O EDUCADOR NA CLASSE HOSPITALAR E SEUS CONTEXTOS

O EDUCADOR NA CLASSE HOSPITALAR E SEUS CONTEXTOS
Flávia Bahia Lacerda 1 - UEPA
Cristiane Ferreira da Costa 2 - UEPA
Luciane Tavares dos Santos3 - UEPA
Tânia Regina Lobato dos Santos4 - UEPA
Grupo de Trabalho - Didática: Formação de Professores e Profissionalização Docente
Agência Financiadora: CAPES
Resumo
Com o passar dos anos a sociedade vem reconhecendo a necessidade de se expandir os
campos de atuação do educador, para consolidar essas novas áreas de atuação do pedagogo
e/ou licenciado, é preciso que este profissional esteja atento e preparado para atuar em
diferentes contextos educacionais, contextos estes que podem ser empresas, meios judiciais,
ong’s, asilos, presídios. O presente artigo tem como objetivo discorrer sobre a atuação do
profissional da educação para atuar em ambiente hospitalar, seus saberes, sua formação, seu
perfil, sua metodologia (utilizada na classe hospitalar; popular ou curricular de acordo com a
escola regular onde o aluno-paciente está devidamente matriculado), são pontos em que será
discutido ao longo do texto. A base metodológica adota ao percorrer deste estudo foi a
pesquisa bibliográfica, com isso, foi feito o levantamento bibliográfico sobre o tema formação
de professores; pedagogia hospitalar; perfil/características do profissional da pedagogia
hospitalar e selecionamos alguns autores para utilizarmos como suporte teórico neste texto:
Fonseca (1999, 2003), Matos e Mugiati (2006), Barros (2011) e Fontes (2005) entre outros.
Por meio deste artigo, proporciono o início de uma extensa pesquisa, dando a este em breve
palavras o suporte que todo pesquisador da área da pedagogia hospitalar necessita saber no
que se refere a formação mais adequada para um profissional da educação que atua no espaço
hospitalar, algumas características/perfil que é essencial que traga consigo, alguns dados com
relação a formação nessa especifica área, entre outras informações referentes a construção de
um profissional adequado e qualificado para a atuação com excelência.
1
Mestranda em Educação: Programa de Pós-graduação da Universidade do Estado do Pará (UEPA). Graduada
em Pedagogia Plena pela UEPA. Bolsista CAPES. Email: [email protected]
2
Mestranda em Educação: Programa de Pós-graduação da Universidade do Estado do Pará (UEPA). Especialista
em Metodologia do Ensino Superior pela UEPA e graduada em Pedagogia pela Universidade Federal do Pará
(UFPA). E-mail:[email protected]
3
Mestranda em Educação: Programa de Pós-graduação da Universidade do Estado do Pará (UEPA). Especialista
em Literatura Infantil e Juvenil e graduada em Letras: Português-Literaturas pela Universidade Federal do Rio de
Janeiro (UFRJ). Bolsista CAPES. E-mail: [email protected]
4
Doutora em Educação: História, Política, Sociedade pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. PósDoutorado pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. É professora Titular da Universidade do
Estado do Pará do Curso de Pedagogia, do Programa de Mestrado em Educação CCSE-UEPA e do Programa de
Mestrado Profissional Ensino em Saúde na Amazônia CCBS/UEPA
ISSN 2176-1396
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Palavras-chave: Educação. Formação de Professor. Pedagogia Hospitalar.
Introdução
A educação está presente em todos os momentos da vida do ser humano e quando nos
voltamos para educação no âmbito mais formal, temos a educação e suas diversas áreas
específicas, como a educação infantil, educação de jovens e adultos, educação ambiental,
enfim... a que pretendo chamar atenção neste texto é a educação no ambiente não escolar e
sendo mais específica a educação em ambiente hospitalar, nas classes hospitalares.
A escolarização dentro do hospitalar, em geral tem profissionais que vem
desenvolvendo um trabalho esplêndido com os educandos enfermos, no entanto, muito deste
sucesso deve-se aos conhecimentos subentendidos adquiridos por ele já em atuação e em
busca de informação e qualificação profissional.
É importante que o educador tenha como uma das principais características do ser
profissional a sensibilidade, pois o educando precisa compreender que estar no “Ambiente
hospitalar é algo estranho para a criança, e na medida em que ela vivência procedimentos que,
se invasivos, causam desconforto e dor, aumenta a sensação de ameaça” (FONSECA, 2003, p.
21). Com isso, é fundamental que o educador envolvido nesse processo seja o mais
comunicativo e receptivo possível, para cativar na criança a confiança.
Desenvolvimento
Nóvoa (2011, p.203) entende “o ensino como uma atividade de criação, que tem o
conhecimento preexistente como matéria-prima, mas que elabora um conhecimento novo no
próprio ato pedagógico”, dentro da classe hospitalar o ensinar precisa com muita frequência
do criar, produzir o novo, reelaborar atividades para aquela determinada situação que o
educando se encontra.
Para se ensinar no local hospital, o professor é amparado legalmente em âmbito
nacional, criado pelo Ministério da Educação, em 2002, o documento intitulado Classe
Hospitalar e Atendimento Pedagógico Domiciliar: Estratégias e Orientações, no qual aponta
abaixo algumas orientações sobre o perfil do educador neste espaço:
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o professor que irá atuar em classe hospitalar ou no atendimento pedagógico
domiciliar deverá estar capacitado para trabalhar com a diversidade humana e
diferentes vivências culturais, identificando as necessidades educacionais especiais
dos educandos impedidos de frequentar a escola, definindo e implantando
estratégias de flexibilização e adaptação curriculares. Deverá, ainda, propor os
procedimentos didático-pedagógicos e as práticas alternativas necessárias ao
processo ensino-aprendizagem dos alunos, bem como ter disponibilidade para o
trabalho em equipe e o assessoramento às escolas quanto à inclusão dos educandos
que estiverem afastados do sistema educacional, seja no seu retorno, seja para o seu
ingresso (MEC, 2002, p.22).
O documento nos ratifica o quão necessário o educador da classe hospitalar deve ter
em sua essência essa sensibilidade/interação/comunicação de forma mais natural, tornando-se
um mediador das interações da criança com o ambiente hospitalar.
Posto que em uma pedagogia afetiva, onde o foco é o aluno como ser que pensa e
sente concomitantemente, não sugere uma educação permissiva e sim uma educação em que a
relação entre os envolvidos seja de respeito, confiança e cumplicidade, são princípios
primordiais dentro da pedagogia e no desenvolvimento do atendimento pedagógico nos
hospitais.
Dessa forma, além do direito assegurado ao paciente, “tem-se a necessidade de um
programa emergente que, além de atender o estado biológico e psicológico da criança, atenda
também as obrigações escolares do educando no aspecto pedagógico” (MATOS E
MUGIATTI, 2009, P.71).
Em razão desta atuação direta do educador com o educando doente, é importante que o
professor tenha “noção sobre as técnicas e terapêuticas que fazem parte da rotina da
enfermaria, sobre as doenças que acometem seus alunos e os problemas, até mesmo
emocionais, decorrentes para as crianças e também para os familiares e para as perspectivas
de vida fora do hospital.” (FONSECA, 2003, p.25). Ou seja, o educador faz parte da equipe
da classe hospitalar e do hospital em si, entra como parceiro na relação entre a criança e o
ambiente hospitalar, a criança e o familiar, e nas interações de ambos para com o hospital.
O conhecimento do processo de desenvolvimento-aprendizagem dos educandos
enfermos, noções dos aspectos psicológicos, políticos, sociais e ideológicos que permeiam o
espaço escolar hospitalar, também são aspectos que o educador precisa estar atento:
na escola hospitalar, cabe ao professor criar estratégias que favoreçam o processo
ensino-aprendizagem, contextualizando-o com o desenvolvimento e experiências
daqueles que o vivenciam. Mas, para uma atuação adequada, o professor precisa
estar capacitado para lidar com as referências subjetivas das crianças, e deve ter
destreza e discernimento para atuar com planos e programas abertos, móveis,
mutantes, constantemente reorientados pela situação especial e individual de cada
criança, ou seja, o aluno da escola hospitalar (FONSECA, 2003, p.26).
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O professor da classe hospitalar está neste ambiente para manter as crianças
“estimuladas através do uso de seu conhecimento das necessidades curriculares de cada
criança” (WILES, 1987, p.640 apud FONSECA, 2003, p.25). O desenvolvimento da
aprendizagem deve ser ampliado, considerando o resgate da saúde e da autoestima, temas que
também devem ser abordados pelos professores, de forma indireta e direta, quando
necessário.
O bem estar emocional, psicológico, integral, influenciam diretamente no bem estar da
saúde física, consequentemente, contribuindo para o menor tempo de internação:
e essa interferência da escola no hospital - que por muitos é considerada estranha gera uma energia positiva no corpo da criança. Isso colabora para uma recuperação
mais rápida da condição de saúde como demonstrado no estudo de Fonseca e
Ceccim (1999) que apresentou significância estatística entre a frequência às aulas no
hospital e a redução em 30% dos dias de internação (FONSECA e WEPLER, s/d,
p.2).
Para Fonseca e Ceccim, (1999, p.33):
o reencontro pedagógico-educacional no ambiente hospitalar catalisa atitudes
positivas, por parte da criança, quanto ao tratamento e, por conseguinte, diante da
vida, resgatando atitudes prazerosas nas relações interpessoais e fornecendo
encorajamento para lidar com as tarefas médicas e de enfermagem.
Para garantir a qualidade e eficácia do profissional da educação dentro do hospital, é
respeitável que este tenha formação profissional adequada. Esta formação esta indicada no
documento Classe Hospitalar e Atendimento Pedagógico Domiciliar: Estratégias e
Orientações, tais como:
o professor deverá ter a formação pedagógica preferencialmente em Educação
Especial ou em cursos de Pedagogia ou licenciaturas, ter noções sobre as doenças
e condições psicossociais vivenciadas pelos educandos e as características delas
decorrentes, sejam do ponto de vista clínico, sejam do ponto de vista afetivo.
Compete ao professor adequar e adaptar o ambiente às atividades e os materiais,
planejar o dia-a-dia da turma, registrar e avaliar o trabalho pedagógico desenvolvido
(MEC, 2002, p.22). (grifo nosso).
A formação para a atuação do educador no hospital é vista como indispensável, pois o
profissional da educação será o mediador para restaurar os laços da criança internada com o
cotidiano escolar, intervindo para que estes tenham uma melhor interação social, valorizando
as suas aptidões, respeitando os limites clínicos de cada um, além de preparar o profissional
para como agir nas diversas situações existentes no contexto hospitalar.
O perfil pedagógico-educacional do profissional da educação deve no ambiente
hospitalar, ser adequado a realidade ali vivida, ou seja, a realidade hospitalar na qual transita.
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A motivação e a facilidade de inserção da criança no contexto escolar hospitalar são funções
do professor na classe hospitalar. Sendo este meio para o professor uma fonte de aprendizado
constante, pois o professor precisa ter conhecimento amplo e acumulativo das informações de
vida do educando, com o conteúdo de representação da doença, do tratamento, da
hospitalização e da equipe de saúde, esforçando-se no dia-a-dia para lidar com diversas
situações que serão deparadas.
Portanto, segundo De Paula (2007, p.14):
o trabalho do professor do Ensino Fundamental no hospital requer capacidade para
lidar com as diferenças, respeito às condições culturais e existenciais das pessoas
sem discriminá-las. Faz-se necessário também entender os diferentes ritmos de
progressão dos alunos, dos procedimentos, dos contratos pedagógicos e elaborar
atividades que contemplem tanto a variação de idades dos alunos, bem como a
diversidade relacionada às histórias de vida e das suas escolas. Pelo fato da
permanência das crianças ser cíclica, devido às internações e altas hospitalares, o
professor também precisa saber lidar com a alternância dos alunos e
imprevisibilidade.
Matos e Mugiatti (2009), afirmam que a pedagogia hospitalar originada no Paraná,
traz uma nova visão ao ver o pedagogo, não somente como um educador escolar, mas também
como alguém que facilita os processos educacionais. As autoras ressaltam que as instituições
hospitalares contribuem com a proposta de auxílio escolar para a criança internada em idade
escolar, além da possibilidade de se concluir esta fase mesmo estando dentro de um hospital.
A tarefa de dar continuidade, estimulando os estudos para que o enfermo não interrompa o
ritmo de seu aprendizado, são atribuições que competem ao pedagogo, ratificando que o
profissional ali envolvido deve sempre usar da auto-estima do educando enfermo para ter seu
trabalho consolidado .
Ainda segundo característica do profissional da educação envolvido na classe
hospitalar, Barros (2011, p.285) defende que:
o professor de uma classe hospitalar deve ser capaz de identificar e justificar as
variáveis presentes neste contexto, e a partir daí apreciar medidas humanizadoras
que integrem as atividades escolares com a condição de internação da criança,
explorando os espaços e rotinas hospitalares compondo harmonicamente as tarefas
escolares e o tratamento. Para a autora o professor de classe hospitalar deve estar
atento às necessidades de aprendizado e à motivação de cada aluno diante das
atividades propostas. Respeitar o tempo de cada aluno sem deixar de estabelecer o
compromisso direcionando estes objetivos de modo que a preposta seja
concretizada.
Continuando a respeito do papel do professor que atua no hospital, Fonseca e Ceccim
(1999, p. 35), enfatizam que:
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a classe hospitalar requer professores “com destreza e discernimento para atuar com
planos e programas abertos, móveis, mutantes, constantemente reorientados pela
situação especial e individual de cada criança ou adolescente sob atendimento”. Para
realizar esse planejamento individualizado, levando em conta a concepção
comportamental do aprender, em que cada aluno possa caminhar de acordo com seu
próprio ritmo para que as consequências reforçadoras sejam efetivas.
Para nortear a formação dos profissionais da classe hospitalar, Fonseca (1999)
apresenta uma pesquisa na qual mapeou um total de 80 professores exercendo atividades
pedagógico-educacionais em hospitais. Nesta, é avaliado o nível de formação dos professores.
O número de professores atuantes em sala de aula varia de um mínimo de um, até um máximo
de nove professores em cada classe hospitalar.
A pesquisa foi dividida em duas fases, onde na primeira foi respondida a quantidade
de professores em classes hospitalares por região, no qual foi detectado que havia neste
período de 1997 a 1998, um total de 80 professores no Brasil:
responderam à segunda etapa da pesquisa 74% do total geral de professores que
atuam em classes hospitalares. Deste total de 59 professores, 44% possuem
formação superior (n=26), seguindo-se aqueles que concluíram formação básica de
magistério, equivalente ao nível médio (n=15, 25%). Onze professores (19%)
possuem curso de pós-graduação (aperfeiçoamento, especialização, mestrado ou
doutorado). Os demais professores (n=7, 12%) não especificaram seu grau de
escolaridade. A formação universitária ou de pós-graduação comporta 63%
(n=37) dos professores nas classes hospitalares, representando uma elevada
qualificação formal entre aqueles que exercem a docência nestas classes
(FONSECA, 1999, p.123) (grifo nosso).
Fonseca (1999) identifica que nos hospitais o nível de qualificação do profissional da
educação é considerado elevado, pois os indivíduos com formação de nível superior
(graduação) e pós-graduação representam 63% dos entrevistados. A autora acredita que os
profissionais envolvidos em hospitais nas classes hospitalares tendem a buscar conhecimento
científico e qualificação profissional em maior quantidade, do que os profissionais da
educação em escolas regulares. Ela justifica que essa procura dos profissionais da educação
envolvidos na área da saúde surge por conta de ser um desafio “novo”, com necessidade de
obter ideias, conceitos, procedimentos, melhores e adaptados aos educandos enfermos.
Compreendemos que a classe hospitalar tem papel importante não apenas no
desempenho escolar das crianças que delas se beneficiam, mas também repercuti num período
de internação menor do que ocorre com crianças que não dispunham do atendimento
pedagógico-educacional dentro do hospital.
O professor assume o papel de contribuidor para o “aperfeiçoamento da assistência de
saúde, de maneira a tornar a experiência de hospitalização, ainda que sempre indesejável, um
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acontecimento positivo ao crescimento e desenvolvimento das crianças que dela necessitam”
(FONSECA, 2003, p.31).
A criança hospitalizada, assim como qualquer criança, traz consigo o desenvolvimento
que lhe é possível de acordo com uma diversidade de fatores com os quais interage, seus
saberes, conhecimentos, princípios, são oriundos de uma realidade vivenciada, tranzendo
consigo, não uma tábula rasa, e sim uma gama de conhecimentos adquidiros com o dia-a-dia
de cada educando. Um ser em desenvolvimento tem sempre possibilidades de usar e
expressar, de uma forma ou de outra o seu potêncial e ai cabe ao pedagogo/professor saber
identificar a potencilidade deste educando.
Segundo Fonseca (2003), a validade da classe hospitalar se traduz não apenas na
interferência que causa no desempenho acadêmico da criança, mas, concomitantemente, na
visão que esta mesma criança possa ter de sua doença e das perspectivas da cura:
o atendimento pedagógico-educacional no ambiente hospitalar em muito colabora
para que a criança não se sinta presa no hospital e possa, além de melhorar a sua
compreensão sobre o ambiente hospitalar em que está inserido, de alguma forma
estabelecer, manter ou estreitar os seus laços com o mundo fora do hospital
(FONSECA, 2003, p.32).
Segundo Matos (2009), a relação professor-aluno é de extrema importância dentro do
espaço hospitalar, pois este ambiente causa medo, insegurança na criança:
quando os profissionais de saúde se apresentam a criança como médicos,
enfermeiros, psicólogos, já refletem na criança as situações de medo e angústia.
Diferente é a relação quando o professor se apresenta, ela remete-se a uma figura já
conhecida, ao lugar em que este profissional trabalha, as situações que ocorrem na
escola (MATOS, 2009, p. 43).
Para Ceccim (1999, p.42), o ensino e o contato da criança hospitalizada com o
professor no ambiente hospitalar, através das chamadas classes hospitalares, podem proteger
o seu desenvolvimento e contribuir para a sua reintegração à escola após a alta, além de
protegerem o seu sucesso nas aprendizagens.
Barros (2011) acredita no teor humanitário que a pedagogia através da relação
professor-aluno propicia ao educando. Afirmando que a “escola hospitalar, esta singular e
significativa expressão da prioridade à infância e da assunção da educação como princípio
humanizador” (p.280).
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Considerações Finais
Atualmente está ocorrendo uma crescente aceitação do profissional da educação no
ambiente hospitalar, pois não há mais como se negar sua importância diante do que vem
sendo presenciado em ambientes que já dispõem deste serviço. Os benefícios relacionados à
atuação do pedagogo não estendem-se apenas aos “alunos-pacientes”, mas sim aos pais,
funcionários em geral e aos próprios médicos, uma vez que o pedagogo mantêm uma estreita
relação com o paciente priorizando seu desenvolvimento de forma integral o reflete no
relacionamento com seus familiares, possibilitando um certo conhecimento de diversos
aspectos do paciente, aspectos esses em muita das vezes psicossomáticos que não podem ser
analisados por meio de exames.
Ressalta-se, que o sucesso do trabalho desenvolvido pelos educadores segundo
Fonseca (2003, p.14) depende da contínua e próxima cooperação entre professores, alunos,
familiares, e profissionais da saúde do hospital, inclusive no que diz respeito aos ajustes
necessários na rotina e/ou horários quando da interferência destes no desenvolvimento do
planejamento para o dia-a-dia de aulas na escola hospitalar. Compreendemos assim, que o
trabalho, a vida no todo, deve e tem que ser vivida mediante as relações que se dão em grupo.
No processo pedagógico, lúdico e recreativo, é importante envolver também o
acompanhante do educando, pois ele passará pela mesma situação de isolamento de um
cotidiano vivido totalmente diferente do dia-a-dia hospitalar. Com isso, uma vez que as
atividades pedagógicas são realizadas com as crianças e até mesmo com seus acompanhantes:
muda a percepção da criança que não se vê mais apenas como um doente. E isto se
reflete também na atitude do familiar para com a criança e em relação ao ambiente
hospitalar, pois que o estresse e as dificuldades passam a ser encarados
diferentemente (FONSECA, 2003, p.31).
Com a presença do educador no hospital, é repassado principalmente aos pais que a
educação é permanente e que acontece onde quer que o indivíduo se encontre. Corrobora a
compreensão que a presença da criança no ambiente escolar é importante para ela se
reconhecer como tal, segundo Fontes (2005) a criança, às vezes, não pode ter uma frequência
regular na escola, mas se for três vezes por semana, isso já é uma vitória. Ela não pode perder
esse vínculo.
Podemos ressaltar alguns desafios do pedagogo quando atuante neste ambiente, o fato
de ter que desempenhar muitos outros papéis profissionais, pois a confiança que necessita o
mesmo para realizar seu trabalho exige de certa forma que este profissional atue, em muita
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das vezes como psicólogo, terapeuta ocupacional, assistente social, até mesmo pelo tempo
que passa junto a este aluno, o que legitima o pedagogo como um profissional multifuncional.
Assim, cabe ao pedagogo e/ou professor hospitalar estar atento, solícito e predisposto
a todo instante, objetivando continuar preparando, desafiando e estimulando o seu aluno a
estudar, a vencer este momento difícil em sua vida, que é a hospitalização. Contribui também
para este vencer as dificuldades na esfera psicossocial, pois é seu direito gozar de boa saúde e
receber escolaridade independente de qualquer condição.
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