23 Revista de Ciência Veterinária e Saúde Pública Rev. Ciên. Vet. Saúde Públ., v. 3, n. 1, p. 023-029, 2016 Meningoencefalite Necrosante (MEN) (Necrotizing meningoencephalitis (MEN)) ALVES, Lys ¹; BARBOSA, Jessica¹; COSTA, Paula Priscila Correia ² 1 Discente de graduação do curso de Medicina Veterinária da Universidade Estadual do Ceará (UECE); Professora de Clínica Médica de Pequenos Animais da Universidade Estadual do Ceará (UECE). * Autor para correspondência [email protected]; 2 Artigo enviado em 05/07/2016, aceito para publicação em 17/08/2016 DOI: http://dx.doi.org/10.4025/revcivet.v3i1.32566 RESUMO A Meningoencefalite Necrotizante idiopática (MEN) é uma encefalopatia causada por uma disfunção inflamatória não supurativa de caráter necrotizante do sistema nervoso central (SNC), com etiologia ainda desconhecida, que foi inicialmente descrita em cães da raça Pug como a Encefalite do cão Pug, entretanto, diversos estudos comprovam que a MEN ocorre em outras raças também, como Maltês, Yorkshire Terrier, Chihuahua e Shitzu. Acredita-se que a etiologia da doença esteja relacionada a infecção viral e presença de anticorpos contra a proteína glial ácida (GFAP) do cérebro. A literatura tem apontado como sinais clínicos da doença: convulsões, letargia, anorexia, cegueira, andar em círculos, dor e rigidez cervical. O diagnóstico ante mortem é difícil, sendo geralmente necroscópico. Não existe tratamento específico para a doença e sim de suporte. Palavras-chave: Meningoencefalite; Necrosante; Encefalite ABSTRACT The meningoencephalitis idiopathic Necrotizing (MEN) is an encephalopathy caused by an inflammatory disorder nonsuppurative necrotizing character central nervous system (CNS), with unknown etiology first described in Pug breed dogs such as the Pug dog encephalitis, however several studies show that the MEN occurs in other breeds as well as Maltese, Yorkshire Terrier, Chihuahua and Shitzu. It is believed that the etiology of the disease is related to viral infection and the presence of antibodies to glial acidic protein (GFAP) of the brain. The literature has identified as clinical signs of disease: seizures, lethargy, anorexia, blindness, circling, pain and neck stiffness. The ante-mortem diagnosis is difficult, usually autopsy. There is no specific treatment for the disease but support. Key-words: Meningoencephalitis; Necrotizing; Encephalitis. INTRODUÇÃO A MEN ocorre em cães jovens adultos, A meningoencefalite necrosante idiopática machos e fêmeas, com média de início aos 27,5 meses (MEN) foi descrita primariamente em cães da raça Pug; de entretanto, diversos estudos comprovam que a MEN meningoencefalite ocorre em outras raças como Maltês, Yorkshire Terrier, intracranianas em Pugs (SILVA, 2001). De acordo com Chihuahua e Shitzu (CAMASSA, 2013). Apesar de a a literatura, a apresentação clínica é caracterizada por doença ainda ser de etiologia desconhecida, foi avulsões generalizadas e alterações mentais. Os sinais sugerido, em alguns estudos, um possível caráter adicionais são letargia, anorexia, cegueira, andar em genético ou auto-imune à doença em razão da síntese círculos, de anticorpos contra a proteína glial ácida (GFAP) e da comportamento presença obstáculos (CASIMIRO, 2015). de um agente infeccioso em casos idade. Entretanto, dor a idade necrosante de e rigidez de pressionar não outras cervical, a discrimina doenças além cabeça do contra diagnosticados (SILVA, 2001). Rev. Ciên. Vet. Saúde Públ., v. 3, n. 1, p. 023-029, 2016 24 Meningoencefalite Necrosante Para o diagnóstico definitivo da doença, é e fungos. Geralmente, as doenças inflamatórias tendem necessário o exame histopatológico do SNC, que deve a ter um início agudo, com distribuição no multifocal indicar processo inflamatório não supurativo e focos de ou difusa no SNC e, muitas vezes assimétrica. Os necrose na substancia branca e cinzenta do cérebro sinais neurológicos são variáveis e refletem a (SILVA, 2001). A ressonância magnética é o único localização do foco inflamatório (GONÇALVES, método de diagnostico ante mortem, porém esse não é 2016; CAMASSA, 2013). definitivo. A análise do liquido cefalorraquidiano (LCR) pode ser realizada e se caracteriza por Meningoencefalite necrosante ou encefalite do Pug infiltrados linfocitários (GONÇALVES, 2016). A meningoencefalite necrosante (MEN) é uma O tratamento da MEN é de suporte, uma vez doença inflamatória não infecciosa progressiva e que a evolução da doença é progressiva. É indicada a crônica que causa lesões necrotizantes no SNC. Essa terapia com corticosteroides em dose imunossupressora enfermidade era conhecida como encefalite dos Pugs. associada a determinados anticonvulsivantes como o Atualmente, já foi relatada em várias outras raças como fenobarbital em casos de convulsões (AMORIM, 2013; Maltês, Bichon, Chiuhuahua, Yorkshire, Shih-Tzu, CASIMIRO, 2015). O curso da doença geralmente é Papilon, fatal (SILVA, 2001). Também já foram reportados casos esporádicos noutras Coton de Tulear (CAMASSA, 2013). raças pequenas, como os Shih Tzus (GONÇALVES, Meningoencefalite 2016). As lesões são tipicamente encontradas no A meningoencefalite refere-se à inflamação do cérebro, com o envolvimento coerente das cérebro e das meninges envolventes e pode ter várias leptomeninges (termo que indica o conjunto das duas causas entre elas causas infecciosas e causas não- meninges mais internas, a aracnóide e a pia-mater) infeciosas, inflamatórias (AMORIM, 2013). O termo (CASIMIRO, 2015). Geralmente, esta doença está meningoencefalite de origem desconhecida (MOD) ou associada inflamatória, foi recentemente instituído de modo a predominantemente no córtex, mas a substância branca designar os casos em que os achados clínicos sejam subcortical também pode estar envolvida. Tem uma sugestivos de meningoencefalite de etiologia não predisposição forte para os hemisférios cerebrais, infecciosa, mas que carecem de análise histopatológica apresentando cavitação cerebral extensa, com uma para perda de demarcação entre a matéria cinzenta e branca obtenção de um diagnóstico definitivo (AMORIM, 2013; GONÇALVES, 2016). Neste grupo meningoencefalomielite meningoencefalite estão necrose não-supurativa, (CASIMIRO, 2015). incluídas granulomatosa necrotizante a a Etiologia (MEG), (MEN) A sua etiologia é desconhecida, no entanto e foram realizados estudos que sugeriam ser causada por leucoencefalite necrotizante (LEN) que se caracterizam um alfa-herpesvírus, baseando-se nas semelhanças por infiltrados inflamatórios assépticos, sendo estas histológicas clinicamente indistinguíveis entre si (CAMASSA, (GONÇALVES, 2016). Contudo, nunca se conseguiu 2013). A etiopatogenia destas patologias permanece isolar o vírus. ainda por esclarecer, mas estudos sugerem a existência com essa infeção em humanos Testes de PCR não conseguiram identificar o de um componente autoimune, mais concretamente DNA viral associadas com esses distúrbios uma reação de hipersensibilidade tardia mediada por (CASIMIRO,2015). Embora não se tenha conseguido células T (AMORIM, 2013). isolar nenhum vírus, esta possibilidade não foi As causas infeciosas incluem as que são descartada, já que as lesões em associação à MEN são provocadas por vírus, bactérias, protozoários, parasitas similares às observadas (PANIGASSI, 2011). A Rev. Ciên. Vet. Saúde Públ., v. 3, n. 1, p. 023-029, 2016 25 Meningoencefalite Necrosante etiopatogênese dessa doença pode estar relacionada a neurologicamente normais após o episódio convulsivo. causas foi As convulsões podem recidivar a intervalos variáveis identificado no LCR (liquido cefalorraquidiano) de de poucos dias a poucas semanas, seguidas do cães com MEN a presença de autoanticorpos contra a desenvolvimento de outros sinais clínicos atribuíveis proteína ácida fibrilar glial que parece ser um marcador ao córtex cerebral. Em geral, a sobrevida tem sido de específico nesse tipo de inflamação (GONÇALVES, apenas poucas semanas, no máximo menos de 6 meses 2016). a partir do momento da apresentação (COUTO, 2001; imunomediadas ou autoimunes. Já Alguns estudos também têm demonstrado um VIOLIN, 2006). forte padrão de herança familiar e fatores genéticos Os sinais clínicos de disfunção do cérebro associados ao desenvolvimento de MEN em cães de anterior (convulsões, circulando, obnubilação, déficits raças pequena (CAMASSA, 2013). A hipótese de visuais com reflexo pupilar normais, cabeça - causa autoimune pose ser reforçada pelo fato de que pressionando, etc.) predominam (CASIMIRO, 2015). anticorpos anti-GFAP já foram encontrados no LCR Essa enfermidade possui rápida progressão e alta (liquido cefalorraquidiano) de animais acometidos por mortalidade (CAMASSA, 2013). MEN, assim como os acometidos por MEG (PANIGASSI, 2011). Prognóstico O prognóstico tende a ser melhor para animais Sinais clínicos que apresentem a forma focal desta patologia, exceto A MEN ocorre mais frequentemente em cães quando se verifica a presença de convulsões. A jovens a adultos. Os principais sinais clínicos são administração de anticonvulsivantes está altamente convulsões, dor cervical, andar em círculos, andar recomendada em animais diagnosticados com epilepsia compulsivo e déficits visuais e outros sinais de sintomática. Em geral o prognóstico é reservado, e não disfunção 2013). estando disponível nenhum tratamento definitivo, Também pode estar presente dor no pescoço como uma normalmente é fatal (AMORIM, 2013; GONÇALVES, manifestação da inflamação nas meninges e sinais 2016). vestibulares no prosencéfalo centrais (CAMASSA, que são muitas vezes manifestados pelos animais de forma isolada ou em conjunto com outros sinais Diagnóstico neurológicos (GONÇALVES, 2016). As meningoencefalites inflamatórias idiopáticas devem ser diferenciadas de doenças Cães com a doença aguda apresentam um infecciosas, anomalias genéticas, doenças metabólicas, início súbito de convulsões e sinais neurológicos enfermidades idiopáticas, neoplasia e intoxicação associáveis ao cérebro e às meninges. Esses sinais através neurológicos progridem rapidamente e, no decorrer de (CAMASSA, 2013). cinco a sete anos, os cães desenvolvem convulsões de exames laboratoriais e de imagem Em muitos casos o diagnóstico ante mortem é incontroláveis ou ficam em decúbito, impedidos de presuntivo, andar e em coma, podendo progredir para o óbito em localização neuroanatômica da lesão e análise dos questão de dias a meses (COUTO, 2001; CAMASSA, exames. É ideal realizar um exame oftalmológico a 2013). todos os animais com sinais neurológicos, de forma a Cães com a forma da doença mais lentamente progressiva apresentam uma convulsão motora baseado nos sinais neurológicos, encontrarem-se alterações no fundo do olho ou uveíte, compatível com doença inflamatória (GONÇALVES, generalizada ou parcial, mas costumam mostrar-se Rev. Ciên. Vet. Saúde Públ., v. 3, n. 1, p. 023-029, 2016 26 Meningoencefalite Necrosante 2016). Os exames hematológicos, em geral, são normais. Achados do LCR são muitas vezes anormais; geralmente, uma pleocitose predominantemente ou Os achados hematológicos e bioquímicos exclusivamente mononuclear (70 a 600/tJL) com níveis séricos são insignificantes (COUTO, 2001). Por isso elevados de proteínas (50 a 200mg/dL) é evidente em alguns casos, as doenças inflamatórias idiopáticas (FERNANDES, do SNC também são chamadas e tratadas como predominância de linfócitos. Os neutrófilos são meningoencefalites de etiologia desconhecida, mesmo incomuns (CAMASSA, 2013). 2010; CASIMIRO, 2015), com não havendo confirmação histopatológica antemortem (CAMASSA, 2013). Exames de imagem Para além destes exames, pode-se ainda As imagens podem revelar herniação do proceder à citologia do LCR uma vez que esta fornece cerebelo através do forame magno e efeito de massa, mais alguma informação importante, como a presença e causando o tipo de pleocitose. Depois da citologia podem ainda (CAMASSA, realizar-se culturas do LCR para bactérias e fungos, computadorizada) poderá mostrar um foco hipodenso titulação de anticorpos e antígenos, e PCR (Polymerase no parênquima cerebral correspondente à área de chain reaction) do LCR (GONÇALVES, 2016). necrose compressão e 2013). aumento ventricular TC (tomografia A (GONÇALVES, 2016). Na ressonância A ressonância magnética é o único método de magnética é possível observar lesões hiperintensas, diagnostico ante mortem, porém esse não é definitivo. normalmente na substancia branca (CAMASSA, 2013). Para o diagnóstico definitivo da doença, é necessário o Essas exame histopatológico do SNC, que deve indicar prosencéfalo, afetando a substância branca e cinzenta, processo inflamatório não supurativo e focos de diminuem a demarcação entre estas, com variação de necrose na substancia branca e cinzenta do cérebro contraste (SILVA, 2001; CASIMIRO, 2015). deformam o volume dos ventrículos, e podem também O diagnóstico definitivo de doença lesões assimétricas aumentado em formação na GONÇALVES, 2016). anormal da linha leucocitária, multifocais imagens. Estas no lesões provocar desvios na linha média, podendo haver a inflamatória é baseado no aumento dos leucócitos, ou distribuição e de cavidades (FERNANDES, 2010; juntamente com aumento da concentração de proteína no LCR (CASIMIRO, 2015). Histopatológico O diagnóstico definitivo requer necropsia ou Analise do LCR biopsia Em alguns casos, a análise de LCR pode estar cerebral (COUTO, 2001). Os achados histopatológicos incluem inflamação não supurativa normal em casos confirmados de doença inflamatória, das se a inflamação não atingir as meninges ou o sistema principalmente por sua natureza necrotizante, com ependimário, ou se o animal tiver sido tratado com extensão para a substância branca subcortical (corona corticosteroides LCR radiata), substância branca cortical profunda (cápsula (GONÇALVES, 2016). A análise do líquido cérebro interna, tálamo), causando perda da delimitação entre espinhal (LCE) juntamente com exames de imagem substância branca e cinzenta nos hemisférios cerebrais. (tomografia computadorizada e ressonância magnética) É possível observar também extensa astrogliose e podem fornecer informações importantes sobre uma intensa necrose cortical com perda neuronal variável disfunção inflamatória no SNC e sugerir uma possível (CAMASSA, 2013). antes causa (CAMASSA, 2013). da colheita de meninges No e exame meningoencefalite do cérebro, histopatológico, não-supurativa, caracterizada observa-se caracterizada Rev. Ciên. Vet. Saúde Públ., v. 3, n. 1, p. 023-029, 2016 27 Meningoencefalite Necrosante principalmente, por sua natureza necrotizante, pela sinais clínicos, mas podem ser necessárias doses presença de manguitos perivasculares, microgliose, imunossupressoras para resolver os casos de doença neuronofagia e evidência de intenso sofrimento imunomediada neuronal, representado pelos neurônios fantasmas, protocolos terapêuticos que incluam imunossupressores envolvendo substância cinzenta e branca do córtex aliados aos corticosteróides apresentam uma taxa de (VIOLIN, 2006). Por meio do exame necroscópico, sucesso marcadamente superior (COUTO, 2001). (CASIMIRO, 2015). Em geral, podem ser visualizadas áreas pseudocísticas no córtex Um estudo revelou que cães tratados com cerebral. Com a realização de cortes coronais, pode-se citosina arabinosídeo (CA) em combinação com observar aumento ventricular, achatamento cortical e corticosteróides atingiam remissão parcial ou total e malácia (VIOLIN, 2006). apresentavam uma taxa de sobrevivência média de 531 dias Tratamento (AMORIM, 2013). Estudos adicionais demonstraram que de 11 cães sujeitos a protocolos com Não existe tratamento especifico para essa CA (50 mg/m2 SC BID, dois dias consecutivos) a cada doença. O tratamento instituído tem por base a terapia três semanas e prednisona (1-2 mg/kg PO BID), 10 imunossupressora, mesmo sem a obtenção de um deles diagnóstico O apresentando uma taxa de sobrevivência de 58% ao fim prognóstico é variável e depende da causa de de dois anos de terapia (AMORIM, 2013). Alguns inflamação, da sua extensão e da gravidade dos défices autores obtiveram sucesso inédito com o tratamento de neurológicos. Alguns défices neurológicos podem vários casos de suspeita de MEN com o uso do persistir apesar do tratamento, devido aos danos micofenolato de mofetil (CASIMIRO, 2015). definitivo (AMORIM, 2013). responderam positivamente ao tratamento, irreversíveis que possam ter ocorrido (GONÇALVES, Em relação aos corticoides, é importante 2016). A resposta à corticoterapia é altamente variável salientar que eles não alteram a evolução da doença. e insuficiente em muitos dos casos, mas animais não Conforme a doença progride, o tratamento passa a ser sujeitos ineficaz ou os sinais interictais tornam-se muito graves a apresentam tratamento imunossupressor prognóstico desfavorável agressivo (AMORIM, e o cão tem de ser sacrificado (COUTO, 2001). 2013). O tratamento feito com glicocorticóides e Meningoencefalites necrosantes (MEN e LEN) anticonvulsivantes (se apresentar convulsões) deve ser Esta categoria de encefalite inflamatória não- tentado (CASIMIRO, 2015). A combinação terapêutica infecciosa, inclui dois distúrbios patologicamente com distintos referidos como meningoencefalite necrosante outros procarbazina, imunomoduladores citosina arabinosídeo, (ciclosporina, lomustina, (NME) e leucoencefalite necrosante (NLE) micofenolato mofetil, azatioprina) ou radioterapia na (CASIMIRO, 2015). Historicamente eram referidas forma terapia como encefalite do cão Pug e encefalite necrosante do implementada, permitindo ainda a redução da dose de Yorkshire Terrier, respectivamente, tendo sido já corticosteróides a longo prazo (AMORIM, 2013). reportadas em outras raças de pequeno porte, daí a focal, aumentam o sucesso da Nos casos de meningoencefalite infeciosa utilização da nomenclatura associada a alterações deve-se escolher o antibiótico adequando a cada micro- existentes no SNC sejam as mais recomendadas organismo. Se concluir que a etiologia não é infeciosa, (FERNANDES, ou se o animal não responder à antibioterapia, deve-se contra antígenos astrocíticos foi demonstrada durante a iniciar corticoterapia (GONÇALVES, 2016). A dose meningoencefalite necrosante. Ambos os distúrbios são anti-inflamatória pode ser suficiente para aliviar os semelhantes, são caracterizados por lesões múltiplas 2010). Auto-anticorpos dirigidos Rev. Ciên. Vet. Saúde Públ., v. 3, n. 1, p. 023-029, 2016 28 Meningoencefalite Necrosante não supurativas necróticas cavitárias inflamatórias manifestar sinais clínicos. Muitos estudos ainda são cerebrais que envolvem a matéria cinzenta e branca necessários para se conhecer melhor a fisiologia da (FERNANDES, 2010). doença. Considerando Em MEN, as lesões são tipicamente reproduzida que essa ainda não experimentalmente, é de foi grande encontrados no cérebro, com o envolvimento coerente importância relatar casos de animais que são cometidos das leptomeninges (termo que indica o conjunto das de duas meninges mais internas, a aracnóide e a pia- veterinários, em mater). A apresentação da cavitação cerebral é extensa, familiarizados com os sinais clínicos da MEN. Muitos com uma perda de demarcação entre a matéria cinzenta diagnósticos podem ser negligenciados ou até mesmo e MEN equivocados, considerando que a maioria das doenças (CASIMIRO,2015). No caso da MEN os sinais neurológicas se manifesta com sinais clínicos que neurológicos poderão ser evidentes a partir dos seis muitas vezes se entrecruzam. branca é tipicamente vista na forma natural. Os profissionais médicos- sua maioria, ainda não estão meses até os sete anos, com uma média de 29 meses de idade (LEVINE et al., 2008). Enquanto na LEN poderá REFERÊNCIAS variar entre os quatro meses e dos dez anos, sendo a AMORIM, C.A.A. Relatório final de estagio mestrado média de ocorrência nos quatro a cinco anos de idade integrado em medicina veterinária. Medicina e (FERNANDES, 2010). cirurgia de animais de companhia. Instituto de A LEN é caracterizada por lesões semelhantes ciências biomédicas Abel Salazar. Universidade do que frequentemente envolvem o tronco cerebral, para Porto. Porto, 2013 além do cérebro, com o envolvimento menos CAMASSA, consistente das leptomeninges e córtex cerebral (isto é, inflamatórias não infecciosas no sistema nervoso principalmente matéria branca) (CASIMIRO, 2015). central de cães. Veterinária em Foco, v.11, n.1, Yorkshire Terriers com LEN têm sido relatados entre jul./dez. 2013 as idades de um e dez anos. Estes cães geralmente CASIMIRO, R. Practical Guide to Canine and experimentam uma doença crônica, progressiva piora Feline Neurology. 3ª edição. EUA: Curtis W Dewey da disfunção neurológica ao longo de vários meses. DVM M.S, 2015. 209p. Wiley-Blackwell Além de sinais clínicos de disfunção do cérebro COUTO, C.G. Oncologia. In: NELSON, R. W.; anterior e dor de garganta, Yorkshire Terriers com Medicina interna de pequenos animais. 2 ed. Rio de LEN muitas vezes exibem sinais clínicos de disfunção Janeiro: Guanabara Koogan. 2001, p. 791 e 792. do tronco cerebral (doença vestibular, por exemplo, FERNANDES, F.A.N. Convulsões secundarias em central) (CASIMIRO, 2015). Já no caso dos Yorkshire cães. Mestrado integrado de medicina veterinária. Terriers, para além dos sinais prosencefálicos, esta Ciências veterinárias. Universidade de trás-os-montes e também se pode manifestar através de sinais que alto dourado vila real. 2010. apontam para lesão no tronco cerebral (GONÇALVES, GONÇALVES, C.N.C.B. Sindrome vestibular em 2016). animais de companhia: estudo retrospectivo de 29 J.A.A. Diogo, C.C. Doenças casos clínicos. Universidade de Lisboa. Faculdade de CONCLUSÕES Conclui-se que a MEN pode ocorrer em cães medicina veterinária. Lisboa, 2016. PANIGASSI, L.F.N. Encefalopatias não infecciosas sem doenças neurológicas anteriormente relatadas e em cães: avaliação anatopatológica e que apresentam bom estado nutricional, assim como a imunohistoquimica. Dissertação (pós-graduação) - enfermidade pode ocorrer isoladamente, pois os demais Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da do canil, pertencentes à mesma raça, podem não Universidade de São Paulo. São Paulo, 2011 Rev. Ciên. Vet. Saúde Públ., v. 3, n. 1, p. 023-029, 2016 29 Meningoencefalite Necrosante SILVA, G.M.M; et al. Meningoencefalite necrosante KOGIKAI, M.M.; MACHADO, G.F.; MAIORKA, em cão pug: relato de caso. Anais III SIMPAC – P.C. Meningoencefalite necrotizante de cão Maltês. Volume 3 – n1 – Viçosa-MG – jan.-dez.-2001 – p310- Departamento de clínica médica. São Paulo-SP. Brasil. 316 Maio. 2006. VIOLIN, K.B.; QUEIROZ, F.Y.M.; RAMOSI, A.T.; N.G.T.; HOSOMII, AMARALI, H.A.; Rev. Ciên. Vet. Saúde Públ., v. 3, n. 1, p. 023-029, 2016