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Técnicas de Estudo (Santillana)

Propaganda
v
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Parte
Parte
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Técnicas e métodos de estudo
Técnicas e métodos
de estudo
• T
écnicas
de estudo
• Sublinhar
• Inferir ideias
principais
• Resumir
344
344
349
351
• O
rganizar graficamente
a informação: esquemas
e tabela
• Preparação de avaliações
• Rever conteúdos
• Rever procedimentos
357
363
363
370
• R
efletir sobre a própria
aprendizagem
• Apresentação de trabalhos
• Pesquisar informação
• Elaborar trabalhos escritos
• Apresentar exposições orais
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Parte
Técnicas e métodos de estudo
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Técnicas de estudo
Sublinhar
1. Em que consiste sublinhar?
Sublinhar desenvolve:
• a atenção;
• a concentração;
• a capacidade de análise.
Sublinhar implica detetar aquilo que é mais importante dentro de um
texto. Mas será que o mais importante é sempre o mesmo?
De acordo com os objetivos que temos, podemos realizar diferentes tipos
de sublinhado. É possível que só pretendamos localizar uns dados; talvez
procuremos a ideia essencial e as ideias secundárias; ou pode ser que queiramos examinar o texto de forma pormenorizada.
Segundo o objetivo a que nos propomos, será pertinente sublinhar mais
ou menos quantidade de texto.
2. Por que razão sublinhamos?
• Sublinhamos palavras-chave para gerar marcadores mentais.
Este tipo de sublinhado é especialmente útil para aprender conceitos e para
explicar depois o seu significado.
a digestão participam várias partes do aparelho digestivo:
N
• Na boca, os alimentos desfazem-se com os dentes e misturam-se com
a saliva, produzida pelas glândulas salivares. Assim se forma o bolo alimentar.
Aproveite este tipo
de sublinhado para
elaborar esquemas.

Dentes
Glândulas salivares
Língua


Digestão
Boca
…
…
Bolo alimentar
• Sublinhamos partes do texto para identificar as ideias principais.
Este tipo de sublinhado é útil para estudar um tema e desenvolvê-lo.
Material necessário:
• Um livro que possa ser
riscado (ou uma fotocópia).
• Um lápis e uma borracha,
para poder retificar.
a digestão participam várias partes do aparelho digestivo:
N
• Na boca, os alimentos desfazem-se com os dentes e misturam-se com
a saliva, produzida pelas glândulas salivares. Assim se forma o bolo alimentar.
Aproveite este tipo
de sublinhado para
redigir resumos.
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Ao sublinhar palavras-chave, os alunos estão a distinguir os termos
importantes dos que não são importantes; ou seja, estão a identificar
os conceitos fundamentais referidos no texto.
Quando os alunos começam a fazer exercícios de sublinhado, necessitam
de ajuda. É frequente que tenham tendência a sublinhar demasiado e pode
ser que não saibam se devem sublinhar «palavras soltas» ou «partes inteiras»
do texto.
Técnicas e métodos de estudo
3. Estratégias: sublinhar palavras-chave
Realize as primeiras atividades de forma muito dirigida; isso irá tranquilizá-los.
Incorpore exercícios de sublinhado como prática habitual e observará que
os seus alunos aumentarão gradualmente a sua destreza.
Quando é que se tem de sublinhar?
• N
a primeira vez que se lê o texto? → NÃO
• Na segunda vez que se lê o texto, quando se compreende o conteúdo? → SIM
Como saber se foram sublinhadas as palavras-chave de um texto?
Aquilo que é sublinhado deve ter unidade de sentido. É, no entanto, possível
que para os alunos deste nível seja ainda difícil compreender este conceito.
Por isso, é prático pedir-lhes que sublinhem as palavras que respondem
a questões como as seguintes:
• Q
uais são as fases da Lua?
• Com que unidades medimos o tempo?
• Que características têm os marsupiais?
Comprova-se depois que estas questões podem ser respondidas com
os termos sublinhados.
Observe que essa mesma pergunta de verificação é a que previamente motiva
a atividade de sublinhar. Por exemplo:
• S ublinham-se as fases da Lua.
• Sublinham-se as unidades de medida de tempo.
• Sublinham-se as características dos marsupiais.
E, por último, observe também que essa pergunta abarca a informação do tema:
• F ases da Lua.
• Unidades de medida de tempo.
• Características dos marsupiais.
Os vulcões
A lava ascende por uma conduta, a chaminé vulcânica, e sai para o exterior por
um orifício, a cratera. Além da lava, os vulcões expulsam gases e fragmentos
de rocha. Todos estes materiais se vão acumulando em redor da cratera e dão
origem ao cone vulcânico.
Pergunta de verificação:
• Que partes constituem um vulcão?
Resposta:
• A chaminé vulcânica. • A cratera. • O cone vulcânico.
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Técnicas e métodos de estudo
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Só se sublinham substantivos, adjetivos e verbos?
Na hora de corrigir
Diga em voz alta o que
sublinharia, para que os alunos
possam comparar com aquilo
que sublinharam.
Indique-lhes o que devem
retificar, mas tente que
apaguem e corrijam apenas
o que é realmente pertinente.
Os termos que se sublinham com maior frequência são palavras com uma
forte carga semântica: substantivos, adjetivos e verbos, que constituem
o esqueleto informativo de um texto.
No entanto, em determinados casos, pode ser necessário sublinhar advérbios
que são imprescindíveis para indicar circunstâncias relevantes. Por exemplo:
Titanic […] uma viagem […] só
Em alguns textos, pode ser conveniente sublinhar conexões lógicas para
interligar as diferentes ideias:
Chuvas abundantes […] Contudo […] escasso caudal
Leitos secos […] porque […] chuvas sazonais
Em textos sequenciais, pode ser inevitável destacar os marcadores temporais:
inverno […] semeadura de verão […] ceifa
Em primeiro lugar […] arar. Depois […] formar sulcos
Podem adicionar-se palavras?
Em certas ocasiões, os alunos terão dificuldade em encontrar sentido para
as palavras sublinhadas de um texto, já que por si mesmas podem não fazer
sentido.
Nestes casos, sugira-lhes que — com o mesmo lápis com que estão a trabalhar — escrevam sobre o texto um sinónimo daquilo que sublinharam.
É importante que isto não dificulte depois a leitura do sublinhado.
Ao frutífero inventor Thomas Alva Edison devemos-lhe a invenção, em 1877,
do fonógrafo .
4. Estratégias: sublinhar partes do texto
Ao sublinhar partes do texto, os alunos identificam as ideias presentes
no mesmo. Isto significa que estão a compreender a informação.
Para sublinhar palavras-chave, não estão em jogo exatamente os mesmos
processos mentais que para sublinhar partes do texto. A primeira técnica
corresponde a um nível mais superficial de compreensão, enquanto a segunda
requer um esforço cognitivo maior.
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Técnicas e métodos de estudo
Dito de outra maneira: é possível sublinhar corretamente palavras-chave
do texto e não compreender o que se está a ler; contudo, é praticamente
impossível sublinhar corretamente partes do texto se não se compreende aquilo que se lê.
Além do facto de ser desejável a definição de uma técnica de análise acompanhada de uma verdadeira compreensão do texto, esta diferença entre
sublinhar palavras-chave e sublinhar partes do texto merece uma reflexão
pedagógica que pode ser útil na sala de aula.
Existem mecanismos meramente percetivos que permitem ao aluno
identificar as palavras-chave, mesmo antes de ter interiorizado uma só. Por
exemplo:
Na aula
Evite qualificar os exercícios
de sublinhado. O sublinhado
não é um fim em si mesmo.
O verdadeiro interesse
de aprender a sublinhar
é desenvolver a capacidade
de análise da informação.
• A
situação de aprendizagem. Como o aluno vai ler um texto instrutivo,
predispõe-se a localizar termos difíceis, palavras desconhecidas ou vocábulos precisos que identifica como palavras do livro. Aborda a tarefa sabendo
que todos esses termos acabarão sublinhados.
• O contexto. Quando começa a ler o texto, faz-se uma ideia da área e do
tema. A própria página proporciona-lhe muita informação: títulos e subtítulos; fotografias e desenhos; termos a negrito ou itálico, entre outros. Esses
elementos fazem-no evocar as palavras relacionadas com esse contexto:
tanto as que configuram o seu vocabulário ativo, como as que conserva
latentes no seu vocabulário passivo. Assim, o aluno predispõe-se a reconhecer palavras--chave relacionadas com o tema.
• O caráter isolado das palavras-chave. O cérebro percebe-as como ilhas
no meio de um mar de palavras. Em parte, é uma identificação intuitiva
por contraste, semelhante à distinção fundo-figura.
Contudo, os alunos não dispõem deste tipo de ajudas quando têm de sublinhar ideias. As ideias estão no texto, tecidas em forma de rede, próximas entre
si e dependentes umas das outras. Por isso, muita prática e bons conselhos
são essenciais.
Sugestões para sublinhar ideias
1. Lê duas vezes o texto antes de começar a sublinhar.
2. Primeiro que tudo, encontra a ideia principal.
3. Encontraste a ideia principal? Marca-a bem; para que seja visível que é mais
importante do que as demais.
4. Cada vez que sublinhas uma ideia, volta a lê-la e assegura-te de que não
te sobra nada. Se for necessário, apaga parte do sublinhado.
Como encontrar a ideia principal?
Distinguem-se duas estruturas textuais básicas:
• T
exto analítico. Expõe-se no princípio a ideia principal e, em seguida,
desenvolvem-se as ideias secundárias.
• Texto sintético. Expõem-se os dados, ou as ideias secundárias, ou os
argumentos (dependendo do assunto), e termina-se com a ideia principal
em jeito de conclusão.
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Técnicas e métodos de estudo
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É frequente, sobretudo em textos de manuais escolares, que a ideia principal
esteja no primeiro parágrafo do texto. Em certas ocasiões, existe um primeiro
parágrafo que serve de introdução ao conteúdo; bastará continuar a ler para
encontrar de imediato — quase garantidamente — a ideia principal do
texto.
Título, tema ou ideia principal?
Responda às dúvidas mais frequentes dos seus alunos. Por exemplo:
• Sublinho o título?
Só se o título expressa o tema do texto.
• Como sei qual é o tema de um texto?
O tema é aquilo de que trata o texto. É uma expressão breve que contém
um nome, geralmente um único sintagma.
• O tema é o mesmo que a ideia principal?
Não. O tema expressa-se com um sintagma; a ideia é uma oração. Por
exemplo:
— Tema: Os barcos veleiros.
— Ideia principal: Os barcos veleiros são mais inseguros para viajar.
• Como vou recordar o tema e a ideia principal?
É útil enquadrar o tema para o distinguir de tudo o que está sublinhado.
Também se pode destacar a ideia principal sublinhando-a com uma cor
distinta do resto.
Convém fazer comentários enquanto se sublinha?
Nos manuais de técnicas de estudo é habitual sugerir que quando se sublinha
um texto se anote na margem a que se refere o sublinhado.
Este sistema tem a vantagem de o aluno estruturar e hierarquizar as ideias
em simultâneo. O inconveniente é que adiciona complexidade ao processo,
porque o aluno, por cada ideia que encontra, tem de determinar um tema
ou um subtema.
A conveniência ou não de juntar ambas as técnicas dependerá da destreza
dos alunos e dos seus critérios, enquanto docente. Com alunos deste nível,
convém que seja o professor a tomar a decisão; os alunos adotarão o método
que lhes seja oferecido como modelo.
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Parte
1. Em que consiste inferir?
Inferir implica:
• observar;
• compreender;
• interpretar;
• conjeturar.
Inferir é extrair uma consequência ou uma conclusão a partir de dados,
de informações ou de indícios. Quando nos aproximamos de uma fonte
de informação, é muito útil colocar em marcha processos de inferência.
No terreno da Lógica, não existe uma identificação total entre inferir e deduzir.
À dedução outorga-se um caráter exato: de uma premissa ou da conjunção
de várias premissas obtém-se uma conclusão inequívoca.
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Técnicas e métodos de estudo
Inferir as ideias principais
No entanto, é frequente aproximarmo-nos do conhecimento sem dispormos
dessas conclusões inequívocas. Quando não dispomos de premissas exatas,
quando nos faltam dados ou quando ainda não analisámos suficientemente
a informação, não podemos deduzir em sentido estrito, mas podemos inferir.
Uma inferência é a conclusão que alguém pode tirar de acordo com
o que conhece.
2. Por que razão inferimos?
Na construção das aprendizagens, a inferência torna-se um procedimento
muito eficaz, com múltiplas possibilidades estratégicas.
Exemplos de inferências realizadas por um aluno
em situações de aprendizagem matemática
Inferimos para
nos anteciparmos
a um processo
de compreensão.
Perante um desenho de uma tarte que representa
1/4 e outro que representa 1/8, o aluno compreende com
facilidade que a fração 1/4 é maior do que a fração 1/8.
Inferimos para
completar um
todo.
Se a aula dura uma hora e decorreram quarenta minutos,
o aluno calcula que resta menos tempo do que aquele
que já passou. A estimativa, o cálculo por aproximação
e o arredondamento baseiam-se neste mecanismo.
Inferimos
para extrair
conclusões.
Ao observar um gráfico de linhas com a compra semanal
de duas famílias, o aluno sabe qual delas corresponde
a uma família de um país desenvolvido e qual representa
uma família de um país menos desenvolvido.
Inferimos
para determinar
consequências.
Perante o problema «Lídia e os seus irmãos entram numa
sapataria e todos saem com sapatos novos. Terão comprado
2, 4 ou 8 sapatos?», o aluno determinará que é 8, já que
sabe que eram, pelo menos, três pessoas.
3. Estratégias: detetar ideias antes de ler
Nos textos incluem-se diferentes elementos que deixam o aluno de sobreaviso para começar a procurar as ideias principais, antes mesmo de aprofundar
a leitura. Alguns desses elementos são tão evidentes que os alunos não têm
dificuldade em identificá-los, como os exemplos que se apresentam de
seguida.
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Parte
Título
As partes da geosfera
Palavras
a negrito
A crosta terrestre é a camada mais externa da geosfera. É composta por
materiais sólidos e é mais espessa nos continentes de que sob os oceanos.
O manto é a camada intermédia da geosfera. A sua temperatura é mais
elevada do que a da crosta. Em algumas zonas do manto encontram-se
rochas fundidas, que recebem o nome de magma.
O núcleo é a camada mais interior da geosfera. É composta por ferro
e outros metais. Tem uma temperatura muito elevada. Divide-se em duas
partes: o núcleo externo e o núcleo interno.
Enumeração
A geosfera é a parte sólida da Terra. Parte da geosfera está sob
os oceanos, formando os leitos marinhos, e parte emerge e forma
os continentes e as ilhas.

Definição
Classificação
A Geosfera
Título principal

Técnicas e métodos de estudo
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As rochas e os minerais
As rochas são os materiais naturais que formam a crosta terrestre.
As rochas são formadas por vários componentes,
que se observam como grãos de diversos tamanhos e cores.
Estes componentes são os minerais.
Subtítulo
Marcas
gráficas
Tipos de rochas
Existem três grupos de rochas segundo a sua origem, ou seja, segundo
a sua formação:
• As rochas sedimentares formam-se a partir de materiais provenientes
de outras rochas ou de seres vivos. O carbono,
o gesso ou o arenito são rochas sedimentares.
• As rochas ígneas originam-se através da solidificação do magma.
O granito e o basalto são rochas ígneas.
• As rochas metamórficas originam-se quando outras rochas são
aquecidas ou comprimidas. O mármore e o xisto são rochas
metamórficas.
É conveniente definir a aproximação em três fases sucessivas e fazer com
que os alunos efetuem inferências a partir dos indícios.
FaseS
Ler o título
principal, os títulos
e os subtítulos.
O que averiguo?
• O
texto trata da geosfera.
• Existe uma introdução que talvez explique o que
é a geosfera. Depois, existem duas secções: uma sobre
as partes da geosfera e outra sobre as rochas e minerais;
neste último incluem-se os tipos de rochas.
Examinar o primeiro • É provável que no primeiro parágrafo do texto
e de cada secção haja uma ideia principal.
parágrafo,
as palavras a negrito • As palavras a negrito serão conceitos-chave.
e as marcas gráficas. • É necessário interpretar qualquer marca gráfica.
• As definições de conceitos aparecem com construções
Identificar
as definições,
as enumerações
e as classificações.
350
como: «X é…», «Chamamos X a…».
• As enumerações expressam ordenadamente as partes
de um conjunto.
• As classificações anunciam-se com expressões como
«existem X grupos de…», que terminam com dois pontos.
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Parte
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Técnicas e métodos de estudo
Resumir
1. Em que consiste resumir?
Resumir permite:
• compreender
em profundidade;
• refletir sobre aquilo que
se leu;
• assimilar a informação.
Resumir consiste em reduzir a informação ao essencial e redigi-la.
Pelo caminho, prescinde-se do supérfluo, do anedótico, dos exemplos,
das clarificações…
Nos manuais, é habitual afirmar-se que um bom resumo deve ter cerca de
trinta por cento do tamanho total do texto original, mas as medidas pouco
importam num nível inicial, como é este dos alunos do Ensino Básico.
No resumo, ao contrário do sublinhado, os alunos têm de processar e reelaborar a informação.
2. Por que razão resumimos?
• R
esumimos para compreender, mas, por outro lado, para resumir é imprescindível ter compreendido previamente.
Assim, com o resumo, as capacidades de compreensão e de síntese alimentam-se de forma retroativa. Os processos formam um ciclo muito
eficaz em qualquer situação de aprendizagem:
compreender
para
para
resumir
• R
esumimos para analisar a informação. Por isso, é frequente o resumo
aparecer em combinação com outras técnicas de síntese:
Pode ser o passo seguinte do sublinhado.
Resumo
É a antecâmara do esquema.
• R
esumimos para estudar e preparar mais facilmente um tema. Com a ajuda
do resumo, o aluno supera as primeiras fases do estudo:
leu → compreendeu → selecionou → reelaborou a informação
A partir daqui, resta ao aluno unicamente fixar a informação e efetuar
as revisões pertinentes.
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Técnicas e métodos de estudo
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3. Estratégias: pesquisar as ideias
Explique
Nos livros de texto utilizados
na aula encontrarão
frequentemente uma ideia
por cada parágrafo.
Antes de resumir, é necessário encontrar o tema e as ideias principais.
Independentemente do procedimento escolhido, a primeira fase de um
resumo é a identificação do tema e das ideias principais.
O que faço?
O que consigo?
Uma primeira leitura global
Compreendo o texto
Uma leitura profunda.
Reconheço as ideias principais.
Nova leitura profunda, parágrafo
a parágrafo.
Compreendo as ideias
e relaciono-as, assim já posso
começar a resumir.
Como procurar as ideias principais?
Pode sublinhar-se o texto e copiar as ideias para um rascunho ou passar
diretamente da leitura profunda à formulação das ideias principais.
Jogo da glória
Para jogar ao Jogo da glória,
é necessário um tabuleiro
especial. O tabuleiro do Jogo
da glória representa um
percurso de 90 casas.
Para jogar, é preciso ter
um dado e um marcador
de cor diferente para cada
jogador.
Sublinhar as ideias
ou copiá-las
Glória
Para jogar ao Jogo da glória,
é necessário um tabuleiro
especial. O tabuleiro do Jogo
da glória representa
um percurso de 90 casas.
Para jogar, é preciso ter
um dado e uma ficha de cor
diferente para cada jogador.
352
Formular as ideias
diretamente
Tema:
O Jogo da glória.
Ideias principais:
• O tabuleiro representa
um percurso de 90 casas.
• Joga-se com um dado
e um marcador de cor
diferente para cada jogador.
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Técnicas e métodos de estudo
4. Estratégias: redigir o resumo
Ao resumir na aula
Fomente a colaboração entre
os alunos, para resolverem
partes concretas do resumo,
mas convença-os a não
copiarem uns pelos outros.
Ao resumir, deve expressar-se com muitas clareza e precisão. Convém redigir
com simplicidade, evitar as orações longas ou excessivamente complexas
e manter a ordem sintática sujeito-predicado.
Redação
pouco
recomendável
Num segundo,
um som percorre
340 metros.
Aos movimentos
sísmicos que têm
origem no mar
chamamos
maremotos.
Redação
recomendável
O som percorre
340 metros
por segundo.
Um maremoto
é um movimento
sísmico que se produz
no mar.
Tenho de copiar as mesmas palavras do texto?
Podem surgir várias respostas:
• N
ão, não tenho de copiar o mesmo que diz o texto. Um resumo é um texto
próprio. Quanto mais personalizada for a linguagem, maior terá de ser
a minha segurança relativamente à compreensão do texto.
• Sim, posso copiar o mesmo que diz o texto quando tiver sublinhado previamente as ideias principais. Nesse caso, copiar o que se sublinhou pode
servir de resumo ou, pelo menos, para alguns fragmentos do resumo.
• Sim, tenho de copiar as palavras e as expressões que estejam relacionadas
com o tema. Num resumo, tem de aparecer o vocabulário que é necessário aprender.
Para os alunos do Ensino Básico, é ainda muito difícil encontrar um ponto
intermédio entre o resumo copiado e o resumo personalizado.
É conveniente copiar os resumos de um companheiro?
A resposta é não:
• N
ão, porque o esforço de compreensão e de reelaboração não é transferível de uma pessoa para outra: «Compreendi o que li e agora redijo o que
compreendi.»
• Não, porque supõe abordar o processo de apreensão de uma forma
incompleta; sem ter passado pelas fases iniciais: «Se me emprestares o teu
resumo, será o mesmo que ler o texto inicial.»
• Não, porque a ordenação das ideias e a exposição discursiva têm muito de
subjetivo: «A tua maneira de ordenar as ideias e de redigir não coincide
com a minha.»
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Técnicas e métodos de estudo
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Quando está bem feito um resumo?
Um resumo está correto se se reconhecerem as seguintes condições:
ecolhe todas as ideias importantes do texto.
• R
• Está redigido de forma clara e coerente.
• Contém o vocabulário próprio do tema.
Estão aqui três exemplos de resumos corretos, que se diferenciam tanto
na ordenação como na redação:
Texto
Quando as aves migratórias viajam,
fazem-no, na maioria dos casos, em
bandos. Não se trata de um capricho,
existe uma explicação científica:
voam agrupadas para romperem
a resistência do vento e, assim,
pouparem energia.
Identificação de ideias
Vocabulário
•
•
•
•
Quando as aves migratórias
viajam, fazem-no, na maioria
dos casos, em bandos. Não se
trata de um capricho, existe
uma explicação científica: voam
agrupadas para romperem a
resistência do vento e, assim,
pouparem energia.
ves migratórias.
A
andos.
B
Resistência ao vento.
Poupar energia.
Resumo I
As aves migratórias viajam em bandos. Assim, rompem a resistência do vento
e poupam energia.
Resumo II
Muitas aves, quando emigram, voam em bandos. Poupam energia, porque
rompem a resistência do vento.
Resumo III
As aves migratórias voam juntas (em bandos) para romperem a resistência
do vento. Assim, poupam energia.
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Técnicas e métodos de estudo
5. Adquirir o hábito
Ajude-os
O mais difícil para um aluno
inexperiente é redigir
o primeiro parágrafo.
Para aprender a resumir, é preciso fazer muitos resumos.
É prático escolher uma área e começar a conceber resumos unicamente para
os textos dessa área. Assim, é assegurada uma certa homogeneidade nos
textos, o que, em conjunto com as rotinas estratégicas que cada docente
pode aplicar, proporcionará uma metodologia adequada para os alunos.
A área das Ciências é provavelmente aquela que oferece mais oportunidades
para conceber atividades de resumo.
Nas primeiras ocasiões, convém seguir um procedimento muito específico,
em conjunto com a turma:
1.
2.
3.
4.
5.
Ler uma vez o texto completo (leitura silenciosa individual).
Perguntar de que trata o texto. Escolher a melhor formulação.
Ler pormenorizadamente um parágrafo (leitura oral coletiva).
Resumi-lo oralmente numa oração.
Cada aluno copia o mesmo resumo para o seu caderno.
Progressivamente, o professor ou professora pode ceder parte do seu papel
aos alunos:
1.Um aluno lê em voz alta o parágrafo e os restantes colegas acompanham
a leitura.
2.Vários alunos dizem o que entenderam, mesmo que o que possam dizer
esteja incompleto. O professor ajuda a completar e a compor.
3.O professor começa a formular a ideia e pede-lhes ajuda para que possa
ter­miná-la.
4. Cada aluno copia o mesmo resumo para o seu caderno.
Depois de vários meses de prática, será possível chegar a uma fórmula algo
mais autónoma, mas igualmente sistemática:
1. Um aluno lê em voz alta o parágrafo e os restantes acompanham a leitura.
2.Vários alunos dizem o que entenderam, mesmo que o que possam dizer
esteja incompleto. O professor ajuda a completar e a matizar.
3.O professor pede a vários alunos que formulem o seu resumo.
4. Cada aluno redige o seu próprio resumo no caderno.
Para adquirir e desenvolver a técnica, é necessário fazer resumos cada vez
mais longos e difíceis, mas não convém soltar amarras demasiado cedo.
Só com um método específico, coletivo e de rotina constante é possível
fazer com que os alunos elaborem resumos cada vez melhores.
Estratégias
1
Hábito
Aquisição da técnica
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Técnicas e métodos de estudo
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Os alunos fazem resumos com muita frequência?
Tenha em conta
Habituando os alunos
a resumir, está a prepará-los
para a recolha de
apontamentos no futuro.
Se tiver oportunidade, conceba tarefas que impliquem resumos para os seus
alunos executarem; desta forma ganharão competências na área da comunicação. Os resumos são excelentes para:
• Melhorar
a expressão escrita.
Resumir incita-os a redigir com clareza, a ser concisos e a utilizar
um vocabulário preciso.
• Melhorar
a expressão oral.
Ao serem obrigados a reelaborar a informação, os alunos são capazes
de explicar oralmente o que resumiram de formas distintas;
o seu discurso oral ficará mais coerente e fluido.
• Melhorar
a compreensão.
Os alunos automatizam a leitura profunda dos textos informativos
e habituam-se a interrogar-se sobre o verdadeiro sentido do que
leem, interpretando-os.
Os resumos servem para estudar?
Alguns docentes aconselham estudar a partir do resumo porque contém
um discurso personalizado. O estudante, ao resumir, já se separou da linguagem do autor e fez seu o conteúdo do texto, logo, iniciou a interiorização
dos conceitos.
Quando estiver a estudar e a rever os conteúdos com o resumo à sua frente,
poderá variar a forma de o aluno se explicar, mas manterá constante a ordem
e a hierarquia dos conteúdos que escolheu quando redigiu o resumo.
Por outro lado, outros desaconselham o uso do resumo para estudar.
Referem que, ao tratar-se de uma síntese discursiva — ou seja, totalmente
condensada e já redigida —, o estudante tenderá a memorizá-la sem flexibilidade alguma (relativamente ao esquema, que obriga a construir um
discurso enquanto vai memorizando e que, portanto, proporciona um verdadeiro estudo). Por isso, alguns docentes são partidários de que, ainda que
se devam elaborar esquemas e resumos, o estudo se apoie no texto íntegro
original.
Como em tudo, é sempre possível adotar uma postura intermédia, que
aproveite as contribuições de uns e outros. Por exemplo, o professor pode
aconselhar os alunos da seguinte forma:
• A
ntes de estudar um tema, elabora resumos.
• Memoriza a informação tal como te recomenda o teu professor ou professora.
• Uma vez memorizado o tema, aproveita os resumos para rever.
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Parte
9
Técnicas e métodos de estudo
Organizar graficamente
a informação: esquemas e tabelas
1. E
m que consiste a organização gráfica
da informação?
Organizar graficamente
a informação requer:
Organizar graficamente a informação significa representar os conteúdos
fundamentais de um texto e mostrar as relações que existem entre si.
• sintetizar;
• ordenar;
• classificar;
• hierarquizar.
É uma técnica de síntese que reduz o texto à sua mínima expressão. As relações lógicas prescindem das palavras e permanecem reduzidas a marcadores gráficos e a códigos espaciais.
Outras técnicas
relacionadas são:
• leitura global;
• sublinhado;
• comentários na margem.
Representar a informação num gráfico exige um maior grau de abstração
do que o mero sublinhado ou o resumo. Daí que para os alunos do terceiro
ciclo do Ensino Básico ainda seja um exercício difícil (tendo em conta que
estão apenas a começar a desenvolver o pensamento formal).
Não obstante, é o momento ideal para lhes proporcionar estratégias e ajudar
a adquirir bons hábitos.
Começar com exercícios simples e praticar com assiduidade permitir-lhes-á
enfrentar o estudo com uma atitude mais ativa.
2. Por que razão elaboramos esquemas e tabelas?
Elaboramos esquemas e tabelas para observarmos a informação de forma
imediata, com uma rápida observação. Para isso, a informação deverá ficar
reduzida ao importante, ao estritamente essencial e, além disso, deverá ser
apresentada de forma lógica.
O tema
Os conceitos principais
Os dados
Os conceitos secundários
Proponha elaborar esquemas:
• Para
compreender exaustivamente um texto.
Por exemplo, as informações teóricas da área das Línguas.
• Para
memorizar informação complexa.
Por exemplo, como plano de um tema de Estudo do Meio.
Material necessário:
• Papel de rascunho, para criar
um primeiro esboço.
• Lápis de várias cores.
• Régua.
Proponha elaborar tabelas:
• Para
comparar duas ou mais realidades.
Por exemplo, animais ovíparos e animais vivíparos.
• Para
estabelecer classificações.
Por exemplo, as figuras poligonais.
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Parte
Técnicas e métodos de estudo
9
3. Estratégias: elaborar esquemas
Ainda que seja possível assinalar critérios para elaborar esquemas, a verdadeira
solução reside em adquirir um método próprio ao longo da vida de estudante.
O primeiro passo é determinar o tema. Ajude os alunos a interrogarem-se
sobre o tema do texto:
• De que fala o texto?
• De que trata?
A resposta terá de ser um sintagma nominal. Fala de: as mariposas, os super-heróis do cinema, os tipos em rodas de bicicleta, …
Na representação gráfica, o tema torna-se o título do esquema.
Os alunos ficam
desanimados
Se depois de terem desenhado
uma chaveta, não couber
o conteúdo.
Na horizontal
• E squema polivalente e simples de aprender.
• Muito recomendável para textos descritivos, para enumerações e para
classificações.
• Permite aproveitar bem toda a largura do papel.
• Permite que umas partes tenham mais desenvolvimento do que outras.
• Desenhar as chavetas requer alguma perícia.

• • 
•  

• •
•
•
•
• • • • Na vertical
Para calcular bem o espaço
Recomende-lhes que no
segundo nível escrevam
o texto da esquerda, em
seguida o da direita e,
finalmente, o do centro.
358
• E squema muito visual, mas com limitações de desenvolvimento.
• Recomendável se só são necessários termos independentes ou expressões
sucintas.
• É mais claro se se marcarem todos os textos.
• Para os principiantes, é difícil distribuir os espaços de cada linha horizontal.
• A partir do segundo nível, não permite muitas subdivisões de cada secção.
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Parte
9
Técnicas e métodos de estudo
Deve sublinhar-se antes de fazer o esquema?
Alguns docentes consideram necessário sublinhar as ideias fundamentais
de um texto antes de esquematizar a informação. Desta forma, tentam que
o aluno divida em dois os processos de síntese: identificação e representação.
Leitura
Ler minuciosamente
o texto.
Sublinhado
Reconhecer
a informação.
Esquema
Idealizar a representação
gráfica.
Esquema
Existem diferentes tipos de ângulos, de acordo
com a sua medida.
Se um ângulo mede menos de 90°, dizemos que
é um ângulo agudo.
O ângulo reto é o que mede 90°. Os dois lados
do ângulo reto são perpendiculares.
Um ângulo é obtuso se medir mais de 90°.
O ângulo plano mede 180°, ou seja, ambos os lados
se encontram na mesma reta.
Agudo: , 90°
Tipos
Reto: 5 90°
de
Agudo: . 90°
ângulos
Agudo: 5 180°

Texto sublinhado
Nessa mesma linha pode adicionar-se um passo intermédio: quando, depois
de reconhecer uma ideia e de a sublinhar, se escreve na margem esquerda
do texto um comentário sobre o conteúdo do sublinhado, que se pode
referir à ideia central, a uma ideia secundária ou ainda à categoria à qual
pertence a informação.
Ângulos
Obtuso
Plano
Sublinhado
Reconhecer
a informação.
Comentário
na margem
Analisar o conteúdo.
Esquema
Idealizar a representação
gráfica.
Texto sublinhado
Esquema
Existem diferentes tipos de ângulos, de acordo
com a sua medida.
Se um ângulo mede menos de 90°, dizemos que
é um ângulo agudo.
O ângulo reto é o que mede 90°. Os dois lados
do ângulo reto são perpendiculares.
Um ângulo é obtuso se medir mais de 90°.
O ângulo plano mede 180°, ou seja, ambos os lados
encontram-se na mesma reta.
Agudo: , 90º
Tipos
Reto: 5 90º
de
Agudo: . 90º
ângulos
Agudo: 5 180º

Agudo
Reto
Leitura
Ler minuciosamente
o texto.
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Parte
Técnicas e métodos de estudo
9
É possível fazer um esquema sem sublinhar?
A resposta é sim. Há docentes que preferem treinar os seus alunos desde
o início na esquematização, fazendo-os passar diretamente da leitura compreensiva para a representação gráfica.
Leitura compreensiva
Ler minuciosamente o texto
Reconhecer a informação → Compreensão
Analisar a informação → Reflexão
Esquema
Idealizar
a representação
gráfica
Este modelo tem uma orientação mais intuitiva e pode parecer mais difícil
de ensinar porque é menos pautado. Também é certo que produz uma
sensação inicial de insegurança nos alunos. Contudo, é um procedimento
mais direto e, portanto, permite uma aprendizagem por imersão: o aluno
não necessita de estar consciente de todo o processo pelo qual passa a sua
mente; simplesmente adquire rotinas e deixa-se levar. Com um treino sistemático baseado em textos muito simples, chega-se, quase sem se dar conta,
à aquisição da técnica.
Optar por este modelo não significa deixar de lado as técnicas de estudo.
Seja em conjunto ou em separado, o sublinhado, o comentário, o esquema,
as tabelas e o resumo são técnicas básicas de síntese de informação que todo
o estudante deve conseguir dominar.
Como se passa diretamente da leitura ao esquema?
Caso opte pelo sistema direto do texto ao esquema, deve ter em consideração que o mais importante é a coerência. Necessitará de fazer muitos
esquemas simples com os seus alunos diretamente no quadro. Aproveite
textos que os alunos já tenham trabalhado; assim, não necessitará de empregar muito tempo nas fases de compreensão inicial.
Procure as suas próprias fórmulas e repita-as sempre na mesma ordem e com
as mesmas palavras, para transmitir aos alunos uma rotina de trabalho. Aqui
está uma proposta:
esenhe no quadro uma caixa retangular. Pergunte pelo tema: «De que
1. D
trata o texto?» Escreva o tema dentro da caixa.
2.Pergunte pela forma do esquema: «Quantas partes terá o esquema?»
Trace, na caixa, tantas linhas quanto o número de partes.
3. Pergunte pelo conteúdo: «Que se diz em cada parte?» Ou então, «De que
trata cada parte?» Escreva algum termo básico em cada linha.
Podemos dar a forma que preferirmos a este esqueleto: esquema de chavetas,
esquema de setas, inclusivamente uma forma de tabela.
1.
2.
3.
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Parte
9
Técnicas e métodos de estudo
4. Estratégias: elaborar tabelas
Aprender a elaborar tabelas
Quanto mais habituados
estiverem os alunos
a preencher tabelas e a ler
os dados nelas contidos,
mais simples será para eles.
Uma tabela é um esquema no qual se estabelecem duas linhas de leitura:
da esquerda para a direita e de cima para baixo. Vejamos um exemplo:
Festejos escolares
1.º período
2.º período
3.º período
Dentro
da escola
Dia Mundial
da Alimentação
Dia Mundial
do Ambiente
25 de Abril
Fora
da escola
Dia Mundial
do Ambiente
Carnaval
Santos
Populares
• S e lermos a tabela da esquerda para a direita, saberemos que festejos
escolares se celebraram no primeiro trimestre, no segundo e no terceiro,
tanto dentro da escola como fora dela.
• Se lermos a tabela de cima para baixo, saberemos que festejos escolares se
celebrarão dentro da escola e fora da escola, em cada um dos três trimestres.
Desde os primeiros níveis escolares que as crianças preenchem tabelas,
portanto, é um recurso que lhes é familiar. Contudo, elaborar uma tabela para
representar graficamente o conteúdo de um texto é uma tarefa complexa
que lhes exige uma visão global da informação.
Quando iniciar uma tabela?
Existem dois requisitos mínimos nos quais se pode pressupor o acordo de todos
os docentes, seja qual for o método que utilizem para ensinar os seus alunos
a realizar tabelas e esquemas.
Antes de começar, é imprescindível:
• T er realizado uma leitura global do texto.
• Ter identificado o tema:
— O texto fala de…
— O texto explica as fases de…
— O texto compara…
Quando estão bem feitos um esquema ou uma tabela?
Na hora de corrigir
Assim que um esquema ou
um quadro estejam feitos,
é muito difícil fazer correções
sem estragar a apresentação.
Anime os seus alunos: não se
trata de repetir a tarefa, mas
de passar a limpo.
Um esquema ou uma tarefa estão corretos quando cumprem duas condições:
ontém toda a informação imprescindível (até ao nível que determi1.ª C
námos).
2.ª A organização dos elementos está correta.
Uma vez asseguradas estas duas premissas, o restante deverá ser avaliado
com flexibilidade, permitindo a iniciativa do aluno, aceitando outras interpretações ou formas de expor razoavelmente a informação.
Neste nível do Ensino Básico, é aceitável que as ideias não estejam sintetizadas
ao máximo. É natural que seja difícil para os alunos prescindir da sintaxe oral.
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Parte
Técnicas e métodos de estudo
9
Por último, deve ter-se em consideração a dificuldade que implica o desenho
da tabela em si: determinar as linhas e as colunas, distribuir as células dos
cabeçalhos, calcular o espaço necessário a todas as casas e a toda a informação, etc. É sempre recomendável que utilizem regras e que os primeiros
trabalhos sejam feitos em papel quadriculado.
Está mal se fizer de outra forma?
Na área das técnicas de estudo raramente existem soluções únicas. Esta circunstância cria frequentemente intranquilidade, tanto a docentes como a
alunos. Na hora de escolher um tipo de esquema ou de tabela, têm influência
múltiplos fatores:
• C
omo é a informação? Se a informação se compõe de termos isolados,
com pouco texto, teremos mais liberdade de escolha; mas se reduzir muito
texto ou se necessitar de redigir algumas partes, as possibilidades reduzem-se e é melhor que as partes de um mesmo nível vão sendo dispostas umas
sob as outras.
• A capacidade lógico-espacial do aluno. Os alunos cuja capacidade de
representação espacial esteja desenvolvida mostrar-se-ão independentes
para escolher um tipo de esquema; contudo, para outros será melhor aprender um modelo polivalente (por exemplo, o esquema de chavetas) e aplicá-lo repetidamente a qualquer tipo de texto, até que se sintam mais seguros.
Permita que os alunos selecionem o recurso que lhes é mais útil para
organizar os seus esquemas. Inclusivamente, se dispuser de tempo, proponha-lhes que testem as várias formas e comente com eles as vantagens que lhes
oferecem os diferentes modelos em cada caso.
Os meus alunos vão melhorando a sua destreza?
Execute um teste com os alunos assim que tenham feito consigo alguns
esquemas. Leia-lhes este breve texto e peça-lhes que de forma individual
e espontânea passem a informação para um esquema.
Entre as personagens mais importantes da Idade Média, destaca-se:
• D
. Afonso Henriques foi o primeiro rei de Portugal, conseguindo celebrar o Tratado
de Zamora em 1143 e ser reconhecido pelo papa Alexandre III em 1179.
Este seria o máximo de informação que deveriam recolher:
Personagem da Idade Média
• D
. Afonso Henriques (D. Afonso I)
Primeiro rei de Portugal
Celebrou o Tratado de Zamora
Foi reconhecido pelo Papa
Contudo, as representações possíveis são múltiplas. Todas serão corretas
se a partir do título tiverem três elementos e se de cada um desses elementos derivarem as informações pertinentes.
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Parte
9
Preparação de avaliações
1. Em que consiste rever conteúdos?
Antes de rever:
•
•
•
•
ler minuciosamente;
compreender;
organizar as ideias;
interiorizá-las.
Rever conteúdos consiste em regressar à informação previamente
processada, ou seja, já compreendida e assimilada.
Técnicas e métodos de estudo
Rever conteúdos
Tanto os manuais de técnicas de estúdio como os docentes e os próprios
alunos utilizam o termo revisão com dois sentidos. As referências dos alunos
parecem esclarecedoras:
• Revisão 5 Última fase do estudo. «Já aprendi e agora irei rever várias vezes
para estar mais seguro.»
• Revisão 5 Cada ciclo da memorização.
«Revi uma vez observando o livro e outra com o meu resumo. Já quase que
aprendi. Agora vou rever em voz alta, com o esquema à frente para não me
perder. E depois conto-o a ti, para ver se sei, certo?»
2. Por que razão revemos os conteúdos?
A revisão pode obedecer a diferentes necessidades e, portanto, os objetivos
de acordo com os quais se revê também são diferentes. Eis aqui duas perspetivas distintas para abordar as revisões.
1.O estudante estabelece o que tem de fazer com os conteúdos que vai
rever:
• Revê para conseguir uma visão global do tema trabalhado na aula:
«Terminámos o tema do nome e tenho de reunir toda a informação.»
• Revê para memorizar um tema completo: «Tenho de aprender o tema 5:
O Sistema Solar.»
• Revê para memorizar conteúdos complexos que exigem exatidão:
«Tenho de aprender as escalas de unidades de longitude, massa
e capacidade.»
Preparar material
Sugira aos alunos que, para
rever, tenham à mão papel
e lápis.
2.O estudante estabelece como demonstrar que domina esses conteúdos:
• Revê para preparar uma prova escrita.
• Revê para preparar uma exposição oral.
• Revê para preparar uma apresentação de grupo.
3. Estratégias: reler
Perante qualquer tarefa de estudo e para a preparação de uma prova,
é indispensável reler os temas e os apontamentos.
Os alunos do Ensino Básico podem aprender a rever a partir de um modelo
sistemático, que devem praticar em atividades de grupo. A forma mais
simples de iniciar os alunos na revisão é incluí-la na metodologia da área
de Estudo do Meio; uma vez consolidado o método, este pode estender-se
a qualquer outra área.
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Técnicas e métodos de estudo
9
Método para reler o tema no livro de texto ou os apontamentos
1.º Reler o tema uma vez, todo de seguida. (Ler)
Leitura silenciosa.
Serve para recordar a ideia global do tema: de que trata, que partes tem.
2.º Reler de novo secção a secção. (Ler 1 fixar)
Leitura oral.
Serve para enunciar o título da secção e fixar os conteúdos concretos dessa
parte. É fundamental que o aluno associe a cada título o conteúdo preciso.
3.º Reler e arrastar. (Ler 1 fixar 1 relacionar)
Leitura oral comentada.
Ao terminar de reler cada secção, voltar atrás para saber que lugar ocupa
essa secção na totalidade do tema e relacioná-la com o já visto.
Serve para ligar toda a informação num todo.
Um pequeno truque
Se habitualmente começa
a unidade lendo com os seus
alunos a informação do livro,
este método será igualmente
útil nesse processo inicial.
Quer seja habitual pedir-lhes
que resumam o tema ou
não, esta rotina facilitará a
compreensão e a assimilação.
Como método de revisão, deve-se aplicá-lo quando já se tiver trabalhado
o tema e, portanto, os alunos já contactaram anteriormente com a informação e já realizaram as atividades.
Um texto deverá ser relido pela primeira vez de forma individual e silenciosa,
mas as outras duas são necessariamente orais e coletivas. É importante que
o professor reproduza em voz alta esse processo mental que se origina quando
um leitor tenta fixar uma informação e relacioná-la com as outras que o texto
contém. Pela mesma razão, as intervenções dos alunos enriquecem a experiência dos colegas.
É necessário reler tudo?
Até que os alunos não tenham adquirido suficiente autonomia, responda-lhes
sempre a esta pergunta. Antes de estabelecerem o que reler, têm de saber
em que momento de aprendizagem se encontram e com que finalidade
estão a planear a nova leitura. Por exemplo:
«Do tema «Pré-História», é necessário rever as secções que se referem
ao artesanato e à arte, porque amanhã vamos ver um documentário
e assim saberemos do que trata.»
Evite, sempre que possível, experiências desanimadoras, como reler todo
o tema, quando basta reler uma parte. Reler por completo um tema tem
utilidade para estudar, para fechar a unidade ou para preparar uma prova ou
uma exposição. Lembre-se de que a chave para que um estudante acabe
por adquirir um método de estudo próprio é que comprove que consegue
melhores resultados com menos esforço.
Serve de algo reler os títulos?
Num livro de texto, a informação aparece ordenada e organizada e, além disso,
quase todos os professores convidam os seus alunos a fazerem resumos nos
quais se sintetiza a informação e se depura a organização da mesma. Assim,
no resumo de um tema, os títulos e os subtítulos enunciam os conteúdos sobre
os quais versa a informação, por categorias. Por isso, rever os títulos:
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Parte
9
Quando o aluno prepara uma prova na qual tem de desenvolver conteúdos,
é especialmente apropriado:
• r eler todos os títulos do tema, como se se tratasse de um esquema;
• reler o título de cada secção e rever em voz alta o que contém.
Técnicas e métodos de estudo
• p
ermite que se forme uma ideia completa do tema;
• permite compreender em quantas partes se divide o tema e de que trata
cada uma dessas partes.
Inclusivamente, em alguns temas de Matemática, nos quais a informação
a aprender é muito concreta, é útil reler os títulos. Por exemplo, ao rever
o tema «Área de figuras planas», o aluno pode rever as páginas do livro
da seguinte forma:
Ler cada título de secção
permite evocar
Qual é a área de uma figura?
Qual é a superfície que ocupa uma figura
plana.
Unidades de superfície
Que as unidades são o centímetro
quadrado, o decímetro quadrado e o metro
quadrado. E que vão de 100 em 100.
Área do retângulo
e do quadrado
Que é igual à base vezes a altura.
Que é lado por lado.
Área do triângulo
Que é igual à base vezes a altura a dividir
por dois.
4. E
stratégias: reelaborar a informação
fundamental
Rever é um recurso para reelaborar a informação. Reelaborar a informação
é o método mais eficaz de revisão. E ambos, revisão e reelaboração, são fases
inevitáveis do estudo.
Não se trata de um jogo de palavras, mas de um de tantos processos de
retroalimentação que ocorrem na área da aprendizagem significativa.
A revisão é um instrumento muito poderoso que proporciona uma elevada
rendibilidade intelectual.
Algumas estratégias concretas para reelaborar a informação fundamental
de um tema são as seguintes:
• F
azer uma lista de perguntas possíveis, inclusivamente algumas que
possam fazer parte de outras. Isto obriga o aluno a pensar na informação
sob diferentes perspetivas.
• Apresentar dúvidas na aula. Os alunos que fazem perguntas costumam
ter uma maior predisposição para refletir sobre o conteúdo da informação
e sobre os seus próprios processos de compreensão. No mesmo sentido,
os alunos com pouca disposição estratégica têm dificuldades em apresentar as suas dúvidas, porque não sabem concretizá-las.
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Técnicas e métodos de estudo
9
• R
esponder às dúvidas dos colegas. Os problemas entre iguais são benéficos tanto para o aluno que tem alguma dúvida como para o colega que
o ajuda a esclarecê-la.
• Explicar o mesmo de outra maneira. Quanto mais difícil é a informação,
mais útil será esta estratégia de falar consigo mesmo. A chave está em
estabelecer que deve explicar-se como se fosse a alguém que não conhece
ou não entende.
• Repetir esquemas e desenhos enquanto se explicam em voz alta as ideias
que representam.
• Rever tomando notas com papel e lápis. Supõe ir reproduzindo o discurso
com a informação enquanto se procura o apoio de esboços que recordam
desenhos ou gráficos, de traços que representam esquemas, da escrita
rápida de nomes difíceis, etc.
• Apoiar-se num plano que contenha apenas os títulos e subtítulos. Serve
quando o aluno conta a si mesmo a informação, geralmente de forma oral.
Convém não utilizar esta estratégia até que se tenha memorizado o suficiente, dado que no plano não está a informação propriamente dita.
• Apoiar-se num esquema o mais conciso possível. Serve para construir
um discurso personalizado, mas mantendo uma organização fixa e assegurando todas as informações fundamentais. Permite que o aluno incorpore
uma grande quantidade de conectores lógicos, para que o discurso tome
corpo.
É conveniente rever os exercícios resolvidos?
Na aula
Dê muita importância a que
as tarefas sejam totalmente
corrigidas. Assim, não só se
resolvem dúvidas e corrigem
erros, mas permite-se também
que os trabalhos sirvam
depois como referência para
as revisões.
Na área das Ciências da Natureza, é muito útil rever os exercícios feitos
na aula e em casa, porque levantam questões que ajudam o aluno a reelaborar
a informação. Ajudam-no a soltar-se da literalidade do livro ou dos apontamentos e tornam-no disponível para aplicar o que aprendeu.
Na área da Matemática, a forma mais eficaz de revisão é voltar a resolver
os mesmos exercícios feitos na aula. Para que o aluno possa fazer uma revisão
sozinho, é imprescindível que tenha os exercícios bem resolvidos no seu
caderno.
Na área das Línguas, reler os exercícios de vocabulário e os de funcionamento
da língua pode ser de grande utilidade. O melhor é ler o enunciado tapando
a solução e responder de forma oral.
É conveniente rever as ilustrações do livro?
Aconselhe os seus alunos a, durante as suas revisões, reverem as imagens
e os gráficos que aparecem no livro de texto. Podem apoiar-se nas imagens
e repetir a informação numa ordem diferente à do resumo. Além disso,
se retiverem a imagem, associá-la-ão às ideias que a acompanham e isso
reforçará a memorização.
Por exemplo, em História e Geografia de Portugal muitos conteúdos históricos podem apoiar-se em imagens: as grandes obras arquitetónicas dos
Romanos; um mosteiro medieval; um quadro de Grão-Vasco; fotografias
com tipos de paisagens ou de locais onde decorreram acontecimentos
históricos.
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Técnicas e métodos de estudo
Porquê rever em voz alta?
Rever em voz alta obriga o estudante a reelaborar a informação: procura
diferentes formas de expressar a informação fundamental e necessita de ir
estabelecendo relações lógicas que liguem umas ideias a outras.
Caso a sua forma natural de memorizar seja rever uma e outra vez o texto
original em silêncio, convém que faça pelo menos um par de revisões em
voz alta porque, caso não o faça, corre o risco de memorizar literalmente.
O que têm em comum o resumo e os apontamentos?
Tanto o resumo como os apontamentos são métodos para reelaborar
a informação que partilham as seguintes características:
• R
egistam a informação importante do texto e o discurso de referência.
• Apresentam a informação ordenada, organizada e hierarquizada.
• Recolhem o vocabulário específico e, em simultâneo, o discurso fica suficientemente personalizado.
O anterior justifica que tanto o resumo como os apontamentos sejam
considerados unanimemente como duas técnicas fundamentais nos distintos
processos de compreensão — seja qual for a extensão que se quiser dar
a este conceito.
Contudo, não existe unanimidade no que diz respeito a serem suficientes
para o estudo propriamente dito (memorização): os seus detratores alegam
que são reelaborações restritas, que deixaram pelo caminho exemplos,
matizes e pormenores e que, portanto, conduzem o aluno a uma memorização mais literal do que aquela que faria com o próprio manual.
Todas as áreas se reveem da mesma forma?
Independentemente da realização de provas de avaliação, os alunos necessitam de fechar ciclos e de rever. A revisão de conteúdos tem um esquema
comum em todas as áreas:
Que temas vimos?
O que contém cada tema?
Eu sei?
Como estruturar as revisões na área das Línguas?
• R
eler os temas no livro, prestando especial atenção às partes de informação.
• Escrever uma lista dos conteúdos. Caso sejam várias unidades, ordená-los
por áreas. Por exemplo, revisão de:
— Funcionamento da língua: os tempos verbais.
— Vocabulário: palavras simples e compostas.
— Ortografia: palavras com h.
• Rever o que se tem de estudar, ou seja, os conteúdos, tanto com o manual
como com os resumos e esquemas. Sei explicá-lo com as minhas próprias
palavras? Conheço as definições e as normas?
• Rever as atividades escritas executadas. Voltar a fazer oralmente as atividades de vocabulário e inventar orações com as palavras e expressões.
Escrever listas de palavras que sigam as regras de ortografia.
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Parte
Técnicas e métodos de estudo
9
Como estruturar as revisões na área da Matemática?
• R
eler os temas no livro, prestando especial atenção aos títulos e às partes
de informação.
• Ir de secção em secção, relendo a informação. Reler o título oralmente
e explicar a informação com palavras próprias.
• Rever os exercícios corrigidos e distinguir que tipos de exercícios se fizeram.
• Repetir alguns de cada tipo, tapando a solução e, em seguida, verificar.
• Rever os problemas. Voltar a resolver o maior número possível.
Como estruturar as revisões na área das Línguas estrangeiras?
• R
eler os temas no manual e os apontamentos do caderno.
• Elaborar uma lista com os conteúdos trabalhados:
— Vocabulário: a cozinha; a rua; os números.
— Funcionamento da língua: os verbos.
• Rever as listas de vocabulário: tapar a palavra e escrevê-la num papel,
o mais rápido possível; destapar e verificar; repetir a operação com toda
a lista várias vezes. Fazer o mesmo oralmente.
• Com o manual aberto, falar em voz alta: lendo os títulos, aproveitar
as ilustrações para rever as construções aprendidas, para descrever o que
se vê, para improvisar diálogos figurados entre várias personagens…
Como estruturar as revisões na área de Estudo do Meio?
• R
eler cada tema no manual e ter os resumos e apontamentos ao lado.
• Caso não tenham sido feitos anteriormente, elaborar esquemas. Explicar
oralmente uma visão geral do tema e que partes contém.
• Rever uma vez respondendo a perguntas curtas (nomes, feitos, características…).
• Rever outra vez respondendo a perguntas longas de desenvolvimento.
5. Estratégias: memorizar
Reler, reelaborar a informação e memorizar não são fases isoladas durante
o estudo; são processos circulares interligados: desde a primeira leitura que
se inicia o processo de memorização.
Para que a marca da memória seja duradoura, devem existir tempos
de apreensão, tempos de fixação e tempos de reforço. E para lá das diferenças individuais, esses tempos devem ser complementados com intervalos
de interrupção; por exemplo, entre uma revisão e a seguinte, ou entre a última
revisão e o momento em que irá demonstrar o que se aprendeu. São condições
necessárias para que a informação assente e se consolide.
Fomente a autoestima
Não deixe espaço para
manifestações fatalistas do
tipo: Tenho muito má memória.
A memória precisa de ser
exercitada.
368
Pois bem, se no processo de memorização a gestão do tempo parece
fundamental, deve dotar-se o aluno da capacidade de controlar o seu tempo,
e nada melhor do que explicá-lo de uma perspetiva que lhe pareça útil.
• O
cupar todo o tempo necessário a compreender. Não é tempo perdido,
uma vez compreendida a informação, menos tempo será necessário para
aprendê-la. Não se aprende o que não se compreende: pode memorizar-se
de forma literal, mas isso não serve para nada e apaga-se facilmente
da memória.
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Parte
9
• R
eservar tempo para sintetizar e organizar a informação. Mesmo que
não me peçam como exercício obrigatório, realizo sublinhados, resumos,
tabelas e esquemas; assim, certifico-me de que compreendo tudo bem e,
quase sem me dar conta, começo a aprender.
Estratégia de estudante eficaz: Fazer os resumos e os esquemas sempre
da mesma forma (mesmo papel, mesmas cores, títulos e subtítulos sempre
iguais). Poupa tempo a dobrar: a rotina levará a que seja cada vez mais
rápido e o facto de sintetizar fará com que comece o estudo propriamente
dito com a informação já assimilada.
Técnicas e métodos de estudo
E stratégia de estudante eficaz: Prestar muita atenção às explicações na aula
e fazer perguntas em caso de dúvida. Poupará tempo e problemas quando
estiver a sós perante o manual.
• E
scolher bem o momento de estudo. Se digo que vou estudar, é porque
vou dedicar toda a minha atenção a isso. O cansaço e as distrações conduzem a um desperdício de tempo e esforço.
Estratégia de estudante eficaz: Escolher autonomamente quando memorizar
e ser rigoroso; os pais e os professores impõem condições a quem não
obtém bons resultados, mas deixam margem de autonomia a quem
se mostra metódico.
• M
arcar um plano de revisões. Estudo quase sempre porque na aula
marcam um objetivo (por exemplo, tenho uma prova escrita na próxima
terça-feira); assim, posso assinalar no calendário quantos dias antes tenho
de começar a rever. Quanto melhor se cobrirem as fases de compreensão
e síntese, mais eficazes serão as revisões.
Estratégia de estudante eficaz: Fazer muitas revisões e que cada uma se faça
o mais rapidamente possível. Mas nada de perder de vista o objetivo: saber
tudo e sabê-lo muito bem.
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Parte
Técnicas e métodos de estudo
9
Rever procedimentos
1. Em que consiste a revisão de procedimentos?
Rever procedimentos
permite:
• compreender o que se está
a fazer;
• estabelecer rotinas
de autocontrolo;
• verbalizar processos
mentais;
• tomar consciência dos
processos de aprendizagem.
O elevado conteúdo de procedimentos da área da Matemática justifica que
se dedique uma secção específica para refletir sobre as estratégias
e as técnicas próprias desta área. Não obstante, algumas das sugestões incluídas
são igualmente válidas noutras áreas de aprendizagem.
Os alunos com poucas capacidades estratégicas não reveem um procedimento
de forma espontânea. É importante tomar consciência deste feito para
planificar as iniciativas didáticas que se empreendam.
• S e um procedimento tiver êxito, o aluno não vai perguntar se fez bem ou mal.
Basta-lhe o resultado.
• Se um procedimento fracassar, o aluno repeti-lo-á mecanicamente; e se
continuar a fracassar, talvez desista, talvez tente outro procedimento e…
recomeça.
Portanto, a ação deve ter o intuito de inculcar nos alunos hábitos de reflexão
e atitudes de interesse pelo trabalho bem feito, para que tomem consciência
dos processos de aprendizagem dos quais são protagonistas.
2. Por que razão revemos procedimentos?
O objetivo último de rever procedimentos é ter a certeza de que uma tarefa
está bem feita. Na prática, isto traduz-se numa dupla segurança:
• E star seguros de que não se cometeram erros.
• Estar seguros de que foi utilizado o melhor procedimento possível.
Por que razão revemos
os procedimentos?
370
Exemplos de situações
matemáticas nas quais o aluno
revê procedimentos
Para comprovar resultados.
Não dê por terminada uma divisão
até que tenha feito a prova (quociente
3 divisor 1 resto).
Para detetar erros no resultado.
Na aula, durante a correção de uma série
de percentagens, vê que fez mal um
cálculo. Em lugar de se limitar a copiar
o resultado correto, efetua novos cálculos
e anota bem o resultado.
Para detetar erros no processo.
O seu colega obtém resultado distinto
no problema e compara os passos que
ambos seguiram.
Para melhorar os procedimentos.
Para calcular 2/3 de 150 antes realizava
todas as operações (150 : 3 e 50 3 2).
Quando automatizou o procedimento,
calcula mentalmente e anota o resultado.
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Parte
9
Técnicas e métodos de estudo
3. Estratégias: reler e explicar o procedimento
Evite medos
Os alunos deste nível
sentem-se ainda muito
inseguros quando lhes
é apresentada uma dificuldade
nas tarefas individuais.
Tente que não consultem
só o manual. É recomendável
que os acompanhe na consulta,
mas não para lhes explicar,
só para os ajudar a reler
e a interpretar.
Os alunos do último ciclo do Ensino Básico devem estar habituados
a consultar autonomamente o livro de texto como fonte de informação,
inclusivamente na área da Matemática.
Convém que sejam lidos na aula, e também individualmente, todos os títulos
(para que tomem consciência de que tema estão a trabalhar) e todas as
informações, tanto as que se referem a conceitos como as que descrevem
procedimentos.
No mesmo sentido, merece a pena tirar partido de todas as propostas
do manual na quais haja indicações gráficas diretas.
Quando o trabalho da unidade didática já está iniciado e os alunos enfrentam
atividades coletivas ou individuais, é interessante que o manual se torne
um verdadeiro recurso de consulta:
Procuro no manual onde se explica
o procedimento.
Releio as fases
do procedimento.
Explico com as minhas
palavras o procedimento.
Exemplo de um procedimento explicado verbalmente
A fração de um número
Calculamos 3/4 de 28
1.º Dividimos o número pelo denominador.
28 : 4 5 7
2.º Multiplicamos o quociente obtido pelo numerador. 7 3 3 5 21
Logo 3/4 de 28 5 21
Como retirar partido desta proposta (sugestões para o aluno):
1.Leia o título. Mencione que já sabe de frações (representá-las, somar…)
2.Leia o enunciado. Que quererá dizer isso de 3/4 de um número?
É preciso saber que se sabe calcular 1/2 de um número (a metade).
E 1/3?
3.Pode representar 1/2 de 28 em forma de tarte? E 1/3? Desenhe-o no
quadro.
4.Leia um a um os passos.
5.Explique o procedimento com as suas palavras e recorrendo a desenhos.
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Técnicas e métodos de estudo
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Aqui está um exemplo semelhante de um livro de Línguas, no programa
de expressão escrita:
O cartaz
O cartaz é uma mensagem com a qual se pretende fazer chegar uma informação
a um grande número de pessoas. Por vezes, também tenta convencer-nos de algo.
A. Planificação. Decide que informação vais incluir no teu cartaz e faz um
esboço.
B. Redação. Elabora o cartaz tendo em conta que podes jogar com o tamanho
das letras e que tens de dispor o texto de forma a destacar aquilo que é mais
importante.
C. Correção. Revê o teu cartaz e assegura-te de que não contém faltas, de que
não te esqueceste de nada e de que tem um aspeto limpo e atrativo.
Exemplo de um procedimento explicado graficamente
CÁLCULO: DIVIDIR UM NÚMERO NATURAL POR 100 E POR 1000
3000 : 100 5 30
104 000 : 1000 5 104
400 : 100
6000 : 1000
700 : 100
8000 : 1000
1200 : 100
52 000 : 1000
5900 : 100
70 000 : 1000
60 800 : 100
345 000 : 1000
Como retirar partido desta proposta (sugestões para o aluno):
• L eia o título e o enunciado. Observe os cabeçalhos.
• Explique de que trata o exercício. O que é necessário fazer? Como dizer que
é necessário fazê-lo?
• Seguindo o exemplo, vá dizendo os resultados.
• Finalmente, explique pelas suas palavras como se divide um número por
100 e por 1000.
Estratégias didáticas:
• N
ão poupe esforço ao aluno, nem ao interpretar a proposta nem ao explicar o procedimento.
• Finja — com humor — que não o entende, até que não se explique com
clareza suficiente.
De seguida apresenta-se um exemplo semelhante de um manual de Ciências
da Natureza.
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Técnicas e métodos de estudo
desenhar uma planta
1.º
Traçar a linha do solo
e desenhar a estrutura
geral da planta.
2.º
3.º
Desenhar as raízes.
4.º
Desenhar o caule
e os ramos.
Desenhar as folhas
e as flores.
5.º
Pintar a planta.
4. Estratégias: inventar outras práticas similares
A repetição de um procedimento assegura que o aluno o executará corretamente, mas o desejável é que vá mais além: que o interiorize, que seja capaz
de discernir quando deve aplicá-lo, porque a situação é similar, e quando não
o deve fazer. Para este fim, é especialmente útil a invenção de práticas semelhantes.
Os recursos didáticos que um docente põe nas mãos dos seus alunos respondem, frequentemente, a uma gradação. Por exemplo:
1.Exercitar a soma de frações, com repetição de exercícios semelhantes.
2.Realizar problemas de somas de frações em situações verosímeis.
Em cada um desses momentos, os alunos aprendem e praticam procedimentos concretos. Mas se ficarmos por este nível, é muito possível que
os alunos registem esta como uma aprendizagem matemática sem mais nem
menos, sem ligação com o resto da sua realidade cognitiva.
Por outro lado, se lhes propusermos assiduamente que inventem práticas
semelhantes, o processo de aprendizagem completa-se.
Recurso didático
Procedimentos nos quais se exercita o aluno
Repetir muitos exercícios
de soma de frações
• Somar frações.
Memorizar e executar a mecânica do procedimento.
Resolver muitos
problemas que exigem
somas de frações
• Estabelecer o problema.
Transcrever em termos matemáticos a situação real.
• Solucionar o problema.
Identificar o modelo correspondente e aplicá-lo.
— Somar frações.
• Reconhecer os elementos que definem
a situação.
Inventar outros
problemas que exijam
somas de frações
• E stabelecer equivalências na vida real.
• Generalizar o procedimento.
— Colocar problemas de frações.
— Solucionar problemas de frações.
— Somar frações.
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Técnicas e métodos de estudo
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Dito de outra maneira, se habituarmos o aluno a reproduzir um mesmo
procedimento noutras práticas, este aumentará as suas competências
de forma sólida.
Quando repete muitos exercícios
de soma de frações.
Quando resolve muitos problemas
que exigem somas de frações.
• Incorpora o conceito de fração
• Reconhece o conceito
• Automatiza a soma de frações.
Raciocina sobre como resolver
o problema matemático.
Soma frações quando inventa
outros problemas que exigem
somas de frações.
de fração na vida real.
• Raciocina como resolver
o problema matemático.
• Soma frações.
na sua experiência real e a sua
experiência cognitiva.
• Reconhece o conceito.
• Raciocina sobre a resolução.
• Soma frações.
Exemplos de propostas para inventar práticas
• Na área da Matemática:
Mede o ângulo proposto,
indica de que tipo
é e desenho outros
dois ângulos do mesmo
tipo.
Numa aquicultura
existem 12 tanques com
90 trutas e 110 salmões
cada um. Formula
tu uma pergunta
com um problema
que envolva soma
e multiplicação.
Inventa um problema
de soma e divisão a partir
da ilustração.
• Na área das Ciências da Natureza:
Copia o esquema
do aparelho respiratório
e indica o nome de cada
órgão.
Depois, chega a acordo
com o teu colega
para trabalharem
da mesma forma
outro dos aparelhos
que estudámos.
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Técnicas e métodos de estudo
5. Detetar erros no procedimento
Os alunos do Ensino Básico precisam de ajuda para distinguir se um erro
no resultado se deve a um erro de procedimento. Por exemplo, num exercício
de potências que está mal resolvido pode haver um erro de cálculo ou um
erro de procedimento:
9 elevado a 3 5 273
9 3 9 5 81 81 3 9 5 279
9 elevado a 3 5 27
9 3 3 5 27
Enganou-se ao multiplicar 81 3 9
Pensou que elevar 9 ao cubo
é multiplicar 9 3 3
O procedimento
está correto.
O procedimento
está incorreto.
Exemplos de rotinas para rever procedimentos
Se os alunos se habituarem desde cedo a estabelecer rotinas de verificação,
assumirão de forma natural a responsabilidade sobre a qualidade das suas
aprendizagens. Convém que sejam rotinas muito simples e polivalentes:
uando escrevo algo, releio-o.
• Q
— Verifico se me expressei com clareza.
— Revejo se não há erros de ortografia.
— Revejo se tudo está correto, em especial se copio uma informação
ou um enunciado de exercício.
• Q
uando realizo uma operação matemática, a revisão.
— Se realizo subtrações ou divisões, aplico a prova correspondente.
• S
e resolvi um exercício, releio o enunciado.
— Fiz o que me era pedido? Sabia como fazer ou fiz uma consulta?
— Expressei o resultado como me é pedido?
• S
e resolvi um problema, revejo-o.
— Releio o problema: Anotei bem os dados?
— Releio a pergunta final: O que me era pedido? Que passos dei para
a resolver? A resposta corresponde à pergunta?
— Revejo as operações para me assegurar de que fiz bem os cálculos.
• S
e me engano várias vezes no mesmo tipo de exercício, recorro
à consulta.
— Revejo no livro ou nos resumos o exercício.
— Explico ao professor a minha dúvida, para que me ajude.
— Talvez o meu professor me aconselhe a conversar com os colegas.
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Técnicas e métodos de estudo
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Refletir sobre a própria
aprendizagem
1. Em que consiste a reflexão?
Refletir proporciona:
• aprendizagem ativa;
• motivação intrínseca;
• autonomia;
• autoconhecimento;
• autoestima.
Na aprendizagem, como se de uma longa viagem se tratasse, convém
parar de vez em quando para consultar o mapa: de onde viemos, onde
nos encontramos, para onde nos dirigimos.
Nem as crianças nem os adolescentes sentem a necessidade espontânea
de refletir sobre as aprendizagens conseguidas. Contudo, é inquestionável
que os sucessos produzem uma satisfação íntima que os faz sentirem-se bem
consigo mesmos e que os incita a empreender novos objetivos. Portanto,
vale a pena mostrar-lhes o que vão aprendendo, para que se sintam realizados e motivados com a sua vida escolar.
Está nas mãos dos adultos cultivar e estimular as atitudes de reflexão e proporcionar-lhes mecanismos de autoavaliação, para que o feedback se converta
em benefício próprio.
2. Por que razão refletimos sobre a aprendizagem?
• A
ntes de terminar uma unidade didática.
• Antes de uma prova de avaliação.
• Depois de uma prova de avaliação.
A realidade é interpretável
Uma dificuldade não
é um obstáculo insuperável;
uma dificuldade
é simplesmente um objetivo
que ainda não foi alcançado.
•
•
•
•
o encerrar uma unidade didática.
A
Depois de uma prova de avaliação.
Ao encerrar um bloco de temas.
Ao terminar um trimestre ou um curso.
 
A reflexão sobre as aquisições conseguidas admite orientações diferentes
em cada momento do processo de aprendizagem:
Refletimos para
detetar as nossas
dificuldades.
Refletimos para
reconhecer o que
aprendemos.
3. Estratégias: detetar as próprias dificuldades
Na aula
Reforce positivamente os
alunos que são capazes de
identificar as suas dificuldades.
Esses alunos contam com um
recurso estratégico do qual
podem retirar uma alta
rendibilidade.
Com ajuda, um aluno de qualquer idade pode identificar aquilo que ainda
não sabe, aquilo em que se sente confuso, aquilo com que se dá mal…
Qualquer instrumento é válido, porque o importante é que o aluno:
• tome consciência de que ainda não efetuou a aprendizagem;
• se situe no ponto de partida para abordar a questão: só ou com ajuda.
Como aproveita o docente a reflexão?
Quando um aluno reflete para detetar as suas próprias dificuldades:
• é possível corrigir erros de conteúdo e de procedimento.
• é possível empreender tarefas de reforço ou de recuperação.
Por que razão se corrige na aula?
As correções coletivas podem tornar-se reexplicações, mas com a vantagem
de terem lugar quando o aluno já enfrentou a dificuldade: comprova que
cometeu um erro, não soube executar um procedimento, entendeu mal
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Técnicas e métodos de estudo
uma explicação, etc. Além disso, dão a oportunidade de verificar várias
soluções possíveis para uma mesma questão. Algumas sugestões para fazer
da correção uma situação de aprendizagem multidirecional (consigo mesmo,
entre iguais, professor-aluno) passam pelas seguintes ações:
Não é um exame
Tente não tornar cada
correção uma prova
de avaliação. Caso os alunos
tenham medo de se
enganarem nas tarefas diárias,
recorrerão ao engano
ou à cópia.
• C
rie um ambiente de segurança e confiança. Uma correção nunca
deverá tornar-se uma ocasião em que um aluno se sinta em evidência, nem
por parte dos colegas nem por parte do docente.
• Durante a correção, estimule os alunos a dizer em voz alta onde
surgiu a dificuldade. O importante da correção não é quantos erros fez
um aluno, mas distinguir os erros pouco importantes das dificuldades que
é necessário abordar e solucionar.
• Realize a correção quando o trabalho estiver feito. Não faz sentido
corrigir o que não se fez; um exercício deixado em branco é uma oportunidade perdida e não se recupera copiando um resultado.
• Convença os alunos a completarem sempre os exercícios, inclusivamente aqueles que não compreendem ou que não sabem resolver.
Para eles parecerá uma contradição, mas explique-lhes que as suas mentes
compreendem melhor uma explicação caso tenham deparado anteriormente com a dificuldade; que se esforcem por estabelecer uma estratégia
e que apostem numa solução, ainda que acabe por não ser a correta.
• Assegure-se de que fazem perguntas. Ensine-lhes a não corrigirem
um exercício até compreenderem onde estava o erro.
Porquê comentar um exame corrigido?
Uma prova oral e uma prova escrita não têm obrigatoriamente de ser
o final de um processo: podem tornar-se um instrumento de deteção
de dificuldades que permita tomar medidas.
O mais recomendável é que, assim que o aluno tiver realizado uma prova,
a receba já corrigida o mais cedo possível e se deixe algum tempo para
comentar os resultados e todas as correções que o professor possa ter
assinalado. Será mais enriquecedor se esta conversa for aberta a todos,
porque a maioria dos comentários que surgirem serão úteis também para
outros companheiros. Algumas sugestões didáticas são as seguintes:
Ajude-os a distinguir entre dificuldades de conteúdo e dificuldades
de procedimento.
• P
asse revista às estratégias básicas:
— Leste desde o princípio todas as perguntas para teres uma ideia geral?
— Selecionaste primeiro as que te pareciam mais simples?
— Releste todas as respostas antes de passar à seguinte?
— Reviste tudo antes de entregar o exame?
• I nteresse-se pela gestão do tempo:
— Dei-te tempo para fazeres tudo com tranquilidade?
— Olhaste para o relógio para calcular o tempo que ainda tinhas?
— Quando ficaste preso numa pergunta, o que fizeste?
• E
xija uma análise dos resultados:
— Esperavas este resultado?
— O que podes melhorar?
— O que precisas de melhorar?
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Técnicas e métodos de estudo
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Porque se deve observar um caderno?
Se observar de forma periódica os cadernos dos seus alunos, estes estarão
a beneficiar duplamente:
• P
or um lado, sentem-se incluídos numa rotina de controlo que lhes dá
segurança: são constantes na execução das suas tarefas escritas e o seu
professor interessa-se por isso e reconhece-o em cada revisão. Sentem-se
recompensados por serem responsáveis.
• Por outro lado, as anotações que ficam após cada observação fazem com que
se apercebam de dificuldades que eles mesmos não tinham detetado:
— Alguns exercícios de verbos estão mal; revê-os.
—P
or que razão não assinalas o que corriges na aula? Preciso de saber
se estás enganado.
— Cuidado, que às vezes não corriges bem os exercícios.
— Cuida mais da apresentação do teu caderno diário, etc.
4. Estratégias: reconhecer o que se aprendeu
Quando um aluno para para refletir e para reconhecer o que aprendeu:
• Recapitula as aprendizagens para lhes dar sentido.
• Toma consciência dos avanços.
• Verifica o êxito das suas estratégias pessoais e, inclusivamente, melhora.
O que medem as qualificações académicas?
Num relatório de avaliação refletem-se os resultados do rendimento escolar.
Aceitando, como não pode ser de outra forma, os requerimentos que as
instâncias educativas legislam sobre a avaliação, o certo é que a interpretação
varia segundo a perspetiva adotada.
• P
ara os docentes, guiados pela normativa legal, esses resultados provêm
da conjunção de objetivos alcançados (conceptuais, de procedimento
e de atitude), mais as competências, tudo isso depurado pelos critérios
de atenção à diversidade.
A sua capacidade profissional permite-lhes distinguir resultados pontuais
de referências globais de avaliação.
• Para os pais, esses resultados são a soma das capacidades do seu filho
mais o esforço que este realizou.
A partir das qualificações manifestam atitudes de aprovação, de desaprovação
ou de indiferença; projetam uma imagem de reforço positivo ou de determinismo
fatalista; transmitem uma análise realista da situação ou mascaram
a realidade; etc.
• Para o aluno, as qualificações tornam-se a imagem que projetam de si
mesmos e são, por sua vez, o reflexo que a realidade lhes devolve.
Podem utilizar-se como um instrumento muito potente de reflexão entre o adulto
e o estudante.
Por isso, seja qual for a corrente pedagógica na qual se inscreve um docente,
e seja qual for a conceção que a família tiver do ato pedagógico, o certo é
que para o verdadeiro protagonista da aprendizagem — ou seja, para
o aluno —, as qualificações académicas deveriam funcionar como mais um
recurso para reconhecer o que vai aprendendo e para refletir sobre as suas
atitudes e os seus hábitos.
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Apresentação de trabalhos
Técnicas e métodos de estudo
Pesquisar informação
1. Em que consiste a pesquisa de informação?
Pesquisar informação é uma tarefa planificada que tem um objetivo. Antes
de iniciar a pesquisa de informação, é necessário:
1.º Saber bem o que se procura.
O que procuro?
2.ºPonderar qual é a fonte mais idónea.
Onde procurar?
3.ºAplicar a estratégia mais eficaz.
Como procurar?
2. Por que razão procuramos informações?
• Solucionar as atividades concretas propostas.
• Solucionar dúvidas e adquirir conhecimentos sobre os quais fazem perguntas, seja de forma espontânea ou por obrigação.
Além disso, no terceiro ciclo do Ensino Básico, os alunos aprofundam a pesquisa de informações para:
• preparar e elaborar trabalhos escritos;
• preparar e apresentar exposições orais.
3. Estratégias: escolher boas fontes de informação
Os alunos do Ensino Básico ainda não dispõem de plena capacidade para
distinguir informação de opinião. Também não podem distinguir de forma
autónoma as informações verdadeiras e confirmadas das que não o são.
Para escolher corretamente as fontes de informação, é necessário ter
em conta três variáveis:
Informação
Veracidade
Realidade
Opinião e interpretação
Imprecisão, intenção tendenciosa ou recreação subjetiva
Ficção
Num livro de texto encontramos a informação
bem diferenciada de tudo o que não o é.
Num documentário televisivo, sobretudo se tiver o aval de uma
empresa de prestígio, costumamos encontrar veracidade.
Num romance encontramos ficção, ainda que
possa ser uma ficção verosímil.
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Parte
Técnicas e métodos de estudo
9
Todas as fontes são fiáveis?
Cada vez que os alunos e alunas têm de realizar um trabalho monográfico,
é recomendável que levem a cabo uma sessão coletiva para determinar que
fontes de informação são as mais adequadas.
Algumas fontes de informação oferecem, a priori, um alto grau de fiabilidade
a respeito dos seus conteúdos:
Em televisão
Nem tudo é real, nem tudo
é certo.
• L ivros e enciclopédias, garantidos pelo nome dos autores e da editora.
• CD e outras publicações digitais, editadas por empresas de reconhecido
prestígio.
• Documentários televisivos.
• Revistas especializadas.
• Folhetos divulgativos editados por entidades reconhecidas e administrações
públicas. Páginas da Internet com o aval de instituições educativas de
prestígio.
• Entrevistas em direto ou gravadas, com peritos, autores, investigadores,
personalidades…
A utilização de outras fontes de informação requer a ajuda de um adulto que
oriente os alunos e os aconselhe quanto a serem pertinentes para o tipo
de informação que procuram:
• Imprensa escrita e digital.
• Programas informativos de rádio e televisão.
• Programas de televisão que oferecem entrevistas, tertúlias e comentários
de notícias.
• Páginas da Internet, blogues, gestores de conteúdos.
Na Internet
Podemos encontrar
informação que não esteja
confirmada e não saber
quem está na origem
da sua publicação.
E, finalmente, existem alguns formatos que convém questionar antes de
deixar que os alunos deste nível os utilizem como fontes de informação:
s fotocópias que careçam de identificação da fonte.
• A
• As páginas da Internet, os blogues e os gestores de conteúdos que não
estejam suficientemente identificados.
• As páginas da Internet em que os utilizadores são quem introduz espontaneamente a informação.
• Os programas de televisão de qualquer tipo, que os pais ou docentes
considerem tendenciosos, inapropriados ou pouco educativos.
Podem obter-se informações a partir de um filme?
Um filme de ficção pode tornar-se uma boa fonte de informação para trabalhar aspetos, como os indicados em seguida:
• A
ambientação a uma época e a um lugar: forma de vida, roupa, cultura,
costumes, tecnologia…
• Os feitos históricos relevantes, pelo menos em linhas gerais: o que ocorreu,
quando e onde.
• A biografia de grandes personagens históricas: quem era, o que fez, como
viveu.
• A obra de grandes artistas, seja qual for a sua área: pintura, dança, música,
literatura…
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Parte
9
Técnicas e métodos de estudo
• A
s grandes obras da literatura. Os alunos podem mergulhar na história
de um grande acontecimento, ainda que não tenham um nível suficiente
para enfrentar a sua leitura direta.
• As figuras e as histórias das diferentes culturas mitológicas: familiarizar-se
com as grandes personagens da mitologia grega, da mitologia latina
ou da mitologia dos povos do Norte da Europa.
• Informações científicas, avanços tecnológicos, fenómenos da Natureza,
etc.
• Os conteúdos geográficos: onde estão situados esses lugares, de onde
e para onde viajam os protagonistas…
• A descrição de situações económicas e sociais.
• A colocação de problemas coletivos, de forma a promover a reflexão ética:
desigualdades, injustiças, conflitos bélicos, problemas ecológicos…
Apesar de tudo, antes de utilizar um filme como recurso didático, convém
assegurar-se do rigor dos seus conteúdos.
O que trazem as informações gráficas?
Ainda que atualmente imperem os formatos de informação visual, continua
a ser necessário recorrer à linguagem verbal para processar tanto a observação como a análise da informação visual.
Quando numa mesma fonte aparece informação escrita e visual, é recomendável refletir sobre esta última: analisar que informação traz e verbalizá-la.
Aqui estão alguns exemplos com que deparam diariamente os alunos do
Ensino Básico quando têm à sua frente um manual ou um livro informativo
geral e que aproveitamento podem fazer deles.
Durante a leitura na aula
Insista que os alunos
observem cuidadosamente
as imagens e as comentem.
Desta forma habituam-se
a verbalizar as observações
diretas.
Uma ilustração num texto literário.
É possível que reflita o ambiente da história quando no relato não se diz
explicitamente, talvez porque seja um fragmento de uma obra maior, onde
e quando tem lugar a história.
Uma fotografia num tema sobre política.
Muito provavelmente é uma das personalidades que protagoniza o que
se está a explicar. Por exemplo, quem é o presidente do governo.
Um quadro ou uma fotografia junto de um texto de História.
É possível que reflita uma situação concreta ou um costume. Por exemplo,
crianças a trabalhar em minas durante a revolução industrial.
Um edifício ou um objeto.
Pode tratar-se de um elemento muito significativo de uma civilização, que
ajuda a fixar a informação. Por exemplo, uma pirâmide ou um sarcófago
do Egito antigo.
Um gráfico numa informação matemática.
Pode ser uma informação autónoma, junto do texto. Por exemplo, a chuva
que caiu numa região durante um ano.
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Parte
Técnicas e métodos de estudo
9
Um desenho esquemático junto a um texto sobre plantas.
O mais provável é que recolha a informação que aparece descrita no texto
que o acompanha. É possível que também contenha vocabulário-chave.
Onde começar a consulta?
Rever todo o índice. Consultar apenas as páginas
necessárias.
Num livro
Num motor
de busca
da Internet
Introduzir o tema ou alguma palavra-chave.
Escolher as propostas oportunas e descartar
as que não interessam.
Numa página
da Internet
Selecionar as opções da página de início.
Conhecer os menus sucessivos.
Numa enciclopédia
digital
Introduzir o tema ou alguma palavra-chave.
Seguir as ligações que vão aparecendo.
4. Estratégias: selecionar e organizar a informação
Tranquilizar os alunos
Sugerir-lhes que escolham
somente duas ou três fontes
de informação (mas nunca
um só). Mesmo assim, a tarefa
exigir-lhes-á um esforço
considerável.
A dificuldade de selecionar a informação residia em vencer a dúvida
e decidir que informações interessam e as que se vão descartar.
De toda a informação encontrada…
Fico com o quê?
Descarto o quê?
Para que os alunos possam levar a cabo esta seleção, podem necessitar
— sobretudo nos primeiros trabalhos — de uma sessão coletiva na qual
recebam ajuda. Pôr questões que permitam centrar o tema:
Sugestões para ajudar
os alunos
382
Exemplo de como apontar a informação
Sobre que tema
pesquisaram informação?
— Sobre seres monstruosos.
Esta é a proposta de trabalho
que receberam.
Em quantas páginas
da Internet encontraram
informação?
— No livro Monstros e Bruxas, na enciclopédia Mundos
e Culturas, na Wikipédia…
— Tenho um livro sobre os homens-lobo…
— Tenho um livro sobre dragões…
Anote todos no quadro.
Decidiram concentrar-se
em quê?
— Vou fazer um trabalho sobre monstros marinhos.
— Eu vou fazer sobre os homens-lobo.
— Eu vou fazer um trabalho sobre monstros em Roma
e na Grécia.
Diga a cada um que aponte
o título do seu trabalho:
Os monstros marinhos;
Os homens-lobo…
Em que páginas da Internet
encontraram informação
sobre esse tema concreto?
— Na Wikipédia e no livro No Fundo do Mar.
— No livro Mistérios do Homem-Lobo…
Que cada um anote apenas
as fontes que lhe servirão para
o seu trabalho.
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Parte
9
Para realizar um trabalho de pesquisa, é necessário organizar a informação
de que se dispõe, e para isso é imprescindível elaborar um guião:

O guião
• D
elimita o conteúdo do trabalho.
• Marca as partes que vão compor o trabalho.
• Constrói a estrutura do trabalho.
Ajuda a selecionar.
Ajuda a ordenar.
Ajuda a organizar.
Técnicas e métodos de estudo
Como se organiza a informação?
Quando se elabora o plano?
Quando se tem experiência a fazer trabalhos, é possível elaborar o primeiro
plano logo que se conheça o tema, mas para alunos que estão a começar
é conveniente estabelecer o seguinte processo:
Receber o pedido
1.ºPedem-me para fazer um trabalho.
Selecionar as fontes
de informação
2.ºObservo onde posso encontrar informação
e escolho as duas ou três fontes que me
parecem melhores.
Elaborar um plano
3.ºEscrevo o título das secções que o meu
trabalho vai ter. E também penso se alguma
dessas secções terá subsecções.
Selecionar
a informação
4.ºPesquiso e anoto a informação concreta,
de acordo com o plano.
Aperfeiçoar o plano
5.ºSe enquanto faço o trabalho vejo que me
faltam secções ou que é melhor ordená-las
de outra forma, vou mudando o meu
plano.
Como se aprende a fazer um plano?
Os alunos, ainda sem experiência, necessitam de ajuda para se habituarem
a fazer guiões de trabalho. Por isso:
• P
ermita identificações algo simplistas, mas eficazes:
— Tema do trabalho → Título
— Guião do trabalho → Índice
— Secções → O que quero saber
As lulas
1. O que são.
2. Onde vivem.
3. Como vivem.
a) O que comem.
b) Como se relacionam.
c) Como se reproduzem.
4. Que lendas se contam
sobre elas.
• F aça a gestão dos termos secção (grandes secções) e subsecção (divisões
das grandes secções).
• O
primeiro plano é somente composto por grandes secções. Estas devem
ser numeradas e escritas em maiúsculas.
• F ormule as grandes secções com orações interrogativas para que pareçam
indicações de trabalho. Evite os sintagmas nominais, porque exigem uma
maior abstração.
• E stabeleça subsecções num segundo momento e só se forem imprescindíveis. Estas devem ser assinaladas com letras e escritas em minúsculas.
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Parte
Técnicas e métodos de estudo
9
Elaborar trabalhos escritos
1. Em que consiste um trabalho de pesquisa?
Os trabalhos monográficos
fomentam:
• a curiosidade por aprender;
• a autonomia pessoal;
• a busca de recursos.
Num trabalho de pesquisa, o aluno documenta-se sobre um tema e prepara
um dossier escrito.
Na prática diária podem surgir dificuldades. Alguns alunos resistem a propostas
demasiado livres e outros — sobretudo os que estão menos conscientes dos
seus processos de aprendizagem — consideram que a valorização dos seus
trabalhos depende da subjetividade do professor mais do que do seu esforço;
é necessário eliminar as resistências em ambos os casos.
Convém ter em conta que, para os alunos, enfrentar um trabalho de pesquisa
torna-os frequentemente inseguro:
• a tarefa é dura;
• devem procurar informação num extenso campo onde parece não haver
limites;
• devem fazer opções e tomar decisões durante todas as fases do processo;
• no final do caminho, entregarão um trabalho e sentirão que o que está
feito está feito e que não têm possibilidade de voltar atrás.
2. Por que razão se pede para fazerem trabalhos
escritos?
Os docentes pedem aos seus alunos para fazerem trabalhos escritos para
que treinem:
planificação de processos.
• A
• A pesquisa, seleção e organização de informação.
• A redação de discursos informativos extensos.
O aluno deve conhecer de antemão as fases por que vai passar e distribuí-las
num calendário:
Data
do pedido
1.ºElaborar um plano.
2.ºProcurar informação
e organizá-la.
3.ºElaborar um rascunho.
Copiar, resumir, explicar.
4.ºRedigir o trabalho final.
Reinterpretar, personalizar.
Redigir definitivamente
e de forma personalizada.
Corrigir.
Incorporar elementos
gráficos.
Data
de entrega
384
Encadernar ou editar.
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Parte
9
Os alunos, desde os primeiros níveis, podem aprender a elaborar simples
guiões de trabalho.
A elaboração de guiões pode tornar-se uma atividade por si só, até que
adquiram suficiente destreza.
Basta escrever uma proposta no quadro, por exemplo «a esferográfica» e, em
seguida, colocar-lhes a seguinte pergunta: «O que gostaríamos de saber sobre
a esferográfica?».
Técnicas e métodos de estudo
3. Estratégias: elaborar o plano
Depois, podem anotar-se no quadro todas as perguntas que surjam de forma
espontânea, para que apareça um mosaico de pontos a tratar, ainda que
desordenados:
Quem a inventou?
O que é uma esferográfica?
Os nossos avós utilizavam a esferográfica?
E os nossos pais?
Como mudou a vida desde que se inventou a esferográfica?
A ESFEROGRÁFICA
Como funciona uma esferográfica?
Onde se fabricou a primeira esferográfica?
Como se escrevia antes de existir esferográfica?
Desde quando existem esferográficas?
Como funcionam as esferográficas?
Chegado este momento, os alunos poderão — com ajuda — ordenar as
questões, agrupar as aperfeiçoadas e descartar as repetitivas. Uma possível
ordem seria o seguinte:
A esferográfica
• O que é uma esferográfica?
• Como funciona uma esferográfica?
• Quem a inventou, quando e onde?
• Como se escrevia antes da esferográfica?
• Como mudou a vida desde que se inventou a esferográfica?
O resultado é uma formulação clara e simples, mas tão rigorosa como o plano
que poderia preparar um aluno do Ensino Secundário:
A esferográfica
•
•
•
•
•
escrição.
D
Funcionamento.
Invenção.
Antecedentes.
Repercussões.
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Parte
Técnicas e métodos de estudo
9
4. Estratégias: elaborar um rascunho
O aluno elabora o rascunho com a informação selecionada e organizada,
à qual vai dando uma forma própria.
O rascunho terá de ser um trabalho pessoal, mas que tenha informações
certas. Esse difícil equilíbrio consegue-se fazendo algumas recomendações
simples:
O que transmitimos ao aluno?
• Resume-se a informação que
aparece muito extensa.
• Reescrevem-se as informações que
podem ser resumidas.
• Só se copiam as tabelas,
os desenhos, as listas de palavras,
os dados concretos…
• Só se copia quando se quer citar
exatamente o encontrado.
Como explicar?
Leio informação que ocupa duas
páginas e resumo-a em poucas linhas.
Compreendo o que quer dizer
e redijo-o com as minhas próprias
palavras.
Copio um gráfico ou um esquema
e indico de onde o copiei.
Copio um parágrafo ou um fragmento
muito breve, escrevo-o entre aspas
e indico de quem foi copiado.
• Não se copia aquilo que se mostrará As minhas opiniões e as minhas
como uma opinião pessoal.
conclusões são totalmente minhas.
Boas práticas
Como relacionar o plano com o rascunho?
O importante é que
o resultado seja um trabalho
bem documentado,
mas nunca copiado.
A verdadeira originalidade
está na redação personalizada
e na opinião pessoal ou nas
conclusões.
Os títulos das secções e das subsecções mostram como está organizado
o trabalho, e essa é a base do plano. O plano ajuda-nos a ir construindo o
rascunho e, por sua vez, ao redigir o rascunho, é possível que surja a necessidade de modificar o plano: subdividir as secções, trocar a ordem de algumas
partes, etc.
Durante toda a fase de rascunho, os títulos devem estar corretamente indicados. Todos as secções com a mesma importância devem surgir da mesma
forma. Por exemplo:
Guião de trabalho «A minha estufa»
1. COMO A CONSTRUÍ
1.1 Os materiais
1.2 Passo a passo
2. O QUE CULTIVEI
2.1 O que semeei
2.2 Diário dos cultivos
3. O QUE DESCOBRI
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Parte
9
Ao redigir o trabalho final, há que ter em conta os seguintes aspetos:
•
•
•
•
S eguir fielmente o plano.
Marcar corretamente os títulos de cada secção e subsecção.
Intercalar ilustrações, gráficos, …
Expressar-se com simplicidade e clareza.
Técnicas e métodos de estudo
5. Estratégias: redigir o trabalho final
Se o aluno lidou com informações não textuais, decidirá o que fazer com
esses conteúdos:
• S e forem gráficos ou desenhos, deverá copiá-los.
• Se forem imagens para inserir, deverá colá-las ou digitalizá-las.
• Se forem informações redigidas, deverá escrevê-las com as suas próprias
palavras.
O que se revê antes de dar o trabalho por terminado?
Organize com os alunos uma sessão para que revejam os seus trabalhos,
antes de comporem o dossier. Cada qual terá o seu trabalho à sua frente.
Como explicar?
1.ºRevisão do meu
trabalho: Está tudo?
Verifico que estão todas as secções
e subsecções.
2.ºRevisão:
A organização
Verifico que cada secção e cada subsecção estão
assinaladas segundo a sua categoria.
3.ºRevisão:
Expressão e ortografia
Verifico que a redação está correta: expressão,
sinais de pontuação, erratas. Verifico se não há
erros de ortografia.
Uma vez ordenado
Numerar as páginas
Elaborar o índice
Como se compõe o dossier?
Independentemente de o trabalho se apresentar em papel ou num suporte
informático, existem algumas constantes:
Página de rosto
• T ítulo do trabalho (com ilustração ou não).
• Dados do autor ou autores.
• Outros dados que tiver indicado o docente.
• O título de cada secção e o número de página em que
Índice
Desenvolvimento
começa cada um.
• Pode estar no princípio ou no fim.
• C
ategorias dos títulos bem assinaladas.
• Títulos e números de páginas de acordo
com o índice.
• Apresentação: limpeza, margens, espaços, ortografia…
Bibliografia
• C
itar todas as fontes utilizadas.
• Situá-la no final do discurso.
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Parte
Técnicas e métodos de estudo
9
Apresentar exposições orais
1. Em que consiste uma exposição oral?
A exposição oral favorece:
•
•
•
•
o autocontrolo;
a autoestima;
a fluidez verbal;
a memória.
Expor um tema oralmente exige que a pessoa se documente e que organize
o discurso em torno de um plano.
Ora, o esforço e o trabalho prévios ficam subordinados ao resultado final:
a exposição perante o público. E nesse momento da exposição, os aspetos
formais como a postura e a dicção são decisivos. É imprescindível:
•
•
•
•
•
anter uma postura direita, o mais natural possível;
m
mover as mãos de forma controlada, sem exageros;
pronunciar corretamente as palavras;
controlar o volume da voz: falar alto, mas sem gritar;
ajustar a entoação ao discurso e manter o ritmo.
2. Quais são os objetivos das exposições orais?
As exposições orais têm fins distintos. Por exemplo, para que os alunos:
•
•
•
•
s e habituem a planificar trabalhos com uma certa envergadura;
consigam manusear fontes de documentação;
apliquem aprendizagens a partir de um ponto de vista multidisciplinar;
sejam capazes de expor conhecimentos de forma organizada perante um
público.
Tal como com a elaboração de trabalhos escritos, para preparar uma exposição oral é necessário que o aluno conheça de antemão todas as fases que
deverá levar a cabo e que preveja os tempos necessários.
Data
do pedido
Data
de entrega
1.ºElaborar um plano.
2.ºProcurar informação
e organizá-la.
• C
ompletar o plano com
resumos e esquemas.
• Preparar materiais
que se vão mostrar.
3.ºEnsaiar a exposição.
• R
ecitar várias vezes
a exposição.
4.ºExposição oral.
3. Estratégias: tirar partido do plano de trabalho
O plano torna-se o eixo de todas as demais atividades, que são estas:
• P
esquisa de informação. O plano orienta a pesquisa e a seleção.
• L eitura compreensiva. Ler os textos informativos selecionados
e compreendê-los.
• Interpretação de outros códigos. Compreender gráficos, tabelas, imagens,
sequências visuais…, que vão surgindo durante a pesquisa.
• Resumo e esquematização. Resumir informações e elaborar esquemas
para completar o plano.
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Parte
9
Basta um pequeno plano?
Técnicas e métodos de estudo
• R
edação argumentativa. Redigir argumentos, comentários sobre
as informações expostas e opiniões pessoais que farão parte da exposição.
• Memorização. Memorizar o plano e memorizar os dados e as informações
pertinentes, para que durante a exposição não se dependa em excesso
dos papéis.
Num primeiro momento, para planificar a exposição é suficiente um plano
básico, como o que utilizaríamos para preparar um trabalho escrito. Mas para
ensaiar a exposição é necessário incorporar toda a informação que se vai
expor: em forma de esquemas e resumos, para que ocupe o menos possível.
Quando é que um aluno necessita de ajuda?
É razoável que o aluno necessite da ajuda de um adulto em algum momento
do processo. Por exemplo:
1.Ao elaborar um plano.
como definitivo.
Consultar com o professor se pode ser dado
2.Ao pesquisar informação e ao organizá-la.
fiáveis.
3.Ao ensaiar a exposição.
4.Ao expor.
Consultar que fontes são
Fazer um teste diante de outra pessoa.
Dispor de alguém para lidar com os meios tecnológicos.
4. Estratégias: ensaiar a exposição
Durante os ensaios
É muito oportuno falar
em frente a um espelho;
controla-se melhor a postura,
os gestos e o olhar.
Antes de efetuar a exposição oral, o aluno deverá ensaiá-la várias vezes,
já que com isso poderá:
• D
ominar a informação, o que lhe permitirá utilizar o plano somente como
ajuda.
• Flexibilizar a expressão e não depender da memória literal: caso se esqueça
de algo ou caso fuja ligeiramente ao plano, saberá sair da situação.
• Não se desviar do tema nem duvidar: o público não se aborrecerá.
É importante que o aluno compreenda que durante os ensaios tem de ter
atenção simultaneamente a três aspetos:
Aspetos
Como explicar?
O conteúdo
De que estou a falar?
Aprendo de memória o plano.
Aprendo de memória os esquemas.
Aprendo a informação.
A expressão
Como explicar?
Repito uma e outra vez o discurso, para me acostumar
a contar o mesmo de várias formas.
A postura e a voz
Como estou a falar?
Ensaio defronte de um espelho e, se possível, defronte
de outra pessoa.
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Parte
9
É necessário preparar materiais?
Técnicas e métodos de estudo
Se se vão apresentar materiais ou qualquer objeto durante a exposição, há
que prepará-los e utilizá-los durante os ensaios, e muito especialmente caso
se trate de equipamentos de áudio ou vídeo. Nos ensaios, o aluno mostrá-los-á ou colocá-los-á em funcionamento, como se estivesse perante o público;
dessa forma, evitará imprevistos que podiam pôr em perigo a exposição.
Os materiais audiovisuais são um excelente complemento durante uma
exposição oral: desenhos, fotografias, murais, gravações de sons, imagens…
5. Estratégias: apresentar a exposição
Quando chega o momento da exposição oral diante do público, põe-se
à prova a planificação e a preparação anteriores.
Nem só o protagonista da exposição tem um papel a desempenhar; o contexto
deve ser o adequado e os demais participantes podem também contribuir
para que tudo saia bem.
Condições físicas
• E spaço acondicionado.
• Zona do apresentador/zona pública.
Adulto responsável
• A
mbiente de acolhimento.
• Ajuda com aparelhos, instrumentos.
Colegas
• B oa receção.
• Respeito.
Como iniciar a exposição?
É recomendável que os alunos se apresentem perante os seus colegas
de forma espontânea e simples. O objetivo é que lhes exponham o tema
de que vão falar e, talvez, que indiquem resumidamente a ordem que vão
seguir.
Talvez alguns alunos prefiram explicar onde obtiveram a informação antes
de iniciarem a exposição propriamente dita.
Outros podem querer mostrar aos colegas o material ao longo da sua exposição, que lhes ensinará como lidar com um instrumento, etc.
Como terminar?
O final deve estar previsto de forma muito especial no plano e é necessário
prepará-lo bem durante os ensaios:
Avaliação construtiva
Proponha aos alunos
que formam o público
que expressem o que mais
gostaram da exposição oral
que acabam de escutar.
390
• A
última informação tem de encerrar bem o tema.
• Convém que se note pela entoação na fala. Tem de dar a sensação
de fecho.
• A expressão da cara e os gestos das mãos devem indicar que a exposição
terminou.
Nas exposições entre colegas, é interessante permitir uma ronda de perguntas dirigidas ao apresentador ou ainda uma ronda de opiniões sobre o tema
exposto.
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