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O EVANGELHO DE FELIPE

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São Felipe
(Catedral de Santo Isaque,
São Petersburgo, Rússia)
Cristo, com Sua vinda, tirou para fora os que
haviam entrado (de onde não haveriam de
voltar a sair) e pôs para dentro os que haviam
saído (de onde não haveriam de voltar a
entrar).
Evangelho de Felipe, versículo 70.
Rodolfo Domenico Pizzinga
Introdução e Objetivo do Trabalho
Há alguns anos, escrevi e publiquei o texto O Evangelho
de Felipe (Doutrinas Gnóstico-Iniciáticas), que pode ser
lido no endereço:
http://paxprofundis.org/
livros/doutrinas/secretas.htm
Como o trabalho ficou incompleto, hoje, nesta segunda
parte, ele está sendo arrematado.
O Evangelho Gnóstico-Valentiano
1
de Felipe constitui um
dos mais importantes livros apócrifos2 da biblioteca de
Nag Hammadi3. À semelhança do Evangelho de Tomé, é
um evangelho de ditos, ou seja, uma coleção de
sentenças encerrando grande sabedoria, todas atribuídas
a Jesus, o Cristo. O texto, considerado como de autoria de
Felipe, é conjunturalmente moderno. A sua única relação
com o apóstolo São Felipe, segundo os estudiosos, devese ao fato de ser o único apóstolo mencionado nos
manuscritos.
São Felipe foi um apóstolo do Cristo e mártir. Diz a
tradição, através do bispo de Cesaréia e pai da História da
Igreja Eusebius Pamphili (265 – 339), que era casado,
tinha duas filhas e teria realizado muitos milagres,
inclusive revivido – não ressuscitado, assim como com
Lázaro – um defunto em Hierápolis. Também diz a
tradição que Felipe pregou o Evangelho na Palestina, na
Grécia e na Ásia Menor, onde, se diz, morreu crucificado e,
a seguir, apedrejado no ano 80 d.C. em Hierápolis, na
Frígia.
O
Evangelho de Felipe, segundo outra corrente de
estudiosos, talvez tenha sido redigido algures, entre os
anos 180 e 350 da nossa era. Foi elaborado, portanto,
muito depois da morte do discípulo de Jesus, o Cristo. O
texto constituiu um importante documento para as
comunidades gnósticas dos primeiros anos do
Cristianismo. Foi descoberto no deserto egípcio, em 1945,
entre um conjunto de vários documentos gnósticos
conhecidos como a Biblioteca de Nag Hammadi (do nome
do sítio arqueológico onde foram descobertos).
Seja como for, o fato é que o Evangelho de Felipe, escrito
ou não por São Felipe, está repleto de uma Sabedoria
Gnóstica geralmente não encontrada nos meio
açucarados meio adulterados Evangelhos Canônicos4, e é
exatamente por este motivo que é dado como apócrifo. A
Gnose5 nunca interessou e continua a não interessar; o
que interessa é o redil. A Gnose liberta; o redil dá
polpudos dividendos. Assim sendo, quando for o caso,
com todo carinho, para auxiliar a arrombar o redil,
comentarei brevemente os fragmentos selecionados que
garimpei
no
Evangelho
Felipino
para,
despretensiosamente, desenhar este rascunho-estudo,
que está sendo encerrado aqui.
Finalmente, como sempre advirto, melhor do que tudo é
ler a obra em sua integralidade. Na escolha dos
fragmentos para compor o trabalho posso ter deixado de
fora
alguns
ensinamentos
gnóstico-esotéricos
fundamentais. A oportuna leitura do Evangelho de Felipe
corrigirá estas lacunas.
Evangelho de Felipe
(Fragmentos Gnóstico-esotéricos)
S
...
e alguém dá, mas não por amor, não tira utilidade
alguma do que deu. [Sim. O que se faz só tem cabimento
se for feito por amor. Mas o Iniciado, ainda que opere por
amor e em amor, jamais espera tirar utilidade do que fez
ou do que deu.]
Deus é antropófago... [A antropofagia, aqui, deve ser
entendida em seu sentido mais esotérico e mais oculto. O
que isto quer dizer? Simplesmente que à medida que
vamos construindo o Deus de nossos Corações, este
mesmo Deus, edificado por nós, vai nos convidando e
atraindo para nos tornarmos unos com Ele. Daí a máxima
Homo (in potentia) est Deus. O Homem (potencialmente) é
Deus.]
Um asno, dando voltas em torno de uma roda de
moinho, caminhou cem milhas. Quando o desjungiram
ainda se encontrava no mesmo lugar. Existem homens
que muito caminham sem mover um passo em direção
alguma. Ao se verem surpreendidos pelo crepúsculo,
não chegam a divisar cidades, nem aldeias, nem
criaturas, nem Natureza... [Costumo dizer que, talvez,
uma das maiores chorosas decepções dos seres-nomundo seja, quando chegarem ao lado de lá, a
constatação inequívoca de que as coisas são
inteiramente diferentes daquilo que lhes forçaram a
engolir e daquilo em que passaram a vida acreditando e
defendendo, quando não, no limite, até matando em nome
delas.]
A Eucaristia
é Jesus, pois, em siríaco6, a Este se
chama 'Pharisata', que quer dizer 'Aquele que está
estendido'7. Jesus, veio, realmente, para crucificar o
mundo. [Jesus veio para que cada um pudesse
reconhecer sua Cruz Mística e Dela se alforriar. Este
conceito aparece também em outra passagem (versículo
70) do Evangelho de Felipe da seguinte forma: Cristo,
com Sua vinda, tirou para fora os que haviam entrado
(de onde não haveriam de voltar a sair) e pôs para
dentro os que haviam saído (de onde não haveriam de
voltar a entrar).]
Um cego e um que vê – se se encontrarem ambos às
escuras – não se distinguem um do outro; mas, quando
chegarem à luz, o que vê verá a luz enquanto o cego
permanecerá na obscuridade.
Bem-aventurado é aquele que é antes de chegar a
existir, pois, o que é era e será.
Aquele que sai do mundo não poderá cair preso pela
simples razão de que já esteve no mundo. [Nossas
maiores prisões são nossos quereres. Quereres não são
nada mais nada menos do que anteposições
capturadoras da liberdade. Queremos isto, queremos
aquilo, queremos que os outros sejam da forma como
queremos que sejam, queremos que o Deus do nosso
entendimento seja o Deus do entendimento do outro,
queremos milagres, queremos o arrebatamento,
queremos a salvação... Se nos livrarmos dos quereres,
nos livraremos das prisões que, por ignorância e
ingenuidade, construímos. Por isto, temos que nos
esforçar para (merecer) mudar de dimensão, ainda que,
em qualquer dimensão, haja sempre alguma forma de
prisão, de ignorância e de ingenuidade. Mas, tudo
depende só de nós; somos responsáveis por tudo. Uma
das coisas que mais me horroriza e aflige é, por exemplo,
ver as pessoas querendo que Deus faça por elas o que é
simplesmente uma obrigação delas fazer. Em termos,
sim, desmamaram das mamas da mãe; mas, não, querem
continuar a mamar nas tetas da Providência.]
Alguns nem querem nem podem; outros, ainda que
queiram, de nada lhes serve por não terem feito. De
maneira que um simples querer os faz pecadores, do
mesmo modo que um não-querer. A Justiça se
esconderá de ambos...
F
...
izeram seus, por méritos próprios, os Nomes do
Pai, do Filho e do Espírito Santo... Alguém assim não
mais é um simples cristão; é um Cristo.
Entra em tua Habitação, fecha a Porta e ora a teu Pai
que está escondido. [Metáfrase: entra em teu Coração
Espiritual, e em Santo Silêncio comunga com o teu Deus
Interior por ti edificado.]
'D
—
eus meu! Deus meu! Por que, Senhor, tanto me
glorificas? — Isto disse Jesus sobre a cruz... [Logo, as
frases Deus meu! Deus meu! Por que me abandonaste?
(Evangelho de Mateus, XXVII, 46) e Deus meu! Deus meu!
Por que me desamparaste? (Evangelho de Marcos XV,
34), ou foram deliberadamente mal traduzidas ou foram
equivocadamente mal traduzidas. Como os tradutores
conheciam perfeitamente bem o idioma em que foi
grafada, só posso admitir que houve uma pérfida e
induzidora intenção nesta caliginosa tradução, até hoje
repetida no sentido dar a Jesus um aspecto mais humano
e falível, coisa absolutamente desnecessária, pois o
processo encarnativo (ou projetivo, que, particularmente,
foi o caso de Jesus), seja lá de quem for e pelo motivo
que tenha acontecido, está pleno de humanidade e carreia
naturalmente falibilidades e relativos aprisionamentos.
Em suma: o fato é que Jesus, por mais que estivesse
toldado pela dor da crucifixão, sabia que seus Irmãos e
seus Superiores Hierárquicos jamais o abandonariam. Na
realidade, estavam todos presentes no Gólgota (que
significa o Lugar da Caveira) – uns, fisicamente; outros,
em projeção psíquica – naquele momento de suprema
Aflição Iniciática, pelo bem da Humanidade.]
Sem
LLuz ninguém poderá se contemplar a si
mesmo... A LLuz é a Unção.
Quem recebeu a Unção está de posse do Todo: da
Ressurreição, da LLuz, da Cruz e do Espírito Santo.
Se a mulher não se houvesse separado homem, não
teria morrido com ele. Sua separação tornou-se o
começo da morte. Por este motivo, veio o Cristo. Veio
para anular a separação. Veio para unir a ambos:
homem e mulher. Veio para dar vida àqueles que
haviam morrido pela separação. Veio para uni-los
novamente. [Isto, nem de muitíssimo longe, se assemelha
ao extravagante conceito de almas gêmeas. Por outro
lado, a Androginia Mística é uma espécie de pré-estréia de
algo muito maior, para algo sempre maior, ilimitado.]
Os homens produzem deuses e adoram a obra de suas
mãos.
É conveniente que cumpramos tudo aquilo que é justo.
Os que afirmam que primeiro é preciso morrer para
depois ressuscitar se enganam. Se não se recebe
primeiro a ressurreição em vida, nada se receberá ao
morrer. [Receber a ressurreição em vida significa Morrer
para a vida e Nascer para a Vida.]
A Árvore
do Conhecimento tem a propriedade de
facilitar o conhecimento do bem e do mal... Mas trouxe
consigo a morte para todos aqueles que Dela comeram.
'Comei isto, não comais aquilo' transformou-se em
princípio de morte. [O que este fragmento está a ensinar
é que conhecimento que produz prevaricação, egoísmo,
dominação, usurpação, corrupção, preconceito, maisvalia, assassinato, avareza, inveja, ira, luxúria etc. produz
em paralelo morte, entropia e desagregação. Isto poderá
parecer uma contradição com o fato de que o Universo
não pune nem premia; mas, o que não pode mais ser
educado e aproveitado, seja lá o que for, é cosmicamente
reciclado, o que longe está de ser uma punição. Primeiro,
as coisas-sem-alma e sem possibilidade são isoladas;
depois, são cosmicamente recicladas. O que sobra da
reciclagem é insumo para ulteriores manifestações. É
meio que mais ou menos como mostra a animação aí
embaixo.]
N
...
enhuma coisa poderá ser perdurável a não ser
que se faça Filho. Como poderá, pois, dar quem não
está com disposição para receber?
Um cavalo engendra um cavalo; um homem engendra
um homem; um deus engendra um deus.
Os de lá não são um e outro; ambos são um só. O
daqui é aquele que jamais poderá ultrapassar o sentido
carnal.
O Homem Perfeito não só não poderá ser detido como
nem sequer poderá ser visto...
...
Só peca quem é escravo do pecado...
A
...
quele que foi feito livre pelo Conhecimento se faz
escravo por amor daqueles que ainda não chegaram a
receber a Liberdade do Conhecimento... [Este foi
precisamente o caso, por exemplo, de Akhnaton e de
Jesus, que recusaram e continuam a recusar Iniciações
mais elevadas por Amor aos homens.]
O Amor Espiritual é Vinho e Bálsamo. Dele gozam os
que se deixaram Ungir com Ele e também os que são
alheios a Ele, desde que os Ungidos permaneçam ao seu
lado. No momento em que os Ungidos partirem, os nãoungidos, que apenas estavam junto aos Ungidos,
voltam a exalar seu mau odor. [Esotericamente, isto
significa que apenas a presença silenciosa de um Iniciado
poderá ser transmutativa. Infelizmente, muitas vezes, a
irradiação de Bem, de Beleza, de Paz e de Harmonia é
apenas temporária ou ineficiente e ineficaz. Não por
descuido do Iniciado, mas por ineptidão da parte de quem
a recebe, que, na imensa maioria das vezes, nem sequer
percebe a irradição esparramada, e, por isto, não a
aproveita. O que um Iniciado jamais fará é forçar o que
quer que seja. A coisa toda é como está no Evangelho de
São Marcos, IV, 8 e 9: ... e cresceu, e um grão dava trinta,
outro sessenta, e outro cem. Quem tem ouvidos para
ouvir, ouça. Mas, são insuficientes apenas ouvidos para
ouvir e olhos para ver. É necessário ter Coração para
sentir! O Entendimento e a Sabedoria não entram nem
pelos ouvidos nem pelos olhos. Isto é meio que
semelhante a um texto esotérico: as linhas pouco
ensinam; as entrelinhas ensinam tudo. Ora, na frase O
Amor Espiritual é Vinho e Bálsamo, Vinho não é a
bebida resultante da fermentação alcoólica total ou
parcial do mosto da uva; e Bálsamo não é uma
substância aromática exsudada por muitas plantas,
composta de resinas, óleos essenciais, ácidos benzóico e
cinâmico e seus ésteres ou uma infusão de plantas
narcóticas em óleo com que se friccionam regiões
doloridas do corpo. Quero o vinho que me dá calor,
escreveu Omar Khayyam em uma de suas rubais. Vinho
que dá embriaguez ou Vinho que dá Vida?]
O homem copula com o homem, o cavalo copula com
o cavalo, o asno copula com o asno, ou seja, as espécies
copulam com seus semelhantes. Desta mesma maneira,
o Espírito se une com o Espírito, o Logos com o Logos e
a LLuz com a LLuz. [Isto significa que não estão
franqueados ao homem todos os domínios, todos os
campos, todas as esferas, todas as categorias, todos os
âmbitos e todas as dimensões universais. Nada será por
acaso; nada será de graça; nada será por apenas. Temos
que nos esforçar para merecer, porque a nós nada virá de
araque; como é dito popularmente, nós é que temos e
teremos que correr atrás. O versículo 113 do Evangelho de
Felipe é bem explicativo sobre este tema. E acrescenta: Se
tu te fazes homem, é um homem quem te amará; se tu
te fizeres Espírito, será o Espírito quem se unirá
contigo; e se tu te fizeres como um dos de Cima, são Os
de Cima que virão repousar sobre e dentro ti. Enfim, ou
nos transmutamos conscientemente para merecer ou
continuaremos a viver fora e abaixo da Santa LLuz, e
permaneceremos sem poder participar da Santa Ceia
Daqueles que Sabem e Podem e que estão Acima. Fica a
pergunta: será que vale (valerá) a pena?]
Aquele que, pela Graça [e pelo Mérito], depois de haver
alcançado a Liberdade se vende a si mesmo novamente
como escravo, não poderá voltar a ser livre.
Bem-aventurado
é aquele que não atribulou uma
Alma... É feliz aquele que é assim, pois é um Homem
Perfeito...
Há
muitos animais no mundo que têm forma
humana. [Aqui há uma referência clara àquilo que Helena
Petrovna Blavatsky (1.831 – 1.891), em sua Doutrina
Secreta, denominou de homens-sem-alma, e que, mais
acima, não-pejorativamente, denominei de coisas-semalma. Note-se que Madame Blavatsky passou pela
transição em 8 de maio de 1891; logo, em princípio, não
conheceu o Evangelho de Felipe, que só foi descoberto
em 1.945. Estes seres-coisas-sem-alma são aquelas
criaturas que – como os animais em geral, mas deles
diferentes – ao invés de serem constituídas de um
Triângulo Superior e de um Quadrado Inferior (Homemariano,8 formado a partir do berço indiano Aryavarta), são
formadas, inversamente, por um Triângulo Inferior (Corpo
Físico, Corpo Etérico e Corpo Astral) e por um Quadrado
Superior (Eu Interior, Manas, Buddhi e Athma), do qual
estão desligadas. Em tudo se parecem com homens, mas
não são homens, pois o quarto membro da constituição
setenária humana – o Eu Interior – não se desenvolveu.
Em uma palavra: são dominadas e dirigidas tão-somente
pelo Corpo Astral.]
Ninguém
pode saber qual é o dia que Homem e
Mulher Copulam fora deles mesmos; estas Núpcias são
um mistério. É um verdadeiro mistério o Casamento
Impoluto [Místico e Alquímico]. O Casamento Impoluto
não é carnal, mas Puro. Não pertence á paixão, mas à
Vontade. Não pertence às trevas ou à noite, mas ao Dia
e à LLuz... Ninguém poderá ver o Esposo e a Esposa, a
não ser que se torne também um Esposo ou uma
Esposa.
A ignorância é escravidão; o Conhecimento [Sabedoria
Espiritual = ShOPhIa = 300 + 6 + 80 + 10] é Liberdade.
Há uma Glória acima da glória e um Poder acima do
poder... Quando isto se manifestar, então, será
derramada a LLuz Perfeita sobre todos aqueles que
Nela se encontrarem, e receberão a Unção. Então,
ficarão livres os escravos e os cativos serão redimidos.
[A LLuz está fora e está dentro, mas a Unção só poderá
acontecer dentro.]
Se alguém se faz Filho da Câmara Nupcial, receberá a
LLuz. Quem não a receber nesta Sagrada Câmara não a
receberá em outro lugar.
Como se Fosse um Epílogo
Já fui pedra; já fui planta.
Outrora, também fui animal.
Oh!, já fui besta sacripanta!
Hoje, estou apartado do mal.
Hoje, estou apartado do mal
porque mereci ser Rosacruz.
Luto para poder ser um canal
de Beleza, de Bem e de Luz.
De Beleza, de Bem e de Luz
se nutrem todos os Iniciados.
Andam por uma Senda de truz
para acrisolar seus Quadrados.
............................................
Ora.
Lege.
Lege.
Lege.
Relege.
Labora.
Et invenies.
______
Notas:
1. O Evangelho de Felipe tem data de elaboração estimada entre 120 a 180
d.C. Acredita-se que seja um Evangelho gnóstico-valentiano e que seu autor
tenha sido Felipe, apóstolo de Cristo. Já Valentino, informa o Instituto Arcanjo
Michael, foi o mais intelectual dos líderes gnósticos, tendo desenvolvido um
Gnosticismo atraente o suficiente para ganhar seguidores tanto no Oriente
como no Ocidente. Os Valentianos Orientais eram Docetistas, pois afirmavam
que Jesus tinha um corpo pneumático totalmente sujeito à influência do
Espírito. Já os Valentianos Ocidentais ensinavam um Docetismo modificado,
atribuindo a Jesus um corpo físico não totalmente gnóstico.
2. Os evangelhos ditos apócrifos (apokruphoi, secreto) são os livros escritos
por comunidades cristãs e pré-cristãs. Por razões históricas ou religiosas, os
apócrifos não são reconhecidos como canônicos pelos católicos, pelos
evangélicos, pelos protestantes e pelos judeus ortodoxos. Os livros ditos
apócrifos são muito estudados atualmente pelos teólogos por revelarem
fatos e curiosidades a respeito dos primórdios do Cristianismo.
3. Nag Hammadi é uma aldeia no Egito, conhecida como Chenoboskion na
Antigüidade, cerca de 225 km ao noroeste de Assuan, com aproximadamente
30.000 habitantes. É uma região camponesa onde produtos como o açúcar e
o alumínio são produzidos. Nesta aldeia, foram encontrados, em 1.945, um
conjunto de manuscritos que ficaram conhecidos como biblioteca de Nag
Hammadi, contendo textos do antigo Gnosticismo. No total, foram
descobertos cinqüenta e dois textos naquela área.
4. Mateus, Marcos, Lucas e João são os únicos Evangelhos aceitos pela
Igreja Católica, pelos evangélicos e pelos protestantes como legítimos, e que,
portanto, integram o Segundo Testamento da Bíblia. O cânon começou a ser
definido por volta de 150 d.C. durante a controvérsia marcionita, e aparece
documentado, pela primeira vez, na forma atual, em 367, em uma Carta de
Atanásio, bispo de Alexandria. O Terceiro Sínodo de Cartago, em 397, ratificou
o cânon aceitado previamente no Sínodo de Hipona Regia, realizado em 393,
onde hoje é a Argélia. Foi contestada a inclusão do Livro da Revelação
(Apocalipse) no cânon por toda a Idade Média, sendo aceito, finalmente, por
católicos e protestantes, no Século da Reforma. O Evangelho de Marcos dá
mostras de ser o livro mais antigo. O Evangelho de João foi o último entre os
Evangelhos a ser escrito, e possui características particulares, tanto do ponto
de vista dos textos quanto da perspectiva teológica do seu conteúdo.
5. Gnosticismo designa o movimento histórico e religioso cristão que
floresceu durante os séculos II e III, cujas bases filosóficas eram as da antiga
Gnose (palavra grega que significa conhecimento), com influências,
basicamente, do Pitagorismo, do Neoplatonismo, do Zoroastrismo e do
Mitraísmo. Este movimento reivindicava a posse de conhecimentos secretos
(gnose apócrifa, em grego) que, segundo eles, os tornava diferentes dos
cristãos alheios a este conhecimento. Originou-se, provavelmente, na Ásia
Menor, e tem como base as filosofias pagãs que floresciam na Babilônia, no
Egito, na Síria e na Grécia. O Gnosticismo combinava alguns elementos da
Astrologia e dos mistérios das religiões gregas – Mistérios Eleusinos – bem
como elementos do Hermetismo com alguns ensinamentos das doutrinas do
Cristianismo. Em seu sentido mais profundo, o Gnosticismo significa a
admissibilidade da Illuminação pela Via Iniciática da Sabedoria (ShOPhIa).
6. O siríaco era um sistema de escrita (alfabeto) que os jacobitas utilizavam
na região da Síria. Teve um aspecto bem particular devido à influência dos
escribas que desenhavam os caracteres de alto a baixo, de forma que o leitor
deveria manusear a folha endireitando-a para lê-la da direita para esquerda. É
importante ressaltar que neste idioma foram feitas várias traduções da Bíblia,
tanto do Segundo Testamento quanto do Primeiro Testamento, bem como de
outros livros religiosos que servem de fontes para o Judaísmo e para o
Cristianismo.
7. Estendido = Crucificado.
8. A palavra ariano, ao referir-se a um grupo étnico, tem várias significações.
Refere-se, mais especificamente, ao subgrupo dos indo-europeus, que se
estabeleceu no planalto iraniano desde o final do terceiro milénio a.C., e que
povoou a Península da Índia por volta de 1500 a.C., vindo do norte, pelo
Punjabe, disseminando-se pela Índia, pela Pérsia e pelas regiões adjacentes.
Estes são também chamados de árias. A sua cultura ficou particularmente
expressa nos Vedas e, principalmente, no Rig Veda, considerado como o mais
antigo. Por extensão, a designação arianos (não o termo árias) passou a
referir-se a vários povos originários das estepes da Ásia Central – os indoeuropeus – que se espalharam pela Europa e pelas regiões já referidas, a
partir do final do neolítico. O termo designa, ainda, os descendentes dos indoeuropeus que fundaram a civilização indiana. O termo refere-se, também, na
História das Línguas, ao proto-ariano ou proto-indo-iraniano, que teria sido o
ramo lingüístico comum aos antepassados dos povos indo-áricos e iranianos
e aos dois grandes sub-ramos lingüísticos a que terá dado origem, ou seja, às
línguas indo-áricas e às línguas iranianas. Estes dois sub-ramos são, também
por extensão, designadas de línguas arianas, árico ou indo-iraniano. Pode,
ainda, referir-se, especificamente, aos grupos lingüísticos atualmente
conhecidos como proto-indo-europeu, proto-indo-iraniano e indo-iraniano. Em
tempos, também se utilizou o termo para designar todas as línguas indoeuropéias. Infelizmente, alguns nazis foram atabalhoadamente influenciados
pelos conceitos místico-teosóficos de Helena Petrovna Blavatsky e, em
particular pela sua Doutrina Secreta, de (1888), onde postulava os Arianos
como a Quinta Raça-raiz, datando a sua origem de, aproximadamente, um
milhão de anos, remontando à Atlântida – idéia que foi distorcidamente
repetida à exaustão pelo principal teórico do nacional-socialismo Alfred
Rosenberg (1893 – 1946) e mantida como doutrina insubstituível pela
Sociedade Thule. Foi assim que se justificou a imposição das chamadas Leis
Arianas ou Leis de Nuremberga pelos nazistas, proibindo a cidadania e os
direitos de trabalho aos não-arianos, o casamento entre indivíduos de grupos
opostos e outras conhecidas barbaridades mais. Ainda que o Fascismo de
Benito Amilcare Andrea Mussolini (1883 – 1945) não se caracterizasse
inicialmente nem explicitamente pelo anti-semitismo, também na Itália se
introduziram leis neste sentido, depois que Il Duce (em italiano, O Condutor)
foi pressionado pela Alemanha.
Bibliografia:
APÓCRIFOS II: OS PROSCRITOS DA BÍBLIA. Compilados por Maria Helena de
Oliveira Tricca. São Paulo: Mercuryo, 1.992.
Páginas da Internet consultadas:
http://pt.wikipedia.org/
wiki/Eus%C3%A9bio_de_Cesareia
http://pt.wikipedia.org/wiki/Nag_Hammadi
http://pt.wikipedia.org/wiki/Arianos
http://www.terrabrasillis.com/
jesus_valentino.htm
http://eskesthai.blogspot.com/
2005_08_01_archive.html
http://www.ams.sunysb.edu/~jkamiyas/
frontier_lab/rt2d1uttvd_entropy_filter.html
http://pt.wikipedia.org/
wiki/Sir%C3%ADaco
http://pt.wikipedia.org/
wiki/Gnosticismo
http://pt.wikipedia.org/
wiki/Evangelhos_can%C3%B4nicos
http://pt.wikipedia.org/
wiki/Livros_ap%C3%B3crifos
http://pt.wikipedia.org/
wiki/Evangelho_de_Felipe
http://pt.wikipedia.org/
wiki/Felipe_(ap%C3%B3stolo)
Fundo musical:
Opening
Fonte:
http://br.geocities.com/mimifantasy01/midi.htm
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