Ano XV Nº 63 jul 2013

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GRATUITA
ano XV | nº 63 | julho de 2013 - distribuição gratuita
Uma irmã gêmea
para o
SOL
Cientistas da UFRN localizaram a estrela
CoRoT Sol 1 na Constelação de Unicórnio
Página 12
Extensão
Seminário
PROFLETRAS
Programa leva estudantes para
A educação é reconhecida como
Coordenadora do programa
vivências práticas em municípios
o motor do desenvolvimento nas
defende atenção no ensino da
do interior do RN
esferas pública e privada
Língua Portuguesa
Páginas 6 e 7
Página 9
Página 11
INOVAÇÃO
Projeto Um Robô por Aluno quer estimular interesse
pela tecnologia entre estudantes brasileiros
Por Juliana Holanda
T
er um robô. Um sonho que está
próximo de se tornar realidade para
alunos de todo o Brasil. De baixíssimo custo, a estrutura será montada pelos
próprios estudantes, que poderão usar o
dispositivo para auxiliá-los no estudo de
outras disciplinas curriculares.
A iniciativa é dos pesquisadores do Laboratório NatalNet da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), que
têm o objetivo de utilizar a robótica educacional para difundir o interesse por tecnologia em todos os níveis de ensino no País.
Coordenador do NatalNet, Luiz Marcos
Garcia Gonçalves explica que o grupo pretende levar o projeto um Robô por Aluno
para todas as escolas brasileiras. “A facilidade de construção dos robôs é grande. Os
professores passarão por um treinamento
e poderão trabalhar com as turmas, adaptando as dificuldades do sistema para cada
nível de ensino”, afirma.
Além disso, o baixo custo do material
que será utilizado para a construção dos
robôs permite que a técnica seja popularizada. Atualmente, kits de robótica chegam a ser comercializados por valores
acima de R$ 1 mil, inviabilizando a difusão
da tecnologia. “A ação do NatalNet vai promover a inclusão social e tecnológica dos
jovens brasileiros”, analisa Luiz Gonçalves.
Alunos de Natal, Mossoró e Caicó já
começaram a criar seus robôs. “É muito
gratificante trabalhar com crianças e jovens
e saber que a gente pode mudar a realidade
de um estudante ao incentivar o interesse
pela robótica”, destaca o professor da Escola de Ciências e Tecnologia da UFRN
Aquiles Medeiros Filgueira Burlamaqui.
Ao criar robôs de baixíssimo custo para
serem utilizados na educação, o grupo bus-
ca minimizar a carência de profissionais na
área tecnológica no Brasil. “A gente tem que
incentivar, mostrar, levar a tecnologia para
a base da educação”, enfatiza Burlamaqui.
O aluno do curso de Bacharelado em
Ciências e Tecnologia da UFRN Diogo
Felipe Silva Costa participa dos testes para
confecção de robôs de baixo custo. O estudante explica que as réplicas podem ser
feitas em até duas horas. “É só aprender o
passo a passo”, conta.
Diogo Costa ressalta que o grupo deseja promover a preservação do meio
ambiente e busca conscientizar os jovens
por meio da prática. “Nossos próximos
projetos envolvem a ecorrobótica. Vamos
utilizar material reciclável, como papelão,
para montar produtos ecologicamente
corretos”, diz.
Estudante do Bacharelado em Ciências e Tecnologia da UFRN, Gabriel Tojal
Gadelha de Freitas é o responsável pela
fabricação das placas eletrônicas. O produto é a única parte do robô que deve ser
enviada pronta para as instituições. “É um
processo manual, que utiliza solda, talvez
até um pouco complexo para uma criança
conseguir fazer”, explica.
Gabriel relembra que não tinha nenhum conhecimento sobre produção
de placas e foi o primeiro da equipe a se
aventurar. “Cada grau de ensino tem um
potencial que pode ser desenvolvido com
a robótica. Para os universitários, a construção das placas agrega muitos conhecimentos”, analisa.
O professor do Instituto Metrópole
Digital da UFRN Rafael Vidal Aroca fez
o seu doutorado na área de robótica educacional e enfatiza que é possível utilizar as estruturas para incrementar aulas.
“Podemos direcionar o uso dos robôs em
atividades do cotidiano escolar dos jovens,
aumentando o interesse dos alunos pelos
estudos e principalmente pela área tecno-
Anastácia Vaz
lógica”, descreve.
O professor Aquiles Burlamaqui explica que o laboratório NatalNet está desenvolvendo uma ferramenta para trabalhar
a robótica educacional de forma remota e
a custo zero. A ideia é criar um ambiente
virtual em três dimensões para ser utilizado pelas pessoas que não tenham acesso a
robôs. “O robô virtual pode ser controlado
pela internet de maneira colaborativa, com
várias pessoas controlando o sistema ao
mesmo tempo”, afirma.
EXPEDIENTE
Reitora Ângela Maria Paiva Cruz
Vice-reitora Maria de Fátima Freire de Melo Ximenes
Superintendente de Comunicação José Zilmar Alves da Costa
Diretor da Agência de Comunicação Francisco de Assis Duarte Guimarães
Jornalistas Antônio Farache, Cledna Bezerra, Enoleide Farias, Hellen
Almeida, Juliana Holanda, Luciano Galvão, Marcos Neves Jr., Regina Célia Costa
Fotógrafos Anastácia Vaz e Wallacy Medeiros
Revisão Regina Célia Costa e Karla Jisanny
Foto de capa Wallacy Medeiros
Diagramação Setor de Artes/Comunica
Bolsistas de Jornalismo Auristela Oliveira, Catarina Freitas, Gaston Poupard, Ingrid
Dantas, João Paulo de Lima, Kalianny Bezerra, Natália Lucas, Rozana Ferreira, Silvia
Paulo, Thalita Sigler, Thyara Dias
Bolsista de Letras Karla Jisanny
Arquivo Fotográfico Saulo Macedo (bolsista)
Endereço Campus Universitário - Lagoa Nova, Natal/RN - CEP 59072-970
Telefones (84) 3215-3116/3132 - Fax: (84) 3215-3115
E-mail [email protected] – Home-page www.ufrn.br
Impressão EDUFRN Tiragem 3.000 exemplares
Jornal da UFRN
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ano XV | nº 63 | julho de 2013
Anastácia Vaz
Núcleo de Prática
Jurídica: objetivo é
aproximar estudantes de
Direito da comunidade
DIREITO
Núcleo de Prática Jurídica da UFRN presta serviço
à comunidade e promove aprendizado aos estudantes
Wallacy Medeiros
Por kalianny bezerra
F
oi só com 21 anos, quando entrou na Universidade Federal do
Rio Grande do Norte (UFRN), no
curso de Psicologia, que Emily Mel se
descobriu transexual. “Posso ter nascido
XY, mas sou mulher”, afirma. Sobre seu
nome de registro, responde: “Eu não falo
meu nome de registro para ninguém!”.
O nome Emilly Mel Fernandes Souza, é exibido nos documentos de uso
interno da Instituição, como no Sistema Integrado de Gestão de Atividades
Acadêmicas (SIGAA), graças à Resolução nº 232/2012-Consepe, da UFRN,
norma que assegura ao aluno cujo nome
oficial não reflita sua identidade de
gênero a possibilidade do uso de outro
nome nos registros acadêmicos.
Mas, segundo a estudante, mesmo
com a mudança de seu nome social
dentro da UFRN, é difícil conviver com
o preconceito da sociedade. “É constrangedor estar numa fila, ouvir chamar
o nome de um homem e eu ter que me
levantar. As pessoas que estão ao meu
redor ficam curiosas e confusas. No fim,
eu viro alvo de olhares”, conta.
Por isso, no início de 2013, a estudante procurou o Núcleo de Prática
Jurídica (NPJ) da UFRN, espaço que
oferece assistência jurídica gratuita para
pessoas com baixa renda, auxiliando e
prestando atendimento à população carente. Ela pleiteia com a ajuda do Núcleo
a mudança de seu prenome e sexo nos
Professor João Paulo Melo: pensão
alimentícia, separação e guarda de menor
são petições comuns
documentos oficiais.
O coordenador do Núcleo de Prática
Jurídica da UFRN e professor do Departamento de Direito Privado, João Paulo
dos Santos Melo, explica que casos como
o de Emilly Mel chegam ao NPJ com menos frequência. As ações mais recorrentes
são aquelas que envolvem família. “São
mais usuais petições do tipo pensão alimentícia, separação e guarda de menor”.
O Núcleo exerce um papel duplo
Jornal da UFRN
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dentro da Universidade. Além de colocar o aluno dentro de atividades de
extensão, presta um serviço social para
a comunidade. Participam do NPJ estudantes que estejam cursando o 9º e o 10º
período do Curso de Direito. “O Núcleo
ajuda a colocar em prática tudo aquilo
que foi aprendido durante a graduação”,
explica o professor.
Essa prática do “exercício simulado
com casos reais” acaba fazendo muitos
estudantes desenvolverem aptidões necessárias e voltadas para o mercado de
trabalho, muitas vezes colaborando para
que os estudantes descubram sua vocação.
É o caso de Bárbara Patriota. Segundo ela, atuar num caso de verdade fez
ela se aproximar da advocacia. “Nunca
tinha cogitado advogar, mas o caso da
Emilly Mel me fez gostar muito de trabalhar nesse ramo do Direito. Foi e está
sendo um aprendizado imenso”, destaca.
Até o momento, a ação de Emilly
Mel Fernandes Souza não foi concluída.
Atendendo solicitação judicial, a transexual está fazendo uma série de exames
para compor um laudo técnico. “Não
vou desistir de lutar pelos meus direitos.
E sei que vou poder contar com muitas pessoas para realizar meus sonhos,
como o pessoal do NPJ”, diz.
Em 2013, até o momento, o NPJ
atendeu 200 pessoas. Em 2012, foram
545 atendimentos. Segundo o professor João Paulo, do total, 67 processos
foram finalizados em 111 audiências
realizadas de janeiro a dezembro. “É
importante ressaltar que essas pessoas
que nos procuram passam por uma en-
ano XV | nº 63 | julho de 2013
trevista na qual avaliamos se ela está
dentro dos requisitos estabelecidos
para atendimento. Por exemplo, se ela
recebe menos de dois salários mínimos”, acrescenta.
História
O Núcleo de Prática Jurídica (NPJ)
da Universidade Federal do Rio Grande
do Norte (UFRN), surgiu com o objetivo
de aproximar os estudantes de Direito e a
comunidade carente da cidade de Natal,
por meio da assistência jurídica gratuita.
Criado em 1º de julho de 1963, por Otto
de Brito Guerra, então diretor e professor da antiga Faculdade de Direito, o
Núcleo se espelhava na prática judiciária
da Pontifícia Universidade Católica do
Rio de Janeiro (PUC-RJ).
O espaço ocupado pelo NPJ, logo
quando criado, foi o antigo prédio da
Faculdade de Direito de Natal, localizado no Bairro da Ribeira, e um dos
primeiros coordenadores foi o advogado
Diógenes da Cunha Lima.
Com a transferência do Curso de Direito para o Campus Universitário, em
1974, ele foi reestruturado, passando a
se chamar Setor de Prática Jurídica, vinculado ao Centro de Ciências Sociais
Aplicadas. No dia 7 de abril de 1998, por
intermédio da Resolução Nº 017/98 –
CONSEPE foi reformulado para Núcleo
de Prática Jurídica do Curso de Direito.
Hoje, o Núcleo tem sua sede localizada no Setor I do Campus Universitário.
O prédio conta com quatro pavimentos,
divididos em 17 salas, auditório e sala
para a Pós-Graduação de Direito.
DIREITO
NOTAS
Cientec
O
professor
Maurício Fontinele,
do
Curso
de
Design da UFRN,
foi o vencedor do
concurso de cartaz
da 19ª Edição da
Semana de Ciência,
Tecnologia e Cultura da Universidade
Federal do Rio Grande do Norte –
CIENTEC 2013. O concurso contou com
15 candidatos e o vencedor recebeu um
Notebook HP Core i3.
Inspiração
Sobre a criação do cartaz o vencedor
comentou: “Eu utilizei na imagem as
cores verde e amarelo, que representam
o momento vivido no país, e realizei
uma fusão entre a temática da CIENTEC
(Educação e Esporte) com os ideais de
Paulo Freire. Este ano o educador está
sendo festejado pelos 50 anos de sua
estada no Rio Grande do Norte.
Educação
A dislexia fonológica, a interpretação da
leitura e o problema do analfabetismo no
Brasil são questões da educação que serão
abordadas no programa Café Filosófico, da
TV Universitária, a ser exibido no dia 1º de
agosto. O programa terá a participação
da professora ngela Naschold, do CERES/
Caicó, pós-doutoranda do Instituto do
Cérebro (ICe) com pesquisas nas áreas:
Leitura, Literatura Ficcional - Aprendizagem
Enativa - Metáfora - Teoria do Espaço de
Trabalho Consciente.
Conferência
A UFRN está à frente da organização
da Conferência Estadual do Rio Grande
do Norte, marcada para os dias 27 e 28
de agosto, com a participação de 600
delegados, tendo como tema “O Plano
Nacional de Educação (PNE) na Articulação
do Sistema Nacional de Educação:
Participação popular, cooperação federativa
e regime de colaboração”. O Documento
Final servirá de subsídio para a Conferência
Nacional de Educação (CONAE/2014).
Interessados no assunto podem saber mais
em: http://conae2014.mec.gov.br.
Curso Técnico da Escola de Enfermagem de Natal capacita
profissionais para gerenciar sintomas do estresse
Wallacy Medeiros
Por Auristela Oliveira
P
ensando na melhoria da qualidade
de vida da população e obedecendo
as diretrizes da Política Nacional de
Promoção da Saúde e de Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PNPIC),
instituídas pelo Ministério da Saúde, foi
criado em 2009, na Escola de Enfermagem
de Natal (EEN) da Universidade Federal
do Rio Grande do Norte (UFRN) o Curso
Técnico em Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (TPICS).
O curso tem dois anos de duração, com
aulas de terça a sexta-feira, das 7h ao meio
dia, e oferece uma grade curricular voltada
ao ensino de práticas de caráter não invasivo, que permitem o gerenciamento dos
sintomas do estresse com a utilização de técnicas das medicinas tradicional e chinesa,
como escalda pés, yoga e Lian Gong.
De acordo com a professora Andréa
Viana, da Escola de Enfermagem, muitas
doenças presentes no corpo humano advêm
da mente. Por isso, as técnicas aprendidas
no curso podem ser utilizadas em integração com tratamentos prescritos por médicos. Por exemplo, em pacientes submetidos
a tratamentos de quimioterapia podem ser
aplicadas técnicas de massagem como Lian
Gong – massagem relaxante chinesa, que
ajuda o paciente a ficar mais calmo, aumentando a chance de êxito do tratamento.
Atualmente, o TPICS possui cerca de
60 alunos matriculados. A primeira turma
concluiu a formação no segundo semestre
de 2012 com 42 novos profissionais. No mês
de agosto deste ano, acontece a formatura
da segunda e a entrada de mais 40 estudantes nas salas de aula do curso.
Segundo Andréa Viana, o curso vem
registrando grande procura por parte de
profissionais já formados na área de saúde,
como enfermeiras, dentistas e terapeutas
ocupacionais, visando ampliar os seus campos de atuação. Mas, também, podem se
inscrever pessoas que tenham concluído o
ensino médio, mesmo sem serem portadoras de diplomas de cursos técnicos.
Andréa Viana: curso registra grande procura por profissionais já formados na área de saúde
Na opinião de Andréa, o diferencial
do curso é que o campo de atuação profissional é bem vasto, incluindo hotéis, clubes,
academias, ambientes de saúde auxiliando
médicos e enfermeiros (hospitais, clínicas),
spas, centro-dia (asilos, apoio psicossociais), além de empresas públicas e privadas,
em projetos de qualidade de vida. Também
é possível abrir seu próprio centro de terapias, só não podendo prescrever tratamentos medicamentosos, prerrogativa exclusiva
do médico graduado.
Com uma mistura de teoria e prática, o
curso proporciona um aprendizado profícuo e está abrindo portas para os estudantes.
Hotéis da cidade sempre estão contratando
massagistas especializados em técnicas
como bambuterapia. “Isso é ótimo. Demonstra que o nosso trabalho está surtindo
efeito”, afirma a professora.
EXTENSÃO
A coordenação e os professores do
TPICS também incentivam os estudantes
a participarem de projetos que visem a
melhoria de qualidade de vida tanto na
Universidade como em hospitais da cidade. No Hospital Universitário Onofre
Lopes (HUOL) e no Hospital Monsenhor
Walfredo Gurgel (HMWG), há alunas que
aplicam técnicas de massagens relaxantes
em pacientes e em funcionários para ajudar a aliviar os sintomas do estresse.
Também há alunas que utilizam os conhecimentos adquiridos em sala de aula para
proporcionar melhoria de vida a comunidades mais carentes da cidade. Assim faz
Naldete Nogueira, aluna do último período
do curso. Às quartas-feiras, ela atende no
Centro de Lazer para Idosos (CAUME) da
Cidade da Esperança com Lian Gong, técnica integrativa que pode ser aplicada em
grupo de 40 idosos. Já nas quintas-feiras, à
tarde, ela atende com auricoloterapia (alfinete na orelha) e com massagem de acupressão uma faixa de 10 idosos.
“Você ouve de uma idosa que antes não
se agachava para amarrar um saco de lixo, e
depois do Lian Gong consegue fazer. Outro
vem e diz que não conseguia dormir com
dores resultante da bursite, mas depois das
massagens dorme melhor. Essas declarações
são gratificantes”, afirmou Naldete.
Para Naldete, o curso lhe ensinou a arte
de cuidar primeiro de si para depois cuidar dos outros. E não só a qualificou como
profissional, mas a tornou um ser humano
melhor. Ainda segundo ela, as práticas não
cuidam das doenças instaladas, mas trabalham para que elas não gerem crises.
Cícero Oliveira
Aniversário
Com o apoio da Unimed, por meio da Lei
Djalma Maranhão de Incentivo à Cultura,
a Superintendência de Comunicação
(COMUNICA) organiza show gratuito com
a Velha Guarda da Portela, no dia 31 de
Julho, dentro das Comemorações dos 40
anos da TVU. O show acontecerá no Teatro
Riachuelo.
Jornal da UFRN
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ano XV | nº 63 | julho de 2013
ENSINO
Graduação em Libras realiza seu primeiro vestibular
e abre caminho para maior inclusão no Rio Grande do Norte
Wallacy Medeiros
Por Marcos Neves Jr.
J
ulho de 2013 ficará marcado de forma especial na memória acadêmica da Universidade Federal do Rio
Grande do Norte (UFRN). Isso porque,
ao início do segundo semestre letivo
deste ano, começa a história da habilitação em Língua Brasileira de Sinais/
Língua Portuguesa na graduação de
Letras da UFRN.
Com o objetivo de formar docentes
para o ensino de LIBRAS nos anos finais do ensino fundamental, no ensino
médio e na educação superior, o curso
tem duração de quatro anos e meio,
sendo ministrado completamente na
linguagem de sinais, exigindo dos estudantes proficiência tanto nesta quanto
em língua portuguesa.
Segundo dados da Federação Nacional de Educação e Integração dos
Surdos (FENEIS), aproximadamente
25 milhões de brasileiros apresentam
surdez adquirida ou congênita. Desse
total, apenas 15% se declararam entendedores da língua portuguesa. No
Rio Grande do Norte, dentro desse
contexto, 70% das pessoas com deficiência auditiva e surdez não conhecem Libras.
“Estimativas como essas apontam
para a necessidade de um resgate das
pessoas com deficiência auditiva e
surdez da marginalização linguístico-educacional”, afirma Claudianny
Amorim Noronha, diretora de desenvolvimento pedagógico da Pró-Reitoria
de Graduação (PROGRAD) da UFRN.
Com isso, apresenta-se um desafio:
preparar uma estrutura que garanta a
essa população as condições de ter os
direitos básicos à comunicação, à informação e à educação atendidos de
maneira integral.
Nesse sentido, o Ministério da Educação (MEC) propõe abrir, até 2014,
por meio do Plano Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência (Viver
sem Limites), 27 cursos de Letras-Libras para professores e mais 27 para
tradutores e intérpretes, além de 13
cursos de Pedagogia, com ênfase na
educação bilíngue (Libras- Português).
Em consonância com esta proposta,
a UFRN encaminhou anteprojeto de
criação do curso Letras – Licenciatura
em Língua Brasileira de Sinais/Língua
Portuguesa em agosto de 2012. Após a
análise desse documento, a Secretaria de
Claudianny Amorim: LIBRAS é a vigésima opção mais concorrida entre 86 oferecidas em 2013
Educação Superior do MEC emitiu parecer favorável à abertura da graduação.
De acordo com o projeto aprovado,
serão oferecidas 40 vagas anuais. Em
seu primeiro processo seletivo, realizado entre maio e julho, o curso teve
uma procura que o posiciona como a
20ª opção mais concorrida entre as 86
possíveis em 2013. Inscreveram-se 463
candidatos, dos quais 40 se declararam
surdos, resultando numa demanda de
11,58 por vaga.
Tal procura é avaliada de maneira
positiva pela Diretoria de Desenvolvimento Pedagógico da PROGRAD, que
considera esses números uma mostra do
quão grande é a demanda existente nessa
área, fato que já justificaria a criação do
curso. Porém, esta não foi a única motivação para a abertura da habilitação.
Mesmo trabalhando para contri-
Jornal da UFRN
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buir com as metas do governo federal,
a preocupação com as questões que
dizem respeito à inclusão aparecem,
antes disso, no Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI) 2010-2019
da UFRN.
Estão propostas no documento a
“formação de instrutores de Libras e
treinamento de professores bilíngues
(Libras/Língua Portuguesa)”, “aprovação de professores surdos para compor
o seu quadro docente permanente” e
“disponibilização de equipamentos e
acesso às novas tecnologias de informação e comunicação, bem como recursos didáticos para apoiar a educação de deficientes auditivos”.
Diante desse cenário, segundo
Claudianny, a criação da habilitação
em Libras se justifica pela predisposição da UFRN em ampliar sua ação
ano XV | nº 63 | julho de 2013
inclusiva, por meio do estabelecimento
de um conjunto de medidas focadas na
participação de pessoas surdas na sociedade e pela carência de profissionais
para um ensino qualificado e diferenciado para a grande demanda dessa
população no Estado do Rio Grande
do Norte.
“O curso de Letras com habilitação
em Libras/Língua Portuguesa, pelas
próprias características do seu público,
amplia o desafio da UFRN de intensificar e incorporar em suas rotinas
acadêmicas e administrativas práticas
voltadas para atender às necessidades
das pessoas com deficiência auditiva e
surdez”, explica a diretora.
Para o professor Ricardo Lins, da
Comissão Permanente de Apoio a Estudantes com Necessidades Educacionais Especiais (CAENE) da UFRN, o
curso reflete o conjunto de ações afirmativas da Instituição e é um marco
na academia. “Este momento é de uma
relevância social histórica, pois se cria
uma perspectiva não só de educação,
mas de cidadania para a população
surda do estado”, afirma.
Educação de surdos
Embora a questão seja alvo recorrente de debates, preconceitos e carências atualmente, a inclusão da população surda na escola teve seu início
no século XIX no Brasil. Em 1857, é
fundada a primeira escola para surdos
no país, o Colégio Nacional para Surdos-Mudos. Após algumas mudanças
de nome, em 1957, é batizado definitivamente como Instituto Nacional de
Educação de Surdos (INES).
Foi lá que nasceu a Língua Brasileira de Sinais, do encontro entre as línguas de sinais brasileira e francesa. No
entanto, em 1880, um congresso realizado na cidade de Milão, na Itália,
obteve como resolução a aplicação da
linguagem oral como método mais adequado e eficaz na aquisição do idioma, gerando a discordância de surdos e
diversos pesquisadores da área.
Contudo, depois de pouco mais de
um século de lutas, mais precisamente
em 1993, a comunidade surda brasileira conseguiu apresentar projeto de lei
que oficializasse e regulamentasse a
Libras como meio de comunicação de
surdos e mudos. Finalmente, em 24 de
abril de 2002, a lei 10.436 torna a Libras
a segunda língua oficial em território
brasileiro, garantindo o reconhecimento à comunicação dessa população.
EXTENSÃO
Estudantes deixam as salas de aula e vão em busca do conhecimento prático no Trilhas Potiguares
R
ecesso acadêmico não significa,
necessariamente, estímulo ao ócio.
Nesse mês de julho, mais de 500
alunos da Universidade Federal do Rio
Grande do Norte (UFRN) deixaram os livros em casa, seus bancos em suas salas de
aula e foram em busca do conhecimento
prático, da troca de experiência, da convivência harmoniosa entre os diferentes
saberes no Trilhas Potiguares, programa
de extensão da Universidade, que este ano
realiza sua sua décima segunda edição,
no entender da professora Maria da Conceição Fraga, pró-reitora adjunta de Extensão, “a maior edição de todos os tempos”.
Executado pela UFRN desde 1996, o
programa Trilhas Potiguares tem como
meta realizar uma efetiva interação entre
a Universidade e comunidades de pequenos municípios do Rio Grande do Norte,
com até 15.000 habitantes. O objetivo é
“propor novas formas de aplicação do
conhecimento gerado na universidade,
partindo do contato com as demandas da
comunidade externa, buscando a construção solidária do saber voltado para o desenvolvimento sustentável”.
Com o Trilhas, a Universidade cumpre
uma de suas principais finalidades, que é
formar pessoas para a vida cidadã. Além
disso, também atende “um de seus papéis
mais nobres: a relação da Universidade
com a sociedade”, conforme prevê o Plano
de Desenvolvimento Institucional (PDI) e
o Plano de Gestão, disse Ceiça Fraga.
Em 2013 foram 26 municípios do
interior do Rio Grande do Norte que se
increveram no Programa Trilhas Potiguares. Um dos quais (Florânia) desistiu devido ao problema de estiagem. O
primeiro município visitado foi Santana
Lúcia Amorim: Visitas ajudam a definir programação atendendo necessidades locais
do Matos, a 291 quilômetros de Natal, que
recebeu uma equipe de 20 estudantes, de
diversos cursos.
Essa foi a primeira vez que o município
recebeu o Trilhas Potiguares e segundo
Dannyelly Costa, responsável pela Casa
da Cultura Monsenhor Edson Monteiro, a
visita promoveu na cidade um verdadeiro
“choque cultural, abriu as portas, resgatou
o que temos de melhor em termos de arte”.
Dannyelly Costa, mostrou-se entusiasmada com a presença dos estudantes
e os desdobramento na área cultural em
Santana do Matos. Segundo ela, a cidade
não oferecia nenhuma atividade cultural,
exceto no período das festa da padroeira
local,no mês de julho. “O Trilhas propôs
o resgate cultural da cidade, trazendo o
pessoal do campo bordadeiras, repentistas, escritores, músicos e poetas para fazer
apresentações aqui”, comentou.
A prefeita Lardjane Ciríaco de Araújo
Macedo, faz coro a Dannyelly quando
afirma que o programa causou um grande
impacto na cidade e cita como exemplo da
boa receptividade a grande participação
e o entusiasmo da população nas oficinas
oferecidas pelos trilheiros.
Para Lardjane Ciríaco, o que foi realizado durante uma semana em Santana do
Motas vai repercutir lá na frente entre os
jovens. Ela também defendeu a continuidade de projetos como o Trilhas, acrescentando que “Nós temos infraestrutura.
Agora é saber resgatar isso. Precisamos dar
oportunidade para que o jovem preencha
a sua ociosodade”.
A programação do Trilhas Potiguares
em Santana do Matos, realizada de 23 a
30 de junho, constou de ações em sítios
arqueológicos, oficinas de dança e teatro,
de serigrafia, de máscaras, sobre sexualidade e de mural. Também foram realizados campeonatos esportivos e palestras dirigidas aos jovens e idosos, sobre Nutrição
para a terceira idade, Qualidade de Vida
na Terceira Idade, Pós-parto, Gestação,
Diabetes, entre outras.
Todas as atividades foram demandadas pela própria comunidade, em reuniões
realizadas antes do programa chegar à cidade. A coordenadora da equipe, professora Lúcia de Fátima Amorim, explicou
que foram feitas visitas vivenciais, chegando-se a um diagnóstico das necessidades
locais. Constatou-se, então, que havia no
município um grande consumo de drogas
e gravidez precoce entre a juventude devido à falta de ocupação. “Daí pensou-se
em trabalhar com mais concentração nas
áreas de cultura, de esporte e educação, incluindo a educação sexual”, afirmou.
Grande participação
A professora Lúcia de Fátima também
entusiasmou-se com a participação da
população. Segundo explicou, teve curso
que chegou a inscrever mais de 800 pessoas, como o de Dança e Teatro, principalmente jovens. Por sua vez, os cursos
dirigidos especificamente aos idosos também contaram com uma excelente participação, acrescentou.
No caso da terceira idade, os cursos e
palestras com orientações sobre qualidade
de vida e alimentação saudável, e a quadrilha organizada pelos estudantes, lotaram os
ambientes reservados para essas atividades.
Sobre os cursos e palestras, Maria do
Livramento Marques, 60 anos, considerou
“fundamental” a explicação do “professor”,
o aluno do Curso de Nutrição, que sobre
a importância das caminhadas e cuidados
com a alimentação. João Virgílio de Palhares foi econômico nas palavras: “achei
decente”, e Judeci Pereira da Cruz, 70 anos,
que mora em Natal e se encontrava na cidade, afirmou que estava participando
ativamente das atividades propostas pelo
Trilhas. “Tô gostando muito e tenho vindo
todos os dias com minhas amigas”, afirmou.
Maria de Lourdes Rocha, 68, fazia parte de
uma plateia atenta que assistia a apresentação da quadrilha e foi só elogios para os organizadores: “ é a primeira vez que a gente
tem essa oportunidade aqui”, falou.
O curso de Dança e Teatro, que contou com a maior participação, conseguiu
o entusiasmo dos jovens da cidade. Luan
Fernandes Anselmo, 17 anos, 1º ano do
ensino médio na Escola Aristófanes Fernandes, considerou o curso “excelente” e
fez elogios aos universitários que ministraram o curso e à participação da comunidade local.
Fernanda Naiara da Silva, 14 anos, cursando o 7º ano na Escola Municipal Osvágrio Rodrigues também achou “muito
interessante”, porque ensinou como a pessoa se comportar no palco, as várias formas de dança e a “ter alegria na interação
com o público”. Francisco Weider da Silva,
17 anos, cursando o 1º ano do Ensino Médio na Aristófanes Fernandes, espera que
“venham outras oficinas e que divulguem
a cidade da gente”.
A Escola Municipal Osvágrio Rodrigues de Carvalho ofereceu espaço para
a realização de várias atividades. A diretora
Inaíra Leilane Ferreira Garcia, considerou
importante trazer esse tipo de atividade
para os alunos e afirmou que, em princípio,
achou que a proposta da UFRN não ia dar
certo, mas surpreendeu-se com os resultados. ”Superou as expectativas”, reconheceu. Ela ainda arriscou uma sugestão para
a próxima edição do Trilhas na cidade: um
espaço maior para atender todo público demandado. “As escolas são pequenas e não
suportam a quantidade de alunos interessados nas atividades”, justificou
Aprendendo na prática
Se os municípios do interior do Estado
ganham com a ida do Trilhas, ganham mais
ainda os alunos da UFRN que participam do
programa. Segundo Ceiça Fraga, que também é coordenadora do Trilhas Potiguares,
o programa contribui para uma formação
multidisciplinar do nosso aluno de graduação. O Trilhas permite a experiência e o
aluno tem “a possibilidade de, a partir do
conhecimento adquirido em sala de aula e
ter a oportunidade de vivenciar na prática
esses conhecimentos”, afirmou.
Outro aspecto destacada pela coordenadora é que os jovens têm a oportunidade
de conhecer a realidade do interior, sobretudo daqueles mais carentes, diferente da
realidade da capital, onde eles estudam.
“Além da oportunidade de conviver com
outros grupos, trocando não somente
vivências acadêmicas, mas também suas
vivências pessoais”, disse Ceiça.
Os estudantes também reconhecem a
importância dessa vivência prática como
a maior contribuição do Trilhas na formação acadêmica de cada um. Raphael
Serquiz, aluno de Biomedicina,disse já
ter participado do Projeto Rondon e que
essa foi a primeira experiência no trilha
potiguares. Para o oficineiro de Dança e
Teatro “o Trilhas permite não somente
levar informação, mas atender as necessidades de algumas pessoas, conseguindo
despertá-las para coisas as quais elas não
tinham acesso”. Além de ministrar a oficina, Rapahel e outros colegas montaram
com os jovens da cidade um espetáculo
chamado “A Senhora da Luz – o auto de
Santana”, e apresentaram no último dia do
“Nós temos infraestrutura. Agora é
Cione Cruz
Fotos: Cícero Oliveira
Por Cione Cruz
Jornal da UFRN
6
ano XV | nº 63 | julho de 2013
Jornal da UFRN
7
oportunidade para que o jovem
preencha a sua ociosodade”
Lardjane Ciríaco
Prefeita de Santana do Matos
Trilhas, na praça da cidade.
Também aluna de Biomedicina, Raíza
Nara Cunha Moizéis, ministrou oficinas
sobe Medicina Tradicional Chinesa e Sexo,
Sexualidade e Doenças sexualmente Transmissíveis (DST). Ela considerou o projeto
Trilhas “uma das coisas mais importantes
para qualquer aluno de graduação”. Segundo afirmou, a vivência é deferente da sala de
aula, onde o aluno se depara com situação
inusitadas, além do que, “é muito gratificante ajudar as pessoas”.
Roberto Carlos Batista Filho, do Curso
de Enfermagem, participa do Trilhas pela
segunda vez e confessa que sempre está
atrelado a projetos de extensão. “O Trilhas
acrescenta e quebra alguns tabus, casos que
a gente vê na literatura e não se aplica na
prática”, afirmou. “O enfrentamento das
situações faz com que a gente busque estratégias nas adversidades”, relatou Roberto.
Aluna co Curso de Turismo, Iasna de
Oliveira Batista destaca o fato de nunca ter
trabalhado em sua área e a participação
no Trilhas lhe permitiu essa vivência. Em
Santana do Matos ela fez um levantamento
Municípios
visitados
em 2013
Estudantes reconhecem
vivência prática como a maior
contribuição do Trilhas na
formação acadêmica
saber resgatar isso. Precisamos dar
ano XV | nº 63 | julho de 2013
da infraestrutura turística do município e
apresentou à Prefeitura. Ela pretende, posteriormente, dar continuidade ao trabalho,
fazendo um planejamento.
Participando pela primeira vez, Sarah
Amorim Terra, aluna do Curso de Engenharia Civil, junto com a aluna de Arquitetura, Mariana Soares, trabalhou na
elaboração de um projeto de recuperação
e reforma de uma construção que serve de
base de apoio para projeto científico num
sítio arqueológico próximo à cidade. Sarah considerou a tarefa um desafio muito
grande, totalmente diferente das atividades
de estágios ao qual estava acostumada.
Thalita Santana de Freitas, do Curso
de Comunicação Social, habilitação em
Jornalismo, se responsabilizou pela alimentação do blog do programa naquela
cidade, fazendo fotografias e elaborando
textos. Ela também aponta a experiência
prática como de grande importância na
sua formação acadêmica, além do que, “a
intervenção numa comunidade é muito
enriquecedora para a gente. O aluno entra
na realidade deles”, explicou.
EDUCAÇÃO
Centro de Educação e CERES-Caicó capacitam educadores da
Rede Pública para ampliarem oportunidades no Ensino Básico
Wallacy Medeiros
Por Luciano Galvão
“Compreende-se o aluno em
suas diferentes dimensões.
“I
sso é parte de um projeto de sociedade. Queremos formar um
novo homem”, observa a professora enquanto gesticula de maneira tranquila. Rosa Aparecida Pinheiro se refere
aos objetivos da Educação Integral, proposta de mudança do Ensino Básico que
pretende ampliar o tempo, o espaço e os
tipos de atores envolvidos no processo
educativo dos alunos brasileiros.
Rosa explica que o intento tem em
vista mais do que estender a jornada escolar. “Ficar o dia inteiro na escola não
é Educação Integral. É preciso dar uma
formação global”, distingue a docente do
Departamento de Práticas Educacionais e
Currículo da Universidade Federal do Rio
Grande do Norte (UFRN).
Nazineide Brito – do Departamento de
Educação do Centro de Ensino Superior
do Seridó (CERES), unidade acadêmica da
UFRN em Caicó – conceitua a Educação
Integral como um entendimento mais amplo da formação básica. “Compreende-se o
aluno em suas diferentes dimensões. Não
apenas em sua dimensão intelectual mas
também ética, cultural e linguística”, define.
Rosa Pinheiro e Nazineide Brito dirigem na UFRN a “Capacitação em Educação
Integral numa Perspectiva de Ampliação
do Tempo, dos Territórios e das Oportunidades Educacionais”. O curso é destinado a
coordenadores pedagógicos do Programa
Mais Educação, ação de incentivo à implantação do modelo no Ensino Público
promovida pelo Governo Federal.
Com carga horária de 250 horas, a capacitação acontece na modalidade semipresencial, o que significa dizer que dividese entre encontros presenciais e momentos
a distância. O objetivo é habilitar os coordenadores pedagógicos do programa para
que possam pôr em prática, em seus locais
de trabalho, as estratégias definidas para a
promoção do formato.
“É uma nova escola”, assevera Nazineide Brito. “A proposta vai além do aumento do tempo, por isso precisamos ampliar a visão dos educadores e mostrar o
que é Educação Integral”, afirma.
“Às vezes dizemos que os próprios professores não entendem o que é Educação
Integral, mas somos nós que os formamos”, comenta Rosa Pinheiro. “Nosso desafio é formar os formadores: para vermos
mudanças nas escolas, temos que mudar
Não apenas em sua dimensão
intelectual mas também ética,
cultural e linguística”
Nazineide Brito
Professora do
CERES/Caicó
Wallacy Medeiros
Fabiana Duarte e Kárita Moura, da rede municipal, acreditam na Educação Integral
como fator primordial para a melhoria do nosso ensino
primeiro aqui”, defende.
Mais Educação
Atualmente, o modelo integral tem
sido posto em prática no Brasil por meio
do Programa Mais Educação. A ação do
Governo Federal consiste no apoio financeiro e técnico às escolas das redes públicas estadual e municipal para a realização
de oficinas educativas, artísticas, culturais
e esportivas no turno inverso ao que os
alunos assistem aula. A intenção é mobilizar tanto as instituições de ensino quanto
a comunidade local para a melhoria do
desempenho educacional, a promoção da
cidadania e a proteção social.
Entre as metas do Programa, estão a
Jornal da UFRN
8
ampliação do espaço escolar, a redução
da evasão, a adequação do atendimento
a alunos com necessidades especiais, o
combate ao trabalho infantil, a formação
da sensibilidade artística das crianças, a
aproximação entre famílias e escolas além
da assitência técnica aos estados para o
cumprimento dessas finalidades.
Na prática, como esclarece Nazineide
Brito, o Mais Educação é uma ação de “indução” da Educação Integral. “O modelo
tradicional centra mais no aspecto conteudístico. Com o currículo integrado,
com mais tempo para trabalhar e com dinheiro nas escolas há novas oportunidades
educacionais”, afirma.
Nazineide explica ainda que a partici-
ano XV | nº 63 | julho de 2013
pação das universidades federais no Programa está na instrução dos educadores,
de forma a torná-los aptos a realizarem as
práticas propostas pela ação.
Rosa Pinheiro diz que o curso de capacitação ofertado atualmente pela UFRN
tem como fim preparar os coordenadores
pedagógicos para que assumam a função de
articulação entre os setores da sociedade.
A docente enxerga desafios no papel
assumido pela Instituição: “para a Universidade isso também é novo. É uma outra
ideia, envolve muitas coisas e ainda estamos experimentando. Temos que ensinar
como planejar uma nova perspectiva de
educação, mas enfrentamos 200 anos de
tradição do modelo anterior”.
Capacitação
Fabiana Duarte, coordenadora do Mais
Educação na Escola Municipal Chico Santeiro, participou do curso na UFRN em
junho e considerou positivos os resultados alcançados. “Os professores são muito
qualificados e trocamos experiências durante todo o curso. Foi muito interessante
e nos trouxe novidades e crescimento profissional”, avaliou.
A pedagoga acredita que a Educação
Integral deveria existir em toda a formação básica, independentemente da existência de um programa que a incentive.
“Seria um fator primordial para a melhoria de nosso ensino”, aponta.
Coordenadora do Programa na Escola
Municipal Monsenhor José Alves Landim, Kárita Moura também reconheceu
o proveito obtido com a capacitação. “Foi
riquíssimo. Conseguimos conhecimentos
novos e novidades para levarmos para a
escola”, contou.
Kárita acrescenta que é preciso pensar
o estudante enquanto ser global e, como
prova da necessidade de se ampliar o
atendimento, diz que a procura pelo Mais
Educação tem superado a capacidade das
escolas em receber alunos. “Muitas vezes
descobrimos até talentos nas oficinas, apesar dos problemas que temos com o espaço para a realização das atividades”, relata.
Rosa Pinheiro e Nazineide Brito concordam que o modelo global deve deixar
de ser praticado somente dentro de uma
ação governamental. Segundo as professoras, é necessário que o conceito perpetuese na forma de políticas educacionais.
“Nas escolas dos países desenvolvidos já
é assim. Ou a Educação Integral deixa de
ser programa e vira política ou acabará”,
adverte Rosa.
DESENVOLVIMENTO
Seminário reúne representantes dos setores
público e privado em debate sobre o ensino no RN
Fotos: Anastácia Vaz
Da REDAÇÃO
O
Seminário Motores do Desenvolvimento, evento realizado pelo Jornal
Tribuna do Norte e pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte
(UFRN), reuniu representantes de vários
segmentos dos setores público e privado na
discussão do tema Educação Básica e Profissional para o Desenvolvimento do RN.
O evento aconteceu no dia 8 de julho, no
auditório do Praia Mar Hotel.
A reitora Ângela Paiva Cruz, da UFRN,
abriu a solenidade de instalação do Seminário destacando a importância da educação de qualidade. Ela afirmou que “a Universidade tem criado, ao longo dos seus 55
anos, alternativas de formação a partir do
ensino infantil, abrindo um leque de possibilidades afirmativas”.
Só em 2013, segundo a reitora, foram
matriculados no ensino básico e profissionalizante na UFRN 4.407 alunos, além
das quase 20 mil vagas disponibilizadas por
meio do Programa Nacional de Acesso ao
Ensino Técnico e Emprego (PRONATEC),
oferecidas pela Escola Agrícola de Jundiaí
(EAJ), Escola de Enfermagem de Natal
(EEN), Escola de Música (EMUFRN) e Instituto Metrópole Digital (IMD).
A diretora do Departamento de Ações
Regionais (DEARE) do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Sônia
da Costa, proferiu a última palestra do
Seminário, sobre “Inclusão Social e Novas
Tecnologias Educacionais na Era Digital,
destacando como as novas ferramentas podem colaborar para o desenvolvimento da
educação no País.
O Centro Vocacional Tecnológico
(CVT) foi citado como uma ação do governo para promover desenvolvimento na
formação e pesquisa científica, mas segundo a diretora do DEARE, “ainda há muito
que evoluir.” Ela explicou que o projeto, que
começou no Ceará e em 2003 passou a ser
financiado pelo MCTI, deve ser será fortalecido, e que deve contar com a participa-
Gabriel Chalita: o Brasil precisa de um pacto pela educação
ção das três esferas do governo, municipal,
estadual e federal.
Segundo a diretora, o CVT deve ser
um espaço tecnológico disponível para a
comunidade com ações de extensão, pesquisa e formação tecnológica. Ela citou
como exemplo o Centro Vocacional Tecnológico da Escola Agrícola de Jundiaí
(EAJ), da UFRN. “O CVT de Jundiaí está
dentro de uma instituição de ensino, mas
pertence ao município e à sua população”.
O Seminário Motores do Desenvolvimento do Rio Grande do Norte contou
com a participação de autoridades políticas e empresariais, além de professores,
gestores da educação e políticos locais.
educação integral
O presidente da Comissão de Educação e Cultura da Câmara Federal, deputado federal Gabriel Chalita, foi o primeiro
palestrante do seminário e fez uma defesa
veemente da escola em tempo integral para
melhorar a educação básica no Brasil, em
sua palestra sobre “Gestão e Qualidade da
Educação Básica”.
Para o secretário, o Brasil é a sexta
potência mundial e deveria ter um mo-
Jornal da UFRN
9
delo de educação diferente. “Nós temos
uma posição vergonhosa em termos de
educação”, disse, comparando os índices
do Brasil com os de países como Paraguai e
Uruguai. Ele relembrou o educador Anísio
Teixeira, que em 1940 criou a primeira escola em tempo integral do Brasil, para defender esse modelo para a educação no
país. O parlamentar disse concordar com a
destinação de mais recursos para o setor e
concluiu afirmando que o Brasil precisa de
um pacto para educação, fazendo com que
o aluno fique mais tempo na escola.
A secretária de Educação do RN, professora Betânia Leite Ramalho, também
participou do Seminário, proferindo palestra sobre O perfil da Educação Básica no
RN - Avanços e Desafios.
Ela apresentou, ainda, o projeto da
SEEC para a Educação Básica no RN. Para
ela, apresentar um modelo de educação
para uma população extensa e diversa,
como é a brasileira, é difícil. No caso específico do Rio Grande do Norte, a educação
básica tem pontos negativos e pontos positivos e traz como grande desafio saber o
ideal da educação brasileira.
Segundo a secretária Betânia Leite, “
ano XV | nº 63 | julho de 2013
é necessário um foco”. O perfil da educação básica tem que estar atrelado ao perfil do estudante e o grande desafio é construir a escola do século XXI para formar
esse jovem apto ao exercício crítico da
cidadania, trazer as tecnologias para a
sala de aula e promover o acesso à vida
social. O Projeto da SEEC, disse, prioriza
o ensino, a aprendizagem e o acompanhamento do estudante.
ensino técnico
Qualificação Tecnológica e Profissional
e Desenvolvimento Social foi o tema abordado por Marco Antônio de Oliveira, secretário de Educação Profissional e Tecnológica (SETEC) do Ministério da Educação
(MEC) Depois de falar sobre os vários programas já consolidados pelo Governo Federal o secretário ressaltou a necessidade e
a intenção de expansão do ensino técnico.
Apresentando dados estatísticos da
situação brasileira, Marco Antônio informou que temos hoje no País, na faixa entre
18 e 30 anos, cerca de 15 milhões de pessoas
que saíram do ensino médio e não estão
cursando uma faculdade. Desse universo,
6,7 milhões estão entre 18 e 24 anos.
Segundo o secretário, existe um compromisso do governo federal de reverter a
situação, com a expansão das redes físicas
e de educação a distância e a implantação
de outras formas de acesso. Há, segundo o
titular da SETEC, um acordo de gratuidade
com os serviços nacionais de aprendizagem
(SESI/SENAI), assim como a expansão do
crédito estudantil para o ensino técnico.
Sobre o PRONATEC, o secretario defendeu uma articulação com programas
preexistentes e novas iniciativas como Bolsa Formação e o FIES Técnico. Para ele, é
preciso “reaplicar na área do ensino profissional e tecnológico o que se mostrou bem
sucedido em outras áreas sociais”.
O Secretário citou como modelo o
trabalho desenvolvido no Rio Grande do
Norte pelo Instituto Federal de Educação,
Ciência e Tecnologia do Rio Grande do
Norte (IFRN) e a Escola Agrícola de Jundiaí (EAJ) da UFRN.
EMPREENDEDORISMO
Alunos de Química da UFRN fabricam produto
comercializável em empresa júnior
Fotos: Wallacy Medeiros
Por Gaston Poupard
O
s alunos do curso de Química
da Universidade Federal do Rio
Grande do Norte (UFRN) realizam
na prática todos os passos da produção de
um produto voltado a atender às necessidades do cotidiano.
Projeto de extensão, “Vision Limp” é
uma empresa júnior apoiada pela ONG
internacional Junior Achievement. No
programa, os estudantes passam por funções práticas de fabricação, simulando
tudo aquilo que se passa nas grandes indústrias químicas.
O material que está sendo produzido e
comercializado pelos alunos é o spray “Vision Limp”. Trata-se de um limpador de lentes
de equipamentos que exigem cuidado como
óculos, telas de celulares, telas de monitores
e notebooks. Diferente dos demais produtos
de limpeza, o PH do spray é neutro, sendo
ideal para limpar esses aparelhos.
De acordo com o aluno de licenciatura
em Química da UFRN Álef Bruno Dos
Santos, que é presidente da empresa júnior,
os profissionais da área não ficam apenas
restritos ao laboratório, como é o imaginário comum. Nesta iniciativa, os alunos
aprendem e desenvolvem outras habilidades como a comunicação no comércio,
o gerenciamento da empresa e o processo
de elaboração do produto. É neste cenário
que os próprios alunos acabam descobrindo novas vertentes do funcionamento de
uma empresa.
Álef dos Santos destaca que a empresa
também trabalha com questões voltadas à
O produto surgiu a partir de pesquisa de mercado
responsabilidade social, já que 25% dos lucros são destinados a instituições filantrópicas. A Universidade, assim como os demais
centros de pesquisa, incentiva os alunos a
se relacionarem desde cedo com o funcionamento do mercado. Antes de ser comercializado, o material passa por uma série de
requisitos que vão desde a ideia do produto
até chegar ao preço.
O presidente da empresa júnior disse
que o spray surgiu primeiro com uma consulta de objetos que são necessários no mercado. “O produto deve ser prático e acessível a todos. Uma vez verificada a função
do material, os alunos começam a estudar
toda a formulação, composição e reagentes,
sempre acompanhados de perto por três
professores especialistas da área”, revela.
A embalagem do spray, por exemplo,
também foi planejada para ser reaproveitada, seguindo a tendência de produtos não
degradantes ao meio ambiente. O produto
foi exposto na Semana do Meio Ambiente
da UFRN, que aconteceu no mês de junho.
O spray é produzido no Laboratório de
Química Analítica da UFRN aos sábados.
No primeiro momento, foram fabricadas
600 unidades para comercialização. Contudo, antes de ser produzido em massa, o
produto passa por um rigoroso processo de
qualidade no laboratório com a supervisão
de professores especialistas, que verificam a
rentabilidade do material.
De acordo com o professor Daniel de
Lima Pontes, do Instituto de Química da
UFRN, que coordena a parte de produção
da empresa júnior, a iniciativa começou há
sete anos com outros produtos fabricados
também pelos próprios alunos.
Ele menciona o apoio fundamental da
empresa Junior Achievement, que auxilia
na escolha do material e orienta as diversas fases da produção. Daniel Pontes disse
que os próprios alunos são responsáveis
por todos os setores da empresa júnior
“Vision Limp”, com a proposta de demonstrar o funcionamento de uma empresa na
área de Química.
Os alunos aprendem que o especialista
em Química pode ocupar outras áreas de
gestão de uma empresa e que o mercado
de trabalho exige que os profissionais saibam se responsabilizar por etapas que não
sejam apenas a da fabricação de produtos.
“Neste ano já foram produzidos cerca de
2 mil frascos com uma equipe de 30 alunos encarregados da produção do Spray”,
informa Daniel Pontes.
Com relação ao capital inicial, que é o
princípio básico de toda empresa, o professor menciona que os alunos são os acionistas
e que cada um entra com uma parte e incentiva o desenvolvimento do negócio, seguindo, desta forma, o mesmo procedimento que
acontece em grandes corporações.
Porém, como não há tributos e impostos na empresa júnior, ele explica que parte
dos lucros obtidos é doado para instituições
de caridade. A “Vision Limp” tem validade
de três meses. Ao termino, é feito o relatório
final informando todo o andamento que ela
teve ao longo desse período.
Em anos anteriores, outras empresas juniores na área de Química também foram criadas:
2007 – Phyttos do Brasil: óleo pós-banho e sabonetes feitos com produtos naturais 100% orgânicos.
2008 – Botanics: sabonete líquido
2009 – ECO Feeling: sabonetes líquidos e hidratantes com fragrâncias de frutas.
2010 – ECO Limp: Sabão 100% ecológico
2011 – Branquim: Sabão Líquido
2012 – EcoAroma Sensações da Natureza: produto de higiene
2013 – Vision Limp: limpador de telas e lentes
Jornal da UFRN 10 ano XV | nº 63 | julho de 2013
entrevista
“Como nós temos o problema da falta de determinados conteúdos
na formação do professor, o mestrado profissional tem esse foco”
Maria da Graça Soares Rodrigues, coordenadora nacional do
Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Letras (PROFLETRAS), é professora da UFRN e atualmente ocupa o cargo de vice-diretora do Centro de Ciências
Humanas, Letras e Artes (CCHLA). Entre os dias 8 e 10 de julho ela coordenou o
I Fórum Nacional de Comissões Temáticas do PROFLETRAS, evento realizado no
Imirá Praia Hotel, pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) em parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Norte
Anastácia Vaz
Por Luciano Galvão
Qual a importância do PROFLETRAS para a formação do professor?
Para o professor de
língua portuguesa esse
mestrado é de extrema
relevância porque é
voltado para trabalhar
com o cotidiano da sala
de aula. Os professores
vão ter acesso às teorias, porém, poderão
trabalhar essas teorias voltadas para a solução
dos problemas do cotidiano. A expectativa é
que isso impacte no dia-a-dia da sala de aula,
que o professor se torne protagonista, capaz
de solucionar problemas surgidos no plano da
sala de aula. Para isso ele vai estar aparelhado
teoricamente, com conteúdos de relevância
para o ensino da língua materna, nossa língua
portuguesa, não só no que diz respeito ao ensino da gramática. O professor vai trabalhar a
leitura, a produção de texto numa nova perspectiva e fazendo uso das novas tecnologias.
Qual a diferença desse modelo em relação aos mestrados tradicionais?
Os mestrados tradicionais são os acadêmicos, tendo o foco maior na pesquisa. É lógico
que nesse mestrado profissional também haverá
pesquisa, mas será uma pesquisa voltada para a
solução de questões pontuais e estudos de caso.
O grande alvo será a sala de aula. Um não apaga o valor do outro, os dois tem seus méritos.
Como nós temos o problema da falta de determinados conteúdos na formação do professor, o
mestrado profissional tem esse foco.
Como serão as aulas e as avaliações
do Mestrado?
As aulas serão presenciais. Sobre a avaliação, cada disciplina que for oferecida terá
uma comissão coordenadora. Uma comissão
temática que tem dois coordenadores, que
foram escolhidos pelo conselho gestor, quando realizamos o I Fórum Nacional com as
comissões temáticas do PROFLETRAS. O encontro aconteceu aqui em Natal. Neste fórum
estavam reunidos os quarenta professores de
cada disciplina. Serão quatro as disciplinas
(UFRN), com a participação de professores de várias universidades brasileiras e de
Carmen Moreira de Castro Neves, diretora de Formação de Professores da Educação Básica (DEB/CAPES). Para falar sobre o PROFLETRAS, sua importância na
formação do professor de Língua de Portuguesa e como a UFRN foi escolhida para
sediar as ações, a coordenadora Maria da Graça concedeu entrevista ao Jornal
da UFRN. Para ela os investimentos em educação no Brasil são poucos e, além de
recursos, é necessário valorizar o professor e o ensino da língua materna.
CAPES venha a abrir este espaço como fez
no PROFMAT (Mestrado Profissional em
Matemática em Rede Nacional). O PROFMAT na primeira edição foi só para professores da escola pública, mas a partir da segunda
edição passou a oferecer 5% das vagas para a
rede particular. Por analogia, acredito que a
partir da segunda edição serão abertas vagas
para a rede privada.
blemas da sociedade e vai, conscientemente,
trabalhar em busca de soluções. O professor
deve ser protagonista da sua prática.
Como educadora, o que a senhora
apontaria como prioritário na formulação
de um novo modelo para a educação básica
no Brasil?
O redimensionamento da carga horária do
professor de língua portuguesa. É inadmissível
Como o programa pode ser ampliado?
que o professor de língua portuguesa cumpra
Iremos abrir um novo edital de adesão. Nós uma carga horária de dez a quinze turmas por
temos 32 universidades, todas públicas, que se semana. Como é que ele vai poder dar o feedtransformam em 39 unidades. Por exemplo, back das atividades que passa a seus alunos na
pela UFRN nós temos
sala de aula? A primeira
um curso em Natal e
coisa a fazer é valorizar o
outro em Currais Novos.
trabalho do professor da
A primeira
São duas unidades. A exlíngua materna.
coisa a fazer
pectativa é que em 2014
ampliemos a quantidade
A senhora acha que o
é valorizar o
de instituições. Constangoverno
destina poucos
trabalho do
temente recebemos perecursos à educação?
professor da
didos de novas universiAcho que destina
língua materna
dades solicitando espaço.
muito pouco. Tão pouco,
que o salário do profesQuais as maiores
sor não é valorizado. Ele
dificuldades para implantação do pro- trabalha muito para sobreviver dignamente.
grama, que é nacional, considerando a di- Acho maravilhoso esse momento de se valoriversidade brasileira?
zar a formação continuada do professor, mas
Nós precisamos que as universidades que nós precisamos que os secretários estaduais e
aderiram à rede, ao Mestrado Profissional municipais se associem a essa crença de que
em Letras, ofereçam as condições mínimas para fazer um bom trabalho o professor prede infraestrutura para o funcionamento do cisa de tempo para trabalhar, para estudar,
curso. Se preciso, juntamos esforços e vamos para se instruir.
contatar formalmente a professora Carmem
(Carmen Moreira de Castro Neves), que é a
Como a UFRN chegou à coordenação do
diretora de formação continuada do ensino programa e o que pode ser visto como retorbásico da CAPES. Cada disciplina vai receber no para a instituição?
um kit com dez títulos, cada título com quinze
Através de uma eleição feita em todo o
volumes, para melhorar as bibliotecas das uni- nordeste. Eu fui indicada por todos os coordades. A CAPES prometeu um tablet a cada denadores da região, e quando eu cheguei lá
professor e um equipamento interativo que o coordenador de área disse que a sede seria
envolve internet e data-show, materiais para escolhida entre aquelas universidades que oferealizar conferências e videoconferências. Te- recessem as condições fundamentais. Quando
mos uma expectativa de que os alunos ganhem eu vi que havia este espaço procurei a nossa
bolsa, desde que comprovem que estão afasta- reitora Ângela Paiva e a pró-reitora de pósdos pelo menos vinte horas de suas atividades. graduação Edna Silva e elas apoiaram. Toda estrutura burocrática foi desenvolvida em tempo
O Brasil vive um momento em que me- hábil para que pudéssemos chegar a ser a sede.
lhores condições para a educação está no O maior retorno é a contribuição que a UFRN
topo das reivindicações populares. O PRO- dá a um programa que se propõe a melhorar
FLETRAS pode contribuir para isso?
a formação continuada do professor de língua
Na hora que a gente diz que vai formar portuguesa do ensino básico. A expectativa é
professores protagonistas, significa que ele vai muito grande em relação ao êxito, acreditamos
trazer para a discussão da sala de aula os pro- muito nesse projeto.
[ ]
Maria das Graças, coordenadora do PROFLETRAS
oferecidas em 2013.2. Nós traçamos todos os
rumos das disciplinas, isso envolve não só conteúdo, como metodologia e avaliação. Os alunos poderão fazer provas, desenvolver artigos,
capítulo de livro ou uma sequência didática. É
tudo construído, todos que participam do processo opinam.
As vagas (mais de 1.000 em 2013) oferecidas pelo programa são destinadas preferentemente à rede pública. Por que?
Nesse edital só foram oferecidas às instituições públicas. Por definição da CAPES,
as vagas se destinam a professores do ensino
fundamental das escolas públicas. Sejam elas
estaduais, municipais ou até federais. Na escola pública é onde se encontram os maiores
problemas. Então, creio que a preocupação do
Governo foi justamente melhorar a qualidade
do ensino na rede pública.
Há possibilidade do PROFLETRAS expandir a oferta de vagas para a rede privada?
Acredito que a partir do próximo ano a
Jornal da UFRN 11 ano XV | nº 63 | julho de 2013
Reprodução
PESQUISA
Cientistas da UFRN descobrem estrela gêmea
do Sol e estudam futuro do sistema solar
Anastácia Vaz
Por Juliana Holanda
C
oRoT Sol 1. Esse é o nome da estrela gêmea do Sol identificada por
pesquisadores do Departamento de
Física Teórica e Experimental (DFTE) da
Universidade Federal do Rio Grande do
Norte (UFRN).
A descoberta, que ganhou projeção
internacional, permite analisar a evolução
do Sol e da vida no planeta Terra. A estrela
possui massa e composição química semelhantes ao Sol e é cerca de 2 bilhões de anos
mais velha.
“Como as estrelas evoluem em uma escala de tempo muito grande, a única maneira de estudar seu desenvolvimento é por
meio da análise de astros iguais com idades
diferentes”, explica o coordenador da pesquisa e professor da UFRN, José Dias do
Nascimento Júnior.
Gêmea solar mais distante conhecida
na Via Láctea, a CoRoT Sol 1 está localizada na Constelação de Unicórnio e foi inicialmente observada pelo satélite CoRoT.
Desenvolvido pela Agência Espacial Francesa em colaboração com outros países da
Europa e do Brasil, o satélite foi lançado em
2006, e observou cerca de 300 mil estrelas
da Via Láctea.
Dados enviados pelo satélite permitiram
aos cientistas identificar possíveis gêmeas
solares. Mil estrelas selecionadas foram
analisadas mais detalhadamente e cem
foram observadas no telescópio japonês
Subaru, no Havaí, até chegar à confirmação
da semelhança entre a CoRoT Sol 1 e o Sol.
Estudos preliminares já possibilitaram
aos cientistas identificar que, quando o Sol
atingir a idade da CoRoT Sol 1, haverá um
aumento na luminosidade capaz de secar
toda a água do planeta Terra. José Dias
revela que “Em dois bilhões de anos, a radiação emitida pelo Sol deve aumentar e
tornar a superfície da Terra tão quente que
a água líquida não poderá mais existir em
seu estado natural”.
A descoberta de uma boa gêmea solar
fecha um ciclo. “Nós vamos agora continuar observando com telescópios em terra
para estudarmos outras propriedades da
estrela”, explica o pesquisador da UFRN
Matthieu Sébastien Castro.
Planetas
Além de continuarem a estudar as características da CoRoT Sol 1, os pesquisadores procuram identificar possíveis planetas que possam orbitar a gêmea solar. “Já
Jeferson Soares da Costa, José Dias do Nascimento, Mathiew Sebastien Castro: observações continuam
Reprodução
Estrela gêmea solar está localizada na
Constelação de Unicórnio
sabemos que a estrela não possui planetas
gigantes, como Júpiter”, assegura o coordenador José Dias.
Para o pós-doutorando Jefferson
Soares da Costa que participa do projeto
e estuda gêmeas solares desde 2007, quando iniciou o seu mestrado na UFRN e fez
doutorado neste tema, o interesse por estrelas semelhantes ao Sol está em evidência no mundo científico.
A exoplanetologia, que é o estudo de
planetas fora do sistema solar, fornece um
raciocínio óbvio: um planeta do tipo Terra
provavelmente vai estar na órbita de uma
estrela do tipo Sol. “Achar uma nova Terra
seria a glória”, comenta Jefferson Costa.
Nova gêmea solar
A equipe da UFRN trabalha, atualmente, em mais uma recente descoberta
que apenas será plenamente divulgada em
2014. Desta vez, foi identificada uma estrela gêmea do Sol mais nova. Ainda sem
nome, a gêmea tem cerca de um bilhão de
anos: a mesma idade que o Sol tinha quando surgiu a vida na Terra.
Estudando essa estrela, pode-se saber
características da radiação que favoreceu o
desenvolvimento da vida na Terra, explica
o astrônomo. “Vamos identificar condições
físicas que a estrela impõe aos planetas
através do vento estelar e do campo magnético”, conta José Dias do Nascimento.
A localização do “Sol jovem” ainda é
um segredo. “Está no céu do norte”, afirma
Dias. O tema de pesquisa do coordenador
e o objetivo da equipe é fazer o histórico da
vida do Sol. “Saber o passado, o presente
e o futuro”, complementa Matthieu Castro.
Equipe
A busca por gêmeas solares começou
em 2006, na UFRN. “Não tínhamos nenhuma pretensão”, afirma o professor José
Jornal da UFRN 12 ano XV | nº 63 | julho de 2013
Dias. De início, a equipe era formada pelo
coordenador e por alunos da pós-graduação da Universidade.
Hoje, além da equipe formada por professores e estudantes da UFRN, a pesquisa
é complementada pelo professor Yoichi
Takeda, do Observatório Astronômico
Nacional do Japão, por Pascal Petit, Astronômico Nacional do Japão, Pascal Petit,
do Institut de Recherche en Astrophysique
et Planétologie, de Toulouse na França,
por Jorge Meléndez, da Universidade de
São Paulo (USP), e por Gustavo Frederico
Porto de Mello, da Universidade Federal
do Rio de Janeiro (UFRJ).
Na UFRN, a pesquisa conta ainda com
apoio do Departamento de Física Teórica
e Experimental (DFTE), do Centro de
Ciências Exatas e da Terra (CCET), do
Programa de Pós-Graduação em Física
(PPGF), da Pró-Reitoria de Pesquisa
(PROPESQ), da Pró-Reitoria de Pós-Graduação (PPG) e da Secretaria de Relações
Internacionais e Interinstitucionais (SRI),
além de auxílios e bolsas do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e
Tecnológico (CNPq) e da Coordenação de
Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES).
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