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A GÊNESE BIOFÍSICA DA MEMÓRIA
Arnaldo Pinto Guedes de PAIVA NETO1
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Graduado em Medicina - Universidade Federal de Alagoas - UFAL.
Resumo: O artigo “A GÊNESE BIOFÍSICA DA MEMÓRIA” analisa os períodos das etapas
constituintes do processo físico relativístico de memorização. Objetiva explicar o resultado sincrônico
da atividade cerebral em relação ao meio externo e correlaciona este mecanismo com as unidades de
sincronias existentes no Universo. A visão científica deste trabalho se embasa, em termos gerais, na
especificação da memória como grandeza biofísica. O estudo metódico do processo psíquico de
sincronização, em forma matemática, não nega a transcendência e crenças individuais do ser, mas
busca acrescentar aos dados científicos a criatividade necessária para se aproximar da interpretação
do objeto analisado que se considera como realidade (Deus).
Palavras-chave: relativístico; memorização; sincronias.
BIOPHYSICAL GENESIS OF MEMORY
Abstract: The article "BIOPHYSICAL GENESIS OF MEMORY" examines the periods of the
constituent stages of relativistic physical process of memorization. The aim of this study is to explain
the result of synchronization of brain activity in relation to the external environment and it correlates
this mechanism with the units of synchronicities existing in the universe. In general terms,the scientific
view of this study is based on the specification of memory as a magnitude biophysics. The methodical
study of the psychic process of synchronization, in mathematical form, does not deny the
transcendence and individual beliefs of a being, but it seeks to add to scientific data the creativity
needed to approach to the interpretation of the object analyzed, which is considered as the reality
(God).
Keywords: relativistic; memorization; synchronicities.
1 INTRODUÇÃO
As diferentes culturas humanas sempre pensaram suas realidades a partir do
dualismo entre o mundo físico e o mundo espiritual. Entretanto, quase todas as
ciências modernas deram adeus a Deus (MARQUES, 2016, p. 24). E se
pudéssemos modificar essa divergência na forma de pensar e conciliar a capacidade
de explicar a existência de Deus com o racionalismo e o materialismo? Seria o
Universo uma grande Mente com Memória (Deus ou deuses)? O estudo da memória
vem desde a Antiguidade, passando pelas Ciências Sociais até os dias de hoje, com
a Neurofisiologia, e obtém de cada área um direcionamento voltado às indagações
acerca de suas atribuições e conceitos mais importantes. A memória possui a
função cerebral de estabelecer as conexões entre os neurônios, evidenciando os
fatos do ambiente externo e a percepção do tempo. Nesse viés, percebemos o meio
através do superacúmulo dos impulsos nervosos.
Submetido em: 20/06/2016.
Aprovado em: 10/08/2016
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Precisa-se de um paradigma que sustente a relação entre a metafísica espiritual e a
ciência do mundo material (MARQUES, 2016, p. 47). Para encontrarmos o
paradigma científico da invisibilidade que seja pacificador entre as diferentes
crenças de cada ser humano e seja conciliador entre as ciências e as religiões, nós
sugerimos mergulhar nos conceitos da memória e da Teoria Geral da Relatividade
(EINSTEIN, 2003). O artigo defende o pressuposto de que o tempo que
experimentamos na atmosfera é diferente do momento que se passa no solo; tenta
explicar a sincronia e a relação existentes entre a memória e o tempo presente.
Expõe que existe uma Mente Universal, a qual se encarregaria de “guardar“ as
sobras da memória, impedindo que vivêssemos em momentos temporais distintos.
Supõe que a memória do universo (Deus) seja o continente para os possíveis
desníveis das impressões existentes em função da diferença temporal. Desta forma,
conseguimos manter a saúde da memória, permitindo que atue sendo mais que um
depositário de estímulos dos mais variados tipos.
2 METODOLOGIA
O estudo acerca do assunto foi realizado mediante revisão bibliográfica, por meio de
livros e artigos de periódicos na área que estão disponíveis em meios digitais. Os
teóricos escolhidos foram: Albert Einstein (2003 [1922]), através do critério de
credibilidade, racionalidade e cientificismo. Benjamin Libet (1979), por apresentar
conceitos de valores do tempo físico, desde o estímulo sensorial, impulso nervoso
até a formação dos pensamentos no cérebro. Juracy Marques (2016), por conseguir
sintetizar o significado da conciliação dos conceitos transcendentais com os
materiais: a “paz” é alcançada através dessa virtude de saber unir essas
concepções. Amit Goswami (2015), que influenciou a construção das ideias aqui
presentes, através do seu conceito de “Universo Autoconsciente”.
3 DESENVOLVIMENTO
Há, nos sujeitos, um lapso temporal de 0,5 segundo entre a recepção de um
estímulo e a informação verbal dessa experiência. Existe um atraso substancial
antes das atividades cerebrais, iniciado pelo estímulo sensorial até alcançar a
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“adequação neuronal” para induzir qualquer experiência sensorial e consciente
resultante. Para os estímulos próximos do nível do limiar para a sensação, o atraso
seria em média de aproximadamente 500 milissegundos (ms). Para estímulos mais
fortes este atraso poderia ser reduzido, possivelmente para tão pouco como cerca
de 100 ms (LIBET et al., 1979, p. 205). Sempre percebemos os estímulos externos
depois do curto período em que nossos nervos enviam o impulso ao cérebro ou
através de sinapses que encaminham até o Sistema Nervoso Central a informação
que será interpretada pela nossa capacidade perceptiva. Ocorre elaboração da
consciência do fato ocorrido, reação ao fato ocorrido e compreensão final do que
aconteceu e de como agimos diante do acontecido.
Depois que a adequação neuronal é alcançada, o tempo subjetivo da experiência é
automaticamente encaminhado para trás no tempo, utilizando um "sinal de tempo"
na forma da resposta inicial do córtex cerebral ao estímulo sensorial: uma resposta
eletrofisiológica registrável na área cortical sensorial primária que recebe a
mensagem neural mais antiga (bem como a mais localizada), dentro de 10 a 20 ms
após as fibras nervosas sensoriais periféricas serem excitadas pelo estímulo. A
experiência seria assim "antecipada", e o seu timing pareceria ocorrer ao sujeito sem
o real atraso substancial necessário antes da satisfação neuronal para provocar a
experiência alcançada (LIBET et al., 1979, p. 206). Não ocorre esse atraso
substancial referido. Se esse atraso se acumula, não se acumula o suficiente para
que nos atrasemos no tempo ou nas mudanças instantâneas que ocorrem no meio
em que vivemos em pelo menos um segundo. Por isso, não há o superacúmulo dos
ínfimos atrasos dos impulsos nervosos até o cérebro (1º princípio). Observa-se que
esse fenômeno deve ter uma explicação física e é nela que focamos o nosso estudo,
a fim de compreendermos o mecanismo da memória.
A vida é o resultado de como interpretamos e reagimos ao conjunto de nossos
pequenos atrasos em relação ao ambiente externo. A tendência seria de nos
atrasarmos mais, todavia as mensagens dos impulsos nervosos são constantemente
interrompidas; e a consequência dessa interrupção produz a recordação do que
aconteceu e, posteriormente, a consciência do acontecido. Como pode ou não haver
reação motora, nós não consideramos a resposta motora.
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Imaginemos que tenhamos pensado em uma pergunta qualquer a nossos pais.
Suponhamos que a tenhamos feito agora. Antes de fazê-la, elaboramos o que
iríamos dizer rapidamente. Mas em qual tempo do espaço essa pergunta foi feita
para valer ou em qual tempo do espaço se pôde chamar de agora? No momento em
que falamos, no momento em que escutamos a nossa própria pergunta ou no
momento em que nossos pais a ouviram? Isto porque houve intervalos muito
pequenos nesses momentos (na fração do segundo), mas não os percebemos, já
que foram em momentos minimamente diferentes.
No reconhecimento da voz utilizando redes neurais, podemos expressar o tempo de
potencial de ação desde o tempo da despolarização, tempo de refração absoluta e
tempo de refração relativa em um intervalo inferior ou próximo de 0 a 10
milissegundos para um neurônio biológico (DE OLIVEIRA ANDRADE, 1998, p. 7).
Especulamos que em 0,01 s a mensagem de termos feito essa pergunta chegue até
nosso cérebro, com base nos estudos de Oliveira Andrade (1998). Isso só vai
ocorrer após ouvirmos a nossa própria voz, quando perguntamos. O som, por sua
vez, percorre cerca de 340 m/s. Estimando que a boca se distancie dos ouvidos
cerca de 0,17 m, o tempo de viagem do som até nossos ouvidos seria cerca de 0,17
÷ 340 = 0,0005 s. Total correspondente a 0,0105 s (0,01 + 0,0005) superior ao
acontecido no ambiente externo.
Além disso, pode-se acrescer que o atraso seja superior ainda ao calculado, visto
que nossa mente registra continuamente outros sons e estes, por sua vez, seguem
um atraso sequencial lógico. Nesse contexto, a cada momento vivido, mais a mente
deveria se afastar da realidade e do tempo universal em prol de um tempo
introspectivo, devido à existência de uma sequência de mensagens externas a
serem percebidas ordenadamente. O ambiente e a nossa mente permitem que nos
comuniquemos com os nossos pais de forma imediata, acontecendo o diálogo
previsto. Se houvesse o superacúmulo dos atrasos dos impulsos nervosos até o
cérebro, todos estariam atrasados no tempo e os mais velhos estariam mais
atrasados em relação aos mais novos, pois geraram mais impulsos nervosos desde
seu nascimento do que pessoas que nasceram posteriormente, o que culminaria em
um maior atraso relativo para os mais velhos e na impossibilidade de sincronia e
diálogo na conversa. Por isso, o nosso primeiro princípio se justifica como
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consistente.
Outra questão para resolvermos: toda imagem que vemos tem um atraso, já que a
luz viaja no espaço, segundo a Física. Fixar um olhar em um objeto deveria
progressivamente atrasar a nossa percepção do tempo. Por exemplo, inicia-se um
cronômetro em 0 s, observando um livro branco (que está em repouso em relação a
nós cerca de 30 m). A luz que forma a imagem viaja a 300.000 km/s (EINSTEIN,
2003). A estimulação do córtex visual com ritmos baixos (menores que 10 por
segundo) provoca um silêncio característico de 100 ms, seguido de ativação
(LIBERSON, 1957, apud SUA, PARA E TIONEN, 1958). A diferença real que passa
de uma imagem para a segunda, até os olhos humanos é: tempo real = 0,03 km ÷
300.000 = 0,0000001 s. Somaríamos essa diferença com 0,1 s com base nos
estudos de Sua, Para e Tionen (1958) equivalente ao tempo que o impulso nervoso
chega ao cérebro (aqui se trata de um impulso do nervo óptico da visão até o lobo
occipital do cérebro).
Somando constantemente os períodos das distâncias percorridas pela luz e
considerando a frequência ou números de impulsos nervosos até o cérebro por
segundo, atrasaríamos 0,1000001 s por mensagem. Nos perderíamos no tempo
0,1000001 s a cada 0,1 s. A continuação desse processamento indica que nos
perderíamos 1,000001 s a cada 1 s. Ocorreria uma aceleração de atraso no tempo
equivalente a cerca de 0,1 s por mensagem ao quadrado. Assim, esse atraso da
mente tenderia a ocorrer em cada imagem que enxergamos. Sempre veríamos e
registraríamos pouco depois do ambiente. Haveria um somatório total que nos
levaria a perdermo-nos progressivamente no passado. O que não permite que nos
percamos de vez ou definitivamente do tempo no meio externo é a memorização das
mudanças impostas nesse meio. Os restos atrasados da mensagem anterior, que
foram absorvidos pela retina e transmitidos ao cérebro como impulso nervoso, vão
gradualmente sumir da análise cerebral conscientemente instantânea do meio
externo e agirão sobre a estrutura cerebral da memória.
A diferença entre o tempo (1) da ocorrência no ambiente externo (o meio) até nós e
o tempo (2) da formação de sua mensagem no cérebro é igual ao tempo da memória
do ocorrido. O tempo no ambiente externo também pode ser o marco inicial 0 s.
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Como a formação da mensagem pelo impulso nervoso é atrasada (2), o tempo
dessa formação é simbolizado com sinal negativo e essa diferença de tempo
abreviada como “ddt” é expressa com sinal positivo. Convém expressar que ddt
(diferença de tempo) = M´ (memória parcial).
t (da ocorrência no ambiente externo) – t (de formação da mensagem no
cérebro) = ddt = M´
O tempo da memória total [M (t)] de um indivíduo corresponde à soma de suas
memórias parciais enésimas vezes (n vezes).
M (t) = M´(1) + M´(2) + M´(3) + … + M´(n)
Segundo Guyton (2006), em O Tratado de Fisiologia Médica, a memória pode ser a
curto ou em longo prazo. A ddt possivelmente refere-se à formação da memória a
curto prazo que pode se tornar posteriormente memória a longo prazo. A ddt que
pode ser convertida no que caracterizamos como energia temporal, quando somada
à bioquímica orgânica (variação de energia elétrica do impulso nervoso em questão)
equivale a energia da memória parcial. O aumento da energia elétrica é
inversamente convertido em uma diminuição do tempo de formação da mensagem
no cérebro e da ddt. A massa da memória total consiste na massa dos neurônios a
ela relacionados.
A experiência subjetiva deve preceder, ou pelo menos coincidir, com o início
específico do processo cerebral que medeia o ato voluntário (LIBET, 1993, p. 269).
Esse sequenciamento de ocorrências mentais no tempo físico, descrito por Libet
(1979), nos leva a concluir que as ocorrências que são experimentadas no cérebro
são convertidas em memória antes de mediarem o ato. A memória pode ser
chamada de constante, caso a calculemos concordando com uma frequência
cerebral constante ou pode ser chamada de variável, caso consideremos as
variações dessa frequência. O nosso atraso temporal é de início acelerado e termina
interrompido, sendo em seguida reiniciado. Como percebemos melhor o tempo pelos
segundos, vamos considerar a grandeza de memória na unidade internacional de
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medida do tempo: o segundo. Se a ideia de equilíbrio temporal da memória não
estivesse coerente, alguém que nascesse primeiro do que outro, por ter gerado mais
impulsos nervosos, estaria atrasado no tempo em relação a quem nascesse
posteriormente. Como analisamos, há um equilíbrio interno para ambas as pessoas
conviverem em um ambiente de tempo comum.
O processo de memorização é acompanhado pela resposta do sistema nervoso ou
pela resposta nervosa ao que se é memorizado. É muito importante definir que o
intervalo entre duas ddts consecutivas (este intervalo representamos como Δt),
remete desde o final de uma primeira ddt até o final de uma segunda. O intervalo, na
realidade, é entre os tempos de formação de mensagens no cérebro e consiste em
um intervalo constante ou não, dependendo de calcularmos de acordo com uma
frequência cerebral, também, constante ou não. Em outras palavras, entre o período
de tempo de formação de mensagens no cérebro, há um momento de resposta que
pode ser consciente ou inconsciente. Sem a atuação da memória por ddt, não
conseguiríamos nos conciliar com o ambiente externo e a vida seria caótica.
Empiricamente, o intervalo simbolizado por “Δt” entre duas ddts consecutivas é
antecedido por um momento de resposta nervosa que é simbolizado por “Ψ”. Se não
ocorresse esse intervalo, não reagiríamos ao ambiente externo nem refletiríamos a
memória, que não teria função alguma. Expressamos:
Δt – ddt = momento de resposta nervosa ( Ψ)
A soma dos momentos de resposta nervosa (estes momentos representamos como
Ψ´) enésimas (n) vezes equivale às atividades conscientes e inconscientes do
cérebro. É de interesse definir que, quanto maior a energia bioquímica geradora dos
impulsos nervosos (energia elétrica), mais intensos são os impulsos e há tendência
de menor ddt, caso os impulsos sejam mais rápidos. O grau de consciência
(sensibilidade) é diretamente proporcional à intensidade de energia bioquímica.
Porém, há um limiar máximo de energia bioquímica para o indivíduo estar
consciente; superando esse limiar, pode ocorrer desordem no ser humano. Um grau
insuficiente de energia bioquímica torna o momento de consciência equivalente à
inconsciência, subconsciência ou mesmo “não consciência”.
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Para defendermos a tese proposta nesse artigo, precisamos estabelecer uma
relação da mente com o Universo. E como o equilíbrio temporal ou sincronia,
propriedade da mente, pode ocorrer no Universo? Nós resumimos que existe entre a
superfície ou solo dos corpos celestes e suas atmosferas uma diferença em relação
às distâncias destes para o centro gravitacional do astro ou planeta em questão. Isto
é, a distância da atmosfera para o centro de gravidade do planeta menos a distância
do solo para o centro da gravidade do mesmo planeta. Como a teoria da relatividade
propõe, o tempo passa de maneira diferente nesses ambientes: sutilmente mais
devagar no solo do que na atmosfera. Os planetas não são esferas perfeitas, mas
apresentam regiões mais próximas do núcleo (centro da gravidade) onde a curvatura
da luz é gradativamente mais acentuada do que em regiões mais distantes do
mesmo núcleo. Essas diferentes regiões do espaço possuem suas particularidades
de passagem do tempo.
t (de passagem do tempo na atmosfera) – t (de passagem do tempo na
superfície ou solo) = ddt = M´
A Teoria da Relatividade deve conduzir a uma teoria da gravitação e que a trajetória
da luz em relação a um sistema de coordenadas é curvilínea (EINSTEIN, 1978, p.
3). Pesquisadores conseguiram mostrar que as estrelas se comportavam como
propõe a relatividade geral, confirmando a curvatura do espaço-tempo gerada pela
presença de matéria (ANTONIADIS, 2013). Foi comprovado cientificamente, através
da comparação de dois relógios atômicos: um no solo em repouso e outro num avião
na atmosfera que o tempo passa mais devagar no solo em relação à atmosfera
(CATTANI, 2010). O aspecto central defendido neste artigo se fundamenta no
pressuposto de que o tempo que se passa no solo não superacumula essas
pequenas diferenças de atraso o suficiente para tornar-se muito atrasado (cerca de
uma hora, por exemplo) em relação ao tempo que se passa na atmosfera, uma vez
comprovado que o tempo passa de forma diferente nesses locais, sendo notório que
há uma sincronicidade entre o céu e a terra.
A Ecologia tão aprofundada por Marques (2016) que se encanta com a “voz da
natureza” fez uma forte conexão conosco no que diz respeito à contemplação do
equilíbrio e da nossa sincronicidade com o ambiente. Não há o superacúmulo de
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atraso do tempo que se passa no solo em relação ao tempo que se passa na
atmosfera pelo fato de existirem os ciclos biogeoquímicos. Essa “comunicação”
biológica da natureza seria impossível, caso o tempo se superacumulasse ou se
diferenciasse demais, o que resultaria em imagens e características descontínuas no
tempo, o que não é plausível. O mundo macroscópico é contínuo e progressivo para
a nossa percepção normal do tempo. Incontestavelmente, há provas de que em
meios de diferentes distâncias do centro de gravidade da Terra, onde as ondas
tenderiam a uma diferente curvatura, há uma constante de equilíbrio que não atrasa
nem adianta a sequência dos acontecimentos antecedentes ao som proferido, por
exemplo. Essa sequência mantém a possibilidade de comunicação entre as
pessoas, em distâncias diferentes.
Os ambientes externos de um mesmo corpo celeste são “sincronizados” na
unidade internacional do segundo (para o planeta Terra) ou outras unidades
considerando astros de gravidades extremas. Este é o nosso 2º princípio. A
grandeza de memória externa ou de um corpo celeste torna o tempo contínuo,
instantâneo (há comunicação) e impede o tempo de ser fragmentado. Se
houvessem épocas diferentes derivadas da superacumulação do tempo em altitudes
diferentes em um mesmo corpo celeste, existiriam também “faixas de transição”
entre essas épocas. Podemos conceituar como faixas de transição as mudanças
descontínuas ou equivalentes a saltos e sumiços no tempo-espaço, que ocorreriam
se houvesse o superacúmulo de tempo relativamente atrasado entre a superfície e a
atmosfera. As faixas de transição não existem em um meio sincronizado, porém
existem entre corpos celestes diferentes. Portanto, as faixas de transição são
observadas no vácuo do espaço sideral: o que corresponde ao que muitos físicos
consideram nos seus estudos sobre relatividade. É como se os astros e planetas
tivessem sua própria época e estivessem imersos em um vácuo de faixas de
transição.
A Terra possui cerca de 4,6 bilhões de anos, embasado nos estudos feitos por
Patterson (1956), o que corresponde a aproximadamente 40.296 bilhões de horas.
Se em cada hora um local da atmosfera se atrasasse 2 bilionésimos de segundo em
relação a um local do solo, totalizaria 80.592 segundos de diferença entre a
atmosfera e a superfície. Isso equivale a cerca de 22 horas de diferença entre essa
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região da atmosfera e a região do solo em questão. Não pode existir essa diferença!
Isso seria incompatível com o equilíbrio do tempo no planeta.
Calcamos nossa teoria sobre memória temporal e visual, baseados nas seguintes
leis:
1. O que sincroniza a percepção do tempo de um indivíduo com as
ocorrências no ambiente externo é a sua grandeza mental de memória.
2. O que sincroniza duas percepções do tempo de indivíduos em alturas que
sofrem diferentes influências da gravidade é a constante de memória do meio
externo.
3. As unidades das grandezas de memórias reunidas desempenham uma
função grupal específica regida pela teoria da relatividade e compõem o
Sistema Universal de Memória (a sigla desse sistema é SUM).
Suponhamos um conjunto de colapsos da grandeza de memória e um conjunto de
momentos de resposta nervosa que ocorrem no Universo analisado como Sistema
Universal de Memória. Os colapsos estão relacionados com as variações nas
gravidades dos corpos celestes. Como o Universo está sempre em mudanças,
baseando-se em estudos de Edwin Hubble (1929), o SUM produz um fenômeno de
colapsos múltiplos de suas grandezas de memória. O Universo é uma grande
Mente, que é Deus. A memória Dele não tem fim, mesmo que tudo se acabe. A
demanda de tudo se afastar é questionada por nós em dois aspectos: primeiro, se
em algum momento do Universo não vão surgir inúmeros buracos-negros e forças
de atração entre corpos celestes que superem as forças de repulsão entre corpos
celestes. Segundo, se a entropia pode ser retardada naturalmente.
Deixando de lado o primeiro aspecto, passemos ao segundo. Consideramos o
Universo como o sistema em estudo e percebemos que este tende a uma entropia
progressiva, relacionando-nos aos estudos de Frautschi (1982). Entretanto, cremos
que o atraso do tempo é uma força limítrofe à entropia: chamemos de força que
dificulta a ação entrópica ou “disentropia”.
A memória é a grandeza resultante do ínfimo atraso dos impulsos nervosos. Ocorre
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também a produção de consciência entre os intervalos das memórias parciais, o que
também contribui para limitar a percepção do grau de desordem local e
consequentemente nos permite reagir a essa desordem. A memória e a consciência
geram disentropia: buscam “ganhar” tempo. Essa é a prova indispensável do caráter
existencial da memória e Mente do Universo (Deus). O universo é simplesmente
uma versão que não possui oposição. Não existe o "Não Universo". É um caráter
suficientemente protetor para preservar a vida e a existência material ou relutante ao
fim destas. Um caráter que tende a conter a desordem, para manter a estabilidade
da existência material. O que é, em essência, a mais sublime e eterna forma de
lembrança do Universo: toda existência é sempre útil, a vida sempre vale a pena.
A memória persiste como um conceito utilizado tanto na linguagem abstrata quanto
concreta, todavia não se conseguiu (até então) conciliar os atributos subjetivos da
mesma de forma objetiva. Essas propriedades correspondem às fontes que seriam
responsáveis pela gênese da memória. A importância deste estudo se deve à
capacidade de tornar racional e coerente uma linha de raciocínio que concilie temas
subjetivos com temas objetivos relacionados à memória. A partir disto, pode-se
conquistar alternativas para sugerir um raciocínio mais abrangente que poderá
contribuir para um futuro em que as ciências complementem suas ideias em prol de
um todo.
4. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Progredimos verdadeiramente e podemos considerar que materialismo é metafísica
pura; não há outro modo de constatar objetivamente que tudo, inclusive a mente e a
consciência, surge da matéria (GOSWAMI, 2015, p. 18). Através da teoria proposta
neste estudo sobre o Universo funcionar como um Grande Cérebro e Mente (Deus
ou deuses), os fenômenos da consciência e da memória poderão ser encarados
como parte do mundo material e sem violar o princípio da conservação de energia
no mundo físico. A ideia de que habitamos um Grande Ser nos reafirma o conceito
de unicidade: derivamos da mesma origem compartilhada ou somos ecologicamente
componentes do mesmo Organismo.
O aprofundamento teórico mostrado anteriormente é fundamentado no argumento
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de que o Universo é uma grande Mente com memória: Deus. Essa Mente é de
caráter protetor e existencial. A Física tem apresentado inúmeras inovações e os
cálculos elaborados defendem que há um grande sistema de sincronia atuante na
teoria da relatividade, sendo este sistema o principal componente que explica a
existência do mecanismo de memória na natureza. Os questionamentos e
progressos científicos nos levam a crer que precisamos ser humildes para
entendermos a grandeza das leis físicas das quais fazemos parte. É muito
importante ressaltar que a ciência pode ser uma grande aliada das discussões
acerca do assunto. Isto nos levará a compreender o papel que temos a
desempenhar no Universo Físico ao qual pertencemos, bem como estarmos
vinculados, de forma mais altruísta e significativa, à Memória Universal, que é Deus.
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