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Sociologia Geral
Apontamentos de: Mafalda Diogo
E-mail: [email protected]
Data: Outubro de 2006
Livro:
Nota:
Este documento é um texto de apoio gentilmente disponibilizado pelo seu autor, para que possa auxiliar ao estudo dos colegas.
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Sociologia Geral
—O Contexto—
—As grandes linhas de mudança social—
Quando Comte baptizou a sociologia em 1839, as pessoas começaram a tomar
consciência de que estavam a viver um período de revolução — por um lado industrial
e por outro lado a revolução francesa — que originou uma transformação
económico-tecnológica e também política..
Tendências de fundo desde o principio do sec. XIX
Desde então começou a aperceber-se o potencial dos recursos humanos.
Sabemos hoje, como no principio do século XIX que esse é o recurso mais
importante. Ele conduz, por seu lado, à importância do saber — o recurso central é o
saber.
Aceleração da vida social
Hoje em dia estamos habituados a um determinado ritmo de vida, a uma
renovação constante, a descobertas todos os dias e, ainda por cima, descobertas
notáveis. Tudo cresce e se modifica rapidamente. Mas será característica da nossa
época ?
Desde os anos 50 / 60 que esta aceleração do crescimento do saber se tem
vindo a verificar. Por isso não é uma característica da nossa época, apenas um tributo
entre muitos, pois já vem de trás desde o sec. XVII (embora não com a intensidade
com que se verifica hoje). Tem-se mantido constante, mas com um crescimento
exponencial — por isso o sentimos mais hoje.
Assim, que critérios devemos utilizar para medir o crescimento do saber ? O
crescimento do saber mede-se através do numero de publicações cientificas num
determinado período de tempo.
Relacionado com isto, prende-se um problema que começou a atormentar os
pensadores desde a época em que esta aceleração começou : o excesso de informação
disponível.
Era física e mentalmente impossível lerem-se tantos periódico, em parte
também porque as revistas estavam dispersas e as comunicações eram bastante lentas.
A comunidade cientifica começou a entrar em pânico.
Ao atingir os 300 periódicos, criou-se o Abstract, um sumário que permitia ao
cientista seleccionar de entre a lista dos periódicos aquele que mais lhe interessasse.
No entanto, os periódicos continuavam a crescer e hoje já existe mais de um
milhão. Inclusive, em 1950, os Abstracts já eram também 300.
2
Em 1665 havia apenas uma revista — a aceleração começou ai. Isto conduz ao
problema da natureza do conhecimento e do acesso ás diversas faces do conhecimento
e sua articulação.
No século XVIII, pensava-se que todos os conhecimentos eram possíveis de
dominar. A publicação característica desse tempo era então a Enciclopédia. A mãe das
enciclopédias foi a “Encyclopedie Francese” (enciclopédia = ciclo fechado do saber)
Nos períodos das duas grandes guerras, houve uma queda no conhecimento.
Os cientistas ou eram recrutados para a guerra ou estavam demasiado angustiados para
trabalhar. Sempre que ha guerra dá-se um abatimento na actividade cientifica.
Littré, discípulo de Comte, foi o autor de um dicionário clássico de língua
francesa, que criou com a ajuda de 5 ou 6 amigos — o único que nunca foi revisto,
por exigência dos amigos.
O dicionário levou 14 anos a fazer, tendo Littré 59 quando começou.
Notam-se algumas flutuações ao longo da sua produção — houve duas
interrupções:
1870 – Grande derrota dos franceses na Batalha de Sedan
1871 – Criou-se a comuna de Paris, logo ameaçada pelo exército.
As guerras levaram à mobilização de imensas pessoas que já não tinham idade
para lutar. Quase todos os discípulos de Durkheim morreram na batalha — a sua
escola foi aniquilada !
No entanto, a tendência para o crescimento exponencial do conhecimento não
se extinguiu; muito pelo contrário continuava visível, nomeadamente nos estudos em
física, matemática, electrotécnica, numero de cientistas vivos, numero de
universidades, etc.
Tudo isso é incompatível com a definição de enciclopédia, uma vez que,
quando está para ser impressa, já esta desactualizada.
Em 1976, aquando do centésimo aniversário da “Encyclopedie Francèse”,
publicou-se a “Nouvelle Encyclopedie”, dividida em 400 volumes: 200 de alto nível, e
200 de fácil compreensão. Este sistema é suportado por uma base de dados existente
em França — é suposto os cientistas estarem constantemente a actualizá-la —
compilação permanentemente aberta, o que contradiz a definição de enciclopédia. O
programa é complementado com uma serie de programas de computador,
acompanhados de imagens para facilitar a compreensão dos conceitos. No entanto, o
projecto não resistiu.
A sociologia geral tem o mesmo problema de como reunir toda a informação
das várias ciências sociais. O próprio Durkheim já dizia que era impossível a um
especialista abarcar toda a literatura da época.
A Aceleração da vida social é um atributo da vida
contemporânea, mas acima de tudo, uma tendência forte que já vem de
trás e, por isso, não é exclusivo da nossa época.
3
Será possível ter a percepção da totalidade do conhecimento útil ?
Já no sec XVII, Jbn-Khaldun, autor de “Prolegomena” (prefácio à história
universal de 1000 paginas), dizia que é necessário adquirir um conhecimento geral,
mas que depois se torna absolutamente necessária a especialização numa determinada
área de interesse.
Este processo deu-se primeiro e mais facilmente com as ciências físicas e
naturais e de seguida com as sociais.
No entanto, esta tendência para a especialização encontra-se em crise, uma vez
que é muito mais importante a necessidade de integração que leva à fusão de
conhecimentos especializados
Hoje em dia, temos acesso selectivo à informação – bibliotecas em cd-rom. No
entanto ha o problema da qualidade : nem todos têm o mesmo valor. 95% delas, em
todos os ramos do saber, são dispensáveis. Os restantes 5% interessam pela sua
natureza expositiva, retórica ou pedagógica.
De seguida põe-se o problema da selecção, de como chegar aos 2% 3%
realmente importantes. Pode conseguir-se seguindo as criticas das revistas. No
entanto, o próprio critico também faz a sua própria selecção : não analisa todas e pode
até acontecer que estude as menos importantes.
Mesmo assim, nas ciências sociais é possível fazer a selecção do que merece
ser lido, ainda que se tenha que passar por cima de muito lixo, e ainda ter tempo para
ler sobre domínios de outras disciplinas.
Aceleração do
Mundo
Contemporâneo
Crescimento do
Saber
Re tom
ando : A partir dos anos 50, existe uma aceleração no mundo, mas não é característica
da nossa época. (vem desde o sec. XVII, XVIII)
No
sec.
XXI
sente-se o crescimento de
modo mais intenso d que
nos séculos anteriores :
Sec. XVII e XIX ( séculos
da enciclopédia ) è ciclo
fechado do saber.
1800
1900
2000
Hoje em dia, as
enciclopédias mudaram:
são abertas ao uso das novas tecnologias.
Assim, devido ao crescimento e inovação constantes, torna-se impossível
manter-se actualizada (embora nem sempre o mais novo seja o melhor). È impossível
ter-se toda a literatura para a sua especialidade.
4
Há uma incerteza na designação que se deve dar à mudança da sociedade:
·
·
·
·
Pós-industrial
3ª revolução industrial
sociedade de informação
sociedade de saber / comunicação
O conhecimento parece ser o
recurso estratégico da nossa
época.
O que marca este período é um fenómeno demográfico
Crescimento
?
1800
1900
2000
No conhecimento ha um
Fenómeno único do Sec XX, em
sentido alongado
2100
aumento progressivo mas, no crescimento demográfico este apenas se observa ate
1976; prevê-se que por volta de 2100 se tenha conseguido conter o crescimento da
população voltando aos níveis anteriores de 1800.
É necessário que nos situemos a uma distancia temporal considerável para
compreendermos os efeitos na história da humanidade.
A taxa de poluição é semelhante à do crescimento demográfico.
A nível económico, deu-se uma mudança radical da composição da população
activa.
EUA
Sectores
Agrícola
Colarinhos Azuis
Colarinhos Brancos
Serviços
1900
37,6
35,8
17,6
9,1
Anos
1940 1980
17,4
2,8
40
31,7
31,1
52,2
11,7
13,3
1995
2,7
26,3
54,9
16,1
Modelo mais geral dos acontecimentos a nível dos sectores (≠ Grécia)
O período dos anos 40/50 foi a introdução da automação (= substituição do
homem pela maquina)
5
Como consequências políticas surgiram partidos de apoio ás massas operárias,
ao campesinato, etc. Procurando tirar dividendos das maiorias de cada época.
Actualmente, ha semelhanças paralelas com o momento da aparição da
sociologia, no Sec. XIX.
A re-conceptualização da
população
activa
permitiu
destinguir os sectores :
Primário
Secundário
Terciário
·
·
·
1800
·
·
1900
2000
Sociedade de informação
Sector primário da informação
Sector secundário da informação
Marc Porat Resolveu proceder a uma desmontagem contabilistica para avaliar os
sectores primários e secundários de uma determinada economia.
6
7
Sector Primário da informação:
è Produção, processamento e distribuição de informação
Sector secundário da informação
èorganizações que vivem em função do produto final
Ex.: empresas de publicidade: técnicas de marketing, inquéritos
ao publico etc.
Para determinar o valor do sector de informação nos EUA, teve de se fazer
uma amostra representativa das empresas.
Resultados:
Nos EUA, cerca de 50% do PIB, e pouco mais de 50% do produto
nacional vinha do sector primário.
Quando se trata de avaliar uma época ou momento de mudança global,
produz-se um texto sobre essa mudança.
Traçar panorama (mas é sempre indeterminado) Ex.: “3ª vaga”
Há uma diferença entre o sector primário e o sector secundário da informação
è evolução da população.
Num espaço de 100 anos, houve uma transformação completa da população
relativamente ás suas funções (queda da população activa no sector agrícola)
è profunda mudança social no sistema de trabalho e, ao mesmo tempo, aparece uma
sociedade baseada no sector dos recursos. (ex. Portugal)
Deve repensar-se o modo de pensar da população e a natureza das actividades,
de acordo com a natureza da sociedade de informação.
Produção
Primário
Processamento
Distribuição
Sectores de
Secundário è valor da informação no âmbito de
processos de produção que não a visam
8
Ex. Produzir um automóvel à durante o processo de construção e venda de
um automóvel existem fluxos de informação indispensáveis ao produto
Sector secundário à contagem contabilistica do sector secundário mais o
sector primário.
à Face ás mudanças que estamos hoje a atravessar – devido ás revoluções
industriais – a análise qualitativa não é suficiente.
· Rapidez de mudança
· Incerteza das tendências
Tofler à apoiou-se em juízos de qualitativos, pressupostos teóricos. “3ª vaga”
à Análise de conteúdo – obtém vários resultados diferentes chamados
mega-tendências (estão para durar) ≠ modas
Análise de conteúdos quantitativos : numa folha ha um limite (espaço) — num
jornal ha uma percentagem de espaço para casos sociais — racismo, sexismo etc.
A análise de conteúdos quantitativos ajuda a medir a mudança das
preocupações / valores que adquirem relevância em determinado tempo e em
determinada sociedade (região).
Se isto afecta a totalidade da vida social, um dos problemas que se levantam é
como interpretar esta mudança.
Em parte esta revolução é induzida pelas novas tecnologias de informação e
biotecnologias, gerando novos problemas; ao mesmo tempo é uma solução por
permitir lidar eficazmente com milhões de fenómenos globais, permitido a sua
selecção e triagem.
9
Se se comparar o numero de utilizadores da net, vê-se que está em crescimento
(nos países avançados); nos países “atrasados” ha um difícil acesso à net à assimetria
quantitativa à controlo da Internet (não é livre nem gratuita)
Paradoxo do retardatário à Quem chega mais tarde usa equipamentos mais
modernos.
· Rep. Popular da China à aqui a net tem a comunicação sujeita a censura
(muito em particular a comunicação recebida do estrangeiro) firewall
· Guiné à a tv era a mais moderna
Ocidente à projecto echelon
Sistema que tendencialmente escuta, lê, observa e analisa todo o trafego que é
feito através da net e telecomunicações — é feito através de uma analise de temática
de conteúdo — impacto de palavras chave
Em Portugal, a situação quantitativa é excelente à as estatísticas mostram um
grande desenvolvimento a nível de telecomunicações, acompanhando a tendência
global.
A ideia de que Portugal seja refractário à adopção de novas tecnologias foi
presente nos anos 70.
26% de analfabetos à havia mais mulheres sem instrução que homens; apartir
de 1980 isso mudou.
Fenómeno invisível è as novas tecnologias de informação já ca estavam, mas
encontravam-se encobertas pela ausência de estatística.
Dá-se o impacto do PC, 1983, — em Portugal ha a maior capitação da Europa
de Spectrums à bom sinal : predisposição das pessoas para aderir ás novas
tecnologias; mau sinal pela falta de poder de compra.
A concepção de política / estado-analise academica.
è Como é que se deve conceder a mudança?
Concepção prevalecente em Portugal — subjacente aos problemas da mudança
social (a concepção ferroviária da história) — é a primeira das formas de historicismo
dominante durante todo o Sec. XIX e XX
Concepção ferroviária da historia (historicismo)
Carroça à Maquina a vapor à Maquina a diesel à TGV
Aproximação cada vez maior do crescimento.
10
Concepções
·
·
Concepção Evolucionista à fase mais
avançada que a anterior
Concepção Uniliear à todos os comboios
seguem na mesma linha e direcção
Concepção Homogénea à todos os
comboios vão passar pelas mesmas fases.
Cas
o
·
português : objectivo de
alcançar os países da frente
( =
aumentar a velocidade) à continuarão a afastar-se pois a potência dos da frente é
maior
Alternativas:
· Atalhos
· Solução do salto
· Concepção ferroviária da história
Ex: No Japão, ha 50 anos não havia modernização e hoje é uma das maiores
potências.
11
12
Concepções:
· Unilinear à todas as instituições têm de passar pelas mesmas linhas ou
fases
· Evolucionista à presume-se que, à medida que cada sociedade avança
pela linha (do progresso), mais desenvolvida é a sociedade.
· Para alcançar o progresso, todas as sociedades têm de seguir o
mesmo percurso
· Homogénea à só se pode considerar que uma sociedade passe de uma
revolução para a outra quando passa da maquina a vapor para uma
maquina a diesel.
· Continuista à O movimento não para, não admitindo alternativas
(desvios, atalhos, saltos tecnológicos).
A Concepção esta errada!
Exemplo do Japão.
As pessoas têm a tendência de pensar na homogeneidade: “se um pais é
desenvolvido, então todo o pais é desenvolvido!”
· É difícil dizer que um pais pertence a uma 3ª revolução industrial ou à
sociedade de informação, pois é necessário um grau de homogeneidade
demasiado elevado.
· No entanto não é por causa disso que os EUA não pertencem à sociedade de
informação
· São características dominantes que ajudam a caracterizar as sociedades
em cada fase que estas atravessam.
Auguste Comte (1798 – 1857)
·
Criou a palavra sociologia para substituir física social
·
Introduz o termo no IV volume (1839) de “Filosofia Positiva” (1830 – 1842)
·
1830 – I Volume
· Ano da “Revolução de Julho”, que afecta o tecido económico livreiro
(os editores vão à falência)
· Física social à esta expressão sugere que é possível estudar a
sociedade com os métodos e rigor com que a física estuda o seu objecto
de estudo : ha leis precisas e determinantes como as leis gerais para a
sociedade.
·
No IV volume aparece uma nota do editor a avisar que virá um V volume.
·
Os princípios que Comte defendia iriam levar o Homem (segundo ele) à ordem
e ao progresso.
13
·
Sociologia = corresponde ao que sempre se chamou física social
·
Muitos autores dizem que a criação da palavra sociologia se deve à
apropriação da física social
·
·
·
·
Quetelet à Depois de 1830 publicou um volume que o notabilizou,
tratado da “Estatística social — tratado de física social”, não
mencionando uma única vez o nome de Comte (foi-lhe buscar o termo
física social e não o citou).3
Consta que isso irritou Comte, levando-o a criar uma nova palavra.
Comte sempre afirmou que a razão que o levou a criar um novo
vocábulo foi o facto de existir uma área da realidade (realidade social)
que podia ser estudada cientificamente, parecendo-lhe ser importante
um novo nome para a designar.
No centenário da morte de Quetelet a Academia Belga reproduziu uma
2ª edição da sua obra (marcada por preconceitos ideológicos) — aqui a
física social já aparece em titulo.
Comte concebia o volume na sua cabeça, ia organizando o assunto e depois
fazia uma redacção da obra de uma só vez — método da higiene cerebral – não lia
nada e escrevia o que pensava (pensamento genuíno)
1º Abstract – aparece quando a sociedade esta perante a descoberta do
conhecimento em expansão
Comte considera o curso de filosofia
positiva como um curso enciclopédico sobre
o domínio das ciências baseado na lei dos 3
estados:
Teológico
Metafísico
Cientifico
·
·
·
Acreditava que estado cientifico era o
ultimo estado de conhecimento humano
O estado metafísico é um estado que
representa um período de critica do estado teológico — nasce a grande ruptura com o
modelo teológico do pensamento, mantendo no entanto, que as causas dos fenómenos
dependiam de princípios inerentes aos mesmos.
1800
1900
2000
14
15
·
·
O estado cientifico caracteriza-se pela rejeição:
Do problema das origens:
· “a ciência não é um problema cientifico” ha sempre um antes :”Quando
começou tudo? Com o big bang ? e antes?”
· problema insolúvel sempre presente nas nossas mentes —
infinito
· tipo de interrogação legitimo mas que não pode ser respondido
pela ciência como nos a conhecemos.
· Causa – efeito àinvestigação da realidade social de
acordo com o método cientifico
Do problema dos fins últimos
· Filosofia : problema do infinito — é impossível conceber o infinito
Factores que revolucionaram a sociedade por volta de 1800:
· Revolução francesa
· Revolução industrial
· Crescimento populacional
· Crescimento do saber
Concepção marcada pelo historicismo
· Evolucionista
· Unilinear
· Homogéneo
· Continuista
Na concepção ferroviária da história, quando se trata das passagens, presume-se
que a sociedade esta a evoluir e que essa evolução se da através da mesma linha; o
desenvolvimento é homogéneo (toda a sociedade acompanha o processo) o tempo não
admite saltos!
· Concepção que não se adapta aos factos
· Concepção baseada na vida humana: O indivíduo vai evoluindo
· Não se pode adaptar ás sociedades porque elas são heterogéneas
(critério da dominante das sociedades)
Auguste Comte (1798 – 1857)
·
·
·
·
·
Vida regrada pelo valor conservador da sua família
Professor que o marcou: Daniel Encontre (matemática)
Estudou na escola politécnica
· Apoiava Napoleão e quando este perdeu e a monarquia triunfou, os
estudantes revoltaram-se, sendo Comte um dos lideres do grupo – a
escola fechou
Voltou para Montpellier e mais tarde regressou a Paris, onde viveu à custa de
explicações e mensalidades.
Conhece St-Simon que se torna seu mestre
16
·
·
·
Dá-se uma ruptura entre os dois quando Comte deixa de o considerar mestre
— Comte escreveu um livro e recusou-se a assinar com o nome de Saint
Simon
Esse livro foi : Plano dos trabalhos científicos necessários para reorganizar a
sociedade (lei dos 3 estados).
· Para Comte esta é a lei constituinte do seu pensamento
Perante a turbulência característica de um período de transição, era necessário
uma teoria cientifica para estabelecer a ordem e conduzir ao progresso.
· isto é o resultado do que os reis vêm desenvolvendo : as suas decisões
levam à queda da monarquia
A lei dos 3 estados é evolucionista, unilinear, continuista mas não homogénea.
Para Comte o estado cientifico marca o ultimo estado do espirito humano.
Estado cientifico :
Recusa das origens primeiras ( não se podem conhecer por definição)
Recusa dos fins últimos.
Procuram regularidades, tipologias, classificações das leis que regulam os
fenómenos (a lei de fundo é a dos 3 estados).
A lei dos 3 estados é :
· Evolucionista à porque o espirito humano evolui de um estado
inferior para uma fase superior
·
Unilinear à porque todos os povos do mundo têm necessariamente de
passar por todas as fases
·
Continuista à porque isto se passa a exemplo do que se passa com os
indivíduos (crescimento humano)
·
Heterogénea à principio da dominante
·
No estado metafísico ou teológico também existem os outros
estados, embora haja sempre um dominante. Ex. Gregos
A ciência ia-se aprofundando e melhorando à custa das explicações metafísicas
e teológicas.
Religiões :
Reveladas à revelação divina que implica dogmas e princípios
Positivas à não ha revelação por nenhum Deus, sendo constituída com o
conhecimento cientifico
àO aparecimento de uma nova ciência — sociologia (coroa deste processo e
paradoxalmente a sua base)
17
Hierarquia das Ciências
Complexidade
Crescente
Moral
Sociologia
Biologia
Química
Física
Astronomia
Matemática
Generalidade
Decrescente
A classificação
das
ciências
e
s
t
a
directamente
ligada com a
lei dos três
estados — do
mais simples ao mais complexo
A matemática não precisa das outras ciências para funcionar, ao contrario das
restantes.
Princípios da complexidade crescente
Princípios da generalidade decrescente
Cruzam-se critérios:
· Lógico / doutrinal — a astronomia precisa da matemática para
funcionar; uma a uma, as ciências vão aparecendo no estado
positivo.
· Histórico — cronológico
· Pedagógico — curso de filosofia positiva
As ciências que estão por cima (no esquema) têm de esperar que as ciências
anteriores cheguem ao estado cientifico para também elas atingirem o estado
cientifico (à que seguir a ordem cronológica)
1822 — Plano dos trabalhos científicos necessários para reorganizar a
sociedade. É devido a este trabalho que se dá a ruptura entre Comte e st-simon —
traça o plano de trabalho da sua vida.
·
·
·
·
O curso de filosofia positiva representa o fundamento filosófico sobre o
qual se vai construir uma política positiva
Nesta obra, Comte apresentava já os fundamentos e o nascimento da
física social
Esta obra irá originar uma política cientifica (que levaria a sociedade a
manter-se no ultimo e definitivo estado, tanto a nível político como
cientifico)
Era necessário que as ciências se positivassem, dando origem à política
cientifica / positiva da sociedade. A partir dos fundamentos da física
social criar-se-ia uma política cientifica assente na física social.
18
A sociologia divide-se em estática social e dinâmica social para estudar a
relação de força entre elementos da estrutura
A influencia mais próxima de Comte foi a da fisiologia de Gall
Constituição ≠ funções è Diversidade e complementaridade
Se um órgão essencial ao funcionamento do todo paralisia, a única solução é
outro órgão acumular para alem das suas funções as do órgão paralisado. è principio
do órgão substituto
Equivalente substituto è Funcional
Ex.: se na época medieval o papa via que um imperador não estava a cumprir
as suas funções, substituía-o
Comte acreditava que a moral estava acima da sociologia por esta ser ainda
mais complexa e geral..
Comte admirava Gall (fisiólogo que estudou craniologia) por este também
defender a moral.
Para Comte a moral era uma psicologia geral, que tinha por base a individual
à afasta a estrutura para se aproximar das localizações cerebrais à onde esta a sede
da razão humana?
Ciência
“1ª carreira”
1798
Fundamentada na
construção do
positivismo, na
reflexão, em
critérios positivistas
Visão cientifica
da sociedade
Meio da vida de Comte
1842
Política cientifica
“2ª carreira”
1844
Aparição do
discurso sobre o
espirito positivo
Constituição de uma
política para reconstruir
a sociedade
19
20
Tudo tem de se buscar nos afectos:
· Há apenas uma minoria que compreende o espirito positivo, aos
restantes deve apelar-se à afectividade, para que adiram ao
positivismo e o compreendam.
Durkheim (858 – 1917)
Durkheim aparece com uma classificação das ciências sociais (não das ciências
de Comte ) a relação entre a sociologia e as outras ciências sociais.
Já no tempo de Durkheim se sentia a pressão do crescimento exponencial do
saber.
Para Durkheim, um dos perigos era a enorme expectativa em relação à
sociologia por parte da opinião publica. (era a ciência mais popular).
Havia o receio e o perigo de defraudar essa expectativa, da ciência não lhe
corresponder — por vezes as respostas da sociologia demoram muito tempo, não
produzindo rapidamente, o que a opinião publica poderia considerar como ciência
inútil.
Por outro lado se se cedesse à pressão poderia não dar respostas adequadas.
Era ainda preocupante a multiplicação de estudos, o que não permitia aos
estudiosos, sociólogos, abarcarem todo o saber sobre a sua área de estudo. Dai
Durkheim apelar a uma certa especialização — “uma ordem especial de problemas”
Quadro da divisão das ciências sociais por Durkheim
Morfologia social:
Demografia à Demologia
Geografia à Humana ou ecologia humana
Fisiologia social:
Sociedade religiosa
Sociedade moral
Sociedade jurídica
Sociedade linguistica
Sociedade estética
Sociedade económica
(síntese das varias ciências especializadas)
Sociologia geral
21
Sociologia geral à Sendo uma síntese dos conhecimentos das ciências sociais
no seu todo, deve extrair os princípios gerais de cada ciência social, mas claro que se
devem utilizar analises completas e mesmo especificas de cada área, fazendo depois
uma síntese que seja segura.
As ciências sociais dividem-se então em :
· Morfologia social
· Fisiologia social
· Sociologia geral
Esta divisão foi apresentada na obra de 1909, distinguindo-se o volume
“método da ciência“ pelo facto de terem sido convidados inúmeros sociólogos para
escreverem algo acerca de uma área com que se familiarizassem (uma área especifica
para cada um)
Durkheim defendeu a multiplicação de estudos especializados, divididos por
varias ciências que iriam criar leis e regras para cada fenómeno que analisassem ≠
sociologia geral — engloba as leis gerais acerca de fenómenos que dizem respeito ás
diversas áreas
Sociologia — disciplina muito explorada pela opinião publica para solução de
problemas; era uma ciência “jovem” não tendo crescido o suficiente para solucionar
os problemas que tanto preocupavam a sociedade..
Durkheim não queria acelerar a criação de leis ou os estudos, pois julgava ser
preciso muita paciência para fazer com que as leis fossem eficazes e completas (no
entanto, muitos foram os sociólogos que procuraram acelerar o processo de resposta,
não alcançando leis exactas mas inúteis)
No tempo de Durkheim os mídia, nomeadamente a imprensa, eram o 4º poder,
pois tinham uma extrema importância — efeito sobre a opinião publica..
Este 4º poder era muito afectado pela censura, que só deixava apresentar ao
publico aquilo que tivesse analisado devidamente.
Já pensando na projecção e expectativas da opinião publica, Durkheim
escreveu um artigo: “sociedade e ciências sociais” (na revista fundada por ele “o
anuário de sociologia”).
Divisão das ciências sociais
Morfologia social:
Demografia à nascimentos óbitos etc.
Geografia à como as pessoas vivem nos espaços onde residem
Fisiologia social:
22
Sociologia da moral à analise de um sistema de valores que regula a
sociedade
Sociologia da religião à analise de aspectos religiosos que regulam a
sociedade
Sociologia do Direito
Sociologia linguistica
Sociologia estética à base de muitas pesquisas sobre o que é belo e o que é
bom
Sociologia económica
Comte classifica as ciências e hierarquiza-as no seu todo
Complexidade
Crescente
Moral
Sociologia
Biologia
Química
Física
Astronomia
Matemática
≠
Generalidade
Decrescente
Durkheim
interessa-se
mais
pelas
c i ê n c i a s
sociais e pela sua relação com a sociologia — classificação interna e não geral.
Na sua classificação das ciências sociais existem disciplinas que se encontram
simplificadas e numeradas
Sociologia geral
Toda a realidade social observada por todos os pontos de vista. Abrange o
conjunto de todas os aspectos investigados por todas as ciências sociais.
A sociologia geral inclui todos os estudos acerca da realidade social, já que
cada estudo se especializou num aspecto.
[eskema da piramide a acrescentar mais tarde]
Sociologias particulares
·
Sociologias especiais à analisam toda a realidade social de um ponto de vista
especifico (sociologia económica, de poder)
·
Sociologias particulares à analise de um só nível da realidade social e de
todos os pontos de vista (sociologia religiosa)
23
·
Sociologias compositas / mistas àanalise de um nível da realidade social de
um ponto de vista especifico (resulta do cruzamento de objectivos de uma ou
mais sociologias particulares (sociologia da família)
Esta classificação é útil, porque evita os males da enumeração, porque não
limita nada, uma vez que todos os ramos se inserem num qualquer tipo de sociologia
(a classificação é constituída segundo a lógica ).
Sociologia geral
Sociologias especiais
Sociologias parcelares
Sociologias mistas
Níveis da realidade social
Todos
Todos
Um
Um
Nro de pontos de vista
Todos
Um
Todos
Um
Se se conceber qualquer ramo que existe ou venha a existir de sociologia
particular, está dependente da classificação (especial, parcelar ou mista)
Ha necessidade de todas as ciências recorrerem a disciplinas auxiliares (não
sociologicas, mas cujo contributo é indispensável ao estudo da sociologia)
Sociologia geral
Disciplinas Auxiliares:
· Cientificas
· Filosóficas
· Normativas
Disciplinas auxiliares:
·
Cientificas:
· Matemática
· Física
· Etologia (estudo do comportamento social dos animais)
· Colmeias è utopias totalitárias sem mobilidade social levando
à criação de teorias terríveis.
· Darwin (Sec. XIX)
· “A expressão das emoções nos Homens e nos animais“
· Este tipo de investigação etológica levou ao desenvolvimento
de correntes de pensamento no campo da sociologia e política
de bases cientificas.
· Agem de acordo com a natureza sendo legitimados por
ela.
Etologistas :
Tinbergen
Konrad Lorenz (“A Agressão”)
Eibt-Eibetsfeldt
Estudaram o comportamento social dos animais, não querendo, no entanto,
compara-los com o comportamento humano.
24
25
Robert Audrey:
· “Génese Africana”
· “O contracto social”
· “O imperativo territorial” : comportamento de aves
· num bando com mais fêmeas, a primeira preocupação é a
definição do território, estabelecendo uma hierarquia (triunfo
dos mais fortes sobre os mais fracos) entre os machos; a
seguinte preocupação é o acasalamento — as fêmeas lutam
entre si para capturar os machos mais fortes (mas não ha
equilíbrio: sobram fêmeas que não podem acasalar)
· facilita a reprodução evolutiva do grupo (acasalam os
mais robustos)
· a hierarquia é estabelecida pelos machos, através da “pecking
order”. As fêmeas têm um status social derivado do macho.
Sociedade estática
Manutenção da estabilidade — se um volta e ganha o
primeiro lugar, tem de acasalar com uma das déclassées, passando ela a ser a alpha do
bando
Não se pode comparar com o comportamento humano, no entanto, a base
natural de qualquer sociedade é a propriedade privada, a hierarquia.
Desmon Morris
· “O Macaco Nu”
· “A tribo do futebol”
· investigação sobre o caracter natural de agressão manifestada no
futebol.
Psicologia social (comportamento humano em grupo)
Psicologia (comportamento social)
Uma corrente da Grécia antiga considerava os Homens como animais (iguais)
defendendo os direitos dos animais.
Os Homens e os animais tinham a sua animalidade em comum, e deveriam ser
estudados como uma classe natural.
≠
Outra corrente (minoritária) afirmava que os Homens eram qualitativamente
diferentes e tinham um estatuto diferente do dos animais. O Homem era o centro do
26
Universo. Esta tornou-se a corrente dominante (através de Aristóteles), vindo a ser
recuperada pela ciência moderna.
A corrente de Darwin
Volta a re-inserir o Homem nos animais.
Depois descobre-se que o parente mais próximo do Homem é o gorila e o
chimpanzé (a nível genético têm uma separação de 1%)
O mergulho do Homem no reino animal com atributos que os outros animais
não possuem.
Hoje é um tema importante que leva a manifestações a reivindicar os direitos
dos animais (têm origem na Grécia de há 2500 anos)
No quadro da etologia
O estudo do comportamento social dos animais pode fazer luz sobre os
aspectos de interacção humana e os comportamentos dos Homem
É usado em ideologias de extrema direita. (Havia pessoas com o estatuto de
“não pessoas”, sendo consideradas animais como os Judeus no nazismo).
Um exemplo de investigação social sobre o comportamento social dos animais
tem a ver com as manifestações afecto/ emoções.
Darwin publicou “A expressão dos sentimentos entre o Homem e os animais”
(será que o macaco sorri?)
Neste estudo fez-se a investigação partindo-se da observação da razão porque
a estrutura fisiológica da face do chimpanzé é igual à do Homem – mesmos músculos
e mesmos movimentos.
Depois viram como se processa um sorriso autentico (emoção espontânea) no
Homem. É uma expressão da estrutura fisiológica. Mas este sorriso é verdadeiro ou
não ? qual é o seu contexto social ?
Na verdade, o chimpanzé é capaz de sorrir e as circunstancias em que ele o faz
são semelhantes a algumas circunstancias sociais equiparáveis às humanas. Então o
chimpanzé é capaz de emoções semelhantes ás que levam ao sorriso na espécie
humana. Isto diz respeito a outros aspectos de expressão das emoções pelo corpo entre
Homens e animais.
Ha tendência para extrapolar do domínio da etologia para a sociologia, ou seja,
a tentativa de aproveitamento destes resultados para teorias e ideias sociais que podem
ter um impacto negativo da sociedade.
As sociedades humanas são diferentes das dos animais porque são objecto de
produção, distribuição e transmissão de cultura e isso faz surgir um conhecimento
aceleradíssimo; já as sociedades dos animais não se modificam tão depressa (não são
capazes de produzir e transmitir cultura).
Área explorada pelos etologistas, nomeadamente por Audrey nos anos 50 —
estava interessado em estudar um grupo de leões, ou seja, o mecanismo subjacente à
actividade dos leões que leve a uma previsão empírica do guarda florestal.
27
No ciclo de vida, os leões exploram um território até este ter os seus recursos
esgotados, e mudam para a área seguinte do seu território inicial.
Quando regressam ao seu território inicial, este já estava novamente
reabastecido de caça, o que permitia haver uma certa previsão empírica que permitia
saber o movimento dos leões.
Este mecanismo foi extrapolado para o sistema agrícola dos grupos e etnias
através do pousio —Cultivam a terra ate o solo estar esgotado, depois deixam a terra
descansar. Este processo pode levar 6 a 8 anos. Até voltar à terra inicial já o solo se
regenerou, mas acabou por trazer consequências desastrosas para os grupos
étnicos.
Quando os colonos chegaram, encontraram a propriedade vazia, então,
registavam a propriedade e começavam a fazer a exploração agrícola do terreno com
outras técnicas.
Passados 6/8 anos, os grupos étnicos regressam e voltam a reclamar o
território. Isto levou a uma serie de complicações entre os colonos e s grupos étnicos..
Só mais tarde, quando este ciclo foi entendido pelas autoridades locais, é que
se resolveu parar o registo de compromisso entre os direitos à terra dos grupos étnicos
e dos colonos.
Foram construídos parques naturais a proteger os leões, porem, estes
ignoravam em absoluto as marcas e não conheciam as linhas de fronteira, atacando as
manadas de gado. Os agricultores procuraram colocar à volta do terreno arame
farpado. Estes estavam mais preocupados com a segurança económica do que com os
direitos dos animais.
Antes, os leões não reconheciam as linhas de fronteira e faziam as suas
próprias emboscadas para abater a caça; depois, os leões tiveram de eliminar esta
técnica de acção empurrando a cerca (encurralar).
Mas tanto os leões como os macacos, a sua capacidade de adaptação a varias
situações e a adopção desses comportamentos novos por todos os outros membros do
grupo ( mesmo as gerações futuras), levantam questões acerca do facto dos animais
produzirem ou não cultura.
Também ha uma tentativa de ensinar animais a fazer certas coisas como falar e
reconhecer palavras. Processo de comunicação entre baleias e golfinhos — área de
comunicação simbólica.
Filosofia
Em sentido genérico é a mãe de todas as ciências.
Antigamente ocupava-se do estudo sistemático de todos os sistemas de
pensamento
28
À medida que o tempo passa, as ciências vão-se autonomizando da filosofia
(ainda no Sec. XVIII as explicações relativas à origem das sociedades eram baseadas
nas teses contratualistas)
Contratualismo
Rousseau:
Todos somos livres (liberdades iguais), mas quando nos
associamos, limitamos as nossas liberdades; no entanto se cada um de nós, ao fazer o
contracto, alienar uma parte da sua liberdade, continuaremos igualmente livres.
à Liberdade democrática : “Tudo seria assim se os Homens fossem anjos ... mas ele
não o são!” àcaracter fictício (O Homem é naturalmente bom)
Hobbes:
“Leviatã” (Pessimista)
O Homem é o lobo; o estado natural das sociedades humanas
sem um contracto, é o estado de guerra, de todos contra todos à o contracto traz paz e
harmonia social ( corpo social) à o contracto visa a segurança
Admitia que se surgissem minorias ideológicas que pusessem em causa as
instituições maioritárias, o estado teria o direito de expulsar ou punir à regime
totalidade
Comte distinguiu a filosofia positiva (estudo sistemático dos sistemas —
conhecimento saber) da filosofia tradicional : possibilidade do estudo cientifico dos
fenómenos sociais (realidade social e material) atinge o estado cientifico
Na administração do estado, de empresas, etc. Se se tivesse de partir de
concepção optimista ou pessimista qual seria a escolha indicada ? [Arbitrário]
As ciências rejeitam a sua mãe autonomizando-se
Filosofia das ciências
Os filósofos ensinavam aos cientistas de modo a fiscalizar toda a produção
cientifica.
A própria actividade da ciência sente o pesa da filosofia uma vez que o
cientista questiona com base muitas vezes em teorias filosoficas.
Enquanto epistemologia foi saindo progressivamente das mãos dos filósofos
à os cientistas vão fazendo as suas próprias filosofias sem que por isso recorram à
filosofia. à o que Comte desejava : filosofia produzida a partir da pratica
Musselt 1930 dizia que dentro de 30 anos, as ciências deveriam estar sujeitas à
filosofia fenomenológica. Seriam variações dela — a filosofia absorveria toda a
ciência. Todos os grandes cientistas fazem a sua própria filosofia.
Filosofia social
Não se limita ao domínio cientifico
29
Curso de filosofia positiva ( Comte ) à fundamento histórico, filosófico e
cientifico. (estabeleceu os fundamentos científicos das ciências anunciando uma
ciência nova)
Re-organizar a sociedade de acordo com a conjuntura da época
1. planear, estabelecer fundamentos científicos
2. extrair política cientifica do fundamento cientifico
3. moral e religião
A questão do fim da história de Fukuyama e Políbio
·
·
exemplo da filosofia social nos dias de hoje
a importância da filosofia social no pensamento político actual
· tese do fim da historia, de Francis Fukuyama
A tese do fim da historia começou com a queda do muro de Berlim em 1989,
marcando a queda da segregação, a derrocada do império soviético
Isto marcou uma alteração radical no âmbito das relações internacionais, pois,
até ai, o mundo estava dividido em Bloco do leste e Bloco ocidental à com a queda
do império soviético, as relações internacionais alteraram-se pois passou a haver um
mundo unipolar (EUA são a única super potência vista como o modelo ideológico
triunfante)
Com a queda do muro de Berlim, caiu também o sistema de valores e crenças
políticas (URSS deixou de ser referencia)
A crise do modelo ideológico arrastou consigo o modelo teórico. Caiu com o
império soviético, a ideologia socialista, marxista-leninista assim como a própria
teoria marxista.
Por exemplo, os professores universitários que vivessem fora de países de
ditadura______ para obterem algum triunfo, tinham de defender o pensamento
marxista ou declararem-se tributários dele.
A queda do muro levou ao triunfo do modelo liberal
É neste contexto que em 1989 Fukuyama fez uma conferencia que acabou por
relançar a tese do fim da história.
Fukuyama passou de um autor desconhecido a um dos pensadores mais
debatidos do planeta. Isto deve-se precisamente ao artigo “O fim da historia ?” que
apareceu na revista “The national interest” em 1989. o numero seguinte da revista
prendeu-se quase integralmente com a discussão do artigo de Fukuyama. Mesmo em
Portugal o “diário de Lisboa” dedicou inúmeras paginas a este artigo.
O próprio Fukuyama ficou perplexo com o êxito do seu artigo de uma tese que
já era muito antiga. Resolveu portanto desenvolve-la, publicando em 1992 “O fim da
historia e o ultimo Homem”; o livro teve tal impacto e procura que em Portugal, no
mesmo ano houve duas editoras a publicar o mesmo livro.
30
Teve grande dimensão social e política, e Fukuyama publica ainda outra obra 3
anos depois “confiança” que se concentra sobretudo no domínio económico em
relação com os valores.
Mais tarde, com o aumento da sua fama, Fukuyama publica “A grande
ruptura” relacionado com outra recuperação de ideias antigas, com a alternância de
períodos de desagregação das sociedades, seguidos por períodos de ordem.
Tem actualmente enunciado o livro “O futuro pos-humano” sobre tecnologias
de informação e biotecnologias.
Se se considerar a possibilidade das pessoas escolherem os filhos pode ser um
futuro pós-humano, não se trabalha mais sobre sociedades tal como as conhecemos
hoje, trabalha-se sobre sociedades geneticamente manipuladas pelo Homem.
Esta ultima obra acaba por ir contra a primeira obra sobre o ultimo homem,
surgindo um novo humanoide pos humano.
Primeiro apresenta o fim da historia como uma interrogação, depois afirma que
o fim da história cairá com o ultimo homem. Finalmente passa à analise económica e
à grande analise da transmissão sociológica
Fim da história ≠ fim do mundo
Ha concepções clássicas em que se concebe um fim do mundo:.
· Concepção de Platão à a historia não é um processo
progressivo mas regressivo (decadência)
· O mundo acaba (através de um diluvio universal ou de
conflagração geral)
· Mas para aqueles que se salvam, voltam a congregar-se
numa organização primitiva, escolhendo um rei; quando
o nível das aguas volta à normalidade, os grupos voltam
a juntar-se à beira rio à à medida que a sociedade
cresce, levanta novas exigências e o mundo acaba outra
vez.
A concepção do fim da história baseia-se no fim da história de Hegel
(fenomenologia do espirito)
· A história como processo progressivo, atravessando diversas
fases — o homem ia avançando, pouco a pouco, no sentido da
sua plena realização.
· Quando alcança essa realização, acaba a história (não
pode haver mais evolução)
· Ex: marxismo
· Concebia o moto da evolução histórica como as lutas de
classes
· Depois do capitalismo, passava-se ao socialismo, que
organizava a sociedade em classes.
· Aprofundamento e alargamento
31
·
·
Aprofundamento do sistema de valores de uma
sociedade sem classes
· Estabelecimento das sociedades económicas e
alargamento disso (pois o marxismo é internacional) de
modo a haver um ajustamento a estes princípios
Hegel à a história é um desenvolvimento lógico de ideia (=
principio que caracterizava cada época)
Ideia:
· Ex.: sociedade romana (aqui tudo exprimia o indivíduo singular e livre
·
·
A progressão da ideia levada à liberdade progressiva do Homem.
Estão criadas as condições para que o Homem se possa apoderar de si próprio
· Ex.: rev francesa : liberdade, igualdade, fraternidade
· Napoleão sobe ao poder
· Política expansionista
· Exercito de cidadãos (cada soldado transporta consigo
os ideais da revolução)
O aprofundamento e alargamento da revolução dava-se através da revolução
noutros estados, como o avanço dos exércitos napoleonicos.
O mundo era a Europa sendo o resto uma dependência que a seguiria
posteriormente, criando o “estado homogéneo universal”
1806 – batalha de Jena, onde as tropas de Napoleão avançaram
Hegel tinha razão na concepção fundamental, mas errou na data. Assim,
Fukuyama limita-se a actualizar a teoria:
· Procurava-se a liberdade, igualdade e fraternidade e assim que se
atingir, acaba a historia
· Queda do muro de Berlim, deixando o mundo unipolar, sendo
os EUA o pais a encarnar o modelo liberal
Esferas :
Política à estado de direito democrático
Económica à mercado livre (indivíduo = livre agente económico)
Ideológica à sistema de valores
Sistema de valores
O indivíduo desenvolve valores e crenças, tornando a existência indissociável
da sua liberdade (permitindo eles a realização plena do Homem) à alargamento do
estado liberal
à em 1989 chegou-se ao fundamento do fim da história, e daqui para diante ha
processos de aprofundamento ate à formação de um estado homogéneo universal.
Quais os obstáculos ao fim da historia ?
32
China – um pais, dois sistemas
· Pais autoritário que não tenciona deixar de o ser
· Mantém um regime autoritário do ponto de vista político, mas procura
fomentar uma política liberal no mercado civil
· Iniciativa privada
· Empresas
· Símbolos presentes do capitalismo (coca cola)
Fukuyama dizia que a seu tempo, com o desenvolvimento da iniciativa privada
da china, o regime político terá de se abrir e democratizar perante a expansão do
capitalismo na esfera económica.
Nacionalismo (explosão)
Fundamentalismos religiosos (em particular islâmico)
Natureza do fim da historia
· Possibilidade de recomeçar a historia
· Como no fim da historia o Homem está plenamente realizado a
todos os níveis, ha o enorme risco do Tédio e seus efeitos
Suicídio anómico
· Anomia positiva à a sociedade esta em paz, em calma, com superprodução e
prosperidade (Ex. Suécia)
Tédio
·
·
·
a pessoa não tem ambição, não tem porque lutar
o mais ameaçador obstáculo do fim da história
o indivíduo seria tentado a romper o tédio pela violência ou agressão
(recomeçar a luta)
Hegel à o que marca o fim da história é a rev. Francesa
Fukuyama à o que marca o fim da história é a queda do muro de Berlim
Políbio
· aristocrata da liga dos Aqueus na Grécia
· O conflito roma-macedónia marcou a vida de Políbio : a Grécia teve de decidir
se se solidarizava com a macedónia contra roma, ou se permanecia neutra na
batalha
A decisão prendia-se com o facto dos exércitos romanos serem exércitos virtualmente
invencíveis (novo tipo de organização militar. Os Aqueus decidiram-se pela
neutralidade, sendo Políbio o portador da noticia para os romanos. Foi enviado ao
campo do general Emilio Paulo de quem ficou muito amigo.
Os romanos vencem a macedónia e no regresso foi-lhes entregue uma lista de
conspiradores presentes na Grécia. Embora Polibio não fizesse parte da lista foi
tomado como refém, levado para Roma e ficando na casa de Emilio Paulo. É então
convidado a ser preceptor dos filhos dele.
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Guerras púnicas (Cartago e Roma)
· Polibio analisou estas guerras, dando também atenção à expansão da
civilização romana. Fez trabalhos de campo e analisou o trabalho de
um general Cartaginês – Aníbal
· Estudou documentos e ate o trajecto de Aníbal pelos Alpes e
claro o apogeu romano.
· Para Polibio a queda de Cartago é o fim da história — “A
historia pela primeira vez tinha criado um contexto mundial em
que o que se passava no mundo estava interligado,
independentemente das zonas geográficas” è aldeia global
Segundo Hegel e Fukuyama, o mundo é uma aldeia global e para Polibio,
Roma é que a controla, tendo uma possibilidade política de viver para sempre.
Os romanos são cidadãos livres, possuindo um sistema de valores que
alastrava mundialmente (como a expansão romana) e que os outros países iriam
imitar.
Polibio achava que o modelo romano seria o modelo a seguir; Fukuyama
defendia os EUA; Hegel os franceses.
A historia tem um fim único — todos os modelos são a imitar e são
governados por uma única potência (mundo unipolar).
Conjunções sociais idênticas produzem modelos teóricos idênticos
Em todos os casos ha uma única superpotência, portadora do modelo digno de
ser estimado e imitado pelos seus seguidores, e que se expandirá no mundo por força
ou pela força do exemplo.
Consequências destas formas de pensar:
· Nenhum teve razão nas suas suposições — a resposta de qualquer
esquema sociológico é o facto de não sabermos ao certo se acertam ou
não — só o tempo pode provar
Teleologia — implica que se nos já sabemos o fim da historia, lemo-la de uma
maneira diferente: lê tanto o passado como o presente à luz de um futuro que já se
controla
Sociologia geral à Disciplinas auxiliares :
· Cientificas
· Filosoficas
· Normativas
34
·
·
·
·
Moral
Ética
Teologia
Etc
Concepção do mundo como unidade
Subjectiva à Há varias concepções do “mundo” (este varia segundo o autor)
à cada autor trabalha nas suas aldeias globais
Todas as concepções são contemporâneas aos respectivos autores à cada um deles
acreditava que vivia nas circunstancias exactas para a chegada de uma nova sociedade.
São modelos persistentes (ocorrem nas mesmas circunstancias dos autores, não sendo
modelos rebativeis — as condições em cada um dos autores são sempre diferentes.)
As suas teses não servem de base para refutar a teoria de Fukuyama uma vez que as
circunstancias são distintas
Sociologia
· Duas perspectivas
· Analisar o corpo teórico da filosofia social
· Analisar os efeitos da filosofia social — peso social da filosofia, os
impactos da época
·
Não podemos saber o futuro da sociedade
· Abertura do espirito sobre o futuro (não esta predefinido) à não
sabemos o que o futuro nos vai trazer
· Ler a historia em aberto – esperar o inesperado
Normativas
· Ética
· Moral
· Teologia
· Direito
Ética à (≠ de ciência) todos somos portadores de um código de ética
· Bem ≠ Mal è guia o comportamento individual
· Princípios que estabelecemos para nós próprios, através de
um sistema de valores base (consciência)
· Policiamento normativo do indivíduo
Moral à sistema de normas partilhado para uma determinada comunidade.
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Disciplinas cientificas
Disciplinas morais
Método Indutivo
(para perceber a
realidade)
Método dedutivo
(para conformar a
realidade a princípios
Teologia à relação com Deus (relaciona-se com ética e moral)
Alberoni
“enamoramento e amor”
Medita sobre a natureza das relações amorosas entre pessoas.
Actualização do pensamento medieval para a nossa sociedade. Estudo da interacção a
nível intimo.
“a amizade”
“o erotismo”
“a inveja”
Alberoni relaciona-se com a teologia, na medida em que o conceito central das
teologias é o amor.
Na meditação teológica (que remete para as relações entre Homem e Deus)
Deus é considerado a essência do Amor e o Amor dos Homens por Deus está no
centro da natureza teológica
Tem de meditar sobre a natureza do Amor (de Deus e por Deus),
distinguindo-o dos outros tipos de amor.
Tempo medieval:
· Amor por deus
· Amor pelo poder
· Amor pela carne
· Amor pelo saber
· Pode por em duvida os princípios da relação
As melhores meditações sobre o amor de Deus encontram-se no período
medieval, ou seja, nas teologias medievais.
Os textos teológicos têm uma notável percepção da natureza.
Alberoni teve um enorme êxito na sua publicação do “enamoramento do
amor” dada a contemporânização da obra e as suas raízes medievais.
36
Santo Agostinho:
“Confissões” (auto biográfico)
· Diálogo entre ele e Deus
· Como é que Deus pode permitir que ele fizesse certas coisas
· Cruzamento da ética, moral e teologia
Disciplinas normativas è Como o mundo deve ser!
Ciência è Como o mundo é!
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38
O processo de produção de conhecimento nas ciências sociais
Observação — Problema — Objectos manifestamente semelhantes; a nível
morfológico podem não ser equivalente funcionalmente ou por outro lado podem ser
diferentes a nível morfológico e equivalentes a nível funcional.
Já Max Webber quando se referia ao tipo-ideal, defendia ser preciso “despir”
os fenómenos daquilo que é superficial e centralizar a atenção naquilo que é essencial
— Há que distinguir o secundário do fundamental / essencial
Paralelo a este processo de produção industrial é o processo de produção de
conhecimentos.
1. matéria prima (folha de papel)
2. processo de transformação (teorias, métodos, instrumentos)
3. novo produto (barco de papel)
Estas 3 fases são confirmadas por factores da natureza.
Produção do conhecimento
· o autor ao construir uma teoria parte de uma matéria-prima que transforma,
obtendo um novo produto que é a própria teoria
·
por exemplo, Galileu partiu da matéria prima, do trabalho já feito sobre a
matéria das concepções do Universo (nomeadamente, a teoria geocêntrica) e o
trabalho de Copérnico.
·
Na matéria prima podemos distinguir elementos positivos e negativos.
·
A concepção geocêntrica, bem como o senso comum, são elementos negativos.
Era, na época, a concepção adoptada desde os gregos, de Aristóteles,
consagrada por Ptolomeu e genericamente partilhada por toda a comunidade
cientifica que acreditava que a terra estava fixa. Parecia uma realidade
evidente.
O senso comum revia-se como teoria.
O pensamento cientifico partilhava o seu pensamento com o senso comum.
Quem quisesse por em causa a teoria geocêntrica debater-se-ia com enormes
obstáculos uma vez que esta teoria fazia parte da doutrina dominante da época,
nomeadamente da doutrina de fortes instituições como a igreja apoiada pela
inquisição.
A par das condições sociais e políticas havia também condições ideológicas.
Muitos príncipes italianos eram vassalos do Papa, e mesmo que não o fossem,
necessitavam da aprovação papal nas suas acções. Alem do mais, o poder político
baseava-se na comunidade cientifica que defendia a teoria geocêntrica.
As condições sociais, políticas, ideológicas, a teoria geocêntrica, e o senso
comum constituem elementos negativos da matéria prima da qual Galileu partiu.
39
Elementos positivos à a teoria de Copérnico não perturbava muito a igreja
pois, ele não defendia que a terra girava em torno do sol, mas que matematicamente
era possível que fosse a terra a girar em torno do sol.
Os matemáticos do Vaticano ate consideravam um exercício de superior
inteligência a ideia de Copérnico. Esta ideia não implicava que Copérnico afirmasse
que a terra girava em torno do sol. Mesmo assim, Copérnico guardou as suas ideias e
descobertas para os últimos dias da sua vida.
Estas descobertas são um dos elementos positivos da matéria prima de onde
Galileu partiu. Já Aristarco tinha pensado no Heliocentrismo. As observações dos
grandes astrónomos da época que trocavam correspondência com Galileu são também
um elemento positivo.
Mas se, por um lado, as condições sociais, políticas, e ideológicas da época são
um elemento negativo. são. por outro lado um elemento positivo : o renascimento
alterou sistemas de valores, a igreja já não tinha o poder de há 50 anos antes; a entrada
de exércitos estrangeiros na península itálica favoreceu a mudança ideológica.
“Os anões aos ombros do gigante”
até ao século XVIII, a Italia era a “Luz do mundo”! aqui se produziam grandes
obras de arte (era o gigante). Mais tarde estas obras acabam por ser plagiadas por
autores estrangeiros (anões) e a Itália deixou de ser o “centro do mundo”
Esta expressão significa que em primeiro lugar, o anão reduzia-se à sua
pequenez, mas tinha noção de que se se pusesse nos ombros do gigante ia mais longe.
Isto pressupõe que uma pessoa conhece os ensinamentos dos “grandes mestres”.
Na conjuntura em que Galileu escreve, podia persistir-se no progresso
cientifico sem a interferência da igreja e do poder. Galileu não foi queimado, mas
chamado a Roma e julgado, sendo proibido de continuar a desenvolver aquela linha de
investigação e de divulgar os resultados. No entanto, Galileu continuou a receber
informações e a divulgar comunicados dos seus estudos.
Matéria bruta (origem) – transformação – matéria prima (novo produto) –
transformação – novo produto – transformação – novo produto
Parte da matéria prima è a existência de matéria prima pressupõe a existência da
matéria bruta. A própria matéria prima é um produto de transformação (tem de se ter
em conta os antecedentes e os subsequentes no processo de produção.
No caso de Galileu a matéria prima de que ele partia era a concepção
geocêntrica – nesse processo, têm de se ter em conta os aspectos positivos e os
aspectos negativos.
Os elementos negativos que Galileu teve de enfrentar nessa concepção foram o
senso comum, a ideologia religiosa e condições sociais.
40
Na base da autonomia de cada ciência esta a autonomia do seu objecto.
41
42
A ciência precisa de ter protocolos próprios de explicação:
· Física — explicar o físico pelo físico
· Sociologia — explicar o social pelo social
· Surge um obstáculo à sociologia quando o social é explicado pelo
extra-social ou não-social.
· Vários tipos de obstáculos:
· Naturalistas – explicação do social pelo natural ou pseudo
natural (raça)
· Individualistas / psicologistas – explicar o social através do
psicológico ou do individual
No processo de produção de conhecimentos foi feita uma analogia entre o
processo industrial e o processo de produção de conhecimento, exemplificando a
teoria heliocêntrica de Galileu.
Durkheim faz a mesma analogia em relação à teoria do suicídio, tendo em
conta os obstáculos individualistas que lhe foram impostos.
Elementos negativos
· Psicologismo – a autonomia de uma ciência passa pela definição do seu
objecto
·
Senso comum – leva a que fenómenos como o suicídio sejam encarados como
a consequência da soberania de um indivíduo sobre si mesmo, havendo uma
tendência individualista e por se pensar que é um fenómeno individual,
pensa-se que não seria susceptível de ter tratamento sociológico, o que não é
verdade.
·
III rev. Francesa – trata-se de uma republica tipicamente liberal que defende o
indivíduo como livre agente que dispõe a si próprio, e em que se um indivíduo
singular é intendivel.
Durkheim defende uma sociologia geral apoiada por sociologias particulares –
no seu estudo sobre o suicídio ele sustenta que este é um fenómeno social estando
contra o psicologismo que defende o suicídio como sendo um acto voluntário do
indivíduo. Esse facto tem causas sociais, associando-se a um facto social exterior ao
indivíduo que é coercivel, isto é, que se impõe ao indivíduo.
Durkheim começa por fazer um levantamento das principais teorias
explicativas do suicídio, realizadas até então e depois destrói cada uma delas ao
mostrar que estão erradas ou pela forma como tratam as estatísticas e outras
informações; ou então, por incorrerem em erros lógicos que não suportam as
conclusões.
Para Durkheim, se um fenómeno não tivesse uma explicação biológica ou
psicologica era porque a explicação seria social. Assim, na sua análise constata que
cada pais tem uma taxa de evolução do suicídio tipica, isto é, cada pais tem um
determinado comportamento ao nível da taxa de evolução dos suicídios.
43
Durkheim apercebe-se também que existe uma sanzonalidade inerente ao
suicídio, isto é, verifica que a taxa de suicídio varia de acordo com as épocas do ano.
O fenómeno do suicídio tem que ser encarado como um fenómeno causado por
algo exterior ao indivíduo.
Durkheim salienta que apesar do fenómeno do suicídio poder ser estudado pela
sociologia, isso não significa que ele seja estudado apenas em termos sociologicos,
pois sustenta que o fenómeno do suicídio também pode ser estudado em termos
individuais. Assim o fenómeno do suicídio deve ser conhecido sob as varias esferas
do conhecimento.
Obstáculos naturalistas
Margaret Mead na sua obra “sex and temperament on three primitive
societies” de 1935; procurou demonstrar que o comportamento sexual não era
definido biologicamente, ou seja, que não existia um comportamento tipo masculino e
outro tipo feminino, determinado biologicamente.
·
Elementos negativos
· Senso comumà para o senso comum é obvio que as mulheres
não foram talhadas para a gestão de empresas ou para a
actividade intelectual intensa; é evidente para o cidadão comum
que a mulher não esta estruturalmente preparada para
desempenhar determinados papeis sociais, isto é, que elas não
estavam biologicamente preparadas para desempenhar cargos
de grande responsabilidade.
· Ideologia ào que se verificava era uma crença registada na
esfera do senso comum, apoiada pela comunidade cientifica: os
cientistas viam-se na posição do censo comum declarando que
as mulheres estavam limitadas à sua natureza biológica; isto
acontece porque a maior parte das sociedades são patriarcais.
Há um obstáculo naturalista quando os problemas que deviam ser tratados pelo
social são tratados pela biologia.
O estudo de Margaret Mead está na base do desenvolvimento da emancipação
das mulheres no Sec. XX.
Apuramento da capacidade do temperamento feminino
Homens e mulheres têm temperamentos diferentes
Elementos negativos
Senso comum è Galileu : é evidente para toda a gente que a terra esta parada no
centro do universo.
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Analogia
É evidente que as mulheres não estão preparadas para exercer cargos de
comando, pois vê-se em toda a parte que elas desempenham funções domésticas e não
de chefia.
Academia è nas universidades havia teorização no mesmo sentido de demonstrar que
o temperamento era determinado biologicamente pelo sexo – não muda!
Instituições :
· no seio da família tradicional o marido sente-se diminuído se a mulher
trabalhar.
· Na esfera religiosa, ha uma leitura do génesis segundo a qual a mulher
tem um papel secundário
· Esfera empresarial : as mulheres não ocupavam comandos
Elementos positivos
Biografia – aspectos biográficos do autor :
· Margaret Mead
· Família muito unida e liberal, com um nível de cultura acima da média
· Foi educada no Bornard College
· Franz Boas : recria fundamentação detalhada de
conclusões. Assistente : Ruth Benedict “O Crisântemo e
a espada”
As preocupações do prof. Boas eram as aplicações rigorosas de métodos aos
estudos, assim como uma ofensiva contra obstáculos naturalistas
O departamento de sociologia da Universidade de Columbia tinha sido
fundado por Guiddings – director muito repseitável, autoritário e anti-semita, tendo
dois investigadores a trabalhar para ele que eram Judeus (entre eles Boas).
Boas procurou combater cientificamente os preconceitos naturalistas (anti
semitismo). Como para o seu interesse particular esses preconceitos não tinham
fundamento, foi um entusiasta apoiante das investigações de Margaret Mead.
“Crescendo em Samoa” procurou demonstrar que a revolta que os adolescentes
mostravam para com as instituições era uma consequência ocidental, colocada pelas
estruturas e obstáculos aos impulsos sexuais dos jovens.
O apoio de Boas tem a ver com as condições materiais na investigação —
proporcionar meios ao investigador.
Margaret Mead escreveu uma espécie de Diário nos qual descrevia o seu
trabalho. Teve que escolher um determinado campo de investigação. Com a ajuda dos
antropólogos especializados no terreno decide estudar os Arapesh, Mundugamor e
Tchambuli.
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A diferença de actividades afectava a mulher na sociedade.
As teorias que o temperamento depende biologicamente de cada sexo ficam
derrotadas logo na fase da observação. O temperamento não é biologicamente
determinado à a teoria naturalista estava errada.
A explicação de Margaret Mead é tipicamente é tipicamente baseada na
antropologia cultural americana, apoiada na psicanálise.
Preocupação com a rebeldia das crianças-adolescentes e com as relações a
nível do sexo.
Novo produto
à teoria culturalista de referencia psicanalitica
Antes, o temperamente por sexo era determinado pela biologia. Depois o
temperamento é explicado pelos factores extra biológicos levantando a possibilidade
de se alterarem as estruturas sociais – o papel da mulher pode ser mais e melhor
aproveitado. è consequência social da teoria
Eram factores sociais e culturais que influenciavam este processo,
explicando-se com base numa explicação primitiva.
Arapesh è no processo de enculturação os rapazes e raparigas são tratados de
modo igual , de modo pacifico (a comunidade como um todo)
A criança ao crescer vai reproduzir os padrões que lhe foram incutidos
Mundugamor è as crianças crescem numa cultura onde a agressividade é um
valor, crescendo agressivos
Tchambuli è ha uma preferencia clara pelas filhas, sendo estas educadas
pelos padrões culturais do grupo (mais agressivas) sendo os Homens enculturados
como a tradição do grupo, reproduzindo atitudes semelhantes
Explicação genética dos comportamentos sociais
A genética só nasce no Sec. XX
Prof. Edward Wilson
1. “as sociedades de insectos” 1971
2. “sociology, the new synthesis” 1943
1. explica os comportamentos dos insectos pela genética. Será que nos humanos
também é assim ? aplica a explicação sociobiológica nos macacos e depois nos
omnideos.
2. o funcionamento da produção e cultura também têm uma explicação
socio-biologica. Os cientistas sociais receberam este livro de uma forma
polémica : o autor não sabia nada de ciências sociais.
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O prof. Wilson publicou também “natureza humana” dando conta que não estava bem
informado quanto ás ciências sociais. Este foi um livro menos elaborado, mas de boa
qualidade argumentativa, onde aplica critérios sociobiológicos ao funcionamento das
estruturas socio-culturais à mesma, apesar de admitir mea-culpa.
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