de Florença e Siena, de onde se difundiu para o resto
da península Itálica e depois para praticamente todos os países da Europa Ocidental,
impulsionado pelo desenvolvimento da imprensa por Johannes Gutenberg. A Itália permaneceu
sempre como o local onde o movimento apresentou maior expressão, porém manifestações
renascentistas de grande importância também ocorreram na Inglaterra, Alemanha, Países
Baixos e, menos intensamente, em Portugal e Espanha, e em suas colônias americanas.
O Humanismo pode ser apontado como o principal valor cultivado no Renascimento. O
Humanismo, antes que um corpo filosófico, é um método de aprendizado que faz uso da razão
individual e da evidência empírica para chegar às suas conclusões, paralelamente à consulta aos
textos originais, ao contrário da escolástica medieval, que se limitava ao debate das diferenças
entre os autores e comentaristas. O Humanismo afirma a dignidade do homem e o torna o
investigador por excelência da natureza. Na perspectiva do Renascimento, isso envolveu a
revalorização da cultura clássica antiga e sua filosofia, com uma compreensão fortemente
antropocentrista e racionalista do mundo, tendo o homem e seu raciocínio lógico e sua ciência
como árbitros da vida manifesta. Seu precursor foi Petrarca, e o conceito se consolidou no
século XV principalmente através dos escritos de Marsilio Ficino, Erasmo de Roterdão, Pico
della Mirandola e Thomas More.
O brilhante florescimento cultural e científico renascentista deu origem a sentimentos de
otimismo, abrindo positivamente o homem para o novo e incentivando seu espírito de pesquisa.
O desenvolvimento de uma nova atitude perante a vida deixava para trás a espiritualidade
excessiva do gótico e via o mundo material com suas belezas naturais e culturais como um local
a ser desfrutado, com ênfase na experiência individual e nas possibilidades latentes do homem.
Além disso, os experimentos democráticos italianos, o crescente prestígio do artista como um
erudito e não como um simples artesão, e um novo conceito de educação que valorizava os
talentos individuais de cada um e buscava desenvolver o homem num ser completo e integrado,
com a plena expressão de suas faculdades espirituais, morais e físicas, nutriam sentimentos
novos de liberdade social e individual.
Essa valorização das ações humanas abriu um diálogo com a burguesia que floresceu
desde a Baixa Idade Média. Suas ações pelo mundo, a circulação por diferentes espaços e seu
ímpeto individualista ganharam atenção dos homens que viveram todo esse processo de
transformação privilegiado pelo Renascimento. Ainda é interessante ressaltar que muitos
burgueses, ao entusiasmarem-se com as temáticas do Renascimento, financiavam muitos artistas
e cientistas surgidos entre os séculos XIV e XVI. Além disso, podemos ainda destacar a busca
por prazeres (hedonismo) como outro aspecto fundamental que colocava o individualismo da
modernidade em voga.
Durante o Trecento, podemos destacar o legado literário de Petrarca (“De África” e
“Odes a Laura”) e Dante Alighieri (“Divina Comédia”), bem como as pinturas de Giotto di
Bondoni (“O beijo de Judas”, “Juízo Final”, “A lamentação” e “Lamento ante Cristo Morto”).
Já no Quatrocento, com representantes dentro e fora da Itália, o Renascimento contou com a
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obra artística do italiano Leonardo da Vinci (Mona Lisa) e as críticas ácidas do escritor holandês
Erasmo de Roterdã (Elogio à Loucura).
Nas artes o Renascimento se caracterizou, em linhas muito gerais, pela inspiração nos
antigos gregos e romanos, e pela concepção de arte como uma imitação da natureza, tendo o
homem nesse panorama um lugar privilegiado. Mas mais do que uma imitação, a natureza
devia, a fim de ser bem representada, passar por uma tradução que a organizava sob uma óptica
racional e matemática, num período marcado por uma matematização de todos os fenômenos
naturais. Na pintura a maior conquista da busca por esse "naturalismo organizado" foi a
recuperação da perspectiva, representando a paisagem, as arquiteturas e o ser humano através de
relações essencialmente geométricas e criando uma eficiente impressão de espaço
tridimensional; na música foi a consolidação do sistema tonal, possibilitando uma ilustração
mais convincente das emoções e do movimento; na arquitetura foi a redução das construções
para uma dimensão mais humana, abandonando-se as alturas transcendentais das catedrais
góticas; na literatura, a introdução de um personagem que estruturava em torno de si a narrativa
e mimetizava até onde possível a noção de sujeito.
Mais adiante, na Alta Renascença, com Leonardo da
Vinci, a técnica do óleo se refinou e penetrou no terreno do
sugestivo, ao mesmo tempo em que aliava fortemente arte e
ciência. Com Rafael o sistema classicista de representação
visual chegou a um apogeu, e se revelou a doçura, a grandeza
solene e a perfeita harmonia. Mas essa fase, de grande
equilíbrio formal, não durou muito, logo seria transformada
profundamente,
dando
lugar
ao
Maneirismo.
Aqui Michelangelo, coroando o processo de exaltação do
homem, levou-o a uma nova dimensão, a do sobre-humano,
abrindo-lhe também as portas do trágico e do patético.
A Capela Sistina (em italiano: Cappella Sistina) é
uma capela situada no Palácio Apostólico, residência oficial
do Papa na Cidade do Vaticano. É famosa pela sua arquitetura,
inspirada
no Templo
de
Salomão do Antigo Testamento, e sua
decoração em afrescos, pintada pelos
maiores
artistas
da
Renascença,
incluindo Michelangelo, Rafael, Bernini e
Sandro Botticelli.
A capela tem o seu nome em homenagem
ao Papa Sisto IV, que restaurou a antiga
Capela
Magna,
entre 1477 e 1480.
Durante este período, uma equipe de pintores que incluiu Pietro Perugino, Sandro
Botticelli e Domenico Ghirlandaio criaram uma série de painéis de afrescos que retratam a vida
de Moisés e de Cristo, juntamente com retratos papais e da ancestralidade de Jesus. Estas
pinturas foram concluídas em 1482, e em 15 de agosto de 1483, Sisto IV consagrou a
primeira missa em honra a Nossa Senhora da Assunção.
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Desde a época de Sisto IV, a capela serviu como um lugar tanto para religiosos, como
funcionários para atividades papais. Hoje é o local onde se realiza o conclave, o processo pelo
qual um novo Papa é escolhido.
Barroco: A arte barroca originou-se na Itália (Século XVII) mas não tardou a irradiar-se por
outros países da Europa e a chegar também ao continente americano, trazida pelos
colonizadores portugueses e espanhóis. As
obras barrocas romperam o equilíbrio entre
o sentimento e a razão ou entre a arte e a
ciência, que os artistas renascentistas
procuram realizar de forma muito
consciente; na arte barroca predominam as
emoções e não o racionalismo da arte
renascentista. É uma época de conflitos
espirituais e religiosos. O estilo barroco
traduz a tentativa angustiante de conciliar
forças antagônicas: bem e mal; Deus e
Diabo, céu e terra; pureza e pecado; alegria
e tristeza; paganismo e cristianismo; espírito e matéria. Suas características gerais são:
 Emocional sobre o racional; seu propósito é impressionar os sentidos do observador,
baseando-se no princípio segundo o qual a fé deveria ser atingida através dos sentidos e
da emoção e não apenas pelo raciocínio;
 Busca de efeitos decorativos e visuais, através de curvas, contracurvas, colunas
retorcidas;
 Entrelaçamento entre a arquitetura e escultura;
 Violentos contrastes de luz e sombra;
 Pinturas com efeitos ilusionistas, dando-nos às vezes a impressão de ver o céu, tal a
aparência de profundidade conseguida.
Na poesia, o Barroco está presente – por exemplo – nos sonetos de Camões, conforme
exemplo:
Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer.
É um não querer mais que bem querer;
É um solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder.
É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.
Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si mesmo é o amor?
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Neoclassicismo: Nas duas últimas décadas do século XVIII e nas três primeiras do século
XIX, uma nova tendência estética predominou nas
criações dos artistas europeus. Trata-se do
Neoclassicismo, que expressou os valores próprios de
uma nova e fortalecida burguesia, que assumiu a
direção da sociedade europeia após a Revolução
Francesa e principalmente com o império de Napoleão.
As principais características são:
 Retorno ao passado, pela imitação dos modelos
antigos Greco-latinos;
 Academicismo nos temas e nas técnicas, isto é,
sujeição aos modelos e às regras ensinadas nas
escolas ou academias de belas-artes;
 Arte entendida como imitação da natureza,
num verdadeiro culto à teoria proposta por
Aristóteles.
Romantismo: O século XIX foi agitado por fortes mudanças sociais, políticas e culturais
causadas por acontecimentos no final do século XVIII que foram a Revolução Industrial – que
gerou novos inventos com o objetivo de solucionar os problemas técnicos decorrentes do
aumento de produção, provocando a divisão do trabalho e o início da especialização da mão-deobra; e a Revolução Francesa – que lutava por
uma sociedade mais harmônica, em que os
direitos
individuais
fossem respeitados,
traduziu-se essa expectativa na Declaração dos
Direitos do Homem e do cidadão. Do mesmo
modo, a atividade artística tornou-se complexa.
Os artistas românticos procuraram se libertar
das convenções acadêmicas em favor da livre
expressão da personalidade do artista. Suas
características gerais são:




A valorização dos sentimentos e da imaginação;
O nacionalismo;
A valorização da natureza como princípios da criação artística;
Os sentimentos do presente tais como: liberdade, igualdade e fraternidade.
Realismo: Entre 1850 e 1900 surge nas artes europeias, sobretudo na pintura francesa, uma
nova tendência estética chamada Realismo, que se desenvolveu ao lado da crescente
industrialização das sociedades. O homem europeu, que tinha aprendido a utilizar o
conhecimento científico e a técnica para interpretar e dominar a natureza, convenceu-se de que
precisava ser realista, deixando de lado as visões subjetivas e emotivas da realidade.
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Características gerais:
 O cientificismo;
 A valorização do objeto;
 O sóbrio e o minucioso;
 A expressão da realidade e dos
aspectos descritivos.
Art Nouveau: Estilo artístico que se desenvolve entre 1890 e a Primeira Guerra Mundial (1914
– 1918) na Europa e nos Estados Unidos, espalhando-se para o
resto do mundo, e que interessa mais de perto às artes aplicadas:
arquitetura, artes decorativas, design, artes gráficas, mobiliário e
outras. O termo tem origem na galeria parisiense L’Art Nouveau,
aberta em 1895 pelo comerciante e colecionador de arte
Siegfried Bing.
A fonte de inspiração primeira dos artistas é a natureza,
as linhas sinuosas e assimétricas das flores e animais. O
movimento da linha assume o primeiro plano dos trabalhos,
ditando os contornos das formas e o sentido da construção. Os
arabescos e as curvas, complementados pelos tons frios,
invadem as ilustrações, o mundo da moda.
Impressionismo: Surgido na França em 1874, o impressionismo foi um movimento artístico
que passou a explorar, de forma conjunta, a intensidade das cores e a sensibilidade do artista. A
denominação “impressionismo”
foi dada após a declaração
pejorativa do crítico de arte
francês Louis Leroy ao ver a
tela “Impression du Soleil
Levant”, de Monet, um dos
principais
artistas
do
movimento.
Os
impressionistas
buscavam retratar em suas obras
os efeitos da luz do sol sobre a
natureza, por isso, quase sempre
pintavam ao ar livre. A ênfase,
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portanto, era dada na capacidade da luz solar em modificar todas as cores de um ambiente,
assim, a retratação de uma imagem mais de uma vez, porém em horários e luminosidades
diferentes, era algo normal. O impressionismo explora os contrastes e a claridade das cores,
resplandecendo a ideia de felicidade e harmonia.
Para os impressionistas, os objetos deveriam ser retratados como se estivessem
totalmente iluminados pelo sol, valorizando as cores da natureza. Além disso, as figuras não
deveriam ter contornos nítidos e o preto jamais poderia ser utilizado; até as sombras deveriam
ser luminosas e coloridas.
Os principais artistas impressionistas foram Monet, Manet, Renoir, Camile Pissaro,
Alfred Sisley, Vincent Van Gogh, Degas, Cézanne, Caillebotte, Mary Cassatt, Boudin, Morisot,
etc. No Brasil, o representante máximo do impressionismo foi Eliseu Visconti, o qual teve
contato com a obra dos impressionistas e soube transformar as características do movimento
conforme a cor e a atmosfera luminosa do nosso país.
VANGUARDAS EUROPÉIAS
Situação Histórica: As espetaculares invenções do começo do século XX substituíram o modo
de ver a realidade rapidamente: surgiram o automóvel, o cinema e as máquinas voadoras.
Inaugurou-se a época da velocidade, que resultou num progresso material espantoso e numa
disputa acelerada pelo poder entre as potências mundiais.
A crise da sociedade liberal-burguesa culminou na Primeira Guerra Mundial. Esse
conflito, de enormes proporções, gerou profundas transformações alicerçadas na ideia de
nacionalismo, provocando o surgimento de novas correntes ideológicas – como o nazismo, o
fascismo e o comunismo – que mudaram a face do mundo no decorrer do século.
Em meio a tudo isso, surgiram o que veio a ser chamado de Vanguarda, ou seja,
movimentos que indicam algo “para frente”, uma inovação em seu tempo, exercendo o papel de
precursoras culturais. São elas: Futurismo, Cubismo, Expressionismo, Dadaísmo e o
Surrealismo.
Futurismo: Como o próprio nome indica, havia no futurismo uma vontade de abolir o passado,
começar tudo de novo e reformular temas e técnicas da arte. O líder dos futuristas foi o poeta
ítalo-francês Filippo Marinetti, que publicou em 1909, em Paris, o primeiro manifesto desta
vanguarda. Sintonizado com a temática da guerra, o Futurismo propôs uma outra forma de arte,
com uma imagem veloz do progresso mundial moderno.
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O slogan do primeiro manifesto futurista de 1909 era
“Liberdade para as palavras”, e considerava o design
tipográfico da época, especialmente em jornais e
propaganda. A diferença entre arte e design passa a ser
abandonada e a propaganda é escolhida como forma de
comunicação.
O novo é uma característica tão forte do movimento,
que este chegou a defender a destruição de museus e de
cidades antigas. Considerava a guerra como forma de
higienizar o mundo, por isso, apresentava certa simpatia
com os modelos totalitários.
Cubismo: Valorizando as formas geométricas, tais como cubos, cones e cilindros, o Cubismo
surgiu em 1907 e entrou em decadência já na
Primeira Guerra Mundial. Inicialmente, o
movimento cubista desenvolveu-se na pintura, a
partir das experiências do espanhol Pablo Picasso e
do francês Georges Braque, que representavam os
objetos, por assim dizer, “cubificados”, para apontar
mais ângulos da realidade cotidiana.
Então, entende-se que o propósito da arte
cubista era promover a decomposição, a
fragmentação e a geometrização das formas. Os
artistas
apostaram
na
simultaneidade
de
visualizações permitidas a partir da análise de um
objeto, isto é, o mesmo poderia ser visto sob vários
ângulos, embora sua totalidade pudesse ser
inteiramente preservada.
Expressionismo: O expressionismo foi um movimento artístico que surgiu no final do século
XIX e início do século XX como uma reação à objetividade do impressionismo, apresentando
características que ressaltavam a subjetividade.
Suas origens são os desdobramentos do pós-impressionismo, principalmente através de
Vincent Van Gogh, Edvard Munch (exemplo a obra O grito presente logo abaixo) e Paul Klee.
De fato, a noção do expressionismo foi empregada pela primeira vez em 1911, na revista Der
Sturm ('A Tempestade'), marcando uma oposição clara ao impressionismo francês.
A visão expressionista encontra suas fontes na defesa à expressão do irracional, dos
impulsos e das paixões individuais. No expressionismo não há uma preocupação em relação à
objetividade da expressão, mas sim com a exteriorização da reflexão individual e subjetiva dos
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artistas. Em outras palavras, não se pretende,
simplesmente, absorver o mundo e reproduzi-lo,
mas sim, recriá-lo. Entre suas características,
podemos citar: o distanciamento da figuratividade,
o uso de traços e cores fortes, a imitação das artes
primitivas, etc.
Tal
movimento
desenvolveu-se
grandemente na Alemanha, especificamente no
período após a Primeira Guerra Mundial, sendo um
importante instrumento para a realização de
denúncias sociais, especialmente em um momento
que, politicamente, os valores humanos eram o que
menos importava. Na América Latina, o movimento
manifestou-se como uma via de protesto político.
O expressionismo também foi marcante na
literatura, cinema e teatro. No Brasil, o movimento encontrou sua máxima representação através
da pintura, especialmente por meio de artistas como Anita Malfatti, Lasar Segall e Osvaldo
Goeldi.
Dadaísmo: Foi num café em Zurique, em 1916, onde cantores se apresentavam e era
permitido recitar poemas, que o movimento dadá surgiu. Depois do início da I Guerra
Mundial, esta cidade havia se convertido em refúgio para gente de toda a Europa. Ali se
reuniram pessoas de várias escolas como o cubismo francês, o expressionismo alemão e
o futurismo italiano. Isto confere ao dadaísmo a particularidade de não ser um
movimento de rebeldia contra uma escola anterior, mas de questionar o conceito de arte
antes da I grande guerra.
Não se sabe ao certo a
origem do termo dadaísmo, mas a
versão mais aceita diz que ao abrir
aleatoriamente
um
dicionário
apareceu a palavra dada, que
significa cavalinho de brinquedo e
foi adotada pelo grupo de artistas.
O movimento artístico conhecido
como Dadaísmo surge com a clara
intenção de destruir todos os
sistemas e códigos estabelecidos
no mundo da
arte.
Trata-se,
portanto, de um movimento
antipoético, antiartístico, antiliterário, visto que questiona até a existência da arte, da
poesia e da literatura. O dadaísmo é uma ideologia total, usada na forma de viver e
como a absoluta rejeição de todo e qualquer tipo de tradição ou esquema anterior. É
contra a beleza eterna, contra as leis da lógica, contra a eternidade dos princípios, contra
a imobilidade do pensamento e contra o universal. Os adeptos deste movimento
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promovem uma mudança, a espontaneidade, a liberdade da pessoa, o imediato, o
aleatório, a contradição, defendem o caos perante a ordem e a imperfeição frente à
perfeição.
Os dadaístas proclamam a antiarte de protesto, do escândalo, do choque, da
provocação, com o auxílio dos meios de expressão oníricos e satíricos. Baseiam-se no
absurdo, nas coisas carentes de valor e introduzem o caos e a desordem em suas cenas,
rompendo com as antigas formas tradicionais de arte.
O diretor de teatro, chamado Hugo Ball e sua esposa criaram um café literário,
cujo objetivo era acolher artistas exilados (Cabaret Voltaire), que foi inaugurado no dia
1º de fevereiro de 1916. Ali se juntaram Tristan Tzara (poeta, líder e fundador do
dadaísmo) e outros. O dadaísmo foi difundido graças à revista Dada e, através dela, as
ideias deste movimento chegaram a New York, Berlin, Colônia e Paris.
Surrealismo: O surrealismo foi um movimento artístico que surgiu na Europa, cujo marco
inicial foi o Manifesto Surrealista de André Breton, publicado em 1924. O surrealismo criticou
a racionalidade burguesa em favor do maravilhoso, do fantástico e dos sonhos, abarcando uma
grande quantidade de artistas, entre eles, podemos
citar: na literatura, André Breton, Louis Aragon,
Philippe Soupault e outros; nas artes plásticas, Joán
Miró, Max Ernst, Salvador Dalí e outros; na
fotografia, Man Ray, Dora Maar e Brasaï; e, no
cinema, Luís Buñuel.
Nas palavras de Breton, um dos objetivos do
surrealismo era "resolver a contradição até agora
vigente entre sonho e realidade pela criação de uma
realidade absoluta, uma suprarrealidade". Essa
perspectiva
levou
esses
artistas
a
buscarem inspiração na obra do psicanalista Sigmund Freud, trazendo para a arte o irracional, o
inconsciente, explorando o imaginário e os impulsos ocultos da mente. Nesse sentido, algumas
técnicas de produção artística adotadas foram a escrita e a pintura automática, pois seriam
formas de transcrição imediata do inconsciente, buscando assim driblar os controles conscientes
do artista, com a liberação das imagens que lhes surgiam à mente e de seus impulsos primitivos.
Outra técnica utilizada foi a de colagens, em que imagens eram reunidas
aleatoriamente e ao acaso, criando uma justaposição de objetos desconexos e associações que à
primeira vista pareciam impossíveis. Esse método foi inspirado na frase do Conde de
Lautréamont: '"Belo como o encontro casual entre uma máquina de costura e um guarda-chuva
numa mesa de dissecção".
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No
aspecto
político,
o caráter
revolucionário
e
subversivo da proposta surrealista
aproximou alguns artistas de grupos
políticos de linhagem marxista,
como André Breton, quando se
alinhou ao trotskismo. Por outro
lado, alguns se mantiveram numa
esfera mais conservadora, como
Salvador Dalí.
REFERÊNCIAS:
ARGAN, Giulio Carlo. Arte e crítica de arte. Lisboa: Estampa, 1988.
CALADO, Margarida, PAIS DA SILVA, Jorge Henrique, Dicionário de Termos da Arte e
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