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87343714-QUESTOES-PORTUGUES-LITERATURA

Propaganda
LÍNGUA
PORTUGUESA
INTERPRETAÇÃO DE TEXTO I
INTERPRETAÇÃO DE TEXTO II
FUNÇÕES DA LINGUAGEM E
LINGUAGEM FIGURADA
FIGURAS DE LINGUAGEM
VOCABULÁRIO
PERÍODOS SIMPLES E COMPOSTO
FONOLOGIA, ACENTUAÇÃO, ORTOGRAFIA
E FORMAÇÃO DE PALAVRAS
PONTUAÇÃO
ARTIGOS, SUBSTANTIVOS, ADJETIVOS
VERBOS E ADVÉRBIOS
CONCORDÂNCIA E REGÊNCIA
PRONOMES
CRASE
NOÇÕES DE LITERATURA
FUNÇÕES DE “QUE” E “SE”
LITERATURA NO PERÍODO COLONIAL
REALISMO/ NATURALISMO
HUMANISMO, QUINHENTISMO,
BARROCO E ARCADISMO
PARNASIANISMO/ SIMBOLISMO
ROMANTISMO
PRÉ-MODERNISMO/ MODERNISMO
IMPRIMIR
CLASSICISMO
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LÍNGUA PORTUGUESA
INTERPRETAÇÃO DE
TEXTO I
1
1. U. Católica de Brasília-DF Assinale V, para os itens
verdadeiros, e F, para os falsos.
( ) A figura ao lado trata-se de uma charge, cujo tema
versa sempre sobre algum acontecimento que já
foi veiculado na mídia. Dessa forma a charge não
é responsável por uma nova notícia, mas é uma
releitura de uma notícia ou de um fato.
( ) Observando os elementos que compõe a charge,
é correto afirmar que ela se refere a alguma notícia sobre aviação. Isso é comprovado pelos elementos icônicos, pois nenhum elemento verbal faz referência à aviação.
( ) O verbo ter, utilizado na fala do passageiro, poderia ser substituído pelo verbo
haver, o que configuraria o uso do nível formal da linguagem.
( ) A opção de reserva de um lugar na caixa-preta, que em caso de sinistro com a
aeronave, é um instrumento que pode ajudar a identificar as causas, é a responsável
pelo humor na charge e, ao mesmo tempo, permite inferir que a charge foi feita
depois de algum desastre aéreo.
( ) As palavras “algum”, “vago” e “caixa-preta” são respectivamente, adjetivo, advérbio, adjetivo e substantivo.
( ) Caixa-preta, sob o ponto de vista de sua estrutura, contém dois radicais, por isso,
quanto ao processo de formação, é considerada uma palavra derivada.
IMPRIMIR
GABARITO
2. Analise a charge que segue, publicada na revista Veja, de 07. jun. 2000.
A leitura da charge permite as seguintes afirmações:
( ) nos desenhos humorísticos, a caricatura é uma representação gráfica de uma pessoa ou situação que explora aspectos ridículos ou grotescos.
( ) a legenda, texto curto que, às vezes, acompanha o desenho, tem a finalidade de
determinar para o leitor o sentido da charge.
( ) o cartunista interpreta uma idéia presente no imaginário do torcedor brasileiro: os
técnicos de futebol, quando cometem erros, são chamados de burros.
( ) a frase “O técnico Wanderley Luxemburgo examina as condições do gramado”
funciona de modo redundante, visto que repete o significado contido no desenho.
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Língua Portuguesa - Interpretação de texto I
Avançar
O equilíbrio da pressão nas membranas celulares dos tecidos
nervosos, sem variação nos níveis de sódio e potássio, provoca
impulsos que vão do córtex cerebral até o sistema nervoso central, confirmando uma sensação agradável e sem grandes alterações. De tão relaxado, você pode até tirar um cochilo.
Em exposição até 13/8,
das 11 às 18h.
Av. Paulista, 1578
Informações:
www.zip.net/guignard
3. Uneb-BA
“O Humanismo Lírico de Guignard”. Um dos maiores pintores do modernismo brasileiro.
Folha Ilustrada. Folha de São Paulo, 14 de julho 2000, p. 34.
No texto do convite para ver a exposição de Guignard, no MASP, passa-se a idéia de que:
a) ver Guignard é ter uma aula de como funciona o sistema nervoso humano;
b) a emoção provocada pela arte nem sempre pode ser traduzida com palavras;
c) a arte causa, no homem, uma sensação de leveza tal, que o adormece para a realidade;
2
d) o sentimento gerado pela obra de arte lírica é constante e equilibrado em cada ser
humano;
e) o humanismo lírico de Guignard está na sua capacidade de associar a arte ao equilíbrio das sensações humanas.
GABARITO
4. UFPE Observe os quadrinhos abaixo e responda à questão.
IMPRIMIR
Ziraldo. O Menino Maluquinho.
Assinale a alternativa em que se faz um comentário inaceitável com relação aos quadrinhos de Ziraldo.
a) O menino tinha idéia clara acerca da finalidade apelativa do seu texto.
b) Os termos do cartaz reproduzem a sintaxe típica desse gênero de texto.
c) O menino demonstra inabilidade para ajustar-se às exigências de textos publicitários.
d) As incorreções gramaticais do segundo quadro vão da ortografia à sintaxe.
e) Os erros do cartaz constituíram uma estratégia para atrair possíveis consumidores.
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Língua Portuguesa - Interpretação de texto I
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5. Univali-SC A leitura dos quadrinhos abaixo remete-nos à seguinte conclusão:
HUMOR EM TIRAS
Márcio Kühner
a) Os ditados não estão sempre certos. d) Devemos rir dos nossos percalços.
b) Errar é fundamental para crescer.
e) É preciso sempre acertar.
c) Tirar o proveito de todas as situações.
6. PUC-RS Instrução: Responder às questões 2 e 3 com base no texto abaixo.
3
Considerando as atitudes e falas dos personagens, é correto concluir que:
a) a mãe já sabia que Calvin havia decidido não ir mais à escola, como se depreende da
expressão “Sei”, no primeiro quadrinho;
b) a mãe de Calvin, indecisa sobre o que fazer com o filho, viu-se obrigada a consultar o pai;
GABARITO
c) Haroldo, o tigre presente no último quadrinho, demonstra apoio incondicional à atitude do menino, pelo fato de estar disposto a acompanhá-lo à escola;
d) não havendo outra saída, foi necessário usar a força física para mandar Calvin à escola, como se depreende da expressão “esmagar”, do último quadrinho;
e) as expressões “os pais” e “uma criança”, no último quadrinho, indicam que Calvin
generalizou a conclusão a que chegou.
7. PUC-RS Instrução: Responder à questão 3 com base nas idéias abaixo, que completam
a frase sublinhada.
Pela leitura da tira, é correto afirmar que Calvin:
1. Demonstra temer uma vida adulta em meio à poluição.
2. Usa sua fantasia para tentar convencer sua mãe do acerto de sua decisão.
IMPRIMIR
3. Considera-se injustiçado pelos pais.
4. Conclui que seu projeto para o futuro foi rejeitado por ser ambicioso.
As idéias que complementam adequadamente a frase sublinhada, de acordo com o sentido da tira, estão na alternativa:
a) 1 e 2.
b) 1, 2 e 3.
c) 2 e 3.
d) 2, 3 e 4.
e) 3 e 4.
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Língua Portuguesa - Interpretação de texto I
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8. U.F. Goiânia-GO Leia as tiras do cartunista Angeli, publicadas no caderno Ilustrada, da
Folha de São Paulo, em 29. jul. 1999. Depois assinale V, para os itens verdadeiros, e F
para os falsos.
4
Sansão e Dalila são personagens do universo gráfico de Angeli. Eles formam um casal
sem charme, cujo cotidiano é retratado de forma ridícula pelo cartunista.
De acordo com os elementos que constituem as tiras acima:
( ) as expressões crak, flap e tuf! são consideradas onomatopéias, porque procuram
representar, na escrita, sons naturais.
( ) a falta de diálogo entre o casal, durante a refeição, indica uma vida monótona,
propensa às explosões agressivas.
( ) a sigla TPM – que significa tensão pré-menstrual – opõe-se à expressão kung fu,
arte marcial desenvolvida na antiga China.
( ) o humor das tiras tem função social, pois procura descontrair o leitor, com a representação caricaturesca de cenas do cotidiano dos personagens.
9. UFMS Observe a tira humorística que segue e marque a(s) opção(ões) verdadeira(s).
A.Silvério
GABARITO
URBANO, o aposentado
IMPRIMIR
Globo, 22/09/2000.
01. A frase apresentada no balão 3 pode ser associada à profissão da personagem que a
enuncia.
02. Atribui-se a uma dada estação do ano a capacidade de influenciar o estado de alma
das pessoas em geral.
04. Em Todos mesmo (balão 4), o advérbio em negrito é usado como reforço, indicando
que não há exceção à regra.
08. O uso do artigo definido em a outra metade (balões 1 e 3) está equivocado, uma vez
que se trata de referentes que aparecem pela primeira vez no texto.
16. Os enunciados Encontrei a outra metade da minha laranja! (balão 1) e Encontrei a
outra metade do meu comprimido! (balão 3) retomam, através de figuras distintas, o
enunciado mais genérico “Encontrei a companheira ideal.”
32. O efeito humorístico da tira advém do fato de que se a personagem hipocondríaca leva sua obsessão às últimas conseqüências, associando-a inclusive ao
campo amoroso.
Dê, como resposta, a soma das alternativas corretas.
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Língua Portuguesa - Interpretação de texto I
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10. UFMA
Jaguar.
Na tira acima, o autor:
a) trabalha a fala das personagens no contexto, relacionando termos que não possuem
nada em comum;
b) subverte a lógica homonímica através da utilização de um jogo de palavras marcado
pela sonoridade, num tom de humor;
5
c) aproxima palavras heterógrafas (termos de grafias diferentes) e heterófonas (termos
de sons diferentes) que, apesar de sugerirem humor, não subvertem a lógica homonímica;
d) usa sua criatividade e faz uma brincadeira lingüística com Há fogo / Afogo para demonstrar que ambos os termos possuem o mesmo significado;
e) considera os termos grifados acima como palavras sinônimas que não possuem outra
relação a não ser a própria referência.
GABARITO
11. UFMA
Revista Veja, de 19/04/2000.
Sobre a propaganda acima, é correto inferir que:
IMPRIMIR
a) inanição gera morte e morte gera imobilidade. Logo, os usuários da Internet estão
condenados a morrer;
b) ir ao supermercado implica, infelizmente, em deslocamento e deslocamento implica
em não morrer de fome. Logo, sem se mexer, a Internet é a solução;
c) não comer implica em não se mexer e não se mexer implica em não sair de casa. Logo,
para não morrer, é preciso ir ao supermercado;
d) a Internet possibilita a compra e a compra implica em deslocamento. Logo, é preciso
se mexer para não morrer de inanição.
e) para consultar a fatura da compra pela Internet, é preciso se mexer e se mexer implica
em ir ao supermercado. Logo, o ideal é não acessar a Internet.
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Língua Portuguesa - Interpretação de texto I
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12. UFMG
“Com o Document Centre a Xerox reinventa a copiadora
O mercado evolui. A Xerox revoluciona. Todo o poder
da tecnologia digital chega ao seu escritório com o mais
avançado sistema de processamento de documentos: Document Centre. Uma copiadora que também é impressora, fax e scanner, com capacidade de realizar as operações simultaneamente. Para você copiar, imprimir, receber, enviar, criar, transformar, alterar, arquivar e recuperar documentos com mais facilidade, menor manuseio
de papel e maior segurança. O novo software Centreware permite explorar e gerenciar o equipamento de acordo com as suas necessidades, a partir do seu computador, via rede e até mesmo via Internet. Document Centre
é tudo isso e mais a garantia e a assistência técnica que
só a Xerox pode lhe oferecer.”
AO VIVO E EM CORES NA DOCUWORLD. Visite a feira de tecnologia
avançada, dias 13 e 14 de maio, no Hotel Transamérica - SP.
Todas as afirmativas apresentam recursos lingüísticos que estão presentes nesse texto de
propaganda, exceto:
6
a) Articulam-se a linguagem verbal e a não-verbal.
b) Impessoaliza-se o tratamento do leitor.
c) Enumeram-se cumulativamente as características do produto.
d) Recorre-se não só à conotação, mas também à denotação.
GABARITO
13. UERJ
IMPRIMIR
Ziraldo, Jornal do Brasil, 11/11/1999.
Na tira de Ziraldo, os personagens mudam de atitude do primeiro quadrinho para o segundo. Pelo terceiro quadrinho, pode-se deduzir o que não está escrito: um pensamento
teria provocado a mudança.
Esse pensamento poderá ser traduzido como: “E se os caras dentro do espelho...
a) ...estivessem rindo deles?”
b) ...fossem reais e eles o reflexo?”
c) ... pudessem trocar de lugar com eles?”
d) ... duvidassem da realidade do mundo?”
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Língua Portuguesa - Interpretação de texto I
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14. U.F. Pelotas-RS A compreensão de um texto
não decorre apenas da decodificação pura e
simples dos itens lingüísticos neles contidos.
Na realidade, ao ler, o leitor deixa aflorar seu
conhecimento de mundo, suas crenças, suas
vivências, que possibilitam conexões entre os Contrariar
enunciados e o levam a construir o sentido do
texto que leu. Uma das características do leitor
proficiente é a capacidade de interpretar gráficos. Demonstre que você domina a habilidade
de leitura, inferindo corretamente os resultados expressos no gráfico ao lado:
Uma pesquisa encomendada pela entidade Parceria Contra as Drogas entrevistou 700 pessoas, entre 13 e 21 anos, de cinco cidades há três anos e obteve os seguintes resultados:
De acordo com os dados representados no gráfico, pode-se dizer que:
a) a descoberta do novo sempre atraiu o homem a aventuras cujas conseqüências, muitas
vezes, são desconsideradas em virtude do prazer do desconhecido, sendo esse o motivo para que de noventa a cem jovens recorram às drogas;
b) como todo ser em formação, a maior parte dos jovens procura uma maneira de afirmase em seu grupo, recorrendo, para isso, ao uso de psicotrópicos;
7
c) não é verdadeira a argumentação de que o maior contingente de jovens, rebeldes por
natureza, procura nas drogas formas de transgredir normas sociais;
d) a orientação familiar não seria uma das primeiras providências no combate ao vício,
uma vez que não está na família a causa principal de o jovem se envolver com drogas;
IMPRIMIR
GABARITO
e) são de toda ordem as causas que levam o jovem ao consumo de drogas; com exceção
dos problemas com a família, essa diversidade, somada, representa mais de 3/4 do
total de entrevistados.
15. UFPR Assinale V (verdadeiro) ou F (falso)
na(s) alternativa(s) em que a descrição da foto
abaixo vem expressa de acordo com as normas de escrita do português padrão.
( ) Um homem com roupas típicas de trabalhador rural, onde é mostrado da cintura para baixo, segura um tipo de facão com a mão direita. Abraçado a sua
perna há uma criança, que a expressão
Foto: Paula Simas
denota raiva e medo. O homem apóia
sua outra mão na cabeça da criança, como se protegesse ela.
( ) Um homem com roupas típicas de trabalhador rural, mostrado da cintura para baixo, segura uma espécie de facão. Abraçado a sua perna há um menino, cuja expressão denota raiva e medo. A outra mão do homem repousa sobre a cabeça da criança, como se protegendo-a.
( ) A foto mostra um menino abraçado às pernas de um homem vestido como um
trabalhador rural, onde está segurando uma espécie de facão com a mão direita. A
expressão da criança é de medo e raiva, e é como se o homem estivesse protegendo
a ela de alguma ameaça.
( ) Na foto, mostra um homem, que está segurando uma espécie de facão e vestido como
trabalhador rural. Uma criança está abraçada à perna dele, que apóia a mão sobre sua
cabeça, como se estivesse protegendo. E onde o olhar da criança exprime medo e raiva.
( ) Na foto, aparecem um menino e um homem. O enquadramento destaca a criança,
mostrando o homem apenas na altura da cintura. A ele está abraçada a criança, cujo
olhar é de medo e raiva. O homem, que, em traje de trabalhador rural, empunha um
facão, parece estar protegendo o menino, sobre cuja cabeça pousa a mão.
( ) A foto mostra, da cintura para baixo, um homem que traja roupa de trabalhador
rural e empunha uma espécie de facão. Uma criança, com expressão de medo e
raiva, está abraçada à perna do homem. Ele apóia a mão sobre a cabeça do menino,
como se o estivesse protegendo.
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Língua Portuguesa - Interpretação de texto I
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8
16. UEGO
A leitura da charge permite as seguintes afirmações:
( ) o título “A República do Mau
Humor” funciona como indicador
de leitura, pois dá ao leitor a oportunidade de interpretar tanto o
texto verbal como o não-verbal;
( ) o mau humor dos aliados do governo nos permite deduzir que os
políticos aderem ao poder visando apenas ao seu benefício próprio;
( ) a parte inferior da charge remetenos ao contexto social brasileiro,
onde a população, em sua maioFolha de São Paulo, 11.09.99
ria, sofre os efeitos;
( ) a frase de 2º balão “Um dia, só eles vão rir de tudo isso!”, proferida pelo personagem que representa o povo, deixa transparecer o humor e o descompromisso com
que o brasileiro encara seus problemas;
( ) a frase “Não esquenta, mulher!”, proferida pelo personagem denuncia a ineficiência do cobertor com que ele se agasalha, uma vez que o frio é intenso.
17. UnB-DF
GABARITO
“ACREDITAMOS EM OPORTUNIDADES IGUAIS INDEPENDENTEMENTE DE RAÇA,
CREDO, SEXO, REINO, TRIBO, CLASSE, ORDEM, FAMÍLIA, GÊNERO OU ESPÉCIE.
Os seres vivos são interdependentes. Dessa forma, sem apoio de milhões de espécies, a sobrevivência humana não estaria garantida. Essa variedade e a dependência entre as espécies interessa
especialmente à nossa empresa. Pois o nosso trabalho depende de descobertas no mundo das informações genéticas. Informações que se perdem
para sempre quando as espécies são extintas. Informações que oferecem soluções inéditas para a
agricultura, a nutrição e a medicina. Para atender
a uma população que está crescendo. Em um planeta do mesmo tamanho.”
IMPRIMIR
Isto é. nº 1.575. 8/12/99. p. 125 (com adaptações).
Considerando as informações prestadas pelo anúncio acima, o sentido da mensagem e a
correção gramatical dos itens a seguir, julgue-os.
( ) A figura explora e exemplifica a biodiversidade.
( ) Mesmo sabendo que nem todos os reinos estão representados na figura, isto não
contradiz o argumento principal da propaganda, colocado acima da ilustração.
( ) Devido à interdependência dos seres vivos, a sobrevivência da espécie humana não
estaria garantida sem apoio de milhões de espécies.
( ) O trabalho desenvolvido pela empresa depende de descobertas no mundo das informações genéticas e, quando as espécies são extintas, se perdem para sempre.
( ) As informações genéticas oferecem soluções inéditas para a agricultura, a nutrição, a medicina, a população que está crescendo e o planeta, que tem o tamanho da
população.
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Língua Portuguesa - Interpretação de texto I
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18. UFPB-PSS
Texto I
“Diogo Mainardi
Índios furibundos invadiram o Congresso Nacional para protestar contra as comemorações dos
500 anos de descobrimento do Brasil. Paramentados com seus tradicionais cocares, calções de
banho e tênis Nike, foram até o senador Antonio Carlos Magalhães e apontaram-lhe uma lança.
Foi bonito ver todos aqueles índios lutando juntos – 500 anos atrás, eles provavelmente estariam
devorando uns aos outros. Pois eu concordo com os índios: não há o que comemorar. Em 500
anos de História, não fizemos nada que justificasse uma festa. A meu ver, deveríamos ficar recolhidos num canto, chorando pelo joelho de Ronaldinho. Foi o que fiz.”
Texto II
9
Lendo o texto I e relacionando-o com a charge (texto II), conclui-se:
a) O selvagem da charge não é o índio, mas sim a respeitável autoridade brasileira.
b) Os índios continuavam lutando entre si.
c) O índio da charge é mais autêntico porque não usa tênis Nike e veste calça comprida.
d) O objetivo de Mainardi e Chico é o mesmo: registrar a política favorável do Congresso Nacional às causas indígenas.
e) As comemorações dos 500 anos do Descobrimento do Brasil representaram um momento de alegria para os índios.
IMPRIMIR
GABARITO
19. UFMA
“O chinês anônimo desafia os tanques
Nunca se soube o nome daquele jovem alto e magro vestido como milhões de chineses, de camisa branca e calça de tergal. Ninguém ouviu sua voz. Jamais
se soube o paradeiro do solitário rebelde que barrou
uma coluna de 17 tanques naquela manhã de junho
de 1989. Sozinho, nas fotografias e no balé diante
das câmeras de vídeo – os tanques se deslocavam e a
silhueta se movia, simultaneamente, para a esquerda
e para a direita – o chinês anônimo fez mais, em seu
grande momento, do que muitos líderes revolucionários do milênio. É certo que foi visto por mais gen5 de julho de 1989.
te, nas telas de TV, dentro dos lares, do que personalidades como o mongol Kublai Khan, o francês Maximilien de Robespierre ou o mexicano Emiliano
Zapata.”
Depreende-se da compreensão do texto acima que há uma gradação ascendente do personagem envolvido, que assim passa do anonimato de um momento para a fama de um
milênio. Isso fica evidente através dos seguintes itens lexicais:
a) jovem alto e magro solitário rebelde silhueta líder revolucionário personalidade;
b) silhueta solitário rebelde sem paradeiro sozinho personalidade;
c) jovem alto e magro sem voz solitário rebelde líder revolucionário sozinho;
d) sem paradeiro silhueta solitário rebelde chinês anônimo líder revolucionário;
e) solitário rebelde líder revolucionário sozinho personalidade chinês anônimo.
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Língua Portuguesa - Interpretação de texto I
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20. UERJ Leia a piada reproduzida a seguir.
Vinha o motorista dirigindo o seu carro, quando se deparou com uma placa de sinalização:
Imediatamente, ele acelerou o seu veículo. Logo depois, voltou a pé para o local da placa
e nela escreveu, para corrigi-la:
Como muitas piadas, esta se baseia em um equívoco.
O comportamento do motorista que explica mais adequadamente o efeito cômico da
piada é:
a) voltar a pé ao local da placa para efetuar uma correção;
10
b) ler a mensagem da placa como uma ordem para acelerar;
c) corrigir a mensagem da placa para retificar informação incompleta;
d) imprimir maior velocidade ao carro para escapar dos quebra-molas.
Texto para as questões 21 e 22.
GABARITO
5
10
15
20
“Homem Primata
Desde os primórdios
Até hoje em dia
O homem ainda faz
O que o macaco fazia
Eu não trabalhava, eu não sabia
Que o homem criava e também destruía.
Homem primata
Capitalismo selvagem
Ô, ô, ô
Eu aprendi
A vida é um jogo
Cada um por si
E Deus contra todos
Você vai morrer e não vai pro céu
É bom aprender, a vida é cruel.
Homem primata
Capitalismo selvagem
Ô, ô, ô
Eu me perdi na selva de pedra
Eu me perdi, eu me perdi”
IMPRIMIR
BRITTO, Sérgio, FROMER, Marcelo, REIS, Nando, PESSOA, Ciro. Do CD Cabeça de dinossauro.
21. UFR-RJ No texto Homem Primata, a comparação estabelecida entre o homem e macaco alude:
a) a uma das teorias sobre a origem da espécie humana;
b) ao comportamento irracional do homem na sociedade moderna;
c) às semelhanças biológicas entre os dois seres;
d) ao bom relacionamento entre homem e macaco;
e) ao capitalismo selvagem da sociedade contemporânea.
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Língua Portuguesa - Interpretação de texto I
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22. UFR-RJ A oposição entre os quatro primeiros versos de Homem primata e o texto
Pecados do século XXI (questões 101 a 103) envolve, respectivamente, os antônimos:
a) lentidão X velocidade;
b) atraso X progresso;
c) santidade X pecado;
d) estagnação X mudança;
e) passado X presente.
Instrução: Responder às questões de 23 a 25 com base no texto.
11
JAGUAR. Átila, você é barbaro. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1968. p. 166-167.
23. PUC-RS Instrução: Responder à questão analisando a veracidade das afirmativas
abaixo.
1. A absolescência das armas utilizadas pelo homem levam-no a um final trágico.
GABARITO
2. As armas apresentam-se em gradação ascendente quanto ao seu poder letal.
3. O militarismo, simbolizado pelos uniformes que os personagens vestem, é causa principal do desfecho presente no cartum.
4. A vestimenta dos personagens ilustra cronologicamente o desenrolar dos fatos apresentados.
5. Os itens 2 a 5 do cartum apresentam o homem como o responsável pelas ações
bélicas, enquanto nos itens 6 a 10 essa responsabilidade é atribuída apenas aos armamentos.
Conclui-se que a alternativa que apresenta a numeração correspondente às afirmativas
corretas é:
a) 1 e 2.
b) 1, 2 e 4.
c) 2 e 4.
d) 3 e 5.
e) 3, 4 e 5.
24. PUC-RS Instrução: Responder à questão com base nas afirmativas a seguir.
IMPRIMIR
I. A estrutura narrativa e as ilustrações têm efeito argumentativo marcante.
II. As ilustrações são um recurso para chamar a atenção do leitor, e poderiam ser retiradas sem prejuízo para a clareza do texto.
III. Os itens 1 e 2 apresentam ao leitor os personagens, enquanto o 9 prepara-o para o
desfecho da história.
IV. A simplicidade da linguagem contrasta com a seriedade do tema.
Concluí-se que as afirmativas corretas encontram-se na alternativa:
a) I e II.
b) I, III e IV.
c) I, II, III e IV.
d) II, III e IV.
Voltar
Língua Portuguesa - Interpretação de texto I
e) III e IV.
Avançar
25. PUC-RS O ditado popular que melhor sintetiza as idéias expressas no cartum é:
a) “O feitiço virou contra o feiticeiro.” d) “Quando um não quer, dois não brigam.”
b) “Quem tudo quer tudo pode.”
e) “Devagar se vai ao longe.”
c) “Se queres a paz, prepara-te para a guerra.”
26. Univali-SC
Ouça um bom conselho
Que lhe dou de graça
Inútil dormir
Que a dor não passa
Espere sentado
Ou você se cansa
Está provado
Quem espera nunca alcança
Ouça meu amigo
Deixe esse regaço
Brinque com meu fogo
Venha se queimar
12
“BOM CONSELHO
Faça como eu digo
Faça como eu faço
Aja duas vezes antes de pensar
Corro atrás do tempo
Vim de não sei onde
Devagar é que não se vai longe
Eu semeio o vento
Na minha cidade
Vou para rua e bebo a tempestade”
Chico Buarque
Ao compor o texto, o autor se preocupou em:
a) contradizer sistematicamente os conselhos populares em situações absurdas;
b) enfatizar a sabedoria que se exprime através de provérbios;
c) utilizar-se de provérbios para expressar sua concordância ou discordância diante de
fatos da vida;
d) inadvertidamente o compositor apresenta situações nas quais os ditos populares vão
de encontro à realidade;
e) através de um jogo de palavras, o autor procura confundir o leitor.
GABARITO
INSTRUÇÃO: Com base no texto, julgue os itens da questão 27.
“Tão novo e já pendurou as chuteiras
I
e vida sedentária levam ao óbito
E não foi só ele.
por problemas cardiovasculares,
Milhares de brasileiros pendurarão
que correspondem a 32% de todos os óbitos.
as chuteiras mais cedo por
IV
problemas cardiovasculares.
Não seja mais uma vítima
II
das doenças cardiovasculares.
Hoje, 20% da população adulta
V
brasileira é hipertensa,
Procure seu médico e siga
a sua orientação.”
12% é diabética e 30% tem
colesterol elevado.
III
Essas doenças, associadas
a tabagismo, obesidade, estresse
Líder em soluções
IMPRIMIR
Veja. 23/06/99, p. 153.
27. UFMT
( ) A polissemia presente no título do texto se revela pelos sentidos diversos que ele sugere.
( ) A leitura do texto desfaz a polissemia do título atribuindo-lhe o sentido da morte.
( ) O sentido da palavra hoje é encontrado na primeira parte do texto, daí ser um
elemento anafórico.
( ) Em Ele é um novo homem, o adjetivo novo apresenta sentido igual ao do título do texto.
( ) Na última parte do texto, o pronome possessivo sua provoca certa ambigüidade
que pode ser desfeita se substituído por dele.
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Língua Portuguesa - Interpretação de texto I
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INSTRUÇÃO: A partir da leitura do texto, julgue os itens da questão 8.
“A VIDA MODERNA OFERECE TV DIGITAL, CELULAR, INTERNET E O JEEP GRAND CHEROKEE
PARA VOCÊ FUGIR DISSO TUDO.
Jeep Grand Cherokee. A partir de R$ 55.400.
O mundo tem lugares onde você pode viver emoções muito maiores do que ir e vir do trabalho.
E o Jeep Grand Cherokee dá liberdade para você seguir qualquer trilha. Ele tem motor 4.0L High
Output, tração Quadra-Trac® 4x4 permanente, duplo air-bag, freios a disco nas quatro
rodas com ABS e suspensão “Up Country” para você chegar onde ninguém chegou. Além de
câmbio automático e ar-condicionado para você chegar lá inteiro. Jeep Grand Cherokee. A
vida moderna em favor da vida de verdade.
Jeep®
Só Existe Um.”
Veja, 11/10/98.
13
28. UFMT
( ) A propaganda defende a idéia de que a tecnologia é insuficiente para o homem ser
feliz na vida moderna.
( ) A tese que sustenta o texto é a de que se a vida moderna propicia não só alta
tecnologia como também possibilidades de se fugir.
( ) A expressão “onde ninguém chegou” pode significar sucesso profissional.
( ) Os argumentos utilizados para convencer o leitor se baseiam nos atrativos da vida
moderna e não no objeto em si da propaganda.
( ) A palavra trilha refere-se unicamente a caminhos pouco percorridos.
29. Unifor-CE
“Façam a festa
cantem dancem
que eu faço o poema duro
o poema-murro
sujo
como a miséria brasileira.”
Nos versos acima, o poeta Ferreira Gullar:
a) defende uma poesia voltada para o canto e a exaltação dos sentimentos líricos;
b) expõe sua condição de artista marcado pelo desejo de participação social;
c) opõe a poesia que ele faz à poesia dos que se preocupam com temas políticos;
d) deixa claro que suas opções estéticas coincidem com as dos poetas concretistas;
IMPRIMIR
GABARITO
e) adota uma visão de mundo muito semelhante à da poesia de Manuel Bandeira.
30. U. Potiguar-RN
“Soneto
Pálida, à luz da lâmpada sombria,
Sobre o leito de flores reclinada
Como a lua por noite embalsamada,
Entre as nuvens do amor ela dormia!
Era a virgem do mar! na escuna fria
Pela maré das águas embalada!
Era um anjo entre nuvens d’alvorada
Quem em sonhos se banhava e se esquecia!
Era mais bela! o seio palpitando...
Negros olhos as pálpebras abrindo...
Formas nuas no leito resvalando...
Não te rias de mim, meu anjo lindo!
Por ti – as noite eu velei chorando,
Por ti – nos sonhos morrerei sorrindo!”
O texto acima é um poema de Álvares de Azevedo, autor que, segundo Mário de Andrade, sofre muito o prestígio romântico da mulher. O amor sexual lhe repugnava. Há no
soneto uma contradição entre as imagens que caracterizam a mulher. Aponte-a:
a) De um lado, a mulher é pálida sobre o leito e, de outro lado, anjo entre nuvens.
b) Num momento, a mulher caracteriza-se pela pureza e, em outro momento, pela nudez
e sensualidade.
c) Em princípio, a surpresa da visão da mulher amada; num segundo momento, a revelação de que apenas é uma lavadeira.
d) Inicialmente, o sofrimento das noites de vigília; em seguida, a fuga pelo sonho e pela morte.
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Língua Portuguesa - Interpretação de texto I
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Leia atentamente o texto abaixo para responder às questões de 31 a 33.
“Consoada
Quando a Indesejada das gentes chegar
(Não sei se dura ou coroável),
Talvez eu tenha medo.
Talvez eu sorria, ou diga:
– Alô, iniludível!
O meu dia foi bom, pode a noite descer.
(A noite com seus sortilégios.)
encontrará lavrado o campo, a casa limpa,
A mesa posta,
Com cada coisa em seu lugar.”
Manuel Bandeira. In: Os melhores poemas de Manuel Bandeira. São Paulo: Global,1984.
31. Uniube-MG Para o poeta a palavra Indesejada se refere à:
a) Amada.
b) Visita.
c) Morte.
d) Noite.
32. Uniube-MG Por que o poeta cumprimenta a Indesejada das gentes, chamando-a de
iniludível?
a) Porque ela é fácil de se enganar.
c) Porque aparece toda noite.
b) Porque não poupa ninguém.
d) Porque é amiga do poeta.
14
33. Uniube-MG Com relação à estrutura, o poema pode ser dividido em duas partes:
I. a primeira, que mostra incerteza do poeta, expressa pelos advérbios de negação e
dúvida, e a segunda, que apresenta certeza expressa pelo tom afirmativo dos verbos;
II. a primeira, que revela segurança e certeza quanto ao futuro, e a segunda, que apresenta dúvida e descontrole emocional;
III. a primeira, que mostra coragem e segurança para enfrentar o desconhecido, e a segunda, que revela a felicidade de um dia de trabalho;
IV. a primeira, que mostra o poeta despreparado para o que lhe espera, e a segunda, que
revela sua ousadia e destemor diante da vida.
O item que melhor caracteriza essa divisão é:
a) I.
b) II.
c) III.
d) IV.
GABARITO
34. Univali-SC Compare os versos de Manual Bandeira e Vinícius de Moraes, sobre o tema:
Mulheres.
“Mulheres
Como as mulheres são lindas!
Inútil pensar que é do vestido...
E depois não há só as bonitas:
Há também as simpáticas.
E as feias, certas feias em cujos olhos vejo isto:
Uma menininha que é batida e pisada e nunca sai da cozinha.
Como deve ser bom gostar de uma feia!”
BANDEIRA, Manuel. In: Libertinagem.
“Receita de mulher
As muito feias que me perdoem
Mas beleza é fundamental. É preciso
Que haja qualquer coisa de flor em tudo isso.
(...)
Seja bela ou tenha pelo menos um rosto que lembre um templo e
Seja leve como um resto de nuvem...”
IMPRIMIR
Vinícius de Moraes.
Sobre os textos, pode-se afirmar que:
a) os dois textos são ambíguos na abordagem do tema;
b) ambos os textos vêem apenas belezas, embora diferentes, nas mulheres;
c) enquanto o primeiro texto fala só na beleza infantil, o segundo aborda a beleza da
mulher madura;
d) embora falem sobre o mesmo assunto, os dois textos revelam posicionamentos antagônicos;
e) os textos abordam temáticas diferentes.
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Língua Portuguesa - Interpretação de texto I
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35. PUC-PR
“Nada mais diferente (...) entre o biscoito de Proust e o embrulho do pai. A madeleine trouxe o
gosto que leva ao passado geral, ao passado anterior ao passado, ao passado depois do passado,
ao passado ‘ao lado’ do passado.
O biscoito abriu as portas do tempo – do tempo perdido. Ora, o meu caso, ou melhor, o ‘meu’
embrulho não abre nada, muito menos o tempo. Se abria alguma coisa era o espaço – até então,
nunca pensara organizadamente na única pessoa, no único personagem, no único tempo de um
homem que, não sendo eu, era o tempo do qual eu mais participara.”
Assinale a alternativa que identifica e explica a referência feita ao episódio da “madeleine” na obra de Proust, criando uma relação com Quase memória, de Carlos
Heitor Cony:
a) É uma similaridade e provoca a percepção de que tempo e espaço são valores diferentes.
b) É uma comparação que demonstra as leituras do autor.
c) É um caso de intertextualidade e serve para estabelecer relações na cadeia de leituras
e de escrita literária.
d) É um caso de referencialidade porque faz referência a um livro do passado.
e) É um caso de associação de idéias, pois a noção de passado é a mesma nos dois autores.
15
O texto publicitário que você lerá abaixo foi extraído de Isto é, de 7 jun. 2000. As questões 36 e 37 referem-se a ele.
de gordura como nenhum outro.
Omo Multi Ação está ainda
mais eficiente porque sabe, assim
como você, que seu filho precisa
de liberdade para aprender.
GABARITO
Novo Omo Multi Ação.
Porque não há aprendizado
sem manchas.”
36. UFGO Além de veicular informações sobre o produto, a linguagem publicitária procura persuadir o consumidor.
Com base nessa informação e na leitura do texto, pode-se afirmar que:
( ) liberdade de ação e aprendizagem infantil, idéias deduzidas do início do texto,
estabelecem relação de causa e conseqüência.
( ) o vocábulo outro, em “como nenhum outro”, refere-se a um elemento extratextual,
pois não remete a nenhum termo explicitamente presente no texto.
( ) a palavra ainda, em “Omo Multi Ação está ainda mais eficiente”, indica que, só a
partir de agora, o produto foi aprovado pelo consumidor.
( ) o vocábulo manchas aparece no texto com dois sentidos diferentes, ou seja, o primeiro é denotativo e o segundo, conotativo.
IMPRIMIR
“Quando a gente deixa as crianças
experimentarem, se sujarem,
elas aprendem mais
e se desenvolvem melhor.
É por isso que estamos lançando
o novo Omo Multi Ação.
Uma fórmula inovadora que
age nos primeiros instantes da
lavagem, removendo manchas
37. UFGO Acerca da organização das frases, é possível afirmar que:
( ) o trecho “removendo manchas de gordura como nenhum outro” NÃO pode ser
substituído por “que remove manchas como nenhum outro”, pelo fato de causar
incoerência.
( ) o segmento “Quando a gente deixa as crianças experimentarem, se sujarem”, apresentado na abertura do texto, serve para destacar a atitude desejável de um consumidor ideal.
( ) os vocábulos “elas” e “se”, apresentados no primeiro período do texto, remetem à
expressão “as crianças”.
( ) a oração “Porque não há aprendizado sem manchas” estabelece uma relação de
dependência com frase “Novo Omo Multi Ação”.
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Língua Portuguesa - Interpretação de texto I
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INSTRUÇÃO: A partir da leitura do texto, julgue os itens da questão 38.
“TOURO
De 21/4 a 20/5
Você está curando suas velhas feridas e aprendendo a confiar de novo na vida. A dinâmica do mês é o aprofundamento das relações e a expressão das emoções. Você poderá contribuir com o parceiro, ampliando a intimidade e a cumplicidade do casal. Vida íntima em
alta: dê vazão à sua sensualidade. Com Marte transitando em seu signo, este é um mês de
ação e decisões: hora de colocar projetos em prática, o que lhe trará entusiasmo. Para isso,
conte com os amigos. É tempo também de investir “no social”: lute com a velha preguiça
de sair e vá ao encontro das pessoas. Terá que enfrentar algum mal-estar passageiro que a
obrigará a ter mais cuidado com a saúde. No trabalho, confusão: espere até poder expressar suas idéias.”
Marie Clarie, maio de 1998.
38. UFMT
( ) A organização desse texto se calca em conselhos, ora implicitamente ora diretamente.
( ) Há no texto uma única marca lingüística que mostra ser o interlocutor você feminino.
( ) O lugar comum investir no social tem o sentido usual reiterado por referir-se a
conselho.
16
Texto para as questões 39 e 40.
“Língua
GABARITO
Gosto de sentir minha língua roçar
A língua de Luís de Camões
Gosto de ser e de estar
E quero me dedicar
A criar confusões de prosódia
E uma profusão de paródias
Que encurtem dores
E furtem cores como camaleões
Gosto do Pessoa na pessoa
Da rosa no Rosa
E sei que a poesia está para a prosa
Assim como o amor está para a amizade
E quem há de negar que esta lhe é superior
E quem há de negar que esta lhe é superior
E deixa os portugais morrerem à mingua
Minha pátria é minha língua
Fala Mangueira
Fala!
Flor do Lácio sambódromo
Lusamérica latim em pó
O que quer
O que pode esta língua (...)
A língua é minha Pátria
E eu não tenho Pátria: tenho mátria
Eu quero frátria”
VELOSO, Caetano. Língua. Velô-Caetano e a Banda Nova. PolyGram, 1984.
39. UFPE Leia as afirmativas abaixo sobre as idéias apresentadas no texto.
1. Em “Gosto de ser e de estar”, a idéia de plenitude, desejada pelo autor, é expressa
com os verbos “ser” e “estar”, que implicam o aspecto do ser permanente e do ser
transitório.
2. Utilizando a expressão “Fala mangueira”, grito de guerra de uma escola de samba, o
autor alude à idéia de que, sendo “pátria”, uma língua expressa os valores culturais de
seu povo.
IMPRIMIR
3. O verso “Lusamérica latim em pó” alude não só à pulverização do latim que deu
origem às línguas latinas como à divisão-união de Portugal e Brasil.
4. Os neologismos “mátria” e “fátria” disfarçam o sentimento de união que o autor pretende esteja envolvido na sua percepção de “língua”.
Está(ão) correta(s) apenas:
a) 1, 2 e 3.
d) 2.
b) 1, 3 e 4.
e) 3 e 4.
c) 2 e 4.
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Língua Portuguesa - Interpretação de texto I
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40. UFPE Os enunciados abaixo referem-se aos recursos utilizados na criação de Língua.
1. Com os versos “E sei que a poesia está para a prosa/Assim como o amor está para a
amizade”, o autor estabelece uma relação de proporcionalidade.
2. O autor incorpora à sua canção elementos relacionados à expressão sensorial, como
“roçar”, “dores”, “cores”.
3. Nos versos “Gosto do Pessoa na pessoa/Da rosa no Rosa” o autor utiliza o recurso da
inversão.
4. Nas expressões “confusões de prosódia”, “profusão de paródias” e “furtem cores como
camaleões”, perpassa a idéia comum de “pluralidade”.
Estão corretas:
a) 1, 2 e 3 apenas.
b) 1 e 4 apenas.
c) 1, 2, 3 e 4.
d) 2 e 4 apenas.
e) 3 e 4 apenas.
17
41. UFBA
IMPRIMIR
GABARITO
“À despedida do seu mau governo
Senhor Antão de Souza de Menezes,
Quem sobe a alto lugar, que não merece,
Homem sobe, asno vai, burro parece,
que subir é desgraça muitas vezes.
A fortunilha autora de entremezes
Transpõe em burro o herói, que indigno cresce,
Desanda a roda, e logo o homem desce,
que é discreta a fortuna em seus reveses.
Homem sei eu que foi Vossenhoria,
Quando o pisava da Fortuna a Roda,
Burro foi ao subir tão alto clima.
Pois vá descendo do alto, onde jazia;
verá quanto melhor se lhe acomoda
ser homem em baixo, do que burro em cima.”
MENDES, Cleise Furtado. Senhora Dona Bahia: poesia satírica de Gregório de Matos. Salvador: EDUFBA, 1996. p. 63.
O discurso da sátira contida no soneto pode ser assim sintetizado:
01. Um mau governo é fruto da falta de senso do povo que o escolhe.
02. É tão fácil conquistar um alto posto quanto é fácil dignificá-lo.
04. A irracionalidade em proveito de alguns representa a satisfação de muitos.
08. À ascensão social deverá corresponder o mérito pessoal.
16. A glória indevidamente conquistada rebaixa o indivíduo em vez de exaltá-lo.
32. É preferível o anonimato a um destaque que desabone o homem.
64. Em terra de incompetentes, o menos incompetente reina.
Dê, como resposta, a soma das alternativas corretas.
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Leia atentamente o texto abaixo para responder às questões de 42 a 44.
18
1.
2.
3.
4.
5.
6.
7.
8.
9.
10.
11.
12.
13.
14.
15.
16.
17.
18.
19.
20.
21.
22.
23.
24.
25.
26.
27.
28.
29.
“Valsinha
Um dia ele chegou tão diferente
Do seu jeito de sempre chegar.
Olhou-a de um jeito muito mais quente
Do que sempre costumava olhar
E não maldisse a vida tanto
Quanto era seu jeito de sempre falar.
E nem deixou-a só num canto
Pra seu grande espanto
Convidou-a pra rodar.
Então ela se fez bonita
Como há muito tempo não queria ousar
Com seu vestido decotado
Cheirando a guardado
De tanto esperar
Depois os dois deram-se os braços
Como há muito tempo
Não se usava dar
E cheios de ternura e graça
Foram para a praça
E começaram a se abraçar.
E ali dançaram tanta dança
Que a vizinhança toda despertou
E foi tanta felicidade
Que toda a cidade se iluminou
E foram tantos beijos loucos
Tantos gritos roucos
Como não se ouviam mais
Que o mundo compreendeu
E o dia amanheceu em paz.”
MORAES, Vinícius de e HOLANDA, Chico Buarque de. Chico Buarque de Holanda. São Paulo,
Abril Educação, 1980. p. 30-I. (Literatura Comentada).
GABARITO
42. Uniube-MG Sobre o texto, só não se pode afirmar que:
a) o texto estabelece uma relação de semelhança entre a dança, o jogo amoroso e as
relações humanas;
b) o gesto amoroso da dança começa no interior da casa e atinge o mundo;
c) o gesto amoroso da dança produz o efeito de instaurar a paz entre os seres humanos;
IMPRIMIR
d) o conceito de amor implícito no texto não inclui o prazer físico entre os personagens.
43. Uniube-MG Leia as asserções a seguir para responder à questão abaixo:
I. A expressão “pra”, nos versos 8 e 9, traz marcas de oralidade.
II. Nos versos 21 e 22 estabelece-se uma relação de conseqüência.
III. A expressão “ali”, no verso 21, refere-se à palavra cidade.
IV. Este é um texto narrativo que relata uma transformação.
A alternativa que traz os números das asserções corretas é:
a) I e II.
c) I, III e IV.
b) III e IV.
d) I, II e IV.
44. Uniube-MG A expressão “seu jeito” (verso 6) tem como referente:
a) o narrador.
c) ele.
b) o autor.
d) ela.
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Instrução: Responder às questões de 45 a 46 com base nos textos 1 e 2.
TEXTO 1
“A vida em Barretos nunca mais foi a mesma depois que peão de boiadeiro virou caubói e
música caipira passou a ser chamada de country. Integrada ao calendário das maiores comemorações nacionais, a 44ª Festa do Peão de Boiadeiro de Barretos está para abrir as porteiras, estilizando a rotina do campo para o fascínio de legiões urbanas. (...) É uma multidão de turistas vestidos
a caráter e apelidados de “peões de butique”. Chegam de todos os cantos do país, enfiados em
calças jeans, imaculadas botas de couro, cintos e chapéus vistosos. Os boiadeiros urbanos capricham na indumentária (chegam a importá-la) e vivem uma fantasia que só fica a dever ao Carnaval carioca em termos de público e opulência. No Carnaval, reis e princesas sonham até a Quartafeira de Cinzas. Em Barretos, imagina-se domar perigosos touros e potros ariscos.”
Adaptado de: Época – Especial “Nós, brasileiros”, 24/05/99, p. 102.
TEXTO 2
19
Charge de lotti, Zero Hora, Porto Alegre, 24/01/99.
45. PUC-RS A problemática comum aos textos 1 e 2 é:
a) a crescente valorização da vida rural no Brasil;
IMPRIMIR
GABARITO
b) o obstinado apego do homem do campo às suas tradições;
c) a evidente influência do que vem de fora sobre o brasileiro;
d) a pacífica convivência entre o antigo e o novo Brasil moderno;
e) a saudável popularização dos costumes gaúchos em outros centros do Brasil.
Instrução: Responder à questão 15 analisando as afirmativas sobre os textos 1 e 2.
I. A charge (texto 2) destina-se a um público mais restrito, pois faz alusão a um fato
recente de repercussão regional.
II. Para uma adequada compreensão do texto 2, é necessário levar em conta dados contextuais, como veículo de divulgação, local e data.
III. Enquanto o texto 1 visa principalmente a informar o leitor, o texto 2 pretende mobilizar seu humor, a partir de uma informação que esse já tem.
IV. Apesar de não utilizar frases exclamativas como o gaúcho da charge, o autor do texto
1 expressa um grau de indignação equivalente.
46. PUC-RS A alternativa que contém apenas afirmativas corretas é:
a) I e II.
d) I, II e III.
b) I e III.
e) I, II, III e IV.
c) II e IV.
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Texto para a questão 47.
IMPRIMIR
GABARITO
20
“TESTE
Avalie suas chances de obter um emprego.
Existem vários fatores que fazem uma pessoa ter maior ou menor facilidade para encontrar um
bom emprego. Assinale o número de pontos que você tem em cada fator e some tudo no final
para obter sua pontuação no teste.
CURSOS COMPLEMENTARES
Você fez...
• pós-graduação lato-sensu;
• mestrado;
• doutorado;
• um curso de especialização.
CONHECIMENTOS DE INFORMÁTICA
Seu domínio é...
• bom
– 15 pontos
• médio
– 8 pontos
• ruim
– zero
FORMAÇÃO ACADÊMICA
Você completou...
• até o ensino médio
– 40 pontos
• até a faculdade – 60 pontos
INGLÊS
Sua fluência é...
• boa
– 15 pontos
• média
– 8 pontos
• ruim
– zero
Caso você fale uma terceira língua, acrescente 20 pontos se tem um bom domínio dela, ou 10
pontos, se tem um domínio regular.
Sua imagem perante os colegas de trabalho é...
• boa
– 30 pontos
• média
– 15 pontos
• ruim
– zero
Seus conhecimentos técnicos dentro da profissão...
• bons
– 25 pontos
• médios
– 13 pontos
• ruins
– zero”
47. UnB-DF Julgue se os itens a seguir apresentam, por meio de estruturas gramaticalmente corretas, informações coerentes com o teste do texto.
( ) quem tiver cursos complementares de pós-graduação será menos valorizado no
mercado de trabalho.
( ) Conhecimentos de inglês são importantes, mas se forem substituídos por outro
idioma – como, por exemplo, espanhol – a valorização será maior.
( ) Todo candidato que tiver conhecimentos técnicos ruins e domínio de informática
médio terá “pontuação no teste” inferior a dez.
( ) A pontuação atribuída a uma boa imagem perante os colegas de trabalho corresponde: a de um curso de mestrado ou a de uma boa fluência em inglês acrescida da
de um bom domínio de conhecimentos de informática.
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Texto para as questões 48 e 49.
“Às vezes, gosto de viabilizar o Universo como a superfície de uma lagoa, cheia de vitóriasrégias, as belas plantas flutuantes que aparecem em bandos, arquipélagos de ilhas verdes de
tamanhos e formas variados. Cada planta é uma galáxia, e cada grupo de plantas é um agregado
de galáxias. Claro, esse é um modelo bidimensional do Universo, pois estou me restringindo a
visualizar a superfície da lagoa. Uma outra diferença importante é que o Universo está em expansão, as distâncias entre galáxias e seus aglomerados, sempre aumentando, enquanto, em geral,
lagoas não costumam estar em expansão. De qualquer forma, a imagem vale, senão pela sua
precisão, pelo seu poder evocativo.”
GLEISER, Marcelo. “As maiores estruturas do Universo”.
In: Folha de S. Paulo, 27 ago. 2000. p. 29. Mais!
48. U. Salvador-BA A confissão do autor tem por objetivo revelar:
a) uma grande sensibilidade, ao englobar duas realidades antagônicas na busca da harmonia universal;
b) um momento de percepção da realidade, através de um discurso poético, metafórico;
c) a emoção em face da semelhança entre o mundo da fantasia e o real;
d) a preocupação com questões de ordem ecológica e transcendental.
e) a exuberante natureza amazônica.
21
49. U. Salvador-BA Por inferência, o texto permite afirmar:
a) Há múltiplas formas de enxergar o mundo.
b) O espaço físico do mundo palpável é uniforme.
c) As lagoas e as vitórias-régias são a síntese de um universo delimitado.
d) A amplitude do universo é inversamente proporcional à imaginação do homem.
e) O cosmo é constituído de espaços específicos para serem contemplados pelo artista.
GABARITO
50. Unifor-CE
“Uma nova carta de Caminha
Senhor,
Posto que outros escreveram a Vossa Excelência sobre a nova do achamento dessa vossa terra
nova, não deixarei também de dar conta disso a Vossa Excelência, o melhor que eu puder, ainda
que – para o bem contar e falar – o saiba fazer pior que todos. Tome Vossa Excelência minha
ignorância por boa vontade e creia bem por certo que, para alindar ou afear, não porei aqui mais
do que aquilo que vi e me pareceu.
A terra em si é de muitos bons ares. Águas são muitas, infindas. E em tal maneira é graciosa
que, querendo-a aproveitar, é só estimular o turismo. Hotéis não há muitos, mas os poucos que
existem são confortáveis, especialmente o que nos foi oferecido. E que não houvesse mais que
uma pousada, isso bastaria.”
IMPRIMIR
SCLIAR, Moacyr. Folha de S. Paulo. 17/05/99.
Considere as seguintes afirmações:
I. Há, no primeiro período, considerando-se o uso atual, uma infração à norma culta,
quanto à relação entre o pronome possessivo e o pronome de tratamento.
II. Registra-se um propósito do narrador no sentido de se ater a um relato fiel a suas
constatações e impressões pessoais.
III. No segundo parágrafo, há uma referência nova, ausente no relato da carta original de
Pero Vaz de Caminha.
Está correto, em relação ao texto, o que se afirma em:
a) somente II.
b) somente I e II.
c) somente I e III.
d) somente II e III.
e) I, II e III.
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51. U.F. Uberlândia-MG Leia o poema seguinte e assinale a alternativa incorreta.
Barriga de minha perna
onde estás?
na barriga do gorila
Dedos de minha mão
onde estão?
na barriga do gorila
Lobos de minha orelha
onde estais?
“Macunaíma nos ajude
na barriga do gorila
Cabeça do meu pau?
na barriga do gorila
Meu alegre coração
onde estás?
na barriga do gorila”
SCHWARZ, Roberto, 26 poetas hoje.
a) O poema não se refere à obra Macunaíma, de Mário de Andrade; é tão somente uma
brincadeira que o poeta faz, dentro do universo irreverente da poesia marginal.
b) O poema refere-se à obra Macunaíma, recuperando o episódio em que o herói come
carne da perna de Curupira.
c) O título do poema está na 1ª. pessoa do plural, enquanto o poema em sua totalidade
está escrito na 1ª. pessoa do singular. Considerando que o sujeito lírico expõe sentimentos que poderiam ser nossos o título do poema não está inadequado.
22
d) O poema sugere que o “gorila”, metáfora de uma situação ou de um ente abominável,
tem-nos espoliado bens físicos e espirituais: a capacidade de andar, escrever, ouvir,
pensar e sentir.
Para responder às questões de números 52 a 54, leia os textos a seguir.
Texto 1
“Se um certo homem vem a ter cem ovelhas e uma delas se perder, não deixará ele as noventa
e nove sobre os montes e irá à procura daquela que se perdeu? E, se por acaso a encontrar,
certamente vos digo que se alegrará mais com ela do que com as noventa e nove que não se
perderam. Do mesmo modo, não é algo desejável para meu Pai, que está no céu, que pereça um
destes pequenos.”
GABARITO
Tradução do Novo Mundo das Sagradas Escrituras. Mateus 18:12.
Texto 2
“Pequei, Senhor, mas não porque hei pecado,
Da vossa piedade me despido,
Porque, quanto mais tenho delinqüido,
Vos tenho a perdoar mais empenhado.
Se basta a vos irar tanto um pecado,
A abrandar-vos sobeja um só gemido,
Que a mesma culpa, que vos ha ofendido,
Vos tem para o perdão lisonjeado.
Se uma ovelha perdida, e já cobrada
Glória tal, e prazer tão repentino
Vos deu, como afirmais na Sacra História:
Eu sou, Senhor, a ovelha desgarrada
Cobrai-a, e não queirais, Pastor Divino,
Perder na vossa ovelha a vossa glória.”
IMPRIMIR
MATOS, Gregório de. Poesia Barroca. São Paulo: Melhoramentos.
52. F.M. Triângulo Mineiro-MG A idéia do Texto 1, à qual Gregório de Matos recorre,
corresponde à:
a) preocupação de Deus com todos os que seguem os seus ensinamentos;
b) ira que Deus mostra em relação aos que pecam e deixam de seguir o caminho divino;
c) expiação dos pecados para aqueles que ferem os ensinamentos do Criador;
d) exaltação da sabedoria de Deus, que exclui da salvação os que se desviam do santo caminho;
e) preocupação especial de Deus com os que pecam e desviam-se do caminho divino.
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53. F.M. Triângulo Mineiro-MG O verbo destacado no Texto 1 significa:
a) morra.
d) peque.
b) sofra.
e) padeça.
c) se perca.
54. F.M. Triângulo Mineiro-MG Pode-se entender, do texto 2, que Gregório Matos:
a) reconhece seus pecados, mas não se arrepende deles, razão pela qual acredita que não
será salvo;
b) conversa com o Senhor, explicando-lhe que é uma ovelha tão importante quanto as
demais e, por isso, merece a salvação;
c) suplica pela salvação divina, pois está arrependido de todos os pecados que cometeu
durante a sua vida;
23
d) argumenta, chantageando o Senhor, pois, se Ele não o salvar entrará em contradição
com a Sagrada Escritura;
e) submete-se à vontade de Deus, deixando que Ele decida se o salva ou não.
55. Univali-SC
GABARITO
“Opções diferentes no Estado
Entre tantas datas comemorativas, algumas passam quase em branco e outras são exaustivamente lembradas. O Dia do Museu, comemorado hoje, talvez não precise de uma grande festa
nacional, mas pode servir de momento de reflexão sobre a existência dessas instituições surgidas
na antigüidade, “para conservar, estudar, valorizar pelos mais diversos modos, e sobretudo expor
para deleite e educação do público, coleções de interesse artístico, histórico e técnico”, conforme
a definição do dicionário Aurélio. Santa Catarina possui cerca de 100 museus, de acordo com um
levantamento da Gerência de Organização de Museus da Fundação Catarinense de Cultura. Eles
estão espalhados por pelos menos 50 cidades.
A palavra museu, vem do grego “mouseon”, que significa templo de musas. E as musas escolhidas nos municípios catarinenses são as mais variadas. Muitos museus são dedicados à história
de cidade na qual estão sediados. Mas há também os arqueológicos, antropológicos, de artes, de
armas, erguidos em homenagem à cerveja, ao vinho ou aos insetos, os religiosos, ecológicos,
oceanográficos, os que reverenciam a colonização ou profissões, entre tantos outros que chegam
a impressionar pela variedade de temas científicos e culturais.”
SILVA, Marco Aurélio. Jornal de Santa Catarina, 18/05/00.
Sobre o texto, assinale a alternativa correta.
a) O objetivo do texto é explicar morfologicamente o significado da palavra museu.
b) O texto preocupa-se em lembrar a importância de todas as datas comemorativas.
c) É um texto informativo sobre uma data comemorativa pouca lembrada.
d) O autor se utiliza da narração para argumentar sobre a necessidade dos museus.
IMPRIMIR
e) O texto sugere que os museus de Santa Catarina não são valorizados, visitados e respeitados pelos catarinenses porque não há quem os preserve.
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Texto para as questões 56 e 57:
“A carta de Pêro Vaz de Caminha
24
Num dos trechos de sua carta a D. Manuel, Pêro Vaz de Caminha descreve como foi o
contato entre os portugueses e os tupiniquins, que aconteceu em 24 de abril de 1500: “O
Capitão, quando eles vieram, estava sentado em uma cadeira, aos pés de uma alcatifa por
estrado; e bem vestido, com um colar de ouro, muito grande, ao pescoço (...) Acenderam-se
tochas. E eles entraram. Mas nem sinal de cortesia fizeram, nem de falar ao Capitão; nem a
ninguém. Todavia um deles fitou o colar do Capitão, e começou a fazer acenos com a mão em
direção à terra, e depois para o colar, como se quisesse dizer-nos que havia ouro na terra. E
também olhou para um castiçal de prata, e assim mesmo acenava para a terra, e novamente
para o castiçal, como se lá também houvesse prata! (...) Viu um deles umas contas de rosário,
brancas; fez sinal que lhas dessem, folgou muito com elas, e lançou-as ao pescoço, e depois
tirou-as e meteu-as em volta do braço, e acenou para a terra e novamente para as contas e
para o colar do Capitão, como se davam ouro por aquilo. Isto tomávamos nós nesse sentido,
por assim o desejarmos! Mas se ele queria dizer que levaria as contas e mais o colar, isto não
queríamos nós entender, por que não lho havíamos de dar! E depois tornou as contas a quem
lhas dera. E então estiraram-se de costas na alcatifa, a dormir sem procurarem maneiras de
esconder suas vergonhas, as quais não eram fanadas; e as cabeleiras delas estavam raspadas
e feitas. O Capitão mandou pôr por baixo de cada um seu coxim; e o da cabeleira esforçavase por não a estragar. E deitaram um manto por cima deles; e, consentindo, aconchegaram-se
e adormeceram.”
COLEÇÃO BRASIL 500 ANOS. Fasc. I, Abril, SP, 1999.
GABARITO
56. UFSC De acordo com o texto, assinale a(s) proposição(ões) verdadeira(s).
01. Pêro Vaz de Caminha, um dos escrivães da armada portuguesa, escreve para o Rei
de Portugal, D. Manuel, relatando como foi o contato entre os portugueses e os
tupiniquins.
02. Em E eles entraram. Mas nem sinal de cortesia fizeram, nem de falar ao capitão,
nem a ninguém, fica implícito que os tupiniquins desconheciam hierarquia ou categoria social lusitanas.
04. O trecho ... e acenou para a terra e novamente para as contas e para o colar do
Capitão, como se davam ouro por aquilo. Isto tomávamos nós nesse sentido, por
assim o desejarmos, evidencia que havia problemas de comunicação entre portugueses e tupiniquins.
08. Nada, na embarcação portuguesa, pareceu despertar o interesse dos tupiniquins.
Dê, como resposta, a soma das alternativas corretas.
IMPRIMIR
Vocabulário:
Alcatifa – tapete, carpete.
Fanadas – murchas.
Coxim – almofada que serve de assento.
57. UFSC A propósito do texto, é correto afirmar que:
01. A expressão ...folgou muito com elas... pode ser substituída por divertiu-se muito
com as contas do rosário.
02. Os tupiniquins, bastante comunicativos, falaram aos marinheiros que havia muita
riqueza na terra descoberta.
04. Pelo trecho ...E também olhou para um castiçal de prata, e assim mesmo acenava para a terra... entende-se que os tupiniquins estavam dentro da embarcação
portuguesa.
08. Os tupiniquins ficaram constrangidos com a presença dos portugueses e logo abandonaram o navio.
Dê, como resposta, a soma das alternativas corretas.
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Texto para as questões 58 e 59.
IMPRIMIR
GABARITO
25
“A história oficial tem sido contada do ponto de vista dos dominadores e não dos dominados.
Essa perspectiva se inverte na entrevista abaixo, publicada na revista Isto é (21/7/99, p. 7-11), em
que o índio tapuia Kaká Werá Jecupe analisa os 500 anos do descobrimento do Brasil, sob a
ótica dos que habitavam o Novo Mundo quando os colonizadores europeus aqui chegaram, e fala
do seu livro A terra dos mil povos. Apresentamos, a seguir, trechos dessa entrevista.
ISTOÉ - O Brasil está se preparando para comemorar seus 500 anos. Para os povos indígenas,
são anos de descoberta ou de invasão?
Kaká - De desencontro. Desencontro que provocou e continua provocando situações gravíssimas. A realidade atual indígena não é fácil. Ainda hoje, em grandes áreas do País, é na base do
tiro. Os interesses que provocam essas ações continuam os mesmos interesses econômicos: Hoje
há um elemento a mais que são as indústrias farmacêuticas multinacionais que estão praticando a
biopirataria, roubando todo o conhecimento ancestral que os povos indígenas detêm a respeito
de ervas medicinais.
ISTOÉ - E qual é a razão desse desencontro?
Kaká - A semente desse desencontro está na sociedade que tem na sua estrutura de cultura a
questão do ter e encontrou uma cultura aqui voltada para o ser.
ISTOÉ - Os europeus chegaram trazendo o progresso, trataram aqui como primitivos. Como
você pensa essa relação?
Kaká - Para quem fundamenta a sua cultura no teor, a noção de progresso está a ver ao seu
redor o acúmulo de bens materiais. A noção de progresso dos indígenas está em desenvolver a
sua capacidade criativa, a sua expressão no mundo. É preciso que a civilização olhe para os índios
com menos prepotência, até para perceber que ela está em colapso. (...)
ISTOÉ - Nesses 500 anos, com o desaparecimento de centenas de etnias, qual foi o maior
patrimônio que o Brasil já perdeu?
Kaká - O patrimônio da sabedoria. O brasileiro não sabe da sua própria cultura. Tem todo um
modelo insistindo no imaginário que vê o índio como um pobre coitado. Esses 500 anos oferecem
a possibilidade de rever as suas raízes, ter a percepção desse patrimônio.
ISTOÉ - Há um trecho em seu livro, A terra dos mil povos, em que você escreve: “De acordo com
a nossa tradição, uma palavra pode proteger ou destruir uma pessoa. Uma palavra na boca é
como uma flecha no arco.” O que significa exatamente a palavra para o índio?
Kaká - Para o tupi-guarani, ser e linguagem são uma coisa só. A palavra tupuy designa ser. A
própria palavra tupi significa em pé. Nosso povo enxerga o ser como um som, um tom de uma
grande música cósmica, regida por um grande espírito criador, o qual chamamos de Namandu-ruetê, ou Tupã, que significa o som que se expande. Um dos nomes da alma é neeng, que também
significa fala. Um pajé é aquele que emite neeng-porã, aquele que emite belas palavras. Não no
sentido de retórica. O pajé é aquele que fala com o coração. Porque fala e alma são uma coisa só.
É por isso que os guaraniscayowas, por ilusão dessas relações com os brancos, preferem recolher
a sua palavra-alma. Se matam enforcados (como vem acontecendo há cerca de dez anos, em
Dourados, em Mato Grosso do Sul) porque a garganta é a morada do ser. Por aí você pode ver que
a relação da linguagem com a cultura é muito profunda para o tupi-guarani. (...)”
58. UFMS Marque a(s) proposição(ões) verdadeira(s), de acordo com os trechos da entrevista que você acabou de ler.
01. Para Kaká Jecupe, a tensão entre índios e brancos é um problema deste final de
século, motivado pelo acirramento de interesses econômicos.
02. A biopirataria mencionada na entrevista consiste no roubo de ervas medicinais indígenas pelas indústrias farmacêuticas multinacionais.
04. A base do desencontro entre índios e brancos está nos valores assumidos por cada
uma dessas culturas, que são respectivamente o ter e o ser.
08. A noção do progresso relacionada ao ser desloca a questão do acúmulo de bens
materiais para a do aprimoramento da criatividade.
16. Na opinião do escritor tapuia, ver o índio de forma menos prepotente levaria a civilização atual a voltar o olhar sobre si mesma para avaliar sua própria situação.
32. A representação do índio como “pobre coitado” é um dos estereótipos cultivados
pelo imaginário nacional.
64. Os 500 anos de Brasil significam, para as etnias indígenas desaparecidas, a oportunidade de resgatar sua raízes culturais dilapidadas pelo progresso.
Dê, como resposta, a soma das alternativas corretas.
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Língua Portuguesa - Interpretação de texto I
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59. UFMS-MS Com base no trecho em que se discorre sobre a linguagem na visão do índio, é correto afirmar que:
01. a linguagem, enquanto som, e o ser são elementos distintos, mas que se combinam
harmoniosamente na constituição da “grande música cósmica”.
02. palavra, em tupi, significa “som em pé”.
04. na tradição indígena, a palavra é vista como uma forma de poder nas relações interpessoais.
08. o termo “neeng-porã” não significa “belas-palavras” enquanto mero ornamento do
discurso, tendo a ver com sentimento, emoção.
16. entendendo alma e fala como “uma coisa só”, os guaranis-cayowas da região de
Dourados, em Mato Grosso do Sul, vêem no gesto de pôr fim à vida a forma de fazer
calar a palavra-alma.
32. a principal causa apontada por Kaká para justificar os suicídios ocorridos em Dourados é o desencanto que os índios passam a ter com sua própria língua e cultura,
depois do contato com a língua e a cultura do homem branco.
64. na frase “Uma palavra na boca é como uma flecha no arco.”, a metáfora usada cria um
efeito de sentido de realidade ao identificar a linguagem com uma arma de caça e guerra.
Dê, como resposta, a soma das alternativas corretas.
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GABARITO
26
Texto para as questões 60 e 61.
Também o compositor Geraldo Espíndola retrata os fatos a partir do ponto de vista do
índio na canção “Quyquyho” (LP Prata da Casa, 1982), cuja letra reproduzimos abaixo.
“Quyquyho nasceu no centro entre montanhas e o mar
Quyquyho viu tudo lindo tudo índio por aqui
Indiamérica deu filhos foi Tupi foi Guarani
Quyquyho morreu feliz deixando a Terra para os dois
Guarani foi pro Sul, Tupi foi pro Norte e
Formaram suas tribos cada um no seu lugar
Vez em quando se encontravam pelos rios da América
E lutavam juntos contra o branco em busca de servidão
E sofreram tantas dores acuados no sertão
Guarani foi pro Sul
Tupi entrou no Amazonas
Quyquyho na lua cheia
Quer Tupi quer Guarani
Quyquyho na lua cheia
Quer Tupi quer Guarani.”
60. UFMS Os aspectos apontados, a seguir, podem ser encontrados em “Quyquyho”, exceto:
01. menção à origem comum das tribos Tupi e Guarani.
02. alusão ao deslocamento geográfico das duas tribos, provocado pela discórdia.
04. oposição índio feliz, nos primeiros tempos, versus índio sofredor, a partir da relação com o branco.
08. noção que a terra pertence aos indígenas, pois a eles foi legada.
16. sugestão de uma relação harmoniosa entre a terra e o índio, ilustrada pela aglutinação dos termos índio e América.
32. presença de um forte sentimento ufanista.
Dê, como resposta, a soma das alternativas corretas.
61. UFMS Reconheça abaixo o(s) item(ns) que representa(m) pontos comuns entre os textos 1 (entrevista) e 2 (letra de música).
01. Referência à violência praticada pelo branco contra o índio.
02. Alusão ao “grande espírito” criador do Universo, denominado Namandu-ru-etê ou
Tupã, e Quyquyho.
04. Uso da narração como forma de estruturação das idéias no texto.
08. Emprego de termos de origem indígena.
16. Indicação da(s) razão(ões) que explica(m) as divergências entre brancos e índios.
32. Visão ingênua e idealizada do índio.
Dê, como resposta, a soma das alternativas corretas.
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Língua Portuguesa - Interpretação de texto I
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As questões de números 62 a 64 referem-se ao texto que segue.
“Natal 1961
Deslocados por uma operação burocrática – o recenseamento da terra – a Virgem e o carpinteiro José aportam a Belém.
“Não há lugar para essa gente”, grita o dono do hotel onde se realiza um congresso internacional de solidariedade.
O casal dirige-se a uma estrebaria, recebido por um boi branco e um burro cansado do trabalho.
Os soldados de Herodes distribuem elementos radioativos a todos os meninos de menos de dois
anos.
Uma poderosa nuvem em forma de cogumelo abre o horizonte e súbito explode.
O menino nasce morto.”
MENDES, Murilo. Conversa portátil. Poesia completa e prosa.
Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1944. p. 1486.
27
62. Unifor-CE Pode-se inferir que o autor do texto:
I. Atualiza a história de Cristo, adaptando o sentido da paixão cristã às duras condições
de vida nas grandes cidades.
II. Faz ver que, em nossa era, o advento de um Cristo seria impossível, em vista das
atrocidades em que os homens se especializaram.
III. Ironiza a corrida armamentista, comparando-a a fatos narrados em passagens bíblicas.
Está correto somente o que se afirma em:
a) I.
d) I e II.
b) II.
e) II e III.
c) III.
63. Unifor-CE Anacronismo. S.m. 1. Confusão de data quanto a acontecimentos ou
pessoas.
Com base na definição acima, do Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa, o
autor se vale intencionalmente de um anacronismo quando associa:
a) a Virgem e o carpinteiro José à cidade de Belém;
b) a fala do dono de um hotel à realização de um congresso;
c) soldados de Herodes a elementos radioativos;
d) nuvem em forma de cogumelo a súbita explosão;
GABARITO
e) uma estrebaria a um boi branco e um burro cansado.
64. Unifor-CE O texto apresenta-se de forma predominantemente:
a) narrativa, com narrador em terceira pessoa;
b) narrativa, com narrador em primeira pessoa;
c) descritiva, sobretudo nos três primeiros parágrafos;
d) descritiva, sobretudo nos três últimos parágrafos;
IMPRIMIR
e) dissertativa, pois se apóia em argumentos encadeados.
65. Unifor-CE Atente para as seguintes afirmações:
I. Na crônica moderna, o cotidiano pouco ou nenhum interesse tem; o que importa são
as emoções profundas e intemporais do homem, anotadas em estilo elegante.
II. No romance, mais do que no conto ou na novela, as personagens ganham amplo
desenvolvimento, as tramas se cruzam e os espaços de ação se multiplicam.
III. No conto, o reduzido espaço narrativo obriga o narrador a selecionar e a concentrar
as ações essenciais de suas poucas personagens num tempo quase sempre bastante
limitado.
Está correto o que se afirma em:
a) II, somente;
d) II e III, somente;
b) I e II, somente;
e) I, II e III.
c) I e III, somente;
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Texto para as questões de 66 a 69.
“Certo milionário brasileiro foi traído pela esposa. Quis gritar, mas a infiel disse-lhe sem medo:
– “Eu não amo você, nem você a mim. Não temos nenhum amor a trair”. O marido
baixou a cabeça. Doeu-lhe, porém, o escândalo. Resolveu viajar para a China, certo de que
a distância é o esquecimento. Primeiro, andou em Hong Kong. Um dia, apanhou o automóvel e correu como um louco. Foi parar quase na fronteira com a China. Desce e percorre, a
pé, uma aldeia miserável. Viu, por toda a parte, as faces escavadas da fome. Até que entra
na primeira porta. Tinha sede e queria beber. Olhou aquela miséria abjeta. E, súbito, vê
surgir, como num milagre, uma menina linda, linda. Aquela beleza absurda, no meio de
sordidez tamanha, parecia um delírio. O amor começou ali. Um amor que não tinha fim,
nem princípio, que começara muito antes e continuaria muito depois. Não houve uma palavra entre os dois, nunca. Um não conhecia a língua do outro. Mas, pouco a pouco, o brasileiro foi percebendo esta verdade: – são as palavras que separam. Durou um ano o amor
sem palavras. Os dois formavam um maravilhoso ser único. Até que, de repente, o brasileiro
teve que voltar para o Brasil. Foi também um adeus sem palavras. Quando embarcou, ele a
viu num junco que queria seguir o navio eternamente. Ele ficou muito tempo olhando.
Depois não viu mais o junco. A menina não voltou. Morreu só, tão só. Passou de um silêncio
a outro silêncio mais profundo.”
RODRIGUES, Nelson. A cabra vadia: novas confissões.
São Paulo: Companhia das Letras, 1995.
28
66. UERJ Há uma contradição aparente entre as passagens “um amor que não tinha fim” e
“durou um ano o amor sem palavras”.
Essa aparente contradição se desfaz se procurarmos interpretar o texto relacionando-o
aos seguintes versos da poesia brasileira:
a) “quando o amor tem mais perigo
é quando ele é sincero” (Cacaso).
b) “Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure” (Vinícius de Morais).
c) “e se te fujo é que te adoro louco
és bela – eu moço; tens amor – eu medo! ...” (Casimiro de Abreu).
d) “não é pois todo amor alvo divino,
GABARITO
e mais aguda seta que o destino?” (Carlos Drummond de Andrade).
67. UERJ A esposa do milionário convenceu o marido.
Para apresentar o seu argumento de uma forma completa, ela poderia utilizar a seguinte
construção:
a) “Toda traição envolve outro amor, ora, eu amo outro; logo, eu não amo você”.
b) “Só se trai a quem se ama; ora, eu não te amava nem você me amava; logo, eu não te
trai”.
c) “Na dívida entre o amor e a traição eu escolhi, como mulher, o amor; logo, você não
se deve sentir traído”.
IMPRIMIR
d) “Como você não me amava nem eu a você, ninguém tem culpa dessa traição; logo,
cada um deve seguir a sua vida”.
68. UERJ O pequeno conto de Nelson Rodrigues narra o improvável encontro entre um
milionário brasileiro e uma menina miserável do interior da China.
O caráter improvável desse encontro pode ser lido como uma metonímia que tem função
central na constituição do sentido do texto.
Essa função é a de:
a) revelar as obsessões do autor;
b) marcar as repetições da narrativa;
c) negar um amor para afirmar outro;
d) ressaltar a dificuldade dos encontros amorosos.
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Língua Portuguesa - Interpretação de texto I
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69. UERJ O narrador de um conto assume determinados pontos de vista para conduzir o
seu leitor a observar o mundo sob perspectivas diversificadas.
No conto de Nelson Rodrigues, a narrativa busca emocionar o leitor por meio do seguinte recurso:
a) expressa diretamente o ponto de vista do personagem milionário;
b) expressa de maneira indireta o ponto de vista da personagem chinesa;
c) alterna o ponto de vista do personagem milionário com o do narrador;
d) alterna o ponto de vista do personagem milionário com o da personagem chinesa.
70. Univali-SC
“Agonia pública
29
Na cama, de olhos semicerrados, a boca aberta no esforço desesperado por ar, a cabeça sem
cabelos, os olhos salientes pela magreza do doente terminal. No colo dele, uma fotografia tirada
apenas dois meses antes daquele momento final. Na imagem, um homem robusto, musculoso e
de farta cabeleira loira aparece com o filho pequeno nos braços. A divulgação das fotos chocantes
foi o último desejo do moribundo, Bryan Lee Curtis, um americano de 34 anos devastado pelo
câncer nos pulmões. O motivo para tornar pública a própria agonia foi a esperança de servir de
alerta sobre os malefícios do cigarro. Enquanto agonizava, em 3 de junho, sua mãe ligou para o
St. Petersburg Times, jornal da cidade de St. Petersburg, na Flórida, pedindo a presença de um
fotógrafo. Às 11h56, Bryan morreu em casa, ao lado da mãe, da mulher, Bobbie, e do filho Bryan
Jr., de 2 anos. Em poucos dias, o retrato de sua morte espalhou-se pelo mundo. (...)”
Revista Veja, 30 de junho de 1999.
Sobre o texto acima pode-se afirmar:
a) Observa-se a predominância de figuras de linguagem que realça a narrativa.
b) É um texto poético com intuito de relatar o drama vivido por um paciente terminal.
c) É um texto jornalístico com elementos descritivos para caracterizar a situação do doente.
d) É um pequena dissertação argumentativa contra o uso do tabaco.
e) É pura e simplesmente uma narração.
71. Univali-SC
GABARITO
“A reconstrução de Anita
Ana Maria de Jesus Ribeiro mudou de nome e carimbou seu passaporte para a História aos 18
anos, quando abandonou o primeiro marido, um sapateiro, para embarcar no navio comandado
pelo revolucionário italiano Giuseppe Garibáldi (1807–1882). Virou Anita. Dez anos depois, em 4 de
agosto de 1849 – há exatos 150 anos –, com a cabeça a prêmio e perseguida pelo Exército austríaco,
morreu nos braços de Garibáldi, numa fazenda em Mandriole, 400 quilômetros ao nordeste de
Roma, na Itália. Lá, é venerada como heroína da unificação. Mas, no Brasil, onde nasceu e combateu
ao lado de rebeldes republicanos na Revolução Farroupilha (1835–1845), é quase desconhecida.
Tanto que só passou a existir, oficialmente, há três meses. Só no último dia 11 de maio, o cartório
de Laguna, em Santa Catarina, por iniciativa da Câmara Municipal, expediu o chamado mandado de
registro de nascimento tardio. O documento afirma que Ana Maria de Jesus Ribeiro nasceu em
Laguna, em 30 de agosto de 1821. Ninguém sabe se a data e o local estão corretos. Naquela época
não existia certidão de nascimento e o chamado “assento de batismo” jamais foi encontrado.”
IMPRIMIR
MARKUN, Paulo. Superinteressante, agosto de 1999.
Observe as afirmações abaixo:
I. O autor isenta-se de opinar a respeito do assunto.
II. O autor chama a atenção para a desvalorização em relação à história de Anita Garibáldi.
III. O texto é um relato poético da vida de Anita Garibáldi.
IV. Este trecho sintetiza um pouco a vida heróica de Anita.
V. Os parágrafos narram a trajetória da heroína catarinense Anita Garibáldi.
Estão de acordo com o texto:
a) somente a II.
d) II, IV e V.
b) I e III.
e) somente a V.
c) somente a III.
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72. Univali-SC
“As armadilhas da lógica
30
(...) Ele lecionava lógica de segunda a sábado para uma turma, digamos, efervescente. Aborrecido com o mau desempenho de seus discípulos, um dia perdeu a paciência: “A partir de agora,
vocês terão uma prova toda semana”, anunciou peremptoriamente. E ressaltou: “Como na vida o
tempo é escasso e bem determinado, eu só avisarei de véspera que o teste será realizado. Assim,
os senhores terão no máximo 24 horas para se preparar, e nada mais”. Assustados, os jovens se
remexeram em suas carteiras. Um deles, porém, manteve a impassividade de quem tinha a certeza
de ter encontrado uma brecha lógica.
Depois de esperar que o evidente mau humor do mestre passasse, o jovem ponderou: “Professor, rigoroso, porém justo e lógico como o senhor tem sido, quero acreditar que nunca poderá nos
dar tal prova”. Antes que todos saíssem do estado de curiosidade e espanto, emendou. “O senhor, para ser coerente, nunca poderá reservar o sábado para nos testar, pois, como ele é o último
dia com aulas na semana, ao terminarmos as aulas da quinta-feira e percebermos que não nos
avisaram da prova da sexta-feira, então saberemos com 48 horas de antecedência que ela só
poderá ser no sábado, contrariando sua própria norma de termos no máximo um dia de preparo”.
“Parece-me justo”, afirmou o professor, que podia ser rigoroso mas não impermeável a um bom
argumento.
O estudante, no entanto, ainda não tinha terminado. “Se o senhor concorda, então, que o
sábado está descartado, isso significa que sexta-feira é o último dia para aplicar o teste”, raciocinou. “Assim, ao terminar a nossa aula de quarta-feira, se o senhor não nos avisar do teste na
quinta, logo descobriremos, com 48 horas disponíveis, que a prova será na sexta-feira, contrariando mais uma vez a regra imposta”.
Não foi necessário prosseguir. O mestre percebeu que havia caído numa armadilha da lógica ao
formular uma regra impossível de ser coerentemente seguida. Pelo mesmo critério, ficariam prejudicados os demais dias da semana. (...)”
Luiz Barco.
Após a leitura do trecho acima, retirado da revista Superinteressante de maio de 1999,
pode-se pressupor que o autor pretende:
a) fazer que os professores não se utilizem da “prova” para forçar seus alunos a estudar;
b) mostrar que há lógica matemática até em pequenas situações do dia-a-dia;
c) reafirmar que o “aluno sempre tem razão”;
IMPRIMIR
GABARITO
d) provar que o cálculo realizado pelo aluno está equivocado;
e) chamar a atenção para a lógica como armadilha, portanto, não deve ser usada em
todos os casos.
73. Unb-DF O texto poético pode servir de base ao texto publicitário; porém, às vezes, é
este que fundamenta aquele. Relacionando essa observação ao texto acima, julgue os
itens que se seguem.
( ) O texto é uma paródia da embalagem original de um produto.
( ) O modo como foi desenhada a letra inicial de “Clichetes” permite a leitura musical, financeira e política da mensagem.
( ) No texto, “MASCARAR” está para mascar assim como “MENTAL” está para
menta.
( ) Esse é um texto característico da literatura que se propagou no Brasil a partir de
1922 como uma espécie de crítica ao imperialismo norte-americano.
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Língua Portuguesa - Interpretação de texto I
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74. UFGO O poema abaixo é de José Paulo Paes.
“À IMPROPRIEDADE
De cearense sedentário
baiano lacônico
mineiro perdulário
Deus nos guarde.
De carioca cerimonioso
gaúcho modesto
paulista preguiçoso
Deus nos livre e guarde.”
Interpretando-se os sentimentos do poema, pode-se afirmar que:
( ) em seu sentido global, o poema reafirma os estereótipos a respeito dos diversos
tipos de brasileiro.
( ) o poema construído com antíteses parcialmente implícitas: ao conceito de “cearense sedentário”, por exemplo, opõe-se “cearense migrante”.
( ) o poema é bem-humorado por causa das inversões de sentido utilizadas pelo autor.
( ) o título “À impropriedade” funciona como um ornamento dispensável ao texto,
sem manter assim relações de sentido com o poema.
INSTRUÇÃO: Leia atentamente o texto e julgue os itens das questões de 75 a 77.
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GABARITO
31
“UM DIA QUALQUER - 66583624
(Chico Amaral)
Na espuma das ondas
As meninas se lançam
As cadeiras redondas
Onde as ondas se amansam
Todo dia é na praia
Todo minuto é pra um
Todo dia é todo o tempo
O tempo todo, tempo algum
Eu passei lá na vila
Ele é de Vila Isabel
Meu nego meu jongo
Hoje eu chego na barra do céu
Você me entenda
Dança de Oxum é assim
Se joga no mundo
Cai nas ondas e volta para mim
Hoje é final de século
Hoje é um dia qualquer
Você vai ao cinema
Ou toma um foguete, ou toma um café
Hoje bobagem, drama
Hoje é um dia comum
Você deita na cama
Com os pés no século vinte e um
Então corre pra ver
Então fica para ver
Então corre pra ver
Beleza do mundo descer
Toda rua começa
Onde acaba o meu mal
De conversa em conversa
Eu já passei da capital
Era um filme domingo
Penas do paraíso
Eu só guardo o que me ensinou
que tocar é preciso”
(CD–SKANK)
75. UFMT
( ) Lendo somente as palavras em negrito, pode-se perceber que a imagem de
vida do eu lírico permanece inalterada mesmo com a proximidade do século
vinte e um.
( ) No texto, predomina a narração com a manutenção da unidade temática.
( ) A linguagem do texto é marcada pela logicidade e linearidade.
( ) O texto ressalta a uniformidade da formação cultural brasileira: branca, européia e cristã.
76. UFMT
( ) Na primeira estrofe, concretiza-se uma paródia do célebre poema de Bandeira: “a
onda anda/aonde anda/a onda?”.
( ) Há também na primeira estrofe um traço erotizante traduzido pela imagem ...cadeiras... onde as ondas se amansam.
( ) O espraiar das ondas é sugerido pela reiteração de fonemas nasais em toda a estrofe
primeira.
( ) A última linha do texto estabelece intertextualidade com os versos “Navegar é preciso/
viver não é preciso”, revelando, assim como estes, o sentido da vida para o eu lírico.
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77. Unifor-CE
“Bem quisera ter mais intimidade com ela, falar-lhe de minhas dúvidas, de minhas fraquezas, de
meus receios. Mas somos nesta casa uma família de estranhos. Assalta-me freqüentemente a
impressão de que vivemos num alojamento de emigrantes, que só a língua têm em comum.
Revolto-me contra mim mesmo, pois suponho ser em parte o causador desse mal-estar. Minha
natureza cria embaraços à aproximação de uns aos outros. Vivem constrangidos, sem liberdade,
como que em presença de um inválido.”
O trecho acima apresenta características evidentes de:
I. Narração em primeira pessoa, com predomínio do tom reflexivo e de marcas de análise psicológica.
II. Dissertação, voltada para a exterioridade das ações e marcada por um tom de convicção.
III. Prosa poética, apoiada em figuras de linguagem e empenhada na expressão do mundo imaginário em que vive o autor.
Está correto somente o que está caracterizado em:
a) I.
b) II.
c) I e II.
d) I e III.
e) II e III.
As questões de números 78 a 80 baseiam-se no texto abaixo.
“Hoje não escrevo
32
Chega um dia de falta de assunto. Ou, mais propriamente, de falta de apetite para os milhares
de assuntos.
Escrever é triste. Impede a conjugação de tantos outros verbos. Os dedos sobre o teclado, as
letras se reunindo com o maior ou menor velocidade, mas com igual indiferença pelo que vão
dizendo, enquanto lá fora a vida estoura não só em bombas como também em dádivas de toda
natureza, inclusive a simples claridade da hora, vedada a você, que está de olho na maquininha. O
mundo deixa de ser realidade quente para se reduzir a marginália, purê de palavras, reflexos no
espelho (infiel) do dicionário.
(...)
Que é isso, rapaz. Entretanto, aí está você, casmurro e indisposto para a tarefa de encher o
papel de sinaizinhos pretos. Conclui que não há assunto, quer dizer: que não há para você, porque ao assunto deve corresponder certo número de sinaizinhos, e você não sabe ir além disso, não
corta na verdade a barriga da vida, não revolve os intestinos da vida, fica em sua cadeira assuntando, assuntando. Então hoje não tem crônica.”
IMPRIMIR
GABARITO
Carlos Drummond de Andrade.
78. Unifor-CE Considere as seguintes afirmações:
I. A ação de escrever priva, por vezes, o escritor de usufruir de coisas simples do cotidiano.
II. Não basta haver variedade de assunto; escrever exige predisposição e inspiração.
III. O escritor empenha-se em produzir textos de qualidade superior à daqueles escritos
por simples falantes da Língua.
Está correto, em relação ao texto, o que se afirma em:
a) somente II;
d) somente II e III;
b) somente I e II;
e) I, II e III.
c) somente I e III;
79. Unifor-CE De acordo com o último parágrafo do texto:
a) momentos de reflexão são importantes para que o assunto venha a ocupar a mente
daquele que escreve;
b) escrever bem implica sensibilidade e talento na percepção da matéria a ser explorada
na escrita;
c) a indisposição para a tarefa de encher o papel de sinaizinhos pretos é própria das
pessoas casmurras;
d) a falta, bem como a abundância de assunto, depende das condições intelectuais daquele que escreve;
e) letras e escritor embaralham-se no momento de passarem a expressão das idéias para
o papel.
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80. Unifor-CE No fragmento “reflexos no espelho (infiel) do dicionário”, o adjetivo infiel
denota que:
a) nem sempre o significado dicionarizado das palavras satisfaz plenamente a busca daquele que escreve;
b) as palavras dicionarizadas perdem a essência de seu significado, uma vez contextualizadas;
c) o emprego adequado da palavra decorre da atividade de consulta ao dicionário;
d) há matizes de significado entre as palavras arroladas na mesma série sinonímica;
e) o escritor não pode dispensar o auxílio do dicionário – o que lhe garante a perfeição
do texto.
As questões de 81 a 84 referem-se ao seguinte texto:
“Os Jardins
33
Sempre olhei para os jardins com doçura e gratidão. Eles são as minhas aldeias. Tão sossegados! Só nos jardins há amores-perfeitos. Aquele jardim era meu amigo. Tinha uma
árvore, um jardineiro risonho, mas triste, com qualquer coisa de gato e de mulher. E tinha
canteiros de rosas. Era um Jardim sereno. Sábado. Quem pode vai para fora. Os outros
ficam aqui mesmo. Imagine o campo, logo mais. A noite caindo sem desastres. O cheiro de
terra. Uma voz de água no silêncio. Ah! dormir com o sentimento de pôr, nos olhos e nas
mãos, amanhã, bem cedo a luz que desce de um céu imenso perdido, luz cheia de sombras
de asas. Lembro-me dela. Ela pousa, primeiro, nas árvores, como se dissesse – Bom-dia!
Chega, depois até a gente tão simples, tão igual, como se convidasse – Não quer andar?
Este desejo de viver no campo, que enche de ar refrigerante os meus sentimentos, não veio
da cidade, com certeza. Veio, talvez, do tempo. Hoje, “ir para fora” tem um sentido mais
libertador. Que bom ver outra vida! Que bom ouvir a outra face do disco!... É preciso gostar
da vida. A vida arranja tudo pelo melhor, às vezes na realidade. Às vezes na imaginação,
realidade de uso interno.”
Álvaro Moreyra.
81. Cesgranrio “Eles são as minhas aldeias. Tão sossegados! Só nos jardins há amoresperfeitos.”
No texto, as palavras destacadas conotam, respectivamente:
a) esconderijo e flor silvestre;
d) proteção e felicidade;
b) lugarejo e beleza natural;
e) segurança e incerteza.
GABARITO
c) solução e realidade;
82. Cesgranrio A caracterização do jardineiro “com qualquer coisa de gato e de mulher”
corresponde, semanticamente, a:
a) meio arredio e misterioso;
d) bastante descrente e desiludido;
b) muito arredio e pouco confiável;
e) com certa melancolia e pouca sinceridade.
c) pouco desconfiado e muito observador;
83. Cesgranrio O texto estrutura-se com períodos curtos. Semanticamente, essa construção
caracteriza a:
a) realidade e a expressão dos anseios do narrador;
b) narração e a relação realidade-imaginação;
IMPRIMIR
c) sensibilidade e o contraste do sentimento com a razão;
d) fantasia e a irrealização pessoal do narrador;
e) reflexão e a progressiva introspecção do narrador.
84. Cesgranrio A palavra ou expressão que marca o ingresso no imaginário é:
a) “amores-perfeitos”.
d) “céu imenso perdido”.
b) “Sábado”.
e) “luz cheia de sombras de asas”.
c) “cheiro de terra”.
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85. Univali-SC
“A Tecnologia aproxima os empresários
Telefone e Internet são importantes ferramentas
na hora de fechar negócios.
As novas tecnologias da informação têm modificado a forma de os empresários apresentarem
seus produtos ao mercado potencial e fecharem negócios. Os almoços e jantares com clientes são
cada vez menos freqüentes, sendo substituídos por apresentações e reuniões na empresa do
futuro cliente. “Hoje em dia muitos negócios são fechados por telefone, fax ou e-mail”, garante
o sócio gerente da Mega Sul Informática, empresa especializada em sistemas de automação comercial, Ingo Tirgarten. (...)
A Mega Sul costuma apresentar seu produto na empresa do cliente em potencial e, a partir daí,
o e-mail, o fax e o telefone são usados para manter contato permanente até o fechamento do
negócio. (...)
O presidente da empresa de seguros ADD Makler, Hans Dieter Didjurgeit, afirma que jantares e
almoços funcionam com mais eficiência no pós-venda (...)”
A idéia central do texto está na opção:
34
a) Não se fazem mais negócios pelos métodos antigos, como almoços e jantares com o
cliente em potencial.
b) O telefone, o fax e o e-mail têm substituído muitos encontros com o cliente para
fechamento de negócios.
c) Há novas tecnologias no mercado que substituem o e-mail, o fax e o telefone.
d) Todos os empresários, atualmente, sempre utilizam a tecnologia (telefone e internet)
na hora de fechar negócios.
e) A apresentação dos produtos que serão vendidos aos clientes devem ser apresentado
via e-mail, fax ou telefone.
86. Univali-SC
GABARITO
“Atenção ao estresse!
Mas será que isso leva ao estresse? Estatísticas confiáveis dizem que pelo menos 30% dos
brasileiros sofrem de estresse, uma das tantas doenças modernas. A psicóloga Marilda Lipp afirma: “Sob tensão pesada, o ser humano rende maravilhosamente durante algum tempo. Depois
capota”.
Uns dizem que o culpado é o trabalho. Será que é mesmo? Será que não é o resultado de uma
certa maneira de viver? O homem, afirma Aldo Colombo, trocou o dia pela noite, aboliu o Domingo, inventou a Internet, o celular..., e não desliga mais, é uma máquina nunca desligada: isto
provoca circuito e, por vezes, desliga mesmo!
O homem desaprendeu a viver; não sabe mais distribuir corretamente as 24 horas, fazendo uma
coisa de cada vez, mantendo assim o humor e a alegria de viver. Os pobres humanos que estão no
limiar do terceiro milênio devem reaprender a viver para não prepararem, para o Terceiro Milênio,
uma sociedade totalmente estressada. É mais um desafio!”
IMPRIMIR
Missão Jovem, agosto de 1999.
Observe as afirmações:
I. 30% dos brasileiros sofrem de estresse.
II. O estresse é uma doença moderna.
III. A culpa para o estresse é não saber fazer uma coisa de cada vez.
IV. O homem é uma máquina que nunca desliga.
V. O desafio para o Terceiro Milênio é reaprender a viver.
As idéias contidas no texto estão nos itens:
a) I, II e IV.
d) I, II e III.
b) II, IV e V.
e) todos os itens.
c) II, III e V.
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87. UFPR Leia com atenção esta passagem introdutória de A Lógica da Investigação Científica (1934), de Karl Popper.
“Costuma-se chamar de “indutiva” a uma inferência se ela passa de enunciados singulares
(também chamados, algumas vezes, enunciados “particulares”), tais como as descrições dos
resultados de observações ou experimentos, a enunciados universais, tais como hipóteses ou
teorias. Ora, de um ponto de vista lógico, está longe de ser óbvio que se justifique inferir
enunciados a partir dos singulares, por mais elevado que seja o número destes últimos; pois
qualquer conclusão que obtemos dessa maneira pode acabar sendo falsa: não importa quantas ocorrências de cisnes brancos possamos ter observado, isto não justifica a conclusão de
que todos os cisnes são brancos.”
Segundo Popper, “indução” é: marque V (verdadeiro) ou F (falso).
( ) A passagem de enunciados particulares a universais através de um inferência.
( ) Um método físico para o exame tanto das partículas quanto do universo.
( ) Um raciocínio cuja justificação lógica não é evidente.
( ) Um método impróprio no caso da zoologia, mas não das demais ciências.
( ) Um método lógico que nos permite concluir com segurança se certas teorias são
validadas pela observação.
35
88. Univali-SC
“No antigo Egito, o gato foi honrado e enaltecido. Sendo considerado como um animal santo.
Nesta mesma época, a gata transformou-se na representação da deusa Bastet, fêmea do deus sol
Rá. (...) Na Europa, o gato se desenvolveu com as conquistas romanas. Ele foi admirado por sua
beleza e dupla personalidade (ora um selvagem independente, ora um animal doce e afável), e
apreciado ainda no século XI quando o rato negro invadiu a Europa. No século XIII desenvolveramse as superstições e o gato passou de criatura adorada a infernal, associada aos cultos pagãos e à
feitiçaria. A igreja lhe virou as costas. (...) No século XVIII ele voltou majestoso e em perfeito
acordo com os poetas, pintores e escritores que prestam homenagem à sua graça e à beleza de
seu corpo.”
IMPRIMIR
GABARITO
Revista DC – Diário Catarinense – 25 de abril de 1999.
São idéias presentes no texto:
I. Enaltecer a figura do gato no mundo atual.
II. Descrever a história dos gatos ao longo dos tempos.
III. Justificar a importância dos gatos e dos ratos.
IV. Citar superstições acerca dos gatos.
V. Exemplificar as várias concepções a respeito dos gatos.
VI. Metaforizar sobre os poderosos nos dias atuais.
Dos itens acima, os que realmente caracterizam o texto são:
a) II, IV e V.
d) I, III e IV.
b) I, II, III e VI.
e) todos os itens.
c) I, III e VI.
89. UFMT
( ) Ações corriqueiras são usadas no texto (estrofes 5 e 6) com intenção de apontar as
alterações provocadas pela chegada do novo século.
( ) Os sentidos das estrofes 6 e 7 contradizem a postura revelada até então pelo eu
lírico de atribuir desimportância à mudança de século.
( ) Na estrofe 6, o verso Com os pés no século vinte e um revela o jogo feito ao longo
do texto entre mudanças e não-mudanças pelo passar do século.
( ) Uma leitura possível dos versos Era um filme domingo/Penas do paraíso volta-se
aos filmes vistos aos domingos que versavam sobre a dualidade sofrimento e felicidade.
( ) Na estrofe 8, percebe-se a preocupação do produtor do texto em registrar o sentido
literal das palavras e expressões.
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Texto para as questões 90 e 91.
IMPRIMIR
GABARITO
36
“OUTRO BRASIL QUE VEM AÍ
(Gilberto Freyre)
1
Eu ouço as vozes
2
eu vejo as cores
3
eu sinto os passos
4
de outro Brasil que vem aí
5
mais tropical
6
mais fraternal
7
mais brasileiro.
8
O mapa desse Brasil em vez das cores dos Estados
9
terá as cores das produções e dos trabalhos.
10 Os homens desse Brasil em vez das cores das três raças
11 terão as cores das profissões e regiões.
12 As mulheres do Brasil em vez das cores boreais
13 terão as cores variamente tropicais.
14 Todo brasileiro poderá dizer: é assim que eu quero o Brasil
15 todo brasileiro e não apenas o bacharel e o doutor,
16 o preto, o pardo, o roxo e não apenas o branco e o semibranco.
17 Qualquer brasileiro poderá governar esse Brasil
18 lenhador
19 lavrador
20 pescador
21 vaqueiro
22 marinheiro
23 funileiro
24 carpinteiro
25 contanto que seja digno do governo do Brasil
26 que tenha olhos para ver pelo Brasil,
27 ouvidos para ouvir pelo Brasil,
28 coragem de morrer pelo Brasil,
29 ânimo de viver pelo Brasil,
30 mãos para agir pelo Brasil,
31 mãos de escultor que saibam lidar com o barro forte e novo dos Brasis.
32 ...............
33 Mãos todas de trabalhadores,
34 pretas, brancas, pardas, roxas, morenas,
35 de artistas
36 de escritores
37 de operários
38 de lavradores
39 de pastores
40 de mães criando filhos
41 de pais ensinando meninos
42 de padres benzendo afilhados
43 de mestres guiando aprendizes
44 de irmãos ajudando irmãos mais moços
45 de lavadeiras lavando
46 de pedreiros edificando
47 de doutores curando
48 de cozinheiros cozinhando
49 de vaqueiros tirando leite das vacas chamadas comadres de homens.
50 Mãos brasileiras
51 brancas, morenas, pretas, pardas, roxas
52 tropicais
53 sindicais
54 fraternais.
55 Eu ouço as vozes
56 eu vejo as cores
57 eu sinto os passos
58 desse Brasil que vem aí.”
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90. AEU-DF Julgue os itens abaixo, em relação à compreensão e à interpretação do texto.
( ) O texto é uma apologia ao patriotismo, cujas exigências se baseiam inicialmente
no trabalho e no amor à prática e a seu povo.
( ) De tom otimista, revela a crença do escritor em um Brasil mais justo e democrático.
( ) Com “Todo brasileiro poderá...” (l. 14), “todo brasileiro e não apenas...” (l. 15), o
poema expõe o seu desejo de que a eqüidade sempre supere as desigualdades.
( ) As qualidades necessárias para se chegar à presidência do país deixam de ser a
cultura e a cor da pele e passam a ser os valores intrínsecos a um cidadão patriota.
( ) Ao se referir aos “Brasis” (l. 31), Gilberto Freyre alude às tão diferentes realidades
que formam este país.
37
91. AEU-DF Julgue os itens seguintes, em relação à semântica e à estilística.
( ) A passagem do verso “de outro Brasil que vem aí” (l. 4) para “desse Brasil que vem
aí” (l. 58), no quarteto repetido que abre e encerra o poema, salienta o desejo de que
a mudança esperada esteja em andamento.
( ) O termo “boreais” (l. 12) alude à cor mestiça das mulheres brasileiras.
( ) “Qualquer” (l. 17) tem, no texto, conotação pejorativa.
( ) A ação de cada profissional no seu trabalho é realçada no poema pelas formas pleonásticas e cognatas de verbos no infinitivo (l. 26 e 27) e no gerúndio (l. 40 a 48).
( ) As “mãos” (l. 30, 31, 33 e 50) metonimicamente representam o labor e a solidariedade dos brasileiros.
( ) O termo “sindicais” (l. 53) está associado à consciência de classe dos trabalhadores
brasileiros.
IMPRIMIR
GABARITO
92. UFGO
“Segue-se um trecho, extraído do conto “Ecológica ”, de Moacyr Scliar.
Isto aqui já foi muito bucólico, vocês sabem. A campina, os pássaros, a brisa, o riacho. Muito
tranqüilo, antes.
Agora, não. Agora, acontecem coisas. Por exemplo: dois pontos aparecem no horizonte. Vão se
aproximando lentamente; por fim se definem. Trata-se de um casal. Ele, um homem gordo, de
idade, usa terno branco, gravata vermelha e chapéu panamá; enxuga com um grande lenço o
rosto vermelho e suarento. (No terno branco reconheço o linho; fibras de plantas que uma vez
cresceram num prado igual a este. Pobres fibras, pobres plantas.)
A mulher também é gorda, e baixota. Também está suada, mas não se enxuga; resmunga
constantemente. Reconheço, no vestido da mulher, seda; substância extraída do casulo de larvas,
e depois esticada, e depois tingida, e depois cortada, e costurada. Pobres larvas, pobre substância.
Pobre seda.”
Pela leitura do fragmento acima:
( ) a narrativa organiza-se entre dois movimentos: um antes (o bucolismo) e um depois (a aparição do casal), mas o acontecimento, na história, é situado no presente.
( ) no fragmento, a descrição é uma modalidade discursiva que permite a criação de
visões de conjunto e de detalhe, aproximando-se, às vezes, da técnica cinematográfica.
( ) o narrador, de 1ª pessoa, tenta envolver o leitor no episódio que está sendo narrado,
dirigindo-se a ele; esse envolvimento tem como principal conseqüência o uso da
repetição: “Pobres fibras, pobres plantas.” e “Pobres larvas, pobre substância. Pobre seda.” - que revela o sentimento de compaixão do narrador.
( ) a metalinguagem é o processo que o narrador utiliza quando descreve o linho e a
seda; o seu emprego propicia a expansão da narrativa.
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INSTRUÇÃO: A partir da leitura do texto, julgue os itens da questão 93.
“O menino e o jacaré
Uma piada que circulou por aqui nos últimos dias dá a medida do engajamento político-ideológico dos portugueses. Conta-se que um redator do Diário estava visitando o zoológico quando viu
um menino cair num lago onde havia um jacaré. Imediatamente imaginou a manchete:
‘Administração incompetente dos socialistas de Mário Soares provoca morte de miúdo no
parque.’
De repente, porém, um cidadão arranca a camisa e atira-se na água.
O redator imediatamente recriou a manchete:
‘Camarada intrépido salva miúdo que ia ser comido por jacaré’.
Infelizmente, para o redator do Diário, o camarada intrépido, entrevistado, revelou-se salazarista. A manchete mudou para:
‘Fascista desumano tira alimento de jacaré faminto.”
Isto é, 11/02/1981, p.15.
38
93. UFMT
( ) O humor contido no texto apresenta um aspecto caricatural.
( ) Das três manchetes criadas pelo redator, somente a primeira mantém relação de
sentido com um contexto político português.
( ) Na terceira manchete, há uma intencional desconsideração pela vida da criança.
( ) A referência “Isto é, 11/02/81, p. 15” torna ambíguo o sentido da palavra aqui na
primeira linha.
( ) Há no texto marcas de diferenças lexicais entre o português do Brasil e o de Portugal.
( ) O uso dos dois pontos, no texto, serve para introduzir uma explicação.
GABARITO
94. UFSE-PSS
“Os vizinhos chegavam às janelas, vozeando furiosos contra semelhante berraria.
— É o que sucede a quem mora perto de um João Coqueiro! bradou um da turma.
— Quem mora junto ao chiqueiro sente o fedor da lama! gritou um segundo.
— Queixe-se à Câmara Municipal! acudiu outro.
E formidável matacão foi de encontro à vidraça iluminada do chalé de Amélia.
Um dos vizinhos apitou e outro despediu um jarro de água sobre os desordeiros.
Ouviu-se logo o estardalhaço impetuoso dos gritos, das descomposturas e do crepitar dos vidros que se partiam sob um chuveiro de pedras.
— Morra o infame! bramia a malta, já de carreira para o Largo do Machado. — Morra o cáften!
João Coqueiro presenciara tudo aquilo, grudado a um canto da janela, mordendo os nós da
mão, os olhos injetados, o sangue a saltar-lhe nas veias.
— Oh! Era demais, pensava ele desesperado. — Era demais tanta injúria! — Se Amâncio estivesse ali, naquela ocasião, por Deus que o estrangulava!”
IMPRIMIR
AZEVEDO, Aluísio. Casa de Pensão.
Com base no texto, assinale como verdadeiras as frases que fazem uma afirmação correta e como falsas aquelas em que isso não ocorre.
( ) O trecho apresenta uma estrutura narrativa, pois indica situações diferentes, com
várias personagens e as alterações decorrentes dos fatos apontados.
( ) Confere vivacidade e veracidade à afirmação do autor em “vozeando furiosos contra semelhante berraria” o uso do discurso direto que se segue a ela.
( ) “Quem mora junto ao chiqueiro sente o fedor da lama!” – a frase está empregada
em seu sentido denotativo.
( ) As formas verbais chegavam e vozeando indicam ações pontuais ou que se efetuam
rapidamente.
( ) Um da turma bradou que era o que sucedia a quem morava perto de um João
Coqueiro. Essa é a transposição correta da 1ª fala do texto para o discurso
indireto.
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95. UFSE-PSS
“O avestruz está em alta. A fazenda Chalé da Serra, no município de Simião Dias, interior de
Sergipe, sempre teve como carro-chefe a criação de gado. Mas, nos últimos cinco anos, bois e
vacas começaram a dividir espaço com exóticos exemplares de um novo investimento: a estrutiocultura (é assim que se chama a criação de avestruzes). Já são 800 animais, cujo preço varia de
1.500 reais, o filhote, a 8.000 reais, o adulto – dezesseis vezes mais que o preço de uma vaca.
Compridos e desengonçados, os animais são um negócio de altíssimo rendimento. Uma fêmea
começa a produzir aos 3 anos e é tratada apenas com capim e ração à base de soja e milho. Até
vinte avestruzes podem ser criados no espaço de um hectare, área ocupada por um único boi na
pecuária extensiva. Além disso, cada fêmea gera em média quinze filhotes por ano, número idêntico ao de toda a vida produtiva de uma vaca – e o período de fertilidade de um avestruz é superior
a trinta anos. Nascido de um ovo que pesa aproximadamente 1,5 quilo, o avestruz atinge o peso
de abate, em torno de 110 quilos, no prazo de doze meses.”
Adaptado, Veja, 18 out. 2000, p. 77.
Avestruz. Ave estrutioniforme, com seis espécies conhecidas. Tem as asas atrofiadas, apenas
dois dedos em cada pé e é onívora; vive em zonas semidesérticas, na Arábia e na África. Atualmente é a maior das aves.
39
Com base no texto, assinale como verdadeiras as frases que fazem uma afirmação correta e como falsas aquelas em que isso não ocorre.
( ) A função da linguagem, em ambos os textos, é a mesma: predominantemente referencial.
( ) O segundo texto, parte de um verbete de dicionário, é eminentemente descritivo.
( ) Os dois segmentos introduzidos por um travessão são exemplos de oralidade, já
que correspondem a explicações inseridas pelo autor do texto.
( ) Negócio e fêmea são palavras que recebem acento gráfico pela mesma razão gramatical.
( ) A fertilidade de um avestruz é, em muito, superior a de uma vaca. – Não é necessário o emprego do sinal de crase na palavra em negrito.
96. U. Potiguar-RN
GABARITO
“Uma galinha
Era uma galinha de domingo. Estava viva ainda porque não passava de nove horas da manhã.
Tinha a aparência de estar calma, pois desde o sábado se encolhera num canto da cozinha.
Foi uma surpresa quando os elementos da casa viram a galinha abrir as asas de curto vôo e
alcançar a murada do terraço e fugir vacilante para a liberdade.
A cozinheira deu um grito e o dono da casa levado pela necessidade de fazer esporadicamente
algum esporte e de almoçar começa a captura da galinha.
O animal estava sozinho no mundo, fugindo sem saber pra onde. Até que finalmente foi alcançado: entretanto logo que foi levado de volta para a cozinha põe um ovo. Uma pequena menina
nota o fato e começa a gritar:
— Mamãe, mamãe, não mate mais a galinha, ela pôs um ovo! Ela quer nosso bem!
Diante do fato novo, todos rodearam-na com uma atenção especial, a menina prometia nunca
mais comer galinha, caso aquela fosse morta, depois do acontecido. A mãe é vencida pela filha e
a galinha foi deixada viver.
Entretanto, passadas algumas semanas, já esquecidos do fato, a família, indiferente, mata e
come a galinha.”
IMPRIMIR
No texto “Uma galinha”, de Clarice Lispector, analisando as características estilísticas,
percebe-se claramente que:
a) Os referentes semânticos e os signos estéticos são portadores de sons e formas que se
desvendam.
b) Perfeito domínio do Português arcaico e contemporâneo.
c) A tendência regionalista acaba assumindo a característica de experiência estética universal, compreendendo a fusão entre o real e o mágico.
d) Mostra a personagem disposta numa determinada situação cotidiana que se prepara
para um evento pressentido até ocorrer o desfecho, no qual se considera a situação da
vida da personagem, após o evento.
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Compare os textos 1 e 2 e responda às questões de números 97 e 98.
TEXTO 1
“Olhava eu o meu avô como se fosse ele o engenho. A grandeza da terra era a sua
grandeza. Fixara-se em mim a certeza de que o mundo inteiro estava ali dentro. Não podia
haver nada que não fosse do meu avô. Lá ia o gado para o pastoreador, e era dele; lá saíam
os carros-de-boi a gemer pela estrada ao peso das sacas de lã ou dos sacos de açúcar, e
tudo era dele; lá estavam as negras da cozinha, os moleques da estrebaria, os trabalhadores
do eito, e tudo era dele. O sol nascia, as águas do céu se derramavam na terra, o rio corria,
e tudo era dele. Sim, tudo era do meu avô, o velho Bubu, de corpo alto, de barbas, de olhos
miúdos, de cacete na mão. O seu grito estrondava até os confins, os cabras do eito lhe
tiravam o chapéu, o Dr. José Maria mandava buscar lenha para a sua cozinha no Corredor,
e a água boa e doce nas suas vertentes. Tudo era do meu avô Bubu, o “Velho” da boca dos
trabalhadores, o Cazuza da velha Janoca, o papai da Tia Maria, o meu pai da Tia Iaiá. A
minha impressão firme era de que nada havia além dos limites do Corredor. Chegavam de
longe portadores de outros engenhos. Ouvia apitar o trem na linha de ferro. Apesar de
tudo, só havia de concreto mesmo o Engenho Corredor. (...)”
LINS DO REGO, José. “Meus verdes anos”. In: Ficção completa.
Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1976.
GABARITO
40
TEXTO 2
“A bem dizer, sou Ponciano de Azeredo Furtado, coronel de patente, do que tenho honra e
faço alarde. Herdei do meu avô Simeão terras de muitas medidas, gado do mais gordo, pasto
do mais fino. Leio no corrente da vista e até uns latins arranhei em tempos verdes da infância,
com uns padres-mestres a dez tostões por mês. Digo, modéstia de lado, que já discuti e joguei
no assoalho do Foro mais de um doutor formado. Mas disso não faço glória, pois sou sujeito
lavado de vaidade, mimoso no trato, de palavra educada. Já morreu o antigamente em que
Ponciano mandava saber nos ermos se havia um caso de lobisomem a sanar ou pronta justiça
a ministrar. Só de uma regalia não abri mão nesses anos todos de pasto e vento: a de falar
alto, sem freio nos dentes, sem medir consideração, seja em compartimento do governo, seja
em sala de desembargador. Trato as partes no macio, em jeito de moça. Se não recebo cortesia de igual porte, abro o peito:
– Seu filho da égua, que pensa que é?
Nos currais do Sobradinho, no debaixo do capotão de meu avô, passei os anos de pequenice,
que pai e mãe perdi no gosto do primeiro leite. Como fosse dado a fazer garatujações e desabusado de boca, lá num inverno dos antigos, Simeão coçou a cabeça e estipulou que o neto devia ser
doutor de lei:
– Esse menino tem todo o sintoma do povo da política. É invencioneiro e linguarudo. (...)”
CARVALHO, C. J. O coronel e o lobisomem.
Rio de Janeiro: José Olympio, 1978.
97. UERJ Identifique o foco narrativo adotado nos textos.
98. UERJ Estabeleça uma comparação entre os textos quanto ao tratamento dado ao tema.
Com base no texto 2, responda às questões de números 99 e 100.
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99. UERJ Transcreva a passagem do texto em que o personagem-narrador informa que ficou órfão.
100. UERJ Descreva a caracterização que o texto faz da autoridade.
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Leia o texto a seguir e responda às questões.
“Pecados do Século XXI
41
As versões modernas para a luxúria, a inveja, o orgulho, a ira, a avareza, a preguiça e a gula.
Os setes pecados capitais do cristianismo – inveja, avareza, gula, preguiça, ira, orgulho e luxúria
– adquiriram novas versões neste final de século. A maioria movida a compulsões por trabalho,
consumo, sucesso, prazeres e lucro, valores de uma sociedade que trocou a existência natural pelo
acúmulo de sensações e de bens materiais. (...)
O psicanalista Eduardo Losicer, um dos membros do Aspas (Associação de Pesquisadores e
Analistas da Subjetividade), que está à frente da pesquisa sobre as novas psicopatologias, explica
que o indivíduo contemporâneo obedece essencialmente a ordens externas, enquanto suas demandas internas caem no vazio e dão origem às compulsões:
– O paraíso atual é obrigatório. Não há mais a moralidade do pecado, na qual o pecador vivia
um conflito interno entre ceder ou não à tentação. Não há possibilidade de escolha entre o céu e
o inferno. Vivemos sob a moralidade dos mandados. São ordens que devem ser obedecidas, sob
pena de exclusão do sistema. Esta é a ameaça. Vivemos hoje como se cada indivíduo fosse apenas
um conjunto de leis, um superego.
(...) Os indivíduos contemporâneos vêm sofrendo de ausência cada vez maior de vida interior.
– Este vazio na alma dá origem a condutas compulsivas para preencher este vazio afetivo com
dinheiro, roupas, trabalho, imagens de jornais, cinema e TV, bebida ou drogas pesadas. É preciso
preencher um vazio existencial e afetivo.
Para o antigo pecado capital da avareza, temos hoje o seu avesso: o consumismo desenfreado
e compulsivo do perdulário contemporâneo, para quem o que importa não é ser alguém, mas ter
tudo e, se possível, todos à sua volta. A criativa preguiça, tão elogiada pelos defensores da vida
contemplativa, prazerosa e lúdica, transformou-se em mania de trabalho. O pecado da luxúria,
que levava homens e mulheres a pensar ou a fazer sexo em excesso, é hoje um hábito do telespectador: o voyeurismo. Quem tem ódio do Governo, do time rival ou do parceiro que lhe deu um
fora debocha, ironiza e ridiculariza estes desafetos. Já não há mais lugar para a ira. O orgulho está
em baixa. Pouca gente se orgulha de si mesmo ou da vida que leva (...) todo mundo sabe que hoje
em dia é fundamental se autopromover. Não resistir ao apelo de uma caixa de bombons importados... Este era o pecado da gula, praticamente superado por uma legião de mulheres que buscam
um corpo cada vez mais magro e mais jovem. A aparência do bom moço, adotada por ídolos do
esporte, executivos de empresas e apresentadores de TV, encobre um sujeito dissimulado que
cumpre um papel preestabelecido. É a nova versão do invejoso, que já não deseja ser o outro, mas
algo imaginário e, portanto, irreal.”
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GABARITO
CEZIMBRA, Márcia - O Globo, 16/05/99.
101. UFR-RJ No texto “Pecados do século XXI”, o autor pretende:
a) expressar suas opiniões pessoais sobre a pesquisa desenvolvida pelo psicanalista Eduardo Losicer;
b) levar o receptor (leitor) a rejeitar as opiniões do pesquisador Eduardo Losicer;
c) informar o receptor (leitor) sobre o trabalho do psicanalista Eduardo Losicer, relatando suas conclusões;
d) refletir sobre a natureza do código lingüístico, bem como sobre sua relevância na
caracterização do homem do século XXI;
e) elaborar uma mensagem rica em musicalidade e figuras de linguagem.
102. UFR-RJ Os valores dos indivíduos contemporâneos, segundo o texto, estão sendo determinados pelo(a):
a) conflito interno entre ceder ou não à tentação;
b) compulsão cada vez maior pela vida interior;
c) Associação de Pesquisadores e Analistas da Subjetividade;
d) determinação de alcançar o paraíso celeste;
e) sensação de um vazio existencial e afetivo.
103. UFR-RJ A pesquisa do psicanalista Eduardo Losicer, à qual o artigo se refere, atesta que:
a) o homem contemporâneo se empenha em mudar os valores do século passado;
b) a grande ameaça da sociedade está na subversão dos valores individuais;
c) a punição da modernidade é a exclusão do sistema, equivalente ao inferno;
d) a modernidade se caracteriza por ser um paraíso, sem noção de valores materiais;
e) as novas versões para os sete pecados capitais apenas se explicam no campo do imaginário.
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104. Unioeste-PR Leia o texto a seguir:
“Rudimentos em Inteligência Social
É hora do recreio e um bando de meninos atravessa correndo o gramado. José tropeça, machuca o joelho e começa a chorar, mas os outros continuam a correr – menos Roberto, que pára.
Enquanto diminuem os soluços de José, Roberto curva-se e massageia o próprio joelho, gritando:
– Eu também machuquei o joelho!
Roberto possui uma inteligência interpessoal exemplar. Parece que é extraordinariamente capaz
de reconhecer os sentimentos dos coleguinhas de brincadeiras e de estabelecer rápidas e suaves
ligações com eles. Só ele notou a situação de dor de José, e só ele tentou oferecer algum consolo,
ainda que o máximo que pudesse fazer fosse esfregar o próprio joelho. Esse pequeno gesto revela
um talento para o relacionamento, uma aptidão emocional essencial para a preservação de relacionamentos estreitos, seja no casamento, com amigos ou numa parceria comercial. Essas aptidões em pré-escolares são os botões de talentos que desabrocham pela vida afora.”
Fragmento retirado, e adaptado, do texto “Rudimentos em Inteligência
Social”, inserido no Capítulo “A Arte de Viver em Sociedade”,
do livro Inteligência Emocional, de Daniel Goleman, p. 131.
42
É possível concluir, a partir do excerto exposto acima, que:
01. crianças como Roberto se dão bem praticamente só com crianças problemáticas;
02. a atitude de Roberto demonstra que o mesmo não se adapta a algumas brincadeiras e
se sente feliz por assim proceder;
04. crianças como Roberto tendem a ser melhores na interpretação de expressões faciais;
08. crianças como Roberto conseguem detectar e intuir sentimentos, motivos e preocupações dos outros, porque centram o problema unicamente em sua própria pessoa;
16. para o autor, a preocupação de Roberto com o colega indica o grau elevado de sua
inteligência emocional;
32. a atitude de Roberto não condiz com o esperado pelo coleguinha, pois simulou a
própria dor, em vez de ter oferecido ajuda concreta. Poderia, por exemplo, ter chamado a professora;
64. o relacionamento que Roberto estabeleceu com o coleguinha ferido indicou uma
preocupação que foi altruísta.
Dê, como resposta, a soma das alternativas corretas.
105. Univali-SC
GABARITO
“Guerra ao preconceito
Psicóloga diz que sociedade precisa respeitar os gays.
Mesmo que não concorde com eles.
Presidente do Conselho Federal de Psicologia (CFP), a paulista Ana Bock é autora da resolução que
proíbe os psicólogos brasileiros de tratar a homossexualidade como doença. Não se trata de uma
medida isolada. ’O homossexualismo é apenas um dos assuntos que vamos atacar‘, diz. Seu objetivo
é envolver os psicólogos numa espécie de compromisso com o bem-estar da sociedade e com os
direitos humanos. Ela está começando a sentir as conseqüências do vespeiro em que está se metendo. Desde que um deputado distrital de Brasília propôs a criação de banheiros separados para homossexuais (o primeiro deles será inaugurado no próximo mês numa cidade-satélite), Ana Bock tem
sido convocada pelas rádios para explicar como e por que isso está ocorrendo na capital da República. ’É tão absurdo quanto querer criar banheiros especiais para deputados‘, protesta a psicóloga.”
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Veja, 26 de abril de 2000.
Analise as afirmações abaixo:
I. Ana Bock é autora da resolução que proíbe os psicólogos brasileiros de tratar a homossexualidade como doença.
II. Serão criados banheiros especiais para deputados.
III. Os psicólogos não têm compromisso com o bem-estar da sociedade e com os direitos
humanos.
Está(ão) de acordo com o texto:
a) a primeira afirmação;
d) nenhuma das afirmações;
b) a segunda afirmação;
e) todas as afirmações.
c) a terceira afirmação;
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106. Cefet-PR Leia o seguinte trecho e, depois, responda:
“Era esse dia domingo do Espírito Santo. Como todos sabem, a festa do Espírito Santo é uma das
festas prediletas do povo fluminense. Hoje, mesmo que se vão perdendo certos hábitos, uns bons, outros
maus, ainda essa festa é motivo de grande agitação; longe porém está o que agora se passa daquilo que
se passava nos tempos a que temos feito remontar os leitores. A festa não começava no domingo
marcado pela folhinha, começava muito antes, nove dias, cremos, para que tivessem lugar as novenas”.
Extraído de Memórias de um Sargento de Milícias, de Manuel Antônio de Almeida.
Com relação ao texto, é correto afirmar que:
a) os hábitos antigos é que eram bons;
b) quem nasce no Espírito Santo é chamado de fluminense;
c) com o passar do tempo, houve mudança nos festejos do Espírito Santo;
d) durante a festa havia muita confusão;
e) as novenas começavam sempre no domingo.
INSTRUÇÃO: Leia atentamente o texto abaixo e julgue os itens das questões 107 a 109.
“A disciplina do amor
43
Foi na França, durante a segunda grande guerra: um jovem tinha um cachorro que todos os dias,
pontualmente, ia esperá-lo voltar do trabalho. Postava-se na esquina, um pouco antes das seis da
tarde. Assim que via o dono, ia correndo ao seu encontro e, na maior alegria, acompanhava-o com seu
passinho saltitante de volta a casa. A vila inteira já conhecia o cachorro e as pessoas que passavam
faziam-lhe festinhas e ele correspondia, chegava a correr todo animado atrás dos mais íntimos. Para
logo voltar atento ao seu posto e ali ficar sentado até o momento em que seu dono apontava lá longe.
Mas eu avisei que o tempo era de guerra, o jovem foi convocado. Pensa que o cachorro desistiu de
esperá-lo? Continuou a ir diariamente até a esquina, fixo o olhar ansioso naquele único ponto, a
orelha em pé, atenta ao menor ruído que pudesse indicar a presença do dono bem-amado. Assim que
anoitecia, ele voltava para casa e levava sua vida normal de cachorro até chegar o dia seguinte. Então,
disciplinadamente, como se tivesse um relógio preso à pata, voltava ao seu ponto de espera. O jovem
morreu num bombardeio, mas no pequeno coração do cachorro não morreu a esperança. Quiseram
prendê-lo, distraí-lo. Tudo em vão. Quando ia chegando aquela hora ele disparava para o compromisso
assumido, todos os dias. Com o passar dos anos (a memória dos homens!) as pessoas foram esquecendo do jovem soldado que não voltou. Casou-se a noiva com um primo. Os familiares voltaram-se para
outros familiares. Os amigos, para outros amigos. Só o cachorro já velhíssimo (era jovem quando o
jovem partiu) continuou a esperá-lo na sua esquina. As pessoas estranhavam, mas quem esse cachorro
está esperando?... Uma tarde (era inverno) ele lá ficou, o focinho voltado para aquela direção.”
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GABARITO
Lygia Fagundes Telles.
107. UFMT
( ) O artigo indefinido, nas expressões “um jovem” e “um cachorro”, introduz as personagens na narrativa.
( ) Fidelidade, amizade, afeição são as idéias centrais do texto.
( ) O uso de mas, em “Mas eu avisei que o tempo era de guerra, o jovem foi convocado.”, quebra a seqüência narrativa e inicia o conflito da história.
( ) Os elementos lá e aquela (última frase do texto) remetem à mesma significação.
108. UFMT – Modificada
( ) Com a frase “Pensa que o cachorro desistiu de esperá-lo?”, a autora busca maior
envolvimento do leitor na narrativa.
( ) A ênfase dada à persistência nas ações do animal contraria a idéia contida no título.
( ) O tom poético do texto pode ser exemplificado pela metáfora presente em “... mas
no coração do cachorro não morreu a esperança”.
( ) A personificação do cachorro se concretiza por expressões como: “o olhar ansioso”, “correr animado”, “na maior alegria”, “era jovem”.
109. UFMT – Modificada
( ) O texto pertence ao gênero narrativo, fazendo a crônica da fidelidade.
( ) O narrador é onisciente – intruso: conhece todos os eventos e presentifica-se no
enunciado.
( ) O tempo da narração é o mesmo dos eventos narrados.
( ) As personagens não são nomeadas porque o narrador quer evidenciar uma idéia
mais que uma história em particular.
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Texto para as questões de 110 a 113.
“A Janela e o Menino
(Resumo dos anos mais antigos do passado)
44
A casa tinha um jardim e três janelas que davam para a rua. Duas ficavam fechadas, só se
abriam aos domingos, ou em dias especiais. A outra dava para um aposento que era uma espécie
de hall, não era sombrio como a outra sala que só se abria quando havia visitas, ou quando
alguma coisa de extraordinário acontecia no mundo ou dentro da própria casa.
O menino descobriu a janela e a escolheu como seu lugar predileto. Podia ficar ali, era uma
forma de estar metade protegido pela casa, metade envolvido com o mundo. Pelas manhãs, via
passar o leiteiro, o homem que afiava tesouras e facas, os outros meninos que iam para a escola
levando merendeiras – ele invejava as merendeiras dos outros meninos, imaginava o que elas
continham. Um dia, quando crescesse, levaria sempre uma merendeira consigo.
Ao meio-dia, passava a leprosa que pedia esmolas. Tinha um lenço encardido em volta do rosto,
escondendo o nariz deformado. O menino tinha pavor da leprosa, mas ficava fascinado pela
pontualidade com que ela ia ao portão e apanhava a moedinha que o pai sempre deixava para ela,
numa reentrância da grade.
À tarde, passava o sorveteiro. À noite, quando todos começavam a ir para a cama, passava o
moleque vendendo amendoim torradinho, a lata que servia de fogareiro despejando fagulhas,
como as estrelinhas de São João.
Era da janela que o menino via o mundo e dele participava sem se contaminar. O menino
gostava, mas tinha medo da rua, do bonde que cortara a perna do seu Almeida, do homem que
deu um tiro na mulher que o traíra, da carrocinha de cachorro, dos mascarados do Carnaval.
Da janela, ele sabia de tudo, mas nada tinha a ver com ele. Como a baratinha que encontrou o
dinheiro e foi para a janela, ele gostava de ficar ali, vendo a vida passar.
Um dia o menino cresceu, mas continuou na janela, esperando a hora em que avisassem que
era tarde e o chamassem para dentro.”
CONY, Carlos Heitor. In: Os anos mais antigos do passado – crônicas.
3. ed. Rio de Janeiro/São Paulo: Record, 1999. p. 250-1.
GABARITO
110. Uneb-BA Identifique as afirmativas verdadeiras referentes ao primeiro parágrafo do texto.
I. O narrador restringe a utilidade de duas das três janelas.
II. Os moradores da casa são sistemáticos e conservadores quanto à vida social.
III. A casa focalizada é apresentada como uma realidade física, tão-somente no seu caráter externo.
IV. A alternância de hábitos dentro da casa é proporcionada por acontecimentos de rotina.
A alternativa em que todas as afirmativas indicadas são verdadeiras é:
a) I e II.
b) I e IV.
c) II e III.
d) I, III e IV.
e) II, III e IV.
111. Uneb-BA No segundo parágrafo, o menino mostra-se:
a) realista quanto a seu futuro;
b) revoltado com a sua condição de aprisionado;
c) inseguro de seu objetivo, ao escolher o seu espaço;
d) imprudente na escolha da realidade a ser observada;
e) auto-suficiente para definir sua relação com a realidade circundante.
IMPRIMIR
112. Uneb-BA Sobre o menino, pode-se afirmar:
a) Ele não interage com o mundo real.
b) A janela tem uma função unilateral em sua existência.
c) A violência da rua acaba inviabilizando a sua vida de reclusão.
d) O seu caráter questionador leva-o a ser incompreendido por todos.
e) A sua forma de agir sobre o mundo se modifica quando ele se torna adulto.
113. Uneb-BA A expressão “vendo a vida passar”, em relação ao menino, revela:
a) medo. b) alienação. c) passividade. d) deslumbramento. e) comprometimento.
Na tradução do relacionamento do menino com o mundo, os termos que semanticamente
se aproximam são:
a) “descobriu”, “invejava” e “crescesse”; d) “tinha”, “gostava” e “cresceu”;
b) “protegido”, “imaginava” e “levaria”; e) “fascinado”, “continuou” e “esperando”.
c) “envolvido”, “via” e “participava”;
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As questões de números 114 a 116 referem-se ao texto que segue.
“Sobre a formação de técnicos
Interessado em se fazer profissional, o cidadão, atualmente, busca cursos oferecidos pelas escolas técnicas, ora premido pelas circunstâncias imediatas da vida, ora movido pelos sonhos do
mercado: uma vez profissional, torna-se mais leve a luta pela sobrevivência em face da “competência técnica” que um curso de formação proporcionaria. Afinal, diz-se, a mão-de-obra nãoespecializada sofre não só os baixos salários, mas também as primeiras dispensas quando os
“movimentos na economia” provocam cíclicas retrações do sistema de produção. Profissional
especializado, sonha o estudante de agora com um futuro se não promissor, no mínimo menos
perigoso.
E, entrando para a escola, ei-lo às voltas com estudos que o distanciam de seus interesses
imediatos: são as chamadas disciplinas técnicas, de preferência ministradas diretamente nas oficinas, que mais lhe interessam. O resto... bom, o resto é apenas um obstáculo a mais na maratona
sempre perigosa do viver: passa-se pelas chamadas disciplinas de “humanidades” para satisfazer
exigências formais de uma formação que se quer técnica.
Formação técnica X Formação humanística. Tecnologia X Humanismo. Seriam efetivamente
formações distintas?”
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GABARITO
45
GERALDI, João W. Linguagem e ensino. Campinas: Mercado de Letras, 1996. p. 117-8.
114. Unifor-CE
I. O texto deixa em aberto a questão da integração entre formação técnica e formação
humanística.
II. As condições oferecidas pelas escolas técnicas não correspondem às expectativas do
estudante.
III. O avanço atual da tecnologia explica o especial interesse do estudante pelas escolas
técnicas.
A respeito dos enunciados acima, está de acordo com o texto o que se afirma somente
em:
a) I.
b) II.
c) III.
d) I e II.
e) II e III.
115. Unifor-CE Quanto à estrutura, o texto organiza-se como:
a) simples narração de fatos;
b) exposição argumentativa de idéias;
c) exposição descritiva de idéias;
d) integração descritivo-narrativa;
e) descrição argumentativa.
116. Unifor-CE A coesão do segundo parágrafo decorre:
a) do uso de reticências;
b) da ligação adequada das orações;
c) da ausência de conectivos;
d) da freqüência de preposições;
e) do emprego de orações reduzidas.
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117. U. Alfenas-MG
“Brito, em seu depoimento, disse que recebeu autorização de Pitta para responder às reportagens que tratavam da não aplicação dos 30% em Educação, mas apontou o então chefe da
Assessoria de Imprensa da Prefeitura, Henrique Nunes, como autor da nota. Nunes teria ditado o
texto para Brito que, apesar de subscrevê-lo, não interessou-se em saber onde seria publicado,
nem quanto custaria. ’Eu não sabia de que maneira isso seria feito‘, disse Brito ao juiz. ’E desconhecia que a resposta implicaria gastos públicos.‘”
O Estado de S. Paulo, 30/1/98, C1.
46
‘Para dar-nos a conhecer os pensamentos e as palavras de personagens reais ou fictícios,
dispõe o narrador de três moldes lingüisticos diversos conhecidos pelos nomes de discurso direto, discurso indireto e discurso indireto livre.’ No texto, o repórter fez uso do
discurso direto nos períodos:
a) 1 e 4.
b) 2 e 3.
c) 1 e 2.
d) 3 e 4.
e) 2 e 4.
118. Univali-SC
GABARITO
“A hora de dizer não
Há quem afirme que a atual geração de filhos vem recebendo dos pais uma educação mais
conservadora do que estes receberam dos avós.
Pais e educadores estão redescobrindo a dimensão educativa de uma palavra antipática e necessária: não!
Ainda é recente o grito de libertação: É proibido proibir! No entanto, hoje, existe quase um
consenso: é preciso proibir. Os jovens libertários da década de 70, que pregavam o amor livre, os
trajes nem sempre asseados, a desobediência civil e o consumo de drogas, são pais que optam por
uma educação mais conservadora.
São estes pais que reclamam dos filhos: eles não aceitam ouvir um “não”, estão sempre de mau
humor, são agressivos, não sabem o que querem, passam horas falando ao telefone ou na Internet, estão sempre desafiando os limites...
Os filhos, por sua vez, reclamam dos pais: os pais não confiam neles, só sabem dar broncas e
impor regras, implicam com sua maneira de falar, de trajar e com suas amizades, só vêem o erro e
não os acertos, não entendem seus problemas e tratamos como crianças diante dos amigos.
Educação – ontem, hoje e sempre – implica conjugar liberdade e responsabilidade. Implica amor
e firmeza. Quando apenas um dos termos vale, criam-se distorções. Educar é trazer para fora as
possibilidades existentes na criança e no adolescente. Educar é ensinar que existem limites, horários e deveres.
Educar é também conceder liberdade, para que o jovem forme seu caráter e suas convicções. Mas isto deve ser progressivo. Porque experientes, os pais conhecem os erros que eles
mesmos cometeram e querem evitar que isso aconteça aos filhos. Educar é, sobretudo, exercitar o diálogo.”
Missão Jovem, agosto de 1999.
Deduz-se do texto que:
IMPRIMIR
a) “É proibido proibir” era o grito de libertação dos jovens da década de 70.
b) “Uma educação mais conservadora” significa mais proibições.
c) “Educação” diz respeito à Educação Infantil, ao Ensino Fundamental e Ensino
Médio.
d) “Exercitar o diálogo” subentende-se discutir o problema entre duas pessoas.
e) Só liberdade e só responsabilidade produzem jovens mais livres e responsáveis.
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Texto para as questões 119, 120 e 121.
“O coelho e o cachorro
(fragmento)
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GABARITO
47
De vez em quando surgem umas histórias que todos que contam juram ser verdade e até dizem
que têm um primo que conheceu a vizinha da sobrinha da pessoa com a qual aconteceu. A mais
célebre é aquela do sapatinho vermelho da sogra que desliza debaixo do banco do carro. Lembrou?
Agora pintou uma nova. Simplesmente genial. Quem me contou garante que aconteceu na
Granja Viana, bairro de classe média alta em São Paulo, na semana passada.
Eram dois vizinhos. O primeiro vizinho comprou um coelhinho para os filhos. Os filhos do outro
vizinho pediram um bicho para o pai. O doido comprou um pastor alemão.
Papo de vizinho:
– Mas ele vai comer o meu coelho.
– De jeito nenhum. Imagina. O meu pastor é filhote. Vão crescer juntos, pegar amizade. Entendo de bicho. Problema nenhum.
E parece que o dono do cachorro tinha razão. Juntos cresceram e amigos ficaram.
Era normal ver o coelho no quintal do cachorro e vice-versa. As crianças, felizes.
Eis que o dono do coelho foi passar o final de semana na praia com a família e o coelho ficou
sozinho. Isso na sexta-feira. No domingo, de tardinha, o dono do cachorro e a família tomavam
um lanche, quando entra o pastor alemão na cozinha. Pasmo.
Trazia o coelho entre os dentes, todo imundo, arrebentado, sujo de terra e, é claro, morto.
Quase mataram o cachorro.
– O vizinho estava certo... E agora, meu Deus?
– E agora?
A primeira providência foi bater no cachorro, escorraçar o animal, para ver se ele aprendia um
mínimo de civilidade e boa vizinhança. Claro, só podia dar nisso. Mais algumas horas e os vizinhos
iam chegar. E agora? Todos se olhavam. O cachorro rosnando lá fora, lambendo as pancadas.
– Já pensaram como vão ficar as crianças?
– Cala a boca!
Não se sabe exatamente de quem foi a idéia, mas era infalível. Vamos dar um banho no coelho,
deixar ele bem limpinho, depois a gente seca com o secador da sua mãe e coloca na casinha dele
no quintal.
Como o coelho não estava muito estraçalhado, assim fizeram. Até perfume colocaram no falecido. Ficou lindo, parecia vivo, diziam as crianças. E lá foi colocado, com as perninhas cruzadas,
como convém a um coelho cardíaco.
Umas três horas depois eles ouvem a vizinhança chegar. Notam o alarido e os gritos das crianças. Descobriram! Não deram cinco minutos e o dono do coelho veio bater à porta. Branco, lívido,
assustado. Parecia que tinha visto um fantasma.
– O que foi? Que cara é essa?
– O coelho... O coelho...
– O que tem o coelho?
– Morreu!
– Todos:
– Morreu? Inda hoje de tarde parecia tão bem...
– Morreu na sexta-feira!
– Na sexta?
Foi. Antes de a gente viajar as crianças enterraram ele no fundo do quintal!
(...)
O personagem que mais me cativa nesta história toda, o protagonista da história, é o cachorro.
Imagina o pobre do cachorro que, desde sexta-feira, procurava em vão pelo amigo de infância,
o coelho. Depois de muito farejar descobre o corpo. Morto. Enterrado. O que faz ele? Provavelmente com o coração partido, desenterra o pobrezinho e vai mostrar para os seus donos. Provavelmente estivesse até chorando, quando começou a levar porrada de tudo quanto é lado.
O cachorro é o herói. O bandido é o dono do cachorro. O ser humano. Sim, nós mesmos, que
não pensamos duas vezes. Para nós o cachorro é o irracional, o assassino confesso. E o homem
continua achando que um banho, um secador de cabelos e um perfume disfarçam a hipocrisia, o
animal desconfiado que tem dentro de nós.
Julgamos os outros pela aparência, mesmo que tenhamos que deixar esta aparência como
melhor nos convier. Maquiada.
Coitado do cachorro. Coitado do dono do cachorro. Coitados de nós, animais racionais.”
PRATA, Mário. Isto é, 22/04/98.
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119. U.E. Norte Fluminense-RJ Entre as modalidades discursivas – dissertativa, narrativa,
descritiva – uma delas apresenta estrutura com enredo e personagens.
a) Cite a modalidade predominante no texto de Mário Prata.
b) O cachorro é o protagonista da história. Identifique o antagonista.
120. U.E. Norte Fluminense-RJ O texto de Mário Prata nos conta uma história em tom de
fábula. Nas fábulas, costuma haver um final moralizante.
a) Identifique, no texto, o critério de julgamento utilizado pelos seres humanos.
b) Transcreva dos três últimos parágrafos do texto uma frase completa que justifique a
resposta anterior.
121. U.E. Norte Fluminense-RJ O autor utiliza expressões da linguagem coloquial.
Reescreva as passagens abaixo, substituindo os termos sublinhados por outros do padrão
mais formal da língua:
a) “Agora pintou uma nova”.
b) “As crianças enterraram ele no fundo do quintal”.
Excerto (de texto que trata da mudança de localização do Palácio dos Bandeirantes) para
a questão 122:
48
“É uma parceria que implica da mudança de zoneamento, reforma de prédios, incentivos fiscais
para quem recupera patrimônio tombado, até cuidar de meninos de rua ou dos jardins.”
O Estado de S. Paulo, 16/05/99, p. 3-18.
122. U. Alfenas O excerto pode ser considerado como um texto:
a) argumentativo.
d) épico.
b) narrativo.
e) de propaganda.
c) descritivo.
123. Univali-SC
GABARITO
“Ordem na malhação
Professor de ginástica costuma ser daquelas pessoas eternamente bem-humoradas, com uma
disposição que parece não terminar nunca e ter sempre à mão – com justificativas científicas – a
série ideal de exercícios para deixar o corpo do aluno próximo da perfeição. O bom-humor e a
disposição podem ser autênticos, mas o conhecimento adequado para preparar a receita da malhação não necessariamente. Deveria ser o requisito básico, mas centenas de jovens belos e musculosos que comandam animadíssimas aulas nas academias nunca passaram nem perto de uma
faculdade de Educação Física, onde deveriam ter aprendido o que ensinam. A partir deste mês, no
entanto, os Conselhos Regionais e Federal de Educação Física prometem acabar com essa espécie
de professor de fachada. As entidades colocarão em prática a lei, de 1998, que regulamenta a
profissão (só agora, depois de anos, os conselhos estão preparados para fiscalizar sua aplicação).
Ela estabelece que só poderá trabalhar na área aquele que for registrado no conselho e, portanto,
formado em Educação Física. A abrangência da legislação vai além dos limites da academia. A lei
vale para clínicas, hotéis, clubes e até condomínios, que serão obrigados a registrar o profissional
como funcionário. Mais. Todos os estabelecimentos que tiverem como principal atividade a educação física deverão ser registrados no conselho.”
IMPRIMIR
Isto é, 22 de março de 2000.
Assinale a alternativa que está de acordo com o texto acima.
a) Depois de dois anos, os conselhos estão preparados para fiscalizar a aplicação da lei.
b) Bom-humor é uma das características de todos os professores de Educação Física.
c) Há tanta autenticidade na disposição e no bom-humor como no conhecimento para a
malhação.
d) Conselhos Regionais de Educação Física prometem acabar com a ginástica como atividade profissional.
e) Nova lei regulamenta a profissão de professor de Educação Física.
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124. UnB-DF
“A formiga e a cigarra
Era uma vez uma formiguinha e uma cigarra muito amigas. Durante todo o outono, a formiguinha trabalhou sem parar, armazenando comida para o período de inverno. Não aproveitou nada
do Sol, da brisa suave do fim da tarde nem do bate-papo com os amigos ao final do expediente de
trabalho, tomando uma cervejinha. Seu nome era “trabalho” e seu sobrenome, “sempre”.
Enquanto isso, a cigarra só queria saber de cantar nas rodas de amigos e nos bares da cidade; não
desperdiçou um minuto sequer, cantou durante todo o outono, dançou, aproveitou o Sol, curtiu
para valer, sem se preocupar com o inverno que estava por vir. Então, passados alguns dias, começou a esfriar. Era o inverno que estava começando. A formiguinha, exausta, entrou em sua singela e
aconchegante toca repleta de comida. Mas alguém chamava por seu nome do lado de fora da toca.
Quando abriu a porta para ver quem era, ficou surpresa com o que viu: sua amiga cigarra, dentro de
uma Ferrari, com um aconchegante casaco de visom. E a cigarra falou para a formiguinha:
— Olá, amiga, vou passar o inverno em Paris. Será que você poderia cuidar da minha toca?
— Claro, sem problema! Mas o que lhe aconteceu? Como você conseguiu grana pra ir a Paris e
comprar esta Ferrari?
— Imagine você que eu estava cantando em um bar, na semana passada, e um produtor gostou
da minha voz. Fechei um contrato de seis meses para fazer shows em Paris... A propósito, a amiga
deseja algo de lá?
—Desejo, sim. Se você encontrar um tal de La Fontaine por lá, manda ele pro DIABO QUE O
CARREGUE!
MORAL DA HISTÓRIA: Aproveite sua vida, saiba dosar trabalho e lazer, pois trabalho
em demasia só traz benefício em fábulas do La Fontaine.”
49
Fábula de La Fontaine reelaborada. http://www.geocities.com/soho/Atrium/8069/Fabulas/fabula2.html (com adaptações).
IMPRIMIR
GABARITO
Em relação ao texto acima, julgue os itens a seguir.
( ) Considerando que, na fábula original, escrita por La Fontaine, a formiga é vista
como uma trabalhadora-modelo, enquanto a cigarra é considerada como boa-vida,
verifica-se que, nesta versão, reelaborada, o ensinamento principal mudou, pois
mudou a maneira de se enxergar a relação lazer/trabalho.
( ) Nas linhas 8 e 9, as relações semântico-sintáticas estão organizadas de tal forma
que a vírgula é desnecessária
( ) Na linha 10, a significação de “o que” está expressa depois dos dois-pontos.
( ) O emprego dado ao pronome “ele”, último período do texto, apesar de usual na língua falada, não atende às exigências da escrita culta: para tal, esse pronome deveria
ser substituído por “o”, fazendo-se o ajuste devido entre o pronome e o verbo.
( ) O gênero fábula é uma narrativa breve tradicional que apresenta duas características básicas: personificação ou antropomorfismo, já que dá a animais ou a seres
inanimados voz e comportamento similares aos humanos, e intenção de transmitir
um ensinamento, um preceito ou uma lição de vida.
INSTRUÇÃO: Leia o texto de Clarice Lispector e jugue os itens da questão 125.
“Atenção ao Sábado
Acho que sábado é a rosa da semana; sábado de tarde a casa é feita de cortinas ao vento, e
alguém despeja um balde de água no terraço: sábado ao vento é a rosa da semana; sábado de
manhã, a abelha no quintal, e o vento: uma picada, o rosto inchado, sangue e mel, aguilhão em
mim perdido: outras abelhas farejarão e no outro sábado de manhã vou ver se o quintal vai estar
cheio de abelhas. No sábado é que as formigas subiam pela pedra. Foi num sábado que vi um
homem sentado na sombra da calçada comendo de uma cuia de carne-seca e pirão; nós já tínhamos
tomado banho. De tarde a campainha inaugurava ao vento a matinê de cinema: ao vento sábado
era a rosa de nossa semana. Se chovia só eu sabia que era sábado; uma rosa molhada, não? No Rio
de Janeiro, quando se pensa que a semana vai morrer, com grande esforço metálico a semana se
abre em rosa: o carro freia de súbito e, de súbito, antes do vento espantado poder recomeçar, vejo
que é sábado de tarde. Tem sido sábado, mas já não me perguntam mais. Então eu não digo nada,
aparentemente submissa. Mas já peguei as minhas coisas e fui para domingo de manhã. Domingo
de manhã também é a rosa da semana. Não é propriamente rosa que eu quero dizer.”
LISPECTOR, Clarice. Os melhores contos de Clarice Lispector. Seleção de Walnice Galvão, São Paulo, Global, 1997.
125. UFMT
( ) A apresentação das ações respeita uma ordem cronológica e espacial.
( ) São claros os limites entre eventos vividos e a reflexão sobre eles.
( ) A personagem é caracterizada por traços realistas visando retratar a realidade brasileira.
( ) A modalidade discursiva utilizada é o monólogo interior.
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INSTRUÇÃO: Leia atentamente o texto a seguir e julgue os itens da questão 126:
“Eiros
A leitora Elza Marques Marins me escreve uma carta divertida estanhando que “brasileiro” seja
o único adjetivo pátrio conhecido em “eiro” que, segundo ela, é um sufixo pouco nobre. Existem
suecos, ingleses e brasileiros, como existem médicos, terapeutas e curandeiros. (...)
É a diferença entre jornalista e jornaleiro ou entre músico ou musicista e roqueiro, timbaleiro ou seresteiro. Há o importador e há o muambeiro. “Se você começou como padeiro, açougueiro ou carvoeiro” –
escreve Elza – “as chances são mínimas de acabar como advogado, empresário, grande investidor ou
latifundiário, a não ser que se dê o trabalho de ser político antes”. Aliás, há políticos e politiqueiros. (...)”
VERÍSSIMO, Luís Fernando. Jornal do Brasil, 7/10/95.
126. UFMT
( ) Segundo a leitora, alguns morfemas funcionariam como indicadores de status.
( ) O jornalista apresenta argumentos que contrariam a hipótese levantada pela leitora.
( ) De acordo com o texto, suecos e ingleses estão para médicos e terapeutas, assim
como brasileiros estão para curandeiros.
( ) A teoria da leitora ganharia força, caso se recorresse ao par banqueiro/bancário.
( ) Na opinião da leitora de Veríssimo, o ciclo da pobreza poderia ser rompido por
meio da carreira política.
50
Texto para as questões 127 a 129.
IMPRIMIR
GABARITO
“Disputam-se “play-offs”, atualmente, no campeonato nacional. “Play-off” é um termo importado do basquete americano que ultimamente passou a integrar o repertório da crônica esportiva. A
Confederação Brasileira de Futebol, CBF, resolveu rotular as finais de “play-offs”, no regulamento do
atual campeonato, e os basbaques foram atrás. A história do futebol, no Brasil, é, entre outras
coisas, uma história de triunfo da língua portuguesa. O futebol, esporte inglês, introduzido por
ingleses no país, no início era jogado em inglês. Entrava, em campo não o goleiro, mas o “goalkeeper” não o zagueiro, mas o “back”. A aclimatação deu-se às vezes por simples aportuguesamento
das palavras, como no “goal” que virou “gol”. Algumas poucas palavras inglesas ainda não caíram
em completo desuso, como “corner”, mas “corner” já está perdendo feio para “escanteio”.
O triunfo da língua reflete o triunfo o futebol. Mostra que o futebol se enraizou a tal ponto,
nestas terras, que o povo acabou por revesti-lo com o que tem de mais particular e íntimo, que é
o idioma. Eis que agora se tenta entregar o futebol de volta à língua inglesa – e, por cúmulo, não
à língua inglesa da Inglaterra, mas dos Estados Unidos, um dos únicos países do mundo que não
tem nada a ver com futebol, e com termos emprestados de outro esporte, o basquete. (...) Isto se
dá quando nem estão nos pedindo nada. Nós é que nos oferecemos, em virtude de irrefreável
impulso de submissão. Seria um caso incurável de carência de colonizador. Não, não compliquemos. Chamemos o fenômeno por seu nome. É bobeira mesmo.”
TOLEDO, Roberto Pompeu. Entre a assistência e o play-off. Veja, 09/12/1998, p. 198.
127. UFPE No texto, o autor admite que os brasileiros:
a) reagem contra todo tipo de submissão;
b) rompem, facilmente, com a cultura colonizadora;
c) acabaram por subverter, definitivamente, a imposição de estrangeirismos no campo
do futebol;
d) retrocederam na sua disposição de incorporar o vocabulário do futebol à língua portuguesa;
e) rejeitam influências do inglês europeu sobre o vocabulário do futebol.
128. UFPE Leia os enunciados abaixo, referentes às idéias expressas no texto.
1. O tema da submissão brasileira à cultura estrangeira foi abordado sob o ponto de vista
da prática esportiva.
2. A escolha de expressões como “um caso incurável de carência do colonizador” e “é
bobeira, mesmo” confere um tom de repreensão, embora um tanto jocoso, ao texto.
3. Coube à Confederação Brasileira de Futebol a adaptação dos termos ingleses à língua
portuguesa.
4. O texto demonstra que, ao longo de algum tempo, houve mudanças de atitude do
brasileiro em relação ao uso de termos estrangeiros no futebol.
Estão corretos apenas:
a) 1, 2 e 4.
b) 1, 3 e 4.
c) 1 e 3.
d) 2 e 3.
e) 2 e 4.
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129. UFPE Assinale a alternativa em que se faz uma afirmação inaceitável em relação aos
recursos gramaticais em negrito no texto.
a) Na expressão ‘outro esporte’, a palavra em negrito constitui um recurso de coesão
que relaciona o núcleo da expressão a ‘futebol’, referido anteriormente.
b) Nesse trecho, o pronome de 1ª pessoa do plural, ‘nós’, tem como referente os brasileiros em geral.
c) Em “Seria um caso incurável de carência de colonizador”, o verbo ser, no futuro do
pretérito, indica que o autor preferiu não ser taxativo em sua apreciação.
d) O verbo ‘chamar’ encontra-se no modo subjuntivo, indicando que o autor não tem
certeza de que a ação possa realizar-se.
e) Na última oração do texto, ‘mesmo’ foi aí inserido para reforçar a avaliação do autor.
51
130. Uneb-BA Este exercício, refere-se também ao texto “A Janela e o Menino” (das questões de 110 a 113).
GABARITO
“Nesta triste masmorra,
de um semivivo corpo sepultura,
inda, Marília, adoro
a tua formosura.
Amor na minha idéia te retrata;
busca, extremoso, que eu assim resista
à dor imensa, que me cerca e mata.
Quando em meu mal pondero,
então mais vivamente te diviso:
vejo o teu rosto e escuto
a tua voz e riso.
Movo ligeiro para o vulto os passos:
eu beijo a tíbia luz em vez de face,
e aperto sobre o peito em vão os braços.”
GONZAGA, Tomás Antônio. Marília de Dirceu.
São Paulo: Círculo do Livro, s/d. p. 127.
Relacionando-se as situações vividas pelo menino do texto de Carlos Heitor Cony e pelo
eu-lírico do poema de Tomás Antônio Gonzaga, constata-se que:
a) ambos se sentem aprisionados e tristes;
b) os dois se mostram desiludidos em face da impossibilidade de amar;
c) um e outro sofrem pela incapacidade de romper as barreiras que os isolam do mundo;
d) a condição do menino é fruto de sua opção existencial, enquanto a do sujeito poético
é resultado de uma imposição circunstancial;
IMPRIMIR
e) o menino vivencia uma experiência de opressão social; já o eu-lírico se sente subjugado pela tirania do amor.
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Com base nos textos abaixo, responda às questões de números 131 a 134.
“Cartas de leitores
Já conhecemos nossos governantes e políticos, suas índoles, seus defeitos, suas capacidades
limitadas para soluções e amplas para confusões. Só não conhecíamos ainda nossos manifestantes, se é que assim se pode dizer. Nada justifica a agressão física, seja qual for a manifestação, seja
quem for o agredido ou o agressor. Nada justificará, jamais, a agressão sofrida pelo governador
Mário Covas, por mais digna que fosse a manifestação. O que causa espanto é que se tratava de
uma manifestação de professores. É esse o papel de um educador?”
ÁVILA, Marcelo Maciel. O Globo.03/06/2000.
“O país está chocado com as agressões que os representantes do povo estão sofrendo. As
autoridades e a imprensa nacional têm-se manifestado severamente contra esses atos. Primeiro
foi uma paulada no governador de São Paulo, depois um ovo no ministro da saúde e, em 1º de
junho, outro ataque ao governador Mário Covas. O vice-presidente da república disse que o governador merece respeito. Concordo. Mas os demais cidadãos brasileiros não merecem? O ministro da justiça cobrou punição judicial para os agressores, afirmando que a última manifestação
transpusera os limites do tolerável. E a situação de extrema violência que nós, cariocas, estamos
vivendo? Quando o ministro vai achar que foram transpostos os limites do tolerável?”
COSTA DA SILVA, Arthur. O Globo.03/06/2000.
52
131. UERJ As duas cartas acima são de leitores expressando suas opiniões sobre o episódio
de agressão ao governador de São Paulo em manifestação de professores em greve. O
veículo de publicação das cartas – o jornal – impõe um limite de espaço para os textos.
Em função desse limite de espaço, os dois textos apresentam como traço comum:
a) combate a pontos de vista de outros leitores;
b) construção de comprovações por meio de silogismos;
c) expressão de opinião sem fundamentos desenvolvidos;
d) escolha de assunto segundo o interesse do editor do jornal.
132. UERJ Em geral, esse tipo de carta no jornal busca convencer os leitores de um dado
ponto de vista.
Por causa dessa intenção, é possível verificar que ambas as cartas transcritas se caracterizam por:
a) finalizar com perguntas retóricas para expressar sua argumentação;
b) iniciar com considerações gerais para contestar opiniões muito difundidas;
GABARITO
c) utilizar orações de estruturação negativa para defender a posição de outros;
d) empregar estruturas de repetição para reforçar idéias centrais da argumentação.
133. UERJ O fragmento que expõe a tese de cada uma das cartas, respectivamente, pode ser
identificado em:
a) “Já conhecemos nossos governantes” / “Quando o ministro vai achar que foram transpostos os limites do tolerável?”
b) “Só não conhecíamos ainda nossos manifestantes” / “a última manifestação transpusera os limites do tolerável.”
c) “Nada justifica a agressão física” / “Mas os demais cidadãos brasileiros não merecem?”
IMPRIMIR
d) “É esse o papel de um educador” / “Primeiro foi uma paulada no governador de São
Paulo.”
134. UERJ Pela leitura da carta de Arthur Costa da Silva, é possível afirmar que as perguntas
nela presentes têm o seguinte significado:
a) questionar as atitudes dos políticos brasileiros;
b) apontar falhas no discurso de autoridades brasileiras;
c) propor uma reflexão acerca da atitude dos agressores;
d) mostrar solidariedade ao comportamento dos manifestantes.
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Leia o texto a seguir e responda às questões de 135 a 138.
“Ano Novo, uma vida nova
GABARITO
53
Hoje estamos ingressando em 1998. Chegamos mais perto do fim do século XX e do início do
terceiro milênio. Estaremos chegando mais perto de nós mesmos?
Há uma abissal distância entre o que somos e o que queremos ser. Um apetite do Absoluto e a
consciência aguda de nossa finitude. Olhamos para trás: a infância que resta na memória com
sabor de paraíso perdido, a adolescência tecida em sonhos e utopias, os propósitos altruístas.
Agora, nas atuais circunstâncias, o salário exíguo num pais tão caro; os filhos, sem projeto, apegados à casa; os apetrechos eletrônicos que perenizam a criança que ainda existe em nós.
Em volta, a violência da paisagem urbana e nossa dificuldade de conectar efeitos e causas.
Dentro do coração o medo de quem vive numa cidade que lhe é hostil. Como se meninos de rua
fossem cogumelos espontâneos e não frutos do darwinismo econômico que segrega a maioria
pobre e favorece a minoria abastada. O mesmo executivo que teme o seqüestro e brada contra os
bandidos, abastece o crime ao consumir drogas.
Ano Novo, vida nova. A começar pelo réveillon. Há o jeito velho de empanturrar-se de carnes e
doces, encharcando-se de bebidas alcoólicas, como se a alegria saísse do forno e a felicidade
viesse engarrafada. Ou a opção de um momento de silêncio, um gesto litúrgico, uma oração, a
efusão de espíritos em abraços afetuosos.
No fundo da garganta, um travo. Vontade de remar contra a corrente e, enquanto tantos celebram
a pós-modernidade, pedir colo a Deus e resgatar boas coisas: uma oração em família, a leitura espiritual, a solidão entre matas, o gesto solidário que ameniza a dor de um enfermo. Reencontrar, no ano
que se inicia, a própria humanidade. Despir-nos do lobo voraz que na arena competitiva do mercado
nos faz estranhos a nós mesmos. Por que acelerar tanto, se teremos de parar no próximo sinal vermelho? Por que não escrever ao patrocinador do programa de violência e de pornografia na TV, e comunicar nossa disposição de cancelar o consumo de seus produtos? Por que não competir mais conosco
em busca de melhores índices de virtudes e de valores morais, em vez de competir com o próximo?
Ano novo de eleições. Olhemos a cidade. As obras que beneficiam certas empresas trazem
proveito à maioria da população? Melhoraram o transporte público, o serviço de saúde, a rede
educacional, os sacolões? Nosso bairro tem um bom sistema sanitário, as ruas são limpas, há áreas
de lazer? Participamos do debate sobre o uso de verbas públicas? O político em quem votamos
teve desempenho satisfatório? Prestou contas de seu mandato?
Em política, tolerância é cumplicidade com maracutaias. Voto é delegação e, na verdadeira
democracia, governa o povo através de seus representantes e de mobilizações diretas junto ao
poder público. Quanto mais cidadania, mais democracia.
Ano de nova qualidade de vida. De menos ansiedade e mais profundidade. Ano de comemorar
50 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos. De celebrar dez anos, em janeiro, da
ressurreição de Henfil e, em dezembro, de Chico Mendes.
Aceitar a proposta de Jesus a Nicodemos: nascer de novo. Mergulhar em nós, abrir espaço à
presença do Inefável. Braços e corações abertos também ao semelhante. Recriar-nos e reapropriar-nos da realidade circundante, livre de pasteurização que nos massifica na mediocridade bovina de quem rumina hábitos mesquinhos, como se a vida fosse uma janela da qual contemplamos, noite após noite, a realidade desfilar nos ilusórios devaneios de uma telenovela.
Feliz homem novo. Feliz mulher nova.”
Frei Beto. O Globo, 01 de janeiro de 1998. p. 7.
135. UFR-RJ Pode-se afirmar que o autor do texto “Ano Novo, uma vida nova” propõe à
sociedade uma renovação:
a) política e material;
b) social e econômica;
c) existencial e política;
d) pessoal e financeira;
IMPRIMIR
e) política e econômica.
136. UFR-RJ O texto é uma dissertação argumentativa que parte da tese de que:
a) o homem busca o progresso espiritual, mas se esquece do material;
b) a sociedade tem buscado a espiritualidade no fim do segundo milênio;
c) a sociedade deveria procurar “nascer de novo” num plano espiritual;
d) o homem tem buscado a renovação política com base na democracia;
e) o homem busca a plenitude, mas está condicionado às limitações materiais.
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137. UFR-RJ Fica evidente a proposta de sermos sujeitos do nosso tempo em:
a) “Recriar-nos e reapropriar-nos da realidade circundante (...).”
b) “Há o jeito velho de empanturrar-se de carnes e doces (...).”
c) “Olhamos para trás: a infância que resta na memória (...).”
d) “Em política, tolerância é cumplicidade com maracutaias.”
e) “Chegamos mais perto do fim do século XX e do início do terceiro milênio.”
138. UFF-RJ “Talvez a narração me desse a ilusão, e as sombras viessem perpassar ligeiras,
como ao poeta, não o do trem, mas o do Fausto: Aí vindes outra vez, inquietas sombras?...”
Os dois pontos e o recurso gráfico do itálico no trecho acima permitem-nos a seguinte
interpretação da frase “Aí vindes outra vez, inquietas sombras?...”:
a) Indica a citação da obra “Fausto” escrita pelo poeta do trem.
b) Refere-se a um desabafo proferido pelo narrador, ao se libertar de memórias antigas.
c) Corresponde a uma explicação sobre o valor de uma narração literária.
d) Trata-se de um meio de o poeta do trem se libertar da lembrança de outro poeta.
e) Trata-se de uma citação de frase empregada anteriormente em obra literária.
54
139. Cefet-PR Leia o seguinte trecho, extraído de Machado de Assis, e depois responda:
“Há dessas lutas terríveis na alma de um homem. Não, ninguém sabe o que se passa no interior
de um sobrinho, tendo de chorar a morte de um tio e receber-lhe a herança. Oh, contraste maldito! Aparentemente tudo se recomporia, desistindo o sobrinho do dinheiro herdado; ah! mas
então seria chorar duas coisas: o tio e o dinheiro.”
A “luta terrível” na alma do sobrinho, de que fala o autor, consiste em:
I. amaldiçoar a herança deixada pelo tio e recompor-se da perda o parente;
II. lamentar a morte do tio e alegrar-se com a herança deixada por ele;
III. desistir da herança e chorar a perda do tio.
Sendo assim:
a) apenas a afirmativa I está correta;
d) estão corretas as afirmativas I e II;
b) apenas a afirmativa II está correta;
e) estão corretas as afirmativas I e III.
GABARITO
c) apenas a afirmativa III está correta;
140. Univali-SC
“Volta às aulas
(...) Ensinar a pensar também não é tão fácil assim. Não é um curso de lógica nem uma questão
de formar uma visão crítica do mundo, achando que isso resolve a questão. Sair criticando o
mundo, contestando as teorias do passado forma uma geração de contestadores que nada constrói, que nada sugere.
Minha recomendação ao jovem de hoje é para que se concentre em uma das competências
mais importantes para o mundo moderno: aprender a pensar e a tomar decisões.”
IMPRIMIR
Stephen Kanitz, Veja, 16 de fevereiro de 2000.
Leia as afirmações a respeito do texto.
I. É impossível ensinar a pensar, nem um curso de lógica consegue formar jovens críticos.
II. Só formar uma visão crítica do mundo não resolve, não constrói, nada sugere.
III. Aprender a pensar e a tomar decisões é uma das competências mais importantes para
o mundo moderno.
Está de acordo com o texto a alternativa:
a) I e II são corretas;
d) somente a III é correta;
b) somente a II é correta;
e) II e III são corretas.
c) somente a I é correta;
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141. Univali-SC
“Parece-me que é chegado o momento de romper com tamanha complacência cultural, e,
assim, conscientizar a nação de que é preciso agir em prol da língua pátria, mas sem xenofobismo
ou intolerância de nenhuma espécie. É preciso agir com espírito de abertura e criatividade, para
enfrentar – com conhecimento, sensibilidade e altivez – a inevitável, e claro que desejável, interpenetração cultural que marca o nosso tempo globalizante. Esse é o único meio de participar de
valores culturais globais sem comprometer os locais. A propósito, Machado de Assis, nosso escritor, deixou-nos, já em 1873, a seguinte lição: ‘Não há dúvida que as línguas se aumentam e se
alteram com o tempo e as necessidades dos usos e costumes’.
CASTRO, Álvaro. “Protegendo a língua nacional”.
Jornal de Santa Catarina, 29/12/1999.
Sobre o texto, está correta a alternativa:
a) Certos modos de dizer, locuções novas e novas palavras são características do estilo
de Machado de Assis, ao abordar o problema da globalização atual na língua pátria.
55
b) As línguas mudam com o passar do tempo e o número de vocábulos aumenta, em
decorrência do acréscimo de termos estrangeiros e das necessidades dos usos e costumes.
c) Não é condenável praticar o xenofobismo ou a intolerância de qualquer espécie no
que se refere à língua pátria, só com a abertura a todo e qualquer termo estrangeiro
seremos capazes de acompanhar, com sucesso, a globalização.
d) A língua portuguesa, segundo Machado de Assis, não pode parar no século passado,
porque a América foi incapaz de produzir riquezas novas. É preciso inovar, a qualquer
preço.
e) É preciso acabar com a complacência que cerca a língua pátria, voltando a valorizá-la
e eliminando as contribuições estrangeiras.
142. Univali-SC
GABARITO
“Um investimento que vale a pena
Sabe aquele funcionário que está sempre de bom humor, incentivando os colegas e chamando
para si a responsabilidade de determinadas tarefas inclusive aquelas que ninguém se propõe a
fazer? Pois é, esse funcionário está em alta nas empresas que pretendem sobreviver no próximo
milênio. Por quê? Simplesmente porque investe no seu marketing pessoal.
‘Diferente do que muitas pessoas pensam, marketing pessoal não é tentar passar uma boa
imagem daquilo que você não é, mas passar bem uma imagem daquilo que você realmente é’,
afirma o gerente de marketing da Karsten e professor do Serviço Nacional de Aprendizagem
Comercial de Santa Catarina (SENAC), Nelson Marinho Teixeira.
Segundo ele, isso seria uma tarefa fácil se as pessoas não ficassem tentando imitar o modelo de
outras pessoas, e tentassem descobrir as suas virtudes. ‘Cada um deve investir naquilo que faz e
que os outros não fazem’, argumenta. ‘Se pensarmos bem, veremos que a vida é mais simples do
que nós a encaramos e, muitas vezes, gastamos muito tempo em busca de sermos o que não
podemos ser’. (...)”
AVENDANO, Jaime, Jornal de Santa Catarina, 19 e 20 de setembro de 1999.
A melhor interpretação para o texto é:
IMPRIMIR
a) O funcionário deve fazer só o que os outros não querem.
b) Deve-se passar a imagem daquilo que se é ao invés de imitar outras pessoas.
c) Investir no marketing pessoal é muito penoso, necessita de mudança de humor, função etc.
d) O marketing pessoal deve ser uma preocupação na hora de procurar emprego.
e) Pode-se ser tudo usando marketing pessoal.
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As questões de 143 a 145 baseiam-se no texto abaixo. Leia, atentamente, todo o texto
antes de resolvê-las:
56
“A importância do conto popular em nossa cultura é tão forte que precisamos ter muito claro o
que se deve entender por popular, quando se trata de estudar gêneros literários.
Geralmente se entende por popular um tipo de criação rústica, caracterizada pela simplicidade
e pobreza expressiva. Talvez você mesmo pense assim. Mas, veja bem, se assim fosse, como se
justificaria a influência que a tradição popular exerceu e continua exercendo sobre a literatura e as
outras manifestações artísticas e culturais, inclusive aquelas de caráter eminentemente técnico?
Se este legado existe, é porque a cultura popular é algo muito mais rico do que podemos imaginar.
Popular é, portanto, uma manifestação cultural de caráter universal, nascida de modo espontâneo e totalmente indiferente a tudo que seja imposto pela cultura oficial. Também não pode ser
entendido como sinônimo de regional, pois isto eliminaria a tendência universalizante das manifestações populares. Quer dizer, as criações populares não conhecem normas nem limites. Elas
estão acima de qualquer tipo de aprovação social.
O conto popular, embora tenha um caráter universal, seja uma criação coletiva e tenha vivido
muito tempo graças à transmissão oral, apresenta um modo narrativo que o singulariza diante de
outros tipos de narrativas. Com isso, é possível dizer que o conto popular é um gênero narrativo
que desenvolve traços que se repetem em histórias criadas nos mais variados locais e épocas. Suas
características composicionais não conhecem fronteiras de tempo nem de lugar.”
MACHADO, Irene. Literatura e redação. São Paulo, Scipione, 1994. p. 28.
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GABARITO
143. UFMS Marque a(s) alternativa(s) que completa(m) corretamente a frase:
O conto popular é um gênero narrativo que:
01. sobrevive até hoje apenas por força da transmissão oral;
02. desenvolve traços próprios que o distinguem de outros tipos de narrativas;
04. possui um caráter eminentemente regional;
08. não pode ser considerado como um gênero literário devido a sua simplicidade e
pobreza expressiva.
16. apresenta características composicionais que variam no tempo e no espaço;
32. não se prende a um autor específico, já que se trata de uma criação coletiva.
Dê, como resposta, a soma das alternativas corretas.
144. UFMS O termo popular, tal como aparece no texto, pode ser associado à(s) seguinte(s)
características(s):
01. indiferença às imposições da cultura oficial;
02. tendência à universalização;
04. criação rústica;
08. manifestação culturalmente rica;
16. obediência às normas socialmente aprovadas;
32. caráter espontâneo.
Dê, como resposta, a soma das alternativas corretas.
145. UFMS Em relação ao texto lido, é correto afirmar:
01. Trata-se de um texto literário, pois discorre sobre o conto popular.
02. Em alguns momentos, a autora estabelece uma interlocução com o leitor.
04. O texto utiliza uma linguagem informal, próxima da variante popular.
08. A autora se preocupa não apenas em definir o conto popular enquanto gênero narrativo, mas também em caracterizar o termo popular.
16. Quanto à estruturação formal, o texto segue o esquema básico introdução – desenvolvimento – conclusão.
32. O texto pode ser classificado como opinativo, visto que a autora apresenta seus próprios pontos de vista sobre o assunto.
Dê, como resposta, a soma das alternativas corretas.
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Texto para a questão 146.
“A Nona Conferência Internacional Americana e os Direitos Humanos
57
Os Estados americanos, no livre exercício de suas próprias soberanias, mediante um processo
evolutivo que resultou na adoção de diferentes instrumentos internacionais, estruturaram um
sistema regional de promoção e proteção dos direitos humanos, no qual se reconhecem e definem com precisão a existência desses direitos; se estabelecem normas de conduta obrigatórias
destinadas a sua promoção e proteção, e se criam os órgãos destinados a velar pela fiel observância desses direitos.
Esse sistema interamericano de promoção e proteção dos direitos fundamentais do homem
teve seu início formal com a Declaração Americana dos Direitos e Deveres do Homem, aprovada
pela Nona Conferência Internacional Americana (Bogotá, Colômbia, 1948), durante a qual também foi criada a Organização dos Estados Americanos, cuja Carta proclama os “direitos fundamentais da pessoa humana” como um dos princípios em que se fundamenta a Organização.
Além disso, foram aprovadas algumas resoluções que se enquadram no campo dos direitos
humanos, tais como as convenções sobre concessão dos direitos civis e políticos à mulher, a resolução sobre a ‘Condição Econômica da Mulher Trabalhadora’ e a ‘Carta Internacional Americana
de Garantias Sociais’, na qual os Governos da América estabelecem ‘os princípios fundamentais
que devem proteger os trabalhadores de toda classe’ e que ‘estabelece os direitos mínimos de que
devem eles gozar nos Estados americanos, sem prejuízo da possibilidade de que as leis de cada um
possam ampliar esses direitos ou reconhecer outros mais favoráveis’, pois reconhecem que ‘as
finalidades do Estado não se cumprem apenas com o reconhecimento dos direitos do cidadão
mas também’ com a preocupação pelo destino dos homens e das mulheres, considerados não
como cidadãos mas como pessoas’ e, conseqüentemente, deve-se garantir ‘simultaneamente tanto
o respeito às liberdades políticas e do espírito, como a realização dos postulados da justiça social’.”
146. I.E. Superior de Brasília-DF Julgue os itens a seguir, de acordo com a leitura, compreensão e interpretação textuais.
( ) A Organização dos Estados Americanos foi criada especificamente para proteger
os direitos fundamentais do homem.
( ) A concessão dos direitos civis à mulher enquadra-se no âmbito dos direitos humanos.
( ) As obrigações do Estado não se limitam ao campo da cidadania.
( ) O preconceito sexual ou religioso enquadra-se no campo das liberdades políticas.
( ) Infere-se do texto que os direitos da mulher estão dissociados dos direitos do homem.
GABARITO
INSTRUÇÃO: Leia atentamente o texto a seguir e julgue os itens das questões 147 e 148:
“Invasão de língua estrangeira tem várias razões. Uma é o prestígio. O inglês avançou nas nossas
fronteiras porque é falado pela maior potência do planeta, que vende como ninguém sua música,
seu cinema, sua televisão, sua literatura, sua tecnologia e o american way of life. Outra é a receptividade. Nós, já dizia Gláuber Rocha, temos complexo de vira-lata. O que vem de fora é melhor.
(...) Hoje aportuguesamos termos que nem sonhavam figurar no Aurélio. A informática serve de
exemplo. Deletar tomou a vez do velho apagar. Printar expulsou o imprimir. Startar cassou o
começar. É isso. Quem não aderiu se tornou out. Que corra atrás do prejuízo. Peça help. E vire in.“
SQUARISI, Dad. Revista Exame, 18 de nov. 1998, p. 170.
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147. UFMT – Modificada
( ) Dizer que os brasileiros têm complexo de vira-lata significa dizer que eles sofrem
de xenofobia.
( ) Segundo Squarisi, é a ascendência cultural, e não econômica, que determina o prestígio de uma língua sobre as outras.
148. UFMT
( ) O aportuguesamento do vocabulário da informática em deletar, printar e startar é
meramente semântico.
( ) As expressões “se tornou out” e “vire in” significam respectivamente “estar por
fora” e “ficar por dentro”.
( ) O léxico do português brasileiro tem sido ampliado pela entrada e acomodação de
estrangeirismos.
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149. UFPE
Texto I
“Capítulo CVII (em que se declara que bicho é o que se chama preguiça):
Nestes matos se cria um animal mui estranho, a que os índios chamam “aí”, e os portugueses
preguiça, nome certo mui acomodado a este animal, pois não há fome, calma, frio, água, fogo,
nem outro perigo que veja diante, que o faça mover uma hora mais que outra; (...) e são estes
animais tão vagarosos que posto um ao pé de uma árvore, não chega ao meio dela desde pela
manhã até as vésperas.”
SOUSA, Gabriel S. de. Tratado Descritivo do Brasil, 1587.
Texto II
“Festa da Raça
Hu certo animal se acha também nestas partes
A que chamam Preguiça
Tem hua guedelha grande no toutiço
E se move com passos tam vagorosos
Que ainda que ande quinze dias aturado
Não vencerá a distância de hu tiro de pedra”
ANDRADE, Oswald de. Poesias Reunidas.
58
Sobre os textos I e II, qual alternativa é incorreta?
a) O texto de Gabriel de Sousa utiliza o recurso da comparação para dar conta da realidade com que se defronta na terra ultramarina e transmiti-la aos europeus.
b) O poema de Oswald de Andrade ilustra um procedimento comum aos nossos modernistas de primeira hora; o de tomar a literatura quinhentista como fonte de inspiração
temática e formal.
c) É inegável o tom jocoso e irônico de Oswald de Andrade ao fazer, com o título de seu
poema, uma alusão à suposta preguiça do brasileiro.
d) No texto I, o objetivo é ressaltar as peculiaridades da terra tropical, paradisíaca, recém-descoberta; já no texto II, o poeta busca resgatar a língua original do Brasilcolônia.
e) A linguagem dos dois textos apresenta pontos em comum, não só no léxico como
também na sintaxe. Mas a intenção era diversa: o primeiro queria encantar, seduzir, e
o segundo, parodiar.
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GABARITO
150. Uneb-BA
Texto I
“A um vigário de certa
freguesia, conhecido por ser muito ambicioso
Reverendo vigário,
que é título de zotes ordinário,
como sendo tão bobo,
e tendo tão larguíssimas orelhas,
fogem vossas ovelhas
de vós, como se fosseis voraz lobo?
Quisestes tosquear o vosso gado,
e saístes do intento tosqueado;
não vos cai em capelo
o que o provérbio tantas vezes canta,
que quem ousadamente se adianta
em vez de tosquear fica em pêlo?
Intentastes sangrar toda a comarca,
mas ela vos sangrou na veia d’arca,
pois ficando faminto, e sem sustento,
heis de buscar a dente qual jumento
erva para o jantar, e para a ceia (...).
Sois tão grande velhaco,
que a pura excomunhão meteis no saco:
já diz a freguesia
que tendes de Saturno a natureza,
pois os filhos tratais com tal crueza
que os comeis, e roubais, qual uma harpia.
Valha-vos; mas quem digo que vos valha?
Valha-vos ser um zote, e um canalha:
mixelo hoje de chispo,
ontem um passa-aqui do Arcebispo! (...)”
MATOS, Gregório de. In: Senhora Dona Bahia – Poesia Satírica de Gregório de Matos.
Org. MENDES, Gleise F. Salvador: EDUFBA, 1996. p. 171-2.
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Texto II
“Jesuítas e Frades
Que o mundo antigo s’erga e lance a maldição
Sobre vós... remembrando a negra Inquisição,
A hidra escura e vil da vil Teocracia,
O Santo Ofício, as provas, o azeite, a gemonia...
Lisboa, Tours, Sevilha e Nantes na tortura,
Na fogueira Grandier, João Huss na sepultura,
Colombo a soluçar, a gemer Galileu...
De mil autos-da-fé o fumo enchendo o céu...
Que a maldição vos lance a pena do Gaulês
Tendo por tinta a borra das caldeiras de pez...
Que o Germano a sangrar maldiz em feros hinos.
É justo!... (...)
59
Oh! não! Mil vezes não! O poeta Americano
Vos deve sepultar no verso soberano
– Pano negro que tem por lágrimas de prata
As lágrimas que a Musa inspirada desata!!!
Se aqui houve cativos – eles os libertaram.
Se aqui houve selvagens – eles os educaram.
Se aqui houve fogueiras – eles nelas sofreram.
Se lá carrascos foram – cá mártires morreram.
Em vez de Inquisidor – tivemos a vedeta.
Loiola – aqui foi Nóbrega, Arbues – foi Anchieta!”
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GABARITO
ALVES, Castro. In: Poesias completas de Castro Alves. 17. ed. Rio de Janeiro: Ediouro, 1995. p. 145-6. (Coleção Prestígio).
Texto III
“ENCOURADO, de costas, grande grito, com o braço ocultando os olhos.
Quem é? É Manuel?
MANUEL
Sim, é Manuel, o Leão de Judá, o Filho de Davi. Levantem-se todos, pois vão ser julgados.
JOÃO GRILO
Apesar de ser um sertanejo pobre e amarelo, sinto perfeitamente que estou diante de uma
grande figura. Não quero faltar com o respeito a uma pessoa tão importante, mas se não me
engano aquele sujeito acaba de chamar o senhor de Manuel.
MANUEL
Foi isso mesmo, João. Esse é um de meus nomes, mas você pode me chamar também de Jesus,
de Senhor, de Deus... Ele gosta de me chamar Manuel ou Emanuel, porque pensa que assim pode
se persuadir de que sou somente homem. Mas você, se quiser, pode me chamar de Jesus.
JOÃO GRILO
Aquele Jesus a quem chamavam Cristo?
JESUS
A quem chamavam, não, que era Cristo. Sou, por quê?
JOÃO GRILO
Porque... não é lhe faltando com o respeito não, mas eu pensava que o senhor era muito menos
queimado.
BISPO
Cale-se, atrevido.
MANUEL
Cale-se você. Com que autoridade está repreendendo os outros? Você foi um bispo indigno de
minha Igreja, mundano, autoritário, soberbo. Seu tempo já passou. Muita oportunidade teve de
exercer sua autoridade, santificando-se através dela. Sua obrigação era ser humilde, porque quanto mais alta é a função, mais generosidade e virtude requer. Que direito tem você de repreender
João porque falou comigo com certa intimidade? João foi um pobre em vida e provou sua sinceridade exibindo seu pensamento. Você estava mais espantado do que ele e escondeu essa admiração por prudência mundana. O tempo da mentira já passou.”
SUASSUNA, Ariano. Auto da Compadecida. 9 ed. Rio de Janeiro: Agir, 1972. p. 146-8.
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Os três textos, embora de épocas diferentes, interrelacionam-se, uma vez que focalizam
a ação do clero na realidade do Brasil.
Sobre eles, identifique as afirmativas verdadeiras.
I. No Texto I, o pastor religioso é apresentado como um exemplo de comportamento
mundano, distanciando-se, assim, de suas reais funções.
II. No Texto II, a ação dos religiosos no continente americano é amaldiçoada devido ao
seu caráter opressor.
III. O Texto II evidencia um contraste entre as ações dos religiosos na Europa e na América.
IV. No Texto III, a ação do representante terreno do clero é voltada para a defesa de
valores essencialmente cristãos.
V. Tanto no Texto I quanto no II, evidencia-se uma crítica à hipocrisia religiosa.
VI. Os Textos I e III apresentam um ponto em comum: um enfoque crítico do comportamento dos representantes do clero.
A alternativa em que todas as afirmativas indicadas são verdadeiras é:
a) I e V;
d) II, IV e V;
b) II e III;
e) II, III, IV e VI.
c) I, III e VI;
Texto para as questões 151, 152 e 153.
GABARITO
60
“O meu fim evidente era atar as duas pontas da vida, e restaurar na velhice a adolescência. Pois,
senhor, não consegui recompor o que foi nem o que fui. Em tudo, se o rosto é igual, a fisionomia
é diferente. Se só me faltassem os outros, vá; um homem consola-se mais ou menos das pessoas
que perde; mas falto eu mesmo, e esta lacuna é tudo. O que aqui está é, mal comparando,
semelhante à pintura que se põe na barba e nos cabelos, e que apenas conserva o hábito externo,
como se diz nas autópsias; o interno não agüenta tinta. Uma certidão que me desse vinte anos de
idade poderia enganar os estranhos, como todos os documentos falsos, mas não a mim. Os
amigos que me restam são de data recente; todos os antigos foram estudar a geologia dos campos santos. Quanto às amigas, algumas datam de quinze anos, outras de menos, e quase todas
crêem na mocidade. Duas ou três fariam crer nela aos outros, mas a língua que falam obriga muita
vez a consultar os dicionários, e tal freqüência é cansativa.
Entretanto, vida diferente não quer dizer vida pior, é outra coisa. A certos respeitos, aquela vida
antiga aparece-me despida de muitos encantos que lhe achei; mas é também exato que perdeu
muito espinho que a fez molesta, e, de memória, conservo alguma recordação doce e feiticeira.
Em verdade, pouco apareço e menos falo. Distrações raras. O mais do tempo é gasto em hortar,
jardinar e ler; como bem e não durmo mal.
Ora, como tudo cansa, esta monotonia acabou por exaurir-me também. Quis variar, e lembrou-me
escrever um livro. Jurisprudência, filosofia e política acudiram-me, mas não me acudiram as forças
necessárias. Depois, pensei em fazer uma História dos subúrbios menos seca que as memórias do
padre Luís Gonçalves dos Santos relativas à cidade; era obra modesta, mas exigia documentos e datas
como preliminares, tudo árido e longo. Foi então que os bustos pintados nas paredes entraram a falarme e a dizer-me que, uma vez que eles não alcançavam reconstituir-me os tempos idos, pegasse da
pena e contasse alguns. Talvez a narração me desse a ilusão, e as sombras viessem perpassar ligeiras,
como ao poeta, não o do trem, mas o do Fausto: Aí vindes outra vez, inquietas sombras ?...”
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ASSIS, Machado de. Dom Casmurro. Capítulo II, Rio de Janeiro: José Aguilar 1971, v. 1, p. 810-11.
151. UFF-RJ “A certos respeitos, aquela vida antiga aparece-me despida de muitos encantos
que lhe achei; mas é também exato que perdeu muito espinho que a fez molesta, e, de
memória, conservo alguma recordação doce e feiticeira.”
Em relação à posição do narrador, expressa no fragmento acima, conclui-se que:
a) A narrativa é feita a partir das mesmas idéias sobre si que o narrador possuía no momento mesmo em que os episódios da vida antiga ocorreram.
b) O narrador aspira a uma reconstrução textual do passado, ignorando o ponto de vista
do momento em que o texto é escrito.
c) O julgamento sobre a vida antiga não é o mesmo que o narrador tinha, no tempo em
que os eventos narrados ocorreram.
d) O narrador, em determinado momento de sua vida, pretende reconstituir os eventos
ocorridos em seu passado, tal como ocorreram então.
e) A análise dos encantos da vida antiga parte dos mesmos pressupostos que o narrador
tinha, na época em que antigamente vivia.
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152. UFF-RJ Uma das características da prosa de Machado de Assis é a presença de referências ao leitor de seus textos.
Identifique o fragmento em que o narrador emprega uma forma lingüística que expressa
o leitor a quem se dirige:
a) “Pois, senhor, não consegui recompor o que foi nem o que fui.”
b) “Em tudo, se o rosto é igual, a fisionomia é diferente.”
c) “Uma certidão que me desse vinte anos de idade poderia enganar os estranhos, como
todos os documentos falsos, mas não a mim.”
d) “Duas ou três fariam crer nela aos outros, mas a língua que falam obriga muita vez a
consultar os dicionários, e tal freqüência é cansativa.”
e) “Quanto às amigas, algumas datam de quinze anos, outras de menos, e quase todas
crêem na mocidade.”
153. UFF-RJ O narrador do texto pouco aparece e menos fala, não tem amigos de longa data,
e tenta, com certo humor, “atar as duas pontas da vida”, em sua narrativa.
Assinale a Opção em que, através de outra linguagem – o cartum –, percebe-se um certo
humor semelhante ao que constitui o texto de Machado de Assis, sobretudo no seguinte
trecho:
61
“Se só me faltassem os outros, vá; um homem consola-se mais ou menos das pessoas que
perde; mas falto eu mesmo, e esta lacuna é tudo. O que aqui está é, mal comparando, semelhante
à pintura que se põe na barba e nos cabelos, e que apenas conserva o hábito externo, como se diz
nas autópsias; o interno não agüenta tinta.”
a)
b)
GABARITO
c)
IMPRIMIR
d)
e)
Caulos. Só dói quando eu respiro. Porto Alegre: L&PM, sd.
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Texto para as questões 154 e 155.
“Trechos da carta de Pero Vaz de Caminha
62
Muitos deles ou quase a maior parte dos que andavam ali traziam aqueles bicos de osso nos
beiços. E alguns, que andavam sem eles, tinham os beiços furados e nos buracos uns espelhos de
pau, que pareciam espelhos de borracha; outros traziam três daqueles bicos, a saber, um no meio
e os dois nos cabos. Aí andavam outros, quartejados de cores, a saber, metade deles da sua
própria cor e metade de tintura preta, a modos de azulada; e outros quartejados de escaques. Ali
andavam entre eles três ou quatro moças, bem moças e bem gentis, com cabelos muito pretos,
compridos pelas espáduas, e suas vergonhas tão altas, tão cerradinhas e tão limpas das cabeleiras
que, de as muito bem olharmos, não tínhamos nenhuma vergonha.
Esta terra, Senhor me parece que da ponta que mais contra o sul vimos até a outra ponta que
contra o norte vem, de que nós deste porto houvemos vista, será tamanha que haverá nela bem
vinte ou vinte e cinco léguas por costa. Tem, ao longo do mar, nalgumas partes, grandes barreiras,
delas vermelhas, delas brancas; e a terra por cima toda chã e muito cheia de grandes arvoredos.
De ponta a ponta, é toda praia parma, muito chã e muito formosa.
Pelo sertão nos pareceu, vista do mar muito grande, porque, a estender olhos, não podíamos
ver senão terra com arvoredos, que nos parecia muito longa. Nela, até agora, não pudemos saber
que haja ouro, nem prata, nem coisa alguma de metal ou ferro; nem lho vimos Porém a terra em
si é de muito bons ares, assim frios e temperados, como os de Entre Douro e Minho, porque neste
tempo de agora os achávamos como os de lá.
Águas são muitas; infindas. E em tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á
nela tudo, por bem das águas que tem.”
GABARITO
Carta de Pero Vaz de Caminha in: ROBERTO, Paulo Pereira (org.)
Os três únicos testemunhos do descobrimento do Brasil.
Rio de Janeiro: Lacerda, 1999, p 39-40.
Vocabulário:
1. “espelhos de pau, que pareciam espelhos de borracha”:
associação de imagem com a tampa de um vasilhame de couro, para transportar água ou vinho,
que recebia o nome de “espelho” por ser feita de madeira polida.
2. “tintura preta, a modos de azulada”: é uma tintura feita com o sumo do fruto jenipapo.
3. “escaques”: quadrados de cores alternadas como os do tabuleiro de xadrez.
4. “parma”: lisa como a palma da mão.
5. “chã”: terreno plano, planície.
154. UFF-RJ Assinale o fragmento que representa uma retomada modernista da Carta de
Pero Vaz de Caminha.
a) “O Novo Mundo nos músculos / Sente a seiva do porvir”. (Castro Alves).
b) “Minha terra tem palmeiras, / Onde canta o sabiá” (Gonçalves Dias).
c) “A terra é mui graciosa / Tão fértil eu nunca vi.” (Murilo Mendes).
d) “Irás a divertir-te na floresta, / sustentada, Marília, no meu braço” (Tomás Antônio
Gonzaga)
IMPRIMIR
e) “Todos cantam sua terra / Também vou cantar a minha” (Casimiro de Abreu).
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155. UFF-RJ
“Pero Vaz Caminha
5
a descoberta
Seguimos nosso caminho por este mar de longo
Até a oitava da Páscoa
Topamos aves
E houvemos vista de terra
10
os selvagens
Mostraram-lhes uma galinha
Quase haviam medo dela
E não queriam pôr a mão
E depois a tomaram como espantados
primeiro chá
Depois de dançarem
Diogo Dias
Fez o salto real
15 as meninas da gare
63
Eram três ou quatro moças bem moças e bem gentis
Com cabelos mui pretos pelas espáduas
E suas vergonhas tão altas e tão saradinhas
Que de nós as muito olharmos
20 Não tínhamos nenhuma vergonha”
ANDRADE, Oswald de. Poesias reunidas. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1978, p. 80.
O procedimento poético empregado por Oswald de Andrade em seu texto é:
a) reconhecer e adotar a métrica parnasiana, criando estrofes simétricas e com títulos;
b) recortar e recriar em versos trechos da carta de Caminha, dando-lhes novos títulos;
c) imitar e refazer em prosa a Carta de Caminha criando títulos para as várias seções;
d) reconhecer e retomar a prática romântica, dando títulos nacionalistas às estrofes;
e) identificar e recusar os processos de colagem modernistas, dando-lhes títulos novos.
GABARITO
“Os altos índices de repetência escolar só não são mais perversos que o conformismo de nossa
sociedade com esse absurdo que está presente, de modo significativo, entre as classes sociais mais
ricas e, de modo esmagador, entre as classes mais pobres.
A verdade é que o fracasso na escola passou a ser encarado de forma tão natural que agora já
faz parte da nossa cultura, de forma tão natural quanto a chuva, o sol, o calor e o frio. (...)
O pior é que a responsabilidade da cultura da repetência é atribuída, via-de-regra, quase sempre às
duas grandes vítimas desse monstrengo caótico que virou o ensino brasileiro: a criança e o professor. (...)
A vontade política e a criatividade do povo comprovam, em algumas experiências, que é possível o Brasil mudar esse quadro.
Estamos às vésperas de uma eleição e o nosso voto pode contribuir decisivamente para que a
escola volte a ser a grande solução do Brasil e deixe de ser apenas mais um problema.”
IMPRIMIR
156. U.F. Pelotas-RS Na imprensa brasileira, por ocasião das eleições de 1994, a UNICEF e a
Fundação Odebrecht, sob o título “Você acha normal que uma criança carente fracasse na escola? Nós não.”, advertem os eleitores a respeito do cuidado com a escolha dos seus candidatos.
Marque a alternativa que não está de acordo com o texto.
a) Para o autor do texto, o problema da repetência será resolvido com vontade política e
criatividade por parte do povo brasileiro.
b) A seqüência “o fracasso na escola passou a ser encarado de forma tão natural que
agora já faz parte de nossa cultura” pode ser substituída, sem prejuízo do sentido
global, por “como o fracasso na escola passou a ser encarado de forma muito natural,
agora já faz parte de nossa cultura”.
c) A expressão “duas grandes vítimas desse monstrengo caótico” remete a termos posteriores a ela.
d) As expressões “volte a ser” e “deixe de ser” levam, respectivamente, à dedução de que
a escola já foi a grande solução do Brasil e de que há necessidade de que não seja mais
um problema.
e) O conformismo de nossa sociedade é menos perverso que os altos índices de repetência escolar.
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157. U.E. Maringá-PR Leia o texto a seguir:
“Gênio da selva
Apetite favorece a inteligência
IMPRIMIR
GABARITO
64
Quando se fala em bicho inteligente, a primeira palavra que vem à cabeça é o chimpanzé. Não
é para menos. Parente mais próximo do homem, esse macaco africano consegue aprender por
observação, usar ferramentas e se reconhecer no espelho.
Os macacos-pregos pertencem a um grupo menos evoluído de primatas, o dos macacos do
Novo Mundo. Apesar da distância, são muito mais parecidos com seus primos de terceiro grau da
África do que com seus conterrâneos, como o macaco-aranha e o muriqui. “Eles podem andar
sobre duas patas e também são perfeitamente capazes de aprender por observação”, ressalta o
etólogo Eduardo Ottoni, da Universidade de São Paulo.
As razões desse desenvolvimento cognitivo só começaram a ser compreendidas muito recentemente. Duas delas são fisiológicas. A primeira é o tamanho do cérebro, proporcionalmente maior
nesses micos do que nos outros macacos americanos. A outra é o chamado polegar pseudoopositor, que dá uma destreza enorme ao animal. Ele consegue pescar, abrir latas e frutas e
escavar a terra movido pelo ímpeto de encontrar comida.
O apetite insaciável, aliás, é marca registrada dos espertos macacos-prego. Onívoros de carteirinha, eles são capazes de procurar comida nos lugares mais improváveis. Para comer coquinhos,
seu prato preferido, usam uma ferramenta: ajeitam o fruto cuidadosamente numa pedra e jogam
uma outra em cima, com força. Se não houver frutas nem insetos à mão, eles mudam a dieta e
podem atacar plantações ou mesmo assaltar casas.
Foi isso o que aconteceu em Fernandópolis, interior de São Paulo, em fevereiro de 1999. A
população da cidade entrou em pânico com uma misteriosa quadrilha que aproveitava a ausência
dos moradores para roubar comida. O caso foi resolvido em março, quando a Polícia Florestal
prendeu, em flagrante, um bando bem organizado de 55 micos assaltantes. Os coitados haviam
sido soltos numa mata na vizinhança da cidade, depois que o zoológico municipal fechou, e
estavam com fome. Tiveram de apelar para o crime.
A sociedade dos micos também é mais democrática que a média. Os outros primatas normalmente se organizam em torno de um macho dominante que controla o abastecimento do grupo.
Entre os macacos-prego o poder é diluído. “Não existe um único líder no bando. As chefias são
formadas por até três animais”, diz Eduardo Ottoni. Os mandachuvas dividem a própria comida
com os seus subordinados. “São os únicos, além do homem e do chimpanzé, capazes de partilhar
alimento”, observa Ottoni.
Sem precisar disputar o coquinho de cada dia a mordidas, sobra tempo para atividades sociais e
para cultivar amizades. Com relações tão complexas, o macaco-prego só podia mesmo ser um
sujeito muito esperto.”
Superinteressante, julho/00, p.72.
De acordo com o texto:
01. existem duas razões fisiológicas para o desenvolvimento cognitivo do macaco-prego;
02. o macaco-prego é o parente mais próximo do homem e pertence a um grupo menos
evoluído de primatas;
04. o macaco-aranha e o muriqui são macacos africanos;
08. o macaco-aranha e o muriqui são espécies de macacos da América, da mesma forma
que o macaco-prego;
16. diferente dos outros primatas, na sociedade dos macacos-prego não existe a noção
de poder e liderança.
Dê, como resposta, a soma das alternativas corretas.
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158. Univali-SC
“Maria Maria
Maria, Maria
É um dom, uma certa magia,
Uma força que nos alerta.
Uma mulher que merece viver e amar
Como outra qualquer do planeta.
Maria, Maria
É o som, é a cor, é o suor.
É a dose mais forte e lenta
De uma gente que ri, quando deve chorar,
E não vive, apenas agüenta.”
Milton Nascimento e Fernando Brandt.
A opção que melhor sintetiza o trecho da canção é:
a) Todas as mulheres merecem ser amadas.
b) A mulher, Maria, apenas suporta a dor de viver.
c) Maria, a mulher da canção, é uma combinação de força e resistência, como são todas
as mulheres do planeta.
d) Maria, no texto, simboliza os seres humanos que lutam, sofrem e resistem à dor de viver.
e) A mulher brasileira, representada pela Maria da canção, transforma a dor em alegria,
a lágrima em riso, e segue sua vida.
Texto para as questões 159 e 160.
65
“A LÍNGUA NA LITERATURA BRASILEIRA
IMPRIMIR
GABARITO
(Machado de Assis)
Entre os muitos méritos dos nossos livros nem sempre figura o da pureza da linguagem. Não é raro
ver intercalados em bom estilo os solecismos da linguagem comum, defeito grave a que se junta o da
excessiva influência da língua francesa. Este ponto é objeto de divergência entre os nossos escritores.
Divergência digo, porque, se alguns caem naqueles defeitos por ignorância ou preguiça, outros
há que os adotam por princípio, ou antes por uma exageração de princípio.
Não há dúvida que as línguas se aumentam e alteram com o tempo e as necessidades dos usos
e costumes. Querer que a nossa pare no século de quinhentos é um erro igual ao de afirmar que
a sua transplantação para a América não lhe inseriu riquezas novas. A este respeito a influência do
povo é decisiva. Há portanto certos modos de dizer, locuções novas, que de força entram no
domínio do estilo e ganham direito de cidade.
Mas se isto é um fato incontestável, e se é verdadeiro o princípio que dele se deduz, não me
parece aceitável a opinião que admite todas as alterações da linguagem, ainda aquelas que destroem as leis da sintaxe e a essencial pureza do idioma. A influência popular tem um limite; e o
escritor não está obrigado a receber e dar curso a tudo o que o abuso, o capricho e a moda
inventam e fazem correr. Pelo contrário, ele exerce também uma grande parte da influência a este
respeito, depurando a linguagem do povo e aperfeiçoando-lhe a razão.
Feitas as exceções devidas, não se lêem muito os clássicos no Brasil.
Entre as exceções poderia eu citar até alguns escritores, cuja opinião é diversa da minha neste ponto,
mas que sabem perfeitamente os clássicos. Em geral, porém, não se lêem, o que é um mal. Escrever como
Azurara ou Fernão Mendes seria hoje um anacronismo insuportável. Cada tempo tem o seu estilo. Mas
estudar-lhes as formas mais apuradas da linguagem, desentranhar delas mil riquezas que, à força de
velhas, se fazem novas, – não me parece que se deva desprezar. Nem tudo tinham os antigos, nem tudo
temos os modernos; com os haveres de uns e outros é que se enriquece o pecúlio comum.”
159. AEU-DF
Julgue os itens abaixo, em relação à compreensão e à interpretação do texto.
( ) Machado de Assis, em seu texto, propõe a mediação, por intermédio dos escritores,
entre a tradição e a modernidade.
( ) Conquanto reconheça a necessidade de atualização da língua, o autor se opõe à
tácita aceitação de modismos, principalmente por parte dos escritores.
( ) Machado, apesar de defender a preservação da essência lingüística do Português,
não imputa aos literatos tal responsabilidade.
( ) Ele é de opinião que se pode muito bem prescindir do conhecimento dos clássicos
para se saber corretamente a língua culta.
( ) É notória a sua preferência pelo aristocrático e o tradicional e o seu desprezo pelo
popular e o moderno.
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160. AEU-DF
Julgue os itens que seguem, em relação à teoria e aos estilos de época na Literatura
Brasileira.
( ) De roupagem metalingüística, o texto lido pode ser classificado como crônica.
( ) Nele, Machado de Assis faz um ensaio crítico em que, após apresentação de uma
tese, expõe os elementos que a compõem.
( ) Evitando o estilo fácil e superficial, o autor leva constantemente o leitor à reflexão,
com sua dialética irresistível.
( ) Toda a fundamentação lingüística de Machado é profundamente influenciada pelas
premissas saussurianas, que então vigoravam no Brasil do século XIX.
161. UnB-DF
“Um grupo de alunos de uma escola de propaganda e marketing recebeu a tarefa de criar
textos publicitários a partir de fragmentos de textos da literatura brasileira. Para isso, o grupo
escolheu fragmentos que apresentam temáticas e enfoques diferenciados da realidade sociocultural, econômica ou política nacional, identificados abaixo.”
Fragmento I
66
Procuremos, porém, neste intricado caldeamento a miragem fugitiva de uma sub-raça, efêmera
talvez. Inaptos para discriminar as nossas raças nascentes, acolhamo-nos ao nosso assunto. Definamos rapidamente os antecedentes históricos do jagunço.
Ante o que vimos a formação brasileira do norte é mui diversa da do sul. As circunstâncias
históricas, em grande parte oriundas das circunstâncias físicas, originaram diferenças iniciais no
enlace das raças, prolongando-as até ao nosso tempo.
A marcha do povoamento, do Maranhão à Bahia, revela-as.
CUNHA, Euclides da. Os sertões. In: Obra completa. vol. II. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1995. p. 162.
Fragmento II
“Quadrante que assim viemos, por esses lugares, que o nome não se soubesse. Até, até. A
estrada de todos os cotovelos. Sertão, - se diz - o senhor querendo se procurar, nunca não encontra. De repente, por si, quando a gente não espera, o sertão vem. Mas, aonde lá, era o sertão
churro, o próprio, o mesmo. Ia fazendo receios, perfazendo indagação. Descemos por umas grotas, no meio de serras de parte-vento e suas mães árvores.”
ROSA, Guimarães. Grande sertão: veredas. Apud SANTOS, Volnir e Adão E. Carvalho. Literatura brasileira. 3ª ed. porto Alegre:
Sulina. 1997. p. 158.
GABARITO
Fragmento III
“E se eu lhe disser que vossa História está toda escrita, em magnífico resumo, na face e nas
vidas das gentes que hoje se acham no réveillon do Comercial? E se eu vos assegurar que neste
clube se agita uma espécie de microcosmo do Rio Grande? (...) Ali estão dois representantes do clã
pastoril, os senhores de terras e gados, muitos deles descendentes dos primeiros sesmeiros...”
VERÍSSIMO, Érico. O tempo e o vento. Apud Sergius Gonzaga.
Manual de literatura brasileira, 5ª. ed. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1989. p. 227.
Fragmento IV
“Agora estamos fartos de aventuras exóticas e mesmo de adjetivos clássicos e é possível dizer que este
foi o último aventureiro exótico da planície. Um aventureiro que assistiu às notas de mil réis acenderem os
charutos e confirmou de cabeça que a lenda requentou. Depois dele: o turismo multinacional.”
SOUZA, Márcio. Galvez, o imperador do Acre. 12ª ed. Rio de Janeiro: Marco Zero. 1984. p. 13.
Fragmento V
“E mais! Um país de povo alegre, festeiro, que dribla todas as dificuldades com o célebre jeitinho, um país feliz! E mais! Um povo que nunca enfrentou guerras, nem pestes, nem vulcões, nem
terremotos, nem furacões, nem lutas fratricidas. E mais! Um povo que convive em amenidade e
cortesia, um povo prestativo, de coração bondoso, em que todas as cores e raças se misturam
livremente, pois desconhece o preconceito racial, visto que aqui o preconceito é econômico.”
IMPRIMIR
RIBEIRO, João Ubaldo. Viva o povo brasileiro. Rio de Janeiro: Record. 1984. p. 626.
Em cada um dos itens seguintes, julgue se o(s) fragmento(s) acima poderia(m) subsidiar
a elaboração de um texto publicitário com a temática apresentada abaixo.
( ) fragmento II ( ) fragmento V ( ) fragmento I e III ( ) fragmento II e IV
– integração nacional, pela abertura de rodovias.
– divulgação de qualidades do país com vistas à atração de turistas para a festa de
comemoração dos 500 anos do descobrimento do Brasil.
– valorização das idiossincrasias regionais.
– lançamento de uma fábrica brasileira de cigarros.
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Leia o texto abaixo para responder a questão 41.
“No Brasil, mas de passagem
O processo de abertura econômica do país produziu mudanças na vida dos brasileiros, mas mexeu
também com a rotina de milhares de estrangeiros. Desde 1990, grupos cada vez maiores de executivos
oriundos de outros países mudaram-se com a família para o Brasil para trabalhar. O processo se intensificou com as privatizações ocorridas no setor de telecomunicações, com a venda de bancos para grupos
estrangeiros e com a chegada da nova safra de montadoras de automóveis. Hoje, existem colônias de
franceses no Paraná, graças à Renault. Em São Paulo, muitos espanhóis na esteira da Telefônica. A Bahia
recebeu uma recente onda de americanos por causa da transferência da Ford, “roubada” do Rio Grande
do Sul. Das 500 maiores companhias transnacionais, mais de 400 estão instaladas no país. Como o
Brasil ganhou espaço no mundo dos negócios, nada mais natural que essas empresas transfiram para
o país alguns executivos da matriz. Para as companhias, essa transferência representa um reforço na
filial. Para os executivos e a família, a mudança é um sacolejo completo na vida.”
BUCHALLA, Anna Paula, Veja, 26/04/2000.
162. UEMS De acordo com o texto é correto afirmar que:
a) Os estrangeiros têm vindo, por iniciativa própria, em massa, procurar emprego em
nosso país.
b) A Renault construiu uma colônia de franceses no Paraná.
67
c) As multinacionais empregam executivos estrangeiros, já que aqui não há executivos
preparados.
d) As multinacionais transferem executivos da matriz para o Brasil objetivando reforçar
sua filial.
e) Todas as 400 empresas transnacionais instaladas no Brasil trouxeram seus executivos
da matriz.
Texto para a questão 163.
“NOVOS & VELHOS
IMPRIMIR
GABARITO
(Mário Quintana)
Não, não existe geração espontânea. Os (ainda) chamados modernistas, com a sua livre poética,
jamais teriam feito aquilo tudo se não se houvessem grandemente impressionado, na incauta
adolescência, com os espetáculos de circo dos parnasianos.
Acontece que, por sua vez, fizeram eles questão de trabalhar mais perigosamente, sem rede de
segurança - coisa que os acrobatas antecessores não podiam dispensar.
Quanto a estes, os seus severos jogos atléticos eram uma sadia reação contra a languidez dos
românticos. E assim, sem querer, fomos uns aprendendo dos outros e acabando realmente por herdar
suas qualidades ou repudiar seus defeitos, o que não deixa de ser uma maneira indireta de herdar.
Por essas e outras é que é mesmo um equívoco esta querela, ressuscitada a cada geração, entre
novos e velhos.
Quanto a mim, jamais fiz distinção entre uns e outros. Há uns que são legítimos e outros que
são falsificados. Tanto de um como de outro grupo etário.
Porque na verdade a sandice não constituiu privilégio de ninguém, estando equitativamente
distribuída entre novos e velhos, em prol do equilíbrio universal.
E, além de tudo, os novos significam muito mais do que simples herdeiros: embora sem saber,
embora sem querer, são por natureza os nossos filhos naturais.”
163. AEU-DF-Modificada
Julgue os itens abaixo, em relação à compreensão e à interpretação do texto.
( ) Para Mário Quintana, apesar de equivocada, é latente a contenda entre novos e
velhos poetas.
( ) Ao apontar os novos como herdeiros, deixa subjacente a condição de inferioridade
deles em relação aos velhos.
( ) No primeiro parágrafo diz que a poética parnasiana, também foi responsável pelo
aprendizado dos modernistas.
( ) Para ele, o ímpeto da loucura é exclusivo da senilidade.
( ) Depreende-se de todo que Quintana não estabelece relação direta entre a qualidade
do poeta e sua faixa etária.
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Textos para a questão 164.
Texto I
“Fragmento da Carta de Pero Vaz de Caminha
... a terra em si, é muito boa de ares, tão frios e temperados, como os de Entre-Douro e Minho,
porque, neste tempo de agora, assim os achávamos como os de lá. Águas são muitas e infindas.
De tal maneira é graciosa que, querendo aproveitá-la dar-se-á nela tudo por bem das águas que
tem.”
Texto II
“Carta de Pero Vaz
(Murilo Mendes)
68
A terra é mui graciosa,
Tão fértil eu nunca vi.
A gente vai passear,
No chão espeta um caniço,
No dia seguinte nasce
Bengala de castão de oiro.
Tem goiabas, melancias,
Banana que nem chuchu.
Quanto aos bichos, tem-nos muitos,
De plumagens mui vistosas.
Tem macaco até demais.
Diamantes tem à vontade,
Esmeralda é para os trouxas.
Reforçai, Senhor, a arca,
Cruzados não faltarão,
Vossa perna encanareis,
Salvo o devido respeito.
Ficarei muito saudoso
Se for embora daqui.”
164. UFPB-PSS Após a leitura dos textos I e II, verifica-se que Murilo Mendes ironiza a
exaltação da terra feita por Caminha. Essa ironia é traduzida claramente pelo(s) verso(s):
a) A terra é mui graciosa,
c) Tem goiabas, melancias,
Tão fértil eu nunca vi.
Banana que nem chuchu.
b) No chão espeta um caniço,
d) Diamantes tem à vontade,
No dia seguinte nasce
e) Quanto aos bichos, tem-nos muitos,
Bengala de castão de oiro.
GABARITO
Texto para as questões 41 e 42.
“Ainda não haviam louras, nem surfistas,
nem mulatas, nem biquínis, nas praias douradas desse novo país. Havia outra raça bronzeada que corria nua pelas matas e florestas
e pelo litoral.
Araras, papagaios, onças, capivaras, um
número sem fim de animais povoavam as
selvas e constelações de pássaros enfeitavam
os céus sem fumaça do novo mundo descoberto. Rios e riachos corriam límpidos, cristalinos e plenos de peixes. Árvores gigantescas e multidões de palmeiras formavam o imenso verde da futura bandeira. Era assim o Brasil de Cabral, já
quinhentos anos passados. Como será esse país no futuro, quando for a vez desses meninos?
Riachos, rios, árvores, palmeiras, onças e capivaras, araras e papagaios, cajueiros, mangueiras...
ainda haverá?”
IMPRIMIR
Texto extraído da revista Rivista. Edição Zero. Fortaleza: Editora RISO, s/d, p.55.
165. UFPB-PSS A intertextualidade é a relação que ocorre entre dois ou mais textos. Essa
relação pode dar-se em forma de paráfrase ou de paródia. O corpo do texto é uma paráfrase da Carta de Caminha pois:
I. apesar da leve mudança no estilo, confirma a visão de Caminha sobre a terra descoberta;
II. faz críticas explícitas ao aspecto ufanista da Carta;
III. mantém o mesmo olhar positivo de Caminha sobre o futuro da terra brasileira;
IV. embora escrita no mesmo estilo, critica de modo disfarçado a visão de Caminha sobre a terra descoberta.
Está(ão) correta(s) apenas a(s) afirmativa(s):
a) I, II e III.
b) I e III.
c) I.
d) II e IV.
e) III e IV.
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166. UFPB-PSS A respeito da manchete: Cabral descobre o caminho das Índias, é correto
afirmar que o autor pretendia:
a) dizer que havia muitas índias na terra descoberta;
b) dizer que Cabral descobriu o caminho que o levaria para as Índias;
c) usar a homonímia para causar um efeito humorístico;
d) explorar a sinonímia das palavras;
e) usar a paronímia a fim de confundir o leitor.
As questões de números 167 e 169 referem-se ao texto abaixo.
“É próprio da natureza humana olhar o passado com melancolia, como se o bom e o interessante não tivessem presente, nem futuro. Nessa operação mental, até o ruim de outrora ganha
uma aura mágica, como demonstram os relatos das décadas de 60 e 70. Em suas reminiscências,
a passagem do saudosismo para a mitificação é instantânea.”
69
167. Unifor-CE
I. Os relatos das décadas de 60 e 70 limitam-se a um registro dos fatos sociais mais notáveis.
II. Existe um tipo de operação mental capaz de transfigurar os acontecimentos do passado.
III. Entre o saudosismo e a mitificação não há distância.
A respeito dos enunciados acima, está correto o que se afirma somente em:
a) I.
b) II.
c) III.
d) I e II.
e) II e III.
168. Unifor-CE De acordo com o texto:
a) as noções de presente, passado e futuro fundem-se simultaneamente na mente humana;
b) é tendência própria da natureza humana a visão fantasiosa do passado;
c) os relatos das décadas de 60 e 70 revelam uma nota da melancolia reinante na época;
d) o saudosismo é sentimento característico daqueles que usufruíram de um passado agradável;
e) o bom e o interessante representam-se como alvo permanente da ambição humana.
169. Unifor-CE A expressão aura mágica denota no texto um:
a) passado feliz;
d) sentimento saudosista;
b) sentido excepcional;
e) ar misterioso.
GABARITO
c) halo de encantamento;
170. Unifenas
“O Relógio
Diante de coisa tão doída
conservemo-nos serenos.
Cada minuto de vida
Nunca é mais, é sempre menos.
Ser é apenas uma face
Do não ser, e não do ser.
Desde o instante em que se nasce
já se começa a morrer.”
IMPRIMIR
Cassiano Ricardo.
Considere as seguintes afirmações a respeito do texto:
I. Os versos 3 e 4 expressam a idéia de que, a cada instante que passa, estamos mais
próximos da morte.
II. “Ser”, no verso 5, corresponde à nossa existência que é o estado transitório, ligado à
classificação morfológica do verbo ser, que é de ligação.
III. O relógio faz pensar na efemeridade de nossa existência na Terra.
IV. Perpassam, em todo o poema, sentimentos de angústia, niilismo e revolta.
Está correto o que se afirma apenas em:
a) I e III.
d) III e IV.
b) II e IV.
e) IV.
c) II e III.
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As questões de números 171 a 173 baseiam-se no texto abaixo.
70
“Resolvo-me a contar, depois de muita hesitação, casos passados há dez anos – e, antes de
começar, digo os motivos por que silenciei e por que me decido. Não conservo notas: algumas que
tomei foram inutilizadas e, assim, com o decorrer do tempo, ia-me parecendo cada vez mais
difícil, quase impossível, redigir esta narrativa. Além disso, julgando a matéria superior às minhas
forças, esperei que outros mais aptos se ocupassem dela. Não vai aqui falsa modéstia, como
adiante se verá. Também me afligiu a idéia de jogar no papel criaturas vivas, sem disfarces, com os
nomes que têm no registro civil. Repugnava-me deformá-las, dar-lhes pseudônimo, fazer do livro
uma espécie de romance; mas teria eu o direito de utilizá-las em história presumivelmente verdadeira? Que diriam elas se se vissem impressas, realizando atos esquecidos, repetindo palavras
contestáveis e obliteradas?
Restar-me-ia alegar que o DIP, a polícia, enfim, os hábitos de um decênio de arrocho, me
impediram o trabalho. Isto, porém, seria injustiça. Nunca tivemos censura prévia em obra de
arte. Efetivamente se queimaram alguns livros, mas foram raríssimos esses autos-de-fé. Em
geral a reação se limitou a suprimir ataques diretos, palavras de ordem, tiradas demagógicas,
e disto escasso prejuízo veio à produção literária. Certos escritores se desculpam de não haverem forjado coisas excelentes por falta de liberdade – talvez ingênuo recurso de justificar
inépcia ou preguiça. Liberdade completa ninguém desfruta: começamos oprimidos pela sintaxe e acabamos às voltas com a delegacia de Ordem Política e Social, mas nos estreitos limites
a que nos coagem a gramática e a lei, ainda nos podemos mexer. Não será impossível acharmos nas livrarias libelos terríveis contra a república novíssima, às vezes com louvores de sustentáculos dela, indulgentes ou cegos. Não caluniemos o nosso pequenino fascismo tupinambá: se o fizermos, perderemos qualquer vestígio de autoridade e, quando formos verazes,
ninguém nos dará crédito. De fato ele não nos impediu escrever. Apenas nos suprimiu o
desejo de entregar-nos a esse exercício.”
Graciliano Ramos.
171. Unifor-CE O autor enumera razões que justificam um silêncio de dez anos. Entre elas,
é incorreta:
a) existia uma censura prévia, que o impediria de publicar seu livro, caso o escrevesse;
b) julgava-se incapaz de colocar num livro os acontecimentos que vivenciara;
c) sentia-se desautorizado a relatar fatos sobre pessoas reais e identificá-las por seu verdadeiro nome;
d) perdera as anotações que havia feito, com intenção de dar veracidade aos fatos;
e) tencionava prender-se aos fatos, como realmente haviam ocorrido, sem romanceá-los.
GABARITO
172. Unifor-CE Infere-se do final do texto que:
a) sempre há pessoas que aceitam a opressão política e se beneficiam dela, para publicar
suas obras;
b) a falta de liberdade política, em qualquer época ou lugar, inibe também a capacidade
de criação literária;
c) numa época de força policial, os civis não conseguem fazer-se ouvir pelas autoridades
do poder;
d) escrever romances só é possível em determinadas situações políticas, com o uso de
pseudônimos ou de outros disfarces;
e) sem liberdade de criação, o escritor é como um cego, ou alguém em quem não se pode
confiar;
IMPRIMIR
173. Unifor-CE O autor situa num mesmo plano, como limites à liberdade de expressão,
principalmente escrita:
a) os fatos reais em oposição à invenção literária;
b) um depoimento verdadeiro, contra a existência de uma censura prévia;
c) a força policial e a ausência de anotações que sirvam de apoio à narrativa;
d) a impossibilidade de escrever com clareza, e a proibição de usar nomes verdadeiros;
e) as normas gramaticais e as ações da força policial.
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Para responder às questões de números 174 a 175, considere o poema que segue.
“Antes de lançares a semente no chão,
antes de calculares os lucros da seara,
e antes de somares o valor da jóia que vais dar a tua noiva,
ou os cofres que tu vais encher
e as coisas que tu vais transformar;
vê através do pequeno embrião de árvore:
a sombra, o pastor tocando a sua gaita
e a virgem derrubada debaixo da fronde,
e o neto do pastor subindo nos galhos
à procura dos ninhos escondidos;
e os ramos benfazejos descendo sobre novos berços.
Vê o jovem enforcado num dos galhos sem folhas,
e o Bem e o Mal sempre brotando da árvore;
e as sementes, como nas parábolas sagradas
dando de comer aos pássaros ou secando nas pedras;
e sempre galhos subindo para a glória de Deus
e sempre galhos descendo para a fome da terra.”
LIMA, Jorge de. Poesias Completas. Rio de Janeiro: Aguilar, 1974. v. 2, p. 57.
71
174. UFSE A idéia central do poema está em:
a) Uma semente é a síntese da vida individual, familiar e do mundo todo.
b) A árvore sempre foi e continuará associada à noção da bondade divina.
c) A árvore que brota da semente é o símbolo da riqueza material.
d) O Bem e o Mal fazem parte da vida, desde os tempos bíblicos.
e) O cultivo da terra garante os alimentos de toda a população, no mundo inteiro.
IMPRIMIR
GABARITO
175. UFSE Infere-se corretamente do poema que:
a) os galhos de uma árvore podem simbolizar mais as coisas boas que as más, desde que
eles estejam floridos;
b) os pássaros, mesmo aqueles que prejudicam uma plantação comendo as sementes, são
símbolos do poder divino;
c) as crianças serão sempre mais felizes e saudáveis se crescerem em contato com a natureza;
d) a simplicidade da vida campestre, no ritmo lento da natureza, induz a uma acomodação do homem à rotina diária.
e) a árvore é sinônimo de vida, tanto espiritual, por elevar seus galhos ao céu, quanto
terrestre, por aquilo que produz.
Texto para as questões 176 e 177.
“Ciúme, como lidar com esse veneno
Marido apaixonado desconfia que a mulher, linda, o trai com um amigo. A mulher é honesta, o
amigo é sincero, mas o marido só enxerga à sua volta indícios da traição inexistente. Por fim, transtornado, mata a mulher e se mata. A tragédia, no seu cruel desenrolar, é velha como o mundo.
Assim foi descrita magistralmente por William Shakespeare, no século XVII, no texto em que Otelo,
o general mouro, mata a doce Desdêmona. Antes dele e depois dele, homens e mulheres mataram
(e matam) pelo mesmo motivo: o ciúme, um sentimento insano, paranóico, doente, insuportável
para quem sente e doído, perigoso, para quem é alvo dele. A morte é uma atitude extrema, mas as
tragédias clássicas acabam sendo a melhor tradução para a força destruidora e devastadora desse
sentimento. A realidade, o verniz civilizatório ou, simplesmente, a sobrevivência do bom senso mesmo que o cotovelo doa colocam freios em boa parte das pessoas que dele sofrem – por isso, e só por
isso, as ruas não estão coalhadas de corpos adúlteros ou apaixonados desprezados. (...)”
Veja: 14/06/2000.
176. UFR-RJ A narração que dá início ao texto aborda um tema:
a) ausente nas obras clássicas;
d) inerente a qualquer manifestação literária;
b) recorrente na literatura universal;
e) próprio da literatura socialmente engajada.
c) cultivado pelas elegias pastoris;
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177. UFR-RJ O comentário sobre o ciúme chama a atenção do leitor para:
a) a ação inibidora das convenções sociais;
b) a influência maléfica de uma obra literária;
c) os perigos do verniz civilizatório para o homem;
d) o adultério, como tema constante das tragédias gregas;
e) a importância do século XVII para a literatura brasileira.
Texto para as questões 178 e 179.
“(minuano)
72
A chuva escorre na vidraça: na rua o vento uiva.
E geme, na árvore dobrada.
Lembrança – o vento pertence ao campo.
Uma rês geme, vagabunda, gotejante: o vento a corta, como faca.
Estranha faca: gelo e água.
O vento nasce e morre no horizonte: o mundo é redondo.
E no entanto o tempo passa:
Do campo, o vento chega arrefecido na cidade.
Protegido no copo de conhaque, divirto-me como os desenhos abstratos Que desenha em
gotas na vidraça.
E no entanto o vento uiva, mesmo na cidade: tem presente seu passado. Mais estranho: o
mundo é redondo, o vento nasce e morre no horizonte;
E sempre prossegue rumo ao norte.”
Flávio Aguiar.
178. USU-RJ O vento só não causa no poeta:
a) postura nostálgica em relação ao tempo;
b) intenso questionamento sobre tempo;
d) medo da fugacidade do tempo;
e) curiosidade quanto à origem do vento.
c) desligamento da realidade;
179. USU-RJ Marque a opção que apresenta a palavra que primeiro marca o tempo no poema:
a) chuva.
b) lembrança.
c) vento.
d) nasce.
e) passa.
180. Univali-SC
“Calouros como gente
IMPRIMIR
GABARITO
As boas iniciativas que transformam o ritual de entrada na faculdade num momento feliz.
Há caminhos suaves para abolir o trote violento. Em todo o país começa a vir à tona uma série de
boas idéias que pode transformar o ritual de entrada na universidade um momento agradável – e
não em festivais de estupidez. Há 15 dias, alunos do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da
Universidade Veiga de Almeida, do Rio de Janeiro, levam os calouros para a rua e, unidos, promoveram o “trote solidário”. Ninguém precisou pedir dinheiro na esquina ou teve os cabelos pintados.
Para participar da festa, os calouros só precisaram levar 1 quilo de alimento não perecível. Arrecadou-se mais de 200 quilos, que serão doados para obras sociais. (...) A solução encontrada pela
UERJ foi transformar o trote em atividade cívica. Em vez de cumprir tarefas vexatórias, os calouros
ensinaram crianças de favelas a escovar dentes, como fizeram os alunos de Odontologia no ano
passado, ou recolher lixo nas praias, tarefa dos novatos de Oceanografia.
Em outros estados há iniciativas de trote solidário semelhantes ao da UERJ. Escolas como a FGV, a
Faculdade de Economia e Administração (FEA) e a PUC, todas de São Paulo, transformaram a recepção
em coleta de sangue. O hemocentro de São Paulo recebeu, no início do ano, 3.427 bolsas de sangue.”
VIEIRA, Marceu - Época, 26 de abril de 1999.
A idéia central do texto é:
a) O trote aos calouros deve ser, de uma vez por todas, abolido.
b) Há várias maneiras de camuflar o trote tradicional.
c) As universidades têm obrigação de criar trotes sociais.
d) Os trotes tradicionais podem virar trotes solidários.
e) Os calouros são a favor dos trotes independentemente do tipo.
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Língua Portuguesa - Interpretação de texto I
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181. Univali-SC
“... são apresentadoras dos programas infantis, destinados às crianças. São apresentadoras
medíocres interessadas apenas em ensinar a dança da bundinha, a dança da garrafa, essas coisas
constrangedoras para um país que se diz sério e pretende crescer a começar por sua infância.
Então fica assim: de um lado, a grande legião de crianças abandonadas à própria sorte neste país
absurdo; e, de outro lado, as outras crianças que têm casa, têm família, que ficam diante da
televisão vendo as representantes da inconseqüência nesse vale-tudo sombrio.”
Revista Caros Amigos - março de 1999.
Lygia – texto de Álvaro de Alves de Faria.
A idéia central do texto é:
a) As crianças, no Brasil, podem ser vistas como pertencentes a dois grandes grupos,
ambos desamparados.
b) Os programas infantis ensinam às crianças danças constrangedoras e escandalosas.
c) A responsabilidade das apresentadoras de programas infantis nem sempre é o ponto
forte da programação das emissoras.
d) Uma crítica às apresentadoras de programas infantis, que poderiam contribuir para a
educação infantil, mas pouco ou nada fazem nesse sentido.
73
e) Algumas crianças têm tudo: casa, família, assistência, enquanto outras nada têm, e
vivem nas ruas.
Texto para as questões 182.
“É difícil ser faber e ludens ao mesmo tempo
Somos sempre faber e ludens, ainda que dificilmente ao mesmo tempo. Divertir-se trabalhando
ou trabalhar divertindo-se é, em tese, o objetivo de todos, mas, na prática, uma exceção válida
para muito poucos, em muito poucas circunstâncias...
Algumas pessoas dizem que o trabalho é sua principal diversão, mesmo quando dispõem de
outras alternativas e as aproveitam. São alguns privilegiados – como artistas, esportistas, artesãos
profissionais e alguns executivos e empresários –, pessoas que conseguem imprimir um ritmo
pessoal de intensidade e tempo ao seu trabalho e condições próprias de execução.”
GABARITO
CAMARGO, Luiz Octávio de Lima. Introdução. In: Educação para o lazer. São Paulo: Moderna, 1998. p. 22.
182. UnB-DF Julgue os itens que se seguem, a respeito da organização das idéias do texto.
( ) O texto “ainda que” confere à oração subordinada uma idéia de conseqüência e
admite ser corretamente substituído por já que.
( ) Na linha 4, o termo “muito”, que intensifica “poucos” e “poucas”, é uma palavra
invariável quanto a gênero e número.
( ) Depreende-se do texto que “pessoas que conseguem imprimir ritmo pessoal de
intensidade e tempo ao seu trabalho e condições próprias de execução” são aquelas
que alcançam o “objetivo de todos”.
( ) O texto demonstra que a tese de que somente o trabalho lúcido dignifica o homem
não é comprovada na prática.
( ) Infere-se da leitura do texto que a intensidade e o tempo aplicados ao trabalho são
fatores relacionados ao “ritmo pessoal”.
IMPRIMIR
Texto para a questão 183.
“Confissões de Gisele Bündchen para o editor-chefe da revista Ícaro Brasil, Mac Margolis, no Bubby’s, em Nova York
Trabalho e prazer. No começo eu confesso que trabalhava mais pelo dinheiro. Com o tempo,
comecei a levar o trabalho numa boa. Num dia, você tem que ser sexy, no outro, ingênua e,
depois, maluquete. Hoje uma soldada na guerra, amanhã uma perua no shopping. É como vida
de atriz, só que o palco é a capa da revista, a passarela.
E depois? Daqui a cinco anos, penso em cair fora. Não quero trabalhar para sempre. Quero
voltar ao Brasil, casar, ter filhos e uma fazenda. Quero aprender com a indústria da moda, não me
destruir com ela.”
Ícaro Brasil, 1/2000 (com adaptações).
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Língua Portuguesa - Interpretação de texto I
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183. UnB-DF Com relação ao texto e ao fragmento de texto acima, julgue os itens seguintes.
( ) Considerando que as expressões “faber” e “ludens” correspondem, respectivamente, a trabalho e divertimento, é correto concluir que a entrevistada admite que
deixou de ser muito faber para se tornar mais ludens.
( ) Para que o fragmento de texto obedeça às exigências da norma culta formal, as
expressões “levar o trabalho numa boa” e “cair fora” devem ser substituídas, respectivamente, por carregar bem o trabalho e precipitar-me.
( ) No fragmento de texto, o pronome pessoal “você” está empregado como indicador
de um sujeito indeterminado, corresponde tanto a eu, Gisele Bündchen, como a
qualquer pessoa nas mesmas circunstâncias.
( ) No fragmento do texto, pela significação textual, as expressões “Quero aprender” e
“não me destruir” são empregadas como semanticamente equivalentes.
Texto para a questão 184:
GABARITO
74
“O trecho abaixo foi retirado dos PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS – ENSINO MÉDIO (Brasília, DF: Ministério da Educação. 1999, p. 133-4). Leia-o, com atenção, e responda à questão proposta.
Qualquer inovação tecnológica traz certo desconforto àqueles que, apesar de conviverem com
ela, ainda não a entendem. As tecnologias não são apenas produtos de mercado, mas produtos
de práticas sociais. Seus padrões são arquitetados simbolicamente como conteúdos sociais, para
depois haver uma adaptação mercadológica.
As tecnologias da comunicação e informação não podem ser reduzidas a máquinas; resultam de
processos sociais e negociações que se tornam concretas. Elas fazem parte da vida das pessoas; não
invadem a vida das pessoas. A organização de seus gêneros, formatos e recursos procura reproduzir as
dimensões da vida no mundo moderno, o tempo, o espaço, o movimento: o mundo plural hoje vivido.
Novos modos de sentir, pensar, viver e ser, construídos historicamente, se mostram nos processos comunicativos derivados das necessidades sociais.
Cabe à escola o esclarecimento das relações existentes, a indagação de suas fontes, a consciência de sua existência, o reconhecimento de suas possibilidades, a democratização de seus usos.”
184. UFMS Assinale a(s) alternativa(s) que se mostra(m) ao texto lido.
01. Os padrões das inovações tecnológicas adaptam-se, em primeiro lugar, às exigências
do mercado de consumo para, em seguida, atender às demandas sociais.
02. Embora hoje as tecnologias de comunicação e informática façam parte do cotidiano
das pessoas, estas ainda resistem ao seu uso por falta de conhecimento sobre o assunto.
04. O sentimento experimentado por aqueles que ainda não entendem as inovações tecnológicas é de desconfiança, já que estas representam o trato com o novo, com o
desconhecido que amedronta.
08. Os processos comunicativos têm sua origem nas necessidades sociais e, portanto,
espelham, na atualidade, os múltiplos aspectos que caracterizam a vida do homem.
16. As tecnologias em questão podem ser tomadas como máquinas, pois resultam de processos históricos e sociais que, apesar de simbólicos a princípio, acabam por concretizar-se.
32. A escola não deve opor-se às tecnologias de comunicação e informática, mas utilizálas, com cautela e moderação, adequando-as às suas possibilidades e às exigências
do mercado de consumo.
Dê, como resposta, a soma das alternativas corretas.
185. UFGO Leia a mensagem publicitária abaixo, publicada em O Popular, em 1º ago. 1999.
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DIA 9, SAIA DO STRESS
A partir do dia 9, toda segunda-feira, você vai
ficar mais relaxado e em boa companhia. Serão
16 sessões de uma análise completa e descomplicada dos livros indicados para os vestibulares
da Federal, da Católica e outras faculdades.
É só ler e relaxar que você tira de letra qualquer questão de literatura.
Afinal, vestibulando e stress dão uma mistura explosiva. Fique esperto!
Toda 2ª vai ter um novo livro pra você!
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Língua Portuguesa - Interpretação de texto I
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Considerando-se que, para o vestibular, a leitura obrigatória de livros da literatura brasileira tem um propósito pedagógico, é oportuno perguntar-se: no cumprimento desse dever que se impõe ao vestibulando?
Analisando-se os efeitos de sentido que a linguagem permite criar no referido anúncio,
pode-se afirmar que:
( ) se depreende do texto uma associação entre stress, vestibular e leitura dos livros;
daí se sugere que, lendo o material anunciado, o vestibulando estará valendo-se de
um meio de atenuação do stress decorrente das muitas exigências do vestibular;
( ) o canal, explicitado pela palavra você, recebe a ênfase nessa comunicação, devido
à predominância da função fática;
( ) o vestibulando terá, não apenas de relaxar-se e ler a análise dos livros indicados, mas
também de ler os próprios livros, para “tirar de letra qualquer questão de literatura”;
( ) a metonímia utilizada na última frase do texto pode induzir o leitor a um equívoco intelectualmente danoso; o de acreditar que a análise do livro dispensa a leitura do mesmo.
Leia o texto que segue para responder a questão 186.
75
“Faz parte de nossa tradição tomar mate. Chimarrão é o mate cevado, sem açúcar, regado a água
quente. Tereré é o refresco, bem gelado. De acordo com o clima, passa-se do chimarrão ao tereré.
Para tomar mate é necessário adquirir-se uma cuia, morena e matuta, uma bomba ou bombilha
e a erva moída, tudo semelhante a “um coração verde com uma artéria de prata”, conforme
poema do gaúcho Aparício Silva Rillo.
O ideal é tomá-lo numa grande roda, sob um laranjal.
Se houver os serviços de alguma bugra para “carregar mate”, ótimo. “Carregar mate” significa
alguém ficar segurando a chaleira, passar a cuia de uma mão para a outra, de uma boca para a
outra, respeitando a vez de cada um, a animação da prosa e o ritmo dos sorvos. Levar a chaleira lá
dentro para esquentar de novo quando a água começar a esfriar, para não azedar o mate.
É bom que haja no céu um sol bem vermelho e uma poeira cor-de-tijolo envolvendo tudo.
Se for na hora do quiriri e algumas estrelas perfurarem a tarde com suas pontas de lata, a
conversa será mais lenta.
Se alguém falar alguma frase, alguma palavra em guarani, como chê-kambá ou cunhataí, dará
mais sabor à erva.
Importante mesmo é que haja um clima de comunhão, de cachimbo da paz, tudo muito morno
e quente. (...)”
GABARITO
NOVEIRA, Raquel. O arado e a estrela. Campo Grande, Ed. UCDB, 1996. p. 23.
186. UFMS Marque a(s) alternativa(s) que NÃO está(ão) de acordo com o texto.
01. O mate é o principal ingrediente tanto do chimarrão quanto do tereré.
02. As duas bebidas – o chimarrão e o tereré – são tomadas sempre durante o dia, com
sol forte e poeira envolvendo tudo.
04. Os serviços de uma bugra para “carregar mate” são indispensáveis, senão a erva
pode azedar.
08. A expressão na hora do quiriri, tal como aparece no 6º (sexto) parágrafo, pode ser
associada à chegada da noite.
16. O uso de palavras ou expressões em guarani faz parte de um ritual mágico inerente à
tradição.
32. O que importa realmente para quem toma mate não são as condições atmosféricas,
mas o espírito de serenidade e união que se cria entre os participantes.
Dê, como resposta, a soma das alternativas corretas.
IMPRIMIR
Texto para a questão 187.
“O grafiteiro pixou no muro caiado: ‘Herrar é umano.’
Considere as seguintes atitudes:
1. Você corrige um erro.
2. Você corrige dois erros.
3. Você não corrige nada e elogia a criatividade do grafiteiro.
4. Você fica louco da vida, xinga o cara de ignorante e manda repintar o muro.”
(Lourenço Diaféria)
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187. UFMT Assinale V, para verdadeiro, e F, para falso:
( ) Na expressão pichar em muro caiado, contrapõem-se duas cores, literalmente, o
preto e o branco.
( ) Escrever em muros e paredes e aplicar piche são acepções do verbo pichar e ambos
cabem no texto.
( ) As opções 3 e 4 refletem posturas diferentes em face da escrita, uma de aceitação e
outra de não-aceitação de problemas relativos à ortografia.
( ) O texto faz alusão à escola pela escolha tanto da forma de dizer quanto daquilo que
diz.
Leia os textos que seguem. Eles servirão de base para as questões 188 e 189:
IMPRIMIR
GABARITO
76
Texto I
“(...)
Esse negócio de língua estrangeira em país colonizado é fogo. A começar que a nossa língua
oficial, o português, nós a recebemos do colonizador luso, o que foi uma bênção. Imagina se,
como na África, nós tivéssemos idiomas nativos fixados em profundidade, ou, então, se fosse
realidade a falada “língua geral” dos índios, que alguns tentaram, mas jamais conseguiram impor
como língua oficial do brasileiro. Mesmo porque as tribos indígenas que povoaram e ainda remanescem pelos sertões, cada uma fala o seu dialeto; o pataxó, por exemplo, não tem nada a ver
com o falar dos amazônicos; pelo menos é o que informam os especialistas.
Mas, deixando de lado os índios que nós, pelo menos, pretendemos ser, falemos de nós, os
brasileiros, com o nosso português adaptado a estas latitudes e língua oficial dos nossos vários
milhões de nativos. Pois aqui no Brasil, se você for a fundo no assunto, toma um susto. Pegue um
jornal, por exemplo: é todo recheado de inglês, como um peru de farofa. Nas páginas dedicadas
ao show business, que não se pode traduzir literalmente por “arte teatral”, tem significação mais
extensa, inclui as apresentações em várias espécies de salas, ou até na rua, tudo é show. E o leitor
do noticiário, se não for escolado no papo, a todo instante tropeça e se engasga com rap, punk,
funk, soap-opera, etc., etc. Cantor de forró do Ceará, do Recife ou Bahia só se apresenta com seu
song book, onde as melodias podem ser originalmente nativas, mas têm como palavras-chave
esse inglês bastardo que eles inventaram e não se sabe se nem os próprios americanos entendem.
No esporte é a mesma coisa, ou pior. Já que os nossos esportes foram importados (até a palavra
que os representa – sport – é inglesa). O meu querido ministro Pelé tenta descaracterizar o neologismo, chamando-o de ‘desporto’. Mas não pega.
Verdade que o jornalismo esportivo procura aclimatar o dialeto, traduzindo como pode os nomes importados – goal keeper já é goleiro, back é beque, e há traduções já não tão assimiladas
que ninguém diz mais senão “centroavante”, “meio-de-campo”, etc. Engraçado nós sermos um
país tão apaixonado por esporte, especialmente o futebol (não mais foot-ball), e nunca fomos
capazes de inventar nenhuma modalidade de peleja esportiva. Os índios têm lá os jogos deles,
mas devem ser chatos ou difíceis, já que a gente não os conhece nem de nome. Ficamos nas
adaptações tipo “futevôlei”, que, pelo menos, é engraçado.”
Rachel de Queiroz.
Texto II
188. UEMS No texto I, é possível inferir que:
a) A autora defende a utilização de uma “língua geral” dos índios como língua oficial do
brasileiro.
b) O fato do inglês “rechear” os jornais, por exemplo, demonstra a intenção do jornalista
em impor aquela língua.
c) O português é língua oficial do Brasil e o inglês, por exemplo, é estrangeira imposta
pelo colonizador.
d) Os neologismos impostos pelos jornalistas esportivos deveriam ser banidos do nosso
idioma.
e) Palavras estrangeiras, como as do texto, permitem que o falante invente e importe as
palavras que melhor lhe convier.
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Língua Portuguesa - Interpretação de texto I
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189. UEMS A respeito do texto II, é possível concluir que:
I. O inglês é tão usado no Brasil que algumas palavras acabam sendo incorporadas ao
nosso idioma.
II. Em virtude de tantas palavras importadas, falar português é como falar inglês.
III. Quando necessárias, as palavras estrangeiras são bem-vindas à língua portuguesa.
Estão corretas:
a) I.
b) I e III.
c) I e II.
d) II e III.
e) III.
190. UFSE
“vê através do pequeno embrião de árvore”
O verso em que o poeta emprega a palavra correspondente à expressão em negrito é:
a) antes de lançares a semente no chão;
d) ou os cofres que tu vais encher;
b) antes de calculares os lucros da seara;
e) e as coisas que tu vais transformar.
c) o valor da jóia que vais dar a tua noiva;
191. U. Salvador-BA
77
“Ofendido vos tem minha maldade.
É verdade, Senhor, que hei delinqüido,
Delinqüido vos tenho, e ofendido,
Ofendido vos tem minha maldade.
Maldade que encaminha a vaidade,
Vaidade que todo me há vencido,
Vencido quero ver-me e arrependido,
Arrependido a tanta enormidade.
Arrependido estou de coração,
De coração vos busco, dai-me os braços,
Abraços que me rendem vossa luz.
Luz que claro me mostra a salvação,
A salvação pretendo em tais abraços,
Misericórdia, amor, Jesus, Jesus!”
MATOS, Gregório de. Soneto. In: Poemas escolhidos. São Paulo: Círculo do Livro, s/d, p. 281.
IMPRIMIR
GABARITO
Assinale V para as afirmativas comprováveis no texto e F, para as não comprováveis.
( ) Dualidade entre o profano e o sagrado.
( ) Consciência da efemeridade das coisas.
( ) Predominância do hipérbato na primeira estrofe.
( ) Relação de equivalência semântica entre os versos 6 e 7.
( ) Relação de causa e efeito apresentada no verso 3.
( ) Estruturação do poema segundo padrões clássicos: soneto, a rigidez métrica e a
regularidade das rimas.
192. Uneb-BA
Texto I
“O sujeito fez sinal aos dois urbanos, que o acompanharam logo, e encaminharam-se todos
para o interior da casa. Botelho, à frente deles, ensinava-lhes o caminho. João Romão ia atrás,
pálido, com as mãos cruzadas nas costas.
Atravessaram o armazém, depois um pequeno corredor que dava para um pátio calçado, e
chegaram finalmente à cozinha. Bertoleza, que havia já feito subir o jantar dos caixeiros, estava de
cócaras no chão, escamando peixe, para a ceia do seu homem, quando viu parar defronte dela
aquele grupo sinistro.
Reconheceu logo o filho mais velho do seu primitivo senhor, e um calafrio percorreu-lhe o
corpo. Num relance de grande perigo compreendeu a situação; adivinhou tudo com a lucidez de
quem se vê perdido para sempre: adivinhou que tinha sido enganada; que a sua carta de alforria
era uma mentira, e que o seu amante, não tendo coragem para matá-la, restituía-a ao cativeiro.
Os polícias, vendo que ela se não despachava, desembainharam os sabres. Bertoleza, então,
erguendo-se com ímpeto de anta bravia, recuou de um salto e, antes que alguém conseguisse
alcançá-la, já de um só golpe certeiro e fundo rasgara o ventre de lado a lado.”
E depois emborcou para a frente, rugindo e esfocinhando moribunda numa lameira de
sangue.”
AZEVEDO, Aluísio. O cortiço. São Paulo: FTD, 1993. p. 229-30.
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Língua Portuguesa - Interpretação de texto I
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Texto II
“Através de grossas portas,
sentem-se luzes acesas,
– e há indagações minuciosas
dentro das casas fronteiras.
“Que estão fazendo, tão tarde?
Que escrevem, conversam, pensam?
Mostram livros proibidos?
Lêem notícias nas Gazetas?
Terão recebido cartas
de potências estrangeiras?”
(Antiguidades de Nimes
em Vila Rica suspensas!
Cavalo de La Fayette
saltando vastas fronteiras!
Ó vitórias, festas, flores
das lutas da Independência!
Liberdade – essa palavra
que o sonho humano alimenta:
que não há ninguém que explique,
e ninguém que não entenda!)
E a vizinhança não dorme:
murmura, imagina, inventa.
Não fica bandeira escrita,
mas fica escrita a sentença.”
MEIRELES, Cecília. Obra Poética. 3. ed. Rio de Janeiro: José Aguilar, 1972. p. 151-2.
As afirmativas a seguir referem-se ora ao texto I, ora ao texto II.
A que evidencia uma idéia comum aos dois textos é:
a) Morte vista como libertação.
b) Liberdade enfocada no plano individual.
c) Liberdade, bem coletivo, fruto da luta política.
78
d) Denúncia da exploração do homem pelo homem.
e) Liberdade como valor imprescindível à condição humana.
193. UFPE
GABARITO
“Abrasileiramento da língua portuguesa no Brasil dos primeiros tempos
A ama negra fez muitas vezes com as palavras o mesmo que com a comida: machucou-as,
tirou-lhes as espinhas, os ossos, as durezas, só deixando para a boca do menino branco as sílabas
moles. Daí esse português de menino que no Norte do Brasil, principalmente, é uma das falas mais
doces deste mundo. Sem rr nem ss; as sílabas finais moles; palavras que só faltam desmanchar-se
na boca da gente. A linguagem infantil brasileira, e mesmo a portuguesa, tem um sabor quase
africano: cacá, pipi, bumbum, nenen, tatá, lili (...)
Esse amolecimento se deu em grande parte pela ação da ama negra junto à criança; do escravo
preto junto ao filho do senhor branco. E não só a língua infantil se abrandou desse jeito, mas a
linguagem em geral, a fala séria, solene, da gente, toda ela sofreu no Brasil, ao contacto do
senhor com o escravo, um amolecimento de resultados às vezes deliciosos para o ouvido. Efeitos
semelhantes aos que sofreram o inglês e o francês noutras partes da América, sob a mesma
influência do africano e do clima quente.”
FREYRE, Gilberto. Casa-Grande & Senzala, 9ª ed., Rio de Janeiro: José Olympio, 1958.
Com base na compreensão do texto, analise a coerência das seguintes afirmações:
1. O autor põe em paralelo os campos da linguagem e da gastronomia brasileiras, destacando, nesses campos, a influência da cultura africana.
2. A escolha das palavras, do princípio ao final do texto, reforça a convergência encontrada pelo autor entre ‘falar’ e ‘saborear’.
3. O falar “doce”, “esse português de menino”, inaugurado com a ama negra, firmou-se
em todas as regiões do Brasil, indistintamente.
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4. O autor demonstra perceber que há níveis distintos de formalidade entre o falar da
criança e aquele do adulto.
5. O fato apreciado pelo autor constitui uma particularidade da língua portuguesa em
solo americano.
Estão corretas apenas:
a) 2, 3 e 5.
b) 1, 2 e 4.
c) 1, 3 e 4.
Voltar
d) 4 e 5.
e) 1, 2, 3 e 5.
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Leia o texto abaixo para responder às questões de 194 a 196.
“Confidência do Itabirano
79
Alguns anos vivi em Itabira.
Principalmente nasci em Itabira.
Por isso sou triste, orgulhoso: de ferro.
Noventa por cento de ferro nas calçadas.
Oitenta por cento de ferro nas almas.
E esse alheamento do que na vida é porosidade e comunicação.
A vontade de amar, que me paralisa o trabalho,
vem de Itabira, de suas noites brancas, sem mulheres e sem horizontes.
E o hábito de sofrer, que tanto me diverte,
é doce herança itabirana.
De Itabira trouxe prendas diversas que ora te ofereço:
esta pedra de ferro, futuro aço do Brasil;
este São Benedito do velho santeiro Alfredo Duval;
este couro de anta, estendido no sofá da sala de visitas;
este orgulho, esta cabeça baixa...
Tive ouro, tive gado, tive fazendas.
Hoje sou funcionário público.
Itabira é apenas uma fotografia na parede.
Mas como dói!”
Carlos Drummond de Andrade.
194. U.F. Juiz de Fora-MG Assinale o verso que melhor o explica o título do poema:
a) “Por isso sou triste, orgulhoso: de ferro.”
b) “Noventa por cento de ferro nas calçadas.”
c) “este São Benedito do velho santeiro Alfredo Duval.”
GABARITO
d) “de suas noites brancas, sem mulheres e sem horizontes.”
195. U.F. Juiz de Fora-MG Assinale a alternativa que melhor expressa uma relação de causa
e conseqüência:
a) “Alguns anos vivi em Itabira.
Principalmente nasci em Itabira.”
b) “Itabira é apenas uma fotografia na parede.
Mas como dói!”
c) “Oitenta por cento de ferro nas almas.
E esse alheamento do que na vida é porosidade e comunicação.”
d) “Tive ouro, tive gado, tive fazendas.
Hoje sou funcionário público.”
196. U.F. Juiz de Fora-MG Assinale a única alternativa correta:
a) no poema, delineia-se o impulso erótico que é, no entanto, reprimido;
b) o orgulho faz com que o poeta renegue sua terra natal;
c) o poeta, ao se tornar funcionário público, abandona a postura crítica;
d) o poeta expressa seu entusiasmo por ser itabirano.
IMPRIMIR
197. PUC-RJ
Texto 1:
“Já era tarde. Augusto amava deveras, e pela primeira vez em sua vida; e o amor, mais forte que
seu espírito, exercia nele um poder absoluto e invencível. Ora, não há idéias mais livres que as do
preso; e, pois, o nosso encarcerado estudante soltou as velas da barquinha de sua alma, que voou,
atrevida, por esse mar imenso da imaginação; então começou a criar mil sublimes quadros e em
todos eles lá aparecia a encantadora Moreninha, toda cheia de encantos e graças.
Viu-a, com seu vestido branco, esperando-o em cima do rochedo, viu-a chorar por ver que ele
não chegava, e suas lágrimas queimavam-lhe o coração.”
MACEDO, Joaquim Manuel de. A Moreninha. São Paulo: Ática. 1997 p. 125.
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Língua Portuguesa - Interpretação de texto I
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Texto 2:
“Quadrilha
João amava Teresa que amava Raimundo que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento, Raimundo morreu de desastre, Maria ficou
para tia, Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes que não tinha entrado na história.”
ANDRADE, Carlos Drummond de. Reunião. Rio de Janeiro: José Olympio, 1973, p. 19.
Em ambos os textos, percebe-se a utilização de uma mesma temática mas com tratamentos distintos. Explique, com suas próprias palavras, a concepção de amor presente nos
textos de Joaquim Manuel de Macedo e de Carlos Drummond de Andrade.
Texto para as questões de 198 a 201.
“Campo de Flores
5
80
10
15
GABARITO
20
25
30
IMPRIMIR
35
40
Deus me deu um amor no tempo de madureza,
quando os frutos ou não são colhidos ou sabem a verme.
Deus – ou foi talvez o Diabo – deu-me este amor maduro,
e a um e outro agradeço, pois que tenho um amor.
Pois que tenho um amor, volto aos mitos pretéritos
e outros acrescento aos que amor já criou.
Eis que eu mesmo me torno o mito mais radioso
e talhado em penumbra sou e não sou, mas sou.
Mas sou cada vez mais, eu que não me sabia
e cansado de mim julgava que era o mundo
um vácuo atormentado, um sistema de erros.
Amanhecem de novo as antigas manhãs
que não vivi jamais, pois jamais me sorriram.
Mas me sorriam sempre atrás de tua sombra
imensa e contraída como letra no muro
e só hoje presente.
Deus me deu um amor porque o mereci.
De tantos que já tive ou tiveram em mim,
o sumo se espremeu para fazer um vinho
ou foi sangue, talvez, que se armou em coágulo.
E o tempo que levou uma rosa indecisa
a tirar sua cor dessas chamas extintas
era o tempo mais justo. Era tempo de terra.
Onde não há jardim, as flores nascem de um
secreto investimento em formas improváveis.
Hoje tenho um amor e me faço espaçoso
para arrecadar as alfaias de muitos
amantes desgovernados, no mundo, ou triunfantes
e ao vê-los amorosos e transidos em torno,
o sagrado terror converto em jubilação.
Seu grão de angústia amor já me oferece
na mão esquerda. Enquanto a outra acaricia
os cabelos e a voz e o passo e a arquitetura
e o mistério que além faz os seres preciosos
à visão extasiada.
Mas, porque me tocou um amor crepuscular,
há que amar diferente. De uma grave paciência
ladrilhar minhas mãos. E talvez a ironia
tenha dilacerado a melhor doação.
Há que amar e calar.
Para fora do tempo arrasto meus despojos
e estou vivo na luz que baixa e me confunde.
ANDRADE, Carlos Drummond de. Antologia Poética. 32. ed. Rio de Janeiro: Record, 1996. p. 161-3.
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198. UFBA No poema, o eu-lírico:
01. enfatiza a origem divina do amor, relativizando a força demoníaca com que ele atua;
02. articula sua experiência individual a outras vivências amorosas;
04. relata um desencanto amoroso passado que, no presente, tende a se repetir;
08. declara-se ansioso por recuperar o tempo perdido, na tentativa de atingir a plenitude
amorosa.
16. esboça um projeto de vida voltado para a superação da amargura e do sofrimento
que até então o haviam dominado.
32. passa de um estado contemplativo e melancólico para outro de renovação e de redescoberta.
64. insere a sua realidade amorosa na realidade preexistente, dando-lhe, contudo, dimensão nova.
Dê, como resposta, a soma das alternativas corretas.
IMPRIMIR
GABARITO
81
199. UFBA Constitui declaração comprovável no texto:
01. A racionalidade bloqueia a expectativa de eternizar o presente.
02. O tempo atual é de crescimento pessoal do sujeito poético, em relação ao tempo em
que o sentimento amoroso estava hibernando em seu interior.
04. O sentimento amoroso submete o indivíduo a situações de caráter paradoxal.
08. O jogo do amor está ligado a questões essencialmente culturais.
16. A experiência do amor é diferenciada em função do momento da vida em que ela
ocorre.
32. O título alegoriza um momento em que a vida pode brotar rejuvenescida pelo amor.
Dê, como resposta, a soma das alternativas corretas.
200. Há uma explicação correta em:
01. “ou” e “ou” ligam idéias indicativas de situações contrastantes, decorrentes da ação
do tempo.
02. “pois” introduz um enunciado de valor argumentativo.
04. “um amor” e “amor” referem-se, respectivamente, ao amor vivenciado pelo eu-lírico
e ao sentimento amoroso sem objeto determinado.
08. “sou cada vez mais” conota um redimensionamento da capacidade de perceber o
mundo.
16. “tive” expressa a indeterminação do sujeito, o que é um recurso do poeta para não se
revelar amador.
32. “desgovernados” e “triunfantes” expressam estados de espírito experimentados pelos que amam.
64. “há que” indica possibilidade com relação à declaração anterior.
Dê, como resposta, a soma das alternativas corretas.
201. UFBA Com referência ao texto, é correto afirmar:
01. O período constituído pelos versos 5 e 6 é construído pelo processo de coordenação
e subordinação;
02. O pensamento que se expõe do verso 9 ao verso 11 tem como declaração principal:
“sou cada vez mais”;
04. O enunciado do verso 18 está constituído de idéias que se excluem;
08. “Onde não há jardim” determina o período em que as flores nascem;
16. “e”, no verso 26, relaciona enunciados sintaticamente equivalentes;
32. “ao vê-los amorosos e transidos em torno” indica circunstância de tempo;
64. “que baixa e me confunde” refere-se a “tempo”, servindo para especificá-lo.
Dê, como resposta, a soma das alternativas corretas.
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202. Uneb-BA Numa propaganda da empresa paulista de eletricidade, na Folha de São Paulo
de 25 de julho de 2000, apareceu o seguinte texto:
“Tem coisa que se a gente que é uma das mais avançadas empresas de energia elétrica do
mundo não fala, ninguém fala.”
Observe que a linguagem utilizada tem a marca do coloquialismo. É a língua cotidiana,
com objetivo de atingir o maior número possível de falantes.
Esse mesmo nível de linguagem é encontrado no fragmento:
a) “Toda paisagem tem um ar de sonho.”
b) “Tendo-a ao meu lado, eu perdi o medo do mundo e do vento.”
c) “Minha terra tem macieiras da Califórnia / Onde cantam gaturamos de Veneza.”
d) “Ó cidade de Ouro Preto / Boa da gente morar! / Numa casa com mirantes / Entre
malvas e gerânios, / Ter os olhos de Marília / Para cismar e cismar.”
e) “Quisera pascer cuidados... / ou esgueirado pelas bordas / do poço do mundo estéril, /
fecundar óvulos mortos.”
203. UFMA Considere a fala abaixo do economista Cláudio de Moura Castro:
82
“Porque, no país do ‘homem cordial’, somos tão atabalhoados na etiqueta do celular? A mesma pessoa que faz gentilezas e rapapés palra no aparelho diante de um grupo de amigos ou
clientes.”
Revista Veja, de 19/04/2000.
Assinale a alternativa que, na linguagem informal, melhor traduz a formalidade do discurso acima, sem comprometer o sentido do texto:
a) “Por que, no país do ‘homem cordial’, somos tão atrapalhados na etiqueta do celular?
A mesma pessoa que faz gentilezas e lisonjas palestra no aparelho diante de um grupo
de amigos ou clientes.”
b) “Por que, no país do ‘homem cordial’, ficamos tão embaraçados na etiqueta do celular? A mesma pessoa que faz gentilezas e rapapés chalra no aparelho diante de um
grupo de amigos ou clientes.”
GABARITO
c) “Por que, no país do ‘homem cordial’, ficamos tão atrapalhados na etiqueta do celular? A mesma pessoa que faz gentilezas e bajulações tagarela no aparelho diante de
um grupo de amigos ou clientes.”
d) “Por que, no país do ‘homem cordial’, ficamos tão aturdidos na etiqueta do celular? A
mesma pessoa que faz gentilezas e adulações conversa no aparelho diante de um grupo de amigos ou clientes.”
e) “Por que, no país do ‘homem cordial’, ficamos tão perplexos na etiqueta do celular? A
mesma pessoa que faz gentilezas e lisonjas palavreia no aparelho diante de um grupo
de amigos ou clientes.”
204. Uniube-MG
IMPRIMIR
“Um dos critérios básicos dos conquistadores europeus para se imporem sobre os colonizados foi
forçar o uso de sua língua. A língua materna é o bem mais caro a que um povo livre pode aspirar.
No caso do Brasil, nestes tempos neoliberais, vemos esse bem ser atingido em seu âmago, com a
proliferação das formas da língua inglesa imperando sobre as coisas mais simples do nosso dia-a-dia.”
Folha de S. Paulo, 05/08/00.
Pode-se inferir que o autor do trecho acima considera:
a) imperiosa a proliferação de termos da língua inglesa em nossa língua;
b) que devemos evitar o uso excessivo de termos da língua inglesa;
c) que a nossa língua materna está sendo a língua inglesa;
d) que um povo livre não usa a língua de seu colonizador.
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A seguir, são apresentados dois trechos de músicas. Leia-os atentamente para responder
às questões de números 205 e 206.
Texto 1
“A burguesia fede!
A burguesia quer ficar rica!
(...)
A burguesia não tem charme nem é discreta
Com suas perucas de cabelo de boneca
A burguesia quer ser sócia do Country
Quer ir em Nova Iorque fazer compras.”
Burguesia, de G. Israel/Cazuza/E. Neves. In: Burguesia, LP 838 448-1, PolyGram, 1989.
83
Texto 2
“Você não faria a menor falta
Num dia de domingo no Beach Park
Eu não te levaria nem morta
para passear comigo no Iguatemi
Eu não me atreveria a passar vexame
Perante os meus amigos lá da Aldeota
Pois agora eu tenho o maior respaldo
Nas altas paneladas da alta sociedade
Eu sei que a burguesia fede
Mas tem dinheiro pra comprar perfume.”
Um bodegueiro na FIEC, de Falcão/Tarcísio Matosin Falcão. In: Bonito, lindo e joiado, CD 804.142, VAT, 1993.
205. F.M. Triângulo Mineiro-MG A leitura permite afirmar que:
a) ambos os textos criticam os hábitos e valores burgueses, porém apontam para a impossibilidade de rompê-los;
GABARITO
b) o texto de Falcão tende a ser uma exaltação aos valores burgueses, opondo-se, pois, ao
de Cazuza, no qual está camuflada uma crítica;
c) no texto de Cazuza a crítica feita à burguesia é branda, o que não ocorre no de Falcão,
que a denuncia em tom de sarcasmo;
d) ambos os textos fazem uma crítica social explícita à burguesia, questionando de forma contundente os seus valores;
e) os dois textos criticam os hábitos e valores burgueses: o primeiro, pelo sarcasmo e
pela denúncia explícita; o segundo, pela ironia.
206. F.M. Triângulo Mineiro-MG A idéia de falta de autenticidade à burguesia pode ser
comprovada pelo seguinte verso do texto 1:
a) “A burguesia fede!”
b) “Com suas perucas de cabelo de boneca.”
IMPRIMIR
c) [A burguesia] “Quer ir em Nova Iorque fazer compras.”
d) “A burguesia não tem charme nem é discreta.”
e) “A burguesia quer ficar rica!”
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As questões 207 e 208 referem-se ao seguinte texto:
“Nunca esteve tão bom para nós, mulheres. Nem tão difícil.
Os salários não são iguais, as creches continuam insuficientes, o sexo é uma confusão total
entre o agir e o sentir, o trabalho é complicadíssimo em termos psíquicos para a mulher: fonte de
culpa e medos. Nunca foi tão difícil. Muito está colocado, mas tudo está por fazer. Esta é uma
hora para se parar e pensar.
Pensar pelo que brigamos até agora, o que conseguimos, onde fomos usadas pelo sistema, o
que deu errado, o que fazer de agora em diante. Sinto que existe todo um trabalho a ser feito de
conscientização feminina – pois o que se passa no Piauí não é o mesmo das grandes capitais – já
que as lutas não serão primordialmente mais no nível do “queremos”, “exigimos”, das passeatas,
mas da prática do obter e do ser. É uma luta mais intimista de um lado, fora dos jornais, mais
difusa na realidade.
A luta de base, de formiguinha, onde o confrontamento não será mais com a polícia e o governo somente, mas basicamente com os companheiros de trabalho, amigos e marido.”
SUPLICY, Marta. Reflexões sobre o cotidiano. Rio de Janeiro: Espaço e Tempo, 1986. p. 124-5.
207. UFF-RJ Segundo o texto, a luta fundamental para as mulheres é:
a) de cada mulher, para conscientizar os colegas, amigos e marido;
b) de todas as mulheres, contra todos os governos que as oprimem;
c) dos companheiros de trabalho, amigos e marido, por melhores salários;
84
d) dos governos, pela melhoria das condições de vida das mulheres;
e) das mulheres todas, para exigir seus direitos publicamente em passeatas.
208. UFF-RJ Assinale a opção que transcreve a passagem do texto, cujo sentido corresponde ao fragmento de Marina Colasanti:
“Culpadas estão quase todas as que trabalham. Porque não estão em casa, onde sempre lhes
disseram que deveriam estar. Porque não estão coladas nos filhos. Porque não estão à disposição
dos maridos. Porque, cumprindo a sua vida, não se sentem cumprindo à perfeição aquelas que
são consideradas suas atribuições primordiais.”
COLASANTI, Marina. Mulher daqui pra frente. São Paulo: Linoart, 1981.
a) “Nunca esteve tão bom para nós, mulheres.”
b) “o que se passa no Piauí não é o mesmo das grandes capitais”
c) “Os salários não são iguais, as creches continuam insuficientes”
IMPRIMIR
GABARITO
d) “o trabalho é complicadíssimo em termos psíquicos para a mulher”
e) “É uma luta mais intimista de um lado, fora dos jornais”
As questões 209 e 210 referem-se ao texto “Natal 1961”, abordado nas questões de 62 a 64.
209. Unifor-CE No segundo parágrafo, a fala do dono do hotel e a menção ao congresso
internacional de solidariedade articulam-se de modo a constituir uma:
a) metáfora.
b) ironia.
c) metonímia.
d) comparação.
e) hipérbole.
210. Unifor-CE Há conotação em:
a) “movimentos na economia” provocam cíclicas retrações no sistema de produção.
b) Passa-se pelas chamadas disciplinas de “humanidades”.
c) Ei-lo às voltas com estudos que o distanciam de seus interesses imediatos.
d) Uma vez profissional, torna-se mais leve a luta pela sobrevivência.
e) Um obstáculo a mais na maratona sempre perigosa do viver.
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211. UEPI Em:
“Ó Formas alvas, brancas, Formas claras
De luares, de neves, de neblinas!...
Ó Formas vagas, fluídas, cristalinas...
Incensos dos turíbulos das aras...”
Encontra-se uma figura de linguagem, resultante do cruzamento de sensações, chamada:
a) metáfora.
d) sinestesia.
b) metonímia.
e) antonomásia.
c) catacrese.
212. Unifor-CE Muitas vezes, no campo da concordância, opera-se uma integração entre os
mecanismos gramaticais da Língua e a significação de palavras e expressões. Desse fato
resulta a substituição da concordância formal pela concordância ideológica. Denominase silepse esse tipo de concordância.
Assinale a alternativa que contém silepse.
a) Alguém, participou do concurso e espera ser aprovado.
b) Vossa Senhoria demonstra ser a mais preparada das concorrentes.
85
c) Fomos ouvidos com atenção, o que nos deixa agradecidos.
d) Todos farão o possível para que as realizações correspondam à esperança geral.
e) Os escritores não desconhecemos as dificuldades daquele que escreve.
213. Unifor-CE O segmento em que uma metáfora está explicitada em outra metáfora é:
a) A vida estoura em bombas como também em dádivas de toda natureza.
b) O mundo deixa de ser realidade quente para se reduzir a marginália.
c) Não corta na verdade a barriga da vida, não revolve os intestinos da vida.
d) Escrever é triste. Impede a conjugação de tantos outros verbos.
e) Purê de palavras, reflexos no espelho (infiel) do dicionário.
GABARITO
214. UFMA Considere o trecho do ensaio “O fascínio do calendário”, publicado na Revista
Época, de 20 de dezembro de 1999.
“Eis uma definição ampla de tempo, extraída do Oxford English Dictionary: ‘Uma extensão
finita de uma existência contínua’. O lapso de tempo corresponde à expectativa média de vida
entre as mulheres (79 anos), por exemplo, ou do mosquito Anopheles (de 7 a 10 dias). ‘Uma das
primeiras coisas de que tomamos consciência quando nos tornamos conscientes é a passagem do
tempo’, diz David Ewing Duncan, autor de um livro sobre a evolução dos calendários. ‘A razão é
simples: nascemos e depois morremos, somos seres lineares.’ E cedo cedo incorporamos a consciência do tempo em nossa vida e em nossa cultura. Nosso linguajar cotidiano está cheio disto:
tempo de vida, bons tempos, maus tempos, há muito tempo que não o vejo, o tempo trabalha a
nosso favor, parece que foi ontem.”
Pode-se observar, da leitura do fragmento acima, a presença de algumas das muitas expressões lingüísticas nas quais o fator tempo aparece. É possível afirmar, com base nas
expressões suscitadas nas três últimas linhas do trecho, que:
IMPRIMIR
a) “tempo de vida” e “o tempo trabalha a nosso favor” estão, ambas, no sentido denotativo.
b) “há muito tempo que não o vejo” e “parece que foi ontem” estão, ambas, no sentido
conotativo.
c) “bons tempos” está no sentido denotativo e “parece que foi ontem” no sentido conotativo.
d) “tempo de vida” está no sentido conotativo e “maus tempos” no sentido denotativo.
e) “há muito tempo que não vejo” está no sentido denotativo e “bons tempos” no sentido
conotativo.
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215. UFMA Considere o texto:
“Fui fazer um samba
Na mesa de um botequim
Depois de umas e outras
O samba ficou assim
Estrambonático
Palipopético
Cibalenítico
Estapafúrdico
Protopológico
Antropofágico
Presolopépico
Atroverático
Batulitrético
Pratofinâmbolo
Calotolético
Carambolâmbolo
Posolométrico
Pratofilônica
Protopolágico
Canecalônica
É isso aí
É isso aí
Ninguém entendeu nada
Eu também não entendi”
“Idioma Esquisito”, de Nelson Sargento.
Pode-se depreender que os termos selecionados:
a) ligam-se ao movimento antropofágico da 1ª geração modernista, cujo expoente é
Oswald de Andrade;
86
b) são neologismos criados intencionalmente na língua e possuem comprovada significação, com claro conteúdo semântico;
c) são palavras que fazem parte do cotidiano da língua e relacionam-se, na sua grande
maioria, a nomes de medicamentos;
d) ironizam a linguagem rebuscada de determinadas pessoas que utilizam uma fala empolada no seu dia-a-dia.
e) enfatizam o uso de vocábulos estranhos e esdrúxulos, preocupando-se com a tonicidade e a economia das palavras.
GABARITO
216. UFF-RJ
“Educai o coração da mulher, esclarecei seu intelecto com o estudo de coisas úteis e com a
prática dos deveres, inspirando nela o deleite que se experimenta ao cumpri-los; purgai a sua alma
de tantas nocivas frivolidades pueris de que se acha rodeada mal abre os olhos à luz.
Cessai aqueles tolos discursos com os quais atordoais sua razão, fazendo-a crer que é rainha,
quando nada mais é que a escrava dos vossos caprichos. Não façais dela a mulher da Bíblia; a
mulher de hoje em dia pode sair-se melhor do que aquela; nem muito menos a mulher da Idade
Média: da qual estamos todas tão distantes que não poder-nos-ia servir de modelo; mas a mulher
que deve progredir com o século dezenove, ao lado do homem, rumo à regeneração dos povos.
Guarde-se bem o homem de ter a mulher para seu joguete, ou sua escrava; trate-a como uma
companheira da sua vida, devendo ela participar de suas alegres e tristes aventuras; considere-a
desde o berço até seu leito de morte, como aquela que exerce uma influência real sobre o destino
dele, e por conseguinte sobre o destino das nações; dedique-lhe, por último, uma educação como
exige a grande tarefa que ela deve cumprir na sociedade como o benéfico ascendente do coração;
e a mulher será como deve ser, filha e irmã dedicadíssima, terna e pudica esposa, boa e providente
mãe.”
FLORESTA, Nísia. Cintilações de uma alma brasileira. Florianópolis / Santa Cruz:
Ed. Mulheres / Ed. da UNISC, 1997 p. 115-7.
IMPRIMIR
A condição indispensável para que ocorra uma mudança no papel que a mulher exerce
como “filha e irmã dedicadíssima, terna e pudica esposa, boa e providente mãe”, de
acordo com o texto, é:
a) o homem exercer uma influência real sobre o destino dela e sobre o destino das nações;
b) o homem guardar-se de tratá-la como companheira da sua vida, joguete ou escrava;
c) o homem vê-la como aquela que exerce uma influência real sobre o destino dela;
d) o homem evitar vê-la como objeto e procurar tê-la como sua companheira de vida;
e) o homem ser a fonte das alegrias e desventuras dela, desde o berço até o leito de
morte.
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217. F.M. Triângulo Mineiro-MG
“Antes de tudo a atenção médica como uma forma de relação entre pessoas é provida do
atributo mágico da afeição pela condição humana, prenhe de respeito e carinho pelo semelhante,
e repousa no preceito basilar do cristianismo: ‘ama a teu próximo como a ti mesmo’.”
Jornal do Conselho Federal de Medicina. Setembro/99.
Lendo-se o trecho, conclui-se que:
a) a conhecida máxima cristã norteia qualquer forma de relação entre as pessoas;
b) entre médico e paciente deve prevalecer um código humano de fraternidade;
c) a consulta médica deve incorporar as práticas de um ritual religioso;
d) o sucesso do diagnóstico médico depende da empatia com o cliente;
e) sem uma certa dose de magia, o tratamento médico fica comprometido.
87
218. Cesgranrio
“O Sol muda de cor por causa da atmosfera
GABARITO
?Por que o Sol muda de cor durante o dia?
!A luz solar não é amarela nem vermelha, é branca. O branco resulta da soma das sete cores do
arco-íris – o violeta, o azul, o anil, o verde, o amarelo, o laranja e o vermelho. Nós enxergamos o
Sol com tonalidades diferentes, ao longo de um dia, porque a atmosfera filtra os seus raios,
separando as cores. “A nossa percepção do Sol muda por causa das irregularidades na camada de
ar que envolve a Terra e pela distância que a luz percorre na atmosfera”, explica o físico Henrique
Fleming, da Universidade de São Paulo. Existem partículas de poeira, poluição e gotículas d’água
infiltradas entre as moléculas de gás que compõem a atmosfera. Quando o Sol está alto, as cores
formadas por ondas de maior amplitude contornam essas partículas e as moléculas. Mas as menores (o violeta, o azul e o anil) não conseguem se desviar e trombam, espalhando-se. Com isso,
tingem o céu de azul e o Sol fica amarelo, que é a soma das cores restantes: o verde, o amarelo,
o laranja e o vermelho. À medida que o Sol vai se pondo, seus raios têm que atravessar um pedaço
maior da atmosfera, colidindo com mais obstáculos.
Afinal, no crepúsculo, até as ondas longas, laranja e vermelho, acabam trombando e se desviando, avermelhando gradativamente o horizonte (embora o resto do céu continue azul). A vermelha é a última onda de luz que consegue cruzar a atmosfera e nos atingir, por isso o astro-rei
fica vermelho no pôr-do-sol. Por fim, o céu fica preto com a ausência de luz: não chega mais
nenhuma cor e nem se vê mais nenhum espalhamento, pois o Sol está abaixo do horizonte.”
Superinteressante - 1997.
Assinale a idéia não contida no texto.
a) A tonalidade azul do céu se deve à ação da atmosfera sobre as cores cujas ondas têm
menor amplitude.
b) A ação da atmosfera sobre os raios solares é responsável pelas diferentes tonalidades
do Sol.
IMPRIMIR
c) As cores, ao trombarem, dão aos raios solares as respectivas tonalidades.
d) As cores do arco-íris, somadas, dão à luz solar a cor branca.
e) Ao pôr-do-sol, a distância a ser percorrida pelos raios solares aumenta.
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Leia o texto a seguir e responda às questões 219 a 221.
“Falando em leitura...
88
Falando em leitura, podemos ter em mente alguém lendo jornal, revista, folheto, mas o mais
comum é pensarmos em leitura de livros. E quando se diz que uma pessoa gosta de ler, ‘vive
lendo’, talvez seja rato de biblioteca ou consumidor de romances, histórias em quadrinhos, fotonovelas. (...) Sem dúvida, o ato de ler é usualmente relacionado com a escrita, e o leitor visto como
decodificador da letra. Bastará porém decifrar palavras para acontecer a leitura? Como explicaríamos as expressões de uso corrente ‘fazer a leitura’ de um gesto, de uma situação; ‘ler o olhar de
alguém’, ‘ler o tempo’; ‘ler o espaço’, indicando que o ato de ler vai além da escrita?
Se alguém na rua me dá um encontrão, minha reação pode ser de mero desagrado, diante de
uma batida casual, ou de franca defesa, diante de um empurrão proposital. Minha resposta a esse
incidente revela meu modo de lê-lo. Outra coisa: às vezes passamos anos vendo objetos comuns,
um vaso, um cinzeiro, sem jamais tê-los de fato enxergado; limitamo-los à sua função decorativa
ou utilitária. Um dia, por motivos os mais diversos, nos encontramos diante de um deles como se
fosse algo totalmente novo. O formato, a cor, a figura que representa, seu conteúdo passam a ter
sentido, melhor, a fazer sentido para nós.
Só então se estabeleceu uma ligação efetiva entre nós e esse objeto. E consideramos sua beleza
ou feiura, o ridículo ou adequação ao ambiente em que se encontra, o material e as partes que o
compõem. (...)
(...) Será assim também que acontece com a leitura de um texto escrito?
Com freqüência nos contentamos, por economia ou preguiça, em ler superficialmente, ‘passar
os olhos’, como se diz. Não acrescentamos ao ato de ler algo mais de nós além do gesto mecânico
de decifrar os sinais. Sobretudo se esses sinais não se ligam de imediato a uma experiência, uma
fantasia, uma necessidade nossa.
Reagimos assim ao que não nos interessa no momento. Um discurso político, uma conversa,
uma língua estrangeira, uma aula expositiva, um quadro, uma peça musical, um livro. Sentimonos isolados do processo de comunicação que essas mensagens instauram – desligados. E a tendência natural é ignorá-las ou rejeitá-las como nada tendo a ver com a gente. Se o texto é visual,
ficamos cegos a ele, ainda que nossos olhos continuem a fixar os sinais gráficos, as imagens. Se é
sonoro, surdos. Quer dizer: não o lemos, não o compreendemos, impossível dar-lhe sentido porque ele diz muito pouco ou nada para nós.
Por essas razões, ao começarmos a pensar a questão da leitura, fica um mote que agradeço a
Paulo Freire:
‘a leitura do mundo precede sempre a leitura da palavra e a leitura desta implica a continuidade
da leitura daquele’.“
MARTINS, Maria Helena. O que é leitura. São Paulo, Ática. p. 7-10.
219. UFR-RJ Partindo-se das reflexões da autora, pode-se concluir que o ato de ler é, em
última análise, um:
GABARITO
a) gesto mecânico de decifrar sinais;
b) gesto rotineiro de “passar os olhos”;
c) ato de construir sentido para aquilo que se lê;
d) ato prazeroso de decodificar romances, fotonovelas e histórias em quadrinhos;
e) modo de perceber as relações sintáticas que constroem o texto.
220. UFR-RJ “Ler não é uma atividade restrita ao ato de decifrar um código escrito. Ler é
interpretar. Neste sentido, a leitura é uma atividade que se constrói através de um diálogo
entre quem lê e o que é lido.”
Pode-se dizer que a afirmativa acima, em relação ao texto, está:
a) certa, pois a autora afirma que o ato de ler é usualmente relacionado com a escrita;
IMPRIMIR
b) errada, pois, para a autora, basta que se decifrem as palavras para acontercer a leitura;
c) certa, pois, para a autora, o leitor é visto como um decifrador da letra se contenta em
ler superficialmente;
d) errada, pois, para a autora, só podemos ler textos escritos e esses textos precisam ter
uma relação direta com a nossa realidade;
e) certa, pois, para a autora, ainda que o indivíduo não saiba decodificar a escrita, ele
pode ser considerado leitor, na medida em que interpreta o que observa.
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221. UFR-RJ Paulo Freire, ao afirmar que “a leitura do mundo precede sempre a leitura da
palavra e que a leitura desta implica a continuidade da leitura daquele”, nos diz que:
a) quando se começa a ler a palavra não se pode deixar de ler o mundo, pois a leitura da
palavra depende da leitura do mundo;
b) quando se começa a ler o mundo não se pode deixar de ler a palavra, pois a leitura do
mundo depende da leitura da palavra;
c) quando se começa a ler a palavra não se pode deixar de ler o texto, pois a leitura do
texto depende da leitura da palavra;
d) quando se começa a ler a palavra não se pode deixar de ler o mundo, pois a leitura da
palavra não depende da leitura do mundo;
e) quando se começa a ler o texto não se pode deixar de ler cada palavra, pois a leitura de
cada palavra depende da leitura do texto.
Com base na foto abaixo, responda às questões de números 222 e 223.
89
“O fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado fez esta foto
num campo de refugiados instalados em equipamentos
ferroviários na fronteira da Croácia com a Sérvia e a Bósnia, em 1994.
Assim como textos, fotografias podem ser lidas: o
menino que aparece no primeiro plano funciona como o
tema da foto, enquanto o trem no segundo plano comenta este tema.”
SALGADO, Sebastião. Êxodos. São Paulo: Companhia das Letras, 2000.
222. UERJ A escolha da figura humana no primeiro plano busca provocar no espectador a
seguinte atitude:
a) questionar a opção pelo tema;
c) surpreender-se com o gesto do menino;
b) admirar a composição com o fundo; d) refletir sobre o desamparo da criança.
IMPRIMIR
GABARITO
223. UERJ O fotógrafo, ao enquadrar o trem parado ao fundo, onde os refugiados se encontravam instalados, ressalta o contraste entre:
a) o metal e a terra;
c) o progresso e a guerra;
b) o real e o imaginário;
d) a infância e o mundo adulto.
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LÍNGUA PORTUGUESA
INTERPRETAÇÃO DE
TEXTO I
IMPRIMIR
GABARITO
1
1. V – F – V – V – F – F
2. V – F – V – F
3. b
4. c
5. c
6. e
7. c
8. V – V – F – V
9. 54
10. b
11. b
12. b
13. b
14. c
15. F – V – F – F – V – V
16. V – V – V – F – F
17. V – F – V – F – F
18. a
19. a
20. b
21. b
22. d
23. c
24. b
25. a
26. c
27. V – V – F – F – V
28. V – V – F – F – F
29. b
30. b
31. c
32. b
33. a
34. d
35. c
36. V – V – F – V
37. F – V – V – V
38. V – F – F
39. a
40. c
41. 56
42. d
43. d
44. c
45. b
46. c
47. F – F – F – V
48. 02
Voltar
49. 01
50. e
51. a
52. e
53. c
54. d
55. d
56. c
57. 07
58. 56
59. 28
60. 34
61. 25
62. b
63. c
64. a
65. d
66. b
67. b
68. d
69. c
70. 05
71. c
72. d
73. V – V – V – F
74. V – V – V – F
75. V – F – F – F
76. F – V – V – V
77. a
78. b
79. e
80. a
81. d
82. a
83. e
84. b
85. d
86. b
87. b
88. e
89. V – V – F – F – V
90. V – V – F – V – F
91. V – V – F – V – F
92. V – V – F – V
93. V – F – V – F – V – F
94. V – V – F – F – V
95. V – V – F – V – F
96. d
Língua Portuguesa - Interpretação de texto I
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IMPRIMIR
GABARITO
2
97. Uma dentre as formulações:
• Os textos são ambos narrados em primeira pessoa.
• O ponto de vista é interno à narrativa.
98. O primeiro texto apresenta um tom nostálgico e respeitoso diante do poder e da autoridade do patriarca, avô do personagem-narrador.
O segundo satiriza a família e os representantes da ordem social com quem o narrador
travou contato.
99. Nos currais do Sobradinho, no debaixo do capotão de meu avô, passei os anos de pequenice, que pai e mãe perdi no gosto do primeiro leite.
100. A autoridade se considera digna de trato respeitoso e cordial, e não impõe a si mesma
limites para reagir ao que julgue falta de consideração, podendo ser caprichosa, arbitrária e violenta.
101. c
102. e
103. c
104. 80
105. a
106. c
107. V – V – V – F
108. V – F – V – V
109. V – V – F – V
110. a
111. e
112. a
113. c
114. c
115. d
116. b
117. b
118. d
119. a) Narrativa.
b) O(s) dono(s) do cachorro.
- ou
O ser humano.
120. a) Julgamento pela aparência.
b) Uma dentre as frases:
• E o homem continua achando que um banho, um secador de cabelos e um perfume
disfarçam a hipocrisia, o animal desconfiado que tem dentro de nós.
• Julgamos os outros pela aparência, mesmo que tenhamos que deixar esta aparência
como melhor nos convier.
• Maquiada.
121. a) Agora surgiu uma nova.
- ou
Agora apareceu uma nova.
b) Uma dentre as reescrituras:
• As crianças enterram-no no fundo do quintal.
• As crianças o enterraram no fundo do quintal.
• As crianças enterraram o coelho no fundo do quintal.
122. a
123. c
124. V – F – V – V – V
125. F – F – F – V
126. V – F – V – F – V
127. d
128. a
129. d
130. d
131. c
132. a
133. c
134. b
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187. V – F – V – V
188. c
189. b
190. b
191. V – F – V – F – F – V
192. e
193. b
194. a
195. c
196. a
197. Resposta:
A concepção de amor no texto 1 indica
idealização do sentimento amoroso e da mulher amada; valorização da fantasia e da imaginação; caracterização do poder absoluto
do amor sobre as personagens. O tema é tratado no texto 2 a partir de um tom crítico e
irônico, apontando o desencanto e o desencontro entre as personagens. Lili, a “que não
amava ninguém”, é a única do grupo que
ironicamente encontrou um par. Diferente
dos outros que cumpriram um destino solitário ou trágico, ela se casou com J. Pinto
Fernandes, uma personagem fora da quadrilha.
198. 54
199. 46
200. 51
201. 04
202. c
203. b
204. a
205. e
206. b
207. a
208. d
209. e
210. d
211. e
212. c
213. e
214. d
215. a
216. d
217. b
218. c
219. c
220. e
221. a
222. d
223. c
IMPRIMIR
GABARITO
3
135. c
136. e
137. a
138. e
139. a
140. a
141. b
142. b
143. 34
144. 43
145. 26
146. F – V – V – F – F
147. F – F
148. F – V – V
149. d
150. c
151. c
152. a
153. d
154. c
155. b
156. b
157. 09
158. d
159. V – V – F – F – F
160. V – V – V – F
161. V – V – V – F
162. d
163. V – F – V – F – V
164. b
165. c
166. c
167. e
168. c
169. a
170. a
171. b
172. e
173. a
174. e
175. a
176. b
177. a
178. e
179. b
180. d
181. d
182. F – V – V – F – F
183. V – F – V – F
184. 08
185. V – F – F – V
186. 22
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LÍNGUA PORTUGUESA
FUNÇ Õ E S DA
L IN G U A G E M E
L IN G U A G E M
F IG U R A D A
Texto para a questão 1.
GABARITO
1
“Desacordo no Acordo
Não esqueça dizer que, em 1888, uma questão grave e gravíssima os fez concordar também,
ainda que por diversa razão. A data explica o fato: foi a emancipação dos escravos. Estavam então
longe um do outro, mas a opinião uniu-os.
A diferença única entre eles dizia respeito à significação da reforma, que para Pedro era um ato
de justiça, e para Paulo era o início da revolução. Ele mesmo o disse, concluindo um discurso em
S. Paulo, no dia 20 de maio: “A abolição é a aurora da liberdade; esperemos o sol; emancipando
o preto, resta emancipar o branco.”
Natividade ficou atônita quando leu isto; pegou da pena e escreveu uma carta longa e maternal. Paulo respondeu com trinta mil expressões de ternura, declarando no fim que tudo lhe poderia sacrificar, inclusive a vida e até a honra; as opiniões é que não.
‘Não, mamãe; as opiniões é que não.’
— As opiniões é que não, repetiu Natividade acabando de ler a carta.
Natividade não acabava de entender os sentimentos do filho, ela que sacrificara as opiniões aos
princípios, como no caso de Aires, e continuou a viver sem mácula. Como então não sacrificar?...
Não achava explicação. Relia a frase da carta e a do discurso e tinha medo de o ver perder a
carreira política, se era a política que o faria grande homem. ‘Emancipado o preto, resta emancipar o branco’, era uma ameaça ao imperador e ao império.
Não atinou... Nem sempre as mães atinam. Não atinou que a frase do discurso não era propriamente do filho; não era de ninguém. Alguém a proferiu um dia, discurso ou conversa, em
gazeta ou em viagem de terra ou de mar. Outrem a repetiu, até que muita gente a fez sua. Era
nova, era enérgica, era expressiva, ficou sendo patrimônio comum.
Há frases assim felizes. Nascem modestamente, como a gente pobre; quando menos pensam,
estão governando o mundo, à semelhança das idéias. As próprias idéias nem sempre conservam o
nome do pai; muitas aparecem órfãs, nascidas de nada e de ninguém. Cada um pega delas, verteas como pode, e vai levá-las à feira, onde todos as têm por suas.”
IMPRIMIR
Esaú e Jacó. Cap. 37, pág 59 – 60.
1. UEGO Assinale V, para os itens verdadeiros, e F, para os falsos:
( ) A citação: “uma questão grave, gravíssima” e “Era nova, era enérgica, era expressiva” – constituem exemplos de gradação de idéias.
( ) As figuras de linguagem presentes na frase do discurso, são: metáfora em “A abolição é a aurora da liberdade”; metonímia em “esperemos o sol“, e, antítese, em
“preto e branco.”
( ) “Trinta mil expressões de ternura”, caracteriza um hipérbato.
( ) “– As opiniões é que não, repetiu Natividade...” ilustra um discurso indireto.
( ) Atinar, conforme o dicionário Aurélio, significa: “descobrir pelo tino, pelo raciocínio, por conjetura ou por indício; acertar com; dar com; achar. “Essas definições encaixam-se perfeitamente à interpretação que Natividade deu ao contexto e à frase.
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Leia o texto a seguir e responda a questão.
“Sem data
Há seis ou sete dias que eu não ia ao Flamengo. Agora à tarde lembrou-me lá passar antes de vir
para casa. Fui a pé; achei aberta a porta do jardim, entrei e parei logo.
‘Lá estão eles’, disse comigo.
Ao fundo, à entrada do saguão, dei com os dois velhos sentados, olhando um para o outro.
Aguiar estava encostado ao portal direito, com as mãos sobre os joelhos. D. Carmo, à esquerda,
tinha os braços cruzados à cinta. Hesitei entre ir adiante ou desandar o caminho; continuei parado
alguns segundos até que recuei pé ante pé. Ao transpor a porta para a rua, vi-lhes no rosto e na
atitude uma expressão a que não acho nome certo ou claro: digo o que me pareceu. Queriam ser
risonhos e mal se podiam consolar. Consolava-os a saudade de si mesmos.”
ASSIS, Machado de. Memorial de Aires. In: Obra Completa. Rio de Janeiro, Aguilar, 1989.
2. UFR-RJ Em “Consolava-os a saudade de si mesmos.”, o autor está empregando a linguagem:
a) denotativa.
b) coloquial.
c) conotativa.
d) paradoxal.
e) sinestésica.
3. U.F. Pelotas-RS Leia atentamente o poema abaixo:
“Lição sobre a água
Este líquido é água.
Quando pura
é inodora, insípida e incolor.
Reduzida a vapor,
sob tensão e a alta temperatura,
move os êmbolos das máquinas, que, por isso,
se denominam máquinas de vapor.
É um bom dissolvente.
Embora com exceções, mas de um modo geral,
dissolve tudo bem, ácidos, bases, sais.
Congela a zero graus centesimais
e ferve a 100, quando a pressão é normal.
Foi nesse líquido que numa noite cálida de verão,
sob um luar generoso e branco de camélia,
apareceu a boiar o cadáver de Ofélia
com um nenúfar na mão.”
IMPRIMIR
GABARITO
2
GEDEÃO, Antonio. Poesias completas (1956–1967). Lisboa, Portugália, 1972. p. 244-5.
Após a leitura do poema, analise as seguintes afirmativas:
I. No texto, há uma leitura denotativa da realidade (propriedade e funções da água,
ciclo hidrológico) mesclada a uma leitura conotativa, pois na água também há um
lugar para a tragédia humana.
II. A mudança de tempo verbal na poesia simboliza a passagem de uma linguagem
pretensamente denotativa para uma linguagem que relata ações humanas.
III. Na segunda estrofe, há uma informação físico-química que, embora incorreta, permite constatar o descompasso existente entre o mundo da ciência e o mundo da
poesia, lição pretendida pelo eu-lírico.
Com relação às afirmativas acima, pode-se dizer que está(ão) correta(s):
a) somente a afirmativa III;
b) as afirmativas I e III;
c) as afirmativas I e II;
d) as afirmativas II e III;
e) somente a afirmativa I.
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Texto para a questão 4:
“A Paz
1. Vieram famintos,
Desnudos,
Cansados.
Alforjes vazios,
5. Os olhos opacos,
Sentaram-se à mesa.
Vieram vestidos
De linho,
De seda.
10. Alforjes tão cheios
Os olhos tão ávidos,
Sentaram-se à mesa.
E ele chegou.
Na branca toalha,
15. Ao longo estendida,
Nem vinho, nem peixe,
Nem água, nem pão.
Olhou-os nos olhos,
Sentiu-lhes a fome,
20. Sentiu-lhes o frio,
Chamou-os meus filhos,
Serviu-lhes a paz.”
3
Neusa Peçanha.
IMPRIMIR
GABARITO
4. IESB Julgue os itens, segundo os critérios da leitura, compreensão e interpretação textuais.
( ) Os dois primeiros movimentos do texto juntam indivíduos de diferentes classes
sociais.
( ) olhos opacos (v.5) e olhos tão ávidos (v.11) configuram oposição em nível conotativo.
( ) O terceiro movimento da leitura do texto apresenta intertextualidade com o texto
bíblico.
( ) Nos versos 16 e 17, ocorre a figura de construção chamada polissíndeto.
( ) O verso 21 poderia ser escrito assim: “Chamou-os de meus filhos”, sem incorrer
em qualquer erro gramatical.
Texto para a questão 5.
“O sistema circulatório sangüíneo é um vasto e complexo circuito de vasos que tem como peça
principal o coração, pois é do seu trabalho que resulta a força propulsora que impulsiona o sangue
através de toda a rede vascular.”
5. U. Alfenas-MG Considere as seguintes afirmações a respeito do excerto acima.
I. A função de linguagem predominante no excerto é a referencial.
II. Predomina no texto o nível elevado de linguagem por situar-se acima da linguagem
padrão.
III. Na redação do texto, foi usada a linguagem de nível técnico, caracterizada por um
léxico próprio das áreas da ciência e da filosofia, entre outras.
IV. A palavra “pois” introduz oração que indica conclusão, conseqüência.
Estão corretas as afirmações dos itens:
a) I e III.
b) I e II.
c) II e IV.
d) III e IV.
e) I e IV.
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Leia o texto a seguir e responda a questão.
“Esparadrapo
Há palavras que parecem exatamente o que querem dizer. “Esparadrapo”, por exemplo. Quem
quebrou a cara fica mesmo com cara de esparadrapo. No entanto, há outras, aliás de nobre
sentido, que parecem estar insinuando outra coisa. Por exemplo, ‘incunábulo*’.”
QUINTANA, Mário. Da preguiça como método de trabalho. Rio de Janeiro, Globo 1987 p. 83.
*Incunábulo: [do lat. Incunabulu: berço] Adj. 1 – Diz-se do livro impresso até o ano de
1500./S.m. 2 – Começo, origem.
6. UFR-RJ A expressão “quebrar a cara” é largamente empregada na língua portuguesa com
sentido conotativo. O vocábulo que melhor traduz o emprego conotativo dessa expressão é:
a) fracassar;
d) desanimar;
b) machucar-se;
e) destruir.
c) desistir;
Texto para as questões 7 e 8.
4
“Memórias de um Sargento de Milícias (fragmento)
No capítulo XIII, intitulado Escapula, o Leonardo havia sido detido pelo Major Vidigal, mas,
driblando a escolta, no caminho para a prisão, consegui fugir.
O trecho abaixo reproduzido é parte desse capítulo e aborda, entre outras coisas, o sentimento
do Major frente à situação.
‘O Major Vidigal fora às nuvens com o caso: nunca um só garoto, a quem uma vez tivesse posto
a mão, lhe havia podido escapar, e entretanto aquele lhe viera pôr sal na moleira; ofendê-lo em
sua vaidade de bom comandante de polícia, e degradá-lo diante dos granadeiros. Quem pregava
ao Major Vidigal um logro, fosse qual fosse a sua natureza, ficava-lhe sob a proteção, e tinha-o
consigo em todas as ocasiões. Se o Leonardo não tivesse fugido, e arranjasse depois a soltura por
qualquer meio, o Vidigal era até capaz, por fim de contas, de ser seu amigo; mas tendo-o deixado
mal, tinha-o por seu inimigo irreconciliável enquanto não lhe desse desforra completa.
Já se vê pois que as fortunas do Leonardo redundavam-lhe sempre em mal; era realmente um
mal naquele tempo ter por inimigo o Major Vidigal, principalmente quando se tinha, como o
Leonardo, uma vida tão regular e tão lícita.’”
GABARITO
ALMEIDA, Manuel A. de. Memórias de um Sargento de Milícias. São Paulo, FTD, 1992.
7. UFMS O texto literário utiliza a língua de maneira criativa e original; por isso, muitas
vezes, uma leitura nos surpreende, pois certas palavras e expressões apresentam significados novos ou fora do comum, e devem ser entendidas no contexto em que se encontram, sob pena de a compreensão do texto como um todo ficar prejudicada. Nesse sentido, a expressão fora às nuvens, na 1ª linha, indica que o Major ficara:
a) indiferente.
d) enfurecido.
b) eufórico.
e) meditativo.
c) envaidecido.
8. UFMS Leia o texto abaixo, extraído de um ensaio sobre Memórias de um Sargento de
Milícias.
“Prodígio de humor e ironia, isento de qualquer traço idealizante, no romance não há lugar
para as tintas sentimentais e heróicas nem para o abuso de peripécias inverossímeis, tão do gosto
do romance romântico da época...”
IMPRIMIR
WALDMAN, Berta. O romântico fruto de uma pisadela e de um beliscão,
em Memórias de um Sargento de Milícias, ed. citada.
Identifique entre as alternativas abaixo, retiradas do fragmento transcrito do romance, a
seqüência que apresenta sentido claramente irônico.
a) se o Leonardo (...) arranjasse depois a soltura.
b) em sua vaidade de bom comandante de polícia.
c) uma vida tão regular e tão lícita.
d) fosse qual fosse a sua natureza.
e) inimigo irreconciliável.
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9. Univali-SC
“Visões de um novo tempo
(...) Mas a cidadania não se constrói apenas com palavras, com boas intenções. Este edifício tem
como alicerce a vontade férrea de nossa gente, o desejo de interferir ativamente no comando dos
destinos da comunidade. Esta base, cremos, foi a formação moral herdada de nossos fundadores,
que acreditavam poder aqui edificar uma sociedade livre, participativa e laica, onde cada um
pudesse ter de acordo com suas capacidades e segundo suas necessidades.
Na construção de uma sociedade justa e democrática, acreditamos, tem especial relevância a
existência da imprensa livre, pluralista, que possibilite o trânsito correto da informação, indispensável para a afirmação da cidadania. A continuação do exercício desta prática jornalística, da
difusão da informação de interesse público, de qualidade e com profunda afinidade com a realidade, é uma das boas notícias que aguardamos para o próximo século.”
SCHRAMM, Egon José. Jornal de Santa Catarina, 22 de setembro de 1999.
5
Indique a opção, cuja frase, retirada do texto acima, se vale do sentido como conotativo
da linguagem:
a) Este edifício tem como alicerce a vontade férrea de nossa gente...
b) Esta base, cremos, foi a formação moral herdada de nossos fundadores...
c) ... tem especial relevância a existência da imprensa livre...
d) ... onde cada um pudesse ter de acordo com suas capacidades e segundo suas necessidades.
e) A continuação do exercício desta prática jornalística, da difusão da informação de
interesse público, de qualidade e com profunda afinidade com a realidade...
10. U. Alfenas-MG
“Copo d’água no sereno
O copo no peitoril
Convoca os eflúvios da noite.
Vem o frio nervoso da serra
Vêm os perfumes brandos do mato dormindo
Vem o gosto delicado da brisa
E pousam na água.”
IMPRIMIR
GABARITO
Carlos Drummond de Andrade.
Considere as seguintes afirmações:
I. Nas referências descritivas de seres inanimados, o autor premia os cinco sentidos do
corpo humano.
II. O texto constrói-se basicamente no uso de sinestesias e prosopéias.
III. É o tipo de texto que analisa, interpreta e explica os dados da realidade.
Está correto o que se afirma:
a) em I, II e III.
b) em II e III.
c) em I e II.
d) apenas em I.
e) apenas em II.
11. PUC-PR Considerando apenas o sentido próprio, denotativo, e não o sentido figurado,
conotativo, assinale a alternativa que contenha um sinônimo para a palavra senda:
a) vereda.
b) casa.
c) banda.
d) turma.
e) companhia.
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12. AEU-DF Leia o texto “A língua na literatura brasileira” e depois julgue os itens seguintes, em relação à semântica e à estilística.
6
“A LÍNGUA NA LITERATURA BRASILEIRA
(Machado de Assis)
Entre os muitos méritos dos nossos livros nem sempre figura o da pureza da linguagem. Não é
raro ver intercalados em bom estilo os solecismos da linguagem comum, defeito grave a que se
junta o da excessiva influência da língua francesa. Este ponto é objeto de divergência entre os
nossos escritores.
Divergência digo, porque, se alguns caem naqueles defeitos por ignorância ou preguiça, outros
há que os adotam por princípio, ou antes por uma exageração de princípio.
Não há dúvida que as línguas se aumentam e alteram com o tempo e as necessidades dos usos
e costumes. Querer que a nossa pare no século de quinhentos é um erro igual ao de afirmar que
a sua transplantação para a América não lhe inseriu riquezas novas. A este respeito a influência do
povo é decisiva. Há portanto certos modos de dizer, locuções novas, que de força entram no
domínio do estilo e ganham direito de cidade.
Mas se isto é um fato incontestável, e se é verdadeiro o princípio que dele se deduz, não me
parece aceitável a opinião que admite todas as alterações da linguagem, ainda aquelas que destroem as leis da sintaxe e a essencial pureza do idioma. A influência popular tem um limite; e o
escritor não está obrigado a receber e dar curso a tudo o que o abuso, o capricho e a moda
inventam e fazem correr. Pelo contrário, ele exerce também uma grande parte da influência a este
respeito, depurando a linguagem do povo e aperfeiçoando-lhe a razão.
Feitas as exceções devidas, não se lêem muito os clássicos no Brasil.
Entre as exceções poderia eu citar até alguns escritores, cuja opinião é diversa da minha neste
ponto, mas que sabem perfeitamente os clássicos. Em geral, porém, não se lêem, o que é um mal.
Escrever como Azurara ou Fernão Mendes seria hoje um anacronismo insuportável. Cada tempo
tem o seu estilo. Mas estudar-lhes as formas mais apuradas da linguagem, desentranhar delas mil
riquezas que, à força de velhas, se fazem novas, – não me parece que se deva desprezar. Nem
tudo tinham os antigos, nem tudo temos os modernos; com os haveres de uns e outros é que se
enriquece o pecúlio comum.”
IMPRIMIR
GABARITO
( ) Os “solecismos” de que nos fala no texto, são os erros de grafia e de pronúncia das
palavras.
( ) “Divergência” não implica diferentes posturas diante do tema abordado por Machado.
( ) Por “no século de quinhentos”, entendemos os anos de mil e quinhentos.
( ) A expressão “ganham direito de cidade” alude à irrefutável inserção de novos termos na língua e sua conseqüente aceitação por parte de todos que a utilizam.
( ) Há silepse de pessoa em “nem tudo temos os modernos”.
13. UFF-RJ Assinale a opção em que os elementos grifados nos trechos a seguir exemplificam a figura de linguagem apresentada.
a) Paronomásia é o emprego de palavras semelhantes no som, porém de sentido diferente. / “Entretanto, vida diferente não quer dizer vida pior; é outra coisa.”
b) Eufemismo é uma substituição de um termo, pela qual se pode evitar usar expressões
mais diretas ou chocantes, para referir-se a determinados fatos. / “Os amigos que me
restam são de data recente; todos os antigos foram estudar a geologia dos campos
santos.”
c) Anáfora é a repetição de uma ou mais palavras no princípio de duas ou mais frases, de
membros da mesma frase, ou de dois ou mais versos. / “Ora, como tudo cansa, esta
monotonia acabou por exaurir-me também. Quis variar e 1embrou-me escrever um
livro.”
d) Metonímia é a designação de um objeto por palavra designativa de outro objeto que
tem com o primeiro uma relação. / “O que aqui está é, mal comparando, semelhante à
pintura que se põe na barba e nos cabelos, e que apenas conserva o hábito externo,
como se diz nas autópsias; o interno não agüenta tinta.”
e) Onomatopéia é o emprego de palavra cuja pronúncia imita o som natural da coisa
significada. / “Foi então que os bustos pintados nas paredes entraram a falar-me e a
dizer-me que, uma vez que eles não alcançavam reconstituir-me os tempos idos, pegasse da pena e contasse alguns.”
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14. UFMT-Modificada Antes de julgar os itens abaixo, leia o texto “Atenção ao sábado”.
Use V, para os verdadeiros, e F para os falsos.
“Atenção ao Sábado
Acho que sábado é a rosa da semana; sábado de tarde a casa é feita de cortinas ao vento, e
alguém despeja um balde de água no terraço: sábado ao vento é a rosa da semana; sábado de
manhã, a abelha no quintal, e o vento: uma picada, o rosto inchado, sangue e mel, aguilhão em
mim perdido: outras abelhas farejarão e no outro sábado de manhã vou ver se o quintal vai estar
cheio de abelhas. No sábado é que as formigas subiam pela pedra. Foi num sábado que vi um
homem sentado na sombra da calçada comendo de uma cuia de carne-seca e pirão; nós já tínhamos
tomado banho. De tarde a campainha inaugurava ao vento a matinê de cinema: ao vento sábado
era a rosa de nossa semana. Se chovia só eu sabia que era sábado; uma rosa molhada, não? No Rio
de Janeiro, quando se pensa que a semana vai morrer, com grande esforço metálico a semana se
abre em rosa: o carro freia de súbito e, de súbito, antes do vento espantado poder recomeçar, vejo
que é sábado de tarde. Tem sido sábado, mas já não me perguntam mais. Então eu não digo nada,
aparentemente submissa. Mas já peguei as minhas coisas e fui para domingo de manhã. Domingo
de manhã também é a rosa da semana. Não é propriamente rosa que eu quero dizer.”
LISPECTOR, Clarice. Os melhores contos de Clarice Lispector. Seleção de Walnice Galvão, São Paulo, Global, 1997.
7
( ) Sábado ao vento e grande esforço metálico são construções de valor denotativo e
monossêmico.
( ) Ocorre personificação em a semana vai morrer e antes do vento espantado.
( ) A expressão Tem sido sábado deixa de indicar um dado sobre o tempo e descreve o
estado de espírito da personagem.
15. Univali-SC
“Paciência
Até quando o corpo pede um pouco mais de alma
A vida não pára
Enquanto o tempo acelera e pede pressa
Eu me recuso faço hora, vou na valsa
A vida é tão rara
Enquanto todo mundo espera a cura do mal
E a loucura finge que isso é normal
Eu finjo ter paciência
O mundo vai girando cada vez mais veloz
A gente espera do mundo e o mundo espera de nós
Um pouco mais de paciência”
IMPRIMIR
GABARITO
Lenine.
Analise as afirmações abaixo com base no texto apresentado.
I. O autor se utiliza de prosopopéia em alguns versos.
II. São também utilizadas expressões populares no texto.
III. A palavra paciência tem um sentido denotativo.
IV. Há antíteses na letra da música acima.
A alternativa correta considerando o texto apresentado é:
a) nenhuma está correta;
b) apenas a III está correta;
c) todas as afirmações estão corretas;
d) I e IV estão corretas;
e) II, III e IV estão corretas.
16. F.M. Itajubá-MG “Motivos de alegria e de tristeza” – “... trancados na ilha do nosso
egoísmo”. Reconheça as figuras de linguagem que aparecem nestas duas frases.
a) ironia e hipérbole.
b) eclipse e paralelo.
c) antítese e metáfora.
d) ênfase e comparação.
e) contraste e alusão.
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17. AUE-DF Leia o texto “Novos & velhos” e julgue os itens seguintes, em relação à semântica e à estilística.
“NOVOS & VELHOS
(Mário Quintana)
Não, não existe geração espontânea. Os (ainda) chamados modernistas, com a sua livre poética,
jamais teriam feito aquilo tudo se não se houvessem grandemente impressionado, na incauta
adolescência, com os espetáculos de circo dos parnasianos.
Acontece que, por sua vez, fizeram eles questão de trabalhar mais perigosamente, sem rede de
segurança - coisa que os acrobatas antecessores não podiam dispensar.
Quanto a estes, os seus severos jogos atléticos eram uma sadia reação contra a languidez dos
românticos. E assim, sem querer, fomos uns aprendendo dos outros e acabando realmente por herdar
suas qualidades ou repudiar seus defeitos, o que não deixa de ser uma maneira indireta de herdar.
Por essas e outras é que é mesmo um equívoco esta querela, ressuscitada a cada geração, entre
novos e velhos.
Quanto a mim, jamais fiz distinção entre uns e outros. Há uns que são legítimos e outros que
são falsificados. Tanto de um como de outro grupo etário.
Porque na verdade a sandice não constituiu privilégio de ninguém, estando equitativamente
distribuída entre novos e velhos, em prol do equilíbrio universal.
E, além de tudo, os novos significam muito mais do que simples herdeiros: embora sem saber,
embora sem querer, são por natureza os nossos filhos naturais.”
8
( ) No texto “geração espontânea” reporta-se a criação súbita, explosão criadora.
( ) Ao colocar entre parênteses a palavra “ainda” , Quintana alude ao sentido denotativo da palavra modernista.
( ) Os “acrobatas” são os poetas parnasianos em oposição aos nefelibatas simbolistas.
( ) A expressão “sem rede de segurança” significa sem as amarras da técnica poética
tradicional.
( ) Há ironia em “a sandice não constitui privilégio de ninguém”.
GABARITO
18. UFMS A conotação ocorre quando as palavras ganham, no texto em que estão inseridas, um outro sentido que se acrescenta ao seu sentido primeiro (sentido denotativo,
próprio, habitual). Sendo assim, identifique, entre os trechos abaixo, retirados do texto
de Raquel Noveira, aquele(s) em que há presença de conotação.
“Faz parte de nossa tradição tomar mate. Chimarrão é o mate cevado, sem açúcar, regado a água
quente. Tereré é o refresco, bem gelado. De acordo com o clima, passa-se do chimarrão ao tereré.
Para tomar mate é necessário adquirir-se uma cuia, morena e matuta, uma bomba ou bombilha
e a erva moída, tudo semelhante a ‘um coração verde com uma artéria de prata’, conforme
poema do gaúcho Aparício Silva Rillo.
O ideal é tomá-lo numa grande roda, sob um laranjal.
Se houver os serviços de alguma bugra para ‘carregar mate’, ótimo. ‘Carregar mate’ significa
alguém ficar segurando a chaleira, passar a cuia de uma mão para a outra, de uma boca para a
outra, respeitando a vez de cada um, a animação da prosa e o ritmo dos sorvos. Levar a chaleira lá
dentro para esquentar de novo quando a água começar a esfriar, para não azedar o mate.
É bom que haja no céu um sol bem vermelho e uma poeira cor-de-tijolo envolvendo tudo.
Se for na hora do quiriri e algumas estrelas perfurarem a tarde com suas pontas de lata, a
conversa será mais lenta.
Se alguém falar alguma frase, alguma palavra em guarani, como chê-kambá ou cunhataí, dará
mais sabor à erva.
Importante mesmo é que haja um clima de comunhão, de cachimbo da paz, tudo muito morno
e quente. (...)”
IMPRIMIR
NOVEIRA, Raquel. O arado e a estrela. Campo Grande, Ed. UCDB, 1996. p. 23.
01. “Chimarrão é o mate cevado, sem açúcar, regado a água quente.”
02. “... tudo semelhante a ‘um coração verde com uma artéria de prata’, conforme poema do gaúcho Aparício Silva Rillo.”
04. “O ideal é tomá-lo numa grande roda, sob um laranjal.”
08. “É bom que haja no céu um sol bem vermelho e uma poeira cor-de-tijolo envolvendo tudo.”
16. “Se for na hora do quiriri e algumas estrelas perfumarem a tarde com suas pontas de
lata, a conversa será mais lenta.”
Dê, como resposta, a soma das alternativas corretas.
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19. U. Alfenas-MG “Os prédios são altos e se espreitam traiçoeiramente com binóculos na
sombra”. Predomina nessa frase a figura de linguagem denominada:
a) metáfora.
b) prosopopéia.
c) hipérbole.
d) eufemismo.
e) ironia.
20. Univali-SC Indique o item em que a figura de linguagem existente nas manchetes, retiradas de revistas de circulação nacional, está denominada corretamente entre parênteses:
a) “O pai do ciberespaço” – Isto é, 14/04/99 (PLEONASMO).
b) “A supermoeda murchou“ – Veja, 27/01/99 (METONÍMIA).
c) “A canoa furada dos impostos” – Veja, 30/06/99 (METÁFORA).
d) “Um passado escrito por pólen e lascas de madeira” – Superinteressante, agosto/99
(ANTÍTESE).
e) “O gigante e os anões” – Superinteressante, agosto/99 (PROSOPOPÉIA).
Leia o texto abaixo e responda às questões 21 e 22.
9
“...............
Dois homens tramando um assalto.
– Valeu, mermão? Tu traz o berro que nóis vamo rendê o caixa bonitinho.
Engrossou, enche o cara de chumbo. Pra arejá.
– Podes crê. Servicinho manero. É só entrá e pegá.
– Tá com o berro aí?
– Tá na mão.
Apareceu um guarda.
– Ih, sujou. Disfarça, disfarça...
O guarda passa por eles.
– Discordo terminantemente. O imperativo categórico de Hegel chega a Marx diluído pela fenomenologia de Feurbach.
– Pelo amor de Deus! Isso é o mesmo que dizer que Kierkegaard não passa de um Kant com
algumas sílabas a mais. Ou que os iluministas do século 18...
O guarda se afasta.
– O berro, tá recheado?
– Tá.
– Então vamlá.”
IMPRIMIR
GABARITO
Luís Fernando Veríssimo.
21. UEMS Sobre a linguagem utilizada nesse trecho, é correto afirmar:
I. Foram utilizados dois níveis de linguagem, sendo um popular, cheio de gírias, e
outro culto, com vocabulário rico.
II. A linguagem utilizada pelos assaltantes pode ser considerada correta apenas no segundo momento de suas falas, ou seja, na passagem do guarda.
III. O conteúdo e o vocabulário da linguagem dos assaltantes não está de acordo com os
níveis de linguagem empregados.
Estão corretas:
a) II e III.
d) I e III.
b) I.
e) I e II.
c) I, II e III.
22. UEMS A expressão “Tu traz o berro que nóis vemo rendê o caixa bonitinho”, poderia
ser substituída, sem mudar o sentido, em linguagem formal, por:
a) Você traz o revólver que nós vamos dominar o caixa bonito.
b) Me traga o revólver que nós vamos dominar facilmente o caixa.
c) Tu trazes o revólver que vais dominar o caixa.
d) Traga-me o revólver que vamos dominar de maneira bela o caixa.
e) Traga o revólver que vamos dominar facilmente o caixa.
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23. U. Alfenas-MG Definição: “Silepse é uma figura de linguagem que ocorre quando efetuamos a concordância não com os termos expressos, mas com a idéia a eles associada
em nossa mente”. Assinale a alternativa em que esse tipo de figura acontece.
a) Aos amigos faltou-lhes coragem.
b) Vi com meus próprios olhos.
c) “Luar, espere um pouco / Que é pro meu samba poder chegar.”
d) Toda profissão tem seus espinhos.
e) “Quando a gente é novo, gosta de fazer bonito.”
24. U. Alfenas-MG
“Ninguém coça as costas da cadeira.
Ninguém chupa a manga da camisa.
(...)”
José Paulo Paes.
10
Na composição do excerto, o poeta emprega termos figurados por falta de palavras mais
apropriadas. A figura de linguagem em questão é a:
a) catacrese.
b) sinestesia.
c) metáfora.
d) metonímia.
e) perífrase.
25. U.E. Londrina-PR Leia os poemas abaixo:
“Pronto pra outra
gravei seu olhar seu andar
sua voz seu sorriso.
você foi embora
e eu vou na papelaria
comprar uma borracha.”
CHACAL. Drops de abril. 2ª ed. São Paulo: Brasiliense, 1984. p. 87.
IMPRIMIR
GABARITO
“Happy End
o meu amor e eu
nascemos um para o outro
agora só falta quem nos apresente”
CACASO. Beijo na boca. Rio de Janeiro: 7 letras, 2000. p. 13.
Sobre os poemas, é correto afirmar:
a) Ambos redimensionam a desilusão amorosa tanto através da elevação espiritual quanto do recurso a elementos prosaicos.
b) Ambos focalizam a temática amorosa, despertando atenções para o eu-lírico, que sofre transformações decisivas do passado para o futuro.
c) Ambos enfocam a temática amorosa, através da ironia que minimiza diferenças entre
passado, presente e futuro.
d) Ambos ignoram a temática amorosa, preferindo dar ênfase aos assuntos cotidianos,
como na poesia marginal em geral.
e) Ambos ridicularizam a desilusão amorosa, embora continuem professando a fé no
amor definitivo que não será superado sequer pela morte.
26. UFR-RJ No fragmento “que bom passar a mão no som da percalina” percebe-se:
a) a correlação entre o sentido próprio e o sentido figurado das palavras;
b) relação de termos que consiste no uso do todo pela parte;
c) suavização de uma idéia através da substituição de uma palavra;
d) relação entre percepção de sentidos diferentes;
e) emprego de termos que se referem a conceitos contrários.
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27. UFGO-Modificada
“Mestre do Coro
Quem te ensinô essa mandinga?
- Foi o nego de sinhá.
O nego custô dinhero,
dinhero custô ganhá,
Camarado.
Coro
Cai, cai, Catarina,
sarta de má, vem vê Dalina.
Mestre do Coro
Amanhã é dia santo,
dia de corpo de Deus
Quem tem roupa vai na missa,
quem não tem faz como eu.”
11
O fragmento transcrito apresenta um registro lingüístico próprio também das rodas de
capoeira, conforme pode ser atestado em O pagador de promessas, de Dias Gomes.
Sobre a linguagem do trecho citado, pode-se afirmar que:
( ) a variedade não-padrão cumpre seu papel comunicativo, desde que pautada pela
clareza e coerência.
( ) na 1ª estrofe, o vocábulo custô tem o mesmo sentido, nas duas construções em que
foi usado.
( ) a palavra camarado apresenta uma flexão de gênero, imprópria, de acordo com a
norma padrão.
INSTRUÇÃO: Leia atentamente o texto e julgue os itens da questão 28.
GABARITO
“O samba do Ernesto
O Arnesto nos convidô prum samba
Ele mora no Brás
Nóis fumo e não encontremos ninguém
Nóis vortemos com uma baita duma reiva
Da otra vez nóis num vai mais
Nóis num semos tatu
Notro dia encontremos co’ Arnesto
Qui pidiu discurpa mas nóis num aceitemos
Isso num si faiz Arnesto nóis num s’ importa
Mais você devia ter ponhado um recado na porta
Ansim
Óia turma num deu pra espera
Aduvido que isso num faiz már
Num tem importância nóis si habitua”
IMPRIMIR
Adoniran Barbosa e Nicola Caparrino.
28. UFMT
( ) O texto retrata um pedido de desculpas de amigos que não se vêem há muito
tempo.
( ) “Aduvido, vortemos, ponhando, ansim, óia” são marcas de uma variedade lingüística utilizada por pessoas de pouca ou nenhuma escolaridade.
( ) “Prum, num, cuma, duma, pra” marcam a moralidade oral do texto.
( ) Sempre que é usada a primeira pessoa do plural, no texto, a desinência verbal é
adequada.
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29. Uniube-MG
“Cumprida a obrigação, Fabiano levantou-se com a consciência tranqüila e marchou para casa.
Chegou-se à beira do rio. A areia fofa cansava-o, mas ali, na lama seca, as alpercatas dele faziam
chape-chape, os badalos dos chocalhos que lhe pesavam no ombro, pendurados em correias,
batiam surdos.”
RAMOS, Graciliano, Vidas secas.
Observando-se, neste excerto de Vidas secas, a linguagem do autor, pode-se afirmar que
a expressão grifada é uma figura de linguagem denominada:
a) onomatopéia.
b) pleonasmo.
c) aliteração.
d) eufemismo.
30. U.E. Londrina-PR Observe os quadros abaixo.
IMPRIMIR
GABARITO
12
O comentário irônico de Mafalda no último quadro refere-se, fundamentalmente, a uma
figura de linguagem presente nos quadros anteriores, que é:
a) hipérbole.
b) metáfora.
c) aliteração.
d) metonímia.
e) pleonasmo.
31. Uniube-MG Há figuras de linguagem em:
I. antítese em “o meu dia foi bom, pode a noite descer”;
II. prosopopéia em “a noite com seus sortilégios encontrará lavrado o campo, a casa
limpa, a mesa posta”;
III. metáfora em “com cada coisa em seu lugar”;
IV. comparação em “quando a indesejada das gentes chegar / (não sei se dura ou coroável)”.
Estão corretas as afirmativas:
a) I e II.
b) I e III.
c) I e IV.
d) II e IV.
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Leia, a seguir, o fragmento retirado do livro Macunaíma, de Mário de Andrade, e responda a
questão 32.
“– Meu avó, dá caça pra mim comer?
– Sim, Currupira fez.
Cortou carne de perna moqueou e deu pro menino, perguntando.
– O que você está fazendo na capoeira, rapaiz!
– Passeando.
– Não diga!
– Pois é, passeando...
Então contou o castigo da mãe por causa dele ter sido malévolo pros manos. E contando o
transporte da casa de novo pra deixa onde não tinha caça deu uma grande gargalhada. O Currupira olhou pra ele e resmungou:
– Tu não é mais curumi, rapaiz, tu não é mais curumi não... Gente grande que faiz isso...”
33. Cesgranrio Assinale a opção em que há correspondência entre o período e o recurso
estilístico a ele atribuído.
a) “Quem pode vai para fora” – hipérbato.
b) “Aquele jardim era meu amigo” –metonímia.
c) “Eles são as minhas aldeias” – metáfora.
d) “Uma voz de água no silêncio” – anáfora.
e) “Que bom ver outra vida! Que bom ouvir a outra face do disco!” – anástrofe.
34. U. Santa Ursula-RJ-Modificada Primeiramente, nos versos “de carne e de memória” /
“de osso e de esquecimento” e nos versos “bocas bafos bacias” / “bandejas bandeiras
bananeiras”, o autor se utiliza dos seguintes recursos de linguagem:
a) metáfora e comparação;
b) metonímia e aliteração;
c) antítese e aliteração;
d) comparação e hipérbato;
e) paradoxo e aliteração.
IMPRIMIR
GABARITO
13
32. UFGO Uma característica importante das línguas é o fato de que elas não são uniformes
nem estáticas. Fatores como região, classe social, idade, entre outros, explicam suas
variações.
Tendo em vista o comentário que você acabou de ler e as particularidades lingüísticas do
trecho de Macunaíma, julgue os itens.
( ) A construção “dá caça pra mim comer” é típica da linguagem oral, representado,
portanto, uma variação de “dê-me caça para eu comer”, própria da norma padrão.
( ) O emprego de palavras como “rapaiz” e “faiz”revela variação no nível dos sons,
indicando pronúncia de um falante, no caso o Currupira, que utiliza a variedade
padrão língua.
( ) Em “por causa dele ter sido malévolo”, ocorreu uma variação no nível sintático,
uma vez que esse enunciado, na norma padrão, corresponde a “por causa de ele ter
sido malévolo”.
( ) O enunciado “Tu não é mais curumi”, apesar de ser um exemplo de falar informal,
está de acordo com a língua padrão, como se pode verificar pela concordância
verbal.
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LÍNGUA PORTUGUESA
FUNÇ Õ E S DA
L IN G U A G E M E
L IN G U A G E M
F IG U R A D A
1
V–V–F–F–F
c
d
V–V–V–V–V
a
a
d
c
d
c
d
F–F–V–V–V
b
F–V–V
c
c
V–V–F–V–V
18.
19.
20.
21.
22.
23.
24.
25.
26.
27.
28.
29.
30.
31.
32.
33.
34.
18
b
a
b
e
e
a
a
d
V–F–V
F–V–V–F
a
c
a
V – F –V – F
c
c
IMPRIMIR
GABARITO
1.
2.
3.
4.
5.
6.
7.
8.
9.
10.
11.
12.
13.
14.
15.
16.
17.
Voltar
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LÍNGUA PORTUGUESA
V O C A B U L Á R IO
1. UFRN-Adaptada Essas previsões podem parecer ousadas, mas, no fundo, são até conservadoras”
Assinale a opção em que o vocábulo traduz o sentido de ousadas:
a) audaciosas.
b) magníficas.
c) impulsivas.
d) duvidosas.
1
2. Unifor-CE Assinale a alternativa em que se substitui uma frase por outra de sentido
equivalente.
a) os videogames induzem à passividade = os videogames não permitem o isolamento.
b) a ponto de não ter de esforçar-se = tanto que não precisa de muita vontade.
c) porque inibem a vontade = porque estimulam o desejo de brincar.
d) o jovem tende ao retraimento = o jovem procura distrair-se.
e) Atividades físicas e em grupo são um antídoto = exercícios físicos comuns são a
solução.
IMPRIMIR
GABARITO
3. Emescam-ES
“Hoje, a erotização televisivamente monitorada faz da criança um consumidor precoce. Momento por não possuir suficiente discernimento e ser capaz de seduzir os adultos, que cedem aos
caprichos do desejo para se verem livres da insistência pirralha.
Aos quatro anos, eis o menino revestido de grifes e a menina embotelhada em danças da
esquizofrenia que distância a idade fisiológica da psicologia, corpo de criança e alma de mulher.
O sonho é substituído pela TV, as histórias cedem lugar aos programas de auditório, e as fadas,
bruxas e reis, aos brinquedos eletrônicos. O armário é tão cheio quanto o espírito vazio.
(...) Há crianças assustadoramente gordas de açúcar e sem afeto, cansadas perante um futuro
que ainda não viveram, viciadas em indigência intelectual e espiritual.”
Excerto de “Memória de um Dinossauro”, de Frei Betto. A Gazeta, Vitória, 08. set. 98 p. 05.
Um dos itens abaixo apresenta explicação inadequada de alguns termos usados no texto;
isso ocorre em:
a) “suficiente discernimento” – necessária competência para avaliar ou julgar com bom
senso;
b) “insistência pirralha” – teima persistente da criança;
c) “embotelhada em danças” – especialista em danças;
d) “ritmo da esquizofrenia” – ritmo que revela psicopatias e distúrbios mentais;
e) “indigência intelectual e espiritual” – pobreza de cultura e de espírito.
4. UFF-RJ No fragmento “O meu fim evidente era atar as duas pontas da vida, e restaurar
na velhice a adolescência.”, pode-se substituir a palavra em negrito, sem alteração de
sentido, por:
a) limite.
b) momento final.
c) término.
d) objetivo.
e) ponto extremo.
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Língua Portuguesa - Vocabulário
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5. Univali-SC
“Retrato do Brasil quando ainda jovem
Como se explica o otimismo de nosso povo?
Algumas pesquisas e levantamentos recentes, tenham ou não a ver com as comemorações dos
500 anos de Descobrimento, revelam um Brasil cuja ambigüidade torna cada vez mais difícil
decifrá-lo e defini-lo em termos de personalidade e temperamento. De um país em crise e cheio
de mazelas, onde, segundo o IBGE, quase um quarto da população ganha R$ 4,00 por dia, o que
se esperaria? Que fosse a morada de um povo infeliz, cético e pessimista, não?
Não. Por incrível que pareça, não. Os brasileiros não só consideram seu país um lugar bom e
ótimo para viver, como estão otimistas em relação ao seu futuro e acreditam que ele se transformará numa superpotência em cinco anos. Pelo menos essa é conclusão de um levantamento
sobre a “utopia brasileira” realizado há pouco pelo Data Folha.”
VENTURA, Zuenir. Época, 08/05/2000.
GABARITO
2
Os sinônimos que poderiam ser utilizados para substituir as palavras destacadas no texto
encontram-se, respectivamente, na opção:
a) impressão / descrente / fantasia;
b) equívoco / duvidoso / infelicidade;
c) incerteza / seco / irrealização;
d) indeterminação / cego / quimera;
e) que tem dois sentidos / que não crê / felicidade.
6. Unifor-CE Assinale a letra correspondente à alternativa que preenche corretamente as
lacunas das frases apresentadas.
Sem ..............., a criança ............... os comandos do jogo eletrônico, em que ...............
eram perseguidos.
a) hesitar – compulçava –animaizinhos
b) hesitar – compulsava – animaisinhos
c) hesitar – compulsava – animaizinhos
d) exitar – compulsava – animaisinhos
e) exitar – compulçava – animaizinhos
7. Unifor-CE Uma sociedade ............... é aquela em que os ............... têm ............... dos
problemas que atingem todos aqueles que a compõem.
As lacunas serão corretamente preenchidas com:
a) armonioza – previlegiados – consciência
b) armoniosa – privilegiados – conciência
c) harmonioza – privilegiados – conciência
d) harmoniosa – previlegiados – consciência
e) harmoniosa – privilegiados – consciência
IMPRIMIR
8. U.F. Juiz de Fora-MG “...Sou adepto do voto inútil! Vote inútil!!!” (Luiz Eurípedes
Massiére)
Um significado alternativo para a palavra acima destacada é:
a) partidário.
b) contrário.
c) representante.
d) rebelde.
9. U.F. Uberlândia-MG Assinale a única alternativa em que a palavra ou expressão em
negrito não está adequadamente interpretada de acordo com seu sentido no texto.
a) “Para se restringir a compreensão das mensagens a uns poucos detentores do código
lingüístico...” = limitar.
b) “O uso correto do idioma não é um refinamento...” = requinte.
c) “Porém, o oficialismo deveria, pelo menos, abster-se de usar estrangeirismos para
evitar o ridículo de ser brega...” = impedir.
d) “Não se trata de xenofobia.” = aversão a coisas estrangeiras.
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Língua Portuguesa - Vocabulário
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10. UFPR Leia o texto abaixo:
“A referência a Xuxa, além de providencial, é pertinente. Ela é pioneira nesse fenômeno, tão
característico do Brasil de hoje, que é a erotização das crianças. Faz anos que, consciente ou
inconscientemente, lhes dá aulas de sedução. Outras a seguiram na TV, entre louras que a imitam
e reboladoras profissionais, mas Xuxa detém a palma do pioneirismo. Merece ser considerada um
símbolo da permissividade da televisão brasileira.”
Veja, 18/08/1999.
Marque V (verdadeiro) ou F (falso) na(s) alternativa(s) em que todas as expressões são
apropriadas para substituir as expressões em negrito, sem prejuízo para o sentido do
texto.
( ) menção – apropriada – interrompe – da licenciosidade.
( ) convocação – irritante – conserva – da abertura.
( ) observação – relevante – possui – da liberalidade.
( ) menção – apropriada – conserva – da falta de limites.
( ) saudação – obrigatória – interrompe – do vale-tudo.
( ) alusão – relevante – ostenta – da liberalidade.
3
11. Unifor-CE O solecismo ou erro de sintaxe torna a linguagem ...............ou ...............,
por estar em ............... com as normas do padrão culto da língua.
As lacunas da frase apresentada estão corretamente preenchidas em:
a) incompreencível – imprecisa – dezacordo
b) incomprensiva – imprescisa – desacordo
c) incomprensiva – imprecisa – dezacordo
d) incompreensível – imprecisa – desacordo
e) incompreensível – imprescisa – desacordo
GABARITO
12. Unifor-CE O vocábulo em negrito está corretamente substituído por outro, sem prejuízo do sentido original, em:
a) a influência do povo é decisiva = prejudicial.
b) não lhe inseriu riquezas novas = descobriu.
c) a receber e dar curso a tudo = ensinar.
d) depurando a linguagem = purificando.
e) se isto é um fato incontestável = divergente.
13. U. Alfenas-MG-Adaptada A palavra “então” do trecho “apontou o então chefe da Assessoria de Imprensa da Prefeitura como autor da nota” tem o sentido de:
a) naquela ocasião.
b) nesse caso.
c) além disso.
d) nesse tempo.
e) naquele lugar.
14. PUC-RJ-Adaptada
“Se além das prendas (...), D. Evarista era mal composta de feições, longe de lastimá-lo, agradecia-o a Deus, porquanto não corria o risco de preterir os interesses da ciência...”
IMPRIMIR
Machado de Assis.
As expressões abaixo estão dicionarizadas como acepções possíveis para preterir. Qual
delas melhor poderia substituir o verbo no contexto em que é empregado no texto?
a) ultrapassar.
b) omitir.
c) deixar de parte.
d) ir além de.
e) ser ilegalmente promovido.
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Língua Portuguesa - Vocabulário
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15. Unifor-CE A expressão em negrito está corretamente substituída por outra, sem prejuízo do sentido original, em:
a) provocam cíclicas retrações = periódicas diminuições.
b) premido pelas circunstâncias = decepcionado.
c) para satisfazer exigências formais = leis costumeiras.
d) mão-de-obra não-especializada = trabalho incomum.
e) um futuro se não promissor = de desesperança.
16. Uniube-MG-Adaptada A expressão “dia-a-dia” no trecho “as coisas mais simples do
nosso dia-a-dia”, pode ser substituída, sem que se altere o sentido da frase, apenas pela
expressão grifada em:
a) Não há trabalho para se fazer de supetão, mas dia a dia.
b) Dia após dia aumenta a violência em nosso país.
c) Obras de Machado de Assis fazem parte de meu cotidiano.
d) A insegurança do brasileiro aumenta a cada dia.
4
17. Uniube-MG “Se pintar um clima, você pode caprichar no estilo, descolar um gato e
curtir um papo legal.”
Considerando-se a variedade lingüística que se pretendeu reproduzir nessa frase, é correto afirmar que a expressão proveniente de variedade diversa é:
a) pintar um clima;
b) caprichar no estilo;
c) descolar um gato;
d) curtir um papo legal.
IMPRIMIR
GABARITO
18. Univali-SC
“Notas de um Nobel
A julgar pelas últimas declarações do escritor português José Saramago, o Prêmio Nobel de
Literatura que lhe foi atribuído em 1998 tornou-se um fardo difícil de ser carregado. Saramago
reclama de falta de tempo para escrever. Hoje ele é uma espécie de arauto da língua portuguesa
que percorre os quatro cantos do mundo propagandeando o idioma de Camões.
Os recém-lançados Cadernos de Lanzarote II, segundo volume de seus diários, vão de 1996 a
1997 e mostra um Saramago andarilho, que deixa seu lar em Lanzarote, uma das Ilhas Canárias,
dá voltas pela Europa, circula no Brasil e ainda tem tempo de salpicar as páginas de seu diário com
observações perspicazes e poéticas.
Para quem conhece os romances de Saramago, o estilo pode parecer frugal. Mas é aquele tipo
de simplicidade que só alguém que pensa e escreve bem sabe fazer. Não faltam ao escritor o senso
de humor, a ironia e uma delicadeza especial na percepção das coisas. (...)”
VOLPATO, Cadão – Época, 26 de abril de 1999.
No texto, os vocábulos arauto, perspicazes e frugal podem ser substituídos, respectivamente, pelos sinônimos:
a) mensageiro – inteligentes – modesto.
b) representante – talentosas – insosso.
c) que sabe – que observam – parco.
d) eminente – sagazes – exagerado.
e) propagandista – complicadas – sóbrio.
19. F. Católica de Salvador-BA-Adaptada A substituição proposta à direita mantém o
significado do contexto em que o termo transcrito aparece em:
a) “toda” em “metade de toda a força” – qualquer.
b) “algum” em “com algum êxito” – pouco.
c) “apenas” em “foram selecionados apenas os chefes” – mal.
d) “ainda” em “O Brasil ainda tem uma vantagem” – afinal.
e) “Assim que” em “Assim que a economia voltar a crescer, isso vai ser consertado” –
Quando.
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20. Uniube-MG Assinale a única alternativa em que a palavra ou expressão em negrito não
está corretamente interpretada de acordo com seu sentido.
a) “E só estando ao abrigo das necessidades (e do mau tempo) é que poderemos, com
calma e sapiência, manipular os peões...” = sabedoria.
b) “Pena que os bispos sejam tão renitentes.” = teimosos.
c) “Acho que nenhum patriota sincero se oporia a esta medida tão salutar e higiênica” =
moralizadora.
d) “Conto com teu bom senso para tratar com severidade os trabalhadores, sem deixar-te
levar por pieguices.” = sentimentalismos.
21. F.M. Triângulo Mineiro-MG-Adaptada
“... uma relação é provida do atributo mágico...”
“... prenhe de respeito e carinho...”
“... repousa no preceito basilar do cristianismo...”
Os sinônimos mais adequados para as palavras em negrito nos trechos acima são, respectivamente:
a) dotada, repleta, fundamental;
b) portadora, isenta, simples;
5
c) concebida, marcada, único;
d) destituída, madura, básico;
e) incentivadora, plena, indiscutível.
22. U.E. Maringá-PR Assinale a(s) alternativa(s) em que as palavras em destaque podem
ser substituídas pelas palavras que estão em itálico, respectivamente.
01. “A conclusão da primeira etapa de decodificação do genoma humano...” – o epílogo
– leitura.
02. “A complicação é que se desconhecem quantas casas e edifícios existem de fato na
metrópole e qual a função de cada um dos imóveis.” – o obstáculo – ignoram.
04. “As estimativas variam de 38.000 a 120.000” – as avaliações.
08. “As poderosas máquinas da Celera Genomics e do Projeto Genoma Humano ordenaram as seqüências de letras...” – prostraram – as apreensões.
GABARITO
16. “Identificar os genes será uma tarefa árdua e mais complexa do que foi decifrar o
próprio genoma.” – um trabalho – desviar.
32. “...os geneticistas ainda são incapazes de encontrar a padaria ou a delegacia de polícia no complexo DNA do ser humano.” – hábeis – no elucidado.
Dê, como resposta, a soma das alternativas corretas.
23. U.F. Uberlândia-MG Assinale a única alternativa em que a palavra ou expressão em
negrito não está adequadamente interpretada de acordo com seu sentido no texto.
a) “Quis continuar a falar, para escrutar-lhe bem a alma; não pude, ele esquivou-se, e
fiquei outra vez só.” = sondar.
IMPRIMIR
b) “...ninguém me dava o direito de presumir intenções e intervir nos negócios particulares de uma família...” = vangloriar.
c) “Bastou que uma idéia se me afigurasse possível para que eu a acreditasse certa.” =
parecesse.
d) “...Félix achara um modo de conciliar umas e outras, amando sem casar.” = harmonizar.
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24. PUC-RS
“Não vai dar certo
Outro dia, dois cientistas americanos apresentaram um pedido ao Serviço de Marcas e Patentes dos Estados Unidos para registrar uma criatura que estão produzindo em laboratório. A tal
criatura seria uma mistura de homem com animal. Não se sabe direito que animal é este, mas
deram a entender que tanto pode ser um macaco como um camundongo.
É fácil imaginar um homem-macaco. Afinal, todos nós, no passado, já protagonizamos essa
dobradinha. E nem faz tanto tempo. Conheço gente que ainda se lembra de quando o avô
desceu da árvore (...) Já cruzamento de um homem com camundongo é mais difícil de visualizar.
O único parâmetro conhecido é o Mickey, o rato mais bem-sucedido da história. Em cima dele,
construiu-se um império que é, na verdade, uma ratoeira humana (...).
A idéia de cruzar artificialmente seres humanos com animais não é nova. Já foi imaginada no
começo do século pelo inglês H. G. Wells, em A Ilha do Dr. Moreau e, nos anos 50, pelo americano
James Clavell, em A Mosca da Cabeça Branca. Ambas as histórias renderam vários filmes. Em
todos eles, a parte humana levou um baita prejuízo. No filme do homem que virou mosca, o pobre
Vincent Price ficou desesperado porque, com seu corpinho de mosca, não conseguia chamar a
atenção de sua mulher, para que esta o fizesse voltar ao normal. E olhe que ele foi o cientista que
resolveu fazer a experiência.
Boa idéia. O ideal seria se os dois cientistas se oferecessem como cobaias de suas experiências.
Um cruzaria o outro com o macaco. E o outro cruzaria o um com o camundongo.”
CASTRO, Ruy. Manchete, 19/04/98 (adaptado)
Se as expressões “Outro dia”, “A tal criatura”, “dobradinha” e “corpinho”, características da linguagem coloquial, fossem substituídas por expressões do português culto formal, sem alteração básica no significado, seria correto utilizar, respectivamente:
a) Uma vez – a experiência – par – figura diminuta.
b) Dia desses – este monstro – dualidade – corpo minúsculo.
c) Certo dia – o experimento – dupla – silhueta pequena.
d) Há pouco tempo – o resultado – casal – corpete.
e) Recentemente – esse ser – parceria – corpúsculo.
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GABARITO
6
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LÍNGUA PORTUGUESA
V O C A B U L Á R IO
1.
2.
3.
4.
5.
6.
7.
8.
9.
10.
11.
12.
13.
14.
15.
16.
17.
18.
19.
20.
21.
22.
23.
24.
a
c
a
c
b
a
b
c
a
01
b
e
IMPRIMIR
GABARITO
1
b
c
c
d
e
c
e
a
c
F-F- F-V-F-V
d
d
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LÍNGUA PORTUGUESA
F O N O L O G IA , A C E N T U A Ç Ã O
O R T O G R A F IA E F O R M A Ç Ã O
D A S P A L AV R A S
1. UFMT Leia o texto de Lourenço Diaféria e julgue os itens a seguir. Use V, para os itens
verdadeiros, e F, para os falsos.
1
“O grafiteiro pixou no muro caiado: ‘Herrar é umano.’
Considere as seguintes atitudes:
1. Você corrige um erro.
2. Você corrige dois erros.
3. Você não corrige nada e elogia a criatividade do grafiteiro.
4. Você fica louco da vida, xinga o cara de ignorante e manda repintar o muro.”
Lourenço Diaféria.
( ) A letra h não representa, na Língua Portuguesa, nenhuma fonema, mas é usada em
palavras que a trazem da etimologia, como humano.
( ) As letras x e ch podem representar o mesmo fonema, o que ocasiona certa dificuldade na escrita de palavras como pichar e xícara.
( ) Poderia ser acrescentada à “questão de múltipla escolha” mais uma alternativa:
Você corrige três erros.
GABARITO
2. UFSE Os encontros vocálicos das palavras SEARA e GLÓRIA encontram-se, respectivamente, nas palavras:
a) ameaças e contrário;
b) biologia e adquirida;
c) científicas e biogenética;
d) negociação e países;
e) polícia e principais.
3. Unifor-CE
“Vejam que país...”
“...a lavadeira cheira a gim.”
IMPRIMIR
Nas palavras em negrito observa-se uma seqüência de:
a) hiato, dígrafo e ditongo;
b) hiato, encontro consonantal e ditongo;
c) ditongo, dígrafo e hiato;
d) ditongo, dígrafo e ditongo;
e) ditongo, encontro consonantal e hiato.
4. Emescam-ES O emprego da expressão abaixo em negrito vai de encontro ao “bom uso”
da nossa língua, em:
a) Dadas as nossas origens e objetivos, existe, entre mim e eles, uma separação formal e
intransponível.
b) A EMESCAM fica situada na Avenida Nossa Senhora da Penha.
c) Daqui há pouco tempo estaremos iniciando o século vinte e um.
d) Aproveito-me desta oportunidade, para agradecer-lhe a gentileza do gesto.
e) Antigamente, enviavam-se muitas cartas em mão.
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5. FGV-SP A palavra língua está corretamente escrita com acento agudo e sem trema.
Assinale a alternativa em que todas as palavras estejam também corretamente grafadas.
a) Ambigüidade, guaraná, Anhanguera, tranqüilo, aguei, adquiri, distingui.
b) Anbiguidade, güaraná, Anhangüera, tranquilo, agüei, adqüiri, distingüi.
c) Ambigüidade, guaraná, Anhanguera, tranquilo, aguei, adquiri, distingui.
d) Ambiguidade, güaraná, Anhangüera, tranqüilo, agüei, adqüiri, distingüi.
e) Ambigüidade, guaraná, Anhangüera, tranqüilo, agüei, adquiri, distingui.
2
6. PUC-RJ Leia o período abaixo e as afirmações relacionadas às expressões nele contidas:
“O ceticismo constitui uma marca característica do conto machadiano que vem sendo
amiúde assinalada pelos estudiosos da literatura brasileira, notavelmente aqueles que se
concentram na chamada fase realista de sua obra.”
I. A separação silábica das palavras “machadiano“ e “assinalada” é, respectivamente,
ma-cha-di-a-no e as-si-na-la-da.
II. De acordo com as regras de acentuação gráfica, o verbo “constituir” escreve-se “constituía” em uma das formas do passado.
III. Sem contração de preposição com artigo, a expressão “pelos estudiosos” deveria
grafar-se “pôr estudiosos”.
IV. O advérbio derivado de “notável” deveria estar grafado no texto como “notavelmente”.
São corretas as afirmações:
a) I, II e IV.
b) II e III.
c) I e II.
d) III e IV.
e) I e III.
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GABARITO
7. U.E. Maringá-PR-Modificada Assinale a(s) alternativa(s) em que a(s) letra(s)
destacada(s) corresponde(m) adequadamente ao(s) fonema(s) propostos(s).
01. “...um pião enlouquecido.” – fonema /k/.
02. “Séculos quentíssimos...” – fonemas / ku/.
04. “...a velocidade da rotação...” – fonema /k/.
08. “Os americanos acham...” – fonema /k/.
16. “Daqui a alguns milênios...” – fonemas /ku/.
32. “...enquanto dá voltas...” – fonemas /kw/.
64. “Nevascas, furacões...” – fonema /k/.
Dê, como resposta a soma das alternativas corretas.
8. U.F. Santa Maria-RS
“Ele domina a número cinco, atenção, vai marcar, dá de chaleira... É goooool, sensacional!”
Se essa fala fosse transcrita em nível coloquial, algumas palavras sofreriam alterações, como:
marcar → marcá
chaleira → chalera
sensacional → sensacionau
Analise as afirmações relacionadas com essas alterações fonéticas.
I. Em marcá, houve queda de consoante final e deslocamento da sílaba tônica.
II. Em chalera, houve simplificação de um ditongo decrescente em vogal simples.
III. Em sensacionau, houve substituição da consoante final por semivogal, formando um
ditongo crescente.
Está(ão) correta(s):
a) apenas I.
b) apenas II.
c) apenas III.
d) apenas I e II.
e) apenas II e III.
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INSTRUÇÃO: Leia atentamente o texto e julgue os itens da questão 9.
“Agora in Brasile, la mejor Parker Collection du monde.
Gracias à abertura da nossa
economia, a Parker do Brasil ha
portato a tutti noi a crème de la
crème das Parkers do mundo:
Duofold Centennial, Premier,
95, 88, 180 e mucho más.
I tutto para você pagar com
money brasileiro. Come on,
venga a buscar la suya.
Perché si non vous puede ficar
sem, capisci?”
Revista Veja/SP.
3
9. UFMT
( ) A fábrica de canetas Parker explorou o fenômeno, da globalização lingüística, cultural e econômica para lançar seu produto no mercado brasileiro.
( ) As palavras estrangeiras funcionam, no texto, como argumentos a favor da simplicidade do produto anunciado.
( ) As palavras gracias, tutto e monde são formadas a partir de radicais presentes nas
palavras correspondentes do português.
( ) O fato de o espanhol, o italiano e o francês, assim como o português, serem línguas
neo-latinas facilita a compreensão da mensagem pela propaganda.
( ) O sentido de money e come on é evidente no texto, porque a língua inglesa é também uma língua neo-latina.
( ) Na Babel global, recriada por esse texto, a confusão de línguas também impede a
comunicação.
GABARITO
10. UEPI Marcar a opção em que o segmento em negrito não forma dígrafo.
a) qualquer;
d) velho;
b) adivinhar;
e) recorria.
c) confessar;
11. FGV-SP Assinale a alternativa em que todas as palavras estejam corretamente grafadas.
a) Empolgação, através, extrangeiro, despercebido, auto-falante.
b) Eletricista, asterístico, celebral, frustado, beneficiente.
c) Assessores, pretensão, losango, asterisco, alto-falante.
d) Sicrano, vultosa, previlégio, entitular, prazeiroso.
e) Eletrecista, pretenção, ascenção, celebral, prazeiroso.
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12. Unifor-CE Nas palavras Paquequer, Paraíba e caudal, ocorrem, respectivamente os
seguintes encontros:
a) ditongo – hiato – hiato;
b) dígrafo – hiato – ditongo;
c) ditongo – dígrafo – hiato;
d) dígrafo – ditongo – ditongo;
e) ditongo – dígrafo – ditongo.
13. U. Alfenas-MG O acento gráfico em “conferência” tem a regra de emprego assim expressa:
a) Acentuam-se as palavras paroxítonas terminadas em a(s).
b) Acentuam-se as palavras proparoxítonas terminadas em ditongo crescente.
c) Acentuam-se as palavras oxítonas terminadas em a(s).
d) Acentuam-se todas as palavras paroxítonas.
e) Acentuam-se as palavras paroxítonas terminadas em ditongo crescente.
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14. Uniube-MG São acentuadas de acordo com a mesma regra de acentuação gráfica, as
palavras da alternativa:
a) língua, obrigatório, influência.
b) filológica, necessária, lingüística.
c) português, aliás, país.
d) óbvio, úteis, alguém.
15. U.E. Maringá-PR-Modificada O fonema /s/ é expresso, na grafia da língua portuguesa, de várias maneiras. Assinale a(s) alternativa(s) em que todas as letras destacadas
representam na escrita o fonema /s/.
01. “A prosa literária brasileira começa no Romantismo.”
02. “...cujo ócio permitia a leitura de romances e folhetins.”
04. “Esse público buscava na literatura apenas distração.”
08. “...tão logo chegava ao final, fechava o livro e o esquecia...”
16. “...esperando o próximo, que lhe ofereceria praticamente as mesmas emoções.”
32. “...passando o tempo a torcer e a chorar por seus heróis.”
Dê, como resposta, a soma das alternativas corretas.
IMPRIMIR
GABARITO
4
16. FUVEST-SP Os sufixos aumentativos têm, às vezes, sentido pejorativo, ridicularizando
ou ironizando a idéia expressa. A alternativa em que este valor está presente é:
a) Ao revisar a prova, percebemos que havia um problemão a resolver.
b) Ora! Você fez um dramalhão por coisa tão insignificante.
c) Feriadão começa com o 2º maior congestionamento.
d) O casacão da noite envolveu a cidadezinha.
e) Um carro! Presentão como esse você só ganha uma vez na vida.
17. U.E. Ponta Grossa-PR Tendo em vista a acentuação gráfica e a separação silábica dos
vocábulos, assinale o que for correto.
01. São acentuados graficamente os vocábulos “só”, “é” e “dá” porque devem ser acentuados todos os monossílabos tônicos terminados em a, e e o.
02. Os vocábulos “macaco”, “primata” e “apetite” não recebem acento gráfico porque
não se acentuam os paroxítonos terminados em o, a e e.
04. O vocábulo “muriqui” não é acentuado pois não levam acento gráfico os oxítonos
terminados em i.
08. O vocábulo “observação” tem quatro sílabas.
16. O vocábulo “evoluído” tem cinco sílabas.
Dê, como resposta, a soma das alternativas corretas.
18. Unifor-CE Assinale a alternativa em que os dois vocábulos obedecem à mesma regra de
acentuação gráfica do vocábulo várzea.
a) cândido – armário;
b) exímio – vírus;
c) supérfluo – incêndio;
d) incluído – sandália;
e) límpido – vôo.
19. U. Alfenas-MG “Fernando Henrique fez a defesa dos países em risco”. O sufixo ESA,
usado nessa palavra em negrito na citação acima, completará corretamente a grafia de:
a) bel...............
b) cert...............
c) calabr...............
d) viuv...............
e) estranh...............
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20. UEMS Leia o texto de Rachel de Queiroz e, depois, assinale a alternativa correta.
5
“(...) Esse negócio de língua estrangeira em país colonizado é fogo. A começar que a nossa
língua oficial, o português, nós a recebemos do colonizador luso, o que foi uma bênção. Imagina
se, como na África, nós tivéssemos idiomas nativos fixados em profundidade, ou, então, se fosse
realidade a falada ‘língua geral’ dos índios, que alguns tentaram, mas jamais conseguiram impor
como língua oficial do brasileiro. Mesmo porque as tribos indígenas que povoaram e ainda remanescem pelos sertões, cada uma fala o seu dialeto; o pataxó, por exemplo, não tem nada a ver
com o falar dos amazônicos; pelo menos é o que informam os especialistas.
Mas, deixando de lado os índios que nós, pelo menos, pretendemos ser, falemos de nós, os
brasileiros, com o nosso português adaptado a estas latitudes e língua oficial dos nossos vários
milhões de nativos. Pois aqui no Brasil, se você for a fundo no assunto, toma um susto. Pegue um
jornal, por exemplo: é todo recheado de inglês, como um peru de farofa. Nas páginas dedicadas
ao show business, que não se pode traduzir literalmente por ‘arte teatral’, tem significação mais
extensa, inclui as apresentações em várias espécies de salas, ou até na rua, tudo é show. E o leitor
do noticiário, se não for escolado no papo, a todo instante tropeça e se engasga com rap, punk,
funk, soap-opera, etc., etc. Cantor de forró do Ceará, do Recife ou Bahia só se apresenta com seu
song book, onde as melodias podem ser originalmente nativas, mas têm como palavras-chave
esse inglês bastardo que eles inventaram e não se sabe se nem os próprios americanos entendem.
No esporte é a mesma coisa, ou pior. Já que os nossos esportes foram importados (até a palavra
que os representa – sport – é inglesa). O meu querido ministro Pelé tenta descaracterizar o neologismo, chamando-o de ‘desporto’. Mas não pega.
Verdade que o jornalismo esportivo procura aclimatar o dialeto, traduzindo como pode os nomes importados – goal keeper já é goleiro, back é beque, e há traduções já não tão assimiladas
que ninguém diz mais senão ‘centroavante’, ‘meio-de-campo’, etc. Engraçado nós sermos um
país tão apaixonado por esporte, especialmente o futebol (não mais foot-ball), e nunca fomos
capazes de inventar nenhuma modalidade de peleja esportiva. Os índios têm lá os jogos deles,
mas devem ser chatos ou difíceis, já que a gente não os conhece nem de nome. Ficamos nas
adaptações tipo ‘futevôlei’, que, pelo menos, é engraçado.”
Rachel de Queiroz.
IMPRIMIR
GABARITO
Palavras como show, rap, funk e hot dog, hamburger, milk shake:
a) São estrangeirismos que, segundo a gramática normativa, são termos necessários que
assumem forma da língua portuguesa e podem ser usados quando necessários.
b) Atestam a pobreza lingüística da língua portuguesa, incapaz de formar palavras para
designar aqueles elementos.
c) São anglicismos que poderiam muito bem ser excluídos da língua que falamos.
Correio do Estado 21/05/2000.
d) São galicismos que poderiam muito bem ser excluídos da língua que falamos.
e) São estrangeirismos e por isso não contribuem para a boa linguagem.
21. Unifor-CE Assinale a alternativa em que os dois vocábulos obedecem à mesma regra de
acentuação gráfica do vocábulo ignorância.
a) sacrário – difícil;
d) tórax – ingênuo;
b) ônibus – ígneo;
e) convênio – válido.
c) colégio – sério;
22. F.I. de Vitória-ES Assinale a opção em que se fez, entre as expressões entre parênteses,
a escolha inadequada para o preenchimento da lacuna:
a) O Brasil perdia para Camarões nas Olimpíadas. Todos pensaram que ele fosse ...............
o placar, mas Camarões venceu.
(inverter – reverter) expressão escolhida: reverter.
b) Há gente que pretende ............... as drogas mais leves, como a maconha.
(descriminar – discriminar) expressão escolhida: descriminar.
c) Quando a chuva começou, ele viu que, sem guarda-chuva, iria passar ............... .
(despercebido – desapercebido ) expressão escolhida: desapercebido
d) Ele pensa exatamente como eu. Suas idéias vão ............... minhas.
(ao encontro das – de encontro às) expressão escolhida: ao encontro das.
e) Não estou ______ desses problemas políticos.
(a par – ao par) expressão escolhida: a par.
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23. U.F. Santa Maria-RS Em qual alternativa os pares de palavras não seguem a mesma
regra de acentuação?
a) “pátria” – “próprio”.
d) “só” – “três”.
b) “Até” – “propôs”.
e) “áreas” – “Mário”.
c) “espécie” – “idéias”.
24. FUVEST-SP
“Só os roçados da morte
compensam aqui cultivar,
e cultivá-los é fácil:
simples questão de plantar;
não se precisa de limpa,
de adubar nem de regar;
as estiagens e as pragas
fazem-nos mais prosperar;
e dão lucro imediato;
nem é preciso esperar
pela colheita: recebe-se
na hora mesma de semear.”
NETO, João Cabral de Melo. Morte e vida severina.
IMPRIMIR
GABARITO
6
O mesmo processo de formação da palavra sublinhada em “não se precisa de limpa”
ocorre em:
a) “no mesmo ventre crescido”.
b) “iguais em tudo e na sina”.
c) “jamais o cruzei a nado”.
d) “na minha longa descida”.
e) “todo o velho contagia”.
25. U.E. Ponta Grossa-PR-Modificada Assinale o que for correto.
01. Em “química” se usa acento gráfico no “i” pelo mesmo motivo por que se acentua o
“i” de “dirigíveis”.
02. Os vocábulos “século” e “inédito” acentuam-se graficamente pelo mesmo motivo
por que se acentua “câmera”.
04. Há duas sílabas em “ruas” e quatro em “aparelhos”.
08. Os vocábulos “tecnologia” e “inimaginadas” têm cinco e seis sílabas respectivamente.
16. Os artigos definidos, como em “as páginas”, “os parisienses”, “a capital” e “o ar”,
são monossílabos átonos, por isso jamais recebem acento gráfico.
Dê, como resposta, a soma das alternativas corretas.
26. UFMT Para julgar os itens que seguem, leia o texto “Eiros”.
Use V, para as verdadeiras, e F, para os falsos.
“Eiros
A leitora Elza Marques Marins me escreve uma carta divertida estranhando que ‘brasileiro’ seja
o único adjetivo pátrio conhecido em ‘eiro’ que, segundo ela, é um sufixo pouco nobre. Existem
suecos, ingleses e brasileiros, como existem médicos, terapeutas e curandeiros. (...)
É a diferença entre jornalista e jornaleiro ou entre músico ou musicista e roqueiro, timbaleiro ou
seresteiro. Há o importador e há o muambeiro. ‘Se você começou como padeiro, açougueiro ou
carvoeiro’ – escreve Elza – ‘as chances são mínimas de acabar como advogado, empresário, grande investidor ou latifundiário, a não ser que se dê o trabalho de ser político antes’. Aliás, há
políticos e politiqueiros. (...)”
VERÍSSIMO, Luís Fernando. Jornal do Brasil, 7/10/95.
( ) Os termos jornalistas, jornaleiro, terapeutas e curandeiros são formados pelo processo de derivação parassintética.
( ) A forma -eiro tem o mesmo significado em todas as suas concordâncias.
( ) O morfema -eiro é usado exclusivamente para formar adjetivos a partir de substantivos.
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27. Unifor-CE A série em que se observa a mesma regra de acentuação da palavra em negrito no segmento “uma escolta de professores e funcionários” é:
a) contemporânea – provável – contrário;
b) artística – compreensível – contemporânea;
c) obrigatória – contrário – circunstâncias;
d) provável – várias – obrigatória;
e) compreensível – artístico – várias.
28. FGV-SP Assinale a alternativa em que se observe o mesmo processo de formação de
palavras que ocorre em empobrecer.
a) Apogeu.
d) Crucifixo.
b) Apelar.
e) Apedrejar.
c) Circular.
7
29. Unifor-CE Todas as palavras estão acentuadas pela mesma razão que justifica o acento
no vocábulo influência, em:
a) América, também e incontestável;
b) aceitável, domínio e até;
c) princípio, línguas e contrário;
d) lêem, clássicos e século;
e) porém, insuportável e dúvida.
30. Cesgranrio-Modificada As palavras que se acentuam, respectivamente, pelas mesmas
regras de água, céu e pôr são:
a) sábado, véu, até;
b) mágoa, heroísmo, só;
c) árvore, baú, há;
d) silêncio, heróico, pára;
e) místico, réu, aí.
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GABARITO
31. FUVEST-SP O prefixo assinalado em “tresvariando” traduz idéia de
a) substituição.
b) contigüidade.
c) privação.
d) inferioridade.
e) intensidade.
32. U.F. Santa Maria-RS Assinale a alternativa cujas palavras devem ser acentuadas, respectivamente, pelas mesmas regras de “possível”, “memória” e “atrás”.
a) fácil – vôlei – caí.
b) hífen – apóia – além.
c) caráter – cárie – até.
d) difícil – idéia – vocês.
e) vírus – fáceis – país.
33. UFRS-Modificada Considere as seguintes afirmações sobre a acentuação gráfica.
I. A palavra risível recebe o acento gráfico pela mesma regra que preceitua o uso do
acento em ridículo.
II. A palavra possuído recebe o acento gráfico pela mesma regra de aí.
III. Se fosse retirado o acento gráfico das palavras várias, pública e está, ocorreria mudança de significado e de classe.
Quais estão corretas?
a) Apenas I.
d) Apenas II e III.
b) Apenas II.
e) I, II e III.
c) Apenas I e III.
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34. Unifor-CE A mesma regra de acentuação da palavra infância observa-se em:
a) indivíduo.
d) público.
b) econômico.
e) flâmula.
c) tênis.
35. U. Alfenas-MG A alternativa em que todas as palavras devem ser acentuadas graficamente é:
a) pudico, bimano, flacido;
b) rubrica, erudito, ingreme;
c) prototipo, antifrase, interim;
d) ureter, tulipa, Hungria;
e) latex, crisantemo, cartomancia.
8
36. Cefet-PR Os textos publicitários abaixo foram retirados da Folha de São Paulo, de
19/09/2000. Assinale aquele que apresenta erro segundo a norma culta.
a) Existem coisas que o dinheiro não compra. Mas a gente promete não falar delas.
(Revista Forbes)
b) Espaço de sobra para esticar as pernas. Motor de sobra para esticar o pé. (Audi)
c) Chegou o Renault Clio Sedan. Quando mais longe for, melhor. (Renault)
d) Ele faz dois anos e nós a diferença. (Publicidade do Toyota Corolla feita pela Savoy
Sul e Motors Shopping)
e) Para conquistar você cada vez mais, a Hertz não para de conquistar o Brasil. (Hertz –
Locadora de Veículos)
IMPRIMIR
GABARITO
37. FEI-SP Em “É impossível esquecer as profecias de Aldous Huxley em seu Admirável
Mundo Novo”, o termo em destaque foi formado por qual dos processos de formação das
palavras?
a) Derivação prefixal
b) Derivação regressiva
c) Derivação parassintética
d) Derivação sufixal
e) Derivação imprópria
38. UFSE A afirmação correta é:
a) “Há pouco” está corretamente empregado na frase: Daqui há pouco eu o verei.
b) O encontro “sc”, como em “disciplina”, ocorre corretamente em “ascensão”.
c) Grafa-se corretamente com “ç”, como em “sonegação”, o vocábulo “compreenção”.
d) Assim como “advinhar”, “admitiu” está corretamente grafado.
e) A forma “influência” completa corretamente a frase “O educador... os jovens”.
39. U. Alfenas-MG Assinale a frase em que há erro de acentuação gráfica.
a) Você tem o dever de pôr as coisas no lugar.
b) É preciso que se averigúe todas as alternativas.
c) Quê! Ela também estava lá?
d) São os sábios que constróem a verdadeira paz.
e) Foi esquecido um item na prova por falta de atenção.
40. UFRS-Modificada Assinale a alternativa que preenche correta e respectivamente as
lacunas das frases abaixo:
• “Ele se baseia numa idéia ultrapassada ............... respeito da mente humana”.
• “A inteligência não se limita ............... capacidade de raciocínio lógico”.
• “Uma pessoa excessivamente tímida ou muito agressiva terá problemas para conseguir um bom emprego, ............... na profissão ou ter bom relacionamento familiar”.
a) a – à – acender
d) a – à – ascender
b) à – a – acender
e) à – à – ascender
c) a – a – assender
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41. UFSE-PSS Analise se é V (verdadeiro) ou F (falso):
( ) Na palavra pecuária encontram-se, em seqüência, um hiato e um ditongo oral crescente.
( ) A correta separação das sílabas das palavras período e dezesseis é pe-río-do e dezes-seis.
( ) Nas palavras hectare e filhote há em comum um encontro consonantal.
( ) Assessórios feitos de couro de avestruz atingem preços exorbitantes –Todas as
palavras assinaladas estão corretamente grafadas.
( ) Abate é exemplo de derivação regressiva.
42. FUVEST-SP
“A gente via Brejeirinha: primeiro, os cabelos, compridos, lisos, louro-cobre; e, no meio deles,
coisicas diminutas: a carinha não-comprida, o perfilzinho agudo, um narizinho que-carícia. Aos
tantos, não parava, andorinhava, espiava agora — o xixixi e o empapar-se da paisagem — as pestanas til-til. Porém, disse-se-dizia ela, pouco se vê, pelos entrefios: — ‘Tanto chove, que me gela!’”
ROSA, Guimarães. “Partida do audaz navegante”, Primeiras estórias.
9
a) Os diminutivos com que o narrador caracteriza a personagem traduzem também sua
atitude em relação a ela. Identifique essa atitude, explicando-a brevemente.
b) “Andorinhava” é palavra criada por Guimarães Rosa. Explique o processo de formação dessa palavra.
Indique resumidamente o sentido dessa palavra no texto.
IMPRIMIR
GABARITO
43. U. Alfenas-MG-Adaptada “Formas variantes são as palavras que com a mesma significação, admitem grafia ou pronúncia distintas.” De acordo com essa definição, qual é a
palavra que admite forma variante?
a) cotidiana.
b) este.
c) trabalho.
d) país.
e) prática.
44. PUC-RS-Modificada
I. As palavras “caubói”, em “peão de boiadeiro virou caubói”, e “butique”, em “apelidados de peões de butique”, apresentam-se de acordo com os padrões fonéticos e
gráficos da língua portuguesa.
II. Se a palavra “jeans”, do trecho “enfiados em calças jeans”, fosse adaptada ao português, possivelmente seria grafada jins.
III. Se comparadas às palavras que lhes deram origem, “Cê”, do trecho “Cê vai querer a
costela com chantilly ou creme de leite?”, sofreu um processo de redução semelhante ao ocorrido com a expressão de assentimento “tá”.
IV. Se a palavra “chantilly” do trecho anterior fosse corretamente aportuguesada, seria
grafada chantilí.
A alternativa que contém apenas afirmativas corretas é:
a) I e II.
b) I e III.
c) II e IV.
d) I, II e III.
e) I, II, III e IV.
45. U. Alfenas-MG O erro ortográfico está em:
a) catequizar, ascensão;
b) poetisa, calabreza;
c) empresa, exceção;
d) abstenção, obsessivo;
e) excesso, compreensão.
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46. U.F. Santa Maria-RS-Modificada Assinale a alternativa em que a palavra em itálico
foi corretamente grafada:
a) Porquê, com a abertura da nossa economia, não aproveitaram para importar outro
povo?
b) Com a abertura da nossa economia, por quê não aproveitaram para importar outro
povo?
c) Com a abertura da nossa economia, não aproveitaram para importar outro povo. Por
quê?
d) Não entendi o porque de não importarem outro povo, com a abertura da nossa economia.
e) As razões porque não importaram outro povo, com a abertura da nossa economia, são
desconhecidas para mim.
47. U. Alfenas-MG O substantivo derivado dos seguintes verbos que tem grafia diferente
dos demais é:
a) reter.
b) deter.
c) trair.
d) conseguir.
e) ceder.
10
48. FGV-SP Assinale a alternativa em que se observe o mesmo processo de formação de
palavras que ocorre em empobrecer.
a) Apogeu.
b) Apelar.
c) Circular.
d) Crucifixo.
e) Apedrejar.
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GABARITO
49. UERJ Observe as seguintes palavras:
lobisomem
linguarudo
Identifique o processo de formação de cada uma delas.
50. UERJ Quanto ao processo de formação, a palavra “estatuária” é classificada do mesmo
modo que:
a) algarismo.
b) desconhecida.
c) pirogravura.
d) domingueira.
51. Unifor-CE Observe que se afirma a respeito da formação da palavra anacronismo.
I. O radical da palavra tem origem grega.
II. O prefixo – também de origem grega – significa afastamento, mudança.
III. O sufixo empregado forma substantivo, indicando resultado da ação.
Está correto que se afirma em:
a) I, somente;
d) II e III, somente;
b) III, somente;
e) I, II e III.
c) I e II, somente;
52. Unifor-CE Só não se encontra o mesmo processo de formação da palavra comportamento em:
a) integração;
d) infância;
b) endoculturação;
e) transmissão.
c) significativo;
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53. U.E. Ponta Grossa-PR Quanto à formação de vocábulos, é certo que:
01. o prefixo indica negação nos vocábulos “impossíveis” e “inimaginados”;
02. o substantivo “fundação” é formado por sufixação a partir do verbo “fundar”;
04. “parisiense” é vocábulo composto formado por justaposição;
08. “simultaneamente” é vocábulo formado por parassíntese a partir de um adjetivo na
forma feminina;
16. “glamourizou” é forma de pretérito perfeito de um verbo criado por derivação sufixal a partir de um estrangeirismo.
Dê, como resposta, a soma das alternativas corretas.
11
54. UFRS Abaixo são feitas três afirmações sobre formação de palavras:
I. As palavras justificável e admirável são adjetivos formados a partir de verbos.
II. As palavras irracionais e indispensáveis apresentam o mesmo prefixo.
III. Nas palavras mental e sexual, o sufixo utilizado forma adjetivos a partir de substantivos.
Quais estão corretas?
a) Apenas I.
b) Apenas II.
c) Apenas I e III.
d) Apenas II e III.
e) I, II e III.
GABARITO
55. U.F. Juiz de Fora-MG Marque a alternativa em que os elementos destacados, nas duas
palavras, possuam o mesmo significado de (in-) em: “Talvez até seja politicamente incorreto dizer...”.
a) inexpressiva – exportados.
b) injusto – descomunal.
c) recolocava – reconhecemos.
d) preconceitos – descabidas.
56. U.F. Uberlândia-MG-Modificada Observe os afixos em destaque nos fragmentos abaixo:
I. “Virou praga o uso indevido do gerúndio.”
II. “Talvez apenas desconheçam a própria língua.”
III. “... é prova do despreparo de algumas pessoas.”
IV. “...as contribuições já incorporadas e a serem incorporadas ao nosso idioma.”
A seguir, assinale a seqüência correta, referente aos afixos em destaque.
a) Os afixos têm sentido semelhante em I e IV.
b) Os afixos têm sentido semelhante I, II e III.
c) Os afixos têm sentido semelhante em II e IV.
d) Os afixos têm sentido semelhante em III e IV.
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57. Unifor-CE Assinale a alternativa em que não ocorrem, respectivamente, um radical latino e um radical grego.
a) altiplano – acrobata;
b) psicultura – ictiologia;
c) multiforme – policromo;
d) dissílabo – bisavô;
e) filosofia – dicotomia.
58. Unifor-CE Os verbos alindar e afear apresentam:
a) o mesmo prefixo de origem latina que denota transformação;
b) o mesmo prefixo de origem latina que denota afastamento;
c) o mesmo prefixo de origem grega que denota negação;
d) radicais que mantêm entre os dois verbos uma relação sinonímica;
e) radicais que definem os dois verbos como cognatos entre si.
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59. U.F. Pelotas-RS-Modificada Assinale a alternativa correta, sob todos os pontos de vista.
a) “Hidrelétrica” relaciona-se com “hidratante”, embora essas palavras tenham o mesmo
elemento de composição.
b) “Termelétrica” relaciona-se com “termologia”, ainda que as duas palavras remetam à
idéia de calor.
c) “Energia” relaciona-se com “alergia”, porque ambas as palavras representam uma
ação, uma força, seja dentro de (en), seja contra alguma coisa (al).
d) “Megawatt” relaciona-se com “megalomania”, apesar de o elemento em comum significar “grande”.
e) “Fotovoltaica” relaciona-se com “fotossíntese”, pois ambas as palavras remetem à
energia da luz, representada pelo elemento “foto”.
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60. U.E. Ponta Grossa-PR Analisou-se corretamente a formação dos vocábulos em:
01. macaco-prego – substantivo composto formado pela justaposição de duas bases nominais;
02. recentemente – advérbio formado por sufixação a partir de um adjetivo;
04. destreza – substantivo formado por derivação sufixal com base em adjetivo;
08. mandachuvas – substantivo composto formado pela junção de uma base verbal a
uma nominal;
16. relações – substantivo formado por derivação pelo acréscimo do prefixo re- a um radical.
Dê, como resposta, a soma das alternativas corretas.
61. PUC-RJ Assinale a alternativa em que todos os itens são formados a partir de um verbo.
a) sentimento, ventania, extinção, mofino;
b) resistência, regressar, cerebral, preocupação;
c) facilidade, pacificar, regularmente, alimentício;
d) fumaça, intimidade, prática, inexplorado;
e) explicável, sabedor, sofrimento, contemplação.
IMPRIMIR
GABARITO
62. U. Alfenas-MG O sentido do radical da palavra “regularidade” não é o mesmo em:
a) desregrado.
d) régulo.
b) régua.
e) regularização.
c) regulador.
63. Unifor-CE Assinale a alternativa em que os três vocábulos são cognatos de tributário.
a) tribunal – tributador – tribal;
d) tributo – tributar – tributável;
b) tribuna – contribuição – tributal;
e) atribulação – atribular – atribulado.
c) atributo – atribuição – atributivo;
64. UFPI-Adaptada Marque a alternativa que contém exemplo de derivação imprópria.
a) abandono em “morrera de um abandono”.
b) suas em “chorando as dores das heroínas de romance, parecia sentir alívio às suas”.
c) devorar em “durante meses um devorar constante de romances”.
d) onde em “aquele aspecto da sua casa, onde encontrava...”.
e) lhe em “bastaria que um homem lhe tocasse”.
65. U.E. Ponta Grossa-PR-Modificada O potencial de afetividade do sufixo diminutivo,
para expressar a idéia de carinho, de afeto, pode ser notado em:
01. Nenhum de nós teria coragem de sacrificar o pobrezinho, que nos deu tanta alegria.
02. Embebeu de éter a bolinha de algodão.
04. E saiu para a rua, pequenino por dentro, angustiado, achando a condição humana
uma droga.
08. Você é diferente, ainda não teve tempo de afeiçoar-se ao bichinho.
16. Não é que o canário tinha ressuscitado, perdão, reluzia vivinho da silva, com uma
fome danada?
Dê, como resposta, a soma das alternativas corretas.
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66. PUC-PR Na palavra infelizmente temos três partes com um significado próprio: in,
feliz e mente. Assinale a alternativa em que todos os elementos constituem partes significativas da palavra desigualdades:
a) de – si – gual – da – des.
b) des – igual – dade – s.
c) desi – gual – da – des.
d) des – i – gual – da – des.
e) desigual – dades.
13
67. Cefet-RJ Em “Como por socorro, espiei os três outros, em seus cavalos, intugidos até
então, mumumudos.”, a palavra destacada é um:
a) neologismo, obtido pela repetição de um elemento morfológico, agregado à base um
novo sentido, em relação icônica com o determinado;
b) arcaísmo, criação de intensa produtividade neste tipo de texto em que predomina a
informalidade;
c) neologismo, o que prova que os falantes da língua portuguesa, principalmente os sertanejos, são conservadores;
d) arcaísmo, de relevante valor expressivo, muito usado pelo autor para mostrar a força
inovadora da língua portuguesa;
e) arcaísmo, uso típico da região sertaneja, que se caracteriza pela facilidade de invenção
de palavras novas.
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GABARITO
68. U. Alfenas Assinale a palavra cujo significado do radical não corresponde ao do vocábulo “PATRIMÔNIO”.
a) paterno.
b) apadrinhar.
c) padronizar.
d) padroeiro.
e) padre.
69. UFPE Assinale a série de palavras cujos prefixos indicam negação, como em ‘ilógico’.
a) inaproveitável –irremovível – irromper;
b) invalidar – inativo – ingerir;
c) irrestrito – improfícuo – imberbe;
d) ateu – incoercível – imerso;
e) incriminar – imiscuir – imanente.
70. Unifor-CE A alternativa incorreta em relação à formação de palavras é:
a) criaturas, escritores e escrever são vocábulos que possuem o mesmo radical.
b) ataques – é uma palavra formada por derivação regressiva.
c) autos-de-fé – ocorre, neste exemplo, composição por justaposição.
d) impossível – é uma palavra derivada por prefixação, e o prefixo indica negação, ação
contrária.
e) pseudônimo – a composição desse vocábulo é feita por um radical de origem grega.
71. U.F. Santa Maria-RS Nas palavras “intocado” e “irreconhecível”, há prefixos com o
mesmo sentido.
Em qual das alternativas a seguir as duas palavras apresentam os prefixos com esse mesmo sentido?
a) incluir – irregular.
b) irreal – influir.
c) impuro – ilícito.
d) irradiar – imigrar.
e) inflamar – irretocável.
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72. U.F. Santa Maria-RS Na palavra “chaleira”, houve a intercalação de uma consoante
entre a raiz “chá” e o sufixo “eira”. O sufixo tem o sentido de “lugar que contém”.
Identifique a palavra que passou pelo mesmo processo de formação.
a) cafeteira.
d) brasileira.
b) poeira.
e) cabeleira.
c) laranjeira.
73. UFR-RJ-Adaptada
“aporrinhado devendo
prestação mais prestação
da casa que não comprei
mas compraram para mim.
Me firmo, triste e chateado
desfavelado”
Carlos Drummond de Andrade.
14
Tendo em vista o conteúdo do texto e o sentido do prefixo des-, o neologismo “desfavelado” significa pessoa que:
a) mora próximo à favela;
d) deixou de ser favelado;
b) é contrária à favela;
e) trabalha em prol da favela.
c) nunca morou na favela;
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GABARITO
74. UFR-RJ O prefixo da palavra em negrito na oração “ao transpor a porta para a rua...”
tem, respectivamente, o significado de:
a) movimento através de;
b) movimento em torno;
c) posição além do limite;
d) movimento para além de;
e) movimento intermitente.
75. Uneb-BA Com referência ao termo “rerregulação”, pode-se afirmar que foi criado através da utilização de:
a) prefixo que indica negação;
b) sufixo que expressa intensidade;
c) prefixo e sufixo que denotam ação momentânea;
d) prefixo e sufixo que exprimem ação freqüentativa;
e) prefixo que indica repetição e sufixo que denota ação.
76. UFR-RJ “Sentimo-nos isolados do processo de comunicação que essas mensagens instauram – desligados.”
O mesmo processo de formação da palavra desligados ocorre em:
a) superficialmente.
d) impossível.
b) enxergado.
e) consumidor.
c) amamenta.
77. UFF-RJ “A conversão de substantivos em adjetivos, isto é, tomar uma palavra designadora (substantivo) e usá-la como caracterizadora (adjetivo), constitui um procedimento
comum em língua portuguesa.”
Assinale a opção em que a palavra em negrito exemplifica este procedimento de conversão de substantivo em adjetivo.
a) E depois a tomaram como espantados.
b) Fez o salto real.
c) Eram três ou quatro moças bem moças e bem gentis.
d) Com cabelos mui pretos pelas espáduas.
e) E suas vergonhas tão altas e tão saradinhas.
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LÍNGUA PORTUGUESA
F O N O L O G IA , A C E N T U A Ç Ã O
O R T O G R A F IA E F O R M A Ç Ã O
D A S P A L AV R A S
IMPRIMIR
GABARITO
1
1.
2.
3.
4.
5.
6.
7.
8.
9.
10.
11.
12.
13.
14.
15.
16.
17.
18.
19.
20.
42.
43.
44.
45.
46.
47.
48.
49.
50.
51.
52.
53.
V–V–V
a
a
c
e
a
105
e
V–F–V–V–F–F
b
c
b
e
a
54
b
23
c
c
a
21. c
22. c
23. c
24. c
25. 26
26. F – F – F
27. c
28. e
29. a
30. d
31. e
32. b
33. d
34. a
35. c
36. e
37. a
38. b
39. d
40. d
41. V – F – F – V – V
a) Nem sempre os diminutivos traduzem apenas uma idéia de pequenez (valor objetivo).
Eles podem traduzir a idéia de intensidade (“Os dois estavam agarradinhos”), podem ter
um sentido pejorativo (“Que novelinha mais boba!”) ou ainda, como é o caso, transmitir
afetividade (valor subjetivo). O valor subjetivo se soma ao objetivo.
b) “Andorinhava” é um verbo criado a partir de um substantivo. Trata-se de um processo neológico conhecido como derivação imprópria, ou seja, a palavra mudou de
classe gramatical (andorinha > andorinhar). No texto, significa que Brejeirinha tinha, em um dado momento, um comportamento semelhante ao do pássaro andorinha, sendo tão pequena, dinâmica, ligeira e perspicaz como uma andorinha, espiando até “pelos entrefios”.
a
e
b
c
d
e
Lobisomem : composição por aglutinação.
Linguarudo: derivação sufixal.
d
e
e
19
Voltar
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Avançar
54.
55.
56.
57.
58.
59.
60.
61.
62.
63.
64.
65.
e
b
b
d
a
e
31
e
d
c
c
09
66.
67.
68.
69.
70.
71.
72.
73.
74.
75.
76.
77.
b
a
c
c
a
c
a
d
d
e
d
c
IMPRIMIR
GABARITO
2
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LÍNGUA PORTUGUESA
A R T IG O S ,
S U B S T A N T IV O S ,
A D JE T IV O S , V E R B O S
E A D V É R B IO S
Texto para a questão 1:
IMPRIMIR
GABARITO
1
“Direitos Humanos no Mundo
Os trágicos acontecimentos ocorridos em Ruanda e noutras partes do mundo realçam a necessidade de fortalecer a capacidade que a comunidade internacional tem para adotar medidas preventivas, a fim de evitar as violações dos direitos humanos. O fosso entre as aspirações internacionais ao gozo dos direitos humanos e a realidade das violações generalizadas desses direitos
constitui o desafio básico que deverá ser enfrentado pelo programa das Nações Unidas em matéria de direitos humanos. Para eliminar esse fosso, a comunidade mundial deve individualizar e
eliminar as causas iniciais das violações. Para tal, as Nações Unidas estão a centrar os seus esforços
nas atividades destinadas a conseguir a aplicação eficaz do direito ao desenvolvimento, a definir
melhor os direitos econômicos, sociais e culturais e a conseguir que sejam mais respeitados, e, no
nível mais fundamental, a melhorar a vida quotidiana de cada ser humano.
O Centro de Direitos Humanos do Secretariado contribui para a execução do programa de
direitos humanos das Nações Unidas, mediante projetos concretos que têm por objeto ajudar a
estabelecer e reforçar as instituições democráticas e a infra-estrutura nacional e regional necessária para a proteção dos direitos humanos, no primado do direito. Em 1994, o Centro aumentou
consideravelmente as suas atividades em termos de serviços de consultoria e assistência técnica
para programas na área dos direitos humanos.”
1. IESB-DF Julgue os itens a seguir segundo critérios sintáticos e semânticos.
( ) Fosso, poderia ser permutado por hiato sem alteração de sentido.
( ) Individualizar, pode ser permutado por particularizar, sem alteração de sentido.
( ) Em “... as Nações Unidas estão a centrar os seus esforços nas atividades destinadas a conseguir a aplicação...” a expressão em destaque poderia ser permutada por
centrando, sem modificação sintática ou semântica.
( ) Em “... as Nações Unidas estão a centrar os seus esforços nas atividades destinadas
a conseguir a aplicação...” o artigo em destaque poderia ser eliminado, sem alteração sintática ou semântica.
( ) Em “...as instituições democráticas e a infra-estrutura nacional e regional necessária...” o adjetivo em destaque poderia estar no plural.
2. U.F. Juiz de Fora-MG Considerando-se o fragmento “(...) nessa questão de engenharia
genética, que promete ser a questão do novo milênio”, o artigo definido “a” indica que:
a) a questão da engenharia genética será apenas uma das questões do novo milênio;
b) a questão da engenharia genética apresenta ironias implícitas;
c) a questão da engenharia genética será a principal questão do novo milênio;
d) a questão da engenharia genética é a única questão do novo milênio.
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Língua Portuguesa - Artigos, substantivos, adjetivos, verbos e adverbios
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3. Uneb-BA
“O desenvolvimento das telecomunicações entra em nova fase, que alguns técnicos denominam como a da rerregulação.”
Observe a informação divulgada por um dos editoriais da Folha de São Paulo de 9 de
julho de 2000.
O termo “a”, que aparece destacado, possui o mesmo valor morfológico no fragmento:
a) “os gastos públicos com tecnologias relacionadas à Internet chegam anualmente (...) a
nada menos que US$500 milhões”.
b) “Um dos instrumentos é a criação de fundos, a partir de contribuições das operadoras
de telecomunicações”.
c) “É pouco perto do desafio monumental que se abre com a atual revolução da informação digitalizada”.
d) “No Brasil, já há uma proposta de legislação prevendo a criação de um fundo dessa
natureza.”
e) “A questão mais premente é a de evitar que aumente a exclusão social”.
IMPRIMIR
GABARITO
2
4. UERJ “Flexão é o processo de fazer variar um vocábulo, em sua estrutura interna, para
nele expressar dadas categorias gramaticais como gênero e número.”
A partir desse conceito, a palavra sublinhada que admite flexão de gênero é:
a) “Fez-se de triste o que se fez amante” (Vinícius de Moraes).
b) “Paisagens da minha terra,/ Onde o rouxinol não canta.” (Manuel Bandeira).
c) “Sou um homem comum/ de carne e de memória/ de osso e de esquecimento” (Ferreira Gullar).
d) “Meu amigo, vamos cantar,/ vamos chorar de mansinho/ e ouvir muita vitrola” (Carlos Drummond de Andrade).
5. U.F. Santa Maria-RS-Modificada Identifique a alternativa que contém uma palavra
formada por derivação sufixal que se classifica, no contexto, como adjetivo.
a) brasileiro, em “o artista brasileiro dos dias atuais”;
b) criadores, em “deixou de ser um peso para os criadores”;
c) brasileiro, em “o brasileiro era um envergonhado”;
d) envergonhado, no trecho anterior;
e) brancos, em “a mistura entre negros, brancos e índios”.
6. U.F. Santa Maria-RS-Modificada Os substantivos derivados de verbos denotam ação
e são chamados deverbais. O único substantivo que não faz parte desse grupo é:
a) busca.
b) conquista.
c) grito.
d) século.
e) combate.
7. FUVEST-SP A frase em que os vocábulos sublinhados pertencem à mesma classe gramatical, exercem a mesma função sintática e têm significado diferente é:
a) Curta o curta: aproveite o feriado para assistir ao festival de curta-metragem.
b) O novo novo: será que tudo já não foi feito antes?
c) O carro popular a 12.000 reais está longe de ser popular.
d) É trágico verificar que, na televisão brasileira, só o trágico é que faz sucesso.
e) O Brasil será um grande parceiro e não apenas um parceiro grande.
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8. UFMT Leia o texto “Um dia qualquer” antes de avaliar os itens abaixo. Use V, para os
itens verdadeiros, e F, para os falsos.
5
10
15
3
20
25
GABARITO
30
35
“UM DIA QUALQUER - 66583624
(Chico Amaral)
Na espuma das ondas
As meninas se lançam
As cadeiras redondas
Onde as ondas se amansam
Todo dia é na praia
Todo minuto é pra um
Todo dia é todo o tempo
O tempo todo, tempo algum
Eu passei lá na vila
Ele é de Vila Isabel
Meu nego meu jongo
Hoje eu chego na barra do céu
Você me entenda
Dança de Oxum é assim
Se joga no mundo
Cai nas ondas e volta para mim
Hoje é final de século
Hoje é um dia qualquer
Você vai ao cinema
Ou toma um foguete, ou toma um café
Hoje bobagem, drama
Hoje é um dia comum
Você deita na cama
Com os pés no século vinte e um
Então corre pra ver
Então fica para ver
Então corre pra ver
Beleza do mundo descer
Toda rua começa
Onde acaba o meu mal
De conversa em conversa
Eu já passei da capital
Era um filme domingo
Penas do paraíso
Eu só guardo o que me ensinou
que tocar é preciso”
CD–SKANK.
IMPRIMIR
( ) As palavras mal e mau, em várias regiões do país, são pronunciadas de igual modo,
mas o uso, em termos de sentido, é sempre diferente.
( ) A oração Você vai ao cinema (verso 19) equivale a Vai-se ao cinema, pois a forma
de tratamento você, nessa estrofe, tem sentido indeterminado, não-específico.
( ) A regência verbal em Você vai ao cinema, segundo a gramática normativa do português culto, está incorreta, pois o verbo ir tem a mesma regência do verbo chegar
em chego na barra do céu (verso 12).
9. U.F. Juiz de Fora-MG Em “Como dizem que Bergaman é um gênio com um gênio
violento e difícil”, as duas ocorrências do termo “gênio” apresentam, respectivamente:
a) formas diferentes e o mesmo significado;
b) formas e significados diferentes;
c) a mesma forma e o mesmo significado;
d) a mesma forma e diferentes significados.
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10. UFSE
“...a capacidade recém-adquirida do homem”
O plural da palavra em negrito em cada uma das frases abaixo se faz de modo idêntico ao
de recém-adquirida em:
a) Havia um cofre boca-de-lobo numa das salas da velha casa.
b) Um abaixo-assinado solicitava ao proprietário do terreno que não derrubasse as
árvores.
c) Naquele sítio havia uma antiga árvore-mãe, cujas sementes deram início a este
bosque.
d) O pássaro-preto costuma alimentar-se das sementes encontradas em roças.
e) Uma árvore carregada de folhas e frutos constitui uma obra-prima da natureza.
GABARITO
4
11. UFF-RJ Na flexão dos diminutivos, o uso coloquial, com freqüência, se diferencia do
uso prescrito pela gramática normativa.
Assinale o par de palavras em que os dois usos ocorrem:
a) colherzinhas – florzinhas.
b) mulherzinhas – coraçõezinhos.
c) florezinhas – mulherezinhas.
d) mulherzinhas – coraçãozinhos.
e) colherezinhas – floreszinhas.
12. UFRS-Modificada Considere as seguintes afirmações acerca do uso de artigos.
I. Caso tivéssemos uma condição em vez de condição, em “o primeiro descreve ‘ansiedade como condição dos privilegiados’ que, livres de ameaças reais, se dão ao
luxo de ‘olhar para dentro’ e criar medos irracionais”, não haveria alteração no sentido global da frase.
II. O artigo indefinido uns poderia substituir o definido os, na frase “Peritos dizem algo
mais ou menos assim: os americanos estão nadando em riqueza.”, sem que houvesse
alteração no sentido.
III. As duas ocorrências do artigo definido o anteposto às palavras psicoterapeuta e
sociólogo, no trecho “Os candidatos à ansiedade são, assim, bem mais numerosos e
bem menos ociosos do que pensam o psicoterapeuta e o sociólogo.”, poderiam ser
substituídas por um indefinido sem mudar o sentido da frase.
Quais estão corretas?
a) apenas I.
b) apenas II.
c) apenas I e III.
d) apenas II e III.
e) I, II e III.
13. PUC-PR-Modificada
“Podia ser roteiro de filme, uma versão nordestina para o Paciente Inglês, onde o aviador sobrevive à queda.”
IMPRIMIR
Trecho do texto “O Paciente Mosoró” de Adriane Araújo. Isto é, 24/11/1999.
A expressão paciente inglês do trecho é formada por duas palavras que são, respectivamente:
a) adjetivo e substantivo.
b) adjetivo e adjetivo.
c) substantivo e adjetivo.
d) substantivo e substantivo.
e) particípio e substantivo.
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14. FUVEST-SP Nas expressões “triste espetáculo”, “alegria feroz” e “cidadãos que se dizem democratas”, os elementos sublinhados
a) alteram o sentido mais usual dos nomes que qualificam.
b) promovem um contra-senso que prejudica a objetividade dos argumentos.
c) produzem efeito estilístico desvinculado do desenvolvimento da argumentação.
d) acrescentam informações que esvaziam o sentido dos nomes a que se referem.
e) reforçam qualidades já pressupostas nos nomes a que se referem.
5
15. UFMS Marque a(s) proposição(ões) verdadeira(s).
01. O advérbio eminentemente é derivado do adjetivo eminente, que significa que está
em via de efetivação; que ameaça acontecer breve, como na expressão perigo eminente.
02. No segmento indiferente a tudo, o uso da crase é facultativo, de modo que seria
igualmente correta a forma indiferente à tudo.
04. Em “... quando se trata de estudar...”, justifica-se a próclise do pronome oblíquo pela
presença da conjunção subordinativa.
08. No trecho “Mas, veja bem, se assim fosse, como se justificaria a influência que a
tradição popular exerceu...” estão presentes os três modos verbais da língua portuguesa: o indicativo, o subjuntivo e o imperativo.
16. As palavras rústica, caráter e épocas estão acentuadas corretamente, segundo a
gramática normativa, por serem todas elas proparoxítonas.
Dê, como resposta, a soma das alternativas corretas.
16. Unifor-CE As lacunas da frase “Os ............... procuram ...............” estão corretamente
preenchidas em:
a) alunos-educandos – escola-modelos
b) aluno-educandos – escolas-modelos
c) alunos-educando – escolas-modelo
d) alunos-educandos – escolas-modelo
e) alunos-educando – escolas-modelos
17. UERJ
IMPRIMIR
GABARITO
“Vestibular UERJ 2001. Construindo o cidadão do futuro.”
No enunciado acima, extraído de um folheto de divulgação deste vestibular, o vocábulo
futuro classifica-se gramaticamente como substantivo. Se, entretanto, houvesse alteração para “Construindo o cidadão futuro”, a mesma palavra seria um adjetivo.
Casos como esse permitem considerar substantivos e adjetivos como nomes, que se diferenciam, sobretudo, pelas respectivas características a seguir:
a) invariabilidade mórfica – variabilidade em gênero e número;
b) designação de seres e conceitos – expressão de um fenômeno;
c) termo gerador de nomes derivados – resultado de uma derivação;
d) papel sintático de termo núcleo – papel sintático de modificador de outro nome.
18. FEI-SP Observe o texto: “Se as pedras da mesma casa em que viveis, desde os telhados
até os alicerces estão chovendo os suores dos jornaleiros”. O substantivo em destaque
tem como sinônimo:
a) parede.
b) chão.
c) fundação, base.
d) acabamento.
e) pintura.
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19. U. Alfenas-MG
“Copo d’água no sereno
O copo no peitoril
Convoca os eflúvios da noite.
Vem o frio nervoso da serra
Vêm os perfumes brandos do mato dormindo
Vem o gosto delicado da brisa
E pousam na água.”
Carlos Drummond de Andrade.
O emprego de adjetivos e de locuções adjetivas é uma características da descrição. No
poema há quantos adjetivos?
a) 3.
d) 6.
b) 5.
e) 2.
c) 4.
6
20. FGV-SP Assinale a alternativa gramaticalmente correta.
a) Na Aliança Lusa-brasileira, os poteiros usavam ternos azuis-marinhos e as recepcionistas, saias azuis-pavões.
b) Na Aliança Luso-brasileira, os porteiros usavam ternos cinzas-chumbos e as recepcionistas, saias verdes-olivas.
c) Na Aliança Luso-brasileira, os porteiros usavam ternos cinza-chumbo e as recepcionistas, saias verde-oliva.
d) Na Aliança Lusa-brasileira, os porteiros usavam ternos cinzas-chumbo e as recepcionistas, saias verdes-oliva.
e) Na Aliança Luso-brasileira, os porteiros usavam ternos cinza-chumbos e as recepcionistas, saias verde-olivas.
GABARITO
21. UFMT Esta pergunta refere-se ao texto “Tão novo e já pendurou as chuteiras”. Use V,
para assinalar os itens verdadeiros, e F, para os falsos.
“Tão novo e já pendurou as chuteiras
I
E não foi só ele. Milhares de brasileiros pendurarão as chuteiras mais cedo por problemas cardiovasculares.
II
Hoje, 20% da população adulta brasileira é hipertensa, 12%
é diabética e 30% tem colesterol elevado.
III
Essas doenças, associadas a tabagismo, obesidade, estresse
e vida sedentária levam ao óbito por problemas cardiovasculares, que correspondem a 32% de todos os óbitos.
IV
Não seja mais uma vítima das doenças cardiovasculares.
V
Procure seu médico e siga a sua orientação.”
Líder em soluções
cardiovasculares
IMPRIMIR
Veja. 23/06/99, p. 153.
( ) As formas verbais seja, procure e siga estão no imperativo, 3ª pessoa do singular
e podem ser entendidas como um conselho ao interlocutor.
( ) As formas verbais foi e é são, respectivamente, dos verbos ir e ser; a primeira no
pretérito e a segunda no presente.
( ) A palavra composta cardiovasculares pode também ter seus elementos usados
separadamente: cardíacos e vasculares.
( ) A palavra vítima possui um só gênero gramatical para indicar tanto seres do sexo
feminino quanto do masculino, o que abre a possibilidade de o interlocutor do texto
ser tanto homem quanto mulher.
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22. U.F. Santa Maria-RS
IMPRIMIR
GABARITO
7
“Fofas vingadas
Governo inglês faz campanha contra magreza excessiva
Têm os governos o direito de determinar quem é magro, quem é gordo e, acima de tudo,
quem deve sair nas páginas das revistas? Não têm, claro, principalmente em democracias solidíssimas como a inglesa. Mas, que estão tentando dar um jeitinho, estão. Incitadas pelo governo trabalhista, as revistas de moda inglesas concordaram na semana passada em criar um
código de conduta destinado a promover a exibição de modelos de pesos e alturas variados em
seus ensaios fotográficos. Tradução: menos modelos e atrizes de biotipos esbeltíssimos, que
ditam o padrão de beleza de nossos tempos, e mais silhuetas, digamos, normais. Quem quiser
que acredite que vai funcionar. A ‘patrulha da gordura’ foi criada, muito a contragosto por
parte das revistas, depois de uma reunião promovida pela ministra para Mulheres da Inglaterra,
Tessa Jowell, sob o impacto do alerta dado no mês passado pela Associação Médica Britânica:
pela primeira vez, um estudo científico relacionou o aumento dos distúrbios alimentares (anorexia e bulimia, doenças que em casos extremos podem ser letais) com a busca incessante das
adolescentes por um corpinho de sílfide, como os que vêem nas passarelas e fotos de moda.
“Vamos esmagar as imagens estereotipadas das mulheres na mídia”, convocou uma entusiasmada ministra.
Da reunião em Londres participaram produtores de moda, jornalistas, representantes de agências de modelos e um seleto grupinho de adolescentes normais. Todas reclamaram da figura
‘impossível’ das modelos — impossível para elas, e para a imensa maioria das mortais, já que
toda altíssima e magérrima que se preza nasceu assim e assim continuará pelo resto de seus
dias, independentemente dos hambúrgueres que consuma. Também apontaram a falta, nas
butiques, de tamanhos acima de 40, no máximo 42. A ministra Tessa, ato contínuo, fez um
apelo à indústria de vestuário para que conserte a situação. Nesse departamento, a Inglaterra
contaria com a companhia, logo de quem, da Argentina. Na quinta-feira, o Senado argentino
aprovou um projeto de lei que obriga as fábricas a fazer roupas em ‘tamanhos verdadeiros’.
Embalada em sua cruzada, a ministra inglesa pediu à comissão que fiscaliza a televisão britânica
que vigie ‘o grau de diversidade de formas das mulheres nos programas de TV’. Ou seja: dê
menos destaque a silhuetas, como a de Victoria Adams, a spice girl que emagreceu 7 quilos
(confessados) e, seca como uva passa, sob suspeita de anorexia, é convidada para desfilar e
posar em editoriais de moda.
Previsivelmente, a intervenção oficial animou o eterno debate ideológico.
Do lado das gordinhas está a nova esquerda do governo Tony Blair. Por birra, alinhou-se à
facção das magérrimas, quem diria, a direita, na voz de Theresa May, que ocupa cargo equivalente ao de Tessa no fictício gabinete conservador, para quem tudo não passa de ‘loucura
politicamente correta’. Todas as medidas inglesas têm aplicação voluntária. Difícil dar certo, até
porque, desde que moda é moda, as altas e magras são insubstituíveis na frente das câmeras.
‘A foto sempre engorda um pouco, e por isso a magra fotografa melhor. E não adianta a
menina perder 20 quilos. Tem de ser naturalmente magra’, atesta o fotógrafo paulistano André
Schiliró.”
Veja, 28/06/2000.
Considere as afirmativas a respeito do emprego do grau superlativo.
I. Em “solidíssimas” e “esbeltíssimos”, o significado dos adjetivos foi intensificado
com o objetivo de fazer uma avaliação pessoal da democracia inglesa e descrever o
tipo físico de prestígio, respectivamente.
II. É possível elevar uma qualidade ao seu grau máximo por um processo de comparação, o que ocorre em “seca como uma uva passa”, que equivale a muito seca, sequíssima.
III. Em “já que toda altíssima e magérrima”, as palavras sublinhadas desempenham, no
contexto, o papel de substantivos; no caso, as qualidades das modelos passaram a
representar as próprias modelos.
Está(ão) correta(s):
a) apenas I.
b) apenas II.
c) apenas I e III.
d) apenas II e III.
e) I, II e III.
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23. Unifor-CE Considere as seguintes construções:
I. O pobre menino nasceu morto.
O menino pobre nasceu morto.
II. Realizou-se um congresso internacional de solidariedade.
Realizou-se um congresso de solidariedade internacional.
III. Uma poderosa nuvem abre o horizonte.
Uma nuvem poderosa abre o horizonte.
A alteração na posição das palavras provocou alteração de sentido somente em:
a) I.
b) II.
c) III.
d) I e II.
e) I e III.
8
24. Emescam–ES A relação de equivalência de sentido entre as expressões não está adequada em:
a) dor no abdome – dor abdominal;
b) nervo da audição – nervo auditivo;
c) xampu de capelo – xampu capilar;
d) água de rio – água pluvial;
e) monumento de rocha – monumento rupestre.
25. U.E. Ponta Grossa-PR Os substantivos abstratos designam ação, sensação, estado ou
qualidade dos seres. São substantivos abstratos os elementos itálicos em:
01. Nenhum de nós teria coragem de sacrificar o pobrezinho, que nos deu tanta alegria.
02. É para ele não sofrer mais e não aumentar o nosso sofrimento.
04. Os olhos claros de sua mulher pediram-lhe com doçura.
08. Embebeu de éter a bolinha de algodão, tirou o canário para fora com infinita
delicadeza.
16. E saiu para a rua, pequenino por dentro, angustiado, achando a condição humana
uma droga.
Dê, como resposta, a soma das alternativas corretas.
GABARITO
26. FUVEST-SP
“As duas manas Lousadas! Secas, escuras e gárrulas como cigarras, desde longos anos, em
Oliveira, eram elas as esquadrinhadoras de todas as vidas, as espalhadoras de todas as maledicências, as tecedeiras de todas as intrigas. E na desditosa cidade, não existia nódoa, pecha,
bule rachado, coração dorido, algibeira arrasada, janela entreaberta, poeira a um canto, vulto
a uma esquina, bolo encomendado nas Matildes, que seus olhinhos furantes de azeviche sujo
não descortinassem e que sua solta língua, entre os dentes ralos, não comentasse com malícia
estridente.”
IMPRIMIR
QUEIRÓS, Eça de. A ilustre Casa de Ramires.
No texto, o emprego de artigos definidos e a omissão de artigos indefinidos têm como
efeito, respectivamente,
a) atribuir às personagens traços negativos de caráter; apontar Oliveira como cidade onde
tudo acontece.
b) acentuar a exclusividade do comportamento típico das personagens; marcar a generalidade das situações que são objeto de seus comentários.
c) definir a conduta das duas irmãs como criticável; colocá-las como responsáveis pela
maioria dos acontecimentos na cidade.
d) particularizar a maneira de ser das manas Lousadas; situá-las numa cidade onde são
famosas pela maledicência.
e) associar as ações das duas irmãs; enfatizar seu livre acesso a qualquer ambiente na
cidade.
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Leia abaixo o trecho do diário de P.C.S., publicado em uma reportagem na revista Isto é, em
jun. 2000. A questão 27 refere-se a ele.
“O diário de P.C.S.
01/01/2000 - Las Vegas
(...)
21h30 - Restaurante chinês.
1 biscoito da sorte
3 colheres de sopa de arroz frito
2 camarões com alho
1 um pedaço de peixe frito
1 buquê de brócolis (Adorei, comi super bem!)
Nunca tinha estado num restaurante chinês.
Estava com muito apetite! Hoje percebi quanto
tempo deixei de viver, de aproveitar a vida.
Não só por não ter me permitido comer,
mas (por causa) de todo o ritual que envolve
uma refeição: conversar, rir, comunicar-se,
apreciar a música, o lugar. É como se eu
estivesse congelada. Foi maravilhoso!”
IMPRIMIR
GABARITO
9
27. UFGO Considerando-se a importância da escolha das expressões verbais para a construção do sentido do texto, pode-se afirmar que:
( ) em suas duas primeiras orações, as formas verbais “tinha estado” e “estava” indicam fatos situados no mesmo momento, pois ambas pertencem a tempos verbais
do passado.
( ) a forma verbal “estava” indica um momento anterior àquele expresso pela forma
verbal “percebi”.
( ) em “É como se eu estivesse congelada”, é possível substituir a forma verbo ser de
“é” para “era”, sem que a idéia básica do período seja modificada.
( ) o uso do subjuntivo no final do texto deve-se ao caráter de certeza, de verdade do
processo expresso pelo verbo.
28. Unifor-CE Há analogia de sentido entre a frase “Pesem em torno de uma tonelada” e
“Pesem:
a) apenas uma tonelada”.
b) justo uma tonelada”.
c) aproximadamente uma tonelada”.
d) tanto quanto uma tonelada”.
e) ao menos uma tonelada”.
29. FUVEST-SP Está INCORRETA a articulação de tempos e modos verbais em:
a) Se por acaso eu importunara o General, ele que viesse falar comigo.
b) Os ideólogos do capitalismo usam todos os apelos populistas de que se pudessem
valer para introduzir um forte golpe.
c) Em 1970, não houve argumento capaz de convencer a imprensa paulista de que seria
de interesse geral a 1ª Bienal Internacional do Livro.
d) Todos seríamos escravos de idéias maniqueístas, não fora o trabalho desenvolvido
pelos filósofos iluministas.
e) Vives: agora mesmo que ensandeceste, vives; e se a tua consciência reouver um instante de sagacidade, tu dirás que queres viver.
30. U. Alfenas-MG Assinale a alternativa cuja palavra composta é pluralizada da mesma
forma que “Ibero-americanos”.
a) surdo-mudo.
d) azul-marinho.
b) verde-oliva.
e) guarda-noturno.
c) cívico-religioso.
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31. U.E. Londrina-PR
“Que pode uma criatura, senão,
entre criaturas, amar?
Amar e esquecer,
Amar e malamar,
Amar, desamar, amar?
Sempre e até de olhos vidrados, amar?”
A palavra até, no texto de Carlos Drummond de Andrade, tem o mesmo valor semântico
que em:
a) O marinheiro chegou até o porto ao amanhecer.
b) A polícia, até agora, não conseguiu capturar os fugitivos.
c) As apurações estaduais foram suspensas até segunda ordem.
d) Saveiro Geração III. Resiste a tudo, até a você.
e) 12 até 18 dias sem juros no cheque especial. Tarifas que podem chegar a zero.
10
32. FUVEST-SP A única frase em que as formas verbais estão corretamente empregadas é:
a) Especialistas temem que órgãos de outras espécies podem transmitir vírus perigosos.
b) Além disso, mesmo que for adotado algum tipo de ajuste fiscal imediato, o Brasil
ainda estará muito longe de tornar-se um participante ativo do jogo mundial.
c) O primeiro-ministro e o presidente devem ser do mesmo partido, embora nenhum fará
a sociedade em que eu acredito.
d) A inteligência é como um tigre solto pela casa e só não causará problema se o suprir
de carne e o manter na jaula.
e) O nome secreto de Deus era o princípio ativo da criação, mas dizê-lo por completo
equivalia a um sacrilégio, ao pecado de saber mais do que nos convinha.
GABARITO
33. UFPI Marque a alternativa que substitui corretamente a locução adjetiva por um advérbio.
a) com verdade – sinceramente;
b) como amante – adulteramente;
c) com liberdade – libertinamente;
d) sem mistério – enigmaticamente;
e) sem virtude – desvirtuadamente.
34. Uniube-MG-Adaptada
“Talvez eu tenha medo / Talvez eu sorria...”
IMPRIMIR
O advérbio talvez nos versos, pode ser substituído, sem perda de sentido, por:
a) embora.
b) não obstante.
c) ainda que.
d) pode ser que.
35. FUVEST-SP
a) “Se eu não tivesse atento e olhado o rótulo, o paciente teria morrido”, declarou o
médico.
Reescreva a frase acima, corrigindo a impropriedade gramatical que nela ocorre.
b) A econologia, combinação de princípos da economia, sociologia e ecologia, é defendida por ambientalistas como maneira de se viabilizarem formas alternativas de desenvolvimento.
Reescreva a frase acima, transpondo-a para a voz ativa.
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36. FUVEST-SP Assinale a alternativa que completa corretamente as lacunas abaixo.
__________ três explosões na plataforma de petróleo. Creio que __________ de problemas causados por falta de manutenção, embora não __________ provas que __________
isso: não __________ objetos para exames periciais.
a) Ouviram-se / trata-se / existam / confirme / sobraram.
b) Ouviu-se / se tratam / exista / confirme / sobrou.
c) Ouviu-se / se trata / exista / confirmem / sobrou.
d) Ouviram-se / se trata / existam / confirmem / sobraram.
e) Ouviram-se / tratam-se / existam / confirme / sobraram.
37. UFRS-Modificada
“Os testes de QI, um dos antigos parâmetros usados para medir a inteligência, já não servem
mais para avaliar a capacidade cerebral de uma pessoa.”
11
No texto, o advérbio mais deixa pressuposta a idéia de que:
a) os testes de QI serviram, no passado, para medir a inteligência;
b) hoje os testes de QI são melhores do que no passado para avaliar a inteligência;
c) os testes de QI nunca serviram para medir a inteligência;
d) no passado, além dos testes de QI, outros parâmetros serviram para medir a inteligência;
e) hoje os testes de QI não são melhores do que no passado para avaliar a inteligência.
38. U. Potiguar-RN
IMPRIMIR
GABARITO
“O único jornal que pode oferecer ao público as notícias que todos gostariam de saber é de
minha propriedade.”
Utilizando-se o advérbio “só”, aponte a opção que ainda mantém o mesmo sentido da
oração acima:
a) Só um jornal pode oferecer ao público as notícias que todos gostariam de saber: o de
minha propriedade.
b) O único jornal que só pode oferecer ao público as notícias que todos gostariam de
saber é de minha propriedade.
c) O único jornal que pode oferecer ao público só as notícias que todos gostariam de
saber é de minha propriedade.
d) O único jornal que pode oferecer ao público as notícias que todos gostariam de saber
é só de minha propriedade.
39. FGV-SP Complete as frases com os verbos indicados entre parênteses.
“Se você __________ (vir) à exposição e se __________ (dispor) a visitar o terceiro
andar, poderá notar duas grandes fotos iluminadas. Quando as __________ (ver), observe seus efeitos de luz e sombra. Para bem comparar a técnica utilizada, será conveniente
que você __________ (manter-se) a uma boa distância. Se isso não __________ (satisfazer) sua curiosidade, poderá adotar outra perspectiva.”
40. PUC-RJ Assinale a alternativa em que o termo em negrito é um advérbio que marca
claramente uma opinião:
a) “... o sofrimento das pessoas que estão atingidas mentalmente.”
b) “... e sair dela desejando um equilíbrio diferente do que tinha antes.”
c) “para que ele tenha novamente a possibilidade de novas produções normativas”
d) “Na esquizofrenia, o quadro, infelizmente, é mais sombrio...”
e) “... há motivo para otimismo”.
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41. CEETPS-SP Considere as seguintes ocorrências de “for”:
I. quando eu for presidente, mandarei prender os que forem inimigos do país.
II. aquele que for culpado confessará tudo quando for à prisão.
III. os que forem espertos saberão quando for a hora de partir.
IV. as vacas que forem para o brejo serão contadas quando eu for à Brasília.”
Dessas ocorrências, “for” equivale, respectivamente, ao verbo “ser” e ao verbo “ir”
a) somente na frase I.
b) somente na frase II.
c) somente na frase III.
d) somente na frase IV.
e) em todas as quatro frases.
42. UFMA Considere o seguinte trecho “A favela invisível se debruça sobre o Rio”, do
articulista Marcos Sá Corrêa:
“...Brotou nos morros cariocas franquias de supérfluos, como a De Plá, que vende e revela
material fotográfico para amadores. São inumeráveis as academias de ginástica, as locadoras de
vídeo e os cursos de informática. Há lugares carentes que necessitam até de vagas para automóveis.”
Revista Época, de 24/01/2000.
12
Assinale a alternativa em que o termo em negrito aparece com o mesmo sentido empregado no texto acima:
a) Até que ponto poderemos aceitar tal proposta?
b) Pensando nisso, até que poderíamos programar um passeio para este final de semana.
c) Fui até o hotel para encontrá-lo, mas ele já havia saído.
d) “Até Madonna quis interpretar o papel de Frida Kahlo no cinema.”
e) Até que enfim o governo reconheceu o direito dos manisfestantes.
43. PUC/Campinas-SP
IMPRIMIR
GABARITO
“Naquele exato momento, sentiu o peso da responsabilidade. Sabia que o pai o chamara para
aquela conversa com a intenção de saber dele o que pretendia fazer da vida, passados os primeiros dias de euforia pela conclusão do curso. Feita a pergunta, de modo claro e objetivo, só conseguiu responder que começaria o mais breve possível a ladainha das entrevistas que tinha marcado
nas clínicas que visitara há meses.”
Os verbos que indicam corretamente a sucessão cronológica dos fatos narrados são,
NESSA ORDEM,
a) sabia – sentiu – chamara.
b) pretendia – sentiu – sabia.
c) tinha marcado – sentiu – visitara.
d) chamara – sentiu – começaria.
e) conseguiu responder – sentiu – tinha marcado.
44. FGV-SP Assinale a alternativa em que não haja erro de conjugação de verbo.
a) Em pouco mais de três meses, a lesão do jogador poderá estar curada, se ele manter
adequadamente o tratamento.
b) O moderador interviu assim que ficou a par dos problemas técnicos.
c) Se a Patrícia previr tempo seco para o litoral, haveremos de descer a serra antes de o
sol nascer.
d) Leocádia estava terrivelmente irritada. Tinha ganas de dizer a Alberto tudo o que ele
merecia; mas se deteu, esperando oportunidade melhor.
e) Quando o negociador propor uma saída honrosa, será o momento de todos o aplaudirmos.
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45. U. Alfenas “Uma parceria implica até em cuidar de meninos de rua.”
Assinale a frase em que a palavra até expressa o mesmo sentido que tem no fragmento
acima.
a) “Do querer até o poder vai larga distância”.
b) Juntou até 10 mil reais.
c) Bebeu tanto até cair.
d) Arrastou-se até o quarto onde desmaiou.
e) “Respiravam e até transpiravam”
46. ITA-SP Os versos abaixo são da letra da música Cobra, de Rita Lee e Roberto de Carvalho:
“Não me cobre ser existente
Cobra de mim que sou serpente”
13
Com relação ao emprego do imperativo nos versos, podemos afirmar que
a) a oposição imperativo negativo e imperativo afirmativo justifica a mudança do verbo
cobre/cobra.
b) a diferença de formas (cobre/cobra) não é registrada nas gramáticas normativas, portanto há inadequação na flexão do segundo verbo (cobra).
c) a diferença de formas (cobre/cobra) deve-se ao deslocamento da 3ª para a 2ª pessoa do
sujeito verbal.
d) o sujeito verbal (3ª pessoa) mantém-se o mesmo, portanto o emprego está adequado.
e) o primeiro verbo no imperativo negativo opõe-se ao segundo verbo que se encontra no
presente do indicativo.
Texto para a questão 47.
“As duas manas Lousadas! Secas, escuras e gárrulas como cigarras, desde longos anos, em Oliveira, eram elas as esquadrinhadoras de todas as vidas, as espalhadoras de todas as maledicências, as
tecedeiras de todas as intrigas. E na desditosa cidade, não existia nódoa, pecha, bule rachado,
coração dorido, algibeira arrasada, janela entreaberta, poeira a um canto, vulto a uma esquina, bolo
encomendado nas Matildes, que seus olhinhos furantes de azeviche sujo não descortinassem e que
sua solta língua, entre os dentes ralos, não comentasse com malícia estridente.”
GABARITO
QUEIRÓS, Eça de. A ilustre Casa de Ramires.
47. FUVEST-SP A correlação de tempos que, neste texto, se verifica entre as formas verbais
existia, descortinassem e comentasse, mantém-se apenas em:
a) não existe; não descortinem; não comente.
b) não existiu; não teriam descortinado; não teria comentado.
c) não existira; não tinham descortinado; não tinha comentado.
d) não existirá; não tiverem descortinado; não tiver comentado.
e) não existiria; não descortinavam; não comentava.
IMPRIMIR
A questão 48 tem por base a história em quadrinhos abaixo apresentada.
O Estado de S. Paulo,
14 de abril de 2001.
48. FGV-SP Observando os três primeiros quadrinhos, pode-se perceber que, no diálogo
entre Calvin e sua mãe, uma das formas verbais não condiz com as demais. Trata-se de:
a) Ides.
d) Pretendes.
b) Tenhais.
e) Segui.
c) Julgais.
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49. UFSE Os verbos que aparecem nos enunciados abaixo estão corretamente flexionados
em:
a) As influências africanas manteram-se, principalmente, em relação às palavras. Quem
se propor a estudar as línguas faladas na América pode constatar isso.
b) A ama negra interviu junto ao filho do senhor branco, abrandando-lhe a linguagem.
Não pôde ser diferente, creiamos.
c) Muitas palavras do português provieram do contacto com línguas estrangeiras. Os
brasileiros nem sempre se precavêm diante de influências lingüísticas estrangeiras.
d) Propusemo-nos a analisar a língua sem preconceitos e vimos que as influências estrangeiras são inevitáveis. Passeemos pelo seu vocabulário e creiamos nisso.
e) Influências estrangeiras também norteam o destino das línguas. Assim crêem os estudiosos dos fatos que intervêem na história das línguas.
50. UERJ
“Os aliados não querem romper o namoro com o FHC – querem é namorar mais.”
Veja, 18/08/1999.
14
A comparação entre as palavras sublinhada acima demostra que o significado geral de
“expressar ação” não é suficiente para identificar o verbo como classe gramatical, já que
namoro consta do dicionário como “ato de namorar”.
Para diferenciar o verbo do substantivo, por exemplo, seria necessário considerar, além
do sentido de ação, a seguinte característica que só os verbos possuem:
a) terminação em r.
b) flexão de tempo, modo e pessoa.
c) presença indispensável à frase.
d) anteposição de um substantivo.
51. U. Alfenas-MG Fragmentos para a questão:
“Especialistas contestam argumento do governo de que privatização não estaria sujeita à regra
que prevê isonomia entre os candidatos”
GABARITO
Caso transpuséssemos a forma verbal “prevê” para o futuro do subjuntivo, teríamos:
a) previer.
d) prever.
b) preveria.
e) previr.
c) previera.
52. U.F. Santa Maria-RS-Modificada Na linguagem coloquial, há uma tendência de uso
do verbo ter como impessoal, com as mesmas características do verbo haver no sentido
de existir.
Assinale, nas frases abaixo a alternativa em que ocorre esse emprego.
a) Sabe que você tem razão, Mirtes?
b) Nos Estados Unidos, não tem gente parada.
c) O estrangeiro tem mais e melhores dentes.
d) Ele tem como equipamento standard o que aqui é opcional.
e) Vi um catálogo na Amazon que tem uns dinamarqueses bem acessíveis.
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53. UFRN Considere o período a seguir.
“Um alimento em pó incolor (...) poderá ser modificado para ter o sabor que se deseje.”
Para se manter a correspondência temporal no período, a forma verbal deseje deverá ser
substituída por:
a) desejasse;
c) desejará;
b) desejar;
d) desejaria.
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54. UFSC Assinale a(s) proposição(ões) verdadeira(s):
01. Em Mas se tu me cativas... o verbo cativar classifica-se como transitivo direto.
02. Em ...só se vê bem e os homens não têm mais tempo, o acento nos verbos ver e ter é
justificado pela mesma regra de acentuação gráfica.
04. Os verbos lembrar e esquecer, ao contrário de lembrar-se e esquecer-se, não são
regidos por preposição.
08. Em Por favor... cativa-me!, o modo verbal é o imperativo.
16. No trecho ... começaram a se tornar realidade, o verbo começaram apresenta a
seguinte estrutura: |começ-| radical, |-a-| vogal temática, |começa-| tema, |-ra-| desinência modo-temporal e |-m| desinência número-pessoal.
32. Em O trigo, que é dourado, fará com que eu me lembre de ti, a vírgula é utilizada
para isolar o sujeito do verbo.
Dê, como resposta, a soma das alternativas corretas.
55. UFSE-Adaptada
“e as coisas que tu vais transformar;
vê através do pequeno embrião de árvore (...)
Vê o jovem enforcado num dos galhos sem folhas”
IMPRIMIR
GABARITO
15
Jorge de Lima.
Identifica-se corretamente a forma verbal vê em negrito nos versos acima como:
a) 3ª pessoa do singular do presente do indicativo do verbo ver, e seu plural é vêem.
b) 2ª pessoa do singular do imperativo do verbo vir, sendo vinde a forma do plural.
c) 3ª pessoa do singular do presente do subjuntivo do verbo ver, cujo plural é vêm.
d) 3ª pessoa do presente do indicativo do verbo vir, que faz a 3ª pessoa do plural vêm.
e) 2ª pessoa do singular do imperativo afirmativo do verbo ver, sendo o plural vede.
56. U. Alfenas-MG Observe:
I. “Quando ............... a São Paulo, traga seu irmão”.
II. “Se ............... que isso é necessário, comunica-me imediatamente”.
III. “Se você ............... e seu amigo ..............., talvez você ............... esses bens”.
Assinale a alternativa cujas formas verbais preencham, respectiva e corretamente, as
lacunas das frases acima:
a) vieres, vires, requeresse, intervisse, reouvesse
b) vier, vires, requisesse, interviesse, reavesse
c) vir, vires, requisesse, intervisse, reavesse
d) vier, vires, requeresse, interviesse, reouvesse
e) vier, vieres, requeresse, interviesse, reouvesse
57. U. Alfenas-MG Considere as seguintes frases:
I. “Se ele propuser um acordo, aceitaríamos todas as condições”.
II. “Ele voltará, quando previr o temporal”.
III. “Quando puseres a foto no álbum, ela ficará contente”.
IV. “Retiveram os documentos porque supuseram que fossem úteis, por isso ninguém
interviu para liberá-los”.
Estão corretas as formas verbais só nos itens:
a) I e III.
b) II e III.
c) III e IV.
d) I e IV.
e) II e IV.
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58. U.F. Santa Maria-RS Observe as formas verbais utilizadas nos períodos a seguir.
“E não adianta a menina perder 20 quilos. Tem de ser naturalmente magra (...)”
Considerando as transformações propostas, complete corretamente as lacunas.
E não adianta que a menina ............... 20 quilos.
É preciso que ............... naturalmente magra.
Seria preciso que ............... naturalmente magra.
a) perda – fosse – fosse
d) perda – seja – seja
b) perde – seja – seja
e) perca – seja – fosse
c) perda – fosse – seja
16
59. PUC-PR-Modificada Considere estas afirmações:
I. A palavra morto é particípio do verbo morrer.
II. A palavra morto é particípio do verbo matar.
III. O verbo morrer tem dois particípios.
É verdadeira:
a) Apenas a afirmação I.
b) Apenas a afirmação II.
c) Cada uma das afirmações.
d) Apenas a afirmação III.
e) Nenhuma das afirmações.
IMPRIMIR
GABARITO
60. UFSE A forma verbal em negrito está corretamente flexionada em:
a) Todos desejam que a imprensa continui a defender um esporte ético.
b) O editorial afirma que o educador que se detesse sobre o futebol ficaria desapontado.
c) Se a opinião pública intervir, a prática do esporte poderá ser moralizada.
d) Alguns dos envolvidos nos episódios de 94 absteram-se de comentar o fato.
e) Todos lêem o código de ética de seu clube, mas alguns talvez não o entendam bem.
61. UFSE A frase que apresenta voz passiva é:
a) As pessoas nem tinham se recuperado do susto quando surgiu outra denúncia.
b) Os problemas de jogadores e dirigentes com o Fisco não são novidade.
c) O técnico inovou outra vez ao tentar criar a figura da sonegação culposa.
d) Os crimes fiscais foram confessados porque o técnico temia outra acusação.
e) O jornalista se baseou em fatos bastante conhecidos para escrever o editorial.
62. Emescam-ES As lacunas de : “Os médicos sempre ............... a João que se ............... do
cigarro e do álcool; ele, porém, mesmo que se ............... a seguir o conselho, eventualmente ................ a fumar e a beber.” serão adequadamente preenchidas com:
a) solicitam – abstenha – dispunha – volta
b) solicitaram – abstivesse – dispusesse – voltava
c) solicitam – abstém – disposse – voltava
d) solicitam – abstivesse – disponha – volta
e) solicitavam – abstesse – disposse – voltava
63. F.I. Vitória-ES O seguinte período apresenta lacunas:
“Se você ............... o professor, diga-lhe que seria bom que ele ............... no processo,
para que você ............... a bolsa de estudos.”
As formas verbais que preenchem adequadamente essas lacunas são:
a) vir – intervisse – obtivesse
b) vir – intervisse –obtesse
c) vir – interviesse – obtivesse
d) ver – intervisse – obtivesse
e) ver – interviesse – obtesse
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64. UEL-PR
“Se seguirmos Freud, admitiremos que o desejo de destruição do outro só não é posto em
prática por repressão.”
Os tempos verbais assinalados acima estão correlacionados: a forma escolhida para o
verbo seguir limita as possibilidades de flexão de admitir. Indique a alternativa em que
os respectivos verbos podem substituir as formas sublinhadas na citação acima, mantendo a correlação exigida pela norma culta.
a) seguirmos – admitíssemos.
b) seguíssemos – admitiríamos.
c) tivéssemos seguido – vamos admitir.
d) seguíssemos – admitíssemos.
e) seguiremos – admitiremos.
65. UFRS-Modificada Em:
“Até algum tempo atrás, imaginava-se que um cérebro jovem (...) fosse muito mais poderoso e
criativo do que um outro já maduro e desgastado pela idade.”
IMPRIMIR
GABARITO
17
Assinale a alternativa que substitui a forma verbal fosse, sem acarretar mudança no significado da frase.
a) pudesse ser.
b) tivesse sido.
c) teria sido.
d) possa ser.
e) tenha sido.
66. UFSE Um verbete de dicionário registra exemplos de uso correto do verbo desconfiar,
empregado com o sentido de não ter confiança, duvidar. “É prudente desconfiar de quem
é desconfiado”, “Mas convém que Gaspar não desconfie absolutamente destes nossos
projetos.”
Considerando-se o verbete, o segmento em negrito na frase “Uma série de denúncias
relativamente recentes escancarou o que muitos já desconfiavam...”
a) está correto, pois o emprego do verbo desconfiar está de acordo com os exemplos.
b) deve ser substituído por “aquilo de que”, para apresentar correção.
c) está correto, pois trata-se de outro sentido do verbo desconfiar.
d) deve ser substituído por “isto que”, para apresentar correção.
e) deve ser substituído por “ao que”, para apresentar correção.
67. UFPB-PSS Levando-se em conta a norma culta da língua, verifica-se erro em:
a) “... um número sem fim de animais...”
b) “Ainda não haviam louras, nem surfistas, nem mulatas...”
c) “Árvores gigantescas e multidões de palmeiras formavam o imenso verde da futura
bandeira.”
d) “Era assim o Brasil de Cabral, já quinhentos anos passados.”
e) “..., quando for a vez desses meninos?”.
68. UFR-RJ A alternativa em que está correta a classificação do verbo dar quanto à predicação é:
a) Dei com os dois velhos sentados. – transitivo direto.
b) Os jornais não deram a notícia. – transitivo indireto.
c) O relógio deu onze horas. – transitivo direto e indireto.
d) Quem dá aos pobres empresta a Deus. – intransitivo.
e) Esse dinheiro não dá. – intransitivo.
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69. UFR-RJ
“(...). Tenho de ler tudo.”
“Mas leio, leio. Em filosofias / tropeço e caio, cavalgo de novo”
Os empregos do verbo ler nos versos acima permite classificá-los, respectivamente, como:
a) transitivo direto e intransitivo;
b) transitivo direto e transitivo indireto;
c) transitivo indireto e verbo de ligação;
d) intransitivo e transitivo indireto;
e) verbo de ligação e transitivo direto.
70. PUC-PR
“O pai havia partido sem deixar nenhum recado ao filho, o que deixou sua mãe extremamente
preocupada.”
18
Considerando o que está dito no enunciado acima, assinale a alternativa que contém uma
afirmação falsa:
a) As formas verbais havia partido e deixou expressam ações simultâneas.
b) A forma verbal havia partido expressa uma ação anterior à forma verbal deixou.
c) O enunciado é composto de duas orações que encerram uma relação de causa e conseqüência.
d) A forma verbal havia partido pode ser substituída por partira sem que, com isso, haja
prejuízo do significado.
e) Há, no enunciado, uma ambigüidade gerada pela locução sua mãe.
GABARITO
71. PUC-RS-Modificada
De acordo com o sentido que tem no trecho “Há basicamente três tipos de alunos: (...), os
auditivos (que prestam mais atenção no que vêem)...”, a palavra “vêem” é empregada
com o mesmo valor em:
a) Não consigo concordar com isso, porque vejo a questão de outra maneira.
b) Eles se calaram porque viram que a discussão não levaria a nada.
c) Vê se não te esqueces do livro – advertiu o jovem.
d) Os alunos foram à biblioteca ver se encontravam o livro indicado.
e) Os alunos viram o professor chegar e dirigir-se à secretaria da escola.
72. Unifor-CE “Efetivamente se queimaram alguns livros...”
A forma verbal equivalente a em negrito na frase está em:
a) queimou;
d) eram queimados;
b) foram queimados;
e) foi queimado.
c) tinham queimado;
IMPRIMIR
73. Unifor-CE Os videogames são projetados para que o jovem fique excitado...
Outra forma verbal, equivalente a em negrito acima, está na alternativa:
a) projetam-se;
d) tinham projetado;
b) projetam;
e) vão projetar-se.
c) é projetado;
74. Uniube-MG-Adaptada No trecho “Com seu vestido decotado / cheirando a guardado”, o verbo cheirar foi utilizado com a mesma transitividade de:
a) Pelas análises que fizemos, essa história está cheirando mal.
b) O vento que impelia aquela chuva cheirava a almíscar.
c) No jardim pôs-se diante da roseira e ficou cheirando a rosa.
d) Olhava para os cantos sem saber o que viera cheirar ali.
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75. U.F. Pelotas-RS O cineasta Cacá Dieguez escreveu um artigo sob o título “O futuro
passou”, no qual lança o desafio da possível construção de um novo Brasil. Desse texto,
foi retirado o fragmento a seguir:
“Para nós durante a ditadura, o futuro, como tantos brasileiros, estava apenas exilado temporariamente: ele voltaria nos braços da democracia restabelecida. Pensávamos, naqueles tristes momentos, que, derrubado o muro da ditadura, ............... de novo a estrada interrompida, ao longo
da qual todos os problemas seriam resolvidos. Não sabíamos que o país ............... a inocência,
para sempre. Se tivéssemos prestado mais atenção à história da Colônia, do Império da República
Velha, ............... que o Brasil nunca foi muito diferente do que hoje é.”
Assinale a alternativa com as formas verbais que preenchem as lacunas de acordo com a
norma padrão.
a) encontraríamos – perdera – viríamos
b) encontrássemos – perdeu – veríamos
c) íamos encontrar – tinha perdido – havíamos visto
d) encontraríamos – havia perdido – teríamos visto
e) encontrássemos – perderia – viríamos
76. F. Católica de Salvador-BA
19
“haverá trabalho para essa massa de gente.”
A única variação estrutural correta para expressão destacada na oração em evidência é:
a) haverão trabalhos;
d) ocorrerá trabalhos;
b) existirão trabalhos;
e) existirá trabalhos.
c) terão trabalhos;
GABARITO
77. F. Católica de Salvador-BA-Adaptada Há correspondência modo-temporal entre a forma verbal simples “descobriu” no trecho “A ciência descobriu uma realidade mais complexa” e a composta:
a) tivesse descoberto;
d) tem descoberto;
b) tinha descoberto;
e) terá descoberto.
c) teria descoberto;
78. U.E. Ponta Grossa-PR Escolha as estruturas aceitáveis considerando a perfeita correlação entre os tempos verbais.
01. Se tivessem registrado a infância da aviação, os fotógrafos a popularizaram.
02. Quando os fotógrafos tiverem registrado a infância da aviação, eles a tinham popularizado.
04. Quando os fotógrafos registraram a infância da aviação, eles a popularizaram.
08. Quando registrarem a infância da aviação, os fotógrafos a popularizarão.
16. Se os fotógrafos tivessem registrado a infância da aviação, eles a teriam popularizado.
Dê, como resposta, a soma das alternativas corretas.
79. Unifor-CE
IMPRIMIR
“... não se lêem muito os clássicos no Brasil.”
A forma verbal da frase acima está corretamente substituída por outra, gramaticalmente
equivalente, em:
a) Os clássicos não são muito lidos no Brasil.
b) No Brasil nunca se leu muitos os clássicos.
c) Pouco se lê os clássicos no Brasil.
d) Não é muito o que se lê dos clássicos no Brasil.
e) Não se faz a leitura dos clássicos no Brasil.
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As questões 80 e 81 referem-se ao texto abaixo.
5
10
15
20
20
25
30
“O circo o menino a vida
A moça do arame
equilibrando a sombrinha
era de uma beleza instantânea e fulgurante!
A moça do arame ia deslizando e despindo-se.
Lentamente.
Só para judiar.
E eu com os olhos cada vez mais arregalados até parecerem dois pires.
Meu tio dizia:
‘Bobo!
Não sabes
que elas sempre trazem uma roupa de malha por baixo?’
(Naqueles voluptuosos tempos não havia maiôs nem biquinis...)
Sim! Mas toda a deliciante angústia dos meus olhos virgens
segredava-me
sempre:
‘Quem sabe?...’
Eu tinha oito anos e sabia esperar.
Agora não sei esperar mais nada
Desta nem da outra vida,
No entanto
o menino
(que não sei como insiste em não morrer em mim)
ainda e sempre
apesar de tudo
apesar de todas as desesperanças,
o menino
às vezes
segreda-me baixinho
‘Titio, quem sabe?...’
Ah, meu Deus, essas crianças!”
IMPRIMIR
GABARITO
QUINTANA, Mário. Nova antologia poética. 6ª ed. São Paulo: Globo, 1997. p. 86/87.
80. UFRJ Releia os versos 9 a 17.
A expressão “Naqueles voluptuosos tempos” (verso 13) marca uma posição do eu-lírico
em relação ao passado.
Considerando essa posição do eu-lírico em relação ao passado, explique o emprego dos
parênteses no verso 13.
81. UFRJ ...“Mas toda a deliciante angústia dos meus olhos virgens segredava-me sempre:
‘Quem sabe?...’ (versos 14 a 17)
“o menino
às vezes
segreda-me baixinho
‘Titio, quem sabe?...’” (versos 27 a 30)
Observando o emprego dos tempos verbais nos vocábulos sublinhados acima, explique o
que é a infância na concepção do poema.
82. Unifor-CE “... insultuoso é que ela o seja apenas para alguns.”
Nas frases abaixo, as formas verbais em negrito estão corretamente transpostas para o
mesmo tempo e modo da forma em negrito acima, exceto em:
a) Meu amigo não gosta de que o chamem de boa-vida.
b) Espera-se que ele passe a vida lutando por seus ideais.
c) A melhor sociedade deve ser aquela em que todos tenham vida boa.
d) Não me admira que eles queiram morar em belas cidades.
e) Deve ser sempre louvado alguém que sofre com os problemas alheios.
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83. UFR-RJ-Adaptada
“Se você não tem namorado porque não descobriu que o amor é alegre (...) ponha a saia mais
leve, aquela de chita, e passeie de mãos dadas com o ar. Enfeite-se com margaridas e ternuras e
escove a alma com leves fricções de esperança.”
Carlos Drummond de Andrade.
No trecho acima a seqüência de formas verbais, no imperativo, denota um(a):
a) treinamento.
b) aconselhamento.
c) ordem.
d) solicitação.
e) ponderação.
IMPRIMIR
GABARITO
21
84. UFR-RJ No verso “Você sabe quando a gente é criança e de repente vê uma lagarta
listada?”, o presente do indicativo, nas formas destacadas, foi empregado para expressar
ações:
a) presentes e simultâneas ao momento da fala;
b) presentes e posteriores ao momento da fala;
c) passadas mas que têm validade permanente;
d) que vão se realizar num futuro bem próximo;
e) passadas que negam o aspecto durativo do verbo.
85. U.E. Ponta Grossa-PR Marque as alternativas corretas, tendo em vista o emprego de
verbos.
01. O verbo usado em “As formas estranhas dos aeroplanos experimentais invadiam as
páginas dos jornais” assumiria, na voz passiva, a forma “eram invadidas”.
02. Com o verbo na voz ativa, a frase “Cada proeza dos aviadores era narrada em detalhe” ficaria “Narrava-se em detalhe cada proeza dos aviadores”.
04. A forma verbal simples empregada em “Paris virara a capital mundial da aviação
desde a fundação do Aéro-Club de France, em 1898”, corresponde à forma composta “havia virado” ou “tinha virado”.
08. Em “Voar era um ideal delirante e dândi”, “voar” está empregado em função substantiva.
16. Em “Nos dez primeiros anos deste século havia uma mania pop em Paris – voar”, o
verbo haver foi empregado no pretérito perfeito do indicativo, com o sentido de
existir.
Dê, como resposta, a soma das alternativas corretas.
86. U.F. Uberlândia-MG Numere a 2ª. coluna de acordo com a 1ª.
I. “Todos sabem que cães e gatos são espécies diferentes e que não se misturam...”
II. “Por exemplo, podem-se desenvolver espécies de milho (...); ou um tipo de tomate
que cresce mais rápido e é mais produtivo.”
III. “(...) virologistas dos Institutos Nacionais de Saúde (NIH) dos EUA desenvolveram
experiência em que um gene causador de câncer em ratos...”
IV. “(...) a experiência provaria que o câncer pode se tornar uma doença contagiosa por
meio da manipulação genética.”
( ) o tempo verbal indica uma verdade universal, indiscutível;
( ) o tempo verbal denota um fato que provavelmente acontecerá;
( ) o tempo verbal denota um fato passado que poderia ter acontecido após outro fato
passado.
A seguir, assinale a alternativa que apresenta a seqüência correta:
a) II, IV, I.
b) I, III, IV.
c) I, II, IV.
d) II, I, III.
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87. Unifor-CE
“o que ocorreu até recentemente, e ainda ocorre em algumas regiões”
Observe, na frase acima, a seqüência dos tempos verbais em negrito, que está corretamente reproduzida nas formas:
a) pôde – pode;
d) tinha – tem;
b) era – são;
e) exigiam – exigem.
c) obteve – obtenha;
88. UFR-RJ-Adaptada
“Ano novo de eleições. Olhemos a cidade. As obras que beneficiam certas empresas trazem
proveito à maioria da população?”
Tendo em vista o contexto que envolve a frase “Olhemos a cidade”, pode-se afirmar que
o uso da forma verbal destacada expressa uma:
a) ordem.
d) certeza.
b) reflexão.
e) solicitação.
c) sugestão.
22
Leia os versos abaixo para responder às questões de números 89 e 90.
“Onde avanço, me dou, e o que é sugado
ao mim de mim em ecos se desmembra”
89. UERJ Classifique, quanto às vozes do verbo, as três construções destacadas.
90. UERJ A seqüência das construções verbais em negrito retrata uma mudança na participação do “eu” que se expressa no texto.
Descreva essa mudança.
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GABARITO
91. Unifor-CE
“De um dos cabeços da Serra dos Órgãos desliza um fio d’água que se dirige para o norte, e
engrossando com os mananciais, que recebe no seu curso de dez léguas, torna-se rio caudal.
É o Paquequer: saltando de cascata em cascata, enroscando-se como uma serpente, vai depois
se espreguiçar na várzea e embeber no Paraíba, que rola majestosamente em seu vasto leito.
Dir-se-ia que vassalo e tributário desse rio das águas, o pequeno rio, altivo e sobranceiro contra
os rochedos, curva-se humildemente aos pés do suserano.”
ALENCAR, José de. O Guarani.
Em relação ao texto, é correto afirmar que:
a) os três parágrafos inscrevem-se num momento estático do tempo;
b) não há nenhum termo que expresse progressão temporal dos fatos;
c) a freqüência dos verbos de ação personifica o rio Paquequer;
d) a relação entre os parágrafos marca-se pela comparação;
e) “rio caudal”, “vassalo e tributário” exercem a mesma função sintática.
92. Uniube-MG Assinale a alternativa em que o emprego do tempo verbal não está adequadamente explicado.
a) “Pelo Natal estarei aí, com minha secretária Eunice.” – O futuro do presente está
sendo utilizado para indicar um fato provável, posterior ao momento em que se fala.
b) “Se não zelássemos por nós, quem zelaria por este pobre povo?” – O futuro do pretérito está sendo utilizado para indicar surpresa e indignação.
c) “(...) como bem o sabiam os romanos (...)” – O pretérito imperfeito do indicativo está
sendo utilizado para indicar um fato passado não concluído.
d) “(...) o povo é ignorante.” – O presente do indicativo está sendo utilizado para indicar
uma verdade científica.
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Língua Portuguesa - Artigos, substantivos, adjetivos, verbos e adverbios
Avançar
93. Uniube-MG Assinale a única alternativa que não pode ser passada para a voz passiva:
a) “(...) Trunte retrucou que já era alguma coisa.”
b) “(...) nada adiantava esse dinheiro.”
c) “(...) não compreende ele as coisas do Brasil.”
d) “(...) poderemos (...) manipular os peões (...)”
94. U.F. Uberlândia-MG Assinale a única alternativa que não pode ser passada para a voz
passiva:
a) “Virou praga o uso indevido do gerúndio.”
b) “...ninguém supera a televisão...”
c) “Talvez apenas desconheçam a própria língua.”
d) “...uma escola escreve ‘College’ ao lado de sua marca...“
23
95. U.F. Uberlândia-MG Assinale a única alternativa que não admite passagem para a voz
passiva:
a) “essa liberdade só pode funcionar se submetida a intensa supervisão da comunidade
científica...”
b) “(...) a experiência provaria que o câncer pode se tornar uma doença contagiosa...”
c) “(...) a manipulação genética de alimentos e animais não poderá gerar efeitos danosos
à nossa saúde...”
d) “(...) poderemos transformar a manipulação genética em um dos maiores benefícios
da ciência ...”
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GABARITO
96. Uniube-MG Assinale abaixo a única alternativa correta:
Transpondo-se para a voz passiva a oração “As grandes corporações multinacionais vêm
dominando o consumo da população das cidades”, obtém-se a forma verbal:
a) vem sendo dominado;
b) vêm dominando;
c) dominam;
d) vem dominando.
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LÍNGUA PORTUGUESA
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GABARITO
1
A R T IG O S ,
S U B S T A N T IV O S ,
A D JE T IV O S , V E R B O S
E A D V É R B IO S
1.
2.
3.
4.
5.
6.
7.
8.
9.
10.
11.
12.
13.
14.
15.
16.
17.
V–V–V–V–F
c
e
d
a
d
e
V–V–F
d
b
d
c
c
a
13
d
d
18.
19.
20.
21.
22.
23.
24.
25.
26.
27.
28.
29.
30.
31.
32.
33.
34.
c
c
c
V–F–V–V
e
d
d
a
b
F–V–V–F
c
b
c
d
e
d
d
35. a) “Se eu não estivesse atento e não tivesse olhado o rótulo, o paciente teria morrido,
declarou o médico.”
b) Ambientalistas defendem a econologia, combinação de princípos da economia, sociologia e ecologia, como uma maneira de viabilizarem formas alternativas de desenvolvimento.
36. d
37. a
38. a
39. Vier, dispuser, vir, se mantenha, satisfizer.
40. d
41. b
42. d
43. a
44. c
45. e
46. c
47. a
48. d
49. d
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Avançar
b
e
b
b
e
e
d
b
e
c
e
d
b
c
b
65.
66.
67.
68.
69.
70.
71.
72.
73.
74.
75.
76.
77.
78.
79.
a
b
e
e
a
a
e
b
a
b
d
b
b
28
a
80. O emprego dos parênteses revela que, no verso 13, o eu-lírico faz um comentário (ou dá
uma explicação) sobre o passado, do qual se distancia.
81. A partir do emprego dos tempos verbais, verifica-se que, na concepção do poema, a
infância é um estado permanente no eu-lírico.
82. e
83. b
84. c
85. 15
86. c
87. a
88. c
89. Onde avanço: voz ativa;
me dou: voz reflexiva;
o que é sugado ao mim de mim: voz passiva.
90. Em avanço o “eu” é agente, em me dou é agente e paciente, em o que é sugado ao mim de
mim é apenas o lugar em que a ação acontece.
91. c
92. a
93. b
94. a
95. a
96. a
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GABARITO
2
50.
51.
52.
53.
54.
55.
56.
57.
58.
59.
60.
61.
62.
63.
64.
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Língua Portuguesa - Artigos, substantivos, adjetivos, verbos e adverbios
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LÍNGUA PORTUGUESA
PRONO M E S
1. I.E. Superior de Brasília-DF Após ter lido atentamente o texto “A Nona Conferência
Internacional Americana e os Direitos Humanos”, julgue os itens a seguir segundo os
critérios da morfologia. Use V, para os verdadeiros, e F, para os falsos.
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GABARITO
1
“A Nona Conferência Internacional
Americana e os Direitos Humanos
Os Estados americanos, no livre exercício de suas próprias soberanias, mediante um processo
evolutivo que resultou na adoção de diferentes instrumentos internacionais, estruturaram um
sistema regional de promoção e proteção dos direitos humanos, no qual se reconhecem e definem com precisão a existência desses direitos; se estabelecem normas de conduta obrigatórias
destinadas a sua promoção e proteção, e se criam os órgãos destinados a velar pela fiel observância desses direitos.
Esse sistema interamericano de promoção e proteção dos direitos fundamentais do homem
teve seu início formal com a Declaração Americana dos Direitos e Deveres do Homem, aprovada
pela Nona Conferência Internacional Americana (Bogotá, Colômbia, 1948), durante a qual também foi criada a Organização dos Estados Americanos, cuja Carta proclama os ‘direitos fundamentais da pessoa humana’ como um dos princípios em que se fundamenta a Organização.
Além disso, foram aprovadas algumas resoluções que se enquadram no campo dos direitos
humanos, tais como as convenções sobre concessão dos direitos civis e políticos à mulher, a resolução sobre a ‘Condição Econômica da Mulher Trabalhadora’ e a ‘Carta Internacional Americana
de Garantias Sociais’, na qual os Governos da América estabelecem ‘os princípios fundamentais
que devem proteger os trabalhadores de toda classe’ e que ‘estabelece os direitos mínimos de que
devem eles gozar nos Estados americanos, sem prejuízo da possibilidade de que as leis de
cada um possam ampliar esses direitos ou reconhecer outros mais favoráveis’, pois reconhecem que ‘as finalidades do Estado não se cumprem apenas com o reconhecimento dos direitos do
cidadão’ mas também com a preocupação pelo destino dos homens e das mulheres, considerados
não como cidadãos mas como ‘pessoas’ e, conseqüentemente, deve-se garantir ‘simultaneamente tanto o respeito às liberdades políticas e do espírito, como a realização dos postulados da justiça
social’.”
( ) Os verbos existentes no trecho que vai de “Os Estados... até ...desses direitos.”
estão flexionados no mesmo tempo, modo e pessoa.
( ) Por equívoco do redator, falta o hífen em “interamericano”.
( ) As duas ocorrências do pronome se classificam-se da mesma forma.
( ) Em que e na qual são pronomes relativos.
( ) Em “da possibilidade de que as leis de cada um possam ampliar esses direitos” é
possível permutar-se a expressão destacada pela contração das.
2. UFPI Na frase “A realidade tornava-se-lhe odiosa...”, é correto afirmar que a ênclise:
I. é própria de linguagem formal no Brasil;
II. favorece uma tonicidade não usual em português;
III. foi usada como recurso obrigatório por se tratar de dois pronomes.
Assinale a alternativa correta.
a) Apenas I é verdadeira.
b) Apenas II é verdadeira.
c) Apenas III é verdadeira.
d) I e II são verdadeiras.
e) I e III são verdadeiras.
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Língua Portuguesa - Pronomes
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3. UFPI Na frase “mas tinha desses abatimentos, dessas súbitas fadigas de todo o seu ser,
em que caía a cadeira” a expressão em negrito pode ser substituída por:
a) onde
d) com as quais
b) enquanto
e) entre as quais
c) nos quais
4. Emescam–ES A posição do termo sublinhado em relação ao verbo não está adequada à
norma culta brasileira em:
a) Se me tivesse convidado, não deixaria de comparecer.
b) É bom que falemos-lhes toda a verdade.
c) Quando os viste?
d) Não concordarei com o que nos dirão.
e) Não se falou coisa alguma sobre a prometida reforma.
2
5. U.F. Uberlândia-MG Assinale a única alternativa em que os elementos em destaque
não podem ser substituídos por onde.
a) “...quando estava quase a suceder um desastre na entrada, entre o carro de bois e a
sege em que a senhora vinha, a senhora, em vez de ficar séria e pensar em Deus,
enfiou a cabeça por entre as cortinas para fora, rindo...” (M. de Assis).
b) “Mascarenhas fez-me notar à esquerda da capela o lugar em que estava sepultado o
ex-ministro.” (M. de Assis)
c) “Lalau sentou-se. A cadeira em que se sentou era uma velha cadeira de espaldar de
couro lavrado e pés em arco.” (M. de Assis)
d) “... falou-me também da piedade e saudade da viúva, da veneração em que tinha a
memória dele, das relíquias que guardava, das alusões freqüentes na conversão.” (M.
de Assis)
GABARITO
6. Univali-SC
Nos quadrinhos, acontece um erro quanto à norma culta da Língua. Identifique-o:
a) Falta vírgula depois do vocativo.
b) A personagem mistura, na sua fala, a 2ª. pessoa do singular com a 3ª. pessoa do
singular.
c) Há erro de grafia ao reproduzir as falas coloquiais das personagens. Exemplos: Tô,
pra.
d) Os substantivos próprios estão com letra maiúscula.
e) Há pontos de exclamação e interrogação demais nos trechos.
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7. PUC-PR-Modificada Observe:
“Revolucionou a forma de tocar violão, acrescentando-lhe saudade, beleza e ritmo.”
O pronome lhe do exemplo refere-se:
a) ao sujeito do verbo “revolucionou”;
b) à forma de tocar violão;
c) a saudade, beleza e ritmo;
d) somente à palavra mais próxima: saudade;
e) à forma verbal acrescentando, à qual está ligado por hífen.
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Língua Portuguesa - Pronomes
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Texto para a questão 8.
“Solução
Você que muitas vezes pegou este anúncio e nunca teve tempo para ler com mais atenção,
faça isso agora, a PROFa. BETE mora no endereço abaixo a muitos anos, você é testemunha
disto. Porquê? Ela tem um trabalho honesto e certeiro, não é uma novata na sua especialidade (cientista em grafologia e astrologia) é a mais célebre da América do Sul. Não fique na
dúvida, faça uma consulta, você vai compreender porque ela é a mais célebre da América do
Sul. Leitor, muitas vezes a gente sofre sem ter necessidade, ou até mesmo por não acreditar,
mas o mal existe e a solução do mal também e as vezes a cura está perto e a gente não vê, ou
o próprio mal não deixa. Muitas vezes, um problema que para muitos é um problemão, com
a PROFa. BETE é resolvido em uma simples consulta de poucos minutos. Comprove estimado
leitor, estás desiludido, desanimado, desorientado, tens caso íntimo à resolver, muita inveja,
mau olhado no amor, nos negócios, no seu trabalho, tens amor não correspondido ou rompido, fazer voltar alguém em sua companhia, em qualquer assunto que lhe preocupe. Muitas
vezes não acha solução. É por que é um mal espiritual latente e você não sabe. Tire um tempo
para você mesmo e faça uma consulta com a PROFa. BETE.
Joga-se búzios e tarô
Avenida Jabaquara, 817”.
3
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GABARITO
8. FUVEST-SP “/…/ estás desiludido, desanimado, desorientado, tens caso íntimo à
resolver, muita inveja, mau olhado no amor, nos negócios, no seu trabalho, tens amor
não correspondido ou rompido, fazer voltar alguém em sua companhia, em qualquer
assunto que lhe preocupe.”
Observando-se apenas o correto uso dos pronomes, deve-se substituir as palavras
grifadas, respectivamente, por
a) teu; tua; lhes.
b) teu; vossa; os.
c) teu; tua; te.
d) vosso; vossa; te.
e) vosso; tua; o.
9. UFGO
A. Toda a gente voltou da ilha com o baile na cabeça, muita sonhou com ele, alguma dormiu mal ou nada...
B. Onde é que a gente se encontra?
C. (...) fazia que ela evitasse a companhia das outras, desconfiasse de toda a gente
(...)
D. E as pessoas aprenderiam a gostar menos dessas coisas que representam luxo e
conforto. Todos se habituariam e pensar coletivamente.
Os enunciados acima foram retirados dos livros Esaú e Jacó (A) e O resto é silêncio
(B, C e D), de Machado de Assis e Érico Veríssimo, respectivamente.
Considerando-se os elementos em negrito,
( ) no enunciado A, as palavras muita e alguma estão sendo usadas inadequadamente, pois ambas necessitam da explicitação do termo gente.
( ) no enunciado B, a expressão a gente, referindo-se ao emissor-personagem e
seus comparsas, tem o sentido de “nós”.
( ) no enunciado C, emitido por uma voz narrativa onisciente, a expressão em destaque pode ter o sentido de “nós”.
( ) no enunciado D, a palavra todos tem valor anafórico, já que substitui um grupo
nominal anteriormente expresso.
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Língua Portuguesa - Pronomes
Avançar
10. UFPI Marque a alternativa em que o pronome lhe é empregado com o valor semântico
de pronome possessivo.
a) Tudo de repente (...) lhe pareceu lúgubre.
b) Os seus deveres (...) eram-lhe pesados como fardos injustos.
c) A realidade tornava-se-lhe odiosa.
d) Veio-lhe o nojo das engarrafadas dos emplastros (...).
e) — dous lábios de fogo que, num beijo, lhe chupassem a alma.
Texto para as questões 11 e 12.
“Que me enganei ora o vejo:
Nadam-te os olhos em pranto
Arfa-te o peito, e no entanto
Nem me podes encarar.”
4
11. U. Potiguar-RN Em um dos versos acima, um pronome substitui toda uma oração. Aponte-o:
a) que.
b) me.
c) o.
d) te.
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GABARITO
12. U. Potiguar-RN Em um dos versos acima, um pronome pessoal oblíquo está substituindo um pronome possessivo. Aponte-o:
a) te.
b) me.
c) o.
d) que.
13. U.F. Uberlândia-MG Todas as alternativas abaixo podem ser preenchidas por cujo(a),
exceto:
a) “Lalau não demorou muito. (...) Vinha um pouco esbaforida, voando-lhe os cabelos,
............... eram curtinhos e em cachos...” (M. de Assis)
b) “A casa ............... lugar e direção não é preciso dizer, tinha entre o povo o nome de
Casa Velha...” (M. de Assis)
c) “Não estava contente comigo. Tinha-me deixado resvalar a uma promessa inconsiderada, ............... execução parecia complicar-se de circunstâncias estranhas...” (M. de
Assis)
d) “Voltei-me para D. Antônia; esta, depois de hesitar um pouco, deliberou entrar na
sacristia, ............... porta estava aberta.” (M. de Assis)
14. UFF-RJ A colocação do pronome pessoal no português do Brasil, no uso coloquial,
apresenta, em algumas circunstâncias, tendências diferentes da de Portugal.
Identifique o par de orações em que ocorrem, quanto a colocação do pronome pessoal no
português do Brasil, o uso culto e o uso coloquial, respectivamente:
a) “da qual estamos todas tão distantes que não poder-nos-ia servir de modelo;”/ da qual
estamos todas tão distantes que nos não poderia servir de modelo;
b) “Esta é uma hora para se parar e pensar.”/ Esta é uma hora para parar-se e pensar-se;
c) “pois o que se passa no Piauí não é o mesmo das grandes capitais –”/ pois o que passase no Piauí não é o mesmo das grandes capitais;
d) “purgai a sua alma de tantas nocivas frivolidades pueris de que se acha rodeada mal
abre os olhos à luz.”/ purgai a sua alma de tantas nocivas frivolidades pueris de que
acha-se rodeada mal abre os olhos à luz;
e) “a mulher de hoje em dia pode sair-se melhor do que aquela;”/ a mulher de hoje em
dia pode se sair melhor do que aquela.
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Língua Portuguesa - Pronomes
Avançar
15. U.E. Londrina-PR-Modificada
“... Stingo descobre as verdades escondidas sobre as quais eles estão encobrindo...”.
Esse trecho se torna adequado à norma culta se a expressão em destaque for substituída
por:
a) onde.
b) que.
c) cujas.
d) das quais.
e) entre as quais.
5
16. Univali-SC Assinale, dentre as frases a seguir, retiradas de jornais de circulação regional, a que está de acordo com as normas da Língua Portuguesa.
a) É outra daquelas questões onde não é certo optar por uma alternativa, excluindo a
outra.
b) Além dos efeitos sociais e econômicos referidos, um plano de retomada da indústria
de construção fere uma carência objetiva do país, onde há necessidade de milhões de
casas...
c) Um reflexo na pupila (menina dos olhos), em um recém-nascido poderá revelar problemas na retina, tumores intra-oculares, ou até catarata congênita onde realizar-se-á
cirurgia o mais breve possível.
d) A surpresa aconteceu na sétima prova, onde houve a divergência sobre a terceira cidade mais antiga do país.
e) Participaram todos os 540 alunos distribuídos em 8 equipes, onde se buscou equilibrar
a força, unindo os alunos maiores com os menores.
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GABARITO
17. FEI-SP Em “as paredes vejo-as”, os termos em destaque são classificados respectivamente como:
a) artigo definido e pronome pessoal do caso reto.
b) artigo definido e pronome demonstrativo.
c) artigo definido e pronome pessoal do caso oblíquo.
d) pronome pessoal e artigo definido.
e) preposição e pronome pessoal do caso oblíquo.
18. FGV-SP A propósito do segmento de frase “Ser-me-ia impossível descobrir entre mim e
elas pontos de identificação…”, atenda ao que se pede abaixo.
a) Explique o uso do pronome mim em vez do pronome eu.
b) Se, no lugar de elas, que é pronome pessoal de terceira pessoa do plural, utilizássemos
outro, de segunda pessoa do singular, qual seria ele?
19. UFGO Considere os enunciados abaixo.
A. Os atletas não se prepararam bem, onde se saíram mal nas competições.
B. Onde há fumaça, há fogo.
C. Vivemos numa economia globalizada, onde os produtos industrializados não têm
uma só nacionalidade.
D. Saiu da casa cedinho onde só voltou depois que todas dormiam.
Segundo a norma padrão da língua portuguesa:
( ) o relativo onde pode ser empregado, estabelecendo relação conclusiva entre orações, como no enunciado A.
( ) o empregado do relativo onde, no enunciado B, está inadequado, porque ele não
tem um referente explícito.
( ) o relativo onde, no enunciado C, está empregado adequadamente, porque se refere
a uma expressão com valor de lugar virtual.
( ) o verbo voltar, no enunciado D, exige que o relativo onde seja precedido por “a”
ou “para”.
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Língua Portuguesa - Pronomes
Avançar
20. UP-RN
“Sem a reforma agrária não há como resolver a desnutrição desse povo brasileiro.”
“O grande mal desse povo brasileiro é ter nascido pobre.”
Se uníssemos as duas orações com pronome relativo, teríamos:
a) Sem a reforma agrária cujo grande mal do povo brasileiro é ter nascido pobre, não há
como resolver a desnutrição desse povo brasileiro.
b) Sem a reforma agrária cujo grande mal é ter nascido pobre não há como resolver a
desnutrição desse povo brasileiro.
c) Sem a reforma agrária não há como resolver a desnutrição do povo brasileiro que ter
sido pobre é o seu grande mal.
d) Sem a reforma agrária não há como resolver a desnutrição desse povo brasileiro cujo
grande mal é ter nascido pobre.
21. F.M Triângulo Mineiro-MG
6
“Incontestável representante do bom gosto, a escritora e colunista Danuza Leão não tem vergonha de aplaudir o Show do Milhão. (...) Da mesma franqueza de Danuza comunga o plubicitário
Roberto Justus. ‘A atração educa quem não teve acesso àquelas informações e diverte quem quer
testar seus conhecimentos’, argumenta.”
Telejornal. O Estado de S. Paulo. 03/09/2000, p. T8-T9.
GABARITO
Seguindo as convenções da norma culta, a oração destacada no texto pode ser substituída
por:
a) Quem não teve-lhe acesso.
b) Quem não as teve acesso.
c) Quem não teve-as acesso.
d) Quem não teve acesso a elas.
e) Quem não teve-lhes acesso.
22. F.M. Triângulo Mineiro-MG Una as frases por um pronome relativo e assinale a alternativa correta, de acordo com a norma culta.
“A Lagoa Rodrigo de Freitas já havia chamado a atenção de D. Pedro II. As águas da
Lagoa continuam malcheirosas.”
a) D. Pedro II já havia chamado a atenção para as águas malcheirosas da Lagoa Rodrigo
de Freitas.
b) A Lagoa Rodrigo de Freitas, cujas águas continuam malcheirosas, já havia chamado a
atenção de D. Pedro II.
c) D. Pedro II afirmara que as águas da Lagoa Rodrigo de Freitas continuam mal cheirosas.
d) A Lagoa Rodrigo de Freitas que as águas continuam malcheirosas já havia chamado a
atenção de D. Pedro II.
e) As águas da Lagoa Rodrigo de Freitas continuam malcheirosas e elas já haviam chamado a atenção de D. Pedro II.
23. PUC-PR-Modificada
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“O pai havia partido sem deixar nenhum recado ao filho, o que deixou sua mãe extremamente
preocupada”.
Considerando o trecho acima, pode-se afirmar que a expressão o que tem como antecedente os termos:
a) O pai;
b) havia partido;
c) ao filho;
d) nenhum recado;
e) toda a parte do enunciado que antecede à própria expressão o que.
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Língua Portuguesa - Pronomes
Avançar
24. PUC-PR Assinale a alternativa em cujo enunciado o pronome que está entre parênteses
pode ser colocado corretamente em qualquer um dos pontilhados.
a) Ninguém ..... irá ..... esquecer ..... tão cedo. (te).
b) ..... Estou ..... dizendo ..... a pura verdade. (lhe).
c) Ela ..... quer ..... dizer ..... o que aconteceu de fato. (me).
d) ..... Haviam ..... encontrado ..... até então duas vezes. (se).
e) ..... Mandou ..... vir ..... mais cedo no dia seguinte. (me).
25. FUVEST-SP
“‘As pessoas ficam zoando, falando que a gente não conseguiria entrar em mais nada, por isso
vamos prestar Letras’, diz a candidata ao vestibular. Entre os motivos que a ligaram à carreira estão
o gosto por literatura e inglês, que estuda há oito anos.”
Adaptado da Folha de S. Paulo, 22/10/00.
No trecho que não está entre aspas ocorre um desvio em relação à norma culta. Reescreva o trecho, fazendo a correção necessária.
26. PUC/Campinas-SP
7
“No centro da Convenção sobre Mudança Climática esteve o reconhecimento de que o planeta
pode passar por mudanças catastróficas no próximo século, com o agravamento do efeito estufa.
A delegação brasileira na reunião de Buenos Aires, onde se deu o encontro, assim como em
Kyoto, foi chefiada pelo ministro da Ciência e Tecnologia. Ela teve um papel destacado no Japão,
ao apresentar proposta que desembocou no “mecanismo de desenvovimento limpo” (MDL), questão central na pauta na Argentina.”
GABARITO
Os pronomes grifados referem-se a outras palavras do texto. São elas, respectivamente:
a) o centro – Mudança Climática.
b) Buenos Aires – a delegação brasileira.
c) o planeta – a reunião.
d) Kyoto – estufa.
e) a Convenção – mudanças catastróficas.
27. UFMT-Adaptada Julgue as afirmações a seguir. Use V, para assinalar os itens verdadeiros, e F, para os itens falsos.
( ) Substituindo o pronome lhe por dele na oração Ousou o escrevente namorar-lhe a
filha, as duas formas pronominais funcionam como objeto indireto.
( ) Na maioria das variedades do português falado no Brasil, empregam-se as formas
de tratamento você/vocês para designar o interlocutor do discurso ao invés das
formas tu/vós.
( ) Quando se usa você/vocês no lugar de tu/vós, o verbo, os pronomes oblíquos e
possessivos continuam na segunda pessoa.
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28. U. Potiguar-RN Os trechos que seguem mostram que certas construções típicas do português falado, são utilizadas na modalidade escrita, exceto um deles. Aponte-o:
a) Procure preocupar-se com os problemas que você tem maior dificuldade.
b) Uma escola, onde na frente havia uma lanchonete, deverá ser totalmente reformada.
c) Sempre me pareceu muito severo aquele diretor sob cujas ordens trabalhei muitos anos.
d) Consideramos propícia a escolha do momento dele falar.
29. U. Alfenas-MG Assinale a opção onde o pronome pessoal está empregado incorretamente.
a) Para mim, cumprimentá-la seria uma ofensa.
b) Entre eu e ela já não há mais nada.
c) Viram-nos, mas não os chamaram.
d) Permitiu-lhe, a ele, fazer a ronda.
e) Aquele era o carro para mim; comprá-lo com que dinheiro?
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Língua Portuguesa - Pronomes
Avançar
30. U. Alfenas-MG Dadas as sentenças:
I. Os projetos que me enviaram estão em ordem; devolvê-los-ei ainda hoje.
II. Não te conto toda a verdade já que preocupo-me demais com tua situação.
III. “Esses são os livros que se acham à disposição do público, mas acredita-se que
poucos procurá-los-ão”.
IV. Quero que você se habitue com minhas falhas, eu deveria preparar-me melhor.
A seqüência que contém as frases corretas quanto à colocação dos pronomes átonos é:
a) II e III.
b) I e II.
c) I e III.
d) II e IV.
e) I e IV.
8
31. Univali-SC Identifique a opção correta quanto à colocação pronominal nos trechos retirados de jornais de circulação regional:
a) Que todo pai sinta-se imensamente feliz na comemoração de seu dia.
b) Por que todos os dias perdem-se tantos blocos de notas fiscais em Blumenau?
c) Preserve-a a todo custo. Não esqueça que para seu filho você é o maior herói.
d) O “Bem” do título acima, se expressa pela existência de postos de trabalho na quantidade e qualidade requeridos por uma população... .
e) ... utilizando a imagem do “Zé Carioca” e outras, que mostram-nos menores e menos
capazes.
GABARITO
32. PUC/Campinas-SP Observe a seguinte passagem do texto: “‘Pare aí’, me diz você. ‘O
escrevente escreve antes, o leitor lê depois.’ ‘Não!’ lhe respondo, ‘Não consigo escrever
sem pensar você por perto, espiando o que escrevo.’” Nela, o autor, utilizando o discurso
direto, apresenta um diálogo imaginário entre o autor e seu leitor, introduzindo a linguagem oral no texto escrito. Por essa razão,
a) os pronomes oblíquos átonos foram colocados depois do verbo.
b) os pronomes oblíquos átonos são enclíticos.
c) os pronomes oblíquos átonos não foram utlizados no diálogo.
d) os pronomes oblíquos átonos são proclíticos.
e) os pronomes oblíquos átonos são mesoclíticos.
33. UFMT-Modificada Julgue as seguintes afirmações. Use V, para os itens verdadeiros, e
F, para os falsos.
( ) A norma gramatical contrariada em Para mim brincar é Não se deve usar pronome pessoal da forma oblíqua na função sujeito.
( ) A norma gramatical contrariada em Me dá um cigarro é Não se deve iniciar um
período com pronome oblíquo átono.
34. UFSE
IMPRIMIR
“... tu vais encher os cofres
... derrubada debaixo da fronde
... dando de comer aos pássaros”
Substituindo corretamente as formas substantivas pelos pronomes pessoais correspondentes, obtém-se:
a) encher-lhes – debaixo dela – dando-os de comer;
b) encher-lhes – debaixo a ela – dando-lhes de comer;
c) enchê-los – debaixo dela – dando-lhes de comer;
d) enchê-los – debaixo a ela – dando-os de comer;
e) encher-los – debaixo dela – dando de comê-los.
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35. F.M. Itajubá-MG Marque a opção que pode preencher corretamente as lacunas da seguinte afirmativa: Em “Dir-se-á que, até certo ponto, a felicidade se constrói”, segundo a
norma culta, é um caso de ............... obrigatória por se tratar de um verbo no ...............,
em ............... de período.
a) Mesóclise – futuro do presente simples – início.
b) Separação – infinitivo – exórdio.
c) Próclise – imperativo positivo – começo.
d) Silepse – presente do subjuntivo – abertura.
e) Zeugma – futura do subjuntivo – princípio.
36. F.I. Vitória-ES O seguinte período apresenta algumas lacunas:
“Ela ficou em casa ............... dois, para conversar ............... sobre o livro, mas disse ao
meu irmão que era difícil para ............... ler aquele livro sozinho, porque as letras eram
pequenas demais para ............... ler, sem forçar meus olhos hipermetropes.”
Os pronomes de 1ª pessoa que completam adequadamente as lacunas são, respectivamente:
a) conosco – conosco – mim – mim
b) conosco – conosco – eu – eu
c) com nós – conosco – eu – mim
d) conosco – com nós – eu – eu
e) com nós – conosco – mim – eu
9
37. PUC-PR Observe a colocação dos pronomes átonos destas orações:
I. O T-6 de Mororó, deixando uma asa pelo caminho, partiu-se.
II. Depois de arrastá-lo até sua casa, o colocou na rede.
III. Há cinco anos, no entanto, os dois se reencontraram.
Seria possível, sem erro de sintaxe, adotar outra ordem pronominal:
a) Apenas para a oração I.
b) Apenas para a oração II.
c) Apenas para a oração III.
d) Para todas as orações.
e) Para nenhuma das orações.
38. VUNESP Leia o texto que segue.
GABARITO
“Não digo com isto que um e outro dos gêmeos não soubessem agredir e dissimular, a diferença é que cada um sabia melhor o seu gosto, coisa tão óbvia que custa escrever.”
In: ASSIS, Machado de. Esaú e Jacó. São Paulo: Editora Mérito, 1962. p. 78.
No segundo período desse texto reconheça as classes de palavras a que pertence o a,
respectivamente, em “a fruta” e “a ia buscar”.
IMPRIMIR
39. UEMS Ao comparar as diversas cidades do mundo com a cidade do Rio de Janeiro,
defendia com ardume e paixão a beleza... sobre cada uma...
a) dessa – daquelas.
b) daquelas – destas.
c) destas – dessa.
d) desta – daquelas.
e) desta – dessas.
40. UFPB-PSS No verso “Ao coração que sofre, separado...”, o vocábulo que refere-se ao
termo antecedente. Observa-se esta mesma relação em:
a) “Não me basta saber que sou amado.”
b) “...no exílio em que a chorar me vejo.”
c) “Não há que a terra pelo céu trocar.”
d) “Não digo que já lhe coubesse a primazia da beleza.”
e) “Meu pai, logo que teve aragem dos onze contos, sobressaltou-se deveras...”
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41. Unifor-CE “É bem provável que freqüentadores de museus não procurem essa instituição.”
Substituindo-se a expressão em negrito na frase acima pelo pronome que lhe é correspondente, obtém-se:
a) não lhe procurem;
b) não a procurem;
c) não procurem-a;
d) não procurem-lhe;
e) não procurem-na.
10
42. UFF-RJ Assinale a opção em que a reformulação da frase abaixo apresenta um emprego de pronome não compatível com o uso formal da língua:
“E em tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo, por bem das
águas que tem.”
a) E em tal maneira é graciosa que, se a quisermos aproveitar, dar-se-á nela tudo por
causa das águas que tem.
b) E em tal maneira é graciosa que, querendo aproveitá-la, dar-se-á nela tudo, por bem
das águas que tem.
c) E em tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, tudo nela se dará, por causa
das águas que tem.
d) E em tal maneira é graciosa que, ao querer-se aproveitá-la, tudo dar-se-á nela, por bem
das águas que tem.
e) E em tal maneira é graciosa que, querendo aproveitar ela, tudo dar-se-á por bem das
águas que tem.
IMPRIMIR
GABARITO
43. UFF-RJ Assinale a opção em que a palavra em negrito é um pronome pessoal.
a) “Muitos deles ou quase a maior parte dos que andavam ali traziam aqueles bicos de
osso nos beiços.”
b) “E alguns, que andavam sem eles, tinham os beiços furados.”
c) “outros traziam três daqueles bicos, a saber, um no meio e os dois nos cabos.”
d) “assim frios e temperados, como os de Entre Douro e Minho.”
e) “porque neste tempo de agora os achávamos como os de lá.”
44. UFSC Observe o período abaixo e assinale a(s) proposição(ões) em que ele foi reescrito
corretamente.
“— Os homens esqueceram essa verdade, disse a raposa. Mas tu não a deves esquecer. Tu te
tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.”
01. — Os homens esqueceram dessa verdade, disse a raposa. Mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.
02. — Os homens esqueceram essa verdade, disse a raposa. Mas tu não deves esquecêla. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.
04. — Disse a raposa: —Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.
Os homens esqueceram essa verdade, mas tu não a deves esquecer.
08. — Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que você cativa. Os homens
esqueceram-se essa verdade, disse a raposa. Mas tu não a deves esquecer.
16. — Os homens esqueceram essa verdade: tu te tornas eternamente responsável por
aquilo que cativas, disse a raposa. Mas tu não a deves esquecê-la.
Dê, como resposta, a soma das alternativas corretas.
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45. Unifor-CE-Adaptada
“Alguns cientistas já se preocupam em garantir que os robôs do futuro tragam em seus programas, em todos eles, um ‘chip’ da bondade que os impeça de fazer mal aos homens...”
O pronome os em “que os impeça” refere-se a:
a) alguns cientistas;
b) robôs do futuro;
c) seus programas;
d) todos eles;
e) homens.
46. Emescam-ES A substituição do termo em negrito não se fez adequadamente em:
a) Acharam os livros muito interessantes. Acharam-los muito interessantes.
b) Fizemos o trabalho como você orientou. Fizemo-lo como você orientou.
c) Daremos a ele todas as oportunidades. Dar-lhe-emos todas as oportunidades.
d) Refiz a lição que estava errada. Refi-la, que estava errada.
e) Enviamos cartas a vocês. Enviamos-lhes cartas.
IMPRIMIR
GABARITO
11
47. UFR-RJ “...fica um mote que agradeço a Paulo Freire: ‘a leitura do mundo parece sempre a leitura da palavra e a leitura desta implica a continuidade da leitura daquele’”
Uma das funções dos pronomes demonstrativos é retomar, dentro de um enunciado, elementos anteriormente citados. A análise do fragmento acima revela que os demonstrativos esta e aquele referem-se, respectivamente, aos vocábulos:
a) palavra e mote.
b) leitura e mote.
c) palavra e mundo.
d) leitura e daquele.
e) continuidade e mundo.
48. Univali-SC Ao ler jornais de circulação regional, percebe-se, algumas vezes, a incorreção no emprego do pronome oblíquo átono. Dentre as frases a seguir, assinale aquela em
que o pronome foi empregado adequadamente.
a) A ativação desse setor da economia, conhecido por seus efeitos rápidos na área de
emprego e por seu contágio imediato sobre áreas de indústria e de serviços, se aproveitará dos atuais sinais de aquecimento da atividade econômica.
b) Informamos que encontra-se em fase de conclusão uma nova escola.
c) Felizmente, ao ver minha caixa de correspondência, havia um e-mail do promotor
público de Itapema, me informando que iria nesta segunda-feira pela manhã receber a
nós pais para conversar.
d) Ele vai ocupar a vaga aberta pelo advogado que também já se desincompatibilizou do
cargo.
e) O comportamento dos jovens é um sintoma. Impõe-se que, sem descuidar-se das conseqüências, ataque-se primordialmente as causas.
49. UEMS
I. O lugar...moro é muito pacato.
II. Esse foi o número...gostei menos.
III. A peça ...enredo é humorístico, tem sido sucesso.
a) onde - que - cujo.
b) em que – de que – cujo o.
c) no qual – o qual – do qual o.
d) que – que – cujo o.
e) em que – de que – cujo.
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Língua Portuguesa - Pronomes
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50. Unifor-CE Na frase “não tivessem presente, nem futuro”, as palavras em negrito estão
corretamente substituídas pelo pronome que lhes é correspondente em:
a) não os tivessem;
b) não tivessem-los;
c) não o tivessem;
d) não tivessem-o;
e) não tivessem-no.
51. UFR-RJ
“O homem ainda faz
O que macaco fazia”
Do ponto de vista morfológico, o termo destacado no verso acima é um:
a) pronome de tratamento;
b) artigo definido;
c) pronome oblíquo átono;
d) pronome oblíquo tônico;
e) pronome demonstrativo.
12
A questão 52 refere-se ao texto a seguir.
IMPRIMIR
GABARITO
“O Padeiro (fragmento)
(Rubem Braga)
Tomo meu café com pão dormido, que não é tão ruim assim. E enquanto tomo café vou me
lembrando de um homem modesto que conheci antigamente. Quando vinha deixar o pão à porta
do apartamento ele apertava a campainha, mas, para não incomodar os moradores, avisava gritando:
– Não é ninguém, é o padeiro!
Interroguei-o uma vez: como tivera a idéia de gritar aquilo?
‘Então você não é ninguém?’.
Ele abriu um sorriso largo. Explicou que aprendera aquilo de ouvido. Muitas vezes lhe acontecera bater a campainha de uma casa e ser atendido por uma empregada ou uma pessoa qualquer, e
ouvir uma voz que vinha lá de dentro perguntando quem era: e ouvir a pessoa que o atendera
dizer para dentro: ‘Não é ninguém, não senhora, é o padeiro’. Assim ficara sabendo que não era
ninguém...
Ele me contou isso sem mágoa nenhuma, e se despediu ainda sorrindo.”
In: Ai de ti, Copacabana, 4ª ed. Rio de Janeiro: Editora do Autor, 1964, pp. 44, 45.
52. UFRJ
a) Que sentido assume o pronome indefinido ninguém no texto?
b) Quando esse pronome indefinido é usado na função sintática de sujeito, a dupla negação pode ou não ocorrer. Justifique essa afirmativa, exemplificando-a.
53. U.E. Londrina-PR Assinale a alternativa que está estruturada de acordo com a norma
culta.
a) Originárias da África do Sul, as abelhas africanas são agressivas, cuja criação é feita
geralmente em apiários.
b) As agressivas abelhas africanas, cuja criação é feita geralmente em apiários, são originárias da África do Sul.
c) As agressivas abelhas africanas, que a criação delas é feita geralmente em apiários,
originaram-se na África do Sul.
d) As agressivas abelhas africanas, cuja a criação é feita geralmente em apiários, originou-se na África do Sul.
e) As abelhas africanas, cujas quais são agressivas e criadas em apiários, originaram-se
na África do Sul.
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Língua Portuguesa - Pronomes
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Texto para a questão 54.
“Música
Uma coisa triste no fundo da sala.
Me disseram que era Chopin.
A mulher de braços redondos que nem coxas
martelava na dentadura dura
sob o lustre complacente.
Eu considerei as contas que era preciso pagar,
os passos que era preciso dar,
as dificuldades…
Enquadrei o Chopin na minha tristeza
meus cuidados voaram como borboletas.”
ANDRADE, Carlos Drummond de.
Alguma Poesia.
13
54. FATEC-SP O tratamento poético da linguagem apresenta, por vezs, certas possibilidades que a norma gramatical não admite ou não recomenda; é possível afirmar que, no
poema Música, é exemplo disso:
a) “Me disseram que era Chopin”.
b) “dentadura dura”.
c) “enquadrei o Chopin”.
d) “que era preciso pagar”.
e) “braços redondos”.
55. Unifor-CE O período cuja redação está inteiramente clara e correta é:
a) Todos os meninos menores de dois anos sofreram os efeitos dos elementos radioativos
que lhes foram distribuídos a mando de Herodes.
b) A recepção que a Virgem e o carpinteiro José puderam desfrutar ironicamente, foi de
um boi branco e de um burro cansado.
GABARITO
c) A poderosa nuvem que o autor se refere foi a visão que também vitimou os habitantes
das duas cidades japonesas que recaíram as bombas atômicas.
d) Nem bem chegaram ao hotel em cujo se realizava um congresso internacional o dono
escorraçou os viajantes.
e) A súbita explosão de cuja se formou uma poderosa nuvem em forma de cogumelo
deve de ter sido uma visão aterrorizadora.
56. UFRJ
“Esaú e Jacó (fragmento)
(Machado de Assis)
IMPRIMIR
– Que estranhos? Não vou viver com ninguém. Viverei com o Catete, o Largo do Machado, a
Praia de Botafogo e a do Flamengo, não falo das pessoas que lá moram, mas das ruas, das casas,
dos chafarizes e das lojas.”
In: Obra Completa. vol. 1.
Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1985, p. 987.
Vimos que, no texto da questão 52, Rubem Braga fez uso expressivo do indefinido
ninguém. Diga com que sentido o mesmo termo é usado por Machado de Assis no
texto acima, relacionando tal significado com um posicionamento marcante na obra do
autor.
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Língua Portuguesa - Pronomes
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57. UFRJ
“O impossível carinho
Escuta, eu não quero contar-te o meu desejo
Quero apenas contar-te a minha ternura
Ah se em troca de tanta felicidade que me dás
Eu te pudesse repor
– Eu soubesse repor–
No coração despedaçado
As mais puras alegrias da tua infância!”
BANDEIRA, Manuel. Estrela da vida inteira. 9ª ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1982. p. 118.
O poema de Bandeira constrói-se com base na relação entre o eu-lírico e seu interlocutor.
A existência desse interlocutor é evidenciada em vocábulos que pertencem a duas diferentes classes gramaticais.
a) Identifique essas duas classes gramaticais.
b) Diga que traço gramatical comum aos vocábulos indica a presença do interlocutor.
IMPRIMIR
GABARITO
14
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LÍNGUA PORTUGUESA
PRONO M E S
IMPRIMIR
GABARITO
1
1.
2.
3.
4.
5.
6.
7.
8.
9.
10.
11.
12.
13.
14.
15.
16.
17.
18.
19.
20.
21.
22.
23.
24.
25.
26.
27.
28.
29.
30.
31.
32.
33.
34.
35.
36.
37.
38.
39.
F–F–V–V–F
d
d
b
d
b
b
c
F–V–F–V
c
a
d
a
e
b
b
c
a) Só se emprega o pronome pessoal do caso reto eu na função de sujeito. O pronome em
questão possui função completiva, sendo regido pela preposição entre; desta forma, está
correto o uso do pronome mim, pronome pessoal do caso oblíquo.
b) Na função completiva, que é o caso, o pronome adequado da 2ª pessoa do singular a
ser empregado é o ti.
F–F–V–V
d
d
b
c
c
A fim de desfazer o desvio em relação à norma culta, pode-se reescrever o trecho da
seguinte forma: Entre os motivos que a ligaram à carreira está o gosto por inglês, que
estuda há oito anos, e por literatura.
b
F–V–F
c
c
e
c
d
V–V
c
a
c
c
Em “a fruta”, o a é artigo definido feminino e em “a ia buscar”, a é pronome pessoal do
caso oblíquo (retomando fruta).
d
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Língua Portuguesa - Pronomes
Avançar
40.
41.
42.
43.
44.
45.
46.
47.
48.
49.
50.
51.
52.
2
53.
54.
55.
56.
IMPRIMIR
GABARITO
57.
b
b
e
b
06
b
d
c
d
e
a
e
a) O pronome “ninguém” significa “pessoa sem importância”.
b) Se o pronome (sujeito) é anteposto ao verbo, não ocorre a dupla negação: “Ninguém
veio”. Se, porém, ele é posposto ao verbo, a dupla negação ocorre: “Não veio ninguém”.
b
a
a
No texto de Machado, o pronome é usado com o sentido de ‘pessoa alguma’ / ‘pessoa
nenhuma’. Ao preferir a paisagem física da cidade aos seus semelhantes, o autor revela
seu ceticismo em relação ao ser humano, uma atitude marcante na sua obra madura.
a) Classe gramatical dos verbos e classe gramatical dos pronomes.
b) O traço gramatical comum é a 2ª pessoa.
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LÍNGUA PORTUGUESA
NO Ç ÕE S D E
L IT E R A T U R A
Texto para as questões 1 a 3.
1
2
1
3
4
5
6
7
8
9
10
11
“Muita coisa se poderia fazer em favor da poesia:
Esfregar pedras na paisagem.
Perder a inteligência das coisas para vê-las.
(Colhida em Rimbaud)
Esconder-se por trás das palavras para mostrar-se.
Mesmo sem fome, comer as botas. O resto em Carlitos.
Perguntar distraído: – O que há de você na água?
Não usar colarinho duro. A fala de furnas brenhentas de Mário-pega-sapo era na rua. Por
isso as crianças e as putas no jardim o entendiam.
Nos versos mais transparentes enfiar pregos sujos, teréns de rua e de música, cisco de
olho, moscas de pensão...
Aprender a capinar com enxada cega.
Nos dias de lazer compor um muro podre para os caramujos.
Deixar os substantivos passarem anos no esterco, deitados de barriga, até que eles possam
carrear para o poema um gosto de chão – como cabelos desfeitos no chão – ou como uma
bule de Braque – áspero de ferrugem, mistura de azuis e ouro – um amarelo grosso de
ouro da terra, carvão de folhas.
Jogar pedrinhas nim moscas...”
IMPRIMIR
GABARITO
BARROS, Manoel de. Matéria de Poesias, 3 ed. Rio de Janeiro/São Paulo: Record, 1999.
1. UFMS Esse poema é uma espécie de manifesto, uma tomada de posição ante o fazer
poético; propõe que a palavra seja descarregada de seus significados já prontos, automatizados, portanto. Nessa concepção, o verso 10 ressalta que na poesia a palavra deve ser:
a) exata.
d) vaga.
b) impermeável.
e) cristalina.
c) fecunda.
2. UFMS O poema cita Rimbaud, poeta francês do século passado, e Carlitos, personagem
dos filmes de Charles Chaplin. “Perder a inteligência das coisas para vê-las”, de acordo
com o texto de Manuel de Barros é olhar as coisas:
a) em seu significado mais moderno.
b) com objetividade, deixando de lado o sujeito que olha.
c) recusando seu invólucro utilitário.
d) pelo ponto de vista do especialista.
e) sem se preocupar com sua carga simbólica.
3. UFMS “Mesmo sem fome, comer as botas” é uma referência a Carlitos que, em um
filme, com fome, isolado na neve e não tendo com que se alimentar, cozinhou as botas e
as comeu, até os cadarços. A expressão mesmo sem fome muda a situação. Se consideramos o poema uma espécie de “conselho a um aprendiz de poeta”, o verso citado propõe
que, em favor da poesia, é necessário:
a) duvidar das imagens carregadas de sugestões.
b) apropriar-se de realidades aparentemente estéreis.
c) sofrer privações materiais.
d) alimentar-se bem para ter boas idéias.
e) isolar-se do resto da humanidade.
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Língua Portuguesa - Noções de literatura
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Texto para as questões 4 a 7.
“Soneto do amor total
01
02
03
04
05
06
07
08
09
10
11
12
13
14
15
16
17
2
Amo te tanto, meu amor... não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.
Amo-te afim, de um calmo amor prestante,
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.
Amo-te como um bicho, simplesmente,
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.
E de te amar assim muito e amiúde,
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.”
MORAES, Vinícius de. Poesia completa e prosa.
RJ: Nova Aguilar, 1986, p. 336.
IMPRIMIR
GABARITO
4. UFPI Completam-se no soneto os elementos do dualismo:
a) amizade – inimizade;
b) pureza – impureza;
c) verdade – mentira;
d) vício – virtude;
e) vida – morte.
5. UFPI Na seqüência “... não cante / O humano coração com mais verdade...”, existe:
a) a surpresa de se ver amando tanto;
b) a sensação de que o amor é indescritível;
c) a pretensão de cantar como ninguém o amor;
d) o desencanto com a impossibilidade de cantar o amor;
e) o temor de que outro poeta cante o amor mais fielmente.
6. UFPI Dos versos 3 e 4, pode-se inferir que:
a) O poeta confunde as formas de amar.
b) A realidade é diferente para quem ama pouco.
c) O amante experimenta formas diferentes de amar.
d) O amor do amigo vale mais que a paixão do amante.
e) O artista recria a realidade usando palavras de amor.
7. UFPI Sobre a última estrofe é correto afirmar que:
a) o amor culmina com a morte;
b) o amor destrói o corpo amado;
c) o amante dá a vida pela amada;
d) o amor se esgota no próprio desejo;
e) o amante vive a descrever o ser amado.
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Língua Portuguesa - Noções de literatura
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Texto para as questões 8 e 9.
“POÉTICA
1
Que é Poesia?
uma ilha
cercada
de palavras
por todos
os lados.
2
Que é o Poeta?
um homem
que trabalha o poema
com o suor do seu rosto.
Um homem
que tem fome
como qualquer outro
homem.”
RICARDO, Cassiano. Jeremias Sem-Chorar. Rio de Janeiro: José Olympio, 1964.
GABARITO
3
8. UERJ A repetição da palavra “homem” na segunda estrofe exemplifica a seguinte característica:
a) variação semântica;
c) reiteração expressiva;
b) vício de linguagem;
d) onomatopéia modernista.
9. UERJ O eu-lírico no texto de Cassiano Ricardo expressa uma definição sobre a elaboração da poesia.
Essa definição é semelhante ao conteúdo do seguinte fragmento:
a) “Como varia o vento – o céu – o dia, / Como estrelas e nuvens e mulheres, / Pela regra
geral de todos seres, / Minha lira também seus tons varia, / e sem fazer esforço ou
maravilha.” (Álvares de Azevedo).
b) “O artista intelectual sabe que o trabalho é a fonte da criação e que a uma maior
quantidade de trabalho corresponderá uma maior densidade de riquezas.” (João Cabral de Melo Neto).
c) “[Minhas poesias] não têm unidade de pensamento entre si, porque foram compostas
em épocas diversas – debaixo de céu diverso – e sob a influência de impressões momentâneas.” (Gonçalves Dias).
d) “Um dia (...) tive saudades da casa paterna e chorei. As lágrimas correram e fiz os
primeiros versos da minha vida, que intitulei – As Ave-Maria – a saudade havia sido a
minha primeira musa.” (Casimiro de Abreu).
10. UFRS Leia as estrofes abaixo, de Vinícius de Moraes, e a afirmação que as segue.
IMPRIMIR
01
02
03
04
05
06
07
08
“Uma lua no céu apareceu
cheia e branca; foi quando, emocionada
a mulher a meu lado estremeceu
e se entregou sem que eu dissesse nada.
Larguei-as pela jovem madrugada
ambas cheias e brancas e sem véu
perdida uma, a outra abandonada
uma nua na terra, outra no céu.”
Por meio de versos ............... em que é perceptível um lirismo ..............., típico de sua
poesia, Vinícius de Moraes aproxima a mulher e a lua, fundindo-as, em alguns momentos, como acontece no verso de número ............... .
Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas.
a) octossílabos – amoroso – 06
d) octossílabos – despojado – 07
b) heptassílabos – social – 07
e) decassílabos – sensual – 06
c) decassílabos – moralizante – 08
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Língua Portuguesa - Noções de literatura
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11. PUC-RS-Modificada
“Donzela! Se tu quiseras
Ser a flor das primaveras
Que tenho no coração!
E se ouviras o desejo
Do amoroso sertanejo
Que descora de paixão!
Se tu viesses comigo
Das serras ao desabrigo
4
Aprender o que é amar
Ouvi-lo no frio vento,
Das aves no sentimento,
Nas águas e no luar!
(...)
Ah! vem! amemos! vivamos!
O enlevo do amor bebamos
Nos perfumes do sertão!”
Analisar as afirmativas que seguem, sobre o texto.
I. As metáforas associadas aos elementos da natureza expressam o extravasamento do
sentimento amoroso.
II. A mulher é convidada a buscar nos elementos circundantes o sentido do amor.
III. O ritmo cadenciado do poema sintoniza-se com o tom melancólico das imagens.
IV. O medo da rejeição amorosa, tema reincidente na poesia romântica, determina o tom
pessimista do texto.
Pela análise das afirmativas, conclui-se que está correta a alternativa:
a) I e II
d) III e IV
b) II e III
e) I, II, III e IV
c) II e IV
12. UnB-DF
1
4
7
10
GABARITO
13
16
19
“A vida muda como a cor dos frutos
lentamente
e para sempre
A vida muda como a flor em fruto
velozmente
A vida muda como a água em folhas
o sonho em luz elétrica
a rosa desembrulha do carbono
o pássaro, da boca
mas
quando for tempo
E é tempo todo tempo
mas
não basta um século para fazer a pétala
que um só minuto faz
ou não
mas
a vida muda
a vida muda o morto em multidão”
IMPRIMIR
GULLAR, Ferreira. Toda poesia.
Relacionando as idéias do texto a outras áreas do conhecimento, julgue os itens a seguir.
( ) A distribuição dos versos no espaço de papel, as imagens utilizadas e o uso recorrente de repetições, entre outros recursos poéticos, inserem o texto no conjunto de
obras literárias do Modernismo.
( ) No verso 7, o poeta alude à importante conquista científica obtida por Thomas
Edison na primeira metade do século XIX: a lâmpada fluorescente.
( ) No verso 8, há uma homenagem explícita a Carlos Drummond de Andrade, pelo
poema Rosa do Povo, com que se inaugura a poesia moderna brasileira.
( ) O poeta, nos versos 14 e 15, alude à capacidade que o ser humano tem de fazer, em
muito mais tempo que a natureza, o que esta rapidamente consegue realizar.
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Questões de 13 a 17.
Introdução: Para responder a essas questões, associe os fragmentos transcritos em cada
uma às afirmativas apresentadas nas alternativas indicadas em destaque. Em seguida,
identifique apenas uma única alternativa correta e marque o número correspondente.
a) Sentimento de angústia, por parte do sujeito poético, em face de um mundo conturbado.
b) Personagem-narrador movido por um sentimento que provoca a distorção da realidade.
c) Alusão a uma natureza não convencionada pelo estilo árcade.
d) Acontecimento circunstancial como revelador de estados psicológicos.
e) Personagem consciente da necessidade de igualdade social.
13. Uneb-BA
“Tu não verás, Marília, cem cativos
tirarem o cascalho e a rica terra,
ou dos cercos dos rios caudalosos,
ou da minada serra.
Não verás separar ao hábil negro
do pesado esmeril a grossa areia,
e já brilharem os granetes de oiro
no fundo da bateia.
Não verás enrolar negros pacotes
das secas folhas do cheiroso fumo;
nem espremer entre as dentadas rodas
da doce cana o sumo.”
5
GONZAGA, Tomás Antônio. In: Tomás Antônio Gonzaga. Org. por Lúcia Helena.
Rio de Janeiro: Agir, 1985. p. 85-6. (Nossos Clássicos, v. 114.)
14. Uneb-BA
“Preso à minha classe e a algumas roupas,
vou de branco pela rua cinzenta.
Melancolias, mercadorias espreitam-me.
Devo seguir até o enjôo?
Posso, sem armas, revoltar-me?
IMPRIMIR
GABARITO
Olhos sujos no relógio da torre:
Não, o tempo não chegou de completa justiça.
O tempo é ainda de fezes, maus poemas, alucinações e espera.”
ANDRADE, Carlos Drummond de. In: Antologia poética (Org. pelo autor).
36. ed. Rio de Janeiro São Paulo: Record, 1997. p. 24.
15. Uneb-BA
“Um dia saí para o meu passeio habitual quando ele, o pedinte, surgiu inesperadamente. Inferno, como foi que ele descobriu o meu endereço? ‘Doutor, não me abandone!’ Sua voz era de
mágoa e ressentimento. ‘Só tenho o senhor no mundo, não faça isso de novo comigo, estou
precisando de um dinheiro, esta é a última vez, eu juro!’ – e ele encostou o seu corpo bem junto
ao meu, enquanto caminhávamos, e eu podia sentir o seu hálito azedo e podre de faminto. Ele era
mais alto do que eu, forte e ameaçador.
Fui na direção da minha casa, ele me acompanhando, o rosto fixo virado para o meu, me
vigiando curioso, desconfiado, implacável, até que chegamos na minha casa. Eu disse, ‘espere
aqui’.
Fechei a porta, fui ao meu quarto. Voltei, abri a porta e ele ao me ver disse ‘não faça isso,
doutor, só tenho o senhor no mundo’. Não acabou de falar, ou se falou eu não ouvi, com o
barulho do tiro. Ele caiu no chão, então vi que era um menino franzino, de espinhas no rosto, e
de uma palidez tão grande que nem mesmo o sangue, que foi cobrindo a sua face, conseguia
esconder.”
FONSECA, Rubem. Feliz ano novo. 2. ed.
São Paulo: Companhia das Letras, 1997. p. 90.
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16. Uneb-BA
“Boa-Vida estendeu a mão numa saudação quando ela falou em Omolu, o deus da bexiga. A
tarde caía. Um homem comprou cocada. As luzes se acenderam de repente. A negra se levantou,
Boa-Vida ajudou a que ela botasse o tabuleiro na cabeça. Ao longe, Pirulito apontava com o
Querido-de-Deus. Pedro Bala olhou mais uma vez os homens que nas docas carregavam fardos
para o navio holandês. Nas largas costas negras e mestiças brilhavam gotas de suor. Os pescoços
musculosos iam curvados sob os fardos. E os guindastes rodavam ruidosamente. Um dia iria fazer
uma greve como seu pai... Lutar pelo direito... Um dia um homem assim como João de Adão
poderia contar a outros meninos na porta das docas a sua história, como contavam a de seu pai.
Seus olhos tinham um intenso brilho na noite recém-chegada.”
AMADO, Jorge. Capitães da areia. 85. ed. Rio de Janeiro: Record, 1996. p. 79.
17. Uneb-BA
“– Não esqueci de nada..., recomeçou a mãe, quando uma freada súbita do carro lançou-as
uma contra a outra e fez despencarem as malas. Ah! ah!, exclamou a mãe como a um desastre
irremediável, ah! dizia balançando a cabeça em surpresa, de repente envelhecida e pobre. E
Catarina?
Catarina olhava a mãe, e a mãe olhava a filha, e também a Catarina acontecera um desastre?
seus olhos piscaram surpreendidos, ela ajeitava depressa as malas, a bolsa, procurando o mais
rapidamente possível remediar a catástrofe.”
LISPECTOR, Clarice. Laços e família: contos. 12. ed.
Rio de Janeiro: José Olympio, 1982. p. 111.
6
Com base no texto abaixo, responda às questões de números 18 a 20.
IMPRIMIR
GABARITO
“(...) Não resguardei os apontamentos obtidos em largos dias e meses de observação: num
momento de aperto fui obrigado a atirá-los na água. Certamente me irão fazer falta, mas terá
sido uma perda irreparável? Quase me inclino a supor que foi bom privar-me desse material. Se ele
existisse, ver-me-ia propenso a consultá-lo a cada instante, mortificar-me-ia por dizer com rigor a
hora exata de uma partida, quantas demoradas tristezas se aqueciam ao sol pálido, em manhã de
bruma, a cor das folhas que tombavam das árvores, num pátio branco, a forma dos montes
verdes, tintos de luz, frases autênticas, gestos, gritos, gemidos. Mas que significa isso? Essas
coisas verdadeiras podem não ser verossímeis. E se esmoreceram, deixá-las no esquecimento:
valiam pouco, pelo menos imagino que valiam pouco. Outras, porém, conservaram-se, cresceram,
associaram-se, e é inevitável mencioná-las. Afirmarei que sejam absolutamente exatas? Leviandade. (...) Nesta reconstituição de fatos velhos, neste esmiuçamento, exponho o que notei, o que
julgo ter notado. Outros devem possuir lembranças diversas. Não as contesto, mas espero que
não recusem as minhas: conjugam-se, completam-se e me dão hoje impressão de realidade. (...)”
RAMOS, Graciliano. Memórias do cárcere. Rio, São Paulo: Record, 1984.
18. UERJ O fragmento transcrito expressa uma reflexão do autor-narrador quanto à escrita
de seu livro contanto a experiência que viveu como preso político, durante o Estado
Novo.
No que diz respeito às relações entre escrita literária e realidade, é possível depreender,
da leitura do texto, a seguinte característica da literatura:
a) revela ao leitor vivências humanas concretas e reais;
b) representa uma conscientização do artista sobre a realidade;
c) dispensa elementos da realidade social exterior à arte literária;
d) constitui uma interpretação de dados da realidade conhecida.
19. UERJ Por causa da perda das anotações, relatada pelo narrador, o texto é impregnado
de dúvidas acerca da exatidão do que será levantado no livro.
O trecho que melhor representa um exemplo dessas dúvidas é:
a) “Quase me inclino a supor que foi bom privar-me desse material”
b) “Outras, porém, conservaram-se, cresceram, associaram-se, e é inevitável mencioná-las”
c) “neste esmiuçamento, exponho o que notei, o que julgo ter notado”
d) “Não as contesto, mas espero que não recusem as minhas”
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20. UERJ A relação entre autor e narrador pode assumir feições diversas na literatura. Podese dizer que tal relação tem papel fundamental na caracterização de textos que, a exemplo do livro de Graciliano Ramos, constituem uma autobiografia – gênero literário definido como relato da vida de um indivíduo feito por ele mesmo.
A partir dessa definição, é possível afirmar que o caráter autobiográfico de uma obra é
reconhecido pelo leitor em virtude de:
a) conteúdo verídico das experiências pessoais e coletivas relatadas;
b) identidade de nome entre autor, narrador e personagem principal;
c) possibilidade de comprovação histórica de contextos e fatos narrados;
d) notoriedade do autor e de sua história junto ao público e à sociedade.
Leia o seguinte poema para responder às questões 21 e 22.
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
7
”Destes penhascos fez a natureza
O berço em que nasci! oh quem cuidara,
Que entre penhas tão duras se criara
Uma alma terna, um peito sem dureza!
Amor, que vence os tigres por empresa
Tomou logo render-me; ele declara
Contra o meu coração guerra tão rara,
Que não me foi bastante a fortaleza.
Por mais que eu mesmo conhecesse o dano,
A que dava ocasião minha brandura,
Nunca pude fugir ao cego engano:
Vós, que ostentais a condição mais dura,
Temei, penhas, temei; que amor tirano,
Onde há mais resistência, mais se apura.”
IMPRIMIR
GABARITO
Vocabulário:
penhas – penhascos
21. U.F. Santa Maria-RS Nesse poema, de Cláudio Manuel da Costa,
a) há presença de um elemento típico da paisagem natural mineira, a pedra, mostrando que há obediência à regra principal do Arcadismo, que é a exaltação dos penhascos;
b) nota-se, nos versos 9 e 11, a presença de antítese, o que mostra a influência do Barroco na lírica do poeta mineiro;
c) o sujeito lírico, nos versos 12, 13 e 14, dirige-se aos penhascos, um elemento típico da
paisagem mineira, que representa seu berço;
d) o sujeito lírico se compara aos penhascos de Minas, pois é tão duro e resistente quanto
eles;
e) o sujeito lírico usa as pedras como símbolo do amor à pátria e como seu próprio
símbolo, pois é tão duro quanto elas.
22. U.F. Santa Maria-RS Esse poema árcade é um soneto que apresenta:
a) os quartetos com rima alternada;
b) versos brancos e decassílabos (10 sílabas);
c) rima e versos alexandrinos (11 sílabas);
d) os versos dos tercetos em redondilha maior;
e) rima e versos decassílabos.
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INSTRUÇÃO: A partir da leitura dos dois textos, julgue os itens das questões de 23 a 26.
Texto I
“VIII
O pobre leito meu desfeito ainda
A febre aponta da noturna insônia.
Aqui lânguido à noite debati-me
Em vãos delírios anelando um beijo...
E a donzela ideal nos róseos lábios,
No doce berço do moreno seio
Minha vida embalou estremecendo...
Foram sonhos contudo. A minha vida
Se esgota em ilusões. E quando a fada
Que diviniza meu pensar ardente
Um instante em seus braços me descansa
E roça a medo em meus ardentes lábios
Um beijo que de amor me turva os olhos,
Me ateia o sangue, me enlanguece a fronte,
Um espírito negro me desperta,
O encanto do meu sonho se evapora
E das nuvens de nacar da ventura
Rolo tremendo à solidão da vida!”
Álvares de Azevedo - Lira dos Vinte Anos.
8
IMPRIMIR
GABARITO
Texto II
“Doce Mistério
Eu não sei de onde vem
Esse amor que chega e domina
Viva luz a brilhar,
Nesse olhar que o meu ilumina
Vou flutuando na paixão
Não, não sei aonde vou chegar
Que será essa ilusão
Que eu vivo a buscar
Diz pra mim se é você
Esse alguém que eu tanto quero
Eu preciso descobrir
Se é você meu doce mistério de amor
O que eu quero é viver você
Quero sorrir o teu sorriso
Quero pensar os pensamentos teus
Você é tudo que eu preciso”
BARBOSA, Bernardes e Schiavon. In: Leandro & Leonardo, Vol. 10. 1997.
23. UFMT
( ) Figura central da 2ª geração romântica, Álvares de Azevedo apresenta, nesse texto,
exemplo da tendência mórbida desse movimento.
( ) No texto I, a figura feminina se constrói entre dois pólos, o da virgindade idealizada e o da projeção da sensualidade do “eu-lírico”.
( ) Esse caráter de duplicidade é incomum na produção da geração “mal-do-século”.
( ) São características do “eu-lírico” do texto I a realização pelo sonho e a inadaptação
à realidade.
24. UFMT
( ) Os dois textos apresentam temática comum: a busca da realização amorosa.
( ) O “eu-lírico” do texto II projeta sua passividade, colocando-se como sujeito submisso em seu desejo de amor.
( ) A mulher do texto II é apresentada por meio de seus atributos físicos.
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25. UFMT
( ) No texto II, o desejo de encontrar a amada é enfatizado pela repetição do verbo
querer.
( ) Escritos em séculos diferentes, ambos os textos primam pela obediência às normas
da variedade culta da língua portuguesa.
( ) Ambos os textos apresentam construções metafóricas, como “vou flutuando na
paixão” (texto II) e “no doce berço do moreno seio” (texto I).
26. UFMT
( ) Quanto à métrica, os dois poemas são decassílabos.
( ) Em ambos, ocorrem rimas pobres organizadas irregularmente.
( ) Nos textos I e II, cada estrofe é independente nos planos semântico e sintático.
( ) Neles, há ocorrência de inversão sintática, frases em ordem indireta.
Questões de 27 a 29.
“A Ausente
Amiga, infinitamente amiga
Em algum lugar teu coração bate por mim
Em algum lugar teus olhos se fecham à idéia
dos meus
Em algum lugar tuas mãos se crispam, teus seios
Se enchem de leite, tu desfaleces e caminhas
Como se cega ao meu encontro...
Amiga, última doçura
A tranqüilidade suavizou a minha pele
E os meus cabelos. Só meu ventre
Te espera cheio de raízes e de sombras.
Vem, amiga
Minha nudez é absoluta
Meus olhos são espelhos para o teu desejo
E meu peito é tábua de suplícios
Vem. Meus músculos estão doces para os teus
dentes
E áspera é minha barba. Vem mergulhar em mim
Como no mar, vem nadar em mim como no mar
Vem te afogar em mim, amiga minha
Em mim como no mar...”
GABARITO
9
MORAES, Vinícius de. Antologia Poética. 11. ed.
São Paulo: Companhia das Letras, 1992. p. 196.
IMPRIMIR
27. F. Católica de Salvador-BA No poema, o eu-lírico:
a) queixa-se de um amor não correspondido;
b) demonstra sentimento de possessividade amorosa;
c) assemelha-se à “amiga”, como um espelho e sua imagem;
d) invoca a mulher para compartilhar de seus apelos sensuais;
e) vê a figura feminina sob uma perspectiva dualista: angelical e sensual.
28. F. Católica de Salvador-BA Sobre o poema, é correto afirmar:
a) O amor físico revela-se isento de sofrimento.
b) A realidade focalizada é vista de uma forma objetiva.
c) A mulher, na visão do eu-lírico, aparece envolta em sensualidade e erotismo.
d) A voz poética não encontra eco no coração do ser desejado.
e) O sujeito poético – com a lembrança do mar – reprime a intensidade de seu desejo.
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29. F. Católica de Salvador-BA
Do ponto de vista estético, trata-se de um texto modernista porque:
a) apresenta uma linguagem aproximada à da prosa, livre de rima e de métrica;
b) adota uma atitude combativa a valores considerados falsos;
c) tenta conciliar o presente com o passado;
d) busca a originalidade a qualquer preço;
e) valoriza fatos e coisas do cotidiano.
Texto para as questões 30 e 31.
10
“Namorados
O rapaz chegou-se para junto da moça e disse:
– Antônia, ainda não me acostumei com o seu corpo, com a sua cara.
A moça olhou de lado e esperou.
– Você não sabe quando a gente é criança e de repente vê uma lagarta listada?
A moça se lembrava:
– A gente fica olhando...
A meninice brincou de novo nos olhos dela.
O rapaz prosseguiu com muita doçura:
– Antônia, você parece uma lagarta listada.
A moça arregalou os olhos, fez exclamações.
O rapaz concluiu:
– Antônia, você é engraçada! Você parece louca.”
BANDEIRA, Manuel. Estrela da vida inteira: poesias reunidas. Rio, José Olympio, 1979.
GABARITO
30. UFR-RJ Analise as afirmativas a seguir e depois assinale a opção correta.
I. Lançando mão de um procedimento moderno, o poeta torna tênue o limite entre
prosa e poesia.
II. A métrica rígida do poema é um procedimento comum do estilo de época ao qual se
filia o texto.
III. O título do poema encerra uma ironia, pois não há no texto o lirismo que caracteriza
as composições poéticas românticas.
a) I e III são corretas;
d) somente I é correta;
b) somente III é correta;
e) I e II são corretas.
c) II e III são corretas;
31. UFR-RJ A pergunta feita pelo rapaz provocou na moça:
a) a constatação da fugacidade do tempo;
b) a lembrança de um certo namorado de infância;
c) um brilho amargo e saudoso no olhar de menina;
d) um retorno ao comportamento infantil diante do inusitado;
e) a descoberta da efemeridade dos namoros da sua infância.
IMPRIMIR
Texto para as questões 32 e 33:
“Porque minhas tranças estavam macias e lustrosas, a pele de meu rosto sabia a fruta veludosa,
fresca e furta-cor, deitei-me naquele dia sob a telha de vidro da gaiola, na longa rede cheirosa de
sabão preto feito em casa mesmo. Foi esse o início de um destino esquerdo, que me marcou a testa
a fogo e me fez arrastar uma banda do coração como um toco de carne empedrado pela vida afora.
Daí mais um pouco fui embranquecendo os fios do cabelo da fronte, e meus olhos acharam por bem
esburacarem-se parecendo por fim a dois lagos meio verdes meio azuis, esfumaçados pela neblina
que saía da chaminé daquela casa onde, à beira do fogão encostei meu umbigo temperando as
sopas dos meninos e pondo o leite pra ferver, porque desde cedo me secaram as tetas e o jeito era
recorrer ao leite das cabras do quintalão de pedras e, também, porque minha bisavó, que ainda
falava e orava com um fio da voz e se cobria num canto do quarto escuro, como uma mancha no
ermo, dizia e repetia que crianças de dentes fortes e olhos devem beber leite de cabra já que as mães
se secam muito cedo, põe dentro e fora de tanto arrancarem pedacinhos de carne e sustança do
suco de ossos e sangue para sovar o dia do marido que vem chegando, levantando a voz como se
nascesse rei e o bando de filhos seus primeiros súditos.”
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32. U. Católica-GO
( ) No texto, a personagem, ao mesmo tempo em que descreve suas mudanças físicas, faz também um desabafo de uma mulher que teve sua vida destruída pelo
casamento.
( ) De acordo com o que se lê no período do texto, a personagem deitou-se em uma
rede preta e cheirosa.
( ) Em “a pele de meu rosto sabia a fruta veludosa, fresca e furta-cor...”, o verbo saber
foi usado no mesmo sentido que na frase seguinte: “Naquele atropelo, nem sabia
mais se seria eu aquela de tranças macias, com enormes riscos de ouro...”
( ) Para expor a opinião da bisavó da personagem, foram utilizados dois tipos de discursos: o indireto, marcado pelos verbos de elocução e pelas orações substantivas,
e o indireto livre, marcado por expressões como “... sovar o dia do marido que vem
chegando, levantando a voz como se nascesse rei...”.
( ) Em “... levantando a voz como se nascesse rei”, é correto afirmar que, a utilização
do verbo nascer no subjuntivo e do operador como se permite a leitura de uma
crítica ao estereotipo do homem como senhor absoluto da casa, a quem todos deveriam se submeter e jamais questionar.
11
( ) “... e o bando de filhos seus primeiros súditos.” Percebe-se nessa frase, claramente,
a elipse do verbo ser. Caso o verbo estivesse presente deveria, de acordo com as
normas da língua padrão, estar no mais-que-perfeito do subjuntivo e, obrigatoriamente, na terceira pessoa do singular.
33. U. Católica-GO
( ) Pela leitura do texto, é correto afirmar que a personagem, embora incapaz de modificar uma situação socialmente imposta às mulheres, não se mostra tão conformada
como a avó, que ainda demonstra sua submissão ao homem.
( ) De acordo com o texto, a vida de sofrimento iniciou-se com o casamento, que
ocorreu porque a personagem era jovem e bela.
( ) Na frase “... porque me secaram as tetas...” considerando-se o contexto, o verbo
secaram usado na terceira pessoa do plural pode estar relacionado e, portanto, ter
como agentes tanto “meninos” como “tetas”.
( ) Em relação à linguagem utilizada no texto, é correto afirmar que predominam o
nível padrão e a denotação.
( ) Em “Foi esse o início de um destino esquerdo, que me marcou a testa a fogo e me
fez arrastar uma banda do coração como um toco de carne empedrado pela a vida a
fora.”, ‘destino esquerdo’, ‘que’ (= destino esquerdo) e ‘como um toco de carne’,
são respectivamente: hipérbole, metáfora e prosopopéia.
IMPRIMIR
GABARITO
( ) A personagem demonstra que, apesar de trabalhar muito, cuidar dos filhos e dos
afazeres domésticos, continuava a ser uma pessoa vaidosa, e que se preocupava em
tingir os cabelos com tons mais claros, pois afirma: “Daí mais um pouco fui embranquecendo os fios do cabelo da fronte...”
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34. U. Salvador-BA
“Enche de estranhas vibrações sonoras
a tua Estrofe, majestosamente...
põe nela todo o incêndio das auroras
para torná-la emocional e ardente.”
12
Identifique com V os fragmentos que pertencem à mesma estética da estrofe em evidência e com F os demais.
( ) “Tudo, entre sombras, – o ar e o chão, a fauna e a flora / A erva e o pássaro, a pedra
e o tronco, os ninhos e a hera, / A água e o reptil, a folha e o inseto, a flor e a fera,
/ – Tudo vozeia e estala em estos de pletora.”
( ) “Entre as trêmulas mornas ardentias, / A noite no alto-mar anima as ondas. / Sobem
das fundas úmidas Golcondas, / Pérolas vivas, as nereidas frias.”
( ) “Ela vem, (sororal) vibrante como um sino, / Despertar-me no leito: ouro em tudo,
– na face / De anjo morto, na voz, no olhar sobredivino. // Nasce a manhã, a luz tem
cheiro... Ei-la que assoma / Pelo ar sutil... Tem cheiro a luz, a manhã nasce... / Oh
sonora audição colorida do aroma!”
( ) “Foste de branco e vens de branco ainda trajada. / A túnica nupcial que em níveas
dobras desce / Pelo teu corpo, tem a brancura sagrada / Dos alvos corporais do altar
exposto à prece.”
( ) “O luar, sonora barcarola, / Aroma de argental caçoula, / Azul, azul em fora... //
Como lençóis claros de neve, / Que o sol filtrando em luz esteve, / É transparente,
é branco, é leve.
As questões 35 e 36 referem-se ao seguinte texto:
GABARITO
“Com que gana me entrego, com que ânsia,
José, à tarefa, ou por outra, ao suplício,
de outro poema preto em verso branco.
Língua vernácula entre os dentes, dor
no cotovelo e tu, merda, na mente,
recursos de estilo a esmo destilo
e figuras de linguagem pra tratar
de teu sorriso eletrônico e teu
cabelo. Com que gana! E que suplício:
não há ponto final, não há remate,
que me livre de vez desses poemas,
e me livre de ti em paralelo.
E eu quero? É Sísifo o meu modelo, merda:
Amo o poema assim como ele ama a pedra.”
NEVES, Reinaldo Santos. In: Muito Soneto por nada.
Vitória: Cultural, 1998, p. 58.
IMPRIMIR
35. F.I. Vitória-ES Pode-se afirmar a respeito do texto acima, com exceção de:
a) é literário, pela linguagem coloquial e referencial;
b) não é literário, pela presença de termos chulos, vulgares;
c) é literário, pelo trabalho estético e jogo verbal estabelecido;
d) não é literário, pois não é prosa nem poesia;
e) é um misto de literário e não literário, próprio do texto contemporâneo.
36. F.I. Vitória-ES Quanto ao gênero e modalidade literária, só é possível afirmar sobre o
texto acima:
a) é lírico, construído em prosa poética;
b) é narrativo, um poema épico;
c) é dramático, pela intensidade do sentimento do eu poético;
d) é lírico, um soneto de versos, predominantemente, decassílabos;
e) não é um soneto, pois os versos não estão distribuídos em tercetos e quartetos.
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37. UFRS Leia os dois fragmentos abaixo:
I.
1
2
3
4
5
6
7
8
“Todo dia ela faz tudo sempre igual
me acorda às seis horas da manhã
Me sorri um sorriso pontual
E me beija com a boca de hortelã
Todo dia ela diz que é pra eu me cuidar
E essas coisas que diz toda mulher
Diz que está me esperando pro jantar
E me beija com a boca de café (...)”
Chico Buarque de Holanda.
II.
13
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
“quando eu chego em casa nada me consola
você está sempre aflita
com lágrimas nos olhos de cortar cebola
você está tão bonita
você traz a coca-cola
eu tomo
você bota a mesa
eu como eu como eu como eu como eu como
você
não tá entendendo nada do que eu digo
eu quero é ir-me embora
eu quero é dar o fora (...)”
Caetano Veloso.
Considere as seguintes afirmações sobre os fragmentos acima.
I. As duas canções apresentam, em comum, a tematização do cotidiano e dos atos
automatizados da existência banal.
II. Nos versos selecionados, há uma preocupação com os procedimentos poéticos, como
rimas, repetições e paralelismos.
III. O verbo “como” (v.8 ) e o pronome “você” (v. 9), da canção de Caetano, permitem
uma dupla leitura, respectivamente, quanto ao significado e à função sintática.
Quais estão corretas?
a) Apenas I.
d) Apenas II e III.
b) Apenas II.
e) I, II e III.
c) Apenas I e II.
GABARITO
38. UnB-DF
“A moenda
Na remansosa paz da rústica moenda,
À luz quente do sol e à fria luz do luar,
Vive como a expiar uma culpa tremenda,
O engenho de madeira a gemer e a chorar.
Ringe e range, rouquenha, a rígida moenda;
E ringindo e rangendo, a cana a triturar
Parece que tem alma adivinha e desvenda
A ruína, a dor, o mal que vai, talvez, causar...”
IMPRIMIR
Da Costa e Silva. Poemas.
Considerando o poema acima, julgue os itens a seguir.
( ) Os dois primeiros versos da segunda estrofe recuperam, com a repetição de recursos poéticos, a sonoridade da moenda a trabalhar.
( ) O poeta utiliza a figura de linguagem denominada prosopopéia quando afirma que
a moenda “tem alma adivinha e desvenda” (v.7).
( ) A época áurea da cana-de-açúcar, em que a economia brasileira dependia, principalmente, dessa atividade extrativa vegetal, é o assunto desse poema.
( ) A inserção de uma vírgula após “alma” (v.7) mantém a correção gramatical sem
alterar o sentido do verso.
( ) O poema alude a problemas que podem advir do consumo de bebida alcoólica.
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39. U. Salvador-BA
“A Transação
Vaguei pelas ruas e recolhi-me às nove horas. Não podendo dormir, atirei-me a ler e escrever. Às
onze horas estava arrependido de não ter ido ao teatro, consultei o relógio, quis vestir-me, e sair.
Julguei, porém, que chegaria tarde; demais, era dar prova de fraqueza. Evidentemente, Virgília
começava a aborrecer-se de mim, pensava eu. E esta idéia fez-me sucessivamente desesperado e
frio, disposto a esquecê-la e a matá-la. Via-a dali mesmo, reclinada no camarote, com os seus
magníficos braços nus, – braços que eram meus, – fascinando os olhos de todos, com vestido
soberbo que havia de ter, o colo de leite, os cabelos postos em à maneira do tempo, e os brilhantes, menos luzidios que os olhos dela... Via-a assim, e doía-me que a vissem outros. Depois,
começava a despi-la, a pôr de lado as jóias e sedas, a despenteá-la com as minhas mãos sôfregas
e lascivas, a torná-la, – não sei se mais bela, se mais natural, – torná-la minha, somente minha,
unicamente minha.”
ASSIS, Machado de. Memórias Póstumas de Brás Cubas. 18 ed. São Paulo: Ática, 1992, p. 96.
Marque com V as características comprováveis com o texto e com F, as demais.
( ) Atitude reflexiva do narrador em face da realidade.
( ) Ser humano revelado como contraditório.
( ) Relação amorosa caracterizada pela possessividade.
( ) Sublimação do amor.
( ) Imagem da mulher amada envolvida pelo tom irônico.
14
Leia o texto a seguir e responda às questões de 40 a 42.
1
5
GABARITO
10
15
20
IMPRIMIR
25
30
“Biblioteca verde
Papai, me compra a Biblioteca Internacional de Obras de Célebres.
São só 24 volumes encadernados
em percalina verde.
Meu filho, é livro demais para uma criança.
Compra assim mesmo, pai, eu cresço logo.
Quando crescer eu compro. Agora não.
Papai me compra agora. É em percalina verde,
só 24 volumes. Compra, compra, compra.
Fica quieto, menino, eu vou comprar.
Chega cheirando a papel novo, mata
de pinheiros toda verde. Sou
o mais rico menino destas redondezas.
(Orgulho, não; inveja de mim mesmo.)
Ninguém mais aqui possui a coleção
das Obras Célebres. Tenho de ler tudo.
Antes de ler, que bom passar a mão
no som da percalina, esse cristal
de fluida transparência: verde, verde.
Amanhã começo a ler. Agora não.
Mas leio, leio. Em filosofias
tropeço e caio, cavalgo de novo
meu verde livro, em cavalarias
me perco, medievo; em contos, poemas
me vejo viver. Como te devoro,
verde pastagem. Ou antes carruagem
de fugir de mim e me trazer de volta
à casa a qualquer hora num fechar
de páginas?
Tudo que sei é que ela que me ensina.
O que saberei, o que não saberei nunca,
está na Biblioteca em verde murmúrio
de flauta-percalina eternamente.”
ANDRADE, Carlos Drummond de. Reunião.
Rio de Janeiro, José Olympio, 1983. p.672-673.
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40. UFR-RJ No texto deparamo-nos com um leitor que “devora” os livros que lê. Mas se a
biblioteca é para esse eu-lírico um manancial de saber, por outro lado, decifrar o que nela
está escrito não assegura a seu leitor um conhecimento de tudo o que ela traduz. A leitura
não está unicamente inscrita no texto, pois ela depende da capacidade do leitor de atribuir sentidos ao que lê. O(s) verso(s) que melhor traduz(em) esta afirmação é (são):
a) “ Meu filho, é livro demais para uma criança
Compra assim mesmo, pai eu cresço logo.” -v. 4-5.
b) “Antes de ler, que bom passar a mão
no som da percalina, esse cristal”. -v. 6-7.
c) “Tudo que sei é ela que me ensina.
O que saberei, o que não saberei nunca,
está na biblioteca em verde murmúrio”. -v. 29-32.
d) “(...) Como te devoro,
verde pastagem. Ou antes carruagem
de fugir de mim e me trazer de volta”. -v. 25-26.
e) “Amanhã começo a ler. Agora não”. -v. 19.
15
41. UFR-RJ A expressão que se refere à Biblioteca Verde no plano denotativo é:
a) “mata/ de pinheiros toda verde” -v. 10-11.
b) “coleção/ de Obras Célebres.” -v. 14-15.
c) “cristal/ de fluida transparência” -v. 17-18.
d) “verde pastagem” -v. 25.
e) “carruagem/ de fugir de mim” -v. 25-26.
42. UFR-RJ O recurso gramatical utilizado pelo autor para reproduzir um diálogo pode ser
demonstrado através:
a) do emprego de verbos irregulares.
b) das construções com uso de vocativos.
c) da predominância de orações coordenadas.
d) do emprego de verbos no modo imperativo.
e) do uso do pronome oblíquo na primeira pessoa do singular.
GABARITO
43. U.F. Santa Maria-RS Observe a postura do narrador no seguinte fragmento de Dom
Casmurro, de Machado de Assis:
“LXIII Metades de um Sonho
Fiquei ansioso pelo sábado. Até lá os sonhos perseguiam-me, ainda acordado, e não os digo
aqui para não alongar esta parte do livro. Um só ponho, e no menor número de palavras, ou antes
porei dois, porque um nasceu de outro, a não ser que ambos formem duas metades de um só.
Tudo isto é obscuro, dona leitora, mas a culpa é do vosso sexo, que perturbava assim a adolescência de um pobre seminarista. Não fosse ele, e este livro seria talvez uma simples prática paroquial,
se eu fosse padre, ou uma pastoral, se bispo, ou uma encíclica47, se papa, como me recomendara
tio Cosme. ‘Anda lá, meu rapaz, volta-me papa!’ Ah! por que não cumpri esse desejo? Depois de
Napoleão, tenente e imperador, todos os destinos estão neste século.”
Vocabulário:
Encíclica – Carta solene dirigida pelo Papa ao clero do mundo católico ou unicamente aos bispos
de uma nação. (N.E.)
IMPRIMIR
47
É correto afirmar que o narrador:
a) em terceira pessoa culpa a leitora por ele não ter sido padre e não ter escrito uma
encíclica, como era seu sonho de adolescência;
b) Machado de Assis culpa as mulheres, por ter sido escritor de romances, e tio Cosme,
por tê-lo induzido a casar cedo;
c) é machista e culpa as mulheres pelas mudanças nos destinos dos homens que não
querem escrever romances;
d) em primeira pessoa dirige-se a uma leitora, culpando as mulheres de terem perturbado
sua adolescência e mudado, não só a sua vocação, como também o enredo da narrativa;
e) em primeira pessoa culpa as mulheres por não ter sido Napoleão, dirigindo-se a uma
leitora que, nesse caso, torna-se também culpada pelo destino dele.
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As questões 44 e 45 referem-se ao seguinte texto:
1
4
7
10
13
16
16
19
22
“2ª Ladainha
Por que o raciocínio,
os músculos, os ossos?
A automação, ócio dourado,
O cérebro eletrônico, o músculo
mecânico
mais fáceis que um sorriso.
Por que o coração?
O de metal não tornará o homem
mais cordial,
dando-lhe um ritmo estracorporal?
Por que levantar o braço
para colher o fruto?
A máquina o fará por nós.
Por que labutar no campo, na cidade?
A máquina o fará por nós.
Por que pensar, imaginar?
A máquina o fará por nós.
Por que fazer um poema?
A máquina o fará por nós.
Por que subir a escada de Jacó?
A máquina o fará por nós.
Ó máquina, orai por nós.”
RICARDO, Cassiano. Seleta em prosa e verso.
Rio de Janeiro: José Olympio, INL, 1972, p. 85-6.
44. UnB-DF
IMPRIMIR
GABARITO
“Ladainha (a-í) (Do grego litaneia, pelo lat. litania) S.f.1. Oração formada por uma série de
invocações curtas e respostas repetidas.
2. Fig. Relação, narração, discurso, ou conversa longa e fastidiosa; lengalenga, cantilena. Bras.
Cap. Canto do ritual de abertura de uma roda de capoeira. (Sin. (ant.) nesta acepção: reza da
capoeira.)”
Considerando o verbete acima, reproduzido do Novo Aurélio Século XXI: dicionário da
língua portuguesa, e o texto III, julgue os itens que se seguem.
( ) De acordo com a acepção 1 do verbete, o texto 2ª Ladainha tem a forma de uma
prece, uma oração.
( ) Como obra poética, o texto estabelece ambigüidade de sentido entre as acepções 1
e 2 do verbete.
( ) Segundo a acepção 1 do verbete, no poema a resposta repetida é o refrão “A
máquina o fará por nós”.
( ) Esse poema, na forma como se apresenta, corresponde, em um contexto de capoeira, ao “ritual de abertura” mencionado na acepção 2 do verbete.
45. UnB-DF
Acerca das idéias do texto, julgue os itens seguintes.
( ) Ao longo do poema, o autor vai associando partes da anatomia humana aos sistemas fisiológicos por ela dinamizados, da seguinte forma: primeira estrofe, sistema
neurovegetativo; segunda, sistema circulatório; terceira, sistemas motor, digestivo
e respiratório; quarta e quinta, sistema lingüístico.
( ) Todas as ocorrências do vocábulo “máquina” desempenham a função de vocativo.
( ) O pronome “o”, que aparece várias vezes no poema, refere-se, no verso 15, a “labutar no campo, na cidade”, no verso 17, a “pensar, imaginar”, no verso 19, a
“fazer um poema” e, no verso 21, a “subir a escada de Jacó”.
( ) A voz do poeta, no último verso, desvela a ironia com que se estrutura o poema.
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46. U. Potiguar-RN
“Luísa
Rua
espada nua
bóia no céu
imensa e amarela
tão redonda, a lua
como flutua
vem navegando o azul do firmamento
e, no silêncio, lento
um trovador cheio de estrelas
escuta, agora, a canção que eu fiz
pra te esquecer, Luísa
eu sou apenas um pobre amador apaixonado
um aprendiz do teu amor
acorda, amor
que eu sei que embaixo desta neve mora um coração.
Vem cá, Luísa
me dá tua mão
o teu desejo é sempre o meu desejo
vem, me exorciza
me dá tua boca
e a rosa louca vem me dar um beijo
e um raio de sol nos teus cabelos
como um brilhante que partindo a luz
explode em sete cores
revelando, então, os sete mil amores
que eu guardei somente pra te dar
Luísa...”
17
Antônio Carlos Jobim.
Indique a opção que apresenta uma afirmação correta:
b) Esta é uma composição escrita nos moldes camonianos de Os Lusíadas, que descreve
a paisagem, a fauna e flora, os costumes e tradições do indianismo.
c) O autor, Antônio Carlos Jobim, sofre a forte influência poética de Lord Byron e Musset, que também é conhecida como influência da Geração de Orpheu.
d) O lirismo amoroso constitui a fonte de todo o lirismo europeu e, conseqüentemente,
brasileiro, percebendo-se a sua influência ainda hoje, como vemos nesta canção de
Antônio Carlos Jobim.
IMPRIMIR
GABARITO
a) Antônio Carlos Jobim apresenta grandes influências da literatura ocidental em seus
versos, já que os mesmos são inspirados na produção poética greco-parnasiana.
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Texto para as questões 47 e 48:
“O relógio
1
Ao redor da vida do homem
há certas caixas de vidro,
dentro das quais, como em jaula, se
ouve palpitar um bicho.
Se são jaulas não é certo;
mais perto estão das gaiolas
ao menos, pelo tamanho
e quebradiço da forma.
Umas vezes, tais gaiolas
vão penduradas nos muros;
outras vezes, mais privadas,
vão num bolso, num dos pulsos.
Mas onde esteja: a gaiola
será de pássaro ou pássara:
é alada a palpitação,
a saltação que ela guarda;
18
e de pássaro cantor,
não pássaro de plumagem:
pois delas se emite um canto
de uma tal continuidade
que continua cantando
se deixa de ouvi-lo a gente:
como a agente às vezes canta
para sentir-se existente.
2
O que eles cantam, se pássaros, é
diferente de todos:
cantam numa linha baixa,
com voz de pássaro rouco;
GABARITO
desconhecem as variantes
e o estilo numeroso
dos pássaros que sabemos, estejam
presos ou soltos;
têm sempre o mesmo compasso
horizontal e monótono,
e nunca, em nenhum momento,
variam de repertório:
dir-se-ia que não importa
a nenhum ser escutado.
Assim, que não são artistas
nem artesãos, mas operários
IMPRIMIR
para quem tudo o que cantam
é simplesmente trabalho,
trabalho rotina, em série,
impessoal, não assinado,
de operário que executa
seu martelo regular
proibido (ou sem querer)
do mínimo variar.”
NETO, João Cabral de Melo. Obra completa.
Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994, p. 324-6.
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47. UnB-DF Em relação ao texto, julgue os itens que se seguem.
( ) O entendimento do poema é facilitado pelo fato de o título permitir que o sentido metafórico da terceira estrofe se associe à idéia de relógio.
( ) A utilização de estrofes que são quartetos e de versos de sete sílabas (redondilha maior) comprova que o Modernismo desprezou totalmente as formas tradicionais de construção de poemas.
( ) A noção de trabalho no texto apresenta as oposições: artistas e artesãos versus
operários; produção variada, criativa versus produção em série, rotineira; a produção pessoal versus produção impessoal.
19
48. UnB-DF Ainda em relação ao texto, julgue os itens seguintes.
( ) No primeiro verso do poema, a contagem das sílabas métricas exige a elisão de
uma das vogais idênticas em “do homem” e a desconsideração da última sílaba
gramatical do verso, por ser átona.
( ) A ocorrência próxima dos substantivos “jaula”, “jaulas”, “gaiolas”, “gaiola” e
“pássaro” e das palavras com o mesmo radical “cantor”, “canto”, “cantando”,
“canta” e “cantar” constitui um recurso próprio da construção em versos que
intensifica a sonoridade, a coesão e também a convergência e a densidade semântica do texto.
( ) Na interpretação de poemas, deve existir sempre uma margem de flexibilidade
em conseqüência da multiplicidade de sentidos. Assim, na sexta estrofe, as duas
ocorrências da expressão “a gente” podem ser interpretadas como nós (eu lírico e leitores) ou como as pessoas, o povo.
49. UFSE-PSS Considere as seguintes estrofes do Romanceiro da Inconfidência:
“Mil bateias vão rodando
sobre córregos escuros;
a terra vai sendo aberta
por intermináveis sulcos;
infinitas galerias
penetram morros profundos.
IMPRIMIR
GABARITO
De seu calmo esconderijo,
o ouro vem, dócil e ingênuo;
torna-se pó, folha, barra,
prestígio, poder, engenho...
É tão claro! – e turva tudo:
honra, amor e pensamento.”
MEIRELES, Cecília. Romance II.
Assinale como verdadeiras as frases que fazem uma afirmação correta em relação ao
que se observa no trecho acima e como falsas aquelas em que isso não ocorre.
( ) Em ambas as estrofes predominam tanto aspectos descritivos quanto líricos.
( ) A linguagem é poética, quer dizer, seu foco principal está na mensagem que é
transmitida.
( ) Na 2ª estrofe encontram-se metáfora (3º e 4º versos) e antítese (5º verso).
( ) Quanto à posição da sílaba tônica, esses versos são graves e redondilha maior é
o nome dado a eles, considerando-se o número de sílabas em cada verso.
( ) As estrofes acima comprovam que o poema de onde eles foram extraídos é uma
obra do Arcadismo brasileiro, em função de seu assunto e da linguagem despojada, em ordem direta.
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Texto para as questões 50 e 51.
“Homem comum
Sou um homem comum
de carne e de memória
de osso e esquecimento.
Ando a pé, de ônibus, de táxi, de avião
e a vida sopra dentro de mim
pânica
feito a chama de um maçarico
e pode
subitamente
cessar.
Sou como você
feito de coisas lembradas
e esquecidas
rostos e
mãos, o guarda-sol vermelho ao meio-dia
em Pastos-Bons,
defuntas alegrias flores passarinhos
facho da tarde luminosa
nomes que já nem sei
bocas bafos bacias
bandejas bandeiras bananeiras
tudo
misturado
essa lenha perfumada
que se acende
e me faz caminhar
sou um homem comum
brasileiro, maior, casado, reservista,
e não vejo na vida, amigo,
nenhum sentido, senão
lutarmos juntos por um mundo
melhor.”
IMPRIMIR
GABARITO
20
GULLAR, Ferreira. Toda Poesia. Rio de Janeiro,
Civilização Brasileira, 1987. p. 229.
50. U. Santa Úrsula-RJ Para alargar e definir a imagem de “homem comum”, o autor não
se utiliza:
a) de comparações;
b) do efeito dos adjetivos;
c) da construção de versos livres;
d) da força dos verbos;
e) da beleza dos substantivos saudosistas.
51. U. Santa Úrsula-RJ Nos últimos 5 versos, o poeta faz um hino de louvor a:
a) sermos pessoas comuns, do dia-a-dia;
b) vermos algum sentido na vida;
c) não nos desesperarmos;
d) sermos pessoas ajustadas e felizes;
e) sermos gente, povo solidário e unido.
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52. U.E. Maringá-PR Leia o poema a seguir e assinale o que for correto.
“Interpretação
As palavras aí estão, uma por uma:
porém minha alma sabe mais.
De muito inverossímil se perfuma
o lábio fatigado de ais.
Falai! que estou distante e distraída,
com meu tédio sem voz.
Falai! meu mundo é feito de outra vida.
Talvez nós não sejamos nós.”
MEIRELES, Cecília. Obra poética. Rio de Janeiro, Nova Aguilar, 1977, p. 256.
01. O eu-lírico volta-se para dentro de si mesmo, promovendo uma espécie de autosondagem no domínio do mundo interior. Pode-se dizer que, no poema, existe uma
intenção de busca da verdade subjetiva, daquilo que não pode ser observado no mundo exterior.
21
02. Nos dois primeiros versos, há uma constatação de que a linguagem não é um instrumento suficiente para expressar aquilo que habita o universo interior do eu-lírico.
Esta insuficiência sugere que a vida humana marca-se, por vezes, pela incomunicabilidade e, conseqüentemente, pelo isolacionismo e pela solidão – aspectos que caracterizam o sentido deste poema.
04. Os versos “De muito inverossímil se perfuma / o lábio fatigado de ais” fazem referência à própria criação artística. A arte pode ser “inverossímil”, ou seja, ela se permite dizer “inverdades”. O poeta pode criar mundos e fingir sentimentos – o que fica
evidenciado na expressão “lábio fatigado de ais”.
GABARITO
08. Percebe-se, no poema, a existência de dois universos: o da exterioridade, representado por expressões como “palavras” e “Falai!”, e o da interioridade, revelado em
expressões como “alma” e “tédio sem voz”. Há, portanto, nesse poema, um “eu”
bipartido entre dois mundos e que se reconhece como ser diferenciado dos demais
seres, quando afirma: “meu mundo é feito de outra vida”.
16. O verso “Falai! que estou distante e distraída”, indica o desrespeito do eu-lírico
para com as outras pessoas. O eu-lírico experimenta uma introspecção tão imensa
que, mesmo chamando o interlocutor pelo tratamento cerimonioso “vós”, trata-o
com desdém, revelando seu egoísmo e seu desinteresse para com as necessidades
do “outro”.
32. O verso “Talvez nós não sejamos nós” revela o estado de total conflito em que se
encontra o eu-lírico. Isso porque, profundamente interiorizado, o eu-lírico só poderia falar sobre si mesmo e não sobre “nós”. O último verso indica, portanto, o delírio,
a perda da percepção dos limites da realidade, que são conseqüências diretas do
processo de introspecção do “eu”.
IMPRIMIR
Dê, como resposta, a soma das alternativas corretas.
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INSTRUÇÃO: Leia atentamente o texto a seguir e julgue os itens das questões 53 a 56.
IMPRIMIR
GABARITO
22
“O Colocador de Pronomes
Havia em Itaoca um pobre moço que definhava de tédio no fundo dum cartório. Escrevente. Vinte e
três anos. Magro. Ar um tanto palerma. Ledor de versos lacrimogêneos e pai duns acrósticos dados à luz
no Itaoquense, com bastante sucesso.
Vivia em paz com as suas certidões quando o frechou venenosa seta de Cupido. Objeto amado: a
filha mais moça do coronel Triburtino, o qual tinha duas, essa, Laurinha, do escrevente, então nos
dezessete, e a do Carmo, encalhe da família, vesga, madurota, histérica, manca da perna esquerda e
um tanto aluada.
Triburtino não era homem de brincadeiras. Esgüelara um vereador oposicionista em plena sessão da
câmara, e desd’aí transformou-se no tutu da terra. Toda a gente lhe tinha um vago medo; mas o amor,
que é mais forte que a morte, não receia sobrecenhos enfarruscados, nem tufos de cabelos no nariz.
Ousou o escrevente namorar-lhe a filha, apesar da distância hierárquica que os separava. Namoro à
moda velha, já se vê, que nesse tempo não existia a gostosura dos cinemas. Encontros na igreja, à missa,
troca de olhares, diálogos de flores – o que havia de inocente e puro. Depois, roupa nova, ponta de
lenço de seda a entremostrar-se no bolsinho de cima e medição de passos na rua d’Ela, nos dias de
folga. Depois, a serenata fatal à esquina, com o
Acorda, donzela...
sapecado a medo num velho pinho de empréstimo. Depois, bilhetinho perfumado.
Aqui se estrepou...
Escrevera nesse bilhetinho, entretanto, apenas quatro palavras, afora pontos exclamativos e reticências:
Anjo adorado!
Amo-lhe! ...
...
Para abrir o jogo, bastava esse movimento de peão.
Ora, aconteceu que o pai do anjo apanhou o bilhetinho celestial e, depois de três dias de sobrecenho
carregado, mandou chamá-lo à sua presença, com disfarce de pretexto – para umas certidõezinhas,
explicou.
Apesar disso, o moço veio um tanto ressabiado, com a pulga atrás da orelha.
Não lhe erravam os pressentimentos. Mal o pilhou portas aquém, o coronel trancou o escritório,
fechou a carranca e disse:
— A família Triburtino de Mendonça é a mais honrada desta terra, e eu, seu chefe natural, não
permitirei nunca, – nunca, ouviu? que contra ela se cometa o menor deslize.
Parou. Abriu uma gaveta. Tirou de dentro um bilhetinho cor-de-rosa, desdobrou-o.
— É sua esta peça de flagrante delito?
O escrevente, a tremer, balbuciou medrosa confirmação.
— Muito bem! continuou o coronel em tom mais sereno. Ama, então, minha filha e tem a audácia de
o declarar... Pois agora...
O escrevente, por instinto, ergueu o braço para defender a cabeça e relanceou os olhos para a rua,
sondando uma retirada estratégica.
— ... é casar! concluiu de improviso o vingativo pai.
O escrevente ressuscitou. Abriu os olhos e a boca, num pasmo. Depois, tornando a si, comoveu-se e
com lágrimas nos olhos disse gaguejante:
— Beijo-lhe as mãos, coronel! Nunca imaginei tanta generosidade em peito humano! Agora vejo
com que injustiça o julgam aí fora!...
Velhacamente o velho cortou-lhe o fio das expansões.
— Nada de frases, moço, vamos ao que serve: declaro-o solenemente noivo de minha filha! E, voltando-se para dentro, gritou:
— Do Carmo! Venha abraçar o teu noivo!
O escrevente piscou seis vezes e, enchendo-se de coragem, corrigiu o erro.
— Laurinha, quer o coronel dizer...
O velho fechou de novo a carranca.
— Sei onde trago o meu nariz, moço. Vassuncê escreveu este bilhete à Laurinha dizendo que ama‘lhe’. Se amasse a ela deveria dizer amo-‘te’. Dizendo amo-‘lhe’ declara que ama a uma terceira pessoa,
a qual não pode ser senão a Maria do Carmo. Salvo se declara amor à minha mulher!...
— Oh, coronel...
— ... ou à preta Luzia, cozinheira. Escolha!
O escrevente, vencido, derrubou a cabeça, com uma lágrima a escorrer rumo à asa do nariz. Silenciaram ambos, em pausa de tragédia. Por fim o coronel, batendo-lhe no ombro paternalmente, repetiu
a boa lição da sua gramática matrimonial.
— Os pronomes, como sabe, são três: da primeira pessoa – quem fala, e neste caso vassuncê; da
segunda pessoa – a quem se fala, e neste caso Laurinha; da terceira pessoa – de quem se fala, e neste
caso Maria do Carmo, minha mulher ou a preta. Escolha!”
LOBATO, Monteiro. O Colocador de pronomes. In: Contos pesados. Urupês, Negrinha e O macaco que se fez homem. São
Paulo: Editora Nacional, 1940.
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53. UFMT
( ) A narrativa de Lobato explora caricatualmente o mundo dos coronéis – forças políticas locais caracterizadas pelo autoritarismo e arbitrariedade.
( ) A interpretação que o coronel dá ao bilhete mostra que equívocos gramaticais podem resultar em equívocos de sentido.
( ) Na narrativa, o coronel Triburtino é uma personagem contraditória: colérico, mas
cordial e receptivo a bajulações.
( ) O namoro entre o escrevente e Laurinha é descrito pelo narrador por meio de estereótipos e clichês.
54. UFMT
( ) A intercalação do parágrafo descritivo entre “Pois agora... e... é casar!” , interrompendo o fluxo da narrativa, é um recurso usado pelo narrador para recriar a ansiedade do escrevente e para produzir um efeito de suspense.
( ) Nessa narrativa, a seqüência temporal é interrompida pelas constantes evocações
da memória das personagens.
( ) O narrador pode ser classificado como objetivo ou neutro, pois apresenta personagens e acontecimentos sem manifestar opinião.
( ) O narrador é contemporâneo dos acontecimentos e os relata à medida em que vão
ocorrendo.
23
55. UFMT
( ) No trecho Escrevente. Vinte e três anos. Magro. Ar um tanto palerma, as frases
nominais são usadas para compor o perfil da personagem.
( ) No trecho sapecado a medo num velho pinho de empréstimo, há um exemplo de
metonímia.
( ) As expressões pai duns acrósticos e quando o frechou venenosa seta de cupido
são casos de metáfora.
( ) O adjetivo celestial descreve objetivamente o aspecto sublime e superior da linguagem e do conteúdo do bilhetinho.
( ) O uso da letra maiúscula na forma Ela sugere o endeusamento da mulher amada.
IMPRIMIR
GABARITO
56. UFMT
( ) Monteiro Lobato usa a forma frechou para transgredir as normas ortográficas, com
o intuito de criar uma escrita brasileira.
( ) A forma frechou é uma variante ortográfica de flechou, ambas dicionarizadas.
( ) A substituição de (l) por (r) é um fenômeno comum no português não-padrão,
produzindo formas como ingreis, craru, parma, sar.
( ) A troca de (l) por (r) é a troca de uma consoante lateral por consoante vibrante.
57. UFMG Leia estes trechos de dois poemas de Gonçalves Dias.
“Meu Deus, Senhor meu Deus, o que há no mundo
Que não seja sofrer?
O homem nasce, e vive um só instante,
E sofre até morrer!
(Sofrimento)
Tupã, ó Deus grande! cobriste o teu rosto
Com denso velâmen de penas gentis;
E jazem teus filhos clamando vingança
Dos bens que lhes deste da perda infeliz!
Tupã, ó Deus grande! teu rosto descobre:
Bastante sofremos com tua vingança!
Já lágrimas tristes choram teus filhos,
Teus filhos que choram tão grande mudança.”
(Deprecação)
Com base nessa leitura, é incorreto afirmar que, em ambos os trechos,
a) o eu poético enuncia uma proposta de mudança;
b) o eu poético se dirige a Deus;
c) o eu poético fala de um estado de sofrimento;
d) o eu poético se refere a uma situação que não é apenas individual.
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58. Univali-SC Chico Buarque de Holanda compôs, entre outras tantas letras para suas
músicas, o poema a seguir, também musicado.
“Construção
E tropeçou no céu como se ouvisse música
E flutuou no ar como se fosse sábado
E se acabou no chão feito um pacote tímido
Agonizou no meio do passeio náufrago
Morreu na contramão atrapalhando o público
Amou daquela vez como se fosse máquina
Beijou sua mulher como se fosse lógico
Ergueu no patamar quatro paredes flácidas
Sentou pra descansar como se fosse um pássaro
E flutuou no ar como se fosse um príncipe
E se acabou no chão feito um pacote bêbado
Morreu na contramão atrapalhando o sábado.”
24
Sobre o texto está correto a alternativa:
a) Embora massacrado pela rotina, o operário da construção civil consegue, nos últimos
instantes de sua vida, tornar seu mundo musical leve.
b) Escrito em versos alexandrinos, segue o modelo clássico de composição poética para
falar da rotina de um operário e de seus sonhos não-realizados.
c) O amor, o sonho e a fantasia fazem com que o operário se transporte para um mundo
mágico, metaforizando tal passagem com a morte.
d) O início de alguns versos se repete, para dar ao ouvinte/leitor a idéia da rotina contra
a qual ele se revolta, provocando a própria morte para interromper a repetição do seu
dia-a-dia.
e) São versos dodecassílabos, com severa crítica social, destacando, através da repetição
de alguns versos, a falta de perspectivas de um operário da construção civil.
INSTRUÇÃO: Leia o texto e julgue os itens da questão 59.
IMPRIMIR
GABARITO
“Está tudo muito bem,
estou muito esperançado
Mas, enquanto não aparece negócio,
ô mulher, traz meu lençol,
que eu estou no banco, deitado!”
SUASSANA, Ariano. Farsa da Boa Preguiça. Rio de Janeiro, José Olympio, 1979.
59. UFMT
( ) O texto defende a idéia de que o valor do ócio é superior ao do trabalho.
( ) O narrador utiliza-se do discurso direto para registrar a fala espontânea das personagens.
( ) Há indicações, no texto, de que as personagens pertencem à elite burguesa.
60. U.F. Uberlândia-MG Assinale a alternativa correta.
a) No Barroco a religiosidade aparece como em um cenário idealizado onde todos são
felizes e os poetas são pastores.
b) A ficção é um produto da imaginação criadora que lida com fatos verossímeis, isto é,
fatos passíveis de serem verdade.
c) A prosa existe em função da confissão amorosa, pessoal; e a poesia, para a criação de
personagens.
d) Enredo, tempo e espaço são elementos que não podem entrar na composição de um
texto do gênero lírico.
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61. U.F. Santa Maria-RS Leia o poema que se segue.
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
(...)
21
22
23
24
25
26
27
28
25
“Leito de folhas verdes
Por que tardas, Jatir, que tanto a custo
À voz do meu amor moves teus passos?
Da noite a viração, movendo as folhas,
Já nos cimos do bosque rumoreja.
Eu sob a copa da mangueira altiva
Nosso leito gentil cobri zelosa
Com mimoso tapiz de folhas brandas,
Onde o frouxo luar brinca entre flores.
Do tamarindo a flor abriu-se, há pouco,
Já solta o bogari mais doce aroma!
Como prece de amor, como estas preces,
No silêncio da noite o bosque exala.
Brilha a lua no céu, brilham estrelas,
Correm perfumes no correr da brisa,
A cujo influxo mágico respira-se
Um quebranto de amor, melhor que a vida!
A flor que desabrocha ao romper d’alva
Um só giro do sol, não mais, vegeta:
Eu sou aquela flor que espero ainda
Doce raio do sol que me dê vida.
Do tamarindo a flor jaz entreaberta,
Já solta o bogari mais doce aroma;
Também meu coração, como estas flores,
Melhor perfume ao pé da noite exala!
Não me escutas, Jatir! nem tardo acordes
À voz do meu amor, que em vão te chama!
Tupã! lá rompe o sol! do leito inútil
A brisa da manhã sacuda as folhas!”
DIAS, Gonçalves. Poesia. Rio de Janeiro, Agir.
GABARITO
Pode-se afirmar sobre o poema:
a) O verso 24 faz referência ao eu-lírico; o verso 20, à pessoa amada; o verso 27, ao rival
de Jatir.
b) É registrada a passagem do tempo na natureza: desde a noite até a manhã seguinte.
c) O poema é todo escrito em versos brancos e pode ser classificado como poesia
simbolista.
d) O eu-lírico é masculino e espera a sua amada, que não chega.
IMPRIMIR
e) A natureza, no poema, não desempenha nenhuma função específica.
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A questão 62 reporta-se ao romance Lucíola, de José Alencar.
IMPRIMIR
GABARITO
26
“Apenas o médico saiu, ela olhou-me tristemente:
Era o primeiro! Mas o tato das entranhas maternas, sejam elas virgens ainda, não engana.
Nosso filho, Paulo, o teu, porque ele era mais teu do que meu, já não existe.
À noite declarou-se a febre; uma febre intensa que a fez delirar. Foi então que conheci quanto
eu vivia no seu pensamento: ela não disse no delírio uma só palavra que não se referisse a mim e
alguma circunstância de nossa vida mútua, desde o primeiro dia em que nos encontramos.
Pela manhã, depois de um sono curto e agitado, achei-a mais tranqüila:
— Tu me prometes, Paulo, casar com Ana!
— Não tratemos disso agora, minha amiga! Quando ficares boa, tudo o que tu quiseres eu farei
para a tua felicidade.
— Mas essa promessa me daria tanto alívio agora!
— Escuta, Maria, esse casamento nos tornaria infelizes a ti, à tua irmã, e a mim, que não
poderia amá-la, mesmo por causa dessa semelhança! Tu viverias sempre entre mim e ela!
— Pois bem, promete-me que se ela não for tua mulher, lhe servirás de pai.
— Juro-te!
Beijou-me as mãos:
— Ela vai ter tanta necessidade de um pai!
Os acessos da febre repetiram-se durante três dias, e sempre mais graves. Uma tarde em que o
médico apresentou a Lúcia um remédio:
— Para que é isso? perguntou ela com brandura.
— Para aliviá-la do seu incômodo. Logo que lançar o aborto, ficará inteiramente boa.
— Lançar!... Expelir meu filho de mim?
E o copo que Lúcia sustentava na mão trêmula, impelido com violência, voou pelo aposento e
espedaçou-se de encontro à parede.
— Iremos juntos!... murmurou descaindo inerte sobre as almofadas do leito. Sua mãe lhe servirá de túmulo.
De joelhos à cabeceira eu suplicava-lhe que bebesse o remédio que a devia salvar.
— Queres acompanhar teu filho, Maria, e abandonar-me só neste mundo. Vive por mim!
— Se eu pudesse viver, haveria forças que me separassem de ti? Haveria sacrifício que eu não
fizesse para comprar mais alguns dias da minha felicidade? Mas Deus não quis. Sinto que a vida
me foge!
A instâncias minhas bebeu finalmente o remédio, que nenhum efeito produziu. A febre lavrava
com intensidade: eu já não tinha esperanças.
— O remédio de que eu preciso é o da religião. Quero confessar-me, Paulo.
Lúcia tomou os sacramentos com uma resignação angélica; e abraçando a irmã, disse-lhe:
— Perdes uma irmã, Ana; fica-te um pai. Ama-o por ele, por ti e por mim.
O dia se passou na cruel agonia que só compreendem aqueles que, ajoelhados à borda de um
leito, viram finar-se gradualmente uma vida querida.”
62. UEGO Assinale V, para as afirmações verdadeiras, e F, para as falsas:
( ) Em “– Pois bem, promete-me que se ela não for tua mulher, lhe servirás de pai.”
Neste período, evidencia-se um desrespeito às convenções gramaticais quanto ao
uso do pronome oblíquo “lhe”, exemplificando assim um caso de próclise, que
também ilustra a oralidade ou a espontaneidade da fala.
( ) É artifício da produção de textos o uso das reticências. Nesse texto em foco, elas
foram usadas por duas vezes indicando então que o narrador imprime ao enredo a
hesitação, a surpresa e estupefação da personagem ante a situação nova com que se
defronta.
( ) Estas frases: “E o copo que Lúcia sustentava ..., voou pelo aposento...”, “A febre
lavrava com intensidade...” e em “Sua mãe lhe servirá de túmulo”, os termos grifados exemplificam metáforas.
( ) O texto apresentado enquadra-se como narrativo-descritivo.
( ) Nos trechos: “– Queres acompanhar teu filho, Maria, e abandonar-me só neste
mundo. Vive por mim!” e em: “O dia se passou, na cruel agonia que só compreendem aqueles...”, a palavra “só” tem equivalente função morfológica em ambas as
situações.
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63. UnB-DF
27
“O Horácio prepara o cafezinho. Desde que o governo suspendeu a verba pra o cafezinho, que
este é custeado pelos funcionários. Custa um tostão. Naziazeno não quer café. Já tomou um há
pouco.
Ele se dirige para a sua carteira. Na sala, pequena, trabalham mais dois: o primeiro escriturário
e o datilógrafo.
Ambos muito quietos. O primeiro escriturário confere contas. É um serviço que faz há muito
tempo. Dispõe de grande prática. Faz cálculos, usa tinta encarnada, bate muitos carimbos. Depois, quando tem já um grupo de contas respeitável, ergue-se e repassa-as uma a uma (com todas
as suas ‘primeiras’, ‘segundas’ e ‘terceiras vias’ nos dedos – que ele a cada passo molha nos lábios
com um certo ruído. O datilógrafo, quando não está ‘batendo’, lê um livro, aberto dentro da
gavetinha ao lado.
Naziazeno interroga o datilógrafo:
— O diretor saiu?
O funcionário levanta os olhos do livro, relanceia-os lentamente pela janela, pousa-os no escriturário:
— Está na Secretaria – responde este, sem interromper a conferência das contas.
‘— O Cipriano certamente foi buscá-lo. Não tarda, estará aí ’ – conjetura mentalmente
Naziazeno.
O trabalho de Naziazeno é monótono: consiste em copiar num grande livro cheio de ‘grades’
certos papéis, em forma de faturas. É preciso antes submetê-los a uma conferência, ver se as
operações de cálculo estão certas. São ‘notas’ de consumo de materiais, há sempre multiplicações
e adições a fazer. O serviço, porém, não exige pressa, não necessita ‘estar em dia’. –Naziazeno
‘leva um atraso’ de uns bons dez meses.
Ele hoje não tem ‘assento’ pra um serviço desses. É preciso classificar as notas, dispô-las por
ordem cronológica e pelas várias ‘verbas’, calcular; depois então ‘lançá-las’ com capricho, ‘puxar’
cuidadosamente as somas... Ele já se ‘refugiou’ nesse trabalho em outras ocasiões. Era então uma
simples contrariedade a esquecer... uma preterição... injustiça ou grosseria dos homens... Mesmo
assim, quando, nesses momentos, se surpreendia ‘entusiasmado’ nesse trabalho, ordenado e
sistemático como ‘um jogo de armar’, não era raro vir-lhe um remorso, uma acusação contra si
mesmo, contra esse espírito inferior de esquecer prontamente, de ‘achar’ no ambiente aspectos
compensadores, quadros risonhos... Todos aqueles indivíduos que lhe pareciam realizar o tipo
médio normal eram obstinados, emperrados, não tinham, não, essa compreensão inteligente e
leviana das coisas...”
De acordo com o texto acima, julgue os seguintes itens.
( ) Pelo texto apresentado, infere-se que a obra da qual ele foi retirado é um romance
rural.
( ) A narrativa focaliza uma personagem que se opõe ao herói tradicional, pois, embora seja o protagonista, não se destaca pelas características elevadas de homem extraordinário por seus feitos, seu valor ou sua magnanimidade, mas por sua mediocridade, seu anonimato e sua alienação.
( ) Muitas das aspas utilizadas no texto revelam a intenção do narrador de ironizar a
atividade pelo uso do jargão burocrático ou de destacar um segundo sentido para as
expressões utilizadas.
( ) O último parágrafo do texto revela um conceito de trabalho como momento de
evasão dos problemas individuais.
( ) O texto é construído pelo foco de um narrador onisciente, que penetra na mente da
personagem, decifrando-lhe pensamentos, lembranças, sentimentos e sensações.
IMPRIMIR
GABARITO
MACHADO, Dyonelio. Os ratos. 12ª ed. São Paulo: Ática, 1992, p. 26-7.
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LÍNGUA PORTUGUESA
NO Ç ÕE S D E
L IT E R A T U R A
c
c
b
b
c
c
d
c
b
e
e
V–F–F–V
a
b
e
d
d
d
c
b
d
e
F–V–F–V
V–V–F
V–F–V
F–V–F–V
d
a
c
d
d
32.
33.
34.
35.
36.
37.
38.
39.
40.
41.
42.
43.
44.
45.
46.
47.
48.
49.
50.
51.
52.
53.
54.
55.
56.
57.
58.
59.
60.
61.
62.
63.
V–F–F–V–V–F
V–V–F–V–F–F
V–V–V–F–F
c
d
a
V–V–F–F–V
F–V–V–F–F
c
b
b
d
V–V–V–V
F–F–V–V
d
F–F–V
F–F–V
V–V–F–V–F
a
b
10
V–V–F–V
V–F–F–F
V–V–V–F–V
F–V–V–V
a
e
F–V–F
b
e
V–V–V–V–F
F–V–V–V–V
IMPRIMIR
GABARITO
1
1.
2.
3.
4.
5.
6.
7.
8.
9.
10.
11.
12.
13.
14.
15.
16.
17.
18.
19.
20.
21.
22.
23.
24.
25.
26.
27.
28.
29.
30.
31.
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LÍNGUA PORTUGUESA
L IT E R A T U R A N O
P E R ÍO D O C O L O N IA L
1. U. Potiguar-RN A carta escrita pelo Padre Manuel da Nóbrega, notificando a chegada
da primeira missão jesuítica, por ele chefiada, em 1549, inaugura que tipo de literatura
no Brasil?
a) Hábitos da cultura européia.
b) A das relações estabelecidas entre os românticos.
c) Informativa dos jesuítas no Brasil.
d) A das influências que Luís de Camões exerce sobre os escritores de Língua Portuguesa.
GABARITO
1
2. UFBA A idéia do trecho transcrito de A Carta de Pero Vaz de Caminha está devidamente indicada em:
01. “E uma daquelas moças era toda tingida (...) tão graciosa, que a muitas mulheres de
nossa terra, vendo-lhes tais feições, provocaria vergonha” – Idealização da mulher
indígena.
02. “No domingo de Páscoa, pela manhã, determinou o Capitão de ir ouvir missa e
pregação naquele ilhéu (...) Mandou armar um pavilhão naquele ilhéu e dentro dele
foi levantado um altar muito bem preparado.” – Difusão do cristianismo.
04. “melhor e muito melhor informação da terra dariam dois homens dentre os degredados que aqui fossem deixados, do que eles dariam se os levassem, por ser gente que
ninguém entende. Nem certamente eles aprenderiam a falar como nós” – Dominação lingüística.
08. “O velho falou enquanto o Capitão estava com ele, diante de nós; mas ninguém o
entendia e nem ele a nós, por mais pergunta que lhe fizéssemos com respeito a ouro,
porque desejávamos saber se o havia na terra.” – Interesse mercantil.
16. “Andamos por ali vendo o ribeirão o qual é de muita água e muito boa. Ao longo dele
há muitas palmeiras, não muito altas, de muito bons palmitos. Colhemos e comemos
muitos deles.” – Visão paradisíaca.
32. “eles passavam de uma confraternização a um retraimento, como pardais, com medo
do cevadoiro. Ninguém não lhe deve falar de rijo, porque então logo se esquivam” –
Animosidade inter-racial.
64. “Aqueles outros, que estiveram sempre presentes à pregação, estavam assim como
nós olhando para o nosso pregador. E aquele de quem falei antes, chamava alguns
para que viessem até ali.” – Submissão religiosa.
CASTRO, Sílvio. O descobrimento do Brasil: A Carta de Pero Vaz de Caminha.
Porto Alegre: L & PM. 1997. p. 83, 85, 87, 88 e 96.
IMPRIMIR
Dê, como resposta, a soma das alternativas corretas.
3. UFSE Nas manifestações literárias dos dois primeiros séculos de nossa história podem
estar presentes as seguintes características:
I. intenção catequética e informação sobre a terra;
II. relato de viagem e pregação religiosa;
III. sentimento nacionalista e participação em campanha republicana.
Estão corretas somente as características indicadas em:
a) I.
d) I e II.
b) II.
e) II e III.
c) III.
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4. Unifor-CE A obra catequética de José de Anchieta, os sermões do Padre Antônio Vieira
e a lírica de Tomás Antônio Gonzaga:
a) representam gêneros e estilos diversos da literatura do período colonial;
b) constituem o que se costuma caracterizar como literatura de informação;
c) constituem obras do mesmo gênero, distribuídas em períodos diversos;
d) representam os momentos mais altos do estilo barroco;
e) constituem obras de gêneros diferentes, produzidas no século XVII.
5. Unifor-CE No período colonial, verificam-se os seguintes fenômenos de nossa vida
literária:
a) Constituição de um exigente público leitor e surgimento das primeiras editoras nacionais.
b) Manifestação de sentimentos nacionalistas e consolidação do romance de temática urbana.
c) Surgimento dos nossos primeiros grandes críticos literários e consolidação de um
público de leitores.
d) reflexos de princípios estéticos do Barroco e do Arcadismo europeus e manifestação
de sentimentos nativistas.
e) surgimento dos primeiros manifestos românticos e exploração de temas indianistas.
2
6. UFSE Assinale como verdadeiras as frases que fazem uma afirmação correta e como
falsas aquelas em que isso não ocorre.
( ) Na época colonial, como os escritores tinham a formação cultural da metrópole, as
manifestações literárias foram marcadas pela necessidade de se libertarem dessas
raízes culturais e criarem uma literatura de acordo com a realidade brasileira.
( ) No Barroco brasileiro observa-se a consciência de que a vida é efêmera, o que se
traduz num problema para os poetas: gozar intensamente as delícias da vida terrena
e, ao mesmo tempo, buscar a espiritualidade, o perdão divino.
( ) Encontra-se nos Sermões do Padre Antônio Vieira a tendência conceptista do Barroco, que se manifesta na preocupação com o conteúdo e o desdobramento das
idéias por meio do jogo de contrastes.
( ) Na poesia arcádica observa-se, apesar da linguagem rebuscada, plena de inversões
e de figuras, a imitação dos modelos greco-latinos e o ideal de uma vida simples,
junto à natureza.
( ) Parte da obra do Pe. José de Anchieta insere-se no objetivo geral da literatura dos
jesuítas: informar aos superiores da Companhia de Jesus a situação geral do Brasilcolônia, o andamento e as condições da obra de catequese, com as dificuldades e os
sucessos. Mas ao mesmo tempo, outra parte se destaca desse conjunto, porque se
reveste em muitos casos de verdadeiro valor literário.
GABARITO
7. Uneb-BA
“Toda a cidade derrota
esta fome universal,
uns dão a culpa total
à Câmara, outros à frota:
a frota tudo abarrota
dentro dos escotilhões,
a carne, o peixe, os feijões;
e se a Câmara olha e ri,
porque anda farta até aqui,
é coisa que me não toca:
Ponto em boca.
A fome me tem já mudo,
que é muda a boca esfaimada,
mas se a frota não traz nada,
por que razão leva tudo?
Que o povo por ser sisudo
largue o ouro e largue a prata
a uma frota patarata,
que entrando co’a vela cheia,
o lastro que traz de areia,
por lastro de açúcar troca:
Ponto em boca.”
IMPRIMIR
MATOS, Gregório de. Décimas. In: Poemas escolhidos.
São Paulo: Círculo do Livro, s/d. p. 46-7.
É uma idéia comprovável no texto:
a) A indiferença do sujeito poético diante do que ocorre na cidade.
b) A sensatez do povo da Bahia por defender as riquezas da terra.
c) O equilíbrio de interesses pautando o comércio da Bahia com o exterior.
d) A denúncia da omissão do poder político em face do problema da cidade.
e) O temor, por parte do sujeito poético, da reação do povo faminto, declarando daí:
“Ponto em boca”.
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8. U. Salvador-BA
“Porque não conhecia, o que lograva,
Deixei como ignorante o bem, que tinha,
Vim sem considerar, aonde vinha,
Deixei sem atender, o que deixava.
Suspiro agora em vão, o que gozava,
Quando não me aproveita a pena minha,
Que quem errou, sem ver, o que convinha,
Ou entendia pouco, ou pouco amava.
3
Padeça agora, e morra suspirando
O mal, que passo, o bem, que possuía,
Pague no mal presente o bem passado.
Que quem podia, e não quis, viver gozando,
Confesse, que esta pena merecia,
E morra, quando menos confessado.”
MATOS, Gregório de. Soneto. In: Obras completas de Gregório
de Matos. Salvador: Janaína, s/d. v. IV, p. 1015.
De acordo com o texto, marque com V as afirmativas verdadeiras e com F as falsas.
( ) O sujeito poético revela consciência do motivo que o levou ao sofrimento.
( ) A trajetória do eu-lírico é caracterizada pela busca incessante do prazer.
( ) O sujeito poético desconhecia os riscos que envolviam a sua escolha.
( ) A saudade do bem perdido serve de consolo e de compensação para o eu-lírico.
( ) A dor daquele que, por ignorância, afastou-se da felicidade é injusta para o sujeito
poético.
( ) A problemática focalizada no texto restringe-se a uma esfera particular.
( ) O poema enquadra-se no Barroco por apresentar o jogo de contrastes e o rigor
formal.
9. Unifor-CE
“Cada dia vos cresce a formosura,
Babu, e tanto cresce, que me embaça:
Se cresce contra mim, alta desgraça,
Se cresce para mim, alta ventura.”
Na estrofe acima, dirige-se o poeta à sua amada Babu, valendo-se de antíteses (“contra
mim” / “para mim”, “alta desgraça” / “alta ventura”), procedimento que costuma estruturar os poemas realizados nesse estilo de época, ou seja, o estilo:
a) barroco, adotado por Gregório de Matos nesses versos satíricos;
b) neoclássico, adotado por Gregório de Matos nesses versos líricos;
c) barroco, adotado por Gregório de Matos nesses versos líricos;
GABARITO
d) barroco, adotado por Cláudio Manuel da Costa nesses versos paródicos;
e) neoclássico, adotado por Cláudio Manuel da Costa nesses versos paródicos.
10. UFPB-PSS
“Sermão vigésimo sétimo
Os senhores poucos, os escravos muitos; os senhores rompendo galas, os escravos despidos e
nus; os senhores banqueteando, os escravos perecendo à fome; os senhores nadando em ouro e
prata, os escravos carregados de ferros; os senhores tratando-os como brutos, os escravos adorando-os e temendo-os como deuses; os senhores em pé apontando para o açoite, como estátuas
da soberba e da tirania, os escravos prostrados com as mãos atadas atrás como imagens vilíssimas
da servidão e espetáculos da extrema miséria.”
IMPRIMIR
VIEIRA, Pe. Antônio. Sermão vigésimo sétimo. In: AMORA, Antônio Soares, org. Sermões, 2. ed. São Paulo: Cultrix, 1981, p. 58.
No texto, verificam-se os seguintes traços do barroco:
I. A presença de um grande número de antíteses.
II. A predominância dos aspectos denotativos da linguagem.
III. A utilização do recurso da hipérbole para melhor traduzir o sofrimento dos escravos.
IV. O envolvimento político do jesuíta.
Estão corretas apenas as afirmativas:
a) I e II.
Voltar
b) III e IV.
c) II e III.
d) I e IV.
e) I e III.
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11. UFBA
“Volta a criticar o mau governo da Bahia
Que falta nesta cidade?
Que mais por sua desonra?
Falta mais que se lhe ponha?
Verdade
Honra
Vergonha.
O demo a viver se exponha,
Por mais que a fama a exalta,
Numa cidade onde falta
Verdade, Honra, Vergonha.
Quem a pôs neste socrócio?
Quem causa tal perdição?
E o maior desta loucura?
Negócio
Ambição
Usura.
Notável desaventura
de um povo néscio, e sandeu,
que não sabe que o perdeu
Negócio, Ambição, Usura.
4
Quais são os seus doces objetos?
Tem outros bens mais maciços?
Quais destes lhe são mais gratos?
Pretos
Mestiços
Mulatos.
Dou ao demo os insensatos,
dou ao demo a gente asnal,
que estima por cabedal
Pretos, Mestiços, Mulatos.
(...)”
IMPRIMIR
GABARITO
MENDES, Cleise Furtado. Senhora Dona Bahia.
Poesia satírica de Gregório de Matos. Salvador: EDUFBA, 1998. p. 54.
A leitura do fragmento e os conhecimentos sobre o autor e sua obra satírica permitem
afirmar:
01. O autor se identifica com os poetas de sua época pelo uso da sátira e pelo exercício
da crítica aos costumes da sociedade em que vive.
02. Esse fragmento inicial do poema tem como conteúdo uma crítica ao governo da
Bahia, inicialmente abordando aspectos éticos, financeiros e étnicos.
04. Pretos, mestiços e mulatos são o alvo preferido pelo autor, por constituírem um grupo em franco processo de ascensão social e econômica, ameaçando sua própria posição.
08. A estrutura formal dos tercetos organiza-se em perguntas e respostas, enquanto o
conteúdo, ao longo do poema, desenvolve-se em pares de estrofes, com fatos e comentário.
16. As respostas, nos tercetos, são retomadas e confirmadas nas conclusões dos quartetos.
32. O ritmo do poema, nos tercetos, é marcado, em cada verso, por rimas internas.
64. A expressão “povo néscio, e sandeu”, nesse contexto, é uma alusão aos portugueses
e seus descendentes, que então viviam na cidade de Salvador.
Dê, como resposta, a soma das alternativas corretas.
12. U. Potiguar-RN O Neoclassicismo ou Arcadismo que representa na literatura uma reação aos excessos do movimento Barroco, procura, tanto no aspecto formal quanto ideológico, um retorno à:
a) ciência impulsionada pela Física de Newton;
b) revolução industrial e à ascensão do capitalismo;
c) antecipação da estética do Romantismo;
d) simplicidade clássica.
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13. U. Potiguar-RN
“Já rompe, Nise, a matutina aurora
o negro manto, com que a noite escura,
sufocando do sol a face pura,
tinha escondido a chama brilhadora.
Que alegre, que suave, que sonora,
aquela fontezinha aqui murmura!
E nestes campos cheios de verdura;
que avultado prazer tanto melhora?
Só minha alma em fatal melancolia,
por te não ver, Nise adorada
não sabe inda, que coisa é alegria,
E a suavidade do prazer trocada,
tanto mais aborrece a luz do dia,
quanto a sombra da noite mais lhe agrada.”
COSTA, Cláudio Manuel da.
No soneto de Cláudio Manuel da Costa, a oposição claro/escuro e a antítese dia/noite
revelam a permanência de características da estética:
a) realista.
b) barroca.
c) romântica.
d) simbolista.
5
14. Unifor-CE Considere as seguintes afirmações:
I. A carta de Caminha, o teatro catequético de Anchieta e a poesia de Gregório de
Matos são criações culturais exemplares do estilo barroco.
II. A poesia de Tomás Antônio Gonzaga, em Marília de Dirceu, vale-se do bucolismo
arcádico ao colocar, no espaço de uma natureza amena, a amada representada por
uma pastora.
III. Na obra de Gregório de Matos, os temas históricos e os detalhes de época são mais
visíveis na poesia satírica do que na lírica.
Está correto o que afirma em:
a) I, somente;
d) II e III, somente;
b) I e II, somente;
e) I, II e III.
c) I e III, somente;
15. UFPB-PSS Leia o terceto extraído de um soneto de Cláudio Manuel da Costa.
GABARITO
“Oh quão lembrado estou de haver subido
Aquele monte, e às vezes, que baixando
Deixei do pranto o vale umedecido!”
Com relação ao fragmento apresentado, afirma-se:
I. A referência à natureza relaciona-se ao Carpe diem, que é o gozo do tempo presente.
II. A natureza é descrita de forma objetiva, sem qualquer identificação com o espírito do
eu-lírico.
III. A ordem inversa do último verso confirma o traço neoclássico do poema.
IV. O último verso apresenta uma hipérbole.
Estão corretas apenas as afirmativas:
a) I e II;
b) II e III;
c) III e IV;
d) I, II e II; e) II, III e IV.
16. UFSE
IMPRIMIR
“Sou pastor, não te nego; os meus montados
São esses, que aí vês; vivo contente
Ao trazer entre a selva florescente
A doce companhia dos meus gados.”
A estrofe acima ilustra o cenário e o modo de viver idealizados na poesia:
a) que José de Anchieta dedicou à Virgem;
b) lírica barroca de Gregório de Matos;
c) em que foi mestre o árcade Cláudio Manuel da Costa;
d) amorosa do indianismo de Gonçalves Dias;
e) épica de Basílio da Gama.
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LÍNGUA PORTUGUESA
L IT E R A T U R A N O
P E R ÍO D O C O L O N IA L
IMPRIMIR
GABARITO
1
1. c
2. 62
3. d
4. b
5. d
6. F – V – V – F – V
7. d
8. V – F – V – F – F – F – V
9. c
10. d
11. 58
12. d
13. b
14. d
15. c
16. b
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LÍNGUA PORTUGUESA
H U M A N IS M O ,
Q U IN H E N T IS M O ,
B A R R O C O E A R C A D IS M O
Texto para as questões 1 e 2:
GABARITO
1
“Senhor:
Posto que o Capitão-mor desta vossa frota, e assim os outros capitães escrevam a Vossa Alteza
a nova do achamento desta vossa terra nova, que nesta navegação agora se achou, não deixarei
também de dar minha conta disso a Vossa Alteza, o melhor que eu puder, ainda que – para o bem
contar e falar – o saiba fazer pior que todos.
Esta terra, Senhor, me parece que da ponta que mais contra o sul vimos até outra ponta que
contra o norte vem, de que nós deste porto houvemos vista, será tamanha que haverá nela bem
vinte ou vinte e cinco léguas por costa. Tem, ao longo do mar, nalgumas partes, grandes barreiras,
delas vermelhas, delas brancas; e a terra por cima toda chã e muito cheia de grandes arvoredos.
De ponta a ponta, é tudo praia-palma, muito chã e muito formosa.
Pelo sertão nos pareceu, vista do mar, muito grande, porque, a estender olhos, não podíamos
ver senão terra com arvoredos, que nos parecia muito longa.
Nela, até agora, não pudemos saber que haja ouro, nem prata, nem coisa alguma de metal ou
ferro; nem lho vimos. Porém a terra em si é de muito bons ares, assim frios e temperados, como os
de Entre-Doiro-e-Minho, porque neste tempo de agora os achávamos como os de lá.
Águas são muitas; infindas. E em tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á
nela tudo, por bem das águas que tem.
Porém o melhor fruito que dela se pode tirar me parece que será salvar esta gente. E esta deve
ser a principal semente que Vossa Alteza em ela deve lançar.
A feição deles é serem pardos, maneira de avermelhados, de bons rostos e bons narizes, bem
feitos. Andam nus, sem cobertura alguma. Não fazem o menor caso de encobrir ou de mostrar
suas vergonhas; e nisso têm tanta inocência como em mostrar o rosto.
Parece-me gente de tal inocência que, se homem os entendesse e eles a nós, seriam logo
cristãos, porque eles, segundo parece, não têm nem entendem em nenhuma crença.
Eles não lavram, nem criam. Não há aqui boi, nem vaca, nem cabra, nem ovelha, nem galinha,
nem qualquer outra alimária, que costumada seja ao viver dos homens. Nem comem senão desse
inhame, que aqui há muito, e dessa semente e fruitos, que a terra e as árvores de si lançam. E
com isto andam tais e tão rijos e tão nédios que o não somos nós tanto, com quanto trigo e
legumes comemos.
E nesta maneira, Senhor, dou aqui a Vossa Alteza conta do que nesta terra vi. E, se algum pouco
me alonguei, Ela me perdoe, pois o desejo que tinha de tudo vos dizer, mo fez pôr assim pelo miúdo.
Beijo as mãos de Vossa Alteza.
Deste Porto Seguro, da vossa Ilha de Vera Cruz, hoje, sexta-feira, primeiro dia de maio de 1500.
Pero Vaz de Caminha.”
IMPRIMIR
CORTESÃO, Jaime. A carta de Pero Vaz de Caminha. Rio de Janeiro:
Livros de Portugal 1943. p. 199-241. Coleção Clássicos e Contemporâneos.
1. UnB-DF Evidenciando a leitura compreensiva do texto, julgue os itens abaixo.
( ) Diferentemente de outros documentos do século XVI acerca da descoberta do Brasil,
hoje esquecidos, a carta de Pero Vaz de Caminha continua a ser lida devido à sua importância histórica e, também, por conter elementos da função poética da linguagem.
( ) A carta de Pero Vaz de Caminha é considerada pela história brasileira o primeiro
documento publicitário oficial do país.
( ) A carta de Caminha é um texto essencialmente descritivo.
( ) Pero Vaz de Caminha foi o único português a enviar notícias da descoberta do
Brasil ao rei de Portugal.
( ) Segundo Caminha, os habitantes da Ilha de Vera Cruz eram desavergonhados.
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2. UnB-DF Ainda com relação ao texto, julgue os seguintes itens.
( ) Substituindo-se “Posto que” por Haja vista, mantêm-se as mesmas relações de
idéias.
( ) O nono parágrafo do texto ressalta uma prática dos silvícolas brasileiros: o extrativismo vegetal, que era a única forma de obtenção dos alimentos necessários à subsistência. Ressalta também que, apesar dessa prática, os silvícolas aparentavam ser
mais fortes e bonitos que os conquistadores, mesmo sendo estes mais bem alimentados.
( ) No nono parágrafo do texto, as expressões “inhame” e “semente e fruitos” são
repetitivas, pois, para a Biologia, a primeira contém a segunda. Além disso, a associação estabelecida entre “semente e fruitos” e “trigo e legumes” é biologicamente
incoerente, pois legumes são sementes e trigo é fruto.
( ) As expressões de tratamento com que a correspondência é aberta e fechada revelam o respeito e a sujeição do remetente ao destinatário.
3. Uniube-MG Assinale a afirmativa correta a respeito do Auto da Barca do Inferno, de
Gil Vicente:
2
a) O que mais se evidencia é o propósito de sátira social, de tal modo que a intenção
religiosa vê-se sufocada ou pelo menos minimizada pelo gosto de sátira da própria
sociedade.
b) O elemento religioso oferece apenas um pretexto, um quadro exterior para a apresentação no palco de sátiras ou caricaturas profanas.
c) A sátira social se liga de modo nítido ao objetivo de edificação espiritual, colocandose a questão da salvação post mortem (após a morte), o que demostra que a intenção
religiosa é ainda aqui dominante.
GABARITO
d) As personagens são personificações alegóricas (tipos reais caricaturizados), o que
evidencia o propósito de sátira social que, nesta peça, substitui o propósito de edificação espiritual.
4. UFRS Em relação ao Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente, considere as seguintes
afirmações.
I. Trata-se de um grande painel que satiriza a sociedade portuguesa do seu tempo.
II. Representa a transição da Idade Média para o Renascimento, guardando traços dos
dois períodos.
III. Sugere que o diabo, ao julgar justos e pecadores, tem poderes maiores que Deus.
Quais estão corretas?
a) Apenas I.
b) Apenas I e II.
c) Apenas I e III.
d) Apenas II e III.
e) I, II e III.
5. PUC-SP O argumento da peça A Farsa de Inês Pereira, de Gil Vicente, consiste na
demonstração do refrão popular “Mais quero asno que me carregue que cavalo que me
derrube”. Identifique a alternativa que não corresponde ao provérbio, na construção da
farsa.
IMPRIMIR
a) A segunda parte do provérbio ilustra a experiência desastrosa do primeiro casamento.
b) O escudeiro Brás da Mata corresponde ao cavalo, animal nobre, que a derruba.
c) O segundo casamento exemplifica o primeiro termo, asno que a carrega.
d) O asno corresponde a Pero Marques, primeiro pretendente e segundo marido de Inês.
e) Cavalo e asno identificam a mesma personagem em diferentes momentos de sua vida
conjugal.
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Texto para as questões 6 e 7.
“CARTA
(Pero Vaz de Caminha)
IMPRIMIR
GABARITO
3
Esta terra, Senhor, parece-me que, da ponta que mais contra o sul vimos, até outra ponta que
contra o norte vem, de que nós deste porto houvemos vista, será tamanho, que haver nela, bem
vinte ou vinte e cinco léguas de costa. Traz ao longo do mar em algumas partes longas barreiras,
umas vermelhas e outras brancas; e a terra de cima, toda chã e muito cheia de grandes arvoredos. De ponta a ponta, é toda a praia muito chã e muito formosa. Pelo sertão, nos pareceu vista
do mar, muito grande; porque a estender olhos, não podíamos ver, senão terra e arvoredos terra que nos parecia muito extensa. Até agora não pudemos saber se há ouro ou prata nela, ou
outra coisa de metal ou ferro, nem lha vimos. Contudo a terra em si é de muito bons ares
frescos e temperados como o de Entre-Douro-e-Minho, porque neste tempo de agora assim os
achávamos como os de lá. Águas são muitas, infinitas. Em tal maneira é graciosa que, querendo
a aproveitar, dar-se-á nela tudo, por causa das águas que tem! Contudo, o melhor fruto que
dela se pode tirar, parece-me que será salvar esta gente, e esta deve ser a principal semente que
Vossa Alteza em ela deve lançar. E que não houvesse mais do que ter Vossa alteza aqui esta
pousada para esta navegação de Calicute bastava; quanto mais disposição para se nela cumprir
e fazer o que Vossa Alteza tanto deseja, a saber, acrescentando da nossa fé! E desta maneira,
dou aqui a Vossa Alteza conta do que nesta Vossa terra vi. E se a um pouco alonguei, Ela me
perdoe, porque o desejo que tinha de Vos tudo dizer, mo fez pôr assim pelo miúdo. É pois que,
Senhor, é certo que tanto neste cargo que me elevo como em outra qualquer coisa que de
Vossos serviços for, Vossa Alteza há de ser de mim muito bem servida, a Ela peço que, por me
fazer singular mercê, mande vir a ilha de São Tomé a Jorge Osório, meu genro - o que d’Ela
receberei em muita mercê. Beijo as mãos de Vossa Alteza.
Deste Porto Seguro, da Vossa Ilha de Vera Cruz, hoje, sexta-feira, primeiro dia de maio de
1500.”
6. AEU-DF Julgue os itens abaixo em relação à compreensão e à interpretação do texto.
( ) O texto lido é uma descrição bem objetiva da terra descoberta.
( ) Nele, Caminha menciona as duas principais finalidades das expedições marítimas
portuguesas: a expansão da fé católica e a descoberta de ouro e prata.
( ) Por não terem os portugueses se aventurado, até então, terra a dentro, as únicas
informações que nos dá do interior são as transmitidas pelos indígenas.
( ) No entender do autor, mesmo que Portugal não explorasse e colonizasse a nova
terra, tê-la unicamente como suporte das viagens às Indias, já seria uma grande
dádiva.
( ) Para Caminha, o maior bem a que se deviam dedicar os portugueses é aquele que
deriva das águas, tamanha a sua abundância na nova terra.
( ) O “será salvar a gente” é o que os soldados portugueses deveriam fazer para evitar
que tribos indígenas mais fortes dizimassem outras menores e mais frágeis.
7. AUE-DF Julgue os itens que seguem, em relação à teoria literária e aos estilos de época
na Literatura Brasileira.
( ) Este texto, por se tratar de uma missiva, tem característica oratórias.
( ) A Carta, de Pero Vaz de Caminha, é o primeiro de uma série de textos no nosso
primeiro século, que constituem a “Literatura de Informação” do Brasil.
( ) As constantes inversões e a sintaxe rebuscada da Carta é uma característica da literatura clássica do período, quase já uma transição do Renascimento para o Barroco.
( ) Ainda dentro do Humanismo renascentista, que tinha o homem no centro de tudo,
vemos a preocupação de Caminha com o silvícola brasileiro e a preservação de sua
cultura.
8. UFR-RJ “Não há mais a moralidade do pecado, na qual o pecador vivia um conflito
interno entre ceder ou não à tentação.”
O fragmento destacado reflete uma temática recorrente durante o:
a) Barroco.
d) Simbolismo.
b) Arcadismo.
e) Modernismo.
c) Realismo.
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9. Uniube-MG Compare as descrições de Marília:
Texto I
“Vivos olhos, e faces cor-de-rosa,
Com crespos fios de ouro:
Meus olhos se vêem graças e loureiros.”
Tomás Antônio de Gonzaga – “Marília de Dirceu”.
Texto II
“O seu semblante é redondo,
Sobrancelhas arqueadas,
Negros e finos cabelos,
Carnes de neve formadas.”
Tomás Antônio de Gonzaga – “Marília de Dirceu”.
Texto III
“Papoula, ou rosa delicada, e fina,
Te cobre as faces, que são cor de neve.
Os teus cabelos são uns fios d’ouro;
Teu lindo corpo bálsamo vapora.”
Tomás Antônio de Gonzaga – “Marília de Dirceu”.
A pastora Marília, conforme é apresentada nas liras de Tomás Antônio Gonzaga, carece
de unidade de enfoques; ora é descrita como tendo cabelos negros, ora loiros. A oscilação que se observa nas descrições de Marília permite ao leitor concluir que:
a) Embora Marília corresponda a um ser real, Maria Dorotéia, ligado à vida do poeta, ele
é, antes de tudo, uma idealização poética. As descrições apenas atendem à idealização
da mulher, exigida pelas convenções neoclássicas.
4
b) O autor das liras está preocupado com a coerência dessas descrições, com o padrão
poético realizado em cada composição, por isso a amada do poeta deixa de ser associada
à figura convencional da pastora.
c) O sujeito lírico, caracterizado como pastor, descreve sua amada, a pastora Marília, na
atmosfera atormentada dos conflitos da paixão, fugindo às convenções bucólicas e
pastoris do Arcadismo.
GABARITO
d) Apesar de o autor invocar a pastora Marília, suas liras são destinadas a afirmar a
dignidade e a valia do pastor Dirceu. As descrições mostram a intenção do autor em
não revelar o objeto de seu amor.
10. AEU-DF Julgue os itens seguintes, em relação à semântica e à estilística.
(Para esta questão, utilize o texto das questões 6 e 7.)
( ) Por “contra o sul vimos... contra o norte vem”, deduzimos que os conquistadores se
movimentaram do litoral norte para o sul.
( ) A palavra chã que aparece no texto em “toda chã” e “muito chã” é a grafia da época
para chão.
( ) Ao citar o “Entre-Douro-e-Minho”, para dar a idéia do clima da nova terra, estabelece-se um raciocínio analógico.
( ) Os termos “fruto” e “semente”, no texto, estão empregados em sentido figurado.
( ) A expressão “pelo miúdo” poderia, sem equívoco semântico, ser substituída por
detalhadamente.
11. Cefet-RJ
“A feição deles é serem pardos, maneira de avermelhados, de bons rostos e bons narizes, bem
feitos. Andam nus, sem nenhuma cobertura. Nem estima nenhuma coisa cobrir nem mostrar suas
vergonhas; e estão acerca disso com tanta inocência como têm em mostrar o rosto. (...) Porém a
terra em si é de muito bons ares, (...). E em tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, darse-á nela tudo, por bem das águas que tem.”
IMPRIMIR
O texto acima apresenta fragmentos:
a) do “Diálogo sobre a conversão dos gentios”, do Pe. Manuel da Nóbrega.
b) das “Cartas” dos missionários jesuítas, escritas nos dois primeiros séculos.
c) da “Carta” de Pero Vaz de Caminha a El-Rey D. Manuel, referindo-se ao descobrimento de uma nova terra e às primeiras impressões do aborígene.
d) da “Narrativa Epistolar e os Tratados da Terra e da Gente do Brasil”, do jesuíta Fernão Cardim.
e) do “Diário de Navegações”, de Pero Lopes de Souza, escrivão do primeiro colonizador, o de Martim Afonso de Souza.
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12. Cefet-RJ
“Lira I (1ª parte)
Eu, Marília, não sou
algum vaqueiro,
que viva de guardar
alheio gado,
de tosco trato, de
expressões grosseiro,
dos frios gelos e dos sóis
queimado.
tenho próprio casal e
nele assisto;
dá-me vinho, legume,
frutas, azeite;
das brancas ovelhinhas
tiro o leite,
e mais as finas lãs, de
que me visto.
Graças, Marília
bela,
Graças à minha
estrela.”
GONZAGA, Tomás Antonio. Marília de Dirceu. In: NICOLA,
José de. Literatura brasileira: das origens aos nossos dias. São Paulo: Scipione, 1999.p. 116.
“O Arcadismo, Setecentismo ou Neoclassicismo é o período que caracteriza principalmente a
segunda metade do século XVIII, tingindo as artes de uma nova tonalidade burguesa.”
NICOLA, José de. Literatura brasileira: das origens
aos nossos dias. São Paulo: Scipione, 1999.p. 106.
IMPRIMIR
GABARITO
5
Assinale a alternativa que não caracteriza este período literário.
a) Os modelos seguidos são os clássicos greco-latinos e os renascentistas, embora a mitologia pagã não venha a construir-se como elemento estético.
b) Os árcades, inspirados na frase de Horácio, fugere urbem (“fugir da cidade”), voltamse para a natureza em busca de uma nova vida simples, bucólica, pastoril.
c) O fingimento poético justifica-se pela contradição entre a realidade do progresso urbano e o mundo bucólico idealizado pelos árcades.
d) O uso de pseudônimos pastoris transparece: o pobre pastor Dirceu é o Dr. Tomás
Antonio Gonzaga.
e) O carpe diem (“gozar o dia”) horaciano, que consiste no princípio de viver o presente,
é uma postura típica também dos árcades.
13. U.F. Santa Maria-RS A respeito da poesia de Gregório de Matos, assinale a alternativa
incorreta.
a) Tematiza motivos de Minas Gerais, onde o poeta viveu.
b) A lírica religiosa apresenta culpa pelo pecado cometido.
c) As composições satíricas atacam governantes da colônia.
d) O lirismo amoroso é marcado por sensível carga erótica.
e) Apresenta uma divisão entre prazeres terrenos e salvação eterna.
14. UFRS Assinale com V (verdadeiro) ou F (falso) as afirmações abaixo sobre os dois
grandes nomes do barroco brasileiro.
( ) A obra poética de Gregório de Matos oscila entre os valores transcendentais e os
valores mundanos, exemplificando as tensões do seu tempo.
( ) Os sermões do Padre Vieira caracterizam-se por uma construção de imagens desdobradas em numerosos exemplos que visam a enfatizar o conteúdo da pregação.
( ) Gregório de Matos e o Padre Vieira, em seus poemas e sermões, mostram exacerbados sentimentos patrióticos expressos em linguagem barroca.
( ) A produção satírica de Gregório de Matos e o tom dos sermões do Padre Vieira
representam duas faces da alma barroca no Brasil.
( ) O poeta e o pregador alertam os contemporâneos para o desvio operado pela retórica retumbante e vazia.
A seqüência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:
a) V – F – F – F – F.
d) F – F – V – V – V.
b) V – V – V – V – F.
e) F – F – F – V – V.
c) V – V – F – V – F.
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15. UNICAMP-SP Leia agora as seguintes estrofes, que se encontram em passagens diversas de A farsa de Inês Pereira, de Gil Vicente:
“Inês:
Andar! Pero Marques seja!
Quero tomar por esposo
quem se tenha por ditoso
de cada vez que me veja.
Por usar de siso mero,
asno que leve quero,
e não cavalo folão;
antes lebre que leão,
antes lavrador que Nero.
Pero:
I onde quiserdes ir
vinde quando quiserdes vir,
estai quando quiserdes estar.
Com que podeis vós folgar
que eu não deva consentir?”
(nota: folão, no caso, significa “bravo”, “fogoso”)
6
a) A fala de Inês ocorre no momento em que aceita casar-se com Pero Marques, após o
malogrado matrimônio com o escudeiro. Há um trecho nessa fala que se relaciona
literalmente com o final da peça. Que trecho é esse? Qual é o pormenor da cena final
da peça que ele está antecipando?
b) A fala de Pero, dirigida a Inês, revela uma atitude contrária a uma característica atribuída ao seu primeiro marido. Qual é essa característica?
c) Considerando o desfecho dos dois casamentos de Inês, explique por que essa peça de
Gil Vicente pode ser considerada uma sátira moral.
16. F.I. Viória-ES –“Ah! Peixes, quantas invejas vos tenho a essa natural irregularidade!...
A vossa bruteza é melhor que o meu alvedrio. Eu falo, mas vós não ofendeis a Deus com
as palavras; eu lembro-me, mas vós não ofendeis a Deus com a memória; eu discordo,
mas vós não ofendeis a Deus com o entendimento; eu quero, mas vós não ofendeis a
Deus com a vontade”.
O fragmento é próprio do estilo:
GABARITO
a) medieval, por sua religiosidade;
b) clássico-renascentista, pelas comparações;
c) barroco, pelo conceitismo e cultismos;
d) árcade, pelo bucolismo;
e) romântico, pelo sentimentalismo.
Instrução: As questões de números 16 e 17 referem-se a Os Lusíadas, de Camões.
17. UFRS Assinale a alternativa correta.
No canto I, na passagem que narra o concílio dos deuses, Júpiter:
IMPRIMIR
a) conclama os deuses a auxiliarem os portugueses na Ásia, como recompensa pelos
ásperos perigos da viagem;
b) encontra acolhida a suas palavras entre os deuses maiores e menores;
c) reconhece a grandeza do povo lusitano, que enfrenta o mar desconhecido em frágeis
embarcações;
d) aceita as justificativas de Baco para impedir a chegada dos navegadores portugueses à
Índia.
e) mostra dúvidas quanto à possibilidade de que os feitos do povo lusitano venham a
suplantar a glória dos gregos e romanos.
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18. UFRS Assinale a alternativa incorreta.
No canto V de Os Lusíadas,
a) Adamastor representa os perigos enfrentados pelos navegadores lusitanos na travessia
do oceano Atlântico para o oceano Índico;
b) os portugueses assistem à transformação do gigante Adamastor em penedo quando
tentam ultrapassar a parte mais meridional da África;
c) apesar das ameaças do gigante, os navegantes prosseguem, esperando ardentemente
que os perigos e castigos profetizados sejam afastados;
d) a nuvem negra que se desfaz, antes associada ao Cabo das Tormentas, abre novas
esperanças em relação aos objetivos da viagem;
e) a voz de “tom horrendo e grosso” do gigante Adamastor, ao dar lugar a um “medonho
choro”, deixa ver aos navegadores que o perigo já foi afastado.
7
19. U.E. Ponta Grossa-PR O termo Barroco denominou manifestações artísticas dos anos
1600 e início dos anos 1700. Além da literatura, estende-se à música, pintura, escultura e
arquitetura da época. Entre as vozes do Barroco brasileiro figuram:
01. Cláudio Manuel da Costa
08. Tomás Antônio Gonzaga
02. Gregório de Matos
16. Padre Antônio Vieira
04. Manuel Botelho de Oliveira
Dê, como resposta, a soma das alternativas corretas.
20. F.M. Itajubá-MG Na fase quase inicial de nossa literatura, uma nova tendência, de
traços bem definidos, fazendo ressaltar ..............., bem como aspirações religiosas, e que
se convencionou chamar de ..............., tem como representante maior no Brasil o poeta
baiano ............... . Marque a opção que preenche adequadamente o enunciado.
a) Sonhos – Romantismo – Bento Teixeira.
b) Figuras – Dadaísmo – Emiliano Perneta.
c) Contraste – Barroco – Gregório de Matos.
d) Silepses – Parnasianismo – Castro Alves.
e) A métrica – Concretismo – Caetano Veloso.
21. F.M. Triângulo Mineiro-MG Sobre Gregório de Matos, é correto afirmar que:
GABARITO
a) se insere no Arcadismo brasileiro, ao qual imprimiu características barrocas, por ser
um poeta de transição;
b) pertenceu ao Barroco brasileiro e tematizou, sobretudo, a natureza mineira;
c) pertenceu ao Barroco brasileiro e sua veia crítica valeu-lhe a alcunha de “Boca do
Inferno”;
d) se insere no Barroco brasileiro e sua produção literária abrange, basicamente, textos
em prosa;
e) narra, nos seus poemas de contestação social, episódios da Inconfidência Mineira, da
qual participou.
22. U.F. Santa Maria-RS O poema épico O Uraguai, de Basílio da Gama, é uma:
IMPRIMIR
a) composição que narra as lutas dos índios de Sete Povos das Missões, no Uruguai,
contra o exército espanhol, sediado lá para pôr em prática o Tratado de Madri;
b) das obras mais importantes do Arcadismo no Brasil, pois foi a precursora das Obras
Poéticas de Cláudio Manuel da Costa;
c) exaltação à terra brasileira, que o poeta compara ao paraíso, o que pode ser comprovado nas descrições, principalmente do Ceará e da Bahia;
d) crítica a Diogo Álvares Correia, misto de missionário e colono português, que comanda um dos maiores extermínios de índios da história;
e) exaltação à índia Lindóia, que morre após Diogo Álvares decidir-se por Moema, que
ajudava os espanhóis na luta contra os índios.
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23. UFMG Leia o poema de Gregório de Matos.
“Triste Bahia! Oh quão dessemelhante
Estás, e estou do nosso antigo estado!
Pobre te vejo a ti, tu a mi empenhado,
Rica te vi eu já, tu a mi abundante.
A ti trocou-te a máquina mercante,
Que em tua larga barra tem entrado,
A mim foi-me trocando, e tem trocado
Tanto negócio, e tanto negociante.
Deste em dar tanto açúcar excelente
Pelas drogas inúteis, que abelhuda
Simples aceitas do sagaz Brichote.
Oh se quisera Deus, que de repente
Um dia amanheceras tão sisuda
Que fora de algodão o teu capote!”
Com base nessa leitura, é incorreto afirmar que:
a) o eu poético, no poema, mantém-se distanciado do objeto criticado;
b) o poema compara o presente e o passado da cidade;
8
c) o futuro desejado revela, no poema, a presença de uma voz moralizadora;
d) o poema faz referência ao contexto da época.
24. FUVEST-SP Em Os Lusíadas, as falas de Inês de Castro e do Velho do Restelo têm em comum
a) a ausência de elementos de mitologia da Antigüidade clássica.
b) a presença de recursos expressivos de natureza oratória.
c) a manifestação de apego a Portugal, cujo território essas personagens se recusavam a
abandonar.
d) a condenação enfática do heroísmo guerreiro e conquistador.
e) o emprego de uma linguagem simples e direta, que se contrapõe à solenidade do poema épico.
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GABARITO
25. UFRS Leia o soneto abaixo, de Luís de Camões.
“Um mover de olhos, brando e piedoso,
sem ver de quê; um riso brando e honesto,
quase forçado, um doce e humilde gesto,
de qualquer alegria duvidoso;
um despejo quieto e vergonhoso;
um desejo gravíssimo e modesto;
uma pura bondade manifesto
indício da alma, limpo e gracioso;
um encolhido ousar, uma brandura;
um medo sem ter culpa, um ar sereno;
um longo e obediente sofrimento:
Esta foi a celeste formosura
da minha Circe, e o mágico veneno
que pôde transformar meu pensamento.”
Em relação ao poema acima, considere as seguintes afirmações.
I. O poeta elabora um modelo de mulher perfeita e superior, idealizando a figura feminina.
II. O poeta não se deixa seduzir pela beleza feminina, assumindo uma atitude de insensibilidade.
III. O poeta sugere o desejo erótico ao referir a figura mitológica de Circe.
Quais estão corretas?
a) Apenas I.
b) Apenas III.
c) Apenas I e II.
d) Apenas I e III e) I, II e III.
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26. U.E. Maringá-PR Assinale o que for correto em relação aos poemas, ao autor e à sua
obra.
1) “A uma freira, que satirizando a delgada fisionomia do poeta lhe chamou “Pica-flor”
9
Décima
Se Pica-flor me chamais,
Pica-flor aceito ser,
mas resta saber,
se no nome que me dais,
meteis a flor, que guardais
no passarinho melhor!
Se me dais este favor,
Sendo só de mim o Pica,
e o mais vosso, claro fica,
que fico então Pica-flor.
Vocabulário:
pica-flor – beija-flor, passarinho.
décima – composição poética de 10 versos.
GABARITO
2) Aos Senhores Governadores do Mundo em Seco da Cidade da Bahia, e seus Costumes
A cada canto um grande conselheiro,
que nos quer governar cabana e vinha:
não sabem governar sua cozinha,
e querem governar o mundo inteiro!
Em cada porta um bem freqüente olheiro
da vida do vizinho e da vizinha,
pesquisa, escuta, espreita e esquadrinha
para a levar à praça e ao terreiro
Muitos mulatos desavergonhados,
trazendo pelos pés os homens nobres:
posta nas palmas toda a picardia.
Estupendas usuras nos mercados:
todos os que não furtam, muito pobres:
eis aqui a cidade da Bahia.”
Vocabulário:
vinha – terreno plantando de videiras (uvas).
picardia – velhacaria, patifaria.
usura – juro de capital, juro excessivo.
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MATOS GUERRA, Gregório de.
In: MEGALE, Heitor e MATSUOKA, Marilena. s. 4. ed. São Paulo. Nacional, 1977, p. 179-80.
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GABARITO
10
01. Os dois poemas pertencem à poesia cultista cultivada por Gregório de Matos Guerra.
Neles, notam-se as seguintes características do Cultismo: a) linguagem rebuscada,
culta, extravagante; b) valorização de pormenores (detalhes) mediante jogos de palavras. Tais características tornam-se evidentes no jogo poético realizado com o termo “Pica-flor”, no primeiro poema, e na utilização de palavras rebuscadas e extravagantes que caracterizam o segundo poema.
02. Os dois poemas pertencem, respectivamente, às poesias religiosa e lírica cultivadas por Gregório de Matos Guerra. No primeiro, notam-se as seguintes características: a) o gosto por jogos de palavras; b) a tentativa de conciliar pólos opostos da experiência humana (o sagrado e o profano); c) a tensão entre o teocentrismo e o antropocentrismo. No segundo, notam-se os seguintes recursos: a) a
ênfase no uso do verso decassílabo para a composição de sonetos; b) a forte
presença do paradoxo e do oxímoro, usados para expressar a tensa harmonia de
aspectos contrários da vida humana; c) a técnica da disseminação e recolha, característica do Barroco.
04. Os dois poemas pertencem à poesia satírica cultivada por Gregório de Matos Guerra.
No primeiro, há um jogo poético com o termo “Pica-flor”, que ganha o sentido de
um convite erótico claramente profano, já que é dirigido a uma freira. No segundo, a
descrição dos tipos humanos e dos costumes que caracterizam a cidade da Bahia
revela a ironia do poeta para com uma sociedade marcada pela incompetência dos
governantes, pela prática cotidiana da fofoca e da bisbilhotice, pela desonestidade e
pela prática generalizada do roubo no comércio.
08. Os dois poemas pertencem, respectivamente, às poesias religiosa e satírica cultivadas por Gregório de Matos Guerra. No primeiro, há um jogo poético com o termo
“Pica-flor” que marca a harmonia do relacionamento estabelecido entre o poeta (representante do mundo profano) e a freira (representante do mundo sagrado). No
segundo, há uma crítica ácida aos tipos humanos e aos costumes que caracterizam a
cidade da Bahia: incompetência das autoridades, gosto pela maledicência, corrupção e roubo generalizados.
16. No primeiro poema, ocorrem elisões nos versos 2, 9 e 10. Tais elisões fazem que o
poema apresente versos isométricos, caracterizados pelo uso da redondilha maior
(verso de 7 sílabas poéticas). A estrutura de rimas apresentada pelo poema é abbaccdde, estrutura comumente utilizada na composição da décima. As principais figuras de linguagem presentes no poema são a metáfora e a ironia, evidentes, sobretudo,
no conjunto formado pelos versos 3, 4, 5 e 6.
32. No primeiro poema, ocorre elisão apenas no verso 2. Isso faz que o poema apresente
versos heterométricos, que variam entre a redondilha maior (7 sílabas poéticas) e o
verso de 8 sílabas poéticas. A estrutura de rimas apresentada pelo poema é abbaabbddb, estrutura característica da décima. As principais figuras de linguagem presentes
no poema são a metonímia e a ironia, evidentes, sobretudo, no conjunto formado
pelos versos 3, 4, 5 e 6.
Dê, como resposta, a soma das alternativas corretas.
27. U.F. Santa Maria-RS
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“As águas são muitas, infinitas. Em tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á
nela tudo; por causa das águas que tem! Contudo, o melhor fruto que dela se pode tirar pareceme que será salvar esta gente. E esta deve ser a principal semente que Vossa Alteza em ela deve
alcançar.”
Visões otimistas sobre as potencialidades da natureza e dos indivíduos, a exemplo do que
se verifica no trecho transcrito, são comuns durante o período colonial. Assinale a alternativa que identifica os textos que transmitiam esse tipo de mensagem.
a) Biografias de santos.
b) Sermões eucarísticos.
c) Ficção regionalista.
d) Literatura informativa.
e) Gênero lírico.
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28. FUVEST-SP Considere as seguintes afirmações sobre a fala do velho do Restelo, em Os
Lusíadas:
I. No seu teor de crítica às navegações e conquistas, encontra-se refletida e sintetizada
a experiência das perdas que causaram, experiência esta já acumulada na época em
que o poema foi escrito.
II. As críticas aí dirigidas às grandes navegações e às conquistas são relativizadas pelo
pouco crédito atribuído a seu emissor, já velho e com um “saber só de experiência
feito”.
III. A condenação enfática que aí se faz à empresa das navegações e conquistas revela
que Camões teve duas atitudes em relação a ela: tanto criticou o feito quanto o
exaltou.
Está correto apenas o que se afirma em
a) I.
b) II.
c) III.
d) I e II.
e) I e III.
29. U.F. Santa Maria-RS Observe a charge de Chico Caruso:
11
– Espelho meu, existe alguém mais ACM do que eu?
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GABARITO
Veja, 24 de maio de 2000.
A crítica a personagens baianas com influência nos meios políticos pode também ser
identificada na poesia satírica de:
a) Padre José de Anchieta.
b) Tomás Antonio Gonzaga.
c) Cláudio Manuel da Costa.
d) Gregório de Matos Guerra.
e) Bento Teixeira Pinto.
30. U.F. Santa Maria-RS O Quinhentismo, enquanto manifestação literária, pode ser definido como uma época em que:
I. não se pode falar, ainda, na existência de uma literatura brasileira, pois a cultura
portuguesa estabelecia as formas de pensamento e expressão para os escritores na
colônia;
II. se pode falar na existência de uma literatura brasileira porque, ao descreverem o
Brasil, os textos mostram um forte instinto de nacionalidade, na medida em que todos os escritores eram nativos da terra;
III. a produção escrita se prende à descrição da terra e do índio ou a textos escritos pelos
jesuítas, ou seja, uma produção informativa e doutrinária.
Está(ão) correta(s):
a) Apenas I.
d) Apenas II e III.
b) Apenas II.
e) Apenas III.
c) Apenas I e III.
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31. PUC-SP
“Tu, só tu, puro amor, com força crua
Que os corações humanos tanto obriga,
Deste causa à molesta morte sua,
Como se fora pérfida inimiga.
Se dizem fero Amor, que a sede tua
Nem com lágrimas tristes se mitiga,
É porque queres, áspero e tirano,
Tuas aras banhar em sangue humano.
Estavas, linda Inês, posta em sossego,
De teus anos colhendo doce fruito,
Naquele engano da alma ledo e cego,
Que a fortuna não deixa durar muito,
Nos saudosos campos do Mondego,
De teus fermosos olhos nunca enxuito,
Aos montes ensinando e às ervinhas,
O nome que no peito escrito tinhas.”
12
Os Lusíadas, obra de Camões, exemplificam o gênero épico na poesia portuguesa. Entretanto, oferecem momentos em que o lirismo se expande, humanizando os versos. O
episódio de Inês de Castro, do qual o trecho acima faz parte, é considerado o ponto alto
do lirismo camoniano inserido em sua narrativa épica. Desse episódio, como um todo,
pode afirmar-se que seu núcleo central
a) personifica e exalta o Amor, mais forte que as conveniências e causa da tragédia de Inês.
b) celebra os amores secretos de Inês e de D. Pedro e o casamento solene e festivo de ambos.
c) tem como tema básico a vida simples de Inês de Castro, legítima herdeira do trono de
Portugal.
d) retrata a beleza de Inês, posta em sossego, ensinando aos montes o nome que no peito
escrito tinha.
e) relata em versos livres a paixão de Inês pela natureza e pelos filhos e sua elevação ao
trono português.
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GABARITO
32. UFRS Leia o texto abaixo, extraído da Carta de Pero Vaz de Caminha.
“O Capitão, quando eles vieram, estava sentado em uma cadeira, bem vestido, com um colar de
ouro mui grande ao pescoço, e aos pés uma alcatifa* por estrado. (...) Entraram. Mas não fizeram sinal
de cortesia, nem de falar ao Capitão nem a ninguém. Porém um deles pôs olho no colar do Capitão, e
começou de acenar com a mão para a terra e depois para o colar, como que nos dizendo que ali havia
ouro. (...) Viu um deles umas contas de rosário, brancas; acenou que lhas dessem, folgou muito com
elas, e lançou-as ao pescoço. Depois tirou-as e enrolou-as no braço e acenava para a terra e de novo
para as contas e para o colar do capitão, como dizendo que dariam ouro por aquilo.”
Vocabulário: *alcatifa – tapete.
Considere as seguintes afirmações sobre o texto.
I. As palavras de Caminha evidenciam o confronto entre civilização e barbárie vivenciado pelos portugueses na chegada ao Brasil.
II. A interpretação que o escrivão dá aos gestos do índio em relação ao colar do Capitão
corrobora a intenção dos portugueses em explorar as possíveis jazidas de ouro da
terra recém descoberta.
III. No trecho selecionado, Caminha sugere uma prática que viria a se tornar corrente nas
relações entre portugueses e selvícolas: o escambo (a permuta) de produtos da terra
por artigos manufaturados europeus.
Quais estão corretas:
a) Apenas I.
d) Apenas II e III.
b) Apenas II.
e) I, II e III.
c) Apenas I e II.
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33. U.E. Londrina-PR Leia os fragmentos a seguir e assinale o que for correto.
1) “Águas são muitas; infindas. E em tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-seá nela tudo, por bem das águas que tem. Porém, o melhor fruto que dela se pode tirar me parece
que será salvar esta gente. E esta deve ser a principal semente que Vossa Alteza em ela deve
lançar. E que não houvesse mais que ter aqui esta pousada para esta navegação de Calecute, isso
bastaria. Quanto mais disposição para se nela cumprir e fazer o que Vossa Alteza tanto deseja, a
saber, acrescentamento da nossa santa fé.”
13
Vocabulário:
infindo – infinito, muito grande, muito numeroso.
pousada – local onde se descansa durante uma viagem.
Calecute – primeira cidade da Índia em que desembarcou Vasco da Gama, na sua viagem de
descobrimento do caminho marítimo da Índia, em 1498.
acrescentamento – aumento, adição, acréscimo.
GABARITO
A Carta de Pero Vaz de Caminha. In: TUFANO, Douglas. Estudos de Língua e Literatura. 5. ed. São Paulo, Moderna, 1998.
2) “À Santa Inês
Cordeirinha linda,
Como folga o povo
Porque vossa vinda
Lhe dá lume novo!
Cordeirinha santa,
De Jesus querida,
Vossa santa vinda
O diabo espanta.
Por isso vos canta,
Com prazer, o povo,
Porque vossa vinda
Lhe dá lume novo.”
Vocabulário:
folgar: alegrar.
lume: luz, orientação.
IMPRIMIR
ANCHIETA, José de. Poesia. In: TUFANO, Douglas. Estudos de Língua e Literatura. 5. ed. São Paulo, Moderna, 1998.
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14
01. Os dois fragmentos pertencem à chamada literatura informativa que representa o
Brasil do século XVI. Caracterizam esses fragmentos: 1) a beleza da nova terra descoberta; 2) a necessidade de revigorar a fé cristã do povo que aqui habitava. Tais
características esclarecem os objetivos dos primeiros colonizadores portugueses: usufruir das riquezas e, ao mesmo tempo, catequizar os índios.
02. Os dois fragmentos pertencem à literatura informativa e jesuítica do Brasil do século
XVI. No primeiro excerto, Pero Vaz de Caminha nos permite perceber as expectativas dos portugueses com relação ao Brasil (“dar-se-á nela tudo, por bem das águas
que tem”). No segundo excerto, José de Anchieta exalta a figura de Santa Inês e
incentiva o povo a praticar a fé religiosa cristã (“Cordeirinha linda, / como folga o
povo / porque vossa vinda / lhe dá lume novo”). Evidenciam-se, portanto, as informações que a Coroa Portuguesa desejava obter, confirmando, desse modo, as reais
intenções de expansão do comércio, de conquista de novas fontes de riquezas e de
trabalho escravo.
04. Nos dois excertos, evidenciam-se as primeiras manifestações literárias do BrasilColônia, denominado “ciclo dos descobrimentos”, compreendido por um conjunto
de obras cujo objetivo era divulgar os descobrimentos marítimos e terrestres, a conquista e a colonização dos territórios ultramarinos, a vida no mar e as conseqüências
morais e políticas desses fatos.
08. Nos dois excertos, fica muito evidente o objetivo maior do expansionismo marítimo de Portugal e da Espanha: “dilatar a fé e o império”. No primeiro, a terra
brasileira confrontada com a paisagem desoladora da África, já conhecida dos
portugueses, mais parecia um paraíso intacto (“Águas são muitas; infindas. E
em tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo, por
bem das águas que tem”). No segundo, a cruz do cristianismo e a preocupação
em “dilatar a fé” escondem objetivos mercantilistas e expansionistas da coroa
portuguesa.
16. Nos dois excertos, o primeiro escrito por Pero Vaz de Caminha e o segundo pelo
Padre José de Anchieta, confirmam-se as afirmações dos historiadores: nos primórdios do século XVI, não se pode falar em literatura no Brasil. O que existia
eram relatos de viagem (de escasso valor literário), informando sobre a natureza, o
índio, documentando o processo de conquista e colonização; as obras dos jesuítas
aparecem, paralelamente às obras dos cronistas e viajantes, igualmente ricas de
informações, mas acrescidas de um dado novo: a intenção pedagógica, moral e
cristã.
Dê, como resposta, a soma das alternativas corretas.
GABARITO
34. FGV-SP Leia o texto abaixo e as afirmações que a ele se seguem.
“Que falta nessa cidade? Verdade.
Que mais por sua desonra? Honra.
Falta mais que se lhe ponha? Vergonha.
O demo a viver se exponha,
Por mais que a fama a exalta,
Numa cidade onde falta
Verdade, honra, vergonha.”
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MATOS, Gregório de. Os melhores poemas de Gregório de Matos Guerra. Rio de Janeiro: Record, 1990.
O poema
I. mantém uma estrutura formal e rítmica regular.
II. enfatiza as idéias opostas.
III. emprega a ordem direta.
IV. refere-se à cidade de São Paulo.
V. emprega a gradação.
Então, pode-se dizer que são verdadeiras
a) apenas I, II, IV.
d) apenas I, IV, V.
b) apenas I, II, V.
e) todas.
c) apenas I, III, V.
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35. U.F. Santa Maria-RS Autor de Obras Poéticas, apresenta, em suas composições, motivos árcades. Assinale a alternativa que identifica esse autor, associando, corretamente,
seu nome à característica presente nessa obra.
a) Cláudio Manuel da Costa – desencanto e brevidade do amor.
b) Basílio da Gama – preocupação com feito histórico.
c) Tomás Antônio Gonzaga – celebração da natureza.
d) Basílio da Gama – inspiração religiosa.
e) Tomás Antônio Gonzaga – celebração da amada.
36. U.F. Santa Maria-RS Leia o texto a seguir.
15
“Eles não usam barba, elas têm cabelos compridos e tranças. Esguios, alimentados a peixe
moqueado com biju, mingau de amendoim e frutas. Falam baixo, dormem cedo e só têm uma
conversa: índio. É a tribo dos brancos composta de cientistas sociais, médicos, pedagogos, enfermeiras, biólogas e engenheiros agrônomos, vindos de diversas regiões brasileiras. Boa parte da
engenhosa engenharia social e cultural que mantém o Parque do Xingu funcionando em harmonia se deve ao trabalho desses especialistas.
O foco agora é preparar os índios para o inevitável confronto com a civilização que um dia
ocorrerá. As cidadezinhas vizinhas do parque vão transformar-se em municípios de porte médio, a
urbanização baterá às portas da reserva. Os moradores do parque, cada vez mais, dependerão de
produtos fabricados pelo branco. Em todos os momentos da humanidade, sempre que o choque
ocorreu, o mais forte sobrepujou o mais fraco. Quase sempre de forma violenta. Neste canto do
Brasil, um punhado de brancos está conseguindo driblar essa inevitabilidade. Procuram transformar o abraço sufocante em um caminhar de mãos dadas de culturas tão diferentes.”
FERRAZ, Silvio. Do Xingu. In: Veja, 30 de junho de 1999.
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GABARITO
Relacione o texto com a carta de Pero Vaz de Caminha e indique se são verdadeiras (V) ou falsas
(F) as seguintes afirmativas quanto à preocupação do homem branco em relação ao índio:
( ) O texto tem o mesmo objetivo da carta, pois ambos destacam, várias vezes, que o
rei de Portugal deveria cuidar da salvação dos índios.
( ) O texto tem o mesmo objetivo que a carta de Caminha, na medida em que tanto a
“tribo de brancos” quanto o escrivão da esquadra de Cabral mostram preocupação
com os índios do Xingu.
( ) O texto não tem o mesmo objetivo da carta pois Caminha, ao destacar que o rei
deveria cuidar da salvação dos índios, usa “salvação” no sentido religioso, de converter o índio à fé católica, ou seja, no sentido de salvação da alma.
A seqüência correta é:
a) F – F – V.
b) V – V – F.
c) F – V – F.
d) V – F – V.
e) F – V – V.
Leia o seguinte fragmento do “Sermão pelo bom sucesso das armas de Portugal contra as
de Holanda”, do Padre Antonio Vieira, para responder às questões 128 e 129:
“Enfim, Senhor, despojados os templos e derrubados os altares, acabar-se-á no Brasil a cristandade católica; acabar-se-á o culto divino, nascerá erva nas igrejas, como nos campos; não haverá
quem entre nelas. Passará um dia de Natal, e não haverá memória de vosso nascimento; passará
a Quaresma e a Semana Santa, e não se celebrarão os mistérios de vossa Paixão. Chorarão as
pedras das ruas como diz Jeremias que chorava as de Jerusalém destruída: chorarão as ruas de
Sião, porque não há quem venha à solenidade. Ver-se-ão ermas e solitárias, e que as não pisa a
devoção dos fiéis, como costumava em semelhantes dias.”
37. U.F. Santa Maria-RS O texto relaciona-se à invasão holandesa no Brasil, em 1640;
nele, o orador:
a) considera os holandeses hereges e violentos com aqueles que não fossem seus compatriotas;
b) dirige-se a Deus e prevê o esvaziamento da religião católica, caso o Brasil fosse entregue aos holandeses;
c) pede a Deus que evite a invasão de ervas nos templos, a fim de preservar o patrimônio
da Igreja;
d) é um profeta e previu o que realmente aconteceria com a religião católica no Brasil,
quase três séculos depois;
e) dirige-se ao rei de Portugal, a fim de salvar o país da invasão holandesa, que já começava a destruir as igrejas da cidade.
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38. U.F. Santa Maria-RS Padre Antonio Vieira, ao afirmar que “Chorarão as pedras das
ruas”, utiliza uma:
a) ironia.
d) onomatopéia.
b) antítese.
e) prosopopéia.
c) gradação.
39. U.E. Londrina-PR O Barroco manifesta-se entre os séculos XVI e XVII, momento em
que os ideais da Reforma entram em confronto com a Contra-Reforma católica, ocasionando no plano das artes uma difícil conciliação entre o teocentrismo e o antropocentrismo. A alternativa que contém os versos que melhor expressam este conflito é:
a) Um paiá de Monal, bonzo bramá,
Primaz da Cafraria do Pegu,
Que sem ser do Pequim, por ser do Açu,
Quer ser filho do sol, nascendo cá.
(Gregório de Matos)
b) Temerária, soberba, confiada,
Por altiva, por densa, por lustrosa,
A exaltação, a névoa, a mariposa,
Sobe ao sol, cobre o dia, a luz lhe enfada.
16
(Botelho de Oliveira)
c) Fábio, que pouco entendes de finezas!
Quem faz só o que pode a pouco obriga:
Quem contra os impossíveis se afadiga,
A esse cede amor em mil ternezas.
(Gregório de Matos)
d) Luzes qual sol entre astros brilhadores,
Se bem rei mais propício, e mais amado;
Que ele estrelas desterra em régio estado,
Em régio estado não desterras flores.
(Botelho de Oliveira)
e) Pequei Senhor; mas não porque hei pecado,
Da vossa alta clemência me despido;
GABARITO
Porque quanto mais tenho delinqüido,
Vos tenho a perdoar mais empenhado.
(Gregório de Matos)
40. UFRS Assinale a afirmativa incorreta em relação à obra O Uraguai, de Basílio da Gama.
a) O poema narra a expedição de Gomes Freire de Andrada, Governador do Rio de Janeiro, às missões jesuíticas espanholas da banda oriental do rio Uruguai.
b) O Uraguai segue os padrões estéticos dos poemas épicos da tradição ocidental, como
a Odisséia, a Eneida e Os Lusíadas.
IMPRIMIR
c) Basílio da Gama expressa uma visão européia em relação aos indígenas, acentuando
seu caráter bárbaro, incapaz de sentimentos nobres e humanitários.
d) Nas figuras de Cacambo e Sepé Tiaraju está representado o povo autóctone que defende o solo natal.
e) Lindóia, única figura feminina do poema, morre de amor após o desaparecimento de
seu amado Cacambo.
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Texto para responder às questões 41 e 42:
“Nasce o Sol, e não dura mais que um dia,
Depois da Lua se segue a noite escura,
Em tristes sombras morre a formosura,
Em contínuas tristezas a alegria.
Porém, se acaba o Sol, por que nascia?
Se é tão formosa a Luz, por que não dura?
Como a beleza assim se transfigura?
Como o gosto da pena assim se fia?
Mas no Sol, e na Luz falte a firmeza,
Na formosura não se dê constância,
E na alegria sinta-se tristeza.
Começa o mundo enfim pela ignorância,
E tem qualquer dos bens por natureza
A firmeza somente na inconstância.”
Gregório de Matos.
17
41. CEETPS-SP Sobre as características barrocas desse soneto, considere as afirmações
abaixo:
I. Há nele um jogo simétrico de contrastes, expresso por pares antagônicos como Sol/
Lua, dia/noite, luz/sombra, tristeza/alegria, etc., que compõem a figura da antítese.
II. Esse é um soneto oitocentista, que cumpre os padrões da forma fixa, que são:
rimas ricas, interpoladas nas quadras (“A-B-A-B”) e alternadas nos tercetos (“AB-B-A”).
III. O tema do eterno combate entre elementos mundanos e forças sagradas é indicado,
ali, por “ignorância do mundo” e “qualquer dos bens”, por um lado, e por “constância”, “alegria” e “firmeza”, de outro.
A respeito de tais afirmações, deve-se dizer que:
a) somente I está correta.
b) somente II está correta.
c) somente III está correta.
GABARITO
d) somente I e III estão corretas.
e) todas estão corretas.
42. CEETPS-SP Assinale a alternativa que aponta a afirmação correta a partir do que se lê
no texto.
a) O texto afirma que a alegria é encontrada em contínuas tristezas, devido ao desapontamento sentido pelo poeta, diante do curso seguido pelas forças naturais, tais como o
findar do dia e o início da noite.
IMPRIMIR
b) O alternar de dias e noites serve de expressão a um estranho desejo do poeta de que, na
tristeza, se desfrutem as alegrias e, nas sombras da noite, a formosura do dia.
c) O tema central do soneto de Gregório de Matos revela-se em sua última estrofe, e
pode ser definido como uma reflexão acerca da transitoriedade dos bens do mundo,
cuja última firmeza é a inconstância.
d) O poema focaliza e acentua a ignorância do ser humano que, ao vivenciar a
alegria, não sabe retê-la, preferindo, como o Sol, esconder-se nos próprios sofrimentos.
e) O poema toca também na questão da inocência, pois, ao falar do mundo que se inicia
pela ignorância, está fazendo referência à pureza primordial da infância, que se opõe
à degradação dos bens materiais.
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O texto abaixo refere-se às questões de 43 a 48. Trata-se de um sermão do quinto domingo da Quaresma, do Padre Antônio Vieira:
18
“Como estamos na corte, onde das casas dos pequenos não se faz caso, nem têm nome de
casas, busquemos esta fé em alguma casa grande e dos grandes. Deus me guie.
(…) Entremos e vamos examinando o que virmos, parte por parte. Primeiro que tudo vejo cavalos,
liteiras e coches; vejo criados de diversos calibres, uns com libré, outros sem ela; vejo galas, vejo jóias,
vejo baixelas; as paredes vejo-as cobertas de ricos tapizes; das janelas vejo ao perto jardins, e ao
longe quintas; enfim, vejo todo o palácio e também o oratório; mas não vejo a fé. E por que não
aparece a fé nesta casa: eu o direi ao dono dela. Se o que vestem os lacaios e os pajens, e os socorros
do outro exército doméstico masculino e feminino depende do mercador que vos assiste, e no
princípio do ano lhe pagais com esperanças e no fim com desesperações, a risco de quebrar, como
se há de ver a fé na vossa família? Se as galas, as jóias e as baixelas, ou no Reino, ou fora dele, foram
adquiridas com tanta injustiça ou crueldade, que o ouro e a prata derretidos, e as sedas se se
espremeram, haviam de verter sangue, como se há de ver a fé nessa falsa riqueza? Se as pedras da
mesma casa em que viveis, desde os telhados até os alicerces estão chovendo os suores dos jornaleiros, a quem não fazíeis a féria, e, se queriam ir buscar a vida a outra parte, os prendíeis e obrigáveis
por força, como se há de ver a fé, nem sombra dela na vossa casa?”
Vocabulário:
libré: uniforme de criados de casas nobres
os socorros do outro exército doméstico: a vestimenta dos outros serviçais
jornaleiros: trabalhadores que recebiam pagamento ao final do dia
a quem não fazíeis a féria: a quem não concedíeis dias de folga
43. FEI-SP O autor do texto, Padre Vieira, pertence à escola literária conhecida como:
a) Baroco.
d) Realismo.
b) Trovadorismo.
e) Romantismo.
c) Arcadismo.
IMPRIMIR
GABARITO
44. FEI-SP Não é característica da escola literária a que Padre Vieira pertence:
a) emprego freqüente de palavras que designam cores, perfumes e sensações táteis.
b) uso constante da metáfora e da antítese.
c) união de duas idéias contrárias em um único pensamento.
d) composição de cantigas de amor e cantigas de amigo.
e) utilização de muitas frases interrogativas.
45. FEI-SP Padre Vieira é freqüentemente estudado como um autor contemporâneo a:
a) Luís de Camões.
d) Carlos Drummond de Andrade.
b) Gregório de Matos.
e) Fernando Sabino.
c) José de Alencar.
46. FEI-SP O sermão pode ser definido como:
a) composição em versos recitados nos palácios para divertir os nobres.
b) texto curto, em que predomina o desenvolvimento de um único conflito.
c) narrativa longa em que são apresentados diversos conflitos paralelos.
d) soneto com versos decassílabos.
e) discurso religioso cujo objetivo principal é a edificação moral dos ouvintes.
47. FEI-SP Sobre o fragmento do sermão acima transcrito, é possível afirmar que:
a) o autor discorre sobre a inabalável fé da corte e da nobreza.
b) Padre Vieira critica o povo por não ter a fé que os nobres possuem.
c) o autor conclui que não é possível encontrar a fé em uma casa onde se encontram
aqueles que exploram e maltratam os homens do povo.
d) o sermão é um elogio à corte pela maneira como trata os seus serviçais, dignificandoos e humanizando as relações entre os nobres e o povo.
e) segundo o autor, a fé não tem qualquer relação com as ações desenvolvidas pelos
homens.
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48. FEI-SP Verifica-se nesse fragmento a franca intenção de o autor:
a) divertir a platéia.
b) convencer e ensinar o seu público.
c) afastar os homens da verdadeira fé cristã.
d) provocar fortes emoções em seu público.
e) confundir seus ouvintes.
“À Ilha de Maré – Termo desta Cidade da Bahia
19
Aqui se cria o peixe regalado
Com tal sustância, e gosto preparado,
Que sem tempero algum para apetite
Faz gostoso convite,
E se pode dizer em graça rara
Que a mesma natureza os temperara.
……………………………………………
As plantas sempre nela reverdecem,
E nas folhas parecem,
Desterrando do Inverno os desfavores,
Esmeraldas de Abril em seus verdores,
E delas por adorno apetecido
Faz a divina Flora seu vestido.
As fruitas se produzem copiosas,
E são tão deleitosas,
Que como junto ao mar o sítio é posto,
Lhes dá salgado o mar o sal do gosto.
……………………………………………
As laranjas da terra
Poucas azedas são, antes se encerra
Tal doce nestes pomos,
Que o têm clarificado nos seus gomos;
Mas as de Portugal entre alamedas
São primas dos limões, todas azedas.
Nas que chamam da China
Grande sabor se afina,
Mais que as da Europa doces, e melhores,
E têm sempre a vantagem de maiores,
E nesta maioria,
Como maiores são, têm mais valia.
……………………………………………
Tenho explicado as fruitas e legumes,
Que dão a Portugal muitos ciúmes;
Tenho recopilado
O que o Brasil contém para invejado,
E para preferir a toda a terra,
Em si perfeitos quatro AA encerra.
Tem o primeiro A, nos arvoredos
Sempre verdes aos olhos, sempre ledos;
Tem o segundo A, nos ares puros
Na tempérie agradáveis e seguros;
Tem o terceiro A, nas águas frias,
Que refrescam o peito, e são sadias;
O quarto A, no açúcar deleitoso,
Que é do Mundo o regalo mais mimoso.
São pois os quatro AA por singulares
Arvoredos, Açúcar, Águas, Ares.”
GABARITO
OLIVEIRA, Manuel Botelho de. Música do Parnasso. Rio de Janeiro: INL, 1953. Tomo I, p. 127-135.
49. VUNESP A técnica de disseminação e recolha, característica do estilo barroco, aparece em À Ilha de Maré a partir do verso 31: consiste em alinhar palavras e descrever
poeticamente seus conceitos, para recolhê-las num só verso, no final. Um exame atento desse procedimento no poema revela, todavia, certa assimetria entre a disseminação
e a recolha. Analise o procedimento na passagem mencionada e responda:
a) Qual a assimetria que se observa entre o processo de disseminação e recolha utilizado pelo poeta?
IMPRIMIR
b) O que levou o poeta a essa solução?
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LÍNGUA PORTUGUESA
H U M A N IS M O ,
Q U IN H E N T IS M O ,
B A R R O C O E A R C A D IS M O
IMPRIMIR
GABARITO
1
1. V – F – V – F – F
2. F – F – F – V
3. a
4. e
5. e
6. F – V – F – V – F – F
7. F – V – F – F
8. a
9. a
10. F – F – V – V – V
11. c
12. a
13. e
14. c
15. a) Trata-se do seguinte trecho: “asno que me leve quero”. O marido de Inês, na cena final,
a leva em seus ombros para que atravesse o rio. Não sabe, mas o encontro com o ermitão, para o qual ela se encaminha, é um encontro adúltero. Pero Marques se comporta
como um asno: por servir de montaria à mulher, colaborando, ingenuamente, para ser
traído por ela, e por não ter conhecimento dessa traição.
b) A característica contrária à do primeiro marido é o fato de que, em sua fala, Pero Marques diz dar plena liberdade à esposa. Seu primeiro marido era um repressor proibindoa de sair de casa até mesmo para ir a igreja.
c) A Farsa de Inês Pereira é considerada uma sátira moral porque reflete, na vida privada,
a decadente sociedade portuguesa. Pode-se dizer que Inês comporta-se maquiavelicamente (os fins justificam os meios), pois para conseguir uma vida folgada abandona
seus próprios ideais.
16. c
17. b
18. e
19. 18
20. c
21. c
22. b
23. a
24. b
25. b
26. 04
27. d
28. e
29. d
30. c
31. a
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IMPRIMIR
GABARITO
2
32. e
33. 24
34. b
35. e
36. a
37. b
38. e
39. e
40. c
41. a
42. c
43. a
44. d
45. b
46. e
47. c
48. b
49. a) Disseminação:
“Tem o primeiro A, nos arvoredos
(…)
Tem o segundo A, nos ares puros
(…)
Tem o terceiro A, nas águas frias,
(…)
O quarto A, no açúcar deleitoso”
No momento de recolha o poeta não manteve a mesma ordem da disseminação, ou seja,
retomou os elementos assimetricamente.
b) Como se trata de um poema, pode-se dizer que o poeta agiu dessa forma com o intuito
de preservar a rima. Ou ainda, pode-se também dizer que ele optou por seguir a seqüência Terra (arvoredos e açúcar) — Água — Ar.
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LÍNGUA PORTUGUESA
R O M A N T IS M O
INSTRUÇÃO: Leia atentamente o texto a seguir e julgue os itens da questão 1.
“Portanto, ilustres e não ilustres representantes da crítica, não se constranjam. Censurem, piquem, ou calem-se como lhes aprouver. Não alcançarão jamais que eu escreva neste meu Brasil
cousa que pareça vinda em conserva lá da outra banda, como a fruta que nos mandam em lata. (...)
O povo que chupa o caju, a manga, o cambucá e a jabuticaba, pode falar uma língua com igual
pronúncia e o mesmo espírito do povo que sorve o figo, a pêra, o damasco e a nêspera?”
ALENCAR, José de. Benção Paterna. In: Sonhos de Ouro. São Paulo: Melhoramentos, s.d.
1
1. UFMT
( ) Envolvidos pelo ideário político da independência, Alencar e outros escritores românticos empenham-se na construção da nação brasileira, através da luta pela emancipação da língua e da literatura nacionais.
( ) Na história da literatura brasileira, no percurso que vai do Romantismo ao Modernismo, a bandeira da ruptura com o princípio da imitação aos clássicos é empunhada por todas as escolas literárias.
( ) No segundo parágrafo, Alencar opõe, metonimicamente, por meio das frutas, o
ambiente brasileiro ao ambiente europeu.
( ) O texto dá a entender que a língua se adapta ao meio para onde foi levada, mais
precisamente aos órgãos fonadores e à alma do povo que fala.
Texto para as questões 2 e 3.
GABARITO
“Não me Deixes!
Debruçada nas águas dum regato
A flor dizia em vão
A corrente, onde bela se mirava...
‘Ai, não me deixes, não!
‘Comigo fica ou leva-me contigo
‘Dos mares à amplidão,
Límpido ou turvo, te amarei constante
‘Mas não me deixes, não!’
E a corrente passava; novas águas
Após as outras vão;
E a flor sempre a dizer curva na fonte:
‘Ai, não me deixes, não!’
E das águas que fogem incessantes
À eterna sucessão
Dizia sempre a flor, e sempre embalde:
‘Ai, não me deixes, não!
Por fim desfalecida e a cor murchada,
Quase a lamber o chão,
Buscava inda a corrente por dizer-lhe
Que a não deixasse, não.
A corrente impiedosa a flor enleia,
Leva-a do seu torrão;
A afundar-se dizia a pobrezinha:
‘Não me deixaste, não!’”
IMPRIMIR
DIAS, Gonçalves. In: MOISÉS, Massaud. A Literatura Brasileira através de textos. 21. ed. rev. e aum. São Paulo: Cultrix,
1998. p. 135-6.
2. F. Católica de Salvador-BA O lamento da flor representa fielmente o sentimento romântico de:
a) evasão no tempo;
b) amor incondicional ao outro;
c) supervalorização da natureza;
d) exaltação do sonho, da fantasia;
e) desejo de morte pelo amor não correspondido.
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Língua Portuguesa - Romantismo
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3. F. Católica de Salvador-BA Observa-se a inversão, como recurso estilístico, no verso:
a) “A flor dizia em vão”
b) “Mas não me deixes, não.”
c) “E a corrente passava”
d) “Dizia sempre a flor, e sempre embalde”
e) “Leva-a do seu torrão”
Para responder as questões 4 e 5, leia atentamente os textos abaixo:
“Lira XXII
Nesta triste masmorra,
de um semi-vivo corpo sepultura,
inda, Marília, adoro
a tua formosura.
Amor na minha idéia te retrata;
busca, extremoso, que eu assim resista
À dor imensa, que me cerca e mata.”
Tomás Antônio Gonzaga.
“Perdoa-me, visão de meus amores
Perdoa-me, visão dos meus amores,
Se a ti ergui meus olhos suspirando!...
Se eu pensava num beijo desmaiando
Gozar contigo uma estação de flores!
De minhas faces os mortais palores,
Minha febre noturna delirando,
Meus ais, meus tristes ais vão revelando
Que peno e morro de amorosas dores...”
2
IMPRIMIR
GABARITO
Álvares de Azevedo.
4. U.F. Juiz de Fora-MG Depois de ler comparativamente os dois textos acima, assinale a
alternativa inaceitável:
a) Em ambos os poemas o eu sucumbe e morre em conseqüência do sofrimento amoroso.
b) No poema de Gonzaga, a idéia funciona como uma tentativa racional de vencer a dor.
c) No poema de Álvares de Azevedo, a razão nada pode contra o sentimentalismo exacerbado.
d) Em ambos os poemas, o eu refere-se ao passado a partir da dor do presente.
5. U.F. Juiz de Fora-MG Em que verso se encontra referência direta ao contexto histórico
biográfico?
a) “Que peno e morro de amorosas dores”.
b) “À dor imensa que me cerca e mata”.
c) “Nesta triste masmorra”.
d) “Se a ti ergui meus olhos suspirando”.
6. U.E. Ponta Grossa-PR A poesia romântica brasileira, em seus diversos momentos, apresenta como características:
01. escapismo e subjetivismo;
02. naturalismo e pitoresco;
04. nacionalismo e religiosidade;
08. socialismo e ilogismo;
16. imaginação criadora e amor à natureza.
Dê, como resposta, a soma das alternativas corretas.
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Língua Portuguesa - Romantismo
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Instrução: Para responder às questões 7 e 8, ler o texto que segue.
“As Três Irmãs do Poeta
É noite! As sombras correm nebulosas.
Vão três pálidas virgens silenciosas
Através da procela irriquieta.
Vão três pálidas virgens... vão sombrias
Rindo colar um beijo as bocas frias...
Na fronte cismadora do – Poeta –
‘Saúde, irmão! Eu sou a Indiferença.
Sou eu quem te sepulta a idéia imensa,
Quem no teu nome a escuridão projeta...
Fui eu que te vesti do meu sudário...,
Que vais fazer tão triste e solitário?...’
– ‘Eu lutarei’ – responde-lhe o Poeta.
‘Saúde, meu irmão! Eu sou a Fome.
Sou eu quem o teu negro pão consome...
O teu mísero pão, mísero atleta!
Hoje, amanhã, depois... depois (qu’importa?)
Virei sempre sentar-me à tua porta...
3
– ‘Eu sofrerei’ – responde-lhe o Poeta.
‘Saúde, meu irmão! Eu sou a Morte.
Suspende em meio o hino augusto e forte.
Volve ao nada! Não sentes neste enleio
Teu cântico gelar-se no meu seio?!’
IMPRIMIR
GABARITO
– ‘Eu cantarei no céu’ – diz-lhe o Poeta!”
Instrução: Para responder à questão 7, analisar as afirmativas que seguem, sobre o texto.
I. Mostra a estreita convivência do poeta com a indiferença, com a fome e com a
morte.
II. Expressa a força do poeta através de sua capacidade de superar mesmo a morte.
III. Idealiza a função do poeta, uma vez que esta ultrapassa a condição humana.
IV. Pertence ao movimento literário denominado Romantismo.
7. PUC-RS Pela análise das afirmativas, conclui-se que está correta a alternativa:
a) I e II.
b) II e III.
c) II e IV.
d) III e IV.
e) I, II, III e IV.
8. PUC-RS O texto pode ser vinculado a uma tendência de expressão poética denominada:
a) subjetivismo.
b) ufanismo.
c) nacionalismo.
d) futurismo.
e) condoreirismo.
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Língua Portuguesa - Romantismo
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Texto para a questão 9.
“Leito de folhas verdes
Por que tardas, Jatir, que tanto a custo
À voz do meu amor moves teus passos?
Da noite a viração, movendo as folhas,
Já nos cimos do bosque rumoreja.
Eu sob a copa da mangueira altiva
Nosso leito gentil cobri zelosa
Com mimoso tapiz de folhas brandas,
Onde o frouxo luar brinca entre flores.
Do tamarindo a flor abriu-se, há pouco,
Já solta o bagari mais doce aroma!
Como prece de amor, como estas preces,
No silêncio da noite o bosque exala.
Brilha a lua no céu, brilham estrelas,
Correm perfumes no correr da brisa,
A cujo influxo mágico respira-se
Um quebranto de amor, melhor que a vida!
4
A flor que desabrocha ao romper dalva
Um só giro do sol, não mais, vegeta:
Eu sou aquela flor que espero ainda
Doce raio do sol que me dê vida.
Sejam vales ou montes, lago ou terra,
Onde quer que tu vás, ou dia ou noite,
Vai seguindo após ti meu pensamento;
Outro amor nunca tive: és meu, sou tua!
Meus olhos outros olhos nunca viram,
Não sentiram meus lábios outros lábios,
Nem outras mãos, Jatir, que não as tuas
A arasóia na cinta me apertaram.
GABARITO
Do tamarindo a flor jaz entreaberta,
Já solta o bogari mais doce aroma;
Também meu coração, como estas flores,
Melhor perfume ao pé da noite exala!
Não me escutas, Jatir! nem tardo acodes
À voz do meu amor, que em vão te chama!
Tupã! lá rompe o sol! do leito inútil
A brisa da manhã sacuda as folhas!”
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Gonçalves Dias.
9. CEETPS-SP Assinale a alternativa correta com relação ao texto.
a) Principalmente pela manifestação de elementos simbólicos, tais como “luar”, “vales”,
“bosque” e “perfumes”, pode-se dizer que o poema muito se aproxima da estética
simbolista.
b) O poema romântico indianista recupera as antigas cantigas de amigo medievais, para
expressar o amor por meio da espera.
c) O poema de Gonçalves Dias demonstra profunda influência renascentista, recebida
principalmente de Camões.
d) Apesar da intensa presença da natureza, o poema em questão já se aproxima do parnasianismo, pela presença dos elementos mitológicos.
e) Mesmo sendo romântico, notam-se ainda no poema, os aspectos marcantes do Arcadismo, principalmente no que diz respeito ao bucolismo.
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Língua Portuguesa - Romantismo
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10. UEGO Assinale V, para os itens verdadeiros, e F, para os falsos.
O romance Lucíola, de José de Alencar permite entrever várias características do Romantismo:
( ) Observa-se uma preocupação em não ferir o tradicionalismo e as convenções familiares da época, realçando seus preceitos e preconceitos.
( ) O amor é visto unicamente sob o aspecto da sexualidade e apresentado como uma
mera satisfação de instintos animais.
( ) Uma das formas com que Alencar conciliou a impossibilidade de união entre os
dois grupos distintos, o marginal e o burguês, foi trabalhar a dualidade, colocando
na mesma mulher as imagens de virgem, de Maria da Glória e da cortesã, Lúcia.
( ) O romance Lucíola ambienta-se na época do autor e retrata os costumes da sociedade carioca do Segundo Reinado.
( ) Observa-se neste romance a atitude romântica de eleger a prostituta como centro da
narrativa, procurando justificar suas dores e compreendendo o tipo de vida que levava.
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GABARITO
5
11. Unifor-CE Nossos primeiros escritores nacionalistas – Gonçalves Dias e José de Alencar entre eles – voltaram seus olhos sobre nossas raízes históricas-culturais, buscando
nelas aspectos heróicos, dignos de alta expressão literária. É o que se pode verificar
quando se lêem, dos dois autores citados, respectivamente, as obras:
a) Senhora e Lira dos Vinte Anos;
b) Quincas Borba e Os Escravos;
c) Ressurreição e O Navio Negreiro;
d) O Mulato e Canção do Exílio;
e) I - Juca Pirama e O Guarani.
12. UFSE No período romântico brasileiro, os aspectos estéticos e os históricos ligaram-se
de modo especialmente estreito e original: entre nós, o Romantismo deu expressão à
consolidação da Independência, à afirmação de uma nova Nação e à busca das raízes
históricas e míticas de nossa cultura – características que se encontram amplamente:
a) na poesia de Gonçalves de Magalhães influenciada pela de Gonçalves Dias;
b) nos romances urbanos da primeira fase de Machado de Assis;
c) nos romances de costumes de Joaquim Manuel de Macedo;
d) na lírica confidencial de Álvares de Azevedo e de Casimiro de Abreu;
e) na ficção regionalista e indianista de José de Alencar.
13. U.F. Uberlândia-MG Existem diferenças básicas entre a paisagem retratada pelos árcades e a paisagem retratada pelos românticos.
Escolha a alternativa correta que define essas duas paisagens:
a) A paisagem romântica é amena e monótona e a paisagem árcade é sempre graciosa e
fulgurante.
b) A paisagem árcade é bucólica e a paisagem romântica é ainda mais bucólica, devido
aos exageros do eu-lírico.
c) A paisagem romântica reflete os sentimentos do eu-lírico, enquanto a paisagem árcade é harmoniosa, alheia ao eu-lírico.
d) A paisagem árcade é mais visual enquanto a paisagem romântica só é perceptível
através da leitura.
14. UFF-RJ Assinale o fragmento que não corresponde ao indianismo romântico:
a) “As leis da cavalaria no tempo em que floresceu em Europa não excediam por certo
em pundonor e brios à bizarria dos selvagens brasileiros.” (José de Alencar).
b) “Não há hoje a menor razão porque desconheçamos a importância da parte indígena
na população do Brasil; e menos ainda para que apaixonados declamemos contra selvagens que por direito natural defendiam a sua liberdade, independência e as terras
que ocupavam.” (Gonçalves de Magalhães).
c) “Imaginei um poema... como nunca ouviste falar de outro: guerreiros diabólicos, mulheres feiticeiras, sapos e jacarés sem conta: enfim, um gênesis americano, uma Ilídia
Brasileira, uma criação recriada.” (Gonçalves Dias).
d) “É certo que a civilização brasileira não está ligada ao elemento indiano nem dele
recebeu influxo algum; e isto basta para não ir buscar entre as tribos vencidas os
títulos da nossa personalidade literária.” (Machado de Assis).
e) “O maravilhoso, tão necessário à poesia, encontrar-se-á nos antigos costumes desses
povos [indígenas], como na força incompreensível de uma natureza constantemente
mutável em seus fenômenos.” (Ferdinand Denis).
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15. UFRS Leia o texto abaixo.
............... é um tema dominante na poesia ............... de cunho romântico no Brasil; nela, a
mulher é freqüentemente ............... sob o olhar apaixonado do poeta, que usa ............... como
termo de comparação capaz de expressar a intensidade dos seus sentimentos.
Assinale a alternativa que preenche adequadamente as lacunas desse texto.
a) O amor – nacionalista – homenageada – a religião
b) A pátria – sentimental – martirizada – o mito
c) O amor – intimista – idealizada – a natureza
d) A infância – histórica – divinizada – a Idade Média
e) A morte – nacionalista – humilhada – a música
16. UFRS Leia o texto abaixo.
“Uma das facetas do Romantismo é conceber o poeta como um gênio inspirado, dono de uma
sensibilidade extraordinária. Isso faz com que ele expresse suas idéias e emoções de uma forma
original e seja capaz de revelar realidades inacessíveis ao homem comum.”
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GABARITO
6
Dos exemplos citados abaixo, identifique aquele(s) que expressa(m) a concepção acima.
I. “Meia-noite soou na floresta
No relógio de sino de pau;
E a velhinha, rainha da festa,
Se assentou sobre o grande jirau.”
(Bernardo Guimarães)
II. “Se é vate quem acesa a fantasia
Tem de divina luz na chama eterna;
Se é vate quem do mundo o movimento
Co’o movimento das canções governa;
(...)
Se é vate quem dos povos, quando fala,
As paixões vivifica, excita o pasmo.”
(Laurindo Rabelo)
III. “Tenho medo de mim, de ti, de tudo,
Da luz, da sombra, do silêncio ou vozes,
Das folhas secas, do chorar das fontes,
Das horas longas a correr velozes.
(...)
O véu da noite me atormenta em dores,
A luz da aurora me intumesce os seios,”
(Casemiro de Abreu)
Quais exemplos correspondem à concepção citada?
a) Apenas I.
b) Apenas II.
c) Apenas I e II.
d) Apenas II e III.
e) I, II e III.
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17. FUVEST-SP
“Assim, o amor se transformava tão completamente nessas organizações*, que apresentava
três sentimentos bem distintos: um era uma loucura, o outro uma paixão, o último uma religião.
…………… desejava; …………… amava; …………… adorava.”
(*organizações = personalidades)
ALENCAR, José de. O Guarani.
Neste excerto de O Guarani, o narrador caracteriza os diferentes tipos de amor que três
personagens masculinas do romance sentem por Ceci. Mantida a seqüência, os trechos
pontilhados serão preenchidos corretamente com os nomes de
a) Álvaro / Peri / D. Diogo.
b) Loredano / Álvaro / Peri.
c) Loredano / Peri / D. Diogo.
d) Álvaro / D. Diogo / Peri.
e) Loredano / D. Diogo / Peri.
7
18. UEMS Assinale a única alternativa verdadeira sobre José de Alencar e sua obra
Senhora:
a) ainda que considerando romântico, através da Senhora, Alencar revela traços realistas; constrói uma personagem feminina sem tantas idealizações e já indica o caminho
da crítica social;
b) juntamente com Diva e Iracema, Senhora completa a série considerada de perfis femininos que o autor utiliza para a composição da crônica de costumes brasileiros;
c) O enredo de Senhora baseia-se na história de uma moça pobre, Lúcia Camargo que,
após ser abandonada por Fernando Seixas, recebe uma herança e vinga-se: “compra”
de volta o ambicioso noivo;
d) Fernando, após o casamento, vê-se desprezado e humilhado pela esposa; arrependido,
trabalha e consegue juntar os mil contos do dote para devolução, mas o casamento, já
comprometido, é desfeito;
e) Alencar, numa tentativa de representar por completo o Brasil, escreveu romances indianistas e urbanos, porém nunca se valeu da composição regionalista e, assim, não
atingiu seu intento.
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GABARITO
Texto para as questões 19 e 20.
“Logo após a vitória, o cristão tornara às praias do mar, onde havia construído sua cabana e
onde o esperava a terna esposa. De novo sentiu em sua alma a sede do amor; e tremia de pensar
que Iracema houvesse partido, deixando ermo aquele sítio tão povoado outrora pela felicidade.
Como a seca várzea com a vinda do inverno reverdece e se matiza de flores, a formosa filha do
sertão com a volta do esposo reanimou-se; e sua beleza esmaltou-se de meigos e ternos sorrisos.
Outra vez sua graça encheu os olhos do cristão, e a alegria voltou a habitar em sua alma.
O cristão amou a filha do sertão como nos primeiros dias, quando parece que o tempo nunca
poderá estancar o coração. Mas breves sóis bastaram para murchar aquelas flores de uma alma
exilada da pátria.
O imbu, filho da serra, se nasce da várzea porque o vento ou as aves trouxeram a semente,
vinga, achando boa terra e fresca a sombra; talvez um dia cope a verde folhagem e enflore. Mas
basta um sopro do mar, para tudo murchar. As folhas lastram o chão; as flores, leva-as a brisa.
Como o imbu na várzea, era o coração do guerreiro branco na terra selvagem. A amizade e o
amor o acompanharam e fortaleceram durante algum tempo, mas agora longe de sua casa e de
seus irmãos, sentia-se no ermo. O amigo e a esposa não bastavam mais à sua existência, cheia de
grandes desejos e nobres ambições.
Passava os já tão breves, agora longos sóis, na praia, ouvindo gemer o vento e soluçar as ondas.
Com os olhos engolfados na imensidade do horizonte, buscava, mas embalde, descobrir no azul
diáfano a alvura de uma vela perdida nos mares.”
ALENCAR, José de. Iracema. São Paulo: Scipione. 1994. p. 56.
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19. UFBA A leitura do fragmento e do romance de onde foi extraído permite afirmar:
01. O aproveitamento da fauna e da flora americana fixa e valoriza a cor local, seguindo
uma tendência da época em que a obra foi escrita.
02. Os personagens atuam impulsionados por sentimentos que os levam à prática de atos
grandiosos ou de ações aviltantes que os caracterizam, respectivamente, como heróis ou como vilões.
04. A amizade entre Poti e Martim é reveladora do objetivo do autor de mostrar o colonizador como amistoso e cordial.
08. O movimento da narrativa é retardado pela inserção desse episódio de reencontro
entre Iracema e Martim, fato inteiramente alheio à seqüência dos acontecimentos
que constituem o enredo.
16. A atitude contemplativa de Martim pode ser considerada fortuita, sem qualquer conseqüência para o desenrolar da trama.
32. A ação se transfere das praias do mar para o seio da floresta, onde ocorre o desfecho
da história de amor de que trata o romance.
64. A razão que leva a filha da floresta e o guerreiro branco a se exilarem justifica, para
ambos, a firmeza de permanecer em terra estranha.
Dê, como resposta, a soma das alternativas corretas.
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GABARITO
8
20. UFBA Com relação à linguagem, existe uma explicação adequada em:
01. A expressão “sede do amor” difere de sede de amor, já que a primeira dá idéia de
concretude, enquanto a segunda, de abstração do sentimento amoroso.
02. A comparação entre a várzea e a filha do sertão remete, respectivamente, à chegada
do inverno e à volta do esposo, ambas com função revitalizadora.
04. A oração “para murchar aquelas flores de uma alma exilada da pátria” exprime a
conseqüência da ação do tempo no estado de ânimo do guerreiro branco.
08. A comparação presente no primeiro período do penúltimo parágrafo, evidencia a
fragilidade do amor do guerreiro por sua pátria e a resistência do imbu na várzea.
16. O trecho “os já tão breves, agora longos sóis” contém idéias antitéticas que estão
relacionadas com a mudança de estado de espírito experimentada pelo cristão.
32. O termo “embalde” expressa a incerteza da realização da ação de “buscava”.
64. As palavras “diáfano” e “alvura” referem-se a um mesmo nome.
Dê, como resposta, a soma das alternativas corretas.
21. UFF-RJ Na literatura, a visão romântica representativa da mulher é a de uma figura
idealizada, frágil e inatingível.
Assinale a opção em que a visão da mulher não se enquadra nesta característica:
a) “Ah! Vem, pálida virgem, se tens pena
De quem morre por ti, e morre amando.
Dá vida em teu alento à minha vida,
Une nos lábios meus minha alma à tua!” (Álvares de Azevedo)
b) “Anjos longiformes
De faces rosadas
E pernas enormes
Quem vos acompanha?” (Vinícius de Moraes)
c) “Anjo no nome, Angélica na cara!
Isso é ser flor, e Anjo juntamente:
Ser Angélica flor e anjo florente,
Em quem, senão em vós se uniformara.” (Gregório de Matos)
d) “Minha mãe cozinhava exatamente:
arroz, feijão-roxinho, molho de batatinhas.
Mas cantava.” (Adélia Prado)
e) “Baixas do céu num vôo harmonioso! ...
Quem és tu bela e branca desposada?
Da laranjeira em flor a flor nevada
Cerca-te a fronte ó ser misterioso! ...” (Castro Alves)
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22. Cefet-PR Assinale a alternativa incorreta sobre o Romantismo.
a) O romance indianista de José de Alencar representa contestação política ao domínio
português.
b) Bernardo Guimarães foi o primeiro escritor regionalista brasileiro com o romance
Ermitão de Muquém.
c) O aproveitamento da linguagem do sertão é um dos traços marcantes da obra do Visconde de Taunay.
d) A Moreninha garante a Joaquim Manuel de Macedo o pioneirismo na prosa romântica
brasileira.
e) Franklin Távora é considerado o criador da Literatura do Norte, região tida por ele
como a mais autenticamente brasileira.
9
23. UFRS Considere as afirmações abaixo, referentes ao romance romântico no Brasil.
I. A Moreninha, de Joaquim Manuel de Macedo, insere-se na linha primitivista da
corrente romântica, em que as personagens vivem em contato constante com a natureza.
II. Uma das fontes de inspiração do romance Memórias de um Sargento de Milícias, de
Manuel Antônio de Almeida, é a novela picaresca espanhola.
III. A heroína de A Escrava Isaura, de Bernardo Guimarães, é mestiça; porém, na sua
apresentação inicial, são destacadas sua tez clara “como marfim” e sua beleza
“branca”.
Quais estão corretas?
a) Apenas I.
b) Apenas II.
c) Apenas I e II.
d) Apenas II e III.
e) I, II e III.
O fragmento abaixo foi retirado do romance O Guarani. Leia-o com atenção e responda às
questões 24 a 27.
IMPRIMIR
GABARITO
“O índio, antes de partir, circulou a alguma distância o lugar onde se achava Cecília, de uma
corda de pequenas fogueiras feitas de louro, de canela, urataí e outras árvores aromáticas.
Desta maneira tornava aquele retiro impenetrável; o rio de um lado, e do outro as chamas que
afugentariam os animais daninhos, e sobretudo os répteis; o fumo odorífero que se escapava das
fogueiras afastaria até mesmo os insetos. Peri não sofreria que uma vespa e uma mosca sequer
ofendesse a cútis de sua senhora, e sugasse uma gota desse sangue precioso; por isso tomara
todas essas precauções.”
24. FEI-SP O Guarani foi publicado em 1857 e na época gerou uma grande repercussão. O
autor desse romance é:
a) Machado de Assis.
b) Álvares de Azevedo.
c) José Lins do Rego.
d) José de Alencar.
e) Gonçalves Dias.
25. FEI-SP Sobre o romance, é possível afirmar que:
a) projeta um futuro trágico para o Brasil.
b) aponta para um tempo em que os indígenas recuperarão o território brasileiro e expulsarão os brancos e negros.
c) defende a união entre negros e índios contra os colonizadores portugueses.
d) reconstitui acontecimentos históricos verídicos do período inicial da colonização do
Brasil.
e) pretende narrar a fundação de uma nova nação a partir da miscigenação entre brancos
e indígenas.
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26. FEI-SP A propósito do trecho transcrito, é correto afirmar que:
I. A descrição do amor que Peri nutre por Ceci visa a criar uma imagem idealizada do
índio brasileiro.
II. O trecho descreve os conflitos entre o homem branco e o negro.
III. O autor pretende demonstrar a inferioridade do indígena brasileiro frente ao colonizador europeu.
a) somente I está correta.
d) I e III estão corretas.
b) somente III está correta.
e) II e III estão corretas.
c) I e II estão corretas.
27. FEI-SP Em O Guarani, o autor procura valorizar as origens do povo brasileiro e transformar certos personagens em heróis, com traços do caráter do “bom selvagem”: pureza,
valentia e brio. Essa tendência é típica do:
a) romance urbano.
b) romance regionalista.
c) romance indianista.
d) poemas épicos.
e) poemas históricos.
28. UEMS
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“Maldição
baudelaire macalé luiz melodia/ quanta maldição/ o meu coração não quer dinheiro/quer poesia/ baudelaire e macalé luiz melodia/ rimbaud a missão/ poeta e ladrão/ escravo da paixão sem
guia/ edgar allan poe tua mão na pia/ lava com sabão/ tua solidão/ tão infinita quanto o dia/
vicentinho van gogh luiza erundina/ voltem pro sertão/ pra plantar feijão/ tulipas para a burguesia/
baudelaire macalé luiz melodia/ waly salomão/ itamar assumpção/ o resto é perfumaria”
BALEIRO, Zeca. In: Vô imbolá, 1999.
GABARITO
Em sua música “Maldição”, Zeca Baleiro menciona Edgar Allan Poe (grande influência
para muitos escritores brasileiros, especialmente para uma das gerações do Romantismo). Uma das obras em que podemos observar tal influência é Noite na taverna e seu
autor foi um dos mais influenciados por Poe. Referimo-nos a:
a) Álvares de Azevedo.
b) Gonçalves Dias.
c) Casimiro de Abreu.
d) Castro Alves.
e) Olavo Bilac.
29. Uneb-BA
“Quando Seixas convenceu-se que não podia casar com Aurélia, revoltou-se contra si próprio.
Não se perdoava a imprudência de apaixonar-se por uma moça pobre e quase órfã, imprudência
a que pusera remate o pedido do casamento. O rompimento deste enlace irrefletido era para ele
uma coisa irremediável, fatal; mas o seu procedimento o indignava.
Aurélia percebeu imediatamente a mudança que se havia operado em seu noivo, e inquiriu do
motivo. Fernando disfarçou; a moça não insistiu; e até pareceu esquecer a sua observação.
Uma noite porém, em que Seixas se mostrara mais preocupado, na despedida ela disse-lhe:
— A sua promessa de casamento o está afligindo, Fernando; eu lha restituo. A mim basta-me o
seu amor, já lho disse uma vez; desde que mo deu, não lhe pedi nada mais.”
IMPRIMIR
ALENCAR, José de. Senhora: perfil de mulher. São Paulo: FTD, 1992. p. 104-6.
Considerando-se o fragmento inserido no contexto da obra, é verdadeira a afirmativa:
a) O personagem Seixas revela-se guiado por sentimentos nobres.
b) Aurélia Camargo, na narrativa, desempenha, quanto à relação amorosa, o papel da
mulher fraca, sem força de vontade.
c) A obra, enquanto romântica, vê com naturalidade o casamento de conveniência.
d) Os personagens são desprovidos de idealizações, enfocados como pessoas comuns.
e) A obra apresenta o final feliz, típico desfecho da narrativa romântica.
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30. UFF-RJ As estrofes abaixo, partes do poema Canção do Tamoio, representam um momento da literatura brasileira em que se buscou, através do sentimento nativista, inspiração em elementos nacionais, especialmente nos índios e em sua civilização.
“Não chores, meu filho;
Não chores, que a vida
É luta renhida;
Viver é lutar.
A vida é combate
Que os fracos abate,
Que os fortes, os bravos,
Só pode exaltar.
Um dia vivemos!
O homem que é forte
Não teme da morte;
Só teme fugir;
No arco que entesa
Tem certa uma presa,
Quer seja tapuia,
Condor ou tapir.
E pois que és meu filho,
Meus brios reveste;
Tamoio nasceste,
Valente serás.
Sê duro guerreiro
Robusto, fragueiro,
Brasão dos tamoios
Na guerra e na paz.
As armas ensaia,
Penetra na vida:
Pesada ou querida,
Viver é lutar.
Se o duro combate
Os fracos abate,
Aos fortes, aos bravos,
Só pode exaltar.”
11
GABARITO
DIAS, Gonçalves. Poesia Completa. Rio de Janeiro: José Aguilar Ltda., 1959, p. 372.
Identifique o momento literário a que pertence o poema Canção do Tamoio.
a) Barroco.
d) Naturalismo.
b) Realismo.
e) Romantismo.
c) Modernismo.
31. UFF-RJ O sofrimento amoroso é freqüente nas obras dos poetas românticos, como se
pode observar abaixo:
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“Se Se Morre de Amor!
Sentir, sem que se veja, a quem se adora,
Compr’ender, sem lhe ouvir, seus pensamentos,
Segui-la, sem poder fitar seus olhos,
Amá-la, sem ousar dizer que amamos,
E, temendo roçar os seus vestidos,
Arder por afogá-la em mil abraços:
Isso é amor, e desse amor se morre!”
DIAS, Gonçalves. Poemas de Gonçalves Dias. São Paulo, Cultrix, [s/d].
A característica que situa o fragmento dentro da poética romântica é:
a) evasão no espaço, transportando o eu-lírico para um lugar ideal, junto à natureza;
b) forte subjetivismo, revelando uma visão pessimista da vida;
c) idealização do amor, transcendendo os limites da vida física;
d) realização de poemas lírico-amorosos, valorizando o idioma nacional;
e) idealização da mulher, conduzindo o eu-lírico à depressão.
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32. UFRS Leia as afirmações abaixo sobre os romances O Guarani e Iracema, de José de
Alencar.
I. Em O Guarani, tanto a casa de Mariz, representante dos valores lusitanos, quanto os
Aimorés, que retratam o lado negativo da terra americana, são destruídos.
II. Em Iracema, a guardiã do “segredo da jurema” abandona sua tribo para seguir Martim, o homem branco por quem se apaixonara.
III. Em O Guarani e Iracema, as personagens indígenas – Peri e Iracema – morrem em
circunstâncias trágicas, na certeza de que serão vingadas.
Quais estão corretas?
a) Apenas I.
b) Apenas II.
c) Apenas I e II.
d) Apenas II e III.
e) I, II e III.
33. UFRS Leia o texto abaixo.
No romance ..............., de José de Alencar, uma ............... apaixona-se por um provinciano
recém chegado ao Rio de Janeiro, experimentando, a partir daí, um processo gradativo de ................
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Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas do texto acima.
a) Lucíola – cortesã – purificação espiritual.
b) A Pata da Gazela – camponesa – degeneração física.
c) Lucíola – aristocrata – degradação moral.
d) Senhora – adolescente – enriquecimento material.
e) Senhora – adolescente – ascensão social.
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GABARITO
34. Unicamp-SP Em Ubirajara, tal como em Iracema e em O Guarani, José de Alencar
propõe uma interpretação de Brasil em que o índio exerce um papel central.
a) Que sentido têm as sucessivas mudanças de nome do protagonista no romance?
b) Qual o papel das notas explicativas nesse romance? Do que elas tratam em sua maior
parte?
c) Como o romance e suas notas tratam o ritual antropofágico, no empenho de construir
uma visão do período pré-cabralino?
35. UFMS Considerando a leitura do romance Inocência, do Visconde de Taunay, assinale
a(s) alternativa(s) correta(s).
01. Às descrições da natureza típica do cerrado brasileiro, palco da história do amor de
Inocência e Meyer, misturam-se cenas da Guerra do Paraguai, conflito que traz para
a cena do romance o soldado Cirino, que se apaixona pela bela sertaneja, tentanto
tirá-la dos braços de seu amado.
02. Apesar do afeto que Pereira sente pela filha, ela é motivo de constante preocupação
para o pai, uma vez que, por obra de qualquer descuido, pode pôr a perder a honra
familiar, aliás uma opinião estendível a outras mulheres em idade casadoura. Segundo Pereira: “Ih, meu Deus, mulheres numa casa, é coisa de meter medo...São redomas de vidro que tudo pode quebrar...”
04. Durante um almoço, Pereira enaltece a fartura do Brasil, ao ouvir de Meyer notícias
sobre a morte de pessoas, à míngua, durante o inverno europeu. Essa exaltação dos
recursos alimentares do país, sinônimo dos recursos naturais do Brasil, é um reflexo
da busca e aclamação dos elementos constitutivos de uma nação brasileira, independente do julgo da metrópole portuguesa.
08. De acordo com a narrativa, são ressaltados aspectos pitorescos do sertão brasileiro,
em contraste com a vida na corte, mais precisamente no Rio de Janeiro, sob a influência das culturas européias, em especial a francesa. Essa comparação visa a demonstrar a superioridade do modo de vida na corte e a pobreza e a ignorância do
sertanejo.
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36. Unifor-CE Considere as seguintes afirmações sobre o romance Iracema, de José de Alencar:
I. Ao apresentar esta obra como “lenda do Ceará”, o autor já indica a combinação que
fará entre elementos históricos e fantasia.
II. O autor valeu-se de uma narrativa, mas não deixou de explorar sistematicamente
recursos típicos da linguagem poética.
III. Aqui, diferentemente do que ocorre na obra de Gonçalves Dias, a personalidade, os
costumes, os valores e a cultura do índio real estão fielmente retratados.
Está correto somente o que se afirma em:
a) I.
d) I e II.
b) II.
e) II e III.
c) III.
Para responder às questões 37 e 38, leia os textos a seguir:
“Meus oito anos
Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!”
Casimiro de Abreu.
13
“Nasci no campo, e ao desprender-me das faixas infantis, ao saltar do berço, vi quase ao mesmo
tempo o céu e o mar, os campos e as matas. Não foi na cidade, onde se morre abafado, não; foi
ao ar livre, e, infante ainda, senti a brisa da praia brincar com meus cabelos e o vento da montanha trazer-me de longe o perfume das florestas.
Que deliciosa vida aquela! Como eu corria por aqueles prados! Que colheita que fazia de flores!
Que destemido caçador de borboletas!
Ah! meus oito anos! Quem me dera tornar a tê-los!... Mas... nada, não queria, não; aos oito anos
ia eu para a escola, e confesso francamente que a palmatória não me deixou grandes saudades.”
ABREU, Casimiro de. Obras completas. Rio de Janeiro: Edição de Ouro, 1965. p. 203.
37. UFRJ O texto de Casimiro de Abreu apresenta um tema relevante no Romantismo: a infância.
A abordagem desse tema é integralmente feita de acordo com o padrão romântico na
literatura brasileira? Justifique a resposta, com suas palavras.
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GABARITO
38. UFRJ Associado ao tema da infância, o texto de Casimiro de Abreu aborda ainda outro
tema significativo na literatura romântica: a relação entre o homem e a natureza.
Ao tratar desse tema, o texto segue o padrão literário romântico? Justifique a resposta,
com suas palavras.
39. UFPR Sobre o romance Senhora, de José de Alencar, é correto afirmar. Assinale V
(verdadeiro) ou F (falso).
( ) Ambientado no Rio de Janeiro do Segundo Império, trata-se de caso de exceção na
ficção do autor, uma vez que o restante de sua obra romanesca é dedicado à reelaboração das origens históricas do país ou à apresentação romântica de cenários regionais.
( ) Heroína romântica, Aurélia recusa-se a utilizar-se do dinheiro para alcançar seus
objetivos, servindo como porta-voz direta das críticas do autor aos valores burgueses.
( ) Em sua trajetória ao longo da narrativa, Fernando passa por uma transformação
que o redime de suas atitudes iniciais, oferecendo condições para um desfecho
feliz ao lado de Aurélia.
( ) Escrito na forma de um relato de memórias da protagonista, o romance apresenta
os fatos do enredo em ordem cronológica, iniciando-se a narrativa com as recordações da infância de Aurélia.
( ) Até o final do romance, o autor consegue sustentar a atenção dos leitores, ocultando habilmente as razões que levaram ao desentendimento entre os protagonistas.
( ) A escassez de detalhes descritivos e a incorporação de elementos da cultura popular são algumas das características fundamentais do estilo de Alencar, o que o opõe
aos autores da geração literária que sucedeu à sua.
( ) A transação que resulta no vínculo entre Aurélia e Fernando acaba por permitir que
outro casal, ligado por laços afetivos sinceros, mas divididos por razões econômicas, possa encontrar sua felicidade.
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40. Unioeste-PR Com respeito à leitura de O Guarani, assinale a(s) alternativa(s)
procedente(s).
01. O tom confidencial da narrativa, focalizado em primeira pessoa, reforça a grandeza
do índio Peri.
02. A natureza age como mediadora: o óleo da cabuíba, como um bálsamo poderoso,
salva Peri da morte.
04. A descrição que o narrador faz de Álvaro (cap. III – “A Bandeira”) é representativa
da tese de Rousseau sobre a bondade natural do selvagem.
08. O brasão escondido de Loredano e sua devoção a Dom Antônio de Mariz são exemplos da presença do medievalismo na literatura romântica.
16. A apresentação que o narrador faz do rio Paquequer registra um típico processo de
animização, incorporado a uma atmosfera metaforicamente medieval.
32. A ação do romance, em termos históricos, transcorre no século XVII, apesar do
autor ter escrito a obra na segunda metade do século XIX.
64. A elevação de sentimentos e nobreza de caracteres, em oposição à vilania e à maldade, é ilustrada através da oposição entre Cecília e Isabel, no cap. V, intitulado “Loura
e Morena”.
Dê, como resposta, a soma das alternativas corretas.
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GABARITO
14
41. PUC-SP A questão central proposta no romance Senhora, de José de Alencar, é a do
casamento. Considerando a obra como um todo, indique a alternativa que não condiz
com o enredo do romance.
a) O casamento é apresentado como uma transação comercial e, por isso, o romance
estrutura-se em quatro partes: preço, quitação, posse, resgate.
b) Aurélia Camargo, preterida por Fernando Seixas, compra-o e ele contumaz caça-dote,
sujeita-se ao constrangimento de uma união por interesse.
c) O casamento é só de fachada e a união não se consuma, visto que resulta de acordo no
qual as aparências sociais devem ser mantidas.
d) A narrativa marca-se pelo choque entre o mundo do amor idealizado e o mundo da
experiência degradante governado pelo dinheiro.
e) O romance gira em torno de intrigas amorosas, de desigualdade econômica, mas, com
final feliz, porque, nele, o amor tudo vence.
42. UFMS Sobre o romance Inocência, de Visconde de Taunay, é correto afirmar que:
01. o pitoresco da paisagem sertaneja recebe especial atenção do narrador: os elementos da natureza são descritos minuciosamente, inclusive através de nomes científicos em notas de rodapé, como também as relações do homem com essa mesma
natureza.
02. é um romance regionalista, de tendência sertanista, cuja linguagem possui os elementos necessários para a descrição da paisagem do interior brasileiro, além de explorar o conflito amoroso próprio da vertente romântica.
04. a austeridade do pai de Inocência é quebrada pela intensidade do amor que a filha
devota a Cirino, levando-o a acobertar a fuga dos amantes da ira de Manecão.
08. Tico, o anão que vigia Inocência o tempo todo, é um dos tipos humanos descritos por
Taunay que dá à narrativa um colorido especial.
16. Inocência é noiva de Manecão, por promessa de seu pai, Pereira. A jovem, no entanto, apaixona-se por Cirino, uma espécie de curandeiro ambulante que tenta salvá-la
da febre.
Dê, como resposta, a soma das alternativas corretas.
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43. Unifor-CE
“Palmares! A ti meu grito!
A ti, barca de granito,
Que no soçobro infinito
Abriste a vela ao trovão,
E provocaste a rajada,
Solta a flâmula agitada
aos uivos da marujada,
Nas ondas da escravidão.”
Está incorreta a seguinte afirmação sobre a estrofe acima:
a) O tom, o tema e o sentimento predominante indicam tratar-se de versos de Álvares de
Azevedo.
b) O estilo e o elemento histórico remetem ao autor de Navio Negreiro e Vozes d’África.
c) Essa estrofe é uma oitava, com versos de sete sílabas que cumprem um padrão de rimas.
d) A expressão “barca de granito” é uma metáfora de “Palmares”, a comunidade dos
escravos que resistiram ao cativeiro.
e) São versos típicos de uma poesia que, romântica e exaltada, identificou-se plenamente com a causa dos abolicionistas.
15
44. Cefet-RJ
“Iracema, a virgem dos lábios de mel, que tinha os cabelos mais negros do que a asa da graúna,
e mais longos que seu talhe de palmeira.
O favo da jati não era doce como o seu sorriso; nem a baunilha recendia no bosque como seu
hálito perfumado.
Mais rápida que a ema selvagem, a morena virgem corria o sertão e as matas do Ipu, onde
campeava sua guerreira tribo, da grande nação tabajara. O pé grácil e nu, mal roçando, alisava
apenas a verde pelúcia que vestia a terra com as primeiras águas.”
ALENCAR, José de. Iracema. São Paulo: Scipione, 1994,. p. 10.
“Após a independência, século XIX, a nova nação ‘precisava ajustar-se aos padrões de modernidade da época. (...) Havia a necessidade de auto-afirmação da Pátria que se formava.’”
GABARITO
NICOLA, José de. Literatura brasileira: das origens aos nossos dias. São Paulo: Scipione, 1998. p. 125.
No texto de José de Alencar, temos uma das formas significativas do nacionalismo, sintetizado pelo:
a) realismo naturalista;
b) sentimentalismo realista;
c) romantismo indianista;
d) bucolismo neoclassicista;
e) nativismo modernista.
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Instrução: Para responder às questões 45 e 46, ler o texto que segue.
“(...) florestas virgens se estendiam ao longo das margens do rio, que corria no meio das arcarias de verdura e dos capitéis formados pelos leques das palmeiras.
Tudo era grande e pomposo no cenário que a natureza, sublime artista, tinha decorado para os
dramas majestosos dos elementos, em que o homem é apenas um simples comparsa.
No ano da graça de 1604, o lugar que acabamos de descrever estava deserto e inculto; a cidade
do Rio de Janeiro tinha-se fundado havia menos de meio século, e a civilização não tivera tempo
de penetrar o interior.
Entretanto, via-se à margem direta do rio uma casa larga e espaçosa, construída sobre uma
eminência e protegida de todos os lados por uma muralha de rocha cortada a pique. (...) A habitação (...) pertencia a D. Antônio de Mariz, fidalgo português cota d’armas e um dos fundadores
da cidade do Rio de Janeiro.”
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45. PUC-RS O Brasil português revela-se no trecho da obra ..............., de José de Alencar,
através da fundação daquela que se tornaria a sua capital. A personagem referida, ...............
de Cecília, que é a protagonista da obra, ............... o poder e a audácia dos novos habitantes.
a) O Guarani – irmão – mitifica
b) Iracema – tutor – critica
c) O Guarani – pai – representa
d) Iracema – tio – retrata
e) Ubirajara – progenitor – rejeita
46. PUC-RS A obra em questão ............... o passado histórico por meio de uma visão
............... da ideologia dominante, como se pode observar, por exemplo, em relação ao
processo de ............... à cultura europeizada por que passa Peri.
a) rejeita – pessimista – adaptação
b) redimensiona – inovadora – rejeição
c) enaltece – ufanista – conformação
d) idealiza – conservadora – rejeição
e) recupera – comprometida – adaptação
Texto para a questão 47.
16
“Ossian o bardo é triste como a sombra Que seus cantos povoa. O Lamartine É monótono e belo
como a noite, Como a lua no mar e o som das ondas… Mas pranteia uma eterna monodia, Tem na
lira do gênio uma só corda; Fibra de amor e Deus que um sopro agita: Se desmaia de amor a Deus
se volta, Se pranteia por Deus de amor suspira. Basta de Shakespeare. Vem tu agora, Fantástico
alemão, poeta ardente Que ilumina o clarão das gotas pálidas Do nobre Johannisberg! Nos teus
romances Meu coração deleita-se… Contudo, Parece-me que vou perdendo o gosto, (…)”
GABARITO
AZEVEDO, Álvares de. Lira dos vinte anos.
47. FUVEST-SP Considerando-se este excerto no contexto do poema a que pertence
(“Idéias íntimas”), é correto afirmar que, nele,
a) o eu-lírico manifesta tanto seu apreço quanto sua insatisfação em relação aos escritores que evoca.
b) a dispersão do eu-lírico, própria da ironia romântica, exprime-se na métrica irregular
dos versos.
c) o eu-lírico rejeita a literatura e os demais poetas porque se identifica inteiramente com
a natureza.
d) a recusa dos autores estrangeiros manifesta o projeto nacionalista típico da segunda
geração romântica brasileira.
e) Lamartine é criticado por sua irreverência para com Deus e a religião, muito respeitados pela segunda geração romântica.
48. UEMS
“O major tinha razão: o Leonardo não parecia ter nascido para emendas. Durante o primeiros
tempos de serviço tudo correu às mil maravilhas; só algum mal-intencionado poderia notar em
casa de Vidinha uma certa fartura desusada na despensa; mas isso não era coisa em que alguém
fizesse conta.”
IMPRIMIR
Memórias de um sargento de milícias.
Com base no texto acima, é correto afirmar:
a) Memórias de um sargento de milícias, de Manuel Antônio de Almeida, foi o primeiro
escrito no Brasil.
b) Romance de Manuel Antônio de Almeida, possui pouco valor como documentário ou
crônica de uma época.
c) A crítica vê em seu romance um caráter regionalista.
d) Escrito na época do Romantismo, Memórias de um sargento de milícias está totalmente de acordo com as características do momento.
e) Não há como negar o tom realístico do qual se carrega a narrativa, evidenciado na
linguagem simples e na representação de pessoas comuns.
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As questões 49 e 50 referem-se ao seguinte texto:
“O primeiro navio destacado da conserva para levar a Portugal a notícia do descobrimento do
Brasil, e com instâncias ao rei de Portugal para que por amor da religião se apoderasse d’esta
descoberta, cometera a violência de arrancar de suas terras, sem que a sua vontade fosse consultada, a dois índios, ato contra o qual se tinham pronunciado os capitães da frota de Pedro Álvares.
Fizera-se o índice primeiro do que era a história da colônia: era a cobiça disfarçada com pretextos
da religião, era o ataque aos senhores da terra, à liberdade dos índios; eram colonos degradados,
condenados à morte, ou espíritos baixos e viciados que procuravam as florestas para darem largas
às depravações do instinto bruto.”
DIAS, Gonçalves. Revista do Instituto Histórico e
Geográfico Brasileiro, 4º trim. 1867, p. 274.
GABARITO
50. UFF-RJ Índice é tudo aquilo que indica ou denota uma qualidade ou característica especial. No texto, Gonçalves Dias afirma que “fizera-se o índice primeiro do que era a
história da colônia” porque aquela história:
a) seria produzida por pessoas moralmente condenáveis, que alegavam razões religiosas
para seus atos, mas que eram movidas pela ganância;
b) seria conduzida por personagens da mais alta idoneidade moral, que se dedicavam
intensamente à causa da conversão do indígena brasileiro;
c) seria arquitetada por colonos degradados, condenados à morte ou espíritos baixos,
que buscavam no Brasil a redenção de seus pecados;
d) seria derivada da cobiça disfarçada com pretextos da religião, que evitava o ataque
dos colonos degradados aos senhores da terra e à liberdade dos índios;
e) seria causada pelos condenados à morte, ou espíritos baixos e viciados que procuravam as florestas para se redimirem, convertendo os índios.
IMPRIMIR
17
49. UFF-RJ A visão de Gonçalves Dias no texto:
a) reforça a posição dos brasileiros que desejam comemorar os 500 anos da chegada dos
portugueses ao Brasil, como se esta tivesse sido um evento relevante e benéfico para
os habitantes de nossa terra;
b) insere-se no contexto do Romantismo, que busca ressaltar os aspectos negativos da
colonização portuguesa, como elemento motivador para um distanciamento e uma
diferenciação em relação a Portugal;
c) recusa a idéia da violência que teria caracterizado a colonização portuguesa no Brasil,
como se a esquadra de Pedro Álvares não houvesse enviado dois índios a Portugal,
contra a vontade deles;
d) ressalta a concordância a que os capitães da frota de Pedro Álvares teriam chegado,
como se o consenso de todos estes comandantes justificasse a atitude de enviar os dois
índios ao rei português;
e) valoriza e confirma a iniciativa de alguns órgãos de imprensa que celebram a conquista portuguesa como fator importante para nosso posterior desenvolvimento como
nação.
51. PUC-RS Além dos romances históricos e/ou indianistas, José de Alencar retratou, em
obras como ..............., contextos e temáticas urbanas, bem como criou romances de tendência ............... . A preocupação em retratar a ............... do país através de temas nacionais configura-se como um dos aspectos mais significativos do Romantismo brasileiro,
apesar do tom artificial de alguns romances.
a) A Moreninha – realista – desigualdade.
b) Senhora – abolicionista – simplicidade.
c) A Escrava Isaura – regionalista – diversidade.
d) O Moço Loiro – realista – complexidade.
e) Lúciola – regionalista – diversidade.
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52. UFRS Leia as estrofes seguintes, extraídas do poema Canção do Exílio de Gonçalves Dias.
“Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.
(...)
Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu’inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.”
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Em relação à Canção do Exílio é correto afirmar que:
a) exalta a natureza brasileira em sua fauna e sua flora, destacando-se pela temática
regionalista;
b) se trata de um soneto clássico que celebrizou o poeta como um dos mais importantes
do Romantismo brasileiro;
c) é um canto de amor à pátria e teve alguns dos seus versos incorporados à letra do Hino
Nacional;
d) as estrelas e as flores, referidas na segunda estrofe, simbolizam a falta de preocupação
com os problemas do período colonial;
e) os versos da última estrofe acentuam o sentimento do exílio e expressam o desejo do
poeta de morrer em Portugal.
53. FUVEST-SP
“Teu romantismo bebo, ó minha lua,
A teus raios divinos me abandono,
Torno-me vaporoso… e só de ver-te
Eu sinto os lábios meus se abrir de sono.”
IMPRIMIR
GABARITO
AZEVEDO, Álvares de. “Luar de verão”, Lira dos vinte anos.
Neste excerto, o eu-lírico parece aderir com intensidade aos temas de que fala, mas revela, de imediato, desinteresse e tédio. Essa atitude do eu-lírico manifesta a
a) ironia romântica.
b) tendência romântica ao misticismo.
c) melancolia romântica.
d) aversão dos românticos à natureza.
e) fuga romântica para o sonho.
54. UFMS Com relação às Memórias de um Sargento de Milícias, é correto afirmar que:
01. uma das características da obra é a utilização da linguagem oral, característica das
classes de alta cultura e condição social confortável.
02. o personagem principal, Leonardo, é um anti-herói, um aventureiro, contrariando as
convenções literárias da época, o Romantismo, que previa heróis moralmente elevados, capazes de atos de bravura e coragem.
04. o narrador interrompe com freqüência a narrativa, comentando as ações dos personagens,
tornando a obra uma espécie de crônica da época, aproximando-a da estética realista.
08. é um romance urbano que apresenta grande variedade de tipos humanos (a parteira,
a comadre, o compadre, o barbeiro, o chefe de polícia) e os problemas morais e
sociais do Rio de Janeiro sob o reinado de D. João VI.
16. Leonardo, o personagem central, é filho de Leonardo Pataca e de Maria da Hortaliça, fruto de “uma pisadela e de um beliscão”, que mais tarde se casa com Vidinha e,
por méritos próprios, torna-se sargento.
Dê, como resposta, a soma das alternativas corretas.
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55. UFSE
“Quando junto de ti sinto às vezes
Em doce enleio desvairar-me o siso,
Nos meus olhos incertos sinto lágrimas...
mas da lágrima em troca eu temo um riso!”
Na estrofe acima, de Álvares de Azevedo, revela-se um traço forte de sua poesia, a:
a) idealização da amada, retratada como musa etérea, solene e distante;
b) projeção da própria morte, a um tempo temida e desejada;
c) sátira impiedosa, pela qual se rebaixa a linguagem ao plano do cômico;
d) insegurança amorosa, por temor de que a realidade rechace o devaneio lírico;
e) força material do cotidiano, expressa num detalhismo quase realista.
56. U.F. Vitória-ES Observe com atenção o fragmento abaixo:
“I- Juca -Pirama
No meio das tabas de amenos verdores,
Cercadas de troncos – cobertos de flores,
Alteiam-se os tetos d’altiva nação;
São muitos seus filhos, nos ânimos fortes,
Temíveis na guerra que em densas coortes
Assombram das matas a imensa extensão.
São rudos, severos, sedentos de glória,
Já prélios incitam, já cantam vitória,
Já meigos atendem à voz do cantor:
São todos Timbiras, guerreiros valentes!
Seu nome lá voa na boca das gentes,
Condão de prodígios, de glória e terror!
(...)”
19
IMPRIMIR
GABARITO
DIAS, Gonçalves. I- Juca-Pirama. In: RIEDEL, Dirce. Literatura
brasileira em curso. Rio de Janeiro: Bloch, 1969. p. 311
Reflita sobre as tendências da poesia romântica indianista e assinale a alternativa que não
confirma a visão idealizada do poeta em relação ao indígena brasileiro:
a) O índio de Gonçalves Dias ganhou o tom dos valorosos cavaleiros medievais e reafirmou o sentimento nacionalista de nosso Romantismo.
b) “I-Juca-Pirama” expressa o nacionalismo de seu autor, que, ao idealizar a coragem e o
heroísmo do índio brasileiro, atribuiu-lhe também alguns distúrbios de personalidade.
c) O poema gonçalvino enalteceu e preservou as tradições indígenas brasileiras, incorporando-as ao orgulho nacional.
d) O poeta romântico transformou o silvícola em um dos símbolos da autonomia cultural
e da superioridade da nação brasileira.
e) A poesia romântica indianista resgatou o passado histórico do Brasil e valorizou a
bravura de seus habitantes naturais.
57. UFMG Em relação ao poema “Canção do exílio”, de Gonçalves Dias, é incorreto afirmar que ele pertence:
a) ao projeto nacionalista romântico;
b) à tendência romântica para a utopia;
c) à temática romântica da nostalgia;
d) à vertente romântica indianista.
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58. U.F. Santa Maria-RS Considere os versos de “Canção do Tamoio”, de Gonçalves Dias.
“Um dia vivemos!
O homem que é forte
Não teme da morte;
Só teme fugir;
No arco que entesa
Tem certa uma presa,
Quer seja tapuia,
Condor ou tapir.”
Vocabulário:
Tapuia – identificação dada a tribos inimigas.
Condor – ave semelhante à águia.
Tapir – anta.
Conforme os versos transcritos,
a) quem erra o alvo precisa fugir da caça;
b) os índios estão em guerra contra os tapuias;
c) a covardia é o único sentimento a ser temido pelos fortes;
d) quem não tem boa pontaria é excluído do grupo de guerreiros;
e) o bom índio se conhece pela qualidade do seu arco.
20
59. U.E. Ponta Grossa-PR Espumas flutuantes, de Castro Alves, é um conjunto de poemas
que apresentam:
01. exaltação da natureza;
02. linguagem coloquial;
04. expressão de ideais românticos;
08. imaginação criadora;
16. satanismo.
Dê, como resposta, a soma das alternativas corretas.
IMPRIMIR
GABARITO
Texto para a questão 60.
“Idéias Íntimas (fragmento)
VII
XIII
Em frente do meu leito, em negro quadro
Havia uma outra imagem que eu sonhava
A minha amante dorme. É uma estampa
No meu peito na vida e no sepulcro.
De bela adormecida. A rósea face
Mas ela não o quis… rompeu a tela
Parece em visos de um amor lascivo
Onde eu pintara meus doirados sonhos.
De fogos vagabundos acender-se…
Se posso no viver sonhar com ela,
E com a nívea mão recata o seio…
Essa trança beijar de seus cabelos
Oh! quantas vezes, ideal mimoso,
E essas violetas inodoras, murchas,
Não encheste minh’alma de ventura,
Nos lábios frios comprimir chorando,
Quando louco, sedento e arquejante,
Não poderei na sepultura, ao menos,
Meus tristes lábios imprimi ardentes
Sua imagem divina ter no peito.
No poento vidro que te guarda o sono!
Álvares de Azevedo.
(…)
60. CEETPS-SP Assinale a alternativa correta com relação ao texto.
a) O idealismo, o sonho, a presença da morte, a imagem da mulher amada, presentes no
poema, revelam o seu caráter romântico de segunda geração.
b) Filiado ao Simbolismo, o poema recorre a imagens nebulosas e sugestivas, tais como:
ventura e tristeza, vida e morte.
c) Ao dizer “É uma estampa/de bela adormecida”, o poema denuncia sua familiaridade
com relatos infantis, característica primordial do Romantismo.
d) As referências ao universo da pintura, “negro quadro”, “rompeu a tela”, “onde eu pintara”, criam efeitos sinestésicos, confirmando a filiação do poema à estética simbolista.
e) As marcas do erotismo, da loucura e do sonho presentes no poema serão retomadas de
maneira similar na poesia parnasiana.
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61. UFMS Memórias de um sargento de milícias, de Manuel Antônio de Almeida, foi uma
obra inicialmente publicada em folhetins, entre os anos de 1852 e 1853. Dentre as proposições abaixo, assinale a(s) correta(s) em relação ao romance em questão.
01. A obra pode ser classificada como um romance de costumes, uma vez que registra
traços dos hábitos, tradições e falas de pessoas simples, do povo que vivia no Rio de
Janeiro no começo do século XIX.
02. Apresenta-se, no romance, um nítido contraste entre as personagens masculinas e as
femininas: enquanto os homens se distinguem pela honestidade, a retidão de caráter,
a coragem e a fidelidade, as mulheres são devassas, vulneráveis e desonestas.
04. Embora o romance esteja inserido entre as produções do Romantismo, não se pode
negar o teor realístico do qual se carrega a narrativa, seja no plano da forma - linguagem simples e direta -, seja no processo de construção das personagens - representação de pessoas comuns, de baixa renda e seus dramas cotidianos -, seja no espaço
onde essas personagens circulam - a periferia do Rio de Janeiro.
08. As personagens do romance pertencem à classe dominante, à elite de sua época, e
vivem situações idealizadas, características da estética romântica.
16. O desfecho da obra apresenta histórias de luto, dor e sofrimento, contrariando todo o
desenvolvimento orientado pela narrativa.
Dê, como resposta, a soma das alternativas corretas.
As questões 62 e 63 referem-se ao fragmento abaixo:
21
“Iracema, sentindo que se lhe rompia o seio, buscou a margem do rio onde crescia o coqueiro.
Estreitou-se com a haste da palmeira. A dor lacerou suas entranhas; porém logo o choro infantil
inundou sua alma de júbilo. (...)
– Tu és Moacir, o nascido do meu sofrimento.”
ALENCAR, José de. Iracema.
GABARITO
62. U.F. Juiz de Fora-MG Sobre o romance Iracema, de José de Alencar, é incorreto afirmar que:
a) destaca o elemento indígena como a verdadeira origem do povo brasileiro;
b) o sentimento amoroso justifica as duras ações colonizadoras;
c) a linguagem é um misto de narração e descrição lírica;
d) é uma obra de teor nacionalista em que há uso da cor local.
63. U.F. Juiz de Fora-MG A partir do fragmento acima, e considerando a obra como um
todo, assinale a alternativa incorreta:
a) O amor entre Iracema e Martim desculpa simbolicamente a colonização, na perspectiva do idealismo romântico.
b) Iracema entrega-se a Martim sem resistência, consciente da sua missão de gerar a
nova raça, o mestiço povo brasileiro.
c) A expressão “nascido do meu sofrimento” pode ser lida como índice da origem violenta da formação social brasileira.
d) Alencar justifica, a seu modo, a morte da terra virgem pela necessidade se implantar
nela uma civilização.
64. U.F. Santa Maria-RS
IMPRIMIR
“Era um sonho dantesco... O tombadilho
Que das luzernas avermelha o brilho,
Em sangue a se banhar.
Tinir de ferros... estalar do açoite...
Legiões de homens negros como a noite
Horrendos a dançar.”
Assinale a alternativa que identifica, corretamente, autor, título da obra e período literário dos versos citados.
a) Álvares de Azevedo – Noite na Taverna – Romantismo.
b) Castro Alves – O Navio Negreiro – Romantismo.
c) Aluísio Azevedo – O Mulato – Naturalismo.
d) Álvares de Azevedo – Conde Lopo – Romantismo.
e) Castro Alves – Vozes d’África – Romantismo.
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65. Cefet-PR O excerto a seguir foi extraído da obra Noite na Taverna, livro de contos
escrito pelo poeta ultra-romântico Álvares de Azevedo (1831 – 1852).
“Uma noite, e após uma orgia, eu deixara dormida no leito dela a condessa Bárbara. Dei um
último olhar àquela forma nua e adormecida com a febre nas faces e a lascívia nos lábios úmidos,
gemendo ainda nos sonhos como na agonia voluptuosa do amor. Saí. Não sei se a noite era
límpida ou negra; sei apenas que a cabeça me escaldava de embriaguez. As taças tinham ficado
vazias na mesa: aos lábios daquela criatura eu bebera até a última gota o vinho do deleite...
Quando dei acordo de mim estava num lugar escuro: as estrelas passavam seus raios brancos
entre as vidraças de um templo. As luzes de quatro círios batiam num caixão entreaberto. Abri-o:
era o de uma moça. Aquele branco da mortalha, as grinaldas da morte na fronte dela, naquela tez
lívida e embaçada, o vidrento dos olhos mal-apertados... Era uma defunta!... e aqueles traços
todos me lembravam uma idéia perdida... – era o anjo do cemitério! Cerrei as portas da igreja,
que, eu ignoro por quê, eu achara abertas. Tomei o cadáver nos meus braços para fora do caixão.
Pesava como chumbo...”
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GABARITO
22
Com relação ao fragmento acima, afirma-se:
I. Acentua traços característicos da literatura romântica, como o subjetivismo, o egocentrismo e o sentimentalismo; ao contrário, despreza o nacionalismo e o indianismo, temas característicos da primeira geração romântica.
II. Idealiza figuras imaginárias, mulheres incorpóreas ou virgens, personagens que confirmam o amor inatingível, idealizado na literatura ultra-romântica. Desta forma, no
1º. parágrafo, o amor platônico não é superado pelo amor físico.
III. Tematiza a morte, presente em grande parte da obra do autor.
Assinale a alternativa correta.
a) Apenas I está correta.
d) Apenas I e II estão corretas.
b) Apenas II e III estão corretas.
e) Apenas I e III estão corretas.
c) I, II e III estão corretas.
66. UFGO
Martins Pena foi o fundador da comédia de costumes do teatro brasileiro, da qual faz
parte a peça O Noviço.
Nessa obra, pode-se encontrar (Assinale V, para os itens verdadeiros, e F para os falsos)
( ) o predomínio da caricatura na concepção das personagens, baseada na exploração
de tipos sociais facilmente identificados, o que leva ao efeito cômico desejado.
( ) o Brasil Colonial como pano de fundo histórico-social, época em que a influência
jesuítica foi decisiva na política, na economia e principalmente na educação dos
jovens, direcionando-os para a vida religiosa.
( ) a utilização de recursos dramáticos considerados primários, como o esconderijo, o
disfarce e o erro de identificação, demonstrando a ingenuidade e a simplicidade
que permeiam a edificação da trama.
( ) uma vinculação nítida com o contexto romântico, uma vez que a resolução dos
conflitos se encaminha para o final feliz e a conseqüente realização amorosa dos
dois jovens e, ainda, a punição do violão, recursos ostensivamente colhidos nos
romances de folhetim da época.
67. Uniube-MG Marque (V) para as declarações que estão de acordo com o romance Senhora, de José de Alencar e (F) para as que não se aplicam adequadamente ao romance:
( ) O autor coloca no centro do romance não mais um herói, mas um ser venal inferior
como é o caso de Seixas, que se casa pelo dote, em virtude da educação que recebera.
( ) Nesta obra, o equilíbrio, rompido temporariamente, acaba por restabelecer-se na
medida em que o autor arranja uma solene redenção fazendo Seixas resgatar-se na
segunda parte da história.
( ) Este romance testemunha que Alencar crê nas “razões do coração” e se seu moralismo se abate sobre as mazelas de um mundo antinatural (o casamento por dinheiro), sempre se salva a dignidade última dos protagonistas, e se redimem as transações vis repondo de pé herói e heroína.
( ) Embora existam personagens más em seu romance (Seixas, por exemplo), elas só o
são aparentemente, pois Alencar acredita que pode operar-se nesse caráter uma
transformação capaz de restituí-lo gradualmente à sua natureza generosa.
A alternativa que contém a seqüência correta é:
a) F – V – V – V.
c) V – F – F – V.
b) V – V – F – F.
d) F – V – V – F.
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68. U.E. Ponta Grossa-PR “Se eu morresse amanhã”, com certeza, é um dos poemas mais
lembrados de Álvares de Azevedo.
“Se eu morresse amanhã, viria ao menos
Fechar meus olhos minha triste irmã;
Minha mãe de saudades morreria
Se eu morresse amanhã!
Quanta glória pressinto em meu futuro!
Que aurora de porvir e que manhã!
Eu perdera chorando essas coroas
Se eu morresse amanhã!
Que sol! Que céu azul! Que doce n’alva
Acorda a natureza mais louçã!
Não me batera tanto amor no peito
Se eu morresse amanhã!
Mas essa dor da vida que devora
A ânsia de glória, o dolorido afã...
A dor no peito emudecera ao menos
Se eu morresse amanhã!”
23
Nele estão contemplados temas recorrentes em sua poesia e na estética romântica, como:
01. a exaltação de sentimentos pessoais, com desespero e pessimismo;
02. a análise crítica e científica dos fenômenos sociais brasileiros;
04. o desajustamento do indivíduo ao meio social, que conduz à dor, à aflição e à busca
da solidão;
08. a valorização de elementos ligados à natureza, em poesia simples, pastoril, bucolicamente ingênua e inocente.
16. a morte como alívio para o “mal-do-século”.
Dê, como resposta, a soma das alternativas corretas.
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GABARITO
69. PUC-SP
“Fragmento I
Pálida à luz da lâmpada sombria,
Sobre o leito de flores reclinada,
Como a lua por noite embalsamada,
Entre as nuvens do amor ela dormia!
Era a virgem do mar na escuma fria
Pela maré das águas embalada!
Era um anjo entre nuvens d’alvorada
Que em sonhos se banhava e se esquecia!
Fragmento II
É ela! é ela! — murmurei tremendo,
E o eco ao longe murmurou — é ela!
Eu a vi — minha fada aérea e pura —
A minha lavadeira na janela!
(…)
Esta noite eu ousei mais atrevido
Nas telhas que estalavam nos meus passos
Ir espiar seu venturoso sono,
Vê-la mais bela de Morfeu nos braços!
Como dormia! que profundo sono!…
Tinha na mão o ferro do engomado…
Como roncava maviosa e pura!…
Quase caí na rua desmaiado!
(…)
É ela! é ela! — repeti tremendo;
Mas cantou nesse instante uma coruja…
Abri cioso a página secreta…
Oh! meu Deus! era um rol de roupa suja!”
Os fragmentos acima são de Álvares de Azevedo e desenvolvem o tema da mulher e do
amor. Caracterizam duas faces diferentes da obra do poeta. Comparando os dois fragmentos, podemos afirmar que,
a) no primeiro, manifesta-se o desejo de amar e a realização amorosa se dá plenamente
entre os amantes.
b) no segundo, apesar de haver um tom de humor e sátira, não se caracteriza o rebaixamento do tema amoroso.
c) no primeiro, o poeta figura a mulher adormecida e a toma como objeto de amor jamais
realizado.
d) no segundo, o poeta expressa as condições mais rasteiras de seu cotidiano, porém,
atribui à mulher traços de idealização iguais aos do primeiro fragmento.
e) no segundo, ao substituir a musa virginal pela lavadeira entretida com o rol de roupa suja,
o poeta confere ao tema amoroso tratamento idêntico ao verificado no primeiro fragmento.
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70. UFGO A poesia de Gonçalves Dias pode ser dividida em três grandes vertentes temáticas: a indianista, a saudosista e a lírico-amorosa. A produção poética desse autor pode
ser caracterizada da seguinte forma:
( ) na poesia indianista, predomina uma sensibilidade plástica singular, moldada por
um cenário natural tipicamente brasileiro, no qual está inserido o primeiro habitante do País, o índio, numa representação quase sempre épica.
( ) na poesia saudosista, o poeta demonstra acentuadas marcas do nacionalismo vigente no Romantismo, como a exaltação do pitoresco nacional, em que se sobressai o tratamento exótico da natureza tropical.
( ) na poesia lírico-amorosa, pode-se encontrar um ultraromantismo já convencional, detectado no sentimentalismo exagerado, que deforma os encantos da mulher amada, e em lamentos melodramáticos, provocados pelo sofrimento do amor
irrealizado.
( ) em todas as vertentes da poesia de Gonçalves Dias, a natureza tem um caráter
expressivo e dinâmico. Ela é o refúgio acolhedor e o ideal de evasão do eu-poético,
estabelecendo, assim, uma interdependência entre paisagem e estado de alma.
24
71. U.F. Uberlândia-MG-Modificada Sobre Iracema, de José de Alencar, podemos dizer
que:
1. as cenas de amor carnal entre Iracema e Martim são de tal forma construídas que o
leitor as percebe com vivacidade, porque tudo é narrado de forma explícita.
2. em Iracema temos o nascimento lendário do Ceará, a história de amor entre Iracema e
Martim e as manifestações de ódio das tribos tabajara e potiguara.
3. Moacir é o filho nascido da união de Iracema e Martim. De maneira simbólica ele
representa o homem brasileiro, fruto do negro e do branco.
4. A linguagem do romance Iracema é altamente poética, embora o texto esteja em prosa. Alencar consegue belos efeitos lingüísticos ao abusar de imagens sobre imagens,
comparações sobre comparações.
Assinale:
a) se apenas 2 e 4 estiverem corretas;
b) se apenas 2 e 3 estiverem corretas;
c) se 2, 3 e 4 estiverem corretas;
d) se 1, 3 e 4 estiverem corretas.
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GABARITO
72. UFRS Leia o texto abaixo, extraído do romance Memórias de um Sargento de Milícias,
de Manuel Antônio de Almeida.
“Desta vez, porém, Luizinha e Leonardo, não é dizer que vieram de braço, como este último
tinha querido quando foram para o Campo, foram mais adiante do que isso, vieram de mãos
dadas muito familiar e ingenuamente. E ingenuamente não sabemos se se poderá aplicar com
razão ao Leonardo.”
Considere as afirmações abaixo sobre o comentário feito em relação à palavra ingenuamente na última frase do texto.
I. O narrador aponta para a ingenuidade da personagem frente à vida e às experiências
desconhecidas do primeiro amor.
II. O narrador, por saber quem é Leonardo, põe em dúvida o caráter da personagem e as
suas intenções.
III. O narrador acentua o tom irônico que caracteriza o romance.
Quais estão corretas?
a) Apenas I.
b) Apenas II.
c) Apenas III.
d) Apenas II e III.
e) I, II e III.
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LÍNGUA PORTUGUESA
R O M A N T IS M O
IMPRIMIR
GABARITO
1
1.
2.
3.
4.
5.
6.
7.
8.
9.
10.
11.
12.
13.
14.
15.
16.
34.
35.
36.
37.
38.
39.
40.
41.
42.
43.
44.
45.
46.
47.
48.
49.
17. b
18. a
19. 23
20. 05
21. d
22. e
23. d
24. d
25. e
26. a
27. c
28. a
29. d
30. e
31. c
32. c
33. a
a) Como todo povo, o índio brasileiro também tem suas tradições, sua cultura, a qual
passa por diferentes estágios. Tais estágios são refletidos na mudança de nome do protagonista: Jaguaré é o nome do caçador, Ubirajara é o nome do guerreiro e Jurandir é o
nome do hóspede.
b) As notas tratam da língua e dos costumes dos índios. Considerando-se que as notas
são objetivas e a narrativa é subjetiva, pode-se dizer que servem de complemento à narrativa.
c) O ritual antropofágico é tratado sob a perspectiva indígena, e não européia. As notas
contribuem tratando o ritual, não com o preconceito europeu, mas com benevolência. O
romance confirma isso quando Pojucã pergunta se não é digno deste sacrifício, já que,
tendo sido derrotado no combate com Ubirajara, a escravidão causaria mais vergonha
que a própria morte.
06
a
Não segue integralmente, pois, no último parágrafo, atribuem-se à infância traços negativos, que desmitificam sua imagem de passado idealizado a que se desejaria retornar.
Sim, segue, pois a relação entre o homem e a natureza é apresentada de forma idealizada,
já que, no texto, a natureza é lugar paradisíaco, de experiências positivas.
F–F–V–F–F–F–V
50
c
27
d
c
c
a
a
e
b
V–F–V–V
d
e
a
c
21
e
a
e
V–F–V–V–V
e
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Língua Portuguesa - Romantismo
Avançar
50.
51.
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60.
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b
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13
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72.
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a
17
c
V–V–F–V
a
e
IMPRIMIR
GABARITO
2
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Língua Portuguesa - Romantismo
Avançar
LÍNGUA PORTUGUESA
C L A S S IC IS M O
1. FUVEST-SP Em Os Lusíadas, as falas de Inês de Castro e do Velho do Restelo têm em
comum
a) a ausência de elementos de mitologia da Antigüidade clássica.
b) a presença de recursos expressivos de natureza oratória.
c) a manifestação de apego a Portugal, cujo território essas personagens se recusavam a
abandonar.
d) a condenação enfática do heroísmo guerreiro e conquistador.
e) o emprego de uma linguagem simples e direta, que se contrapõe à solenidade do poema épico.
1
2. FUVEST-SP Considere as seguintes afirmações sobre a fala do velho do Restelo, em Os
Lusíadas:
I. No seu teor de crítica às navegações e conquistas, encontra-se refletida e sintetizada
a experiência das perdas que causaram, experiência esta já acumulada na época em
que o poema foi escrito.
II. As críticas aí dirigidas às grandes navegações e às conquistas são relativizadas pelo
pouco crédito atribuído a seu emissor, já velho e com um “saber só de experiência
feito”.
III. A condenação enfática que aí se faz à empresa das navegações e conquistas revela
que Camões teve duas atitudes em relação a ela: tanto criticou o feito quanto o exaltou.
Está correto apenas o que se afirma em
a) I.
b) II.
c) III.
d) I e II.
e) I e III.
GABARITO
3. PUC-SP
“Tu só, tu, puro amor, com força crua
Que os corações humanos tanto obriga,
Deste causa à molesta morte sua,
Como se fora pérfida inimiga.
Se dizem fero Amor, que a sede tua
Nem com lágrimas tristes se mitiga,
É porque queres, áspero e tirano,
Tuas aras banhar em sangue humano.
Estavas, linda Inês, posta em sossego,
De teus anos colhendo doce fruito,
Naquele engano da alma ledo e cego,
Que a fortuna não deixa durar muito,
Nos saudosos campos do Mondego,
De teus fermosos olhos nunca enxuito,
Aos montes ensinando e às ervinhas,
O nome que no peito escrito tinhas.”
Os Lusíadas, obra de Camões, exemplificam o gênero épico na poesia portuguesa. Entretanto, oferecem momentos em que o lirismo se expande, humanizando os versos. O
episódio de Inês de Castro, do qual o trecho acima faz parte, é considerado o ponto alto
do lirismo camoniano, inserido em sua narrativa épica. Desse episódio, como um todo,
pode afirmar-se que seu núcleo central
IMPRIMIR
a) personifica e exalta o Amor, mais forte que as conveniências e causa da tragédia de Inês.
b) celebra os amores secretos de Inês e de D. Pedro e o casamento solene e festivo de ambos.
c) tem como tema básico a vida simples de Inês de Castro, legítima herdeira do trono de
Portugal.
d) retrata a beleza de Inês, posta em sossego, ensinando aos montes o nome que no peito
escrito tinha.
e) relata em versos livres a paixão de Inês pela natureza e pelos filhos e sua elevação ao
trono português.
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Língua Portuguesa - Classicismo
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LÍNGUA PORTUGUESA
C L A S S IC IS M O
1. b
2. e
3. a
IMPRIMIR
GABARITO
1
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Língua Portuguesa - Classicismo
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LÍNGUA PORTUGUESA
INTERPRETAÇÃO DE
TEXTO II
1. UFMS Apresentamos, a seguir, dois trechos de uma reportagem publicada na revista Veja
(30/08/00, p. 86-7), em que João Gabriel de Lima discute o projeto de lei nº 1676, de
autoria do deputado Aldo Rebelo (PC do B, São Paulo), que proíbe o uso de palavras
estrangeiras. O texto traz a opinião do articulista de Veja.
IMPRIMIR
GABARITO
1
Trecho 1:
“O projeto é fruto de uma idéia fora do lugar (mais uma): a de que o português falado no Brasil
estaria ameaçado de extinção, assim como o mico-leão-dourado e a arara-azul. Repete-se no
terreno do idioma a mesma lengalenga que se desenrola no campo da economia. A invasão do
inglês (o avanço do neoliberalismo) resultaria na derrocada da nossa inculta e bela língua (a empresa nacional). Para ilustrar essa tese, seus defensores sempre utilizam o mesmo e surrado exemplo: cartazes de lojas de shopping centers (ops, centros comerciais). Está certo que os abusos
beiram o ridículo. Entre eles, estampar nas vitrines “sale” e “50% off” em vez de “liquidação” e
“50% de desconto”. No entanto, multar um lojista por uma caipirice que depõe unicamente
contra ele próprio é um exagero. Seria mais ou menos como cobrar uma pena pecuniária (gostou
dessa, Rebelo?) de pagodeiros a cada erro de gramática que cometem.”
Trecho 2:
“Para os especialistas, o projeto mostra total ignorância do fenômeno lingüístico. ‘Um idioma
evolui quando entra em contato com outros, e só alguém que não entende nada do assunto pode
achar que é possível bloquear esse intercâmbio’, diz o professor John Robert Schmitz, americano
naturalizado brasileiro, que leciona Lingüística Aplicada na Universidade de Campinas. É normal
que uma língua se nutra de outras. Também é comum — e fato antigo — que os vocábulos a
atravessar fronteiras venham, em geral, de uma cultura dominante. Até o início do século XX, era
o francês o responsável pela maior parte das palavras ditas internacionais. Agora, essa primazia
pertence ao inglês. A tal ponto que nem os esforços da Academia Francesa de Letras impediram
que os conterrâneos de Gustave Flaubert adotassem o termo ‘week-end’ para fim de semana.”
Segundo o texto, é correto afirmar que:
(01) o exemplo utilizado pelos defensores da pureza do idioma — os cartazes de lojas de
shopping centers — não prima exatamente pela originalidade.
(02) o projeto de Aldo Rebelo limita-se a tentar impedir que a língua falada seja invadida
por estrangeirismos, não fazendo qualquer referência ao emprego de tais termos na
língua escrita.
(04) os lojistas que exibem cartazes com termos estrangeiros em suas vitrines prejudicam
apenas a si mesmos, não devendo, por isso, ser multados.
(08) é possível detectar a presença de duas “vozes” que dialogam com o discurso sobre a
língua: a “voz” da ecologia e a “voz” da economia.
(16) ao contrário dos lojistas, os pagodeiros deveriam ser penalizados porque cometem
erros absurdos de gramática que corrompem o idioma.
(32) no terceiro período: A invasão do inglês (o avanço do neoliberalismo) resultaria na
derrocada de nossa inculta e bela língua (a empresa nacional). As informações entre
parênteses têm por função explicar os termos que os antecedem.
Dê, como resposta, a soma das alternativas corretas.
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Língua Portuguesa - Interpretação de texto II
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2. UFMS Veja, agora, como o escritor Machado de Assis aborda a questão da língua, já
explorada no texto acima.
“Não há dúvida que as línguas se aumentam e alteram com o tempo e as necessidades dos usos
e costumes. Querer que a nossa pare no século de quinhentos é um erro igual ao de afirmar que
a sua transplantação para a América não lhe inseriu riquezas novas. A este respeito a influência do
povo é decisiva. Há, portanto, certos modos de dizer, locuções novas, que de força entram no
domínio do estilo e ganham direito de cidade.”
In: Crítica literária, p. 47.
3. UFMS
Todas as proposições a seguir, referentes aos trechos da questão 1, estão corretas, exceto:
(01) a evolução de um idioma, através do intercâmbio com outras línguas, é um processo
normal, que não se pode impedir.
(02) para os especialistas, projetos e atitudes como os de Aldo Rebelo revelam-se absurdos porque traduzem um desconhecimento completo sobre a língua portuguesa e
suas origens.
(04) os vocábulos de uma dada língua que se incorporam a outras originam-se sempre de
uma cultura dominante, o que pode ser observado desde tempos mais remotos.
(08) em A tal ponto que nem os esforços da Academia Francesa de Letras impediram que
os conterrâneos de Gustave Flaubert…, a expressão em negrito remete ao termo
franceses, que não vem explicitado no texto, mas pode ser facilmente recuperado
pelo leitor.
(16) até o início do século XX, o francês foi o principal idioma a “exportar” palavras para
os demais porque pertencia à cultura dominante da época, tendo sido, a partir de
então, suplantado pelo inglês.
(32) o trecho atribuído ao professor John Robert Schmitz vem em discurso direto, criando, com isso, um efeito de sentido de verdade e constituindo um importante argumento de autoridade para fundamentar a tese do intercâmbio lingüístico.
Dê, como resposta, a soma das alternativas corretas.
IMPRIMIR
GABARITO
2
Entre o ponto de vista do escritor e a opinião de especialistas, podemos fazer as seguintes
comparações:
(01) da mesma forma que o escritor fala de riquezas que se acrescentariam à língua, os
estudiosos tomam os estrangeirismos como elementos positivos que fariam o idioma
evoluir para melhor.
(02) tanto Machado de Assis quanto especialistas aceitam, com naturalidade, a evolução
das línguas.
(04) afirma-se categoricamente que as mudanças ocorrem primeiro na fala para, só então,
serem incorporadas à escrita.
(08) ignora-se a influência do povo como propulsor das transformações ocorridas na língua.
(16) enquanto Machado de Assis vincula as alterações por que um idioma passa ao fator
tempo e às necessidades advindas dos usos e costumes, especialistas enfocam a questão do ponto de vista do intercâmbio com outras línguas.
(32) posições contrárias à evolução de uma língua são duramente criticadas, ao passo que
Machado de Assis assume uma atitude complacente em relação a seus opositores.
Dê, como resposta, a soma das alternativas corretas.
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Língua Portuguesa - Interpretação de texto II
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4. PUC-RS
Texto
Carlos Drummond de Andrade
“Uma flor nasceu na rua!
Passem de longe, bondes, ônibus, rio de
[aço do tráfego.
Uma flor ainda desbotada
Ilude a polícia, rompe o asfalto.
Façam completo silêncio, paralisem os
[negócios,
Garanto que uma flor nasceu.
Sua cor não se percebe.
Suas pétalas não se abrem.
Seu nome não está nos livros.
É feia. Mas é realmente uma flor.
Sento-me no chão da capital do país às
[cinco horas da tarde
e lentamente passo a mão nessa forma
[insegura.
[…]
Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio.”
3
O texto sugere que:
a) as plantas não devem ser cultivadas nos centros urbanos.
b) a flor nasce sem as marcas da urbanidade.
c) a capacidade de resistência possibilita o inusitado surgimento da flor.
d) nada pode interferir no fluxo da vida urbana.
e) a convivência do homem com a natureza não deve ser estimulada.
GABARITO
5. ITA-SP O texto a seguir foi publicado na seção “Cartas do leitor” da Folha de S. Paulo de
30/08/2000. Referida a um crime que teve repercussão na imprensa escrita e falada, esta
carta dá uma notável demonstração de machismo e desprezo pelas mulheres.
“A recente morte violenta de uma jornalista choca a todos porque, nesse fato, o assassino foge
ao perfil comum de tais tipos, mas certas situações que levam a isso estão aí, nos círculos milionários, meios artísticos, esportivos e de poder. Tudo porque o homem não aprende. Há milênios,
gosta de passar aos demais uma imagem de eterna juventude e virilidade, posando com fêmeas
muito mais jovens. Fingem acreditar que elas estão aí por amá-los. São poucas vezes atraídas pelo
seu intelecto, e muitas pela fama, poder e dinheiro. A durabilidade de tais ligações, no geral,
termina quando tal fêmea atinge seu objetivo. Pior ainda, quando essa fêmea mostra também
intelecto e capacidade de sobrevivência sem seu protetor. Duro, triste, real.”
IMPRIMIR
ZANINI, Laércio. Garça, SP.
a) O texto usa, em relação às mulheres, um termo fortemente conotado, e lhes atribui um
comportamento que as desqualifica. Transcreva uma frase em que o termo ocorre, associado à descrição de comportamentos que desqualificariam as mulheres. Sublinhe o
termo em questão na sua frase.
b) Quais os traços de caráter das mulheres em relação aos quais os homens deveriam se
precaver, segundo o autor dessa carta?
c) A quem se refere o autor da carta, na frase “o homem não aprende”?
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Língua Portuguesa - Interpretação de texto II
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6. Unicamp-SP
(nota: o título de “ministro” é dado aos juízes do Supremo Tribunal Federal)
“Pela diferença de um voto, o governo saiu vitorioso ontem no julgamento do pedido de liminar contra o artigo 20 da Lei de Responsabilidade Fiscal. Uma retificação no voto do ministro
Marco Aurélio de Mello garantiu a decisão do STF, que confirmou a constitucionalidade do artigo
que estabelece os limites de gastos com pessoal para os três poderes. A revisão promovida pelo
ministro Marco Aurélio favoreceu o governo, que corria o risco de ficar impedido de aplicar cortes
de despesas com folha de pagamento previstas na lei, especialmente em relação aos Poderes
Legislativo e Judiciário no âmbito dos Estados e Municípios. Existem ainda no STF outras cinco
ações propostas pela oposição contra dispositivos da Lei de Responsabilidade Fiscal.”
O Estado de S. Paulo, 12/10/2000.
a) No texto acima, ocorrem vários termos de jargão técnico que remetem a diversas fases
do andamento de um processo no judiciário. Transcreva pelo menos três.
b) O que os termos “retificação” e “revisão” informam sobre a participação do juiz Marco
Aurélio de Mello no julgamento da questão?
c) Do que trata o artigo 20 da lei de Responsabilidade Fiscal? Responda, com base no
texto.
4
Texto para as questões 7 e 8.
“A explosão dos computadores pessoais, as ‘infovias’, as grandes redes — a Internet e a World
Wide Web — atropelaram o mundo. Tornaram as leis antiquadas, reformularam a economia,
reordenaram prioridades, redefiniram os locais de trabalho, desafiaram constituições, mudaram o
conceito de realidade e obrigaram as pessoas a ficar sentadas, durante longos períodos de tempo,
diante de telas de computadores, enquanto o CD-Rom trabalha.
Não há dúvida de que vivemos a revolução da informação e, diz o professor do MIT, Nicholas
Negroponte, revoluções não são sutis.”
7. Fuvest-SP No texto, a expressão que sintetiza os efeitos da revolução operada pela informática é
a) “atropelaram o mundo”.
b) “tornaram as leis antiquadas”.
c) “reformularam a economia”.
d) “redefiniram os locais de trabalho”.
e) “desafiaram constituições”.
8. Fuvest-SP A expressão “revoluções não são sutis” indica
a) a natureza efêmera das revoluções.
b) a negação dos benefícios decorrentes das revoluções.
c) a natureza precária das revoluções.
d) o caráter radical das revoluções.
e) o traço progressista das revoluções.
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GABARITO
Jornal do Brasil, 13/02/96.
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Língua Portuguesa - Interpretação de texto II
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9. UFMS Leia o seguinte texto da propaganda de calçados da coleção Primavera-Verão da
Picadilly:
“Chega um momento que você pára de acreditar em príncipes encantados e passa a exigir
homens de verdade. Tem um momento que você percebe que não é você que não entra no
sapatinho de cristal. É o maldito sapatinho que não serve para você.”
Caras, 15/9/00.
5
De acordo com o material publicitário reproduzido acima, é incorreto afirmar que:
(01) no primeiro período, os verbos parar (de) e passar (a) indicam, como conteúdos pressupostos, que a interlocutora anteriormente acreditava em príncipes encantados, apesar
de gostar de homens de verdade.
(02) com o objetivo de opor realidade e fantasia, recorre-se à intertextualidade com o
popular conto de fadas Gata Borralheira, também conhecido como Cinderela.
(04) o uso de você é um recurso típico do texto publicitário, sugerindo maior proximidade
com o interlocutor/leitor.
(08) a figura de linguagem que aparece no segundo período é a metonímia, uma vez que se
toma o todo (a pessoa) pela parte (os pés).
(16) os anunciantes da coleção Primavera-Verão da Picadilly utilizam argumentos genéricos para seduzir o grande público, não se voltando, portanto, para um segmento específico da sociedade.
(32) a atribuição de uma qualidade negativa ao sapatinho (de cristal) sugere, por oposição,
a valorização dos calçados anunciados.
Dê, como resposta, a soma das alternativas corretas.
IMPRIMIR
GABARITO
10. UnB-DF Um anúncio publicitário tem por finalidade influenciar o público, estimulandoo a adquirir um produto ou a contratar um serviço. Alguns anúncios são sabidamente
enganosos, pois ludibriam o cliente, que acaba comprando gato por lebre, e, por isso, são
proibidos pelo Código Brasileiro de Defesa do Consumidor. Há, entretanto, anúncios que
apresentam apenas informações verídicas. Todavia, mesmo um anúncio honesto pode apresentar alguma impropriedade lingüística que comprometa a qualidade da mensagem transmitida, ludibriando involuntariamente o consumidor. Tendo em vista essa observação, leia
o anúncio que se segue.
“O XYZ é o primeiro com airbags laterais na categoria. É o primeiro carro brasileiro com acoustic
parking system. Tem carroceria 100% galvanizada, 12 anos de garantia anticorrosão, freios ABS
de 5ª geração, ar-condicionado inteligente, motor com 5 válvulas por cilindro, direção hidráulica e
coluna de direção ajustável em altura e profundidade. E ainda foi considerado o carro mais seguro
do segmento pelo Clube do Automóvel. XYZ. O design é compacto. Mas a tecnologia é imensa.”
Época, nº 82, 13/12/99, p. 53 (com adaptações).
Com relação a esse anúncio, julgue os itens a seguir como verdadeiros ou falsos.
( ) O primeiro período do anúncio não apresentará alteração de sentido se for assim
reescrito: O XYZ é o primeiro na categoria e tem airbags laterais.
( ) Se o trecho “Tem carroceria 100% galvanizada” estivesse redigido como Tem 100% da
carroceria galvanizada, a mensagem do anúncio estaria preservada.
( ) O trecho “Tem carroceria 100% galvanizada, 12 anos de garantia anticorrosão” permite dupla interpretação: ou todas as peças metálicas do XYZ têm 12 anos de garantia anticorrosão ou apenas a carroceria a tem. Dessa forma, é possível considerar que
o anúncio poderá ludibriar o consumidor que der a ele a primeira interpretação.
( ) No trecho final, iniciado em “E ainda” o anúncio afronta o Código Brasileiro de
Defesa do Consumidor porque lança uma auto-avaliação sem informar que sistema
antifurto a sustenta.
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Língua Portuguesa - Interpretação de texto II
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11. Univali-SC
“Deusa grega decidia julgamentos empatados
De onde veio a expressão ‘voto de Minerva’?
Da Grécia antiga. Minerva é o nome romano da deusa da sabedoria, Atena. ‘O episódio que deu
origem à expressão está narrado na peça Eumênides, de Ésquilo (525 a.C. - 456 a.C.)’, conta o professor
de Língua Portuguesa Francisco Platão Savioli, da Universidade de São Paulo. Nessa tragédia, Clitemnestra, ajudada pelo amante, Egisto, assassina o marido, Agamênon. Orestes, o filho dela, mata os dois para
vingar o pai e é perseguido pelas Fúrias, três monstruosas divindades aladas que puniam os criminosos.
Para julgar o crime, Atena funda um tribunal chamado Areópago (que realmente existiu, na Antigüidade,
em Atenas). Só que o julgamento terminou empatado e a deusa decidiu pela absolvição de Orestes.
A tragédia de Ésquilo, o primeiro dos grandes dramaturgos clássicos gregos, projetou o mito
muito além da sua época. Com a posterior elaboração e consolidação da jurisprudência romana,
Atena virou Minerva e a instituição do voto de desempate, dado pelo presidente de um tribunal,
passou para outras civilizações.”
Superinteressante, julho de 1998.
6
Podemos concluir do texto acima que:
a) Eumênides é a peça escrita por Ésquilo, grande dramaturgo grego, que inventou a expressão.
b) O professor Francisco Platão Savioli explica em um texto descritivo a origem da expressão.
c) O texto contém uma explicação histórico-científica para a expressão “voto de Minerva”.
d) Atualmente, quando acontece empate em julgamento, o juiz se utiliza do voto de Minerva para absolver o réu.
e) Tudo o que foi narrado pelo escritor do artigo não passa de ficção.
12. U. Metodista-SP
Texto 1
“Por isso, a empresa está informatizando todo o seu sistema, para resolver os pepinos em tempo.”
NP, 07.07.91, p. 2 F.35, apud DIAS, Ana Rosa Ferreira.
O discurso da violência — as marcas da oralidade no jornalismo popular. S. Paulo: editora EDUC/Cortez, 1996
Texto 2
“Os malacos tinham arrombado a escola Paradigma, que fica na mesma rua. Quando sacaram
que pintou sujeira, fugiram. Nessa hora, Christi estava tirando seu Santana da garagem. Os malacos chegaram junto dela e mandaram-na passar as chaves.”
NP, 24.07.91, p. 6. F. 298, apud, op. cit.
Texto 3
IMPRIMIR
GABARITO
“Liberado pelos médicos, o preso entrou no carro de polícia para voltar ao distrito. Aí, pintou
confusão. Segundo os soldados, o malaco tentou roubar o revólver de Antônio Carlos. Rolou uma
briga e Eudes sacou o berro, detonando três pipocos em Cícero. O cara morreu na hora.”
NP, 27.07.91, p. 5, F. 339, apud, op. cit.
Texto 4
“Um aviãozinho monomotor (de um motor só) caiu ontem de manhã na Baía da Guanabara…”
NP, 27.07.91, p. 4, F. 230, apud, op. cit.
Considerando somente os fragmentos de Notícias Populares acima, pode-se dizer que, no
discurso jornalístico em questão, predomina
I. uma oralidade bem marcada da qual se projetam elementos emocionais para envolver
o leitor.
II. a transformação de notícias em narrativas, em que não faltam, inclusive, marcas de
oralidade.
III. a mistura freqüente de linguagem culta e popular (oral), ou de linguagem popular e técnica.
IV. uma preocupação de fundo metalingüístico.
V. uma tendência para a hipérbole.
VI. uma deformação dos significantes, perceptível em nível morfológico, para melhor
se aproximar da língua padrão.
Quanto às afirmações anteriores, estão corretas
a) todas as afirmações.
d) I, II, III, IV e VI.
b) somente III e IV.
e) I, II, III, IV e V.
c) somente I e IV.
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Língua Portuguesa - Interpretação de texto II
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Texto para a questão 13.
“Modos brasileiros de escapar do ‘não’
Universalmente, as pessoas se escondem atrás de expressões comprometedoras para evitar a
responsabilidade pelos atos ou opiniões e para fugir dos confrontos embaraçosos. Se essa ‘esquiva retórica’ fosse uma disciplina acadêmica, os brasileiros seriam PhDs nela.
Seu talento nesse campo vem de eles terem aprendido como navegar em torno dos negativos.
Veja as expressões propositadamente vagas como ‘pode ser’, ‘vamos ver’, ‘se der’, das quais os
brasileiros diariamente se apropriam para desviar da palavra ‘não’. É por essa razão que frases
igualmente descompromissadas como ‘eu te ligo’, ‘a gente se vê’ e ‘apareça lá em casa’ normalmente são escapadas e não promessas de um novo encontro. (…).
Esses hábitos já estão enraizados nessa cultura. Sérgio Buarque de Holanda os flagrou mais de
meio século atrás no seu estudo do ‘homem cordial’, um tipo de enganador charmoso.
Membros dessa espécie híbrida, meio malandra, meio diplomata, podem ser classificados como
‘morde-e-assopra brasiliensis’. Eles se comunicam por meio de frases como ‘eu fico devendo’.
Essa declaração faz com que qualquer trato não cumprido soe como um acordo amistoso. (…).”
KEPP, Michael, correspondente no Brasil do jornal dominical
The Observer, de Londres e da Fairchild Publications. In Folha de São Paulo, 1996.
7
13. U. Metodista-SP Assinale a alternativa que mais traduz o conceito de homem cordial no
texto.
a) o homem capaz de empreender encontros amistosos.
b) aquele que, pela gentileza de seus atos, está honestamente preocupado com as regras
sociais.
c) o homem perspicaz, híbrido e, por essa razão, intencionalmente incapaz de magoar os
outros.
d) um “camaleão social”, inteligente frente aos obstáculos impostos pelo cotidiano.
e) um “camaleão social” ironicamente analisado pela sua conduta.
14. PUC/Campinas-SP
GABARITO
“Na prática política, a palavra negociação associa-se ora ao requisito clássico da democracia,
que é a busca do ‘acordo entre partes’, ora ao fundamento mercantilista dos ‘negócios’, ou mesmo das ‘negociatas’. Vários políticos valem-se dessa duplicidade de significados: sendo, de fato,
espertos negociantes, justificam-se como hábeis negociadores.”
Considere as seguintes afirmações sobre o texto acima:
I. O tema explorado é o do duplo sentido que a palavra negociação ganha no âmbito da
prática política.
II. A tese defendida é a de que a acepção mercantilista do termo negociação pode ser
maliciosamente encoberta pela acepção democrática.
III. O tema é a prática da má política, e a tese é a de que as palavras deixam de ter sentido
por causa dessa prática.
Em relação ao texto, está correto o que vem afirmado em
II somente.
I e II somente.
I e III somente.
II e III somente.
I, II e III.
IMPRIMIR
a)
b)
c)
d)
e)
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Língua Portuguesa - Interpretação de texto II
Avançar
Instrução: as questões de números 15 e 16 referem-se ao texto.
Texto
8
“Quais são, mesmo, os afluentes do Amazonas?
Há pouco tempo faleceu um dos melhores professores que tive, Alfredo Steinbruch, que lecionava Física no Julinho. Lembro muito bem a primeira aula que nos deu, e que foi cercada da maior
expectativa: como tinha fama de ralador, todos nós estávamos ansiosos. O professor Alfredo
entrou na sala, foi direto para o quadro e escreveu: Calor → dilatação. Assim mesmo: calor –
flechinha – dilatação. E todos nós imediatamente copiamos: calor – flechinha – dilatação.
Ele pousou o giz, olhou-nos e fez uma pergunta que nos deixou a todos perplexos. Perguntou
por que havíamos copiado aquilo.
Ninguém soube responder. O professor então passou o resto da aula explicando: é mais importante entender do que copiar.
Não sei como será a escola no futuro, mas de uma coisa estou seguro: a regra do professor
Steinbruch será mais válida do que nunca. Durante muito tempo, ensino foi sinônimo de informação: nomes, datas, batalhas, lugares. Coisas que os alunos copiavam, ou liam nos livros, e memorizavam — porque aquilo caía no exame. Nada mais paradigmático a esse respeito do que a
lista de afluentes do Amazonas. Trata-se de um rio longo, e portanto cheio de afluentes. Era
preciso recitá-los de memória, os da margem esquerda e os da margem direita. Nós nunca tínhamos ido à Amazônia, nunca tínhamos visto os rios da região, mas sabíamos seus nomes. Por que
é um mistério que nunca esclareci.
Informação memorizada é algo que, daqui em diante, ficará cada vez mais por conta do computador. Não é preciso lembrar, é preciso saber como acessar. A memória do computador nos dará
todo tipo de informações.
O que o computador não nos ensinará é como entender as coisas. E também não nos ensinará
o valor das emoções. Nesse binômio, entendimento e emoção, está o objetivo maior da educação.
Exemplar, a esse respeito, é o ensino da literatura. A pergunta que, em geral, se faz a respeito de
um texto é: o que quis o autor dizer com isso? Pergunta difícil, para a qual o próprio escritor
muitas vezes não tem resposta. Eu perguntaria ao leitor, em primeiro lugar: o que sentiste lendo
esse texto? Em que ele aumentou a tua compreensão do mundo, da vida?
No futuro, os escolares saberão dos afluentes do Amazonas não recitando os nomes, mas indo
até lá, conhecendo como é o lugar, como vivem os habitantes da região. E aí os nomes surgirão
naturalmente. A propósito, como se chamam os afluentes da margem direita?”
IMPRIMIR
GABARITO
Zero Hora, 26 set. 1999. Revista ZH.
15. U. F. Rio Grande-RS Assinale a alternativa cujo teor é incompatível com as idéias veiculadas pela crônica.
a) No texto, é criticado o ensino que visa, basicamente, ao acúmulo de informações memorizadas.
b) Entre outras idéias, o texto aponta o computador como o grande mestre do futuro, ao
qual caberá a intransferível tarefa de educar gerações.
c) O texto é portador da idéia de que o ensino desvinculado da realidade e das vivências
do aprendiz, não cumpre seu real objetivo.
d) Numa perspectiva otimista e confiante, o comentário do autor faz referência a um futuro em que inovações metodológicas tornarão o ensino mais produtivo e eficaz.
e) Segundo o texto, é essencial que a educação contemple globalmente o ser, isto é, que o
conceba como alguém dotado de inteligência e afetividade.
16. U. F. Rio Grande-RS A expressão Nada mais paradigmático é, no contexto, equivalente
a:
a) Nada é mais enfatizado.
b) Nenhuma idéia é mais relevante.
c) Nada é comparável.
d) Não há exemplo mais adequado.
e) Nenhuma informação memorizada é mais importante.
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Texto para as questões 17 e 18.
“Um dos traços marcantes do atual período histórico é (…) o papel verdadeiramente despótico
da informação. (…) As novas condições técnicas deveriam permitir a ampliação do conhecimento
do planeta, dos objetos que o formam, das sociedades que o habitam e dos homens em sua
realidade intrínseca. Todavia, nas condições atuais, as técnicas da informação são principalmente
utilizadas por um punhado de atores em função de seus objetivos particulares. Essas técnicas da
informação (por enquanto) são apropriadas por alguns Estados e por algumas empresas, aprofundando assim os processos de criação de desigualdades. É desse modo que a periferia do sistema
capitalista acaba se tornando ainda mais periférica, seja porque não dispõe totalmente dos novos
meios de produção, seja porque lhe escapa a possibilidade de controle.
O que é transmitido à maioria da humanidade é, de fato, uma informação manipulada que, em
lugar de esclarecer, confunde.”
SANTOS, Milton. Por uma outra globalização.
9
17. Fuvest-SP No contexto em que ocorrem, estão em relação de oposição os segmentos
transcritos em:
a) novas condições técnicas / técnicas da informação.
b) punhado de atores / objetivos particulares.
c) ampliação do conhecimento / informação manipulada.
d) apropriadas por alguns Estados / criação de desigualdades.
e) atual período histórico / periferia do sistema capitalista.
18. Fuvest-SP Deduz-se corretamente do texto que
a) a humanidade, por mais que avance tecnologicamente, não será capaz de superar o
egoísmo.
b) o crescente avanço da técnica terminará por superar o atraso das relações políticas.
c) é da natureza do progresso que, a cada avanço tecnológico, corresponda um retrocesso
político.
d) o alcance universal do progresso técnico está em oposição à sua utilização para fins
particulares.
e) é próprio da informação atualizada que ela seja acessível somente às minorias mais
ricas.
GABARITO
Texto para a questão 19:
“O processo intenso de metropolização sofrido no Brasil a partir da instalação dos parques
industriais e os surtos migratórios a eles associados inviabilizariam qualquer projeto de perpetuar
o controle das formas de moradia e vizinhança nas grandes capitais. Espaços públicos e privados
passaram a se fundir a contragosto das intenções normativas, não apenas nas ruas e na configuração heterogênea dos bairros, mas no avanço sobre mananciais — fonte para todas as pias,
chuveiros e vasos sanitários das cidades — ou na própria violência que passaria a assaltar ruas e
casas.”
IMPRIMIR
MARINS, Paulo César Garcez. História da vida privada no Brasil.
19. Fuvest-SP Segundo o texto,
a) as novas formas de vizinhança e de moradia resultaram de uma política de urbanização
progressiva e organizada.
b) a urbanização das grandes metrópoles originou-se em modelos institucionais, estruturados segundo os padrões da época.
c) as mudanças na organização de espaços públicos e privados foram conseqüência da
industrialização e da migração.
d) o abastecimento de água das grandes cidades, embora realizado de maneira desordenada, resultou de projetos governamentais.
e) a violência urbana, decorrente da industrialização, intensificou-se nos bairros mais populares.
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Texto para as questões 20 e 21.
“Domingo, 30 de maio de 1893
MORLEY, Helena. Minha vida de menina.
20. Fuvest-SP Leia, a seguir, algumas afirmações críticas acerca do texto. Assinale, entre
elas, a incorreta.
a) O texto põe a nu os desdobramentos de um sistema de desigualdades marcado por
bloqueios e limitações sociais impostos a escravos recém-libertos.
b) A narradora descreve em seu diário a possibilidade de efetiva ascensão social propiciada pelo regime político do Império, no Brasil do século XIX.
c) Desvenda-se no discurso da menina narradora uma ótica de classe que parece apontar
para a idéia de que os pobres não sabem como usar o dinheiro.
d) As situações pitorescas de uma festa servem como pano de fundo às reflexões da narradora sobre o desejo de propriedade da gente-livre recém-liberta e as dificuldades para
sua realização.
e) Observa-se uma mescla de compaixão e ironia no discurso da narradora, ao reconhecer
a festa popular como possibilidade imaginária de redefinição social pela superação
fantasiosa das barreiras advindas da escravidão.
21. Fuvest-SP “Eu gosto muito de todas as festas de Diamantina; mas quando são na Igreja
do Rosário, que é quase pegada à Chácara de vovó, eu gosto ainda mais.”
Nesse primeiro período do texto, as palavras “mas”, “quando” e “que” podem ser substituídas, respectivamente e sem prejuízo do sentido, por:
a) contudo; na época em que; as quais.
b) pois; caso; a qual.
c) porém; se; a qual.
d) entretanto; se; da qual.
e) porque; se; na qual.
IMPRIMIR
GABARITO
10
Eu gosto muito de todas as festas de Diamantina; mas quando são na Igreja do Rosário, que é
quase pegada à Chácara de vovó, eu gosto ainda mais. Até parece que a festa é nossa. E este ano
foi mesmo.
Foi sorteada para rainha do Rosário uma ex-escrava de vovó chamada Júlia e para rei um negro
muito entusiasmado que eu não conhecia. Coitada de Júlia! Ela vinha há muito tempo ajuntando
dinheiro para comprar um rancho. Gastou tudo na festa e ainda ficou devendo.
Agora é que vi como fica caro para os pobres dos negros serem reis por um dia. Júlia com o
vestido e a coroa já gastou muito. Além disso teve de dar um jantar para a corte toda. A rainha
tem uma caudatária que vai atrás segurando na capa que tem uma grande cauda. Esta também é
negra da Chácara e ajudou no jantar. Eu acho graça é no entusiasmo dos pretos neste reinado tão
curto. Nenhum rejeita o cargo, mesmo sabendo a despesa que dá!”
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Texto para a questão 22:
“A garota-propaganda, coitadinha!
GABARITO
11
Já passava das oito horas da manhã e a garota-propaganda dormia gostosamente sobre o seu
colchão Vulcaspuma, macio e confortável, que não enruga nem encolhe, facilmente removível e
lavável. Foi quando o relógio despertador começou a tilintar irritantemente. (Você nunca dará
corda num Mido).
A pobrezinha, que tivera de agüentar a cantada de um patrocinador de programa (Agência
Galo de Ouro — quem não anuncia se esconde) que prometera um cachê melhor, caso ela ficasse
efetiva na programação, levantou-se meio tonta. Fora dormir inda agorinha. Estremunhada, entrou no banheiro, colocou pasta de dentes na escova e pôs-se a escovar com força. Ah… que
agradável sensação de bem-estar!
Depois do banho, abriu a cortina do boxe, que parece linho mas é linholene, e foi até a cozinha
tomar um copo de leite. Tinha de estar pronta em seguida, para decorar páginas e páginas de
texto que apanhara na véspera, no departamento comercial da televisão. Abriu a geladeira de 7
pés, toda impermeável, com muito mais espaço interior e que você pode adquirir dando a sua
velha de entrada (a sua velha geladeira, naturalmente). Dentro não havia leite: — Não faz mal —
pensou. (Tudo que se faz com leite, com Pulvolaque se faz.)
O diabo é que também não tinha Pulvolaque. Procurou no armário uma lata daquele outro que
se dissolve sem bater, mas também não achou. Tomou então um cafezinho mesmo e correu ao
quarto para se vestir e arrumar o cômodo o mais depressa possível. Iria à cidade apanhar os textos
de uma outra agência que precisavam ser decorados até as três; além disso, tinha de almoçar com
um diretor de TV, a quem fingia aceitar a corte para poder ser escalada nos programas.
Arrumou as coisas assim na base do mais ou menos. Fechou o sofá-cama, um lindo móvel que
ocupa muito menos espaço em sua residência, e procurou o vestido verde que comprara no
Credifácil, onde você adquire agora e só começa a pagar muito depois. O vestido não estava no
armário. Lembrou-se então que o deixara na véspera dentro da pia, embebida na água com Rinso
e o diabo é que o vestido, como ficou dito, era verde. Se fosse branco, depois ficaria explicado
porque a roupa dela é muito mais branca do que a minha.
Eram onze e meia quando chegou à cidade, graças à carona que pegara. Saltou da camioneta
com tração dianteira e muito mais resistente, fez todas as coisas que precisava fazer em uma
velocidade espantosa e entregou-se ao suplício de almoçar com o diretor de TV.
Ali estão os dois escolhendo o menu. Ele pediu massa e perguntou se ela também queria (Aimoré você conhece — pensou ela), mas preferiu outra coisa. Garota-propaganda não pode engordar.
Comeu rapidamente e aceitou o copo de leite que o garçom sugeriu. Afinal, não o tomara pela
manhã. Foi botar na boca e ver logo que era leite em pó, em pó, em pó…
Às três horas o programa das donas-de-casa. Às quatro, o teleteste que distribui brindes para
você. De 5 às 8, decorar outros textos, de 8 e meia às 10, tome de sorriso na frente da câmara, a
jurar que a liquidação anunciada era uma ma-ra-vi-lha. Aceite o meu conselho e vá verificar pessoalmente. Mas note bem. É só até o dia 30.
Quase meia-noite e ela tendo de dançar com ‘seu’ Pereira, do ‘Espetáculo Biscoiteste’. Um velho
chato, mas muito bonzinho. O diabo era aquele perfume que saía do cangote do seu par. Um
perfume inebriante, que deixa saudade.
Já eram quase três da matina, quando ela voltou para o seu apartamento com sala, quarto,
banheiro, boxe, copa, quitinete e área interna, tudo conjugado, que comprara dando apenas
trinta por cento na entrada e começando a pagar as prestações na entrega das chaves. Finalmente, vai poder dormir um pouquinho.
E, aos pés do sofá-cama, faz a oração da noite: ‘Padre Nosso, que estais no Céu, muito obrigada
pela atenção dispensada e até amanhã, quando voltaremos com novas atrações. Boa noite.’”
IMPRIMIR
PONTE PRETA, Stanislau. In: Primo Altamirando e elas. Rio de Janeiro: 1962 (com adaptações).
22. UnB-DF A partir da leitura compreensiva do texto, julgue os itens a seguir como verdadeiros ou falsos.
( ) A garota é chamada de “coitadinha” por ser vítima constante do assédio sexual dos
patrocinadores.
( ) A garota-propaganda, vítima da sociedade de consumo, não conseguia mais separar
sua vida privada de sua vida profissional.
( ) Quando não estava em frente das câmaras de televisão, a garota-propaganda passava
seu tempo correndo de um lado para outro, decorando textos, saindo com pessoas
desagradáveis e dormindo pouco.
( ) O nível de abrangência e a forma da narrativa permitem que se caracterize a postura
do narrador como externa e restrita.
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23. ITA-SP Assinale a opção que melhor traduz o trecho em destaque do texto abaixo:
”O novo livro de Ubaldo pode ser visto como um belo exercício de retórica. Utiliza-se de Itaparica, da radioatividade natural e da história da ilha baiana para defender uma tese: a de que
homens e mulheres podem ser igualmente grandes em suas realizações e virtudes, mas não podem escapar de seus pecadilhos e prevaricações, se se querem grandes.”
SEREZA, H. D. Caderno 2/Cultura. O Estado de S. Paulo, 16/7/2000.
a) Os pequenos erros são inevitáveis e essenciais para a grandeza de homens e mulheres.
b) Os pequenos erros são importantes, mas não essenciais, para a grandeza de homens e
mulheres.
c) Ainda que os pequenos erros sejam inevitáveis, não contribuem para a grandeza de
homens e mulheres.
d) Não são os pequenos erros que tornam homens e mulheres grandes em suas realizações
e virtudes.
e) Os pequenos erros são inevitáveis para a grandeza de homens e mulheres.
Texto para as questões de 24 a 26:
12
“Business Intercontinental da Iberia.
Mais espaço entre as poltronas.
IMPRIMIR
GABARITO
Viajar virou sinônimo de relaxar. Principalmente quando você
tem à sua disposição uma poltrona de design ergonômico
com maior capacidade para reclinar e 132 cm de espaço entre a sua poltrona e a da frente. Além disso, você conta com
mais de 300 salas VIP em aeroportos no mundo todo e pode
acumular e utilizar pontos no seu programa de milhagens
voando com qualquer linha aérea da aliança oneworld. Business Intercontinental da Iberia. Sorria.”
24. Fuvest-SP No mesmo anúncio, a relação entre o texto verbal e a imagem fotográfica
caracteriza-se principalmente
a) pelo sarcasmo.
b) pelo sentimentalismo.
c) pela incoerência.
d) pelo humor.
e) pelo sensacionalismo.
25. Fuvest-SP Neste anúncio, a imagem fotográfica associa-se mais diretamente à palavra
sorria e à expressão
a) “mais de 300 salas VIP”.
b) “acumular e utilizar pontos”.
c) “Mais espaço entre as poltronas”.
d) “aeroportos no mundo todo”.
e) “programa de milhagens”.
26. Fuvest-SP Entre os recursos de persuasão empregados no texto verbal do anúncio, só
NÃO ocorre o uso de
a) termos técnicos.
b) trocadilhos.
c) apelo direto ao leitor.
d) enumeração acumulativa de vantagens.
e) expressões em inglês.
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Texto para as questões de 27 a 29:
“Uma pessoa que não sabe nada sobre
segurança convenceu-me a fazer um Itauvida
13
Responda sinceramente: você não é completamente louco por aquele sujeito que chegou na
sua casa, tirou seu sossego e ainda vive nos braços da sua mulher?
Então faça um Itauvida.
Por uma mensalidade equivalente a um pacote
de fraldas descartáveis, você faz um seguro de vida
que pode durar sempre. E dá menos trabalho do
que trocar um bebê. Porque o Itauvida dispensa
exame médico (basta uma declaração de saúde na proposta), você escolhe a forma de pagamento, mensal ou anual, e o débito é automático para os correntistas do Itaú, com todos os valores do
seguro atualizados pelo TRD.
Um Itauvida não rouba suas noites de sono. Pelo contrário: suas garantias são válidas 24 horas
por dia em qualquer parte do mundo, além de a indenização não ficar presa a inventários nem
responder por eventuais dívidas do segurado.
E para esclarecer suas dúvidas, o SOS Seguro Itaú é como um pediatra: sabe tudo. Precisou de
ajuda, é só ligar para ele a qualquer hora do dia ou da noite. Procure o seu corretor ou uma
agência Itaú e faça hoje mesmo o seu Itauvida. Porque quem é louco por alguém, não é louco de
deixar essas coisas para amanhã.”
Texto publicitário produzido pela Agência DM9.
IMPRIMIR
GABARITO
27. Fuvest-SP No texto encontram-se as seguintes estratégias de persuasão:
a) recurso à complementação de sentido pela relação entre texto verbal e imagem; recorrência no uso da hipérbole e da metáfora; predomínio de verbos no futuro do indicativo.
b) uso sistemático da linguagem denotativa; opção pelos verbos no modo imperativo; seleção de imagens sensacionalistas para mobilizar a emoção do leitor.
c) presença funcional de um slogan curto, criativo e de fácil memorização; comparação
com produtos similares; apelo à sensibilidade do leitor.
d) apresentação das vantagens oferecidas pelo produto; definição e explicitação do público-alvo (no caso, as crianças); repetição exaustiva do nome do produto.
e) presença de verbos no modo imperativo; enumeração acumulativa das qualidades e
vantagens oferecidas pelo produto; apelo direto ao leitor pelo uso repetido do pronome
“você”.
28. Fuvest-SP Segundo o texto, são vantagens de quem adquire o seguro anunciado:
a) dispensa de exame médico pré-contratação; escolha da forma de pagamento; possibilidade de o segurado vincular eventuais dívidas a seu inventário.
b) débito automático em conta para correntistas de diversos bancos; baixo custo e facilidades de pagamento; desvinculação entre indenização e inventário.
c) preço acessível; possibilidade de escolha quanto à duração do plano (mensal, anual ou
vitalício); grande número de postos de venda/contratação.
d) baixo custo; desobrigação da realização de exame médico prévio; facilidade de pagamento; garantia de agilidade e segurança na indenização.
e) garantia de a indenização ser vinculada a inventários; serviço de informações 24 horas;
opção dupla para a forma de pagamento; preço acessível.
29. Fuvest-SP A única alternativa em que aparece um trecho do texto que NÃO remete ao
campo semântico mais diretamente sugerido pela fotografia é
a) “o SOS Seguro Itaú é como um pediatra”.
b) “menos trabalho do que trocar um bebê”.
c) “equivalente a um pacote de fraldas descartáveis”.
d) “deixar essas coisas para amanhã”.
e) “alguém que não sabe nada sobre segurança”.
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30. U. F. Pelotas-RS Leia o texto a seguir (Diário Popular, 8/6/1999).
“UTI-Móvel sofre acidente/Veículo-ambulância usado
em socorro atropela ciclista
Quando lemos um texto, podemos fazer leituras com diferenciados graus de profundidade. O texto acima comporta leituras, dentre tantas outras possíveis, como as que seguem.
I. O texto refere-se a um acidente que envolveu a nova UTI Móvel da Polícia Rodoviária Federal e um ciclista, que morreu vítima do atropelamento; houve, em conseqüência do acidente, danos de pequeno valor no veículo. Em virtude do acontecimento, a
ambulância não será usada em serviço, mas as demais unidades da PRF estão em
condições de transportar feridos.
II. O texto foi construído para informar que a nova UTI Móvel da PRF ficou danificada
em acidente. Há muitas informações sobre a ambulância, mas da vítima não sabemos
sequer o nome: é apresentada apenas como ‘um ciclista’. A matéria não coloca a vida
humana em primeiro lugar.
III. No texto fica implícito que o motorista não ficou ferido.
IV. O texto permite-nos inferir que provavelmente um policial rodoviário estivesse conduzindo o veículo.
Se reordenássemos os itens acima expressos, do nível de leitura menos profundo ao mais
profundo, ou seja, dos itens mais explícitos aos menos explícitos, a ordem seria:
a) I, II, IV, III.
b) I, IV, III. II.
c) III, I, II, IV.
d) II, III, IV, I.
e) IV, I. III, II.
IMPRIMIR
GABARITO
14
O acidente envolvendo a nova UTI Móvel
da PRF (Polícia Rodoviária Federal), que resultou na morte de um ciclista sexta-feira à
noite, atropelado pelo veículo enquanto transitava no quilômetro 512 da BR-116, resultará em inquérito para averiguar as circunstâncias do caso. É o procedimento adotado
neste tipo de situação, informou o inspetor
Carlos Alberto Bahr Fernandes.
A ambulância havia sido acionada para
atender a acidente no quilômetro 524. No
deslocamento, um ciclista atravessou a pista
e foi colhido pelo carro, morrendo na hora.
Os danos na UTI Móvel foram de pequena CARRO da PRF mata ciclista e fica bastante
monta, na parte dianteira do veículo. Segundanificado
do o policial rodoviário, o pára-brisa ficou
quebrado. O conserto, agora, dependerá de autorização do comando, que receberá, também,
relatório e fotos do acidente. Por enquanto, a ambulância não será usada em serviço. As demais
unidades da frota da PRF dispõem de equipamentos para o transporte de feridos.”
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31. Unb-DF
“beba
babe
beba
babe
caco
cola
coca
coca
cola
cola
cola
caco
cloaca”
PIGNATARI, Décio. Coca-Cola. In: PIGNATARI, Décio; CAMPOS, Augusto e CAMPOS, Haroldo de.
Teoria da poesia concreta: textos críticos e manifestos. 1950-1960. 2ª ed. São Paulo: Duas Cidades, 1975. p. 85.
15
A partir das informações do poema acima, julgue os seguintes itens como verdadeiros ou
falsos.
( ) Pode-se inferir que o texto foi, originalmente, uma propaganda encomendada para divulgar as qualidades do principal produto de uma fábrica de refrigerantes.
( ) O poema foi construído a partir de alterações semânticas decorrentes de inversões
fônicas de um grupo pequeno de fonemas.
( ) Os vocábulos “babe” (v.2), “caco” (v.5) e “cloaca” (v.7) têm em comum um sentido
negativo.
( ) Uma síntese possível do texto é Beba coca, babe cola e excrete caco pela cloaca.
32. Unioeste-PR
“O destino do Kursk
IMPRIMIR
GABARITO
A informação é triste para os parentes dos marinheiros, mas, do ponto de vista ambiental,
o melhor a fazer com o Kursk é deixá-lo onde está: no fundo do oceano. A conclusão segue as
recomendações da Agência Internacional de Energia Atômica e baseia-se em estudo realizado
com outros dejetos nucleares que repousam no fundo de mares árticos. A razão é simples. Desde
que não haja vazamento de radioatividade vindo dos reatores do Kursk, e os primeiros testes
apontam para isso, o ideal é não mexer na carcaça naufragada. Uma operação de resgate, além
de muito cara, é arriscada: o submarino pode rachar no processo, o que provocaria vazamento
perigoso para as pessoas envolvidas e para o meio ambiente.
A profundidade em que se encontra a embarcação, 108 metros, também é segura. Há lixo
nuclear suportável em águas bem mais rasas, a até 20 metros da superfície. Nesses lugares não
foram detectados traços perigosos de radiação.”
Fragmento de texto, retirado da Revista Veja, agosto de 2000, p. 52.
Em relação ao texto, dê, como resposta, a soma das afirmações corretas.
(01) Em A informação há uma remissão para um dado que está fora do texto.
(02) A carcaça do Kursk não será uma preocupação constante para o governo russo, porque é impossível ocorrer vazamento de radioatividade.
(04) A informação triste para os parentes significa que o não resgate dos corpos é necessário para o bem comum, o que se sobrepõe às expectativas dos parentes.
(08) O conector desde que impõe uma negação do que foi dito anteriormente.
(16) A expressão além de muito cara é um argumento a mais para contrariar a solicitação
de retirada dos corpos, desejada pela opinião pública e, principalmente, pelas famílias das vítimas.
(32) O adjetivo perigosos deixa subentendido que existem traços de radiação.
(64) O pronome isso retoma a idéia de que há vazamento de radiação vindo dos reatores
do Kursk.
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Texto para a questão 33:
“Idéias sustentáveis
A biodiversidade, as águas doces estão todas nas terras indígenas. Nós, os índios, que estamos
cuidando deste patrimônio ao longo do tempo, nunca tivemos a oportunidade de contar e de
compartilhar o que significa para nós esse patrimônio, em termos de vida. Em nossas aldeias, não
temos academia de ginástica. Tudo é feito de acordo com o movimento da noite, do dia e do
tempo. Lá não temos problema de emagrecer.
Lá, no meio do mato, lá, no canto das terras indígenas, há plantinhas e árvores grandes, para
que nós, os seres humanos, as olhemos e dali tiremos a água, o remédio, a alimentação e, principalmente (o que às vezes vocês não percebem), a magia da vida, a magia de tentar entender este
Criador: o espírito da floresta, o espírito da sabedoria com quem os pajés podem conversar. Estes
podem compreender e transformar aquelas plantas no nosso sustento. Muitos pesquisadores já
foram a nossas aldeias, estudaram, copiaram e discutiram.
Queremos dizer isso a vocês, no sentido de mostrar que a ciência do homem branco precisa
conversar com a ciência indígena.”
MORIN, Edgard. Saberes globais e saberes locais — o olhar transdisciplinar. Rio de Janeiro: Garamond, 2000 (com adaptações).
16
33. UnB-DF Com referência às idéias do texto e sua relação com outras áreas do conhecimento, julgue os itens que se seguem como verdadeiros ou falsos.
( ) O texto é narrado em primeira pessoa, pelo foco do silvícola, que não está nas terras
indígenas no momento da fala.
( ) Infere-se do texto que viver de acordo com o movimento do dia e da noite deu origem
a academias de ginástica para emagrecer.
( ) Pelo segundo período do texto, é correto concluir que, na opinião do autor, quem
realmente precisa aprender com os indígenas é a “ciência do homem branco”.
( ) o culto do corpo são em mente sã, comum entre os vikings, contraria os hábitos das
colônias indígenas remanescentes no território nacional.
Texto para as questões 34 e 35:
“O Brasil precisa arrumar novas fontes
IMPRIMIR
GABARITO
de energia para ver a luz no fim do túnel
A relação entre crescimento econômico e energia é direta. Se a geração de energia não for
suficiente, o país não pode crescer. Se ela faltar, a economia pára, entra em colapso. Simples
assim. Há um cálculo mundial para detectar a probabilidade de um país ficar no escuro. O índice
internacionalmente aceitável é de 3%. Ou seja, uma nação está segura quando há três chances
em 100 de faltar energia. Em 1997, essa taxa no Brasil era de 5%. Subiu para 15% no início de
2000 e deve chegar a 20% no fim do ano. Em energizês, o país tem sete vezes mais possibilidade
de sofrer com a falta de energia do que seria aceitável.
Dificilmente a falta de energia atinge as pessoas diretamente, pois o consumo doméstico é
irrisório no cômputo geral. O que pesa são os gastos industriais. Quando falta luz em casa, em
geral, o motivo é uma falha nas linhas de transmissão, não um colapso na geração.
Desde que o preço do petróleo começou a subir teimosa e implacavelmente, no ano passado, o
mundo parece ter atentado para o problema da extrema dependência em relação a poucas fontes
de energia, que estão nas mãos de um número reduzido de controladores e que ninguém sabe
por quanto tempo serão suficientes para suprir as necessidades globais. No que diz respeito ao
petróleo, são todas meio improvisadas as estimativas a respeito das reservas, da capacidade de
produção e do crescimento do consumo. É difícil prever por quanto tempo a humanidade poderá
contar com o fornecimento de petróleo a um custo compensador, mesmo com novas tecnologias
de extração sendo desenvolvidas a cada dia.
O sistema brasileiro opera próximo ao limite da capacidade instalada, com uma pequena margem de sobra.
A prova de que há uma certa angústia no ar em relação ao suprimento energético é a atitude
dos grandes consumidores. Cada um deles está em busca da chamada luz no final do túnel.”
RAMIRO, Denise. Veja, 6/9/2000, p. 135 (com adaptações).
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34. UnB-DF A propósito das idéias e expressões do texto, julgue os seguintes itens como
verdadeiros ou falsos.
( ) No terceiro período, o pronome “ela” pode referir-se tanto a “energia” como a “geração”.
( ) O tom de preocupação acerca do tema e a redação de trechos como “Simples assim”
e “busca da chamada luz no final do túnel” indicam que a linguagem predominante
no texto é a coloquial.
( ) Devido a novas tecnologias, a situação brasileira é altamente favorável, pois o país
conta com potenciais energéticos imensuráveis, ainda não-explorados.
( ) No período final, a expressão “luz no final do túnel” foi explorada duplamente: com o
sentido conotativo, significando solução para o problema, e denotativamente, com
referência à luz como energia luminosa.
17
35. UnB-DF No que se refere às idéias do texto e sua vinculação com outras áreas do conhecimento, julgue os itens que se seguem como verdadeiros ou falsos.
( ) Ao mencionar “a geração de energia”, o texto argumenta contrariamente ao princípio
da Física segundo o qual energia não pode ser criada, mas apenas transformada.
( ) O termo “energizês” é uma criação vocabular formada a partir de energia para designar a linguagem técnica internacional do setor da Bolsa de Valores de São Paulo que
trata da economia de energia.
( ) As porcentagens no primeiro parágrafo permitem afirmar que, se em 1997 a população
brasileira era de 140 milhões de habitantes, havia chance de faltar energia para 7 milhões de pessoas; para uma população estimada em 167 milhões no final de 2000, a
falta deverá atingir 33,4 milhões de pessoas.
( ) As idéias do texto permitem inferir que os colapsos na geração de energia estão relacionados ao consumo industrial.
IMPRIMIR
GABARITO
36. UFRS Leia o trecho abaixo de Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa.
“— Nonada. Tiros que o senhor ouviu foram de briga de homem não, Deus esteja. Alvejei mira
em árvores no quintal, no baixo do córrego. Por meu acerto. Todo dia isso faço, gosto; desde mal
em minha mocidade. Daí, vieram me chamar. Causa dum bezerro: um bezerro branco, erroso, os
olhos de nem ser — se viu —, e com máscara de cachorro. Me disseram; eu não quis avistar.
Mesmo que, por defeito como nasceu, arrebitado de beiços, esse figurava rindo feito pessoa. Cara
de gente, cara de cão: determinaram — era o demo. Povo prascóvio. Mataram. Dono dele nem sei
quem for. Vieram emprestar minhas armas, cedi. Não tenho abusões. O senhor ri certas risadas…
Olhe: quando é tiro de verdade, primeiro a cachorrada pega a latir, instantaneamente — depois,
então, se vai ver se deu mortos. O senhor tolere, isto é o sertão.”
Assinale a afirmativa correta em relação ao trecho.
a) “Nonada” remete a uma situação anterior, pressuposta no início do romance, sobre a
qual o narrador e o ouvinte estariam conversando.
b) As palavras do narrador indicam que o “senhor” compreendeu adequadamente o ocorrido.
c) A interpretação do interlocutor sobre os tiros está equivocada, pois aquilo que ele pensou não poderia ocorrer no sertão.
d) O aparecimento do bezerro com máscara de cachorro não causa estranhamento entre os
sertanejos.
e) Para o narrador, os tiros sempre indicam que houve morte de homens.
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37. UFGO O trecho abaixo, de Alcino Leite Neto, foi publicado na TVFolha, de 30 jul. 2000.
“Muito do que se condena na televisão brasileira como sendo obtuso, reacionário ou malfeito é
apenas popular, demasiadamente popular. A televisão foi implantada no Brasil em 1950, mas
durante muito tempo aparelhos de TV foram privilégio das classes alta e média. No início da
década de 60, no interior do país, então predominantemente rural, apenas os mais ricos possuíam
um televisor.”
18
A respeito da forma de ordenação de idéias empregada pelo autor, é possível afirmar que
( ) prevalece, no fragmento, um tipo de ordenação muito utilizado nos textos jornalísticos: a ordenação por contraste de conceitos.
( ) a ordenação por tempo e espaço favorece um raciocínio que opera com noções de
transformação e mudança, consideradas num certo período e em determinado lugar.
( ) o argumento de que, no Brasil, a televisão esteve associada a privilégio de classe é
demonstrado por meio de um tipo de ordenação: a enumeração de fatos.
( ) sobressai, no fragmento, a especificação de conceitos, já que o autor define a TV
como um meio de comunicação demasiadamente popular.
Texto para a questão 38:
“A VIDA MODERNA OFERECE TV DIGITAL, CELULAR, INTERNET E O JEEP GRAND
CHEROKEE PARA VOCÊ FUGIR DISSO TUDO.
Veja, 11/10/98.
38. UFMT Com base no texto acima, julgue os itens que seguem como verdadeiros ou falsos:
( ) A propaganda defende a idéia de que a tecnologia é insuficiente para o homem ser feliz
na vida moderna.
( ) A tese que sustenta o texto é a de que a vida moderna propicia não só alta tecnologia
como também possibilidades de se fugir dela.
( ) A expressão “onde ninguém chegou” pode significar sucesso profissional.
( ) Os argumentos utilizados para convencer o leitor se baseiam nos atrativos da vida
moderna e não no objeto em si da propaganda.
( ) A palavra trilha refere-se unicamente a caminhos pouco percorridos.
IMPRIMIR
GABARITO
Jeep Grand Cherokee. A partir de R$ 55.400
O mundo tem lugares onde você pode viver emoções muito maiores do que ir e vir do trabalho.
E o Jeep Grand Cherokee dá liberdade para você seguir qualquer trilha. Ele tem motor 4.0 L High
Output, tração Quadra-Trac® 4x4 permanente, duplo air-bag, freios a disco nas quatro
rodas com ABS e suspensão ‘Up Country’ para você chegar onde ninguém chegou. Além de
câmbio automático e ar-condicionado para você chegar lá inteiro. Jeep Grand Cherokee. A
vida moderna em favor da vida de verdade.
Jeep®
Só Existe Um.”
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39. U. E. Maringá-PR Leia o texto a seguir e assinale o que for correto.
“Circuito fechado
Chinelos, vaso, descarga. Pia, sabonete. Água. Escova, creme dental, água, espuma, creme de barbear, pincel, espuma, gilete, água, cortina, sabonete, água fria, água quente, toalha. Creme para
cabelo, pente. Cueca, camisa, abotoaduras, calça, meias, sapatos, gravata, paletó. Carteira, níqueis,
documentos, caneta, chaves, lenço, relógio, maço de cigarros, caixa de fósforos. Jornal. Mesa, cadeiras, xícara e pires, prato, bule, talheres, guardanapo. Quadros. Pasta, carro. Cigarro, fósforo. Mesa e
poltrona, cadeira, cinzeiro, papéis, telefone, agenda, copo com lápis, canetas, bloco de notas, espátula, pastas, caixas de entrada, de saída, vaso com plantas, quadros, papéis, cigarro, fósforo. Bandeja,
xícara pequena. Cigarro e fósforo. Papéis, telefone, relatórios, cartas, notas, vales, cheques, memorandos, bilhetes, telefone, papéis. Relógio. Mesa, cavalete, cinzeiros, cadeiras, esboços de anúncios, fotos,
cigarro, fósforo, bloco de papel, caneta, projetor de filmes, xícara, cartaz, lápis, cigarro, fósforo, quadro-negro, giz, papel. Mictório, pia, água. Táxi. Mesa, toalha, cadeiras, copos, pratos, talheres, garrafa,
guardanapo, xícara. Maço de cigarros, caixa de fósforos. Escova de dentes, pasta, água. Mesa e poltrona, papéis, telefone, revista, copo de papel, cigarro, fósforo, telefone interno, externo, papéis, prova
de anúncio, caneta e papel, relógio, papel, pasta, cigarro, fósforo, papel e caneta, telefone, caneta e
papel, telefone, papéis, folheto, xícara, jornal, cigarro, fósforo, papel e caneta. Carro. Maço de cigarros, caixa de fósforos. Paletó, gravata. Poltrona, copo, revista. Quadros. Mesa, cadeiras, pratos, talheres, copos, guardanapos. Xícaras. Cigarro e fósforo. Poltrona, livro. Cigarro e fósforo. Televisor, poltrona. Cigarro e fósforo. Abotoaduras, camisa, sapatos, meias, calça, cueca, pijama, chinelos. Vaso, descarga; pia, água, escova, creme dental, espuma, água. Chinelos. Coberta, cama, travesseiro.”
RAMOS, Ricardo. In: LADEIRA, J. de G. Contos brasileiros contemporâneos. São Paulo: Moderna, 1995, p. 71.
IMPRIMIR
GABARITO
19
(01) Trata-se de um texto em prosa, marcado por uma das características fundamentais do
realismo do século XIX: o determinismo social, a explicação do comportamento humano baseada na idéia de que o homem é um produto do meio em que vive. Prova
disso é o fato de que importa menos a forma pela qual são construídos os elementos
da narrativa (personagem, espaço, tempo, etc.) do que a determinação que o personagem principal sofre do meio social, no caso, exemplificado pelo escritório da agência
de publicidade em que trabalha e pela classe social a que pertence: a classe média.
(02) Trata-se de um texto em prosa, marcado por uma das características fundamentais da
arte moderna e contemporânea: a pesquisa de novas formas de expressão estética
criadas a partir do experimentalismo lingüístico. Prova disso é que todos os elementos da narrativa (personagem, espaço, tempo, etc.) são construídos a partir do uso
exclusivo de substantivos.
(04) Trata-se de um texto em prosa, marcado por uma das características fundamentais do
romantismo: a solidão do homem que, singular e diferenciado dos demais, não consegue adaptar-se à mediocridade que caracteriza a vida dos seus semelhantes. Prova
disso é que o que se destaca são os sentimentos do personagem, que exerce uma
função criativa, provavelmente artística, no isolamento de sua casa e do escritório da
agência de publicidade em que trabalha. Tal isolamento é necessário para que o personagem desenvolva suas idéias e realize as suas obras.
(08) Trata-se de um texto em prosa em que as ações e a situação dramática são reduzidas
ao contato com objetos do cotidiano, evidenciando que o personagem vive uma vida
tediosa e aborrecida, limitada à rotina da polaridade casa-trabalho, marcada pela solidão e pelo automatismo. Prova disso é o fato de que as ações e a situação dramática,
construídas por meio do uso exclusivo de substantivos, convertem-se no seu contrário, evidenciando a passividade (não-ação) e a desumanização do personagem.
(16) Trata-se de um texto em prosa em que a construção do personagem não permite uma
universalização da experiência por ele vivida. Provas disso são, por exemplo, a falta
de nome próprio e de descrição física do personagem.
(32) As principais figuras de linguagem presentes no texto são a antítese e a metáfora.
Prova disso é o fato de que a primeira contrapõe a rotina massacrante do trabalho à
imprevisibilidade característica da vida doméstica; a segunda é o recurso por meio do
qual as ações mecânicas do personagem são identificadas, inclusive no que se refere
ao tempo cronológico.
(64) As principais figuras de linguagem presentes no texto são a repetição e a metonímia.
Prova disso é o fato de que a primeira enfatiza a idéia de rotina, esclarecendo o título
do texto; a segunda é o recurso por meio do qual as ações mecânicas do personagem
são identificadas, inclusive no que se refere ao tempo cronológico.
Dê, como resposta, a soma das alternativas corretas.
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Texto para as questões 40 e 41:
“Escola Pública e Demagogia
GABARITO
20
O Senado acaba de reservar 59% das vagas das universidades públicas para estudantes que
fizeram seus cursos fundamental e médio apenas nas escolas públicas. Resta a aprovação da
Câmara para que a criação de cotas no ensino superior e uma benevolência demagógica se tornem lei.
A reação imediata diante desse tipo de iniciativa é lembrar aos parlamentares que universidade
é centro de excelência, de formação dos melhores e mais capacitados quadros do país. Mas apenas esse argumento não mostra quão desinformada é a atitude dos que defendem tal medida.
Na justificação do projeto senatorial, alega-se que a lei é ‘medida de ação afirmativa’ que quer
‘atenuar a discriminação imposta às camadas mais pobres’. Apenas 45% dos alunos das universidades federais viriam de escolas públicas, justificam. Os senadores poderiam até acenar com dados de duas das melhores universidades do Brasil, USP e Unicamp, nas quais apenas 25% dos
aprovados no vestibular, em 98, cursaram o ensino médio, em escola do Estado.
Um exame em detalhe da questão revela as inconsistências do projeto. Por que as vagas serão
reservadas apenas aos que fizeram integralmente seus estudos na escola pública? Quem a duras
penas teve estudos pagos por um ou dois anos em uma barata e ineficaz escola privada, que há
aos milhares, deve ser excluído?
É uma minoria seleta de grandes escolas privadas que coloca seus alunos nas melhores universidades. Mesmo assim, 20% dos estudantes da Unicamp provêm de famílias com rendimento
inferior a dez salários mínimos. Embora a grande maioria dos brasileiros tenha renda inferior a
essa, ainda assim ela não basta para pagar mensalidades de escolas de elite.
De resto, vestibulandos bem-sucedidos de escolas públicas cursaram estabelecimentos que muitas
vezes estão em bairros de classe média, cujos pais têm boa formação educacional, auxiliam as
escolas até com dinheiro e participam da comunidade escolar. São poucos os de fato pobres que
furam a barreira da ‘discriminação’, como justifica o projeto do Senado.
Alguma aritmética pode dar ainda a medida da inocuidade do projeto de cotas, ademais se
considerada a ambição de propósitos senatoriais. Com a nova lei, aumentaria em 7.000 o número
de alunos de escolas públicas na USP, na Unicamp e nas instituições federais que matriculam por
ano 107 mil novos alunos, de resto em detrimento de estudantes mais preparados. Vale lembrar
ainda que são 5 milhões os que cursam o ensino médio público. Segundo o Mec, 53% estão
atrasados nos estudos. Apenas 25% dos brasileiros, em idade de estudar no ensino médio, estão
em escolas desse nível de instrução.
Em 1999, 27% dos novos alunos da USP vieram de escola pública. Há cinco anos, eles eram
32%. Há 20 anos eles foram 57%. Os ainda poucos brasileiros que chegam ao ensino médio
público estudam em escolas cujo nível claramente se degrada. Parece evidente que o enfoque
sério do problema deve ser o da melhoria da educação pública. Reservar cotas para estudantes do
Estado não ataca o problema, mas pode reservar votos para os defensores de tal projeto.”
Folha de S. Paulo, 05/09/99, Cad. 1, p. 2.
40. UEGO A partir da leitura do texto, podemos afirmar que
( ) a palavra demagogia, presente no título, permite-nos estabelecer a oposição “democracia versus demagogia”, uma vez que a escola pública concretiza o termo democracia;
( ) o enunciador apresenta o fato no primeiro parágrafo e já, a partir do segundo, começa
construir a oposição ao que foi afirmado;
IMPRIMIR
( ) nos cinco parágrafos entre o início e a conclusão do texto, o enunciador constrói
argumentos que se apóiam em comprovações que, num processo decrescente vão
reafirmar, no parágrafo final, a oposição estabelecida nos dois primeiros;
( ) a frase “Reservar cotas para estudantes… pode reservar votos para os defensores de
tal projeto” (último parágrafo) é sinônimo de democracia;
( ) falta vontade política para a solução de problemas cruciantes da sociedade brasileira,
pois os políticos só se interessam por soluções paliativas e que provocam impacto,
uma vez que são elas que lhes renderão votos nas urnas.
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41. UEGO Em relação à estrutura e ao conteúdo dos parágrafos, pode-se afirmar que:
( ) o enunciador apresenta o fato no primeiro parágrafo, ao mesmo tempo em que acena
com a possibilidade de que a proposta não chegue a ser lei;
( ) no segundo parágrafo, temos uma primeira oposição ao proposto no primeiro e uma
introdução ao terceiro;
( ) no terceiro parágrafo, o enunciador apresenta os argumentos de seu opositor, esclarecendo e conquistando a adesão do leitor às suas idéias;
( ) no quarto, quinto e sexto parágrafos são fornecidos detalhamentos da afirmação feita
no terceiro e esses detalhamentos contribuem para dimensionar a inocuidade do projeto;
( ) no último parágrafo, o autor apresenta a degradação crescente do nível de ensino da
escola pública, comprovando o caráter demagógico da medida, uma vez que sua conclusão é incontestável.
42. I.E.Superior de Brasília-DF
IMPRIMIR
GABARITO
21
“A Nona Conferência Internacional Americana e os Direitos Humanos
Os Estados americanos, no livre exercício de suas próprias soberanias, mediante um processo
evolutivo que resultou na adoção de diferentes instrumentos internacionais, estruturaram um
sistema regional de promoção e proteção dos direitos humanos, no qual se reconhecem e definem com precisão a existência desses direitos; se estabelecem normas de conduta obrigatórias
destinadas a sua promoção e proteção, e se criam os órgãos destinados a velar pela fiel observância desses direitos.
Esse sistema interamericano de promoção e proteção dos direitos fundamentais do homem
teve seu início formal com a Declaração Americana dos Direitos e Deveres do Homem, aprovada
pela Nona Conferência Internacional Americana (Bogotá, Colômbia, 1948), durante a qual também foi criada a Organização dos Estados Americanos, cuja Carta proclama os ‘direitos fundamentais da pessoa humana’ como um dos princípios em que se fundamenta a Organização.
Além disso, foram aprovadas algumas resoluções que se enquadram no campo dos direitos
humanos, tais como as convenções sobre concessão dos direitos civis e políticos à mulher, a
resolução sobre ‘Condição Econômica da Mulher Trabalhadora’ e a ‘Carta Internacional Americana de Garantias Sociais’, na qual os Governos da América estabelecem ‘os princípios fundamentais que devem proteger os trabalhadores de toda classe’ e que ‘estabelece os direitos
mínimos de que devem eles gozar nos Estados americanos, sem prejuízo da possibilidade de
que as leis de cada um possam ampliar esses direitos ou reconhecer outros mais favoráveis’,
pois reconhecem que ‘as finalidades do Estado não se cumprem apenas com o reconhecimento
dos direitos do cidadão’, mas também ‘com a preocupação pelo destino dos homens e das
mulheres, considerados não como cidadãos mas como pessoas’ e, conseqüentemente, deve-se
garantir ‘simultaneamente tanto o respeito às liberdades políticas e do espírito, como a realização dos postulados da justiça social’.”
Julgue os itens a seguir, de acordo com a leitura, compreensão e interpretação textuais:
( ) Desses, esses são anafóricos e, como tal, fatores de coesão textual.
( ) Os membros da OEA se obrigam a seguir as normas de promoção e proteção dos
direitos do homem.
( ) Cada país membro encarrega-se, no interior de suas fronteiras, de velar pela observância das normas criadas internacionalmente.
( ) Infere-se que os direitos configurados na Carta Internacional de Garantias Individuais sofrem alguma espécie de limitação.
( ) Infere-se que se estabele uma diferença entre liberdade política e liberdade de espírito.
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Texto para as questões 43 e 44:
“(…) Eu deixara o visitante falar, sem interrompê-lo. Nariz de Ferro, que era um anão, mas
tinha a postura de um gigante presunçoso, levantou-se e, virando sua enorme cabeça de cabelos
encarapinhados, exibiu o perfil para mim. Seu nariz imenso, de linhas perfeitas, era um pouco
mais negro do que o rosto.
‘Eu me preparei para enfrentar a adversidade. Estou acabando de escrever o Manual dos frustrados,
fodidos e oprimidos. Nele descrevo, minuciosa e sistematicamente, os métodos mais sujos e destruidores para se ir à forra de qualquer inimigo, seja ele quem for, forças armadas, imposto de renda, companhias de serviços públicos, companhias de cartões de crédito, bancos, a polícia, o proprietário senhorio,
a loja comercial, qualquer pessoa ou instituição que tem força e sacaneia os outros. Ensino a técnica
adequada para devassar, desmoralizar, arruinar, aniquilar, exterminar indivíduos e organizações odiosas, mostro como atacar saindo das sombras, como atormentar e destruir sem misericórdia. Pela sua
cara vejo que não gosta de mim’. (Esse livro, na verdade, nunca foi escrito. Nariz de Ferro gostava de
jactar-se não apenas das coisas que havia feito, mas também das que ainda pretendia fazer.)
‘Está enganado. Gosto das pessoas que não sabem qual é a verdadeira altura delas’, eu disse. (…)”
IMPRIMIR
GABARITO
22
43. U.Católica-GO Levando em consideração as relações de sentido na construção do texto,
julgue as proposições a seguir como verdadeiras ou falsas.
( ) De acordo com a fala da primeira personagem, os nossos inimigos podem ser pessoas
ou instituições, basta terem o poder.
( ) À fala de Nariz de Ferro aplica-se a conhecida expressão “olho por olho, dente por dente”.
( ) No fragmento em análise, percebe-se, com relação ao modo de narrar, a presença de
um narrador personagem e, com relação ao modo de citação do discurso, o predomínio do diálogo, o qual se constrói com uso do discurso direto.
( ) De acordo com o texto, o referido Manual é escrito para as pessoas que têm poderes
— como financeiro e político — e apresenta métodos para destruir aqueles que não
têm esses poderes.
( ) Em “Nariz de Ferro gostava de jactar-se não apenas das coisas que havia feito, mas
também das que ainda pretendia fazer, a intromissão do narrador apresenta sutilmente uma característica negativa do caráter da personagem. Essa afirmação é reforçada
por meio do vocábulo “jactar-se”, que significa “gabar-se, vangloriar-se”.
( ) O uso da palavra “ainda”, em “Nariz de Ferro gostava de jactar-se não apenas das
coisas que havia feito, mas também das que ainda pretendia fazer”, introduz o pressuposto de que Nariz de Ferro não escreveu o Manual, mas admite a possibilidade de o
livro ser escrito futuramente.
44. U.Católica-GO Com base na construção e organização gramatical do texto, julgue as
proposições a seguir como verdadeiras ou falsas.
( ) No fragmento em análise, há a mistura dos dois níveis de linguagem: o formal e o
informal. O nível formal evidencia-se pela predominância de uma construção sintática adequada à norma padrão; o nível informal, pela presença de alguns vocábulos
mais utilizados na linguagem oral.
( ) Em “Estou acabando de escrever o Manual dos frustrados, fodidos e oprimidos”, os
verbos em destaque exercem a função sintática de predicativo do sujeito.
( ) O período “Nariz de Ferro, que era um anão, mas tinha a postura de um gigante presunçoso.” não teria o sentido de contraposição alterado, se fosse assim reescrito: Nariz de
Ferro, que era um anão, embora tivesse a postura de um gigante presunçoso…
( ) O vocábulo “altura” em “Gosto de pessoas que não sabem qual é a verdadeira altura
delas”, levando-se em consideração outras informações contidas no texto, é ambíguo
e provoca um efeito de sentido que permite uma referência tanto a aspectos psicológicos quanto físicos.
( ) O pronome “me” em “Em me preparei para enfrentar a adversidade” teria de vir, de
acordo com a regra de colocação pronominal, depois do verbo por anteceder a preposição “para”.
( ) Em “Eu deixara o visitante falar…”, o verbo “deixara” poderia ser substituído por
seu correspondente composto, mais utilizado na linguagem oral: Eu tinha deixado o
visitante falar…
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45. U.Católica-GO As proposições que se seguem referem-se ao texto. Julgue-as.
“Macunaíma aproveitava e esperava se aperfeiçoando nas duas línguas da terra, o brasileiro
falado e o português escrito. Já sabia o nome de tudo. Uma feita era dia da Flor, festa inventada
pros brasileiros serem caridosos e tinha tantos mosquitos carapanãs que Macunaíma largou o
estudo e foi na cidade refrescar as idéias. Foi e viu um despropósito de coisas. Parava em cada
vitrina, e examinava dentro dela aquela porção de monstros, tanto que até parecia a serra do Ererê
onde tudo se refugiou quando a enchente grande inundou o mundo. Macunaíma passeava e
encontrou uma cunhatã com uma urupema carregadinha de rosas. A mocica fez ele parar e botou
uma flor na lapela dele, falando:
Custa mil réis.”
ANDRADE, Mário. Macunaíma.
IMPRIMIR
GABARITO
23
( ) Em “se aperfeiçoando nas duas línguas da terra, o brasileiro falado e o português
escrito”, percebe-se uma referência explícita às variedades lingüísticas em nosso país,
dividindo a língua em dois registros: o falado e o escrito.
( ) A referência à festa da Flor configura-se no texto como uma crítica ao sentido capitalista da criação de determinadas datas comemorativas. Essa afirmação confirma-se nos
dois últimos períodos do texto, em contraposição ao conceito inicial dado à festa da
Flor; “Uma feita era dia da Flor, festa inventada pros brasileiros serem caridosos…”
( ) A mocica fez ele parar… O uso do pronome do caso reto como complemento não é
adequado, de acordo com as normas da língua padrão.
( ) Em … “até parecia a serra do Ererê onde tudo se refugiou quando a enchente grande
inundou o mundo.”, observa-se uma intertextualização com a passagem bíblica referente ao Dilúvio.
( ) Em “Foi e viu um despropósito de coisas”, o complemento verbal refere-se aos dois
verbos empregados: foi e viu.
( ) A palavra “vitrina”, em “Parava em cada vitrina”, é de origem francesa e está grafada
de acordo com a regra ortográfica vigente. No entanto, o emprego dessa forma contraria uma característica do texto — a oralidade — uma vez que a forma utilizada na
linguagem coloquial é vitrine.
46. U.Católica-GO Considere a charge que segue e julgue as afirmativas como verdadeiras
ou falsas.
( ) A charge apresenta uma
Imagina, louro… Aqui diz que
situação de crítica ao apeas pessoas que passam muito
tempo conectadas à Internet
go excessivo das pessoas
acabam menosprezando seus
ao mundo virtual e um
laços de amizade…
alerta em relação à utilização das informações
que deveriam servir para
colocá-las em sintonia
com seu mundo real.
( ) No texto, fica clara a consideração e a amizade do
internauta por seu animal
de estimação.
( ) A expressão facial do internauta e outros elementos icônicos presentes na charge
reforçam e exemplificam a mensagem verbal.
( ) O imperativo do verbo “imaginar” e o pronome “seus”, no texto verbal da charge,
têm como referente um mesmo elemento nominal: a palavra “louro”.
( ) O emprego do acento grave em “conectadas à Internet” está adequado por ter a palavra — “Internet” — sido considerada do gênero feminino em língua portuguesa.
( ) Em “Aqui diz que as pessoas que passam…”, o segundo “que” é pronome relativo e,
como pronome relativo, exerce função sintática na frase em que aparece.
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Texto para as questões 47 e 48:
“No Brasil, mas de passagem
O processo de abertura econômica do país produziu mudanças na vida dos brasileiros, mas
mexeu também com a rotina de milhares de estrangeiros. Desde 1990, grupos cada vez maiores
de executivos oriundos de outros países mudaram-se com a família para o Brasil para trabalhar. O
processo se intensificou com as privatizações ocorridas no setor de telecomunicações, com a
venda de bancos para grupos estrangeiros e com a chegada da nova safra de montadoras de
automóveis. Hoje, existem colônias de franceses no Paraná, graças à Renault. Em São Paulo,
muitos espanhóis na esteira da Telefônica. A Bahia recebeu uma recente onda de americanos por
causa da transferência da Ford, ‘roubada’ do Rio Grande do Sul. Das 500 maiores companhias
transnacionais, mais de 400 estão instaladas no país. Como o Brasil ganhou espaço no mundo dos
negócios, nada mais natural que essas empresas transfiram para o país alguns executivos da
matriz. Para as companhias, essa transferência representa um reforço na filial. Para os executivos
e a família, a mudança é um sacolejo completo na vida.”
BUCHALLA, Anna Paula. Veja, 26/04/2000.
47. UEMS
“Como o Brasil ganhou espaço no mundo dos negócios, nada mais natural que essas empresas transfiram para o país alguns executivos da matriz. Para as companhias, essa transferência
representa um reforço na filial”.
GABARITO
24
No fragmento anterior, os termos sublinhados referem-se respectivamente às seguintes
passagens do texto:
a) companhias transnacionais, mudança dos executivos estrangeiros.
b) mudança dos executivos, companhias transnacionais.
c) empresas da Ford; transferência dos brasileiros.
d) empresas da Renault; mudança dos executivos estrangeiros.
e) companhias transnacionais; transferência dos brasileiros.
48. UEMS Na passagem A Bahia recebeu uma recente onda de americanos por causa da
transferência da Ford, ‘roubada’ do Rio Grande do Sul. Podemos inferir que:
a) o governo da Bahia convenceu o governo do Rio Grande do Sul a deixar a Ford naquele
Estado.
b) o governo da Bahia ofereceu mais incentivos à Ford, por isso esta empresa instalou-se lá.
c) o governo da Bahia trapaceou o governo do Rio Grande do Sul.
d) o governo do Rio Grande do Sul não quis a Ford em seu estado.
e) o governo do Rio Grande do Sul não colocou guardas na Ford, por isso a Bahia rouboulhe esta empresa.
49. UEMS A partir da leitura do poema abaixo podemos afirmar:
IMPRIMIR
“Cobras cegas são notívagas.
O orangotango é profundamente solitário.
Macacos também preferem o isolamento.
Certas árvores só frutificam de 25 em 25 anos.
Andorinhas copulam no vôo.
O mundo não é o que pensamos.”
Carlos Drummond de Andrade.
a)
b)
c)
d)
e)
o poema não é coerente, pois as frases estão soltas.
o poema é coerente, pois não possui “elos” entre um verso e outro.
o poema não possui “elos” conectivos, mas possui significação.
os versos do poema estão justapostos, e isto garante a sua coerência.
um poeta, ao construir um poema, não se preocupa com sua coerência.
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50. UFPR No texto abaixo, várias expressões retomam ou antecipam outras para conferir
coesão ao texto. Marque a(s) alternativa(s) que aponta(m) corretamente essas ligações,
assinalando V (verdadeira) ou F (falsa).
“A cidade das calçadas jurássicas
O padre italiano Giuseppe Leonardi, um dos maiores paleontólogos do mundo, estava viajando
pelo interior paulista em 1976 quando uma súbita dor de dente o obrigou a fazer uma parada em
Araraquara. Ao pisar nas lajes cor-de-rosa usadas como calçamento na cidade reparou em algo
estranho. Ficou tão entusiasmado que até se esqueceu de ir ao dentista. A análise das marcas
confirmou o seu palpite. Ali estavam impressas pegadas de répteis que habitaram a região de
Araraquara 180 milhões de anos atrás. As lajes tinham sido arrancadas das rochas de uma pedreira, nos arredores da cidade. Lá ficaram gravados os únicos registros de dinossauros brasileiros do
período jurássico. Leonardi explicou ao prefeito que precisava arrancar os trechos de calçadas com
pegadas de dinos. O prefeito riu da cara dele e negou o pedido. Mas o padre-cientista não se
abalou. Esperou o Carnaval, quando a cidade inteira estava muito ocupada em se divertir, para
meter a picareta no calçamento e levar o tesouro para o Departamento Nacional de Produção
Mineral, no Rio de Janeiro, que o guarda até hoje.”
Superinteressante, Abril, 1999.
25
( ) Ali estavam impressas pegadas de répteis… → lajes cor-de-rosa usadas como calçamento na cidade.
( ) Lá ficaram gravados os únicos registros de dinossauros brasileiros… → rochas de
uma pedreira, nos arredores da cidade.
( ) … levar o tesouro para o Departamento Nacional de Produção Mineral, no Rio de
Janeiro, que o guarda até hoje. → Rio de Janeiro.
( ) O prefeito riu da cara dele e negou o pedido. → o padre Giuseppe Leonardi.
( ) … quando uma súbita dor de dente o obrigou a fazer uma parada em Araraquara. →
o interior paulista.
( ) … levar o tesouro para o Departamento Nacional de Produção Mineral, no Rio de
Janeiro, que o guarda até hoje. → os répteis que habitavam a região.
( ) Ao pisar nas lajes cor-de-rosa usadas como calçamento na cidade, reparou em algo
estranho. → pegadas de répteis.
IMPRIMIR
GABARITO
Texto para as questões 51 e 52:
“Alguns cientistas já se preocupam em garantir que os robôs do futuro tragam em seus programas, em todos eles, um ‘chip’ da bondade que os impeça de fazer mal aos homens, assumindo,
assim, que não seja possível sequer desligá-los. Talvez estejam sonhando, como pensam alguns.
Talvez não.
Lembremos: quando um dos primeiros computadores do mundo, o Eniac, foi produzido, em
1946, a revista Popular Mechanics escreveu que a nova maravilha eletrônica tinha 18 mil válvulas
e pesava 30 toneladas, fazendo o que pareceu, na época, uma previsão tresloucada: ‘Os computadores do futuro talvez usem apenas mil válvulas e pesem em torno de uma tonelada’. Hoje, um
computador bem mais poderoso do que o Eniac cabe no bolso da camisa.
Esse fato autoriza a reiteração da dúvida: estarão os cientistas sonhando? Talvez sim.
Talvez não.”
51. Unifor-CE O texto explora como idéia central:
a) a incerteza que envolve o julgamento de alguns acerca da garantia dos cientistas a respeito dos robôs do futuro.
b) a crítica que considera tresloucada a previsão da revista Popular Mechanics em 1946.
c) a potência do computador de hoje, que supera o Eniac, um dos primeiros computadores
do mundo.
d) a possibilidade de que, no futuro, todos os robôs venham a ser desligados.
e) a comparação entre o peso dos primeiros computadores do mundo e o dos computadores na atualidade.
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52. Unifor-CE Infere-se do texto que:
a) qualquer ameaça dos robôs do futuro ao homem será detida pelo simples gesto de desconectá-los.
b) a eficiência do computador independe de suas dimensões.
c) ainda hoje há previsões tresloucadas a respeito dos computadores.
d) o computador é a expressão mais aprimorada do avanço da tecnologia.
e) robôs e computadores condicionam o poder da tecnologia.
Texto para as questões de 53 a 56:
26
“Um triste espetáculo é a alegria feroz com que os políticos e cidadãos que se dizem democratas, os jornais, o rádio, a TV descrevem as dificuldades de Cuba, na alvoroçada esperança de uma
derrocada do seu regime. Parece que lhes dá prazer noticiar e comentar que falta alimento e
roupa, as máquinas agrícolas estão sendo puxadas por animais, a bicicleta substitui o automóvel.
Com certeza esperam que o regime odiado acabe na fome, na miséria e na desgraça coletiva, a
fim de pagar os sustos que deu.
Um dos pressupostos dessa atitude é que o socialismo não funciona. Provavelmente, para esses
críticos eufóricos o que funciona é a ‘democracia’ brasileira, que só pode ser mencionada entre
aspas, pois tem não apenas mantido, mas cultivado e agravado a miséria de um povo que, cinco
séculos depois do Descobrimento, não sabe ler, vive doente, sofre todas as privações e, portanto,
serve de boa massa para os demagogos elegerem quanto aventureiro consiga vender a sua deteriorada mercadoria política. Isso, quando as classes dominantes não resolvem salvar a pátria por
meio do singular instrumento ‘democrático’ que são os golpes mais ou menos militares.
Mas o fato é que (repita-se pela milésima vez) o regime cubano conseguiu o que nenhum outro
tinha conseguido na América Latina: tirar o povo da sujeição torpe e dar-lhe o sentimento da
própria dignidade, graças à aquisição dos requisitos indispensáveis — saúde, alimentação, relativa
equivalência de oportunidades, afastamento mínimo possível entre os salários mais altos e os mais
baixos. Note-se que isso não é uma vaga esperança: é uma realidade. E mesmo que o regime
cubano dure apenas o tempo de uma geração, ele terá mostrado que o socialismo é possível nesta
parte do mundo, permitindo uma vida de teor humano em contraste com a iniqüidade mantida
pelas oligarquias.”
IMPRIMIR
GABARITO
CANDIDO, Antonio. Recortes.
53. Fuvest-SP Considerando-se o contexto em que aparece, a frase que está reconstruída de
modo a preservar seu sentido é:
a)“Um dos pressupostos dessa atitude é que o socialismo não funciona” = pressupõe-se
que essa atitude implique o funcionamento do socialismo.
b)“tirar o povo da sujeição torpe e dar-lhe o sentimento da própria dignidade” = livrar o
povo de quem o sujeita e fazê-lo crer na ilusão de que seja digno.
c)“permitindo uma vida de teor humano em contraste com a iniqüidade mantida pelas
oligarquias” = possibilitando uma vida menos humanitária, ao invés da opressão política imposta pelas elites.
d)“na alvoroçada esperança de uma derrocada do seu regime” = em face da intuição de
que o regime está perdendo força.
e)“que só pode ser mencionada entre aspas” = cuja menção deve vir sempre ressalvada.
54. Fuvest-SP O autor identifica os opositores do regime cubano entre
a) os membros da oligarquia cubana, cuja principal preocupação é gerar a instabilidade do
regime socialista.
b) os entusiastas de um conceito superado de democracia, segundo o qual as eleições
consolidam o poder político do povo.
c) todos os que sentem prazer em derrotar o socialismo cubano, tendo em vista a influência que já exerce em nosso país.
d) os defensores de uma falsa democracia, que impede o povo de superar a opressão social
e política.
e) os cidadãos, políticos e jornalistas que se dizem democratas, mas se submetem a todo e
qualquer tipo de ditadura.
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55. Fuvest-SP Considere as seguintes afirmações:
I. A veracidade das informações de que em Cuba “falta alimento e roupa, as máquinas
agrícolas estão sendo puxadas por animais, a bicicleta substitui o automóvel” é contestada pelo autor.
II. No segundo parágrafo, a qualificação de “eufóricos”, atribuída a “esses críticos”,
deve-se à convicção de que eles avaliam com pessimismo as possibilidades da democracia no Brasil.
III. Nas expressões “relativa equivalência de oportunidades” e “afastamento mínimo possível entre os salários mais altos e os mais baixos”, os elementos sublinhados indicam a
preocupação do autor em manter sua objetividade diante dos dados que analisa.
Em relação ao texto, está correto somente o que se afirma em
a) I.
27
b) II.
c) III.
d) I e II.
e) II e III.
56. Fuvest-SP No terceiro parágrafo, estão articuladas numa relação de causa (I) e efeito (II)
as seguintes expressões:
a) I. dar-lhe o sentimento da própria dignidade; II. tirar o povo da sujeição torpe.
b) I. aquisição dos requisitos indispensáveis; II. dar-lhe o sentimento da própria dignidade.
c) I. terá mostrado que o socialismo é possível; II. mesmo que o regime cubano dure
apenas o tempo de uma geração.
d) I. a iniqüidade mantida pelas oligarquias; II. terá mostrado que o socialismo é possível.
e) I. tirar o povo da sujeição torpe: II. aquisição dos requisitos indispensáveis.
GABARITO
Texto para as questões de 57 a 60:
“Um amigo meu estava ofendido porque um jornal o chamou de boa-vida. Vejam que país, que
tempo, que situação! A vida deveria ser boa para toda gente; o que é insultuoso é que ela o seja
apenas para alguns.
‘Dinheiro é a coisa mais importante do mundo.’ Quem escreveu isso não foi nenhum de nossos
estimados agiotas. Foi um homem que a vida inteira viveu de seu trabalho, e se chamava Bernard
Shaw. Não era um cínico, mas um homem de vigorosa fé social, que passou a vida lutando, a seu
modo, para tornar melhor a sociedade em que vivia — e em certa medida o conseguiu. Ele nos
fala de alguns homens ricos:
‘Homens ricos ou aristocratas com um desenvolvido senso de vida — homens como Ruskin,
William Morris, Kropotkin — têm enormes apetites sociais... não se contentam com belas casas,
querem belas cidades... não se contentam com esposas cheias de diamantes e filhas em flor;
queixam-se porque a operária está mal vestida, a lavadeira cheira a gim, a costureira é anêmica, e
porque todo homem que encontram não é um amigo e toda mulher não é romance... sofrem com
a arquitetura da casa do vizinho...’
Esse ‘apetite social’ é raríssimo entre os nossos homens ricos; a não ser ‘social’ seja tomado
no sentido de ‘mundano’. E nossos homens de governo têm uma pasmosa desambição de
governar.”
Rubem Braga.
57. Unifor-CE A expressão “apetite social” significa, no texto, para alguns homens:
a) o usufruto de uma condição econômica bastante favorável, na posse de bens particulares e influência pessoal.
IMPRIMIR
b) uma preocupação mais ampla, tendo em vista o bem da sociedade em geral, não apenas
o daqueles mais ricos.
c) a discrepância entre a visão que um escritor tem da vida em sociedade e a realidade
vivida por algumas camadas sociais.
d) uma possibilidade de exploração, pela camada mais alta da população, da mão-de-obra
oferecida por algumas profissões bastante desvalorizadas.
e) a ambição de possuir sempre mais, além daquilo que já faz parte de seu patrimônio, que
não é percebido como suficiente.
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58. Unifor-CE Depreende-se corretamente do texto que o cronista:
a) defende sua própria opinião de que as pessoas mais ricas só vivem preocupadas com
sua vida particular e com o bem-estar de sua família.
b) enfatiza a necessidade do dinheiro, que possibilita a um escritor dedicar-se plenamente
ao seu trabalho, sem preocupar-se com sua sobrevivência.
c) reconhece as razões de pessoas que preferem viver sua vida discretamente, sem se deixar expor pela imprensa à opinião pública.
28
d) aceita a postura de várias figuras ilustres, inclusive Bernard Shaw, de que tomar-se rico
deve ser o objetivo final daqueles cujo trabalho é reconhecido publicamente.
e) compartilha a opinião de Bernard Shaw, de que ricos são aqueles que buscam melhorar
as condições de vida para todos os que compõem uma sociedade.
60. Unifor-CE “Homens ricos ou aristocratas com um desenvolvido senso de vida têm enormes apetites sociais...”
Essa afirmação estabelece, no texto, um paralelo positivo entre:
a) percepção das dificuldades de algumas camadas sociais e justiça social.
b) prestação de serviços básicos e trabalho intelectual.
c) senso estético de determinados grupos sociais e seu poder econômico.
d) relacionamento afetivo e condições socioeconômicas de preservá-lo.
e) propriedades particulares e vida familiar organizada.
IMPRIMIR
GABARITO
59. Unifor-CE Conclui-se corretamente do texto que:
a) a vida mundana se torna, habitualmente, o objetivo principal e a forma de que dispõem
os homens ricos de exibir tudo aquilo de que desfrutam.
b) não há mérito social algum em pessoas que vivem apenas de seu trabalho, especialmente os considerados pouco dignos dentro da sociedade.
c) caberia à camada mais rica da sociedade, a par dos órgãos governamentais, estabelecer
condições para a igualdade social.
d) jornalistas devem ter sempre o cuidado necessário para não expor publicamente a situação econômica e social de algumas pessoas.
e) agiotas e escritores podem ter opiniões idênticas quanto ao real valor do dinheiro, único
meio de as pessoas desfrutarem de uma vida digna na sociedade.
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Texto para as questões 61 e 62.
“Apelo
Amanhã faz um mês que a Senhora está longe de casa. Primeiros dias, para dizer a verdade, não
senti falta, bom chegar tarde, esquecido na conversa da esquina. Não foi ausência por uma semana: o batom ainda no lenço, o prato na mesa por engano, a imagem de relance no espelho.
Com os dias, Senhora, o leite pela primeira vez coalhou. A notícia de sua perda veio aos poucos:
a pilha de jornais ali no chão, ninguém os guardou debaixo da escada. Toda a casa era um corredor deserto, e até o canário ficou mudo. Para não dar parte de fraco, ah, Senhora, fui beber com
os amigos. Uma hora da noite eles se iam e eu ficava só, sem o perdão de sua presença a todas as
aflições do dia, como a última luz na varanda.
E comecei a sentir falta das primeiras brigas por causa do tempero na salada — o meu jeito de
querer bem. Acaso é saudade, Senhora? Às suas violetas, na janela, não lhes poupei água e elas
murcham. Não tenho botão na camisa, calço a meia furada. Que fim levou o saca-rolhas? Nenhum de nós sabe, sem a Senhora, conversar com os outros: bocas raivosas mastigando. Venha
para casa, Senhora, por favor.”
TREVISAN, Dalton.
In BOSI, A. (org.) O conto brasileiro contemporâneo. São Paulo: Cultrix, 1997, p. 190.
IMPRIMIR
GABARITO
29
61. PUC-SP Assinale a alternativa correta:
a) O autor do texto explicita seu sentimento de liberdade por perceber que, sozinho, pode
agir como seus amigos: chegando tarde a casa, deixando os jornais no chão e comendo
a salada sem tempero.
b) Os interlocutores do texto são os amigos do autor que conversam com ele na esquina,
bebem com ele à noite no bar e acompanham-no nas refeições diárias.
c) O autor do texto explicita seu sentimento de solidão por perceber que a ausência da
Senhora foi aos poucos provocando uma desordem em sua vida cotidiana, tanto no que
diz respeito à organização da casa, quanto ao que diz respeito à organização do convívio dele consigo mesmo e dele com os demais.
d) O autor do texto explicita seu sentimento de alegria por perceber que a ausência da
Senhora foi aos poucos provocando uma inversão de valores em sua vida cotidiana,
tanto no que diz respeito às camisas e meias, quanto ao que diz respeito às pessoas e aos
animais.
e) O autor do texto explicita seu apelo por perceber que, sozinho, não pode agir como seus
amigos: chegando tarde a casa, deixando os jornais no chão e comendo a salada sem
tempero.
62. PUC-SP Considere as seguintes afirmações:
I. O texto apresenta uma visão da vida cotidiana de um homem que, acostumado a viver
com uma mulher, desorganiza-se ao estar sozinho por um período superior a uma
semana.
II. A subjetividade presente no texto é marcada pela presença do pronome de tratamento
Senhora.
III. A ausência da Senhora desencadeia um processo de descontentamento para o autor
que menciona problemas com a ordem da casa e com a desordem dos sentimentos.
Assinale a alternativa correta.
a) Apenas I está correta.
b) Apenas I e III estão corretas.
c) Apenas II está correta.
d) Apenas II e III estão corretas.
e) Apenas III está correta.
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63. U. Salvador-BA
“O Ferrageiro de Carmona
Um ferrageiro de Carmona
que me informava de um balcão:
‘Aquilo? É de ferro fundido,
foi a forma que fez, não a mão.
Só trabalho em ferro forjado
que é quando se trabalha ferro;
então, corpo a corpo com ele;
domo-o, dobro-o, até o onde quero.
O ferro fundido é sem luta,
é só derramá-lo na forma.
Não há nele a queda-de-braço
e o cara-a-cara de uma forja.
Existe grande diferença
do ferro forjado ao fundido;
é uma distância tão enorme
que não pode medir-se a gritos.
30
Conhece a Giralda em Sevilha?
Decerto subiu lá em cima.
Reparou nas flores de ferro
dos quatro jarros das esquinas?
Pois aquilo é ferro forjado.
Flores criadas numa outra língua.
Nada têm das flores de forma
moldadas pelas das Campinas.
Dou-lhe aqui humilde receita,
ao senhor que dizem ser poeta:
o ferro não deve fundir-se
nem deve a voz ter diarréia.
IMPRIMIR
GABARITO
Forjar: domar o ferro à força,
não até uma flor já sabida,
mas ao que pode até ser flor
se flor parece a quem o diga.”
NETO, João Cabral de Melo. In: Obra Completa.
Organizada por Marly de Oliveira com assistência do autor. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994. p. 595-6.
O poema mostra:
( ) o fazer poético como um processo racional, fundamentado em modelos preexistentes.
( ) a relação criador-criatura enfocada sob uma perspectiva irônica.
( ) uma analogia entre o ofício do ferrageiro e o do poeta.
( ) a “flor” forjada como exemplo de obra de arte criativa.
( ) a criação da poesia como um processo cuja marca é a fluência das palavras, sem
controle seletivo.
( ) a verossimilhança, o efeito de verdade na obra de arte, ligada à ação persuasiva do
artefato sobre o objeto natural.
( ) a ação de forjar ligada à marca da pessoalidade no processo criativo, contrapondo-se
ao plano do fundir, cuja marca é a ausência do sujeito.
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Texto para a questão 64.
“Os Músicos
Faz calor. Os grandes espelhos da parede vieram da Europa no fundo do porão; cristal puro. ‘Tua vó fez
risinhos e boquinhas, namorou dentro desse espelho’. Respondo: ‘Minha avó nunca viu esse espelho, ela
veio noutro porão’. Nesse instante chegam os músicos, três: piano, violino, bateria; o mais moço, o
pianista tem quarenta anos, mas é também o mais triste, um rosto de quem vai perder as últimas esperanças, ainda tem um restinho mas sabe que vai perdê-las num dia de calor tocando os Contos dos
Bosques de Viena, enquanto lá embaixo as pessoas comem bebem suam sem ao menos por um instante
levantar os olhos para o balcão onde ele trabalha com os outros dois: Stein, no violino — cinqüenta e seis
anos, meio século atrás: espancado com uma vara fina, trancado no banheiro, privado de comida ‘nem
que eu morra você vai ser um grande concertista’ e quando Sara, sua mãe, morreu, ele tocou Strauss no
restaurante com o coração cheio de alegria — Elpídio na bateria, cinqüenta anos, mulato, coloca um
lenço no pescoço para proteger o colarinho, o gerente não gosta mas ele não pode mudar de camisa
todos os dias, tem oito filhos, se fosse rico — ‘fazia filho na mulher dos outros, mas sou pobre e faço na
minha mesmo’ — e todos começam, não exatamente ao mesmo tempo, a tocar a valsa da Viúva Alegre.
Na mesa ao lado está o sujeito que é casado com a Miss Brasil. Todas as mesas estão ocupadas. Os
garçons passam apressados carregando pratos e travessas. No ar, um grande borborinho.”
FONSECA, Rubem. Lúcia McCartney.
31
64. Ceetps-SP Com base nesse texto é correto afirmar que
a) as ações ganham relevo e determinam a estrutura do texto, em que as personagens se
colocam vivas diante do processo narrativo.
b) o que mais determina o texto são as reflexões, as idéias discutidas ao longo dele, o que
lhe confere teor dissertativo.
c) trata-se de um misto de narração e dissertação em que as ações das personagens servem
como apoio para as argumentações do comentarista.
d) predomina o caráter descritivo, o que se constata sobretudo pelos substantivos, adjetivos e mesmo verbos que auxiliam na caracterização do ambiente.
e) apesar dos aspectos descritivos, o elemento determinante do texto é a narração, principalmente no que diz respeito à caracterização física dos músicos.
65. UFMA
IMPRIMIR
GABARITO
“Toda essa história de carinho acaba quando boto as luvas. O único afeto que sinto pelos meus
adversários é antes de subir no ringue e depois de terminada a luta. Durante, só sinto vontade de
ganhar, vontade de vencer. O afeto antes é de boa sorte, que nada de mau aconteça. Depois da
luta, parabéns, continue.”
A alternativa que melhor expressa a idéia contida na fala do lutador de boxe Acelino —
Popó — de Freitas, de forma mais concisa e coesa, é:
a) Toda essa história de carinho quando boto as lutas, a fim de que o único afeto que sinto
pelos meus adversários é antes de subir no ringue e depois de terminada a luta. Durante, só
sinto vontade de ganhar, vontade de vencer, ainda que antes o afeto seja de boa sorte, que
nada de mau aconteça e, depois da luta, parabéns, continue.
b) Toda essa história de carinho acaba quando boto as luvas e, desse modo, o único afeto que
sinto pelos meus adversários é antes de subir no ringue e depois de terminada a luta. Durante
a luta, só sinto vontade de ganhar, vontade de vencer e, quanto ao afeto, antes é de boa sorte,
que nada de mau aconteça. Depois da luta, parabéns, e tudo continua no mesmo.
c) Toda essa história de carinho acaba quando boto as luvas, pois o único afeto que sinto
pelos meus adversários é antes de subir no ringue e depois de terminada a luta. Durante,
só sinto vontade de ganhar e de vencer, visto que o afeto antes é de boa sorte, que nada
de mau aconteça; depois, parabéns, continue.
d) Toda essa história de carinho acaba quando boto as luvas, embora o único afeto que
sinto pelos meus adversários seja antes de subir no ringue e depois de terminada a luta.
Durante a luta, sinto vontade de ganhar e vontade de vencer, já que o afeto antes é de
boa sorte e que nada de mau aconteça. Depois de terminada a luta, parabéns, continue.
e) Toda essa história de carinho acaba quando boto as lutas onde o único afeto que sinto
pelos meus adversários é antes de subir no ringue e depois de terminada a luta. Durante,
só sinto vontade de ganhar e vencer porque o afeto antes é de boa sorte, que nada de
mau aconteça. Depois da luta, parabéns, continue.
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Texto para a questão 66:
“Na planície avermelhada, os juazeiros alargavam duas manchas verdes. Os infelizes tinham
caminhado o dia inteiro, estavam cansados e famintos. Ordinariamente andavam pouco, mas
como haviam repousado bastante na areia do rio seco, a viagem progredira bem três léguas. Fazia
horas que procuravam uma sombra. A folhagem dos juazeiros apareceu longe, através dos galhos
pelados da caatinga rala.”
RAMOS, Graciliano. Vidas secas.
32
66. Fuvest-SP Reestruturando-se o terceiro período do texto, mantém-se o sentido original
apenas em:
a) A viagem progredira bem três léguas, uma vez que haviam repousado bastante na areia
do rio seco, dado que ordinariamente andavam pouco.
b) haviam repousado bastante na areia do rio seco; a viagem progredira bem três léguas
porque ordinariamente andavam pouco.
c) Porque haviam repousado bastante na areia do rio seco, ordinariamente andavam pouco, e a viagem progredira bem três léguas.
d) Ainda que ordinariamente andassem pouco, a viagem progredira bem três léguas, pois
haviam repousado bastante na areia do rio seco.
e) Em virtude de andarem ordinariamente pouco e de haverem repousado bastante na
areia do rio seco, a viagem progredira bem três léguas.
Texto para as questões de 67 a 68:
GABARITO
“Rico vive mais
Nos últimos cinco anos, respeitados centros de pesquisas científicas do mundo produziram
nada menos do que 193 estudos sobre a relação entre condição socioeconômica e saúde (...). A
princípio pode parecer óbvio: os ricos dispõem de mais recursos para pagar os melhores médicos,
os exames mais sofisticados e os hospitais mais bem estruturados. A ciência descobriu uma realidade mais complexa. Pequenas diferenças de salário, educação e status social pesam quando o
assunto é qualidade de vida e longevidade. Até entre pessoas do mesmo estrato social. (...) Médicos conscientes da tese ‘ricos, importantes e portanto, saudáveis’ consideram o saldo bancário, o
currículo escolar e o sucesso profissional tão importantes — ou até mais — quanto a genética, a
dieta alimentar, a prática de exercícios e a exposição a substâncias tóxicas, entre elas o cigarro.
Um clássico do tema é a pesquisa do médico inglês Michael Marmot, que por mais de 25 anos
mapeou a saúde de 17 530 funcionários públicos e constatou que, quanto mais alto o nível
hierárquico, menor a taxa de mortalidade. (...)
Todos tinham emprego garantido e contavam com o mesmo padrão de assistência médica. Os
registros de morte entre os trabalhadores menos qualificados, porém, eram três vezes maiores do
que os anotados entre os de cargos superiores.
Estudos conduzidos nos Estados Unidos chegaram a conclusões semelhantes: (...) quanto menor o nível social, maior o desgaste emocional e maior o número de situações estressantes. E,
como se sabe, o esgotamento psíquico mina o sistema imunológico do organismo humano.”
IMPRIMIR
JUNQUEIRA, Eduardo. In: Veja, ano 32, n. 23, p. 134, 9 jun. 1999.
67. F. Católica de Salvador-BA O texto:
a) evidencia a existência de diferenças abismais entre as várias classes sociais.
b) destaca o grande desenvolvimento da atividade de pesquisa científica nos últimos anos.
c) objetiva conscientizar a população da necessidade de levar uma vida saudável, afastando-se do fumo e de outras drogas.
d) visa demonstrar a existência de uma preocupação, por parte das autoridades, pela saúde das
camadas mais pobres.
e) mostra como saúde e qualidade de vida estão vinculadas a variáveis socioeconômicas e
culturais.
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68. F. Católica de Salvador-BA Ao analisar os resultados das pesquisas a que o texto se
refere, pode-se afirmar:
a) Os abastados são mais otimistas, pois sabem que, com dinheiro, acabarão resolvendo seus problemas de saúde.
b) Os que têm cargos superiores são menos atingidos por preocupações de ordem financeira, podendo, assim, conservar melhor suas defesas.
c) A classe operária é mais propensa à doença por herança porque nela são mais freqüentes os maus hábitos.
d) As pessoas com cargos de menor responsabilidade não se estressam tanto e, por isso,
vivem mais.
e) Os empresários, mesmo trabalhando sob maior pressão, têm mais acesso à medicina
preventiva e a outras válvulas de escape.
33
69. F. Católica de Salvador-BA Da leitura do texto, pode-se inferir:
a) A facilidade de acesso aos melhores hospitais pela classe privilegiada pode ser um fator
importante, mas não é determinante quando se trata de saúde.
b) O que faz uma pessoa desfrutar de uma boa saúde é a adoção de hábitos físicos e
alimentares sadios.
c) A falta de cuidados adequados com a saúde é, invariavelmente, a principal causa da
mortalidade, que é maior entre as pessoas de poucos recursos.
d) O grau de escolaridade é o que realmente faz diferença quando se fala em saúde, pois as
pessoas cultas se cuidam mais.
e) As condições ambientais em que trabalham as classes privilegiadas as tornam menos
vulneráveis às doenças.
Texto para responder a questão 70.
IMPRIMIR
GABARITO
“A borboleta preta
NO DIA SEGUINTE, como eu estivesse a preparar-me para descer entrou no meu quarto uma
borboleta, tão negra como a outra, e muito maior do que ela. Lembrou-me o caso da véspera, e
ri-me; entrei logo a pensar na filha de D. Eusébia, no susto que tivera, e na dignidade que, apesar
dele, soube conservar. A borboleta, depois de esvoaçar muito em torno de mim, pousou-me na
testa. Sacudi-a, ela foi pousar na vidraça; e, porque eu a sacudisse de novo, saiu dali e veio parar
em cima de um velho retrato de meu pai. Era negra como a noite. O gesto brando com que, uma
vez posta, começou a mover as asas, tinha um certo ar escarninho, que me aborreceu muito. Dei
de ombros, saí do quarto; mas tornando lá, minutos depois, e achando-a ainda no mesmo lugar,
senti um repelão dos nervos, lancei mão de uma toalha, bati-lhe e ela caiu.
Não caiu morta; ainda torcia o corpo e movia as farpinhas da cabeça. Apiedei-me; tomei-a na
palma da mão e fui depô-la no peitoril da janela. Era tarde; a infeliz expirou dentro de alguns
segundos. Fiquei um pouco aborrecido, incomodado.
— Também por que diabo não era ela azul? disse comigo.
E esta reflexão, — uma das mais profundas que se tem feito, desde a invenção das borboletas,
— me consolou do malefício, e me reconciliou comigo mesmo. Deixei-me estar a contemplar o
cadáver, com alguma simpatia, confesso. Imaginei que ela saíra do mato, almoçada e feliz. A
manhã era linda. Veio por ali fora, modesta e negra, espairecendo as suas borboletices, sob a
vasta cúpula de um céu azul, que é sempre azul, para todas as asas. Passa pela minha janela, entra
e dá comigo. Suponho que nunca teria visto um homem; não sabia, portanto, o que era o homem; descreveu infinitas voltas em torno do meu corpo, e viu que me movia, que tinha olhos,
braços, pernas, um ar divino, uma estatura colossal. Então disse consigo: ‘Este é provavelmente o
inventor das borboletas’. A idéia subjugou-a, aterrou-a; mas o medo, que é também sugestivo,
insinuou-lhe que o melhor modo de agradar ao seu criador era beijá-lo na testa, e beijou-me na
testa. Quando enxotada por mim, foi pousar na vidraça, viu dali o retrato de meu pai, e não é
impossível que descobrisse meia verdade, a saber, que estava ali o pai do inventor das borboletas,
e voou a pedir-lhe misericórdia.
Pois um golpe de toalha rematou a aventura. Não lhe valeu a imensidade azul, nem a alegria
das flores, nem a pompa das folhas verdes, contra uma toalha de rosto, dous palmos de linho cru.
Vejam como é bom ser superior às borboletas! Porque, é justo dizê-lo, se ela fosse azul, ou cor de
laranja, não teria mais segura a vida; não era impossível que eu a atravessasse com um alfinete,
para recreio dos olhos. Não era. Esta última idéia restitui-me a consolação; uni o dedo grande ao
polegar, despedi um piparote e o cadáver caiu no jardim. Era tempo; aí vinham já as próvidas
formigas… Não, volto à primeira idéia; creio que para ela era melhor ter nascido azul.”
ASSIS, Machado. Memórias Póstumas de Brás Cubas.
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70. Fatec-SP Da leitura do texto é correto afirmar que o narrador
a) se vale da imagem de uma borboleta para mostrar tanto as ações impulsivas do homem
como sua capacidade de racionalização.
b) fala de uma borboleta para representar a importância de pequenos momentos na vida
dos homens.
c) elabora uma comparação entre o susto que tivera ao ver a borboleta e o que tivera ao ver
a filha de D. Eusébia.
d) se surpreende com a relatividade das coisas, ao constatar-se um gigante e, talvez, um
deus em relação à borboleta.
e) se sente desorientado com a borboleta que descreve infinitas voltas em torno de seu
corpo, querendo confundi-lo.
Texto para as questões 71 e 72:
“Eles sobraram
34
Os números do IBGE, o principal órgão de pesquisas sociais do país, mostram um retrato dramático da realidade do trabalhador brasileiro. Segundo o Instituto, 36 milhões de brasileiros em
idade de trabalhar têm só o 1º grau completo ou nem isso. Essa população equivale a quase a
metade de toda a força de trabalho do país e coloca para a sociedade um enorme problema. Para
garantir a sobrevivência, muitos deles ainda conseguem emprego na economia informal com
algum êxito. Para os outros, o horizonte é desolador. Isso porque as empresas, com a modernização, já não precisam tanto de força física, que é o que eles têm a oferecer se não forem educados.
O rosto dessa gente apareceu quando o governo de São Paulo abriu inscrições, um mês atrás,
para as chamadas frentes de trabalho. A idéia era selecionar 50 000 pessoas para cumprir um
contrato de seis meses, recebendo salário mensal de 150 reais, cesta básica e seguro de acidentes
pessoais. Exigências: ter acima de 16 anos de idade e estar desempregado há mais de um ano.
Uma multidão de 460 000 pessoas lotou os locais de inscrição. Foram selecionados apenas os
chefes de famílias numerosas, os mais velhos e aqueles que estavam por mais tempo na fila do
desemprego. (...)
O Brasil ainda tem uma vantagem a oferecer a esses trabalhadores, por uma ironia do seu
passado recente. Durante mais de uma década, o governo abandonou estradas, viadutos, deixou
ruas se esburacarem. Assim que a economia voltar a crescer, isso tudo vai ser consertado e haverá
trabalho para essa massa de gente. O problema é saber durante quanto tempo eles poderão
sobreviver à custa desses serviços. E o desafio, para o país, é evitar que continue crescendo a
população de subtrabalhadores.”
IMPRIMIR
GABARITO
VALENTINI, Cíntia. In: Veja, ano 32, n. 29, p. 105, 21 jul. 1999.
71. F. Católica de Salvador-BA De acordo com o texto, pode-se afirmar:
a) A realidade do trabalhador brasileiro era desconhecida até a formação das frentes de
trabalho.
b) As dificuldades do trabalhador desqualificado, no Brasil, não serão sanadas a longo
prazo, uma vez que o trabalho físico tende a desaparecer.
c) A situação do trabalhador braçal, embora difícil, é alentadora, uma vez que ele sempre
pode contar com a economia informal.
d) A infra-estrutura deficiente do Brasil possibilitará trabalho constante, pelo menos na
área de construção civil.
e) Os problemas de mão-de-obra desqualificada — frutos da atual conjuntura econômica
do País — se resolverão definitivamente, assim que a economia brasileira voltar a crescer.
72. F. Católica de Salvador-BA A partir da leitura do texto, pode-se inferir que o problema de
emprego, no Brasil, será otimizado com:
a) a manutenção da economia informal.
b) a abertura de constantes frentes de trabalho.
c) a implementação de um programa de educação.
d) o controle da natalidade nas camadas mais baixas.
e) a criação de postos de trabalho na área da construção civil.
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INSTRUÇÃO: As questões de números 73 a 76 referem-se ao seguinte texto de Rubem Braga:
“Luto da família Silva
35
A Assistência foi chamada. Veio tinindo. Um homem estava deitado na calçada. Uma poça de
sangue. A Assistência voltou vazia. O homem estava morto. O cadáver foi removido para o necrotério. Na seção dos ‘Fatos Diversos’ do Diário de Pernambuco, leio o nome do sujeito: João da
Silva. Morava na rua da Alegria. Morreu de hemoptise.
(…)
João da Silva — Nunca nenhum de nós esquecerá seu nome. Você não possuía sangue azul. O
sangue que saía de sua boca era vermelho — vermelhinho da silva. Sangue de nossa família.
Nossa família, João, vai mal em política. Sempre por baixo. Nossa família, entretanto, é que trabalha para os homens importantes. A família Crespi, a família Matarazzo, a família Guinle, a família
Rocha Miranda, a família Pereira Carneiro, todas essas famílias assim são sustentadas pela nossa
família. Nós auxiliamos várias famílias importantes na América do Norte, na Inglaterra, na França,
no Japão. A gente de nossa família trabalha nas plantações de mate, nos pastos, nas fazendas,
nas usinas, nas praias, nas fábricas, nas minas, nos balcões, no mato, nas cozinhas, em todo lugar
onde se trabalha. Nossa família quebra pedra, faz telhas de barro, laça os bois, levanta os prédios,
conduz os bondes, enrola o tapete do circo, enche os porões dos navios, conta o dinheiro dos
bancos, faz os jornais, serve no Exército e na Marinha. Nossa família é feito Maria Polaca: faz
tudo.
Apesar disso, João da Silva, nós temos de enterrar você é mesmo na vala comum. Na vala
comum da miséria. Na vala comum da glória, João da Silva. Porque nossa família um dia há de
subir na política…”
BRAGA, Rubem. Luto da família Silva. Apud: Para gostar de ler. 4. ed. São Paulo: Ática, 1984, v. 5, p. 44-5.
IMPRIMIR
GABARITO
73. U. F. São Carlos-SP A leitura do texto permite afirmar que o autor
a) quis desqualificar as famílias não importantes, como a Silva.
b) pretendeu enaltecer a tradição de famílias importantes na história brasileira.
c) explicitou a submissão dos países da América do Sul aos da América do Norte.
d) propôs uma reflexão sobre diferenças sociais, sugeridas também pelos nomes de família.
e) enfatizou a importância de se melhorarem os Silva para entrarem na política.
74. U. F. São Carlos-SP No texto, a expressão “vermelhinho da silva” traduz a idéia de
a) intensidade.
b) carinho.
c) pequenez.
d) ironia.
e) desprezo.
75. U. F. São Carlos-SP O texto estrutura-se na oposição entre os Silva e as demais famílias.
Essa relação releva-se em
a) “vai mal em política” e “há de subir na política”.
b) “em todo lugar onde se trabalha” e “a gente de nossa família trabalha nas plantações de
mate”.
c) “vermelhinho da silva” e “sangue azul”.
d) “vala comum da miséria” e “vala comum da glória”.
e) “vermelho” e “vermelhinho da silva”.
76. U. F. São Carlos-SP A oração faz tudo, em destaque no texto, assume a função de
a) resumir e comentar informações anteriores.
b) retomar e sintetizar informações anteriores.
c) expandir e explicar informações anteriores.
d) explicar e comentar informações anteriores.
e) retomar e explicar informações anteriores.
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77. U. Salvador-BA
“As Palavras Ressuscitarão
GABARITO
36
As palavras envelheceram dentro dos homens
separadas em ilhas,
as palavras se mumificaram na boca dos legisladores;
as palavras apodreceram nas promessas dos tiranos;
as palavras nada significam nos discursos dos homens
[públicos.
E o Verbo de Deus é uno mesmo com a profanação
[dos homens de Babel,
mesmo com a profanação dos homens de hoje.
E, por acaso, a palavra imortal há de adoecer?
E, por acaso, as grandes palavras semitas podem
[desaparecer?
E, por acaso, o poeta não foi designado para vivificar a
[palavra de novo?
Para colhê-la de cima das águas e oferecê-la outra vez
[aos homens do continente?
E, não foi ele apontado para restituir-lhe a sua essência,
e reconstituir seu conteúdo mágico?
Acaso o poeta não prevê a comunhão das línguas,
quando o homem reconquistar os atributos perdidos
[com a Queda,
e quando se desfizerem as nações instaladas ao depois
[de Babel.
Quando toda a confusão for desfeita,
o poeta não falará, do ponto em que se encontrar,
a todos os homens da terra numa só língua — a
[linguagem do Espírito?
Se por acaso viveis mergulhados no momento e no
[limite,
não me compreendereis, irmão!”
LIMA, Jorge de. In: Poesia Completa. Organização de Alexei Bueno. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1997, p. 388-9.
O poema apresenta:
( ) a poesia como instrumento de redenção do homem.
( ) a palavra divina tornada vazia de significação para o homem.
( ) o poeta como reinventor da linguagem, construtor da palavra perene.
IMPRIMIR
( ) o homem comum como elemento responsável pela perda do poder expressivo da
palavra no seu uso cotidiano.
( ) a linguagem poética, na sua universalidade, como promotora do entendimento entre
os homens.
( ) o poder mágico da palavra só atingível por aquele que ultrapassar a compreensão do
“Verbo de Deus”.
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INSTRUÇÃO: Para responder às questões de números 78 a 81, leia os versos de Fernando
Pessoa.
“Lisbon Revisited
Não: não quero nada,
Já disse que não quero nada.
Não me venham com conclusões!
A única conclusão é morrer.
Não me tragam estéticas!
Não me falem em moral!
Tirem-me daqui a metafísica!
Não me apregoem sistemas completos, não me
[enfileirem conquistas
Das ciências (das ciências, Deus meu, das ciências!)
Das ciências, das artes, da civilização moderna!
Que mal fiz eu aos deuses todos?
Se têm a verdade, guardem-na!
Sou um técnico, mas tenho técnica
[só dentro da técnica.
Fora disso sou doido, com todo o direito a sê-lo.
Com todo o direito a sê-lo, ouviram?
Não me macem, por amor de Deus!
Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável?
Queriam-me o contrário disto, o contrário
[de qualquer coisa?
Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos,
[a vontade.
Assim, como sou, tenham paciência!
Vão para o diabo sem mim,
Ou deixem-me ir sozinho para o diabo!
Para que havemos de ir juntos?
Não me peguem no braço!
Não gosto que me peguem no braço. Quero
[ser sozinho.
Já disse que sou sozinho!
Ah, que maçada quererem que eu seja da companhia!
Ó céu azul — o mesmo da minha infância —
Eterna verdade vazia e perfeita!
Ó macio Tejo ancestral e mudo,
Pequena verdade onde o céu se reflete!
Ó mágoa revisitada, Lisboa de outrora de hoje!
Nada me dais, nada me tirais, nada sois
[que eu me sinta.
Deixem-me em paz! Não tardo, que eu nunca tardo…
E enquanto tarda o Abismo e o Silêncio quero
[estar sozinho!”
GABARITO
37
IMPRIMIR
PESSOA, Fernando. Obra Poética.
Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1981, p. 290-1.
78. U. F. São Carlos-SP A penúltima estrofe do poema permite considerar que o eu-lírico
sente
a) uma saudade carinhosa da infância, pois em Lisboa ainda pode viver bons momentos.
b) uma mágoa de Lisboa, pois lá passou uma infância vazia e sem sentimentos.
c) um medo de revisitar Lisboa, pois a cidade nunca lhe proporcionou boas lembranças.
d) uma mágoa de sua cidade (Lisboa), pois ela tirou-lhe todos os bons sentimentos.
e) uma saudade melancólica da infância, pois trata-se de uma época remota e irrecuperável.
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79. U. F. São Carlos-SP Pela leitura do poema, pode-se dizer que o poeta
a) recusa-se a aceitar os valores que a sociedade tenta inculcar-lhe.
b) encontra na morte a única solução para os problemas.
c) tenta tornar-se uma outra pessoa, para agradar a todos.
d) sente-se solitário e, por essa razão, almeja fazer parte da companhia.
e) aparta-se da sociedade, para desenvolver sua arte.
80. U. F. São Carlos-SP Os dois últimos versos do poema revelam
a) a conscientização do poeta em relação a seus problemas e à breve solução que lhes
dará.
b) a irritação do poeta com aqueles que pretendem ajudá-lo em seus problemas.
c) a vontade do poeta de poder compartilhar da paz que outras pessoas sentem.
d) o desejo do poeta de manter-se afastado e isolado das pessoas.
e) a inquietude gerada na alma do poeta, em virtude da sua solidão.
38
81. U. F. São Carlos-SP A forma verbal macem, destacada no poema, significa
a) desprezem.
b) importunem.
c) ofendam
d) maltratem.
e) abandonem.
GABARITO
82. U. Salvador-BA
“Passava as noites em claro, metido no laranjal e procurando uma solução a tanta dificuldade;
atordoavam-no ainda aqueles dois assobios que não podia explicar e sobretudo aquela pedrada
tão bem dirigida, que por pouco talvez o houvesse estendido por terra.
Numa dessas noites de ansiedade, viu afinal reabrir-se a janela de Inocência.
A pobrezinha, abrasada também de amor, queria respirar o ar da noite e beber na viração do
sertão um pouco de tranqüilidade para sua alma não afeita ao tumultuar dos sentimentos que a
agitavam e, quem sabe? verificar se por aí não andava rondando aquele que no seio lhe inoculara
tamanho desassossego, ímpetos tão desconhecidos e violentos, superiores a todas as suas tentativas de resistência.
Cirino, rápido como uma seta, rápido como aquela pedra arrojada tão rigorosamente, achou-se
ao pé da janela e cobriu de beijos as mãos da sua amada.
— O grito? balbuciou ela. Dois gritos... e a pedrada... Que foi?
— Ah! não foi nada, respondeu apressadamente Cirino; fui ver no laranjal... era um macauã. O
que pareceu pedrada era um noitibó que frechou para mim e veio dar com a cabeça na parede.
— Deveras? perguntou ela incrédula.
— Deveras. A princípio tomei também um grande susto. Depois, verifiquei que não passava de
miragem. De noite, a gente em tudo vê maravilhas... Para mim, a única que vi era você, minha
vida, meu anjo do céu...
Com este madrigal encetou Cirino uma conversação como a da primeira noite, como a que
balbuciam duas cândidas almas na eterna e sempre nova declaração de amor, desde que Adão e
Eva a trocaram, à sombra das maravilhosas árvores do Éden.”
IMPRIMIR
TAUNAY, Visconde de. Inocência. 24. ed. São Paulo: Ática, 1996, p. 99-100.
Marque V para as afirmativas que podem ser comprovadas com o texto e F para as que não
podem.
( ) Dimensão hiperbólica do sentimento amoroso.
( ) Concepção idealizada de mulher.
( ) Atitude de vassalagem amorosa.
( ) Escapismo para o sonho.
( ) Íntima relação entre o nome da personagem feminina e o seu jeito de ser.
( ) Atitude de irreverência do narrador, no último parágrafo, em face do religioso.
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Texto para as questões de 83 a 85:
“Não há dúvida que as línguas se aumentam e alteram com o tempo e as necessidades dos usos
e costumes. Querer que a nossa pare no século de quinhentos, é um erro igual ao de afirmar que
a sua transplantação para a América não lhe inseriu riquezas novas. A este respeito a influência do
povo é decisiva. Há, portanto, certos modos de dizer, locuções novas, que de força entram no
domínio do estilo e ganham direito de cidade.
Mas se isto é um fato incontestável, e se é verdadeiro o princípio que dele se deduz, não me
parece aceitável a opinião que admite todas as alterações da linguagem, ainda aquelas que destroem as leis da sintaxe e a essencial pureza do idioma. A influência popular tem um limite; e o
escritor não está obrigado a receber e a dar curso a tudo o que o abuso, o capricho e a moda
inventam e fazem correr. Pelo contrário, ele exerce também uma grande parte de influência a este
respeito, depurando a linguagem do povo e aperfeiçoando-lhe a razão.
Feitas as exceções devidas, não se lêem muito os clássicos no Brasil. Entre as exceções, poderia
eu citar até alguns escritores cuja opinião é diversa da minha neste ponto, mas que sabem perfeitamente os clássicos. Em geral, porém, não se lêem, o que é um mal. Escrever como Azurara ou
Fernão Mendes seria hoje um anacronismo insuportável. Cada tempo tem seu estilo.”
Machado de Assis.
IMPRIMIR
GABARITO
39
83. Unifor-CE De acordo com o texto, é função do escritor:
a) inovar sempre a língua — registro de suas obras — criando as novidades a partir da
influência popular, que é importantíssima nesse processo.
b) dominar com segurança a norma culta da língua e empregá-la fluentemente, não admitindo as alterações que ocorrem por influência popular.
c) aceitar as inovações trazidas pelo povo — aquelas que dão vivacidade à língua — exercendo, porém, um controle sobre elas e inibindo os abusos.
d) usar exclusivamente a linguagem do povo, o que vai permitir uma aceitação maior de
suas obras, pois a leitura se torna mais agradável e compreensível.
e) estudar sempre os autores clássicos, pois somente eles, com seus ensinamentos, são os
modelos adequados para a produção das obras consideradas modernas.
84. Unifor-CE Conclui-se corretamente do texto que:
a) o reconhecimento de um escritor nem sempre se baseia em sua competência, pois muitos deles até mesmo ignoram as estruturas da língua que utilizam.
b) as obras clássicas são aquelas em que a linguagem é imutável, sem as indevidas interferências surgidas em cada época ou de acordo com a vontade de seu autor.
c) o povo de uma nação é a fonte incontestável de todas as alterações da língua, que
devem ser incorporadas pelos escritores em suas obras.
d) o mérito de um livro será maior quanto mais inovações ele apresentar, acompanhando
sua época e abandonando o estilo de autores antigos e defasados.
e) a língua reflete a história de cada época e sujeita-se a receber tanto a influência de seus escritores quanto a popular.
85. Unifor-CE A idéia central do texto é:
a) a influência, sempre atual, dos autores clássicos da língua.
b) a necessidade de um equilíbrio entre tradição e renovação na língua.
c) a divulgação das obras de escritores que gozam da aceitação popular.
d) as opiniões divergentes entre escritores a respeito do uso correto da língua em suas
obras.
e) a ausência de mérito literário em muitas obras consagradas pelo público.
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86. Unicamp-SP Considere o poema a seguir:
“Inventário
40
Povoam o escritório
vários utensílios
uns bastante sóbrios
outros indiscretos
Aparentemente
peças quase iguais
às demais: os mesmos
modos funcionais
Por exemplo: a mesa
é sóbria. Rumina
todos os papéis
no oco das gavetas
Contudo é preciso
vê-las em sua marca:
no rastro dos dedos
no selo do gesto
O que a mesa expele
para a superfície
é simples dejeto
livre de mistério
Ali onde transgridem
a ética da classe
que proíbe os objetos
de serem pessoais
O arquivo também
é móvel discreto
e diz muito pouco
de interesse humano
Onde desconhecem
o acordo em vigor
que as coisas transforma
em armas submissas
A caneta, o lápis
o papel, o cesto
são só instrumentos
sem vontade própria
Não pactuam — hostis
minhas duas mãos
acidulam o ar
da repartição”
Dois os indiscretos:
minhas duas mãos —
úlcera no estômago
da repartição
IMPRIMIR
GABARITO
ALVIM, Francisco. Amostra Grátis. In: Poesias Reunidas (1968-1988). São Paulo: Duas Cidades, 1988.
a) De qual critério se serve o poeta para classificar as diferenças entre os “vários utensílios” que “povoam o escritório”? Por que essa classificação destoa tanto da nossa percepção habitual?
b) Como aparece a presença humana em meio ao ambiente da repartição?
87. Unicamp-SP Na coluna “De zero a dez”, de Rubem Tavares, publicada na revista Business Travell, 34, no primeiro semestre de 2000, p. 13, encontram-se, entre outras, as seguintes notas, parcialmente adaptadas:
“Para os lunáticos que insistem em soltar balões de grande porte, causando incêndios e
sérios riscos à segurança dos vôos: segundo o Controle de Tráfego Aéreo, em 1998 foram registradas 99 ocorrências em Guarulhos. Em todo o ano passado foram registradas 33 ocorrências e,
neste ano, só no período de janeiro a abril, já foram 31. As autoridades deveriam enquadrar os
responsáveis por crime inafiançável e trancafiá-los em presídios por longos anos.”
“Não seria o caso de a Prefeitura pagar por cada nova pichação feita na cidade? É claro
que sim. Se todos entrassem com uma ação simultaneamente, com certeza o prefeito encontraria
novas atribuições para a Guarda Municipal. Vide sugestão na nota anterior que também poderia
ser aplicada nestes casos.”
a) Qual é a conclusão implícita na seqüência “neste ano, só no período de janeiro a abril,
já foram 31”, que se encontra na primeira nota?
b) Explicite a sugestão dada no final da segunda nota.
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Texto para a questão 88.
“Música
Uma coisa triste no fundo da sala.
Me disseram que era Chopin.
A mulher de braços redondos que nem coxas
martelava na dentadura dura
sob o lustre complacente.
Eu considerei as contas que era preciso pagar,
os passos que era preciso dar,
as dificuldades…
Enquadrei o Chopin na minha tristeza
e na dentadura amarela e preta
maus cuidados voaram como borboletas.”
ANDRADE, Carlos Drummond de. Alguma Poesia.
GABARITO
41
88. Fatec-SP A leitura de Música torna possível afirmar que a atenção do narrador
a) tem suas preocupações ordinárias postas de lado pela sensualidade da música e da pianista de braços redondos.
b) se apega aos “passos que era preciso dar”, apesar dos apelos tristonhos que a música de
um piano lhe fazia do fundo da sala.
c) foi despertada pela relação material entre as teclas de um piano (“dentadura dura”) e
sua própria dentadura (“dentadura amarela e preta”).
d) é atraída pela música de um provável Chopin, que, apesar de triste, afasta o narrador de
suas preocupações cotidianas.
e) se fixa na tristeza e na solidão, levando-o ao desatino da existência, o que se constata
pela evocação de um “lustre complacente”.
89. Fatec-SP A expressão que mais claramente remete à liberação das preocupações do narrador, sob o efeito da música de Chopin é:
a) “braços redondos que nem coxas”.
b) “sob o lustre complacente”.
c) “meus cuidados voaram como borboletas”.
d) “Enquadrei o Chopin na minha tristeza”.
e) “as dificuldades…”
90. UEPA
IMPRIMIR
“É nesse aspecto que a histeria sobre a biopirataria na Amazônia corre o risco de não levar a
lugar nenhum. A existência de uma fronteira terrestre muito vasta para evitar contrabando, a
presença de turistas internacionais, estrangeiros residentes, estudantes e pesquisadores estrangeiros que vêm desenvolver pesquisas, professores e consultores, além do fluxo de brasileiros para o
exterior, impossibilitam qualquer aparato de fiscalização.”
Neste texto divulgado na Internet, na enumeração de situações que favorecem a biopirataria na Amazônia, o coesivo “além” possibilitou:
a) a inclusão de mais uma situação.
b) a reiteração das situações apresentadas.
c) a retificação das situações anteriores.
d) somente a ratificação das situações já apresentadas.
e) a exclusão das situações expostas.
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Texto para as questões de 91 a 93:
“UM MERGULHO NO BRASIL
Manaus
IMPRIMIR
GABARITO
42
Às duas da tarde do verão de 1984, no meio de um longo engarrafamento no centro da cidade,
o motorista apontou para o carro à frente, e perguntou: ‘O senhor sabe por que aquele Volks está
com todos os vidros fechados?’ Antes que eu dissesse não, ele respondeu: ‘Para que todos pensem que tem ar condicionado.’
Como aquele motorista, os demais brasileiros sacrificam demais o conforto possível, para dar a
impressão de dispor dos instrumentos do conforto.
Aquele encontro, no meio de um engarrafamento, permitiu um conhecimento maior da realidade
brasileira do que quadros estatísticos e formulações teóricas da economia. Tomar contato com aquela realidade foi como mergulhar no âmago da lógica da economia brasileira. Um mergulho no Brasil
que, para descrever e entender o país, deve começar pelo entendimento da alma do conjunto de sua
população. Tem que ser um mergulho na lógica que faz o Brasil mover-se. Não pode se limitar a ver
o Brasil. Tem que entender como o Brasil vê o Brasil. Como o homem dentro de um carro fechado,
no calor sem ar condicionado, vê a si mesmo, graças ao fato de se ver pelos olhos dos outros.
Como gostaria que os outros o vissem: como o confortado dono de um carro com ar condicionado.
Pervertendo o processo econômico. Fazendo do ar que deveria ser usado para dominar o calor da
tarde o símbolo do poder de não sentir calor. Mesmo que às custas de sofrer um calor maior.
Aquele comportamento era similar ao de toda a população brasileira que, em território tropical,
se submete a uma economia desadaptada a suas necessidades, incompatível com seus recursos,
desvinculada de sua cultura, com a finalidade de dar ao mundo a impressão de riqueza.
Não apenas os consumidores se comportam como gostariam de ser vistos. Os cientistas sociais
que tentam mergulhar na realidade brasileira produzem teorias conforme imaginam que seus
colegas desejam. Prendem-se a modelos já preparados, usam linguagens especiais, para que os
outros pensem que eles têm o ar condicionado do saber academicamente oficial. Mesmo quando se atrevem a desnudar o real, denunciar que o carro não tem ar condicionado e estamos todos
morrendo de calor, os cientistas tendem a não expor as idéias que pareçam romper com o comodismo teórico do consumismo de escolas estabelecidas. Temem abrir as janelas e demonstrar a
todos a incompetência de formulações, teorias e linguagens pouco acuradas. Sobretudo quando,
além de dúvidas, eles não têm teorias alternativas.
Mas um mergulho no caos da consciência coletiva brasileira dificilmente se faz se usamos o
escafandro das teorias formuladas para explicar, como se tivessem lógica, o caos e a irracionalidade. A realidade de um motorista suando para dar a impressão de que não sente calor não pode
ser explicada buscando uma lógica no seu comportamento, mas sim mostrando que por trás
deste há uma loucura geral. A teoria econômica diria que o consumidor obtém, com o carro e as
janelas fechadas, um nível de satisfação maior do que o grau de conforto das janelas abertas.
A inconseqüência não é apenas do consumidor. A teoria que se diz científica, trabalhando na
inconseqüência, influi na divulgação e na legitimação do absurdo.
Mergulhar na realidade do país exige um mergulho nas teorias que mais fortemente vêm influenciando a consciência dos brasileiros. Para tanto é preciso desvencilhar-se dos preconceitos, tentando usar o sentimento, arriscando incoerências, aventurando-se, como em qualquer mergulho.
É preciso explicar por que os brasileiros fecham os vidros do país, para dar a impressão do bemestar do progresso.”
BUARQUE, Cristovam. A Desordem do Progresso. 4. ed. São Paulo: Paz e Terra, 1993. p. 5-6.
91. UFBA O texto sugere que “um mergulho no Brasil”:
(01) revelaria a distorção das teorias dos sociólogos, construídas em torno de questões
ultrapassadas, o que constituiria entrave cultural.
(02) desvendaria submissão a comportamentos sociais padronizados, a partir de valores
desvinculados das reais necessidades do indivíduo.
(04) traria à tona subsídios para uma insurreição do povo brasileiro contra teorias sociais
acadêmicas em prática na sociedade atual.
(08) implicaria uma avaliação de como o brasileiro age e de como ele se auto-avalia, no
sentido de apreender a lógica que rege suas ações.
(16) denunciaria o artificialismo das teorias utilizadas pelos cientistas sociais por vaidade
intelectual e busca de prestígio acadêmico.
(32) evidenciaria a necessidade de se promover a reabilitação das profissões diretamente
relacionadas com o desenvolvimento socioeconômico e científico do país.
(64) subentenderia uma análise criteriosa dos fatores que contribuem para que se passe
uma visão fantasiosa do país e dos seus habitantes.
Dê, como resposta, a soma das alternativas corretas.
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GABARITO
43
92. UFBA O sentido do enunciado está devidamente apreendido em:
(01) “Para que todos pensem que tem ar condicionado.” — A resposta do motorista
demonstra seu ponto de vista preconceituoso, falso, a respeito do fato que então
se comenta.
(02) “para dar a impressão de dispor dos instrumentos do conforto” e “para que os outros
pensem que eles têm o ar condicionado do saber academicamente oficial” — Indicam que o objetivo do consumidor e do cientista social decorrem de pressões que
os manipulam.
(04) “não sentir calor” e “sofrer um calor maior” — As expressões estão usadas para
enfatizar o contraste existente no comportamento do brasileiro.
(08) “Aquele comportamento era similar ao de toda a população brasileira que, em território tropical, se submete a uma economia desadaptada a suas necessidades, incompatível com seus recursos” — O autor se fundamenta num fato para avaliar criticamente o comportamento do povo brasileiro no seu todo.
(16) “Mas um mergulho no caos da consciência coletiva brasileira dificilmente se faz se
usamos o escafandro das teorias formuladas para explicar, como se tivessem lógica, o
caos a irracionalidade.” — Isso quer dizer que o “caos e a irracionalidade” são
uma conseqüência do ilogismo das teorias que se propõem interpretar a índole
do povo brasileiro, com argumentos falseadores.
(32) “A teoria econômica diria que o consumidor obtém, com o carro e as janelas fechadas, um
nível de satisfação maior do que o grau de conforto das janelas abertas.” — Os economistas, dentro da ótica do consumismo, subestimam a aparência em favor da realidade.
(64) “É preciso explicar por que os brasileiros fecham os vidros do país, para dar a impressão do bem-estar do progresso.” — Isso significa que uma análise da identidade do povo brasileiro deve fundamentar-se, antes, no desvendamento dos fatores externos que a constroem.
Dê, como resposta, a soma das alternativas corretas.
93. UFBA Há uma explicação coerente em:
(01) O termo “ar condicionado” (1o destacado) está usado em sentido denotativo, diferentemente de “ar condicionado” (2o destacado).
(02) A expressão “Tem que” remete a uma possibilidade remota de análise da realidade.
(04) A forma verbal “entender” tem o mesmo sentido de “Mergulhar”.
(08) A expressão “se ver pelos olhos dos outros” conota um falseamento da realidade
individual.
(16) O uso do “escafandro” sugere mascaramento do real objetivo do “mergulho” (1o destacado).
(32) Os pontos de vista dos economistas e do autor coincidem com relação ao grau de
funcionalidade das “janelas fechadas” e “das janelas abertas”.
(64) A expressão “Para tanto” estabelece um relação de conseqüência com referência a “mergulho” (2o destacado).
Dê, como resposta, a soma das alternativas corretas.
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94. Unicamp-SP Quando o treinador Leão foi escolhido para dirigir a seleção brasileira de
futebol, o jornal Correio Popular publicou um texto com muitas imprecisões, do qual
consta a seguinte passagem:
“Durante sua carreira de goleiro, iniciada no Comercial de Ribeirão Preto, sua terra natal,
Leão, de 51 anos, sempre impôs seu estilo ao mesmo tempo arredio e disciplinado. Por outro lado,
costumava ficar horas aprimorando seus defeitos após os treinos. Ao chegar à seleção brasileira
em 1970, quando fez parte do grupo que conquistou o tricampeonato mundial, Leão não dava
um passo em falso. Cada atitude e cada declaração eram pensadas com um racionalismo típico de
sua família, já que seus outros dois irmãos, Edmílson, 53 anos, e Édson, 58, são médicos.”
Correio Popular. Campinas, 20/10/2000.
a) O que aconteceria com Leão se ele, efetivamente, ficasse aprimorando seus defeitos”?
Reescreva o trecho de maneira a eliminar o equívoco.
b) A expressão “por outro lado”, no início do segundo período, contribui para tornar o
trecho incoerente. Por quê?
c) Por que o emprego da palavra “racionalismo” é inadequado nessa passagem?
As questões 95 a 97 referem-se ao seguinte texto:
IMPRIMIR
GABARITO
44
“Certos mitos são repetidos tantas e tantas vezes que muitos acabam se convencendo de que
eles são de fato verdadeiros. Um desses casos é o que envolve a palavra ‘saudade’, que seria uma
exclusividade mundial da língua portuguesa. Trata-se de uma grande e pretensiosa balela.
Todas as línguas do mundo exprimem com maior ou menor grau de complexidade todos os
sentimentos humanos. E seria uma grande pretensão acreditar que o sentimento que batizamos
de ‘saudade’ seja exclusivo dos povos lusófonos.
Embora línguas que nos são mais familiares como o inglês e o francês tenham de recorrer a mais
de uma expressão (seus equivalentes de ‘nostalgia’ e ‘falta’) para exprimir o que chamamos de
saudade em todas as circunstâncias, existem outros idiomas que o fazem de forma até mais
sintética que o português.
Em uma de suas colunas semanais nesta Folha, o professor Josué Machado lembrou pelo menos
dez equivalentes da palavra ‘saudade’. Os russos têm ‘tosca’; alemães, ‘Sehnsucht’; árabes, ‘shauck’ e também ‘hanim’; armênios, ‘garod’; sérvios e croatas, ‘jal’; letões, ‘ilgas’; japoneses, ‘natsukashi’; macedônios, ‘nedôstatok’; e húngaros, ‘sóvárgás’.
Pode-se ainda acrescentar a essa lista o ‘desiderium’ latino, o ‘póthos’ dos antigos gregos e
sabe-se lá quantas mais expressões equivalentes nas cerca de 6 mil línguas atualmente faladas no
planeta ou nas 10 mil que já existiram.
Ora, se até os cães demonstram sentir saudades de seus donos quando ficam separados por um
motivo qualquer, seria de um etnocentrismo digno de fazer inveja à Alemanha nazista acreditar
que esse sentimento é próprio apenas aos que falam português.
Desde que o homem é homem, ou talvez mesmo antes, ele sente saudade; desde que aprendeu
a falar aprendeu também, de uma forma ou de outra, a dizê-lo.”
Saudade. Folha de S. Paulo, 6/4/1996, adaptado.
95. ITA-SP No texto, a tese é que
a) todos os povos têm os mesmos sentimentos e têm palavras para designá-los.
b) os cães, assim como os seres humanos, sentem saudade.
c) trata-se de um mito a crença de que apenas os povos lusófonos têm uma palavra para
designar o sentimento “saudade”.
d) há línguas que são mais sintéticas que outras para exprimir os sentimentos.
e) há línguas que são mais sintéticas que o português para expressar o sentimento que os
povos lusófonos designam “saudade”.
96. ITA-SP NÃO se pode afirmar que a noção do sentimento saudade no texto seja
a) atribuída exclusivamente ao ser humano.
b) uma prova de que a espécie humana é fruto da mutabilidade de espécies.
c) comum a todos os seres humanos, mas a maneira de expressá-lo é diferente.
d) comum a todos os seres humanos e remonta aos tempos antigos.
e) talvez anterior à razão.
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97. ITA-SP NÃO se pode dizer que no texto haja
a) uma declaração inicial que sintetiza a tese a ser defendida.
b) a exclusividade da forma impessoal, que é marcada apenas pelo emprego de orações na
voz passiva.
c) uma equiparação do sentimento saudade dos cães ao dos seres humanos.
d) a generalização de uma idéia após a apresentação de exemplos.
e) exemplos de vocábulos de outras línguas para designar o sentimento “saudade”, que
funcionam como argumentos para a tese defendida.
Para as questões 98 e 99 considere o texto das questões de 27 a 29.
98. Fuvest-SP
I. “/…/ você não é completamente louco por aquele sujeito que chegou na sua casa /…/”.
II. “Porque quem é louco por alguém, não é louco de deixar essas coisas para amanhã”.
45
Quanto ao sentido que o vocábulo “louco” assume nas três ocorrências destacadas no
quadro acima, é correto afirmar que
a) em II, o segundo uso da palavra “louco” assume sentido negativo.
b) em I, a palavra “louco” pode ser substituída, sem prejuízo do sentido, por “delinqüente”.
c) nas três ocorrências, a palavra destacada tem o mesmo sentido.
d) em II, os usos da palavra “louco” assumem sentido oposto àquele verificado em I.
e) em II, a repetição da palavra “louco” é redundante, já que não acrescenta nenhum sentido à frase.
IMPRIMIR
GABARITO
99. Fuvest-SP Está INCORRETA a seguinte afirmação sobre o texto:
a) a única palavra que se refere diretamente à idéia de morte é “inventários”, evitando-se
assim reações negativas do leitor diante desse tema.
b) a imagem da criança reforça uma sugestão já presente no texto e no nome do produto.
c) o autor usa conotativamente a palavra “noite” para simbolizar a idéia da morte.
d) no trecho “você faz um seguro de vida que pode durar sempre”, o autor sugere a idéia
de longevidade do titular do seguro.
e) a fotografia e a frase em maiúsculas desviam a atenção do leitor da idéia de morte,
focalizando o principal beneficiário do seguro.
100. Mackenzie-SP “A moça não era formosa, talvez nem tivesse graça; os cabelos caíam
despenteados, e as lágrimas faziam-lhe encarquilhar os olhos.”
Assinale a alternativa correta em relação ao fragmento acima.
a) Formosa e graça são, sintaticamente, predicativos do sujeito moça.
b) Na estrutura sintática predomina a subordinação.
c) A anteposição do adjetivo despenteados ao verbo alteraria o sentido da oração.
d) O pronome oblíquo refere-se a lágrimas.
e) O ponto e vírgula estabelece a relação de concessão entre as orações.
101. PUC/Campinas-SP A revista Veja anunciou-se a si mesma, utilizando a seguinte frase:
“Histórias muito mal contadas em reportagens muito bem escritas”
Está implícito, nesse anúncio, que a revista Veja se dispõe a
a) corrigir a redação confusa de notícias publicadas em outros periódicos.
b) contornar as histórias mal contadas, por meio da clareza e da elegância do estilo.
c) denunciar, em estilo preciso, os vícios de linguagem que costumam prejudicar as reportagens.
d) criticar certas histórias que, por serem mal contadas, redundam em más reportagens.
e) analisar casos nebulosos e apresentá-los em matérias de redação clara e precisa.
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102. Fuvest-SP
I. Para se candidatar a um emprego, o recém-formado compete com levas de executivos de
altíssimo gabarito, desempregados. O jovem, sem experiência, literalmente, dança.
II. Acostumados às apagadas, às vezes literalmente, mulheres dos dirigentes do Kremlin, os
russos achavam que ela era influente demais, exibida, arrogante.
a) O advérbio “literalmente” está adequadamente empregado nos dois textos? Justifique
sua resposta.
b) A que palavra, em II, se refere a expressão “às vezes literalmente”? Qual o duplo sentido produzido pela relação que aí se estabeleceu?
103. Fuvest-SP Leia as seguintes manchetes de dois jornais paulistas, ambas do dia 15/5/
2000:
“Governo suspende verba para a reforma agrária.”
Folha de S. Paulo.
“Incra suspende crédito para assentamentos.”
O Estado de S. Paulo.
46
Considere as seguintes afirmações:
I. As duas manchetes apresentam o mesmo fato, sob idêntico ponto de vista, embora
empregando palavras diferentes.
II. Na 1ª manchete, o fato parece mais grave que na segunda.
III. Na 2ª manchete, o emprego dos termos “INCRA” e “assentamento” particularizam a
informação.
Está correto, em relação às manchetes, apenas o que se afirma em
a) I.
b) II.
c) III.
d) I e II.
e) II e III.
104. Fatec-SP Para determinar o valor sintático-semântico do substantivo “poltrona” na expressão “sentam poltrona”, pode-se considerar que seu equivalente mais próximo seria:
IMPRIMIR
GABARITO
a) sentam a pua em alguém.
b) sentam tijolos na parede.
c) sentam-se numa poltrona.
d) sentam praça em algum lugar.
e) sentam orgulhosamente.
105. U. Metodista-SP Observe a imagem que segue:
A partir da composição acima, o autor demonstra
a) que a independência política possibilitou a autonomia econômica do país com o ingresso das multinacionais e do capital estrangeiro.
b) a relação de dependência econômica do país, invadido pelas multinacionais e pelo capital estrangeiro, estabelecendo um paradoxo com a data da independência em 1822.
c) que a independência política é responsável indireta pela verdadeira revolução industrial
que se desencadearia no país no século XX.
d) de forma criativa o progresso econômico que a abertura ao capital estrangeiro trouxe ao
país, a partir de 1822.
e) que as origens do mercado publicitário no Brasil remontam à época de sua independência em 1822.
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Texto para as questões de 106 a 108:
“A menina e a cantiga
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9
10
… trarilarára… traríla…
A meninota esganiçada margirça com a sáia voejando por cima dos joelhos em nó vinha
meia dansando cantando no crepúsculo escuro. Batia compasso com a varinha na poeira da
calçada.
… trarilarára… traríla…
De repente voltou-se prá negra velha que vinha trôpega atrás, enorme trouxa de roupas na
cabeça:
— Qué mi dá, vó?
— Naão.
… trarilarára… traríla…”
Mário de Andrade.
47
106. Mackenzie-SP Assinale a alternativa correta sobre o fragmento que vai da linha 2 à linha 3.
a) Revela-se poético, apesar de aproximar-se da prosa.
b) Expressa por meio de clichê o movimento dado à saia.
c) Apresenta erros de ortografia que impedem a clareza do texto.
d) Enriquece a descrição da menina por meio de prefixos ligados a nomes.
e) Tem a coerência prejudicada por falta de pontuação.
107. Mackenzie-SP A característica da poesia modernista que NÃO se encontra no texto é:
a) liberdade formal.
b) sintaxe elíptica.
c) recriação de cena cotidiana.
d) linguagem coloquial.
e) ironia.
108. Mackenzie-SP Assinale a alternativa correta.
a) O título já anuncia a importância da relação entre as duas mulheres.
b) O modo de reproduzir a cantiga indica sua variação rítmica à medida que a cena se
desenvolve.
c) A resposta da avó explicita a sua indiferença para com a menina.
d) A expressão enorme trouxa justifica o adjetivo trôpega que caracteriza negra velha.
e) Há total descaso pela oralidade da expressão, como compete à poesia.
IMPRIMIR
GABARITO
Texto para responder a questão 109.
“Sobre o sentar-/estar-no-mundo
Ondequer que certos homens se sentem
por afetuoso e diplomata o estofado,
sentam poltrona, qualquer o assento.
os ferem nós debaixo, senão pregos,
Sentam poltrona: ou tábua-de-latrina,
e mesmo a tábua-de-latrina lhes nega
assento além de anatômico, ecumênico,
o abaulado amigo, as curvas de afeto.
exemplo único de concepção universal,
A vida toda, se sentam mal sentados,
onde cabe qualquer homem e a contento.
e mesmo de pé algum assento os fere:
*
eles levam em si os nós-senão-pregos,
Ondequer que certos homens se sentem
nas nádegas da alma, em efes e erres.”
NETO, João Cabral de Melo. A educação pela pedra.
sentam bancos ferrenhos, de colégio;
109. Fatec-SP Da leitura de Sobre o Sentar-/Estar-no-mundo, pode-se afirmar que
a) o sentido nuclear do poema se dá na relação entre poltrona e banco de colégio.
b) aponta para os incômodos causados pelos bancos de colégio que são pouco anatômicos.
c) revela que o fato de certos homens ficarem a vida toda sentados causa-lhes um malestar indescritível para o corpo e para a alma.
d) a tábua-de-latrina, por ser anatômica, confere ao homem uma postura universalizante.
e) o poema satiriza a prepotência de certos homens, tomando como ponto central as oposições entre o sentir e o sentar.
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O texto seguinte, escrito por Luís Fernando Veríssimo, foi publicado no Jornal O Globo, de
28/10/99. Leia-o e responda, depois, as questões 110 e 111.
“O que vem por aí
48
Pouco depois de ler a notícia sobre o americano que está oferecendo óvulos de modelos na
Internet para quem quer ter filhos bonitos, li no Libération uma matéria sobre Linn Ullmann, que
está em Paris para lançar um livro. Ela é filha da Liv Ullmann e do Ingmar Bergmann. E pensei: está
aí. Se alguém quisesse planejar uma loira superior, não poderia fazer uma encomenda melhor ao
laboratório: os óvulos da bela e inteligente Liv Ullmann fertilizados pelos genes geniais do Ingmar
Bergmann. Pela fotografia no jornal, Linn Ullmann teve sorte: herdou a beleza da mãe. Não sei o
que herdou do pai. Como dizem que Bergmann é um gênio com um gênio violento e difícil – e a
última é que ele foi um simpatizante do nazismo até o fim da Segunda Guerra – Linn pode ter
herdado mais do que queria. Todos os avanços na área da reprodução programada não mudam a
situação da criança, que não tem qualquer opinião no assunto. Os pais já podem escolher o tipo
de filho que querem, o filho continua não podendo escolher os pais que o terão. Eu, se fosse
nascer hoje, preferiria ter os tipos de pais que nunca escolheriam um filho de um catálogo, mesmo
que fosse eu.
Há algumas ironias, se esta é a palavra, implícitas nessa questão de engenharia genética, que
promete ser a questão do novo milênio. Para começar, está redimida a eugenia, que no passado
era coisa de cientistas loucos e fascistas. Mesmo com toda reação contra e a discussão ética, o
cientificismo totalitário para fins de ‘melhorar a raça’ mudou de vocabulário e ganhou respeitabilidade, ou aquela respeitabilidade forçada do inevitável. Mas esta vitória da mentalidade ‘de
direita’ redime a tese da ‘esquerda’ na velha discussão sobre o que determina caráter e destino,
a genética ou a cultura, a qualidade do sangue ou do ambiente. Na comercialização de genes
saudáveis e bonitos está subentendido que a personalidade não vai junto, que os bebês serão o
que o mundo fizer deles. Não há garantia que entre os óvulos e os espermatozóides de modelos, atletas e gênios não exista um serial killer, um cantor country – ou um simpatizante do
nazismo. E um mundo só de gente bonita e inteligente não seria necessariamente um mundo
de gente melhor.
Mas desconfio que, pelo menos no Brasil, encontrarão uma forma de assegurar que os genes
comprados tenham o destino desejado. As pessoas pedirão: ‘Quero um surfista loiro bom em
física quântica e uma modelo com PhD – mas um tem que ser de Capricórnio e o outro de Libra’.”
110. U. F. Juiz de Fora-MG Indique a única alternativa incompatível com a interpretação
global do texto:
a) a beleza de Linn Ullmann deve-se ao fato de ela ser fruto de reprodução programada.
GABARITO
b) a reprodução programada baseada em genes de indivíduos saudáveis e bonitos é uma
nova edição do cientificismo totalitário para fins de “melhorar a raça”.
c) na comercialização de genes saudáveis e bonitos subentende-se que apenas as características físicas são geneticamente transmitidas.
d) a reprodução programada permite que os pais escolham o filho que querem ter, mas
não o inverso.
111. U. F. Juiz de Fora-MG O principal objetivo comunicativo do autor do texto é:
a) ironizar a comercialização de genes no Brasil.
b) questionar a reprodução programada e, em especial, a comercialização de genes de
pessoas saudáveis e bonitas.
IMPRIMIR
c) demonstrar que a engenharia genética promete ser a questão do novo milênio.
d) argumentar que entre óvulos e espermatozóides de modelos, atletas e gênios há sempre um simpatizante do nazismo.
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Texto para as questões 112 e 113:
“Hoje, a erotização televisivamente monitorada faz da criança um consumidor precoce. Mormente por não possuir suficiente discernimento e ser capaz de seduzir os adultos, que cedem aos
caprichos do desejo para se verem livres da insistência pirralha.
Aos quatro anos, eis o menino revestido de grifes e a menina embotelhada em danças da
esquizofrenia que distancia a idade fisiológica da psicológica, corpo de criança e alma de mulher.
O sonho é substituído pela TV, as histórias cedem lugar aos programas de auditório, e as fadas,
bruxas e reis, aos brinquedos eletrônicos. O armário é tão cheio quanto o espírito vazio. (...) Há
crianças assustadoramente gordas de açúcar e sem afeto, cansadas perante um futuro que ainda
não viveram, viciadas em indigência intelectual e espiritual.”
Excerto de BETO, Frei. Memórias de um Dinossauro. In: A Gazeta. Vitória, 08 set. 98. p. 05.
112. Emescam-ES A frase que melhor sintetiza as idéias do texto acima encontra-se em:
a) Hoje, as crianças são levadas precocemente ao consumo, sem sonhos, sem afeto e sem
cultura.
b) Os adultos cedem facilmente aos desejos das crianças.
c) Os tempos modernos eliminam os sonhos da criança.
d) As crianças engordam muito porque ficam muito tempo em frente da tevê.
e) Atualmente as crianças não se preocupam com o futuro.
49
113. Emescam-ES Um dos itens abaixo apresenta explicação inadequada de alguns termos
usados no texto; isso ocorre em:
a) ‘suficiente discernimento’ – necessária competência para avaliar ou julgar com bom senso.
b) ‘insistência pirralha’ – teima persistente da criança.
c) ‘embotelhada em danças’ – especialista em danças.
d) ‘ritmo da esquizofrenia’ – ritmo que revela psicopatias e distúrbios mentais.
e) ‘indigência intelectual e espiritual’ – pobreza de cultura e de espírito.
GABARITO
Texto para a questão 114:
“Madalena entrou aqui cheia de bons sentimentos e bons propósitos. Os sentimentos e os
propósitos esbarraram com a minha brutalidade e o meu egoísmo.
Creio que nem sempre fui egoísta e brutal. A profissão é que me deu qualidades tão ruins.
E a desconfiança terrível, que me aponta inimigos em toda a parte!
A desconfiança é também conseqüência da profissão.
Foi este modo de vida que me inutilizou. Sou um aleijado. Devo ter um coração miúdo, lacunas
no cérebro, nervos diferentes dos nervos dos outros homens. E um nariz enorme, uma boca
enorme, dedos enormes.
Se Madalena me via assim, com certeza me achava extraordinariamente feio.
Fecho os olhos, agito a cabeça para repelir a visão que me exige essas deformidades monstruosas.
A vela está quase a extinguir-se.
Julgo que delirei e sonhei com atoleiros, rios cheios e uma figura de lobisomem.
Lá fora há uma treva dos diabos, um grande silêncio. Entretanto o luar entra por uma janela
fechada e o nordeste furioso espalha folhas secas no chão.
É horrível! Se aparecesse alguém... Estão todos dormindo.
Se ao menos a criança chorasse... Nem sequer tenho amizade a meu filho. Que miséria!
Casimiro Lopes está dormindo. Marciano está dormindo. Patifes!
E eu vou ficar aqui, às escuras, até não sei que hora, até que, morto de fadiga, encoste a cabeça
à mesa e descanse uns minutos.”
IMPRIMIR
Graciliano Ramos.
114. Cesgranrio Analisando o texto, no seu sentido geral, podemos afirmar que se trata de
um texto psicológico porque:
a) mostra a solidão em que vive o narrador.
b) contrasta o modo de ser de Madalena com as ações do narrador.
c) retrata o conflito íntimo da personagem.
d) caracteriza o mundo exterior como hostil.
e) enfatiza as dificuldades de relacionamento da personagem com as pessoas que a cercam.
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115. UERJ Em 1648, um químico holandês, chamado Jean Baptista von Helmont, argumentando indutivamente, relatou a seguinte experiência, para comprovar a tese da geração
espontânea: “Faça um buraco num tijolo, ponha ali erva de manjericão bem triturada.
Aplique um segundo tijolo sobre o primeiro e exponha tudo ao sol. Alguns dias mais
tarde, tendo o manjericão agido como fermento, você verá nascer pequenos escorpiões.”
Hoje, sabemos que escorpiões não nascem assim.
A conclusão do químico pode ser refutada logicamente pelo argumento indicado em:
a) a experiência não resistiu à passagem do tempo.
b) uma hipótese alternativa para o fenômeno não foi lembrada.
c) o químico não tinha competência para a realização da experiência.
d) a geração espontânea não pode ser comprovada com experimentos.
116. UFR-RJ
“O primeiro grande poeta que se firmou depois das estréias modernistas foi Carlos Drummond
de Andrade. Definindo-lhe lucidamente o caráter, disse Otto Maria Carpeaux da sua obra que,
‘expressão duma alma muito pessoal, é poesia objetiva.’ Parece-me que alma muito pessoal significa, no caso, a aguda percepção de um intervalo entre as convenções e a realidade; aquele hiato
entre o parecer e o ser dos homens e dos fatos que acaba virando matéria privilegiada do humor,
traço constante na poesia de Drummond”.
50
BOSI, Alfredo. História concisa da literatura brasileira. São Paulo: Cultrix, 1989. p. 494.
Segundo Bosi, em relação ao humor de Drummond pode-se afirmar que é um riso:
a) que assinala uma ruptura com a geração que o antecede.
b) escarnecedor, semelhante ao de Gregório de Matos.
c) irônico, distanciado e lúdico, atividade da razão.
d) tímido, sem qualquer reflexão, fruto da inspiração poética.
e) característico da primeira geração modernista, da qual fazia parte.
Texto para as questões 117 e 118:
IMPRIMIR
GABARITO
“Namorado: ter ou não, é uma questão
Quem não tem namorado é alguém que tirou férias não remuneradas de si mesmo. Namorado
é a mais difícil das conquistas. Difícil porque namorado de verdade é muito raro. Necessita de
adivinhação, de pele, de saliva, lágrima, nuvem, quindim, brisa ou filosofia.
Paquera, gabiru, flerte, caso, transa, envolvimento, até paixão é fácil. Mas namorado, mesmo,
é muito difícil.
Namorado não precisa ser o mais bonito, mas aquele a quem se quer proteger e quando se chega
ao lado dele a gente treme, sua frio e quase desmaia pedindo proteção. A proteção dele não precisa
ser parruda, decidida, ou bandoleira: basta um olhar de compreensão ou mesmo de aflição.
Quem não tem namorado não é quem não tem um amor: é quem não sabe o gosto de namorar. Se você tem três pretendentes, dois paqueras, um envolvimento e dois amantes, mesmo assim
pode não ter namorado. (...)
Não tem namorado quem não gosta de dormir agarrado, fazer sesta abraçado, fazer compra
junto. Não tem namorado quem não gosta de falar do próprio amor, nem de ficar horas e horas
olhando o mistério do outro dentro dos olhos dele, abobalhados de alegria pela lucidez do amor.
Não tem namorado quem não redescobre a criança própria e a do amado e sai com ela para
parques, fliperamas, beira d’água, show do Milton Nascimento, bosques enluarados, ruas de
sonhos ou musical da Metro. (...)
Se você não tem namorado porque não descobriu que o amor é alegre e você vive pesando
duzentos quilos de grilos e de medo, ponha a saia mais leve, aquela de chita, e passeie de mãos
dadas com o ar. Enfeite-se com margaridas e ternuras e escove a alma com leves fricções de esperança. De alma escovada e coração estouvado, saia do quintal de si mesmo e descubra o próprio jardim.
Acorde com gosto de caqui e sorria lírios para quem passe debaixo de sua janela. (...)
Se você não tem namorado é porque ainda não enlouqueceu aquele pouquinho necessário a
fazer a vida parar e de repente parecer que faz sentido.
Enlou-cresça.”
ANDRADE, Carlos Drummond de. Obra completa. Rio de Janeiro: Aguillar, 1982.
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117. UFR-RJ Para o autor, só sabe o que é namorar quem:
a) cultiva o hábito de fazer poesia.
b) entra em sintonia com o outro no plano das sensações.
c) distingue o que é concreto do que é abstrato.
d) vivencia as sensações do amor sem se entregar.
e) sabe teorizar sobre os seus sentimentos.
118. UFR-RJ “Enlou-cresça.” O neologismo em questão sintetiza o seguinte pensamento:
a) só é possível crescer se a vida não fizer nenhum sentido.
b) o sentido da vida se constrói a partir do crescimento intelectual.
c) o crescimento e loucura são considerados processos incompatíveis.
d) o sentido da vida se dá pela tensão entre crescimento e loucura.
e) o sentido da vida é construído por meio da loucura.
Textos para as questões 119 e 120:
GABARITO
119. UFMG De acordo com o texto, é correto afirmar que:
a) a língua não oprime os artistas quando os submete à vontade do Estado.
b) os artistas revelam o caráter transitório da norma culta ao infringirem-na.
c) os escritores contrariam as regras gramaticais porque as desconhecem.
d) os gramáticos impõem normas para os artistas não as transgredirem.
IMPRIMIR
51
“Pode um escritor, em nome de sua arte, contrariar as regras da gramática? Essa é uma das
principais questões levantadas pelo poeta português Fernando Pessoa.
A língua existe para servir o indivíduo, e não para escravizá-lo, pensa o poeta. Sendo uma
aventura intelectual, o ato de grafar não deveria submeter-se à vontade unificadora do Estado,
assim como uma pessoa jamais deveria aceitar a imposição de uma religião que seu espírito recusasse. Esse tipo de postura gerou um impasse. De um lado, ficam os gramáticos, impondo normas. De outro, os artistas, clamando por liberdade.
A resposta à questão inicial é simples. Os artistas da língua não passam para a posteridade
porque rompem com a norma, mas porque sabem tirar proveito da ruptura. A transgressão, para
ser bem-sucedida, deve possuir função estrutural. Tanto no texto como no comportamento. Ela
pode dar impressão de firmeza, de precisão, de ambigüidade, de ironia ou sugerir diversas coisas
ao mesmo tempo. Na maioria dos casos, indica novas propostas para o futuro.
Pela perspectiva dos artistas, os gramáticos não passam de meros guardiães de uma inutilidade
consagrada pelo poder constituído. Para eles, dominar a norma culta do idioma não excede, em
valor, o conhecimento do código de trânsito, por natureza convencional e efêmero: num dia, certa
rua dá mão; no outro, não dá; e, na próxima semana, pode ser que a mesma rua não exista.
Observa-se o mesmo nas normas da gramática, que variam conforme as convenções gerais de
cada época. Acontece que os artistas pretendem escrever para as gerações futuras.”
120. UFMG Em todas as alternativas, o emprego do termo, ou expressão, destacado, está
corretamente explicado pela frase entre parênteses, exceto em:
a) … assim como uma pessoa jamais deveria aceitar a imposição de uma religião que
seu espírito recusasse. (Introduz uma comparação).
b) Ela pode dar impressão de firmeza, […] de ironia ou sugerir diversas coisas ao mesmo tempo. (Refere-se à transgressão de função estrutural).
c) Para eles, dominar a norma culta do idioma não excede, em valor, o conhecimento do
código de trânsito... (Refere-se aos gramáticos, guardiães da língua).
d) Observa-se o mesmo nas normas da gramática, que variam conforme as convenções gerais de cada época. (Remete à efemeridade do conhecimento do código de
trânsito).
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Texto para a questão 121:
“Silogismo
Um salário-mínimo maior do que o que vão dar desarrumaria as contas públicas, comprometeria o programa de estabilização do Governo, quebraria a Previdência, inviabilizaria o país e provavelmente desmancharia o penteado do Malan. Quem prega um salário-mínimo maior o faz por
demagogia, oportunismo polític