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Uma publicação da Igreja Batista da Lagoinha
Gerência de Comunicação
Edição Novembro/2007.
Transcrição
Carla Cristina
Revisão
Ana Paula Costa
Capa e Diagramação
Luciano Buchacra
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Apresentação
H
á momentos tão difíceis em nossa vida! Momentos em que todas
as nossas circunstâncias parecem conspirar contra nós. Nessas ho-
ras perdemos o controle das nossas emoções e nos deixamos envolver pela
situação. Atordoados pelos conflitos, ficamos como Pedro – que ao olhar para
a fúria dos ventos começou a submergir. Envoltos pela ansiedade e pelas preocupações, também começamos a nos afundar no mar dos problemas, como
se estivéssemos numa embarcação furada, totalmente perdidos. Ficamos
então amargos, abatidos, sem coragem, sem fé. A desesperança alcança a
nossa alma tão profundamente que se não fosse pela misericórdia do Senhor
estaríamos realmente perdidos e lançados no fundo do mar, acorrentados e
amordaçados pelo medo. Mas, assim com Pedro, temos a oportunidade e o
privilégio de clamar pelo nome de Jesus. Se assim o fizermos. Ele estenderá a
sua mão e nos porá a salvo.
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Numa época de muitas dificuldades, quando o povo de Israel estava cativo na Babilônia, sofrendo terríveis humilhações, o profeta Jeremias proclamou
esta mensagem: “Quero trazer à memória o que me pode dar esperança.” (Lm
3.21). Jeremias estava aflito e se identificava com o sofrimento de Jerusalém
ao ter sido capturada por Nabucodonosor. Então ele se recordava da fidelidade, das misericórdias e dos feitos do Senhor para não se deixar consumir pela
tristeza. Por isso ele podia dizer: “A minha porção é o Senhor, diz a minha alma;
portanto esperarei nele.” (Lm 3.24).
Muitas vezes, nos sentimos capturados pelo inimigo e vivemos dias difíceis, sofrendo com a desesperança, pela impotência diante dos problemas,
desencorajados pelo medo e pela letargia decorrentes da depressão. Tudo
parece perdido, entretanto, devemos fazer como o profeta Jeremias: trazer à
nossa memória o que pode nos dar esperança.
Neste livro, o autor apresenta fatores incontestáveis e de vital importância para a restauração de todo coração que se sente amargurado e sem esperança. Não importa qual seja a sua situação neste momento. Nas páginas deste
livro, você encontrará uma mensagem de cura para as suas angústias.
Ao atentar para as promessas do Senhor, seus grandes feitos, sua fidelidade e suas misericórdias, o seu coração será avivado e a sua vida transformada.
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Introdução
E
sta leitura o fará conhecer um pouco sobre o livro de Lamentações, um
livro bíblico escrito pelo profeta Jeremias. O tema principal desse livro
é o sofrimento; sentimento de expressão tão intensa que vislumbramos lágrimas escorrendo pelo rosto do profeta. Emocionamo-nos com ele e percebemos
que o coração masculino guarda uma sensibilidade que muitos, por imposição
da educação recebida, negam-se a admiti-la. Muitos pais ainda educam seus
filhos homens incutindo-lhes na mente a idéia de que “homem não chora”. É
como prender um pássaro numa gaiola: mesmo preso ele cantará, porque o
canto faz parte da sua natureza. O choro é um “aplicativo” da alma humana
para extravasar sentimentos de dor e até mesmo de alegria intensa. Jesus
chorou e, como Ele disse ser um com o Pai, podemos dizer que herdamos
também esta característica de Deus. Logo, somos livres para chorar, mulheres
ou homens. Deus nos deu a capacidade de chorar e Ele não criou nada que
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não tivesse serventia ou que não devesse ser praticado. Deus é perfeito e tudo
o que Ele criou é perfeito. Por querer mudar os princípios do Senhor é que o
homem tem sofrido tanto. Portanto, se você sente necessidade de chorar, não
reprima, porque o choro é uma expressão da sensibilidade que deve existir
no coração do homem, criado à imagem e semelhança de Deus. Lamentações
não é apenas um livro de choro e lágrimas. A sua mensagem também nos traz
esperança e fé! Ao trazer à nossa memória os atributos irrevogáveis de Deus,
nosso coração se regozija e nossa alma se enche de paz. Por meio da sua experiência pessoal, o profeta Jeremias nos ensina como trazer à memória o que
nos pode dar esperança.
Que o seu coração esteja aberto para receber a ministração do Espírito
Santo, pois todo este texto está alicerçado na Palavra de Deus, que é viva e
eficaz. É o poder de Deus que faz a diferença e transforma palavras comuns
em palavras de vida. A mim coube escrevê-las; a você cabe a iniciativa de ler
e aceitar o que diz a Palavra do Senhor. Eu fiz a minha parte e espero, sinceramente, que você faça a sua, para que tome posse da alegria e da força do nosso
Deus, e que estão também à sua disposição.
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Esperança ou
desesperança?
J
eremias e todo o povo de Israel estavam exilados na Babilônia. A nação
israelita vivia um momento dificílimo. Sofriam angustiados, sem nenhum
vislumbre de esperança, com se abandonados no fundo de um poço. Creio que
se sentiam como José quando fora jogado por seus irmãos no fundo de uma cisterna seca e fria. Foi nessa situação de pesar que Jeremias escreveu o livro de Lamentações, um texto poético que sensibiliza profundamente o nosso coração. Tomaremos como texto principal os versos 21 a 40 do capítulo 3 desse livro: “Quero
trazer a memória o que me pode dar esperança. As misericórdias do Senhor são
a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim;
renovam-se cada manhã. Grande é a tua fidelidade. A minha porção é o Senhor,
diz a minha alma; portanto, esperarei nele. Bom é o Senhor para os que esperam
por ele, para a alma que o busca. Bom é guardar a salvação do Senhor, e isso, em
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silêncio. Bom é para o homem suportar o jugo na sua mocidade. Assente-se solitário e fique em silêncio; porquanto esse jugo Deus pôs sobre ele; ponha a boca
no pó; talvez ainda haja esperança. Dê a face ao que o fere; farte-se de afronta. O
Senhor não rejeitará para sempre; pois, ainda que entristeça a alguém, usará de
compaixão segundo a grandeza das suas misericórdias; porque não aflige, nem
entristece de bom grado os filhos dos homens. Pisar debaixo dos pés a todos os
presos da terra, perverter o direito do homem perante o altíssimo, subverter ao
homem no seu pleito, não veria o Senhor? Quem é aquele que diz, e assim acontece, quando o Senhor o não mande? Acaso, não procede do Altíssimo tanto o
mal como o bem ? Por que, pois, se queixa o homem vivente? Queixe-se cada um
dos seus próprios pecados. Esquadrinhemos os nossos caminhos, provemo-los e
voltemos para o Senhor.”
Precisamos trazer à memória o que nos pode dar esperança! Olhando
para o nosso querido Brasil, percebemos que, como nação, também estamos
sendo aprisionados pelas dívidas, pela miséria, pela injustiça, pela corrupção,
pelo desamor e por tantas outras situações que nos entristecem! Mas, por outro lado, percebemos que algo está acontecendo e essa mudança será a redenção do nosso país. Assim como aquela pequenina nuvem, vista pelo servo de
Elias, era o prenúncio de uma forte chuva, também é o avivamento profético
que está sobre nós, povo brasileiro. Por todos os lados há a profecia: “O Brasil é
do Senhor Jesus!” Nos outdoors, nos adesivos dos carros, na televisão, por meio
de lindos testemunhos... todos proclamam esta verdade: “O Brasil é de Jesus.”
Palavra de esperança! Mas em que baseamos nossa esperança? Muitas pessoas
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têm as suas esperanças frustradas, porém nós podemos ter certeza de que as
nossas não falharão, que elas são reais: “Ora, a esperança não confunde, porque
o amor de Deus é derramado em nosso coração pelo Espírito Santo, que nos foi
outorgado. Porque Cristo, quando nós ainda éramos fracos, morreu a seu tempo
pelos ímpios.” (Rm 5.5-6).
A nossa vida é uma caminhada cujos passos têm de ser firmes, pois se vacilarmos correremos o risco de cair. Por isso Paulo escreveu: “Aquele, pois, que
pensa estar em pé veja que não caia.” (1Co 10.12). Podemos comparar, figurativamente, a nossa vida com uma guerra. E uma guerra só é vencida quando
se vence a última batalha. Sabemos que esta última batalha será travada pelo
Senhor e então receberemos, com Ele, a vitória sobre a guerra. Por enquanto,
estamos na fase se vencer as batalhas. Então, depois de uma batalha vem outra batalha. Ainda não somos perfeitos como o nosso General, Jesus Cristo, e
em decorrência disso mesclamos nossa vida com alegrias e tristezas, com fé e
ansiedade. Em certos dias, estamos explodindo de contentamento; noutros, a
tristeza vem como um manto e nos envolve. Há dias em que estamos cheios
de esperança, transmitindo confiança às pessoas que nos cercam. No entanto,
com a mesma intensidade e sem muita explicação, a infelicidade toma conta
da nossa alma. Há momentos em que estamos cheios de fé, praticando com
autoridade a fé descrita no livro de Hebreus: “Ora, a fé é a certeza de coisas que
se esperam, a convicção de fatos que se não vêem.” (Hb 11.1). Somos destemidos, intrépidos e não temos medo de nada. Mas, noutros dias, assumimos uma
postura de derrotados, encurvados pela angústia, abatidos pelo desespero. É
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como se experimentássemos alguns dias de luz e outros de trevas. E, entre os
muitos “sim”, “não quero”, “não posso”, “creio”, “tenho medo”, o homem percorre
a sua estrada. Sentimentos tão antagônicos provocam ansiedade e dúvidas.
É possível que você mesmo seja uma pessoa que esteja vivendo desesperançada. Se isso está acontecendo, tome uma iniciativa, porque a desesperança é a mãe da apatia, que conduz o indivíduo à letargia. Esse abatimento tira
todo brilho da vida das pessoas, que passam a ter um procedimento indolente,
indiferente às situações do seu cotidiano. O sorriso delas é apenas um movimento muscular, nada tem a ver com uma expressão da alma; mas por dentro
existe um vulcão prestes a explodir. Quando alguém caminha assim e risca o
verbo “esperar” do seu vocabulário, quando a nota musical esperança foi substituída pela tecla insistente e enfadonha da desesperança, ela se torna uma
pessoa insensível. Ela passa a viver como que “viciada” e nem sabe mais como
viveria sem a torrente de problemas que submergem a sua vida. Não consegue enxergar futuro para si mesma. Sente-se como se jogada à força em um
imenso funil. Quanto mais o tempo passa, mais o caminho vai-se estreitando,
e ela vai experimentando a terrível sensação de aperto, de afunilamento. Parece que todas as portas se fecharam e que não há mais esperança. Falta-lhe
algo que a impulsione para frente. Está apenas caminhando, sem fé, sem vida,
sem alegria. O amadurecimento que deveria produzir sabedoria, graça e mansidão torna-se um instrumento para o enrijecimento da alma e o terreno dos
sentimentos fica improdutivo. A situação torna-se caótica e ela perde até a
possibilidade de crer.
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Quero trazer à
memória o que me pode
dar esperança
V
ocê precisa crer para profetizar a sua libertação e a dos seus amados.
A fé produz coragem. Jeremias estava vivendo um momento de dor e
de angústia. Vivia acuado, constrangido pelo inimigo. A tristeza havia tomado
conta da sua alma e a esperança estava sendo arrancada do seu coração. Os
babilônicos haviam derrotado o povo de Deus, e Jeremias fazia parte desse
povo. Estavam todos exilados e humilhados em terra estranha. Os reis tinham
os olhos furados, o que era símbolo de suprema humilhação. O povo fora le-
vado a uma condição drástica de servo dos senhores babilônicos. A idolatria
campeava no meio dos israelitas, a pureza da fé deixava de existir e no seu
lugar se instalara a apostasia total. A desgraça era o único status daquela sociedade, e os israelitas estavam se alimentando dela. Passaram a viver assim,
cavando cisternas rotas para si.
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Jeremias se deixou contagiar pela gravidade da situação. Sem forças, ele
dormiu sem fé e acordou apático e tímido. Ele se sentia morto. De repente,
houve como que um estalo no seu interior, e ele, desperto da letargia espiritual, se deu conta de que a sua alma estava ficando insensível. Pôde perceber que aquele cativeiro estava minando os seus sentimentos e que, em
decorrência disso, a desesperança estava assumindo o controle da sua própria
vida. Jeremias se conscientizou de que o seu estado emocional o fazia recuar
na guerra e o deixava vulnerável às investidas do inimigo. Resoluto, ele disse:
“Não! Eu não permitirei isso!” Sacudindo de si todo o mofo emocional ele continuou afirmando: “Eu não vou permitir que a minha alma seja um poço de
amargura; nem que as circunstâncias venham ditar o estado da minha alma.
Minha mente não será um registro de dor e a minha memória não estará atada
à desesperança.” Era exatamente isto o que ele estava dizendo: “Quero trazer à
memória o que me pode dar esperança.” Até então ele estivera exercitando a
sua memória apenas com lembranças dos acontecimentos trágicos. No arquivo da sua memória ele só buscava as fichas do humilhante, do ruim – somente
as notas daquele passado algoz e das desgraças que tanto o entristeciam.
Na sua memória não estava registrado nenhum outro programa afora a dor.
Nenhuma outra seqüência além da desgraça, da derrota e do mal. Apesar de
tudo isso, algo aconteceu no seu interior e ele acordou a tempo daquele torpor
(sonolência). Como um abrir de comportas, ele proclamou: “Chega! Eu não
aceito mais este tipo de situação! Agora eu quero trazer à memória o que me
pode dar esperança.”
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Quais são as lembranças que têm ocupado a sua mente? Que tipo de sentimentos você tem obtido por intermédio da sua memória? Ela lhe tem sido
fonte de alegrias, ou você só a tem alimentado com a desgraça? Há tantas pessoas que envenenam a sua lama ao escolher o caminho da dor! É uma escolha,
sim, como no caso do tratamento de uma ferida. Podemos escolher tratá-la da
maneira correta, como os medicamentos certos, ou ficar cutucando-a o tempo
todo. O segundo procedimento, além de aumentar a sua extensão, ainda impedirá a sua cicatrização. Existem pessoas que não têm outra conversa, outra
palavra, não conseguem trazer à memória nada de bom, de positivo, nenhuma
esperança, apenas a desgraça. Mas Jeremias disse: “Eu não quero esta situação. Eu escolho a vida e a esperança!”
O único bem que nós temos verdadeiramente é a nossa vontade. A única coisa que você tem e pode afirmar categoricamente, “isto é meu”, é a sua
vontade. Você pode perder um bem material, mesmo porque ele tem vida útil
limitada; pode até perder um membro do corpo, mas a única coisa que ninguém pode lhe tirar é o seu livre-arbítrio, a sua vontade, a sua capacidade de
escolher. Nem Deus mudará a sua vontade, porque Ele escolheu passar-lhe a
“escritura de posse” do seu livre-arbítrio. Qualquer mudança que Ele operasse
nessa área seria com se estivesse tirando de você o seu livre-arbítrio. Você é um
ser livre! Foi usando sua liberdade que Jeremias decidiu: “Eu quero! Eu escolho!
Eu faço! Eu quero trazer à memória o que me pode dar esperança. Chega! Eu
não vou mais viver infeliz.”
Tome uma iniciativa como fez o profeta Jeremias. Deixe o passado para
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trás e comece a viver o presente; só assim você terá um futuro feliz. Lembre-se
das palavras do apóstolo Paulo em sua carta aos filipenses: “Mas uma coisa
faço: esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que
diante de mim estão, prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação
de Deus em Cristo Jesus.”(Fp 3.13-14). Não fique preso aos acontecimentos
que já passaram, às humilhações, ao abandono do esposo, da esposa ou do
namorado que se foi. Não se prenda aos sonhos que não se realizaram, sonhe
outros para que possa vê-los concretizados. Não fique preso, lembrando-se dos
golpes que já lhe desferiram, pois isso só vai tirar todo o colorido da sua vida.
Podemos aprender muito com Jeremias na mensagem do livro de Lamentações. Ela pode nos ser muito útil par anos ensinar a dar um “basta” a
todas as situações de desesperança, de desespero e dor que insistem em dominar a nossa vida. A vida se torna insípida quando é vivida com vista ao passado.
O passado um dia foi presente, e a vida tem de ser olhada também pela ótica
do futuro. Deus quer infundir a esperança em nosso coração. A única coisa do
passado que interessa para o presente é exatamente aquilo que nos pode dar
esperança; fatos, lições de vida que poderão nos estimular a prosseguir. E o
que pode me dar esperança é justamente a realidade transcendental de que
o nosso Deus é um Deus misericordioso. Você pode ter esperanças, porque as
misericórdias do Senhor não têm fim, o favor do Pai é com você eternamente.
Pode ser que você tenha investigado a sua memória e não tenha, ainda,
encontrado algo que possa lhe dar esperança. Contudo, existem realidades vivas que, se trazidas à memória, podem nos inundar de esperança. Então, o que
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eu preciso buscar na memória para que realmente a minha vida seja dominada
pela esperança? Em Lamentações 3.21-40, Jeremias evidenciou sete realidades básicas, fundamentais para que ele pudesse ficar totalmente dominado
pela esperança. E nós podemos, e devemos, buscar essas mesmas realidades
para mudar o cenário da nossa vida.
Deus é misericordioso
A primeira realidade citada por Jeremias está no versículo 22: “As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos, porque as suas
misericórdias não têm fim.” O Deus a quem servimos é misericordioso, Ele se
compadece da nossa dor, interessa-se por nossos problemas e tem prazer em
nos ajudar.
O conflito afetivo que afetava o equilíbrio psicológico de Jeremias era
precisamente o modo como ele estava vivendo. Jeremias era um poço de
amarguras, e era com as águas amargas desse poço que ele regava o terreno
do seu coração. Com isso, todo o seu corpo sofria e a sua mente se congelava
pela gelidez dessas águas. O profeta não renovava a sua mente em Deus, e por
isso a sua alma estava morrendo. Entretanto, as misericórdias do Senhor não se
congelam, “as misericórdias do Senhor não têm fim; renovam-se a cada manhã”
(v.22-23). A vida é um dom de Deus! Ela, por si só, revela o amor do Pai para
conosco e a sua misericórdia em nos sustentar a cada dia. Certa vez, eu dirigia
um culto fúnebre e, atentando-me para os presentes, percebi que muitos dos
que ali estavam eram mais velhos do que o falecido. Esse fato comprova a re17
alidade de que não é simplesmente um princípio cronológico que sustenta a
vida humana. Deus é quem, verdadeiramente, a sustém. Permanecemos vivos
porque Deus continua tendo um plano, um propósito para nossa existência
terrena. Não foi à toa que o salmista declarou: “Eis que Deus é o meu ajudador,
o Senhor é quem me sustenta a vida.” (Sl 54.4).
Jeremias precisava de alguma coisa que o colocasse de novo “de pé”, que
devolvesse a sua firmeza espiritual. Ele se sentia definhando, carente de forças
físicas e espirituais; o seu espírito estava enfraquecido pela sua consumição.
Neste momento, Jeremias tomou uma atitude: mergulhou no mar das misericórdias de Deus e emergiu com vida. A sua memória foi então inundada pela
esperança viva das misericórdias do Senhor, que são infinitas. A situação de
Jeremias não havia mudado instantaneamente; o que fez diferença naquele
momento foi a sua postura diante dos problemas. Ele não mais se sentia só,
desamparado e infeliz. Alguém se interessava por ele e se compadecia das suas
dores. E esse alguém era exatamente aquele que o havia criado: o Deus Todopoderoso! O Deus que, abundantemente, derramava sua misericórdia todos os
dias sobre a vida de Jeremias. O profeta entendeu que sua vida não estava ao
léu. O Senhor tinha um propósito definido para ela, e esse era o motivo pelo
qual ele ainda estava vivo. As condições eram muito adversas, mas a sua esperança fora reavivada pela lembrança das misericórdias do Senhor.
Tenha certeza de que, por mais difíceis que sejam os problemas, por mais
horrorosas que sejam as situações pelas quais você venha a passar jamais as
misericórdias do Senhor serão esgotadas. O mundo oferece um tempo esgotá18
vel de auxílio. Isto é, se a carência se prolonga, as pessoas se enfadam de ajudar e as suas “misericórdias” se esgotam. “Eu já ajudei muito, agora fulano vai
ter de se virar, afinal, eu também tenho os meus problemas.” Quantos já não
foram vítimas desse pensamento! Apesar disso, você não deve se preocupar
nem um pouco, porque as misericórdias do Senhor não têm fim. Deus não se
cansa de ajudá-lo. O salmista exaltou a bondade do Senhor ao declarar: “[...]
o seu favor dura a vida inteira. Ao anoitecer, pode vir o choro, mas a alegria vem
pela manhã.” (Sl 30.5). Você pode contar com a proteção do Senhor por toda
a sua vida. Isto não é uma quimera, uma situação fantasiosa para suportar a
nossa alma; é realidade! Aproprie-se das misericórdias de Deus, porque elas
são reais, abundantes e eternas! A misericórdia do Senhor nos faz entender
que Ele se importa conosco, que se interessa por nós, que intervém e age em
nosso favor, que Ele nos ama, nos percebe e nos entende. Deus sabe quantos
fios de cabelo nós temos. O favor do Senhor é tão grande que não existe nada
que seja maior do que o seu poder e nada há de ser tão pequeno que a sua
misericórdia não possa alcançar. Ele conhece a sua dor, entende os conflitos do
seu coração, compadece-se da angústia da sua alma. Por isso, faça como o profeta Jeremias: traga à memória o que pode lhe trazer esperança. A esperança
de Jeremias, a minha e a sua esperança devem, primeiramente, se firmar nesta realidade: Deus é misericordioso. Ele não apenas foi, mas é e sempre será.
Grande é a fidelidade do Senhor
A segunda realidade básica que devolveu a esperança ao profeta e que,
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certamente, também a restituirá em nós está descrita na segunda parte do
versículo (23): “Grande é a tua fidelidade.” A fidelidade do Senhor, a firmeza de
seus sentimentos em relação a nós e a observância rigorosa da aplicação dessa
verdade em nossa vida. O homem é falho e pode até descomprometer-se com
alguém, contudo, “Deus não é homem, para que minta; nem filho de homem,
para que se arrependa. Porventura, tendo ele prometido, não o fará? Ou, tendo
falado, não o cumprirá?” (Nm 23.19). Não se sinta abandonado à sua própria
sorte, como se fosse possível o desamparo de Deus, se você não estiver “vendo
as pegadas” de Jesus ao seu lado, não pense que está caminhando sozinho;
com certeza Ele o está carregando em seus braços. Aproveite esses momentos
para encostar a cabeça em seu ombro e descansar confortavelmente. Abra o
seu coração e fale como Senhor, Ele vai confortá-lo, e o seu coração se encherá de esperança e alegria. Firme-se nas promessas do Pai, pois foi Ele quem
prometeu: “Não temas, porque eu sou contigo; não te assombres, porque eu sou
o teu Deus; eu te fortaleço, e te ajudo, e te sustento com a minha destra fiel.” (Is
41.10).
Ainda que você tenha falhado com o Senhor, a sua fidelidade é o penhor
da sua graça. Na segunda carta do apóstolo Paulo a Timóteo, ele escreveu:
“Se somos infiéis, ele permanece fiel, pois de maneia nenhuma pode negar-se
a si mesmo.” (2Tm 2.13). Deus jamais deixará de ser Deus, e nessa posição
Ele permanece fiel. Em nenhuma circunstância Ele poderá deixar de ser fiel,
porque essa característica faz parte do seu caráter. Essa é a realidade de um
Deus que não muda. Nós, homens, mudamos muito, mas o Senhor é imutável.
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As emoções podem influenciar muito nas nossas decisões. Pode ser o patrão
mal-humorado ou o empregado relapso; o carro que foi roubado; a perda do
emprego; uma nota sofrível no teste escolar; as crianças que não param de
chorar; o cesto cheio de roupas para passar e o tempo que não é suficiente. São
tantas situações que tornam o nosso humor e as nossas disposições suscetíveis
de variações! Mas Deus é imperturbável e invariável. O Senhor permanece inabalável, ou seja, o caráter de Deus continua sendo o mesmo, sempre. Ele não
muda. E isso que anuncia o verso 23: “Grande é a tua fidelidade.”
Você pode declarar: “Quero trazer à memória o que me pode dar esperança.” Lembre-se de que Deus é misericordioso e fiel. Por maiores que sejam as
suas dificuldades e as suas lutas, é o compromisso de Deus para com você que
o segura e o sustenta. Deus jamais vai desistir ou se cansar de você. Ele está
comprometido consigo mesmo, com o seu próprio nome. Sempre invocamos
o nome do Senhor em nossas orações: “Senhor, eu te peço que me abençoes
neste dia, em teu nome. Amém.” Assim como Davi fazia: “[...] refrigera-me a
alma. Guia-me pelas veredas da justiça por amor do seu nome.” (Sl 23.3). E o
nome de Deus não é um apelido qualquer, ele representa o seu caráter. Há um
compromisso de Deus consigo mesmo, e a sua misericórdia está atrelada ao
seu próprio caráter. Por isso, mesmo que as circunstâncias ao seu redor estejam evidenciando um caos, você pode ter esperança, porque Deus é fiel. Deus
fez um pacto, um compromisso conosco e o cumprirá, nem que para isso seja
necessário que céus e Terra se movam.
O cálice, um dos elementos da Ceia instituída por Jesus, representa a nova
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aliança. A primeira aliança foi firmada pela aspersão do sangue de animais
que eram sacrificados. A nova aliança foi estabelecida pelo sangue de Jesus
derramado na cruz. Foi por isso que Jesus disse: “[...] Este é o cálice da nova
aliança no meu sangue derramado em favor de vós.” (Lc 22.20). O Senhor fez um
pacto de fidelidade conosco, e embora falhemos muitas vezes Ele permanece
fiel ate as últimas conseqüências. Foi isto que Davi proclamou: “Ele dos céus me
envia o seu auxílio e me livra; cobre de vergonha os que me ferem [...] Envia a sua
misericórdia e a sua fidelidade. Pois a tua misericórdia se eleva até aos céus, e a
tua fidelidade, até as nuvens.” (Sl 57.3, 10).
A bondade do Senhor
A misericórdia e a fidelidade do Senhor são verdade que, trazidas à memória, nos dão esperança; a bondade de Deus é a terceira realidade que pode
nos alentar. Aos nossos olhos, a intervenção do Senhor pode parecer tardia, e
podemos julgar que esta ou aquela bênção está demorando demais. Queremos tudo “para ontem”, principalmente quando se trata de receber alguma
coisa. Mas o plano de Deus é perfeito e tudo vem ao seu tempo e à sua hora.
“Há, todavia, uma coisa, amados, que não deveis esquecer: que, para o Senhor,
um dia é como mil anos, e mil anos, como um dia. Não retarda o Senhor a sua
promessa, como alguns a julgam demorada; pelo contrário, ele é longânimo
para convosco, não querendo que nenhum pereça, senão que todos cheguem ao
arrependimento.” (2Pe 3.8-9). Vela a pena esperar, porque aquele que espera
no Senhor jamais será decepcionado e nunca conhecerá a desilusão. Espere em
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Deus e experimentará da sua bondade. Conhecendo a bondade do Senhor, os
seus lábios, como os do profeta Jeremias, cantarão delícias: “A minha porção
é o Senhor, diz a minha alma; portanto, esperarei nele. Bom é o Senhor para os
que esperam por ele, para alma que o busca.” (Jr 3.24-25). Espere sempre no
Senhor e confie em sua bondade porque “aos seus amados ele o dá enquanto
dormem” (Sl 127.2).
Vivemos na era de imediatismo, até o tempo parece que está transcorrendo mais rapidamente. O mundo é imediato e cobra sempre altitudes e
soluções imediatas. A tecnologia avança com extrema rapidez, e as máquinas
ficam obsoletas em curto espaço de tempo, suficiente, entretanto, para que
outras ainda mais modernas sejam criadas. Os computadores são um exemplo
muito apropriado para essa situação imediatista. Os meios de comunicação, os
eletrodomésticos e até a comida são todos instantâneos. Fala-se de um lado
ao outro do mundo numa instantaneidade incrível. O imediatismo do mundo
vem alcançando a nossa alma, e as conseqüências disso são prejudiciais ao
nosso espírito. O povo de Deus tem esquecido das palavras do profeta: “[...]
esperarei nele. Bom é o Senhor para os que esperam por ele [...]” Para assumir
o apelo imediato do mundo: “Agora, já!” Com essa visão imediatista, buscamos
o instantâneo também na fé, sendo que o Senhor nos diz para trazermos à
nossa memória o que nos pode dar esperança. Temos de nos lembrar também
de que é preciso esperar em Deus. A nossa parte é o Senhor, conforme está
escrito: “A minha porção é o Senhor [...]”
O sumo bem da vida não são as coisas materiais: a excelência da vida é
23
Deus. O bem mais poderoso da vida não é nem mesmo o seu cônjuge ou a sua
família. O bem singular da nossa vida é o Senhor. O matrimônio é um presente
de Deus, entretanto, alguns o abandonam por causa do presente. Querem se
casar ou oram pela conversão do cônjuge, mas, como julgam demorada a resposta de Deus aos seus insistentes pedidos, largam o Senhor. E largar o Senhor
é caminhar por conta própria, assumindo todos os riscos. Isso é muito perigoso
porque aos nossos olhos muitos caminhos têm aparência de bondade: “Há caminho que ao homem parece direito, mas ao cabo dá em caminhos de morte.”
(Pv 14.12). Ao tomar o Senhor como sua porção você deve esperar nele. Como
você poderá dizer “a minha porção é o Senhor, portanto esperarei nele” se você
o abandona por qualquer outro bem? Está escrito que Ele é bom para com
aqueles que o buscam e que sabem esperar nele. Espere! O Senhor concederá
o desejo do seu coração. O dia do seu casamento chegará, o coração do seu
marido se abrirá e, então, todos terão o entendimento da bondade do Senhor.
Se você quer realmente trazer à memória o que lhe pode dar esperança e
encher seu coração de alegria, então espere no Senhor, porque a sua bondade
nos enche de esperança. Deus é bom! Ele sabe o que é melhor para a nossa
vida. Ele não é um carrasco; Deus é um Pia (único, inigualável!). Ele conhece os
nossos sentimentos e tem o melhor para cada um de nós. Se o que você está
pedindo ainda não chegou, você pode não estar entendendo muitas coisas,
contudo, lembre-se da bondade do Senhor e toque em sua bênção pela fé. O
caráter de Deus é bom e Ele reservou o melhor da terra para você. Ele não está
preso a tempo e circunstâncias; Deus é eterno, é onisciente, onipotente e oni24
presente. Nunca queira interromper os caminhos do Senhor porque eles são
perfeitos. “Bom e reto é o Senhor, por isso, aponta o caminho aos pecadores [...]
Justo é o Senhor em todos os seus caminhos, benigno em todas as suas obras.”
(Sl 25.8; 145.17). Traga à memória a misericórdia, a fidelidade e a bondade de
Deus para que o seu coração seja contagiado pela alegria. Proclame aclamando ao Senhor: “Senhor, eu te amo, tu és a minha porção, tu me conheces! Eu sei
que tu és misericordioso e fiel. Tu és bondoso e me acode na minha aflição.”
Vale a pena esperar e esperar, confiando, nunca murmurando. Vale a
pena aguardar no Senhor sem lamúrias, sem lançar impropérios ao seu nome,
sem ferir o seu coração. Conforme está escrito no verso 26: “Bom é aguardar a
salvação do Senhor, e isso, em silêncio.” Há momentos para falar e outros para
aguardar silêncio. Todo o que crê no Senhor Jesus deve ser sábio, refrear a sua
língua e usá-la para exaltar o nome e a justiça do Senhor, falando muito de
Jesus para os outros. “A boca do justo profere a sabedoria, e a sua língua fala
o que é justo [...] De boas palavras transborda o meu coração. Ao Rei consagro
o que compus; a minha língua é como a pena de habilidoso escritor.” (Sl 37.30;
45.1). Fale, você não deve calar a sua fé, mas a sua vida deve ser um jardim
fechado, regado pelas águas do Espírito. O livro de Cantares fala de um jardim
fechado: assim deve ser a nossa vida. A Bíblia chama de noiva de Cristo todos
aqueles que nele crêem e que esperam a sua volta. É um texto muito lindo
e podemos como que ouvi-lo dos lábios do próprio Senhor: “Os teus lábios,
noiva minha, destilam mel. Mel e leite se acham debaixo da tua língua, e a
fragrância dos teus vestidos é como a do Líbano. Jardim fechado és tu, minha
25
irmã, noiva minha, manancial recluso, fonte selada.” Os nossos lábios devem
produzir doçura e alimento, falar de amor de Deus e proclamar a sua Palavra.
Porém, existem determinadas experiências que são muito íntimas entre você e
Deus. Guarde-as no coração só para você e Ele. Aguarde a salvação do Senhor.
Comece a alimentar a sua vida também com esta realidade: “Bom é o Senhor
para os que esperam por ele, para a alma que o busca. Bom é aguardar a salvação do Senhor, e isso, em silêncio.” (Lm 3.25-26).
É bom suportar o jugo
A quarta realidade que podemos trazer à memória para avivar a nossa
esperança é o fato de que todas as coisas cooperam para a nossa vitória. Nós
“sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a
Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito” (Rm 8.28). Mesmo quando as circunstâncias são de dor, de aprisionamento, podemos ter
certeza de que Deus está trabalhando no nosso caráter. “Por isso, não desanimamos; pelo contrário, mesmo que o nosso homem exterior se corrompa,
contudo, o nosso homem interior se renova se dia em dia. Porque a nossa leve e
momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória, acima de toda
comparação, não atentando nós nas coisas que se vêem, mas nas que se não
vêem; porque as que se vêem são temporais, e as que se não vêem são eternas.
Sabemos que, se a nossa casa terrestre deste tabernáculo se desfizer, temos da
parte de Deus um edifício, casa não feita por mãos, eterna, nos céus.” (2Co
4.16-18; 5.1).
26
Assim, essas circunstâncias adversas terminam sendo um bem para nós.
Todas as situações dolorosas que nos afligem se transformam em instrumentos para o aperfeiçoamento do nosso espírito, por meio do amor de Deus, que
disciplina o nosso caráter, a nossa mente, as nossas emoções. Nos versos 27,
28 e 29 o profeta diz assim: “Bom é para o homem suportar o jugo na sua
mocidade. Assente-se solitário e fique em silêncio, porquanto esse jugo Deus
pôs sobre ele; ponha a boca no pó; talvez ainda haja esperança.” Precisamos
aprender a confiar no Senhor desde a nossa infância. Por isso, a Bíblia diz:
“Ensina a criança no caminho em que deve andar, e, ainda quando for velho,
não se desviará dele.” (Pv 22.6). Ainda quando estiver velho, o homem criado
nos padrões de Deus terá fontes de riquezas para trazer à sua memória e será
sempre esperançoso e feliz. Jesus Cristo disse: “[...] o meu jugo é suave, e o meu
fardo é leve.” (Mt 11.30). Quando tomamos o jugo e o fardo de Jesus, entendemos o seu amor por nós e suportamos com fé e esperança todos os nossos
momentos de dor.
Existem ocasiões em que precisamos nos dobrar diante de Deus. Entretanto, somos inflexíveis e resistimos. O homem tem muita dificuldade para
reconhecer a sua fraqueza, para chorar e quebrar o seu orgulho próprio, porque o seu caráter é defeituoso. Durante muito tempo ele foi “tatuado” com
estampas que sufocaram o seu espírito. Por muito tempo ouviu frases como:
“Chorar é coisa de fraco”; “O bem maior do homem é o seu amor próprio”;
“Um vencedor jamais se dobra diante de alguém”. O seu subconsciente foi
bombardeado por todas essas idéias que, mesmo sem tomar consciência dis27
so, tornaram sua alma enrijecida. O povo de Israel foi achado por Deus como
povo de dura cerviz, por ter desobedecido às suas leis e tomado ídolos para si.
Muitas vezes, nos tornamos como esse povo e ouvimos o Senhor nos falando
o mesmo que Ele disse a Moisés: “Atentei para este povo, e eis que ele é povo de
dura cerviz.” (Dt 9.13).
A palavra diz que “Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes”
(Tg 4.6). O povo oriental tinha o costume de se dobrar em submissão total para
reconhecer a sua indignidade. E nós precisamos, muitas vezes, colocar a nossa
boca no pó, nos dobrarmos e nos humilharmos reconhecendo a nossa total
dependência e insignificância perante a grandeza de Deus. É comum acharmos demorada a resposta de Deus, mas o seu “relógio” não é como o nosso. Os
seus “ponteiros” giram de acordo com a nossa disposição de nos quebrarmos
diante dele. A “bateria do relógio de Deus é recaregada” à medida que nos dispomos a receber do Senhor aquilo que Ele tem para nós.
Medite no versos 27 a 29 de Lamentações. Quantas vezes você diz que a
fonte do seus problemas é o seu casamento! Vive num constante duelo como o
seu cônjuge, ferem-se mutuamente, promovem uma guerra sem fim. Para que
venha a paz, um de vocês tem de se humilhar. Não a humilhação no sentido
de opressão, mas de se tornar humilde, manso. Um de vocês precisa “jogar a
toalha no ringue”. Lembre-se das palavras de Jesus: “Tomai sobre vós o meu
jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis
descanso para a vossa alma.” (Mt 11.29). Deus quer lhe dar o descanso, o alívio de que você tanto precisa, mas a sua rigidez não permite. É preciso haver
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concordância. Deus quer intervir, mas você não permite. Você fica como uma
tagarela e não pode ouvir a voz de Deus. O Senhor pode e quer abencoá-lo,
mas você não consegue deixá-lo agir. Pare! Dobre-se diante do Pai e ouça o
que Ele quer lhe dizer; receba tudo o que Ele quer lhe dar.
Muitas situações podem ser comparadas com um copo de água tomada
de um rio. As águas estão barrentas e avermelhadas, então você se põe a sacudir aquele copo. Quanto mais você agitá-lo, mais tempo a água permanecerá
barrenta. Deixe a água em repouso. Espere, tenha paciência e você verá que
aquele barro se assentará no fundo do copo e a água ficará clara. Quantas vezes você não consegue perceber as coisas por causa da sua agitação! Por que
você não pára a fim de obeservá-las e reflectir sobre elas? Tire da sua memória
a sujeira a água e coloque no lugar a esperança de vê-la sem barro. Mude de
atitude. Você vai perceber que tudo se ajeita e chega a um bom termo. Seja
humilde, manso, paciente e a esperança será o bálsamo do seu coração. Traga
à memória que o jugo do Senhor é leve e que é bom suportá-lo com fé e paciência, porque Deus é misericordioso, fiel e bondoso.
Certas pessoas insistem em pedir para que o Senhor as abençoe desta ou
daquela maneira, porque a julgam adequada para si. Todavia, Deus, na sua
onisciência, sabe que se lhe der o que tanto pede, esta bênção se transformará em desgraça para a sua vida. Espere nele porque “o coração do homem
pode fazer planos, mas a resposta certa dos lábios vem do Senhor [...] Confia
ao Senhor as tuas obras, e os teus desígnios serão estabelecidos” (Pv 16.1-3). É
tão diferente quando você caminha segundo o querer e a vontade de Deus!
29
Aceitando a boa, perfeita e agradável vontade do Pai para a sua vida, você
perceberá, em todas as circunstâncias, que o Senhor trabalha o seu caráter.
O Senhor poderá usar essa situação tão difícil pela qual você está passando
para trazer cura à sua vida. Medite nessa realidade porque talvez você ainda
não se tenha apercebido dela e esteja se preocupando além do que a situação
exige. Lembre-se de que os discípulos de Jesus estavam tão aflitos que nem o
reconheceram no caminho de Emaús (Lc 24.13-32). Reconheça o Senhor em
todos os seus caminhos e a sua memória estará cheia de esperança. “Confia
no Senhor de todo o teu coração e não te estribes no teu próprio entendimento.
Reconhece-o em todos os teus caminhos, e ele endireitará as tuas veredas. Não
sejas sábio aos teus próprios olhos; teme ao Senhor e aparata-te do mal; será isto
saúde para o teu corpo e refrigério para os teus ossos.” (Pv 3.5-8).
Os mansos herdarão a Terra
Em quinto lugar, Jeremias fala que para reabilitar a esperança na alma é
necessário ter uma atitude de mansidão. No versículo 30, ele ensina: “Dê a face
ao que o fere; farta-se de afronta.” Não foi essa a atitude de Jesus Cristo? Deixe
seu coração ser manso, de paz e não de guerra. Precisamos tomar para nós
as palavras de Paulo aos colossenses: “Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus,
santos e amados, de ternos afetos de misericórdia, de bondade, de humildade, de
mansidão, de longanimidade.” (Cl 3.12).
Não deixe que uma afronta o ameace; seja você o afrontador da ofensa. Esse pensamento exprime a idéia de que você não deve permitir que uma
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ofensa o machuque a ponto de exigir um reação violenta da sua parte. Você
deve, sim, esmagar a ofensa com uma atitude mansa. Existe uam expressão
popular denomnada “tapa de luva”. Quando alguém lhe dirige impropérios e
você os retribui com cortesia e boa educação, a pessoa fica tão sem jeito que
muda completamente o tratamento para com você. “Farta-se de afronta”;
quanto mais você se mostrar com mansidão para o seus ofensores, mais a sua
alma se fartará de paz, porque o Senhor vai inundar a sua alma de alegria,
da paz que excede ao entendimento humano. Isso pode parecer ilógico, mas
“porque a loucura de Deus é mais sábia do que os homens; e a fraqueza de Deus é
mais forte do que os homens” (1Co 1.25). E que nós devemos caminhar segundo a Palavra de Deus e não segundo as palavras dos homens.
Precisamos estar dispostos a deixar que a vontade de Deus se sobreponha à nossa. Essa realidade que trouxe esperança ao coração de Jeremias
tem confirmação nas palavras de Jesus: “Ouvistes que foi dito: Olho por olho,
dente por dente. Eu, porém, vos digo: não resistais ao perverso; mas a qualquer que te ferir na face direita, volta-lhe também a outra; e, ao que quer
demandar contigo e tirar-te a túnica, deixa-lhe também a capa. Se alguém
te obrigar a andar uma milha, vai com ele duas.” (Mt 5.38-41). Tanto Jesus
quanto Jeremias nos ensinam a ser perdoados, e quem pode ser mais manso e mais humilde de coração do que alguém que está sempre pronto a
perdoar? Quem pode manifestar maior mansidão do que aquele que não
só perdoa, mas vai além, oferecendo amor e apresentando o Senhor por
meio do seu gesto? Se afirmamos amar o Senhor e nos denominamos filhos
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de Deus, jamais poderemos esquecer o que nos diz o nosso Mestre Jesus:
“Digo-vos, porém a vós outros que me ouvis: amais os vossos inimigos, fazei
o bem aos que vos odeiam; bendizei aos que vos maldizem, orai pelos que vos
caluniam [...] e emprestai, sem esperar nenhuma paga; será grande o vosso
galardão, e sereis filhos do Altíssimo. Pois ele é benigno até para com os ingratos e maus.”(Lc 6.27-28, 35).
Não colecione ofensas como se elas fossem um bem precioso, do qual
você não pode se dispor. Se você as guardar, elas estarão alimentando a sua
alma com alimento venenoso que contaminará todo o seu corpo. Tenha uma
índole pacífica propensa à brandura.
Mas se você está preso a um poço de amargura, agora é a hora para sair
dele. Assim como Jeremias, você deve dizer: “Eu não quero mais me contaminar com a água amarga desse poço. Quero ser diferente, quero trazer à memória algo que me possa trazer esperança.” Deixe o ódio e a indiferença de lado. O
ódio é ativo, a indiferença é passiva. Porém o resultado de ambos é o mesmo.
O Senhor é a nossa esperança e alegria! Faça assim e experimentará uma paz
incrível, que você nem mesmo acredita que possa existir – é a paz de Deus,
conforme está escrito: “Alegrai-vos sempre no Senhor, outra vez digo: alegraivos. Seja a vossa moderação conhecida de todos os homens. Perto está o Senhor.
Não andeis ansiosos de coisa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas, diante
de Deus, as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de graças. E a
paz de Deus, que excede todo entendimento, guardará o vosso coração e a vossa
mente em Cristo Jesus. Finalmente, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que
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é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o
que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que
ocupe o vosso pensamento [...] e o Deus da paz será convosco.” (Fp 4.4-9).
Você precisa deixar que o seu coração seja dominado pelo perdão. Não
importa o tipo de afronta, o perdão precisa ser liberado por maior e mais dolorosa que seja a ofensa. Podem ser aquela pessoa que o feriu tanto, roubando
o seu esposo ou a sua esposa; ou alguém que desencaminhou sua filha, aquele
seu colega de trabalho quem lhe roubou a promoção... Libere o perdão e livrese de tudo o que esteja corroendo o seu coração. Não vale a pena sofrer em vão.
Se você tivesse uma brasa viva em suas mãos, a sua atitude natural não seria
jogá-la ao chão e não mais a tomar para si? Assim, pois, devem ser os nossos
atos de perdão: naturais, espontâneos e irrecobráveis. A Palavra diz e nunca
é demais repetir: “Quero trazer à memória o que me pode dar esperança.” No
entanto, perceba que a esperança e a paz estão condicionadas à sua atitude de
perdoar. Dê a face a quem o fere. Farta-se de afrontas, diga não a guerra. Não
transforme as suas ações em reações violentas para com os que o ferem. Em
vez de você provocar chamas de iras, transforme-se em mananciais de vida,
em cujas águas o calor das afrontas recebe o frescor da brandura e se extingue,
dando lugar ao vapor aromático do perdão. “Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a terra.” (Mt 5.5).
Deus é conosco
A sexta realidade que Jeremias nos mostra para restaurar a nossa espe33
rança é a compaixão divina. Assim está escrito: “O Senhor não rejeitará para
sempre; pois, ainda que entristeça a alguém, usará de compaixão segundo
a grandeza das suas misericórdias; porque não aflige. Nem entristece de bom
grado os filhos dos homens.” (Lm 3.31-34). O Senhor não permite que a nossa tristeza dure para sempre, porque o seu amor por nós é muito grande. Ele
se compadece da nossa infelicidade. Ele é o Emanuel, o Deus conosco, o Deus
presente, o Deus da proximidade. A nossa esperança debilitada é restaurada
quando percebemos que servimos ao Deus da justiça. E “eis que a mão do Senhor não está encolhida, para que não possa salvar; nem surdo o seu ouvido,
para não poder ouvir” (Is 59.1). Ele vê a nossa vida como ela realmente é; Ele
conhece a história e os homens, Ele conhece tudo. Deus nos vê com compaixão, mas os nossos pecados nos separam de Deus. “Mas as vossas iniqüidades
fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o seu
rosto de vós, para que vos não ouça.” (Is 59.2). Por isso, embora não seja do seu
agrado, é necessário que Ele nos repreenda e nos corrija. Se somos disciplinados é porque somos amados. O Senhor quer nos dar a coroa da vitória, mas Ele
só a dará aos aprovados, aos que o ama e que suportaram com perseverança
as provações (Tg 1.12).
“Portanto, também nós, visto que temos a rodear-nos tão grande nuvem
de testemunhas, desembarcando-nos de todo peso e do pecado que tenazmente nos assedia, corramos, com perseverança, a carreira que nos está proposta,
olhando firmemente para o autor e consumador da fé, Jesus, o qual, em troca da
alegria que lhe estava proposta, suportou a cruz, não fazendo caso da ignomí34
nia, e está assentado à destra do trono de Deus. Considerai, pois, atentamente,
aquele que suportou tamanha oposição dos pecadores contra si mesmo, para
que não vos fatigueis, desmaiando em vossa alma. Ora, na vossa luta contra o
peado, ainda não tendes resistido até ao sangue e estais esquecidos da exortação
que, como a filhos, discorre convosco: Filho meu, não menosprezes a correção que
vem do Senhor , nem desmaies quando por ele és reprovado; porque o Senhor
corrige a quem ama e açoita a todo filho a quem recebe. É para disciplina que
perseverais (Deus vos trata como filhos); pois que filho há que o pai não corrige?”
(Hb 12.1-7).
É a Jesus que devemos imitar, e Ele perseverou em todas as provações,
sem pecar. Devemos trazer à nossa memória a compaixão do Senhor, o seu
amor em nos corrigir, porque a sua disciplina é para a vida e produz maturidade espiritual. Traga à sua memória o fato de que uma coroa o espera e que,
depois de recebê-la, você tomará o seu lugar de assento nas regiões celestiais
com Cristo Jesus. Veja o que está escrito nos versos de 34 a 36: “Pisar debaixo
dos pés a todos os presos da terra, perverter o direito do homem perante o Altíssimo, subverter ao homem no seu pleito, não o veria o Senhor?” Deus vê todas as
coisas. Jeremias estava vivendo aquela situação de injustiça. Acaso Deus não
estaria vendo? Creia, Deus vê essa situação de injustiça na sua vida, na sua
família, no seu emprego... não tema nem se desanime porque Ele vê e julga
todas as coisas. “Deus é justo juiz, Deus que sente indignação todos os dias [...]
o Senhor é o nosso juiz, o Senhor é o nosso legislador, o Senhor é o nosso Rei; ele
nos salvará.” (Sl 7.11; Is 33.22). Ele retribui a cada homem conforme as suas
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obras. É uma questão de tempo. É uma questão de você crer nisso. Ele fará
justiça na hora certa. Muitas vezes, você duvida que Deus esteja vendo o que
você está sofrendo. Ele está vendo, espere. Existe a hora de Deus. Não pense
que o Senhor se esqueceu de você: “Longe de Deus o praticar ele a perversidade,
e do Todo-poderoso o cometer injustiça. Pois retribui ao homem segundo as suas
obras e faz que a cada um toque segundo o seu caminho.” (Jó 34.10-11).
O nosso Deus é longânimo. Ele é paciente e tem grandeza de alma. Usando um vocabulário bem popular, podemos dizer que Ele tem um “estopim longo”, e usando as palavras da Bíblia podemos afirmar: “Benigno e misericordioso
é o Senhor, tardio em irar-se e de grande clemência.” (Sl 145.8). Você está se
sentindo injustiçado? Anime-se porque Ele fará justiça, e a sua intervenção
transformará em justiça todas as injustiças cometidas contra você. Traga à sua
memória a grandiosa, a extraordinária realidade de que Deus é com você! O
Senhor está todo o tempo ao seu lado, mais do que isso, você é a habitação
do Deus vivo. Nada pode ser mais confortador do que isso. Confie no Senhor
e na sua compaixão; Ele é a nossa força, a nossa paz, a nossa justiça, o nosso
guia... Ele é o tudo da nossa vida! Tome para você estas palavras de Davi. Elas
foram inspiradas pelo Espírito de Deus e agora falarão direito ao seu coração.
Deleite-se com a unção do Senhor que elas emanam: “Não te indignes por causa dos malfeitores, nem tenhas inveja dos que praticam a iniqüidade. Pois eles
dentro em breve definharão como a relva e murcharão como a erva verde. Confia
no Senhor e faze o bem; habita na terra e alimenta-te da verdade. Agrada-te
do Senhor, e ele satisfará os desejos do teu coração. Entrega o teu caminho ao
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Senhor, confia nele, e o mais ele fará. Fará sobressair a tua justiça como a luz e o
teu direito, como o sol ao meio-dia. Descansa no Senhor e espera nele, não te irrites por causa do homem que prospera em seu caminho, por causa do que leva a
cabo os seus maus desígnios. Deixa a ira, abandona o furor; não te impacientes;
certamente, isso acabará mal. Porque os malfeitores serão exterminados, mas
os que esperam no Senhor possuirão a terra. Mais um pouco de tempo, e já não
existirá o ímpio; procurarás o seu lugar e não acharás. Mas os mansos herdarão a
terra e se deleitarão na abundância de paz.” ( Sl 37.1-11).
Reconheça a soberania de Deus
A sétima verdade que trouxe esperança ao coração de Jeremias foi a indiscutível soberania de Deus. O Senhor aquece a nossa esperança como fogo
do Espírito Santo. Jeremias tinha apenas um filete de esperança, porém essa
tênue esperança estava em Deus. Como já vimos, a esperança no Senhor em
nada nos confunde, porque o amor de Deus é derramado em nossos corações,
por isso Deus pôde agir no coração do profeta. Quando Jeremias trouxe à sua
memória a soberania de Deus, ele se lembrou de que Deus está sobre tudo e
sobre todos. Nada foge ao seu controle. Ele é soberano. Então o profeta abriu
os lábios e declarou: “Quem é aquele que diz, e assim acontece, quando o Senhor
o não mande? Acaso, procede do Altíssimo tanto o mal como o bem?” (Lm 3.3738). A soberania do Senhor intervém na história do homem para mudar a sua
realidade.
Apesar de a soberania do Senhor ser irrestrita, Jeremias deixa uma per37
gunta no ar. “Será que Deus provoca o mal?” Tiago diz em sua carta que Deus
não é a fonte do mal. “Ninguém, ao ser tentado, diga: Sou tentado por Deus;
porque Deus não pode ser tentado pelo mal e ele mesmo a ninguém tenta.” (Tg
1.13). Deus é soberano, então por que tanta confusão no meio do povo de
Deus? Precisamos entender a vontade soberana do Senhor por dois ângulos:
o primeiro é o da vontade diretiva de Deus, que é a sua vontade, boa, perfeita e agradável; o segundo é a vontade permissiva do Senhor que envolve a
nossa própria vontade. Quando a nossa vontade não está atrelada à vontade
do Senhor, a vontade diretiva de Deus encontra obstáculo em nossa vida. Isso
acontece porque Deus, por escolha própria, não invade o nosso livre-arbítrio.
Para exemplificar, tomemos o caso hipotético (porém comum) de uma jovem
que insiste em se casar com um jovem que ainda não entregou sua vida ao
controle de Cristo. Insiste, insiste e se casa. Essa não é a vontade diretiva do
Senhor para a sua vida, pois sua atitude está em total desacordo com a vontade diretiva do Senhor expressa em sua Palavra: “Não vos ponhais em jugo
desigual com os incrédulos; porquanto que sociedade pode haver entre a justiça e a iniqüidade?Ou que comunhão, da luz com as trevas?” (2Co 6.14). O que
aconteceu foi pela vontade permissiva de Deus, o que não impedirá que ela
sofra as conseqüências do seu ato. É muito importante que tenhamos o entendimento da soberania do Senhor para que os nossos olhos espirituais sejam
abertos e o nosso coração se encha de esperança. Foi isso que Jeremias fez: ele
trouxe à memória a soberania de Deus e percebeu que o seu sofrimento não
era causado pelo Senhor. Você também precisa saber que Deus não é causa da
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sua desesperança, pelo contrário, é o Senhor que sustenta a sua vida. Ele reina
absoluto e, muitas vezes, todas as maldições do diabo e todas as desgraças que
ele planeja para a sua vida, o Senhor as transformam em bênçãos. O amor e a
soberania do Pai muitas vezes se manifestam desta forma: fazendo com que
todos os fatos contribuam favoravelmente para os seus amados. Determinadas
circunstâncias se transformam em agentes de execução da vontade de Deus,
assim como o adubo animal é usado para que uma planta floresça; o cheiro
pode não ser aromático, mas o resultado é compensador. Isso aconteceu com
o povo de Israel: “Porquanto não tinham saído ao encontro dos filhos de Israel
com pão e água; antes, assalariam contra eles Balaão para os amaldiçoar; mas o
nosso Deus converteu a maldição em bênção.” (Ne 13.2).
E Jeremias continua dizendo: “Por que, pois, se queixa o homem vivente?
Queixe-se cada um dos seus próprios pecados. Esquadrinhemos os nossos caminhos, provemo-los e voltemos para o Senhor.” (Lm 3.39-40). Esta expressão “homem vivente” é muito interessante. Não bastava que ele dissesse “homem”?
Claro, porque para que alguém se queixe de alguma coisa precisa estar vivo.
Mas, ao falar “homem vivente”, o profeta traz à sua memória que o singular
fato de se estar vivo vale mais que tudo. A vida é uma dádiva de Deus e tem de
ser reconhecida como tal. O seu maior patrimônio é exatamente a sua vida, é
o sangue correndo em suas vidas, é seu coração pulsando; e que, se pecamos,
somos corrigidos, e esta correção é para o nosso bem. Assim como Jeremias,
precisamos trazer à nossa lembrança que temos o privilégio de nos voltarmos
para o Senhor. Se ao examinarmos, à luz da Palavra, os nossos caminhos e
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verificamos que eles são maus, temos a oportunidade para nos arrependermos
e nos voltarmos para Deus. Se assim não fosse não estaria escrito: “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos
purificar de toda injustiça.” (1Jo 1.9).
“Por que, pois, se queixa o homem vivente?” Pare de se queixar de tudo.
Jeremias escreve todo um livro só com lamúrias. Mas em certo momento ele
diz: “Basta! Queixe-se cada um dos seus próprios pecados.” Queixe-se de seus
próprios pecados, não se queixe das circunstâncias, não comece a transferir a
culpa para os outros quando a responsabilidade é sua, apenas sua. Mas também de nada adiantará se queixar e não tomar nenhuma atitude. Volte-se
para Deus, porque “todas as veredas do Senhor são misericórdia e verdade para
os que guardam a sua aliança e os seus testemunhos” (Sl 25.10).
“Quero trazer à memória o que me pode dar esperança.” A sua vida está
no controle da soberania de Deus. Reaja! Vida na desesperança é sepultura.
Viva na esperança, crendo na intervenção do Senhor. Creia que o Senhor é misericordioso, é fiel, que Ele é bom e cheio de compaixão. Reconheça-o como
soberano! Não fique se queixando de tudo. Faça conhecidas diante de Deus
as suas aflições e, acima de tudo, deixe que apenas você e Ele conheçam a sua
intimidade, as suas questões mais pessoais. Manifeste a dor por seus próprios
pecados, receba o perdão de Deus e volte-se para Ele.
Quero trazer à memória o que me pode dar esperança! Quem sabe você
esteja como o profeta Jeremias, lamentando e lamentando... Talvez esteja vivendo um tempo difícil, delicado, e sua vontade seja largar tudo e, como Elias,
40
se esconder numa caverna, pensando em “chutar tudo para o alto”. Se a sua
única pergunta tem sido “será que vale a pena?”, saiba que, assim como Elias,
o Senhor lhe faz agora uma pergunta direta: “Que fazes aqui?” O Senhor quer
que você lhe fale sobre as suas aflições. Ele que você saia da caverna e recomece uma nova vida na sua presença. Nossa vida é marcada por recomeços.
Vale a pena recomeçar, receber do Senhor uma página nova, investir a Palavra
de Deus em si mesmo. Vale a pena! Olhe para Jesus agora e perceberá que
seu coração ficará encharcado de esperança, a despeito de toda e qualquer
circunstância. Contudo, não basta olhar para Jesus, se Ele não estiver vivo em
seu coração, reinando absoluto na sua vida. Por isso, se você ainda não o recebeu em seu coração, faça-o agora mesmo, porque há muito tempo Ele está
batendo à sua porta: “Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha
voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele, comigo.” (Ap
3.20). Abra a porta e receba-o com alegria; Ele quer ouvir o seu convite para
entrar. Jesus quer ouvir a sua confissão de fé, “porque com o coração se crê para
justiça e com a boca se confessa a respeito da salvação” (Rm 10.10), e Ele mesmo
confessará você diante do Pai. Foi Ele quem disse: “[...] todo aquele que me confessar diante dos homens, também eu o confessarei diante de meu Pai, que está
nos céus; mas aquele que me negar diante dos homens, também eu o negarei
diante de meu Pai, que está nos céus.” (Mt 10.32-33). Abra agora o seu coração
e a sua boca e confesse:
“Senhor Jesus, até hoje eu não ouvia a tua voz, mas agora eu a ouço e
meu coração exulta de alegria. Quero que entres na minha vida e nela reines
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absoluto. Admito que sou pecador e que preciso do teu perdão e da tua salvação. Reconheço-te como filho de Deus, como meu único e suficiente Salvador.
Peço-te que escrevas o meu nome no Livro da Vida, porque a partir de hoje eu
só trarei à minha memória o que me pode dar esperança. A minha maior fonte
de esperança é o fato de tê-lo como meu Senhor e Salvador. É o que eu te peço.
Em teu nome. Amém.”
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Conclusão
M
uitas vezes, vivenciamos situações terríveis e nos encolhemos em
nossa vida espiritual. Por causa disso, a nossa alma fica amargu-
rada e todo o corpo adoece. Se o nosso espírito se enfraquecer, corremos o
sério risco de nos abatermos seriamente. Lamentar não é a solução. Precisamos trazer à memória o que pode nos dar esperança. A Palavra de Deus é uma
fonte inesgotável de riquezas que podem encher a nossa alma de esperança
e de alegria. Entretanto, lembrar dos atributos de Deus nos faz sentir seguros,
protegidos e fortes.
Lembrando-nos das misericórdias de Deus, porque elas são a causa de
não sermos consumidos. Saber que o Senhor é misericordioso nos conforta
o coração, porque que Ele não nos olha segundo os nossos pecados, mas de
acordo com a sua graça e as suas infinitas misericórdias. Outra lembrança que
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nos fortalece é o fato de que Deus é fiel. Temos, assim, a garantia de que todas
as suas promessas se cumprirão em nossa vida. Deus zela sobre a sua palavra
para cumpri-la e Ele não pode negar-se a si mesmo. A fidelidade do Senhor nos
faz recordar a Nova Aliança feita por meio do sangue de Jesus, derramado na
cruz do calvário. Fomos redimidos e temos um novo Senhor, fiel até as últimas
conseqüências.
Se trouxermos a bondade do Senhor à nossa memória ficaremos extasiados de alegria, pois o Senhor é bom e tudo o que Ele faz é perfeito. Podemos,
então, descansar e esperar confiantemente nele, porque na sua onisciência Ele
sabe o que é bom para cada um de nós.
Lembrar que o jugo de Jesus é leve e suave nos traz alegria. Todos os
nossos sofrimentos serão amenizados pela certeza de que o Senhor conhece o
nosso coração e que por isso não precisamos ficar ansiosos. Podemos aguardar
em silêncio a sua resposta, que virá na hora certa. Basta que não nos tornemos
inflexíveis e soberbos.
Recordar a mansidão de Jesus nos faz ficar mansos e agradáveis. Lembrar que o Senhor nos perdoou nos faz liberar o perdão, receber e promover
a alegria e a vida. A mansidão de Jesus nos motiva a ser mansos, e isso nos
garantirá a terra como herança.
Ao trazermos à memória a compaixão de Deus, a nossa alma se farta de
paz. Ele é um Deus presente que nos ama e nunca nos abandona. Saber que
temos um Juiz que julga retamente todas as questões e que Ele fará a nossa
justiça sobressair como a luz do meio dia nos traz segurança e paz.
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Trazer à memória a soberania de Deus nos faz sentir leves com o uma
pluma. Além do pecado, não temos nada com que nos preocupar, porque a
soberania de Deus nos garante que todas as coisas cooperam para o nosso
bem. É preciso apenas que cuidemos para que a nossa vontade seja como a
de Jesus: fazer sempre a vontade do Pai. Porque se o nosso querer não estiver
em sintonia com o de Deus, as conseqüências serão de nossa responsabilidade. O Senhor não viola a nossa vontade, porque Ele mesmo escolheu nos dar
o controle dela. Se reconhecermos a soberania de Deus em todos os nossos
caminhos, Ele endireitará as nossas veredas e todos os nossos caminhos serão
de vida e não de morte.
Por tudo isso, precisamos nos lembrar de que as misericórdias do Senhor
não têm fim, que elas se renovam a cada manhã. Precisamos decidir trazer à
memória somente aquilo que venha nos dar esperança. Não devemos olhar
apenas para as circunstâncias para que a desesperança não invada a nossa
alma, trazendo-nos desilusão, a apatia e, acima de tudo, a descrença.
O nosso coração deve estar aberto para que o Espírito Santo nos
convença de que Deus está conosco, que Ele é Emanuel, aquele que pode
transformar as desgraças em bênçãos para a nossa vida; que Ele é fiel, justo
e bondoso e, sobretudo, que precisamos ter intimidade com Ele, confiandolhe nossas preocupações. Se assim agirmos, receberemos de Deus a certeza
de que todos os nossos questionamentos serão respondidos. Devemos crer
e confiar, pois o Senhor se importa conosco e nos sacia como mais doce mel,
que é a sua Palavra.
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Devemos nos alegrar em Deus; Ele é o sustentador da nossa vida. Com
toda a nossa vida devemos render-lhe toda honra glória e louvor. Com humildade devemos agradecer-lhe pelo seu amor, personificado em Jesus, causa
maior da nossa esperança.
“[...] não foi mediante coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes
resgatados do vosso fútil procedimento que vossos pais vos legaram, mas pelo
precioso sangue, como de cordeiro sem defeito e sem mácula, o sangue de Cristo,
conhecido, com efeito, antes da fundação do mundo, porém manifestado no fim
dos tempos, por amor de vós que, por meio dele, tendes fé em Deus, o qual o
ressuscitou dentre os mortos e lhe deu glória, de sorte que a vossa fé e esperança
estejam em Deus.” (1Pe 1.18-21).
Você é de valor incalculável para o Senhor, “porque Deus amou ao mundo
de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não
pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3.16). Foi por amá-lo muito que Jesus entregou a sua vida na cruz.
Agora que você já sabe como trazer à memória o que lhe pode dar esperança, creio que o seu coração deve arder pela vontade de consagrar-se ao
Senhor, de entregar toda a sua vida ao controle de Jesus. Este é o fato que mais
nos dá esperança: pertencer a Jesus, ser Filho de Deus e herdeiro de todas as
suas promessas.
Abra o seu coração e confesse agora mesmo:
“Senhor Jesus, eu te entrego, nesta hora, o meu coração. Abro a porta da
minha vida para que o Senhor entre e reine absoluto. Reconheço que tu és o
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Filho de Deus e que somente por meio de ti eu recebo o perdão para os meus
pecados e tenho direito à salvação. Eu te confesso como meu único e suficiente
Senhor e Salvador e peço-te que escrevas o meu nome no Livro da Vida. Uma
aliança que trarei sempre à minha memória para que me dê esperança. Em
teu nome. Amém.”
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Uma publicação da Igreja Batista da Lagoinha
Gerência de Comunicação
Rua Manoel Macedo, 360 - São Cristóvão
CEP 31110-440 - Belo Horizonte - MG
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