Cabral, o Viajante do Rei

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Revista “Cabral, o Viajante do Rei” - 2ª Edição
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A RECONSTRUÇÃO
O projeto arquitetônico de recuperação/restauração da Casa do Brasil/Casa de Cabral,
em Santarém  localizada em terreno onde teria sido edificada a última morada do nosso
descobridor  foi precedido de seis cuidadosas sondagens arqueológicas, na tentativa de
elucidar as origens e as transformações sofridas pelo edifício ao longo do tempo. Os estudos
eram imprescindíveis para a resolução de determinadas questões relacionadas à cronologia
de ocupação e ao período de construção. O objetivo principal da intervenção arqueológica
era a recuperação dos vestígios materiais do corpo original da casa (entendido original
como contemporâneo da época de Cabral), relacionando-os, ou não, com o existente. A
sondagens, entretanto, tiveram de ser limitadas pela precariedade em que se encontrava a
casa, sempre ameaçada de vir abaixo.
Apesar disso, pode-se concluir que a primeira edificação terá sido feita ainda no
período muçulmano: nas primeiras escavações foram localizados silos escavados na rocha,
característicos dessa época e muito encontrados na região de Santarém.
Até agora, as investigações indicam a sucessão de várias outras ocupações,
consideradas, por enquanto, genericamente anteriores ao Século XVII ou XVIII, quando
terá começado a construção do edifício atual, que também terá, ao longo do tempo, sofrido
inúmeras transformações. Por exemplo, a fachada principal avarandada, com frente para a
rua Vila de Belmonte, revelou-se um acréscimo construído provavelmente na segunda
metade do Século XVIII, talvez em conseqüência de danos sofridos no terremoto de 1755.
Porém, a relação e faseamento definitivo das estruturas arqueológicas e suas atribuições
cronológicas só poderão ser concluídas definitivamente após um estudo mais aprofundado,
quando terá particular relevância o estudo do espólio recolhido, principalmente cerâmica. O
que se sabe com certeza é que do espaço arquitetônico que serviu de moradia a Cabral não
terá restado nada. O que não invalida o significado arqueológico e histórico da edificação
que agora se recupera.
O estado ruinoso da casa foi uma das maiores dificuldades para a recuperação. Ao
início, a menor escavação trazia risco de desabamento. Manobras de demolição interna
ameaçavam quase toda a estrutura. Mesmo simples picagens de rebocos para sondagens
arqueológicas constituíam-se arriscadas. E tem sido necessário até hoje, no dia a dia da
conquista do espaço arquitetônico, cercar cada iniciativa de rigorosas medidas de
segurança.
O teto teve de ser completamente removido e substituído, sobre todo o espaço em obra,
por uma cobertura provisória. Agora começa a ser reconstituído, em forma, estilo e beleza.
As cantarias encontradas serão preservadas, ainda que seja necessário removê-las, restaurálas ou preservá-las e por fim recolocá-las. Portas sobreviventes serão recuperadas. Obras de
arte de serralheria serão reconstituídas. E tudo com um carinho especial: madeiras e
granitos para os pisos assim como as flores tropicais do jardim serão especialmente levados
do Brasil.
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Finda a obra, o novo espaço conquistado lembrará provavelmente muito pouco das
divisões  muitas e transfiguradas  do velho casarão. Terá auditório, biblioteca, bar,
núcleos de estudos, centro de documentação. Mas, ainda que se perca a organização
arquitetônica precariamente conservada ao longo de séculos, a presença de Pedro Álvares
Cabral e do Brasil será indiscutível na nova casa, dinamicamente pensada para ser
testemunho vivo da História.
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