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Análise de Risco e Gestão de Desastres em Obras de Infraestrutura

Universidade Salgado de Oliveira
Departamento de Educação à Distância
Curso de Engenharia Civil
BÁRBARA VICENTE PIRES MANHÃES
ANÁLISE DE RISCO E GESTÃO DE DESASTRES EM OBRAS DE
INFRAESTRUTURA EM CAMPOS DOS GOYTACAZES
CAMPOS DOS GOYTACAZES
2024
RJ
BÁRBARA VICENTE PIRES MANHÃES
ANÁLISE DE RISCO E GESTÃO DE DESASTRES EM OBRAS DE INFRAESTRUTURA
EM CAMPOS DOS GOYTACAZES
Projeto
de
Pesquisa
apresentado
à
Universidade Salgado de Oliveira como parte
dos requisitos necessários para a aprovação no
componente curricular de Trabalho de
Conclusão de Curso.
CAMPOS DOS GOYTACAZES
2024
RJ
LISTA DE GRÁFICOS
Gráfico 1 - Tempo de Experiência Profissional dos Engenheiros Civis Entrevistados............21
Gráfico 2 - Experiência Profissional dos Engenheiros Civis em Obras na Cidade de Campos
dos Goytacazes..........................................................................................................................22
Gráfico 3 - Avaliação da Qualidade das Obras de Infraestrutura em Campos dos
Goytacazes................................................................................................................................22
Gráfico 4 - Prioridades de Obras de Infraestrutura em Campos dos Goytacazes.....................23
Gráfico 5 - Principais Riscos Associados às Obras de Infraestrutura em Campos dos
Goytacazes................................................................................................................................23
Gráfico 6 - Adequação das Práticas de Gerenciamento de Risco em Obras de Campos dos
Goytacazes................................................................................................................................24
Gráfico 7 - Percepção da Colaboração entre Engenheiros Civis e o Governo Local na
Execução de Obras....................................................................................................................24
Gráfico 8 - Tipos de Riscos Mais Relevantes nas Obras de Infraestrutura...............................25
Gráfico 9 - Identificação de Riscos Específicos Relacionados a Desastres Naturais em
Projetos de Engenharia..............................................................................................................26
Gráfico 10 - Abordagens Utilizadas para Avaliação de Riscos em Projetos de Engenharia....26
Gráfico 11 - Eficácia das Estratégias de Mitigação de Riscos em Campos dos Goytacazes....27
Gráfico 12 - Monitoramento Contínuo de Riscos durante a Execução de Obras.....................28
Gráfico 13 - Frequência de Atualização das Avaliações de Risco durante o Projeto...............28
Gráfico 14 - Percepção sobre o Nível de Informação da Equipe em Relação aos Riscos de
Projetos......................................................................................................................................29
Gráfico 15 - Oferta de Treinamentos Específicos para Gestão de Riscos em Obras................30
Gráfico 16 - Impactos Mais Significativos da Má Gestão de Riscos em Obras.......................30
Gráfico 17 - Consequências Mais Comuns de Riscos Não Geridos em Obras.........................31
Gráfico 18 - Medidas Sugeridas para Melhorar a Gestão de Riscos nas Obras de Campos dos
Goytacazes................................................................................................................................31
Gráfico 29 - Percepção sobre a Suficiência da Legislação Atual na Gestão de Riscos em
Obras.........................................................................................................................................32
RESUMO
Este trabalho analisa como a análise de risco pode ser aplicada na gestão de desastres em
obras de infraestrutura em Campos dos Goytacazes, com o objetivo de identificar abordagens,
metodologias e práticas recomendadas para minimizar os impactos e aumentar a resiliência
dessas construções. A pesquisa utilizou uma metodologia qualitativa, combinando estudo de
caso e entrevistas com 17 engenheiros civis da região. Os resultados mostram que, embora
práticas de gestão de risco estejam presentes, elas são frequentemente pontuais e insuficientes,
destacando a necessidade de melhorias em áreas como treinamento contínuo, transparência na
gestão e uso de tecnologias avançadas de monitoramento. A pesquisa identificou que os
principais impactos da má gestão de riscos incluem atrasos significativos, aumento de custos,
acidentes de trabalho e deterioração da qualidade das obras, ressaltando a urgência de
estratégias mais eficazes. Os engenheiros entrevistados indicaram que a legislação atual,
embora suficiente em alguns aspectos, ainda carece de atualizações e maior aplicabilidade
prática. Além disso, destacaram a importância da colaboração com especialistas em riscos e a
necessidade de maior integração entre as partes interessadas. A conclusão aponta que a
implementação de uma gestão de riscos mais robusta, combinando metodologias qualitativas
e quantitativas, é essencial para enfrentar os desafios específicos da região. Para trabalhos
futuros, sugere-se explorar o uso de tecnologias emergentes, como inteligência artificial e
sensores avançados, bem como ampliar o escopo da análise para outras regiões e tipos de
projetos. Esse estudo contribui para a compreensão das práticas de gestão de risco e serve
como um ponto de partida para a adoção de estratégias que possam garantir a segurança,
eficiência e sustentabilidade das obras de infraestrutura.
Palavras-chave: Gestão de riscos, Desastres, Infraestrutura.
ABASTRACT
This study analyzes how risk analysis can be applied to disaster management in infrastructure
projects in Campos dos Goytacazes, aiming to identify approaches, methodologies, and
recommended practices to minimize impacts and enhance the resilience of these
constructions. The research employed a qualitative methodology, combining case studies and
interviews with 17 civil engineers from the region. The results show that, although risk
management practices are present, they are often isolated and insufficient, highlighting the
need for improvements in areas such as continuous training, management transparency, and
the use of advanced monitoring technologies. The study identified that the main impacts of
poor risk management include significant delays, increased costs, workplace accidents, and
deterioration in construction quality, underscoring the urgency of more effective strategies.
The engineers interviewed indicated that the current legislation, while sufficient in some
aspects, still requires updates and broader practical application. Furthermore, they emphasized
the importance of collaboration with risk specialists and the need for greater integration
among stakeholders. The conclusion points out that the implementation of a more robust risk
management system, combining qualitative and quantitative methodologies, is essential to
address the region's specific challenges. For future research, it is suggested to explore the use
of emerging technologies such as artificial intelligence and advanced sensors, as well as to
broaden the scope of analysis to other regions and project types. This study contributes to the
understanding of risk management practices and serves as a starting point for adopting
strategies that ensure the safety, efficiency, and sustainability of infrastructure projects.
Keywords: Risk management, Disasters, Infrastructure.
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO.........................................................................................................................6
2 OBJETIVOS...........................................................................................................................9
2.1 OBJETIVO GERAL.............................................................................................................9
2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS................................................................................................9
3. REVISÃO DE LITERATURA..........................................................................................10
3.1 GESTÃO DE RISCOS........................................................................................................10
3.1.1 Planejamento e etapas da gestão de riscos...................................................................11
3.2 GESTÃO DE RISCOS EM OBRAS DE INFRAESTRUTURA.......................................14
4 METODOLOGIA................................................................................................................18
4.1 CARACTERIZAÇÃO DA PESQUISA.............................................................................18
4.2 QUANTO AO TRATAMENTO DOS DADOS.................................................................18
4.3 INSTRUMENTOS DA PESQUISA...................................................................................19
4.4 UNIDADE, UNIVERSO E AMOSTRA DA PESQUISA.................................................19
4.5 PLANO DE REGISTRO E ANÁLISE DOS DADOS.......................................................19
4.6 DEFINIÇÃO DAS VARIÁVEIS E INDICADORES DA PESQUISA.............................20
5
RESULTADOS E DISCUSSÃO......................................................................................20
CONSIDERAÇÕES FINAIS.................................................................................................32
REFERÊNCIAS......................................................................................................................34
ANEXOS..................................................................................................................................39
7
INTRODUÇÃO
De acordo com o Escritório das Nações Unidas para a Redução de Risco de Desastres
(UNDRR), tem sido observado um aumento significativo na ocorrência de desastres, tanto em
frequência quanto em intensidade, com muitos desses eventos sendo intensificados pelas
alterações climáticas (UNDRR, 2015). O Painel Intergovernamental sobre Mudanças
Climáticas (IPCC) também aponta que as atividades humanas são responsáveis por mudanças
climáticas, que, por sua vez, geram eventos extremos, como ondas de calor, fortes
precipitações e secas, que se manifestam de forma mais severa e com maior frequência
(IPCC, 2021). Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), desastres são definidos
como:
Um desastre pode ser descrito como uma grave interrupção no funcionamento de
uma comunidade ou sociedade, em qualquer escala, causada pela interação de
eventos perigosos com fatores como exposição, vulnerabilidade e capacidade de
resposta, resultando em perdas e impactos significativos nos âmbitos humano,
material, econômico e ambiental (UNITED NATIONS, 2016, p. 13).
A preocupação com a preservação ambiental no cenário global não é recente. Essa
questão, frequentemente debatida, está intrinsecamente ligada ao reconhecimento de que a
degradação ambiental é um subproduto do processo de ocupação e desenvolvimento humano
no planeta. Como destaca Souza e Souza (2023), existe um descompasso evidente entre a
capacidade do ser humano de promover mudanças no ambiente e sua habilidade de gerenciálas de forma adequada. Desde as Conferências das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o
Desenvolvimento, realizadas em Estocolmo (1972) e no Rio de Janeiro (1992), a preocupação
internacional se expandiu para além dos impactos das mudanças climáticas, passando a incluir
a crescente frequência e intensidade de eventos meteorológicos extremos que resultam em
desastres.
No entanto, é importante destacar que nem todos os eventos extremos resultam em
desastres. Quando ocorrem em contextos que não provocam perturbações significativas em
sistemas, comunidades ou sociedades, tais eventos fazem parte dos ciclos naturais e, portanto,
não são considerados desastres. Isso demonstra que não há uma relação automática de causa e
efeito entre eventos extremos e desastres, revelando o caráter social dos desastres (Rabello,
2022).
Lima e Porto (2022) exploram como a degradação ambiental, juntamente com o
crescimento desordenado das cidades, o aumento da população urbana e a falta de percepção
8
de risco, amplificam a vulnerabilidade da sociedade. A falta de consciência e percepção sobre
esses riscos é um fator crítico que eleva a magnitude do risco enfrentado, criando um ciclo
preocupante onde a falta de preparo e gestão adequada agrava os impactos dos desastres
ambientais.
O Brasil, devido à sua vasta extensão territorial, possui uma grande diversidade de
características geográficas e climáticas. Essa diversidade, embora seja fonte de muitas
riquezas naturais, também traz consigo desafios consideráveis, que favorecem a ocorrência de
desastres naturais variados conforme a região. Conforme dados do Centro Universitário de
Estudos e Pesquisas Sobre Desastres (CEPED, 2013), observa-se que enchentes representam
o maior número de casos de pessoas afetadas no país, enquanto secas e estiagens atingem o
maior número de vítimas, ambos fenômenos ligados a condições geográficas e climáticas
distintas.
Além disso, como um país em desenvolvimento, o Brasil enfrenta desafios
significativos relacionados à desigualdade social, o que acentua ainda mais os impactos
econômicos, sociais, na saúde, culturais e ambientais decorrentes de desastres, como apontado
pela UNDRR (2015). Embora existam recomendações globais e leis nacionais que incentivem
investimentos em ações preventivas em vez de respostas emergenciais, o Brasil é
frequentemente criticado pela falta de uma cultura voltada à prevenção (Morais, 2021).
Diante desse cenário, a Gestão de Riscos de Desastres (GRD) no Brasil, devido à sua
natureza multidisciplinar, requer uma coordenação eficiente entre diferentes níveis de
governo, órgãos públicos, áreas setoriais e o setor privado. A gestão de riscos na escala
municipal é especialmente relevante, pois é a mais próxima da população e possui um
conhecimento mais detalhado das particularidades locais. Nessa esfera, a participação da
sociedade civil é de suma importância, pois fortalece o entendimento das necessidades locais
e promove um diálogo constante que amplia o conhecimento sobre o território e seus desafios
(Sales, 2020).
A análise de risco e a gestão de desastres em obras de infraestrutura são essenciais
para mitigar possíveis impactos negativos que podem comprometer tanto a execução quanto a
segurança dessas atividades. No contexto de Campos dos Goytacazes, uma cidade do norte
fluminense com relevância histórica e econômica para o estado do Rio de Janeiro, a gestão de
riscos em obras de grande porte, como rodovias, redes de saneamento e projetos de
urbanização, é fundamental para garantir a continuidade das operações e a segurança da
população local. A região, conhecida por sua dependência do setor petrolífero e pela
importância do agronegócio, tem enfrentado desafios com enchentes e problemas
9
relacionados à expansão urbana desordenada, o que exige um planejamento rigoroso em suas
obras de infraestrutura (Silva; Pereira, 2022). Um exemplo disso foi o planejamento da
construção da Ponte Saturnino de Brito, que teve que considerar riscos como o aumento do
nível do rio Paraíba do Sul. Esses desafios reforçam a necessidade de uma análise de risco
criteriosa e de uma gestão de desastres eficaz para prevenir danos e promover o
desenvolvimento sustentável da cidade (Silva; Pereira, 2022).
Diante disso, como a análise de risco pode ser integrada à gestão de desastres para
minimizar os impactos em obras de infraestrutura em Campos dos Goytacazes, considerando
os desafios específicos da região, como enchentes e expansão urbana desordenada?
O tema é particularmente relevante em função da crescente frequência e gravidade dos
eventos naturais, especialmente em uma cidade como Campos dos Goytacazes, que enfrenta
desafios específicos relacionados a enchentes, expansão urbana e a complexidade das obras de
infraestrutura em áreas urbanas e rurais. Falhas em projetos como pontes, barragens, estradas
e edificações podem ter consequências devastadoras para a região, tanto em termos de perdas
humanas quanto de impactos econômicos e ambientais. A escolha de Campos dos Goytacazes
como foco se justifica pela necessidade de desenvolver estratégias eficazes de prevenção,
mitigação e resposta a desastres, integrando tecnologias avançadas e metodologias de
avaliação de risco para garantir a segurança das construções e das comunidades afetadas.
Além disso, a análise de risco e a gestão de desastres são essenciais para atender às
exigências regulatórias e à responsabilidade social das empresas de engenharia e construção.
Estudar essa questão no contexto de Campos dos Goytacazes permite aprimorar as práticas de
planejamento e execução de obras, promovendo a sustentabilidade e resiliência da cidade,
alinhando-se aos objetivos de desenvolvimento sustentável e à preservação do meio ambiente
local.
10
2 OBJETIVOS
2.1 OBJETIVO GERAL
Analisar como a análise de risco pode ser aplicada na gestão de desastres em obras de
infraestrutura em Campos dos Goytacazes, identificando abordagens, metodologias e práticas
recomendadas para minimizar os impactos e aumentar a resiliência dessas construções na
região.
2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Identificar as principais metodologias de análise de risco descritas na literatura para a
gestão de desastres em obras de infraestrutura, destacando suas características e a
aplicabilidade no contexto de Campos dos Goytacazes.
Explorar os fatores que influenciam a eficácia das estratégias de mitigação de riscos
em obras de infraestrutura, considerando os desafios específicos de Campos dos Goytacazes,
como enchentes e expansão urbana desordenada, conforme discutido nas pesquisas
científicas.
Analisar a evolução das práticas de gestão de riscos em obras de infraestrutura no
contexto de desastres, com foco em Campos dos Goytacazes, considerando os avanços
teóricos e metodológicos descritos em estudos acadêmicos e suas implicações locais.
11
3. REVISÃO DE LITERATURA
3.1 GESTÃO DE RISCOS
O risco, na perspectiva tradicional, está associado principalmente às questões
financeiras da organização. Com a evolução conceitual, essa visão foi ampliada para abranger
riscos de mercado, liquidez, crédito, legal, operacional, estratégico, de imagem, entre outros
(Assi,2021). Como as atividades e decisões dentro de uma organização estão interligadas, a
identificação de todos os tipos de riscos é essencial para obter uma visão abrangente do que
pode realmente colocar a empresa em perigo. Conforme o COSO (2007), o gerenciamento de
riscos corporativos não precisa seguir uma ordem rígida, pois não é um processo linear em
que um componente afeta apenas o seguinte, mas sim um sistema em que quase todos os
componentes estão inter-relacionados.
A compreensão do risco e das ferramentas disponíveis para enfrentar incertezas tem
evoluído significativamente, levando as organizações a se preocuparem cada vez mais com
sua capacidade de assumir e gerenciar riscos de maneira eficaz (Silva et al., 2021). Segundo
Tostes (2007) e Daroit e Feil (2016), o principal desafio reside na necessidade de agir
proativamente, pois muitas vezes se gasta mais tempo e recursos reagindo aos eventos do que
desenvolvendo estratégias para minimizá-los e evitá-los.
Para auxiliar as empresas na mitigação desses riscos, são utilizadas diversas
ferramentas, técnicas, processos e metodologias geralmente conhecidas como gestão de riscos
(Ericson et al., 2015). Conforme Cardoso e Polidoro (2016), uma gestão de riscos bem
administrada pode melhorar o desempenho dos processos organizacionais e gerar vantagem
competitiva por meio do conhecimento aprofundado do próprio negócio. Jocasta e André
(2016) discutem a tendência da gestão de riscos como uma forma de minimizar os impactos
nos processos, sendo uma atividade que visa agregar valor, proporcionar ganhos tanto
qualitativos quanto quantitativos, e manter a estabilidade dos resultados da empresa.
Dionne (2013), Kannan e Thangavel (2008) destacam que a gestão de riscos visa
reduzir tanto a probabilidade quanto o impacto de eventos negativos, além de aumentar a
chance de ocorrência de eventos positivos. Borodzicz (2005) ressalta que a gestão de riscos
também se concentra na resposta a ameaças que eventualmente se concretizem, utilizando
planos de recuperação de desastres, gestão de crises e procedimentos de emergência, que
devem ser definidos quando se estabelece o tratamento dos riscos.
De acordo com o COSO (2007), o gerenciamento de riscos corporativos possui
algumas características fundamentais: a) é um processo contínuo e presente em toda a
12
organização; b) envolve profissionais de todos os níveis hierárquicos; c) é aplicado no
desenvolvimento de estratégias; d) proporciona uma visão de portfólio de todos os riscos aos
quais a organização está sujeita; e) é formulado para identificar possíveis eventos que possam
impactar a organização e gerir os riscos correspondentes; f) busca fornecer uma garantia
razoável ao conselho de administração e à diretoria executiva; e g) é orientado para o alcance
dos objetivos em categorias distintas, porém interdependentes.
3.1.1 Planejamento e etapas da gestão de riscos
A implementação da gestão de riscos exige alguns cuidados fundamentais para
garantir sua eficácia e continuidade ao longo do tempo. Para que esse processo seja bemsucedido, é essencial que a empresa siga um conjunto de etapas que dêem suporte à sua
implementação e manutenção. Conforme a NBR ISO 31000 (2009), a estrutura para gerenciar
riscos deve ser concebida de modo a incluir diversos aspectos cruciais. Em primeiro lugar,
deve haver um entendimento profundo da organização e de seu contexto, uma vez que o
gerenciamento de riscos está diretamente relacionado às especificidades e ao ambiente em que
a empresa está inserida (Miguez; Veról; Di Gregorio, 2017).
De acordo com Miranda, Santos e Almeida (2019), além disso, o estabelecimento de
uma política clara de gestão de riscos é essencial, pois define diretrizes, compromissos e
expectativas a serem seguidas por toda a organização. Também é necessário definir
claramente as responsabilidades, garantindo que todos na organização compreendam suas
funções e responsabilidades em relação ao gerenciamento de riscos. A integração da gestão de
riscos nos processos organizacionais é igualmente importante, pois isso assegura que a
identificação e mitigação de riscos sejam partes fundamentais das operações diárias. Deve-se
ainda considerar os recursos necessários para que o processo seja sustentável, incluindo
treinamento, ferramentas e suporte técnico. Finalmente, o estabelecimento de mecanismos
eficazes de comunicação e reporte, tanto internos quanto externos, é fundamental para
assegurar a transparência e a disseminação da cultura de risco dentro da organização.
Eyerkaufer et al., (2019), o Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC,
2007) e Vieira e Barreto (2019) ressaltam que, para a implantação de um modelo eficaz de
gestão de riscos empresariais, é necessário pensar em maneiras que facilitem o gerenciamento
desses riscos, de forma que isso gere benefícios reais à organização. Entre os benefícios mais
destacados estão a aderência dos processos internos ao perfil de riscos estabelecido pela
empresa, o que contribui para uma resposta mais consistente aos desafios e mudanças que
13
possam surgir. Além disso, a clareza das regras de governança e dos mecanismos para
gerenciar a exposição ao risco é fundamental para garantir a transparência e a
responsabilidade na gestão de riscos.
As lacunas de capacitação, tanto em termos de pessoas quanto de processos e sistemas,
devem ser endereçadas por meio de treinamentos e aprimoramentos contínuos. Implementar
sistemas de controle eficazes também se mostra essencial para prevenir falhas e garantir a
conformidade com as obrigações legais e regulamentares, além de assegurar a estabilidade das
operações da empresa. Outro aspecto relevante é a prevenção ou redução de não
conformidades em relação às normas e legislações, o que implica também em ganhos
financeiros e econômicos, como a economia de recursos endógenos, incluindo tempo, bens,
renda e pessoal (Souza; Souza, 2021).
Além disso, segundo Silva, Araújo e Campello (2020), a proteção da reputação e da
imagem pública é um benefício estratégico significativo, uma vez que a percepção positiva da
organização pode ser comprometida pela má gestão de riscos. A manutenção da estabilidade
das operações, com foco em melhorias contínuas, e a preparação para enfrentar circunstâncias
imprevisíveis e inesperadas são elementos fundamentais para assegurar a resiliência da
organização em um ambiente competitivo e incerto.
Existem várias metodologias que podem ser aplicadas na gestão de riscos, e, embora a
abordagem específica possa variar de acordo com o setor e o contexto, certas etapas são
essenciais para garantir que os riscos sejam identificados e tratados de maneira eficaz. Essas
etapas incluem a identificação inicial dos riscos, a análise detalhada para avaliar a
probabilidade e o impacto, a avaliação para determinar a priorização dos riscos, o tratamento
que envolve desenvolver estratégias para mitigá-los e, por fim, o monitoramento contínuo
para acompanhar e garantir que as estratégias estejam sendo implementadas de forma eficaz e
ajustadas conforme necessário (Ferreira; Albino; Freitas, 2017). Esse ciclo contínuo de
identificação, análise, avaliação, tratamento e monitoramento é o que garante uma gestão de
riscos dinâmica, capaz de responder a um ambiente em constante mudança e a novos desafios
que possam surgir.
A etapa de identificação de riscos é fundamental para a gestão de riscos eficaz, pois
consiste em obter uma lista detalhada dos possíveis riscos que possam impactar o projeto.
Esses riscos são tanto identificáveis quanto passíveis de avaliação qualitativa e quantitativa,
permitindo uma abordagem mais abrangente para lidar com as incertezas (Strieder, 2022). A
identificação precisa envolver uma análise abrangente de todas as operações, processos e
contextos em que a organização está inserida, visando capturar desde os riscos mais evidentes
14
até aqueles mais sutis, mas igualmente prejudiciais. Segundo Vilela e Conforte (2020), após
serem identificados, os riscos devem ser classificados conforme sua natureza e tipificação, o
que significa agrupá-los em categorias como riscos financeiros, operacionais, legais,
ambientais, entre outros. Essa classificação facilita a priorização e o tratamento dos riscos,
assegurando que cada tipo seja tratado de acordo com suas características específicas e a área
da organização que ele pode afetar.
A etapa de análise de riscos, por sua vez, é o momento em que se define o que será
feito com cada risco identificado, considerando sua probabilidade de ocorrência e o impacto
potencial que ele pode ter sobre os objetivos da organização. Baraldi (2018) destaca que,
nesta etapa, é importante avaliar tanto a frequência esperada do risco quanto a severidade das
suas consequências. O uso de matrizes de risco para analisar a probabilidade e o impacto é
uma prática comum, pois facilita a visualização dos riscos em termos de relevância e ajuda a
determinar a prioridade de cada um deles. A análise dos riscos também deve levar em conta as
interações entre diferentes riscos, já que eventos isolados podem estar correlacionados e gerar
impactos maiores do que o esperado quando ocorrem simultaneamente.
Após a análise dos riscos, a etapa de tratamento consiste em escolher as melhores
estratégias para mitigar ou eliminar os riscos identificados. Segundo a NBR ISO 31000 (2009,
p. 19), o tratamento de riscos envolve a seleção de uma ou mais opções para modificar os
riscos e a implementação dessas opções. Isso implica em escolher estratégias como evitar,
mitigar, transferir ou aceitar os riscos, dependendo da natureza de cada um e das capacidades
da organização.
Para Assi (2021), a escolha da estratégia mais adequada deve equilibrar os custos e
esforços de implementação com os benefícios esperados. Por exemplo, a mitigação de um
risco pode exigir um investimento significativo, e a decisão de seguir com a mitigação deve
levar em conta se o benefício em termos de redução do risco justifica o custo. Além disso, é
essencial que os planos de tratamento sejam específicos e detalhados, contendo os passos a
serem seguidos, os responsáveis por cada ação e os prazos para execução, de forma a garantir
que as medidas sejam efetivamente colocadas em prática e monitoradas.
A etapa de monitoramento e gerenciamento dos riscos deve ser um processo contínuo,
pois os riscos podem evoluir ao longo do tempo, novas ameaças podem surgir e a eficácia das
estratégias de mitigação implementadas deve ser constantemente revisada. O monitoramento
envolve atividades de controle que englobam políticas e procedimentos, garantindo que as
respostas aos riscos sejam executadas de maneira eficaz e que as ações planejadas estejam
alinhadas aos objetivos definidos (NBR ISO 31000, 2009). Para garantir a eficácia do
15
monitoramento, é recomendável o uso de indicadores de desempenho, revisões periódicas e a
documentação de todas as atividades relacionadas ao gerenciamento de riscos. Essas práticas
facilitam a identificação de falhas nas estratégias adotadas e permitem ajustes rápidos para
minimizar os impactos negativos (Junior et al., 2023).
Além dessas etapas clássicas de gestão de riscos, é essencial decidir se a empresa
adotará uma abordagem de gestão de riscos em silos ou uma abordagem integrada. A gestão
de riscos em silos é caracterizada pela segregação das responsabilidades entre diferentes
departamentos, cada um cuidando dos seus próprios riscos de forma independente. Conforme
Merlo, Coutinho e Vigna (2022), a gestão de riscos é tradicionalmente executada em silos,
onde cada departamento possui modelos especializados" para tratar dos riscos específicos de
sua área. Esse modelo, embora possa ser eficaz na especialização da gestão de riscos, pode
resultar em uma falta de visão sistêmica, impedindo a empresa de compreender os impactos
interdepartamentais e as interdependências dos riscos, o que, muitas vezes, compromete a
efetividade do gerenciamento como um todo.
Por outro lado, a abordagem integrada de gestão de riscos proporciona uma visão
holística de todos os riscos enfrentados pela organização. Segundo Menezes (2022), a gestão
integrada é mais eficaz em ambientes complexos, pois considera os riscos de maneira
abrangente, incluindo interações entre diferentes áreas e processos. Dessa forma, as empresas
que trabalham de maneira orientada por processos, em vez de apenas uma divisão rígida por
departamentos, podem beneficiar-se de uma gestão de riscos integrada, já que isso está
alinhado com o modelo de gestão organizacional focado na eficiência e nos objetivos
corporativos (Menezes, 2022). Essa abordagem integrada possibilita que as organizações
adotem uma postura mais estratégica frente aos riscos, com maior capacidade de antecipação,
resposta e adaptação diante de eventos adversos, além de promover uma cultura
organizacional voltada para a resiliência e a melhoria contínua.
3.2 GESTÃO DE RISCOS EM OBRAS DE INFRAESTRUTURA
A gestão de riscos em obras de infraestrutura tem se consolidado como uma prática
essencial para minimizar as incertezas e garantir a eficiência de projetos de grande porte.
Obras de infraestrutura, tais como estradas, pontes e grandes edificações, envolvem
complexidade técnica, altos investimentos e diversos stakeholders, estando sujeitas a uma
série de riscos que podem comprometer os prazos, os custos e a qualidade dos
empreendimentos (Smith; Merna; Jobling, 2014).
16
De acordo com Aven (2016), o conceito de risco está relacionado à incerteza e ao
impacto negativo que certos eventos podem gerar em um projeto. Em obras de infraestrutura,
esses riscos podem se dividir em várias categorias, incluindo riscos técnicos, financeiros,
ambientais, legais e sociais. A gestão de riscos envolve identificar, analisar, responder e
monitorar esses riscos ao longo do ciclo de vida do projeto, de modo a garantir que as
incertezas sejam minimizadas e que os objetivos sejam atingidos (Hillson, 2019).
A primeira etapa da gestão de riscos é a identificação deles. Segundo Kerzner (2017),
identificar os riscos de forma sistemática é fundamental para assegurar que os fatores que
podem impactar negativamente o projeto sejam considerados e tratados de maneira eficaz. No
contexto das obras de infraestrutura, os riscos podem envolver condições adversas do solo,
mudanças no clima, atrasos na obtenção de licenças ambientais e falhas na gestão de
stakeholders, entre outros (Flanagan, 1993).
Uma vez identificados, os riscos devem ser analisados quanto à probabilidade de
ocorrência e ao impacto no projeto. A matriz de risco é uma ferramenta amplamente utilizada
para categorizar e priorizar os riscos com base nesses dois critérios (Brashear; Jones, 2018).
Essa análise permite que a equipe de projeto compreenda quais riscos merecem maior atenção
e devem ser mitigados de maneira proativa, garantindo assim a alocação adequada de
recursos.
A resposta aos riscos identificados pode ser dividida em quatro principais estratégias:
evitar, mitigar, transferir ou aceitar o risco (PMI, 2021). A estratégia de evitar consiste em
eliminar a causa do risco, enquanto a mitigação envolve a redução da probabilidade de
ocorrência ou do impacto do risco. A transferência, por sua vez, refere-se à alocação do risco
para uma outra parte, como, por exemplo, um seguro. Finalmente, a aceitação ocorre quando a
equipe decide que o risco não justifica uma resposta específica devido ao seu baixo impacto
ou custo associado ao tratamento (Smith; Merna; Jobling, 2014).
Para que a gestão de riscos seja efetiva, é necessário monitorar constantemente os
riscos ao longo do ciclo de vida do projeto. A abordagem de monitoramento envolve a
atualização dos registros de riscos, a verificação da eficácia das ações tomadas e o ajuste das
estratégias de resposta conforme necessário (Kerzner, 2022). A ferramenta de reavaliação
periódica dos riscos também é recomendada, pois permite que novas ameaças sejam
incorporadas à análise e riscos obsoletos sejam eliminados.
Em obras de infraestrutura, o monitoramento é particularmente importante, uma vez
que os projetos podem durar anos e envolver múltiplas fases, desde a concepção e
planejamento até a construção e operação. O gerenciamento de riscos deve ser um processo
17
contínuo e iterativo, acompanhando as mudanças que ocorrem no ambiente do projeto e
garantindo que a equipe esteja preparada para responder de forma eficaz a novos desafios
(Aven, 2016).
A gestão de riscos em obras de infraestrutura apresenta desafios específicos. Segundo
Flyvbjerg (2009), um dos maiores problemas está relacionado ao otimismo excessivo na fase
de planejamento, o que frequentemente leva à subestimação dos riscos e ao superfaturamento
dos benefícios. Esse viés de planejamento pode comprometer a efetividade da gestão de
riscos, pois não são considerados, de maneira realista, os obstáculos potenciais que podem ser
enfrentados ao longo do projeto.
Além disso, o contexto de cada obra de infraestrutura possui variáveis complexas que
exigem uma abordagem multidisciplinar para a identificação de riscos e tomada de decisão. A
participação de diferentes especialistas, como engenheiros, economistas e gestores
ambientais, é necessária para garantir que os riscos sejam vistos sob várias perspectivas
(Flanagan, 1993).
18
4 METODOLOGIA
A metodologia utilizada neste estudo compreende a combinação de uma pesquisa
bibliográfica abrangendo os últimos dez anos e uma pesquisa de campo, com a aplicação de
entrevistas com engenheiros civis por meio da plataforma Google Forms. O estudo visa
entender como a análise de risco pode ser aplicada à gestão de desastres em obras de
infraestrutura no contexto de Campos dos Goytacazes, buscando integrar abordagens teóricas
com a prática profissional.
4.1 CARACTERIZAÇÃO DA PESQUISA
A presente pesquisa caracteriza-se como um estudo de natureza aplicada, visto que
busca gerar conhecimento para solucionar problemas concretos, relacionados à análise de
risco e à gestão de desastres em obras de infraestrutura. De acordo com Gil e Vergara (2015),
a pesquisa aplicada é voltada para o desenvolvimento de soluções práticas que possam ser
implementadas em contextos reais. Neste caso, o estudo tem como objetivo melhorar a
compreensão e a aplicação de práticas eficazes de mitigação de riscos, com base tanto na
literatura existente quanto nas percepções dos profissionais da área.
4.2 QUANTO AO TRATAMENTO DOS DADOS
O tratamento dos dados obtidos foi realizado em duas etapas, abrangendo análises
qualitativas e quantitativas. Os dados qualitativos, provenientes das respostas descritivas das
entrevistas, foram analisados por meio de análise de conteúdo, conforme o método proposto
por Bardin (2016). Esta técnica permitiu identificar e categorizar padrões e temas recorrentes
nas respostas dos entrevistados, facilitando a compreensão das percepções e práticas dos
engenheiros civis.
Por outro lado, os dados quantitativos, como as respostas fechadas e categorizadas,
foram tratados com base em técnicas de análise descritiva, que, de acordo com Mattar (2018),
envolvem a organização, tabulação e apresentação dos dados em tabelas e gráficos. Esse
procedimento facilitou a visualização da frequência das respostas e a comparação entre as
diferentes variáveis investigadas.
19
4.3 INSTRUMENTOS DA PESQUISA
O principal instrumento de coleta de dados utilizado foi o formulário de entrevista
estruturada, desenvolvido na plataforma Google Forms. Este formulário foi composto por
perguntas objetivas e subjetivas, abordando tanto as metodologias de análise de risco
utilizadas pelos engenheiros civis quanto suas percepções sobre a eficácia das estratégias de
mitigação em obras de infraestrutura. A escolha do Google Forms se justifica pela facilidade
de acesso e pela possibilidade de coleta remota de dados, considerando que os engenheiros
civis envolvidos atuam em diferentes localidades.
Além disso, para a pesquisa bibliográfica, foram utilizadas bases de dados acadêmicas,
como SciELO e Google Scholar, que fornecem acesso a uma vasta gama de publicações
científicas relevantes para a fundamentação teórica deste estudo.
4.4 UNIDADE, UNIVERSO E AMOSTRA DA PESQUISA
A unidade de análise desta pesquisa é composta por engenheiros civis que atuam
diretamente em projetos de obras de infraestrutura, especialmente aqueles que lidam com a
gestão de riscos em regiões propensas a desastres naturais. O universo da pesquisa abrange
engenheiros civis atuantes em Campos dos Goytacazes e áreas circunvizinhas, onde a
vulnerabilidade a eventos como enchentes é um desafio constante para a gestão de obras.
A amostra foi composta por 10 engenheiros civis, selecionados de forma não
probabilística, ou seja, por conveniência e acessibilidade, de acordo com a disponibilidade
para participar das entrevistas. Segundo Gil e Vergara (2015), a amostragem não
probabilística
é
adequada
em
estudos
exploratórios,
especialmente
quando
a
representatividade não é o principal critério.
4.5 PLANO DE REGISTRO E ANÁLISE DOS DADOS
Os dados foram registrados de forma digital, por meio da plataforma Google Forms,
que organizou automaticamente as respostas em uma planilha. Após a coleta, os dados foram
tratados e analisados em duas etapas. Primeiramente, as respostas qualitativas foram
submetidas à análise de conteúdo, buscando identificar os temas centrais discutidos pelos
engenheiros civis. Em seguida, os dados quantitativos foram organizados em tabelas e
20
gráficos, permitindo uma análise comparativa entre as diferentes variáveis investigadas, como
a percepção sobre os riscos mais frequentes e a eficácia das estratégias de mitigação adotadas.
4.6 DEFINIÇÃO DAS VARIÁVEIS E INDICADORES DA PESQUISA
As variáveis e indicadores utilizados nesta pesquisa foram definidos a partir dos
objetivos e hipóteses centrais do estudo. Foram identificadas duas categorias principais de
variáveis:
Quadro 1 - Variáveis Relacionadas à Análise de Risco e Gestão de Desastres em Obras de
Infraestrutura
Categoria
Variáveis
Variáveis relacionadas à análise de risco Metodologias de análise de risco utilizadas pelos
em obras de infraestrutura
engenheiros civis
Tipos de riscos mais comumente identificados em obras de
infraestrutura
Percepção dos profissionais sobre a eficácia das
metodologias aplicadas no contexto de Campos dos
Goytacazes
Variáveis relacionadas à gestão de
Estratégias de mitigação adotadas para a prevenção de
desastres em obras de infraestrutura
desastres
Impacto percebido das estratégias na redução dos danos em
obras de infraestrutura
Avaliação das políticas públicas locais de gestão de
desastres e sua integração com a gestão de obras
Fonte: Elaborado pela autora, 2024.
5 RESULTADOS E DISCUSSÃO
Foram entrevistados 17 engenheiros civis como parte da pesquisa, a fim de obter
informações sobre os processos de análise de risco e gestão de desastres em obras de
infraestrutura. Esses profissionais, com experiência prática e conhecimento técnico
diversificado, contribuíram com informações essenciais sobre os desafios enfrentados no
planejamento e execução de projetos, bem como as estratégias adotadas para mitigar riscos e
garantir a segurança em diferentes etapas das obras.
O gráfico 1 ilustra a experiência profissional dos 17 engenheiros civis entrevistados,
destacando que 47,1% possuem mais de 10 anos de atuação na área, 35,3% entre 1 e 5 anos,
11,8% entre 6 e 10 anos, e apenas 5,8% com menos de 1 ano.
21
Gráfico 1 - Tempo de Experiência Profissional dos Engenheiros Civis Entrevistados
Fonte: Elaborado pela autora, 2024.
A distribuição evidencia a presença significativa de profissionais experientes, o que,
segundo Santos et al. (2021), é essencial para a implementação de práticas eficazes de análise
de risco e gestão de desastres, pois a experiência acumulada contribui para a identificação
precoce de potenciais problemas e a formulação de soluções práticas e contextuais.
O gráfico 2 mostra que 88,2% dos engenheiros civis entrevistados já trabalharam em
obras na cidade de Campos dos Goytacazes, enquanto 11,8% indicaram que não.
Gráfico 2 - Experiência Profissional dos Engenheiros Civis em Obras na Cidade de Campos dos Goytacazes
Fonte: Elaborado pela autora, 2024.
A alta porcentagem de profissionais com experiência local reforça a importância do
conhecimento contextual na gestão de projetos, conforme destacado por Silva et al. (2020),
que apontam que o entendimento das especificidades regionais pode influenciar positivamente
na eficiência e na mitigação de riscos em obras de grande porte.
De acordo com o gráfico 3 existe uma percepção predominantemente crítica em
relação à qualidade das obras de infraestrutura em Campos dos Goytacazes. Cerca de 52,9%
dos entrevistados classificaram a qualidade como regular, enquanto 41,2% avaliaram como
22
boa e apenas 5,9% consideraram ruim. Nenhum dos participantes atribuiu a avaliação
"excelente".
Gráfico 3 - Avaliação da Qualidade das Obras de Infraestrutura em Campos dos Goytacazes
Fonte: Elaborado pela autora, 2024.
Esses dados indicam uma necessidade de melhorias nos processos de planejamento e
execução das obras, o que corrobora as discussões de Madeira (2014), que enfatiza a
importância de uma gestão mais eficiente e de maior investimento na qualidade dos materiais
e técnicas aplicadas em projetos de infraestrutura.
A análise do gráfico 4 evidencia que a maioria dos entrevistados, 58,8%, considera o
saneamento básico como a principal prioridade para a cidade de Campos dos Goytacazes,
seguido por 23,5% que destacaram estradas e vias urbanas. A habitação foi apontada por
11,8%, enquanto espaços públicos e áreas verdes receberam menor atenção, com apenas 5,9%
das respostas.
Gráfico 4 - Prioridades de Obras de Infraestrutura em Campos dos Goytacazes
Fonte: Elaborado pela autora, 2024.
Esses resultados refletem uma preocupação significativa com a infraestrutura
essencial, como saneamento, fator que, segundo Dal Molin e Ferreira (2019), é importante
para garantir qualidade de vida e promover o desenvolvimento sustentável nas cidades.
23
Os dados apresentados no gráfico 5 indicam que 35,3% dos entrevistados consideram
os riscos técnicos, como falhas de projeto, os mais relevantes em obras de infraestrutura em
Campos dos Goytacazes. Riscos sociais e ambientais, como deslocamento de comunidades e
poluição, foram apontados por 23,5% dos participantes cada, enquanto 17,6% destacaram
riscos financeiros, como estouro de orçamento.
Gráfico 5 - Principais Riscos Associados às Obras de Infraestrutura em Campos dos Goytacazes
Fonte: Elaborado pela autora, 2024.
Essa percepção vai ao encontro das reflexões de Bucker (2024), que ressalta a
necessidade de um planejamento minucioso e a avaliação de riscos como elementos
fundamentais para minimizar problemas e garantir a sustentabilidade dos projetos.
Conforme os dados do gráfico 6, observa-se uma insatisfação significativa em relação
às práticas de gerenciamento de risco nas obras de Campos dos Goytacazes. Um expressivo
percentual de 70,6% dos entrevistados acredita que essas práticas poderiam ser melhores,
enquanto apenas 17,6% as consideram adequadas. Um grupo menor, correspondente a 11,8%,
revelou incerteza quanto à adequação desses processos.
Gráfico 6 - Adequação das Práticas de Gerenciamento de Risco em Obras de Campos dos Goytacazes
Fonte: Elaborado pela autora, 2024.
24
Esse panorama reforça as discussões de Caldeira (2016), que enfatiza a necessidade de
aprimoramento contínuo das práticas de gerenciamento de risco, especialmente em cenários
complexos, onde a previsibilidade de eventos adversos é baixa.
Os resultados do gráfico 7 apontam que a percepção da colaboração entre engenheiros
civis e o governo local na execução de obras em Campos dos Goytacazes é, em sua maioria,
considerada regular por 52,9% dos entrevistados. Além disso, 29,4% avaliam essa parceria
como boa, enquanto 11,8% a consideram muito boa e outros 5,9% a classificam como ruim.
Gráfico 7 - Percepção da Colaboração entre Engenheiros Civis e o Governo Local na Execução de Obras
Fonte: Elaborado pela autora, 2024.
Esses dados refletem uma percepção moderada da eficiência dessa cooperação,
sugerindo que ainda há espaço para melhorias na comunicação e no alinhamento de objetivos.
Segundo Lima (2018), a colaboração efetiva entre o setor público e os profissionais de
engenharia é essencial para garantir a qualidade e a sustentabilidade das obras, exigindo
mecanismos de governança mais robustos.
Os dados apresentados no gráfico 8 destacam uma percepção equilibrada entre os tipos
de riscos considerados mais relevantes em obras de infraestrutura. Tanto os riscos de
segurança do trabalho quanto os riscos de qualidade foram mencionados por 41,2% dos
entrevistados. Em seguida, 11,8% indicaram os riscos ambientais, enquanto os riscos
financeiros receberam menor atenção, não sendo apontados como prioridade.
Gráfico 8 - Tipos de Riscos Mais Relevantes nas Obras de Infraestrutura
25
Fonte: Elaborado pela autora, 2024.
Essa distribuição reflete a crescente preocupação com a segurança e a qualidade nas
obras, alinhando-se às observações de Ávila (2014), que afirma que uma abordagem integrada
de gestão de riscos é fundamental para minimizar impactos em grandes projetos de
infraestrutura. A falta de destaque para os riscos financeiros pode sugerir uma confiança nas
estratégias financeiras, mas também pode indicar que outras áreas críticas demandam maior
atenção.
Os dados do gráfico 9 revelam uma percepção mista em relação à identificação de
riscos específicos relacionados a desastres naturais, como enchentes e deslizamentos, nos
projetos de engenharia. Uma parcela significativa, 41,2% dos entrevistados, reconhece estar
ciente desses riscos, embora nunca os tenha enfrentado diretamente em seus projetos. Outros
29,4% afirmaram que nunca identificaram tais riscos, o que pode sugerir uma menor
exposição a áreas vulneráveis ou lacunas na análise de risco. Já 17,6% dos profissionais
indicaram que ocasionalmente encontram esses riscos, enquanto apenas 11,8% relataram
identificá-los frequentemente.
Gráfico 9 - Identificação de Riscos Específicos Relacionados a Desastres Naturais em Projetos de Engenharia
Fonte: Elaborado pela autora, 2024.
Essa variação aponta para a necessidade de uma abordagem mais sistemática e
preventiva na gestão de riscos naturais, especialmente em regiões suscetíveis. Segundo Parizzi
(2014), a integração de análises geotécnicas e climáticas no planejamento de obras é
fundamental para antecipar e mitigar os efeitos de desastres naturais, evitando prejuízos
financeiros e riscos à segurança.
O gráfico 10 revela as diferentes abordagens utilizadas pelos entrevistados para a
avaliação de riscos em projetos. A maioria, representando 58,8% dos participantes, indicou o
uso combinado de análises qualitativas e quantitativas, evidenciando uma prática mais
abrangente e detalhada para a identificação e mitigação de riscos. Outros 23,5% admitiram
26
não realizar avaliações formais de riscos, o que pode indicar ausência de processos
estruturados ou limitações de recursos. Apenas 17,6% utilizam exclusivamente análises
qualitativas, enquanto nenhuma das respostas apontou o uso exclusivo de análises
quantitativas.
Gráfico 10 - Abordagens Utilizadas para Avaliação de Riscos em Projetos de Engenharia
Fonte: Elaborado pela autora, 2024.
Os resultados destacam a importância de integrar diferentes métodos de avaliação,
como enfatizado por Vergara, Teixeira e Yamanari (2017), que defendem que a combinação
de abordagens permite uma visão mais holística, ao considerar tanto os aspectos numéricos
quanto as percepções e experiências qualitativas dos projetos. A ausência de análises
quantitativas puras pode indicar uma dependência de ferramentas mais subjetivas ou uma
carência de dados precisos para modelagem quantitativa.
O gráfico 11 apresenta a percepção dos entrevistados sobre a eficácia das estratégias
de mitigação de riscos aplicadas em Campos dos Goytacazes. A maioria, 76,5%, considera
essas estratégias pouco eficazes, sugerindo uma insatisfação generalizada com as medidas
implementadas. Outros 23,5% avaliaram as estratégias como eficazes, enquanto nenhuma
resposta indicou que elas seriam muito eficazes ou totalmente ineficazes.
Gráfico 11 - Eficácia das Estratégias de Mitigação de Riscos em Campos dos Goytacazes
27
Fonte: Elaborado pela autora, 2024.
Esses resultados indicam uma lacuna significativa na aplicação de práticas de
mitigação de riscos, corroborando os argumentos de Girardi, Rabechini e Moutinho (2017),
que destacam a necessidade de adotar métodos mais robustos e baseados em evidências para
aumentar a resiliência dos projetos frente a adversidades. A predominância da avaliação
"pouco eficaz" sugere que, embora algumas estratégias sejam empregadas, elas não alcançam
os resultados esperados, o que pode ser atribuído a falhas na execução ou planejamento
inadequado.
O gráfico 12 mostra que 70,6% dos entrevistados afirmam realizar monitoramento
contínuo de riscos durante a execução das obras, um indicador positivo de boas práticas de
gerenciamento. Outros 29,4% indicaram que monitoram riscos apenas em alguns casos, o que
pode apontar para decisões condicionais baseadas na complexidade ou criticidade de
determinados projetos. Nenhum dos participantes relatou realizar monitoramento apenas no
início ou nunca monitorar, o que demonstra um nível básico de conscientização sobre a
importância do acompanhamento constante.
Gráfico 12 - Monitoramento Contínuo de Riscos durante a Execução de Obras
Fonte: Elaborado pela autora, 2024.
Esses dados estão alinhados com as recomendações de Silva e Melhado (2016), que
destacam o monitoramento contínuo como um componente essencial para a identificação de
riscos emergentes e a implementação de medidas corretivas em tempo real. A prática regular
de monitoramento permite não apenas uma maior previsibilidade de problemas, mas também
a mitigação proativa de impactos, promovendo maior eficiência e segurança nas obras.
O gráfico 13 revela que a grande maioria dos entrevistados (88,2%) atualiza as
avaliações de risco sempre que ocorre uma mudança significativa no projeto, demonstrando
uma abordagem reativa e adaptativa no gerenciamento de riscos. Apenas 11,8% realizam
atualizações mensais, e nenhuma resposta indicou atualizações trimestrais ou ausência de
28
atualizações. Esse comportamento indica uma prática focada em situações emergenciais, onde
as alterações no escopo ou no ambiente do projeto exigem revisões imediatas.
Gráfico 13 - Frequência de Atualização das Avaliações de Risco durante o Projeto
Fonte: Elaborado pela autora, 2024.
De acordo com Miguez, Veról e Di Gregorio (2017), a atualização contínua das
avaliações de risco é fundamental para garantir a eficácia do plano de gerenciamento,
especialmente em projetos de infraestrutura, que frequentemente enfrentam variáveis
imprevisíveis. A predominância de atualizações condicionais às mudanças destaca a
importância da flexibilidade e da resposta rápida para mitigar riscos em tempo hábil.
O gráfico 14 mostra uma divisão equilibrada na percepção sobre o nível de informação
da equipe em relação aos riscos associados aos projetos. Exatamente 47,1% dos entrevistados
acreditam que a equipe está totalmente informada, enquanto outros 47,1% consideram que ela
está informada apenas em parte. Um percentual menor, 5,9%, indicou que a equipe possui
pouca informação, e nenhuma resposta apontou para uma total falta de conhecimento sobre os
riscos.
Gráfico 14 - Percepção sobre o Nível de Informação da Equipe em Relação aos Riscos de Projetos
Fonte: Elaborado pela autora, 2024.
Essa divisão sugere que, embora haja esforços para disseminar informações sobre
riscos, ainda existem lacunas significativas na comunicação interna. Segundo Mendes (2015),
29
uma equipe bem-informada sobre os riscos é um pilar essencial para a gestão eficaz de
projetos, uma vez que permite decisões mais assertivas e proativas. A uniformidade na
transmissão de informações, portanto, é fundamental para alinhar todos os membros da equipe
com os objetivos de mitigação de riscos.
O gráfico 15 revela práticas variadas relacionadas à oferta de treinamentos específicos
para a gestão de riscos em obras. Um percentual de 35,3% dos entrevistados afirmou que suas
empresas oferecem treinamentos regularmente, evidenciando um compromisso com a
capacitação contínua. No entanto, a maior parte, 47,1%, informou que os treinamentos são
oferecidos apenas ocasionalmente, indicando que o acesso a esse tipo de formação ainda é
esporádico. Outros 17,6% afirmaram que suas empresas não oferecem treinamento, mas
acreditam que deveriam fazê-lo, destacando uma demanda latente por maior preparação.
Nenhum entrevistado indicou que não vê necessidade de tais treinamentos.
Gráfico 15 - Oferta de Treinamentos Específicos para Gestão de Riscos em Obras
Fonte: Elaborado pela autora, 2024.
Esses resultados sublinham a importância de programas estruturados e frequentes de
capacitação, como apontado por Ferreira e Almeida (2020), que afirmam que o treinamento
contínuo em gestão de riscos é fundamental para reduzir incertezas e aumentar a eficácia das
ações preventivas em projetos de engenharia. A ausência ou a oferta esporádica de
treinamentos pode comprometer a capacidade das equipes de lidar com situações imprevistas,
especialmente em contextos de alta complexidade.
A análise do gráfico 16 revela que os atrasos significativos foram apontados por
35,3% dos entrevistados como o impacto mais relevante da má gestão de riscos em obras.
Seguem-se o aumento de custos e os acidentes de trabalho, cada um representando 23,5% das
respostas, enquanto 17,6% dos participantes destacaram a deterioração da qualidade da obra
como o principal impacto. Essa distribuição evidencia que a má gestão de riscos não afeta
apenas cronogramas, mas também a segurança dos trabalhadores e a integridade dos projetos.
30
Gráfico 16 - Impactos Mais Significativos da Má Gestão de Riscos em Obras
Fonte: Elaborado pela autora, 2024.
Segundo Nagalli (2016), a má gestão de riscos frequentemente resulta em efeitos
cascata, onde atrasos e custos adicionais impactam a viabilidade econômica e a reputação dos
projetos. Além disso, acidentes de trabalho e compromissos com a qualidade revelam falhas
não apenas nos processos de planejamento, mas também na execução e monitoramento
contínuo.
A interpretação dos dados do gráfico 17 aponta que mais da metade dos entrevistados
(52,9%) considera que todas as consequências listadas
falta de segurança para os
trabalhadores, insatisfação da comunidade, e problemas legais e multas
são os resultados
mais comuns da ausência de uma gestão eficaz de riscos. Entre os demais, 29,4% destacaram
a falta de segurança para os trabalhadores como a consequência predominante, enquanto
11,8% indicaram a insatisfação da comunidade, e apenas uma pequena parcela evidenciou os
problemas legais e multas.
Gráfico 17 - Consequências Mais Comuns de Riscos Não Geridos em Obras
Fonte: Elaborado pela autora, 2024.
31
Essa percepção evidencia a interligação dos diferentes impactos causados por riscos
não geridos, corroborando a análise de Portugal (2016), que destacam a gestão de riscos como
um elemento essencial para garantir a segurança, evitar conflitos sociais e minimizar as
consequências legais e financeiras. A falha em abordar riscos de forma abrangente pode gerar
um efeito dominó, comprometendo a viabilidade e a imagem do projeto.
O gráfico 18 aponta que a medida mais frequentemente sugerida para melhorar a
gestão de riscos nas obras de Campos dos Goytacazes é o treinamento contínuo para os
trabalhadores, com 64,7% das respostas. Esse dado destaca a percepção de que a capacitação
é crucial para preparar as equipes para identificar e mitigar riscos de maneira eficiente. Em
seguida, 17,6% dos entrevistados acreditam que a maior transparência nas práticas de gestão é
fundamental, sugerindo que a comunicação aberta e acessível sobre os processos de
gerenciamento de riscos pode fortalecer a confiança e a eficácia.
Gráfico 18 - Medidas Sugeridas para Melhorar a Gestão de Riscos nas Obras de Campos dos Goytacazes
Fonte: Elaborado pela autora, 2024.
A colaboração com especialistas em riscos foi mencionada por 11,8% dos
participantes, destacando a importância de contar com apoio técnico especializado para lidar
com situações complexas. Por último, apenas 5,9% indicaram o investimento em tecnologia
de monitoramento, revelando que, embora a tecnologia seja reconhecida como importante, a
prioridade ainda recai sobre medidas humanas e gerenciais.
De acordo com Assi (2021), o sucesso na gestão de riscos depende de uma abordagem
multifacetada, que combine treinamento, transparência e uso de tecnologias avançadas. A
integração dessas práticas pode não apenas melhorar a identificação de riscos, mas também
aumentar a capacidade de resposta das equipes e a eficácia das ações preventivas.
O gráfico 19 apresenta uma visão crítica em relação à legislação atual para segurança e
gestão de riscos em obras. A maioria dos entrevistados, 58,8%, acredita que, embora a
32
legislação seja suficiente em sua base, ela precisa de melhorias. Esse dado sugere que as
normas existentes cobrem aspectos fundamentais, mas podem carecer de atualizações ou
maior aplicabilidade prática diante dos desafios modernos.
Além disso, 23,5% consideram a legislação insuficiente, indicando que, para esse
grupo, as normas não oferecem a proteção e orientação necessárias para lidar eficazmente
com os riscos inerentes às obras. Apenas 11,8% dos entrevistados acreditam que a legislação
é suficiente para atender às demandas atuais, enquanto um percentual muito pequeno (5,9%) a
consideram excessiva, o que pode refletir preocupações sobre burocracia ou custos adicionais.
Gráfico 29 - Percepção sobre a Suficiência da Legislação Atual na Gestão de Riscos em Obras
Fonte: Elaborado pela autora, 2024.
Esses resultados corroboram as análises de Konzen et al. (2020), que destacam a
necessidade de uma legislação dinâmica, capaz de se adaptar às novas tecnologias e aos
cenários de risco emergentes. Uma legislação robusta e bem aplicada não só protege
trabalhadores e comunidades, mas também melhora a eficiência dos projetos e reduz custos
associados a acidentes e falhas.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Com base na análise conduzida ao longo deste trabalho, ficou evidente que a aplicação
de uma gestão eficiente de riscos é essencial para minimizar os impactos de desastres em
obras de infraestrutura em Campos dos Goytacazes. Os resultados da pesquisa demonstram
que, apesar da existência de práticas de gestão de riscos, ainda há lacunas significativas na
implementação de abordagens mais sistemáticas e integradas. Entre os principais desafios
33
identificados estão a insuficiência de treinamentos contínuos, a falta de colaboração com
especialistas em riscos e a necessidade de maior transparência nas práticas de gestão.
O estudo também destacou que os atrasos significativos, o aumento de custos e os
acidentes de trabalho são as consequências mais frequentes da má gestão de riscos. Esses
impactos não apenas comprometem a qualidade das obras, mas também representam riscos à
segurança dos trabalhadores e à satisfação da comunidade. A percepção dos profissionais
entrevistados reflete a urgência de medidas que possam fortalecer a resiliência das
construções, como o investimento em tecnologias de monitoramento e a adoção de
metodologias proativas de análise de riscos.
Embora a legislação vigente seja considerada suficiente por uma parcela dos
entrevistados, a maioria reconhece a necessidade de melhorias. Isso reforça a importância de
revisões periódicas das normas para que estejam alinhadas às inovações tecnológicas e às
realidades locais. Uma gestão de riscos robusta exige não só o cumprimento de normas legais,
mas também a criação de uma cultura organizacional que valorize a prevenção e a mitigação
de riscos.
No contexto de Campos dos Goytacazes, as peculiaridades climáticas e geográficas da
região tornam ainda mais evidente a necessidade de um planejamento detalhado e de ações
integradas para gestão de desastres. A utilização de ferramentas de análise qualitativa e
quantitativa, bem como a capacitação contínua das equipes, foram apontadas como
elementos-chave para a evolução das práticas de gestão de riscos.
Este trabalho contribui para o entendimento das práticas atuais e oferece um ponto de
partida para a melhoria contínua na gestão de riscos em obras de infraestrutura. Como
sugestão para estudos futuros, recomenda-se a ampliação da análise para incluir um maior
número de projetos e a comparação com outras regiões que enfrentam desafios semelhantes.
Além disso, seria pertinente explorar mais profundamente o impacto de novas tecnologias,
como o uso de inteligência artificial e sensores avançados, na previsão e mitigação de riscos.
Outra vertente interessante seria a análise do custo-benefício das práticas de gestão de riscos,
demonstrando como investimentos iniciais podem resultar em economias a longo prazo e
maior sustentabilidade para os projetos de infraestrutura.
Por fim, espera-se que este estudo sirva como uma base para gestores, engenheiros e
formuladores de políticas desenvolverem estratégias mais eficazes e adaptáveis, contribuindo
para a segurança, eficiência e resiliência das obras de infraestrutura em Campos dos
Goytacazes.
34
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39
ANEXOS
FICHAS DO FORMULÁRIO DE PESQUISA
40
ENGENHARIA CIVIL
TCC
FICHA DE AVALIAÇÃO
Momento Presencial
ALUNO: Bárbara Vicente Pires Manhães
MATRÍCULA: 600784514 PÓLO: Campos dos Goytacazes
Itens
Valor Atribuído
Domínio do Conteúdo (2,0)
Referencial teórico-metodológico (1,0)
Problematização (2,0)
Diálogo com as fontes/bibliografia (1,0)
Resultados esperados/obtidos (1,0)
Precisão e Clareza na apresentação dos conteúdos (1,0)
Adequação dos Conteúdos Propostos (2,0)
TOTAL
___Campos dos Goytacazes, 25 de novembro de 2024__
Local e data
_____________________________________________
Assinatura do Tutor Presencial
OBSERVAÇÕES DO TUTOR PRESENCIAL (OPCIONAL):
__Campos dos Goytacazes, 25 de novembro de 2024__
Local e data
_____________________________________________
Assinatura do Tutor Presencial
ANEXO:
REGISTRO FOTOGRÁFICO DA APRESENTAÇÃO AO TUTOR PRESENCIAL: