LIÇÕES BÍBLICAS CPAD – 3º TRIMESTRE 2014. SUBSÍDIO. LIÇÃO

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LIÇÕES BÍBLICAS CPAD – 3º TRIMESTRE 2014.
LIÇÃO 10.
SUBSÍDIO.
O PERIGO DA BUSCA PELA AUTORREALIZAÇÃO HUMANA.
INTRODUÇÃO
I – A ORIGEM DOS CONFLITOS E DAS DISCÓRDIAS (Tg 4.1-3)
II – A BUSCA EGOÍSTA (Tg 4.4,5)
III – A BUSCA DA AUTORREALIZAÇÃO (Tg 4.6-10)
CONCLUSÃO
A RESPOSTA DE DEUS ÀS AMBIÇÕES HUMANAS. TIAGO 4.2,3.
Nesta lição, estudaremos a respeito da resposta negativa de Deus aos
desígnios do coração do homem quando estes não estão em consenso com a
vontade divina. Tiago declara de maneira implícita em sua epístola, que a oração
constituída de ambições, provenientes de desejos pecaminosos não será respondida
(Tg 4.1-3). Porquanto, tais desejos são frutos da inclinação da carne, contrários à
natureza divina, cujo comportamento é considerado pelo meio irmão do Senhor,
“amizade com o mundo e inimizade contra Deus” (cf. v.4). Tiago classifica também
os que assim procedem como “adúlteros e adúlteras”, pelo fato de invalidarem a
aliança com Cristo, vinculada no evangelho, a fim de buscarem a autorrealização
humana. Logo, “qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de
Deus” (v.4). Além disso, outra característica dos que assim fazem, é o interesse
somente em suas próprias necessidades, que não os levarão a lugar algum,
porquanto o egoísmo fere a lei da reciprocidade ensinada por Jesus e denota a falta
de amor ao próximo (cf. Mt 7.12). No entanto, é desejo do coração do Senhor
restaurá-los e trazê-los de volta a comunhão plena com o Criador, desde que sejam
humildes e se sujeitem a vontade divina, pois “Deus resiste aos soberbos, dá,
porém, graça aos humildes” (Tg 4.6). Portanto, nesta lição considere a declaração
de Tiago: “Pedis e não recebeis, porque pedis mal, para o gastardes em vossos
deleites” (v.3), e a partir disso, analise com a classe, de que forma os crentes da
atualidade devem compreender a resposta de Deus às suas orações, levando-se em
conta que os intuitos do coração do homem, devem estar de acordo com a vontade
divina que é boa, agradável e perfeita (cf. Rm 12.2).
O coração humano é ambicioso
Nesse contexto, o meio irmão do Senhor exorta os crentes a compreenderem
que o coração do homem é tendencioso a ambicionar tudo quanto é satisfatório às
suas necessidades carnais (cf. Mt 15.19; Mc 7.21). Em virtude disso, a igreja da
dispersão se deparava com constantes “guerras e pelejas” entre os irmãos (cf. Tg
4.1). O líder da igreja em Jerusalém direcionou esta epístola, na intenção de resolver
o conflito, pois tais dissensões provinham justamente dos deleites carnais dos que
ambicionavam (cf. 3.14-16; 4.1). Por esta causa, Tiago declara: “Pedi e não
recebeis, porque pedis mal para o gastardes em vossos deleites” (v.3). Estes
desígnios são oriundos do conflito existente no interior do homem, conforme declara
o apóstolo Paulo aos romanos: “Porque não faço o bem que quero, mas o mal que
não quero, esse faço. Ora, se eu faço o que não quero já o não faço eu, mas o
pecado que habita em mim” (Rm 7.19,20). Logo, vemos que existe uma guerra que
domina a natureza do homem para que este não faça o que quer, mas esteja
sempre sujeito a agir de acordo com o ímpeto das concupiscências carnais (1 Jo
2.16,17). Desse modo, caso o homem seja dominado por suas ambições carnais,
suas orações certamente não serão respondidas, porquanto seu coração estará
engodado pelo pecado (cf. Is 1.15). Portanto, a resposta de Deus às nossas orações
está condicionada ao propósito de nossos corações diante dEle. Desta maneira, as
providências materiais de Deus em nossas vidas, de forma alguma sobrepujarão o
valor inestimável da nossa relação com o Criador.
A amizade do mundo constitui-se inimizade contra Deus
Em vista disso, Tiago afirma que os deleites são frutos da inclinação da carne,
cujo comportamento é considerado “amizade com o mundo e inimizade contra Deus”
(cf. v.4). Todavia, Deus é qualificado por sua santidade e não compactua com a
imoralidade, porquanto, reprova tudo quanto é profano (cf. 1 Pe 1.16). Na obra
Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal, Stanley Horton discorre:
“Fomos chamados para ser diferentes, porque o Senhor é diferente. Deus se revela
como ‘santo’ (hb. qadosh), e o aspecto essencial da qadosh é a separação daquilo
que é mundano, profano ou corriqueiro, e a separação (ou dedicação) para seus
propósitos. Os mandamentos dados a Israel exigiam que fosse mantida a nítida
distinção entre as esferas do comum e do sagrado (Lv 10.10). Tal distinção tinha seu
impacto sobre o tempo e o espaço (sábado e o santuário), mas visava o indivíduo do
modo mais relevante. Tendo em vista que Deus é diferente de qualquer outro ser,
todos o que lhe estão submissos devem também estar separados no coração, nas
intenções, na devoção e no caráter para Ele, que é verdadeiramente santo (Êx
15.11)”. (CPAD, 1996, p.139). Assim sendo, Tiago adverte contra o comportamento
em conciliação com o mundo, cujos desígnios partem da inclinação carnal, pois os
que tais fazem tornam-se inimigos de Deus. Conforme Tiago cita, Deus rejeitou a
oração daqueles crentes, visto que aderiram a valores mundanos, constituídos de
“inveja e espírito faccioso” (cf. Tg 3.16). Por conseguinte, a amizade com o mundo é
entendida biblicamente como a quebra da aliança com o Deus santo, único e
verdadeiro, constituindo assim em adultério (cf. 4.4; 2 Co 6.14-18). Logo, o coração
dominado pela concupiscência carnal não será atendido de forma favorável, uma
vez que tem como propósito somente a autorrealização.
“Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes”
Em continuidade, Tiago assevera aos crentes da dispersão que a finalidade
de suas petições era maligna: “[...] para o gastardes em vossos deleites” (v.3). Tais
rogativas evidenciam o egoísmo e a autossuficiência. Desse modo, não poderão
desfrutar da bênção de Deus, já que em seus corações predomina o interesse
somente em suas próprias necessidades. Tal comportamento fere o princípio bíblico
da reciprocidade, ensinado por Jesus: “Portanto, tudo o que quereis que os homens
vos façam, fazei-lho também vós, porque esta é a lei e os profetas” (Mt 7.12). Não
obstante, o desejo do coração do Senhor é restaurá-los e trazê-los de volta a
comunhão plena com o Criador, visto que “Deus resiste aos soberbos, mas dá graça
aos humildes” (Tg 4.6). Assim, a resposta de Deus aos que se mostram humildes e
dependentes de sua bondade, é a “graça abundante”, a fim de que glorifiquem a
Deus, através de suas provisões. Porém, aos que são soberbos, Deus “os resiste”,
uma vez que não reconhecem o quanto são arrogantes e egoístas diante de Deus,
pelo fato de só pensarem nas coisas materiais e carnais (vv.3,6). No Comentário
Bíblico do Novo Testamento de Mattew Henry: Atos a Apocalipse, vemos a seguinte
explicação: “A desgraça lançada sobre os orgulhosos: Deus lhes resiste. A palavra
original, antitassetai, significa: Deus se coloca como que de prontidão na batalha
contra eles; e pode haver uma desgraça maior que Deus proclamar um homem
rebelde, um inimigo, um traidor da sua coroa e dignidade, e proceder contra ele
como tal? Os soberbos resistem a Deus; na sua compreensão, resistem às verdades
de Deus; na sua vontade, resistem às leis de Deus; nas suas emoções, resistem à
providência de Deus; e por isso, não é de admirar que Deus se coloque em oposição
aos soberbos” (CPAD, 2010, p.843). Com isso, podemos concluir que Deus
aborrece qualquer manifestação de soberba e autossuficiência, pois o critério de
Deus para atender a oração, encontra-se na intenção do coração do homem,
sondado por Deus (Sl 139.23). Porquanto, como já vimos, “Pois do que há em
abundância no coração, disso fala a boca” (Mt 12.34). Assim, Deus deseja ouvir a
petição daqueles que se apresentam com um coração puro, humilde e de boas
intenções perante Ele (cf. Sl 51.17; 2 Cr 7.14; Tg 4.8-10).
Considerações finais
Assim sendo, compreendemos que o coração do homem, de fato, ambiciona
desígnios que muitas vezes não estão em conformidade com a vontade de Deus.
Por esta causa, suas petições em oração são rejeitadas. Pois Deus conhece a
malignidade de suas ambições, cujo interesse, é proveniente de desejos
pecaminosos, contrários à natureza divina (cf. Jr 17.9). Com isso, o homem se torna
inimigo de Deus, já que tais desígnios evidenciam o afastamento dos valores da
Palavra de Deus e a proximidade com o mundo (Pv 6.18). Tal conduta é designada
por Tiago como inimizade contra Deus e deve ser tratada, para evitar o afastamento
total do crente de sua aliança com Cristo. Portanto, é necessário que os tais
retornem humildemente a posição de “servos”, para que a graça divina traga renovo
em seus corações, a fim de desfrutarem novamente da comunhão plena com o
Criador. Portanto, os que são autossuficientes e orgulhosos, encontram a resistência
de Deus e certamente sofrerão a consequência pela desobediência. Do mesmo
modo, aos que são humildes e ouvem a voz do Criador, Ele concederá graça em
abundância para que desfrutem da plenitude da benção do Senhor (cf. Tg 4.6).
Considerando estes aspectos, é importante que o professor aplique esta lição,
apresentando a relação existente entre os desígnios do coração do homem e a
vontade divina em suas orações. Explique que Deus espera encontrar em nós um
coração puro e depende de sua graça. Pois Deus repudia toda conciliação com o
mundo, considerada por Tiago como “inimizade contra Deus” (v.4).
Por Thiago Santos.
Educação Cristã.
Publicações. CPAD.
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