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Livreto BKJ Estudo Genesis

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Edição em língua portuguesa do texto da King James 1611
Copyright © 2015 by BV Films Editora
“Bíblia Sagrada, Versão Bíblia King James 1611”, é uma marca registrada no
Instituto Nacional da Propriedade Industrial de BV Films Editora.
Edição Revisada - Junho 2018
Publicação e Distribuição
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BV BOOKS EDITORA
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1ª Edição Autorizada © Junho de 2018
É permitida a reprodução de qualquer parte da Bíblia BKJ 1611 nos âmbitos escrito, visual, eletrônico ou
áudio desde que claramente indicada a fonte, cuja citação não exceda a um capítulo completo, ou a mais de
quinhentos (500) versículos, ou vinte e cinco por cento (25%) ou mais do texto da obra em que são citados.
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permissão escrita por parte da BV Films Editora Eireli, detentores legítimos e exclusivos dos Direitos Autorais
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Holman Study Bible Copyright © 2012 by Holman Bible Publishers
Nasville, Tennessee. All Rights Reserved
Bible Study Notes Holman CSB Copyright © 2012 by Holman Bible Publishers
Nasville, Tennessee. All Rights Reserved.
Bíblia Sagrada, BKJ 1611 Copyright © 2015 by BV Books,
um Grupo da BV Films Editora Eireli.
ISBN - 978-85-8158-181-1 (Preto)
978-85-8158-182-8 (Marrom)
978-85-8158-177-4 (Marrom com Preto)
978-85-8158-184-2 (Capa Dura)
Todos os direitos reservados
1. Bíblia Sagrada
2. Antigo e Novo Testamentos
bvbooks
Índice
Introdução à Bíblia de Estudo Holman
xix
Características da Bíblia de Estudo Holman
xx
Colaboradores da Bíblia de Estudo Holman
xxvii
Lista de mapas, ilustrações e quadros
xxxiii
Lista de estudos de palavras hebraicas e gregas
xxxviii
Abreviaturas mais comumente usadas
xlv
Plano de salvação
xlvi
Como ler e estudar a Bíblia – George H. Guthrie
xlvii
A origem, transmissão e canonização dos livros do Antigo Testamento –
Jeremy Royal Howard
A origem, transmissão e canonização dos livros do Novo Testamento - Jeremy Royal
Howard
lvi
1528
Livros da Bíblia
ANTIGO TESTAMENTO
Introdução a Gênesis
GÊNESIS
1
Gn
95
Introdução a Êxodo
ÊXODO
Êx
Introdução a Levítico
LEVÍTICO
Lv
Nm
Dt
289
341
Js
Introdução a Juízes
JUÍZES
224
285
Introdução a Josué
JOSUÉ
173
219
Introdução a Deuteronômio
DEUTERONÔMIO
99
169
Introdução a Números
NÚMEROS
6
345
387
Jz
391
Índice
xiv
Introdução a Rute
RUTE
433
Rt
445
Introdução a 1 Samuel
1 SAMUEL
1Sm
Introdução a 2 Samuel
2 SAMUEL
2Sm
1Rs
2Rs
1Cr
2Cr
Ed
Ne
Et
Jó
Sl
Pv
1010
1055
Ec
Introdução a Cântico dos Cânticos
CÂNTICO DOS CÂNTICOS
881
999
Introdução a Eclesiastes
ECLESIASTES
832
877
Introdução a Provérbios
PROVÉRBIOS
813
827
Introdução aos Salmos
SALMOS
782
809
Introdução a Jó
JÓ
761
781
Introdução a Ester
ESTER
700
757
Introdução a Neemias
NEEMIAS
659
699
Introdução a Esdras
ESDRAS
606
655
Introdução a 2 Crônicas
2 CRÔNICAS
551
605
Introdução a 1 Crônicas
1 CRÔNICAS
504
547
Introdução a 2 Reis
2 REIS
449
503
Introdução a 1 Reis
1 REIS
437
1060
1075
Ct
1080
xvÍndice
Introdução a Isaías
ISAÍAS
1093
Is
1185
Introdução a Jeremias
JEREMIAS
Jr
Introdução a Lamentações
LAMENTAÇÕES
Lm
Ez
Dn
Os
Jl
Am
Ob
Jn
Mq
Na
Hc
1481
1485
Sf
Introdução a Ageu
AGEU
1473
1477
Introdução a Sofonias
SOFONIAS
1461
1469
Introdução a Habacuque
HABACUQUE
1453
1457
Introdução a Naum
NAUM
1447
1449
Introdução a Miqueias
MIQUEIAS
1431
1443
Introdução a Jonas
JONAS
1421
1427
Introdução a Obadias
OBADIAS
1403
1417
Introdução a Amós
AMÓS
1373
1399
Introdução a Joel
JOEL
1295
1369
Introdução a Oseias
OSEIAS
1281
1291
Introdução a Daniel
DANIEL
1189
1277
Introdução a Ezequiel
EZEQUIEL
1098
1489
1493
Ag
1497
Índicexvi
Introdução a Zacarias
ZACARIAS
1501
Zc
Introdução a Malaquias
MALAQUIAS
1505
1519
Ml
1523
NOVO TESTAMENTO
Introdução a Mateus
MATEUS
1535
Mt
Introdução a Marcos
MARCOS
1603
Mc
Introdução a Lucas
LUCAS
Lc
Jo
1723
At
1779
1775
Introdução a Romanos
ROMANOS
1841
Rm
Introdução a 1 Coríntios
1 CORÍNTIOS
1Co
2Co
Gl
Ef
1963
1971
Cl
Introdução a 1 Tessalonicenses
1 TESSALONICENSES
1947
1959
Fp
Introdução a Colossenses
COLOSSENSES
1933
1943
Introdução a Filipenses
FILIPENSES
1911
1929
Introdução a Efésios
EFÉSIOS
1879
1907
Introdução a Gálatas
GÁLATAS
1845
1875
Introdução a 2 Coríntios
2 CORÍNTIOS
1654
1719
Introdução a Atos
ATOS
1607
1649
Introdução a João
JOÃO
1540
1975
1983
1Ts
1987
xviiÍndice
Introdução a 2 Tessalonicenses
2 TESSALONICENSES
1993
2Ts
Introdução a 1 Timóteo
1 TIMÓTEO
2001
1Tm
Introdução a 2 Timóteo
2 TIMÓTEO
2Tm
Tt
Fm
Hb
Tg
1Pe
2Pe
1Jo
2Jo
3Jo
2102
2103
Jd
Introdução a Apocalipse
APOCALIPSE
2098
2099
Introdução a Judas
JUDAS
2087
2095
Introdução a 3 João
3 JOÃO
2077
2083
Introdução a 2 João
2 JOÃO
2067
2073
Introdução a 1 João
1 JOÃO
2055
2063
Introdução a 2 Pedro
2 PEDRO
2035
2051
Introdução a 1 Pedro
1 PEDRO
2029
2031
Introdução a Tiago
TIAGO
2022
2025
Introdução a Hebreus
HEBREUS
2014
2021
Introdução a Filemom
FILEMOM
2005
2013
Introdução a Tito
TITO
1997
2107
2109
Ap
2113
Livros da Bíblia
Em ordem alfabética
Ageu
Amós
Apocalipse
Atos
Cântico dos Cânticos
Colossenses
1 Coríntios
2 Coríntios
1 Crônicas
2 Crônicas
Daniel
Deuteronômio
Eclesiastes
Efésios
Esdras
Ester
Êxodo
Ezequiel
Filemom
Filipenses
Gálatas
Gênesis
Habacuque
Hebreus
Isaías
Jeremias
Jó
João
1 João
2 João
3 João
Joel
Jonas
Josué
1493
1427
2109
1775
1075
1971
1875
1907
655
699
1369
285
1055
1943
757
809
95
1291
2025
1959
1929
1
1477
2031
1093
1185
827
1719
2083
2095
2099
1417
1449
341
Judas
Juízes
Lamentações
Levítico
Lucas
Malaquias
Marcos
Mateus
Miqueias
Naum
Neemias
Números
Obadias
Oseias
1 Pedro
2 Pedro
Provérbios
1 Reis
2 Reis
Romanos
Rute
Salmos
1 Samuel
2 Samuel
Sofonias
Tiago
1 Tessalonicenses
2 Tessalonicenses
1 Timóteo
2 Timóteo
Jeremias
Tito
Zacarias
2103
387
1277
169
1649
1519
1603
1535
1457
1469
781
219
1443
1399
2063
2073
999
547
605
1841
433
877
445
503
1485
2051
1983
1993
2001
2013
1185
2021
1501
Introdução à Bíblia de Estudo Holman
A religião cristã baseia-se fundamentalmente na crença de que Deus escolheu revelar-se à raça humana
que dele se distanciou. O Senhor fez isso não apenas por meio de sinais miraculosos, por atos gerais da providência e pela vida e obra de Jesus Cristo, mas também através de 66 escritos conhecidos coletivamente
como a Bíblia. Esses livros são considerados nada menos do que a comunicação oficial de Deus, transmitida por intermédio de autores humanos, que foram conduzidos pelo Espírito Santo a registrar aquilo que
Deus queria que soubéssemos. Entre outras coisas, aprendemos na Bíblia que Deus é o Criador soberano
de tudo o que existe. Nenhum canto do universo está fora do Seu controle. Aprendemos que Deus é amor,
que Seu caráter é imutável por toda a eternidade, que Ele é santo em todos os sentidos e que só Ele é digno
de louvor e glória. Também aprendemos que somos pecadores, carentes de reconciliação com Deus e que
esta reconciliação só vem por meio da fé no Filho de Deus, que pagou nossa dívida na cruz.
Visto que a Bíblia trata de questões tão sérias como essas, devemos ter o máximo cuidado para entender
adequadamente os seus ensinos. Compreender mal ou aplicar a Bíblia de forma errônea pode levar a erros
graves. Agora mais que nunca a igreja está dotada de uma multidão de mestres preparados para prover ferramentas que ajudam os leitores a compreender a Bíblia e a aplicá-la à sua vida. A Bíblia de Estudo Holman
representa a obra de mais de uma centena de estudiosos que dedicaram suas vidas a viver e a ensinar as verdades das Escrituras. Eles procedem de diferentes denominações e diversos contextos. Desde a sua publicação,
em 2004, os leitores têm reconhecido a Holman Christian Standard Bible como um esforço multidenominacional*, refletindo o melhor em termos de conhecimento de tradução da Bíblia. A mesma abordagem foi
utilizada na Versão King James 1611 com Estudo Holman. Figuram entre os nossos colaboradores estudiosos
cristãos com experiências variadas cujos ministérios estão baseados em seminários, faculdades e igrejas.
O objetivo de cada ferramenta nesta Bíblia de estudo, sejam as notas de estudo, artigos, introduções
dos livros, mapas, quadros ou o componente de estudo online (csbstudybible.com**), é servir ao texto
das Escrituras, trazendo à luz fatos que ajudam a compreensão. Com o objetivo de servir ao texto, as
ferramentas de estudo foram elaboradas para manter o foco nas Escrituras, e não em si mesmas. Por
essa razão, o texto das Escrituras nunca se encontra posicionado abaixo de uma ferramenta de estudo. O
aspecto mais importante de cada página é o próprio texto das Escrituras. Falando em termos teológicos,
nossa abordagem centrada no texto resulta do fato de todos os nossos colaboradores honrarem a Bíblia
como a Palavra de Deus, inspirada e inerrante.
Algumas notas e artigos nesta Bíblia de estudo o encorajarão e proverão respostas a perguntas que
você vem ponderando há muito tempo. Outras o surpreenderão com informações imprevisíveis, e o
induzirão a fazer novas perguntas. Outras ainda o desafiarão, quem sabe até o provocarão, quando
confrontado com informações que o convidam a questionar suas noções preconcebidas ou opiniões já
estabelecidas. Em todos os casos, nosso objetivo é muni-lo com ferramentas para estudar a Palavra de
Deus em um nível mais profundo, em uma dimensão que propicie uma transformação de vida e um verdadeiro conhecimento de Deus. Procuramos ser imparciais em questões controversas. Para atingir esse
objetivo, todas as notas e artigos foram analisados por uma equipe de editores teológicos. Em alguns
casos, adotamos posições debatíveis, mas sempre chegamos a uma posição bem representada entre os
estudiosos comprometidos com a Bíblia, que buscam honrar as intenções da Palavra de Deus.
Nossa expectativa é que, juntamente com outras excelentes ferramentas de estudo disponíveis, você
utilize a BKJ - Bíblia com Estudo Holman. Para aprofundar sua caminhada com o Deus que graciosamente Se revelou na Bíblia.
Nós da BV Books Editora nos sentimos gratos a Deus por mais essa nova Bíblia de Estudo. Este é o
projeto incomparável que Deus tem para a nossa empresa: o compromisso de sempre proporcionar ao
nosso povo cristão brasileiro uma nova e excelente alternativa de aprendizado bíblico.
Obrigado Elohin!
Claudio Ferreira Rodrigues
BV Books Editora
Editor Geral
* Na edição brasileira foi adotada a tradução King James 1611 por desfrutar da mesma confiança e exatidão da versão
original em inglês.
** Disponível apenas em língua inglesa. Este site não é de responsabilidade da BV Editora, bem como a manutenção e
permanência na rede mundial de computadores.
Características da Bíblia
de Estudo Holman
List of Livros da Bíbliaxx
A BKJ - Bíblia com Estudo Holman foi elaborada para apoiar de maneira decisiva o estudo Bíblico. A Escritura
é aqui o assunto principal. Todas as características e ferramentas são desenhadas para ajudá-lo a compreender
a Escritura e ser por ela transformado.
1 REFERÊNCIAS CRUZADAS apontam para
outras passagens bíblicas que estão relacionadas
com o texto que você está focalizando.
2 NOTAS DE ESTUDO proveem informações
históricas, culturais, linguísticas e bíblicas que
aumentam a sua compreensão da passagem. As
palavras em negrito procedem diretamente do
texto da Escritura.
3 MAPAS iluminam o texto bíblico ao mostrar o
seu contexto geográfico.
4 QUADROS organizam as informações de forma
a capacitar o leitor a compreender rapidamente as
conexões importantes.
5 ESTUDOS DE PALAVRAS habilitam o leitor a
ver uma palavra-chave e a família de palavras a que
ela está relacionada. Mostra também a variedade de
expressões nas quais o termo é usado.
7 FOTOS, como as ilustrações e os mapas,
fornecem o contexto visual conhecido pelos
escritores bíblicos e por muitos de seus primeiros
leitores. A visualização do contexto constitui um
auxílio significativo para a compreensão. Cirilo de
Jerusalém (315–386 d.C.) e Jerônimo (340–420
d.C.) chamaram a terra da Bíblia de “o Quinto
Evangelho”. Conhecer a terra por meio de fotos
enriquece nossa leitura e compreensão da Bíblia.
8 INTRODUÇÕES dão uma visão geral dos livros,
suprindo informações sobre Circunstâncias da
escrita inclusive Autor e Contexto histórico,
Mensagem e propósito, Contribuição à Bíblia,
Estrutura e Esboço.
9 CRONOLOGIA situa o livro em uma estrutura
cronológica de eventos bíblicos (letra preta) e
eventos da história mundial (letra marrom).
6 ILUSTRAÇÕES recriam estruturas arquitetônicas 10 ARTIGOS fazem uma cobertura em profundidade
que fizeram parte do cenário no qual a Bíblia foi
escrita. A visualização dessas estruturas provê
um contexto para a leitura e estudo de passagens
da Escritura. Tanto o escritor da passagem, como
muitos de seus primeiros leitores, conheceram essas
estruturas em primeira mão.
dos principais assuntos bíblicos e teológicos.
xxi
List of Livros da Bíblia
1 REFERÊNCIAS CRUZADAS
2 NOTAS DE ESTUDO
List of Livros da Bíbliaxxii
3 MAPAS
Cidade (localização incerta)
Pico de montanha
Viagem de Jesus a Jerusalém
Dora
Monte
Carmelo
Território de Arquelau
SAMARIA
Salim
Sebaste (Samaria)
Território de Antipas
Antipátride (Afeque)
Jope
de
eiro
Rib
Ráfia
or
Bes
Pelúsio
deia
Bete-Zur
Hebrom
IDUMEIA
Berseba
Arade
da Ju
Gaza
Qumran
Medeba
Belém
Machaerus
Deserto
Ascalom (Asquelom)
Sob orientação divina, Maria e José
retornam para a Palestina.
Jesus é levado a
Jerusalém para um
sacrifício.
Jericó
Jerusalém
Azoto (Asdode)
PEREIA
Lebona
JUDEIA
Jesus visita o templo de
Jerusalém aos doze anos de idade
Aenon
Sicar
LIS
Cesareia Marítima
(Torre de Straton)
PO
CÁ
DE
Gabriel anuncia a Maria
que ela terá um filho
Viagem de Maria e José
Rio Jordão
Giscala
(Gush Halav)
Cafarnaum
Ptolemaida (Aco)
Betsaida
GALILEIA
Mar da
Séforis Caná
Galileia
Monte Carmelo
Arbela
Nazaré
Monte Tabor
Cidade
Nascimento de
Jesus (7-6 a.C.)
Massada
MAR
MORTO
IA
TE
BA
NA
Ar
ab
á
Advertidos por um anjo de que
Herodes planejava matar Jesus,
José e sua família fogem para o Egito.
Deserto
de Sur
4 QUADROS
Milhas
Quilômetros
Os apóstolos e sua história
Nome
1653
16
E converterá muitos dos filhos de Israel ao
Senhor seu Deus.
17
E irá adiante dele no espírito e no poder
de Elias, para converter os corações dos pais
aos filhos, e os desobedientes à prudência dos
justos; tornar pronto um povo preparado para o
Senhor.
18
E Zacarias disse ao anjo: Como eu saberei
isto? Porque eu sou um homem velho, e minha
esposa avançada em idade.
19
E, respondendo o anjo, disse-lhe: Eu sou
Gabriel, que permaneço na presença de Deus, e
sou enviado para falar-te, e para mostrar-te estas alegres notícias.
20
E eis que tu ficarás mudo, e não poderás
falar até o dia em que estas coisas se cumprirem, porque tu não creste nas minhas palavras,
que se cumprirão ao seu tempo.
21
E o povo esperava por Zacarias, e
admiravam-se que ele demorasse tanto tempo
no templo.
Simão
1:16-17 Ml 4:5-6
1:17 Lc 1:76
1:19 Dn 8:16 9:21;
Lc 1:26; Mt 18:10
1:22 Lc 1:62
1:25 Gn 30:23;
Is 4:1; 25:8
1:26 Lc 1:19;
Mt 2:23
1:27 Dt 21:23;
Is 7:14;
Mt 1:18,23;
Mt 1:20; Lc 2:4
1:16-17 Converterá... ao Senhor, seu Deus fala de conversão, fruto do arrependimento, que João Batista pregava
Sobrenome
ou apelido
Pais
L u Pedro
c a s (ou1 : 2 8João
Cefas) =
Pedra
(Jonas)
22
E quando ele saiu, não podia falar com
eles, e perceberam que ele havia tido uma visão
no templo; porque gesticulava para eles, e permanecia mudo.
23
E aconteceu que, tendo-se
completado osJoão
André =
dias do seu ministério, elecorajoso,
partiu para a sua pró-(Jonas)
viril
pria casa.
24
E, depois daqueles dias, sua esposa
Elizabete engravidou, e escondeu-se por cinco
meses, dizendo:
25
Assim o Senhor fez comigo nos dias em
e
Boanerges
Tiago, o
que ele olhou para mim, para
tirar a minha
ver-Zebedeu
Salomé
(“filho do
maior (ou o
gonha entre os homens. mais velho) trovão”)
26
E, no sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado
por Deus a uma cidade da
chamadaZebedeu e
Boanerges
João,Galileia,
o
Salomé
(“filho do
discípulo
Nazaré,
trovão”)
amado
27
para uma virgem desposada com um homem, cujo nome era José,Tiago,
daocasa de Davi; e oAlfeu e
nome da virgem era Maria.
menor (ou o
Maria
mais jovem)
28
E o anjo se aproximou
dela, e disse: Salve,
Judas
(não o
Oestá
mesmo
tu que és muito favorecida;
o Senhor
conti-Tiago
Isca-riotes)
que Tadeu
go; bendita és tu entre as mulheres. e Lebeu
Filipe
1:26 No sexto mês de gravidez de Elizabete, Gabriel, o
mesmo anjo que aparecera a Zacarias (v. 19), foi enviado
Cidade onde
morava
Profissão
Escritos
Ministério
Inicialmente:
Betsaida;
Depois:
Cafarnaum
Pescador
1 e 2Pedro
Segundo a tradição,
Pedro provavelmente minisconfirmada por Tertrou às províncias do Ponto,
tuliano e Orígenes,
Galácia, Capadócia, Ásia,
Pedro foi crucificado
talvez Corinto e por último
“de cabeça para baixo”
Roma.
em Roma. Ele provavelmente morreu
entre 64-68 d.C.
Inicialmente:
Betsaida;
Depois:
Cafarnaum
Pescador
Incerto, mas a tradição
afirma que ele ministrou na
Capadócia, Galácia e Bitínia; mais tarde, ministrou
nos desertos citas e em
Bizâncio, e por último na
Trácia, Macedônia, Tessália
e Acaia.
A visão tradicional é
que André foi crucificado por ordem do
governador romano
Aegeas em Patras, na
Acaia.
Betsaida,
Cafarnaum
e
Jerusalém
Pescador
Pregou em Jerusalém e
na Judeia.
Tiago foi decapitado por Herodes em
Jerusalém em 62 ou
66 d.C.
Betsaida,
Cafarnaum e
Jerusalém
Pescador
Trabalhou nas igrejas da
Ásia Menor, principalmente
em Éfeso.
João foi banido para
Patmos em 95 d.C.
Chamado de volta, teve
uma morte natural.
Evangelho de
João, 1João,
2João e 3João
e Apocalipse
Galileia
Pregou na Judeia e no Egito.
De acordo com a tradição, Tiago, o menor, foi
martirizado no Egito.
Galileia
Pregou na Mesopotâmia e
na Armênia
Judas foi martirizado
no atual Irã e sepultado próximo a Tabriz.
Betsaida
Pregou na Frígia
Filipe foi martirizado
na Frígia; a tradição afirma que ele
foi se-pultado em
Hierápolis.
Caná da
Galileia
Uma tradição afirma que
ele pregou na Índia, outras
dizem que ele ministrou na
Mesopotâmia, Pérsia, Egito,
Armênia, Licaônia, Frígia e
na costa do mar Negro.
Uma tradição afirma
que Astíages, rei da
Babilônia, arrancou
sua pele e o decapitou
porque o irmão do rei
se converteu através da pregação de
Bartolomeu.
Há um forte consenso de
que Mateus pregou a seu
próprio povo por quase duas
décadas. Ele também está
associado à Etiópia até o
sul do mar Cáspio, Pártia,
Macedônia e Síria.
Algumas fontes
afirmam que Mateus
foi martirizado; outras
dizem que ele teve
uma morte natural.
energicamente (3:3). Irá adiante dele... a fim de tor- por Deus a Nazaré. Nazaré era uma pequena cidade da
5tão
nar pronto
um povo preparado para
faz lembrar Galileia, região que ficava ao norte da Judeia e Samaria.
ESTUDOS
DEo Senhor
PALAVRAS
a essência da profecia de Is 40:3-5 (ver Lc 3:4-6). Malaquias 4:5-6 profetizou que alguém semelhante a Elias viria
e converteria os corações dos pais aos filhos. Este novo
“Elias” era João Batista.
1:18 Assim como Abraão (Gn 15:8) e Sara (Gn 18:10-15),
Zacarias também teve muita dificuldade em crer que Deus
iria cumprir Sua promessa naquela idade avançada.
1:19 Gabriel quer dizer “(poderoso) homem de Deus”.
Além de Miguel (Dn 12:1; Ap 12:7), Gabriel é o único anjo
cujo nome é mencionado nas Escrituras.
1:20 Como castigo por ter duvidado da palavra do anjo,
Zacarias ficou mudo (não poderás falar) e talvez surdo
também (v. 62). O dia em que estas coisas se cumprirem
começou quando João nasceu e culminou em sua circuncisão (v. 57-64).
1:21-22 O povo que esperava Zacarias sair do templo ficou
surpreso porque ele não apareceu no momento esperado.
Incapaz de falar por causa de Gabriel (v. 20), Zacarias não
pôde proferir a tradicional bênção de Aarão (Nm 6:24-26)
sobre eles. O povo provavelmente percebeu que Zacarias
tivera uma visão porque viu sua expressão facial e os sinais
agitados que ele gesticulava com as mãos.
1:23 Cada sacerdote só ficava de serviço uma semana por
vez, e assim Zacarias logo pôde voltar para casa após seu
encontro com Gabriel (v. 10-20). Sua residência ficava na
região montanhosa da Judeia, não muito longe de Jerusalém (v. 39).
1:24-25 Depois que milagrosamente sua esposa Elizabete
engravidou se recolheu e escondeu-se por cinco meses.
Por que ela fez isso? Alguns especulam que ela tinha medo
de perder o bebê durante os primeiros meses de gravidez.
O mais provável, no entanto, é que Elizabete tenha entendido que sua gravidez incomum iria chamar atenção indesejada, caso todo mundo ficasse sabendo. Naquela idade,
era bom ter um início de gravidez tranquilo.
1:26-38 Em Lucas, o anúncio do nascimento de Jesus é
contado do ponto de vista de Maria. Mateus o narra do ponto de vista de José (Mt 1:18-23).
1:27 Virgem (Gr. parthenos) faz lembrar
a profecia
da conBartolomeu
Natanael
ceição virginal em Is 7:14 (Mt 1:18-25). De acordo com a
lei judaica, estar desposada com um homem era tão comprometedor quanto estar casada perante a lei (Mt 1:18-19).
Casa de Davi mostra que José era da tribo de Judá, da qual
viria o Messias, segundo as profecias (Gn 49:9-10).
1:28-30 Maria era favorecida porque o Senhor lhe concedeu Sua graça imerecida, e não porque tinha alcançado
Levi que ela
boa reputação aos olhos de Deus. ÉMateus
compreensível
tenha ficado perturbada (Gr. diatarasso; “confusa, perplexa”; “turbou”, na BTX) com a visita e saudação de Gabriel,
pensando como poderia ter recebido tal honra. Gabriel
tranquilizou Maria com as mesmas palavras que disse a
Zacarias: não temas (v. 13).
parthenos
Pronúncia grega
Tradução BKJ 1611
Usos em Lucas
Usos no NT
Passagem foco
Tomé
[par THE nos]
virgem
2
Simão
15
Lucas 1:27,34
Morte
Galileia
Coletor de
impostos
Evangelho
de Mateus
Dídimo
Galileia
A tradição afirma que Tomé
levou o evangelho à Índia.
Diz-se que Tomé foi
morto com uma lança.
Mais tarde, seus
restos mortais foram
levados para Edessa.
O Zelote
Galileia
Pregou na Pérsia
A tradição afirma que
ele Simão, o Zelote,
foi torturado e serrado ao meio.
Queriote
da Judeia
Traiu Jesus
Judas Iscariotes se
suicidou.
Nas páginas do NT grego, parthenos (virgem) indica uma mulher
solteira, virgem e em idade de se casar. Ap 14:4 é o único caso
Judas
Iscariotes
Simão
em que o termo se refere a homens virgens. Mateus e Lucas Iscariotes
reconhecem que Maria era parthenos quando engravidou e
concebeu a Jesus (Mt 1:20,23; Lc 1:27,34) e Mateus afirma
que ela continuou sendo virgem até o fim da gravidez (Mt 1:25).
Ambos os evangelhos mencionam a importância salvadora do
nascimento de Jesus (Mt 1:21; Lc 1:31-32), mas apenas Mateus
indica a importância profética de Seu nascimento virginal
(Mt 1:23). De acordo com Mateus, Maria foi o cumprimento
da profecia feita por intermédio do profeta Isaías, de que uma
virgem (Is 7:14; parthenos ocorre aqui no AT grego) que daria à
luz um filho de nome Emanuel. Mateus aplica esta profecia ao
nascimento do Messias.
xxiii
List of Livros da Bíblia
7 FOTOS
6 ILUSTRAÇÕES
43_HCSB SB 42Luke (2).indd 1779
O templo de Herodes, o Grande.
ca. de 30 d.C. (visto do lado Leste em todas as imagens).
VISÃO INTERNA
1. Candelabro
2. Altar do incenso
3. Mesa dos pães da Presença
4. Véu (que separava o Lugar
Santo e o Lugar Santíssimo)
Visão interna
VISÃO EXTERNA
1. Templo
2. Altar do holocausto
3. Videira de ouro (mencionada
por Josefo)
4. Candelabro da rainha Helena
de Adiabene
5. Véu na entrada do Lugar Santo
(mencionado por Josefo)
6. Câmaras do concílio e alojamento dos sacerdotes
7. Porta de Nicanor
8. Pátio das mulheres
9. Câmara dos leprosos
4
2
1
10. Câmara dos nazireus
11. Soregue (muro que separava o
pátio dos gentios da área do
templo)
12. Pátio dos gentios
13. Pórtico Real
14. Pórtico de Salomão
15. Porta Formosa (porta de Susã)
16. Porta Dourada
17. Fortaleza Antônia
3
17
6
Visão externa
1
6
6
6
1
6
6
9
7
13
12
8
11
3
10
15
4
14
5
16
30/09/15 13:31
2
List of Livros da Bíbliaxxiv
8 INTRODUÇÕES
9 CRONOLOGIA
xxv
List of Livros da Bíblia
10 ARTIGOS
Colaboradores da Bíblia de
Estudo Holman
Corpo Editorial
Editores gerais
Edwin A. Blum
Executive Editor, Holman Christian Standard Bible
Th.D., Dallas Theological Seminary
D.Th., University of Basel
Jeremy Royal Howard
Managing Acquisitions Editor for Bibles, Reference
Books, and Commentaries
B&H Publishing Group
Ph.D., Southern Baptist Theological Seminary
Editores associados
Steve Bond
Executive Editor for Bibles, Reference Books, and
Commentaries
B&H Publishing Group
Ph.D., Vanderbilt University
E. Ray Clendenen
Senior Acquisitions Editor for Bibles, Reference
Books, and Commentaries
B&H Publishing Group
Ph.D., University of Texas at Arlington
David K. Stabnow
Editor for Bibles, Reference Books, and Commentaries
B&H Publishing Group
Ph.D., Westminster Theological Seminary
Colaboradores das notas de estudo
As notas de estudo na Bíblia com Estudo Holman passaram por vários níveis de revisão.
As notas como agora estão diferem com frequência das notas conforme foram entregues
originalmente pelos colaboradores. Em alguns poucos casos, a forma final das notas pode
expressar opiniões que os colaboradores não discutiram nem apoiaram.
Gênesis
1 e 2 Reis
Êxodo
1 e 2 Crônicas
Levítico
Esdras
Tiberius Rata
Grace Theological Seminary
Ph.D., Trinity Evangelical Divinity School
Neemias
Robert D. Bergen
Hannibal-LaGrange College
Ph.D., Southwestern Baptist Theological Seminary
Dorian G. Coover-Cox
Dallas Theological Seminary
Ph.D., Dallas Theological Seminary
Kenneth A. Mathews
Beeson Divinity School
Ph.D., The University of Michigan
Números
R. Dennis Cole
New Orleans Baptist Theological Seminary
Ph.D., New Orleans Baptist Theological Seminary
Deuteronômio
Eugene H. Merrill
Dallas Theological Seminary
Ph.D., Columbia University
Josué
Richard S. Hess
Denver Seminary
Ph.D., Hebrew Union College
Juizes
Andrew C. Bowling
John Brown University
Ph.D., Brandeis University
Winfried Corduan
Taylor University (Emeritus)
Ph.D., Rice University
Carl R. Anderson
Trinity Fellowship Church, Richardson, Texas
Ph.D., Dallas Theological Seminary
Carl R. Anderson
Trinity Fellowship Church, Richardson, Texas
Ph.D., Dallas Theological Seminary
Ester
Carl R. Anderson
Trinity Fellowship Church, Richardson, Texas
Ph.D., Dallas Theological Seminary
Jó
Richard D. Patterson
Liberty University (Emeritus)
Ph.D., University of California, Los Angeles
Salmos
Kevin R. Warstler
Criswell College
Ph.D., Dallas Theological Seminary
Iain M. Duguid
Grove City College
Ph.D., Cambridge University
Sherri L. Klouda
Taylor University
Ph.D., Southwestern Baptist Theological Seminary
Rute
Provérbios
1 e 2 Samuel
Eclesiastes
Iain M. Duguid
Grove City College
Ph.D., Cambridge University
Bryan E. Beyer
Columbia International University Seminary
Ph.D., Hebrew Union College
David K. Stabnow
B&H Publishing Group
Ph.D., Westminster Theological Seminary
Duane A. Garrett
Southern Baptist Theological Seminary
Ph.D., Baylor University
xxix
Colaboradores das notas de estudo
Cântico dos cânticos
Miqueias
Isaías
Naum
Jeremias
Habacuque
Craig Glickman
Attorney, Dallas, TX
D.Th., University of Basel
Tremper Longman III
Westmont College
Ph.D., Yale University
Walter C. Kaiser
Gordon-Conwell Theological Seminary
Ph.D., Brandeis University
Lamentações
Walter C. Kaiser
Gordon-Conwell Theological Seminary
Ph.D., Brandeis University
Ezequiel
Mark F. Rooker
Southeastern Baptist Theological Seminary
Ph.D., Brandeis University
Daniel
Michael Rydelnik
Moody Bible Institute
D. Miss., Trinity Evangelical Divinity School
Oséias
E. Ray Clendenen
B&H Publishing Group
Ph.D., University of Texas at Arlington
Joel
Shawn C. Madden
Southeastern Baptist Theological Seminary
Ph.D., University of Texas at Arlington
Amós
Duane A. Garrett
Southern Baptist Theological Seminary
Ph.D., Baylor University
Obadias
Gregory W. Parsons
Baptist Missionary Association Theological Seminary
Th.D., Dallas Theological Seminary
Jonas
Joe Sprinkle
Crossroads College
Ph.D., Hebrew Union College–Jewish Institute of
Religion
Kevin Peacock
Canadian Southern Baptist Seminary
Ph.D., Southwestern Baptist Theological Seminary
Gregory W. Parsons
Baptist Missionary Association Theological Seminary
Th.D., Dallas Theological Seminary
Joe Sprinkle
Crossroads College
Ph.D., Hebrew Union College–Jewish Institute of
Religion
Sofonias
Gregory W. Parsons
Baptist Missionary Association Theological Seminary
Th.D., Dallas Theological Seminary
Ageu
Gregory W. Parsons
Baptist Missionary Association Theological Seminary
Th.D., Dallas Theological Seminary
Zacarias
D. Brent Sandy
Grace College and Theological Seminary
Ph.D., Duke University
Malaquias
E. Ray Clendenen
B&H Publishing Group
Ph.D., University of Texas at Arlington
Mateus
Charles L. Quarles
Louisiana College
Ph.D., Mid-America Baptist Theological Seminary
Marcos
Ross H. McLaren
LifeWay Christian Resources
D.Min., Vanderbilt Divinity School
Lucas
A. Boyd Luter
Comal Country Church, New Braunfels, TX
Ph.D., Dallas Theological Seminary
João
Andreas J. Köstenberger
Southeastern Baptist Theological Seminary
Ph.D., Trinity Evangelical Divinity School
Colaboradores das notas de estudoxxx
Atos
1 e 2 Timóteo, Tito
Romanos
Filemom
1 Coríntios
Hebreus
2 Coríntios
Tiago
Galatas
1 e 2 Pedro
Efésios
1, 2 e 3 João
Filipenses
Judas
Colossenses
Apocalipse
Stanley E. Porter
McMaster Divinity College, Ontario
Ph.D., University of Sheffield
Edwin A. Blum
B&H Publishing Group
D.Th., University of Basel
F. Alan Tomlinson
Midwestern Baptist Theological Seminary
Ph.D., Southern Baptist Theological Seminary
Kendell H. Easley
Union University
Ph.D., Southwestern Baptist Theological Seminary
A. Boyd Luter
Comal Country Church, New Braunfels, TX
Ph.D., Dallas Theological Seminary
David S. Dockery
Union University
Ph.D., University of Texas at Arlington
Richard R. Melick, Jr.
Golden Gate Baptist Theological Seminary
Ph.D., Southwestern Baptist Theological Seminary
Andreas J. Köstenberger
Southeastern Baptist Theological Seminary
Ph.D., Trinity Evangelical Divinity School
1 e 2 Tessalonicenses
James F. Davis
Capital Bible Seminary
Ph.D., Dallas Theological Seminary
Ray Van Neste
Union University
Ph.D., University of Aberdeen
Murray J. Harris
Trinity Evangelical Divinity School (Emeritus)
Ph.D., University of Manchester
Malcolm B. Yarnell III
Southwestern Baptist Theological Seminary
D. Phil., University of Oxford
R. Gregg Watson
Golden Gate Baptist Theological Seminary
Ph.D., Southwestern Baptist Theological Seminary
Terry L. Wilder
Southwestern Baptist Theological Seminary
Ph.D., University of Aberdeen
Robert W. Yarbrough
Trinity Evangelical Divinity School
Ph.D., University of Aberdeen
Terry L. Wilder
Southwestern Baptist Theological Seminary
Ph.D., University of Aberdeen
A. Boyd Luter
Comal Country Church, New Braunfels, TX
Ph.D., Dallas Theological Seminary
Colaboradores dos artigos
Como ler e estudar a Bíblia
xlvii
George H. Guthrie
Union University
Ph.D., Southwestern Baptist Theological Seminary
A origem, transmissão e canonização dos
livros do Antigo Testamento lvi
Jeremy Royal Howard
B&H Publishing Group
Ph.D., Southern Baptist Theological Seminary
Em princípio ou No princípio? – Gênesis 1
Diferenças nos Evangelhos –
Mateus 3:17 Robert H. Stein
Southern Baptist Theological Seminary
Ph.D., Princeton Theological Seminary
1544
Disciplina eclesiástica –
Mateus 18:15-201581
Mark E. Dever
Capitol Hill Baptist Church
Ph.D., Cambridge University
Edson de Faria Francisco
Universidade Metodista de São Paulo (UMESP)7
A base bíblica para missões –
Mateus 28:19-20 1602
A singularidade da narrativa da
criação de Gênesis – Gênesis 210
A ressurreição de Jesus como um
evento histórico – Marcos 16
1647
Kenneth A. Mathews
Beeson Divinity School
Ph.D., The University of Michigan
Gary R. Habermas
Liberty University
Ph.D., Michigan State University
A confiabilidade histórica do
Antigo Testamento – Gênesis 925
Expectativas messiânicas – Lucas 7:20 1674
Os exílios de Israel – 2 Reis 17 637
Cristo no Antigo Testamento –
Lucas 24:27
1718
Encarnação e cristologia – João 1 1724
Kenneth A. Kitchen
University of Liverpool (Emeritus)
Ph.D., University of Liverpool
Duane A. Garrett
Southern Baptist Theological Seminary
Ph.D., Baylor University
A importância dos rolos do mar Morto –
Isaías 6-7
1108
Peter W. Flint
Trinity Western University
Ph.D., The University of Notre Dame
A origem, transmissão e canonização dos
livros do Novo Testamento 1528
Jeremy Royal Howard
B&H Publishing Group
Ph.D., Southern Baptist Theological Seminary
Craig A. Evans
Acadia Divinity College
Ph.D., Claremont Graduate University
Craig A. Blaising
Southwestern Baptist Theological Seminary
Ph.D., University of Aberdeen
Stephen J. Wellum
Southern Baptist Theological Seminary
Ph.D., Trinity Evangelical Divinity School
Jesus é o único caminho? – João 14:6 1758
Robert M. Bowman, Jr.
Institute for Religious Research
Ph.D. Candidate, South African Theological
Seminary
Colaboradores dos artigosxxxii
A cruz e o evangelho – João 19:17
Bruce A. Ware
Southern Baptist Theological Seminary
Ph.D., Fuller Theological Seminary
1768
A igreja missional (ou missionária) –
João 20:21 1772
Ed Stetzer
LifeWay Christian Resources
Ph.D., Southern Baptist Theological Seminary
Oportunidades e desafios das
missões globais – Atos 1:8 1780
A mensagem e o estilo de vida
dos apóstolos – 1 Coríntios 4:9ss1884
Michael J. Wilkins
Talbot School of Theology, Biola University
Ph.D. Fuller Theological Seminary
A Bíblia e a sexualidade –
1 Coríntios 7
Daniel L. Akin
Southeastern Baptist Theological Seminary
Ph.D., University of Texas at Arlington
A perseverança dos santos –
Efésios 1:13-14
Daniel B. Wallace
Dallas Theological Seminary
Ph.D., Dallas Theological Seminary
A Bíblia e as mulheres – 2 Timóteo 1 Mary A. Kassian
Southern Baptist Theological Seminary
D.Th. Candidate, University of South Africa
2015
A Bíblia e os direitos civis – Filemom 2028
Kevin L. Smith
Southern Baptist Theological Seminary
Ph.D., Southern Baptist Theological Seminary
Jesus e a expiação no Antigo
Testamento – Hebreus 9 Eugene H. Merrill
Dallas Theological Seminary
Ph.D., Columbia University
2043
Salvação no Antigo Testamento –
Hebreus 11
2047
Paige Patterson
Southwestern Baptist Theological Seminary
Ph.D., New Orleans Baptist Theological Seminary
1890
Fé e obras – Tiago 2:18
2057
A confiabilidade histórica do Novo
Testamento – 2 Pedro 1:16
2078
Mark DeVine
Beeson Divinity School
Ph.D., Southern Baptist Theological Seminary
1948
Craig L. Blomberg
Denver Seminary
Ph.D., University of Aberdeen
Lista de mapas,
ilustrações e quadros
MAPAS
A tabela das nações – Gn 10
28
A migração de Abraão – Gn 11–12
33
Rota militar dos reis do norte – Gn 16
39
Edom – Gn 19
44
Viagens de Jacó – Gn 33
66
A rota do Êxodo – Êx 15
126
Viagem dos espias – Nm 13
245
A viagem de Cades-Barneia até as planícies de Moabe – Nm 20
258
Cidades levíticas e cidades de refúgio – Nm 35
281
Campanha de Josué no norte – Js 11
364
Distribuição das tribos de Israel – Js 13
370
O Levante de 1200–1000 a.C. – Js 15
374
Limites do assentamento israelita e da terra ainda a ser conquistada – Jz 1
392
Juízes de Israel – Jz 2
395
Eúde e a opressão dos moabitas – Jz 3
397
Vitória de Débora sobre os cananeus – Jz 4
399
Batalhas de Gideão contra os midianitas – Jz 6
403
Sansão e os filisteus – Jz 13
417
Davi foge de Saul – 1Sm 19
483
Ascensão de Davi ao poder – 1Sm 31
502
Guerras de conquista de Davi – 2Sm 8
516
Reino de Davi e Salomão – 1Rs 1
552
Lista de mapas, ilustrações e quadrosxxxiv
Empreendimentos econômicos de Salomão – 1Rs 5
562
Conflitos entre Israel e Arã-Damasco – 1Rs 15
588
Elias e Eliseu – 1Rs 19
596
A queda de Samaria e a deportação dos israelitas – 2Rs 18
639
Revolta de Ezequias – 2Rs 19
643
Jerusalém no tempo de Ezequias – 2Rs 19
644
Ascensão de Davi ao poder – 1Cr 11
676
Atividades de Salomão na área da construção – 2Cr 2
702
A campanha de Sisaque e as linhas de defesa de Roboão – 2Cr 12
719
O reinado de Josias – 2Cr 34
745
As conquistas de Ciro, o Grande – Ed 2
762
Os retornos dos exilados judeus a Judá – Ed 8
776
A Jerusalém de Neemias – Ne 4
787
Centro do Império Persa no tempo de Ester – Et 1
813
A guerra siro-efraimita – Is 7
1110
Campanha de Senaqueribe contra Judá – Is 36
1154
Judá durante o exílio – Jr 39
1258
Refugiados judeus no Egito – Jr 42
1263
Campanha de Nabucodonosor contra Judá – Jr 52
1275
Exilados judeus na Babilônia – Ez 1
1296
A antiga Babilônia– Dn 1
1374
Israel e Judá nos dias de Jeroboão II e Uzias – Am 1
1432
Supremacia assíria no 7º século a.C. – Na 3
1476
A ascensão do império neobabilônico– Hc 2
1482
O ministério de Jesus além da Galileia – Mt 15
1574
xxxv
Lista de mapas, ilustrações e quadros
As campanhas de Tito – Mt 24
1592
João Batista – Mc 1
1607
Nascimento e infância de Jesus – Lc 1
1658
O ministério de Jesus ao redor do mar da Galileia – Lc 5
1667
O cerco de Jerusalém 70 d.C. – Lc 21
1708
A Viagem de Jesus da Galileia para a Judeia – Jo 4
1732
O Pentecostes e a diáspora judaica – At 2
1783
Expansão da igreja primitiva na Palestina – At 8
1795
Primeira viagem missionária de Paulo – At 13
1805
A segunda jornada missionária de Paulo – At 15
1811
A terceira jornada missionária de Paulo – At 18
1818
A viagem de Paulo a Roma – At 27
1835
Galácia – Gl 1
1933
A segunda jornada missionária de Paulo – 1Tm Introdução
2000
As sete igrejas da Revelação – Ap 2
2115
Lista de mapas, ilustrações e quadrosxxxvi
ILUSTRAÇÕES
Reconstrução da arca de Noé – Gn 6
21
Reconstrução da arca do pacto – Êx 25
144
Reconstrução do tabernáculo – Êx 27
147
Vestes do sumo sacerdote – Êx 28
149
Acampamento israelita – Nm 2
226
Típica casa israelita da Idade do Ferro – Jz 11
415
Invasão babilônica de Jerusalém – 2Rs 25
651
A Jerusalém de Davi – 2Cr 4
704
Templo de Salomão – 2Cr 8
712
O túnel de Ezequias – Is 37
1156
A antiga Babilônia – Dn 1
1374
Casa israelita do 8º século a.C. – Am 6
1439
Sinagoga do primeiro século – Mt 12
1566
Templo de Herodes, o Grande – Lc 1
1653
Jerusalém do Novo Testamento – Lc 21
1710–1711
Reconstrução de Roma – At 28
1840
Reconstrução de Corinto no primeiro século – 1Co Introdução
1873
Santo Lugar no Templo – Hb 10
2045
xxxvii
Lista de mapas, ilustrações e quadros
QUADROS
Fontes e autoria de Gênesis
lviii
Os apócrifos e a Bíblia protestante
lxi
Família de Jacó – Gn 30
61
Família de Abraão – Gn 46
79
Os Dez Mandamentos – Êx 20
135
Sistema sacrifical – Lv 5
178
Os Dez Mandamentos/Levítico – Lv 19
205
Sacerdotes no Antigo Testamento – Lv 21
207
Festas e celebrações judaicas – Lv 23
211
Cidades da conquista de Josué – Js 13
367
Família de Davi – Rt 4
443
Reis da monarquia dividida – 1Rs 12
581
Judá após a queda do reino do norte – 2Rs 18
641
Reis da Pérsia – 2Cr 36
755
O retorno do exílio – Ne 2
783
Quadro temático de Provérbios – Pv Introdução
1003
Os profetas hebreus na história – Is introdução
1092
Alusões a Jeremias em Apocalipse – Jr 51
1274
A confiabilidade dos escritos do Novo Testamento
1533
Os apóstolos e sua história – Lc 6
1671
Lista de estudos de
palavras hebraicas
241
CONSTRUIR (banah) – 2Rs 21
648
ADVERSÁRIO (tsar) – Lm 2
1284
CONSUMIR-SE (balah) – Jó 13
847
ADVERTIR (zahar) – Ez 3
1299
CONTAR (paqad) – Nm 26
269
AGIR TRAIÇOEIRAMENTE
(bagad) – Is 21
1130
AGRADAR (ratsah) – 1Cr 29
697
ACENDER-SE (charah) – Nm 11
CRIAR (bara-) – Is 45
1172
DECLARA (ne’um) – Jr 22
1227
DECRETAR (charats) – Dn 9
1392
ALEGRIA (simchah) – Ec 2
1061
DEIXAR (‘azav) – Jr 2
1192
ALTAR (mizbeach) – Êx 40
161
DERRUBAR (haras) – Ez 26
1333
AMADO (dod) – Ct 1
1080
DESCANSAR (nuach) – Js 1
346
AMAR (racham) – Os 2
1404
DESCANSO (menuchah) – Rt 1
437
AMOR (chesed) – Sl 136
994
DESEJO (chaphets) – Et 6
821
ANDAR (darak) – Mq 5
1466
DESERTO (midbar) – Êx 16
127
ANJO (mal’ak) – Jz 13
APROXIMAR-SE (nagash) – Ml 1
ÁRDUO (qasheh) – Êx 33
BELEZA (tiph’ereth) – Is 60
BOM (tov) – 2Sm 3
BONDADE (tovah) – Ec 6
418
DESPERTAR (‘ur) – Ct 8
1090
1523
DESPIR (pashat) – Os 7
1410
152
DESTRUIR (shamad) – Am 9
1440
1183
DESTRUIR (shicheth) – Ml 3
1526
508
1067
DEUS TODO-PODEROSO
(‘El Shaddai) – Gn 35
69
BUSCAR (darash) – 2Cr 20
728
DIA (yom) – Gn 1
CABEÇA (rosh) – 1Cr 8
670
DIVIDIR (chalaq) – Js 18
376
CAMINHO (derek) – Jó 31
861
DOENÇA (nega’) – Lv 13
192
DONZELA (betulah) – Et 2
815
ELABORAR (chashav) – Êx 35
154
CAPAZ, SER (yakal) – Gn 44
CHEGAR AO FIM (kalah) – Lm 4
84
1288
8
CHORAR (bakah) – Gn 45
85
ENCONTRAR (matsa’) – Ec 7
1068
CIRCUNCIDAR (mul) – Gn 18
41
ENTREGAR (haphak) – Lm 5
1289
ENTENDIMENTO (tevunah) – Pv 2
1012
CLAMAR (za’aq) – Jz 6
404
COBRIR (kaphar) – Lv 16
199
CONHECIMENTO (da’ath) – Pv 9
1021
CONSAGRAR PARA A DESTRUIÇÃO
360
(charam) – Js 10
ESPERANÇA (qawah) – Sl 52
933
ESPLENDOR (hadar) – Sl 145
996
ESTAR HUMILHADO (kalam) – Ez 43 1362
ESTAR IMPURO (tame’) – Lv 18
201
xxxix
Lista de estudos de palavras hebraicas
ESTAR IRADO (ka’as) – 1Rs 16
589
ESTAR IRADO (qatsaph) – Zc 8
1512
ESTRANHO (zar) – Lv 10
188
EU SOU O QUE SOU
(‘ehyeh ‘asher ‘ehyeh) – Êx 3
102
EXPULSAR (garash) – Êx 23
141
FELIZ (‘ashrey) – Sl 1
881
FESTA (chag) – Êx 23
140
FILHOS DE BELIAL (beliyya’al) – 1Sm 10 463
FORÇA (chayil) – 1Cr 12
678
FORÇA (gevurah) – 2Rs 14
630
FORMAR (yatsar) – Is 43
1167
FUGIR (barach) – Jn 1
1453
GLÓRIA (kavod)¬ – Sl 24
904
GRANDE (gadol) – Zc 1
1506
GRANDE, SER (gadal) – Gn 19
43
GRITAR (heriy‘a) – Js 6
353
GUARDAR (shamar) – Dt 27
327
LOCUSTA (‘arbeh) – Jl 1
1422
LUTAR (lacham) – Jz 1
391
MAL (‘awen) – Sl 36
916
MAL (ra’ah) – Jn 4
1454
MANDAMENTO (mitswah) – Êx 24
142
MANDRÁGORAS (duda’iym) – Ct 7
1088
MÃO DIREITA (yamiyn) – Sl 89
969
MATAR (harag) – Et 9
824
MENTIR (kachash) – Os 4
MULHER (‘ishshah) – Gn 2
1406
12
MURCHAR (navel) – Is 28
1140
NAÇÃO (goy) – Ez 39
1357
NOME (shem) – 2Cr 6
707
OFERTA QUEIMADA (‘olah) – Lv 9
186
OFERECER (qarav) – Lv 1
173
OPRIMIR (‘ashaq) – Os 5
1409
ORGULHO (ga’on) – Zc 9
1513
HOMEM (‘adam) – Ez 12
1309
PÃO ÁZIMO
(matstsah) – Êx 12
119
INDIGNAÇÃO (za‘am) – Is 13
1119
PÁSCOA (pesach) – Êx 12
118
INFIDELIDADE (meshuvah) – Jr 14
1215
PASSAR (‘avar) – Jz 11
414
INSENSATO (‘ewiyl) – Pv 10
1024
PASTOR (ra’ah) – Ez 34
1347
INTERPRETAÇÃO (peshar) – Dn 2
1375
PAZ (shalom) – 2Sm 15
528
IRA (chemah) – Ez 20
1321
PACTO (berith) – Dt 4
294
IRA (‘evrah) – Sf 1
1489
PÉ (pa’am) – Jz 16
423
PECADO (chatta’th) – Lv 5
179
IRREPREENSÍVEL (tamiym) – Gn 6
JEJUM (tsom) – Ed 8
JUSTO (yashar) – Pv 21
19
775
1045
PRAGA (dever) – Jr 21
1226
LEI (torah) – Sl 119
993
PRÁTICA DETESTÁVEL
(to’evah) – Ez 16
1313
LEMBRAR (zakar) – Sl 77
956
PRECIOSO (yaqar) – 1Rs 7
567
LÍDER (nagiyd) – 1Cr 17
685
PRENDER (taphas) – Jr 50
1273
LINDA (yapheh) – Ct 4
1085
PREPARAR (COZINHAR) (ziyd) – Ne 9 798
Lista de estudos de palavras hebraicas xl
PRIMOGÊNITO (bekor) – Êx 13
120
SER TESTEMUNHA (‘ud) – Ne 13
PROLÍFERO, SER (parah) – Gn 47
81
SER/ESTAR DESTROÇADO
PROPRIEDADE (‘achuzzah) – Gn 17
40
(chathath) – Jr 48
PROVA (bachan) – Sl 66
943
QUEBRANTAMENTO (shever) – Jr 30 1241
REBELIÃO (pesha’) – Am 1
1431
806
1271
SERPENTE (nachash) – Gn 3
13
SONHO (chalam) – Gn 40
77
REDIMIR (padah) – Dt 21
321
SOPRO (hevel) – Ec 1
1060
REJEITAR (ma’as) – Jó 5
836
SORTE (goral) – Js 21
379
RESGATAR (ga’al) – Rt 4
441
SUAVE (chalaq) – Sl 12
891
TABERNÁCULO (mishkan) – Êx 26
145
TEMER (yare’) – Dt 10
305
RESIDIR (gur) – Jr 44
1265
ROCHA (sela’) – Ob 3
1447
ROLO (megillah) – Jr 36
1252
ROUBAR (gazal) – Mq 2
1462
TER COMPAIXÃO (nacham) – 1Sm 15 473
RUÍNA (shemamah) – Sf 2
1490
TER ÊXITO (tsalach) – Dn 8
SHABAT (shabbath) – Êx 31
148
SÁBIO (chakam) – Pv 14
1031
SACO (saq) – Jn 3
1455
TERRA (‘erets) – Gn 28
1389
58
TESOURO PESSOAL (segullah) – Êx 19 132
TESTAR (nissah) – Gn 22
47
SAGRADO (qodesh) – Lv 23
210
SALVAR (yasha’) – Sl 106
985
TOLO (kesiyl) – Pv 17
1038
SANGUE (dam) – Lv 17
200
TOLO (sakal) – Ec 10
1072
TREMER (ra’ash) – Ag 2
1498
TROPEÇAR (kashal) – Na 2
1474
SANTUÁRIO (miqdash) – Ez 5
SELÁ (selah) – Sl 46
1301
928
SEMENTE ( zera‘) – Gn 12
31
SENHOR (‘adon) – 1Sm 25
493
SENHOR (Yahweh) – Êx 3
103
SER ALTO (gavah) – Ez 28
1336
SER FIEL (‘aman) – Is 7
1107
SER FORTE (chazaq) – 2Cr 16
723
SER HUMILDE (shaphel) – Is 2
1101
SER MAU (ra’a’) – Pv 24
1051
SER PESADO (kaved) – Is 25
1136
UNGIDO (meshiyach) – 2Sm 1
504
VARA (shevet) – Sl 23
902
VER (navat) – Hc 1
VERDADE (‘emeth) – Sl 43
1481
924
VIOLÊNCIA (chamas) – Hc 2
1483
VOLTAR (shuv) – Jr 3
1194
Lista de estudos
de palavras gregas
ABANDONAR (enkataleipo) – Mc 15
1646
CONSUMAR (teleo) – Jo 19
1770
ABENÇOADO (makarios) – Mt 5
1549
CORAGEM (parresia) – At 4
1787
ABISMO (abussos) – Ap 9
2127
COROA (stephanos) – 1Ts 2
1989
ADOÇÃO (huiothesia) – Rm 8
1859
CORPO (soma) – 1Co 12
1899
ALEGRAR-SE (chairo) – Fp 4
1968
CREDITAR (logizomai) – Rm 4
1852
ALFA (alpha) – Ap 21
2142
CRER (pisteuo) – Jo 6
1739
AMAR (phileo) – Jo 21
1773
CRISTÃO (christianos) – At 11
1803
ANTES CONHECEU
(proginosko) – Rm 11
CRUCIFICAR (stauroo) – Mt 27
1596
1864
CUMPRIR (pleroo) – Mt 8
1558
APERFEIÇOAR (teleioo) – Hb 2
2036
DE NOVO (anothen) – Jo 3
1729
APÓSTOLO (apostolos) – Mc 3
1612
DESCANSO (katapausis) – Hb 4
2038
ARREBATADO (harpazo) – 1Ts 4
1990
DESCENDENTE (sperma) – Rm 9
1861
ARREPENDER-SE (metanoeo) – Lc 15
1696
DIGNO (axios) – Ap 16
2136
BESTA (therion) – Ap 11
2130
ENGANAR (planao) – Ap 18
2138
BISPO (episkopos) – Tt 1
2022
ESPÍRITO (pneuma) – Gl 5
1941
BLASFÊMIA (blasphemia) – Mt 12
1567
CABEÇA (kephale) – 1Co 11
1896
ESTAR ENDEMONINHADO
(daimonizomai) – Mc 5
1617
CARNE (sarx) – Rm 7
1857
EU SOU (ego eimi) – Jo 18
1764
CELESTIAL (epouranios) – Hb 12
2049
EVANGELHO (euangelion) – Fp 1
1964
CENTURIÃO (hekatontarches) – At 27
1836
ÊXTASE (ekstasis) – At 10
1800
CIRCUNCISÃO (peritome) – Gl 2
1935
FAZER (prasso) – Rm 2
1848
FAZER DEFESA (apologeomai) – At 24
1830
COISAS REPUGNANTES
(bdelugma) – Ap 17
2137
FAZER DISCÍPULOS (matheteuo) – Mt 28 1599
COMUNHÃO (koinonia) – 1Jo 1
2087
FAZER TROPEÇAR (skandalizo) – Mc 9 1629
CONFESSAR (homologeo) – 1Jo 4
2091
FÉ (pistis) – Hb 11
2048
CONFIRMAR (histemi) – 2Co 13
1928
FILHO (huios) – Gl 4
1938
CONHECER (epistamai) – At 18
1820
FIM (telos) – Rm 10
1863
CONHECIMENTO (gnosis) – 2Co 11
1923
GOVERNAR (poimaino) – Ap 19
2140
CONSOLADOR (parakletos) – Jo 15
1761
GRAÇA (charis) – Rm 5
1853
Lista de estudos de palavras gregas xlii
HERANÇA (kleronomia) – Cl 3
1980
PALAVRA (logos) – Jo 1
1723
HIPÓCRITA (hupokrites) – Mt 23
1590
PALAVRA (rema) – Ef 6
1957
HOSANA (hosanna) – Mt 21
1585
PARAÍSO (paradeisos) – Lc 23
1716
HOMENS SÁBIOS (magos) – Mt 2
1541
PECADO (hamartia) – Rm 14
1950
HUMILDADE (prautes) – Tg 3
2059
PECADOR (hamartolos) – Jo 9
1747
HUMILDE (tapeinos) – 2Co 10
1922
PERDOAR (aphiemi) – Mt 18
1580
ÍDOLO (eidolon) – 1Jo 5
2092
PODER (dunamis) – Rm 1
1846
IGREJA (ekklesia) – At 5
1789
PREDESTINAR (proorizo) – Ef 1
1947
IMAGEM (eikon) – 2Co 4
1915
PRIMÍCIAS (aparche) – 1Co 15
1903
IMORALIDADE SEXUAL
(porneia) –1Co 5
1886
PRIMOGÊNITO (prototokos) – Cl 1
1976
IMORTALIDADE (aphtharsia) – 2Tm 1
2014
PROPICIAÇÃO (hilasterion) – Rm 3
1851
INFERNO (geenna) – Lc 12
1689
RECOMPENSA (misthos) – 1Co 3
1882
INTENÇÃO (noema) – 2Co 2
1913
RECONCILIAR (katallasso) – 2Co 5
1917
IRA (orge) – Lc 21
1709
REDENÇÃO (apolutrosis) – Ef 4
1954
JULGAR (krino) – 1Co 6
1887
REPREENDER (epitimao) – 2Tm 4
2018
JUSTIFICAR (dikaioo) – Rm 6
1856
RESSURREIÇÃO (anastasis) – Jo 11
1751
REVELAÇÃO (apokalupsis) – 2Co 12
1926
SABEDORIA (sophia) – 1Co 2
1881
SACERDÓCIO (hierateuma) – 1Pe 2
2068
SACRIFÍCIO (thusia) – Hb 13
2050
SALVADOR (soter) – 1Tm 4
2008
SALVAR (sozo) – Mc 13
1639
SANTIFICAR (hagiazo) – Hb 10
2044
SANTO (hagios) – Ap 4
2120
LANÇAR NO INFERNO (tartaroo) – 2Pe 2 2080
LEI (nomos) – Gl 3
1936
LEVANTAR (hupsoo) – 1Pe 5
2072
LÍNGUA (glossa) – 1Co 14
1901
LUZ (phos) – Jo 8
1744
MANIFESTAÇÃO (epiphaneia) – 1Tm 6 2009
MENTE (nous) – Rm 12
1867
MISERICÓRDIA (eleos) – Mt 9
1560
MUNDO (kosmos) – Jo 16
1762
SEISCENTOS E SESSENTA E SEIS
(hexakosioi hexekonta hex) – Ap 13
2132
NOME (onoma) – At 3
1785
SELO (sphragis) – Ap 6
2122
OBRA (ergon) – Ef 2
1950
SEM PAI (apator) – Hb 7
2040
ODIAR (miseo) – Lc 14
1695
SENHOR (kurios) – Lc 19
1704
ORGULHOSO (huperephanos) – Tg 4
2060
SER NECESSÁRIO (dei) – Lc 9
1681
PACTO (diatheke) – Hb 9
2042
SER VENCEDOR (nikao) – Ap 2
2116
PACIÊNCIA (makrothumia) – 1Pe 3
2071
SERVO (doulos) – Mc 10
1632
xliii
Lista de estudos de palavras gregas
SERVO (diakonos) – 1Tm 3
2007
TRANSFIGURAR (metamorphoo) – Mt 17 1578
SOBERANO (arche) – Ap 3
2119
TRIBO (phule) – Ap 7
2123
SOBERANO (despotes) – Jd 4
2107
SUMO SACERDOTE
(archiereus) – Hb 5
TRISTEZA (lupe) – 2Co 7
1919
2039
ÚNICO (monogenes) – Jo 3
1730
TER COMPAIXÃO DE
(splanchnizomai) – Mt 15
VINDA (parousia) – 2Ts 2
1998
1575
TER MEDO (phobeo) – Mt 10
1563
VIRGEM (parthenos) – Lc 1
1655
TESTA (metopon) – Ap 22
2143
VIVER (katoikeo) – Ap 8
2126
TODO-PODEROSO (pantokrator) – Ap 1 2113
VONTADE (boule) – At 20
1824
TRAIR (paradidomi) – Mt 26
VOZ (phone) – Ap 10
2129
1593
Abreviações mais comumente usadas
1Mac
1Macabeus
a.C.
antes de Cristo
a.m.
da meia-noite até o meio-dia
Ac.Acádio
Ant.Antiguidades - história do povo
judeu por Josefo
Aram.Aramaico
ATAntigo Testamento
BTXBíblia Textual
c. de
cerca de
cp.Comparar, conferir
d.C.
depois de Cristo
esp.
especialmente
etc.
et cetera, e assim por diante
Gr.Grego
Heb.Hebraico
Lat.Latim
Lit.Literalmente
LXXSeptuaginta - antiga versão grega
do Antigo Testamento
mss.
Manuscritos
NTNovo Testamento
PshPeshitta
p. ex.
por exemplo
p.Página, páginas
p.m.Do meio-dia até a meia-noite
pl.
plural
RMMRolos do mar Morto
séc.
século
Sir.Siríaco(a)
tb.c.c.Também conhecido(a) como
TMTexto Massorético
v.Versículo(s)
Vg.Vulgata - antiga versão latina da
Bíblia
Plano de Salvação
O que você acha que é necessário para uma pessoa ir para o céu? Os americanos costumam usar
um acróstico feito a partir da palavra FAITH, isto é, FÉ, para descrever a resposta que a Bíblia dá
a essa pergunta. Cada letra da palavra inglesa forma uma mensagem que explica o que é preciso
para ir para o céu. É necessário ter FÉ (FAITH). Assim:
F É DE FORGIVENESS (PERDÃO)
Não podemos ter a vida eterna e o céu sem o perdão de Deus.
—Leia Efésios 1:7a
A DE ACESSÍVEL
O perdão está acessível. Ele é —
• Acessível a todos
• Mas não é automático
—Leia João 3:16
—Leia Mateus 7:21a
I DE IMPOSSÍVEL
É impossível que Deus permita a entrada do pecado no céu.
•
•
Em razão de quem Ele é: Deus é amoroso e justo
Seu julgamento é contra o pecado
—Leia Tiago 2:13a
Em razão de quem nós somos:
Todos são pecadores
—Leia Romanos 3:23
Mas como pode um pecador entrar no céu, se Deus não admite pecado?
T DE TURN (VOLTAR-SE)
Voltar-se significa arrepender-se.
• Voltar-se de algo — do pecado e do eu — Leia Lucas 13:3b
• Voltar-se para Alguém; confiar somente em Cristo
— Leia Romanos 10:9
H DE HEAVEN (CÉU)
Céu é vida eterna.
• Aqui
• No futuro
—Leia João 10:10b
—Leia João 14:3
Como alguém pode ter o perdão de Deus, o céu, a vida eterna e Jesus como seu Salvador pessoal
e Senhor? Confiando em Cristo e pedindo perdão a Ele. Dê o passo de fé descrito no outro sentido
de FAITH: Forsaking All, I Trust Him, isto é, “Deixando tudo, eu confio nele”.
ORAÇÃO:
Senhor Jesus, sei que sou pecador e, de muitas maneiras, tenho desagradado a Ti. Creio
que Tu morreste por meus pecados e somente pela fé em Tua morte e ressurreição é que eu
posso ser perdoado.
Quero voltar as costas para o pecado e pedir que Tu entres em minha vida como meu Salvador e Senhor. A partir de hoje, eu Te seguirei com uma vida que Te agrade. Eu Te agradeço,
Senhor Jesus, por me salvar. Amém.
Depois de ter recebido Jesus Cristo em sua vida, conte a um amigo cristão a respeito dessa decisão
importante que você tomou. Siga a Cristo sendo batizado e filiando-se a uma igreja. Cresça na fé
e faça novos amigos em Cristo, participando de Sua igreja. Nela, você encontrará outros que o
amarão e lhe darão apoio.
Como ler e estudar a Bíblia
A
George H. Guthrie
Bíblia é singular entre os livros do mundo. Sua “data de publicação” tem centenas de
anos, entretanto, ela ainda encabeça as listas dos “mais vendidos”, confrontando o homem
moderno com mensagens tão novas quanto as manchetes dos noticiários do dia. Às vezes,
a Bíblia é tão cristalina que uma criança pode entendê-la, todavia suas dificuldades podem humilhar
os estudiosos mais eruditos. Com uma variedade de temas e gêneros literários, ela comunica uma
história unificada, uma mensagem que culmina na pessoa e obra de Jesus Cristo. Ela foi entregue
por meio de escritores humanos, contudo, é realmente a Palavra de Deus. A Bíblia pode parecer tão
familiar quanto uma caminhada na vizinhança, ou tão estranha quanto um país distante.
Este artigo tem por objetivo ajudá-lo(a) a ouvir a voz de Deus pela interação diária com a Bíblia.
Ouvir Deus nas páginas da Bíblia exige tempo e esforço; a audição espiritual é uma habilidade que
continuamos a desenvolver por toda a nossa vida. Ouvir bem uma pessoa pode ser desafiador quando
ultrapassamos linhas culturais, e, de fato, ler a Bíblia é, em grande medida, uma conversa transcultural,
pois Deus nos deu Sua Palavra em lugares, tempos e circunstâncias muito distantes dos nossos.
Por que gastar tempo com a Bíblia?
Talvez seu passado seja marcado por inícios e paradas na leitura da Bíblia, e você fica imaginando
se tem a disciplina para ocupar-se consistentemente com a Bíblia. Bem, junte-se ao grupo. Muitos
de nós têm lutado com a questão da disciplina na leitura e estudo da Bíblia. Portanto, vale a pena
tentar novamente, ou pela primeira vez, ler e estudar a Bíblia de maneira consistente. A maior parte
dos cristãos sabe por intuição que vale a pena.
Esta é a Palavra de Deus. O Deus que chamou o mundo à existência falou Sua verdade acerca
da vida por meio da Bíblia, para que soubéssemos o que Ele pretende para este mundo e como
podemos viver para Seu renome. Ele nos chama para sermos “o povo da Palavra”, pessoas que,
na maneira de abordar a vida, são contraculturais. Desse modo, a Bíblia serve de fundamento para
entendermos quem somos e o que devemos fazer neste mundo.
Nas páginas seguintes, ofereço várias sugestões que você pode começar a aplicar diariamente em
um tempo menor do que assistir a um seriado na TV.
Comece com o coração
Na parábola do semeador (Mc 4:3-20), Jesus usou uma descrição verbal para descrever os níveis
diferentes de receptividade que as pessoas têm para com a Palavra de Deus. Ele contou de um agricultor
espalhando sementes junto aos limites de um campo. Algumas sementes caem no caminho pisado ao
lado do campo; outras, em solo rochoso com pouca terra; várias delas caem entre os espinhos; mas
outras, em solo fértil que oferece um bom ambiente para crescimento. Os vários lugares em que elas
caem fornecem imagens do coração humano ao ser confrontado com a Palavra de Deus.
Algumas pessoas têm o coração duro como uma trilha bem pisada. A Palavra de Deus não penetra
nesses corações. Outras têm corações rasos que parecem abertos à Palavra de Deus. A Palavra
vem e, de início, eles respondem positivamente, mas no momento em que as coisas ficam difíceis,
as pressões da vida sobrepujam os princípios da Palavra de Deus e a vida espiritual definha. Um
terceiro tipo de pessoa se envolve com a Palavra de Deus em um nível mais profundo, porém as
preocupações e os desejos de coisas mundanas espremem a Palavra, sufocando-a na vida da pessoa.
Finalmente, há aqueles que recebem a Palavra com um coração semelhante a um campo bem arado.
Esse é o quadro de uma pessoa inteiramente receptiva à Palavra de Deus, e os mandamentos divinos
trazem um crescimento exponencial à sua vida espiritual.
Que padrão de resposta descreve a condição do seu coração hoje? Talvez você ainda não tenha
se comprometido em seguir a Cristo como Senhor de sua vida. Eu o encorajo a conversar com um
cristão ou com um ministro de sua confiança e perguntar a eles sobre seguir a Cristo como Senhor.
Como ler e estudar a Bíbliaxlviii
Primeira aos Coríntios 2:14 nos diz que alguém que não é seguidor de Cristo não pode lidar com
a verdade espiritual de maneira a transformar-lhe a vida, de modo que esse deve ser o ponto de
partida para você. Volte-se para Cristo, pedindo-Lhe que faça a Sua boa-nova viver em você.
Ou talvez você já tenha decidido seguir a Cristo, mas, no momento, o seu coração não é tão
receptivo à Palavra de Deus. Você pode ter contraído a praga de um coração dominado por
preocupações e coisas materiais. O pecado e o ensimesmamento podem desviar-lhe o coração do
seu estudo bíblico. Retorne ao caminho de um relacionamento saudável com Deus, clamando a
Ele agora mesmo; peça-Lhe que o perdoe pela dureza do seu coração, expressando o seu desejo de
ouvir e viver a Sua Palavra.
Motivações
Uma vez que o nosso coração é receptivo à Palavra, podemos ouvir as motivações que nos são
oferecidas na Escritura. Entre outros motivos, lemos a Bíblia para:
• experimentarmos alegria constante (Sl 119:111).
• sondarmos nossos pensamentos e motivações (Hb 4:12).
• nos guardarmos do pecado e do erro (Ef 6:11-17; 1Pe 2:1-2).
• conhecermos a Deus num relacionamento pessoal (1Co 1:21; Gl 4:8-9; 1Tm 4:16).
• conhecermos a verdade e pensarmos claramente acerca daquilo que Deus diz que é precioso
(2Pe 1:21).
• sermos edificados como comunidade com outros cristãos (At 20:32; Ef 4:14-16).
• rejeitarmos conformidade a este mundo conforme renovamos nossa mente (Rm 12:1-2; 1Pe 2:1-2).
• experimentarmos liberdade, graça, paz e esperança divinas (Jo 8:32; Rm 15:4; 2Pe 1:2).
• vivermos bem para Deus, expressando nosso amor por Ele (Jo 14:23-24; Rm 12:2; 1Ts 4:1-8).
• ministrarmos aos discípulos de Cristo e àqueles que ainda têm de responder ao evangelho,
experimentando a aprovação de Deus pelo trabalho bem feito (Js 1:8; 2Tm 2:15; 3:16-17).
12 sugestões práticas para ler apropriadamente
Queremos abordar nossa leitura da Bíblia de um modo que nos leve a um padrão de vida
gratificante, fiel e frutífero. Abaixo estão doze sugestões para tornar nossa leitura da Bíblia mais
efetiva e satisfatória.
Leia a Bíblia em oração: Ler a Bíblia regularmente é um exercício espiritual, e você precisa de
força e discernimento espirituais para fazê-lo bem. Ao começar sua leitura da Bíblia, peça a Deus
um coração receptivo e disciplinado, peça que Ele fale a você através da Palavra, e use as passagens
que lê como fonte de pensamentos e palavras que você pode usar ao orar a Deus.
Leia com expectativa e alegria: Enquanto você ora durante sua leitura bíblica, vá lendo com
a expectativa de ouvir a voz de Deus, com alegria e gratidão por aquilo que você encontra nas
Escrituras. Deixe que a “música” da Palavra lhe dê alegria em sua caminhada com Deus.
Medite naquilo que lê: Meditar significa “ruminar” mentalmente aquilo que estamos lendo,
pensar sobre o significado da passagem e suas implicações para a fé e a prática. Assim como a
comida mastigada e engolida rapidamente dá indigestão, assim também não poderemos digerir
nossas leituras bíblicas a menos que desaceleremos e consideremos a “carne” ali encontrada.
Leia para ser transformado: O objetivo da Bíblia não é apenas nos informar – seu objetivo é nos
transformar de acordo com a verdade de Deus (Rm 12:1-2). Portanto, leia com expectativa de ouvir
a voz de Deus. Enquanto lê, imagine formas de aplicar a verdade de Deus à sua vida.
Leia com perseverança: Comprometa-se a ser firme pelas próximas 10 a 12 semanas, que é o tempo
necessário para formar um hábito de longa duração. Ao ser fiel em sua leitura bíblica e começar a
ver a Bíblia fazendo diferença em sua vida, você começará a ter fome de seu tempo com a Palavra.
Seja realista ao fixar os seus alvos e tenha um bom plano: Se você separa 20 a 30 minutos por
dia, poderá ler a Bíblia toda em um ano. Com 10 a 15 minutos por dia, você lerá a Bíblia toda em
dois anos. O segredo não está na quantidade, mas na consistência e num plano bem definido.
Separe um tempo consistente para ler e estudar a Bíblia: Nesse tempo e local você precisa estar
livre de distrações e ser constante; se falhar, que não passe de poucas vezes no mês. Quando perder
um dia, simplesmente retome no dia seguinte.
Leia com algumas boas ferramentas à mão: Juntamente com esta Bíblia de estudo, tenha um bom
dicionário bíblico à mão. Normalmente essas ajudas fornecem esboços e resumos da mensagem
xlix
Como ler e estudar a Bíblia
de cada livro da Bíblia, além de acessos diretos a informações teológicas, históricas e culturais
importantes.
Leia com uma caneta na mão: Sublinhe as passagens principais e faça notas nas margens à
medida que você vai lendo. Como diz o ditado: a tinta mais tênue é mais forte que a memória mais
poderosa. Se preferir um teclado em vez de uma caneta, armazene suas notas no seu computador.
Leia à luz do contexto imediato: Precisamos não apenas do “grande quadro” da história bíblica
abrangente, mas também necessitamos do “pequeno quadro” do contexto imediato. Portanto, leia
com consciência de onde você está no desenvolvimento de um determinado livro.
Faça sua leitura e estudo bíblico como parte de uma comunidade: É útil ter familiares ou amigos que
também estejam lendo a Bíblia, pois eles podem encorajá-lo e discutir a Bíblia com você. Faça parte de
uma comunidade de cristãos, uma igreja, para que tenha um local para celebrar aquilo que está aprendendo,
apresentar questões que surgem em seu estudo e usar seus dons espirituais ministrando a outros.
Leia à luz da história bíblica abrangente: A leitura da Bíblia é muito mais significativa se você
a ler à luz de sua história abrangente. À medida que lê, observe grandes temas entrelaçados como
a maneira na qual a criação em Gênesis 1–2 se relaciona com temas da criação em Salmo 8, Isaías
65:17-25, João 1, Romanos 8:19-22, e Apocalipse 21. Leia as introduções dos livros em sua Bíblia
de estudo, observando onde cada livro se encaixa no desenvolvimento geral da história de Deus.
Essa história pode ser esboçada em três grandes atos.
ATO 1: O PLANO DE DEUS PARA TODOS OS POVOS.
(Gênesis 1–11)
Criação: O Deus de toda a vida.
Queda: Rejeitando a visão de Deus para a vida.
Dilúvio: Deus julga e faz uma aliança para preservar a vida.
ATO 2: O POVO DE DEUS DO PACTO.
(Gênesis 12–Malaquias 4:6) (2081–420? a.C.).
O povo: Deus chama um povo para formar um pacto (2081 a.C.).
Libertação: Deus resgata o Seu povo (1446 a.C.).
O pacto do Sinai e a Lei: Deus recebe e instrui o Seu povo (1446 a.C.).
A terra: O lugar de Deus para o Seu povo (1406 a.C.).
Reis e profetas: Deus forma o povo do reino (1050 a.C.).
Reis e profetas: Deus divide o povo do reino (931 a.C.).
Reis e profetas: O reino do sul como povo de Deus (931–586 a.C.).
Exílio: Deus disciplina o Seu povo (586–538 a.C.).
Retorno: Deus liberta o Seu povo mais uma vez (538 a.C.).
ATO 3: O POVO DE DEUS DO NOVO PACTO.
(Mateus–Apocalipse) (5 a.C.–?).
A vinda de Cristo: O verdadeiro Rei de Deus chega (5 a.C.–33 d.C.).
O ministério de Cristo: O verdadeiro Rei de Deus manifesta o Seu reino (29–33 d. C.).
A libertação de Cristo para o Seu povo: A obra de Deus por meio da morte,
ressurreição e entronização do Seu Rei (33 d.C.).
A igreja de Cristo: O povo de Deus avança o reino (33 d.C.–?).
A segunda vinda de Cristo e Seu reino: O futuro de Deus para o reino.
C o m o l e r e e s t u d a r a B í b l i a l
Aprofundando: Os fundamentos do estudo bíblico eficaz
Pense um pouco em uma viagem que você fez. Você deixou sua casa, viajou para o seu destino e
teve várias experiências memoráveis. Talvez tenha conhecido uma cultura diferente da sua e descobriu
que quanto maior a diferença cultural entre a casa e o destino, maior o esforço necessário para se
comunicar e aprender em seu novo ambiente. Contudo, você perseverou, conheceu novas pessoas e
novos lugares e tudo isso acrescentou algo à sua vida.
A Bíblia é a Palavra de Deus para nós; não estamos simplesmente “lendo a correspondência de
outra pessoa”. Contudo, o estudo bíblico pode ser semelhante a fazer uma viagem para outra cultura.
Às vezes, a linguagem parece estranha. Você pode ter dificuldade para compreender a história ou
a literatura. Você vê coisas novas que são belas ou mesmo estranhas. Você então reúne aquilo que
adquiriu com seu tempo de estudo e, certamente, crescerá com a experiência.
Uma vez que a leitura da Bíblia é uma experiência transcultural, precisamos de um veículo que nos leve
ao local em que podemos ouvir aquilo que Deus está nos dizendo por meio dessas experiências, e eu sugiro
que o veículo adequado é um processo eficaz de audição do texto da Escritura. Por meio de um processo
eficaz de leitura da Bíblia, nós contemplamos “as paisagens” que Deus quer nos mostrar. Aprendemos a
navegar pelo território desconhecido da história e da literatura bíblica, lemos os “sinais de trânsito” que
indicam os principais pontos aos quais devemos dar atenção, e entendemos a linguagem da Bíblia.
Depois de vivermos um pouco no mundo do texto bíblico e nos familiarizarmos com o que ali
acontece, perseverando em meio aos desafios e ouvindo aquilo que Deus quer nos falar, viajamos então
“de volta para casa”, ao nosso contexto de vida, levando conosco corações e mentes mudados. O veículo
que pode nos levar para casa é discernir os princípios e o significado daquilo que encontramos na Bíblia
e, em seguida, encontrar formas específicas para aplicar a verdade de Deus à nossa vida.
Usando essa imagem verbal, consideremos cinco etapas principais para se fazer um estudo mais
completo de uma passagem bíblica.
CINCO ETAPAS DO ESTUDO BÍBLICO COMPLETO
1
2
3
4
5
FAÇA AS MALAS
LEIA OS MAPAS
LEIA OS SINAIS DE
TRÂNSITO
APRENDA A FALAR
COMO UM NATIVO
VOLTE PARA CASA
Escolha a
passagem.
Estude o amplo
contexto histórico
do livro.
Leia a passagem
em diversas
versões.
Selecione as
principais palavras
para estudo.
Identifique os
principais pontos
e princípios da
passagem.
Junte suas
ferramentas.
Estude o gênero
literário.
Procure as
principais
dinâmicas na
passagem.
Consulte as
ferramentas de
estudo de palavras.
Identifique como
eles se dirigem aos
contextos original
e atual.
Ore.
Estude o contexto
literário imediato
da passagem.
Faça um esboço
provisório da
passagem.
Consulte uma
concordância.
Faça uma aplicação
específica para a
sua vida.
Etapa 1: Faça as malas
Um dos aspectos mais importantes de uma viagem é aquilo que acontece antes da viagem. A preparação e
a embalagem podem fazer toda a diferença.
Escolha uma passagem: Da mesma forma que, ao viajar, você precisa começar com o destino em mente,
ao estudar a Bíblia, você deve primeiro decidir que passagem específica vai focalizar. Certifique-se de que a
passagem escolhida poderá ser estudada no tempo estipulado. Por exemplo, se você está fazendo um estudo
detalhado de uma passagem de uma das cartas de Paulo, quatro ou sete versículos (p. ex., 2Co 2:14-17) são o
suficiente para se lidar em uma sessão. Se você tem uma passagem mais comprida que deseja estudar (p. ex.,
li
Como ler e estudar a Bíblia
Romanos 8 por inteiro), divida-a em segmentos menores e estude todo o capítulo em um período
mais longo. Tentar estudar uma seção muito grande de uma só vez o deixará frustrado. Todavia, se
você estiver estudando uma seção de narrativa bíblica, sua passagem pode ser mais longa, visto que
as narrativas não dependem de uma argumentação detalhada.
Ao tentar estudar a Bíblia nas próximas semanas, você obterá uma noção do quanto poderá cobrir
em uma semana. Com o passar do tempo, você ficará mais familiarizado com suas ferramentas e
seus processos, o que lhe permitirá um estudo mais eficiente. Mas lembre-se, assim como você
não desejaria passar apressadamente por locais históricos importantes apenas para chegar ao fim
da viagem, o essencial no estudo bíblico não é a velocidade, mas sim uma abordagem que o leve a
aprofundar-se na Palavra de Deus e o transforme no processo.
Junte suas ferramentas: Além desta Bíblia de estudo, que inclui diversas funcionalidades para
aprofundá-lo na Palavra, é útil ter à mão vários tipos de traduções. Algumas traduções são mais “formais”,
seguindo os padrões da palavras originais o mais próximo possível, mesmo que os resultados não sejam
prontamente compreensíveis para os leitores modernos. Outras são mais “funcionais”, tentando comunicar
o significado do autor, embora isso signifique afastar-se do padrão exato das palavras na passagem. Outras
traduções procuram atingir um equilíbrio entre essas duas abordagens, que é o método adotado na BKJ.
Um dicionário bíblico de peso tem muito a oferecer, inclusive um esboço e uma introdução de cada
livro da Bíblia, além de verbetes sobre pessoas, lugares, cultura, assuntos teológicos e eventos importantes
mencionados na Bíblia. Também é útil ter dicionários que focalizam especificamente as línguas originais
do Antigo e do Novo Testamento. Eles mostram a você a variação de possíveis significados que uma
determinada palavra pode ter. Há muitos programas de softwares de estudo da Bíblia disponíveis. Alguns
podem ser obtidos gratuitamente na internet. Embora a internet possa ser um recurso surpreendente para o
estudo da Bíblia, nem todos os sites são criados iguais. Portanto, procure ao máximo avaliar a qualidade do
site. Você pode pedir que um ministro ou um cristão maduro o ajude a discernir a confiabilidade de um site.
Além disso, embora os sites gratuitos da internet possam ser úteis, com frequência, eles usam ferramentas
desatualizadas que estão no domínio público. Essas ferramentas ainda têm valor mas precisam ser usadas
em conjunto com ferramentas baseadas em estudos recentes por estudiosos evangélicos.
Os melhores comentários bíblicos fornecem um grande tesouro de informação, inclusive uma introdução e um esboço do livro, uma reflexão teológica, estudos profundos de palavras, percepções
interpretativas cuidadosas e aplicações. Peça a um cristão de confiança ou a um ministro para ajudá-lo
a avaliar a utilidade, confiabilidade e acessibilidade dos comentários que estão disponíveis.
Ore: Depois de escolher uma passagem e juntar as ferramentas, comece o seu tempo de estudo
com oração. Você pode começar orando mais ou menos assim:
Senhor, obrigado por Tua Palavra. Dá-me disciplina para estudar cuidadosamente esta
passagem. Por favor, dá-me também discernimento para entender os detalhes. Senhor, guiame pelo Teu Espírito e conduz-me à Tua verdade. Eu me comprometo a aplicar aquilo que
aqui encontrar e oro para que o Senhor me transforme pela Tua Palavra, alinhando minha
vida à Tua vontade e ao Teu modo de pensar. Obrigado por esse momento.
Etapa 2: Leia os mapas
Os mapas são vitais para a navegação – você precisa saber onde está para entender como chegar
aonde pretende ir. No estudo bíblico, o conhecimento dos contextos histórico e literário provê
orientação. Como os mapas, eles nos dão um cenário mais claro em termos de eventos históricos
ou dinâmicas culturais da época e o contexto literário pode nos ajudar a compreender como essas
palavras atuam, dada a posição na qual o autor as colocou no livro.
O amplo contexto histórico do livro: Ao estudar o contexto histórico de um livro, você deseja compreender
os seguintes fatos:
• Quem foi o autor do livro?
• Quem eram os destinatários originais?
• Onde estavam situados o autor e os destinatários?
Como ler e estudar a Bíblialii
•
•
Quando o livro foi escrito?
Qual é o propósito do livro?
Você pode encontrar esse tipo de informação nas introduções dos livros nesta Bíblia de estudo. Você
também pode encontrá-la em dicionários bíblicos, comentários e manuais bíblicos. Por exemplo, o Holman
Bible Handbook fornece informação contextual geral sobre a cidade de Filipos e a igreja ali, inclusive o
seguinte:
“A carta aos Filipenses foi escrita enquanto o apóstolo Paulo estava preso, provavelmente, em
Roma, por volta de 62 d.C., embora não possamos ter certeza. Outras possíveis localizações para a
escrita da carta podem ser Éfeso ou Cesareia (alguma ocasião entre 54 e 62 d.C.)”.
O gênero literário: Outro aspecto do contexto de uma passagem tem a ver com “gênero”, ou o tipo de
literatura com que estamos lidando. O tipo de literatura de uma dada passagem determinará como nos
aproximamos do texto e que tipo de perguntas devemos fazer a ele. Se eu tomo nas mãos um romance,
entendo que o seu propósito não é, primariamente, comunicar fatos históricos. Contudo, se eu leio um livro
que detalha a história da América, o propósito é comunicar e interpretar fatos históricos
Partes diferentes da Bíblia refletem gêneros literários diferentes, por essa razão, pretendem realizar
propósitos diferentes e devem ser interpretados por meio de regras diferentes. Nosso objetivo com cada um
é entender o que Deus pretende comunicar por intermédio do autor humano, entretanto, para fazermos isso,
precisamos entender como o autor pretendeu que seu escrito se comunicasse com sua audiência original.
Isso nos leva a perguntas vitais que devemos fazer ao texto. Para a literatura narrativa, por exemplo,
desejaremos perguntar: “Qual é o significado dessa parte da história? Como ela se encaixa na grande história
de Deus nas Escrituras? Os autores bíblicos tinham muito material para escolher e decidiram incluir as
histórias que escolheram por uma razão.
Por outro lado, os Salmos e as outras literaturas poéticas geralmente comunicam emoções expressas na
adoração. Entre elas estão a celebração, a ação de graças, a tristeza, a reflexão ou a ira. Portanto, uma chave
interpretativa importante ao estudar um salmo é perguntar: “Qual é a emoção expressada? e “Como essa
emoção está sendo expressa? Os Salmos muitas vezes usam linguagem figurada, por exemplo.
Finalmente, os provérbios têm o propósito de comunicar orientações gerais para a vida. Considere
a seguinte passagem de Provérbios 4:10-12:
“Ouve, ó meu filho, e recebe meus dizeres; e os anos da tua vida serão muitos. No caminho
da sabedoria te ensinei, te guiei pelas veredas certas. Quando tu fores, teus passos não se
embaraçarão, e quando correres, não tropeçarás”.
Alguns, erroneamente, tomam essa passagem como uma promessa de que um filho obediente tem
garantida uma vida longa, livre de obstáculos. Há muitas promessas maravilhosas na Escritura com a
intenção de fornecer conforto e esperança para o povo de Deus, mas nem o autor humano nem o Autor
divino pretenderam que os provérbios fossem promessas. Esse provérbio está dizendo, com efeito,
que a melhor maneira de um filho viver é buscar a sabedoria; esse é o caminho para o sucesso na vida,
e, em geral, conduzirá a uma vida longa e efetiva.
O contexto imediato da passagem: Pelo contexto literário imediato, temos em mente como a
passagem se encaixa no desenvolvimento total do livro. As palavras precisam de um contexto para
ter um significado específico. Pense na palavra portuguesa “mão”. Ela tem mais de uma dúzia de
significados possíveis. Ela pode ser usada para a sua mão física, “dar-lhe uma mão” (significando
“aplaudir” ou “ajudar”), a mão [o ponteiro] de um relógio, etc. Por conseguinte, você normalmente
não tem dificuldade para entender o significado da palavra em contextos específicos. Alguém poderia
dizer: “Cortei a mão com uma faca”, e você sabe que a pessoa não está falando da “mão” [ponteiro]
de um relógio de parede.
Da mesma forma, as palavras da Bíblia, muitas vezes, podem ser entendidas como significando coisas
diferentes, no entanto, o autor usou suas palavras para comunicar em contextos específicos. De maneira
que, ler uma passagem bíblica em seu contexto correto é fundamental para se compreender aquilo que
uma determinada palavra significa. Um modo de identificar o contexto é localizar os temas em uma
liii
Como ler e estudar a Bíblia
seção da Escritura. Escreva nas margens os principais tópicos abrangidos, e reflita constantemente
sobre eles, à medida que avança pela passagem.
Quando consideramos o contexto imediato em uma passagem narrativa, procuramos alguns aspectos
da situação indicada pela própria passagem. O que queremos dizer por situação histórica imediata? Ao
estudar a história de Elias e os profetas de Baal em 1Reis 18:1-46, por exemplo, a situação histórica
imediata tem a ver com Acabe como rei de Israel, uma ocasião de estiagem punitiva, o profeta Elias
e a localização do monte Carmelo. Por outro lado, a situação histórica do livro como um todo tem a
vem com a ocasião e o motivo pelo qual 1 Reis foi escrito e o fato do livro abranger desde o reinado
de Salomão até a morte do ímpio rei Acabe.
Etapa 3: Leia os sinais de trânsito atentamente
Ao viajar, é fundamental ler corretamente os sinais de trânsito. Ao estudarmos a Bíblia, há muitas
dicas oferecidas em uma determinada passagem para se descobrir a intenção do autor. Portanto, um
aspecto importante do estudo bíblico é ir devagar e ler a passagem com atenção.
Ao dirigir por uma estrada a 100 quilômetros por hora, quantos detalhes à beira da estrada você
consegue ver? Não muitos. Você pode até ver objetos interessantes à beira da estrada, mas eles
embaçam e logo desaparecem à medida que você passa rapidamente.
Muitos de nós somos leitores “apressados” da Escritura, nunca diminuindo a marcha para explorar e
desfrutar os detalhes da Palavra de Deus; consequentemente, há muita coisa que perdemos no processo.
Procure ir mais devagar e ler com cuidado. Leia uma passagem várias vezes até sentir que ainda precisa
captar todos os elementos. Um modo de garantir que sua leitura seja suficientemente pausada para
captar os detalhes é sublinhar palavras e expressões importantes, ou escrever notas na margem.
Leia a passagem em diversas versões: Comparar traduções modernas da Bíblia em português pode ser
um modo útil de iluminar questões interpretativas cruciais em uma passagem. Por que razão? Porque,
por natureza, a tradução requer interpretação. Em quase todo versículo da Escritura, os tradutores têm de
escolher, conforme o contexto e as construções gramaticais, entre os diversos significados possíveis das
palavras. Portanto, as diferenças refletidas nas várias versões representam diferentes interpretações da
passagem.
Procure as principais dinâmicas na passagem: Leia agora novamente sua passagem escolhida em
sua versão principal. Procure as características listadas abaixo e faça um círculo, sublinhe ou realce
essas características, talvez usando canetas coloridas diferentes. Esse exercício lhe dará um quadro
muito mais claro da passagem. Entre as características comuns estão:
• Assunto – quem ou qual é o foco da passagem?
• Verbo – é uma afirmação, uma exortação, uma pergunta, uma resposta, uma ação, uma
explicação ou uma ilustração?
• Conjunções – e, mas, ou, portanto, pois, tanto... como, nem... nem, isto... ou, não apenas... mas também, etc.
• Tempo – depois, antes, quando, enquanto, desde, até, etc.
• Causa – porque, visto que, a fim de que, para que, etc.
• Condição – se, no caso de, mesmo que, a menos que, etc.
• Concessão – embora, mesmo, considerando que, etc.
• Modo – como a ação é realizada?
• Agente – quem pratica a ação?
• Resultado – o que se efetuou?
• Propósito – por que a ação foi efetuada?
Ao ler material narrativo, identifique o seguinte:
• Introdução e conclusão — o autor geralmente dá a dica do impacto pretendido de uma narrativa
em sua introdução e conclusão.
• Cenário – detalhes de lugar, tempo (era histórica e duração do evento) e situação social (quem
está envolvido?).
• Informação sobre o personagem – identifique o protagonista e o antagonista, observe as emoções
e a ações dominantes e dê atenção cuidadosa ao diálogo e à descrição dos personagens.
• Dinâmica da narrativa – identifique o conflito, sua escalada e sua solução eventual.
• Formas de ensino e figuras de linguagem – veja se há alusões ou citações do Antigo Testamento, além
Como ler e estudar a Bíblialiv
de figuras de linguagem como hipérbole, símile, metáfora, enigma, trocadilho, parábola, lição de
objeto, ilustração, ação parabólica, paradoxo, ironia, fórmula com amém e profecia.
Não fique sobrecarregado ao procurar essas dinâmicas. Ache algumas de cada vez, lendo a
passagem com essa dinâmicas em mente. Em seguida, leia novamente, procurando mais algumas das
dinâmicas listadas acima. “Filtrar” a passagem dessa maneira lhe proporcionará uma compreensão
mais profunda da passagem. Se ao ler o texto você encontrar duas ou três características que antes não
tinha percebido, você está progredindo!
Faça um esboço provisório da passagem: O esboço é provisório porque você ainda tem um estudo
substancial por fazer da passagem. Contudo, é útil fazer uma tentativa de esboço nesse momento para
começar a avaliar a estrutura geral da passagem
Etapa 4: Aprenda a falar como um nativo
Um dos aspectos mais interessantes de uma viagem tem a ver com aprender como as pessoas
em lugares diferentes usam as palavras. Por exemplo, a expressão alemã “Guten Tag” significa
literalmente “bom dia”, entretanto, ela é usada normalmente como saudação apenas à tarde, e assim é
equivalente a um brasileiro falando: “boa tarde”.
Para se entender o texto bíblico, precisamos ter uma compreensão exata do modo como as palavras
são usadas. Os sentidos das palavras são determinados pelos contextos nos quais elas são usadas.
Ao estudar uma palavra no texto bíblico desejaremos: (a) conhecer os possíveis significados para
essa palavra no mundo antigo, (b) determinar, baseado no contexto, que significado o autor mais
provavelmente pretendeu e (c) ver se podemos obter uma percepção do uso do autor observando
como a mesma palavra é usada em outro lugar na Bíblia.
Escolha palavras-chave para estudo: identifique palavras-chave na passagem. Elas podem ser termos que se
repetem, vocábulos que são obscuros ou enigmáticos ou palavras que parecem teologicamente importantes.
Consulte ferramentas de estudo de palavras: Conheça as palavras hebraicas ou gregas por trás de nossas
versões portuguesas usando uma concordância exaustiva, programas de software da Bíblia ou diversos
tipos de dicionários expositivos. Assim que tiver acessado a variedade de possíveis significados para uma
palavra hebraica ou grega, considere esses possíveis sentidos no contexto da passagem que você está
estudando. Isso lhe propicia uma visão das várias nuanças da palavra grega ou hebraica por trás da tradução
que está usando, aprofundando sua compreensão daquilo que o autor bíblico tenha tentado dizer.
Este é também um ponto excelente em seu estudo bíblico para consultar bons comentários. Eles
discutirão as palavras-chave da passagem à luz do contexto literário, de questões contextuais, da
teologia do autor e de outros fatores.
Consulte uma concordância: Você pode usar uma concordância para procurar outros usos do
mesmo termo hebraico ou grego que está estudando. Identifique lugares onde a palavra é usada de
maneira semelhante ao modo usado na passagem em estudo. Essas referências cruzadas podem lhe
fornecer uma compreensão maior da passagem na qual você está fazendo estudos de palavra.
Os estudos de palavras podem ser muito úteis, mas podem também ser abusados, e há falácias em
estudo de palavras que desejaríamos evitar. Entre algumas das mais comuns estão:
•
•
•
Falácia da referência cruzada — Insistir que uma palavra, tal como usada em uma passagem, deve ser
empregada da mesma maneira em outro texto, simplesmente porque o mesmo termo é usado.
Falácia da raiz — Insistir que o verdadeiro sentido de uma palavra está ligado ao significado de sua raiz
ou a partes do vocábulo. Mas nem sempre a linguagem funciona dessa forma.
Falácia dos significados múltiplos — Insistir que todos os possíveis significados de uma palavra
ocorrem em um determinado uso numa passagem específica. Na maioria das vezes, o autor tinha um
significado específico em mente.
lv
Como ler e estudar a Bíblia
Etapa 5: Volte para casa
Tal como qualquer viagem, chega a hora de voltar para casa. O estudo bíblico é semelhante, uma
vez que aplicar a Bíblia à nossa vida é “trazê-la para casa”. Nosso objetivo nunca é ler e estudar
a Bíblia simplesmente para aprender uma lista de fatos. Antes, almejamos ser transformados pela
Escritura (Rm 12:1-2), e a transformação ocorre ao abraçarmos a Palavra, aplicando-a à nossa vida
diária. Comentando a ordem para amar o próximo, Tiago afirma:
“Pois qual é o proveito, meus irmãos, se um homem disser que tem fé, e não tiver as obras?
Poderá a fé salvá-lo? Se uma irmã ou um irmão estiverem nus, e tiverem falta do pão
diário, e algum de vós lhe disser: Parti vós em paz, aquentai-vos, e fartai-vos; e não lhes
derdes as coisas necessárias para o corpo, qual será o proveito? Assim é a fé, se não tiver
as obras, é morta em si mesma.” (Tg 2:14-17).
A fé sem obras, sem aplicação, está morta. Tiago se dirigiu àqueles que tinham separado a crença
na vida cristã de uma obediência ativa.
Por vezes, a aplicação pode ser uma crença correta, o ajuste da compreensão da pessoa para
harmonizar-se com o que Deus afirma ser verdadeiro. Outras vezes, a aplicação poderá ser a
adoração de Deus. Muitas vezes, a aplicação envolverá uma obediência ativa que coloca em prática
aquilo que se aprendeu. Porém, o movimento da compreensão da Palavra para a sua aplicação na
obediência é inegociável, do ponto de vista da Bíblia.
Como podemos então aplicar, de maneira responsável, as coisas que aprendemos na Bíblia à nossa vida?
Identifique os principais pontos e princípios da passagem: Que verdades a passagem da Escritura
está reivindicando? Identifique-as. Procure também os princípios. Um princípio é uma “verdade
universal” que se aplica em toda parte, em todos os tempos.
Identifique como eles se dirigem aos contextos original e atual: Observe como o princípio é
aplicado à situação tratada na sua passagem e pense em situações paralelas em sua vida.
Faça aplicações específicas para a sua vida: Procure ir mais longe do que generalidades vagas
como: “Eu preciso amar mais as pessoas!” Escreva o nome das pessoas que você precisa amar e
como você precisa expressar amor por elas. Como observado acima, as aplicações podem ser uma
ação para realizar (p. ex., “lavar os pratos”). Além disso, pode também envolver a mudança de uma
crença, ou mesmo responder à Palavra de Deus com adoração a Ele.
Um plano simples
Espero que você tenha gostado da “viagem” ao discutirmos como ler e estudar a Bíblia mais
efetivamente. Comece o seu novo compromisso com um plano definido de leitura. Assuma um
compromisso de empregar 15 a 30 minutos por dia, e leia a Bíblia nos próximos um ou dois anos.
Escolha um ou dois horários mais longos por semana para estudar a Bíblia mais profundamente.
A leitura e o estudo da Bíblia podem nos proporcionar grande alegria e satisfação ao nos abrirmos
para a Palavra de Deus. Que você seja abençoado ao buscar ser uma “pessoa da Palavra”, dirigida
pelo Espírito, transformada pelas Escrituras e efetiva no avanço da agenda de Deus neste mundo.
List of Jeremy Royal Howardlvi
A origem, transmissão e canonização
dos livros do Antigo Testamento
O
Jeremy Royal Howard
termo cânon é usado para descrever a lista dos livros aprovados para inclusão na Bíblia. Sua origem
vem de uma palavra grega que significa “vara”, e refere-se a um galho reto que serve de padrão
para medida. Portanto, falar de um cânon bíblico é falar de livros de reconhecida autoridade, dada
por Deus, cujos ensinamentos definem a crença correta e a prática certa. Obviamente, só livros inspirados
por Deus deveriam ser recebidos como canônicos. A Bíblia diante de você contém 39 livros no Antigo
Testamento (AT). São esses os livros certos? Quem os escreveu? Quais foram as suas fontes de informação?
Essas perguntas são feitas por amigos e inimigos da fé bíblica. Este artigo focalizará essas questões com o
objetivo de apoiar a confiança cristã no AT.
Fontes das primeiras histórias
Os capítulos 1 a 11 de Gênesis são conhecidos como “a história primitiva”, porque abrangem eventos
que ocorreram no passado distante, nas sombras do tempo primitivo. Os capítulos 12 a 50 de Gênesis
são, por sua vez, chamados de “história patriarcal”, uma vez que relatam a vida dos pais fundadores
de Israel, de Abraão a José. Da criação do mundo ao estabelecimento de José no Egito, todos os
eventos narrados em Gênesis ocorreram muito tempo antes de Moisés nascer. Isso é significativo,
porque a Bíblia e a antiga tradição judaica afirmam que Moisés escreveu os cinco primeiros livros
da Bíblia (o Pentateuco). Muito provavelmente, ele os compôs entre 1440 e 1400 a.C., enquanto ele
e os israelitas peregrinavam fora de Canaã. Muitos eventos de Êxodo a Deuteronômio coincidem
com o tempo de vida de Moisés, e assim ele os redigiu, em grande parte, como testemunha ocular.
Todavia, o que dizer de Gênesis? Como Moisés conheceu detalhes a respeito de eventos e pessoas que
o precederam em muitos séculos?
Alguns sugerem que Moisés conheceu as antigas histórias porque Deus as revelou a ele de forma
sobrenatural. Nesse cenário, a ação do Senhor ao inspirar Moisés incluiria dar ao grande líder os detalhes
históricos a respeito de pessoas, lugares, épocas e até conversas tão distantes no passado – informações
que Moisés não teria conhecido se o Eterno não lhe tivesse revelado. Essa possibilidade não pode ser
descartada em princípio, visto que Deus é capaz de operar tais milagres, no entanto, uma análise cuidadosa
revela que o Pentateuco não indica em parte alguma que as narrativas históricas tenham sido dadas dessa
maneira a Moisés. Por exemplo, Gênesis nunca afirma algo como: “Veio a palavra do Senhor a Moisés,
dizendo: ‘Esta é a história de Abraão’”. Em vez disso, as narrativas do primeiro livro da Bíblia a respeito
de Abraão e outras figuras históricas parecem relatos simples que foram transmitidos da maneira usual:
por meio de registros orais e escritos, com os registros orais se originando, presumivelmente, logo após
os eventos ocorridos. Nesse caso, poderíamos acrescentar que Deus superintendeu a transmissão dos
antigos relatos orais e escritos, de modo que Moisés recebeu histórias confiáveis e dignas de inclusão
em Gênesis.
O fato de Moisés, possivelmente, ter usado tais fontes pode parecer surpreendente a princípio. As
pessoas geralmente supõem que a Bíblia seja o produto de ditado divino, no entanto, é mais exato
ver a composição da Escritura como envolvendo meios sobrenaturais e naturais, tendo como
resultado os manuscritos bíblicos originais da Bíblia que eram completamente confiáveis e procediam
simultaneamente da inspiração divina e de abordagens humanas à escrita. Esse modelo é apoiado por
Lucas 1:1-4, onde o evangelista afirma que ele fez bastante pesquisa antes de escrever o seu Evangelho.
Um outro exemplo semelhante é encontrado em Números 21:14, onde se menciona uma citação do,
agora perdido, “Livro das Guerras do Senhor”. Por esses exemplos, vemos que os escritores da Bíblia
eram livres para extrair dados históricos confiáveis de fontes não bíblicas. Portanto, parece que Moisés
pode escrever a respeito de eventos históricos ocorridos muito antes de seu nascimento, extraindo
informações encontradas em fontes preexistentes, tudo ao mesmo tempo em que o Espírito de Deus o
inspirava a escrever o livro de Gênesis.
lvii
A o r i g e m , t r a n s m i s s ã o e c a n o n i z a ç ã o d o s l i v r o s d o A n t i g o Te s t a m e n t o
Como essas fontes escritas chegaram a Moisés? Para a história primitiva, é razoável sugerir que,
desde tempos primitivos, as pessoas passavam adiante relatos orais cuidadosamente preservados a
respeito de eventos importantes e pessoas significativas. Mais tarde, quando surgiu a escrita elementar,
muitos desses relatos teriam sido registrados por escrito. A transferência para a forma escrita pode ter
ocorrido mais cedo do que comumente se supõe. Sabe-se que alfabetos rudimentares circularam no
início do segundo milênio a.C. e, com a descoberta da Pedra de Palermo, temos sólida evidência de
que os egípcios escreviam registros históricos detalhados (em texto hieroglífico) pelo menos já em
2.600 a.C., um tempo que antecedia Moisés por mais de 1.100 anos. Os ricos detalhes escritos na
Pedra de Palermo retrocedem ao próprio nascimento do Egito, dando o nome de reis de 3.100 a.C.
e ainda mais antigos. À luz desse exemplo, é justo supor que recordações importantes da história
humana primitiva foram preservadas e transmitidas às gerações posteriores.
Não é surpresa que os escritos mais antigos não tenham sobrevivido até aos nossos dias, pois, para
começar, eles devem ter sido raros e com certeza se perdido há muito tempo, quando os ácidos do
tempo causaram a sua destruição. Mas eles sobreviveram o tempo suficiente para transmitir fatos
vitais às sociedades posteriores que aprenderam a escrever a história em formatos mais permanentes.
Algumas das maiores escavações arqueológicas modernas têm descoberto textos não bíblicos antigos
que se assemelham aos relatos bíblicos do dilúvio de Noé e da torre de Babel. Esses textos datam de
1.600 a.C. e mais antigos, e, em linhas gerais, eles confirmam Gênesis. Os pontos em que eles diferem
de Gênesis podem refletir corrupções que entraram conforme as culturas se afastaram mais e mais do
conhecimento de Deus. Em contraste, as pessoas que mantiveram uma fé como a de Noé preservaram
as histórias sem corrupção, e esses são os relatos que chegaram a homens como Moisés em gerações
posteriores.
Quanto às histórias patriarcais, não é necessário dizer que homens como Abraão teriam passado
relatos exatos de suas experiências extraordinárias com Deus. Uma vez que Deus descontinuou a
vida de Abraão e prometeu criar uma nação por meio dele, o patriarca sabia que sua vida era singular.
Sua herança foi repetidamente confirmada aos seus descendentes, à medida que Deus mantinha Seu
hábito de revelar-Se e confirmar Seu pacto de bênção. Em algum ponto mais tarde, os descendentes de
Abraão começaram a escrever essas histórias. Isso pode ter começado com muita determinação com
José, o filho de Israel que se tornou uma grande figura política no Egito. A escrita era uma arte muito
antiga no Egito, no tempo em que José subiu ao poder. Tendo alcançado uma posição similar à real, e
tendo casado com uma egípcia de boa posição, José e sua família devem ter tido toda a oportunidade
para aprender a arte da escrita egípcia. Como um dos principais portadores da linhagem de Abraão,
José devia ter muito interesse em preservar as tradições da família e a ligação com o único Deus
verdadeiro.
Após a morte de José, os hebreus cresceram em número, mas acabaram suprimidos pelos egípcios.
Essa supressão realçou a necessidade de se preservar as histórias. Uma teoria defende que uma das
famílias israelitas, possivelmente os levitas, tornou-se a preservadora oficial das antigas histórias.
Sendo assim, esses materiais teriam estado à disposição de Moisés (um levita), quando ele se tornou
líder dos hebreus. Essa herança, mais a comissão de Deus a Moisés e o fato de ele ter sido criado e
educado na casa do faraó, colocou Moisés em uma posição privilegiada para escrever uma história
primitiva da humanidade a partir da perspectiva hebraica. Uma possível exceção seriam as partes do
relato da criação (Gênesis 1–2) que não podiam proceder de testemunhas oculares humanas. Esses
relatos assemelham-se a revelações visionárias que, mais tarde, foram concedidas a profetas como
Isaías e Ezequiel, bem como a João no livro de Apocalipse. Portanto, é plausível sugerir que Deus
deu a Moisés uma visão revelatória para os dois primeiros capítulos de Gênesis. Contudo, em seus
escritos, de forma geral, quer estivesse usando relatos orais, quer histórias escritas ou dependendo do
Espírito de Deus para revelar os relatos da criação, Moisés escreveu mais do que sabia. Em outras
palavras, Moisés não podia sondar as profundezas de tudo o que escreveu, pois um Autor maior do
que ele soprava profundidade e profecia nas obras de sua pena.
Eventos
teologicamente
significativos
ocorrendo desde
a criação até
aproximadamente
1.800 a.C.
ERA PRIMITIVA
E ERA
PATRIARCAL
Quando os alfabetos
elementares foram
inventados, as
histórias orais foram
colocadas por escrito.
Sob a orientação de
Deus, os patriarcas
bíblicos teriam tido
grande cuidado em
passar adiante relatos
de suas experiências
com Deus. Por meio
de homens como
José, esses registros
chegaram a Moisés.
PRIMEIROS REGISTROS ESCRITOS
DESSAS ERAS
Sob o cuidado da
providência de Deus
nos séculos seguintes à
escrita de Gênesis por
Moisés, sacerdotes
cuidadosos atualizaram
o texto sem modificar o
seu significado. Isso
ajudou a manter o texto
acessível para as
gerações posteriores de
hebreus, cuja língua e
situações de vida diferiam
significantemente das
de Moisés e da era sobre
a qual ele escreveu.
Usando as histórias
confiáveis que lhe
estavam disponíveis e
guiado por Deus, Moisés
escreveu, de maneira
infalível no livro de Gênesis,
uma história antiga,
teologicamente conduzida,
da terra.
Deus incumbiu Moisés de
escrever, guiou sua
pesquisa pelas histórias
e dirigiu sobrenaturalmente
cada palavra que
ele escreveu.
INSPIRAÇÃO DIVINA
EDIÇÃO MÍNIMA
MOISÉS
O ESPÍRITO DE DEUS CONDUZINDO O PROCESSO
Entre os povos primitivos,
surgiram histórias orais
que procuravam preservar
o conhecimento de
eventos importantes.
Na Era Patriarcal,
Abraão e seus
descendentes teriam
tomado grande cuidado
em passar adiante o
conhecimento de Deus,
de Suas promessas
pactuais e de eventos
importantes nas vidas
do clã hebraico.
O Espírito soberano de
Deus assegurou que
essas histórias
não fossem corrompidas
pelo erro.
HISTÓRIAS ORAIS
DESSAS ERAS
FONTES E AUTORIA DE GÊNESIS
A o r i g e m , t r a n s m i s s ã o e c a n o n i z a ç ã o d o s l i v r o s d o A n t i g o Te s t a m e n t o l v i i i
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A o r i g e m , t r a n s m i s s ã o e c a n o n i z a ç ã o d o s l i v r o s d o A n t i g o Te s t a m e n t o
Quem escreveu os livros e quando?
Os livros do AT não trazem em si a data de sua publicação e poucos identificam explicitamente
o seu autor. Com a ajuda, no entanto, do testemunho bíblico e da história judaica, sabemos a época
aproximada em que os livros foram compostos. Em muitos casos, conhecemos também quem
foi o autor ou quem, provavelmente, deve ter sido o principal responsável pelo conteúdo de um
determinado livro. Há milhares de anos, pessoas estudiosas de fé têm estudado o assunto e têm
concluído que os livros do AT e seus primeiros destinatários descreveram, de forma confiável,
a autoria e as datas dos escritos sagrados, todavia, críticos atuais afirmam que os livros foram
escritos muitas centenas de anos após as datas e os autores tradicionalmente atribuídos para eles.
Por exemplo, alega-se que o Pentateuco teria sido realmente escrito aproximadamente 1.000 anos
depois de Moisés. Em sua versão extremada, essa teoria chega mesmo a dizer que homens como
Moisés e Abraão nunca existiram; eles e suas histórias teriam sido supostamente inventadas por
sacerdotes que buscavam fornecer histórias inspiradoras de esperança durante os duros anos em
que os hebreus estiveram exilados na Babilônia, no século sexto a.C.
Tais teorias se fundamentam principalmente nos apoios frágeis (1) do ceticismo, que pressupõe
que Deus não existe e/ou que a Bíblia é apenas um livro humano e (2) de anacronismos ocasionais
espalhados em várias partes antigas do AT. O ceticismo é em si mesmo uma fé inferior, pois as
afirmações de que Deus não existe ou, se existe, não inspirou a Bíblia, não pode ser comprovada
a partir dos dados disponíveis. Ironicamente, os céticos, que insistem que deveríamos formar
crenças somente com base na evidência, contradizem o seu próprio lema. Mas o que dizer dos
anacronismos encontrados no AT? É verdade que o Pentateuco, ocasionalmente, inclui coisas tais
como nomes de lugares e vocabulário que não pertencia à era descrita. Em outras palavras, alguns
desses só entraram em uso centenas de anos após a morte de homens como Abraão. Os céticos
tomam isso como prova de que os livros (e todas as histórias neles contidas) se originaram muito
mais tarde do que popularmente se acreditava, e que os sacerdotes que inventaram essas histórias
ocasionalmente se enganavam e colocavam nomes e termos contemporâneos em cenários antigos.
Essa teoria radical, entretanto, opõe-se firmemente à evidência. Na realidade, os livros antigos
do AT trazem, de maneira consistente, a marca de contextos antigos – contextos que se ajustam
a épocas bem anteriores ao surgimento da nação de Israel. Por exemplo, as leis, os costumes e as
situações políticas descritas no Pentateuco se ajustam muito naturalmente ao segundo milênio a.C.
e mais cedo. Isso é comprovado pela descoberta de muitos textos e artefatos não bíblicos desse
período. É improvável que sacerdotes antiéticos, distantes mil anos ou mais das situações históricas
descritas no Pentateuco, conseguissem fazer coisas tão certas. Além disso, as preocupações que
dominavam a mentalidade hebraica durante o exílio babilônico não são tratadas pelo Pentateuco.
Portanto, como esses sacerdotes podiam esperar encorajar seus companheiros hebreus oprimidos
na Babilônia inventando histórias sem semelhança alguma com a situação deles? E ainda, é
inimaginável que as multidões de hebreus se deixassem enganar por esse artifício, escolhessem
basear toda a sua visão de mundo em histórias falsas passadas como verdadeiras a elas por um
grupo de sacerdotes inventivos, e, em seguida, conseguissem vender esse embuste aos seus filhos
por muitas gerações futuras.
Portanto, o que devemos concluir a respeito dos anacronismos? Simplesmente isto: em anos
posteriores à escrita do Pentateuco, mudanças inevitáveis em nomes de lugares, vocabulário e
situações políticas dificultaram a compreensão desses livros antigos. Para aliviar esse problema,
guardiões sacerdotais dos oráculos sagrados atualizaram os textos em pontos cruciais para que
refletissem o uso contemporâneo de palavras e situações geopolíticas. Mudanças como essas (p. ex.,
Jz 1:10; 1Sm 9:9) teriam sido feitas de maneira sóbria e com grande cuidado para se preservar o
significado e a intenção do texto sagrado. Desse modo, de acordo com diretrizes rigorosas, os livros
passaram por uma edição proveitosa e, assim, como resultado, os textos permaneceram acessíveis
com a passagem do tempo.
A o r i g e m , t r a n s m i s s ã o e c a n o n i z a ç ã o d o s l i v r o s d o A n t i g o Te s t a m e n t o l x
De modo geral, entretanto, praticamente todos os escribas que chegaram a tocar nos rolos
sagrados o fizeram apenas para os ler e copiar palavra por palavra. A cópia literária era uma
habilidade importante no mundo antigo, uma vez que não havia meio de duplicação rápida, como
as modernas máquinas de impressão ou as fotocopiadoras. Crendo que os escritos sob seu cuidado
possuíam autoridade e inspiração divinas, os escribas hebreus tomavam todo o cuidado ao copiar
os rolos.
Concluindo, podemos estar confiantes nas crenças tradicionais a respeito da data e autoria dos
livros do AT. Podemos também estar seguros de que os livros foram cuidadosamente copiados e
preservados, e que todas as atualizações editoriais dos livros foram feitas de modo estritamente
conservador.
Será que temos os livros certos?
Seriam os 39 livros do nosso AT aqueles que de fato Deus pretendeu que acatássemos? O primeiro
passo para se responder a essa pergunta é tratar da questão da coleção: quem originalmente ajuntou os
escritos sagrados? A evidência sólida indica que os sacerdotes assumiram essa responsabilidade. Em
Deuteronômio 31:24-26, Moisés ordenou que o Livro da Lei fosse guardado com a arca da aliança,
onde os Dez Mandamentos estava armazenados. Isso colocou os escritos de Moisés no próprio
centro da vida religiosa israelita, assim que foram completados. Além disso, em Deuteronômio 4:2,
há uma ordem para se preservar os mandamentos de Deus com fidelidade. Tomadas em conjunto,
essas passagens indicam que os sacerdotes foram encarregados das revelações escritas de Deus, e
que estas deviam ser protegidas contra qualquer perversão.
Uma vez que Moisés foi o autor dos primeiros livros da Bíblia, e visto que o próprio Moisés
encarregou os sacerdotes com os deveres de guardar e proteger as palavras de Deus, a elevada
importância de se identificar, colecionar e proteger os escritos sagrados estava estabelecida quando
surgiu o Pentateuco. Quando os outros profetas e homens santos se levantaram em Israel, depois
de Moisés, e receberam revelações de Deus, seus ensinos (quer escritos por eles, quer por pessoas
ligadas a eles) teriam sido rapidamente reunidos pela comunidade dos fiéis. Mais tarde, os livros
vieram a ser armazenados no templo de Jerusalém. Sabemos disso porque, em um tempo de
apostasia nacional, os livros, tendo caído em desuso, juntaram poeira nas despensas do templo
(2Rs 22:8-13). Bem mais tarde na história, os livros ainda eram guardados no templo, pois Josefo
(um respeitável historiador judeu) recebeu as Escrituras de seus benfeitores romanos que tinham
saqueado o templo em 70 d.C.
Temos visto que os judeus identificaram, colecionaram e preservaram os escritos sagrados como
algo inevitável. Em seguida, precisamos perguntar se e quando eles acreditaram que a produção
dos escritos sagrados tinha cessado. Josefo nos ajuda a elucidar essa questão. Ele nos diz (Contra
Ápion 1.37-43) que os judeus, sabiamente, reconheceram que a sucessão dos profetas terminou
no tempo de Artaxerxes, quando Profetas Posteriores como Ageu e Malaquias se calaram e não
deixaram sucessores. Portanto, diz Josefo, livros escritos após aproximadamente 400 a.C., não eram
considerados Escritura, embora tivessem valor de outra maneira. Em 164 a.C., Judas Macabeus
tornou a consolidar as Escrituras no templo depois de cessado o fogo da perseguição antioquena,
e parece que os rolos ficaram ali abrigados por um longo período de segurança que só terminou
com as agressões dos romanos, acima mencionadas. Não há dúvida da identidade das Escrituras
mantidas no templo por todo esse tempo: havia 22 livros (ou 24, dependendo da maneira como eles
eram divididos e contados), e eram agrupados em três divisões principais: a Lei (o Pentateuco), os
Profetas e os Escritos. Embora os dividamos em 39 livros em vez de 22 ou 24, o cânon protestante
do AT é idêntico a esse livros que foram guardados no templo antes do tempo de Cristo. Os dois
grupos religiosos mais significativos em Israel (os fariseus e os saduceus) aceitavam esse conjunto
de livros como o cânon da Escritura, embora com frequência se ouça a afirmação errônea de que os
saduceus só aceitavam o Pentateuco.
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Os apócrifos e a
Bíblia protestante
Cânon do AT
Os apócrifos
A Septuaginta
(Cânon do AT - Apócrifos)
Igreja primitiva
(Cânon do AT - Apócrifos)
Começo da Reforma
(Cânon do AT - Apócrifos)
Posteriormente na Reforma
(Cânon do AT - Apócrifos)
CUNHA
DA REFORMA
CÂNON DO AT
BÍBLIA PROTESTANTE
AUTORIDADE
BÍBLICA
OS APÓCRIFOS
EXTRABÍBLICOS
Os livros apócrifos foram acrescentados à Septuaginta (tradução grega do AT canônico)
porque judeus de fala grega desejavam ter acesso aos livros sagrados judaicos e a
outros importantes livros não bíblicos. A Igreja primitiva usou amplamente a
Septuaginta e, embora os apócrifos fossem raramente (e erroneamente) equiparados à
Escritura inspirada, eles foram corretamente considerados uma coleção valiosa de
livros históricos. Vendo a necessidade de esclarecer a posição dos apócrifos, os
Reformadores decidiram separá-los dos livros canônicos. Assim, os apócrifos acabaram
excluídos das Bíblias protestantes.
O que dizer dos livros apócrifos? Esse é um conjunto diferente de livros – a maior parte escrita
entre 200 a.C. e o início do primeiro século d.C. – que tratam de vários aspectos da vida religiosa
e nacional judaica no período intertestamentário, de 400 a.C. ao tempo de Cristo. Eles fornecem
janelas importantes para o contexto judaico e muitos judeus desse período os consideraram literatura
religiosa de valor. Eles, no entanto, nunca foram recebidos como Escritura pela corrente principal do
judaísmo e, mesmo grupos à margem, como os essênios, os reconheceram como valiosos mas não
como Escrituras. Os livros apócrifos nunca foram armazenados no templo, um sinal seguro de que
eles não eram considerados inspirados por Deus.
Isso não significa dizer que não houve disputas entre os judeus a respeito da identidade do cânon.
Na verdade, cinco dos livros que foram contados como canônicos passaram por dificuldades,
obtendo uma aceitação unilateral. Os livros de Provérbios, Eclesiastes, Ester, Cântico dos Cânticos
e Ezequiel foram submetidos a exame minucioso porque pareciam seculares na perspectiva ou
promoviam ensinos que a princípio pareciam inconsistentes com o Pentateuco. Os líderes judeus
debatiam os méritos desses livros de tempos em tempos, como os líderes cristãos o fariam nos
séculos vindouros, mas, no geral, sua posição no cânon estava bem estabelecida.
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Seguindo o exemplo de Jesus, os cristãos primitivos adotaram o consenso judaico sobre o cânon
do AT. Durante o Seu ministério, Jesus mostrou que Ele Se alinhava à avaliação judaica padrão do
cânon ao fazer citações extraídas de todas as três divisões do AT. Além disso, Ele demonstrou que
o AT incluía muitas profecias e alusões veladas a Ele, o Messias. Consequentemente, os cristãos
aprenderam a ler os livros sagrados dos judeus com a intenção de ver Jesus neles. Na verdade,
nas primeiras décadas da igreja, a maioria dos cristãos tinha pouco acesso aos escritos do Novo
Testamento (NT), os quais estavam começando a surgir. O AT foi a única Bíblia que muitos deles
conheceram e eles deram grande valor ao AT, lendo-o a partir de uma perspectiva centrada em
Cristo. De maneira interessante, eles tendiam a ter elevada estima pelos apócrifos também – mais
do que, de fato, muitos judeus o fizeram. Um pouco de informação contextual nos ajudará a
entender como surgiu essa situação.
Vários séculos antes de Cristo, os judeus que viviam em Alexandria, encomendaram uma
tradução grega do AT hebraico. Eles fizeram isso porque de modo crescente falavam e liam grego
em vez do hebraico. Conhecida como a Septuaginta, essa tradução grega foi a Bíblia preferida
de muitos judeus e cristãos primitivos. Além das Escrituras Sagradas canônicas, a Septuaginta
incluiu traduções gregas de alguns importantes livros apócrifos judaicos. A razão pela qual eles
foram acrescentados é clara: Os judeus que viviam em regiões de fala predominantemente grega
desejavam ter acesso a todos os escritos judaicos importantes, canônicos e não canônicos. À
medida que a igreja cristã cresceu e experimentou tensões crescentes com o judaísmo tradicional,
as comunidades cristãs e as comunidades judaicas não cristãs foram se isolando gradativamente
umas das outras no âmbito social e religioso. Por essa razão, a avaliação judaica de que os apócrifos
não eram canônicos ficou talvez um tanto perdida para muitos cristãos, à medida que eles pegavam
a Septuaginta e observavam que os livros apócrifos estavam incluídos ao lado dos livros canônicos
do AT. Esse é um fato importante, porque o grego era a língua dominante da igreja cristã, o que
significa que poucos cristãos prestavam atenção especial ao AT hebraico. Assim, toda a vez que
eles pegavam o AT, eles o liam em sua versão grega, e, ao fazerem isso, eles conheciam também
os apócrifos. Além disso, os cristãos primitivos observaram que os autores do NT tinham citado
com frequência a partir da Septuaginta e não a partir do AT hebraico. Finalmente, muitos cristãos
tiveram elevada estima pelos apócrifos, porque seus livros foram considerados úteis para inflamar
as afeições religiosas. Resumindo, a igreja cristã adotou automaticamente o cânon judaico do AT,
com muita frequência lia a versão da Septuaginta do AT em lugar do hebraico e considerou os
apócrifos valiosos.
Será que isso significa que a igreja primitiva considerou os apócrifos como estando no mesmo
nível que os livros canônicos? É melhor começar observando a abordagem do NT. Jesus nunca citou
algum dos livros apócrifos e nem os Seus apóstolos o fizeram em seus escritos. Embora Judas 9,
aparentemente, faça alusão a um evento descrito em um livro não canônico menor, em parte alguma
de todo o NT os apócrifos são citados. Dado o fato de que nem Jesus nem Seus apóstolos citaram os
apócrifos, seria surpreendente se os cristãos primitivos tivessem deixado para trás o seu exemplo
e considerado esses livros como Escritura. Todavia, a igreja primitiva desenvolveu o hábito de dar
aos apócrifos um lugar na vida religiosa e, reconhecidamente, alguns líderes mal informados, nos
primeiros séculos, parecem ter considerado os apócrifos como Escritura. As duas causas principais
dessa identificação incorreta foram que os livros estavam incluídos na querida Septuaginta e que
eles eram considerados como genuinamente conducentes às devoções religiosas. Por essas razões,
os apócrifos mantiveram uma presença firme, mas não oficial, na igreja por mais de um milênio.
Até mesmo os primeiros Reformadores incluíram os apócrifos em suas versões inglesa e alemã
da Bíblia, embora os deixassem separados em seções à parte dos livros canônicos do AT e os
introduzissem com uma nota, afirmando que, por toda a história da igreja, os apócrifos não tinham
sido recebidos como Escritura. Portanto, o Reformadores, inicialmente, mantiveram viva a antiga
tradição de juntar os apócrifos à Bíblia, embora como em um balcão sem assento, reservados para
os circunstantes. À medida que continuavam a debater com os líderes católicos romanos sobre as
bases próprias para a formação doutrinária, os Reformadores concluíram finalmente que, por amor
lxiii
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à clareza, os apócrifos deviam ser retirados totalmente da Bíblia. Como herdeiras do movimento da
Reforma, as Bíblias protestantes hoje em dia excluem os apócrifos, significando que, embora esses
livros possam ser úteis, eles não pertencem originalmente à Bíblia.
Conclusão
Temos sólidas razões para crer que os livros do AT incluem somente história verídica e que eles
foram escritos por homens designados por Deus para transmitir à humanidade escritos inspirados
pelo Espírito. Além disso, é evidente que os judeus do passado receberam esses livros com temor
e com um senso de responsabilidade. Por essa razão, os livros sagrados foram identificados,
colecionados, preservados e transmitidos, ao longo das gerações, por homens aprovados para essa
elevada tarefa. Os 39 livros do AT protestante são, seguramente, os livros que Deus deseja que
reverenciemos como bíblicos. Os livros apócrifos são valiosos (na verdade, mais valiosos do que
muitos protestantes imaginam), mas devem ser consultados por seu valor histórico e não para
instrução em doutrina ou prática religiosa.
O
A n t i g o Te s t a m e n t o
1
Gênesis
I n t r o d u ç ã o
O
livro de Gênesis é o grande livro dos inícios da Bíblia.
Em conformidade com os significados de seus nomes em hebraico e grego (Heb. bere’shith, “No princípio”
[baseado em 1:1]; Gr. Geneseos, “De Origem” [baseado em
2:4]), o livro nos permite ver o início de uma grande variedade de realidades que moldam a nossa existência diária:
a criação do universo e do planeta terra; as origens da vida
vegetal e animal; e as origens dos seres humanos, do casamento, das famílias, das nações, da indústria, da expressão
artística, do ritual religioso, da profecia, do pecado, da lei,
do crime, do conflito, da punição, e da morte.
Gênesis
Gênesis
2
Circunstâncias da redação do livro
Autor: Desde tempos pré-cristãos, a autoria da Torá, os cinco livros dos quais Gênesis está incluso, tem sido atribuída
a Moisés, um líder israelita de enorme influência desde o segundo milênio a.C., com um passado aristocrático
egípcio. Embora Gênesis seja tecnicamente anônimo, tanto o Antigo quanto o Novo Testamentos reconhecem por
unanimidade Moisés como o autor da Torá (Js 8:35; 23:6; 1Rs 2:3; 8:9; 2Rs 14:6; 23:25; 2Cr 23:18; 25:4; 30:16;
34:14; 35:12; Ed 3:2; 6:18; Ne 8:1; 9:14; Dn 9:11; 13; Ml 4:4; Mc12:19; 26; Lc 2:22; 20:28; 24:44; Jo 1:17; 45;
7:19; At 13:39; 15:21; 28:23; Rm 10:5; 1Co 9:9; Hb 10:28). Ao mesmo tempo, há evidências em Gênesis que
sugerem que mudanças editoriais menores, datadas de tempos antigos, foram inseridas no texto. Exemplos incluem
a menção de “Dã” (14:14), uma cidade que não foi nomeada senão nos dias dos juízes (Jz 18:29), e o uso de uma
expressão que presumia a existência de reis israelitas (Gn 36:31).
Contexto Histórico: A Torá (um termo hebraico para lei) foi vista como uma unidade até, pelo menos, o segundo
século a.C. Em algum tempo antes do nascimento de Cristo, a Torá foi dividida em cinco livros separados, mais
tarde referidos como o Pentateuco (literalmente, cinco recipientes). Gênesis, o primeiro livro da Torá, provê tanto a
história universal da humanidade como a história patriarcal da nação de Israel. A primeira seção (capítulos 1-11) é
uma história geral comumente chamada de “a história primitiva”, mostrando como toda a humanidade se originou de
apenas um casal e se tornou pecadora. A segunda seção (capítulos 12-50) é uma história mais específica comumente
referida como “a história patriarcal”, focalizando o pacto que Deus fez com Abraão e seus descendentes: Isaque,
Jacó, e os 12 filhos de Jacó. Gênesis revela o plano de Deus de abençoar e redimir a humanidade por intermédio
dos descendentes de Abraão. O livro conclui com os eventos que conduziram à permanência dos israelitas na terra
do Egito.
Mensagem e Propósito
Criação: Deus é o soberano Senhor e Criador de todas as coisas. O Senhor criou todas as coisas a partir do nada.
Nenhum material preexistente existiu. Ele é o Criador, e não um artesão. Isto indica que Ele tem infinito poder
e perfeito controle sobre todas as coisas. O Eterno existe à parte da ordem criada, e nenhuma parte da criação
deve ser considerada como extensão de Deus. Tudo o que Deus criou é bom, porque Ele é um Deus bom e
majestoso. Deus é Senhor, e mantém soberania e envolvimento com a Sua criação. O controle do Senhor sobre a
história humana é tão completo que mesmo o pior dos atos humanos pode ser usado para servir a seus propósitos
bondosos (50:20).
2100 a.C.
Jó 2100?–1900?
2000 a.C.
Abraão 2166–1991
a
11 . Dinastia do Egito 2134–1991
a
Jacó 2006–1859
Isaque 2066–1886
3 . Dinastia de Ur 2113–2006
a
12 . Dinastia do Egito 1991–1786
Abraão vai de Harã para Canaã. 2091
Contraceptivos desenvolvidos no Egito 2000
Destruição de Sodoma e Gomorra 2085
Chineses criam primeiro zoológico, Parque da
Inteligência. 2000
Pacto de Deus com Abraão 2081?
Cerâmica mais antiga na América do Sul 2200
Construção de Zigurates em Ur na Suméria 2100
Babilônios e egípcios dividem os dias em horas,
minutos, e segundos. 2000
Mesopotâmios aprendem a solucionar
o
equações de 2 grau. 2000
Código de ética médica, Mesopotâmia 2000
Sistema de comunicação via correio desenvolvido
na China e no Egito 2000
Gênesis
3
Vida humana: Adão e Eva foram criados à imagem de Deus, únicos, diferentes do restante da criação, para
desfrutarem de comunhão com o Senhor. Os seres humanos são um paradoxo. Por um lado, as pessoas são o ápice
de toda a criação de Deus, criadas à imagem do Senhor (1:26-27) e possuindo autoridade semelhante à de Deus
sobre toda a ordem criada no âmbito de seu domínio (1:28-29; 9:1-3). Por outro lado, elas são pecadoras - seres
que têm usado seus recursos e capacidades dadas por Deus de maneiras que violam as leis do Senhor (2:17; 3:6),
e ferem as outras pessoas (3:8-11; 6:5,11-12). Mesmo assim, durante o tempo de vida das pessoas, Deus espera
que elas sigam as Suas leis (4:7), e Ele abençoa aqueles que vivem segundo os Seus caminhos (6:8-9; 39:2,21).
Deus deseja operar através de indivíduos para trazer uma bênção a toda humanidade (18:18; 22:18; 26:4).
Todavia, Gênesis ensina que, por causa do pecado, todos os seres humanos devem morrer (2:17; 3:19; 5:5,8,11).
Uma vez que toda a vida humana foi criada à imagem de Deus, não há uma pessoa ou uma classe de pessoas que
seja superior às demais. A humanidade foi criada para viver em comunidade. A unidade mais fundamental da
comunidade é a família: um marido e uma esposa (homem e mulher) com os filhos.
Pecado: O mal e o pecado não se originaram de Deus. Adão e Eva foram criados inocentes e com a capacidade de
fazer escolhas. O pecado entrou no mundo em um lugar e tempo específicos na história. Adão e Eva escolheram
livremente desobedecer a Deus, caíram de sua inocência, e perderam a liberdade. Sua natureza pecaminosa tem
passado a todos os demais seres humanos. O pecado resultou em morte, tanto física como espiritual. O pecado
tem levado a um mundo de dor e conflito.
Pacto: Gênesis é uma narrativa de relacionamentos, e certamente relacionamentos baseados em pactos com
Deus. Estes pactos proveem um princípio unificador para a compreensão de toda a Escritura e definem o
relacionamento entre Deus e o homem. O coração desse relacionamento é encontrado na expressão: “Eles serão
o meu povo, e eu serei o seu Deus” (Jr 32:38; cp. Gn 17:7-8; Êx 6:6-7; Lv 26:12; Dt 4:20; Jr 11:4; Ez 11:20). O
pacto de Deus com Abraão é o evento principal tanto em Gênesis como em toda a Bíblia. Deus chamou Abraão
para partir de Ur com destino a Canaã, e prometeu fazer dele uma grande nação que, por sua vez, abençoaria
todas as nações (Gn 12:1-3). Deus repete o Seu juramento em Gênesis 22:18, acrescentando ainda que seria por
meio da semente de Abraão que todas as nações um dia seriam abençoadas. Paulo aplica o substantivo singular
“semente” como uma referência a Cristo (Gl 3:16). É por meio de Cristo, o descendente prometido de Abraão,
que as bênçãos do pacto abraâmico chegariam a todas as nações.
1900 a.C.
1800 a.C.
José 1915–1805
Jacó luta com Deus. 1903?
Ascendência dos amorreus 1894–1595
Roda de oleiro introduzida em Creta 1900
Teoria musical, Mesopotâmia 1800
Uso de veleiro no Egeu 1900
Tabelas de multiplicação, Babilônia 1800
Primeira cidade chinesa fundada em Erlitou no
Rio Amarelo 1900
Cidade egípcia em El Lahundá evidência de
planejamento urbano com ruas em ângulos
retos. 1900
Matemáticos da Mesopotâmia descobrem o que mais
tarde foi chamado de teorema de Pitágoras. 1900
Khnumhotep II, um arquiteto do Faraó Amenemhat
II, desenvolve a criptografia. 1900
Babilônios desenvolvem catálogo de
estrelas e planetas 1800
Livro dos Mortos, Egito 1800
Cavalos introduzidos no Egito 1800
Arados de madeira, Escandinávia 1800
Gênesis
4
Contribuição à Bíblia
Gênesis lança os fundamentos para tudo o que lemos e conhecemos por experiência na Escritura. Por meio de
Gênesis, compreendemos de onde viemos, como chegamos ao estado de queda em que nos encontramos, e os
primórdios da obra graciosa de Deus em nosso favor. Gênesis revela o propósito original de Deus para a humanidade.
Gênesis nos fornece o fundamento para entendermos o pacto de Deus com Israel, o qual foi estabelecido
com a entrega da Lei. Para a comunidade israelita, as narrativas das origens da humanidade, do pecado, e do
relacionamento pactual com Deus os ajudavam a compreender a razão pela qual Deus lhes concedeu a Lei.
Estrutura
Gênesis é, sobretudo, uma narrativa. Do ponto de vista de uma narrativa, Deus é o único herói da Bíblia, e o
livro de Gênesis tem o privilégio distinto de apresentá-Lo. Deus é o primeiro sujeito de um verbo no livro e é
mencionado mais frequentemente do que qualquer outro personagem na Bíblia. O conteúdo dos primeiros 11
capítulos é diferente das narrativas patriarcais nos capítulos 12-50. O artifício literário primário é a expressão
“este é o registro da descendência”. A expressão é mais ampla no significado do que simplesmente “geração”,
e se refere mais a um relato narrativo. Esta é uma prática comum em escritos do Antigo Oriente Próximo. Esta
expressão também serve como um elo entre a pessoa-chave na narrativa anterior e aquela pessoa antecipada
na próxima seção. Gênesis poderia ser descrito como uma genealogia histórica, que associa criação e história
humana em uma série única e contínua.
Esboço
I.
A criação dos céus e da terra (1:1-2:3)
A. O Criador e a criação (1:1-2)
B. Os seis dias da criação (1:3-31)
C. O sétimo dia - dia de consagração (2:1-3)
II.
A família humana dentro e fora do jardim (2:4-4:26)
A. O homem e a mulher no jardim (2:4-25)
B. O homem e a mulher expulsos do jardim (3:1-24)
C. A família de Adão e Eva fora do jardim (4:1-26)
III. A linhagem familiar de Adão (5:1-6:8)
A. Introdução: Criação e bênção (5:1-2)
B. “Imagem de Deus” de Adão a Noé (5:3-32)
C. Conclusão: Procriação e perversão (6:1-8)
IV.
V.
VI.
Noé e sua família (6:9-9:29)
A. O justo Noé e o mundo corrompido (6:9-12)
B. O juízo vindouro e a arca da promessa (6:13-7:10)
C. O dilúvio universal do juízo (7:11-24)
D. A lembrança de Deus e o resgate de Noé (8:1-14)
E. A saída da arca (8:15-19)
F. Adoração e a palavra de promessa (8:20-22)
G. O pacto de Deus com o novo mundo (9:1-17)
H. Os filhos de Noé e a bênção futura (9:18-29)
As nações e a Torre de Babel (10:1-11:26)
A. Tabela das nações (10:1-32)
B. A Torre de Babel (11:1-9)
C. A linhagem familiar de Abrão (11:10-26)
O pai Abraão (11:27-25:11)
A. Primórdios de Abrão (11:27-32)
5
B.
C.
D.
E.
F.
G.
H.
I.
J.
K.
L.
M.
N.
O.
P.
Q.
O chamado promissivo e a obediência de Abrão (12:1-9)
Abrão e Sarai no Egito: A bênção começa (12:10-13:1)
Abrão e Ló se separam: Promessas recordadas (13:2-18)
Abrão resgata Ló: A fidelidade de Abrão (14:1-24)
Promessas pactuais confirmadas (15:1-21)
O filho primogênito de Abrão, Ismael (16:1-16)
O sinal pactual da circuncisão (17:1-27)
Julgamento divino e misericórdia (18:1-19:38)
Abraão e Sara em Gerar: Promessas preservadas (20:1-18)
O filho prometido de Abraão: O nascimento de Isaque (21:1-21)
O tratado com Abimeleque (21:22-34)
O teste de Abraão (22:1-19)
A linhagem familiar de Rebeca (22:20-24)
O túmulo de Sara (23:1-20)
Uma esposa para Isaque (24:1-67)
A morte e o sepultamento de Abraão (25:1-11)
VII. A linhagem familiar de Ismael (25:12-18)
VIII. A família de Isaque: Jacó e Esaú (25:19-35:29)
A. Conflito no nascimento e direito de primogenitura (25:19-34)
B. O engano de Isaque e a disputa com os filisteus (26:1-35)
C. Bênção furtada e fuga para Padã-Arã (27:1-28:9)
D. Promessa de bênção em Betel (28:10-22)
E. Labão engana Jacó (29:1-30)
F. Nascimento dos filhos de Jacó (29:31-30:24)
G. Nascimento dos rebanhos de Jacó (30:25-43)
H. Jacó engana Labão (31:1-55)
I. Luta por bênção em Peniel (32:1-32)
J. Presente restaurado e retorno a Siquém (33:1-20)
K. Diná, engano, e contenda com os heveus (34:1-31)
L. Bênção e trabalho no nascimento (35:1-29)
IX. A família de Esaú (36:1-8)
X.Esaú, pai dos edomitas (36:9-37:1)
XI. A família de Jacó: José e seus irmãos (37:2-50:26)
A. Os dias anteriores de José (37:2-36)
B. Judá e Tamar (38:1-30)
C. José no Egito (39:1-23)
D. José, salvador do Egito (40:1-41:57)
E. As viagens dos irmãos ao Egito (42:1-43:34)
F. José testa os irmãos (44:1-34)
G. José revela a sua identidade (45:1-28)
H. Migração de Jacó para o Egito (46:1-27)
I. José, salvador da família (46:28-47:12)
J. A administração de José no Egito (47:13-31)
K. As bênçãos de Jacó (48:1-49:28)
L. A morte e o sepultamento de Jacó (49:29-50:14)
M. Os dias finais de José (50:15-26)
Gênesis
6
Gênesis 1:1
1
No princípio criou Deus o céu e a terra.
2
E a terra era sem forma e vazia; e havia
trevas sobre a face do abismo. E o Espírito de
Deus se movia sobre a face das águas.
3
E disse Deus: Haja luz; e houve luz.
4
E viu Deus a luz, que isto era bom; e Deus
separou a luz das trevas.
5
E chamou Deus à luz Dia, e às trevas ele
chamou Noite. E houve a tarde e a manhã, o
primeiro dia.
6
E disse Deus: Haja um firmamento no meio
das águas, e deixe que separe as águas das águas.
1:1 Jo 1:1,2;
Is 42:5; 44:24;
45:12,18
1:3 Sl 33:6,9;
2Co 4:6
1:5 Sl 74:16
1:6 Jr 10:12
1:7 Sl 148:4
1:9 Sl 104:6-9;
Jr 5:22; 2Pe 3:5
1:1 Este versículo de abertura da Bíblia, apenas sete palavras no hebraico, estabelece sete verdades essenciais sobre as quais se baseia o restante da Bíblia. Nem o hebraico
nem o grego (TM / LXX) possui o artigo. O texto não registra
No princípio, mas Em princípio, deixando expressamente
indefinido o momento da criação visível, e assim deve aceitar e traduzir. E enquanto há insistentes vozes a favor da
inclusão do inexistente artigo (No), outros tradutores vão
mais além, e acham que mesmo inserindo o artigo definido, “... a frase parece flutuar no ar, e o leitor sente que algo
mais deve ser adicionado, para lhe dizer de qual princípio
se trata. “, e traduzem: No início de tudo…, tentando fixar o
momento exato de todo princípio. Ver Crítica Textual da Bíblia Hebraica E. Tov Pág 69 nota 98 (BV Books Editora); BTX
nota especial § 1. Primeiro, Deus existe. O passo essencial
para agradá-Lo é reconhecer a Sua existência (Hb 11:6).
Segundo, Deus existia antes que houvesse um universo e
existirá depois que o universo perecer (Hb 1:10-12). Terceiro, Deus é o principal personagem na Bíblia. Ele é o
sujeito do primeiro verbo na Escritura (na verdade, Ele é
o sujeito de mais verbos que qualquer outro personagem)
e executa uma variedade mais ampla de atividades do que
qualquer outro ser mencionado nas páginas sagradas.
Quarto, como o Criador, o Deus tem feito o que nenhum
ser humano jamais poderia fazer. Em sua forma ativa, o
verbo hebraico bara’, que significa “criar,” nunca tem um
sujeito humano. Portanto, bara’ significa uma obra que é
exclusiva de ’Elohîm. Quinto, Deus é misterioso. Embora
a palavra hebraica para Deus seja plural, a forma do verbo
do qual “Deus” é o sujeito é singular. Talvez isto seja uma
alusão sutil à natureza trinitária do Eterno: Ele é três Pessoas divinas em uma única essência divina. Sexto, Deus é
o Criador de céus e terra. Ele não simplesmente modifica
uma matéria preexistente, mas chama a matéria à existência a partir do nada (Sl 33:6,9; Hb 11:3). Sétimo, Deus não é
dependente do universo, mas o universo é totalmente dependente de Deus (Hb 1:3).
1:2 Traduções da Bíblia desde o tempo da Septuaginta, a
tradução do AT para o grego (c. de. 175 a.C), têm traduzido o primeiro verbo hebraico neste versículo como era.
Contudo, em um esforço para explicar as origens do mal
ou encontrar evidência bíblica para uma terra mais velha,
alguns estudiosos da Bíblia têm sugerido que este verbo
deveria ser traduzido como “tornou-se.” Citando evidência
em Is 14:12-21 e Ez 28:12-19, eles acreditam que um intervalo de tempo, possivelmente um grande intervalo, existe
entre os dois primeiros versículos da Bíblia, durante o qual
Satanás teria liderado uma rebelião no céu contra Deus.
Isto permite que os intérpretes sugiram que a terra primitiva era sem forma e vazia porque a rebelião de Satanás
arruinou a criação de Deus. Todavia, a construção desta
frase no original hebraico favorece a tradução tradicional
(“era” em vez de “tornou-se”). O sentido do versículo 2 é
que Deus criou a terra “sem forma e vazia” como um estado inacabado e vago. Trabalhando por meio de um processo metódico no decurso de seis dias, Deus deu forma
(dias 1-3) e preencheu (dias 4-6) a obra que Suas mãos
criara. O “dar forma” foi realizado por meio de três atos de
divisão ou separação de vários elementos da criação uns
dos outros. O “preencher” foi executado por cinco atos de
E fez Deus o firmamento, e separou as águas
que estavam debaixo do firmamento das águas
que estavam acima do firmamento. E assim foi.
8
E Deus chamou ao firmamento Céu. E
houve a tarde e a manhã, o segundo dia.
9
E disse Deus: Ajuntem-se as águas sob o céu
em um lugar, e apareça a terra seca. E assim foi.
10
E chamou Deus à terra seca Terra; e ao
ajuntamento das águas ele chamou Mares. E
Deus viu que isto era bom.
7
povoamento dos domínios recém-criados. O abismo cheio
de água, uma única palavra em hebraico, sugere um estado de criação que estava informe como a água líquida.
O verbo hebraico traduzido por se movia, usado também
em Dt 32:11, sugere que o Espírito de Deus estava velando
sobre a Sua criação tal como uma ave vela sobre os seus
filhotes.
1:3 Um ensino fundamental da Bíblia é o de que Deus fala
e o faz com uma autoridade capaz de mudar o universo. A
ordem neste versículo consiste apenas em duas palavras
no hebraico.
1:4 Outra verdade básica da Bíblia é a de que viu Deus. Isto
significa que Ele está plenamente a par de Sua criação.
Escritores posteriores afirmaram claramente que Deus
está ciente de eventos que acontecem por toda a terra
(2Cr 16:9; Zc 4:10). O termo bom, usado aqui pela primeira
vez em sete ocorrências neste capítulo para avaliar a obra
criativa de Deus, pode ser empregado para expressar
qualidade elevada e também excelência moral. O universo
físico é um bom lugar porque Deus o fez. O Eterno ficou
satisfeito com a Sua obra. Esta primeira vez em que Deus...
separou, criou dois domínios: o da luz e o das trevas, o dia
e a noite. A atividade de Deus no mundo material é paralela
ao papel que Ele também desempenha no universo moral,
o de justo Juiz que faz distinção entre aqueles que vivem na
luz moral e aqueles que não o fazem (1Ts 5:5).
1:5 No antigo Israel, o ato de dar nome a um objeto, lugar,
ou pessoa indicava que o nomeador tinha controle sobre
eles (35:10; 41:45; Nm 32:42; Dt 3:14; Js 19:47; 2Rs 23:34;
24:17). Quando Deus deu nome à luz e às trevas, Ele
declarou o Seu senhorio e controle sobre todo o tempo.
Houve a tarde... No antigo Israel e na moderna tradição
judaica, o pôr do sol é o ponto de transição de um dia para
o seguinte.
1:6 Fundamentado em um verbo que pode referir-se à
ação de revestir alguma coisa com uma fina lâmina de
metal (Nm 16:39; Is 40:19), o substantivo firmamento se
refere à vasta amplidão do céu aberto.
1:7 O segundo ato de separação foi dividir a água atmosférica da água terrestre. Assim, Ele começou o processo
de dar forma ao mundo material. A expressão e assim foi,
encontrada seis vezes neste capítulo, enfatiza o poder absoluto de Deus sobre a criação.
1:8 Céu pode se referir ao envoltório atmosférico da terra
(v. 20), ao espaço exterior (v. 15), ou aos “céus,” a esfera
espiritual onde Deus vive (Sl 11:4).
1:9 O terceiro e último ato de Deus de separação foi criar
os oceanos e os continentes.
1:10 Em Seu terceiro e último ato de nomeação, Deus demonstrou a Sua autoridade sobre toda a terra. Isto contrasta com aquilo que os vizinhos politeístas de Israel
acreditavam acerca da extensão dos poderes divinos. Os
deuses deles não eram todos poderosos, mas ao invés
disso exerciam autoridade sobre um território limitado. O
Deus de Gênesis 1 detém o domínio sobre todas as coisas,
em todos os tempos e em todos os lugares.
7 No princípio?
Em princípio ou
N
Edson de Faria Francisco
Universidade Metodista de São Paulo (UMESP)
a narrativa da criação dos céus e da terra em Gênesis 1.1-31, a primeira palavra que inicia
o texto é  (hebr. bǝrē’šîṯ) (cf. Gn 1.1), que geralmente é traduzida como “no princípio” ou “no início” em muitas edições da Bíblia em português, tanto as de confissão católica quanto as de confissão protestante e judaica. Uma das poucas edições do texto bíblico hebraico
em que o mencionado vocábulo é vertido de maneira literal como “em início” é na obra Antigo Testamento Interlinear Hebraico-Português (ATI)1, e “em princípio” na Bíblia Textual (BTX)2. Em tais
publicações, é apresentada uma tradução literal do texto original da Bíblia Hebraica ao português,
palavra por palavra e linha por linha.
A palavra  (hebr. bǝrē’šîṯ) é constituída por dois elementos lexicais: o vocábulo 
(hebr. rē’šîṯ, início, princípio, começo) e a preposição inseparável  (hebr. bǝ, em, dentro de, entre,
em meio de). Detalhe importante para ser observado é a presença do sinal vocálico scheva mobile
(hebr. shewá audível) sob a preposição, que em uma tradução literal, deveria ser vertida como “em
início”, “em princípio” ou “em começo”, mostrando o sentido indefinido, isto é, sem artigo definido. Na Septuaginta e no Targum de Ônquelos, a palavra é vertida também com sentido indefinido,
sem artigo definido, como  (gr. en arkhē̂, em início, em princípio) e como  (aram.
bǝqaḏmîn, em início, em princípio), refletindo a leitura original hebraica. O mesmo vocábulo hebraico, com preposição inseparável, mas com artigo definido incluso, sendo vocalizado com o
sinal vocálico qamets, seria  (hebr. bārē’šîṯ), podendo ser traduzido como “no início”, “no
princípio”, “no começo”. De acordo com os hebraístas Gesenius, Kautzsch e Cowley e Joüon e
Muraoka, a preposição inseparável que possui o sinal vocálico scheva mobile, não possui artigo definido incluído.3 Portanto, no caso da palavra  (hebr. bǝrē’šîṯ), em Gênesis 1.1, a tradução
literal teria que ser algo como “em início”, “em princípio”, “em começo”, de acordo com as regras
gramaticais do hebraico bíblico.
Nos aparatos críticos da Biblia Hebraica (BHK) e da Biblia Hebraica Stuttgartensia (BHS)
há informação de que a referida palavra em Genesis 1.1 é transcrita como  ou 
(gr. brēsith ou barēsēth) nos fragmentos da Héxapla e que no Pentateuco Samaritano o mesmo vocábulo bíblico é lido como bārā́ šit.4 Na seção de comentários do aparato crítico da Biblia Hebraica
Quinta (BHQ) consta uma observação sobre as leituras da Héxapla e do Pentateuco Samaritano sobre a primeira palavra de Gênesis 1.1, que são mencionadas pela BHK e pela BHS.5 Segundo a BHQ,
tais transcrições podem levar ao equívoco de que tanto na transcrição grega da Héxapla quanto na
pronúncia do texto bíblico samaritano, o vocábulo teria um hipotético artigo definido. Porém, no
caso da Héxapla, a evidência textual é muito escassa para que tal hipótese possa ser aceita. A versão
samaritana não testemunha, de maneira inequívoca, o supracitado vocábulo em estado determinativo, isto é, com artigo definido, pois, de acordo com as normas gramaticais do hebraico samaritano
a palavra não possui o referido elemento gramatical. Portanto, a unidade lexical  (hebr.
bǝrē’šîṯ), em Gênesis 1.1, pode ser vertida, literalmente, como “em início”, “em princípio”, tendo o
apoio tanto da gramática hebraica quanto do testemunho das versões clássicas da Bíblia que foram
citadas no presente texto.
1 Cf. E. de F. Francisco (trad.), Antigo Testamento Interlinear Hebraico-Português, vol. 1: Pentateuco (Barueri: Sociedade
Bíblica do Brasil, 2012).
2 Bíblia Textual (Niterói/RJ: BV Books Editora, 2019), edição em português.
3 Cf. W. Gesenius; E. Kautzsch; A. E. Cowley, Gesenius’ Hebrew Grammar (2. ed. Oxford: Clarendon Press, 1910, § 35 e
102, p. 112 e 299) e P. Joüon; T. Muraoka, A Grammar of Biblical Hebrew (2. ed. Subsidia Biblica 27. Roma: Gregorian &
Biblical Press, 2009, § 35 e 103, p. 104 e 311).
4 Cf. R. Kittel; P. E. Kahle (eds.), Biblia Hebraica (16. ed. Stuttgart: Württembergische Bibelanstalt, 1973, p. 1) e K. Elliger;
W. Rudolph (eds.), Biblia Hebraica Stuttgartensia (5 ed. Stuttgart: Deutsche Bibelgesellschaft, 1997, p. 1).
5 Cf. A. Schenker et alii (eds.), Biblia Hebraica Quinta, Fascicle 1: Genesis (Stuttgart: Deutsche Bibelgesellschaft,
2015, p. 77*) (fascículo preparado por A. Tal).
8
Gênesis 1:11
E disse Deus: Produza a terra, a relva, a
erva que dê semente, e a árvore frutífera que
dê fruto segundo a sua espécie, cuja semente
esteja nela, sobre a terra. E assim foi.
12
E a terra produziu a relva, e a erva que
dava semente segundo a sua espécie, e a árvore
frutífera, cuja semente estava nela, segundo a
sua espécie. E Deus viu que isto era bom.
13
E houve a tarde e a manhã, o terceiro dia.
14
E disse Deus: Haja luzes no firmamento
do céu para separar o dia da noite; e que sejam
por sinais, e para estações, e para dias, e anos;
15
e que eles sejam por luzes no firmamento
do céu para dar luz sobre a terra. E assim foi.
16
E fez Deus duas grandes luzes; a luz maior
para governar o dia, e a luz menor para governar
a noite; ele também fez as estrelas.
17
E Deus os colocou no firmamento do céu
para dar luz sobre a terra;
18
e para governar sobre o dia e sobre a noite,
e para separar a luz das trevas, e Deus viu que
isto era bom.
19
E houve a tarde e a manhã, o quarto dia.
20
E disse Deus: Produzam as águas
abundantemente criaturas viventes que se
11
1:14 Sl 74:16;
Sl 104:19
1:16 Sl 136:8;
Sl 136:9; Sl 8:3;
Is 40:26
1:11 Em preparação para o surgimento da vida animal e
humana, Deus providenciou um abundante suprimento de
comida. O ensino bíblico constante é o de que “o parecido
gera o parecido” (Lc 6:44; Tg 3:12). Gênesis 1:11-12 estabelece esse princípio para a vida vegetal. Enquanto cinco dos
seis dias incluem pelo menos um ato de criação avaliado
como bom, somente o terceiro e o sexto dias possuem esta
declaração mais de uma vez.
1:14-15 Os eventos do quarto dia complementam aqueles
do primeiro dia, preenchendo o dia e a noite com formas
acabadas de luz. As várias luzes, ou “objetos luminosos,”
eram adorados como deuses nas culturas que cercavam o antigo Israel. Em Gênesis, no entanto, o sol, a lua
e as estrelas são retratados como servos de Deus que
yom
Pronúncia hebraica
Tradução BKJ 1611
Usos em Gênesis
Usos no AT
Passagem foco
[y OM]
dia, tempo
152
2.301
Gênesis 1:5,8,13-14,16,18-19,23,31
Yom significa dia, o dia hebraico que vai de um anoitecer até o
seguinte (Gn 1:5). Yom descreve um dia de trabalho (Êx 20:9)
ou um dia do mês (Zc 1:7). Indica um tempo (Pv 24:10) ou uma
ocasião (Nm 10:10). No dia muitas vezes aparece como quando
(Zc 8:9). O plural pode representar idade (Jó 32:7), tempo de vida
(Js 24:31), ou reinado (Is 1:1). O plural denota um número de dias
(Ne 1:4), um período de tempo (Lv 25:8), algum tempo (Gn 40:4),
um ano (Lv 25:29), ou anos (Êx 2:11). Com o artigo definido yom
sugere hoje (Dt 4:39), agora (Ne 1:6), sempre que (1Sm 1:4), um
dia (Jó 1:6), ou de dia (Ne 4:22). Yom podia caracterizar um evento
específico como o dia de Jezreel (Os 1:11). Semelhantemente, o
Dia/dia de Yahweh, ou do Senhor, é um tempo ou dia que pertence
ao Senhor de uma maneira especial (Sf 1:14).
movem, e aves que possam voar acima da terra,
no vasto firmamento do céu.
21
E Deus criou grandes baleias, e toda
criatura vivente que se move, que as águas
produziram abundantemente, segundo a sua
espécie, e toda ave alada segundo a sua espécie;
e Deus viu que isto era bom.
22
E Deus os abençoou, dizendo: Sede
frutíferos e multiplicai-vos, e enchei as águas
nos mares, e multipliquem-se as aves sobre a
terra.
23
E houve a tarde e a manhã, o quinto dia.
24
E disse Deus: Produza a terra criaturas
viventes segundo as suas espécies, gado, e
seres rastejantes, e animais da terra segundo a
sua espécie. E assim foi.
25
E fez Deus os animais da terra segundo a
sua espécie, e o gado segundo a sua espécie e
tudo que rasteja sobre a terra segundo a sua
espécie; e Deus viu que isto era bom.
26
E disse Deus: Façamos o homem à nossa
imagem, conforme a nossa semelhança; e que
eles tenham domínio sobre os peixes do mar,
e sobre as aves do céu, e sobre o gado, e sobre
toda a terra, e sobre toda a coisa rastejante que
rasteja sobre a terra.
cumpririam três papéis: separar os recém-criados domínios do dia e da noite; marcar o tempo para que os que
adorassem o Criador pudessem guardar suas estações
designadas (cp. Lv 23:4,44); e dar luz sobre a terra.
1:20 Os eventos do quinto dia complementam aqueles do
segundo dia, preenchendo os recém-formados domínios
celestiais acima e as regiões cheias de água abaixo.
1:21 A reutilização do verbo criou (Heb. bara’; cp. v. 1) enfatiza a autoridade de Deus sobre as grandes baleias. Este
ponto era especialmente significativo para os antigos israelitas, cujos vizinhos adoravam Raabe, um mítico monstro marinho. Ave alada, toda ave que possui asas.
1:22 A primeira de três bênçãos que Deus pronunciou
nesta narrativa da criação ocorreu quando Deus... abençoou os animais aquáticos e as aves. A bênção é semelhante àquela para os seres humanos, mas não possui as
ordens para “subjugar” e “dominar” (v. 28).
1:26 O uso que Deus faz de verbo e pronomes no plural
(Façamos... nossa... nossa) para se referir a Si mesmo tem
levantado muitas perguntas (3:22; 11:7; Is 6:8). Pelo menos
cinco sugestões diferentes têm sido apresentadas para
explicá-los: eles podem ser referências (1) à Trindade, (2)
a Deus e Seus anjos, (3) a Deus e a criação, (4) à majestade
de Deus como expressa por um artifício literário conhecido
como o “plural de majestade,” ou (5) uma visão politeísta
de Deus. Uma vez que a Bíblia em toda parte ensina que
há somente um Deus (Dt 6:4; Mc12:29; 1Co 8:4), a quinta
opção não é sustentável.
As duas palavras hebraicas traduzidas como imagem
e semelhança são frequentemente entendidas como possuindo o mesmo significado. Contudo, alguns intérpretes
sugerem que “imagem” se refere à capacidade de pensar,
e “semelhança” se refere à dimensão espiritual. O que seria exatamente a “imagem” de Deus? Uma vez que a Bíblia
9
Assim Deus criou o homem em sua própria
imagem, à imagem de Deus o criou; macho e
fêmea ele os criou.
28
E Deus os abençoou, e Deus lhes disse:
Sede frutíferos e multiplicai-vos, e enchei a
terra e subjugai-a; e tende domínio sobre os
peixes do mar, e sobre as aves do céu, e sobre
toda a coisa vivente que se move sobre a terra.
29
E disse Deus: Eis que vos tenho dado toda
erva que dá semente, que está sobre a face de
toda a terra, e toda árvore na qual está o fruto
de uma árvore que produz semente; para vós
será para alimento.
30
E a todo animal da terra, e a toda ave do
céu, e a cada coisa que rasteja sobre a terra, em
que há vida, eu tenho dado toda erva verde para
alimento. E assim foi.
31
E Deus viu todas as coisas que ele havia
feito; e eis que era muito bom. E houve a tarde
e a manhã, o sexto dia.
27
1:27 Gn 5:2;
Mt 19:4; Mc 10:6
1:28 Gn 9:1,7;
Lv 26:9
1:29 Sl 104:14
1:30 Sl 145:15
1:31 Sl 104:24
2:2 Êx 20:11;
Hb 4:4
2:5 Gn 1:11
2:7 Gn 3:19;
1Co 15:45
ensina que Deus é Espírito (Jo 4:24), muitos comentaristas
acreditam que ela se refere aos aspectos imateriais de uma
pessoa - nossas sensibilidades morais, nossas capacidades intelectuais, nossa vontade, e nossas emoções. Baseados nas ordens de Deus em Gn 1:28, outros têm sugerido
que ela consiste no papel que os seres humanos devem
exercer na terra - seu domínio sobre o planeta e seus recursos, e secundariamente as capacidades físicas, mentais
e espirituais que os capacitam a cumprir esse papel. O NT
ensina que os cristãos portarão um dia a imagem de Cristo
(1Co 15:49; 1Jo 3:2).
1:27 A criação da humanidade é o evento culminante do
capítulo 1, como mostrado pelo fato de que criou é repetido
três vezes. O verbo “criou” (Heb. bara’) é o mesmo usado
em 1:1, que se refere a um tipo de atividade criativa que
só Deus pode executar. O termo “homem” (Heb. ‘adam) é
usado em outros lugares na Bíblia hebraica para se referir
à humanidade em geral, não apenas aos homens (7:21).
Todas as pessoas, sejam homens, sejam mulheres, são
criadas à imagem de Deus (cp. Tg 3:9). As pessoas são os
únicos seres que são criados à imagem de Deus (Gn 9:3-6).
A Bíblia nunca agrupa as pessoas na mesma categoria dos
animais. Pelo contrário, ela separa a criação das pessoas
de todos os outros seres e atribui os papéis mais privilegiados na criação unicamente aos humanos.
1:28 Nesta que é a mais longa das cinco bênçãos que se encontram no relato da criação, Deus deu à humanidade cinco ordens diferentes. Implícita nas primeiras três ordens
está a bênção de Deus sobre as instituições do casamento
e da família. As duas últimas ordens, para que subjuguem
a terra e dominem o reino animal, expressam a bênção
de Deus sobre o uso dos recursos naturais renováveis e
não-renováveis do planeta. Evidentemente, somente o uso
sábio destes recursos permite que as pessoas cumpram a
ordem de Deus de encher a terra. Uma ordem semelhante
aos sobreviventes do dilúvio é mais curta, contendo em si
somente os primeiros três verbos (9:1).
1:29 Após o dilúvio nos dias de Noé, Deus emitiu orientações dietárias adicionais que expandiam as fontes de alimentos permitidos à humanidade, além das plantas e das
árvores, para incluir carnes (9:3).
1:30 A Bíblia não trata da questão da dieta para animais
carnívoros e que se alimentam de insetos.
2
Gênesis 2:7
Assim os céus e a terra foram finalizados, e
todo o seu exército.
2
E no sétimo dia Deus terminou o trabalho
que havia realizado; e ele descansou no sétimo
dia de todo o trabalho que havia feito.
3
E Deus abençoou o sétimo dia, e o
santificou, porque nele ele havia descansado
de todo o seu trabalho que Deus criou e fez.
4
Estas são as gerações dos céus e da terra
quando foram criados, no dia em que o Senhor
Deus fez a terra e os céus,
5
e toda planta do campo antes de estar na terra, e toda erva do campo antes de crescer; pois
o Senhor Deus não havia feito chover sobre a
terra, e não havia homem para cultivar a terra.
6
Mas ali subia uma neblina da terra, e regava
toda a face da terra.
7
E o Senhor Deus formou o homem do pó
da terra, e soprou nas suas narinas o sopro da
vida; e o homem se tornou uma alma vivente.
1:31 Este é o sétimo, final e mais elaborado uso da palavra
bom no relato dos sete dias da criação.
2:1 Este versículo serve como um complemento para 1:1.
Juntos, os dois colocam os primeiros seis dias da criação à
parte do sagrado sétimo dia.
2:2 Este é o primeiro uso do número sete na Bíblia, um
número que exercerá um papel especialmente significativo
na vida religiosa e social do antigo Israel (4:15; 7:2-4, 10;
21:28-31; 29:18-20). No sétimo dia Deus descansou, estabelecendo assim um exemplo para as pessoas - que são
feitas à Sua imagem - seguirem (Êx 20:8-11; Dt 5:12-14).
Embora Deus tenha descansado de todo o trabalho que
havia feito, isto não quer dizer que Deus tenha abandonado
o universo. No NT, Jesus afirmou que Deus ainda trabalha
no mundo, mesmo no sábado (Jo 5:16-17).
2:3 Este é o único exemplo durante o processo da criação
em que Deus abençoou uma unidade de tempo. O verbo
santificou é usado na Bíblia quando alguma coisa é separada para o serviço de Deus.
2:4 A palavra hebraica toledoth, traduzida aqui como gerações, é usada 11 vezes no livro de Gênesis para introduzir novas unidades da matéria (5:1; 6:9; 10:1; 11:10,27;
25:12,19; 36:1,9; 37:2). Nesta perícope, ela introduz uma
elaboração detalhada de alguns aspectos fundamentais
do relato da criação que abre o livro de Gênesis (1:1-2:3).
Uma ênfase especial é colocada nos eventos do sexto dia.
O versículo 4 inclui o primeiro uso do nome pessoal de
Deus, traduzido em português como o Senhor, o nome mais
comumente usado no AT. A grafia hebraica é transliterada como “YHWH” ou “YHVH”, uma palavra que os judeus
consideravam tão sagrada que eles não se permitiam pronunciá-la. Portanto, sua pronúncia exata é desconhecida,
embora sugestões comuns incluem “Jeová”, “Yahweh” ou
“Javé”.
2:6 Esta fonte de água, uma generosa bênção que fornecia
umidade para toda a face da terra no tempo da inocência
humana, mais tarde se tornou uma fonte de julgamento
sobre o pecado da humanidade (7:11).
2:7 O verbo hebraico traduzido neste versículo como formou é usado em outras partes na Bíblia para descrever a
profissão do oleiro (Jr 18:4; Zc 11:13). Deus age aqui como
o divino oleiro, que habilmente molda o homem do pó da
terra. A Bíblia, no entanto, deixa muito claro que as pessoas são algo mais do que apenas seres materiais. Adão
10
A Singularidade da Narrativa
da Criação de Gênesis
E
Kenneth A. Mathews
mbora haja muitas similaridades entre partes de Gênesis e mitos do Antigo Oriente Próximo (AOP), há
também diferenças fundamentais. Estas são vistas em especial nas visões bem diferentes do Criador e
da criação. Cinco características em particular distinguem a perspectiva e os relatos bíblicos da criação.
O ensino bíblico é tão distinto teologicamente das concepções dos vizinhos de Israel que ele é explicado
melhor como resultado de revelação divina, e não da imaginação ou do “gênio religioso” do autor bíblico.
A Identidade de Deus
A identidade básica de Deus como revelada em Gênesis é distinta de todas as concepções do AOP. O Senhor
Deus não teve uma origem e muito menos uma contraparte feminina. Na verdade, Gênesis não apresenta
nenhum tipo de teogonia (origem dos deuses). Deus simplesmente sempre existiu. O conceito de fertilidade
era uma explicação comum entre os antigos para a maneira como o mundo fora criado. Acreditava-se que
deuses e deusas se juntaram em união sexual e assim geraram o mundo, exatamente como um homem e uma
mulher podem se juntar para gerar um filho. O Deus de Israel, no entanto, foi revelado como sendo assexuado,
nem masculino nem feminino. De acordo com outras religiões do AOP, o mundo (ou partes dele, como o sol)
era um divino “Tu”, enquanto em Gênesis, o mundo foi revelado como sendo um “ele”, uma realidade que
não era sobrenatural trazida à existência por um Deus sobrenatural.
Nenhum Deus Rival
Apesar de visões politeístas dominarem o AOP, Gênesis revelou que Deus não possui rivais divinos. Uma
explicação comum para a criação entre os antigos era que uma batalha épica fora travada entre deuses criadores
e divindades contrárias à criação. Por fim, o deus criador venceu os deuses ou as forças contrárias, em alguns
casos usando os corpos mortos de seus inimigos para fazer a matéria-prima do mundo. Em Gênesis, não há
qualquer rival opondo-se ao Criador. Toda a criação obedeceu à voz de Deus, como manifesto na expressão
recorrente: “e assim foi” (1:7).
Criação a partir do Nada
Em Gênesis, o Criador, por sua inerente autoridade como Soberano Senhor, chamou a criação a uma
funcional e bem-ordenada existência. Não havia qualquer matéria preexistente, como se acreditava nos antigos
mitos. Gênesis afirma que Deus chamou todas as coisas ao seu surgimento original. Isso não significa que Ele
proferiu palavras que possuíam poderes mágicos inerentes. Em vez disso, o irrevogável poder das palavras
criadoras de Deus estava baseado na autoridade do próprio Deus. Diferente das divindades da natureza cuja
existência se limitava ao sistema do mundo, Deus já existia antes da criação e acima da criação. Além disso,
a criação não foi a emanação da pessoa ou do poder divino. Ela foi separada dele, uma nova realidade sujeita
à Sua vontade.
O Valor da Humanidade
Em Gênesis, o Criador concedeu um valor especial à humanidade. Os seres humanos, na visão do AOP, não
eram indispensáveis ao funcionamento do mundo, enquanto em Gênesis, eles eram essenciais como os seus
principais zeladores. O Senhor abençoou a humanidade, atribuindo ao homem e à mulher a responsabilidade
de se propagarem e de governarem a terra (1:26-28). Em mitos do AOP, o propósito da humanidade era
explicado como se os seres humanos fossem servos para atender aos interesses servis dos deuses. A Bíblia
eleva a personalidade e o papel dos humanos, os quais foram coroados “de glória e de honra” (Sl 8:5), feitos à
imagem divina. Deus preparou o resplendente Jardim do Éden para a humanidade, e deu à humanidade trabalho
e propósito significativos (Gn 2:8-18). Além disso, Gênesis apresenta os primeiros seres humanos como os
progenitores da raça humana.
O dia do repouso (shabat)
Em Gênesis, o Criador santificou o sétimo dia para repouso, um dia de celebração (2:1-3), que mais tarde
foi comemorado no Shabat de Israel (Êx 20:8-11). O Shabat, o dia do repouso, era exclusivo de Israel, não
estando ligado ao movimento das estrelas, como anunciava a antiga astrologia. O Senhor foi revelado como
o Soberano do universo material e do tempo. Toda a criação foi convidada para se somar ao conhecimento de
Deus e de Sua adoração como Criador e Sustentador de todas as coisas.
11
E o S enhor Deus plantou um jardim na
direção leste no Éden; e ali ele colocou o
homem a quem havia formado.
9
E da terra o Senhor Deus fez crescer toda
árvore que é agradável à vista, e boa para
alimento; e também a árvore da vida no meio
do jardim, e a árvore do conhecimento do bem
e do mal.
10
E um rio saía do Éden para regar o jardim; e
dali partia-se, e tornava-se quatro cabeças.
11
O nome do primeiro é Pisom; este é o que
circunda toda a terra de Ávila, onde há ouro;
12
e o ouro dessa terra é bom; ali há bdélio e
a pedra ônix.
13
E o nome do segundo rio é Giom; esse é
o mesmo que circunda toda a terra da ­Etiópia.
14
E o nome do terceiro rio é Tigre; este é o
que vai para o leste da Assíria. E o quarto rio
é o Eufrates.
8
2:9 Gn 3:22,24;
Ap 2:7; 22:2,14,19
2:14 Dn 10:4
2:17 Rm 5:12;
6:23
passou a viver somente depois que Deus soprou nas suas
narinas o so­pro da vida. Deus é Espírito (Jo 4:24); por isso,
quando o Senhor soprou em Adão, ele e todos os seres humanos depois dele se tornaram uma singular mistura do
físico com o espiritual. A expressão traduzida como alma vivente é usada em outros lugares em Gênesis para descrever
outros tipos de seres vivos (1:20,24,30; 9:12,15-16). Os seres
humanos, no entanto, são considerados como sendo uma
classe por si mesma, porquanto, só eles são feitos à imagem
de Deus.
2:8 A localização do Éden é desconhecida. Sugestões incluem a Armênia, o Iraque, e a Arábia. As mudanças na
geografia causadas pelo dilúvio nos dias de Noé (7:11) tornam improvável que o Éden venha um dia a ser descoberto.
A palavra hebraica “Éden” significa, literalmente, “deleite.”
2:9 A preocupação de Deus com a beleza é vista no fato de
que as árvores que Ele fez crescer eram agradáveis aos
olhos. O amor de Deus pela beleza mais tarde se estenderia
à religião de Israel, que faria uso de mobília trabalhada por
hábeis artífices usando materiais dispendiosos (Êx 25-40).
Naturalmente, as belas obras criadas por Deus também
eram práticas, sendo boa para alimento.
2:10 A abundância das águas supridas no jardim do Éden
é indicada pelo fato de servir de nascente para quatro rios.
2:11 A localização do rio Pisom é desconhecida. Uma terra conhecida como Ávila existiu na região da península
árabe em uma ocasião posterior (1Sm 15:7), no entanto, a
terra antediluviana pode ter representado uma localidade
diferente.
2:13 As localizações do rio Giom e da Etiópia, (Cuxe)
também são desconhecidas. Uma Cuxe posterior localizouse na região da Etiópia e do Sudão atuais (Et 1:1).
2:14 Os rios Tigre e o Eufrates, bem como a Assíria, provavelmente correspondem as características geográficas
ligadas ao Iraque atual.
2:15 A palavra hebraica traduzida como colocou significa,
literalmente, “fez descansar”. Este estado pré-pecado de
repouso antecipa o “descanso” (“aliviará”; 5:29) que novamente viria à humanidade em razão da justiça de Noé,
bem como o descanso que Deus mais uma vez daria a
Israel após o episódio da adoração do bezerro pelo povo
(Êx 32:1-21; 33:14). Como um ser criado à imagem de
Gênesis 2:19
E o S enhor Deus tomou o homem, e o
colocou no jardim do Éden para cultivá-lo e
guardá-lo.
16
E o S enhor Deus ordenou ao homem,
dizendo: De toda árvore do jardim tu poderás
comer livremente;
17
mas da árvore do conhecimento do bem e
do mal, dela tu não comerás. Pois no dia em que
dela comeres, tu certamente morrerás.
18
E o Senhor Deus disse: Não é bom que o
homem esteja sozinho; eu farei uma ajudadora
adequada para ele.
19
E da terra o S enhor Deus formou todo
animal do campo, e toda ave do ar; e os levou
até Adão para ver como ele lhes chamaria. E
como quer que Adão chamasse cada criatura
vivente, este era o seu nome.
15
Deus, Adão, tal como Deus, deveria ser um trabalhador.
Sem a mancha do pecado, cultivá-lo era pura bênção. O
verbo traduzido aqui como “cultivar” literalmente significa
“servir.” A segunda tarefa de Adão no jardim era guardá-lo. O verbo é usado em outras partes para se referir à
ação de Deus para com o Seu povo (Sl 121:3-4) ou o trabalho de uma sentinela (Ct 5:7).
2:16 A seriedade da ordem de Deus é refletida no fato de
ser ela introduzida por uma expressão com dois verbos no
hebraico, traduzidos simplesmente como ordenou na BKJ.
Esta fórmula era usada frequentemente para expressar
decretos reais (1Sm 18:22; 2Sm 18:5). Deus deu a Adão
liberdade e limites. As liberdades por Deus concedidas
excediam em muito as limitações. Afinal de contas, Adão
tinha liberdade para comer livremente de toda árvore do
jardim, com exceção de uma.
2:17 O único limite que Deus colocou para Adão foi comer da árvore do conhecimento do bem e do mal, a qual
aparentemente concederia sabedoria divina (3:22). Comer
do fruto proibido representaria para Adão sua rejeição
de Deus, como a fonte de sabedoria divina, e sua opção
de buscar sabedoria à parte de Deus. O castigo de Deus
pela desobediência foi declarado de maneira bastante vigorosa na língua original, com uma construção com dois
verbos, “morrendo morrerá” (tu certamente morrerás).
A morte certamente chegaria para Adão e para a humanidade depois dele; entretanto, a morte com a qual Deus
o advertiu seria mais do que a morte física (3:19). Além
de romper o cordão da vida, o pecado abalaria o relacionamento harmonioso que Adão possuía com o seu ambiente (3:17-18), com a sua esposa (3:16), e com Deus.
2:18 O tema da provisão de Deus em relação as necessidades de Adão (ver nota no v. 8) é retomado nesta passagem quando Deus declara que não é bom que o homem
esteja só. O Eterno criou o homem com uma necessidade
de se relacionar com alguém que lhe fosse complementar, e agora Deus suprirá essa carência.
2:19 Assim como o homem, os animais foram formados da
terra, mas eles não receberam o fôlego de vida da parte
de Deus (v. 7), nem a imagem do Eterno. Ao dar nomes aos
animais, Adão mostrou que ele os governava e que percebia a natureza de cada ser vivo (ver nota em 1:5).
12
Gênesis 2:20
E Adão deu nomes a todo o gado, e a toda
ave do céu, e a todo animal do campo; mas
para Adão não foi encontrada uma ajudadora
adequada.
21
E o Senhor Deus fez um profundo sono
cair sobre Adão, e ele dormiu; e ele tomou uma
de suas costelas, e fechou a carne em seu lugar;
22
e da costela que o S enhor Deus havia
tirado do homem, ele fez uma mulher, e a levou
ao homem.
23
E Adão disse: Esta agora é osso dos meus
ossos, e carne da minha carne; ela será chamada
Mulher, porque ela foi tomada de dentro do
Homem.
24
Por isso, o homem deixará seu pai e sua
mãe e se apegará à sua mulher, e eles serão
uma carne.
20
2:23 Ef 5:28‑30;
2:24 Mt 19:5;
Mc 10:7,8;
1Co 6:16; Ef 5:31
2:25 Gn 3:7,10,11
3:1 2Co 11:3;
Ap 12:9; 20:2
2:20 A compreensão de Adão a respeito da natureza dos
animais que nomeara só realçou as diferenças que existiam entre ele e o restante das criaturas de Deus: não foi
encontrada uma aju­dadora adequada.
2:21 No que deve ter sido um momento de solidão na vida
de Adão, Deus interviu para criar alguém que supriria perfeitamente a necessidade do homem. Uma vez que Deus
tomou uma de suas costelas, para usá-la como Sua matéria-prima, a mulher corresponderia perfeitamente - se
bem que não identicamente - a Adão. Tal como Adão, a
mulher possuía a imagem de Deus. O fato de a mulher não
ter sido tomada da cabeça do homem sugere que ela não
deve governá-lo (1Co 11:3). E o fato de ela não ser retirada
de seu pé indica que o homem não deve oprimi-la (1Pe 3:7).
2:23 As primeiras palavras registradas de Adão expressam
o seu deleite com a obra das mãos do Criador e o seu
reconhecimento da singular adequação da última criação
divina registrada nos relatos criativos. De maneira não
’ishshah
Pronúncia hebraica
Tradução BKJ 1611
Usos em Gênesis
Usos no AT
Passagem foco
[ish SHAH]
mulher
152
781
Gênesis 2:22-25
‘Ishshah pode não estar relacionada especificamente com uma
palavra hebraica para homem em Gn 2:22-25 que se parece com
ela e soa como ela (‘iysh). ‘Ishshah se assemelha a uma palavra
para mulher em diversas línguas semíticas, e pode derivar de
um verbo que significa “ser fraco” que poderia também estar
por trás de ‘enosh, “homem” (2Sm 12:15). A expressão nascido
de mulher (Jó 14:1) aponta para a fragilidade da humanidade.
‘Ishshah possui dois significados básicos, mulher e esposa.
Ambas as ideias estão presentes nas primeiras ocorrências
da palavra (Gn 2:22-25). ‘Ishshah denota prometida ou noiva
(Dt 22:24; 24:5). Significa mulher sem implicar casamento
(Ec 7:28). “O costume das mulheres” é um eufemismo para
menstruação (Gn 31:35). Por vezes, ‘ishshah descreve um tipo
de mulher, como uma profetiza (Jz 4:4). Soldados medrosos são
comparados a mulheres (Na 3:13). ‘Ishshah funciona como um
distributivo feminino que significa cada, referindo-se a mulheres
(Rt 1:8), animais, ou até mesmo coisas. “Uma à outra” aparece
como juntas (Êx 26:5).
E estavam os dois nus, o homem e sua
mulher, e não estavam envergonhados.
Ora, a serpente era mais sutil do que
qualquer animal do campo que o Senhor
Deus havia feito. E ela disse à mulher: Sim,
Deus tem dito: Não comereis de toda árvore
do jardim?
2
E a mulher disse à serpente: Nós podemos
comer do fruto das árvores do jardim;
3
mas do fruto da árvore que está no meio do
jardim, Deus disse: Não comereis dele, nem o
tocareis, para que não morrais.
4
E a serpente disse à mulher: Certamente não
morrereis.
5
Porque Deus sabe que no dia em que dele
comerdes, então vossos olhos serão abertos, e
vós sereis como deuses, conhecendo o bem e
o mal.
25
3
comparável a qualquer outra peça do artesanato divino,
esta era singularmente apropriada para o homem, sendo
osso dos seus ossos e carne da sua carne. Adão expressa
domínio ao escolher o nome para a criatura final de Deus,
entretanto, o nome que ele escolheu sugere que o homem
a via como sua igual. O termo hebraico ‘ishshah, mulher, a
identifica como o complemento feminino de ‘ish, o homem.
2:24 O projeto atemporal de Deus para o casamento é declarado aqui. O relacionamento de uma carne certamente envolve a união sexual, mas também inclui a união de
marido e mulher em uma harmonia espiritual, mental e
emocional.
2:25 Visto que os efeitos devastadores do pecado ainda
não tinham assolado a natureza ou a humanidade, não
havia necessidade de roupas. Adão e Eva podiam viver
sem as barreiras necessárias para protegê-los de seu
ambiente e um do outro sem um senso de vergonha. Mais
tarde, no tempo dos patriarcas e dos reis, a roupa estava
associada à dignidade. Consequentemente, um prisioneiro
de guerra não possuía a permissão de usar roupa alguma.
Os escravos usavam poucas roupas, enquanto as classes
sociais mais elevadas usavam mais roupas do que
qualquer outro grupo na sociedade.
3:3 A alegação da mulher de que Deus dissera: Não
comereis ... nem tocareis na árvore; para que não morrais,
vai além de qualquer coisa registrada nas instruções de
Deus para Adão. Portanto, parece que o homem tinha dado
a sua mulher uma ordem adicional além daquela que Deus
proferira, ou então que a própria Eva exagerou a ordem
quando Satanás a tentou para que enxergasse Deus como
egoísta e excessivamente restritivo. Se Adão fez acréscimo
à ordem de Deus, é bem provável que ele tivesse um bom
motivo - afinal de contas, se Eva nunca tocasse na árvore,
certamente ela não comeria de seu fruto. Todavia, a triste
verdade é que, quando as pessoas fazem acréscimos à
palavra de Deus, elas criam confusão e transtorno.
3:4-5 A serpente, reconhecendo a confusão da mulher,
encontrou um ponto para atacar. Sabendo que Eva não
morreria por simplesmente tocar no fruto, ela ousadamente
contradisse o que a mulher relatara como sendo a ordem
de Deus. Em seguida, a serpente astutamente mentiu
(Jo 8:44) ao distorcer a palavra de Deus (Mt 4:6). Sugeriu
que Deus proibira que se comesse do fruto somente para
impedir que o primeiro casal ficasse tão entendido quanto
Ele. A mulher foi agora totalmente enganada (1Tm 2:14).
13
E quando a mulher viu que a árvore era boa
para alimento, e que era agradável aos olhos,
e uma árvore a ser desejada para fazer alguém
sábio, ela tomou do seu fruto, e o comeu, e deu
também a seu marido, e ele o comeu com ela.
7
E os olhos de ambos foram abertos, e eles
souberam que estavam nus; e coseram folhas
de figos, e fizeram para si aventais.
8
E eles ouviram a voz do S enhor Deus
andando pelo jardim no frescor do dia. E Adão
e sua mulher se esconderam da presença do
Senhor Deus entre as árvores do jardim.
9
E o Senhor Deus chamou a Adão, e lhe
disse: Onde tu estás?
10
E ele disse: Eu ouvi a tua voz no jardim e
tive medo, porque eu estava nu, e me escondi.
11
E ele disse: Quem te contou que estavas
nu? Tens tu comido da árvore da qual eu te
ordenei que não comesses?
6
3:6 1Tm 2:14
3:8 Jó 31:33
3:15 1Jo 3:8;
Rm 16:20
3:6 Visto que a mulher não morreu quando tocou o fruto em contradição ao que ela havia pensado que Deus dissera
(v. 3) - o comeu. Embora Adão estivesse nessa ocasião,
nada fez para impedi-la. Talvez ele desejasse comer do
fruto tanto quanto a mulher, mas temendo as consequências, usou sua esposa como “cobaia” para se certificar que
o fruto não causaria morte instantânea.
3:7 Como a serpente havia indicado, os olhos de ambos
foram abertos, e eles souberam..., mas ao invés de produzir capacidade divina, o conhecimento trouxe apenas um
senso de imperfeição humana, medo, e vergonha.
3:9 Deus tomou a iniciativa ao se aproximar da humanidade
pecadora. Este padrão - a humanidade peca, e então Deus
busca pecadores - torna-se o tema principal do restante
da Bíblia. Sua última expressão é encontrada em Jesus
Cristo, que veio buscar e salvar pessoas alienadas de Deus
por conta de seus pecados (Lc 19:10). Em Cristo, Deus
mais uma vez andou sobre a terra em busca de pecadores.
O Deus onisciente, em benefício do próprio Adão para
encorajá-lo a enfrentar o seu pecado, perguntou ao
homem: Onde tu estás?
3:10 Quando Adão ouviu Deus, teve medo. Em vez de
andar com o Eterno, como homens justos de gerações
nachash
Pronúncia hebraica
Tradução BKJ 1611
Usos em Gênesis
Usos no AT
Passagem foco
[na CHASH]
serpente
6
31
Gênesis 3:1-2,4,13-14
Embora nachash seja o mais predominante de oito termos do AT
para cobra (Nm 21:6), o uso é mais amplo que esse. A nachash em
Gn 3:1,14 era o animal mais astuto e não rastejava sobre o ventre antes da maldição. Nachash Leviatã era um monstro marinho
(Is 27:1), e havia outras serpentes marinhas (Am 9:3). Associado a
nachasch estão o movimento deslizante (Pv 30:19), voar (Is 14:29),
ataque inesperado (Gn 49:17), peçonha venenosa (Sl 58:4), mordida afiada (Sl 140:3), silvar (Jr 46:22), ovos (Is 14:29), e lamber o pó
(Gn 3:14; Mq 7:17). Por cinco vezes nachash ocorre com palavras
que significam “víbora.” O Oriente Médio possui amplas áreas
desertas que são o ambiente próprio para serpentes. A serpente
de Gênesis 3, um inimigo do homem ligado ao mal, é particularmente identifica com Satanás em Ap 12:9, onde ele é chamado
também de “dragão,” baseado no grego drakon, que pode significar “serpente.”
Gênesis 3:16
E o homem disse: A mulher que tu me deste
para estar comigo, ela me deu da árvore e eu
comi.
13
E o Senhor Deus disse à mulher: O que é
isto que tu fizeste? E a mulher disse: A serpente
me enganou, e eu comi.
14
E o Senhor Deus disse à serpente: Porque
tu fizeste isso, tu és amaldiçoada acima de todo
gado, e acima de todo animal do campo; sobre
o teu ventre tu andarás, e pó comerás todos os
dias da tua vida.
15
E eu colocarei inimizade entre ti e a mulher,
e entre a tua semente e a sua semente; ela ferirá a
tua cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar.
16
À mulher ele disse: Eu multiplicarei
grandemente o teu sofrimento e a tua concepção.
Com sofrimento terás filhos; e o teu desejo será
para o teu marido, e ele governará sobre ti.
12
posteriores o fariam (Enoque, 5:22; Noé, 6:9), Adão se
escondeu do Senhor.
3:11 Mediante o uso de duas perguntas diretas, Deus levou
Adão à responsabilização por seu pecado. O Eterno não negligencia o pecado, mas Ele pode ser delicadamente firme
na confrontação do pecado.
3:12 Adão não respondeu às perguntas de Deus. Em vez
disso, buscou transferir a culpa de seu pecado: primeiro
para a mulher, e depois para Deus.
3:13 A mulher passou a culpa para a serpente e admitiu
que, antes de comer, a serpente a enganou (1Tm 2:14).
3:14 Embora a responsabilização tenha começado com
Deus confrontando Adão, o julgamento começou com a
serpente. Em razão do papel fundamental da serpente
(sendo usada por Satanás) ao trazer o pecado à experiência humana, ela seria permanentemente destinada à posição de máxima vergonha, debaixo dos pés. Tal como reis
conquistados eram postos deitados ao chão sob os pés de
seus conquistadores (Js 10:24), dessa maneira agora, a
serpente viveria sob os pés da humanidade.
3:15 A inimizade entre a primeira mulher e a serpente seria
passada às futuras gerações. Este versículo é conhecido
na cristandade como o proto-evangelho, ou “as primeiras
boas-novas,” porquanto é a primeira predição do evangelho
de Jesus Cristo. Usando uma enfática construção hebraica,
Deus anunciou aqui que um descendente masculino semente - um dia daria um golpe fatal na serpente (que
significa Satanás). Os escritores do NT entenderam que
Jesus Cristo cumpriu esta profecia (Hb 2:14; 1Jo 3:8). Em
sentido estendido, o NT também indica que Deus operaria
através da Igreja - aqueles que são habitados pelo Espírito
de Cristo - para destruir as obras do diabo (Rm 16:20). A
afirmação de que a serpente feriria apenas o calcanhar de
seu oponente (em contraste com a cabeça) sugere que o
diabo será derrotado no conflito subsequente (Ap 2:2,7-10).
3:16 Embora a mulher tivesse sido enganada para comer
o fruto proibido, mesmo assim ela foi responsabilizada por
seu ato. É notável, contudo, que a palavra “maldita” não
é incluída nas palavras de Deus para Eva (v. 14,16). Duas
punições foram impostas: ambas atingem o centro das
funções de uma mulher na vida. Mais do que teria sido o
caso se o pecado não tivesse entrado na criação, a geração
de filhos seria adicionada ao montante de sofrimento no
universo (Deus disse: multiplicarei... o teu sofrimento e a
tua concepção; não disse que o originaria). O casamento
também seria desvirtuado. Apesar do desejo da mulher
passar a ser para seu marido, o pecado também desvirtuaria
o plano de Deus para o casamento e criaria desigualdade e
14
Gênesis 3:17
E a Adão ele disse: Porque tu escutaste
a voz de tua mulher, e comeste da árvore, da
qual eu te ordenei dizendo: Tu não comerás
dela, amaldiçoada é a terra por tua causa; com
sofrimento tu comerás dela todos os dias da tua
vida.
18
Espinhos e cardos também produzirá para
ti; e comerás a erva do campo;
19
no suor da tua face comerás o pão, até
que retornes a terra, pois dele tu foste tirado;
porque pó tu és, e ao pó tu retornarás.
20
E Adão chamou o nome de sua mulher Eva,
porque ela foi a mãe de todos os viventes.
21
Para Adão e também para sua mulher o
Senhor Deus fez vestes de pele, e os vestiu.
22
E o Senhor Deus disse: Eis que o homem
se tornou como um de nós, para conhecer o
bem e o mal; e agora, para que ele não estenda
sua mão, e tome também da árvore da vida, e
coma, e viva para sempre;
17
3:17 Rm 8:20-22;
Ec 2:23
3:19 Gn 2:7;
Sl 90:3; Ec 12:7
3:22 Ap 22:14
4:4 Hb 11:4
subjugação atormentadoras. Esta última é uma descrição
do efeito devastador do pecado no relacionamento entre
marido e esposa, e não uma prescrição para se abusar
da esposa. O NT ensina que o casamento deve refletir o
relacionamento entre Cristo e a Igreja (Ef 5:24-25) e deve
ser caracterizado pela compreensão e respeito de um
marido por sua esposa (1Pe 3:7).
3:17 Porquanto Adão escutou e obedeceu à sua mulher
em preferência àquilo que Deus ordenara (2:17), uma
maldição também atingiria o centro de um relacionamento
fundamental em sua vida. O relacionamento de Adão com
o solo seria agora para sempre prejudicado pelo pecado.
Todos os dias da sua vida ele haveria de experimentar
sofrimento (cp. os sofrimentos da mulher na gravidez,
v. 16) ao trabalhar para a produção do fruto da terra.
3:18 Antes do pecado do primeiro casal, registra-se que
Deus só colocou árvores no jardim (2:8-9); agora também
haveria espinhos e cardos. Antes do pecado, os seres humanos tinham apenas de esticar o braço para obter comida; agora teriam de curvar as costas para juntar erva
do campo.
3:19 A simples colheita de frutos para comer seu alimento (lit. “pão”) seria agora substituída pelo trabalho árduo
e pelo suor da face. Ao trabalhar todos os dias no solo,
Adão seria continuamente lembrado que é pó e que ao pó
retornará.
3:20 O novo nome que Adão deu a sua mulher enfatiza a
função geradora de vida da mulher que contrabalança a
maldição do pecado, que é a morte. A ordem divina, no entanto, pede uma reciprocidade exibida na liderança servil
masculina e na submissão feminina, sendo que ambas estão modeladas no próprio Jesus.
3:21 Ao fazer vestes de pele, o Senhor Deus graciosamente
providenciou para a necessidade humana de um modo
superior àquele que Adão e Eva tinham feito com folhas de
figueira. O uso de peles de animais antecipa o sistema do
AT de sacrifícios de animais (Lv 1; 3-7; Nm 15:1-31). No NT,
o apóstolo Paulo falou de um dia quando Deus vestiria o
Seu povo de imortalidade (1Co 15:53-54; 2Co 5:4), provendo
o Senhor Deus, portanto, o lançou fora do
jardim do Éden, para cultivar a terra da qual
fora tomado.
24
Assim ele expulsou o homem, e colocou no
leste do jardim do Éden querubins, e uma espada
flamejante, que se voltava a todos os lados para
guardar o caminho para a árvore da vida.
E Adão conheceu Eva, sua mulher; e ela
concebeu e teve Caim, e disse: Concebi um
homem do Senhor.
2
E ela também teve Abel, irmão dele. E Abel
era um guardador de ovelhas, mas Caim era
cultivador da terra.
3
E no passar do tempo, aconteceu que Caim
trouxe do fruto da terra uma oferta ao Senhor.
4
E Abel, ele também trouxe das primícias e
da gordura do seu rebanho. E o Senhor teve
consideração por Abel e por sua oferta;
23
4
assim a completa anulação da maldição do pecado da
humanidade.
3:22 Devido ao pecado, as pessoas agora conhecem o bem
e o mal de maneira experiencial. Visto que o dom da vida
estava diretamente ligado à obediência, o pecado do homem significava que a penalidade da morte deveria ser
imposta.
3:23 Como o texto hebraico ironicamente o expressa, o
Senhor Deus lançou Adão fora do jardim para que ele não
estendesse (“alcançasse”, v. 22) a mão para tomar do fruto
do jardim.
3:24 Seguindo o seu pecado, o primeiro casal foi para o
leste, uma direção associada à retirada da presença de
Deus em numerosos exemplos bíblicos. Outros exemplos
de movimento para o leste em Gênesis incluem as peregrinações de Caim após o seu julgamento (4:16), a migração
da humanidade para a Babilônia (11:2), e a migração dos filhos de Quetura (25:6). Querubins são usados como temas
artísticos no tabernáculo (Êx 25:18-22; 26:1) e são também
mencionados em Ez 10 e 11. A ironia continua quando o
homem, que uma vez recebeu a ordem para “guardar” o
jardim (Gn 2:15), é agora expulso do jardim.
4:1 Adão e Eva começam agora a cumprir a ordem original de Deus para eles, “sejam férteis” e “multipliquem-se”
(1:28). Eva, cujo nome significa “Vida,” doravante se torna
uma doadora de vida. Ela reconhecia que a criança não
viera apenas como fruto do amor dela e de seu marido,
mas veio à existência com o auxílio do Senhor. Um jogo de
palavras no hebraico sugere que o nome Caim (qayin) veio
do verbo “ter” (qaniti) no comentário de Eva, concebi um
homem do Senhor.
4:2 O nome Abel significa “Sopro”. O termo é usado em
outros lugares no AT para se referir àquilo que passa rapidamente e é insubstancial (Sl 62:10; Ec 1:2).
4:3 O sacrifício de Caim marca a primeira menção de uma
oferta ao Senhor na Bíblia. O termo usado neste versículo
sugere uma dádiva espontânea oferecida a uma autoridade.
15
mas por Caim e por sua oferta ele não teve
consideração. E Caim ficou muito irado, e o seu
semblante caiu.
6
E o Senhor disse a Caim: Por que estás irado? E por que o teu semblante está caído?
7
Se tu fazes bem, não serás aceito? E se não
fazes bem, o pecado jaz à porta. E para ti será o
desejo dele, e tu governarás sobre ele.
8
E Caim falou com Abel, seu irmão; e aconteceu que, quando eles estavam no campo,
Caim se levantou contra Abel, seu irmão, e o
assassinou.
9
E o Senhor disse a Caim: Onde está Abel,
teu irmão? E ele disse: Eu não sei; sou eu
guardador do meu irmão?
10
E ele disse: O que tu fizeste? A voz do
sangue de teu irmão está clamando a mim
desde a terra.
11
E agora tu és amaldiçoado desde a terra,
que abriu a sua boca para receber o sangue do
teu irmão da tua mão;
5
4:8 Mt 23:35;
1Jo 3:12
4:14 Sl 51:11;
Nm 35:19, 21,27,33
4:15 Ez 9:4,6
4:5 Ironicamente, a primeira oferta apresentada a Deus,
de que se tem registro, foi também a primeira por Ele
rejeitada. Visto que ofertas de cereais foram autorizadas
na lei de Moisés, o fato da oferta de Caim ser de origem
vegetal em vez de animal não constitui o motivo pelo qual
Deus não te­ve consideração por esta dádiva. A reação
de Caim, que ficou muito irado, sugere que a oferta fora
rejeitada por causa do pecado em seu coração, e não pela
natureza de sua oblação. Ver nota no versículo 7.
4:7 A Bíblia deixa claro que Deus rejeitou a oferta de Caim
por causa de seu estilo de vida pecaminoso (1Jo 3:12). A
descrição do pecado, semelhante a um animal, como
uma ameaça, é empregada novamente em 49:9 para descrever um leão. O uso paralelo de desejo neste versículo (e em 3:16) sugere que o pecado deseja ser tão íntimo
com a humanidade como uma mulher é com seu marido.
O único modo de evitar isto é ser o seu senhor, não o seu
parceiro.
4:8 Em um movimento que demonstra premeditação, Caim
levou Abel para o campo e o assassinou em um lugar onde
não havia testemunhas humanas. Embora o sangue de
animais já tivesse sido antes derramado (v. 4), a ação de
Caim ao assassinar seu irmão resultou na primeira morte
de um ser humano. A maldição da morte pronunciada
contra Adão (2:17; 3:19) havia sido agora concretizada.
4:9 Continua aqui o uso que Deus faz de perguntas para
pecadores culpados (v. 6; cp. 3:9-13). Ao afirmar que não
sabia onde estava seu irmão, Caim acrescentou a mentira
ao seu pecado de homicídio. Deus outrora constituíra Adão
um guardião (Heb. shamar) do jardim (2:15); agora, Caim
perguntou se ele deveria ser o guardador (Heb. shamar)
por seu irmão. A resposta da Bíblia para a pergunta de
Caim é sim (Lv 19:18; Mt 22:39; Gl 5:14).
4:10 Diferentemente de seu pai, Adão (3:12), Caim nunca
confessou a sua culpa, embora Deus o tenha confrontado
diretamente com o seu pecado. Embora Abel nunca tenha
falado na narrativa precedente, o seu sangue agora estava
clamando da terra.
4:11 O julgamento de Deus começou com uma maldição
cujo fraseado em hebraico faz um paralelo com a maldição
imposta à serpente. Isto é particularmente apropriado
já que ambos eram mentirosos e assassinos (Jo 8:44). É
possível traduzir a declaração de Deus nessa perícope
Gênesis 4:17
quando tu cultivares a terra, ela não te dará
mais a sua força; fugitivo e errante serás na
terra.
13
E Caim disse ao Senhor: Meu castigo é
maior do que eu posso suportar.
14
Eis que tu me expulsaste neste dia da face da terra; e de tua face eu estarei escondido;
e serei fugitivo e errante na terra. E acontecerá
que todo aquele que me encontrar me matará.
15
E o Senhor lhe disse: Portanto, todo aquele
que matar Caim, a vingança será tomada sobre
ele sete vezes. E o Senhor fixou uma marca
sobre Caim, para que qualquer que o achasse
não o matasse.
16
E Caim saiu da presença do S enhor , e
habitou na terra de Node, no leste do Éden.
17
E Caim conheceu sua mulher, e ela
concebeu, e teve Enoque; e ele edificou uma
ci­dade, e chamou o nome da cidade de Enoque,
conforme o nome do seu filho.
12
como “amaldiçoado é você mais do que a terra.” A maldição
contra um homicida é repetida na lei de Moisés (Dt 27:24).
4:12 A punição de Caim arruinou o seu meio de vida como
agricultor e fez dele um fugitivo e errante.
4:13 A resposta de Caim admite várias traduções possíveis
em português. A BKJ 1611 - que reflete a atitude impenitente
que Caim antes mostrara - expressa a angústia desse
personagem, mas não o remorso. A Septuaginta e Martinho
Lutero traduziram como: “Meu pecado é tão grande para
ser perdoado”. Os rabinos, por sua vez, tomaram como uma
pergunta: “O meu pecado é tão grande para ser perdoado?”
Em vista dos atos anteriores e posteriores de Caim, a
tradução da BKJ 1611 (meu castigo é maior do que eu posso
suportar) parece melhor.
4:14 Tal como o seu pai, Adão, fora expulso (Heb. garash)
do jardim, Caim percebeu que Deus o estava expulsando
(Heb. garash) da terra. Uma vez que ele haveria de se esconder (ou talvez, “ser escondido”) da face protetora de
Deus, ele temeu que outros descendentes de Adão e Eva
(5:4) o matassem para vingar a morte de Abel.
4:15 Fiel a Sua natureza compassiva e perdoadora
(Êx 34:6-7), Deus fez duas provisões para Caim a fim de
protegê-lo, a despeito de seu pecado.
4:16 O afastamento de Caim da presença do Senhor foi
tanto física quanto espiritual (Jn 1:3,10). “Node” significa
“peregrinação.” A terra de Node nunca mais é mencionada
na Bíblia. Talvez a expressão simplesmente se refira a
alguma localização na qual Caim residiu. A observação de
que Caim partiu para viver a leste do Éden o identifica com
outros pecadores que também se moveram na direção
leste (ver nota em 3:24).
4:17 Os caminhos paralelos das vidas de Adão e Caim pecado, julgamento por Deus, expulsão, e movimento para
o leste - continuam com a observação de que após estas
coisas Caim conheceu sua mulher (cp. v. 1). Apesar de seu
grave pecado, Caim ainda cumpriu a ordem divina para ser
fértil e multiplicar (1:28). Por outro lado, os esforços dele
para fundar uma cidade constituíram mais uma expressão
de desobediência a Deus, pois o Senhor dera ordem ao
personagem para ser um fugitivo errante (v. 12). A cidade
de Enoque não é mencionada em outra parte da Escritura,
e sua localização é desconhecida.
16
Gênesis 4:18
E a Enoque nasceu Irade, e Irade gerou
Meujael, e Meujael gerou Metusael, e Metusael
gerou Lameque.
19
E Lameque tomou para si duas esposas. O
nome de uma era Ada, e o nome da outra Zilá.
20
E Ada teve Jabal; ele foi o pai dos que
habitam em tendas, e dos que têm gado.
21
E o nome de seu irmão era Jubal. Ele foi
o pai de todos os que manuseiam a harpa e o
órgão.
22
E Zilá, ela também teve Tubalcaim, um
instrutor de todo artífice de bronze e ferro; e a
irmã de Tubalcaim era Naamá.
23
E Lameque disse a suas mulheres, Ada e
Zilá: Ouvi a minha voz, mulheres de Lameque,
escutai as minhas palavras, pois eu matei um
homem pela minha ferida e um jovem pelo meu
sofrimento.
18
4:24 ver 15
4:25 Gn 5:3
4:26 Gn 12:8;
1Rs 18:24;
Jl 2:32; Sf 3:9;
1Co 1:2
5:1 Gn 1:27;
Ef 4:24; Cl 3:10
5:2 Gn 1:27
A genealogia de Caim nos versículos 17-24 possui semelhanças com a genealogia de Sete (5:3-32). Dois nomes
nas duas linhagens são idênticos (Enoque, Lameque) e
outros são similares (Caim/Cainã; Metusael/Matusalém).
Além disso, o sétimo membro de ambas as genealogias
(Lameque de Caim, Enoque de Sete) recebem ênfase especial, e as duas concluem com uma pessoa que tem três
filhos nomeados. Diferenças notáveis existem também:
a genealogia de Sete é mais longa e contém detalhes do
tempo de vida, porém omite qualquer menção aos nomes
de esposas e ocupações.
4:18 Três pessoas aqui - Irade... Meujael, e Metusael - são
mencionadas na Bíblia apenas neste versículo.
4:19 Mais detalhes são fornecidos nesta seção genealógica
para Lameque, o sétimo membro da linhagem de Adão por
Caim, do que para qualquer outro. Seus três filhos nomeados fizeram contribuições cruciais para a cultura humana.
Contudo, a descrição da vida de Lameque descreve um
quadro perturbador de uma pessoa que não tinha respeito pelo casamento ou pela vida humana. Ao tomar duas
esposas para si, Lameque tornou-se o primeiro polígamo,
uma violação dos propósitos de Deus para o casamento
(2:22; Mc 10:6-8).
4:20 Jabal promoveu avanços importantes na profissão dos
que habitam em tendas e criam rebanhos - aqueles que
cuidam de ovinos, caprinos e bovinos (Heb. miqneh). Isto
representa um avanço além daquele que Abel promovera,
uma vez que Abel é conhecido como tendo pastoreado
apenas ovinos e caprinos (v. 2; Heb. tso’n).
4:21 Jubal trouxe avanços à civilização na área das artes
musicais, exercendo um papel fundamental no desenvolvimento de dois importantíssimos instrumentos musicais do
mundo antigo, a harpa e o órgão.
4:22 Os avanços metalúrgicos de Tubalcaim na criação do
bronze (feito da combinação de cobre com estanho) e na
fundição do ferro se mostrariam cruciais para a elaboração de artífice e armas.
4:23 O assim chamado “Cântico da Espada” de Lameque, o
mais longo discurso registrado de um ser humano até este
ponto na Bíblia (21 palavras hebraicas), representa o clímax sombrio da genealogia cainita. Seu nível de retaliação
contra um homem e um jovem vai muito além dos limites
bíblicos (Êx 21:23-25). Seu orgulho de ter matado por vingança prenuncia as condições que levaram ao dilúvio nos
dias de Noé (Gn 6:11).
4:24 Usando uma lógica distorcida, Lameque parecia
sugerir que Deus lhe proveria maior proteção do que a
Se Caim for vingado sete vezes, Lameque
certamente setenta vezes sete.
25
E Adão conheceu novamente sua mulher;
e ela teve um filho, e chamou seu nome Sete,
porque Deus, ela disse, me designou outra
semente no lugar de Abel, a quem Caim matou.
26
E a Sete, também nasceu um filho; e ele
chamou seu nome Enos. Então os homens
começaram a invocar o nome do Senhor.
Este é o livro das gerações de Adão. No dia
em que Deus criou o homem, à semelhança
de Deus ele o fez;
2
macho e fêmea ele os criou; e os abençoou,
e chamou seu nome Adão, no dia em que eles
foram criados.
3
E Adão viveu cento e trinta anos, e gerou
um filho à sua própria semelhança, segundo a
sua imagem, e chamou seu nome Sete.
24
5
proporcionada a Caim, uma vez que ele, Lameque, matara
o dobro de homens.
4:25 O nome Sete (Heb. sheth) é um jogo de palavras com
o verbo traduzido como concedeu (Heb. shath). Mais uma
vez (v. 1), Eva reconheceu ser Deus a última fonte de sua
descendência. A expectativa de que Sete seria mais justo
do que Caim é estabelecida pela declaração de Eva de que
Deus o concedera no lugar de Abel. Na verdade, a linhagem familiar pela qual descende o Senhor Jesus, é traçada
por meio de Sete (Lc 3:38).
4:26 O nome Enos, tal como o nome Adão, significa “humanidade.” Em um sentido muito real, o nascimento de
Enos assinala um novo e mais brilhante início para a humanidade, porquanto nessa época começaram a invocar
o nome do Senhor (Yahweh). Yahweh é o nome pessoal de
Deus (Êx 3:15).
5:1 Esta é a segunda das onze seções toledoth em Gênesis
(2:4; 6:9; 10:1; 11:10,27; 25:12,19; 36:1,9; 37:2). O termo hebraico toledoth (“registros de família”) refere-se aos “que
foram gerados.” Cada seção contém informação genealógica ou relatos concernentes aos descendentes da pessoa
ou coisas nomeadas no título da seção.
Somente a genealogia setita é denominada livro das
gerações de Adão, apesar dos descendentes de Caim estarem igualmente relacionados. A razão para isto tem a
ver, sem dúvida, com os descendentes contrastantes dentro das genealogias dos irmãos. Apenas descendentes na
linhagem de Sete são notados como sendo justos. Nesta
genealogia, dá-se ênfase ao fato de que Adão foi criado à
semelhança de Deus, uma característica que haveria de
ser passada adiante às futuras gerações (v. 3).
5:2 Temas fundamentais do capítulo 1 são repetidos e ampliados na genealogia setita: (1) Deus criou ambos, macho
e fêmea, possibilitando, assim, que a humanidade cumprisse o mandato divino de gerar descendência; (2) as pessoas, embora feitas à imagem de Deus, não são divinas;
foram criados; (3) Deus abençoou de maneira especial a
humanidade; e (4) os seres humanos estão sob a autoridade de Deus, como demonstrado pelo fato de o Eterno lhes
ter designado o nome de Homem (Adão).
5:3 O papel de Adão na vida de Sete pode ser comparado e
também contrastado com o papel de Deus com Adão. Se,
por um lado, o Eterno “criou” Adão, por outro, este gerou
Sete. Se Adão foi feito à imagem de Deus, Sete foi feito à
imagem de Adão. Como Deus, Adão deu... nome àquele por
quem ele era responsável por trazer à existência.
17
E os dias de Adão, depois de ter gerado Sete
foram oitocentos anos, e gerou filhos e filhas.
5
E todos os dias que Adão viveu foram
novecentos e trinta anos, e morreu.
6
E Sete viveu cento e cinco anos, e gerou
Enos.
7
E Sete viveu, depois que gerou Enos,
oitocentos e sete anos, e gerou filhos e filhas.
8
E todos os dias de Sete foram novecentos e
doze anos, e morreu.
9
E Enos viveu noventa anos e gerou Cainã.
10
E Enos viveu, depois que gerou Cainã,
oitocentos e quinze anos, e gerou filhos e filhas.
11
E todos os dias de Enos foram novecentos
e cinco anos, e morreu.
12
E Cainã viveu setenta anos, e gerou
Maalaleel.
13
E Cainã viveu, depois que gerou Maalaleel,
oitocentos e quarenta anos, e gerou filhos e
filhas.
14
E todos os dias de Cainã foram novecentos
e dez anos, e morreu.
15
E Maalaleel viveu sessenta e cinco anos, e
gerou Jerede.
16
E Maalaleel viveu, depois que gerou
Jerede, oitocentos e trinta anos, e gerou filhos
e filhas.
17
E todos os dias de Maalaleel foram
oitocentos e noventa e cinco anos, e morreu.
4
5:5 Gn 3:19
5:22 ver 24;
Gn 6:9; Mq 6:8
5:24 2Rs 2:1,11;
Hb 11:5
5:29 Gn 3:17
5:4 A expressão gerou filhos e filhas é repetida 10 vezes
na genealogia setita, entretanto, nunca ocorre na genealogia cainita. A clara implicação é que a linhagem de Sete
cumpriu mais fielmente a ordem do Deus para ser fértil e
se multiplicar (1:28).
5:5 Apenas três pessoas são mencionadas como tendo
vivido mais do que os no­vecentos e trinta anos de Adão.
São elas: Noé (950), Jarede (962) e Matusalém (969). A
observação de que ele morreu enfatiza a solene verdade
da maldição de Deus em decorrência do pecado de Adão
(3:19). O fato de ela ser repetida outras sete vezes neste
capítulo demonstra as consequências permanentes do
pecado de Adão.
5:9 O nome Cainã (Heb. qeynan) está estritamente ligado a
Caim (Heb. qayin), e pode significar “metalúrgico.”
5:12 O nome Maalaleel pode significar “Aquele que louva
a Deus.”
5:18 O nome Enoque significa “Dedicação”.
5:21 Enoque, como o sétimo membro da genealogia setita,
recebe ênfase especial. O nome Matusalém pode significar
tanto “Homem da Lança” ou “Homem de Shelah”.
5:22 A vida de Enoque encontra-se em total contraste com
a de Lameque, o sétimo membro da linhagem de Caim.
Enquanto Lameque foi notório por sua imoralidade e violência, Enoque andou com Deus, tanto quanto Adão deve
ter feito antes de pecar no jardim (3:8), e como Noé fez
mais tarde (6:9). A expressão “andou com Deus” sugere
uma vida consistente com a vontade de Deus bem como
uma experiência de comunhão com Ele. Talvez tenha sido
a entrada de Enoque na paternidade, com o nascimento de
Matusalém, que o inspirou a levar a sério o seu relacionamento com Deus. Imagine o nível de maturidade espiritual
Gênesis 5:29
E Jerede viveu cento e sessenta e dois anos,
e gerou Enoque.
19
E Jerede viveu, depois que gerou Enoque,
oitocentos anos, e gerou filhos e filhas.
20
E todos os dias de Jerede foram novecentos
e sessenta e dois anos, e morreu.
21
E Enoque viveu sessenta e cinco anos, e
gerou a Matusalém.
22
E Enoque andou com Deus depois que
gerou Matusalém, trezentos anos, e gerou filhos
e filhas.
23
E todos os dias de Enoque foram trezentos
e sessenta e cinco anos.
24
E Enoque caminhava com Deus, e ele não
estava mais, pois Deus o tomou.
25
E Matusalém viveu cento e oitenta e sete
anos, e gerou Lameque.
26
E Matusalém viveu, depois que gerou
Lameque, setecentos e oitenta e dois anos, e
gerou filhos e filhas.
27
E todos os dias de Matusalém foram
novecentos e sessenta e nove anos, e morreu.
28
E Lameque viveu cento e oitenta e dois
anos, e gerou um filho.
29
E ele chamou seu nome Noé, dizendo:
Este deve confortar-nos com respeito ao
nosso trabalho e ao labor das nossas mãos,
por causa da terra que o Senhor amaldi­çoou.
18
que Enoque deve ter alcançado após trezentos anos de
uma vida de todo o coração para Deus! Judas 14 indica que
Enoque foi um profeta.
5:24 A descrição da vida de Enoque difere da dos outros
de duas maneiras notáveis. Primeiro, sua justiça é ressaltada mediante a dupla observação de que Enoque caminhava com Deus. Segundo, a descrição do fim de sua vida
é misteriosa: e ele não estava mais, pois Deus o tomou. O
NT confirma o significado desta frase: “Pela fé Enoque foi
trasladado para não ver a morte...” (Hb. 11:5). A experiência
de Enoque, como a de Elias mais tarde (2Rs 2:11), antecipa
uma experiência reservada para os cristãos que viverem nos
fins dos tempos (1Co 15:51-55; 1Ts 4:17).
5:27 Os no­vecentos e sessenta e nove anos de Matusalém
o distinguem como a pessoa mais velha na Bíblia. As
genealogias antigas comumente atribuem vidas longas
para as pessoas. Embora os números da Bíblia sejam
excepcionalmente grandes em comparação com o tempo
de vida na atualidade, eles parecem muito mais críveis do
que aqueles encontrados na lista dos reis sumérios, que
afirma que uma pessoa atingiu a idade de 72.000 anos!
5:29 O Lameque da genealogia setita (v. 28) está em nítido
contraste com o Lameque da genealogia cainita. Ambos os
Lameques são os únicos indivíduos em suas respectivas
genealogias a terem citações atribuídas a eles, entretanto,
o Lameque de Caim falou de homicídio e vingança (4:2324), enquanto o Lameque neste capítulo falou palavras de
esperança e libertação. O nome de Noé significa “Descanso” ou “Alívio”. Profeticamente, Lameque declarou que
o filho que lhe nascera viveria à altura de seu nome: ele
confortará a humanidade do trabalho e do labor que era
resultado do pecado de Adão. O verbo “confortar” é mais
comumente traduzido como “consolar”.
Gênesis 5:30
30
E Lameque viveu, depois que gerou Noé,
quinhentos e noventa e cinco anos, e gerou
filhos e filhas.
31
E todos os dias de Lameque foram setecen-
tos e setenta e sete anos, e morreu.
32
E Noé tinha quinhentos anos de idade; e
Noé gerou Sem, Cam e Jafé.
6
E aconteceu que, quando os homens
começaram a se multiplicar sobre a face da
terra, e filhas lhes nasceram,
5:31 Um ponto final de comparação entre os Lameques
cainita e setita é o uso de setes. O primeiro Lameque
mencionou as sete vezes da vingança de Caim e pronunciou
uma vingança de 77 vezes para quem quer que lhe tirasse
a vida, enquanto o Lameque de Sete viveu sete­centos e
setenta e sete anos antes que a morte lhe chegasse. Para
a audiência original, cônscia dos números, a inclusão, pelo
autor, de uma figura que consiste de três setes haveria
de superar os primeiros números de Caim, e haveria
de acrescentar um senso de completude e perfeição à
descrição da vida deste homem.
5:32 A menção de Noé, no final da genealogia setita, serve
tanto de conclusão para esta seção de Gênesis como de
uma sutil introdução do caráter humano central, na seção
seguinte. Uma técnica similar será usada no relato de Terá
e Abraão (cp. 5:32 e 6:9 com 11:26-27).
6:1-4 Os primeiros quatro versículos deste capítulo servem
como uma transição que introduz o relato do maior ato de
Deus de julgamento, com base na natureza da humanidade
pecadora. Positivamente, estes versículos de abertura demonstram a fidelidade da humanidade no cumprimento da
ordem de Deus para “multiplicar-se sobre a terra” (1:28).
Esta breve porção de Gênesis é uma das seções mais controversas de toda a Bíblia. Desacordos importantes cercam cada um destes versículos. O estudo cuidadoso do
texto hebraico não põe fim a estes debates; quando muito,
só os estimula. As controvérsias são listadas abaixo.
6:2 Este versículo começa a juntar a evidência de que havia
alguma coisa errada na maneira em que o mandamento de
Deus para crescer e se multiplicar estava sendo cumprido.
Usando uma linguagem que faz um paralelo com a
sequência que levou ao primeiro pecado da humanidade
no jardim (3:6), os filhos de Deus em primeiro lugar viram
alguma coisa que eles pensaram ser boa, e, em seguida,
escolheram aquilo que eles desejaram para si.
Há controvérsia em torno da expressão “os filhos de
Deus.” Três posições básicas diferentes têm sido defendidas com relação à identidade destes “filhos.” Eles têm
sido entendidos como (1) seres celestiais (uma antiga posição judaica, ainda hoje aceita por muitos), como (2) reis
ou homens de elevada posição social, e como (3) homens
da piedosa linhagem familiar de Sete.
(1) Em favor de sua identidade como seres celestiais provavelmente anjos - está o fato de que, em outras partes
no AT, a expressão “filhos de Deus” se refere unicamente
a criaturas celestiais (Jó 1:6; 2:1; 38:7) e que o NT se refere
a anjos caídos (2Pe 2:4; Jd 6). Aqueles que aceitam esta
opinião sustentam que o pecado que motivou a ira de Deus
nesta passagem foi a violação de Gn 2:24, efetuada através
das relações sexuais entre seres humanos e angélicos,
resultando na criação dos nefilins. Contudo, esta opinião
tem as suas dificuldades. Por exemplo, Jesus indicou que
os anjos não se casam (Mt 22:30) e Paulo usou a expressão
18
os filhos de Deus viram que as filhas dos
homens eram belas; e tomaram para si esposas
de todas que escolheram.
3
E o S enhor disse: Meu Espírito não
contenderá sempre com o homem, pois ele
também é carne. Porém, seus dias serão cento
e vinte anos.
4
Havia gigantes na terra naqueles dias, e
também depois disso, quando os filhos de
Deus entraram às filhas dos homens, e elas
lhes geraram filhos, estes se tornaram homens
poderosos que eram na antiguidade, homens de
renome.
2
“filhos de Deus” para se referir ao povo piedoso, não a
anjos (Gl 3:26).
(2) A opinião de que os “filhos de Deus” são reis ou
aristocratas é apoiada pelo fato de que a palavra hebraica
comum para Deus é, às vezes, aplicada a pessoas que possuem grande poder social (Sl 82:6-7; Jo 10:34-35). Advogados desta posição afirmam que as “filhas dos homens”
eram pessoas de uma posição social mais inferior. Deste
modo, a passagem é entendida como indicando um possível abuso de mulheres das classes mais inferiores por
parte de homens de privilégio. Intérpretes que assumem
esta opinião não necessariamente associam os nefilins a
estes casamentos.
(3) A terceira posição é a opinião mais popular entre os
cristãos evangélicos. Ela entende que os “filhos de Deus”
eram descendentes do piedoso Sete, enquanto as “filhas
dos homens” eram descendentes do ímpio Caim. Admitindo-se que os descendentes de ambos mantiveram-se fiéis
aos exemplos morais de seus respectivos antepassados,
a união destas duas linhagens espiritualmente incompatíveis estava em contradição com a vontade de Deus (2Co
6:14) e resultava na total corrupção da humanidade, representada pelos nefilins.
6:3 O significado deste versículo é um dos mais disputados
na Bíblia: diz ele respeito a Deus encurtando o tempo de
vida da humanidade, ou a respeito de Deus estabelecendo
um tempo para o dilúvio universal? Não há concordância
geral quanto ao seu significado, e assim as várias traduções da Bíblia refletem os diferentes pontos de vista dos
tradutores. Consequentemente, há desacordo entre os
tradutores com relação à referência ao Espírito. Alguns
entendem que a palavra hebraica se refere à força animadora presente nos seres vivos - e assim a traduzem
como “espírito” - enquanto muitos outros, entende que
ela se refere ao Espírito Santo. Estritamente relacionada
com esta questão está a tradução apropriada da expressão
traduzida na BKJ 1611 como contenderá com. Variações
importantes incluem “residirá com” e “permanecerá em”.
Complicando a questão ainda mais, temos a palavra hebraica basar, que é normalmente traduzida como “carne”,
mas que pode ser tomada figuradamente para se referir à
perversidade do homem.
6:4 Duas questões maiores surgem neste versículo: quem
são os gigantes e qual a ligação, se existe alguma, dos
nefilins com os filhos de Deus e as filhas dos homens? A
palavra hebraica para “gigantes” é “nefilim”, que significa
“caídos”, uma expressão que poderia significar pessoas
degradadas moral ou fisicamente, ou talvez, como sugere
alguns intérpretes, anjos que caíram do céu (Is 14:12).
Apesar de seu significado literal, muitas versões têm
seguido a Septuaginta na tradução de nefilins como “gigantes,” uma conjectura aparentemente baseada na menção de nefilins em Nm 13:33. Contudo, essa proposta parece improvável, visto que nenhum nefilim teria sobrevivido
19
E Deus viu que a maldade do homem era
grande na terra, e que toda a imaginação dos
pensamentos do seu coração era apenas vil
continuamente.
6
E arrependeu-se o Senhor de haver feito o
homem na terra, e isso o afligia em seu coração.
7
E o Senhor disse: Eu destruirei o homem
a quem criei da face da terra; tanto o homem
quanto o animal, e a coisa rastejante, e as aves
do céu; pois me arrependi de ­havê-los feito.
8
Mas Noé encontrou graça aos olhos do
Senhor.
5
6:6 Is 63:10
6:8 Gn 19:19;
Êx 33:12,13, 17;
Lc 1:30; At 7:46
6:9 Hb 11:7;
2Pe 2:5; Gn 5:22
6:12 Sl 14:1‑3
ao dilúvio (Gn 7:22-23) e, assim, não poderia ter vivido durante os eventos pós-diluvianos narrados em Números.
Ademais, os nefilins nunca são mencionados como um
dos grupos a serem eliminados pelos israelitas quando
entrassem em Canaã. Sua menção em Números 13 provavelmente procede dos lábios de um espia ensandecido de
temor que interpretou mau o que viu em Canaã.
Seriam os nefilins o resultado dos casamentos entre os
filhos de Deus e as filhas dos homens (v. 2)? É possível,
porém no texto hebraico não há qualquer ligação explícita
entre eles. Além disso, o fato de que naqueles dias eles
estavam na terra, ou seja, antes e durante as uniões pecaminosas, leva alguns a sugerirem que a origem deles está
em outra parte. Qualquer que seja a sua linhagem, como
ho­mens poderosos e homens de renome eles exerceram
um papel importante na sociedade pré-diluviana.
6:5 Deus, que é o único que pode observar tanto as ações
externas das pessoas (Jó 34:21) quanto os seus pensamentos (1Sm 16:7), viu aquilo que estava visível - que a
maldade do homem era grande - e aquilo que estava invisível - que toda a imaginação dos pensamentos do seu coração era apenas vil continuamente. A palavra “coração”
reflete a concepção antiga de que este órgão era a sede do
intelecto, da emoção e da vontade.
6:6 Pela primeira vez na Bíblia, arrependeu-se o Senhor
de haver fei­to alguma coisa. Contudo, Seu arrependimento não procede de algum erro que Ele tenha cometido,
mas sim, daquilo que a humanidade estava fazendo de
errado. O fato de que as pessoas haviam se tornado totalmente preocupadas com o mal o afligia em seu coração,
tanto quanto o pecado de Israel mais tarde O entristeceu
(Sl 78:40-41; Is 63:10).
6:7 A humanidade fora criada para obedecer, adorar, e ter
comunhão com Deus. Todavia, a magnitude do pecado das
pessoas tinha aumentado progressivamente desde a ingestão do fruto proibido (3:6), o homicídio (4:8), a poligamia e a
multiplicação do homicídio (4:23) e, finalmente, a generalizada preocupação com o mal (6:6). A paciência de Deus tinha chegado ao fim, e a maldição pronunciada contra Adão
seria agora amplificada em um ato singular e catastrófico.
Uma vez que a humanidade era o ápice da criação de Deus,
a eliminação das pessoas excluía toda a necessidade de um
sistema ecológico de apoio que as sustentava: portanto, era
conveniente fazer desaparecer o animal e a coisa rastejante e as aves do céu também. Assim como o pecado de Adão
o fez perder o jardim do Éden e o pecado de Caim o impediu
de lavrar o solo, os pecados da humanidade a fariam perder
a terra.
6:8 Este contraste com o restante da humanidade antecipa
o destino contrastante de Noé. A palavra graça significa
bênção imerecida concedida por um ser poderoso a alguém que é menos poderoso. A salvação de Noé não foi
Gênesis 6:13
Estas são as gerações de Noé: Noé foi um
homem justo e perfeito nas suas gerações, e
Noé andava com Deus.
10
E Noé gerou três filhos: Sem, Cam e Jafé.
11
A terra também estava corrompida diante de
Deus, e a terra estava cheia de violência.
12
E Deus olhou para a terra, e eis que ela
estava corrompida, pois toda a carne havia
corrompido seu caminho sobre a terra.
13
E Deus disse a Noé: O fim de toda a carne
chegou diante de mim; pois a terra está cheia
de violência por meio deles; e eis que eu os
destruirei com a terra.
9
6:5 Gn 8:21
ganha por méritos, no entanto, sua vida demonstrou que
ele possuía fé salvadora (Hb 11:7). Existe um trocadilho em
hebraico entre as palavras “Noé” e “graça”, pois ambas
possuem as mesmas duas consoantes, apesar de as usarem na ordem inversa: n-k[j]/k-n.
6:9 As gerações de Noé é a terceira de onze seções (Heb.)
toledoth em Gênesis (2:4; 5:1; 10:1; 11:10,27; 25:12,19;
36:1,9; 37:2).
6:11-12 Nestes dois versículos, três formas diferentes do
verbo corromper são usadas para descrever aquilo que a
humanidade havia feito a si mesma e ao mundo nos dias
de Noé. A palavra hebraica traduzida como “corromper”
significa “arruinar, destruir”.
6:13 Pela primeira vez na Bíblia - mas de modo algum a
última (18:17; Am 3:7) - Deus é descrito expressando a uma
pessoa quais são as Suas intenções para outros indivíduos.
Desta maneira, Noé é estabelecido como um profeta, um
papel que ele haveria de cumprir com fidelidade (2Pe 2:5).
Como indicado primeiro em Gn 6:5-7, Deus daria um fim
a toda carne... do seu pecado. Contudo, o julgamento não
seria limitado às pessoas; Deus também destruiria a terra.
Lamentavelmente, uma das vítimas do pecado humano é
a terra na qual vivemos (Lv 26:18-20; Is 24:4-7; Jr 12:11;
Os 4:1-3)
tamiym
Pronúncia hebraica
Tradução BKJ 1611
Usos em Gênesis
Usos no AT
Passagem foco
[ta MIYM]
irrepreensível, maduro, perfeito
2
91
Gênesis 6:9
Tamiym, um adjetivo de tamam, “ser completo,” tem significação
tanto física quanto espiritual. Cinquenta e uma ocorrências
descrevem animais como sem defeito (Êx 12:5) ou sem mácula,
desse modo qualificados para serem vítimas sacrificiais. Ideias
relacionadas são toda (Lv 3:9), completo (Lv 23:15), saudável
(Pv 1:12), inteiro (Ez 15:5), e total (Lv 25:30). Um significado
espiritual frequente é irrepreensível, íntegro, ou reto (Gn 6:9;
17:1; Jó 12:4). Um sinônimo é yashar (“reto”; Pv 2:21). Este é
o padrão de Deus para o comportamento humano (Dt 18:13)
repercutido no NT pela palavra traduzida como “perfeito”
(teleios) em Mt 5:48. Tamiym significa perfeito quando descreve
os caminhos, o conhecimento, ou a palavra de Deus (Dt 32:4;
2Sm 22:31; Jó 37:16). Ele pode fazer nosso caminho perfeito
(2Sm 22:33). Tamiym pode funcionar nominativamente como
integridade ou sinceridade (Js 24:14; Am 5:10), e adverbialmente
como honestamente (Jz 9:16). Uma vez ela parece significar a
decisão certa (1Sm 14:41).
20
Gênesis 6:14
Faze para ti uma arca de madeira de gofer;
farás compartimentos na arca e a betumarás por
dentro e por fora com betume.
15
E esta é a forma em que tu a farás: O
comprimento da arca será trezentos côvados; a
sua largura de cinquenta côvados; e a sua altura
de trinta côvados.
16
Uma janela farás para a arca, e em um
côvado a acabarás em cima; e a porta da arca
colocarás em sua lateral, lhe farás com andares,
inferior, um segundo e um terceiro.
17
E eis que eu mesmo trago um dilúvio de
águas sobre a terra, para destruir toda a carne
em que há sopro de vida de debaixo do céu. E
toda coisa que está na terra morrerá.
14
6:14 Êx 2:3
6:20 Gn 7:15
6:22 Gn 7:5,9,16
6:14 Em razão da graça de Deus (v. 8) e do relacionamento
de Noé com o Eterno (v. 9), Noé e sua família seriam salvos
em uma arca, juntamente com os animais terrestres e as
aves. O termo “arca” é usado somente no relato de Noé
e na descrição da primeira infância de Moisés (Êx 2:3).
Como usada na Bíblia, ela se refere a uma embarcação à
prova d’água usada para preservar a vida humana de um
iminente desastre. Gofer é a transliteração de uma palavra
hebraica cujo significado é desconhecido; madeira de
gofer pode ser o pinho ou o cipreste.
6:15 Noé deveria fazer a arca retangular e no formato
de uma barcaça, de comprimento seis vezes maior que
sua largura, e de comprimento dez vezes maior que sua
altura. Estas proporções têm sido usadas há séculos para
a produção de embarcações adequadas para alto-mar. No
texto hebraico, as medidas são expressas em “côvados,” e
um côvado era a medida desde o cotovelo de uma pessoa
até a ponta do seu dedo médio totalmente estendido cerca de 45 cm. O comprimento de trezentos côvados,
cerca de cento e trinta e cinco metros fez da arca o maior
barco construído nos tempos antigos. A arca deveria
conter um número não especificado de compartimentos literalmente, “ninhos” - e deveria receber duas camadas
de piche, (ou seja, asfalto ou betume) pintadas sobre as
tábuas.
6:16 Algumas versões traduzem como “teto”, e seu significado é desconhecido: outras possíveis traduções incluem
“janela” ou “escotilha.” Se o termo significa “teto,” então
o texto provavelmente indica que ela deveria se estender
quarenta e cinco centímetros para os lados do barco. Se o
termo significa “janela,” ver 8:6, então ele se refere a um
vão de 45 cm de altura separando os quatro lados do barco
de seu teto.
6:17 Só depois de ter ordenado a Noé que construísse a arca
é que Deus lhe diz a razão para ela ser construída: Deus
vai trazer um dilúvio de águas - um termo usado somente
em conexão com o maciço dilúvio, que a tudo destrói, dos
dias de Noé. Toda coisa que está na terra morrerá. A
linguagem bíblica aqui e em outros lugares em Gênesis 6-8
muito naturalmente indica que o dilúvio de Noé cobriu todo
o globo. O apóstolo Pedro parece afirmar isto (2Pe 2:5; 3:6).
Que o dilúvio foi global tem sido o entendimento cristão
dominante por toda a história e permanece assim até hoje.
Defensores desta visão oferecem modelos para explicar o
impacto do dilúvio sobre a coluna geológica. Eles também
tratam de questões tais como a quantidade de água
necessária para o dilúvio cobrir todo o globo. Se a geografia
hoje reflete a geografia pré-diluviana, os cientistas
estimam que a Terra precisaria de uma quantidade quatro
vezes maior à quantidade atual de água para o dilúvio
cobrir as montanhas mais altas (Gn 7:19-20). Sob essa
perspectiva, alguns defensores de um dilúvio global têm
Mas contigo eu estabelecerei o meu pacto;
e tu entrarás na arca, tu e teus filhos, e tua
mulher, e as mulheres de teus filhos contigo.
19
E de toda coisa vivente de toda a carne,
dois de cada espécie, tu trarás para dentro da
arca, para guardá-los vivos contigo; eles serão
macho e fêmea.
20
De aves segundo a sua espécie, e de gado
segundo a sua espécie, de toda coisa rastejante
da terra segundo a sua espécie, dois de cada
espécie virão a ti, para ­guardá-los vivos.
21
E tomarás para ti de todo alimento que se
come, e o ajuntarás a ti, e será por alimento para ti, e para eles.
22
Assim fez Noé; segundo tudo o que Deus
lhe ordenou, assim ele fez.
18
sugerido que a geografia pré-diluviana diferia da geografia
atual. Especificamente, eles sugerem que a paisagem da
Terra era mais achatada na era pré-diluviana, requerendo
assim menos água para inundar, e que o violento dilúvio
criou muitas das características geográficas e geológicas.
Outros assumem uma abordagem diferente, sugerindo
que a geografia pós-diluviana é em grande parte a mesma,
que o dilúvio de fato requereu uma maior quantidade de
água da que agora está presente na Terra, e que, por um
mecanismo desconhecido, a quantidade de água da Terra
foi grandemente diminuída após o dilúvio.
Citando a aplicação flexível de alguns termos usados
para descrever o dilúvio (p. ex., kol ha’arets é traduzido
como “toda a terra” em 7:3, mas legitimamente pode referir-se a áreas limitadas de terra), a inclusão de detalhes
que poderiam indicar um dilúvio regional (p. ex., a pomba que retornou com uma “folha nova de oliveira” em seu
bico, tão logo as águas baixaram, apesar do fato de que
as áreas mais baixas, onde as oliveiras crescem, estariam
completamente submersas por aproximadamente um ano,
8:11), e a dificuldade de encontrar vestígios de um dilúvio
global no registro geológico da terra, alguns evangélicos
concluem que o dilúvio de Noé cobriu apenas a porção de
terra que era habitada pelos seres humanos. Nesta visão,
o dilúvio destruiu todos os seres humanos com exceção
das pessoas na arca de Noé, mas não precisou cobrir todo
o globo para exterminar a população.
6:18 O termo pacto refere-se a um acordo formal, que
compromete as duas partes envolvidas no pacto - uma
espécie de tratado, convenio, ou contrato.
6:19 A preservação de Noé efetuada por Deus indicava que
a rede ecológica de apoio dos animais ainda seria necessária. Consequentemente, Noé deveria trazer para dentro da
arca um macho e uma fêmea de cada um dos seres vivos.
Representantes de todas as espécies vulneráveis deveriam
ser preservados.
6:20 Noé não teria que sair em safáris para reunir os vários
animais. Eles haveriam de vir até ele para que por meio do
patriarca fossem conservados vivos. Em pelo menos três
outras ocasiões na Bíblia, Deus dirigiu animais para virem
até as pessoas (Êx 16:13; Nm 11:31; 1Rs 17:2-6).
6:22 Como outros homens valentes da Bíblia haveriam de
fazer em tempos posteriores - Moisés e Arão (Êx 7:6), os
filhos de Arão (Lv 8:36), Josué (Js 11:9), Gideão (Jz 6:27),
Samuel (1Sm 16:4), Davi (2Sm 5:25), e Elias (1Rs 17:5) - Assim fez Noé; segundo tudo o que Deus lhe ordenou, assim
ele fez. Uma quantidade indeterminada de tempo se passou entre este versículo e as perícopes anteriores neste
capítulo. Certamente, a construção da arca foi um longo
empreendimento.
21
7
E o Senhor disse a Noé: Vem tu e toda a
tua casa para dentro da arca; pois a ti eu vi
como justo diante de mim nesta geração.
2
De todo animal limpo tomarás para ti de
sete em sete, o macho e sua fêmea, e dos
animais que não são limpos de dois em dois, o
macho e sua fêmea.
3
Das aves do céu também de sete em sete, o
macho e sua fêmea, para manter viva a semente
sobre a face de toda a terra.
4
Pois em mais sete dias, eu farei chover
sobre a terra quarenta dias e quarenta noites,
e toda substância viva que eu fiz, destruirei da
face da terra.
5
E Noé fez de acordo com tudo o que o
Senhor lhe ordenou.
7:2 Lv 10:10;
11:1‑47
7:11 Ez 26:19;
Gn 8:2
7:1 Depois de concluída a arca, o Senhor deu a Noé a ordem
para começar o complexo processo de lotar a embarcação.
Por causa do justo andar de Noé com Deus, ele e sua casa
seriam salvos. O conceito de poupar muitos por causa
da justiça de uns poucos ocorre em outras partes nas
Escrituras (18:24-32).
7:2-3 Embora um macho e uma fêmea de cada espécie de
ave e de animal terrestre devessem ser embarcados na
arca, sete casais de cada espécie de animal puro, macho
e fêmea - tanto dos terrestres quanto das aves - deveriam
ser embarcados. O conceito de animais limpos é explicado
na Torá (Lv 11:1-46). Essencialmente, estes eram animais
apropriados para o consumo humano e podiam ser
oferecidos como sacrifícios a Deus. Sobre o significado de
toda a terra, ver nota em 6:17.
7:4 O aviso antecipado que Deus dá a Noé acerca do
começo da chuva era necessário, pois praticamente era
certo que em sete dias daria para encerrar a lotação da
arca. Embarcar, acomodar, e cuidar da dieta necessária de
todos os animais a bordo da estrutura de três pavimentos
na forma de barcaça era uma tarefa complexa e perigosa.
A chuva aqui era o mecanismo para o ato fatal de
julgamento que faria desaparecer da face da terra todos os
seres vivos. Em outros lugares no AT, Deus fez “chover” do
céu fogo e enxofre (19:24) e granizo (Êx 9:18,23) como um
instrumento de julgamento contra pecadores. As chuvas
Gênesis 7:11
E Noé tinha seiscentos anos de idade
quando o dilúvio de águas veio sobre a terra.
7
E entrou na arca Noé, e seus filhos, e sua
mulher, e as mulheres de seus filhos com ele,
por causa das águas do dilúvio.
8
Dos animais limpos, e dos animais que não
são limpos, e das aves, e de toda coisa que
rasteja sobre a terra,
9
entraram de dois em dois até Noé na arca, o
macho e a fêmea, conforme Deus ordenara a Noé.
10
E aconteceu que, depois dos sete dias, as
águas do dilúvio estavam sobre a terra.
11
No ano seiscentos da vida de Noé, no segundo
mês, no décimo sétimo dia do mês, no mesmo
dia todas as fontes do grande abismo foram
rompidas, e as janelas do céu foram abertas.
6
7:1 Gn 6:9
continuariam sem diminuir por quarenta dias e quarenta
noites. O número 40 exerceu um papel significativo por todo
o AT: Isaque e Esaú tinham 40 anos ao se casarem (25:20;
26:34); Moisés esteve 40 dias no monte Sinai recebendo de
Deus a lei (Êx 24:18; 34:28; Dt 9:11,18,25); Israel peregrinou
40 anos no deserto após sua desobediência (Nm 32:13); os
filisteus oprimiram Israel por 40 anos (Jz 13:1); e vários
reis e juízes governaram Israel por 40 anos (Otoniel,
Jz 3:11; Débora, Jz 5:31; Gideão, Jz 8:28; Eli, 1Sm 4:8;
Davi, 2Sm 5:4; Salomão, 1Rs 11:42; Joás, 2Rs 12:1; Saul,
At 13:21).
7:6 A idade de Noé no início do dilúvio - seiscentos anos
- será usada para indicar a duração do dilúvio (8:13). Nenhum outro ser humano depois de Noé será descrito como
tendo vivido até essa idade. Sobre a abrangência do dilúvio,
ver nota em 6:17.
7:10 Depois dos sete dias, exatamente no tempo anunciado
por Deus para acontecer, as águas do Dilúvio começaram
a vir.
7:11 A água veio de duas fontes diferentes - uma de baixo
e outra de cima. Não se sabe exatamente o que significa
todas as fontes do grande abismo. A expressão parece se
referir a um fluxo maciço de água pressurizada de fontes
subterrâneas que jorraram do solo, foram rompidas com
efeito devastador. Nenhum fenômeno conhecido na natureza hoje corresponde a essa descrição.
Uma reconstrução da arca que Noé construiu. As dimensões da arca a tornaram notavelmente própria para altomar. A embarcação no Épico de Gilgamesh, um relato de um dilúvio que possui paralelos ao de Noé, é um cubo. Tal
embarcação teria rolado à mais leve agitação.
22
Gênesis 7:12
E a chuva esteve sobre a terra quarenta dias
e quarenta noites.
13
Nesse mesmo dia entraram na arca Noé, e
Sem, e Cam, e Jafé, os filhos de Noé, e a mulher
de Noé, e com eles as três mulheres de seus
filhos.
14
Eles, e todo animal segundo a sua espécie, e
todo o gado segundo a sua espécie, e toda coisa
que rasteja sobre a terra segundo a sua espécie, e
cada pássaro de toda espécie, dois.
15
E entraram para Noé na arca, de dois em
dois de toda a carne em que há o sopro de vida.
16
E aqueles que entraram, entraram macho
e fêmea de toda a carne, conforme Deus lhe
ordenara, e o Senhor fechou por fora.
17
E o dilúvio esteve quarenta dias sobre a
terra; e as águas aumentaram, e levantaram a
arca, e ela foi elevada sobre a terra.
18
E as águas prevaleceram, e foram
aumentadas grandemente sobre a terra; e a arca
andava sobre a face das águas.
19
E as águas prevaleceram excessivamente
sobre a terra; e todos os montes altos, que
estavam debaixo de todo o céu, foram cobertos.
20
Quinze côvados acima as águas
prevaleceram; e os montes foram cobertos.
21
E morreu toda a carne que se movia sobre a
terra, tanto as aves, quanto o gado e os animais,
e toda coisa rastejante que rasteja sobre a terra,
e todo homem.
12
7:21 Gn 6:7,13
7:23 Mt 24:39;
Lc 17:27;
2Pe 2:5
7:12 Exatamente como Deus indicara (v. 4), a chuva esteve
sobre a terra quarenta dias e quarenta noites. A palavra
de Deus a Noé é mais uma vez mostrada como fidedigna.
7:13-15 No mesmo dia em que Noé completou a tarefa de
carregar a arca - ou seja, no sétimo dia (v. 10) depois que
Deus dera a ordem - Noé e sua família entraram na arca.
7:16 Fechou por fora - Nenhum detalhe é dado para explicar como Deus realizou o ato sobrenatural de fechar a
porta já com Noé dentro da arca. O ato divino salienta a
verdade encontrada em outros lugares na Bíblia: “A salvação vem do Senhor” (Jn 2:9).
7:19-20 Quinze côvados é literalmente 6,15 metros. Para
saber mais sobre a abrangência do dilúvio de Noé, ver nota
em 6:17.
7:21 Mediante o uso de reafirmação expandida, o autor leva
a um clímax o relato detalhado da destruição do dilúvio.
7:22 Para efeito dramático, uma segunda expressão expandida dos efeitos destrutivos segue imediatamente
aquela no versículo anterior.
7:23 A esmagadora apresentação da morte é contrastada
com a preservação de Noé.
7:24 Embora o texto não o diga de maneira explícita, o total de 150 dias parece incluir os 40 dias de chuva (ver notar
no v. 12). A palavra hebraica traduzida como prevaleceram enfatiza o poder das águas.
8:1 Lembrou de Noé não sugere que Deus alguma vez se
esquecera dele. Quando usado para o Deus onisciente,
Todos aqueles em cujas narinas estava o
sopro de vida, e tudo que estava na terra seca
morreu.
23
E foi destruída toda substância viva que
estava sobre a face da terra, tanto o homem,
quanto o gado, e as coisas rastejantes e as aves
do céu; e eles foram destruídos da terra; e
somente Noé permaneceu vivo, e aqueles que
estavam com ele na arca.
24
E as águas prevaleceram sobre a terra cento
e cinquenta dias.
E Deus lembrou de Noé, e de toda coisa
vivente, e de todo o gado que estava com
ele na arca; e Deus fez um vento passar sobre a
terra, e as águas se diminuíram.
2
Também as fontes do abismo e as janelas
do céu foram fechadas, e a chuva do céu foi
contida;
3
e as águas retornaram de sobre a terra
continuamente; e após o fim dos cento e
cinquenta dias as águas foram diminuídas.
4
E a arca descansou no sétimo mês, no
décimo sétimo dia do mês, sobre os montes de
Ararate.
5
E as águas diminuíram continuamente até o
décimo mês; no décimo mês, no primeiro dia
do mês, foram vistos os topos dos montes.
6
E aconteceu que, ao fim de quarenta dias,
Noé abriu a janela da arca que ele fizera.
22
8
“lembrar” sugere o início de um ato miraculoso e redentor
de Deus. Outros exemplos de Deus “se lembrando,” como
o primeiro passo na provisão de ajuda divina para o Seu
povo, incluem Sua intervenção na vida de Ló (19:29), de
Raquel (30:22), e dos israelitas no Egito (Êx 2:24). Usando
uma linguagem que reflete o ato inicial de Deus na criação
do universo (Gn 1:2), Deus fez com que (Heb.) ruach - “o
Espírito” ou um vento - passasse por cima das águas da
terra. Imediatamente as águas se diminuíram.
8:2 Após os 150 dias de aumento das águas, uma mudança
completa ocorreu: as fontes de água (as de cima e as de
baixo) foram cerradas e a água começou a baixar. O derramamento inicial findara após 40 dias e 40 noites (7:12),
de modo que, presumivelmente, as chuvas citadas como
tendo cessado no presente versículo eram somente chuvas
leves e esporádicas.
8:3 Exatamente como o dilúvio aumentara sobre a terra
durante 150 dias, assim as águas retornaram de sobre a
terra continuamente por cento e cinquenta dias, até significativamente serem diminuídas.
8:4 Exatamente cinco meses após o início do dilúvio (7:11),
a arca descansou sobre os mon­tes de Ararate - na Turquia
ou na Armênia atuais.
8:6 Esta é a única vez que se emprega a palavra hebraica
“hallon” para a arca. Noé abriu a janela para determinar
aptidão da terra para receber a carga de pessoas e animais
da embarcação.
23
E ele enviou um corvo, que saindo, ia e voltava, até secar as águas de sobre a terra.
8
Ele também enviou uma pomba, para ver
se as águas haviam diminuído da face da terra;
9
mas a pomba não encontrou descanso para
a sola de seu pé, e ela retornou para ele na arca,
pois as águas estavam sobre a face de toda a
terra. Então, ele estendeu sua mão e a tomou, e
a puxou para si para dentro da arca.
10
E ele ficou mais outros sete dias, e novamente enviou a pomba para fora da arca,
11
e a pomba veio a ele à tarde, e eis que no
seu bico estava uma folha de oliveira arrancada. Assim Noé soube que as águas haviam diminuído de sobre a terra.
12
E ele ficou mais outros sete dias, e enviou a
pomba, que não mais retornou a ele.
13
E aconteceu, no seiscentésimo primeiro
ano, no primeiro mês, no primeiro dia do mês,
que as águas foram secas de sobre a terra. E
Noé removeu a cobertura da arca, e olhou, e
eis que a face da terra estava seca.
14
E no segundo mês, no vigésimo sétimo dia
do mês, a terra estava seca.
15
E Deus falou a Noé, dizendo:
7
8:17 Gn 1:22
8:20 Gn 12:7,8;
Gn 22:2,13;
Êx 10:25
8:21 Lv 1:9,13;
2Co 2:15; Gn 3:17;
Gn 9:11,15;
Is 54:9
8:7 Os rabinos têm sugerido que Noé primeiro soltou um
corvo, um animal ritualmente impuro, porque ele era
dispensável. O fato de que ele ia e voltava perto da arca
significa que a ave não conseguiu encontrar um ambiente
adequado.
8:8 Talvez simultaneamente com a soltura do corvo ou
pouco depois, Noé soltou uma pomba. Uma vez que a
pomba comia sementes e insetos, ela haveria de fornecer
uma útil indicação de que as águas haviam diminuído da
face da terra.
8:9 Embora a arca estivesse agora repousando sobre o
Ararate (v. 4) e os topos das montanhas fossem visíveis
(v. 5), as águas ainda não haviam baixado o suficiente
para a pomba encontrar descanso para a sola de seu pé.
8:10-11 Quando a pomba retornou a Noé de sua segunda
incursão com uma folha de oliveira, isto confirmou que as
elevações mais baixas (onde as oliveiras crescem) estavam
agora acima da água. Inspirada por esta mensagem, a
figura de uma pomba com um ramo de oliveira em seu bico
tornou-se um símbolo universal da paz.
Reprodução da tabuinha onze do Épico de Gilgamesh,
um relato babilônico do grande dilúvio.
Gênesis 8:21
Vai adiante da arca, tu e tua mulher e teus
filhos, e as mulheres de teus filhos contigo.
17
Traze toda coisa vivente que está contigo,
de toda carne, tanto das aves, quanto do gado
e de toda coisa rastejante que rasteja sobre a
terra; que eles possam procriar abundantemente
na terra, e sejam frutíferos, e se multipliquem
sobre a terra.
18
E Noé foi adiante, e seus filhos e sua
mulher, e as mulheres de seus filhos com ele.
19
E saíram da arca todo animal, toda coisa
rastejante, e toda ave, e tudo que rasteja sobre
a terra, segundo as suas espécies.
20
E Noé construiu um altar ao Senhor; e
tomou de todo animal limpo, e de toda ave
limpa, e ofereceu ofertas queimadas sobre o
altar.
21
E o S enhor cheirou um aroma doce,
e o S enhor disse em seu coração: Eu não
amaldiçoarei novamente a terra por causa
do homem; pois a imaginação do coração do
homem é má desde a sua juventude. Tampouco
eu ferirei novamente toda coisa vivente, como
o fiz.
16
8:12 Quando Noé enviou a pomba pela terceira vez e ela
não mais retornou a ele, estava claro que as condições de
manutenção da vida agora existiam nas elevações mais
temperadas e mais baixas da terra.
8:13-14 No aniversário de seiscentos e um anos de Noé,
ele removeu a cobertura da arca e confirmou aquilo que
a pomba havia indicado - que a campina abaixo da cadeia
de montanhas estava seca. Uns 57 dias (um ciclo da lua
de 29,5 dias mais 27 dias) mais tarde, a terra estava seca.
8:15-16 Talvez esta fosse a primeira vez na qual Deus teria
falado com Noé desde o início do dilúvio. Durante todo o
ano do catastrófico dilúvio não há registro de que Deus
tivesse se comunicado diretamente com o patriarca ou
com sua família. Que fé demonstrou Noé durante aquele
tempo aterrador no interior escuro da arca!
8:20 O primeiro ato de Noé após deixar a arca foi adorar a
Deus mediante o oferecimento de uma oferta queimada.
Noé ofereceu sacrifício de todo animal limpo e de toda
ave lim­pa - ou seja, um de cada mamífero que ruminava
e possuía casco fendido, bem como um representante de
cada tipo de ave que não comia carniça. Foi, provavelmente,
uma oferta impressionante.
8:21 Usando linguagem antropomórfica - palavras que
descrevem os atos de Deus em termos humanos - o texto
observa que o Senhor cheirou um aroma doce. A expressão
significa que o Eterno aceitou o sacrifício de Noé. Em
outros lugares na Torá, a recusa de Deus em cheirar um
sacrifício significava Sua rejeição da oferta (Lv 26:31).
Ofertas aceitáveis em outras partes da Bíblia são ditas
tendo um aroma agradável (Êx 29:25; Lv 1:9; 2:2; 3:16;
Nm 18:17). Depois da oferta queimada de Noé, o Senhor
fez uma promessa solene de nunca mais amaldiçoar a
terra como Ele fizera após o pecado de Adão (Gn 3:17;
5:29). Quase com um senso de resignação, Deus observou
que a imaginação do coração do ho­mem é má desde a
sua juventude (Sl 14:1; Rm 3:9,23). Contudo, apesar da
natureza pecaminosa da humanidade, a graça e o amor
do Senhor prevaleceriam: Ele nunca mais destruiria toda
a vida como havia feito nos dias de Noé.
24
Gênesis 8:22
Enquanto a terra permanecer, tempo de
semeadura e de colheita, e frio e calor, e verão
e inverno, e dia e noite não cessarão.
E Deus abençoou Noé e seus filhos, e lhes
disse: Sede frutíferos e m
­ ultiplicai-vos, e
enchei a terra.
2
E o temor de vós e o pavor de vós estará
sobre todo animal da terra, e sobre toda ave
do céu, sobre tudo que se move sobre a terra, e
sobre todos os peixes do mar; em vossas mãos
eles foram entregues.
3
Toda coisa viva que se move será por
alimento para vós; assim como a erva verde,
eu vos dei todas as coisas.
4
Mas a carne com a sua vida, que é o sangue
dela, não comereis.
5
E, certamente, vosso sangue das vossas vidas
eu requererei; da mão de todo animal requererei,
e da mão do homem, e da mão de todo irmão do
homem requererei a vida do homem.
6
Quem assim derramar o sangue do homem,
pelo homem seu sangue será derramado, pois à
imagem de Deus ele fez o homem.
7
E vós, sede fecundos e ­multiplicai-vos, povoai
abundantemente a terra, e ­multiplicai-vos nela.
8
E Deus falou a Noé, e a seus filhos com
ele, dizendo:
22
9
9:1 Gn 1:22
9:3 Gn 1:29
9:4 Lv 3:17;
17:10-14;
Dt 12:16, 23-25;
1Sm 14:33
9:5 Êx 21:28-32;
Gn 4:10
9:6 Êx 21:12,14;
Lv 24:17;
Mt 26:52;
Gn 1:26
9:7 Gn 1:22
9:9 Gn 6:18
9:12 Gn 17:11
9:15 Lv 26:42,45
9:16 Gn 17:7,13,19
8:22 O caos aterrorizador do dilúvio daria lugar ao ritmo de
vida predizível e consolador - a colheita, as estações, dia e
noite - enquanto a terra permanecer.
9:1-2 Esta bênção fortalece os paralelos entre Noé e Adão
(1:28), uma vez que ambas as bênçãos começam com a
ordem: sede frutíferos e multiplicai-vos, e enchei a terra.
Nos dias de Noé, no entanto, a bênção é alterada. A humanidade ainda exercerá domínio sobre a criação (1:28), mas
por causa da presença do pecado, a harmonia que existira
no jardim do Éden foi perdida para sempre. Agora os animais tremerão de medo dos humanos. Animais assustados
podem ser perigosos; mesmo assim, Deus os entregou nas
mãos das pessoas, assegurando que os humanos haveriam de prevalecer sobre o reino animal.
9:3 As regras alimentares originais dadas a Adão e Eva
(1:29) foram agora expandidas. As proteínas animais seriam acrescentadas a erva verde na dieta humana. A expressão que se refere a fontes de comida animal pode ser
traduzida literalmente como “todo animal que rasteja (ou
plana)” e, normalmente, seria entendida como se referindo a animais menores, terrestres ou marinhos, mas ela
é geralmente compreendida aqui como significando toda
coisa viva que se move. Mais tarde, os israelitas seriam
limitados a comer somente animais limpos (Lv 11).
9:4 Embora a carne fosse permitida como comida, o sangue não o seria. Deus exigiu que Noé e seus descendentes
drenassem o sangue, que é vida, de qualquer animal antes
de comê-lo. Esta orientação seria expandida e esclarecida
no código de lei do Sinai dado a Israel (Lv 7:26-27; 17:10-14;
19:26; Dt 12:16,24; 15:23). Para evitar ofender os cristãos judeus, os cristãos gentios do primeiro século foram também
encorajados a se absterem do sangue (At 15:20,29).
9:5-6 Porquanto à imagem de Deus ele fez o homem,
o ato de tirar a vida humana, por meio de um animal ou
outra pessoa, não foi tratado como a morte de um animal.
E eu, eis que eu estabeleço meu pacto
convosco, e com vossa semente depois de vós,
10
e com toda criatura vivente que está
convosco, das aves, do gado e de todo animal
da terra convosco; de todos os que saem da
arca, a todo animal da terra.
11
E eu estabelecerei o meu pacto convosco;
não será mais destruída toda carne pelas águas
de um dilúvio, nem haverá mais dilúvio para
destruir a terra.
12
E Deus disse: Este é o sinal do pacto que fiz
entre mim e vós, e toda criatura vivente que está
convosco, para as gerações perpétuas.
13
Eu ponho o meu arco na nuvem, e isto será
por sinal do pacto entre mim e a terra.
14
E acontecerá, quando eu trouxer uma
nuvem sobre a terra, que o arco será visto na
nuvem.
15
E eu lembrarei do meu pacto, que está
entre mim e vós e toda criatura vivente de toda
a carne; e as águas não mais se tornarão um
dilúvio para destruir toda a carne.
16
E o arco estará na nuvem; e eu olharei para
ele, para que eu me lembre do pacto eterno
entre Deus e toda criatura vivente de toda carne
que está sobre a terra.
9
Todo... animal ou homem que matasse um outro ser
humano deveria ter pelo homem seu sangue... derramado
como justa punição. Este versículo estabelece que o ato
não autorizado de tirar uma vida humana é uma ofensa
capital e implicitamente autoriza autoridades devidamente
credenciadas a executar os homicidas. Outros versículos
na lei de Moisés reforçam este conceito (Êx 20:13; 21:23;
Dt 19:21). Não existe esse tipo de lei para o abate de
animais. A Bíblia consistentemente ensina que os seres
humanos são de valor superior aos animais.
9:7 A bênção que Deus dá à humanidade nos dias de Noé
começa (v. 2) e termina com a ordem: sede fecundos e
multiplicai-vos. Esta repetição ressalta o caráter sagrado e desejável da reprodução humana dentro do plano de
Deus.
9:8-11 Estes versículos são a conclusão formal do pacto
mencionado primeiramente em 6:18. A expressão inicial do
pacto ofereceu de maneira incondicional segurança na arca
para a família de Noé e muitas espécies de animais. No estilo de uma concessão real ou um acordo unilateral, esta porção do pacto noaico de modo incondicional promete que não
será mais destruída toda carne pelas águas de um dilúvio
em escala tão destrutiva quanto o dilúvio de Noé.
9:12-17 Acompanhando o pacto, houve uma confirmação
tangível da aliança entre Deus e a terra que continuaria
para as gerações perpétuas: o arco de Deus na nuvem
representava Sua promessa de que Ele nunca mais enviaria um dilúvio para destruir toda a carne. Deste ponto em
diante, o arco-íris teria profunda significação como uma
confirmação da graça e da paz de Deus. Em outros lugares na Bíblia, o arco-íris está associado à presença de
Deus ou de Seu representante angélico (Ez 1:28; Ap 4:3;
10:1). Este pacto é um dos três na Bíblia que foram acompanhados por um sinal; os outros sinais foram a circuncisão (Gn 17:11) e o sábado (Êx 31:16-17).
o rei (En)-me-bara-gisi não era fictício. Sabe-se
A Confiabilidade Histórica 25 mas
que ele é histórico porque arqueólogos descobriram
inscrições que trazem o seu nome. Era prática antiga
do Antigo Testamento
comum “esticar” períodos de eventos verdadeiros
C
Kenneth A. Kitchen
“
onfiabilidade” é a qualidade de ser fidedigno e
verdadeiro. Será confiável o Antigo Testamento (AT) naquilo que afirma acerca dos tratos de
Deus com a humanidade no Antigo Oriente Próximo?
Achados desse mundo antigo muitas vezes ilustram a
realidade factual da história do AT.
História Primitiva
Memórias partilhadas representam uma prova
da confiabilidade do AT. A antiguidade remota viu
a passagem de incontáveis gerações humanas, mas
estas gerações conservaram uma memória viva de
eventos significativos. Por exemplo, outras culturas
contaram histórias que são notavelmente similares
ao Dilúvio de Noé. Esta é uma prova indireta da
confiabilidade do AT. O esquema de Gênesis de
documentar a criação e de listar dois grupos de oito a
dez gerações representativas vivendo antes e depois
do Dilúvio também encontra algo parecido na antiga
literatura suméria e babilônica. Isto demonstra que o
AT se ajusta às formas e práticas literárias do período
que ele documenta. Finalmente, vidas longas como os
969 anos de Matusalém não constituem impedimento
para a historicidade pessoal. Antigos documentos
sumérios afirmam que o rei (En)-me-bara-gisi reinou
por 900 anos. O reinado de 900 anos não é crível,
e idades de pessoas que procediam de tempos
primitivos.
História Patriarcal
Com Abraão, entramos na era dos patriarcas
(ca 2000-1600 a.C.). Os registros históricos são
mais abundantes a partir deste ponto na história.
Os patriarcas criavam ovelhas e gado, percorrendo
desde Ur (atual Iraque) até o Egito. Dados de Ur
deste período registram grandes rebanhos de ovelhas,
e isso combina com as descrições do AT. Arquivos de
Mari mencionam Harã, onde Abraão chegou a viver.
No período entre Abraão e Jacó, Canaã era uma terra
de “cidades-Estado” independentes como Siquém,
(Jeru)Salém e Gerar. Estes centros populacionais
eram sustentados por pastagens, frequentadas por
pastores locais e visitantes como Abraão e seus
descendentes (Gn 37:12-13). “Textos de execração”
egípcios fornecem evidência extrabíblica desta
prática. A guerra entre os reis cananeus e governantes
orientais da Babilônia (Sinear, Elasar - ver Gn 14)
e do Elão iraniano está em conformidade com este
período. Os arquivos de Mari comprovam que este
foi o único período em que forças do Elão chegaram
a tal ponto a oeste e quando muitas alianças militares
floresceram. Costumes patriarcais envolvendo coisas
como casamento e formação de pactos refletem
este período, e igualmente a soma de 20 peças
pagas pela compra de José (Gn 37:28). Detalhes
egípcios mencionados no AT (nomes pessoais, fomes
mortais, a prática de “interpretação” de sonhos, etc.)
combinam com aquilo que se aprende a respeito do
Egito a partir de outras fontes antigas.
No Egito, os hebreus escravizados trabalharam para
construir cidades como Ramessés e Pitom. Uma opinião
é que isso ocorreu sob Ramsés II (1279-1213 a.C.). Outra
opinião é que o Êxodo aconteceu por volta de 1446 a.C.
A arqueologia revela que Ramessés incluía estábulos de carruagens (ver Êx 14:25). Durante o êxodo do
Egito, Deus não conduziu os hebreus pela vizinha rota
norte para Canaã (cp. Êx 13:17-18), que estava infestada de postos militares egípcios, mas pelo monte Sinai, que fica com segurança ao sul do controle egípcio.
O pacto que Moisés mediou entre Deus e Israel
no monte Sinai inclui características (introdução
histórica, identificação de testemunhas, a menção
de bênçãos e maldições pactuais) que refletem o
uso conhecido nos séculos décimo quarto e décimo
terceiro a.C., e o Tabernáculo (Êx 25:9; 26:1ss)
repercutem uma longa tradição regional (c. de
A Estela de Merenptah (à esquerda) data do final do 13 o.
Século a.C. O Faraó Merenptah (1212-1203 a.C.) comemora as suas vitórias contra a Líbia e em Canaã nesta estela
de granito. Fora da Bíblia, esta é a mais antiga referência
a Israel até o momento: “Israel está assolado, sua semente já não existe.” A Estela de Merenptah foi descoberta em
1896 por FlandersPetrie em Tebas e atualmente está no
Museu do Cairo, no Egito.
2800-1000 a.C.) de construção de tendas sagradas 26 Outros personagens bíblicos agora comprovados
e santuários. Por volta de 1209 a.C., o Israel tribal por meio de descobertas arqueológicas são: Sambajá estava em Canaã. A prova extrabíblica para isto é late I de Samaria, de acordo com um papiro aramaiencontrada na Estela da Vitória do Faraó Merenptah. co; a família posterior de Tobias de Amom, conforme
tumbas em Iraq al-Amir; e Gashmu/Gesém como um
rei árabe em Qedar, segundo um vaso pertencente a
Israel Histórico
seu filho Qaynu.
Após o período conturbado dos Juízes, Saul, Davi,
A historicidade do AT deveria ser levada a sério.
e Salomão governaram Israel. “A Casa de Davi” é Quanto ao próprio texto do AT, os Rolos do Mar
nomeada em uma estela arameia de Dã, e igualmente Morto (c. de 150 a.C-70 d.C.) fornecem boa evina estela de Mesa, rei de Moabe. Menos de 50 anos dência de uma tradição de texto-essencial cuidadoapós Davi, o topônimo “Altos de Davit” (os egípcios samente transmitido por quase mil anos até aos esusavam t para o d final) é incluído na lista geográfica cribas massoretas (c. de séculos oitavo e nono d.C.).
da Palestina elaborada por Shoshenq I (“Sisaque” Deste modo, o texto básico da Escritura do AT pode
c. de 924 a.C.). O desenho do templo de Salomão ser estabelecido como transmitido de forma essenrefletiu tendências que eram correntes na vizinha cialmente correta, e a evidência mostra que a forma e
Síria, embora a decoração do templo fosse modesta o conteúdo do AT ajustam-se às conhecidas realidaquando comparada. Os escritos de sabedoria de des literárias e culturais do Antigo Oriente Próximo.
Salomão ajustam-se à sua época no formato e no Para Mais, ver K. A. Kitchen, On the Reliability of
conteúdo.
the Old Testament [Sobre a confiabilidade do Antigo
Após a morte de Salomão (930 a.C.), Israel e Judá Testamento].
se dividiram em dois reinos. Os assírios avançaram
para o sul e estiveram em frequente contato com
governantes hebreus. Consequentemente, Acabe
e Jeú são mencionados em textos de Salmaneser
III, enquanto seus sucessores mencionam Jeoás,
Menaém, Peca, e Oseias. Temos selos hebraicos que
identificam servos de Jeroboão II e Oseias. De
Judá, Jotão, Acaz, e Ezequias são incluídos em
impressões de selos oficiais, enquanto registros
assírios mencionam (Jeo)-Acaz, Ezequias, e
Manassés. Todos estes reis aparecem na mesma
sequência e no mesmo período tanto no registro
bíblico quanto no assírio.
Mesa de Moabe deixou uma estela mencionando Onri e Acabe de Israel. Por sua vez,
as narrativas em Reis e Crônicas mencionam, em períodos e ordem corretos, os
seguintes reis do Egito: Shoshenq I [Sisaque], Osorkon IV [Sô], Taharqa [Tiraca],
Neco (II), e Hofra. Também são mencionados os governantes assírios Tiglate-Pileser
III, Salmaneser (V), Sargom (II), Senaqueribe,
e Esar-Hadom. Finalmente, os governantes babilônios Merodaque-Baladã (II), Nabucodonosor
(II), e Evil-Merodaque são mencionados. Vários
eventos são documentados tanto em fontes bíblicas
como em externas através de 200 anos para Israel e
340 anos para Judá. As quedas de Samaria (722/720
a.C.) e de Judá (605-597 a.C.) são mencionadas em
crônicas assírias e babilônicas respectivamente.
Temos descoberto tabuinhas com cotas de ração
da Babilônia para o banido rei Joaquim de Judá e sua
família de 594-570 a.C. O muito bem documentado
triunfo persa, em 539 a.C., possibilitou que muitos
exilados retornassem a Judá e reconstruíssem Jerusalém e seu templo, exatamente como diz o AT.
A Inscrição da Casa de Davi é a mais antiga referência a Davi fora da Bíblia.
Esta inscrição fazia parte de um monumento de vitória erguido por um rei
arameu no 9o. Século a.C. Ele celebra vitórias sobre um “rei de Israel” e um
rei da “Casa de Davi” - uma referência a Judá. Este artefato foi descoberto
em 1994 em Tel Danao norte de Israel. O artefato se encontra atualmente no
Museu de Israel, em Jerusalém.
27
E Deus disse a Noé: Este é o sinal do pacto,
que eu estabeleci entre mim e toda carne que
está sobre a terra.
18
E os filhos de Noé, que saíram da arca, foram: Sem, Cam e Jafé; e Cam é o pai de Canaã.
19
Estes são os três filhos de Noé; e por eles
toda a terra foi povoada.
20
E Noé começou a ser lavrador, e ele plantou
uma vinha.
21
E ele bebeu do vinho, e ficou embriagado, e
ele ficou desnudo dentro da sua tenda.
22
E Cam, o pai de Canaã, viu a nudez de seu
pai, e contou a seus dois irmãos que estavam fora.
23
E Sem e Jafé tomaram uma capa, e a
puseram sobre os seus ombros, e viraram para
trás, e cobriram a nudez de seu pai; e suas faces
estavam virados para trás, e eles não viram a
nudez de seu pai.
24
E Noé despertou de seu vinho, e soube o
que seu filho mais novo havia feito a ele.
25
E ele disse: Amaldiçoado seja Canaã; servo
de servos ele será para seus irmãos.
26
E ele disse: Abençoado seja o Senhor Deus
de Sem; e Canaã será o seu servo.
17
9:17 ver 12;
Gn 17:11
9:25 ver 18;
Gn 25:23
10:3 38:6
10:4 Jn 1:3
10:6 ver 15;
Gn 9:18
9:18-19 Começando com material repetido (5:32; 6:10),
o escritor inicia uma nova narrativa destinada a preparar
os leitores para o julgamento de Deus sobre a nação de
Canaã. A genealogia familiar é estendida com a observação
de que Cam é o pai de Canaã. Ao mesmo tempo, o versículo
19 prepara os leitores para o capítulo 10.
9:20 Os paralelos continuam entre Noé e Adão, Noé, entretanto, é agora mostrado como sendo um lavrador
(lit. homem do solo (Heb. ‘adamah) no mundo novo preparado para ele por Deus.
9:21 Como Adão tinha pecado por intermédio do consumo de um fruto (3:6), assim Noé bebeu do vinho e
ficou embriaga­do. Depois que o pecado entrou no mundo,
destruindo a inocência, a nudez ficou associada à vergonha
(cp. 2:25; 3:10). Neste caso, Noé trouxe vergonha sobre si
por meio de sua pecaminosa embriaguez. Um mínimo de
dois anos deve ter transcorrido entre os versículos 20 e 21,
uma vez que as videiras precisam desse tempo para crescer até estarem prontas para produzir uvas.
9:22 O pecado de um pai frequentemente passa a ser
um tropeço para um filho (Êx 34:7). Neste caso, Cam
desonrou o próprio pai e assim pecou (Êx 20:12; Dt 5:16)
de duas maneiras: Primeiro, ele desonrou o seu pai ao
fixar os olhos em sua nudez (Hc 2:15). Segundo, ele teve
relações sexuais com a sua mãe, ele viu a nudez de seu
pai, em conformidade com Lv. 18.6-19; Lv. 20.19-21 e por
fim em Dt. 27.20 está muito claro o que Cam praticou.
Posteriormente, a lei estipulou maldições para a desonra
de um pai (Dt 27:16).
9:23 Sem e Jafé demonstraram sua natureza mais nobre
ao reagirem à condição de seu pai de maneira bem
diferente da de Cam. Primeiro, eles não fixaram os olhos
na condição vergonhosa do pai. Segundo, cobriram... a
nudez do pai (Dt. 27:20), pondo um fim, assim, em sua
vergonha.
9:24-27 Quando Noé soube o que seu filho mais novo
havia feito a ele, colocou a maldição no filho de Cam,
Canaã, que haveria de ser ser­vo de servos... para seus
irmãos, isto é, escravo dos descendentes de Sem e Jafé.
Esta maldição sobre Canaã tinha implicações proféticas.
Séculos mais tarde, os cananeus, descendentes de Canaã,
Gênesis 10:7
E Deus alargará Jafé, e ele habitará nas
tendas de Sem; e Canaã será o seu servo.
28
E Noé viveu, depois do dilúvio, trezentos
e cinquenta anos.
29
E todos os dias de Noé foram novecentos e
cinquenta anos, e ele morreu.
Ora, estas são as gerações dos filhos de
Noé, Sem, Cam e Jafé. E a eles nasceram
filhos depois do dilúvio.
2
Os filhos de Jafé: Gomer, e Magogue, e
Madai, e Javã, e Tubal, e Meseque, e Tiras.
3
E os filhos de Gomer: Asquenaz, e Rifate,
e Togarma.
4
E os filhos de Javã: Elisá, e Társis, Quitim,
e Dodanim.
5
Por estes, foram divididas as ilhas dos
Gentios nas suas terras, cada qual segundo a
sua língua, segundo as suas famílias, entre as
suas nações.
6
E os filhos de Cam: Cuxe, e Mizraim, e Pute,
e Canaã.
7
E os filhos de Cuxe: Sebá, e Havilá, e Sabtá,
e Raamá, e Sabtecá; e os filhos de Raamá: Sebá
e Dedã.
27
10
foram forçados à escravidão pelos israelitas (Js 17:13;
Jz 1:28-35; 1Rs 9:20-21). Esta maldição não se refere aos
descendentes de Cam que se estabeleceram na África.
9:28-29 Os novecentos e cinquenta anos de Noé o distinguem como o terceiro mais velho ser humano na história bíblica, depois de Matusalém (969 anos) e Jarede (962
anos).
10:1 O registro das gerações dos filhos de Noé é a quarta
de onze (Heb.) seções toledoth em Gênesis (2:4; 5:1; 6:9;
11:10,27; 25:12,19; 36:1,9; 37:2). O propósito desta seção
é duplo: mostrar que os filhos de Noé cumpriram a ordem
para serem férteis, multiplicarem-se, e espalharem-se
pela terra (9:7), e distinguir as linhagens “não escolhidas”
dos descendentes de Noé (os jafetitas e os camitas) da linhagem que seria tanto recipiente quanto agente da bênção especial de Deus para o restante da humanidade (os
semitas). Gênesis 10:1-32 lista um total de 70 descendentes nas linhagens familiares de Sem, Cam e Jafé. Setenta,
um múltiplo de dois números que sugerem completude (7,
o número dos dias da semana da criação; 10, o número dos
dedos), haveria de sugerir aos antigos israelitas uma completude satisfatória para a quantidade de pessoas e nações
que vieram à existência após o dilúvio.
10:2-5 Quatorze dos descendentes de Jafé são listados
aqui. As ilhas dos Gentios representam os povos vivendo
em áreas alcançadas por navios, especialmente na bacia
do Mediterrâneo. O fato de cada grupo ter a sua língua sugere que esta listagem refere-se à situação após o evento
da Torre da Babel (11:1-9).
10:6-7 Trinta dos descendentes de Cam são incluídos nesta lista. As identificações geográficas e étnicas de grande parte dos nomes acabaram perdidas na história, mas
eles são associados a regiões na África e na Arábia. Havilá
provavelmente se refere a uma região geográfica diferente
da Havilá de 2:11. Três pessoas diferentes com o nome de
Sebá são listadas nas genealogias de Gênesis (v. 28; 25:3);
Dedã é encontrado também em 25:3. É melhor entender
cada um desses como pessoas diferentes, e como os fundadores de diferentes grupos de pessoas.
28
Gênesis 10:8
E Cuxe gerou Ninrode; este começou a ser
poderoso na terra.
9
Ele foi um caçador poderoso diante do
S enhor , pelo que é dito: Como Ninrode,
poderoso caçador diante do Senhor.
10
E no começo do seu reino estavam Babel, e
Ereque, e Acade, e Calné na terra de Sinar.
11
Daquela terra saiu Assíria e edificou
Nínive, e a cidade de Reobote-Ir, e Calá.
12
E Resen, entre Nínive e Calá; esta mesma
é uma grande cidade.
13
E Mizraim gerou Ludim, e Anamim, e
Leabim, e Naftuim,
14
e Patrusim, e Casluim (de quem vieram os
filisteus), e Caftorim.
8
10:10 Gn 11:9
10:11 Mq 5:6
10:15 ver 6;
Gn 9:18
10:19 Gn 13:12;
17:8
10:21 ver 24;
Nm 24:24
10:8-12 Ninrode, este começou a ser poderoso na terra,
isto é, ele foi bem sucedido como um dinâmico edificador
de império. Como muitos outros antigos reis egípcios e
mesopotâmicos, ele também foi famoso como o po­deroso
caçador diante do Senhor. As origens de Ninrode são de
Cuxe, isto é, África; seu império era asiático, estendendose através da bacia dos rios Tigre e Eufrates. A ordem
dos nomes dos lugares sugere que o império de Ninrode
expandiu do sul para o norte, e incluíam Babel e Nínive, as
capitais de dois dos mais terríveis inimigos de Israel. Sinar
corresponde às antigas regiões da Suméria e da Acádia;
Ereque corresponde à antiga Uruk; Calá corresponde a
Ninrode; Reobote-Ir pode ser a antiga Assur.
10:15-20 A porção mais complexa da lista de Cam é o ramo
de Canaã, com 11 descendentes ou grupos de pessoas
nomeados. O tamanho relativo e os detalhes reforçam a
E Canaã gerou Sidom, seu primogênito, e
Hete,
16
e o jebuseu, e o amorreu, e o girgaseu,
17
e o heveu, e o arqueu, e o sineu,
18
e o arvadeu, e o zemareu, e o hamateu,
e depois as famílias dos cananeus foram
espalhadas.
19
E o termo dos cananeus era desde Sidom,
quando se vai para Gerar, até Gaza; quando
se vai para Sodoma, e Gomorra, e Admá, e
Zeboim até Lasa.
20
Estes são os filhos de Cam, segundo as
suas famílias, segundo as suas línguas, em suas
terras, e em suas nações.
21
A Sem também nasceram filhos, o pai de
todos os filhos de Éber, e o irmão mais velho
de Jafé.
15
significação dos cananeus para a história israelita posterior. Esta seção genealógica indica que muitos dos mais
antigos habitantes de Canaã não eram de origem semítica.
10:21-31 A genealogia de Sem, da qual porções serão
repetidas em 11:10-17, representa a linhagem “escolhida” dos descendentes de Noé. Da linhagem de Sem virão
Abraão, os israelitas, e, por fim, Jesus. Maior e mais complexa do que a genealogia semita no capítulo 11 (26 nomes
vs. 12), esta apresentação difere da outra, principalmente
por incluir os ramos “não escolhidos” da linhagem de Sem,
especialmente o de Joctã com seus 13 filhos. A menção
de todos os filhos de Éber chama a atenção para o ponto
na linhagem de Sem onde o ramo “escolhido” se divide do
restante da família. A palavra “hebreu” é frequentemente
entendida como sendo derivada do nome Éber.
A Tabela das Nações mostra que a Bíblia está firmemente baseada em eventos históricos. Ela provê o contexto
histórico para se entender Abraão, cuja família tornou-se uma nação por meio de quem Deus haveria de abençoar
todos os povos da terra.
29
Os filhos de Sem: Elão, e Assur, e Arfaxade,
e Lude, e Arã.
23
E os filhos de Arã: Uz, e Hul, e Geter, e Más.
24
E Arfaxade gerou Salá; e Salá gerou Éber.
25
E a Éber nasceram dois filhos: o nome de
um foi Pelegue, pois em seus dias foi dividida
a terra; e o nome do seu irmão foi Joctã.
26
E Joctã gerou Almodá, e Selefe, e
­Hazarmavé, e Jerá,
27
e Hadorão, e Usal, e Dicla,
28
e Obal, e Abimael, e Sabá,
29
e Ofir, e Havilá, e Jobabe; todos estes eram
filhos de Joctã.
30
E sua habitação foi desde Messa, quando se
vai para Sefar, um monte do leste.
31
Estes são os filhos de Sem, segundo as
suas famílias, segundo as suas línguas, em suas
terras, em suas nações.
32
Estas são as famílias dos filhos de Noé,
segundo as suas gerações, em suas nações; e
por estas foram as nações divididas na terra
depois do dilúvio.
22
10:23 Jó 1:1
10:24 ver 21
10:32 ver 1;
Gn 9:19
11:4 Dt 1:28
11:5 ver 7;
Gn 18:21
11:7 Gn 1:26;
Gn 42:23
Nomes na genealogia semita, que estudiosos têm associado a vários grupos de pessoas ou localidades, compreendem: Elão, sudoeste do atual Irã; Assur, ao longo do
rio Tigre no Iraque; Arã, Iraque oriental próximo à fronteira iraniana; Uz, a península Arábica ou Edom; Más, Ásia
Menor central. Todos os 13 filhos de Joctã que podem ser
associados confiadamente a uma localização estão associados a locais na península Arábica.
O nome Ofir pode ser associado ao Ofir mencionado em
outras partes na Escritura (1Rs 9:28; Jó 22:24; Sl 45:9) visto
que esse nome parece ser um local distante, possivelmente na África ou na Índia. Havilá de Joctã não deveria ser
equiparada a Havilá de Cuxe, embora os dois tenham em
comum o mesmo nome.
10:21 A expressão irmão mais velho de Jafé é difícil no
hebraico: várias outras versões a entendem como significando que Jafé era o irmão mais velho.
10:25 Existe um jogo de palavras entre o nome Pelegue
e a expressão verbal foi dividida. Ambos são baseados na
sequência sonora hebraica p-l-g. O significado exato de “a
terra foi dividida” é incerto. Pode ser uma referência ao (a)
evento da Torre de Babel (11:9); (b) um terremoto devastador; (c) um grande projeto de canal mesopotâmico; ou (d)
uma divisão política.
11:1-9 O relato do pecado de Adão e Eva no jardim do Éden
(cap. 3) e o da Torre de Babel têm muitas similaridades
em comum no enredo, no vocabulário e no tema. Ambos
mostram as pessoas agindo com orgulho pecaminoso
para tentarem, ao seu modo,ser divinas, e ambos mostram
Deus expulsando pecadores de seus lares como punição
por seu pecado.
11:1 O incidente da Torre de Babel ocorreu antes de, pelo
menos, alguns dos eventos do capítulo 10, uma vez que toda
a terra era de uma língua, e de uma fala. (10:5, 20, 31).
11:2 Sinar corresponde à antiga Babilônia e inclui a região
das cidades de Babilônia, Ereque, Acade, e Calné (10:10).
Sobre “do leste,” ver nota de rodapé textual.
11
Gênesis 11:7
E toda a terra era de uma língua, e de uma
fala.
2
E aconteceu que, eles viajando do leste,
acharam uma planície na terra de Sinar, e eles
habitaram ali.
3
E eles disseram uns aos outros: Vamos,
façamos tijolos e queimemo-los. E eles tiveram
tijolos por pedra, e betume por argamassa.
4
E eles disseram: Vamos, edifiquemos para
nós uma cidade e uma torre, cujo topo possa
alcançar o céu. E façamos para nós um nome,
para que não sejamos espalhados sobre a face
de toda a terra.
5
E o Senhor desceu para ver a cidade e a torre
que os filhos dos homens edificavam.
6
E o Senhor disse: Eis que o povo é um, e
todos eles têm uma língua. E isto eles começam
a fazer, e agora nada lhes será restrito, do que
eles imaginam fazer.
7
Vamos, desçamos, e ali confundamos a
língua deles, para que eles não possam entender
a fala uns dos outros.
11:3 Diferentemente dos leitores originais da terra de
Israel, com sua vasta quantidade de material de construção de pedra calcária, as pessoas da Babilônia usavam
tijolos queimados. Escavações arqueológicas têm confirmado que os antigos habitantes da terra usaram betume
por argamassa.
11:4 O orgulho e a ambição das pessoas são expressos de
três maneiras diferentes: (1) os cinco usos de pronomes
e desinências verbais da primeira pessoa - Vamos, edifiquemos para nós...E façamos... (2) seu desejo de edificar... uma torre até o céu, dando assim a eles acesso aos
“céus”, o domínio de Deus; e (3) sua tentativa de autoglorificação - façamos para nós um no­me. Em razão de terem
feito isso para evitar que fossem espalhados sobre a face
de toda a terra, todos os seus esforços corresponderam
a uma rebelião contra Deus e Sua ordem para encher a
terra (9:1).
11:5 Apesar de seus melhores esforços para se elevarem
ao domínio de Deus, o Senhor ainda tinha de descer para
ver a cidade e a torre. Tentativas humanas para conquistar
glória, a qual pertence unicamente a Deus, sempre se
mostram lamentavelmente insuficientes.
11:6 A preocupação de Deus, de que nada pudesse impedir
o que eles planejassem fazer, não expressa um temor
divino de que o homem pudesse algum dia se tornar tão
poderoso quanto Deus. Antes, transmite grande tristeza
pelo fato de o homem, se não for freado, vir a empreender
feitos extraordinários de maldade e desafio.
11:7 Sobre a referência de Deus a Si mesmo como nós
(desçamos e confundamos), ver nota em 1:26. Talvez o
mais dramático trocadilho hebraico no episódio da Torre
de Babel envolva a reversão deliberada de sons entre os
versículos 3 e 7. Os seres humanos criaram o tijolo - uma
palavra que possui a sequência de sons l-b-n em hebraico
- para se rebelarem contra Deus. Em resposta, Deus criou
a confusão - uma palavra hebraica contendo n-b-l - para
reverter a malvada conspiração humana.
30
Gênesis 11:8
Assim, o Senhor os espalhou dali sobre a
face de toda a terra; e eles deixaram de edificar
a cidade.
9
Por isso, o nome dela é chamado Babel;
porque o Senhor ali confundiu a língua de toda
a terra. E a partir dali o Senhor os espalhou
sobre a face de toda a terra.
10
Estas são as gerações de Sem: Sem tinha
cem anos de idade, e gerou Arfaxade dois anos
depois do dilúvio.
11
E Sem viveu, depois que gerou Arfaxade,
quinhentos anos, e gerou filhos e filhas.
12
E Arfaxade viveu trinta e cinco anos, e
gerou Salá.
13
E Arfaxade viveu, depois que gerou Salá,
quatrocentos e três anos, e gerou filhos e filhas.
14
E Salá viveu trinta anos, e gerou Éber.
15
E Salá viveu, depois que gerou Éber,
quatrocentos e três anos, e gerou filhos e filhas.
16
E Éber viveu trinta e quatro anos, e gerou
Pelegue.
17
E Éber viveu, depois que gerou Pelegue,
quatrocentos e trinta anos, e gerou filhos e
filhas.
18
E Pelegue viveu trinta anos, e gerou Reú.
19
E Pelegue viveu, depois que gerou Reú,
duzentos e nove anos, e gerou filhos e filhas.
20
E Reú viveu trinta e dois anos, e gerou
Serugue.
8
11:8 Lc 1:51
11:26 Js 24:2
11:27 ver 31;
Gn 12:4
11:29 Gn 17:15
11:30 Gn 16:1
11:31 Gn 15:7;
Ne 9:7; At 7:4
11:9 Muitas versões portuguesas se referem a “Babel”
nesta perícope, mas esta é a mesma palavra hebraica traduzida como “Babilônia” por todo o AT. A conexão entre as
palavras Babel e confundiu (Heb. babel e balal) constitui
mais um novo trocadilho dentre os muitos neste capítulo.
A ação do Senhor teve dois resultados positivos: primeiro,
uma vez que ela confundiu a língua de to­da a terra, ela pôs
fim à possibilidade de empreendimentos malignos em larga escala; segundo, ela levou a humanidade a se espalhar
sobre a face de toda a terra, levando assim as pessoas a
uma conformidade com a ordem de Deus para encher a
terra (9:1).
11:10-26 As gerações de Sem constitui a quinta das onze
seções (Heb.) toledoth em Gênesis (2:4; 5:1; 6:9; 10:1;
11:27; 25:12,19; 36:1,9; 37:2). Enquanto a seção toledoth
anterior (“(as gerações de Sem, Cam e Jafé, filhos de Noé,”
10:1-11:9) apresentou os descendentes “não escolhidos”
de Noé, esta descreve a descendência “escolhida”.
Esta tabela genealógica, que repete parcialmente a
informação fornecida em 10:21-25, associa Sem, filho de
Noé, a Abrão (ou Abraão). Embora esta lista inclua menos
nomes (12 contra 26) que a genealogia no capítulo 10, ela
apresenta mais gerações (10 contra 6) e inclui também dados cronológicos. Seu estilo a liga à genealogia no capítulo
5, que também delineia a linhagem “escolhida” e inclui 10
gerações. Enquanto o capítulo 5 estende-se de Adão a Noé
(o mundo pré-diluviano), esta tabela associa Sem a Abrão
(o mundo pós-diluviano).
11:12 Afastando-se do texto hebraico, tanto Lc 3:35-36
quanto a versão da Septuaginta deste versículo indicam
E Reú viveu, depois que gerou Serugue,
duzentos e sete anos, e gerou filhos e filhas.
22
E Serugue viveu trinta anos, e gerou Naor.
23
E Serugue viveu, depois que gerou Naor,
duzentos anos, e gerou filhos e filhas.
24
E Naor viveu vinte e nove anos, e gerou
Terá.
25
E Naor viveu, depois que gerou Terá, cento
e dezenove anos, e gerou filhos e filhas.
26
E Terá viveu setenta anos, e gerou Abrão,
Naor e Harã.
27
Ora, estas são as gerações de Terá: Terá
gerou Abrão, Naor e Harã, e Harã gerou Ló.
28
E Harã morreu antes de seu pai Terá, na
terra do seu nascimento, em Ur dos caldeus.
29
E Abrão e Naor tomaram esposas para si; o
nome da esposa de Abrão era Sarai, e o nome
da esposa de Naor era Milca, filha de Harã, pai
de Milca e pai de Iscá.
30
Mas Sarai era estéril, e ela não tinha filhos.
31
E Terá tomou Abrão, seu filho, e Ló, filho
de Harã, filho de seu filho, e a Sarai, sua nora,
esposa de seu filho Abrão, e saiu com eles de
Ur dos caldeus para ir à terra de Canaã; e eles
vieram até Harã e habitaram ali.
32
E os dias de Terá foram duzentos e cinco
anos; e morreu Terá em Harã.
21
que o filho Arfaxade foi Cainã. Uma vez que o autor
inspirado do NT confirma a leitura da Septuaginta, Cainã
deveria ser aceito como o filho de Arfaxade. Portanto, é
melhor aceitar Arfaxade como o pai de Salá em um sentido
indireto, e ver a versão hebraica aqui como uma genealogia
estilizada moldada em razão de propósitos temáticos. Uma
técnica semelhante parece ter sido usada por Mateus em
sua apresentação da genealogia de Jesus em Mateus 1.
11:17 Éber viveu um total de 464 anos. Isto o distingue
como a pessoa nascida depois do dilúvio que mais tempo
viveu na Bíblia.
11:27 As gerações de Terá é a sexta seção (Heb.) toledoth
em Gênesis (2:4; 5:1; 6:9; 10:1; 11:10; 25:12,19; 36:1, 9; 37:2).
Muito mais que uma simples tabela genealógica, esta seção
se estende através de partes de 15 capítulos e inclui um rico
suprimento de informação acerca da vida do mais famoso
filho de Terá, Abrão (posteriormente chamado Abraão). No
hebraico, a grafia do nome pessoal Harã difere do lugar
chamado Harã (v. 31).
11:29 A esposa de Naor... Milca eventualmente gerou oito
filhos (22:20-23). Betuel, seu filho mais famoso, tornou-se
sogro de Isaque, filho de Abraão (25:20).
11:30 Em contraste com Milca, Sarai (mais tarde chamada Sara) era estéril. Este fato doloroso é enfatizado pelo
escritor bíblico ao reafirmar o fato: não tinha filhos. A provisão de Deus de um herdeiro para Abraão apesar da esterilidade de Sara é um dos principais temas na narrativa
que segue (15:2-4; 17:15-21; 21:10).
31
12
Ora, o Senhor havia dito a Abrão: S
­ ai-te
do teu país, e da tua parentela, e da casa
de teu pai, para uma terra que eu te mostrarei.
2
E eu farei de ti uma grande nação, e eu te
abençoarei, e farei teu nome grande; e tu serás
uma bênção.
3
E eu abençoarei os que te abençoarem, e
amaldiçoarei os que te amaldiçoarem, e em ti
todas as famílias da terra serão abençoadas.
4
Assim, Abrão partiu, como o Senhor lhe
havia falado, e Ló foi com ele. E Abrão tinha
setenta e cinco anos de idade quando ele partiu
de Harã.
5
E Abrão tomou Sarai, sua esposa, e Ló, filho
de seu irmão, e todas as posses que haviam
ajuntado, e as almas que eles tinham obtido em
Harã, e eles saíram para a terra de Canaã, e para
a terra de Canaã eles vieram.
12:2 Gn 17:2,4;
18:18
12:3 Gn 27:29;
Nu 24:9;
Gn 22:18; 26:4;
At 3:25; Gl 3:8
12:5 Gn 14:14
12:7 Gn 17:1;
Gn 13:15,17;
Sl 105:9‑11
12:8 Gn 13:3
12:1-3 De acordo com At 7:2, o Senhor falou a Abrão enquanto este ainda estava na Mesopotâmia (Gn 11:31).
Deus deu a Abrão uma ordem, de um único verbo, com
quatro aspectos para ela. Abraão deveria sair (1) de seu
país, (2) de sua parentela e (3) da casa de teu pai, (4) para
uma terra escolhida por Deus. A obediência a Deus muitas vezes significa deixar uma coisa a fim de receber algo
diferente ainda melhor.
12:4 Tendo migrado com a família de seu pai desde Ur
(11:31), Abrão permaneceu um período incerto de tempo
em Harã. Visto que Terá viveu 145 anos após o nascimento
de Abrão (11:26,32) e Abrão tinha setenta e cinco anos
de idade quando ele partiu de Harã, Abrão literalmente
cumpriu a ordem para deixar a casa de seu pai (v. 1).
12:5 Abrão aparentemente era o protetor de seu sobrinho Ló,
porque o pai de Ló havia morrido em Ur (11:28). O percurso do
grupo até Canaã era aproximadamente de 724 km.
12:6 Siquém fica ao norte da parte central de Israel, nas
encostas do Monte Ebal. Jacó, neto de Abrão, também viveria por um tempo nessa região (33:18-19). Mais tarde, José,
bisneto de Abrão, seria sepultado nesse lugar (Js 24:32).
Os cananeus eram um grupo cultural distinto (Gn 15:21),
entretanto, o termo “cananeu” é também um termo abrangente para muitos povos diferentes que estavam vivendo na
região, incluindo os hititas, os amorreus, os ferezeus, os
girgaseus, os heveus, e os jebuseus.
12:7 Esta é a primeira de três vezes que a Escritura indica
que o Senhor fisicamente apareceu a Abrão (17:1; 18:1). A
promessa do Senhor de dar a terra de Canaã à semente
de Abrão é a afirmação mais repetida na Torá. Pelo menos
37 referências são feitas a ela nos livros de Moisés. O altar que Abrão edificou em Siquém é o primeiro de quatro
que ele é dito ter construído; outros foram levantados entre Betel e Ai (v. 8), em Hebrom (13:18), e no monte Moriá
(22:9).
12:8 Como pastor, Abrão frequentemente seguia para
novos locais a fim de prover comida para seus animais.
Betel, atual Beitin, distava cerca de 32 km ao sul de Siquém.
Este altar é o segundo dos quatro que Abrão construiu na
terra de Canaã (v. 7). Quando Abrão invocou o nome do
Senhor aqui, ele se identificou como um legítimo membro
da piedosa linhagem de Sete (4:26). Esta é a primeira de
três ocasiões nas quais Abrão é dito fazer isso (13:4; 21:3).
Gênesis 12:12
E Abrão passou pela terra até o lugar de
Siquém, até a planície de Moré. E os cananeus
estavam nesse tempo na terra.
7
E o Senhor apareceu a Abrão e disse: À tua
semente eu darei esta terra; e ali ele edificou
um altar ao Senhor, que lhe apareceu.
8
E ele moveu-se dali para o monte ao leste
de Betel, e armou sua tenda, tendo Betel ao
oeste e Ai ao leste. E ali ele edificou um altar ao S
­ enhor, e invocou o nome do S enhor .
9
E Abrão viajou, indo adiante para o sul.
10
E houve fome na terra, e Abrão desceu
para o Egito para peregrinar ali, pois a fome
era severa na terra.
11
E aconteceu que, quando ele estava prestes a
entrar no Egito, ele disse a Sarai, sua esposa: Eis
que eu sei que tu és uma esposa formosa à vista.
12
Por isso, acontecerá que, quando os
egípcios te virem, eles dirão: Esta é a esposa
dele. E me matarão, mas te manterão viva.
6
12:1 At 7:3;
Hb 11:8
12:9 O Neguebe é a região semidesértica a oeste e ao sul
do Mar Morto. Cerca de 80 km ao sul de Betel, esta área
tem sido habitada por nômades desde tempos antigos.
12:10 O único rio que fluía o ano todo em Israel era o Jordão,
e ele ficava completamente abaixo do nível do mar (menos
209 metros em seu ponto mais alto, e menos 396 metros
em seu ponto mais baixo). Canaã dependia grandemente
da chuva para sua água potável e para as colheitas. Quando
não havia chuva sobrevinha inevitavelmente a fome. Para
evitar a fome, Abrão desceu para o Egito, o local com o
melhor suprimento de água. Isto significava abandonar a
terra que Deus prometera a seus descendentes.
12:11 Embora Sarai estivesse com, pelo menos, 65 anos de
idade nessa ocasião (Sarai era 10 anos mais nova que Abrão
[17:17], e o patriarca com, pelo menos, 75 anos [v. 4], ela
ainda era considerada formosa. Sua atratividade em parte
se devia ao fato de ser a mulher mais poderosa em um clã
abastado.
zera’
Pronúncia hebraica
Tradução BKJ 1611
Usos em Gênesis
Usos no AT
Passagem foco
[ZE ra]
semente, descendência
59
229
Gênesis 12:7
Zera’ aparece 15 vezes com o cognato zara’ (semear; Êx 23:10).
Zera’ significa semente (Nm 24:7), plantio (Gn 8:22), safra (Dt 22:9),
ou grão (Is 23:3). Zera’ indica semente humana ou animal (Jr 31:27),
sêmen (Lv 22:4), ou descendência (Gn 3:15). Significa descendente
(Gn 4:25) ou filho (1Sm 1:11), descendência (Gn 46:6), descendentes
(Sl 18:50), herdeiros (2Rs 11:1), família (1Rs 11:14), família nacional
(Et 10:3), e povo (Is 61:9). O termo tem a conotação de ninhada
(Is 1:4), linhagem ou linha de sangue (Gn 19:32), estirpe (Nm 16:40),
raça (Is 57:4), ou ascendência (Ed 2:59). Zera’ implica fértil (Ez 17:5).
Zara’ (56 vezes) também denota semente semeada (Gn 26:12),
plantar, engravidar (Lv 12:2), conceber (Nm 5:28), e ter descendente
(Na 1:14). O termo é usado figuradamente (Os 8:7). Partículas com
zera’ indicam que dá semente (Gn 1:12,29). Zerua’ (3 vezes) é que se
semeia, aquilo que é semeado, ou vegetais (Dn 1:12).
32
Gênesis 12:13
Dize, suplico-te, que tu és minha irmã, para
que eu possa ficar bem por tua causa, e a minha
alma viverá por causa de ti.
14
E aconteceu que, quando Abrão havia
chegado ao Egito, os egípcios viram a mulher,
e que ela era muito formosa.
15
Também os príncipes do Faraó a viram,
e a elogiaram diante do Faraó, e a mulher foi
levada à casa do Faraó.
16
E ele tratou bem a Abrão por causa dela. E
ele teve ovelhas, e bois, e jumentos, e servos, e
servas, e jumentas e camelos.
17
E o Senhor atormentou Faraó e a sua casa
com grandes pragas por causa de Sarai, esposa
de Abrão.
18
E Faraó chamou Abrão, e disse: O que é
isto que tu me fizeste? Por que não me disseste
que ela era tua esposa?
19
Por que disseste: Ela é minha irmã? Portanto
eu a tomei para ser minha mulher. Agora, pois,
eis a tua esposa. Toma-a e vai no teu caminho.
20
E Faraó ordenou aos seus homens com
respeito a ele; e eles o mandaram embora, e a
sua esposa, e a tudo que ele tinha.
E Abrão saiu do Egito para o sul, ele, e sua
esposa, e tudo que tinha, e Ló com ele.
13
12:17 1Cr 16:21
13:4 Gn 12:7
13:7 Gn 26:20,21
13
12:13 Ao falar para sua esposa que dissesse ser sua
irmã, Abrão estava tecnicamente pedindo que ela fosse
verdadeira, porque Sarai era sua meia-irmã (20:12).
12:15 Uma vez que o grupo de Abrão possuía muitas pessoas e muitos animais, eles tinham que receber permissão especial para viver e trabalhar no Egito. Importantes
contratos econômicos e políticos no mundo antigo eram,
por vezes, finalizados com o partido mais fraco dando uma
mulher para o líder do partido mais forte. A mulher se tornaria, então, parte do harém do líder (isto provavelmente
explica a razão de Salomão ter tido 700 esposas, 1Rs 11:3).
Sarai era a mulher mais atraente no grupo de Abrão, assim, quando os príncipes do Faraó... a elogiaram diante do
Faraó, a mulher foi levada ao seu harém.
12:16 Talvez por conta dos presentes de Faraó, ou talvez
em razão de negócios favoráveis, Abrão recebeu muita
riqueza. Mais tarde, Abrão usaria uma de suas servas em
seu grupo para gerar um filho (16:1-4,15).
12:17 Se Sarai, esposa de Abrão permanecesse no Egito,
como parte do harém de Faraó, então o plano de Deus de
prover Abrão de um herdeiro por meio dela jamais seria
cumprido. Para restaurar Sarai a Abrão e trazer os fundadores da nação israelita do Egito para a terra prometida, o
Senhor atormentou Faraó e a sua ca­sa com grandes pragas. Este ato prenunciou o que o Senhor faria nos dias de
Moisés para,de novo, tirar os israelitas do Egito (Êx 12:29) e
os levar para a terra prometida.
12:18 Faraó associou as pragas com a entrada de Sarai em
seu harém. Uma investigação revelou que ele fora levado
a se casar com uma mulher que era a mulher de outro
homem.
12:20 Assim como Faraó deu ordens a Abrão, o primeiro
israelita, para que partisse... com tudo o que possuía, assim
um Faraó posterior haveria de ordenar que os israelitas
E Abrão era muito rico em gado, em prata
e em ouro.
3
E ele foi em suas viagens do sul até Betel,
até o lugar em que sua tenda havia estado no
início, entre Betel e Ai,
4
até o lugar do altar, que ele fizera ali no
início. E ali Abrão invocou o nome do Senhor.
5
E Ló também, que foi com Abrão, tinha
rebanhos, e gado, e tendas.
6
E a terra não foi capaz de c­ omportá-los,
para que eles pudessem habitar juntos. Porque
eram muitos os seus bens, de modo que não
puderam habitar juntos.
7
E houve contenda entre os pastores do
gado de Abrão e os pastores do gado de Ló, e
os cananeus e os ferezeus habitavam na terra
nesse tempo.
8
E Abrão disse a Ló: Que não haja contenda,
eu te suplico, entre mim e ti, e entre meus
pastores e teus pastores, pois somos irmãos.
9
Não está a terra toda diante de ti? S
­ uplico-te
que te apartes de mim. Se tomares a esquerda,
então eu irei para a direita. Se te apartares para
a direita, então eu irei para a esquerda.
2
nos dias de Moisés deixassem o Egito (Êx 12:31-32) com
todos os seus pertences.
13:1 Tendo sido forçado a sair do Egito, Abrão retornou
para o sul, o último lugar em que vivera na terra prometida
(12:9) antes de sua ida para a África.
13:3 Abrão seguiu em direção ao norte até Betel, uma área
de Canaã com mais chuva - e, consequentemente, com
mais vegetação - do que o sul. Esta mudança provavelmente
foi necessária a fim de alimentar os grandes rebanhos de
Abrão e de seu sobrinho Ló.
13:4 O retorno físico de Abrão ao lugar onde Deus primeiro
lhe falara na terra prometida se assemelhou a uma reconsagração espiritual de sua vida a Deus. Pela primeira vez,
desde que deixara Canaã e fora para o Egito, Abrão invocou
o nome do Senhor.
13:6 Especialmente durante os meses secos de verão, a
terra ao redor de Betel e Ai estava muito seca para tamanha
quantidade de rebanhos e pessoas. Para permanecerem
na área, Abrão e Ló teriam de se afastar.
13:7 Com limitados recursos naturais, era inevitável a
contenda entre os pastores de Abrão e de Ló.
13:8 Abrão acalmou a situação de tensão que tinha azedado o relacionamento entre ele próprio e seu sobrinho,
e entre os seus pastores. Uma vez que eles eram irmãos
e estavam rodeados por muitos grupos que não tinham
quaisquer motivos para lhes serem amistosos, era importante que eles fizessem um acordo.
13:9 Abrão compreendeu que a única maneira de pôr fim à
controvérsia era a separação deles. Como o membro mais
velho e cabeça do clã, ele deveria ter sido o primeiro a escolher a região na qual viveria. Porém, Abrão graciosamente passou a escolha para Ló, permitindo que seu sobrinho
reivindicasse o lugar mais desejável na terra inteira.
Ur dos Caldeus (11:28) é comumente identificada
na atualidade como Tellel-Muqayyar, a 350 quilômetros a sudeste de Bagdá, no Iraque (11:31).
Situada em uma rota de caravana, Harã era uma
importante cidade localizada às margers do rio
Balikh no norte da Mesopotâmia, onde atualmente
é a moderna Síria. Como nome de localidade, Harã
(que significa “Rota de Caravana”) é grafada em
hebraico de maneira diferente do nome pessoal
“Harã” (que significa “Montanhês”).
33
34
Gênesis 13:10
E Ló levantou os olhos, e viu toda a planície
do Jordão, que era bem regada em todo lugar,
antes do S enhor ter destruído Sodoma e
Gomorra, como o jardim do Senhor, como a
terra do Egito, quando se entra em Zoar.
11
Então, Ló escolheu para si toda a planície
do Jordão, e Ló viajou para o leste, e eles se
apartaram um do outro.
12
Abrão habitou na terra de Canaã, e Ló
habitou nas cidades da planície, e armou sua
tenda em direção a Sodoma.
13
Mas os homens de Sodoma eram extremamente perversos e pecadores diante do Senhor.
14
E o Senhor disse a Abrão, depois que Ló se
apartou dele: Eleva agora os teus olhos, e olha
do lugar em que estás para o norte, e para o sul,
e para o leste, e para o oeste.
15
Porque toda a terra que tu vês, para sempre
eu te darei, e à tua semente.
16
E eu farei a tua semente como o pó da
terra, de modo que se um homem puder contar
10
13:10
Gn 19:22, 30​;
Gn 2:8-10;
Gn 19:17‑29
13:13 Gn 18:20;
2Pe 2:8
13:15 Gn 12:7;
Gl 3:16
13:17
Nm 13:17‑25
13:18
Gn 14:13,24
14:3 Nm 34:3,12;
Js 3:16
13:10 Pensando especialmente na necessidade de água
e pasto para seus rebanhos, Ló estava particularmente
interessado na extremidade sul da planí­cie do Jordão, uma
área bem regada em todo lugar. Tão próspera era essa
região antes de o Senhor ter destruído Sodoma e Gomorra,
com duas cidades proeminentes ali localizadas (19:24-25),
que ela foi considerada como sendo tão exuberante quanto
o jardim do Senhor - ou o jardim do Éden (2:9-10). O nome
Zoar antecipa os eventos de 19:20-22; o nome da aldeia
nessa ocasião era Belá (14:2).
13:11 Para o leitor atento, a viagem de Ló para o leste tem
algumas implicações perturbadoras. Outras situações,
nos capítulos anteriores de Gênesis, nas quais o “leste” é
mencionado como um destino compreendem aquelas de
Adão e Eva após o seu pecado no Éden (3:24), de Caim após
o seu julgamento (4:16), e da humanidade pecadora antes
do incidente da Torre de Babel (11:2).
13:12 Ló aparentemente viveu uma existência transicional, habitando nas cidades da planície, enquanto também
mantinha sua tenda em direção a Sodoma a fim de manter
os seus rebanhos.
13:13 O estado de depravação dos homens de Sodoma
e a maneira como eram extremamente perversos e
pecadores diante do Senhor será tratada mais adiante em
18:20-19:25.
13:14-15 Quando Abrão deu partes de Canaã para Ló no
acordo que ofereceu terra por amor à paz, tal pacto ameaçou o cumprimento da antiga promessa a Abrão (12:7). Todavia, as promessas de Deus não podiam ser frustradas
pelos atos de Abrão. Apesar do compromisso de Abrão
com Ló, o Senhor mesmo daria a Abrão toda a terra que
ele estava vendo, em todas as direções. E mais ainda, Canaã também haveria de pertencer à semente de Abrão
para sempre. Contudo, a descendência de Ló não seria deixada sem território. Seus filhos - Moabe e Ben-Ami (19:3738) - seriam os fundadores de Moabe e Amom, nações a
leste da terra prometida a Abrão.
13:16 Além da terra, o Senhor também prometeu a Abrão
uma semente numerosa demais para se poder contar. Visto que Abrão tinha mais de 75 anos de idade e ainda não
possuía filhos no tempo em que o Senhor lhe falara tais
o pó da terra, então também a tua semente será
contada.
17
Levanta-te, caminha pela terra no seu
comprimento e na sua largura, pois a ti eu a darei.
18
Então Abrão removeu a sua tenda, e veio e
habitou na planície de Manre, que é Hebrom, e
ali edificou um altar ao Senhor.
E aconteceu nos dias de Anrafel,
rei de Sinar, Arioque, rei de Elasar,
Quedorlaomer, rei de Elão, e Tidal, rei de nações,
2
que estes fizeram guerra a Bera, rei de
Sodoma, a Birsa, rei de Gomorra, a Sinabe, rei
de Admá, e a Semeber, rei de Zeboim, e ao rei
de Bela, que é Zoar.
3
Todos estes foram reunidos no vale de
Sidim, que é o mar de sal.
4
Eles serviram doze anos a Quedorlaomer, e
no décimo terceiro ano se rebelaram.
5
E no décimo quarto ano veio Quedorlaomer, e
os reis que estavam com ele, e feriram os r­ efains
em ­Asterote-Carnaim, e os zuzins em Hã, e os
emins em Savé-Quiriataim,
14
palavras, essa promessa divina era particularmente surpreendente.
13:17-18 Talvez como um teste para a fé de Abrão, o Senhor
lhe deu duas ordens. Com elas veio uma reafirmação da
promessa feita anteriormente quando Abrão chegou na
terra prometida (12:7). Imediatamente após a ordem de
Deus para percorrer a terra no seu com­primento e na
sua largura, o patriarca habitou na planície de Manre,
um local a aproximadamente 3,2 km ao norte de Hebrom.
Hebrom tornou-se a principal residência de Abrão e, mais
tarde, de seu filho Isaque (18:1; 23:2; 35:27; 37:14).
14:1 A prosperidade do vale do baixo rio Jordão atraiu não
somente Ló, mas também chamou a atenção de quatro
reis asiáticos que estavam centenas de quilômetros ao
norte e a leste. Embora os estudiosos não possam equiparar os nomes aqui com os nomes dos reis encontrados
em fontes não bíblicas, as seguintes observações têm sido
feitas: Quedorlaomer = o nome elamita “Kutir” + um nome
de divindade; Arioque = o nome “Arriwuk/Arriyuk” encontrado em Mari; Tidal = o nome hitita “Tudkhalia.” O nome
Anrafel parece ser um nome semítico. Sinar (Babilônia) é
no Iraque atual; Elão é no sudoeste do Irã atual; Elasar é
uma localidade desconhecida.
14:2 Os reis asiáticos do norte provavelmente fizeram
guerra contra os povos sul do vale do Jordão a fim de
controlar uma rota de comércio (o Caminho dos Reis no
território da atual Jordânia), bem como o suprimento de
alimentos. Os gêneros alimentícios ali produzidos seriam
particularmente úteis para os exércitos em sua marcha
para o Egito ou combatendo outras nações na região.
14:3 O vale de Sidim é mencionado na Bíblia somente
nesta narrativa.
14:4 Por doze anos os cinco reis do sul do vale do Jordão
serviram a (lit. “serviram”) Quedorlaomer; isto é, eles enviavam uma parte de sua renda anual a ele.
14:5-7 Quedorlaomer não podia montar uma imediata
resposta militar à rebelião regional. Tendo juntado, no entanto, uma coalizão de reis na primavera seguinte, conduziu as tropas na direção sul pelo Caminho dos Reis para
subjugar as rebeldes cidades-estado. Entre aquelas conquistadas estavam Asterore-Carnaim (atual Tell Ashtarah
35
e os horeus no seu monte Seir, até E
­ l-Parã,
que fica junto ao deserto.
7
E eles retornaram, e vieram a EnMispate, que é Cades, e feriram toda a terra
dos amalequitas, e também os amorreus, que
habitavam em Hazazom-Tamar.
8
E saiu o rei de Sodoma, e o rei de Gomorra, e
o rei de Admá, e o rei de Zeboim, e o rei de Bela
(esta é Zoar) e se ajuntaram à batalha contra eles
no vale de Sidim,
9
contra Quedorlaomer, rei de Elão, e Tidal, rei
das nações, e Anrafel, rei de Sinar, e Arioque,
rei de Elasar; quatro reis contra cinco.
10
E o vale de Sidim estava cheio de poços
de betume, e os reis de Sodoma e Gomorra
fugiram, e caíram ali, e os restantes fugiram
para o monte.
11
E eles tomaram todos os bens de Sodoma
e Gomorra, e todos os seus mantimentos, e
foram no seu caminho.
12
E eles tomaram Ló, filho do irmão de
Abrão, que habitava em Sodoma, e os seus
bens, e partiram.
13
E veio um que havia escapado, e contou a
Abrão, o hebreu, pois ele habitava na planície
6
Gênesis 14:21
14:6 Dt 2:12,22
14:13 ver 24;
Gn 13:18
14:14 Gn 15:3
14:17 2Sm 18:18
14:18 Sl 110:4;
Hb 5:6; Hb 7:2
14:19 ver 22
14:20 Gn 24:27;
Hb 7:4
na Síria), Hã... Savé-Quiriataim (provavelmente próximo à
antiga cidade moabita de Quiriataim, Jr 48:1), e El-Parã (na
antiga Edom). Ele então seguiu para En-Mispate... Cades
ao norte do deserto do Sinai e Hazazom-Tamar (En-Gedi,
2Cr 20:2).
14:10 O campo de batalha, com seus muitos poços de betume, mostrou-se mais perigoso do que o inimigo. A leitura literal do texto hebraico afirma, “Os reis de Sodoma e
de Gomorra fugiram e caíram ali” - implicando que os dois
reis caíram nos poços de betume.
14:13 Um que havia escapado (lit. “o fugitivo”) veio ao
acampamento de Abrão, uns 27 km à oeste do Mar Morto.
Naquela região semidesértica, Abrão estabelecera um
tratado com alguns amorreus, seus confederados, que lhe
deram permissão para acampar à sombra da pla­nície de
Manre.
14:14 Quando o fugitivo informou a Abrão que Ló foi levado
cativo, o idoso líder do clã rapidamente mandou convocar
os trezentos e dezoito homens treinados - seus servos
adultos - e seguiu 190 km rumo ao norte até Dã e perseguiu
os captores de seu sobrinho. O uso do nome “Dã” - e não
“Laís” - sugere que este versículo foi editado para incluir o
nome atualizado, algum tempo durante ou após o período
dos juízes (Jz 18:29).
14:15 Armando um ataque noturno de surpresa, Abrão deu
a vantagem a seus combatentes, que estavam em menor
número. Apanhada desprevenida, a coalizão de invasores
fugiu apressadamente em uma rota de caravana até Hobá,
à esquerda de Damasco.
14:16 Em sua apressada retirada os invasores abandonaram o saque e os cativos que haviam tomado de Canaã.
14:17 O rei de Sodoma, que aparentemente sobrevivera a
sua queda no poço de betume (v. 10), juntou-se ao vitorioso
de Manre, o amorreu, irmão de Escol e irmão
de Aner; e estes eram confederados de Abrão.
14
E quando Abrão ouviu que o seu irmão
foi levado cativo, ele armou os seus servos
treinados, nascidos na sua própria casa,
trezentos e dezoito, e os perseguiu até Dã.
15
E ele se dividiu contra eles, ele e seus
servos, à noite, e os feriu e os perseguiu até
Hobá, que está à esquerda de Damasco.
16
E ele trouxe de volta todos os bens, e
também trouxe novamente o seu irmão Ló, e
seus bens, e também as mulheres, e o povo.
17
E o rei de Sodoma saiu para e­ ncontrá-lo
depois do seu retorno do massacre a
Quedorlaomer e os reis que estavam com ele,
no vale de Savé, que é o vale do rei.
18
E Melquisedeque, rei de Salém, trouxe
pão e vinho, e ele era o sacerdote do Deus
Altíssimo.
19
E ele o abençoou, e disse: Bendito seja
Abrão do Deus Altíssimo, criador do céu e da
terra.
20
E bendito seja o Deus Altíssimo, que
entregou teus inimigos em tuas mãos. E lhe
deu dízimo de tudo.
21
E o rei de Sodoma disse a Abrão: Dá-me as
pessoas, e toma os bens para ti.
grupo de Abrão no vale de Savé, provavelmente situado
justamente a leste de Jerusalém.
14:18 Melquisedeque, cujo nome significa “rei de justiça”
(Hb 7:2), tinha dois títulos: ele era rei de Salém (literalmente, “Rei de Paz”) - sendo um outro nome para a vizinha
Jerusalém - e sacerdote do Deus Altíssimo. Abrão considerou Melquisedeque, que é a primeira pessoa na Bíblia a
ser chamada de sacerdote, como uma pessoa que exercia o ofício sacerdotal da parte de Yahweh, porquanto ele
equiparou o título “Deus Altíssimo” com o Senhor (v. 22).
O escritor de Hebreus traçou paralelos importantes entre
Melquisedeque e Jesus Cristo (Hb 5:6; 7:1-28). Jesus é o
supremo rei de justiça e paz, e o sumo sacerdote ideal que
ofereceu o supremo sacrifício que foi suficiente para sempre pelos pecados do mundo inteiro.
14:19 Quando Melquisedeque abençoou Abrão, ele estava
executando aquela que se tornaria a principal função
tradicional dos sacerdotes (Nm 6:23; Dt 10:8). Abrão foi
abençoado em o nome do Deus Altíssimo (Heb. ‘el ‘elyon), a
quem ele confessou ser Criador dos céus e da terra (1:1).
14:20 Em uma construção que se assemelhou a sua bênção para Abrão, Melquisedeque também bendisse o Deus
Altíssimo por causa dos atos salvadores que Ele realizou. O sacerdote delicadamente lembrou a Abrão de que
sua recente vitória foi realmente obra de Deus: O Senhor
entregou os inimigos a Abrão. O primeiro ato registrado
de dízimo ocorreu neste episódio quando Abrão... deu ao
sacerdote o dízimo do saque que ele conquistara dos reis
mesopotâmicos. O dízimo de Abrão antecipa o dízimo de
Israel a Deus (Lv 27:30-32; Nm 18:21-30; Mt 23:23).
14:21 Em seguida, o rei de Sodoma pediu que Abrão lhe
entregasse os cativos, incluindo os cidadãos da cidade do
rei. Como pagamento por seus esforços militares, o rei deu
a Abrão os bens recapturados, um termo que pode referirse a animais bem como aos objetos.
36
Gênesis 14:22
E Abrão disse ao rei de Sodoma: Eu levanto
a minha mão ao Senhor, o Deus ­Altíssimo, o
possuidor do céu e da terra,
23
que não tomarei nem um fio, nem a correia
de uma sandália, e que não tomarei coisa
alguma que é tua, para que não digas: Eu
enriqueci a Abrão,
24
salvo tão somente o que os jovens comeram, e a parte dos homens que foram comigo,
Aner, Escol e Manre; que eles tomem a sua parte.
Depois dessas coisas, a palavra do
Senhor veio a Abrão em uma visão, dizendo: Não temas, Abrão; eu sou o teu escudo, e a tua
recompensa será infinitamente grande.
2
E Abrão disse: Senhor Deus, o que me
darás, visto que ando sem filhos, e o mordomo
da minha casa é Eliézer de Damasco?
3
E Abrão disse: Eis que não me deste
semente, e eis que um nascido na minha casa
é meu herdeiro.
4
E eis que a palavra do Senhor veio a ele,
dizendo: Este não será teu herdeiro, mas o que
sairá de tuas próprias entranhas será teu herdeiro.
5
E ele o trouxe para fora e disse: Olha agora
para o céu, e conta as estrelas, se tu fores
22
15
15:1 Gn 21:17;
26:24;
Is 41:10,13,14;
Dt 33:29
15:5 Rm 4:18;
Hb 11:12
15:6 Rm 4:3,
20-24; Gl 3:6;
Tg 2:23
15:12 Gn 2:21
15:13 Êx 12:40;
At 7:6,17
14:22-23 Com Melquisedeque, rei de Salém, que adorou
a Deus, Abrão foi cooperativo (v. 18-20); mas quando o rei
cananeu, de Sodoma, disse-lhe para ficar com os bens, ele
recusou. Abrão não permitira que o rei diminuísse a glória
de Deus obtendo crédito para si pela prosperidade de Abrão.
15:1 O papel de Abrão como um profeta (20:7) é mostrado
aqui. A visão era um dos meios normais (o outro era
o sonho) pelo qual o Senhor revelava a Sua palavra às
pessoas (Nm 12:6). O único outro patriarca que é dito ter
recebido uma visão foi Jacó (Gn 46:2). O conteúdo da visão
incluiu uma ordem (não temas), uma segurança (eu sou
o teu escudo), e uma promessa (tua recompensa será
infinitamen­te grande). Não obstante, pelo fato de Abrão
ter recusado uma recompensa do rei de Sodoma, o Senhor
o recompensaria ricamente.
15:2-3 Nem a proteção de Deus nem a Sua recompensa
parecia importante para o idoso Abrão, porquanto todos os
seus bens iriam para Eliézer de Damasco, um mordomo
nascido em sua casa. Em um ato de autocomiseração,
Abrão fez sete referências a si próprio (no Heb.) no espaço
de 22 palavras hebraicas e, por duas vezes, queixa-se de
não ter semente.
15:4-5 Ignorando a aparente falta de gratidão por parte
de Abrão, o Senhor deu ao patriarca uma das maiores promessas da Bíblia: o idoso Abrão geraria um herdeiro... por
ele mesmo. Deus, então, fez a surpreendente promessa de
que a semente dele seria tão numerosa como as estrelas.
15:6 Velho e sem filhos, Abrão creu no Senhor, isto é, ele
afirmou que Deus é fidedigno. O Eterno lhe creditou isto...
por justiça, ou seja, Ele julgou ou considerou que Abrão estava à altura do padrão, isto é, conformou-se à norma. A fé
de Abrão e a graciosa resposta de Deus a ela serviram de
paradigma para a experiência cristã em três diferentes livros do NT (Rm 4:3; Gl 3:6; Tg 2:23).
15:7 Pela terceira vez na vida de Abrão (12:1; 13:14-17) O
Senhor tratou da questão da terra. Aqui Yahweh associou o
capaz de contá-las; e lhe disse: Assim será a
tua semente.
6
E ele creu no Senhor, e ele lhe atribuiu isto
por justiça.
7
E ele disse-lhe: Eu sou o Senhor que te
trouxe de Ur dos Caldeus, para te dar esta terra
para herdá-la.
8
E ele disse: Senhor Deus, como eu saberei
que hei de herdá-la?
9
E ele lhe disse: Toma para mim uma novilha
de três anos de idade, e uma cabra de três anos
de idade, e um carneiro de três anos de idade, e
uma rola e um pombinho.
10
E tomou para ele todos estes, e os dividiu
ao meio, e colocou cada parte na frente da outra, mas as aves ele não dividiu.
11
E quando as aves desciam sobre as carcaças, Abrão as enxotava.
12
E quando o sol estava se pondo, um profundo sono caiu sobre Abrão, e eis que um horror
de grande escuridão caiu sobre ele.
13
E ele disse a Abrão: Saibas com certeza
que tua semente será estrangeira na terra que
não é sua, e os servirão, e eles os afligirão por
quatrocentos anos.
Seu nome e a Sua liderança na vida de Abrão à promessa
da terra. Ele lembrou a Abrão que o mesmo Deus que
fielmente o trouxera de Ur dos Caldeus haveria tão
certamente de dar a ele esta terra para herdá-la.
15:8 Abrão, o sagaz comerciante que outrora negociara
com o homem mais poderoso da terra - o Faraó do Egito (12:14-19) - agora negociava com o Senhor Deus. Como
pode ele se assegurar da promessa de Deus? O versículo
9 provê a resposta.
15:9 Deus providenciou segurança na forma de uma solene
cerimônia de compromisso. A novilha, a cabra, e o carneiro
eram mamíferos que, mais tarde, foram autorizados para
sacrifícios na lei de Moisés; no entanto, esta é a única vez
em que animais com três anos de idade - espécimes em
pleno vigor da vida - foram usados. Rolinhas e pombinhos
foram permitidos para determinados sacrifícios israelitas
(Lv 5:7). A cerimônia aqui difere de outros sacrifícios rituais
envolvendo animais no AT, isto porque nenhuma parte dos
animais foi queimada.
15:10 Em um ato sem paralelos no AT, Abrão dividiu os
animais ao meio e colocou cada parte na frente da outra,
criando um desimpedido caminho central ladeado pelas
partes das carcaças. As aves, sendo menores, não foram
cortadas; provavelmente, foram colocadas uma de cada
lado deste caminho.
15:12 Visto que os dias eram contados nessa cultura de
pôr-do-sol a pôr-do-sol, os eventos dos versículos 12-21
ocorreram no final do dia que começara no versículo 1. O
profundo sono (Heb. tardemah) de Abrão faz lembrar aquele
que Adão experimentou quando o Senhor criou Eva (2:21).
15:13-16 Aqui o Senhor revelou a Abrão, o profeta (20:7), um
esboço dos eventos de Gênesis 46 a Êxodo 13. Como o próprio
Abrão, seus descendentes prometidos haverão de viver como
estrangeiros (Heb. ger; Gn 23:4, “estrangeiro residente”). A
terra que não lhes pertencerá será o Egito, onde eles os servirão, e eles os afli­girão (Êx 1:11-14) por aproximadamente
quatrocentos anos (mais precisamente, 430 anos; Êx 12:40).
37
E também a essa nação, a quem eles
servirão, eu julgarei, e depois eles sairão com
grandes posses.
15
E tu irás para os teus pais em paz, tu serás
sepultado em boa velhice.
16
Mas na quarta geração, eles virão para cá
novamente, pois a iniquidade dos amorreus
ainda não está completa.
17
E aconteceu que, quando o sol se pôs, e ficou escuro, eis que um forno de fumaça e uma
lâmpada acesa passaram entre aqueles pedaços.
14
15:14 At 7:7;
Êx 12:32‑38
15:15 Gn 25:8
Deus castigará a nação a quem servirão através de uma série de dez pragas extraordinárias (Êx 7:14-12:30), depois das
quais eles sairão com grandes posses (Êx 12:35-36). Embora Abrão não viva para ver estes eventos, ele irá em paz a
seus antepassados - morrerá de morte serena - e serás
sepultado em boa velhice, aos 175 anos (25:7). Os descendentes de Abrão voltarão para a terra na quarta geração,
ou seja, após quatrocentos anos no Egito. Neste caso, ao
que parece, cada geração é de 100 anos, a idade de Abrão
quando Isaque nasceu (21:5).
O Senhor também deu a entender a respeito do propósito do retorno dos descendentes do patriarca à terra
prometida. Em grande parte, o retorno de Israel para Canaã trará o julgamento de Deus sobre a iniquidade dos
amorreus.
15:17 Quando o sol se pôs, o Senhor levou ao clímax o
mistério ao fazer um forno de fumaça, com uma lâmpada
acesa aparecer e passar entre aque­les pedaços. Ambos
os elementos simbolizavam aspectos essenciais de Deus:
a fumaça talvez representando a inescrutabilidade divina;
e o fogo, o poder de Deus. Ao passar por entre as carcaças
divididas, o Senhor estava solenemente obrigando-Se
a cumprir os termos do pacto - indicando, de maneira
Gênesis 16:1
No mesmo dia, o Senhor fez um pacto com
Abrão, dizendo: À tua semente eu dei esta terra,
do rio do Egito até o grande rio, o rio Eufrates:
19
os queneus, e os quenezeus, e os
cadmoneus,
20
e os heteus, e os ferezeus, e os refains,
21
e os amorreus, e os cananeus, e os
girgaseus, e os jebuseus.
Ora, Sarai, esposa de Abrão, não lhe
gerava filhos, mas ela tinha uma serva,
uma egípcia, cujo nome era Agar.
18
16
simbólica, que Ele próprio seria partido em dois se Ele
falhasse em cumprir Suas promessas.
15:18-21 O segundo pacto explícito na Bíblia entre Deus e
uma pessoa (9:9-17) é estabelecido aqui com Abrão, obrigando Deus a prover o patriarca de semente e de uma herança geográfica para eles que começava ao sul com o rio
do Egito (ou o Wadi el ‘Arish ou o rio Sior - o ramo mais a
leste do Nilo na região do delta do Egito) e se estendia ao
norte até o grande rio, o rio Eufrates. A lista de 10 diferentes grupos de pessoas nesta perícope é a mais longa
lista dos habitantes de Canaã na Torá. Esta é a única lista
a incluir os queneus... quenezeus e cadmoneus. Os queneus e quenezeus eram provavelmente grupos vivendo no
Neguebe que coexistiram pacificamente com os israelitas
(Nm 32:12; Jz 1:16). Talvez os cadmoneus fossem os mesmos que os outros povos do leste (quedemitas), um inimigo
de Israel que vivia no deserto (Jz 6:33).
16:1 O assunto da providência de um herdeiro do próprio
Abrão (cp. 15:3-4) reaparece. Sarai, esposa de Abrão, tinha
agora 75 anos e o seu tempo para ter filhos há muito se
passara. Ela, no entanto, possuía uma serva, uma egípcia,
cujo nome era Agar, provavelmente adquirida quando
ainda vivia no Egito (12:16).
Pinturas da tumba de Khnumhotep encontrada no cemitério de nobres de Beni-Hasan, uma vila na margem leste do Rio Nilo,
cerca de 220 km ao sul do Cairo. As pinturas datam do Império Médio do Egito (c. de 1991a.C.) e mostram um grupo de 37
asiáticos ao entrarem no Egito. Esta pintura nos dá uma ideia de como Abraão poderia ter se vestido.
38
Gênesis 16:2
E Sarai disse a Abrão: Eis que o Senhor
me tem impedido de gerar; suplico-te, entra na
minha serva; pode ser que eu possa obter filhos
por ela. E Abrão ouviu à voz de Sarai.
3
E Sarai, esposa de Abrão, tomou Agar, sua
serva, a egípcia, depois de Abrão ter habitado
dez anos na terra de Canaã, e a deu por mulher
a seu marido.
4
E ele entrou em Agar, e ela concebeu. E
vendo ela que tinha concebido, sua senhora foi
desprezada a seus olhos.
5
E Sarai disse a Abrão: Meu erro seja sobre
ti; eu dei minha serva em teu seio, e quando ela
viu que havia concebido, fui desprezada aos
seus olhos; o Senhor julgue entre mim e ti.
6
Mas Abrão disse a Sarai: Eis que tua serva
está em tua mão. Faze a ela como te apraz. E
quando Sarai a tratou severamente, ela fugiu
da sua face.
7
E o anjo do Senhor a achou junto a uma
fonte de água no deserto, junto à fonte no
caminho para Sur.
8
E ele disse: Agar, serva de Sarai, de onde tu
vieste? E para onde vais? E ela disse: Eu fujo
da face da minha senhora Sarai.
9
E o anjo do Senhor lhe disse: Volta a tua
senhora, e sujeita-te debaixo das suas mãos.
2
16:2 Gn 30:3,4,
9,10
16:3 Gn 12:5
16:5 Gn 31:53
16:12 Gn 25:18
17:1 Gn 28:3;
Dt 18:13
16:2-3 Sarai enfrentava um dilema. Por um lado, o Senhor
a impedira de gerar - sendo ela a única esposa de Abrão.
Por outro, O Senhor prometera que seu marido se tornaria pai. Para “resolver” o problema, Sarai pediu que seu
marido possuísse a sua serva - muito provavelmente uma
adolescente - e tentasse obter filhos por meio de Agar.
Abrão, agora com 85 anos, ouviu à voz de Sarai. Sarai provavelmente planejou usar sua serva como mãe substituta para, em seguida, adotar a criança para si mesma. Ao
oferecer alguma coisa tentadora, mas não apropriada para
seu marido, Sarai estava imitando as ações trágicas de Eva
no jardim do Éden (3:6).
16:4 A jovem serva se viu levando em seu ventre o filho
do homem mais importante no clã - algo que Sarai nunca
havia feito. Como resultado, Agar começou a olhar com
desprezo para a sua senhora.
16:5 Sarai, cujas deficiências foram realçadas com a gravidez de Agar, via-se agora desprezada de maneira insuportável. Abrão que havia causado a gravidez, portanto, era
o responsável pelo erro sofrido por Sarai da parte de sua
serva. Sarai invocou o Senhor para responsabilizar Abrão
por sua humilhação e sofrimento.
16:6 Embora Agar fosse agora sua esposa (v. 3), Abrão abdicou de seus direitos sobre ela. Novamente, Agar nada
mais era do que a serva de Sarai.
16:7-8 Agar podia fugir de Sarai, mas não do Anjo do
Senhor. Ele a achou em uma fonte no caminho para Sur e o
Egito, onde a serva de Sarai poderia obter ajuda de alguma
caravana que por ali passasse. Agar, assim como muitos
fugitivos, podia dizer de onde vinha, mas não sabia dizer
para onde ia.
16:9-10 O Anjo do Senhor aconselhou Agar a voltar e a
sujeitar-se a Sarai. A verdadeira fonte dos problemas de
Agar era a sua má atitude, e não sua senhora. Ao obedecer à orientação do Anjo, ela e a sua semente haveriam de
E o anjo do S enhor lhe disse: Eu
multiplicarei a tua semente tão excessivamente,
que não será contada por seu grande número.
11
E o anjo do Senhor lhe disse: Eis que tu
estás com filho, e gerarás um filho, e chamarás
seu nome Ismael; porque o Senhor ouviu a tua
aflição.
12
E ele será homem selvagem; sua mão será
contra todo homem, e a mão de todo homem
contra ele; e ele habitará na presença de todos
os seus irmãos.
13
E ela invocou o nome do Senhor que com
ela falava: Tu és Deus que me vê; pois ela
disse: Não olhei eu também para aquele que
me vê?
14
Portanto o poço foi chamado ­Beer-Laai-Roi;
e eis que ele está entre Cades e Berede.
15
E Agar gerou um filho a Abrão; e Abrão
chamou o nome de seu filho, que Agar lhe
gerou, Ismael.
16
E era Abrão da idade de oitenta e seis anos
quando Agar gerou Ismael a Abrão.
E quando Abrão era da idade de noven­ta
e nove anos, o S enhor apareceu a
Abrão, e lhe disse: Eu sou o Deus ­Todo-Poderoso;
anda diante de mim, e sê perfeito.
10
17
receber uma bênção extraordinária. A promessa de Deus
de multiplicar os seus descendentes era paralela e também acrescentava à promessa feita a Abrão (15:5).
16:11-12 Esta é a última e a mais longa das três falas consecutivas do Anjo a Agar. Agar é informada de que gerarás um filho, o gênero mais prestigioso de descendência
para uma mulher dar à luz no antigo Oriente Próximo. Em
seguida, é instruída a lhe dar o nome de Ismael (“Deus
ouve”), em reconhecimento ao fato de que o Senhor ouviu
a sua aflição. No final e culminante, caráter e destino são
apresentados: o menino viverá à parte da sociedade civilizada como homem selvagem... habitará na presença de
todos os seus irmãos.
16:13-14 Maravilhada e reconhecida da intervenção de
Deus em sua vida, Agar invocou o nome do Senhor o título
de “Tu és Deus que me vê” (ou “o Deus que vê”). Ela é,
assim, a única pessoa na Bíblia que é dita ter renomeado Yahweh. O costume asiático de nomear e renomear
alguém estava sempre associado à posse de autoridade
sobre o ente nomeado. Renomear Deus normalmente seria considerado blasfemo. Talvez a falta de restrição por
parte de Agar ao renomear o Senhor se devia ao fato de ela
ser muito jovem e ser uma serva egípcia espiritualmente
desinformada.
16:15-16 Exatamente como o Anjo do Senhor lhe prometera, Agar gerou um filho. O fato de que Abrão, com 86
anos e o líder do clã, chamou o nome de Ismael ao menino
indica que ele permitiu que a jovem serva lhe contasse sua
história, e o patriarca acreditou nela.
17:1 Treze anos depois do nascimento de Ismael, o Senhor
apareceu a Abrão pela segunda vez (12:7). Em contraste
com Agar que dera um nome ao Senhor (16:13), aqui o
Senhor nomeia a Si mesmo: “El Shaddai”, cujo significado
é desconhecido, embora seja traduzido como Deus
Todo-Poderoso, baseado em uma tradição que retrocede
a mais de dois mil anos. Para saber mais a respeito, ver
39
E eu farei o meu pacto entre mim e ti, e
­multiplicar-te-ei excessivamente.
3
E Abrão caiu sobre a sua face, e Deus falou
com ele, dizendo:
4
Quanto a mim, eis que o meu pacto é
contigo, e tu serás um pai de muitas nações.
5
O teu nome não se chamará mais Abrão,
mas teu nome será Abraão, pois pai de muitas
nações eu te fiz.
6
E eu te farei extremamente fértil, e farei
nações de ti, e reis sairão de ti.
7
E eu estabelecerei o meu pacto entre mim e
ti, e tua semente depois de ti nas suas gerações,
para um pacto eterno, para ser um Deus para ti,
e para tua semente depois de ti.
8
E eu darei a ti, e para a tua semente depois
de ti, a terra em que és estrangeiro, toda a terra
de Canaã, para possessão eterna, e eu serei seu
Deus.
9
E Deus disse a Abraão: Portanto, tu guardarás o meu pacto, tu, e tua semente depois de ti
nas suas gerações.
2
17:5 ver 15;
Ne 9:7; Rm 4:17
17:6 Gn 35:11
17:7 Rm 9:8;
Gl 3:16
17:8 Gn 12:7
17:10 ver 23;
At 7:8
17:11 Rm 4:11
17:12 Lv 12:3
nota em (Êx 6:2-3). Ao ordenar a Abrão: anda diante de
mim, e sê perfeito, Deus ordenou ao patriarca que vivesse
como Enoque e Noé (Gn 5:24; 6:9)
17:2 Como Abrão obedeceu ao Senhor, Deus lhe prometeu
duas coisas: primeiro, Ele estabeleceria o seu pacto com
Abrão e, segundo, Deus multiplicaria muitíssimo a sua
descendência. Uma prova de que o Senhor cumpriu esta
última promessa é encontrada em Êx 1:7, que fala da
fecundidade dos israelitas e repete a expressão que não é
encontrada em outra parte na Torá, apenas aqui.
17:3 Cair sobre a sua face, foi o sinal de respeito de Abrão
para com um superior.
17:4-8 Esta seção inclui a mais completa apresentação do
Pacto de Deus com Abrão. Oito aspectos diferentes do pacto são apresentados nestes versículos. A maior parte destas promessas não é nova, mas em nenhuma outra parte
elas são reunidas em apenas um lugar. O aspecto novo é
que Deus mudou o nome do patriarca, indicando assim
Sua autoridade sobre ele: em vez de Abrão (“Pai exaltado”), seu novo nome será Abraão (“Pai de uma multidão”).
17:9-14 Deus agora colocou uma exigência final associada
ao pacto com Abraão e sua semente: a circuncisão. Esta
remoção cirúrgica do prepúcio do órgão masculino era
praticada normalmente com uma faca de pedra bem afiada (Js 5:2-3). Nos recém-nascidos ela era realizada quando o menino tinha oito dias. Nenhuma forma de circuncisão feminina foi autorizada. Esta entrega de uma parte do
instrumento físico usado para cumprir a primeira ordem
de Deus para a humanidade (“sejam férteis e multipliquem-se,” Gn 1:28) simbolizava a disposição de sujeitar-se
por completo a Deus e a todas as Suas ordens pactuais.
O fato de que todo filho homem... entre eles devia ser
circuncidado tinha um efeito nivelador dentro da comunidade israelita – quer fosse rico ou pobre, senhor ou servo,
todos partilhavam de uma experiência comum e de uma
marca comum. Todos eram iguais diante de Deus. Tão vital
era a aceitação do sinal no corpo que qualquer pessoa que
não o tivesse seria cortada de seu povo por ter quebrado
o pacto.
Gênesis 17:16
Este é o meu pacto, que guardareis, entre
mim e vós e tua semente depois de ti: Todo
filho homem entre vós será circuncidado.
11
E vós circuncidareis a carne do vosso prepúcio, e será um sinal do pacto entre mim e vós.
12
E aquele que tem oito dias será
circuncidado entre vós, todo filho homem
nas vossas gerações, aquele que é nascido em
casa, ou comprado com dinheiro de algum
estrangeiro, que não é da tua semente.
13
Aquele que é nascido em tua casa, e aquele
que é comprado com teu dinheiro deverá ser
circuncidado; e meu pacto estará na vossa
carne como um pacto eterno.
14
E o homem incircunciso cuja carne do seu
prepúcio não for circuncidada, esta alma será
cortada de seu povo; ele quebrou o meu pacto.
15
E Deus disse a Abraão: Quanto a Sarai, tua
esposa, não chamarás seu nome Sarai, mas Sara
será seu nome.
16
E eu a abençoarei, e te darei também um
filho dela; e a abençoarei, e ela será uma mãe
de nações; reis de povos virão dela.
10
17:15-16 O Senhor decretou que Sarai, a esposa de
Abrão, deveria agora receber o nome de Sara (“Princesa,”
que é uma forma alternativa de Sarai). Esta “princesa”
receberia o privilégio de gerar nações, e reis de povos
procederiam dela. Durante o período do AT, pelo menos
quatro nações vieram do ventre de Sara: Israel, Judá,
Edom, e os amalequitas. Sobre Israel e Judá coletivamente
reinaram, no total, 41 reis. Sara é a única mulher no AT a
quem o Senhor especificamente indicou que Ele haveria
de abençoar.
40
Gênesis 17:17
Então Abraão caiu sobre sua face e riu, e
disse no seu coração: Nascerá um filho àquele
que tem cem anos de idade? E gerará Sara, com
noventa anos de idade?
18
E Abraão disse a Deus: Que Ismael possa
viver diante de ti!
19
E Deus disse: Sara, tua esposa, de fato te gerará um filho, e tu chamarás seu nome Isaque. E
eu estabelecerei o meu pacto com ele como pacto
eterno, e com sua semente depois dele.
20
E quanto a Ismael, eu te ouvi: Eis que o tenho abençoado, e o farei frutífero, e o multiplicarei excessivamente; doze príncipes ele gerará, e eu farei dele uma grande nação.
21
Mas, o meu pacto eu estabelecerei com
Isaque, que Sara te gerará neste tempo determinado, no próximo ano.
22
E deixou de falar com ele, ascendeu Deus de
junto de Abraão.
23
E Abraão tomou Ismael, seu filho, e todos
os que haviam nascido em sua casa, e todos os
que haviam sido comprados com seu dinheiro,
todo homem entre os homens da casa de
Abraão, e circuncidou a carne de seu prepúcio
no mesmo dia, como Deus lhe havia dito.
24
E Abraão era da idade de noventa e nove
anos, quando ele foi circuncidado na carne de
seu prepúcio.
25
E Ismael, seu filho, era da idade de treze
anos quando ele foi circuncidado na carne de
seu prepúcio.
17
17:17 Gn 18:12;
21:6
17:19 Gn 18:14;
21:2
17:20 Gn 16:10;
Gn 25:12-16;
Gn 21:18
18:1 Gn 13:18;
14:13
18:2 ver 16,22;
Hb 13:2
18:4 Gn 19:2;
43:24
17:19-22 Sem se intimidar com a bem-intencionada sugestão de Abraão com relação a Ismael, Deus reafirmou
que Sara lhe daria um filho, o qual, apropriadamente, seria chamado Isaque - “Ele ri”. Com Isaque, Deus haveria
de confirmar um pacto eterno - o pacto abraâmico - que
continuaria com sua semente depois dele. Promessas
menores foram feitas a Ismael. Embora nenhum pacto
seria estabelecido com ele, Deus abençoaria Ismael, capacitando-o a cumprir a ordem básica para a humanidade de
ser frutífero e multiplicar-se muito (1:28; 9:1,7). Nenhum
rei foi prometido na linhagem de Ismael, mas dele viriam
doze príncipes (25:13-16), e sua descendência se tornaria
uma grande nação.
A surpreendente declaração final do Senhor citou o nome
do filho ainda não concebido, confirmou o relacionamento
vinculativo entre Deus e esse filho, e, em seguida, marcou
uma data para o nascimento do filho de Sara, que já estava
com cerca de 90 anos de idade. Dramaticamente, o Eterno
então “subiu” (BKJ, e retirou-se) de Abraão.
17:23-27 Imediatamente após o Senhor subir, Abraão circuncidou a si mesmo e todo homem entre os homens da
sua casa. Com o sinal do pacto agora em seu corpo, Abraão
estava qualificado para gerar o filho pactual.
18:1 Pela terceira vez na vida de Abraão, o Senhor apareceu
a ele (12:7; 17:1). Manre, próximo a Hebrom, era a residência preferida de Abraão em Canaã (13:18; 14:13). Este encontro divino deve ter ocorrido três meses após os eventos
do capítulo anterior (ver nota em 18:9-10).
18:2-8 Abraão é apresentado como o hóspede ideal. Ele
vê três homens - na verdade, Deus e dois anjos (19:1) - a
26
No mesmo dia foi circuncidado Abraão e
seu filho Ismael.
27
E todos os homens de sua casa, nascidos
na casa, e comprados com dinheiro de
estrangeiros, foram circuncidados com ele.
E o Senhor apareceu a ele nas planícies
de Manre, e ele sentou-se à porta da
tenda no calor do dia.
2
E ele elevou seus olhos e olhou, e eis que
três homens estavam em pé com ele; e quando ele os viu, ele correu da porta da tenda para encontrá-los, e se curvou em direção a terra,
3
e disse: Meu Senhor, se agora eu encontrei favor aos teus olhos, suplico que não passes de teu servo.
4
Pegue um pouco de água, peço-vos, e lavai
os vossos pés e descansai debaixo da árvore.
5
E trarei um bocado de pão, e confortai
os vossos corações; depois disso, passareis
adiante, pois para isto vieste a vosso servo. E
eles disseram: Faze como disseste.
6
E Abraão se apressou para dentro da tenda
até Sara, e disse: Prepara depressa três medidas
de farinha fina, amasse-a e faça bolos sobre a
lareira.
7
E Abraão correu para o rebanho, e trouxe
um novilho tenro e bom, e o deu a um jovem, e
ele se apressou em prepará-lo.
8
E ele pegou manteiga, e leite, e o novilho
que havia preparado, e o colocou diante deles;
e ele ficou em pé junto deles debaixo da árvore,
e eles comeram.
18
quem ele prontamente saudou e mostrou o devido respeito
ao chamar-lhes “meus senhores” (Heb. ‘adonai; um termo
que pode referir-se a Deus) e ao curvar-se em direção a
terra. Então ele providenciou água, descanso, e uma festa
que incluiu pães assados de farinha. O procedimento de
Abraão revelava que ele era um anfitrião melhor do que
Ló (19:1-3).
’achuzzah
Pronúncia hebraica
Tradução BKJ 1611
Usos em Gênesis
Usos no AT
Passagem foco
[a chuz ZAH]
propriedade
9
66
Gênesis 17:8
‘Achuzzah geralmente se refere a bem imóvel, mas pode se referir a outras formas de propriedade como escravos (Lv 25:45).
Uma tradução comum da palavra é propriedade. O substantivo
deriva do verbo ‘achaz, que significa agarrar ou pegar. O primeiro e mais comum uso do substantivo no AT é para a terra
prometida por Deus a Abraão e seus descendentes (Gn 17:8).
A maior parte das ocorrências de ‘achuzzah encontram-se no
Pentateuco, em Josué, e em Ez 44-48, onde este tópico está
em destaque. Um número de vezes, a palavra se refere a um
cemitério (Gn 23:4); estes cemitérios serviram aos patriarcas
de uma antecipação da eventual posse de Canaã pelos seus
descendentes. A palavra é muitas vezes associada a um outro
substantivo traduzido como “herança” (nachalah), uma vez que
a terra dos israelitas era um presente gracioso de Deus a ser
passado adiante de geração a geração (Nm 32:32).
41
E eles lhe disseram: Onde está Sara, tua esposa? E ele disse: Eis que está na tenda.
10
E ele disse: Eu certamente retornarei a ti de
acordo com o tempo da vida; e eis que Sara, tua
esposa, terá um filho. E Sara o ouviu na porta
da tenda, que estava atrás dele.
11
Ora, Abraão e Sara eram velhos e bem
adiantados em idade, e cessou de estar com
Sara a maneira das mulheres.
12
Por isso, Sara riu dentro de si, dizendo:
Depois de tão envelhecida, eu terei prazer, e
meu senhor sendo também velho?
13
E o Senhor disse a Abraão: Por que Sara
riu, dizendo: É verdade que eu, que sou velha,
gerarei uma criança?
14
Há alguma coisa difícil demais para o
Senhor? No tempo determinado, eu retornarei
a ti, de acordo com o tempo de vida, e Sara
terá um filho.
15
Então Sara negou, dizendo: Eu não ri, pois ela
estava com medo. E ele disse: Não, mas tu riste.
16
E os homens se levantaram dali, e olharam
para Sodoma; e Abraão foi com eles para leválos ao caminho.
9
18:10 Rm 9:9
18:11 Gn 17:17;
Rm 4:19
18:12 Gn 17:17;
21:6; 1Pe 3:6
18:14 Jr 32:17,27;
Lc 1:37
18:18 Gl 3:8
18:19 Dt 4:9,10;
6:7
18:23 Nm 16:22
18:24 Jr 5:1
18:9-10 De acordo com certos costumes da Ásia ocidental, ainda praticados na cultura muçulmana tradicional
atual, a esposa dos anfitriões não tinha permissão de estar na presença de visitantes masculinos. Todavia, visto
que as paredes de sua tenda eram finas e a conversa era
interessante, Sara escutava todas as palavras. Durante
ou após a refeição, o Senhor confirmou a promessa feita em 17:21, de que na primavera seguinte, cerca de um
ano, Sara já teria um filho. Esta promessa foi cumprida
(21:1-2).
18:11-15 Pela sexta vez nas narrativas de Abraão, o
escritor enfatiza as idades avançadas de Abraão e Sara
mul
Pronúncia hebraica
Tradução BKJ 1611
Usos em Gênesis
Usos no AT
Passagem foco
[MUL]
circuncidar, cortar
17
35
Gênesis 17.10-14 ,23-27
Egípcios, edomitas, amonitas, moabitas, árabes, e fenícios
praticavam a circuncisão (Jr 9:25-26), mas normalmente em
adolescentes. Deus fez dela o sinal de Seu pacto eterno com
Abraão, a ser observado por todas as gerações de seus descendentes do sexo masculino. Qualquer homem que não fosse circuncidado seria eliminado da comunidade (Gn 17:11-14).
A circuncisão deveria ser feita ao oitavo dia de vida se possível
(Gn 21:4; Lv 12:3). Os filhos de Jacó fizeram dela uma condição para casamento com pessoas de outros grupos (Gn 34:15).
Mais tarde, escravos e residentes estrangeiros tiveram de se
submeter à circuncisão para celebrar a Páscoa (Êx 12:44,48).
Facas de pedra foram inicialmente os instrumentos (Js 5:2).
Mul eventualmente adquiriu um sentido metafórico de lealdade.
Corações circuncidados contrastam com obstinação (Dt 10:16).
Ao removerem o prepúcio do coração, os israelitas se circuncidavam para o Senhor (Jr 4:4)
Gênesis 18:24
E o Senhor disse: Eu ocultarei de Abraão
as coisas que faço,
18
vendo que Abraão certamente se tornará
uma nação grande e poderosa, e todas as nações da terra serão abençoadas nele?
19
Porque eu o conheço, que ele ordenará
a seus filhos e sua casa depois dele, e eles
guardarão o caminho do Senhor, para fazer
justiça e juízo, para que o Senhor possa trazer
sobre Abraão aquilo que dele tem falado.
20
E o S enhor disse: Porque o clamor de
Sodoma e Gomorra é grande, e porque o seu
pecado é muito grave,
21
eu descerei agora e verei se eles fizeram
segundo o clamor que veio a mim, e se não,
eu saberei.
22
E os homens voltaram as suas faces dali, e
foram em direção a Sodoma, mas Abraão ainda
estava em pé diante do Senhor.
23
E Abraão se aproximou e disse: Tu
destruirás também os justos com os ímpios?
24
Se porventura houver cinquenta justos na
cidade, tu destruirás também e não pouparás o
lugar por causa dos cinquenta justos que estão
nela?
17
(12:4; 16:16; 17:1,17,24). O riso de Sara expressou o seu
ceticismo, mas o Senhor, que ouvira o seu riso e conhecia
o seu coração, lembrou a Abraão e Sara por meio de uma
pergunta retórica de que nada é difícil demais para o
Senhor.
18:16-19 O Senhor e os dois anjos - referidos aqui como
os homens por causa de sua aparência semelhante a
homens - estavam voltados na direção de Sodoma, o
lar de Ló desde 13:12. A localização exata de Sodoma é
desconhecida, mas juntamente com Gomorra e Zoar, ela
se encontrava na área do Mar Morto. Abraão, o anfitrião
ideal, foi com eles pa­ra levá-los ao caminho. Tratando
Abraão como um profeta (20:7), o Senhor não desejava
esconder de Abrão o que Ele pretendia fazer à localidade
em que seu sobrinho Ló vivia. Deus deu duas razões para
revelar Seus planos ao patriarca: o fato de Abraão ter sido
escolhido para se tornar uma nação grande pela qual
todas as nações da terra seriam abençoadas, e o fato
de que Deus “conheceu” (BKJ 1611 eu o conheço - ou
seja, tinha um relacionamento pessoal com) Abraão para
estabelecer um povo que se conservasse no caminho do
Senhor.
18:20-21 O Senhor investigaria Sodoma e Gomorra por
duas razões: as acusações vindas de suas vítimas eram
tantas, e o pecado das cidades era muito grave. De acordo
com Ez 16:49-50, os pecados de Sodoma e Gomorra incluíam a arrogância, negligência dos pobres e necessitados, e a prática de repugnantes pecados. De acordo com
Gn 19:5-9, uma das “coisas repugnantes” era a tentativa
de violação homossexual coletiva. Por meio de Seus representantes nomeados, o Senhor descerá para ver se o
que os moradores têm feito corresponde ao que Ele tem
ouvido.
18:22-32 Esta passagem é uma das três grandes ilustrações
de oração intercessória no AT (cp. Êx 32:11-14; Am 7:1-6).
Abraão conseguiu que o Senhor concordasse em poupar Sodoma se apenas seis montantes sucessivamente menores
de justos pudessem ser encontrados na cidade. Está bem
42
Gênesis 18:25
Esteja longe de ti fazer segundo essa
maneira, matar os justos com os ímpios; e que
os justos sejam como os ímpios, isso esteja
longe de ti. Não fará justiça o Juiz de toda a
terra?
26
E o Senhor disse: Se eu achar em Sodoma
cinquenta justos na cidade, então eu pouparei
todo o lugar por causa deles.
27
E Abraão respondeu e disse: Eis que agora
resolvi falar ao Senhor, que sou somente pó e
cinzas.
28
Se porventura faltarem cinco dos cinquenta
justos, tu destruirás toda a cidade pela falta de
cinco? E ele disse: Se eu achar ali quarenta e
cinco, eu não a destruirei.
29
E falou-lhe mais uma vez e disse: Se
porventura se acharem quarenta ali. E ele disse:
Não o farei por causa dos quarenta.
30
E ele lhe disse: Oh! Não se ire o Senhor, e eu
falarei: Se porventura se acharem trinta ali. E ele
disse: Não o farei, se eu encontrar trinta ali.
31
E ele disse: Eis que agora ousei falar ao
Senhor: Se porventura houver vinte ali. E ele
disse: Não a destruirei por causa dos vinte.
32
E ele disse: Oh! Não se ire o Senhor,
e ainda eu falarei somente esta vez. Se
porventura se encontrarem dez ali. E ele disse:
Não a destruirei por causa dos dez.
33
E o Senhor foi pelo seu caminho, assim
que deixou de falar com Abraão, e Abraão
retornou ao seu lugar.
E vieram dois anjos a Sodoma à tarde; e
Ló estava sentado no portão de Sodoma.
E Ló, vendo-os, levantou-se para encontrá-los,
e ele curvou-se com a sua face em direção a
terra;
2
e ele disse: Eis, agora, meus senhores, entrai,
rogo-vos, na casa de vosso servo, e ficai a noite
25
18:25 Jó 8:3,20;
Is 3:10,11
18:27 Gn 2:7;
3:19
19:3 Gn 18:6
19:5 Jz 19:22;
Rm 1:24‑27
19:9 Êx 2:14
19
evidente na seção o respeito de Abraão por Deus (exemplificado por sua permanência diante do Senhor, v. 22; cp. v. 27),
sua confiança no poder e na justiça de Deus (v. 23, 25), e a
compassiva preocupação do patriarca por Ló e pelos demais
habitantes de Sodoma. Ao mesmo tempo, a imensa misericórdia do Senhor é vista em Sua disposição de poupar a cidade toda por causa dos dez justos que lá vivessem.
18:33 O Senhor não acompanhou os anjos. Seu destino
permanece uma parte misteriosa da narrativa.
19:1-3 A posição de Ló no portão pode indicar que um
lugar de honra lhe fora conferido junto aos anciãos da cidade (Pv 31:23). Como Abraão em Gênesis 18, Ló também
exerceu o papel de benevolente anfitrião a seres divinos
em forma humana, embora de maneira inferior. Enquanto
Abraão se encontrara com três visitantes divinos, incluindo o Senhor, Ló se encontrou com dois anjos. Enquanto
Abraão “correu” para saudar os seus convidados e preparou uma generosa refeição; em contraste, Ló apenas
levantou-se para encontrá-los, e preparou um banquete
que consistia apenas de pão ázimo.
19:4-5 Embora fosse costume que eles se deitassem logo
toda, e lavai vossos pés, e levantareis cedo e ireis
no vosso caminho. E eles disseram: Não! Nós
permaneceremos na rua toda noite.
3
E insistiu com eles grandemente, e foram
com ele, e entraram em sua casa; e ele lhes
fez um banquete, e assou pão ázimo, e eles
comeram.
4
Mas antes que eles se deitassem, os homens
da cidade, até os homens de Sodoma, rodearam
a casa toda, tanto velhos como os jovens, todo
o povo de cada quarteirão.
5
E eles chamaram Ló, e lhe disseram: Onde
estão os homens que vieram a ti esta noite?
Traze-os fora até nós, para que possamos
conhecê-los.
6
E Ló saiu à porta até eles, e fechou a porta
atrás de si;
7
e disse: Rogo-vos, irmãos, que não venhais
a agir tão perversamente.
8
Eis que eu tenho duas filhas que não
conheceram homem. Suplico-vos, deixai que
eu as traga a vós, e fazei a elas o que for bom
aos vossos olhos; porém a estes homens não
façais nada; pois, eles vieram sob a sombra do
meu telhado.
9
E eles disseram: Para trás. E eles disseram
novamente: Este indivíduo veio aqui para
peregrinar, e ele quer ser juiz; agora agiremos
pior contigo do que com eles. E pressionaram
severamente sobre o homem, sobre Ló, e
chegaram perto de quebrar a porta.
10
Mas os homens estenderam suas mãos,
e puxaram Ló para dentro da casa até eles, e
fecharam a porta.
11
E eles feriram os homens que estavam à
porta da casa com cegueira, tanto pequenos
quanto grandes, de modo que se cansaram
tentando achar a porta.
após a refeição noturna, o ritual foi interrompido pelos
homens de Sodoma, que exigiam a prática de sexo ilícito,
comprovando as numerosas acusações levantadas contra
a cidade (18:20-21).
19:6-8 Os antigos costumes asiáticos de hospitalidade
tornavam Ló responsável pela segurança de seus visitantes enquanto estavam sob a sombra de seu telhado - não
importava qual fosse o custo. Consequentemente, ele se
arriscou ao enfrentar a multidão e ao adverti-los de que
suas intenções constituíam em agir tão perversamente.
Tendo fracassado em seu apelo aos mais elevados instintos morais deles, Ló então colocou sua família em risco,
oferecendo suas duas filhas virgens para satisfazer aos
desejos pecaminosos da multidão. As filhas de Ló em breve pagariam a seu pai por sua repulsiva oferta, ao fazerem
dele uma vítima de repugnante conduta sexual imprópria
(v. 32-36).
19:9-11 Enfurecidos por Ló ter declarado que a violação
homossexual deles era perversidade, a multidão o condenou por querer ser o juiz. Os pecadores raramente apreciarão ter um pecado a qual estimam condenado.
43
E os homens disseram a Ló: Tens mais
alguém aqui? Genro, e teus filhos e tuas filhas
e qualquer um que tiveres na cidade? ­Traze-os
para fora deste lugar.
13
Porque destruiremos este lugar, porque
o clamor deles tem subido diante da face do
Senhor, e o Senhor nos enviou para destruí-lo.
14
E Ló saiu, e falou a seus genros, que haviam
casado com suas filhas, e disse: ­Levantai-vos,
saí deste lugar, porque o S enhor destruirá
esta cidade. Mas ele parecia com alguém que
zombava dos seus genros.
15
E quando a manhã surgiu, então os anjos
apressaram Ló, dizendo: Levanta-te, toma tua
esposa, e tuas duas filhas, que estão aqui, para
que não sejas consumido na iniquidade da
cidade.
16
E enquanto ele demorava, os homens seguraram a sua mão e a mão de sua esposa, e a
mão de suas duas filhas; o Senhor foi misericordioso com eles, e tiraram-no, e puseram-no
fora da cidade.
17
E aconteceu que, quando os haviam trazido
para fora dali, ele disse: Foge pela tua vida, não
olhes para trás, nem fiques em toda esta planície;
foge para o monte, para que não sejas consumido.
18
E Ló lhes disse: Oh! Assim não, meu Senhor;
19
eis que agora teu servo encontrou graça aos
teus olhos, e tu magnificaste a tua misericórdia,
que mostraste ao salvar a minha vida, e eu não
posso fugir para o monte, para que o mal não
me alcance, e eu morra.
12
19:13 1Cr 21:15
19:14 Nm 16:21
19:17 ver 26
19:24 Dt 29:23;
Is 1:9; 13:19;
Lc 17:29
19:26 ver 17;
Lc 17:32
19:27 Gn 18:22
19:28 Ap 18:9
19:12-14 Há paralelos entre Noé e Ló. Ambos eram homens justos (6:9; 2Pe 2:7), os dois foram advertidos de que
o Senhor estava para destruir civilizações inteiras por seu
grande pecado (6:13), e a família deles foi incluída na salvação de Deus. Visto que as acusações feitas... contra Sodoma tinham sido confirmadas, os anjos, como servos de
Deus (Hb 1:7), haviam de destruir a cidade como o Eterno
ordenara. Os homens que já haviam estabelecidos acordos
para se casarem com as filhas virgens de Ló mostraram-se indignos de salvação porque eles rejeitaram a mensagem de Ló.
19:15-22 Ló e sua família aparentemente também não
acreditaram nas advertências dos anjos, pois na manhã
seguinte eles ainda estavam na cidade. A família foi literalmente salva porque o Senhor foi misericordioso com
eles, deles enquanto os anjos seguraram pela mão cada
membro da família. Como Abraão (18:23-32), Deus graciosamente atendeu ao pedido e poupou uma aldeia perversa
por amor às pessoas justas nela. Antes dessa época, Zoar
(lit. “Pequena”) chamava-se Belá (14:2).
19:23-25 O Senhor... fez chover... enxofre e fogo. Como
nos dias de Noé, o instrumento fatal de julgamento contra
os pecadores veio do céu. Nenhuma explicação natural
(p. ex., vulcão) é sugerida, somente uma sobrenatural: o
próprio Senhor a ocasionou. Talvez os poços de betume
(14:10) tenham se incendiado, aumentando a destruição.
19:26 A desobediência da esposa de Ló ocasionou uma das
mortes mais misteriosas na Bíblia, quando ela se transformou em um pilar de sal - talvez ficando permanentemente
sepultada em uma das muitas formações de halita nessa
região.
Gênesis 19:29
Eis que esta cidade está próxima para fugir,
e é pequena. Oh! Deixa que eu fuja para lá (não
é pequena?) e minha alma viverá.
21
E ele lhe disse: Vê, aceitei-te também com
respeito a esta coisa, que eu não derrubarei esta
cidade, pela qual tu falaste.
22
Apressa-te, fuja para lá, pois eu não posso
fazer coisa alguma até que tu chegues lá. Por
isso se chamou o nome da cidade Zoar.
23
O sol havia se levantado sobre a terra quando Ló entrou em Zoar.
24
Então, o Senhor fez chover sobre Sodoma
e sobre Gomorra enxofre e fogo do Senhor desde o céu.
25
E ele derrubou aquelas cidades, e toda a
planície, e todos os habitantes das cidades, e o
que crescia sobre a terra.
26
Mas a sua esposa olhou para trás por detrás
dele, e ela se tornou um pilar de sal.
27
E Abraão levantou-se cedo de manhã e foi
para o lugar onde havia estado de pé diante do
Senhor.
28
E ele olhou para Sodoma e Gomorra, e
para toda a terra da planície, e eis que viu a
fumaça da terra que subia como fumaça de uma
fornalha.
29
E aconteceu que, quando Deus destruiu
as cidades da planície, Deus lembrou-se de
Abraão e retirou Ló do meio da destruição,
quando ele derrubou as cidades em que Ló
habitara.
20
19:12 Gn 7:1
19:27-29 A destruição foi tão completa que uma fumaça da
terra como a de uma fornalha ainda subia 24 horas depois.
Contudo, Ló foi salvo porque Deus se lembrou de Abraão e
agiu por consideração a Seu relacionamento pactual com
ele (18:19).
gadal
Pronúncia hebraica
Tradução BKJ 1611
Usos em Gênesis
Usos no AT
Passagem foco
[ga DAL]
ser grande, crescer
14
117
Gênesis 19:13,19
Gadal está relacionado com gadol, e significa ser grande (Gn 19:13).
Denota aumentar, crescer, e amadurecer. Implica ser magnificado
ou exaltado. Alguém é poderoso ou precioso; alguma coisa é intensa
ou magnificente. As pessoas enriquecem ou são ricas. Com palavras
comparativas gadal significa sobrepujar. O intensivo denota fazer
grande, exaltar, honrar, ou promover. O verbo denota criar, cuidar, ou
educar jovens. Alguém faz ou deixa crescer. Uma pessoa proclama
grandeza ou pensa elevadamente de alguém. Um verbo intensivo
passivo significa criado. O causativo significa fazer grande ou
abundante e descreve exaltar, aumentar, magnificar, ou expandir
alguma coisa. Ele aparece como mostrar grande bondade ou dar
grande sabedoria. Ele significa fazer coisas grandes ou catastróficas
e denota vangloriar-se, escarnecer com vanglória, ou ameaçar.
Alguém é arrogante ou age com arrogância. Ele se levanta contra.
Ele exalta ou magnifica a si próprio, parece superior, ou triunfa. Além
disso, o reflexivo significa mostrar grandeza.
Gênesis 19:30
E Ló subiu de Zoar, e habitou no monte, e
suas duas filhas com ele, pois ele temia habitar
em Zoar; e ele habitou em uma caverna, ele e
suas duas filhas.
31
E a primogênita disse à mais jovem: Nos­so
pai está velho, e não há homem na terra para
entrar a nós, segundo a maneira de toda a terra;
32
vem, façamos nosso pai beber vinho,
e deitaremos com ele, para que possamos
preservar a semente de nosso pai.
33
E elas fizeram seu pai beber vinho naquela
noite; e a primogênita entrou e deitou com seu
pai, e ele não percebeu quando ela deitou, nem
quando ela se levantou.
34
E aconteceu que, no dia seguinte, a primogênita disse à mais jovem: Eis que eu deitei
com meu pai na noite passada; d­ emos-lhe de
beber vinho esta noite também, e entra tu, e
deita com ele, para que possamos preservar a
semente de nosso pai.
35
E elas fizeram seu pai beber vinho naquela
noite também; e a mais jovem se levantou, e
deitou-se com ele, e ele não percebeu quando ela
deitou, nem quando ela se levantou.
36
Assim, as duas filhas de Ló conceberam
de seu pai.
37
E a primogênita deu à luz um filho, e
chamou seu nome Moabe; este mesmo é o pai
dos moabitas até este dia.
30
44
19:37 Dt 2:9
19:38 Dt 2:19
20:1 Gn 18:1
20:2 ver 12;
Gn 12:13; 26:7
20:7 ver 17;
1Sm 7:5; Jó 42:8
As duas filhas de Ló engravidaram (19:36), resultando nos
nascimentos de Moabe, cujo nome soa como a expressão hebraica “Do Pai,” e de Ben-Ami, “Filho do Meu Povo.”
Moabe foi o pai dos moabitas e Ben-Ami foi o pai dos amonitas. Muitos dos vizinhos de Israel que viviam à leste, inclusive os edomitas (da linhagem de Esaú), eram parentes
distantes.
E a mais jovem, ela também deu à luz um
filho, e chamou seu nome Ben-Ami; este mesmo
é o pai dos filhos de Amom até este dia.
E Abraão viajou dali para a terra do
sul, e habitou entre Cades e Sur, e
peregrinou em Gerar.
2
E Abraão disse de Sara, sua esposa: Ela
é minha irmã. E Abimeleque, rei de Gerar,
enviou e tomou Sara.
3
Mas Deus veio a Abimeleque em um sonho
à noite, e lhe disse: Eis que és nada mais que
um homem morto, pela mulher que tomaste,
pois ela é a mulher de um homem.
4
Mas Abimeleque não havia se aproximado
dela. E ele disse: Senhor, tu matarás também
uma nação justa?
5
Não me disse ele: Ela é minha irmã? E ela
também disse: Ele é meu irmão. Na integridade
de meu coração e na inocência das minhas
mãos eu fiz isso.
6
E Deus lhe disse em um sonho: Sim, eu
sei que o fizeste na integridade de teu coração;
pois também eu te impedi de pecar contra mim;
por isso não te permiti tocá-la.
7
Agora, portanto, restitui ao homem sua
mulher, pois ele é um profeta, e ele orará por
ti, e tu viverás; e se tu não a restituíres, sabe
que certamente morrerás, tu e todos os que são
teus.
38
20
19:30-38 A caverna para onde Ló e suas filhas se mudaram localizava-se provavelmente a leste do Mar Morto. O
isolamento e o conhecimento que tinham dos hábitos detestáveis dos homens da região convenceram as filhas de
Ló de que não havia homem na terra que entrasse nelas
(ou seja, que as engravidassem). Consequentemente, elas
planejaram “dar vida à semente de nosso pai” (preservar
a semente de nosso pai).
Esta passagem não condena explicitamente a embriaguez ou o incesto – não havia necessidade de acentuar isto
aos primeiros leitores. Todo leitor israelita sabia que estes
eram pecados a serem evitados, porquanto os dois maiores perturbadores inimigos de Israel foram gerados como
resultado dos atos da bebedeira de Ló.
20:1-2 Abraão viajou de Manre para Gerar, um assentamento dos filisteus a oeste do Mar Morto, entre Cades e
Sur, talvez para ficar bem longe da área devastada onde
existira Sodoma. Em seguida, menos de três meses após
Deus ter prometido que Sara daria um filho a Abraão
(18:10), o patriarca entregou sua esposa a Abimeleque!
Antes, Abraão havia dito a Faraó que sua esposa era sua
irmã (12:12-15); mais tarde, seu filho iria repetir o mesmo
artifício (26:7).
20:3-8 Em Sua misericórdia, Deus interveio para proteger Sua promessa em relação a Sara (18:10) e para que a
benção não fosse arruinada pelo ato insensato de Abraão.
Além de advertir Abimeleque de que Sara era a mulher de
um homem, o Senhor também causou uma crise de saúde em sua família, fazendo com que todas as mulheres
ficassem temporariamente estéreis (v. 18). Visto que Abimeleque havia agido na inte­gridade de seu coração e na
inocência de suas mãos - apesar de aceitar Sara em seu
45
Por isso, Abimeleque levantou-se cedo
de manhã, e chamou todos os seus servos, e
contou todas estas coisas em seus ouvidos. E
os homens temeram muito.
9
Então Abimeleque chamou Abraão, e lhe
disse: O que nos fizeste? E em que eu te ofendi,
para que trouxesses sobre mim e sobre meu
reino um grande pecado? Tu ­fizeste-me coisas
que não deviam ser feitas.
10
E Abimeleque disse a Abraão: O que tu
viste para fazeres tal coisa?
11
E Abraão disse: Porque pensei: Certa­mente
o temor de Deus não está neste lugar, e eles me
matarão por causa de minha mulher.
12
E, na verdade, ela é minha irmã; ela é a
filha de meu pai, mas não a filha de minha mãe;
e ela se tornou minha mulher.
13
E aconteceu que, quando Deus me fez
peregrinar desde a casa de meu pai, eu disse a
ela: Esta é a bondade que tu me mostrarás: em
todo lugar aonde chegarmos, dirás de mim: Ele
é meu irmão.
14
E Abimeleque tomou ovelhas, e bois,
e servos, e servas, e os deu a Abraão, e lhe
restituiu Sara, sua esposa.
15
E Abimeleque disse: Eis que a minha terra
está diante de ti; habita onde te agradar.
16
E a Sara ele disse: Eis que eu dei a teu
irmão mil peças de prata. Servirão de honra
para ti, para todos os que estão contigo e com
todos os outros; assim ela foi repre­endida.
17
Então Abraão orou a Deus; e Deus curou
Abimeleque, e sua esposa, e suas servas; e elas
geraram filhos.
18
Porque o Senhor havia fechado totalmente
os úteros da casa de Abimeleque por causa de
Sara, esposa de Abraão.
8
20:11 Sl 36:1;
Gn 12:12; 26:7
20:14 Gn 12:16
20:15 Gn 13:9
20:18 Gn 12:17
21:2 Gl 4:22;
Hb 11:11
21:3 Gn 17:19
21:4 Gn 17:10,12;
At 7:8
21:6 Gn 17:17
21:10 Gl 4:30
21:11 Gn 17:18
21:12 Rm 9:7;
Hb 11:18
harém - Deus não destruiria a liderança governamental de
Gerar e, assim, não arruinaria a nação.
Abraão é a primeira pessoa a ser chamada de profeta
no AT, embora Enoque, que viveu antes dele, seja chamado
de profeta no NT (Jd 14). Como a intercessão de Abraão
junto a Deus havia salvado a vida de Ló (Gn 18:23-32;
19:29), assim agora sua oração por Abimeleque salvaria a
vida deste.
21:5 No caso de Abraão, ele era da idade de cem anos
na época do nascimento de Isaque. Todavia, pelo menos
quatro patriarcas pré-diluvianos tiveram filhos mesmo
sendo mais velhos do que ele (5:6,18,25,28).
21:8-10 A Bíblia não indica a idade de Isaque ao ser desmamado. Em algumas culturas, as crianças são amamentadas pela mãe até os cinco anos de idade. Sabe-se
que a amamentação para além de dois anos provê mais
conforto do que alimentação. Quando chegou o dia para
Isaque ser desmamado, Abraão fez um grande banquete
para ajudar a criança psicologicamente a dar este passo. Durante a festa, entretanto, Ismael ficou zombando
21
Gênesis 21:14
E o S enhor visitou a Sara como ele
dissera, e fez o Senhor a Sara como ele
tinha falado.
2
Pois Sara concebeu e gerou um filho a
Abraão em sua velhice, no tempo estabelecido
de que Deus lhe falara.
3
E Abraão chamou o nome de seu filho que
lhe nasceu, que Sara lhe concebeu, Isaque.
4
E Abraão circuncidou seu filho Isaque,
sendo ele de oito dias de idade, como Deus lhe
ordenara.
5
E Abraão era da idade de cem anos quando
seu filho Isaque lhe nasceu.
6
E Sara disse: Deus me fez rir, de modo que
todos os que ouvirem rirão comigo.
7
E ela disse: Quem teria dito a Abraão que
Sara daria de mamar a filhos? Pois eu lhe dei
um filho em sua velhice.
8
E o menino cresceu, e foi desmamado. E
Abraão fez um grande banquete no mesmo dia
em que Isaque foi desmamado.
9
E Sara viu o filho de Agar, a egípcia, que ela
dera a Abraão, zombando.
10
Por isso ela disse a Abraão: Lança fora esta
serva e seu filho, porque o filho dessa serva não
será herdeiro com meu filho, com Isaque.
11
E a coisa pareceu muito grave aos olhos de
Abraão por causa de seu filho.
12
E Deus disse a Abraão: Não seja isso grave
a tua vista por causa do rapaz, e por causa da
tua serva. Em tudo que Sara disser, dá ouvidos
à sua voz, porque em Isaque será chamada a
tua semente.
13
E também do filho da serva eu farei uma
nação, porque ele é tua semente.
14
E Abraão se levantou cedo de manhã,
e tomou pão, e um odre de água, e os deu a
Agar, pondo-os sobre o seu ombro, e ao filho,
e a despediu. E ela partiu, e peregrinou pelo
deserto de Berseba.
de Isaque. O apóstolo Paulo entendeu o significado disto
como se Ismael estivesse perseguindo Isaque (Gl 4:29).
Livre-se, “Lança fora” (Heb. garash) é o mesmo termo
usado para descrever as expulsões de Adão e de Caim
após os seus pecados (3:24; 4:14).
21:11-13 O fato de ter de expulsar seu filho primogênito do
lar pareceu muito grave aos olhos de Abraão (lit. “isso era
muito mau aos olhos de Abraão”). Contudo, a orientação
e as garantias confortadoras de Deus habilitaram Abraão
a fazer a coisa certa. Visto que Ismael era semente de
Abraão, o Senhor não permitiria que a criança morresse
no deserto; em vez disso, o Eterno faria dele uma nação.
E, embora Isaque não fosse o primogênito de Abraão, a
semente do patriarca seria considerada por meio de sua
linhagem.
21:14-19 O amor e a preocupação de Abraão por Agar e
Ismael estão refletidos em sua diligência - levantando-se
cedo de manhã e dando-lhes provisões. A dupla banida
peregrinou pelo deserto de Berseba, uma área cerca de
32 km a oeste da extremidade sul do Mar Morto. Quando
46
Gênesis 21:15
E a água do odre foi consumida, e ela
colocou o filho debaixo de um dos arbustos.
16
E ela foi sentar-se em frente dele a boa
distância, como a de um tiro de arco. Pois ela
disse: Que eu não veja a morte da criança. E
sentada em frente dele, levantou sua voz e chorou.
17
E Deus ouviu a voz do menino. E o anjo de
Deus chamou Agar desde o céu, e lhe disse: Que
te aflige, Agar? Não temas, pois Deus ouviu a
voz do menino de onde ele está.
18
Ergue-te, levanta o menino nos teus braços,
pois farei dele uma grande nação.
19
E Deus abriu-lhe os olhos, e ela viu um
poço de água. E foi, e encheu o odre com água,
e deu de beber ao menino.
20
E Deus estava com o menino, e ele cresceu
e habitou no deserto, e se tornou um arqueiro.
21
E ele habitou no deserto de Parã; e sua mãe
lhe tomou uma mulher da terra do Egito.
22
E aconteceu naquele tempo que
Abimeleque e Ficol, capitão-chefe de seu
exército, falou a Abraão, dizendo: Deus está
contigo em tudo que tu fazes;
23
por isso, agora, jura a mim por Deus que não
agirás falsamente comigo, nem com meu filho,
nem com o filho de meu filho, mas, de acordo
com a bondade que eu te fiz, tu farás comigo, e
para com a terra na qual peregrinaste.
24
E Abraão disse: Eu jurarei.
25
E Abraão repreendeu Abimeleque por
causa de um poço de água, que os servos de
Abimeleque tinham tomado violentamente.
15
21:17 Êx 3:7
21:20 Gn 28:15
21:21 Gn 24:4,38
21:25 Gn 26:15,18,
20‑22
21:27
Gn 26:28,31
21:30
Gn 31:44,47,
48,50,52
22:1 Dt 8:2,16;
Hb 11:17;
Tg 1:12,13
22:2 Jo 3:16
Agar e Ismael ficaram sem água, Ismael quase morreu,
talvez de insolação. Dominada pela dor, Agar o colocou à
sombra de um dos arbustos e então ela foi sentar-se em
frente dele a boa distância, como a de um tiro de arco longe o suficiente para evitar ouvir-lhe a voz enquanto ia
morrendo. Embora Agar pudesse não saber que onde há
grande vegetação em um deserto há também um lençol
freático elevado, Deus abriu-lhe os olhos para o fato de
que um poço de água estava nas proximidades. Deus
dirigira providencialmente a suas andanças e lhe dera uma
demonstração de Sua fidelidade.
21:20-21 Honrando Suas promessas a Abraão (v. 13; 17:20)
e a Agar (21:18), Deus protegeu Ismael, que acabou se fixando no deserto de Parã, a oeste do Golfo de Ácaba, no
norte do Deserto do Sinai. Agar, ela própria uma egípcia
(16:3), conseguiu para o filho uma esposa egípcia. Ismael
geraria 12 filhos (25:13-15).
21:22-24 O nascimento miraculoso de Isaque e o sucesso da oração de Abraão (20:17) convenceu Abimeleque de
que Deus estava com o patriarca em tudo. Temendo que
Abraão, que possuía centenas de guerreiros treinados em
seu acampamento (14:14), pudesse preparar um ataque
bem-sucedido contra Gerar, Abimeleque e Ficol, seu comandante militar, pediram que Abraão jurasse que nunca
violaria um acordo de paz com a sua comunidade. Abraão
apaziguou os receios deles ao fazer um juramento de paz.
21:25-32 Tendo aliviado as preocupações deles com guerra, o patriarca passou a expressar as próprias inquietações acerca de direitos sobre água. Apesar do grupo de
Abimeleque ter prejudicado o patriarca, Abraão lhe deu
E Abimeleque disse: Eu não sei quem fez
isso, nem tampouco me contaste, nem ouvi a
respeito disso, a não ser hoje.
27
E Abraão tomou ovelhas e bois, e os deu a
Abimeleque, e os dois fizeram um pacto.
28
E Abraão pôs à parte sete cordeiras do
rebanho.
29
E Abimeleque disse a Abraão: O que
significam essas sete cordeiras que puseste à
parte?
30
E ele disse: Estas sete cordeiras tomarás da
minha mão, para que sejam uma testemunha
para mim de que eu cavei este poço.
31
Por isso, chamou aquele lugar Berseba,
porque ambos juraram ali.
32
Assim, eles fizeram um pacto em Berseba;
então levantaram-se Abimeleque e Ficol, o
capitão-chefe do seu exército, e eles retornaram
à terra dos filisteus.
33
E Abraão plantou um bosque em Berseba, e
invocou ali o nome do Senhor, o Deus eterno.
34
E Abraão peregrinou na terra dos filisteus
muitos dias.
E aconteceu depois destas coisas,
que Deus provou Abraão, e lhe disse:
Abraão; e ele disse: Eis-me aqui.
2
E ele disse: Toma agora o teu filho, teu único
filho Isaque, a quem tu amas, e vai para a terra
de Moriá, e oferece-o ali como oferta queimada
sobre um dos montes que eu te direi.
26
22
ovelhas e bois como parte de um pacto formal. Este presente, lembrando o presente que Abimeleque dera antes
a Abraão (20:14), era usado provavelmente em parte para
os sacrifícios de animais oferecidos quando um pacto era
estabelecido. Ao aceitar o presente adicional de sete cordeiras, Abimeleque obrigou-se a reconhecer que o poço
que os homens de Abraão tinham cavado não seria tomado. O nome de Berseba é um trocadilho, que significa tanto
“Poço do Juramento” quanto “Poço das Sete”.
21:33-34 Em reconhecimento das boas dádivas de Deus,
inclusive um filho que daria continuidade a sua linhagem
no futuro, Abraão... plantou um bosque. Ele também adorou o Senhor como o Deus eterno (Heb. ‘el ‘olam) em reconhecimento da perpetuidade das promessas de Deus a
Abraão.
22:1-2 O teste final da obediência de Abraão a Deus é
descrito em 22:1-19, uma seção conhecida na tradição
hebraica como a Akedah (lit. “a amarração,” v. 9). O verbo
hebraico nissah, traduzido como provou, significa “provar a
qualidade de,” e não “induzir à prática do mal”. Deus usou
este evento para afirmar o caráter genuíno da fé de Abraão,
dando-lhe a tarefa inacreditavelmente difícil de sacrificar
seu filho Isaque na terra de Moriá, ou seja, a região de Jerusalém (2Cr 3:1). Os pagãos em Canaã durante o período
do AT praticaram regularmente o sacrifício de crianças,
fazendo-as passar pelo fogo (2Rs 16:3) para entregá-las
como alimento a seus deuses (Ez 23:37). Com esta ordem,
Deus estava pedindo a Abraão para demonstrar que ele
estava tão comprometido com o Senhor Deus como os pagãos com os seus deuses.
47
E Abraão levantou-se cedo de manhã e
selou seu jumento, e tomou consigo dois de
seus servos, e Isaque, seu filho, e cortou a lenha
para a oferta queimada, e se levantou e foi para
o lugar que Deus lhe dissera.
4
Então, no terceiro dia, Abraão levantou seus
olhos, e viu o lugar de longe.
5
E Abraão disse aos seus servos: Ficai aqui
com o jumento, e eu e o menino vamos adiante
para adorar, e voltaremos a vós.
6
E Abraão pegou a lenha da oferta queimada,
e a colocou sobre Isaque, seu filho; e ele tomou
o fogo em sua mão, e uma faca; e foram os
dois juntos.
7
E Isaque falou a Abraão, seu pai, e disse:
Meu pai, e ele disse: Aqui estou, meu filho. E
ele disse: Eis o fogo e a lenha, mas onde está o
cordeiro para a oferta queimada?
8
E Abraão disse: Meu filho, Deus proverá
para si um cordeiro para a oferta queimada;
então foram os dois juntos.
9
E eles chegaram ao lugar de que Deus lhe
dissera; e Abraão construiu ali um altar, e pôs
em ordem a lenha, e amarrou Isaque, seu filho,
e o pôs no altar sobre a lenha.
10
E Abraão estendeu sua mão, e tomou a faca
para imolar seu filho.
3
22:6 Jo 19:17
22:12 ver 2;
Jo 3:16
22:13 Rm 8:32
22:16 Hb 6:13
22:17 Hb 6:14;
Gn 15:5;
Gn 26:24
22:17 Gn 24:60
22:18 At 3:25;
Gl 3:8
22:3-4 A confirmação da surpreendente confiança de
Abraão em Deus é encontrada, em primeiro lugar, no fato
de ele se levantar antes do nascer do sol (cedo de manhã)
no dia seguinte para iniciar a sua viagem. Sua diligência
em irem para o lugar que Deus lhe dissera contrasta nitidamente com os atos de Jonas (Jn 1:3). Viajando de Berseba, foi somente no terceiro dia que Abraão chegou à região
de Jerusalém.
22:5-8 A evidência de que Abraão cria que Deus podia ressuscitar Isaque dentre os mortos (Hb 11:17-18) é encontrada em seu comentário: voltaremos. Abraão levou, ele
mesmo, os elementos mais perigosos do sacrifício - o fogo
e uma faca -, talvez como um sinal de seu amor protetor
por Isaque. Sem saber da ordem de Deus e surpreso de
que o pai pudesse esquecer o elemento mais importante
nissah
Pronúncia hebraica
Tradução BKJ 1611
Usos em Gênesis
Usos no AT
Passagem foco
[nis SAH]
testar
1
36
Gênesis 22:1
O verbo nissah descreve a ação de testar a si próprio (Ec 2:1), a
outra pessoa (1Rs 10:1), ou a vários aspectos da vida (Ec 7:23). A
maior parte dos usos do AT descreve Deus testando o homem ou
o contrário. A atitude do homem de pôr Deus à prova é quase sempre provocada pela falta de fé. As pessoas se esquecem daquilo
que Deus já vez para elas (Sl 95:9). Elas são queixosas, rebeldes,
provocativas, e cheias de desejos imoderados (Êx 17:2; Sl 78:1718,41,56). Deus proibiu Israel de testá-Lo desta maneira (Dt 6:16).
Por outro lado, Deus testou Israel com o propósito de avançar o
seu bem-estar (Dt 8:16). Ele provou os israelitas para ver o que estava no coração deles (2Cr 32:31), se eles O obedeceriam (Êx 16:4)
e amariam (Dt 13:3). Assim, o salmista pede que Deus o prove
(Sl 26:2). Verbos passivo-reflexivos significam intentar (Dt 4:34),
aventurar-se (Jó 4:2), ousar (Dt 28:56), ou estar acostumado com
(1Sm 17:39).
Gênesis 22:18
E o anjo do Senhor o chamou do céu e
disse: Abraão, Abraão; e ele disse: Aqui estou.
12
E ele disse: Não ponhas a tua mão sobre o
menino, nem faças alguma coisa com ele. Por­
que agora eu sei que temes a Deus, vendo que não
negaste a mim teu filho, teu único filho.
13
E Abraão levantou seus olhos, e olhou, e eis
detrás dele um carneiro, preso pelos chifres em
um arbusto; e Abraão foi e tomou o carneiro,
e o ofereceu como oferta queimada no lugar
de seu filho.
14
E Abraão chamou o nome daquele lugar:
Javé-Jiré, como se diz até este dia: No monte
do Senhor ele será visto.
15
E o anjo do Senhor chamou a Abraão do
céu uma segunda vez,
16
e disse: Por mim mesmo jurei, diz o
Senhor, pois porque tu fizeste tal coisa, e não
negaste teu filho, teu único filho;
17
em bênção eu te abençoarei, e em
multiplicação eu multiplicarei tua semente
como as estrelas do céu, e como a areia que está
sobre a beira do mar; e a tua semente possuirá
o portão dos seus inimigos;
18
e em tua semente todas as nações da terra
serão abençoadas, porque tu obedeceste à
minha voz.
11
em um sacrifício animal, Isaque perguntou a Abraão onde
estaria o cordeiro (Heb. seh também significa “ovelha”). A
resposta, cheia de fé, de Abraão foi que Deus proverá para
si um cordeiro (“ovelha”).
22:9-10 Abraão seguiu o procedimento padrão para uma
oferta queimada envolvendo um ser vivo. Ao descrever sua
preparação, a Bíblia enfatiza somente os atos sistemáticos
de obediência de Abraão, omitindo qualquer menção dos
sentimentos de Abraão ou de Isaque.
22:11-12 Exatamente antes da faca ser posta no pescoço
de Isaque, o Anjo do Senhor o poupou. O patriarca havia
passado no teste, tendo apresentado evidência experimental de que temia a Deus mais do que amava o seu único
filho.
22:13-14 Exatamente como Abraão predissera (v. 8), Deus
havia miraculosamente provido uma ovelha - e do tipo mais
apreciado, um carneiro. Para prover um memorial desse
evento, Abraão deu ao lugar o nome de Javé-Jiré, o Senhor
proverá (Heb. yahweh yir’eh).
22:15-18 Na qualidade de Anjo (que significa “Mensageiro”)
do Senhor que tinha a autoridade do Senhor, o emissário
divino entregou a segunda mensagem (v. 12), esta agora
na primeira pessoa. Uma vez que Abraão havia passado
no “teste das prioridades” ao obedecer a Deus e não Lhe
negar o seu único filho, o Senhor o abençoaria de fato
com descendência, vitória, terra, e benevolência. Visto não
haver nada maior, Deus jura por Si mesmo (cp. Êx 32:13;
Is 45:23; Jr 22:5; 49:13). Ironicamente, posto que Abraão
estava pronto para aceitar a perda de seu descendente
pactual, Deus haveria de multiplicar a tua semente co­mo
as estrelas do céu, e como a areia que está sobre a beira
do mar. Eles possuirão as portas de entrada das cidades
fortificadas - e assim sua semente pos­
suirá o portão
dos seus inimigos, uma promessa tanto de vitória militar
quanto de território expandido. Porém, mais do que serem
temidos como conquistadores, os descendentes de Abraão
serão reconhecidos como fonte de bênçãos para todas as
nações da terra.
48
Gênesis 22:19
Então Abraão voltou aos seus servos, e
eles se levantaram e foram juntos a Berseba; e
Abraão habitou em Berseba.
20
E depois destas coisas, comunicaram a
Abraão, dizendo: Eis que Milca, ela também
gerou filhos a teu irmão Naor.
21
Uz, seu primogênito, e Buz, seu irmão, e
Quemuel, o pai de Arã,
22
e Quésede, e Hazo, e Pildas, e Jidlafe, e
Betuel.
23
E Betuel gerou Rebeca; estes oito Milca
deu a Naor, irmão de Abraão.
24
E a sua concubina, cujo nome era Reumá,
lhe gerou também Tebá, e Gaã, e Taás, e
Maaca.
E Sara tinha cento e vinte e sete anos
de idade; estes foram os anos da vida
de Sara.
2
E Sara morreu em Quiriate-Arba, que é
Hebrom, na terra de Canaã; e Abraão veio
lamentar por Sara, e chorar por ela.
3
E Abraão levantou-se de diante de seu
corpo, e falou aos filhos de Hete, dizendo:
4
Eu sou um estrangeiro e peregrino
convosco; dai-me a posse de um lugar de
sepultamento convosco, para que eu possa
sepultar a minha falecida de diante da minha
vista.
5
E os filhos de Hete responderam a Abraão,
dizendo-lhe:
6
Ouve-nos, meu senhor; tu és um príncipe
poderoso entre nós; na escolha dos nossos
sepulcros, sepulta a tua falecida; ninguém de
nós reterá de ti seu sepulcro, para que possas
sepultar a tua falecida.
7
E Abraão levantou-se e curvou-se diante do
povo da terra, aos filhos de Hete.
19
22:23 Gn 24:15
23:2 Js 14:15
23:4 Sl 105:12;
Hb 11:9,13
23:6
Gn 14:14-16;
24:35
23:10 Rt 4:4
23:16 Jr 32:9
23:17 Gn 25:9;
49:30-32; 50:13
23
22:20-24 Gênesis apresenta em seguida a descendência
de Naor..., irmão de Abraão, por meio de sua esposa Milca
e de sua concubina Reumá. Esta breve seção prepara o
leitor para os eventos do capítulo 24 ao apresentar Betuel
e identificá-lo como o pai de Rebeca, a futura esposa de
Isaque.
23:1-2 Indicando a importância de Sara, está o fato de que
ela é a única mulher na Bíblia cuja idade, por ocasião de
sua morte, é registrada. Quiriate-Arba (“Cidade de Quatro”) era o nome da cidade mais tarde conhecida como
Hebrom.
23:3-6 Quando um membro da família morria na cultura
de Abraão, os sobreviventes eram obrigados a preservar
os ossos do falecido, idealmente em uma caverna onde
todos os demais membros da família pudessem mais tarde
ter seus restos preservados. Abraão não possuía terra em
Canaã, sendo assim, ele precisava adquirir um lugar de
se­pultamento dos hititas para enterrar Sara. Assim como
os filisteus anteriormente (21:22), os hititas reconheceram
que Abraão era um príncipe poderoso entre eles. Talvez, a
fim de garantir o favor do Deus de Abraão, eles ofereceram
a Abraão o direito de usar a melhor sepultura da região.
23:7-11 Na praça junto à porta de Quiriate-Arba, Abraão
mostrou seu respeito pelos hititas, colocando sua cabeça
E falou com eles, dizendo: Se é de vossa
vontade que eu sepulte a minha falecida
distante da minha vista, ouvi-me e intercedei
por mim a Efrom, filho de Zoar;
9
para que ele possa me dar a caverna de
Macpela, que ele tem, que está na extremidade
do seu campo; pois não importa o preço que
custe, ele ma dará como posse para lugar de
sepultamento entre vós.
10
E Efrom habitava entre os filhos de Hete,
e Efrom, o heteu, respondeu a Abraão aos
ouvidos dos filhos de Hete, de todos os que
entravam pela porta da cidade, dizendo:
11
Não, meu senhor, ouve-me: O campo eu te
dou, e a caverna que está nele, eu a dou para ti;
na presença dos filhos do meu povo eu te dou;
sepulta a tua falecida.
12
E Abraão curvou-se diante do povo da
terra.
13
E ele falou a Efrom aos ouvidos do povo
da terra, dizendo: Mas se tu o deres, te suplico,
ouve-me: Dar-te-ei dinheiro pelo campo;
­toma-o de mim, e eu sepultarei ali a minha
falecida.
14
E Efrom respondeu a Abraão, dizendo lhe:
15
Meu senhor, ouve-me, a terra vale
quatrocentos siclos de prata; o que é isso entre
mim e ti? Por isso, sepulta tua falecida.
16
E Abraão ouviu a Efrom; e Abraão pesou
a prata para Efrom, da qual ele tinha falado
aos ouvidos dos filhos de Hete, quatrocentos
siclos de prata, dinheiro corrente entre os
mercadores.
17
E o campo de Efrom, que estava em
Macpela, que estava diante de Manre, o campo
e a caverna que estava nele, e todas as árvores
que estavam no campo, que estavam em todas
as extremidades ao redor, foram confirmados,
8
no nível em que se encontravam os pés deles. O patriarca
era rico e altamente respeitado, mas ele desempenhou o
papel de alguém que era indigno de falar com o proprietário
da terra que o patriarca desejava. Deste modo, pediu aos
hititas que intercedessem por ele a Efrom pelo direito de
comprar a caverna de Macpela. Embora Abraão fosse um
hábil negociador (18:23-32), ofereceu pagar o preço justo
pela propriedade. Este gesto indicou respeito pelos hititas
e o desejo de evitar regateio o indigno. Igualando-se à
honradez de Abraão, Efrom, o hitita, falou diretamente
com o patriarca e ofereceu ceder-lhe não somente a
caverna, mas também o campo.
23:12-18 Com as duas partes em acordo, Abraão se curvou novamente de maneira respeitosa e repetiu sua disposição de pagar pelo campo - embora ele não soubesse
ainda qual seria o preço. Quatrocentos siclos de prata talvez o preço de oito escravos adultos saudáveis do sexo
masculino (Lv 27:3) - pode ou não ter sido uma avaliação
razoável. De qualquer maneira, Abraão concordou com o
valor estipulado. A quantia representava um peso que, no
tempo de Moisés, equivalia a 4,5 kg. Não sabemos exatamente o quanto isso valia de acordo com o dinheiro corrente entre os mercadores hititas. O pedaço de terra era
particularmente valioso porque o terreno continha tanto a
caverna quanto as árvores.
49
para Abraão como possessão na presença
dos filhos de Hete, diante de todos os que
entravam no portão da cidade.
19
E depois disso, Abraão sepultou Sara, sua
esposa, na caverna do campo de Macpela, diante de Manre, que é Hebrom na terra de Canaã.
20
E o campo, e a caverna que está nele, foram
confirmados a Abraão pelos filhos de Hete para
posse de um lugar de sepultamento.
E Abraão era velho e bem avançado
em idade; e o Senhor havia abençoado
Abraão em todas as coisas.
2
E Abraão disse ao servo mais velho de sua
casa, que governava sobre tudo o que ele tinha:
Rogo-te que ponhas tua mão debaixo da minha
coxa;
3
e eu te farei jurar pelo Senhor, o Deus do
céu, e o Deus da terra, que tu não tomarás
mulher para meu filho dentre as filhas dos
cananeus, entre os quais eu habito;
4
mas irás à minha terra, e à minha parentela,
e tomarás uma mulher para meu filho Isaque.
5
E o servo lhe disse: Se porventura a mulher
não quiser seguir-me para esta terra, eu deixarei
levar teu filho novamente para a terra de onde
tu vieste?
6
E Abraão lhe disse: Cuida para que não
leves meu filho para lá novamente.
7
O Senhor Deus do céu, que me tirou da casa
de meu pai, e da terra de minha parentela, e que
falou comigo, e que jurou para mim, dizendo:
18
24
Gênesis 24:14
24:1 ver 35
24:3 Gn 14:19
24:4 Gn 12:1
24:7 Gl 3:16;
Gn 12:7;
13:15; Êx 23:20,23
24:11 ver 13;
1Sm 9:11
24:12
ver 27,42,48;
Gn 26:24;
Êx 3:6,15,16
23:19-20 Em seguida às bem-sucedidas negociações,
Abraão sepultou Sara, sua esposa, na caverna... de
Macpela. Outros que ali seriam enterrados são: Abraão,
Isaque, Rebeca, Lia, e Jacó (49:31; 50:13).
24:1-9 Abraão, agora com 140 anos de idade, havia sido
em todas as coisas abençoado pelo Senhor, mas uma
coisa estava faltando - uma mulher digna para seu filho
de 40 anos de idade assegurar a continuidade da linhagem
pactual. Baseado em sua experiência com os habitantes
de Canaã, Abraão não desejava que Isaque se casasse
com uma mulher dentre as filhas dos cananeus. Em vez
disso, ela deve vir dentre seus parentes a centenas de
quilômetros de distância ao noroeste da Mesopotâmia. O
próprio Abraão estava velho demais para fazer a viagem
de volta, assim convocou seu servo mais confiável, talvez
Eliézer (15:2), para executar a tarefa. Encontrar a esposa
certa para Isaque requeria a ajuda divina, assim Abraão fez
o seu servo prestar um juramento pelo Senhor, o Deus do
céu e o Deus da terra, e também a pôr sua mão debaixo da
coxa de Abraão, a zona do corpo associada à posteridade
de Abraão.
Este ato ressaltou, de maneira simbólica, a importância da tarefa para o futuro de Abraão e de seu clã. Com
grande fé e percepção profética, o patriarca prometeu que
Deus enviaria o seu anjo adiante do servo para que ele pudesse trazer do clã uma mulher para Isaque. Como parte da preocupação com sua posteridade, Abraão também
À tua semente eu darei esta terra, ele enviará o
seu anjo adiante de ti, e tu tomarás para o meu
filho uma mulher de lá.
8
E se a mulher não quiser te seguir, então tu
estarás livre deste meu juramento; somente não
leves o meu filho para lá novamente.
9
E o servo colocou sua mão debaixo da coxa
de Abraão, seu senhor, e jurou a ele acerca
deste assunto.
10
E o servo tomou dez camelos dos camelos
do seu senhor, e partiu; pois todos os bens de
seu senhor estavam em suas mãos. E ele se
levantou, e foi à Mesopotâmia, para a cidade
de Naor.
11
E ele fez seus camelos se ajoelharem fora
da cidade, junto a um poço de água na hora da
tarde, a hora em que as mulheres saem para
tirar água.
12
E ele disse: Ó Senhor Deus de meu ­senhor
Abraão, rogo-te, dá-me bom êxito neste dia, e
mostra bondade para com meu senhor Abraão.
13
Eis que eu estou em pé aqui junto ao poço
de água; e as filhas dos homens da cidade saem
para tirar água;
14
E seja, pois, que a donzela a quem eu
disser: Inclina o teu cântaro e beberei, e ela
responder: Bebe, e também darei de beber aos
teus camelos, essa seja a que designaste para
o teu servo Isaque, e por ela saberei que tens
misericórdia para com meu senhor.
advertiu o seu servo para que não permitisse que Isaque
abandonasse a terra prometida - e com ela o pacto de
Deus - indo ele próprio de volta para lá, para Arã Naaraim.
24:10-11 O servo principal e alguns outros servos (v. 32)
levaram bens que refletiam a riqueza de Abraão. Esses
bens só poderiam ser usados para pagar o preço da noiva, a futura esposa de Isaque. A viagem de Berseba à Mesopotâmia - Arã Naaraim, localizada em algum lugar no
noroeste da Mesopotâmia - poderia ter durado duas semanas. A cidade de Naor podia significar que Naor era o nome
da aldeia ou que ela era a cidade natal de Naor ou a cidade
onde Naor tinha morado. Naor era o nome do irmão e do
avô de Abraão (11:25-26), sugerindo assim, que esta aldeia
era habitada por parentes de Abraão.
24:12-14 Estando na aldeia dos antepassados no melhor
horário e local para interagir com moças elegíveis, o servo
ainda precisava da ajuda divina para realizar a sua tarefa.
Ele cria que Deus tinha escolhido uma jovem digna desta
região para se casar com Isaque e que Deus mostraria
bondade com o seu senhor. Ele orou ao Senhor, sugerindo
um teste de hospitalidade e serviço. Um camelo sedento
pode beber uns 113 litros de água em 15 minutos. Uma vez
que 10 camelos acompanhavam o servo (v. 10), é possível
que a jovem teria que ter retirado cerca 1130 litros de água
(equivalentes a 1130 kg) da fonte para passar no teste do
servo.
Gênesis 24:15
E aconteceu que, antes que ele terminasse
de falar, eis que saiu Rebeca, que era nascida a
Betuel, filho de Milca, esposa de Naor, irmão
de Abraão, com seu cântaro sobre seu ombro.
16
E a donzela era muito formosa à vista, uma
virgem, nenhum homem havia conhecido; e ela
desceu ao poço, e encheu seu cântaro, e subiu.
17
E o servo correu para encontrá-la, e disse:
Permite-me, rogo-te, beber um pouco da água
de teu cântaro.
18
E ela disse: Bebe, meu senhor; e ela se
apressou e abaixou seu cântaro sobre sua mão,
e lhe deu de beber.
19
E, acabando ela de lhe dar de beber, disse:
Eu também tirarei água para os teus camelos,
até que tenham bebido.
20
E ela se apressou e esvaziou o seu cântaro
no cocho, e correu novamente para o poço para
tirar água, e tirou para todos os seus camelos.
21
E o homem estava admirado de vê-la, e
ficou em paz, para saber se o Senhor havia feito
prosperar sua viagem ou não.
22
E aconteceu que, quando os camelos
haviam acabado de beber, que o homem tomou
um brinco de ouro de meio siclo de peso, e dois
braceletes para as mãos dela, do peso de dez
siclos de ouro.
23
E disse: De quem tu és filha? Dize-me,
suplico-te. Há lugar na casa de teu pai para nos
alojarmos?
24
E ela lhe disse: Eu sou a filha de Betuel,
filho de Milca, o que deu à luz a Naor.
25
E ela disse além disso a ele: Nós temos
tanto palha quanto forragem suficientes, e lugar
para se alojar.
26
E o homem curvou sua cabeça, e adorou
ao Senhor.
27
E ele disse: Bendito seja o Senhor Deus
de meu senhor Abraão, que não deixou
desamparado meu senhor sem misericórdia e
verdade. Eu estando no caminho, o Senhor me
conduziu à casa dos irmãos de meu senhor.
28
E a donzela correu, e contou aos da casa de
sua mãe estas coisas.
15
50
24:15 Gn 22:23
24:16 Gn 26:7
24:26 ver 48,52
24:29 ver 4;
Gn 29:5,12,13
24:31 Gn 26:29
24:32 Gn 43:24;
Jz 19:21
24:35 ver 1
24:36
Gn 21:2,10;
Gn 25:5
24:37 ver 3
24:39 ver 5
24:40 ver 7
24:41 ver 8
24:42 ver 12
24:15-22 Antes que o servo terminasse de falar, Deus
mais que respondeu sua oração (Is 65:24) com a chegada
de Rebeca. Ela não era apenas neta de Naor, irmão de
Abraão, e virgem, mas também era muito formosa. Com
cortesia e entusiasmo ela passou no teste do servo. Como
generosa recompensa por seu ato de bondade, o servo deu
a Rebeca um brinco de ouro (Heb. nezem) e dois braceletes
do peso de dez siclos de ouro.
24:23-27 O servo recebeu as melhores respostas possíveis
a outras duas perguntas: Rebeca era de fato a filha de
Betuel, sobrinho de Abraão, e os homens e seus camelos
podiam se alojar com sua família. Cheio de gratidão, o
servo curvou sua cabeça, e ado­rou ao Senhor, e O louvou
por Seus atos de misericórdia (Heb. chesed; “fidelidade
pactual”) e verdade.
E Rebeca tinha um irmão, e seu nome era
Labão; e Labão correu até o homem, junto ao
poço.
30
E aconteceu que, quando ele viu o brinco e
os braceletes nas mãos de sua irmã, e quando ele
ouviu as palavras de Rebeca, sua irmã, dizendo:
Assim falou o homem comigo, que ele veio ao
homem, e eis que ele estava em pé junto aos
camelos diante do poço.
31
E ele disse: Vem, bendito do Senhor. Por
que estás em pé aí fora? Pois eu preparei a casa,
e lugar para os camelos.
32
E o homem entrou na casa, e ele desatou
os seus camelos, e deu palha e forragem aos
camelos, e água para lavar seus pés, e os pés
dos homens que estavam com ele.
33
E foi posto alimento diante dele para comer,
mas ele disse: Não comerei, até que eu tenha dito
a minha incumbência. E ele disse: Fala.
34
E ele disse: Eu sou o servo de Abraão.
35
E o S enhor abençoou meu senhor
grandemente, e ele tornou-se grande; e ele lhe
deu rebanhos, e gado, e prata, e ouro, e servos,
e servas, e camelos e jumentos.
36
E Sara, esposa de meu senhor, deu um filho
a meu senhor quando ela já estava velha, e a ele
deu ele tudo que possui.
37
E meu senhor me fez jurar, dizendo: Tu não
tomarás mulher para meu filho dentre as filhas
dos cananeus, em cuja terra eu habito;
38
mas tu irás à casa de meu pai, e à minha parentela, para tomar uma mulher para meu filho.
39
E eu disse ao meu senhor: E se porventura
a mulher não quiser me seguir.
40
E ele me disse: O Senhor, diante de quem
eu ando, enviará seu anjo contigo, e prosperará o
teu caminho; e tu tomarás uma mulher para meu
filho da minha parentela, e da casa de meu pai.
41
Então tu estarás livre deste meu juramento,
quando fores à minha parentela; e se eles não
te derem uma, estarás livre do meu juramento.
42
E eu vim neste dia para este poço, e disse:
Ó S enhor Deus de meu senhor Abraão, se
agora tu fizeres prosperar o caminho em que
eu ando,
29
24:28-33 A generosidade do servo de Abraão gerou uma
resposta à altura por parte da casa da mãe de Rebeca. O
nível de hospitalidade oferecida por Rebeca e sua família
iguala-se à hospitalidade que Abraão mostrou aos seus
visitantes em 18:3-8.
24:34-49 Na mais longa fala registrada de um servo no AT
(238 palavras no hebraico), o servo de Abraão narrou em
detalhes três assuntos relevantes: como o Senhor abençoou gran­demente Abraão, a razão pela qual uma jovem
era necessária da casa de Betuel; e como Deus tinha revelado que Ele havia escolhido Rebeca para o filho de seu
senhor. Em seguida, o servo lhes deu a oportunidade de
agir de forma bondosa e verdadeira com Abraão, permitindo que Rebeca o acompanhasse à família de seu senhor.
51
eis que estou em pé junto ao poço de água,
e acontecerá que, quando uma virgem vier para
tirar água, e eu disser a ela: Dá-me, rogo-te, um
pouco de água de teu cântaro para beber,
44
e ela me disser: Bebe tu, e eu tirarei
também para teus camelos, seja esta a mulher
que o Senhor designou para o filho de meu
senhor.
45
E antes que eu tivesse acabado de falar
em meu coração, eis que Rebeca veio com seu
cântaro no seu ombro, e ela desceu ao poço e
tirou água. E eu lhe disse: Permite-me que eu
beba, rogo-te.
46
E ela se apressou, e baixou seu cântaro de
seu ombro, e disse: Bebe, e eu darei de beber
também aos teus camelos. Assim eu bebi, e ela
fez os camelos beberem também.
47
E eu lhe perguntei, e disse: De quem tu és
filha? E ela disse: A filha de Betuel, filho de
Naor, que Milca lhe deu, e eu coloquei o brinco
sobre a sua face, e os braceletes nas suas mãos.
48
E eu curvei a minha cabeça, e adorei ao
­Senhor, e bendisse ao Senhor, Deus do meu
senhor Abraão, que havia me conduzido no
caminho certo para tomar a filha do irmão de
meu senhor para seu filho.
49
E agora, se quiserdes agir de forma bondosa
e verdadeira com meu senhor, d­ izei-mo; e se
não, dizei-mo, para que eu possa tornar para a
direita ou para a esquerda.
50
Então Labão e Betuel responderam e
disseram: A coisa procede do S enhor ; não
podemos falar-te mal ou bem.
51
Eis que Rebeca está diante de ti, toma-a e
vai. E deixa que ela seja a mulher do filho de
teu senhor, como o Senhor disse.
52
E aconteceu que, quando o servo de Abraão
ouviu as palavras deles, adorou ao ­Senhor,
curvando-se à terra.
53
E o servo trouxe joias de prata, e joias de
ouro, e vestes e os deu a Rebeca, e ele deu coisas
preciosas também ao seu irmão e à sua mãe.
43
24:43 ver 13
24:45 1Sm 1:13;
ver 15
24:48 ver 26
24:49 Gn 47:29;
Js 2:14
24:50 Sl 118:23;
Gn 31:7,24, 29,42
24:52 ver 26
24:54 ver 56,59
24:59 Gn 35:8
24:60 Gn 17:16;
Gn 22:17
24:62 Gn 16:14;
25:11
24:63
Sl 1:2; 77:12;
119:15,27,48,
97,148; 143:5
24:50-53 Quando Labão e Betuel - os homens governantes
do clã - receberam a evidência de que o Senhor havia falado
e escolhido Rebeca para Isaque, eles a liberaram para que
se tornasse a mulher do filho de Abraão. Como preço da
noiva, o servo então deu joias de prata, e joias de ouro, e
vestes a Rebeca... ao seu irmão e a sua mãe.
24:54-61 De manhã, o servo de Abraão pediu a Betuel que
não o detivesse, atrasando o retorno a Abraão, embora
fosse costume gastar vários dias com os parentes da
família da esposa (Jz 19:8-10). A declaração de Rebeca: Eu
irei, expressou sua disposição para partir imediatamente,
e não sua aceitação do arranjo de casamento - isso já
estava decidido. Como presente de casamento, a família
deu a Rebeca sua ama, uma amável serva chamada Débora
(35:8) que a serviu por muitos anos. O clã também lhe deu
uma bênção profética, recomendando tanto fertilidade
quanto vitória para a sua descendência.
Gênesis 24:67
E eles comeram e beberam, ele e os homens
que estavam com ele e passaram toda a noite.
E se levantaram de manhã, e ele disse: Enviaime a meu senhor.
55
E o irmão dela e a sua mãe disseram: Deixa
que a donzela fique conosco alguns dias, pelo
menos dez, e depois disso, ela irá.
56
E ele lhes disse: Não me detenhais, vendo
que o Senhor tem prosperado o meu caminho.
Enviai-me para que eu possa ir ao meu senhor.
57
E eles disseram: Chamaremos a donzela, e
perguntaremos de sua boca.
58
E eles chamaram Rebeca, e lhe disseram: Tu
queres ir com este homem? E ela disse: Eu irei.
59
E eles enviaram Rebeca, sua irmã, e sua
ama, e o servo de Abraão, e seus homens.
60
E eles abençoaram Rebeca, e lhe disseram:
Tu és nossa irmã, seja a mãe de milhares de
milhões, e que a tua semente possua o portão
dos que te odeiam.
61
E Rebeca se levantou, e suas donzelas, e
montaram em seus camelos, e seguiram o homem. E o servo tomou Rebeca, e foi pelo seu
caminho.
62
E Isaque veio do caminho do poço
­Beer-Laai-Rói, pois ele habitava na terra do sul.
63
E Isaque saiu para meditar no campo ao
anoitecer. E ele levantou seus olhos, e viu, e
eis que os camelos estavam vindo.
64
E Rebeca levantou seus olhos, e quando ela
viu Isaque, desceu do camelo,
65
pois ela havia dito ao servo: Que homem é
este que anda no campo ao nosso encontro? E
o servo havia dito: É meu senhor. Por isso, ela
tomou um véu e se cobriu.
66
E o servo contou a Isaque todas as coisas
que ele havia feito.
67
E Isaque a levou para a tenda de Sara,
sua mãe, e tomou Rebeca, e ela se tornou sua
esposa. E ele a amou, e Isaque foi confortado
após a morte de sua mãe.
54
24:62-66 Após uma viagem de centenas de quilômetros
em lombo de camelo, a caravana voltou ao lar de Isaque.
Rebeca viu Isaque pela primeira vez no dia em que se
casou com ele. Como, aparentemente, era o costume no
dia do casamento, Rebeca se cobriu com um véu antes de
se encontrar com seu marido. Antes de apresentar Rebeca
a Isaque, o servo de Abraão contou a Isaque as coisas que
ele havia feito e o que Deus realizara para ele.
24:67 Como parte do ritual matrimonial, Isaque levou
Rebeca para a tenda que havia sido de sua mãe Sara.
Essa tenda seria agora o lar dela, e a distinguia como
a matriarca do clã, a mulher mais poderosa no grupo.
Ali Isaque e Rebeca consumaram o casamento. Tendo
esperado 40 anos para se casar, Isaque amou sua esposa
intensamente, e foi finalmente confortado após a morte de
sua mãe, que tinha ocorrido três anos antes (17:17; 23:1;
25:20).
52
Gênesis 25:1
25
Então Abraão tomou novamente uma
mulher, e o seu nome era Quetura.
2
E ela lhe gerou Zinrã, e Jocsã, e Medã, e
Midiã, e Jisbaque, e Suá.
3
E Jocsã gerou Seba e Dedã; e os filhos de
Dedã foram Assurim, e Letusim, e Leumim.
4
E os filhos de Midiã foram Efá, e Efer, e
Enoque, e Abida, e Elda. Todos estes foram
filhos de Quetura.
5
E Abraão deu tudo o que ele tinha para
Isaque.
6
Mas aos filhos das concubinas, que Abraão
tinha, Abraão deu presentes, e ainda em vida os
enviou para longe de seu filho Isaque, ao leste,
para a terra oriental.
7
E estes são os dias dos anos da vida de
Abraão, que ele viveu, cento e setenta e cinco
anos.
8
Então Abraão entregou o espírito, e morreu
em boa velhice, um homem velho, e cheio de
anos. E foi reunido ao seu povo.
9
E seus filhos, Isaque e Ismael, o sepultaram
na caverna de Macpela, no campo de Efrom,
filho de Zoar, o heteu, que está diante de Manre;
10
no campo que Abraão comprou dos filhos
de Hete, ali foi Abraão sepultado, e Sara, sua
esposa.
11
E aconteceu que, depois da morte de
Abraão, Deus abençoou seu filho Isaque, e
Isaque habitou junto ao poço Beer-Laai-Rói.
12
Agora, estas são as gerações de Ismael,
filho de Abraão, que Agar, a egípcia, serva de
Sara, gerou para Abraão,
13
e estes são os nomes dos filhos de
Ismael, pelos seus nomes, de acordo com
25:5 Gn 24:36
25:8 Gn 15:15;
Gn 35:29;
49:29,33
25:10 Gn 23:16
25:12 Gn 16:15
25:16 Gn 17:20
25:17 ver 8
25:18 Gn 16:12
25:20 Gn 24:29
25:23
Gn 27:29,40;
Ml 1:3;
Rm 9:11,12
25:1-4 Após a morte de Sara, Abraão tomou novamente
uma mulher na posição de concubina, Quetura. Em um
cumprimento parcial da promessa de Deus de que ele teria descendentes tão numerosos como as estrelas (15:5;
22:17), Abraão gerou mais seis filhos.
25:5-6 Abraão foi generoso com Isaque porque Quetura,
assim como Agar, era uma concubina. Ela e seus filhos
tinham uma posição inferior em relação a Sara e Isaque.
Portanto, Abraão somente deu presentes para os filhos de
Quetura, enquanto deu tudo o que ele tinha para Isaque.
Visto que Deus dera a terra de Canaã somente para os descendentes de Isaque, Abraão enviou os filhos de Quetura
na direção ao leste para a península Arábica.
25:7-10 Abraão viveu uns 37 anos após a morte de Sara
e morreu com a idade de cento e setenta e cinco anos. O
comentário do escritor bíblico de que Abraão foi reunido
ao seu povo sugere a antiga crença israelita em uma vida
após a morte. Os dois filhos mais velhos do patriarca, Isaque (agora com 75; ver 21:5) e Ismael (agora com 89; ver
16:16) assumiram a responsabilidade pelo sepultamento
de seu pai.
suas gerações: O primogênito de Ismael era
Nebaiote, e Quedar, e Adbeel, e Mibsão,
14
e Misma, e Dumá, e Massá,
15
e Hadade, e Tema, e Jetur, e Nafis, e
Quedemá.
16
Estes são os filhos de Ismael, e estes são
seus nomes, pelas suas aldeias, e pelas suas
fortalezas; doze príncipes de acordo com suas
nações.
17
E estes são os anos da vida de Ismael,
cento e trinta e sete anos, e ele entregou o
espírito e morreu, e foi reunido ao seu povo.
18
E eles habitaram desde Havilá até Sur, que
está em frente ao Egito, quando se vai para a
Assíria. E ele morreu na presença de todos os
seus irmãos.
19
E estas são as gerações de Isaque, filho de
Abraão; Abraão gerou Isaque.
20
E Isaque era da idade de quarenta anos
quando ele tomou como esposa Rebeca, filha
de Betuel, o sírio de Padã-Arã, irmã de Labão,
o sírio.
21
E Isaque intercedeu ao Senhor pela sua
esposa, porque ela era estéril. E o S enhor
ouviu a intercessão dele, e Rebeca, sua esposa,
concebeu.
22
E os filhos lutavam dentro dela, e ela disse:
Se é assim, por que sou eu assim? E ela foi
consultar ao Senhor.
23
E o Senhor lhe disse: Duas nações estão no
teu ventre, e dois tipos de povos se dividirão
das tuas entranhas; e um povo será mais forte
do que o outro povo, e o mais velho servirá ao
mais novo.
24
E cumprindo os seus dias para dar à Luz,
eis que havia gêmeos em seu ventre.
25:12-18 As gerações de Ismael, a sétima das onze seções
(Heb.) toledoth de Gênesis (ver nota em 5:1), complementa
a história da família de Isaque, filho de Abraão (25:19). A
condição inferior da linhagem familiar de Ismael é refletida
no tamanho relativamente pequeno da seção (7 versículos
contra 364 versículos) e na observação de que a mãe de
Ismael era Agar, a serva... de Sara, mãe de Isaque.
Ismael gerou 12 filhos, e todos eles se tornaram príncipes de acordo com suas nações. Seus povoados e acampamentos se estendiam de Havilá a Sur - a região entre o
atual canal de Suez e o Wadi el-Arish. Mais tarde, os seus
assentamentos, o mais conhecidos deles foi Quedar, se
estenderiam para o noroeste da península Arábica. Estes
se envolveriam em comércio de incenso. Durante os seus
cento e trinta e sete anos, Ismael também geraria duas
filhas, Maalate e Basemate (28:9; 36:3). De acordo com a
palavra profética (16:12), viveram em hostilidade contra todos os seus irmãos.
25:19 As gerações de Isaque, filho de Abraão, a oitava das
onze seções (Heb.) toledoth em Gênesis (ver nota em 5:1),
estende-se de 25:19 a 35:29.
53
E o primeiro saiu ruivo, todo ele peludo
como uma veste de pelo, e chamaram o seu
nome Esaú.
26
E depois dele veio seu irmão, e sua mão
segurou no calcanhar de Esaú, e seu nome
foi chamado Jacó. E Isaque era da idade de
sessenta anos quando ela os gerou.
27
E os meninos cresceram; e Esaú era um
caçador habilidoso, um homem do campo. E
Jacó era um homem simples, habitando em
tendas.
28
E Isaque amou Esaú, porque ele comia da
sua caça; mas Rebeca amou Jacó.
29
E Jacó cozeu um ensopado; e Esaú veio do
campo, e ele estava desfalecendo.
30
E Esaú disse a Jacó: Dá-me de comer, ­rogote, desse ensopado vermelho, pois eu estou
desfalecendo. Por isso, seu nome foi chamado
Edom.
31
E Jacó disse: Vende-me neste dia a tua
primogenitura.
32
E Esaú disse: Eis que eu estou a ponto de
morrer, de que me serve essa primogenitura?
33
E Jacó disse: Jura-me neste dia. E ele lhe
jurou, e vendeu sua primogenitura a Jacó.
34
Então Jacó deu a Esaú pão e ensopado de
lentilhas. E ele comeu e bebeu, e se levantou,
e foi pelo seu caminho. Assim Esaú desprezou
sua primogenitura.
E houve fome na terra, além da primeira
fome que houve nos dias de Abraão. E
Isaque foi a Abimeleque, rei dos filisteus, até
Gerar.
2
E o Senhor apareceu a ele, e disse: Não
desças ao Egito. Habita na terra que eu te direi.
25
25:25 Gn 27:11
25:26 Os 12:3;
Gn 27:36
25:33 Hb 12:16
26:1 Gn 12:10;
Gn 20:1
26:2 Gn 12:7;
Gn 12:1
26:3 Gn 12:2;
22:16-18;
Gn 12:7;
13:15
26:4 Gn 15:5;
22:17
26:7 Gn 12:13;
20:2,12
26:10 Gn 20:9
26
25:27-28 As diferenças entre Esaú e Jacó, já aparentes no
nascimento, tornaram-se mais pronunciadas à medida que
os meninos cresceram. Esaú era um caçador habilidoso,
um homem do campo, (lit. “homem de regiões rurais”);
Jacó era pacato (BKJ 1611: um homem simples) habitando
em tendas (lit. “morador de tendas”). As diferenças entre
os rapazes realçaram uma divisão entre os pais: Isaque,
até certo ponto, ele próprio um homem do campo (24:63),
amou seu filho rude Esaú, enquanto Rebeca amou seu
filho mais doméstico Jacó, e até o ensinou a cozinhar.
25:29-34 A conduta impaciente e cobiçosa de Esaú contrastava nitidamente com o caráter astuto e perspicaz de
Jacó. Esaú prontamente vendeu a sua primogenitura - o
direito do filho primogênito a uma porção dobrada (ou talvez de dois terços) da herança (Dt 21:17) - pela oportunidade de comer um pouco de ensopado vermelho. Em razão
de sua decisão fatal, Esaú recebeu o nome alternativo de
Edom (“Vermelho”), o qual seria tomado pelo grupo de
pessoas dele proveniente (32:3). E, uma vez que o fez jurar,
vendendo o seu direito de primogênito, a decisão não podia
ser anulada.
26:1-6 Isaque e seu clã experimentaram a segunda fome
registrada até aqui pela Bíblia (12:10). Para evitar os
efeitos da fome, Isaque buscou refúgio na região onde seu
Gênesis 26:11
Peregrina nesta terra, e eu serei contigo, e te
abençoarei; pois a ti, e à tua semente, eu darei
todas estas regiões. E eu farei o juramento que
jurei a Abraão, teu pai,
4
e eu farei tua semente multiplicar como as
estrelas do céu, e darei à tua semente todas estas
regiões. E em tua semente serão abençoadas
todas as nações da terra,
5
porque Abraão obedeceu à minha voz, e
guardou minha ordem, meus mandamentos,
meus estatutos e minhas leis.
6
E Isaque habitou em Gerar.
7
E os homens do lugar lhe perguntaram
acerca de sua esposa, e ele disse: Ela é minha
irmã, pois ele temia dizer: Ela é minha esposa;
para que, dizia ele, os homens do lugar não
me matem por causa de Rebeca, pois ela era
formosa à vista.
8
E aconteceu que, quando ele já estava lá
um longo tempo, Abimeleque, rei dos filisteus,
olhou pela janela e viu, e eis que Isaque estava
brincando com Rebeca, sua esposa.
9
E Abimeleque chamou Isaque, e disse: Eis
que ela certamente é tua esposa. E como tu
disseste: Ela é minha irmã? E Isaque lhe disse:
Porque eu disse: Para que eu não morra por
causa dela.
10
E Abimeleque disse: O que é isto que tu nos
fizeste? Alguém do povo poderia facilmente ter
deitado com tua mulher, e tu poderias ter trazido culpa sobre nós.
11
E Abimeleque ordenou a todo o seu povo,
dizendo: Quem tocar neste homem ou em sua
esposa certamente morrerá.
3
pai havia outrora vivido (20:1). O Abimeleque mencionado
nessa perícope pode ou não ser o mesmo com quem
Abraão negociou um tratado (21:27). O nome pode ter
sido dado a cada rei na sucessão dentro de uma família
dinástica. Isaque pode ter sido tentado a deixar a terra
assolada pela fome e descer ao bem regado Egito como
seu pai fizera (12:10), porém o Senhor o advertiu para que
não fizesse isso. Para herdar as promessas de semente,
terra, e a bênção que Deus tinha dado a Abraão, Isaque
teria que permanecer na terra mais um pouco, como um
estrangeiro.
26:7-11 Isaque deve ter tido que negociar com os filisteus
para desfrutar de determinados privilégios entre eles.
Como resultado, ele poderia ter que fornecer uma mulher
para o harém de alguém. Se a pessoa pedisse Rebeca (e
ela era, afinal de contas, a mulher mais importante no clã e
uma mulher formosa), Isaque poderia ser morto se ele se
recusasse. Consequentemente, Isaque, como Abraão antes
dele (12:13; 20:2), disse aos estranhos que sua mulher era
sua irmã. A mentira de Isaque foi descoberta quando ele foi
surpreendido brincando com Rebeca. Abimeleque, como
a autoridade suprema na região, chamou Isaque e pediu
explicações. Isaque moldou sua defesa segundo a de seu
pai (20:11). Ele temeu que pudesse ser morto por causa de
sua esposa.
54
Gênesis 26:12
Então Isaque semeou naquela terra, e
recebeu no mesmo ano cem vezes; e o Senhor
o abençoou.
13
E o homem se engrandeceu e foi adiante e
cresceu até ser muito grande.
14
Porque ele tinha posses de rebanhos, e
posses de gado, e uma grande quantidade de
servos; e os filisteus o invejaram.
15
Porquanto, todos os poços que os servos
de seu pai haviam cavado nos dias de Abraão,
seu pai, os filisteus haviam fechado e enchido
com terra.
16
E Abimeleque disse a Isaque: Sai de nós,
pois és muito mais poderoso do que nós.
17
E Isaque partiu dali, e armou sua tenda no
vale de Gerar, e habitou ali.
18
E Isaque cavou novamente os poços de
água que eles haviam cavado nos dias de
Abraão, seu pai; pois os filisteus os haviam
fechado depois da morte de Abraão. E ele
chamou os seus nomes segundo os nomes pelos
quais seu pai os havia chamado.
19
E os servos de Isaque cavaram no vale, e
encontraram ali um poço de águas correntes.
20
E os pastores de Gerar contenderam com
os pastores de Isaque, dizendo: A água é nossa.
E ele chamou o nome do poço Eseque, porque
contenderam com ele.
21
E eles cavaram um outro poço, e
contenderam por aquele também, e chamou o
nome dele Sitna.
22
E ele partiu dali e cavou outro poço, e por
aquele eles não contenderam, e chamou o nome
dele Reobote. E ele disse: Pois agora o Senhor
fez um lugar para nós, e seremos frutíferos na
terra.
23
E ele foi dali para Berseba.
12
26:12 ver 3
26:15 Gn 21:30
26:22 Gn 17:6
26:24 Gn 24:12;
Gn 17:7
26:25 Gn 12:7,8;
13:4,18; Sl 116:17
26:26 Gn 21:22
26:28 Gn 21:22
26:31 Gn 21:31
26:34 Gn 36:2
26:35 Gn 27:46
26:12-22 Porque o Senhor o abençou, Isaque obteve um espantoso sucesso como lavrador, alcançando o nível mais
alto de produtividade agrícola registrado na Bíblia (cp.
Mt 13:8). Os filisteus viam Isaque como um estrangeiro rico
com uma reputação de trapaceiro, e eles o queriam fora
da terra deles. Isaque aquiesceu, mudou-se para o vizinho
vale de Gerar, reabriu poços antigos que tinham sido entulhados e fez com que seus servos cavassem novos poços
para acomodar suas manadas e rebanhos sem ameaçar
os filisteus. Todavia, como nos dias de Abraão (Gn 21:25)
os contenciosos filisteus reivindicaram os direitos dos primeiros dois poços, dando origem aos nomes de “Eseque”
(Disputa) e “Sitna” (Hostilidade). Quando afinal os filisteus
não discutiram por causa de um poço, Isaque alegrou-se e
chamou o nome dele de Reobote (Espaços Abertos).
26:23-25 O clã de Isaque moveu-se cerca de 40 km a
sudeste, para Berseba, onde seu pai outrora havia vivido
(21:31). Naquela mes­ma noite... o Senhor lhe apareceu e
tranquilizou-o em um tempo em que os filisteus estavam
causando problemas. O Senhor estava com Isaque para
abençoá-lo e multiplicar-lhe os seus descendentes, de
acordo com as promessas de Deus a Abraão (15:5; 17:2;
E o Senhor lhe apareceu naquela mesma
noite, e disse: Eu sou o Deus de Abraão, teu
pai. Não temas, pois eu estou contigo, e te
abençoarei, e multiplicarei tua semente por
causa do meu servo Abraão.
25
E ele edificou um altar ali, e invocou o
nome do Senhor, e armou sua tenda ali, e ali
os servos de Isaque cavaram um poço.
26
Então, Abimeleque foi até ele de Gerar,
com Ausate, um de seus amigos, e Ficol, o
capitão-chefe de seu exército.
27
E Isaque lhes disse: Por que vindes a mim,
visto que vós me odiais, e me enviastes de vós?
28
E eles disseram: Vimos que certamente o
Senhor estava contigo, e dissemos: Que haja
agora um juramento entre nós, entre nós e ti, e
façamos um pacto contigo,
29
de que tu não nos farás mal, assim como
não te tocamos, e assim como fizemos a ti,
somente o bem, e te enviamos de nós em paz.
Tu és agora o bendito do Senhor.
30
E ele lhes fez um banquete, e eles comeram
e beberam.
31
E eles se levantaram cedo de manhã, e
juraram um ao outro. E Isaque os despediu, e
eles partiram dele em paz.
32
E aconteceu no mesmo dia que os servos
de Isaque vieram, e lhe falaram com respeito ao
poço que haviam cavado, e lhe disseram: Nós
encontramos água.
33
E ele chamou-o Seba. Por isso o nome da
cidade é Berseba até este dia.
34
E Esaú era da idade de quarenta anos quando ele tomou por mulher Judite, a filha de Beeri,
o heteu, e Basemate, filha de Elom, o heteu,
35
que foram uma amargura da alma para
Isaque e Rebeca.
24
22:17). Isaque foi o terceiro patriarca a construir um altar
(além de Noé, 8:20; e Abraão, 12:7-8; 13:18; 22:9).
26:26-29 Assim como ocorreu a Abraão (21:22-23), a bênção de Deus estava claramente presente na vida de Isaque.
Os líderes filisteus acreditavam que opor-se a Isaque era
atrair desgraça da parte de Deus e retaliações de membros do clã de Isaque que sentissem prejudicados. Sendo
assim, eles quiseram fazer um pacto com ele.
26:30-33 O fato de Isaque oferecer-lhes um banquete significava sua aceitação do tratado, o qual foi oficializado no
dia seguinte quando as partes juraram um ao outro de não
agressão. Nesse mesmo dia, os servos de Isaque lhe contaram do sucesso na escavação de um quinto poço, este agora
chamado Seba (Heb. shiva’h; “Sete”), semelhante à palavra
hebraica para juramento (shevua’), confirmando-se o nome
dado por Abraão para Berseba (21:31).
26:34-35 Esaú se casou com a mesma idade de seu pai
(25:20). Seus casamentos com duas hititas pagãs, Judite
(“Louvor”) e Basemate (“Bálsamo ou Especiaria”), expressavam ainda mais a sua natureza animalesca (ver nota em
25:27-28). As esposas de Esaú foram uma amargura da
alma para Isaque e Rebeca, muito provavelmente por serem contenciosas acerca da posição favorecida de Jacó.
55
27
E aconteceu que, quando Isaque era
velho e seus olhos estavam escuros, de
modo que ele não podia ver, ele chamou Esaú,
seu filho mais velho, e lhe disse: Meu filho; e
ele lhe disse: Eis que eu estou aqui.
2
E ele disse: Eis que agora eu estou velho, e
não sei o dia da minha morte.
3
Agora, portanto, rogo-te, toma as tuas
armas, tua aljava e o teu arco, e sai ao campo,
e ­traz-me alguma caça,
4
e faz-me uma carne saborosa, tal como eu
gosto, e traze-a para mim, para que eu possa
comer, para que a minha alma te abençoe antes
que eu morra.
5
E Rebeca ouviu quando Isaque falou com
Esaú, seu filho. E Esaú foi ao campo para caçar
alguma caça e trazê-la.
6
E Rebeca falou a Jacó, seu filho, dizendo:
Eis que eu ouvi teu pai falar com Esaú, teu
irmão, dizendo:
7
Traz-me uma caça, e faz-me uma carne
saborosa, para que eu coma e te abençoe diante
do Senhor antes da minha morte.
8
Agora, portanto, meu filho, obedece à minha
voz de acordo com o que eu te ordenar.
9
Vai agora ao rebanho e traz-me de lá das
cabras dois bons cabritos, e eu farei deles uma
carne saborosa para teu pai, tal como ele gosta.
10
E tu a levarás a teu pai, para que ele coma
e para que ele te abençoe antes da sua morte.
11
E Jacó disse a Rebeca, sua mãe: Eis que
Esaú, meu irmão, é um homem peludo, e eu
sou um homem liso;
12
se porventura meu pai me tocar, eu lhe
parecerei como um enganador, e eu trarei
maldição sobre mim, e não bênção.
13
E sua mãe lhe disse: Sobre mim esteja a tua
maldição, meu filho. Somente obedece à minha
voz, e vai, e traze-mos.
27:3 Gn 25:27
27:8 ver 13,43
27:11 Gn 25:25
27:12 ver 22
27:15 ver 27
27:19 ver 4
27:21 ver 12
27:23 ver 16
27:25 ver 4
27:1-4 Isaque agora estava com mais de 100 anos de idade (ver 25:26; 26:34). Apesar de ainda chegara viver até os
180 - pelo menos 20 anos além deste ponto (35:28) - Isaque poderia ter estado doente nesta ocasião, uma vez que
sua visão estava obviamente enfraquecida e ele ficou muito preocupado em abençoar Esaú, seu filho mais velho,
antes de morrer. A bênção dada por um patriarca de um
clã a seu herdeiro era de grande importância, pois conferia formalmente o direito de governar o clã após a morte
do patriarca. Assim, com o estabelecimento de um pacto
(26:28-30), uma bênção patriarcal era acompanhada por
uma deliciosa refeição.
27:5-17 Seguindo a tradição do Oriente Médio (18:9-10),
Rebeca não podia ficar na companhia imediata dos homens - até mesmo dos membros da família - que estavam conduzindo os negócios. Contudo, ela estava ouvindo
os homens de algum lugar próximo. Depois de saber das
intenções de Isaque para Esaú, Rebeca armou um esquema para arruinar os planos. Talvez ela fizesse isso por se
Gênesis 27:26
E ele foi, e buscou, e os trouxe à sua mãe.
E sua mãe fez uma carne saborosa, tal como
seu pai gostava.
15
E Rebeca tomou os melhores vestidos de
Esaú, seu filho mais velho, que estavam com
ela na casa, e as colocou sobre Jacó, seu filho
mais novo.
16
E ela colocou as peles dos cabritos sobre
as mãos dele, e sobre a lisura do seu pescoço.
17
E ela deu a carne saborosa e o pão que ela
havia preparado na mão de seu filho Jacó.
18
E ele foi a seu pai, e disse: Meu pai. E ele
disse: Aqui estou. Quem és tu, meu filho?
19
E Jacó disse a seu pai: Eu sou Esaú, teu
primogênito. Eu fiz de acordo como tu me
ordenaste. Levanta-te, rogo-te, senta-te e come
da minha caça, para que tua alma me abençoe.
20
E Isaque disse a seu filho: Como é que tu a
achaste tão rapidamente, meu filho? E ele disse:
Porque o Senhor, teu Deus, a trouxe a mim.
21
E Isaque disse a Jacó: Aproxima-te, ­rogote, para que eu possa sentir-te, meu filho, se tu
és verdadeiramente o meu filho Esaú ou não.
22
E Jacó se aproximou de Isaque, seu pai. E
ele o sentiu, e disse: A voz é a voz de Jacó, mas
as mãos são as mãos de Esaú.
23
E ele não o discerniu, porque suas mãos
eram peludas, como as mãos de seu irmão
Esaú, então ele o abençoou.
24
E ele disse: És tu verdadeiramente meu
filho Esaú? E ele disse: Eu sou.
25
E ele disse: Traze-a para perto de mim, e
eu comerei da caça de meu filho, para que a
minha alma possa te abençoar. E ele a trouxe
para perto dele, e ele comeu, e lhe trouxe vinho,
e ele bebeu.
26
E seu pai Isaque lhe disse: Aproxima-te
agora, e beija-me, meu filho.
14
lembrar da profecia de décadas passadas acerca de Jacó
dominando sobre seu irmão mais velho (25:23).
Com isto, a Bíblia descreve o quadro de uma família em
desordem: Rebeca usando o seu filho (não “filho deles”)
para destruir os planos de seu marido, e Jacó concordando
em mentir para seu pai, a fim de enganar também a seu
irmão. Disso resultou uma maldição de caráter inesperado
tanto para Jacó quanto para Rebeca: o esquema deles forçou Jacó a deixar seu pai e sua mãe (28:5), e a Bíblia não dá
qualquer indicação de que Rebeca tivesse visto novamente
seu filho favorito.
27:18-27a Isaque estava cego, mas ele ainda podia usar os
seus outros sentidos além de seu raciocínio. Para superar
isto, Jacó usou pelo menos cinco coisas diferentes para
enganar seu pai: peles de cabritos para fazer suas mãos
parecerem rudes e peludas (v. 23); o cabrito cozido que sua
mãe preparou (v. 25); as vestes de seu irmão a fim de cheirar como Esaú (v. 27); álcool para prejudicar o julgamento
de seu pai (v. 25); e, mentiras flagrantes (v.19,20,24). A artimanha de Jacó deu certo, uma vez que seu pai o abençoou.
56
Gênesis 27:27
E ele se aproximou, e o beijou. E ele cheirava o cheiro das suas vestes, e o abençoou, e
disse: Vê, o cheiro de meu filho é como o cheiro do campo que o Senhor abençoou.
28
Por isso, Deus te dê do orvalho do céu, e da
gordura da terra, e abundância de trigo e vinho.
29
Que povos te sirvam, e nações se curvem a
ti. Sê senhor sobre teus irmãos; e que os filhos
de tua mãe se curvem a ti. Maldito seja todo
o que te amaldiçoar, e bendito seja o que te
abençoar.
30
E aconteceu que, assim que Isaque havia
acabado de abençoar Jacó, e Jacó havia acabado de sair da presença de Isaque, seu pai, Esaú,
seu irmão, veio de sua caça.
31
E ele também havia feito uma carne saborosa, e a trouxe para o seu pai, e disse a
seu pai: Levanta-te, meu pai e coma da caça
de seu filho, para que a tua alma me abençoe.
32
E Isaque, seu pai, lhe disse: Quem és tu?
E ele disse: Eu sou teu filho, teu primogênito
Esaú.
33
E Isaque estremeceu excessivamente, e
disse: Quem? Onde está aquele que tomou
a caça, e a trouxe a mim, e eu comi de tudo
antes de tu vires, e o abençoei? Sim, e ele será
abençoado.
34
E quando Esaú ouviu as palavras de seu
pai, ele chorou com grande e amargo clamor,
e disse a seu pai: Abençoa-me também a mim,
ó meu pai!
35
E ele disse: Teu irmão veio com sutileza, e
tomou a tua bênção.
36
E ele disse: Não é o seu nome com razão
chamado Jacó? Pois ele me suplantou duas
vezes: ele tomou a minha primogenitura, e eis
que agora tomou a minha bênção. E ele disse:
Tu não reservaste uma bênção para mim?
37
E Isaque respondeu a Esaú: Eis que eu fiz
dele teu senhor, e todos os seus irmãos lhe dei
27
27:27 Hb 11:20;
Ct 4:11
27:28 Dt 33:13;
Dt 33:28
27:29 Is 49:7,23;
Gn 9:25;
25:23; Gn 12:3
27:31 ver 4
27:33 Gn 28:3,4;
Rm 11:29
27:34 Hb 12:17
27:36 Gn 25:26;
Gn 25:33
27:37 ver 28
27:38 Hb 12:17
27:39 ver 28
27:40 Gn 25:23;
2Rs 8:20‑22
27:43 Gn 11:31
27:46 Gn 26:35
28:1 Gn 24:3
27:27b-29 A bênção de Isaque incluiu quatro elementos:
prosperidade agrária (v. 28) - exatamente como Ele tinha
feito em favor de Isaque (26:12); respeito internacional e
sucesso (27:29); uma ordem instruindo Jacó a ser senhor
de todo o clã; e a transferência da protetora provisão de
maldição e bênção que outrora Deus havia dado a Abraão,
avô de Jacó (12:3).
27:31-38 Esaú aparentemente teve de acordar seu pai
cego, que a princípio estava confuso, mas estremeceu
excessivamente quando compreendeu que dera a uma
outra pessoa que não Esaú o direito de governar o clã. Esaú
reclamou de Jacó, afirmando que este o enganara duas
vezes: primeiro ganhando a porção dobrada da herança
(25:31-33) e, agora, a chefia do clã. Jacó (Heb. ha’aqov), cujo
nome soa semelhante às palavras que significam “engano”
(Heb. ‘aqevah) e “suplantar ou substituir” (Heb. ‘aqav), viveu
à altura de seu nome. Tendo perdido todas as bênçãos
desejáveis, Esaú implorou a seu pai que encontrasse um
modo de abençoá-lo também.
por servos; e com trigo e vinho o sustentei. E o
que farei agora a ti, meu filho?
38
E Esaú disse a seu pai: Tens somente uma
bênção, meu pai? Abençoa-me a mim também,
ó meu pai! E Esaú levantou sua voz e chorou.
39
E Isaque, seu pai, respondeu e lhe disse:
Eis que a tua habitação será da gordura da terra,
e do orvalho de cima do céu.
40
E por tua espada viverás, e servirás ao
teu irmão. E acontecerá que, quando tiveres
domínio, quebrarás o seu jugo do teu pescoço.
41
E Esaú odiou Jacó por causa da bênção
com que seu pai o abençoou. E Esaú disse em
seu coração: Os dias de luto pelo meu pai estão
próximos; então eu matarei o meu irmão Jacó.
42
E estas palavras de Esaú, seu filho mais
velho, foram relatadas a Rebeca. E ela enviou
e chamou Jacó, seu filho mais novo, e lhe disse:
Eis que teu irmão Esaú, no tocante a ti, está se
confortando, propondo matar-te.
43
Por isso, agora, meu filho, obedece à minha
voz e levanta-te; foge para Labão, meu irmão,
em Harã,
44
e fica com ele alguns dias, até que a fúria
de teu irmão passe,
45
até que a ira de teu irmão se afaste de ti, e
ele esqueça aquilo que tu fizeste a ele. Então
enviarei para te buscar de lá. Por que ficaria eu
privada de ambos em em um só dia?
46
E Rebeca disse a Isaque: Eu estou cansada
da vida por causa das filhas de Hete. Se Jacó
tomar uma mulher das filhas de Hete, como
estas que são as filhas da terra, que bem a vida
me fará?
E Isaque chamou Jacó e o abençoou,
e ordenou-lhe, dizendo: Não tomarás
mulher das filhas de Canaã.
2
Levanta-te, vai a Padã-Arã, à casa de Betuel,
pai de tua mãe, e toma mulher para ti, dentre as
filhas de Labão, irmão de tua mãe.
28
27:39-40 A resposta de Isaque para Esaú foi muito mais
curta do que a bênção de Jacó (21 contra 34 palavras hebraicas), e foi mais uma “anti-bênção”. Criando um irônico
trocadilho com frases da bênção de Jacó (v. 28), Isaque
declarou que Esaú viveria longe das terras férteis e do orvalho de cima do céu. Jacó seria “senhor” (v. 29), mas Esaú
serviria a seu irmão. Vivendo uma vida de violência pela
espada, o único consolo de Esaú era que, algum dia, ele
arrancaria o jugo de Jacó de seu pescoço.
27:41-46 Pela segunda vez neste capítulo, Rebeca intervém
para mudar o destino de Jacó. Seu último plano era para
Jacó ficar com seu tio Labão em Harã - a centenas de quilômetros de distância - até que passasse a fúria de Esaú. Caso
contrário, ela temia perder ambos filhos em um só dia - Jacó
por assassinato, Esaú por pena de morte (9:6). Esses alguns
dias, no entanto, veio a ser mais de 20 anos (31:38)!
28:1-2 Assim como Abraão na geração anterior, Isaque
também se preocupava com o fato de que seu filho mais
moço se casasse com mulher das filhas de Canaã.
57
E o Deus Todo-Poderoso te abençoe, e te faça frutífero, e te multiplique, para que tu possas
ser uma multidão de povos,
4
e te dê a bênção de Abraão, a ti, e a tua semente contigo, para que herdes a terra em que
és estrangeiro, que Deus deu a Abraão.
5
E Isaque enviou Jacó, e ele foi a Padã-Arã
até Labão, filho de Betuel, o sírio, o irmão de
Rebeca, mãe de Jacó e Esaú.
6
Quando Esaú viu que Isaque havia abençoado Jacó, e o enviara a Padã-Arã, para tomar uma
mulher de lá, e que quando ele o abençoou lhe
deu uma ordem, dizendo: Tu não tomarás mulher dentre as filhas de Canaã,
7
e que Jacó obedeceu ao seu pai e a sua mãe,
e foi para Padã-Arã,
8
Esaú vendo que as filhas de Canaã não
agradavam a Isaque, seu pai,
9
então, foi Esaú a Ismael, e tomou para ser
sua esposa, além das mulheres que ele tinha, a
Maalate filha de Ismael, filho de Abraão, irmã
de Nebaiote.
10
E Jacó saiu de Berseba, e foi em direção
a Harã.
11
E ele chegou a um certo lugar, e ali ficou
a noite toda, porque o sol estava posto, e ele
tomou umas pedras daquele lugar e a colocou
como seu travesseiro, e se deitou naquele lugar
para dormir.
12
E ele sonhou, e eis que uma escada estava
posta sobre a terra, e o seu topo alcançava
o céu, e eis que os anjos de Deus subiam e
desciam por ela.
13
E eis que o S enhor estava em pé acima
dela, e disse: Eu sou o S enhor Deus de
Abraão, teu pai, e o Deus de Isaque. A terra em
que estás deitado, darei a ti e à tua semente.
3
28:3 Gn 17:1;
Gn 17:6
28:4 Gn 12:2,3;
Gn 17:8
28:8 Gn 26:35
28:12 Jo 1:51
28:13 Gn 26:24;
Gn 13:15
28:14 Gn 26:4;
Gn 12:3; 18:18;
22:18; Gl 3:8
28:17 Êx 3:5;
Js 5:15
28:19 Jz 1:23,26
28:20 Gn 31:13;
ver 15
28:21 Jz 11:31;
Dt 26:17
28:22 Gn 35:7,14;
Gn 14:20; Lv 27:30
28:3-5 Antes da partida de Jacó, Isaque lhe concedeu
duas importantes bênçãos pactuais: descendência e terra. A bênção de ser frutífero fora dada anteriormente a
Adão (1:28), a Noé e a seus filhos (9:1,7), a Abraão (17:6),
e a Ismael (17:20). Isaque a invocou usando o nome
“El-Shaddai” (Deus Todo-Poderoso), um nome primeiro
revelado a Abraão (17:1; ver nota). A segunda bênção era
a posse da terra que Deus deu a Abraão, uma bênção que
somente o Eterno poderia conceder. Tendo recebido estas
bênçãos, Jacó partiu para o lar dos antepassados de sua
mãe em Padã-Arã.
28:6-9 Quando Esaú viu que seu pai Isaque não aprovava as duas mulheres cananeias com quem ele se casara
(26:34), ele não as despediu. Em vez disso, acrescentou outras, tomando sua prima Maalate... filha de Ismael como
sua terceira esposa. Maalate era também conhecida como
Basemate (36:3). Nebaiote, irmão de Maalate, era o primogênito de Ismael (1Cr 1:29).
28:10-15 Jacó partiu para o norte em uma viagem de 800
quilômetros até Harã. Ao fim de um de seus primeiros
dias, ele parou na região central da Palestina e acampou
ao ar livre. Nessa noite, Deus apareceu para ele. Talvez a
escada (uma melhor tradução seria “escadaria”) que ele
sonhou fosse uma versão sobrenatural da Torre de Babel
Gênesis 28:22
E tua semente será como o pó da terra, e
tu serás espalhado para o ocidente, e para o
oriente, e para o norte, e para o sul. E em ti e
em tua semente todas as famílias da terra serão
abençoadas.
15
E eis que eu estou contigo, e te guardarei
em todos os lugares aos quais tu fores, e te
trarei novamente a esta terra; pois eu não te
deixarei, até que eu tenha feito aquilo que eu
tenho falado.
16
E Jacó despertou de seu sono, e disse:
Certamente o Senhor está neste lugar, e eu não
o sabia.
17
E ele estava temeroso, e disse: Quão
terrível é este lugar! Este não é outro senão a
casa de Deus, e este é o portão do céu.
18
E Jacó levantou-se cedo de manhã, e tomou
a pedra que tinha posto como seu travesseiro,
e a colocou como um pilar, e derramou óleo
no topo dela.
19
E ele chamou o nome daquele lugar Betel;
mas no começo o nome daquela cidade era
chamada de Luz.
20
E Jacó jurou um juramento, dizendo: Se
Deus for comigo, e me guardar neste caminho
em que eu vou, e me der pão para comer, e vestes para vestir,
21
de modo que eu torne novamente à casa
de meu pai em paz, então que o Senhor seja
o meu Deus,
22
e esta pedra, que tenho posto como um
pilar, será a casa de Deus, e de tudo que tu me
deres eu certamente te darei o dízimo.
14
da humanidade (11:4), com anjos de Deus - e não seres
humanos pecadores - usando-a para se deslocarem do céu
para a terra. No sonho, o Senhor transferiu a Jacó todos os
elementos essenciais das promessas dadas originalmente
a Abraão e Isaque.
Todas as principais características da época de Abraão
incluem: a dádiva da terra (12:7; 13:17); a promessa de
uma descendência tão numerosa quanto o pó da terra (cp.
13:16); e povos sendo abençoados por intermédio de Jacó e
sua semente (cp. 12:3; 18:18). Assim como seu pai Isaque,
Deus prometeu que estaria com Jacó por onde quer que
ele andasse (26:24), e que o traria de volta para a terra
prometida.
28:16-19 Nenhuma outra pessoa no AT é registrada ungindo uma pedra sagrada – Jacó faria isso duas vezes (35:14).
O patriarca deu àquele lugar um novo nome, Betel (“Casa
de Deus”), designação que seria retida durante toda a história israelita (Jz 1:23; Ne 11:31).
28:20-22 Jacó é o único patriarca a fazer um juramento.
Embora suas palavras possam parecer interesseiras, o
juramento pode simplesmente conter um pedido para Deus
efetuar as implicações das promessas feitas no versículo
15. Anos mais tarde, ele confessaria que Deus havia de fato
cumprido os termos de Suas promessas (35:3).
58
Gênesis 29:1
29
Então, Jacó seguiu na sua jornada, e
veio à terra do povo do oriente.
2
E ele olhou, e eis um poço no campo, e eis
que ali havia três rebanhos de ovelhas deitados
junto a ele, porque daquele poço davam de
beber aos rebanhos, e uma grande pedra estava
sobre a boca do poço.
3
E ali estavam reunidos todos os rebanhos, e
removiam a pedra da boca do poço, e davam de
beber às ovelhas, e colocavam a pedra no lugar
novamente sobre a boca do poço.
4
E Jacó lhes disse: Meus irmãos, de onde
sois? E eles disseram: Nós somos de Harã.
5
E ele lhes disse: Conheceis Labão, filho de
Naor? E eles disseram: Nós o conhecemos.
6
E ele lhes disse: Ele está bem? E eles
disseram: Ele está bem. E eis que Raquel, sua
filha, está vindo com as ovelhas.
7
E ele disse: Eis que ainda é pleno dia, e
nem é tempo de reunir o gado; dai de beber às
ovelhas, e ide alimentá-las.
8
E eles disseram: Não podemos, até que
todos os rebanhos sejam reunidos, e até que
eles removam a pedra da boca do poço; então
damos de beber às ovelhas.
9
E enquanto ele ainda falava com eles, veio
Raquel com as ovelhas de seu pai, porquanto
ela as guardava.
10
E aconteceu que, quando Jacó viu Raquel,
a filha de Labão, irmão de sua mãe, e as ovelhas
de Labão, irmão de sua mãe, Jacó se aproximou
29:12 Gn 24:28
29:13 Gn 24:29
29:14 Jz 9:2
29:1-6 Jacó chegou a Harã depois de um tempo não
mencionado, e parou em um poço situado fora dos limites
da cidade. O poço era tapado por uma grande pedra para
protegê-lo de uso não autorizado e animais selvagens.
29:7-12 Prenunciando sua excepcional habilidade de
pastoreio (30:29-30), Jacó deu instruções aos pastores
locais quanto à maneira adequada deles realizarem o
’erets
Pronúncia hebraica
Tradução BKJ 1611
Usos em Gênesis
Usos no AT
Passagem foco
[E rets]
terra
311
2.505
Gênesis 28:4,12-14
‘Erets é um dos substantivos mais comuns e flexíveis do AT, cujos
significados parecem derivar da ideia de terra (Gn 2:5). Ela se refere muitas vezes a nações como a terra de Israel. ‘Erets denota
área, região, pátria, país, ou terra, a última de modo frequente em
conjunção com “céus” para representar o mundo inteiro (Gn 1:1;
20:1; 21:23; 30:25; 34:1). ‘Erets significa distrito (1Cr 13:2). Ela é o
solo (Lv 27:30) ou o pó (Jr 17:13), mas pode sugerir a produção da
terra (Lv 27:30). ‘Erets pode envolver distância (Gn 35:16), a superfície do chão (Jz 6:37), ou propriedade privada (Gn 23:15). ‘Erets
indica a terra (Sl 66:4) ou o mundo (Gn 41:57) como os habitantes
da terra. Ela descreve as profundezas da terra (Is 44:23) e, com
modificadores, embaixo da terra (Ez 26:20). “Povo da terra” pode
denotar da comunidade (Lv 4:27). “Campo da terra” indica campo
aberto (Lv 25:31).
e removeu a pedra da boca do poço, e deu de
beber ao rebanho de Labão, irmão de sua mãe.
11
E Jacó beijou Raquel, e levantando a voz,
chorou.
12
E Jacó contou a Raquel que ele era irmão
do pai dela, e que ele era filho de Rebeca; e ela
correu e contou a seu pai.
13
E aconteceu que, quando Labão ouviu as
notícias de Jacó, filho de sua irmã, ele correu
para encontrá-lo, e o abraçou, e o beijou, e o
trouxe para sua casa. E ele contou a Labão
todas estas coisas.
14
E Labão lhe disse: Certamente tu és meu
osso e minha carne. E ficou com ele por um período de um mês.
15
E Labão disse a Jacó: Porque tu és meu
irmão, deverias portanto servir-me por nada?
Dize-me, qual será o teu salário?
16
E Labão tinha duas filhas. O nome da
mais velha era Lia, e o nome da mais nova era
Raquel.
17
Lia era de olhos ternos, mas Raquel era
formosa e bem favorecida.
18
E Jacó amou Raquel, e disse: Eu te servirei
sete anos por Raquel, tua filha mais nova.
19
E Labão disse: É melhor que eu a dê a ti do
que dá-la a outro homem; habita comigo.
20
E Jacó serviu sete anos por Raquel; e estes
lhe pareciam apenas poucos dias, por causa do
amor que ele tinha por ela.
trabalho. A aparente preguiça dos pastores - ou fraqueza
- é sugerida por sua indisposição em remover a pedra da
boca do poço.
As ações de Jacó contrastaram nitidamente com a atitude dos pastores locais. Inspirado pela aparição de Raquel,
Jacó removeu sozinho a pesada pedra da boca do poço.
Sua ação de dar de beber ao rebanho de Labão, irmão de
sua mãe fazem lembrar a ação de sua mãe de dar de beber aos camelos de Abraão anos atrás (24:20). Raquel é
considerada a primeira pastora da Bíblia (cp. Êx 2:16). A
tarefa de pastorear rebanhos era normalmente concedida a homens. A primeira menção na Bíblia de um homem
beijando uma mulher ocorre em Gn 29:11. Atos como esse
não eram normalmente realizados em público.
29:13-20 No antigo Oriente Próximo, o ato de um homem
beijar outro homem em uma saudação significava aceitação ou respeito pela outra pessoa (27:27; 45:15; Êx 18:7;
1Sm 10:1). Labão chamou Jacó de sangue do meu sangue
e lhe deu o direito de ficar em sua casa permanentemente.
Jacó não era nem filho nem servo, portanto, era apropriado que se fizesse um arranjo que compensasse Labão por
suas provisões e Jacó por seu trabalho. Não era apropriado que Jacó trabalhasse por nada, e assim ficou acertado
que Jacó trabalharia sete anos pelo direito de se casar
com Raquel.
Este arranjo faz lembrar uma provisão da lei de Moisés
que permitia a alguns escravos que trabalhassem sete
anos por sua liberdade (Êx 21:2). Os homens não compravam a esposa no sentido estrito da palavra. Eles, entretanto, habitualmente pagavam o preço da noiva (Gn 34:12;
Êx 22:17; 1Sm 18:25) aos familiares de sua futura esposa
para compensá-los pelo cuidado e proteção oferecidos à
mulher antes de seu casamento.
59
E Jacó disse a Labão: Dá-me minha esposa,
pois os meus dias se cumpriram para que eu
entre a ela.
22
E Labão reuniu todos os homens do lugar,
e fez um banquete.
23
E aconteceu que, à tarde, ele tomou Lia,
sua filha, e a levou a ele, e ele entrou nela.
24
E Labão deu sua serva Zilpa por serva a
Lia, sua filha.
25
E aconteceu que, de manhã, eis que ela era
Lia. E ele disse a Labão: O que é isto que tu me
fizeste? Eu não te servi por Raquel? Por que então me enganaste?
26
E Labão disse: Não se deve fazer assim
na nossa terra, dar a mais nova antes da
primogênita.
27
Cumpre a semana dela, e nós te daremos
também esta pelo serviço com que tu servirás
comigo ainda outros sete anos.
28
E assim Jacó fez, e cumpriu a semana dela; e
ele lhe deu também por mulher Raquel, sua filha.
29
E Labão deu sua serva Bila por serva a
Raquel, sua filha.
30
E ele entrou também em Raquel, e ele
também amou Raquel mais do que Lia, e serviu
com ele ainda outros sete anos.
31
E quando o Senhor viu que Lia era odiada,
ele abriu seu ventre, mas Raquel era estéril.
32
E Lia concebeu, e gerou um filho, e ela
chamou o seu nome Rúben, pois ela disse:
Certamente o S enhor olhou para a minha
aflição, por isso agora o meu marido me amará.
33
E ela concebeu outra vez, e gerou um filho,
e disse: Porque o S enhor ouviu que eu era
odiada, por isso ele me deu também este filho,
e ela chamou o seu nome Simeão.
21
29:21 Jz 15:1
29:22 Jz 14:10;
Jo 2:1,2
29:25 Gn 12:18;
Gn 27:36
29:30 Gn 31:41
29:31 Dt 21:15-17;
Gn 11:30; 30:1;
Sl 127:3
29:32 Gn 16:11;
31:42
29:34 Gn 49:5‑7
29:35 Gn 49:8;
Mt 1:2,3
30:1 Gn 29:31;
1Sm 1:5,6
30:2 Gn 16:2;
29:31
30:3 Gn 16:2
30:4 Gn 16:3,4
30:9 ver 4
30:13 Lc 1:48
29:21-23 Jacó, agora com quase 50 anos de idade
(25:24-26; 26:34-35; 27:46), depois de trabalhar sete anos
para Labão, informou-o que era tempo de ele deitar-se
com Raquel. Preparando uma semana de núpcias, Labão
tratou de enganar o novo membro da família que havia ludibriado outra pessoa no passado (27:12-25,36). Ao invés
de entregar a esperada filha mais nova Raquel, Labão tomou Lia... e a levou a ele. Na escuridão da noite e com sua
noiva oculta por trás de um véu (24:65), Jacó não percebeu
a armadilha que seu sogro havia preparado para ele. Sendo assim, Jacó entrou em Lia.
29:31-35 O Senhor, que havia visto e provido as necessidades
de Agar anteriormente em seu tempo de agrura (16:13-14),
agora viu que Lia era odiada e ele abriu seu ventre. Em
uma sociedade onde o prestígio de uma mulher dependia
quase inteiramente de seu sucesso na geração de filhos, o
Senhor deu a Lia quatro rebentos antes dela parar de gerar
por algum tempo (31:17). Três temas estão presentes nos
comentários de Lia: sua convicção de que Deus lhe dera
estes filhos em resposta a sua aflição e sua condição de
odiada; sua expectativa de que tais nascimentos levassem
seu marido a apegar-se a ela; e seu louvor ao Senhor pelo
Gênesis 30:13
E ela concebeu outra vez, e gerou um
filho. E disse: Agora, desta vez o meu marido
se ajuntará a mim, porque lhe gerei três filhos,
por isso seu nome foi chamado Levi.
35
E ela concebeu outra vez, e gerou um filho. E
ela disse: Agora eu louvarei ao Senhor, por isso
ela chamou o seu nome Judá, e parou de gerar.
E vendo Raquel que não gerava filhos
a Jacó, Raquel teve inveja de sua irmã,
e disse a Jacó: Dá-me filhos, ou eu morrerei.
2
E se acendeu a ira de Jacó contra Raquel, e
ele disse: Estou eu no lugar de Deus, que de ti
reteve o fruto do útero?
3
E ela disse: Eis aí minha serva Bila; entra nela,
e ela gerará sobre os meus joelhos, para que eu
também possa ter filhos por meio dela.
4
E ela deu sua serva Bila a ele por mulher; e
Jacó entrou nela.
5
E Bila concebeu, e gerou um filho a Jacó.
6
E Raquel disse: Deus me julgou, e também
ouviu a minha voz, e me deu um filho; por isso
ela chamou o seu nome Dã.
7
E Bila, serva de Raquel, concebeu novamente, e gerou um segundo filho a Jacó.
8
E Raquel disse: Com grandes lutas eu tenho lutado com minha irmã, e eu prevaleci; e
ela chamou o seu nome Naftali.
9
Vendo Lia que ela tinha parado de gerar, ela
tomou sua serva Zilpa e a deu a Jacó por mulher.
10
E Zilpa, serva de Lia, gerou um filho a Jacó.
11
E Lia disse: Vem uma tropa; e ela chamou
o seu nome Gade.
12
E Zilpa, serva de Lia, gerou a Jacó um
segundo filho.
13
E Lia disse: Eu sou feliz, pois as filhas me
chamarão abençoada; e ela chamou seu nome
Aser.
34
30
que Ele lhe fizera. As explicações ligadas a cada nome dos
filhos não são etimologias linguísticas, mas explicações
com base em trocadilhos.
30:1-8 A extrema infelicidade de Raquel criou sérias tensões no casamento. Jacó a lembrou de que foi Deus, e não
ele, quem a impediu de ter filhos (lit. “um fruto do útero”).
Um alívio parcial veio através da prática da maternidade
substituta quando Raquel deu sua serva Bila a Jacó para
que ela tivesse filhos “sobre os joelhos [de Raquel]” (em
meu lugar). A expressão sugere que o processo de adoção
envolvia colocar a criança recém-nascida sobre os joelhos
da mãe adotiva (50:23). Quando Bila deu à luz Dã, Raquel
considerou que o Senhor lhe julgou. Quando Bila concebeu
novamente e deu à luz o segundo filho, Raquel, que havia
abertamente lutado com Deus e com Lia, achou que finalmente tinha prevalecido e vencido. Assim, deu o nome de
Naftali a seu segundo filho adotivo.
30:9-13 Lia, que antes tinha usado sua fertilidade para
tentar ganhar o amor de seu marido, agora recorreu à ação
desesperada de dar sua serva a Jacó por mulher substituta
para gerar mais filhos, Gade e Aser. Lia sinalizou a adoção
deles sendo a pessoa que lhes deu o nome.
60
Gênesis 30:14
E Rúben foi nos dias da colheita de trigo, e
encontrou mandrágoras no campo, e as trouxe à
sua mãe Lia. Então, Raquel disse a Lia: Dá-me,
rogo-te, das mandrágoras de teu filho.
15
E ela lhe disse: Seria pequena coisa que
tomaste o meu marido? Agora tomarias também
as mandrágoras de meu filho? E Raquel disse:
Ele poderá deitar-se contigo esta noite pelas
mandrágoras de teu filho.
16
E Jacó veio do campo à tarde, e Lia foi
ao seu encontro e disse: Tu deves entrar a
mim; porque certamente eu te aluguei pelas
mandrágoras de meu filho. E ele se deitou com
ela naquela noite.
17
E Deus ouviu a Lia, e ela concebeu e gerou
a Jacó o quinto filho.
18
E Lia disse: Deus me deu meu pagamento,
porque eu dei a minha serva a meu marido; e
ela chamou o seu nome Issacar.
19
E Lia concebeu novamente, e gerou a Jacó
o sexto filho.
20
E Lia disse: Deus me dotou com boa
dádiva; agora o meu marido habitará comigo,
porque lhe gerei seis filhos; e ela chamou o seu
nome Zebulom.
21
E depois ela gerou uma filha, e chamou o
seu nome Diná.
22
E Deus se lembrou de Raquel, e Deus a
ouviu, e abriu o seu útero.
23
E ela concebeu, e gerou um filho, e disse:
Deus removeu a minha vergonha.
24
E ela chamou o seu nome José, e disse: O
Senhor me acrescentará outro filho.
25
E aconteceu que, quando Raquel gerou José,
Jacó disse a Labão: Envia-me, para que eu possa
ir ao meu próprio lugar e à minha terra.
26
Dá-me minhas mulheres e meus filhos,
pelos quais eu te servi, e deixa-me ir, pois tu
sabes o serviço que eu tenho feito a ti.
14
30:22
1Sm 1:19,20;
Gn 29:31
30:23 Is 4:1;
Lc 1:25
30:24 Gn 35:17
30:25 Gn 24:54
30:26
Gn 29:20,30;
Os 12:12
30:27 Gn 26:24;
39:3,5
30:28 Gn 29:15
30:32 Gn 31:8,12
30:14-21 Durante a colheita da última primavera, Rúben,
o filho mais velho de Lia encontrou algumas mandrágoras agrestes. Pensava-se que a mandrágora, uma planta
de raízes tuberosas semelhantes a troncos humanos, aumentava a capacidade sexual e a fertilidade das pessoas.
Lia, ainda solitária e desesperada da afeição de seu marido, negociou algumas mandrágoras com Raquel, a esposa
favorita de Jacó, pelo direito de dormir com Jacó por uma
noite. Porque Deus ouviu Lia - e não por causa das mandrágoras - ela concebeu e ge­rou um quinto filho, Issacar.
Quando Lia concebeu novamente, e gerou a Jacó o sexto
filho... Zebulom - seu último - ela deu o crédito a Deus.
Diná, a única filha mencionada de Jacó, haveria de desempenhar um papel trágico no capítulo 34.
30:22-24 Pela terceira vez em Gênesis, é dito que Deus se
lembrou de alguém (cp. 8:1; 19:21) – um evento que sempre indica o começo de uma ação do Senhor em benefício
de alguém. Neste caso, Ele deu a Raquel seu filho primogênito, José, cujo nome (Heb. yoseph) é, na verdade, um
verbo que expressava as solícitas expectativas de Raquel
- “Que Ele [o Senhor] acrescente” outro filho. O Senhor
concederia o que Raquel desejava, mas com amargos resultados (35:16-19).
E Labão lhe disse: Peço-te, se encontrei
favor aos teus olhos, fica; pois eu tenho
aprendido por experiência que o Senhor me
abençoou por tua causa.
28
E ele disse: Determina o teu salário, e eu
o darei.
29
E ele lhe disse: Tu sabes como eu te servi,
e como teu gado estava comigo.
30
Porque era pouco o que tinhas antes
da minha vinda, e agora cresceu para uma
multidão; e o S enhor te abençoou desde a
minha vinda. E agora, quando deverei prover
também para a minha casa?
31
E ele disse: O que eu te darei? E Jacó disse:
Tu não me darás nada. Se fizeres esta coisa por
mim, eu alimentarei e guardarei o teu rebanho
novamente.
32
Passarei por todo o teu rebanho hoje, removendo dele todo o gado salpicado e malhado, e todos os marrons entre as ovelhas, e o salpicado e malhado entre as cabras, e de tais será o meu salário.
33
Assim, a minha justiça responderá por mim
no tempo vindouro, quando vieres ver o meu
salário diante da tua face; todo o que não for
salpicado ou malhado entre as cabras, e marrom
entre as ovelhas, isto será contado como furto
comigo.
34
E Labão disse: Eis que possa ser conforme
a tua palavra.
35
E ele separou naquele dia os bodes que
eram listrados e malhados, e todas as cabras que
eram salpicadas e malhadas, e tudo que tinha
algum branco, e tudo o que era marrom entre
as ovelhas, e os deu nas mãos de seus filhos.
36
E ele estabeleceu três dias de jornada entre
si e Jacó, e Jacó alimentava o restante dos
rebanhos de Labão.
27
30:25-36 Jacó, agora com uma dúzia de filhos e quatro
esposas, mas pouca coisa além disso, pediu liberação de
suas responsabilidades na casa de Labão para que pudesse retornar à sua terra natal, onde ele poderia ser o chefe
de um rico clã. Apesar de Jacó ser pobre, o patrimônio
de Labão cresceu para uma mul­tidão, porque o Senhor o
abençoou por intermédio do patriarca, exatamente como
o Senhor prometera tempos antes (28:14). Labão, que tinha descoberto por meio da prática proibida de adivinhação (Lv 19:26) que Deus o abençoou por... causa de Jacó,
percebia as grandes vantagens de manter Jacó por perto,
assim ele ofereceu pagar a Jacó o salário que seu sobrinho lhe dissesse.
Jacó pediu duas coisas: o direito de continuar a cuidar
dos... rebanhos de Labão, e todas as ovelhas e cabras
de Labão que tivessem marcas raras e incomuns. Labão
prontamente concordou com os termos e praticamente
assegurou o fracasso financeiro de Jacó ao remover dos
rebanhos todo animal que possuísse as características
que Jacó especificara. Para garantir que o patriarca não
os usasse, ele os afastou à distância equivalente a três
dias de viagem - 65 a 80 quilômetros - e os deu nas mãos
de seus filhos.
61
E Jacó tomou para si varas verdes de álamo,
e de aveleira, e de castanheiro, e descascou
nelas riscas brancas, e fez aparecer o branco
que estava nas varas.
38
E colocou as varas que havia descascado
diante dos rebanhos nos cochos e nos bebedouros aonde os rebanhos vinham para beber, para
que concebessem quando viessem para beber.
39
E os rebanhos concebiam diante das varas,
e davam crias listradas, salpicadas e malhadas.
40
E Jacó separou os cordeiros, e colocou as
faces do rebanho para os listrados, e todo marrom no rebanho de Labão. E ele separou seus
próprios rebanhos, e não os colocou entre o rebanho de Labão.
41
E aconteceu que, quando o rebanho forte
concebia, Jacó colocava as varas diante dos
olhos do rebanho nos bebedouros, para que eles
pudessem conceber entre as varas.
42
Mas quando o rebanho era fraco, ele não
os colocava. Assim os fracos eram de Labão, e
os fortes de Jacó.
43
E o homem cresceu grandemente, e possuía
muitos rebanhos, e servas, e servos, e camelos,
e jumentos.
E ele ouviu as palavras dos filhos de
Labão, dizendo: Jacó tomou tudo que
37
Gênesis 31:11
30:43 Gn 12:16;
13:2; 24:35;
26:13,14
31:3 Gn 32:9;
Gn 21:22;
26:3; 28:15
31:5 Gn 21:22;
26:3
31:6 Gn 30:29
31:7 ver 41
31:8 Gn 30:32
31
30:37-43 Jacó iniciou um esforço de seis anos (31:41) para
aumentar o seu patrimônio às custas de Labão. Durante
esse período ele usou pelo menos três diferentes técnicas
para fazer com que os rebanhos produzissem ovelhas e
cabras que ele pudesse reter: (1) ele separou os animais
fortes dos fracos, e usou apenas os fortes para os seus
propósitos de reprodução; (2) ele colocou as varas que
havia descascado diante dos rebanhos nos cochos e nos
bebedouros onde os rebanhos se acasalavam; e (3) ele fez
com que os rebanhos ficassem juntos dos animais listrados e pretos de Labão. Posto que as duas últimas práticas
não possuam valor científico, o próprio Deus (31:7-8,42) e
o Anjo do Senhor (31:11-12) fizeram Jacó se tornar extremamente rico.
31:1-3 O surpreendente sucesso do patriarca criou um
profundo ressentimento nos filhos de Labão. Os prejuízos
de seu pai significavam menos herança para eles. Isso
também mudou o semblante de Labão ao ponto de Jacó
era de nosso pai; e do que era do nosso pai ele
obteve toda a sua glória.
2
E Jacó viu o semblante de Labão, e eis que
não era para com ele como antes.
3
E o Senhor disse a Jacó: Volta à terra de teus
pais, e à tua parentela, e eu serei contigo.
4
E Jacó enviou e chamou Raquel e Lia para
o campo para o seu rebanho,
5
e lhes disse: Eu vejo o semblante do vosso
pai, que não é para comigo como antes, mas o
Deus de meu pai tem estado comigo.
6
E vós sabeis que, com todas as minhas
forças eu tenho servido a vosso pai.
7
E vosso pai me enganou, e mudou meu
salário dez vezes; Deus, porém, não lhe
permitiu ferir-me.
8
Se ele dizia: Os salpicados serão teu salário,
então todo o rebanho dava crias salpicadas. E
se ele dizia: Os listrados serão teu salário, então
todo o rebanho dava crias listradas.
9
Então Deus tomou o rebanho de vosso pai,
e o tem dado a mim.
10
E aconteceu nesse tempo que o rebanho deu
cria, eu levantei meus olhos, e vi em um sonho,
e eis que os carneiros que montavam sobre o
rebanho eram listrados, salpicados e malhados.
11
E o anjo de Deus falou comigo em um
sonho, dizendo: Jacó; e eu disse: Aqui estou.
não mais se sentir bem-vindo. Como a situação cada vez
mais se deteriorava, o Senhor deu a Jacó uma ordem e uma
promessa: ele deveria voltar para o seu clã e para a terra
prometida a seu avô (12:7), fortalecido com a certeza de
que o Senhor estaria com ele.
31:4-16 Jacó apresentou a Raquel e Lia três razões para
fazerem uma grande mudança para longe do único lar que
elas conheceram, até uma terra que nunca tinham visto: (1)
Labão, o pai delas, mostrava um semblante desfavorável
para com Jacó; (2) Labão não agia com ética nos negócios,
pois Jacó enganou e mudou o seu salário dez vezes - quase
toda vez que uma nova geração de ovelhas e cabras nascia
(deve ter havido cerca de 14 ciclos de reprodução para as
ovelhas em seis anos); e (3) mais importante de tudo, o
Deus que tomou o rebanho do pai delas e os deu a Jacó
estava agora ordenando que ele voltasse à terra de sua
parentela. Raquel e Lia concordaram com a ideia, uma vez
que seu pai as tratava como “forasteiras” (estrangeiras).
Família de Jacó
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G 29:
Gn
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Gn 30:
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62
Gênesis 31:12
E ele disse: Levanta teus olhos agora e vê;
todos os carneiros que montam sobre o rebanho
são listrados, salpicados e malhados; pois eu tenho visto tudo o que Labão faz contigo.
13
Eu sou o Deus de Betel, onde tu ungiste o
pilar, e onde juraste um juramento para mim.
Agora, levanta-te, vai-te desta terra e volta à
terra de tua parentela.
14
E Raquel e Lia responderam e lhe disseram:
Ainda há alguma porção de herança para nós na
casa de nosso pai?
15
Não somos por ele consideradas como
estrangeiras? Pois ele nos vendeu, e devorou
também o nosso dinheiro.
16
Porque todas as riquezas que Deus tomou
de nosso pai é nossa, e de nossos filhos. Agora,
então, tudo quanto Deus te disse, faze-o.
17
Então, Jacó se levantou, e pôs seus filhos e
mulheres sobre camelos,
18
e ele levou todo o seu rebanho, e todos os
seus bens que havia obtido, o rebanho de sua
possessão, que havia obtido em Padã-Arã, para
ir a Isaque, seu pai, na terra de Canaã.
19
E Labão foi tosquiar suas ovelhas; e Raquel
havia furtado as imagens que eram de seu pai.
20
E Jacó ocultou a Labão, o sírio, a notícia
de sua partida.
21
Assim ele fugiu com tudo o que tinha, e
se levantou e cruzou o rio, e pôs a sua face em
direção ao monte Gileade.
22
E ao terceiro dia, foi declarado a Labão que
Jacó havia fugido.
23
E ele tomou seus irmãos consigo, e o
perseguiu numa jornada de sete dias; e eles o
alcançaram no monte Gileade.
24
E Deus veio a Labão, o sírio, em um sonho
à noite, e lhe disse: Fique atento para que tu não
fales a Jacó nem bem nem mal.
25
Então Labão alcançou Jacó. Ora, Jacó havia
armado sua tenda no monte, e Labão com seus
irmãos armaram no monte Gileade.
12
31:12 Êx 3:7
31:13
Gn 28:10‑22
31:15 Gn 29:20
31:18 Gn 35:27
31:19 ver 30,32,
34, 35; Gn 35:2;
Jz 17:5; 1Sm 19:13;
Os 3:4
31:20 Gn 27:36
31:24 Gn 20:3;
Gn 24:50
31:28 ver 55
31:30 ver 19
31:32 Gn 44:9
31:35 Lv 19:3,32
31:17-21 Jacó agora começou a viagem de volta para ir a
Isaque, seu pai, na terra de Canaã. Embora não menos que
20 anos atrás ele saísse de lá sozinho e sem posses, agora
voltava com uma família e com uma abundância de bens.
Exatamente como Jacó “roubou o coração de” (enganou
a) Labão ao sair secretamente, sua esposa Raquel havia
furtado as imagens que eram de seu pai. (Heb. teraphim).
O grupo cruzou o Eufrates na atual Síria, e então foi em
direção ao monte Gileade (parte da atual Jordânia) ao sul.
31:22-30 Informado da partida secreta de Jacó, Labão
juntou um bando e saiu em busca do grupo. Labão pretendia prejudicar Jacó, provavelmente por acreditar que o
patriarca tinha furtado os seus deuses, mas o Deus de seu
pai cumpriu a promessa de proteção feita 20 anos antes
(28:15), e falou com Labão em um sonho para ele não fazer
mal a Jacó. Labão estava frustrado não somente por ter
perdido os seus deuses do lar, mas porque não tivera a
oportunidade de beijar seus filhos e suas filhas para despedir-se deles com uma alegre celebração.
E Labão disse a Jacó: O que fizeste, para
fugir às escondidas e conduzir minhas filhas,
como cativas à espada?
27
Por que tu fugiste em segredo e escondeste
de mim, e não me contaste, para que eu pudesse
te enviar com alegria, e com cânticos, com
tamboril, e com harpas?
28
E não me permitiste beijar meus filhos e
minhas filhas? Agiste como um insensato ao
fazer assim.
29
Está no poder da minha mão te fazer mal;
mas o Deus de teu pai falou comigo ontem à
noite, dizendo: Fique atento para que tu não
fales a Jacó nem bem nem mal.
30
E agora, se decidiste ir-te pelo muito que
anelas pela casa de teu pai, contudo por que tu
furtaste meus deuses?
31
E Jacó respondeu e disse a Labão: Por­que
eu tive medo. Pois eu disse: E se porventura
tomasses à força tuas filhas de mim?
32
Com quem encontrares os teus deuses,
que este não viva. Diante de nossos irmãos,
discerne o que é teu comigo, e toma-o a ti.
Porque Jacó não sabia que Raquel os tinha
furtado.
33
E Labão foi à tenda de Jacó, e à tenda de
Lia, e às tendas das duas servas, mas não os encontrou. Então ele saiu da tenda de Lia, e entrou na tenda de Raquel.
34
Ora, Raquel havia tomado as imagens, e
as tinha colocado na albarda de um camelo, e
estava sentada sobre elas. E Labão buscou em
toda a tenda, mas não as encontrou.
35
E ela disse a seu pai: Não se aborreça o
meu senhor que não posso levantar-me perante
ti, pois o costume das mulheres está sobre mim.
E ele procurou, mas não encontrou as imagens.
36
E Jacó irou-se e contendeu com Labão.
E Jacó respondeu e disse a Labão: Qual é a
minha transgressão? Qual é o meu pecado,
que tão furiosamente me tens perseguido?
26
31:31-35 Jacó estava compreensivelmente com medo de
que Labão o tratasse como um escravo e tirasse suas mulheres à força (Êx 21:3-4). Sem saber o que sua esposa
favorita fizera, Jacó prometeu morte para a pessoa que
estivesse com os deuses domésticos de Labão. Tão astuta
e enganadora como seu pai Labão, Raquel impediu que ele
lhe vasculhasse a sela alegando que ela estava com o costume das mulheres. Durante essa fase do ciclo menstrual
de uma mulher, qualquer coisa sobre a qual ela se sentasse ficava cerimonialmente impura e não devia ser tocada
pelos outros (Lv 15:26).
31:36-43 Jacó desabafou sua fúria reprimida como uma
torrente em cima de Labão, mencionando sete maneiras
nas quais ele tinha ajudado seu sogro e trabalhado abnegadamente em seu benefício. Em seguida, Jacó confessou
que Yahweh, o Deus de seu avô Abraão, alternadamente
conhecido como o temor de Isaque (o único uso deste termo na Bíblia), viu a sua aflição, o protegeu da ruína financeira, e manifestou uma decisão em seu favor.
63
Enquanto buscaste em todas as minhas coisas,
o que achaste de todas as coisas da tua casa? Põeno aqui diante de meus irmãos e teus irmãos, para
que eles possam julgar entre nós dois.
38
Estes vinte anos eu tenho estado contigo;
tuas ovelhas e tuas cabras não abortaram suas
crias, e eu não comi os carneiros do teu rebanho.
39
O que foi despedaçado pelos animais eu
não trouxe a ti; eu carreguei a perda disso. Da
minha mão o requerias, se furtado de dia ou
furtado de noite.
40
Assim fui eu. Durante o dia a seca me consumia, e a geada de noite, e o meu sono fugia
dos meus olhos.
41
Assim eu estive vinte anos na tua casa. Eu
te servi catorze anos pelas tuas filhas, e seis
anos pelo teu rebanho, e tu mudaste o meu salário dez vezes.
42
Se o Deus de meu pai, o Deus de Abraão, e o
temor de Isaque não estivesse comigo, certamente
tu me terias enviado embora vazio. Deus viu a
minha aflição e o trabalho das minhas mãos, e te
repreendeu ontem à noite.
43
E Labão respondeu e disse a Jacó: Estas filhas são minhas filhas, e estes filhos são meus
filhos, e esse rebanho é meu rebanho, e tudo o
que tu vês é meu. E o que eu posso fazer hoje a essas minhas filhas, ou aos seus filhos que
elas geraram?
44
Portanto, vem agora e façamos um pacto, eu
e tu, e que isto seja por testemunha entre mim e ti.
45
E Jacó tomou uma pedra, e a colocou por
pilar.
46
E Jacó disse a seus irmãos: Ajuntai pedras;
e eles tomaram pedras e fizeram um montão; e
eles comeram ali sobre o montão.
47
E Labão o chamou Jegar-Saaduta, mas Jacó
o chamou Galeede.
48
E Labão disse: Este montão é uma testemunha entre mim e ti neste dia. Por isso, foi o nome dele chamado Galeede,
49
e Mispá, pois ele disse: O Senhor observe
entre mim e ti, quando nos apartarmos um do
outro.
37
31:37 ver 23
31:39 Êx 22:13
31:41 Gn 29:30;
ver 7
31:42 ver 53;
Gn 29:32
31:44 Gn 21:27;
26:28; Js 24:27
31:45 Gn 28:18
31:49 Jz 11:29;
1Sm 7:5,6
31:50 Jr 29:23;
42:5
31:53 Gn 16:5;
ver 42
32:3 Gn 25:30;
36:8,9
32:5 Gn 12:16;
30:43;
Gn 33:8,10,15
32:6 Gn 33:1
31:44-55 Para encerrar a disputa, Labão propôs que ele
e Jacó fizessem um pacto que trouxesse paz e uma separação entre os ramos israelita (Jacó) e arameu (Labão)
do clã de Terá. Na tradição clássica de tratados do antigo
Oriente Próximo, o evento do estabelecimento de um pacto consistia na construção de uma coluna sagrada e um
monte de pedras (Jegar-Saaduta, ou Galeede [“Monte de
Pedras do Testemunho”]); na invocação de testemunhas (o
pacto em si, o pilar, e o monte de pedras); em uma refeição
cerimonial preliminar; na expressão dos termos pactuais;
na invocação das divindades que supervisionariam o pacto
(o Deus de Abraão, o Deus de Naor); e por meio de uma
refeição cerimonial final.
32:1-2 Pela segunda vez durante uma viagem, Jacó viu
anjos de Deus (cp. 28:12). Como antes, ele deu nome ao
Gênesis 32:8
Se tu afligires minhas filhas, ou se tomares outras mulheres além das minhas filhas, nenhum homem está conosco. Vê, Deus é testemunha entre mim e ti.
51
E Labão disse a Jacó: Vê este montão, e
olha para este pilar, que tenho erigido entre
mim e ti.
52
Este montão seja testemunha, e este pilar
seja testemunha, de que eu não passarei deste
montão a ti, e que tu não passarás deste montão
e deste pilar até mim, para o mal.
53
O Deus de Abraão, e o Deus de Naor, o
Deus do seu pai julgue entre nós. E Jacó jurou
pelo temor do seu pai Isaque.
54
Então, Jacó ofereceu sacrifício sobre o monte, e chamou seus irmãos para comer pão, e eles
comeram pão, e ficaram a noite toda no monte.
55
E cedo de manhã Labão levantou-se, e
beijou seus filhos e suas filhas, e os abençoou, e
Labão partiu, e retornou ao seu lugar.
E Jacó foi no seu caminho, e os anjos de
Deus o encontraram.
2
E quando Jacó os viu, ele disse: Este é o
exército de Deus. E ele chamou o nome do
lugar Maanaim.
3
E Jacó enviou mensageiros adiante dele a
Esaú, seu irmão, à terra de Seir, região de Edom.
4
E ele lhes ordenou, dizendo: Assim falareis
a meu senhor Esaú: Teu servo Jacó diz assim:
Eu habitei como peregrino com Labão, e fiquei
lá até agora.
5
E eu tenho bois, e jumentos, rebanhos, e servos, e servas. E eu enviei para dizer a meu senhor para que eu encontre graça aos seus olhos.
6
E os mensageiros retornaram a Jacó,
dizendo: Nós chegamos ao teu irmão Esaú,
e ele também vem para te encontrar, e
quatrocentos homens com ele.
7
Então Jacó ficou muito amedrontado e
angustiado, e ele dividiu em dois bandos o
povo que estava com ele, e os rebanhos, e o
gado, e os camelos,
8
e ele disse: Se Esaú vier a um bando e o ferir,
então o outro bando que sobrar escapará.
50
32
lugar onde os encontrou. Neste caso, ele o chamou de
Maanaim, “Dois Acampamentos”, provavelmente em reconhecimento ao fato de que pessoas e anjos estiveram no
mesmo local.
32:3-12 Lembrando-se das ameaças de morte de Esaú de
20 anos passados (27:41-42), Jacó fez agora um esforço
especial para obter o favor de seu irmão com a ajuda de
mensageiros. A primeira ponta de sua estratégia era verbal: Jacó instruiu os seus mensageiros a chamarem Esaú
de senhor e ele próprio de teu servo, honrando assim a
posição de Esaú como primogênito - mesmo que anteriormente ele tivesse tomado de Esaú o direito de primogenitura e a bênção. Jacó também se assegurou de ser ele o
primeiro a iniciar o contato entre os irmãos, para que Esaú
o recebesse bem.
64
Gênesis 32:9
E Jacó disse: Oh! Deus de meu pai Abraão,
e Deus de meu pai Isaque, o Senhor que disse
a mim: Torna à tua terra, à tua parentela, e eu
te tratarei bem.
10
Eu não sou digno da menor de todas as
misericórdias, e de toda a verdade, que tu tens
mostrado ao teu servo, porque com meu cajado
passei este Jordão, e agora eu me tornei dois
bandos.
11
Livra-me, rogo-te, da mão de meu irmão, da
mão de Esaú, porque eu o temo, para que ele não
venha e me fira, e a mãe com os filhos.
12
E tu disseste: Eu certamente te farei bem,
e farei tua semente como a areia do mar, que
não pode ser enumerada por ser uma multidão.
13
E ele pernoitou ali aquela mesma noite, e
tomou do que veio à sua mão por presente para
Esaú, seu irmão:
14
duzentas cabras e vinte bodes, duzentas
ovelhas e vinte carneiros,
15
trinta camelas de leite com suas crias,
quarenta vacas e dez novilhos, vinte jumentas
e dez jumentinhos.
16
E ele os entregou na mão de seus servos,
cada rebanho à parte, e disse a seus servos:
Passai adiante de mim, e deixai espaço entre
rebanho e rebanho.
17
E ele ordenou ao primeiro, dizendo:
Quando Esaú, meu irmão, te encontrar e te
perguntar, dizendo: De quem és tu? E para onde
vais? E de quem são estes diante de ti?
18
Então tu dirás: Eles são de teu servo Jacó.
É um presente enviado ao meu senhor Esaú; e
eis que ele também está atrás de nós.
19
E assim ele ordenou ao segundo, e ao
terceiro, e a todos os que seguiram os rebanhos,
dizendo: Desta maneira falareis a Esaú, quando
o encontrardes.
9
32:9 Gn 31:13
32:10 Gn 24:27
32:11 Gn 27:41
32:12 Gn 28:1315; Os 1:10
32:13
Gn 43:11,15,
25,26; Pv 18:16
32:22 Dt 2:37;
3:16
32:26 Os 12:4
32:28 Gn 17:5;
35:10
32:30 Gn 16:13;
Êx 24:11;
Jz 6:22
A fim de se preparar para a futura confrontação com
seu irmão, Jacó fez duas coisas: primeiro, dividiu seu grupo em dois de maneira que pelo menos alguns dos seus
pudessem escapar, em caso de necessidade; segundo,
fez uma oração com três elementos: admitiu que não era
digno das muitas bênçãos que Deus lhe tinha dado; pediu
livramento; e fez menção das promessas de Deus de fazer
Jacó prosperar e multiplicar.
32:13-21 Jacó, que, no passado, havia sido tão habilidoso para tirar dos outros, agora tomou providência para
dar um generoso presente para Esaú, seu irmão. Só depois que Esaú tivesse recebido todas as dádivas, Jacó iria
encontrá-lo.
32:22-23 Como medida final de proteção própria naquela
noite, Jacó colocou mais uma barreira entre ele e Esaú,
fazendo sua família e suas posses cruzarem o Jaboque,
um tributário que fluía para o oeste e desaguava no rio
Jordão a 24 quilômetros ao norte do Mar Morto. Talvez Jacó
acreditasse que Esaú teria compaixão de suas mulheres e
crianças, e assim encerrasse sua perseguição.
E dizei além disso: Eis que teu servo Jacó
está atrás de nós. Porque ele disse: Eu vou
­apaziguá-lo com o presente que vai adiante de
mim, e depois eu verei a sua face, porventura
ele me aceitará.
21
Assim foi o presente antes dele, e ele mesmo
pernoitou aquela noite no acampamento.
22
E ele levantou-se naquela noite, e tomou
suas duas mulheres, e suas duas servas, e seus
onze filhos, e passou o vau de Jaboque.
23
E ele os tomou, e os enviou a passar o
ribeiro, e enviou o que ele tinha.
24
E Jacó foi deixado só. E ali lutou com ele
um homem até o romper do dia.
25
E quando este viu que não prevalecia contra ele, tocou a junta de sua coxa. E se desconjuntou a junta de sua coxa, enquanto lutava com ele.
26
E ele disse: Deixa-me ir, pois o dia já
rompe. E ele disse: Eu não te deixarei ir, a não
ser que me abençoes.
27
E ele lhe disse: Qual é o teu nome? E ele
disse: Jacó.
28
E disse-lhe: Teu nome não será mais
chamado Jacó, mas Israel, porque como um
príncipe tu tens poder com Deus e com homens,
e prevaleceste.
29
E Jacó lhe perguntou, e disse: Dize-me,
­rogo-te, teu nome. E ele disse: Por que é que tu
perguntas o meu nome? E ele o abençoou ali.
30
E Jacó chamou o nome do lugar Peniel,
pois eu vi a Deus face a face, e a minha vida
foi preservada.
31
E quando ele passou por Peniel, o sol se levantou sobre ele, e ele manquejava da sua coxa.
32
Por isso os filhos de Israel não comem, até
o dia de hoje, do nervo que está sobre a juntura
da coxa, porque ele tocou a juntura da coxa de
Jacó no tendão que se encolheu.
20
32:24-30 Agora, Jacó experimentou seu terceiro e final
encontro com Deus durante uma viagem (cp. v. 1; 27:12-15).
Um homem, considerado por israelitas posteriores como
sendo Deus ou um anjo que tinha a autoridade do Senhor
(Os 12:3-4), lutou com o idoso patriarca até o romper do dia.
A luta terminou quando o ser divino desconjuntou a junta
da coxa de Jacó. O patriarca, ferido mas ainda sem querer
largar o ser, pediu que Ele o abençoasse. Declarando sua
autoridade sobre Jacó (ver nota em Gn 1:5), o ser celestial
mudou o nome de Jacó para Israel (Heb. yisra’el), ligando
o nome ao fato de que o patriarca lutou (Heb. sarah) com
Deus (Heb. ‘el), e com homens, e prevaleceu.
Jacó foi a terceira pessoa que teve seu nome mudado
por Deus, junto com Abraão e Sara (17:5, 15). A condição
inferior do patriarca é refletida no fato de que, diferente
do ser divino, que pediu o nome de Jacó e o obteve, Jacó
foi incapaz de aprender o nome do ser célico. O homem
renomeado agora chamou àquele lugar Peniel - ou Penuel
- lit. “a face de Deus,” porque ele tinha visto Deus face a
face, contudo, foi poupado da morte.
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