Alfândega de outros tempos-5

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Alfândega de outros tempos-5
Alfândega da Fé de outros tempos – 5
Regresso a este tema com mais um conjunto de vinte fotos que vão dos anos 40/50 até aos
anos 90 do século passado.
Abro com uma foto que condiz com a data que hoje passa (12 de Novembro) e quase ninguém
já se recorda: faz 16 anos que ocorreu em Timor-leste o massacre de Santa Cruz.
Esta foto tem um significado muito especial, pois diz respeito a um painel de pintura que os
alunos da então Escola C+S de Alfândega da Fé efectuaram no “tapume” da obra da Biblioteca
Municipal, iniciada em princípios de 1992. Nesse extenso espaço de criatividade surgiu esta
memória sobre Timor, que entendo justo recordar aqui neste dia, deixando para outra
oportunidade e espaço neste Blog mais pormenores sobre este “tapume” e a adesão da escola
à causa timorense.
A segunda foto é a mais antiga de todas e faz um bom contraste com a primeira: da liberdade à
ditadura, a nossa… para quem já se esqueceu que existiu e em história nada é definitivo!
Imaginem lá se os republicanos de 1910 alguma vez pensaram que a sua revolução haveria de
cair de degrau em degrau, sempre em nome da democracia, até se transformar numa ditadura!
A foto é de uma parada da Legião Portuguesa em Alfândega da Fé, mesmo em frente da
Câmara Municipal e do Tribunal Judicial. Suponho que seja de finais dos anos 40, princípios
dos anos 50.
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Segue-se depois um grupo de fotos que traçam alguns registos da Igreja Matriz da Vila, antes
das obras do restauro de inícios dos anos 50 e depois desse momento.
Ainda dos anos cinquenta, uma imagem interessante da Torre do Relógio. As fotos seguintes
dão um grande salto no tempo e passamos para os anos 80, até terminar na década de 90.
Para melhor enquadramento e compreensão cronológica, decidi dividir este conjunto de fotos
em grupos temáticos, com pequenas legendas.
Como sempre, algumas destas fotos vêm de pessoas que vão colaborando neste esforço de
recuperar através da fotografia algumas memórias da nossa terra. Os agradecimentos vão nas
legendas, junto às fotos que cederam e naturalmente fico à espera de outros contributos.
Democracia ou Ditadura – não há lugar para confusões.
Foto 1 – Legenda: Pintura do “tapume” das obras da Biblioteca Municipal. Quadro alusivo à
situação que se vivia em Timor-Leste (1992)
Foto 2 – Legenda: Parada da Legião Portuguesa, em Alfândega da Fé (anos 40/50 do século
passado). A Legião Portuguesa era uma organização política paramilitar do Estado Novo e
constituiu uma das várias características fascistas do regime, tanto mais que foi criada em
1936, 15 anos depois de Hitler ter criado as SA (camisas castanhas) que foram determinantes
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na sua subida ao poder, em 1933. Em Portugal, a Legião Portuguesa não tinha qualquer
expressão no contexto da defesa nacional, mas servia perfeitamente para amedrontar as
populações e transmitir os valores do regime. Muitos dos que dela fizeram parte eram pessoas
simples e honestas que nada tinham a ver com a política repressora do regime e que só
integravam esta “força” por “obrigação” ou medo de represálias.
Não resisto em deixar aqui uma curiosidade. O hino da Legião Portuguesa é um texto que
transpira ódio e raiva e aponta directamente contra o comunismo e tudo quanto cheire a
democracia, acabando, como era de esperar, no culto a Salazar, com estes três versos:
“Respeita o seu comandante/Gritando sempre: Avante!/Por SALAZAR! SALAZAR!”
. Foi escrito em 1937, por José Gonçalves Lobo. Não imaginava o
“poeta”
“inimigo”
(o Partido Comunista, entenda-se) lançado o primeiro número do seu jornal clandestino cujo
nome era (e é) exactamente
“o Avante!”
. Se o soubesse palpita-me que a palavrinha não tinha tido lugar no verso…
que uns anos antes, mais precisamente em 1931, tinha o grande
Igreja Matriz – tempos de mudança.
Fotos 3 a 8 – Legenda: Fotos da Igreja Matriz antes das obras de restauro. (1951)
A Igreja Matriz de Alfândega da Fé era um edifício do século XVI. As várias obras de restauro
que sofreu ao longo dos tempos, quer no exterior, quer no interior, foram-lhe retirando algumas
das características originais.
Estas fotos foram cedidas pela Sandra Rocha (uma frequentadora deste Blog e particularmente
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interessada em fotografia… eu já vi noutros blogs!) a quem agradeço. Pessoalmente há muito
que andava à procura de algo semelhante, que me desse uma ideia de como era o edifício nos
anos cinquenta, antes das obras de que ouvia falar lá por casa desde os meus tempos de
infância. É mais do que provável que tenham existido outros “restauros” anteriores, mas não
tenho conhecimento de documentação sobre o assunto.
Repare-se na foto 6. No último plano o que se vê é a construção da primeira sala da escola
primária das eiras. A segunda sala já foi construída nos anos sessenta.
Fotos 9 a 12 – Legenda: Estas fotos são de 1957 e foram retiradas de um número do Jornal
“O Comércio do Porto”
que a Dr.ª Conceição Trigo fez o favor de me arranjar e a quem agradeço por isso.
As duas primeiras referem-se à Igreja Matriz, depois das tais obras de restauro, incluindo no
altar-mor, que na altura recebeu uma pintura nova (reparar no fundo do altar) que ali se
manteve até há bem pouco tempo e era da autoria desta nossa conterrânea.
As duas fotos seguintes representam a Praça do Município. Já editei outras semelhantes, mas
estas têm a particularidade de terem sido tiradas num dia de feira. A feira de Alfândega da Fé
teve origem no século XIII e não existe nada que nos diga que de então para cá alguma vez
tenha deixado de se realizar. O que já mudou foi várias vezes de local. Possivelmente teve
início junto ao castelo medieval, terá passado depois para as proximidades da Igreja Matriz e
posteriormente para o “fundo da vila”, ou seja a praça do Município. Em tempos mais recentes
estendeu-se para o
“fundo do jardim” e finalmente, já nos
anos 90, mudou-se para o local onde agora se realiza, junto ao Mercado Municipal.
Património histórico.
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Foto 13 e 14 – Legenda: A Torre do Relógio em 1951 (foto cedida pela Sandra Rocha) e a
Capela da Misericórdia nos anos setenta (já editei uma foto semelhante no tema 4). Estes
edifícios deveriam ser novamente devolvidos à sua apresentação original, ou seja, rebocados à
maneira antiga e caiados. Se quisermos defender o património temos que aprender com os
erros que já se cometeram! Escusado será dizer que a faixa preta que alguém se lembrou de
colocar na capela também não tem nada a ver com a traça original.
Foto 15 a 17 – Legenda: Por falar em erros cometidos, aqui estão dois exemplos do que não
podemos continuar a fazer indiscriminadamente. Quando as coisas são antigas e ameaçam
ruína, ou já não têm a sua função original, a atitude tem sido quase sempre a mesma: demolir.
Umas vezes para reconstruir o que já perdeu o seu simbolismo histórico, outras apenas para
esquecer. Este nicho e a antiga estação dos Correios bem podiam ter tido outro fim! Melhor
destino teve o edifício dos antigos Talhos Municipais, hoje sede do Clube de Caça e Pesca,
depois de ter sofrido obras de restauro que procuraram conciliar o velho com o novo.
Parece que foi ontem!
Fotos 18 a 20 – Legenda: O final da década de 70 e as de 80 e 90 do século XX
transformaram completamente a urbanidade de Alfândega da Fé. Parece que foi ontem, mas já
lá vão 30 anos desde que os bairros do “Valtelheiro” e “Penedras” começaram a marcar a nova
expansão habitacional da Vila, a que se seguiu, já nos anos 90, uma viragem no ordenamento
urbano e na construção de espaços públicos.
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As fotos 18 e 19 foram cedidas pela Teresa Rodrigues, a quem agradeço a ajuda. No primeiro
caso trata-se de um postal ilustrado que já havia procurado, pois conhecia a colecção e
suponho até que já editei parte dela. No terreno que se vê em primeiro plano fica o actual
quartel dos Bombeiros Voluntários. Ao fundo, do lado direito, vê-se a Escola C+S em
construção.
A foto 19 mostra os edifícios que existiam onde hoje é a entrada para o
Notário/Conservatória/Registo Civil.
A foto 20 é de 1981 e foi tirada a partir da Escola C+S, já depois de estar em funcionamento. O
edifício que se vê em primeiro plano é a actual sede da Cooperativa Agrícola. Por aí já dá para
perceber a diferença para os tempos actuais.
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IMAGENS".
F. Lopes, 12 de Novembro de 2007
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