Paguei e não fui: Porque desisti de frequentar a academia

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Paguei e não fui:
Porque desisti de frequentar a academia
Jonas Gamba
Silvia Regina de Souza
(Universidade Estadual de Londrina)
Engajar-se em programas de exercício físico não é considerada uma tarefa fácil e prazerosa
para muitas pessoas. No entanto, algumas delas decidem que é a hora de alterar esse cenário. “Agora
vai!”. Elas procuram uma academia, assinam um pacote semestral, compram roupas apropriadas,
investem no tênis de última geração, procuram apoio social em amigos que se encontram na mesma
situação e dizem que, após toda essa iniciativa e do pagamento adiantado das mensalidades, não
desistirão. O fato é que depois desse investimento, muitas delas abandonam a prática de exercícios
físicos antes mesmo do término do segundo mês, restando apenas honrar com as mensalidades
assumidas previamente. Já viu esse filme, não é? Então seguem algumas dicas que acreditamos
serem úteis para auxiliá-los a aderirem e permanecerem em programas de exercício físico.
Primeiro é importante lembrar que os programas de exercício físico acarretam benefícios que
vão além da preocupação estética. Embora os ganhos estéticos possam ser o objetivo de grande
parte das pessoas, e não há necessariamente nada de errado com isso, focar apenas nesse aspecto
pode mascarar outros benefícios do exercício físico que são importantes, como a melhora nos
indicadores de saúde (níveis de colesterol, glicemia, redução da pressão arterial, qualidade do sono,
entre outros) e aumento da probabilidade de estabelecer interações sociais positivas. Informados
sobre a importância do exercício físico para a saúde, vamos às dicas:
1. Verifique a qualidade das instalações e a qualificação do profissional de Educação Física
com quem irá trabalhar: o mais importante é que você se exercite com segurança e
qualidade. Os benefícios do exercício físico só ocorrerão se orientados corretamente por
um profissional especializado.
2. Experimente as diversas atividades disponíveis no estabelecimento de sua escolha e
estabeleça uma hierarquia de preferência por essas atividades. Leve em conta a maneira
como o professor conduz as aulas, o seu nível atual de condicionamento físico e as
características do grupo (idade, sexo, etc.), quando houver. O ambiente em que as aulas
são conduzidas e a sua interação com o professor e outras pessoas que praticam o
exercício físico com você, provavelmente, exercerão maior controle sobre sua adesão e
permanência na fase inicial. A partir daí, você pode variar de atividade para evitar ficar
“entediado” com a prática exclusiva de alguma delas e com isso aumentar as chances de
continuar frequentando a academia ou outro local no qual realiza seu programa de
exercício físico.
3. Estabeleça metas. Estabelecer metas tem sido uma estratégia eficaz para a adesão e a
permanência em programas de exercício físico. Algumas dicas incluem estabelecer metas
realistas e desafiadoras. Para isso, você precisará conhecer o nível em que se encontra no
início do programa. Faça uma avaliação física e converse com o seu instrutor para traçar
um programa de metas que atenda suas expectativas e que envolvam metas de curto,
médio e longo prazo. Estabeleça metas que aumentem gradativamente em complexidade
e não se esqueça de registrar seus avanços.
4. Evite hábitos muito rígidos e restritivos. Se você pretende iniciar seu programa de
exercício físico, vá com calma. Rotinas de exercício intensas e dietas restritas podem
tornar o contexto da prática de exercícios muito desagradável e contribuir para que você a
interrompa.
5. Avalie o custo de resposta para aumentar as chances de adesão e permanência ao
programa de exercício físico: Se você trabalha o dia todo e, ao chegar em casa, tem de
atravessar toda a cidade para se exercitar, essa rotina pode não durar muito tempo.
Portanto, leve em consideração a distância que a academia ou o local no qual realiza seu
programa de exercício físico fica da sua casa (lembre-se que qualidade também é
importante), os horários que melhor se encaixam no seu estilo de vida, o fluxo de pessoas
na academia e as atividades de sua preferência. Se o processo estiver muito “sofrido”,
reavalie! O ideal é que o exercício físico faça parte da sua rotina e não que ele seja uma
atividade a ser encaixada a qualquer custo.
6. Avalie a possibilidade de práticas alternativas. A academia não é o único lugar em que
você pode se exercitar. Grupos de corrida, caminhada ou de práticas esportivas ao ar livre
pode ser uma boa opção. Essas atividades também se encaixam melhor em casos de
restrição financeira. Lembre-se que os benefícios da prática de exercícios não estão
vinculados ao poder aquisitivo.
7. Utilize a tecnologia a seu favor. Em muitos casos, os smartphones podem ser um grande
aliado. Faça uma lista com as suas músicas preferidas e pesquise sobre aplicativos que
auxiliem no monitoramento das suas atividades; alguns possibilitam a criação de planilhas
para registro e até fornecem gráficos!
Com essas dicas esperamos que aqueles que pretendem aderir a programas de exercício físico
e, mais do que isso, praticá-los com regularidade e segurança, o façam sem que desistam tão logo
comecem. Afinal, exercitar-se também é uma maneira de agir no mundo a seu favor. Por isso, bom
exercício e divirtam-se!
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Jonas Gamba é graduado e especialista em Esportes (UEL) com mestrado em Análise do
Comportamento (UEL) e doutorado em Educação Especial (UFSCar). Atualmente realiza estágio de
Pós-Doutorado no Departamento de Psicologia Geral e Análise do Comportamento (UEL). Possui
interesse em Análise do Comportamento aplicada ao esporte e ao exercício físico.
Silvia Regina de Souza é Mestre em Educação Especialpela Universidade Federal de São
Carlos, doutora em Psicologia Clínica pela Universidade de São Paulo com pós-doutorado em
Motricidade Humana pela Universidade Técnica de Lisboa e em Psicologia Experimental pela
Universidade de São Paulo. Professora associada da Universidade Estadual de Londrina e
coordenadora do Programa de Mestrado em Análise do Comportamento desta mesma instituição.
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