Eletromagnetismo Antes de discutirmos as interações

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Eletromagnetismo – discussão dos conceitos
1
Eletromagnetismo
Antes de discutirmos as interações eletromagnéticas e o movimento de partículas
carregadas como conseqüência dessas interações, vamos discutir a dependência do
campo eletromagnético em relação ao tempo. Se considerarmos o campo
eletromagnético como uma entidade independente do tempo temos um campo
eletromagnético estático. Contudo, podemos também considerar o campo
eletromagnético como dependente do tempo. Podemos esquematizar da seguinte forma:
Eletromagnetismo
Lei da
Eletricidade
Lei do
de Gauss Magnetismo
de Gauss
Lei de
Ampère
Campos Eletromagnéticos
Estáticos ou
independentes do tempo:
carga elétrica em repouso ou
com velocidade constante em
campos elétricos ou
magnéticos estacionários
Lei de
AmpèreMaxwell
Lei de
Faraday
Lei de
AmpèreMaxwell
Campos
Eletromagnéticos
dependentes do
tempo: carga elétrica
acelerada em campos
elétricos ou magnéticos
variáveis
Para compreender melhor como essas relações se estabelecem, é preciso discutir a
noção de fluxo de campo vetorial. Para compreender esse conceito, também se torna
necessário compreender a noção de superfície gaussiana e de vetor de superfície.
Vamos a elas:
Eletromagnetismo – discussão dos conceitos
2
Fluxo de um campo vetorial
Considere uma superfície S colocada numa região do espaço onde existe um campo
vetorial E, conforma podemos verificar na figura abaixo.
Essa superfície pode ser dividida em infinitas áreas infinitesimais dA1, dA2, dA3, ... Podemos associar a
cada uma delas um vetor unitário u1, u2, u3, ... perpendicular a cada uma das respectivas áreas
infinitesimais. Cada linha do campo vetorial E forma um ângulo θi com o respectivo vetor unitário
(i=1, 2, 3, ...). Sendo assim, podemos definir o fluxo Φ do campo vetorial E através da superfície como
sendo:
Φ = E1dA1cosθ1 + E2dA2cosθ2 + E3dA3cosθ3 + ...
que na forma vetorial pode ser escrita como:
Φ = E1•u1dA1 + E2•u2dA2 + E3•u3dA3 + ...
Como se trata de uma soma de infinitas partes, podemos expressá-la através da integral:
=∫ E cos  dA=∫ E⋅u N dA
S
S
O índice S da integral indica que ela se estende por toda a superfície, ou seja, trata-se
de uma integral de superfície.
O fluxo através do elemento da superfície (dA) pode ser positivo ou negativo,
dependendo do ângulo θ ser menor ou maior que π/2, respectivamente. Assim, o fluxo é
máximo quando θ=π/2. [?] verificar esta afirmação.
Se a superfície é fechada, tal como uma esfera ou um elipsóide, um círculo é escrito
sobre o símbolo de integral:
=∮ E cos dA=∮ E⋅u N dA
S
S
Foi dado o nome de fluxo para a integral acima devido à semelhança com o conceito de
fluxo utilizado no escoamento de fluidos. No caso, o vetor E pode ser a representação
de um certo número n de partículas do fluido com velocidade v. Contudo, é preciso
esclarecer que a denominação fluxo para o campo eletromagnético não pressupõe que
haja movimento dos vetores.
Eletromagnetismo – discussão dos conceitos
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Fluxo do Campo Elétrico e Lei de Gauss
Se considerarmos uNdA = dA e E como sendo o vetor campo elétrico, fluxo do campo
elétrico pode ser expresso por:
 E =∮ E⋅d A=
q
0
É possível demonstrar que o campo elétrico através de uma superfície esférica
concêntrica com a carga é dado pela expressão:
E=
q
ur
2
4  0 r 
[?] demonstrar
Nessa expressão é possível notar que o campo elétrico nessa geometria varia com o
inverso do quadrado da distância.
Representação geométrica da lei do inverso do quadrado da distância
Quanto mais distante da fonte do
campo, menor será a intensidade
desse campo. Na figura, vemos quatro
linhas de força atravessarem uma área
quadrada a 1m de distância. As
mesmas quadro linhas, a 2m de
distância, atravessam uma área quatro
vezes maior, o que significa uma
intensidade menor na proporção do
inverso do quadrado da distância.
Representação gráfica das interações entre cargas elétricas
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Conservação da carga
Normalmente um corpo é neutro por ter quantidades iguais de cargas positivas e
negativas. Quando o objeto I transfere carga de um dado sinal para o objeto II, o objeto
I fica carregado com carga de mesmo valor absoluto, mas de sinal contrário. Esta
hipótese, formulada pela primeira vez por Benjamin Franklin, é considerada a primeira
formulação da lei de conservação de carga elétrica.
Quantização da carga
Em diversos problemas que serão abordados neste curso, assumiremos a existência de
cargas distribuídas continuamente no espaço, do mesmo modo como ocorre com a
massa de um corpo. Isto pode ser considerado somente uma boa aproximação para
diversos problemas macroscópicos. De fato, sabemos que todos os objetos diretamente
observados na natureza possuem cargas que são múltiplos inteiros da carga do elétron
onde a unidade de carga C , o coulomb, será definida mais adiante. Este fato
experimental foi observado pela primeira vez por Millikan em 1909.
A Lei de Coulomb
Em 1785, Charles Augustin de Coulomb, utilizando uma balança de torção, chegou à
conclusão de que a força entre duas cargas elétricas diminui com o inverso do quadrado
da distância.
A formulação precisa dessa força é dada pela expressão:
Ou considerando a expressão do campo elétrico:
F21=q1 E2
A figura que representa a interação elétrica entre duas cargas é:
Eletromagnetismo – discussão dos conceitos
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Note que as forças F12 e F21 formam um par ação-reação, fazendo com que seja válida a
3a. Lei de Newton.
A constante k aqui apresentada é equivalente a
1
, onde
4 0
0 é a permissividade
elétrica do vácuo. O valor da constante elétrica de Coulomb no Sistema Internacional é:
Princípio de superposição
Em situações mais gerais, quanto existem mais de duas cargas no vácuo, a experiência
mostra que vale o princípio de superposição, ou seja, a força sobre cada carga é a soma
vetorial das suas interações com cada uma das outras cargas. Portanto,
Considerando que a expressão
pode ser expressa por:
kq j
 r ji 2
rji representa o campo elétrico Ej, a força Fi
Eletromagnetismo – discussão dos conceitos
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Linhas de campo
É conveniente que tenhamos uma visualização qualitativa do campo elétrico. Esta
visualização pode ser feita introduzindo-se as chamadas linhas de campo. Tais linhas
possuem as seguintes propriedades:
•
As linhas são tangentes, em cada ponto, à direção do campo elétrico neste ponto.
•
A intensidade do campo é proporcional ao número de linhas por unidade de área de
uma superfície perpendicular às linhas.
Linhas de campo
As linhas de campo de uma carga puntiforme positiva e de uma carga puntiforme
negativa negativa apresentam a seguinte convenção:
Linhas do campo de uma carga puntiforme
No caso de um dipolo, as linhas de campo interagem da forma apresentada na figura a seguir:
Eletromagnetismo – discussão dos conceitos
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Linhas do campo de um dipolo
As linhas do Campo Elétrico e a Lei de Gauss
Vamos supor agora que possamos associar às figuras anteriormente apresentadas uma
superfície gaussiana, semelhante à da figura abaixo:
Para melhor compreensão do problema
vamos introduzir a noção de fluxo como
sendo o número de linhas de campo que
atravessam a superfície por unidade de
área. Em sua forma mais geral, a expresão
do fluxo é:
Onde ∣E⋅d A∣=E dA cos  , o que significa que quando o vetor E apontar para fora
da superfície, o fluxo Φ será positivo, e quando apontar para dentro, negativo. Se o
número de linhas que “entra” for igual ao que “sai”, o fluxo será nulo. Isso é o que
ocorre com a Lei de Gauss para o Campo Magnético.
Questão: utilizando a noção de fluxo e a Lei de Gauss,
demonstre que, quando o número de linhas que “entra”
na superfície gaussiana é igual ao número de linhas que
“sai”, o fluxo é nulo
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Potencial Eletrostático
Sabemos que uma partícula carregada, possuindo carga q0, sob a ação de um campo
N
 =q0 ∑ E j =q0 E

eletrostático será acelerada por uma força F
i=1
Em consequência, a energia cinética será aumentada ou diminuída. De onde vem a
energia adquirida ou perdida pela partícula? A resposta à esta questão nos leva a
introduzir o conceito de energia na descrição dos fenômenos eletromagnéticos.
A variação da energia cinética de uma carga elétrica, a exemplo do que acontece com
massas em campos gravitacionais, ocorre quando há realização de um trabalho.
Podemos conceber o trabalho realizado ao longo de uma trajetória. Se tomarmos um

 ⋅ds=q
 
elemento dessa trajetória, o trabalho será: dW = F
0 E⋅ds
Conceitualmente, esse trabalho correponde à variação da energia cinética da carga q0
entre dois pontos (1 e 2). Essa variação de energia pode ser expressa por:
2
2

2

r

⋅
ds
dr
1 1

⋅ds=k
K 2 – K 1=∫ q0 E
q0 q∫ 2 =k q0 q ∫ 2 =−k q 0 q
–
r2 r1
r
1
1
1 r

A figura a que se refere a expressão acima é:
Da mesma forma que para o campo gravitacional, o trabalho não depende do caminho
seguido pela carga, não importando que ela se desloque de 1 para 2 diretamente ou
através do caminho 3-4-5-6-7-8. Supondo uma trajetória geral para a carga q0
apresentada na figura:
Eletromagnetismo – discussão dos conceitos
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O trabalho pode ser expresso por:
c

 ⋅ds
W ca =∫ F
a
Onde são representados infinitos triângulos elementares abc que compõem a trajetória.
Somando todos os trabalhos Wca ao longo da trajetória o resultado deve ser nulo. Se
essa propriedade for verificada, dizemos que o trabalho se deve a forças conservativas.
Uma consequência imediata do anulamento do trabalho em um circuito fechado é que o
trabalho realizado entre dois pontos A e B quaisquer, não depende do caminho entre A
e B. Na figura a seguir, se partirmos do ponto A percorrendo duas trajetórias distintas
teremos:
W ABvermelho W BAazul =0 ;W BAazul =−W ABazul
W ABvermelho – W ABazul =0 ;W ABvermelho =W ABazul
Portanto, o trabalho entre os ponto A e B pode ser descrito pela expressão:
B
W AB =k q 0 q∫
A

dr
1 1
=−k q0 q
−
2
rB r A
r

o trabalho realizado por uma força conservativa só
depende da posição dos pontos inicial e final
Eletromagnetismo – discussão dos conceitos
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Considerando que entre os pontos A e B existe a possibilidade de realização de
trabalho, podemos afirmar que entre esses pontos existe uma energia potencial
eletrostática. Essa energia é dada por:
Podemos conceber também a existência de uma grandeza que expressa a energia
potencial por unidade de carga elétrica:
Essa grandeza V é denominada diferença de potencial eletrostático. A unidade de
medida dessa grandeza, dimensionalmente compatível com o J/C, é chamada de volt
(V). O potencial eletrostático em qualquer ponto no espaço é obtido quando se admite
que exista um ponto P0 onde V=0.
Vimos que o trabalho realizado pela força eletrostática de uma carga sobre outra carga
é dado pela equação
Utilizando a definição geral de diferença potencial eletrostático, teremos
Eletromagnetismo – discussão dos conceitos
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Convencionando-se que o valor do potencial é zero em rA=∞, podemos falar em
potencial em cada ponto produzido por uma carga puntiforme, como sendo dado por
Note que este potencial não muda de valor nos pontos de superfícies esféricas de raio r.
Em geral, superfícies onde o potencial tem sempre o mesmo valor são denominadas
superfícies eqüipotenciais. Na figura, representamos três superfícies eqüipotenciais A,
B e C.
C
A
B
Utilizando o princípio de superposição, o potencial produzido por N cargas puntiformes
qi, onde i=1,2,3,...,N, é dado por
onde o potencial, de cada carga, no infinito, foi posto igual à zero.
Eletromagnetismo – discussão dos conceitos
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Carga elétrica em movimento: a corrente elétrica
Prosseguindo a discussão sobre Campos Eletromagnéticos Estáticos ou Independentes do Tempo,
vamos analisar o fenômeno do fluxo de partículas carregadas através de um condutor.
Tal fluxo de partículas recebe a denominação de corrente elétrica.
Anteriormente, vimos que quando uma carga elétrica está sob a influência de um campo elétrico, surge
uma força de natureza elétrica que pode provocar a aceleração dessa carga. Sendo assim, para produzir
uma corrente elétrica, é preciso aplicar um campo elétrico num material portador de cargas elétricas
(condutor).
A intensidade de uma corrente elétrica é definida como sendo a carga elétrica que atravessa uma seção
transversal a esse condutor, por unidade de tempo. Sendo assim, se num tempo t, N partículas
carregadas, cada uma com carga δq, atravessam uma seção do meio condutor, e considerando q0=Nδq a
carga total desse fluxo de partículas, a intensidade de corrente elétrica I é dada por:
I=
Nδq q 0
=
t
t
Esse valor corresponde à corrente média através do condutor. Levada ao limite, quando t → 0, teremos
a corrente instantânea i:
i=
dq0
dt
A unidade de corrente elétrica, equivalente a C s-1, é denominada ampère (A).
Por convenção, adota-se o sentido da corrente como sendo o das cargas positivas, ou seja, o mesmo
sentido do campo elétrico. Em condutores metálicos, onde os portadores de carga são os elétrons
(carregados negativamente), pressupõe-se que a corrente flua no sentido oposto ao do campo elétrico.
A energia necessária para movimentar as carga elétrica é fornecida pelo campo elétrico. Se a diferença
de potencial nesse campo é ΔV=V-V0, podemos conceber que a energia por portador de carga δq é dada
por δq(V-V0). A energia total recebida por esse portadores é:
N δq  V =q0  V
Considerando que a energia fornecida por unidade de tempo é a potência necessária para manter a
corrente, podemos escrever:
P=
q0  V
=i  V
t
Eletromagnetismo – discussão dos conceitos
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Problemas - cargas elétricas em movimento
1) Sabemos que a velocidade de um elétron durante o movimento de agitação eletrônica num condutor
metálico à temperatura ambiente é da ordem de 105m/s, admitindo que a energia cinética de cada
elétron é dada por (3/2)kT, onde k é a constante de Boltzmann e T a temperatura do condutor em
kelvin. Quando ligamos um circuito elétrico, o funcionamento do aparelho a ele ligado parece
imediato. Porém, será que os elétrons “andam” tão rápido através dos condutores metálicos? E
porque observamos um certo aquecimento em condutores percorridos por correntes elétricas? Em
que situações podemos aproveitar esse efeito?
Conhecimentos necessários:
a) a intensidade da corrente elétrica ao longo de um condutor é dada por
i=
q
t
ou
i=
dq
dt
se
for tomada num determinado instante dt;
b) a corrente é determinada pela quantidade de carga elétrica que passa através da seção reta do
condutor, cuja área vale S, e que durante do tempo t percorre um comprimento l; isso determina um
fluxo de cargas elétricas através dessa seção;
[desenhe uma representação de condutor segundo essas características]
c) a corrente elétrica é constante dentro do condutor, sendo que esse fato é explicado pela
conservação da carga elétrica ( ∇⋅j=0 );
d) para que haja condução de corrente através do condutor, as cargas são submetidas a um campo
 , mantido ao longo do comprimento l do condutor; esse campo exerce sobre os
elétrico E
 =e E
 , mas essa força não produz, em média, uma aceleração, já que eles
elétrons uma força F
estão continuamento colidindo com os íons do condutor (na maioria dos casos, Cu +), dispostos em
forma de uma rede cristalina tridimensional; assim, parte da energia cinética dos elétrons se
transfere para os íons da rede cristalina, na forma de energia vibracional, fazendo com que a
velocidade desses elétrons seja constante;
e) em certos casos, utilizaremos o conceito de densidade de corrente
j= i S
S
, onde S é a área
de seção reta do condutor; note que a densidade de corrente é uma grandeza vetorial, sendo que a
direção considerada é a do vetor de superfície 
S ; assim, a corrente fica definida em termos
microscópicos por

i=∫ j⋅dS
;
f) a velocidade de arrastamento dos portadores de carga pode ser calculada em função da densidade
de corrente; considerando nSl como sendo o número de elétrons de condução por unidade Sl de
volume do condutor, podemos afirmar que o tempo de percurso da carga q=nSl e é dado
l
; com isso, podemos reescrever a expressão da corrente
v
q nSl e
i
j
; isolando a velocidade temos finalmente: v=
.
i= =
=
nSe ne
t
l /v
por
t=
elétrica:
Eletromagnetismo – discussão dos conceitos
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2) O modelo de movimento dos elétrons ao longo do condutor discutido no problema (1) nos remete a
uma outra discussão: se os elétrons transferem parte da sua energia cinética para a rede de íons do
condutor, isso se traduz num obstáculo à passagem da corrente elétrica, tendo inclusive como
conseqüência o aumento da energia de vibração dos íons, o que se traduz macroscopicamente em
aumento de temperatura. Sendo assim, verifique qual a propriedade física que está associada a esse
fenômeno. Verifique também se os materiais mantêm tal característica de maneira linear ou não.
3) Utilizando sua conclusão para o problema (2), verifique por que a lâmpada incandescente é
considerada menos econômica que a fluorescente, sendo que estimativas apontam que somente
cerca de 8 a 10% da energia que ela retira da fonte é convertida efetivamente em luz visível. Para
essa verificação é necessária a consulta ao assunto “espectro de radiação do corpo negro”, nos livros
que tratam de Física Moderna.
Caminho de resolução:
a) Obter a resistência da lâmpada a 20ºC, medindo a temperatura ambiente e a resistência da
lâmpada a essa temperatura, utilizando a expressão R=R0  R 0  T  . (A expressão foi
obtida a partir de = 0 0 T  , onde α é o coeficiente de variação da resistividade do
material por grau de temperatura.
b) Calcular a resistência da lâmpada em funcionamento, utilizando a potência dissipada e a tensão
nominal em que é ligada para obter a corrente elétrica que circula pelo filamento, valor este que
dividindo o valor da tensão fornece o valor da resistência.
c) Utilizando a expressão de variação da resistência em função da temperatura, obter o valor da
temperatura final do filamento.
d) Localizar no gráfico de radiância espectral (radiação do corpo negro) a curva correspondente à
temperatura obtida e verificar qual a porcentagem aproximada da área sob a curva que se situa na
faixa da radiação visível.
Eletromagnetismo – discussão dos conceitos
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Campo magnético criado por uma corrente elétrica
A partir de agora, trabalharemos com outra equação de Maxwell denominada lei de Ampère.
∮ B⋅d s =0 I 0 0  d E / dt  .
s
Contudo, neste primeiro momento restringiremos a abordagem à parte dessa Lei que é independente
do tempo:
∮ B⋅d s =0 I
,
s
ou seja, o campo magnético que circula ao longo de uma linha s é criado pela corrente elétrica I
que circula pelo condutor.
Se a corrente total que circula num condutor é I = q0/t, definiremos agora uma grandeza denominada
j=
densidade de corrente elétrica como sendo
I
S
, onde S é a área da seção transversal do
condutor. Ou seja, a densidade de corrente elétrica expressa a intensidade da corrente que atravessa
cada unidade de área S da seção transversal do condutor. Fazendo I = q0/t, temos:
I q0
j= =
S St
.A
quantidade total de carga q0 é dada pelo número n de cargas elementares δq contidas num volume SL.
Então:
I q0 n  q S L n δq L
j= = =
=
=n δq v
S St
St
t
.
j=n δq v
Como a densidade de carga j é um vetor, podemos escrever finalmente:
.

B
cuja direção cruze a direção do fluxo da corrente elétrica,
podemos definir um elemento de força
campo magnético. A expressão é:
devido à interação dessa carga em movimento com o
Se houver um campo magnético

dF

dF
 = j× 
=n δq v × B
B
dV
.
A força total sobre um elemento de volume dV é:
 = ∫ n δq v × 
F
B dV = ∫ j× 
B dV
Vol
Vol
.
Eletromagnetismo – discussão dos conceitos
16
Considerando dV= S dl, temos:
 =∫ j× 
F
B S dl
.
l
j S=I u
Como
, então:
 =I ∫ u × 

F
B dl= I l × B
,
l
ou considerando
j=n δq v
temos:
 =∫ n δq v × 

F
B S dl=q0 v × B
,
l
pois
∫ n δq S dl=q0
l
O produto vetorial
.
B
v × 
é dimensionalmente equivalente ao campo elétrico (verificar).
Para obter o módulo da força magnética, fazemos:
 ∣=q0 v B sen 
∣F
Então, podemos obter o módulo do vetor indução magnética ou campo magnético:
B=
F
F
=
q0 v sen  I l sen 
Ambas as expressões precisam do conhecimento do valor da força magnética. Porém, a partir da lei de
Ampère, podemos deduzir outra expressão para o campo magnético que seja independente da força.
A partir dessa lei, obtemos a lei de Biot-Savart.
Eletromagnetismo – discussão dos conceitos
17
Lei de Biot-Savart
O campo magnético produzido por um condutor carregado pode ser obtido através da Lei de Biot
Savart. Esta lei afirma que a contribuição dB
para o campo produzido por um elemento de
condutor

i dl
em um ponto P, a uma distância r do elemento de corrente, é:

dB=
Onde
r
 r
0 i dl×
4  r2
é o vetor que aponta do elemento para o ponto em questão. A quantidade
constante de permeabilidade, tem o valor
−7
4  .10 T m/ A
0
, chamada
.
Integrando a expressão acima, obtemos o campo magnético total produzido pela corrente I que circula
pelo condutor s:

B=
B=
ou em módulo:
 ×r
0 I dl
∮
4  L r2
0 I dl r sen 
∮ r3
4 L
Para uma corrente retilínea, a expressão acima se reduz a:
B=
∞
0 I
4r
0 I
2
∫ dl sen 
. Considerando
dl=2 r d 
, temos
−∞


0 I
B=
2 r d  sen   B=
sen  d 
∫
2∫
2 r 0
4r 0
B=−
Ou na forma vetorial:
0 I
cos −cos 0 
2 r

B=
0 I


2 r
B=
0 I
2 r
Eletromagnetismo – discussão dos conceitos
18
A partir dessa expressão, concluímos que o campo magnético é inversamente proporcional à distância
r, sendo suas linhas de força círculos concêntricos com a corrente e perpendiculares à mesma. Para
determinar o sentido do campo magnético utilizamos a regra da mão direita, fazendo com que o
polegar aponte o sentido da corrente elétrica enquanto os demais dedos indicam o sentido do campo
magnético.
No caso de uma corrente retilínea percorrendo um fio condutor, observamos o campo magnético, mas
nenhum campo elétrico. Isso acontece porque, além dos elétrons em movimento que produzem o
campo magnético, existem os íons positivos fixos do metal que não contribuem para o campo
magnético porque estão em repouso em relação ao observador, mas produzem um campo elétrico igual
e oposto àquele dos elétrons. Portanto, o campo elétrico total é zero.
Para o caso de íons se movendo ao longo do eixo de um acelerador linear, temos um campo magnético
e um elétrico. O campo elétrico em questão é correspondente a um fio carregado eletricamente, dado
pela expressão
 = r /2 0 r
E

B=
. A relação entre

B
e

E
0 I  2 0 r
 E

×
2 r r 
é dada por:
,
a qual simplificada fica:

B=
0  0 I
l× E


Questão para discussão: utilizando argumentos geométricos,
explique por que a lei do inverso do quadrado da distância não se
aplica para o campo magnético gerado por um condutor retilíneo
infinito percorrido por uma corrente.
Eletromagnetismo – discussão dos conceitos
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Força magnética entre correntes paralelas
Experimentalmente, observa-se que dois fios paralelos se atraem quando atravessados por correntes
com o mesmo sentido, e se repelem quando as correntes têm sentidos contrários. Suponhamos dois
condutores retilíneos e paralelos, conduzindo as correntes I1 e I2 de mesmo sentidos (figura 2).
A corrente I1 gera um campo magnético B1 (linhas de força circulares), que no ponto onde se encontra
o fio que conduz I2 é perpendicular a ele. A corrente I2 ficará sujeita a uma força F12, para a esquerda.
Analogamente, I2 gera em I1 o campo B2, que dá origem à força F21 sobre I1, para a direita.
As duas forças têm a mesma intensidade. A força por unidade de comprimento é diretamente
proporcional ao produto das intensidades das correntes e inversamente proporcional à distância entre as
correntes.
A interação entre correntes elétricas tem importantes aplicações práticas, como em alguns tipos de
motores elétricos, que funcionam a partir da interação entre uma bobina fixa e uma bobina giratória.
A expressão matemática da força de uma corrente sobre a outra é:
F12 =I 2∫  2× 
B dl 2
Mas
 2× 
B =−r B
B=
e
0 I 1
2 r
F12 =I 2∫ −r B dl 2
L2
F12 =I 2∫ −r
L2
0 I 1
0 I 1 I 2
 dl =−r
∫ dl
2 r 2
2 r L 2
2
F12 =−r
Esta expressão indica que as correntes
resultado obtido para a força
F21
I1
e
0 I 1 I 2
L2
2 r
I2
se atraem. Como o sistema é simétrico, o
é igual em módulo mas com sinal positivo. Contudo, como essa
força tem a mesma direção e sentido de
confirmar que:
r
, representa também uma atração. Assim, podemos
duas correntes paralelas no mesmo sentido atraem-se com
uma mesma força devido às suas interações magnéticas.
Como desafio, verifique se as correntes se repelem no
caso de estarem em sentidos opostos.
Eletromagnetismo – discussão dos conceitos
20
Campo de uma espira circular
Para esse caso particular, vale a mesma expressão do elemento de campo magnético

dB=

dB
:
 r
0 i dl×
4  r2
Quando o condutor L percorrido pela corrente I é uma espira circular fechada, o produto vetorial vec dl
times hat r se reduz a dl. A expressão assume a forma:
 0 i dl
dB=
2
4 r
Se decompormos o elemento de campo magnético em componentes paralela e perpendicular ao eixo da
espira, a integral das componentes perpendicular ao eixo se anula. A resultante de vec B fica por conta
da integral das componentes paralelas.
∮ dB z =∮ dB cos =
L
Se L é uma circunferência,
L
∮ dl=2 a
0 I a
a
dB=
∮ 4  r3 ∮ dl
r L
L
.
onde a é o raio da espira. A partir daí temos:
L
B=
0 I a
0 I a
4r
4r
dl=
3∮
L
3
2  a
,
o que finalmente resulta em:
B=
0 I a
2
2 r3
Se quisermos saber o valor do campo magnético em qualquer ponto do eixo z, fazemos
2
2 1/2
r=a z  . A expressão assume a forma:
B=
0 I a
2
2 a 2z 23 /2
Sabendo como obter o campo magnético de uma espira circular percorrida por uma corrente I, é
possível obter também o campo para um solenóide (conjunto de espiras coaxiais unidas).
Como desafio, determine a expressão do campo
magnético de um solenóide.
Eletromagnetismo – discussão dos conceitos
21
Espectrômetro de Massa
Com o espectrômetro de massa determina-se massas atômicas com grande precisão permitindo,
inclusive, distinguir as massas dos isótopos de um mesmo elemento. E descontando-se a massa dos
elétrons, determina-se, então, as massas dos núcleos correspondentes. No espectrômetro
esquematizado, uma fonte produz íons com carga elétrica Ze (positiva) e massa M e velocidades
variadas. Os íons entram numa região com um campo elétrico uniforme e um campo magnético
também uniforme, perpendiculares entre si, constituindo um filtro de velocidade. Desprezando-se a
força peso, sobre os íons atuam uma força elétrica e uma força magnética de mesma direção e sentidos
contrários, com módulos dados, respectivamente, por ZeE e ZevB. Atravessam o filtro apenas os íons
para os quais a força magnética e a força elétrica se cancelam mutuamente, isto é, íons com velocidade
bem determinada, de módulo v tal que:
ZeE=ZevB
ou:
v=
E
B
Saindo do filtro, esses íons entram numa região onde
existe apenas o campo magnético uniforme, de forma que
percorrem trajetórias circulares de raio R sob o efeito da força
magnética, que faz o papel de força centrípeta. Assim:
2
Mv
=ZevB
R
Das duas últimas expressões vem:
ZeRB
M=
E
2
Como se conhece a valor absoluto da carga do elétron, e, e o valor de Z, e se mede R, B e E, essa
expressão permite determinar M, a massa dos íons.
Problemas sobre campos elétricos e magnéticos
1.Um tubo de raios catódicos com desvio eletrostático possui um acelerador de elétrons com potencial
Va= 1500 V, distância entre as placas de desvio d = 10 mm, comprimento das placas L = 10 mm e
distância das placas à tela x = 300 mm. (a) Desenhe o esquema do tubo de raios catódicos, explicando
cada um dos itens. (b) Encontre o potencial Vd necessário para produzir um desvio de 10 mm.
2.Um próton em repouso é acelerado durante 1µs por um campo elétrico de 2 kV/m e então move-se
perpendicular a densidade de fluxo magnético B=200µT . (a) Encontre a velocidade do próton. (b)
Encontre o raio de curvatura. (As constantes das principais partículas atômicas deverão ser
pesquisadas).
3.Um elétron tem velocidade de 10 km/s normal ao campo magnético de densidade de fluxo igual a
0,1T. (a) Encontre o raio do elétron. (b) Calcule a freqüência do elétron.
4.Um tubo de raios catódicos com desvio magnético possui um acelerador de elétrons com V a = 1500
V. O campo magnético possui largura L = 20 mm e a distância do campo à tela é x = 300 mm. (a)
Desenhe o esquema do tubo de raios catódicos, explicando cada um dos itens. (b) Encontre a
magnitude da densidade de fluxo magnético necessário para desviar o elétron em 10 mm.
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