Pesquisa vai mapear influência genética e ambiental

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: Pesquisa vai mapear influência genética e ambiental na ocorrência de câncer
: EBC agência - : BRASILIA - DF - : 15/02/2017
: Notícias - : On-line
O Hospital A.C. Camargo, referência no tratamento de câncer, faz parceria internacional de pesquisa sobre a doença
com o Programa Grand Challenge -Rovena Rosa/Agência Brasil Um projeto global, que contará com a participação de
três instituições brasileiras, pretende mapear como os fatores genéticos e ambientais podem influenciar a ocorrência de
câncer em todo o mundo. O programa, chamado Grand Challenge, foi lançado na última sexta-feira (10) pelo Cancer
Research UK, um órgão de pesquisas sobre o câncer no Reino Unido, que vai investir 100 milhões de libras – quase
R$ 390 milhões – nessa ação. O que se pretende com o projeto é entender, por exemplo, porque determinados tipos
de cânceres são mais comuns em certas regiões e como os comportamentos considerados de risco, como os hábitos
de fumar e beber, podem levar ao desenvolvimento da doença. Para que isso seja possível, os pesquisadores vão
analisar e traçar o perfil epidemiológico e as assinaturas genéticas de 5 mil pacientes de cinco continentes, que
desenvolveram tumores de rim, pâncreas, esôfago ou intestino. No Brasil, a pesquisa será desenvolvida com o apoio
do Hospital do Câncer de Barretos, do Instituto Nacional do Câncer (Inca) e do A.C. Camargo Cancer Center. “O
câncer não é mais um problema de São Paulo, do Brasil ou dos Estados Unidos. É um problema mundial, existem
vários fatores que podem estar relacionados ao processo tumoral e temos que conhecer todos esses fatores para
conseguir resolver o problema mundialmente”, disse Vilma Regina Martins, cientista e superintendente de Pesquisa do
A.C.Camargo, em entrevista à Agência Brasil. “Quanto mais dados você tiver, tanto em amostras quanto em
diversidade de amostras e de cérebros pensando a respeito do problema, aumenta a chance de se fazer alguma coisa
relevante”, ressaltou. Sete principais linhas de pesquisa ou questionamentos serão feitos dentro do projeto. O A.C.
Camargo Cancer Center, por exemplo, fará a parte da pesquisa chamada Mutographs of câncer: discovering the
causes of câncer through mutational signatures, liderado pelo professor Mike Stratton, diretor de um campus de
pesquisa do genoma do Wellcome Trust Sanger Institute, no Reino Unido. Essa linha de trabalho busca entender como
a interação de determinada pessoa com o meio ambiente e o tabaco, por exemplo, pode levar ao desenvolvimento da
doença. A pesquisa também pretende identificar que outros fatores, ainda desconhecidos, estão causando alterações
na leitura do código genético do DNA e influenciando o desenvolvimento do câncer. Todos esses fatores provocam
algum tipo de alteração na leitura do código genético do DNA. Alguns, como os que são provocados pelo tabaco, já
foram identificados. Mas, segundo a cientista, há dezenas de outros que provocam alterações no código genético e que
ainda não foram identificados. “Conhecemos alguns desses agentes [tabaco, álcool, benzeno, vírus, produtos químicos,
entre outros] que são os mais clássicos e que já foram estudados, mas o ponto é: e quando há um perfil que não está
associado a nenhum desses agentes que conheço. Qual é esse agente?”, perguntou Vilma. “Quando se olha para a
população mundial, vemos que alguns tumores são mais incidentes em algumas regiões. Pode ser por um fator
ambiental como também por um fato genômico ou da genética daquela população, que pode ter algumas alterações
que aumentam ou diminuem o risco de desenvolver determinado tumor. Provavelmente o que temos é uma
combinação dos dois: do ambiente e da genética dessas pessoas”, disse a cientista. Outras linhas de pesquisa Outros
questionamentos buscam respostas para o desenvolvimento de vacinas destinadas a prevenir os cânceres não virais e
o desenvolvimento de abordagens inovadoras para tornar a doença controlável e não letal, ou abordam a erradicação
dos tumores induzidos pelo Epstein-Barr vírus (EBV) e a distinção entre os tumores letais e que precisam de tratamento
dos não letais. Também está previsto um mapeamento dos tumores em níveis molecular e celular e uma pesquisa
sobre a entrega de macromoléculas biologicamente ativas a qualquer célula do corpo. A expectativa é de que sejam
coletadas amostras de 900 pessoas no Brasil, que serão sequenciadas por meio de um exame de DNA. Essas pessoas
terão também que responder a um questionário padronizado que irá ajudar a entender o seu perfil e os hábitos
alimentares ou sua exposição a agentes carcinogênicos. “Ao final de cinco anos [tempo de duração do projeto], a
gente imagina que conseguirá identificar outros agentes etiológicos [causadores de doença] que estão associados com
o câncer. E, talvez, algumas características populacionais. E aí conseguiremos mapear, no genoma, onde estão essas
alterações ou essas diferenças entre as populações e entender porque elas estão em maior risco que outras. Isso será
muito importante porque quando se conhece o agente etiológico, de forma geral você consegue fazer a prevenção”,
afirmou a cientista.
Link:
http://agenciabrasil.ebc.com.br/pesquisa-e-inovacao/noticia/2017-02/pesquisa-vai-mapear-influencia-genetica-e-ambien
tal-na
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