Cientistas bloqueiam odores ao mosquito que transmite malaria

Receba as notícias:
Escreva o seu e‐mail
Terça‐feira, 28 de Junho de 2011
Home
Ciências
Revista
Dossiers
Colunistas
Encartes
Utilidades
Quem somos
Contactos
Ciência Viva TV
Cientistas bloqueiam odores ao mosquito que transmite malária
Investigação internacional poderá contribuir para
o desenvolvimento de repelentes mais eficazes
2010‐03‐31
Após uma investigação de um grupo internacional de
cientistas, o mosquito transmissor da malária vai ter a sua
tarefa mais complicada. Os investigadores encontraram
forma de “tapar o nariz” ao Anopheles gambiae, fazendo
com que seja mais difícil que o insecto encontre os seus
alvos.
O mosquito fareja as suas vítimas através das antenas (e
não do nariz), mas isto não altera as potencialidades da
descoberta, publicada na PLoS One: criar um repelente
mais eficaz contra o animal.
"O repelente ideal ainda não existe, mas deveria
Anopheles gambiae, mosquito transmissor da
produzir poucos efeitos de irritação nos usuários e
malária
permitir uma dose de aplicação muito menor do que a
exigida pelos repelentes hoje", afirma Osvaldo
Marinotti, biólogo da Universidade da Califórnia em Irvine, e um dos autores do estudo, liderado por Marika
F. Walter, da mesma universidade.
O que os cientistas fizeram foi demonstrar, em detalhes, como ocorre a captação de cheiros nas antenas do
insecto e, com esses dados, bloquear de forma específica a detecção de um dos odores que o mosquito
reconhece.
Moléculas com odor
Os investigadores partiram de uma lista de dezenas de substâncias, conhecidas como OBPs (sigla em inglês
para moléculas portadoras de odor).
As OBPs são a primeira linha de reconhecimento de cheiro no organismo dos mosquitos. As moléculas com
odor colam‐se às OBPs que as transportam ate aos chamados receptores odorantes, posicionados em
neurónios especializados. É então que o cheiro detectado chega ao cérebro do insecto.
O grupo escolheu como alvo inicial a molécula conhecida como
AgamOBP1, mais activas nas fêmeas das espécies − são elas que
transmitem o parasita.
A AgamOBP1 diminui a sua actividade justamente depois dos
mosquitos fêmea estarem saciados de sangue, sugerindo o
envolvimento dela com a procura de vítimas do insecto pelo
cheiro.
Simulações e análises de laboratório mostraram que a provável
chave química que se encaixa na AgamOBP1 é uma molécula
orgânica conhecida como indol.
AgamOBP1, proteína odorante do
insecto
Os cientistas usaram uma técnica de biologia molecular para
impedir que o organismo dos insectos iniciasse a produção dessa
molécula.
Numa última fase, a equipa foi analisar o que aconteceria quando
os insectos sem a AgamOBP1 eram expostos ao indol. “Isto é feito com uma medição dos sinais eléctricos
enviados da antena ao cérebro dos mosquitos”, explica Marinotti à Folha de São Paulo.
A conclusão foi clara: nos animais tratados o sinal não era transmitido, ou seja, os insectos não tinham sido
capazes de cheirar o indol.
Vítima inodora
“Identificar com precisão as moléculas que carregam odores rumo ao cérebro dos mosquitos permite uma
série de abordagens”, diz Osvaldo Marinotti.
Pesquisar
OK
"No caso de repelentes, há duas opções. A primeira é fazer com que o mosquito não consiga mais sentir o
cheiro da pessoa", afirma o investigador.
Isto poderia ser conseguido com uma overdose de
uma substância que se ligasse às OBPs do insecto e
as deixasse inactivas.
"Outro caminho é empregar algo que seja capaz de
produzir um sinal nas OBPs, mas que seja um sinal
negativo, um cheiro que impeça o insecto de chegar
perto", ou seja, um repelente clássico.
Finalmente, há também a possibilidade de criar
compostos extremamente atraentes para o insecto,
conduzindo‐o para armadilhas repletas de bactérias e
fungos que este, consequentemente, espalharia pela
população de mosquitos.