Texto 3 - Arte da Mesopotâmia - 1ª série Ensino Médio

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Texto 3 de Arte para os 1ª série do Ensino Médio – Prof.ª Luciana Carvalho
MESOPOTÂMIA
Mesopotâmia, que significa país entre dois rios, encontra-se entre os leitos do
Eufrates e do Tigre. Nela, duas regiões diferentes são percebidas com clareza. Ao
norte estende-se a Alta Mesopotâmia, de campos deserto altos, montanhosos e frios,
onde se instalaram os assírios e os acádios. Ao sul encontra-se a Baixa Mesopotâmia
formada por planícies férteis de clima quente que foram habitadas pelos sumérios e
babilônios.
O que entendemos por cultura mesopotâmica principia aproximadamente no ano de
3.200 a.C. com a chegada dos sumérios na região. Não existiu um Estado único e
duradouro senão que diferentes grupos alcançaram temporariamente a hegemonia
para depois perdê-la. Como os sumérios, os acadianos, os assírios ou os babilônios
que foram adotando a cultura de seus predecessores. Talvez isto seja assim porque a
Mesopotâmia não dispunha de defesas naturais facilmente defensáveis o que
propiciou que fosse periodicamente invadida por povos provenientes das montanhas e
dos desertos circundantes. De fato não é muito correto falar de uma só civilização.
Melhor ainda, encontramo-nos diante de uma encruzilhada na qual se encontraram e
sobrepuseram-se durante milhares de anos diferentes culturas que se alimentaram
umas das outras.
Ali vieram à luz inovações tão importantes como a moeda e a roda, os rudimentos da
astronomia, o sistema sexagesimal, o primeiro código de leis, o correio, a irrigação
artificial, o arado, avela, os arreios dos animais. E surge a metalurgia do cobre e do
bronze.
A arte mesopotâmica não busca a beleza por si mesma nem um gozo puramente
estético, mas sim cumpre com incumbências muito exatas. Realizado por artesãos
cujo trabalho coloca-se a serviço do poder, que no seu principio é essencialmente
religioso. Mas com a passagem do tempo, entretanto, vai cedendo terreno a favor de
representações de natureza mais política, embora sem nunca voltar às costas à
religião. Serão então os sacerdotes e os reis que estabelecerão, em proveito próprio,
as pautas que regerão a produção artística.
É uma arte anônima, de artesãos cujo nome nos é desconhecido, que se caracteriza
pelo respeito aos modelos estabelecidos. Isto não significa, logicamente, que fosse
uma arte totalmente imutável. Ao contrario, como não podia deixar de acontecer,
apareceram numerosas transformações ao longo dos três milênios que durou sua
história e na qual, como já dissemos, concluíram vários povos diferentes. Não houve
um, mas sim vários centros criadores, por isso a rigor é difícil falar de uma arte
mesopotâmica única. Além de notáveis e numerosos traços comuns encontramo-nos
diante de uma grande variedade de manifestações.
A ARQUITETURA
Os primeiros vislumbres de monumentalidade aparecem nos templos e palácios, as
principais construções na Mesopotâmia, posto que nelas ocorram as principais
atividades de seus habitantes. Os sumérios, excepcionais engenheiros e construtores,
assentaram as bases arquitetônicas, que essencialmente repetiram-se com as
sucessivas culturas que ocuparam o território. Dada à escassez de pedras e a
abundancia de argila, o material por excelência foi o tijolo. Empilhados em forma
compacta formam um edifício maciço de aspecto sólido normalmente sem janelas. A
iluminação e o ar entram pelos pátios internos e nas aberturas feitas no teto para esse
fim. Somente as grandes portas e os destaques dos muros, que originam um jogo de
sombras e luz ao longo do dia, diminuem a monotonia. A estruturação da planta em
torno de um ou vários pátios é a particularidade característica mais destacável das
construções mesopotâmicas. O esquema básico, um pátio rodeado de moradias pode
ser multiplicado até adquirir dimensões colossais, como podemos ver nos pomposos
palácios dos reis assírios, mostra inequívoca do seu imenso poder. É também
chamativo o precoce costume de construir os edifícios principais sobre terraços.
OS ZIGURATES
O terraço será, de fato, uma parte essencial do zigurat, o edifício mais típico da
civilização mesopotâmica construído, logicamente, com tijolos. Trata-se de um
santuário colocado sobre uma série de degraus decrescentes e sobreposto, que se
levantava junto a outros templos em um recinto sagrado. Sua semelhança com a
pirâmide egípcia induz á suspeita de que houvesse algum tipo de relação entre
ambos. Por outro lado, também é correto que existem templos em forma de pirâmides
escalonadas na América Central e Ásia. O mais surpreendente é a semelhança
existente entre os zigurates e as pirâmides escalonada da América central, com
concepção idêntica em monumentos e espacialmente. O zigurate em melhores
condições de conservação, inclusive antes de ser restaurado, é o Etemenniguru, que
foi construído em Ur em finais do III milênio a.C. ergue-se sobre uma plataforma de
140 x 135 metros rodeada por um muro duplo. Originalmente teve três andares
coroados por um templo, dos quais resta só o primeiro e a metade do segundo. Ainda
assim conta com mais de 20 metros de altura. Ainda hoje podemos subir sua
escadaria tripla e ver toda a cidade antiga. Dos zigurates só sabemos que possuíam
um
claro
caráter
sagrado.
Altares,
tronos,
moradas
divinas,
observatórios
astronômicos, oratórios de pedra, um convite aos deuses para que descessem á terra
e ao homem para elevar-se ao firmamento para reunir-se com a divindade. Muitas
foram às opiniões propagadas sobre sua natureza.
A PINTURA
Quanto á pintura é possível que fosse um meio provinciano, um recurso para imitar
as manifestações artísticas das cidades principais. Na realidade, isto não é mais do
que uma mera conjectura, pois os poucos indícios que chegaram sobreviveram quase
não nos permitem entrever os êxitos alcançados neste campo.
A ESCULTURA E O RELEVO
As diferenças de estilo dos diversos povos são evidentes. Os toscos e esquemáticos
relevos das estrelas sumérias ou das placas que penduravam nos templos ganharam
consideravelmente em naturalismo, como as dos acadianos. Babilônia, por sua vez, é
famosa por seus suntuosos e chamativos relevos em tijolos vidrados. Apesar disso, os
mestres indiscutíveis neste campo seriam os assírios, que abarrotavam as paredes de
seus palácios com esplendidos relevos que mostram batalhas cruéis, deliciosas cenas
cortesãs ou caçadas com animais dotados de um realismo e uma expressividade
inigualáveis. O tamanho não depende da distancia na qual se encontra o personagem,
mas sim de sua classe de forma que o Deus é maior que o rei, o rei maior que o
vassalo e este que o inimigo. É uma arte mais racional que emocional, que pretende
representar a realidade essencial das coisas. Pela mesma razão as diferentes partes
da figura humana formam um todo que ignora absolutamente a anatomia. Assim, as
extremidades aparecem de perfil enquanto que os ombros e o tronco são vistos de
frente. É o mesmo tratamento empregado pelos egípcios e, de fato, foi o costume em
todo o Oriente Próximo Antigo. A escultura de vulto redondo, por seu lado, caracterizase por seu racional e pouco natural geometrismo, sua frontalidade e falta de
movimento. Depois de um desenvolvimento que termina com as abundantes
representações de Gudea entalhadas em diorita, todas elas com uma espiritualidade e
uma dignidade extraordinárias que são expressas através da pureza de suas linhas e
da sobriedade de seus detalhes, a produção se foi fazendo cada vez mais rara e
menos notável.
OS JARDIN SUSPENSOS DA BABILÔNIA
Dois monumentos da Babilônia figuravam na primeira relação greco-romana das
sete maravilhas do Mundo Antigo. As muralhas eram um deles, mas em listas mais
clássicas foram substituídas pelo Farol de Alexandria. O outro conservou seu lugar até
hoje e sua evocação preenche nossas mentes de imagens exóticas. Trata-se dos
jardins suspensos.
Realmente sabemos muito pouco sobre estes jardins e há versões muito diferentes
sobre sua construção. Uma a atribui a Semíramis, a lendária rainha assíria do século
IX a.C. porém a mais propagada é a seguinte:
Segundo alguns historiadores gregos posteriores, Amites, a amada esposa de
Nabucodonosor II, a princesa meda que foi criada entre montes de vegetação
exuberante deprimia-se de melancolia na calorosa, plana e retilínea Babilônia. O
poderoso rei não podia admitir esta tristeza. Amites sente saudades das suas colinas?
Ele lhe construiria então umas ainda mais famosas.
Junto ao palácio real construiu uma série de terraços escalonados onde plantaria
palmeiras, flores do oriente, bananeiras... Para manter estes vergéis instalou um
“engenho de cadeia” que fazia chegar à água do rio até o terraço superior de onde a
mesma era distribuída por todas as abóbadas. Também previu que os soberanos
pudessem descansar da visita aos jardins em amplos aposentos com uma rica
decoração. A verde e perfumada vegetação dos jardins caía das alturas dando um
inusitado frescor ás tardes da Babilônia. Contemplados a distância os jardins pareciam
suspensos no ar.
O arqueólogo alemão Koldewey que passou quatorze anos desenterrando as ruínas
da Babilônia encontrou um porão com tetos de arcos de pedra. Segundo os registros
antigos este caríssimo material somente foi utilizado em dois locais da cidade: a
cidadela norte e nos jardins suspensos. Como já haviam descoberto a parede de
pedra da cidadela pensou-se que podia se tratar dos jardins.
Seja como for, atualmente, são muitos os pesquisadores que duvidam que os
Jardins Suspensos tenham existido além da imaginação de poetas e historiadores da
antiguidade e consideram que as descobertas de Koldewey são simplesmente os
arquivos de um centro administrativo. Não devemos esquecer que os documentos
cuneiformes da época não dizem uma só palavra deste monumento enquanto que o
fazem amiúde sobre as muralhas e palácios. Heródoto tampouco os menciona na sua
descrição da Babilônia. Talvez, quando ele visitou a cidade, já estivessem destruídos.
Sumérios
Os sumérios desenvolveram sua civilização na região sul da Mesopotâmia, entre os
rios Eufrates e Tigre (área integrante do Crescente Fértil). Habitaram esta região,
conhecida como Suméria, entre os anos 4000 e 1950 a.C.

Engenharia: controlando a água
Os sumérios destacaram-se na elaboração de projetos e construção de um complexo
e desenvolvido sistema de controle de água do Tigre e Eufrates. Construíram
barragens, sistemas de drenagem do solo, canais de irrigação e diques. A
armazenagem da água era muito importante para a sobrevivência das cidades
sumérias.

Escrita Cuneiforme
Uma enorme contribuição cultural dos sumérios foi o a criação do sistema de escrita
cuneiforme, por volta de 4000 a.C. Neste sistema, os sinais representavam ideias e
objetos. Usavam placas de argila (barro), onde cunhavam (marcavam com cunhas)
esta escrita. Muito do que sabemos atualmente, sobre este período da história,
devemos as placas de barro com registros cotidianos, econômicos, administrativos e
políticos deste período.

Religião
Os sumérios eram politeístas (acreditavam na existência de vários deuses). As
divindades sumérias eram ligadas a natureza (Sol, chuva, vento, trovão) e também
aos sentimentos (ódio, amor, tristeza, felicidade).

Arquitetura e cidades sumérias
Os sumérios foram excelentes arquitetos e construtores. Desenvolveram os zigurates,
que eram enormes construções em formato de pirâmides. Os zigurates eram usados
como locais de armazenagem de grãos e também como templos religiosos.
Acádios
Tribo de nômades que vieram do deserto da Síria, os acádios chegaram
à Mesopotâmia por volta de 2550 a.C., enquanto este território estava dominado
pelos sumérios.
Entretanto, a guerra entre os sumérios para a permanência no poder acabou dando
espaço para que a conquista acadiana da Mesopotâmia tivesse êxito. Mas esses dois
povos, de culturas similares, acabariam se unificando para formar o I Império
Mesopotâmico.
Assírios
Este povo destacou-se pela organização e desenvolvimento de uma cultura militar.
Encaravam a guerra como uma das principais formas de conquistar poder e
desenvolver a sociedade. Eram extremamente cruéis com os povos inimigos que
conquistavam. Impunham aos vencidos, castigos e crueldades como uma forma de
manter respeito e espalhar o medo entre os outros povos. Com estas atitudes, tiveram
que enfrentar uma série de revoltas populares nas regiões que conquistavam.
Babilônicos
Este povo construiu suas cidades nas margens do rio Eufrates. Foram responsáveis
por um dos primeiros códigos de leis que temos conhecimento.
Baseando-se nas Leis de Talião ("olho por olho, dente por dente"), o imperador de
legislador Hamurabi desenvolveu um conjunto de leis para poder organizar e controlar
a sociedade. De acordo com o Código de Hamurabi, todo criminoso deveria ser punido
de uma forma proporcional ao delito cometido.
Os babilônios também desenvolveram um rico e preciso calendário, cujo objetivo
principal era conhecer mais sobre as cheias do rio Eufrates e também obter melhores
condições para o desenvolvimento da agricultura. Excelentes observadores dos astros
e com grande conhecimento de astronomia, desenvolveram um preciso relógio de sol.
Além de Hamurabi, outro imperador que se tornou conhecido por sua administração foi
Nabucodonosor II, responsável pela construção dos Jardins suspensos da Babilônia
(que fez para satisfazer sua esposa) e a Torre de Babel (zigurate vertical de 90 metros
de altura). Sob seu comando, os babilônios chegaram a conquistar o povo hebreu e a
cidade de Jerusalém.
Caldeus
Os caldeus habitaram a região conhecida como Baixa Mesopotâmia no primeiro
milênio antes de Cristo. Eram de origem semita. O imperador caldeu mais importante
foi Nabucodonosor II. Após a morte deste imperador, o império babilônico foi
conquistado pelos Persas.
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