URBANIDADE: VERTICALIZAÇÃO, DENSIDADE E PERCEPÇÃO

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UNIVERSIDADE PRESBITERIANA MACKENZIE . 2016
URBANIDADE: VERTICALIZAÇÃO, DENSIDADE
E PERCEPÇÃO NOS ESPAÇOS URBANOS
EDIFÍCIOS COMO ARTICULADORES E ESTRUTURADORES DE
URBANIDADE NO CENTRO EXPANDIDO DA CIDADE DE SÃO PAULO
MARIA VICTORIA MARCHELLI
UNIVERSIDADE PRESBITERIANA MACKENZIE
MARIA VICTORIA MARCHELLI
URBANIDADE: VERTICALIZAÇÃO, DENSIDADE
E PERCEPÇÃO NOS ESPAÇOS URBANOS
EDIFÍCIOS COMO ARTICULADORES E ESTRUTURADORES DE
URBANIDADE NO CENTRO EXPANDIDO DA CIDADE DE SÃO PAULO
São Paulo
2016
MARIA VICTORIA MARCHELLI
URBANIDADE: VERTICALIZAÇÃO, DENSIDADE
E PERCEPÇÃO NOS ESPAÇOS URBANOS
EDIFÍCIOS COMO ARTICULADORES E ESTRUTURADORES DE
URBANIDADE NO CENTRO EXPANDIDO DA CIDADE DE SÃO PAULO
Dissertação apresentada ao Programa de
Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo,
na linha de pesquisa Urbanismo Moderno e
Contemporâneo: Representação e Intervenção
da Universidade Presbiteriana Mackenzie
como requisito parcial à obtenção do título de
Mestre em Arquitetura e Urbanismo.
Orientadora: Profa. Dra. Maria Isabel Villac
Com apoio: CAPES e MackPesquisa
São Paulo
2016
.
AGRADECIMENTOS
À minha orientadora, Profa. Dra. Maria Isabel Villac, pelo incentivo, disponibilidade,
troca de conhecimentos e pelos ricos momentos de discussão.
À Profa. Dra. Lizete Rubano e ao Prof. Dr. Vladimir Bartalini pelas sugestões
apresentadas no momento do exame de qualificação, de grande importância
para a construção final deste trabalho.
Ao Mackenzie e à CAPES pela concessão de bolsa de estudos para a elaboração
deste trabalho.
Ao escritório Brasil Arquitetura e Aflalo & Gasperini Arquitetos pela disponibilização
de material iconográfico.
Às Administradoras dos edifícios Copan, Itália, Galeria Metrópole e Praça das Artes
pelo atendimento fornecido e pelas informações e materiais disponibilizados.
Ao Prof. Dr. Roberto Righi pelo auxílio na construção de artigos acadêmicos.
Aos amigos da turma da pós-graduação, em especial a Paola Nese, Michelle
Taveira e Lara Citó pela troca de informações e companheirismo nestes dois anos.
A colega de mestrado e amiga Roberta Squaiella, pelo apoio durante o percurso
do trabalho, através de troca de informações e textos, produção de artigos,
construção da pesquisa e motivação e força constante.
À querida amiga Cristiane Martins Novo pelo auxílio dado para a elaboração
gráfica deste trabalho e parceira em algumas das visitas in loco.
Aos amigos pela força e compreensão das ausências constantes.
À minha família, especialmente Alejandro, Ana Lia e Gianfranco, pelo apoio, força
e paciência durante este período.
Nada substitui a visão e o estudo direto dos fenômenos
sobre o terreno. O observador exercitado pode ali
captar as relações múltiplas entre os fatores físicos
e o homem, que escapam à descrição livresca ou à
representação cartográfica. Mas veja bem, para ser
capaz de fazer estas observações ao vivo, é necessário
saber viajar e saber olhar (E.ARDILLON, 1901, apud
BESSE, 2014, p. 73).
RESUMO
A presente dissertação tem como objetivo construir o conceito de urbanidade por meio da relação entre os aspectos de verticalização, de densidade e
de percepção com os objetos arquitetônicos e os elementos morfológicos
que compõem o espaço urbano. Expandindo-se da definição enciclopédica de “cordialidade” e de “civilidade”, entende-se esse conceito como o
conjunto de qualidades entre o espaço e o objeto que se materializam na
cidade (AGUIAR, 2012). Foram escolhidos 04 (quatro) edifícios para analisar
a relação entre o objeto construído e a paisagem urbana, de maneira a
identificar as características que contribuem para a conformação de urbanidade. Os edifícios em questão dividem-se em duas categorias. A primeira
trata-se dos edifícios Copan (1952), Galeria Metrópole (1956) e Edifício Itália
(1959), representando o período moderno em que, pela mudança de legislação, conseguiram atingir altas densidades, verticalização acentuada e
maior reprodutividade do solo urbano. A segunda categoria analisa o edifício Praça das Artes (2012), representante da contemporaneidade e com
maiores desafios legislativos. Os elementos atuantes e presentes nesses
edifícios como permeabilidades, menores barreiras entre os espaços público e privado, multifuncionalidade de usos, entre outros, contribuíram para a
qualidade do espaço urbano resultante. Assim, esses elementos apresentaram relações de escala e de permanência e tiveram poder de propulsão de
urbanidade (FRANCO, 2005). Procura-se explorar o conceito de urbanidade,
de forma a identificar que na paisagem urbana o que prevalece não é apenas
o caráter quantitativo (densidade, verticalização, coeficientes), e sim a relação
dos elementos para conformar espaços com qualidade, funcionalidade, estética e urbanidade. É a partir da integração que a cidade se desenha, se aproxima da escala humana e garante maior urbanidade, dinamicidade e vitalidade.
Palavras chave: Urbanidade. Verticalização. Densidade. Percepção. Paisagem urbana. São Paulo.
ABSTRACT
This thesis aims to build the concept of urbanity through the relationship
between verticalization, density and perception aspects with architectural
objects and morphological elements that build up the urban space. Furthering
the encyclopedic definition of “cordiality” and “civility,” this concept is
understand as a set of qualities between space and object that are materialize
in the city (AGUIAR, 2012). They were chosen 04 (four) buildings to examine
the relationship between the built object and the urban landscape, in order
to identify the characteristics that contribute to the shaping of urbanity. The
buildings in question are divided into two categories. The first of them consists
of Copan Building (1952), Galeria Metrópole (1956) and Italia Building (1959),
representing the modern period in which the change in legislation, provide
them to reach high densities, strong verticalization and greater reproducibility
of urban land. The second category analyzes the Praça das Artes complex (2012),
representative of contemporaneity and with major legislative challenges. The
active elements present in these buildings as permeabilities, smaller barriers
between public and private spaces, multifunctional uses, among others,
contributed to the quality of the resulting urban space. Thus, these elements
presented scaling and persistence relationships and had urbanity propulsion
power (FRANCO, 2005). It is seek to explore the concept of urbanity, in order to
identify that in the urban landscape what prevails is not only the quantitative
approach (density, vertical, coefficients), but the relationship of the elements
to conform spaces with quality, functionality, aesthetics and urbanity. It is
from the integration that the city is drawn, approaches the human scale and
ensures greater urbanity, dynamism and vitality.
Key words: Urbanity. Verticalization. Density. Perception. Urban Landscape.
São Paulo.
LISTA DE FIGURAS
Figura 1.1. Vista aérea da região central de São Paulo. 20
Figura 1.2. Comparação das densidades e das alturas (alta, baixa e média). 39
Figura 1.3. Comparação entre a cidade de Parma e o projeto Saint-Dié (Le Corbusier).
48
Figura 1.4. Recorte do centro de São Paulo (figura e fundo). 49
Figura 1.5. Esquema de espaços positivos (centrípeto) e negativos (centrífugo). 54
Figura 1.6. Esquema de espaço exterior negativo. 55
Figura 1.7. Esquema de espaço exterior positivo. 55
Figura 1.8. Esquema de transformações dos espaços. 55
Figura 1.9. Esquema de transformações dos espaços. 55
Figura 2.1. Mapa São Paulo, 1895.
64
Figura 2.2. Mapa São Paulo, 1913.
65
Figura 2.3. Mapa São Paulo, 1924.
65
Figura 2.4. Mapa São Paulo, 1951.
65
Figura 2.5. Implantação dos edifícios no Centro Novo de São Paulo.
66
Figura 2.6. Imagem área do centro de São Paulo. 67
Figura 2.7. Edifício Copan. 68
Figura 2.8. Implantação Edifício Copan.
69
Figura 2.9. Imagem aérea. 69
Figura 2.10. Planta pavimento térreo.
70
Figura 2.11. Acesso pela Rua Araújo. 71
Figura 2.12. Visual desde a Rua Unaí (sentido Vila Normanda).
71
Figura 2.13. Visual desde a Rua Unaí (sentido Avenida Ipiranga).
71
Figura 2.14. Copan - Figura e fundo. 73
Figura 2.15. Copan - Figura e fundo. 73
Figura 2.16. Copan - Espaço positivo - permeabilidade. 73
Figura 2.17. Percurso interno. 74
Figura 2.18. Percurso interno. 75
Figura 2.19. Elevação sudeste. 76
11
Figura 2.20. Elevação sudoeste. 77
Figura 2.21. Visual desde a Rua Unaí. 78
Figura 2.22. Copan - Detalhe do brise da fachada. 79
Figura 2.23. Copan - Vista aérea. 80
Figura 2.24. Copan - Vista aérea. 80
Figura 2.25. Visual desde a Rua Araújo. 81
Figura 2.26. Visual desde a Rua Araújo. 81
Figura 2.27. Copan - Relação entre distância e altura. 82
Figura 2.28. Visual desde a Avenida Ipiranga. 83
Figura 2.29. Visual desde a Rua da Consolação, destaque para o skyline urbano.
84
Figura 2.30. Figura e fundo a partir da figura 2.29.
85
Figura 2.31. Edifício Itália. 86
Figura 2.32. Planta pavimento térreo.
87
Figura 2.33. Entrada desde a Avenida Ipiranga. 88
Figura 2.34. Visual da entrada desde o interior do edifício. 88
Figura 2.35. Visual da galeria interna.
88
Figura 2.36. Edifício Itália - Figura e fundo. 89
Figura 2.37. Edifício Itália - Figura e fundo. 89
Figura 2.38. Edifício Itália - Espaço positivo- permeabilidade. 89
Figura 2.39. Desenho esquemático- volumetrias e setorização.
90
Figura 2.40. Corte longitudinal. 91
Figura 2.41. Detalhe do brise da fachada. 92
Figura 2.42. Visual para o Edifício Itália desde a esquina da Praça da República. 93
Figura 2.43. Montagem do mapa com base no Mapa Digital da Cidade (MCD). 94
Figura 2.44. Visual desde o terraço do Circolo Italiano. 95
Figura 2.45. Edifício Itália, 1970. 95
Figura 2.46. Visual desde a varanda do Circolo Italiano. 96
Figura 2.47. Visual desde a varanda do Circolo Italiano. 96
12
Figura 2.48. Edifício Itália - Relação distância e altura. 97
Figura 2.49. Ponto nodal no1. 98
Figura 2.50. Ponto nodal no2. 98
Figura 2.51. Ponto nodal no3. 98
Figura 2.52. Montagem do mapa com base no Mapa Digital da Cidade (MCD).
99
Figura 2.53. Visual para o Edifício Itália desde o Edifício Copan.
100
Figura 2.54. Avenida Ipiranga, São Paulo, 1953.
100
Figura 2.55. Centro de São Paulo.
101
Figura 2.56. Centro de São Paulo.
103
Figura 2.57. Galeria Metrópole - Maquete. 104
Figura 2.58. Implantação. 105
Figura 2.59. Corte longitudinal. 105
Figura 2.60. Planta do pavimento térreo (Passeio São Paulo). 106
Figura 2.61. Planta da 3a sobreloja (Passeio Capri). 106
Figura 2.62. Visual do vazio central desde interior do edifício. 107
Figura 2.63. Galeria Metrópole - Figura e fundo. 109
Figura 2.64. Galeria Metrópole - Figura e fundo. 109
Figura 2.65. Galeria Metrópole - Espaço positivo- permeabilidade. 109
Figura 2.66. Elevação.
110
Figura 2.67. Corte longitudinal.
111
Figura 2.68. Visual do pórtico de entrada desde a Praça Dom José Gaspar 113
Figura 2.69. Visual desde a Avenida São Luís. 113
Figura 2.70. Visual desde a Praça Dom José Gaspar. 113
Figura 2.71. Visual desde a Praça Dom José Gaspar. 113
Figura 2.72. Visual interna, destacando-se o vazio central.
113
Figura 2.73. Conexão visual entre os jardins por meio do vazio central. 114
Figura 2.74. Distribuição de usos ao redor do vazio central. 115
Figura 2.75. Visual desde o jardim da cobertura - continuidade com a Praça Dom José Gaspar.
116
13
Figura 2.76. Visual para a Praça Dom José Gaspar desde a 3a sobreloja. 116
Figura 2.77. Visual para a Rua Basílico da Gama desde a 3a sobreloja. 116
Figura 2.78. Conexão dos espaços interior e exterior por meio das aberturas
117
Figura 2.79. Visual desde a 20 sobreloja para a calçada e a Avenida São Luís.
118
Figura 2.80. Galeria Metrópole - Relação distância e altura. 119
Figura 3.1. Planta de situação - recorte centro de São Paulo. 123
Figura 3.2. Praça das Artes. 124
Figura 3.3. Planta de situação. 125
Figura 3.4. A quadra 27 e seu entorno, São Paulo, 1925. 126
Figura 3.5. Vista aérea São Paulo, 1930.
126
Figura 3.6. Visual desde o edifício Martinelli, São Paulo, 1930.
126
Figura 3.7. Imagem aérea. 127
Figura 3.8. Planta pavimento térreo. 128
Figura 3.9. Percurso interno da quadra. 129
Figura 3.10. Planta primeiro pavimento. 130
Figura 3.11. Planta segundo pavimento. 130
Figura 3.12. Panorâmica da praça - uso para ensaio fotográfico. 131
Figura 3.13. Praça sendo usada para o Mercado Mundo Mix Afro. 131
Figura 3.14. Inauguração Praça das Artes, apresentação Escola de dança. 132
Figura 3.15. Praça das Artes - Figura e fundo. 133
Figura 3.16. Praça das Artes - Espaço positivo- permeabilidade. 133
Figura 3.17. Programa.
134
Figura 3.18. Programa detalhado. 135
Figura 3.19. Corte longitudinal, visual para Avenida São João. 136
Figura 3.20. Corte longitudinal. 136
Figura 3.21. Visual desde a calçada da Avenida São João. 137
Figura 3.22. Visual desde o pórtico para a Rua Conselheiro Crispiniano. 138
Figura 3.23. Visual desde a entrada pela Rua Conselheiro Crispiniano, para o pórtico. 138
14
Figura 3.24. Croqui- projeto. 139
Figura 3.25. Croqui- projeto. 139
Figura 3.26. Panorâmica, conexão Rua Conselheiro Crispiniano e Avenida São João. 140
Figura 3.27. Panorâmica, conexão Rua Conselheiro Crispiniano e Vale Anhangabaú. 140
Figura 3.28. Visual desde a praça, destaque para os caixilhos e as passarelas/marquises.
142
Figura 3.29. Visual interna - aberturas. 143
Figura 3.30. Visual interna - aberturas. 143
Figura 3.31. Visual para Anhangabaú, destaque do Edifício Martinelli. 144
Figura 3.32. Visual para Conselheiro Crispiniano. 145
Figura 3.33. Visual para Conselheiro Crispiniano. 145
Figura 3.34. Visual desde a varanda para o Vale do Anhangabaú. 146
Figura 3.35. Elevação desde a Rua Formosa. 147
Figura 3.36. Elevação desde a Avenida São João. 147
Figura 3.37. Visual desde a Rua Conselheiro Crispiniano. 148
Figura 3.38. Visual desde o Edifício Martinelli. 149
Figura 3.39. Vista aérea com inserção do projeto.
149
Figura 3.40. Praça das Artes - Relação distância e altura. 150
Figura 3.41. Vista Praça das Artes. 151
Figura 4.1. Visual da região central de São Paulo desde a cobertura do Edifício Copan. 155
Figura 4.2. Edifício Copan. 159
Figura 4.3. Edifício Itália. 159
Figura 4.4. Galeria Metrópole - Maquete. 159
Figura 4.5. Praça das Artes. 159
Figura 4.6. Comparação das densidades e alturas (alta, baixa e média). 159
LISTA DE GRÁFICOS E TABELAS
15
Gráfico 1.1. Esquema dos conceitos. 25
Gráfico 1.2. Esquema dos conceitos com o espaço urbano. 58
Gráfico 1.3. Esquema conceitual de síntese.
61
Gráfico 4.1. Comparação das densidades físicas permanentes.
156
Gráfico 4.2. Comparação das densidades físicas transitórias. 156
Gráfico 4.3. Comparação dos coeficientes de aproveitamento. 157
Gráfico 4.4. Comparação das alturas. 158
Gráfico 4.5. Comparação da área do terreno versus a área construída. 160
Tabela 1.1. Quadro populacional, crescimento de São Paulo. 33
Tabela 1.2. Número médio de construções em São Paulo. 35
Tabela 4.1. Urbanidade centrípeta e centrífuga. 163
Tabela 4.2. Síntese dos 04 (quatro) edifícios analisados. 164
LISTA DE SÍMBOLOS E ABREVIATURAS
Av.Avenida.
CA
Coeficiente de aproveitamento.
CEP Código de Endereçamento Postal.
DDistância.
DrDoutor.
H
Altura.
HaHectare.
Hab
Habitantes.
Km²
Quilômetro quadrado.
MMetros.
NNorte.
N0 Número.
ONU Organização das Nações Unidas.
S/Sem.
SUMÁRIO PROPOSTO
1. URBANIDADE : VERTICALIZAÇÃO, DENSIDADE, PERCEPÇÃO 32
Elenco de conceitos para a construção de urbanidade
32
1.1 Verticalização
32
1.1.1 Processo de verticalização na cidade de São Paulo
33
1.2 Densidade
36
1.2.1 Densidade física
36
1.2.2 Densidade percebida
36
1.2.3 Densidade urbana
37
1.3 Percepção
41
1.3.1 Ambiência 41
1.3.2 Construção da imagem na paisagem urbana
42
1.3.3 Figura e Fundo - Teoria de Gestalt46
1.4 Urbanidade
50
1.4.1 A construção do conceito
50
1.4.2 Construção dos espaços livres, fluentes e, das permeabilidades
52
1.4.3 Morfologia urbana
56
1.4.4 Indicadores de análise de urbanidade
58
17
2. REPERTÓRIO MODERNO NA CIDADE TRADICIONAL
64
Análise dos edifícios Copan, Itália e Galeria Metrópole
64
2.1 Desenho do centro da cidade de São Paulo
64
2.1.1 Permeabilidades centrais urbanas
66
2.2 Edifício Copan
68
2.2.1 Ficha técnica
68
2.2.2 Implantação do edifício e traçado urbano
69
2.2.3 Espaços positivos e permeabilidades
72
2.2.4 Embasamento
76
2.2.5 Pregnância da forma e tratamento de fachada
78
2.2.6 Escala e paisagem urbana
81
2.3 Edifício Itália
86
2.3.1 Ficha técnica
86
2.3.2 Implantação do edifício e traçado urbano
87
2.3.3 Espaços positivos e permeabilidades
88
2.3.4 Embasamento
90
2.3.5 Pregnância da forma e tratamento de fachada
92
2.3.6 Escala e paisagem urbana
94
2.4 Galeria Metrópole
104
2.4.1 Ficha técnica
104
2.4.2 Implantação do edifício e traçado urbano
105
2.4.3 Espaços positivos e permeabilidades
107
2.4.4 Embasamento
110
2.4.5 Pregnância da forma e tratamento de fachada
112
2.4.6 Escala e paisagem urbana
115
3. REPERTÓRIO CONTEMPORÂNEO NO CENTRO EXPANDIDO
122
Análise do edifício Praça das Artes
122
3.1 Relações urbanas 122
3.1.1 Articulação entre os edifícios modernos e a Praça das Artes
122
3.2 Praça das Artes
124
3.2.1 Ficha técnica
124
3.2.2 Implantação do edifício e traçado urbano
125
3.2.3 Espaços positivos e permeabilidades
133
3.2.4 Embasamento
134
3.2.5 Pregnância da forma e tratamento de fachada
137
3.2.6 Escala e paisagem urbana
146
3.3 Síntese de urbanidade nos edifícios analisados
152
19
4. DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
156
4.1 Verticalização e densidade física (permanente e transitória)
156
4.2 Espaços positivos e permeabilidades urbanas
161
4.3 Paisagem, percepção e urbanidade
161
4.4 Urbanidade centrípeta e centrífuga
162
CONSIDERAÇÕES FINAIS 166
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 168
Figura 1.1 Vista aérea da região
central de São Paulo.
Fonte: Revista Acrópole, no 295296, jun. 1963, p. 27.
INTRODUÇÃO
As cidades, estabelecimentos humanos do território, têm passado por
grandes mudanças, sendo que, desde 2014, 54 % (cinquenta e quatro) da
população mundial reside nelas (ONU, 2014). Dessa maneira, são hoje palco
de novas transformações e discussões, assim como suscetíveis a falta de
planejamentos adequados para uma integrada urbanização.
Milton Santos (2009) verificou, na década de oitenta, que 77 % (setenta e
sete) da população brasileira era urbana. Segundo o relatório Estado das Cidades de América Latina e Caribe 2012 ,1 a população urbana se aproximaria
de 90 % (noventa) até 2050. O processo de urbanização dos países da América Latina, descrito por Paul Singer (1979) deveu-se à ação conjunta entre
dois fatores. O primeiro trata-se da migração rural decorrente do excedente da população, cujo deslocamento foi produzido por fatores de estagnação das forças produtivas, devido à falta de recursos. O segundo, por sua
vez, insere-se no cenário da restruturação das relações de produção frente
a imposição de desenvolvimento no sistema capitalista. Com a especialização e as novas tecnologias, ocorreu a liberação da força de trabalho devido a que a produção se encaminhava para o mercado e os cultivos foram
abandonados para o consumo local.
Conforme ressaltado por Franco (2005, p. 10), demorou apenas um século
para que a vila de São Paulo se transformasse em “uma das maiores metrópoles industriais do mundo contemporâneo”. A implantação dos sistemas de transporte sobre trilhos e a inserção dos automóveis estruturaram
a cidade, contribuindo para o espraiamento da mesma. Dessa maneira, a
cidade fragmentou-se em vários núcleos urbanos, conformando os chamados centros expandidos, e assim, os locais de moradia foram separados
dos locais de trabalho, de educação, de cultura, de lazer e de indústria. Essa
separação virou uma das maiores torturas dos países em desenvolvimento:
a ida e a volta do trabalho (VILLAÇA, 1986).
Com a urbanização, São Paulo também passou por um processo de verticalização para atender à demanda demográfica. Nunca ocorreu um plaONU HABITAT. Programa das Nações Unidas para assentamentos humanos. Estado
de las ciudades de América Latina y Caribe 2012: rumbo a una nueva transición
urbana.
1
23
nejamento consistente e efetivo que conseguisse aproveitar o crescimento vertical para criar um traçado urbano, organizar a paisagem urbana e
promover altas densidades. Como salientado por Somekh (2014, informação verbal),2 São Paulo é “aparentemente vertical mas não é densa,” tendo como coeficiente de aproveitamento médio 1,2 (SOMEKH, 2013). Ao invés de concentrar-se, a cidade se expandiu desordenadamente. Segundo
Somehk (2013, p. 98), a combinação entre “o desenvolvimento do capital
imobiliário na busca de terrenos mais baratos, uma legislação aparentemente restritiva e a recorrente desistência de investimentos em transporte
de massa, por parte do poder público”, contribuíram para a configuração
de uma cidade dispersa e elitista, acentuando-se a perda da qualidade do
centro, elemento fundamental das cidades.
O arquiteto e urbanista Vishaan Chakrabarti (2013) expôs no seu livro A
country of cities: A manifesto for an Urban America que precisamos construir
um país de cidades, isto é, um país de trens, torres e árvores e deixar para trás
um país de autoestradas, casas e gramados. Esse modelo está inteiramente
ligado ao entendimento de que as cidades precisam se organizar dentro
do seu tecido urbano, a partir de um adensamento adequado para garantir
uma melhor mobilidade, usufruir de menor espaço físico e proporcionar
maior sustentabilidade, buscando, assim, uma melhor qualidade de vida
para seus habitantes. Segundo Richard Rogers (2001), precisa-se pensar
e planejar as cidades, visando intensificar o uso de sistemas eficientes de
transporte e privilegiar as ruas em favor do pedestre e da comunidade.
Em suma, o economista Edward Glaeser (2011), no seu livro Os centros
urbanos: a maior invenção da humanidade, argumenta que a população
urbanizada deveria viver em cidades densas, construídas em torno
do elevador, em vez de regiões expandidas, as quais são em torno do
automóvel. Esse legado pós fordista, influência das elites norte-americanas
e que virou parte da cultura de vários países, levou às cidades a base do
automóvel e tem criado nelas um grande caos, transcrevendo-se nos
2
Nota fornecida por Nadia Somekh durante a aula de pós-graduação, O edifício e a
cidade: produção, planejamento e projeto, ministrada na Universidade Mackenzie
em 19 ago. 2014.
24
problemas atuais de congestionamentos, poluição sonora e ambiental,
ausência de áreas verdes e transporte público precário.
O fenômeno de cidade dispersa com baixa densidade somado à verticalização, transformou a cidade de São Paulo em um território fragmentado
em que as relações entre edifício e urbe ficaram fragilizadas, assim como a
qualidade dos espaços públicos. Somados à falta de segurança, predominam, atualmente na cidade, os edifícios gradeados com térreos sem permeabilidade. Conforme Somekh (2013, p. 93), o modo que a verticalização
aconteceu em São Paulo, “contribuiu para que a cidade nunca concretizasse um projeto de urbanidade consistente e efetivo.”
A falta de planejamentos adequados contribuiu para a expansão do espaço residual, conforme denominado pelo Koolhas (2013), de espaço lixo.
Este último interfere na clareza (legibilidade) e na identidade do espaço.
Para transpassar tal efeito, deve-se ultrapassar a artificialidade e, o edifício relacionar-se com a cidade. Os espaços públicos têm perdido seu valor,
sendo que cada vez menos são incentivados os projetos com urbanidade“síntese de qualidade e do caráter da vida urbana” (CULLEN, 2009, p. 66).
A cidade de São Paulo, um verdadeiro palimpsesto arquitetônico, possui
um legado modernista de influência. O centro da cidade representa esse
caráter influente. Ainda que o urbanismo moderno, com seus ditames, não
conseguiu resolver todas as questões da cidade, existem elementos concretos que foram construídos durante esse movimento e que se articulam
com a cidade, estabelecendo um diálogo atuante. Segundo Harvey (2012),
o modernismo foi responsável por espaços sem ligação com o entorno e
subservientes à função social. Pontua-se que o movimento moderno não
resolveu totalmente os males das cidades, principalmente por se basear
em uma série de dogmas. Ainda assim, existem edifícios modernos que
conseguiram ultrapassar tais barreiras.
No centro de São Paulo, especialmente durante o período de 1950-1960,
foram construídos alguns edifícios que se contrapõem a tal visão e deram
25
externo. Tais edifícios foram projetados com a preocupação de serem
espaços onde as barreiras público-privadas fossem anuladas, já que
dialogam com o traçado do modelo de cidade tradicional. Edifícios, os
quais, devido à legislação vigente, conseguiram atingir altas densidades e
usufruíram de elementos arquitetônicos para estabelecer um diálogo entre
a cidade, o edifício e o pedestre. Permeabilidades, marquises, galerias, são
alguns desses elementos.
Segundo Moimas (2014), “De acordo com Costa, a arquitetura brasileira
era, por um lado, resultado da fusão de princípios europeus e da
cultura nacional brasileira e, por outro, o produto de um ‘gênio nativo’”.
A arquitetura moderna brasileira surgiu de modo peculiar porém foi
influenciada pelas ideias europeias modernas, sendo Le Corbusier o
principal vetor de difusão. Destaca-se a destreza dos personagens
brasileiros, como Oscar Niemeyer e dos estrangeiros, Franz Heep e David
Libeskind (influenciado pela cultura brasileira).
Diante deste cenário, o objetivo desta pesquisa é construir o conceito de
urbanidade, entendido como a relação entre os aspectos de verticalização, de densidade e de percepção e sua transformação no espaço urbano
(Gráfico 1.1), o qual é composto de objetos arquitetônicos e de elementos
morfológicos. A partir dos conceitos elencados, realizaram-se ensaios de
aproximação (análises) nos edifícios multifuncionais escolhidos, de maneira a exemplificar o conceito de urbanidade.
VERTICALIZAÇÃO
DENSIDADE
ESPAÇO URBANO
URBANIDADE
Gráfico 1.1. Esquema dos conceitos. Fonte: AUTORA, 2015.
PERCEPÇÃO
Introdução
vitalidade à região, a partir da integração entre os espaços interno e o
26
Os edifícios escolhidos foram selecionados como objeto de estudo por terem programa de uso misto, inovação na implantação do lote, apresentarem permeabilidade no térreo, promoverem altas densidades e terem a
intenção de criarem espaços coletivos. São de fato edifícios localizados na
área central, centro expandido, da cidade de São Paulo e que, até os dias de
hoje, estabelecem um diálogo atuante com a paisagem urbana, por meio
dos elementos que geram urbanidade.
Os conceitos de verticalização e de densidade estão presentes nesses edifícios. Eles não são sinônimos, são complementares e codependentes, podendo contribuir para uma configuração com urbanidade a partir da articulação com o espaço construído. A relação entre a matéria construída (o
edifício) e o urbano (a cidade) depende das inter-relações físicas, espaciais,
funcionais, morfológicas, figurativas, estéticas, entre outras. Essas relações,
que precisam ser percebidas, ganharão destaque ao longo do trabalho e serão os indicadores de análise. Alguns desses elementos são: a implantação
no lote, as permeabilidades, as volumetrias e as escalas, etc. Isto é, elementos de percepção visual que fornecem subsídios para a compreensão das
questões estudadas. Esses indicadores também baseiam-se no tripé conceitual e estruturador da tese de Fernando de Mello Franco (2005), compreendido pelos elementos: escala, permanência e poder de propulsão.
Os edifícios em análise dividem-se em duas categorias, sendo que a primeira trata-se daqueles construídos durante o movimento moderno: Edifício Copan (1952), Galeria Metrópole (1956) e Edifício Itália (1959). Surgiram
como experimentações, já que a legislação vigente permitiu-lhes atingir
altas densidades, verticalidade e reprodutividade do solo urbano. Anunciavam também as novas possibilidades de desenho da época, em que a racionalidade, expressada em formas arquitetônicas funcionais, sobressaiase. Por sua vez, o concreto armado vinculava-se com as novas tecnologias
e a busca por funcionalidade evidenciava-se nos partidos e nos desenhos
arquitetônicos. Dessa maneira, os edifícios, majoritariamente, eram multifuncionais (sobreposição de usos) para assim atender à dinâmica urbana.
27
construído na contemporaneidade, que possui características modernas,
tanto no uso do concreto, quanto na inserção urbana e na tipologia. Por
conseguinte, as ligações dos edifícios com as vias circundantes, permitindo
as permeabilidades, assim como a fragmentação do partido arquitetônico
em diferentes volumes, são características que podem ser lidas como modernas, ficando explicita a intenção dos arquitetos em estabelecer relações
de continuidade entre o edifício e o passeio público.
Como salientado por Thibaud (2011), as transformações da cidade moderna ocorreram a partir de suas ambiências, da “fabricação sensível de territórios urbanos” (informação verbal)3. Falar da “ambientação” dos espaços
urbanos é compreender como as mudanças da cidade se encarnam e se
difundem na vida cotidiana. O domínio sensível, perceptivo, é de fundamental importância para o entendimento do espaço urbano. Uma ambiência, por sua vez, é a junção de vários elementos, tornando-os um conjunto
integrado. Buscar, portanto, compreender a dinâmica urbana, é estudar as
relações entre os elementos construídos, a arquitetura, e o observador, ser
humano que habita e interfere no espaço urbano. Compreende-se que a
qualidade do espaço urbano surge de uma interpretação e para ser entendida precisa ser observada diretamente, ao vivo, e por isso é necessário
“saber olhar” (BESSE, 2014). Desse modo, destaca-se que todos os edifícios
foram visitados e percebidos pela autora.
Resumindo-se, a construção do conceito de urbanidade deve-se à busca
por uma equação entre verticalização, densidade e percepção, os quais
servem como elementos de transformação do espaço urbano, contribuindo para melhorias na vitalidade (JACOBS, 2013), dinamicidade e na qualidade da paisagem urbana. Os edifícios, por sua vez, são compreendidos
como elementos articuladores e estruturadores de urbanidade.
Nota fornecida por Jean Paul Thibaud no Seminário Internacional URBICENTROS “Morte e Vida dos Centros Urbanos “-, Maceió, 2011.
3
Introdução
A segunda categoria analisa a Praça das Artes (2012), edifício projetado e
28
Abordagens
A construção do raciocínio científico surgiu mediante a coleta de dados e
referencial teórico em conjunto com as análises dos quatro estudos de casos (Edifício Copan, Edifício Itália, Galeria Metrópole e Praça das Artes). Trabalhou-se nos campos quantitativo e qualitativo.
Primeiramente, ocorreu a revisão bibliográfica, a qual consistiu no levantamento de dados para a construção da base conceitual da pesquisa, isto é,
o conceito de urbanidade baseado no entendimento sobre verticalização,
densidade e percepção. Somado a isso, acrescentou-se o conceito de morfologia urbana para compreender os elementos que integram o espaço
urbano. Sendo que, neste último, os objetos arquitetônicos também estão
presentes, tornando-se elementos de análise.
Em paralelo, e uma vez escolhidos os edifícios a serem analisados, começaram-se as visitas aos objetos de estudo. Mediante entrevistas com as
Administradoras dos edifícios, conseguiram-se informações fundamentais
para suas análises. Nesse intervalo de tempo, ocorreu também a coleta
de documentos de órgãos públicos tais como: levantamentos, censos demográficos, legislações, leis de zoneamento, mapas, plantas, entre outros.
A partir das visitas aos campos de estudo, foram realizados levantamentos in loco por meio de fotografias, observações e redesenho de algumas áreas, com o intuito de registrar graficamente os dados coletados.
Uma vez tendo visitado os edifícios e definido o conceito de urbanidade, fruto da articulação dos demais conceitos, começou a etapa analítica, a qual constituiu na busca por elementos delimitadores de urbanidade, que tornaram-se os indicadores de análise. Para isso, foram
explorados os dados levantados e comparados os edifícios entre si.
29
A presente pesquisa foi estruturada em 04 (quatro) capítulos, cujos principais assuntos são:
Capítulo 1: Apresenta o elenco de conceitos e suas diferentes vertentes.
No campo da verticalização, apoia-se em Somekh (1987; 2013; 2014); no da
densidade em Rapoport (1975), Alexander, Reed e Murphy (1988), Cheng
(2010) e Acioly e Davidson (2011); no da percepção, os autores Lynch (1960),
Cullen (1961), Rowe e Kotter (1977), Ashihara (1982) e Thibaud (2010; 2012)
ganham destaque. O conceito de urbanidade constrói-se pelos textos
dos autores Alexander (1977), Rolnik (1993), Franco (2005), Cullen (2009),
Holanda (2010), Lamas (2011) e Aguiar (2010, 2012, 2015).
Capítulo 2: Analisa os edifícios Copan, Itália e a Galeria Metrópole, representativos do período moderno. A partir da pesquisa documental, iconográfica e dos dados históricos, buscam-se elementos visuais, projetuais,
morfológicos e conceituais que gerem urbanidade e, consequentemente,
interfiram na paisagem urbana. Apoia-se nos principais autores: Alexander
(1977), Ashihara (1982), Cullen (2009) e nos específicos de cada projeto.
Capítulo 3: Analisa a Praça das Artes, destacando-se pelo seu caráter contemporâneo. Nesse capítulo, também serão buscados elementos visuais,
projetuais, morfológicos e conceituais que gerem urbanidade e, consequentemente, interfiram na paisagem urbana. Apoia-se nos principais
autores: Alexander (1977), Ashihara (1982), Cullen (2009) e em relatos de
Brasil Arquitetura (2015). Sintetiza-se o conceito de urbanidade, presente
nos edifícios analisados, a partir da reflexão dos elementos de escala, permanência e poder de propulsão (FRANCO, 2005) e das características que
se sobressaíram.
Capítulo 4: Discussão dos resultados a partir da comparação das análises
dos edifícios, por meio de gráficos comparativos.
Introdução
Estrutura
VERTICALIZAÇÃO
DENSIDADE
PERCEPÇÃO
1
URBANIDADE
1. URBANIDADE : VERTICALIZAÇÃO, DENSIDADE, PERCEPÇÃO
Elenco de conceitos para a construção de urbanidade
A construção do conceito de urbanidade deve-se à busca por uma equação entre verticalização, densidade e percepção, os quais servem como
elementos de transformação do espaço urbano. As descrições e diferentes
vertentes desses conceitos serão apresentadas ao longo deste capítulo.
1.1 Verticalização
A verticalização é compreendida como a “multiplicação efetiva do solo urbano” (SOMEKH, 1987, p. 9), a partir do aproveitamento intensivo da terra
urbana e, como resultante, a construção do espaço vertical.
Com o surgimento dos elevadores, as alturas das construções alavancaram
e ampliaram-se as possibilidades de multiplicação de pavimentos. As
novas tecnologias, como as estruturas de aço e de concreto, contribuíram
para a “reprodutividade do solo urbano, uma vez que o desenvolvimento
da técnica está diretamente ligado às necessidades de produção do
capital” (Ibid, p. 8-9).
O berço da verticalização foi nos Estados Unidos, sendo apoiado pelo desenvolvimento capitalista. Como descrito por Somekh,
A verticalização, dentro do modo de produção
capitalista, passa a ser lógica. Num dado
desenvolvimento tecnológico, que possibilitou o
uso do elevador de passageiros e grandes estruturas
de aço (no Brasil especificamente de concreto),
era de se esperar que a preços fundiários elevados
correspondem uma utilização mais intensiva. Com
uma mesma quantidade de terra era possível obter
mais área construída (SOMEKH, 1987, p. 16).
Segundo Somekh (Ibidem), a verticalização fragmenta-se em dois
processos: crescimento vertical terciário e verticalização residencial. A
habitação é imprescindível para a sobrevivência, é o abrigo da civilização
humana, no entanto, os escritórios estão “ligados a uma divisão técnica da
produção” (Ibid, p. 9).
Os conceitos de verticalização e densidade costumam ser confundidos.
Discorre-se que a “multiplicação da terra urbana, verticalização, implica
33
necessariamente de altas densidades construídas” (SOMEKH, 1987, p. 8).
Porém isso não é correto, a altura não determina a densidade. O centro de
Paris é um exemplo claro disso, já que, devido a uma legislação rigorosa,
que determina um gabarito a ser cumprido, não ultrapassa-se da média de
5 (cinco) a 6 (seis) pavimentos, mas a sua densidade é de aproximadamente
209 hab/ha (duzentos e nove) (SÃO PAULO, 2013). Em contrapartida, apesar da exacerbada verticalização, o município de São Paulo atinge apenas
74,58 hab/ha (SMDU, 2010), pois mesmo que alguns edifícios atinjam mais
de 100 (cem) metros de altura, apresentam baixa densidade.
1.1.1 Processo de verticalização na cidade de São Paulo
A cidade de São Paulo passou por uma extensa transformação, decorrente
de um crescimento territorial, econômico e demográfico desde 1990. No intervalo de 20 (vinte) anos, a população de São Paulo dobrou de tamanho.
Verifica-se esse crescimento na tabela a seguir,
Ano
População
hab
1900239.620
1910375.439
1920579.033
19401.326.261
19402.198.096
Tabela 1.1. Quadro populacional, crescimento de São Paulo.
Fonte: AUTORA, 2015, com base em dados da aula de Marcos José Carrilho e Alessandro
José Castroviejo Ribeiro durante a aula de pós-graduação, O edifício e a cidade: produção,
planejamento e projeto, ministrada na Universidade Mackenzie em 03 set. 2014.
O seu crescimento territorial foi potencializado pela criação do Plano
Prestes Maia em 1929, o qual possibilitou o surgimento de um novo sistema
viário estrutural, com avenidas radiais em torno do centro para estruturar
o crescimento horizontal da cidade, facilitando a movimentação entre o
centro comercial/administrativo, a partir das áreas residenciais.
34
Este plano também visava a criação de novas centralidades e polos de atividades, incentivando a construção de edificações nas áreas centrais. Por
sua vez, eram estimuladas as construções altas ao longo das avenidas e a
cidade configurava-se a partir de um novo elemento, o automóvel.
Em 1920, a Lei n° 2.332, menciona os elevadores, estabelecendo-se que sua
existência não eliminava a necessidade da escada (SOMEKH, 1987). Em suma,
estabelecia o Padrão Municipal para controlar a altura dos edifícios. As alturas máximas permitidas eram determinadas em função da largura das ruas:
[…] naqueles construídos no alinhamento das vias
públicas a altura deveria ser de no mínimo 5 metros,
e de no máximo duas vezes a largura da rua, quando esta tivesse menos de 9 metros; de duas vezes e
meia, quando a largura fosse de 9 a 12 metros; de
três vezes, quando a largura ultrapassasse 12 metros
(SOMEKH, 2013, p. 105).
No entanto, “abria-se a possibilidade de aumentar a altura dos edifícios,
cedendo-se um recuo à via pública equivalente as medidas da largura”
(SOMEKH, 2013, p. 105). Em outras palavras, possibilitava-se um maior número de pavimentos, caso os edifícios garantissem tais recuos.
Até 1939, a verticalização em São Paulo era um fenômeno central em que
o solo era mais valorizado. A chamada febre dos arranha-céus ocorreu na
década de 1940 e foi incentivada pelo slogan: “São Paulo, a cidade que
nunca para”. A fisionomia da cidade de São Paulo se transformou, os sobrados converteram-se em prédios residenciais, porém, na sua maioria, sem
homogeneidade de alturas entre os edifícios, já que o importante era fazer
render o terreno urbano, valorizar o capital (Tabela 1.2). A lógica comercial,
marcada pelo desejo de lucro, sobrepõe a busca por uma paisagem urbana
ordenada, diferenciando-se, assim, São Paulo das cidades europeias.
O desenvolvimento tecnológico, vinculado à construção vertical, permitiram a afirmação das propostas modernistas em São Paulo e o arranha-céu
foi a representação simbólica desse movimento e o marco do progresso da
cidade (SOMEKH, 1997).
35
Por mês
Por dia (25 por mês)
Por hora (8 por dia)
1941
1.042 41.7
5.2
1945923 36.9
4.6
19461.243 49.9
6.2
19471.243 44.1
5.5
19481.499 59.9
7.5
19491.641 65.6
8.2
19501.486 59.4
7.4
19511.624 64.8
8.1
19521.626
8.11
65
Tabela 1.2. Número médio de construções em São Paulo.
Fonte: AUTORA, 2015, com base em MENDONÇA, 2007.
Nesse período, dentre os edifícios escolhidos para análise, Edifício Copan,
Edifício Itália e Galeria Metrópole, apoiados nas novas tecnologias construtivas, tiveram seu máximo aproveitamento construtivo.
No decorrer dos anos seguintes, alguns fatores permitiram o espraiamento da
cidade e o distanciamento das áreas centrais: a legislação começa a interferir
na verticalização restringindo a potencialidade construtiva; o Projeto de Lei
n° 5.261 (1957) determina os coeficientes 6 (seis) para projetos de escritórios e
comerciais e 4 (quatro) para projetos residenciais e a busca por terrenos mais
baratos (fruto da capitalização realizada em bolsa de valores) em conjunto
com o uso exacerbado do automóvel. Com essa mudança de coeficientes
ocorreu a “elitização da verticalização” (SOMEKH, 2013, p. 111) já que
delimitou-se a construção de unidades de habitação de 35 m² (trinta e cinco),
resultantes de uma cota mínima de terreno por unidade, sendo definida uma
densidade demográfica de 600 (seiscentos) hab/ha (habitantes/hectare),
inviabilizando as pequenas unidades como as kitchenettes.
Capítulo 1 Elenco de conceitos
Ano
36
Em síntese, a verticalização de São Paulo expandiu-se ao longo da Região
Metropolitana sem produzir uma cidade compacta e a elitização do crescimento vertical acabou estimulando as desigualdades sociais. A cidade
nunca conseguiu concretizar um “[…] projeto de urbanidade consistente e
efetivo” (SOMEKH, 2013, p. 98).
1.2 Densidade
A dificuldade da análise das densidades deve-se ao abrangente leque de
definições e contextualizações. Estudam-se as seguintes perspectivas: física (populacional e construída), percebida e urbana. Ao mesmo tempo,
desenvolvem-se as relações desse conceito com os custos de urbanização,
especulação imobiliária e da eminência da economia criativa.
1.2.1 Densidade física
A densidade física é: “uma unidade numérica que representa a concentração
de indivíduos ou estruturas físicas, para uma dada unidade geográfica. Ela é
objetiva, quantitativa e um indicativo espacial neutro” (CHENG, 2010, p. 7).
A relação entre a população e uma determinada área é usualmente expressa-se em habitantes por hectare (hab/ha) ou habitantes por quilômetro
quadrado (hab/km²). Sendo que 1 (um) km2 equivale a 100 (cem) ha.
Por sua vez, a densidade construída é a razão de edifícios construídos em
um lote (CHENG, 2010). No Brasil, a densidade construída é anunciada pelo
coeficiente de aproveitamento (CA), o qual indica a quantidade máxima
de metros quadrados passíveis de serem construídos em um determinado
lote, somando-se as áreas de todos os pavimentos.
1.2.2 Densidade percebida
A densidade percebida é definida pela percepção e estimativa individual
do número de pessoas presentes em uma determinada área, o espaço dis-
37
do-se em Rapoport (1975), os autores Ernest R. Alexander, K. David Reed
e Peter Murphy salientam em Density measures and their relation to urban
form, de 1988, que:
[…] ‘densidade é na sua essência uma experiência
percebida’, criada de um sistema físico que se
transforma em um percebido e que quando
combinado com normas pessoais e culturais, produz
uma ‘densidade afetiva’ que transcreve contemplações
avaliativas como senso de isolamento, sentimento de
conforto ou percepção de adensamento (RAPOPORT,
1975, p. 134-135, apud ALEXANDER et al., 1988, p. 3,
tradução da autora). 1
Existem dois aspectos que auxiliam a descrição desse conceito: densidade social e densidade espacial. A primeira trata das interações entre os indivíduos
e os espaços/ambientes, assim como da interação dos indivíduos no espaço.
Já a densidade espacial refere-se à percepção de densidade, em respeito da
relação entre elementos como altura, espaço e justaposição (CHENG, 2010).
1.2.3 Densidade urbana
Densidade urbana é um tema que permanece altamente polêmico.
Formou-se a ideia de que a alta qualidade de vida só é atingida a partir
de densidade populacional baixa (MASCARÓ, 1987, p. 168). “Porém
essa afirmação não é verdadeira, pois cidades como Nova York e Hong
Kong, proporcionam qualidade de vida alta, sistemas de infraestrutura
urbana eficientes e a sua interferência ambiental é menor do que outras”
(MARCHELLI et al., 2015, p. 6).
Tradução do texto pela autora. Texto original: “ ‘density itself is a perceived experience’, made up of a physical system which is transformed into a perceived system and, when matched against personal and cultural norms, generates an ‘affective density’ that communicates evaluative judgments like a sense of isolation, a
feeling of comfort, or a perception of crowding”. In: ALEXANDER, E.R; REED, David
K; MURPHY, Peter. Density measures and their relation to urban form. Center for
Architecture and Urban Planning Research Monographs. Book 37, 1988.
1
Capítulo 1 Elenco de conceitos
ponível e sua organização (RAPOPORT, 1975 apud CHENG, 2010). Apoian-
38
Segundo os autores do livro Densidade Urbana: Um instrumento de planejamento e gestão urbana:
Densidade torna-se um referencial importante para se
avaliar tecnicamente e financeiramente a distribuição
e consumo de terra urbana, infraestrutura e serviços
públicos em uma área residencial. Em princípio, especialistas em habitação têm assumido que, quanto
maior a densidade, melhor será a utilização e a maximização da infraestrutura e do solo urbano (ACIOLY,
DAVIDSON, 2011, p. 14).
O desenvolvimento urbano que promove altas densidades, “[…] trata de
250 hab/ha de modo qualificado, ou seja, com adequado e planejado uso
misto do solo urbano, misturando funções urbanas (habitação, comércio
e serviços)” (LEITE, 2012, p. 158). Esse sistema é baseado em transporte de
massa, pois a sua densidade é suficiente para suportá-lo, já que permite
que os serviços de transporte público sejam rentáveis. Quanto maior o número de habitantes, menores são os custos por grupo familiar.
Por sua vez, Mascaró (1987, p. 175), no seu livro Desenho Urbano e Custos
de Urbanização, exibe como as densidades urbanas interferem nos custos
de urbanização, a partir da realização de gráficos que exemplificam a
incidência do custo de urbanização por família. Em um desses, visualiza-se
que “o custo das redes de infraestrutura é de 2500 dólares/família quando
a densidade é da ordem de 75 hab/ha (densidade global da maioria das
cidades brasileiras),” já quando a densidade atinge valores de 500 hab/ha,
“o custo diminui para 400 dólares/ família, isto é a sexta parte do anterior”.
Evidencia-se que a baixa densidade de ocupação do território de forma
sustentável só é possível em padrões elevados, devido ao alto custo da
infraestrutura urbana. É necessário investir em altas ou médias densidades,
em que parte da população viva de forma concentrada, para que os custos
de urbanização possam ser socializados e diminuam-se os impactos sobre
o meio ambiente (MARCHELLI et al., 2015a).
39
ser atingidas por uma verticalização acentuada, é um conceito errado. No
diagrama representado na figura 1.2, mostra-se como para uma mesma
quadra, podem-se articular diferentes tipologias e volumetrias, atingindose a mesma densidade. O último dos três tipos demonstra uma melhor distribuição dentro do terreno, privilegiando os usos mistos e possibilitando
a criação de áreas permeáveis, as quais, potencialmente, podem tornar-se
espaços semipúblicos.
Alta verticalidade Baixa ocupação
75 unidades/ha
Baixa verticalidade Alta ocupação
75 unidades/ha
Média verticalidade Média ocupação
75 unidades/ha
Observação
Procure uma mistura de atividades
Inclua uma variedade de tipologias residenciais
Equipamentos comunitários
Lojas e escritórios
Duplex
Casas
Apartamentos
Figura 1.2. Comparação das densidades e das alturas (alta, baixa e média).
Fonte: ROGERS, 1999, adaptada pela autora.
Conforme Gordon Cullen (2009, p. 9), “uma cidade é algo mais do que o
somatório dos seus habitantes: é uma unidade geradora de um excedente
de bem-estar e de facilidades que leva a maioria das pessoas a preferirem,
independentemente de outras razões, viver em comunidade a viverem isoladas”. Isto é, com as altas densidades estimulam-se os laços de comunidades e integração. Assim, observa-se que a densidade ultrapassa a condição
de coeficiente, ou seja, de apenas ser um elemento numérico, quando incentivam-se nos projetos, formas e espaços de integração.
Capítulo 1 Elenco de conceitos
Como já foi expressado, a associação de que altas densidades só podem
40
No âmbito do mercado imobiliário e da construção civil, a busca por modelos eficientes e com maior cuidado com o meio ambiente são importantes
para o desenvolvimento urbano com teor sustentável. Para que o espaço
urbano não seja dominado apenas pelos interesses imobiliários a partir
de mecanismo informais como a verticalização ou expansão territorial da
construção, os governos locais precisam assumir a monitorização do mercado imobiliário, garantindo um sistema de gestão urbana que maximize
as potencialidades das áreas (ACIOLY; DAVIDSON, 2011).
É inegável a incidência de novas construções nas cidades, porém deve existir
um controle enquanto a sua quantidade e, principalmente, sua qualidade. As
construções são resultados da vitalidade econômica, da pressão do mercado
imobiliário e das necessidades humanas, porém não são representativas do
sucesso urbano se estão em abundância (GLAESER, 2011, p. 134). Em suma, o
economista Glaeser relata: “Se a história das cidades se transformar em uma
camisa de força, elas perderão um de seus maiores triunfos: a capacidade de
construir”, sendo que é necessário avaliar a relevância das construções para
não criar uma excessividade sem propósito.
Glaeser (Ibidem) também argumenta que o excesso de preservação impede que as cidades propiciem construções mais novas, mais altas, mais densas e melhores para seus habitantes, como é apontado:
A frase do Shakespeare: “O que é a cidade senão seu
povo?” é verdadeira, mas as pessoas precisam de
construções. As cidades crescem construindo para
cima ou para fora e, quando a cidade não constrói,
as pessoas são impedidas de vivenciar a mágica da
proximidade urbana. A preservação da cidade pode
exigir, de fato, a destruição de parte dela (GLAESER,
2011, p. 134).
Portanto, pode-se pautar que o mercado imobiliário deve entrar como um
agente contribuidor e não dominador para o desenvolvimento urbano das
cidades, propiciando o crescimento, a densificação e a verticalização de
maneira ordenada.
41
conhecimentos entre a população, seja a que incentiva as altas densidades.
Conforme Glaeser (2011) conclui no seu livro, o triunfo das cidades é resultado da aproximação em conjunto das pessoas, pois a partir desta, a cultura,
o conhecimento e as inovações se perpetuam, se transmitem e se realizam.
O teórico e urbanista norte-americano Richard Florida (2005) criou o conceito de economia criativa como sendo a aglomeração e a concentração de
pessoas talentosas e produtivas que impulsionam a verdadeira força econômica. Novas ideias são geradas e a produtividade aumenta quando os
habitantes se localizam próximos uns aos outros nas cidades. “Uma pessoa
inteligente encontrou outra e produziu uma nova ideia. As ideias se movem
de pessoa para pessoa, dentro dos densos espaços urbanos, e essa troca
eventualmente gera milagres da criatividade humana” (GLAESER, 2011, p. 19).
As cidades, desde as civilizações mais antigas, foram o meio mais eficaz de
transmitir conhecimento e obter informações. A proximidade dentro do ambiente urbano permite a conexão entre as culturas, possibilitando a colaboração e a produção conjunta de conhecimentos. As cidades bem-sucedidas
sempre investiram nos seus habitantes, aumentando a riqueza da energia
humana. Não existe cidade de sucesso sem capital humano. De fato, é o contato entre as pessoas que permite tais trocas e a arquitetura e o urbanismo
têm um papel fundamental nessas questões. Em termos arquitetônicos, locais de convívio tornam-se indispensáveis, pois é com a troca de experiências que as pessoas interagem umas com as outras (MARCHELLI et al., 2015).
1.3 Percepção
1.3.1 Ambiência
A percepção sensível tem se tornado não só o caminho, como inevitável
para os pesquisadores que buscam “captar e restituir a concretude da experiência urbana” (THIBAUD, 2012, p. 4).
Capítulo 1 Elenco de conceitos
Estabelece-se que a configuração urbana que propicia a propagação dos
42
Bestetti (2014), descreve que o termo ambiência é oriundo do francês “ambiance” e, significa meio ambiente, tanto no sentido material, quanto no
efeito que o meio físico induz nos indivíduos (sujeitos).
Considera-se ambiência como parte das propriedades materiais do meio ambiente e “dos estados afetivos do sujeito sensível” (THIBAUD, 2012, p. 10). A
ambiência é definida como “o espaço-tempo experimentado pelos sentidos”
(Ibid, p. 9). Uma ambiência, por sua vez, é a junção de vários elementos,
tornando-os um conjunto integrado e indissociável.
Por sua vez, Thibaud (Ibidem) descreve que entre o sujeito que percebe e
o objeto percebido, existe um terceiro termo, denominado de “médium”.
Funciona como meio pelo qual a percepção é possível e, por meio deste, o
objeto se torna sensível, visível, audível, entre outros.
Como salientado por Thibaud (2011), as transformações da cidade moderna ocorreram a partir de suas ambiências, da “fabricação sensível de territórios urbanos” (informação verbal)2. Falar da “ambientação” dos espaços
urbanos é compreender como as mudanças da cidade se encarnam e se
difundem na vida cotidiana. O domínio sensível, perceptivo, é de fundamental importância para a compressão do espaço urbano, permitindo sua
qualificação e estimulando ambientes mais convidativos e receptivos para
a recreação de atividades humanas.
1.3.2 Construção da imagem na paisagem urbana
A percepção é determinada como o processo mental que permite a relação do homem com seu entorno. A partir dos sentidos, os indivíduos
constroem uma representação, uma imagem. Pode-se salientar que a metodologia de Lynch (2006) é uma interpretação dessa teoria. Em 1960, no
seu célebre livro A Imagem da cidade, retoma-se a concepção da percepção como elemento estruturador. Essa percepção, segundo o autor, não é
Nota fornecida por Jean Paul Thibaud no Seminário Internacional URBICENTROS “Morte e Vida dos Centros Urbanos, “ Maceió, 2011.
2
43
de outra natureza. Quase todos os sentidos estão em operação, e a imagem é uma combinação de todos eles” (LYNCH, 2006, p. 2).
No seu livro, são estabelecidos dois conceitos: “imaginabilidade” e “legibilidade”. O primeiro é “a característica, num objeto físico, que lhe confere
uma alta probabilidade de evocar uma imagem forte em qualquer observador dado” (Ibid, p. 11). A “legibilidade” trata-se da clareza da paisagem,
sendo que a partir das imagens constrói-se uma visão clara e organizada
da cidade. Define-se também como a visibilidade em “que os objetos não
são apenas passíveis de serem vistos, mas também nítida e intensamente
presentes aos sentidos” (Ibid, p. 11). O entorno, portanto, tem a capacidade
de comunicar uma clara imagem de si mesmo e, ainda que a imagem varie
de indivíduo a indivíduo, existem elementos em comum que emergem e
permitem constituir grupos de imagens (SANZ, 1992).
Lynch (2006) também evoca que a imagem ambiental pode ser fragmentada em três componentes: identidade, estrutura e significado. Uma imagem
primeiramente precisa da identificação do objeto, descrito também como
identidade, logo deve estruturar-se espacialmente ou paradigmaticamente,
isto é, estabelecer uma relação com o observador e outros objetos. E, por
último, o objeto precisa ter algum significado para o observador, tanto de
conotação prática quanto emocional. Ressalta-se que a relevância na estruturação da imagem é a percepção, elemento referente ao ser humano que
é protagonista da visão analítico-perceptiva (SANZ, 1992).
Sendo o pioneiro na introdução da percepção, Lynch (2006) estruturou 05
(cinco) elementos que conformam a paisagem urbana, são eles:
– Vias: “os canais de circulação ao longo dos quais o observador se locomove de modo habitual, ocasional ou potencial” (LYNCH, 2006, p. 52).
Podem ser expressas em ruas, alamedas, canais, ferrovias, etc.
– Limites: “elementos lineares não usados ou entendidos como vias pelo
observador” (Ibid, p. 52). São as barreiras, as fronteiras que têm como papel
separar visualmente duas áreas.
Capítulo 1 Elenco de conceitos
abrangente e sim parcial, fragmentária, misturada “[…] com considerações
44
– Bairros: “regiões médias ou grandes de uma cidade, concebidos como
dotados de extensão bidimensional” (Ibid, p. 52). Ao adentrar o bairro, o
observador reconhece características dele e faz uma associação mental
desse espaço. A identificação é feita pelo lado interno, mas podem ser usados como referência externa quando visíveis desde fora.
– Pontos nodais: “pontos, lugares estratégicos de uma cidade através dos
quais o observador pode entrar, são os focos intensivos para ou quais ou a
partir dos quais ele se locomove” (Ibid, p. 52). Exemplificam-se a partir de
junções, cruzamentos ou convergências de vias, momentos de passagem,
entre outros.
– Marcos: o observador não adentra neles, sendo externos e “objetos físicos definidos de maneira muito simples: edifício, sinal, loja ou montanha”
(Ibid, p. 53). Alguns deles se destacam pois podem ser avistados de diversos ângulos e distâncias.
O autor expõe que a visualização desses elementos depende das circunstâncias do modo de observação e, a disposição destes na conformação da
paisagem urbana ocorre em conjunto e não isoladamente.
Gordon Cullen (2009), por sua vez, descreve a paisagem urbana como a arte
de tornar coerente e organizado, visualmente, o emaranhado de edifícios,
ruas e espaços que constituem o ambiente urbano (paisagem construída),
buscando entender como as paisagens suscitam reações emocionais nas
pessoas (público). Cullen busca, portanto, compreender o espaço urbano
como um conjunto, que, ao ser percebido simultaneamente, ativa recordações e emoções nos observadores.
Para estruturar esse conceito, Cullen (Ibidem) recorre a três aspectos. O primeiro é a ótica, entendida pela visão serial, a qual é formada por uma sucessão de percepções sequenciais dos espaços urbanos para o observador
que se locomove. Como exemplificado pelo autor, um transeunte durante
seu percurso tem como primeiro ponto de vista a rua, a seguir, ao entrar
em um pátio, revela-se uma nova visual e por fim depara-se com uma outra
45
aporte para a arquitetura, vale ressaltar que a visão serial não determina a
observação natural do ser humano, a qual é abrangente e não controlada.
O segundo fator é o local, que diz respeito às relações do sujeito com a sua
posição no espaço, exemplificado pelo sentido de localização, “estou cá
fora”, e posteriormente, “estou a entrar ali para dentro”, e finalmente, “estou aqui, dentro”. Essas percepções estão ligadas às sensações provocadas
pelos espaços, sejam eles abertos, fechados, altos, baixos, etc. O terceiro
aspecto abordado é o conteúdo, que se relaciona com a constituição da cidade, as suas cores, texturas, escalas e estilos que caracterizam os edifícios
e os setores do tecido urbano.
Essa visão também é salientada por Yoshinobu Ashihara (1982) em El diseño
de espacios exteriores, validando que as percepções dos indivíduos dentro
dos espaços, são importantes para a configuração da paisagem. Por sua
vez, descreve que o espaço é uma resultante do conjunto de relações que
vinculam o objeto com o ser humano que o percebe.
O espaço se forma por meio do conjunto de relações
que vinculam um objeto com o ser humano que o
percebe. Esta correspondência se estabelece, em
primeiro lugar, por intermédio da ótica/visual, mas
se nos movimentamos em um espaço arquitetônico
participam também o olfato, a audição e o tato (Ibid,
p. 10, tradução da autora). 3
Segundo Lynch (2006), o ser humano usa “as sensações visuais de cor, forma, movimento ou polarização da luz, além de outros sentidos como o
olfato, a audição, o tato, a cinestesia […]” (LYNCH, 2006, p. 5).
Ao longo deste trabalho serão exploradas as relações visuais e expostas as
sensações provocadas.
3
Tradução do texto pela autora. Texto original: “[…] el espacio se forma por medio
del conjunto de relaciones que vinculan un objeto con el ser humano que lo percibe. Esta correspondencia se establece, en primer lugar, por medio de la vista, pero
si nos movemos en un espacio arquitectónico participan también el olfato, el oído
y el tacto”. In: ASHIHARA, Yoshinobu. El diseño de espacios exteriores. Barcelona:
Gustavo Gili, 1982, p. 10.
Capítulo 1 Elenco de conceitos
imagem, um monumento. Ainda que esse aspecto tenha sido um grande
46
1.3.3 Figura e Fundo - Teoria de Gestalt
Seguindo a lógica entre sujeito e objeto, a Teoria de Gestalt (1910) se enquadra nesse contexto. Ela é do ramo da psicologia experimental e foca na
dinâmica das organizações de elementos visuais em padrões ou configurações, com o intuito de auxiliar na percepção do mundo. Enfatiza a questão
da relação entre o todo e a parte, acreditando que, na visual, o todo é maior
que a soma das partes (CHENG, 2010).
O termo Gestalt, oriundo do alemão, define-se em dois significados “(1) a
forma; (2) uma entidade concreta que possui entre seus vários atributos
a forma” (ENGELMANN, 2002). A forma é definida: “[…] como a figura ou
a imagem visível do conteúdo. De um modo mais prático, ela nos informa
sobre a natureza da aparência externa de alguma coisa. Tudo o que se vê
possui forma” (FILHO, 2003, p. 39).
Para a Gestalt, a arte se manifesta no princípio da pregnância da forma, isto
é, na formação e estruturação de imagens. A pregnância, por sua vez, é a lei
básica da percepção visual e define-se em: “Qualquer padrão de estímulo
tende a ser visto de tal modo que a estrutura resultante é tão simples quanto o permitam as condições dadas” (FILHO, 2003, p. 36). Uma boa pregnância significa uma melhor organização formal do objeto.
Para a teoria de Gestalt, percebemos campos estruturados e organizados,
“constituídos de figura e fundo, de tema e campo temático, ou ainda de
formas e horizontes nos quais elas se recortam e em função dos quais se
projetam como unidades ou totalidades figurais” (BARKI et al.; [20??], não
paginado). Destacam-se os seguintes aspectos:
1. Só a figura possui forma sendo o fundo desprovido
dela;
2. As linhas de contorno que delimitam o componente
figural do resto do campo pertencem à figura;
3. Mesmo encoberto pela figura, o fundo parece
continuar por detrás dela, sem se interromper ou
perder a unidade;
4. A figura é sempre percebida em plano mais próximo
do perceptor;
47
6. No que concerne aos limites discriminatórios,
as diferenças perceptíveis são maiores quando
produzidas sobre a figura;
7. Na superposição de 02 elementos de superfícies
distintas e homogêneas e de tamanhos diferentes,
geralmente percebemos o menor elemento como
figura;
8. Quando de dois campos de cores distintas e
homogêneas, um é consideravelmente maior que
o outro e o encerra, o campo pequeno encerrado é
geralmente percebido como figura;
9. Se um contorno divide um campo em parte superior
e inferior, a parte inferior aparece mais prontamente
como figura;
10. As propriedades dos elementos figurais não são
permanentes ou imutáveis (reversibilidade) (BARKI et
al., [20??], não paginado).
Koffka (1975, p. 194), no seu livro Princípios da Psicologia de Gestalt, argumenta
que a “figura depende sobre o qual aparece.” Isto é, o fundo funciona
como uma estrutura que emoldura a figura, determinando-a. Destaca que
o maior interesse remanesce sobre a figura em vez do fundo, descritivos
como elementos sólidos (figura) e fluidos (fundo). Koffka (Ibidem) também
expõe que existe uma relação entre a dimensão e a contemplação, ou seja,
quanto maior for a parte do fundo, menor contemplação ela requer.
Colin Rowe e Fred Kotter elaboram no livro Collage City (1977) uma crítica à
arquitetura moderna e usufruem da técnica do diagrama de figura-fundo
para uma análise da qualidade do tecido urbano e assim desenvolver uma
teoria que serviu de influência aos ideais pós-modernos. Buscavam, a partir
dessa, revelar a dicotomia entre a cidade tradicional e a moderna, destacando a primeira como densa, compacta e unitária e, não isolada e abstrata
como a segunda.
Como pode-se perceber na figura 1.3, uma é essencialmente preta, a outra
branca, sendo que a primeira é entendida como um acúmulo de vazios em
sólidos não manipuláveis e a segunda, como uma acumulação de sólidos
em vazio não manipulável. Representando-se, figurativamente, como espaço na primeira e objeto na segunda.
Capítulo 1 Elenco de conceitos
5. A figura constitui-se em componente privilegiado
para evocação, pois é a parte melhor vista e dotada de
maior condição de estabilidade;
48
Figura 1.3. Comparação entre a cidade de Parma e o projeto Saint-Dié (Le Corbusier).
Fonte: ROWE; KOETTER, 1977, p. 62-63.
Na configuração da cidade tradicional nota-se a interdependência do
edifício e do vazio, sendo ambos protagonistas da concepção urbana. No
entanto, destaca-se que os modernistas priorizavam o objeto (o edifício),
concebendo os projetos a partir da figura, delimitadora do fundo (vazios).
Nomeia-se esse efeito, por Rowe e Koetter (1977), como a crise do objeto,
em que o edifício moderno não é considerado capaz de conformar o espaço
público. Como apontado por Francis D.K Ching (1999), tendemos a organizar
a estrutura física das cidades tanto no espaço edificado que é percebido
49
tem uma forma visual e a sua qualidade, dimensão e escala derivam de
elementos formais. Como apontado por Baker (1974 apud CHING, 1999), a
definição da forma arquitetônica é resultante do encontro entre massa e
espaço, podendo ter o papel de definição do espaço urbano.
No entanto, os edifícios alternam seu papel na escala urbana, consolidandose como elementos estruturadores ou panos de fundo dos espaços com
identidade urbana. Cabe analisar cada caso para obter a qualidade do
espaço urbano resultante, dispensando atribuições de caráter único.
No caso do centro de São Paulo, figura 1.4, assim como afirmado por Ribeiro
(2010, p. 24), não é ao todo correto afirmar uma crise do objeto, “[...] a rua e
os demais espaços públicos abertos e os internos pelas galerias comerciais
continuam a figurar como nas cidades tradicionais.” O edifício e o espaço
público se relacionam, formando parte da paisagem urbana.
Figura 1.4. Recorte do centro de São Paulo (figura e fundo).
Fonte: RIBEIRO, 2010, p. 16.
Capítulo 1 Elenco de conceitos
como a forma (o cheio) e o espaço não edificado, o fundo (vazio). O fundo
50
1.4 Urbanidade
1.4.1 A construção do conceito
Milton Santos (1992, p. 241) diferenciou os termos cidade e urbano, afirmando que a primeira “é o concreto, o conjunto de redes, enfim a materialidade visível do urbano, enquanto que este é o abstrato, porém o que
dá sentido e natureza à cidade”. De forma geral, pode-se definir a cidade
como o local onde as relações urbanas acontecem.
Expandindo-se da definição enciclopédica: “conjunto de formalidades
e procedimentos que demonstram boas maneiras e respeito entre os cidadãos; afabilidade, civilidade, cortesia, cordialidade” (HOUAISS, 2001, p.
2809), compreende-se neste trabalho o conceito de urbanidade a partir
da sua relação com a escala urbana. Esse conceito, conforme salientado
por Aguiar (2012), é afeito ao conjunto de qualidades que distinguem uma
cidade, estando presente “no modo como a relação espaço/corpo se materializa”. Objetiva-se compreender o termo urbanidade enquanto realidade
física, que a partir da arquitetura relaciona-se ao entorno, ao local, à cidade,
à paisagem. Segundo Holanda (2010), os elementos precisam se articular
entre si para garantirem qualidade e vitalidade urbana,
[…]para seu florescimento a urbanidade precisa de
uma arquitetura com determinados atributos: espaço
público bem definido, forte contiguidade entre edifícios, frágeis fronteiras entre espaço interno e externo,
continuidade e alta densidade do tecido urbano, etc.
(HOLANDA , 2010, p. 1).
A qualidade do ambiente é destacada pelo Lamas (2011, p. 26), argumentando que “a arquitetura introduz no planejamento e no urbanismo um
objetivo fundamental, a construção da forma do espaço humanizado”. Segundo Jacobs (2013), quando esse espaço se torna público, é visto como
tendo o papel de valorizar e de articular a vitalidade e a diversidade da
cidade. Conforme apontado por Cullen (2009, p. 66), o conceito de urbanidade representa a “síntese de qualidade e do caráter da vida urbana.”
51
espaço público urbano é de fundamental importância para caracterizar a
urbanidade, apontando-a:
[…] como uma qualidade típica e única do ambiente
construído, uma qualificação vinculada a dinâmica das
experiências existenciais, conferidas as pessoas pelo
uso que fazem do ambiente urbano público, através
da capacidade de intercâmbio e comunicação de que
está imbuído esse ambiente (CASTELO, apud AGUIAR,
2015, p. 59).
Segundo Rolnik (1993), o território ultrapassa a noção de espaço quando
existe uma relação com o sujeito. A existência do território vai além da sua
configuração física, ele não existe sem o processo produzido pelas relações
sociais, sendo essa a marca que faz o território. Segundo ela:
[…] há uma relação de exterioridade do sujeito em relação ao espaço e uma ligação intrínseca com a subjetividade quando se fala em território. O território é
uma noção que incorpora a ideia de subjetividade.
Não existe um território sem sujeito, e pode existir um
espaço independente do sujeito. O espaço do mapa
dos urbanistas é um espaço; o espaço real vivido é o
território” (ROLINIK, 1993, p. 28).
Como apontado por Fernando de Mello Franco (2005) na sua tese de doutorado, o desafio das cidades é a construção de uma relação de urbanidade
a partir da integração sistêmica entre as infraestruturas com a cidade. A
tese (Ibid, p. 62) descreve que na cidade de São Paulo decidiu-se “[…] associar a implantação dos principais sistemas infra-estruturais responsáveis
pela modernização da cidade com as áreas de várzea”, visando o crescimento da própria cidade. Porém, como apontado por Franco (Ibid, p. 63),
as infraestruturas foram “esvaziadas de uma condição de urbanidade,” não
tendo na sua conformação a função de articulação com a cidade. Destacase que a essência da tese aplica-se na forma em que relacionam-se e articulam-se os projetos nos espaços implantados, podendo-se simplificar em:
“espacialidades que promovessem continuidades” (Ibid, p. 152).
Capítulo 1 Elenco de conceitos
Por sua vez, Castelo (2007 apud Aguiar, 2015) destaca que a qualidade do
52
Franco (Ibidem) delimita 03 (três) elementos estruturantes do ambiente
construído na sua tese: escala, permanência e poder de propulsão. A escala
transcreve-se na magnitude das infraestruturas (redes de ferrovias, marginais, entre outros) na cidade e na sua relação com a mesma. A permanência
“é aquilo que resulta de um valor decantado ao longo do tempo” (Ibid, p.
15), persistindo e desenvolvendo-se. Os sistemas de transporte são considerados por Franco como os principais agentes de propulsão do espaço na
metrópole, pois eles incentivam novas relações de uso e ocupação.
Os 03 (três) elementos foram assimilados e transcritos nas seguintes relações neste trabalho, já que possuem potencial de articulação e de criação
de associações:
ESCALA: a relação intrínseca entre o edifício e a cidade, a qual apresentase no projeto arquitetônico.
PERMANÊNCIA: a obra permanece como foi projetada inicialmente, sendo tanto a sua relação com a morfologia urbana, como o uso dado a ela.
PODER DE PROPULSÃO: o que a obra impulsiona na construção da dinâmica urbana e da morfologia da cidade, propulsionando relações de
urbanidade.
Concordando-se com Franco (2005), as intervenções locais têm capacidade
de reverberar sobre a escala urbana. A arquitetura apresenta-se como
instrumento delimitador dessas relações, conferindo-lhe significados às
formas de uso do cotidiano das cidades. Conforme apontado por Aguiar
et al. (2010, p. 3), a cidade, as ruas e os edifícios são “participantes ativos”
na construção de urbanidade. Busca-se, por meio da urbanidade, atingir
uma “cordialidade do espaço”, ou seja, criar projetos com integração,
função e articulação.
1.4.2 Construção dos espaços livres, fluentes e, das permeabilidades
Compreendendo-se a importância do espaço público e livre para a urba-
53
dinâmica urbana. Para ele, a cidade tem vigor e dramatismo devido a seus
contrastes, sem eles a cidade passa desapercebida e sem características. Relata ainda que os centros urbanos deveriam ser projetados seguindo a ótica
da “pessoa que se desloca (quer a pé, quer de automóvel),” possibilitando
percursos pelos contrastes entre espaços comprimidos e vazios, espaços amplos e delimitados e, alternância de momentos de tensão e tranquilidade.
Como apontado por Norberg-Schulz (1975), o lugar não é apenas uma localização geográfica e sim uma manifestação concreta do habitar humano.
Considera assim, o espaço como sendo existencial e o espaço arquitetônico pode concretizar-se como tal.
Segundo Cullen (2009), o espaço exterior precisa ter dinamismo e ser usufruído pelos habitantes.
Ao homem não bastam as galerias de pintura; ele
necessita de emoção, do dramatismo que é possível
fazer surgir do solo e do céu, das árvores, dos edifícios,
dos desníveis e de tudo o que o rodeia, através da arte
do relacionamento (CULLEN, 2009, p. 30).
Como salientado por Magnoli (2006, p. 217), os espaços livres no tecido urbano são os lugares de vida urbana. “A cidade densamente construída é o
lugar por excelência do espaço livre público contemporâneo. É a esse espaço que cabe o papel de requalificar a cidade existente.”
Ashihara (1982) descreve os espaços livres como sendo positivos e negativos. A positividade é decorrente de uma intencionalidade humana ou
de um determinado planejamento do espaço em questão. No entanto, a
negatividade de um espaço implica em sua espontaneidade e falta de planejamento. Esses conceitos estão fundamentados na Teoria do Espaço, na
qual descreve o espaço positivo como centrípeto, pois as forças convergem
com um propósito, já o negativo é o centrífugo, uma vez que as forças se
espalham (Figura 1.5).
Capítulo 1 Elenco de conceitos
nidade das cidades, Gordon Cullen (2009, p. 12) destaca-se por defender a
54
positivo
negativo
Figura 1.5. Esquema de espaços positivos (centrípeto) e negativos (centrífugo).
Fonte: ASHIHARA, 1982, p. 21, adaptada pela autora.
Partindo do princípio de figura e fundo, para Christopher Alexander (1977)
existem dois tipos de espaço exterior, o negativo e o positivo. No seu livro,
A Pattern Language, considera o espaço como sendo negativo quando os
edifícios se localizam de tal maneira que o espaço resultante é apenas residual e amorfo. Por outro lado, o espaço exterior é positivo quando tem
uma forma distinta e consolidada e, em termos de importância, destaca-se
como as formas dos edifícios que o rodeiam.
Para visualizar esses conceitos, precisa-se observar o espaço consolidado
na concepção geométrica, por meio do uso de diagramas de figura e fundo
reversos. Na figura 1.6, o espaço exterior é negativo já que os edifícios consolidam-se como figuras e o restante é fundo, não existindo reversibilidade. Na figura 1.7 identifica-se um espaço positivo, já que tanto os edifícios
quanto o espaço exterior aparecem como figuras, contra o fundo formado
pelos edifícios. Existe aqui a reversibilidade.
Segundo Alexander (1977), os espaços positivos são parcialmente enclausurados e sua designação é importante pois as pessoas sentem-se mais
confortáveis neles, assim como se apropriam deles. Um espaço negativo
pode transformar-se em positivo quando outros edifícios se articulam a
ele, criando as positividades (Figuras 1.8 e 1.9).
55
Capítulo 1 Elenco de conceitos
Figura 1.6. Esquema de espaço exterior negativo. Fonte: ALEXANDER, 1977, p. 518.
Figura 1.7. Esquema de espaço exterior positivo. Fonte: ALEXANDER, 1977, p. 518.
transformar este......... para isso
transformar este......... para isso
Figura 1.8. Esquema de transformações dos espaços. Fonte: ALEXANDER, 1977, p. 521,
adaptada pela autora.
Figura 1.9. Esquema de transformações dos espaços. Fonte: ALEXANDER, 1977, p. 522,
adaptada pela autora.
A busca por uma entidade “positiva” deve ser transcrevida para a escala do
edifício. Na concepção desse último, delimitam-se os espaços internos e
deve ocorrer a integração tanto entre eles quanto com os espaços circundantes (CHING, 1999).
A permeabilidade interfere também na positividade e na qualidade do
espaço interno e urbano. “[…]Na arquitetura se induz à ideia de movimento,
de percurso, de trânsito de um lugar a outro, de passagem e ultrapassagem,
de penetrar e chegar ao outro lado” (VIEIRA, 2015, p. 77). A permeabilidade
compreende-se na diminuição de um percurso por passagens dentro das
quadras de edifícios, permitindo assim, a articulação entre os espaços
público e privado. A ênfase nos espaços e nas articulações é de suma
importância já que a paisagem urbana é, na sua essência, um patrimônio
coletivo de herança natural e social.
56
Os espaços livres de permanência e circulação, forma, uso e apropriação
encontram-se em minoria em algumas cidades, principalmente na cidade
de São Paulo. A renúncia pelos espaços públicos é de responsabilidade
tanto dos arquitetos e urbanistas, quanto das legislações vigentes. Como
afirmado por Robert Venturi, “talvez a mais audaciosa contribuição da arquitetura moderna ortodoxa seja seu chamado espaço fluente, usado para
realizar a continuidade de interior e exterior” (VENTURI, 2004, p. 90).
1.4.3 Morfologia urbana
A cidade está em constante transformação e para compreendê-la é necessária a leitura da sua forma, sua morfologia. Esta última é importante para a
construção da urbanidade, pois a cidade estrutura-se a partir dos elementos morfológicos, os quais se articulam entre si e com a cidade.
O conceito de morfologia urbana consiste no estudo “[…] do objeto- a forma urbana- nas suas características exteriores, físicas, e na sua evolução no
tempo” (LAMAS, 2011, p. 38). Destacando-se as relações recíprocas entre
a estrutura construída e a paisagem urbana, a partir da leitura de instrumentos que exprimam a relação objeto-observador. A morfologia urbana
baseia-se em instrumentos de leitura urbanísticos e arquiteturais.
O termo forma urbana corresponde a como se organizam e estruturam os
elementos morfológicos constituintes dos espaços urbanos, em relação
aos aspectos de organização quantitativos, funcionais, qualitativos e figurativos. Conforme salientado,
A forma, sendo o objetivo final de toda a concepção,
está em conexão com o ‘desenho’, quer dizer, com as
linhas, espaços, volumes, geometrias, planos e cores,
a fim de definir um modo de utilização e de comunicação figurativa que constitui a ‘arquitetura da cidade’ (LAMAS, 2011, p. 44).
– Aspectos Quantitativos: tudo aquilo que possa ser quantificado na realidade urbana: densidades, superfícies, fluxos, coeficientes.
– Aspectos de organização funcional: relacionado com as atividades hu-
57
merciar, tratar-se.
– Aspectos qualitativos: se refere ao tratamento dado aos espaços, seu
conforto e a comodidade do utilizador: isolamento térmico, acessibilidades, conforto acústico.
– Aspectos figurativos: relação com a comunicação estética.
Por sua vez, Lamas (2011) apresenta hierarquicamente os elementos morfológicos que compõem o espaço urbano:
– Solo: entendimento do território, sua topografia e o desenho da cidade.
– Edifícios (o elemento mínimo): por meio deles constitui-se “[…] o espaço
urbano e se organizam os diferentes espaços identificáveis e com ‘forma
própria’: a rua, a praça, o beco, a avenida, etc” (Ibid, p. 84).
– Quarteirão: “[…] agrega e organiza os outros elementos da estrutura urbana: o lote e o edifício, o traçado e a rua e as relações que se estabelecem
com os espaços públicos, semipúblicos e privados” (Ibid, p. 94).
– A fachada: elemento pelo qual a relação entre o edifício e o espaço urbano
é processado. As fachadas manifestam “ […] as características distributivas
(programa, funções, organização), o tipo edificado, as características e linguagem arquitetônica (o estilo, a expressão estética, a época), em suma, um
conjunto de elementos que irão moldar a imagem da cidade” (Ibid, p. 94).
– O logradouro: espaço privado do lote que não está ocupado por construções. “É através da utilização do desenho do logradouro que se faz parcialmente a evolução das formas urbanas do quarteirão até o bloco construído” (Ibid, p. 98).
– O traçado (a rua): “estabelece a relação mais direta entre a cidade e o
território […] É o traçado que define o plano, intervindo na organização da
forma urbana a diferentes dimensões” (Ibid, p. 98).
– A praça: “[…] distingue-se de outros espaços, que são resultado acidental de alargamento ou confluência de traçados […] A praça pressupõe a
vontade e o desenho de uma forma e de um programa” (Ibid, p. 100).
Capítulo 1 Elenco de conceitos
manas e as apropriações de uso para uma determinada área: habitar, co-
58
– O monumento: “[…] elemento morfológico individualizado pela sua presença, configuração e posicionamento na cidade e pelo seu significado”,
tornando-se um polo estruturante da cidade (Ibid, p. 104).
– A árvore e a vegetação: “caracterizam a imagem da cidade, [...] são elementos de composição e do desenho urbano, servem para organizar, definir e conter espaços” (Ibid, p. 106).
– Mobiliário urbano: situa-se na dimensão setorial, na escala da rua, sendo
de “[…] grande importância para o desenho da cidade e a sua organização,
para a qualidade do espaço e comodidade” (Ibid, p. 108).
O modo como os elementos se “posicionam, organizam e articulam” (Ibid,
p. 44) condicionará os espaços urbanos e diferenciará um do outro, possibilitando “a comunicação estética do objeto arquitetônico” (Ibid, p. 80). Na
escala urbana, os objetos são os edifícios que se articulam e relacionam
com o espaço urbano.
1.4.4 Indicadores de análise de urbanidade
Conceitua-se neste trabalho que a relação entre os conceitos de densidade, de verticalização e de percepção, conforma espaços urbanos com urbanidade. Para compreender os espaços urbanos é necessário fazer uma leitura dos elementos morfológicos e dos objetos arquitetônicos, presentes
na realidade urbana (Gráfico 1.2).
ESPAÇO URBANO
objetos
arquitetônicos
elementos
morfológicos
quantitativa
qualitativa
figurativa/estética
VERTICALIZAÇÃO
DENSIDADE
PERCEPÇÃO
URBANIDADE
Gráfico 1.2. Esquema dos conceitos com o espaço urbano.
Fonte: AUTORA, 2015.
59
olhar, depois é preciso ‘ir ver’, ir a campo” (Ibid, p. 73). Esse olhar difere-se
de uma “dissecação analítica”, reforçando a “visão de conjunto” por meio
dos sentidos. “Se o objeto é a paisagem, o sujeito deste julgamento é o
olhar” (Ibid, p. 74). Conforme descrito por Lynch (2006, p. 6), o sujeito (observador) deve ter um papel ativo na percepção da paisagem e uma “participação criativa no desenvolvimento da sua imagem.”
As análises dos edifícios escolhidos são ensaios de aproximação para evidenciar os elementos que auxiliam a geração de urbanidade nos espaços
urbanos. Partindo-se da ótica visual e perceptiva, dos conceitos analisados e dos elementos - escala/permanência/poder de propulsão, busca-se
constituir uma série de atributos (indicadores) que auxiliem nas análises
dos objetos escolhidos, por meio de aspectos quantitativos, qualitativos,
morfológicos e figurativos/estéticos (Gráfico 1.3):
1) Ficha técnica: breve apresentação do edifício, destacando o arquiteto da
obra, características gerais e elementos técnicos, como a área do terreno, a
área construída, a altura do edifício, o número de pavimentos, a tipologia,
a densidade física (permanente e transitória), 4 entre outros.
2) Implantação do edifício e traçado urbano: relação do edifício com o terreno e as vias circundantes, destacando-se o uso das irregularidades do terreno para conformação do projeto. Descrevem-se os percursos criados, resultantes do projeto arquitetônico e da sua inserção na morfologia urbana.
3) Espaços positivos e permeabilidades: mediante os gráficos de figurafundo, representam-se as áreas resultantes positivas dos edifícios. A partir
da apropriação do pavimento térreo para atividades de uso público, proporcionam-se maiores funcionalidades e permeabilidades nos espaços.
Os números referentes as densidades foram estimados pelas Administradoras dos
edifícios analisados, em função de uma projeção calculada em relação aos usos dos
espaços.
4
Capítulo 1 Elenco de conceitos
Como salientado por Besse (2014) na obra de Ardaillon: “primeiro é preciso
60
4) Embasamento: distribuição do programa e sua representação geométrica em volumes.
5) Pregnância da forma e tratamento de fachada: destacam-se os elementos de projeto que contribuem para a uniformidade dos edifícios e possibilitam o “convite” no território urbano. Por exemplo, as marquises permitem
melhores condições uma vez que protegem os pedestres e, dessa maneira,
humanizam os edifícios gerando, assim, maior urbanidade. Destacam-se
também os tratamentos de fachada que contribuem para a consolidação
da imaginabilidade (LYNCH, 2006).
6) Escala e paisagem urbana: compreender a relação do edifício com seu
entorno, elencando os elementos da paisagem que encontram-se próximos, tais como praças, parques, edifícios, etc. Serão realizados estudos
gráficos para determinar a relação com os edifícios da frente, considerando a rua como elemento de separação e distanciamento das construções.
Simplifica-se essa relação em D/H, distância por altura, (ASHIHARA, 1982).
Quando o coeficiente é maior do que 1 (um), segundo Ashihara, tem-se a
impressão de que a distância que os separa é menor.
61
Capítulo 1 Elenco de conceitos
ESCALA
PERMANÊNCIA
FICHA TÉCNICA
IMPLANTAÇÃO DO EDIFÍCIO E TRAÇADO URBANO
ESPAÇOS POSITIVOS E PERMEABILIDADES
PROPULSORES
DE URBANIDADE
EMBASAMENTO
PREGNÂNCIA DA FORMA E
TRATAMENTO DE FACHADA
ESCALA E PAISAGEM URBANA
verticalização e densidade
percepção e ótica visual
Gráfico 1.3. Esquema conceitual de síntese entre os conceitos, os indicadores de urbanidade, os elementos
transcritos pela tese de Franco (2005) e a estrutura do trabalho.
Fonte: AUTORA, 2015.
2
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Análises
os e
multif
difícios
uncion
ernos
ais mod
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2. REPERTÓRIO MODERNO NA CIDADE TRADICIONAL
Análise dos edifícios Copan, Itália e Galeria Metrópole
2.1 Desenho do centro da cidade de São Paulo
A cidade de São Paulo passou por grandes transformações, mas seu centro
preservou o traçado original das antigas formações que consistem, na sua
maioria, em quadras irregulares e lotes profundos.
Conforme salientado por Lamas (2011, p. 94), o quarteirão foi um instrumento urbanístico presente na produção da cidade tradicional, “[…] permitindo a localização e a definição da arquitetura e relacionando-a com a
estrutura urbana”. As praças também tiveram destaque, evidenciando na
sua constituição a relação entre o “vazio (espaço de permanência)“ com os
edifícios e suas fachadas (LAMAS, 2011, p. 102). A praça se diferencia do restante dos vazios, por enfatizar no seu desenho urbano, o caráter coletivo.
A arquitetura moderna “já nasce marcada pelo tecido antigo, pelas assimilações e distorções” (RIBEIRO, 2007) (Figuras 2.1 a 2.4). Acredita-se que esse
seja o motivo pelo qual, ao serem inseridos na malha urbana, os edifícios
modernos não perderam o papel de articulação de espaços e de criação de
permeabilidades, remetendo ao modelo de cidade tradicional. Por meio da
Figura 2.1. Mapa São
Paulo, 1895.
Fonte: SÃO PAULO,
2015.
65
apropriação dos alinhamentos e dos limites dos terrenos, desenharam-se
os espaços públicos. Como apresentado no capítulo anterior, o centro de
São Paulo não carece da crise do objeto (ROWE; KOETTER, 1977), já que “os
edifícios não nascem isolados como objetos; mas contaminados pela vida;
formas difíceis” (RIBEIRO, 2007). Trata-se de uma arquitetura de assimilação
e de continuidades, a qual se expressa na trama urbana e tem como papel
a criação de um espaço público coletivo que se conecta com a paisagem
urbana e, tem também o poder de intervenção na produção da cidade.
Figura 2.2. Mapa São Paulo, 1913.
Figura 2.3. Mapa São Paulo, 1924.
Figura 2.4. Mapa São Paulo, 1951.
Fonte: SÃO PAULO, 2015.
66
2.1.1 Permeabilidades centrais urbanas
Os edifícios modernos escolhidos para serem analisados no seu contexto
1-Edifício Copan
possuem uma alta “imaginabilidade” e “legibilidade”, conforme teoria do
2-Edifício Itália
Lynch (2006). Eles representam a imagem do centro da cidade de São Paulo.
3-Edifício Conde
Silvio Penteado
4-Edifício Louvre
5-Conjunto Zarvos
e Ambassador
6-Galeria Metrópole
7-Edifício Esther e
Arhur Nogueira
8-Galeria Califórnia
São as figuras que se destacam no fundo da paisagem e conformam os espaços públicos da cidade.
Os edifícios icônicos Copan, Itália e Galeria Metrópole localizam-se próximos
uns aos outros, e criam, por meio de seus passeios, permeabilidades que
transformam a malha urbana, tornando-se um diferencial da área central.
9-Galeria Louzã
O uso do pavimento térreo para a criação de espaços público-privados, as
10-Conjunto Presidente
galerias, permitiram dinamicidade na cidade. Os percursos, as passagens e
11-Galeria Guatapará
12-Galeria Itá e
R. Monteiro
13-Galeria Nova Barão
os atalhos desenham o tecido urbano e provocam vitalidade na cidade. Do
edifício Copan pode-se chegar à Galeria Metrópole passando pelo edifício
14-Galeria das Artes
Conde Silvio Penteado e atravessando a Avenida São Luís. Trata-se de um
15-Galeria 7 de Abril
pequeno percurso, porém representativo dos princípios da arquitetura e do
16-Galeria Ipê
17- Galeria Itapetininga
urbanismo modernos em São Paulo, nos quais os edifícios estabelecem re8
10
7
11
17
12
9
2
13
1
3
4
6
14
15
16
5
Figura 2.5. Implantação dos edifícios no Centro Novo de São Paulo, destacando-se os térreos permeáveis.
Fonte: SERAPIÃO, 2011, p. 111, adaptada pela autora com base em FONTENELE, 2010, p. 169.
67
lações de dependência com o traçado urbano, a partir das permanências e
1-Edifício Copan
2-Edifício Itália
permeabilidades estabelecidas (Figuras 2.5 e 2.6).
3-Praça da República
Segundo o autor Franco (2005, p. 15), os monumentos, os edifícios icônicos,
“mantêm sua importância pelos valores arquitetônicos da matéria, da for-
4-Galeria Metrópole
5-Praça Dom José Gaspar
6- Biblioteca Mário de Andrade
ma e da capacidade de estruturar relações urbanas no contexto atual que
7- Praça Ramos de Azevedo
elas se inserem”.
8- Teatro Municipal
3
8
2
7
4
1
5
6
Figura 2.6. Imagem área do centro de São Paulo.
Fonte: GOOGLE EARTH, 2015, adaptada pela autora.
68
2.2 Edifício Copan
2.2.1 Ficha técnica
O edifício Copan, nomeado o “Maciço Turístico Copan” foi idealizado pelo
arquiteto Oscar Niemeyer. Como apontado por Carlos Lemos (ANGIOLILLO
2014), co-autor do projeto: “Não se sabendo bem o que fazer com essa classe
(classe média), Loureiro e Frias chegaram a uma conclusão que era lógica. Fazer
um prédio grande, variado e ver o que vendia. Uma espécie de laboratório.”
Esse edifício tornou-se paradigma do modelo de “cidade vertical” e possui até
seu próprio Código de Endereçamento Postal (CEP).
O programa original do edifício constava de um hotel de 600 aptos, com salões, restaurantes e lojas, um cinema para 3500 pessoas, um teatro para 700
pessoas, uma garagem para 500 carros, uma área residencial de 900 aptos e
uma galeria com mais de 100 lojas. Compreendendo-se a dinâmica turística,
foi alterado o projeto para abrigar 1160 unidades habitacionais, divididas em
seis blocos de A a F, e o hotel foi substituído pela sede do banco Bradesco. No
total remanesceram 73 lojas (Quadro 2.1).
(Companhia Pan-Americana (Co-Pan) de Hotéis e Turismo)
Empreendimento idealizado para compor o IV Centenário da cidade.
Arquiteto: Oscar Niemeyer
Colaborador: Carlos Alberto Cerqueira Lemos
Ano: 1952-1956
Localização: Avenida Ipiranga, 200 - República
Vias: Avenida Ipiranga, Vila Normanda, Rua Araújo e Rua Unaí
Tipologia: Mista (Habitacional e Serviços)
Altura: 130 m
Número de pavimentos: 32
Área do terreno: 6006,35 m2 / 0,6 ha
Área construída: 116.152,00 m² / 11,62 ha
Coeficiente de aproveitamento (CA): 19
População permanente (habitantes + funcionários): 5225 hab
População transitória (população permanente + visitantes): 8225 hab
Densidade física permanente (população/área construída): 450,00 hab/ha
Densidade física transitória (população/área construída): 708,00 hab/ha
Figura 2.7. Edifício Copan. Fonte: WIKIPÉDIA, 2015.
Quadro 2.1. Quadro Edifício Copan.
Fonte: AUTORA, 2015 com base nos dados cedidos pela Administração do Condomínio Edifício Copan, maio. 2015.
69
O lote original e irregular foi dividido em dois e separado pela rua Unaí,
a qual possui uma configuração sinuosa e, além disso, tem como função
conectar os edifícios para criar uma unidade de conjunto. De um lado foi
projetada uma lâmina regular e do outro uma lâmina curva. Como enfatiza Lemos: “E aquele ‘s’ não é gratuito não. Ele está concordando com as
irregularidades das divisas posteriores. Ele se harmoniza muito bem com
aquilo” (LEMOS, 2004 apud BARBARA, 2004, p. 220) (Figuras 2.8 e 2.9).
A distribuição das galerias no térreo é perimetral, criando um percurso a ser
seguido e permitindo as conexões entre a Avenida Ipiranga (primeira perimetral do Plano de Avenidas Prestes Maia), a Vila Normanda, a Vila Unaí e a
Rua Araújo. Os corredores das galerias são sinuosos e rampeados, pois incorporam a topografia descendente do terreno natural, promovendo o ajuste
dos níveis entre as ruas circundantes. O desnível entre a Vila Normanda e a
Rua Araújo é de quatro metros (BARBARA, 2004).
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Figura 2.8. Implantação Edifício Copan. Fonte: OUKAWA, 2010, p. 26, adaptada pela autora.
Figura 2.9. Imagem aérea. Fonte: MILIAUSKAS ARQUITETURA, 2015.
Capítulo 2 Análises - Repertório Moderno
2.2.2 Implantação do edifício e traçado urbano
70
As galerias configuram um espaço de circulação interno que trata-se de
um passeio semipúblico, o qual expressa uma continuidade com o espaço
público externo. A curva, por sua vez, delimita o compasso do pavimento
térreo, o ritmo, traçando seu percurso e possibilitando o passeio urbano,
definindo-o como um espaço com urbanidade (Figura 2.10).
O espaço exterior integra-se, também, com o interior a partir das generosas aberturas, que são cinco no total. Ainda que o acabamento do piso
interno seja diferente do da calçada, a conexão entre ambas as partes não
fica comprometida. Devido à implantação do edifício, as calçadas também
se alargam e se integram com o térreo e, consequentemente, estende-se
o espaço público (Figuras 2.11 a 2.13).
Circulação - 26 % da área do
pavimento térreo
E
A Acesso - Blocos de apartamentos
Acesso pedestres
A
E Acesso estacionamento
B
C
D
F
E
E
s/escala
Figura 2.10. Planta pavimento térreo.
Fonte: GALVÃO, 2007, p. 26, adaptada pela autora.
Pode-se destacar que o passeio criado é sinuoso, assim como sua forma
e, conforme Mendoça (2007), contraria a máxima corbusiana que “diz
que o homem que sabe onde vai, vai em linha reta” (LE CORBUSIER apud
MENDOÇA, 2007, p. 105). A ondulação é objetiva, um desvio obrigatório a
um eixo, com vista a “querer oferecer uma desaceleração do fluxo veloz da
cidade pela introdução da curva” (Ibid, p. 105).
71
Capítulo 2 Análises - Repertório Moderno
Figura 2.11. Acesso pela
Rua Araújo.
Figura 2.12. Visual desde
a Rua Unaí (sentido Vila
Normanda).
Figura 2.13. Visual desde a
Rua Unaí (sentido Avenida
Ipiranga).
Fonte: AUTORA, mar. 2015.
72
Como descrito por Dardel (2013), a reta é uma imposição do homem em
uma condição geográfica, a curva, no entanto, expressa maior naturalidade. Na ótica do local, Cullen (2009) destaca a ondulação como um item
importante da paisagem urbana. A descreve como um desvio obrigatório
com um objetivo e que, dentre algumas qualidades, proporciona elementos vitais como a luz e a sombra.
A partir do percurso e da possibilidade do atalho, estabelece-se o diálogo
com a cidade. Nos dizeres de Argan, “o edifício não interrompe o movimento da cidade, a arquitetura não fecha nem segrega, e sim filtra e intensifica
a vida” (ARGAN, 1992, p. 197), proporcionando maior urbanidade.
No projeto original, existia uma maior conectividade entre os dois edifícios, já que eram previstas lojas nas duas laterais da rua Unaí. Essa última não atuaria como um separador, como nos dias atuais, mas como
um conector. A conexão se estenderia no nível dos terraços, pois ambos
ligariam-se mediante uma passarela. Porém, com a construção da sede
bancária, a passarela nunca foi realizada.
2.2.3 Espaços positivos e permeabilidades
Como pode-se perceber nas figuras ao lado, o edifício (figura) predomina no fundo. A implantação do edifício delimita-se com o aproveitamento
máximo da quadra. No entanto, o edifício conforma no seu interior o espaço semipúblico, sendo ele positivo, pois se destaca dentro da figura e possui uma forma distinta e coerente. Como salientado por Bloomer e Moore
(1982), o edifício pode estimular potencialmente o movimento. O percurso
interno é um espaço positivo e permeável, transcreve-se na curva e delimita-se pelas entradas. A transposição da quadra ocorre pela circulação, a
qual possibilita maior fluidez entre o espaço exterior e interior. Por sua vez,
a permeabilidade representa 26 % (vinte e seis) da área total do pavimento
térreo (Figuras 2.14 a 2.16).
73
Capítulo 2 Análises - Repertório Moderno
N
Figura
Fundo
Figura
Fundo
Figura
Permeabilidade - 26% da área do pavimento térreo
Espaço positivo
Figura 2.14. Copan - Figura e fundo.
Figura 2.15. Copan - Figura e fundo.
Figura 2.16. Copan - Espaço positivo - permeabilidade.
Fonte: AUTORA, 2015.
30 m
74
A importância da percepção dos espaços construídos é salientada por
Geoffrey Scott na sua obra La Arquitectura del Humanismo (1914). Nela, trata
sobre os termos de escala e ornamento nos edifícios, expondo que:
Em qualquer edifício, podem distinguir-se três coisas:
a magnitude que realmente tem (medida mecânica), a
magnitude que parece ter (medida visual), e a sensação
de magnitude que produz (medida corporal). As duas
últimas têm sido muitas vezes confundidas, porém
a única que possui valor estético é a sensação de
magnitude (SCOTT, 1914 apud BLOOMER; MOORE,
1982, p. 40, tradução e grifo da autora). 1
Adentrando o edifício Copan, depara-se com um pé direito avantajado.
Acredita-se que, se o pé direito fosse mais próximo da escala humana, em
termos perceptivos, o espaço ficaria enclausurado. O aumento significativo
do pé direito provoca a percepção da sensação de magnitude do espaço
construído. O fato desse percurso ter comércios e serviços torna-o um espaço com funcionalidade e uso urbano (Figuras 2.17 e 2.18).
Figura 2.17. Percurso interno.
Fonte: AUTORA, dez. 2014.
Tradução do texto pela autora. Texto original: “En cualquier edificio pueden distinguirse tres cosas: la magnitud que realmente tiene (medida mecánica), la magnitud
que parece tener (magnitud visual), y la sensación de magnitud que produce (medida corporal). Las dos últimas han sido muchas veces confundidas, pero la única que
posee valor estético es la sensación de magnitud. In: SCOTT, 1914 apud BLOOMER,
Kent C.; MOORE, Charles W. Cuerpo, memoria y arquitectura. Introducción al diseño
arquitectónico. Madrid: Blume, 1982.
1
75
Figura 2.18. Percurso interno.
Fonte: AUTORA, mar. 2015.
76
2.2.4 Embasamento
Concordando-se com Barbara (2004, p. 208), o Copan: “com seus diversos
programas, é desenhado como um trecho da cidade; mais do que um edifí-
Rua Araújo
Vila Normanda
comercial
residencial
cio, pode ser entendido como um complexo equipamento urbano.”
Rua Unaí
Área permeável - pavimento térreo
Figura 2.19. Elevação sudeste. Fonte: OUKAWA, 2010, p. 39, adaptada pela autora.
s/escala
77
Capítulo 2 Análises - Repertório Moderno
O embasamento do programa ocorre em dois volumes, ou blocos, o comercial (base de 12 (doze) a 16 (dezesseis) metros de altura) e o residencial
(lâmina vertical de formato sinuoso e longínquo). A bipartição em volumes,
permitiu a separação dos usos e contribuiu para suavizar a robustez do edi-
Av. Ipiranga
fício, impactando na paisagem urbana (Figuras 2.19 e 2.20).
Rua Unaí
s/escala
Área permeável - pavimento térreo
Figura 2.20. Elevação sudoeste. Fonte: OUKAWA, 2010, p. 39, adaptada pela autora.
78
2.2.5 Pregnância da forma e tratamento de fachada
O edifício Copan ganha proporções mais próximas da escala do pedestre,
com a presença dos balcões das sobrelojas os quais avançam sobre as entradas, funcionando tanto como superfícies de projeção como também demarcações dos acessos ao prédio. Essas formas arquitetônicas delimitam
espaços de uso público, permitindo a ocupação e a apropriação do território urbano, por meio de elementos de caráter transitório como o conjunto
de mesas e cadeiras dos bares e dos restaurantes (CULLEN, 2009) (Figura
Figura 2.21. Visual desde a Rua Unaí.
Fonte: AUTORA, dez. 2014.
79
de urbanidade.
O uso de brises de concreto nas fachadas da lâmina vertical e residencial
acentuam a horizontalidade da fachada e criam ritmo. Sua textura fica evidente pela proximidade com a escala do observador (ASHIHARA, 1982).
Porém, para visualização do conjunto como uma unidade, é necessário
afastar-se. Como definido por Cullen (2009), esse conceito chama-se de
perspectiva delimitada, pois o observador é convidado a recuar a fim de
contemplar. Quanto maiores as distâncias, melhor é a compreensão da inserção do edifício na escala urbana.
Conforme ressaltado por Barbara (2004), o espaçamento de um metro entre
as lâminas dos brises cria um efeito um tanto curioso. O observador, ao olhar
para eles, desde a cota da rua, visualiza uma uniformidade. Já ao afastar-se
amplia-se a visibilidade do interior dos apartamentos, contrapondo o cheio
ao vazio (Figuras 2.22 e 2.23).
Figura 2.22. Copan - Detalhe do brise da fachada.
Fonte: SKYCRAPERCITY, (Cristiano Mascaro), 2003.
Capítulo 2 Análises - Repertório Moderno
2.21). A partir da definição dos usos nos espaços, amplificam-se as relações
80
Figura 2.23. Copan - Vista aérea. Fonte: UOL, 2012.
Figura 2.24. Copan - Vista aérea. Fonte: ARCHDAILY BRASIL (Nelson Kon), 2013.
81
O afastamento do conjunto em relação à Avenida Ipiranga permite estabelecer proporções de amplitude e a materialização da lâmina no espaço
urbano fica menos densa (ALEXANDER et al., 1988) (Figura 2.24).
O próprio volume sinuoso participa nessa concepção, pois cria um espaço
central aberto, representado pela Rua Unaí, que melhora a percepção de
amplitude. O Copan, em ambas extremidades, tem suas empenas limítrofes
a outros edifícios, os quais possuem um gabarito menor. Como a maior face
da lâmina, a curva, é livre de contatos, o edifício expande-se no território.
(Figuras 2.24 a 2.26).
Figura 2.25. Visual desde a Rua Araújo.
Fonte: GOOGLE EARTH, 2015.
Figura 2.26. Visual desde a Rua Araújo.
Fonte: AUTORA, mar. 2015.
Capítulo 2 Análises - Repertório Moderno
2.2.6 Escala e paisagem urbana
82
Um outro elemento de análise é a relação entre as alturas dos edifícios
vizinhos (H) e sua separação em relação ao distanciamento das construções (D) (ASHIHARA, 1982). Aplicando-se esse conceito, compreendido
pela simplificação D/H, teremos 52/130 m = 0.4 (Figura 2.27). Porém, no
caso do Copan, tanto a implantação do edifício quanto a largura da avenida contribuem para a qualidade do espaço, ainda que o coeficiente seja
menor do que 1 (um). Na escala do pedestre, o espaço resultante não é
enclausurador, já que a forma curva do edifício gera movimento e espacialidade (Figuras 2.28 e 2.10).
H
Av. Ipiranga
D
Figura 2.27. Copan - Relação entre distância e altura. Fonte: AUTORA, 2015.
30 m
83
Capítulo 2 Análises - Repertório Moderno
Figura 2.28. Visual desde a Avenida Ipiranga. Fonte: GOOGLE EARTH, 2015.
s/escala
Figura 2.10. Planta pavimento térreo.
Fonte: GALVÃO, 2007, p. 26.
Ao analisarmos o Copan desde a Rua da Consolação, percebemos que ele
dialoga com o gabarito da Paróquia da Nossa Senhora da Consolação, pois,
ainda que se sobressaia em termos de altura, existe um certo distanciamento com a Paróquia e por causa da sua implantação, nesta perspectiva,
não visualizamos a total dimensão do Copan. Portanto, a Paróquia não perde seu protagonismo na conjuntura da paisagem (Figura 2.29).
Nas figuras 2.29 e 2.30, existe uma mistura arquitetônica entre as construções formais horizontais e verticais, sendo que perceptualmente a composição destaca-se pela sua verticalidade (FILHO, 2003). Os elementos construtivos conformam ao todo um equilíbrio dinâmico que, pelas linhas e
contornos irregulares, denotam certa proporção e apresentam relações de
escala. Os edifícios são as figuras que delimitam o skyline urbano.
84
Edifício Ipiranga 165
Edifício Itália
Paróquia da Nossa Senhora
da Consolação
Edifício Copan
Figura 2.29. Visual desde a Rua da Consolação, destaque para o skyline urbano.
Fonte: AUTORA, 2015.
85
Capítulo 2 Análises - Repertório Moderno
Figura 2.30. Figura e fundo a partir da figura 2.29.
Fonte: AUTORA, 2015.
Figura
Fundo
86
2.3 Edifício Itália
2.3.1 Ficha técnica
O edifício Itália foi idealizado pelo Circolo Italiano, tradicional clube da colônia italiana de São Paulo. Até 1962, era o edifício mais alto da América
Latina e do mundo em concreto armado (MENDONÇA, 2007).
O programa consiste de uma galeria comercial com 14 lojas, um auditório
para 350 pessoas, um conjunto de escritórios (240 condôminos no total)
e, no 44º andar, um restaurante, que tem a vista panorâmica do centro da
cidade como sua maior atração. O pavimento do restaurante possui um
caráter simbólico, pois torna-se um mirante do espetáculo urbano.
Uma das curiosidades do edifício é que ele não foi projetado para atender a
uma demanda significativa de número de pessoas, em relação à proporção
de número de vagas no subsolo. Existem apenas 04 vagas, o restante do
pavimento é destinado para a infraestrutura do edifício (Quadro 2.2).
Patrocinado pelo Circolo Italiano.
Arquiteto: Franz Heep
Ano: 1959
Localização: Avenida Ipiranga, 344 - República
Vias: Avenida Ipiranga e Avenida São Luís
Tipologia: Mista (Comercial e Serviços)
Altura: 165/168 m
Número de pavimentos: 46
Área do terreno: 2.382,00 m2 / 0,24 ha
Área construída: 52.000,00 m² / 5,2 ha
Coeficiente de aproveitamento (CA): 22
População permanente (condôminos + funcionários): 4800 hab
População transitória (população permanente + visitantes) : 8000 hab
Densidade física permanente (população/área construída): 923,00 hab/ha
Densidade física transitória (população/área construída): 1538,00 hab/ha
Figura 2.31. Edifício Itália. Fonte: GOUVEIA, 2013.
Quadro 2.2. Quadro Edifício Itália.
Fonte: AUTORA, 2014, com base nos dados cedidos pela Administração do Condomínio Edifício Itália, mar. 2015.
87
Situa-se em um lote de esquina, formado pela confluência da Avenida Ipiranga com a Avenida São Luís. O arquiteto Franz Heep aproveitou a dimensão total do terreno, ocupando o pavimento térreo por toda a sua extensão
(Figura 2.32). Na sua concepção original, o térreo possuía maior permeabilidade, já que para ambos os lados das avenidas existia uma entrada ativa.
Ainda que remanesceu a área das galerias, as quais se dispõem perimetralmente (lojas, café, sede bancária), o fechamento da entrada pela Avenida São Luís (grades foram colocadas por segurança e apenas usa-se para
Capítulo 2 Análises - Repertório Moderno
2.3.2 Implantação do edifício e traçado urbano
triagem) impede o fluxo dinâmico do passeio público. O projeto, na sua
concepção, tinha maior diálogo entre as áreas público e privada. A própria
entrada pela Avenida Ipiranga é gradeada e composta por uma escadaria,
o que bloqueia a continuidade da calçada com o espaço interior, além de
não ser acessível (Figuras 2.33 e 2.34).
N
C
E
B
B
Circulação - 33 % da área do pavimento térreo
e
Av
B
Acesso pedestres
B
nid
B Acesso - Bloco escritório e restaurante
aS
ão
C Acesso - Bloco Circolo Italiano
Lu
Av
e
nid
aI
p ir
an
ga
ís
E Acesso estacionamento
s/escala
Figura 2.32. Planta pavimento térreo.
Fonte: MENDOÇA, 2007, p. 75, adaptada pela autora.
88
Figura 2.33. Entrada desde a
Avenida Ipiranga.
Fonte: AUTORA, mar. 2015.
Figura 2.34. Visual da entrada desde o interior do edifício.
Fonte: AUTORA, dez. 2014.
Figura 2.35. Visual da galeria
interna.
Fonte: AUTORA, dez. 2014.
A dinâmica de circulação do edifício se dá pela coluna central que possui
19 (dezenove) elevadores no total. Desse último, 12 (doze) dão acesso ao
conjunto de escritórios e 02 (dois) acessam o restaurante e o terraço, ponto
atrativo do edifício. Além disso, existem outros 05 (cinco) elevadores de uso
exclusivo do Circolo Italiano.
2.3.3 Espaços positivos e permeabilidades
Percebe-se novamente a predominância da figura no
fundo. Porém, destacam-se os espaços positivos interiores que são resultantes da delimitação da figura. Na
sua totalidade, 33 % (trinta e três) é área permeável em
relação ao pavimento térreo (Figuras 2.36 a 2.38). No
entanto, devido ao fechamento da entrada da Avenida
São Luís, o fluxo dentro do edifício ficou mais contido.
A falta de definição de usos no decorrer do pavimento
térreo torna-o menos funcional e, em termos de uso,
não muito convidativo. O que predomina nesse pavimento são os elementos de circulação vertical e a falta
de adensamento faz com que o pé direito se destaque
em relação à escala humana (Figura 2.35).
89
Figura
Fundo
Figura
Fundo
Capítulo 2 Análises - Repertório Moderno
N
Figura
Permeabilidade - 33% da área do pavimento térreo
Permeabilidade interrompida
Espaço positivo
Figura 2.36. Edifício Itália - Figura e fundo.
Figura 2.37. Edifício Itália - Figura e fundo.
Figura 2.38. Edifício Itália - Espaço positivo- permeabilidade.
Fonte: AUTORA, 2015.
15m
90
2.3.4 Embasamento
O edifício se divide em 03 (três) partes: o embasamento, a torre e dois edifícios laterais (Figuras 2.39 e 2.40). O embasamento se projeta acima da superfície do lote e dele emergem a torre e os edifícios laterais. Estes últimos
funcionam como pano de fundo na composição arquitetônica e a simples
vista não parecem conformar parte do mesmo edifício. Dentro da base, a
partir da galeria cria-se “um fluxo urbano para dentro do limite do lote”
(MENDONÇA, 2007, p. 82).
Torre - lâmina vertical
conjunto de escritórios
anexo- conjunto
de escritórios
Circolo Italiano
base- serviços + acessos
Figura 2.39. Desenho esquemático- volumetrias e setorização.
Fonte: AUTORA, 2015 com base em maquete da Administração do Edifício Itália.
91
Av. Ipiranga
Capítulo 2 Análises - Repertório Moderno
Área permeável - pavimento térreo
s/escala
Figura 2.40. Corte longitudinal. Fonte: ITÁLIA, 2015, adaptada pela autora.
92
2.3.5 Pregnância da forma e tratamento de fachada
O uso dos brises na fachada não só auxiliam nas relações de iluminação como também criam uniformidade
na fachada, de maneira a ocultar elementos que possam
interferir esteticamente, como é o caso dos pilares, caixilhos (Figuras 2.41 e 2.42). O uso de brises móveis auxiliaram nessa ocultação:
Figura 2.41. Detalhe do brise da fachada.
Fonte: AUTORA, mar. 2015.
De tudo, então, resulta não
apenas a unidade da fachada
que tantos alardeiam, mas
uma formulação orgânica, cuja
projeção externa não revelará ao
espectador onde começa e onde
acaba - o monumento é para ser
visto de todos os lados, a noção da
fachada foi totalmente eliminada,
como preconiza a moderna
arquitetura. Tudo o que o edifício
Itália oferece, externamente, é
face, é frente, é unidade (HABITAT,
s/n apud MENDOÇA, 2007, p. 83).
A entrada ao edifício destaca-se por seu pé direito duplo
e o acesso recuado permite que a mesma esteja coberta
pelo pavimento superior. Atualmente, as grades delimitam a entrada, direcionando-a a uma menor porção do
espaço. Ainda assim, preserva-se o espaço entre a grade
e o portão, o qual pode ser usado publicamente.
Elementos construtivos, como a extensão do pavimento
superior possibilitando uma área de proteção ao pedestre, aumentam a área de calçada, tornando-se exemplos
de caráter humano, que geram maior urbanidade.
93
Capítulo 2 Análises - Repertório Moderno
Figura 2.42. Visual para Edifício Itália desde a esquina da Praça da República.
Fonte: AUTORA, mar. 2015.
94
E1 = eixo Avenida Ipiranga
E2 = eixo Praça da República
Praça da República
E2
E1
i
Ed
f íc
io
Itá
lia
Figura 2.43. Montagem do mapa com base no Mapa Digital da Cidade (MCD).
Fonte: S. PAULO 2015, adaptada pela autora.
2.3.6 Escala e paisagem urbana
A torre configura-se mediante uma planta elíptica, direcionando a menor
porção para o vértice. Isso deixa o edifício mais esbelto nessa fachada e
menos denso na paisagem urbana. Pela sua forma singular, o edifício cria
diferentes perspectivas, ora parece circular, ora retangular (Figuras 2.43 e
2.45). Posicionando-se na Praça da República, o edifício adquire proporções grandiosas, como nomeado por Cullen (2009). Ele se destaca da paisagem, dominando-a e induzindo uma sensação de onipresença.
O edifício adquire caráter de símbolo/ícone quando não só se destaca mas
auxilia na valorização do seu entorno. Segundo Ashihara (1982), a monumentalidade fundamental, na sua essência, é adquirida quando uma obra
arquitetônica é isolada. Porém, ela também pode acontecer quando ao
redor dessa obra existam outros conjuntos de edifícios com relações de
influência entre uns com os outros, denominada de monumentalidade
95
espaço e de atingir certos atributos como luminosidade e penumbra, permeabilidade, humanidade e urbanidade (Ibidem).
O bloco que se estende sobre a calçada, conforme salientado anteriormente, possui o terraço, o qual faz parte do Circolo Italiano (Figura 2.44), portanto seu uso é restrito. No entanto, o restaurante do Circolo possui uma
varanda, a qual abre-se para a mesma visual (Figuras 2.46 e 2.47).
Ambos ambientes criam uma nova condição de contemplar o entorno;
desde o terraço, a visual se dá pela copa das árvores, criando uma continuidade com a Praça da República. Nesse patamar, o próprio barulho da
rua minoriza-se. A proximidade com o pedestre é maior desde a varanda,
podendo contemplar a dinamicidade urbana.
Figura 2.44. Visual desde o terraço do Circolo Italiano. Fonte: AUTORA, mar. 2015.
Figura 2.45. Edifício Itália em 1970. Fonte: S.P In Foco, 2015.
Capítulo 2 Análises - Repertório Moderno
complexa. Esse é o caso do Edifício Itália, o qual é capaz de “perturbar” o
96
Figura 2.46. Visual desde a
varanda do Circolo Italiano.
Figura 2.47. Visual desde a
varanda do Circolo Italiano.
Fonte: AUTORA, maio. 2015.
Praça da República
97
como resultado 35/160 m = 0.22, e mais uma vez, o coeficiente deu
abaixo de 1 (um). Acredita-se que o afastamento visual com a Praça
da República e a própria implantação do conjunto no lote funcionem
como elementos desestimuladores, contribuindo para que exista um
distanciamento entre o edifício e o seu entorno, resultando em um
espaço que ao ser percebido é agradável e não enclausurador (Figura
2.48). A configuração do edifício em formato de vértice contribui
também para a espacialidade resultante (Figura 2.32).
Capítulo 2 Análises - Repertório Moderno
Baseando-se no conceito de Ashihara (1982), a relação D/H, tem-se
s/escala
Figura 2.32. Planta pavimento térreo.
Fonte: MENDOÇA, 2007, p. 75.
H
Av. Ipiranga
D
Figura 2.48. Edifício Itália Relação distância e altura.
Fonte: AUTORA, 2015.
20 m
98
Para os 03 (três) pontos nodais representados na figura 2.52, seguindo a
metodologia de Lynch (2006), percebe-se que os edifícios, tanto Copan,
quanto Itália, se destacam na paisagem e se tornam marcos dela. Eles não
apenas integram o espaço construído, como dão dinamicidade (Figuras
2.49 a 2.51).
Existe uma conexão visual entre ambas as partes; dos pavimentos do edifício Copan pode-se visualizar a esbelteza da forma do edifício Itália. Quando
analisamos o Copan, especificamente, o formato sinuoso permite a leveza
e o desmembramento dos edifícios ao seu redor. Ele se destaca, irredutivelmente, ao ser comparado com seu entorno, mas não atua como uma
barreira visual, pois a curva permite a criação de diferentes visuais. Como
visualiza-se na figura 2.53, desde o Copan é possível ver o Edifício Itália, e
ambos têm uma relação simbiótica, pois juntos caracterizam e dialogam
com a área central da cidade.
Percebe-se que o posicionamento da planta elíptica do Edifício Itália, como
ilustrado na figura 2.55, acompanha o movimento da curva do Edifício
Copan e também relaciona-se com o Edifício Ipiranga 165 (antiga sede do
Hotel Hilton e projetado por Mário Bardelli).
Figura 2.49. Ponto nodal no1.
Figura 2.50. Ponto nodal no2.
Figura 2.51. Ponto nodal no3.
Fonte: AUTORA, mar. 2015.
99
vias
Praça da República
1
2
Edifício Itália
3
Edifício
Ipiranga
165
Edifício Copan
Figura 2.52. Montagem do mapa com base no Mapa Digital da Cidade (MCD).
Fonte: S. PAULO, 2015, adaptada pela autora.
Capítulo 2 Análises - Repertório Moderno
pontos nodais
100
Figura 2.53. Visual para o Edifício Itália desde o Edifício Copan.
Fonte: STENERI, s/data.
Figura 2.54. Avenida Ipiranga, São Paulo, 1953.
Fonte: JAYO, 2013.
Como representado na figura 2.56, o centro de São Paulo se expandiu
verticalmente e desordenadamente, criando um skyline peculiar. Na
paisagem urbana, os edifícios Copan e Itália se destacam. A figura 2.54 ilustra
o centro de São Paulo antes dos edifícios Copan e Itália serem construídos.
101
Edifício Ipiranga 165
Edifício Copan
Edifício Itália
Figura 2.55. Centro de São Paulo.
Fonte: Acervo Administração Copan, 2015, adaptada pela autora.
102
103
Capítulo 2 Análises - Repertório Moderno
Figura 2.56. Centro de São Paulo.
Fonte: SP Turis (Caio Pimenta), 2015.
104
2.4 Galeria Metrópole
2.4.1 Ficha técnica
O Conjunto Maximus nomeado posteriormente de Centro Metropolitano
de Compras, é também conhecido por Galeria Metrópole.
O projeto é fruto de um concurso fechado que previa a construção de uma
galeria comercial nos pavimentos inferiores, sobre os quais seria erguida
uma torre de escritórios.
No arranjo final do projeto, a galeria comercial abriga 402 lojas, uma sala
de cinema com capacidade para 1200 espectadores e, no corpo vertical,
distribuem-se os conjuntos comerciais (Quadro 2.3).
Centro Metropolitano de Compras
Arquitetos: Giancarlo Gasperini e Salvador Candia
Ano: 1956
Localização: Avenida São Luís, 187
Vias: Avenida São Luís, Praça Dom José Gaspar e Rua Basílio da Gama
Tipologia: Mista (Comercial e serviços)
Altura: 76,5 m
Número de pavimentos: 23
Área do terreno: 4.627,21 m2 / 0,46 ha
Área construída: 35.151,00 m² / 3.51 ha
Coeficiente de aproveitamento (CA): 7,6
População permanente (condôminos + funcionários): 1200 hab
População transitória (população permanente + visitantes): 5200 hab
Densidade física permanente (população/área construída): 342 hab/ha
Densidade física transitória (população/área construída): 1481,00 hab/ha
Figura 2.57. Galeria Metrópole - Maquete. Fonte: SERAPIÃO, 2011, p. 53.
Quadro 2.3. Quadro Galeria Metrópole.
Fonte: AUTORA, 2015 com base nos dados cedidos pela Administração do Condomínio da Galeria Metrópole, maio. 2015.
105
A riqueza da Galeria Metrópole encontra-se na sua implantação, circundada de três vias, Avenida São Luís, Praça Dom José Gaspar e Rua Basílio da
Gama. A Avenida São Luís teve seu alargamento na década de 1940, sendo
parte do Perímetro de Irradiação do Plano de Avenidas e é um eixo urbano
caracterizado pela presença de vegetação. Adjacente à galeria, encontrase a Biblioteca Municipal Mário de Andrade, que foi inaugurada durante
a administração do prefeito Prestes Maia. A conexão entre ambos ocorre
pela Praça Dom José Gaspar, sendo que, nos dias atuais, o gradil que con-
Capítulo 2 Análises - Repertório Moderno
2.4.2 Implantação do edifício e traçado urbano
torna a biblioteca acaba criando um isolamento maior (CECCO; PERRONE,
2005) (Figuras 2.58 e 2.59).
N
Rua D
r. Bru
l
io G o
mes
Rua Basílio
da Gama
Praça Dom José Gaspar
Avenida São Luís
Biblioteca Mário
de Andrade
Rua Consolação
Galeria Metrópole
s/escala
Área permeável
Figura 2.58. Implantação. Fonte: CECCO; PERRONE, 2005, adaptada pela autora.
Figura 2.59. Corte longitudinal. Fonte: CECCO; PERRONE, 2005, adaptada pela autora.
s/escala
106
N
Circulação - 43% da área do pavimento térreo
B Acesso - Bloco escritório
Acesso pedestres
E
E
Acesso estacionamento
B
B
s/escala
Figura 2.60. Planta do pavimento térreo (Passeio São Paulo).
Fonte: Acervo AFLALO; GASPERINI, 2015, adaptada pela autora.
s/escala
Figura 2.61. Planta da 3a sobreloja (Passeio Capri).
Fonte: Acervo AFLALO; GASPERINI, 2015.
107
rampeado) e pela Praça Dom José Gaspar (em nível). A entrada pela Rua Basílio da
Gama, para acompanhar o nível do terreno, é composta por uma escadaria.
Os elevadores e as escadas são componentes da circulação vertical. As escadas rolantes estabelecem as ligações entre os pavimentos comerciais, sendo elementos
mecânicos que permitem maior fluxo vertical (Figuras 2.60 e 2.61).
2.4.3 Espaços positivos e permeabilidades
O edifício atua como figura e a permeabilidade no pavimento térreo é de 43 % (quarenta e três) (Figuras 2.63 a 2.65). Distribuem-se comércios e serviços, possibilitando
o uso e a função do edifício.
O espaço interno resultante é agradável e a somatória entre o pé-direito duplo e a
presença do vazio central garantem-lhe amplitude (Figura 2.62).
Figura 2.62. Visual do vazio central desde interior do edifício.
Fonte: AUTORA, dez. 2014.
Capítulo 2 Análises - Repertório Moderno
Atualmente é possível ter acesso pela Rua São Luís (utilizando-se de um acesso
108
N
Figura
Fundo
Figura
Fundo
109
N
Capítulo 2 Análises - Repertório Moderno
Figura
Permeabilidade - 43% da área do pavimento térreo
Espaço positivo
Figura 2.63. Galeria Metrópole - Figura e fundo.
Figura 2.64. Galeria Metrópole - Figura e fundo.
Figura 2.65. Galeria Metrópole - Espaço positivo- permeabilidade.
Fonte: AUTORA, 2015.
30 m
Nesse edifício, a permeabilidade não concentra-se apenas no pavimento térreo mas
distribui-se pelos andares superiores, tendo o vazio como elemento central dessa disposição. A permeabilidade, portanto, expande-se horizontalmente e verticalmente,
intensificando as conexões de urbanidade.
110
2.4.4 Embasamento
O programa segmenta-se em dois blocos, horizontal (comércio e serviços)
e vertical (escritórios). As três vias que contornam o edifício criam um percurso com urbanidade a ser seguido (Figuras 2.66 e 2.67).
A Galeria Metrópole foi projetada como uma quadra urbana vertical: são ao
todo 05 (cinco) pavimentos de galeria comercial, sendo eles o pavimento
inferior (Passeio Nova York), o térreo (Passeio São Paulo), a 1ª sobreloja
Av. São Luís
comercial
escritórios
(Passeio Londres), a 2ª sobreloja (Passeio Paris) e a 3ª sobreloja (Passeio Capri).
s/escala
Figura 2.66. Elevação.
Fonte: SERAPIÃO, 2011, p.32., adaptada pela autora.
111
Av. São Luís
Capítulo 2 Análises - Repertório Moderno
Área permeável
Figura 2.67. Corte longitudinal.
Fonte: Acervo AFLALO; GASPERINI, 2015, adaptada pela autora.
s/escala
112
2.4.5 Pregnância da forma e tratamento de fachada
No pavimento térreo, as lojas da galeria são dispostas ao redor de um jardim interno (praça), que é visualizado em qualquer um dos níveis, mediante a existência de um vazio central que serve como elemento conector e
de estruturação do espaço interno. Ao redor do vazio, estão voltadas as
frentes das lojas e dos restaurantes e o espaço resultante serve tanto como
travessia do público, como também para atividades de permanência.
Essa sutileza no projeto reforça a integração de continuidade entre o espaço interno e o exterior, compreendido pela Praça Dom José Gaspar, sendo
elemento de importância para o conceito de urbanidade. Acima desse jardim, localiza-se uma abertura zenital que permite a incidência de luz natural (Figura 2.72). O pavimento térreo, portanto, configura-se como uma
extensão do espaço urbano e funciona como um centro de confluência e
irradiação de percursos para os pedestres.
O corpo horizontal avança em projeção, 1.20 metros (CUNHA, 2007, p. 198),
sobre o espaço público que contorna o edifício. Esse artifício é relevante,
pois não só suaviza as entradas, como também serve de proteção para os
transeuntes e permite ser apropriado para diferentes usos (Figura 2.69).
A entrada à Galeria, desde a Praça Dom José Gaspar, é emoldurada por um
pórtico, o qual tem como função enquadrar a paisagem (Figuras 2.68, 2.70
e 2.71). Esse elemento arquitetônico funciona como transição entre os espaços público e privado, onde o observador consegue distinguir “estou aqui
dentro,” “estou aqui fora” (CULLEN, 2009). De fato, desde o interior do edifício consegue-se apreciar a praça, e esse é um dos pontos principais, em
que o observador é convidado a contemplar. A praça não só tem um grande
fluxo de passagens, como também é ocupada para fins sociais e comercias,
como é o caso do conjunto de mesas e cadeiras, objetos de apoio dos restaurantes da galeria.
A apropriação do espaço público dá maior vitalidade à praça, deixando de
ser apenas um local de transição e podendo ser destinado para a contemplação, as relações sociais, comerciais e de trabalho, entre outros.
113
Figura 2.68. Visual do pórtico de entrada desde a Praça
Dom José Gaspar.
Fonte: AUTORA, dez. 2014.
Figura 2.69. Visual desde a Avenida São Luís.
Fonte: AUTORA, mar. 2015.
Figura 2.70. Visual desde a Praça Dom José Gaspar.
Fonte: AUTORA, mar. 2015.
Figura 2.71. Visual desde a Praça Dom José Gaspar.
Fonte: AUTORA, mar. 2015.
Figura 2.72. Visual interna, destacando-se o vazio central.
Fonte: AUTORA, dez. 2014.
114
Figura 2.73. Conexão visual entre os jardins por meio do vazio central. Fonte: AUTORA, dez. 2014.
115
No último pavimento da área comercial, aproveitando-se do espaço deixado pela ausência das escadas rolantes, consolida-se mais um jardim que
visualmente integra-se com a Praça Dom José Gaspar, a partir da continuidade espacial. Esse pavimento funciona como belvedere urbano (Figuras
2.73, 2.74, 2.75 e 2.76).
A implantação do edifício, com o bloco horizontal estendendo-se perimetralmente pelo limite da quadra e o volume vertical em uma proporção
menor, delimitou um recuo/afastamento com as construções circundantes.
Dessa maneira, permitiu-se melhor iluminação e ventilação nas salas comercias, como também aproveitaram-se as esquinas, as quais possibilitam
ângulos de apreciação da paisagem urbana.
A relação com o seu entorno permite a formação de permeabilidades visuais. Ainda que a Galeria Metrópole esteja implantada entre volumes de
edificações preexistentes, ela se destaca. Não representa apenas um passeio, mas dialoga diretamente com o seu entorno a partir das aberturas,
elementos que enquadram a paisagem.
Figura 2.74. Distribuição de usos ao redor do vazio central. Fonte: AUTORA, dez. 2014.
Capítulo 2 Análises - Repertório Moderno
2.4.6 Escala e paisagem urbana
116
Praça Dom José Gaspar
Figura 2.75. Visual desde o jardim da cobertura - continuidade com a Praça Dom José Gaspar.
Figura 2.76. Visual para a Praça Dom José Gaspar desde a 3a sobreloja.
Figura 2.77. Visual para a Rua Basílico da Gama desde a 3a sobreloja.
Fonte: AUTORA, mar. 2015.
117
pois a partir deles consegue-se dialogar com a paisagem. Eles funcionam
como “passeios sobrepostos” (GASPERINI, 1960, apud, CUNHA, 2007, p. 173).
Como salientado por Cunha (2007), o “passeio sobreposto” representava
a cultura da cidade da época, que tinha como um dos costumes de maior
agrado sentar-se em volta de um café e “ver” a cidade (Figuras 2.78 e 2.79).
A ocupação em esquina, por sua vez, permite os diferentes ângulos e visuais (Figura 2.77).
Figura 2.78. Conexão dos espaços interior e exterior por meio das aberturas (ligação com a Praça Dom José Gaspar).
Fonte: AUTORA, maio. 2015.
Capítulo 2 Análises - Repertório Moderno
Os balcões, extensões dos pavimentos da galeria, também têm essa função,
118
Figura 2.79. Visual desde a 20 sobreloja para a calçada e a Avenida São Luís.
Fonte: AUTORA, maio. 2015.
119
Capítulo 2 Análises - Repertório Moderno
Utilizando-se do conceito do Ashihara (1982), D/H= 43/100 m = 0.43, o coeficiente resultou em um número menor do que 1 (um), porém como salientado anteriormente, a própria implantação do edifício e o recuo do bloco
vertical permitem uma melhor configuração urbana e, portanto, a percepção do espaço não fica comprometida (Figuras 2.80 e 2.60). A distribuição
do programa em diferentes níveis e no pavimento térreo, garantem-lhe ao
projeto maior espacialidade, sendo que o projeto se abre para a rua.
D
Av. São Luís
H
Figura 2.80. Galeria Metrópole - Relação distância e altura.
Fonte: AUTORA, 2015.
20 m
s/escala
Figura 2.60. Planta do pavimento térreo (Passeio São Paulo).
Fonte: Acervo AFLALO; GASPERINI, 2015.
3
s
e
t
r
A
a das
Praç
Anális
eo
mporân
e
t
n
o
c
o
fíci
e do edi
000003
122
3. REPERTÓRIO CONTEMPORÂNEO NO CENTRO EXPANDIDO
Análise do edifício Praça das Artes
3.1 Relações urbanas
3.1.1 Articulação entre os edifícios modernos e a Praça das Artes
Os edifícios anteriormente analisados no capítulo 02 (dois) - Edifício Copan,
Edifício Itália e Galeria Metrópole - se assemelham, na sua configuração, ao
edifício Praça das Artes pois têm como característica projetual se amoldar
ao terreno, garantindo conexões no nível térreo (Figura 3.1).
A conectividade dos projetos ocorre, também, pela conexão com os espaços verdes (vazios permeáveis, decorrentes da cidade tradicional) circundantes que permitem um respiro na cidade de São Paulo, conformando um
ritmo entre volumes abertos e fechados.
O projeto Praça das Artes, surge da apropriação de resíduos da cidade tradicional, os logradouros e, a partir deles, busca estabelecer conexões. Ao
ser implantado em uma diferente década e com maiores restrições legais
(coeficientes de aproveitamento, taxa de ocupação, gabarito de altura, entre outros), poderia ter comprometido a qualidade urbana, porém uma série de atributos, que serão indicados a seguir, não o permitiram.
Destaca-se que o modelo de cidade tradicional comparte arquiteturas de
diferentes estilos e décadas sem perder o elo de conexão urbana.
123
12
3
11
10
7
9
2
8
4
1
5
6
Figura 3.1. Planta de situação - recorte centro de São Paulo. Fonte: BRASIL ARQUITETURA, 2015, adaptada pela autora.
1- Edifício Copan
7- Teatro Municipal
2- Edifício Itália
8- Praça Ramos de Azevedo
3- Praça da República
9- Vale do Anhangabaú
4- Galeria Metrópole
10- Edifício Praça das Artes
5- Praça Dom José Gaspar
11- Central de Correios
6- Biblioteca Mário de Andrade
12- Largo do Paissandu
124
3.2 Praça das Artes
3.2.1 Ficha técnica
A Praça das Artes consiste em um complexo cultural e educacional que
abriga grupos artísticos do Teatro Municipal de São Paulo; é sede da Escola
Municipal de Música, da Escola de Dança, da administração da Fundação
Teatro Municipal e do SP-Cine (TEATRO MUNICIPAL, 2015). Dessa maneira,
com o projeto atendeu-se a demanda de falta de espaço do Teatro Municipal
que era um problema que já vinha se estendendo há anos (Quadro 3.1).
O projeto da quadra Q27 consistiu na desapropriação de lotes e na restauração do Conservatório Dramático e Musical de São Paulo e da antiga fachada
do Cine Cairo, para conformar o grupo de volumes monolíticos. No seu entorno, existem outros edifícios tombados e com alto teor histórico, destacando-se o edifício dos Correios (1922) e o Teatro Municipal (1911), obra de Ramos de Azevedo. O conjunto abriga o Centro de Documentação, uma galeria
de exposições, restaurantes, cafés e um estacionamento, distribuído em dois
níveis de subsolo. Futuramente, no edifício a ser construído em nova fase,
abrigará a Discoteca Oneyda Alvarenga e um auditório para 250 pessoas.
Praça das artes
Arquitetos: Brasil Arquitetura e Marcos Cartum (representante da
Secretaria da Cultura)
Ano: 2006 - 2012
Localização: Avenida São João, 281 - República, São Paulo
Vias: Avenida São João, Rua Conselheiro Crispiniano e Rua Formosa
Tipologia: Educacional e Cultural
Altura: 04 a 50 m
Número de pavimentos: 02 a 13
Área do terreno: 7.210 m2 / 0, 72 ha
Área construída: 28.461,63 m² / 2,84 ha
Coeficiente de aproveitamento (CA): 4
População permanente (alunos + funcionários): 2500 hab
População transitória (população permanente + visitantes): 3000 hab
Densidade física permanente (população/área construída): 880,00 hab/ha
Densidade física transitória (população/área construída): 1056 hab/ha
Figura 3.2. Praça das Artes. Fonte: ARCHDAILY BRASIL (Nelson Kon), 2013.
Quadro 3.1. Quadro Praça das Artes. Fonte: AUTORA, 2015 com base nos dados cedidos pela Administração da Praça das Artes, out. 2015.
125
O terreno pertencia, até o início de 1970, ao Exército Brasileiro e foi usado
como área de transbordo de lixo e, ao ser transferido para o Município, o
edifício do Exército foi demolido, criando uma falha inicial no terreno. O
projeto da Praça das Artes, surge da conciliação de três elementos: terreno
com fundo de lote, lotes vizinhos e preservação do Conservatório Dramático
e Musical de São Paulo, objetivando a regeneração de uma zona central
(FERRAZ apud GALERIA ARQUITETURA, 2014).
Segundo o arquiteto Marcelo Ferraz (ARQ BACANA, 2013): “O projeto tem um
papel urbanístico importante de recuperar parte do centro, de mostrar que
esses fundos de lote, espaços ociosos, uma herança do nosso lote colonial,
Capítulo 3 Análises - Repertório Contemporâneo
3.2.2 Implantação do edifício e traçado urbano
podem se transformar em áreas densamente urbanas, em áreas de grande
atividade.” A complexidade do projeto consistia na apropriação do terreno
ocioso de maneira a criar um espaço com qualidade e funcionalidade urbana.
O terreno possui uma forma em formato de “T” e liga a Rua Conselheiro
Crispiniano à Avenida São João (liberada ao pedestre desde a iniciativa dos
anos 1970) e com a desapropriação de outros terrenos expandiu-se até a
Rua Formosa/Vale do Anhangabaú (esse trecho da praça ainda não está
realizada e será feita na próxima fase, que não tem data definida até o momento) (Figura 3.3).
1- Teatro Municipal
2- Praça Ramos de Azevedo
Ru
1
aC
on
3- Vale do Anhangabaú
sel
he
iro
5
Cr i
sp
ini
an
Ru
3
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or
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Sã
ida
Av
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Pr a
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o
o
2
mo
sa
4
Figura 3.3. Planta de situação. Fonte: CARVALHO, 2014, adaptada pela autora.
4- Central de Correios
5- Largo do Paissandu
126
Figura 3.4. A quadra 27 e seu entorno, São Paulo, 1925.
Figura 3.5. Vista aérea São Paulo,
1930.
Figura 3.6. Visual desde o edifício
Martinelli, São Paulo, 1930.
Fonte: NOSEK, 2013, p. 6-7, 22, 1819, adaptada pela autora.
4
1
4
2
9
1- Viaduto do Chá
5
7
2- Teatro São José
3- Sede da Companhia Light
8
3
6
4- Palacete Prates
5- Cinema Cairo
6- Conservatório Dramático e
Musical
7-Departamento Fiscal
8- Praça dos Correios
9- Hotel Esplanada
5
1
4
3
6
7
1- Palacete Prates
2- Edifício Martinelli
2
3- Edifício Frontão Nacional
8
9
4- Cinema Cairo
5- Cinema Marrocos
6- Conservatório Dramático e
Musical
7-Departamento Fiscal
8- Central de Correios
9- Praça dos Correios
10- Edifício Companhia Light
11- Viaduto do Chá
12- Teatro Municipal
10
12
11
1
6
8
1
4
3
7
127
Capítulo 3 Análises - Repertório Contemporâneo
8
5
4
6
9
7
1
3
2
1- Teatro Municipal
6- Praça das Artes
2- Praça Ramos de Azevedo
7 - Edifício Martinelli
3- Vale do Anhangabaú
8- Viaduto Santa Efigênia
4- Central de Correios
9- Mosteiro de São Bento
5- Largo do Paissandu
Figura 3.7. Imagem aérea. Fonte: NOSEK, 2013, p. 26, adaptada pela autora.
128
Destaca-se nas figuras 3.4 a 3.7 que o projeto tem como desafio a aproximação com edifícios icônicos vizinhos que conformam a paisagem urbana.
Como salientado por Ferraz (apud OLIVEIRA, 2007), “não é preciso destruir
a cidade velha e construir uma nova: elas andam paralelamente.”
Buscando-se constituir um projeto com bom aproveitamento da quadra,
em que prevalecesse além do edifício, a praça, surge um desenho com um
miolo de quadra central que se distribui pelas três frentes de acesso, criando um percurso permeável com urbanidade a ser seguido.
O percurso criado na quadra remete ao traçado modernista das galerias
comerciais, como apresentado no capítulo anterior, que ligavam ruas paralelas ou confluentes. Esse percurso, representado pela praça, “rasga” o
terreno e “costura” a malha urbana (Figuras 3.8 a 3.11).
O projeto da Praça das Artes não nasce de uma ideia pronta, ele se amolda
Futura Expansão
E
Praça central
B
B
Av. São João
Figura 3.8. Planta pavimento térreo. Fonte: ARCHDAILY BRASIL, 2013, adaptada pela autora.
Circulação - 60 % da área do pavimento térreo
B
Acesso- Blocos
Acesso pedestres
E
Acesso estacionamento
Rua Conselheiro Crispiniano
Rua Formosa
ao terreno, realizando conexões com o tecido urbano e seguindo o declive
129
as conexões com as ruas circundantes. Para reforçar as articulações entre os espaços
interno e externo, os térreos dos volumes foram mantidos livres. Já os volumes dos
edifícios elevaram-se para que o térreo fosse livre para o pedestre.
Conforme salientado por Fanucci (apud INSTITUTO DE ENGENHARIA, 2013), o projeto consiste em :
[…] uma arquitetura intestina que vai entrando pelas entranhas
e se apropria dos vazios. A Praça das Artes foi uma apropriação
de um lugar como ele estava e se ofereceu, mas ao mesmo tempo foi uma provocação de novas situações urbanas, uma preparação para futuras transformações naquele espaço urbano
(FANUCCI apud INSTITUTO DE ENGENHARIA, 2013, s/n.)
Capítulo 3 Análises - Repertório Contemporâneo
natural. Tem caráter irradiador, pois, por meio do interior da quadra expandem-se
O espaço público, decorrente da praça, é o elemento de destaque do projeto e,
como salientado por Luís António Jorge:
Espaço público é um intervalo: uma noção de espaço-tempo
que pode ser representada por um vazio, uma abertura, uma
ausência, uma suspensão, uma pausa no intenso fluxo da metrópole (JORGE apud NOVEK, 2013, p. 68).
Figura 3.9. Percurso interno da quadra.
Fonte: BRASIL ARQUITETURA, 2015.
130
Figura 3.10. Planta primeiro pavimento. Fonte: ARCHDAILY BRASIL, 2013.
Figura 3.11. Planta segundo pavimento. Fonte: ARCHDAILY BRASIL, 2013.
A praça transforma-se de um vazio central para um vazio urbano quando assume o papel de conexão dentro do perfil da cidade. Torna-se não apenas um lugar de passagem, mas de permanência, estimulando o
convívio e o encontro. Potencializam-se as trocas de experiências, já que a praça é usada para ensaios fotográficos, por grupos artísticos, feiras, entre outros. Dessa maneira, a praça está constantemente mudando,
sendo altamente versátil e irradiando urbanidade (Figuras 3.12 a 3.14).
131
Figura 3.12. Panorâmica da praça - uso para ensaio fotográfico. Fonte: AUTORA, nov. 2015.
Figura 3.13. Praça sendo usada para o Mercado Mundo Mix Afro. Fonte: TEATRO MUNICIPAL, 2015.
132
Figura 3.14. Inauguração Praça das Artes, apresentação Escola de dança. Fonte: SÃO PAULO, 2012.
133
A permeabilidade predominante do projeto concentra-se na área destinada à praça (coberta e descoberta), representando 60 % (sessenta) do total
do pavimento térreo. A praça é a essência do projeto, estruturando e irradiando as conexões para o interior do edifício. Conforme salientado por
Alexander (1977), a praça neste caso funciona tanto como figura quanto
como fundo, atendendo ao conceito de reversibilidade e tornando-se um
espaço positivo (Figuras 3.15 e 3.16).
N
Figura
Fundo
Figura
Permeabilidade - 60% da área do pavimento térreo
Fundo
Figura 3.15. Praça das Artes - Figura e fundo.
Figura 3.16. Praça das Artes - Espaço positivo- permeabilidade.
Fonte: AUTORA, 2015.
30 m
Capítulo 3 Análises - Repertório Contemporâneo
3.2.3 Espaços positivos e permeabilidades
134
3.2.4 Embasamento
Segmenta-se o programa em 07 (sete) volumes, que se distribuem escalonadamente, conformando a espacialidade do projeto. Por meio da posição
e da fragmentação dos volumes, criam-se espaços de contraste, cheios e
vazios, que proporcionam qualidade ao projeto. As alturas dos volumes foram definidas pelas distâncias e alinhamentos com os edifícios vizinhos, de
maneira a não ofuscar a paisagem urbana existente. Conforme salientado
por Dornellas (apud FRAJNDLICH, 2013), “o projeto é moldado nos prédios
vizinhos” (Figuras 3.17 e 3.18).
Figura 3.17. Programa. Fonte: ARCHDAILY BRASIL, 2013.
135
Edifício Anexo/Administrativo:
Edifício Escola:
13 andares com estrutura e vedação em
concreto e grandes “panos de vidro”.
Cinco andares com estrutura e acabamento em concreto e revestimentos acústicos
internamente.
Programa: Hall de acesso com circulação
(elevadores e escadas), sanitários, áreas
de apoio às escolas, e áreas administrativas nos quatro últimos pavimentos.
Programa: Escola de música e dança do
município de São Paulo, áreas administrativas e restaurante de todo o conjunto.
Capítulo 3 Análises - Repertório Contemporâneo
PROGRAMA PRAÇA DAS ARTES
Edifício Auditório/Discoteca (a ser
construído na nova fase):
Sete andares com estrutura e vedação
em concreto. Auditório. Ampliação da
escola de música e dança. Discoteca
Oneyda Alvarenga.
Edifício conservatório (restaurado):
Sala de exposições no térreo.
Sala de concertos no 1o pavimento.
Edifício Corpos Artísticos:
Praça com área construída de 2 mil m²
12 andares com estrutura e acabamento
em concreto e revestimentos acústicos
internamente.
(a ser construída na nova fase).
Programa: Salas de ensaios da Orquestra
Sinfônica Municipal, Orquestra Experimental de Repertório, óperas, Coral Lírico, Coral Paulistano e balé da cidade.
Rua For
Centro documentação:
Acervo técnico e de partituras
de todo o conjunto.
m os a
Praça Ramos de Azevedo
Prédio 04 andares
Cine Cairo
Sã
Sobrado 02
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Sobrado 01
oã
Conservatório
o
Cine Saci
Limite do projeto
i da
Sobrado 03 (antigo depósito dos comerciários)
en
Av
Edifício sindicato dos comerciários
Prédios demolidos
Rua
se
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Figura 3.18. Programa detalhado. Fonte: INFRAESTRUTURA URBANA, 2012, adaptada pela autora.
r isp i
nian
o
136
Pé-direito livre
Praça - futura expansão
Rua Formosa
Avenida São João
Pórtico - Área coberta
Área Permeável
5m
Figura 3.19. Corte longitudinal, visual para Avenida São João. Fonte: BRASIL ARQUITETURA, 2015, adaptada pela autora.
Pé-direito livre
Rua Conselheiro Crispiniano
Pórtico Área coberta
Rua Formosa
Pé- direito
livre
10 m
Área Permeável
Figura 3.20. Corte longitudinal. Fonte: BRASIL ARQUITETURA, 2015, adaptada pela autora.
5m
10 m
137
Desde a calçada da Avenida São João, a entrada é emoldura por um pórtico
de concreto, o qual segue o gabarito do Conservatório Dramático e Musical
e, torna-se um ponto de convite para adentrar a quadra, além de um espaço
de transição entre o espaço interior do exterior (CULLEN, 2009). Esse pórtico
se estende até o limite do lote, faceando com a empena cega do edifício
vizinho e cria um espaço de convívio e permanência coberto, com mobiliário urbano. Essa área diferencia-se do espaço a céu aberto, aproximando-se
da escala do pedestre, já que, ao ser coberto, o pé direito é reduzido. Esse
é um espaço que marca o contraste, já que ao avançar para ambas laterais,
desemboca-se em espaços abertos e com pé direito livre, que evidenciam a
verticalidade dos edifícios do seu entorno (Figuras 3.19 a 3.27).
Figura 3.21. Visual desde a calçada da Avenida São João.
Fonte: ARCHDAILY BRASIL (Nelson Kon), 2013, adaptada pela autora.
Capítulo 3 Análises - Repertório Contemporâneo
3.2.5 Pregnância da forma e tratamento de fachada
138
Figura 3.22. Visual desde o pórtico para a Rua Conselheiro Crispiniano. Fonte: AUTORA, out. 2015.
Empena Cega
Pórtico
Figura 3.23. Visual desde a entrada pela Rua Conselheiro Crispiniano, para o pórtico. Fonte: AUTORA, out. 2015.
139
S ão
Joã
o
lheir
Conse
o Crisp
iniano
S ão J
o ão
Anhangabaú
Conselheiro Crispiniano
Figura 3.24. Croqui- projeto. Fonte: ARCHDAILY BRASIL, 2013, adaptada pela autora.
Figura 3.25. Croqui- projeto. Fonte: ARCHDAILY BRASIL, 2013, adaptada pela autora.
Capítulo 3 Análises - Repertório Contemporâneo
Edifícios vizinhos verticalidade
Figura 3.26. Panorâmica, conexão Rua Conselheiro Crispiniano e Avenida São João.
Figura 3.27. Panorâmica, conexão Rua Conselheiro Crispiniano e Vale Anhangabaú.
Fonte: AUTORA, nov. 2015.
140
141
Capítulo 3 Análises - Repertório Contemporâneo
142
O uso de concreto aparente nas fachadas confere-lhe identidade e permite estabelecer um diálogo com os edifícios vizinhos, pois destaca a sua
contemporaneidade sem ter caráter opressor, já que ele estabelece uma
neutralidade. O concreto assume uma duplicidade de funções, sendo tanto
estrutura quanto vedação. Pode-se salientar que, a partir da neutralidade
da fachada, reforça-se a urbanidade do espaço.
Por sua vez, as lajes e as marquises tornam-se locais de sombra e proteção
aos pedestres, sendo, projetualmente, espaços vazios dentro dos cheios
(Figura 3.28). As janelas (aberturas), no entanto, foram projetadas para garantirem maior ligação e conexão entre interior e exterior. Conforme salientado por Fanucci (apud GALERIA ARQUITETURA, 2014), por meio delas
Figura 3.28. Visual desde a praça, destaque para os caixilhos e as passarelas/marquises.
Fonte: ARCHDAILY BRASIL (Nelson Kon), 2013, adaptada pela autora.
143
za-se o movimento da cidade. A composição das aberturas “faz alusão à irregularidade das partituras de John Cage” (WISNIK, apud FRAJNDLICH, 2013).
A composição das aberturas cria ritmo na fachada, interferindo na dinamicidade
urbana. Dessa maneira, o edifício (volume sólido) não se fecha para o seu entorno,
permitindo a contemplação do centro da cidade desde diferentes pontos visuais. O
edifício, portanto, recorta e filtra a cidade (Figuras 3.29 a 3.33).
Figura 3.29. Visual interna - aberturas. Fonte: BRASIL ARQUITETURA, 2015.
Figura 3.30. Visual interna - aberturas. Fonte: GALERIA ARQUITETURA, 2014.
Capítulo 3 Análises - Repertório Contemporâneo
revela-se o que ocorre dentro do prédio e, ao mesmo tempo, desde dentro, visuali-
144
Figura 3.31. Visual para Anhangabaú, destaque do Edifício Martinelli. Fonte: NOVEK, 2013, NELSON KON, p. 90.
145
Capítulo 3 Análises - Repertório Contemporâneo
Figura 3.32. Visual para Conselheiro Crispiniano. Fonte: NOVEK, 2013, NELSON KON, p. 84.
Figura 3.33. Visual para Conselheiro Crispiniano. Fonte: NOVEK, 2013, NELSON KON, p. 84.
146
3.2.6 Escala e paisagem urbana
A distribuição do projeto em volumes e a sua implantação permitiram a
articulação com a paisagem urbana, estabelecendo-se um diálogo entre o
novo e o antigo, em outras palavras, entre o contemporâneo e o patrimônio histórico e cultural. Respeitando-se os gabaritos dos edifícios vizinhos,
o edifício Praça das Artes destaca-se, constituindo-se em espaços abertos e
fechados, determinados pelas diferentes alturas dos volumes, que direcionam visuais distintas. A disposição dos volumes do projeto e a sua articulação com os edifícios adjacentes ocorre pelos recuos, os quais conformam
vazios que recortam a cidade em diferentes ângulos e permitem o diálogo
com ela. Os recuos estabelecidos permitem o afastamento, soltando do
seu entorno o bloco monolítico (Figuras 3.35 e 3.36).
Desde a varanda, em direção ao Vale do Anhangabaú, consegue-se visuaEdifício Martinelli
lizar o Edifício Martinelli (primeiro arranha-céu de São Paulo, figura 3.34). A
partir do tom avermelhado do concreto da torre vertical que comporta o
bloco de circulação do projeto, estabelece-se a relação visual entre ambos
edifícios (Figura 3.38).
Figura 3.34. Visual desde a varanda para o Vale do Anhangabaú. Fonte: AUTORA, out. 2015.
147
Capítulo 3 Análises - Repertório Contemporâneo
Recuo
Figura 3.35. Elevação desde a Rua Formosa. Fonte: NETLAND, 2015, adaptada pela autora.
Recuo
Recuo
Figura 3.36. Elevação desde a Avenida São João. Fonte: NETLAND, 2015, adaptada pela autora.
148
Estando dentro da quadra, por meio da conexão visual estabelecida, expõe-se a essência do centro da cidade, a verticalidade dos edifícios e a predominância do concreto (Figura 3.37).
Ao mesmo tempo, desde a Avenida São João visualiza-se o skyline da cidade de São Paulo, destacando-se os edifícios analisados neste trabalho,
Edifício Copan e Itália (Figura 3.38).
Ainda que as conexões entre o projeto Praça das Artes, o Teatro Municipal
e a Central de Correios não sejam físicas, se articulam a partir do vazio urbano (Figura 3.39).
Mantendo uma verticalidade média, o projeto Praça das Artes não sobrepõe sua volumetria acima dos monumentos, mas, ainda assim, se destaca,
tanto pelo material escolhido, quanto pela articulação dos volumes, ou
seja, pelos elementos que auxiliam na urbanidade.
Figura 3.37. Visual desde a Rua Conselheiro Crispiniano. Fonte: ARCHDAILY BRASIL (Nelson Kon), 2013.
149
Edifício Copan
Edifício Itália
Torre avermelhada
(Praça das Artes)
Central de Correios
Capítulo 3 Análises - Repertório Contemporâneo
Teatro Municipal
Central de Correios
Figura 3.38. Visual desde o Edifício Martinelli. Fonte: ARCHDAILY BRASIL (Nelson Kon), 2013, adaptada pela autora.
Figura 3.39. Vista aérea com inserção do projeto. Fonte: NETLAND, 2015, adaptada pela autora.
150
Utilizando-se do conceito do Ashihara (1982), D/H= 13,5/10 m = 1.35 e 35/10
m = 3.5, o coeficiente resultou em um número maior do que 1 (um) e, segundo Ashihara (Ibidem), esse coeficiente permite ter uma percepção de
que o espaço de separação é maior. A implantação do edifício e o recuo
do bloco vertical permitiram um respiro na quadra, contribuindo para a
D
Rua Conselheiro Crispiniano
percepção do espaço (Figuras 3.40 e 3.8).
H
H
Figura 3.40. Praça das Artes - Relação distância e altura. Fonte: BRASIL ARQUITETURA, 2015, adaptada pela autora.
Figura 3.8. Planta pavimento térreo. Fonte: ARCHDAILY BRASIL, 2013.
10 m
05 m
20 m
151
Capítulo 3 Análises - Repertório Contemporâneo
Figura 3.41. Vista Praça das Artes. Fonte: ARCHDAILY BRASIL (Nelson Kon), 2013.
152
3.3 Síntese de urbanidade nos edifícios analisados
Percebe-se que os edifícios tiveram, em ambas categorias, a capacidade de
estabelecer relações com o seu entorno a partir da articulação da malha
urbana, da criação de percursos e da sua configuração espacial. Assim, os
edifícios, como descrito por Lynch (2006), por meio dos componentes de
estrutura e identidade, compuseram a imagem urbana.
Os percursos criados tornaram-se espaços coletivos, expandindo as relações do interior da quadra para o exterior e, dessa maneira, criaram-se
espaços fluentes (VENTURI, 2004), irradiando conexões que representam
urbanidade. Em outras palavras, a morfologia da cidade adentrou-se e
dissolveu-se nos edifícios. As permeabilidades, por sua vez, remontam a
característica de formação da cidade tradicional e estiveram presentes em
todos os edifícios. A partir das galerias, ou mesmo da praça criada no edifício Praça das Artes, recortou-se a cidade, permitindo a conexão entre diferentes vias e pontos da cidade.
Dessa maneira, o Edifício Copan surge como uma experimentação que se
acerta com as formas da cidade tradicional, o Edifício Itália adquire a forma urbana e a Galeria Metrópole vai além da morfologia no nível térreo,
introduzindo a rua elevada. Esses edifícios transcenderam o caráter monumental para estabelecerem associações. O edifício Praça das Artes, por sua
vez, faz uma revisão dos conceitos de cidade tradicional, malha urbana e
percursos urbanos.
É na malha urbana e na cidade que se estabelecem as relações de legibilidade e legitimidade do espaço. O espaço urbano precisa apresentar urbanidade, entendida dentre as suas características, como valor e direito, objetivando ser universal a todos os cidadãos.
Os edifícios inserindo-se na malha urbana, têm como responsabilidade articular a vida urbana. E conforme apontado no capítulo 1 (um) destacam-se
três elementos: escala, permanência e poder de propulsão (FRANCO, 2005),
que permitem estabelecer relações e criar espaços com urbanidade. O ter-
153
arquitetos embasaram o programa em diferentes volumes e como permitiram as conexões com seu entorno, a paisagem urbana. Destacando-se
nos edifícios modernos a contraposição entre público e privado, representados na forma projetada em volume horizontal (comercial/uso público) e
vertical (privado - escritórios ou residências). Ocorreu, assim como na Praça
das Artes, a sobreposição de usos e funções. A criação dos espaços coletivos, semipúblicos e com funcionalidades, permitiu torná-los em espaços
de permanência, que se relacionam com a morfologia urbana. Isto é, locais
com usos e estimuladores de encontros que possam não só acentuar a vitalidade urbana, como também beneficiar aos pedestres. Dessa maneira, o
espaço construído relaciona-se com o espaço público, garantindo-lhe qualidade ao edifício e a cidade. E nessa articulação, os objetos arquitetônicos
têm a capacidade de reverberar e de propulsionar as relações urbanas, incentivando as conexões entre as diferentes escalas: rua, edifício, cidade,
metrópole (VIÉGAS, 2003).
Destaca-se que a cidade tradicional, inevitavelmente, cria relações de urbanidade. A cidade precisa funcionar como um sistema (FRANCO, 2005)
em que seus elementos devam se articular como um todo e estruturar
o ambiente construído. O edifício, a partir dos seus coeficientes, sua implantação, suas permeabilidades, sua forma, sua escala, entre outros, tem
a capacidade de se relacionar com a paisagem urbana e de criar relações
de urbanidade. Conseguindo, assim, trazer a cidade para seu interior. Na
conformação de urbanidade a forma material do edifício abstrai-se, já que
a expressão e as relações criadas se sobrepõem, prevalecendo e perpetuando na cena urbana.
Capítulo 3 Análises - Repertório Contemporâneo
mo escala, nos edifícios analisados, esteve presente na forma em que os
DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
4
Figura 4.1. Visual da região central de São
Paulo desde a cobertura do Edifício Copan.
Fonte: AUTORA, maio. 2015.
4. DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
4.1 Verticalização e densidade física (permanente e transitória)
Como foi observado, os edifícios em análise possuem alta verticalidade e
variam uns dos outros em relação a sua densidade física. As densidades
alteram-se também de acordo com a inserção do fluxo transitório diário.
Porém, os edifícios que sobressaíram-se, em termos de densidade, foram o
Edifício Itália e a Praça das Artes. A densidade da Galeria Metrópole sofreu
uma oscilação maior, decorrente do uso do edifício para o horário de almoço (Gráficos 4.1 e 4.2).
Comparação densidade física permanente (hab/ha)
1.000,00
923,00
880,00
900,00
800,00
700,00
600,00
500,00
450,00
400,00
342,00
300,00
200,00
100,00
0,00
Ed. Copan
Ed. Itália
Galeria Metrópole
Praça das Artes
Gráfico 4.1. Comparação das densidades físicas permanentes. Fonte: AUTORA, 2015.
Densidade física transitória (hab / ha)
1.800,00
1.538,00
1.600,00
1.481,00
1.400,00
1.200,00
1.056,00
1.000,00
800,00
708,00
600,00
400,00
200,00
0,00
Ed. Copan
Ed. Itália
Galeria Metrópole
Praça das Artes
Gráfico 4.2. Comparação das densidades físicas transitórias. Fonte: AUTORA, 2015.
157
Os edifícios modernos (Copan, Itália e Galeria Metrópole), ultrapassaram
os coeficientes 6 (seis) e 4 (quatro), conforme descrito no Projeto de Lei n°
5.261. É evidente que, caso os edifícios analisados fossem decorrentes da
legislação atual, não poderiam ter sido construídos nesta configuração (Gráfico 4.3), tanto pelo descumprimento dos coeficientes quanto por não respeitarem os recuos obrigatórios.
Evidencia-se que o edifício Praça das Artes, apesar de ter o menor coeficiente de aproveitamento, conseguiu atingir alta densidade (resultados
maiores que 250 hab/ha). Esse edifício é também o que apresenta menor
verticalidade, sendo que, devido à distribuição da espacialidade do projeto no terreno, permitiu-se o maior aproveitamento do solo e da densidade
(Gráficos 4.1 a 4.4).
Destaca-se que, como no caso da Praça das Artes, a qualidade do projeto
não fica comprometida pela legislação e pode-se multiplicar a área do terreno em prol de área construída com qualidade.
Comparação coeficiente de aproveitamento (CA)
25
22
20
19
15
10
7,60
4,00
5
0
Ed. Copan
Ed. Itália
Galeria Metrópole
Praça das Artes
Gráfico 4.3. Comparação dos coeficientes de aproveitamento. Fonte: AUTORA, 2015.
158
Os 04 (quatro) edifícios modernos ultrapassaram dos 50 (cinquenta) metros de altura (Gráfico 4.4), mas atingiram, proporcionalmente, densidades
menores. Portanto, destaca-se mais uma vez que a verticalidade não determina a densidade, ela apenas é um instrumento.
Altura (m)
180
168
160
140
130
120
100
76,50
80
60
50
40
20
0
Ed. Copan
Ed. Itália
Galeria Metrópole
Praça das Artes
Gráfico 4.4. Comparação das alturas. Fonte: AUTORA, 2015.
Em termos volumétricos, a distribuição do edifício Praça das Artes (Figura
4.5) aproxima-se mais do modelo número 03 (três) do desenho de Richard
Rogers (Figura 4.6) em que a partir de uma relação entre o número de volumes médios e uma altura média, atingem-se densidades satisfatórias e o
espaço não ocupado fisicamente é liberado para praças, jardins internos,
entre outros. Já os edifícios Copan, Itália e Galeria Metrópole se aproximam do modelo 01 (um), o qual trata-se de um volume único, altamente
verticalizado (Figuras 4.2 a 4.4).
Destaca-se que o modelo de número 03 (três) representa uma melhor distribuição do projeto, em volumes, pelo território, permitindo a concepção
de edifícios com áreas permeáveis, que podem ser usadas para a criação
de espaços semipúblicos com urbanidade.
159
Capítulo 4 Discussão dos resultados
1
1
1
3
1
2
Figura 4.2. Edifício Copan. Fonte: AUTORA, 2015.
Figura 4.3. Edifício Itália. Fonte: AUTORA, 2015.
Figura 4.4. Galeria Metrópole - Maquete.
Fonte: SERAPIÃO, 2011, p. 53, adaptada pela autora.
Figura 4.5. Praça das Artes. Fonte: ARCHDAILY BRASIL, 2013,
adaptada pela autora.
Figura 4.6. Comparação das densidades e alturas (alta, baixa e média).
Fonte: ROGERS, 1999, adaptada pela autora.
3
160
No gráfico 4.5, visualiza-se a desproporção dos edifícios entre a área do terreno e a área construída, tendo o edifício Copan com a maior diferença. Porém,
ao ser bem articulada, essa desproporção permitiu que os edifícios criassem
espaços semipúblicos com qualidade e vitalidade, respectivamente.
Destaca-se que deve ocorrer uma relação entre a verticalização, a
densidade e o poder público. Esse último, a partir da legislação, tem que
disciplinar o processo de verticalização, por meio de zoneamentos e
definição de gabaritos. Ele assume o papel de destaque quando é gestor
do desenvolvimento. Porém, as legislações não podem ser privativas, de
maneira a não permitirem maiores densidades mesmo que exista tanto o
espaço físico quanto a necessidade para tal. Caso contrário, repercutirmos o
fenômeno da atualidade, a estandardização da fisionomia urbana, dominada
pelo mercado imobiliário, negligenciando as necessidades urbanas. A
legislação acaba muitas vezes amarrando as construções e interferindo
diretamente na dinâmica urbana. A falta de planejamentos adequados
contribui para a expansão do espaço residual, conforme denominado pelo
Koolhas (2013), de espaço lixo.
Comparação área do terreno versus área construída
28.461,63
Praça das Artes
7.210,00
35.151,00
Galeria Metrópole
4.627,21
52.000,00
Ed. Itália
2.382,00
116.152,00
Ed. Copan
6006,35
0
20000
40000
60000
Área construída (m²)
80000
100000
Área do terreno (m²)
Gráfico 4.5. Comparação da área do terreno versus a área construída. Fonte: AUTORA, 2015.
120000
140000
161
Apesar de os edifícios modernos serem implantados com maior aproveitamento e ocupação no seu lote, a articulação entre a rua/calçada com o
espaço interno permitiu as permeabilidades e a dissolução das barreiras
público-privadas. Já a Praça das Artes, por meio do percurso interno, tornou-se permeável e irradiadora de conexões urbanas. Esse último, por sua
vez, é um edifício contemporâneo que adquire características modernas, na
conservação da conformação da quadra, possibilitando a criação do espaço
positivo. No caso da Galeria Metrópole, a não restrição dos espaços coletivos ao pavimento térreo e sua continuação pelos 04 (quatro) pavimentos,
ampliou as permeabilidades e as conexões visuais, possibilitando maiores
fluxos urbanos. O recurso utilizado pelos arquitetos, compreendido pelos
terraços, marquises, passarelas e caixilhos, aumentou a conectividade entre
o interior do projeto e o exterior, além de recriar diferentes pontos de contemplação da paisagem urbana.
A leitura desses edifícios no tecido urbano incentiva o questionamento do
papel do arquiteto e urbanista. Precisa-se, ao projetar a cidade, não se esquecer do quadro geral e da criação de elementos na arquitetura, as chamadas
gentilezas urbanas, que permitem maiores proximidades com a escala humana e conexões com a cidade. Dessa maneira, desenham-se espaços com
caráter coletivo e urbano, valorizando os encontros e ao pedestre.
4.3 Paisagem, percepção e urbanidade
A integração dos edifícios analisados na paisagem urbana faz com que eles
não sejam apenas materializações de dados numéricos (densidade construída, verticalização, coeficiente de aproveitamento, entre outros) e sim objetos
de percepção, conexão, convívio e urbanidade.
A menor complexidade ornamental, característica do movimento moderno,
e que repercutiu na contemporaneidade, permitiu também uma melhor integração. Como salientado anteriormente, os edifícios modernos dialogam
Capítulo 4 Discussão dos resultados
4.2 Espaços positivos e permeabilidades urbanas
162
com a cidade até os dias atuais. Eles se destacam do seu entorno, mas não bloqueiam as relações dos
edifícios circundantes existentes.
Os edifícios analisados, ao dialogar com a paisagem urbana, têm vitalidade, dinamicidade, qualidade e urbanidade. O espaço público, portanto, adentra e solidifica-se na construção multiuso, criando um espaço coletivo, possibilitando-se, assim, relações de escala diferentes: rua/avenida; quadra,
edifício, metrópole (VIÉGAS, 2003). A arquitetura possui grande responsabilidade no âmbito urbano, portanto sua concepção deve ser coerente, tanto nas questões espaciais quanto funcionais.
Nos dias atuais predominam maus exemplos e esse círculo vicioso deve terminar.
Compreender os edifícios como figuras da paisagem urbana significa atribuir-lhes um caráter
de integração. O desmembramento da figura em espaços “sensíveis”, articuláveis e com usos
permite o estabelecimento de relações entre o espaço interior e o exterior. Com a fabricação das
ambiências, aumenta-se a vitalidade dos espaços urbanos. Como salientado por Ursini (2012, p.
5), o espaço é considerado “franco” quando apresenta “titularidade privada mas com conotações
públicas de uso”. Destaca-se, portanto, a importância dos usos para qualificar os espaços e
estimular as conectividades urbanas.
Objetiva-se que deve ocorrer uma integração entre os elementos quantitativos (verticalização e
densidade) com o qualitativo (percepção). Essa integração, e a devida interpretação dos ambientes, é que permitirá construir urbanidade. Pode-se destacar que os conceitos por si só não são
capazes de criar urbanidade, tornando-se apenas indicadores. No entanto, quando se integram e
se equacionam, interferem na conformação urbana. São codependentes, pois a verticalização não
se sustenta se não há densidade e o espaço precisa ser percebido para ter significado.
Um dos desafios das cidades é criar projetos com urbanidade, ultrapassando as funções primárias
para que contemplem “uma articulação sistêmica na mesma medida em que confiram significado
às formas de uso cotidiano da cidade” (FRANCO, 2005, p. 254, adaptada pela autora).
4.4 Urbanidade centrípeta e centrífuga
Ao longo das análises, percebeu-se que a primeira categoria apresenta uma urbanidade centrípeta, ou seja, a permeabilidade e as conexões ocorrem dentro do espaço interno, o pavimento térreo. No entanto, a Praça das Artes se expande centrifugamente, tendo como ponto de conversão
o interior da quadra permeável, a partir do qual as conexões com os pavimentos térreos e as ruas
circundantes estabelecem-se.
163
PERMEABILIDADES
URBANIDADE
CENTRÍPETA
EDIFÍCIO ITÁLIA
CENTRÍPETA
GALERIA METRÓPOLE
CENTRÍPETA
PRAÇA DAS ARTES
CENTRÍFUGA
Tabela 4.1. Urbanidade centrípeta e centrífuga. Fonte: AUTORA, 2015.
Capítulo 4 Discussão dos resultados
EDIFÍCIO COPAN
164
PERMEABILIDADES
ELEMENTOS ARQUITETÔNICOS
- Percurso interno
- Térreo dinâmico - alto
- Permeabilidade - 26%
- Terraço - baixo
- Cobertura (acessível mesmo
que seja controlada ao público)
- Pé direito duplo
- Marquise - localizada
- Brises
- Percurso interno
- Térreo dinâmico - moderado
- Permeabilidade - 33%
- Varanda- moderada
- Terraço- moderado (exclusivo)
- Cobertura (acessível mesmo
que seja controlada ao público)
- Pé direito duplo
- Marquise - localizada
-Brises
- Percurso interno
- Térreo dinâmico - alto
- Pavimentos superiores dinâmicos
- Permeabilidade - 43%
- Sobrelojas - funcionam como
terraços ativos
- Cobertura (não acessível)
- Pé direito duplo
- Marquise - perimetral
- Vazio central
- Percurso interno e praça urbana
- Térreo dinâmico - alto
- Permeabilidade - 60%
- Pé direito duplo
- Marquises
- Praça
- Caixilhos
Tabela 4.2. Síntese dos 04 (quatro) edifícios analisados. Fonte: AUTORA, 2015.
165
02 (dois)
(horizontal + vertical)
03 (três)
(01 horizontal + 02 verticais)
RELAÇÕES IMEDIATAS COM
A PAISAGEM URBANA
- Praça da República
- Edifício Itália
- Edifício Ipiranga 165
- Avenida Ipiranga, Vila Normanda,
Rua Araújo e Rua Unaí
EDIFÍCIO COPAN
- Praça da República
- Edifício Copan
- Edifício Ipiranga 165
- Avenida Ipiranga e
Avenida São Luís
EDIFÍCIO ITÁLIA
02 (dois)
(horizontal + vertical)
- Praça Dom José Gaspar
- Biblioteca Mário de Andrade
- Avenida São Luís e Rua
Basílico da Gama
GALERIA
METRÓPOLE
07 (sete)
(horizontal + vertical)
- Rua Formosa
- Rua Conselheiro Crispiniano
- Avenida São João
-Teatro Municipal
- Vale Anhangabaú
- Praça Ramos de Azevedo
PRAÇA DAS ARTES
Capítulo 4 Discussão dos resultados
NÚMERO DE VOLUMES
166
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A dissertação tratou, em um primeiro momento, de definir os 03 (três) conceitos escolhidos, verticalização, densidade e percepção. Eles foram selecionados para construir o conceito de urbanidade. Como a cidade em que foram analisados os edifícios
trata-se de São Paulo, o conceito de verticalização é de suma importância. Nessa cidade, os edifícios, na sua maioria, são verticais porém não possuem densidade. Este
último conceito, tem fomentado altas discussões, pois, ao projetar com densidade,
potencializa-se o uso do terreno, liberando o espaço para as permeabilidades. A percepção, por sua vez, se articula a partir da ótica, das sensações criadas e das relações
realizadas entre os objetos e os observadores.
Partindo-se dos 03 (três) conceitos e compreendendo-se que um projeto urbano
depende do objeto arquitetônico e dos elementos morfológicos, conceituou-se a
urbanidade. Para conseguir visualizar esse conceito na realidade urbana, foram realizadas análises de 04 (quatro) edifícios. Os 03 (três) primeiros comportaram o período
moderno (Edifício Copan, Itália e Galeria Metrópole) e o quarto edifício foi projetado
e construído na contemporaneidade (Praça das Artes). A análise dos dois períodos
permitiu compreender como as relações urbanas se preservam ao longo do tempo
e também quais características reverberam nos projetos atuais. Expõe-se que desde
o seu início, o projeto da Praça das Artes não teve um perímetro claro para a sua
construção, tendo que se adaptar ao longo do processo projetual e articular-se com
o entorno predominante. Os edifícios modernos, no entanto, tiveram uma quadra
definida e surgiram antes da conformação do centro. Embora os edifícios modernos
e o contemporâneo sejam de épocas diferentes e pensem a cidade de maneira diversa, ambas categorias “respeitam e se inserem” na morfologia da cidade tradicional,
destacando-se como virtude a relação intrínseca entre a arquitetura e a cidade, promovendo essa articulação “necessária” para a urbanidade.
As semelhanças entre ambos os períodos deram-se pelos seguintes elementos: permeabilidades, conexões entre o espaço interno e o externo, conformação da quadra,
segmentação do projeto em volumes, altas densidades, tratamento de fachada, entre outros, distinguindo-se entre elementos quantitativos, qualitativos, perceptivos e
estéticos que se tornaram os indicadores de análise. Esses apresentaram relações de
escala e permanência, além de destacarem-se como elementos irradiadores e propulsores de urbanidade, permitindo que os edifícios ultrapassassem a formalidade para
efetuar relações urbanas que acentuam o diálogo entre o edifício e a cidade, passando
167
da escala local para a urbana (FRANCO, 2005). Assim, com maior diálogo, maiores são as dinâmicas urbanas, induzindo a vitalidade na paisagem urbana.
As altas densidades dos edifícios distribuíram-se pelos volumes projetados. No caso dos edifícios
modernos, as alturas atingidas são maiores e as densidades são altas, porém o edifício Praça das
Artes, com menores alturas, sobressaiu-se na densidade. Acentua-se que a verticalização não só
precisa se relacionar com a densidade para que o projeto tenha qualidade, como também depende
dela para se sustentar.
Destaca-se que os coeficientes são representativos da potencialidade e capacidade que cada edifício comporta. A forma que esses recursos são articulados é que permite salientar as relações de
urbanidade, valorizando a cidade e seus cidadãos. A relação de Ashihara (1982) compreendida por
D/H é um exemplo claro disso, já que os coeficientes resultantes não mensuraram as espacialidades
criadas, dependendo da implantação, volumetria e distribuição do programa de cada edifício. A
maneira em que os recursos são usados, ou seja as densidades, os coeficientes, entre outros, é que
permitirá valorizar a vida urbana.
Ressalta-se que projetar qualificadamente significa projetar com urbanidade, por meio da articulação
dos recursos. Os edifícios não podem ser pensados isoladamente, eles precisam se articular com o seu
entorno, a paisagem urbana. Eles não foram concebidos de maneira autônoma, não fecham-se em si
mesmos, e sim integram-se e relacionam-se com o espaço urbano. As análises, por sua vez, serviram
como lições dos elementos representativos de urbanidade. E, como apontado, podem existir duas
formas de urbanidade: centrípeta e centrífuga. Na primeira, as forças convergem para o centro, na
segunda, a partir do centro se espalham. Essa distinção é importante, pois as relações de urbanidade
aumentam quando o espaço público transcende do interior do edifício e se espalha pela quadra.
Expõe-se que o arquiteto tem como responsabilidade ética desenhar espaços públicos. Uma cidade
que segrega e não se articula não tem urbanidade. Ela torna-se obsoleta e é a relação entre os elementos e os conceitos que permite desenhar a cidade urbanamente, e não apenas quantitativamente. A
cidade surge de números e coeficientes, porém não pode ser dominada pelos mesmos. Projetar com
urbanidade destaca-se como um dos desafios atuais das cidades. E se não ocorrer a integração entre
os objetos construídos e o espaço urbano, essa relação não é possível, comprometendo a qualidade da
cidade. O edifício, portanto, tem o papel de articulador e estruturador para a construção de urbanidade. As relações na cidade são mais significativas do que o edifício em si, já que a expressão do mesmo
no espaço urbano sobressai a forma.
Estendendo-se o debate, abre-se a possibilidade de novas investigações que objetivem compreender
novos elementos conformadores de urbanidade.
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