Zika reduz o desenvolvimento do cérebro fetal em 40%

11/04/2016
Zika reduz o desenvolvimento do cérebro fetal em 40% ­ Saúde ­ Estadão
Zika reduz o desenvolvimento do
cérebro fetal em 40%
CLARISSA THOMÉ - O ESTADO DE S. PAULO
11 Abril 2016 | 08h 00 ­ Atualizado: 11 Abril 2016 | 11h 46
Estudo de pesquisadores do Rio de Janeiro foi realizado com minicérebros que reproduzem o órgão de um feto
de dois meses
RIO DE JANEIRO ­ Em mais uma peça do quebra­cabeça que vem sendo montado por cientistas na tentativa de solucionar o vínculo
entre zika e microcefalia, pesquisadores do Rio mostram que a infecção reduz o desenvolvimento do cérebro fetal em 40%, quando
comparado com outro que não teve contato com o vírus. O estudo, que tem financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do
Estado do Rio de Janeiro (Faperj), foi publicado pela revista Science.
O trabalho, liderado pelo pesquisador Stevens Rehen, do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro
(UFRJ) e do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino, usou minicérebros. São estruturas de menos de dois milímetros, obtidas a partir de
células­tronco, que reproduzem o cérebro de um feto de dois meses. Têm as camadas, os ventrículos e características anatômicas
observadas num cérebro. A diferença é que não têm vascularização, então não conseguem crescer além dessa fase.
Em pesquisa anterior, a equipe de Rehen já havia demonstrado a destruição de células neuronais pelo zika. Desta vez, o minicérebro foi
infectado pelo zika no 35º dia de desenvolvimento (equivalente ao feto no segundo mês de gestação) e teve a taxa de crescimento
acompanhada pelo período de 11 dias.
“O que a gente observa é a redução de crescimento em torno de 40%. De certa forma, o resultado é equivalente ao que é observado in
vivo. A partir desse resultado, nós temos um modelo para testar possibilidades de tratamento”, afirmou Rehen.
É nessa fase do desenvolvimento que começa a ser formado o córtex, área nobre do cérebro. “São camadas de cérebro que se formam
durante o desenvolvimento . Quando se impede isso de acontecer, se formam alterações que temos visto nos bebês cujas mães tiveram
zika, como microcefalia, lisencefalia (ausência de circunvoluções no cérebro).” Os pesquisadores também contaminaram o minicérebro
com o vírus da dengue. “Ele infecta até mais do que o da zika, mas não causa estragos”, explicou o especialista.
Na próxima etapa do trabalho, os pesquisadores querem entender como o zika entra nas células neuronais. Estudo do pesquisador
Arnold Kriegstein, da Universidade da Califórnia, mostrou que células do cérebro em desenvolvimento têm o receptor AXL.
“A pesquisa sugere que seja através desse receptor que o zika entra nas células. Já havia evidências de que vários vírus, como o da Febre
Oeste do Nilo e o da dengue, usam esse receptor. É como uma porta que é utilizada por outros vírus para acessar a célula. Ele mostrou
que tem a porta. Ninguém colocou o vírus para abrir. Agora vamos testar o bloqueio desse receptor para ver se de fato o vírus não entra”,
afirmou.
Rehen já encomendou o anticorpo para AXL e o inibidor desse receptor – os insumos são importados. Agora depende dos trâmites
burocráticos para a pesquisa andar. São pelo menos 60 dias até o material chegar. 5 ORIENTAÇÕES DA OMS SOBRE O ZIKA VÍRUS
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Embora os sintomas associados com zika sejam geralmente leves, uma possível associação foi
observada entre o aumento anormal de zika e casos de microcefalia no Brasil desde 2015.
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Cientistas revelam estrutura do vírus zika
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