BELO, E.M; ANTONIO FILHO, F.D. Imagem: geografia da realidade ou realidade geográfica?... p.583592. _________________________________________________________________________________________________ IMAGEM: GEOGRAFIA DA REALIDADE OU REALIDADE GEOGRÁFICA? UMA ABORDAGEM SOBRE A IMPORTÂNCIA DAS IMAGENS OBTIDAS A PARTIR DA LEITURA DOS DIFERENTES TIPOS DE TEXTO E SUA CONTRIBUIÇÃO NA INTERPRETAÇÃO DA REALIDADE Evelyn Monari Belo1 Fadel David Antonio Filho2 INTRODUÇÃO Conhecimento e imagem são dois elementos que se constituem a partir de aspectos essenciais como a complexidade e a subjetividade. É por este motivo que assemelham-se à natureza humana. Fundamentando a realização desta tese em conceitos que foram denominados como Geografia da realidade e realidade geográfica, as imagens constituem nosso objeto de estudo em virtude do que relacionamos como fundamental no desenvolvimento da tese de doutorado. Vivendo e atuando no espaço geográfico, encontra-se inserido em um mundo dinâmico e, assim, constrói sua realidade a partir desta mesma condição. Por vezes, sua realidade confunde-se com a dinâmica realidade que caracteriza o mundo – espaço geográfico – em que vive. 1. O conhecimento geográfico presente nos textos didáticos como elemento fundamental à compreensão da importância do homem na constituição das imagens 1 Professora na rede pública municipal de Rio Claro – S.P; Professora nas Faculdades Integradas Claretianas; Concluinte do curso de Doutorado em Geografia (outubro/2009), Organização do Espaço, na UNESP, IGCE. 2 Professor Dr. livre docente no Departamento de Geografia, UNESP, IGCE. IX Seminário de Pós-Graduação em Geografia da UNESP Rio Claro, 3 a 5 de novembro de 2009 583 http://sites.google.com/site/seminarioposgeo/anais ISBN: 978-85-88454-19-4 BELO, E.M; ANTONIO FILHO, F.D. Imagem: geografia da realidade ou realidade geográfica?... p.583592. _________________________________________________________________________________________________ Selecionando os textos didático, literário e científico, observamos que a presença do homem permite-nos identificá-lo como elemento fundamental na elaboração e/ou evocação de imagens que são resultantes do processo de (re)construção do conhecimento e (re)interpretação do mundo. Entretanto, se tomamos o homem como elemento fundamental para a análise proposta, podemos identificá-lo nos diferentes tipos de texto que permitem-nos a partir da leitura e (re)interpretação do conhecimento, seja no texto de caráter didático, literário ou científico. O Quadro 01, abaixo relacionado, permite-nos compreender melhor tal esta condição: QUADRO 01 PRINCIPAIS CARACTERÍSITICAS DOS TEXTOS LITERÁRIO, DIDÁTICO E CIENTÍFICO DIDÁTICO Explicação resumida. LITERÁRIO CIENTÍFICO conteudista, Descrição mais “completa”. Caráter justificativo, concretização do científico. pois é a conhecimento Proximidade com a ciência geográfica (tradicional). Proximidade com a ciência geográfica (tradicional). Proximidade com a ciência geográfica (tradicional). Caráter “controlador”; Transmite informações com o objetivo de estabelecer e manter a ordem social e sua hierarquia (status quo); Sua estrutura é próxima da Geografia tradicional quando parte do geral para o pontual: A Terra (descrição física); O Homem (subjetividade); A Luta (integração). Estabelece com o leitor uma “troca de idéias” porque provoca reflexões/questionamentos sobre uma realidade observada, pesquisada e levada a conhecimento acadêmico para ser considerada ou não verdadeira. Org.: Belo, E. M. (2007) Assim, a partir da (re)interpretação e (re)leitura de textos, podemos compreender a presença de imagens que são elaboradas e/ou evocadas quando utilizamos nossa cognitiva. As imagens retratam, refletem a realidade que vivemos e, por este motivo, têm na ciência geográfica uma ciência que se caracteriza como elemento que fundamenta e até mesmo justifica a presença humana. Se retratam a realidade, retratam o dinamismo presente no cotidiano das pessoas. Como? De que maneira podemos compreender tais imagens? IX Seminário de Pós-Graduação em Geografia da UNESP Rio Claro, 3 a 5 de novembro de 2009 584 http://sites.google.com/site/seminarioposgeo/anais ISBN: 978-85-88454-19-4 BELO, E.M; ANTONIO FILHO, F.D. Imagem: geografia da realidade ou realidade geográfica?... p.583592. _________________________________________________________________________________________________ Inicialmente, cada imagem pode ser compreendida como um elemento que ultrapassa o sentido, ou melhor, a natureza do “simbólico”, uma vez que tem a capacidade de integrar, constituir a realidade das pessoas de forma peculiar. Pode representar tanto a realidade quanto reflexos que omitem esta mesma realidade, pois são complexas e subjetivas. É neste contexto que encontramos os conceitos que integram o título deste trabalho e, por isso, um novo questionamento surge neste momento: O que compreendemos por Geografia da realidade e realidade geográfica? 2. Geografia da realidade e realidade geográfica: definindo os conceitos que determinam a realidade a partir das imagens À Geografia da realidade podemos atribuir as seguintes formas de interpretação e/ou compreensão: • Possibilita a interpretação da realidade que caracteriza o cotidiano do homem em suas mais diversas manifestações de peculiaridades que, por sua vez, culmina no outro conceito que também constitui nosso questionamento, a realidade geográfica; • Constitui-se como conceito que abarca consigo toda e qualquer possibilidade de interpretação de uma realidade criada e recriada em todo momento; • Junto à realidade geográfica se constitui a partir da sabedoria do homem, também expressa nas imagens que elaboramos e/ou evocamos e que constituem nosso conhecimento; • Pode ser compreendida como um conceito que determina a presença incontestável de aspectos que caracterizam as possibilidades de sobrevivência do homem, em diferentes situações no espaço geográfico; • Permite a elaboração e/ou evocação de imagens que podem simbolizar tanto a passividade e a aceitação quanto a “liberdade” diante da aquisição, da apropriação do conhecimento; • Conceito capaz de identificar a realidade dos indivíduos, distanciando-se de qualquer provável manifestação do determinismo apontado por Santos (2004). Assim, determina as condições de sobrevivência do homem IX Seminário de Pós-Graduação em Geografia da UNESP Rio Claro, 3 a 5 de novembro de 2009 585 http://sites.google.com/site/seminarioposgeo/anais ISBN: 978-85-88454-19-4 BELO, E.M; ANTONIO FILHO, F.D. Imagem: geografia da realidade ou realidade geográfica?... p.583592. _________________________________________________________________________________________________ diante da observação de fatos cotidianos que, por vezes, não são percebidos pelo homem em sua rotina. Integrado ao conceito de Geografia da realidade, a realidade geográfica surge como conceito que: • Permite-nos observar diferentes ocorrências que interferem na vida humana; • Reafirma a possibilidade de transformação da aceitação e da passividade em condições que, consequentemente, resultam na transformação do homem, que assume a condição de “leitor do mundo”; • Permite a identificação das imagens que simbolizam as condições de vida que a Geografia tenta explicar, sendo peculiar a um determinado grupo social; • Permite, também, a identificação de uma nova configuração do mundo, estabelecida com a ocorrência das relações entre homem e natureza. Contrariamente, os conceitos Geografia da realidade e realidade geográfica não podem ser observados nas imagens que, eventualmente, são apresentadas nos textos didáticos. Tais imagens simbolizam, retratam uma realidade precária e, por vezes, são tão precárias quanto o reflexo que integra toda e qualquer possibilidade de compreensão que se constitui a partir da nossa (re)interpretação da realidade que vivemos, na qual experimentamos o novo e (re)elaboramos nosso conhecimento. 3. Imagens: elementos que revelam ou distorcem a realidade? Se tomarmos como exemplos algumas imagens que ilustram o texto didático das apostilas de Geografia do Programa de Educação a Distância Telecurso 2000 (TC 2000), Ensino Médio, editadas nos anos de 1989 e 1996 respectivamente, tornar-se-ão necessários alguns esclarecimentos: 1. A precariedade observada nas imagens dificulta a compreensão e/ou a interpretação do leitor sobre o conhecimento constituído a partir das informações transmitidas via texto. As imagens abaixo relacionadas IX Seminário de Pós-Graduação em Geografia da UNESP Rio Claro, 3 a 5 de novembro de 2009 586 http://sites.google.com/site/seminarioposgeo/anais ISBN: 978-85-88454-19-4 BELO, E.M; ANTONIO FILHO, F.D. Imagem: geografia da realidade ou realidade geográfica?... p.583592. _________________________________________________________________________________________________ permitem-nos uma observação que identifica e confirma a presença da aceitação e da passividade: Figura 1 Fonte: FUNDAÇÃO ROBERTO MARINHO, 1996, p. 19, vol.2. Figura 2 Fonte: FUNDAÇÃO ROBERTO MARINHO;, 1989, p.28 IX Seminário de Pós-Graduação em Geografia da UNESP Rio Claro, 3 a 5 de novembro de 2009 587 http://sites.google.com/site/seminarioposgeo/anais ISBN: 978-85-88454-19-4 BELO, E.M; ANTONIO FILHO, F.D. Imagem: geografia da realidade ou realidade geográfica?... p.583592. _________________________________________________________________________________________________ Figura 3 Escala Aproximada: 1: 2.500.000 Fonte: FUNDAÇÃO ROBERTO MARINHO, 1996, p. 79, vol.2. Figura 4 Fonte: FUNDAÇÃO ROBERTO MARINHO, 1989, p.18 2. Tomando como referência as imagens apresentadas, tanto as apostilas editadas no ano de 1996 quanto no ano de 1989 apresentam imagens precárias. Entretanto, é importante salientar que é notória e considerável a presença de mapas. Ao menos duas observações são necessárias: inicialmente, a ciência geográfica em seu caráter didático é, geralmente, associada à cartografia que, aliada aos percentuais expressos numericamente ou por meio de superfícies representadas com o auxílio de escalas, representam uma realidade “desejada”. Esta realidade é IX Seminário de Pós-Graduação em Geografia da UNESP Rio Claro, 3 a 5 de novembro de 2009 588 http://sites.google.com/site/seminarioposgeo/anais ISBN: 978-85-88454-19-4 BELO, E.M; ANTONIO FILHO, F.D. Imagem: geografia da realidade ou realidade geográfica?... p.583592. _________________________________________________________________________________________________ desejada porque constitui a visão do mundo dos autores do referido material, que, na tese que origina este trabalho, foi denominada como “ideologia favorável”. Trata-se de uma “falsa consciência”, utilizada em prol da manutenção social que, numa visão positivista, é certa e segura. Consequentemente, temos uma segunda observação: as possibilidades de interação entre leitor e texto se tornam nulas, inexistem, a partir do momento em que, induzindo o leitor, afastam-no da possibilidade de se tornar leitor do mundo. Para finalizar este tópico, é necessário considerar que a aceitação e a submissão se manifestam em todas as imagens apresentadas e intituladas como figuras pertencentes ao texto de caráter didático: a realidade apresentada induz o homem a aceitar uma realidade que impõe as condições de sobrevivência, seja no trabalho, na configuração do espaço geográfico ou, ainda, nas interpretações que os mapas permitem-lhe como concretização de sua atuação no mundo. No tocante ao texto literário, não temos nenhuma figura apresentada para elucidar o conhecimento do leitor. Entretanto, alguns fragmentos nos permitem elaborar e/ou evocar as imagens a partir da (re)leitura do texto: A seca é inevitável. Então se transfigura. Não é mais o indolente incorrigível ou o impulsivo violento, vivendo às disparadas pelos arrastadores. Transcende a sua situação rudimentar. Resignado e tenaz, com a placabilidade superior dos fortes, encara de fito a fatalidade incoercível; e reage. O heroísmo tem nos sertões, para todo o sempre, perdidas, tragédias espantosas. Não há revivêlas ou episodiá-las. Surgem de uma luta que ninguém descreve – a insurreição da terra contra o homem. A princípio este reza, olhos postos na altura. O seu primeiro amparo é a fé religiosa. Sobraçando os santos milagreiros, cruzes alçadas, andores erguidos, bandeiras do Divino ruflando, lá se vão, descampados em fora, famílias inteiras – não já os fortes e sadios senão os próprios velhos combalidos e enfermos claudicantes, carregando aos ombros e à cabeça as pedras dos caminhos, mudando os santos de uns para outros lugares. [...] (CUNHA, 1984, p. 93) A (re)leitura e (re)interpretação do texto literário permite-nos elaborar a imagem do homem que, bravamente, resiste às agruras da vida no sertão. Se tomarmos tal fragmento como elemento para comparação com o texto de caráter científico, poderemos observar que o segundo define a compreensão mas não fundamenta-se na descrição, pois sua fundamentação consiste na possibilidade de comprovação do que é afirmado em suas linhas e entrelinhas. Entretanto, em todos os tipos de texto citados IX Seminário de Pós-Graduação em Geografia da UNESP Rio Claro, 3 a 5 de novembro de 2009 589 http://sites.google.com/site/seminarioposgeo/anais ISBN: 978-85-88454-19-4 BELO, E.M; ANTONIO FILHO, F.D. Imagem: geografia da realidade ou realidade geográfica?... p.583592. _________________________________________________________________________________________________ neste trabalho há um elemento em comum que não corresponde às imagens, mas às visões do mundo. Assegurando a presença de peculiaridades: Uma visão do mundo é precisamente êsse [sic] conjunto de aspirações, de sentimentos e de idéias que reúne os membros de um grupo (mais freqüentemente, de uma classe social) e os opõe aos outros grupos. (GOLDMANN, 1991, p.20) Assim, cada tipo de texto tem a sua função e importância não pelo recurso estilístico que o caracteriza, mas pela capacidade de representação de idéias e valores que se manifestam na realidade do leitor do mundo. No ato de leitura, este homem “leitor do mundo” apropria-se do conhecimento transmitido via texto adequando-o à sua realidade. 4. Quem é o “leitor do mundo?” Todo e qualquer homem que se propõe a conhecer, a buscar o conhecimento tomando como referência aquilo que constitui sua realidade e se manifesta, portanto, como necessário. A este “leitor do mundo” é incontestável toda e qualquer possibilidade de (re)interpretação da realidade. Torna-se peculiar, principalmente, por possuir sua própria visão do mundo. Habitando um espaço (geográfico) que é complexo e dinâmico, torna-se submisso a uma lógica já estabelecida, que configura uma sociedade organizada e dividida entre os indivíduos que pensam e fazem: eis a imagem que simboliza a lógica capitalista. Neste sentido, os conceitos Geografia da realidade e realidade geográfica explicam e traduzem as imagens elaboradas e/ou evocadas a partir das diferentes relações estabelecidas entre homem e meio ambiente (espaço geográfico). Além disso, configuram a ordem estabelecida por meio da aceitação e submissão que representam, por sua vez, a ideologia favorável. Ao leitor do mundo compete a possibilidade de atuar criticamente, tomando como referência sua percepção do mundo e, também, das imagens que constituem seu IX Seminário de Pós-Graduação em Geografia da UNESP Rio Claro, 3 a 5 de novembro de 2009 590 http://sites.google.com/site/seminarioposgeo/anais ISBN: 978-85-88454-19-4 BELO, E.M; ANTONIO FILHO, F.D. Imagem: geografia da realidade ou realidade geográfica?... p.583592. _________________________________________________________________________________________________ conhecimento. Em suma, ao leitor do mundo associamos as imagens da Geografia da realidade e da realidade geográfica como elementos que concretizam sua existência. CONSIDERAÇÕES FINAIS As imagens são elementos que refletem, sobretudo, diferentes visões do mundo. Tal condição ressalta a importância da Geografia da realidade, conceito que permite-nos identificar uma realidade dinâmica e que, consequentemente, conduz nossas observações à comprovação da realidade geográfica em nossas vidas. É por este motivo que afirmamos em momento anterior que a realidade geográfica simboliza as condições de vida que a Geografia tenta explicar. De acordo com Durand (2004), compreendemos que a interpretação sobre o que vem a ser o imaginário constitui-se como um fator conector obrigatório para a elaboração, ou melhor, formação de qualquer representação humana. Se as imagens que integram os textos didáticos são precárias, contraditoriamente, são capazes de possibilitar a interpretação da transformação como produto das ações humanas, cujas representações expressam a realidade que é vivida, “experienciada” pelo homem. A escrita de um texto didático não assegura a “qualidade” esperada quando integra a observação do leitor no processo de (re)construção de seu (re)conhecimento sobre o mundo. Porém, em relação ao texto literário, a escrita descritiva e excessivamente adjetivada permite ao leitor do mundo a elaboração e/ou a evocação das imagens mais “completas” e, portanto, mais próxima de sua realidade. A exemplo do texto que concretiza este trabalho, o texto científico pode ser compreendido como justificativo, pois é a concretização do conhecimento considerado “verdadeiro”. Enquanto a precariedade das imagens presentes no texto didático (figuras) impede a compreensão adequada da realidade observada, as imagens que elaboramos e/ou evocamos quando (re)lemos um texto sobrepõem-se ao conhecimento que o leitor possui da escrita. Isto ocorre porque as imagens manifestam o simbólico, são complexas e constituem-se a partir de um dinamismo inerente à natureza humana e ao mundo. As imagens que se manifestam na Geografia da realidade e na realidade geográfica são indispensáveis à compreensão do homem e do mundo. IX Seminário de Pós-Graduação em Geografia da UNESP Rio Claro, 3 a 5 de novembro de 2009 591 http://sites.google.com/site/seminarioposgeo/anais ISBN: 978-85-88454-19-4 BELO, E.M; ANTONIO FILHO, F.D. Imagem: geografia da realidade ou realidade geográfica?... p.583592. _________________________________________________________________________________________________ REFERÊNCIAS CUNHA, E. da. Os sertões: campanha de canudos. 29. ed. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1984. DURAND, G. O Imaginário: ensaio acerca das ciências e da filosofia da imagem. 3. ed. Rio de Janeiro: Difel, 2004. GOLDMANN, L. Dialética e cultura. 3. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1999. NOVO Telecurso 2000, geografia: 2.º grau. 6. ed. Rio de Janeiro: Fundação Roberto Marinho, 1989. SANTOS, M. Pensando o espaço do homem. 5. ed. São Paulo: EDUSP, 2004. TELECURSO 2000, 2.º grau: Geografia. Rio de Janeiro: Fundação Roberto Marinho, 1996, vol.1. TELECURSO 2000, 2.º grau: Geografia. Rio de Janeiro: Fundação Roberto Marinho, 1996, vol.2. IX Seminário de Pós-Graduação em Geografia da UNESP Rio Claro, 3 a 5 de novembro de 2009 592 http://sites.google.com/site/seminarioposgeo/anais ISBN: 978-85-88454-19-4