UNIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS FUNDAÇÃO DE MEDICINA TROPICAL DR. HEITOR VIEIRA DOURADO PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM MEDICINA TROPICAL MESTRADO EM DOENÇAS TROPICAIS E INFECCIOSAS ANÁLISE DESCRITIVA DA DOR EM PACIENTES PORTADORES DO VÍRUS DA IMUNODEFICIÊNCIA HUMANA (HIV) / SÍNDROME DE IMUNODEFICIÊNCIA ADQUIRIDA (AIDS) INTERNADOS NA FUNDAÇÃO DE MEDICINA TROPICAL DOUTOR HEITOR VIEIRA DOURADO (FMT-HVD) EMILY SANTOS MONTARROYOS MANAUS 2014 i EMILY SANTOS MONTARROYOS ANÁLISE DESCRITIVA DA DOR EM PACIENTES PORTADORES DO VÍRUS DA IMUNODEFICIÊNCIA HUMANA (HIV) / SÍNDROME DE IMUNODEFICIÊNCIA ADQUIRIDA (AIDS) INTERNADOS NA FUNDAÇÃO DE MEDICINA TROPICAL DOUTOR HEITOR VIEIRA DOURADO (FMT-HVD) Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Medicina Tropical da Universidade do Estado do Amazonas em Convênio com a Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado, para obtenção do grau de Mestre em Doenças Tropicais e Infecciosas. Orientador: Prof. Marcelo Cordeiro dos Santos Co-orientadora: Profª Valéria Saraceni MANAUS 2014 AUTORIZO A REPRODUÇ Ç TRABALHO, POR QUALQUER MEIO CONVENCIONAL OU ELETRÔNICO, PARA FINS DE ESTUDO E PESQUISA, DESDE QUE CITADA A FONTE. Ficha Catalográfica M766a Montarroyos, Emily Santos. Análise descritiva da dor em pacientes portadores do vírus da imunodeficiência humana (HIV) / síndrome de imunodeficiência adquirida (AIDS) internados na Fundação de Medicina Tropical Doutor Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD) /Emily Santos Montarroyos. -- Manaus : Universidade do Estado do Amazonas, Fundação de Medicina Tropical, 2014. 71 f. : il. Dissertação apresentado ao Programa de Pós-Graduação em Medicina Tropical da Universidade do Estado do Amazonas – UEA/FMT, 2014. Orientador: Profº. Dr. Marcelo Cordeiro dos Santos 1. Dor. 2. AIDS 3. HIV - hospitalização I. Título. CDU: 614.4 Ficha Catalográfica elaborada pela Bibliotecária Maria Eliana N Silva, lotada na Escola Superior de Ciências da Saúde - UEA ii FOLHA DE JULGAMENTO ANÁLISE DESCRITIVA DA DOR EM PACIENTES PORTADORES DO VÍRUS DA IMUNODEFICIÊNCIA HUMANA (HIV) / SÍNDROME DE IMUNODEFICIÊNCIA ADQUIRIDA (AIDS) INTERNADOS NA FUNDAÇÃO DE MEDICINA TROPICAL DOUTOR HEITOR VIEIRA DOURADO (FMT-HVD) EMILY SANTOS MONTARROYOS “Esta Dissertação foi julgada e adequada para obtenção do Título de Mestre em Doenças Tropicais e Infecciosas, aprovada em sua forma final pelo Programa de Pós-Graduação em Medicina Tropical da Universidade do Estado do Amazonas em convênio com a Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado”. Banca Julgadora: ________________________________________________ Prof. Marcelo Cordeiro dos Santos, Dr. Presidente ________________________________________________ Prof. Jorge Guerra, Dr. Membro ________________________________________________ Profa. Meritxell Sabidó Espin, Dra. Membro DEDICATÓRIA Dedico este trabalho a todos os pacientes portadores de dor, necessitados de suporte técnico e espiritual humanizado para enfrentamento de agravo tão negativo e impactante na qualidade de vida do ser humano. AGRADECIMENTO ESPECIAL Á minha mãe, Alba Maria Santos Montarroyos; ao meu pai de coração Celso Falcão Rodrigues, pelo apoio amoroso, irrestrito e incondicional. Aos meus amados filhos, Guilherme Meneghel Montarroyos Maximino e Gustavo Meneghel Montarroyos Maximino, fontes de inspiração e constante busca pela renovação, maestria e esmero. Ao meu esposo, Eduardo Meneghel Maximino, a quem amo muito e devo todo o companheirismo e incentivo para a realização deste curso. AGRADECIMENTOS À Deus, acima de tudo. Aos meus irmãos, Evelyn Santos Montarroyos, Elyseu Santos Montarroyos e Eloisa de Carvalho Montarroyos, que acompanharam os meus primeiros passos em busca de aprendizagem e formação profissional, me incentivando à evoluir sempre. Ao Prof. Dr. Marcelo Cordeiro dos Santos, pelo apoio e incentivo constantes, pela gentileza e confiança em mim depositada ao aceitar este desafio e, sobretudo, pela amizade e excelência, o meu respeito e admiração. Aos pacientes, pois sem eles o trabalho não teria sido possível e não teria sentido algum. À minha perseverante e amável coorientadora Dra. Valéria Saraceni por todo o apoio científico, emocional e incentivo constante. Às minhas queridas alunas Mewryane Câmara e Fabiana Martins, por tudo, principalmente pela parceria e por não me deixarem desistir. À minha muito querida equipe multiprofissional da Estratégia de Saúde da Família pelo apoio e compreensão durante cada etapa do meu curso: Bárbara, Nara, Elinalva, Elisa, Itaila, Lilian, Luciano, Lucilene, Maria e Sandra. À minha especial chefe Wanderlane Lacerda, por me permitir conciliar, na medida do possível, trabalho e estudos. À minha amiga Chang Yen Yin por ter confiado sempre no meu sucesso e me incentivado quando mais precisava de apoio. À minha amiga Carolina Marinho da Costa cuja amizade foi um presente que recebi durante meu curso. Aos colegas de Pós-graduação que durante todo o curso dividiram angústias e aprendizados, tornando nossa jornada mais aprazível, principalmente à Carolina Costa Marinho, Rosa Amália, Alex Jardim, Camila Bôto, Êda Mont, e Romilda. Aos professores doutores que compuseram minhas bancas de avaliação para Qualificar e Defender o Mestrado. Aos docentes do Programa de Pós-Graduação em Medicina Tropical da Universidade do Estado do Amazonas em Convênio com a Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado pelos valiosos ensinamentos durante o curso, em especial ao Dr. Jorge Guerra que acompanha, desde a graduação, minha busca pelo aperfeiçoamento técnico-científico, com total incentivo e apoio. Aos professores e meus colegas do Dinter, pela experiência e companhia agradáveis, inesquecíveis momentos de aula e de sabedoria. À Sra Gilmara, pela ajuda fundamental na análise estatística dos dados desta pesquisa. Aos competentes funcionários do Departamento de Pós-Graduação da FMTHVD, especialmente à Sra Conceição, pela dedicação, atenção e carinho em tudo que realizam. À Comissão de Ética em Pesquisa (CEP) da FMT-HVD pelo valioso serviço prestado à sociedade. À Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD). À Universidade do Estado do Amazonas – UEA, SUFRAMA, CAPES e FMURAKI, pelo fomento à pesquisa. Ao Programa Nacional de DST/AIDS e Hepatites Virais / Secretaria de Vigilância em Saúde / Ministério da Saúde. EPÍGRAFE “As mãos que ajudam são mais sagradas que os lábios que oram”. (Madre Tereza de Calcutá) NORMATIZAÇÃO ADOTADA Essa dissertação momento desta publicação: Referências: adaptado de International Committee of Medical Journals Editors (Vancouver). Programa de Pós-Graduação em Medicina Tropical da Universidade do Estado do Amazonas em Convênio com a Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado. Modelo de apresentação de dissertações, teses e monografias. Elaborado por Coordenação do Programa, atualizado em 2011. Abreviaturas dos títulos dos periódicos de acordo com List of Journals Indexed in Index Medicus. RESUMO INTRODUÇÃO: A infecção pelo Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV) associada ao desenvolvimento de sintomas dolorosos principalmente em pacientes portadores da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS) é uma complicação comum e diretamente relacionada ao cenário atual mundial de sobrevida aumentada dos pacientes tratados. O estudo da dor em pacientes internados na FMT-HVD pode esclarecer o aspecto multifatorial que envolve a percepção subjetiva da dor enfrentada pelo paciente. OBJETIVOS: Estudar a dor em pacientes internados na FMT-HVD, portadores do Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV) e Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS) no período de Agosto de 2012 a Julho de 2013. MÉTODOS: Trata-se de um estudo transversal prospectivo observacional desenvolvido na FMT/HVD em Manaus, no período de Agosto de 2012 a Julho de 2013, no qual foram incluídos os pacientes internados, com diagnóstico de HIV/AIDS confirmado por sorologia ou teste rápido, que responderam sobre situação sóciodemográfica, escalas unidimensionais e multidimensionais para avaliação da dor, e capacidade funcional. Por meio de questionário, foram realizadas entrevistas no leito seguida de complementação de dados em prontuário eletrônico iDoctor®. RESULTADOS: O banco de dados contém 68 pacientes, sendo 38 do sexo masculino e 30 do sexo feminino, com idade entre 21 e 57 anos. A prevalência de dor encontrada no momento da entrevista foi de 50%, ou seja 34 pacientes encontravam-se com dor em algum momento da sua internação, 6 pacientes (17,64%) com dor intensa, 9 (26,47%) com dor moderada e 19 (55,88%) com dor leve. Somente 01 dos pacientes que tinham dor intensa, 02 dos pacientes com dor moderada e 04 pacientes com dor leve receberam tratamento com opióide de baixa potência. O opióide de maior potência foi administrado em 02 pacientes que ainda mantinham dor de leve intensidade. Verificou-se que, do total de 06 pacientes que não receberam nenhuma medicação no período de observação, apenas 01 tinha dor leve. O analgésico mais usado foi a dipirona (85,25% dos casos). A satisfação com a analgesia prescrita foi considerada como total em 44,11% dos pacientes. CONCLUSÃO: O presente estudo revelou alta prevalência de dor e baixa adesão da equipe aos programas e diretrizes para gerenciamento da dor intrahospitalar. Palavras Chaves: Dor, AIDS, HIV, Hospitalização ABSTRACT BACKGROUND: Infection with Human Immunodeficiency Virus (HIV) associated with the development of painful symptoms especially in patients with the Acquired Immunodeficiency Syndrome (AIDS) is a common complication was directly related to the current scenario worldwide increased survival of patients treated. The study of pain in hospitalized patients in the FMT - HVD can clarify the multifactorial involving the subjective perception of pain faced by the patient. OBJECTIVES: To assess pain in patients admitted to the FMT HVD, carrying the Human Immunodeficiency Virus ( HIV ) and Acquired Immunodeficiency Syndrome (AIDS ) in the period August 2012 to July 2013. METHODS: This was a prospective observational cross-sectional study developed in FMT / HVD in Manaus, in the period August 2012 to July 2013, which included patients admitted with a diagnosis of HIV / AIDS confirmed by serology or rapid test who responded on socio - demographic and multi dimensional scales to assess pain and functional capacity. Through questionnaires, interviews were conducted in the bed next to complete the data in electronic medical records iDoctor®. RESULTS: The database contains 68 patients, 38 male patients and 30 female patients aged between 21 and 57 years, the average being 35 years. The prevalence of pain found at the time of interview was 50 %, ie 34 patients were pain at some time of their admission, 6 patients (17.64 %) with severe pain, 9 (26.47 %) with moderate pain and 19 (55.88%) with mild pain. Only 01 patients who had severe pain, 02 patients with moderate pain and 04 patients with mild pain received opioid treatment with low power. The greater potency opioid was administered in 02 patients who still had mild pain. It was found that, out of 06 patients who had not received any medication during the period of observation, 01 had only mild pain. The most widely used analgesic dipyrone was (85.25% of cases). The satisfaction with analgesia was considered as the prescribed total 44.11 % of patients. CONCLUSION: The present study revealed high prevalence of pain and poor adherence of staff to programs and guidelines for management of pain hospitalization. Keywords: Pain, AIDS, HIV, hospitalization. LISTA DE FIGURAS Figura 1 – Número de pessoas com acesso a terapia antirretroviral e o 03 número de pessoas que morreram por causas relacionadas com a AIDS em países de baixa e média renda, 2000-2010............................................ Figura 2 – Distribuição percentual dos casos de AIDS por região de 04 residência. Brasil, 1980 a 2011..................................................................... Figura 3 – Distribuição percentual de casos de AIDS por região. 04 Brasil,2010..................................................................................................... Figura 4 – Taxa de incidência de AIDS (por 100.000 habitantes) em 05 jovens de 15 a 24 anos por sexo e ano de diagnóstico. Brasil, 1985 a 2010............................................................................................................... Figura 5 - Escala Visual Analógica – EV....................................................... 25 Figura 6 - Inventário Breve de Dor – BPI...................................................... 27 Figura 7 - Questionário de Dor de McGill 29 Figura 8 – Escala de Katz............................................................................. 30 Figura 9 – Escala de Faces........................................................................... 31 Figura 10 – Diagrama Corporal de Localização e Distribuição Espacial da 32 Dor................................................................................................................. Figura 11 - Questionário para Diagnóstico de Dor Neuropática – DN4........ 33 LISTA DE TABELAS Tabela 1 – Características dos pacientes entrevistados, FMT-HVD, 2012 (n=68)........................................................................................................... 41 Tabela 2 – Características relacionadas à dor , FMT-HVD, 2012............... 42 Tabela 3 – Manejo da dor nos 34 pacientes hospitalizados que relataram dor na entrevista, FMT-HVD, 2012.............................................................. 44 Tabela 4 – Interferência da dor na vida dos 34 pacientes hospitalizados que relataram dor na entrevista, FMT-HVD, 2012....................................... 45 Tabela 5 – Manejo da dor nos 34 pacientes hospitalizados que não apresentavam dor no momento da entrevista, FMT-HVD, 2012................. 50 LISTA DE QUADROS Quadro 1 – Indicadores-chave para a epidemia de HIV, 2002-2010............ 02 Quadro 2 – Óbitos por AIDS (número e taxa de mortalidade por 100.000 06 habitantes) em jovens de 15 a 24 anos de idade, segundo UF e região de residência por ano do óbito. Brasil, 1980-201............................................... Quadro 3 – Óbitos por AIDS (número e taxa de mortalidade por 100.000 07 habitantes) em jovens de 15 a 24 anos de idade, segundo UF e região de residência por ano do óbito. Brasil, 1980-2010............................................. Quadro 4 – Casos de AIDS diagnosticados na FMT-HVD, por mês e ano 09 de notificação em 2012................................................................................. Quadro 5 – Casos de AIDS diagnosticados na FMT-HVD, por mês e ano 10 de notificação em 2013................................................................................. Quadro 6 – Atendimentos realizados no ano de 2012.................................. 10 Quadro 7 – Atendimentos realizados no ano de 2013.................................. 11 LISTA DE ABREVIATURAS, SÍMBOLOS E UNIDADES DE MEDIDA AIDS Adquirida AM Amazonas AMPc Adenosina Monofosfato Cíclico BPI Brief Pain Inventory, Inventário Breve de Dor CEP em Pesquisa CAPPesp Centers for Disease Control and Prevention, Centro de Controle e Prevenç ças CID Classificaç ças CNS Conselho Nacional de Saúde CMV Citomegalovírus cART Terapia Antirretroviral Combinada DST Doenç DAM Diretoria de Assistência Médica DESP Departamento de Epidemiologia e Saúde Pública DENPE Diretoria de Ensino e Pesquisa DN4 Questionário para Diagnóstico de Dor Neuropática EBV Vírus Epstein-Barr EIAVD Escala de Independência em Atividades da Vida Diária ELISA Enzime Linked Immunoabsorbent Assay et al. e outros EUA Estados Unidos da América EVA Escala Visual Analógica FIOCRUZ Fundaç FMT-HVD Fundação de Medicina Tropical Doutor Heitor Vieira Dourado HIV ência Humana IASP International Association for the Study of Pain, Associação Internacional para o Estudo da Dor IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística JCAHO Joint Commission Accreditation Healthcare Organization MS MPQ McGuill Pain Questionnaire, Questionário de Dor de McGuill NUMETROP NWC Number of Words Chosen, Número de Palavras Escolhidas OMS World Health Organization, Organizaç PCR Polymerase chain reaction, reaç PML Leucoencefalite Multifocal Progressiva PPD PRI Pain Rating Index, Índice de Avaliação de Dor PVHA Pessoas que vivem com HIV/aids SAE Serviço(s) de Assistência Especializada SICLOM SIM Sistema de Informaç SINAN SISCEL Sistema de Controle de Exames Laboratoriais SNC Sistema Nervoso Central SUBGAMEC Subgerência de Arquivo Médico, Estatística e Contas a Pagar SUS SVS Secretaria de Vigilâ TARV Terapia Antirretroviral TCLE Termo de Consentimento Livre e Esclarecido UDI UEA Universidade do Estado do Amazonas UF Unidade Federativa UNAIDS Joint United Nations Programmes on HIV/AIDS VDRL Venereal disease research laboratory VE Vigilância VHA VHB VHC VHS Vírus do Herpes Simples % Porcentagem iii SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO ....................................................................................................1 1.1 Tendências epidemiológicas do HIV/AIDS no Mundo........................................1 1.2 Tendências epidemiológicas do HIV/AIDS no Brasil .........................................3 1.3 Tendências epidemiológicas do HIV/AIDS no Amazonas..................................8 1.4. Dor – Conceito, Fisiopatologia e Classificação ............................................... 12 1.5. Dor no paciente portador de HIV/AIDS ........................................................... 16 2. OBJETIVOS ...................................................................................................... 22 2.1. Objetivo Geral ................................................................................................................................. 22 2.2. Objetivos Específicos .................................................................................................................. 22 3. MATERIAL E MÉTODOS .................................................................................. 23 3.1. Tipo de Estudo ................................................................................................................................ 23 3.2 Local do Estudo ............................................................................................................................... 23 3.3 População de Estudo .................................................................................................................... 23 3.4 Tamanho da Amostra ................................................................................................................... 24 3.5 Captação dos Pacientes e Coleta de Dados.............................................................................. 24 3.6 Montagem da base de dados ................................................................................................... 34 3.7 Variáveis do Estudo ....................................................................................................................... 34 3.8 Comitê de Ética em Pesquisa - CEP ............................................................................................ 36 3.9 Análise Estatística .......................................................................................................................... 36 4. RESULTADOS .................................................................................................. 38 5. RESULTADOS ADICIONAIS ............................................................................ 50 6. DISCUSSÃO ..................................................................................................... 52 7. CONCLUSÃO .................................................................................................... 54 8. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................................. 55 9. ANEXOS............................................................................................................ 60 1 1. INTRODUÇÃO 1.1 Tendências epidemiológicas do HIV/AIDS no Mundo De acordo com os dados da Joint United Nations Programme on HIV/AIDS – UNAIDS, somente agora, na quarta década da Epidemia da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (Acquired Immune Deficiency Syndrome – AIDS), o mundo consegue minimizar a propagação do Vírus da Imunodeficiência Humana (Human Immunodeficiency Virus – HIV). Desde 1999, ano em que a epidemia atingiu os maiores valores registrados, o número de novas infecções caiu 19%.1 Em 2009 havia cerca de 2,6 milhões (2,3 milhões - 2,8 milhões) de pessoas recém infectadas com o HIV, uma redução correspondente a quase um quinto (19%) quando comparado com os 2,9 milhões (3,4 milhões - 3,1 milhões) de pessoas infectadas em 1999, e mais de um quinto (21%) a menos do que os 3,2 milhões (3,0 milhões - 3,5 milhões) estimado em 1997, ano em que o número de novas infecções atingiu o pico. 1,2 Entre as 15 milhões de pessoas vivendo com HIV em países de baixa e média renda, necessitando de tratamento hoje, 5,2 milhões têm acesso gratuito aos medicamentos, traduzindo-se em menos mortes relacionadas à AIDS.1 Progressos vêm sendo alcançados no acesso universal à prevenção, tratamento, cuidados e apoio. A expansão do acesso ao tratamento tem contribuído para declínio de 19% nas mortes entre pessoas infectadas pelo HIV conforme observado no período de 2004 e 2009, mas aproximadamente 10 milhões de pessoas vivendo com HIV, que são elegíveis para o tratamento sob a novas orientações da OMS ainda estão sem assistência.2,3 Embora o crescimento global da AIDS tenha se estabilizado por redução no número de novas infecções, a incidência de casos novos pelo mundo ainda é muito alta e após 30 anos de complexa epidemia, hoje aproximadamente 34,0 milhões de pessoas estão infectadas pelo HIV. 1,2 2 Os resultados do compromisso, investimento e colaboração ao longo da última década, se traduziram em melhorias substanciais no acesso à prevenção, diagnóstico, tratamento, cuidados e intervenções de apoio aos portadores de HIV/AIDS no setor da saúde (Quadro 1), gerando ganhos reais embora ainda frágeis. Houve uma redução significativa na mortalidade decorrente da AIDS, mas isso resultou em aumento no número de pessoas vivendo com HIV no mundo, e aumento impactante na incidência e prevalência de complicações biopsicossociais relacionadas a maior sobrevida do paciente portador de HIV. 2,4,5 Quadro 1 – Indicadores-chave para a epidemia de HIV, 2002-2010 Número de pessoas vivendo com AIDS (em milhões) Número de novos casos de infecção por HIV (em milhões) Número de mortes relacionados à AIDS (em milhões) % mulheres grávidas testadas para HIV Número de instituições que fornecem Terapia Antiretroviral Número de pessoas recebendo Terapia Antiretroviral Número de crianças recebendo Terapia Antiretroviral Cobertura de medicamento antiretroviral para prevenir a transmissão vertical(%) 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 29,5 [27,731,7] 30,2 [28,4 32,1] 30,7 [28,8 32,5] 31 [29,2 32,7] 31,4 [29,6 32,7] 31,8 [29,9 33,3] 32,3 [30,4 33,8] 32,9 [31,0 34,4] 34 [31,6 35,2] 3,1 [3,0 - 3,3] 3,0 [2,8 - 3,1] 2,9 [2,7 - 3,0] 2,8 [2,6 - 2,9] 2,7 [2,5 - 2,9] 2,7 [2,5 - 2,9] 2,7 [2,5 - 2,9] 2,7 [2,5 - 2,9] 2,7 [2,4 - 2,9] 2,0 [1,8 - 2,3] 2,1 [1,9 - 2,4] 2,2 [2,0 - 2,5] 2,2 [2,1 - 2,5] 2,2 [2,1 - 2,4] 2,1 [2,0 - 2,3] 2,0 [1,9 - 2,2] 1,9 [1,7 - 2,1] 1,8 [1,6 - 1,9] 8% 13% 15% 21% 26% 35% 7700 12400 18600 22400 300 000 400 000 700 000 9%b 1 330 000 2 034 000 2 970 000 4 053 000 5 255 000 6 650 000 71 500 125 700 196 700 275 400 354 600 456 000 14%b 23%b 33%b 43%b 48%b 48%c FONTE: UNAIDS – Global HIV/AIDS Response. Progress Report 2011. Evidências científicas sugerem que o acesso à terapia antirretroviral em países de renda baixa e média não só aumentou em 47% de cobertura a pessoas elegíveis para o tratamento (400.000 em 2003 para 6,65 milhões em 2010), resultando em declínios substanciais no número de pessoas que morrem de causas 3 relacionadas com a AIDS durante o última década, como também contribuiu para a diminuição no número de pessoas que adquirem a infecção pelo HIV (Figura 1).1 Milhões de pessoas Pessoas recebendo Terapia Antiretroviral Pessoas que morrem de causas relacionadas com a AIDS FONTE: UNAIDS – Global HIV/AIDS Response. Progress Report 2011. Figura 1 – Número de pessoas com acesso a terapia antirretroviral e o número de pessoas que morreram por causas relacionadas com a AIDS em países de baixa e média renda, 2000-2010. 1.2 Tendências epidemiológicas do HIV/AIDS no Brasil De 1980 a junho de 2011, no Brasil, foram notificados 608.230 casos de AIDS, sendo 343.095 (56,4%) na Região Sudeste; 123.069 (20,2%) na Região Sul; 78.686 (12,9%) na Região Nordeste; 35.116 (5,8%) na Região Centro-Oeste; e 28.248 (4,7%) na Região Norte. Em 2010 foram notificados 34.218 casos novos, com uma taxa de incidência nacional de 17,9/100.000 habitantes e razão de sexo de 1,7 novos casos em homens para cada caso em mulheres. Ao longo dos últimos 12 anos observa-se uma estabilização da taxa de incidência no Brasil (Figura 2).2,4 4 FONTE: MS/SVS/Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais Figura 2 – Distribuição percentual dos casos de AIDS por região de residência. Brasil, 1980 a 2011. Em 2010, do total de 34.218 casos de AIDS notificados no SINAN, declarados no SIM e registrados no SISCEL/SICLOM, 14.142 (41,3%) foram notificados na Região Sudeste; 7.888 (23,1%) na Região Sul; 6.702 (19,6%) na Região Nordeste; 3.274 (9,6%) na Região Norte; e 2.211 (6,5%) na Região Centro-Oeste (Figura 3).2 FONTE: MS/SVS/Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais Figura 3 – Distribuição percentual de casos de AIDS por região. Brasil, 2010 5 Desde o inicio da epidemia, a taxa de incidência de casos de AIDS em jovens de 15 a 24 anos tem aumentado progressivamente, alcançando o pico entre 1993 e 1995. A prevalência de infecção pelo HIV na população jovem, 0,12% em conscritos do Exército em 2007, apresenta tendência de aumento no Brasil. Após 1996, a taxa de incidência de novos casos manteve-se estabilizada, mas com aumento nas regiões Norte e Nordeste, diminuição nas regiões Sudeste e Sul, e estabilização na Região Centro-Oeste (Figura 4).2–4 FONTE: MS/SVS/Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais Figura 4 – Taxa de incidência de AIDS (por 100.000 habitantes) em jovens de 15 a 24 anos por sexo e ano de diagnóstico. Brasil, 1985 a 2010. Como reflexo da tendência mundial, houve no Brasil, a partir de 1996, não só uma queda da mortalidade por AIDS como também desaceleração na tendência de crescimento do número de casos novos e principalmente aumento da sobrevida dos portadores do Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV), relacionados à oferta gratuita e universal da terapia antirretroviral; prevenção e tratamento precoce das doenças oportunistas; aumento da rede de serviços para diagnóstico do HIV; e intensificação das estratégias de adesão à prevenção e tratamento da doença. 3–6 A mortalidade pela Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS) no Brasil apresenta-se heterogênea entre os segmentos da população e representa um grave problema de Saúde Pública. De 1980 a 2010, no Brasil, ocorreram 241.469 óbitos 6 tendo como causa básica a AIDS, sendo que no ano de 2010 ocorreram 11.965 óbitos, com coeficiente bruto de mortalidade de 6,3/100.000 habitantes. Considerando o coeficiente de mortalidade padronizado (População brasileira de 2000, IBGE), nos últimos 10 anos observa-se redução de 11,1% na mortalidade por AIDS no Brasil, mas o panorama , mostra que a mortalidade aumentou no Norte, Nordeste e Sul, diminuiu no Sudeste, e estabilizou no CentroOeste.2 Desde o surgimento da doença na década de 1980, a AIDS é uma das principais causas de morte entre os adultos jovens brasileiros, com a Região Sudeste responsável pela maior concentração de casos e óbitos por AIDS e a Região Norte registrando crescimento da taxa de mortalidade em Roraima, Amazonas e Pará, reflexo do processo de interiorização da epidemia no Brasil (Quadro 2 e Quadro 3). Entre as 27 Unidades Federativas, sete delas apresentaram coeficientes de mortalidade acima da média nacional para o ano de 2010. Foram os estados de Rio Grande do Sul (13,6/100.000 habitantes), Rio de Janeiro (10,3), Santa Catarina (9,0), Amazonas (8,0), São Paulo (7,2) e Roraima (7,1).2,3,5 Quadro 2 – Óbitos por AIDS (número e taxa de mortalidade por 100.000 habitantes) em jovens de 15 a 24 anos de idade, segundo UF e região de residência por ano do óbito. Brasil, 1980-2010 UF de residência 1980 1997 1998 1999 2000 2001 2002 nº nº taxa nº taxa nº taxa nº Brasil 9869 802 2,5 738 2,3 714 2,1 702 Norte 146 21 0,8 38 1,5 33 1,2 3,9 1,3 15 3 1,1 3 1,1 4 1,4 5 1 0 0 1 0,9 3 2,4 44 4 0,7 11 1,9 11 7 2 3,7 1 1,8 67 10 0,8 16 Amapá 6 0 0,0 Tocantins 6 2 0,8 Nordeste 579 70 Maranhão 35 6 Piauí 16 Ceará Rio Grande do Norte Paraíba 2003 nº taxa nº taxa 2 661 1,9 608 1,7 46 1,6 41 1,4 1,7 3 1,0 4 1,3 2 1,6 1 0,8 1 0,8 1,8 6 0,9 12 1,8 10 1,5 0 0,0 2 2,7 2 2,7 0 0 1,3 14 1,0 21 1,5 24 1,7 25 1,7 5 5,1 1 0,9 1 0,9 3 2,6 0 0 1 0,4 0 0,0 2 0,8 1 0,4 1 0,4 0,7 82 0,9 111 1,1 126 1,2 113 1,1 113 1,1 0,5 9 0,8 8 0,6 12 0,9 11 0,9 19 1,5 2 0,3 2 0,8 3 0,5 5 0,8 2 0,3 4 0,6 83 1 0,1 11 0,8 17 1,1 12 0,8 10 0,6 11 0,7 26 1 0,2 2 0,4 4 0,7 5 0,9 0 0,0 3 0,5 45 1 0,1 3 0,4 4 0,6 8 1,1 4 0,6 6 0,8 208 30 1,9 31 2,0 34 2,1 40 2,4 45 2,7 27 1,6 Alagoas 19 1 0,2 1 0,2 1 0,2 7 1,1 5 0,8 7 1,1 Sergipe 15 2 0,6 0 0,0 5 1,3 3 0,8 2 0,5 3 0,7 Rondônia Acre Amazonas Roraima Pará Pernambuco taxa 7 Bahia 132 26 0,9 23 0,8 35 1,2 34 1,2 34 1,1 33 1,1 Sudeste Minas Gerais Espírito Santo Rio de Janeiro 7645 476 3,6 386 2,9 386 2,8 334 2,4 332 2,3 274 1,9 517 54 1,6 57 1,7 42 1,2 40 1,1 45 1,2 40 1,1 83 12 2,1 11 1,9 17 2,7 11 1,7 8 1,2 4 0,6 1066 120 4,8 86 3,4 106 4,1 103 3,9 101 3,8 100 3,7 São Paulo 5979 290 4,3 232 3,4 221 3,1 180 2,5 178 2,4 130 1,7 Sul 1072 184 4,1 188 4,2 147 3,2 162 3,4 135 2,8 141 2,9 Paraná Santa Catarina Rio Grande do Sul CentroOeste Mato Grosso do Sul Mato Grosso 305 33 1,8 37 2,0 39 2,1 23 1,2 24 1,4 29 1,5 208 33 3,5 37 3,9 23 2,3 27 2,6 21 2,0 18 1,7 559 118 6,9 114 6,6 85 4,7 112 6,1 90 4,8 94 5,0 427 51 2,2 44 1,9 37 1,5 41 1,7 35 1,4 39 1,5 101 12 3,0 10 2,5 10 2,4 10 2,4 8 1,9 12 2,8 79 17 3,5 11 2,2 5 1,0 14 2,6 9 1,7 8 1,4 Goiás Distrito Federal 125 13 1,3 18 1,8 14 1,4 13 1,2 13 1,2 15 1,4 122 9 2,1 5 1,1 8 1,7 4 0,9 5 1,0 4 0,8 FONTE: Ministério da Saúde. Boletim Epidemiológico AIDS e DST, 2011 Quadro 3 – Óbitos por AIDS (número e taxa de mortalidade por 100.000 habitantes) em jovens de 15 a 24 anos de idade, segundo UF e região de residência por ano do óbito. Brasil, 1980-2010 UF de residência 2004 2005 2006 2007 2008 2009 Total 19802010 2010 nº taxa nº taxa nº taxa nº taxa nº taxa nº taxa nº nº Brasil 539 1,3 484 1,3 475 1,3 497 1,4 523 1,5 539 1,6 508 17659 Norte 48 1,6 56 1,7 49 1,5 62 1,9 45 1,7 63 2,0 62 758 Rondônia 5 1,6 2 0,6 2 0,6 6 1,8 3 1,0 2 0,7 4 61 Acre 3 2,2 5 3,4 0 0 1 0,7 0 0 1 0,7 1 20 18 2,6 14 1,9 13 1,8 17 2,4 18 2,6 21 3,0 17 216 Amazonas Roraima Pará 0 0 3 3,6 3 3,4 4 4,7 4 4,8 5 6,0 2 35 19 1,1 31 2,0 31 2,0 31 2,0 28 1,8 33 2,2 34 384 20 Amapá 0 0 1 0,8 0 0 1 0,7 0 0 0 0,0 2 Tocantins 3 1,1 0 0 0 0 2 0,7 1 0,4 1 0,4 2 22 Nordeste 100 0,9 102 0,9 106 1,0 106 1,0 105 1,0 132 1,3 109 1954 Maranhão 12 0,9 18 1,3 16 1,2 17 1,2 18 1,3 29 1,2 14 224 7 1,1 4 0,6 3 0,5 5 0,8 3 0,5 4 0,6 7 67 12 0,8 14 0,9 10 0,6 10 0,6 19 1,1 16 0,9 8 234 3 0,5 1 0,2 1 0,2 3 0,5 2 0,3 6 0,1 4 61 6 0,8 6 0,8 5 0,7 2 0,3 6 0,8 4 0,5 6 106 Piauí Ceará Rio Grande do Norte Paraíba Pernambuco 29 1,7 34 1,9 35 2,0 39 2,3 27 1,6 39 2,4 34 652 Alagoas 2 0,3 5 0,8 3 0,5 7 1,1 7 1,1 2 0,3 10 77 Sergipe 3 0,7 2 0,5 2 0,5 1 0,2 2 0,5 5 1,3 3 48 26 0,9 18 0,6 31 1,0 22 0,8 21 0,7 27 1,0 23 485 Sudeste Minas Gerais Espírito Santo Rio de Janeiro 234 1,6 188 1,2 194 1,3 193 1,4 228 1,7 220 1,6 217 11307 40 1,1 24 0,6 39 1,0 24 0,7 21 0,6 29 0,8 35 1007 12 1,8 8 1,1 10 1,4 8 1,2 13 2,1 8 1,3 9 214 79 2,9 62 2,2 60 2,1 76 3,0 77 3,1 75 3,0 83 2194 São Paulo 103 1,4 94 1,2 85 1,1 85 1,2 117 1,7 108 1,6 90 7892 Bahia 8 Sul 125 2,6 111 2,2 109 2,1 111 2,3 101 2,1 91 1,9 87 2764 Paraná Santa Catarina Rio Grande do Sul CentroOeste Mato Grosso do Sul Mato Grosso 25 1,3 29 1,5 23 1,2 25 1,3 19 1,0 18 1,0 14 643 22 2 19 1,7 15 1,3 22 2,0 20 1,8 17 1,6 18 500 78 4,1 63 3,2 71 3,6 64 3,4 62 3,4 56 3,1 55 1621 32 1,2 27 1 17 0,6 25 1,0 35 1,4 33 1,3 33 876 6 1,4 6 1,3 5 1,1 6 1,4 6 1,4 7 1,6 2 201 9 1,6 10 1,7 3 0,5 5 0,9 9 1,6 12 2,1 10 201 Goiás Distrito Federal 12 1,1 9 0,8 7 0,6 10 0,9 11 1,0 9 0,8 14 283 5 1 2 0,4 2 0,4 4 0,9 9 1,9 5 1,0 7 191 FONTE: Ministério da Saúde. Boletim Epidemiológico AIDS e DST, 2011 1.3 Tendências epidemiológicas do HIV/AIDS no Amazonas Na Região Norte, o Amazonas obteve o registro de 8.470 casos de AIDS no período de 1980 a Junho 2011, o segundo maior registro de toda a Região, precedido pelo Estado do Pará com 12.532 casos. Em 2010, dos 3.274 casos registrados no norte do Brasil, 260 (7,9%) encontram-se no Amazonas.2 ncia de casos de AIDS em Manaus/AM (50,9/100.000 habitantes 2 sobrevida das pessoas com HIV/AIDS, mas ainda é preocupante o número de óbitos registrados no Amazonas.1,2,7–9 a AIDS nia, 3 1,2 9 Com relação ao coeficiente de mortalidade por AIDS - nia (4,5), Tocantins (2, (1,8).1,2 Utilizando como base a população brasileira do ano 2000 (IBGE), o coeficiente de mortalidade padronizado para o ano de 2010 foi 6.5/100.000 habitantes, o que corresponde a um aumento de 242% nos últimos 10 anos.2–4 Na Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD), localizada em Manaus – AM, considerada centro de referência nacional e mundial para o tratamento de enfermidades tropicais, foram diagnosticados e notificados 763 casos no ano de 2012 e 505 casos de janeiro a julho de 2013 (Quadro 4, Quadro 5). Entre os atendimentos registrados em 2012 e 2013 (Janeiro a Julho), realizou-se uma média mensal de internação equivalente a 132 pacientes (Quadro 6, Quadro 7). 8,9 Quadro 4 – Casos de AIDS diagnosticados na FMT-HVD, por mês e ano de notificação em 2012 Fonte: SINAN/FMT-HDV 10 Quadro 5 – Casos de AIDS diagnosticados na FMT-HVD, por mês e ano de notificação em 2013 Fonte: SINAN/FMT-HDV Quadro 6 – Atendimentos realizados no ano de 2012 Fonte: SUBGAMEC/DAM, DESP/DENPE/FMT-HVD 11 Quadro 7 – Atendimentos realizados no ano de 2013 Fonte: SUBGAMEC/DAM, DESP/DENPE/FMT-HVD Diante deste epidemiológico e dos fatores determinantes da pelo HIV, a FMT-HVD por meio da Coordenação Estadual de Doenças Sexualmente Transmissíveis - DST e AIDS, atua na implantação e implementação de atividades educativas, treinamentos, capacitação, campanhas, programas de saúde, ampliação do tratamento, ensino e pesquisa a fim de estruturar a rede de assistência para o atendimento das pessoas vivendo com DST/HIV/AIDS, diagnosticar precocemente o HIV e diminuir a transmissão vertical do HIV.8,9 A complexidade e a variedade dos desafios trazidos pela epidemia do HIV/AIDS, bem como os problemas suscitados pelo aumento da sobrevida dos indivíduos acometidos pela doença e surgimento de complicações, instigam os serviços de saúde ao estudo e preparo adequado no manejo dos aspectos clínicos, sociais, psicológicos e econômicos resultantes de toda a sua magnitude, estigmas e preconceitos. 7,10,11 12 1.4 Dor – Conceito, Fisiopatologia e Classificação Dor, segundo definição publicada em 2011 pela International Association for the Study of Pain (IASP), é uma “Experiência sensitiva e emocional desagradável, associada a lesão real ou potencial dos tecidos, ou descrita em termos de tal lesão”.10,12–20 A dor é sempre subjetiva e multifatorial, seu entendimento é reflexo das experiências e aprendizados obtidos a partir de aspectos emocionais, socioculturais e ambientais de cada indivíduo. Da percepção dolorosa até a expressão quantitativa da dor, fatores físicos, neuroendócrinos, cognitivos e psíquicos atuam como potencializadores ou atenuantes do comportamento doloroso. Muitas pessoas relatam dor na ausência de danos no tecido ou qualquer outra causa fisiopatológica provável; e pode estar relacionado à razões psicológicas. Geralmente não há nenhuma maneira de distinguir as experiências dolorosas de cada indivíduo da dor causada por lesão tecidual, se tomarmos o relato subjetivo. Se consideram sua experiência como dor, e se eles a relatam da mesma forma que relatam a dor causada por lesão tecidual, ela deve ser aceita como dor.10–26 Sintoma comum nos mais diversos quadros clínicos, a dor atua também como um sinal de alerta, revela a presença de disfunção ou lesão tecidual, funcionando como mecanismo fundamental na preservação da vida. Entretanto, a dor não tratada a partir de seu estágio inicial, compromete o processo de recuperação e tende a cronicidade.12,13,23,25 - nociceptores ou receptores nociceptivos, de alto limiar de excitabilidade, localizados na pele e em outros tecidos, responsáveis pela transdução e codificação dos estímulos nocivos nicos intensos amento, agulhada, estiramento), por subst nicas presentes no ambiente tecidual (acetilcolina, bradicinina, histamina, sero AMPc), e por estímulos térmicos extremos: quentes (> 45°C) ou frios (< 5°C).10,20,27 13 A partir de um potencial gerado nos nociceptores, a informação é transmitida para o sistema nervoso central através de fibras A-delta e C, o estímulo seguirá pelas fibras aferentes primárias até a medula espinhal e, através de vias ascendentes, será projetado no córtex onde ocorre a percepção consciente da dor, após conexões com estruturas como tálamo e formação reticular.10,27,28 Para fins didáticos, a dor pode ser classificada quanto: (A) Causa (B) E no tempo (C) Origem (D) L (E) Intensidade. - (A) Causa: - ncer, isquemias, etc.27 27 - (B) Tempo: valor biológico fundamental, pois constitui um alerta para a possibilidade de uma lesão tecidual vir a se instalar ou já estar instalada, além de induzir reações de defesa, fuga ou remoção do agente causal, frequentemente relacionada agudas ( ). nica: é a dor que ultrapassa o período esperado de resolução da sua causa, geralmente com mais de 3 a 6 meses - ncia dos familiares e cuida frequente e inapropriada . 14 , banho. Dor intermitente: dor ep Dor e Breakthrough Pain .12,23,24,29 - (C) Origem: q nociceptiva, miofascial, visceral, neuropática, de manutenção simpática ou mista. “mista”, que pode ser predominantemente nociceptiva ou predominantemente neuropática. ativação de nociceptores por dano ou disfunção de tecido não neural. Pode ser dividida em dor superficial (dor cutânea) que ocorre ao nível da pele ou membranas mucosas (pequenas feridas, queimaduras de primeiro grau) ou dor profunda originada em músculos, ossos, articulações, ligamentos, tendões, vasos sanguíneos, fáscias (rupturas, fraturas ósseas, dor miofascial). Dor miofascial: dor localizada ou regional associada à presença de contratura muscular, ocorre de maneira isolada ou combinada com outras causas de dor, ocorre principalmente no adulto e predominantemente no sexo feminino, as localizações mais comuns são região cervical, região dorsal alta, ombro, região interescapular, lombar e nádegas. da, geralmente difusa nas proximidades do órgão afetado ou mesmo à distância, p náuseas e vômitos, sud m receptores para dor, algumas vísceras como pulmão, fígado e rins são praticamente insensíveis a dor mesmo em estágios avançados de doença. As vísceras ocas respondem pouco aos estímulos convencionais, são mais susceptíveis à distensão, à isquemia ou aos processos inflamatórios. 15 A dor causada por lesão/doença do sistema nervoso somatossensorial, é iniciada por primária ou disfunção/perturbação transitória no sistema nervoso periférico (nervo, plexo ou raiz) ou no sistema nervoso central (encéfalo ou medula). A dor neuropática é uma descrição clínica (e não um diagnóstico), que exige uma lesão demonstrável ou uma doença que preencha os critérios diagnósticos neurológicos estabelecidos. contínua (em queimação, ardência, “que pinica”) ou intermitente (em pontada, choque, que espeta, em agulhada), e se irradia pelo território do nervo lesado. Dor de manutenção simpática: é a dor espontânea, independente de estímulo, mantida pelo sistema nervoso simpática. Dor mista como nervos e raízes articulações também de osso, facetas, - nociceptiva.12,25,27 - (D) Localização da dor: para localizar a dor é muito útil o Diagrama Corporal, representação esquemática que consiste em duas figuras do corpo humano na posição anatômica, uma de frente e outra de costas, dividido em 45 áreas numericamente distribuídas e especificadas em direita e esquerda. Os avaliados confirmam a área acometida pela dor apontando o local correspondente ao sintoma. A dor orgânica é representada por área bem definida, enquanto a dor não orgânica é difusa, pouco definida. 27,30 - (E) Intensidade da Dor: diversas escalas (Escala Verbal, Escala Analógica Visual, Escala Verbal Numérica, Escala de Expressão Facial, Escala de McGill, etc.) são utilizadas para quantificar a dor, entretanto não existem aparelhos ou dispositivos para medir com exatidão a intensidade da dor ou quanto alívio foi obtido após o tratamento. Inúmeros fatores influenciam no relato do paciente, portanto, eleger uma ou duas das escalas existentes, respeitando a capacidade cognitiva individual, para padronização na prática clínica facilita a interpretação do avaliador sobre o sintoma doloroso do paciente.12,31–33 16 Pela complexidade clínica e existência de inúmeros fatores que influenciam a expressão da dor, entende-se a dificuldade enfrentada pelos profissionais de saúde diante de um relato de dor, portanto é fundamental se dedicar em avaliar frequentemente e corretamente a dor para que o seu tratamento seja adequado.10,12,13,18,19,24,34–36 Nas unidades de internação hospitalar, nos diversos setores de assistência à saúde, independente do diagnóstico e da urgência da patologia em tratamento, a dor (aguda ou crônica) costuma ser sub-diagnosticada, subtratada, e muitas vezes negligenciada. Diagnosticar e tratar a dor adequadamente são responsabilidade e compromisso do .12,13,17,19,25,36,37 Em decorrência da elevada prevalência e inadequado monitoramento da dor intra-hospitalar, têm-se dado ênfase em melhoria da qualidade da assistência ao paciente com dor nas instituições hospitalares, por meio de avaliação, registro sistemático e tratamento adequado dos sintomas dolorosos relatados durante a internação. A padronização de indicadores e medidas de avaliação da qualidade dos serviços prestados vêm se desenvolvendo, e consequentemente, definir diretrizes para implantação da dor como 5o sinal vital é importante no processo de acreditação hospitalar pela maior agência acreditadora dos Estados Unidos da América (EUA) Joint Commission Accreditation Healthcare Organization JCAHO. – 38,39 1.5 Dor no paciente portador de HIV/AIDS A infecção pelo Vírus da Imunodeficiências Humana (HIV) associada ao desenvolvimento de sintomas dolorosos principalmente em pacientes portadores da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS) é uma complicação comum e diretamente relacionada ao cenário atual mundial de sobrevida aumentada dos pacientes tratados, inclusive em crianças e adolescentes.17,17,20,23,40,41 17 Ao contrário do que muitos acreditam, a dor é um sintoma frequente em pacientes portadores de HIV/AIDS, com prevalência bastante variada, mesmo em pacientes sob tratamento com Terapia Antirretroviral Combinada (cART). O uso generalizado recente da cART ao longo da última década, resultou em frequência da dor menor que a encontrada em estudos realizados antes do advento da cART, maior eficácia clínica e diminuição significativa na dor neuropática relacionada com o HIV e tratamento antirretroviral. A dor revelou-se ainda menos associada com a progressão da doença, isoladamente, e não correlacionada à contagem de linfócitos CD4 +.23,23,28,37,42–44 A dor no paciente portador de HIV/AIDS, pode ser de origem neuropática, somática, visceral, psicogênica e mista, e acometem as mais diferentes regiões topográficas dos pacientes afetados. Diferentes fatores como gênero, idade, comorbidades, altura, terapia antirretroviral e transtornos psicológicos associados estão relacionados à um maior relato de sintomas dolorosos.11–14,17,20,27,41,45 Os pacientes portadores de HIV frequentemente relatam dor crônica aos seus cuidadores. Estudos recentes mostram uma prevalência que varia entre 28% a 97%, dependendo da assistência ao tratamento da dor, sistema de acompanhamento (ambulatorial, hospital dia, hospitalizado, domiciliar), comorbidades e configuração do estudo.15–18 Dados variáveis que excedem 80% revelam sub-tratamento da dor em pacientes com HIV/AIDS e sintomas dolorosos associados. Estudos publicados sobre as principais causas para o inadequado diagnóstico e tratamento das síndromes dolorosas em pacientes portadores de HIV/AIDS demonstram que a falta de conhecimento sobre os protocolos e esquemas terapêuticos anti-álgicos, o medo dos efeitos colaterais bem como da ocorrência de vício por uso ou abuso de opióides e a falta de especialistas para acompanhamento dos pacientes com dor são as principais barreiras para o adequado manejo da dor. A escassez de estudos sobre os aspectos relacionados às síndromes dolorosas de pacientes com HIV/AIDS internados corrobora com multiprofissional. 13,19,20,35,36 o inadequado controle da dor e despreparo 18 Algumas características da dor em pacientes portadores do HIV são limitantes para avaliação e tratamento adequados do quadro doloroso. A AIDS é uma doença multissistêmica desde o início e durante toda a sua progressão, vários órgãos e sistemas podem estar envolvidos simultaneamente, predispondo potencialmente o paciente a um maior número de situações dolorosas. Estão relacionados abaixo pontos importantes no planejamento da terapia anti-álgica: a) Complicações infecciosas, as quais são potencialmente tratáveis, são a principal causa de dor; b) Grande número de problemas psiquiátricos e comorbidades demenciais que tornam a avaliação e o tratamento da dor mais difícil; c) Multi-esquemas utilizados para tratar doenças subjacentes pressupõem mais interações medicamentosas e uma maior suscetibilidade dos pacientes a efeitos colaterais, hipersensibilidade e reações adversas; d) Muitos pacientes são usuários de drogas ilícitas, dificultando o uso regular e adequado de opióides; e) Falta de apoio social para doentes com AIDS; f) especialistas em gestão de dor raramente são incluídos em equipes multidisciplinares de saúde que cuidam de pacientes com AIDS.12,15,16,23,41 Apesar das limitações das pesquisas publicadas, vários resultados sugerem que as síndromes dolorosas mais comuns em pacientes com HIV incluem cefaléia, dor neuropática periférica, dor abdominal, e algumas condições reumatológicas. As síndromes mais documentadas são as cefaléias, estimadas entre 10 a 55% dos pacientes com AIDS e neuropatia periférica dolorosa estimada em 15 a 60%. Entre pacientes internados houve predomínio de dor torácica (22%), cefaléia (13%), dor na cavidade oral (11%) e abdominal (8%). 17,23,46,47 A associação do quadro clínico relacionado à infecção pelo HIV com o relato de dor deve ser investigada minunciosamente, e o tratamento da patologia iniciado 19 simultaneamente ao tratamento da dor. As manifestações clínicas mais comuns estão abaixo relacionadas: - Gastrointestinais: dor refratária por gastrite, esofagite ou candidíase. - Orofaríngeas: candidíase ocorre em 75% dos pacientes com HIV, gengivite, úlceras ou abscessos pelo vírus do herpes simples (VHS), citomegalovírus (CMV), Vírus Epstein-Barr (EBV), micobatérias típicas e atípicas, criptococose e histoplasmose. - Esofágicas: disfagia e odinofagia por candidíase (25 a 79%), úlceras por CMV. - Abdominais: diarréia por criptosporidíase, enterites, ileítes e colites por CMV, e menos frequentemente intussuscepção, apendicite, obstrução intestinal, linfoma, colecistite, colangite, pancreatite ou peritonite por CMV, criptosporidíase ou medicamentosa. - Anorretais: abscessos perirretais, fissuras por HSV e alterações prostáticas por CMV, carcinoma anorretal e condilomas. - Neurológicas: Doença neurológica é o indicador inicial da presença da infecção por HIV em 10-20% dos casos, mais de 90% das infecções do Sistema Nervoso Central (SNC) clinicamente significativas em pacientes com HIV são causadas meningite criptocócica, encefalite por toxoplasmose, leucoencefalite multifocal progressiva (PML) , e encefalite / radiculopatia por CMV. - Cefaléias: cefaléia por doenças neurológicas, infecções oportunistas ou tumores. - Neuropatias Periféricas: mono-neuropatias, poli-neuropatias, plexopatias, parestesias. - Reumatológicas: artrites e artropatias, miopatias e miosites.5,12,15–17,29,46,48– 51 Os mecanismos fisiopatológicos para as síndromes dolorosas ainda são pouco elucidados, o conhecimento epidemiológico das síndromes dolorosas da AIDS é essencial para o diagnóstico correto e o controle eficaz da dor, fundamentalmente visando oferecer conforto ao paciente, e atenuação das situações de ansiedade, angústia, depressão, irritabilidade, frustração com a ineficácia do 20 tratamento, perda do emprego e da posição social, o desfiguramento físico, a perda das habilidades físicas, a sensação de inutilidade, a incerteza do futuro e o medo da morte.11,12,15–17,28,40,44,46 A qualidade de vida dos pacientes portadores da AIDS é extremamente prejudicada pelo desenvolvimento desse quadro complexo bio-psíquico-social negativo e deve ser uma preocupação crescente sustentada em princípios de suporte multidisciplinar e medicina paliativa para alivio dos sintomas das doenças crônicas desde o seu diagnóstico.16 Em resposta à necessidade de oferecer aos pacientes portadores de doenças incuráveis um suporte multidisciplinar precoce, a Organização Mundial de Saúde (OMS) estimula uma melhor atuação do profissional de saúde no que constitui um dos aspectos mais desafiantes da assistência à saúde e formação ac adêmica, a terapia da dor e os cuidados paliativos nos pacientes crônicos.19,35,36 Discussões e estudos, acerca do significado do cuidado, necessitam ser trabalhados durante o processo de formação do profissional da área da saúde , para que se compreenda o cuidar como um processo que possui uma dimensão essencial e complexa, tanto na experiência de quem cuida (familiar, amigo, vizinho) quanto de quem recebe o cuidado, ou até mesmo de quem ensina a cuidar e de quem está aprendendo a cuidar.52 Considerando que o ambiente de formação acadêmica da maioria dos profissionais da área da saúde, em muitos casos, é o mesmo da atuação profissional, podemos aproveitar esta riqueza de contato com pessoas e suas experiências para conhecer e estudar também nosso comportamento e o reflexo de nossas atitudes nos relacionamentos interpessoais. Uma mudança nas grades curriculares, com maior espaço e ênfase no estudo do autoconhecimento e dos processos relacionais, poderá resultar, além da formação de uma base ao processo de humanização, pessoal.19,35,36,47,52 em grande fonte de desenvolvimento profissional e 21 No Brasil, infelizmente, muitos sofrem com morte de baixa qualidade mesmo quando a morte vem naturalmente. Segundo o estudo realizado pelo periódico The Economist , das 40 nações analisadas, o Brasil ficou em antepenúltimo no índice de qualidade de morte. Perdeu apenas para Uganda e Índia, esta última considerada o pior lugar para morrer. 53 Para calcular o Índice de Qualidade de Morte, indicadores qualitativos – baseados na avaliação individual de cada país em quesitos como conscientização pública sobre serviços e tratamentos disponíveis a pessoas no fim de suas vidas e disponibilidade de remédios e de paliativos – e quantitativos – como taxas de expectativa de vida e de porcentagem do Produto Interno Bruto (PIB) gasta em saúde se dividem por quatro categorias: ambiente, acesso, custo e qualidade dos cuidados paliativos. Dados como parte do PIB gasto com saúde, expectativa de vida e número de médicos por morte não acidental, compõem o ambiente. O acesso consiste em ver se há políticas públicas, assim como o número de serviços disponíveis. Para o custo, interessa saber se há ou não financiamento público de serviços para estes pacientes. Facilidades no acesso a analgésicos, transparência na relação do profissional de saúde e paciente e treinamento dos estudantes de medicina em cuidados paliativos, são verificadas no quesito qualidade.53 Diante do necessidade urgente em melhorar não só a qualidade de vida como também a qualidade de morte dos pacientes portadores de HIV/AIDS, o estudo da dor em pacientes internados na FMT-HVD pode, de forma incipiente, esclarecer o aspecto multifatorial que envolve a percepção subjetiva da dor enfrentada pelo paciente durante seu tratamento intra-hospitalar, destacar as possíveis barreiras encontradas para o inadequado tratamento da dor, e ainda otimizar a terapia da dor demandada pelos pacientes internados portadores de HIV/AIDS. 22 2. OBJETIVOS 2.1 Objetivo Geral Realizar análise descritiva da dor em pacientes internados na FMT-HVD, portadores do Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV) e Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS). 2.2 - Objetivos Específicos Caracterizar a dor quanto a intensidade, localização, origem provável, característica predominante e frequência. - Estimar a satisfação com a analgesia utilizada nos pacientes internados portadores de HIV/AIDS. - Analisar a prescrição de analgésicos para os pacientes internados portadores de HIV/AIDS quanto à posologia e adequado manejo da dor. - Avaliar a interferência da dor na vida dos pacientes internados portadores de HIV/AIDS. - Correlacionar a Dor com aspectos clínicos e capacidade funcional dos pacientes internados portadores de HIV/AIDS. 23 3. MATERIAL E MÉTODOS 3.1 Tipo de Estudo O estudo apresentado é descritivo, observacional e prospectivo, desenvolvido na Fundação de Medicina Tropical Doutor Heitor Vieira Dourado – FMT/HVD em Manaus, no período de novembro de 2012 a março de 2013, com pacientes internados, portadores de HIV/AIDS, após aprovação pelo Comitê de Ética em Pesquisa da FMT-HVD em 05 de outubro de 2012 sob o número 103.527 e assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Foi executado conforme preconizado na Resolução 466/12 do Conselho Nacional de Saúde (CNS), relativa às Diretrizes Éticas e Normas Regulamentadoras de Pesquisa em Seres Humanos. 3.2 Local do Estudo Este estudo foi desenvolvido no Hospital da Fundação de Medicina Tropical Doutor Heitor Vieira Dourado – FMT/HVD em Manaus – Amazonas. 3.3 População de Estudo A população deste estudo foi constituída de pacientes internados no Hospital da FMT/HVD, com diagnóstico de infecção por HIV, em qualquer estágio da doença, independente de qual causa motivou a internação. A seleção da amostra obedeceu aos seguintes critérios: 3.3.1 Critérios de Inclusão - Pacientes com diagnóstico confirmado de infecção pelo HIV por meio de sorologia ou teste rápido, com 24 horas ou mais de internação no Hospital da FMTAM; - Indivíduos maiores de 18 anos de idade, capazes de entender e assinar o TCLE. 3.3.2 Critérios de exclusão 24 - Ocorrência de óbito nas primeiras 48 horas após a admissão; - Vontade expressada pelo paciente de se retirar do estudo em qualquer período. 3.4 Tamanho da Amostra A amostra foi determinada pelo número de pacientes novos que foram internados durante o período do estudo com o diagnostico confirmado de infecção pelo HIV por meio de sorologia ou teste rápido e que obedeceram aos critérios de inclusão propostos no estudo. 3.5 Captação dos Pacientes e Coleta de Dados No período de novembro de 2012 a março de 2013, a cada três pacientes com diagnostico de HIV/AIDS, admitido no Hospital da FMT/HDV há no mínimo 24h, um foi convidado a participar da pesquisa. Foram dadas explicações e tiradas todas as dúvidas sobre a pesquisa no leito do paciente. Após leitura e obtenção de assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido – TCLE (Anexo 1), a entrevista foi iniciada por meio de Protocolo de Avaliação (Anexo 2) e os dados complementados com informações registradas em prontuário eletrônico iDoctor® e evolução realizada pela equipe de enfermagem do Hospital, sob consentimento da Diretoria de Assistência Médica do Hospital da FMTHVD (Anexo 3) O Protocolo de Avaliação, formulado pela pesquisadora com base na literatura, foi composto por questões sobre características sócio-demográficas, Escala Visual Analógica (EVA), Inventário Breve de Dor (Brief Pain Inventory -BPI), Questionário de McGill para Avaliação do Padrão da Dor, Escala de Katz para avaliar Capacidade Funcional, Escala de Faces para mensurar satisfação individual com a analgesia utilizada e Diagrama Corporal de Localização e Distribuição Espacial da Dor. 3.5.1 Escala Visual Analógica - EVA 25 A Escala Visual Analógica (EVA) é um instrumento unidimensional para avaliação da dor, consiste em uma linha reta de 10 cm que representa a dor, ancorada pelas palavras sem dor e pior dor possível nos seus extremos (Figura 5). Solicita-se que o indivíduo marque na linha o lugar que representa a intensidade da dor sentida. O observador deve medir em centímetros a distância entre a medida ancorada pelas palavras sem dor e a marca feita pelo paciente, que corresponderá à intensidade de sua dor. A intensidade dolorosa foi categorizada em: 0 = ausência de dor; 1 – 3 = dor leve; 4 – 7 = dor moderada e 8 – 10 = dor intensa.54–56 FONTE: http://www.dor.org.br/profissionais/5_sinal_vital.asp Figura 5 - Escala Visual Analógica - EVA 3.5.2 Inventário Breve de Dor (Brief Pain Inventory ) - BPI O Inventário Breve de Dor, Brief Pain Inventory – BPI, é constituído de 15 itens, subdivididos em duas partes: a primeira, avalia a intensidade da dor (8 itens) e a segunda, avalia a interferência da dor em aspectos da vida (7 itens) como atividades em geral (vestir-se, alimentar-se, cuidados pessoais e de higiene), humor (sensação de bem estar emocional), habilidade para caminhar, sono, trabalho, relacionamento com outras pessoas e aproveitamento da vida (Figura 6). Consiste de uma série de questões que capturam aspectos da dor vivenciada 26 ao longo das últimas 24 horas (localização e intensidade da dor, impacto sobre a vida do paciente, tipo e eficácia de qualquer tratamento). O BPI geralmente leva de 5 a 15 minutos para ser completado e é útil para uma variedade de populações de pacientes. É um instrumento de medida multidimensional da dor que está disponível em várias línguas e possui sua fidedignidade e validade aferida em muitos contextos clínicos e de pesquisa. O BPI foi utilizado para mensurar a intensidade da dor e o seu impacto em algumas áreas da vida do paciente conforme objetivos específicos propostos no estudo.12,54–56 27 FONTE: Pereira, Rev.Latinoamericana de Enf 1998. Figura 6 - Inventário Breve de Dor – BPI 3.5.3 Questionário de McGill Utilizado no estudo por quantificar e permitir ao paciente descrever as qualidades e características da dor, o questionário auxiliou no relato específico das suas dores, visto que um dos objetivos propostos foi caracterizar a dor dos pacientes portadores de HIV/AIDS internados. Essa apresentação fornece medidas quantitativas das dores que podem ser tratadas estatisticamente e a análise dos dados possibilita seu uso por qualquer profissional da saúde interessado em avaliar o fenômeno doloroso. O Questionário de Dor McGill , The McGuill Pain Questionnaire (MPQ), foi desenvolvido por Melzack em 1975 e traduzido e adaptado para o português brasileiro por Pimenta e Teixeira em 1997, inclui 78 descritores distribuídos em 20 itens e subdivididos em 4 agrupamentos: sensitivo-discriminativo, afetivo- motivacional, avaliativo-cognitivo e miscelânea. Cada item é composto por 2 a 6 descritores qualitativamente similares, mas com propriedades que os tornam 28 diferentes em termos de magnitude (Figura 7). A partir do questionário de McGill, pode-se calcular dois índices: Pain Rating Index - PRI (Índice de Avaliação de Dor) e Number of Words Chosen - NWC (Número de Palavras Escolhidas). O Índice de Avaliação da Dor (PRI) é obtido através da somatória dos valores de intensidade dos descritores escolhidos. O valor máximo possível é 78. Em cada uma das 20 subclasses, os descritores que qualificam a dor aparecem em uma ordem crescente de inte O Número de Descritores Escolhidos (NWC) corresponde as palavras que o doente escolheu para explicar a dor. O maior valor possível é 20, pois o doente só pode escolher, no máximo, uma palavra por subgrupo, ou seja, o indivíduo deve ser adequadamente instruído a escolher somente uma palavra em cada uma das vinte subclasses, não sendo obrigatório que ele escolha palavras em todas elas. Estes índices podem ser obtidos no total e para cada 1 dos 4 componentes do questionário: padrão sensitivo, afetivo, avaliativo e subgrupo de miscelanIa.54–58 Durante a avaliação do padrão da dor por meio do questionário, é necessário esclarecer o paciente e proceder com a seguinte orientação: (A) Assinale, no máximo, uma expressão em cada grupo (B) Não assinale palavras que não se aplicam (C) Escolha dentre estas expressões, as que melhor descrevem sua dor atual. 29 FONTE: Pimenta, Rev.Esc.Enf.USP 1996. Figura 7 - Questionário de Dor de McGill 3.5.4 Escala de Independência em Atividades da Vida Diária - EIAVD ou Escala de Katz. Ela foi desenvo autocuidado, os quais obedecem a uma hierarquia de complex ncia, higiene pessoal, capacidade para se vestir e tomar banho (Figura 8). O conceito de capacidade funcional implica a habilidade para a realização de atividades que permitam ao indivíduo cuidar de si próprio e viver independentemente, constituindo-se um indicador de saúde diretamente relacionado com a qualidade de vida, e com o objetivo proposto neste estudo de correlacionar a dor com a capacidade funcional dos pacientes internados portadores de HIV/AIDS. 30 A adaptação transcultural da EIAVD para a língua portuguesa, foi realizada por Lino et al em 2008, mantendo a pontuação criada pelos autores da escala em 1976. Para tanto, realizou-se tradução independente do instrumento para o português por um grupo de profissionais com experiência na área da geriatria e fluentes no idioma inglês e por um profissional de nível superior bilíngue, seguido por retradução reversa para o inglês e avaliação formal por epidemiologista proficiente nos dois idiomas. Por fim, a equipe de pesquisadores analisou o significado geral de cada item da escala e foi realizado pré-teste em 24 pacientes idosos com obtenção de 78,9% de concordância, assegurando sua reprodutibilidade. A independência foi categorizada em: 0 = independente em todas as seis funções, 1 = independente em cinco funções e dependente em uma função; 2 = independente em quatro funções e dependente em duas funções, 3 = independente em três funções e dependente em três funções; 4 = independente em duas funções e dependente em quatro funções, 5 = independente em uma função e dependente em cinco funções e 6 = dependente em todas as seis funções.59 FONTE: Lino, Cadernos de Saúde Pública/Ministério da Saúde 2008. Figura 8 – Escala de Katz 31 3.5.5 Escala de Faces A Escala de Faces consiste, originalmente, de sete faces, apresentadas em escala crescente de intensidade da dor, havendo dificuldade na analogia com a relação métrica (0 a 5 ou 0 a 10), uma vez que ela é uma escala de sete pontos. Essa escala é de fácil administração e não requer equipamento excepcional (Figura 9). Hicks et al. idealizaram uma escala que consiste de seis faces, sem expressões de choros ou sorrisos, fazendo a correlação métrica de 0-10, em escala crescente de dor, sendo chamada de Escala de Faces Revisada. Outras escalas comportamentais têm sido produzidas com o objetivo de melhor estudar a dor. Entretanto, nenhuma escala comportamental se mostrou superior às outras. Traduzida e adaptada culturalmente por SILVA e THULER, a Escala de Faces para o Brasil foi validada a partir de tradução por dois profissionais independentes, conciliação das traduções em uma única versão e retrotradução. A avaliação do conteúdo das escalas foi feita por meio da aplicação de sua versão final em pré-teste com 20 crianças escolares e adolescentes portadores de câncer entre 7 e 17 anos. A pontuação média para a compreensão da Escala de Faces (de 0 a 10) foi de 8,8 (±2,5), indicando seu uso clínico. A satisfação com a analgesia foi categorizada em: 0 = totalmente satisfeito; 2 = muito satisfeito, 4 = satisfeito; 6 = insatisfeito, 8 = muito insatisfeito, 10 = totalmente insatisfeito.30–33 FONTE: Hicks, Pain 2001. Figura 9 – Escala de Faces 32 3.5.6 Diagrama Corporal de Localização e Distribuição Espacial da Dor O Diagrama Corporal consiste em duas figuras do corpo humano na posição anatômica, uma de frente e outra de costas, dividido em 45 áreas numericamente distribuídas e especificadas em direita e esquerda (Figura 10). Os avaliados confirmam a área acometida pela dor apontando o local correspondente ao sintoma. Esta representação esquemática do corpo humano foi desenvolvida por Margolis, Tait, Krause em 1986 e amplamente usada na prática clínica desde então.12,30,54,55 FONTE: Margoli, Pain 2006. Figura 10 – Diagrama Corporal de Localização e Distribuição Espacial da Dor 33 3.5.7 Questionário de avaliação de dor neuropática – DN4 A escala de dor neuropática desenvolvida por Bouhassira e cols em 2005, é composta por 7 itens relacionados com sintomas e 3 itens com exame clínico. (Figura 11) Tem sensibilidade de 82,9%, especificidade de 89,9% e valor preditivo de 86%. O escore total de 4 ou mais em 10, sugere dor 55,60,61 FONTE: Bouhassira, Pain 2005. Figura 11 - Questionário para Diagnóstico de Dor Neuropática – DN4 34 3.6 Montagem da base de dados Os dados contidos no instrumento de coleta de cada paciente foram transcritos para uma planilha eletrônica de dados, utilizando-se o programa Microsoft Office Excel®. A entrada de dados na planilha foi realizada em dupla digitação pelos pesquisadores executantes, com a realização de checagens de consistência das informações e correções pertinentes. 3.7 Variáveis do Estudo As variáveis utilizadas no presente estudo foram selecionadas para atender às finalidades do estudo e se constituem da seguinte forma: 3.7.1 Variáveis sociodemográficas - Bairro (conforme resposta) - Procedência (Município ou região política de naturalidade) - Sexo - Idade (em anos) - Grau de Instrução: Analfabeto; Ensino Fundamental; Ensino Médio, Ensino Superior; Pós-graduação - Estado Civil: Casado; Solteiro; Viúvo; Divorciado; União Estável; Separado - Número de Filhos - Situação de Trabalho 3.7.2 Variáveis relacionadas à exposição ao HIV - Data do Diagnóstico da Infecção pelo HIV (em anos) - Via de Contaminação: Transfusão Sanguínea, Sexual, Seringas Contaminadas, Transmissão Vertical, Não Sabe - Usuário de drogas ilícitas atualmente: Sim; Não Não, nunca usou - Comorbidades Relacionadas ao HIV (Afecções oportunistas à admissão, segundo o CID-10 adaptado para HIV/AIDS, considerados para o diagnóstico definitivo ou 35 presuntivo os critérios de definição de casos de AIDS em adultos) - Terapia Antirretroviral 3.7.3 Variáveis clínicas - Auto-avaliação sobre situação atual da saúde: muito ruim; ruim; nem ruim, nem boa; boa; muito boa - Existência de comorbidades diagnosticadas previamente à admissão (hipertensão arterial sistêmica, diabetes mellitus, cardiopatia, pneumopatia, neoplasias, hipercolesterolemia, hipertrigliceridemia e outras) 3.7.4 Variáveis relacionadas à dor - Dor no momento da entrevista - Localização da dor por meio de Diagrama Corporal de Localização e Distribuição Espacial da Dor (anexo 2) - Intensidade da dor por meio da Escala Analógica Visual – EAV (anexo 2) - Tempo de dor (dias) - Frequência da dor: O tempo todo; Muitas vezes ao dia; Poucas vezes ao dia; Algumas vezes; Raramente - Duração da dor: Contínua; Intermitente - Uso de medicação para dor conforme prescrição médica - Intensidade da dor após o uso do medicamento - Conhecimento sobre a causa da dor - Fatores desencadeantes da dor - Características descritoras da dor conforme questionário de McGill (anexo 2) - Interferência da dor em atividades gerais, humor, habilidade de caminhar, trabalho, relacionamento com outras pessoas, sono e apreciar a vida por meio do Inventário Breve de Dor (anexo 2) - Presença de dor predominantemente neuropática conforme Questionário de avaliação de dor neuropática – DN4 (anexo 2) - Tipo predominante de dor - Satisfação com a analgesia prescrita - Etiologia provável da dor 36 - Dor na reavaliação e dor entre as avaliações por meio da Escala Analógica Visual – EAV (anexo 2) 3.8 Comitê de Ética em Pesquisa - CEP A realização da pesquisa foi autorizada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da FMT-HVD (CEP da FMT-HVD) onde foi realizada a coleta de dados e executado conforme preconizado na Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde, relativa às Diretrizes Éticas e Normas Regulamentadoras de Pesquisa em Seres Humanos (anexo 3). O CEP da FMT-HVD emitiu seu parecer após analisar documentação completa do projeto que foi composta por: Folha de Rosto da Plataforma Brasil assinada pelo pesquisador responsável, Instituição Proponente e Patrocinador Principal (anexo 4); Carta de Anuência do Diretor de Assistência Médica da Fundação de Medicina Tropical Doutor Heitor Vieira Dourado (anexo 5) e Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) conforme Resolução CNS no 196/96 e suas complementares (anexo 1). A solicitação para participação na pesquisa foi realizada mediante assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, após prévio esclarecimento sobre a natureza e os objetivos do estudo. Uma cópia ficou com a pesquisadora e a outra com o paciente. 3.9 Análise Estatística O tamanho amostral foi determinado pelo número de pacientes novos internados com o diagnóstico de HIV/AIDS no Hospital da Fundação de Medicina Tropical – HVD, conforme estimativas encontradas na literatura da prevalência de dor entre pacientes internados com HIV/AIDS. Os dados foram digitados e organizados em planilha Excel, em variáveis demográficas, relativas ao HIV/AIDS e a dor. A análise descritiva incluiu a distribuição de frequências, medidas de tendência central e dispersão, testes de quiquadrado de Pearson para a comparação de proporções e de Kruskal-Wallis para 37 comparação de medianas o pacote estatístico utilizado foi o Stata 11.2 (Stata Corporation). diagrama corporal 38 4. RESULTADOS 4.1 Resultados apresentados em formato de ARTIGO que será submetido ao “The Brazilian Journal of Infectious Diseases”. Caracterização e manejo da dor em pacientes com HIV/AIDS internados na Fundação de Medicina Tropical Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD) em ManausAM. Emily Santos Montarroyosa, Mewryane Câmara B. Ramosb, Fabiana Martins Silvac, Valeria Saracenia,d, Marcelo Cordeiro dos Santosa,c a Programa de Pós Graduação em Medicina Tropical Universidade do Estado do Amazonas (UEA) /Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado (FMTHVD), Manaus-AM, Brasil b Universidade Federal do Amazonas (UFAM) c Universidade do Estado do Amazonas (UEA); Programa de Pós Graduação em Medicina Tropical UEA / FMT-HVD d Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro INTRODUÇÃO Somente agora, na quarta década da Epidemia da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (Acquired Immune Deficiency Syndrome – AIDS), a propagação do Vírus da Imunodeficiência Humana (Human Immunodeficiency Virus – HIV) global foi minimizada, embora o número de aproximadamente 34 milhões de pessoas vivendo com HIV/AIDS no mundo ainda seja alarmante.1 A infecção pelo HIV, associada ao desenvolvimento de sintomas dolorosos principalmente em pacientes portadores da AIDS, é uma complicação comum e diretamente relacionada ao cenário clínico e terapêutico atual de sobrevida aumentada dos pacientes tratados, frequentemente relatada inclusive por crianças e adolescentes.2–4 A complexidade e a variedade dos desafios trazidos pela epidemia do HIV/AIDS, bem como os problemas suscitados pelo aumento da sobrevida dos indivíduos 39 acometidos pela doença e surgimento de complicações, instigam os serviços de saúde ao estudo e preparo adequado no manejo dos aspectos clínicos, sociais, psicológicos e econômicos resultantes de toda a sua magnitude, estigmas e preconceitos.5,6 Nas unidades de internação hospitalar, nos diversos setores de assistência à saúde, independente do diagnóstico e da urgência da patologia em tratamento, a dor (aguda ou crônica) costuma ser sub-diagnosticada, subtratada, e muitas vezes negligenciada.7 Diagnosticar e tratar a dor adequadamente são responsabilidade e compromisso do profissional da área de saúde, devem ser encarados não só como prior 7,8 Em resposta à necessidade de oferecer aos pacientes portadores de doenças incuráveis um suporte multidisciplinar precoce, a Organização Mundial de Saúde (OMS) estimula uma melhor atuação do profissional de saúde no que constitui um dos aspectos mais desafiantes da assistência à saúde e formação acadêmica, a terapia da dor e os cuidados paliativos precoces nos pacientes crônicos. 9,10 O presente estudo objetivou apresentar uma análise descritiva dos dados de dor em pacientes com diagnóstico de HIV/AIDS internados na Fundação de Medicina Tropical Doutor Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD), em Manaus. MÉTODOS Trata-se de um estudo descritivo, observacional e prospectivo, desenvolvido na FMT-HVD, após aprovação pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) da instituição sob o protocolo 103.527. A população do estudo foi constituída de pacientes com 18 anos de idade ou mais, com diagnóstico de infecção por HIV, em qualquer estágio da doença, independente de qual causa motivou a internação. No período de novembro de 2012 a março de 2013, a cada três pacientes com diagnóstico de HIV/AIDS, admitido no hospital há pelo menos 24 horas, um foi convidado a participar da pesquisa (amostra sistemática). Foram dadas explicações e tiradas todas as dúvidas sobre a pesquisa no leito do paciente. Após leitura e obtenção de assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), a entrevista foi iniciada por meio de Protocolo de Avaliação e os dados 40 complementados com informações registradas em prontuário eletrônico (iDoctor®) e evolução realizada pela equipe de enfermagem do hospital. Todos os pacientes foram revisitados e questionados sobre a presença e intensidade da dor uma semana após a primeira entrevista. O Protocolo de Avaliação, formulado pela pesquisadora com base na literatura, foi composto por questões sobre características sócio-demográficas, Escala Visual Analógica (EVA), Inventário Breve de Dor (Brief Pain Inventory -BPI), Questionário de McGill para Avaliação do Padrão da Dor, Escala de Katz para avaliar Capacidade Funcional, Escala de Faces para mensurar satisfação individual com a analgesia utilizada e Diagrama Corporal de Localização e Distribuição Espacial da Dor. Os dados foram digitados e organizados em planilha Excel, em variáveis demográficas, relativas ao HIV/AIDS e a dor. A análise descritiva incluiu a distribuição de frequências, medidas de tendência central e dispersão, testes de quiquadrado de Pearson para a comparação de proporções e de Kruskal-Wallis para comparação de medianas o pacote estatístico utilizado foi o Stata 11.2 (Stata Corporation). RESULTADOS Durante o período do estudo, 70 pacientes foram convidados, com 2 recusas devido à dor e indisposição para responder o questionário. Sessenta e oito pacientes foram entrevistados, sendo 38 (55.9%) do sexo masculino, média de idade de 37 anos (variação de 20 a 57), 64,7% declarando ser solteiros, 77,9% residindo na capital Manaus, a maioria com ensino fundamental completo (54,4%) e 42,6% desempregados. A via de contaminação pelo HIV foi informada como desconhecida por 72,1%, e apenas um indivíduo informou ter se contaminado por meio de seringas. Ao serem questionados sobre o uso atual de drogas ilícitas, somente um (1,5%) paciente admitiu ser usuário, 53 (77,9%) afirmaram nunca ter feito uso de substâncias ilícitas e 14 (20,6%) admitiram ter feito uso anterior. A opinião sobre a condição atual da própria saúde da maioria foi “nem ruim, nem boa” em 60,3% dos casos, com 29,4% relatando outra comorbidade e 89.7% doença oportunista anterior. Trinta e quatro pacientes (50%) apresentavam dor no momento da entrevista. Quarenta e quatro pacientes (64,7%) estavam em uso de cART sendo a mais frequente a associação de Zidovidina, Lamivudina e Efavirez (29,5%). 41 A Tabela 1 apresenta a comparação entre os pacientes com e sem dor no momento da entrevista. Os dois grupos foram comparáveis na maioria das variáveis demográficas, socioeconômicas e relativas à infecção pelo HIV, só diferindo na via de contaminação (p=0.024). Tabela 1 – Características dos pacientes entrevistados, FMT-HVD, 2012 (n=68). Características Com dor Sem dor p-valor n=34 n=34 Masculino 16 (47.1) 14 (41.2) 0.625 Feminino 18 (52.9) 20 (58.8) 20 a 29 9 (26.5) 5 (14.7) 30 a 39 17 (50.0) 16 (47.0) 40 a 49 5 (14.7) 9 (26.5) > = 50 3 (8.8) 4 (11.8) Solteiro 22 (64.7) 22 (64.7) 0.999 Casado 5 (14.7) 5 (14.7) Viúvo 2 (5.9) 2 (5.9) União estável 4 (11.8) 4 (11.8) Separado 1 (2.9) 1 (2.9) Manaus 27 (79.4) 26 (76.5) 0.937 Outros municípios 4 (11.8) 5 (14.7) Outros estados 3 (8.8) 3 (8.8) Analfabeto 4 (11.8) 3 (8.8) Ensino fundamental 17 (50.0) 20 (58.8) Ensino médio 9 (26.4) 10 (29.5) Ensino superior 4 (11.8) 1 (2.9) Sexo Idade (anos) 0.483 Estado civil Procedência Grau de Instrução Situação de trabalho 0.524 42 Aposentado/Licença Médica 7 (20.6) 3 (8.8) 0.135 Empregado 4 (11.8) 12 (35.3) Estudante 3 (8.8) 1 (2.9) Dona de Casa 4 (11.8) 5 (14.7) Desempregado 16 (47.0) 13 (38.2) Sangue/seringas 4 (11.8) 0 (0.0) Sexual 4 (11.8) 11 (32.4) Ignorado 26 (76.4) 23 (67.6) Muito ruim/ruim 4 (11.8) 5 (14.7) Nem ruim, nem boa 19 (55.9) 22 (64.7) Boa/Muito boa 11 (32.3) 7 (20.6) Sim 12 (35.3) 8 (23.5) Não 22 (64.7) 26 (76.5) Sim 31 (91.2) 30 (88.2) 0.690 Não 3 (8.8) 4 (11.8) Via de Contaminação 0.024 Auto-avaliação de saúde 0.543 Presença de comorbidades 0.287 Presença de infecções oportunistas As características da dor entre os 34 pacientes que referiram alguma dor no momento da entrevista estão apresentadas na Tabela 2. Para a maioria a intensidade foi considerada moderada por 55.9%, com localização variável, sobressaindo a cabeça (38,2%) e os membros superiores (29,4%), com frequência baixa no dia (47,1%), duração intermitente (82,3%), com dificuldade de apontar um gatilho (52,9%), tipo mista (88,2%) e relacionada a uma complicação da infecção pelo HIV (67,7%). Em relação à satisfação com a analgesia oferecida, 41,1% declararam estar satisfeitos e 29,4% muito satisfeitos. Tabela 2 – Características relacionadas à dor , FMT-HVD, 2012. Características da dor N % 95% IC 19 55.9 38.3-73.5 Intensidade Leve 43 Moderada 9 26.5 10.8-42.1 Intensa 6 17.6 4.1-31.1 Cabeça 13 38.2 21.0-55.4 Tórax 5 14.7 2.2-27.2 Membros Superiores 10 29.4 13.3-45.5 Abdomen 2 5.9 0.0-23.1 Membros Inferiores 4 11.8 0.4-23.1 O tempo todo 3 8.8 0.0-18.9 Muitas vezes ao dia 5 14.7 2.2-27.2 Poucas vezes ao dia 8 23.5 8.5-38.6 Algumas vezes 16 47.1 29.4-64.7 Raramente 2 5.9 0.0-14.2 Contínua 6 17.7 4.1-31.1 Intermitente 28 82.3 68.9-95.9 Movimento 5 14.7 2.2-27.2 Alimentação 6 17.7 4.1-31.1 Outros 5 14.7 2.2-27.2 Ignorados 18 52.9 35.3-70.6 Completamente satisfeito 10 29.4 13.3-45.5 Satisfeito 14 41.1 23.7-58.6 Pouco satisfeito 4 11.8 0.4-23.2 Muito insatisfeito 4 11.8 0.4-23.2 Insatisfeito 2 5.9 0.0-14.2 Topografia Frequência Duração Desencadeantes Satisfação com analgesia Entre os 34 pacientes com dor no momento da entrevista, 17 (50%) apresentavam o Índice de Manejo da Dor (IMD) menor que zero, indicando inadequação da escolha do analgésico pela sua potência frente á intensidade da dor referida pelo indivíduo e 7 (20%) desses pacientes estavam com IMD entre -2 e -3 revelando moderado ou 44 intenso sub-tratamento da dor (Tabela 3). O índice de Manejo da Dor é obtido subtraindo-se da potência do analgésico (PA) a intensidade da dor (ID), isto é, IMD = PA – ID. O IMD varia de -3 a +3, os escores positivos ou zero indicam adequada escolha da potência analgésica e os escores negativos indicam inadequação analgésica. Tabela 3 – Manejo da dor nos 34 pacientes hospitalizados que relataram dor na entrevista, FMT-HVD, 2012. N Uso regular “Se necessário” Analgesicos periféricos* 28 10 18 AINH** 2 2 0 Opioides fracos 5 3 2 Opioides fortes 2 1 1 Tipo do analgésico Nota: *Paracetamol ou Dipirona, **Antiinflamatórios não hormonais (AINH). Foi utilizado opióide fraco em 9 pacientes e, mesmo após o uso do medicamento, um paciente permanecia com dor intensa, dois pacientes com dor moderada e quatro pacientes com dor leve. Opióide forte foi administrado em dois pacientes que permaneciam com dor de leve intensidade mesmo após o uso do medicamento. Verificou-se que, dos 68 pacientes avaliados no estudo, 6 pacientes não receberam nenhuma medicação durante toda a internação e apenas um deles tinha dor leve não tratada, os outros 5 não apresentavam dor. O analgésico mais usado foi a dipirona (75% dos casos), em associação com opióides em 7 pacientes (10,2%) e como monoterapia em 46 pacientes (67,6%). Na Tabela 4 encontram-se as medianas e os respectivos intervalos interquartílicos dos itens que compõem o Brief Pain Inventory (BPI) dos 34 pacientes com dor. Os itens que apresentaram uma maior interferência da dor foram a atividade geral, o trabalho e o sono. 45 Tabela 4 – Interferência da dor na vida dos 34 pacientes hospitalizados que relataram dor na entrevista, FMT-HVD, 2012. Interferência da dor Mediana (IQR) Atividade Geral 4 (2-8) Humor 3 (1-7) Habilidade de Caminhar 1 (0-10) Trabalho 4 (1-7) Relacionamento com outras 1 (0-7) pessoas Sono 3 (2-8) Apreciar a vida 2.5 (2-6) DISCUSSÃO Ao contrário do que muitos acreditam, a dor é um sintoma frequente em pacientes portadores de HIV/AIDS, com prevalência bastante variada, mesmo em pacientes sob tratamento com cART. O uso generalizado da cART ao longo da última década resultou em frequência da dor menor que a encontrada em estudos realizados antes do advento da cART (3) , maior eficácia clínica e diminuição significativa na dor neuropática relacionada com o HIV. A dor revelou-se ainda menos associada com a progressão da doença, isoladamente, e não correlacionada à contagem de linfócitos CD4 +.2 Os pacientes portadores de HIV frequentemente relatam dor crônica aos seus cuidadores. Estudos recentes mostram uma prevalência que varia entre 28% a 97%, dependendo da assistência ao tratamento da dor, sistema de acompanhamento (ambulatorial, hospital dia, hospitalizado, domiciliar), comorbidades e configuração do estudo. 11–13 No presente trabalho, metade dos pacientes apresentavam dor no momento da entrevista, e esta foi tratada de maneira inadequada de acordo com os protocolos vigentes em metade dos casos. Em estudos internacionais2,4,14–17 e nacionais7,18 publicados nos últimos 15 anos, a prevalência da dor é de 39% a 80% e de 31,8% a 46 56%, variando conforme desenho do estudo, critérios de internação e subgrupos envolvidos no estudo. Apesar das considerações da OMS sobre o uso de analgésicos, receio quanto ao uso de opióides parecem persistir ao longo das últimas décadas. Diversos autores encontraram resultados recentes com até 76% dos médicos resistentes a prescrever opióides para a dor de origem oncológica. Esses estudos confirmaram a existência de barreiras comportamentais e uma deficiência de conhecimento específico por parte dos profissionais de saúde.9,19,20 Em razão de se tratar de um estudo observacional e por definição descritivo, a avaliação de nexo e causalidade não pode ser feita, portanto não é possível afirmar por este estudo quais foram os fatores envolvidos no inadequado manejo da dor, mas podemos sugerir, como observado nos resultados de outro estudos5,8–10,14,15,19–21, que o uso de sub-doses de analgésicos opióides e não-opióides, as doses prescritas em regime de administração irregular (se necessário) e até mesmo a não avaliação da dor do paciente durante a internação, implicam diretamente na falha terapêutica analgésica. CONCLUSÃO A prevalência da dor moderada a intensa em pacientes hospitalizados independentemente da causa apresentou-se elevada e subtratada. O presente estudo revelou alta prevalência de dor e baixa adesão da equipe aos programas e diretrizes para gerenciamento da dor intra-hospitalar. Espera-se contribuir, a partir deste estudo, com a valorização do monitoramento e manejo adequado da dor entre os pacientes hospitalizados. CONFLITOS DE INTERESSE Os autores declaram não haver conflito de interesse. REFERÊNCIAS 1. Global HIV/AIDS response: epidemic update and health sector progress towards universal access: progress report 2011. Switzerland: World Health Organization Joint United Nations Programme on HIV/AIDS; p. 1–233. 47 2. Cervia LD, McGowan JP, Weseley AJ. Clinical and demographic variables related to pain in HIV-infected individuals treated with effective, combination antiretroviral therapy (cART). Pain Med Malden Mass. 2010 Apr;11(4):498–503. 3. O’Neill WM, Sherrard JS. Pain in human immunodeficiency virus disease: a review. Pain. 1993 Jul;54(1):3–14. 4. 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Todos os 34 pacientes que não apresentavam dor no momento da entrevista continuavam sem dor na segunda avaliação. Entre os 34 pacientes que apresentavam dor na primeira entrevista, 21 (61,76%) estavam sem dor na segunda avaliação e 8 (23,52%) ainda estavam com dor, sendo 4 pacientes portadores de dor leve, 3 com dor moderada e 4 com dor intensa. Quando questionados sobre a presença de dor com duração maior que 90 dias, 14 pacientes dos 34 que apresentavam dor no momento da entrevista afirmaram que a dor teve início muito tempo antes da internação com duração superior a três meses, e 14 pacientes dos 34 que não apresentavam dor no momento da entrevista afirmaram que estavam sem dor naquele momento mas apresentavam dor antes da internação com duração superior a três meses. O tratamento analgésico utilizado nos pacientes internados e que estavam sem dor no momento da entrevista está representado na tabela abaixo. Tabela 5 – Manejo da dor nos 34 pacientes hospitalizados que não apresentavam dor no momento da entrevista, FMT-HVD, 2012. N Uso regular “Se necessário” Analgesicos periféricos* 25 14 11 Corticóides 2 2 0 Opioides fracos 3 3 0 Adjuvantes** 10 10 0 Tipo do analgésico Nota: *Paracetamol ou Dipirona, **Antidepressivos, anticonvulsivantes, neurolépticos. 51 Entre os 34 pacientes sem dor no momento da entrevista, foi utilizado opióide fraco em 3 pacientes, não houve prescrição de opióide forte e 10 pacientes utilizaram a associação de adjuvantes no tratamento da dor. Verificou-se que, dos 68 pacientes avaliados no estudo, 6 pacientes não receberam nenhuma medicação durante toda a internação e apenas um deles tinha dor leve não tratada, os outros 5 não apresentavam dor. O analgésico mais usado foi a dipirona (75% dos casos), em associação com opióides em 7 pacientes (10,2%) e como monoterapia em 46 pacientes (67,6%). 52 6. DISCUSSÃO O objetivo principal do presente estudo foi realizar a análise descritiva da dor sentida pelos pacientes portadores de HIV/AIDS internados em diferentes estágios da doença e apresentando causas variadas associadas à presença de dor. O relato de dor observado em 50% dos pacientes internados na FMT-HVD é similar ao revelado nos resultados de outros estudos e confirma a elevada prevalência de dor existente entre pessoas vivendo com HIV/AIDS mesmo após o advento da cART e independentemente da contagem de CD4. Os autores de um estudo tipo coorte realizado em 2002 envolvendo pacientes recebendo cART, logo após o início desta modalidade de tratamento, obtiveram relato de dor em 43% dos pacientes avaliados.20,23,25,40 A incidência de cefaléia entre os 34 pacientes internados com dor no momento da entrevista foi a mais frequentemente relatada (38,2%), similar a outros estudos com resultados de prevalência entre 38.3% a 45,8%, entretanto a associação direta da elevada incidência de cefaléia com a cART instituída ou complicações relacionadas à evolução da AIDS não podem ser comprovadas pelo presente estudo ainda que sugeridas em muitos resultados encontrados na literatura.15,17,19,41 Neuropatia periférica dolorosa associada á HIV/AIDS é uma disfunção neurológica frequentemente relatada pelos pacientes avaliados em diversas pesquisas publicadas, entretanto, em razão de protocolos variados de tratamento combinando diferentes medicações antiretrovirais e amostras pequenas desses estudos, os dados obtidos são inconclusivos para a contribuição exclusiva da toxicidade dos medicamentos na incidência da dor neuropática. No presente estudo a prevalência de dor neuropática ficou abaixo da relatada nos outros estudos (5,8% e 8,4% até 22% respectivamente).10,11,14,15,26,28 O diagnóstico inadequado associado ao subtratamento da dor entre pessoas vivendo com HIV/AIDS sob diferentes regimes de assistência é amplamente relatado nos diversos estudos desde as primeiras publicações sobre o manejo da dor no HIV/AIDS até as mais recentes. Fatores das mais variadas naturezas, clínicos, comportamentais, sociais, psicológicos, culturais, educacionais estão envolvidos na baixa prescrição e consumo de analgésicos periféricos, opióides e adjuvantes para 53 tratamento da dor do paciente portador de HIV/AIDS. Entre os pacientes internados na FMT-HVD a alta prevalência de dor no momento da entrevista (50%) pode sugerir a necessidade de protocolo institucional para implantação de avaliação constante, diagnóstico adequado e terapia multimodal eficiente, resultando em melhor qualidade de vida e menor sofrimento para enfrentar a doença e suas complicações.10,11,12,13,15,17,18,19,22,24,29,34,35,36,39 54 7. CONCLUSÃO A dor é comum entre as pessoas vivendo com AIDS, a prevalência da dor moderada a intensa em pacientes hospitalizados independentemente da causa apresentou-se elevada e subtratada. O presente estudo revelou alta prevalência de dor e baixa adesão da equipe aos programas e diretrizes para gerenciamento da dor intra-hospitalar. O manejo da dor em pacientes com HIV deve abordar todos os fatores envolvidos na infecção pelo HIV, seu tratamento e complicações. É fundamental utilizar todas as modalidades disponíveis para o controle do quadro doloroso, incluindo analgésicos opióides e não-opióides, medicamentos adjuvantes e terapias psicossociais. Os analgésicos opióides foram subutilizados, algoritmos podem ser adotados para estimular a prescrição fundamentada em adequação de doses e regime de administração de acordo com as diretrizes atuais, respeitando critérios de segurança e avaliação criteriosa. Os resultados do nosso estudo são importantes e relevantes para o manejo clínico e implantação de protocolos clínicos projetados para pessoas que vivem com HIV. Espera-se contribuir, a partir deste estudo, com a valorização do monitoramento e manejo adequado da dor entre os pacientes hospitalizados. 55 8. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1. Global HIV/AIDS response: epidemic update and health sector progress towards universal access: progress report 2011. Switzerland: World Health Organization Joint United Nations Programme on HIV/AIDS; p. 1–233. 2. 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ANEXOS Anexo I: Termo de Consentimento Livre e Esclarecido – TCLE TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO Parecer de Aprovação no 103.527 e CAAE 05263312.9.0000.0005 - CEP / FMTHVD I – DADOS SOBRE A PESQUISA CIENTÍFICA 1. TÍTULO DA PESQUISA: Estudo da dor em pacientes portadores do Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV)/ Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS) internados na Fundação de Medicina Tropical Doutor Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD) 2. PESQUISADOR RESPONSÁVEL: Dra. Emily Santos Montarroyos CARGO/FUNÇÃO: Médica INSCRIÇÃO CONSELHO REGIONAL DE MEDICINA Nº 4480-AM 3. EQUIPE DE ALUNAS PARTICIPANTES DO PROJETO: Fabiana Martins da Silva Mewryane Câmara Brandão Ramos 4. DURAÇÃO DA PESQUISA: 1 ano II – DADOS DE IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO DA PESQUISA 1.NOME DO PACIENTE ............................................................................................................................... SEXO : M ( ) F ( ) DATA NASCIMENTO: .........../............/............ ENDEREÇO ........................................................................................................ COMPLEMENTO: ............................................................................................... BAIRRO: ............................................................... CIDADE ................................ CEP:............................................ TELEFONE: DDD (.......)................................. 2.NOME DO RESPONSÁVEL LEGAL .............................................................................................................................. NATUREZA (grau de parentesco, tutor, curador etc.) ............................................................................................................................. SEXO: M( ) F( ) DATA NASCIMENTO: .........../............/............ ENDEREÇO ........................................................................................................ COMPLEMENTO: ............................................................................................... BAIRRO: ............................................................... CIDADE ................................ CEP:............................................ TELEFONE: DDD (.......)................................. Assinatura: .................................... Assinatura: .................................... 61 III –EXPLICAÇÕES DO PESQUISADOR AOS PACIENTES SOBRE A PESQUISA Você está sendo convidado a participar de uma pesquisa para estudar a Dor relatada por pacientes portadores do Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV) internados na Fundação de Medicina Tropical Doutor Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD) Nosso objetivo é caracterizar a dor quanto à localização, origem, intensidade, frequência e satisfação com a analgesia nos pacientes portadores de HIV/AIDS durante a sua internação. Assim gostaríamos de saber como você acha que está a sua dor na última semana, conhecer suas características, avaliar seus índices de dor e determinar os aspectos clínicos e laboratoriais durante a internação. Para isto necessitamos que você responda o questionário da pesquisa durante uma entrevista para que possamos saber algumas informações sobre você. Outras informações serão coletadas do seu prontuário. Serão feitas várias perguntas sobre diferentes aspectos de sua vida: sua saúde física, sua vida emocional, sua relação com amigos e familiares, seu meio-ambiente, a intensidade da sua dor e características dela etc. IV – ESCLARECIMENTO DADOS PELO PESQUISADOR SOBRE GARANTIAS DO SUJEITO DA PESQUISA 1. Você poderá ter acesso, a qualquer tempo, às informações sobre procedimentos, riscos e benefícios relacionados à pesquisa, inclusive para esclarecer eventuais dúvidas. 2. Liberdade de se negar a participar da pesquisa sem que seu tratamento seja afetado. 3. Liberdade de retirar seu consentimento a qualquer momento e de deixar de participar da entrevista ou preenchimento do questionário, sem que isto traga prejuízo à continuidade do seu tratamento. 4. Garantia de confidencialidade, sigilo e privacidade de todas as informações que forem prestadas. 5. Disponibilidade de assistência na FMT-HVD. 6. Viabilidade de indenização por eventuais danos a saúde decorrentes da pesquisa. 7. Acesso aos resultados da pesquisa. V – CONFIDENCIALIDADE Todos os dados obtidos durante o estudo, relacionados a você, serão mantidos em sigilo pelo médico responsável da pesquisa. Nenhuma informação envolvendo seu nome será fornecida a qualquer pessoa, à exceção da equipe participante da pesquisa. Você não será identificado pessoalmente em qualquer relatório baseado neste tratamento. Os dados do seu caso serão computadorizados e anonimamente utilizados em um relatório final sobre os resultados obtidos, os quais serão usados, divulgados e publicados em revistas médicas, congressos ou qualquer evento médico que se fizer necessário, de acordo com os regulamentos atualmente em vigência. Assinatura: .................................... Assinatura: .................................... VI – PROCEDIMENTOS DO ESTUDO 62 Para que você participe do nosso estudo, necessitamos que você, caso deseje participar, preencha um QUESTIONÁRIO da pesquisa, para que possamos saber algumas informações sobre você. Outras informações serão coletadas do seu prontuário. Serão feitas várias perguntas sobre diferentes aspectos de sua vida: sua saúde física, sua vida emocional, sua relação com amigos e familiares, seu meio-ambiente, sua idade, a intensidade da sua dor e características dela etc. Você levará, em média, 10 minutos para responder o questionário. VII – PROVÁVEIS RISCOS Existe risco de constrangimento durante a entrevista. Será tomado todo o cuidado necessário para evitar que isso ocorra e caso aconteça, imediatamente será respeitada a sua privacidade. IX – PROVÁVEIS BENEFÍCIOS O beneficio esperado com o estudo está relacionado ao maior conhecimento sobre aspectos sócio-demográficos e clínicos das pessoas com dor por HIV/AIDS e sobre o valor terapêutico dos remédios usados para o controle da sua dor. Desta forma, estas informações poderão auxiliar os profissionais de saúde a conhecerem melhor os seus pacientes e utilizarem tratamentos mais eficientes para o controle da sua dor, e assim, melhorar a qualidade da assistência que prestam à você e melhorar também a sua qualidade de vida. X – INFORMAÇÕES DE NOMES, ENDEREÇOS E TELEFONES DOS RESPONSÁVEIS PELO ACOMPANHAMENTO DA PESQUISA Fundação de Medicina Tropical Doutor Heitor Vieira Dourado - Av. Pedro Teixeira, nº 25 - Bairro Dom Pedro - Telefone Geral: (92) 2127-3555 - CEP 69.040-000 - Manaus - Amazonas – Brasil Responsável pela pesquisa: Dra. Emily Santos Montarroyos, cel.: 8802-4440 Para quaisquer informações, fica disponibilizado o endereço do CEP/FMT-HVD, sito à Av. Pedro Teixeira no 25 – Dom Pedro, Cep 69.040- 000, Manaus-Am, que funciona de 2a a 6a Feira, das 08:00 às 14:00 horas, telefone (92)2127-3572, e-mail: [email protected] XI – CONSENTIMENTO PÓS-ESCLARECIDO Declaro que, após convenientemente esclarecido pelo pesquisador e ter entendido o que me foi explicado, aceito participar do presente Protocolo de Pesquisa. Manaus, de 2012. ______________________________________ Assinatura do sujeito da pesquisa ______________________________________ Assinatura do pesquisador (carimbo ou nome legível) Anexo II: Questionário de Pesquisa 63 PROTOCOLO DE AVALI AÇÃO – Estudo da Dor em Pacientes Portadores de HI V/AI DS internados na FM T-HVD Questionário Pesquisa 1. Nº do Questionário 2 2. Data de preenchimento do questionário 0 1 3. Nº do Prontuário 4. Nome 5. Bairro 6. Procedência 7. Data de Nascimento 8. Idade 9. Sexo: Masculino 10. Forma de Administração do Questionário (1) Auto-administrado (2) Assistido pelo entrevistador Feminino (3) Administrado pelo entrevistador 11. Grau de Instrução (1) Analfabeto (2) Ensino Fundamental (3) Ensino Médio (4) Superior (5) Pós-graduação 12. Estado Civil (1) Casado (2) Solteiro (3) Viúvo (4) Divorciado (5) União Estável (6) Separado 13. Número de Filhos 14. Profissão 15. Situação de Trabalho (1) Empregado (2) Desempregado (5) Autônomo (6) Estudante (3) Aposentado (7) Licença Saúde (4) Dona de casa (8) Informal 16. Data do Diagnóstico 17. Via de Contaminação (1) Transf. Sanguínea (2) Sexual (3) Seringas Contaminadas (4) Vertical (5) Não Sabe 18. Usuário de Drogas ilícitas atualmente? (1) Sim (2) Não, mas já usou (3) Não, nunca usou 19. Como avalia sua saúde de forma geral? (1) Muito ruim (2) Ruim (3) Nem ruim, nem boa (4) Boa (5) Muito Boa 1 64 20. Você tem ou teve alguma das seguintes doenças? (1) Diabetes Mellitus (2) Doença Cerebrovascular (Derrame) (3) Hipertensão Arterial (4) Doença Vascular periférica (5) Doença Renal Crônica (6) Neoplasia Maligna (7) Doença Cardiocirculatória (8) Doença Hepática (9) Depressão (10) Doença do Trato Gastrintestinal (11) Doença Auto-Imune (12) _________________________ 21. Comorbidades relacionadas ao HIV (em qualquer período) (1) Neurotoxoplasmose (2) TB (3) Neurocriptococose (4) Candidíase (5) Herpes (6) __________________________ 22. Terapia anti-retroviral (1) Não 23. Carga Viral (2) Sim Data 24. Contagem de CD4 Data ANTECEDENTES DE DOR 25. Neste exato momento você está com dor (1) Sim (2) Não 26. Local 27. EAV 28. Tem ou teve algum tipo de dor nas duas últimas semanas (1) Sim (2) Não 29. Local 30. Há quanto tempo você tem dor anos meses dias 31. Qual a frequência da dor (1) O tempo todo (2) Muitas vezes ao dia (3) Poucas vezes ao dia (4) Algumas vezes (5) Raramente 32. Qual a duração da dor (1) Contínua (2) Intermitente 33. Você recebeu alguma medicação para dor (1) Sim (2) Não (3) Não sabe 34. Se sim, houve melhora da dor (2) Não (3) Não sabe (1) Sim 35. Qual intensidade da dor após o uso do medicamento para dor EAV 36. Você sabe qual é a causa da sua dor (1) Sim (2) Não (3) Não sabe 37. Se sim, qual é ______________________________________________________________ 1 65 38. Fatores desencadeantes da dor (1) Exames (2) Tratamento (5) Evacuação (6) Diurese (3) Movimento (4) Alimentação (7) __________________________________________ 39 – Qual o tipo de dor? Como ela é? Assinale, no máximo, uma expressão de cada grupo. Não assinale palavras que não se aplicam. Escolha dentre estas, as expressões que melhor descrevem sua dor atual Sensorial 1. 1.vibração 2.tremor 3.pulsante 4.latejante 5.como batida 6.como pancada 2. 1.pontada 2.choque 3.tiro 3. 1.agulhada 2.perfurante 3.facada 4.punhalada 5.em lança 4. 1.fina 2.cortante 3.estralhaçada 5. 1.beliscão 2.aperto 3.mordida 4.cólica 5.esmagamento 6. 1.fisgada 2.puxão 3.em torção 7. 1.calor 2.queimação 3.fervente 4.em brasa 8. 1.formigamento 2.coceira 3.ardor 9. 1.mal localizada 2.dolorida 3.machucada 4.doída 5.pesada 10. 1.sensível 2.esticada 3.esfolante 4.rachado Afetivo 11. 1.cansativa 2.exaustiva 12. 1.enjoada 2.sufocante 13. 1.amedrontadora 2.apavorante 3.aterrorizante 14. 1.castigante 2.atormenta 3.cruel 4.maldita 5.mortal 15. 1.miserável 2.enlouquecedora Avaliativo 16. 1.chata 2.que incomoda 3.desgastante 4.forte 5.insuportável M iscelânea 17. 1.espalha 2.irradia 3.penetra 4.atravessa 18. 1.aperta 2.adormece 3.repuxa 4.espreme 5.rasga 19. 1.fria 2.gelada 3.congelante 20. 1.aborrecida 2.dá náuseas 3.agonizante 4.pavorosa 5.torturante Total Nº de descritores escolhidos:_______ Soma dos pontos: _______________ Percentual (%): Afetiva:_________ Avaliativo:_______ Sensorial:________ Miscelânea:______ 66 40. AVALI AÇÃO DA CAPACI DADE FUNCI ONAL Área de funcionamento I ndependente/Dependente 1. Tomar banho (leito, banheira ou chuveiro) 1. ( ) não recebe ajuda (entra e sai da banheira sozinho, se for o modo habitual de tomar banho) (I) 2. ( ) recebe ajuda para lavar apenas uma parte do corpo (p. ex. as costas ou uma perna) (I) 3. ( ) recebe ajuda para lavar mais de uma parte do corpo, ou não toma banho sozinho. (D) 2. Vestir-se (pega roupas, inclusive peças íntimas, nos armários e gavetas, e manuseia fachos, inclusive os de órteses e próteses, quando forem utilizadas). 1. ( ) pega as roupas e veste-se completamente, sem ajuda. (I) 2. ( ) pega as roupas e veste-se sem ajuda, exceto para amarrar os sapatos. (I) 3. ( ) recebe ajuda para pegar as roupas ou vestir-se, ou permanece parcial ou completamente sem roupa. (D) 3. Uso do vaso sanitário (ida ao banheiro ou local equivalente para evacuar e urinar; higiene íntima e arrumação das roupas). 1. ( ) vai ao banheiro ou local equivalente, limpa-se e ajeita as roupas sem ajuda (pode usar objetos para apoio como bengala, andador ou cadeira de rodas e pode usar comadre ou urinol à noite, esvaziando-o de manhã). (I) 2. ( ) recebe ajuda para ir ao banheiro ou local equivalente, ou para limpar-se, ou para ajeitar as roupas após evacuação ou micção, ou para usar a comadre ou urinol à noite. (D) 3. ( ) não vai ao banheiro ou equivalente para eliminações fisiológicas (D) 4. Transferência 1. ( ) deita-se e sai da cama, senta-se e levanta-se da cadeira sem ajuda (pode estar usando objeto para apoio, como bengala ou andador) (I) 2. ( ) deita-se e sai da cama e/ou senta-se e levanta-se da cadeira com ajuda (D) 3. ( ) não sai da cama (D) 67 41. INVENTÁRIO BREVE DE DOR (BPI) 68 42. Questionário de Avaliação de Dor Neuropática DN4 Quais são as características da sua dor? 1. Queimação ( ) sim ( ) não 2. Frio ( ) s im ( ) não 3. Choques Elétricos ( ) sim ( ) não No local onde tem a dor, você sente um ou mais desses sintomas? 4. Formigamento ( ) sim ( ) não 5. Agulhadas ( ) sim ( ) não 6. Dormência ( ) sim ( ) não 7. Coceira ( ) sim ( ) não EXAME: No local onde a dor do paciente incide, ao exame físico, você encontrou alguma dessas características 8. Hipoestesia ao toque ( ) sim ( ) não 9. Hipoestesia ao estímulo com agulha ( ) sim ( ) não 10. No local onde a dor do paciente incide, a dor pode aumentar com: Contato com um pincel ou escova ( ) sim ( ) não 43. Você está satisfeito com a analgesia utilizada em você? ( ) sim ( ) não Graduar na Escala de Faces ( ) 0 ( ) 2 ( ) 4 ( ) 6 ( ) 8 ( ) 10 I DENTI FI CAÇÃO DA EQUI PE 44. Nome do entrevistador: 45. Supervisor 46. Data da entrevista 47. Motivo da recusa _____________________________________________ DI AGNÓSTI CO 48. Etiologia da dor: (1) Infecção pelo HIV (2) Complicação do HIV (3) Terapia antirretroviral (4) Não relacionada ao HIV 49. Tipo da Dor: (1) Nociceptiva (2) Neuropática (3) Mista (5) Não tem dor (4) Miofascial (5) Não tem dor 69 Diagrama Corporal de Localização e Distribuição Espacial da Dor 70 50. Data da reavaliação 51. Você está com dor no momento? (1) Sim (2) Não 52. Se sim: EAV 53. Onde? 54. Você teve dor entre as avaliações? 55. Se sim: EAV 56. Onde? 57. Prescrição diária (TABELA) (1) Sim (2) Não 71 Anexo III: Termo de Anuência