Sol e Lua de mãos dadas

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Maria José Costa Félix
Sol e Lua
de mãos dadas
Í N DIC E
Prefácio, por Professor Mário Simões
Introdução
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ENTRE O CÉU E A TERRA
O emergir da nossa essência divina
O tempo dos sinais
Na fronteira entre dois mundos
Qual é o meu verdadeiro nome?
Momentos baralhados
O difícil confronto connosco mesmos
Quero mas não sou capaz
Podemos chegar aonde queremos
Despertar o coração
A espera cega que a esperança permite
Alquimia interior
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HÁ EM NÓS LUZ E SOMBRA
Porque somos atraídos por pessoas que nos magoam?
Auto-estima não é narcisismo
Um vazio muito antigo
Tocar o fundo do poço
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Um poder invisível
Experimentar o sagrado
Aceitar as imperfeições
O peso dos nãos a que te agarras
Necessidades ilusórias
Nós é que atraímos o que nos acontece
Rótulos com os quais me identifico
Viagem até aos confins do meu Eu
Ninguém é metade seja de quem for
«Ondas que se esqueceram de que são o mar»
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RELAÇÕES SAGRADAS
Da decepção à aceitação
O Sol e a Lua que somos
Masculino e feminino, os dois lados da vida
A nossa verdadeira fome é de absoluto
Somos feitos de muitas águas misturadas
Porque precisamos uns dos outros
Precisei de ti para saber de mim toda
Os benefícios da reconciliação
Para quê falarmos de culpas?
Figuras-sombra do passado
Foste para mim campo de aprendizagem do amor
A ilusão do amor impede o amor verdadeiro
Afinal, não passava de um sonho
Companheiros de viagem
Será que um dia ousarás ver-me toda?
Amar é dar o melhor de nós mesmos
Simplesmente amigos
O todo que me habita o fundo
Relação mãe/filha
O ciúme atrapalha-nos a vida
As relações do futuro
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PODERÃO OS ASTROS ILUMINAR-NOS?
A astrologia ajuda-nos a viver
Todos estamos destinados a evoluir
As energias que nos regulam
Nada é fruto do acaso
O que viemos fazer a este mundo?
O que significa «o fi m dos tempos»?
Viver com sabedoria num tempo de incertezas
Os signos do Zodíaco face ao amor
Horóscopos comparados
Que signos combinam com o meu?
Padrões continuamente repetidos
Relacionamento entre o Sol e a Lua
O casal ao longo dos anos ou Saturno e o sentido do tempo
Sem amor a vida não tem significado
A astrologia ensina-nos a amar
Dançar é possível no dia-a-dia
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«… quero um fio que me conduza ao centro da vida e trazer ao de cima tudo o que existe lá dentro, quero o coração do
mundo, quero o que mora no interior do interior, transformar
em letras o que não tem letra nenhuma…»
António Lobo Antunes
«… encontraste na Terra e na Água, no Sol e na Lua, o teu
primo conhecido/desconhecido, que fez este desenho, onde
pôs vermelhos e negros, azuis e plumas, ou a terra, a água e a
força… e zonas onde só alguns conseguem entrar.»
João Oom
1985
Dedico este livro
aos meus pais, Maria Margarida e Francisco José, por terem
permitido que eu viesse a este mundo. Pelo que me deram e
por aquilo que, por não terem podido dar-me, me obrigaram
a encontrar em mim e, assim, crescer. Pelas tantas sementes de
vida que em mim depositaram e que, ao longo das várias fases
da minha caminhada terrestre, tenho procurado desenvolver
de forma cada vez mais consciente. É sobre esse contínuo,
demorado e nem sempre linear processo de consciencialização
que eu aqui escrevo.
«Conscientemente escrevo e consciente
medito o meu destino»
António Gedeão
PREFÁCIO
Sinto-me algo surpreendido pelo honroso convite, para escrever
o prefácio da obra Sol e Lua de Mãos Dadas, feito pela autora. Já
a conhecia de outros livros e interroguei-me sobre o que teria de
novo este último que os outros não abordassem e porquê eu, como
autor do prefácio? Assim, com curiosidade, passei à sua leitura…
Já na Introdução, Maria José Costa Félix se desvenda, sim, é
a palavra certa para designar a sua «exposição» num livro que se
adivinha de partilha de pensamentos intimistas, de descobertas e
experiências de vida.
Percebemos a sua trajectória vivencial, quase igual à de tantos de nós, condicionados por um tempo de cultura peculiar deste
país, durante tantos anos, e o «conhecimento» (tardio) que lhe
chega, abruptamente, quase com um certo receio de saber mais
(embora com grande desejo), ao qual progressivamente se rende.
Qual o sentido de tudo isto? Apenas encontros e desencontros de
pessoas?
Decerto não era esse o sentido e reconhece, ao longo do livro,
que será sobretudo o confronto com o seu lado sombrio, experiências de vida e sua aceitação que darão sentido à vida. Enfi m,
sentir que em qualquer idade se «pode ter uma adolescência feliz»,
na formulação de um amigo meu!
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Entre o Céu e Terra desenrolar-se-á o «drama em gente», que
é também a sua vida, mas tocada por uma experiência excepcional do Espírito Divino, que, na sua perplexidade, interroga:
«Porquê a mim, que nunca acreditei nestas coisas; porquê agora,
que já tinha tudo tão arrumado na minha vida?» Só me ocorre a
pergunta, algo inesperada nestas circunstâncias e que ouvi uma
vez a uma paciente com uma doença grave: «Porque não a mim?».
Porque aí também buscava um sentido.
Intuí que as experiências de vida, reflectidas nos diversos
textos, lhe ensinam o que aprende nesta trajectória entre o Céu e
Terra, isto é, a lidar com as nossas emoções e pensamentos e também com as dos outros. É a aprendizagem da impermanência das
coisas e pessoas, do desapego, do perdão (a si e aos outros), que não
há os bons e os maus e a luta entre eles, mas que a luta se faz dentro
de nós. Como fazer essa aprendizagem pode quase resumir-se a
manter ao longo da vida algumas características que identificamos
com o ser criança (autenticidade, curiosidade, espírito de brincadeira), juntando-lhe a responsabilidade do adulto. Em resumo, que
o Amor (em sentido lato) é a arte de prolongar o efémero, que é esse
estado absoluto, mas não eterno, ao nível do humano.
Um dia perguntaram-me como fazia para estar (aparentemente) bem com a vida. Não consegui uma resposta espontânea
na altura. E é uma boa amiga que me faz consciente de uma atitude «natural» em mim: «Dás sempre um sentido positivo ao que
te sucede, mesmo quando é negativo». Como se a vida nos proporcionasse o que «precisamos ou merecemos» para sermos mais
e melhores, como se fosse esse o sentido que liga as experiências
de vida. Como se uma nova definição de espiritualidade (dimensão humana) pudesse ser a consciência de que tudo está ligado
por um sentido que nos ultrapassa e que nos leva a tornarmo-nos
anjos cínzeos. Estes seriam o grau mais refi nado de humanos,
cuja matéria, simbolicamente, seria cinza (ainda mundo material,
necessário como humano), produto de múltiplas «queimas».
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O mundo material que nos vem parar às mãos, bem como os
talentos com que somos brindados, deveria ser «de algum modo
lançado no universo de onde proveio», como refere MJCF. Trata-se também de fazermos o nosso melhor, da nossa responsabilidade, para que o que habitualmente se designa por destino se
revele, pois ao ser «levada(o) pelas sementes do melhor em mim
mesma(o) toco os meus próprios limites».
Este livro é também quase um pequeno manual para saber
lidar consigo mesmo e com os outros no quotidiano e capítulos
como «Auto-estima não é narcisismo», «Porque somos atraídos por
pessoas que nos magoam?» e «Nós é que atraímos o que nos acontece» são exemplos disso. Neles se descreve como existem pessoas
capazes de nos dar a ilusão de um amor, que, no entanto, não passa
de uma utopia, em que se pensava que se estaria apaixonado(a),
e que no ponto mais alto do impulso se parece, de facto, vibrar.
Mas mesmo neste caso o fracasso de uma relação amorosa não é
o fracasso do Amor, revela apenas que nos enganámos, segundo
Jean Yves-Leloup, citado por MJCF. Na realidade é muito difícil
encontrar um amor em que apeteça, espontaneamente, dizer, brotando da boca, «Amo-te», em que esta palavra traduza a ternura e
o desejo simultâneos e intrinsecamente ligados. Mais difícil ainda
seria encontrar o amor incondicional a nível humano, quase só
remetido para o Amor Divino sentido pelos místicos, cuja possível
«marca» de entrega seria pronunciar «faz de mim o que quiseres»,
pois existe a paz e a alegria de se saber aceite tal e qual como se é.
No entanto, conforme avisa MJCF, um «relacionamento assente na
expectativa de que alguém nos aceite de tal forma que nos faça sentir perfeitos… seria um comportamento doentio» e, por outro lado,
paradoxalmente, «quanto mais unidos estivermos, mais descobrimos — porque aceitamos — até que ponto o outro é diferente». Um
encontro de almas congéneres (melhor que gémeas), que se reconhecem, deixaria o mundo melhor e seria o preencher, na Terra, de
«um vazio muito antigo», título de um outro capítulo.
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Naturalmente seria inevitável não tocar, ao longo do livro,
na astrologia e no seu âmago, que dá o nome ao livro — Sol e
Lua de Mãos Dadas — e que também somos nós. Trata-se, pois,
também dos arquétipos do masculino e feminino, do consciente e
do inconsciente, do racional e do emocional. Deixa claro que não
existe oposição entre eles, mas complementaridade e completude,
onde cada um terá de assumir o seu lado mais ou menos oculto
solar ou lunar, no sentido de uma responsabilidade adulta pelo
seu desenvolvimento. Mais, é essa harmonia interior, decorrendo
desses aspectos equilibrados, que se reflecte no exterior como
uma atitude natural, quase diria sexy, quiçá a palavra usada
socialmente para definir o Sol e a Lua de mãos dadas dentro de
cada um. Uma pessoa assim facilitaria a intimidade e o encantamento nas relações interpessoais e, mais uma vez, o mundo ficaria melhor. Não seria necessário, nesse caso, andar à procura da
alma gémea (pura ilusão, no dizer de MJCF), pois cada um seria
completo em si mesmo, mas de alguém com quem se tivesse uma
relação significativa e transformadora que desenvolvesse em cada
um os aspectos solares ou lunares mais desfavorecidos ou desconhecidos. A partilha, usufruída numa companhia recíproca,
não seria por necessidade, mas por osmose. Para os que buscam
respostas de carácter amoroso na astrologia, diz-nos MJCF que
a felicidade possível «é essa [o fluir livre da energia amorosa na
relação transformadora] que permanece para lá de quase sempre
inevitáveis crises — individuais ou conjugais».
Retomando a astrologia, fica claro para MJCF que nada nos
acontece por acaso ou por pura coincidência, inclusive a família
onde nascemos e as pessoas com quem nos cruzamos. Nas suas
palavras, «somos empurrados no sentido de criar elos especiais
com aqueles que algures no tempo já encontrámos, mas juntamente com os quais algo importante que poderia ter sido vivido
não o foi», remetendo para uma perspectiva «predisponente»
ou kármica da astrologia. Esta não seria um adivinhar sobre o
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futuro, mas um conhecimento a priori sobre as linhas gerais de
uma evolução a fazer neste planeta. A evolução passaria pelas
experiências que levariam ao «aprendizado do Amor Verdadeiro
e que excluiriam a ilusão do Amor, que impede aquele», infinito,
incondicional e inesgotável. No entanto, para a autora, ao «dar
o melhor de nós mesmos» a alguém é já amar verdadeiramente
e não simplesmente apreciar a companhia de alguém, pois seria
«olhá-lo tal como é, independentemente do lugar que ocupa no
mundo, da forma como orienta a sua vida e do facto de nos ser
útil seja em que campo for». Não existe exigência nem «obrigação
de renunciar a algo ou a alguém e cada um pode usufruir do outro
pura e simplesmente pelo que ele é, sem qualquer sentimento de
posse ou competição e sentimentos de ciúme que eventualmente
surjam são logo resolvidos com sensatez». Seria o Amor vivido
sem a tão temida perda de liberdade no compromisso (livremente
desejado e aceite) com alguém, tal como «irmãos de sexo oposto
ligados por um sentimento de consanguinidade», simulacro
e antecipação das relações do futuro e do Amor Divino! Num
certo sentido, conforme escreve MJCF, a «astrologia ensina-nos
a amar», tema de outro capítulo.
Um dos outros objectivos da astrologia seria dar-nos a conhecer «a razão de ser da nossa vinda cá e a missão específica que nos
compete cumprir», mas também o autoconhecimento para levar
a bom termo essa missão. Não discuto a questão se a astrologia
aceita ou não o destino, pois o que interessa, do meu ponto de vista,
é a proposta (já que a vida, ela mesma, é dinamismo) que a astrologia faz a cada um, de acordo com as suas regras, sobre a evolução «prevista» (não a certeza, mas elevadas probabilidades) neste
planeta. Isto é, confronta-nos, faz-nos reflectir e sobretudo reagir
pela aceitação ou rejeição, contribuindo assim para um autoconhecimento, facilitador da construção dos nossos mitos pessoais.
Numa leitura simplista dos horóscopos não personalizados compreendo que é difícil, muitas vezes, reconhecermo-nos, como, por
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exemplo, Escorpião («parecem frios, mas são profundamente eróticos, capazes de ímpetos indomáveis e de ir ao fim do mundo por
aqueles que amam»), Touro («a sexualidade tem a maior importância, não abdicam da segurança e não se atiram de cabeça nem
querem saber de conflitos») ou Capricórnio («extremamente fiéis,
com uma enorme vontade, mas também um grande medo de ser
amados e mesmo que se apaixonem tendem a controlar as emoções»). Eventualmente, de acordo com o acima exposto, e no sentido de um autoconhecimento, só um horóscopo personalizado
seria de considerar. Nessa outra tentativa de compreensão do
estar no mundo pode haver lugar para um sentido, que apazigúe o
absurdo, eventualmente existente, numa vida. Seria como se por
uma questão de harmonia universal, num certo momento, algo
necessitasse de ser vivido por um determinado indivíduo, conforme refere MJCF. Aliás, é quase a posição bíblica que menciona
que existe um tempo específico para tudo no decurso da vida.
«As relações do futuro», no casal, são tema de um dos capítulos, onde a autora cita abundantemente Sondra Ray. Costumo, a
este respeito, fazer um pequeno teste sobre a qualidade da relação
quando um membro do casal fala da sua infelicidade e que consiste em perguntar em quanto avalia a média de satisfação no seu
casamento no fim de cada ano, numa escala de 0 a 20. Qualquer
resposta acima de 10 leva-me a felicitar a pessoa por «pertencer
aos milhões de casais felizes». Vale a pena realçar algumas daquelas citações, pois se evitar-se-iam muitos dissabores entre casais
se aquelas fossem tidas em conta. São possivelmente relações do
e com futuro, uma vez que «não existe receio de expor vulnerabilidades; o facto de qualquer um amar mais alguém não tem de
diminuir o amor que existe entre eles; não se criam relações na
base da culpa, medo do castigo ou da perda, nem por necessidade
de protecção; aproveita simplesmente aquilo que com ele (ela)
pode viver, permitindo-lhe que seja quem precisa de ser e sabendo
que só assim pode ver quem ele (ela) realmente é para além do
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que parece ou tem». Aliás este último aspecto, se não realizado,
leva a que surjam sinais de alerta: «Mal-estar indefinido, doenças
umas atrás das outras, tristeza, ansiedade e irritação contínuas,
um cansaço inexplicável…». O que destrói muitos relacionamentos é a crítica, sem humor nem benevolência, expressa com raiva
e culpabilização, que acaba com algum encantamento ainda existente. Permito-me, a este respeito, em jeito de brincadeira, e transpondo para os tempos actuais, lembrar que a tender sms a day
keeps psychiatrist away!
Uma palavra final para os textos «escritos há 25 anos». Trata-se de textos de inquietação e intimismo onde a autora, agora já
sem temor do ridículo (ou outro), partilha o que designarei pela
“aprendizagem do Amor”, que a certa altura se lhe impõe como
se fosse uma revelação. Entenda-se o Amor em todos os níveis,
como se, por exemplo, o Amor experienciado entre humanos ou
entre estes e animais tivesse «oitavas» que culminassem no Amor
Divino. Convido o leitor à sua leitura, despido de preconceitos,
e a deixar-se surpreender.
É um livro de maturidade, de paixão pela astrologia, de
aprendizagem do Amor e de partilha de experiência de vida!
M á r io S i mõe s
Professor de Psiquiatria
da Faculdade de Medicina de Lisboa
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