O Desafio do Conhecimento

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FICHAMENTO: PÁGINAS 261 A 327
O Desafio do Conhecimento
Capítulo 10
TÉCNICAS DE PESQUISA
Entrevista como técnica
Privilegiada de comunicação
Páginas 261 e 262
“Entrevista é acima de tudo uma conversa a dois, ou entre vários interlocutores, realizada por iniciativa do entrevistador,
destinada a construir informações pertinentes para um objeto de pesquisa, e abordagem pelo entrevistador, de temas igualmente
pertinentes tendo em vista este objetivo.”
 Entrevista semi-estruturada, que combina perguntas fechadas e abertas, em que o entrevistado tem a possibilidade de
discorrer sobre o tema em questão sem se prender à indagação formulada;
 Entrevista projetiva que usa dispositivos visuais, como filmes, vídeos, pinturas, gravuras, fotos, poesias, contos,
redações de outras pessoas.
Página 263
“Além da fala que é seu material primordial, o investigador terá em mãos elementos de relações, práticas, cumplicidades,
omissões e imponderáveis que pontuam o cotidiano.”
Dizem respeito à entrada do entrevistador em campo:
 Apresentação: o princípio básico em relação a esse ponto é que uma pessoa de confiança do entrevistado faça a mediação
entre ele e o pesquisador;
 Menção do interesse da pesquisa: o investigador deve discorrer resumidamente sobre seu trabalho para o entrevistado e
dizer-lhe como o trabalho poderá contribuir para a comunidade e para o próprio entrevistado. Mencionar e referenciar a
instituição;
 Apresentação de credencial institucional: carta introdutória mencionando aspectos principais do trabalho, o papel é
institucionalmente timbrado e, em adendo, é apresentado um termo de adesão para ser assinado pelo interlocutor. Esse
termo passou a ser exigido pela Portaria 96/1996 do Ministério da Saúde que regula as pesquisas nacionais com seres
humanos;
 Explicação dos motivos da pesquisa em linguagem de senso comum;
 Justificativa da escolha do entrevistado;
 Garantia de anonimato e sigilo sobre os dados, não se trata de uma entrevista de mídia, onde os nomes precisam ser
ditos;
 Conversa inicial, um “aquecimento” para criar um clima mais descontraído possível.
ENTREVISTA SEMI-ESTRUTURADA
Página 267
“Obedece a um roteiro que é apropriado fisicamente e utilizado pelo pesquisador Por ter um apoio claro na sequencia das
questões, a entrevista semi-aberta facilita a abordagem e assegura, sobretudo aos investigadores menos experientes, que suas
hipóteses ou seus pressupostos serão cobertos na conversa. No entanto, os poucos experientes, na hora da análise, correm sério
risco pela tendência que tem de apenas analisar os temas previamente estabelecidos, sem ter o cuidado de explorar as estruturas
de relevância dos entrevistados, trazidas do campo.”
PESQUISA EM GRUPO
Página 269
“O grupo focal se constitui num tipo de entrevista ou conversa em grupos pequenos e homogêneos. Para serem bem- sucedidos,
precisam ser planejados, pois visam a obter informações, aprofundando a interação entre os participantes, seja para gerar
consenso, seja para explicitar divergências. A técnica deve ser aplicada mediante um roteiro que vai do geral ao específico, em
ambiente não diretivo, sob a coordenação de um moderador capaz de conseguir a participação e o ponto de vista de todos ou de
cada um. O valor principal dessa técnica fundamenta-se na capacidade humana de formar opiniões e atitudes na interação com
outros indivíduos.”
Página 270
“Os grupos focais podem ter uma função complementar à observação participante e às entrevistas individuais ou, ao contrário,
ser a modalidade específica de abordagem qualitativa. Por isso são usados para:




focalizar a pesquisa e formular questões mais precisas;
complementar informações sobre conhecimentos peculiares a um grupo em relação a crenças, atitudes e percepções;
desenvolver hipóteses para estudos complementares;
cada vez mais, como técnica exclusiva.”
“Do ponto de vista operacional, a discussão nos grupos focais se faz em reuniões com um pequeno número de informantes (seis
a doze). A técnica exige a presença de um animador e de um relator. O papel do animador pode ser assim resumido:
 introduzir a discussão e a mantê-la acesa;
 enfatizar para o grupo que não há respostas certas ou erradas;
 observar os participantes, encorajando a palavra de cada um;
 buscar as deixas para propor aprofundamentos;
 construir relações com os participantes para aprofundar, individualmente, respostas e comentários considerados
relevantes para a pesquisa;
 observar as comunicações não verbais;
 monitorar o ritmo do grupo visando a finalizar o debate no tempo previsto.
Geralmente o tempo de duração de uma reunião não deve ultrapassar uma hora e meia.
O relator, além de auxiliar o coordenador nos aspectos organizacionais, deve estar atento para nada deixar de anotar
sobre o processo criativo e interativo, registrando-o.”
UTILIZAÇÃO DE INSTRUMENTOS PARA REGISTRO DAS VÁRIAS MODALIDADES DE ENTREVISTA
Página 272
“Dentre os instrumentos de fidedignidade o mais usual é a gravação da conversa. Ou, ainda, quando existe possibilidade técnica
e abertura do grupo pesquisado, podem ser usados outros recursos, como filmagens. É necessário ressaltar que qualquer
tentativa de assegura o registro em toda a sua integridade precisa do consentimento do interlocutor.”
Página 273
“Quando não for possível gravar ou filmar, considero crucial que o investigador tente registrar a fala, imediatamente após a
entrevista, devendo fazer o mesmo com os registros da observação participante. Não se deve confiar na memória, pois a lógica
do pesquisador permanentemente se infiltra na observação, diminuindo a importância da dinâmica específica de seu objeto de
pesquisa.”
TER OBJETIVOS REALMENTE CIENTÍFICOS E CONHECER OS VALORES E CRITÉRIOS
Página 277
“Significa, por parte do pesquisador, ter abertura para o grupo, sensibilidade para sua lógica e para sua cultura, lembrando-se de
que a interação social faz parte da condição e da situação de pesquisa.”
Página 279
“Abandonar, na convivência, uma postura externa de cientista, entrando na cena social dos entrevistados como uma pessoa
comum que partilha do cotidiano; Adotar no campo uma linguagem do senso comum própria dos atores sociais que observa.”
Página 286
“Na medida em que convive com o grupo, o observador pode retirar de seu roteiro questões que percebe serem irrelevantes do
ponto de vista dos interlocutores; consegue também compreender aspectos que vão aflorando aos poucos, situação impossível
para um pesquisador que trabalha com questionários fechados e antecipadamente padronizados.”
Página 288
“Ainda quando o pesquisador começa seu trabalho com vagas noções a respeito do tema a ser estudado, deve testar
algumas hipóteses específicas, através do detalhamento minucioso de seus procedimentos metodológicos e de suas
pressuposições teóricas sobre a natureza dos grupos e da ordem social.”
DIÁRIO DE CAMPO
Pág. 295
“O diário de campo nada mais é do que um caderninho de notas, em que o investigador, dia por dia, vai anotando o que observa
e que não é objeto de nenhuma modalidade de entrevista”.
Pág. 297
“É bom lembrar mais uma vez que no campo, assim como durante todas as etapas da pesquisa, tudo merece ser entendido como
fenômeno social e historicamente condicionado: o objeto investigado, as pessoas concretas implicadas na atividade, o
pesquisador e seu sistema de representações teórico-ideológicas, as técnicas de pesquisa e todo o conjunto de relações
interpessoais e de comunicação simbólica”.
PARTE V: FASE DE ANÁLISE DO MATERIAL QUALITATIVO
Pág. 299
“... obstáculos... (documentos, entrevistas, biografias, resultados de discussão em grupos focais e resultados de observação)”.
“O primeiro deles é... ilusão da transparência isto é, a tentativa de interpretação espontânea e literal dos dados como se o real se
mostrasse nitidamente ao observador”.
“Portanto, analisar, compreender e interpretar um material qualitativo é, em primeiro lugar, proceder a uma superação da
sociologia ingênua e do empirismo, visando a penetrar nos significados que os atores sociais compartilham na vivência de sua
realidade”.
“O segundo obstáculo é o que leva o pesquisador a sucumbir à magia dos métodos e das técnicas, esquecendo-se do mais
importante, isto é, a fidedignidade à compreensão do material e referida às relações sociais dinâmicas e vivas”.
Pág. 300
“O terceiro obstáculo é a dificuldade que muitos pesquisadores encontram na junção e síntese das teorias e dos achados em
campo ou documentais”.
“Uma análise do material recolhido em campo ou documental, em termos muito gerais, busca atingir três objetivos:
 Ultrapassagem da incerteza: dando respostas às perguntas, hipóteses e pressupostos;
 Enriquecimento da leitura: ultrapassando o olhar imediato e espontâneo em busca da compreensão de significações e
de estruturas de relevantes latentes;
 Integração das descobertas, desvendando a lógica interna subjacente às falas, aos comportamentos e às relações.
Pág. 301
“(a) Análise de Conteúdo, expressão genérica que designa o tratamento de dados qualitativos”.
“(c) Análise Hermenêutica-Dialética,.. indicando “um caminho de pensamento”.
“...preferência à hermenêutica-dialética... toma como objeto a saúde”.
CAP. 11: TÉCNICAS DE ANÁLISE DO MATERIAL QUALITATIVO
Pág. 303
ANÁLISE DE CONTEÚDO
“Um conjunto de técnicas de análise de comunicação visando obter, por procedimentos sistemáticos e objetivos de descrição do
conteúdo das mensagens, indicadores (quantitativos ou não) que permitam a inferência de conhecimentos às condições de
produção/recepção destas mensagens”.
Pág. 307
“Os pesquisadores que buscam a compreensão dos significados no contexto da fala, em geral, negam e criticam a análise de
freqüência das falas e palavras como critério de objetividade e cientificidade e tentam ultrapassar o alcance meramente
descritivo da mensagem, para atingir, mediante a inferência, uma interpretação mais profunda”.
Pág. 309
MODALIDADE DE ANÁLISE DE CONTEÚDO:
“...relevância a Análise Temática por ser a mais simples e considerada apropriada para as investigações qualitativas em saúde”.
Pág. 315
ANÁLISE TEMÁTICA
Pág. 316
“Fazer uma análise temática consiste em descobrir os núcleos de sentido que compõem uma comunicação, cuja presença ou
freqüência signifiquem alguma coisa para o objeto analítico visado”.
“Operacionalmente, a análise temática desdobra-se em três etapas:

Primeira etapa: Pré-Análise
Consiste na escolha dos documentos a serem analisados e na retomada das hipóteses e dos objetivos iniciais da pesquisa. O
investigador deve se perguntar sobre as relações entre as etapas realizadas, elaborando alguns indicadores que orientem na
compreensão do material e na interpretação final. A pré-análise pode ser decomposta nas seguintes tarefas:
 Leitura Flutuante...
 Constituição do Corpus...
 Formulação e reformulação de Hipóteses e Objetivos, processo que consiste na retomada da etapa exploratória, tendo
como parâmetro da leitura exaustiva do material as indagações iniciais. ”Por isso se fala também em reformulação de
hipóteses, o que significa a possibilidade de correção de rumos interpretativos ou abertura para novas indagações”.
Pág. 317
Segunda etapa: Exploração do Material
“A exploração do material consiste essencialmente numa operação classificatória que visa alcançar o núcleo de compreensão do
texto”.
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