Apostila de Geografia 03 – Globalização – Controvérsias e Ideologias

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Apostila de Geografia 03 – Globalização:
Controvérsias e Ideologias
1.0 Conceito
A globalização é o processo de interdependência entre países e mercados. Ela
pode ocorrer por dois meios:
• Revolução tecnológica;
• Comércio internacional.
A globalização é uma nova fase de expansão do capitalismo, assim como foram
o período das Grandes Navegações e o Neocolonialismo. Ela começou a criar forma em
meados da década de 80, quando a tecnologia de informática se associou a de
telecomunicações (III Revolução ou Onda Tecnológica) concomitante a queda de
barreiras comerciais em decorrência do neoliberalismo.
A percepção mais evidente do mundo globalizado está na interligação acentuada
e acelerada dos mercados mundiais, na qual se tem a possibilidade de movimentar
bilhões de US$ via computador, em poucos segundos, fato que ocorreu com o crash
mundial das bolsas de valores (crise asiática - 1997) e as posteriores crises russa (1998)
e brasileira (1999) - fim das fronteiras geopolíticas?
A interligação acentuada e acelerada dos mercados mundiais só é possível pelo
atual nível de desenvolvimento no campo da informática e telecomunicações (terceira
revolução tecnológica - processamento, difusão e transmissão de informações), uma vez
que. O desenvolvimento e barateamento das tecnologias de informação reduzem o
tamanho do mundo. A CNN pode ser considerada o símbolo da integração da
informação via satélite e a INTERNET, via computador.
1.1 Neoliberalismo
Neoliberalismo é uma teoria político-econômica que defende uma redução da
ação do Estado na economia. Essa teoria ganhou força depois que os conservadores
foram vitoriosos nas eleições de 1979 no Reino Unido (Margareth Thatcher, primeira
ministra) e, de 1980, nos Estados Unidos (Ronald Reagan para a presidência daquele
país). Desde então o Estado passou apenas a preservar a ordem política e econômica,
deixando as empresas privadas livres para investirem como quisessem. Os Estados
passaram a desrregulamentar e a privatizar inúmeras atividades econômicas antes
controladas por eles e a abrir seus mercados ao capital externo.
2.0 Tipos
2.1 Globalização Econômica
Aceleração da produção;
Renovação dos meios técnicos – transporte e meios de produção;
Produção flexível;
Marcas e produtos mundiais;
Divisão territorial do trabalho;
Dispersão das camadas consumidoras;
Intenso fluxo de capital entre países centrais;
Concentração da riqueza mundial.
2.2 Globalização Financeira
Circulação financeira;
Bolsas de valores – praças financeiras;
Produção flexível;
Dinheiro sujo;
Dívida externa;
Seguros, previdência e crédito;
Paraísos fiscais.
2.3 Globalização Cultural?
Cultura global?
Universalização ou padronização?
Indústria cultural;
Estetização dos bens de consumo;
Cultura local;
Cultura nacional;
Cultura e cidadania.
3.0 Conseqüências
3.1 Transnacionais – Principal Agente de Globalização
Há uma proliferação de empresas multinacionais pelo mundo, que se instalam
em países onde a possibilidade de ganho é generosa, notadamente nos países de Big
Emergenning Market - Nações de Grande Mercado Emergentes - na linguagem
geopolítica dos EUA (R.P. da China - maior mercado de consumo do mundo, Índia,
Brasil). As empresas globalizadas trocam o patrimônio (sem indústrias próprias terceirizadas) por pesados investimentos em marketing. Exemplo: Coca-Cola e Nike.
O processo de concentração econômica é acentuado (oligopolização), através da
aquisição de empresas de menor relevância pelas de maior (caso da UNILEVER que
adquiriu a Bestfoods que tinha comprado a ARISCO) ou pela fusão de empresas
(exemplo da AMBEV).
3.2 OMC
Com a globalização a OMC (Organização mundial do Comércio, que substitui o
GATT - acordo Geral de tarifas e Comércio), passa a ser a instituição internacional de
maior relevância, uma vez que no futuro, os “conflitos comerciais” se intensificarão,
sendo esta instituição apta a julgar tais conflitos.
3.3 Diferenças sócio-econômicas
As diferenças sócio-econômicas entre os países do norte e do sul são
aprofundadas. - Os países pobres, por serem dependentes (não são sede de
multinacionais, não possuem tecnologias de informação modernas, apresentam
baixíssimos índices de escolaridade) passam a ser agentes passivos da globalização. E a
miséria aumenta principalmente na África Negra (sul do Sahel) e nos ex. países do
bloco soviético. Há no mundo mais de 1,8 bilhão de pobres absolutos (pessoas que
vivem com menos de US$ 1 ao dia)
A GLOBALIZAÇÃO COMO PERVERSIDADE
“De fato, para a maior parte da humanidade, a globalização está se impondo
como uma fábrica de perversidades. O desemprego crescente torna-se crônico. A
pobreza aumenta e as classes médias perdem em qualidade de vida. O salário médio
tende a baixar. A fome e o desabrigo se generalizam em todos os continentes. Novas
enfermidades como a Aids se instalam e velhas doenças, supostamente extirpadas,
fazem seu retorno triunfal. A mortalidade infantil permanece a despeito dos progressos
médicos e da informação. A educação de qualidade é cada vez mais inacessível.
Alastram-se e aprofundam-se males espirituais e morais, como os egoísmos, os
cinismos, a corrupção.”
Milton Santos
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