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Copyright © 2010. Léo Villaverde
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
(Câmara Brasileira do Livro. SP-Brasil)
Villaverde, Léo, 1954.
Título: A Grande Profecia. O Cristo Já Voltou?
Publicado em 2012 pela Editora ............, que se reserva
a propriedade literária desta edição em língua portuguesa no Brasil.
ISBN 00-000-0000-0
Registrado na FBN sob nº 518.694 (L984. F122).. São Paulo-SP
Áreas de Interesse: Todas as áreas do conhecimento.
05-0000
CDD 215
Índices para catálogo sistemático:
1. Ficção, história, filosofia e religião.
Capa/criação: Léo Villaverde/2011
O primeiro número à esquerda indica a edição, ou reedição, desta obra. A primeira
dezena à direita indica o ano em que esta edição, ou reedição, foi publicada.
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Todos os direitos reservados (Lei 9.610, de 19 de fevereiro de l998). Nenhuma
parte deste livro pode ser reproduzida ou usada de qualquer forma ou por qualquer
meio, eletrônico ou mcânico, inclusive fotocópias, gravações ou sistema de
armazenamento digital de dados, sem a permissão escrita do autor, exceto nos
casos de breves citações em resenhas críticas, livros ou artigos de revistas.
Impresso nas oficinas gráficas da Editora............................
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A profecia é uma visão antecipada da história;
a história é um registro retrospectivo da profecia.
“O Senhor Deus não faz coisa alguma sem antes revelar os Seus
segredos aos Seus servos, os profetas”. (Amós 3.7).
“Como aconteceu nos dias de Noé, assim acontecerá na volta do Filho do
homem. Como naqueles dias que precederam o dilúvio, as pessoas bebiam,
comiam, casavam-se e davam-se em casamento, até o dia em que Noé entrou na
arca, e não perceberam nada até que veio o dilúvio e os levou a todos. Assim
também acontecerá no tempo da volta do Filho do homem...” (Mateus 24.37-44).
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Sumário
I. Prefácio / 13
II. Nota de Abertura / 17
III. Introdução / 23
PARTE I — O REAPARECIMENTO DO CRISTO
NAS PROFECIAS DA HUMANIDADE / 27
Capítulo I
O reaparecimento do cristo nas profecias da humanidade / 29
1. O reaparecimento do Cristo e o fim do catolicismo
no Apocalipse de Tomé (texto apócrifo do final século V) / 32
2. O fim do catolicismo nas profecias de São Nilo (?-430 d.C.) / 33
3. O reaparecimento do Cristo e o fim do catolicismo
nas profecias do Mago Merlim (século V) / 34
4. O reaparecimento do Cristo e o fim do catolicismo
nas profecias de Mother Shipton (1488-1561) / 39
5. O reaparecimento do Cristo e o fim do catolicismo
nas profecias de Santa Hildegarda (1098-1179) / 40
6. O reaparecimento do Cristo e o fim do catolicismo
nas profecias de São Cesário (470-542) / 42
7. O reaparecimento do Cristo e o fim do catolicismo
nas profecias de São Malaquias (1110-1148/54?) / 43
8. O reaparecimento do Cristo nas profecias
de Chung Gam Nok (profeta coreano do século XV) / 54
9. O reaparecimento do Cristo e o fim do catolicismo
nas profecias do Monge Pierre Olivétan (1506-1538) / 55
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10. O reaparecimento do Cristo e o fim do catolicismo
nas profecias da Monja de Dresden (1680-1706) / 56
11. O reaparecimento do Cristo e o fim do catolicismo
nas profecias de Reine-Vetterine ( ? ) / 60
12. O reaparecimento do Cristo e o fim do catolicismo
nas profecias do Padre Pio de Pietrelcina (1887-1968) / 63
13. O reaparecimento do Cristo e o fim do catolicismo
nas profecias da Monja Ana Catalina Emmerich (1774-1824) / 64
14. O reaparecimento do Cristo e o fim do catolicismo
nas profecias da Irmã Lúcia (1907-2005) /74
15. O reaparecimento do Cristo e o fim do catolicismo
nas profecias de La Salette (França, 1846) / 82
16. O reaparecimento do Cristo e o fim do catolicismo nas
profecias de Bernadette Soubirous (Lourdes. França, 1858) / 88
17. O reaparecimento do Cristo e o fim do catolicismo
nas profecias de Ida Peerdeman (Holanda, 1959) / 91
18. O reaparecimento do Cristo e o fim do catolicismo
nas profecias de Paracelso (1493-1541) / 93
19. O reaparecimento do Cristo e o fim do catolicismo
nas profecias do monge Aranha Negra (1588-1658) / 96
20. O reaparecimento do Cristo e o fim do catolicismo
nas profecias de Dom João Bosco (1815-1888) / 104
21. O reaparecimento do Cristo e o fim do catolicismo nas
profecias de Gerolamo Tovazzo (Mago Ladino. 1686-1769) / 110
22. O reaparecimento do Cristo e o fim do catolicismo
nas profecias de Rasputim (1872-1916) / 119
23. O reaparecimento do Cristo e o fim do catolicismo
nas profecias de Teresa Neumann (1898-1962) / 130
24. O reaparecimento do Cristo e o fim do catolicismo
nas profecias de Edgar Cayce (1877-1945) / 135
25. O reaparecimento do Cristo e o fim do catolicismo
nas profecias do Papa João XXIII (1881-1963) / 140
26. O reaparecimento do Cristo e o fim do catolicismo
nas profecias Jean Dixon (1918-1997) / 147
27. O reaparecimento do Cristo e o fim do catolicismo
nas profecias de T. Sutzer (1885-1946) / 150
28. O reaparecimento do Cristo e o fim do catolicismo
nas profecias de A. Cassert ( ? ) / 151
29. O Reaparecimento do Cristo e o fim do catolicismo
nas profecias de João de Jerusalém (1042-1120) / 152
30. O reaparecimento do Cristo nas profecias dos índios nativos norte-americanos / 157
31. O reaparecimento do Cristo nas profecias do Dalai Lama e dos monges do Tibet / 158
32. O reaparecimento do cristo nas profecias da Madame Blavatsky (1831-1891) / 159
33. O reaparecimento do Cristo nas profecias da Grande Pirâmide / 160
34. O reaparecimento do cristo e o Reino de Deus na Terra nas profecias Maia / 168
35. O reaparecimento do cristo nas profecias do Islamismo / 175
36. O reaparecimento do cristo nas profecias extrabíblicas / 175
37. O reaparecimento do cristo nas profecias dos livros apócrifos (pró-bíblicos) / 186
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Capítulo II
O Reaparecimento do Cristo nas profecias de Nostradamus / 197
1. As profecias de Nostradamus e o reaparecimento do Cristo na Ásia / 198
1.1. Nostradamus e os 8 Sinais que identificarão o novo Cristo / 199
1º Sinal — Virá do Oriente e ensinará coisas boas no ocidente / 200
2º Sinal — Trará o bastão de Hermes: um novo ensinamento / 201
3º Sinal — O novo Cristo será proscrito (rejeitado e perseguido) / 202
4º Sinal — A relação do novo Cristo com a cor vermelha / 203
5º Sinal — O novo Cristo será um Marte (um “guerreiro” do bem) / 204
6º Sinal — O novo Cristo terá a lua como um símbolo / 207
7º Sinal — O novo Cristo viajará pelo mundo e criará controvérsias / 208
8º Sinal — O novo Cristo terá um pássaro enigmático como
símbolo e trará uma mensagem contemporânea / 209
1.2. Os outros 6 sinais que identificarão o novo Cristo / 211
9º Sinal — O novo Cristo deve emergir da esfera cultural judaico-cristã / 211
a) A esfera cultural judaico-cristão e a teoria do Cristo / 211
b) A esfera cultural afro-indiana e a teoria dos avatares / 214
c) Os avatares do bem e os avatares do mal / 218
10º Sinal — O novo Cristo deve concretizar suas palavras em vida / 219
11º Sinal — O reaparecimento do novo Cristo deve coincidir
com a presença de muitos falsos cristos na Terra / 220
a) Os “joões batistas” e os falsos cristos / 221
12º Sinal — O novo Cristo utilizará apenas a palavra de Deus.
(Não realizará curas, milagres ou prodígios) / 222
13º Sinal — A evidência dos fatos históricos do século XX e XXI / 224
a) A história do desenvolvimento das esferas culturais
e da origem e queda das nações / 224
b) A tendência comum da religião e da ciência à unificação / 225
c) A amplitude gradual da história de lutas / 226
d) As profecias bíblicas sobre os sinais dos tempos
e os fatos históricos dos séculos XX e XXI / 228
e) A decodificação dos sinais dos tempos / 230
14º Sinal — A lei dos Paralelos Históricos — uma prova bíblica, histórica
e matemática de que o novo Cristo já está na Terra? / 234
1.3. As Providências Paralelas e a lei dos Paralelos históricos:
A teoria da história dos cristãos unificacionistas / 235
1) Estudo do Diagrama I / 235
a) Jacó e Jesus: personagens centrais paralelos / 236
b) Período histórico de Indenização (400 anos) / 236
c) Período dos juízes e dos patriarcas (400 anos) / 236
d) Moisés e Santo Agostinho: personagens paralelos / 236
e) Período do Reino Unido (120 anos) / 236
f) Período do Reino dividido (400 anos) / 237
g) Período do cativeiro (210 anos) / 237
h) Período de preparação para a vinda do Cristo (400 anos) / 237
7
i) Malaquias e Lutero: personagens reformadores paralelos / 237
2) Estudo do Diagrama II / 238
a) O código matemático da Bíblia: o significado bíblico
dos números 4, 3, 7, 10, 12, 21 e 40 / 239
b) Diagrama demonstrativo da lei dos Paralelos históricos I / 240
c) Diagrama demonstrativo da lei dos Paralelos históricos II / 241
1.4. As profecias de Nostradamus sobre o fim da Igreja Católica / 242
1.5. O mundo pós-catolicismo / 244
1.6. Os personagens históricos, suas idéias e seus ideais / 245
1.7. O exemplo dos líderes do judaísmo da época de Jesus / 247
Capítulo III
O reaparecimento do Cristo nas profecias da Bíblia e do Apocalipse / 251
1. Um estudo da Bíblia e do Apocalipse / 251
a) Análise estrutural do Apocalipse / 251
2. O Apocalipse decodificado / 252
a) O Apocalipse-mapa / 253
b) O Apocalipse na visão dos cristãos unificacionistas / 253
c) Os eventos naturais e históricos do século XX profetizados
simbolicamente no Apocalipse / 255
d) Apocalipse: sinais e símbolos / 255
e) O Apocalipse de Daniel e de João / 257
f) O doce e o amargo do Apocalipse / 259
g) Apocalipse: um livro didático-profético / 259
h) A Bíblia como mensagem codificada / 261
i) Apocalipse: uma carta selada com 7 selos / 262
3. A decodificação do Apocalipse e o método histórico-comparativo / 263
a) Os gafanhotos gigantes e os aviões da I Guerra Mundial:
Um exemplo da aplicação do método histórico-comparativo / 263
4. Decodificando os 2 símbolos principais do Apocalipse / 266
4.1. Decodificando os símbolos e os sinais referentes ao Grande Dragão / 266
4.2. Decodificando os símbolos e os sinais referentes ao novo Cristo / 273
a) o novo Cristo será um outro homem (Apoc 5.1-5) / 273
b) o novo Cristo terá um novo nome (Apoc 3.12) / 274
c) o novo Cristo trará uma nova revelação bíblica (Apoc 10.1-11) / 274
d) o novo Cristo será rejeitado e perseguido (Lc 17.24-26) / 275
e) o novo Cristo terá uma esposa (Apoc 19.7-8) / 275
f) o novo Cristo terá 12 filhos (Apoc 22.2) / 280
g) o novo Cristo fundará uma nova igreja (Mt 7.22-23) / 280
h) o novo Cristo trará a salvação cósmica (Rm 8.22-23) / 281
i) o novo Cristo vencerá satanás, o anti-Deus (Apoc 12.7-9) / 282
j) o novo Cristo extinguirá o inferno da Terra (Apoc 19.20-21) / 283
8
k) o novo Cristo construirá o céu na Terra (Apoc 21.7) / 283
l) o novo Cristo será coroado Rei do amor, da justiça e da paz
(Apoc 19.6 e 19.11-16) / 284
Capítulo IV
Como, Quando e Onde o novo Cristo reaparecerá? / 287
1. Como reaparecerá o Cristo?
Nas nuvens do céu ou no ventre de uma mulher? / 287
1.1. Jesus e o novo Cristo — Um estudo em Paralelo / 289
a) A primeira vinda: o Cristo veio nas nuvens ou nasceu na Terra? / 289
b) A segunda vinda: o Cristo virá nas nuvens ou nascerá na Terra? / 290
c) O reaparecimento do Cristo e a história das mentalidades / 291
d) A mentalidade mítica e a desmitologização do cristianismo / 294
e) Decodificando a palavra bíblica “nuvem” / 300
1.2. Evidências lógicas e bíblicas de que o cristo nascerá na Terra / 302
a) Jesus veio à Terra como um homem original para
restaurar a falha de Adão / 302
b) O homem deve alcançar a perfeição, realizando
a finalidade da Criação de Deus na Terra / 302
c) A perfeição do homem somente pode ser alcançada na Terra / 303
d) O pecado de Adão aconteceu na Terra e deve ser restaurado na Terra / 303
e) Os cristãos foram orientados a não ficarem olhando para o céu / 303
g) O Reino de Deus não virá com aparências exteriores / 304
h) Muitos cristãos não acreditarão no Cristo que virá / 304
i) Muitos cristãos rejeitarão o Cristo, tentando salvar suas vidas / 304
j) Muitos cristãos perderão as bênçãos prometidas por Jesus / 304
k) Todas as pessoas da Terra verão o Cristo simultaneamente / 305
2. Quando reaparecerá o Cristo?
Somente Deus sabe, ou Deus revelará ao mundo no tempo certo? / 305
a) Ninguém sabe nem jamais saberá? / 306
b) Deus é um Pai justo e nos revelará no tempo certo / 306
c) Deus revelou o nascimento de Jesus a 8 grupos diferentes / 307
3. Onde reaparecerá o Cristo?
Entre os judeus ou entre os cristãos? No Oriente ou no ocidente? / 309
a) O povo judeu perdeu a posição de nação eleita / 309
b) A evidência da história do judaísmo e do cristianismo / 310
c) O povo cristão herdou a posição de nação eleita / 311
d) Decodificando o número 144 / 311
4. Evidências bíblicas e históricas de que o Cristo nascerá no Oriente / 312
a) A evidência bíblica do nascimento no Oriente / 312
b) A evidência das tradições culturais do Oriente e do ocidente / 312
c) A evidência das profecias da humanidade / 313
d) Critérios para a identificação da nação oriental eleita / 313
9
5. Os critérios para a identificação do novo Cristo / 316
a) O nome e a imagem: critérios externos e relativos / 316
b) Milagres e prodígios: critérios externos e relativos / 317
c) Palavras e ações: critérios internos absolutos / 318
d) Palavras-verdade, ações-bondade / 319
PARTE II — O CRISTO, OS “CRISTOS” E OS
ANTICRISTOS DOS SÉCULOS XX E XXI / 321
Capítulo V
Anticristos e “cristos” do século XX / 323
1. Decodificando o símbolo do anticristo / 323
a) Nostradamus e o anticristo / 333
b) O monge Aranha Negra e o anticristo / 333
c) O Apocalipse e o anticristo / 324
d) Decodificando a Besta do Apocalipse / 325
e) Adão-cristo e anti-Adão-anticristo / 325
f) Vladimir Jirinovski: a última besta do Apocalipse? / 327
2. Candidatos a Cristo dos séculos XX e XXI
— Os 25 candidatos de origem e inspiração afro-indiana / 331
2.1. Alziro Zarur e a Legião da Boa Vontade / 331
2.2. Ahmad e o movimento Ahmadista / 335
2.3. Bahá Uláh e a Fé Bahai / 337
2.4. Rajneesh e o Movimento Sannyasin / 338
2.5. Claude Vorilhon e a “fé” ufológica / 350
2.6. Da Free John e o Movimento da autotranscendência / 355
2.7. Hailé Selassié e o Movimento Rastafari / 356
2.8. Helena Blavatsky e o Movimento Nova Era / 367
2.9. Inri Cristo e a Soust / 387
2.10. Jiddu Krishnamurti e os Amigos de Krishnamurti /393
2.11. Manoel Jacintho Coelho e a Cultura Racional / 397
2.12. Jasmuheen e o Movimento Viver de Luz / 401
2.13. Li Hongzhi e o Movimento Falun Gong / 405
2.14. Maharishi Mahesh Yogi e a Meditação Transcendental / 408
2.15. Masaharu Taniguchi e a Seicho-No-Iê / 414
2.16. Meher Baba e o Movimento Cuidar do Ser / 421
2.17. Mokite Okada e a Igreja Messiânica / 425
2.18. Norberto Keppe e a Trilogia Analítica / 431
2.19. Tokumitsu Kanada e a Perfect Liberty / 449
2.20. Paramahansa Yogananda e a Self-realization Fellowship / 458
2.21. Ron Hubbard e a Igreja da Cientologia / 461
2.22. Samael Aun Weor e o Gnosticismo / 468
2.23. Sathya Sai Baba e o Movimento pela Unidade / 478
10
2.24. Prabhupada e o Movimento Hare Krishna / 484
2.25. Yoshikazu Okada e o Movimento Mahikari / 492
3. Candidatos a Cristo dos séculos XX e XXI
— O Candidato único de origem e inspiração judaico-cristã / 506
3.1. Sun Myung Moon e o Movimento da Unificação / 506
3.2. Diagramas-síntese dos candidatos a novo Cristo dos séculos XX e XXI / 510
3.3. O reaparecimento do Cristo: na magia ou na religião? / 514
a) O conceito bíblico do Cristo / 514
b) Magia versus religião: distinções fundamentais / 515
PARTE III — O VERDADEIRO CRISTO
E O FUTURO DA HUMANIDADE / 523
Capítulo VI
O Completo Testamento: A III parte da mensagem bíblica
revelada na Coréia entre 1936 e 1945 / 525
1. O Completo Testamento: a mensagem bíblica do Rev. Sun Myung Moon / 525
1.1. Parte I — O Princípio da Criação: O ideal original de Deus / 525
1.2. Parte II — A Queda do homem: a violação do ideal original de Deus / 526
1.3. Parte III — O Princípio da Restauração:
O plano de Deus para restaurar Seu ideal original / 527
1.4. Excertos do Pensamentos do Rev. Moon / 530
Capítulo VII
Deusismo & Familismo: a Ideologia da Paz e a Sociedade do Futuro / 535
1. A cosmovisão Deusista e a sociedade familista:
A ideologia e o modelo social propostos pelo Rev. Moon / 535
2. A visão Deusista da história / 537
a) A dimensão oculta da história / 538
b) Helenismo versus Hebraísmo / 539
c) Comunismo versus Democracia / 540
3. Familismo: a esperança de um mundo unificado e pacífico / 541
4. A solução dos problemas globais na visão do Rev. Moon / 542
5. O Rev. Moon e a verdadeira revolução do homem / 543
6. A visão do Rev. Moon sobre o futuro da humanidade / 543
7. O Rev. Moon e a paz mundial / 545
8. Executando o plano de paz do Rev. Moon / 545
9. A visão do Rev. Moon sobre liderança e bom governo / 546
a) O fim do comunismo e o fim da democracia / 546
b) Maquiavel e o Príncipe / 548
c) Os 10 mandamentos de Maquiavel / 549
d) O Declínio e a nova ascenção de Maquiavel / 549
e) A terceira via: liderança e bom governo na visão do Rev. Moon / 550
f) A visão de liderança do Rev. Moon / 552
11
g) O bom governo na visão do Rev. Moon / 553
h) O Contrato Social e o Estado Natural / 553
i) A origem do Estado e a lei da regência pelo centro / 554
PARTE IV — O PAPA JOÃO PAULO II
E O REV. SUN MYUNG MOON / 557
Capítulo VII
Catolicismo: Por que as profecias prevêem seu desaparecimento? / 559
1. O fim da Igreja Católica e o futuro da religião / 559
1.1. Os frutos históricos do cristianismo / 560
1.2. Os erros históricos do catolicismo / 562
1.3. O surpreendente reavivamento do catolicismo atual / 563
1.4. O mundo durante e depois do Papa João Paulo II / 565
2. Publiccitá: uma campanha publicitária internacional? / 567
a) O funeral-espetáculo / 567
b) Uma ofensiva publicitária internacional / 569
3. A influência da Opus Dei na eleição do Papa João Paulo II / 569
4. João Paulo II, o Ator Principal e o Palco do Mundo / 570
5. Coincidências biográficas: O Rev. Moon e João Paulo II / 573
6. Os frutos da vida de trabalho do Papa João Paulo II / 581
7. Os frutos da vida de trabalho do Rev. Sun Myung Moon / 583
8. O profeta João Batista & o Papa João Paulo II / 584
a) A vida e a missão do profeta João Batista / 585
b) A vida e a missão do Papa João Paulo II (e dos papas em geral) / 590
Agradecimentos / 597
Apêndice de Notas Suplementares / 599
Bibliografia / 613
12
Prefácio
Este livro do Prof. Léo Villaverde contém um estudo das profecias da humanidade
(extrabíblicas) e da Bíblia, especialmente do Novo Testamento e do Apocalipse,
sobre o reaparecimento do Cristo e sobre o futuro das religiões em geral,
particularmente, sobre o futuro da Igreja Católica e do cristianismo. Contém ainda
um amplo estudo sobre os mais expressivos candidatos a novo Cristo surgidos nos
séculos XIX e XX, além de mais uma das polêmicas teses do Prof. Villaverde: uma
hipótese apoiada na surpreendente nova imagem que a Igreja Católica adquiriu a
partir de 1978 sob o pontificado do Papa João Paulo II (1978-2005). A hipótese é a
de que a imagem de modernidade, coesão, unidade, vigor e poder do catolicismo
atual é fruto de uma secreta, bem montada e caríssima campanha publicitária
mundial planejada e executada pela Igreja Católica — a Campanha Publiccitá —,
a qual reinseriu a Igreja no contexto global contemporâneo do qual vinha sendo
excluída rapidamente, vista como uma instituição arcaica, petrificada, retrógrada,
falsa, estagnada e decadente que vinha perdendo espaço em todo o mundo, e
perdendo fiéis especialmente para o Movimento Nova Era e para o movimento
protestante.
Desde Pio XII o problema da decadência e da exclusão da Igreja no mundo
já havia sido detectado. Mas foi somente a partir de Paulo VI e João XXIII que o
problema revelou sua gravidade e passou a ser encarado seriamente. O Concílio
Vaticano II foi o ato mais notável e vigoroso do Papa João XXIII (que também foi
um profeta cristão) para deter a queda do catolicismo. Todavia, segundo os cristãos
unificacionistas (entrevistados pelo Prof. Villaverde), as reformas do Concílio
Vaticano II deveriam ter sido inspiradas pelo Completo Testamento, a III parte da
mensagem bíblica revelada ao mundo pelo Rev. Sun Myung Moon em l945, mas
este foi menosprezado e ignorado pela Igreja Católica (e pelo cristianismo em
geral). Desse modo, sem as novas palavras de Deus reveladas no Completo
Testamento, o Concílio Vaticano II ao invés de fortalecer o cristianismo,
influenciando o mundo e adaptando-o ao pensamento e à moral Deusista, levou a
13
Igreja a rebaixar-se, adaptando-se aos costumes seculares do mundo. Ao invés de
inspirar-se no Completo Testamento, o concílio Vaticano II foi fortemente
influenciado pelo liberalismo secular e pelo marxismo, disfarçado de teologia da
libertação. Assim, aconteceu o que Maria, a mãe de Jesus, mais temia, conforme
revelou ao mundo através das mensagens de Fátima em l917.
Seguindo as diretrizes do Documento Li Wei Wan (plano elaborado na
China comunista para infiltrar e controlar gradualmente a Igreja Católica.
Publicado no livro A Gradual Marxistização da Teologia, do Pe. Dr. Miguel
Poradawski. Edições Fortaleza, 1972; 56p.), o comunismo ateu se infiltrou no
catolicismo e espalhou sua ideologia atéia e violenta pelo mundo, utilizando os
púlpitos da própria Igreja, que continuou declinando. Foi então que surgiu o Papa
João Paulo II e a suposta campanha Publiccitá.
Depois de 26 anos de intensa publicidade, a imagem da Igreja Católica
hoje é outra. A Igreja está inserida no contexto e na agenda global contemporânea,
mas o catolicismo continua espiritualmente decadente, imerso em problemas
morais, estagnado e perdendo fiéis e dinheiro. A suposta campanha Publiccitá não
renovou nem fortaleceu o espírito do catolicismo; nada mudou dentro da própria
Igreja Católica e nem no mundo, cuja crise espiritual, ética e moral continua se
agravando em direção ao caos da Grande Tribulação profetizada pelos grandes
profetas e pelo livro do Apocalipse. Portanto, a Igreja Católica assumiu a posição
de salvadora do mundo, mas não tem a capacidade para tanto, como afirmam as
profecias da humanidade. Somente o novo Cristo prometido por Deus poderá
concluir o trabalho da restauração da ordem mundial; a salvação da humanidade do
caos atual. Por esse motivo — porque a Igreja Católica assumiu a posição do Cristo
salvador, ignorando as profecias da humanidade que anunciam o reaparecimento
do novo Cristo em nosso tempo — vejo este livro do Prof. Vilaverde como um
sinal de alerta para os religiosos e as pessoas em geral para mais esse grave erro
cometido contra Deus e contra a humanidade pelos caifás dos nossos dias; os guias
cegos que, mesmo diante de sua fraqueza espiritual e de sua incompetência para
resolver até mesmo seus problemas pessoais, ignoram os sinais dos tempos que
prenunciam a segunda vinda do cristo e posam de salvadores e donos da verdade
destes últimos dias.
Nestes tempos caóticos, afirma o Prof. Villaverde, o Rev. Moon e o
Unificacionismo (mais conhecido como Igreja da Unificação e Movimento da
Unificação) parecem ter emergido como a luz no fim do túnel, trazendo uma nova
ideologia, o Deusismo, e um novo ideal social, o Familismo, como
contrapropostas para o marxismo ateu e o comunismo tirano, bem como para a
crise do liberalismo e da democracia permissiva que, por enfatizar quase que
exclusivamente a liberdade e os direitos — deixando em segundo plano a
responsabilidade e os deveres — contém em si mesma o germe de sua
autodestruição, como estamos presenciando em todo o mundo democrático, que já
busca uma nova ideologia e um novo modelo social alternativo — a chamada
Terceira Via.
14
Os fatos da história recente, obtidos nas pesquisas do Prof. Vilaverde junto
aos cristãos unificacionistas, demonstraram que, mesmo marchando sob pesado e
incessante ataque mundial desde 1954, particularmente por parte dos comunistas e
dos cristãos desinformados, o Unificacionismo (devido ao seu ideal de unificar o
cristianismo e o mundo, construindo uma família mundial sob Deus) tornou-se uma
das 50 maiores organizações do mundo, representada legalmente em cerca de 200
países, com um vigoroso fundamento econômico, com centenas de milhões de
membros e centenas de milhões de simpatizantes em todo o mundo e em todas as
camadas sociais. Além disso, o trabalho mundial do Unificacionismo ao longo dos
últimos 60 anos tem comprovado a sua afirmação de que o objetivo central das
dezenas de organizações fundadas pelo Rev. Moon é o estabelecimento da paz
mundial (todas as organizações que compõem ao Unificacionismo trazem em seu
nome a palavra paz).
As pesquisas do Prof. Villaverde registradas neste livro (e fundamentadas
em centenas de livros, revistas, jornais, vídeos, sites e entrevistas) sugerem
fortemente que nenhum outro personagem do século XX fez tanto pela paz mundial
quanto o Rev. Moon, que parece ter sido reconhecido por seus esforços no dia 23
de março de 2004, no Capitólio, o edifício-sede do Congresso dos Estados Unidos,
ocasião em que foi coroado Rei da Paz na presença de mais de 500 autoridades.
Desde então, o Rev. Moon já recebeu mais de 50 Coroas da Paz ao redor do mudo,
inclusive no Congresso Nacional da Coréia, sua terra natal.
A análise sociológica e histórica imparcial das idéias, dos ideais e das
atividades do Unificacionismo no século XX sugere que, depois de mais de meio
século de história sendo vivenciado por centenas de milhões de pessoas de todo o
mundo, este novo movimento religioso parece mesmo possuir idéias inovadoras e
propostas de soluções exeqüíveis para os problemas espirituais, éticos, morais e
sociais do mundo atual.
Uma vez que todos os governos têm lutado para resolver os problemas
humanos atuais, sem resultados (pois os problemas estão se agravando) — com
base na ciência tecnológica, na política e na economia —, talvez tenha chegado a
hora de se buscar ajuda e reforço em outro campo do saber humano: a religião, a
qual, além de atender a uma necessidade humana existencial, possui uma incrível
capacidade de moralizar e abrandar a agressividade e a ganância do homem.
Assim, uma vez que todas as tentativas de moralizar e pacificar o homem com base
na ciência tecnológica, na política, na economia, nas artes e nos esportes não têm
produzido os resultados desejados, penso que já é tempo de recorrer à religião.
Mas, que religião? Uma vez que os problemas do mundo têm crescido apesar do
trabalho das religiões tradicionais é preciso recorrer a uma nova visão religiosa. É
aí que, segundo os cristãos unificacionistas, a presença do Rev. Moon no século
XX e XXI se torna importante e vital. Suas idéias e seus ideais têm inspirado
centenas de milhões de pessoas de todos os países do mundo, e de todos os níveis
sociais, abrandando a agressividade e a ganância e elevando a moralidade. Não é
isto o que os governos do mundo desejam e investem trilhões de dólares para
alcançar? Todas as idéias e todos os ideais do Rev. Moon se resumem a duas
15
palavras: fé e família. Para o Rev. Moon todos os problemas nascem na família (na
qualidade da educação familiar) e se projetam na sociedade. Portanto, todos os
problemas sociais podem e devem ser resolvidos dentro das famílias. Este livro me
convenceu de que a paz mundial começa mesmo dentro dos corações humanos e
floresce através de famílias ideais, que são as raízes e as sementes do verdadeiro
amor e da verdadeira paz. Portanto, os problemas humanos não poderão ser
resolvidos sem Deus e sem religião. Maquiavel separou a política da religião e da
moral. Hoje, a crise mundial já nos ensinou que, sem as idéias e os ideais de Deus,
não sobreviveremos. Se as idéias, os ideais e a moralidade (bíblico-cristãos) do
Rev. Moon têm tocado o coração e inspirado as mentes de centenas de milhões de
pessoas em todo o mundo e de todas as classes sociais, transformando-os em
cidadãos de paz e bem, é evidente que se tais ideais forem transformadas em
instrumentos do Estado, a população de qualquer país poderá ser pacificada. Por
isso, o Rev. Moon e o Unificacionismo podem mesmo representar a luz no fim do
túnel. Falta apenas um governo com coragem suficiente para estudá-lo e aplicá-lo
oficialmente no Brasil.
Profª. Márcia Regina Ferreira*
Historiadora e jornalista-escritora
*
A Profª Márcia Regina Ferreira, 46, é diplomada em história pela Universidade de Rio Preto. É
palestrante, jornalista, escritora e professora de história e geografia. Atuou como colunista do Jornal A
Notícia por 3 anos, durante os quais publicou centenas de artigos sobre educação, história, política,
ciência e religião. Como colaboradora da ABRAJORI (Associação Brasileira dos Jornais do Interior)
publicou centenas de artigos em cerca de 40 jornais do interior do Brasil. Seus artigos foram reunidos
no livro Novas idéias para um mundo em transição (2005). Desde l975, a Profª. Márcia Regina tem
estudado as filosofias e as teorias da história e pesquisado a história das religiões do mundo e os
novos movimentos religiosos do século XX, com especial interesse pelo Unificacionismo e a
Teologia da Unificação, com a qual entrou em contato em l982. Conheceu o Prof. Villaverde e sua
obra em l982. Desde então tem pesquisado suas obras e contribuído com revisões, críticas e
sugestões.
16
Nota de Abertura
Por que existem religiões e profetas? — A existência de profetas e profecias é
uma prova histórica concreta de que a sociedade humana teve início de uma forma
incorreta. O mesmo se pode dizer com relação às religiões, com seus rituais, suas
penitências (oração, jejum, vigília, oferendas, abstinência, celibato, etc) e seus
ensinamentos espirituais, morais e éticos. Se a sociedade humana tivesse começado
da forma correta — centralizada em Deus e em sua educação verdadeira — seria
uma sociedade espiritualizada (amorosa), moralista (pura) e ética (justa). Uma vez
que as religiões, os profetas e as profecias admoestam a humanidade a elevar seu
nível de fé em Deus, espiritualidade, moralidade e ética isto prova que se a história
humana tivesse começado do modo correto não haveria necessidade de religião,
profetas nem profecias vaticinando o fim do mal e o fim da história da sociedade
humana atual onde o bem e o mal estão misturados. Este simples fato — mas,
fundamental para a compreensão da história — já representa uma prova científica
inquestionável de que os primeiros antepassados humanos (o casal primário; a
população fundante, segundo a sociologia) cometeram algum erro, grave o
suficiente para desviar o curso inicial e original da história, ocasionando a
necessidade das religiões, dos profetas e de suas profecias, os quais têm por
objetivo reconduzir a humanidade de volta ao prumo, aos princípios da educação
verdadeira e original estabelecida por Deus e presentes na consciência de todo ser
humano. As religiões, os profetas e suas profecias nada mais fizeram ou fazem
senão receber as palavras verdadeiras de Deus e transmiti-las à humanidade.
Em meio às muitas profecias internas; de admoestação espiritual, moral e
ética (as quais, ao se cumprirem se transformam em história; na história
17
providencial), os profetas também fazem profecias externas; prevêem personagens
e fatos da história mundial (a história das guerras e do sofrimento humano; a
história do pecado) a fim de atrair a atenção e a credibilidade daqueles — os
materialistas, os céticos e os ateus — a quem suas profecias internas são dirigidas.
Esta é a razão pela qual os profetas judeus e cristãos profetizaram os atos futuros
sagrados de Deus e os atos futuros profanos dos homens. Por isso, vemos os
profetas falarem do aparecimento de Hitler e do nazismo, de Mussolini e do
fascismo, de Stálin e do comunismo, das tragédias naturais (fome, peste,
terremotos), das doenças (peste negra, câncer, Aids, etc) e dos personagens que
Deus enviará para solucionar todos estes problemas.
Dentre todas as profecias dos profetas judeus a Grande Profecia é a que
previu o aparecimento do primeiro Cristo, Jesus, a qual se cumpriu plenamente.
Segundo as profecias judaicas o Cristo viria à Terra para salvar a humanidade do
mal e do sofrimento. Jesus veio, e ele era o Cristo prometido ao povo judeu. No
entanto, ao invés de ser recebido com fé e respeito e ser coroado rei do povo judeu,
Jesus foi rejeitado, humilhado, apedrejado, traído, preso, condenado e assassinado.
Resultado: o mal e o sofrimento continuaram na Terra; pior, cresceram
enormemente. É ai que entram em cena os profetas cristãos. Com a morte
prematura de Jesus, Deus abandonou o povo judeu, o I Israel (Mt 21) e escolheu
um novo povo (o povo cristão, o II Israel), estabeleceu uma nova igreja (a igreja
cristã), deu-lhe um novo mandamento (o Novo Testamento) e repetiu Sua grande
promessa; a Grande Profecia: o reaparecimento do novo Cristo.
A Grande Profecia — o advento do Cristo é a profecia principal e o
objetivo central de todas as religiões, profetas e profecias. Todas as religiões têm
como objetivo principal viver de acordo com o mandamento de seus fundadores até
o retorno dos mesmos, conforme lhes fora prometido. Assim, o confucionismo
aguarda o retorno de Confúcio (Jin In = o verdadeiro), o budismo aguarda o retorno
de Buda (Miruk-Bul), o zoroastrismo aguarda o retorno de Zoroastro, o islamismo
aguarda o retorno de Maomé, os esotéricos aguardam o retorno do avatar da Era de
Aquário, o chundoismo aguarda o retorno de Choi Su Um (o fundador), o judaísmo
aguarda a vinda do Cristo (o rei dos judeus), os cristãos aguardam o retorno de
Jesus (o primeiro Cristo) e o povo coreano aguarda a chegada de Chung Do Ryung
(o rei da justiça; o homem das palavras verdadeiras). Além disso, os profetas
cristãos (e até os não-cristãos), tais como Pedro, Paulo, João, entre outros;
Gerolamo Tovazzo, São Malaquias, a Monja de Dresden, o Monge Aranha Negra,
Nostradamus, a Irmã Lúcia (de Fátima), Paracelso, o Mago Merlim, entre muitos
outros, profetizaram o aparecimento de um grande líder religioso que unificaria
todas as religiões, construindo uma “religião universal que respeitará todos os
profetas” e estabeleceria a paz mundial eterna. Esse é o conteúdo da Grande
Profecia. Quem seria esse personagem senão o novo Cristo prometido à
humanidade? Tudo isso demonstra que a Grande Profecia é o centro, o sentido e a
direção de todas as religiões, profetas e profecias. E foi por tudo isso que
considerei necessário dedicar um livro inteiro ao estudo dessa Grande Profecia.
18
Por que as profecias são reveladas em linguagem codificada? — Esta é
uma pergunta que muitos estudiosos devem ter feito a si mesmos. Se as profecias
vêm de Deus e Deus deseja comunicar Sua vontade ao homem, por que não fala
aberta e claramente? Por que as profecias — mensagens de Deus para alertar e
prevenir a humanidade quanto ao futuro — são sempre repletas de figuras de
linguagem (metáforas, metonímias, etc) e escritas de forma hermética, nebulosa,
com neologismos, termos incompreensíveis e assombrosos que mais assustam do
que esclarecem? Nas profecias de Nostradamus os intérpretes atribuem o
hermetismo de suas centúrias a ele próprio, devido ao receio que teria das massas
ignorantes e dos supersticiosos e cruéis inquisidores do século XVI. E no caso dos
demais profetas, particularmente de João, no Apocalipse? Por que todos
escreveram de forma tão hermética e inacessível à grande maioria da humanidade
se o objetivo de Deus através dos profetas era precisamente o contrário: alertar e
informar à humanidade acerca de Seus planos futuros para a própria humanidade?
Desse ponto de vista a linguagem hermética das profecias da humanidade não
parece fazer sentido.
Em busca de uma explicação para esse fato encontrei no Deusismo, o
pensamento dos cristãos unificacionistas, uma explicação que me pareceu
satisfatória. Trata-se da lei da responsabilidade. O Deusismo (em oposição ao
materialismo) é uma cosmovisão centrada em Deus e fundamentada em um
conjunto de leis naturais e sociais (leis que operam na natureza e na história).
Dentre estas últimas está a lei da responsabilidade.
Diz o Deusismo que o homem herdou as características duais de Deus
(caráter interno e forma externa; positividade e negatividade) e também Sua
liberdade e criatividade. Para exercer sua criatividade é preciso que o homem seja
livre. Este fato pode ser facilmente percebido na capacidade humana de influir e
alterar o meio ambiente ao seu redor, saindo das cavernas para as maravilhosas
residências tecnologizadas da atualidade (as casas do futuro; informatizadas,
confortáveis e belas), enquanto os demais animais continuam habitando as mesmas
cavernas, tocas e ninhos de sempre. As abelhas produzem mel e constroem
colméias do mesmo modo há milhares de anos. Os chimpanzés continuam
comendo bananas, frutos silvestres e folhas e morando nos galhos das árvores há
milhares de anos. Não há progresso nem cultura no mundo animal. Este fato
demonstra que apenas o homem cria cultura e progresso. E o progresso é fruto da
criatividade e da liberdade humana herdadas de Deus. Sendo assim, enquanto
imagem e semelhança de Deus o homem é o ser mais elevado da natureza (a glória
de Deus, para os religiosos), o pináculo da criação e o senhor da natureza (para os
cientistas evolucionistas). O Deusismo explica que para ocupar a posição mais
elevada de Senhor da Natureza Deus deu ao homem a liberdade, a criatividade e a
responsabilidade. E estas três dádivas distinguem o homem dos animais; extraindoo do reino animal e elevando-o para o reino hominal, o IV Reino — o Reino
Humano. Uma vez que herdou a liberdade para exercer a sua criatividade, o
homem herdou também a responsabilidade de Deus. O anseio para ser livre e para
criar está na própria natureza inata do ser humano, assim como o anseio íntimo
19
para alcançar a perfeição (o melhor) em tudo o que faz. Para alcançar o melhor,
para fazer suas obras chegarem cada vez mais próximas da perfeição, o homem
também apresenta a propensão inata a fazer tudo com atenção, seriedade e esmero.
Esta propensão inata é chamada de responsabilidade. E o Deusismo define essa
propensão como uma lei natural, ética e moral — a lei da responsabilidade, a qual
pode ser enunciada nos seguintes termos: tudo o que o homem fizer sem
responsabilidade — atenção, seriedade e esmero — produzirá resultados
contrários aos desejados. Isto é verdadeiro até mesmo no simples ato de temperar
um alimento. Se ao temperar o arroz o cozinheiro se descuidar, não o fizer com
responsabilidade, salgará o arroz e desagradará a si mesmo e aos outros. O
Deusismo afirma que a lei da responsabilidade humana foi a causa da alienação
homem-Deus (a Queda do homem; a quebra do mandamento) e é a causa das
tragédias da sociedade humana do passado e do presente. Basta citar os acidentes
de trânsito que matam milhões de pessoas anualmente em todo o mundo, em mais
de 80% dos casos, provocados pelo alcoolismo; irresponsabilidade ao volante.
Imagine se a manipulação da energia nuclear fosse feita sem responsabilidade; sem
a devida técnica, atenção e cuidados imprescindíveis? Seria uma grande tragédia.
Do ponto de vista religioso, o enunciado da lei da responsabilidade diz: Na
história da restauração (das religiões) a vitória de Deus depende do cumprimento
da parcela de responsabilidade de Deus, que corresponde a 95% (e Ele sempre a
cumpre) e da parcela de responsabilidade do homem, que corresponde a 5% (e ele
falha quase sempre). Quando o homem falha em cumprir sua parcela de
responsabilidade na história da restauração a vitória de Deus é adiada.
Um exemplo ilustrativo deste fato está em Jesus. Deus separou um casal
humano (Abraão e Sara), criou uma nação, prometeu enviar o Cristo, enviou
diversos profetas para preparar o povo judeu para receber o Cristo e revelou a sua
chegada a Maria, Isabel, à profetisa Ana, ao velho Simeão, aos reis magos do
Oriente, aos pastores do campo e a João Batista. Deus, através do profeta Miquéias,
revelou até mesmo o lugar onde o Cristo nasceria: Belém (Miq 5.2). Essa foi a
parcela de responsabilidade de Deus. A parcela de responsabilidade do homem, do
povo judeu, era apenas acreditar em Jesus como o Cristo prometido por Deus e
obedecer às suas palavras. O próprio Jesus demonstrou profundo conhecimento das
Escrituras e chegou a realizar coisas extraordinárias a fim de convencer o povo
judeu de que ele era o verdadeiro Cristo (pois, em sua época, também existiam
vários falsos cristos). Os líderes judeus da época o rejeitaram e pressionaram o
povo e Pilatos a crucificá-lo. O povo judeu da época violou a lei da
responsabilidade. As conseqüências foram desastrosas para o povo judeu da época
e para seus descendentes; e perduram até hoje.
Com base nessa lei da responsabilidade penso haver encontrado uma
resposta para o porquê da linguagem hermética e codificada das profecias. Deus
realiza 95%: prepara as circunstâncias históricas, os profetas e envia as mensagens
proféticas. A parcela de responsabilidade do homem é buscá-las, decodificá-las e
obedecê-las. Se cumprir sua parcela de responsabilidade o homem entenderá o
conteúdo das mensagens proféticas e saberá o que fazer para realizar a vontade de
20
Deus e evitar as tragédias — decorrentes da irresponsabilidade — que cairão sobre
ele caso continue a viver distanciado de Deus, da verdade e do bem. Eis, segundo o
unificacionismo, o porquê da linguagem hermética e figurada das profecias.
Em minhas pesquisas concluí que nem mesmo os profetas que as
receberam foram capazes de entendê-las em sua época, uma vez que falavam de
eventos que somente ocorreriam no futuro. Exceto pela identificação das profecias
com os fatos já ocorridos, os intérpretes não conseguiram decodificar as partes
realmente vitais das profecias para o futuro da humanidade como, por exemplo, o
reaparecimento do novo Cristo, a qual promete um futuro glorioso e eterno para a
humanidade em unidade com Deus. Constatei ainda que a maioria dos intérpretes
ignorou por completo as esperançosas profecias sobre o reaparecimento do novo
Cristo e sobre sua vitória na Terra, adotando a mesma visão desesperançosa da
ciência materialista, que afirma a destruição total do planeta juntamente com a
humanidade, e do universo como um todo.
Neste livro, com exceção das profecias que vaticinam o fim do catolicismo
(provavelmente porque rejeitará o novo Cristo, transformando-se em um obstáculo
à salvação da humanidade), enfatizei especialmente as profecias da esperança. E
penso que, por ter tido contato com a teoria Deusista (o Completo Testamento dos
cristãos unificacionistas) fui além dos intérpretes convencionais, produzindo novas,
mais amplas e profundas interpretações das profecias da humanidade. 1
1
As profecias da humanidade e o ceticismo — O cético é alguém que só acredita naquilo que seus
sentidos experimentam e sua razão confirma. O ceticismo está a um passo do materialismo e do
ateísmo. Dessa forma, o confronto espiritualismo/materialismo e Deus e não-Deus é quase sempre
inútil e infrutífero, pois a fé é uma dádiva divina baseada no merecimento. Ninguém pode roubar,
comprar ou produzir fé. Esta simplesmente aflui ao coração humano com base na humildade de
coração e nos méritos de antepassados (herança de bondade) e pessoais. Sendo assim, aos que têm fé
nenhuma prova é necessária, pois estes a experimentam em seus corações e nas experiências de sua
vida diária. Mas, para os que não têm fé nenhuma quantidade de provas é suficiente. Seus corações
estão secos e petrificados como as terras dos sertões. Por isso, os grandes corações devem amá-los e
rogar a bênção de Deus para todos eles, pois em sua cega ânsia de contestar todas as manifestações
místicas e espiritualistas acabaram destruindo a própria fé e caindo no niilismo e na desesperança.
Que esperança pode ter alguém que não acredita na verdade, não tem fé em Deus nem na vida eterna?
Os céticos contestam tudo o que não for material nem racional. Assim, Deus e todas as questões
religiosas são objeto de questionamento dos céticos. É certo que alguns maus espíritos têm
influenciado alguns homens maus e ignorantes na Terra, os quais têm se disfarçado de profetas e
médicos da alma, enganando a muitos. Todavia, quando cientistas do quilate de Einstein, Max Plank,
Heisenberg, David Bohm, Fritjof Capra, Stephen Jay Gould, entre centenas de outros grandes nomes
da ciência defendem a fé em Deus e o valor da religião, os céticos atuais se confundem. E estão ainda
mais confusos com a queda do comunismo/marxismo ateu, a queda do freudismo e o desprestígio que
começa a se abater sobre o cientificismo materialista que prometeu o céu e a vida eterna, mas
construiu um inferno cheio de doenças, devastação ecológica, ameaça nuclear, armas químicas e
biológicas, alimentos transgênicos, etc. Todavia, assim como os marxistas continuam acreditando em
Marx e no comunismo/socialismo por mera falta de alternativa, os céticos continuarão atacando e
negando Deus e as religiões. E assim prosseguirão até o primeiro instante após a morte, quando todas
as dúvidas se dissiparão.
21
Quando estudamos a história do século XX constatamos a ocorrência dos
mais importantes eventos profetizados na Bíblia e nas profecias da humanidade, o
que prova que as profecias são mesmo a história prevista no tempo, e a história são
as profecias cumpridas no espaço. Esse fato deveria ser suficiente para que os
líderes em geral, especialmente os líderes religiosos, tomassem uma atitude a fim
de evitar as profecias catastróficas que, certamente, se abaterão sobre os povos em
um futuro próximo. Dentre todas as profecias, o reaparecimento do Cristo é a
maior das profecias; é a Grande Profecia, aquela cujo cumprimento desencadeará
os eventos catastróficos e esperançosos do futuro. Assim, este livro se propõe a
auxiliar os líderes e as pessoas em geral a identificar, dentre os muitos candidatos a
cristo atuantes em nosso século, o verdadeiro Cristo prometido por Deus à
humanidade. Se os líderes amassem verdadeiramente seus povos essa pesquisa
seria realizada e os povos teriam uma chance de escapar do tenebroso futuro
previsto nas profecias.
Léo Villaverde
Sorocaba, SP, 01 de janeiro de 2006
22
Introdução
Por que o Cristo voltará? — Eis uma pergunta que jamais foi respondida
satisfatoriamente. Para os judeus, o Cristo nunca veio. Portanto, continuam
aguardando-o em Israel, quando então será coroado rei dos judeus. Milhões de
judeus, no entanto, já reconheceram Jesus como o Cristo prometido ao povo judeu
e se converteram ao cristianismo (são os judeus messiânicos). Os cristãos católicos
e ortodoxos, embora jamais o declarem publicamente, não acreditam na volta do
Cristo, uma vez que crêem que Jesus é o próprio Deus-Criador do homem e do
universo que, a fim de auxiliar na salvação de Seus filhos, decidiu vir à Terra sob a
forma de um homem — Jesus. Assim, Deus veio à Terra ensinar o caminho através
do qual a humanidade poderá retornar a Ele. Para isso, precisava pagar um preço
pelo resgate de Seus filhos, o que fez ao entregar-se à dor e à morte na cruz.
Portanto, a missão salvadora de Jesus (Deus encarnado) foi completamente
concluída com sua morte na cruz, e confirmada por suas palavras: “Tudo está
consumado”. Sendo assim, por que Jesus haveria de voltar? Para fazer o quê, se o
caminho da salvação e o preço da redenção já foram pagos? Logo, o Cristo não
voltará mais a esta Terra, mas já está na Terra em cada mente e coração humano
que o reconhece como filho de Deus e único e suficiente salvador.
Por sua vez, os cristãos evangélicos crêem firmemente na volta do Cristo, o
qual virá para arrebatar os santos escolhidos dentre todas as tribos de Israel e todos
23
os povos do mundo (embora alguns grupos evangélicos afirmem que os escolhidos
serão arrebatados dentre as 12 tribos de Israel, que continua sendo o povo eleito.
Quanto aos crentes cristãos? A resposta não é clara). Desse modo, os cristãos
evangélicos aguardam a volta do próprio Jesus (o primeiro Cristo) literalmente,
como está registrado na Bíblia: descendo das nuvens do céu seguido de milhares de
anjos. Quando isso ocorrer, simultaneamente, os cristãos escolhidos serão
arrebatados ao encontro de Jesus no espaço, enquanto a Terra e todas as obras do
mal serão incineradas pelo fogo do céu.
Como vimos, mesmo entre os cristãos existem divergências profundas
sobre a mais importante questão da fé cristã: a volta do Cristo, conforme o próprio
Jesus e seus apóstolos prometeram. Que dizer? O Cristo voltará ou não? Vira das
nuvens do céu ou do ventre de uma mulher santa? (como veio da primeira vez?).
Dentre todas as explicações que encontrei sobre esta questão, aquela que me
pareceu a mais coerente foi a explicação dos cristãos unificacionistas. Vejamos o
porquê.
Segundo o livro Princípio Divino (o Completo Testamento recebido por um
jovem coreano de origem presbiteriana chamado Sun Myung Moon, a partir de
1936, quando afirma ter tido um encontro espiritual com Jesus), Deus criou o
homem e a mulher — Adão e Eva, o casal humano primário — para estabelecer a
família divina original, a qual daria origem à humanidade, da qual seriam os
Verdadeiros Pais. Esta família original nunca foi estabelecida porque o arcanjo
Lúcifer, tomado de inveja, enganou e seduziu sexualmente Eva, levando-a em
seguida a seduzir Adão. Assim, como Deus não tem contato com a impureza foi
forçado a afastar-Se de Seus filhos Adão e Eva, que passaram a ser dominados e
“educados” por Lúcifer, que se tornou o primeiro satanás da história (satanás =
adversário). Desde então, Deus vem tentando “recriar” um novo Adão e uma nova
Eva a fim de dar continuidade ao Seu plano original, do qual Ele jamais desistiu (Is
46.11). Separando Abraão e Sara do resto da humanidade decaída, Deus deu
origem ao povo judeu, educando-os dentro de sua educação verdadeira, levando-os
a trilhar um caminho de renúncia e sacrifícios a fim de gerar uma descendência fiel
da qual pudesse colher um fruto puro — um novo Adão. Depois de 2000 anos Deus
conseguiu colher um fruto puro, o segundo Adão — Jesus (ICo 15.45). Assim, a
missão original de Jesus era construir a família divina na Terra e dar origem a uma
nova humanidade pura, livre do pecado original (a impureza herdada do
relacionamento sexual antinatural dos primeiros seres humanos com o arcanjo
Lúcifer, que se tornou o falso pai da humanidade. Jo 8.44). Sabendo do plano de
Deus, Lúcifer tentou destruir Jesus ainda no ventre de Maria. Não conseguindo,
tentou matá-lo ainda criança através de Herodes. Fracassou novamente. Por fim,
Lúcifer, usando a ignorância como arma, destruiu a fé dos líderes e do povo judeu
em Jesus. A fim de tentar recuperar a fé do povo Jesus começou a realizar
milagres. Não adiantou. Os judeus atribuíam seus milagres a satanás, chamando de
discípulo de belzebu, o chefe dos demônios. Sem outra alternativa, Deus enviou
Moisés e Elias para informar a Jesus acerca de Seu plano alternativo: a morte na
cruz. Jesus tinha pleno conhecimento de sua missão original. Por isso pediu a Deus
24
para permanecer vivo (“Pai. Se Te é possível, afasta de mim esse cálice”; o cálice
da morte). Não era possível. E Jesus assumiu a morte na cruz, surpreendendo até
mesmo seus apóstolos. E, como um cordeiro obediente, Jesus foi para o matadouro
(Jerusalém, na época da páscoa). Traído por Judas e abandonado por seus apóstolos
e discípulos, Jesus ficou só. Temerosos e invejosos do poder de Jesus, os líderes do
judaísmo da época instigaram o povo, que rejeitou, perseguiu, prendeu, julgou,
condenou e assassinou Jesus aos 33 anos de idade e ainda solteiro. Com a cruz
Jesus resgatou espiritualmente todos os seres humanos que acreditarem nele (no
passado e no presente), tornando-se o salvador espiritual da humanidade. Depois de
sua morte, trabalhou 40 dias na Terra para reunir os apóstolos e dar início ao
cristianismo. Com o cristianismo, Jesus preparou a mente e o coração da
humanidade, ensinando-lhe a verdade bíblica e prometendo-lhe o retorno do novo
Cristo — o III Adão. Dessa forma, segundo os cristãos unificacionistas, o Cristo
vem à Terra como um homem divino, puro, para cumprir a missão de estabelecer a
família divina, a semente da nova humanidade pura, que o primeiro Adão fracassou
em cumprir e que o Jesus, o segundo Adão, foi impedido de cumprir plenamente
pela descrença dos líderes e do povo judeu de sua época. Eis, portanto, segundo os
cristãos unificacionistas, o porquê do retorno do Cristo. O Cristo é um novo Adão,
um homem divino e puro que nasce na Terra sem quaisquer vínculos com a
linhagem de sangue satânica (sem o pecado original). Por isso, sendo puro, é uno
com Deus e pode libertar a humanidade do domínio de Lúcifer, purificar homens e
mulheres (perdoando-lhes o pecado original) e formar famílias libertas do pecado
original (como sementes), as quais darão origem a verdadeiros e puros filhos de
Deus. Logo, para que tal missão seja cumprida, o Cristo deve ser um homem e
deve nascer na Terra a partir do ventre de uma mulher santa. Se o Cristo viesse das
nuvens e levasse alguns cristãos escolhidos para viver com ele no céu, como o
Deus onisciente e onipresente se sentiria, ouvindo dia e noite os gemidos
agonizantes de Seus outros trilhões de filhos ardendo no inferno sob o domínio
eterno de Lúcifer? Se tal absurdo acontecesse isto significaria que Deus foi incapaz
de vencer satanás, e o mal seria eterno. Quem seria o vencedor: Deus ou satanás?
Finalmente, com a falha do povo judeu (um povo nacional), o povo cristão (um
povo mundial) herdou a missão de povo eleito. Portanto, o novo Cristo deve nascer
entre o povo cristão. Eis o conceito dos cristãos unificacionistas sobre a natureza
do Cristo, sobre a finalidade de sua vinda e sobre o porquê da promessa de seu
retorno.
Esta visão certamente é nova, mas é bíblica e está inteiramente alinhada
com a fé e o espírito da tradição judaico-cristã mais genuína. A novidade aqui está
em sua amplitude e profundidade. Não há qualquer dúvida que essa visão é mais
atual e mais aceitável pela mentalidade lógico-científica do homem
contemporâneo, que está disposto a crer, desde que entenda o porquê de sua crença.
Talvez seja esta a razão pela qual o Movimento Internacional da Unificação já
conquistou dezenas de milhões de seguidores e simpatizantes em todo o mundo em
apenas 60 anos de história.
25
26
Parte I
O Reaparecimento do Cristo
nas Profecias da Humanidade
27
Capítulo I
O Reaparecimento do Cristo
nas Profecias da Humanidade
Profetas judeus e profetas cristãos — Para a ala protestante do cristianismo todos
os profetas extrabíblicos (que não constam da Bíblia) são falsos profetas. Por que
os cristãos pensam assim? Segundo os cristãos unificacionistas porque
desconhecem a Providência divina. Não sabem que Deus elegeu um povo,
preparou-o através de duras provações e deu-lhe o título de Israel (= vencedor,
campeão), como está registrado na Bíblia:
“Jacó, porém, ficou só, e um anjo lutou com ele até o amanhecer. (...) E
depois de lutar com o anjo a noite inteira, o anjo o abençoou, dizendo: não se
chamará mais o teu nome Jacó, mas Israel, pois lutaste com Deus e com os
homens e vencestes” (Gn 32.24-28).
Portanto, Israel é o título conquistado por Jacó e repassado aos seus
descendentes, o povo judeu, que o conservou até a época do encontro e da rejeição
de Jesus, o Cristo que lhes havia sido prometido. Diante do fracasso do povo judeu
o próprio Jesus lhe tirou o título de Israel, passando-o para o povo cristão que
acreditara nele:
28
“Teus inimigos destruir-te-ão a ti a teus filhos que estiverem dentro de ti
porque não conhecestes o tempo em que Deus te visitou”. (Lc 19.44)
“A pedra que os edificadores rejeitaram, essa foi feita para ser cabeça de
ângulo (da pirâmide providencial)” (Mt 21.17).
“Em verdade, em verdade eu vos digo: o Reino dos Céus vos será tirado e
será dado a outro povo que a seu tempo dê os devidos frutos” (Mt 21.43).
Vemos assim, que o povo judeu, segundo as palavras do próprio Jesus (que
até hoje é rejeitado pelo povo judeu, pois aceitá-lo implicaria em auto-condenação,
arrependimento e pedido de perdão pelo erro cometido por seus antepassados), o
povo judeu perdeu o título e a posição de povo eleito, o qual foi herdado pelos
cristãos. Essa é a razão pela qual, depois de Jesus, Jerusalém foi destruída pelo
imperador Tito, os judeus foram massacrados e os sobreviventes foram dispersos
pelo mundo na Diáspora do imperador Adriano, enquanto o cristianismo começava
a crescer e se expandir até os dias atuais, quando atingiu o mundo inteiro. Esses
fatos históricos provam que nos últimos 2000 anos a Providência divina avançou
centralizada no povo cristão, e não no povo judeu. Todavia, desconhecendo este
fato, os cristãos vivem adorando o povo judeu, chegando alguns cristãos a afirmar
que os 144 mil que serão arrebatados por Jesus nos últimos dias serão todos judeus!
Para afirmar e aceitar essa crença os cristãos são constrangidos a fecharem os olhos
para as palavras de Jesus, para o fato de que os judeus jamais aceitaram Jesus e
para o trágico destino histórico do povo judeu.
Explicado e aceito o fato de que o novo povo eleito — o II Israel — é o
povo cristão, nada mais natural do que Deus enviar novos profetas cristãos e novas
profecias para guiar e preparar o povo cristão para o segundo advento do Cristo
prometido (do mesmo modo como fez com o povo judeu). Eis como vejo os
grandes santos e profetas cristãos que apareceram na Terra nos últimos 2000 anos,
alguns dos quais estudaremos aqui juntamente com suas profecias sobre o
reaparecimento do Cristo e sobre ao fim do catolicismo.
Sobre o fim do catolicismo (do cristianismo tradicional) — Outro ponto
importante a ser estudado aqui é o porquê da queda do catolicismo profetizada pela
Bíblia (a morte das duas testemunhas de Deus. Apoc 11) e pelos grandes profetas
cristãos e não-cristãos da humanidade. Se o II Israel é o povo cristão, por que o
catolicismo — e o cristianismo em geral — está declinando e chegará ao fim? A
resposta só pode ser uma: assim como o I Israel, o povo judeu, não reconheceu o
Cristo, perseguiu, rejeitou e matou Jesus, o povo cristão, que herdou a missão do
povo judeu e tinha que restaurar seu fracasso, ficando numa situação semelhante,
mas agindo de modo correto (lei da indenização), corria o risco de cometer a
mesma falha. Por isso Jesus os advertiu:
“Porque, como o relâmpago parte do Oriente e ilumina até o ocidente,
assim será também o Filho do homem no seu dia. Mas primeiro ele padecerá e
será rejeitado por essa geração” (17.24-25).
Jesus, obviamente, está se referindo ao novo Cristo que virá do Oriente, e
não a ele próprio, pois está falando de alguém que ainda virá, e não a alguém que já
29
veio. Por isso, a expressão essa geração não se refere ao povo judeu de sua época,
mas aos cristãos do futuro.
“Digo-vos que depressa lhes fará justiça. Quando, porém, vier o Filho do
homem, acaso achará fé na Terra?” (Lc 18.8).
Em diversos trechos bíblicos Jesus chama a si mesmo de Filho do homem.
Por quê? Provavelmente, Jesus utilizou-se dessa expressão a fim de orientar os
cristãos do futuro para o fato de que ele nasceu na Terra como um ser humano, um
homem filho de homem. O fato de alguém nascer como um filho de homem não é
ofensivo, pois o homem foi criado por Deus como Sua obra prima e suprema;
como Sua imagem e semelhança. Além disso, nenhum ser humano pode nascer na
Terra sem o intermédio de um outro ser humano; de um casal humano, mas
precisamente; porém, o Cristo só pode nascer de um casal humano puro,
diferenciado. Ao chamar a si mesmo de Filho do homem (que nasceu na Terra
através de uma mulher), e ao anunciar que o Filho do homem vai voltar novamente
(assim como ele, nascendo através de uma mulher), Jesus preparava os cristãos do
futuro para o fato de que o novo Cristo — o Filho do homem — nasceria
novamente na Terra. Foi por esse motivo que ele chamou a si mesmo de Filho do
homem. De outro lado, se o novo Cristo viesse nas nuvens do céu (sem o uso de
um avião) quem duvidaria dele? Portanto, Jesus está se perguntando (com base em
sua própria experiência, que não encontrou fé na Terra), se o novo Cristo teria um
destino diferente do dele; se encontraria fé entre os cristãos, o novo povo eleito. E
previu que o novo Cristo, porque nasceria na Terra, enfrentaria a descrença e as
mesmas dificuldades que ele enfrentou:
“Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor! Não profetizamos nós em
vosso nome? E em vosso nome não expulsamos demônios? E em vosso nome não
realizamos muitos milagres? E então eu lhes direi: apartai-vos de mim; eu nunca
vos conheci” (Mt 10.23).
Neste trecho bíblico Jesus profetizou que muitos grandes líderes cristãos,
com poder de profetizar, expulsar demônios e realizar milagres serão rejeitados
pelo novo Cristo por ocasião de seu reaparecimento na Terra. Por que isto
acontecerá? Simplesmente porque os líderes cristãos certamente ouvirão falar do
novo Cristo, mas o ignorarão e evitarão contato com ele por considerá-lo um
herege, um falso profeta ou o anticristo. Logo, o novo Cristo não os reconhecerá.
Ora, se o Cristo esperado fosse o próprio Jesus e viesse do espaço por que
desconheceria e rejeitaria cristãos tão fiéis e grandiosos? Eis, então, o porquê do
fim do catolicismo e do protestantismo (o cristianismo tradicional), as duas
testemunhas de Deus que serão destruídas pela besta que sobe do abismo (satanás),
como está profetizado em Apocalipse 11.7.
Diversos profetas, incluindo o profeta João, no Apocalipse, falaram clara e
abertamente sobre o reaparecimento do novo Cristo no Oriente e sobre o fim do
catolicismo, ou a ocorrência de uma transformação tão radical que o mesmo não
mais poderia ser reconhecido como catolicismo.
Na terceira parte deste livro estudaremos mais especificamente sobre as
profecias da humanidade e os fatos históricos do passado e do presente referentes
30
ao catolicismo. Aqueles estudos me pareceram suficientes para, se não acreditar,
pelo menos admitir a possibilidade de o catolicismo vir mesmo a acabar, ou a ser
radicalmente transformado e absorvido por um novo movimento religioso superior.
Não fossem tais profecias e os fatos abordados ali, uma mera olhada nos números
referentes ao declínio da Igreja Católica no mundo atual seria outro forte motivo
para admitir tal possibilidade.
O mundo atual conta com aproximadamente 6 bilhões de seres humanos,
enquanto o catolicismo conta apenas com 1.1 bilhões de pessoas, dentre as quais,
como todos sabem, talvez apenas uns 10% são líderes e praticantes de fato. A
imensa maioria se declara católica, mas não estuda nem pratica o catolicismo. E
isto, mesmo depois do advento da chamada Igreja Carismática (veja no apêndice
nota suplementar sobre a Igreja Carismática), apoiada por João Paulo II a fim de
atrair os jovens e fazer frente ao avanço do protestantismo, que tem crescido em
todo o mundo, especialmente no Brasil.
A crise atual do catolicismo deve ser vista como parte da crise atual da
sociedade humana, e foi profetizada por quase todos os grandes profetas bíblicos,
cristãos e não-cristãos, os quais previram com milênios ou séculos de antecedência
os fatos desintegradores da sociedade do século XX, inclusive o reaparecimento do
Cristo e a queda do catolicismo. Dessa forma, se todos os fatos profetizados para o
passado já aconteceram, os fatos profetizados para o futuro certamente
acontecerão. Portanto, a queda — ou a transformação radical — do catolicismo
também ocorrerá. Na verdade, como já destacamos, apesar da boa imagem
publicitária (que continua sendo alimentada por Bento XVI) o catolicismo continua
se dispersando e se desintegrando.
As profecias da humanidade afirmam que o novo líder religioso que
guiará a humanidade nos últimos dias será um personagem nascido no Oriente
(berço histórico das religiões) e o movimento que ele fundará transcenderá todas as
fronteiras das religiões, unificando-as sob um único Deus-Pai. Portanto, a salvação
do mundo não virá de um líder político, um economista, um cientista ou de um
líder religioso tradicional de origem ocidental, mas de um líder religioso inovador e
de origem oriental. Também não virá de nenhuma igreja ou grupo religioso sectário
em particular, fato que descarta os papas e o catolicismo, o protestantismo e as
muitas seitas budistas, confucionistas e hinduístas. Portanto, o novo Cristo
emergirá de dentro da esfera cultural judaico-cristã (pois foi prometido aos
cristãos), mas trazendo uma visão superior, mais ampla e profunda que o Velho e o
Novo Testamento e capaz de unificar toda a humanidade sob um único Deus-Pai
(pois, com base no nível do entendimento do pensamento judaico-cristão atual os
judeus não foram capazes de se unirem aos cristãos nem os cristãos foram capazes
de se unirem aos judeus, nem os cristãos foram capazes de se unirem entre si).
Aquelas profecias destroem a pretensão da Igreja Católica de ver-se a si mesma
como eterna e absoluta, e única igreja possuidora da verdade capaz de salvar o
mundo.
Estudemos agora as várias profecias sobre o reaparecimento do novo Cristo
no Oriente e o provável fim, ou transformação, do catolicismo.
31
1. O reaparecimento do Cristo e o fim do catolicismo
no Apocalipse de Tomé (texto apócrifo do final século V)
O Apocalipse de Tomé não é um livro, mas um texto apocalíptico do século V que
começou a ser divulgado na Gália (antigo nome da França). No final do século V,
época em que os livros sagrados estavam sendo selecionados para a sistematização
da Bíblia, o papa Gelásio I excluiu o texto atribuído a Tomé, classificando-o como
herético. O mesmo aconteceu com mais de 50 outros livros. O Apocalipse de Tomé
contém uma série de pragas e catástrofes que se abaterão sobre a humanidade no
julgamento dos últimos dias. Em um total de sete dias de tragédias, o oitavo dia
fala do fim das dores e do surgimento do reino de paz. Eis o texto do 8º dia:
“E quando os sete dias tiverem passado, no oitavo dia, à sexta hora, elevarse-á do Oriente, no meio do céu, uma voz meiga e doce. Então surgirá aquele
anjo [ou ser] que tem o poder sobre todos os anjos e todos avançarão para libertar
os eleitos que acreditaram. E alegrar-se-ão porque a destruição desse mundo [a
destruição da maldade do mundo] já se terá consumado”.
Este é mais um texto religioso de índole cristã que fala sobre o
aparecimento do novo Cristo no Oriente. O Apocalipse de Tomé é um dos textos
apócrifos proscritos da Bíblia, mas sua índole e sua profecia de que o salvador viria
do Oriente coincidem com as profecias de vários profetas cristãos da história,
inclusive com as profecias bíblicas do Apocalipse.
3. O fim do catolicismo nas profecias de São Nilo (?-430)
São Nilo viveu em um mosteiro de Ancira, na Galácia, no século V, e morreu no
ano 430. Sua profecia anteviu os acontecimentos do século XX, especialmente a
degradação moral da humanidade devido ao enfraquecimento da fé em Deus e do
catolicismo. Eis a íntegra de sua profecia, com destaque para os trechos que tratam
do fim do catolicismo:
“Depois do ano 1900, por meados do século XX, as pessoas desse tempo
tornar-se-ão irreconhecíveis... Quando se aproximar o tempo da vinda do
anticristo, a inteligência dos homens será obscurecida pelas paixões carnais: a
degradação e o desregramento acentuar-se-ão. O mundo, então, tornar-se-á
irreconhecível. As pessoas mudarão de aparência, e será impossível distinguir os
homens das mulheres por causa do atrevimento na maneira de se vestir e na moda
de seus cabelos. Essas pessoas serão desumanas e como autênticos animais
selvagens por causa das tentações do anticristo. Não se respeitará mais os pais e
os mais idosos. O amor desaparecerá. E os pastores cristãos, bispos e sacerdotes
serão homens frívolos, completamente incapazes de distinguir o caminho à
direita ou à esquerda. Nesse tempo as leis morais e as tradições dos cristãos e da
Igreja Católica mudarão. As pessoas não praticarão mais a modéstia e reinará a
dissipação! A mentira e a cobiça atingirão grandes proporções, e infelizes
32
daqueles que acumularão riquezas! A luxúria, o adultério, a homossexualidade, as
ações secretas e a morte serão a regra da sociedade. Nesse tempo futuro, devido
ao poder de tão grandes crimes e de uma tal devassidão, as pessoas serão
privadas da graça do Espírito Santo, recebida no seu batismo, e nem sequer
sentirão remorsos. As igrejas serão privadas de pastores piedosos e tementes a
Deus, e infelizes dos cristãos que restarem sobre a Terra nesse momento! Eles
perderão completamente a sua fé porque não haverá quem lhes mostre a luz da
verdade. Eles se afastarão do mundo, refugiando-se em lugares santos, na
intenção de aliviar os seus sofrimentos espirituais, mas em toda parte só
encontrarão obstáculos e contrariedades.
Tudo isto resultará do fato de que o anticristo deseja ser o senhor de todas
as coisas e se tornar o mestre de todo o universo. Ele realizará milagres e sinais
inexplicáveis. Dará também a um homem sem valor uma sabedoria depravada, a
fim de descobrir um modo pelo qual um homem possa ter uma conversa com outro,
de um canto ao outro da Terra (as telecomunicações). Nesse tempo, os homens
também voarão pelos ares como os pássaros e descerão ao seio do oceano como
os peixes (aviões e submarinos). E quando isso acontecer, infelizmente, essas
pessoas verão as suas vidas rodeadas de conforto, sem saber, pobres almas, que
tudo isso é uma fraude de satanás. E ele, o ímpio, inflará a ciência da vaidade a tal
ponto que ela se afastará do caminho certo e conduzirá as pessoas à perda da fé
na existência de Deus, de um Deus em Três Pessoas... Então, Deus, infinitamente
bom, verá a decadência da raça humana e abreviará os dias, por amor do
pequeno número daqueles que deverão ser salvos, porque o Inimigo desejaria
arrastar mesmo os eleitos à tentação, se isso fosse possível. Então a espada do
castigo aparecerá de repente e derrubará o corruptor e seus servidores”.
Como vemos, os trechos destacados em negrito desta profecia também
prevêem o fim do catolicismo. Se São Nilo profetizou acertamente o aparecimento
das telecomunicações, dos aviões e dos submarinos, certamente também acertará
com relação à queda da Igreja Católica.
3. O reaparecimento do Cristo e o fim do catolicismo
nas profecias do Mago Merlim (século V)
O mago Merlim (Myrddhinn ou Merzim) viveu por volta do século V (na primeira
metade ou no final. Não se tem certeza). Era um bardo galês (francês) ou um bretão
(Gran Bretanha). Suas origens mesclaram-se à lenda do Rei Arthur, de quem teria
se tornado amigo, mestre e protetor. Suas profecias começaram a ser editadas em
Veneza, por volta de 1279, sem muita repercussão. Merlim viu com 15 séculos de
antecedência, e com incrível precisão: a descoberta da América, a escravização dos
africanos, o terror da Revolução Francesa, o fascismo, a aldeia global de Macluhan,
o comunismo e a queda do catolicismo. Anteviu também o reaparecimento do novo
Cristo, referindo-se a ele através da lenda do Rei Arthur — rei da justiça e do bem
—, que voltaria para completar sua obra na Terra (voltaremos a falar do rei Arthur
mais adiante). A título de demonstrar a credibilidade e a precisão de Merlim como
33
profeta, vejamos suas profecias sobre a descoberta da América, a escravização dos
africanos e sobre a o terror da Revolução Francesa.
“Maior será a terra porque a terra terá a terra. Homens selvagens
conhecerão os homens que virão do mar. E depois os navios levarão ouro. Escrava
será a África, mas a África dominante, escrava dominará”.
“O sangue cairá sobre a Gália [antigo nome da França] e a cabeça do rei
será cortada. E a cabeça da rainha será cortada. E a cabeça do príncipe será
cortada. E a cabeça de tantos amigos do rei será cortada. Será tempo de terror.
Muitos derramarão seu sangue. E o vento deslocar-se-á por muitos céus. E do
vento [do nada; sem fundamentos concretos] nascerão novas leis”.
A precisão destas profecias é impressionante. Aconteceu exatamente como
profetizado por Merlim. Os criminosos revolucionários franceses introduziram a
guilhotina (inventada por Jean Guilhot) com a qual decapitaram o rei Luís XVI, sua
esposa Maria Antonieta e seu filho, o príncipe herdeiro, bem como muitas centenas
de nobres da corte francesa. Agiram como os comunistas na Rússia, que
assassinaram, queimaram e desintegraram com ácido os corpos de toda a família do
Czar Nicolau II.
E quanto à crise do catolicismo? Merlim acertará ou não? Vejamos suas
profecias sobre o futuro de Roma.
“De Roma sairá uma excomunhão [Pio XII excomungou os comunistas],
enquanto a guerra será cruenta em Jerusalém. Depois da festa haverá o saque.
Paulo e Pedro [símbolos de Roma] serão afastados de Roma e muitos serão
condenados ao exílio”.
“À grande ilha do mar chegará Paulo, quando Jerusalém será mudada.
Apenas uma parte do clero acompanhará Paulo até a ilha”.
A primeira profecia afirma que Paulo (símbolo dos evangelizadores;
padres, freiras, bispos, etc) e Pedro (símbolo dos papas) serão afastados de Roma.
Isto pode ser uma referência ao Papa Clmente V que transladou o Vaticano para a
cidade de Avignon, no sul da França, no ano1309, onde os papas ficaram cativos
por cerca de 210 anos. Mas também pode se referir aos tempos atuais e futuros,
pois muitos outros videntes previram o fim do catolicismo e que o papa será
expulso do Vaticano e será hóspede na Casa Branca. A segunda profecia anteviu o
enfraquecimento da fé católica e a apostasia do final dos tempos, que já estão
ocorrendo. Outras profecias de Merlim merecem mais atenção. Ei-las:
“Dizei ao clero para escrever que o dragão da Babilônia [dragão =
satanás; a antiga serpente, segundo o Apocalipse] partirá da Polônia e atravessará
a Alemanha. Será acompanhado por quatro meninas. O seu governo será
composto de seis ministros”.
“O dragão aparecerá entre os homens por volta do ano 2000. E aparecerá
vitorioso, cheio de honrarias. Mas será bom que os homens mantenham seu olhar
fixo na Toscana [região da Itália] porque será desse lado que aparecerá o
dragão”.
Estas profecias são espantosas, pois afirmam que o dragão (satanás; o
anticristo) sairá da Polônia, atravessará a Alemanha e aparecerá na Itália. Não
34
podemos interpretar estas profecias em relação a Hitler, pois ele apareceu e
atravessou a Alemanha, mas não saiu da Polônia nem apareceu (no sentido de
emergindo; saindo) na Itália. A Toscana e a Emília são duas regiões italianas
lembradas em numerosas profecias em relação ao dragão, relacionado com a guerra
e a violência. Assim, alguns videntes sugerem que o dragão poderia ser uma
referência ao terrorismo das brigadas vermelhas oriundas do comunismo italiano).
Outros intérpretes sugerem que as duas regiões referem-se à capital da Itália,
Roma, símbolo da Igreja Católica, onde o então Papa João Paulo II dirigiu a Igreja
sob a forte influência do cardeal alemão Joseph Ratzinger (“partirá da Polônia e
atravessará a Alemanha”), e que, provavelmente, mediante conchavos com a Opus
Dei e manobras políticas internas acabou se tornando o sucessor de João Paulo II,
desapontando o mundo inteiro que, em virtude de algumas nebulosidades de seu
passado e à sua intolerância religiosa, chegam a temer pelo futuro da Igreja.
Ratzinger ainda é uma incógnita, pois o início de qualquer governo é um período
de tolerância e adaptação a fim de consolidar o poder de seu líder. Somente depois,
o líder começará a implantar suas idéias e seus ideias pessoais. É quase certo que
Ratzinger surpreenderá a humanidade em defesa da Igreja Católica, uma vez que a
suposta campanha Publiccitá melhorou a imagem, mas não deteve sua queda. Só
esperamos que as surpresas que Ratzinger nos trará não tenham relação com a
traição nem com a perseguição às outras religiões e às minorias religiosas surgidas
no século XX, pois Ratzinger parece determinado a defender o catolicismo a
qualquer custo. Para ele a Igreja Católica não é irmã de nenhuma outra igreja, mas
a mãe; e a única fé adulta (séria e capaz de salvar o mundo) da história e do
planeta, embora se saiba que o catolicismo teve 2000 anos para salvar o mundo,
mas hoje influencia superficialmente apenas 1.2 bilhões de pessoas e não está
crescendo, mas se dispersando e se desintegrando, apesar da nova imagem de
modernidade, coesão e vigor construída internacionalmente durante o pontificado
de João Paulo II pela suposta campanha Publiccitá.
Seja como for, o dragão (o antricristo) não virá do Oriente, mas do
ocidente; mais precisamente, da Itália. Portanto, não pode ser relacionado com
nenhum líder religioso de origem oriental. Além disso, o dragão dourado é um
antigo símbolo tradicional do Oriente relacionado aos mensageiros do bem; de
Deus. Muitos cristãos protestantes — por ignorância e desinformação — acusaram
o Rev. Moon de ser o anticristo 2 (inimigo de Deus) devido à sua visão cristã
inovadora, quando as nossas pesquisas revelaram que nenhum outro líder religioso
do século XX lutou tanto em defesa da fé no Deus bíblico, da Bíblia, da família e
da paz mundial. Bastaria um breve estudo de sua vida, de seu pensamento e de suas
obras para se constatar este fato. O grande mistério com que me deparei nessa
2
A fim de contestar essa acusação, escrevi o livro A Natureza Mística do Marxismo, onde demonstrei
que Karl Marx, o marxismo e a sociedade comunista emergiram com o propósito de substituir Jesus, o
cristianismo e a sociedade cristã, representando, portanto, o verdadeiro anticristo. Cf. A Natureza
Mística do Marxismo. Editora IL Rung, l986. 351p). Pode ser adquirido pelo E-mail:
[email protected] ou na Editora Il Rung-SP.
35
pesquisa foi: por que a mídia internacional não dá atenção às palavras nem às
revolucionárias ações do Rev. Moon, se ele é, sem qualquer dúvida, o personagem
religioso mais polêmico e surpreendente dos séculos XX e XXI?
Nostradamus também fala sobre o Le Grand Pasteur, como um dos
enigmáticos personagens do futuro antevistos por ele. Muitos estudiosos vêm
tentando identificar o Le Grand Pasteur de Nostradamus com o Pastor Angelicus
profetizado por São Malaquias, identificando-o com o Papa Pio XII. Todavia,
outros intérpretes acreditam que o Le Grand Pasteur ainda não apareceu para
ocupar o trono de São Pedro.
De minha parte, penso que o Le Grand Pasteur profetizado por
Nostradamus é o Senhor do Segundo Advento, o novo Cristo prometido por Deus
aos cristãos (o II Israel = povo vitorioso) que, segundo o Apocalipse, unificará as
religiões do mundo e construirá “um só rebanho e um só pastor”. Por isso é
chamado de Le Grand Pasteur. Segundo os cristãos unificacionistas, com base no
Completo Testamento revelado pelo Rev. Moon e difundido no mundo pela Igreja
da Unificação desde 1945, o Le Grand Pasteur é o próprio Rev. Moon que fundou
o Movimento Internacional da Unificação e está unificando as idéias
(religião/ciência) e as culturas da humanidade (Oriente/ocidente) na base, através
do estabelecimento de famílias inter-raciais e internacionais. Tais famílias, para o
Rev. Moon, serão a base da sociedade familista futura, o Reino de Deus na Terra.
Vejamos outras profecias do Mago Merlim sobre o fim do catolicismo:
“Quando a santa mãe do Senhor [Maria, a mãe de Jesus] aparecer em
vários lugares e quando Pedro (o papa) tiver dois nomes [João e Paulo; João Paulo
I e João Paulo II] será o momento de se preparar, pois a sexta hora está próxima”.
Como é do conhecimento mundial, Maria tem feito aparições em diversos
países do mundo a partir do início do século XX, começando por La Salette, em
1846, na França; Lourdes, em 1858, também na França; na cidade de Fátima, em
Portugal, em l917, e na cidade de Amsterdã, Holanda, em 1959. Em l978, ano da
eleição e morte de João Paulo I e da eleição de João Paulo II, a Igreja passou a ter
um papa com dois nomes, cumprindo a segunda parte da profecia.
A terceira parte dessa profecia de Merlim faz referência ao número 6 — “a
sexta hora” — com um sentido apocalíptico; de fim dos tempos. Mais uma vez fui
encontrar nos cristãos unificacionistas uma explicação lógica e bíblica para o
significado figurado do número 6. Dizem os cristãos unificacionistas que o número
6 é o número bíblico que representa o número da finalização da Criação de Deus,
que criou o universo em 6 “dias” bíblicos (= períodos indefinidos de tempo, pois
“Um dia para Deus é como mil anos”. II Pe 2.4), os quais representam as 6 eras
geológicas (azóica, arqueozóica, proterozóica, paleozóica, mesozóica e cenozóica
3
). Com a Queda, o homem foi alienado do amor e da vida de Deus, perdendo sua
3
As 6 eras geológicas — As biólogas Lynn Margulis e Dorian Sagan, no livro Microcosmos
(Edições 70. Portugal, 1988; USA, l986. pp. 28 a 41), enumeraram as seis eras geológicas
correspondentes aos seis “dias” bíblicos (segundo o Deusismo), com uma nomenclatura mais atual:
Era Hadeana, Arqueana, Proterozóica, Paleozóica, Mesozóica e Cenozóica. Margulis e Sagan falam
36
vida espiritual. Desse modo, a morte causada pela Queda foi a morte espiritual.
Por isso, a Bíblia registra que Adão viveu 930 anos (bíblicos) depois da Queda, e
Jesus orientou seus seguidores para que “deixassem os mortos enterrarem seus
mortos”. Sendo assim, a história da salvação (= restauração = ressurreição =
ressurgir dos mortos) é a história da recriação do universo e do homem. Como a
criação foi concluída através do número 6, a recriação também ocorrerá através do
número 6. Uma vez que já ultrapassamos 6 milênios de história — e já estamos no
ínicio do sétimo milênio — podemos dizer que estamos mesmo vivendo os últimos
“momentos” dos últimos dias. Este é o significado da expressão “a sexta hora”
dessa profecia do Mago Merlim. É quase certo, porém, que nem mesmo Merlim
entendeu o profundo significado do número 6 citado pelo espírito que o inspirou.
“A visão dos justos ofuscada pela fumaça da Babilônia — Do mar [mar
= multidões impuras, segundo a Bíblia] virá grande luxúria, muitas mulheres e
muitos homens serão arrastados; e esse será um dos sinais de que o mundo está
mudando. Em todo lugar haverá Babilônia, e a visão de muitos justos será
ofuscada pela fumaça de Babilônia...”.
“A transformação da Igreja — O pastor condenará e depois abençoará a
Bretanha. Muitas coisas não serão como antes. Roma beberá no mesmo cálice. De
Roma sairá uma excomunhão, enquanto a guerra será cruenta em Jerusalém.
Depois da festa haverá o saque. Paulo e Pedro [símbolos do Papa] estarão
afastados de Roma, e muitos serão condenados ao exílio. Da grande Ilha do mar
chegará Paulo, quando em Jerusalém (a Igreja) estará mudada. Apenas uma parte
do clero acompanhará Paulo [um novo Paulo] da Ilha...
O seu governo terá a marca da paz. E ensinarão uma nova maneira de
viver.
Depois da festa haverá o saque. Mudam as bandeiras, muda a fanfarra,
mas essa história é sempre amarga... Pedro retorna. Mas sobre a grande cúpula
(da Basílica de São Pedro) no lugar da cruz haverá um bastão”.
Os dois últimos versos destas profecias do Mago Merlim — “O seu
governo terá a marca da paz. E ensinarão uma nova maneira de viver” e “Pedro
retorna. Mas sobre a grande cúpula (da Basílica de São Pedro) no lugar da cruz
haverá um bastão” — são uma clara referência à grande transformação interna que
ocorrerá no mundo após o reaparecimento do novo Cristo, o qual retirará a cruz e
instalará seu bastão (= nova palavra de vida) no alto da cúpula da Basílica de São
Pedro, no Vaticano; e governando com a marca da paz “ensinará uma nova maneira
de viver” a toda a humanidade.
“O caos mundial e o fim do catolicismo — Perto do fim do mundo,
quando o sol e a lua mudarão, os grifos virão para comer o trigo. Os países serão
cheios de lágrimas. O sol demorará no Oriente e a lua no Ocidente; e não
ainda em uma sétima era (contemporânea), chamando-a de Era Fanerozóica. Todavia, ao nosso ver,
não se pode considerar a Idade Contemporânea como uma era geológica, devido ao seu ínfimo
período de tempo em relação às eras passadas. Assim, a idéia da Era Fanerozóica é só uma sugestão.
37
cumprirão mais o seu curso. Na época em que os homens e mulheres terão filhos
mais raramente, as pessoas perderão a fé e o mundo será extremamente mau: os
pequenos serão esmagados. Os grifos voarão sobre o Egito”.
“Perto do fim do mundo, o papa e os cardeais terão que fugir de Roma
para um local onde passarão desapercebidos, sob circunstâncias difíceis. Ele [o
papa] morrerá de forma cruel em seu exílio. Os sofrimentos da Igreja serão
maiores do que em qualquer tempo passado de sua história”.
A interpretação destas profecias é desnecessária tal a clareza com a qual
Merlim escreveu o que anteviu.
“O fim do catolicismo — Haverá um Papa que não se atreverá a olhar
para Roma. Uma coisa parecida que os romanos têm que saber é que antes desse
Papa falecer, o Senhor lhe fará sofrer uma tal vergonha que não terá paralelo. É
necessário que os romanos saibam, entre outras coisas, que a partir de então
começará sua destruição passo a passo, e que esta será por seus pecados...”.
“A grande perseguição movida contra a religião — O culto da religião
será destruído completamente, e a ruína das igrejas estará clara para todos verem.
A raça que é oprimida prevalecerá no fim, porque resistirá à selvageria dos
invasores... Levantar-se-á o Verme Alemão [Hitler e o nazismo]. O Lobo do mar
[Stálin e o comunismo] exaltará o Verme (Stálin assinou um tratado de apoio
mútuo com Hitler) A religião será destruída pela segunda vez e os olhares dos
primazes serão movidos para outros lugares”.
Nesta profecia, Merlim viu o ataque dos nazistas e dos comunistas contra
as religiões e os religiosos sob o olhar silencioso e traiçoeiro dos primazes da Igreja
Católica que, como se sabe, fez pactos e alianças com os nazistas (silenciando e
ajudando alguns a escaparem após a guerra) e com os comunistas (silenciando
diante de sua infiltração na Igreja). Trata-se da antiga política vaticana: as
ideologias e os governos passarão, mas a Igreja deve sobreviver. Essa política
parece não se perguntar: a que preço? Como a Igreja poderia sobreviver, fazendo
pactos e alianças com satanás? As profecias da humanidade afirmam o fim do
catolicismo, demonstrando que vender a alma ao diabo (pactuar com os nazistas e
os comunistas) foi um preço caro demais.
4. O reaparecimento do Cristo e o fim do catolicismo
nas profecias de Mother Shipton (1488-1561)
Mother Shipton (Mãe Shipton) nasceu em Yorkshire, Inglaterra, em 1488 (ou 1486,
não se tem certeza), e morreu em 1561, também na Inglaterra. Seu nome é muito
conhecido e cercado de lenda. Devido à sua feiúra — era corcunda e defeituosa —,
a maldade popular a confundiu com uma bruxa e fez um trocadilho com seu
sobrenome Southeil, transformando-o em Sonthell (filha do diabo), apelido com o
qual passou à posteridade. A sagaz inteligência de Shipton lhe permitiu superar
todas as dificuldades de sua existência.
As profecias de Shipton são constituídas de prosas e versos. Os
pesquisadores acreditavam que a maior parte de seus textos proféticos havia se
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perdido. Contudo, novos textos foram descobertos numa biblioteca da Austrália
nos anos 60. Neste tópico abordaremos apenas alguns extratos de suas profecias
referentes ao reaparecimento do Cristo e ao fim dos tempos. Os extratos a seguir
fornecem as bases da credibilidade de suas profecias, uma vez que, assim como
outros grandes profetas, Shipton anteviu fatos históricos do século XX com 500
anos de antecedência. Um bom exemplo é a sua profecia sobre o século XX:
“Carruagens sem cavalos andarão. E os acidentes encherão o mundo de
pesar. Os pensamentos voarão em torno do mundo no abrir e fechar de um olho.
Os homens passarão através das colinas... Debaixo d’água homens
caminharão, passearão, dormirão, conversarão; No ar os homens serão vistos... O
ferro flutuará na água tão fácil como barcos de madeira...”.
Trata-se de uma claríssima referência aos automóveis, às comunicações via
satélite, aos túneis, aos submarinos, aos aviões e aos grandes e pesados navios dos
tempos atuais. Evidentemente, Shipton “viu” todos estes objetos tecnológicos do
século XX, o que reforça a idéia de que os profetas são como repórteres que vêem
e descrevem, com base em sua bagagem cultural e nos fatos de sua época, o fatos e
objetos do futuro que lhes foram mostrados.
“A moda unissex — Pois nesses distantes dias de maravilhas as mulheres
adotarão uma moda de vestir como homens, e o uso de calças compridas e
cortarão as mechas de seus cabelos. Caminharão escarranchados com impudente
fronte, como as bruxas fazem agora em cabo de vassoura”.
Neste extrato, Shipton anteviu a degradação dos costumes cristãos através
do modismo unissex que, atentando contra os fundamentos elementares da
existência da família e da sociedade — a distinção homem-mulher — estimulou a
igualdade absoluta, gerando a guerra dos sexos, a guerra entre pais-e-filhos, e
chegando ao ponto de enaltecer e premiar o homossexualismo.
“O fim dos tempos — Um trovão abalará a Terra; luzindo rasgará
distante; a água encherá a Terra; o fogo fará seu trabalho”.
Shipton, como todos os grandes profetas, anteviu a Grande Tribulação com
todos os cataclismos que precederão o reaparecimento do novo Cristo e a grande
mudança que ele realizará nos costumes da humanidade.
5. O reaparecimento do Cristo e o fim do catolicismo
nas profecias de Santa Hildegarda (1098-1179)
Santa Hildegarda nasceu na França em 1098 e faleceu em 1179, em plena Idade
Média. Foi abadessa beneditina do convento de Rupertsberg, perto de Bingen, ao
sul do rio Reno. Suas profecias datam do ano 1138, abrangendo desde o século XII
até o fim dos tempos; “os últimos dias”. Suas longas profecias, escritas em
linguagem bastante clara, fornecem uma descrição bastancte acurada do anticristo,
o temível personagem do mal que surgirá nos últimos dias. Santa Hildegarda é
chamada de a profetisa do Antigo Testamento devido à farta menção de nomes
bíblicos em seus textos, os quais nunca foram contestados pela Igreja, e o Papa da
época aceitou suas profecias como sendo vindas realmente de Deus.
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Por ser uma francesa medieval e de origem humilde, Santa Hildegarda
jamais saiu da França, razão pela qual os lugares citados em suas profecias
referem-se sempre à França, mesmo quando ela anteviu lugares, fatos e
personagens não-franceses. Este, aliás, é um limite comum a todos os profetas do
passado longínquo. Por isso, os intérpretes precisam transpor as fronteiras citadas
nos textos proféticos, desconsiderando tempo e espaço em busca da real
interpretação. Um exemplo é a profecia de Santa Hildegarda sobre o
reaparecimento do Cristo, o Grande Monarca, citado por tantos outros profetas.
Santa Hildegarda situa o Grande Monarca no trono francês, uma vez que todo o
seu mundo resumia-se à França. Eis alguns extratos de suas profecias:
“O temor de Deus será de todo posto de lado, guerras atrozes surgirão
cada vez mais, uma multidão de pessoas nelas serão imoladas e o bem das cidades
se mudará em um amontoado de ruínas. Os homens poderosos desolarão muito
as cidades e os conventos. A Igreja sofrerá uma diminuição no seu poderio
secular, e chegará um tempo que o soberano pontífice terá seu poder temporal
tão reduzido em comparação com o passado, que apenas lhe será concedido
conservar Roma e algumas propriedades nos arredores... Mas quando a
sociedade tiver sido enfim completamente purificada por essas tribulações, os
homens se emendarão sob as leis da Igreja... [as leis de Deus, na verdade]. A paz
voltará a Europa quando a flor branca [o Grande Monarca] novamente ocupar o
trono francês”.
Santa Hildegarda anteviu o enfraquecimento da fé católica, do poder
territorial e do prestígio dos papas e do catolicismo. Fatos que já ocorreram durante
as guerras de reunificação da Itália, ocasião em que a Igreja, proprietária de
grandes feudos e das regiões chamadas estados papais, perdeu-os todos e até a
cidade de Roma foi devolvida ao Estado italiano, ficando as terras sob controle da
Igreja restritas ao território do Vaticano.
Santa Hildegarda fala ainda de uma época futura na qual, após a Grande
Tribulação dos últimos dias, ocorrerá a total purificação da humanidade e a paz
voltará ao mundo sob as leis de Deus (que, com sua mentalidade católica medieval,
Hildegarda chama leis da Igreja), uma vez que todos os grandes profetas
vaticinaram o fim do catolicismo. O fato de Santa Hildegarda ter antevisto o tempo
da total purificação da humanidade e da paz mundial sob as leis de Deus, prova que
a sua profecia efetivamente refere-se a fatos do futuro; fatos dos séculos XX e
XXI, alguns dos quais já ocorreram, e outros ainda estão por ocorrer.
Noutros extratos de suas profecias Santa Hildegarda fala sobre o Reino de
Deus na Terra; o reino do futuro Grande Monarca, da abolição das fronteiras
nacionais e da formação de um mundo unificado sob Deus; em outros termos, fala
de um só rebanho sob um só pastor:
“O reino da justiça na Terra — Os judeus e os heréticos [terroristas
“muçulmanos”?] não colocarão barreiras [comandos militares] em seus
transportes [rodovias]. Nestes dias de bênçãos se espalharão sobre a Terra as
mais doces nuvens; elas a cobrirão de verdor e de frutos, porque os homens se
entregarão então a todas as obras da justiça, enquanto que nos dias
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precedentes, tão desolados pelos costumes afeminados do mundo, os elementos
violentados pelos pecados dos homens, terão sido de impotência de nada produzir
de bom”.
Neste extrato de sua profecia, Hildegarda anteviu o mundo depois do
reaparecimentodo Cristo e de sua vitória sobre o mal; um mundo onde “os homens
se entregarão a todas as obras da justiça”. Ora, tal mundo somente pode aparecer
na Terra depois do retorno do novo Cristo, e depois de sua plena vitória sobre o
mal — os costumes afeminados, o pecado e a impotência de produzir o bem.
Novamente, as profecias de Santa Hildegarda referem-se a personagens e fatos do
futuro: ao Grande Monarca e ao seu reino: o novo Cristo e o futuro Reino de Deus
na Terra.
6. O reaparecimento do Cristo e o fim do catolicismo
nas profecias de São Cesário (470-542)
São Cesário foi arcebispo de Arles (cidade do sul da França), e viveu de 470 a 542.
Sua famosa profecia foi descoberta entre os documentos de monsenhor Du Lau
(último arcebispo de Arles, falecido martirizado em 1789), em março de 1847 pelo
abade Trichaud, que a traduziu do latim para o francês e a publicou em 1852 em
seu livro biográfico sobre São Cesário.
Escrita em latim, a profecia apresenta a particularidade de embutir, casar e
conciliar em um único corpo de texto duas narrativas proféticas distintas no tempo.
Na primeira narrativa, o texto profético vai desde a peste que atingiu Arles, logo
após a morte de São Cesário — e que também matou seu substituto —, até a queda
de Napoleão I e a volta de Luís XVIII. Na segunda narrativa, o texto começa na
Revolução Francesa (que é o elo temporal entre os dois textos), e vai até a chegada
e a ação do Grande Monarca esperado — o novo Cristo-rei —, cobrindo todos os
acontecimentos da III Guerra Mundial. Para isso, embute toda a primeira narrativa
— que oculta, na verdade, todos os acontecimentos relativos à III Guerra Mundial.
O próprio título da profecia indica seu próposito: Magnasancti Caesarii Latensis
Archiepiscopi Praedicto (A grande profecia oculta de São Césário).
A extraordinária precisão da profecia de São Cesário sobre a Revolução
Francesa, feita 1.500 anos atrás, fornece a base inquestionável para a sua
credibilidade no presente:
“A Revolução Francesa e a ascensão de Napoleão — Mas os filhos da
mentira tramam clandestinamente projetos de traição. Enquanto que o solo
bárbaro é dominado pela bandeira branca vitoriosa, os Capetíngios tremem,
ignominiosamente traídos, e a criança predestinada é impelida ao exílio por uma
soldadesca furiosa. A cabeça do mais doce dos príncipes, de seus próximos, de
seus amigos, rola do alto em sangue. Um abismo de sangue inocente é aberto,
imenso. Anjos da França tremam, atulhai-a com as montanhas e colinas! Nosso
Salvador tão puro é destronado por uma carne imunda. Ó impiedosa inveja do
inferno! horror! Execração! Devastação! Do seio do mar Mediterrâneo sai um
capitão ilustre que restabelece a cruz salutar e recolhe nas suas mãos guerreiras
41
os destroços do cetro. Como a águia, ele levanta e voa com muito orgulho. Ele se
lança ao Santo dos Santos com suas cerradas garras. Em vão. Ele mesmo é levado
e rompe audazmente seus ferros uma vez. Mas a sorte adversa o ata no meio das
águas até a morte. Os desafortunados descendentes de nossos reis voltarão; a paz
é restabelecida e uma grande alegria se apodera da França...”.
Essa predição feita por São Cesário 1500 anos atrás sobre um dos grandes
capítulos da história da França é de uma precisão inacreditável. Os filhos da
mentira são os filósofos, os intelectuais seculares que idealizaram e lideraram a
Revolução Francesa, os quais eram cultuados como deuses por Robespierre, o líder
da Revolução que forjou a idéia do terror-virtude, segundo a qual a virtude humana
nasce do medo e do terror. Com base nessa idéia infame, Robespierre implantou o
Reino do Terror na França por volta de 1794, massacrando milhares de nobres e de
cidadãos comuns, que eram amarrados e atirados ao rio Sena, enquanto os
revolucionários atiravam neles numa sombria demonstração do “amor” e da
“cidadania” dos revolucionários materialistas ateus. Com a queda da Bastilha, a
monarquia foi derrubada e a República implantada (setembro de 1792), a França
foi invadida pelos aliados, a Prússia e a Áustria, os quais foram vencidos na batalha
de Valmy. O rei Luis XVI, acusado de traição e lesa-pátria, foi preso com toda a
família real na Torre do Templo. O rei, a rainha Maria Antonieta, a irmã do rei,
madame Elisabeth, foram guilhotinados. O diretório, porém, forjou a morte do
menino e herdeiro Luis XVII, retirando-o ocultamente da Torre do Templo em
1795. Todos os profetas afirmaram que o delfim escapou ileso, embora os
historiadores discordem. Contudo, em abril de 2000, testes realizados no coração
dissecado de um menino (que se supunha ser o delfim) conservado em álcool na
França desde a época da Revolução, confirmou tratar-se mesmo do coração do
herdeiro Luis XVII.
Voltaire vociferava contra a Igreja: “Esmagai a infame!”, enquanto
milhares de cidadãos comuns e nobres eram assassinados em toda a França. Cristo
foi retirado do altar de Notredame e uma prostituta, a deusa Razão, foi posta sobre
o altar. Robespierre, que sentia profundo ódio e inveja da nobreza, fazia tudo o que
podia para exterminá-la. Foi então que apareceu Napoleão Bonaparte. Nascido na
Córsega (“seio do Mediterrâneo”), Napoleão foi um militar (“capitão”) de rápida
carreira que conseguiu se autocoroar imperador da França, como que
reestabelecendo a monarquia imperial. Seu símbolo era a águia imperial. Em sua
sede de glória Napoleão atacou o papado e a Igreja, mas foi derrotado e forçado a
abdicar do trono. Conseguiu retornar ao trono pela segunda vez, mas foi derrotado
na batalha de Waterloo. Seu comandante chegou atrasado na principal batalha, o
exército francês sob o comando de Napoleão foi cercado pelos prussianos e o
exército de Wellington se recompôs. Napoleão teve uma súbita disenteria
(antevista por Nostradamus), não pôde comandar seu exército adequadamente e
seus soldados foram massacrados. Desta vez, Napoleão foi levado cativo para a
ilha de Santa Helena (“A sorte adversa o ata no meio das águas”). Napoleão
reconheceu em seu leito de morte que foi um erro atacar a Igreja (“Em vão”). Os
irmãos de Luís XVI retornam do exílio e reestabelecem a monarquia. A França
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vive um período de paz e progresso com seus vizinhos (construção de ferrovias,
vitória sobre os árabes, a construção do Canal de Suez, entre outros feitos).
Como vemos, a antevisão de São Cesário, datada de 1500 anos antes, sobre
a Revolução Francesa é quase uma narrativa dos fatos históricos. Este é um dos
motivos pelos quais o escritor Hass Gonçalves esreveu: “As profecias são a
história prevista no espaço; e a história são as profecias previstas no tempo”.
7. O reaparecimento do Cristo e o fim do catolicismo
nas profecias de São Malaquias (1110-1148/54?)
São Malaquias (1110-1148/54?), Malachy O’Mongoir (ou Morgain, segundo
outros estudiosos), nasceu na cidade de Armagh, Irlanda do Norte, mas as datas de
seu nascimento e morte são incertas. Nos primeiros relatos de sua vida, Malaquias
é chamado de Mael Maedoc e Maoldhog. Sabe-se com certeza que viveu e morreu
no século XII, entre os anos de 1110 e 1154. Teve importante participação na
construção do monastério de Ibrach, no condado de Kerry, onde passou a ser
chamado de monge santo e anjo vestido de bispo. Foi arcebispo de Armagh e
primaz da Irlanda. Sua famosa Profecia dos Papas foi escrita provavelmente por
ocasião de sua viagem a Roma, hospedando-se na Abadia de Clairvaux, na França,
em 1138, onde conheceu e se tornou amigo de São Bernardo (tradutor da Vulgata,
edição latina da Bíblia), que mais tarde escreveu uma biografia do amigo intitulada
Vita Malachias, onde fez constar o texto profético de sua Profecia dos Papas.
Outros biógrafos de Malaquias concordam que ele recebeu a revelação sobre os
papas e o fim da Igreja Católica durante uma viagem a Roma, onde fora conhecer o
Papa Inocêncio II (Gregório Papareschi) quando este regressava da França para
Roma, por volta do ano 1139. Desencantado com o luxo e a corrupção que vira no
papado em Roma, e profundamente abalado pela reveleção que recebeu do céu,
retornou à Irlanda, renunciou ao cargo e às suas funções como arcebispo e a todas
as honrarias da Igreja, passando a viver de oração e caridade, retirando-se para um
convento onde passou a viver como um asceta até sua morte. O papa Celmente III
(Paolo Scolari) o canonizou em 1190.
As Prophetiae de Summis Pontificibus (Profecias dos Sumos Pontífices)
começaram a circular em Roma durante a primeira metade do ano de l500. Foi o
padre beneditino Arnold Wion quem reuniu pela primeira vez as Prophetiae em
sua obra sobre profecias Lignun Vitae, impressa em Veneza em 1505. Conforme as
Prophetiae de Summis Pontificibus a sucessão papal na Igreja Católica será
encerrada no ano 2013, com o papa Pedro II, que será o último papa. Cabe citar
que outras profecias falam do ano 2012 como o ano final da história do mal.
Uma vez que Malaquias anteviu com impressionante precisão todos os
papas católicos a partir da segunda metade do século XII, identificando-os de
acordo com seus nomes, seus locais de nascimento, as características de seus
brasões, suas obras e seus carácteres, os estudiosos das profecias de São Malaquias
não vêm razões para duvidar de suas profecias sobre o que ocorrerá no futuro
próximo. Assim, segundo São Malaquias — cujas palavras não são suspeitas, uma
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vez que foi um bispo católico e foi canonizado — a história da Igreja Católica
terminará em 2013. Logo, o Papa Bento XVI, Joseph Ratzinger, pode ser o
penúltimo papa da Igreja. E o último papa chamar-se-á Petrus Secundus.
A Profecia dos Papas é um texto escrito em latim onde Malaquias atribuiu
a cada um dos papas eleitos, a partir de 1143, uma divisa, começando com
Celestino II. São 112 divisas: a de João Paulo II é a de número 110. Todas as
divisas são curtas, de no máximo quatro palavras. Nenhum texto ou explicação
complementar é acrescentado a elas, exceto na última, Petrus Romanus (ou Petrus
Secundus), onde o profeta anunciou claramente a destruição de Roma, um
acontecimento que antecederia o final dos tempos.
As divisas designam ora a descrição do brasão pontifício, ora uma
característica do brasão, uma característica pessoal dos papas ou de suas
famílias, ou ainda algum acontecimento importante de seus pontificados.
Comprovou-se que as 74 primeiras divisas transcorridas coincidiam perfeitamente
com os pontífices eleitos, fato que despertou a atenção dos estudiosos para a
importância e a autenticidade das profecias em relação ao futuro do catolicismo.
Muitos estudiosos católicos das Profecias de São Malaquias, na
impossibilidade de negar sua validade, têm feito tentativas de ajuste no sentido de
perpetuar a crença na eternidade do catolicismo. Contudo, a inexistência de um
papa na Igreja Católica implica em descentralização e no fim da própria Igreja,
confirmando as profecias de Nostradamus (1503-1566), Gerolamo Tovazzo (Itália,
1686-1769) e as profecias da III mensagem de Fátima (Irmã Lúcia. Portugal,
1917), que também previram o fim do catolicismo. Assim, muitos líderes e
pensadores católicos supõem que o catolicismo não desaparecerá, mas será
absorvido por um novo movimento religioso global que transcenderá as fronteiras
das religiões tradicionais, unificando-as sob o único e Verdadeiro Deus. Eis como
os estudiosos católicos expressaram essa esperança no livro Os Grandes Profetas:
“A ausência de papas não deverá significar o fim da história da Igreja
Católica, que poderá continuar existindo, mas em bases completamente diferentes.
Alguns estudiosos da obra de Malaquias e de outros profetas falam [no
surgimento] de uma ‘Igreja Universal’ na qual todas as religiões adorarão a um
único e mesmo Deus e na qual todos os profetas serão respeitados”.
(Os Grandes Profetas: Editora Nova Cultural, 1982. Pp. 169/170)
Isto é, admite-se o fim do catolicismo e a sua substituição por um novo
movimento religioso mundial centrado num único Deus, e onde todas as religiões e
profetas serão respeitados. Essa descrição se ajusta perfeitamente ás características
do Movimento da Unificação (mais conhecido como Igreja da Unificação), cujo
pensamento, o Deusismo, se refere ao pensamento de Deus manifestado ao longo
da história através das religiões (não, das magias, caracterizadas pelo politeísmo e
pelo egoísmo), e cujo ideal social, o Familismo, refere-se ao sonho humano de uma
sociedade pacífica, justa e próspera fundamentada na fé em um único Deus, no
respeito aos direitos humanos, na defesa do meio ambiente, no naturalismo e na
ética familiar universal.
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Desse modo, as profecias de São Malaquias também fazem referência ao
fim do catolicismo e ao advento de um grande líder religioso — o novo Cristo —,
que fundará um novo movimento supradenominacional que formará “um só
rebanho sob um só pastor” (Jo 10.10).
As Profecias de São Malaquias e os papas da história — Apenas para
ilustrar a forma como Malaquias identificou os papas do futuro (com 8 séculos de
antecedência), vejamos alguns dos papas citados por Malaquias ao longo dos
séculos (a relação completa das profecias de Malaquias está no Diagrama dos
Papas acrescentado no final deste tópico).
7.1. Alguns papas do passado segundo São Malaquias
1. Ex Castro Tiberis — Identificado com Celestino II (1143-1144), nascido Guido
di Castello. O apelido dado a ele por Malaquias refere-se claramente ao seu local
de origem: Celestino veio de Città di Castello (castrum = castelo) localidade
situada à beira do rio Tibre (Tiberes). Daí seu apelido Ex Castro Tiberes.
2. Abbas Suburranus — Identificado com o Papa Anastácio IV (1153/54), nascido
Conrado Suburra. Malaquias o chamou de Abbas Suburranus devido ao seu próprio
nome e ao fato de ser um abade (abbas).
3. Lux in Ostio — Identificado com o Papa Lúcio III (1181-1185), nascido Ubaldo
Allucingoli. Malaquias o chamou de Lux in Ostia devido ao mesmo ter sido cardeal
de Óstia.
4. Comes Laurentius — Identificado com o Papa Inocêncio IV (1243/54), nascido
Sinibaldo, Conde de Fiesch. Foi cardeal de São Lourenço (Laurentius) em Lucina.
5. Drago Depressus — Identificado com o Papa Clemente IV (1265/68), nascido
Guy Le Gros Foulques. Em seu brasão cardinalício há uma águia imobilizando um
dragão (Drago) com suas garras.
6. Concionator Gallus — Identificado com o Papa Inocêncio V (1276/?), nascido
Pierre de Tarentaise. Malaquias é muito claro: era de origem francesa (gallus) e
fora pregador (concionator).
7. Rosa Composita — Identificado com o Papa Nicolau III (1277/80), nascido
Giovanni Gaetano Orsini. Em seu brasão cardinalício havia uma rosa e recebeu o
apelido de o compositor devido à sua hablidade em “compor”, harmonizar, as
disputas doutrinárias.
8. Corvus Schismati — Identificado com o Papa Nicolau V (1328/34), nascido
Pietro Rainalducci. Foi expulso de Roma e instalou-se em Avignon, na França.
Nasceu em Corvaro (corvus) e participou de um cisma (schismati).
9. Nauta de Ponte Nigro — Identificado com o Papa Gregório XII, nascido
Angelo Correr. Nasceu em Veneza (nauta) e foi cardeal de possessão de
Negroponte (ponte nigro).
10. Bos Albanus in Portu — Identificado com o Papa Alexandre VI (1492-1503),
nascido Rodrigo Borgia. Foi cardeal e bispo de Albano e Porto. Seu brasão
cardinalício mostrava um boi.
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12. De Corona Montana — Identificado com o Papa Júlio III (1550-55), nascido
Giovanni Maria Ciocchi del Monte. Seu brasão continha duas coroas e três
montanhas.
12. Gens Perversa — Identificado com o Papa Paulo V (1621-23), nascido Camillo
Borghese. De comportamento duvidoso, Paulo V puniu com um interdito a cidade
de Veneza e foi muito criticado por aumentar sensivelmente a riqueza particular de
sua família. Malaquias o classificou com base em sua natureza perversa (Gens
Perversa).
13. Bellua Insatiabilis — Identificado com o Papa Inocência XI (1676/89),
nascido Benedetto Odescalchi. A profecia refere-se ao seu brasão, no qual
aparecem um leão (bellua = fera) e uma águia. Malaquias o chamou de fera
insaciável.
14. Aquila Rapax — Identificado com o Papa Pio VII (1800/23), nascido Gregório
Barnaba, Conde de Chiaramonti. Pio VII coroou Napoleão em Paris, em l804. O
império de Napoleão era simbolizado por uma águia (aquila = águia).
15. Crux de Cruce — Identificado com o Papa Pio IX (1846/78), nascido Giovanni
Maria Mastai Ferreti. Durante o pontificado de Pio IX, um plebiscito decidiu pela
anexação da cidade de Roma, até então pertencente ao Vaticano, à Itália. Assim, a
cruz dos reis da Casa de Savóia sobrepujara a cruz papal.
7.2. Os papas do presente segundo São Malaquias
16. Pastor Angelicus — Identificado com o Papa Pio XII (1939/58), nascido
Eugenio Pacelli. Dotado de uma aura de elevada espiritualidade, Pio XII condenou
o materialismo e a violência e, com um decreto do Santo Ofício, excomungou os
comunistas. Tinha “visões celestes”, divulgando que chegou a ver Jesus. Malaquias
viu a sua fé e a sua grandeza de espírito, chamando-o de Pastor Angelical.
17. Pastor et Nauta — Identificado com o Papa João XXIII (1958/63), nascido
Angelo Roncalli. João XXIII era patriarca de Veneza (nauta). Realizou o Concílio
Vatinaco II, reformando a Igreja e abrindo-a para o diálogo com o mundo exterior,
dando novo rumo à Igreja (guiando a nau). Por isso, a profecia também se
relaciona com seus atos. Malaquias viu nas ações de João XXIII o rumo futuro da
Igreja. Por isso, homenageou-o com o título de Pastor da Nau-Igreja. Por sua
origem rural (seus familiares cultivavam o campo em Sotto Il Monte, na província
de Bérgamo, Itália), os estudiosos também vêem no título Pastor et Nauta o
seguinte significado: “O camponês (Pastor) que veio da terra bergamassa
(Bérgamo) e tornou-se patriarca da cidade-mar: Veneza (Nauta)”.
18. Flos Florum — Identificado com o Papa Paulo VI (1963/78), nascido
Giovanni Battista Montini. O brasão cardinalício de Paulo VI tinha em seu interior
flores-de-lis (considerada a flor das flores). Paulo VI continuou a renovação da
Igreja iniciada por João XXIII. Visitou a Palestina, os Estados Unidos (onde falou
de paz na ONU), Fátima (Itália), Turquia, Colômbia e Austrália, rompendo o
isolamento do Vaticano com o resto do mundo. Malaquias viu nas ações de Paulo
46
VI a continuidade do processo de renovação e abertura da Igreja para o mundo,
homenageando-o com o título de flor das flores.
19. De Medietate Lunae — Identificado com o Papa João Paulo I (1978), nascido
Albino Luciani. Foi patriarca de Veneza e foi eleito na terceira votação do conclave
que durou apenas 24 horas. Ficou apenas 33 dias no papado. Por ocasião de sua
eleição um joral francês escreveu que seu pontificado teria a duração de uma lua.
Nas profecias da Monja de Dresden, lê-se que “a lua assinalará o tempo desse
papa”. Ambas as profecias se cumpriram; seu papado durou perto de um ciclo
lunar. Malaquias o chamou de lua mediadora, ou meia lua.
20. De Laboris Solis — Identificado com o Papa Joao Paulo II (1978/2005),
nascido Karol Wojtyta. Nascido na Polônia, fora cardeal de Cracóvia sob as trevas
do comunismo. Alguns estudiosos relacionam seu título De Laboris Solis com a
época de seu pontificado, quando a cultura oriental (terra do sol nascente)
sobrepujaria a cultura cristã ocidental. De outro lado, a expressão De Laboris Solis
pode significar o que trabalha à luz do sol, que foi precisamente o caso do Papa
João Paulo II.
7.3. Os papas do futuro segundo São Malaquias
1. De Gloria Olivae — O penúltimo papa católico deve ser identificado com o
papa Bento XVI (2005), nascido Joseph Ratzinger. Mesmo já tendo sido eleito o
sucessor de João Paulo II, o De Laboris Solis, e mesmo à luz do Completo
Testamento dos cristãos unificacionistas, que abre novos horizontes para o
entendimento da Bíblia e da Providência divina na história, é difícil interpretar o
significado do título De Gloria Olivae em relação ao papa Bento XVI. Se este
título significar A Glória da Oliveira (a Oliveira Santa = o messias = o novo
Cristo) poderíamos admitir que Bento XVI, mesmo sendo um católico
ultraconservador de origem alemã, e tendo um passado nebuloso e mal explicado,
poderia vir a se tornar um novo João Batista Internacional vitorioso, cumprindo a
verdadeira missão dos papas (sucessor de Pedro = testemunha de Cristo). Todavia,
algo muito pior pode ter acontecido dentro do Vaticano, onde a influência da Opus
Dei e de outras poderosas forças políticas podem ter alterado radicalmente o
resultado da eleição, descartando o verdadeiro De Gloria Olivae, que poderia ser
um papa africano ou latinoamericano, continentes sofridos, cuja imagem de
simplicidade e humildade contam com a simpatia do mundo. Um papa africano ou
latinoamericano, livre das tradições e da mentalidade arrogante européia, poderia
provocar um novo concílio — o Vaticano III —, revolucionando verdadeiramente
o catolicismo, pondo-o novamente a serviço de Deus e da Providência divina.
Todavia, a aleição do cardeal Joseph Ratzinger, além de deixar o mundo perplexo e
desapontado (Eleição de Bento XVI espanta analistas. Folha de São Paulo,
21/04/2005. Pp. 3 a 6), pode trazer grandes surpresas, boas ou más. De minha
parte, acho que Ratzinger pode ajudar a salvar o catolicismo ou destruí-lo de vez.
Na verdade, a suposta manobra de Ratzinger e as supostas manobras de
seus aliados da Opus Dei dentro do Vaticano para dar continuidade ao viés
47
conservador de João Paulo II e vencer a eleiçao foram registradas pelo jornal Folha
de São Paulo, no artigo Ratzinger manipula, diz dissidente (Folha de São Paulo,
12/04/2005. Pp. A9 e A10). Se as manobras ocorreram, ninguém jamais saberá
com certeza. Mas para os que conhecem a história das eleições papais da Igreja
Católica, as articulações políticas são uma constante. Aliás, não apenas dentro do
Vaticano elas devem ocorrer, mas ocorrem publicamente nos encontros públicos e
secretos dos papas com políticos. A Gloriae Olivae tem a ver também com o
pombinho de Noé — símbolo do II Adão, Jesus — e o ramo de oliveira no bico —
símbolo da salvação espiritual do homem (homem = árvore).
O Papa Bento XVI — São Bento é o patriarca da vida monástica no
catolicismo. A ordem fundada por ele deu origem à Ordem dos Beneditinos, a qual
também é conhecida como Ordem dos Olivetanos, ou das Oliveiras. Já aqui
podemos perceber a procedência da profecia de Malaquias quanto ao penúltimo
papa: De Gloriae Olivae (a glória das oliveiras = a glória da Ordem dos Oliveiras,
ou dos Olivetanos). As primeiras medidas de impacto mundial de Bento XVI — a
exclusão dos homossexuais da Igreja, sua posição contra a camisinha e o aborto e
suas declarações contra o terrorismo, a guerra e as armas — parecem prenunciar
que Bento XVI poderá ser mesmo a glória dos Beneditinos olivetanos (oliveiras).
Todavia, é bom Bento XVI ficar atento, pois as profecias prevêem seu assassinato.
No Tarot, o número 16 é a Torre Fulminada, a mesma carta que saiu no
julgamento da humanidade em 1950, prenunciando grandes tribulações. Assim, o
número 16 de Bento XVI prenuncia que seu papado poderá terminar com um racha
na Igreja (devido às suas posições conservadoras). De outro lado, Bento XVI era o
responsável pelo antigo Santo Ofício, a Inquisição, que, no passado, matou
milhares de pessoas na Europa, atraindo pesada dívida, ou indenização (carma,
para os hinduístas) sobre os herdeiros do Santo Ofício, do qual Bento XVI era o
principal. O nome Bento XVI é uma mensagem cifrada, uma vez que o papa Bento
XV esteve à frente da Igreja durante a I Guerra Mundial. O Bento XVI pode estar
diante de mais uma Guerra Mundial. Isso também pode estar relacionado com o
fato de Bento XVI ser alemão, povo que provocou duas guerras mundiais.
Portanto, a escolha de um alemão possui algum significado místico relacionado
com as guerras.
Seja como for, para fazer jus ao título de Gloriae Olivae, Bento XVI deve
ser um conservador e defensor intransigente dos valores morais e monásticos da
Ordem de São Bento, o fundador da Ordem dos Olivetanos. O cardela Joseph
Ratzinger, apelidado de o panzer kardinal, parece ter sido predestinado a elevar à
glória as regras criadas por São Bento.
2. Petrus Secundus — Segundo a nomenclatura do livro Os Grandes
Profetas, o último papa católico se chamará Petrus Secundus. Outros estudiosos o
chamam de Petrus Romanus. Não verdade, são dois nomes de significados
completamente diferentes. Vejamos como os editores do livro Os Grandes Profetas
se referiram a Petrus Secundus: “Esse papa (que, provavelmente, não será italiano
[portanto, o nome Petrus Romanus não se encaixa nele]) concluirá um ciclo da
Igreja Católica. Seu pontificado estará cheio de amarguras e sangue; os homens
48
parecerão enlouquecidos e nem mesmo a fé conseguirá aliviar as feridas de suas
almas. O papado de Pedro II terminará no ano 2012 (as profecias maia, as
profecias de Ana Catalina, de São Malaquias e de Nostradamus também previram o
fim da história do mal por volta do ano 2012) e acabará em destruição. É provável
que esse papado coincida com o período mais dramático da historia da Igreja e da
própria humanidade... Isso não significa necessariamente o fim do catolicismo. O
que se espera é uma transformação radical, seguida do surgimento, talvez, de uma
igreja mundial única que adorará um mesmo e único Deus e que colocará todos
os profetas em um mesmo nível de valor”. (Os Grandes Profetas. p.196).
Por que Malaquias chamou ao último papa da Igreja Católica de Petrus
Secundus? Penso que nenhum dos estudiosos das profecias de Malaquias chegou a
resposta alguma sobre isso. Segundo os cristãos unificacionistas, porém, essa
pergunta somente pode ser respondida à luz do Completo Testamento da Igreja da
Unificação, que acredita no Rev. Sun Myung Moon como o novo Cristo prometido
aos cristãos. Nesse caso, Petrus Secundus seria um novo “João Batista”
internacional. A Bíblia registra que o primeiro João Batista não se tornou discípulo
de Jesus e fracassou em preparar o caminho para ele, sendo sucedido por Pedro —
o Pedro Primeiro —, que acreditou, se uniu e entregou inteiramente a própria vida
a serviço do primeiro Cristo, Jesus. Nesse contexto, o título Petrus Secundus evoca
a idéia de um segundo Pedro e de um segundo Cristo, e de um novo começo para
um novo cristianismo (o Unificacionismo?), uma vez que o trabalho espiritual de
Jesus começou com o primeiro Pedro (“Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a
minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela”. Mt 16.18), o
reconhecimento internacional do Rev. Sun Myung Moon como o Senhor do
Segundo Advento começaria com um homem semelhante a Pedro, na mesma
posição e com a mesma missão de Pedro, o apóstolo que herdou a missão de João
Batista (testemunhar perante os povos e preparar o caminho do Cristo). Como
veremos mais adiante, a posição e a missão dos papas são as mesmas de João
Batista: testemunhar o Cristo, preparar o caminho para que a humanidade o
reconheça e o aceite.
Por fim, Malaquias expressa claramente o fim do catolicismo e o
reaparecimento do novo Cristo nos seguintes termos:
“Quando surgir a última perseguição da Santa Igreja Romana, Pedro, o
romano, ocupará o trono pontificial e apascentará suas ovelhas no meio de
numerosas tribulações. Finalizadas estas, a cidade das sete colinas será destruída
e o juiz temível julgará o povo”.
Malaquias termina a descrição dos acontecimentos que se avizinham,
afirmando o reaparecimento do novo Cristo, o qual emergirá como o juiz
triunfante:
“Roma nefans destruitor et judex tremendus judicabit triumphans omnes
populos”. (Tradução: Roma criminosa será destruída e o Juiz Tremendo e
triunfante julgará todas as nações).
49
Este breve estudo das profecias de São Malaquias sobre os papas do
passado, do presente e do futuro teve como finalidade demonstrar a validade e a
credibilidade daquelas profecias, uma vez que Malaquias viveu no século XII e
anteviu, com 8 séculos de antecedêcia, os 112 papas do futuro, identificando-os de
acordo com seus nomes, seus locais de nascimento, as características de seus
brasões, suas obras e seus carácteres com assombrosa precisão.
Isto posto, fica claro que, assim como as profecias de Nostradamus e as
profecias da Bíblia, as profecias dos profetas cristãos como Malaquias também
merecem toda a nossa credibilidade. Logo, cabe perguntar: se Malaquias acertou
tudo quanto ao passado e ao presente, porque erraria quanto ao futuro? Assim, se
dermos o devido crédito às profecias de São Malaquias a história da Igreja Católica
terminará por volta do ano 2012, quando o último papa cair ou abandonar o
Vaticano. Portanto, o Papa Bento XVI, Joseph Ratzinger, é o penúltimo papa. O
último papa ainda está para chegar e, segundo Malaquias, chamar-se-á Petrus
Romanus, ou Petrus Secundus — Pedro II, ou o Segundo Pedro.
Quanto ao ano 2012 como a data do fim do mundo (da maldade na Terra),
este também foi profetizado por Nostradamus, Ana Catalina, São Malaquias, pela I
e VII profecia dos maia e pelos monges tibetanos. Por sua vez, os cristãos
unificacionistas me informaram que o Rev. Moon também estabeleceu o ano de
2012 como o ano estabelecido por Deus para a finalização da Providência da
Restauração da humanidade, podendo esse prazo estender-se para, no máximo, até
o ano 2014 (2012, 2013 e 2014, um acréscimo relacionado com o número 3,
número da perfeição celeste na numerologia bíblico-unificacionista, como prova do
amor e da tolerância divina). Como a maioria dos profetas previram fatos do futuro
que já aconteceram, deveríamos ficar alertas para o ano 2012.
7.4. Diagrama dos 112 papas das Profecias de São Malaquias
1 — Ex Castro Tiberis
2 — Inimicus Expulsus
3 — De Magnitudine Montis
4 — Abbas Suburranus
5 — De Ruro Albo
6 — Ex Tetro Carcere
7 — Via Transtiberina
8 — De Pannonia Tusciae
9 — Ex Ansere Custode
10 — Lux in Ostio
11 — Sus in Cribro
12 — Ensis Laurentii
13 — De Scholia Exiet
14 — De Rure Bovensi
Do Castelo do Tibre
Inimigos Expulsos
Procedente de Montemagno
O Abade de Suburra
De um Campo Branco
De um Horrível Cárcere
Via Mais Além do Tibre
Da Hungria a Toscana
Da Guarda do Ganso
A Luz em Óstia
O Porco na Peneira
A Espada de Lourenço
Saído de Scola(ri)
Do Campo dos Bois
50
15 — Comes Signatus
16 — Canonicus Ex Latere
17 — Avis Ostiensis
18 — Leo Sabinus
19 — Comes Laurentius
20 — Signum Ostiense
21 — Jerusalem Campaniae
22 — Draco Depressus
23 — Anguineus Vir
24 — Concionator Gallus
25 — Bonus Comes
26 — Piscator Tuscus
27 — Rosa Composita
28 — Ex Telonio Liliacei Martini
29 — Ex Rosa Leonina
30 — Picus Inter Escas
31 — Eremo Celsus
32 — Ex Undarum Benedictione
33 — Concionator Patareus
34 —De Faciis Aquitanicis
35 — De Sutore Osseo
36 — Corvus Schismaticus
37 — Abbas Frigidus
38 — Ex Rosa Atrebatensi
39 — De Montibus Pammachii
40 — Gallus Vicecomes
41 — Novus de Virgine Forti
42 — De Cruce Apostolica
43 — Luna Cosmedina
44 — Schisma Barcinonum
45 — De Inferno Praegnani
46 — Cubus Mixtione
47 — De Miliore Sidere
48 — Nauta de Pontenigro
49 — Flagellum Solis
50 — Cervus Sirenae
51 — Corona Veli Aurei
52 — Lupa Caelestina
53 — Amator Crucis
O Conde de Segni
Canônico do Ladrilho
A Ave de Óstia
O Leão Sabino
O Conde de (São) Lourenço
O Signo (Sinal) de Óstia
Jerusalém Campânia
O Dragão Arruinado
O Homem da Serpente
O Pregador Francês
O Bom Conde
O Pescador Toscano
A Rosa Dissimulada
Do Tesoureiro de Martinho dos Lírios
Da Rosa Leonina
O Pica-pau Entre os Alimentos
Elevado da Solidão
Das Ondas do Benedito
O Pregador de Patara
Das Faixas da Aquitânia
Do Sapateiro de Ossa
O Corvo Cismático
A Abade Frio
Da Rosa de Arras
O Lutador dos Montes
O Visconde Francês
Forte da Virgem Nova
Da Cruz dos Apóstolos
A Lua Cosmedina
O Cisma de Barcelona
Do Inferno de Pregnani
Cubo Sujeito à Mesclagem
De uma Estrela Melhor
Marinheiro do Mar Negro
O Flagelo do Sol
O Cervo de Nápoles
A Coroa do Véu de Ouro
A Loba Celestina
O Amante da Cruz
51
54 —De Modicitate Lunae
55 — Bos Pascens
56 — De Capra et Albergo
57 — De Cervo et Leone
58 — Piscator Minorita
59 — Praecursor Siciliae
60— Bos Albanus in Portu
61 — De Parvo Homine
62 — Fructus Jovis Juvabit
63 — De Craticula Politiana
64 — Leo Florentius
65 — Flos Pilae Aegrae
66 — Hyacinthus Medicorum
67 — De Corona Montana
68 — Frumentum Floccidum
69 — De Fide Petri
70 — Aesculapii Pharmacum
71 — Angelus Nemorosus
72 — Medium Corpus Pilarum
73 — Axis in Meditate Signi
74 — De Rore Coeli
75 — Ex Antiquitate Urbis
76 — Pia Civitas in Bello
77 — Crux Romulea
78 — Undosus Vir
79 — Gens Perversa
80 — In Tribulatione Pacis
81 — Lilium et Rosa
82 — Jucunditas Crucis
83 — Montium Custus
84 — Sidus Olorum
85 — De Flumine Magno
86 — Bellua Insatiabilis
87 — Poenitentia Gloriosa
88 — Rastrum in Porta
89 — Flores Circumdati
90 — De Bona Religione
91 — Miles in Bello
92 — Columna Excelsa
Da Pequenez da Lua
O Boi que Pasta
De Cabra e Albergue
Do Cervo e do Leão
O Pescador Menor
O Precursor da Sicília
Boi de Álbano no Porto
Do Homem Pequeno
O Fruto de Júpiter Comprazerá
A Grelha de Politiano
O Leão de Florenz (ça)
A Flor das colunas Vacilantes
O Jacinto dos Médicos
Da Coroa do Monte
O Trigo Insignificante
Da Fé de Pedro
O Remédio de Esculápio
O Anjo de Bosco
O Corpo no Meio das Esferas
O Eixo no Meio do Emblema
Do Orvalho do Céu
Da Cidade Antiga
Cidade Piedosa na Guerra
A Cruz dos de Roma
O Homem Agitado
A Nação Inimiga
Na Tribulação da Paz
O Lírio e a Rosa
A Exaltação da Cruz
O Guardião dos Montes
A Estrela dos Cisnes
Do Grande Rio
A Besta Insaciável
A Penitência Gloriosa
O Rastelo na Porta
Flores em Círculo
De Boa Religião
O Soldado no Combate
A Coluna Elevada
52
93 — Animal Rurale
94 — Rosa Umbriae
95 — Ursus Velox
96 — Peregrinus Apostolicus
97 — Aquila Rapax
98 — Canis et Coluber
99 — Vir Religiosus
100 — De Balneis Etruriae
101— Crux de Cruce
102 — Lumen in Caelo
103 — Ignis Ardens
104 — Religio Depopulata
105 — Fides Intrepida
106 — Pastor Angelicus
107 — Pastor et Nauta
108 — Flos Florum
109 — De Medietate Lunae
110 — De Labore Solis
111 — De Gloria Olivae
112 — Petrus Romanus
O Animal dos Campos
A Rosa das Sombras
O Urso Veloz
O Peregrino Apostólico
A Águia Rapace
O Cão e a Serpente
O Varão Religioso
De Balnes, Etrúria
A Cruz da Cruz
A Luz no Céu
O Fogo Ardente
A Religião Despovoada
A Fé Intrépida
O Pastor Angélico
Pastor e Navegante
A Flor das Flores
Da Meia Lua
Do Trabalho do Sol
Da Glória da Oliveira
Pedro Romano
8. O reaparecimento do Cristo nas profecias
de Chung Gam Nok (profeta coreano do século XV)
Assim como os judeus sob o cativeiro no Egito evocaram a esperança da vinda do
Cristo libertador como forma de suportar seus sofrimentos, ocasionando a matança
dos inocentes no Egito; assim como os judeus sob o cativeiro em Roma,
igualmente evocaram a esperança da vinda do Cristo libertador, ocasionando a
matança dos inocentes por Herodes, os coreanos (cujo país já foi invadidos 82
vezes, mas jamais invadiu país algum) igualmente evocaram a esperança da vinda
do Cristo libertador, na Coréia como forma de suportar seus sofrimentos sob os
invasores mongóis, chineses e japoneses, ocasionando repressões e cruéis matanças
por parte dos invasores.
Assim como entre os judeus e os cristãos, o messianismo é também um
traço da cultura coreana nativa desde a dinastia Yi, do século XV. Portanto, 4
séculos antes da chegada do cristianismo à Coréia. Essa profecia messiânica nativa
da Coréia, e contida no livro de profecias de Chung Gam Nok (do século XV),
trouxe conforto espiritual e esperança de libertação para o povo nos momentos
mais difíceis de sua história, provocando violentas repressões por parte dos
invasores japoneses, os quais proibiram a circulação do livro e queimaram os
exemplares que encontraram. A profecia de Chung Gam Nok diz que “Chung Do
53
Ryang, o homem das palavras verdadeiras, nascerá na Coréia, será o Rei da
Justiça, estabelecerá o Milênio e receberá tributos de todo o mundo”.
A Igreja de Dentro do Ventre — Conforme o livro A Vida do Pai —
Depoimentos Biográficos (Editora IL Rung, l986.161p), contendo uma série de
depoimentos biográficos sobre a vida do Rev. Moon, nas palavras de seus
primeiros seguidores, meio século atrás uma religiosa coreana chamada Ho Ho Bin
fundou um grupo religioso que começou a receber revelações de que o Cristo
nasceria na Coréia e que eles deveriam preparar tudo para recebê-lo. O grupo
preparou o quarto e as roupas para o menino-messias a cada ano, e deu origem à
Igreja de Dentro do Ventre, uma igreja nativa da Coréia que acreditava e divulgava
que o Cristo nasceria na Coréia do ventre de uma mulher. O grupo da Igreja de
Dentro do Ventre tinha mais de 1000 membros e todos trabalharam durante 7 anos
preprando 3 refeições diárias para o Cristo que iria nascer e as roupas que iria
vestir a cada 3 dias, da infância até os 33 anos de idade (com medidas sempre
crescentes). Fizeram isso para Jesus e também para o novo Cristo que iria nascer na
Coréia. Quando ofereciam as refeições no altar do messias que iria chegar
inclinavam-se 3.000 vezes, tarefa que demorava quase 10 horas seguidas. Por volta
de 1947 a Coréia já estava dividida em Norte e Sul, com os comunistas ocupando o
Norte. As autoridades comunistas ouviram relatos de que o grupo religioso da Srª
Ho Ho Bin recolhia muitos donativos, confeccionavam muitas roupas ricas e
haviam comprado uma bela casa. Assim, os comunistas acusaram os membros do
grupo de serem impostores, prenderam e torturaram todos eles. Todos estes fatos
são partes integrantes da história da Coréia e da história das religiões nativas da
Coréia, disponíveis aos pesquisadores.
Segundo o livro Princípio Divino (sistematizado em l945 pelos primeiros
seguidores do Rev. Moon a partir de seus sermões, e reescrito por ele próprio em
l954) muitos estudiosos da Bíblia e da cultura coreana têm constatado que a
maioria das profecias do livro de Chung Gam Nok coincidem com as profecias
bíblicas, e muitos contos e histórias nativas da Coréia coincidem
surpreendentemente com as histórias da Bíblia, em termos de ensinamentos
espiritualistas, éticos e morais. Coisa semelhante se pode dizer em relação ao
pensamento chinês nativo.
Segundo Young Oon Kim, ex-professora de Novo Testamento e história
das religiões da SunMoon University (uma das maiores universidades da Coréia do
Sul):
“Os coreanos primitivos acreditavam em uma variedade de espíritos
sobrenaturais, bons e maus. Entretanto, o mais importante era o Espírito Supremo,
Hananim, o criador e o regente benéfico da natureza. Esse Deus supremo era
venerado em altares construídos nas montanhas; e para conquistar suas graças,
sacrificavam-se animais como ofertas [assim como os judeus primitivos]. É
absolutamete necessário enfatizar que desde os tempos imemoriais os coreanos
acreditavam na existência de um único Deus do Céu e da Terra”.
(A Teologia da Unificação. Editora Il Rung, l986. p.3)
54
As semelhanças entre as crenças, tradições e costumes coreanos com o
cristianismo são muitas. Dentre elas, a mais notável é sem dúvida a expectativa do
nascimento do novo Cristo na Coréia. Além disso, a história recente do
cristianismo coreano registrou que muitos cristãos receberam revelações de que o
messias voltaria na Coréia. Quando Billy Grahan visitou a Coréia se surpreendeu
com o vigor do cristianismo coreano, declarando publicamente que a Coréia iria
contribuir para recristianizar o mundo.
9. O reaparecimento do Cristo e o fim do catolicismo
nas profecias do Monge Pierre Robert Olivétan (1506-1538)
Em nossas pesquisas não encontramos muitas informações sobre este vidente. As
poucas referências que obtivemos sobre ele foram encontradas no livro Os Grandes
Profetas, publicado pela Editora Nova Cultural em 1985, às páginas 104 (profecias
de Dom Bosco) e 266, donde extraímos os dois trechos de suas profecias
pertinentes ao tema abordado aqui. No site www.proel.org/traductores
encontramos referências a um certo monge chamado Pierre Robert Olivétan, um
primo de João Calvino que viveu no século XVI e traduziu a Bíblia para o francês
(tradução conhecida como Bíblia de Genebra) em apenas um ano, e que foi
publicada em Serrières por Pierre de Wingle, de Neuchatel, Suiça, em l535.
Olivétan nasceu em Noyon, Picardia em 1506, e morreu em l538, na Itália. O
apelido Olivétan decorreru das longas horas em que trabalhava sob a luz de
lamparinas de azeite de oliva. Converteu-se ao protestantismo em 1528, quando
deixou seus estudos em Orleáns e foi para Estrasburgo. De 1533 a 1535 ensinou
em Genebra. Foi um ativo promotor da Reforma e exerceu forte influência sobre
Calvino em sua juventude. Olivétan profetizou o declínio da Europa que, de farol
da civilização voltará a ser uma terra pobre e sem recursos.
Decidimos incluir o monge Robert Olivétan neste capítulo devido a dois
trechos de suas profecias que fazem referência à queda do catolicismo e a um novo
início da civilização a partir da Ásia, onde, segundo a Bíblia e outros profetas da
humanidade, nascerá o novo Cristo. Eis os trechos:
“(...) a civilização fará a viagem de volta: de Roma e da Grécia voltará
para as margens africanas; e quando a limpeza dos homens e da Terra for
completada, tudo recomecará mais uma vez da África e da Ásia”.
“Uma mão agitará pavorosamente as terras do mar sob Roma (...). E isso
acontecerá quando a Igreja não falar mais a linguagem das catacumbas”.
A primeira profecia afirma o declínio da Europa, inclusive, de Roma, onde
está a base do catolicismo, sugerindo que uma nova civilização comecará outra vez
a partir da África (onde o cristianismo floresceu nos primeiros tempos) e da Ásia,
onde nascerá o novo Cristo, segundo outros profetas.
A segunda profecia se refere aos tempos atuais, quando a Igreja Católica já
não fala a linguagem das catacumbas, isto é, já não prega nem vive segundo os
costumes originais e puros do cristianismo primitivo, cujos cultos eram realizados
55
nas catacumbas de Roma devido à forte perseguição que sofriam. Mais uma vez
vemos o fim do catolicismo e o retorno do Cristo profetizados de forma muito
clara.
10. O reaparecimento do Cristo e o fim do catolicismo
nas profecias da Monja de Dresden (1680-1706)
Segundo um manuscrito encontrado em l808 pelo abade bávaro Nicolas Holb, a
Monja de Dresdem foi uma freira nascida em 1680, na cidade de Dresdem, antiga
capital da Saxônia, atual cidade da ex-Alemanha oriental, situada às margens do rio
Elba, e que teria vivido em um convento próximo do palácio real. Em meados do
século XX, o pesquisador alemão Franz Kohler atribuiu as mensagens a uma monja
chamada Eldha, que teria vivido em um convento em Dresden entre 1700 e 1706,
mas não foi encontrado nenhum registro disso em nenhum convento da cidade.
Todavia, há consenso em registrar que, no início de 1700, em um convento de
Dresden, havia “uma jovem de origem humilde, escolhida por uma voz celestial
para enviar uma mensagem aos poderosos da Terra. Muitas pessoas aflitas iam
visitar a monja e para todas havia uma palavra de conforto e um conselho, uma
vez que essa criatura piedosa sabia ver o futuro (...). O Espírito Santo havia-lhe
concedido o dom da profecia. Ela vivia no presente, mas conseguia ver o futuro e
essa sua capacidade de vidente levou para o convento numerosas pessoas, ricas e
pobres, poderosas e desconhecidas, mas todas necessitadas de conselhos”,
escreveu Franz Kohler.
A Monja de Dresden morreu jovem, aos 26 anos, em 1706, depois de ter
anunciado a sua morte para suas irmãs de retiro duas semanas antes: “Passarei
convosco ainda dois dias do Senhor [domingos] e depois terei que voltar para
casa, pois lá sou esperada”. De suas profecias restaram cerca de 50 mensagens
proféticas, embora Kohler se refira a pelo menos 100 mensagens.
A Monja de Dresden profetizou sobre os últimos onze papas do
catolicismo e sobre o fim da Igreja Católica nos seguintes trechos de suas
profecias:
“(...) Mas o último carro [século] será o mais pesado. Será puxado pelos
cavalos do Apocalipse aos pares e atingirá a montanha, onde estarão a esperá-los
os três anjos da guarda do vale de Josafá. A esses anjos serão entregues as chaves
de Pedro. Assim será fechada para sempre a casa milenar, sobre a qual triunfará
o justo [o novo Cristo] que sobre o calvário [símbolo do sofrimento] derramou
seu sangue precioso.
Vejo os cavalos do último carro e o cocheiro já enlouqueceu. Vejo os
cavalos, um por um, e o lugar deles é o seguinte: 1. Cavalo Branco, com o sinal do
Leão; 2. Cavalo Preto, com o sinal da Piedade; 3. Cavalo Amarelo, com o sinal da
Bênção; 4. Cavalo Vermelho, com o sinal da Piedade; 5. Cavalo Amarelo, com o
sinal da Piedade; 6. Cavalo Vermelho, com o sinal do Precursor; 7. Cavalo Preto,
com o sinal de Benjamim; 8. Cavalo Branco, com o sinal da Piedade; 9. Anjo
56
Mestre de Josafá, com o sinal dos doze; 10. Anjo Guia de Josafá, com o sinal da
Glória; 11. Anjo da Piedade, com o sinal do martírio.
É o que os meus olhos viram. E a voz do vale de Cedron revelou-me coisas
terríveis. A idade [a era cristã] do nosso Salvador [Jesus] se fechará sobre a Terra
no fim do nosso milênio. Depois haverá o milênio do êxtase do Espírito Santo.
Três são os últimos anos do pântano: 1914, 1942 e 1981. Três são as chagas que
ensanguentarão a Terra [as 3 Guerras Mundiais]. E a última ensanguentará as
vestes do Sumo Pontífice.
O primeiro anjo de Josafá aparecerá em Roma após um terremoto
pavoroso e será aprisionado. O segundo anjo de Josafá chegará a Roma para ser
trucidado. E o ouro, os poderes e as vestes de César [as riquezas do César-rei do
Vaticano,o papa] serão dispersados. Haverá carnificina na corte [no Vaticano, o
reino do papa]. E a carnificina dos cortesãos, porque irmãos falsos entrarão na
terra com as foices e ceifarão a verdade. Judas estará entre eles e portará as
insígnias de Pedro (um antipapa estará no trono de Pedro). Assim me disse a voz”.
A parte mais importante da mensagem, segundo minha interpretação,
refere-se ao “último carro”, isto é, ao último século do milênio, e aos papas do
século XX e XXI.
Na interpretação fornecida pelo livro Os Grandes Profetas, o primeiro
papa do século XX, simbolizado pelo Cavalo Branco, com o sinal do Leão é o
papa Leão XIII, cujo papado durou de 1878 a 1903. Seu brasão cardinalício possui
uma estrela no céu. Por isso, Malaquias o chamou de Lumen de Coelo (luz do céu).
O secundo papa, chamado Cavalo Preto, com o sinal da Piedade foi Pio X,
que veio a ser chamado de o papa santo. Pio X reinou de 1903 a 1914, quando
começou a I Guerra Mundial. Por sua justiça, Pio X foi proclamado santo.
Malaquias o chamou de Ignes Ardens (fogo ardente).
O terceiro papa, o Cavalo Amarelo, com o sinal da Bênção, é o papa Bento
(ou Benedito) XV, daí o sinal da Bênção (Bento). O cavalo amarelo é o símbolo da
morte. A I Guerra Mundial eclodiu em l914 e estendeu-se até 1922, ao longo do
papado de Bento XV. Foi também durante seu papado que o comunismo ateu
invadiu a Rússia e começou a se espalhar pelo mundo e a esvaziar a Igreja
Católica. Por isso, Malaquias o chamou de Religio Depopulata (religião
despovoada).
O quarto papa, o Cavalo Vermelho, com o sinal da Piedade, é o papa Pio
XI, pois foi durante seu papado, 1922/39, que proliferaram as ditaduras vermelhas
dos comunistas. Atuou fortemente contra o nazismo e excomungou os comunistas.
Malaquias o chamou de Fides Intrepida (fé intrépida).
O quinto papa é Pio XII (1939/58), o Cavalo Amarelo, com o sinal da
Piedade, que traz novamente a cor amarela, símbolo da morte. O papado de Pio
XII inicia junto com a II Guerra Mundial, em l939. Pio XII tinha “visões celestes”
e fez profecias sobre o futuro da Igreja Católica e da humanidade. Malaquias o
chamou de Pastor Angelicus.
O sexto papa é João XXIII, o Cavalo Vermelho, com o sinal do Precursor.
João XXIII deu início às grandes transformações internas no catolicismo. Foi
57
durante o seu papado que foram “lançadas as sementes da III Guerra Mundial”.
Segundo os cristãos unificacionistas a III Guerra Mundial foi a Guerra Fria, que
terminou em l987 com a queda da União Soviética, a qual marcou a vitória do
bloco Deusista. Malaquias o chamou de Pastor et Nauta (pastor da barca).
O sétimo papa é Paulo VI, o Cavalo Preto, com o sinal de Benjamim. Na
Bíblia, Benjamim é o segundo filho predileto de Jacó, irmão de José, filhos de
Raquel. Paulo VI continuou as reformas da Igreja, promovendo a paz com suas
viagens à Palestina e seu discurso na ONU, além de promover o contato entre todas
as comunidades católicas e cristãs. Visitou diversos países, rompendo o isolamento
do Vaticano. Paulo VI foi chamado de “a flor da cristandade”. Eis o significado de
seu título dado por Malaquias: Flos Florum.
O oitavo papa é João Paulo I (1978), o Cavalo Branco, com o sinal da
Piedade. Com ele encerra-se a sucessão dos papas com “sinais” dos que precedem
o fim dos tempos. Eleito em terceira votação em apenas 24 horas, João Paulo I
governou durante 33 dias. Embora gozasse de boa saúde, apareceu morto
misteriosamente. Com sua simplicidade e seu eterno sorriso amigo, conquistou o
mundo inteiro rapidamente. Malaquias o chamou de De Medietate Lunae e a
Monja de Dresden profetizou que “a lua assinalará o tempo desse papa”. Seu
papado durou um ciclo lunar.
O I Anjo de Josafá — O nono papa é João Paulo II, chamado de o Anjo
Mestre de Josafá, com o sinal dos doze, o primeiro papa do fim dos tempos. Vejo o
significado do sinal dos doze na característica principal de seu papado: as muitas
viagens missionárias evangelizadoras e a pregação da paz entre os religiosos e os
povos em geral (ações que caracterizaram a missão dos doze apóstolos de Jesus).
Desde 1523, a Igreja não elegia um papa não-italiano. João Paulo II quebrou essa
tradição, e sua eleição foi um forte sinal de mudança. Malaquias o chamou de De
Labore Solis. Para alguns intérpretes, isto indica a chegada do tempo em que “a
civilização oriental, simbolizada pelo sol nascente, predominará sobre a civilização
ocidental”. De minha parte, com base no Completo Testamento dos cristãos
unificacionistas, penso que o título De Labore Solis concedido por Malaquias a
João Paulo II indica, segundo a Bíblia (Ml 4.3) que “o sol da justiça”, o novo
messias, brilhará durante o seu papado. Com efeito, foi durante o papado de João
Paulo II que o Rev. Sun Myung Moon foi reconhecido por milhões de cristãos
norte-americanos como o Cristo prometido aos cristãos, foi coroado Rei da Paz no
capitólio, o edifício sede do Congresso dos Estados Unidos, no Congresso
Nacional da Coréia e em dezenas de outros países, além de ter sido reconhecido
pelo presidente dos Estados Unidos, George W. Bush (o imperador da III Roma),
que o recebeu em sua posse como convidado VIP.
O II Anjo de Josafá — O décimo papa é Bento XVI, chamado de o Anjo
Guia de Josafá, com o sinal da Glória. Malaquias o chamou de De Gloria Olivae.
Na Bíblia, a palavra árvore simboliza homem (Is 5.7; Prov 11; Rom 11.17 e Mt
21.33-43), e Jesus chamou a si próprio de Oliveira Santa na qual as oliveiras
selvagens deveriam se enxertar para participar da seiva da vida. Logo, a palavra
Oliveira simboliza o messias. Com base no Completo Testamento entendo que esse
58
título concedido a Bento XVI pode não ter nada a ver com o próprio papa, mas
com o tempo da Oliveira Gloriosa, ou a Glória da Oliveira, o tempo em que a
humanidade assistirá ao reconhecimento, à coroação e à glorificação do novo
Cristo do Oriente, o Cristo Rei profetizado no livro do Apocalipse.
Quanto a Bento XVI, considerando as circunstâncias sociais caóticas e o
profundo desrespeito pelos valores espirituais, éticos e morais, e pelas instituições,
que caracteriza o nosso tempo, é recomendável que o papa Bento XVI se proteja
mais, pois João Paulo II sofreu dois atentados (a faca, na Colômbia, e a bala, na
Itália) e muitas profecias falam de um papa que será assassinado nos últimos
tempos.
O III Anjo de Josafá — O décimo primeiro e último papa da relação da
Monja de Dresden ainda é desconhecido. Malaquias o chamou de Petrus Secundus,
e a Monja de Dresden o chamou de o Anjo da Piedade, com o sinal do martírio.
Pedro foi martirizado, pedindo para ser crucificado de cabeça para baixo a fim de
não ser assemelhado a Jesus. Por outro lado, o papa representa Pedro que
representa o messias. Assim, Petrus Secundus pode vir a ser o próprio novo Cristo
que será reconhecido e entronizado no Vaticano, quando implantará a “religião
universal que respeitará todos os profetas”, segundo as profecias bíblicas (um só
rebanho e um só pastor), as profecias de Nostradamus e as profecias da Monja de
Dresden, entre outras.
Por fim, a Monja de Dresden profetizou claramente o reaparecimento do
novo Cristo e a Grande Reforma que ele efetuará no coração e na mente da
humanidade, construindo um novo céu e uma nova Terra; o Reino de Deus na
Terra e no mundo espiritual. Alguns intérpretes escreveram que “a Igreja
conhecerá sua idade de ouro, em presença do Esperado”, o qual será, conforme
deixou escrito a Monja de Dresden:
“O mui Clemente Vigário na Terra do Senhor, que quis um novo Francisco
à sua mesa, porque toda a Igreja necessitava ser lavada e purificada; tua tiara
será a pobreza e teu manto, a humildade... E depois de ti descerá do céu aquele
Bendito que selará os tempos e continuará a semeadura no milênio do êxtase do
Espírito Santo...”.
Obviamente, o bendito que descerá do céu e selará os tempos é uma
referência direta ao novo Cristo que reaparecerá no final da história e que
construirá o Reino de Deus na Terra.
11. O reaparecimento do Cristo e o fim do catolicismo
nas profecias de Reine-Vetterine (?)
Em minhas pesquisas não consegui nenhuma informação segura acerca das datas
do nascimento e morte da jovem profetisa Reine. Por volta do ano 1912, Pierre
Corneille, um artista plástico francês, começou a pesquisar a respeito da
continuidade da vida após a morte. Em sua busca, encontrou-se com Reine, uma
jovem médium semi-alfabetizada que, em transe, transmitia mensagens e
informações sobre o mundo espiritual, sempre guiada por um “espírito de luz”
59
identificado como Vetterini. Devido a essa parceria, decidi atribuir a autoria das
profecias à dupla Reine-Vetterine.
As profecias ditadas por Vetterini a Reine começaram em fevereiro de
1913. Foi nessa época que Reine teve uma visão aterrorizante. “Como numa tela de
cinema” Reine presencia o desenrolar da Primeira Guerra Mundial:
“Já está prestes a acontecer. É iminente. Já está bem próximo. Ainda este
ano (1913) acontecerá algo. Os espíritos estão tentando evitá-lo, mas isso não
poderá ser impedido. Apenas pode se adiar o incidente... O incidente nas nações
dos Bálcãs repercutirá por toda a Europa...”.
O prelúdio da I Guerra aconteceu em 1912, com a chamada I Guerra
Balcânica, envolvendo a Turquia contra a Grécia, a Bulgária, Sérvia e
Montenegro. Em 1913, começou a II a Guerra Balcânica entre a Bulgária e os seus
ex-aliados, devido a intrigas por parte da Áustria. Todavia, o incidente a que ReineVetterine faz referência, e que repercutiu por toda a Europa, aconteceu em 28 de
junho de 1914, em Serajevo, na Bósnia. Foi o assassinato dos herdeiros do trono da
Áustria, o arquiduque Francisco Ferdinando e sua esposa, por um jovem estudante
nacionalista. A diplomacia não obteve qualquer sucesso em conciliar os ânimos e o
incidente tornou-se o estopim da I Guerra Mundial. Diante da inevitabilidade da
guerra, Reine-Vetterine passaram a profetizar sobre a futura situação dos países
que se envolveriam na I Guerra:
“Na Rússia, a estrutura militar desmoronará e haverá anarquia. Na
Alemanha, o ódio da classe operária pelo Kaiser aumentará e crescerá o anseio
pelo regime republicano. O futuro de Guilherme II será tenebroso. O mais potente
império se aniquilará. Isso é inevitável, eles desejam o governo republicano”.
Como se sabe, a revolução comunista ocorreu na Rússia em outubro de
1917, durante a I Guerra. À revolução, seguiu-se a guerra civil, a qual obrigou a
Rússia a sair da guerra e a fazer uma aliança contra a Alemanha, que vivia o
período do chamado II Reich. Com o armistício e a derrota alemã, explodiram no
país as revoluções populares nos portos, em Berlim e em outras localidades. Sob
presão, o Kaiser Guilherme II abdicou e fugiu para a Holanda. Surgiu então a
República de Weimar com todos os seus problemas sócio-econômicos e políticos,
os quais constituíram as bases dos discursos de Hitler, e que o conduziram ao poder
alemão em l933.
A Revolução Francesa — Reine-Vetterine narra a Revolução Francesa
profetizada por Nostradamus em várias quadras, e na Epístola ao rei Henrique, nos
seguintes termos:
“Paris é cercada, não por estrangeiros, mas sim por franceses. É a
revolução. O povo se rebelou. Estão satisfazendo o desejo de vingança, destruindo
tudo. Estão atacando toda a cidade. Todos os bairros foram destruídos. Os
passeios de Paris também foram totalmente destruídos. Surge o já mencionado
príncipe...”.
Mas Reine-Vetterine não antevê apenas a cidade de Paris do século XVIII.
Antevê também, em grande perplexidade, a total destruição de Paris no futuro, nos
tempos do fim:
60
“Mas é Paris! O que está queimando é Paris! Oh! Paris... A cidade inteira
está lutando. Em todos os cantos só matanças. Nada mais existe! Toda a cidade foi
arrasada. Destroços, nada mais que destroços. Alguns restos de paredes de
edifícios, aqui ou acolá, ainda estão fumegantes. Cadáveres estão empilhados aos
montes. Rios de sangue, avalanches de sangue. E a fome vem apertando seu cerco,
nem pão existe. As pessoas que escaparam das matanças estão à mingua,
morrendo de fome”.
O confronto ocidente-Oriente — Reine-Vetterine antevê um futuro
grande confronto ocidente-Oriente, no qual a China (comunismo ateu) e a Índia
(esfera cultural afro-indiana; tipo Caim) se levantam contra a civilização cristã
ocidental nos últimos dias, e que se “constituirá em um terrível inimigo para os
países europeus, que já estão exaustos, azafamados com os seus próprios
problemas”. Eis a profecia:
“Toda a China se levanta. Com o ímpeto de justa vingança, de quem
pretende ajustar contas olho por olho, dente por dente. A China desaba sobre a
Europa. Não há qualquer advertência ou qualquer comunicado prévio... A raça
amarela varre toda a Europa. Fazem (China e Índia) estremecer toda a Europa...”.
Os tempos do fim; os últimos dias da história do mal — A visão profética
de Reine-Vetterine se estende até os dias apocalípticos, quando convulsões sociais
e grandes catástrofes naturais mudarão a mentalidade humana e a face do planeta.
Reine-Vetterine vê aqueles dias como “os tempos do fim”, que entendo como a
época da consumação da história de maldade do homem. Reine-Vetterine diz que
aquele será um tempo em que: “Nosso povo já obteve tudo que tinha para obter.
Está terminada a evolução”. Eu, porém, entendo que a palavra evolução foi
empregada aqui em um contexto impróprio, uma vez que a época da plenitude da
evolução não corresponde a uma época de convulsões socias e catástrofes naturais
tão transformadoras. Portanto, se Reine-Vetterine se referem a evolução cultural
esta, seguramente, está no futuro; no pós-Grande Tribulação. Eis a sua profecia
sobre o fim dos tempos:
“Será como se a Terra se enfurecesse diante da catástrofe de grande porte
iniciada pelo homem. Tudo vai virar um caos. Mesmo depois da guerra esse estado
de coisas continuará por muito tempo, longo tempo... Isso tornar-se-á realidade...
Não posso precisar quando isso acontecerá. Está se aproximando o período do
término de um ciclo de revolução... Ocorrerá uma grande modificação na Terra.
Haverá terremotos de grande porte, erupções vulcânicas, inundações, submersão
dos continentes no mar e surgimento de novos continentes do mar”.
A III Guerra Mundial — Reine-Vetterine penetra no futuro e fornece uma
visão da III Guerra Mundial, afirmando que “Diante dessa guerra, as guerras do
passado parecerão brincadeira de criança...”.
O Grande Monarca — Finalmente, fala do reestabelecimento da
monarquia e do povo nas ruas, aclamando o futuro Grande Monarca. Muitos
estudiosos das profecias da humanidade, uma vez que os profetas franceses
profetizaram sempre se referindo à França (pois mal conheciam a Europa),
61
identificam o Grande Monarca com Napoleão. Na verdade, porém, Napoleão foi
um ditador guerreiro e fracassado que não trouxe paz sequer à Franca, muito menos
ao mundo.
Segundo o estudioso das profecias da humanidade, Wilson de Mello
Franco, Reine-Vetterine: “Narra detalhadamente as características físicas do
futuro Grande Monarca. É a única profecia que conheço que nos dá um retrato
falado dele, e até de seu estado civil — casado”.
O Grande Monarca citado por diversos outros profetas, evidentemente, é
uma referência ao novo Cristo que reaparecerá nos últimos dias. Com relação às
profecias de Reine-Vetterine sobre o Grande Monarca, infelizmente, não consegui
obter maiores informações.
12. O reaparecimento do Cristo e o fim do catolicismo
nas profecias do Padre Pio de Pietrelcina (1887-1968)
Francesco Forgione, o Padre Pio de Pietrelcina, nasceu em janeiro (ou maio) de
1887, na aldeia de Pietrelcina, perto da cidade de Benevento, Itália. Certo dia,
durante uma ardente oração, sentiu as mãos, pés e tórax estigmatizados (com os
estigmas de Jesus). Foi ordenado padre pela ordem dos Capuchinhos em 1910. Em
1915 recebeu os estígmas de Jesus de maneira invisível. Três anos depois, quando
dava graças em uma missa, os estigmas se tornaram visíveis. O Padre Pio realizou
muitas profecias ainda em vida, mas muitas de suas profecias foram ditadas por ele
da eternidade a sua “filha” espiritual Marta Micol. Os estígmas do Padre Pio nunca
cicatrizaram nem se agravaram durante toda a sua vida. E assim foi durante 50
anos, até 23 setembro de 1968, dia de sua morte. Quando o Padre Pio morreu, seu
corpo ficou exposto por quatro dias sem sinal algum de decomposição, nem dos
estígmas, e mais de 100 mil pessoas acompanharam o seu funeral.
Os feitos milagrosos do Padre Pio foram muitos e variados. Diz-se que ele
podia “penetrar na consciência das pessoas e narrar-lhe todos os seus pecados”.
Chegava a passar mais de 16 horas no confessionário e, através de seus estigmas,
oferecia seu próprio sangue em favor da humanidade. Diz-se também que Padre
Pio possuía a capacidade da bilocação, tendo sido visto no convento enquanto,
simultaneamente, e muito distante dali, consolava doentes e moribundos. Mesmo
sendo um personagem tão extraordinário, o Padre Pio sofreu muitas perseguições.
Até que o papa Bento XV se pronunciou em seu favor, dizendo que ele era “uma
alma extraordinária enviada por Deus para conduzir os homens a Ele”.
A credibilidade das profecias do Padre Pio pode ser comprovada por uma
profecia que ele fez relativa ao Papa João Paulo II, em 1947. Durante uma visita
que Karol Wojtyla lhe fez, Padre Pio o observou por um instante e, comovido,
profetizou: “Tu serás papa. Mas eu vejo também sangue e violência sobre ti”.
Todos têm conhecimento do atentado sofrido pelo Papa João Paulo II na Praça de
São Pedro, no dia 13 de maio de l981, quando o terrorista turco Mehmet Ali Agca
o feriu a bala. O papa João Paulo II beatificou o Padre Pio em 2 de maio de 1999.
62
A presença das profecias do Padre Pio neste livro deve-se, por um lado,
ao fato de o mesmo ser reconhecido mundialmente como um autêntico profeta
cristão, e por outro lado, pelo fato de o mesmo haver profetizado sobre a Grande
Tribulação dos últimos dias, sobre a queda de Roma (sobre a queda do catolicismo,
na verdade), sobre o retorno do Cristo e sobre o novo mundo de paz e felicidade
que será estabelecido na Terra por ocasião do reaparecimento do novo Cristo. Eis a
profecia em que o Padre Pio sintetizou sua visão do futuro da humanidade:
“Pobre Itália, está caminhando para uma violência feia... O mundo está
caminhando para a ruína... Cuidado com o mês de maio; vejo terremotos,
aluviões, vejo sangue... Ocorrerão fatos tremendos... Um meteoro cairá sobre a
Terra e tudo estremecerá. Será um desastre muito pior que uma guerra. Muitas
coisas desaparecerão. Esse será um dos sinais... A Terra tremerá e o pânico será
grande... O terremoto será como uma serpente deslizando por todos os lados. E
muitas pedras cairão e muitos homens morrerão... Os homens viverão uma
experiência trágica. Muitos serão arrastados pelas águas, muitos serão
transformados em cinzas pelo fogo... Preparai-vos para viver três dias na
escuridão total. Esses três dias estão muito próximos... E nesses três dias ficareis
como mortos, sem comer e sem beber. Depois voltará a luz, mas muitos serão os
homens que não a verão mais... Virão a faltar as coisas mais essenciais... Cristo
voltará. Falta pouco... O silêncio e o sossego voltarão um dia a reinar sobre a
Terra, somente então o homem redescobrirá o homem”.
13. O reaparecimento do Cristo e o fim do catolicismo
nas profecias da Monja Ana Catalina Emmerich (1774-1824)
Ana Catalina Emmerich (1774-1824) nasceu na Alemanha em 1774, de família
muito pobre, e foi consagrada monja da Ordem Agostiniana na cidade de Dulmen.
A vida de Ana foi marcada por contínuas doenças agravadas ainda mais quando ela
sofreu um acidente e ficou inválida. Desde menina já apresentava os sinais de seu
dom especial — a comunicação com o mundo espiritual (o que significa que ela
tinha os cinco sentidos espirituais — visão, audição, olfato, tato e paladar —
abertos, podendo se comunicar livre e naturalmente com as pessoas do mundo
espiritual). Desde a primeira vez que foi a uma missa mostrou que podia
compreender o latim litúrgico. A freira Ana Catalina foi beatificada pelo Papa João
Paulo II no dia 3 de outubro de 2004.
Ainda criança Ana afirmava ver e conversar com seu anjo da guarda, e que
o menino Jesus era seu constante colega de brincadeiras (um menino do mundo
espiritual, e não o próprio Jesus, certamente). Conta-se que durante os últimos 12
anos de sua vida ela nada bebia e nada comia, exceto água e a hóstia na comunhão.
Entre 1802 a 1812 adquiriu as chagas da coroa de espinhos e os demais estígmas de
Jesus, inclusive a marca de uma cruz sobre seu coração, além da ferida da lança ao
lado. Quando em êxtase, Ana Catalina muitas vezes foi vista levitando e já possuía
63
o dom da clarividência ao simples toque de qualquer objeto de qualquer pessoa que
lhe fosse apresentado.
Recentemente, o ator e cineasta Mel Gibson buscava fontes literárias para o
roteiro de seu filme A Paixão de Cristo numa biblioteca dos Estados Unidos. Conta
ele que, enquanto estava sentado à mesa, o livro Vida, Paixão e Glorificação do
Cordeiro de Deus, contendo anotações do poeta Clemens Brentano sobre as visões
da monja Ana Catalina, inexplicavelmente saltara do alto de uma estante e caíra
sobre seu colo. O livro continha as visões de Ana Catalina sobre as últimas horas
de vida de Jesus Cristo. Gibson declarou posteriormente que cada cena do filme é
uma representação fidedigna das visões de Ana Catalina.
Em seus últimos anos, até sua morte em 1824, Ana recebia visões de cenas
ambientadas na pré-história, da vida de personagens do Antigo Testamento —
incluindo Adão e Eva, Noé, Sansão e os profetas —, assim como de Jesus, de
Maria, sua mãe, dos apóstolos e primeiros mártires e da vida após a morte, bem
como visões de fatos futuros que se concretizariam tempos depois, como a
construção do Muro de Berlim, o Concílio Vaticano II, etc.
Com as anotações das visões de Ana Catalina em mão, Reynolds descobriu
os restos da cidade de Ur dos caudeus, na Caldéia. A recém descoberta morada de
Maria, mãe de Jesus, na cidade de Éfeso estava no local exato onde Ana Catalina
havia indicado, e era tal qual ela havia descrito, por fora e por dentro. Também foi
confirmada a presença de uma “reprodução ao natural” da via crucis ao longo de
um caminho próximo à morada de Maria, a qual teria sido montada pela própria
mãe de Jesus. Essa reprodução natural da via crucis havia sido antevista por Ana
Catalina 100 anos antes de sua descoberta. Até então essa informação era
totalmente ignorada pelo mundo cristão. Do mesmo modo ocorreu com a
descoberta das passarelas sob o Templo de Jerusalém, em l981, e que Ana vira ao
contemplar o mistério da lmaculada Conceição de Maria — dogma que seria
proclamado pela Igreja 30 anos depois da morte da vidente.
Ana Catalina Emmerich soube pelo próprio Jesus que suas faculdades de
visão mística sobre o passado, o presente e o futuro eram as maiores já possuídas
por qualquer ser humano na história. Os escritos proféticos de Ana Catalina são
extensos demais para constarem deste texto. Assim, estudaremos uma pequena
amostra de suas profecias, a qual, como o leitor verá, até mesmo essa “pequena”
amostra já é por demais extensa. Em suas visões proféticas Ana Catalina viu a
Grande Tribulação se abater sobre a humanidade, viu as guerras mundiais e seus
líderes tiranos e satânicos, viu o comunismo e os seus crimes terríveis, viu o
declínio moral e a queda do catolicismo, todavia, sendo uma fiel devota do
catolicismo do final do século XVII e início do século XVIII, tudo o que lhe foi
mostrado pelo mundo espiritual ela o interpretou dentro de seu referencial histórico
(com base em suas experiências pessoais e nos fatos predominantes na Alemanha
de sua época). Por isso, quando o mundo espiritual lhe mostrou o declínio e a
queda do catolicismo e o surgimento e ascensão da nova igreja de Deus vitoriosa (a
Igreja da Unificação, segundo os cristãos unificacionistas), Ana a confundiu com
sua própria igreja, a católica. Do mesmo modo, quando lhe foi mostrado o novo
64
Cristo de Deus — o Senhor do Segundo advento —, vivendo na Terra, lutando e
vencendo satanás no fim dos tempos, ela o confundiu com Jesus, o primeiro Cristo.
Não obstante, Ana Catalina prestou um grande serviço a Deus, uma vez que
anunciou o que viu sem nada acrescentar, deixando para os homens deste ano de
2006 — eu e você, meu caro leitor — a tarefa de interpretar corretamente as visões
que lhe foram mostradas 200 anos atrás. Eis as visões proféticas da monja Ana
Catalina:
“Antevisão da I Guerra Mundial e do comunismo — Vi diferentes partes
da Terra: meu guia me disse que se tratava da Europa e, mostrando-me um rincão
arenoso, disse-me estas importantes palavras: Tenho aqui a Prússia inimiga. E me
orientou, a seguir para um ponto mais ao norte, dizendo: Tenho aqui Moscou e,
com ela, muitos males” (AA.III.133).
“Os habitantes eram de um orgulho inusitado. Vi que se armavam e que se
trabalhava por todos os lados. Tudo era sombrio e ameaçador”.
“Quando alcanço um país vejo com mais freqüência sua capital, como
num ponto central. O estado panorâmico deste país sob forma de noite, de bruma,
de frio; vejo também, de muito perto, as sedes principais da perdição; compreendo
tudo e posso contemplar cenas onde estão os maiores perigos. Destes focos de
corrupção vejo escoamentos e pântanos estenderem-se através do país como
canais envenenados. No meio de tudo isso há gente piedosa em oração, há igrejas
onde repousa o Santo Sacramento, há corpos inumeráveis de santos e bemaventurados, há todas as obras de virtude, de humildade, de fé; e estas exercem
uma ação que sufoca, apazigua, detêm o mal, e que ajuda onde se roga. A seguir,
tenho visões onde tanto os ímpios como os bons passam ante meus olhos” (AA. II
408).
“Vejo rondar sobre certos lugares e certas cidades aparições horríveis que
fazem ameaças com grandes perigos ou, inclusive, com uma destruição total. Vejo
tais lugares derrubarem-se, de alguma maneira, à noite; em outras vejo o sangue
correr a rios em batalhas suspensas no ar, nas nuvens” (AA. II 408).
“E sobre estes perigos, estes castigos, não os vejo como fatos isolados,
mas como conseqüências do que ocorre em outros lugares: onde o pecado gera
violência e combates corporais; e vejo o pecado se transformar na vara que açoita
os culpados” (AA. II 409).
“Atravessei a vinha (a diocese) de São Ludger (Munique), onde encontrei
tudo debaixo de grande sofrimento, como anteriormente, e passei pela vinha de
São Liboire (Paderborn), onde trabalhei por último, e a encontrei em vias de
melhora. Passei pelo lugar (Praga) onde repousam São João Nepomuceno, São
Venceslau, Santa Ludmila e outros santos. Havia muitos santos, mas entre os vivos
havia poucos sacerdotes piedosos, e me parecia que as pessoas boas e piedosas se
mantinham escondidas com freqüência. Ia sempre na direção do meio-dia (depois
desta subida, a nordeste) e passava adiante da grande cidade (Viena) que domina
uma alta torre, e ao redor da qual há muitas avenidas e bairros. Deixei esta cidade
à esquerda e atravessei uma região de altas montanhas (os Alpes austríacos onde
ainda havia, aqui e ali, muita gente piedosa, especialmente entre aqueles que
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viviam dispersos. Depois, indo sempre para o meio-dia, cheguei à vila marítima
(Veneza) onde vi, recentemente, Santo Inácio e seus colegas. Vi aí também uma
grande corrupção (pela cidade). São Marcos e outros santos estavam presentes. Ia
pela vinha de Santo Ambrósio (a diocese de Milão). Lembro-me de muitas visões e
de graças obtidas pela intercessão de Santo Ambrósio, sobretudo pela ação
exercida por Santo Agostinho. Aprendi muitas coisas sobre ele e, dentre outras,
que tinha conhecido uma pessoa que tinha, num verdadeiro grau, o dom de
reconhecer relíquias. Tive visões a propósito desse assunto e creio que ele falou
sobre isso num de seus escritos...
“A crise do catolicismo — Cheguei à casa de São Pedro e São Paulo
(Roma) e vi um mundo tenebroso, cheio de angústia, de confusão e corrupção...
Vi nesta cidade terríveis ameaças vindas do norte. Partindo daí, atravessei as
águas (o Mediterrâneo), atingindo as ilhas onde há uma mistura do bem e do mal,
e constatei que os mais isolados eram os mais felizes e os mais luminosos. Depois
fui à pátria de Francisco Xavier (Espanha), visto que eu viajava na direção do
poente. Vi ali numerosos santos e o país ocupado por soldados vermelhos
(soldados do Exército Vermelho comunista)” (AA.II.411).
“Seu chefe (o de Espanha) estava na direção do meio-dia de além-mar. Vi
este país (onde se encontrava o chefe) passivamente calmo em comparação à
pátria de Santo Inácio, onde entrei logo a seguir, e a vi num estado horrível”
(AA.II.414).
“Vi trevas estendidas por toda esta região sobre a qual repousava um
tesouro de méritos e de graças provenientes de Santo Inácio. Eu me encontrava no
ponto central do país. Reconheci o lugar onde, muito tempo antes, havia visto
inocentes arrojados numa fogueira”. (AA.II.414).
“Vi, finalmente, os inimigos do interior, avançando por todos os lados.
Aqueles que atiçavam o fogo, agora, se atiravam, eles mesmos à fogueira”. (AA.
II. 415).
“Vi enormes abominações estenderem-se sobre o país. Meu guia me disse:
Hoje, Babel está aqui. E vi por todo o país uma longa corrente de sociedades
secretas com uma missão, como em Babel, e vi o encadeamento destas coisas até a
construção da torre, num tecido fino como uma teia de aranha, estendendo-se
através de todos os lugares e de toda a história: o produto supremo desta floração
era Semirâmis, a mulher diabólica”. (AA. II. 415).
“Vi destruir tudo o que era sagrado e a impiedade e a heresia se
irromperem”. (AA. II 415).
“Havia uma ameaça de guerra civil, e de uma crise interna que iria
destruí-lo todo”. (AA.II.415).
“Após este país desgraçado (Espanha) fui conduzida acima do mar,
aproximadamente ao norte, numa ilha onde esteve São Patrício (Irlanda). Não
tinha mais que católicos, mas estavam muito oprimidos: mantinham, no entanto,
relações com o Papa, mas em segredo. Havia ainda muito de bom neste país, pois
as pessoas eram unidas entre si”. (AA.II.416).
66
“Da ilha de São Patrício, através de um braço de mar (Mar da Irlanda)
cheguei a uma grande ilha. Era sombria, brumosa e fria. Vi por aqui e ali alguns
grupos de piedosos sectários (...). O resto se encontravam todos numa grande
agitação. Quase todo o povo estava dividido em dois partidos que estavam
ocupados com intrigas tenebrosas e más. O partido mais numeroso era o mais
perverso; o menos numeroso tinha os soldados a suas ordens; também não valia
grande coisa, no entanto, valia mais. Vi grande confusão e uma luta se aproximar,
e vi o partido menos numeroso tomar o poder. Havia em tudo isto manobras
abomináveis: traições mútuas, todos se vigiavam uns aos outros e cada um parecia
ser o espião de seu vizinho. Acima deste país vi uma grande quantidade de amigos
de Deus de tempos passados: quantos santos, reis, bispos, propagadores do
cristianismo que tinham vindo de lá e faziam a Alemanha trabalhar a nosso favor!
Vi Santa Walburge, o Rei Eduardo, Edgar e também Santa Úrsula. Vi muita
miséria no país frio e brumoso: vi a opulência, vícios e numerosos navios. Dali fui
ao levante, além do mar, a um território frio onde vi Santa Brígida (da Suécia),
São Canut (rei da Dinamarca e seu patrono) e São Eric (rei da Suécia). Este país
era mais tranqüilo e pobre que o precedente, mas também era frio, brumoso e
sombrio. Não lembro mais o que vi, ou o que se fez ali. Todo mundo era
protestante”. (AA.II.417).
“Deste lugar me dirigi a um imenso território (Rússia) completamente
tenebroso e cheio de maldade. Dali surgiam grandes tormentas. Os habitantes
eram de um orgulho inusitado”. (AA.II.418).
“Construíam grandes igrejas e acreditavam estar com a razão. Vi que se
armavam e que se trabalhava por todos os lados. Tudo era sombrio e ameaçador.
Vi São Basílio e outros. Avistei sobre o castelo de telhados deslumbrantes o
malígno, que se mantinha nos pináculos”. (AA.II.418).
“Enquanto tudo isto surgia como um desenrolar de cenas tenebrosas que
vejo nestes países, também vejo os bons germes luminosos que há neles; e iniciamse mais cenas situadas numa região mais elevada. Vejo acima de cada país um
mundo de luz que representa tudo que se fez por aquele país através dos santos
filhos destes países, os tesouros de graças da Igreja que os mesmos fizeram descer
sobre si pelos méritos de Jesus. Vi, acima das igrejas devastadas, sobrepujarem-se
as igrejas na luz; vi os bispos e os doutores, os mártires, os confessores, os
videntes e todos os privilegiados da Graça que viveram ali. Entro nas cenas onde
figuram seus milagres e as graças que estes têm recebido e tenho as visões, as
revelações, as aparições mais importantes que receberam. Vejo todas as suas
vidas e suas relações. A ação que exerceram de perto ou de longe, o encadeamento
de seus trabalhos e os efeitos produzidos por estes até distâncias mais afastadas.
Vejo tudo o que foi feito, como tudo foi aniqüilado e como, contudo, a bênção
permanece sempre sobre as vias que estas pessoas percorreram. Como se
permanece sempre em união com a pátria e seu rebanho pela intermediação de
gente piedosa que guarda suas memórias. Particularmente, seus esqueletos, onde
repousam, por meio de uma relação íntima que religa o homem de hoje a estes que
se foram, são fonte de caridade e de intercessão. Sem o socorro de Deus não se
67
poderia contemplar tanta miséria e abominação — que provocariam tal caridade e
misericórdia —, sem que se morresse de dor”. (AA. II. 409).
“A devastação ecológica e o fim do catolicismo — Vi a Terra como uma
superfície redonda coberta de escuridão e trevas”. (AA.II.158).
“Tudo secava e parecia perecer. Vi isto em inumeráveis detalhes com
criaturas de toda espécie, tais como as árvores, os arbustos, as plantas, as flores e
os campos. Era como se a água tivesse sido retirada dos ribeiros, das fontes, dos
rios e dos mares, ou como se ela voltasse a sua origem, às águas que estão acima
do firmamento e ao redor do Paraíso. Atravessei a Terra desolada e vi os rios
como linhas delgadas, os mares como negros abismos onde não se via mais do que
alguns charcos de água ao centro. Todo o resto era lama espessa e turva na qual
via animais e peixes enormes presos, lutando contra a morte. Ia o suficientemente
longe para poder reconhecer a orla do mar onde antes tinha visto São Clemente se
afogar. Passei também por lugares e por homens no mais lamentável estado de
confusão e perdição e, à medida que a Terra se tornava mais desolada e mais
árida, contemplei as obras tenebrosas dos homens que as cruzavam. Vi muitas
abominações bem de perto; reconheci Roma e vi a Igreja oprimida e sua
decadência no interior e no exterior”. (AA. III. 158).
“No meio do Inferno havia um abismo horrível. Lúcifer foi ali precipitado,
carregado de correntes, uma espessa fumaça o rodeava por toda parte. Seu destino
era regulado por uma lei que Deus mesmo havia ditado. Vi que, 50 ou 60 anos
antes do ano 2000, Lúcifer haveria de sair durante algum tempo do abismo. Vi
muitos outros dados que esqueci, outros demônios deviam também ser postos em
liberdade numa época mais ou menos longínqua, com o propósito de tentar os
homens e de servir de instrumentos da justiça divina. Muitos destes demônios
devem sair do abismo nesta época, e outros daqui a pouco tempo”. (DD. 452).
“Vi que os apóstolos foram enviados à maior parte da Terra para abater o
poder de satã por todas as partes e para contribuir com bênçãos, e que as regiões
onde operaram eram as que tinham sido mais fortemente envenenadas pelo
inimigo. Se estes países não perseveraram na fé cristã, e estão agora deixados ao
abandono, isto foi, como o vi, por sábia disposição da Providência. Estes deviam
ser somente abençoados no porvir e permanecem baldios com o fim de que,
semeados de novo, levem frutos em abundância quando os demais se tenham
ficado sem bases”. (AA. II. 340).
“O reaparecimento do Cristo, o III Adão, o Verdadeiro Pai — Quando
Jesus (o Cristo) desceu sobre a Terra, e a Terra foi regada com seu sangue, a
potência infernal diminuiu consideravelmente e suas manifestações se fizeram
mais tímidas”. (BV. 56).
“Então, vi reconstruir a igreja (a nova igreja de Deus) muito rapidamente
e com mais magnificência que nunca”. (AA. III. 114).
“A III Eva, a Verdadeira Mãe — Vi uma mulher cheia de majestade
avançar na grande vaga que está diante da igreja. Ela mantinha seu amplo manto
sobre os dois braços e se elevava suavemente no ar. Pousara sobre o domo e,
agora, estende sobre toda a extensão da igreja seu manto, o qual parecia irradiar
68
ouro. Os demolidores tinham tomado um momento de repouso, mas quando
quiseram voltar ao trabalho foi-lhes absolutamente impossível acercar-se ao
espaço coberto pelo manto”. (AA. II. 204).
“O Cristo-rei vitorioso, o III Adão, o Verdadeiro Pai — Depois, ao longe,
vi se acercar grandes cortes ordenadas em círculo ao redor da igreja, umas sobre
a Terra, outras no Céu. A primeira se compunha de homens e mulheres jovens; a
segunda, de pessoas casadas de toda condição, entre as quais, reis e rainhas, a
terça parte de religiosos, a quarta parte de militares. Diante destes vi um homem
montado sobre um cavalo branco (o Cristo-rei vitorioso). A última tropa estava
composta de burgueses e de paisanos dos quais muitos estavam marcados na testa
com uma cruz vermelha (o símbolo vermelho da bandeira e do anel dos cristãos
unificacionistas?)”. (AA. III. 113).
“O fim do catolicismo — Vi a Igreja de São Pedro (a Igreja Católica):
estava nua, com exceção do coro e do altar maior. Depois, vieram sacerdotes e
laicos de todas as partes do mundo (o novo povo eleito, o III Israel: os cristãos
unificacionistas?), os quais refizeram os muros de pedra (pedra = Pedro: os novos
cristãos construirão a nova igreja de Deus na Terra)”. (AA. III. 118).
“Enquanto se acercavam, cativos e oprimidos foram libertos e se uniram a
eles (os sacerdotes laicos, não-católicos)”. (AA.III.114).
“Todos os demolidores e conjurados (os inimigos de Deus) foram expulsos
de todos os cantos e, sem saber como, foram reunidos numa única massa confusa e
coberta de bruma. Eles não sabiam nem o que tinham feito nem o que deviam
fazer, e corriam batendo a cabeça uns contra os outros. Quando foram reunidos
numa só massa vi-os abandonar sua missão de demolição da igreja e perder-se
nos diversos grupos”. (AA.III.114).
“O trabalho vitorioso dos novos eleitos, o III Israel de Deus — Então, vi
a igreja (a nova igreja de Deus) se refazer muito rapidamente e com poder e
grandeza maiores do que nunca. Porque as pessoas de todas as cortes faziam
passar as pedras de um extremo ao outro do mundo (passar as pedras = trabalhar.
Trata-se de uma referência ao trabalho conjunto e pacificador de pessoas religiosas
de todos os países do mundo). Quando os grupos mais afastados se acercavam, os
que estavam mais perto do centro se retiravam após os outros. Era como se
representassem as diversas obras da oração (as pessoas religiosas) e o grupo de
soldados, as obras da guerra (as pessoas não-religiosas). Vi neste grupo amigos e
inimigos pertencentes a todas as nações (religiosos e não-religiosos trabalhando
juntos, unificados como uma família mundial).
Eram, simplesmente, militares como os nossos (como os soldados de seu
tempo) e vestidos de forma igual (com uniformes). O círculo que formavam não
estava fechado (muitas pessoas ainda não havia sido convertidas), mas tinha na
direção ao norte um grande intervalo vazio e sombrio: era como um buraco, como
um precipício. Tive o sentimento de que havia ali um território coberto de trevas”.
(AA. III. 114).
“Vi também uma parte deste grupo permanecer atrás: não queria ir mais
adiante. E todos tinham um aspecto sombrio, e permaneciam uns contra outros.
69
Em todos estes grupos vi muitas pessoas que deviam sofrer o martírio por Cristo.
Havia ali, entretanto, muitos perversos, e outra separação teria que acontecer
mais adiante”.
“O trabalho vitorioso das pessoas da Terra e do mundo espiritual sob o
comando do novo Cristo-rei — Vi a igreja (o novo movimento religioso universal
fundado pelo novo Cristo-rei) completamente restaurada; e acima dela, sobre uma
montanha, o Cordeiro de Deus rodeado por um grupo de virgens com palmas nas
mãos, e também os cinco círculos formados pelas cortes celestiais correspondentes
àquelas daqui de baixo, pertencentes à Terra”. (AA. III. 113-115).
“A última Batalha espiritual e a vitória dos crentes — Vi grandes tropas
vindas de vários países dirigirem-se a um ponto e combates que se travavam por
toda parte. Vi em meio a estes uma grande mancha negra, como um enorme
buraco. Os que combatiam ao redor eram cada vez menos numerosos e muitos
caíam no buraco sem perceberem. Todavia, durante esse tempo, vi os doze homens
que já narrei, em meio a desastres e dispersos em diversos lugares, sem nada
saber uns sobre os outros, receberem raios de água viva (palavras de vida de
Deus) que abundavam da Montanha dos Profetas (Montanha dos Profetas =
Deus, a origem tábuas de pedra, contendo as verdadeiras palavras de Deus e do
Cristo).
Vi que todos realizavam o mesmo trabalho em diversos lugares e que não
sabiam de onde se havia pedido que o executassem. E quando algo se concluía
outras tarefas lhes eram mostradas para que fossem executadas. Eram sempre
em12, e nenhum tinha mais de quarenta anos...
Vi que todos recebiam de Deus o que se tinha perdido (a natureza
original) e que operavam o bem por todos os lados; eram todos cristãos. Vi
também, nos tenebrosos destruidores, falsos profetas e gente que trabalhava
contra os escritos dos 12 novos apóstolos (note-se que a profecia não se refere aos
12 velhos apóstolos de Jesus, pois fala de novos apóstolos. Assim, esta pode ser
uma referência aos 12 filhos dos Verdadeiros Pais. Cf. Apoc 22.2: “No meio da
praça, e de uma e da outra banda do rio, estava a árvore da vida [a oliveira santa
que produz vida], que produz doze frutos... E as suas folhas são para a saúde das
nações”).
Como as forças dos que combatiam ao redor do tenebroso abismo iam se
debilitando cada vez mais, e como durante o combate toda uma cidade tinha
desaparecido, os doze homens apostólicos (os 12 novos apóstolos) ganhavam sem
cessar um grande número de adeptos (novos convertidos), e da outra cidade
(Roma, da Igreja Católica) muitos partiam (deixavam o catolicismo. Eram tantos,
que formavam) como um cone luminoso que entrava no círculo sombrio (círculo
sombrio = inferno?)”. (AA.III.159).4
4
Surgirá um povo desconhecido — Em um artigo intitulado O Mundo Misterioso de Agharti (revista
Sexto Sentido, outubro de 2000. pp. 20 a 23) o escritor Cláudio Carone defende a idéia de que, após a
destruição de Atlântida, os atlantes teriam emigrado para o interior da Terra, construindo alí uma
avançada civilização. Diz ainda que os budistas acreditam no reino subterrâneo de Agharti, governado
70
“Vi em duas esferas opostas o império de satã e o império do Salvador. Vi
a cidade de satã e uma mulher, a prostituta da Babilônia, com seus profetas e suas
profetisas, seus taumaturgos e seus apóstolos. Aí, tudo era rico, brilhante,
magnífico, comparado com o império do Salvador. Vi ali reis, imperadores,
sacerdotes magnificamente vestidos e em suas carruagens; Satã tinha um trono
magnífico. Ao mesmo tempo vi o império do Salvador, pobre visível apenas sobre a
Terra, afundado no luto e na desolação. A igreja me foi apresentada ao mesmo
tempo sob os feitos heróicos da Virgem e do Salvador na cruz, cujo lado
entreaberto parecia indicar ao pecador o asilo da graça”. (BB. IV. 168).
“O papa do futuro ou o novo Cristo? — Vi-o ao mesmo tempo suave e
severo. Ele sabia atrair os bons sacerdotes e rejeitar para longe os maus. Vi tudo
se renovar, e uma igreja que se elevava até o céu”. (AA. III.103). “Vi um novo
papa muito firme”. (AA.III.161).
“Houve, na igreja espiritual (no mundo espiritual) uma festa de ação de
graças. Ali havia uma glória maravilhosa, um trono magnificamente enfeitado.
São Paulo, Santo Agostinho e outros santos convertidos (ao novo Cristo, pois São
Paulo e Santo Agostinho já eram convertidos a Jesus, o primeiro Cristo) figuravam
de uma maneira muito especial. Era uma festa onde a igreja triunfante (igreja =
povo vitorioso) agradecia a Deus por uma grande graça que deveria se consumar
no futuro. Era algo como uma consagração futura. Isto tinha relação com a
mudança moral operada por um homem esbelto e muito jovem (o novo Cristo,
segundo os cristãos unificacionistas iniciou sua missão aos 16 anos de idade), que
deve, um dia, chegar a ser papa (papa = pai). Vi também nesta visão muitos
cristãos entrarem naquela igreja (no novo movimento religioso universal fundado
pelo novo Cristo). Entravam através dos muros daquela igreja (pessoas espirituais
também entrarão na nova igreja no mundo espiritual)”. (AA. III. 177).
“Vi que aquele papa (o homem jovem e esbelto) deverá ser bem severo e
afastará a todos os bispos mornos e frios. Porém, muito tempo ainda deve se
passar até que isto aconteça”. (Obviamente, o homem jovem e esbelto que se
tornará pai — papa — dos que crêem em Deus não é nenhum papa católico do
passado, do presente ou do futuro, pois os papas católicos são eleitos sempre em
idade muito avançada). (AA. III. 177).
“Vi aquele futuro papa na igreja ser rodeado por outros homens piedosos:
estava relacionado a um velho sacerdote que vi morrer em Roma, há alguns dias.
pelo rei Shangam, o rei do mundo, que esporadicamente vem à superfície e faz profecias nos
misteriosos templos de Ankhor, no Camboja. Numa dessas aparições, ocorrida em l840, no
monastério de Narabanchi Kuri, Shangam teria feito a seguinte profecia sobre o fim dos tempos: “A
Terra e o fundo do mar serão cobertos de ossos humanos. Os reinos serão fragmentados e povos
inteiros morrerão. As mais belas cidades serão destruídas pelo fogo. De cada dez mil homens,
somente um sobreviverá; estará nu, louco, sem forças e não saberá construir seu abrigo nem
procurar alimento. Ele uivará como um lobo furioso, devorando os cadáveres, mordendo sua própria
carne e desafiando a Deus para o combate. Surgirá então um povo agora desconhecido que, com
suas mãos fortes, extirpará as raízes da loucura e do vício, e conduzirá aqueles que se mantiverem
fiéis ao Espírito do Homem na luta contra o mal”.
71
O jovem já estava em seus paramentos e parecia que receberia hoje (27 de janeiro
de 1822) uma insígnia. Não é romano, mas italiano, de um lugar que não está
muito afastado de Roma, e creio, pertence a uma piedosa e nobre família”.
(AA.III.178).
Alguns intérpretes sugerem que o papa jovem e esbelto citado na profecia
foi o Papa Pio IX — Giovanni Maria Mastai Ferreti, 1846-1878. Todavia, a
profecia afirmou que “muito tempo ainda deve se passar até que isto aconteça”.
Como a profecia data de 1774-1824, e o papa Pio IX foi eleito em 1846, 20 anos
não é “muito tempo”. Além disso, o Papa Pio IX foi eleito já idoso e não há
registros de que tenha efetuado nenhuma revolução, afastando da Igreja “todos os
bispos mornos e frios”. E mais, foi durante o pontificado de Pio IX que “a cruz da
casa dos Savóia, os reis da Itália, sobrepujou a cruz do catolicismo, anexando a
cidade de Roma à Itália, antes sob o controle do Vaticano. Um papa idoso e fraco
como Pio IX não se enquadra no perfil do corajoso e revolucionário “homem
esbelto e muito jovem que afastará da Igreja os bispos mornos e frios”. Sendo
assim, a profecia se refere ao novo Cristo, o Verdadeiro Pai da humanidade, que
apareceria no futuro e realizaria uma revolução moral nas religiões, especialmente
no catolicismo.
“O Papa não estava na Igreja. Encontrava-se oculto”. (AA.II.493).
“Creio que aqueles que estavam na igreja não sabiam onde ele estava. Não
sabiam se rezava ou se estava morto (como os católicos não saberiam onde o papa
se encontrava? Esta é mais uma referência ao novo Cristo, o Verdadeiro Pai =
papa). Mas vi que todos os assistentes, sacerdotes e laicos deviam pôr a mão sobre
uma passagem do livro dos evangelhos, e que sobre muitos deles descia, como um
sinal particular, uma luz que era transmitida pelos santos apóstolos e santos
bispos. Vi também que vários deles o faziam apenas de maneira formal”.
(AA.II.493).
“Muitos antigos dignatários eclesiásticos, tendo-se postos a serviço dos
maus bispos, haviam deixado no esquecimento os interesses da Igreja, e passaram
a se arrastar em muletas, como coxos e paralíticos; e foram levados por dois
guias, e receberam seu perdão”. (AA.II.492)
“Fora, ao redor da igreja, vi chegarem muitos judeus que queriam entrar,
mas que não o podiam fazer ainda. Ao final, aqueles que não tinham entrado no
início, chegaram, formando uma multidão inumerável: mas vi, então, o livro
fechar-se inesperadamente, como sob o impulso de um poder sobrenatural. Ao
horizonte, vi um sangrento e terrível combate e, especialmente, uma grande ala do
lado norte e pelo poente. Foi uma grande visão de grande impacto. Sinto muito
ter-me esquecido o lugar do livro sobre o qual se devia colocar o dedo”.
(AA.II.493).
“Conheci por uma visão que ao chegar o fim do mundo, uma batalha se
iniciará contra o anticristo, nas planícies de Megido”. (EE.I.234).
“O Reino de Deus na Terra — Certo dia tive uma longa conversa com
dois dos meus visitantes celestiais: São Francisco de Salgues e São Francisco de
Chantal. Eles diziam que a época atual era muito triste, mas que após tantas
72
tribulações viria um tempo de paz no qual a religião retomaria seu império e no
qual haveria muita cordialidade e caridade entre os homens, e que, então, muitos
conventos refloresceriam no sentido real da palavra. Tive também uma visão deste
tempo longínquo que não posso descrever, mas vi a noite retirar-se sobre toda a
Terra e o amor estender uma nova vida. Tive nesta ocasião visões de toda espécie
sobre o renascimento das ordens religiosas (as ordens religiosas e os conventos
florescentes vistos nas visões não podem ser católicos, pois os grandes profetas
previram que o catolicismo será modificado radicalmente sob as ordens do novo
Cristo)”. (AA.II.440).
“O tempo do anticristo não está tão próximo como alguns pensam. Haverá
ainda precursores. Vi em duas cidades muitos doutores da escola das quais
sairiam tais precursores”. (AA. II. 441).5
Ana Catalina viveu na Terra há cerca de 200 anos. Sendo ela uma freira
católica, suas visões proféticas foram profundamente influenciadas por sua visão
católica. Todos os eventos e personagens do futuro que lhe foram mostrados pelo
mundo espiritual, ela os identificou com algum evento ou personagem de seu
background católico. Por isso, identificou a nova igreja de Deus, pós-catolicismo,
com a Igreja Católica, e o novo Cristo oriental, com Jesus, o primeiro Cristo.
Todavia, como vimos, suas visões anteviram o declínio espiritual e moral do
catolicismo e o reaparecimento do novo Cristo, que vencerá Lúcifer e estabelecerá
o Reino de Deus na Terra, um novo mundo de paz e justiça.
14. O reaparecimento do Cristo e o fim do catolicismo
nas profecias da Irmã Lúcia (1907-2005)
A irmã Lúcia de Jesus Santos nasceu em l910 no vilarejo de Fátima, na Serra do
Aire, em Portugal. Era a filha única de uma família de camponeses pobres. As três
crianças ajudavam na economia familiar pastoreando ovelhas nas encostas
gramadas do vale. Ao meio dia do dia 13 de maio de l917, Lúcia de Jesus Santos
(10 anos) e seus primos, Francisco Marto (9 anos) e Jacinta (7 anos), enquanto
repousavam em frente de uma azinheira, se sentiram “tocadas por um vento
estranho”. Logo depois, conta a irmã Lúcia, “um lampejo ofuscou os pequenos
pastores e da copa da árvore surgiu uma imagem belíssima, uma jovem radiosa
que lhe pediu que voltasse àquele lugar nos próximos seis meses sempre no mesmo
dia 13”. As crianças relataram o ocorrido aos seus pais e parentes. A notícia se
tornou pública e no dia 13 de junho cerca de cinqüenta pessoas reuniram-se no
local para assistir ao segundo encontro dos pastores com a Senhora. Durante o
encontro, ninguém consegue ver nada, mas todos ficam impressionados com o
estado de transe em que Lúcia ficava. Quando Lúcia diz que a Senhora está indo
embora, um forte sopro de vento agita a azinheira. Todos vêem aquele sopro como
5
Este texto sobre Ana Catalina foi apurado da tradução do espanhol e do alemão de Átila Soares da
Costa Filho (extraído da internet).
73
um sinal divino. No mês seguinte, mais de 5.000 pessoas acorreram ao local e
viram a pequena Lúcia se contorcendo e gritando “ter visto o inferno”. Todos
acreditam em Lúcia e na promessa da Senhora de que a I Guerra chegaria ao fim.
No mês de agosto, o imenso número de pessoas que acorrem ao local assusta as
autoridades, que decidem prender as três crianças a fim de impedirem o evento. A
prisão dura pouco. A multidão enfurecida força a libertação das crianças e o
encontro acontece no dia 19 de agosto. Na ocasião a Senhora anuncia que no
próximo encontro fará um milagre para fortalecer a credibilidade e a ação de seus
mensageiros. Em setembro, mais de 20.000 pessoas se reúnem no local. O encontro
foi adiado, mas ninguém reclamou. Assim, no dia 13 de outubro, mais de 70.000
pessoas se aglomeraram na Cova da Leiria. O encontro acontece e a Senhora revela
sua identidade: é Maria, mãe de Jesus (Nossa Senhora do Rosário). A multidão
delira em preces e cantos. Lúcia entra novamente em transe e aponta para o sol. E
todos vêem o sol mudar de cor, lançar mil chamas, girar em torno de si mesmo pelo
menos três vezes “como uma bola de fogo prestes a cair sobre a Terra”, segundo
os milhares de relatos colhidos na ocasião. Centenas de jornalistas presentes ao
evento também viram o fenômeno e a imprensa mundial publicou o fato. A notícia
se espalha pelo mundo. A I Guerra terminou, confirmando as mensagens. Foi então
que o Vaticano entrou em ação, iniciando em l922, um vigoroso inquérito
enfrentado por Lúcia com calma e dignidade. Era a única testemunha viva. Seus
primos, Francisco Marto e Jacinta já haviam morrido, conforme avisou a Senhora.
Com medo de que Lúcia cumprisse a vontade Deus e revelasse o conteúdo da III
Mensagem para toda a humanidade, o Vaticano a “aprisionou” em um convento de
clausura, de onde nunca mais saiu. Lúcia morreu no dia 14 de fevereiro de 2005.
Em l930, depois de anos de investigação, o Vaticano autorizou o culto a
Nossa Senhora do Rosário de Fátima. Em l938, às vésperas de estourar a II Guerra
Mundial, prevista na II mensagem, o Papa Pio XII divulgou a primeira parte da
mensagem, com 31 anos de atraso! Em l942, já em plena II Guerra, Pio XII
divulgou a segunda parte da mensagem. As duas primeiras partes da mensagem
deveriam ter sido divulgadas no mesmo ano de sua revelação. A terceira parte da
mensagem, que deveria ter sido divulgada em l960, foi lida pelos 5 papas que
sucederam Pio XII, mas jamais foi divulgada. Uma traição à vontade de Deus (que
enviou Maria com a mensagem) e à humanidade, a quem as mensagens foram
dirigidas. Com essa atitude traiçoeira os líderes do Vaticano da época colocaram
suas vontades pessoais acima da vontade de Deus, e seus direitos individuais acima
dos direitos de toda a humanidade. Por que o Vaticano não expõe em seus museus
as cartas originais onde Lúcia narrou a terceira parte da mensagem? Quando
aparecerá um papa (papa = pai) verdadeiro e justo o suficiente para revelar à
humanidade integralmente a mensagem que Deus nos enviou?
Redação das mensagens de Fátima feita pela Irmã Lúcia — No dia 31 de
agosto de 1941, a pedido da Igreja, a Irmã Lúcia redigiu um texto completo da III
mensagem de Fátima recebida em 1917 na Cova de Leiria. No dia 26 de junho de
2002, o Vaticano divulgou um documento de 43 páginas, intitulado As Visões de
Fátima, no qual reafirmou sua posição de que todos os eventos previstos nas
74
mensagens de Fátima já haviam acontecido (o que não é verdade, pois, entre outras
coisas, as mensagens falam do fim do catolicismo). Uma cópia fac-símile do papel
onde Lúcia havia escrito o segredo em manuscrito foi apresentado ao público a fim
de afastar toda e qualquer possibilidade de dúvida a respeito da autenticidade do
documento que divulgava. Naquele documento Lúcia escreveu:
“Escrevo em ato de obediência a Vós, meu Deus, que me mandastes por
meio de sua Excia. Revma., o senhor bispo de Leiria, e da Vossa e minha Santíssima
Mãe. A mensagem consta de três partes distintas...”.
A primeira parte das profecias de Fátima foi uma aterrorizante visão do
inferno, um grande mar de fogo onde os que morreram sem Deus sofriam sob a
tortura dos demônios. Um trecho da mensagem profetiza o fim da I Guerra
Mundial e a eclosão da II Guerra:
“Esta guerra (I Guerra Mundial) está para acabar; mas se os homens não
deixarem de ofender a Deus, outra guerra começará, e pior (II Guerra Mundial),
sob o reinado do próximo papa...”.
“... por meio da guerra, da fome e de perseguições à Igreja e ao papa (...). Se
atenderem a meus pedidos a Rússia se converterá e terão paz; senão, ela
espalhará seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja. Os
bons serão martirizados, o papa terá muito que sofrer e várias nações serão
aniquiladas (...)”.
Como se sabe, o papado de Bento XV começou em 3 de setembro de1914
e terminou em 22 de janeiro de 1922. Foi durante seu papado que transcorreu toda
a I Guerra Mundial (1914-1918). O papado de seu sucessor, Pio XI, durou de 6 de
fevereiro de 1922 a 10 de fevereiro de 1939. A II Guerra Mundial começou em
setembro de 1939, no pontificado de Pio XII, mas ainda dentro do ano de 1939.
Na segunda parte das profecias de Fátima, Lúcia anteviu a II Guerra
Mundial, a vitória do comunismo na Rússia, a expansão do comunismo e a
perseguição da Igreja Católica sob o comunismo. Eis alguns trechos da II
mensagem referentes à III Guerra Mundial — uma guerra, talvez,
predominantemente cultural — e à crise da Igreja Católica:
“Quando virdes uma noite iluminada por uma luz misteriosa sabei que
este é o grande sinal que Deus envia ao mundo, antes de punir os seus crimes por
meio da guerra, da fome e da perseguição à Igreja e ao Santo Padre”.
“O Santo Padre terá de sofrer muito, e várias nações serão destruídas. O
Santo Padre dedicar-me-á a Rússia, que se converterá e uma pausa de paz será
concedida ao mundo”.
Muitos estudiosos das profecias da humanidade viram nas luzes da aurora
boreal ocorrida na noite de 25 para 26 de janeiro de 1938, que repentinamente
iluminou os céus da Europa, o sinal anunciado pela II mensagem de Fátima como
prenúncio da II Guerra Mundial, que começaria cerca de dois anos depois. A II
Guerra começou e terminou sob o mesmo papa.
Por fim, na terceira parte das profecias de Fátima (ainda parcialmente
omitida pelo Vaticano, segundo creio), o reaparecimento do novo Cristo, a
75
possibilidade da ocorrência da III Guerra Mundial atômica, o fim do comunismo e
o fim do catolicismo foram claramente profetizados. Eis como Lúcia relatou sua
visão da III mensagem na carta que endereçou ao bispo de Leiria, em l917:
“Depois das duas partes que já expus, vimos ao lado esquerdo de Nossa
Senhora, um pouco mais alto, um anjo com uma espada de fogo na mão esquerda;
ao cintilar, despedia chamas que parecia iam incendiar o mundo; mas apagavamse com o contacto do brilho que Nossa Senhora, de sua mão direita, expedia em
sua direção: o anjo, apontando com a mão direita para a Terra, com voz forte
disse: Penitência, Penitência, Penitência! E vimos, numa luz imensa (como uma
fulgurante imagem refletida num espelho) um Bispo vestido de Branco. Tivemos
o pressentimento de que era o Santo Padre”. Vimos vários outros bispos,
sacerdotes, religiosos e religiosas subirem uma escabrosa montanha no alto da
qual estava uma grande cruz de troncos toscos como se fora de sobreiro com a
casca; o papa, antes de chegar aí, atravessou uma grande cidade meio em ruínas.
E meio trêmulo, com andar vacilante e acabrunhado de dor e pena ia orando pelas
almas dos cadáveres que encontrava pelo caminho. Chegado ao alto do monte,
prostrado de joelhos aos pés da grande cruz foi morto por um grupo de soldados
que lhe dispararam vários tiros e setas. E do mesmo modo foram morrendo uns
atrás dos outros, os bispos, sacerdotes, religiosos e religiosas e várias pessoas
seculares, cavalheiros e senhoras de várias classes e posições. Sob os dois braços
da cruz estavam dois anjos cada um com um regador de cristal na mão, nos quais
recolhiam o sangue dos mártires e com ele regavam as almas que se aproximavam
de Deus”.
A terceira parte das profecias de Fátima, portanto, fala de uma guerra
atômica, a III Guerra Mundial, que já deveria ter ocorrido: “uma guerra posterior
que não ocorrerá nem hoje, nem amanhã, mas na segunda metade do século XX”.
Portanto, a III Guerra Mundial — atômica — deveria ter começado no papado de
João Paulo II. Sabemos que a Guerra Fria começou em l945, e foi uma guerra
mundial onde as bombas atômicas foram usadas, porém, apenas como formas de
ameaça. Segundo os cristãos unificacionistas, a atuação mundial do
unificacionismo (na luta ideológica mundial contra o comunismo ateu) e a atuação
diplomática pessoal do Rev. Moon junto ao Presidente Ronald Reagan e Mikhail
Gorbatchev abortou a III Guerra Mundial atômica. Toda a atuação do Rev. Moon
sobre este assunto está publicada no livro The Messiah, escrito pelo Dr. Bo Hi Pak,
um dos protagonistas da articulação que abortou a III Guerra Mundial e
possibilitou a política do desarmamente bilateral entre os Estados Unidos e a então
União Soviética.
Diversos livros e artigos foram publicados sobre as três mensagens de
Fátima, e um dos assuntos abordados nos mesmos dizia que Lúcia, a mais velha
dos 3 irmãos que receberam a mensagem, somente morreria depois que o messias
— o novo Cristo — fosse revelado para toda a humanidade (algo semelhante à
história do velho Simeão, citada na Bíblia/NT).
Para minha surpresa, numa entrevista com o matemático Prof. Maurício
Raimundo Baldini, um dos líderes-pioneiros da Igreja da Unificação do Brasil,
76
fiquei sabendo que Lúcia havia falecido no dia 14 de fevereiro de 2005 (de acordo
com o calendário lunar coreano), 2 horas depois de uma cerimônia na qual o Rev.
Sun Myung Moon foi coroado Rei da Paz Cósmico no Congresso Nacional da
Coréia do Sul, na presença de mais 500 autoridades políticas, acadêmicas e
religiosas de todos os países do mundo. Este fato, segundo os cristãos
unificacionistas, parece revelar que o Bispo vestido de Branco envolto numa luz de
brilho fulgurante (e que Lúcia teve o pressentimento de que era o papa) poderia não
ser o papa Bento XV (de sua época), mas o Rev. Moon, o novo Cristo do Oriente,
vestido em seu traje branco usado nas gigantescas cerimônias matrimoniais
nacionais, inter-racias e internacionais que realizou na Coréia e nos Estados
Unidos, e cujas imagens foram transmitidas via satélite para todo o mundo.
Outrossim, se Lúcia não pôde identificar o Bispo vestido de Branco
envolto numa luz de brilho fulgurante com o Papa Bento XV de sua época é
porque ela não viu seu rosto, ou viu um rosto desconhecido, diferente do rosto de
Bento XV (1914/22), pois Lúcia, então com 10 anos, já poderia reconhecê-lo.
Além disso, o bispo de Leiria deve ter lhe mostrado uma pintura ou fotografia do
Papa Bento XV a fim de tentar identificar o Bispo vestido de Branco.
O conteúdo da III mensagem de Fátima, que segundo Lúcia deveria ser
revelado à humanidade em l960 (o ano em que, para a Igreja da Unificação,
aconteceram as Bodas do Cordeiro: o ano do matrimônio do Rev. Sun Myung
Moon com a jovem Hak Ja Han) continua um segredo de Estado do Vaticano,
como também os documentos do processo que as confirmou. Em tais documentos,
certamente, estão as razões que amedrontaram a Igreja Católica, levando-a a negar
à humanidade o direito de conhecer o conteúdo da III mensagem de Fátima; um
direito concedido à humanidade pelo próprio Deus através de Maria, mãe de Jesus.
Penso que as razões por que a Igreja Católica ocultou o conteúdo da III
Mensagem de Fátima da humanidade foram as profecias do fim do próprio
catolicismo e do reaparecimento do novo Cristo.
Embora o conteúdo oficial da III mensagem ainda seja parcialmente um
segredo de Estado para o Vaticano, parte dele já pode ter sido revelado. Sabe-se
que o papa João XXIII (que também foi um profeta) tomou conhecimento de seu
conteúdo em l959, quando se encontrava em Castel Gandolfo. Em l962, na época
da Crise dos Mísseis entre os Estados Unidos, a União Soviética e Cuba, João
XXIII redigiu uma redação diplomática da III mensagem de Fátima, enviando-a
para os Estados Unidos (Kennedy), a Rússia (Kruschev) e para Londres (Churchil),
“a fim de que tomassem conhecimento da catástrofe mundial para a qual a
humanidade caminhava”. O texto desta redação diplomática pode ter vazado a
partir de Moscou (o que é bem provável, uma vez que o comunismo queria o fim
da Igreja Católica) e foi publicado no dia 15 de outubro de 1963 no jornal alemão
Neus Europa, de Stuttgart, assinado por L. Heinrich, um cuidadoso analista dos
episódios de Fátima. O texto publicado pelo Neus Europa jamais foi contestado
pelo Vaticano. Eis a íntegra do texto do Neus Europa:
“Sou a mãe de Jesus, minha pequena, e a ti confio esta mensagem para o
mundo. Peço-te para torná-la pública. Encontrarás muitas resistências, mas não
77
tenhas medo. Os homens precisam corrigir-se. Com súplicas humildes devem pedir
perdão para os pecados cometidos. Desejas que te dê um sinal? Ei-lo: Um grande
castigo cairá sobre a humanidade ao longo da segunda metade do século XX. Já
revelei isso às crianças Mélanie e Máximin em La Sallete, e hoje repito-o para ti
porque minhas palavras não foram atendidas. Em nenhuma parte do mundo há
ordem. Satanás reina nos postos mais altos. Ele conseguirá seduzir os espíritos dos
grandes cientistas que criarão armas com as quais será possível destruir em
poucos minutos grande parte da humanidade. Ele terá os poderosos sob seu
domínio e os incitará a fabricar uma grande quantidade de armas mortais.
O tempo das grandes provações chegará também para a Igreja (...). 6 O
que estiver podre [a Igreja Católica] cairá e o que cair não mais se levantará (...).
Uma grande guerra estourará na segunda metade do século XX [a III Guerra
Mundial]. Fogo e chamas cairão dos céus e as águas dos oceanos se
transformarão em vapor [os testes nucleares nos oceanos]. Milhões de homens
perecerão de hora em hora. Os sobreviventes invejarão os mortos, porque para
qualquer lado que se olhar só se verá aflição, miséria e ruínas, em todos os países
(...). Virá o tempo dos tempos e o fim de todos os fins se a humanidade não se
converter e tudo permanecer com está hoje, ou pior, se a situação se agravar (...).
Por último, os que sobreviverem a todos esses acontecimentos (...)
proclamarão novamente a Deus e a Sua glória. Vai, minha pequena, e di-lo ao
mundo. Eu estarei sempre ao teu lado para te ajudar nessa obra”.
O Vaticano nunca contestou a autenticidade nem o conteúdo desse texto.
Como sempre, ficou em silêncio. O que pode significar aprovação. De outro lado,
como os comunistas queriam destruir a Igreja Católica imperialista é quase certo
que foram eles que divulgaram para o mundo a redação diplomática da mensagem
que receberam de João XXIII.
A redação da III mensagem de Fátima divulgada pelo Vaticano é falsa?
— No dia 13 de maio de l981 o terrorista turco Mehmet Ali Agca atirou no Papa
João Paulo II, ferindo-o gravemente. Algum tempo depois, o Vaticano divulgou
que aquele atentado estava previsto na III mensagem de Fátima, a qual havia se
cumprido através do atentado a João Paulo II. Contraditoriamente, o Vaticano
ignorou que a redação diplomática da III mensagem de Fátima divulgada por João
XXIII não contém quaisquer referências a um atentado ao papa.
Dúvidas sobre a III mensagem divulgada pelo Vaticano em 2002 —
Quanto à autenticidade da redação diplomática da III mensagem de Fátima
divulgada por João XXIII, embora mutilada, parece não haver dúvidas. Porém,
quanto ao recente documento divulgado em 2002 pelo Vaticano como sendo a III
mensagem de Fátima (o documento veio acompanhado de um fac-símile da carta
escrita pela Irmã Lúcia a fim de dirimir possíveis dúvidas), este parece ser mais um
engodo lançado pelo Vaticano contra a humanidade. As dúvidas foram levantadas
6
Numa outra versão da redação diplomática, estas reticências foram preenchidas com o seguinte
texto: “Satanás se instalará até mesmo nos mais altos postos da Igreja, determinando o andamento das
coisas”.
78
pela empresa Laboratórios Speckin, conhecido internacionalmente por seus estudos
periciais de caligrafia (um famoso exemplo foi o estudo da caligrafia de JonBenet
Ramsey). Um dos peritos do laboratório escreveu: “É minha opinião, baseada nos
originais examinados, que a letra da carta que acompanhou o texto divulgado não
pode ser identificada com as letras escritas pela irmã Lucia”. (Relatório Speckin,
p. 2). O laboratório comparou a letra da Irmã Lúcia nas cartas originais que ela
escreveu em 1930 e em 1980 com a letra da cópia das cartas divulgadas no ano
2002, as quais pretendiam confirmar a autenticidade do texto divulgado pelo
Vaticano, o qual supostamente revelava o III segredo de Fátima. O resultado da
perícia concluiu que a letra das cartas divulgadas não coincide com a letra das
cartas originais (ambas as cartas podem ser encontradas no site
http://www.tldm.org/news/lucys_wrinting.htm. Como Lúcia era portuguesa, ambas
as cartas estão escritas em português). As cartas originais de Lúcia divulgadas
pelos peritos revelam que o demônio estaria infiltrado na igreja, e esta informação
aparece nas versões não-oficiais do III segredo. Eis um trecho da carta original:
“Como eu adverti que satã participaria nos reinos mais elevados da
hierarquia em Roma. O terceiro segredo, minha criança, é que satã participaria
na igreja do meu filho”. (Maria, mãe de Jesus, 13 de maio de 1978).
Esse assunto todo sobre a falsificação das cartas me parece muito suspeito
e duvidoso, mas não posso ignorá-lo nesse tópico sobre as profecias da Fátima. A
veracidade de tais informações, porém, é da inteira responsabilidade do site acima
citado.
A razão pela qual a Igreja Católica escondeu do mundo a III mensagem de
Fátima até hoje só pode ser uma: a mensagem depõe contra ela própria. Muito
provavelmente a III mensagem profetiza sobre o fim do catolicismo e sobre o
reaparecimento do novo Cristo, fatos que, evidentemente, liquidam o catolicismo
tradicional.
Quando era cardeal, Joseph Ratzinger falou o seguinte sobre o assunto: “[A
III mensagem de Fátima] nada acrescenta a quanto um cristão precisa saber sobre
a revelação... Publicar o III segredo seria apenas expor-se ao perigo de usos
sensacionalistas de seu conteúdo”. Portanto, agora que se tornou Bento XVI, é
certo que ele não divulgará a mensagem, embora ela pertença ao mundo, pois não
foi endereçada exclusivamente aos papas. Aliás, esse péssimo costume da Igreja
Católica de guardar as informações apenas para si mesma é bem antigo, como fez
com todas as palavras da Bíblia durante mais de 1000 anos, até que Lutero acabou
com essa injustiça absurda, traduzindo o Novo Testamento para o alemão. Quem,
afinal, deu o direito à Igreja Católica de ocultar da humanidade as palavras de Deus
dirigidas a ela? Deus? Jesus? Ninguém lhe deu esse direito. Trata-se apenas de
omissão por medo das conseqüências da verdade para a sobrevivência do
catolicismo.
As mensagem de Fátima, o fim do catolicismo e o novo Cristo — As
referências contidas nas mensagens de Fátima sobre o reaparecimento do Cristo e o
fim da Igreja Católica estão muito claras. O reaparecimento do novo Cristo foi
profetizado no seguinte trecho: “E vimos, numa luz imensa (como uma fulgurante
79
imagem refletida num espelho) um Bispo vestido de Branco. Tivemos o
pressentimento de que era o Santo Padre”. Já o fim do catolicismo foi registrado
no seguinte trecho: “O tempo das grandes provações chegará também para a
Igreja (...). O que estiver podre [a Igreja Católica] cairá e o que cair não mais se
levantará”.
A morte da Irmã Lúcia e a proclamação do novo Cristo — As três
mensagens proféticas reveladas por Maria, mãe de Jesus, às três crianças-pastores
de Fátima falavam sobre o futuro do catolicismo e sobre o futuro da humanidade,
como é do conhecimento mundial. Milhares de livros e artigos foram publicados
sobre o tema e um dos assuntos tratados dizia que Lúcia, a mais velha das 3
crianças que receberam a mensagem, somente faleceria depois que o novo Cristo
fosse revelado para a humanidade (algo semelhante à história bíblica do velho
Simeão, citada na Bíblia/NT). Como já disse antes, pesquisando sobre o assunto fui
surpreendido, mais uma vez, pelos cristãos unificacionistas que chamaram minha
atenção para um fato inusitado: a Irmã Lúcia faleceu no dia 14 de fevereiro de
2005 (de acordo com o calendário lunar coreano), 2 horas depois da cerimônia na
qual o Rev. Sun Myung Moon foi coroado Rei da Paz Cósmico7no Congresso
Nacional da Coréia do Sul, na presença de mais 500 autoridades religiosas,
políticas, acadêmicas, empresariais, esportistas e artísticas representantes de quase
todos os países do mundo.
Minhas pesquisas descobriram ainda que há mais de meio século os
cristãos unificacionistas (membros da Igreja da Unificação), fundada em l954 e
estabelecida atualmente em cerca de 200 países, está anunciando ao mundo que o
Rev. Moon, nascido na Coréia, é o novo Cristo prometido aos cristãos (o II Israel),
o qual trouxe para o mundo o Completo Testamente, a terceira parte da mensagem
bíblica não revelada por Jesus devido à sua morte prematura.
No dia 23 de março de 2004, o Rev. Moon proferiu o discurso Declaração
da Era do Reino da Paz, no Capítólio, o edifício sede do Congresso dos Estados
Unidos (a III Roma, para os unificacionistas),8 na presença de cerca de 500
autoridades. Naquele discurso, o Rev. Moon proclamou:
7
Depois de realizar uma cerimônia para a Coroação de Deus (devolvendo-lhe a soberania sobre o
mundo, reconquistada das mãos do arcanjo Lúcifer, o falso “deus deste mundo”), e depois de realizar
uma cerimônia de Coroação de Jesus, em Israel (devolvendo-lhe a posição de rei substancial e
substituindo a injusta coroa de espinhos), o Rev. Sun Myung Moon foi coroado Rei da Paz em nível
mundial nos Estados Unidos, no dia 23 de março de 2004. Desde então, já recebeu mais de 50 coroas
como Rei da Paz Nacional ofertadas por milhares de autoridades de vários países. Por fim, no dia 14
de fevereiro de 2005 (do calendário lunar coreano) o Rev. Moon foi coroado Rei da Paz Cósmico no
Congresso Nacional da Coréia na presença de mais de 500 autoridades religiosas, políticas,
acadêmicas, esportistas, artísticas e empresariais de 185 países do mundo (l85 países é o número de
países filiados à ONU, os quais representam o mundo inteiro). Nenhum dos candidatos a novo Cristo
do século XX e XXI conquistou tal reconhecimento, dizem os cristãos unificacionistas.
8
Veja no Apêndice nota suplemantar sobre a Teoria das 3 Romas.
80
“O mundo espiritual está um passo à frente de nós na abertura do Reino
da Paz. Liderados pelos fundadores da cinco maiores religiões [judaísmo,
islamismo, confucionismo, budismo e cristianismo], mais de 120 bilhões [Bilhões!]
de pessoas vieram do mundo espiritual [Judas 14: “Eis que é vindo o Senhor entre
milhares de seus santos...”.] e estão trabalhando dia e noite conosco na Terra
para preparar o grande dia que está para chegar.
Os 5 grandes líderes-fundadores das maiores religiões... Declararam para
todo o Céu e para toda a Terra que o Rev. Sun Myung Moon é o novo Cristo, o
novo salvador e o Verdadeiro Pai da humanidade. Esta declaração tem sido
anunciada em cada canto do globo terrestre”. 9
Que dizer? Depois de conheder os cristãos unificacionistas e o Completo
Testamento concluí que somente uma séria, ampla e profunda pesquisa histórica
poderia trazer a verdade à luz. O resultado dessa minha breve pesquisa está
publicado neste livro. E a minha conclusão, por mais surpreendente que possa
parecer aos olhos de quem nada pesquisou sobre o assunto, não poderia ser outra
senão uma pergunta: Ele já voltou? Este livro reúne alguns argumentos favoráveis
a uma resposta afirmativa. Mas cada um de seus leitores é quem responderá a si
mesmo, pois esta resposta definirá seu futuro espiritual. Se o novo Cristo
prometido aos cristãos já está na Terra este é o mais importante e o maior
acontecimento do século XX, pois significa que a história da luta entre o bem e o
mal finalmente chegará ao fim, e o sonho de paz de Deus e do homem está
próximo de se concretizar.
15. O reaparecimento do Cristo e o fim do catolicismo
nas profecias de La Salette. França, 1846.
Em 19 de setembro de 1846, duas adolescentes pastoras de gado, Mélanie Calfat
(14 anos), e Maximin Giraud (13 anos), tiveram uma visão da Santa Virgem em La
Salette, povoado situadoa cerca de 70km de Grenoble, sul da França, nas
montanhas alpinas a 1800m de altitude. Arproximadamente às três horas da tarde,
quando o céu estava claro e o sol brilhava intensamente, as adolescentes viram um
globo luminoso se abrir e, como que saindo de seu interior, surgiu uma Senhora
Luminosa sentada sobre uma rocha, com os cotovelos sobre os joelhos e chorando
com o rosto entre as mãos. As meninas se assustaram e ameaçavam bater nela com
o cajado. A Senhora as acalmou, pedindo que não tivessem medo e que estava ali
“para lhes contar uma grande novidade”. Durante algum tempo, a Senhora
Luminosa conversou com elas sobre assuntos triviais da colheita. Depois,
9
Apud: Declaração da Era do Reino da Paz. Capitólio dos EUA, 23 de junho de 2004. A declaração
citada pelo Rev. Sun Myung Moon em seu discurso foi publicada sob a forma de livro com o título
Uma Nuvem de Testemunhas e publicadas sob a forma de grandes artigos de 2 e 3 páginas inteiras
nos jornais diários Segye Times (na Coréia do Sul: 1 milhão de exemplares/dia) e no jornal The
Washington Times (Em Washington: 200.000 exemplares/dia).
81
repentinamente, Mélanie ficou surda, enquanto sua amiga ouvia da Senhora um
segredo profético. Em seguida, foi a vez de Maximin ficar surda, enquanto Mélanie
recebia um outro segredo muito mais longo que o primeiro. Quando a Senhora
terminou de falar ambas passaram a ouvir novamente, enquanto a Senhora
continuou com seu diálogo trivial, recomendando que ambas fizessem suas
orações, etc. Em seguida, as meninas viram a Senhora como que se dissipando. Em
suas palavras: “ela começou a se derreter como manteiga na frigideira”. E se foi.
Não demorou muito e todo o povoado ficou sabendo dos eventos ocorridos
nas montanhas. Como sempre, teve início a via crucis das meninas, que foram
duramente interrogadas inúmeras vezes para que revelassem os segredos que a
Senhora lhes confiara. Mas as meninas mantiveram o segredo. Somente em 1851,
as meninas escreveram suas respectivas mensagens em uma carta lacrada e
endereçada ao Papa Pio IX, a quem julgaram merecedor de conhecer os segredos.
A partir de 1872, apareceu em Lecce, na Itália meridional, uma publicação
assinada por Mélanie Calfat, contendo um extrato do segredo. Em 15 de novembro
de 1879 o documento recebeu o Imprimatur do bispo Monsenhor Zola. Depois
disso a Igreja decidiu retroceder, ora confirmando, ora condenando a mensagem
que já circulava em toda a Europa.
No I segredo, Maria fala da crise do cristianismo e das religiões em geral,
particularmente da queda do catolicismo. Fala ainda da Grande Tribulação dos
últimos dias e da vitória de Deus, a qual, segundo a maioria dos grandes profetas
da humanidade e a própria Bíblia, somente ocorrerá com o retorno do novo Cristo
prometido aos cristãos, o qual derrotará satanás e, como o Cristo-rei vitorioso,
estabelecerá o Reino de Deus na Terra.
No II segredo, Maria fala das mesmas questões, porém, com muito maior
amplitude e profundidade. No II segredo Maria profetiza o agravamento da crise
moral da humanidade, da dureza da Grande Tribulação, dos cataclismos naturais do
fim dos tempos, da total degradação e total destruição do catolicismo, do
aparecimento do anticristo e, especialmente, do reaparecimento e da vitória total do
novo Cristo prometido aos cristãos, o qual vencerá satanás e estabelecerá o Reino
de Deus na Terra, tornando-se o Cristo-rei e Verdadeiro Pai eterno de toda a
humanidade. Eis a íntegra das revelações de Maria para Mélanie e Maximin em La
Salette:
“O I segredo confiado a Maximin — Maximin, três quartos da França
perderão a fé e a quarta parte a conservará e a praticará tepidamente. O rei que
deve reinar sobre a França convertida e pacificada será da antiga linhagem dos
Bourbon. Uma nação protestante do Norte [Rússia] se converterá à fé, e por meio
desta nação as outras nações retornarão à fé. O papa que virá depois disto não
será Romano (João Paulo II, o polonês). A paz não será dada ao mundo senão até
que os homens estejam convertidos. E quando os homens se converterem Deus
dará a paz ao mundo. Depois desta paz [a humanidade] será perturbada pelo
monstro (o anticristo?)”.
“O II segredo confiado a Mélanie — Mélanie, isto que eu vou te dizer
agora não será sempre um segredo. Vós podeis publicar em 1858. Os sacerdotes,
82
ministros de meu Filho (Maria, mão de Jesus, se identifica), por sua má vida, por
suas irreverências e impiedade ao celebrar os santos mistérios, por seu amor ao
dinheiro, às honras e aos prazeres, se convertem em cloacas de impureza. Se os
sacerdotes pedem vingança a vingança pende sobre suas cabeças. Ai dos
sacerdotes e pessoas consagradas a Deus que, por suas infidelidades e má vida,
crucificam de novo a meu Filho! Os pecados das pessoas consagradas a Deus
clamam ao Céu e pedem vingança, e eis aqui que a vingança está às portas, pois já
não se encontra nada que implore misericórdia e perdão para o povo; já não há
almas generosas nem pessoa digna de oferecer a oferta sem mancha ao Eterno a
favor do mundo.
Deus vai golpear de uma maneira sem igual. Desgraça aos habitantes da
Terra! Deus vai derramar toda a sua cólera e pessoa alguma poderá se subtrair a
tantos males juntos. Os chefes, os condutores do povo de Deus, negligenciaram a
prece e a penitência, e o demônio obscureceu suas inteligências, convertendo-os
em estrelas errantes que o velho diabo arrastará com sua cauda para fazê-los
perecer. Deus permitirá à velha serpente (Lúcifer, o satanás) que coloque divisões
entre os governantes, em todas as sociedades e em todas as famílias. Então se
sofrerá de penas físicas e morais; Deus abandonará os homens a eles mesmos, e
enviará castigos que se sucederão por mais de 35 anos. A sociedade está às
vésperas dos flagelos, os mais terríveis e dos maiores acontecimentos; a
humanidade deve esperar ser governada por uma vara de ferro e a beber o cálice
da cólera de Deus.
Que o Vigário de meu Filho, o soberano pontífice Pio IX, não saia mais de
Roma depois do ano de 1859, mas que ele seja firme e generoso. Que ele combata
com as armas da fé e do amor. Eu estarei com ele. Que se desconfie de Napoleão
(Napoleão III). Seu coração é duplo. E quando ele vier a ser de uma vez papa e
imperador, bem depressa Deus se afastará dele. Ele é esta águia que, querendo
sempre se elevar, tombará sobre a espada da qual ele queria se servir para
obrigar os povos a enaltecê-lo. A Itália será punida por sua ambição em querer
sacudir o jugo do Senhor dos senhores. Também ela será entregue à guerra. O
sangue correrá de todos os lados. As igrejas serão fechadas ou profanadas. Os
padres, os religiosos serão perseguidos; serão postos à morte e morrerão de morte
cruel. Vários abandonarão a fé e o número de padres e religiosos que se
separarão da verdadeira religião será grande. Entre estas pessoas serão
encontrados até mesmo os bispos!
Que o papa tome precaução contra os fazedores de milagres, pois tempos
virão em que prodígios os mais espantosos terão lugar sobre a terra e o ar. No ano
de 1864 Lúcifer e um grande número de demônios serão soltos do inferno. Eles
abolirão a fé pouco a pouco, mesmo entre as pessoas consagradas a Deus; cegála-ás de tal maneira que, exceto por uma graça particular, essas pessoas tomarão
o espírito de seus maus anjos: muitas casas religiosas perderão completamente a
fé e muitas almas se perderão. Os maus livros abundarão sobre a Terra e os
espíritos das trevas espalharão por todos os lugares um relaxamento universal em
tudo aquilo que diz respeito ao serviço de Deus. Eles terão um imenso poder sobre
83
a natureza. Haverá igrejas para servir a esses maus espíritos. Haverá por toda
parte prodígios extraordinários, porque a verdadeira fé terá se extinguido e a falsa
luz alumia o mundo. Ai dos príncipes da Igreja que se dedicarão unicamente a
amontoar riquezas sobre riquezas, pôr a salvo sua autoridade e a dominar com
orgulho! As pessoas serão transportadas de um lugar para o outro por esses
espíritos malvados. E até mesmo os padres — porque eles não estarão sendo
conduzidos pelo bom espírito do evangelho, que é um espírito de humildade, de
caridade e de zelo pela glória de Deus. Poder-se-á ressuscitar os mortos e os
justos — estes mortos tomarão a aparência de almas justas que haviam vivido
sobre a Terra a fim de melhor seduzir os homens. Esses pretensos mortos
ressuscitados, que não serão outra coisa senão demônios sob estas aparências,
pregarão um evangelho contrário àquele do verdadeiro Cristo Jesus, negando a
existência do céu, seja ainda as almas dos condenados. O Vigário de meu Filho
terá que sofrer muito, porque por um tempo a Igreja será entregue a grandes
perseguições. Estes serão os tempos das trevas, a Igreja terá uma crise horrenda.
A santa fé de Deus sendo esquecida, cada indivíduo passará a guiar-se por si
mesmo, e será superior a seus semelhantes. Serão abolidos os poderes civis e
eclesiásticos; toda ordem e toda justiça serão calcadas aos pés; não se verão
senão homicidas, ódios, ciúmes, invejas, mentiras e discórdias, sem amor pela
pátria nem pela família.
O Santo Padre sofrerá bastante; eu estarei com ele no fim para receber
seu sacrifício. Os malévolos atentarão várias vezes contra sua vida sem poder
impedir seus dias (João Paulo II escapou do atentado à sua vida); Mas nem ele,
nem seu sucessor (Bento XVI, Joseph Ratzinger), que não reinará por longo
tempo, (Bento XVI poderá ser assassinado) verão o triunfo da Igreja de Deus
(como o catolicismo estará destruído, essa futura Igreja de Deus pode ser uma
referência ao movimento religioso universal fundado pelo novo Cristo). Os
governantes civis terão todos um mesmo desígnio, que será de abolir e fazer
desaparecer todos os príncipios religiosos, para dar lugar ao materialismo, ao
ateísmo, ao espiritismo e a toda espécie de vícios. No ano de 1865 (a soma dos
números dá 20 — 1+8+6+5 = 20 —, o que pode ser uma referência ao século XX,
ano em que o comunismo ateu infiltrou-se na Igreja Católica, forjando a teologia da
libertação e a Igreja Popular, que enfraqueceram enormemente a fé católica), verse-á abominação nos lugares santos (sexo livre, pedofilia e homossexualismo nos
altares), nos conventos, as flores da Igreja estarão corrompidas e o demônio se
fará passar como o rei dos corações. Que aqueles que estão à testa das
comunidades religiosas tomem cuidado com as pessoas que eles devem receber,
porque o demônio usará de toda sua malícia para introduzir nas Ordens religiosas
pessoas habituadas ao pecado; pois as desordens e o gosto pelos prazeres carnais
estarão espalhados por toda a Terra. A França, a Itália, a Espanha e a Inglaterra
estarão em guerra. O sangue correrá pelas ruas. Os franceses lutarão contra os
franceses, os italianos contra os italianos; em seguida haverá uma guerra geral
que será espantosa (as Guerras Mundiais). Por um tempo Deus não se lembrará
mais da França nem da Itália, porque o Evangelho de Jesus Cristo não é mais
84
conhecido. Os malvados defraudarão toda a sua malícia. Farão assassinatos, se
massacrará mutuamente até dentro das casas. No primeiro golpe de sua espada
fulminante, as montanhas e a natureza inteira tremerão de assombro, porque as
desordens e os crimes dos homens transpassarão a abóbada dos céus. Paris será
queimada e Marselha tragada pelo mar. Vedes o Sena? Quantas pessoas nele se
atirarão!; a maioria virá lançar-se desvairadamente, fugindo ao fogo que estará
como que suspenso sobre a cidade (fogo suspenso? O cogumelo formado no ar
pela bomba atômica?). Haverá quarteirões em que o fogo do céu estará como que
suspenso acima das casas, mas não destruirá nada, enquanto em outros, até as
pedras se tornarão em pó. Muitas grandes cidades serão abaladas e engolidas
pelos tremores de terra. Crer-se-á que tudo estará perdido, não se verão senão
homicidas, não se ouvirá senão barulho de armas e blasfêmias. Os justos sofrerão
muito. Suas preces, suas penitências e suas lágrimas subirão até o céu e todo o
povo de Deus pedirá perdão e misericórdia, e pedirá minha ajuda e minha
intercessão.
Então Jesus Cristo, por um ato de sua justiça e de sua grande misericórdia
pelos justos, comandará seus anjos até que todos os seus inimigos sejam postos à
morte. Todos de uma vez, os perseguidores da Igreja de Cristo (a Igreja do novo
Cristo, pois a profecia prevê o fim do catolicismo) e todos os homens entregues ao
pecado perecerão, e a Terra se tornará como um deserto. Então se fará a paz, a
reconciliação de Deus com os homens. Cristo (o novo Cristo?) será servido,
adorado, glorificado, a caridade reflorescerá por toda parte, os novos reis serão o
braço direito da Igreja Santa (a Igreja da Unificação?), que será forte, humilde,
piedosa, desprendida, zelosa e imitadora das virtudes de Jesus Cristo. O
Evangelho será pregado por toda parte e os homens farão grandes progressos na
fé, porque haverá unidade entre os obreiros de Jesus Cristo, e os homens viverão
no temor de Deus.
Esta paz entre os homens não será longa (a paz resultante do fim da
Guerra Fria durou pouco. A guerra entre a civilização cristã e a civilização árabe
— o terrorismo apocalíptico de Bin Laden — é uma séria ameaça nuclear). Vinte e
cinco anos de abundantes colheitas lhes farão esquecer que os pecados dos
homens são a causa de todas as penas que recaem sobre a Terra. Um precursor do
anticristo (o comunismo?), com suas tropas de várias nações, combaterá contra o
verdadeiro Cristo, o único salvador do mundo. Será derramado muito sangue e
ele tentará aniquilar o culto a Deus, por se fazer considerar como um Deus. A
Terra será atingida por toda espécie de chagas, além da peste e da fome, que
serão gerais, e haverá guerras até a derradeira guerra, que será então feita pelos
dez reis do anticristo, os quais terão todos um mesmo desígnio, e serão os únicos
que governarão o mundo. Antes que isso aconteça, haverá uma espécie de falsa fé
no mundo (o Movimento Nova Era, que rejeita os fundamentos da fé judaicocristã?). Não se pensará senão em diversão. Os malvados se entregarão a toda
sorte de pecados. Mas os filhos da igreja santa, os filhos da fé, meus verdadeiros
imitadores, crerão no verdadeiro amor de Deus e nas virtudes que me são as mais
caras. Felizes as almas humildes conduzidas pelo Espírito Santo! Eu combaterei
85
com elas até que chegue a plenitude da época. A natureza pede vingança pelos
homens e ela estremece, as águas fervilham espantosamente, treme-se na
expectativa daquilo que deve acontecer à Terra manchada de crimes. Treme Terra,
e vós que fizestes profissão de servir Jesus Cristo, e que internamente adorastes a
vós mesmos, tremei, pois Deus vos entregará aos vossos inimigos, porque os
lugares santos estão na corrupção. Muitos conventos não são mais as casas de
Deus, mas paragem de Asmodeus e dos seus. Será durante esse tempo que nascerá
o anticristo, de uma religiosa hebraica, de uma falsa virgem que terá
comunicação com a velha serpente, a senhora da impureza (Lúcifer, o sedutor do
mundo); seu pai será bispo; ao nascer vomitará blasfêmias, terá dentes; em uma
palavra, será o diabo encarnado; soltará gritos espantosos, fará prodígios, só se
alimentará de impurezas. Terá irmãos que, embora não sejam como ele, demônios
encarnados, serão filhos do mal; aos doze anos se farão notar pelas valorosas
vitórias que alcançarão. Bem cedo eles estarão cada um à frente dos exércitos,
assistidos pelas legiões do inferno. As estações estarão trocadas, a Terra não
produzirá senão maus frutos. Os astros perderão seus movimentos regulares; a lua
não refletirá senão uma pálida luz avermelhada. A água e o fogo darão ao globo
terrestre movimentos convulsivos e horríveis tremores de terra que farão engolir
as montanhas, as cidades, etc. Roma perderá a fé e se tornará a sede do
anticristo. Os demônios do ar, com o anticristo, farão grande prodígios na terra e
nos ares, e os homens se perverterão mais e mais. Deus cuidará de seus fiéis
servidores e dos homens de boa vontade. O Evangelho será pregado em todos os
lugares. Todos os povos e todas as nações conhecerão a verdade.
Eu dirijo um apressado chamado à Terra; chamo os verdadeiros
discípulos de Deus que vive e reina nos Céus; chamo os verdadeiros imitadores de
Cristo feito homem, o único e verdadeiro salvador dos homens (até o retorno do
novo Cristo, que também trará o poder salvador de Deus e que derrotará satanás
definitivamente); chamo meus filhos, meus verdadeiros devotos, os que me têm
consagrado a fim de que os conduza ao meu divino Filho, os que levo, por assim
dizer, em meus braços, os que têm vivido do meu espírito; finalmente chamo os
apóstolos dos últimos tempos, os fiéis discípulos de Cristo (do novo Cristo?) que
têm vivido no menosprezo do mundo e de si mesmos, na pobreza e na humildade,
no menosprezo e no silêncio, na oração e na mortificação, na castidade e na união
com Deus, no sofrimento e desconhecimento do mundo. Já é hora que saiam e
venham iluminar a Terra. Ide e mostrai-vos como meus filhos queridos. Eu estou
convosco e em vós, conquanto vossa fé seja luz que os ilumine nesses dias de
infortúnio. Que vosso zelo os faça famintos da glória de Deus e da honra de
Cristo. Pelejai, filhos da luz, vós, pequeno número que aí vedes; pois eis aqui o
tempo dos tempos, o fim dos fins. A Igreja (Católica Romana) será eclipsada, o
mundo ficará consternado. Mas eis aí Enoque e Elias (referência-símbolo dos
novos profetas-pregadores. Apoc. 10.11) cheios do Espírito Santo de Deus;
pregarão com a força de Deus, e os homens de boa vontade crerão em Deus, e
muitas almas serão consoladas; farão grandes prodígios pela virtude do Espírito
Santo e condenarão os erros diabólicos do anticristo. Desgraça aos habitantes da
86
Terra! Haverá guerras sangrentas e fome, pestes e doenças contagiosas, chuvas de
granizo e saraivadas em grande quantidade, aterrorizando até os animais. Os
trovões sacudirão as cidades. Os tremores de terra engolirão os países. Serão
ouvidas vozes no ar. Os homens baterão suas cabeças contra as muralhas. Eles
chamarão pela morte e por outro lado a morte fará seu suplício; o sangue correrá
de todos os lados. Quem poderá vencer, se Deus não diminuir os tempos da
provação? Pelo sangue, as lágrimas e as preces dos justos, Deus se deixará
comover. Enoque e Elias serão postos à morte (referência à perseguição dos novos
pregadores). Roma, afligida, desaparecerá, e o fogo do céu tombará e consumirá
três cidades. Todo o universo será atingido pelo terror e muitos se deixarão
seduzir porque não adoraram o verdadeiro Cristo vivo no meio deles. Em tempo:
o sol se obscurecerá, a fé sozinha viverá. Eis os tempos, o abismo se abre. Eis o rei
dos reis das trevas. Eis a besta com seus negócios, dizendo-se o salvador do
mundo (o comunismo ateu, disfarçado de movimento messiânico e salvador do
mundo). Ela (a besta feroz comunista; a assassina de 150 milhões de inocentes) se
elevará com orgulho nos ares por ir até o céu (a conquista do espaço pelo
comunista russo Yuri Gagárin). Ela será destruída pelo sopro de São Miguel
Arcanjo. Ela tombará (o comunismo internacional caiu em l987, sob Mikhail
Gorbatchev) e a Terra que, depois de três dias, estará em contínuas evoluções,
abrirá seu seio cheio de fogo. Ela será mergulhada no jamais, com todos os seus,
nas profundezas eternas do inferno. Então a água e o fogo purificarão a Terra, e
consumirão todas as coisas dos orgulhosos homens, e tudo será renovado. Deus
será servido e glorificado”.
Neste longo e valioso texto profético destaquei em negrito os trechos
referentes ao fim do catolicismo e ao reaparecimento do novo Cristo-rei vitorioso.
Penso que a simples leitura dos textos na íntegra é suficiente para sensibilizar o
leitor quanto à veracidade e à seriedade destas profecias, uma vez que são
incrivelmente semelhantes aos textos dos demais grandes profetas cristãos da
humanidade e também aos textos bíblicos referentes à Grande Tribulação e ao
retorno e à vitória do Cristo. Essa semelhança extraordinária somente pode
significar uma coisa: que todos se originaram de uma única e mesma fonte: o
Verdadeiro Deus auto-revelado na Bíblia.
16. O reaparecimento do Cristo e o fim do catolicismo
nas profecias de Bernadette Soubirous (Lourdes. França, 1858)
Depois da aparição em La Salette, em 1846, Maria, mãe de Jesus, voltou a aparecer
no sudoeste da França, no vilarejo de Lourdes, para Bernadette Soubirous (?-1879),
uma adolescente de 14 anos. Bernadette recebeu 17 mensagens da Senhora
Luminosa entre fevereiro e julho de 1858.
Bernadette recebeu de Maria três segredos, mas os levou consigo para o
túmulo, pois se recusou a revelá-los mesmo sob intensa pressão. Não obstante,
Bernadette os escreveu numa carta enviada ao Papa pouco antes de sua morte, em
1879. O conteúdo das profecias de Bernadette veio a público através de uma
87
publicação de Vinzenzo Sardi, num artigo do jornal Weekly World News, que
informava que um clérigo francês chamado Antoine LaGrande havia descoberto na
biblioteca do Vaticano cinco “novas profecias” que a Senhora de Lourdes havia
revelado a Bernadette Soubirous. Acredito que essa descoberta não foi acidental,
mas providencial, uma vez que todas as profecias são dirigidas à humanidade com
o propósito de levá-la ao arrependimento e alertá-la para as iminentes e graves
tragédias provocadas pelo pecado e pela descrença.
Bernadette Soubirous morreu em 1879, e foi canonizada em 1933. Seu
corpo encontra-se ainda hoje em Lourdes, onde foi construído um dos mais
famosos santuários do mundo católico.
As cinco profecias de Lourdes — A descoberta aconteceu em dezembro de
1998, quando o padre Antoine LaGrande procurava um livro na biblioteca do
Vaticano, precisamente sobre os milagres ocorridos em Lourdes. São cinco as
profecias, das quais quatro já se cumpriram. A quinta e última deve se cumprir no
ano 2000.
As cinco profecias estavam numa carta de Bernadette enviada ao Papa
pouco antes de sua morte, em 1879. Seu conteúdo nunca foi revelado pelo
Vaticano. Quando no início do século XX pesquisadores procuraram descobrir seu
paradeiro, os líderes do alto escalão do Vaticano admitiram que a carta
simplesmente havia se perdido.
O padre Antoine LaGrande revelou que descobrira a longa carta perdida
numa caixa de ferro numa sala de depósito no sótão da biblioteca do Vaticano. Em
cada uma de suas cinco páginas havia uma profecia relativa a um período de tempo
específico. Quatro dessas profecias aconteceram como Bernadette tinha predito.
Trechos desta descoberta estão publicados no site da Unity PublishingCatholic Prophecy, em inglês (a tradução a seguir foi extraída do site
www.realidadehoje.com.br).
A I profecia predisse o que aconteceria ao Santuário de Lourdes nos anos
imediatamente posteriores à sua morte, explicando que o mesmo se tornaria um
renomado centro de cura, disse o padre LaGrande. O Santuário de Lourdes se
tornou realmente o maior santuário de cura católico da Europa, e talvez do mundo.
A II Profecia predisse várias descobertas científicas envolvendo “o
envoltório de luz” que deveria acontecer antes de 1906. O Padre LaGrande diz que
essa profecia se cumpriu com a invenção do bulbo de luz, o fonógrafo e outras
invenções usando a eletricidade. Eu, porém, acrescentaria a teoria da relatividade
restrita anunciada por Einstein em l905, cuja base física foi precisamente o estudo
da luz. Quanto à idéia da descoberta do “envoltório da luz” esta me parece ser uma
referência explícita à teoria do espaço substancial (o espaço visto como uma
“substância” sultil) de Einstein que, teoricamente, envolve tudo o que existe,
inclusive as partículas de luz (os fótons).
A III Profecia previu que nos anos de 1930 um terrível mal se levantaria
na Alemanha, e descrevia a ocorrência de uma terrível guerra que envolveria a
maioria das nações do mundo. Segundo o Padre LaGrande, essa profecia se
88
cumpriu exatamente como foi predita por Bernadette e referiu-se à ascensão de
Adolf Hitler ao governo da Alemanha e à eclosão da II Guerra Mundial.
A IV Profecia previa em detalhes o esforço que a humanidade faria para
alcançar os céus e predizia que, por volta de 1970, um homem americano
caminharia na lua. Esta profecia se cumpriu com a chamada corrida espacial entre
os Estados Unidos e a ex-União Soviética, e culminou com a vitória norteamericana, quando a nave Apollo XI aterrisou na Lua e o astronauta norteamericano Neil Armstrong se tornou o primeiro ser humano a caminhar na lua em
1969.
A V Profecia é a mais longa de todas e a mais importante, uma vez que
prevê a Grande Tribulação que se abaterá sobre a humanidade, à qual se seguirá o
reaparecimento do novo Cristo e o estabelecimento do Reino de Deus na Terra — a
Segunda Idade Dourada da Humanidade, que representa o novo Éden restaurado
pelo novo Cristo prometido aos cristãos. Do ponto de vista judaico-cristão um tal
mundo nunca surgirá antes do advento do novo Cristo. Por isso, uma vez que as
profecias de Lourdes afirmam o aparecimento do Reino de Deus na Terra, elas
admitem implicitamente a presença do novo Cristo na Terra. Vejamos alguns
trechos da V profecia.
“Sua Santidade, a virgem, me disse que quando passar o 20o século, com
ele passará a Idade da Ciência. Uma nova Idade de Fé nascerá pelo mundo todo.
Será provado, enfim, que foi Deus quem criou o mundo e o homem, e isto será o
começo do fim dos cientistas, nos quais o povo cessará de acreditar. Milhões
retornarão a Cristo, e o número de crentes aumentará bastante. O poder da Igreja
crescerá como nunca antes (Essa profecia é comum entre os profetas, porém,
penso que essa Igreja que crescerá imensamente não será a Igreja Católica, a qual,
segundo os mesmos profetas será destruída ou transformada em algo
completamente novo). Também levará muitos a virar suas costas à ciência em
função da arrogância dos físicos que usam seu conhecimento para criar uma
abominação. Esses doutores encontrarão os meios para combinar a essência do
homem (o DNA) e a essência de uma besta e criar uma nova criatura que não será
nem totalmente homem nem totalmente besta (vários outros profetas previram o
mesmo fato. A profecia de Rasputin sobre a manipulação genética é de uma
precisão impressionante). O povo saberá em seu coração que isso é errado, mas
estará sem forças para parar a geração de tais monstros. No fim, caçarão os
cientistas como os lobos raivosos são caçados. Um combate final entre os
seguidores de Maomé e as nações cristãs do mundo se desenrolará. na véspera do
ano 2000 (“véspera do ano 2000 = 1999. O ano de l999 também foi citado pelas
profecias maia e por vários outros profetas como o início da III Guerra Mundial —
que pode ser a guerra islamismo-cristianismo atualmente em curso, e que ameaça
se tornar uma guerra mundial nuclear. Nostradamus também citou julho de 1999,
vinculando-o a Marte, o deus grego da guerra).
Uma furiosa batalha será travada na qual 5.654.831 (5.6 bilhões!) de
soldados serão mortos e uma bomba de grande poder cairá numa cidade da Pérsia
(provavelmente, o Irã. Uma quadra de Nostradamus parece predizer o mesmo
89
evento. A exatidão e a grandeza da cifra de mortes impressiona, pois tão alto
número de mortes somente pode ser atingido por armas nucleares).
O reaparecimento do Cristo e do Reino de Deus na Terra — Mas no
cumprimento do tempo, o sinal da cruz prevalecerá e todo o Islã será forçado a se
converter ao cristianismo (A conversão do islamismo para o Deusismo, uma visão
ecumênica universal, é uma profecia comum entre os profetas, especialmente
Nostradamus). Seguir-se-á um século de paz e alegria enquanto todas as nações
da Terra deporão suas espadas e barreiras. Grande prosperidade acontecerá
enquanto o Senhor derramará Suas suaves bênçãos sobre os fiéis. Nenhuma
família na Terra conhecerá a pobreza ou terá fome. De cada dez pessoas a uma
será concedido por Deus o poder de curar e elas expulsarão toda doença daqueles
que procurarem sua ajuda. Muitos se rejubilarão com estes milagres. O século 21
se tornará conhecido como a Segunda Idade Dourada da Humanidade”.
O surgimento de um mundo de paz e prosperidade na Terra, depois da
Grande Tribulação, é uma profecia comum a todos os grandes profetas, inclusive
os profetas bíblicos. Madame Blavatsky também anteviu o novo mundo de paz na
Terra. Obviamente, tudo isso somente será possível depois do segundo advento do
Cristo, que deverá ocorrer necessariamente na Terra.
17. O reaparecimento do Cristo e o fim do catolicismo
nas profecias de Ida Peerdeman (Holanda, 1959)
Em fins de março de 1945, quando a II Guerra Mundial caminhava para seu final, a
Maria, a mãe de Jesus, começou a aparecer em Amsterdã para uma mulher de 40
anos, Ida Peerdeman, solteira. Foram 56 aparições ocorridas de 25 de março a 31
de maio de 1959. Ida ditava as mensagens recebidas da Senhora, as quais eram
anotadas por uma terceira pessoa. As mensagens foram devidamente datadas e
organizadas, constituindo-se em um dos mais impressionantes documentos
proféticos já publicados, e com o imprimatur das autoridades eclesiásticas. As
mensagens tratam, sobretudo, do futuro da Igreja e do mundo, que começava então
a se dividir nos dois blocos antagônicos liderados pelos Estados Unidos e pela exUnião Soviética.
Auto-intitulada “Senhora de Todos os Povos, que um dia fora Maria”,
segundo suas próprias palavras, Maria se apresentava descalça e em pé sobre um
globo terrestre em rotação e envolto em nuvens, as quais se transformavam em
numerosas ovelhas brancas e algumas negras que, segundo ela, representavam
todos os povos do mundo.
Mudança da Igreja de Roma: um novo cristianismo, uma nova
sociedade e um novo mundo — As mensagens da Senhora de Todos os Povos, da
Holanda, alertam sobre o futuro do mundo do pós-guerra, das transformações
radicais no moral das grandes nações, da evolução e revolução da Igreja e do
cristianismo, do ressurgimento de falsas filosofias, falsos líderes, da política
nefasta dos Estados Unidos e de graves acontecimentos no Extremo Oriente, além,
claro, da eclosão da III Guerra Mundial. Falam ainda do advento de uma nova
90
doutrina no seio da Igreja, na virada do grande milênio. Na verdade, não se trata
de uma nova doutrina, mas, como a própria Senhora Luminosa diz (49a. Visão):
“Não trago uma doutrina nova. Trago agora a revelação dos mistérios antigos”.
Essa doutrina dos mistérios antigos não é uma referência ao gnosticismo, ou ao
esoterismo (a chamada antiga “religião” da deusa, o ocultismo da magia negra),
mas uma referência aos antigos segredos bíblicos de Deus que serão revelados pelo
novo Cristo.
A crise do catolicismo — Maria diz que ocatolicismo conhecerá um
período de angústia qual nunca se viu antes, e conhecerá lutas internas ferrenhas:
“Vejo se levantar uma oposição: poderosas contracorrentes. Uma grande
luta penetra na Igreja”. “O mundo deve ser desprendido de tudo; e, sobretudo, a
Igreja” (16a visão).
“De novo andarão no caminho, com Cristo” (3a visão).
“Diversas tendências pendem em direção a um bom socialismo, com a
condição de que seja feito sob a direção da Igreja. É necessário chegar aí” (4a
visão).
Muitos outros profetas, tais como Edgar Cayce e Nostradamus, anteviram
o aparecimento de um bom socialismo (sistema econômico cujos meios e bens de
produção pertencem à sociedade como um todo) influenciado pela religião, e não
pelo comunismo ou pela Igreja Católica, que já não existirão. Evidentemente, esse
“socialismo” religioso nada tem a ver com o socialismo marxista ateu, definido por
Marx como uma etapa anterior à implantação do comunismo, período em que os
revolucionários, recém chegados ao poder, ainda lutam — perseguem, prendem e
fuzilam sumariamente — contra as forças ditas “reacionárias” (os religiosos, os
empresários e todas as pessoas que acreditam em Deus e rejeitam o ateísmo e a
violência). Conforme a revista Le Figaro (edição de 18 de novembro de 1978),
desde 1917, quando chegou ao poder, o comunismo assassinou 150 milhões de
pessoas inocentes nos 35 países que dominou até l987. Para os cristãos
unificacionistas, porém, o sistema econômico que surgirá no futuro (mas já está
sendo implantado na Terra hoje) não é o socialismo, mas o familismo, um sistema
político-econômico criado e orientado pelo novo Cristo, cujos líderes, em
obediência a Deus e educados por Deus, terão um coração de pai e verão e
atenderão às necessidades de todos os seres humanos como se atendessem aos seus
verdadeiros irmãos e filhos. Tal sistema somente poderá emergir com base na fé
em Deus e na educação do caráter. Portanto, somente será plenamente implantado
na Terra depois da Grande Tribulação e da vitória do novo Cristo.
A Guerra da Coréia — Curiosamente, dentre as muitas profecias que
revelou à vidente Ida Peerdeman, entre 1945 e 1956, na 23ª visão, Maria lhe
mostrou a Guerra da Coréia (1951-1953), quando a Coréia do Norte comunista,
com o apoio da China comunista (que enviou para a Coréia 1 milhão de soldados),
invadiu a Coréia do Sul, ocasionando a morte de mais de 1 mihão de coreanos,
devastando econômica e ecologicamente o país. Na mesma 23ª visão, Maria
91
mostrou a Peerdeman a China atacando uma ilha (provavelmente, a península
coreana, que é uma ilha):
“Esse conflito na Coréia é um símbolo e o começo de uma grande miséria.
Os grandes acontecimentos. Tudo vai se agravar”.
É curiosonotar que, para os cristãos unificacionistas, o novo Cristo nasceu
na Coréia, e o que ocorrer à Coréia ocorrerá ao resto do mundo.
18. O reaparecimento do Cristo e o fim do catolicismo
nas profecias de Paracelso (1493-1541)
Paracelso (além de Celsius. Celsius foi um discípulo do médico grego Galeno),
nascido Theophrastus Bombastus von Hohenhein (Theophrastus = chamado por
Deus), nasceu em 1493, na cidade suiça de Einsiedeln, filho de um médico e
professor de química. Aos 17 anos foi enviado para Basileía, importante centro
cultural europeu para cursar a universidade. Arredio às mulheres, torna-se alvo de
gozações e abandona os cursos regulares e ingressa na escola dos monges
beneditinos de Santo André, em Lavanthal, onde conheceu o bispo alquimista
Erhart Baumgartner. Muda-se depois para Würzburg, onde se torna aluno do abade
Johan Tritemius, alquimista e ocultista. Conhece também Heinrich Cornelius
Agrippa, filósofo e ocultista. Em l515, aos 22 anos, Paracelso iniciou uma viagem
de estudos pela Europa que durou 10 anos. Estudou química e medicina. Tornou-se
cirurgião militar na Guerra dos Países baixos em 1518 a fim de aprofundar seus
estudos de anatomia. Reapareceu na Alemanha e começou a praticar a medicina
com base na teoria de que “todas as doenças têm uma mesma causa: a desarmonia
entre o micro e o macrocosmos”. Apoiado em Hipócrates, propõe que o homem
traz dentro de si a força necessária para superar qualquer dificuldade. O grande
segredo da cura era não ministrar remédios, mas despertar o médico interior, a
energia viral do organismo. Sua reputação cresceu ao lado da desconfiança em seus
métodos e idéias estranhas. Erasmo de Rotterdam solicita seus serviços para curar
uma fratura do impressor milionário Frobenius, em Basiléia. O apoio de Erasmo
lhe rendeu uma cátedra na universidade de Basiléia. Produzia mais inimigos do que
admiradores, pois a comunidade médica se sentiu invejosa e ultrajada por seus
tratamentos insólitos e pela distribuição gratuita de remédios. Foi perseguido e
acusado de alcoolismo (bebia mesmo) e de blasfêmia. Quando incitou os alunos a
queimarem os livros de Galeno e Avicena foi expulso da cidade. Assistiu à
Reforma Protestante e à luta entre católicos e protestantes, mas não tomou partido,
dizendo que “Lutero e o papa são duas prostitutas que dividem a mesma camisa”.
Todavia, quando viu um calvinista ser queimado como herege passou a simpatizar
com a Reforma. Sua mudança de cientista experimental em místico começa nessa
época, aprofundando-se em religião, astrologia e ocultismo. Começa a escrever
suas profecias, os Prognósticos para preparar os gentios para os fatos que estão
suspensos no ar. Entre 1531 e 1534 torna-se pregador bíblico nos Alpes. Em 1541
prepara uma nova edição de seus Prognósticos e o entrega a Marcus Statius para
ser traduzido para o latim. Em 1541, famoso, mas pobre e solitário, é acolhido em
92
Salzburgo pelo bispo local, o príncipe Ernesto da Baviera. No dia 24 de dezembro,
morre sozinho em um quarto do hotel Cavalo Branco. Não teve descanso nem
mesmo depois de morto. Cinqüenta anos depois seus restos mortais foram
transferidos do cemitério dos pobres (onde pediu para ser sepultado) para a Capela
de São Gabriel. Em 1725, seus ossos foram parar numa pirâmide no pórtico da
Igreja, onde estão atualmente. No final do século XIX, o pesquisador alemão T.
von Sommering obteve autorização para estudar seu crânio, constatando que
apresentava lesões, fato que sugeria uma morte não natural.
As Profecias dos Acontecimentos Futuros foram escritas por volta de 1536
e publicadas em Hamburgo pelo editor Steiner. J. Lichtenberg, que também
estudou os discursos proféticos de Paracelso, os quais cobrem um período de 420
anos, estendendo-se até 1961. J. Huser, que publicou as principais obras de
Paracelso em Basiléia, afirma que as mensagens cobrem o período que vai até as
grandes mudanças finais da história, estendendo-se até 2013, com o que concordam
também A.von Bondesntein, entre outros.
Paracelso, que foi contempoâneo de Nostradamus, chamou seus textos de
Figuras, num total de 32, que não correspondem a uma ordem cronológica sendo
“visões situadas além do condicionamento do tempo terrestre”.
Cabe citar ainda que antes de se interessar por ocultismo (fato que o torna
suspeito, uma vez que historicamente o ocultismo se declara anticristão e anda de
mãos dadas com o satanismo e a magia negra) e por experiências místicas,
Paracelso era um boêmio inebriado. Assim, sua ligação com o ocultismo e sua vida
boêmia podem incluí-lo no rol dos profetas tipo Caim, os quais, mesmo inspirado
por maus espíritos, podem prestar algum serviço útil a Deus. No caso de Paracelso,
suas profecias sobre o fim do catolicismo e sobre o reaparecimento do novo Cristo
na Terra podem, talvez, ser considerados serviços prestados a Deus. Seis biógrafos
afirmam que Paracelso escreveu As Profecias dos Acontecimentos Futuros em
1536, depois de “transformado”. Escreveu também vários discursos proféticos,
mais tarde publicados em Hamburgo. Algumas de suas profecias vêm
acompanhadas de um desenho ilustrativo referente ao tempo ou ao personagem
focalizado na profecia. Vejamos alguns extratos de suas profecias a fim de
fortalecer sua credibilidade como profeta:
“Rússia, o chicote do mundo — Embora o sol então brilhasse sobre ti,
enriqueceste com o roubo e com o saque. Estavas sentada entre as abelhas e o
trigo, mas não foste previdente e esqueceste o quanto é duro o inverno. Serás
obrigada a comer as próprias patas. És como o urso, cheia de força, mas
morrerás de fome. E isso acontecerá quando Paris, Londres e Roma tiverem o urso
(Rússia) como brasão... Atenção, bela cidade, que foste o brilho da Europa,
porque sobre ti virá o fogo... O dragão cansará a águia”.
Sobre a Rússia como “o chicote do mundo”, a Irmã Lúcia de Jesus dos
Santos, que recebeu as mensagens de Maria, em Fátima, disse, em uma entrevista
concedida à revista italiana Cuore de Maria, em l961, que a Rússia provocaria uma
guerra e seria um castigo para toda a humanidade: “A Rússia será o chicote
escolhido por Deus para castigar a humanidade”.
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Paracelso, como a quase totalidade dos profetas da humanidade, também
profetizou o fim do catolicismo. Vejamos algumas de suas Figuras sobre o
assunto:
“Sobre a crise e o fim do catolicismo — Dividiste o dever em direita e
esquerda, como se fosse um peso. E as duas partes acabarão por esmagar-te.
Chegarás a Roma de longe. De uma ferida sairá sangue. De uma ferida sairá a
vida. Uma coroa será posta em ti, mas antes, contra a tua vontade, comerás o que
não gostas”. (Figura IV).
Esta profecia é uma clara referência à crise do catolicismo, parecendo
também referir-se literalmente ao Papa João Paulo II, pois durante seu papado o
catolicismo esteve dividido entre esquerda (progressistas) e direita (conservadores)
como em nenhuma outra época. O peso dessa divisão acabou esmagando-o, pois
tomou posição ao lado da direita e acabou sendo ferido a tiros em um atentado,
para muitos, ordenado pela antiga KGB. Foi ferido e derramou sangue em praça
pública. Veio de longe, de um país diferente da Itália, a Polônia, e o papa Bento
XVI já começou o processo para a sua beatificação (uma coroa de santo). A
profecia fala ainda de uma outra ferida — “De uma ferida sairá a vida” —, fato
que pode significar as feridas das cirurgias que sofreu, ou algum erro médico,
como causa de sua morte, e também que Bento XVI poderá ser ferido e perderá a
vida. Muitos outros profetas previram o assassinato de um papa nos últimos dias.
“O fim do catolicismo. Petrus Secundus, o último papa — Estás
predestinado a ser rodeado por muitas adversidades. Tens o nome de uma pedra.
E és uma pedra larga e delgada, mas cairás sob o castigo que quebrou todos os
impérios. E a tua sabedoria, no final dos tempos, será definida como loucura”.
(Figura VII).
Nesta outra profecia Paracelso previu claramente o fim do catolicismo.
Tens o nome de uma pedra [“Tu és Pedro e sobre ti edificarei a minha igreja”.
Pedro = Igreja = Roma]. E és uma pedra larga e delgada, mas cairás sob o castigo
que quebrou todos os impérios. A Igreja Católica é um império mundial. Muitos
estudiosos sugerem que a profecia fala também de Petrus Secundus, o último papa
da Igreja Católica, cujo fim está profetizado para o ano 2013. A pedra simboliza
Pedro, o papa. A pedra larga e delgada pode ser uma referência à grandeza da casa
de Pedro, o Vaticano. A pedra larga e delgada pode ainda ser interpretada como a
longa duração e a amplitude da obra do último papa, ou ao próprio Petrus
Secundus, que poderá ser, não um papa católico, mas o novo líder espiritual da
humanidade, o novo Cristo que unificará a humanidade e todas as religiões, criando
a “Igreja Universal que respeitará todos os profetas” (o Movimento da
Unificação?) centralizada no único e Verdadeiro Deus-Pai.
“O fim do catolicismo. Um falso papa no trono de Pedro — Tu tens
reunido amiúde com aquele que um tempo foi inimigo. Perceberás que todas as
coisas são inúteis. Terás de superar sozinho as dificuldades e terás de refletir
sobre quem és. Sentarás na cadeira de Pedro e dela cairás”.
“A queda do papado — Embora estejas sentado em um lugar seguro, não
há cadeira que não possa cair. E tu caíste dessa cadeira. Tu deverias estar debaixo
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dela porque o teu fardo é insuportável. A cadeira deu-te riqueza, honras e louvores
temporais. SPR, como toda coisa, passará”. (Figura XII).
Esta profecia pode ser uma referência ao Vaticano, ao papa ou aos dois,
uma vez que ambos se confundem como um só. A cadeira do papa trouxe riqueza,
honras e louvores temporais para a Igreja Católica, mas, devido aos muitos erros e
crimes cometidos por ela (o fardo insuportável) seu líder (ou ela própria, inteira)
deveria estar sentado debaixo da cadeira, escondido e envergonhado. A sigla SPR
pode ser interpretada como Sanctus Pater Romanus, o papa, que é considerado e
venerado como o Santo Pai Romano dos católicos romanos.
Como revelou Maria, em Fátima, a Rússia seria o chicote escolhido por
Deus para castigar o mundo. Com efeito, sob a batuta de Stálin, o comunismo ateu
semeou o terror, a guerra e a morte pelo mundo, provocando o massacre de mais de
150 milhões de seres humanos. Todavia, segundo as profecias de Fátima, depois
de cumprir seu terrível papel na história, a Rússia (o “urso”) se converterá; não
antes de pagar pelos seus crimes. “Falirá na penúria”, diz Nostradamus,
concordando com a profecia de Paracelso e a mensagem de Fátima. Depois de
convertida, a Rússia auxiliará a nova Igreja (o novo movimento religioso unificado
fundado pelo novo Cristo?).
Nos últimos dias, segundo Paracelso, “Paris, a cidade luz (“brilho da
Europa”) será destruída. A torre Eiffel cairá retorcida no rio Sena”.
Londres e Roma serão parcialmente destruídas, mas também receberão o
seu quinhão de castigo, segundo as profecias. Paracelso previu ainda que “O
dragão (a China) cansará a águia” (os EUA). Com efeito, depois da queda do
comunismo na ex-União Soviética, a China tem rejeitado a democracia permissiva
ocidental e adotado gradativamente a economia liberal, crescendo atualmente a
uma taxa de 10% ao ano. Os especialistas dizem que a China superará
economicamente os Estados Unidos até o ano 2030.
19. O reaparecimento do Cristo e o fim do catolicismo
nas profecias do monge Aranha Negra (1588-1658)
Segundo o pesquisador alemão S. Klinder, o Aranha Negra (Schwarze Spinne,
porque autenticava suas mensagens com uma rubrica que lembra a figura de uma
aranha), foi um monge católico nascido em 1588, na Baviera, atual Alemanha, nas
proximidades da fronteira com o Alto Palatinado, filho de um comerciante que
procurou encaminhar o filho para as artes e o comércio. Entretanto, por volta de
1605, o jovem abandonou todas as suas atividades e se retirou para um convento,
onde permaneceu por cerca de 20 anos “entre as paredes de uma casa austera,
educando o espírito na prece e na meditação”. Em 1627, abandona tudo outra vez
e se retira para as montanhas, onde passa a viver em uma gruta, alimentando-se de
ervas e raízes. Foi durante essa época que o monge começou a ter suas
premonições sobre o futuro do mundo “até o momento em que a Terra vier a ser
dilacerada por um dilúvio de estrelas”. Segundo as pesquisas de Klinder, o monge
viveu entre 1588 e 1668, um terço desse tempo foi dedicado à oração e à
95
meditação, e outro terço viveu como eremita em uma caverna, em contato direto
com a natureza e “com a grande força vital que tudo move, tudo regula e tudo vê”.
Hitler e o Aranha Negra — Suas profecias ficaram na obscuridade por
séculos até que, na década de 30, o pesquisador L. Birzer recompôs suas
mensagens na sua originalidade, seguindo instruções diretas de Adolf Hitler,
devido à crença de que o Aranha Negra havia profetizado a chegada à Alemanha de
“um grande líder, capaz de transformar o país em um império”. Para os nazistas
seu chefe era a própria encarnação de tal líder. Birzer, que fazia parte do grupo de
estudos esotéricos da secretaria pessoal de Hitler, recompôs toda a obra do monge
Aranha Negra. Todavia, constatou-se que as profecias do Aranha Negra diziam
exatamente o contrário sobre o nazismo. Havia mesmo uma mensagem para a
Alemanha: se ela viesse a provocar uma Guerra Mundial antes de 1945, Berlim e
outras importantes cidades alemãs seriam transformadas em escombros. Ao ouvir
isso, Hitler não se impressionou, e teria dito: “Em l945, a Alemanha já terá
dominado o mundo”. Segundo os historiadores essa foi a primeira vez que Hitler
teria desdenhado uma mensagem profética, uma vez que era um místico ocultista
do mal (No Completo Testamento Hitler é identificado com o II anticristo do
século XX). Assim, foi por puro interesse bélico de Hitler que as profecias do
monge Aranha Negra foram resgatadas.
A fim de destacar a veracidade das profecias do monge Aranha Negra,
vejamos sua profecia sobre a Igreja Católica e o mundo dos anos 60.
“O pastor dos anjos, o último, voltou para casa. Para o seu lugar chegará
o marinheiro que concelará a língua das catacumbas e grande confusão trará para
a Igreja e fora dela. O seu reinado estará cheio de espinhos. Mas os espinhos
maiores surgirão depois de seu reinado, quando o homem do Norte chegar a
Roma”.
Pio XII (o pastor dos anjos) é o último representante de um ciclo de
sucessão rigidamente tradicionalista na Igreja. João XXII, o marinheiro (porque
veio de Veneza, uma cidade marítima) abriu um novo ciclo de abertura, mudanças
e diálogo com o mundo através do Concílio Vaticano II, que aboliu o latim, a
língua das catacumbas. O pontificado de João XXIII presenciou o recrudescimento
da Guerra Fria e a Crise dos Mísseis que quase provocou a III Guerra Mundial
atômica. Paulo VI, o sucessor de João XXIII, veio de Milão, cidade situada ao
Norte da Itália (o homem do Norte). Vemos, então, que o Aranha Negra anteviu os
fatos da segunda metade do século XX com impressionante precisão.
Estudemos agora algumas das profecias do Aranha Negra sobre o futuro da
humanidade e sobre o fim do catolicismo, mas importa destacar aqui a relatividade
da cronologia estabelecida pelos seus intérpretes. Recorrerei, sempre que julgar
necessário, às minhas próprias interpretações à luz da mensagem do Completo
Testamento, texto básico dos cristãos unificacionistas.
“A mão da cortesâ [= prostituta; os que se vendem. A Igreja Católica]
secará os degraus da casa de Pedro com trapos de brocado cor de púrpura
[vermelho = a cor cardinalícia e a cor do comunismo]. O banquete ocorrerá à
sombra de uma escola beneditina [o comunismo fará festa dentro da Igreja].
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Haverá o lugar de Pedro, mas o cálice permanecerá cheio [Pedro, o papa, não
tomará parte da farra, que ocorrerá às ocultas]. Os frutos do Nilo chegarão a essa
mesa e a faca os cortará em dois. Para nada servirá o ensinamento do sábio
[Jesus] escrito no pó das ruínas [ruínas = há 2000 anos atrás]”.
Esta profecia refere-se claramente à invasão da Igreja Católica pelo
comunismo (teologia da libertação e Igreja Popular), que zombou das tradições
cristãs e das palavras de Jesus, classificando-o como um revolucionário
guerrilheiro comunista.
“A ciência será a grande anciã que dominará as gentes. A formiga [os
trabalhadores miúdos] deixará seu fio de grama e encontrar-se-á sob um novo céu
[as utopias comunistas]. Abraão deixará a antiga casa [a verdadeira fé será
exilada]. Cuidado com o homem-deus [o culto à personalidade dos líderes
comunistas entronizados no lugar de Deus e os geneticistas que brincam de Deus].
(...) Glória da Pedra [a dureza e a frieza do coração de pedra predominarão].
Homens de sabedoria apertarão as mãos e no peito surgirá uma nova recompensa.
Mas a barca de Pedro não terá paz. Anátema para quem não acompanhou o pai.
Na cadeira de Pedro sentarão, ao mesmo tempo, o Justo e o Bisão. Ambos terão o
dom de falar ao povo. A disputa será breve. O cavaleiro do Apocalipse gritará o
nome do Justo e os céus se abrirão (...). A noite longa e plácida acabará com o
grito de uma velha mãe [velha mãe = a Madre Igreja] cujos filhos abandonaram a
casa paterna para ir incensar o lobo [lobo = besta feroz = prestar honras ao
comunismo]. No Oriente uma fonte brotará da rocha [o novo Cristo = rocha =
fonte de água viva. ICo 10.4]. A água [água = povos impuros. Apoc 19.15] dirá
que a fonte do dragão estava envenenada [os homens impuros dirão que a fonte =
água = palavra de vida que brota da rocha do Oriente, o novo Cristo, é mentirosa e
má]”.
Esta profecia fala claramente sobre o predomínio da ciência materialista e a
apostasia dos últimos tempos, quando a os cristãos perderão a fé e acreditarão mais
nos cientistas do que nos religiosos. Diz também que a Igreja Católica, a barca de
Pedro, não terá paz e que na cadeira de Pedro sentarão, ao mesmo tempo, o Justo
e o Bisão. Ambos terão o dom de falar ao povo. Embora seja ainda cedo para
avaliar o pontificado do papa atual, esta profecia pode ser uma referência ao Papa
João Paulo II e ao cardeal Ratzinger (Bento XVI) que inspirava (e, talvez, escrevia)
os discursos lidos por João Paulo II. Era como se os dois estivessem sentados numa
mesma cadeira.
Sobre o reaparecimento do Cristo um trecho desta profecia deve ser
destacado: No Oriente uma fonte brotará da rocha. A Bíblia traz uma referência
similar: “Eis que Eu estarei ali, diante de ti sobre a rocha em Horebe, e tu ferirás
a rocha e dela sairão águas e o povo beberá”. (Ex 17.6 e 20.1-5). Assim, a água
que brota da rocha simboliza a vida espiritual que vem do Cristo e de Deus.
Portanto, a palavra rocha na Bíblia simboliza Deus (“Porque apregoarei o nome
do Senhor; daí grandeza ao nosso Deus. Ele é a rocha...”. Dt 32); e Jesus, que saiu
de Deus, também é simbolizado por uma rocha que produz a água da vida (“E
todos bebiam duma mesma bebida espiritual que os seguia. E a rocha era Cristo”.
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ICo 10.2-4;). Com base no significado simbólica da palavra rocha podemos dizer
que este trecho da profecia é uma clara referência ao novo Cristo que nascerá no
Oriente.
Quanto ao trecho seguinte: A água dirá que a fonte [a bebida = palavra de
vida] do dragão estava envenenada, podemos também decodificá-lo com base na
Bíblia, onde a palavra águas significa homens impuros (“As águas que vistes sobre
as quais se assenta a prostituta, são povos, nações, línguas e reis”. Apoc 19.15).
Assim, os homens impuros dirão que a fonte (fonte = água = palavra de vida) que
brota da rocha do Oriente (a mensagem do novo Cristo) é falsa e má, prefigurando
a perseguição que o novo Cristo enfrentará no mundo.
Para os cristãos unificacionistas o Rev. Moon é a rocha do Oriente; o novo
Cristo prometido aos cristãos (ele veio da Igreja Presbiteriana da Coréia). O nome
de batismo do Rev. Moon é Sun Young Moon. Na língua coreana young significa
dragão. Uma vez que o Apocalipse fala sobre “o dragão, a antiga serpente”
(satanás), isto poderia sugerir que o termo dragão representa sempre o mal. Os
unificacionistas dizem que isto não é verdade, pois a mesma Bíblia também
utilizou o termo serpente (símbolo de satanás) como símbolo do Jesus crucificado,
quando Moisés mandou que fosse construída uma cruz com uma serpente de
bronze a fim de que os judeus mordidos pelas serpentes de fogo do deserto fossem
salvos ao olhar com fé para a serpente celeste na cruz de bronze (“E disse o Senhor
a Moisés: fazei uma serpente e pôe-na sobre uma aste. E será que todo mordido
que olhar para ela viverá. Nm 20.8-11). Doutra feita, quando Moisés encontrou-se
com o faraó, transformou seu cajado numa serpente celeste que devorou as
serpentes satânicas dos mágicos do faraó. Assim sendo, uma vez que a Bíblia
utiliza a palavra serpente para se referir ao bem e ao mal, o mesmo ocorre com
relação à palavra dragão, que pode ser utilizada para se referir ao mal (o dragão
satânico) e ao bem (o dragão celeste); o Cristo e o anticristo. Além disso, há
milênios, no Oriente a expressão dragão dourado é empregada como referência aos
mensageiros da boa sorte, do bem; mensageiros de Deus, portanto.
Vejamos uma outra profecia do monge Aranha Negra referente ao
reaparecimento do novo Cristo no Oriente:
“Acompanhai o rio que corre entre os ciprestes e chegareis à terra da
sabedoria. Ali encontrareis a doutrina da sabedoria. Ali podereis saborear a
serenidade de um tempo perdido. (...) A mão amarela cortará a cerca e as ovelhas
ficarão sob um só pastor. Haverá um só pastor e as ovelhas saberão como se
colocar em fila até a chegada do bode (bode = símbolo de satanás). A senhora da
foice terá um caminho cada vez mais difícil. No país em que floresce a neve o
homem descobrirá o licor da vida. E os homens ficarão contentes e as mulheres
parirão seus filhos porque saberão que a sua vida será longa e o pão estará
sempre garantido pelo pastor. O incêndio que será alimentado pelo vento Leste
será apagado pelas mesmas mãos que o atearam. Os carros terão cavalos novos. E
os cavalos serão vendidos na beira da estrada por pouco metal. Todos poderão ter
um carro. Todos poderão correr. Todos poderão reduzir os tempos. O metal terá o
mesmo som em todas as regiões. E os homens, sempre que se encontrarem,
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levantarão a mão em sinal de saudação. Do império de Netuno jorrará a vida. A
fonte será a origem da discórdia. A vida continuará a fluir até o ponto extremo do
vaso e depois cairá na noite eterna [descanso eterno].
As interpretações existentes sobre esta profecia falam de um tempo de
tragédias espirituais e materiais. No meu entender, porém — à luz do Completo
Testamento, dos cristãos unificacionistas —, a profecia inteira se refere à era de
paz que a humanidade experimentará depois da Grande Tribulação, e depois da
vitória absoluta de Deus e do novo Cristo. A profecia fala de um lugar no qual
surgirá a doutrina da sabedoria e onde as pessoas gozarão de serenidade e paz. Diz
também que “a mão amarela cortará a cerca, unificando toda a humanidade sob
um só pastor”. Trata-se de uma clara referência ao novo Cristo que nascerá na Ásia
(os orientais são chamados de amarelos) e que unificará e pacificará o mundo (para
os unificacionistas, através do estabelecimento de famílias inter-raciais e
internacionais realizadas pelo novo Cristo através do Movimento da Unificação).
Diz ainda a profecia que o pastor ensinará às ovelhas como enfrentar o
bode (símbolo de satanás) e que a morte desaparecerá (os homens conhecerão a
realidade da vida eterna). Fala também sobre o licor da vida (a seiva da vida; a
palavra verdadeira de Deus), que a fome desaparecerá e haverá vida longa, que os
homens que semearam as chamas do mal apagarão as mesmas com suas próprias
mãos, que haverá uma moeda única (o metal terá o mesmo som em todas as
regiões), preço justo e prosperidade geral, que os homens, outrora inimigos, se
saudarão em paz e que do “mar” jorrará a vida (o império de Netuno, o mar,
simboliza o mundo impuro: AQpoc 19.15. O Apocalipse registrou: “Eis a morada
de Deus com os homens; Deus habitará com eles e eles serão o Seu povo. E o mar
já não existe”.) e que a humanidade conhecerá a noite eterna, o descanso eterno (a
noite é fresca e tranqüila; é a hora do encontro amoroso entre esposo e esposa, pais
e filhos).
Como vemos, esta profecia do monge Aranha Negra, ao invés de tragédias
(como interpretaram os estudiosos até agora), na verdade, refere-se ao mundo de
paz e bem que advirá à Terra depois da vitória do Senhor do Segundo Advento, o
novo Cristo, e depois da vitória de Deus. Continuemos.
“Uma coluna de fogo [fogo = luz] se elevará desde o Oriente. A coluna
dos carros [carros = séculos] deter-se-á no oásis das esperanças e ai montará suas
barracas. O braço extremo que se estende para o mar será percorrido com um
arrepio. Golpe de timão sobre a terra de César [a Itália = Roma]. As velas estão
levantadas e o vento sopra do Oriente”.
Novamente, a profecia contém uma clara referência ao novo Cristo que
nascerá no Oriente, uma coluna de fogo, uma luz, que se elevará do Oriente e se
deterá no oásis das esperanças, onde montará as suas barracas, estendendo seu
braço extremo (de longo alcance; que alcançará todo o mundo, provocando
arrepios de alegria nos justos e de medo nos injustos). A terra de César (a Itália =
Roma) será golpeada pelo vento (vento = sopro dos lábios = palavra do Cristo) que
sopra da boca do novo Cristo do Oriente.
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“Olhai para o mar [símbolo do mundo impuro, na Bíblia]. De suas ondas
eleva-se o grito da coruja [animal noturno; símbolo da bruxaria = homens maus].
O amor do lobo [o falso líder] está para acabar. Ouvireis o grito da liberdade.
Mas esse será apenas um pretexto; um vestido de folhas viçosas, enquanto
embaixo se esconde o inverno [a falsa “liberdade” defendida pelos comunistas e
afins]. A liberdade será o último pastor a levar os homens a matar uns aos outros.
A causa da contenda é o mar, a vida que ele esconde em suas brancas e
palpitantes ondas [o mar = mundo impuro e suas atrações tentadoras]. No vale [no
mundo] há uma grande festa. Afastai as folhas e vereis o bezerro de ouro [pessoas
adorando ídolos mundanos = satanás]. Moisés está próximo [Moisés = homem
sagrado que traz a lei de Deus = o novo Cristo]. Está subindo a montanha que viu
os amores do lobo. Haverá duas facções com a mesma bandeira [o fim da
sinceridade]. A águia tentará comer a coruja [divisão entre os homens maus].
Vencerá a águia [na Bíblia águia e aves de rapina simbolizam satanás: “Aonde
estiver o corpo ali se ajuntarão as águias”. Lc 17.37; Gn 15.10-11]. A morte virá
do céu [aviões e bombas] e trará um raio de lua. Não será mais necessária a
espada para transfixar. “Uma flor silvestre surgirá sobre a montanha de Pedro.
Ninguém se preocupará com ela, mas seu perfume inundará o campo de trigo no
momento da colheita”.
Nesta profecia, o monge Aranha Negra anteviu os fatos do século XX. O
trecho destacado em negrito merece um pouco mais de atenção, pois se refere ao
fim do catolicismo e ao segundo advento do Cristo, chamado de a flor silvestre.
Como sabemos, uma flor silvestre é uma flor das montanhas intocadas, ou da mata
virgem. Logo, pura, não contaminada pelas impurezas da civilização; do contato do
homem mundano. Portanto, a expressão flor silvestre é um símbolo do novo Cristo.
O Aranha Negra viu a flor silvestre sobre a montanha de Pedro [a Igreja Católica]
e viu que ninguém se preocupou com ela [os cristãos unificacionistas dizem que,
apesar do meio século de existência, a quase totalidade da humanidade não tem
dado atenção ao Rev. Sun Myung Moon nem ao Movimento da Unificação]. Por
fim, o Aranha Negra viu o perfume da flor silvestre [a essência; a palavra do
Cristo] inundar o campo de trigo [campo = mundo; trigo = pessoas boas. “Ele
separará o joio do trigo”] no momento da colheita [no momento do Juizo Final. A
Bíblia diz que o novo Cristo separará o joio do trigo. Isto prova que a expressão
flor silvestre é mesmo uma referência ao novo Cristo].
“Dois raios de sol serão liberados por um monte de cristal [radiações
atômicas liberadas do urânio?]. (...) E a grama tenra do prado inclinará a cabeça à
sua passagem e a cândida margarida se deitará sobre a terra sem vida para beber
a última visão do céu. (...) Cobri os olhos e chorai sobre a terra de Abraão! Alí
não crescerá nem mais um fio de grama por muitas gerações [uso de armas
nucleares no Oriente Médio?]. Além do grande mar o homem-deus escreverá sua
afronta à senhora dos sepulcros [predomínio do ateísmo]. O homem viverá mil
luas [terá vida longa] e os seus dias serão felizes. Mas a deusa negra [símbolo de
satanás, representado pela deusa nas magias antigas] vingar-se-á e pedirá sua
colheita [cobrará em dor o preço da vida longa]. A vindima [a colheita da uva = o
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tempo dos últimos dias bíblicos] começará nos mares quentes [entre os nãoreligiosos] e seguirá o caminho de Pedro [atingirá os cristãos]. Sob a grande
cúpula de Roma não haverá tempo para apagar os círios [círios = velas acesas =
símbolos de morte. Nos últimos dias uma grande tragédia se abaterá sobre Roma,
que não terá tempo de acender velas para a grande quantidade de mortos] porque
os cânticos dos homens-mochos seguirão em cadeia [mocho = coruja. Homensmochos = homens da escuridão; das trevas; de caráter negro, sem raízes;
migratórios, perambulantes que nada valorizam]. Haverá o delírio das gentes (...).
Será então que o rio das Palmas [águas com palmas = símbolo da purificação]
invadirá o reino das colinas e arrastará as formigas [formigas = homens].
Sobre a interpretação dessa profecia relacionada com o fim dos tempos e
com o fim do catolicismo nada há a acrescentar.
“A ciência — senhora dos dias que já foram — será jogada no pó.
Homens de muita idade, de barbas longas e de olhos brilhantes como o sol,
subirão para as montanhas vermelhas e descobrirão um novo caminho.
Na esqualidez das margaridas apagadas e das fontes secas voltará o
homem pobre (o novo Cristo, que nascerá na miséria). Sua voz singrará como um
navio, do esgoto ao sol. E trará uma palavra pacificadora. E trará uma esperança
que é vida.
Mas a insídia está por trás das colunas. Pedro está fechado em sua casca
de noz, enquanto uma mão cheia de anéis fala em nome do justo, mas com
palavras injustas. No esgoto bóia um trapo de cor púrpura (...).
A rosa amarela deixou seu perfume silvestre. Será sentido nesse tempo e
com ele chegará a voz do novo Alexandre. (Alexandre foi o conquistador da Ásia.
O novo Cristo virá da Ásia).
Mais uma vez, o declínio do catolicismo e o surgimento do Cristo no
Oriente reaparecem aqui. A ciência será jogada no pó. Ou seja, depois da
descoberta da espiritualidade humana a ciência será desprestigiada e declinará.
Homens de muita idade, de barbas longas e de olhos brilhantes como o sol
[sábios] subirão para as montanhas vermelhas e descobrirão um novo caminho
[um caminho diferente dos oferecidos pelas religiões tradicionais = o
Unificacionismo, para os cristãos unificacionistas]. Na esqualidez das margaridas
apagadas e das fontes secas [homens mortos espiritualmente] voltará o homem
pobre [um homem pobre como Jesus; o novo Cristo que emergirá da mais extrema
pobreza = o Rev. Moon?]. Sua voz singrará como um navio, do esgoto ao sol [a
palavra do Completo Testamento atingirá a todos em todos os lugares; do mais
baixo ao mais alto]. E trará uma palavra pacificadora [sua mensagem será a paz.
O Rev. Moon é chamado de O Pacificador e recebeu o título de Rei da Paz]. E
trará uma esperança que é vida. Mas a insídia [o pecado] está por trás das
colunas [do Vaticano]. Pedro está fechado em sua casca de noz [a Igreja Católica
permanecerá fechada sobre si mesma e em silêncio sobre o novo Cristo] enquanto
uma mão cheia de anéis [o papa] fala em nome do justo, mas com palavras
injustas. No esgoto bóia um trapo de cor púrpura [o fim do catolicismo:
101
simbolizado por um trapo de cor púrpura, a cor mais usada pelos cardeais
católicos].
A rosa amarela [a flor do Oriente = o novo Cristo que virá do Oriente]
deixou seu perfume silvestre. Será sentido nesse tempo e com ele chegará a voz
do novo Alexandre [Alexandre = conquistador. A palavra da rosa amarela, o novo
Cristo do Oriente, o transformará em um grande conquistador de Deus].
O retorno do Cristo como um homem amarelo, um oriental cujas palavras
trazem esperança e paz, e que será totalmente vitorioso, aparecem claramente nessa
profecia, dispensando maiores comentários.
Os cristãos unificacionistas chamaram a minha atenção para uma profecia
do Aranha Negra que parece referir-se ao aparecimento de um novo grupo religioso
(eles próprios?) que derrotará Lúcifer e devolverá a esperança para o mundo:
“No Oriente, os homens verdes (símbolos da esperança) construirão uma
toca (uma armadilha), onde cairá o grande Príncipe da Noite e ele será amarrado
com cordas, como se costuma fazer com os chacais”. (Monge Aranha Negra. Os
Grandes Profetas. p. 82).
A expressão “homens verdes” tem sido interpretada por alguns esotéricos
como sendo uma referência aos supostos extraterrestres. Todavia, como ainda não
existem evidências físicas da existência de outros planetas habitados, a
interpretação que os vê como símbolos da esperança parece ser preferível.
Pesquisando as profecias do monge Aranha Negra penso haver descoberto,
para minha surpresa, uma profecia sobre o advento dos chamados revolucionários
esquerdistas, os falsos amigos do povo (iluminismo, nazismo e comunismo). O fato
curioso é que a interpretação da profecia pareceu ajustar-se perfeitamente à
realidade do PT (ou dos ex-países comunistas/esquerdistas, que tinham a estrela
como um de seus símbolos) e do governo Lula do Brasil atual, onde o escândalo do
Mensalãogate (compra de votos de apoio ao governo federal) já derrubou os mais
expressivoa líderes da esquerda (do PT) no Brasil Vejamos a profecia.
“Olhai a estrela, mas não deixeis que ela vos ofusque, pois sua luz é mais
convidativa do que a carícia de uma virgem nua. Até o lobo ficará aturdido com a
sua luz. Mas os astros mais belos morrem ao cair da noite. A noite será doce, mas
a luz das estrelas que vêem a dor dos homens será fraca. Saudai a estrela! O
último raio acompanhará Abel aos braços da Grande Mãe. Caim está entre vós.
Ele voltou para ceifar o trigo e o reconhecereis pela sua voz rouca, por sua
mandíbula vigorosa e por seu punho fechado”.
(Os Grandes Profetas. Editora Nova Cultural, 1985. p. 68)
Esta profecia pode ser uma referência aos partidos de esquerda em geral,
mas me pareceu ajustar-se claramente à situação do PT e do presidente Lula por
ocasião do escândalo do mensalãogate, no ano 2005. Senão, vejamos. O símbolo
do PT é uma estrela. Quando foi fundado, o PT acolheu todos os grupos
esquerdistas e comunistas que durante décadas conspiraram para implantar o
comunismo no Brasil e, conseqüentemente, suprimir a religião e a própria
democracia, como aconteceu nos 35 países invadidos pelos comunistas.
102
Evidentemente, o Lula sempre soube disso, mas silenciou. Com seu discurso
pseudoliberal e pseudodemocrata o PT conquistou milhares de intelectuais e
empresários (os lobos) e grande parcela da população brasileira, inclusive
religiosos evangélicos, que votaram no Lula e o elegeram presidente. Todavia, uma
vez no governo, alguns dos líderes do PT foram flagrados em plena corrupção,
repetindo os mesmos erros dos políticos corruptos e mentirosos que têm saqueado
o Brasil há décadas. No governo do Lula — o Caim de voz rouca, mandíbula
vigorosa e punho fechado (mandíbula vigorosa = símbolo de quem fala com
dureza; punho fechado = símbolo comunista do uso da força; a violência que
caracterizou as revoluções comunistas) — os ricos ficaram mais ricos e os pobres,
mais pobres. O PT ficou rico e muitos de seus líderes também enriqueceram. Não
obstante, os astros mais belos morrem ao cair da noite. Isto é, as mais brilhantes
estrelas do PT já começaram a cair no descrédito da população (José Dirceu, José
Genoíno, Delúbio Soares, Sílvio Pereira, Waldomiro Diniz, entre outros) e os mais
de 800 mil petistas filiados ao PT se sentiram enganados e traídos. Obviamente,
essa minha interpretação pessoal — que estabelece a vinculação da profecia com o
PT — pode estar equivocada.
Na verdade, como todos os movimentos de índole materialista e
exclusivamente humanista da história (iluminismo, nazismo e comunismo), a
esquerda brasileira está revelando sua índole pseudo-humanista e anti-Deus (pois
usa o nome de Deus, mas defende a violência, a luta de classes na cidade e no
campo). Obviamente, porém, a quase totalidade dos líderes políticos ateus costuma
afirmar publicamente que acreditam em Deus e respeitam as religiões (fontes de
votos). Mas Rousseau, Robespierre, Lênin, Hitler, Mao Tsé Tung, Pol Pot, Kim Il
Sung, Stálin, Che Guevara, Fidel Castro, entre outros grandes vilões e criminosos,
também afirmaram ter fé em Deus e respeito pelas religiões... Enquanto ainda não
haviam consolidado seu poder ditatorial.
20. O reaparecimento do Cristo e o fim do catolicismo
nas profecias de Dom João Bosco (1815-1888)
João Belchior Bosco (1815-1888), nasceu numa granja do povoado de I Becchi,
nas proximidades de Turim, norte das Itália. Perdeu seu pai ainda criança e
continuou seus estudos pelos esforços de sua mãe. Iniciou seus estudos primários
aos 10 anos de idade, na escola pública de Capriglio. Nessa época teve seu
primeiro sonho profético, que o encaminharia para o trabalho em favor das
crianças. Foi ordenado sacerdote em 1841, em Turim. Em 1859 fundou a
Sociedade de São Francisco de Sales, ao qual já dedicara sua instituição
assistencial, o Oratório de São Francisco de Sales. Em l872, com o apoio da freira
Maria Mazzarello, fundou uma ordem salesiana feminina chamada Filhas de Maria
Auxiliadora. Morreu em Turim, em l888, aos 73 nos de idade. Em toda a sua vida,
Bom Bosco jamais aceitou ser chamado de santo ou vidente, dizendo: “Embora a
bondade de Deus tenha sido generosa para comigo, jamais pretendi conhecer ou
103
realizar coisas sobrenaturais”. Foi canonizado pelo Papa Pio XI em l934, com o
título de “santo universal dos tempos modernos”.
Dentre os muitos sonhos proféticos de Dom Bosco citaremos apenas
aqueles que se referem ao fim do catolicismo e ao segundo advento do Cristo na
Ásia. Eis os sonhos:
“Encontrava-me sobre uma pedra junto ao mar e vi uma grande frota de
navios já formada para o início da batalha (...). Havia um navio magestoso, bem
armado, escoltado por outros navios, mas o vento soprava ao contrário (...) e o
mar parecia favorecer o inimigo. Num dado momento vi emergir do mar duas
colunas de granito altíssimas, uma um pouco distante da outra. Sobre uma estava
escrito: ‘Auxiliadora dos cristãos’, enquanto sobre a outra, muito mais alta e
resistente, havia uma grande hóstia onde estavam inscritas as palavras ‘Saúde dos
crentes’. O comandante supremo do grande navio era o papa. Ao perceber a fúria
dos inimigos e o perigo a que estavam expostos os seus fiéis, ele pensou em
convocar junto a si os pilotos dos navios de escolta e realizar um conselho para
decidir o que fazer. Assim, todos os pilotos subiram para a nau capitânia com o
objetivo de se reunir com o papa (...). Mas o vento soprava cada vez mais forte e a
tempestade crescia em intensidade, obrigando os pilotos a retornarem a seus
navios (...). O papa postou-se ao timão para guiar o seu navio em direção às duas
colunas de cujos topos desciam correntes com âncoras e ganchos grossos.
Enquanto isso, os navios inimigos se movimentavam para atacar a nau capitânia,
que continuava segura e livre em sua rota. Atingida, ela apresentava em seu casco
rombos amplos e profundos, que se fechavam imediatamente ao sopro mistral. Ao
mesmo tempo, os navios inimigos afundavam no mar, enfurecendo os inimigos.
Em determinado momento o papa é atingido gravemente e cai
honrosamente. Socorrido com rapidez, é atingido uma segunda vez, cai
novamente e morre. Um grito de vitória explode do peito dos adversários e,
enquanto em seus navios se festeja o fato, um novo papa surge para substituir o
morto na direção da nau capitânea (...). O novo papa supera todos os obstáculos e
guia o navio até as duas colunas... Então ocorre uma grande reviravolta: todos os
navios que haviam lutado contra o papa fogem e se dispersam, chocando-se entre
si e destruindo-se uns aos outros”.
Este sonho profético anteviu claramente os problemas internos da Igreja
Católica (a nau capitânea = a barca de Pedro) para reunir, harmonizar e unificar
seus líderes e seu rebanho (os navios menores da esquadra papal) e os ataques
externos de seus inimigos (os navios inimigos). Os ventos da tempestade são as
batalhas em si. O papa luta para levar a nau capitânea (a Igreja Católica) para junto
das duas colunas de granito (o novo Cristo e sua esposa, o III Adão e a III Eva, os
Verdadeiros Pais, segundo os cristãos unificacionistas). Durante a batalha, um papa
cai gravemente ferido, mas escapa com vida (João Paulo II?). Seu sucessor (Bento
XVI?; o penúltimo papa, segundo Malaquias), porém, não terá a mesma sorte. Será
ferido e morto. Por fim Petrus Secundus, o último papa, segundo Malaquias,
consegue vencer os obstáculos e conduz a nau capitânea (a Igreja Católica) até as
duas colunas de granito coberta de âncoras (segurança e firmeza) e ganchos (pontos
104
de apoio, bóias salva-vidas). Ao alcançar as duas colunas todos os inimigos de
Deus se dispersaram e se autodestruiram.
Alguns pontos precisam ser destacados neste sonho profético. O ponto
mais importante são as duas colunas de pedra-granito (Pedra: I Co 10.4: “E a
pedra era Cristo”.) para as quais o papa tentava conduzir seus fiéis. Um papa é
ferido e outro é morto, mas um terceiro e último consegue alcançar as duas colunas
de pedra-granito (firmes, resistentes), vencendo os inimigos da fé em Deus. O
sonho parece deixar claro que o terceiro e último papa se unirá ao novo Cristo do
Oriente, o que implica em admitir o que muitos outros intérpretes das profecias da
humanidade têm sugerido: que a Igreja Católica deixará de existir como tal e se
integrará ao único rebanho sob um só pastor que surgirá nos últimos dias.
Vejamos agora o segundo sonho de Dom Bosco, o qual faz referência clara
ao novo Cristo que aparecerá na Ásia, o Grande Guerreiro do Norte.
“Eis o Grande Guerreiro do Norte. (na Bíblia, o Norte é o lado de Deus.
O Rev. Moon nasceu onde é hoje a Coréia do Norte). Ele carrega um estandarte
na sua mão direita, onde está escrito: ‘Mão irresistível do Senhor’. Naquele
momento o Venerável Velho do Lácio foi ao seu emcontro agitando uma tocha
flamejante. Então o estandarte se dilatou e, de negro que era, tornou-se branco
como a neve. No meio do estandarte apareceu escrito, em caracteres de ouro, o
nome de quem tudo pode. O Grande Guerreiro, com o seus, fez uma reverência
profunda para o Velho e apertaram-se as mãos. Agora a voz do céu é para o
Pastor dos Pastores: ‘Tu estás na grande conferência com os teus assessores, mas
o inimigo do bem não fica quieto um instante. Ele estuda e pratica todas as artes
contra ti. Semeará a discórdia entre os teus assessores, criará inimigos entre os
meus filhos’. As potências do século vomitarão fogo e gostariam que as palavras
fossem sufocadas na garganta dos guardiães da minha lei. Isso não acontecerá.
Estarão agindo mal e fazendo mal a si mesmos. Acelera: se as dificuldades não se
resolverem, que sejam eliminadas. Se estiveres em angústia, não pára, mas
continua até que seja cortada a cabeça da hidra do erro. Este golpe fará tremer a
terra e o inferno; mas o mundo estará seguro e todos os bons ficarão exultantes.
Reúne em torno de ti ainda que apenas dois assistentes, mas seja aonde fores,
continua e termina a obra que te foi confiada. Os dias correm velozes, os teus anos
avançam no número estabelecido, mas a Grande Rainha estará sempre pronta a te
ajudar e, como nos tempos passados, assim no futuro será sempre. Mas a ti, Itália,
terra de bênçãos, quem te mergulhou na desolação? Não aponta os inimigos, mas
os teus amigos. Não ouves que os teus filhos pedem o pão da fé e não se encontra
quem o parta? Que farei? Baterei nos pastores, dispersarei o rebanho para que
os sentados na cadeira de Moisés procurem bons pastos e o rebanho, docilmente,
ouça e se alimente. Mas sobre o rebanho e sobre os pastores pesará a minha mão
(...). E de ti, Roma, que será? Roma ingrata, Roma efeminada, Roma soberba.
Tu chegastes a tal ponto que não procuras outra coisa, nem nada mais admiras
em teu soberano senão o luxo, esquecendo que sua glória verdadeira está sobre o
Monte Gólgota. Agora, ele está velho, caduco, inerme, despido, entretanto com a
palavra escrava faz estremecer o mundo todo. Roma! (...). Eu irei a ti quatro vezes.
105
Na primeira golpearei as tuas terras e os teus habitantes. Na segunda, levarei
destruição e extermínio até os teus muros. Na terceira derrubarei as defesas e os
defensores, e ao comando do Pai seguirá o reino do terror, do medo e da
desolação. Mas os meus sábios fogem. A minha lei continua sendo pisada. Por
isso farei a quarta visita. E ai de ti se a minha lei ainda for uma palavra vã para
ti. Ocorrerão prevaricações entre os sábios e os ignorantes. O teu sangue e o
sangue dos teus filhos lavarão as manchas feitas por ti à lei do teu Deus. A
guerra, a peste e a fome são flagelos com os quais serão castigadas a soberba e a
malícia dos homens. Onde estão, ó ricos, vossas grandezas, vossas mansões,
vossos palácios? E vós, ó sacerdotes, por que correis a chorar entre o vestíbulo e
o altar, invocando a suspensão dos flagelos? Por que não tomais o escudo da fé e
correis aos telhados, às casas, às ruas, ás praças, a todos os lugares, mesmo os
inacessíveis, para levar a semente da minha palavra? Ignorais que esta é a
terrível espada de dois gumes que abate os meus inimigos, que rompe a ira de
Deus e dos homens? Esses fatos ocorrerão inexoravelmente, um após o outro. Os
fatos se sucedem de forma muito lenta. Mas a augusta Rainha dos Céus está
presente. A potência do Senhor está em suas mãos. Dispersa como a neblina os
seus inimigos; veste novamente o Velho Venerável (Deus) com todas as suas
antigas roupas (...). Consumada a iniqüidade, o pecado terá fim. E antes que se
passem dois plenilúnios [luas cheias] no mês das flores, a íris da paz florescerá
sobre a Terra. O Grande Ministro verá a esposa de seu rei vestida para festa. Em
todo o mundo aparecerá um sol tão luminoso como jamais foi visto, desde as
chamas da Última Ceia até hoje, nem jamais será visto até o último dos dias”.
Como no sonho profético anterior, também neste segundo sonho alguns
pontos precisam ser destacados. O primeiro ponto é a clara referência ao novo
Cristo do Oriente, chamado por Dom Bosco de “o Grande Guerreiro do Norte. Ele
carrega um estandarte na sua mão direita, onde está escrito: Mão irresistível do
Senhor”. Na Bíblia há um texto que esclarece o significado místico do lado Norte
(o lado de cima), apontando-o como o lado de Deus: “Então, caístes do céus, ó
Lúcifer! (...). Tu dizias: eu escalarei os céus e erigirei o meu trono acima das
estrelas de Deus, nos pontos mais altos e assentar-me-ei no monte da assembléia,
no extremo Norte, subirei sobre as nuvens mais altas e me tornarei igual ao
Altíssimo” (Isaías 14.12-15). Assim, fica claro que o lado Norte representa o lado
de Deus, o lado de cima, a posição superior. Outrossim, as principais religiões (e
também algumas magias) concebem o lado Norte como pleno de significado
místico, realizando rituais e oferendas de frente para o Norte.
Do mesmo modo, conforme a Bíblia, a expresão lado direito refere-se ao
lado de Deus: “Cristo, que está à direita de Deus é quem intercede por nós” (Rm
8.34); “Quando o filho do homem chegar todas as nações serão reunidas em sua
presença, e ele separará uns dos outros, como o pastor separa os bodes das
ovelhas, e porá as ovelhas à sua direita e os bodes à sua esquerda” (Mt 25.31-33).
Como vemos, a Bíblia nos fornece o significado simbólico das posições
lado Norte e lado direito, indicando-as como sendo pertinentes a Deus.
106
Com base nos trechos bíblicos estudados acima já podemos entender o
significado simbólico da expressão de Dom Bosco “o Grande Guerreiro do Norte
que carrega um estandarte na sua mão direita, onde está escrito: Mão irresistível
do Senhor”. Trata-se de uma clara referência ao novo Cristo que reaparecerá na
Terra nos últimos dias do mal.
Uma segunda referência ao reaparecimento do novo Cristo e à sua vitória
plena, aparece no seguinte trecho:
“Consumada a iniqüidade, o pecado terá fim. E no mês das flores, a íris
da paz florescerá sobre a Terra. O Grande Ministro verá a esposa de seu rei
vestida para festa (a Bíblia diz que o novo Cristo terá uma esposa: Apoc 19.7-8).
Em todo o mundo aparecerá um sol tão luminoso como jamais foi visto, desde as
chamas da Última Ceia até hoje, nem jamais será visto até o último dos dias”.
A interpretação deste trecho sobre ao reaparecimento do novo Cristo e sua
vitória é ainda mais clara, particularmente, nas expressões “o pecado terá fim”, “a
íris da paz florescerá sobre a Terra”, e “Em todo o mundo aparecerá um sol tão
luminoso como jamais foi visto”. Na Bíblia, a palavra sol simboliza o Cristo: “Mas
para vós que temeis o meu nome, nascerá o sol da justiça, e salvação trará
debaixo de suas asas” (Ml 4.2). O profeta Malaquias utilizou-se da palavra sol
para referir-se ao Cristo prometido ao povo judeu, Jesus. Do mesmo modo, o
profeta Dom Bosco utilizou-se da palavra sol para referir-se ao novo Cristo
prometido ao povo cristão.
A profecia do fim do catolicismo aparece no sonho profético de Dom
Bosco em diversas partes, quando ele diz “Agora a voz do céu é para o Pastor dos
Pastores”, e começa a advertir o papa e os sacerdotes católicos quanto ao não
cumprimento da lei, da palavra divina. Por fim, Dom Bosco profetizou claramente
o fim do catolicismo:
“Mas a ti, Itália, quem te mergulhou na desolação? Não ouves que os teus
filhos pedem o pão da fé e não se encontra quem o parta? Que farei? Baterei nos
pastores, dispersarei o rebanho para que os sentados na cadeira de Moisés
procurem bons pastos e o rebanho, docilmente, ouça e se alimente. Mas sobre o
rebanho e sobre os pastores pesará a minha mão (...). E de ti, Roma, que será?
Roma ingrata, Roma efeminada 10, Roma soberba. Tu chegaste a tal ponto que não
procuras outra coisa, nem nada mais admiras em teu soberano senão o luxo,
10
Em março de 2002, o Vaticano divulgou um documento, resultante de uma pesquisa, no qual
admitiu que 45% de seus padres nos EUA são gays! No resto do mundo a margem chega a 30%, e o
relatório aponta que a presença do homossexualismo está bastante acentuada nos seminários. O
Vaticano, portanto, está num grande dilema: se permitir o homossexualismo mergulhará o catolicismo
no lamaçal da imoralidade e da perversão sexual. Se proibir, muitos padres homossexuais irão
embora. Em novembro de 2005, o Papa Bento XVI proibiu a ordenação de homossexuais na Igreja
Católica. No dia 20 de fevereiro de 2006, divulgou um documento condenando a chamada “cultura
gay”. Assim, parece que Bento XVI está sendo “inspirado e conduzido” para realizar a vontade de
Deus. Se isto for verdade, a profecia sobre seu assassinato não se cumprirá. Bento XVI mudará seu
próprio destino.
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esquecendo que sua glória verdadeira está sobre o Monte Gólgota (...). A minha
lei continua sendo pisada... O teu sangue e o sangue dos teus filhos lavarão as
manchas feitas por ti à lei do teu Deus...
Eu irei a ti quatro vezes. Na primeira golpearei as tuas terras e os teus
habitantes. Na segunda, levarei a destruição e o extermínio até os teus muros. Não
abres ainda os olhos? Virei a terceira vez e derrubarei as defesas e os defensores
e, ao comando do Pai, seguirá o reino do terror, do medo e da desolação. Mas os
meus sábios fogem. A minha lei continua sendo pisada. Por isso farei a quarta
visita. A guerra, a peste e a fome são flagelos com os quais serão castigadas a
soberba e a malícia dos homens...”.
Porque se afastou do caminho da justiça e da pureza, Roma, a Igreja
Católica, foi abandonada por Deus e satanás a visitou/atacou quatro vezes:
A primeira visita ocorreu com a ascensão de Napoleão Bonaparte, que
desapropriou as terras da Igreja, saqueou o Vaticano, prendeu dois papas e
perseguiu os padres.
A segunda visita ocorreu durante a reunificação da Itália: o papa perdeu seu
poder temporal (1871), a Igreja foi humilhada e o território pontifício, que abrangia
toda a cidade de Roma, ficou restrito aos muros do Vaticano.
A terceira visita ocorreu durante a Guerra Fria entre a democracia cristã e o
comunismo ateu. Como se sabe, a Guerra Fria começou em l945 com o fim da II
Guerra. A partir de então, a Igreja Católica foi infiltrada por comunistas, os quais
foram ordenados padres e nomeados bispos, forjando a teologia da libertação e a
Igreja Popular, as quais defendiam a violência e o marxismo, confundindo e
destruindo a fé de milhões de fiéis.
Por fim, a quarta visita deverá ocorrer nos últimos dias por ocasião do
reaparecimento do novo Cristo, quando o papado chegará ao fim e o catolicismo
sofrerá a mais drástica e profunda mudança de sua história, perdendo sua
identidade e sendo incorporada ao novo movimento religioso fundado pelo novo
Cristo oriental.
A razão de Dom Bosco para chamar a Igreja Católica de “efeminada” pode
ser facilmente compreendida. Como já dissemos, em março de 2002, o Vaticano
divulgou um documento onde analisou a situação de seus padres. O resultado
constatou que 45% dos padres católicos dos Estados Unidos eram gays! No resto
do mundo, a margem chega a 30%. O relatório apontou ainda que o
homossexualismo está amplamente presente nos seminários católicos. Essa grave
situação deixou o Vaticano em um difícil dilema: se expulsar os padres gays a
Igreja perderá 45% de seus padres; se proibir, poucos novos padres irão se formar.
E se permitir estará negando o mandamento mais sagrado de Deus: a família
natural homem-mulher. Ao que me parece, a única saída é o fim do celibato, pois
o estabelecimeto da família é um mandamento divino.
As profecias de Dom Bosco sobre o reaparecimento do novo Cristo
prometido aos cristãos (o II Israel = povo vencedor) e ao Reino de paz que ele
estabelecerá na Terra são abundantes. Vejamos mais algumas delas:
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“A guerra cultural: a última guerra — Guerras entre os príncipes e seus
súditos, o dogma e o erro, a luz (Cristo) e as trevas (anticristo), o pobre e o rico.
Um grandioso acontecimento está se preparando no céu para fazer pasmar as
nações. Russos, alemães, prussianos, cossacos (ucranianos), persas (iranianos),
polacos, franceses e italianos farão uma mistura. E lá na China e na Índia
findará a rebeldia. A Itália será pacificada e o turco (o islamismo) cairá por
terra. Conquistarão os lugares da Santa Palestina, e no alto das cúpulas se
erguerá a Cruz Latina (Cruz Latina = Brasil. O país mais cristão do mundo). Será
feita uma grande reforma entre todas as nações, e o mundo irá misturar-se como
num oceano. A Rússia e a Inglaterra tornar-se-ão católicas (cristãs) E invocarão a
verdadeira Religião...”.
Dom Bosco anteviu a III Guerra Mundial, que será uma guerra mais
cultural do que armada, onde cristãos (ocidentais) e muçulmanos (orientais) se
enfrentarão. Anteviu ainda a libertação da Terra Santa que, segundo os cristãos
unificacionistas, é a Coréia, terra natal do Rev. Moon — o novo Cristo oriental —,
ainda dividida em Norte (comunista) e sul (democrata). A libertação da terra santa,
portanto, ocorrerá quando o comunismo acabar na Coréia do Norte e toda a Coréia
for unificada. A partir da unificação da Coréia, todo o mundo será unificado, como
afirmam a maioria dos grandes profetas judeus e cristãos. Ocorrerá a reforma da
Igreja, da religião e do mundo. Haverá então um ecumenismo universal — não
apenas entre os cristãos, mas entre todos os povos e todas as religiões, e também
uma unificação política mundial, uma profunda e verdadeira globalização que
misturará os povos do mundo como as águas de um oceano (“o mundo irá
misturar-se como um oceano”). Na Epístola ao rei Henrique Nostradamus
reafirmou os mesmos fatos:
“A unificação e a paz mundial — O mundo irá misturar-se como um
oceano... Os árabes recuarão (o terrorismo apocalíptico chegará ao fim), os países
serão unidos, novas leis promulgadas... E suas línguas entrelaçadas numa grande
sociedade: a língua dos latinos e dos árabes, pela comunicação...”.
Dom Bosco também anteviu o aparecimento do anticristo, um personagem
perverso que congelará, pelo medo e pelo terror, até os ossos das pessoas. Todavia,
anteviu também que o anticristo será derrotado e a paz universal triunfará:
“O lobo-anticristo — Nunca se viu um lobo desta espécie... (o último
anticristo?). Momentâneo, mais forte que o ribombar do trovão, rumor, alarido e
pânico. Um raio de luz (o novo Cristo) despontará para consolar os tímidos, que
sentem o gelo entre os seus ossos. Depois, paz universal”.
A metáfora do lobo atribuída ao anticristo foi empregada pela maioria dos
grandes profetas, inclusive pela Senhora de Todos os Povos e por Nostradamus.
Todos também profetizaram que após a Grande Tribulação dos tempos
apocalípticos, os últimos dias, a paz do Milênio de Ouro nascerá e florescerá para
sempre.
21. O reaparecimento do Cristo e o fim do catolicismo
nas profecias de Gerolamo Tovazzo (o Mago Ladino, 1686-1769)
109
A figura de Gerolamo Tovazzo, o Mago Ladino, “encontra-se envolta na neblina
dos tempos”, segundo escreveu seu biógrafo Arnaldo Saccardi em l870. Todavia,
para alguns biógrafos, o Mago Ladino é o apelido de Gerolamo Tovazzo (16861769), parente do conhecido historiador Giangrisóstomo Tovazzi, autor do livro
Medicaeum Tridentinum. Gerolamo teria nascido numa aldeia da região de Friuli,
norte da Itália, em l686 e morrido em Roma no ano de 1769. O apelido Ladino
refere-se ao grupo de dialetos neolatinos falados por alguns povoados dos Alpes
orientais (região de Friuli). Gerolamo falava um dos dialetos locais. Para outros
biógrafos, por trás do apelido Ladino escondia-se uma figura de prestígio ainda
maior, o mago, alquimista e vidente Altatos, mestre do famoso Conde de
Cagliostro. Seja como for, existe um testemunho histórico de que Gerolamo
conheceu o Conde de Cagliostro, pois esteve presente ao casamento do mesmo
com Serafina Feliciani em 20 de abril de 1768, celebrado pelo padre Francesco
Antonio Natilj, cura da Igreja do Santíssimo Salvador (o casamento foi registrado
no Livro dos Casamentos. Livro D, folha 53, da referida igreja). Existem também
registros do encontro de Gerolamo com o Conde de Cagliostro em Veneza e
Verona, época em que o conde ainda usava seu verdadeiro nome: Giuseppe
Balsamo. Gerolamo ainda manteve contato com o Marquês Scipione Mafei, autor
do livro A Arte Mágica Aniquilada. Especula-se que Gerolamo talvez tenha
conhecido as profecias de Altatos e do Conde de Cagliostro e que, depois de polílas, as tenha divulgado. Isto, porém, são meras especulações. O fato certo é que as
profecias existem, datam do século XVIII e foram historicamente atribuídas ao
Mago Ladino, ou monge Gerolamo Tovazzo.
As profecias de Tovazzo causaram muitos rumores em Veneza. São
mensagens não tradicionais, pois fogem da linha hermética (simbólicas, obscuras),
sendo escritas de forma simples e rimadas como se o profeta quisesse que todos as
compreendessem de imediato. Tanto é assim que algumas de suas profecias fazem
parte da memória de algumas comunidades camponesas italianas sob a forma de
provérbios.
Segundo alguns estudiosos, as profecias de Gerolamo Tovazzo cobrem um
período de tempo que vai de 1750 ao ano 3000, data fatídica em que o vidente
previu “o fim de todas as coisas”. Sua obra completa, chamada Jardim Profético,
se constitui de 147 cantos ou flores, cada um deles formado por oito dísticos.
Gerolamo, como outros grandes videntes, anteviu o nazismo e a suástica,
Mussolini e o fascismo, a devastação ecológica, a corrupção dos tempos atuais, a
energia nuclear, o conflito entre os Estados Unidos e a ex-União Soviética, entre
outros importantes fatos da história do século XX. Incrivelmente precisas são as
suas profecias sobre a energia nuclear e o conflito entre os Estados Unidos e a exUnião Soviética, e sobre a Idade da Máquina, onde anteviu a invenção dos
automóveis, dos aviões e das máquinas industriais:
“Quando o homem conhecer o fogo solar (a energia nuclear) a
humanidade vai correr um perigo mortal. Duas serão as cidades imperiais
110
(potências dominantes) a começar os funerais. A cidade nova (New York) e a
cidade negra (a escura Moscou, no inverno) serão queimadas na primavera (...)”.
“Carros e carroças de servos e vassalos serão guiados sem cavalos.
Pássaros de ferro e de madeira passarão sem deixar rastro. Máquinas estranhas,
na idade cruel, farão do mundo uma Babel. O homem será o servo e a máquina, a
patroa, em um mundo de escravos sem coroa (sem monarquia; republicano). A
máquina será o novo evangelho (o prestígio da ciência materialista, que cria a
máquina) e a sua lei levará ao esfacelo. Idade da máquina, idade de dores. Pobres
homens: as vereis de todas as cores”.
Estas duas profecias são suficientes para dar ao leitor uma idéia da
veracidade e da credibilidade das profecias de Gerolamo Tovazzo. Passemos agora
às profecias sobre o reaparecimento do Cristo no Oriente e sobre o fim do
catolicismo.
“Quando a águia branca e vermelha pousar sobre a grande cúpula (da
Capela Sistina) o mundo todo estará próximo de um grande abalo. O boi (as
massas ignorantes), sem carro nem patrão (sem direção) louvará o novo ladrão
(honrará o novo antipapa). O Filho do homem (Jesus e sua palavra), sem lar
(expulso do trono do Vaticano), será destruído (traído e abandonado) pelo grande
falar (pelas muitas falas dos cardeais e do papa)”.
Esta profecia fala claramente sobre a corrupção e a desonestidade dos
líderes do Vaticano, e sobre o declínio e o fim do catolicismo. “Muitos estudiosos
interpretam a águia branca e vermelha como símbolo do Papa João Paulo II, uma
vez que a bandeira da Polônia tem as cores branca e vermelha”, escreveu o editor
do livro Os Grandes Profetas. Os mesmos intérpretes vêm na presença dos
símbolos dos quatro evangelistas: a águia (João), o boi (Lucas), o homem (Mateus)
e o leão (marcos) uma relação com o reaparecimento do novo Cristo. Dizem ainda
que não falta muito tempo para o grande terremoto, pois o tempo começou a ser
contado depois da eleição de João Paulo II. Depois de oito luas — oito anos — virá
um outro sinal do Leste quando muitas páginas da história serão viradas.
“No lugar da cruz escura será levantada a meia-lua (símbolo do
islamismo). Com os mármores romanos da nova Judéia será edificada a itálica
mesquita. Reabrir-se-ão as catacumbas, enquanto sobre Roma cairão as bombas.
Sobre o mármore da matriz de Milão será lançado um casaco vermelho. Sobre o
mar de Veneza, a bela, chegará a turca caravela. E finalmente sobre a cidade do
lírio espalhar-se-á uma grande fumaça”.
Como se sabe, o islamismo é uma das religiões que mais crescem em todo
o mundo hoje. Assim, esta profecia anteviu o declínio do catolicismo na Europa e a
ascensão do islamismo, e também a guerra cultural entre as duas principais esferas
culturais do século XX e XXI: a islâmica (os descendentes de Ismael, o primeiro
filho de Abraão com Hagar) e a judaico-cristã (os descendentes de Isaque, o
segundo filho de Abraão com Sara). A esfera cultural judaico-cristã está unificada,
uma vez que metade da humanidade aceita a Bíblia, o pensamento cristão, que
resultou da união do Velho e do Novo Testamento. Além disso, muitos outros
profetas anteviram a guerra apocalíptica dos árabes (alguns terroristas que se
111
declaram islamitas) contra o ocidente cristão. O Bin Ladem lidera o chamado
terrorismo apocalíptico da Al Qaeda, cujo objetivo é a destruição total da
civilização cristã ocidental.11
“Roma, filha degenerada, acabarás nas cinzas. E o sinal do grande evento
encontra-lo-ás na glória do advento (do novo Cristo). Este será o tempo do papa
solar (João Paulo II?); vermelho será o hábito talar. Mas o touro egípcio (símbolo
da idolatria católica) arreado à festa tomará a cabeça (controlará o papa = cabeça).
Cem luas durará a luta (luas = fases lunares, que somam cerca de 8 anos; luas
também podem representar períodos de tempo) e o cálice acabará na gruta (o
catolicismo declinará, como que retornando às grutas, às cavernas). Enquanto
sobre o monte Alphano aparecerá o papa anglicano (um papa que não é papa, pois
não será católico)”.
A expressão papa solar parece tratar-se de uma referência a João Paulo II,
que foi chamado por Malaquias de De Laboris Solis. Para outros intérpretes a
profecia do papa anglicano (um papa que não é papa, pois não é católico) refere-se
ao sucessor de João Paulo II. Devo lembrar que em l985, época da publicação do
livro Os Grandes Profetas (uma das fontes destas pesquisas), o cardeal Joseph
Ratzinger ainda não era o papa Bento XVI. Todavia, a imensa maioria das pessoas
católicas com as quais tenho conversado não conseguem ver o cardeal Ratzinger
como um verdadeiro papa. Muitas pessoas, enclusive alguns católicos praticantes,
têm expressado a opinião de que Ratzinger “não tem cara de papa”.
Para mim, entretanto, as expressões papa solar e papa anglicano referemse a um mesmo personagem; um novo líder religioso que emergirá do Oriente, a
terra do sol nascente. Assim, as expressões papa solar e papa anglicano referemse ao novo Cristo oriental que ocupará a posição de Verdadeiro Pai (papa = pai) da
humanidade, como um papa anglicano (estrangeiro); um papa que não é um papa
católico, uma vez que a Igreja Católica não mais existirá como tal.
“7 nuvens voarão sobre 7 colinas (Roma, a cidade das 7 colinas) e 144
serão os dias loucos. O nome daquele que aniquila o encontrareis no 7 por 30. A
sua legião dará a guerra e ouvireis estremecer a Terra. Retirada a espada do
grande louco, a lei e a voz dos 24. As 7 feras, babando de raiva, serão fechadas
ainda na jaula. Atenção ao quatro, no ponto alto, o mundo todo dará um grande
salto”.
Alguns intérpretes viram nesta profecia mais um aviso da queda do
catolicismo, Roma, a cidade das sete colinas, que será coberta por sete nuvens, ou
11
O terrorismo apocalíptico — Na verdade, o ressentimento e o ataque do terrorismo apocalíptico
contra o ocidente possui causas mais místicas do que político-econômicas, uma vez que a
prosperidade dos países árabes provém do dinheiro oriundo do ocidente, através da compra do
petróleo. Quando os automóveis movidos álcool, biodiesel, água hidrogenizada, energia solar, eólica
e elétrica, entre outras fontes alternativas renováveis (tecnologias já desenvolvidas e em adiantada
fase experimental), se tornarem economicamente viáveis e forem produzidos em quantidade
suficiente, os países ocidentais — cansados de serem atacados pelo terrorismo árabe, alimentado
pelos petrodólares ocidentais — poderão simplesmente suspender a compra do petróleo árabe.
112
sete tragédias. O nome do aniquilador está relacionado com a multiplicação 7 x 30
= 210. O número 210 sem o zero (o nada) torna-se 21, um número presente na
natureza (21 dias de gestação do pintainho e os 210 dias da gestação do elefante,
por exemplos) e na Bíblia como o número 7 (210 ÷ 30 = 7). Na numerologia dos
cristãos unificacionistas o número 7 é o número da perfeição (4 = perfeição
terrestre; 3 = perfeição celeste. 7 = perfeição cósmica). Portanto, o número 210 está
relacionado com a perfeição do tempo; a um período definido da história. Sabendo
que o regime comunista (que aniquilou tudo o que tocou) durou 70 anos (1917 a
1987), podemos dizer que o aniquilador é uma referência ao comunismo. Feita esta
decodificação fica fácil entender o restante do significado simbólico da profecia. O
louco, o comunismo, foi desarmado e enjaulado (Rússia = urso = fera enjaulada)
ainda meio vivo; as sete feras são os sete principais líderes comunistas (Lênin,
Trotsky, Stálin, Kruschev, Brejniev, Andropov e Gorbatchev). Segundo a
numerologia unificacionista, a expressão “quatro no ponto alto que levará o mundo
a dar um grande salto” significa a restauração da família original. Na Bíblia,
segundo a numerologia unificacionista, o número 4 é o número da família, o
número do fundamento de 4 posições (esposo, esposa e filhos centralizados em
Deus). Este é um ponto essencial para os cristãos unificacionistas. Portanto, quando
a família original for reestabelecida na Terra o mundo dará um grande salto, como
que saindo do inferno para o céu através do número 4.
A decodificação desta profecia me pareceu muito complexa, e talvez esteja
equivocada. Todavia, ela me foi útil para mostrar ao leitor as impressionantes
possibilidades criptográficas fornecidas pelo pensamento dos cristãos
unificacionistas, o Completo Testamento. Além disso, o que me interessa aqui é o
fato de que a profecia decodificada anteviu o ataque e a queda de Roma, a cidade
das sete colinas; conseqüentemente, o fim do catolicismo.
“Não acrediteis na estrela polar; ela caiu no mar. No tempo da máquina
voadora o homem se orienta com um monstro falador. É esse o tempo em que o dia
e a noite terão mudado suas rotas. O ocidente irá em direção ao Oriente. Serão
trocados o nascente e o poente. Então aparecerão os homens-espuma, astutos,
inteligentes, leves como plumas. Virão de mundos longínquos, mas sem deixar
amanhã”.
O conteúdo figurado dessa profecia me parece muito claro. No passado, a
estrela polar orientava os navegantes. Portanto, dizer que ela caiu no mar (mar =
mundo corrupto. Apoc 19.15) significa que a humanidade perdeu a capacidade de
orientação. Está desorientada, enlouquecida. No tempo da máquina voadora o
homem se orienta com um monstro falador é uma referência à onipresente
influência dos meios de comunicação telemática: o telefone, o rádio, a TV e a
internet. Nessa época, os dias atuais, as pessoas trocarão a noite pelo dia; terão uma
intensa vida noturna. Será como se o dia e a noite terão mudado suas rotas. O
avanço do materialismo e o declínio da influência do cristianismo genuíno fará
com que o ocidente irá em direção ao Oriente em busca de inspiração e orientação.
Os tempos atuais são governados por homens-espuma; homens vazios, destituídos
de valores éticos e morais. Leves como plumas (sorrateiros), mas astutos e
113
inteligentes (espertalhões). Tais homens migrarão de muitos lugares distantes e se
aglomerarão nas megalópolis (New York, Londres, Tóquio, São Paulo, etc), onde
agirão como loucos, devastando tudo sem pensar nas futuras gerações; sem deixar
amanhã”.
O aspecto importante a ser destacado aqui é o fato de que a humanidade
chegou a essa situação caótica porque perdeu a orientação; perdeu seu destino e a
sua direção. E isto aconteceu devido ao declínio da influência do cristianismo (o
catolicismo e o protestantismo: as duas testemunhas de Deus que estarão
destruídas: Apoc 11.7). O cristianismo foi a bússola da civilização cristã ocidental.
O cristianismo construiu a civilização cristã ocidental. Portanto, a profecia anteviu
a queda da influência do cristianismo; o fim do catolicismo.
“As coisas e o dinheiro; o mundo é uma jaula de avarentos. Padres e
ladrões vendem os santos por pouco ou muito, mas sempre à vista. O ouro, a prata
e o dinheiro vivo são pedidos aos montes pela alma penitente. Mudam as
bandeiras, muda a fanfarra, mas essa história é sempre amarga. Quando do
poente surge o novo cometa, o homem fará para si um novo barro. Pedro retorna
(o Petrus Secundus), mas sobre a Grande Cúpula no lugar da cruz haverá um
bastão”.
Mais uma vez Gerolamo Tovazzo antevê a corrupção e o fim do
catolicismo. O vidente britânico C. Harchon escreveu: “Levantai uma pedra de
Roma e encontrareis vermes”. Gerolamo antevê também um fato novo: um novo
cometa que surge das bandas do sol poente. Isto é, um astro brilhante que brilhará
no lado onde o sol se põe, o poente; o ocidente. Portanto, a profecia fala de um
astro brilhante que parte do Oriente e brilhará no ocidente. Trata-se de uma
referência ao novo Cristo oriental (o sol da justiça citado em Ml 4.2). O Apocalipse
registrou: “Vi ainda um outro anjo subir das bandas do Oriente. E trazia o selo do
Deus vivo” (Apoc 1.2-4); e também: “...Como o relâmpago parte do Oriente e
ilumina até o Ocidente, assim será o Filho do homem no seu dia” (Apoc 24.27).
Quando este “astro” oriental brilhar no ocidente o homem fará para si um novo
barro. Isto é, o homem será recriado por Deus a partir do barro, da argila. Então,
Pedro retornará. Como se sabe, Pedro é o representante do Cristo que está sentado
no trono do Cristo, o trono do Vaticano. Todavia, nesta ocasião, sobre a Grande
Cúpula no lugar da cruz haverá um bastão. Na Bíblia, o bastão simboliza a vara
da boca, a espada de dois gumes da boca, o sopro dos lábios do novo Cristo: a
nova palavra de Deus. Portanto, a essa altura, o catolicismo já terá chegado ao fim
e o novo Pedro (o Petrus Secundus) não mais será um cristão ou católico, mas um
novo mensageiro de Deus que porá a palavra de Deus, o bastão, acima da grande
cúpula; isto é, a palavra de Deus será elevada acima do Vaticano e do próprio
catolicismo. Este novo Pedro, portanto, não é o apóstolo de Jesus, mas poderá ser
uma prefiguração do novo Cristo oriental que, finalmente, ocupará seu trono na
Terra (não mais necessitará ser representado por um Pedro).
“Muitas terras, abaladas, tremerão e mais montanhas desaparecerão. A
cidade florida (Veneza ou Florença, na Itália) será engolida e o vale verde ficará
amarelado. O mar enlouqueceu. Viram Belona dos lados de Savona.
114
Um arado profundo passará sobre as terras do mundo. E o sinal mais
amplo virá do Oriente, onde nascerá o Grande Sábio”.
Para os cientistas e ecologistas atuais está em andamento uma profunda
mudança climática provocada pelo efeito-estufa, o qual está derretendo as calotas
polares e aumentando o nível do mar. Como conseqüência, muitas cidades e até
países serão engolidos pelo mar. Para alguns profetas, porém, nos últimos dias a
inclinação do eixo terrestre sofrerá alterações, poderá se verticalizar, e este
fenômeno provocará grandes mudanças climáticas e geográficas em todo o globo
terrestre. A profecia antevê o aumento do nível do mar e o desaparecimento da
cidade florida, que pode ser Veneza ou Florença, ambas na Itália, a qual será
engolida pelo mar enlouquecido. Antevê ainda as drásticas mudanças geográficas
que ocorrerão pela mesma razão.
A meteorologia mundial concluiu que a tsunami do oceano índico ocorrida
em 2004 provocou um deslocamento do eixo terrestre e desacelerou a rotação da
Terra em 2,68 microssegundos. O deslocamento do eixo terrestre em andamento,
portanto, poderia ser a verdadeira causa das grandes mudanças climáticas atuais, e
não o efeito-estufa, embora este ataque à natureza deva mesmo ser combatido e
anulado. De outro lado, não podemos ignorar o Projeto HAARP, que está sendo
desenvolvido pelos Estados Unidos, o qual tem sido acusado de estar produzindo
armas eletromagnéticas capazes de provocar alterações climáticas: nevascas,
tempestades, terremotos, etc; podendo, inclusive, provocar mudanças no
temperamento psicofísico do homem, uma vez que o corpo humano é constituído
por 75% de água e outras substâncias naturais expostas às alterações climáticas
(Cf. Jerry E. Smith. Armas Eletromagnéticas. Editora Aleph, 2005. 373p).
A parte mais interessante e pertinente desta profecia está em seu último
parágrafo, o qual fala de um arado profundo que rasgará as terras do mundo e
sobre o sinal mais amplo que virá do Oriente, onde nascerá o Grande Sábio. São
claríssimas referências a uma nova revelação de Deus — o arado profundo — e ao
novo Cristo oriental, o mensageiro que trará o arado profundo, a nova palavra, com
o qual rasgará as terras (julgará as pessoas) do mundo. Os editores do livro Os
Grandes Profetas, bem como os intérpretes, ignoraram completamente esta parte
da profecia. Ao nosso ver, a parte central e mais importante.
“Quando o milênio estiver no fim, os cristãos serão substancialmente
pagãos. A única fé estará no dinhero e no poder; triunfarão o engano, a corrupção
e a violência. Frades, padres, bispos e cardeais, vosso lugar é entre os porcos.
Quando deixardes o hábito talar será o momento de cobrir o altar. Muitos serão
desertores no tempo dos novos gladiadores. E a fé ressurgida não partirá de Roma
putrefata, mas da cidade solar do Oriente”.
Para a maioria dos intérpretes das profecias da humanidade a crise e o fim
da Igreja Católica (e, provavelmente, de todas as religiões) e o reaparecimento do
novo Cristo no Oriente “é uma previsão constante nas profecias de todos os
videntes”. Nas profecias de Gerolamo Tovazzo estas previsões aparecem em
termos especialmente claros, conforme é o seu estilo.
115
A profecia que acabamos de ver é um retrato fiel do nível de consciência
do homem e da situação corrupta do mundo atual. A corrupção do clero e o fim do
catolicismo, que deverá ocorrer no século atual, foi também previsto com uma
clareza extraordinária. “Perfumados como agrada às mulheres, e não à Igreja”,
escreveu um intérprete. Gerolamo chega a ser ofensivo quando diz: Frades, padres,
bispos e cardeais, vosso lugar é entre os porcos. Gerolamo prevê que muitos
líderes do clero deixarão o hábito talar. E quando isto acontecer terá chegado a
hora de cobrir o altar; fechar as portas da Igreja.
Como na profecia anterior, porém, a parte mais interessante desta profecia
está novamente em seu último parágrafo, o qual anuncia que a fé ressurgida não
partirá de Roma putrefata, mas da cidade solar do Oriente. Trata-se de mais uma
claríssima referência ao fim do catolicismo e ao reaparecimento do novo Cristo
oriental, o Grande Sábio de Deus que aparecerá na cidade solar do Oriente.
“O caudilho azul (caudilho = chefe) partirá das terras polares e
conquistará a região dos javalis. Atravessará duas vezes os mares e fixará a
capital na terra dos ávaros (avaros = povo originário da Ásia central. Da
Mongólia, segundo alguns historiadores). Alexandre, César, Constantino estarão
no caudilho quase divino. Império de paz, império de amor; não há mais lugar
para o embusteiro. Itália, Hespéria (Espanha), França e Inglaterra serão
finalmente uma só terra. Mas no tempo do vinho uma vil conjura mandará o
caudilho para a sepultura”.
Para alguns intérpretes o caudilho azul representa o Grande Sábio que virá
do Oriente, o novo Cristo (caudilho = chefe = líder). Na Bíblia, Gn 38.28, o
vermelho simboliza o filho mais velho, tipo Caim, amante da violência e
representante do mal. Por isso, historicamente o azul passou a simbolizar o filho
mais novo, tipo Abel, amante da paz e representante do bem. Daí a expressão
caudilho azul (= líder azul). Todos os movimentos revolucionários materialistas e
ateístas, tais como o iluminismo, o nazismo e o comunismo adotaram a cor
vermelha como símbolo de seu espírito guerreiro, embora a cor vermelha seja a cor
da vida (sangue), da beleza (rosa vermelha) e da honra (tapete vermelho). Assim,
de uma perspectiva religiosa, foi como se o satanás, o antideus, tivesse roubado a
cor original de Deus, o vermelho. Talvez seja este também o motivo pelo qual,
segundo Nostradamus, o novo Cristo do Oriente terá como um de seus sinais
indicativos a cor vermelha, significando que ele trará a cor vermelha de volta para
Deus.
O líder azul virá das terras polares, um país muito frio cujo inverno seja de
pura neve. Portanto, pode ser algum país do extremo Oriente, uma vez que fixará a
capital de seu reino na terra dos ávaros, um povo originário da Ásia central
vinculado genealogicamente aos mongóis, raiz étnica de todos os povos orientais.
O líder azul será chefe de reis — Alexandre, César, Constantino. Logo, será um
tipo de Rei dos reis quase divino (porque será o Filho, e não o próprio Deus). Além
disso, O líder azul unificará todos os países, originando um planeta sem fronteiras,
um mundo unificado de paz e harmonia.
116
Para os cristãos unificacionistas, o ponto preocupante dessa profecia é o
que diz que “no tempo do vinho uma vil conjura mandará o caudilho para a
sepultura”. O tempo do vinho é uma metáfora para idade avançada, uma vez que o
termo vinho deve ser relacionado com o termo envelhecido. Portanto, a profecia
antevê que uma conspiração de traidores poderá assassinar o líder azul, o novo
Cristo oriental.
Os cristãos unificacionistas dizem que o Rev. Moon é o novo Cristo
oriental e que ele foi vítima, não de uma, mas de várias traições e conspirações que
o levaram 6 vezes à prisão, tendo passado 7 anos de sua vida nas prisões do Japão,
da Coréia e dos Estados Unidos. No livro O Fenômeno Moon, do escritor Neudir
Simão Ferabolli, estão registrados os 7 tipos de torturas brutais que ele sofreu nas
prisões japonesa e norte-coreana, tendo entrado em coma (morrendo) e saído do
coma (ressuscitando) três vezes. E dizem mais, que em l984 ele seria assassinado
por espiões comunistas da Coréia do Norte durante uma preleção pública que faria
em um ginásio de Seul, mas foi salvo por seu jovem filho Heung Jin Nim que,
informado pelo mundo espiritual, voluntariamente entregou sua vida em troca da
vida de seu pai, sofrendo logo em seguida um grave acidente nos Estados Unidos.
Se os cristãos unificacionistas estiverem certos, o líder azul, já em idade avançada
(a idade do vinho) foi efetivamente vítima de uma conjura que o levou à “morte”
(ao coma), mas “ressuscitou”, recuperou a vida misteriosamente.
“Romper-se-á a barreira entre o homem e o animal, nova será a vida
pastoral. Serão vencidas doenças rebeldes com a ajuda dos cães, dos gatos e das
aves. Sem doutores vivereis mais sãos; bastam a letargia, o jejum e o giro de mãos.
Dos animais chamados selvagens o homem receberá novas mensagens. Os peixes
dirão ao grande doutor como se vence o mal do inchaço. As plantas, as pedras e as
cristas (os animais) ensinarão a conhecer a peste”.
Os intérpretes convencionais dizem que esta profecia sugere que “na nova
idade haverá o triunfo da filosofia oriental, que coloca o homem no centro do
universo, juntamente com os animais e as plantas, e que será quebrada a barreira de
comunicação entre os homens e os animais, fato que possibilitará a cura das
doenças rebeldes (crônicas e letais, tipo câncer ou Aids). Na verdade, a medicina
ocidental já está parcialmente unificada à medicina oriental, tendo adotado a
acupuntura, a acumpressão, as massagens orientais, o moxobustão, os chás, as
ervas, a meditação, o jejum, os alimentos orgânicos, etc, atuando no homem como
um todo e sempre buscando o caminho mais natural. O Dr. Deepak Chopra fala
constantemente em seus livros sobre a cura quântica, referindo à abordagem
terapêutica do homem em sua inteireza.
Por outro lado, este fato não significa que o pensamento afro-indiano
(hinduísmo, budismo, etc) predominará no mundo, pois as filosofias de origem
afro-indiana, como já vimos, contém idéias que se chocam frontalmente com os
fundamentos do pensamento judaico-cristão, a linha religiosa que durante 2000
anos preparou o mundo para receber o novo Cristo e que, finalmente, o trouxe à
Terra (segundo as profecias da humanidade, os fatos históricos do tempo atual e os
cristãos unificacionistas). Portanto, não ocorrerá o triunfo do pensamento afro-
117
indiano, dito oriental, mas o triunfo do modo de vida e das técnicas terapêuticas do
Oriente associadas às técnicas terapêuticas do ocidente. O pensamento que
predominará na mentalidade humana não advirá exclusivamente da esfera cultural
judaico-cristã; mas,principalmente dela, uma vez que o pensamento do novo Cristo
oriental, necessariamente, será fundamentado no pensamento judaico-cristão. O
ponto intrigante em tudoisso está no fato de que, dentre todos os candidatos a novo
Cristo que apareceram no Oriente até o presente apenas o Rev. Moon apresentou
uma nova revelação fundamentada na Bíblia — o Completo Testamento.
“No segundo paraíso terrestre não encontrareis mais rosto triste. Sereno
estará o homem e doce será a vida em um terço da terra, sem subida (sem árduos
esforços). Três vezes o trigo amadurecerá no campo; não haverá mais granizo nem
relâmpago. O homem trabalhará sem suor (tecnologias) e não haverá mais um
dono do navio (autogestão com responsabilidade). Médicos e boticários terão de
mudar de profissão porque terminou o tempo da lamentação (as doenças serão
eliminadas pela vida santa e natural). A morte será queimada e o homem terminará
sua vida em uma grande risada”.
Toda a profecia fala sobre o novo mundo que será estabelecido pelo novo
Cristo oriental. Segundo os cristãos unificacionistas, uma vez que o novo Cristo já
está na Terra e iniciou sua missão pública em l945, na Coréia do Norte, o novo
mundo de paz e felicidade já está aparecendo gradativamente na Terra e os sinais
desse novo mundo podem ser vistos em toda a parte, especialmente nas novas
tecnologias desenvolvidas no século XX, como por exemplos a informática e a
robótica que, juntas, libertaram a humanidade de quase todo o trabalho físico
árduo. Quanto à expressão a morte será queimada esta é uma repetição da profecia
do Apocalipse que diz que a morte deixará de existir, assim como todo o mal, os
quais serão “incinerados” no lago de fogo. Como, na Bíblia, o termo fogo
simboliza palavra, dizer que todo o mal será lançado no lago de fogo é o mesmo
que dizer que todo o mal será extinto por meio da educação divina baseada na
verdade e no amor.
“Passa a sombra de um anjo sobre a vereda; escancaradas as portas do
cemitério. Um trovão tremendo, um redemoinho, uma flecha; e tudo passará
depressa. Virá como um ladrão o Grande Dono; sentireis apenas um grande
abalo. Quando o sete encontrar o sete a humanidade estará em aperto. Voltarão os
mortos, cairá o firmamento; para todos no vale há o grande encontro. O anjo
piedoso escreverá sobre o cálice: Aqui Jaz. E finalmente a Terra descansará em
paz”.
As interpretações convencionais viram nesta profecia o fim do planeta
Terra e da própria humanidade. Um completo absurdo, uma vez que a maioria dos
profetas também profetizou sobre um futuro glorioso para o planeta e o homem.
Segundo a minha interpretação, este último canto de Gerolamo Tovazzo
antevê precisamente o fim de todo o mal e a vitória plena de Deus através de Seu
novo Cristo-rei vitorioso esperado pelos cristãos. Assim, o Grande Dono que virá
como um ladrão é o novo Cristo que reaparecerá, surpreendendo a quase todos,
como está igualmente profetizado na Bíblia. A expressão quando o sete encontrar
118
o sete significa o tempo quando a missão do novo Cristo estiver consumada,
finalizada, uma vez que número 7 é o número da perfeição cósmica, segundo a
numerologia unificacionista (4 = nº da perfeição terrestre + 3 = nº da perfeição
celeste). A expressão aqui jaz que o anjo piedoso escreverá significa precisamente
o fim, a extinção de todo o mal quando, finalmente, a Terra descansará em paz.
22. O reaparecimento do Cristo e o fim do catolicismo
nas profecias de Rasputim (1872-1916)
A Bíblia registrou que quando Jesus estava na Terra até mesmo maus espíritos
testemunhavam que ele era o Cristo filho de Deus, como está registrado:
“E tendo chegado à outra banda, saíram-lhe ao encontro dois
endemoninhados, vindos dos sepulcros, tão ferozes que ninguém podia passar por
aquele caminho. E eis que clamaram, dizendo: Que temos nós contigo, Jesus, Filho
de Deus? Viestes aqui nos atormentar antes do tempo?” (Mt 8.28-29).
“E o espírito do Senhor se retirou de Saul, e um espírito mau da parte do
Senhor o assombrava” (Sm 16.14).
Vemos assim que mesmo os maus espíritos prestavam algum tipo de
serviço a Deus a fim de gerarem algum mérito espiritual para si mesmos. Na
história do judaísmo e do cristianismo muitos falsos religiosos testemunharam
Jesus como Filho de Deus, “atando fardos pesados nas costas dos outros” e
deixando livres suas próprias costas. Jesus orientou os cristãos para que fizessem
tudo o que eles lhes dissessem para fazer, mas não agissem como eles. Do mesmo
modo, nem todos os grandes profetas da humanidade foram profetas do bem.
Mesmo assim, prestaram algum serviço a Deus, profetizando o reaparecimento do
novo Cristo oriental e o futuro glorioso da humanidade depois da vitória de Deus.
Dentre estes, provavelmente, está Rasputin.
Grigori Iefimovitch Rasputin (1872-1916) foi um camponês siberiano
nascido na aldeia de Pokrovskouy (Sibéria ocidental) cujo nome original era
Padkino Rasputje, donde veio o apelido Rasputim. Ainda criança começou a
trabalhar com seu pai como carroceiro. Casou-se aos 19 anos com uma mulher
quatro anos mais velha, que lhe deu uma filha — Maria. Era um degenerado: bebia
muito, brigava e envolvia-se acintosamente com muitas mulheres. Após uma
peregrinação ao mosteiro do Monte Atos, na Grécia, construiu uma espécie de
oratório no fundo do quintal de sua casa, onde constantemente realizava um
misterioso ritual noturno. Algum tempo depois aderiu à seita Khysty (“os
manipuladores de serpentes”). A partir dessa época Rasputin adquiriu um
misterioso “magnetismo pessoal”. Exercia um extraordinário fascínio sobre as
pessoas e se dizia capaz de realizar curas e milagres. Costumava assegurar,
especialmente para as mulheres, que o seu contato físico era benéfico, levando as
pessoas a acreditarem que se tocassem nele recuperariam a saúde. Na verdade, isso
tudo não passava de uma tática para satisfazer seu grande apetite sexual. A Igreja
Católica Ortodoxa o acusou de heresia e iniciou um longo processo contra ele.
119
Todavia, por razões nunca esclarecidas, o processo foi sumariamente abandonado e
jamais se tomou conhecimento de seu paradeiro.
Aos 22 anos Rasputin afirmou ter tido uma visão divina: enquanto orava
em um campo, ouviu às suas costas um canto angelical e, ao virar-se, viu a figura
de Nossa Senhora acompanhada de um grande número de anjos. Entendeu aquela
visão como um aviso para que enveredasse pelo misticismo. Conheceu o noviço
Mileti Saborovsky, da academia eclesiástica, que lhe pedira para levá-lo ao
mosteiro de Werchoturje. Rasputin dizia que conversaram sobre “a verdadeira fé
em Deus” durante a viagem. No mosteiro, decidiu permanecer com os monges,
muitos dos quais haviam sido enviados para lá para se purificarem por terem
sofrido “desvios heréticos”. Certamente, entrou em contato com muitas das idéias
heréticas dos monges rebeldes do mosteiro. Ao sair do mosteiro decidiu visitar o
eremita Staretz Makari, que vivia em uma choupana e se alimentava de raízes.
Dizia que, ao vê-lo, Staretz exclamara: “Exulta, porque o Senhor te elegeu entre
milhares de outros homens. Farás grandes coisas, mas terás de deixar a mulher, os
filhos, os cavalos e tudo quanto possuis para percorrer o mundo e difundir a alegre
nova do reaparecimento do Cristo”. A partir de então, Rasputin começa a percorrer
as aldeias pregando, abençoando e confortando as pessoas. As notícias
extrapolaram a realidade e o transformam em uma fantasia. Diziam ser ele “capaz
de curar doentes e que seus olhos possuíam um fascínio angelical e diabólico ao
mesmo tempo, ao qual mulher nenhuma conseguia resisitir”. A última cazarina da
Rússia dizia que Rasputin era uma criatura mística protegida por Deus e dotada de
poderes especiais. O monge ortodoxo Iliodor, seu inimigo, chamava-o de diabo
santo. O embaixador francês em Moscou descreveu-o como uma pessoa “elogiada
por muitos, maldita para outros tantos e temida por todos”. Em São Pertesburgo, a
então capital russa, foi recebido pela Condessa Ignatiev, que assim o escreveu: “É
uma pessoa estranha. Mostra-se sempre inquieto, como se procurasse alguma coisa.
Tem a voz rouca, o comportamento rude dos camponeses e as mãos cheias de
calos. Fala sobre temas religiosos e místicos com invulgar entusiasmo. E com igual
entusiasmo discorre sobre as fraquezas humanas. Parece que nem a morte é capaz
de segurá-lo”.
Em pouco tempo, Rasputin se tornou uma das figuras favoritas da
aristocracia russa. O sucesso melhorou sua situação econômica. Passou a vestir
camisa de seda pura bordada pelas damas da nobreza, calças de tecido inglês e
botas de couro macio. Todavia, esse verniz aristocrático não apagou a rudeza e a
grosseria do mujique. E essa contradição se tornou um charme irressistível que lhe
abria as portas mais importantes da Rússia. Como Rousseau, aproveitou-se da
consciência culpada da aristocracia russa para obter posição e poder econômico e
político. Seu poder alcançou o ponto alto quando “curou” o jovem príncipe
herdeiro Alexei, que era hemofílico. Colin Wilson conta em seu livro Mysterious
Powers que o pequeno Alexei sofreu uma grave hemorragia interna, em virtude de
uma queda enquanto brincava no jardim. Com uma febre assustadora e uma
hemorragia que nenhum médico da corte conseguia parar, os médicos já haviam
desistido de salvar-lhe a vida. Chamado pela própria czarina, Rasputin passou as
120
mãos sobre o menino e recolheu-se em oração. Depois se aproximou da czarina e
disse-lhe: “Teu filho está salvo”. O menino sarou rapidamente. Noutra ocasião,
Rasputin escreveu para a czarina: “Deus ouviu os seus prantos e tuas orações. Não
fique triste. O teu filho viverá. Mas é preciso que os médicos não o atormentem
mais”. O menino se curou novamente. A fé da czarina em Rasputin chegou ao
ponto de ela consolar o Czar, dizendo: “Não temas pelo nosso futuro, porque
Rasputin já o viu”. A influência de Rasputin na corte começou a preocupar os
conselheiros do Czar, que o aconselharam a afastar Rasputin da corte, pois estavam
surgindo comentários negativos sobre ele. O Czar cedeu e ofereceu a Novikh,
como Rasputin era chamado na corte, a soma de 200.000 rublos, uma quantia
enorme na época com a condição de ele deixar a corte e ir para uma aldeia distante.
Rasputin recusou, obrigando o Czar a usar outros meios para afastá-lo. Rasputin
disse: “Se o Czar me afastar de São Petersburgo, dentro de seis meses o czaréviche
ficará em perigo de vida”. E Alexei feriu-se novamente. E novamente a czarina
mandou trazer Rasputin que, mais uma vez, “curou” o menino. Depois disso,
Rasputin instalou-se definitivamente na corte imperial. Nessa época atingiu seu
nível máximo de poder, nomeando seu amigo Stürmer como ministro. Por essa
época, contam os biógrafos, o Czar já não tomava nehuma decisão sem consultar
Rasputin, o que incomodava os conselheiros imperiais e os membros da
aristocracia russa. O monge Iliodor, seu inimigo, mandou uma prostituta chamada
Kionya esfaquear Rasputin, convencida pelo monge de que estava matando o
anticristo. Rasputin escapou dos ferimentos. Dois anos depois, sofreu um novo
atentado. O escritor Colin Wilson conta que Rasputin profetizou a sua própria
morte antes do dia 1o de janeiro de 1917, e acertou: foi assassinado no dia 29 de
dezembro de 1916. Antes de morrer, em uma carta entregue à czarina, Rasputin
profetizou que se fosse morto pelo campesinato russo o país conservaria sua
próspera monarquia durante centenas de anos. Mas se fosse assassinado pela
aristocracia, não sobraria nobre algum na Rússia. Previu também a morte do Czar e
da czarina num prazo de dois anos. Rasputin foi assassinado por um grupo de
aristocratas russos — o príncipe Felix Yussupov, o grão-duque Dimitri, o deputado
Pourichkevitch e o medico Lazoverta, em 29 de dezembro de 1916, no apartamento
do príncipe Yussupov, envenenado com cianureto. Convidado para um banquete,
Rasputin chegou depois das 23 horas e, sentando-se à mesa, comeu bolo e bebeu
vinho envenenado até as 2h30min da madrugada sem nada sentir. Rasputin queria
até sair para se divertirem em outro lugar. Desesperado, o príncipe começou a tocar
guitarra, conseguindo fazer Rasputin adormecer. Depois, começou a fixar um
crucifixo, sacou sua pistola e deu um tiro no coração de Rasputin. Enquanto os
outros membros do grupo saíam disfarçados com a manta e o capuz do morto,
fingindo estarem acompanhando-o até sua casa, o príncipe voltou à sala e abaixouse, sacudindo o corpo para verificar se Rasputin estava mesmo morto. Subitamente
Rasputin abriu o olho esquerdo, depois o direito e saltou sobre o príncipe. Com
muito esforço este conseguiu desvencilhar-se dele e correr à procura do GrãoDuque. Quando ambos estavam voltando viram Rasputin, coberto de sangue, sair
correndo vacilante. Alcançado no jardim, o Grão-Duque disparou outros quatro
121
tiros e matou Rasputin. Seu corpo foi jogado no rio Neva. Quando foi encontrado,
os policiais disseram que ele havia sido jogado no rio ainda vivo.
Com a cura do pequeno Alexei, sua posição e o seu prestígio aumentaram
enormemente perante toda a corte e, especialmente diante do Czar e da czarina
Alexandra. Para ela, Rasputin era “um enviado do céu para salvar a dinastia russa”.
Grande ironia. Ele, na verdade, profetizou e preparou a destruição da família
imperial inteira. Na corte, o comportamento de Rasputin era exemplar, como
competia a um homem supostamente santo, mas fora dali levava uma vida devassa.
Gabava-se da posição que ocupava na corte e da intimidade e influência que tinha
sobre a família imperial. Como o misticismo estava na moda em toda a Rússia,
tornou-se o alvo preferido das atenções femininas, sobre quem exercia
extraordinária atração. Qualquer jornal que o criticasse era imediatamente
confiscado. Quando alguns membros do clero o acusaram de charlatão e impostor
foram punidos rapidamente. O monge Illiodor, ex-amigo de Rasputin, tornou-se o
seu maior inimigo, acusando-o de devassidão, embriaguez e perversão sexual, e
obrigando Rasputin a se justificar perante o bispo Hermógem, de Saratova.
Rasputin acusou Illiodor de ser homossexual, e a pudica czarina repudiou o
sacerdote. Em seguida, queixou-se ao Czar e este degredou o monge Illiodor e o
bispo Hermógem imediatamente. A briga provocou um escândalo tão grande que
Rasputin chegou a ser enviado de volta à sua cidade natal (onde sofreu um atentado
do qual curou-se a si mesmo). Em 1914, retornou a São Petersburgo a chamado da
corte, sendo recebido com honras e festas.
Quando estourou a I Guerra Mundial, em Agosto de 1914, o Czar entrou na
guerra ao lado dos aliados, assumindo o comando geral, deixando a czarina e
Rasputin na direção total dos assuntos internos do país. Entretanto, a czarina não
era popular e muitos a consideravam uma traidora pró-alemã. Desse modo,
Rasputin passou a dirigir absoluto toda a Rússia. Aproveitando-se de sua grande
influência, Rasputin nomeou e promoveu seus amigos a elevados postos dentro da
corte. Como seus amigos em geral eram pessoas corruptas, devassas e
inescrupulosas houve muita insatisfação, a qual foi completamente ignorada por
Rasputin. Com um governo desse tipo a Rússia conheceu um período de profunda
anarquia e degeneração moral. Precisamente a situação desejada pelos comunistas.
O historiador inglês Sir Bernard Pares descreve Rasputin como um
conspirador diabólico. O estranho fascínio e atração que ele exercia, aliados à sua
capacidade de hipnotizar as pessoas, diziam alguns, eram utilizados apenas para
“curar”. Entretanto, Rasputin jamais curou o pequeno Alexei da hemofilia. Há um
ponto indiscutível com respeito a Rasputin: ele exercia uma poderosa influência em
todos que dele se aproximavam. Fascinados por sua personalidade alguns o
adoravam e outros o odiavam.
O papel de Rasputin na revolução comunista de 1917 — No início do
século XX a Rússia enfrentava sérias dificuldades econômicas e grandes
convulsões sociais e políticas sob a incessante atividade dos comunistas. Em l902,
o escritor riusso Leon Tolstoi escreveu ao Czar Nicolau II, alertando-o para os
problemas e insatisfações do povo, e para as conseqüências do estado de sítio que
122
havia declarado. O Czar não ouvia ninguém. O Czar Nicolau II herdou o império
com muitos problemas, os quais se intensificaram sob sua administração
inconsistente e titubeante. A guerra contra o Japão (uma tentativa de distrair a
atenção do povo dos problemas internos) e a participação da Rússia na I Guerra
Mundial ajudou a desestruturar de vez o governo imperial. Ao invés de enfrentar a
situação, o Czar decidiu se isolar com sua família, afastando-se da realidade.
Simultaneamente, o ocultismo se tornou uma das principais atividades da
aristocracia russa. O Conde Ignatiev costumava reunir amigos em seu salão negro
3 vezes por semana para discutir ocultismo. A czarina, que era de origem
protestante e se tornara uma católica bizantina fanática, aos poucos, perdeu a
confiança nos conselheiros e na ciência russa, passando a consultar videntes,
taumaturgos e charlatães às escondidas, os quais lhe prometiam curar
definitivamente o Príncipe Alexei. Fora do palácio imperial reinava o terror, a
anarquia, a orgia e a violência; dentro, imperava um clima ocultista irreal. O
ocultismo era tão enaltecido que o Grão duque Nicolau Nicolaievitch foi
encarregado de dirigir a Sociedade Ocultista da Casa Imperial, ocasião em que
levou para a corte o charlatão Nizier Vachot, o qual deu à czarina uma imagem
sacra e um sininho que, segundo a fez crer, tocaria sozinho sempre que alguém se
aproximasse dela com más intenções. Os cronistas da época escreveram que era
impossível contar o número de mágicos, bruxos, feiticeiros, curandeiros e
charlatães que circulavam na corte imperial. Num ambiente desses, o aparecimento
e a ascensão de um personagem como Rasputin foi como água em terra seca.
Há certa unanimidade em admitir que Rasputin, o camponês siberiano que
conquistou um poder quase igual ao do Czar de todas as rússias, possuía um poder
sobrenatural; “algo desconhecido, uma espécie de força misteriosa possuída por
bem poucas pessoas”. Rasputin unia em si um olhar místico penetrante e
atemorizador, os modos rústicos do camponês siberiano e o misticismo de um
monge ortodoxo. E soube se aproveitar da situação caótica da Rússia de então,
agravando-a ainda mais; como um “João Batista” do diabo, Rasputin preparou o
caminho para a tomada do poder pelos comunistas ateus e o conseqüente desastre
econômico paralelo ao massacre de 150 milhões de seres humanos inocentes em 35
países do mundo, entre 1917 e 1987. Todavia, Rasputin não era um profeta
charlatão, mas um profeta autêntico (embora satânico) que previu sua própria
morte, o extermínio da família imperial russa, a segunda Guerra Mundial e muitos
outros acontecimentos trágicos. Rasputin foi um profeta, mas como o estudo de
sua biografia revela, um profeta do mal que profetizou grandes desgraças ao seu
redor. Mesmo o biógrafo alemão S. Langer, um admirador de Rasputin, não
conseguiu deixar de citar sua falta de caráter, ao escrever: “Rasputin não era uma
pessoa de maus bofes, embora não se pudesse afirmar que fosse bom; não era um
libertino, mas também nenhum santo... Era um homem dotado de qualidades e
defeitos... Cheio de contradições íntimas. Este homem acabou se encontrando em
um ambiente particular em um momento particular da história de seu país, sem
estar preparado para ambas as situações”. Pela breve biografia de Rasputin que
123
acabamos de expor, vemos que Langer foi mesmo excessivamente condescendente
com ele.
É de fato muito estranho que um personagem destes aparecesse na Rússia e
alcançasse o poder de forma tão rápida e fácil quando a mesma estava prestes a cair
no comunismo. Um outro fato misterioso é quanto às circunstâncias da época. Nos
primeiros anos do século XX a Rússia estava imersa em uma onda de misticismo
muito propício à influência de um homem como Rasputin. Os comunistas já
atuavam e havia uma forte indiferença para com a religião oficial ortodoxa. O
sexualismo, coberto por um verniz de falsa moral, era estimulado até mesmo pelo
clima russo. Poderíamos dizer que a Rússia dormia e que havia um palco vazio
preparado para um grande acontecimento. Este poderia ser um despertar religioso,
seguido de uma volta aos valores éticos, morais e religiosos do cristianismo
ortodoxo, ou um abandono total da religião, seguido de uma profunda degeneração
moral. Tudo parecia depender da influência da Igreja Ortodoxa e da posição do
Czar Nicolau II, que cometeu seu maior erro: apoiar Rasputin e perseguir o
cristianismo ortodoxo. Pagou seu erro com a própria vida e a vida de todos os seus
familiares.
Rasputin foi um personagem do mal; um membro da seita dos adoradores de
serpentes, devasso, beberrão e violento. Todavia, afirmava ter permanecido seis
meses em um mosteiro onde disse ter visto Maria, a mãe de Jesus, acenando para
ele. Ora, em todos os casos da história cristã sempre que Maria apareceu dirigiu-se
a pessoas muito puras como, por exemplo, as crianças Lúcia, Francisco e Jacinta,
em Fátima; ou Bernadete Soubirous, em Londres. Por que agora iria aparecer
acenando para um indivíduo degenerado como Rasputin? Por que um “santo”,
como ele se declarava (apenas por ter permanecido quatro meses em um mosteiro
cristão cheios de hereges), se filaria a uma seita de “manipuladores de serpentes” e
realizaria estranhos rituais à noite no fundo do quintal da própria casa, ao invés de
ir às igrejas iluminadas? Ele, na verdade, além de conter a hemorragia do Príncipe
Alexei (sem nunca curá-lo) nada fez de tão extraordinário a ponto de ser protegido
pelo Czar e pela czarina que, em sua defesa, puniu e condenou até mesmo bispos e
monges ortodoxos. Rasputin nunca curou definitivamente o pequeno Alexei. Se o
tivesse feito, certamente, não teria chegado aonde chegou. Assim, a doença do
menino (talvez, provocada pela “serpente” que ele adorava) foi sua grande chance
de penetrar no império russo para desestabilizá-lo e abrir as portas para a invasão
comunista. Não obstante, a czarina, como que hipnotizada por ele, o via como “um
homem enviado por Deus para salvar a dinastia russa”. Ironicamente, ele
profetizou a destruição do Czar, da czarina, de seus filhos e de toda a nobreza
russa. E foi exatamente o que aconteceu. Rasputin tinha um comportamento falso
diante do Czar e da czarina. Longe deles, era um outro homem. Levava uma vida
indecente. Seus amigos eram pessoas corruptas que ele trouxe para dentro da corte
e os fez poderosos. Liderados por Rasputin (uma vez que a czarina era dominada e
o obedecia cegamente), que tipo de orientação aqueles homens deram à Rússia précomunista? Afinal, que papel coube a Rasputin na história da Rússia e na queda
desta no comunismo? De onde provinha o poder místico que Rasputin possuía e
124
que foi utilizado por ele como trampolim para sua ascensão à alta sociedade e ao
poder na corte do Czar Nicolau II? De Deus ou da “serpente” que ele cultuava?
Quem enviou Rasputin para levar a Rússia à anarquia, ao caos e à imoralidade no
momento em que os comunistas buscavam criar exatamente essa situação? Deus ou
a “serpente” que ele cultuava? As circunstancias misteriosas de sua morte,
precedida por uma série de profecias sobre o seu próprio futuro, sobre o futuro da
dinastia e da aristocracia russa são fatos altamente suspeitos haja vista que ele
jamais citava a Bíblia ou o nome de Jesus, e pertencia à seita dos “manipuladores
de serpentes”.
Rasputin, definitivamente, era qualquer coisa menos um homem de Deus.
Contudo, somente o tempo nos trará as respostas completas sobre esse estranho e
maléfico personagem russo que, como um falso João Batista, preparou a Rússia
para ser invadida pelo comunismo ateu.
As profecias de Rasputin — Quando iniciamos este texto falamos que até
mesmo maus espíritos podem ser utilizados por Deus, mesmo sem o saberem,
como escreveu Dostoievsky na fábula dos Irmãos Karamazov (baseada na história
bíblica de Jó), onde Temistófeles ataca Fausto pensando agir contra Deus e por si
mesmo, mas descobre que fora usado por Deus, pois suas ações somente serviram
para fortalecer a lealdade de Fausto para com Deus. Coisa semelhante pode ter
ocorrido com Rasputin. Em l927, alguns trabalhadores realizavam escavações na
cidade de Odessa quando encontraram algumas caixas de madeira. O local ocultava
ruínas de um antigo posto policial da era czarista e algumas caixas continham uma
parte dos arquivos policiais referentes ao período de 1906 a 1916. Uma comissão
avaliou os documentos e os enviou para a biblioteca central de Moscou, que
publicou parte deles, ocultando o restante como segredo de Estado. Posteriormente,
pesquisadores descobriram que entre os documentos havia várias cartas de
Rasputin enviadas à czarina. Cópias dessas cartas foram publicadas na Noruega nos
anos 30. As mais significativas profecias de Rasputin vieram desse acervo. Alguns
pesquisadores afirmam que as visões proféticas de Rasputin cobrem um arco de
tempo que vai de 1917 a 2100.
A credibilidade de Rasputin como vidente pode ser auferida com base em
sua impressionante antevisão da manipulação genética, prática científica totalmente
desconhecido em sua época. Ei-la:
“Manipulação genética: a bomba atômica da biologia — Nascerão
monstros, que não serão homens e não serão animais. E muitos homens que não
estiverem assinalados na carne nem na mente terão o sinal na alma. Quando
depois os tempos estiverem maduros, encontrareis no berço o monstro dos
monstros: o homem sem alma.
As plantas, os animais e os homens foram criados para ficar separados.
Mas dia virá em que não serão mais isolados. E então o homem será meio homem
e meio vegetal. E o animal será animal, planta e homem. Nesses corpos sem mais
limite vereis pastar um monstro chamado Kobaka.
Com sempre maior freqüência vereis enlouquecer as partes do corpo.
Onde a natureza tinha criado a ordem, o homem semeará a desordem. E muitos
125
sofrerão por esta desordem. E muitos morrerão pela peste negra. E quando não
estará a peste a matar serão os abutres a dilacerar as carnes... Todo homem tem
em si a grande medicina; mas o homem-animal preferirá curar-se com os
venenos.
Os dóceis insetos se tornarão obreiros da morte porque haverá o homem
de envenená-los... A alquimia irresponsável do homem terminará por transformar
as formigas em monstros gigantescos que destruirão casas e países; e contra as
formigas gigantes não adiantará fogo, nem água. No fim vereis voar as rãs, as
borboletas se tornarão abutres e as abelhas se arrastarão pela terra como as
serpentes. E as serpentes tomarão muitas cidades”.
Os trechos acima foram compilados a partir de um extenso texto em que
Rasputin anteviu a manipulação genética e os seus perigos com precisão
impressionante, uma vez que em sua época as teorias do Padre Gregor Mendel
sobre as leis da hereditariedade ainda eram totalmente desconhecidas e o termo
genética sequer havia sido inventado.
Dentre suas muitas profecias, Rasputin profetizou a própria morte, o
assassinato da família imperial russa, a I Guerra Mundial, o massacre sangrento
promovido pelos comunistas, o ataque do comunismo contra a religião, a loucura
da manipulação genética, o fim do catolicismo, o fim dos tempos e — pasmem! —,
até mesmo o reaparecimento do novo Cristo. Devido ao tema deste livro iremos
nos deter na análise de umas poucas profecias de Rasputim, particularmente
aquelas que tratam dos fatos históricos do século XX, do fim do catolicismo e do
reaparecimento do novo Cristo.
“A cruz será jogada no porão — A mãe santa será retirada dos altares e o
coro de 700 demônios cantará uma nova música sobre o pântano de sangue... A
cruz será jogada no porão e martelos golpearão os altares e chamas devorarão as
igrejas... Quando o estábulo estiver cheio de bois, serão abertas as portas e então
adeus santa; adeus santa das santas. Isso acontecerá na época do sol (...). Para a
cruz haverá blasfêmia e chegará o dia em que não bastará a terra para sepultar os
mortos. Mas o império durará pouco. Quando o sol se desencadear não crescerá
nunca mais um fio de grama nas colinas do Volga. Só depois de grande desolação
e grande perturbação a cruz da santa voltará para os altares. E a serpente e o
abutre nunca mais serão temidos; assim na santa (a igreja cristã) como na santa
das santas (a Igreja da Unificação?), onde um grande homem virá para fazer
justiça”.
A profecia é bem clara e previu fielmente o massacre humano e o ataque
dos comunistas às religiões em geral. Os “700 demônios” são uma clara referência
à Assembléia Constituinte da União Soviética, formada por 707 membros. O abutre
e a serpente simbolizam os dois principais líderes comunistas, Lênin e Stálin,
respectivamente. O estábulo cheio de bois é uma referência aos silos dos mísseis
nucleares, e o sol que se desencadearia, uma referência à guerra nuclear mundial
abortada pelo novo Cristo, segundo os cristãos unificacionistas.
Por fim, a profecia fala do aparecimento do grande homem que virá para
fazer justiça. Este, para os cristãos unificacionistas, é o novo Cristo oriental que
126
exerceu o papel principal na luta que destruiu o comunismo ateu em todo o mundo:
o Rev. Moon, o qual também profetizou o fim do comunismo em l945, época em
que começou a combatê-lo com base na fé em Deus e na teoria Deusista, a
contraproposta teórica para o marxismo desenvolvida por ele mesmo. Perseguido
mundialmente pelo comunismo, apelidado de Moonbo (pelo jornal The New York
Times, numa comparação com o Rambo, do Silvester Stallone), declarado inimigo
Nº 1 do comunismo pelo Fidel Castro, o Rev. Moon fundou o jornal The
Washington Times para defender os Estados Unidos do ataque comunista.
Finalmente, encontrou-se com Kim Il Sung, o ditador comunista da Coréia do
Norte (que o prendeu e o torturou na prisão de Hung Nan) e entrou em Moscou em
l987, sendo recebido pelo então presidente Mikhail Gorbatchev, de quem se tornou
amigo pessoal desde então. Os cristãos unificacionistas me informaram que para o
Rev. Moon “herói é aquele que transforma inimigos em amigos”. Foi o que ele
próprio fez com relação ao Kim IL Sung e a Mikhail Gorbatchev. Continuemos.
“A sabedoria acorrentada — Os homens estarão indo em direção à
catástrofe. Os menos capazes guiarão o carro em todos os lugares. (...) A
humanidade será esmagada pelos loucos e pelos malfeitores. A sabedoria será
acorrentada. O ignorante e o prepotente ditarão a lei ao sábio e ao humilde. A
maior parte dos homens acreditará nos poderosos e não acreditarão em Deus. (...)
A punição de Deus chegará tarde, mas será tremenda. E isso acontecerá antes que
o nosso século (o século XX) chegue ao fim. Depois, finalmente, a sabedoria será
libertada e o homem voltará a entregar-se totalmente a Deus, como a criança se
entrega à mãe. Por esse caminho o homem atravessará o paraíso terrestre”.
Trata-se de um retrato fiel dos tempos atuais, nos quais os sábios foram
acorrentados (alijados do poder) e os loucos e os malfeitores se infiltraram na
política, criando leis imorais, antifamiliares, injustas e ateístas. Todavia, Deus agirá
no tempo certo e reconduzirá o homem a atravessar o paraíso terrestre durante sua
vida, sua travessia, na Terra. Obviamente, para que a sabedoria seja libertada, para
que o homem se entregue a Deus e realize o paraíso na Terra é imprescindível o
retorno do novo Cristo, que Rasputin chamou de urso branco.
“O urso branco, o novo Cristo — A santa mãe (a igreja cristã) será guiada
pelo urso pardo (a Rússia; o comunismo, que infiltrou líderes comunistas nos mais
altos postos das igrejas Ortodoxa e Católica Romana) com a espada de aço (Stálin,
cujo nome deriva de stal = aço, em russo; o aço é frio e duro como foi a violência
de Stálin). Lágrimas e sangue ficarão no seu caminho. Sua primeira dança será a
floresta (no escuro; massacre às ocultas), mas será breve. A segunda dança
ocorrerá sob as estrelas (sob a luz do dia; com o conhecimento do mundo. A
invasão da Tchecoeslováquia e do Afeganistão). Mas as estrelas se apagarão e o
urso pardo cairá sobre a espada, que o traspassará (o fim do comunismo).
(...) O urso branco (o novo Cristo) guiará a santa mãe (a igreja cristã) na
época da geração feliz, quando o incêndio tiver sido dominado (depois da Grande
Tribulação). A sua espada (sua palavra) será de ouro e no seu caminho deixará o
perfume delicioso de flores desconhecidas (novas palavras) e o sorriso de crianças
felizes. O urso branco virá de muito longe (do Oriente) e trará uma nova lei (o
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Princípio Divino, a Lei de Deus, dos cristãos unificacionistas?). Ele brilhará como
o sol, mas terá o nome da noite (Lua = Moon?). Sua herança será a sabedoria”.
Esta segunda profecia sobre o urso branco seguramente refere-se ao
reaparecimento e à vitória do novo Cristo, chamado de urso branco. Como se sabe,
o branco é a cor da paz, da pureza, da saúde, das nuvens, que são águas purificadas
(na Bíblia, os homens decaídos são simbolizados pela palavra água. Apoc 19.15).
Como as nuvens são águas purificadas e estão no céu, podemos dizer que a
expressão o novo Cristo virá com as nuvens do céu significa que ele virá entre
homens purificados, santos, e de avião, que voa sobre as nuvens). Portanto, o urso
branco é o oposto do urso pardo. Se o urso branco é o novo Cristo, o urso pardo é o
anticristo (Marx e seus seguidores), conforme demonstrei em meu livro A Natureza
Mística do Marxismo.
Rasputin, o profeta sem caráter, provavelmente inspirado por maus
espíritos “da parte do Senhor” anteviu até mesmo o nome do novo Cristo que
brilhará como o sol, mas terá o nome da noite (Lua = Moon). Na Bíblia, o Cristo é
simbolizado pelo sol da justiça (Ml 4.2). Obviamente, a palavra Noite está
diretamente relacionada com a palavra Lua, ou Moon, em inglês. Como todos os
grandes profetas da humanidade profetizaram que o novo Cristo reapareceria no
Oriente, e o sobrenome coreano Moon tem 4.300 anos de história, segundo os
cristãos unificacionistas, Rasputin profetizou o nome do novo Cristo: Lua = Moon.
“Os novos semeadores — Voltarão os grandes semeadores para lançar a
semente. Uma parte da terra, porém, estará fumegante e queimará a semente.
Outra parte será estéril e deixará morrer a semente. Mas a terceira parte dará
colheitas tão ricas como jamais foram vistas sobre a Terra”.
Mais uma vez, o conteúdo simbólico dessa profecia é muito claro. Os
novos semeadores não são os mesmos velhos semeadores da era cristã, nem as
novas sementes são o Velho e o Novo Testamento, mas podem ser referências aos
novos semeadores (o cristãos unificacionistas?) e ao Completo Testamento, as
novas sementes (palavras) profetizados no Apocalipse:
“E vi ainda um outro anjo que descia do céu e tinha na mão um livro
aberto... E eu fui ao anjo e disse-lhe dá-me o livro. E ele disse-me: toma-o e comeo, e ele fará amargo o teu ventre, mas na tua boca será doce como mel. E tomei o
livro da mão do anjo e comi-o; e na minha boca era doce como mel; e havendo-o
comido o meu ventre ficou amargo. E o anjo me disse: importa que profetizes
outra vez a muitos povos, nações, línguas e reis” (Apoc 10.11).
Noutro texto do Apocalipse está escrito que satanás tomará para si dois
terços da humanidade. São a terra fumegante e a terra estéril de que fala a profecia
de Rasputin. A profecia, na verdade, é quase uma repetição da Parábola do
Semeador, contada por Jesus, a qual fala da reação do coração humano em contato
com da palavra de Deus. A profecia, portanto, parece referir-se aos novos cristãos
unificacionistas, os novos semeadores da nova palavra de Deus: o Completo
Testamento.
“O grande bispo em São Petersburgo — Quando os tempos forem
maduros para a purificação, muitos serão os espíritos que voltarão à Terra e
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assumirão a forma que haviam possuído no passado. (...) Muitos salões de
Czarskoe Selo serão habitados pelos ressuscitados, que somente os homens em
graça poderão ver e ouvir. Será então que ocorrerão os milagres. (...) O grande
bispo virá a São Petersburgo e os sinos de todas as igrejas o saudarão e
anunciarão a paz. (...) Em São Petersburgo encontrar-se-ão três czares e um só
celeiro servirá para alimentar a Europa”.
Alguns intérpretes (católicos romanos, certamente) identificam o grande
bispo com algum papa do futuro. Todavia, todos os grandes profetas anteviram o
fim do papado e da Igreja Católica para breve. Segundo as profecias de São
Malaquias, Bento XVI é o penúltimo papa. Logo, é pouco provável que algum
papa venha a unir os líderes do mundo (três czares unidos) e transformar a Terra
inteira em um só celeiro. De minha parte, penso que a profecia está bem clara. O
grande bispo não é outro senão o novo Cristo que será finalmente recebido pelo
mundo (saudação dos sinos). O mundo, para Rasputin, era a Rússia, São
Petersburgo e a Europa. O grande bispo — o novo Cristo — anunciará a paz e
unificará o mundo (unindo três czares e criando um só celeiro). Os cristãos
unificacionistas me lembram que o Rev. Moon foi coroado Rei da Paz, e ao longo
de toda a sua vida — em palavras e obras — tem anunciado a paz mundial. E
dizem mais, que no dia 14 de fevereiro de 2005 o Rev. Moon anunciou a descida
para a Terra de 120 bilhões de casais abençoados (famílias) do mundo espiritual, os
quais já estão trabalhando incessantemente entre nós para construir a paz, o Reino
de Deus na Terra (em setembro de 2005, este número aumentou para 250 bilhões
de casais abençoados). E também que milhares de unificacionistas podem vê-los e
ouví-los. A profecia de Rasputin parece referir-se a um fenômeno semelhante.
“O maná verde — (...) A fome será a última guerra do homem. Muitos
terão as mãos cheias de ouro e prata, mas os afortunados serão aqueles que
tiverem um saco de farinha e um pedaço de terra para cultivar o trigo. (...) A fome
ceifará um grande número de homens... Deus terá piedade do gênero humano e
mandará o maná verde. Assim, sentarão juntos à mesma mesa, pela primeira vez,
ricos e pobres. As mãos calosas e as mãos de anéis levarão à boca o mesmo pão.
Como havia sido estabelecido na origem (no plano original de Deus, pervertido por
Lúcifer e Adão e Eva, os primeiros antepassados humanos)”.
Os intérpretes convencionais admitem que esta profecia se refere
literalmente à fome, descrevendo um retrato fiel do mundo atual, onde a fome se
tornou uma calamidade internacional. Todavia, eu penso que o termo fome foi
empregado na profecia em um sentido simbólico (metonímico: o uso de uma
palavra com o sentido de outra), no sentido de fome da palavra de Deus, que é o
alimento espiritual do homem, o qual não pode ser comprado por nehuma
quantidade de ouro nem de prata, mas que alguns pobres afortunados a possuem. A
profecia acena para um futuro de esperança quando diz que Deus terá piedade do
gênero humano e mandará o maná verde. O maná verde é o maná da esperança (a
esperança é simbolizada pela cor verde); é o maná e as codornizes enviadas por
Deus para Moisés e o povo no deserto; é o pão e a água da vida que vem de Deus e
sacia a sede e a fome da humanidade. Ora, o maná e as codornizes e o pão e o
129
vinho são símbolos da palavra de Deus, que é o verbo que se fez carne, o próprio
Cristo filho de Deus. Portanto, o maná verde simboliza a nova palavra de
esperança — o Completo Testamento, para os cristãos unificacionistas — que Deus
enviará à Terra através do novo Cristo, que é o verbo encarnado, a palavra
materializada. O novo Cristo é a concretização da promessa/palavra de Deus para a
humanidade. Ele é o maná verde; o maná da esperança.
“A destruição de Roma — Roma será uma montanha de escombros, que
continuarão a fumegar e a tremer durante muitas luas”.
Nesta profecia, Rasputin prevê com clareza a destruição de Roma, a cidade
sede do Vaticano, que será destruída por alguma catástrofe natural. Um terremoto
gigantesco, segundo outros profetas. Obviamente, se tal terremoto destruir Roma
levará junto o Vaticano, o que afetará a existência da própria Igreja Católica.
23. O reaparecimento do Cristo e o fim do catolicismo
nas profecias de Teresa Neumann (1898-1962)
Teresa Neumann (1898-1962) nasceu em Konnersreuth, no Alto Palatinado,
Alemanha, no dia 8 de abril de l898, uma sexta feira santa, e morreu em setembro
de 1962. De família pobre, teve uma infância tranqüila. Seus pais a chamavam
carinhosamente de Resi. Seu pai e seus irmãos foram convocados para a I Guerra
Mundial, deixando as responsabilidades sobre as mulheres. Em l918, Neumann,
enquanto ajudava uma vizinha cuja casa estava em chamas, sofreu um acidente e
machucou gravemente sua coluna vertebral (deslocou a terceira e a quarta
vértebras). Internada no hospital Waldsassem, todas as tentativas de cura
fracassaram. Seu estado físico se agravou e ela sofreu uma paralisia parcial e uma
cegueira total. Seu aparelho digestivo foi afetado e ela já não conseguia comer.
Essa agonia se prolongou até a noite de 20 de abril de 1923, quando ela teve uma
visão com Sóror Teresa do Menino Jesus. Enquanto dormia, Teresa teve a
impressão de que alguém tocou seu travesseiro. Ao despertar, percebeu que estava
enxergando novamente. Sua irmã Crescência chamou seus pais e seus irmãos. No
dia seguinte Konnersreuth já falava em milagre. Suas dores foram diminuindo.
Durante o dia sentia-se dominada por um torpor. Durante a noite sofria pesadelos
freqüentes. Certa noite começou a gritar e foi socorrida por seus familiares que a
encontraram com “o olhar fixo para a frente como se estivesse vendo alguém”.
Depois dessa noite a paralisia desapareceu. Na noite de 4 e 5 de março de 1926
Teresa afirmou ter visto Jesus ajoelhado no Horto das Oliveiras. Sentiu uma dor no
tórax, levou a mão ao peito e quando a retirou percebeu que estava manchada de
sangue. A partir desse momento, aos 27 anos de idade, Teresa começou a sentir as
dores da crucificação de Jesus. Apareceram os estígmas em suas mãos, pés e peito,
os quais sangravam abundantemente a cada sexta feira santa. Começou a “ver
todos os pormenores da crucificação, descrevendo-os com espantosa precisão até
para os estudiosos dos textos bíblicos”. Passou a viver outras cenas bíblicas, tais
como o nascimento de Jesus, a fuga para o Egito, a última ceia, entre outros. Os
relatos afirmam que “durante seus momentos de êxtase, Teresa via os tempos
130
passados e futuros como se fossem realidades do presente”. Todavia, alguém que
dizia ver o passado e o futuro preocupava a cética Igreja Católica.
Depois da II Guerra Mundial começou a falar de mensagens excepcionais.
Como sempre acontecia diante de tais fenômenos, a Igreja de Roma silenciou e
jamais se pronunciou sobre o assunto. O Papa Pio XI, conversando com o cardeal
Schuster, limitou-se a dizer: “Deixai em paz essa criatura”. O cardeal Karl Kaspar
escreveu: “Devo declarar honestamente que, no caso de Teresa Neumann, jamais
observei o menor sinal de histerismo, sugestão, auto-sugestão, hipnotismo ou
engano, e nem instigação diabólica. A moça dá a impressão de ser uma pessoa
perfeitamente sã de espírito e todos quantos tiveram a oportunidade de vê-la e de
falar-lhe no estado normal não podem negá-lo. Ela é franca e devota. Ela mesma é
quem mais sofre com a aglomeração de estranhos que perturbam sua solidão e a
impedem de dedicar-se com coração devoto ao seu Senhor”. Muitas outras
autoridades religiosas e médicas da época expressaram opiniões semelhantes.
Além do dom da profecia, Teresa Neumann tinha ainda outros dons, tais
como sair de seu corpo espiritualmente e aparecer para outras pessoas. Um suicida
relatou que no momento em que ia se matar, uma mulher envolta numa luz azulada
lhe apareceu e disse: “Não faça isso, porque sofrerá pela eternidade”. Mais tarde o
homem reconheceu a mulher em uma fotografia. Era Teresa Neumann.
Vejamos agora algumas de suas profecias que tratam do fim da Igreja
Católica e do reaparecimento do novo Cristo.
“As duas cruzes — Vi duas cruzes brilharem como o sol (o catolicismo e o
protestantismo) e depois explodirem, caindo em muitas fagulhas sobre a Terra. E
das cruzes não sobrou nada”.
Alguns intérpretes viram nesta profecia as cruzes da suástica nazista e o
brasão da Casa de Savóia, os reis da Itália, dois regimes que pareciam destinados a
“brilharem como o sol”, mas explodiram em fragmentos. Nas fagulhas de fogo
caindo sobre a Terra viram uma prefiguração dos bombardeios da II Guerra
Mundial. Eu, porém, vejo na mesma profecia uma prefiguração da queda do
cristianismo tradicional — cujo símbolo máximo é a cruz —, as duas testemunhas
de Deus na Terra (Apoc 11.7) que foram destruídas pela besta (o dragão, a antiga
serpente). Portanto, ao meu ver, a profecia antevê o fim do catolicismo.
“A serpente das serpentes — A ignorância, o desprezo pela cultura, a
violência, o laxismo, o materialismo serão os pés do banco sobre o qual sentará a
serpente das serpentes (Lúcifer)”.
“A invasão das serpentes — Vi esvaziarem sobre a Terra cestos cheios de
serpentes, que rastejavam pelas cidades e pelos campos, destruindo tudo. E
quando a obra de destruição foi realizada, vi descerem sobre a Terra anjos com a
forma de homens”.
Na Bíblia, a palavra serpente simboliza satanás, o arcanjo Lúcifer, o
primeiro adversário de Deus (satanás = adversário de Deus). Senão, vejamos:
“A serpente era o mais astuto de todos os animais que o Senhor Deus
havia criado. E ela disse à mulher: Por que Deus ordenou que não comêsseis das
árvores do paraíso?”. (Gn 3.1).
131
Note que a serpente conhecia a orientação de Deus e podia se comunicar
com o homem. Portanto, não era uma serpente literal, mas um ser espiritual dotado
de motivação emocional, inteligência e vontade. Também não se pode admitir que
o satanás incorporou no corpo de uma serpente, através da qual se comunicou com
o homem, pois a Bíblia registrou que no Éden original, e antes da Queda, os anjos
podiam se comunicar livremente com os seres humanos. Logo, não precisavam do
corpo de uma serpente literal. Prossigamos.
“Deus não poupou os anjos que pecaram, mas os precipitou nos abismos
tenebrosos do inferno”. (II Pe 2.4).
Note que anjos (seres espirituais antropomórficos, pois em Gênesis 19 eles
foram confundidos com homens. Sem asas, portanto.), criados por Deus para o
bem, se rebelaram contra Deus e também pecaram (pecado = violação de algum
princípio divino moral ou natural).
“E foi precipitado o grande dragão, a antiga serpente, que é chamada
demônio e satanás, o sedutor do mundo inteiro; e foi precipitado na Terra
juntamente com seus anjos”. (Apoc 12.7-9).
Note que a serpente tinha anjos sob seu domínio. Portanto, era um arcanjo;
um anjo-líder. Por fim, a Bíblia revela a identidade da serpente, fornecendo seu
nome:
“Então! Caístes do céu, ó Lúcifer, filho da aurora. Então, fostes abatido
por terra, tu que prostavas as nações. Tu dizias: eu escalarei os céus e erigirei
meu trono acima das estrelas de Deus. Assentar-me-ei no monte da assembléia, no
extremo norte. Subirei as nuvens mais altas e me tornarei igual ao Altíssimo!”. (Is
14.12-15).
Vemos assim, que a palavra serpente é usada na Bíblia como símbolo do
arcanjo Lúcifer, o líder angélico que se tornou o primeiro satanás, o adversário de
Deus, ocupando a posição de Deus como um antideus, o falso deus deste mundo,
como está registrado na Bíblia (II Co 4.4).
Desse modo, na profecia de Teresa Neumann identifico as serpentes como
os anjos maus e os homens maus que se tornaram adoradores da serpente (Jo 8.44),
como Rasputin, algumas seitas afro-indianas, incluindo o hinduísmo (que cultua a
serpente naja), e também alguns grupos ocultistas praticantes da magia negra. Na
profecia serpentes são derramadas sobre a Terra, causando grande destruição.
Não tem sido assim a atuação do homem ateísta e materialista sobre a Terra? Por
fim, na profecia de Neumann, como também na Bíblia (Judas 14), Deus interferirá
através de seus anjos do bem com formas humanas — os quais descerão à Terra
para apoiar o trabalho do novo Cristo, que já estará na Terra, derrotará a antiga
serpente e os filhos da serpente e estabelecerá o Reino de Deus na Terra. Será o
tempo da morada de Deus com os homens (Apoc 21.3-5).
“O Império da Paz — Passeei por um jardim terrestre e uma voz me
disse: Vê, esse é o novo império da paz, construído por Carlos... Esse império
surgirá depois da grande tempestade e durará dois séculos (...)”.
Alguns intérpretes vêem nesta profecia uma referência ao imperador
católico Carlos Magno, o unificador da Europa cristã e construtor do Sacro Império
132
Romano, coroado rei cristão no ano 800. Todavia, Neumann é uma profetisa do
século XX que profetiza para o futuro. Logo, não iria profetizar sobre alguém do
ano 800. Assim, o rei Carlos a que ela se refere é um novo personagem do presente
ou do futuro, o qual construirá um império de paz depois da grande tempestade.
Em todas as profecias da humanidade a Grande Tempestade é a Grande
Tribulação dos últimos dias. Portanto, o grande rei Carlos que construirá o império
da paz será um como Carlos Magno, um rei que unificará as religiões e construirá o
céu na Terra, na época atual ou num futuro próximo. Assim, o novo Carlos poderá
ser o novo Cristo de Deus, que se tornará o Rei dos Reis e construirá o império da
paz — o Reino de Deus na Terra. Os cristãos unificacionistas chamam a atenção,
mais uma vez, para o Rev. Moon, cujo objetivo declarado é a construção de um
mundo unificado e de paz. Em muitas outras profecias o novo Cristo estabelecerá
um reino de paz que durará para sempre.
Quanto à duração deste reino — dois séculos, na profecia —, esta pode ser
uma expressão simbólica, uma vez que o tempo, na visão religiosa da Bíblia (II Pe
3.8) e na linguagem figurada das profecias, é relativo. Deus é um ser eterno, livre
da duração do tempo. Obviamente, o Seu Reino também será eterno. Admitida esta
interpretação bíblica para a expressão dois séculos, podemos reinterpretá-la
conforme a expressão bíblica referente à eternidade: durará pelos séculos do
séculos (onde a palavra século aparece duas vezes — dois séculos).
“A queda do catolicismo — Vi uma praça enorme e no meio havia uma
coluna. E em volta da coluna havia cestos de vime com a forma de serpentes.
Levantei a tampa de um dos cestos e vi que continha cadáveres de homens, de
mulheres e de crianças. Horrorizada, deixei cair a tampa... Vi que se aproximava
um carro puxado por homens que cantavam salmos e, sobre o carro, estavam
amontoadas cabeças humanas”.
Esta profecia pode ser interpretada como uma referência ao estado de
podridão e falsidade em que se encontrará a Igreja Católica nos últimos dias, razão
pela qual ela será destruída por Deus, assim como Sodoma e Gomorra e a
Babilônia. Para alguns estudiosos, a praça é a Praça de São Pedro e a coluna central
é o obelisco que se encontra no meio da praça.
De minha parte, penso que a coluna central deve ser interpretada como o
próprio papa, e os cestos em forma de serpentes cheios de cadáveres são os falsos
líderes da alta cúpula católica, os quais (como os sepulcros caiados da época de
Jesus) têm a aparência de que estão limpos e cheios de vida, mas estão sujos por
dentro e cheios de morte. A confirmação de que a profecia se refere realmente à
Igreja Católica está no último parágrafo da mesma profecia, no qual alguns
homens, cantando salmos (religiosos, portanto) puxavam um carro (a própria Igreja
Católica) cheio de cabeças humanas (Pessoas mortas espiritualmente. No
pensamento oriental o corpo humano representa a Terra, e a cabeça, o mundo
espiritual).
“O funeral da cidade angelical — Todos os sinos da cidade angelical
começaram a dobrar anunciando um funeral. Sobre o campanário mais próximo
pousou um anjo carregando uma bandeira na qual estava escrito: ‘Cuidado com
133
os dias do miserere’. Depois, os campanários começaram a tremer e alguns
caíram com grande fragor, enquanto o céu ficava vermelho como sangue”.
A cidade angelical é uma clara referência a Roma, a sede do Vaticano, a
cidade cheia de sinos e campanários. Portanto, a profecia antevê a destruição de
Roma e do Vaticano, bem como o conseqüente fim do catolicismo.
“Uma só carroça, um só carroceiro — Na estrada havia muitas carroças.
E cada carroça tinha vários carroceiros. E todos os carroceiros queriam guiar
uma carroça... Por isso surgiram brigas e algumas carroças acabaram fora da
estrada, provocando muito pânico. Entre As pessoas havia medo e fome. Depois vi
chegar do lado oposto uma carroça com um só carroceiro”.
A palavra carroça (carro, em outras profecias) significa as instituições
políticas e sociais do mundo atual, egoísta, dividido e conflitado onde a direção de
cada carroça (país, empresa ou instituição) é disputada por muitos carroceiros. A
expressão carroceiros pode ser substituída pela palavra guias. Dizer que o
controle de uma única carroça é disputado por muitos carroceiros significa dizer
que a direção do mundo está sendo disputada por muitos guias loucos e cegos pelo
egoísmo, pela ganância e pelo materialismo (os políticos corruptos).
O ponto alto desta profecia está em sua última frase, quando Neumann
anteviu chegar do lado oposto (vindo do bem; de Deus) uma carroça com um só
carroceiro. Sem dúvida, esta parte da profecia anteviu o novo Cristo de Deus que
unificará a humanidade e o mundo (uma só carroça; um só rebanho) e os
governará como o Rei dos reis (um só carroceiro; um só pastor).
“A estrela das estrelas — Vi um céu de estrelas. Parecia um enorme
acampamento com seus fogos acesos, esperando o alvorecer e a batalha. Em um
certo momento vi uma estrela brilhar com uma luz excepcional, entre o vermelho
e o violeta. E a estrela começou a mover-se e atrás dela infileiraram-se muitas
outras estrelas, formando uma cabeleira... E disse-me uma voz: Segue a estrela
porque ela é a única que sabe conduzir para a verdade eterna”.
De todas as profecias de Neumann referentes ao novo Cristo esta é a mais
clara. Na ciência, o sol sempre foi visto como o astro-rei. Nas mitologias antigas o
sol sempre foi reverenciado como o deus-rei. Na velha concepção da astronomia
ortodoxa, o sol é uma estrela de 5ª grandeza. Na Bíblia, o Cristo foi representado
como o sol da justiça (Ml 4.2) e também como uma estrela (sol = a estrela-rei; a
estrela das estrelas), quando os magos do Oriente foram guiados pela estrela de
Belém até o lugar onde Jesus nasceu:
“E tendo Jesus nascido em Belém da Judéia, eis que uns magos vieram do
Oriente a Jerusalém, dizendo: onde está aquele que é nascido rei dos judeus?
Porque vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo”. (Mt 2.2).
Assim, com base na decodificação das figuras de linguagem da Bíblia, a
profecia de Neumann fica completamente clara. A estrela das estrelas, a única que
sabe conduzir para a verdade eterna é uma referência clara e direta ao novo Cristo
que, segundo as profecias da Bíblia e da humanidade, reaparecerá nos últimos dias
— os tempos atuais.
134
24. O reaparecimento do Cristo e o fim do catolicismo
nas profecias de Edgar Cayce (1877-1945)
Edgar Cayce é mais um profeta tipo Caim, pois suas profecias estão alinhadas com
a esfera cultural afro-indiana, o esoterismo e o Movimento Nova Era. Por essa
razão, defendeu em suas profecias a hipótese da reencarnação, a mítica Atlântida,12
Yucatán e os templos egípcios como lugares “sagrados” que, supostamente,
desempenharão importante papel no mundo futuro. Precisamente por isso decidi
incluí-lo aqui, mais para contestar sua visão pró-esotérica do que para enaltecê-lo.
Edgar Cayce (1877-1945) nasceu no dia 18 de março de l877, em uma
fazenda próxima de Hopkinsville, Estados Unidos. Teve uma infância tranqüila em
um ambiente rural. Suas visões começaram ainda criança. Aos 7 anos comentou
com seu pai que “muitas vezes encontrava pessoas falecidas recentemente”. Sua
hipersensibilidade começou na época escolar. Possuía uma espécie de memória
fotográfica onírica. Dizia que, bastava dormir sobre os livros abertos para
memorizar completamente seu conteúdo, por mais complicado que fosse (se isso
fosse verdade Cayce teria se tornado o homem mais informado da história
humana). Sua saúde precária o impediu de prosseguir os estudos. Começou a
trabalhar aos 21 anos numa empresa de papel. Teve uma paralisia muscular
gradativa que os médicos não conseguiram curar pelos métodos convencionais.
Então, decidiram usar a hipnose. Esse foi o momento mais importante de sua vida,
pois, sob o efeito da hipnose, Cayce “viu” a causa de sua doença e sugeriu sua
própria terapia. Curou-se em pouco tempo. O fato tornou-se motivo de pesquisas
médicas, especialmente no Kentucky, e os médicos passaram a pedir sua
colaboração nos diagnósticos mais complicados. Cayce conseguia “ver claramente
o que não funcionava bem no corpo humano”. O jornal The New York Times
12
O fim do mistério de Atlântida — Uma expedição prevista para começar em julho de 2004
prometia ser uma das mais espetaculares. Um pequeno submersível com duas pessoas irá mergulhar
nas águas do Atlântico em busca de um dos maiores enigmas da arqueologia: Atlântida. Esse
mistério teve início quando o filósofo grego Platão (427-347 a.C.) fez as primeiras referências ao
mundo perdido de Atlântida em seus textos. Ele a descreveu como uma civilização rica, avançada e
igualitária. Segundo o sábio, ficava além do que se chamava Os Pilares de Hércules, hoje conhecido
como estreito de Gibraltar, canal de 13 km entre a Europa e a África. Platão conta ainda que a ilha
tinha sido tragada pelo mar 9 mil anos antes. Nesses 2 mil anos que se passaram desde a Grécia de
Platão, Atlântida transformou-se num mito e virou lenda. “Curiosamente, ninguém levou a sério a
indicação mais evidente: a ilha de Atlântida está justamente na entrada do estreito”, diz Jacques
Collina-Girard, historiador e arqueólogo da Universidade do Mediterrâneo, na França. Em 2001,
Collina-Girard reconstruiu um mapa da zona costeira ocidental da Europa de 19 mil anos atrás.
Acredita-se que o nível do mar era 130 metros mais baixo que o atual. O mapa revelou um
arquipélago, cuja ilha maior, Spartel, localiza-se bem a oeste do estreito. Pelos estudos, a ilha teria
sido submersa há 11 mil anos. Ou seja, na mesma época citada por Platão. “Mera coincidência?”,
questiona Girard. Agora, o submersível irá mapear a ilha, coletar sedimentos e buscar cavernas que
possam ter sido habitadas. Se o francês estiver certo, será o fim de uma lenda (artigo de Dante
Grecco. Extraído do site www.sobrenatural.org. Não conseguimos notícias atuais. Provavelmente
porque a expedição fracassou, pois se tivesse localizado Atlântida a notícia teria percorrido o mundo).
135
dedicou duas páginas ao “caso Cayce”, sendo seguido por outros grandes jornais
que falavam sobre “suas visões proféticas” e sobre sua “capacidade de diagnosticar
doenças”. Cayce dizia que “somente as pessoas serenas, capazes de se desvencilhar
das tentações diabólicas do mundo, conseguiam ver e sentir algo do que está além
do mundo”. Sua vida foi um exemplo disso. Modesto, simples e bondoso,
diagnosticava doenças, curava, ajudava as pessoas e ensinava educação religiosa
em uma igreja presbiteriana enquanto ganhava a vida como um simples fotógrafo.
O fato de ensinar educação religiosa numa igreja cristã o confundia com um
cristão, atraindo a confiança das pessoas cristãs, uma vez que não era cristão).
Cayce é um típico caso em que o mal se disfarça de bem e engana até a própria
vítima, uma vez que suas profecias estão alinhadas com o Movimento Nova Era,
cujo objetivo principal é “levar a humanidade a vivenciar uma iniciação luciférica”
(isto é, centralizarem-se no arcanjo Lúcifer, o perverso satanás bíblico), conforme
declarações de alguns de seus líderes mais expressivos. Sob esse prisma, as
profecias autênticas de Cayce podem ser vistas como mais um disfarce, porém, útil
aos propósitos de Deus.
As profecias de Cayce cobrem um período de 62 anos, que vai de 1936 a
1998. Existem cerca de 14.000 relatos taquigráficos reunidos nos arquivos ARE
(Association for Research and Enlightenment), fundada em l936 para coletar e
preservar a documentação sobre ele. Cientistas, políticos e pesquisadores do
paranormal têm se utilizado desse farto material. Em l954, Cayce foi tema de uma
tese de doutorado da Universidade de Chicago.
Os temas de suas profecias são, quase sempre, as transformações que
atingirão o homem e o planeta no futuro, como que preparando o homem para os
“novos e difíceis tempos” que virão, mais como obra da natureza, do que da ação
divina, humana ou satânica. Segundo Cayce, as grandes mudanças que previu para
o mundo ocorrerão antes do ano 2100, ano em que ele próprio, segundo afirmou,
voltará à Terra, reencarnando no estado do Nebraska quando, ainda criança,
recordará toda a sua vida anterior.13 Sua frase mais conhecida: “Lembrai que a
13
Essa profecia de Cayce sobre seu retorno à Terra através de um novo nascimento, seguramente
está equivocada, uma vez que a Teologia da Unificação (dos cristãos unificacionistas) apresentou uma
nova explicação bíblica para o suposto fenômeno da reencarnação, de origem afro-indiana; a teoria
da restauraçao por indenização: “Por que eu, o Senhor teu Deus, sou Deus zeloso que visita a
maldade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração, e faço misericórdia em milhares de
gerações dos que mem amam” (Ex 20.5-6 e Mt 23.29-33). A única e maior “prova” favorável à
reencarnação são as chmadas recordações de vidas passadas constatadas pela hipnose. Segundo os
cristãos unificacionistas, porém, o fenômeno das recordações de vidas passadas resulta da presença de
milhares de espíritos no corpo das pessoas. Para resolver esse problema, a Igreja da Unificação
fundou na Coréia o Centro de Educação de Cheong Peyong, onde são realizadas cerimônias de
libertação espiritual, para a qual ocorrem centenas de milhares de pessoas durante todo o ano. A
verdade, para os cristãos unificacionistas, é a ressurreição, que é o reavivamente espiritual que o
homem adquire mediante o conhecimento e a prática da verdade (o amor) que recebe de Deus, e que o
purifica e eleva espiritualmente até o nível de espírito divino (Cf. A teoria da Ressurreição. Princípio
Divino. Editora IL Rung, l994. Capítulo 5, página. 125).
136
morte é a porta para Deus” (para aquele que viveu uma vida centrada no amor e na
verdade de Deus, é claro).
Algumas das profecias de Cayce, tais como o reaparecimento de Atlântida,
os documentos da verdade, que estariam escondidos na Atlântida (em Yucatán 14 e
nos templos do Egito) e o triunfo dos ideais maçônicos, por exemplos, sugerem que
ele tinha ligações com a maçonaria e os rosa cruzes, movimentos místicos
alinhados com o pensamento esotérico do Movimento Nova Era atual
(fundamentado na esfera cultural afro-indiana). Isto explica sua ignorância quanto
à teoria da ressurreição (baseada na esfera cultural judaico-cristã) e sua crença
ingênua na hipótese da reencarnação, causa de sua maior gafe.
Não obstante, Cayce profetizou sobre a Grande Tribulação, as grandes e
trágicas mudanças que sobrevirão sobre a humanidade e o planeta nos últimos dias,
assim como a maioria dos grandes profetas. Por outro lado, algumas de suas
profecias parecem referir-se ao advento do novo Cristo, do Completo Testamento
(uma nova expressão da verdade bíblica) e de seu triunfo na Terra. Senão, vejamos:
“Os documentos da verdade — Em três lugares da Terra foram
escondidos os documentos da verdade. Quando a humanidade vier a descobrir
esses documentos, muitas coisas mudarão. Os conceitos de riqueza e de pobreza
serão modificados... Serão superados os conceitos de direita e de esquerda e todo
conflito entre capital e trabalho”.
Os intérpretes pro-esoterismo e novaeristas se precipitaram em afirmar que
os três lugares aonde foram escondidos os documentos da verdade são Atlântida,
Yucatán e os templos do Egito (país africano). Como se sabe, alguns esotéricos
especulam que Atlântida foi uma avançada civilização do passado que desapareceu
no mar, levando consigo seus avançados conhecimentos científicos com os quais
realizavam curas milagrosas e até o domínio da gravitação (o que explicaria as
grandes rochas das construções megalíticas, como as pirâmides do Egito e as
gigantescas pedras das ruínas de Machu Pichu, por exemplos). Outros estudiosos
esotéricos especulam que a suposta Atlântida era uma civilização científica
materialista, ateísta, violenta e moralmente degenerada como Sodoma, Gomorra e
Pompéia, e por isso foi destruída. Cayce chegou a profetizar que a “Atlântida
surgirá novamente; e antes do fim deste século” (do século XX). Estamos no ano
2006 do século XXI, e Atlântida ainda não apareceu. Cayce foi enganado. De
14
Yucatán — A península de Yucatán é o lugar de origem dos maias, o segundo povo
mesoamericano do México em termos numéricos e os herdeiros daquela que é considerada a
civilização mais deslumbrante da América pré-colombiana. Entre as regiões indígenas do México, a
península yucateca ocupa um lugar privilegiado por sua riqueza humana e cultural. Origem de uma
das etnias mais numerosas da família lingüística maia. A arbitrária divisão nos três estados da
república mexicana — Yucatán, Campeche e Quintana Roo-mal — oculta a existência de uma matriz
cultural comum da antiga cultura mesoamericana. Disseminados nessas três entidades políticas, e
estendendo-se inclusive sobre o território de Belice, os maias constituem hoje em dia um dos núcleos
indígenas de maior peso quantitativo e qualitativo do México índio.
137
concreto, o único registro documental que menciona Atlântida são os Diálogos de
Platão. Como os gregos era um povo excessivamente mitologizado, os fragmentos
de seus documentos, além de raros e incompletos, não merecem confiança
absoluta. Assim como a Odisséia e a Ilíada, de Homero, Atlântida pode não passar
de mais um mito grego. Outrossim, Atlântida pode ser uma referência a “um
mundo como Atlântida: científico-materialista, ateísta, violento e moralmente
degenerado”. Ou seja, a “Atlântida” que os esotéricos esperam ressurgir nos
últimos dias já ressurgiu: é o próprio mundo atual, que os cristãos chamam de a
Grande Babilônia. A Grande Atlântida e a Grande Babilônia atuais — símbolos do
mundo degenerado — serão destruídas novamente.
De outro lado, penso que a profecia sobre os documentos da verdade pode
ter outra interpretação, mais alinhada com a esfera cultural judaico-cristã.
O pesquisador Werner Keller, em seu livro ...e a Bíblia tinha razão
(Editora Melhoramentos, 19ª edição, 433p), um valioso estudo de arqueologia
bíblica, vê na índole comum dos livros da Bíblia uma prova de sua procedência a
partir de uma única fonte, um mesmo autor — Deus. A Bíblia tem 3.600 anos de
idade. Seus livros foram escritos por pessoas diferentes de épocas diferentes. No
entanto, a verve, o felling dos textos é a mesma, como se tivessem sido escritos por
um único autor em uma mesma época. O livro do Apocalipse é um bom exemplo.
Ele é uma espécie de mosaico, um resumo impressionante de todos os livros do
Velho Testamento. Existem 1040 extratos do Velho Testamento presentes no
Apocalipse, um livreto com cerca de 25 páginas e 22 pequenos capítulos. Como
João, o autor do Apocalipse — um homem rude e de cultura elementar — poderia
ter escrito este livro? O bom senso me diz que, sozinho, ele jamais poderia tê-lo
feito. Assim, resta a alternativa de que ele recebeu algum tipo de ajuda espiritual.
Do próprio Jesus, como ele próprio declarou.
Uma vez que a Bíblia contém uma única mensagem — aparentemente de
um mesmo autor — revelada ao longo do tempo a diversos autores (os profetas,
Moisés, Jesus e os apóstolos), podemos dizer que o Velho e o Novo Testamento
representam uma primeira e uma segunda parte de uma única mensagem, faltando
ainda uma terceira parte. E é precisamente isto que Jesus prometeu ao povo cristão;
que Deus iria enviar uma nova parte da mensagem bíblica através do novo Cristo.
Antes de iniciar o estudo da promessa de uma terceira e última parte da
mensagem bíblica, convém dizer uma palavra sobre a verdade. Do ponto de vista
dos judeus atuais, a verdade completa já foi revelada no Torá, o Velho Testamento.
E essa crença, dizem eles, está fundamentada na própria Torá:
“Nada deveis acrescentar à palavra que vos ordeno [neste livro] e nada
deveis retirar dela” (Deuteronômio 4.2). Os judeus tradicionais não aceitam a
Bíblia dos cristãos porque todo o Novo Testamento lhe foi acrescentado,
aparentemente, violando o mandamento de Deus de nada acrescentar ao Torá
registrado em Deuteronômio 4.2.
Por sua vez, os cristãos tradicionais afirmam coisa semelhante: que a Bíblia
contém toda a verdade. E essa crença cristã está, igualmente, fundamentada em um
texto bíblico:
138
“Eu declaro a todos os que ouvem as palavras deste livro: se alguém lhe
acrescentar ou retirar-lhe alguma coisa, Deus fará vir sobre ele os flagelos
descritos neste livro... E tirar-lhes-á sua parte na Árvore da Vida”. (Apocalipse
22.18-19).
Devemos observar que estes textos bíblicos referem-se especificamente aos
livros dos quais foram extraídos; são advertências de seus autores a fim de
preservar sua originalidade e sua integridade, impedindo a mutilação ou a
adulteração dos mesmos, e não referências à verdade em si, que é dinâmica, dual,
interna (religião: informações sobre o mundo espiritual) e externa (ciência:
informações sobre o mundo natural) e, seguramente, não está inteira nas páginas
da Bíblia. Basta citar a verdade contida nos ensinamentos éticos e morais das
outras religiões (o amor ao inimigo ensinado por Ghandi, o respeito aos pais e aos
cônjuges ensinado por Confúcio e o amor à natureza ensinado por Buda, por
exemplos), nas filosofias e nas teorias científicas Deusistas. Além disso, mesmo
com a advertência contida em Deuteronômio 4.2 os cristãos acrescentaram à Bíblia
os 27 livros do Novo Testamento. Ao fazer isso, os cristãos desobedeceram a Deus,
ou reconheceram nas palavras do Novo Testamento uma nova parte complementar
da mensagem bíblica? Obviamente, devemos admitir a segunda alternativa.
O fato é que, devido a estes dois textos, extraídos de apenas dois livros da
Bíblia, os judeus não aceitam o Novo Testamento e os cristãos negam (por
ignorância e medo) todos os textos do Novo Testamento que mencionam a
promessa e a necessidade de uma terceira parte da mensagem bíblica. Vejamos os
textos:
“Porque a nossa ciência ainda é imperfeita e a nossa profecia também é
imperfeita. Mas quando vier aquele que é perfeito (o novo Cristo), o que é
imperfeito desaparecerá”. (I Co 13.9-12).
“Disse-vos estas coisas em termos figurados e obscuros. Virá a hora,
porém, em que já não vos falarei por meio de comparações ou parábolas, mas vos
falarei abertamente a respeito do Pai”. (Jo 16.25).
“Muitas coisas ainda tenho a dizer-vos, mas não o podeis suportar agora.
Quando vier o justo, o Espírito da Verdade (o novo Cristo), Ele ensinar-vos-á toda
a verdade”. (João 16.12).
“E vi à direita do que estava sentado no trono um livro escrito por dentro
e por fora (verdade Interna, religiosa + verdade externa, científica), selado com
sete selos (concluído, completo). E eu chorei muito porque ninguém no céu, nem
na Terra e nem debaixo da terra podia abrir o livro”. (Apocalipse 5.14).
“E o anjo me disse: Toma-o e come-o... E tomei o livro da mão do anjo, e
engoli-o... e na minha boca era doce como mel (fácil de falar); mas, depois que o
engoli o meu ventre ficou amargurado (difícil de praticar). E o anjo disse-me: É
necessário que profetizes outra vez a muitos povos, línguas e reis”. (Apocalipse
10.10-11).
“Se vos tenho falado de coisas terrenas e não me credes, como crereis se
vos falar das coisas celestiais?”.
139
Como vemos, todos estes textos bíblicos falam claramente da promessa de
Jesus e da necessidade de uma terceira parte complementar da mensagem bíblica.
Dito isto, podemos voltar à profecia de Cayce sobre os documentos da
verdade. De acordo com os fatos da história do cristianismo (que acrescentou 27
novos livros à Bíblia) e de acordo com as profecias bíblicas (que prometem uma
terceira parte da mensagem bíblica por ocasião do reaparecimento do Cristo), o
novo Cristo trará para a humanidade a terceira parte da mensagem bíblica. Jesus
conhecia toda a verdade, mas foi impedido de revelá-la devido à sua morte
prematura.
Por fim, de acordo com os cristãos unificacionistas, a verdade bíblica foi
revelada na Terra em três etapas: Velho Testamento (Moisés e os profetas), Novo
Testamento (Jesus e os apóstolos) e Completo Testamento, revelado através do
novo Cristo prometido aos cristãos, o qual já está na Terra e seu nome é Sun
Myung Moon.
Depois desse breve estudo bíblico a profecia de Cayce sobre os
documentos da verdade que estão guardados em três lugares da Terra pode ser
reinterpretada. Os três lugares da Terra não são lugares físicos propriamente ditos,
mas a mente dos três grupos religiosos centrais da Providência da salvação: os
judeus, os cristãos e os cristãos unificacionistas, pois, apesar de os judeus e os
cristãos estarem de posse de duas partes da verdade bíblica, ambos ainda não a
compreenderam completamente, pois estão escritas numa linguagem cifrada,
codificada. Assim, de certo modo, estão escondidas da humanidade. O Completo
Testamento, para os cristãos unificacionistas, é a chave que abre e complementa a
verdade bíblica para a humanidade. Depois que a mensagem bíblica for
completamente conhecida por todos, como profetizou Cayce: “muitas coisas
mudarão. Os conceitos de riqueza e de pobreza serão modificados... Serão
superados os conceitos de direita e de esquerda e todo conflito entre capital e
trabalho”. Isto é, a paz mundial estará estabelecida; o Reino de Deus estará na
Terra. Isto, obviamente, somente poderia acontecer com a presença física do novo
Cristo na Terra, e depois da difusão do Completo Testamento. Isto, obviamente,
inplica no fim do catolicismo ou em sua transformação radical.
25. O reaparecimento do Cristo e o fim do catolicismo
nas profecias do Papa João XXIII (1881-1963)
Ângelo Roncalli, o papa João XXIII, nasceu no dia 25 de novembro de l881, em
Sotto il Monte, localidade da Província de Bérgamo, no norte da Itália. Entrou para
o Seminário Menor de Bérgamo em l892. Três anos depois começou a escrever o
seu famoso Diário da Alma (Il Giornale dell’Anima), que o acompanhou até a
morte. Em l901 foi para o seminário Apollinare, em Roma, onde obteve o
bacharelado em teologia. Foi ordenado padre em 10 de agosto de l904, na Igreja de
Santa Maria do Monte Santo, em Roma. No dia anterior à sua ordenação, o jovem
Roncalli realizou uma peregrinação a Roma, quando visitou a Basílica de São João
de Latrão e subiu de joelhos a Escada Santa, a mesma percorrida por Jesus para
140
apresentar-se a Pilatos e que, Helena, mãe do imperador Constantino, trouxera de
Jerusalém para Roma. Depois, visitou o túmulo de San Paolo Fuori le Mura.
Depois de sua ordenação retornou para Bérgamo, onde foi escolhido para secretário
do bispo local. Por essa época, começou a viajar. Foi a Jerusalém, Suíça,
Alemanha, Áustria, Hungria e Polônia. Depois da I Guerra, fundou a Casa do
Estudante, em Bérgamo. O Papa Bento XV o chamou a Roma para trabalhar na
Sagrada Congregação para a Propagação da Fé. Em l925 foi consagrado bispo na
Igreja de San Carlo al Corso, em Roma. Pouco depois foi enviado à Bulgária como
visitador. E em l931 foi nomeado legado apostólico. Nessa época, surgiram
perseguições à Igreja na Turquia e ele recebeu o título de legado apostólico na
Turquia e na Grécia, quando visitou as comunidades mais longínquas, realizou
encontros secretos e consegue amenizar os problemas. Em l935 começou a ser
perseguido e vigiado. Foi obrigado a usar roupas comuns para se movimentar mais
facilmente. Foi nessa época que começou a escrever suas profecias. Em l944 foi
nomeado núncio apostólico da França por Pio XII. Trabalhou com o ecumenismo,
abrindo o diálogo da Igreja com a maçonaria e os opositores da Igreja. Promoveu
encontros imprevisíveis que transformaram inimigos em amigos. Em l953 foi
nomeado cardeal, e o Papa Pio XII o nomeou Patriarca de Veneza. Anotou em seu
diário que esta poderia ser sua última missão. Cinco anos depois, morre Pio XII; e
o cardeal Roncalli foi eleito papa em l958, com o nome de João XXIII. No dia 11
de outubro de l962 inaugurou oficialmente a primeira sessão do Concílio Vaticano
II, através do qual pretendeu renovar a Igreja Católica, preparando-a para os novos
desafios dos anos 60. No dia 8 de dezembro pronunciou o discurso de
encerramento do Concílio Vaticano II. Na ocasião, declarou “Sinto que devo
apressar-me”. Três dias antes de sua morte disse aos médicos: “As malas estão
prontas para partir, e eu também”. Morreu no dia 3 de junho de l963.
O papado de João XXIII durou de outubro de 1958 a junho de 1963. Ele foi
um papa de profunda fé e moral elevada. Sua consciência o levou a redigir, em
l961, a Redação Diplomática da III Mensagem de Fátima, endereçando-a aos
presidentes dos Estados Unidos, da Inglaterra e da União Soviética, por ocasião da
Crise dos mísseis de Cuba, a qual quase provocou a III Guerra Mundial nuclear.
Suas profecias foram redigidas por volta de 1935, quando estava em
missão na Turquia. Como na maioria dos profetas, suas mensagens estão
carregadas de símbolos, metáforas e outras figuras de linguagem, e abrangem da
segunda metade do século XX até o final dos tempos.
A credibilidade de suas profecias é universal. Certa ocasião, já papa,
conversou com o cardeal Montini e revelou-lhe abertamente que ele o sucederia. O
cardeal Montini tornou-se Paulo VI.
Em março de 2001, quando o nicho mortuário de João XXIII foi aberto
para o translado de seus restos mortais, constatou-se que seu corpo estava intacto,
como fora sepultado. O papa João Paulo II deu então início ao seu processo de
canonização.
São Malaquias chamou João XXIII de Pastor et Nauta, o camponês que
veio da terra da bergamassa e foi patriarca na cidade do mar, Veneza. O Papa João
141
XXIII tinha um “carisma profético” que o fazia, freqüentemente, entremear seus
ensinamentos morais com previsões sobre o futuro. As profecias que iremos
estudar aqui foram recolhidas por seus biógrafos a partir de trechos do original
escritos na Turquia em l935, os quais parecem tratar de fatos que deverão ocorrer
até o ano 2033.
A credibilidade de Ângelo Roncalli como profeta pode ser apreendida a
partir das seguintes profecias feitas por volta de l935, na Turquia:
“Homem que desceste na Lua, cuidado: tu a possuis agora, mas espelhada
na cloaca descoberta”.
Roncalli viu o homem descer na lua em l935, cerca de 30 anos antes de o
fato efetivamete acontecer.
“Na terra de Brahma uma voz desarmada. É a consciência do mundo, que
nunca morrerá, mesmo quando sua carne for assassinada”.
Trata-se de uma clara referência a Ghandi, o líder da não-violência que
libertou a Índia do domínio inglês em l948, e que foi assassinado em l950.
“Tombará o presidente. Tombará o irmão. Entre eles, o cadáver da estrela
inocente. Há quem saiba. Perguntai à primeira viúva negra e ao homem que a
conduzirá ao altar na ilha.
E seus segredos estão nas armas, no delito. E são segredos de quem estava
em Nurenberg. Três dispararão contra o presidente. O terceiro estará entre os três
que ferirão o segundo. Morrerá Lutero e será bom. Atrás dele, a sombra que já
assassinou. Sua voz mentia. O mundo não conhece flores”.
Esta segunda profecia antevê com impressionante precisão o assassinato
dos irmãos John Kennedy, então presidente dos Estados Unidos (morto em l963) e
do senador Robert Kennedy, seu irmão e candidato a presidente dos Estados
Unidos. Trata ainda da misteriosa morte da atriz Marilyn Monroe, provável amante
do presidente Kennedy na época, e do casamento da viúva Jacqueline Kennedy
com o armador grego Aristóteles Onassis, em sua ilha Skorpios. A profecia parece
chamar Jacqueline de viúva negra, sugerindo que Jacqueline e Onassis podem ter
tido alguma participação na morte de Marilyn, que teria sido assassinada. Com
efeito, muitos crimes passionais foram causados por ciúme. A profecia parece
sugerir que, como o caso de Marilyn com Kennedy corria à boca miúda em todo
lugar, Jacqueline pode ter se sentido humilhada e enciumada, tornando-se amante
de Onassis por vingança e cooptando sua ajuda para se livrar de Kennedy e de
Marilyn de uma só vez (isto, porém, é uma mera suposição). Todavia, se isto for a
verdade, o profeta Roncalli pode ter antevisto tudo isso cerca de 30 anos antes de
acontecer.
Creio que estas duas profecias são já suficientes para demonstrar a
seriedade e a veracidade das profecias de Roncalli. Passemos agora às suas
profecias que tratam do fim do catolicismo e do reaparecimento do Cristo.
“O fim do catolicismo — É o tempo dos dois imperadores (Estados Unidos
e União Soviética?). E a Mãe não tem pai (a Madre Igreja estará à deriva), porque
são muitos os que querem ser seu pai. Elevam-se os gritos e as barreiras da
contenda, mas já das águas sai a Besta. (...) Na Mãe estará a guerra (conflito
142
interno na Igreja), e os rebanhos se dispersarão (os fiéis católicos se dispersarão).
(...) Para onde acreditais fugir, agora que já destruístes as igrejas e assassinastes
o útlimo Pai (o último Papa?)”.
Nesta profecia, o Papa João XXII previu com muita clareza o estado
deplorável em que se encontrará a Igreja Católica nos últimos dias, época em a
Igreja estará enfrentando conflito internos pela sucessão e sendo abandonada pelos
antigos fiéis desapontados. Por fim, assim como outros profetas, João XXIII
anteviu o assassinato do papa, o penúltimo papa, Bento XVI, pois a Igreja Católica
não mais existirá ou terá sido absorvida por um novo movimento religioso
supradenominacional, e o último papa já não será papa da Igreja Católica, mas será
um II Pedro (Petrus Secundus, para Malaquias), que pode ser a figura de uma
testemunha viva do novo Cristo, o Verdadeiro Pai (o verdadeiro papa) da
humanidade.
“O reaparecimento do novo Cristo e o estabelecimento do Reino do Céu
na Terra — A Santa Mãe estenderá o braço e se abrirá ao mundo. (A Igreja
aceitará então) uma pequena corrente (a minoria religiosa unificacionista?). (Mas
no fim) os cavalos virão de longe. Injustas acusações terá o vigário. O Pai da Mãe
estará sozinho e haverá os espinhos... A Mãe esquece seu coração latino, seu
coração do Oriente. E sangue nas prisões para quem crê”.
Quando divulgares a palavra de Maria Santíssima, tua única ferida se
fechará. A mãe da Igreja será mãe do mundo. Anjo serás dito, bendito...
“Um grande irmão do Oriente (o novo Cristo oriental) fará estremecer o
mundo com a cruz invertida sem lírios (cruz = símbolo do Cristo = palavra viva.
Cruz invertida = nova mensagem pós-católica; sem lírios = sem os papas)”.
(Depois de) vinte séculos mais a idade do Salvador (ano 2033)”.
Luz do Ocidente (a Igreja Católica), última luz antes da (luz) eterna
(ainda) desconhecida. A verdade será mais simples do que tudo quanto todos
dissemos e escrevemos. Será um bom juízo...”.
“E novas palavras conquistarão a Terra. Repetidas do Cristo. Repetidas
por seus novos filhos. Será um momento de despertar e de grandes cantos. Os
rolos (pergaminhos = verdade revelada) serão encontrados nos Açores e falarão de
antigas civilizações que ensinarão aos homens antigas coisas deles desconhecidas.
A morte será afastada e pouco será o sofrimento. As coisas da Terra, por meio dos
rolos (a verdade revelada), falarão aos homens das coisas do céu.
Sempre mais numerosos os sinais crescerão. As luzes do céu serão
vermelhas, azuis, verdes e velozes (luzes multicoloridas no céu = fogos de artifícios
= comemoração festiva). Alguém vem de longe (o novo Cristo que vem do Oriente,
de Deus, do céu) e deseja encontrar os homens da Terra. Encontros já ocorreram.
Mas quem viu verdadeiramente se calou. Se uma estrela se apaga já está morta.
Mas a luz que se aproxima é de alguém que morreu e retorna (o Cristo, cujo
retorno foi prometido aos cristãos).
Nas cartas do subterrâneo (Nostradamus registrou que escondeu a solução
de suas profecias num subterrâneo) de ferro de Wherner, sempre secretas, a
resposta a descoberto. O tempo não é aquele que conhecemos. Temos irmãos
143
vivos, irmãos mortos. Nós somos nós mesmos, o tempo nos confunde. Bem-vindo,
Artur, rapazinho do passado. Tu serás a prova. E encontrarás o Pai da Mãe”.
Vamos destacar e analisar alguns trechos destas profecias a fim de
decodificarmos o significado oculto do nome Arthur utilizado por João XXIII, o
papa profeta.
“Bem-vindo, Artur — Sete da Grécia para o mundo, depois da visão. E
novas palavras conquistarão a Terra. Repetidas do Cristo. Repetidas por seus
novos filhos. Será momento de despertar e de grandes cantos.
Os rolos (a nova revelação) serão encontrados nos Açores (arquipélago
formado por 9 ilhas; a península coreana, onde surgiu o Completo Testamento, é
uma ilha) e falarão de antigas civilizações que ensinarão aos homens antigas
coisas deles desconhecidas. A morte estará afastada e pouco será o sofrimento. As
coisas da Terra, por meio dos rolos (da nova revelação), falarão aos homens das
coisas do céu. Sempre mais numerosos os sinais. As luzes no céu serão vermelhas,
azuis e verdes, velozes. Crescerão.
Alguém vem de longe (o novo Cristo do Oriente) e deseja encontrar os
homens da Terra. Encontros já ocorreram. Mas quem viu verdadeiramente se
calou. Se uma estrela se apaga, já está morta. Mas a luz que se aproxima é
alguém que morreu e retorna (a estrela, a luz que se aproxima, é o novo Cristo, e
não Ufos e ETs). Nas cartas do subterrâneo de ferro Wherner, sempre secretas (os
segredos do Vaticano?), a resposta estará a descoberto. O tempo é aquele que
conhecemos. (...) Bem-vindo Artur, rapazinho do passado. Tu serás a prova. E
encontrarás o Pai da Mãe”.
A referência nesta profecia ao reaparecimento do Cristo (o novo Rei
Arthur; alguém que morreu e retorna = o Cristo), às novas palavras que ele revelará
(os rolos, os pergaminhos da ilha; o Completo Testamento?) e ao mundo de paz
que construirá (o Reino de Deus na Terra), sem sofrimento (...pouco será o
sofrimento), com esperança de vida eterna (A morte estará afastada) são
claríssimas.
Acredito que todas as verdadeiras profecias são revelações de Deus ou de
bons espíritos a serviço de Deus, assim como Jesus, que revelou o Apocalipse a
João. João XXIII, ou o ser espiritual que lhe revelou o futuro, chamou o novo
Cristo-rei pelo nome de Arthur. Pesquisando sobre o Rei Arthur a fim de decifrar o
porquê de João XXIII tê-lo chamado assim, fiquei maravilhado ao constatar a
pertinência e a relação do nome Arthur comparado ao novo Cristo-rei.
Em minhas pesquisas encontrei um texto na internet que resume a
encantadora lenda do Rei Arthur, a qual está relacionada com Jesus, a última ceia e
o Santo Graal, cálice onde supostamente Jesus teria bebido vinho na última ceia. A
lenda fala, inclusive, que o rei Arthur voltará para derrotar o mal definitivamente.
Vejamos o texto:
“A peça central da corte de Artur fora a Távola Redonda que simbolizava
a expansão do poder e da glória por todo o mundo e continha os nomes dos
cavaleiros do rei. Em termos reais era muito mais do que isso. Tratava-se de uma
força em prol da harmonia e da fraternidade. Era um antídoto contra a inveja, a
144
ambição, a ânsia da supremacia e do poder — defeitos humanos que
caracterizavam a mentalidade na Idade Média. Alguns pesquisadores asseguram
que a távola redonda fora um presente para o rei Arthur, construída por um
carpinteiro da Cornualha e sua forma redonda teria um fim: evitar disputas pelos
leais cavaleiros do rei.
Outro relato mais conhecido assegura que foi José de Arimatéia, o
primeiro guardião do Santo Graal, que construiu a távola do Graal para
comemorar a última ceia, com um assento sempre vago para representar o então
traidor Judas Iscariotes. No entanto existem outros relatos que dizem que o
assento vago na távola redonda do rei Arthur pertencia a Jesus Cristo e só um
cavaleiro capaz de recuperar o Santo Graal teria o direito de ocupar aquele lugar
vago.
Segundo alguns escritores a távola redonda foi construída por um
carpinteiro, que era o pai de Guinevere. A távola foi presente do carpinteiro a
Arthur em forma de dote quando este se casou com Guinevere, e foi o Mago Merlin
quem escolheu os cavaleiros para que se sentassem a ela, e então, predisse a busca
do Santo Graal.
A Távola Redonda, segundo alguns pesquisadores, também representa o
símbolo cósmico do todo, com o Graal em seu centro místico e os doze leais
cavaleiros representando os signos do zodíaco.
As lendas arturianas adaptavam-se bem aos ideais das cruzadas e da
cavalaria que despontaram nos séculos XI, XII e XIII. Os cavaleiros de Arthur
serviam de modelo a todos os guerreiros como cruzados triunfantes em busca do
Santo Graal, o cálice utilizado por Jesus Cristo na última ceia. A crença de que o
rei Arthur não morreu e regressará com os seus leais cavaleiros a fim de retomar
a luta contra os males do mundo continua viva...”.
A interpretação da lenda do rei Arthur — Após ler este texto creio que o
leitor já percebeu a procedência da comparação do rei Arthur com o novo Cristo
feita pelo profeta João XXIII. Primeiramente, devemos recordar que a história do
rei Arthur é uma lenda inglesa. Segundo, que os ideais do rei Arthur estavam
relacionados com os mais nobres sentimentos humanos da idade medieval
(dominada pelos ideais do cristianismo), tais como fé, lealdade, honra, honestidade,
bravura, patriotismo, amizade, romance, etc, e serviam de inspiração para todos os
jovens medievais. O amor profundo e sincero de Arthur e Guinevere foi o ideal da
juventude da época. A távola redonda, símbolo da corte do Rei Arthur, tinha 13
lugares, sendo que um lugar ficava sempre vago. A lenda diz que “o assento
sempre vago na távola redonda do rei Arthur pertencia a Jesus Cristo e só um
cavaleiro capaz de recuperar o Santo Graal teria o direito de ocupar o lugar vago”.
As interpretações esotéricas convencionais dizem que o lugar vago pertencia ao rei
Arthur. Em minha interpretação, baseada na esfera cultural judaico-cristã, penso
que os 13 lugares da mesa representavam Jesus e os doze apóstolos. E o lugar
sempre vago simbolizava o Cristo, alguém que estava ausente, mas que voltaria
para ocupá-lo. O rei Arthur, assim, simbolizava o novo Cristo que voltaria.
145
A lenda do rei Arthur e os cavaleiros da távola redonda está repleta de
significados místicos profundamente enraizados no cristianismo, fato que revela
sua origem cristã; que foi escrita por um autor cristão sob a inspiração de Deus a
fim de contribuir para a educação moral dos povos medievais europeus.
A távola redonda é outro dos elementos fundamentais da lenda. Existem
vários relatos místicos sobre a origem e o significado da távola redonda. Um deles
diz que a távola redonda foi construída por José de Arimatéia, o primeiro guardião
do Santo Graal (o suposto cálice onde Jesus teria bebido vinha na última ceia), que
teria construído a távola do Graal para comemorar a última ceia. Segundo outros
escritores a távola redonda foi construída por um carpinteiro, o pai de Guinevere,
que a deu de presente a Arthur em forma de dote quando este se casou com
Guinevere. E teria sido o próprio mago Merlin quem escolheu os cavaleiros para
que se sentassem à sua volta, ocasião em que predisse a busca do Santo Graal. Para
outros pesquisadores esotéricos a távola redonda representa o símbolo cósmico do
todo, com o Graal em seu centro místico e os doze leais cavaleiros representando
os doze signos do zodíaco.
O Santo Graal é uma lenda bastante explorada pelos escritores de ficção
inspirados pelo esoterismo, os quais têm imiscuído na lenda elementos inventados
ou extraídos de outras lendas, contribuindo para ofuscar e impedir que a verdadeira
interpretação da lenda do rei Arthur venha à luz. Algo semelhante ao Harry Potter,
o terror para crianças com o qual a escritora inglesa J. K. Rowling está ensinando
magia negra — disfarçada de ficção, fantasia e mitologia — às crianças do mundo
inteiro, destruindo sua fé no Deus bíblico, destruindo seus valores morais e
familiares e transformando-as em pequenos bruxos e bruxas. Coisa semelhante os
escritores de ficção e roteiristas têm feito com as lendas da humanidade,
mesclando-as de forma indiscriminada, descaracterizando-as e ofuscando sua
origem, seu conteúdo moral e seu significado.
Quanto ao fato de a távola ser redonda, penso que este mero fato, além de
invocar o significado místico do círculo — símbolo de Deus e da eternidade — tem
um objetivo profundamente pedagógico, transmitindo, inconscientemente, um
profundo e valioso ensinamento moral: o da igualdade entre os irmãos de uma
família. O lugar vago, mas em destaque precisamente por isso, simbolizava a
presença e a regência do pai.
O texto da página anterior diz que “as lendas arturianas adaptavam-se
bem aos ideais das cruzadas e da cavalaria que despontaram nos séculos XI, XII e
XIII. Os cavaleiros do rei Arthur serviam de modelo a todos os guerreiros como
cruzados triunfantes em busca do Santo Graal, o cálice utilizado por Jesus Cristo
na última ceia”. Eis aqui um bom exemplo da confusão acima referida, pois o ideal
dos cruzados era a libertação da terra Santa de Jerusalém, invadida pelos turcos
Seljuk, os quais perseguiam os peregrinos cristãos, outrora bem-vindos no período
do Califa. Como vemos, os ideais das cruzadas nada tem a ver com a busca do
suposto Santo Graal.
146
Uma outra conhecida história francesa inspirada nos ideais da lenda do rei
Arthur são os Três Mosqueteiros, exemplos de lealdade, amizade e justiça.
Todo o significado místico da lenda do rei Arthur é importante. Porém, o
ponto mais importante é a crença de que o rei Arthur não morreu e regressará com
os seus 12 leais cavaleiros a fim de retomar a luta contra os males do mundo. É
nesse detalhe que a identificação do rei Arthur com o novo Cristo fica mais que
evidente, explicando o porquê de o profeta João XXIII ter utilizado o rei Arhur
para representar o novo Cristo que regressará para dar continuidade à luta contra o
mal.
26. O reaparecimento do Cristo e o fim do catolicismo
nas profecias Jean Dixon (1918-1997)
Jean Dixon (1918-1997), assim como Rasputin, foi também uma vidente tipo
Caim alinhada com o esoterismo e o Movimento Nova Era (de índole afroindiana). Um profeta tipo Abel (de Deus) não pode errar em suas previsões. Dixon
errou em muitas delas. Desse modo, a sua inclusão aqui se deve ao fato de que
mesmo profetas tipo Caim (inspirados por maus espíritos) podem prestar algum
tipo de serviço a Deus, uma vez que suas profecias provém de espíritos maus em
busca de méritos espirituais. Por isso, os seres espirituais que inspiraram Jean
Dixon levaram-na a profetizar sobre o reaparecimento do novo Cristo que deverá
nascer na Terra e estabelecer um mundo de paz.
Nascida nos Estados Unidos em l918, Dixon teve suas duas primeiras
visões aos 9 anos. Nos anos 60, suas profecias se tornaram muito populares,
atraindo o interesse de muitos pesquisadores, principalmente os esotéricos do
nascente Movimento Nova Era, uma vez que as idéias de Dixon se fundamentavam
no mesmo rio de idéias que baseavam o novaerismo. Sobre seu don, Dixon
escreveu:
“Quando estou perto de uma pessoa tenho sensações estranhas que, não
raro, se transformam em imagens. Vejo assim o que será o seu futuro, vejo os
perigos que a ameaçam. Por vezes tenho também visões sobre pessoas que
conheço somente de nome, de fama...”.
Noutra ocasião, Dixon declarou: “O mesmo espírito que trabalhou através
do profeta Isaías e do profeta João Batista, trabalha hoje através de mim”. Esta
foi uma declaração ousada, mas falsa, pois alguém que se diz mensageiro de Deus
não pode se equivocar nunca em suas previsões, pois apenas transmite a palavra
infalível e eterna de Deus. Dixon errou muito. Portanto, não era inspirada pelo
espírito divino que inspirou Isaías e João Batista; Como Dixon era apenas uma
profetisa tipo Caim, cometeu muitos erros, mas teve também muitos acertos .
Em novembro de l944, o presidente norte-americano Roosevelt perguntou
a Dixon quanto tempo ele ainda viveria. Depois de pensar por alguns instantes,
Dixon respondeu: “Seis meses”. O presidente não acreditou, pois sua equipe
médica lhe garantiu alguns anos de vida. Roosevelt morreu precisamente seis
meses depois. Profecias como estas fizeram a fama de Dixon. Todavia, como já
147
disse antes, maus espíritos podem antecipar para seus “profetas” coisas que eles
mesmos provocarão no futuro, atraindo credibilidade para os mesmos. No caso de
Rasputin sua natureza devassa o denunciou como profeta tipo Caim. No caso de
Dixon, suas previsões não-cumpridas denunciou-a. Eis algumas das previsões de
Dixon que não se cumpriram:
1. Predisse que os russos seriam os primeiros a pisar na lua.
2. Predisse que Richard Nixon não renunciaria.
3. Predisse que a guerra de Vietnam terminaria em l966.
4. Predisse que os tratados do canal de Panamá não seriam aprovados.
5. Predisse que UFOs com seres humanos super-avançados de um exoplaneta aterrissariam na Terra e fariam contato com a humanidade em 1977.
6. Predisse, em l978 (ano da eleição de João Paulo II), que o papa Paulo VI
surpreenderia o mundo com sua energia e determinação. No mesmo ano o
papa adoeceu e morreu.
Apesar das falhas e da natureza tipo Caim de algumas das profecias de
Jean Dixon, já vimos na Bíblia que maus espíritos também podem praticar atos de
verdade e de bondade em busca de alguma recompensa divina. É o que ocorreu
com Rasputin e Dixon, cujos espíritos que os inspiravam os levaram a profetizar
sobre o reaparecimento do novo Cristo e sobre a sua vitória na Terra com o
estabelecimento do Reino da Paz de Deus. Duas profecias de Dixon me pareceram
referir-se precisamente ao novo Cristo oriental.
No livro A Fenomenal Jean Dixon, da escritora Ruth Montgomery,
publicado em 1965, nos Estados Unidos, existe uma profecia de Dixon datada de 5
de fevereiro de 1962, na qual ela disse:
“Uma criança nascida no Oriente transformará o mundo por volta do
ano 2000, criando uma ‘religião’ universal que unificará e trará paz à Terra. E vi
ainda uma grande cruz aparecer no céu e crescer acima daquele homem, até
cobrir a Terra inteira. E a criança era descendente da rainha egípcia Nefertite e
de seu marido, o faraó Amenotep IV, ou Akhenaton”.
Quem é a criança da visão de Dixon? O homem que nasceu no Oriente,
fundou uma “religião” universal e estabeleceu a paz na Terra não pode ser nenhum
ser do mal; nem tampouco o anticristo (como alguns intérpretes esotéricos
interpretaram, relacionando-o a Vladimir Putin, atual presidente russo, ou a
Vladimir Jirinovski, um político neonazista também russo). De minha parte, penso
que a criança antevista por Dixon é o novo Cristo que nascerá no Oriente. A
relação profética com Akhenaton, o jovem faraó que baniu todos os deuses míticos
do Egito antigo e implantou oficialmente a crença em um único Deus supremo e
invisível — o monoteísmo — é muito clara.
Akhenaton foi o rei do Egito, a I Roma, a nação mais poderosa de sua
época, preparada por Deus para o povo judeu, e através da qual Deus pretendia
influenciar e mudar o mundo. A fim de preparar essa providência, Deus implantou
o monoteísmo no Egito através de Akhenaton e construiu a cidade de Akhetaton.
Todavia, os sacerdotes politeístas do Egito acusaram Akhenaton de ser um louco
que atentou contra os deuses; conspiraram e, muito provavelmente, o envenenaram
148
ainda jovem, abolindo o monoteísmo e reimplantando o politeísmo. Esta foi a
primeira reação do mal para impedir o plano de Deus com o Egito. Paralelamente,
enquanto preparava o Egito, Deus fez com que os irmãos de José, o primeiro filho
de Jacó com Raquel, o traíssem e o vendessem como escravo para mercadores
egípcios. No Egito, José foi perseguido e preso. Na prisão decifrou os sonhos do
Faraó (das vacas e das espigas de milho) e foi eleito primeiro-ministro do Egito aos
30 anos de idade, como Jesus, que iniciou sua missão pública aos 30 anos. Algum
tempo depois, José trouxe toda a sua família para o Egito. O povo judeu cresceu
muito rapidamente, assustando o Faraó que o escravizou. Foi então que Deus
enviou Moisés para libertar o povo e dominar o Egito. Moisés foi um judeu
educado para ser o rei do Egito. Era o filho favorito do faraó Ramsés e deveria
herdar e assumir o trono do Egito. Todavia, Moisés perdeu a paciência e matou um
egípcio que maltratava seu povo. Traído pelos próprios judeus, foi obrigado a fugir
do Egito, frustrando todos os planos de Deus, que teve que abandonar o Egito, a I
Roma.
Depois dessa breve explicação unificacionista da dimensão providencial da
história do Egito, podemos entender por que Dixon foi inspirada a estabelecer a
relação entre Akhenaton, o rei do Egito monoteísta, e o novo Cristo, que também
será um rei monoteísta. Os cristãos unificacionistas dizem que os Estados Unidos
da América é a III Roma, e o fato de o Rev. Moon ter sido coroado Rei da Paz no
Capítólio, sede do Congresso dos Estados Unidos, e de ter sido convidado VIP na
posse do Presidente George W. Bush revela a vitória do novo Cristo de Deus.
Verdadeiro ou falso, a história o dirá, pois o tempo é o senhor da verdade.
Quanto à grande cruz que cresceu sobre o homem do Oriente, estendendose e cobrindo a Terra inteira, uma vez que a cruz simboliza o sofrimento de Jesus, o
primeiro Cristo, mas também simboliza a sua vitória, a grande cruz que cresceu
sobre o homem do Oriente e cobriu a Terra inteira representa uma prefiguração do
sofrimento que o novo Cristo enfrentará no mundo inteiro e também que o
sofrimento — assim como ocorreu com Jesus — será também o símbolo de sua
vitória.
Na segunda visão, datada de 14 de julho de 1952, Dixon viu...
“Uma grande e muito sábia serpente. Os olhos da serpente estavam
olhando para o leste (Oriente) com grande sabedoria. Dixon sentiu que aquela
serpente era muito sábia e que conhecia todas as coisas. Então a serpente lhe disse
que devia olhar para o leste (o Oriente) a fim de obter sabedoria. Ela sentiu ainda
que a serpente era um guerreiro da sabedoria e da paz na Terra, e era também o
campeão da boa vontade”.
A decodificação desta segunda profecia também é muito simples à luz da
Bíblia e do Completo Testamento, que decifrou o significado bíblico da palavra
serpente. Vimos anteriormente que, na Bíblia, a palavra serpente pode representar
Lúcifer, a serpente satânica, ou o Cristo, a serpente divina. Como foi registrado na
história de Moisés, quando transformou seu bastão numa serpente e esta engoliu as
serpentes dos magos do faraó, e quando mandou fazer uma haste de metal com
uma serpente de bronze e ordenou que os judeus mordidos pelas serpentes do
149
deserto olhassem para a serpente de bronze para serem salvos. É evidente que a
serpente de bronze na haste é uma prefiguração de Jesus na cruz, a serpente celeste.
Jesus também orientou seus apóstolos para que fossem “simples como as pombas e
sábios como as serpentes”. Assim, a grande e sábia serpente do Oriente, que é o
guerreiro da sabedoria e da paz e o campeão da boa vontade é uma clara
referência ao novo Cristo oriental.
“O fim do papado — O reino papal acabará com o fim do milênio”.
Os intérpretes tradicionais, provavelmente católicos, escreveram: “Note-se
que Dixon não falou sobre o fim da Igreja Católica, mas sobre o fim do reino papal.
É provável, portanto, que a autoridade papal seja substituída por uma nova
estrutura que reúna todas as igrejas”. Ou seja, surgirá um novo movimento
religioso universal que unirá todos os religiosos, formando um só rebanho sob um
só pastor. Evidentemente, tal acontecimento exigirá a presença de um líder com
uma autoridade superior a todas as demais autoridades da Terra; alguém que
aparecerá na Terra com a autoridade do próprio Deus. Este alguém só pode ser o
novo Cristo do Oriente.
“A época da paz — Não tenhais a ilusão de alcançar a paz antes de l999...
Depois haverá ainda um período de incerteza. O homem será sobre a Terra como
o viajante de um país desconhecido. Haverá tempos novos sobre os quais triunfará
o espírito”.
Esta profecia assemelha-se em conteúdo à anterior, pois prevê o
nascimento de uma era de paz e o triunfo da espiritualidade sobre o materialismo.
Obviamente, tal evento somente ocorrerá depois da chegada do novo Cristo à
Terra.
27. O reaparecimento do Cristo e o fim do catolicismo
nas profecias de T. Sutzer (1885-1946)
T. Sutzer nasceu nos arredores de Viena, Áustria, em l885 e morreu em
Washington em l946. Suas visões futurísticas começaram ainda criança, como
“visões de acontecimentos que, depois, se realizavam infalivelmente; eram
imagens nítidas como pinturas”. Um de seus biógrafos escreveu que as profecias de
Sutzer somam “pelo menos duzentas imagens de acontecimentos futuros, que vão
provavelmente até o ano 2250 e que se referem ao mundo todo”. Sutzer anteviu a
lápide do túmulo do líder nazista Joseph Mengele no Brasil, o reaparecimento do
novo Cristo e o reino da paz por ele fundado. Vejamos estas duas profecias.
“O paraíso do amor — Vi um lugar maravilhoso, onde reinava a paz, onde
mulheres fiavam nos prados enquanto as ovelhas pastavam, onde as colheitas
eram abundantes e onde todas as leis da vida tinham suas raízes no amor... Um
pouco afastada desse paraíso do amor vi uma montanha de escombros e entre
esses escombros havia moedas de ouro, tecidos valiosos e mármores”.
Nesta profecia Sutizer anteviu o estabelecimento do paraíso terrestre, o
chamado segundo paraíso, o qual somente seria estabelecido depois da suplantação
da atual civilização materialista, representada na profecia como escombros de
150
“ouro, tecidos finos e mármores”. Evidentemente, isto somente ocorrerá depois que
ocorrer uma profunda mudança no coração e nas idéias humanas, a qual inverterá
completamente as prioridades do atual sistema de valores, do materialismo ao
espiritualismo. Obviamente, para que isso ocorra é absolutamente imprescindível
que apareça e triunfe na Terra um novo sistema de pensamento mais amplo e
profundo do que o atual, que provou ser insuficiente para mudar o coração humano
e pacificar o mundo. Esse novo sistema de pensamento somente poderá aparecer na
Terra como resultado de uma revelação divina superior, a qual seguramente virá
através do novo Cristo de Deus.
“O retorno de Cristo — O Justo voltará à Terra. Já vi este tempo,
preparado para o fim do século XX”.
Nesta segunda profecia, Sutzer viu claramente o retorno do novo Cristo à
Terra, uma visão bíblica e comum em quase todos os grandes profetas da
humanidade. Esta é também a interpretação tradicional que diz que “quando
chegarem ao fim os tempos do desespero, o mundo assistirá à batalha final entre o
bem e o mal, entre o Cristo e o anticristo” (que estarão na Terra). Os videntes
prevêm que serão dias terríveis, durante os quais seria melhor que o sol não
nascesse, mas serão dias necessários para a Terra poder receber o novo homem e a
nova vida. Um novo homem significa o triunfo da vida espiritual; uma nova vida
que indica o surgimento de uma nova forma de relacionamento mais perfeita que a
atual, que é baseada nas riquezas materiais.
28. O reaparecimento do Cristo e o fim do catolicismo
nas profecias de A. Cassert (?)
A. Cassert nasceu na França e morreu na Normandia, também na França. Durante a
II Guerra Mundial seus biógrafos apuraram que “nas noites de lua cheia, ele era
tomado por uma espécie de febre, de exaltação, durante a qual desfalecia e falava
sobre os tempos futuros”. Por essa razão, Cassert é chamado de profeta do
plenilúnio. Suas profecias somam algumas centenas que compreendem um arco de
tempo que vai desde o final da II Guerra até o ano 2100. Entre outras coisas,
Cassert anteviu o fim da divisão da política entre direita e esquerda, a destruição
dos sistema educacional atual, o ataque dos terroristas do Oriente Médio, a eleição
de Ratzinger e o fim do catolicismo tradicional. Vejamos estas profecias.
“O fim da direita e da esquerda — Tanto da direita quanto da esquerda
vos prometerão o bem-estar. Não acrediteis... é tudo um engano. O bem-estar
nascerá do espírito, quando o homem estiver maduro”.
Esta profecia antevê o fracasso das quimeras da política atual, dividida
entre esquerda e direita (“sempre a mesma burla, com máscaras diferentes”), cheias
de injustiças e promessas mentirosas de bem-estar e paz. Antevê também que o
bem-estar e a paz nascerão da espiritualidade, depois que o coração e a mentalidade
humana estiverem maduros. Obviamente, para que isto aconteça será necessário
uma revolução do coração humano em toda a Terra, a qual só poderá ser realizada
por um novo sistema de pensamento superior a todos os que temos atualmente na
151
Terra. De onde virá, e quem trará este novo sistema de pensamento? Obviamente,
virá de Deus através de seu novo Cristo.
“As escolas envenenadas — Quando as escolas distribuírem veneno e não
conhecimento, quando os pais forem montarias dos filhos, quando os jovens
puderem ofender e ultrajar impunemente os seus mestres (...), estará próximo o
momento das grandes mudanças”.
Esta profecia é um retrato das escolas do mundo atual, em que as escolas se
tornaram antros de pornofonia, drogas, violência e sexo precoce e irresponsável; e
onde o amor, a gratidão e o respeito aos pais e aos idosos praticamente
desapareceram sob a tosca justificativa da defesa dos direitos das crianças e dos
adolescentes (que enfatiza os direitos e ignora os deveres). Nesse quadro, os pais,
os avós, os idosos e os professores perderam sua autoridade e o seu direito ao
respeito, embora teoricamente existam leis que parecem garantir tais direitos. Na
prática, porém, quando ocorre um conflito qualquer entre pais e filhos, idosos e
adolescentes, estes últimos acabam sempre contando com o apoio irrestrito da lei e
da justiça, vencendo os pais, os professores e os idosos.
“A letra z — Quando subir ao trono de Pedro um papa que levará a letra z
no nome terá chegado o momento de abrigar-se em casa, porque a tempestade
estará próxima”.
Esta profecia é impressionante, pois se refere realmente ao momento
histórico atual em que a Igreja Católica elegeu Joseph Ratizinger, o papa com a
letra z no nome. Como já observamos anteriormente, a eleição de Ratizinger
desapontou o mundo, pois além de já muito conhecido — e odiado por alguns —
como mentor do papa João Paulo II, Ratzinger pertenceu à juventude hitlerista e ao
exécito nazista, além de ter o seu nome envolvido no escândalo do Banco
Ambrosiano, ao lado do nome do cardeal Paul Marcinkus. Quando todos
esperavam renovação, com a eleição de um papa africano ou latino-americano (os
últimos redutos do catolicismo), Ratzinger conseguiu se eleger, provavelmente,
com base em manobras políticas internas e o forte apoio da Opus Dei (que também
elegeu João Paulo II), desapontando o mundo, gerando uma certa desesperança e
descrença no minguado rebanho católico.
De outro lado, uma vez que a profecia faz um alerta quanto à proximidade
da tempestade — as drásticas e súbitas mudanças que transformarão a face da
Terra e o coração do homem — esta profecia prenuncia o fim da civilização atual e
o fim do catolicismo, previsto por quase todos os profetas para uma época próxima
do ano 2000.
29. O Reaparecimento do Cristo e o fim do catolicismo
nas profecias de João de Jerusalém (1042-1120)
Não se sabe muito sobre João de Jerusalém. Acredita-se que ele nasceu em 1042 e
participou da conquista de Jerusalém em 1099, tendo vivido ali por cerca de 20
anos, período em que escreveu O Livro das Profecias, reunindo suas profecias.
Morreu entre 1119 e 1120. Outras informações nos chegaram de um manuscrito do
152
século XIV, encontrado recentemente no Mosteiro de Zacyorsk, perto de Moscou,
o qual traça um breve perfil de João de Jerusalém como “um homem que sabia ler e
escutar os céus”. Acredita-se ainda que tenha sido um dos fundadores da Ordem
dos Templários.
As profecias de João de Jerusalém não mencionam explicitamente o
reaparecimento do Cristo, mas fala de uma súbita mudança que a humanidade
experimentará a qual extinguirá o egoísmo, a ignorància e a maldade e implantará o
amor altruísta, a verdade e a paz eterna. Que tipo de personagem humano poderia
provocar um tão grandioso fenômeno senão o novo Cristo?
O texto profético de João de Jerusalém que se segue — O Livro das
Profecias — conserva bem o estilo singular de sua época:
“Vejo a imensidão da Terra... Continentes que Heródoto não mencionou a
não ser em seus sonhos se ajuntarão mais além dos bosques que descreve Tácito,
no longínquo final dos mares que começam depois das Colunas de Hércules. Mil
anos terão se passado desde os tempos em que vivemos (João de Jerusalém viveu
no ano século XI. Portanto, suas profecias referem-se ao ano 2000) e todos os
feudos em todo o mundo terão se reunido em grandes e vastos impérios. Guerras
tão numerosas como as malhas da cota dos Cavaleiros da Ordem se entrecruzarão
e desfarão reinos e impérios para formar outros ainda maiores. Mil anos terão
passado e o homem haverá conquistado o fundo dos mares e a altura dos céus.
Terá adquirido o poder do sol e acreditará ser Deus, construindo sobre a terra mil
Torres de Babel. Então, começará o ano mil que segue ao ano mil” [refere-se ao
nosso milênio atual].
Quando começar o ano mil que segue ao ano mil (ano 2000), o ouro
[dinheiro] estará no sangue; quem estiver no templo encontrará comerciantes; os
líderes serão cambistas e usurários. A espada [armas] defenderá a serpente [o
império do mal] e todas as cidades serão (como) Sodoma e Gomorra. O homem
terá povoado os céus, a terra e os mares com suas criaturas; ambicionará os
poderes de Deus e não conhecerá limites. Mas, tudo se sublevará contra ele;
titubeará como um rei bêbado, galopará como um cavaleiro cego e, a golpes de
esporas, levará sua montaria para o bosque. No final do caminho estará diante do
abismo...
Quando começar o ano mil que segue ao ano mil (ano 2000), Torres de
Babel (grandes edifícios) serão construídas em todos os pontos da Terra. Em
Roma e em Bizâncio os campos se esvaziarão. Já não haverá mais leis para
proteger a ninguém, e os bárbaros estarão vivendo nas cidades. Já não haverá pão
para todos e os jogos já não serão o bastante. Então, as pessoas, sem futuro,
provocarão grandes incêndios (explosões). Todos tentarão desfrutar de tudo que
puderem. O homem repudiará sua esposa tantas vezes quantas se casar, e a
mulher irá por caminhos sombrios tomando para si tudo que lhe apetecer, dando à
luz sem pôr o nome do pai. Nenhum mestre guiará a criança e cada um estará só
entre os demais. A tradição se perderá, a lei será esquecida e o homem se tornará
selvagem outra vez.
153
Quando começar o ano mil que segue ao ano mil (ano 2000), o pai
buscará prazer em sua filha, o homem com outro homem, a mulher com outra
mulher, o velho com o menino impúber, e tudo isso diante dos olhos de todos.
Porém, o sangue se tornará impuro, o mal se estenderá de leito em leito e o corpo
recolherá todas as podridões do mundo [Aids, a peste negra do sexo livre]. Os
rostos serão consumidos, os membros serão desencarnados e o amor será uma
ameaça entre aqueles que apenas se conhecem pela carne. Quem falar de
promessas e de lei não será ouvido, quem pregar a fé do Cristo perderá sua voz no
deserto. Mas, em todas as partes se estenderão as águas poderosas das religiões
infiéis. Falsos messias reunirão os homens cegos e o infiel armado será como
nunca antes foi. Falará de justiça e de direito e sua fé será de sangue e de fogo, e
se vingará da cruzada (os muçulmanos matarão os cristãos. Os ataques terroristas).
Quando começar o ano mil que segue ao ano mil (ano 2000), todos
saberão o que acontece em todas as partes do mundo [televisão via satélite,
internet]. Serão vistas crianças cujos ossos estarão marcando a pele, com seus
olhos cobertos de moscas e caçados como se matam ratos.... [Etiópia, Kosovo,
Chechênia]. O homem fará comércio de tudo e de todas as coisas. Tudo terá preço
e nada mais será dado. Nada será sagrado, nem sua vida nem sua alma. As
crianças também serão vendidas, e algumas delas servirão de bonecas para
desfrute de sua pele jovem, outras serão tratadas como animais servis. A
debilidade sagrada da criança bem como seu mistério serão esquecidos e o homem
não será outra coisa que a barbárie.
Quando começar o ano mil que segue ao ano mil (ano 2000), o olhar e o
espírito dos homens já estarão prisioneiros; estarão ébrios e não se darão conta.
Tomarão as imagens e os reflexos como sendo a própria verdade. Farão com eles
o que se faz com os cordeiros, tirando sua pele e sua lã. No mundo reinarão
soberanos sem fé, governarão multidões inocentes e passivas. Esconderão seus
rostos e guardarão seus nomes em segredo. Ninguém participará de suas reuniões
e assembléias e todos serão verdadeiros escravos, mas acreditarão serem homens
livres [democracias atuais]. Só os selvagens [países pobres?] se levantarão, mas
serão vencidos e queimados vivos.
Quando começar o ano mil que segue ao ano mil (ano 2000), terá surgido
uma Ordem Negra e secreta (o comunismo ateu, filho do satanismo, a magia
negra). Sua lei será o ódio, e sua arma, o veneno [dinheiro]. Desejará cada vez
mais ouro e estenderá seu reino por toda a Terra, e seus servidores estarão unidos
entre si pelo beijo de sangue (A traição, o crime e a infiltração traiçoeira sempre
foram as marcas do comunismo ateu). Os homens justos e os fracos acatarão sua
ordem, os poderosos se colocarão a seu serviço e a única lei será a que for ditada
nas sombras. O veneno [o sexo livre] será visto dentro das igrejas e o mundo
avançará com esse escorpião debaixo do pé.
A Terra começará a tremer em vários lugares e as cidades se afundarão.
Tudo que foi construído sem ouvir os conselhos dos sábios será ameaçado e
destruído. O lodo inundará os povoados e o solo se abrirá debaixo dos palácios. O
homem seguirá obstinado porque o orgulho é a sua loucura. Não escutará as
154
repetidas advertências da terra e o fogo destruirá as novas Romas. Entre
escombros acumulados, pobres e bárbaros, apesar dos soldados, saquearão as
riquezas abandonadas.
Quando começar o ano mil que segue ao ano mil (ano 2000), o sol
queimará a Terra (secas, câncer de pele) o ar já não será o véu que protege do
fogo e a luz ardente queimará a pele e os olhos. O mar se elevará como água
furiosa e as cidades e costas serão inundadas (tsunamis). Continentes inteiros
desaparecerão com os homens refugiando-se nas alturas, e esquecendo o ocorrido,
iniciarão a reconstrução. (...) Os animais que Noé embarcou na arca não serão,
nesse tempo, mais que bestas transformadas pela mão do homem [clones]. Quem
se preocupará com seus sofrimentos vitais? O homem terá feito de cada animal
aquilo que bem lhe convier e terá destruído inúmeras espécies. Em que terá se
convertido o homem que mudou as leis da vida, tendo feito de um animal vivo um
objeto de barro? Será igual a Deus ou será filho do demônio?
Quando começar o ano mil que segue ao ano mil (ano 2000), regiões
inteiras do mundo serão botins de guerra. Além dos limites romanos e incluindo o
antigo território do império os homens da mesma cidade se degolarão. Aqui
haverá guerras entre tribos e lá, entre crentes. Os judeus e os filhos de Alá (os
mulçumanos) não deixarão de se enfrentar. A terra de Cristo será o campo de
batalha. Mas, os infiéis irão querer defender em todo o mundo a pureza de sua fé e
diante deles não haverá mais que dúvidas e poder. Então a morte avançará por
todo o mundo como o estandarte dos novos tempos. (o terrorismo islâmico). (...)
Multidões de homens serão excluídas da vida humana. Não terão direitos, teto,
alimento. Estarão nus e não terão mais nada para vender a não ser seus corpos.
Mas serão expulsos para longe das Torres de Babel da opulência, aonde ouvirão
as prédicas da vingança, que os levarão ao ataque às orgulhosas torres. Terá
chegado um novo tempo de invasões bárbaras (o aumento da criminalidade
urbana)...
O aparecimento do novo paraíso terrestre — Chegado plenamente o ano
mil que segue ao ano mil (ano 2000), os homens, por fim, terão abertos seus olhos
[quem lhes abrirão os olhos, senão a plena verdade enviada por Deus através do
novo Cristo?] e já não mais estarão encerrados em suas cabeças ou em suas
cidades. Perceberão que o que atinge a um fere também ao outro. Formarão os
homens um corpo único no qual cada um será uma parte ínfima. Juntos,
constituirão o coração e haverá uma língua que será falada por todos e assim
nascerá o grão humano. (...) Conquistará o céu, criará estrelas no grande mar
azul sombrio e navegará nessa nave brilhante como um novo Ulisses, companheiro
do sol, rumo à Odisséia Celeste. Também será o soberano da água, construirá
grandes cidades aquáticas que se alimentarão dos frutos do mar. Viverá assim o
homem em todas as partes e nada lhe será proibido.
Quando chegar plenamente o ano mil depois do ano mil (ano 2000), o
homem poderá penetrar na profundidade das águas. Seu corpo será novo e será
como os peixes. Alguns voarão mais alto que os pássaros como se a pedra nunca
caísse. Todos se comunicarão entre todos pois seu espírito estará aberto para
155
recolher todas as mensagens. Os sonhos serão compartilhados com todos e viverão
tanto tempo como o mais velho dos homens, aquele do qual falam os livros
sagrados [Matusalém]. (...) Conhecerá o homem o espírito de todas as coisas. A
pedra ou a água, o corpo do animal ou olhar do outro. Penetrará nos segredos
possuídos pelos deuses antigos... As crianças conhecerão os céus e a terra como
ninguém antes deles. O corpo humano será maior e mais hábil e seu espírito
abarcará tudo e todas as coisas...
Chegado plenamente o ano mil que segue ao ano mil (ano 2000), o homem
não será o único soberano. A mulher empunhará o cetro, e ela será a mestra dos
tempos futuros [a era do coração]. Tudo que ela pensar imporá ao homem. Ela será
a mãe desse ano mil que segue ao ano mil. Difundirá a terna doçura de mãe depois
dos dias do diabo. Será a beleza depois da feiúra dos tempos bárbaros. O ano mil
que segue ao ano mil mudará rapidamente. Se amará e se compartilhará, se
sonhará e se dará vida aos sonhos.
Chegado plenamente o ano mil que segue ao ano mil (ano 2000), o homem
conhecerá um segundo nascimento [o renascimento espiritual através do novo
Cristo], o espírito se apoderará das pessoas que conviverão em fraternidade.
Então será anunciado o fim dos tempos bárbaros... Será um tempo de um novo
vigor da fé depois dos dias negros do início do ano mil que vem depois do ano
mil... E a Terra estará em ordem...
Chegado plenamente o ano mil que segue ao ano mil (ano 2000), os
caminhos irão de uma ponta a outra da Terra e do céu. Os bosques serão outra vez
frondosos, os desertos serão irrigados, as águas se tornarão puras e a Terra será
como um jardim [o novo Éden restaurado pelo novo Cristo]. O homem velará por
todas as coisas, purificará o que contaminou, sentirá que a Terra é sua casa, será
sábio e pensará no amanhã.
Chegado plenamente o ano mil que segue ao ano mil (ano 2000), o homem
terá aprendido a repartir e a dar... Os dias amargos de solidão terão ido, os
bárbaros terão adquirido o direito de cidadania. Mas isso só virá depois das
guerras e dos incêndios. Isso surgirá dos escombros enegrecidos das Torres de
Babel...”.
Nesse longo texto profético João de Jerusalém previu com incrível precisão
todo o desenrrolar da história no final do século XX, a época da Grande Tribulação
que precederá a chegada do Grande Monarca — o novo Cristo — que procederá a
ampla e profunda mudança na Ordem Mundial. João de Jerusalém previu a
degradação do coração humano, o abandono da fé em Deus e degenerescência dos
costumes, bem como as tragédias decorrentes da maldade humana. Por fim, viu
também o aparecimento de um novo paraíso na Terra. Todavia, sendo um cristão
fervoroso do século XII, mesmo que tenha visto o novo personagem de Deus (o
novo Cristo) e ouvido as novas palavras causadoras da grande e profunda mudança
no coração humano (bem como a paz social e a preservação ambiental decorrente),
não o mencionou nem o entendeu, uma vez que para o cristão tradicional Jesus já
salvou o mundo. É provável que João de Jerusalém tenha visto o novo Cristo em
156
suas profecias, mas pode tê-lo confundido com Jesus ou, ao perceber que se tratava
de um outro personagem, o tenha ignorado por receio de “perder sua vida eterna”,
como tem feito a maioria dos cristãos atuais. Obviamente, para que tenha ocorrido
uma tão ampla e profunda mudança no coração da humanidade é imprescindível a
presença de novas e poderosas palavras, pois somente a palavra verdadeira de Deus
pode tocar e mudar o coração humano. E para que o mundo receba as novas e
verdadeiras palavras de Deus é imprescindível o reaparecimento do Cristo. Assim,
podemos deduzir que, ao antever o novo paraíso na Terra João de Jerusalém
anteviu o efeito do trabalho de Deus através do novo Cristo nos tempos atuais.
Portanto, previu indiretamente o reaparecimento do novo Cristo na Terra. Sem a
presença do novo Cristo, conforme todos os grandes profetas da humanidade, não
haverá novo paraíso.
30. O reaparecimento do Cristo nas profecias
dos índios nativos norte-americanos
Os índios nativos norte-americanos, particularmente os sioux (tão bem
homenageados no filme Dança com Lobos, do Kevin Costner), foram exemplos de
convivência pacífica entre os homens e de preservação e amor pela natureza. Todos
os ecologistas conhecem a Carta do Chefe Seatlle enviada ao presidente Roosevelt,
a qual se tornou texto modelo do programa de preservação ambiental da ONU.
Como se sabe, o misticismo é uma marca comum em todos os grupos indígenas
primitivos, os quais criaram mitos cosmogônicos Deusistas para explicar a origem
do universo e dos costumes morais e éticos das tribos. Como estamos buscando
identificar nas profecias da humanidade referências ao reaparecimento do novo
Cristo e ao estabelecimento do Reino de Deus na Terra, um novo mundo de paz
eterna, não podemos desprezar a profecia dos índios nativos norte-americanos, uma
vez que a mesma prevê o aparecimento de um novo grupo mundial de
pacificadores que curará as dores do mundo definitivamente. Em nossa visão, essa
profecia refere-se ao grupo dos seguidores do novo Cristo que reaparecerá na Terra
nos últimos dias e que efetivamente triunfará sobre o mal e construirá o Reino de
Deus na Terra. Eis a profecia:
“Quando a Terra ficar doente e os animais desaparecerem, surgirá uma
nova tribo formada de todas as culturas e de todas as raças para curar a Terra.
Esta tribo será conhecida como Os Guerreiros do Arco-íris”.
Descoberta pelos hyppies nos anos 60 e 70, essa profecia foi
equivocadamente utilizada pelos rebeldes da contracultura, defensores e praticantes
das drogas alucinógenas e do sexo livre grupal e homossexual. Os hyppies se
identificaram com Os Guerreiros do Arco-íris, classificando-se a si mesmos como
defensores da paz e do amor, aqueles que, com base nas drogas, no rock, no sexo
livre e na rebelião contra Deus, a família e a religião cristã (pois, influenciados
pelos Beatles, adotoram algumas das idéias afro-indianas), iriam estabelecer um
mundo de paz. Milhões de hyppies morreram jovens, sujos e drogados jogados
pelas ruas e pelas estradas do mundo. Hoje, o arco-íris se tornou símbolo do
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movimento gay internacional, um movimento claramente antifamiliar, uma vez que
propõe a união sexual entre pessoas do mesmo sexo; um “casal” antinatural que
não pode gerar filhos. Até mesmo um casal natural homem-mulher somente se
torna família quando gera filhos. O movimento Hyppie, um movimento anti-Deus e
anti-família que atacou a ordem moral e social do mundo cristão, teve nas teorias
de Marx, Freud, Marcuse, Lindsey e Croweley seu alimento teórico, influenciando
os Beatles, Ozzi Osbourne, Raul Seixas e Paulo Coelho (a idéia da sociedade
alternativa sem lei alguma é de Crowley) e grande parte dos ídolos norteamericanos da música e do cinema, os quais exerceram pesada e destrutiva
influência na juventude mundial, literalmente destruindo as vidas de milhões de
jovens em todo o mundo. Felizmente, com a desmoralização do
marxismo/comunismo e do freudismo/sexo-livre muitos jovens do mundo já
começaram a se libertar do transe místico em que foram submergidos.
O movimento hyppie dos anos 60 muito pouco de bom legou para a
sociedade atual ou do futuro, exceto a descoberta dessa profecia dos índios nativos,
pois quando a humanidade descobrir o efeito do sexo livre, das drogas e do rock no
espírito humano eles serão imediatamente lançados na lixeira da história.
31. O reaparecimento do Cristo nas profecias
do Dalai Lama e dos monges do Tibet
Como se sabe, o Tibet é um país asiático profundamente místico e fundamentado
na esfera cultural afro-indiana. Nos anos 70 o Tibet foi invadido pelos comunistas
chineses que perseguiram o budismo tibetano e o lamaismo, destruindo seus
templos, massacrando seus monges (que incendiavam seus corpos em sinal de
protesto), e obrigaram o Dalai Lama, líder espiritual do Tibet, a emigrar para a
França. Acredito que Deus inspirou profetas em todas as culturas a fim de anunciar
aos povos sua grande promessa e sua Grande Profecia: o Cristo. Assim,
pesquisando no lamaismo em busca de alguma profecia sobre o reaparecimento do
novo Cristo e o fim da história da maldade, encontrei a seguinte profecia:
“A luz da Ásia — A grande luz espiritual que há séculos brilha sobre a
Ásia não se apagará. Ela aumentará, difundir-se-á e resplandecerá na América do
Sul, sobretudo nas terras do O Fu Sang (o Brasil?), onde será iniciado um novo
ciclo de progresso com a nova raça dourada”. (O Testamento do Dalai Lama.
Falecido em l924. Fonte: revista Sinais de Figueira, 2004. p. 5).
Sem dúvida, trata-se de uma profecia sobre o reaparecimento do novo
Cristo oriental que nascerá na Ásia.
Na mesma linha de pesquisa, encontrei um artigo assinado por N.K.
Subramanium intitulado Monges tibetanos prevêem o fim do mundo para 2012
(extraído do site www.realidadehoje.org) o qual prevê o fim da história da maldade
nos seguintes termos:
“A clarividência não é algo novo nos monastérios tibetanos. Por milhares
de anos, a clarividência, em meio a outras atividades espirituais, é parte
dominante da cultura tibetana. O que alguns turistas hindus vieram aprender de
158
alguns poucos monastérios tibetanos sob o domínio chinês apresenta-se como algo
fascinante e alarmante.
De acordo com esses turistas, os clarividentes tibetanos estão vendo as
potências mundiais em rota de mútua destruição. Eles também vêem que o mundo
(o planeta Terra) não será destruído. De agora até 2012 as superpotências
mundiais seguirão engajadas em guerras regionais. Terrorismo e guerras
disfarçadas serão o maior problema. Na política, algo irá suceder em torno de
2010, quando então as potências mundiais ameaçarão se destruírem entre si.
Entre 2010 e 2012 o mundo inteiro se polarizará e se preparará para o dia
final. Pesadas manobras políticas e negociações terão lugar com poucos avanços.
Em 2012, o mundo começará a mergulhar numa guerra nuclear total. Então, algo
notável irá acontecer, diz um monge budista do Tibet: a intervenção de
superpoderes divinos [através do novo Cristo?] porque o destino do mundo não é
a sua destruição total.
Os monges disseram ainda que depois de 2012 a atual civilização iria
compreender que a fronteira final da ciência e da tecnologia está na
espiritualidade, e não no terreno da física e da química. Depois de 2012 a
tecnologia tomará um outro rumo. As pessoas irão aprender a essência da
espiritualidade, a relação entre corpo e alma, a reencarnação (o lamaismo é uma
expressão tibetana do hinduísmo e do budismo) e a realidade de que todos estamos
conectados com Deus.
Quando perguntados sobre se essa vontade extraterrestre (espiritual) irá
aparecer em 2012, a resposta dos monges tem sido que “eles se mostrarão de tal
forma que ninguém irá perceber”. Mostrar-se-ão somente se não houver
alternativa. A medida que nossa ciência e nossa tecnologia avançarem estaremos
destinados a vê-los e a interagir com eles. Ainda de acordo com os clarividentes,
nosso planeta é abençoado, e vem sendo salvo permanentemente de todos os
perigos, mesmo sem o sabermos. À medida que avançarmos perceberemos como os
poderes externos nos têm protegido.
Obviamente, estas visões e previsões dos monges do Tibet coincidem com
as profecias dos grandes profetas da humanidade em sua quase inteireza,
conferindo-lhes credibilidade histórica. Obviamente, os ufólogos têm utilizado
essas profecias para afirmar a existência do ETs. Todavia, as expressões vontade
extraterrestre e poderes externos podem significar vontade espiritual e poderes
espirituais, que são extraterrestres e, efetivamente, têm atuado na Terra,
protegendo-a.
32. O reaparecimento do cristo nas profecias
de Madame Blavatsky (1831-1891)
Helena P. Blavatsky (1831-1891), mais conhecida como Madame Blavatsky,
nasceu na Rússia em 1831 e morreu em l891. Realizou muitas viagens ao redor do
mundo, especialmente a Índia, onde absorveu as idéias da esfera cultural afroindiana (reencarnacionista), trazendo-a para a Europa cristã e disseminando-as
159
através da Sociedade Teosófica, muito combatida pelo cristianismo em geral,
católicos, protestantes e até pelos espiritistas kardecistas (também
reencarnacionistas). Todavia, como o mundo ainda jazia no malígno, como diz a
Bíblia, a teosofia prosperou, viajando nas asas do Movimento Nova Era e do
esoterismo, e Blavatsky se tornou uma famosa escritora ocultista (historicamente, o
ocultismo sempre esteve vinculado intimamente à magia negra, o satanismo. Aliás,
os esotéricos registraram em seus livros que o objetivo maior do Movimento Nova
Era é “levar a humanidade a ter uma iluminação luciférica; isto mesmo, Lúcifer, o
satanás citado na Bíblia, conforme declarações dos maiores expoentes teóricos do
Movimento Nova Era). Por sua base teórica e sua vinculação com o Movimento
Nova Era, podemos classificar Blavatsky como uma vidente tipo Caim. Como já
vimos no caso de Cayce e Rasputin, mesmo personagens não alinhados com a
esfera cultural judaico-cristã podem ser inconscientemente usados por Deus em
favor de Sua providência.
Blavatsky não pode ser definida como uma profetisa no sentido usual da
palavra, pois suas “profecias” são previsões (profecia mística e futurologia
científica são coisas distintas, mas afins) encontradas em seus livros, as quais
despertaram a atenção dos estudiosos das profecias da humanidade. No livro A
Chave da Teosofia Blavatsky fala do estabelecimento de uma civilização universal
dirigida por um novo avatar, o futuro Grande Monarca esperado. Na verdade,
trata-se de uma referência ao Reino de Deus que será estabelecido pelo novo
Cristo. Vejamos alguns trechos visionários contidos em seus livros:
“O Reino de Deus na Terra — Estamos no fechamento de um ciclo de
5000 anos da presente era Yuga Ariana de Kali, ou era escura. Esta será sucedida
pela era de luz. Mesmo agora sob nossos olhos prepara-se a nova raça ou raças a
serem formadas, e é na América que esta transformação acontecerá, e
silenciosamente já começou. Esta raça será modificada em sua mentalidade e se
moverá na direção de uma existência espiritual mais perfeita.
Aquele afundamento periódico e reaparição de continentes potentes, agora
chamados Atlântida e Lemúria pelos escritores modernos, não é ficção e será
demonstrado. É somente no século XX que porções, se não o todo, do presente
trabalho será vindicado. (Ocorrerá) uma destruição mundial como aconteceu à
Atlântida 11 mil anos atrás... No lugar da Atlântida toda a Inglaterra e partes do
noroeste da costa européia afundarão no mar, e em contraste, a região afundada
dos Açores, a Ilha de Poseidon, será elevada novamente do mar”.
Assim como outros grandes profetas, Blavatisky aponta o final do milênio
(o ano 2000) como a época dos grandes acontecimentos — os últimos dias —, no
qual a humanidade degenerada será substituída por uma nova humanidade original,
espiritualista, a qual dominará a Terra, dando início à verdadeira história humana.
O segundo trecho dessa profecia sobre a Atlântida e sobre os cataclismos
que modificarão as fronteiras nacionais e o mapa do mundo, coincide com as
profecias de Edgar Cayce, inclusive a menção aos Açores e a data da destruição da
suposta Atlântida. Nostradamus também profetizou sobre o desaparecimento da
Inglaterra, como também Reine-Vetterini e o monge Aranha Negra, entre outros
160
grandes profetas. Todos são unânimes ao afirmar que “Depois da renovação da
Terra, a raça de ouro — os eleitos — herdarão o paraíso terrestre” (vide
Virgílio).
33. O reaparecimento do Cristo nas profecias da Grande Pirâmide
Para alguns céticos a Grande Pirâmide não passa de um mero sepulcro, e que a
múmia do faraó Queóps será encontrada algum dia. Para outros, porém, a Grande
Pirâmide é um cenotáfio (cenotáfio: do gr. kenos = vazio + taphos = sepulcro;
monumento funerário erigido em memória de um morto ilustre, mas que não lhe
encerra o corpo), dedicado ao Cristo, o messias salvador prometido por Deus à
humanidade. Como acredito no teor de veracidade das profecias com base em seu
cumprimento ao longo da história, fico com a segunda alternativa em relação à
Grande Pirâmide — uma profecia de pedra.
O mistério da Grande Pirâmide — com as impressionantes decobertas
relacionadas com as suas medidas internas, as quais apontam na direção de uma
profecia sobre a história da humanidade — me reporta a outros aspectos da
questão. Primeiro, que a história humana não é a mera sucessão das atividades
humanas em progresso (teoria cientificista da história) nem uma luta cruel e
incessante entre ricos e pobres pelo controle das riquezas materiais e do poder
político (teoria marxista da história). A história humana é a história providencial
da restauração da humanidade decaída; uma luta sim, mas entre Deus (bem) e
Lúcifer (mal) pelo controle do homem, pois quem controlar o homem controlará
todo o planeta. Isto significa que, embora somente agora a humanidade esteja
conhecendo este fato, Deus sempre esteve ao lado da humanidade ao longo de toda
a história, agindo para libertá-la do domínio de Lúcifer, revelando-lhe a verdade
através dos profetas, ou educando-a através dos religiosos, dos escritores, filósofos,
cientistas, artistas, esportistas, políticos e até de empresários Deusistas. Em todo
tempo e em todo lugar Deus, como o Pai de amor verdadeiro que é, sempre esteve
ao lado dos homens, Seus filhos, lutando para libertá-los do domínio do mal. E as
provas desse fato histórico estão espalhadas em toda parte em todos os países no
tempo e do espaço. E a profecia da Grande Pirâmide é, segundo penso, uma dessas
provas. Penso que os construtores da Grande Pirâmide não tinham conhecimento
do significado místico de suas medidas internas, mas Deus sim; pois era o próprio
Deus quem os inspirava e os guiava naquela construção, escrevendo através das
medidas da Grande Pirâmide a história de Sua providência da restauração e
registrando a Sua vitória final.
Assim como a história do povo judeu, a história do povo cristão (nações
centrais da providência divina), a história das religiões, a história dos grandes
líderes da filosofia, da ciência, da tecnologia, da literatura, das artes, dos esportes,
da política, da economia, e até mesmo a história dos estrategistas militares (que,
atacados pelos exércitos do mal, guerrearam em legítima defesa) — se produziram
frutos de paz e de bem — foram escritas por Deus. Mas isso não aconteceu apenas
nas grandes cidades e nações do passado e do presente, mas também em todas os
161
grupos humanos selvagens da África, da Oceania e das Américas antes da chegada
dos europeus. Os sinais da presença de Deus, de suas ações amorosas em prol da
verdade e da libertação do homem, podem ser encontradas em todas as tribos
primitivas e primevas, em seus mitos, suas tradições e seus costumes. O que
pretendo demonstrar aqui é o fato de que Deus, em momento algum e em lugar
nenhum, jamais nos abandonou. Nunca estivemos lutando sozinhos em nossas
batalhas diárias e em nossas guerras tribais, sociais, nacionais e mundiais. Deus, o
nosso Pai de amor verdadeiro, sempre esteve ao nosso lado. E se vencemos, foi
porque contamos sempre com a Sua ajuda fundamental e imprescindível. Esta
descoberta nos livra do pecado de acusar Deus de nos ter abandonado sozinhos
neste inferno em que Lúcifer, contando com a nossa ignorância e a nossa maldade,
transformou o planeta Terra. O amor de Deus por todos nós está provado por Sua
onipresença registrada nas culturas de todos os povos da história; Sua onipresença
foi registrada nas mentes e nas pedras trabalhadas pelos povos primitivos, como os
maia (as 7 profecias maia) e os egípcios (a profecia da Grande Pirâmide) e nas
mentes e ações de todos os povos de todas as épocas da história humana, como tão
bem podemos constatar na literatura universal, desde os contos e fábulas infantis
(dotados de lições espirituais, morais e éticas) como nos grandes romances como o
poema Navio Negreiro, de Castro Alves, o romance Os Irmãs Karamazov, de
Dostoievsky, ou Os Miseráveis, de Victor Hugo. Obviamente, esse estudo pode ser
ampliado e dar origem a um livro inteiro sobre a onipresença histórica de Deus na
sociedade humana, mas eu não poderei escrevê-lo. Deixo a sugestão para outro
escritor mais jovem. Este ponto de vista, obviamente, descarta quaisquer
intervenções de supostos seres extraterrestres na construção das pirâmides, como
tem afirmado o esoterismo afro-indiano.
As 3 grandes pirâmides do Egito — Apesar de receberem os nomes de três
faraós da IV dinastia — Quéfrem (irmão de Queóps), Miquerinos (filho de
Queóps), e a maior delas o próprio nome de Queóps, ou Khufu, que é seu nome
egípcio —, não se sabe ao certo quando as três famosas grandes pirâmides do Egito
foram construídas. É muito provável que a Grande Pirâmide não tenha sido
construída pelo faraó que lhe dá nome. A IV dinastia governou o Egito por volta do
ano 1450 a.C.
Ladeando as pirâmides, como se as estivessem guardando, está o
monumento da esfinge — cabeça de Quéfren e corpo de leão —, cujas origens se
perdem no tempo, conforme uma inscrição da IV dinastia (ano 1450 a.C.), à qual
Queóps teria pertencido. Esta data está mais próxima das datas registradas na
Bíblia. Todavia, alguns estudiosos esotéricos (vinculados à esfera cultural afroindiana) discordam dessa data atribuída à IV dinastia, situando o reinado do Faraó
Queóps por volta do ano 4.000 a.C. Entretanto, as evidências históricas não apóiam
essa segunda data mais antiga.
A maioria dos egiptólogos acredita que a esfinge e a Grande Pirâmide
foram erguidas na mesma época. Há pesquisadors que chegam a datar a esfinge em
até 10.000 anos de idade. Os pesquisadores esotéricos, extrapolando os fatos,
imaginaram a existência de um túnel ligando a esfinge à Grande Pirâmide, além de
162
acreditar que ambos os monumentos eram câmaras iniciáticas onde os sacerdotes
egípcios iniciavam os novos prosélitos. Para tais pesquisadores as idades das
pirâmides e da esfinge são grandes mistérios.
De outro lado, para os pesquisadores vinculados à esfera cultural judaicocristã não há mistério algum, uma vez que 200 anos de arqueologia bíblica
forçaram a ciência a ver a Bíblia como um documento histórico autêntico,
contendo registros de fatos históricos (já confirmados) existentes apenas nela. Aos
interessados, o livro ...e a Bíblia tinha Razão, do pesquisador e escritor Werner
Keller (editora Melhoramentos) é um documento científico que dissipa quaisquer
dúvidas quanto à cientificidade da Bíblia.
A profecia da Grande Pirâmide de Quéops — A profecia de pedra contida
na Grande Pirâmide de Quéops data do ano 1450 a.C. A Bíblia parece fazer
referência a esta profecia de pedra nos seguintes termos:
“Naquele dia haverá um altar do Senhor no meio da terra do Egito...
Servirá de sinal e de testemunha do Senhor dos Exércitos na terra do Egito”. (Is
19.19-20).
Esta profecia não está registrada em textos ou inscrições, mas estaria
embutidas, “escritas”, nas medidas dos aposentos internos, as câmaras e corredores
do monumento. Cada reentrância no piso, convertidas em polegadas piramidais (a
unidade de medida básica da construção do monumento), constituiria uma data
profética sem qualquer indicação textual local. Não existem inscrições nas paredes
ou nos pisos, nem em qualquer outro lugar do interior da Pirâmide. Este é um fato
estranho, pois outras pirâmides e monumentos egípcios têm suas paredes repletas
de inscrições e desenhos artísticos. Por isso, segundo os chamados piramidólogos,
a Grande Pirâmide representa, ela própria, um registro cronológico profético, sem
narração de qualquer fato ou fundamento escrito. A profecia de pedra contém em
suas paredes as épocas dos principais acontecimentos da história humana,
identificados pelos números das medidas de suas salas e corredores. Trata-se de
uma profecia inalterável porque ficou resguardada das intervenções humanas, tais
como erros de copistas, traduções tendenciosas e destruição e sumiço dos frágeis
papiros. Assim, a profecia de pedra preserva integralmente as legítimas palavras de
Deus.
As únicas referências escritas relacionadas com o significado profético da
Grande Pirâmide são algumas alegorias contidas no Livro dos Mortos, as quais,
segundo os piramidólogos (em geral, esotéricos), contém a chave do enígma da
profecia da Grande Pirâmide. Para os estudiosos, a profecia da Grande Pirâmide
difere radicalmente das profecias tradicionais, que raramente mencionam datas,
mas apenas nomes, lugares e fatos. A profecia da Grande Pirâmide seria uma
profecia narrada inteiramente através de datas.
A Grande Pirâmide: um registro da presença de Deus no Egito —
Anteriormente expusemos nossas opiniões acerca da onipresença de Deus na
história da humanidade, e afirmamos que a profecia da Grande Pirâmide fora
escrita pelo próprio Deus a fim de deixar registrada Sua presença naquele lugar e
naquele tempo, trabalhando ao lado do homem para libertá-lo. Dissemos ainda que
163
os construtores da Grande Pirâmide não tinham conhecimento do que construíam,
pois “escreviam” nas pedras — guiados por Deus — uma mensagem profética para
os homens do século XX e XXI. Eis, portanto, a razão pela qual somente no século
XX foi permitido ao homem descobrir o segredo da profecia da Grande Pirâmide.
Os arqueólogos e estudiosos das grandes pirâmides fizeram descobertas
matemáticas extraordinárias sobre elas. Uma defas foi a unidade de medida
utilizada na construção da Grande Pirâmide de Queóps, ou Khufu: o côvado
sagrado, que equivale a 0,635660 metros. Descobriu-se que multiplicando-se
0,635660mts por dez milhões obtém-se a longitude do raio terrestre do centro aos
pólos. Descobriu-se que o côvado sagrado estava perfeitamente dividido em 25
partes com 25,4264mm cada, as quais foram denominadas polegadas piramidais,
ou polegadas sagradas. O número 25,4264mm multiplicado por 100 bilhões
equivale ao comprimento da órbita terrestre em um dia de 24 horas. Muitos outros
dados matemáticos e astronômicos impressionantes, como o número grego PI =
3,1416, foram encontrados nas medidas da Grande Pirâmide. Tudo isso levou os
estudiosos a desconfiar da existência de algum significado oculto naquelas
medidas, chegando-se à idéia da profecia da Grande Pirâmide.
O calendário profético da Grande Pirâmide — Nada nos corredores e
aposentos existentes dentro do monumento sugere desordem ou acaso. Nada parece
ter sido construído ao acaso. Tudo ali sugere ordem e propósito intencional. Muitas
hipóteses foram levantadas, com base na descoberta das medidas em polegadas
piramidais, a fim de explicar a cronologia profética aparentemente presente nas
medidas dos aposentos e corredores internos da Grande Pirâmide. A hipótese mais
curiosa e mais aceita até o momento foi apresentada por George Barbarin em seu
livro O Segredo da Grande Pirâmide, onde Barbarin demonstrou com argumentos
lógicos e provas matemáticas e empíricas (pois se basearam nas medições da
própria pirâmide) a existência de um “calendário” oculto nas medidas internas do
monumento, e que aquele “calendário” se estendia por cerca de 6.000 anos,
período que, segundo a teoria da eras históricas do esoterismo, equivalia ao período
de tempo total da era adâmica; a era de Adão. Do ponto de vista histórico, 6.000
anos é o tempo da história escrita da humanidade. A linha cronológica descoberta
por Barbarin pára num ponto localizado no centro da antecâmara, onde o ano
indicado é 2001 d.C. No entanto, a linha do tempo prossegue até chocar-se com a
parede por trás do sarcófago. As datas proféticas seriam determinadas a partir das
intercessões da linha do tempo com as saliências dos recintos, tais como degraus,
paredes, etc. Barbarin chegou à conclusão de que cada polegada piramidal
representava um ano. Barbarin constatou, inclusive, a existência de uma variação
de um dia na datação. Uma curiosidade que nos reporta às diferenças de fusos
horários, aos anos bissextos e até ao dia em que Deus, atendendo a um pedido de
Josué, fez parar o sol e a lua a fim de que Josué vencesse a batalha contra os
amorreus (Josué 10.12-14).
6.000 anos de história: na Bíblia e na Pirâmide — Um detalhe do que
estudamos até aqui sobre a profecia da Grande Pirâmide deve ser retomado. Tratase do período de 6.000 anos encontrado por Barbarin no “calendário histórico”
164
oculto nas medidas internas da Grande Pirâmide, o qual sugeria um final para a
história humana por volta do ano 2001 d.C. Essa data — ou 1999, uma data
aproximada — coincide com a data indicada por vários outros grandes profetas e
também pela Bíblia (com base nos fenômenos dos últimos dias, já ocorridos) como
sendo o ano do início do fim, quando a Grande Tribulação se intensificaria e
ocorreria o reaparecimento do novo Cristo.
A Bíblia nos diz que Deus criou o universo em 6 dias e que 1 dia para Deus
é como 1.000 anos, indicando a relatividade do tempo para Deus. A historiografia
afirma que a história escrita da humanidade tem aproximadamente 6.000 anos.
Com base nessas datas, os cristãos unificacionistas afirmam que os 6 dias bíblicos
conrrespondem às 6 eras geológicas descobertas pela ciência. Dizem ainda que
Deus criou o universo através do número 6 e que, depois da tragédia da Queda do
homem (a ruptura original) — está recriando-o segundo o mesmo princípio, através
também do número 6. E Deus revelou este segredo aos grandes profetas da Bíblia e
da humanidade. Eis por que a Bíblia registrou o número 6, Nostradamus indicou o
ano de 1999 (6.000 anos fechados), a ciência histórica confirmou o período de
6.000 anos como a idade da história escrita da humanidade e até a Grande Pirâmide
traz registrou o período de tempo relacionado com o número 6.
Esse número, esse período de 6.000 anos registrado na profecia da Grande
Pirâmide como sendo o ano do início do fim da história de maldade, do ponto de
vista cristão, confere certa credibilidade à profecia da Grande Pirâmide. E isto faz
dela um grande mistério revelado. Evidentemente, seus construtores sequer
desconfiaram que, enquanto a construíam, uma mão invisível escrevia através das
medidas da própria costrução uma profecia sobre o futuro da humanidade. Um
segredo que ficou guardado durante quase 6.000, mas agora descoberto/revelado
aos homens do século XX a fim de que entendam que, mesmo expulso do convívio
humano, Deus tem estado continuamente atuando para libertá-lo do domínio
injusto do arcanjo Lúcifer, e está guiando a história da humanidade em direção à
paz, à verdade e ao bem absoluto, construindo o Seu Reino do bem na Terra.
O Livro dos Mortos e a profecia da Grande Pirâmide — O Livro dos
Mortos contém a única referência escrita aparentemente relacionada à profecia da
Grande Pirâmide, registrando que os pequenos corredores simétricos, antes da
antecâmara e depois dela, é o “hall do julgamento das nações”, identificado pelos
estudiosos como o período do caos. O Livro dos Mortos afirma ainda que este é o
“segundo véu; o véu da tribulação e da humildade, a humilhação final”.
Alguns intérpretes vêem neste trecho do Livro dos Mortos a predição da II
Guerra Mundial (o segundo véu). Outros, porém, observaram que devido à
localização da marca, a profecia se refere de fato à segunda etapa (segundo véu) da
III Guerra Mundial, e que a saleta que antecede o Hall do Julgamento das Nações
representa o período de paz instável que antecede a III Guerra Mundial atômica
propriamente dita. 15
15
A Guerra atômica — Contra essa sombria perspectiva, os cristãos unificacionistas dizem que o
Rev. Moon, o novo Cristo oriental, atuando junto aos presidentes Ronald Reagan e Mikhail
165
Segundo a perspectiva esotérica, a profecia da Grande Pirâmide abrange
três grandes Eras Cíclicas Solares. Os 2144 anos a.C. representam a era anterior à
era cristã, chamada Era de Peixes pelo esoterismo. Assim, estaríamos vivendo num
período de transição entre o final de uma Era e o início de outra, já denominada Era
Gorbatchev abortou a III Guerra Mundial atômica, aproximando e harmonizando os Estados Unidos e
a ex-União Soviética. E toda a história dessa façanha está registrada no Livro O Messias (Vols. I e II)
publicado nos Estados Unidos pelo Dr. Bo Hi Pak, uma das testemunhas oculares dessa história.
Ainda sobre as três Guerras Mundias o profeta irlandês Conde Louis Hamon (1866-1936), o Cheiro
(pronuncia-se Quiro, de quiromancia), profetizou em l912: “Haverá três guerras mundiais. A
primeira durará quatro anos, a segunda cinco anos e a terceira cinco meses. A primeira trará a
fome, a segunda trará o ódio, a terceira os venenos”. A I Guerra Mundial começou em 1914 e
terminou em 1918. Durou 4 anos. Ocorreu junto com a revolução comunista na Rússia, e o crash da
bolsa de valores nos Estados Unidos, eventos que trouxeram muita fome. A II Guerra Mundial durou
aproximadamente 5 anos (5 anos e 8 meses). Com ela veio o ódio nazista de Hitler pelos aliados que
derrotaram a Alemanha e a humilharam no Tratado de Versailhes. Estatísticas modestas falam em 6
milhões de judeus assassinados e 12 milhões de homossexuais e ciganos. Ao todo a II Guerra
Mundial provocou a morte e a mutilação de cerca de 50 milhões de pessoas. Ainda hoje o ódio e o
ressentimento estão presente na Alemanha, onde neonazistas como o austríaco Haider são aplaudidos
e ouvidos como se o holocausto nunca tivesse acontecido. É o “ódio envelhecido” mencionado por
Nostradamus.
Quanto à III Guerra Mundial, penso que ela já ocorreu: Foi a Guerra do Golfo Pérsico,
envolvendo o Iraque (antiga mesopotâmia; antiga região do primeiro Éden citado na Bíblia, entre os
rios Tigre e Eufrates) e Saddan Hussein (tirano autodeclarado descendente de Nabucodonosor, rei da
Babilônia, o opressor dos antigos judeus). Saddan declarou que seu objetivo era “restaurar a glória da
antiga Babilônia” e construiu diversos palácios com o estilo arquitetônico babilônico. A Guerra do
Golfo durou aroximadamente 5 meses (40 dias de ataques aéreos e 100 dias de ataques terrestres = 5
meses aproximadamente) e Saddan Hussein massacrou centenas de milhares de curdos, utilizando
armas químicas (“trará os venenos”, disse a profecia do Conde Hamon).
Alguns estudiosos sugerem que a III Guerra Mundial dar-se-á em três etapas separadas por
2 prelúdios. O primeiro prelúdio foi o período após a Crise dos Mísseis — a Guerra fria —, que se
estendeu de1962 a 1987, ano da queda do comunismo; o segundo prelúdio começou em 1987. É o
período de relativa paz que estamos vivendo hoje, após a Guerra do Golfo, que pode ter representado
a segunda etapa da III Guerra. Todavia, penso que o dia 11 de setembro de 2001 pode ter marcado o
fim desse período de relativa paz, pois deflagrou a guerra mundial entre o terrorismo apocalíptico e as
nações democráticas cristãs (mundo islâmico/Ismael versus mundo judaico-cristão/Isaque; uma
guerra entre os descendentes dos dois filhos de Abraão). Como se sabe, muitas armas nucleares da exUnião Soviética foram roubadas e vendidas no mercado negro (provavelmente, para os terroristas) e
muitos físicos nucleares russos foram convidados a trabalhar no Oriente Médio, incluindo o Iran, o
Iraque, a Líbia, entre outros. Paralelamente, a Índia e o Paquistão intensificaram suas pesquisas
nucleares. Na Ásia, a China, tradicional aliada da Coréia do Norte comunista, possui um gigantesco
arsenal nuclear. E até a Coréia do Norte comunista tem intensificado suas pesquisas nucleares.
Quantas bombas nucleares existem no mundo hoje? Ninguém sabe. Mas para se ter uma idéia
aproximada saiba-se que apenas os Estados Unidos fabricaram l.800 bombas nucleares, mas
utilizaram apenas 25 em testes e duas em Hiroshima e Nagasaki. Assim, o mundo continua sob a
assustadora ameaça de um terrível arsenal de bombas nucleares prontas para serem usadas. A guerra
entre o terrorismo árabe e cristianismo democrático é uma guerra mística entre Ismael e Isaque (os 2
fihos de Abraão) e já deflagrou uma guerra mundial, a qual pode se transformar em uma guerra
armada — e até atômica — de proporções apocalípticas, a temível batalha bíblica do Armagedom que
fará chover fogo dos céus e matará bilhões de pessoas de todo o mundo.
166
de Aquário. Mais que isso: a humanidade estaria no fim de um ciclo evolucionário
da grande era Adâmica — iniciada há 6.000 anos. Isso explicaria o porquê do
aumento do interesse da humanidade pelo misticismo nos tempos atuais. Essa
visão, contudo, está baseada na teoria esotérica das eras históricas, a qual dividiu a
história humana em cinco eras, chamadas etapas do desenvolvimento da
consciência humana.
A teoria esotérica das eras históricas — Segundo minhas pesquisas, o
esoterismo e o Movimento Nova Era são eventos resultantes da lei do falso que
precede o verdadeiro, uma lei da história providencial segundo a qual Caim nasce
e aje primeiro do que Abel como um direito concedido ao arcanjo Lúcifer pelo
próprio homem, ao obedecer e relacionar-se primeiro com Lúcifer do que com o
Deus verdadeiro. Esta lei pode ser provada pelo fato de o esoterismo e o
Movimento Nova Era se fundamentarem na esfera cultural afro-indiana, que nega a
Queda do homem (o desligamento homem-Deus) e a necessidade de religamento (o
sentido da religião = religare). O esoterismo e o Movimento Nova Era emergiram
no século XX como a nova “religião universal”, anunciando o advento do avatar da
era de Aquário (um líder de origem afro-indiana; não o Cristo oriental de origem
judaico-cristã), e se expandindo pelo mundo, conquistando bilhões de mentes e
corações. Sendo assim, segundo os cristãos unificacionistas, o esoterismo e o
Movimento Nova Era são as versões tipo Caim (teoria e prática) do Deusismo e do
Mocimento da Unificação (teoria e prática), a cosmovisão tipo Abel judaico-cristã
nascida com o Rev. Moon. Desse modo, o esoterismo como uma cosmovisão
(assim como o marxismo ou o freudismo) representa uma teoria completa acerca de
Deus, das origens do universo, do homem e da sociedade, bem como uma teoria da
história passada e futura. Penso que o esoterismo espiritualista (fundamentado na
magia afro-indiana) é quase a versão mística do marxismo materialista
(fundamentado no ateísmo e no ocultismo. Veja o meu livro A Natureza Mística do
Marxismo). Pois bem; foi no contexto da teoria esotérica da história que apareceu a
teoria das cinco eras históricas.
Alice Bailey, em seu livro O Reaparecimento do Cristo, apresentou a
hipótese esotérica das eras históricas nos seguintes termos:
“Cada era deixou o reflexo de um quíntuplo desenvolvimento moderno.
Falando astronomicamente, quatro eras já são passadas: Geminis, Taurus, Áries e
Piscis. Atualmente, Aquário, a quinta era, está entrando em poder”.
Bailey diz que cada era teve seu próprio avatar (repetimos: um guru afroindiano, não o salvador oriental de origem judaico-cristã) e produziu um resultado:
“Geminis (Gêmeos) trouxe Joachim e Boaz, os dois pilares da
fraternidade maçônica há 2.000 anos; Taurus (Touro) trouxe Mithra, como
instrutor do mundo; Áries (Carneiro) trouxe Buda, Shri Krishna e Sankaracharya,
e viu o começo da dispensação judaica, importante para os judeus e cristãos, mas
sem significado para o restante da humanidade (ora, o cristianismo é mundial e
inter-racial); Piscis (Peixes) trará o reaparecimento de Jesus Cristo (o próprio
Jesus; não o nascimento de um novo Cristo, o III Adão), e com ele uma
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consciência coletiva mais definidade e espiritualizada do que a existente nas eras
anteriores”.
(Apud O Reaparecimento do Cristo. Página 101).
Do ponto de vista judaico-cristão a teoria esotérica das cinco eras não
possui fundamentos históricos; isto é, não passa de uma explicação sem bases
concretas na realidade histórica. Trata-se tão somente da utilização de alguns
personagens e fatos da história com o propósito de dar sustentação histórica a uma
explicação imaginária. Por exemplo: os comunistas utilizaram-se do nome, de
algumas ações de Jesus e de algumas caracterísrticas do cristianismo primitivo para
inventar a hipótese do Jesus comunista e identificar o ideal cristão com o ideal
comunista, forjando toda a pseudoteologia da libertação da Igreja Popular com a
qual pretendiam dividir e destruir a Igreja Católica. Obviamente, porque o
comunismo era ateu e pregava a violência sanguinária, os “teólogos” comunistas
deixaram de lado a fé em Deus e o amor aos inimigos; precisamente os dois
elementos característicos e mais fundamentais do cristianismo. Do mesmo modo
agiram os esotéricos, utilizando os nomes de Buda, de Jesus e de outros
personagens reais, bem como as mudanças históricas que provocaram na Terra para
dar fundamentação histórica às suas hipóteses mítico-místicas, entre as quais a
hipótese das cinco eras. Assim, se a presença de Jesus deu origem à civilização
cristã ocidental, elevando o nível de consciência humana em direção à paz e ao
amor universal, isto significa que Jesus não era humano, mas um ET oriundo de
uma civilização extragalática superior. Ora, tal “explicação” não é uma teoria
verdadeira, embora seja uma explicação. Na verdade, tais explicações são frutos de
uma mente inspirada pela mitológica cultura afro-indiana, a qual, assim como na
mitologia grega, inventou e cultua cerca de 500 deuses.
Assim, podemos dizer que a hipótese esotérica das cinco eras cíclicas
solares é mais um fruto do explicacionismo freudiano — o “método” de pesquisa
de Freud —, que inventou uma explicação para cada coisa independentemente de
esta explicação possuir ou não bases na realidade. Freud inventou uma explicação
para tudo o que vinha à sua mente, até para o desejo sexual que sentia pela própria
mãe (o complexo de Édipo, extraído da mitologia grega). Felizmente, assim como
o marxismo, o freudismo também já foi superado. O famoso “Freud explica”, na
verdade, “explicou” tudo, mas suas “explicações” não se transformaram em teorias
verdadeiras. Por isso, o freudismo hoje é considerado não-científico e está sendo
criticado e abandonado mundialmente.
Segundo a teoria Deusista da história, dos cristãos unificacionistas (que
parece possuir boa fundamentação histórica e bíblica), a história humana está
dividida em apenas 3 eras: era adâmica (centralizada em Abel, filho de Adão =
Idade do pré-Testamento), era judaica (centralizada em Abraão, patriarca do povo
judeu = Idade do Velho Testamento) e era cristã (centralizada em Jesus, o II Adão
e primeiro Cristo = Idade do Novo Testamento). Cada era está centralizada em um
personagem histórico porque Deus trabalha centralizado sempre em uma figura
central. Para os cristãos unificacionistas, a história atual teve início de uma forma
168
antinatural (a ruptura original) com a geração de seres humanos híbridos, fruto do
relacionamento sexual entre Eva, a primeira mulher, e Lúcifer, um anjo, um ser de
outra espécie. Assim, a história transcorrida até agora é a história escrita por seres
híbridos, descendentes do cruzamento de seres humanos com anjos (Jo 8.44), seres
de natureza dúbia, conflitada e contraditória; uma história de fé e ateísmo, verdade
e mentira, guerra e paz, bem e mal. Portanto, a verdadeira história humana — feita
por seres humanos originais — ainda não começou; começará quando o novo
Cristo, como III Adão (Jesus foi o II Adão) encontrar a III Eva e ambos forem
abençoados por Deus em matrimônio, formando a primeira verdadeira família
humana original, a qual gerará filhos puramente humanos (homens de amor,
verdade, paz e bem, exclusivamente). Aí começa a verdadeira história humana.
Como para os cristãos unificacionistas tudo isso já aconteceu — o novo Cristo, o
III Adão, é o Rev. Moon; e a sua esposa, a Srª Hak Ja Han, é a III Eva —, a
verdadeira história humana já começou. Por isso, a história transcorrida até aqui foi
dividida em duas grandes etapas, ou eras: a era antes da vinda do céu (aVC), a
pré-história humana vivida até agora, e a era depois da vinda do céu (dVC), a
verdadeira história humana, iniciada pelos novos Adão e Eva: os Verdadeiros Pais
— o novo Cristo e sua esposa. Desse modo, a teoria esotérica da história, que
dividiu a história humana em duas partes, mais uma vez, representa um fruto da lei
do falso que precede o verdadeiro.
34. O reaparecimento do Cristo e o Reino de Deus na Terra
nas profecias Maia (civilização pré-colombiana)
Inicialmente, precisamos fazer justiça ao antigo povo Tolteca, um povo místico e
pacífico que habitava a América central antes dos maias, dos astecas e dos incas, os
quais, após invadir a região, usurparam o lado bom da cultura tolteca, inclusive o
famoso Calendário Maia, sua “religião” pacífica e, provavelmente, também suas
profecias. Como se sabe, os maias, os astecas e os incas praticavam rituais cruéis,
com sacrifícios humanos, alimentos feitos com sangue de crianças e cultos a deuses
míticos e maus (cultuavam maus espíritos, assim como o umbandismo — magia de
origem africana — que cultua espíritos de prostitutas [Pomba Gira], alcoólatras [Zé
Pilintra)], índios cruéis (Caboclo 7 Flechas) e escravos ignorantes (Preto Velho),
mesclando-os com os nomes de Deus e de Jesus a fim de conferir-lhes
credibilidade).
Assim como a profecia da Grande Pirâmide de Quéops, as profecias dos
maias, um dos três povos pré-colombianos da América Central (maias, incas e
astecas) são uma mensagem constituída por 7 profecias escritas também em pedra.
Uma parte das profecias fornece um alerta sobre os eventos que ocorrerão em
nossos dias, e outra parte traz uma mensagem de esperança e propostas sobre as
mudanças que a humanidade precisa realizar a fim de ascender para uma nova era,
a era da mulher, ou da mãe, uma era de harmonia, amor e sensibilidade.
Na verdade, a maioria dos grandes profetas da humanidade também
afirmaram a necesidade urgente de a humanidade ultrapassar o materialismo e a
169
violência e entrar numa nova era de paz e maior sensibilidade. E dizem mais: que a
humanidade está sendo como que “empurrrada” nessa direção e, quer o homem
queria ou não, a paz triunfará na Terra. Todavia, a vontade de Deus é o
arrependimento e a mudança de conduta. Porém, se não houver arrependimento e
lágrimas, haverá suor e sangue. E toda a responsdabilidade é do homem.
A profecia maia menciona o Grande Cometa que provocará cataclismos em
todo o globo terrestre, e também fala sobre “a pedra do céu” que descerá do
espaço e marcará o início da era da paz:
“Não haverá mais tempo para aprender neste planeta. (...). Só o
conhecimento profundo pode te tirar do caos onde te mesteste. O planeta Terra,
tua casa por milênios, cansou de tuas fraquezas e de tuas promessas. Agora, o
tempo é zero. Não haverá mais condescendência para contigo. (...) Esgotaste teu
tempo sobre a Terra. Só os eleitos viverão a plenitude da nova idade de paz e
fraternidade universal. (...) A raça humana terá de buscar o caminho da
espiritualidade na Terra e no céu; só assim conseguirá vislumbrar a luminosidade
do Grande Espírito”.
Novamente, esta “pedra do céu” pode não ser uma referência ao um
cometa, mas ao novo Cristo, que é simbolizado na Bíblia por uma pedra branca
(ICo 10.4; Apoc 2.17), ou um alimento (pão, vinho, água, etc) espiritual que desce
do céu.
Bilhões de pessoas em todo o mundo já perceberam que estamos vivendo
em tempos apocalípticos de inquietação, guerras, dores, medo e grandes tragédias
naturais e sociais. E também se conscientizaram de que quase todos os problemas
humanos atuais são provocados por nós mesmos. Reconhecendo esse fato no
passado, o filósofo Arthur Schopenhauer (1788-1860) escreveu: “Se num dos
pratos de uma balança se pusesse toda a angústia do mundo, e no outro, toda a
culpabilidade humana, por certo o fiel da balança permaneceria em repouso”.
Não há dúvidas quanto ao fato de que a totalidade dos problemas ecológicos atuais
foi gerada por nós mesmos; pela ciência materialista e pela tecnologia antinatural e
invasiva atual. O problema ecológico está no próprio homem. Diante de tantos
problemas — presentes em todos os países do mundo — a humanidade está em
busca de respostas verdadeiras e soluções eficazes. Todos os governos e todos os
povos do mundo já começaram a perceber que os grandes problemas e as grandes
tragédias do mundo atual não são “normais”. Algo muito sério está acontecendo
(para eles, o efeito-estufa) e algo ainda pior está por acontecer. Nesse sentido, os
grandes profetas da Bíblia e da humanidade nos trouxeram importantes
contribuições sob a forma de orientações do céu. E todas essas orientações nos
admoestam a voltar à prática dos valores espirituais e morais universais: a fé em
Deus, a humildade, a pureza, a honestidade, a bondade universal, etc. Os grandes
profetas da Bíblia e da humanidade nos alertaram para os fenômenos dos últimos
dias, avisando que quando todos os fenômenos catastróficos já tiverem acontecido
terá chegado a época dos últimos dias da história de mentira e da maldade — os
tempos apocalípticos.
170
Surpreendentemente, os maias parecem ter tido o conhecimento de que
todos esses problemas iriam acontecer. Todavia, é justo lembrar que, se os mais
atacaram os toltecas e usurparam tudo deles, poderiam ter usurpado também estas
profecias. Seja como for, todas as profecias verdadeiras procedem de Deus e têm a
finalidade de auxiliar o homem atual de alguma maneira. As 7 profecias maia são
um alerta e uma contribuição para que a humanidade conheça seu futuro e ascenda
para um nível superior de harmonia e felicidade. As 7 profecias maias falam de
suas visões do futuro e do nosso tempo presente e, segundo alguns estudiosos, elas
parecem estar baseadas nos conhecimentos científicos e religiosos atuais sobre o
funcionamento do próprio universo. Estudemos as 7 profecias mais a fim de
ratificarmos ou refutarmos essa proposição.
A I profecia Maia — A primeira profecia maia prevê o final do medo.
Nosso mundo de ódio e materialismo acabará no sábado, 22 de dezembro do ano
2012.
Esta data — o ano de 2012 —, ou uma data aproximada, aparece em outras
profecias, sempre indicada como a época da grande mudança intelectual e
emocional da humanidade a qual prenuncia o reaparecimento público do novo
Cristo e o início do estabelecimento do Reino de Deus na Terra. Considerando que
os maias era um povo de mentalidade primitiva é surpreendente que tenha chegada
a essa data tão próxima das datas profetizadas pelos grandes profetas da
humanidade.
A II profecia maia — A segunda profecia maia anunciou que o
comportamento de toda a humanidade mudaria rapidamente a partir do eclipse
solar de 11 de agosto de 1999. Os maias afirmaram que a partir desse eclipse os
homens passariam a perder facilmente o controle de suas emoções ou fortaleceriam
sua paz interior e sua tolerância evitando os conflitos.
O eclipse solar de 11 de agosto de 1999 já ocorreu e as mudanças ocorridas
na mentalidade humana nunca foram tão profundas e tão rápidas. Nunca a
humanidade esteve tão dividida entre a paz e a violência. Em pleno século XXI
uma boa parcela da humanidade ainda conserva o espírito materialista e guerreiro
da antiguidade (vejam o terrorismo e as altas taxas de violência, imoralidade
sexual, desonestidade e descrença atuais). De outro lado, nunca se falou e se agiu
tanto em prol da paz mundial. Novamente, os maias — ou os toltecas — previram
estes fatos com assombrosa precisão.
A III profecia maia — A terceira profecia maia prediz que uma onda de
calor aumentará a temperatura do planeta, produzindo mudanças climáticas,
geológicas e sociais em uma magnitude sem precedente na história e a uma
velocidade assombrosa.
Quando a tais fenômenos não há muito a acrescentar. Os cientistas têm
alertado os governos do mundo para o aumento crescente da temperatura gobal,
atribuindo ao chamado efeito-estufa — a produção e o acúmulo excessivo de gases
industriais e automotivos —, o perigoso aumento da temperatura global. O
desequilíbrio climático ocasionado pelo efeito-estufa estaria provocando o degelo
das calotas polares, as enchentes, os imensos furacões e outros fenômenos
171
catastróficos naturais. E os governos já tomaram muitas providências para deter o
efeito-estufa.
De outro lado, um outro grupo de cientistas e ecologistas tem contestado a
afirmação de que as grandes catástrofes naturais sejam provocados unicamente
pelo efeito-estufa, mas sem apresentar uma outra causa para os mesmos. Todavia,
os maias profetizaram que ocorreriam mudanças no sol e estas provocariam o
aumento de vento solar e radiação, aumentando a temperatura do planeta e
desequilibrando o clima terrestre. Outras profecias previram um deslocamento do
eixo de rotação da Terra o qual ocasionaria o aumento da temperatura global e,
conseqüentemente, os fenômenos catastróficos atuais. Edgar Cayce (1877-1945)
foi um dos que previram o deslocamento do eixo de rotação terrestre, afirmando:
“A temperatura da Terra mudará de forma repentina, porque será modificada a
inclinação do eixo do planeta”. No final do ano de 2004, o mundo assistiu
perplexo à grande catástrofe provocada por um terremoto o qual ocasionou as
gigantescas ondas tsunamis que invadiram doze países dos continentes asiático e
africano, matando maisnde 250 mil pessoas. Na época, os cientistas constaram que
o terremoto na Ásia havia provocado uma diminuição de 2,68 microssegundos na
velocidade de rotação da Terra e um deslocamento de 0,6% na inclinação do eixo
terrestre. Se essas medições geológicoas e meteorólicas forem reais os mais e os
grandes profetas acertaram mais uma vez.
A IV profecia maia — A quarta profecia maia prediz que o aumento de
temperatura agravado pela conduta anti-ecológica do homem e uma maior
atividade solar provocarão o degelo das calotas polares. Paralelamente, o aumenta
dos níveis de atividade solar acima do normal ocasionará uma maior produção de
vento solar, mais erupções solares a partir da coroa solar, aumento da radiação e
aumento da temperatura do planeta.
Essa quarta profecia reafirma a ocorrência dos fenômenos climáticos
catastróficos causados pelo aumento de temperatura, agora, provocados e
agravados pela ação ignorante e irresponsável do homem.
A V profecia maia — A quinta profecia maia prediz que os sistemas
sociais baseados no medo, sobre os quais está fundamentada nossa civilização
atual, se transformarão simultaneamente junto com o planeta e o homem, dando
vez a uma nova realidade social de paz e harmonia.
Esta profecia trata de um período posterior à Grande Tribulação, quando a
mentalidade humana, já parcialmente transformada, começará a se conscientizar,
passando a agir no sentido de salvaguardar a espécie, repensando todas as suas
idéias e ações a fim de construir um novo pensamento sobre o qual se erguerá a
nova sociedade familista e pacífica do futuro.
A VI profecia maia — A sexta profecia maia prediz que nos próximos
anos aparecerá um cometa cuja trajetória porá em perigo a existência da espécie
humana.
A possível colisão de um cometa com a Terra também foi profetizada por
outros grandes profetas, inclusive João, no Apocalipse. Como se sabe, milhões de
asteróides circulam pelo sistema solar e milhões deles caíram no passado e caem
172
no presente sobre a Terra, porém, sem maiores perigos. O cinturão de Kuipper
oferece uma primeira rede de proteção, a qual é complementada pela própria
atmosfera terrestre que desintegra ou reduz as dimensões da maioria dos asteróides
que chegam à Terra. Desde a colisão do cometa Shoemaker-Levy com o planeta
Vênus, a astronomia despertou para o perigo real de um asteróide entrar em rota de
colisão com a Terra. Alguns supõem que um gigantesco asteróide colidiu com a
Terra há 65 milhões de anos, extinguindo os dinossauros, e que algo semelhante
poderia ocorrer com a espécie humana. O governo norte-americano ouvido os
alertas da NASA e liberado verbas para pesquisas que possam defender a Terra em
caso de uma eventual ameaça de colisão com um asteróide. Recentemente, a
NASA realizou a proeza de atingir um asteróide no espaço com uma sonda,
revelando o elevado grau da tecnologia já alcançada por essa pesquisa. Assim,
mesmo que a maioria dos cientistas se declare ateus ou céticos quanto às profecias
místicas, os fatos constatados pela própria ciência — a futurologia — confirmaram
a possibilidade real do cumprimento dessa profecia.
A VII profecia maia — A sétima profecia maia prediz um momento em
que o sistema solar em seu giro cíclico sai da noite para entrar no amanhecer da
galáxia, e que nos 13 anos que vão de 1999 a 2012 a luz emitida pelo centro da
galáxia sincronizará todos os seres vivos, possibilitando uma transformação interior
voluntária a qual produzirá novas realidades sociais.
Sendo um povo de mentalidade mítica, os maia eram animistas-vitalistas,
concebendo o universo e o planeta como seres inteiramente vivos e integrados
entre si. Desse modo, entenderam que as mudanças positivas que ocorreria com o
planeta e a humanidade seriam provocados unicamente por fatores mesológicos,
físicos, acreditando que as grandes mudanças de mentalidade que alterariam
radicalmente a mentalidade e a conduta humana seriam provocadas por “uma luz
emitida pelo centro da galáxia”. Na verdade, de um ponto de vista cristão e
messiânico, tão profundas e amplas mudanças espirituais, morais e sociais somente
podem ser provocadas por novas idéias, uma vez que novas idéias geram novos
sentimentos e novos comportamentos. Portanto, as grandes mudanças intelectuais e
emocionais que transformarão o pensamento e a conduta humana em direção ao
bem e à paz mundial serão provocadas, na verdade, por Deus, o Pai e Criador do
universo e do homem, através do novo Cristo prometido à humanidade. O novo
Cristo trará as novas idéias verdadeiras que penetrarão fundo no coração humano,
provocando as grandes mudanças imprescindíveis à construção do novo mundo
familista e pacífico.
De todo modo, é deveras surpreendente que os maias tenham previsto com
séculos de antecedência fatos e fenômenos climáticos ocorridos em nosso tempo, e
outros que ainda poderão ocorrer. O grau de acerto das profecias maia os nivela
com outros grandes profetas do passado, atraindo credibilidade para as suas
notáveis profecias.
As profecias maia hoje — Pesquisando na internet sobre as profecias maia
encontrei diversos textos e sites bastante interessantes. O texto que transcrevo
abaixo foi encontrado na internet. Seus autores dizem que o texto foi “recebido”
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diretamente do mundo espiritual por um grupo de espiritualistas espanhol chamado
GOF34, durante uma reunião corrida em Madri, no sábado, dia 4 de maio de 2002.
O texto, traduzido do espanhol, revisita as profecias maia como que seguindo as
etapas de seu cumprimento ano a ano, de 2002 até 2012, o último ano da história de
maldade do homem, segundo as profecias maia. Eis a íntegra do texto.
2002 — Ano de preparação. Ano de transição.
2003 — Aumenta o número de pessoas que não toleram as novas e mais intensas
energias. Muitas pessoas ficarão enfermas de doenças que a ciência não conhece.
Aumenta a freqüência de emissão da luz do sol.
2004 — Produzem-se mudanças repentinas nas pessoas quanto à maneira de pensar
e de ver as coisas. Potencializa-se o positivo e o negativo. Tombam os alicerces da
Igreja Católica.
2005 — Aparece no céu um novo planeta (Em 2005 a astronomia realmente
anunciou a descoberta de um 10º planeta no sistema solar). Isto produz mudanças
eletromagnéticas e gravitacionais na Terra. O sistema bancário começa a entrar em
colapso. A humanidade começa a dar um outro sentido ao dinheiro. Também
aumenta a atividade do pólo negativo e se produz um grande caos em todos os
níveis.
2006 — Existem dois tipos de humanidade bem diferenciados: a Luz e a Escuridão
em franca luta. O novo planeta se instala na órbita entre Marte e Júpiter. Grande
caos a nível mundial. Quem não tem terra, não comerá. Valorizam-se mais coisas
como o companheirismo, a amizade, o amor, o desapego, a compaixão e o
altruísmo. Muitos movimentos sísmicos e vulcânicos ocorrerão. O eixo polar da
Terra muda de posição. O mar inunda as zonas costeiras. Produz-se um grande
despertar espiritual da humanidade. Forças da Escuridão convertem-se para a Luz.
As catástrofes planetárias unem e põem em harmonia as nações do mundo.
2007 — Muitas fronteiras desaparecem. Começa a nascer o sentimento de unidade
entre toda a humanidade. Os povos se ajudam mutuamente. Os Irmãos Maiores
(oriundos do mundo espiritual) vêm coabitar e viver com a humanidade. Aparece a
cultura oculta durante tantos anos (segundo os cristãos unificacionistas, a cultura
Deusista trazida pelo novo Cristo, e que foi ignorada pela mídia [ficou oculta]
durante 60 anos). A humanidade colabora com os Irmãos Maiores. Formam-se
comunidades harmônicas entre os seres humanos e os seres de outros planetas.
Obviamente, estes seres de outros planetas não são ETs e exoplanetas físicos, mas
uma referência aos seres do mundo espiritual, que é habitado por seres humanos
espirituais — seres extrafísicos, habitantes das “terras” (ou mundos) espirituais.
2008 — Aqueles que conseguem tolerar a freqüência da luz do sol e a vibração da
Terra a 13 ciclos por segundo, permanecerão vivos; os que não conseguirem,
desencarnarão. As forças involucionistas (as forças do mal) perdem a batalha
definitivamente. O 10º planeta recém descoberto (ou recém criado?) influencia e
realiza os ajustes orbitais na Terra e muda a geografia tal com a conhecemos hoje.
As forças involucionistas (as forças do mal) que não desejam trabalhar com a Luz
174
(Deus e o novo Cristo) serão transportadas para o novo planeta (na verdade, serão
enviados para o mundo espiritual). É feita a limpeza total da Terra.
2009 — Ano da estabilização das mudanças. A humanidade tem que seguir se
adaptando à nova vibração com uma alimentação sadia. Ativam-se e
potencializam-se as percepções ultra-sensoriais (comunicação entre o mundo físico
e o mundo espiritual. O ateísmo chega ao fim. Entram em atividade as espirais de
DNA que estavam adormecidas no corpo humano. A humanidade se torna
vegetariana (visão da esfera cultural afro-indiana. Do ponto de vista bíblico,
alguns animais foram criados para servir de alimento para os seres humanos. A
ciência já provou que o corpo humano necessita dos três tipos básicos de nutrientes
da natureza: glicídios, lipídios e protídios (as proteínas da carne animal).
2010 — Os reinos animal, vegetal e mineral se harmonizam, desaparecendo da
Terra espécies que não são mais necessárias (Do ponto de vista ecológico
científico, o conceito de espécies desnecessárias é absurdo, pois todas as espécies
exercem uma função simbiótica em seus nichos ecológicos e na natureza como um
todo. Trata-se, mais uma vez, de um equívoco decorrente da perspectiva afroindiana do mundo). Chegam mais Irmãos Maiores (pessoas de elevado nível
espiritual oriundas do mundo espiritual) para conviver com a humanidade, e
ensinam verdades que não conseguimos sequer imaginar até agora.
2011 — A humanidade é agora uma. Tem consciência da existência das
civilizações cósmicas (trilhões de seres humanos espirituais que vivem no infinito e
eterno mundo espiritual). A humanidade se prepara para a unificação cósmica entre
o mundo físico e o mundo espiritual (os esotéricos falam de uma integração
Intergaláctica, confundindo a unificação entre o mundo físico e o mundo espiritual
— rompida com a Queda — com uma integração entre exoplanetas de outras
galáxias). A humanidade segue ampliando o trabalho de aprendizagem.
2012 — A humanidade é feliz. A humanidade é harmônica. A humanidade tem
consciência de tudo o que é. Inicia-se uma grande Festa Cósmica. A Terra nomeia
seus representantes para a Confederação Intergaláctica (uma vez que o Deus
bíblico é um ser de lei, ordem e princípio, é provável que o novo Cristo estabeleça
algum tipo de ordem hierárquica cósmica liderada em conjunto por pessoas do
mundo espiritual e da Terra), e exporta amor para todo o cosmo. Inicia-se uma
nova era e a Terra passa a ajudar na evolução (na educação, na verdade) de outras
humanidades da terceira dimensão (as pessoas do mundo espiritual).
Uma observação: o Rev. Moon — o verdadeiro cristo, segundo os cristãos
unificacionistas — anunciou em 2004 que o ano de 2012 (no máximo, 2014 =
2012+2013+2014) marcará o fim da Providência da Restauração da humanidade.
Este breve resumo das profecias maia relacionadas com os eventos do
mundo presente e futuro, obviamente, foi enviado do mundo espiritual por algum
religioso kardecista (como se pôde notar por algumas idéias constantes do corpo da
mensagem). Por esse motivo incluí no texto, entre parêntesis, a visão judaicocristã, uma vez que esta se opõe parcialmente à visão afro-indiana, um dos
fundamentos do kardecismo. Como se sabe, a visão afro-indiana se opõe à visão
judaico-cristã, propondo uma visão naturalista e evolucionista baseada nos
175
avatares, grandes pensadores e místicos que surgem ao longo da história para
elevar o nível espiritual, intelectual e moral da humanidade até a perfeição. Ocorre,
porém, que em termos de idéias religiosas, filosóficas e científicas (tecnológicas) a
humanidade já quase atingiu o ápice. Não obstante, a conduta ateísta, materialista,
imoral e criminosa da humanidade ainda está presente, e se agravando. Portanto, o
mal é um elemento da natureza humana que não pode ser extirpado por idéias, mas
por uma força espiritual especial; e esta é o novo Cristo, que representa a força
espiritual de Deus e do bem agindo na Terra. Como só existe uma verdade (uma
afirmação verdadeira para cada coisa), o tempo indicará a perspectiva verdadeira.
35. O reaparecimento do cristo nas profecias do Islamismo
O islamismo é um ramo religioso — monoteísta e vinculado à tradição judaicocristã — fundado por Maomé (571-632 d.C.) no início do século VII d.C. Os
islamitas são também conhecidos como ismaelitas, descendentes de Ismael, o
segundo filho de Abraão. Maomé era politeísta, mas aos 25 anos casou-se com
Candidja, uma viúva rica que, após saber de suas visões com o arcanjo Gabriel, o
convenceu de que ele havia sido escolhido por Deus para uma grande missão.
Algumas de suas biografias contam que ele teve 16 esposas. A palavra islamismo
significa rendição diante de Deus. Maomé declarou que conheceu o cristianismo
através dos missionários cristãos. Por intermédio do islamismo, o mundo árabe
antigo, constituído de tribos nômades, foi unificado e deu origem às nações árabes
modernas. Rejeitado em Meca, Maomé formou um exército, atacou e destruiu os
ídolos de Meca. Foi perseguido e se refugiou em Hegira, no ano 622. Organizou
saques às regiões vizinhas, assinou e quebrou tratados e perseguiu os judeus e
todos os que não acreditaram nele. Maomé morreu de febre em 632.
O retorno do imã e o novo Cristo — No shiismo, ramo dissidente do
islamismo original fundado por Ali, genro de Maomé, os imãs são considerados
portadores infalíveis da luz divina, sendo continuadores da obra de Maomé. Os
imãmitas reconhecem 12 imãs legítimos, emanações da luz divina, e dizem que o
12º imã nunca morreu, mas encontra-se misteriosamente oculto, aguardando o
momento em que se manifestará em seu retorno triunfal. Do mesmo modo, o
Movimento Ismaelita (outro ramo do islamismo que admite a verdade relativa das
religiões) ensina que “existiram 7 imãs legítimos. O último deles, Ismael B. Jafar,
voltará à Terra em plena glória nos últimos tempos do mundo”.
A coleção As Grandes Religiões (editora Abril Cultural, 1975, Vol II,
página 348), registrou: “A crença nos imãs — uma das bases da religião para o
shiismo — completa-se com a concepção messiânica: o último imã, após morrer,
deveria retornar ao mundo visível de forma triunfal, inaugurando uma nova era de
justiça e paz... O mundo corrompido sofre à espera da personalidade messiânica”.
Como vemos, Deus também plantou na mente e nos corações dos homens
do mundo árabe Sua Grande Profecia — o retorno glorioso do Cristo salvador.
36. O reaparecimento do Cristo nas profecias extrabíblicas
176
Este tópico tem por finalidade demonstrar que a promessa de Deus — a Grande
Profecia: o reaparecimento do cristo — não foi feita apenas aos judeus e aos
cristãos, mas a toda a humanidade, provando que o trabalho de Deus é histórico e
universal, uma vez que Seu objetivo é a libertação total de todos os Seus filhos do
domínio do arcanjo Lúcifer. É por isso, como temos estudado até aqui, que Deus
tem enviado Seus profetas ao longo de toda a história e por todos os recantos do
mundo habitado. E, dentre todas as profecias, 3 são as principais: o aparecimento
do Cristo (um novo Adão), o Juizo Final (a Grande Tribulação) e o aparecimento
do Reino de Deus na Terra. A era das profecias deveria ter sido encerrada na época
de Jesus. Todavia, sua morte prematura prolongou a era das profecias, a qual
somente será encerrada quando o novo Cristo aparecer. Seu aparecimento na Terra
dará início à Grande Tribulação e ao estabelecimento do Reino de Deus na Terra e
no céu. Por isso, a era das profecias chegará ao fim com o cumprimento das 3
profecias principais.
Muitos textos antigos de todas as épocas e de todos os recantos do planeta
profetizaram sobre a vinda do Cristo, antes de Jesus e depois de sua morte física.
O livro hindu Vishnu Purana — De origem anteriar ao Velho Testamento,
o Vishnu Purana contém um trecho referente ao aparecimento do mal no mundo, ao
final dos tempos e ao aparecimento de um Emissário de Deus que restabelecerá a
justiça e dará início ao um novo tempo de paz na Terra:
“Quando as práticas recomendadas pelos Vedas e as instituições da lei
tiverem quase cessado, e o término da idade de Kali (idade de Kali-yuga = a idade
negra, ou das trevas) esteja muito próximo, uma porção do ser divino que existe
na própria natureza espiritual sob o aspecto de Brahma, que é o começo do fim, e
que abrange todas as coisas, descerá à Terra e se apresentará sob o nome de
Kalki, dotado das 8 faculdades sobrenaturais. Ele destruirá, por seu poder
irresistível, todos os salteadores e o mechehhas, e todos aqueles cujos espíritos
estejam devotados à iniqüidade. Ele restabelecerá a justiça sobre a Terra, e os
espíritos daqueles que vivem no fim da idade de Kali serão despertados e por tal
maneira se tornarão transparentes como o cristal. Os homens que assim forem
transformados, pela virtude desta época particular, serão como as sementes dos
seres humanos, e darão nascimento a uma nova raça que seguirá as leis da idade
Krita, ou idade da pureza”.
Os indianos que estão atentos ao cumprimento desta profecia retratam a
vinda do Emissário de Deus como um jovem magnífico montado sobre um grande
e belíssimo cavalo branco e portando uma espada na mão semelhante a um
meteoro. Dizem que a sua chegada espalhará duras punições sobre os iníquos, mas
restaurará a justiça na Terra e iniciará uma nova idade de inocência e pureza. O
aspecto importante a ser destacado aqui é o fato de que, mesmo sendo a esfera
cultural afro-indiana politeísta e anticristãemalgumas idéias fundamerntais, como
Deus é único — Criador e Pai de toda a humanidade — Sua Grande Profecia — o
reaparecimento do Cristo — também chegou aos povos afro-indianos. É
surpreendente a influência da idéia messiânica na África.
177
A profecia dos índios Hopis — Os índios Hopi foi uma grande nação
indígena norte-americana pacífica que habitava o norte do estado do Arizona.
Dentre seus escritos foi encontrada uma profecia que faz referência à volta do
Cristo e à Grande Tribulação. O mito dos Hopis engloba um ciclo da Criação que
se estende do nascimento da nação Hopis aos tempos da “Grande Purificação”,
quando o “Grande Espírito” chegará à Terra. Um ancião Hopi falou sobre essa
profecia:
“A profecia afirma que se aproxima um tempo de muita destruição. Este é
o tempo atual. Seja qual for a forma assumida pela terceira grande purificação, as
profecias afirmam que ocorrerão vários sinais: as árvores começarão a morrer
por toda parte; lugares frios ser tornarão quentes e lugares quentes se tornarão
frios; terras afundarão nos oceanos e o mar invadirá os litorais. Haverá ainda o
aparecimento de uma estrela azul”.
Alguns estudiosos sugerem que essa estrela azul é o Grande Cometa que
cairá no mar, e que foi citado nas profecias da humanidade, inclusive nos profecias
maia e no Apocalipse. Alberto Beuttenmüller cita o Grande Cometa em seu livro A
Profecia Maia:
“Este grande corpo celeste passará próximo da Terra e causará danos à
humanidade. A missão desse corpo celeste, contudo, será a de limpar o planeta de
todas as impurezas, humanas e inumanas. (...). O astro fará a Terra tremer, os
mares invadirem os continentes, vulcões acordarem, territórios sumirem, prédios
despencarem. Este corpo celeste não poderá ser evitado, pois este seu destino
jamais será modificado. Atentai, pois o Juízo não manda aviso”.
De outro lado, na Bíblia, o termo estrela simboliza Lúcifer (primeiro ser
criado), e também o Cristo, a estrela de Belém. Simboliza ainda os filhos. Ao longo
da história decaída a cor vermelha sempre simbolizou o lado Caim (a fita amarrada
pela parteira no pulso de Esaú, a cor-símbolo do nazismo e do comunismo citadas
nas profecias da humanidade, etc), enquanto a cor azul, o lado Abel. Por isso, a
estrela azul pode ser uma referência ao novo Cristo, o novo filho de Deus, e não ao
cometa do Juizo Final.
A profecia do zoroastrismo sobre o retorno do Cristo — Zoroastro foi um
antigo pensador persa que fundou o zoroastrismo, uma “religião” que possui
algumas doutrinas muiuto parecidas com as doutrinas cristãs (assim como o
pensamento nativo da China antiga e o orfismo grego, entre outros). Estas
semelhanças, ao invés de indicar uma influência externa no cristianismo, revela tão
somente que Deus começou a trabalhar para libertar o homem do domínio de
Lúcifer logo após a Queda, bem antes da escolha de Abraão, o patriarca caldeu que
deu origem ao povo judeu. John R. Hinnels, em seu Dicionário das Religiões,
referiu-se ao zoroastrismo e à sua profecia acerca do reaparecimento do Cristo:
“O Saoshyant (o salvador futuro) que nascerá de uma virgem — Os
zoroastrianos não esperam o ‘fim do mundo’. Em vez disso esperam o tempo em
que ele será limpo de toda impureza antinatural com que o mal o tem afligido. (...)
Nos livros pálavi, a história do mundo se divide em quatro períodos, cada um com
3.000 anos, o último dos quais, segundo se acredita, começou com Zoroastro (isto
178
é, o tempo presente está nos ‘últimos dias’). O zoroastrismo espera a vinda de um
salvador: o Saoshyant (no idioma pálavi Saoshyant = salvador futuro) que
nascerá de uma virgem fecundada pelo sêmem do profeta Zoroastro, erguerá os
mortos dos túmulos e promoverá o julgamento universal”.
O Saoshyant também é chamado de Astvart-Arta (= ordem encarnada
oujustiça encarnada). Os relatos afirmam ainda que os eventos ocorridos no
começo da história serão repetidos no final da história, mas em sentido inverso. Os
cristãos unificacionistas observam que a nudez, a descrença, a rebelião, a violência
e o medo decorrentes da Queda do homem estão presentes em nossos dias
agravados e ampliados para o nível mundial. Dizem ainda que isto está ocorrendo
porque os primeiros dias coincidem com os últimos dias, quando os primeiros
problemas originais reaparecem em destaque a fim de serem solucionados.
O livro Zoroastro (editora Ordem do Graal na Terra), estuda o
zoroastrismo e contém um trecho onde o Juizo Final, e o Juiz — o novo Cristo —
que o promoverá são claramente citados. Eis o trecho:
“Virá o dia em que o Saoshiant chegará do céu. Virá como uma
criancinha e será o filho do Supremo Deus. Crescerá e aprenderá os caminhos do
seres humanos. Ele lhes trará a luz do Reino de Seu Pai para que reencontrem o
caminho para cima. Ele cuidará deles, como o pastor cuida de seu rebanho.
Depois, virá o grande dia: o Juízo. Grande será o Saochiant; não será mais um
homem, mas, um com Deus. Os seres humanos terão medo porque praticam o mal.
O Juiz Universal, porém julga-los-á conforme suas obras. Terão que transpor a
ponte. Quem houver sido mau cairá e nunca mais voltará. Mas aqueles que
transpuserem a ponte entrarão no Reino do Saoshiant”.
Essa ponte (no pálavi = Chinvant ou Tschinvat) representa a “ponte do
retribuidor”. A idéia de “atravessar a ponte” simboliza atravessar o Juizo Final e
também está presente no islamismo com o nome de Qiyama, conforme John R.
Hinnels, em seu Dicionário das Religiões:
“Qiyama: Ressurreição no islamismo, seguida do Juizo Final. As almas
julgadas cruzam uma ponte estreita que se estende sobre o inferno; os pecadores
cairão nas profundezas, mas os salvos entrarão para o Paraíso”.
Will Durant, em seu livro História da Civilização, estudou outros conceitos
do zoroastrismo, abordando a questão da purificação da humanidade seguida do
advento de uma nova idade de paz e felicidade universal:
“O reino de Ahuramazda (Deus, o Criador) virá. E Arihman (Lúcifer) e
todas as forças do mal serão exterminadas; as almas dos bons começarão uma
nova vida em um mundo sem mal, sem trevas e sem dor. (...) As almas dos
pecadores passarão para Arihman, para o castigo eterno, enquanto que as almas
dos puros se salvarão através de sete esferas, perdendo em cada uma delas uma
parte dos elementos que ainda contiverem e, assim, até serem introduzidas à plena
irradiação do céu”.
A profecia dos índios guaranis sobre o retorno do cristo — O escritor
Egon Schaden, em seu livro A mitologia heróica das tribos indígenas do Brasil, faz
referências à vinda do Juiz, o herói civilizador, cuja vinda será precedida de
179
grandes catástrofes naturais. O autor cita um trecho de uma tribo guarani no qual a
referência ao novo Cristo e à Grande Tribulação é claríssima:
“Quando Nyanderuvusu (o Deus Criador) decidir a destruição da Terra,
caberá a Nyanderykey (o Cristo) retirar a cruz de madeira que a suporta. E a
Terra desabará”.
“Quando Nyanderykey, o salvador e herói, vier como juiz para as
criaturas humanas, ele ordenará aos seus servos que derrubem a cruz de madeira,
queimando-a, pois a cruz de madeira foi implantada na Terra por Anyay (Lúcifer)
como sinal de seu domínio na Terra”.
uma profecia semelhante foi realizada pelo profeta Isaías:
“Mas, naquele dia, diz o Senhor dos Exércitos, a estaca, firme no lugar,
será retirada: ela vai ceder e cair, e tudo o que estava pendurado nela virá ao
chão — porque assim falou o Senhor”. (Is 22.25).
Essa estaca, ou cruz de madeira, é mencionada em diversos outros mitos
da criação como o esteio do mundo. Obviamente, estas são expressões simbólicas
usadas como referências ao conjunto das crenças — deuses de madeira —
inventados por Lúcifer para controlar a mente e o coração da humanidade.
Derrubar a estaca, a cruz ou o esteio que suporta o mundo decaído significa
derrubar o próprio Lúcifer, esteio/estaca central de todo o sistema social
implantado por ele
na Terra. Ou seja,
é o que já está acontecendo nos dias tuais, quando todas as crenças místicas, as
filosofias e as hipóteses científicas materialistas (Big Bang, hipótese nebular,
evolução das espécies, teorias políticas, econômicas, educacionais, etc), bem como
as instituições criadas com base naquelas idéias, estão caindo no descrédito das
populações e se desagregando rapidamente.
Os oráculos sibilinos e o novo Cristo — Nos livros 3 e 4 dos oráculos
sibilinos podemos encontrar claras referências ao advento do novo Cristo e à
Grande Tribulação. Os oráculos sibilinos registraram que:
“Um rei-messias introduzirá o Reino eterno de Deus sobre todos os
homens, e todos os povos reconhecerão a Lei de Deus... O Senhor enviará um Reisol para executar Seu juízo; as nações serão castigadas e grandes sinais no céu
anunciarão sua aproximação”.
Os textos fazem ainda um dramático apelo à humanidade para que se
arrependa de seus erros e mude seu comportamento a fim de escapar da purificação
com fogo. Vejamos mais alguns textos dos oráculos sibilinos:
“A raça santa de homens piedoses continuará existindo, prostados diante
da Vontade do Altíssimo. (...) Eles não honram, movidos por vãos enganos, as
obras dos homens, de ouro ou de bronze, de prata ou de marfim, nem as estátuas
de madeira ou de pedra de deuses já mortos. Pelo contrário, erguem ao céu seus
braços santos, sem deixar de purificar sua pele com água desde que,
madrugadores, abandonam o leito; e honram só o Imortal que eternamente nos
protege. (...) O imortal imporá a todos os mortais, ruína, fome, sofrimentos e
lamentos, guerras, pestes e dores que causarão lágrimas, porque ao Imortal,
180
criador de todos os homens, não quiseram honrar com religiosa piedade, e
honraram com veneração os ídolos”. (OrSib 3:537-605).
“Terá lugar, então, o Juízo, em que o próprio Deus será novamente Juiz
do mundo; a quantos por impiedade pecaram, outra vez a terra amontoada sobre
eles os ocultará, e o Tártaro tenebroso e as profundezas horríveis da Geena. E
quantos são piedosos novamente viverão sobre a Terra, porque Deus concederlhes-á, ao mesmo tempo, espírito e graça por sua piedade. Então todos se verão a
si mesmos ao contemplar a agradável luz do brando sol. Bem aventurado o homem
que nesse tempo chegar a viver sobre a Terra”. (OrSib 4:179-191).
Virgílio, o novo Cristo e a nova Idade de Ouro — No século I a.C., o
poeta latino Virgílio compôs um poema, no qual exaltou o nascimento de uma
criança, à qual estava vinculado ao surgimento de uma nova Idade de Ouro para
toda a humanidade; uma época “quando a natureza reassumiria sua forma
paradisíaca e a serpente pereceria”. Sem dúvida, inspirado por Deus, Virgílio
profetizava sobre o nascimento de Jesus, o primeiro Cristo. Sua “profecia” poética,
portanto, já se cumpriu. A existência de tais profecias demonstram novamente que
o trabalho de Deus anterior a Jesus foi também universal, pois a vontade de Deus é
libertar toda a humanidade.
A universalidade e historicidade da Grande Profecia — Assim como
Deus “profetizou” através do poeta Virgílio, também profetizou através de muitos
outros religiosos, filósofos, artistas (poetas, compositores e escritores), cientistas e
pensadores em geral ao longo de toda a história da humanidade, pois Seu objetivo é
a restauração de todos os Seus filhos — a humanidade.
Os essênios, os Manuscritos de Qumran e o novo Cristo — No final do
século XIX foram descobertos numa sinagoga do Cairo, capital do Egito, os
chamados Documentos de Sadoc, atribuídos aos essênios, uma comunidade précristã da antiguidade que levava uma vida monástica e ascética muito rigorosa. Os
Documentos de Sadoc, alguns datados como sendo do século III a.C., contém
narrativas sobre uma batalha final entre o bem e o mal que deveria acontecer no
fim do mundo (no fim da história). O historiador Flávio Josefo foi um grande
admiriador dos essênios, chegando a escrever que “os essênios são as pessoas mais
honestas do mundo; são tão boas como as suas palavras”. Para os essênios o nome
de Deus não podia ser pronunciado à toa. O membro que o fizesse poderia ser
expulso da comunidade.
Os Manuscritos de Qumran, ou do Mar Morto, descobertos numa caverna
em l947 tiveram sua autoria atribuída aos essênios. Neles está registrada a grande
batalha final entre o bem e o mal, chamada “o derradeiro dia” na qual o Príncipe da
Luz vencerá o príncipe das trevas (Lúcifer). O Príncipe da Luz citado nos
Manuscritos de Qumran é uma referência ao novo Cristo, pois Jesus não derrotou
definitivamente o arcanjo Lúcifer (por isso, o mal cresceu tanto). O Cristo também
é chamado de Filho de Deus e Filho do Altísimo, e sua missão é realizar o
julgamento dos maus, libertar os cativos e estabelecer a idade da salvação. O
Príncipe da Luz (o Cristo) é o regente dos filhos da luz, aqueles que “trilham os
caminhos da luz e praticam a verdade”, enquanto os filhos da iniqüidade “trilham
181
os caminhos das trevas”. No evangelho de João (Jo 3:20-21) a Bíblia registrou um
texto incrivelmente semelhante.
Os essênios, como todos os grupos judaicos da época, aguardavam a vinda
do Cristo, que seria simultaneamente rei e sacerdote. Os Manuscritos de Qumran
referem-se à: “Diferente retribuição dos que buscam a verdade, que se levantarão
para o julgamento e serão recompensados por toda a eternidade, e dos filhos da
iniqüidade, que desaparecerão totalmente”.
Os dois cristos — Um ponto enigmático dos escritos dos essênios é o fato
de eles se referirem a dois cristos distintos. Um primeiro que viria para abrir o
caminho para a atuação e a vitória plena do segundo. Todavia, nenhum dos dois
nasceria para ser assassinado ainda jovem, pois não tinham qualquer missão
expiatória.
À luz do Completo Testamento (a teologia da Unificação, dos cristãos
unificacionistas), a idéia dos dois cristos e da expiação adquirem um sentido novo e
extraordinariamente novo, pois sendo Deus um Pai de amor, jamais predestina o
mal. Assim, nunca predestinou a morte espiritual de Adão (a Queda do homem)
nem a morte física de Jesus, o II Adão. Todavia, como Deus é um ser de número 3,
de certa forma, estava como que predestinado que o II Adão, Jesus, poderia não
obter a vitória plena (como foi profetizado no livro dos Números, onde Moisés
mandou que fosse construída uma cruz com uma serpente de bronze a fim de que
os judeus mordidos pelas serpentes de fogo do deserto (Lúcifer) fossem salvos ao
olhar com fé para a serpente celeste na cruz de bronze (Jesus): “E disse o Senhor a
Moisés: fazei uma serpente e pôe-na sobre uma aste. E será que todo mordido que
olhar para ela viverá”. (Nm 20.8-11). Portanto, a idéia dos dois cristos pode
significar que mesmo antes de Jesus nascer Deus já anteviu a possibilidade de ele
não obter a vitória total, como de fato aconteceu e como os essênios igualmente
profetizaram na profecia dos dois cristos. Assim, o primeiro Cristo, Jesus,
realmente preparou o caminho mundial para a vinda do segundo Cristo, semeando
o cristianismo em todo o mundo, cuja fé e esperança central se baseia na espera do
retorno do novo Cristo como salvador do mundo. Assim, segundo os cristãos
unificacionistas, nenhum dos dois cristos que a história conheceu — Jesus de
Nazaré e Sun Myung Moon — nasceram com a missão de expiar os pecados do
mundo com sua própria morte, mas para limpar os pecados do mundo, libertando-o
do domínio do arcanjo Lúcifer e construindo um novo mundo livre de todo o mal.
Existem dois trechos dos Manuscritos de Qumran que são especialmente
notáveis no tocante à vinda do Juiz e do julgamento final:
“Mas Deus, em Seus mistérios de inteligência e em Sua gloriosa
sabedoria, pôs um termo à existência da perversidade; e no momento da visita Ele
a exterminará para sempre. E a verdade se instalará permanentemente no mundo;
pois o mundo se enlameou nos caminhos da impiedade, sob o domínio da
perversidade até o momento do Julgamento decisivo”. (Regra IV,18-20).
“E o bastão (a palavra de Deus encarnada = o Cristo) é o pesquisador da
Lei... E os nobres do povo são aqueles que vêm para cavar o poço por meio dos
preceitos que foram promulgados pelo Legislador, para que neles caminhassem
182
todo o tempo da impiedade... até a chegada do Mestre da Justiça no final dos
dias”. (Escrito de Damasco, A, VI, 7-11).
Os essênios diziam que quando o Mestre da Justiça chegasse ele explicaria
a sabedoria contida em todos os profetas anteriores a ele, e “para mostrar à última
geração o que Deus estava para fazer à última geração” (Escrito de Damasco, 111), e ainda que o último ponto da promessa ocorrerá quando Deus “revelar
através dele as novas instruções”.
Em outro manuscrito, onde comentam o livro do profeta Habacuc, os
essênios diziam que, embora Habacuc soubesse o que iria ocorrer nos últimos dias,
“foi somente ao Mestre da Justiça que o tempo do cumprimento foi revelado”,
pois foi a ele que “Deus fez conhecer todos os mistérios das palavras dos Seus
servos, os profetas”. Sobre a natureza da missão do Filho do homem, os essênios
escreveram:
“Ele será chamado Grande e designado com Seu nome. (...) Ele será
chamado Deus, e eles vão designá-lo Filho do Altíssimo. (...) Seu reino será um
reino eterno, e todos os seus comandos serão em justiça. Ele vai julgar a Terra
com justiça, e todos vão fazer a paz”. (4Q 246).
Alguns estudiosos dos Manuscritos de Qumran se perguntam por que esse
Filho do Altíssimo é retratado como um rei vitorioso que governará e julgará a
humanidade fisicamente na Terra, uma vez que esta imagem se distancia das
crenças cristãs tradicionais, onde o Jesus espiritual é aguardado como o Cristo-rei
espiritual. A resposta, segundo os cristãos unificacionistas, é que esse novo Mestre
da Justiça não é Jesus, mas o novo Cristo que foi prometido aos cristãos, o II Israel.
O novo Cristo e as profecias de líderes e teólogos cristãos — No século II
d.C., o bispo Pápias escreveu sobre uma época “em que a Criação, renovada e
liberta, produzirá fartamente todos os tipos de alimentos, com o orvalho do céu e a
fertilidade da terra”. Esta época, obviamente, virá depois da segunda vinda e depois
da vitória finale total do novo Cristo.
No mesmo século, o teólogo cristão Tertuliano vislumbrou uma seqüência
lógica para a implantação da justiça na Terra, e cujo ponto culminante seria
estabelecido pelo próprio Espírito Santo (Deus mesmo): “Tudo amadurece, a
justiça também. Em seu berço, ela não foi senão natureza e temor a Deus. A Lei e
os profetas foram sua infância; O Evangelho, sua juventude: o Espírito Santo lhe
dará sua maturidade”. Para os cristãos unificacionistas a maturidade da
providência divina chegará quando o novo Cristo de Deus vencer satanás e trouxer
Deus — o Espírito Santo — para dirigir pesoalmente Sua providência na Terra. E
este tempo já chegou. O Rev. Moon declarou em 2004 que este é “O Tempo de
Deus”; e que Deus mesmo já está trabalhando na Terra pela restauração da
humanidade.
Por volta do ano 450 d.C., o teólogo cristão Comodiano profetizou sobre a
vinda e a missão do Filho do homem, que ele chamou de rei justo:
“Retornada a paz e suprimidos os males, o rei justo e vitorioso submeterá
os vivos e os mortos a um julgamento terrível. (...) Aos justos ele concederá a paz
183
eterna, reinará com eles nesta Terra e fundará a cidade santa. E esse reinado dos
justos durará mil anos”.
Obviamente, esse rei justo e vitorioso que fundará a cidade santa (o novo
mundo de Deus) e reinará na Terra por mil anos (mil anos simbólicos = eternidade)
é uma clara referência ao novo Cristo-rei vitorioso.
Na Idade Média, o padre dominicano Girolamo Savonarola (1452-1498)
profetizou, entre os anos 1490 e 1491, que os vícios da Igreja eram prenúncios da
aproximação do Juizo Final. Foi excomungado, preso, julgado, enforcado e teve
seu corpo transformado em cinzas.
O abade calabrês Joaquim de Fiore (1130?-1202) escreveu sobre uma
época vindoura em que, passadas as provações, chegaria “o tempo do Espírito, a
hora da compreensão espiritual”. Dizia ainda que, “depois de um período de
tragédias, o mundo das misérias e das injustiças seria transformado em um mundo
de felicidade onde não mais haveria a necesidade de se escrever livros para
explicar as Escrituras Sagradas, pois o evangelho segundo a letra seria substituído
pelo evangelho eterno”. Profetizou que naqueles dias futuros “a verdade nos será
dada em sua simplicidade e os fiéis contemplarão os mistérios em plena luz”; que o
homem veria a decifração da Mensagem Divina. Esse Evangelho Eterno também
foi citado no Apocalipse (Apoc 14.6) e seguramente é uma referência à nova
mensagem revelada pelo novo Cristo. Para os cristãos unificacionistas trata-se do
Completo Testamento, contido nos livros Princípio Divino e o Cheong Seong
(Escrituras do Céu), contendo a essência dos ensinamentos do Rev. Moon na Terra
(que já está sendo traduzido para todas as línguas do mundo).
O abade Joaquim de Fiore profetizou a chegada de um tempo de profundo
entendimento e conhecimento espiritual, que chamou de “terceiro estado da
humanidade” sob a regência do Espírito Santo. Escreveu que, depois do tempo da
lei (Velho Testamento) e da graça (Novo Testamento) chegaria o “tempo da graça
maior” (do Completo Testamento), no qual a natureza se transformaria e se
embelezaria, e o mundo conheceria a verdadeira liberdade espiritual, quando
cessariam os medos, as preocupações e os sofrimentos. Seria o tempo do Novo
Pentecostes, quando, sob a inspiração do Espírito Santo, os homens se
converteriam para Deus e desejariam a felicidade eterna para todos. O novo povo
eleito da Idade da Graça Maior seria cheio do Espírito Santo, sábio, pacífico e
digno de todo amor.
Eis como Joaquim de Fiore descreveu os três estágios da restauração da
humanidade:
“O primeiro estava sob a luz das estrelas (noite; escuro); o segundo é o
momento da aurora (amanhecer; meio escuro); o terceiro será o do pleno dia (luz
total). O primeiro era o inverno; o segundo, a primavera; o terceiro será o verão.
O primeiro trouxe urtigas (sacrifícios); o segundo traz rosas (a graça de Deus); o
terceiro trará os lírios (brancos = paz). O primeiro produziu ervas (os judeus:
servos de Deus); o segundo produz espigas (os cristãos: frutos = filhos espirituais
de Deus); o terceiro fornecerá frumento (do latim frumentum = o melhor e mais
macio tipo de trigo)”.
184
Este texto do abade Joaquim de Fiore profetiza que a verdade divina — a
mensagem bíblica do Deus-Pai — virá à Terra em três etapas distintas, mas
complementares, uma vez que são as três partes de uma mesma mensagem,
devendo conservar o espírito, a verve essencial da mensagem em suas três partes.
E, naturalmente, cada uma das três partes terá um grau de amplitude e
profundidade, devendo produzir frutos correspondentes. Os cristãos
unificacionistas dizem que a ressurreição é um fenômeno espiritual que se processa
gradualmente em três etapas, mediante o conhecimento e a prática da verdade
divina. Na Idade do Velho Testamento a ressurreição aconteceu em estágio de
formação (Hebreus 11.39-40);
na Idade do Novo Testamento, em estágio de
crescimento (Mateus 27.52); e na Idade do Completo Testamento, em estágio de
perfeição (Judas 1.14-15; Apoc 21.1-6).
Em outro excerto de suas profecias, Joaquim de Fiore afirma claramente o
advento da Verdade Total que seria trazida à Terra pelo segundo Filho de Deus:
“Sabei que o primeiro estado está relacionado ao Pai, o segundo, ao Filho
de Deus, e o terceiro ao Espírito Santo. (...) Assim como no primeiro período o Pai
mostrou-Se terrível e amedrontador, no segundo, o Deus-Filho mostrou-se cheio
de piedade, mestre e doutor que manifesta a verdade. (...) Mas, no terceiro estado,
o Espírito Santo se mostrará e se oferecerá como a chama e o fogo do amor
divino, como a adega do vinho espiritual, como a farmácia dos ungüentos
espirituais. Então, não apenas nossa inteligência verá na simplicidade a Verdade
Total (o Completo Testamento?) da sabedoria do Filho encarnado e do poder de
Deus-Pai, mas também o homem poderá experimentar, apalpar e saborear a
promessa de Cristo: Quando vier o Espírito da Verdade, ele vos ensinará toda a
verdade”.
Em diversos outros trechos da Bíblia Jesus afirmou que não revelou toda a
verdade nem falou claramente devido ao nível de mentalidade de sua época, mas
prometeu que quando o Espírito da Verdade viesse à Terra ele nos ensinaria toda a
verdade claramente. A Bíblia registrou que Jesus voltou à Terra e conviveu 40 dias
com os apóstolos, e também que o Pentecostes foi a descida do Espírito Santo à
Terra. Todavia, estes eventos não acrescentaram novas partes à mensagem bíblica
do Velho nem do Novo Testamento. Além disso, o Apocalipse fala de um novo
livro selado com 7 selos (finalizado) e escrito por dentro e por fora (verdade
interna e externa; religião e ciência) que desce do céu e que deverá ser ensinado
novamente em todo o mundo (Apoc 10.7-11). Portanto, a Bíblia confirma a
profecia do Abade Joaquim de Fiore quanto ao advento de uma terceira parte da
mensagem bíblica através do novo Cristo.
O frade fransciscano José de Parma, discípulo de Joaquim de Fiore,
escreveu o livro Introdução ao Evangelho Eterno, onde escreveu sobre o fim do
catolicismo, sobre o advento do Reino do Espírito Santo e sobre o Juizo Final. Os
textos originais foram queimados pela Igreja em 1260, mas em 1837, o escritor
George Sand produziu uma cópia manuscrita do livro de Parma, a qual foi
reproduzida por Jean Delumeau em seu livro Mil anos de Felicidade. Eis um trecho
da obra de Parma:
185
“A religião tem três épocas como o reinado das três pessoas da Trindade.
O reinado do Pai se estendeu durante a lei mosaica. O reinado do Filho, isto é, a
religião cristã, não deve durar para sempre. As cerimônias e os sacramentos, nos
quais essa religião se envovle, não devem ser eternos. Deve vir um tempo em que
esses mistérios cessarão, e deve então começar a religião do Espírito Santo, na
qual os homens não terão mais necessidade de sacramentos (serão santos e puros),
e prestarão ao Ser Supremo um culto puramente espiritual. O reinado do Espírito
Santo foi predito por São João, e é esse reinado que vai suceder à religião cristã,
como a religião cristã sucedeu à lei mosaica. (...) Essa religião não abjurará o
espírito do cristianismo, mas o despojará de suas formas”.
Um texto desta natureza publicado no ano 1260, no auge da corrupção e do
poder católico na Europa, não poderia ter outro destino senão a fogueira.
Felizmente, Deus sempre encontra um jeito de preservar tais obras. José de Parma
foi realmente profético, pois antecipou as previsões da maioria dos profetas da
humanidade, exceto a própria Bíblia e o Apocalipse, que também profetizaram o
fim do catolicismo (a morte das duas testemunhas: o catolicismo e o
protestantismo), o advento da nova mensagem de Deus e o estabelecimento do
Reino de Deus na Terra, no qual não existirão fronteiras físicas, muralhas
religiosas, lingüísticas ou culturais, mas será um reino mundial, uma família
mundial sob o reinado de um único Deus-Pai. O fato de um frade fransciscano do
século XIII ter antevisto um evento tão distante no futuro, e numa época em que
ninguém sequer imaginava que o catolicismo pudesse ter um fim, é deveras
surpreendente e sua concordância com as Escrituras e com as profecias da
humanidade atesta sua veracidade.
O fim da religião — Pensando bem, como predizem todas as profecias,
chegará o dia em que o homem e Deus estarão unidos como Pai e filho, e as
religiões terão cumprido a finalidade de sua existência (religio = religare = religar),
tornando-se desnecessárias. Como alguém inteligente pode pensar que acender
velas (para iluminar santos e almas perdidas na escuridão do mundo espiritual),
jogar flores no mar para Iemanjá (uma suposta rainha do mar semelhante a Netuno,
o deus do mar da mitologia grega), fazer jejuns, vigílias, penitências, celibato
(renunciar ao estabelecimento de uma família, o ninho humano e a escola do amor:
paternal, conjugal, fraternal e filial), optar por morar longe dos familiares e viver
sozinho em um seminário escuro, trajando vestidos longos e escuros... Como
alguém, com um mínimo de inteligência e bom senso, pode acreditar que tais
coisas e tal estilo de vida sejam naturais e eternos? A eternização das religiões
interessa unicamente aos seus líderes, uma vez que elas lhes trazem prestígio, fama
e riquezas imensas. Como nos planos originais de Deus não existiam religiões (pois
Deus não predestinou a ruptura original, a Queda do homem) , quando o novo
Cristo chegar as religiões cumprirão sua finalidade e serão substituídas por famílias
divinas,
templos
de
Deus.
Obviamente,
esse
processo
de
transformação/substituição dos templos religiosos por lares divinos não ocorrerá
subitamente, mas deverá ser um processo pacífico, lento e gradual que se
estenderá, talvez, por um certo período de tempo.
186
O novo Cristo e o profeta anônimo — O Livro dos Cem Capítulos, de
autoria anônima, publicado no início do século XVI (organizado pelo historiador
Jean Delumeau) contém o anúncio de uma “vingança” divina contra o estilo de
vida descrente e desregrado moral e socialmente predominante na Terra. Profetiza
ainda a vinda de um rei que, depois de uma época de intenso sofrimento espiritual e
físico para a humanidade, com grandes cataclismos, instauraria uma idade da
justiça. O autor escreveu: “Ele será muito sábio e rigoroso em seus julgamentos.
Deus lhe concederá a coroa que dá poder de submeter o mundo inteiro”. O profeta
anônimo afirmou ainda que o rei-salvador iria regenerar e pacificar o mundo
inteiro, estabelecendo o reino milenar da felicidade. E de onde viria esse rei da
justiça? Viria da Suíça, de uma região situada entre a Basiléia e Bingen, onde
nasceu o próprio autor do livro. Um Cristo suíço não aparece em nenhuma profecia
da humanidade.
Jacob Lorber, o Juizo Final e o novo Cristo — Jacob Lorber (1800-1864)
escreveu cerca de 25 livros sobre temas espirituais, nos quais referiu-se muitas
vezes ao Juizo Final que, segundo todos os profetas, precederá o reaparecimento do
novo Cristo. Vejamos alguns trechos de suas obras sobre o Juizo Final:
“E logo chegará a hora em que a estrutura social de sua sociedade, que
vocês jukgam eterna, desmoronará. (...) Horríveis cataclismos acontecerão,
calamidades nunca vistas assolarão o planeta. Acidentes, doenças e catástrofes
naturais precederão a grande destruição, e serão as últimas tentativas de salvação
do que pode ser salvo. (...) O desenvolvimento dos acontecimentos não se dará de
maneira abrupta, de uma só vez, mas gradativamente, como o verão se transforma
em outono e o outono em inverno. Ocorrerão grandes terremotos na Terra e
tempestades no mar. Em muitas regiões o mar engolirá a costa (como a tsunami da
Ásia/África de 2004) e os homens ficarão apavorados, pensando nos desastres que
ainda assolarão a Terra. (...) Muitos sinais nos céus e muitos videntes e profetas
avisarão os seres humanos, mas poucos darão atenção. (...) E assim vocês têm
avisos e profecias mais do que suficientes”.
O Juizo Final, ou a Grande Tribulação, e o reaparecimento do Cristo são
eventos vinculados e contíguos; quase em relação de causa-efeito. A Grande
Tribulação tem por finalidade estabelecer a condição de indenização histórica
(compensação) para limpar todo o passado pecaminoso da humanidade a fim de
preparar o coração humano e o próprio planeta para receber o messias salvador, o
novo Cristo. Por isso, todos os profetas da humanidade anunciaram a ocorrência da
Grande Tribulação antes da vinda do Cristo. A Bíblia registrou o tempo da Grande
Tribulação como “o Grande e temível dia do Senhor” (tempo = dia = um período
de tempo): Grande para os justos e Temível para os injustos:
“Será dia de trevas e escuridão. Dia de nuvens e negrume” (Jer 12.2);
“Dia nublado e tenebroso”. (Sof 1.15); “Quando clamarem ao Senhor, este não
lhes responderá; esconderá deles a face naquele tempo, por causa dos crimes que
cometeram”. (Miq 3.4).
187
Assim, quando Lorber anuncia a Grande Tribulação está simultaneamente
anunciando a segunda vinda do Cristo, pois a Grande Tribulação é a água que
lavará as vestiduras do homem impuro, preparando o mundo para receber o Cristo.
37. O reaparecimento do Cristo nas profecias dos livros apócrifos (pró-bíblicos)
A importância do estudo dos apócrifos neste livro deriva do fato de eles terem sido
escritos depois de Jesus. Portanto, todas as referências sobre o Cristo neles contidas
referem-se à segunda vinda do Cristo, o tema central deste livro. Assim como as
profecias de Nostradamus, Malaquias, entre outros, são extrabíblicas, os apócrifos
também o são. A diferença é que os livros apócrifos estão mais alinhados com a
esfera cultural judaico-cristã do que alguns dos profetas que estudamos aqui. Não
obstante, o estudo das profecias da humanidade — bíblicas e extrabíblicas —
demonstraram que Deus ama incondicionalmente toda a humanidade. Por isso,
executa Seu trabalho de salvação a nível histórico e universal, levando a
informação acerca do futuro nascimento do Cristo salvador para todos os povos em
todos os tempos e lugares.
Os livros apócrifos constituem uma parte da Escritura judaico-cristã
colateral ao cânone oficial (de cânon = lista dos livros sagrados admitidos pela
Igreja Católica). A escritora Maria Helena de Oliveira Tricca organizou uma
coletânea dos livros apócrifos (do grego apokryphos = secreto) no livro Apócrifos:
Os Proscritos da Bíblia (editora Mercuryo, 1992) onde escreveu:
“Entre o Velho e o Novo Testamento há um período denominado
intertestamentário. Nesse período a produção de textos relativos a Jesus Cristo e
ao próprio Velho Testamento foi enorme. Tais textos eram classificados como
judaico, cristãos e gnósticos, e havia muita rivalidade entre as seitas que os
adotavam. Quando a Igreja primitiva começou a ganhar força fez queimar textos
que considerava heréticos, e alguns deles só se salvaram graças às suas traduções
para o grego. Finalmente, em um dos primeiros concílios, alguns desses textos
foram escolhidos por serem considerados ‘inspirados’ pelo Espírito Santo e a eles
foi atribuída autenticidade”.
O termo apócrifos, no passado, designava simplesmente livros sem
autenticidade. Atualmente, são considerados livros de autenticidade duvidosa ou
suspeitos de heresia.
Todos os estudiosos dos textos sagrados da tradição judaico-cristã
reconhecem nos apócrifos sinais que os alinha com os textos oficiais, tanto que
algunsdeles foram integrados ao cânone oficial, como o Livro da Sabedoria
(atribuído a Salomão), o Eclesiástico ou Sirac, as Odes de Salomão, o Livro de
Tobias ou Tobit, e o Livro dos Macabeus, entre outros. Lamentavelmente, porém,
livros como o Livro de Enoch, o Livro da Ascensão de Isaías e os Livros II e IV
dos Macabeus ficaram definitivamente de fora da Bíblia.
Se os livros canônicos (oficiais), são vistos como inspirados pelo Espírito
Santo e mencionam livros, personagens e textos dos apócrifos, esse fato deveria
trazer alguma legitimidade aos apócrifos. Isto não acontece. Além disso, muitos
188
trechos constantes dos livros canônicos constam também dos apócrifos, como a
expressão “Muitos são chamados, mas poucos escolhidos” (Multi sunt vocati, pouci
vero elcti), que foi retirada do livro apócrifo 4Esdras (escrito na mesma época que
o Apocalipse de João), onde aparece 3 vezes. Existem também nos textos
canônicos menções a alguns livros, personagens e eventos apócrifos, como Enoch e
a citação sobre o Filho do homem constante do livro 4Esdras, muito semelhante a
outro texto constante do Livro de Enoch.
Além das Escrituras chamadas veterotestamentárias, existem muitas
referências à Grande Tribulação e ao reaparecimento do novo Cristo nos diversos
apócrifos. Assim, como este livro se propõe a localizar o maior número possível de
profecias sobre o reaparecimento do Cristo e de seu nascimento na Terra, as
citações dos apócrifos não poderiam ficar de fora.
Antes de ser banido da Bíblia como perigoso (os apócrifos foram
classificados como úteis e perigosos) o livro 4Esdras gozava de muita aceitação na
igreja primitiva, como atestam as muitas línguas para as quais foi traduzido: latim,
siríaco, etíope, árabe, copta, armênio e georgiano, entre outros.
Vejamos como o escritor L. Rost escreveu em seu livro Introdução aos
Livros Apócrifos e Pseudopígrafos a referência constante de 4Esdras sobre o novo
Cristo e sua vitória total:
“Eu vi, repara, esse homem voou sobre as nuvens. E para onde virava o
olhar, aí tremia tudo o que ele avistava. (...) E repara, quando viu o assalto da
multidão, ele não ergueu a mão, não sacou da espada, nem de outra arma; vi
apenas como ele expelia de sua boca algo como ondas de fogo (palavras
verdadeiras), e de seus lábios um sopro fumegante. Isso caiu sobre a multidão
afluente que estava preparada para o combate, e incendiou tudo, de modo que
subitamente nada mais se via da multidão inumerável além de cinzas e cheiro de
fumaça”. (4Esd 3.2,3,9,-11).
Essa idéia de um homem que vem sobre as nuvens de cuja boca sairá uma
espada de fogo que queimará o ímpio é encontrada em termos quase idênticos em
muitos trechos dos livros canônicos (Apoc 1915; Lc 12.49; IIPe 3.10-12; Jr 23.29;
Is 11.4; Tg 3.6; e Jo 12.48), deixando claros os vínculos existentes entre os textos
canônicos e os apócrifos.
“Chegam os dias em que o Altíssimo libertará os que habitam a Terra; a
confusão se apoderará deles, proporão fazer guerras entre si, cidade contra
cidade, nação contra nação e reino contra reino. Quando acontecerem essas
coisas e se produzirem os sinais que vos anunciei, então será revelado Meu filho,
aquele que viste como homem surgindo do mar”. (4Esd 13.30-32).
Este segundo trecho do livro 4Esdras assemelha-se incrivelmente ao trecho
constante do evangelho de Lucas: “Ouvireis falar de guerras e rumores de
guerras... levantar-se-á nação contra nação, reino contra reino...”. (Mt 24.6-8).
O livro 4Esdras menciona claramente a vinda do Cristo, onde é chamado
de “Filho do Altíssimo” (4Esd 13), de “o ungido que o Altíssimo reserva para o
fim”, e onde é chamado por Deus de “Meu Filho” duas vezes. O livro 4Esdras já
pertenceu ao cânon de Jamnia (antiga cidade na fronteira de Judá) e também esteve
189
incluído nos antigos manuscritos da Vulgata, a tradução latina da Bíblia. Todavia,
4Esdras ensina que “Todo homem é responsável pela própria condenação eterna,
e os justos não podem interceder em favor dos maus”. (4Esd 7.102-115), um texto
que nega a autoridade do catolicismo de conceder o perdão dos pecados mediante a
confissão e ainda que as orações dos vivos não podem interceder pelos mortos
(4esd 8.36-105). Estes trechos, entre outros, podem explicar o porquê de sua
retirada do cânon católico.
O apócrifo Salmos de Salomão, no capítulo 17, aborda a vinda do Filho do
homem no seguinte trecho:
“(Ele, o Juiz, vai) esfacelear a substância dos pecadores com bastão de
ferro (a palavra verdadeira) e aniquilar nações sem lei pela palavra de sua boca...
Com sua ameaça, o inimigo vai fugir de sua presença; e ele açoitará os pecadores
pelos pensamentos de seus próprios corações... E ele vai reunir um povo santo que
conduzirá com justiça. (...) Não permitirá que a injustiça continue a morar em seu
meio, e nenhum homem que conheça o mal habitará entre eles. (...) Não haverá
injustiça entre eles nos dias dele, pois todos serão santos, e seu rei é o Ungido do
Senhor”. (SlSal 17:26-30).
O apócrifo Testamento dos Doze Patriarcas contém outro belíssimo texto
sobre a segunda vinda do Cristo:
“Saibas agora que o Senhor julgará os homens, e nesse momento as
rochas se fundirão, o sol se apagará, as águas secarão, o fogo gelará, toda
criatura se angustiará e os espíritos invisíveis se desvanescerão. (...) O nome do
Altíssimo será então exaltado, pois Deus, o Senhor, aparecerá sobre a Terra para
salvar pessoalmente os homens. Então serão esmagados todos os espíritos do erro.
(...) Ele mesmo aparecerá na forma de um homem, comendo e bebendo com os
homens. E afogará a cabeça do dragão na água. (...) Ele acorrentará Belial, e
dará aos Seus filhos o poder de enfrentar os espíritos maus. (...) O próprio Deus se
comunica, na forma humana. Dizei aos vossos filhos que sejam obedientes a ele”.
(3IV:1; 2VI:2; 3XVIII:4; 10VII:2).
Noutro trecho do Testamento dos Doze Patriarcas, na parte referente ao
Testamento de Judá, lê-se a seguinte citação sobre a vinda do Juiz e dos que
andarem em seus caminhos:
“Depois disto se levantará em paz um astro da linhagem de Jacó e surgirá
um homem de minha semente como o Sol Justo, caminhando junto com os filhos
dos homens em humildade e justiça, e não se encontrará nele nenhum pecado. Os
céus se abrirão sobre ele para derramar as bênçãos do Espírito do Pai Santo. Ele
mesmo derramará também o Espírito da graça sobre vós. Sereis seus filhos na
verdade e caminhareis pelo caminho de seus preceitos, os primeiros e os últimos”.
(TestJud 24.1-3).
Este trecho do apócrifo o Testamento dos Doze Patriarcas é claríssimo em
sua sugestão de que o novo Cristo nascerá na Terra e caminhará novamente com os
homens em humildade e justiça. Obviamente, tais idéias não apoiavam as crenças
cristãs tradicionais quanto ao retorno do próprio Jesus sobre as nuvens do céu. Isto,
provavelmente, levou o Testamento dos Doze Patriarcas a ser banido da Bíblia.
190
Outro apócrifo, o Livro Secreto de João, profetiza o aparecimento de uma
raça imultável na Terra (os santos dos últimos dias) governada pelo Espírito da
Vida (o novo Cristo):
“[Será revelada] a raça inalterável, sobre a qual o Espírito da Vida
descerá e habitará em poder. Eles alcançarão a salvação e se tornarão perfeitos.
E eles se tornarão dignos de grandezas. E lá eles serão purificados de toda
imperfeição e das angústias da maldade, estando ansiosos por nada, exceto pele
incorruptibilidade, meditando daí em diante sobre isso sem raiva, inveja, má
vontade, desejo ou insaciabilidade”. (LsJ 25.18-30).
Este trecho é uma maravilhosa referência ao trabalho do novo Cristo na
Terra, o qual (depois de ser rejeitado pelos cristãos) criará um novo grupo de
seguidores — a raça inalterável.
Por que os apócrifos foram banidos da Bíblia? — Entrei em contato com
os apócrifos há mais de 20 anos e sempre me fiz a mesma pergunta: Por que foram
banidos da Bíblia? A explicação convecional — que foram banidos porque
contrariavam os interesses escusos da Igreja Católica corrupta da época — não me
satsifaziam. Penso que somente agora encontrei a verdadeira resposta: os apócrifos
foram excluídos da Bíblia porque contém informações sobre o reaparecimento do
novo Cristo através de seu nascimento na Terra, e isto contrariava, não os
interesses da Igreja Católica, mas os interesses de Lúcifer, o deus deste mundo que
cegou a inteligência dos incrédulos, que, sabendo que o Cristo retornaria pela seu
nascimento na Terra trabalhava, já no alvorecer do cristianismo, para “cegar” a
humanidade, fazendo prevalecer a crença equivocada quanto ao retorno do próprio
Jesus sobre as nuvens do céu.
No capítulo 29 do apócrifo Apocalipse de Abraão está registrado que na
última era do mundo aparecerá um homem sagrado que reunirá os justos e trará
julgamento para os gentios e esperança para os bons. Diz ainda que, depois de seu
aparecimento, pragas e desastres terríveis desabariam sobre o mundo.
No apócrifo Revelção de Adão a referência ao novo Cristo e à vida futura
dos salvos foram registrados de forma similar aos registros canônicos:
“Nada de abominável estará em seus corações; somente o conhecimento
de Deus. Bem aventuradas são as almas daquelas pessoas, pois tiveram
conhecimento de Deus no conhecimento da verdade. Eles viverão para todo o
sempre”. (RevA 72.12; 83.12-14).
A vinda do Filho do homem consta ainda do apócrifo Realidade dos
Governantes em termos diferenciados, pois chama o novo Cristo de verdadeiro ser
humano, o que reforça a idéia de que o Cristo é um novo Adão, um verdadeiro ser
humano nascido sem precado, uma vez que os seres humanos descendentes da
Queda herdaram o pecado, a meia paternidade do arcanjo Lúcifer (Jo 8.44) e não
são, por assim dizer, verdadeiros filhos de Deus, verdadeiros seres humanos:
“Até o momento em que o verdadeiro ser humano, dentro de uma forma
modelada, revele a existência do espírito da verdade, que o Pai mandou. Então,
este ser os instruirá sobre todas as coisas, e os ungirá como unguento da vida
eterna”. (Rg 96.32).
191
O mesmo livro registra ainda o modo como as pessoas agirão depois da
vitória do verdadeiro ser humano, o novo Cristo:
“Então eles serão libertados de pensamentos cegos. E eles calcarão a
morte aos seus pés. E eles ascenderão à Luz ilimitada. Então todos os filhos da luz
terão verdadeiramente conhecimento da verdade, e do Pai da Totalidade e do
Espírito Santo. Eles todos dirão a uma só voz: A verdade do Pai é justa, e o Filho
a preside na totalidade. E de cada um, por todos os séculos dos séculos. Santo,
Santo, Santo!” .(Rg 97.5; 13-192).
O reaparecimento do Cristo e a Grande Tribulação no Livro de Enoch —
Dentre todos os apocalipses apócrifos o mais polêmico, sem dúvida, é o Livro de
Enoch devido às suas semelhanças com os textos canônicos. Escrito por volta do
ano 110 a.C. (ou do século III a.C.), o Livro de Enoch ficou praticamente
desconhecido até o século XVIII. No ano de 1773 um viajante inglês chamado
Bruce encontrou uma cópia completa do livro em etíope, a qual foi traduzida para o
inglês em 1821, tornando o livro conhecido como um apócrifo, embora existam
muitos sinais de sua legitimidade. O livro foi conservado na íntegra pela igreja
etíope que o considerava um texto canônico, assim como outros grupos cristãos. O
estudioso da Bíblia John Mekenzie diz que o Livro de Enoch foi compilado por
vários autores durante o século II a.C., sendo um livro muito popular nos três
primeiros séculos da era cristã. Enoch, cujo nome significa iniciado, é citado na
Bíblia no livro do Gênesis (Gn 5.21) e no Evangelho de Lucas (Lc 3.37), a quem o
evangelista atribui a paternidade de Matusalém. Na Epístola de Paulo aos hebreus
está escrito que “Enoch obteve testemunho de haver agradado a Deus”. (Hb 11.5).
Já o autor do livro Eclesiástico diz que “Enoch agradou ao Senhor e foi
arrebatado, exemplo de conversão para os cristãos” (Ec 44.16), e que “ninguém
na Terra foi semelhante a ele”. (Ec 49.14). No livro do Gênesis Enoch é citado
como alguém que “andou na presença de Deus, e a quem Ele tomou para Si”. (Gn
5.24). Entre os essênios da comunidade de Qumran o Livro de Enoch também era
considerado um texto canônico. Diversas cópias foram encontradas entre os
Documentos do Mar Morto. Clemente de Alexandria, Justino, Orígenes, entre
outros autores cristãos, conheciam e viam o Livro de Enoch como um texto
sagrado. O Livro de Enoch também era muito popular na antiga Grécia, como ficou
demonstrado pela grande quantidade de fragmentos encontrados nas ruínas de uma
igreja de Mênfis, em l931, junto com a mais antiga coletânea de textos do Velho
Testamento até então conhecidos. Além disso, diversos pesquisadores encontraram
grandes semelhanças entre alguns versículos do Livro de Enoch e os evangelhos de
Mateus e Lucas. Luigi Moraldi, teólogo italiano especialista em ciências bíblicas e
professor de hebraico e línguas semitas comparadas, afirma que a resposta de Jesus
à questão da mulher com sete maridos apresentada pelos saduceus (Lc 20-27-33)
tem origem em um trecho do Livro de Enoch, onde está registrado que “a
ressurreição será espiritual e que os justos ressuscitados serão como os anjos do
céu”. No Eclesiástico, livro deuterocanônico, o segundo versículo referente ao
mistério da sabedoria, consta integralmente do Livro de Enoch, que também é
192
citado nominalmente na Epístola de Judas, onde um trecho do livro foi
reproduzido.
Estas referências, as quais atestam a legitimidade do Livro de Enoch,
convalidam-no à luz da concepção evangélica da solo scriptura, fundamentada na
doutrina da autopistia — autotestemunho bíblico —, segundo a qual “as Escrituras
são plenamente suficientes para fundamentar sua própria autoridade, de modo que
a Bíblia diz exatamente o que ela significa e significa o que ela diz”. Em outros
termos: scriptura scripturae interpres (as Escrituras interpretam as Escrituras).
Com base nessa doutrina, os estudiosos bíblicos justificam um trecho do apócrifo
Livro da Ascensão de Moisés, que tem um de seus episódios citado na Epístola de
Judas (Judas 9). Assim, a autopistia é uma prática comum entre os biblistas. Como
Enoch é citado nominalmente e diversos trechos de seu livro aparecem na Bíblia,
não parece ter havido razão suficiente para que o seu livro fosse banido da Bíblia,
exceto por influência externa de alguém a quem interessava ocultar, no todo ou em
parte, o Livro de Enoch. A minha tese é a de que Lúcifer interferiu na escolha dos
livros que deveriam ser considerados canônicos, e baniu o Livro de Enoch,
principalmente pelas referências que ele contém relativas à Queda do homem, à
natureza do pecado de Lúcifer e ao nascimento do Cristo na Terra. No Livro dos
Segredos de Enoch está claramente registrada a Queda dos anjos, um evento
igualmente mencionado na Bíblia em termos muitos semelhantes. Porém, o Livro
de Enoch vai além e revela que o pecado de Lúcifer foi a sedução de Eva:
“De como Satanail, com seus anjos, foi precipitado das alturas — E um
dos anjos, tendo saído de sua hierarquia (deixado sua posição) e se desviado para
uma hierarquia abaixo da sua, concebeu um pensamento impossível: colocar o seu
trono acima das nuvens que se encotram sobre a Terra, para que seu poder se
igualasse ao meu. Precipitado do alto com seus anjos, ele se pôs a voar por cima
do abismo, continuamente”. (LSE 29.3-4).
“E Adão permaneceu no paraíso, e o demônio entendeu que Eu queria
criar outro mundo, porque Adão era senhor na Terra, para comandá-la e
controlá-la. O demônio é o gênio do mal das regiões inferiores, e como fugitivo,
ele criou Sotona a partir dos céus, por ser seu nome Satanail. Por isso, ele se
tornou diferente dos anjos, mas a sua natureza não modificou a sua inteligência
quanto ao entendimento do certo e do errado. E ele entendeu sua condenação e o
pecado que cometera. Por essa razão, alimentou ressentimentos contra Adão, de
tal forma que entrou em seu mundo e seduziu Eva, mas não atingiu Adão”. (LSE
31.1-5).
Como vemos, o Livro dos Segredos de Enoch revela que Lúcifer ficou
ressentido com Deus e queria a posição de Adão como senhor do universo. Por
isso, seduziu Eva. Assim, o pecado do anjo foi claramente revelado a Enoch, que o
registrou em seu livro. Lúcifer não poderia permitir que este livro se popularizasse
no início do cristianismo. Por isso, o baniu da Bíblia.
O trecho do Livro de Enoch incluído na Epístola de Judas fala sobre o
reaparecimento do Cristo e do Juizo Final:
193
“Quanto a estes foi que também profetizou Enoch, o sétimo depois de
Adão, dizendo: Eis que veio o senhor entre milhares de seus santos para fazer
justiça contra todos e para fazer convictos todos os ímpios, acerca de todas as
obras ímpias que impiamente praticaram, e acerca de todas as palavras insolentes
que os ímpios e pecadores proferiram contra ele”. (Jd 14-15).
Transcreveremos a seguir alguns trechos do livro de Enoch acerca do
reaparecimento do Cristo e do Juizo Final selecionados pelo escritor Normam
Cohn, e publicados em seu livro Cosmos, Caos e o Mundo que Virá:
“Este (o novo Cristo) chegará quando o número predeterminado de eleitos
for alcançado. Então, o Senhor dos Espíritos tomará seu lugar no trono da glória,
circundado pelas hostes angélicas e pela assembléia de anjos. Os ‘livros dos
livros’ — os registros das boas e más ações de cada indivíduo — serão abertos e
haverá o julgamento. Esta será a tarefa do Filho do homem: sentado com o Senhor
dos Espíritos em um trono de glória, ele pronunciará as sentenças sobre os vivos e
os mortos. (...) Por meio de seus julgamentos, o Filho do homem realizará uma
purificação na Terra. Não só os pecadores humanos, mas também os anjos
decaídos, ‘aqueles que desencaminharam o mundo’, serão afastados de uma vez
por todas. E todas as suas obras serão eliminadas da face da Terra. Todo o mal
desaparecerá, vencido pela força do Cristo entronizado. E a partir de então não
haverá nada sujeito à corrupção. Por fim, o Senhor dos Espíritos transformará o
céu e a Terra em uma luz e uma bênção eternas. (...) O Filho do homem viverá no
meio deles, e os justos irão morar, comer, dormir e se levantar com Ele para todo
o sempre. Eles próprios serão transformados. O Senhor dos Espíritos lhes
proporcionará ‘as vestimentas da vida’, de modo que se tornem semelhantes a
anjos. E serão imortais; os escolhidos permanecerão na luz da vida eterna; e não
haverá fim para os dias de sua vida”.
Este trecho do Livro de Enoch afirma claramente que o novo Cristo não
será o mesmo Jesus, pois aparecerá na Terra, será coroado rei na Terra, julgará a
humanidade na Terra e os justos viverão com ele, comendo, dormindo e se
levantando com ele na Terra. Obviamente, tais informações contradizem
completamenteos a interpretação tradicional de um Jesus vindo sobre as nuvens
para arrebatar alguns cristãos escolhidos. O Livro da Sabedoria contém um trecho
muito semelhante ao trecho acima, de Enoch:
“Os que nele confiam compreenderão a verdade, e os que são fiéis no
amor permanecerão com ele (...) E o Senhor reinará sobre eles para sempre”.
(Livro da Sabedoria 3. 8, 9).
Vejamos mais alguns trechos do Livro de Enoch, os quais fortalecem a
idéia do nascimento e da missão do Filho do homem — o novo Cristo — sobre a
Terra:
“As mais altas montanhas hão de tremer e os picos mais elevados
desabarão, derretendo-se como cera ao fogo. A Terra será desmantelada e tudo
que sobre ela existe será supresso; e tudo será submetido a julgamento”. (LE 1.4).
Eis o trecho do Livro de Enoch citado na Epístola de Judas (Jd 14,15):
194
“Em verdade! Ele virá com milhares de santos para exercer o Julgamento
sobre o mundo inteiro e aniquilar todos os malfeitores, reprimir toda carne pelas
más ações tão iniquamente perpetradas e pelaspalavras arrogantes que os
pecadores insolentemente proferiram contra Ele”. (LE 1.6).
“E o Senhor disse a Miguel: Aniquila todas as almas lascivas e os filhos
dos vigilantes (vigilantes = anjos. Cf. Jo 8.44) por terem aprimido os homens.
Elimina toda a opressão da face da Terra, desapareça todo ato de maldade,
apareça o rebento da justiça e da verdade (o novo Cristo), transformem-se suas
obras em bênçãos e plantem com júbilo obras de justiça e de verdade eterna”. (LE
10.15-17).
“Quando a comunidade dos justos se tornar visível, e quando os
pecadores forem castigados pelos seus pecados e expulsos da Terra, quando o
Justo aparecer diante dos olhos dos justos, cujas obras estão guardadas junto com
o Senhor dos Espíritos, e quando a luz dos justos e dos escolhidos brilhar sobre a
Terra, onde estará então o lugar dos pecadores? Onde será o lugar de repouso
para os que renegaram o Senhor dos Espíritos: Oh! Melhor seria para eles se não
tivessem nascido!”. (LE 38.1).
“Então, naquele tempo, os reis e poderosos serão aniquilados e entregues
nas mãos dos justos e dos santos. A partir daquele momento nenhumm deles
poderá pedir perdão ao Senhor dos Espíritos, pois sua vida terá chegado ao fim”.
(LE 38.4).
“Lá eu vi aquele que possui uma cabeça de ancião, e essa era branca
como a lã; e junto dele havia um outro, cujo aspecto era de um homem, o seu rosto
era cheio de graça, semelhante ao de um ajo santo. Perguntei ao anjo que me
acompanhava, e que me revelava todos os segredos, quem era aquele Filho do
homem, de onde procedia e por que estava com aquele que tem uma cabeça
grisalha. Deu-me como resposta: Este é o Filho do homem, o detentor da justiça,
que com ele mora e que revela todos os tesouros secretos, pois Ele foi escohido
pelo Senhor dos Espíritos, e o seu destino excede a tudo em retidão diante do
Senhor dos Espíritos, por toda a eternidade. Este Filho do homem que viste,
arrancará reis e poderosos de seu sono voluptuoso, fa-los-á sair de suas terras
inamovíveis, colocará freios nos poderosos, quebrará os dentes dos pecadores”.
(LE 46.1-2).
“Naquele lugar eu vi o poço da justiça: ele era inesgotável, e ao seu redor
havia muitos poços de sabedoria. Todos os que tinham sede bebiam deles e eram
saciados de sabedoria, e moravam junto aos justos, aos santos e ao Eleito. E
naquela hora, o Filho do homem era mencionado diante do Senhor dos Espíritos, e
o seu nome era referido diante do Ancião. Antes que fossem criados o sol e os
signos, e antes que fossem feitas as estrelas do céu, o seu nome era pronunciado
diante do senhor dos Espíritos”. ((LE 48.1-2).
“Ele será um bordão para os justos, para que nele possam apoiar-se e não
cair; ele será a luz dos povos e a esperança dos aflitos. (...) Para esse propósito ele
foi escolhido e mantido oculto junto dele, antes que o mundo fosse criado; e ele
195
será para todo o sempre. E a sabedoria do Senhor dos espíritos revelou-o aos
santos e aos justos”. (LE 48 3-4).
Por que o Filho do homem foi escolhido e mantido oculto junto d’Ele e por
que o nome do Filho do homem “era pronunciado antes da criação do sol (do
universo)?”. Alguns estudiosos tradicionais explicam que Jesus já existia ao lado
de Deus (como parte da Santíssima Trindade) antes da criação do universo. Ora, se
esta explicação for verdadeira — se o Filho do homem foi escolhido e mantido
oculto junto d’Ele antes da criação do universo — isto significaria que Deus já
sabia que a Queda do homem ocorreria antes mesmo da criação do universo. Deus
teria planejado seu próprio sofrimento e o sofrimento de Seus filhos. Isto não pode
ser verdade.
A outra explicação me foi fornecida pelos cristãos unificacionistas: o Filho
do homem foi escolhido e mantido oculto junto d’Ele e seu nome era pronunciado
antes da criação do sol e das estrelas porque o Filho do homem é Adão, o ideal
original de Deus. Primeiramente, Deus “criou” Adão mentalmente como seu objeto
recíproco de amor. Em seguida, criou todo o universo por ele (por causa dele,
tendo-o por modelo e com base em suas medidas), assim como um pai monta o
quarto para receber seu filho que vai nascer. O universo é ajustado e adequado ao
homem, como descobriu a nova física (princípio antrópico). Quando Jesus disse:
“Antes que Abraão existisse, eu existo” (Jo 8.58), estava repetindo a mesma
verdade revelada a Enoch: que ele era Adão (um segundo Adão, um ser humano
verdadeiro); o ideal humano original de Deus que pré-existiu na mente de Deus
antes do próprio universo, o habitat, o lar do homem.
Para finalizar, veremos um trecho do Livro de Enoch que, assim como em
Mt 7.22-23, profetizou que muitos líderes cristãos serão julgados e condenados
pelo novo Cristo (provavelmente, porque, presos à crença da vinda de Jesus sobre
as nuvens, não o reconhecerão e o perseguirão):
“E os 70 pastores foram julgados, mostraram-se culpados e também foram
atirados no abismo de fogo. Vi, naquele instante, que se abria um abismo como o
anterior, no meio da Terra, cheio de fogo. Trouxeram as ovelhas cegas (os crentes
que acreditaram nas blasfêmias dos pastores) e foram todas julgadas, condenadas,
e atiradas naquele redemoinho de fogo, e começaram a arder”. (LE 90.24-27).
O Livro de Enoch contém dezenas de trechos referentes à segunda vinda
do Cristo pelo seu nascimento na Terra e ao Juizo Final que ele realizará. Para o
propósito deste tópico — demonstrar que os livros apócrifos profetizaram o retorno
do novo Cristo através de seu nascimento na Terra — penso que os trechos do
Livro de Enoch estudados até aqui já são suficientes. O Livro de Enoch inteiro é
uma descoberta deslumbrante para os que amam a verdade. Por isso, aos mais
interessados, eu recomendaria sua leitura integral.
O Apocalipse de Baruc e o nascimento do novo Cristo na Terra — O
livro canônico do profeta Baruc (= abençoado) não é encontrado na Bíblia
hebraica, mas aparece na Septuaginta e consta do cânon do Concílio de Trento,
sendo parte integrante da Bíblia católica. Baruc foi um escriba de Jeremias, tendo
sido citado várias vezes no próprio livro de Jeremias, que cita Baruc como um
196
homem prestigiado em seu tempo: “Jeremias recorreu a Baruc, filho de Neriá, que
escreveu num rolo, conforme Jeremias ia ditando,todas as palavras que o Senhor
lhe tinha dirigido”. (Jr 36.4). O livro de Baruc era lido pelo rei Jeconias e pelos
hebreus cativos na Babilônia, sendo também lido durante a Diáspora na Festa dos
Tabernáculos. Apesar de tudo isso, o Apocalipse de Baruc permanece um livro
apócrifo, no qual o aparecimento do Grande Juiz e e de sua atuação no Juizo Final
são citados:
“Mas preparai os vossos corações e semeai neles os frutos da lei para
estardes protegidos no tempo em que o Todo-poderoso haverá de abalar toda a
Criação”. (Lb 33).
“O Julgador virá, e ele não hesitará. Eis que é chegado o momento da
tribulação. Ela virá e o seu ímpeto será avassalador; ela propagará o desespero
em meio a constantes ataques de ira. Naqueles dias, todos os habitantes da Terra
revoltar-se-ão uns contra os outros, pois não saberão que é chegada a hora do
Meu julgamento. Naqueles dias será pequeno o número dos sábios, poucas serão
as pessoas conscientes do que se passará. (...) As paixões acometerão os pacíficos
e muitos serão arrebatados pela cólera e ferirão a muitos. Exércitos incitar-se-ão
ao derramamento de sangue, e finalmente, todos conjuntamente perecerão. A
mudança dos tempos será, naqueles dias, clara e patente para todos, porque nos
dias passados encheram-se de contaminação, praticaram a fraude, seguindo cada
um os seus caminhos, relegando ao esquecimento a Lei do Todo poderoso. Por
isso, as chamas devorarão seus intentos; os seus pensamentos secretos serão
provados pelo fogo”. (Lb 48).
No próximo texto do Apocalipse de Baruc a profecia do nascimento físico
do Cristo e sua presença na Terra, sua vitória e coroação como Rei da Justiça foram
registrados com impressionante clareza:
“Depois que Ele tiver submetido tudo a si no mundo, e em paz duradoura
assentar sobre o seu trono real, o bem-estar será instalado e sobrevirá a paz.
Então, como o orvalho, descerá a saúde e as doenças se afastarão. E da vida dos
homens desaparecerão as preocupações, os suspiros e as tribulações; a alegria se
estenderá sobre toda a Terra. Ninguém morrerá antes do seu tempo e nenhuma
adversidade ocorrerá repentinamente. Litígios, queixas, desavenças, atos de
vingança, derramamento de sangue, cobiça, inveja, ódio e coisas semelhantes,
dignas de condenação, tudo será extirpado por completo. Pois foram essas coisas
que encheram o mundo de maldade, e por causa delas é que sobreveio toda a
desordem na vida dos homens”. (Lb 123).
Textos como estes podem ter causado a exclusão do Apocalipse de Baruc
do cânone bíblico oficial, uma vez que contrariam totalmente as crenças
tradicionais estabelecidas sobre a volta de Jesus sobre as nuvens da atmosfera
terrestre.
O Livro da Ascensão de Isaías e o reaparecimento do Cristo na Terra —
Isaías é um dos quatro grandes profetas bíblicos que dispensam apresentações.
Todavia, o Livro da Ascensão de Isaías que, embora traga seu nome no título, pode
ter sido escrito nos primeiros séculos da era cristã por um autor anônimo, foi
197
rejeitado pelo cânone oficial, transformando-se em mais um proscrito da Bíblia.
Neste livro, o autor-profeta anônimo afirmou explicitamente, como poucos o
fizeram, que o novo Cristo será um homem que nascerá na Terra:
“Pois nos últimos tempos o Senhor descerá ao mundo e será chamado o
Cristo, quando descer e vir a vossa forma; e se fará carne e será um homem. (...)
E então a voz do Bem-amado rejeitará com vigor este céu e esta Terra; as
montanhas e as colinas, as árvores e os desertos, e o setentrião e o anjo do sol, e a
lua e todos os objetos deste mundo, testemunhas do poder e da manifestação de
Belial (Lúcifer). E todos os homens ressuscitarão e serão julgados nestes dias. E o
Bem-amado fará sair um fogo devorador que consumirá todos os maus, e estes
serão como se nunca tivessem existido”. (LAIs 9 13; 4.18).
“E dará a paz e o descanso àqueles que encontrar com vida na Terra, aos
zelosos servidores de Deus, e o sol se tingirá de vermelho”. (LAIs 4.14).
Deve-se notar que o Livro da Ascensão de Isaías foi escrito depois de
Jesus. Portanto, este novo Cristo que nascerá na Terra não é o próprio Jesus. Além
disso, a Bíblia rejeita a reencarnação (Hebreus 9.27).
Com este estudo do Livro da Ascensão de Isaías encerramos este tópico
sobre o reaparecimento do Cristo pelo seu nascimento na Terra nas profecias do
livros apócrifos. Muitos outros trechos de muitos outros livros poderiam constar
deste tópico, mas os livros e os trechos estudados aqui foram suficientes para dar
ao leitor uma visão concisa acerca do valor histórico e da legitimidade bíblica dos
livros apócrifos. Contudo, penso que o ponto novo deste estudo está em minha
proposição de que os livros apócrifos foram banidos da Bíblia, não por que fossem
heréticos, mas porque continham informações que se chocavam, aparentemente,
com a visão do cristianismo oficial e tradicional acerca do retorno de Jesus sobre as
nuvens da atmosfera terrestre. A quase totalidade dos apócrifos contém trechos que
profetizam o nascimento físico do novo Cristo na Terra, sua vitória total e a
implantação de seu reino eterno na Terra. Diante desse fato, concluí que os
apócrifos foram banidos da Bíblia oficial por influência espiritual do próprio
Lúcifer, cujo interesse não era divulgar que o Cristo voltaria pelo seu nascimento
na Terra, mas implantar no mundo a crença infantil e equivocada da vinda de Jesus
espiritual sobre as nuvens da atmosfera terrestre, assim como fizera com outras
crenças equivocadas, tais como a crença em Jesus como o Deus-Criador do cosmo.
As profecias de Nostradamus e as profecias da Bíblia e do Apocalipse —
Devido à importância, à amplitude e profundidade das profecias de Nostradamus e
das profecias da Bíblia e do Apocalipse estas serão estudadas nos dois próximos
capítulos exclusivos.
198
199
Capítulo II
O reaparecimento do Cristo
nas profecias de Nostradamus 16
Em seu livro Nostradamus e o milênio, o escritor inglês John Hogue escreveu:
“Cientista celestial, médico, herbanário, profeta e criador de cosméticos e
conservas de frutas, Nostradamus, o Homem da Renascença do século XVI,
mantém-se até este século como um personagem especial e singular. Sua obra em
dez volumes, as Centúrias, contendo a maioria das mil profecias é sempre
publicada e desafia interpretações. Não se sabe como uma única pessoa pôde ‘ver’
o futuro com tanta precisão...
Favorecido pela casa real francesa e por pessoas de mente mais elevada
da época, ele também foi odiado e temido pelas classes inferiores, supersticiosos e
pela Igreja Católica”.
Nostradamus (1503-1566), Michel de Nostradame, nasceu na pequena
cidade de Saint-Rémy em Provença, França, no dia 14 de dezembro de 1503, e
16
Para as pesquisas deste capítulo utilizei-me especialmente dos livros Nostradamus e o Milênio, de
John Hogue, Nostradamus:Historiador e profeta, de Jean-Charles de Fontbrune e Os Grandes
Profetas, da editora Nova Cultural. Além de pesquisas no site geocities.yahoo.com.br/realidadehoje,
o qual contém farto material sobre Nostradamus e outros profetas produzido pelo escritor Wilson M.
Franco.
200
morreu em 1566. Filho de Renée e Jacques de Nostradame, um próspero tabelião
da cidade de St. Remy, sua família professava o judaísmo, mas converteu-se ao
cristianismo quando Nostradamus tinha apenas 9 anos. Portanto, Nostradamus foi
um profeta cristão de origem judia que viveu há 440 anos. Foi conselheiro de 3 reis
franceses (Henrique II, Francisco II e Carlos IX) e homem de confiança da rainha
Catarina de Médices. Estudou latin, grego, hebraico, matemática, astrologia e
humanidades em Avignonna França. Atraído pela medicina, matriculou-se na
Escola de Medicina da universidade de Montpellier, começando sua carreira
médica aos 22 anos de idade. Fixou-se na cidade de Agen, onde se casou e teve um
casal de filhos. Lutando contra a peste em várias cidades da Europa perdeu sua
esposa e seus filhos, ficando sozinho no mundo. Tal perda, temporariamente, o
desmoralizou como médico. “Sem saber para onde olhar em busca de um pouco de
paz”, segundo suas palavras. Perambulou pela Itália e voltou para sua terra natal a
fim de se recuperar da perda. Trabalhou contra a peste em Boudaux. E se fixou em
Salon-de-Craux, onde se casou com a viúva Ana Gemella e teve 6 filhos (3 casais).
Foi nessa época que começou a escrever suas profecias. Profetizou sua morte em 2
de julho de l966 e pediu para ser sepultado de pé numa das paredes da Igreja dos
Cordeliers, em Salon (não queria que nenhum canalha pisasse sobre seu cadáver).
Durante a Revolução Francesa seu túmulo foi violado pelos revolucionários e seus
restos mortais foram enterrados na Igreja de São Lourenço, em Salon, onde
permanece até hoje.
A primeira edição de suas profecias foi publicada em Lyon, França, em
l555. Uma edição completa foi publicada por Pierre Rigaud em l568, três anos
depois de sua morte. No total, continha 12 centúrias, três incompletas (7, 11 e 12).
Outras profecias constam de presságios e cartas enviadas aos reis e a outras
personalidades de sua época. Entre muitas outras profecias impressionantemente
precisas, Nostradamus profetizou que o messias da segunda vinda nasceria no
Oriente e que o catolicismo chegaria ao fim.17
1. As profecias de Nostradamus sobre o reaparecimento do Cristo na Ásia
“Ele aparecerá na Ásia e se sentirá em casa na Europa... O homem do
Oriente deixará seu trono, cruzando os apeninos... Ele voará pelo céu, pelas
chuvas e neves... E golpeará o mundo com o seu bastão [a espada, a vara de sua
boca = a palavra 18).
(Centúria II. Quadra 29.
17
Os trechos das profecias de Nostradamus utilizados aqui foram pesquisados dos livros Os Grandes
Profetas. Editora Nova Cultural, l985, p. 25-28, do livro Nostradamus: Historiador e Profeta, de
Jean-harles de Fontbrune. Editora Nova Fronteira, l982, e do livro Nostradamus e o Milênio, de John
Hogue. Editora Nova Fronteira, 1988.
18
Apoc 19.15: “De sua boca sairá uma espada de dois gumes, com a qual julgará as nações pagãs”;
II Tess e Is 11.4: “...e ferirá e julgará o ímpio com a vara de sua boca e com o sopro de seus lábios”.
201
John Hogue. Nostradamus e o Milênio. Nova Fronteira, 1988. 174-177)
“O tão esperado [o Cristo] não voltará jamais da Europa, pois aparecerá
na Ásia. Um príncipe nascido de Hermes [Hermes é o mensageiro dos deuses] e
sobre todo o Oriente estenderá seu poder”.
(Centúria X. Quadra 75)
Nestas profecias Nostradamus profetizou o nascimento do novo Cristo na
Terra, no Oriente, chamando-o de o homem do Oriente. Na verdade, à medida que
pesquisamos o pensamento unificacionista, dos cristãos unificacionistas, fomos
adquirindo a convicção de que estas profecias somente adquirem sentido no
contexto do Completo Testamento, a mensagem bíblica do Unificacionismo, o
movimento neocristão que desde l945 tem anunciado ao mundo que o novo Cristo
já nasceu no Oriente, na Coréia, e seu nome é Sun Myung Moon, fundador do
Movimento Internacional da Unificação. Devido ao impacto do Unificacionismo
no século XX e XXI em todo o mundo, este será mais profundamente estudado na
terceira parte deste livro.
Por fim, Nostradamus profetizou que depois da Grande Tribulação que
assolará a humanidade chegará um tempo de paz universal:
“(...) Depois desse tempo, a face da Terra será renovada com a chegada
da Idade do Ouro, que durará longo tempo. Deus Criador ordenará, ouvindo a
aflição de seu povo, que satanás seja agrilhoado e atirado no abismo do inferno,
na fossa profunda; começará então, entre Deus e os homens, uma paz universal
de mil anos”.
Trecho da Carta a Henrique II, rei da França.
Na Bíblia está escrito que “... um dia para Deus é como mil anos e mil
anos é como um dia”. (II Pe 3.8). Isto significa que a existência de Deus transcende
o tempo, pois Ele existe na eternidade; não está sujeito à duração do tempo.
Portanto, o reino de paz milenar profetizado pelos grandes profetas e pelo
Apocalipse não é uma expressão literal, mas uma expressão simbólica que significa
eternidade. A idéia do milênio como símbolo da eternidade também foi utilizada,
entre outros, por Hitler, que pretendia construir o III Reich, um império mundial
milenar, e por Saddan Hussein, que se dizia descendente do rei Nabucodonosor da
Babilônia (o escravizador dos judeus) e pretendia restaurar a glória da antiga
Babilônia, um império que, segundo ele, duraria mil anos.
2. Nostradamus e os 8 Sinais que identificarão o novo Cristo
A maioria dos intérpretes de Nostradamus enfatiza um futuro negro e cheio de
tragédias que deverá preceder o fim do mundo (da maldade). Poucos destacam as
profecias que apontam para um futuro de paz e felicidade para toda a humanidade,
que é o objetivo deste livro.
202
No capítulo doze de seu livro Nostradamus e o milênio, o Novo Despertar,
o escritor John Hogue faz uma observação semelhante, destacando as profecias de
Nostradamus sobre um futuro de paz e felicidade para a humanidade após o fim do
catolicismo e o reaparecimento do Cristo. Eis como Hogue se refere à questão:
“Quase todos os trabalhos de Nostradamus publicados neste século trazem
seus escritos mais pessimistas. Será que estamos condenados a inevitáveis
desastres ecológicos, pragas e guerra nuclear? Será que o futuro visto por esse
homem é imutável ou temos alguma chance de sobreviver?
Aqui e ali, espalhadas entre as visões apocalípticas, há profecias sobre
uma nova consciência religiosa que, segundo ele, surgirá e florescerá antes do fim
deste século XX.
Essa nova consciência parece ser o centro das predições positivas de
Nostradamus, a qual emerge, em parte, de seu forte senso da necessidade de
crescimento espiritual... Neste século já temos plena consciência da necessidade
de aumentar nosso conhecimento sobre assuntos situados fora de nossa produção
científica e tecnológica.
Pouco do que permanece nas religiões estabelecidas apresenta algum
sinal de estar proporcionando paz à humanidade. A maioria das cinco mil guerras
que ocorreram nos últimos três mil anos teve origem na diferença de fé ou de
ponto de vista sobre o que vem a ser a verdade.
Nostradamus prevê claramente o aparecimento de uma nova religião
situada fora dos credos estabelecidos, como cristianismo, islamismo, budismo e
hinduísmo [Hogue deveria acrescentar: esoterismo, confucionismo e judaísmo]. E
vai mais além ao profetizar o colapso de uma das maiores religiões: a católica.
Portanto, qual é a nova religião e em que estágio de desenvolvimento ela se
encontra neste momento?”. (Nostradamus e o milênio. Pp. 171 e 172).
Neste último parágrafo, Hogue afirma que, segundo as profecias de
Nostradamus, a nova religião já está na Terra. E pergunta: em qual estágio de
desenvolvimento ela se encontra atualmente? Assim como Hogue, a maioria dos
intérpretes das profecias da humanidade também acredita que as profecias para o
século XX já se cumpriram, ou estão por se cumprir, e que a nova religião já está
na Terra. Se a nova religião já está na Terra é óbvio que ela foi iniciada por
alguém; tem um fundador. Portanto, é preciso identificar essa nova religião e o seu
fundador, uma vez que eles representam nossa esperança de paz e felicidade para o
futuro. Este é o propósito deste livro: auxiliar o homem atual a identificar o novo
Cristo e a religião que ele fundou no século XX.
Nessa busca, Hogue identificou e enumerou em seu livro 8 sinais que
caracterizarão o novo Cristo, segundo as profecias de Nostradamus, e identificou e
dispôs em um diagrama os 10 mais prováveis candidatos a novo Cristo.
Estudaremos a seguir os 8 sinais que caracterizarão o novo Cristo
mencionados por Hogue, acrescidos de outros 6 sinais que identifiquei em minhas
pesquisas, resultando em um total de 14 sinais.
1º Sinal — Virá do Oriente e ensinará coisas boas no Ocidente
203
“Ele aparecerá na Ásia e se sentirá em casa na Europa... O homem do
Oriente deixará seu trono, cruzando os Apeninos para ver a França. Ele voará
pelo céu, pelas chuvas e golpeará o mundo com o seu bastão”.
As profecias de Nostradamus, do Apocalipse e dos demais profetas da
humanidade afirmam o reaparecimento do novo Cristo na Àsia, no Oriente. Assim,
esse é o primeiro sinal que identificará o novo Cristo. Portanto, todos os candidatos
a novo Cristo que não nasceram no Oriente — e só no Brasil apareceram 4: Inri
Cristo (fundador da SOUST), Alziro Zarur (fundador da Igreja da Boa Vontade),
Jacintho Coelho (fundador da Cultura Racional) e Norberto Keppe (fundador da
Trilogia Analítica) — devem ser descartados como falsos cristos.
2º Sinal — Trará o bastão de Hermes: um novo ensinamento
“Ele voará pelo céu, pelas chuvas e golpeará o mundo com o seu bastão.
Ele aparecerá na Àsia e se sentirá em casa na Europa. O descendente do grande
Hermes...”.
Diversos intérpretes, por má fé ou por ignorância, desprezam o significado
místico e oculto das profecias de Nostradamus, afirmando que o bastão é um míssil
nuclear e que o homem do Oriente é um terrorista do Oriente Médio, o anticristo.
Ainda que a idéia do Bin Ladem e dos terroristas como anticristos pareça razoável,
cabe lembrar que o número de homicídios praticados nos países democráticos —
por ladrões, assassinos, narcotraficantes e pessoas comuns — supera em milhões o
número de mortes provocadas pelos terroristas. Além disso, o título de anticristo
enquadra-se bem mais ao conjunto dos líderes criminosos, tais como os
revolucionários iluministas, os nazistas e os comunistas. Estes últimos incendiaram
o mundo com revoluções sanguinárias e mataram mais de 150 milhões de pessoas
inocentes, sem contar o saque e as terríveis atrocidades cometidas nos 35 países
que conquistaram em sua longa marcha de 70 para lugar nenhum.
Assim, como demonstrei em meu livro A Natureza Mística do Marxismo, o
anticristo não é uma referência a um único homem, mas a um conjunto de ditadores
cruéis disfarçados de amigos do povo. Nessa lista, estão Karl Marx, Guilherme II,
Hitler, Stálin. Mao Tsé Tung, Pol Pot, Fidel Castro, Id Amin, Bin Laden, Pinochet
entre muitos outros ditadores cruéis de esquerda e de direita que massacraram
milhões de pessoas no século XX. 19
De outro lado, o título de anticristo ajusta-se também aos muitos líderes
pseudo-religiosos que têm enganado e explorado a boa fé de outros milhões de
crentes ingênuos, utilizando os dízimos e as ofertas arrecadadas com base na
promessa de prosperidade rápida e fácil às custas de Deus, para custearem uma
19
Outrossim, a besta apocalíptica de 7 cabeças criada pelo anticristo pode ser perfeitamente
identificada com o comunismo russo, que teve 7 líderes: Wladimir Lênin, Leon Trotsky, Joseph
Stálin, Nikita Kruschev, Yuri Andropov, Leonid Brejniev e Mikhail Gorbatchev.
204
vida promíscua e de luxo ostensivo. Acrescente-se ainda os milhões de líderes nãocristãos do Movimento Nova Era que, através da venda de bugigangas e amuletos
(pirâmides, baralhos, cristais, gnomos, bruxas, incensos, discos voadores, livros
místicos de auto-ajuda, terapias, previsões astrológicas, adivinhações e palestras
baseadas nas velhas idéias dos Vedas e na equivocada hipótese da reencarnação,
etc), têm feito grandes fortunas com as quais financiam suas vidas hedonistas e de
luxo igualmente ostensivo. Sem contar a armadilha espiritual em que se constituem
algumas das idéias esotéricas (bruxaria, magia negra, Ets, exoplanetas etc) que
taxam e condenam a Bíblia como retrógrada, mitológica e mentirosa, arrastando
bilhões de pessoas para as velhas e falsas crenças do passado e para os costumes
hedonistas do mundo atual, afastando-os da verdade e da moralidade bíblica, da
crença no Cristo salvador e do verdadeiro Deus.
Na verdade, segundo a tradição hermética, Hermes é o mensageiro dos
deuses; é aquele que traz uma nova mensagem dos deuses. Hermes liga o bastão à
vara de caduceu, o símbolo místico ocidental para a iluminação. O bastão ilumina,
liberta e transforma o homem, pois simboliza a verdade: “Conhecereis a verdade e
a verdade vos libertará”.
Na Bíblia, a palavra bastão significa língua, palavra: “De sua boca sairá
uma espada de dois gumes com a qual julgará as nações pagãs”. (Apoc 19.15);
“...e ferirá e julgará o ímpio com a vara de sua boca e com o sopro de seus
lábios”. (II Tess e Is 11.4). Portanto, o bastão com o qual o novo Cristo golpeará o
mundo mal será a palavra; não qualquer palavra, mas a palavra verdadeira que ao
ser dita tem a força de um golpe na mente e no coração dos maus. Assim, o
segundo sinal que identificará o novo Cristo é a nova mensagem bíblica que ele
trará de Deus e com a qual punirá e extinguirá a maldade (“A palavra que anunciei
o julgará no último dia” [Jo 12.48]; “A língua, meus irmãos, é um fogo” [Tg 3.6]);
“Não é a minha palavra como o fogo?” [Jr 23.29]; “Eu vim para lançar fogo à
Terra. E o que mais quero se já está queimando?” [Lc 12.48]). Com base no
significado simbólico das palavras bastão, vara da boca, sopro dos lábios, espada
da boca, etc, podemos afirmar que o instrumento utilizado pelo novo Cristo será a
palavra verdadeira de Deus; palavras voltadas para a libertação espiritual (que
exige luta contra os maus desejos do corpo), e não para o prazer e o bem-estar
exclusivos do corpo físico.
Portanto, se o candidato a novo Cristo não tiver nascido no Oriente e não
trouxer uma mensagem/palavra-de-justiça nova, dura como uma vara/bastão e
ardente como um fogo (que queima o pecado) já pode ser descartado. Isto descarta
de imediato as velhas, suaves e agradáveis palavras de vários zen-gurus indianos
(inspirados nos Vedas de 5.000 anos atrás), as quais, ao invés de se oporem, muitas
vezes estimulam os desejos mundanos, exclusivamente físicos, dos homens
decaídos e maus.
3º Sinal — O novo Cristo será proscrito (rejeitado e perseguido)
205
“Um homem será acusado de destruir os templos e as religiões alteradas
pela fantasia. E ele ameaçará muito mais as pedras do que os vivos. Orelhas
cheias de sermões adornados”.
Neste trecho, Nostradamus classifica as velhas religiões como sombras e
fantasias do que foram no passado. Diz ainda que o novo Cristo ameaçará mais as
pedras do que os vivos, numa referência à sua bondade, incapaz de fazer mal às
pessoas que veio para libertar do mal e do sofrimento. Refere-se ainda às orelhas
cheias de sermões e adornadas dos sacerdotes das velhas religiões, que se
tornaram odres cheios de vinho velho que, uma vez misturados, poderão estragar o
vinho novo (as novas palavras). Todavia, os líderes das velhas religiões, ao invés
de ouvirem e pesquisarem o conteúdo das novas palavras do novo Cristo, sentir-seão ameacados de perda de prestígio, poder e riquezas e acusarão o novo Cristo de
destruir os tempos (atacar sua religião e seus deuses), numa clara referência à velha
e falsa acusação empregada pelos sacerdotes egípcios para assassinar o jovem faraó
Akhenaton (que implantou o monoteísmo no Egito antigo), pelos sacerdotes persas
do século VI a.C. para assassinar Zoroastro a punhaladas, pelos sacerdotes hindus
para apedrejar Buda, pelos sacerdotes gregos para assassinar Sócrates, pelos
sacerdotes pré-islamismo para tentar envenenar Maomé e para assassinar Al-Hillaj
Mansoor, líder do sufismo indiano, pelos sacerdotes judeus da época de Jesus, os
lobos com pele de cordeiro, para acusá-lo, traí-lo e assassiná-lo, pelos cruéis
inquisidores católicos para assassinar centenas de pessoas confusas e desnorteadas
pelas heresias anticristãs, e usadas também pelos terroristas apocalípticos do Bin
Laden e da Al Qaeda para assassinar milhares de crianças e pessoas inocentes em
todo o mundo cristão ocidental, e com o dinheiro do petróleo fornecido pelo
próprio ocidente (que os livrou da fome do deserto e os enrriqueceu). Enfim, ao
longo de toda a história das religiões a acusação de atentar contra os deuses e
desviar a juventude sempre foi a preferida para justificar a perseguição e o
assassinato daqueles que ameaçavam o prestígio, o poder e a riqueza dos líderes
pseudo-religiosos do passado. E é ainda a acusação preferida dos líderes pseudoreligiosos do presente. O novo Cristo será, portanto, proscrito, perseguido e
acusado de atentar contra a religião, o pensamento, a moral e os costumes
(permissivos) predominantes neste século. Assim, ser um proscrito constitui o
terceiro sinal que identificará o novo Cristo que reaparecerá no Oriente. Logo,
todos os candidatos a cristo que não sofrerem acusações e perseguições mundiais
afins devem ser descartados como falsos cristos.
4º Sinal — A relação do novo Cristo com a cor vermelha
“As religiões se unirão contra os vermelhos... A cor rosa estará no centro
da cena mundial... Eles falarão a verdade de boca fechada. Então, no tempo das
necessidades, o esperado virá atrasado”.
206
Mais uma vez, os intérpretes convencionais das profecias de Nostradamus
vêm na expressão os vermelhos uma referência aos comunistas, que adotaram a cor
vermelha como um de seus mais expressivos símbolos. Inicialmente, deve-se notar
que os imperadores romanos, a Igreja Católica, os nazistas também adotaram a cor
vermelha como símbolo marcante. Portanto, a cor vermelha não é uma referência
exclusiva aos cardeais católicos, aos revolucionários comunistas ou aos nazistas.
Outrossim, a cor vermelha é uma cor nobre (pense nos tapetes vermelhos), viva e
estimulante utilizada como cor principal na publicidade contemporânea.
De outro lado, o vermelho e o rosa (vermelho suavizado) são cores vivazes
adotadas historicamente pelos místicos orientais para representar o fogo e a
consciência, o despertar da iluminação interior. Portanto, o novo Cristo que nascerá
no Oriente e fará uma revolução no coração do homem através de um novo
despertar religioso, uma iluminação, também se utilizará da cor vermelha.
Ao tomarem conhecimento da pesquisa para este livro os cristãos
unificacionistas me forneceram importantes dados históricos complementares para
este tópico, informando que o Rev. Moon conquistou 12 discípulos dentro da
prisão comunista de Hung Nan, na Coréia do Norte, sem dizer uma única palavra
sobre Deus; utilizou-se apenas da força de seu exemplo, amando e servindo aos
demais prisioneiros com aquilo que lhes era mais valioso: o alimento. Os
prisioneiros de Hung Nan tinham direito a uma única tigela de arroz por dia; isto,
se cumprissem a meta de produzir 30 sacos de cal/dia. O alimento era um bem tão
precioso que quando um prisioneiro morria enquanto comia muitos outros se
atiravam sobre ele para retirar-lhe o arroz da boca. Muitos não conseguiam comprir
a meta e o Rev. Moon doava metade de sua tigela de arroz para os que não a
recebiam. Doava o bem mais precioso. Esse ato conquistou a confiança e os
corações de todos que o conheciam na prisão, até dos carcereiros comunistas.
Outrossim, muitos unificacionistas, sob pesada perseguição, não podiam ensinar o
Completo Testamento, tendo que conquistar as pessoas em silêncio, sem palavras,
apenas com seu exemplo de vida. Assim, quando Nostradamus diz que falarão a
verdade de boca fechada, para os unificacionistas, anteviu os atos do novo Cristo
do Oriente, o Rev. Moon.
Complementando, por fim, o cumprimento da profecia de Nostradamus de
que a cor vermelha estaria relacionada com o novo Cristo do Oriente é importante
citar que a Associação do Espírito Santo para a Unificação do Cristianismo
Mundial, a primeira entidade fundada pelo Rev. Moon em l954, foi representada
por uma bandeira branca com um símbolo vermelho no centro, o qual simboliza
Deus, a harmonia, a família e as doze relações familiares básicas. Trata-se de um
símbolo utilizado ainda hoje. Portanto, quando Nostradamus se referiu às cores
vermelha e rosa (vermelho suavizado) fê-lo num contexto religioso, referindo-se às
cores tradicionais dos místicos orientais, e não aos revolucionários comunistas
(também antevistos em suas profecias). Na verdade, para alguns religiosos
tradicionais os revolucionários ateus “roubaram” as cores vermelha e preta
(símbolos do requinte e da nobreza) pertencentes a Deus. Assim, a presença da cor
vermelha é o quarto sinal que identificará o novo Cristo que reaparecerá no
207
Oriente. Logo, todos os candidatos a novo Cristo que não tiveram a presença da cor
vermelha em algum aspecto de suas histórias de vida devem ser descartados como
falsos cristos.
5º Sinal — O novo Cristo será um Marte (um “guerreiro” do bem)
“Na véspera de outra devastação, quando a Igreja pervertida estará no
topo de sua mais alta e mais sublime dignidade... surgirá alguém oriundo de uma
longa e estéril linhagem que libertará o povo da escravidão voluntária e o
colocará sob a proteção de Marte... a chama de uma seita se espalhará pelo
mundo...”.
Nostradamus anteviu o momento atual da Igreja Católica, pervertida por
dentro (recorde-se dos escândalos sexuais, homossexuais e de pedofilia em todo o
mundo), mas devido à suposta campanha Publiccitá, está no topo de sua mais alta
e mais sublime dignidade (pelo menos na aparência; na imagem).
Nostradamus anteviu ainda o surgimento de um personagem oriundo de
uma longa e estéril linhagem (oriundo da tradição judaico-cristã, o I e o II Israel,
que nunca produziram os frutos esperados deles por Deus. Por isso, linhagem
estéril) que libertará o povo da escravidão voluntária (sujeição às crenças e às
tradições das velhas religiões petrificadas) e o colocará sob a proteção de Marte.
Marte é o deus da guerra na mitologia grega. Tradicionalmente, Marte tem sido
utilizado como símbolo das pessoas batalhadoras, esforçadas; daquelas pessoas que
lutam e se sacrificam árdua e tenazmente em defesa de uma causa. Assim, diz-se
que Martin Luther King foi o Marte da luta contra o racismo nos Estados Unidos,
etc. Aqui podemos entender o porquê de Nostradamus relacionar o símbolo Marte
ao novo Cristo. Ele será um “guerreiro” de Deus, como Davi, que libertará o povo
e o protegerá (o colocará sob a proteção de Marte) com o risco de sua própria
vida.
De outro lado, há uma conexão entre Marte e Hermes, o condutor do
bastão iluminado, pois existem muitas semelhanças filosóficas entre os
ensinamentos herméticos e os ensinamentos orientais. Nostradamus parece indicar
que a nova religião universal diferirá das velhas religiões, pregando uma visão
mais tolerante e otimista da vida, fato que combina com a tendência dos dias atuais,
onde a maioria das pessoas busca estabelecer uma relação livre e direta com Deus,
dispensando as velhas estruturas de poder das velhas religiões, baseadas e mantidas
mais pelo medo do purgatório, do inferno e da punição divina do que pela vivência
do amor a Deus e ao próximo.
Curiosamente, os cristãos unificacionistas me informaram que uma das
crenças básicas da Teologia da Unificação é a idéia de que, originalmente, Deus
nunca pretendeu criar religiões (oração, jejum, vigília, abstinência, penitências,
dízimos, etc) e que, portanto, as religiões são instrumentos temporários inspirados
por Deus para transmitir ao homem a Sua verdade e ensinar-lhe o Seu amor,
libertando-o das trevas da ignorância, purificando-o moral e espiritualmente e
religando-o a Si. Feito isto, as religiões tornar-se-ão desnecessárias, sendo
208
subsituídas pela educação divina na família, na escola e na sociedade
(comunicações).
Subitamente, para surpresa dos próprios unifcacionistas, no livro Cheon Il
Guk e Minha Família (Editora IL Rung, 2004. Pg. 69), no discurso O Messias e os
Verdadeiros Pais, proferido no dia 27 de janeiro de 2004, em Seul, Coréia do Sul,
o Rev. Moon anunciou:
“Em l996 eu e minha esposa declaramos o fim da Igreja da Unificação,
dando-lhe um novo começo como Associação das Famílias para a Unificação e a
Paz Mundial a fim de realizar o mandamento de Deus de construir um mundo de
paz sobre a Terra. A vontade do céu é o estabelecimento da paz humana, que é
enrraizada em famílias verdadeiras, não no progresso de nenhuma igreja ou
religião particular”.
Ou seja, ele simplesmente extinguiu a Igreja da Unificação, substituindo-a
pela Associação das Famílias para a Unificação e a Paz Mundial que, a partir de
2005, se transformou na Associação para a Paz Universal (a ONU da Paz) porque,
segundo o Rev. Moon, a era da religião acabou e começou a era da família divina.
Doravante, os unificacionistas não precisarão mais fazer oração, mas relatar sua
vida diária diretamente para Deus. Não serão mais necessários jejuns, vigílias,
penitências, etc. Todos os unificacionistas devem viver na Terra o modo de vida de
Deus. Os lares substituirão os templos, os pais substituirão os líderes religiosos.
Dessa forma, ao extinguir sua própria igreja e ao declarar o fim da era da religião, o
Rev. Moon parece ter dado início a uma extraordinária revolução na história das
religiões. Todavia, os líderes do mundo ainda a ignoram quase que completamente.
A extinção da Igreja da Unificação e a declaração do fim da era da religião
surpreendeu até mesmo os unificacionistas e a todos os que acompanham com
interesse os passos do Rev. Moon (os serviços de informação dos governos, o
serviço de informação da Igreja Católica, os institutos de pesquisas das igrejas
protestantes, etc), pois em toda a história das religiões esta foi a primeira vez que
um líder religioso extinguiu a igreja fundada por ele mesmo quando esta atingira o
nível global e começara a ter aceitação internacional. Com esse ato, segundo os
unificacionistas, o Rev. Moon pôs em prática no presente exatamente o que
ensinou no passado. Assim como o mundo já está vivendo na era pós-moderna,
pós-industrial e pós-comunista, também já estaria vivendo na era pós-religião.
Qual o futuro das religiões tradicionais? O Movimento da Unificação diz
que as igrejas, como lugar de encontro com Deus e de educação moral, ética e
espiritual desaparecerão, sendo substituídas pelos lares divinos. A Bíblia diz que o
corpo é a vestidura do espírito, que o espírito é o templo de Deus e que o homem é
o templo de Deus. Originalmente, Deus deveria habitar o coração e a mente do
homem, mas foi expulso, pela Queda, do coração do homem e da sociedade
humana. Doravante, uma vez concluída a missão das religiões — o religamento
homem-Deus — o homem finalmente se tornará templo de Deus; Deus passará a
habitar o coração e a mente da humanidade. A relação homem-Deus será
semelhante à relação mente-corpo; a mente rege e protege o corpo, visando a
otimização de seu funcionamento. Futuramente, Deus regerá o coração e a mente
209
do homem (através do amor, da verdade, do caminho da vida natural e de sua
consciência moral), visando a otimização funcional da sociedade humana. Em tal
sociedade Deus será o Rei dos Reis; será o Reino de Deus na Terra — a Sociedade
familiar, o Familismo, inspirada pelo pensamento de Deus, o Deusismo. É o que
dizem os cristãos unificacionistas.
Voltando ao quinto sinal que identificará o novo Cristo oriental, por tudo o
que tem feito na Terra — uma batalha religiosa-cultural pacífica que já dura 70
anos, 1936-2006, sob contínua e pesada perseguição mundial —, o Rev. Moon
pode ser considerado o Marte da luta contra o ateísmo, contra as guerras e contra as
injustiças no século XX; o líder religioso que criou um movimento religioso (uma
seita, para Nostradamus, um termo que não carregava o sentido pejorativo atual)
que espalhou uma chama (fogo = palavra verdadeira) por toda a Terra.
Concluindo, os candidatos a novo cristo que não tenham defendido uma
causa universal com o risco da própria vida, espalhado uma chama de verdade,
esperança e transformação pelo mundo inteiro e sobrevivido a uma forte e
constante perseguição mundial deve ser descartado como falsos cristos.
6º Sinal — O novo Cristo terá a lua como um símbolo
“A Lua é conduzida por seu anjo. Os céus se aproximarão do equilíbrio. O
segundo para o último dos homens do profeta terá o dia de Diana (o dia da Lua)
como seu dia de descanso silencioso...
A grande quantidade de prata de Diana (Lua) e Mercúrio (Hermes, na
mitologia grega). As imagens serão vistas no lago (a flor das águas de um lago é
comparada a um espelho que permite ver a si mesmo e aos outros; meditação;
narciso). O escultor (Deus, está) procurando uma nova argila (um novo homem).
Ele (o novo Cristo) e seus seguidores ficarão cercados de ouro (de
sabedoria, que é um tesouro). A lua no meio da noite... (a Lua, o novo Cristo
iluminado, no meio da escuridão do mundo). O jovem sábio verá isso sozinho, com
sua mente (o novo Cristo, ainda jovem, descobrirá a verdade sozinho). Seus
discípulos o convidam a se tornar imortal. O corpo dele no fogo (o novo Cristo
enfrentará pesado sofrimento físico = fogo)”.
Em minha interpretação estes trechos parecem referir-se claramente ao
novo Cristo oriental, uma vez que ele (a Lua) será conduzido por Deus, por Jesus e
pelos santos (seu anjo), descobrirá (imagens vistas no lago) e revelará a verdade
plena (a prata de Diana, meditação; e Hermes, a mensagem de Deus). Ele e seus
seguidores possuirão um tesouro de sabedoria (ficarão cercados de ouro), mas ele
lutará como que sozinho contra o mundo (a Lua no meio da noite; da escuridão) e
vencerá a morte (tornar-se-á imortal) depois de trilhar um caminho de perseguição
e sofrimento físico (corpo dele no fogo).
Lua é o astro mais brilhante e visível (a partir da Terra) do sistema solar,
depois do Sol. Em muitos mitos primitivos e em muitos livros sagrados das
religiões do mundo Deus é simbolizado pelo sol. Até mesmo as teorias
cosmológicas do passado e do presente enaltecem a grandeza e a importância do
210
sol para a vida na Terra. Na tradição judaico-cristã o Cristo é o filho unigêntio de
Deus, é o filho de Deus, o ser mais importante depois do próprio Deus. A Bíblia
chega a compará-lo ao próprio sol (Ml 4.5), e Jesus, o primeiro Cristo, chegou a
autoproclamar-se imagem e semelhança de Deus; filho de Deus é Deus-filho; é
Deus também. Por isso, a Bíblia registrou: “Eu disse: sois deuses. Sois todos filhos
do Altíssimo” (Sl 82.6) e “Eu e o Pai somos um...” (Jo 10.9-10). Sob esse prisma,
a relação do novo nome do novo Cristo com a palavra Lua faz sentido e possui um
profundo significado.
Por sua vez, Hogue vê nestes trechos uma referência à meditação, prática
comum do misticismo oriental, observando que “Buda chamou a meditação de
Dhyana ou Dhyan, que corresponde à pronúncia francesa de Diana (Lua) usada por
Nostradamus”. Como se sabe, o termo meditação está vinculado a iluminação,
descoberta da verdade, o que fortalece a vinculação do novo Cristo com o Oriente.
De outro lado, Hogue observa que “A referência contida na primeira linha
da quadra 28, centúria 2, também parece querer dizer que o líder espiritual em
questão tem o nome relacionado com a Lua”. Quanto a isso não restam dúvidas. A
palavra Lua está contida no nome do novo Cristo oriental. Assim, Nostradamus
anteviu que o novo nome do novo Cristo oriental estava relacionado com a palavra
Lua.
Alguns trechos do livro do Apocalipse afirmam claramente que o novo
Cristo terá um novo nome:
“Ao que vencer dar-lhe-ei uma pedra branca e na pedra um novo nome
escrito, oqual ninguém conhece senão aquele que o recebe” (Apoc 2.17; ICo 10.4:
pedra = Cristo).
“Ao que vencer farei dele coluna no templo do meu Deus e daí jamais
sairá; e gravarei sobre ele o nome do meu Deus... E também o meu novo nome”
(Apoc 3.12).
Portanto, segundo o Apocalipse, está claro que o novo Cristo do Oriente
não se chamará Jesus, mas terá um novo nome.
Os cristãos unificacionistas chamam a atenção para o fato de que a Coréia
é um país do extremo Oriente com 4.300 anos de história cujas tradições e idéias
nativas assemelham-se incrivelmente às tradições e idéias judaico-cristãs (assim
como o pensamento chinês nativo, o masdaísmo da Pérsia e o orfismo grego. Isto,
segundo penso, devido à sua origem comum — o Deus bíblico que tem atuado na
história dos povos, semeando Sua verdade). Os coreanos, assim como os judeus,
conservam um forte apego à pureza étnica e à genealogia, casando-se entre si ao
longo de toda a sua história, de modo que alguns sobrenomes coreanos datam de
milênios atrás, entre os quais está o sobrenome Moon, que em inglês significa Lua.
Cabe citar ainda que até Rasputin estabeleceu uma relação da lua com o nome do
novo Cristo, profetizando: “Ele brilhará como o sol, mas terá o nome da noite”
(noite = Lua = Moon).
Desse modo, os cristãos unificacionistas vêem na profecia de Nostradamus
sobre a relação da palavra Lua com o nome do novo Cristo uma referência direta e
211
precisa ao Rev. Moon, cujo sobrenome Moon data de milhares de anos atrás como
parte da genealogia histórica do povo coreano.
Portanto, se o candidato a novo Cristo não revelar uma nova mensagem
revolucionária de Deus, não trilhar um caminho de fogo junto com seus seguidores,
não enfrentar e vencer as perseguições do mundo inteiro e não tiver seu nome
relacionado com a palavra Lua deve ser descartado como um falso cristo.
7º Sinal — O novo Cristo viajará pelo mundo e criará controvérsias
“Ele viajará muito em seu caminho para enfurecer, libertando um grande
povo da sujeição”.
Uma vez que o novo Cristo nasce no Oriente, nasce fisicamente na Terra,
ao invés de aparecer sobre as nuvens do espaço como acreditam os cristãos, é
natural que haja descrença e controvérsias.
Assim como o primeiro Cristo, Jesus, que nasceu fisicamente na Terra e
trouxe uma nova e revolucionária revelação de Deus (o Novo Testamento) foi
rejeitado e perseguido pela ignorância e pela maldade dos líderes judeus de seu
tempo (o I Israel), também o novo Cristo criará controvérsias entre o povo cristão
(o II Israel) de hoje. Como o novo Cristo trará uma nova mensagem de Deus para
toda a humanidade (“...importa que profetizes outra vez a muitos povos, línguas e
reis”. Apoc 10.8-11), ele terá que viajar por todo o mundo. E uma vez que o povo
cristão é um povo mundial cuja fé e tradições estão profundamenta enrraizadas no
Velho e no Novo Testamento há dois milênios, a presença e as novas palavras do
novo Cristo (o Completo Testamento) criarão grandes controvérsias em escala
global.
Desse modo, o candidato a novo Cristo que não trouxer uma nova e
revolucionária mensagem bíblica de Deus (no contexto da tradição judaico-cristã,
que é a esfera religiosa que originou o messianismo) capaz de provocar
controvérsias em escala global deve ser descartado como um falso cristo.
8º Sinal — O novo Cristo terá um pássaro enigmático
como símbolo e trará uma mensagem contemporânea
“...Todas as nações cristãs infiéis tremerão. Guerras e batalhas serão mais
violentas do que nunca. Vilarejos, cidades, metrópolis e todas as estruturas serão
destruídas... Satanás causará tanto mal que o mundo quase todo será destruído.
Antes que isso aconteça, vários pássaros raros gritarão no ar: Agora! Agora! E
algum tempo mais tarde desaparecerão”.
Comentando esta profecia, Hogue observou:
“Nostradamus costumava usar a vida animal em forma de enígma, como
as abelhas e a águia usada para descrever o brasão de Napoleão. Neste trecho da
Epístola a Henrique II, talvez os pássaros sejam outro enígma para falar das
características do novo líder religioso que ajudará a evitar os terríveis eventos
descritos no resto desse trecho”.
212
Um dos mitos mais famosos do Oriente é o mito da fênix, a ave que ao
morrer, de imediato, renasce (ressuscita) das próprias cinzas e, assim, vive para
aternidade. Renascer das próprias cinzas significa renascer da morte, ressuscitar,
como Jesus, o Cristo ressuscitado cuja ressurreição se tornou o fundamento da fé
cristã e a esperança do povo cristão. A fé no Cristo ressuscitado e a esperança na
ressurreição deram forças aos primeiros cristãos para enfrentar as torturas e as
mortes mais cruéis. Dessa forma, o pássaro mítico do Oriente, a fênix, é um
símbolo da ressurreição e do próprio Cristo. Ao profetizar sobre o novo Cristo do
Oriente, Nostradamus comparou-o à mítica e misteriosa fênix.
Segundo os cristãos unificacionistas, quando o Rev. Moon fundou a Igreja
da Unificação em l954, adotou a fênix como um de seus símbolos principais,
explicando que aquela ave mítica fora revelada por Deus como um símbolo do
Cristo que viria ao mundo para ressuscitar a humanidade, morta espiritualmente
devido à Queda do homem. E mais, que o próprio Rev. Moon foi preso e torturado
no Japão e no campo de concentração de Hung Nam, entrando e saindo do coma
várias vezes (morrendo e ressuscitando) sob a dureza das torturas dos japoneses e
dos comunistas norte-coreanos.
No livro A Vida do Pai — Depoimentos biográficos (contendo
depoimentos dos primeiros membros da Igreja da Unificação sobre a vida do Rev.
Moon, publicado no Brasil pela editora IL Rung em l986), encontrei uma história
sobre o matrimônio do Rev. Moon que também traz referências à ave fênix. A
história diz que, no ano de l960, o Rev. Moon recebeu a ordem de Deus para
preparar seu matrimônio, embora não conhecesse ainda aquela que seria sua esposa
(isto é uma tradição judaica e também oriental). Depois de meses, e à medida que
se aproximava a data marcada, ele reuniu todas as mulheres da igreja e perguntou
se alguma delas havia recebido alguma revelação de Deus. Dentre aquelas
mulheres estava a senhora Han Sun Eh, que levantou a mão e relatou um sonho
onde ela via uma fênix subir da Terra com os olhos de sua filha, Hak Ja Han, e uma
outra fênix descer do céu com os olhos do Rev. Moon. Depois desse sonho, em 1
de março de l960, a senhorita Hak Ja Han se tornou a senhora Hak Ja Han Moon. O
que importa nessa história é o fato histórico comprova a existência de um pássaro
enigmático relacionado com o Rev. Moon e a Igreja da Unificação. Para os cristãos
unificacionistas, a fênix simboliza o novo Cristo do Oriente, o próprio Rev. Moon.
A outra parte importante da profecia de Nostradamus — as palavras do
pássaro: Agora! Agora! — refere-se à atualidade da mensagem do novo Cristo. Sua
mensagem deve estar fundamentada na esfera cultural judaico-cristã (origem do
messianismo), ser atual e ajustada à mentalidade do homem do nosso tempo; ou
seja, deve ser uma mensagem religiosa nova e fundamentada na lógica filosófica e
na experimentação da ciência contemporânea. Esse parece ser mesmo o caso Tal
do Deusismo (a ideologia da paz) e o familismo (o modelo social) apresentados ao
mundo pelo Rev. Moon (ambos sistematizados a partir do Completo Testamento).
A atualidade, a lógica e a cientificidade da mensagem do Rev. Moon tem
conquistado líderes religiosos de todas as religiões da Terra, líderes políticos,
artísticos, esportistas, empresariais e cientistas, incluindo vários prêmio Nobel, ao
213
redor do mundo. O poder acadêmico do Deusismo enfrentou e derrotou o
marxismo em todo o mundo. Com base nas idéias do Rev. Moon muitas das teorias
materialistas da ciência estão sendo revistas e abandonadas e uma nova ciência
unificada está sendo construída por pensadores unificacionistas em todo o mundo.
Assim, o candidato a novo Cristo deve estar íntima e historicamente
relacionado a um pássaro misterioso, e sua mensagem deve estar fundamentada na
esfera cultural judaico-cristã, estar ajustada à mentalidade do homem
contemporâneo e estar fundamentada na fé, na lógica filosófica e na ciência
contemporânea. Estas exigências descartam de imediato todos os candidatos a novo
cristo oriundos da esfera cultural afro-indiana (idéias nativas da África e da Índia),
a qual nega a ocorrência da Queda, a alienação homem-Deus, nega a realidade do
antideus (satanás, a origem do mal), nega a realidade do pecado (tendência
antinatural e má) e, conseqüentemente, nega a necessidade da salvação/ressurreição
(o renascimento espiritual, afirmando a reencarnação) e a necessidade de um
salvador; nega a necessidade do próprio Cristo e de sua missão salvadora.
3. Os outros 6 sinais que caracterizarão o novo Cristo
Além dos 8 sinais que identificarão o novo Cristo enumerados por Hogue em seu
livro Nostradamus e o Milênio, identifiquei, com base na história, na Bíblia e no
Completo Testamento dos unificacionistas, outros 6 importantes sinais (9, 10, 11,
12, 13 e 14), os quais passaremos a estudar a seguir.
9º Sinal — O novo Cristo deve emergir da esfera cultural judaico-cristã
A idéia do messianismo se originou com o judaísmo e teve continuidade dentro do
cristianismo, como atestam os seguintes trechos bíblicos do Velho e do Novo
Testamento:
“Levanta-te, resplandece porque a tua luz já vem, e a glória do Senhor vai
nascer sobre ti. Porque eis que as trevas cobriram a Terra e a escuridão, os povos;
mas sobre ti o Senhor virá surgindo, e a Sua glória se verá sobre ti. E as nações
caminharão à tua luz e os reis ao resplendor que recebestes... E as tuas portas
ficarão abertas dia e noite para que tragam a ti as riquezas das nações, e
conduzidos com elas, os seus reis” (Is 60 e 53).
“E tu, Belém Efrata, posto que pequena entre milhares de Judá, de ti sairá
o que será Senhor em Israel...” (Mq 5.1).
“Mas para vós que temeis o meu nome nascerá o sol da justiça e salvação
trará debaixo de suas asas”. (Ml 4.2).
“Eu estava olhando em minhas visões noturnas e eis que vi vindo sobre as
nuvens do céu um como o Filho do homem... E foi-lhe dado o domínio e a honra, e
o reino, para que todos os povos, nações e línguas o servissem; e o seu domínio é
eterno, que não passará, e o seu reino o único que não será destruído”. (Dn 7.1314).
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“Por que o Filho do homem virá na glória de Seu Pai, com os seus anjos;
e então, dará a cada um segundo as suas obras”. (Mt 16.27)
“O que dá testemunho destas coisas diz: certamente eu venho em breve”.
(Apoc 22.2).
A partir destes 6 trechos bíblicos do Velho e do Novo Testamento (existem
dezenas de outros) fica demonstrado que a promessa do Cristo como libertador e
salvador do homem e do mundo teve origem, é uma característica e sobrevive
principalmente na esfera cultural judaico-cristã. Portanto, a idéia do messianismo
existe há 3.600 anos, que é a idade dos mais antigos textos hebraicos.
a) A esfera cultural judaico-cristão e a teoria do Cristo — A idéia do
Cristo como salvador, como aquele que livrará o mundo da influência do mal,
implica na admissão de um início e de um fim para o próprio mal. Isto é, o mal se
originou depois da criação do homem, não é original e será eliminado do coração
humano. Assim, a idéia da Queda do homem provocada pelo arcanjo Lúcifer, o
satanás (aquele que se tornou o primeiro adversário de Deus), originou o mal, o
pecado, a morte espiritual, a necessidade da ressurreição (= ressurgir dos mortos;
renascer espiritualmente), a necessidade de um salvador e um plano de salvação.
Esse plano de salvação — a Providência divina — foi instituído por Deus e seu
objetivo principal é o envio do messias, o Cristo que, segundo a Bíblia, é um novo
Adão:
“Assim também está escrito: o primeiro homem, Adão, foi feito em alma
vivente; o último Adão, Jesus, em espírito vivificante” (ICo 15.45).
Os cristãos unificacionistas explicam com base neste texto bíblico (e em
muitos outros. Veja também: Rm 5.19; ITm 2.5; Mt 27.46; ICo 15.21; At 17.31),
que Jesus é um homem divino que nasceu na Terra sem o pecado original. Por isso,
era a imagem e a semelhança de Deus na Terra (“Quem me vê, vê o Pai”) e o
templo de Deus na Terra (“Eu e o Pai somos um”). Isto é, adota o ponto de vista de
Ario, patriarca cristão primitivo que afirmava ser Jesus um homem divino, uma vez
que ele nunca declarou ser o próprio Deus-Criador, mas o Filho de Deus, e que
quando Jesus nasceu o universo já existia. De outro lado, o patriarca Atanásio se
opunha a Ario, afirmando que Jesus era o próprio Deus-Criador, pois se Jesus não
fosse Deus não poderia nos salvar, e se não tivesse existido como homem não
poderia nos entender. A querela foi resolvida no Concílio de Nicéia, no ano 325
d.C. pela intervenção do imperador romano Constantino, que baniu Ario e apoiou
Atanásio. Desde então, o cristianismo adotou a idéia de que Jesus é o próprio DeusCriador do universo e do homem. Essa idéia equivocada foi adotada por alguns
candidatos a novo Cristo alinhados com a esfera cultural afro-indiana, cujos
seguidores, uma vez que a maioria dos supostos cristos já morreram sem ser
reconhecidos e sem conseguir mudar o mundo, declaram que eles nunca nasceram
nem nunca morreram. Eram manifestações materiais e transitórias do próprio Deus.
Fundamentados na Bíblia, os cristãos unificacionistas explicam o porquê
da necessidade do messianismo e do reaparecimento do Cristo, afirmando que
Jesus veio à Terra como o II Adão para realizar o que o primeiro Adão não
215
conseguiu: estabelecer uma família centrada em Deus, como base do Reino de
Deus na Terra. Todavia, a novidade da visão bíblica de Jesus chocou os líderes e o
povo judeu de sua época, provocando a violenta reação que o levou à morte na
cruz. A crucificação de Jesus impediu a libertação plena (espiritual e física) da
humanidade e criou a necessidade da vinda de um novo Cristo, o III Adão, para
completar a libertação, que é o mesmo que salvação. Jesus veio à Terra para ser o
Senhor do universo, mas foi impedido pelas circunstâncias de sua época de realizar
as três bênçãos de Deus (Crescei = educação; multiplicai = família; e dominai a
natureza = prosperidade), realizando apenas a primeira bênção. Jesus se tornou um
homem perfeito (a imagem e a semelhança de Deus, templo de Deus na Terra), mas
não realizou sua família nem conquistou o domínio material sobre a Terra. Por essa
razão, os apóstolos aconselharam os cristãos a não se casarem (se conseguissem) e
a levarem uma vida de simplicidade e pobreza. Jesus se tornou o noivo perfeito que
não encontrou a noiva; nasceu para ser rei e ocupar o trono de Davi, mas viveu
como um pobre morador de rua que se lamentava por não possuir um lar: “As
raposas têm seus covis e as aves têm seus ninhos, mas o Filho do homem não tem
onde encostar a cabeça”.
Jesus foi impedido de realizar a libertação/salvação plena da humanidade,
mas conquistou a libertação/salvação espiritual (por que realizou a primeira
bênção, a perfeição individual, Jesus pôde abrir o caminho para a humanidade
alcançar o mesmo grau de vitória) e entregou sua vida como preço do resgate.
Assim, conquistou a libertação, a salvação, a redenção espiritual de todos aqueles
que se unissem e acreditassem nele como o Cristo de Deus, o libertador/salvador.
Essa libertação/salvação parcial — apenas espiritual — determinou a promessa
divina de nos enviar um novo Cristo para concluir a nossa libertação (do pecado
original, a nossa natureza má, e do domínio escravizador do arcanjo Lúcifer). Esse
conceito de salvação parcial, embora não seja uma crença tradicional dos cristãos,
foi claramente registrada na Bíblia:
“Mas também nós, que temos as primícias do espírito (a libertação, a
salvação espiritual), gememos em nosso íntimo aguardando a adoção como filho, a
redenção de nosso corpo (a salvação física)”. (Rm 7.23).
“(...) Porque o bem que quero não faço, mas o mal que detesto, esse eu
faço. Ora, se faço o que não quero já não sou eu que o faz, mas o pecado que
habita em mim (em minha carne; no meu corpo).
Acho então esta lei em mim; que, segundo o homem interior (meu espírito)
tenho prazer na (prática da) lei de Deus; mas sinto nos meus membros (no meu
corpo) outra lei que luta contra a lei da minha razão e me prende debaixo da lei do
pecado que está em meu corpo. Miserável homem que eu sou. Quem me libertará
deste corpo de morte?”. (Rm 7.15-24).
Evidentemente, estas questões são muito mais amplas e profundas, mas não
podem ser tratadas integralmente aqui. Com base no que foi dito, porém, creio já
ser suficiente para concluirmos que a idéia do messianismo (a promessa do Cristo,
um novo Adão) tem sua origem e sua continuidade característica e historicamente
vinculada à tradição judaico-cristã. De outro lado, me parece que a teologia da
216
Unificação contribuiu para esclarecer a natureza do Cristo (um novo Adão; um
homem divino, porque nasceu sem o pecado original; livre da natureza má de
Lúcifer) e o porquê da necessidade de sua vinda à Terra: construir a família que
Adão não construiu, dando início a uma humanidade pura e boa, livre da natureza
má herdada do arcanjo Lúcifer. Do meu ponto de vista, decididamente, sem estas
novas revelações do Completo Testamento dos cristãos unificacionistas, a idéia do
messianismo, pedra basilar da fé judaico-cristã, continuaria obscura e nebulosa,
pois os cristãos confundem o Cristo com o próprio Deus, o Criador do universo e
do homem. Se o Cristo é o próprio Deus, o mundo já foi libertado e salvo do mal,
pois um Deus Todo-poderoso não poderia ser derrotado nem mesmo parcialmente.
Todavia, o mundo não está salvo, pois o mal cresceu e é quase onipresente no
mundo inteiro ainda hoje. Assim, sob a perspectiva teológica do cristianismo
tradicional não há como explicar o porquê da promessa da segunda vinda do Cristo
para salvar o mundo. Todavia, se o Cristo é um novo Adão, um homem divino, que
veio à Terra para libertar o homem do mal e construir a família divina na Terra
(que Adão e Eva não conseguiram construir) como célula-mãe da nova sociedade
de paz, retidão e amor que Deus tencionou criar no início da história humana (Is
46.11: “O que eu disse farei; o que concebi realizarei. Porque eu sou Deus e não
há outro”), então estaria explicado o porquê do aparecimento de Jesus, o primeiro
Cristo (= escolhido entre o povo judeu) e também do reaparecimento do novo
Cristo oriental, escolhido entre o povo cristão (o II Israel = povo vencedor).
b) A esfera cultural afro-indiana e a teoria dos avatares — Como
alternativa oposta à esfera cultural judaico-cristã está esfera cultural afro-indiana
(originária do Egito e da Índia), fundamento teórico do misticismo que inspira o
Movimento Nova Era, e que teve entre seus grandes propagadores nos anos 60 as
escritoras Alice Bailey e Marylin Fergusson (autora do livro A Conspiração
Aquariana, um texto clássico do novaerismo) e a atriz Shirley Mclaine.
A esfera cultural afro-indiana não possui em seu corpo de idéias básicas o
conceito da Queda do homem. Conseqüentemente, não possui os conceitos de
satanás, mal, pecado, morte espiritual, arrependimento, ressurreição, salvação e
salvador, o conceito do Cristo salvador, nem tão pouco se refere ao seu retorno. Ao
invés disso, o pensamento afro-indiano defende a idéia dualista, onde dois deuses,
Brahma e Shiva, correspondem à força criadora (no sentido de harmonia,
agregação e criação) e à força destruidora (no sentido de desarmonia, desagregação
e decomposição natural), respectivamente. E mais, o hinduísmo/budismo é uma
forma de magia politeísta que cultua centenas de deuses. A serpente, que no
cristianismo simboliza satanás, no hinduísmo é um animal sagrado e objeto de
culto e adoração ao lado da vaca e do macaco.
Além da negação do mal, as outras duas idéias básicas do
hinduísmo/budismo são a lei do carma e a reencarnação. O carma é entendido
como o conjunto das ações que um indivíduo pratica na vida e é herdado por ele
mesmo em suas sucessivas reencarnações, é o conceito-chave do hinduísmo e de
seus derivados: budismo, sikhismo, sufismo, lamaismo, etc. A meta de um místico
hindu ou budista é a libertação do ciclo das sucessivas reencarnações, quando ele
217
atingirá o Nirvana, um estado de absoluto desapego e paz interior onde o eu, por
assim dizer, se dissolve ou se funde com o todo.
Em l947, a escritora Alice A. Bailey escreveu o livro O Reaparecimento do
Cristo (Editora Pensamento, l947. 175p), onde desenvolveu a chamada teoria dos
Avatares 20 e procurou alertar as pessoas religiosas para a iminência da chegada do
Avatar da Era de Aquário, a era de paz que sucederá a atual Era de Peixes. A teoria
dos avatares afirma que os avatares são luminares da humanidade (sábios e gurus)
que de tempos em tempos são enviados à Terra (vindos de algum exoplaneta
habitado por uma civilização superior) para elevar a humanidade a um novo e mais
elevado patamar de consciência e de bondade. Assim, Krishna, Buda, Confúcio,
Zoroastro, Sócrates, Platão, Aristóteles, Moisés, Jesus, Maomé, Lutero, Bahá Ulah,
Ghandi, Yogananda, Meishu Sama, Massaharu Taniguchi, Merher Baba,
Prabhupada, Hubbard, Krishnamurti, Einstein, Sai Baba, entre outros, são todos
avatares, mensageiros divinos, cristos; e têm todos a mesma natureza benéfica e
valor similar. Jesus seria apenas mais um avatar da humanidade que surgiu há 2000
anos entre o povo judeu.
Bailey escreveu que a doutrina do Cristo salvador é um ensinamento
ocidental e que a doutrina dos avatares é um ensinamento oriental. Isto não é
verdade, pois o povo judeu é originário do Oriente Médio, onde também nasceu o
messianismo e o próprio Jesus. Além disso, a doutrina dos avatares é de origem
afro-indiana. A geografia classifica como países orientais aqueles pertencentes ao
continente asiático. Logo, a rigor, os países da África e a Índia não podem ser
classificados como países etnicamente orientais, um fato bem notório em suas
características físicas.
“Em todas as épocas, durante muitos ciclos mundiais, na maioria dos
países, e hoje em todos, houve grandes momentos de tensão que se caracterizaram
por um sentimento de plena e esperançosa expectativa. Espera-se Alguém e Sua
vinda é pressentida. No passado, foram sempre os instrutores religiosos da época
os que fomentaram e proclamaram esta expectativa, e o fizeram nos momentos de
caos e dificuldades, ao se aproximar o fim de uma civilização ou cultura, e quando
os recursos das antigas religiões pareciam inadequados para solucionar as
dificuldades ou resolver os problemas dos homens. A vinda do Avatar, o advento
d’Aquele que vem ou, em termos atuais, o reaparecimento do Cristo, constituem a
nota-chave da predominante expectativa. Quando os tempos estão maduros,
quando a invocação das massas é suficientemente intensa e a fé daqueles que
20
Avatar (Dicionário Sânscrito Monier Williams. Cf. O Reaparecimento do Cristo (Editora
Pensamento, 1947. Pg. 9): Em sânscrito, o termo Avatar significa literalmente descendo de muito
longe. Ava é empregado como prefixos de verbos e substantivos verbais e expressa a idéia de
longínquo. Avataram é um comparativo que significa mais distante. A raiz AV transmite a idéia de
proteção vinda do alto, sendo utilizada em expressões compostas que se referem à proteção de reis e
soberanos. Com relação aos deuses, significa aceitação favorável quando se oferece um sacrifício.
Assim, pode-se dizer que a raiz da palavra Avatar significa: Descer com a aprovação da fonte
superior da qual provém, para benefício do lugar ao qual chega.
218
sabem é assaz veemente, então Ele sempre veio, e os tempos atuais não
constituirão, por certo, uma exceção a esta antiga regra ou lei universal. Durante
décadas, o reaparecimento do Cristo, o Avatar, tem sido previsto pelos fiéis de
ambos os hemisférios, não somente pelos cristãos, como também por aqueles que
esperam Maitreya e pelo Boddhisatitva, assim como pelo Iman Mahdi”.
Alice A. Bailey. O Reaparecimento do Cristo. Editora Pensamento, l947. Pp. 7.
Bailey é considerada um dos expoentes do Movimento Nova Era, e o seu
livro O Reaparecimento do Cristo, um clássico do esoterismo. Noutros trechos de
seu livro ela escreveu sobre três condições externas, oriundas da Terra, que
assegurariam o reaparecimento certo do Cristo:
“No transcurso dos séculos, nos momentos mais prementes da humanidade
e em resposta à sua demanda, tem aparecido, sob diferentes nomes, um divino
Filho de Deus. Então veio o Cristo e, aparentemente, nos abandonou sem haver
concluído sua tarefa e sem consumar o que havia visualizado para a
humanidade...”.
Com isso, Bailey tenta explicar, sem conseguir, por que o reaparecimento
do Cristo se tornou inevitável, sugerindo a presença de três condições externas. Eis
as três condições: 1. uma condição planetária desastrosa (sofrimento global); 2. um
despertar espiritual global (um reavivamento espiritual global); e 3. um clamor
invocativo global (orações e súplicas globais). Estas três condições externas
(porque humanas) realmente estão presentes no mundo atual. Todavia, segundo
concluí com base na tradição judaico-cristã, estas condições externas são por
demais humanas e não são suficientes para, por si sós, ocasionar a vinda do Cristo.
Outras três condições internas devem existir necessariamente, as quais resultam da
atuação de Deus através de Sua Providência divina: 1. preparação de uma nação
para receber o Cristo; 2. preparação das circunstâncias históricas favoráveis
(reforma religiosa e renascença cultural); e 3. preparação de um casal especial para
dar nascimento ao Cristo, que é um novo Adão nascido sem o pecado original.
Estas três condições internas são causais e são fundamentais para o reaparecimento
do Cristo, que é um personagem singular na história. As 3 condições externas
citadas por Bailey são conseqüências da atuação das forças do mal sobre os
homens (machucando-os fisicamente, afligindo-os espiritualmente e provocando
súplicas desesperadas) e também, segundo os cristãos unificacionistas, da atuação
inexorável da lei da indenização, a qual atua naturalmente, arrastando a
humanidade espiritualmente de volta ao seu nível de espiritualidade original.
Os cristãos unificacionistas e a lei da indenização — Os cristãos
unificacionistas introduziram no cristianismo a nova idéia da lei da indenização
(Tam Gam, em coreano — contraproposta cristã para a lei do carma, afro-indiana),
entendida como o conjunto das ações (boas e más) que um indivíduo pratica em
sua vida e lega, como um débito ou um crédito, aos seus descendentes. Eis o
enunciado da lei da indenização: as falhas pessoais e os danos causados a
terceiros são indenizados (compensados) pelo próprio indivíduo durante sua vida
na Terra e no mundo espiritual, ou por seus descendentes em suas vidas na Terra.
219
A lei da indenização está registrada no Velho e no Novo Testamento nos
seguintes termos:
“Porque eu, o Senhor, sou Deus zeloso que visita (limpa) a maldade dos
pais nos filhos até a terceira e a quarta geração... E faço misericórdia em
milhares de gerações dos que me amam...”. (Ex 20.5-6).
“Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas, que fazeis túmulos e
monumentos bonitos para os profetas assassinados, e dizeis: se tivéssemos vivido
no tempo dos nossos antepassados não teríamos matado os profetas. Assim,
confirmais que sois descendentes daqueles que mataram os profetas. Serpentes
venenosas... O castigo por todos os inocentes que vossos antepassados mataram
cairá sobre vós, desde a morte do inocente Abel até a morte de Zacarias, o sumosacerdote, que matastes entre o templo e o altar”. (Mt 23.29-36).
Para os cristãos unificacionistas a lei da indenização é uma expressão do
amor e do perdão infinito de Deus, pois permite que os descendentes de um
pecador, voluntária (pelo caminho religioso) e involuntariamente (pela caminho
das adversidades), saldem as dívidas espirituais de seus antepassados, libertando-os
e possibilitando seu crescimento espiritual no mundo espiritual. Dizem ainda que a
lei da indenização atua, no plano espiritual, do mesmo modo que uma lei da
restauração da ordem natural atua na natureza, recuperando-a (cicatrizando um
ferimento ou restaurando a natureza depois de um desastre ecológico, por
exemplos). Assim, as três condições externas identificadas por Bailey, na verdade,
não são casuais, mas resultam da atuação contínua das forças do mal contra o
homem, cujos sofrimentos são reinvindicados por Deus como condições (“preços”
pagos) para sua elevação espiritual através da lei da indenização.
Noutro trecho de seu livro Alice, equivocadamente, sugeriu que o
reaparecimento do Cristo não acontecerá através do nascimento de um novo e
único personagem na Terra — “pois ele vive em nós” —, mas através de milhares
de pessoas conjuntamente: os esotéricos; para ela, evidentemente:
“Uma verdade que se faz difícil ao pensador (cristão) ortodoxo aceitar é o
fato de que Cristo não pode voltar porque sempre tem estado na Terra, vigiando o
destino espiritual da humanidade; Ele nunca nos deixou, ao invés, fisicamente e
bem protegido (posto que não oculto), tem guiado os assuntos [humanos]... A
única coisa que ele pode fazer é reaparecer”.
Em todo o seu livro Bailey parece enaltecer o cristianismo, citando trechos
bíblicos (como que para dar um tom bíblico-cristão aos seus argumentos, uma vez
que o Movimento Nova Era rejeita o cristianismo como uma instituição retrógrada
e petrificada), mas defende a esfera cultural afro-indiana. Na verdade, a idéia do
Cristo preconizada pelo pensamento esotérico difere em muito da visão judaicocristã-unificacionista, para a qual o Cristo é um personagem histórico singular,
especialmente preparado e enviado por Deus para libertar a humanidade do
domínio cruel do arcanjo Lúcifer. Assim, existem os profetas (mensageiros de
Deus), os santos (exemplos da bondade divina), os sábios (verdadeiros filósofos e
cientistas Deusistas), os heróis (os grandes patriotas nacionais que sacrificaram
suas vidas por seus povos e nações, tais como Tiradentes e Gandhi, entre outros), e
220
existe o Cristo, o Filho de Deus, um homem de natureza divina (livre da natureza
má que parasita, envergonha e destrói os homens decaídos). Por seu nascimento
especial e sua pureza espiritual o Cristo não é um simples profeta, santo, sábio ou
herói. Ele é tudo isso junto e muito mais. Ele é a raiz da nova humanidade que
descenderá dele e constituirá o Reino de Deus na Terra. O Cristo é um novo Adão
que vem à Terra fazer o que o primeiro Adão foi impedido de fazer pela
interferência perversa do arcanjo Lúcifer, o satanás; nas palavras de Jesus: “o deus
deste mundo que cegou a inteligência dos incrédulos” (II Co 4.4). Portanto, a
doutrina esotérica dos avatares, de origem afro-indiana, parece pretender confundir
e nivelar o Cristo, os profetas, os santo, os sábios e os heróis por baixo,
equiparando-os como se todos fossem iguais em natureza, valor e missão. Ora, a
Bíblia deixa claro que o Cristo é a cabeça e a humanidade, os membros do corpo;
que o Cristo é a Oliveira Santa e a humanidade, as oliveiras selvagens, quando
afirma que todos os descendentes de Adão herdaram o pecado original, raiz de
todos os demais pecados (pessoal, coletivo e hereditário):
“Se pensamos não ter pecado nós fazemos de Deus um mentiroso e a Sua
palavra não está em nós” (Jo 1.10).
Porque todos herdaram a natureza má do arcanjo Lúcifer, todos praticam o
mal, todos são pecadores e necessitam de orações, vigílias e penitências: “Fazei
penitência, pois o Reino dos Céus está próximo” (Mt 4.17). “Vigiemos e sejamos
sóbrios... Orai sem cessar” (I Tes 5.6 e 17).
A hipótese esotérica dos avatares nega a Queda do homem (a ruptura
original) e o pecado; automaticamente, nega toda a Bíblia e todo o cristianismo, os
quais se fundamentam precisamente no fato de que houve a Queda, o antideus
existe e atua, infernizando a vida dos homens e, por isso, a humanidade precisa do
Cristo libertador.
O Cristo é um novo Adão nascido sem pecado, enquanto toda a
humanidade nasceu do pecado; o Cristo é a imagem e a semelhança de Deus, é o
templo perfeito de Deus na Terra, é o único homem capaz de entender a origem dos
problemas humanos e de resolvê-los durante sua vida na Terra, uma vez que
conhece a verdade, conta com a orientação e a ajuda direta de Deus e do mundo
espiritual e tem a missão de construir o Reino de Deus na Terra, ocupando a
posição de Verdadeiro Pai da humanidade e Rei dos reis por toda a eternidade. O
Cristo é preparado por Deus, que também prepara as circunstâncias históricas e um
povo, uma nação, para recebê-lo e apoiá-lo. Já os avatares, segundo Bailey,
aparecem como que atraídos do nada, pela intensidade do sofrimento, do caos
social e da necessidade humana. O Cristo é criado e enviado por Deus, do céu; o
avatar é gerado pelas circunstâncias históricas criadas pelo arcanjo Lúcifer e pelos
homens decaídos a partir da Terra. Não obstante,os avatares podem trazer
exemplos de bem e verdade à Terra.
c) Os avatares do bem e os avatares do mal — Embora os avatares do bem
— profetas, santos, sábios e heróis — sejam homens de bem e de Deus, não
conhecem a verdade da Queda do homem nem possuem a capacidade para derrotar
221
o arcanjo Lúcifer. Por isso, o mal e o sofrimento humano subsistiram ao longo de
toda a história humana, e continua crescendo, apesar dos avatares.
Na verdade, como a etimologia do termo avatar não expressa a idéia de
vindo especialmente de Deus, mas a idéia de expoentes humanos e vindos de um
lugar longínquo, podemos ampliar a sua aplicação e dizer que a história também
registrou o aparecimento de muitos avatares do mal, líderes criminosos cruéis, tais
como Átila (rei dos hunos), Cambises (rei dos assírios), Nero, Genghis Khan,
Torquemada (inquisidor), Tetzel (inquisidor), Cortêz, Robespierre, Hitler, Stálin,
Mao Tsé Tung, Pol Pot, Fidel Castro, Saddan Hussein, Bin Laden, entre outros.
Muitas vezes, os avatares do bem foram vítimas dos avatares do mal. Até mesmo
Jesus, o primeiro Cristo e II Adão, foi assassinado pelos avatares do mal de seu
tempo (Caifás e Pilatos, orientados por Lúcifer), conquistando apenas uma vitória
parcial sobre Lúcifer (a libertação espiritual daqueles que acreditaram nele e
praticaram suas palavras).
Segundo o conceito que exponho aqui, os avatares do bem são tão somente
homens iluminados, expoentes oriundos de todos os campos das atividades
humanas, das religiões às ciências; das artes aos esportes; da política à economia,
etc. Embora tenham contribuído para elevar o nível de espiritualidade (profetas e
santos) e melhorar a qualidade de vida (sábios e heróis) nenhum avatar conseguiu
identificar e eliminar a raiz dos problemas humanos — satanás, o arcanjo Lúcifer.
Os problemas do mundo atual são os mesmos da antiguidade, apesar dos avatares.
É assim que entendo a teoria dos avatares.
Por tudo isso, a idéia do Cristo da esfera cultural judaico-cristãunificacionista — como filho unigênito de Deus, novo Adão e libertador da
humanidade do domínio de Lúcifer —, é quase uma antítese da idéia dos avatares
da esfera cultural afro-indiana, segundo Alice Bailey tentou estabelecer. Portanto,
todos os candidatos a novo Cristo cujos ensinamentos não forem fundamentados na
esfera cultural judaico-cristã devem ser descartados como falsos cristos.
10º Sinal — O novo Cristo deve concretizar suas palavras em vida
Qual a diferença fundamental entre um falso cristo e verdadeiro Cristo? A
diferença está no fato de que o falso místico fala, fala e fala e nada concretiza. Seus
planos de transformação mundial não saem de sua mente e tão logo morrem, seus
movimentos começam a empalidecer e a se desintegrarem. Por outro lado, o
verdadeiro Cristo deve concretizar suas palavras e o seu plano de
restauração/salvação da ordem mundial deve prosperar e triunfar, mesmo debaixo
da pesada perseguição que enfrentará. A mensagem do verdadeiro Cristo deve estar
ajustada à mentalidade de seu tempo e deve ser capaz de tocar a mente e o coração
do homem de seu tempo, independentemente de nacionalidade, nível social ou
escolaridade. Os cristãos unificacionistas afirmam (e me apresentam como provas
60 anos de fatos históricos: 1945 a 2005) que este é precisamente o caso do Rev.
Moon. Preso, torturado, partindo da mais absoluta miséria e sob a perseguição dos
governos, dos povos e das religiões, o Rev. Moon construiu o Movimento
222
Internacional da Unificação, uma das 50 maiores organizações do mundo, presente
em 200 países e com dezenas de milhões de seguidores e simpatizantes, e que vem
conquistando novas pessoas e crescendo a cada novo dia. Como explicar esse
fenômeno religioso do século XX?
Outrossim, o bom senso me diz que o verdadeiro novo Cristo, assim como
Jesus, o primeiro Cristo, deve vencer todas as perseguições, vencer a morte e
construir o Reino de Deus na Terra. A crucificação do corpo físico de Jesus
representou uma derrota física, mas foi a condição que permitiu a sua ressurreição,
a vitória espiritual. As palavras e as obras de Jesus em vida tiveram grande
aceitação popular. E mesmo alguns líderes do judaísmo, como Nicodemus,
aceitaram suas palavras e obras. Jesus foi rejeitado pelos líderes corruptos do
judaísmo que, com inveja e medo de perder prestígio e regalias, o acusaram de
heresia e conspiraram para o prender eo matar. A Bíblia registra que a maioria do
povo judeu simples reconhecia Jesus como um homem de Deus, mas os líderes os
induziram a negar Jesus. Reconhecendo igualmente sua inocência, Pilatos tentou
salvar a vida de Jesus, mas foi pressionado politicamente pelos líderes judeus que o
ameaçaram de denunciá-lo por traição ao imperador romano, uma vez que Jesus se
dizia rei dos judeus, concorrendo com o próprio imperador romano. Portanto, as
palavras e as obras de Jesus tiveram relativa aceitação ainda durante sua vida física.
Após a sua morte o cristianismo, mesmo sob cruel perseguição, sempre avançou,
até que, finalmente, conquistou o império romano em 395, sob o imperador
Teodósio, passando a exercer relativo controle sobre o mundo até 1789, quando a
Revolução Francesa separou Estado e Igreja. E até hoje, com cerca de 2 bilhões de
seguidores, o cristianismo é ainda a religião central da Providência da Restauração.
Além disso, a maioria da humanidade acata a convenção de que a história foi
dividida em antes e depois de Jesus, o primeiro Cristo. Portanto, mesmo tendo sido
morto com a jovem idade de 33 anos, Jesus foi um Cristo vencedor.
Desse modo, o candidato a novo Cristo cujo movimento místico não
prosperar e se desorganizar ou se desintegrar após sua morte é um fracasso, e o
candidato deve ser descartado como um falso cristo.
11º Sinal — O reaparecimento do novo Cristo deve
coincidir com a presença de muitos falsos cristos na Terra
A Bíblia anunciou fartamente o retorno certo do Cristo salvador. E a fim de evitar
os falsos cristos oportunistas profetizou alguns sinais que precederão o
reaparecimento do verdadeiro Cristo. Dentre tais sinais está o aparecimento
simultâneo de muitos falsos cristos.
“E perguntaram-lhe, dizendo: Mestre, quando acontecerão estas coisas? E
que sinal haverá quando isto estiver para acontecer? Disse Jesus: Cuidai que
ninguém vos engane, pois muitos virão em meu nome, dizendo eu sou o Cristo”.
(Lc 21.7-8).
223
Prevendo que muitos oportunistas apareceriam para enganar os cristãos,
Jesus os advertiu com estas palavras. Hoje, tais palavras devem ser interpretadas
como um sinal do tempo do reaparecimento do verdadeiro Cristo.
Quando por todo o mundo aparecerem dezenas de candidatos a cristo isto
deve ser interpretado como um sinal de que o verdadeiro Cristo já está na Terra.
Neste livro eu identifiquei e estudei 26 candidatos a novo Cristo. O escritor John
Hogue, em seu livro Nostradamus e o Milênio, identificou 10 candidatos a novo
Cristo: 7 indianos, 2 norte-americanos e 1 coreano, o Rev. Moon, um dos 4 ainda
vivos. No Brasil apareceram 4 candidatos: Alziro Zarur (não declarado), Inri
Cristo, Jacintho Manuel Coelho e Norberto Keppe. No Japão apareceram outros 3:
Mokite Okada (fundador da Igreja Messiânica), Massaharu Taniguchi (fundador
das Seicho No Ie) e Yoshikazu Okada (fundador da Perfect Liberty), entre outros.
Na verdade, ao longo de toda a era cristã apareceram no mundo centenas de
“cristos”, tais como o Bahá Ulláh (1817-1892), no Irã (fundador da fé Bahái ou
bahaismo). A fé Bahái, fundada em l844, embora tenha surgido na antiga Pérsia
(Oriente Médio, atual Irã), está vinculada à esfera cultural afro-indiana, como
prova a defesa que Camilo Mota, editor do site do bahaismo na internet, faz da
doutrina indiana dos avatares:
“O ponto fundamental do pensamento bahá’í é o que estabelece a
Revelação Progressiva e a Unidade. Segundo este princípio, as grandes religiões
proféticas são parte de um plano divino para educar o homem a fim de que ele
possa por sua vez levar adiante uma ‘civilização que há de evoluir sempre’. Cada
Educador Divino tem trazido uma mensagem na qual se destaca algum princípio
necessário para essa evolução espiritual. Assim, pode-se estabelecer uma linha
evolutiva que passa pelos ensinamentos de Shri Krishna, Abraão, Moisés,
Zoroastro, Buda, Jesus, Maomé, o Báb e Bahá’u’lláh. Cada um traz uma série de
ensinamentos que, em sua essência, são comuns entre si, variando apenas em
alguns pontos de acordo com a época em que suas mensagens foram reveladas.
O Bahaismo tem sua origem em 1844, quando um jovem persa, intitulado
O Báb (“A Porta”), anuncia o advento de uma nova era. Por conta de seus
ensinamentos, foi perseguido e finalmente preso por instigação dos líderes
religiosos de seu país, sendo martirizado em 1850. Além de revelar diversas leis e
ensinamentos, anunciou a vinda de um novo Manifestante Divino, que viria a ser
Bahá’u’lláh.
Os bahá’ís crêem que Bahá’u’lláh é o Manifestante de Deus para a nossa
época e o prometido de todas as religiões. Durante 40 anos, Ele foi perseguido,
preso e exilado por governos fanáticos e por religiosos. Ele deixou milhares de
textos escritos, sendo que dezenas de livros já estão traduzidos para praticamente
todas as línguas”.
Como vemos, embora não a mencione, a fé Bahá-i defende a teoria afroindiana dos avatares, podendo por isso ser alinhada ao Movimento Nova Era e ao
esoterismo. Bahá Ulláh morreu em l892, há 115 anos atrás, sem conseguir
concretizar em vida nenhum de seus ideais. Seu movimento já teve 115 anos para
mudar o mundo, porém, exceto a difusão de uma mensagem pró-Deusista, não
224
mudou muita coisa. Na verdade, o fato de ter sido confundido com o verdadeiro
Cristo acabou transformando Bahá Ulláh em mais um falso cristo.
a) Os joões batistas e os falsos cristos — Na verdade, penso que muitos
dos falsos cristos (equivocadamente autoproclamados, ou proclamados por seus
seguidores) podem também ser vistos como “profetas” enviados para preparar o
caminho do verdadeiro Cristo, assim como João Batista foi enviado para preparar o
caminho de Jesus (veja o capítulo VII, tópico 8: João Batista e o Papa João Paulo
II). No entanto, assim como João Batista, muitos dos novos profetas enviados para
preparar o caminho do Cristo do segundo advento, tomados pela vaidade e pela
ambição, acabaram ocupando a posição do Cristo, tornando-se falsos cristos.
Todavia, assim como as palavras de João Batista (um profeta autocentralizado),
namaioria dos casos as palavras dos novos joões batista, convertidos em falsos
cristos (profetas autocentralizados, ou mensageiros do equívoco, quando baseados
na esfera cultural afro-indiana), são boas palavras, pois são as palavras que Deus
transmitiu através deles como sementes de verdade e de bem para preparar o
caminho do verdadeiro Cristo. É por isso que as mensagens da maioria dos
“cristos” do século XX falam de paz, amor, justiça, unidade, verdade, etc, etc. O
detalhe é que todos os falsos cristos estão alinhados com a esfera cultural afroindiana (são reencarnacionistas). O verdadeiro Cristo deve emergir da esfera
cultural judaico-cristã.
Concluindo, deve-se destacar que a presença de tantos “cristos” no século
XX (previstos pela Bíblia) é mais um sinal de que o verdadeiro Cristo já está na
Terra. Segundo os cristãos unificacionistas a presença de tantos “cristos” — que ao
final se revelam incompetentes e equivocados, e morrem sem nada realizar — deve
ser atribuída à atuação das forças do mal, que os desvia de sua missão original
como joões batistas, “profetas” enviados para preparar o caminho do verdadeiro
Cristo em seus respectivos países, levando-os a se autocentralizarem e a verem-se a
si mesmos como o Cristo. Nesse contexto, as forças do mal criam os falsos
“cristos” com o propósito de confundir a humanidade, destruindo sua fé em todo e
qualquer homem que se apresente como o Cristo. Agindo assim, a humanidade
seria levada a rejeitar, perseguir e condenar inclusive o verdadeiro Cristo.
Para os cristãos unificacionistas foi o que aconteceu. O Rev. Moon tem
sido rejeitado, perseguido e condenado em todo o mundo, incessantemente, há 60
anos. Todavia, venceu as perseguições e está conquistando o reconhecimento
mundial e assistindo em vida o triunfo de suas idéias e a concretização de seus
ideais. Segundo as minhas pesquisas, o Rev. Moon parece ser o candidato a novo
Cristo oriental que mais se ajusta às qualificações esperados do novo Cristo, como
um homem de bondade e verdade capaz de libertar a humanidade da ignorância e
da maldade através da fé em um único Deus.
12º Sinal — O novo Cristo utilizará apenas a palavra de Deus.
Não realizará curas, milagres ou prodígios
225
“Porque hão de surgir falsos cristos e falsos profetas, e farão grandes
sinais e prodígios; de modo que, se fosse possível, enganariam até os escolhidos”.
(Mt 24.24).
Outro aspecto importante que identificará e caracterizará o verdadeiro
Cristo é o fato de que ele não virá à Terra para realizar curas, milagres ou
prodígios. Estes, segundo a Bíblia, serão os atos que caracterizarão os “falsos
cristos que farão milagres e prodígios...”. Todavia, as curas, milagres e prodígios
realizados pelos falsos cristos não enganarão os escolhidos. Por quê? Porque os
escolhidos conhecerão a verdade revelada pelo verdadeiro Cristo. E saberão que o
propósito da vinda do Cristo não é realizar curas, milagres ou prodígios, mas
derrotar o arcanjo Lícifer, ensinar a verdade sobre Deus e sobre o mundo espiritual
à humanidade, libertando-a do domínio injusto de Lúcifer, e construir o Reino de
Deus na Terra. Jesus expressou isso claramente em diversas ocasiões:
“Fazei penitências, pois o Reino de Deus está próximo”. (Mt 4.17). Neste
texto Jesus admoestava o povo judeu de sua época que, ao invés de envidar
esforços para apoiá-lo, esperava que o Cristo aparecesse nas nuvens com seu
exército de anjos e fulminasse o Império Romano, libertando-os instantaneamente.
“Sede perfeitos como o vosso Pai Celeste é perfeito”. (Mt 5.48). Com tais
palavras, Jesus admoestava o povo judeu a educar-se integralmente, a se
aperfeiçoar a fim de se tornarem homens de natureza divina; imagem e semelhança
de Deus.
“O Reino de Deus não virá com aparências exteriores, pois o Reino de
Deus está dentro de vós mesmos”. (Lc 17.20-21). Com estas palavras Jesus tentava
fazer o povo judeu de sua época (e os judeus e cristãos de hoje) compreender que o
Cristo, como o novo Adão, era a raiz do Reino de Deus na Terra. Portanto, o Reino
dos Céus não era uma cidade de ouro que iria descer inteira do espaço sideral, mas
sim uma nova sociedade que deveria ser construída na Terra pelo esforço do
próprio homem, sob sua orientação e com base na verdade/educação de Deus.
Todavia, como Jesus foi rejeitado e acusado pelos líderes do judaísmo da
época de ser um “discípulo de Belzebu, chefe dos demônios” (Mt 12.24), ninguém
acreditou em suas palavras. Por isso, Jesus decidiu realizar curas milagrosas, as
quais resultaram da expulsão de espíritos malígnos que habitavam os corpos físicos
das pessoas decaídas, cegando-as, travando suas pernas e braços, gerando
sangramentos, provocando ataques epiléticos, distúrbios e desequilíbrios psíquicos
de todo tipo, etc. E Jesus, mais uma vez, expressou isso claramente:
“Mas se não quiserdes crer em minhas palavras, crede então em minhas
obras, para que saibais e reconheçais que o Pai está em mim e eu estou no Pai”.
(Jo 10.24-38; Mt 12.33).
Eis a razão pela qual Jesus começou a realizar curas espirituais. Numa
ocasião, Jesus curou 10 leprosos. Somente um voltou para lhe agradecer. No
mundo atual sempre que se ouve falar de uma aparição da Virgem Maria uma
multidão de centenas de milhares de pessoas doentes ocorre para o lugar em busca
de uma cura milagrosa. Seguramente, Jesus deve ter curado (expulsado os maus
espíritos de) milhares de pessoas. Onde foram parar todas aquelas pessoas curadas
226
por ele? Tendo sido milagrosamente curados por Jesus, por que não se tornaram
seus discípulos? Por que não conheciam a verdade. Foram à sua procura movidos
unicamente pelo desejo egoísta de cura rápida e milagrosa. Obtiveram a cura, mas
não tiveram conhecimento da verdade sobre o ideal de Deus e sobre suas
responsabilidades na concretização daquele ideal. Por isso, a missão do Cristo não
é expulsar maus espíritos dos corpos das pessoas, mas transmitir-lhes a verdade de
Deus e libertá-las do pecado original, que é uma espécie de anzol através do qual
Lúcifer as mantém submersas no mar da ignorância e do pecado; mortas
espiritualmente. Portanto, um dos aspectos que identificará o novo Cristo oriental
será o fato de ele não atuar através da realização de curas, milagres ou prodígios
publicamente (como em um show de mágica do David Copperfield). A atuação do
verdadeiro Cristo será caracterizada pelo ensinamento de uma nova expressão da
verdade bíblica (pois deve estar fundamentada na esfera cultural judaico-cristã), a
qual dará origem a um novo padrão de fé e de educação para homens e mulheres
que, arrebatados e educados (primeira bênção) com base na verdade de Deus, serão
libertados do pecado original e abençoados em matrimônio (segunda bênção) pelo
Cristo, estabelecendo famílias abençoadas (novos Adãos e novas Evas restaurados)
como sementes do Reino dos Céus semeadas em toda a Terra. Segundo os cristãos
unificacionistas esta era a verdadeira missão de Jesus, o primeiro Cristo (que não
foi realizada devido à sua morte prematura e injusta); e esta é também a verdadeira
missão do novo Cristo.
Portanto, o candidato a novo Cristo que começar a realizar curas
milagrosas e prodígios 21 (tais como: levitação, materializações, resistência à dor,
longos jejuns sob a terra, mover objetos com a mente, entre outras coisas
espantosas), ao invés de apresentar ao mundo uma expressão inovadora e
revolucionária (mais ampla e profunda) do pensamento judaico-cristão capaz de
tocar profundamente o coração e a mente do homem contemporâneo, invertendo
suas prioridades para Deus e os Seus valores, morais, éticos e espirituais, deve ser
descartado como um falso cristo.
21
Curas milagrosas — milhares de curas milagrosas acontecem hoje em todo o mundo nos templos
evangélicos, nos terreiros de umbanda e nos centros espíritas kardecistas, e são resultado da expulsão
ou do afastamento pacifico de maus espíritos dos corpos das pessoas. Não obstante, em comum
acordo, maus espíritos, podem “expulsar” outros maus espíritos enganosamente, em troca de ofertas,
“curando” temporariamente as pessoas desinformadas. Prodígios: milhares de coisas espantosas são
realizadas diariamente: fenômenos parapsicológicos, influência mental sobre a matéria (Uri Geller),
rituais de resistência à dor (fogo, agulhas, etc), longos jejuns, quebra de recordes (veja o Guiness na
TV), espetáculos de alto risco, etc. Evidentemente, resistência física à dor nada tem a ver com nível
espiritual e grau de proximidade com Deus. Previsões surpreendentes: coisa semelhante pode ocorrer
com os espantosos acertos das previsões do futuro. Maus espíritos, em comum acordo, podem revelar
acontecimentos futuros a videntes vigaristas e charlatães (os falsos profetas) e os próprios maus
espíritos trabalharem no sentido de concretizar as suas previsões (provocando as tragédias reveladas
por eles aos videntes vigaristas), conferindo fama, riqueza e posição de poder àqueles videntes
vigaristas e corruptos. Os casos são muitos, mas não vale a pena citar nomes.
227
13º Sinal — A evidência dos fatos históricos do século XX
Uma última evidência de que o novo Cristo já está na Terra pode ser extraída dos
fatos históricos do século XX, os quais demonstram que um novo mundo está
emergindo das cinzas do velho mundo. Eis as evidências: a) a história do
desenvolvimento das esferas culturais e da origem e queda das nações; b) a
tendência histórica da religião e da ciência; c) a amplitude da história de lutas; e d)
as profecias bíblicas.
a) A história do desenvolvimento das esferas culturais e da origem e
queda das nações — A história da origem e queda das nações demonstra que
muitas nações e impérios que perseguiram as religiões desapareceram, mas as
religiões que constituíam seu substrato teórico sempre sobreviveram. Este fato
revela que a religião parece possuir a proteção de uma superforça oculta que faz
dela a maior força da história humana, portanto, a única força capaz de realizar a
revolução do homem, atuando em seus corações e mentes.
O conceito de esfera cultural é semelhante ao conceito de cultura, que é
definida como o conjunto de crenças, costumes, língua e tradições que
caracterizam uma sociedade ou um grupo humano. O conceito de esfera cultural,
porém, é mais amplo, podendo abraçar várias nações. Na teoria Deusista uma
esfera cultural se forma a partir de uma religião. Por exemplo: a civilização cristã, a
civilização islâmica, a civilização hindu, etc.
As religiões de grande influência inevitavelmente se expandiram,
transformando-se em esferas culturais. Assim, podemos falar de esfera cultural
egípcia, greco-romana (orfismo e estoicismo), hindu, africana, mulçumana, cristã,
entre outras menos expressivas. Dentre as esferas culturais, as mais fortes sempre
absorveram as mais fracas, desenhando um movimento histórico em direção à
unificação das esferas culturais. Estudos de história, sociologia e antropologia
cultural identificaram entre 21 e 26 esferas culturais complexas ao longo da história
humana. Na história recente pudemos observar a formação de apenas 4 grandes
esferas culturais: a asiática (centrada no confucionismo, no taoísmo e no budismo),
a hindu (centrada no hinduísmo e no budismo), a islâmica (centrada no islamismo)
e a judaico-cristã (centrada no judaísmo e no cristianismo). No mundo globalizado
atual estas 4 esferas culturais estão se interpenetrando e se transformando em uma
única esfera cultural global. Hoje, vivemos a realidade de um mundo globalizado,
unificado pelas artes, comunicações, ciências, esportes, economia e política.
Apenas as religiões, embora defendam idéias e ideais comuns de paz e amor, ainda
estão divididas, e representam um obstáculo à unificação global (devido ao apego
de seus líderes ao prestígio, riqueza e poder). E este é o último e o principal
obstáculo, uma vez que as religiões atuam na área mais essencial da humanidade:
os corações e as mentes. Os cristãos unificacionistas dizem que, quando a religião
começar a esboçar sinais de unificação estaremos a um passo da sociedade
Familista inspirada pela ideologia Deusista, as idéias de Deus. O ecumenismo e a
harmonia religiosa defendida pelas religiões do mundo é o último passo do último
degrau. Como a religião universal, o rebanho sob um só pastor, é uma das
228
profecias comuns da humanidade o tempo atual é o tempo certo para o
cumprimento dessa profecia e dessa expectativa. E o Movimento Nova Era
emergiu na primeira metade do século XX apresentando-se como a religião
universal anunciada pelos grandes profetas, anunciando, inclusive, o avatar, seu
próprio “cristo” — Lúcifer. Todavia, como já vimos, o novaerismo se fundamenta
no esoterismo, um misto de idéias antigas oriundas da magia, da mitologia e do
hinduísmo, negando em bloco as idéias e os valores do da esfera cultural judaicocristã, a esfera cultural central, porque trouxe a promessa do Cristo salvador.
Assim, para os cristãos unificacionistas, o Movimento Nova Era representa o filho
tipo Caim, o falso que precede o verdadeiro. Neste caso, o verdadeiro, o filho tipo
Abel, seria o Movimento da Unificação, fundamentado e oriundo da esfera cultural
judaico-cristã e que trouxe o novo verdadeiro Cristo oriental, o Rev. Sun Myung
Moon.
Vivemos em um mundo globalizado interconectado, de interdependência
mútua e regido por leis internacionais e organizações internacionais como a ONU,
a Corte de Haia, a Cruz Vermelha Internacional, a Organização Mundial da Saúde,
a Organização Mundial do Comércio, entre muitas outras, sem falar na tendência À
unificação continental exemplificada pela União Européia. Fala-se muito na União
Asiática, Sul-americana, Norte-americana, União Árabe, etc. Estes fatos
demonstram definitivamente que o mundo está sendo unificado e a humanidade
está sendo conduzida para a formação de uma família global. Demonstra ainda que
uma força oculta, trascendental — Deus, para os religiosos em geral —, apesar das
fronteiras, das barreiras lingüísticas e dos conflitos, tem impulsionado a
humanidade na direção da unificação e da formação da família global. E como,
embora parcialmente, já estamos vivendo essa realidade em nosso mundo hoje,
podemos dizer que este é o tempo certo para o reaparecimento do novo Cristo.
b) A tendência comum da religião e da ciência à unificação — A religião
e a ciência são as duas faces da moeda-verdade. A religião traz a verdade interna,
sobre o mundo espiritual. A ciência traz a verdade externa, sobre o mundo natural.
De outro lado, a ciência e a religião são duas manifestações da natureza humana
original, uma vez que o homem busca a felicidade espiritual e física. Todavia,
devido á Queda, que originou a natureza dividida e conflitado do homem, a religião
e a ciência se desenvolveram sem conexão mútua, ou pior, chegaram a se verem
como inimigas, guerreando cruelmente entre si, como aconteceu no século XVI e
XVII quando a religião perseguiu e matou cientistas, ou no século XVIII, quando
os cientistas sociais da Revolução Francesa perseguiram e mataram dezenas de
milhares de religiosos, ou ainda no século XX, quando os cientistas sociais do
comunismo perseguiram e mataram milhões de religiosos.
Em l915 e l917, o cientista Albert Einstein, considerado um gênio da física,
declarou abertamente sua fé em Deus (imanente, impessoal), defendendo o valor da
religião e a harmonia entre a ciência e a religião. Suas idéias provocaram um
impacto mundial, influenciando milhares de outros cientistas ao redor do mundo.
Assim, a segunda metade do século XX viu surgir uma tendência à tolerância, à
aproximação e à harmonia entre religião e ciência. Atualmente, existe uma forte
229
tendência à harmonia e cooperação entre a ciência e a religião. Cientistas
materialistas como o biólogo evolucionista da Universidade de Harvard, Stephem
Jay Gould (1941-2002) em seu livro Pilares do Tempo (editora Rocco, 2002.185p)
têm defendido a teoria dos MNI — Ministérios Não-Interferentes —, através da
qual reconhecem a importância e a necessidade da religião como fonte de conforto
espiritual para a humanidade. Uma necessidade comum a todos os homens,
inclusive os cientistas, uma necessidade que a ciência é completamente incapaz de
satisfazer. Paralelamente, religiosos têm se debruçado sobre o estudo da ciência em
busca de respostas mais profundas para a questão das origens (da vida, das espécies
e do homem), esboçando teorias criacionistas como a teoria do Design Inteligente,
ou a minha proposta da teoria do Biocosmos (Cf. Biocosmos. O universo Vivo. A
Contestação do Big Bang. Editora Cultrix, 2000), como alternativa científicoreligiosa para a teoria materialista da auto-organização casual da matéria e da
evolução.
Esse fato histórico dos nossos dias demonstra que, como as duas faces da
verdade, a ciência e a religião avançaram divididas, mas em direção a uma mesma
meta: a felicidade humana. A tendência à unificação religião-ciência se fortalece
cada vez mais em nossos dias, indicando que inevitavelmente se encontrarão e se
unirão num futuro próximo como duas irmãs que foram afastadas e divididas, mas
que, embora desconhecessem o fato, jamais se desviaram do caminho da casa do
pai. E este fato representa mais um sinal de que os dias atuais são mesmo os
últimos dias da história dividida e conflitada da humanidade. Penso que o século
XX deveria ser chamado de século das luzes e das dores.
Tudo isso indica que estamos vivendo na época mais especial de todas as
épocas. Estamos vivendo na época da realização do sonho do amor e da paz
universal; o tempo do alvorecer do Reino de Deus na Terra. Para os cristãos
unificacionistas isso só está acontecendo porque Deus está trabalhando diretamente
na Terra através do novo Cristo, que já está na Terra.
c) A amplitude gradual da história de lutas — Segundo a Bíblia, a história
de conflitos e lutas começou no plano espiritual com a revolta do arcanjo Lúcifer
contra Deus. Estendeu-se para o plano físico em nível familiar na família de Adão,
com o conflito entre os irmãos Caim e Abel. Desde então, os conflitos e as lutas
têm se ampliado para os níveis de clãs, tribos, sociedades e nações, chegando no
século XX ao nível mundial com a I e a II Guerra Mundial e a Guerra Fria entre os
blocos formados pelas nações democráticas, lideradas pelos Estados Unidos, e as
nações comunistas, lideradas pela então União Soviética. Assim, podemos
constatar que a história de lutas partiu do nível individual e ampliou-se até o nível
mundial, não havendo mais nenhum outro nível real para onde os conflitos e as
lutas pudessem se expandir. Este fato histórico representa um indicativo de que a
paz mundial está próxima (a ficção esotérica inventou guerras interplanetárias,
intergalácticas, entre universos, etc).
Em l989, o sovieticólogo da Universidade de Harvard Francis Fukuyama
publicou um artigo na revista The National Interest intitulado O Fim da História, o
qual atraiu críticas e fama instantânea para seu autor. Em seu artigo, Fukuyama
230
afirmou que a evolução política da humanidade foi concluída com a morte do
comunismo e a vitória do liberalismo democrático. “Assistimos à morte de todas as
alternativas para o liberalismo. A única opção é a democracia”, disse Fukuyama.
O fim do comunismo fora profetizado pelo Rev. Moon em l945, e
publicado na página 83 de seu livro Princípio Divino:
“Examinando do ponto de vista da ascensão e queda das nações, vemos
que aqueles poderes que sempre perseguiram a religião pereceram, enquanto
aqueles que protegeram e exaltaram a religião prosperaram. Vimos na história
que a posição central passou de uma para outra nação, em cada caso
transferindo-se para um país que exaltava a religião mais do que o anterior. Por
isso, a história da religião nos diz que virá o dia, sem falta, quando o mundo
comunista, que persegue a religião haverá de perecer”.
Assim, o Rev. Moon anteviu o fim do comunismo numa época em que
ninguém na Terra sequer pensava nisso, pois em l945 o comunismo estava
prestigiado, vigoroso e em rápida expansão internacional sob a mão de ferro de
Stálin, na então União Soviética (Ocidente), e de Mao Tsé Tung, na China
(Oriente). Por isso, afirmar categoricamente o fim do comunismo em l945 foi uma
profecia singular àquela época, embora muitos outros profetas já o tivessem
profetizado. O artigo de Fukuyama acendeu um debate internacional, mas foi
contestado por muitos outros estudiosos. 22
22
A dimensão oculta da história de lutas — Em minha opinião pessoal, baseada nas profecias da
humanidade, particularmente na Bíblia e nas profecias de Nostradamus (que previu uma invasão
árabe no ocidente), a geopolítica contemporânea apresenta ainda uma clara divisão, não mais
ocasionada por motivos político-econômicos, mas por motivos religiosos. O mundo atual parece estar
dividido entre duas esferas culturais: a judaico-cristã, liderada pelo Rev. Moon, o Rei da Paz, e a
islâmica, liderada por Bin Laden, o rei do terror. As raízes históricas desse último conflito global, sob
uma perspectiva bíblica, remontam aos filhos do patriarca Abraão: Ismael, filho de Abraão e Hagar
(expulso da casa de Abraão), e Isaque, filho de Abraão e Sara. Todos os povos árabes se declaram
ismaelitas, descendentes diretos de Ismael, enquanto os povos cristãos seriam descendentes diretos de
Isaque. Assim, de um lado, está o Rev. Moon e o Unificacionismo promovendo a paz mundial, e do
outro lado está o Bin Ladem, promovendo uma guerra mundial através do terrorismo, a mais injusta e
covarde de todas as guerras, uma vez que visa matar pessoas inocentes. O Bin Ladem lidera o
terrorismo apocalíptico, cujo propósito não é a libertação da Palestina, ou alguma causa em particular,
mas a destruição total da sociedade cristã ocidental. Se esse quadro for verdadeiro, a história ainda
não chegou ao fim.
A dimensão mística da Guerra do Golfo — Outro aspecto místico do conflito entre essas
duas esferas culturais pode estar na Guerra do Golfo, uma vez que Saddam Hussein se declarava
descendente direto de Nabucodonosor, o antigo rei da Babilônia que escravizou os judeus antigos. Em
várias ocasiões, Saddam declarou que sua meta era restaurar a glória da antiga Babilônia, o que pode
ser visto no estilo arquitetônico que inspirou os vários palácios que construiu no Iraque. Saddam foi
um tirano desonesto e cruel que ordenou o assassinato de centenas de milhares de curdos e de
opositores de seu regime, inclusive muitos de seus próprios familiares. O Iraque está geograficamente
situado na região da antiga Mesopotâmia, região localizada entre os rios Tigre e Eufrates citados na
Bíblia; o mesmo local do antigo Jardim do Éden onde Adão e Eva — o casal humano primário —
viveram. A Guerra do Golfo começou quando Saddam invadiu e saqueou o Kwait (Caim sempre
ataca primeiro). A ONU se mobilizou e expulsou Saddam do Kwait. Como as atrocidades de Saddam
continuaram, os Estados Unidos mobilizaram alguns países da ONU e invadiram o Iraque,
derrubando Saddam. A Guerra do Golfo durou cerca de 5 meses. 40 dias de ataques aéreos e 100 dias
231
Ainda sobre o fim da história, mais uma vez o Rev. Moon contradisse a
todos ao afirmar que tanto o modelo comunista quanto o modelo democrático não
eram os ideais sociais que predominariam no futuro, pois ambos continham falhas
e apresentavam problemas semelhantes. Nos dois blocos o materialismo e o
hedonismo predominavam, os valores morais, éticos e espirituais declinavam, a
desintegração familiar avançava, a corrupção político-econômica, as desigualdades
e injustiças sociais, a permissividade sexual, as drogas e os vícios entre a juventude
comprometiam o futuro das nações. Portanto, a sociedade do futuro não podia ter
esse perfil, pois deveria ser uma sociedade de homens e mulheres de fé e de
caráter, uma sociedade familista, o Reino de Deus na Terra, o qual será
estabelecido por Deus através do novo Cristo.
Nestes termos, uma vez que as lutas já atingiram a amplitude mundial e os
dois blocos já começaram a se desarmar, a estabelecer relações diplomáticas,
culturais e econômicas de interdependência e apoio mútuo, podemos dizer que a
história de lutas da humanidade está chegando ao fim. O próximo passo será o
estabelecimento da paz mundial. E este fato é um indicativo de que estamos
vivendo os últimos dias da história do mal; o tempo do segundo advento do Cristo.
d) As profecias bíblicas sobre os sinais dos tempos e os fatos históricos do
século XX — A quarta evidência que identifica a época atual como a época do
reaparecimento do novo Cristo são as profecias dos sinais dos tempos, fatos
históricos catastróficos que, segundo a Bíblia, ocorrerão na época do
reaparecimento do novo Cristo.
A escatologia é a parte da teologia que estuda os fenômenos profetizados
para os últimos dias citados na Bíblia (os últimos dias do mal, não do planeta Terra
e da humanidade, para os cristãos unificacionistas). No Novo testamento Jesus
profetizou claramente um conjunto de fatos e tragédias que ocorreriam nos últimos
dias, a época do reaparecimento do novo Cristo:
“O Reino de Deus não vem com aparências exteriores” (Portanto, não é
uma cidade de ouro que desce do espaço)...
“Ouvireis falar de guerras e rumores de guerra... levantar-se-á nação
contra nação e reino contra reino. E haverá grandes terremotos, fome, peste,
coisas espantosas (os feitos da ciência) e grandes sinais nos céus” (os fenômenos
ufológicos e astronômicos atuais).
“E haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas (os fenômenos e os feitos
astronômicos atuais). E na Terra a angústia das nações em perplexidade pelo
bramido do mar e das ondas. Homens desmaiarão de terror diante das coisas que
sobrevirão. E as virtudes dos céus serão abaladas.
de ataques terrestres (segundo a numerologia dos unificacionistas, os números 40 e 10 são números
bíblicos relacionados com a separação do mal). Concluindo, com base numa perspectiva religiosa,
pode-se dizer que a Guerra do Golfo foi uma guerra entre árabes (ismaelitas) e judeus+cristãos
(israelitas: I e II Israel = povos eleitos) pela libertação do antigo Éden. Estes fatos podem significar
que em todos os fatos da história existe uma dimensão oculta sempre relacionada com a luta invisível
entre Deus e o arcanjo Lúcifer pelo domínio do homem e do planeta.
232
Olhai para a figueira. Quando os seus ramos começam a rebentar sabeis
que está próximo o verão. Assim também, quando virdes acontecer todas estas
coisas, sabei que o Reino de Deus está próximo”. (Lc 217-31).
“Quando, porém, vier o Filho do homem, acaso achará fé na Terra?”. (Lc
18.8).
Hoje, a verdadeira fé realmente desapareceu do coração de muitos. O nome
de Deus e a Sua palavra são usados por muitos apenas para usufruírem vantagens.
“E acontecerá nos últimso dias, diz o Senhor, que derramarei do meu
espírito sobre toda carne; vossos jovens terão visões e os vossos velhos sonharão
sonhos... derramarei do meu espírito sobre os meus servos e servas; e eles
profetizarão. Mostrarei prodígios nos céus e sinais na Terra” (At 2.17-19).
Paralelamente ao esfriamento do coração de muitos, em todo o mundo
outros estão experimentando um reavivamento da fé e da espiritualidade. Os
assuntos religiosos estão entre os mais desejados da atualidade, basta ver a
vendagem dos livros religiosos e de auto-ajuda.
“...Muitos correrão de um lugar para outro e a ciência se multiplicará”
(Dn 12.4).
O livro de Daniel é um livro apocalíptico que se refere aos últimos dias e
ao advento do Cristo para a Idade do Velho Testamento. Como Jesus foi rejeitado,
algumas das profecias de Daniel foram repetidas no Apocalipse, devendo se
cumprir nos últimos dias da era do Novo Testamento. Hoje, como profetizou
Daniel, presenciamos as crescentes migrações humanas e o incrível avanço da
ciência:
“Naquele tempo, muitos hão de se escandalizar, trair e odiar uns aos
outros; levantar-se-ão muitos falsos profetas e enganarão a muitos. (...) E por se
multiplicar a iniqüidade o amor esfriará em quase todos” (Mt 24.14).
Hoje, os escândalos estão na moda. A traição (a deslealdade) e o ódio
(terroristas) são enaltecidos por diferentes grupos. Muitos falsos líderes religiosos e
videntes corruptos estão enganando a muitos. A iniqüidade se multiplicou
incrivelmente em todo o mundo e o amor efetivamente está esfriando em bilhões
de corações.
“E como aconteceu nos dias de Noé e nos dias Ló em Sodoma e Gomorra:
quando todos comiam, bebiam, comprava, vendiam, casavam e se davam em
casamento (e veio o fogo e a água e tudo consumiram). Acontecerá do mesmo
modo nos dias do filho do homem”.
Assim como nos dias de Noé e de Ló (época do dilúvio universal e a época
da provável erupção vulcânica que destruiu e soterrou Sodoma e Gomorra, assim
como aconteceu com Pompéia) as pessoas estavam cegas pelo egoísmo e
corrompidas pelo materialismo e ateísmo. Hoje, a situação é semelhante. E assim
como aquelas pessoas dos dias de Noé e de Ló foram surpreendidas, também as
pessoas de hoje estão meio cegas pelo egoísmo e corrompidas pelo materialismo e
o ateísmo. E serão surpreendidas quando o novo Cristo aparecer para julgá-las por
meio da palavra de Deus.
233
“E este evangelho do Reino será pregado em toda a Terra habitada, para
testemunho das nações; e então virá o fim” (Mt 24.14).
Seguramente, todas as pessoas do mundo atual (exceto os bebês de colo) já
ouviram falar de Jesus e do Evangelho, o Novo Testamento. Mesmo as tribos
africanas, australianas e ameríndias mais isoladas já foram visitadas pelos
evangelistas cristãos, especialmente nas últimas décadas do século XX, quando a
difusão do Evangelho tem sido feita largamente através dos meios de comunicação
(jornais, revistas, rádios e televisões). O fato de o evengelho já haver atingido
praticamente toda a Terra significa que o reaparecimento do Cristo está muito
próximo, ou já aconteceu.
Não precisamos nos estender em longos comentários acerca da ocorrência
dos fenômenos e tragédias profetizados na Bíblia para os séculos XX e XXI, pois
são abundantes e mais que antigos e notórios para todos. Cabe, porém, destacar
que, segundo as profecias bíblicas, a ocorrência dos mesmos se daria nos últimos
dias, quando o reaparecimento do novo Cristo estivesse iminente, ou já tivesse
acontecido. Cabe também destacar que tragédias e fenômenos semelhantes foram
também profetizados pela maioria dos grandes profetas da humanidade em termos
e épocas similares. Desse modo, tudo isso significa que estamos vivendo
verdadeiramente a época dos últimos dias. E se todas as profecias bíblicas e as
profecias dos grandes profetas da humanidade estão acontecendo, ou já
aconteceram, isto significa que já estamos nos últimos dias e o novo Cristo já pode
estar na Terra.
e) A decodificação dos sinais dos tempos — A Bíblia afirma que Deus é
um ser único, eterno, imutável e absoluto. Portanto, sua vontade — uma sociedade
de paz e bem na Terra; o Reino de Deus na Terra — deve ser única, eterna,
imutável e absoluta, como está registrado na Bíblia: “O que eu disse farei; o que
concebi realizarei. Porque eu sou Deus e não há outro” (Is 46.11). De outro lado,
Jesus declarou que a vontade de Deus deve ser realizada na Terra e no mundo
espiritual: “Seja feita a vossa vontade assim na Terra como no céu”. Por fim, o
livro do Apocalipse profetizou a plena realização final da vontade de Deus na
Terra:
“E vi um novo céu e uma nova Terra... Eis a morada de Deus com os
homens. Deus habitará com eles e eles serão o seu povo. E Deus mesmo estará
com eles. E lhes enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, e já
não haverá pranto nem dor... Eis que faço novas todas as coisas”. (Apoc 21.1-6).
Ora, como isto irá acontecer se Deus destruir a Terra com fogo, como
acreditam, os cristãos tradicionais, ou através de uma hecatombe nuclear como
creêem tantos intérpretes das profecias da humanidade? Para que a vontade de
Deus se concretize na Terra é imprescindível que o planeta e a humanidade
sobrevivam às tragédias dos últimos dias. Assim, precisamos estudar, e decodificar,
os sinais profetizados para os últimos dias.
Com relação aos sinais profetizados para o futuro do planeta Terra nos
últimos dias, a Bíblia nos fornece dois tipos de profecias de conteúdos opostos, as
quais afirmam a destruição e a eternidade do planeta simultaneamente:
234
“...Os céus passarão com grande estrondo, os elementos abrasados se
dissolverão e a Terra, e as obras que nela há, com o ardor do fogo serão
consumidas”. (IIPe 3.10-12).
“Logo após a aflição daqueles dias o sol escurecerá, a lua não dará
claridade e as estrelas cairão do céu...”. (Mt 24.29).
Nestes textos, a Bíblia parece profetizar a destruição do planeta Terra
através do fogo. Muitos outros profetas cristãos, provavelmente influenciados pelas
profecias bíblicas e, no século XX, pela existência das armas nucleares,
profetizaram uma hecatombe nuclear — o fim do mundo por meio do fogo — que
arrasaria o planeta e a humanidade. Simultaneamente, outras profecias bíblicas
afirmam exatamente o contrário, que o planeta Terra é eterno:
“Uma geração passa, outra vem, mas a Terra permanece para sempre”.
(Salmo 78.69).
“O Senhor edificou o Seu santuário como aos lugares elevados; como a
Terra, que fundou para sempre”. (Ec 1.3-4).
Onde está a verdade? Por que a Bíblia fornece dois tipos de profecias
antagônicas e excludentes, confundindo os crentes? Procurei a resposta entre os
cristãos tradicionais. Eles tentaram explicar, mas as suas respostas me pareceram
escapistas e nenhuma me convenceu. Procurei uma explicação dentro do Completo
Testamento, a teologia dos cristãos unificacionistas. Eis a explicação que obtive.
Para os unificacionistas a razão da existência das profecias dúbias e
antagônicas é o estado dividido da natureza humana decaída. Após a Queda, o ser
humano adquiriu uma natureza dúbia bem/mal (herdadas de Deus e do arcanjo
Lúcifer), ficando dividido e conflitado entre duas vontades opostas e excludentes.
Assim, por um lado, tende a praticar o bem, fazer a vontade de Deus, e por outro
lado, tende a praticar o mal, fazer a vontade do arcanjo Lúcifer, o satanás. Sabendo
disto, Deus fornece dois tipos de profecias. Se o homem obedecer a Deus e cumprir
sua porção de responsabilidade, cumprir-se-á a profecia do bem e Deus vencerá.
Do contrário, se o homem fracassar, cumprir-se-á a profecia do mal e a vontade de
Deus será adiada. Um exemplo claro dessa situação está registrado no livro do
profeta Isaías, nos capítulos 53 e 60, onde está profetizado o destino de Jesus, o
primeiro Cristo. Isaías profetizou que se o povo judeu acreditasse no primeiro
Cristo (Jesus) ele seria coroado rei dos judeus e o povo judeu se tornaria senhores
do mundo (Is 60). Se não acreditassem, Jesus seria coroado rei do sofrimento e
sacrificado como um cordeiro levado ao matadouro (Is 53) e o povo judeu perderia
a posição de nação eleita (Mt 21.43; Mc 12; Lc 20). O povo judeu crucificou Jesus,
perdeu a posição de povo eleito (Israel = vencedor) e legou aos seus descendentes
uma pesada dívida espiritual (Lc 19.44; Mt 27.25). Se o testemunho escrito no
Novo Testamento não fosse suficiente para provar o gravíssimo erro dos judeus da
época de Jesus, a trágica história do povo judeu 23 ao longo de toda a era cristã
23
O trágico destino do povo judeu — Destruição de Jerusalém, o massacre dos judeus sob o
imperador Tito, a Diáspora dos judeus sob o imperador Adriano, a perseguição milenar mundial sob o
catolicismo, o massacre sob o nazismo, as guerras e os ataques terroristas do século XX e XXI. Na
235
deveria ser suficiente para que os judeus de hoje reconhecessem o erro de seus
antepassados e, assim como fez o Papa João Paulo II com relação aos erros
passados da Igreja Católica, pedissem perdão a Deus e à humanidade
publicamente. Isto, crêem alguns, moveria o coração de Deus e traria paz ao atual
Estado de Israel, cumprindo a profecia de Jesus: “Não conhecereis a paz até que
digais: bendito o que vem em nome do Senhor”.
Coisa semelhante pode ser dito com relação à profecia da devastação da
Terra e da humanidade através do fogo das armas nucleares. Se por ocasião do
advento do novo Cristo a humanidade unir-se a ele (ou uma parcela representando
a humanidade), crendo, servindo, apoiando e ajudando-o a cumprir sua missão, isto
poderia mudar o destino da humanidade, evitando a hecatombe nuclear. Os cristãos
unificacionistas afirmam que foi precisamente isto o que aconteceu. O novo Cristo
já está na Terra e alguns milhões de pessoas de todos os países do mundo
acreditaram nele, renunciaram a seus sonhos pessoais e, mesmo sob pesada
perseguição e risco de morte, se uniram a ele, apoiando-o no cumprimento de sua
missão mundial. Estes são os moonies, os cristãos unificacionistas. Os resultados
mais espetaculares dessa vitória espiritual teriam sido: 1. a sobrevivência do novo
Cristo; 2. a chegada dos Verdadeiros Pais ao mundo; 3. o fortalecimento e o avanço
do Movimento Internacional da Unificação para todo o mundo; 3. a desmoralização
do marxismo e a destruição mundial do comunismo (a ideologia e o ideal social
ateístas de Lúcifer) e, conseqüentemente, o fim da Guerra Fria e da ameaça da
hecatombe nuclear. Portanto, para os cristãos unificacionistas, a presença do Rev.
Moon no século XX mudou o destino da humanidade. Impediu a III Guerra
mundial, a guerra quente, de fogo, convertendo-a na Guerra Fria e, finalmente,
dissipando-a através da harmonia entre os Estados Unidos e a então União
Soviética. 24
Esta explicação dos cristãos unificacionistas, extraída do Completo
Testamento, explica também o porquê de a Bíblia conter o registro da ocorrência de
duas épocas de últimos dias (período de transição em que o bem e o mal se
cruzam): no tempo de Noé e no tempo de Jesus:
“Decidi pôr fim a toda criatura, pois eles encheram a Terra de
iniqüidades. Vou destruí-los juntamente com a Terra” (Gn 6.13). Segundo este
verdade, a existência da Igreja dos Cristãos Messiânicos, constituída por judeus que acreditam em
Jesus como o Cristo prometido aos judeus, representa mais uma prova histórica do erro cometido
pelos seus antepassados. Simultaneamente, o arrependimento e o reconhecimento de Jesus como o
Cristo por parte de representantes atuais do povo judeu são um sinal de que Deus nos ama a todos
como seus filhos, inclusive o povo judeu que também será libertado do mal e do sofrimento e viverá,
finalmente, em paz (At 1.17).
24
Um estudo detalhado do trabalho político do Rev. Moon está registrado no livro The Messiah
(University Press of América, 2003. Vols. I e II) do Dr. Bo Hi Pak, pioneiro coreano do
Unificacionismo.
236
texto Deus destruiu a Terra. No entanto, o planeta continuou existindo
naturalmente.
“Eu vim para lançar fogo à Terra, e o que mais quero se já está
queimando”. (Lc 12.49). Neste segundo texto Jesus incendiou o planeta Terra, mas
não há qualquer registro histórico de que Jesus tenha provocado algum incêndio
literal na Terra.
A conclusão dos cristãos unificacionistas, extraída das páginas da Bíblia, é
que o fogo que Deus utilizará para julgar a humanidade não será um fogo literal,
mas um fogo simbólico: a palavra verdadeira. E a Bíblia registrou realmente essa
possibilidade:
“E ferirá o homem com a vara de sua boca. E com o sopro de seus lábios
julgará o ímpio”. (Is 11.4; II Tss 2.8).
“De sua boca sairá uma espada de dois gumes, com a qual julgará as
nações pagãs”. (Apoc 19.15).
“A palavra que anunciei julga-lo-á no último dia” (Jo 12.48).
A vara de sua boca, o sopro de seus lábios e a espada de sua boca,
portanto, são expressões simbólicas, figuradas. Assim, de acordo com estes textos
bíblicos o julgamento de Deus se processará efetivamente com base em Sua
palavra, e não através de fogo literal.
Por fim, os cristãos unificacionistas demonstram que, na Bíblia, o termo
fogo é mesmo um símbolo para os termos língua e palavra.
O Velho Testamento registrou: “Não é a minha palavra como o fogo”. (Jr
23.29). O Novo Testamento também registrou: “A língua, meus irmãos, é um
fogo”. (Tiago 3.6). Trata-se aqui da utilização de uma figura de linguagem, a
metonímia, que é o emprego de uma palavra com o significado de outra; a língua
pela palavra. Assim, quando se diz que a língua é um fogo quer-se dizer que o
efeito da língua, a palavra verdadeira, queima como fogo aqueles que estão
vivendo na mentira; distanciados da palavra de Deus. Aliás, a Bíblia afirma
claramente que a palavra de Deus será o instrumento do julgamento: “A palavra
que anunciei julga-lo-á no último dia”. (Jo 12.48 e Lc 12.49).
Concluindo, se aceitarmos estes textos bíblicos como verdadeiros podemos
também aceitar que o novo Cristo não virá ao mundo para destruí-lo com fogo, mas
para salvá-lo através da educação verdadeira fundamentada no amor e na verdade
do Deus bíblico. O novo Cristo virá ao mundo para ocupar a posição do Verdadeiro
Pai da humanidade, que ficou órfã devido à Queda de Adão e Eva, e para agir
como um Verdadeiro Pai de amor. Suas armas serão a verdade suprema e o amor
verdadeiro de Deus. Assim, a humanidade nada tem a temer, pois o reaparecimento
do Cristo significa simplesmente que o mal e o sofrimento serão eliminados do
mundo e que todas as esperanças e todos os bons sonhos de Deus e da humanidade
serão finalmente concretizados para todo o sempre.
237
14º Sinal — A lei dos paralelos históricos: Uma prova bíblica, histórica e
matemática de que o novo Cristo já está na Terra?
Este 14º sinal que caracterizará o novo Cristo representa, para os cristãos
unificacionistas, uma prova bíblica, histórica e matemática de que o novo Cristo já
está na Terra. A lei dos paralelos históricos é a lei fundamental da teoria Deusista
da história (dos cristãos unificacionistas), a qual pode ser enunciada nos seguintes
termos:
A história é o trabalho de Deus para restaurar o homem decaído e
estabelecer o familismo, o Reino de Deus na Terra e no mundo espiritual. Deus
sempre cumpre 100% de sua responsabilidade. O homem decaído, porém,
ignorante e sob a influência do mal, nem sempre entende a providência divina, e
falha em cumprir sua porção de responsabilidade (5% = 100% de seu esforço).
Assim, Deus perde todo o Seu trabalho e precisa recomeçar a providência,
recriando novos personagens para trazer as mesmas idéias e realizar as mesmas
missões perdidas, repetindo a história.
A falha do homem, portanto, ocasiona o fracasso nos planos de Deus
(adiando a realização de Sua vontade), magoa o coração de Deus e O obriga a
repetir os personagens, as idéias, as tecnologias e as circunstâncias históricas.
Portanto, de acordo com a teoria Deusista, a história se repete, mas sempre em um
estágio mais elevado (de forma espiralada), pois a Providência divina nunca anda
para trás. Ela pode ser retardada, mas nunca reduzida ou detida. Um exemplo claro
desse fato histórico está no Helenismo e na Renascença, movimentos culturais
semelhantes conduzidos por Deus a fim de preparar culturalmente a humanidade
para receber Jesus (o Helenismo) e para receber o novo Cristo (a Renascença).
Com o mesmo propósito, Deus conduziu a Reforma judaica através de Malaquias
(antes da vinda de Jesus) e a Reforma Protestante liderada por Lutero (antes do
retorno do Cristo) como preparação do coração da humanidade para receber o
Cristo. Isto acontece porque Deus não pode enviar o Cristo em um ambiente
ignorante e hostil, mas prepara o coração (reformas religiosas) e a mente
(movimentos culturais) da humanidade para receber o Seu escolhido.
Este conceito define o processo histórico como espiralado: cíclico, vertical
e progressivo simultaneamente, uma vez que a história providencial progrediu
sempre, embora ainda não tenha chegado à vitória plena e final. Trata-se de um
conceito bem diferente da visão cíclica da história, de origem afro-indiana, adotada
pelos pensadores helênicos. Na visão cíclica da história o universo e o homem são
automanifestações de Brahma, o deus maior do hinduísmo, cuja respiração e
expiração, continuamente cria e destrói o cosmos ad infinitum. Assim, a duração da
história do universo teria a mesma duração da respiração de Brahma. Obviamente,
esta é uma explicação mítica da história (origem e destino) do universo. As
hipóteses do Big Bang (expansão) e do Big Crunch (contração) da cosmologia
materialista atual parecem ser uma aplicação da visão mítica afro-indiana da
história (origem e destino) do universo atualizada em termos pseudocientíficos.
238
A visão Deusista da história distingue-se também da visão
vertical/progressiva da história, a qual não admite um começo ou um fim para a
história, que é definida como as atividades humanas em progresso contínuo.
Resumo dos 14 sinais que caracterizarão e auxiliarão na identificação do
novo Cristo — Nostradamus forneceu 8 sinais que identificarão o novo Cristo
oriental. Em minhas pesquisas penso haver identificado outros 6 sinais, totalizando
um total de 14 sinais, os quais estão resumidos abaixo a fim de permitir ao leitor
uma visão de conjunto. São os seguintes os 14 sinais:
1º Sinal — Virá do Oriente e ensinará coisas boas no ocidente
2º Sinal — Trará o bastão de Hermes: um novo ensinamento
3º Sinal — O novo Cristo será proscrito e perseguido
4º Sinal — A relação do novo Cristo com a cor vermelha
5º Sinal — O novo Cristo será um Marte e acenderá nova Chama
6º Sinal — A Lua — um símbolo e um nome
7º Sinal — O novo Cristo viaja pelo mundo e cria controvérsias
8º Sinal — Um pássaro enigmático e uma mensagem contemporânea
9º Sinal — O novo Cristo emergirá da esfera cultural judaico-cristã
10º Sinal — O novo Cristo deve concretizar suas palavras em vida
11º Sinal — O novo Cristo será contemporâneo de falsos cristos
12º Sinal — O novo Cristo não realizará curas, milagres ou prodígios
13º Sinal — As evidências dos fatos históricos dos séculos XX e XXI
14º Sinal — A evidência da lei dos paralelos históricos
1.3. As Providências Paralelas e a lei dos Paralelos históricos
— A teoria da história dos cristãos unificacionistas
Neste tópico aprofundaremos o estudo da lei dos paralelos históricos exposto no
Diagrama dos Paralelos Históricos I e II a fim de tornar mais evidente a lei dos
paralelos históricos, a qual realmente representa um argumento poderoso (porque
bíblico, histórico e matemático) favorável à tese de que a época atual é a época do
reaparecimento do novo Cristo (os dois diagramas complementares estão
disponíneis no final deste tópico).
1) Estudo do Diagrama I — No Diagrama 1 temos dois retângulos, nos
quais estão sintetizadas as trajetórias históricas de dois povos: o judeu e o cristão,
respectivamente o I e o II Israel, nações eleitas por Deus como nações centrais de
Sua providência em duas eras distintas: era judaica e era cristã. Já dissemos
anteriormente que a história humana ocorre em providências paralelas, como em
trilhos paralelos, dividindo-se em história central (o trabaho de Deus através da
nação eleita: povo judeu e povo cristão) e a história periférica (o trabaho de
Lúcifer para vingar-se de Deus, maltratando a humanidade, e para manter o seu
domínio sobre o universo e o homem). A história também corre em dimensões
paralelas: a dimensão oculta (o trabalho providencial de Deus: avanços religiosos,
científicos, artes, esportes, etc) e a dimensão manifesta (os eventos diários do
239
mundo decaído — guerras, tragédias, crimes, epidemias, etc: o trabalho de
Lúcifer).
O Diagrama 1 também destaca a semelhança providencial das trajetórias
históricas dos dois povos eleitos — judeu e cristão —, os quais foram conduzidos
por Deus, como prova o diagrama. Se Jesus tivesse sido aceito pelo provo judeu de
seu tempo não existiria uma história cristã, pois não existiria um povo cristão.
Como o povo judeu falhou em aceitar Jesus, Deus perdeu todo o trabalho dos 1930
anos investidos no povo judeu, além da perda do Cristo e do próprio povo judeu.
Assim, Deus teve que eleger um novo povo e fazê-lo trilhar o mesmo caminho do
povo judeu a fim de indenizar todas as falhas cometidas e o tempo perdido. Essa é
a razão pela qual a história do povo cristão foi quase uma perfeita repetição da
história do povo judeu, como revela o Diagrama 1.
a) Jacó e Jesus: personagens históricos centrais e paralelos — A história
providencial movida por Deus sempre se desenvolve centralizada em uma figura
central. É a lei da regência pelo centro. Assim, a história do povo judeu e do povo
cristão se desenvolveram centralizadas em Jacó e Jesus, respectivamente. A
história do povo judeu no Egito começa com a entrada de Jacó, seus 12 filhos e 70
parentes no Egito. A história do povo cristão começa com a entrada de Jesus
(espiritual), seus 12 apóstolos e 70 discípulos no Império Romano. Assim, Jacó
(cujo filho José tornou-se primeiro ministro do Egito aos 30 anos de idade) é o
personagem paralelo de Jesus que, começando sua vida pública aos 30 anos de
idade deveria ter sido aceito pelo povo judeu e se tornado rei dos judeus aos 30
anos de idade.
b) Período de Indenização (400 anos) — Quando Abraão falhou na
primeira oferta solicitada por Deus (não dividiu as aves), recebeu uma revelação
segundo a qual seus descendentes, o povo judeu, pagaria 400 anos de indenização
no Egito. Portanto, para herdar a posição de nação eleita o povo cristão deveria
indenizar esse evento e esse período de tempo. O período de 400 anos de
escravidão do povo judeu sob o império egípcio foi indenizado pelo período de 400
anos de perseguição do povo cristão sob o Império Romano.
c) Período dos juízes e dos patriarcas (400 anos) — Após a conquista de
Canaã, os judeus estabeleceram um sistema social no qual foram governados por
juízes durante 400 anos. De modo similar, depois de reconhecido por Teodosio I, o
povo cristão estabeleceu um sistema administrativo similar onde foram governados
por patriarcas durante 400 anos.
d) Moisés e Santo Agostinho: personagens paralelos — Assim como
Moisés, 400 anos depois da entrada do povo judeu no Egito, sistematizou o
Pentateuco (os cinco primeiros livros da Bíblia, base do Velho Testamento),
libertou e conduziu o povo judeu para Canaã e estabeleceu os princípios éticos da
vida social dos judeus, Santo Agostinho contribuiu para a sistematização do Novo
Testamento, estabelecendo os princípios que deveriam pautar a vida e a ética do
povo cristão no livro A Cidade de Deus, entre outros. Dessa forma, Santo
Agostinho é o personagem paralelo de Moisés; é o novo Moisés que voltou.
240
e) Período do Reino Unido (120 anos) — Assim como Samuel abençoou
Saul, fazendo dele o primeiro rei do povo judeu, originando o Reino Judeu Unido
(que se prolongou com Davi e Salomão, 40 anos cada, totalizando 120 anos), o
Papa Leão III abençoou e coroou Carlos Magno, o rei dos francos (um dos povos
bárbaros europeus convertidos ao cristianismo), no ano 800 d.C., fazendo dele o
primeiro rei do povo cristão e originando o Reino Cristão Unido. Carlos Magno
converteu muitos povos europeus para o cristianismo (usando a força, algumas
vezes), construindo o Sacro Império Romano sob o domínio da Igreja Católica.
Carlos Magno foi um dos maiores líderes da história política da Europa, realizando
a primeira unificação da história européia em pleno século VIII. Carlos Magno
estimulou a fé e o desenvolvimento cultural, artístico, literário etc. Tão brilhante
foi sua atuação que o período de seu governo entrou para a história com o nome de
Renascença Carolíngia. O Papa Leão III é o Samuel que voltou e Carlos Magno é o
novo Saul que voltou. São personagens paralelos da providência divina.
f) Período do Reino dividido (400 anos) — Assim como o reino judeu foi
dividido em norte e sul devido ao fracasso de Saul em obedecer a Samuel, também
o reino cristão foi dividido em leste (Oriente/direita) e oeste (ocidente/esquerda),
devido à desunião dos filhos de Carlos Magno. Este período é um paralelo histórico
para indenizar (repetir) o período de tempo do reino judeu dividido que durou 400
anos. Durante o período do reino judeu dividido Deus enviou os profetas para leválos ao arrependimento e à purificação. No período do reino cristão dividido Deus
enviou os santos (Francisco de Assis — século XII — foi o mais expressivo) a fim
de levá-los ao arrependimento e à purificação. Os profetas judeus e os santos
cristãos são personagens paralelos.
g) Período do cativeiro (210 anos) — Assim como, depois da divisão do
reino judeu (reino do norte/Israel: 10 tribos; reino do sul/Judá: 2 tribos), as 10
tribos do reino de Israel (tipo Caim) foram destruídas pelos assírios e as 2 tribos do
reino de Judá (tipo Abel) foram levadas cativas pelo rei Nabucodonosor, da
Babilônia, também o reino cristão, depois de dividido, teria que passar por um
período de cativeiro a fim de indenizar esse evento e esse período. Todavia, o povo
cristão já não era um povo de nível tribal ou nacional, mas havia atingido o nível
mundial. Logo, como todo o povo não poderia ser levado para o cativeiro, Deus
permitiu que os mouros (mulçumanos) invadissem Jerusalém e perseguissem os
peregrinos cristãos que a visitavam, obrigando a cristandade a organizar as
Cruzadas para libertar Jerusalém. As Cruzadas, porém, fracassaram
completamente, fazendo com que o povo cristão sofresse muito. Depois disso,
Deus permitiu que o Papa Clemente V transladasse o Vaticano para Avignon, no
sul da França, em 1309, onde sucessivos papas viveram como cativos. O período
que vai desde o translado do Vaticano para Avignon até seu retorno para Roma
durou 210 anos. Este período indenizou (repetiu) o período de 210 anos do
cativeiro do povo judeu na Babilônia (desde que Nabucodonosor invadiu Canaã até
que o rei Ciro expulsou os judeus da Babilônia).
h) Período de preparação para a vinda do Cristo (400 anos) — Assim
como o helenismo (centrado em Sócrates, Platão e Aristóteles) representou a
241
preparação intelectual e cultural para a primeira vinda do Cristo, e Malaquias
realizou a Reforma do judaísmo para preparar o coração do povo judeu para a
primeira vinda do Cristo, a Renascença (centrada em Galileu, Copérnico e Kepler)
e a Reforma do cristianismo, centrada em Lutero, foram circunstâncias históricas
que indenizaram (repetiram) as mesmas circunstâncias e o mesmo período de
tempo perdidos, estabelecendo simultaneamente o período de preparação para a
segunda vinda do Cristo.
i) Malaquias e Lutero: personagens paralelos — Assim como os judeus
foram libertados pelo rei Ciro da Pérsia e puderam retornar para Canaã, onde o
profeta Malaquias realizou uma reforma religiosa no judaísmo como preparação
interna para a primeira vinda do Cristo, o papa Urbano V trouxe o papado de volta
para Roma, libertando os papas (representantes do povo cristão). Foi então que
apareceu Lutero, um monge agostiniano que realizou a reforma do cristianismo
como preparação para a segunda vinda do Cristo. Lutero é o novo Malaquias que
“voltou”; são paralelos históricos.
2) Estudo do Diagrama II — O Diagrama 2 dos paralelos históricos é tão
somente uma reafirmação demonstrativa do Diagrama 1, pois apenas identifica os
personagens e suas idéias que apareceram no período helênico (400 anos antes da
primeira vinda do Cristo) e o reaparecimento — a volta — dos mesmos
personagens e de suas idéias na Renascença, o período de 400 anos de preparação
para a segunda vinda do Cristo (de 1517 a 1917). Este diagrama revela que os
personagens que “voltaram” são outros e com outros nomes, mas suas idéias e suas
missões são as mesmas, pois um mesmo homem não pode nascer duas vezes na
Terra.
Um exemplo claro da lei dos paralelos históricos está registrado na Bíblia
relacionado com a volta do profeta Elias (II Reis 2.11). A Bíblia afirmou que o
profeta Elias voltaria: “Eis que eu vos envio o profeta Elias antes que venha o
grande e terrível dia do Senhor”. (Ml 4.5). Jesus afirmou que Elias havia voltado,
mas era outro homem com um novo nome: “Os profetas e a lei profetizaram até
João Batista. E se quereis compreender é ele o Elias que havia de voltar”. (Mt
11.13-14). Elias voltou, mas era João Batista, um outro homem enviado para
cumprir a mesma missão de Elias.
A Bíblia diz que Elias subiu ao céu e que voltaria. Diz também que Jesus,
o primeiro Cristo, subiu ao céu e que também voltaria. Elias voltou, mas nasceu na
Terra como outro homem e com um novo nome. E quanto ao Cristo? Descerá das
nuvens ou nascerá na Terra como outro homem com um novo nome? A própria
Bíblia afirma que Jesus (um como Jesus, com a mesma missão) voltará, mas
nascerá na Terra (Apoc 12.5), será outro homem (Apoc 5.1-5) e terá outro nome
(Apoc 2.17), mas virá repetindo as mesmas idéias de Deus (o Deusismo),
defendendo o mesmo ideal (o familismo) e com a mesma missão de Jesus, o
primeiro Cristo: construir o Reino de Deus na Terra e no mundo espiritual (“Seja
feita a vossa vontade assim na Terra como no céu”).
Conclusão: o período de tempo da história do povo judeu gasto na
preparação para a primeira vinda do Cristo foi de 1930 anos. Como o povo judeu
242
rejeitou o primeiro Cristo, todas as circunstâncias históricas e o período de tempo
de 1930 foram perdidos. Assim, o povo cristão, para herdar a missão como povo
eleito, teria que indenizar (repetir) todas as circunstâncias históricas e o período de
tempo perdido de 1930 anos. Isto, como demonstrou o Diagrama 1, foi realizado
de forma perfeita. Portanto, se o período de tempo necessário (e perdido) para a
primeira vinda do Cristo foi de 1930 anos, o período de tempo necessário a ser
indenizado para a segunda vinda do Cristo não poderia ultrapassar 1930 anos!
Outrossim, como todas as circunstâncias históricas e o período de tempo de 1930
foram indenizados (repetidos), e o novo Cristo não poderia reaparecer na Terra
depois do ano de 1930 nem antes de 1917, ano em que terminou o período de 400
anos de preparação para a segunda vinda do Cristo (de 1517, epóca da Reforma
Protestante, a 1917, época das Revelações de Fátima e da Revolução Comunista
Russa, que deu início à construção do falso reino do céu na Terra: o inferno
comunista ateu), o novo Cristo deveria nascer/reaparecer na Terra entre o ano de
1917 e o ano de 1930.
Com base na lei dos paralelos históricos os cristãos unificacionistas estão
afirmando, desde 1945, que o novo Cristo já voltou. Nasceu em l920, na Coréia, e
seu nome é Sun Myung Moon. E afirmam que os diagramas 1 e 2 dos Paralelos
históricos são provas bíblicas, históricas e matemáticas dessa afirmação.
a) O código matemático da Bíblia: o significado bíblico dos números 4, 3,
7, 10, 12, 21 e 40 — Restaria ainda uma breve explanação acerca dos números
providenciais (4, 3, 7, 10, 12, 21 e 40), os quais aparecem com freqüência na
Bíblia, na natureza e na história (como ficou demonstrado no Diagrama 1). Qual o
significado destes números?
Toda obra de engenharia e arquitetura exige um planejamento prévio; um
projeto matematicamente preciso. Obviamente, tal projeto está fundamentado em
medidas numéricas; em números. Quando consideramos o universo e o homem
como obras criadas por Deus, e partimos em busca de provas desse fato
encontramos na natureza, na sociedade e na Bíblia, encontramos um mesmo
conjunto numérico formado pelos números 4, 3, 7, 10, 12, 21 e 40. Este é um fato
comprovado pela matemática e pelas ciências naturais em toda a natureza. Por
exemplo: o físico Prêmio Nobel Paul Dirac desenvolveu a teoria dos grandes
números a partir da constatação da presença da potência 1040 em diversos
fenômenos naturais do micro e do macrocosmo. No reino vegetal e animal estes
números estão presentes com incrível abundância, o mesmo ocorrendo na física, na
química, na geologia, na antropologia, etc. Também na sociedade, na história, estes
números reaparecem abundamente. Como para os religiosos não existe acaso ou
coincidência, mas providência, estes números são vistos como uma marca
registrada do autor/criador da natureza, do homem, da sociedade e da Bíblia. Essa
marca registrada também aparece na vida dos personagens centrais da Bíblia (Noé,
243
Abraão, Jacó, Moisés e Jesus) como indicação de que vieram mesmo da parte do
verdadeiro Deus bíblico.25
A seguir acrescentamos os diagramas estudados neste tópico a fim de
fornecer ao leitor uma visão de conjunto, permitindo-lhe ter acesso às novas
informações históricas (a teoria Deusista da história), sistematizada pelos cristãos
unificacionistas. Por se tratar de uma nova interpretação da história centrada na
religião (como a teoria marxista da história é centrada na economia), penso que a
teoria Deusista da história pode vir a representar um novo e vasto campo de
pesquisa para os historiadores em geral, particularmente, para os historiadores
religiosos.
1.4. As profecias de Nostradamus sobre o fim da Igreja Católica
Nostradamus fez várias profecias sobre a crise e o fim do catolicismo, que deveria
ocorrer no final do século XX. Considerando que As Centúrias contém mais de mil
profecias e os pesquisadores demonstraram que a quase totalidade de suas
profecias do passado já se cumpriram com impressionante precisão, ninguém
duvida (exceto a própria Igreja Católica) de que o catolicismo sucumbirá no final
da história sob o peso de sua ignorância bíblica, sua intolerância e de seus próprios
erros. Vamos às profecias.
“Pontífice romano, toma cuidado ao aproximar-te da cidade banhada por
dois rios: teu sangue correrá neste lugar; o teu e o dos teus quando florescer a
rosa”. (Centúria II. Quadra 97).
Muitos estudiosos interpretaram esta profecia, relacionando-a ao Papa João
Paulo II e ao atentado sofrido por ele na Praça de São Pedro, no dia 13 de maio de
l981, quando o terrorista turco Mehmet Ali Agca o feriu a bala. A Monja de
Dresdem previu um evento importante para o ano de 1981: “Três são os últimos
anos do pântano: 1914, 1942 e 1981”. As profecias de Fátima ocorreram no dia 13
de maio, mesmo dia e mês do atentado a Joao Paulo II. Essa interpretação, porém,
somente faria sentido se o atentado a João Paulo II tivesse ocorrido numa cidade
banhada por dois rios e no final da primavera, quando florescem as rosas na
Itália. Roma não é banhada por dois rios nem o atentado ocorreu no final da
primavera italiana. Portanto, esta profecia pode se referir a um dos dois últimos
sucessores de João Paulo II, segundo Malaquias: De Gloria Olivae ou Petrus
Secundus.
“Depois de cinco [papas?], a Igreja será eliminada. Um fugitivo
abandonará o polonês (João Paulo II foi abandonado por Ratzinger, que fugiu do
25
Os mais interessados na numerologia Deusista podem adquirir o livro Princípio Divino (Editora Il
Rung, 1994), o qual contém explicações detalhadas da origem e do significado bíblico/providencial
destes números.
244
nazismo?); falsos rumores, boatos de socorro. Então o chefe abandonará a Sé”.
(Centúria XI. Quadra 3).
A expressão depois de cinco pode ser uma referência aos cinco papas do
nosso tempo que iniciaram e promoveram a renovação da Igreja Católica: 1. Pio
XII, 2. João XXIII, 3. Paulo VI, 4. João Paulo I e 5. João Paulo II. Na seqüência, o
cardeal Joseph Ratzinger afirma ser um fugitivo (desertor) do nazismo (pertenceu à
juventude hitlerista, foi soldado do exército de Hitler na II Guerra e teve seu nome
envolvido no escândalo do Banco Ambrosiano). Seu passado meio nebuloso e suas
tendências para a intolerância radical podem fazê-lo, depois de fortalecer sua
posição como Bento XVI, abandonar a política de paz e tolerância de João Paulo II,
o polonês.
Uma guerra ou uma grande tragédia natural (um terremoto) poderá atingir
a Itália, obrigando o papa a abandonar o Vaticano. Nostradamus profetizou que
“em maio as terras tremerão” (Centúria V. Quadra 88). Alguns estudiosos
afirmam que esta profecia já se cumpriu com o terremoto de maio de l967, na
Itália. Todavia, o Vaticano continuou de pé, contrariando todas as profecias que
previram sua destruição. Portanto, é provável que a profecia do grande terremoto
ainda não tenha se cumprido. Recentemente, circulou na internet uma profecia
anônima de origem católica que previu um terremoto com 8 horas de duração. Para
se ter uma idéia da dimensão do desastre, saiba-se que o tempo de duração de todos
os grandes terremotos da história somam aproximadamente 2 horas.
“O pontífice será preso durante uma viagem. Os preparativos falham,
tumulto no clero. O segundo eleito ausente [João Paulo II morto?] seus bens
desfeitos [a herança de João Paulo II são as suas palavras e o exemplo de suas
ações baseadas na tolerância] seu favorito bastardo [Ratzinger era o favorito de
João Paulo II para sucedê-lo] será morto”. (Centúria V. Quadra 15).
“Bem perto do Tibre, a morte ameaça. Antes haverá uma grande
inundação. O capitão do navio será preso e expulso, o castelo e o palácio serão
queimados”. (Centúria II. Quadra 93).
A primeira profecia fala do caos dentro do Vaticano e da prisão do papa,
que pode ser uma prisão domiciliar imposta pelas forças políticas internas do
Vaticano. Já a segunda profecia prevê claramente o fim do catolicismo. O rio Tibre
atravessa a cidade de Roma e o Vaticano encontra-se a poucos metros daquele rio.
A expressão profética capitão do navio é sempre empregada em referência à barca
de Pedro (= o papa e a Igreja Católica). O castelo e o palácio citados na profecia, e
que serão queimados, podem ser o Castelo de Santo Ângelo e o Palácio do
Vaticano, ambos muito próximos das margens do rio Tibre. Portanto, Nostradamus
profetizou o fim da Igreja Católica pela ruína de suas principais instituições: a
queda do papa e a destruição do mais importante santuário do catolicismo: a
Basílica de São Pedro, em Roma.
“Um cometa aparecerá na direção do Setentrião, não muito distante de
Câncer. Susa, Siena, Beócia e o mar vermelho tremerão. O grande homem de
Roma morrerá quando o cometa desaparecer”. (Centúria VI. Quadra 6).
245
“Pouco antes de o papa ser assassinado, a Igreja terá gêmeos no
comando [João Paulo I e João Paulo II] quando o cometa aparecer no céu [o
cometa de Halley?]. O dinheiro público será roubado na terra e no mar. Pisa, Asti,
Ferrara e Turim serão lugares proibidos”. (Centúria II. Quadra 15).
“A grande cidade das 7 colinas (Roma), depois da paz, guerra, fome e
inundação; que se estenderão até longe, destruindo muitas regiões. Mesmo as
ruínas antigas e a grande fundação”. (Centúria 1. Quadra 69).
Nestas quadras, Nostradamus previu o assassinato de um papa depois do
comando da Igreja pelos “gêmeos” João Paulo I e João Paulo II, numa clara
referência a Bento XVI. Na segunda quadra previu a destruição de Roma e das
regiões vizinhas, incluindo a grande fundação, que é a Basílica de São Pedro, em
Roma.
“Tua ruína, ó grande Roma, se aproxima, não de tuas muralhas, mas de
teu sangue e substância [da Bíblia e da fé, o corpo e o espírito da Igreja]. A
aversão pelas letras [descaso para com a palavra de Deus] fará tão terrível brecha,
ferro pontudo ferindo a todos até o cabo”. (Centúria X. Quadra 65).
Nesta profecia Nostradamus novamente previu com clareza o fim da Igreja
Católica, que perderá o respeito pela Bíblia, a palavra de Deus (o sangue) e a fé (a
essência; a substância), gerando um vazio existencial (terrível brecha) e trazendo
um sofrimento profundo (até o cabo).
1.5. O mundo pós-catolicismo
Como será o mundo pós-catolicismo? Os extraordinários acertos das profecias de
Malaquias sobre os papas que vieram depois dele eliminaram as dúvidas quanto às
suas previsões futuras, mas ocasionaram tentativas de ajuste por parte da liderança
e dos estudiosos católicos no sentido de garantir a crença na eternidade da Igreja
Católica. Todavia, a inexistência de um papa na Igreja Católica implica em
descentralização e no fim da própria Igreja, confirmando as profecias de Gerolamo
Tovazzo e as profecias da III mensagem de Fátima (escondida pela cúpula da
Igreja Católica precisamente por profetizar o fim do catolicismo). Eis como se
expressaram alguns líderes e pensadores católicos, tentando ajustar as profecias
sobre o fim do catolicismo às suas crenças, esperanças e expectativas de eternidade
da Igreja Católica no livro Os Grandes Profetas:
“A ausência de papas não deverá significar o fim da história da Igreja
Católica, que poderá continuar existindo, mas em bases completamente diferentes.
Alguns estudiosos da obra de Malaquias e de outros profetas falam [no
surgimento] de uma ‘Igreja Universal’ na qual todas as religiões adorarão a um
único Deus e na qual todos os profetas serão respeitados”.
Os Grandes Profetas: Editora Nova Cultural, 1982. p.169/170
Isto é, admite-se o fim do catolicismo e a sua substituição por um novo
movimento religioso mundial centrado no único Deus verdadeiro e onde todas as
religiões e todos os profetas serão respeitados. Obviamente, esta definição e essa
246
descrição não se referem à Igreja Católica nem a nenhum outro grupo religioso
tradicional do presente, todos sectários. Tampouco essa descrição se ajusta ao
Movimento Nova Era, um movimento caótico, amoral, de índole afro-indiana e
anticristão, onde as idéias da Queda do homem e da existência do mal, de satanás e
dopecado inexistem, fato que anula o significado da vinda do Cristo como aquele
que vencerá satanás e libertará a humanidade do mal e do pecado. Além disso,
atualmente, o Movimento Nova Era e o esoterismo estão em franca decadência,
acusado de misticóide por milhões de seus ex-seguidores.
Portanto, a descrição da ‘Igreja Universal’ na qual todas as religiões
adorarão a um único Deus e na qual todos os profetas serão respeitados parecem
se ajustar melhor às idéias e às atividades do Movimento Internacional da
Unificação (mais conhecido como Igreja da Unificação), cujo pensamento bíblico,
o Deusismo, é identificado com o pensamento do Deus bíblico manifestado através
das religiões judaico-cristãs (não, das magias), e cujo ideal social, o Familismo, é
identificado como Reino de Deus na Terra e no céu, o sonho humano de uma
sociedade pacífica, justa e próspera fundamentada na fé em um Deus-Pai único, no
respeito aos direitos humanos, à natureza e na ética familiar universal.26
1.6. Os personagens históricos, suas idéias e seus ideais
Muitos podem argumentar que o papa Bento XVI não surpreenderá ninguém, haja
vista que toda a sua vida, suas idéias e seus objetivos já são públicos. Ora, dezenas
de papas e antipapas ao longo da história do catolicismo mentiram e se
corromperam, traindo a Deus, a Jesus e a todo o catolicismo. Portanto, o verdadeiro
caráter e as verdadeiras intenções de um homem decaído não estão em suas
palavras, mas em seus atos ao longo do tempo em uma posição de comando
absoluto. Rousseau, que foi um materialista ateu que freqüentava missas com medo
da Inquisição, um lobo vestido em pele de cordeiro, escreveu: “Todos os homens
podem suportar adversidades, mas se queres pôr à prova o caráter de um homem
dá-lhe poder”. Todos os grandes tiranos anti-humanos da história revelaram seu
verdadeiro caráter e seus verdadeiros objetivos somente depois de estarem numa
posição de comando com poder absoluto. Sendo assim, a história provou que as
idéias e os ideais defendidos por um personagem nem sempre refletem seu
verdadeiro caráter e nem suas verdadeiras intenções. Vejamos os casos mais
recentes do iluminismo, do nazismo e do comunismo.
Quais foram as idéias e os ideais defendidos publicamente por esses
movimentos revolucionários ateístas e sanguinários?
O Iluminismo — O lema do iluminismo foi Igualitè, Fraternitè e Libertè
(igualdade, fraternidade e liberdade), além da defesa dos Direitos Humanos. O que
fizeram os revolucionários franceses? Perseguiram e prenderam milhares de
cidadãos de bem, padres e freiras; inventaram a guilhotina e, sob a influência
26
Maiores informações sobre o Movimento Internacional da Unificação podem ser encontradas nos
sites: afupm.famílias.org.br (em português) e familyfed.org (em inglês).
247
terrível de Marat e Robespierre, implantaram o Reino do Terror, guilhotinando o
rei Carlos XVI e sua rainha, toda a corte francesa, 30 mil padres e freiras e
milhares de cidadãos comuns. A guilhotina cortou a cabeça até do próprio
Robespierre. Na Revolução Francesa jamais se praticou a igualdade, a fraternidade
e a liberdade. A revolução violou todos os direitos humanos e divinos, pois uma
das metas de Robespierre era a descristianização da França e seu ideal maior foi a
virtude-terror, ou seja, Robespierre, o principal líder da Revolução Francesa,
acreditava que o terror (o medo) geraria a virtude nos cidadãos franceses.
O Nazismo — Que dizer do Nazismo? Hitler declarou: “O cristianismo
será o fundamento moral do meu governo”. Enquanto declarava isso ao mundo,
assassinava brutalmente milhões de judeus, ciganos, homossexuais e alemães
dissidentes. Seu ideal de uma Raça Ariana Pura e de uma Alemanha Soberana
foram uma grande mentira. Hitler, um artista homossexual frustrado, implantou o
terror na Alemanha e provocou a II Guerra Mundial que mutilou e matou mais de
50 milhões de seres humanos.
O Comunismo — E quanto ao comunismo? O ideal defendido pelo
comunismo era uma sociedade humanista, justa, pacífica e próspera. Lênin falava
em Pão, Terra e Trabalho para todos. O que aconteceu? Lênin matou toda a
família do Czar Nicolau II, inclusive as crianças, e mandou desintegrar seus corpos
com ácido; também massacrou milhões de cidadãos russos dissidentes. Stálin fez
ainda pior. Criou uma rede de espionagem e terrorismo mundial, expandindo a
revolução comunista para todo o mundo. Stálin matou 35 milhões de religiosos e
cidadãos russos, inclusive seus próprios amigos, como Leon Trotsky e todos os
líderes do exército vermelho. Na China Mao Tsé Tung matou 90 milhões de
cidadãos chineses na cruel Revolução Cultural. No Cambodja, o Khmer Vermelho
liderado por Pol Pot assassinou 3.5 milhões de cidadãos (metade da população)
com pauladas na cabeça (para poupar balas).
Em todos os 35 países invadidos pelos comunistas, inclusive Cuba, o
massacre de vidas humanas foi escandaloso. Por fim, segundo a revista Le Figaro
(edição de 18 de novembro de 1978), o sonho humanista e ateísta do comunismo
ceifou as vidas de 150 milhões de seres humanos e destruiu a economia de 35
países. O mundo despertou desse terrível pesadelo em l988, quando Gorbatchev —
o comunista negro, pois executou a marcha fúnebre e sepultou o comunismo —
desmantelou o comunismo na União Soviética, desmoralizando-o no mundo
inteiro.
Destes fatos históricos podemos extrair uma surpreendente conclusão:
todos os movimentos revolucionários materialistas, ateístas e humanistas
afirmavam amar e defender o homem, mas se revelaram criminosamente antihumanos. Por quê? Uma resposta estaria no fato de serem ateístas. Sem Deus, que
é amor e verdade, e centralizados em homens declaradamente inimigos de Deus,
não pode haver verdade e amor verdadeiro. Por isso, todos os movimentos
revolucionários de índole materialista e ateísta se revelaram anti-humanos. Uma
outra característica de tais movimentos está no fato de pretenderem revolucionar a
sociedade; mudar o mundo atuando na sociedade como um todo, com base em leis
248
e ações sociais. Na verdade, para mudar o mundo é preciso mudar primeiramente o
coração dos homens. Portanto, a verdadeira mudança social começa com a
revolução espiritual do indivíduo. Muda o homem, muda a sociedade, pois a
sociedade é constituída por um conjunto de indivíduos. Segundo os cristão
unificacionistas, o Rev. Moon tem repetido que a verdadeira revolução de que o
mundo necessita hoje é a Revolução do homem; uma revolução silenciosa que
elevará o coração humano do egoísmo para o altruísmo. Muitos ex-marxistas e
marxistas saudosos têm dito que se Marx vivesse em nossos dias chegaria à mesma
conclusão.
Diante de tais fatos o que podemos dizer? Podemos afirmar que as idéias e
os ideais defendidos por alguém refletem suas reais intenções? Nem sempre. Que
dizer de alguns governantes da história moderna (Lênin, Stálin, Hitler, Mussolini,
Mao, Pol Pot, Fidel, entre outros ditadores de esquerda e de direita), os quais
prometeram paz e prosperidade e trouxeram apenas guerras, destruição e miséria?
E que dizer de alguns papas da história do catolicismo, os quais defendiam
publicamente as idéias e os ideais de Jesus, mas ocultamente praticavam todos os
tipos de pecados e crimes?
1.7. O exemplo dos líderes do judaísmo da época de Jesus
Rousseau escreveu que “Se você quiser conhecer o caráter de um homem dê-lhe
poder”. Eu tenho comigo uma outra certeza: Se você quiser conhecer o caráter de
um homem observe atentamente o que ele faz, e não o que diz, pois todo ato é um
sentimento racionalizado e concretizado. É através das ações que os sentimentos e
as idéias de uma pessoa se revelam.
Eu tenho ainda uma outra certeza. Trata-se da teoria dos Falamansa e dos
Falabrava: Todos os que querem obter alguma vantagem de você dirige-lhe a
palavra sempre mansamente (não tem sido assim nas democracias?). Pisa leve
como um bom predador, especialmente as serpentes, para não assustar a presa.
Assim, desconfie dos falamansa. Os falabrava merecem mais confiança, pois
revelam tudo o que pensam e são no fluxo explosivo de suas palavras. Jesus nos
alertou sobre os falamansa na parábola do pai que chamou seus dois filhos para o
trabalho. Um deles gritou para o pai que não iria, pois estava cansado. O outro
respondeu suavemente para o pai que estava indo. Quando o pai se afastou, o filho
que gritara se arrependeu e foi trabalhar na vinha, enquanto o que disse suavemente
que iria não foi, estava mentindo para seu pai.
Sendo assim, não dá mais para acreditar em certos líderes religiosos atuais,
os quais ajem como os sepulcros caiados dos tempos de Jesus, limpos por fora e
podres por dentro. Eles eram guias cegos que devoravam as casas das viúvas a
pretexto de longas orações, colocavam fardos pesados nas costas dos outros
enquanto deixavam suas costas livres. Eles eram os mais altos líderes religiosos da
época de Jesus, os escribas e doutores da lei, mas, por inveja e medo, difamaram,
prenderam, julgaram e pressionaram Pilatos a assassinar Jesus. Por causa de sua
arrogância e descrença Jesus profetizou a sua destruição, declarando que as
249
prostitutas os precederiam no Reino de Deus. Como loucos, aqueles altos líderes
ousaram dizer que Jesus era um discípulo de satanás, filho da fornicação e um
bêbado, amigo de ladrões e prostitutas. Mas, disseram mais: “Que o sangue dele —
de Jesus — caia sobre nós e sobre os nossos filhos”. 70 anos depois, Jerusalém foi
sitiada e destruída pelo general Vespasiano que, elevado a imperador, encarregou
seu filho, o general Tito, de concluir a tarefa. O jornalista-escritor Werner Keller,
em seu livro ...e a Bíblia tinha razão (Editora Melhoramentos, 19ª edição, 1998, II.
Cap.2: A Destruição de Jerusalém. P. 367) registrou o cumprimento da profecia de
Jesus sobre a destruição de Jerusalém (Lc 21.5, 6, 20) devido á sua rejeição. Ao
relato de Keller nada há acrescentar.
Com base nos relatos de Flávio Josepho, em documentos históricos e em
descobertas arqueológicas, Keller nos conta que os judeus se rebelaram contra o
Império Romano e todos os habitantes de Jerusalém (exceto os cristãos, que saíram
antes) foram mortos. A fome os obrigou a comerem feno velho, seus sapatos e seus
cintos. Uma mulher chamada Maria, da família Bet-Ezob, matou e assou seu
próprio filho a fim de saciar sua fome. O general Tito jurou que cobriria essa ação
infame com as ruínas de toda a cidade. Tantos judeus foram crucificados (500 por
dia) que não restaram árvores ao redor de Jerusalém. Muitos foram estripados pelos
soldados romanos à procura de ouro. Os soldados romanos destruíram o templo
pedra por pedra em busca de ouro. Como Jesus profetizou: não restou pedra sobre
pedra. Logo em seguida, o imperador Adriano provocou a Diáspora, dispersando os
judeus (os descendentes daqueles líderes arrogantes) por todo o mundo, destruindoos como nação. Foram 2000 (dois mil) anos de perseguições e sofrimentos. Uma
dívida (Ex 20.5-6) que parecia ter sido saldada em l948, quando a ONU criou o
Estado de Israel. Todavia, o sofrimento continua. Li certa vez que mais de um
milhão de judeus já acreditam em Jesus como o messias prometido ao povo judeu.
E até fundaram a Igreja dos Cristãos Messiânicos. Contudo, a imensa maioria dos
judeus atuais continua negando Jesus como o Cristo prometido aos seus
antepassados. Todavia, não deviam esquecer as palavras de Jesus: “Não
conhecereis a paz até que digais: bendito o que vem em nome do Senhor”.
Os cristãos unificacionistas — que crêem no Rev. Moon como o novo
Cristo — dizem estar alertando os homens do século XXI, exortando-os a tomarem
a mesma atitude do sábio judeu Gamaliel com relação ao Rev. Moon e ao
Movimento da Unificação. Depois que alguns apóstolos foram libertados
milagrosamente da prisão (por um anjo), e falavam de Jesus no templo, os líderes
do judaísmo, perplexos (pois as grades das celas não foram abertas), ordenaram
que fossem trazidos ao sinédrio (conselho dos líderes religiosos e dos anciãos) e
voltaram a proibi-los de falar sobre Jesus. Todavia, diante da misteriosa libertação
daqueles apóstolos da prisão, Gamaliel, um fariseu e doutor da lei de grande
prestígio, pediu que os apóstolos fossem retirados do recinto e se dirigiu ao
sinédrio, dizendo-lhes:
“Varões israelitas, acautelai-vos a respeito do que haveis de fazer a estes
homens. Porque antes destes, surgiu Teudas, dizendo ser alguém, e a ele se
juntaram cerca de 400 homens. No entanto, Teudas acabou morto e os seus
250
Seguidores foram dispersados. Depois de Teudas, apareceu Judas, o galileu, e
atraiu muitos seguidores. Todavia, este também morreu e os seus seguidores
também se dispersaram. E agora digo-vos: Deixai livres estes homens porque, se
este conselho (o cristianismo) ou esta obra for dos homens, se desfará por si
mesma. Mas, se for de Deus, não podereis desfazê-la; e estareis correndo o risco
de serdes achados perseguindo o próprio Deus. E todos concordaram com ele. E
mandaram açoitar os apóstolos, mandaram que não falassem no nome de Jesus e
os deixaram ir”. (Atos 5.34-40).
E daquele dia em diante os judeus pararam de perseguir os cristãos. E o
tempo provou que o cristianismo era mesmo uma obra de Deus.
Segundo os cristãos unificacionistas, o novo Cristo prometido aos cristãos,
o Rev. Moon, também não foi reconhecido nem apoiado. E tem sido difamado e
perseguido, para cumprir as profecias de Jesus: “Quando vier o Filho do Homem,
acaso achará fé na Terra?”. Se isto for verdade, este livro pode representar uma
contribuição aos líderes religiosos atuais a fim de que se livrem dos preconceitos e
das muralhas da tradição e da cultura, e procurem identificar o novo Cristo, como
aconselhou a Bíblia: “Em novidade de espírito, e não na velhice da letra, pois o
espírito vivifica, mas a letra mata”.
Capítulo III
O reaparecimento do Cristo
251
profecias da Bíblia e do Apocalipse
1. Um estudo da Bíblia e do Apocalipse
A Bíblia é o livro mais extraordinário da história da literatura mundial. Já foi
traduzido para 2.167 idiomas e dialetos, teve 2 bilhões de edições, tem sido lido há
mais de 3.000 anos e já atingiu 85% da humanidade! Não há nada na literatura
histórica mundial que sequer se aproxime destes números. Um tal fenômeno
editorial, para os que têm fé, somente poderia ter sido produzido por Deus.
O livro do Apocalipse, para alguns estudiosos católicos, é uma mensagem
dirigida aos cristãos primitivos; para outros é uma repetição da mensagem profética
do livro de Daniel. Para mim, no entanto, o Apocalipse é um mosaico formado por
partes do Velho Testamento, algo como uma síntese de toda a Bíblia. Uma síntese
tão bem articulada que somente poderia ser realizada por alguém que conhecesse
completamente a Bíblia. Somente Deus, através de Jesus, poderia ter realizado tão
extraordinária síntese bíblica histórico-profética. Observei ainda que todas as
profecias bíblicas do Velho Testamento referiram-se ao primeiro advento do
Cristo. Foram admoestações morais e advertências ameaçadoras no sentido de
preparar a mente e o coração do povo judeu para receber o Cristo. Este veio, mas
foi rejeitado e assassinado. Assim, como a vontade de Deus é única, eterna,
imutável e absoluta (Is 46.11) Ele precisou repetir as mesmas profecias, agora,
referindo-se ao segundo advento do Cristo. Este capítulo irá demonstrar essa tese.
a) Análise estrutural do Apocalipse — O Apocalipse inteiro está dividido
em sete setenários: as cartas, os selos, as trombetas, os sinais do céu, as taças, as
vozes e as visões do fim. Contém 22 capítulos. Os 2 primeiros capítulos tratam e
dirigem-se à igreja primitiva, a época em que o livro foi escrito. Seu conteúdo são
as 7 cartas dirigidas às 7 igrejas da época. As cartas foram redigidas em um estilo
direto, forte e personalizado onde Jesus citou nomes e lugares com a precisão de
quem conhecia os lugares e convivia no dia-a-dia com as pessoas daquelas igrejas
(e, espiritualmente, estava mesmo entre eles). As cartas revelam os pecados e erros
cometidos por alguns membros das 7 comunidades da igreja primitiva (sob a
influência de satanás) e adverte, conforta e admoesta os cristãos primitivos a
252
perseverarem na prática das virtudes morais e da fé. Portanto, os 2 primeiros
capítulos do Apocalipse tratam de eventos e personagens (Antipas, Jezebel, entre
outros) do ano 96, época em que o livro estava sendo escrito. Suas mensagens eram
dirigidas aos homens do ano 96 da era cristã.
Os outros 22 capítulos falam de objetos, eventos e personagens do futuro,
do final do século XX e início do século XXI, época identificada na Bíblia e nas
profecias da humanidade como os últimos dias, o tempo do fim. Dentre os
personagens que aparecerão na Terra nos últimos dias estão os falsos profetas, os
anticristos e o novo Cristo. A profecia sobre o novo Cristo é muito importante,
pois, além de referir-se ao novo Cristo como um personagem histórico real (e não
mítico) que aparecerá na Terra no século XX, ela é a Grande Profecia dos últimos
dias, uma vez que é o sentido e o cumprimento da missão de todos os profetas da
era cristã.
2. O Apocalipse decodificado
Os estudiosos do Apocalipse costumam se dividir em duas correntes que
denominarei de: primitivismo, que situa os eventos nele descritos na época em que
foi escrito; e o atualismo, que situa os eventos no futuro; mais precisamente no
século XX. O Prof. Cairo César é um atualista. Eu também, pois, como este
capítulo demonstrará, os eventos descritos do capítulo 3 ao capítulo 22 do
Apocalipse coincidem com os eventos do nosso século XX.
Alguns estudiosos do Apocalipse divergem entre si sobre o porquê de o
Apocalipse ter sido escrito em linguagem figurada por meio de sinais, símbolos e
comparações. Dizem alguns que João assim o escreveu por receio dos romanos,
uma vez que o cristianismo vivia o auge da perseguição. João teria agido como
Nostradamus diante da ameaça da Inquisição. Todavia, João já era prisioneiro dos
romanos na Ilha de Patmos e abriu o livro com a frase “Revelação de Jesus
Cristo...” (Apoc 1.1). Logo, o porquê da linguagem figurada do Apocalipse não foi
o medo de João. De minha parte, penso que o porquê da linguagem simbólica da II
parte do Apocalipse era porque esta era dirigida aos homens do futuro (a I parte são
os 2 primeiros capítulos, contendo as 7 cartas dirigidas às 7 igrejas da época). Do
mesmo modo, muitas das palavras de Jesus foram ditas em termos figurados e
obscuros por meio de comparações e parábolas porque eram dirigidas aos homens
do futuro. Se o objetivo de Jesus fosse alertar seus contemporâneos, porque Jesus
falou em termos tão obscuros?
Outros estudiosos observam que João recebeu ordem de Jesus para que
“Não retenhas em segredo as palavras da profecia deste livro, pois o tempo está
próximo” (Apoc 22.10). Logo, João deveria falar clara e abertamente e divulgar
para todos a mensagem que recebeu. Evidentemente, Jesus tinha pressa em
divulgar as mensagens que enviou às 7 comunidades cristãs de sua época (as cartas
às 7 igrejas). Quanto à II parte da mensagem (dirigida ao homem do futuro),
mesmo que João a divulgasse ninguém a compreenderia. Nem mesmo ele. Por isso,
Jesus lhe disse para divulgar a mensagem na íntegra já em sua época.
253
a) O Apocalipse-mapa — O Apocalipse é um tipo de mapa; não um mapa
espacial, mas um mapa temporal, uma vez que o livro não especifica datas ou
épocas. Logo, as figuras referem-se a acontecimentos no espaço, e não a datas no
tempo. Assim, sua decodificação exige que o pesquisador vasculhe na história (no
tempo) os eventos naturais e os sinais históricos nele descritos. Como este capítulo
pretende demonstrar, os eventos profetizados no Apocalipse referem-se à época
atual, que é a época da Parusia; os últimos dias, o fim dos tempos. Desse modo,
para decodificarmos o Apocalipse precisamos nos deter no estudo dos eventos do
século XX e XXI, inclusive sobre o reaparecimento do novo Cristo (como fez este
livro). Por esse método, penso que os mistérios do livro do Apocalipse serão
decodificados, e o medo gerado por seus símbolos e figuras de linguagem,
transformados em alegria e esperança.
O Apocalipse é um livro escrito em símbolos e figuras míticas
profundamente misteriosas e amedrontadoras, especialmente pela ameaça — perda
do direito ao céu — feita pelo apóstolo João contra aqueles que ousassem mutilar
ou deturpar o livro. Ao longo de mais de 35 anos estudando a Bíblia e o
Apocalipse, jamais encontrei alguém capaz de esclarecer plenamente o profundo e
misterioso significado dos símbolos do Apocalipse. Houve época em que o estudo
desse livro sequer era recomendado, uma vez que seu efeito maior era confundir a
mente e gerar o medo nos corações de seus leitores. Dentre todos os estudiosos que
pesquisei, apenas o escritor goiano Cairo César, autor do livro O Mundo Acabou
(edição independente constante da biblioteca do autor), onde estudou o Apocalipse
como um livro de profecias simbólicas sobre eventos do século XX, apresentou
uma decodificação aproximada, mas limitada pela sua visão cristã tradicional sobre
o segundo advento do Cristo, que, para ele, é o mesmo Jesus que voltará sobre as
nuvens do céu. Assim, ele não pôde decodificar as profecias principais do
Apocalipse, as quais falam do nascimento do novo Cristo na Terra.
Neste capítulo iremos além das descobertas do Prof. Cairo César. Para isso,
contamos com o apoio irrestrito dos cristãos unificacionistas que me forneceram
informações e farto material de pesquisa. Com isso, pude localizar e decodificar no
Apocalipse as profecias referentes ao reaparecimento do novo Cristo acerca do
quando, como e onde ele reaparecerá. Penso que muitos cristãos tradicionalistas e
fundamentalistas, em defesa de suas opiniões pessoais e de seus cargos
eclesiásticos, se oporão á visão que apresentaremos aqui. Todavia, tenho certeza
que em suas mentes e em seus corações — em suas consciências — concordarão
comigo.
b) O Apocalipse na visão dos cristãos unificacionistas — Quando
paramos para estudar a Bíblia e o Apocalipse à luz do Completo Testamento, dos
cristãos unificacionistas, parece que todos os acontecimentos e todas as palavras
registradas na Bíblia tiveram como objetivo preparar o coração e a mente dos
homens (particularmente do povo judeu) para a chegada do Cristo. Os cristãos
unificacionistas dizem que, uma vez que Jesus era o Cristo prometido aos judeus,
mas não foi reconhecido, sendo rejeitado, traído e assassinado por Pilatos,
pressionado pelos líderes do judaísmo da época (que, por inveja e temor,
254
conspiraram para prender e matar Jesus), toda a preparação realizada por Deus para
apoiar Jesus foi perdida. Assim, Deus abandonou o povo judeu (que perdeu o título
de Israel = campeão. Mt 21.43), elegeu um novo povo, os cristãos (os que creram
em Jesus), estabeleceu uma nova igreja (a igreja cristã) e repetiu Sua Grande
Promessa; a Grande Profecia: o Cristo voltará. Esta seria a razão porque os
cristãos ainda aguardam o salvador e a salvação. Esta também seria a razão pela
qual o Apocalipse é uma síntese de todo o Velho Testamento; de todas as profecias
que não foram cumpridas por ocasião da primeira vinda do Cristo, as quais deverão
ser cumpridas por ocasião da segunda vinda. Evidentemente, os cristãos
tradicionais rejeitam essa visão bíblica, preferindo acreditar que Jesus é o próprio
Deus que veio à Terra para resgatar Seus filhos, estabelecendo o caminho da
salvação. Logo, o Cristo não precisa voltar novamente, pois o Cristo é o próprio
Deus-Criador, e Deus não falha nunca. A aceitação dessa visão, no entanto, não
explica o porquê de Jesus ter prometido o retorno do Cristo à Terra, promessa que
se constituiu no fundamento e na própria esperança do cristianismo. Não obstante,
um número cada vez maior de estudiosos da Bíblia e da história da atualidade
consideram a visão dos cristãos unificacionistas coerente e consistente com o
pensamento e as tradições judaico-cristãs. Inclusive eu, convencido pelas minhas
pesquisas.
Os cristãos unificacionistas vêm o Apocalipse como um livro sagrado,
escrito em linguagem simbólica e figurada (críptica), contendo profecias sobre os
eventos naturais e históricos dos séculos XX e XXI, inclusive sobre o nascimento
do novo Cristo na Terra. Depois de conhecer o Competo Testamento penso haver
encontrado uma chave para entender e decodificar o livro do Apocalipse, o qual
está profundamente relacionado com o reaparecimento do novo Cristo e com o
futuro da humanidade e do planeta Terra. Assim, a compreensão do Apocalipse
exige primeiramente que ele seja dividido em duas partes: 1. como uma
advertência aos primeiros cristãos (cartas às 7 igrejas); e 2. como profecias escritas
em símbolos e sinais sobre o futuro e, especialmente, sobre o novo Cristo e sua
vitória na Terra e sobre os eventos naturais e históricos que ocorrerão ao planeta e
à humanidade nos últimos dias. Quanto aos eventos naturais e históricos
profetizados simbolicamente no Apocalipse, o livro do Prof. Cairo César me foi de
inestimável valor. Porém, quanto ao reaparecimento do novo Cristo, o Prof. Cairo
César nada atinou, repetindo meramente as opiniões tradicionais do cristianismo.
A visão apocalíptica dos cristãos unificacionistas é surpreendente.
Particularmente, as profecias apocalípticas sobre o novo Cristo, as quais
demonstram tratar-se de um outro homem, nascido na Terra do ventre de uma
mulher, com outro nome, que terá uma esposa e 12 filhos, que derrotará o arcanjo
Lúcifer e salvará a humanidade, trazendo Deus para morar na Terra com os
homens. Tudo isso está registrado nas páginas do Apocalipse. Por que os cristãos
tradicionais, mesmo estudando o Apocalipse durante mais de 15 séculos não
enxergaram estes trechos tão imprtantes? Provavemente, porque estudaram e
interpretaram o Apocalipse sob a influência da visão preconcebida do cristianismo
tradicional, segundo a qual Jesus não era um homem divino — o II Adão —, mas o
255
próprio Deus-Criador que encarnou na Terra sob a forma de um homem para salvar
os Seus filhos. Concluída Sua missão, Deus retornou ao Seu trono no céu, de onde
está aguardando a colheita dos frutos de Seu trabalho vitorioso. Ao longo dos
séculos essa visão confundiu os estudiosos cristãos, que jamais compreenderam o
porquê da promessa da segunda vinda. Por que o Cristo deveria voltar novamente
se sua missão já fora concluída? E por que os cristãos, já salvos pelo sangue de
Jesus, continuam escravos do pecado, tendo que levar uma vida de orações, jejuns
e penitências, enquanto aguardam o retorno do Cristo para... Salvá-los?
c) Os eventos naturais e históricos do século XX profetizados
simbolicamente no Apocalipse — O escritor Cairo César, em seu livro O Mundo
Acabou (edição independente de 1986. Pertencente à biblioteca particular do autor)
realizou, com muita propriedade, um excelente estudo do Apocalipse onde buscou
decifrar suas profecias. Para o Prof. Cairo César o Apocalipse é um texto que fala
de eventos que ocorreram e ocorrerão nos séculos XIX, XX e XXI. Para ele, o
apóstolo João atua como um repórter que vê os eventos do futuro mostrados por
Jesus e escreveu o que via, comparando os fatos e os objetos do futuro, que
desconhecia, com os fatos e os objetos de seu cotidiano. Observa ainda o Prof.
César que João foi “levado” por Jesus para o mundo espiritual (regido por leis
diferentes das leis que regem o mundo físico), de onde viu os eventos narrados no
Apocalipse:
“Depois disso tive uma visão: havia uma porta aberta no céu, e a primeira
voz que ouvira falar-me como trombeta, disse: sobe até aqui para que eu te mostre
as coisas que devem acontecer depois destas”. (Apoc 4.1).
O termo destas se refere às coisas que estão acontecendo (destacadas nas 7
cartas às 7 igrejas da época: Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e
Laodicéia) e a expressão as coisas que devem acontecer depois destas se refere aos
eventos que iriam ocorrer no futuro. Portanto, o Apocalipse fala do tempo presente
(da época em que foi escrito) e do tempo futuro; profecias sobre o futuro.
d) Apocalipse: sinais e símbolos — O Apocalipse registra (Apoc 1.1) que
seu conteúdo está expresso em sinais: “Ele a manifestou em sinais” (do latim
signale = que serve de advertência, que possibilita conhecer ou prever algo, meios
auditivos e visíveis de transmissão à distância de notícias e avisos). O termo visível
refere-se a algo real e literal. João, portanto, não escreveu o Apocalipse como um
texto literário por inspiração divina, mas foi uma testemunha ocular que viu os
sinais (os eventos futuros da história) que escreveu. Esta observação descarta a
visão teológica tadicional que relaciona os eventos citados no Apocalipse aos
eventos da época das tribulações dos primeiros cristãos sob o império romano. João
expressou claramete que viu e ouviu as coisas que escreveu:
“Eu, João, fui o ouvinte e a testemunha ocular (ouviu e viu) destas coisas.
Tendo-as ouvido e visto, prostei-me para o adorar...”. (Apoc 22.8).
Um exemplo clarificará o conceito de sinais: Jesus disse que um dos sinais
de seu retorno seria a universalização dos evangelhos: “Primeiro este evangelho do
Reino será pregado em todo o mundoe então virá o fim...”. (Mc13.10). Isto é um
fato histórico; um sinal da proximidade do final dos tempos. Assim como este a
256
Bíblia (Lc 17) fornece muitos outros sinais do fim dos tempos, os quais somente
ocorrerão depois que o evangelho for universalizado. Ou seja: precisamente em
nossos dias.
De outro lado, não se pode negar o fato de que a linguagem do Apocalipse
também é figurada, repleta de figuras de linguagem, comparações mentais e
símbolos (do grego symbolon = sinal figurativo; coisa que representa um conceito,
que é a imagem, um atributo ou um emblema de um conceito). Um exemplo de um
símbolo apocalíptico clarificará o conceito de símbolo. O Apocalipse registrou:
“Na mão direita ele tinha sete estrelas... Voltei-me para ver a voz que me falava; e
ao voltar-me vi sete candelabros de ouro e, no meio dos candelabros, alguém
semelhante a um filho de homem... Quanto ao mistério das sete estrelas que viste
em minha mão direita e aos sete candelabros de ouro: as sete estrelas são os anjos
das sete igrejas, e os sete candelabros são as sete igrejas”. (Apoc 1.12 -20).
Como vemos, o Apocalipse utiliza os termos estrelas e candelabros para se
referir a anjos e igrejas. Trata-se de uma linguagem figurada, simbólica, onde se
utiliza uma palavra ou um objeto como representação de personagens ou de outros
objetos (estrelas = anjos. Candelabros = igrejas). Evidentemente, os termos
estrelas e candelabros não são sinais, mas símbolos. Em termos técnicos, trata-se
de uma figura de linguagem do tipo figuras de palavras (metáforas, comparação,
metonímia, sinédoque, catacrese, antonomásia e sinestesia) em que uma palavra é
usada com um sentido diferente de seu sentido usual (existem ainda as figuras de
construção e as figuras de pensamento). No caso específico das palavras estrelas e
candelabros o Apocalipse utilizou a figura metonímia, que é o uso de uma palavra
com o significado de outra em função de uma relação de causalidade: estrelas
produzem luz (o anjo Lúcifer é chamado na Bíblia de estrela da manhã; aquele que
traz os primeiros raios da luz do dia); candelabros produzem luz (objetos que
sustêm as velas que queimam, iluminando a escuridão; a luz que anula as trevas).
Vê-se, portanto, que existe uma clara relação de causalidade (causa-e-efeito) entre
os termos estrela e luz e candelabro e luz. Estrelas e candelabros (causas) são
fontes de luz (efeitos).
Com essa breve análise, penso haver demonstrado que a mensagem do
Apocalipse está codificada com base em sinais (fatos reais visíveis) e símbolos
(representações figuradas de personagens, objetos e fatos).
Um outro exemplo bastante ilustrativo está na referência à Grande
Prostituta: “Vem! Vou mostrar-te o julgamentpo da Grande Prostituta que está
assentada sobre muitas águas”. (Apoc 17.1). O próprio livro se encarrega de
decodificar o símbolo da Grande Prostituta: “As águas que vistes sobre as quais a
prostituta está assentada, são povos, multidões, nações, línguas e reis”. (Apoc
17.15). Logo: águas = humanidade decaída; grande prostituta = Lúcifer (o arcanjo
rebelde que seduziu Eva, Adão e o mundo inteiro. A Bíblia o chama de o sedutor
do mundo inteiro). Nestes termos, fica demonstrado que a mensagem apocalíptica
está cifrada com base em sinais e símbolos.
e) O Apocalipse de Daniel e de João — Muitos estudiosos da Bíblia
afirmam que, devido às muitas semelhanças em forma e conteúdo, o Apocalipse é
257
apenas um mosaico construído por João a partir das profecias do livro de Daniel.
Esta interpretação é superficial e perigosa, uma vez que nega a importantíssima
mensagem do Apocalipse dirigida aos homens atuais. Trata-se de uma
interpretação equivocada, pois, segundo as palavras de Jesus: “Os profetas e a lei
(o Velho Testamento) profetizaram até João Batista” (Mt 11.13-14); e “o fim da
lei é Cristo” (Rm 10.4). Estes textos bíblicos indicam que, no momento em que
Jesus iniciou sua missão pública — no encontro com João Batista no rio Jordão —,
estavam cumpridas todas as profecias do Velho Testamento, as quais foram
enviadas por Deus como instruções para preparar o coração e a mente do povo
judeu para a recepção de Jesus. Logo, as profecias do Apocalipse não são uma
mera repetição sem significado (repetidas por quê?) de trechos do livro de Daniel.
De minha parte, penso que a semelhança entre as profecias de Daniel e as
de João no Apocalipse deveu-se ao fato de asprofecias de Daniel se referem à
primeira vinda do Cristo, as quais se cumpriram com a chegada de Jesus. Todavia,
Jesus foi rejeitado, traído e assasinado pelo povo judeu de sua época, fato que
impediu a plena salvação da humanidade (por isso, o mal cresceu tanto, mesmo
depois de Jesus) e provocou a necessidade da segunda vinda do Cristo para
concluir a salvação total da humanidade como está profetizado no Apocalipse.
Desse modo, uma vez que o povo judeu foi abandonado (Mt 21) e um novo povo
foi eleito — o povo cristão, o II Israel — Deus precisou repetir as mesmas
profecias a fim de preparar o povo cristão para receber o Cristo do segundo
advento. Confirmando estes fatos, o Prof. Cairo César escreveu:
“Se os textos se repetem, embora escritos em épocas diferentes, isto não
significa necessariamente uma repetição. Para mim, ocorreu que homens
diferentes em épocas distintas viram os mesmos fatos. O tempo e os homens são
diferentes, mas os fatos são os mesmos”. (O Mundo Acabou. 1986. p. 34).
O Prof. Cairo César observa ainda que existem muitos textos semelhantes e
até iguais em Daniel e em João, mas isto não significa repetição, mas
concordância, uma vez que se 100 pessoas virem uma maçã, todas descreverão
uma maçã; mentirão se forem movidas por má fé. Na verdade, como veremos a
seguir, houve sim repetição das mesmas profecias, uma vez que o primeiro Cristo,
Jesus, foi rejeitado e assassinado ainda jovem, o que provocou a necesidade do
segundo advento do Cristo.
Deus é único, eterno, imutável e absoluto. Desse modo, Sua vontade e Sua
verdade são únicas, eternas, imutáveis e absolutas no tempo e no espaço (Is 46.11).
Logo, as falhas do homem decaído (sob o domínio de Lúcifer) podem prolongar a
realização da vontade de Deus, como ocorreu com Saul (que foi substituído por
Salomão na construção do Templo), com Moisés, que foi substituído por Josué na
conquista de Canaã, e como acontecerá com Jesus, que foi impedido de realizar a
salvação total da humanidade (realizou apenas a redenção espiritual. Cf. At 7.5153; ICo 2.8; e Rm 8.22-23), e deverá ser sucedido pelo novo Cristo, o III Adão,
que, finalmente, concluirá a providência divina da redenção da humanidade,
conforme está registrado no Apocalipse (Apoc 21.3-4). Como a vontade de Deus é
absoluta e eterna, Ele repetiu, através de João, as mesmas profecias anteriormente
258
dadas a Daniel. Eis, portanto, o porquê das semelhanças entre as profecias de
Daniel e as profecias do Apocalipse.
Em que pesem os esforços do Prof. Cairo César no sentido de afirmar a
importância da decodificação dos sinais e símbolos da Bíblia ao invés de aceitar
sua interpretação literal, sua visão evangélica tradicional o fez dizer coisas
incoerentes, tais como: “Tudo nos prova que o mundo acabou, e que, de fato,
estamos na fase dos funerais, que se darão pelo proceso da cremação”.
Lamentavelmente, o Prof. Cairo César não percebeu a incoerência de tal afirmação,
uma vez que a mesma afirma a derrota de Deus, que criou a humanidade como Sua
família de amor eterno, e criou o planeta Terra como o lar de Seus filhos. O Deus
da Bíblia é o Deus-Pai do bem, e jamais predestina o mal (que ocorre devido ao
fracasso do homem sob o domínio de Lúcifer). No pensamento e no coração de
Deus jamais existiu qualquer idéia de cremação do planeta Terra. Se Deus
cremasse a Terra estaria fazendo a Sua vontade ou a vontade de satanás, seu
inimigo? A Bíblia registrou a eternidade do planeta Terra claramente:
“Uma geração passa, outra vem, mas a Terra permanece para sempre”.
(Salmo 78.69).
“O Senhor edificou Seu santuário como aos lugares elevados; como a
Terra que criou para sempre”. (Ec 1.3-4).
Muito mais poderíamos escrever sobre essa questão, mas a natureza deste
livro me impede de fazê-lo.
Cabe ainda uma outra importante observação acerca das profecias paralelas
de Daniel e João no Apocalipse. Trata-se do fato de que ambas as profeicas se
referiram a um tempo no futuro longínquo:
“Mas, tu, guarda silêncio sobre a visão, pois ela se refere a dias
longínquos... Quanto a ti, Daniel, guarda em segredo estas palavras e mantém
lacrado o livro até o fim dos tempos”. (Dn 8.26 e 12.4).
“...e a primeira voz, que ouvira falar-me como trombeta, disse: sobe até
aqui para que eu te mostre as coisas que devem acontecer depois destas”. (Apoc
4.1).
Assim, a própria Bíblia confirma que as profecias paralelas de Daniel e
João foram dirigidas para o futuro; para eventos que ocorreriam em “dias
longínquos”; são eventos e fatos do futuro — “coisas que devem acontecer depois
destas”. Todavia, enquanto a Daniel fora ordenado que guardasse segredo de suas
profeicas, a João fora ordenado que revelasse suas profecias, uma vez que a
primeira parte delas dirigia-se às sete igrejas da época e a segunda parte não
poderia ser entendida, uma vez que os eventos ali citados somente ocorreriam no
futuro.
f) O doce e o amargo do Apocalipse — Como já dissemos, o Apocalipse é
um livro-síntese de toda a Bíblia, uma vez que todas as profecias sobre a
providência divina e sobre o futuro da humanidade — cumpridas, mas perdidas
com a morte de Jesus — foram ali repetidas concisamente a fim de que fossem
novamente ditas e, desta vez, cumpridas definitivamente. Assim, como no Velho
Testamento, Deus enviou mensagens de advertência e de esperança, fazendo do
259
Apocalipse uma taça amarga (amedrontadora, caso o homem a desobedeça) e doce
(caso o homem a obedeça). Isso foi claramente registrado nas seguintes trechos:
“Feliz o leitor e os ouvintes das palavras desta profecia, se observarem o
que nela está escrito, pois o tempo está próximo”. (Apoc 1.3).
“Se alguém lhes fizer algum acréscimo, Deus lhe acrescentará as pragas
descritas neste livro. E se alguém tirar algo das palavras deste livro de profecias,
Deus lhe tirará também a sua parte da árvore da vida e da cidade santa, que estão
descritos neste livro”. (Apoc 22.19).
Assim, as profecias do Apocalipse — como de resto, as profecias de toda a
Bíblia — falam de advertência, promessa e esperança. Contudo, asseguram a
vitória final e total de Deus. O Apocalipse registra que falhas poderão ocorrer, mas
nada impedirá a vitória de Deus.
Em um trecho do Apocalipse está registrado: “...Para que mostrasse aos
seus servos as coisas que devem acontecer muito em breve”. (Apoc 1.3). Por que o
verbo está no condicional, no indicativo do presente — devem —, ao invés de no
futuro do indicativo: deverão? Acaso Deus, sendo onisciente e onipotente, tinha
alguma dúvida quanto ao futuro? Deus mesmo não tem quaisquer dúvidas quanto à
sua vitória. Todavia, quanto ao homem decaído — que jaz sob o domínio do mal
— falhas já ocorreram no passado e poderão ocorrer no futuro. Não obstante,
segundo os cristãos unificacionistas, Deus é um ser de número 3 (número da
perfeição celeste) e sempre vence na terceira tentativa (I Adão, II Adão e III Adão).
A Bíblia está repleta de exemplos indicativos de que o número 3 é o número da
vitória de Deus. Além disso, Deus criou o universo e o homem através do numero
6 (os 6 “dias” da criação) e descansou no sétimo “dia” (os evetos naturais ocorridos
nos 6 “dias” bíblicos correspondem aos eventos ocorridos nas 6 eras geológicas).
Como já ultrapassamos o VI milênio, e já entramos no VII milênio, esta é a Era de
Deus. Deus está no comando e está determinando o andamento das coisas. Por isso,
nem Lúcifer nem os homens decaídos poderão impedir a vitória final e total de
Deus. É o que afirmam os cristãos unificacionistas.
g) Apocalipse: um livro didático-profético — Quanto às questões morais,
o Apocalipse partiu do pressuposto de que todos já estão cientes das leis morais de
Deus (contidas nos evangelhos, que também representa uam síntese de toda a
Bíblia), registrando simplesmente:
“Que o injusto cometa ainda a injustiça e o sujo continue a sujar-se; que o
justo pratique ainda a justiça e que o santo continue a santificar-se”. (Apoc
22.11).
Este fato nos leva à conclusão de que o Apocalipse tem dois objetivos
principais: 1. Adverter e admoestar as 7 igrejas da época a uma prática mais fiel do
cristianismo; e 2. Informar à humanidade acerca dos eventos do futuro,
preparando-a para o retorno do Cristo. Quando parei para pensar sobre estas
questões concluí que todos os profetas, ensinamentos e profecias anteriores à vinda
de Jesus tinham como objetivo principal preparar a humanidade para recebê-lo. Do
mesmo modo, todos os profetas, ensinamentos e profecias surgidas na era cristã
tiveram como objetivo principal preparar a humanidade atual para receber o novo
260
Cristo. As profecias do Apocalipse, nesse contexto, pode ser a maior de todas as
advetências e a maior de todas as dádivas, pois informa e prepara a humanidade
para o evento histórico e transcendental mais importante: o retorno do novo Cristo.
João recebeu ordem para ver e registrar tudo o que via em um livro. As sete
cartas às 7 igrejas ele simplesmente as escreveu como ouviu. Mas toda a segunda
parte do que viu e ouviu (os eventos do futuro) dividiu em sete partes (7 etapas),
que chamou de selos. E agiu como um verdadeiro repórter-escritor. O historiador
Hass Gonçalves esreveu: “As profecias são a história prevista no espaço e a
história são as profecias realizadas no tempo”. João somente se tornou profeta
depois que suas reportagens antecederam os fatos. Isto demonstra que o Apocalipse
não é interpretável, mas decodificável e comparável. Isto é, seus símbolos somente
podem ser comprendidos depois da decodificação de alguns símbolos e depois da
ocorrência dos fatos e quando comparados a eles. É exatamente como as profecias
de Nostradamus, as quais somente foram compreendidas quando comparadas aos
eventos ocorridos e depois de decodificados alguns de seus símbolos. Assim, para
decodificar o Apocalipse é necessário muito mais do que fé, piedade e humildade,
como o próprio livro indicou: “Aqui é preciso discernimento! Quem é inteligente
calcule o número da besta, pois é um número de homem...”. (Apoc 13.18).
Os gêneros literários da Bíblia — A Bíblia contém livros de 3 diferentes
gêneros literários: históricos, didáticos e proféticos. Os evangelhos são livros do
gênero didático, cujo conteúdo é essencialmente moral. Já o Apocalipse pertence a
um quarto gênero híbrido, ao qual denominaremos de histórico-profético. Por isso,
a decodificação do Apocalipse exige, além da inspiração divina e da sagacidade
intelectual, um grande talento e uma grande bagagem cultural. É preciso ter amplos
conhecimentos sobre religião, teologia bíblica, filosofia, história, mitologia,
lingüística, ecologia, astronomia, física, química, biologia, economia, política,
logística, medicina, comunicação, etc, etc. É, novamente, semelhante aos
conhecimentos exigidos na decodifição das profecias de Nostradamus. Tudo isso,
porém, não significa que o Apocaliopse seja um livro árido e essencialmente
técnico. É quando o decodificamos e captamos seu profundo significado históricoprofético que sua essência moral aparece e transcende todos os outros aspectos
relacionados à sua mensagem. Penso que o estudo que estamos procedendo neste
livro tornará a essência moral e histórico-profética do Apocalipse muito mais clara,
interessante e importante para os nossos dias e para o futuro.
Todavia, João era um homem do ano 96 da era cristã, de pouca
experiência espiritual e bagagem cultural limitadas. Sendo assim, registrou nas
páginas do Apocalipse tudo o que lhe foi mostrado (personagens, eventos e objetos
de sua época e do futuro), mas registrou-os com base no quadro de referências
extraído de sua vida e de seu ambiente cotidiano. Assim, o Apocalipse ficou
repleto de símbolos, figuras de linguagem (parábolas, metonímias, etc) e
comparações mentais, lembrando muito de perto as comparações mentais feitas
pelos índios, que chamaram, por comparação, o homem branco de cara-pálida, ao
trem de búfalo-de-aço, ao avião de pássaro-metálico, aos fuzis de vara-que-cospefogo, e assim sucessivamente.
261
João lança mão de palavras, imagens e objetos de seu cotidiano para definir
e expressar o que vê — personagens, imagens e objetos do futuro totalmente
desconhecidos por ele. Realiza uma comparação mental, certamente, acreditando
que os homens do futuro, para quem a mensagem profética daquele livro era
dirigida, encontrariam um meio de decodificá-las. João estava certo. O homem do
século XX criou até um ramo especializado da ciência — a criptologia — para
decodificar os símbolos, linguagens e mensagens codificadas do passado.
Vejamos como o Prof. Cairo César expressou sua visão sobre o livro do
Apocalipse:
“Acredito no Apocalipse como um livro editado no ano 96 e,
principalmente, descrevendo acontecimentos do século XX e adjacências. Acredito
nisso porque, uma vêz procurando os fatos ali descritos só fui encontrá-los neste
período a que me refiro, com exceção das 7 cartas que são relatos de
acontecimentos da própria época em que o livro foi escrito... Acredito no
Apocalipse porque, na época atual, todos os acontecimentos batem 100% com o
livro. E não são apenas alguns, mas todos!”. (Do livro O Mundo Acabou. 1986, p.
9).
h) Por que a Bíblia é uma mensagem codificada? — A Bíblia é uma
mensagem codificada enviada por Deus para a humanidade. Porque, segundo a
tradição cristã, satanás se tornou “o deus deste mundo” a Terra se tornou um
território ocupado pelos inimigos de Deus, de modo que todas as mensagens que
Deus envia aos seus soldados, necessariamente, precisam ser codificadas. A chave
do código somente Deus conhece; e a revela unicamente para os seus “espiões”
fiéis — os profetas e os santos. Quando satanás descobre um destes “espiões” fiéis
imediatamente manda prendê-lo e executá-lo impiedosamente. Este é o motivo
pelo qual o bem e a verdade são perseguidos neste mundo. Este é o motivo pelo
qual os personagens bíblicos foram perseguidos, os profetas judeus foram
apedrejados, Jesus foi crucificado, os apóstolos foram martirizados, os primeiros
cristãos lançados aos leões no Coliseu e os primeiros cristãos protestantes foram
igualmente martirizados pela Igreja Católica medieval corrupta e pela Inquisição.
Não apenas os personagens religiosos de Deus são perseguidos e mortos, mas
qualquer outro homem que se proponha a combater a mentira e o mal na Terra. Por
isso, Sócrates foi envenenado, São Bernardo foi castrado, milhares de padres,
freiras e missionários cristãos protestantes foram perseguidos e mortos em todo o
mundo. Foi por isso que Martin Luther King e John Kennedy foram assassinados, e
o Presidente Ronald Reagan e o Papa João Paulo II sofreram atentados a bala. E,
segundo os cristãos unificacionistas, é por isso que o Rev. Moon é o homem mais
perseguido, mundialmente, da história do século XX.
A Bíblia é uma mensagem codificada. Por isso, certas partes de sua
linguagem são tão herméticas, de difícil compreensão. Todavia, Jesus prometeu
que chegaria o dia em que a mensagem bíblica seria totalmente revelada:
“Muito tenho a dizer-vos, mas não o podeis suportar agora. Quando vier o
justo, o Espírito da verdade, Ele ensinar-vos-á toda a verdade”. (Jo 16.12).
262
“Disse-vos estas coisas em termos figurados e obscuros. Virá a hora,
porém, em que já não vos falarei por meio de comparações e parábolos, mas vos
falarei abertamete a respeito do Pai”. (Jo 16.25).
“Porque a nossa ciência é imperfeita e a nossa profecia também é
imperfeita. Mas, quando vier o que é perfeito, o que é imperfeito desaparecerá”.
(ICo 13.9-12).
Segundo os cristãos unificacionistas estamos vivendo a época em que essas
profecias estão se cumprindo. E o Completo Testamento não é uma nova
mensagem extrabíblica, mas a chave para a total compreensão da mensagem
bíblica. Por isso, seu estudo é imprescindível não apenas para a decodificação do
Apocalipse, mas para a compreensão de toda a verdade bíblica.
i) O Apocalipse: uma carta selada com 7 selos — O 1º capítulo do
Apocalipse traz o título, o assunto e a história do livro. O 2º e o 3º capítulos trazem
as 7 cartas dirigidas às 7 igrejas da época. Os 19 capítulos restantes do Apocalipse
são dirigidos aos homens do futuro, aos homens dos últimos dias. E a liguagem
simbólica e figurada do livro (diante da mentalidade limitada da época) manteve-o
fechado como uma carta selada com 7 selos.
Assim, até certo ponto, pode-se dizer que o Apocalipse é uma carta e,
como toda correspondência, ela vem fechada e selada com selos (selo é um sinal de
segredo e de finalização). O remetente é Deus, através de Jesus, e o destinatário (os
destinatários) é o povo cristão da época em que foi escrita e do futuro.
O Prof. Cairo César diz que o Apocalipse não é um conselho, um alerta
nem um ultimato dado por Deus à humanidade, pois João foi orientado para que
mostrasse o conteúdo do livro apenas aos “Seus servos”, e não à humanidade toda.
Diz ainda que o Evangelho, este sim, é um conselho, um alerta e um ultimato de
Deus dirigido a toda a humanidade: “E este evangelho do Reino será pregado no
mundo inteiro como testemunho para todas as nações. E então virá o fim”. (Mt
24.14). E mais, que os evangelhos não caducaram ao ponto de exigir de Deus um
substituto — o Apocalipse.
De minha parte, porém, afirmo que o Apocalipse é uma síntese de todas as
profecias da Bíblia não-cumpridas com o advento do primeiro Cristo, Jesus, e pode
ser visto como uma carta de consolo e estímulo dirigida aos primeiros cristãos, que
atravessavam um duro período de perseguição nos primeiros tempos, e também aos
cristãos do futuro, que estariam atravessando a Grande Tribulação, o período de
transição, aflição e agonia que precederá o reaparecimento do novo Cristo.
Afirmotambém que, ao mesmo tempo, o Apocalipse pode ser visto como
uma carta contendo uma proposta de paz e, simultaneamente, um ultimato de
advertência, não apenas aos cristãos dos últimos dias, mas a toda a humanidade dos
últimos dias, pois Deus é o Pai da humanidade e deseja salvar a todos (“Pois, Deus
amou o mundo — e não apenas os judeus e os cristãos — de tal maneira que deu o
Seu filho unigênito...”).
O Apocalipse é uma carta. Logo, desde o envio pelo remetente (Jesus) até
o recebimento pelo destinatário (os homens dos últimos dias), ela percorreu um
longo período de tempo de quase 2000 anos. Seu selo foi rompido, mas a
263
linguagem criptografada de seu conteúdo permaneceu lacrada, em segredo,
aguardando alguém capaz de descerrar o véu que a envolvia. O Apocalipse diz que,
àquela época, não existia ninguém no universo, nem mesmo Jesus (que já existia),
capaz de desvendar o segredo contido no livro — decodificar a mensagem do
Apocalipse (Apoc 5.1-4). Portanto, este fato deixa claro que o “Leão da tribo de
Judá” citado no Apocalipse não é o próprio Jesus, mas um como Jesus, o segundo
Adão (ICo 15.45); um novo Adão (assim como João era o novo Elias que voltou;
um como Elias = com a mesma missão de Elias).
3. A decodificação do Apocalipse e o método histórico-comparativo
Procederei a seguir a decodificação de alguns dos sinais e símbolos apocalípticos
com base no método histórico-comparativo, com o qual irei comparar os eventos,
objetos e personagens figurados constante do Apocalipse com os eventos, objetos e
personagens históricos do século XX e XXI.
O método histórico-comparativo não é novo. Foi utilizado por todos os
estudiosos da criptografia (ciência da decodificação de códigos) ao longo de sua
história. Do mesmo modo, foi largamente utilizado pelos estudiosos das profecias,
com o qual foram decodificadas as mais importantes profecias sobre o futuro da
humanidade. O método comparativo foi especialmente utilizado pelo estudioso Dr.
Max de Fontbrune e pelo seu filho Jean-Charles de Fontbrune em seu livro
Nostradamus — Historiador e Profeta (Editora Nova Fronteira, 1980), onde este
aplicou o método comparativo para decodificar as profecias de Nostradamus, um
profeta cristão do século XVI que previu com precisão impressionante os eventos,
objetos e personagens históricos do século XV ao século XXI, inclusive o
reaparecimento do novo Cristo na Ásia. Assim, o que iremos realizar aqui é tãosomente a aplicação do método histórico-comparativo de análise criptográfica ao
estudo do Apocalipse. Foi o que fez o Prof. Cairo César, entre outros. Todavia,
como o Prof. Cairo César não teve acesso ao Completo Testamento, a interpretação
bíblica dos cristãos unificacionistas, ele não pôde entender nem decodificar a
maioria dos sinais e símbolos apocalípticos. Quanto à decodificação dos sinais e
símbolos referentes ao novo Cristo, devido à sua visão tradicional do cristianismo,
o Prof. Cairo César não conseguiu entender nem decodificar coisa alguma. É
principalmente neste ponto — na decodificação dos sinais referentes ao
reaparecimento do novo Cristo — que está a novidade deste livro.
a) Os gafanhotos gigantes e os aviões da I Guerra Mundial: um exemplo
da aplicação do método histórico-comparativo — Vejamos um exemplo de
decodificação do Apocalipse (do capítulo 9) com base na aplicação do método
histórico-comparativo. O Apocalipse, que registrou:
“E o quinto anjo tocou sua trombeta, e vi uma estrela cair do céu sobre a
Terra; e foi-lhe dado a chave do poço do abismo. E abriu o poço do abismo, e
subiu fumo do poço, como fumo de uma grande fornalha, e com o fumo do poço
escureceu-se o sol e o ar. E do fumo vieram gafanhotos sobre a Terra; e foi-lhes
dado poder como o poder dos escorpiões... E foi-lhes dito que não fizessem dano à
264
erva da terra, nem a verdura alguma, nem a árvore alguma, mas somente aos
homens que não têm nas suas testas o sinal de Deus. E foi-lhes permitido, não que
os matassem, mas que os atormentassem por cinco meses, e o seu tormento era
semelhante ao tormento (da picada) do escorpião quando fere o homem. E a
aparência dos gafanhotos era semelhante à de cavalos aparelhados para a
guerra; e sobre as suas cabeças havia coroas semelhantes ao ouro (reluzentes); e
os seus rostos eram como rostos de homens... E tinham cabelos como cabelos de
mulheres, e os seus dentes eram como de leões. E tinham couraças como
couraças de ferro, e o ruído das suas asas era como o ruído de bigas, quando
muitos cavalos correm em combate. E tinham caudas semelhantes às de
escorpiões, e aguilhões nas suas caudas; e poder para danificar os homens por
cinco meses. E tinham sobre si um rei, o anjo do abismo...”. (Apoc 9.1-11).
João era um homem do ano 96 que estava vendo eventos, objetos e fatos
dos últimos dias, do futuro longínquo (século XX). E interpretou tudo o que viu
com base em sua limitada experiência cotidiana e com sua parca bagagem cultural.
Como um repórter, ele escreveu tudo, mas comparando os objetos e eventos que
viu com os eventos e os objetos de sua época. O que viu João em Apocalipse 9?
João viu uma batalha ocorrida na I Guerra Mundial. Vamos destacar alguns trechos
do texto bíblico a fim de facilitar a decodificação da visão.
1. João viu subir fumo (fumaça) de um poço (um buraco), como fumo de
uma grande fornalha, e o fumo escureceu o sol e o ar. Isto é, João viu formar-se
um buraco no chão do qual saiu grandes nuvens de fumaça negra, escurecendo o
dia (como se uma bomba explodisse no chão). Como se sabe, durante a I Guerra
Mundial as bombas foram largamente utilizadas, provocando grandes explosões e
incêndios que lançavam grandes nuvens de fumaça negra na atmosfera,
escurecendo o dia. Logo, João viu os buracos e a fumaça provocada por explosões
de bombas.
2. João viu sair do meio do fumo (das nuvens de fumaça) gafanhotos com
poder semelhante ao poder dos escorpiões. Isto é, viu algo parecido com
gafanhotos, picando, ferindo as pessoas. Objetos voadores que, do alto, enquanto
voavam, feriam as pessoas. Evidentemente, os objetos voadores semelhantes a
gafanhotos, picando as pessoas enquanto voavam, só podem ser os aviões,
utilizados pela primeira vez na I Guerra Mundial.
3. João viu que as “picadas” dos gafanhotos feriam as pessoas, mas não as
matavam imediatamente. Como uma picada de escorpião, os ferimentos as
atormentavam (infligiam dores e sofrimentos). E ouviu ainda que aquele tormento
duraria cinco meses. Assim, João assistiu a cenas de uma batalha da I Guerra
Mundial que durou 5 meses. Os estudiosos da I Guerra Mundial poderão identificar
facilmente essa batalha.
4. João viu que a aparência dos gafanhotos era semelhante à de cavalos
aparelhados para a guerra. Nas guerras da antiguidade os cavalos e cavaleiros
usavam armaduras metálicas que lhes cobriam todo o corpo. Portanto, os corpos
dos gafanhotos vistos por João tinham seus corpos revestidos de metal. Exatamente
como um avião.
265
5. João viu que sobre as cabeças dos gafanhotos havia coroas semelhantes
ao ouro (reluzentes) e os seus rostos eram como rostos de homens. Quando se olha
para um avião de frente, constata-se que ele, de fato, se parece com um rosto
humano. Seus dois parabrisas se parecem com dois olhos e seu bico se parece com
um nariz. Se você nunca viu um avião, e ao vê-lo não sabe o que é, descrever sua
aparência vista de frente como semelhante a um rosto humano é, sem dúvida, uma
aproximação razoável. Foi o que João fez.
6. João viu que aquelas coisas parecidas com gafanhotos tinham cabelos
como cabelos de mulheres e dentes como de leões. Os aviões da I Guerra Mundial
poderiam soltar fumaça (para confundir a artilharia anti-aérea). A fumaça que
envolvia os aviões poderia sugerir algo parecido com cabelos de mulheres. Quanto
aos dentes como de leões estes poderiam tão-somente ser uma expressão de
linguagem utilizada por João, que comparou a ferocidade dos aviões à ferocidade
dos leões.
7. João viu também que os gafanhotos tinham couraças como couraças de
ferro, e o ruído das suas asas era como o ruído de carros, quando muitos cavalos
correm em combate. Sobre as couraças de ferro já dissemos que esta foi uma
referência à aparência metálica dos aviões. Quanto ao ruído de suas asas este é
uma clara referência ao ruído dos motores. Nas guerras da antiguidade utilizavamse basicamente bigas, cavalaria e infantaria. E todos, cavalos e cavaleiros
revestiam-se de armaduras formadas por placas ou redes metálicas. Quando os
exércitos se deslocavam, as placas das armaduras faziam um enorme barulho. O
forte ruído dos motores dos aviões lembrou a João o barulho de muitos carros
(bigas) e muitos cavalos em combate nas guerras de sua época.
8. João observou ainda que os gafanhotos tinham caudas semelhantes às de
escorpiões e aguilhões nas suas caudas. Quando observamos um avião da I Guerra
Mundial, sua aparência lembra realmente a aparência de um gafanhoto, com seus
pares de asas (superiores e inferiores) e com sua cauda curvada para cima,
exatamente com a cauda de um escorpião. Além da cauda curvada para cima os
aviões tinham também duas pequenas asas traseiras (que João chamou de
aguilhões, como os aguilhões de um galo) para dar estabilidade ao vôo.
9. Por fim, João foi informado pelo mensageiro que lhe mostrava as visões
de que aqueles gafanhotos tinham sobre si um rei, o anjo do abismo. Esse anjo do
abismo, sem dúvida, é uma referência ao arcanjo Lúcifer, satanás (representado
pelas forças do Kaiser Guilherme II, da Alemanha, ao lado da Turquia e da
Áustria-Hungria), que combatia contra as forças de Deus (os aliados — Inglaterra,
Estados Unidos e França — sob a liderança dos Estados Unidos).
Como vemos, o método histórico-comparativo nos permitiu decodificar
satisfatoriamente todo o capítulo 9 do Apocalipse. O mesmo método de análise
pode ser aplicado a todo o livro do Apocalipse, bem como a toda e qualquer
profecia sobre o futuro. E tem sido aplicado fartamente pelos estudiosos das
profecias. O árduo e longo trabalho de decodificação das profecias da humanidade
revelou uma mensagem dúbia: uma mensagem de advertência e dor: a Grande
Tribulação e o Juizo Final (caso a ignoremos), e uma promessa de esperança e
266
amor, o nascimento do novo Cristo e a redenção total e final de toda a humanidade,
caso a ouçamos e a obedeçamos. Caberá à humanidade atual a responsabilidade de
crer ou não crer nas profecias. E essa escolha pode decidir seu destino.
4. Decodificando os 2 principais símbolos do Apocalipse
Visto a aplicação do método histórico-comparativo ao capítulo 9 do Apocalipse, e
demonstrada a sua validade, iremos trabalhar agora na decodificação dos 2 mais
importantes e fundamentais símbolos do Apocalipse: o Grande Dragão e o Novo
Cristo. Após a decodificação destes dois símbolos, os véus de mistério do
Apocalipse cairão sozinhos, revelando os segredos de seus sinais e símbolos
milenares.28 Todavia, este livro não irá proceder à decodificação integral do
Apocalipse. Por ora, o que nos interessa aqui é demonstrar que o Apocalipse é uma
carta codificada que trata dos eventos dos séculos XX e XXI, que o método
histórico-comparativo (aplicado na decodificação do capítulo 9) é a chave para
decodificar seus sinais e símbolos e, por fim, que a este livro — que trata
especificamente do reaparecimento do novo Cristo — são pertinentes apenas a
decodificação dos 2 símbolos principais do Apocalipse: o Grande Dragão e o Novo
Cristo. Assim, vamos a eles.
4.1. Decodificando os símbolos referentes ao Grande Dragão
A decodificação deste símbolo é a chave para a decodificação de muitos outros,
tais como a antiga serpente, a Grande Prostituta, a Grande Babilônia, a besta que
saiu do mar, a besta que saiu da terra, entre outros. O Apocalipse registrou o
símbolo do Grande Dragão nos seguintes termos:
“Foi então precipitado o Grande Dragão, a antiga serpente, chamada
demônio e satanás, o sedutor do mundo inteiro. Foi precipitado na Terra e com ele
foram precipitados também os seus anjos”. (Apoc 12.9).
A decodificação da Bíblia, como afirmam os estudiosos, pode e deve ser
feita com base na própria Bíblia. Assim, para decodificarmos o símbolo do Grande
Dragão precisamos retornar ao Gênesis, o primeiro livro da Bíblia, onde está
registrado:
“A serpente era o mais astuto de todos os animais que o Senhor Deus
havia criado. E ela disse à mulher: Por que Deus ordenou que não comêsseis das
árvores do Paraíso? E respondeu a mulher à serpente: Do fruto das árvores do
Jardim comeremos, mas do fruto da árvore que está no meio do Jardim, disse
28
Sinais e símbolos milenares do Apocalipse — a) o Grande Dragão; b) a Besta que subiu do mar; c)
a Besta que subiu da terra; d) a Grande Babilônia; e) a Grande Prostituta; f) o falso profeta; g) os
falsos cristos; h) o anticristo; i) os 10 chifres; j) o livrinho que desceu do céu; k) as duas testemunhas;
l) os 7 selos; m) as 7 taças da ira de Deus; n) as 7 trombetas; o) a Nova Jerusalém; p) o novo Cristo;
q) o lago de fogo; r) o reino milenar.
267
Deus: Não comereis dele, nem nele tocareis para que não morrais. Então disse a
serpente à mulher: certamente não morrereis”. (Gn 3.1-4).
A leitura do capítulo 3 do Gênesis revela que a serpente tinha
conhecimento do mandamento de Deus, podia se comunicar com os homens e era
dotada de inteligência criativa e motivação sentimental, pois ela exagerou e
discordou do mandamento, rebelando-se contra Deus. Ora, um réptil não possui
estas características. Assim, já podemos perceber que a serpente é um símbolo de
um ser espiritual dotado de inteligência, emoção e vontade semelhante ao homem,
por isso, capaz de se comunicar e enganar o homem. Na continuidade, a Bíblia
registrou o nome do ser simbolizado pela serpente, e que foi expulso da presença
de Deus e precipitado na Terra juntamente com seus anjos:
“Então! Caístes do céu, ó Lúcifer, Filho da aurora! Então foste abatido
por terra, tu que prostravas as nações. Tu dizias: eu escalarei os céus e erigirei
meu trono acima das estrelas de Deus. Assentar-me-ei sobre o monte da
Assembléia, no externo norte. Subirei sobre as nuvens mais altas e me tornarei
igual ao Altíssimo. E eis que levado serás ao inferno, ao mais profundo abismo”.
(Is 14.12-15).
Neste trecho, a Bíblia nos fornece o nome de um ser espiritual que foi
expulso da presença de Deus e precipitado na Terra: Lúcifer. Noutros trechos a
Bíblia esclarece que Lúcifer era um dos três arcanjos (anjos-líderes, arqui-anjos),
Lúcifer, Gabriel e Miguel, encarregados do cuidado e da proteção dos filhos de
Deus Adão e Eva no Jardim do Éden (na antiga Mesopotâmia, região entre os rios
Tigre e Eufrates, atual Iraque). A Bíblia diz que os anjos foram criados antes que
os seres humanos, como seres unicamente espirituais para exercerem a função de
servidores de Deus e dos homens. Lúcifer não aceitou sua posição de servidor nem
sua condição de ser espiritual incapaz de multiplicar filhos, e se rebelou contra
Deus. Cheio de rancor contra Deus e inveja dos homens, decidiu se vingar d’Ele
em Seus filhos, os seres humanos, o que conseguiu. Assim, Lúcifer se tornou o
primeiro satanás (= adversário de Deus).
Sexo ilícito: o pecado cometido na origem — Estamos nos aproximando
da decodificação do ato que ocasionou a ruptura original, o pecado original. O
cristianismo tradicional afirma que o pecado original foi o ato da desobediência em
si; o ato de comer o fruto proibido. Ora, porque Deus, um Pai de amor, criaria um
fruto tão letal e o deixaria ao alcance das mãos de Seus filhos inocentes? Nem
mesmo os pais decaídos costumam fazer tal coisa. Além disso, sendo onisciente,
Deus não precisava testar a obediência de Seus filhos, que eram os herdeiros
naturais do universo, não estavam competindo com ninguém e ainda não tinham
feito mal algum para merecerem qualquer punição. Além disso, por que o homem,
a inteligência suprema da natureza, comeria um fruto letal, quando nem mesmo os
animais selvagens agem assim? Além disso, Jesus afirmou que “não é o que entra
pela boca que mancha o homem, mas o que sai do homem”. (Mt 15.11). Por tudo
isso, fica claro que o ato de desobediência do homem não consistiu em comer um
fruto, mas em algo muito mais atraente e irresistível para o homem; um desejo tão
irresistível que levou o homem a arriscar a própria vida para satisfazê-lo. Que
268
desejo tem esse poder atrativo? O desejo sexual. Somente a força do desejo sexual
tem levado o homem a arriscar a própria vida para satisfazê-lo. E mais, antes da
Queda Adão e Eva andavam nus e não se envergonhavam (Gn 2.25). Depois, da
Queda, perceberam que estavam nus e cobriram suas partes sexuais, demonstrando
a perda da inocência quanto ao sexo. Dá-se o mesmo com as crianças de hoje. Elas
aceitam ficar nuas somente até descobrirem o significado do sexo. A humanidade
herdou esse comportamento dos primeiros antepassados humanos (como um
arquétipo psico-comportamental), escondendo tudo o que está errado (o ladrão
esconde a arma do crime, os adúlteros se banham para se livrar do perfume do
outro, a dona de casa esconde das visitas o furo no sofá, etc). Lamentando pelo seu
destino, Jó escreveu: “Se, como Adão, encobri asminhas transgressões, ocultando
o meu delito...”. Adão e Eva esconderam as partes de seus corpos envolvidas em
seu delito; as partes sexuais. Se tivessem comido um fruto teriam escondido suas
bocas. O pecado original tem sido transmitido através da linhagem de sangue de
geração a geração ao longo de toda a história, como um legado maldito. Herança
tem a ver com hereditariedade e linhagem de sangue, que estão diretamente
relacionados com o sexo. Os restos de um fruto comido não podem ser legados aos
descendentes de quem o comeu. Por fim, a Profª Young Oon Kim, em seu livro A
Teologia da Unificação (p. 133 a 137) registrou que a tradição rabínica anterior ao
cristianismo interpretava a Queda do homem como um ato sexual, no qual Lúcifer,
com inveja de Adão, decidiu seduzir sua mulher, Eva.
A Queda e o pecado do anjo — Até aqui demonstramos que a Queda do
homem consistiu em um ato sexual ilícito entre o arcanjo Lúcifer (o Grande
Dragão = a antiga serpente), Eva e Adão. A participação de Eva e Adão na Queda
ficou suficientemente clara, mas a participação do anjo exige mais alguns
esclarecimentos. No livro do Gênesis a Bíblia confirmou a aparência
antropomórfica dos anjos:
“Ló recebe dois anjos em sua casa — E vieram dois anjos a Sodoma e
Gomorra à tarde, e estava Ló assentado à porta de Sodoma; e vendo-os, Ló
levantou-se, foi ao seu encontro e inclinou-se com o rosto em terra. E disse Ló: Eis
agora, meus senhores, entrai na casa de vosso servo e passai a noite nela... E fezlhes banquete, e cozeu bolos sem levedura e os anjos comeram. E antes que se
deitassem, os varões daquela cidade cercaram a casa de Ló e disseram: onde estão
os homens que a ti vieram esta noite? Traze-os para fora para que os conheçamos.
E Ló disse-lhes: rogo-vos, meus irmãos, que não lhes façais mal. Eis aqui, duas
filhas tenho que ainda não conheceram homem. Eu as trarei para fora e fareis
delas como bem entenderes, mas não faças mal a estes varões, porque por isso
vieram à sombra da minha casa”. (Gn 19.1-8).
Este trecho bíblico revela dois fatos importantes: 1. que os anjos têm a
mesma aparência que os seres humanos. Não são seres alados, mas seres espirituais
antropomórficos; 2. que o pecado de Sodoma e Gomorra foi sexo ilícito, pois os
homens da cidade queriam violentar sexualmente até mesmo os anjos,
confundindo-os com homens comuns. Com base neste trecho bíblico —
269
complementar do próximo que estudaremos —, poderemos inferir a participação
sexual dos anjos na Queda do homem.
Os anjos também pecaram — A Bíblia registrou a participação dos anjos
na Queda do homem, ao nos informar que os anjos também pecaram:
“Pois Deus não poupou os anjos que pecaram, mas os precipitou nos
abismos tenebrosos do inferno”. (IIPe 2.4).
Fica claro, portanto, que os anjos pecaram; cometeram algum ato
antinatural, violando os princípios naturais e morais de Deus. Como os anjos são
personagens bíblicos ainda pouco críveis, em virtude de sua natureza espiritual e da
roupagem mítica com a qual foram vestidos ao longo da história (vistos como seres
alados e assexuados), a verdadeira causa da Queda do homem ficou oculta até o
presente. Por esse motivo, será necessário invocar outros trechos bíblicos que
tornem mais evidente a participação sexual dos anjos na Queda do homem.
Somado aos dois trechos bíblicos anteriores, um terceiro trecho nos
permite inferir claramente a participação sexual dos anjos na Queda do homem:
“E aos anjos, que não guardaram sua posição original, mas deixaram a
sua própria moradia, reservou-os o Senhor na escuridão e em prisões eternas...
Assim como Sodoma e Gomorra e as cidades circunvizinhas que, havendo-se
corrompido como aqueles (anjos) e ido após outra carne (praticado sexo ilícito),
foram postas por exemplo, sofrendo a pena do fogo eterno”. (Judas 6-7).
No primeiro trecho bíblico ficou demonstrada a aparência antropomórfica
dos anjos; no segundo, que os anjos pecaram, e no terceiro, que o pecado dos anjos
foi o mesmo pecado de Sodoma e Gomorra: sexo ilícito. Desse modo, fica
demonstrado biblicamente que os anjos podem praticar sexo, o que demonstra a
possibilidade de sua participação sexual na Queda do homem. Além disso, muitos
outros trechos do Gênesis demonstram que os anjos são dotados das mesmas
faculdades fundamentais dos seres humanos: emoção, intelecto e vontade, e que
Lúcifer, realmente, enganou os primeiros seres humanos, separando-os de Deus.
Todos estes pontos nos auxiliarão na decodificação do símbolo do Grande Dragão,
e da Grande Prostituta, os quais são claras referências ao arcanjo Lúcifer, “o
sedutor do mundo inteiro”, como a Bíblia o denomina.
Cabe ainda citar o Livro de Enoch, um apócrifo que revela que o pecado
do arcanjo Lúcifer foi a inveja da posição de Adão e a sedução de Eva:
“E um dos anjos, tendo saído de sua hierarquia (deixado sua posição) e se
desviado para uma hierarquia abaixo da sua, concebeu um pensamento
impossível: colocar o seu trono acima das nuvens que se encontram sobre a Terra,
para que seu poder se igualasse ao Meu...”. (LSE 29.3-4).
“E Adão permaneceu no paraíso, e o demônio entendeu que Eu queria
criar outro mundo, porque Adão era senhor na Terra, para comandá-la e
controlá-la. (...) Por essa razão, alimentou ressentimentos contra Adão, de tal
forma que entrou em seu mundo (no mundo de Adão; no mundo dos seres
humanos) e seduziu Eva, mas não atingiu Adão”. (LSE 31.1-5).
Como vemos, o Livro dos Segredos de Enoch revela que Lúcifer ficou
ressentido com Deus e queria a posição de Adão como senhor do universo. Por
270
isso, seduziu Eva. Assim, a natureza do pecado do arcanjo Lúcifer foi claramente
revelado a Enoch, que o registrou em seu livro.
A relação anjos-homens — Quanto ao relacionamento entre seres
espirituais (anjos e homens) e os seres humanos ainda encarnados na Terra, a
Bíblia e a história das religiões (especialmente, o espiritismo e o umbandismo)
fornecem inúmeros exemplos. Até mesmo uma ciência — a Tanatologia, da Drª
Elizabeth Gubbler Ross — foi criada para estudar a relação entre pessoas do
mundo espiritual e pessoas do mundo físico. Os interessados neste tema poderão
aprofundar suas pesquisas na Bíblia (Gn 32.24-30; Epístola de João 20.27; Lc
24.41-43) ou onde lhes aprouver.
O tema é amplo e profundo, mas penso que os comentários registrados aqui
são suficientes para demonstrar que a Queda do homem, a ruptura original Deushomem, não consistiu no ato de comer um fruto, mas em um ato sexual ilícito entre
Lúcifer, Eva e Adão. Eis a teoria sexual da ruptura original Deus-homem, segundo
a visão bíblica dos cristãos unificacionistas. Utilizei-me dessa teoria para
decodificar o significado simbólico do Grande Dragão apocalíptico, a antiga
serpente, chamada demônio e satanás: o arcanjo Lúcifer.
Árvore = homem; fruto = sexo — Uma vez que o ato que provocou a
Queda do homem foi um ato sexual antinatural, fica decodificado também o
símbolo do fruto proibido = sexo ilícito (sexo antifamiliar). Na Bíblia, a palavra
árvore é um símbolo do homem (Prov 11.30; Prov 13.12; Apoc 22.14). Como a
árvore se multiplica pelo fruto e o homem se multiplica pelo sexo, concluímos:
fruto = sexo.
As provas da teoria sexual da Queda do homem — Uma teoria é um
conjunto de idéias que explicam algum fato ou fenômeno real. Para que uma teoria
seja aceita como verdadeira deve coincidir com os fatos que explica. A teoria
sexual da Queda do homem, revelada pelo Rev. Moon e difundida pelos cristãos
unificacionistas, faz três proposições: a) Que a raiz dos problemas humanos é
essencialmente moral/sexual; b) Que houve um relacionamento sexual antinatural
entre Lúcifer e Eva; e c) Que houve um relacionamento sexual imaturo entre Eva e
Adão.29 Se a teoria sexual da Queda do homem for verdadeira deveremos encontrar
na realidade fatos que se ajustem a ela. Os cristãos unificacionistas apresentam os
seguintes fatos como provas da veracidade de sua teoria:
29
Os arquétipos psico-comportamentais primordiais — No livro Alethoterapia — o poder
psicoterapêutico da verdade (do grego alethéia = verdade), a visão Deusista da psicologia que estamos
desenvolvendo há mais de 20 anos, introduzimos o conceito dos arquétipos psico-comportamentais,
que são os arqueo-sentimentos, as arqueo-idéias e as arqueocondutas dos primeiros antepassados
humanos legados como arquétipos psíquicos (padrões de sentimentos, idéias e comportamentos) a
todos os descendentes humanos. Dentre os vários arquétipos psico-comportamentais primordiais,
estão: o comportamento sexual tipo Lúcifer-Eva (antinatural), o comportamento sexual tipo Eva-Adão
(prematuro), o comportamento tipo Lúcifer-Adão (inveja) o comportamento tipo Caim-Abel (furtoviolência), o comportamento arquetípico do amor-a-três (Lúcifer + Eva + Adão), eixo central de toda
a literatura romancesca mundial (livros, novelas, filmes, etc).
271
1. A raiz dos problemas humanos é essencialmente moral/sexual —
Quando olhamos para a conduta moral/sexual da humanidade no tempo e no
espaço, constatamos a existência real de dois tipos de comportamentos sexuais
opostos: o sexo familiar, com amor e compromisso (com abstinência prématrimonial e fidelidade conjugal) e o sexo livre, sem amor e sem compromisso
(promíscuo e infiel). Obviamente, ambos os comportamentos não podem ser
classificados como corretos; um está certo e o outro errado. Como a finalidade da
vida humana é a busca e a realização da alegria, pelos resultados dos dois tipos de
conduta moral/sexual na vida das pessoas podemos afirmar com segurança que o
sexo familiar com amor e compromisso é o comportamento certo, pois é o que
produz mais alegria duradoura, uma vez que constrói a família e o lar — o ninho
humano. Como um ser biológico, o homem também necessita de um ninho, um
lugar para onde retornar ao final do dia. Uma vez que o sexo livre é antifamiliar ele
impede a construção da família e do lar, não passando de uma forma de
relacionamento ocasional, superficial, passageiro e irresponsável. Ao longo do
tempo, todos os praticantes do sexo livre sentem-se vazios, suas vidas perdem o
sentido e eles se tornam melancólicos, tristonhos e solitários. A solidão
desenvolve-se em tédio, depressão e angústia. E esse processo, muitas vezes,
termina em suicídio. Desse modo, a conduta sexual imoral e antifamiliar do homem
é uma conduta anti-humana. Portanto, equivocada e errada.
2. Houve uma relação sexual antinatural entre Lúcifer e Eva — Quando
analisamos a conduta sexual da humanidade ao longo do tempo e do espaço,
constatamos a existência real de um conjunto de comportamentos sexuais
antinaturais:
homossexualismo,
lesbianismo,
necrofilismo,
zoofilismo,
sadomasoqusimo, heterismo, adultério, poligamia, incesto, estupro, prostituição
(física e visual), nudismo, streap-tease, masturbação, entre outros. A observação
científica prova que todos os pais desejam ver seu filho homem casado com uma
mulher, e vice-versa, e que lhe dê netos. Não se trata de nenhum tabu ou
preconceito, mas simplesmente de um desejo natural e inato da natureza humana
universal e histórica. Qualquer coisa diferente desse padrão natural entristece e
envergonha os pais. Outrossim, a observação científica demonstra também que,
individualmente, todos os seres humanos são dotados do desejo de formar uma
família natural: homem + mulher + filhos e filhas, netos e bisnetos. Mesmo os
“casais” homossexuais tentam se ajustar ao padrão natural, com um elemento
ocupando o papel da mulher e o outro, o papel do homem. Atualmente, os “casais”
homossexuais têm expressado o desejo de participarem de uma cerimônia
matrimonial tradicional e de possuírem “filhos”. Vê-se, portanto, que mesmo um
“casal” antinatural formado por duas pessoas do mesmo sexo, inconscientemente,
conservam o desejo natural inato de construir uma família natural. O fato de
existirem tantos tipos de relacionamentos antinaturais — do tipo Lúcifer-Eva —, e
de estes tipos de relacionamentos não corresponderem aos desejos humanos
naturais inatos (que tendem ao padrão natural), constitui mais uma prova da
veracidade da teoria sexual da Queda do homem.
272
3. Houve uma relação sexual imatura entre Eva e Adão — Quando
observamos a vida sexual do homem contemporâneo, o que vemos? Pedofilia, sexo
precoce, sexo na adolescência, gravidez e aborto na adolescência, adolescentes
mães-solteiras e pais-solteiros, etc. Tudo isso são exemplos de sexo prematuro e
irresponsável; a outra forma de sexo antifamiliar. Esse tipo de sexo prematuro e
inconseqüente tem destruído os sonhos e as carreiras de milhões de crianças e
adolescentes, acarretando responsabilidades próprias dos adultos, desintegração de
lares e até provocando suicídios entre crianças, adolescentes e jovens em todo o
mundo. E sempre foi assim ao longo da história.
Quando estudamos a história da sexualidade humana no tempo e no espaço
constatamos que na maioria das sociedades antigas e atuais a vida sexual começava
(e ainda começa) na puberdade ou na adolescência. Em muitas sociedades
aborígenes, africanas e ameríndias primitivas a vida sexual começava na infância.
Isto pode ser constatado hoje nas sociedades fossilizadas (sociedades primitivas do
passado distante, existentes no presente). Tradicionalmente, as mulheres indianas
eram (e são ainda) dadas em casamento aos 13 anos de idade. Entre os países
árabes e africanos, no passado e atualmente, a idade para a vida sexual começa na
puberdade ou na adolescência. Depois disso, as mulheres são consideradas velhas e
perdem “valor”, pois suas idades avançadas influenciam no montante de seus dotes
matrimoniais. Nas sociedades orientais antigas as famílias tinham orgulho em
treinar e ceder suas filhas adolescentes como gueixas para os homens mais
abastados e para as autoridades em geral. A gueixa vendia sua virgindade para o
homem quepagasse mais. A gueixa não era vista como uma prostituta, mas uma
jovem adolescente bonita, virgem, sensual e pobre, massageando um homem
adulto rico, ou um homem idoso rico e ainda viril, terminava sempre em sexo.
Muitas gueixas adolescentes apaixonaram-se e tornaram-se amantes de seus
patrões e senhores. Nas sociedades do passado, ocidentais e orientais, os poderosos
sempre construíram haréns com dezenas de mulheres, as quais ingressaram ali
ainda na puberdade ou na adolescência. Todos estes tipos de relacionamentos
sexuais são do tipo Eva-Adão, relacionamentos biológicos, psíquicos e
emocionalmente imaturos. O baixo índice de matrimônios, aliado ao alto índice de
concubinatos, de desquites e de divórcios do mundo atual demonstram a
imaturidade biológica, psíquica e emocional das pessoas que se casam atualmente.
Muitos não têm qualquer idéia do significado nem da relação do matrimônio com a
família (muito menos dos compromissos mútuos e das responsabilidades
familiares). Jovens, imaturos e sem a devida educação espiritual, moral e ética
(sem falar na ausência de uma profissão e de uma renda familiar), muitos se casam
apenas pela vontade de fazer sexo. Uma vez satisfeito o desejo de sexo, a paixão e
a novidade desaparecem. Com o surgimento dos primeiros problemas a relação se
rompe. Do ponto de vista da maturidade espiritual a situação é ainda mais
escandalosa. A grande maioria dos jovens e adolescentes sequer valoriza a Deus e a
religião, ignorando por completo o fato de que Deus é a fonte original e única dos
valores morais e éticos universais, sem os quais os homens se transformam em
273
bestas selvagens, como eles próprios já estão se tornando (como provam as
estatísticas da delinqüência e da criminalidade entre os adolescentes e os jovens).
O fato de existirem tantos tipos de relacionamentos imaturos — do tipo
Eva-Adão —, e de estes tipos de relacionamentos causarem a destruição de tantas
vidas humanas, prova que os mesmos não correspondem aos desejos humanos
naturais inatos (que tendem para a vida longa e feliz). E a realidade histórica e
universal deste fato escandaloso, segundo os cristãos unificacionistas, constitui
mais uma prova histórica e social da veracidade da teoria sexual da Queda do
homem.
Penso que, com base na Bíblia e na teoria sexual da Queda do homem, o
símbolo do Grande Dragão apocalíptico foi decodificado: o arcanjo Lúcifer, que se
tornou o primeiro satanás (inimigo de Deus e da humanidade). De outro lado,
procedemos a estes estudos a fim de fornecer uma explicação para o porquê da
segunda vinda do Cristo, pois se não tivesse ocorrido a Queda do homem (a ruptura
original), não existiria satanás, mal ou pecado, nem haveria sentido na religião (=
do latim religare = religar) nem necessidade de um Cristo salvador. A existência
histórica e universal da promessa divina e da esperança humana quanto ao Cristo
constitui-se em mais uma prova incontestável da ocorrência da ruptura original. A
Queda aconteceu. Por isso, a religião e o Cristo se tornaram elementos históricos
reais imprescindíveis ao estabelecimento da paz mundial.
4.2. Decodificando os símbolos referentes ao novo Cristo
Até aqui decodificamos os seguintes símbolos: o Grande Dragão (= o arcanjo
Lúcifer, a antiga serpente), a árvore da vida (Adão, o primeiro homem), a árvore
do conhecimento (Eva, a primeira mulher), o fruto proibido (= sexo antinatural) e o
ato que provocou a Queda (= um ato sexual antinatural entre o arcanjo Lúcifer,
Eva e Adão). Com base na decodificação destes símbolos, a decodificação dos
demais símbolos do Apocalipse (e de toda a Bíblia) tornar-se-á mais evidente,
especialmente a decodificação dos sinais e símbolos referentes ao novo Cristo,
nosso objetivo específico aqui.
Como já dissemos, a Bíblia contém a chave de sua própria decodificação.
Por isso, assim como decodificamos o símbolo do Grande Dragão (= a antiga
serpente = o arcanjo Lúcifer) com base na Bíblia, procederemos do mesmo modo
para decodificar os sinais e símbolos referentes ao novo Cristo. Assim, a Bíblia nos
informa que o novo Cristo: a) será um outro homem; b) terá um novo nome; c)
trará uma nova mensagem; d) será rejeitado e perseguido; e) terá uma esposa; f)
terá 12 filhos; g) fundará uma nova igreja; h) trará a salvação cósmica; i) vencerá
satanás; j) destruirá o inferno; k) construirá o céu na Terra; l) será o Rei dos reis.
a) O novo Cristo será um outro homem — Para todos os grandes profetas
cristãos e não-cristãos da era cristã, o novo Cristo nascerá na Terra, no Oriente.
Portanto, será um outro homem. Os cristãos, porém, presos à interpretação literal
da Bíblia e com medo de perder o trono e a coroa, supostamente já conquistados no
274
céu, rejeitam qualquer possibilidade do nascimento de um novo Cristo, agarrandose cegamente à memória e ao nome de Jesus.
Uma vez conhecida (e aceita) a teoria sexual da Queda do homem, e
conhecida a finalidade da existência do homem — ser feliz através da realização
dos três desejos básicos universais e históricos da natureza humana: educação,
família e prosperidade (registrados na Bíblia como as 3 bênçãos: crescei,
multiplicai e subjugai a natureza), podemos entender a razão pela qual o Cristo
deve nascer na Terra como um homem.
Os três desejos fundamentais da natureza humana são inatos. Isto é um fato
científico demonstrável do ponto de vista biológico, psicológico e sociológico. O
registro bíblico das três bênçãos é uma prova real da cientificidade da Bíblia, uma
vez que esta antecipou em 3.600 anos a descoberta psicológica da finalidade da
exstência humana (a realização dos 3 desejos básicos). Uma vez aceita a teoria da
ruptura original, ficamos sabendo que o I Adão falhou em estabelecer a família
divina, e que Jesus, como II Adão, foi impedido de estabelecer a família divina
(tornando-se um modelo humano solteiro). Assim, a falha de Adão e a morte
prematura de Jesus ocasionaram a necessidade da vinda do III Adão — o novo
Cristo —, o qual deve nascer na Terra e estabelecer a família divina, o ideal
original de Deus. Sob esse prisma, a volta do Jesus espiritual sobre as nuvens da
atmosfera terrestre e o arrebatamento de apenas alguns cristãos para o espaço não
fazem qualquer sentido. O ideal original de Deus — a família divina — é único,
imutável, absoluto e eterno (Is 46.11). E para que a família divina seja concretizada
como raiz da nova humanidade (sem pecado) Deus precisa de um novo casal
humano sem pecado na Terra. Por tudo isso, o Apocalipse registrou:
“E vi à direita do que estava sentado sobre o trono um livro escrito por
dentro e por fora, selado com sete selos... E ninguém no céu, nem na Terra e nem
debaixo da terra podia abrir o livro...”. (Apoc 5.1-5).
O texto afirma que ninguém podia abrir o livro. Obviamente, Jesus já
existia e estava em algum lugardo universo. Todavia, o texto é claro: ninguém, no
céu, na Terra e nem debaixo da terra (em lugar algum) podia abrir o livro. Isto é,
somente um novo homem, ainda não nascido, iria abrir o livro e desatar os seus
selos.
b) o novo Cristo terá um novo nome — Se o novo Cristo será um outro
homem, o Apocalipse (a Bíblia-síntese) deveria registrar esse sinal. E ela de fato o
fez:
“A quem vencer, eu o farei coluna no templo do meu Deus, e dele nunca
sairá. E escreverei sobre ele o nome do meu Deus e o nome da cidade do meu
Deus, a nova Jerusalém que desce do céu do meu Deus, e também o meu novo
nome”. (Apoc 3.12).
“Ao que vencer dar-lhe-ei uma pedra branca e na pedra um novo nome
escrito, o qual ninguém conhece senão aquele que o recebe”. (Apoc 2.17 e ICo
10.4: pedra = Cristo).
Assim, segundo os cristãos unificacionistas, o Apocalipse é clarríssino
quanto ao fato de que o novo Cristo terá um novo nome. As profecias de
275
Nostradamus indicaram a relação da lua (Moon, no inglês) com o nome do novo
Cristo: “A Lua é conduzida por seu anjo. Os céus se aproximarão do equilíbrio”.
Até Rasputin estabeleceu uma relação da lua com o nome do novo Cristo,
profetizando: “Ele brilhará como o sol, mas terá o nome da noite (Lua = Moon)”.
c) O novo Cristo trará uma nova revelação bíblica — A Bíblia deixa claro
que Jesus não teve tempo suficiente para revelar toda a verdade. Por isso, prometeu
que novas partes da mensagem de Deus seriam reveladas no futuro:
“Muito ainda tenho a dizer-vos, mas não o podeis suportar agora.
Todavia, quando vier o justo, o Espírito da verdade, ele ensinar-vos-á toda a
verdade...”.
“Disse-vos estas coisas em termos figurados e obscuros. Virá a
hora, porém, em que já não vos falarei por meio de comparações e parábolas, mas
vos falarei abertamente a respeito do Pai”. (Jo 16.12-25).
“Porque a nossa ciência é imperfeita, e a nossa profecia também é
imperfeita. Mas quando vier o que é perfeito, o que é imperfeito desaparecerá”.
(ICo 13.9-12).
Por fim, o Apocalipse registrou o advento da terceira parte da mensagem
bíblica que o novo Cristo trará à Terra:
“E vi outro anjo forte que descia do céu e tinha na mão um livrinho
aberto... Mas nos dias da voz do sétimo anjo, quando este tocar a sua trombeta, se
cumprirá (será revelado) o segredo de Deus, como anunciou aos profetas, Seus
servos... E fui ao anjo e disse: Dá-me o livrinho. Ele disse: toma-o e come-o, e ele
fará amargo o teu ventre, mas na tua boca será doce como mel (fácil de falar,
difícil de praticar). E tomei o livrinho da mão do anjo e comi-o; e na minha boca
era doce como mel; e, havendo-o comido o meu ventre ficou amargo. E o anjo
disse-me: importa que profetizes outra vez a muitos povos, nações, línguas e reis”.
(Apoc 10.1-11).
Está claro. O novo Cristo trará uma nova parte da mensagem bíblica,
completando a revelação divina e revelando o segredo de Deus. Quando os cristãos
unificiacionistas anunciam o Completo Testamento como uma nova mensagem
bíblica isto deveria estimular o cristianismo tradicional a conhecer tal mensagem,
pois se esta for mesmo uma terceira parte da mensagem bíblica de Deus, conhecêla será vital para o futuro da humanidade.
d) o novo Cristo será rejeitado e perseguido — Nostradamus profetizou
que o novo Cristo será proscrito. A Bíblia diz claramente que o novo Cristo voltará
à Terra, mas adianta que ele será rejeitado e perseguido, pois não encontrará fé na
Terra:
“Porque, assim como o relâmpago parte do Oriente e ilumina até o
ocidente (rapidamente), assim será o Filho do homem no seu dia. Mas primeiro
convém que ele padeça muito e seja rejeitado por essa geração”. (Lc 17.24-26).
Note-se que Jesus está falando sobre o retorno do novo Cristo que virá, e
não dele próprio que já estava na Terra. Quanto à expresão essa geração esta não
se refere à geração da época de Jesus, mas à geração futura, uma vez que Jesus está
se referindo ao retorno futuro do Filho do homem, e não a ele próprio.
276
“Mas, quando vier o filho do homem, acaso achará fé na Terra?”. (Lc
18.8). Mais uma vez, Jesus está se referindo ao retorno do novo Cristo por seu
nascimento na Terra, pois se ele próprio viesse sobre as nuvens do céu ninguém na
Terra duvidaria dele. Outrossim, a Bíblia registrou que muitos grandes cristãos
rejeitarão o Filho do homem (Filho do homem = ser humano), o novo Cristo:
“Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor! Não pregamos nós em
vosso nome? E não foi em vosso nome que expulsamos demônios e fizemos
milagres? E no entanto, eu lhes direi: Nunca vos conheci. Apartai-vos de mim”.
(Mt 7.22-23).
Como cristãos tão grandiosos perderiam as bênçãos se o próprio Jesus
viesse sobre as nuvens do céu? Ao menor sinal de Jesus no céu todos se prostariam
como o rosto em terra para recebê-lo. A rejeição de tão grandes cristãos somente
poderá ocorrer se eles rejeitarem o novo Cristo nascido na Terra. Assim, podemos
supor que o novo Cristo será rejeitado e perseguido, até mesmo pelos grandes
líderes cristãos, porque nascerá na Terra.
e) o novo Cristo terá uma esposa — Já dissemos anteriormente que Deus
criou Adão e Eva para que eles, depois da maturidade, formassem a família divina,
a qual seria a raiz de toda a humanidade. Como a Queda impediu o ideal de Deus,
Jesus foi enviado à Terra como o II Adão a fim de realizar a família divina que o I
Adão não realizou. Por isso, a Bíblia registrou que Jesus veio como o II Adão:
“Assim também está escrito: o primeiro homem, Adão, foi feito em alma
vivente; o último Adão (Jesus), em espírito vivificante”. (ICo 15.45).
“Assim como pela desobediência de um só homem — Adão — muitos
foram feitos pecadores; também pela obediência de um só homem — o último
Adão (Jesus) —, muitos serão feitos justos”. (Rm 5.19).
O apócrifo Segundo Livro de Baruc contém um texto muito semelhante ao
texto canônico acima, que identificou todos os homens como Adãos:
“Se o primeiro Adão pecou e trouxe a morte para todos os que ainda não
existiam, todos os que dele nasceram, todavia, prepararam para a própria alma os
suplícios futuros. (...) porque Adão não foi a causa única, sozinho; em relação a
nós todos, cada um é, para si mesmo, um Adão”. (2Br 54.15-19).
Fica claro, portanto, que a Bíblia define Jesus como um homem divino
(nascido sem pecado); um segundo Adão (Jesus teria sido o último Adão se não
tivesse sido assassinado ainda solteiro). Como um segundo Adão Jesus teria que
fazer o que o primeiro Adão não fez: a família divina, que daria origem a uma nova
humanidade sem pecado. Lamentavelmente, a descrença do povo judeu de sua
época (sob a influência de Lúcifer) levou Jesus à morte antes que pudesse
estabelecer a família divina na Terra. Este fato explica porque Jesus se dizia “um
noivo preparado” e falou várias vezes sobre matrimônio (a parábola das dez
virgens: Mt 25; as bodas de Caná: Jo 2). No capítulo 2 de João — as bodas de Caná
— Jesus falou claramente sobre seu futuro matrimônio, que deveria ter acontecido
na Terra:
“E fizeram-se umas bodas em Caná da Galiléia, e estava ali a mãe de
Jesus. Jesus e seus discípulos também foram convidados para as bodas. E faltando
277
vinho, a mãe de Jesus lhe disse: Não têm vinho. Respondeu-lhe Jesus: Mulher, que
tenho eu contigo? Ainda não é chegada a minha hora”. (Jo 2.1-4).
Hora de quê? De morrer ou de casar? Jesus estava em uma festa de
casamento. Não era lugar nem momento para falar de morte, mas de casamento!
Além disso, naquele momento Jesus ainda não sabia que os judeus o rejeitariam e
ele teria de enfrentar a morte. Naquela ocasião, sua meta ainda era realizar o plano
original de Deus — estabelecer a família divina (que não foi consumado) — e não
o plano alternativo da morte na cruz (que foi consumado), pois ele ainda não havia
sido rejeitado pelos judeus. Somente depois da descrença total do povo judeu Jesus
foi informado sobre o plano alternativo de Deus através de Moisés e Elias (na
transfiguração: Lc 9.44). Por isso, quando (depois do encontro com Moisés e Elias)
Jesus começou a falar sobre sua morte surpreendeu a todos os seus apóstolos,
especialmente Pedro, que lhe exclamou: “E Pedro, começou a repreende-lo
dizendo: Senhor, tempiedade de ti; de modo nenhum tu serás morto”. (Mt 16.2123). Jesus percebeu que satanás já tentava sabotar o plano alternativo de Deus
através de Pedro, e o repreendeu: “Afasta-te satanás! (...) Porque não conheces as
coisas de Deus, mas só as coisas dos homens”. (Mt 16.23).
Uma vez assumido e consumado o plano alternativo da cruz, Jesus
reapareceu espiritualmente para seus apóstolos, fundou a igreja cristã (16.18) e
começou a preparar o mundo para o advento do III Adão — o novo Cristo — que,
como um novo homem divino (nascido sem pecado), deve vir e estabelecer a
família divina na Terra, tornando-se o Verdadeiro Pai da humanidade. É por isso
que o Apocalipse diz que o novo Cristo terá uma esposa.
Uma vez que não conhecem a finalidade da providência da restauração —
estabelecer a família divina como raiz do bem —, os cristãos dizem que a esposa
referida em Apoc 19.7-8 é a igreja, ou a nova Jerusalém, uma cidade de ouro que
desce do céu preparada como uma esposa ataviada para o seu esposo (isto é:
ansiosamente esperada, assim como um esposo espera sua esposa). Esta
interpretação cristã, entretanto, está equivocada. Vejamos o porquê.
Primeiramente, é preciso destacar que o Apocalipse se utiliza do termo
mulher em 3 diferentes sentidos: como uma pessoa, como uma cidade santa e
como uma cidade pecadora. Portanto, o Apocalipse profetiza o aparecimento de 3
diferentes mulheres: 1. a mulher-humana que dará à luz ao homem que ocupará o
trono de Deus e regerá o mundo (Apoc 19.7-8); 2. a mulher-cidade-santa que desce
do céu, a Nova Jerusalém (Apoc 21.9-22); e 3. a mulher-cidade-pecadora com 7
colinas, a Grande Prostituta (Apoc17.1-18).
Vejamos os trechos apocalípticos que registram o uso do termo mulher em
seus 3 diferentes sentidos:
“Como mulher-humana — Regozigemo-nos e alegremo-nos, e demos-lhe
glória, porque vindas são as bodas do cordeiro, e já a sua esposa se aprontou. E
foi-lhe dado que se vestisse de linho fino, puro e resplandecente, porque o linho
fino é a justiça dos santos”. (Apoc 19.7-8).
“E viu-se um grande sinal no céu: uma mulher vestida do sol, tendo a lua
debaixo dos pés e uma coroa de 12 estrelas sobre a cabeça. E a mulher estava
278
grávida e com dores de parto para dar à luz... e o dragão parou diante da mulher
que havia de dar à luz, para que, dando ela à luz, lhe devorasse o filho. E a mulher
deu à luz um filho varão que há de reger todas as nações com vara de ferro; e o
seu filho foi arrebatado para Deus e para o Seu trono”. (Apoc 12.1-5).
“Como mulher-cidade-santa — Vem! Vou mostrar-te a esposa, a mulher
do cordeiro. Ele me arrebatou em espírito sobre um grande e alto monte e
mostrou-me a grande cidade, a santa Jerusalém, que de Deus descia do céu. E
tinha a glória de Deus... E tinha um grande e alto muro com 12 portas, e nas
portas 12 anjos, e nomes escritos sobre elas, que são os nomes das 12 tribos de
israel... E o muro da cidade tinha 12 fundamentos, e neles os nomes dos 12
apóstolos do cordeiro... E a cidade estava situada em um quadrado, e seu
comprimento, altura e largura eram do tamanho de 12 mil estádios, e seu muro
media 144 côvados... e a cidade era de ouro, semelhante a vidro puro... E as 12
portas eram 12 pérolas; e a praça da cidade de ouro puro, como vidro
transparente. E nela não havia templos porque o seu templo é o Senhor Deus
Todo-poderoso, e o cordeiro. E a cidade não necessita de sol nem de lua porque a
glória de Deus a tem alumiado, e o cordeiro é a sua luz...E as nações andarão à
sua luz; e os reis da Terra trarão a ela a sua glória e honra. E as suas portas não
se fecharão de dia, porque ali não haverá noite. E a ela trarão a glória e a honra
das nações. E não entrará nela coisa alguma que contamine e cometa abominação
e mentira; mas só os que estão inscritos no livro da vida do cordeiro”. (Apoc 21.922).
Como mulher-cidade-pecadora — “Vem, mostrar-te-ei a condenação da
Grande Prostituta que está assentada sobre muitas águas (águas = homens
impuros). E levou-me em espírito a um deserto e vi uma mulher assentada sobre
uma besta de cor escarlate, e tinha 7 cabeças (Roma tem 7 colinas) e dez chifres
(chifres = símbolos do poder). E a mulher estava vestida com as cores púrpura e
escarlata, e adornada com ouro, pedras preciosas e pérolas; e tinha na sua mão
um cálice de ouro cheio de abominações e da imundície de sua prostituição; E na
sua testa estava escrito o nome: Mistério, a Grande Babilônia, a mãe das
prostituições e abominações da Terra. E vi que a mulher estava embriagada do
sangue dos santos, e do sangue das testemunhas de Jesus. E o anjo me disse: Por
que te admiras? Eu te revelarei o mistério da mulher e da besta que a carrega, a
qual tem 7 cabeças e 10 chifres: As 7 cabeças são sete montes, sobre os quais a
mulher está assentada, e são também 7 reis, e os 10 chifres são 10 reis... E disseme: a águas que viste, sobre as quais está assentada a prostituta, são povos,
multidões, nações e línguas... E a mulher é a grande cidade que reina sobre os reis
da Terra (mulher = Roma = Vaticano)”. (Apoc17.1-18).
Desconhecendo o significado simbólico do Apocalipse quanto ao uso do
termo mulher (ou ignorando por completo o livro inteiro), muitos cristãos
confundem tudo, e se precipitam em seus julgamentos, condenando qualquer
menção à possibilidade de que o novo Cristo venha a nascer de uma mulher e a ter
uma esposa, uma mulher de verdade (assim como o I Adão teve Eva) a fim de
construir a família divina como raiz da nova humanidade divina.
279
Por que o Apocalipse se utiliza do termo mulher no sentido de cidade?
Primeiro, porque no ano 96 da era cristã não existia o conceito moderno de Estadonação. Segundo, porque na antiguidade, particularmente na cultura judaica, era
comum o costume de associar as cidades a entidades femininas a fim de expressar
apreço e carinho pela terra natal. Na verdade, esse costume lingüístico continua
vivo ainda hoje. Um exemplo claro desse costume nos dias atuais está no modo
como os paulistanos e os catarinenses se referem às suas cidades, chamando-as
carinhosamente de Sampa e Floripa, respectivamente (nomes femininos).
Decodificando as 3 mulheres profetizadas no Apocalipse — Com relação
à primeira mulher — a mulher-humana — o texto é clarísimo. Trata-se de ser
humano mulher que dará à luz um filho homem, o qual será arrebatado por Deus
para o seu trono, de onde regerá o mundo do bem para toda a eternidade. O
Apocalipse não menciona quaisquer outras interpretações para este trecho,
deixando claro que o mesmo deve ser interpretado literalmente. Obviamente, esse
filho homem que se tornará o Rei de Deus só pode ser uma referência ao Cristo-rei
vitorioso que o cristianismo aguarda — o novo Cristo que nascerá na Terra.
Quanto à interpretação da mulher-cidade-santa esta é uma referência não a
uma cidade de ouro literal que descerá das nuvens, mas uma referência ao mundo
do bem que será costruído pelo novo Cristo. Para os povos da antiguidade sua
cidade era o seu mundo. Como se sabe, Deus jamais imaginou um mundo como o
nosso: impuro, falso, dividido e conflitado onde irmãos se vêem como estranhos
pertencentes a nações distintas, fechadas (por fronteiras, armas e passaportes) e
guerreando e matando-se entre si. No mundo do futuro (a Cidade Santa) todas as
fronteiras nacionais e todas as muralhas culturais serão derrubadas. O Reino de
Deus na Terra — a Sociedade Familista — será como uma única cidade mundial
unificada, cujas partes serão todas interligadas, interconectadas e interdependentes
entre si. Será a realização da Aldeia Gobal, antevista por Marshal Macluhan. Na
verdade, este mundo unificado — globalizado — culturalmente, economicamente,
politicamente (União Européia) e fraternalmente já é uma realidade parcial em
nosso tempo, e está avançando rapidamente para a totalidade.
Por fim, a mulher-cidade-pecadora vestida com roupas nas cores púrpura
(púrpura = vermelho escuro; vestimenta real, cardinalícia. Cf. Dicionário Larousse
Cultural. Editora Nova Cultural, p.751) e escarlate (vermelho vivo; nome de um
tecido de lã ou seda finos. Idem p. 376), adornado com ouro, pedras preciosas e
pérolas, embriagada com o sangue de muitos mártires, com um cálice na mão cheio
de blasfêmias e abominações e com 7 cabeças e 10 chifres é uma clara referência
à cidade de Roma, sede e símbolo do catolicismo. O monge Aranha Negra também
relacionou a cor púrpura com o catolicismo: “Pedro está fechado em sua casca de
noz, enquanto uma mão cheia de anéis fala em nome do justo, mas com palavras
injustas. No esgoto bóia um trapo de cor púrpura”. (Os Grandes Profetas. p.76).
As 7 cabeças são as sete colinas de Roma (mencionadas por Nostradamus)
e os 10 chifres simbolizam o poder total do catolicismo (na antiguidade, chifres
simbolizavam poder. Por isso, Lúcifer, “o deus e príncipe deste mundo” era
simbolizado como um bode chifrudo, ou um boi. Muitos deuses míticos da
280
antiguidade eram simbolizados por um boi negro chifrudo. O Apocalipse esclarece
que “as 7 cabeças são 7 montes”, ou colinas, e que “a mulher é a Grande Cidade
que reina sobre os reis da Terra”. Como todos sabem, Roma é uma cidade
localizada sobre 7 colinas, e ainda que não governe sobre a totalidade dos povos e
nações, Roma — representada pela figura do Papa, que é o rei do reino
independente do Vaticano — “reina” sobre os reis da Terra (reis e presidentes),
sendo reverenciado, ouvido e respeitado como um rei mundial. Esse poder papal
foi demonstrado nos funerais de João Paulo II, quando mais de 200 chefes-deEstado foram a Roma prestar ao Papa suas condolências e últimas homenagens.
Que outro chefe-de-Estado teve um funeral tão global? Que chefe-de-Estado é
recebido nos países por todos os líderes mais importantes e por multidões de
milhões de pessoas? Sendo assim, podemos dizer que o Papa é uma espécie de
rainha da Inglaterra: reina, mas não governa.30 A aparência da Grande Prostituta (as
cores e os adornos de suas vestimentas) coincidem com os tons escarlate e púrpura
e com os acessórios de ouro, pedras preciosas e pérolas das vestimentas e adornos
cardinalícios e papais. Sem falar no ostensivo luxo (ofensivo aos pobres e
miseráveis) dos ambientes do Vaticano. Roma — a Igreja Católica — tem mesmo
nas mãos (= sua história) um “cálice” cheio de blasfêmias (doutrinas míticas e
equivocadas), abominações (escândalos sexuais e homossexuais, envolvendo
papas, cardeais, bispo, padres e freiras em todo o mundo e em todas as épocas, e o
sangue de milhares de inocentes torturados e assasinados brutalmente nas prisões e
fogueiras da Inquisição. Além disso, o fato de os líderes católicos se vestirem com
roupões ao estilo dos vestidos e das saias femininas pode ser relacionado ao uso
apocalíptico do termo mulher para representar a Igreja Católica.
A história do catolicismo romano é a maior prova de sua culpa; da mais
total e brutal violação dos dois maiores mandamentos de Jesus: o amor a Deus e o
amor aos inimigos. Se amassem a Deus, O obedeceriam, amando, educando e
salvando seus “inimigos” (na verdade, vítimas do arcanjo Lúcifer). Por tudo isso,
penso que a mulher-cidade-pecadora — a Grande Babilônia, símbolo da blasfêmia,
da opressão e do pecado — é um símbolo do catolicismo. Nestes termos, o
Apocalipse também profetizou o fim do catolicismo.
30
Um rei que não governa — Visto por um outro prisma, isto não é uma desvantagem. Para que
governar se governar é administrar imensos problemas humanos e materiais, enfrentando críticas e
oposições diariamente? Reinar é melhor do que governar, pois o rei é a figura central de todas as
principais cerimônias e tem sempre o melhor de tudo. Depois de todo o trabalho mental e braçal, o rei
é convidado para cortar a fita e receber as condecoraões e os aplausos de seus súditos nobres e
plebeus. Não há dúvida: o Papa está ocupando a posição de rei do mundo. Porém, um rei cuja corte (o
catolicismo) está corrompida e em frangalhos; um rei que não conhece o coração nem o pensamento
de Deus; um rei que não tem a autoridade nem sabe como resolver os problemas do mundo, pois não
passa de um homem decaído e limitado que nasceu preso à âncora do pecado original. Na verdade,
assim como Caifás, o papa está ocupando o trono do Verdadeiro Pai e Rei dos reis, o novo Cristo de
Deus, aquele que conhece o coração e o pensamento de Deus, e, por isso, possui a capacidade para
salvar o mundo, e o fará, segundo as profecias da humanidade.
281
f) o novo Cristo terá 12 filhos — O número 12 aparece constantemente na
Bíblia. Segundo a numerologia dos cristãos unificacionistas isto é assim porque o
número 12 é um número sagrado (está presente na Bíblia, na natureza e na
história). O número 12 representa os doze tipos de personalidades humanas e as 12
relações existentes no seio da família, que é formado por 4 elementos:
Deus+Adão+Eva+filhos. Quando estes 4 elementos se relacionam (quando a
família é estabelecida) 12 tipos de relações interfamiliares são estabelecidas: 1.
Deus-Adão, 2. Adão-Deus, 3. Deus-Eva, 4. Eva-Deus; 5. Adão-Eva, 6. Eva-Adão;
7. Adão-Filhos, 8. Filhos-Adão; 9. Eva-Filhos, 10. Filhos-Eva, 11. Deus-Filhos e
12. Filhos-Deus. Como a Queda impediu o estabelecimento da família, Adão e Eva
não realizaram a base de 4 posições da família, nem o número 12. Por isso, as
figuras centrais da história providencial (substitutas de Adão) têm que estabelecer
um fundamento relacionado como número 12. Esse é o motivo pelo qual Jacó teve
12 filhos, Moisés teve 12 tribos e Jesus teve 12 apóstolos. Esse é também o motivo
pelo qual o Apocalipse profetizou que o III Adão, o novo Cristo, terá 12 filhos:
“No meio da sua praça, e de uma e da outra banda do rio, estava a árvore
da vida (Adão) que produz doze frutos... e as folhas da árvore são para a saúde
das nações”. (Apoc 22.2).
Vimos anteriormente que, na Bíblia, a palavra árvore simboliza homem
(Jesus se declarou a “Oliveira Santa” = homem santo). Os filhos da árvore são os
frutos. Logo: frutos = filhos.
g) o novo Cristo fundará uma nova igreja — Se a igreja judaica tivesse
acreditado em Jesus o Novo Testamento teria sido transmitido para a humanidade
através das sinagogas. Não haveria necessidade de um novo povo eleito (Mt
21.43), nem de uma nova igreja cristã (Mt 16.18). Tampouco a cruz teria se
tornado um símbolo religioso. Todavia, a morte injusta e prematura de Jesus (Is 60,
Lc 1.32-33, ICo 2.8, At 7.51-53, entre outros), impediu a realização do plano
original de Deus, o qual será realizado por ocasião do reaparecimento do novo
Cristo.
Os cristãos unificacionistas dizem que o Rev. Moon iniciou a difusão do
Completo Testamento em 1945 para os líderes do cristianismo na Coréia do Norte,
já comunista. Todavia, foi rejeitado pelos cristãos. Assim, teve que recomeçar tudo,
caminhando pelo caminho da cruz (3 anos preso e torturado no campo de
concentração comunista de Hung Nan, na Coréia do Norte). Libertado pelas forças
da ONU, retornou à Coréia do Sul, onde teve que fundar uma nova igreja — a
Igreja da Unificação (Associação do espírito Santo para a Unificação do
cristianismo Mundial) — a fim de levar para o mundo o Completo Testamento. A
Bíblia confirma que o povo cristão — a igreja cristã — poderia rejeitar o novo
Cristo (devido ao seu nascimento na Terra) e perder a posição de povo eleito, o II
Israel:
“Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor! Não pregamos nós em
vosso nome? E não foi em vosso nome que expulsamos demônios e fizemos
milagres? E no entanto, eu lhes direi: Nunca vos conheci. Apartai-vos de mim”.
(Mt 7.22-23).
282
Dizem ainda que, segundo o Rev. Moon, originalmente Deus jamais
pretendeu criar qualquer religião, mas toda a Sua educação deveria ter sido
transmitida dentro das famílias (Deus-pais-filhos). Do mesmo modo, o Rev. Moon
jamais pretendeu fundar uma nova igreja, pois o Completo Testamento veio de
Deus e de Jesus para os cristãos, e deveria ter sido difundido através das igrejas
cristãs para toda a humanidade. Com a rejeição do Completo Testamento pelos
cristãos, Deus transferiu o centro da providência do cristianismo para o
unificacionismo, expandindo o Completo Testamento para todo o mundo através da
Igreja da Unificação. Os cristãos unificacionistas me informaram ainda que no dia
27 de janeiro de 2004, em Seul, Coréia do Sul, o Rev. Moon extinguiu a Igreja da
Unificação, declarando que ela já havia cumprido sua missão, e dividiu a história
em duas eras: a Era antes da Vinda do Céu (aVC) e a Era depois da Vinda do Céu
(dVC). Em 2005 declarou a Era de Deus (a libertação total e a vinda de Deus para
a Terra) e que a história da Providência da Restauração terminará em 2012, ou
2014, no máximo (poderá haver um prolongamento baseado no número 3: 2012,
2013, 2014). Como os cristãos unificacionistas afirmam que o Rev. Moon é o novo
Cristo, assim como Jesus, ele foi forçado a fundar uma nova igreja — a Igreja da
Unificação. Em tudo isso algo surpreende: o Rev. Moon é o primeiro líder religioso
na história da humanidade que extinguiu sua própria igreja no auge, quando ela
começou a ser aceita internacionalmente. Neste ponto, o Rev. Moon foi único.
h) o novo Cristo trará a salvação cósmica — Sabemos que a Queda do
homem foi espiritual (Lúcifer + Eva) e física (Eva + Adão). Logo, a redenção deve
ocorrer espiritual e físiscamente. Não obstante, todos os cristãos lutam diariamente
para não sucumbir às tentações relacionadas ao mundo material (os 7 pecados
capitais), e são exortados a resistirem às tentações da carne; do corpo. Mesmo um
grande cristão como São Paulo revelou possuir uma natureza dividida e conflitada
(um misto de bem e mal herdados, respectivamente, de Deus e de Lúcifer):
“Alegro-me na lei de Deus segundo o meu espírito, mas vejo em meu corpo
outra lei que luta contra a lei do meu espírito e me faz escravo do pecado... O bem
que quero, este não faço; mas o mal que detesto, esse eu faço. Ora, se faço o que
não quero já não sou eu que o faz, mas o pecado que habita em mim. Miserável
homem que eu sou. Quem me livrará deste corpo de morte?”. (Rm 7.14-25).
Ora, se até mesmo um cristão da estatura de São Paulo admite a presença
do pecado em seu corpo, obviamente, todos os cristãos continuam presos
fisicamente ao pecado (embora, teoricamente, todos aceditem que Jesus os libertou
totalmente do pecado). Não é isto, no entanto, o que a Bíblia afirma. Ela diz que
todos os cristãos continuam escravos do pecado:
“Se pensamos não ter pecado, nós fazemos de Deus um mentiroso e a Sua
palavra não está em nós”. (Jo 1.10).
Se todos os cristãos continuam escravos do pecado, o que significa isto?
Significa que a redenção cristã é parcial; que Jesus foi impedido de concluir a
redenção total da humanidade. Se Jesus foi assassinado fisicamente antes de
realizar sua família divina, isto significou uma derrota física para Deus. Contudo, a
ressurreição espiritual de Jesus significou a vitória espiritual. Este é o legado de
283
Jesus — a redenção espiritual — para todos os que creram nele e obedeceram às
suas palavras. E é precisamente isto o que a Bíblia confirma:
“Mas também nos, que temos as primícias do espírito (a redenção
espiritual), gemenos em nosso íntimo, aguardando a adoção como filhos; a
redenção do nosso corpo”. (Rm 8.22-23).
O texto bíblico é claro. E não adinta tentar subvertê-lo a fim de ajustá-lo às
crenças preconcebidas de grupos cristãos específicos. A Bíblia transcende as
“teologias” de todas as denominações. Ela é o critério fundamental e o
denominador-comum ao qual todas as denominações cristãs devem se submeter. Se
a Bíblia diz que a redenção física não ocorreu é porque ela de fato não ocorreu. Eis
o motivo pelo qual o mal se aperfeiçoou e se expandiu tanto, apesar de Jesus e do
cristianismo. Eis também o porquê da necessidade imprescindível do nascimento
físico do novo Cristo na Terra. O pecado original foi cometido na Terra com o
corpo físico de Adão. Logo, o pecado original deve ser eliminado na Terra através
do corpo físico de um novo Adão. Assim, quando o Apocalipse afirma que o novo
Cristo terá uma espoas e 12 filhos, isto significa que ele estabelecerá a família
divina e fincará a raiz de Deus na Terra. Por isso, “suas folhas (da árvore da vida =
homem divino) são para a saúde das nações”. A vitória total do novo Cristo —
física + espiritual — será legada a toda a humanidade. Uma vez estabelecida a
família divina na Terra, a humanidade deixará de ser órfã e passará a ter
Verdadeiros Pais (substitutos dos falsos pais decaídos Adão e Eva). Assim, os
Verdadeiros Pais perdoarão o pecado original das pessoas e as abençoarão em
matrimônio sagrado, agora, de acordo com a vontade de Deus (e não de acordo
com a vontade de Lúcifer). Os casais purificados e abençoados por Deus, através
do novo Cristo, darão origem a filhos sem pecado, renovando aos poucos toda a
humanidade. É a isto que os cristãos unificacionistas chamam de redenção total.
i) o novo Cristo vencerá satanás, o anti-Deus — De acordo com a Bíblia e
o Apocalipse, o novo Cristo vencerá satanás e construirá o céu na Terra e no
mundo espiritual (“seja feita a vossa vontade assim na Terra como no céu”.):
“Então, caístes do céu, ó Lúcifer, filho da aurora. Como foste abatido por
terra, tu que debilitavas as nações! Tu dizias em teu coração: eu subirei ao céu,
acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono, e no monte da assembléia me
assentarei, no extremo norte. Subirei acima das nuvens mais altas e me tornarei
igual ao altíssimo. E contudo, levado serás ao inferno, ao mais priofundo abismo”.
(Is 14.12-20).
Neste trecho bíblico do profeta Isaías (que profetizou para a primeira vinda
do Cristo), Lúcifer deveria ter sido derrotado por ocasião da primeira vinda do
Cristo, Jesus. Entretanto, a rejeição e a morte prematura e injusta de Jesus
impediram a derrota total de Lúcifer 2000 anos atrás. Jesus conquistou apenas a
vitória espiritual. Por isso, o mal cresceu e se aperfeiçoou tanto nos últimos 2000
anos. Para demonstrar este fato, basta lembrar que no tempo de Jesus as pessoas se
matavam com espadas, lanças e pedras. Hoje, elas se matam com revólveres,
metralhadoras, tanques e bombas atômicas, químicas e bacteriológicas. Como
Lúcifer não foi totalmente derrotado no tempo de Jesus, o Apocalipse, que é uma
284
Bíblia-síntese, repetiu a profecia, a qual será cumprida por ocasião do retorno do
Cristo:
“Foi então precipitado o Grande Dragão, a antiga serpente, chamada
demônio e satanás, o sedutor do mundo inteiro. Foi precipitada na Terra e com
elas os seus anjos”. (Apoc 12.7-9).
j) o novo Cristo extinguirá o inferno da Terra — Com a Queda dos
primeiros antepassados humanos, Lúcifer construiu uma sociedade anti-Deus e
anti-humana na Terra — o inferno; um mundo cheio de mentirosos, tiranos,
ladrões, traficantes, assassinos, corruptos, homossexuais, lésbicas, prostitutas, etc.
Lúcifer construiu na Terra uma mentalidade e uma cultura materialista e ateísta,
onde tudo contribui para afastar o homem de Deus e infernizar sua vida ao
máximo. Não há paz, sossego, nem verdadeira alegria neste mundo, do qual
milhões tentam se livrar destruindo a própria vida. Um rio de suor, lágrimas e
sangue corre dia e noite continuamente sobre a Terra. De que mais poderíamos
chamar este mundo senão de um inferno na Terra. Eis a principal missão do novo
Cristo: destruir este mundo infernal e construir o mundo celestial. Como ele faria
isso se viesse espiritualmente sobre as nuvens do espaço e levasse apenas alguns
cristãos para ficar com ele? Esta é mais uma razão pela qual o novo Cristo deve
nascer novamente na Terra (como o primeiro Cristo). O Apocalipse confirma a
vitória total do novo Cristo sobre o inferno, usando o símbolo do lago de fogo:
“E a besta foi presa, e com ela o falso profeta, que diante dela fizera os
sinais com que enganou os que receberam o sinal da besta e adoraram sua
imagem. Estes dois foram lançados vivos no lago de fogo e enxofre. E os demais
foram mortos com a espada que saía da boca (a língua = palavra) do que estava
assentado sobre o cavalo”. (Apoc 19.20-21).
E o diabo, que os enganava, foi lançado no lago de fogo e enxofre, onde já
estava a besta e o falso profeta...”. (Apoc 20.10).
Para decodificar o símbolo lago de fogo precisamos entender o significado
bíblico da palavra fogo. O significado simbólico do termo fogo já foi decodificado
no tópico relativo ao 2º sinal que identificará o novo Cristo, segundo Nostradamus
(2º Sinal — Trará o bastão de Hermes: um novo ensinamento. Página 199).
Naquele tópico ficou demonstrado que o termo fogo, na Bíblia, significa palavra
verdadeira (Tg 3.6; Jr 23.29 e Jo 12.48). Assim, o lago de fogo é o símbolo da
palavra de Deus que “inundará” toda a Terra, como um mar de fogo, e absorverá e
“queimará” todo o mal. Este símbolo, portanto, representa a extinção de todo o
mal. Conseqüentemente, a vitória total do bem; do novo Cristo de Deus.
k) o novo Cristo construirá o céu na Terra — As profecias da humanidade
falam sobre uma nova era de paz e felicidade que advirá sobre a Terra depois da
Grande Tribulação e do reaparecimento do novo Cristo. Coisas semelhantes foram
profetizadas por Isaías, com relação à primeira vinda do Cristo, as quais não se
cumpriram devido à morte prematura de Jesus. Agora, o Apocalipse repete a
mesma profecia, afirmando que o novo Cristo vencerá todo o mal, libertará Deus
de Seu sofrimento e O trará para morar na Terra com os homens:
285
“E vi um novo céu e uma nova Terra. Porque o primeiro céu e a primeira
Terra já passaram, e o mar (mar = mundo decaído) já não existe. E eu, João, vi a
cidade santa, a nova Jerusalém, que de Deus descia do céu, adereçada como uma
esposa ataviada para o seu marido. E ouvi uma grande voz que dizia: Eis a
morada de Deus com os homens. Deus habitará com eles e eles serão o seu povo, e
o mesmo Deus estará com eles e será o seu Deus. E Deus limpará de Seus olhos
toda a lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor nem dor;
porque já as primeiras coisas são passadas”. (Apoc 21.7).
O texto inteiro é claríssimo. Ele profetiza a vitória total e final de Deus
através do novo Cristo. Um símbolo contido neste texto — o mar — precisa ser
decodificado. No Apocalipse 19.15, está escrito: “As águas que vistes, sobre as
quais se assenta a prostituta, são povos, nações, línguas e reis”. Este texto revela o
significado do termo mar (mar = multidões de homens impuros = inferno). Assim,
a expressão e o mar já não existe significa que o inferno, a humanidade decaída e
suas obras, já não existirão sobre a Terra.
l) o novo Cristo será coroado Rei do amor, da justiça e da paz. — Todos
os grandes profetas referem-se ao novo Cristo como o senhor da justiça e da paz. O
Apocalipse registrou que o novo Cristo vencerá satanás e restaurará a soberania de
Deus sobre o mundo. E que Deus reinará sobre a Terra através dele, que será
coroado rei do amor, da justiça e da paz. Devido ao seu amor e ao seu autosacrifício por Deus e pelo homem, o novo Cristo será aceito pela humanidade como
Rei dos reis e Senhor dos senhores:
“E vi o céu aberto, e eis um cavalo branco; e o que estava assentado sobre
ele chama-se Fiel e Verdadeiro; e julga e batalha com justiça... E estava vestido de
uma veste salpicada de sangue; e o nome pelo qual se chama é a Palavra de Deus
(o verbo encarnado = Adão)... E no vestido e na sua coxa tem escrito o nome: Rei
dos reis e Senhor dos senhores”. (Apoc 19.11-16).
Todos os cristãos aceitam, com base na Bíblia e no Apocalipse, que o novo
Cristo será vitorioso e ocupará o trono do Rei dos reis como o Cristo-rei. Se Adão
não tivesse caído, ele teria se tornado o Verdadeiro Pai e rei da humanidade, a qual
seria a família de Deus, vivendo em um regime monárquico — o Reino de Deus na
Terra. Ao invés disso, Lúcifer se tornou o pai do homem decaído, o príncipe deste
mundo e o deus deste mundo”. (IICo 4.4; Jo 12.31; Lc 4.5 e Jo 8.44). Jesus veio à
Terra para implantar o Reino de Deus, mas foi impedido pela descrença do povo
judeu da época. Agora, o novo Cristo deverá implantar definitivamente o Reino de
Deus na Terra.
Conhecendo de antemão o plano de Deus, satanás implantou primeiro uma
pseudo-monarquia na Terra, passando a governar o mundo através de tiranos
corruptos e criminosos; falsos pais que comandaram egoisticamente os povos com
mão e coração de ferro e com poder de vida e morte, explorando e massacrando os
povos de acordo com seus desejos doentios, mas sempre utilizando as palavras de
Deus e os ideais humanos universais (amor, paz, bem, prosperidade, justiça, etc),
fazendo promessas mentirosas nunca cumpridas. A partir da Revolução Francesa,
satanás decidiu eliminar da Terra os termos monarquia e rei, inventando e
286
implantando o que chamou de parlamentarismo e presidencialismo, regimes que
continuam sob o comando de um “rei” que vive em um palácio, mas agora sob o
nome de presidente ou primeiro-ministro. Deus inspirou a democracia a fim de
libertar a humanidade dos reis satânicos, mas satanás passou a usar também a
democracia como bandeira (os ideais de liberdade, igualdade e fraternidade),
enganando a humanidade, conquistando nações e implantando novas tiranias
(iluministas, nazistas, comunistas, etc).31 Não obstante o poder imenso que satanás
adquiriu sobre o homem e o planeta, será destruído pelo novo Cristo, que
implantará o Reino de Deus na Terra:
“E ouvi como que a voz de uma grande multidão... que dizia: Aleluia, pois
já o Senhor Deus, todo-poderoso, reina”. (Apoc 19.6).
“E vi descer do céu um anjo... E ele prendeu o dragão, a antiga serpente,
que é o diabo e satanás, e amarrou-o por mil anos (milênio = eternidade). E vi
tronos; e assentaram-se sobre eles... E viveram e reinaram com Cristo durante mil
anos” (milênio = eternidade). (Apoc 20.1-4).
Decodificando o Milênio —No texto acima uma expressão precisa ser
decodificada. Trata-se da expressão mil anos. Deus é um ser atemporal, pois existe
na eternidade além do tempo e do espaço. A Bíblia diz que “um dia para Deus e
como mil anos e mil anos é como um dia”. (IIPe 3.8). Diz ainda que Deus criou o
universo em 6 dias, os quais correspondem às 6 eras geológicas descobertas pela
geologia com base nos eventos ocorridos em cada “dia”. Desse modo, a expressão
mil anos, assim como o termo dia, não são literais, mas uma expressões simbólicas
relacionadas com a eternidade, pois o Reino de Deus, uma vez implantado na
Terra, será eterno.
Além destes 12 sinais apocalípticos sobre o novo Cristo, a Bíblia, as
profecias da humanidade e a história se juntam para nos responder às três perguntas
fundamentais acerca do novo Cristo: Quando, como e onde ele voltará?
31
A crítica da democracia — Embora com novos nomes (presidente, primeiro-ministro, fürher,
secretário-geral, etc), todos os regimes de governo da história humana sempre foram centralizados em
um único homem. Se tal homem fosse justo, Deus abençoaria aquele povo; se fosse injusto, Deus o
abandonaria. Assim, a monarquia esteve no passado, está no presente e estará no futuro. Por quê?
Porque a monarquia é a forma natural de governo, pois obedece à lei da regência pelo centro. Tudo
no universo — do átomo ao cosmos, do indivíduo à sociedade humana — possui um centro. E só
funciona assim. Imagine o que ocorreria ao corpo humano se o homem tivesse dois cérebros, tentando
reger seus órgãos internos. Seguramente, o homem não existiria. O mesmo pode ser dito com relação
a todos os elementos e fenômenos naturais e sociais do universo. Desse modo, a democracia (o
governo do povo) é apenas um nome. Na prática, continua imperando a monarquia — a palavra final
é sempre de um único homem — o presidente (assitido por um grupo de homens afinados com ele). O
presidente (e o seu grupo) pensa e decide o que fazer. O povo é levado às urnas, sob a ameça de
multas e punições, apenas para convalidar o que o presidente e o seu grupo decidiram.
287
Capítulo IV
Como, Quando e Onde
o novo Cristo reaparecerá?
1. Como reaparecerá o Cristo?
Nas nuvens do Céu ou no ventre de uma mulher?
Tanto a tradição afro-indiana quanto a judaico-cristã admitem o aparecimento de
um homem especial capaz de influenciar e mudar o mundo. Para a tradição afroindiana, o Cristo não é o salvador do mundo, mas apenas um avatar, um guru ou
um sábio, que de tempos em tempos aparece na Terra para elevar a humanidade
para um novo nível de evolução cultural. Como já dissemos, a tradição afro-indiana
não acredita na Queda do homem, nem em satanás ou pecado. Por isso, não vê
necessidade de salvação ou salvador. Do outro lado, para a tradição judaico-cristã,
o Cristo não é um simples guru ou sábio, mas um novo Adão nascido na Terra sem
a mácula-anzol do pecado original (a tendência para o mal, herdada de Lúcifer) e
com a missão de estabelecer a família divina original (que Adão e Jesus, o II Adão,
foram impedidos de estabelecer).
288
Para a tradição judaico-cristã o Cristo nasce na Terra mediante um longo e
árduo trabalho de Deus, que separa um casal (Abraão e Sara) a partir do qual
constrói uma família (a família de Jacó), a partir da qual constrói um povo (as 12
tribos de Moisés), a partir do qual estabelece uma nação e um reino (o reino de
Saul/Davi/Salomão). O objetivo desse trabalho providencial é construir uma nação
e um reino educado dentro da tradição divina e preparado para receber o Cristo,
que será o rei daquela nação eleita.
No caso do I Adão, Deus simplesmente criou o planeta e em seguida criou
o homem (pois antes do nascimento do filho é preciso preparar o ambiente para
recebê-lo). No caso do II Adão, Jesus, Deus precisou separar um casal do mundo
decaído, Abraão e Sara, e, a partir dele, purificar a linhagem, levando sua
descendência a trilhar um caminho de adversidades e dificuldades físicas (sacrificar
o corpo para purificar o espírito), e realizando matrimônios apenas entre os
descendentes daquele casal-raiz (Por isso, os judeus e os coreanos casavam-se
exclusivamente entre si). Assim, depois de aproximadamente 2000 anos, Deus
pôde colher um fruto puro — Jesus. Do ponto de vista físico-biológico o processo
histórico da purificação da linhagem do povo judeu obedeceu às mesmas leis
naturais do processo de purificação de uma linhagem animal, dos dias de Darwin
aos nossos dias. Os criadores separam um casal — de cavalos, por exemplo —, e
realizam intercruzamentos contínuos até obterem um exemplar da raça pura
original — um puro sangue. Deus, biologicamente (pois criou a biodiversidade
inteira), utilizou este mesmo processo para possibilitar o nascimento de um ser
humano puro. Para a tradição judaico-cristã, este homem de sangue divino e puro é
chamado Cristo (= o ungido; escolhido); o filho unigênito, o filho único (porque é
o único que nasceu sem pecado na Terra).
Voltando à pergunta inicial: Como reaparecerá o Cristo? Nas nuvens do
Céu ou no ventre de uma mulher? De acordo com a Bíblia, que registrou o
nascimento de um Cristo — Jesus —, estes nascem do ventre de uma mulher. Jesus
nasceu na cidade de Belém (Miq 5.1) e do ventre de uma mulher — Maria. Por
último, como a Queda do homem manchou a linhagem de sangue da raça humana
(Jo 8.44), para que surgisse um homem da linhagem de sangue de Deus na Terra
era preciso purificar a linhagem de sangue por meio de um longo processo
biológico (purificação física) e cultural (educação do caráter; educação espiritual).
Logo, do ponto de vista biológico e sociológico (natural e social) o Cristo só pode
aparecer na Terra como descendente de uma nação eleita (separada do mundo e
submetida ao processo de purificação da linhagem) e do ventre de uma mulher. Foi
assim com Jesus (e também com Adão. Mas esta é uma outra e longa história). E
será assim com o novo Cristo. E como não poderia deixar de ser, a Bíblia e o
Apocalipse (a Bíblia-síntese) afirmaram o reaparecimento do novo Cristo na Terra
através de seu nascimento físico:
“E viu-se um grande sinal no céu: uma mulher vestida do sol, tendo a lua
debaixo dos pés e uma coroa de 12 estrelas sobre a cabeça. E a mulher estava
grávida e com dores de parto para dar à luz. E viu-se outro sinal no céu: um
grande dragão vermelho, com 7 cabeças e dez chifres, tendo sobre suas cabeças 7
289
diademas. E a cauda do dragão arrastou após si a terça parte das estrelas de Deus
(33% da humanidade) e as lançou sobre a terra; e o dragão parou diante da
mulher que havia de dar à luz, para que, dando ela à luz, lhe devorasse o filho.
E a mulher deu à luz um filho homem que há de reger todas as nações
com vara de ferro; e o seu filho foi arrebatado para Deus e para o Seu trono”.
(Apoc 12.1-5).
Como vemos, segundo o Apocalipse o novo Cristo-rei nascerá na Terra do
ventre de uma mulher. Esta conclusão concorda com muitos outros trechos bíblicos
e também com as profecias da humanidade sobre ao reaparecimento do Cristo
estudadas neste livro.
Alguns símbolos desse trecho apocalíptico precisam ser decodificados,
pois esclarecem muitos outros trechos do livro. O trecho diz que havia uma mulher
vestida do sol, com a lua debaixo dos pés e uma coroa de 12 estrelas sobre a
cabeça. Quando Jesus se transfigurou diante de Pedro, Tiago e João, brilhava como
o sol. Isto revela que os corpos espirituais das pessoas de alto nível espiritual
emitem um brilho ofuscante como o brilho do sol. Portanto, o corpo daquela
mulher brilhava como o sol, o que indica alto nível espiritual. No livro do Gênesis
37.9 está registrado o significado simbólico-bíblico das palavras sol, lua e estrelas
(= pai, mãe e filhos). Portanto, o texto revela que a mulher estava vestida do sol
(como que coberta pela luz do sol. Sol = pai). A coroa de 12 estrelas sobre sua
cabeça indica que a mulher terá 12 filhos (estrelas = filhos); os filhos são a “coroa
de glória” dos pais. A lua debaixo de seus pés representam a própria mulher (mãe =
lua). O grande dragão vermelho simboliza o arcanjo Lúcifer (a antiga serpente =
satanás). A cor vermelha é o simbolo do comunismo ateu. O mundo comunista
ateu foi o falso reino dos céus que Lúcifer pretendia estabelecer em toda a Terra.
As 7 cabeças simbolizam os 7 líderes comunistas russos (os líderes mundiais do
comunismo: Lênin, Stálin, Trotsky, Kruschev, Andropov, Brejzniev e Gorbatchev).
O Apocalipse revela que as 7 cabeças são mesmo 7 reis. Os 7 diademas sobre suas
cabeças simbolizam coroas, símbolos do poder real. Os 10 chifres simbolizam
outros líderes comunistas menores (de outros países). Por fim, o varão que há de
reger toda a Terra assentado sobre o trono de Deus é o novo Cristo que reinará
sobre a Terra. A vara de ferro simboliza a palavra de Deus, pois a verdade de Deus
é também a sua lei justa, que é dura como o ferro para os que a violam.
1.1. Jesus e o novo Cristo — Um estudo Paralelo
Dissemos anteriormente que o Apocalipse é uma Bíblia-síntese; isto é, todas as
profecias bíblicas que não se cumpriram na primeira vinda do Cristo — Jesus —
foram repetidas no Apocalipse para serem cumpridas por ocasião da segunda
vinda. Uma vez que Deus é um ser de número 3, que é o número da perfeição (I
Adão, II Adão e III Adão), os cristãos unificacionistas, com base na Bíblia e no
Apocalipse, afirmam que o novo Cristo, o III Adão, vencerá definitivamente,
independentemente dos sofrimentos e das perseguições que sofrerá. Assim,
algumas profecias feitas no Velho Testamento sobre Jesus foram repetidas no
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Novo Testamento a fim de serem cumpridas por ocasião da segunda vinda do
Cristo.
a) A primeira vinda: o Cristo veio nas nuvens ou nasceu na Terra? — No
tocante à primeira vinda do Cristo, a Bíblia registrou dois tipos de profecias,
aparentemente antagônicas e excludentes, sugerindo que o primeiro Cristo poderia
vir sobre as nuvens do céu, ou nasceria na Terra do ventre de uma mulher.
Obviamente, as duas profeicas são excludentes, pois o Cristo não poderia aparecer
na atmosfera terrestre e nascer na Terra simultâneamente. Uma das profecias,
portanto, devia ser simbólica e a outra, literal. E apenas uma delas se cumpriria. Eis
as profecias bíblicas excludentes relativas à primeira vinda:
“Primeira vinda sobre as nuvens — Eu estava olhando em minhas visões
noturnas e eis que vi vindo sobre as nuvens do céu um como o filho do homem... E
foi-lhe dado o domínio e a honra e o reino, para que todos os povos, nações e
línguas o servissem”. (Dn 7.13-14).
“Primeira vinda pelo nascimento na Terra — E tu, Belém Efrata, posto que
pequena enter milhares de Judá, de ti sairá aquele que será Senhor em Israel”.
(Miq 5.2).
Qual das duas profecias se cumrpiu na primeira vinda? A profecia do
nascimento na Terra. Logo, a profecia sobre as nuvens era simbólica; vindo sobre
as nuvens era uma expressão de sentido figurado.
b) A segunda vinda: o cristo virá nas nuvens ou nascerá na Terra? — Do
mesmo modo que da primeira vinda, repetindo as profecias de Daniel e Miquéias, o
Apocalipse — como a Bíblia-síntese — registrou também duas profecias idênticas
às profecias que antecederam a primeira vinda, relativas ao modo como o novo
Cristo reapareceria na Terra: sobre as nuvens do céu ou pelo nascimento na Terra
do ventre de uma mulher. Eis as profecias bíblicas excludentes relativas à segunda
vinda:
“Segunda vinda sobre as nuvens — E olhei, e eis que vi uma nuvem branca
e assentado sobre a nuvem um semelhante ao filho do homem, que tinha sobre a
sua cabeça uma coroa de ouro, e na sua mão uma foice aguda”. (Apoc 14.14).
“Então, aparecerá no céu o sinal do Filho do homem; e todos os povos da
Terra se lamentarão e verão o Filho do homem vindo sobre as nuvens do céu, com
poder e glória”. (Mateus 24.30).
“Segunda vinda pelo nascimento na Terra — E viu-se um grande sinal no
céu: uma mulher vestida do sol, tendo a lua debaixo dos pés e uma coroa de 12
estrelas sobre a cabeça. E a mulher estava grávida e com dores de parto para dar
à luz... E a mulher deu à luz um filho varão que há de reger todas as nações com
vara de ferro; e o seu filho foi arrebatado para Deus e para o Seu trono”. (Apoc
12.1-5).
E então? Qual das duas profecias se cumpriu na primeira vinda do Cristo?
Jesus, o primeiro Cristo e II Adão, nasceu na Terra do ventre de uma mulher
chamada Maria, confirmando a profecia de Miquéias 5.2, que informava sobre o
nascimento físico de Jesus em Belém. Mesmo assim, os líderes do judaísmo e o
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povo judeu da época rejeitaram, perseguiram e assassinaram Jesus. Por que aqueles
líderes ignoraram e desprezaram a profecia de Miquéias 5.2, que informava que o
Cristo nasceria na Terra do ventre de uma mulher, na cidade de Belém? A primeira
razão foi porque “o deus deste mundo cegou a inteligência dos incrédulos” (IICo
4.4 e Lc 4.5), como disse Jesus. A segunda razão foi porque as palavras e as obras
de Jesus ofuscavam o brilho da liderança da época, ameaçando seu prestígio e seus
privilégios. Diante disso, eles optaram por negar a “a novidade vivificante do
espírito” e se fixarem “na velhice da letra”, enfatizando a vinda de Elias das
nuvens do céu antes da vinda do Cristo (Mt 11.13-14: Elias voltou, mas era outro
homem: João Batista) e a vinda do próprio Jesus das nuvens. Além disso, devido à
profecia da vinda nas nuvens muitos judeus não creram em Jesus como o Cristo. A
Bíblia registrou claramente este fato:
“Porque muitos enganadores entraram no mundo, os quais não confessam
que Jesus veio em carne. Estes são os enganadores e anticristos”. (II Jo 1.7-8).
Hoje, o judaísmo se justifica dizendo que o Cristo prometido ao povo judeu
ainda não veio. E muitos cristãos crêem que a profecia das nuvens se cumprirá na
segunda vinda do Cristo. Todavia, esquecem de observar que Jesus declarou que
ele era o fim das profeias e da lei do Velho Testamento:
“Porque os profetas e a lei profetizaram até João (até o momento do
encontro entre Jesus e João Batista)”. (Mt 11.13-14).
“Porque o fim da lei é Cristo, para a justiça de todo aquele que crê”. (Rm
10.4).
Portanto, de acordo com a própria Bíblia, Jesus representa o fim e o
cumprimento das leis e das profecias do Velho Testamento. Logo, a profecia da
vinda sobre as nuvens constante no Velho Testamento não foi feita para ser
cumprida na segunda vinda do Cristo. Assim, a profecia de Daniel quanto à vinda
do Cristo, Jesus, sobre as nuvens do céu já se cumpriu. Todavia, não existe nenhum
registro histórico de alguém que tenha visto Jesus descendo sobre as da atmosfera
terrestre, embora ele próprio tenha afirmado que desceu do céu (como já vimos:
céu = bem = Deus).
c) O reaparecimento do Cristo e a história das mentalidades — A história
oficial é o resgistro dos fatos do ponto de vista de quem estava no comando. A
história das mentalidades é um novo ramo do estudo da história que se centra
nopensamento comum das pessoas de uma determindada época. A história das
mentalidades, portanto, é a história do ponto de vista da totalidade da população de
uma nação em uma época específica. O estudo da história das mentalidades nos
inspiraram a pensar no estudo da mentalidade humana como um todo, como se a
humanidade fosse um ente coletivo. Nosso objetivo é levar o homem
contemporâneo a entender as razões pelas quais Jesus foi assassinado, alertando-o
para não repetir o mesmo erro com relação ao novo Cristo.
O desenvolvimento psíquico do indivíduo — O psicólogo suíço Jean Piaget
(1896-1980), um dos pioneiros do estudo da psique infantil, observou que que “A
essência da inteligência é a evolução de uma forma de perceção para outra, no
processo de adaptação, e a solução das tensões entre as duas”. Em outros termos,
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Piaget concluiu que o desenvolvimento mental de uma criança não constitui um
mero processo de aprendizagem contínua e aquisição ocasional de conhecimento e
novas experiências; ao invés disso, a inteligência evolui gradativamente através de
estágios bem definidos, em quatro etapas: sensório-motor, pré-operacional,
operacional concreto e operacional formal. A inteligência humana é um atributo
inato que se desenvolve natural e gradativamente por estágios de compreensão. A
inteligência humana, assim como o corpo do homem, desenvolve-se da primeira
infância à maturidade. Assim, o processo da formação da cosmovisão de um ser
humano, a visão de mundo de uma pessoa, assemelha-se a uma vidraça embaçada
de uma janela, a qual, aos poucos, vai se clarificando até possibilitar uma visão
nítida, íntegra e perfeita da paisagem do lado de fora.
O desenvolvimento psíquico da humanidade — Assim como o
desenvolvimento da psique individual do homem atravessa 3 estágios definidos, a
psique da humanidade também atravessou 3 estágios bem definidos: mitológico
(racional-ilógico), filosófico (racional lógico) e científico (racional experimental).
As explicações míticas — Nesse processo, as primeiras formas de
explicações do mundo que o homem desenvolveu foram os mitos. Explicações
ilógicas baseadas em fatores regionais, mas que satisfaziam o nível mental do
homem da antiguidade. Um exemplo: no Brasil, os índios canelas acreditavam que,
devido à sua cor, o sol era formado por penas vermelhas de araras. É uma
explicação que atende à necesidade de uma resposta (a curiosidade humana), a qual
já indica o uso da razão e da criatividade. Porém, é uma explicação pensada
supercialmente, pois os índios deveriam perceber que o calor do sol facilmente
queimaria as penas. Portanto, o sol já deveria ter se apagado há muito tempo atrás.
Esse tipo de explicações míticas — os mitos ilógicos — foram desenvolvidas em
todos os continentes e entre todos os povos da antiguidade, e refletiam — e
satisfaziam — o nível da mentalidade humana daquela idade. As explicações
míticas recorriam sempre ao encanto, à magia e à fantasia, pois eram frutos da
infância psíquica da humanidade. Durante milênios os mitos foram menosprezados.
Somente depois dos estudos de Mircea Eliade e de Karl Popper os mitos passaram
a ser respeitados como uma forma de explicação válida, porque ajustada ao nível
mental dos povos que as criaram.
As explicações filosóficas — O aumento do comércio marítimo na
antiguidade fez crescer a comunicação entre os povos. E as explicações míticas
entraram em choque, pois se descobriu que existiam diversas explicações para um
mesmo fenômeno. Muitos povos perceberam as contradições, mas os gregos se
destacaram e, comparando as diversas explicações míticas, começaram a pensar
mais profundamente, desenvolvendo explicações mais coerentes e racionais. É a
idade da filosofia racional, época das explicações filosóficas racionais, a segunda
etapa de maturação psíquica da humanidade.
As explicações científicas — As explicações míticas se baseavam
prioritariamente na emoção, menosprezando o valor da razão e da experimentação.
Já as explicações filosóficas baseavam-se exclusivamente na razão, menosprezando
o valor da experimentação. Os filósofos gregos tinham desprezo pela
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experimentação. Aristóteles considerava a experimentação uma atividade inferior,
indigna de um filósofo. Por isso, afirmou que, de duas esferas de ferro, uma
grande e outra pequena, a grande chegaria ao solo primeiro. Afirmou isso, mas
nunca realizou qualquer experiência para comprovar sua teoria. Galileu destruiu
sua hipótese facilmente, realizando a experiência e provando que as duas chegavam
ao solo ao mesmo tempo.
Todos os povos de todas as épocas se utilizaram da razão e da
experimentação para construírem seus instrumentos de guerra e de trabalho (as
tecnologias do passado, que não são fruto da matemática ou da ciência materialista,
mas da criatividade e das necesidades humanas). Os monges Tomás de Aquino
(1225-1274) e Roger Bacon (1220-1292), em plena Idade Média, já defendiam e
utilizavam o racionalismo (dedução) e a experimentação (indução). Todavia, o
século XVI pode ser visto como o século que viu a formulação sistemática do
método racionalista, com Descartes (1596-1650), e do método empírico, com
Francis Bacon (1561-1626), fundamentos da ciência experimentalista em sua
forma atual. Com a sistematização do método experimental empírico, a
humanidade entrou na terceira etapa de seu desenvolvimento psíquico: a etapa
científica. A ciência se baseia na razão (dedução lógica) e na experimentação
(comprovação empírica), mas não despreza os insights criativos da intuição nem da
imaginação, o que Einstein chamava de imaginação criadora. Assim, as
explicações científicas da atualidade são explicações racionais, lógicas e
experimentalmente demonstradas (não obstante, como o homem é um ser decaído e
imperfeito, a ciência também se engana, e muito).
Concluindo, e relacionando estes estudos com o modo como o Cristo
reaparecerá nos dias atuais, podemos dizer que a crença da vinda do Cristo sobre as
nuvens é uma explicação de nível mítico-poética característica e ajustada ao nível
da mentalidade do povo judeu da época, um povo de mentalidade agro-pastoril que,
muitas vezes, aborreceu o próprio Jesus, obrigando-o a falar-lhes em termos
figurados e obscuros por meio de comparações e parábolas. Um exemplo desse
artifício divino está na explicação da criação do universo em seis dias, entendidos
como períodos de 24 horas. A ciência descobriu que os seis “dias” bíblicos
correspondem perfeitamente às seis eras geológicas.
O homem atual está disposto a crer e a agir de acordo com uma crença;
desde que lhe expliquem lógica e racionalmente, e lhe demonstrem com fatos, as
razões pelas quais deve crer e agir desse ou daquele modo. Infelizmente, porém, as
teorias religiosas que estão sendo difundidas em nosso tempo são explicações
antigas; o pensamento afro-indiano tem mais de 5.000 anos de idade (portanto, é
quase inteiramente mítico), o pensamento judaico/islâmico (originados dos dois
filhos de Abraão: Isaque e Ismael) tem cerca de 3.600 anos de idade, e o
pensamento cristão tem 2.000 anos de idade (o catolicismo, baseado mais na razão,
e o protestantismo, baseado mais na fé). Ambos, porém, estão defasados em
relação ao nível de mentalidade científico do homem atual. Assim, em pleno século
XXI — na idade da informática, da comunicação via satélite, dos ônibus espaciais,
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da medicina biônica e genética; na idade pós-moderna — pós-comunista, pósindustrial e pós-democrata —, bilhões de seres humanos em todos os continentes
ainda acreditam em um deus de pele azul e com quatro braços (Krishna), que
nascerão muitas vezes em corpos diferentes de animais ou humanos na Terra
(reencarnação), que existem milhares de deuses (politeísmo afro-indiano), que, se
praticarem a Jihad (a guerra santa e o suicídio), irão morar no céu com Alah, onde
se sentarão sobre almofadas confortáveis e terão muitas virgens à sua disposição
(islamismo), que as estrelas cairão na Terra, que o céu será enrrolado como um rolo
de pergaminho, que serão arrebatados para o espaço (sem passar pela experiência
da morte física), que a Terra será incinerada pelo fogo do céu e que o Cristo
aparecerá sobre as nuvens da atmosfera terrestre e toda a humanidade o verá
simultaneamente (cristianismo), que existem fadas, bruxas, duendes, gnomos, seres
elementais, seres extraterrestres, naves extraterrestres, varinhas mágicas, vassouras
voadoras, que a biodiversidade terrestre veio do espaço sideral (esoterismo), que a
ordem matemática e a beleza do universo nasceram de um um ponto
imaginário/singularidade, mas hiperdenso que explodiu devido a uma imaginária
força antigravitacional (hipótese do Big Bang), que a perfeição biológica dos seres
vivos terrestres resultou de uma suposta auto-evolução casual, que a mente criativa
e a consciência moral do homem tem origem material (cientificismo materialista),
que o universo não tem um criador inteligente e sensível (é um efeito sem causa),
que a ordem social e o progresso econômico nascem da violência (marxismo) e que
o voto popular (a opinião das massas populares desinformadas) é a solução para
todos os problemas políticos, econômicos e sociais (democracia).
Decididamente, estas crenças ingênuas dos religiosos (mas cheias de fé e
boa intenção) e equivocadas dos cientistas materialista (frutos da arrogância e da
prepotência humana) são vestígios da mentalidade mítica da antiguidade ainda em
pleno vigor no século XXI. As crenças míticas “científicas” procedem da
ignorância espiritual e do mero ateísmo. As crenças mítico-mágicas afro-indianas
procedem da ignorância e da crença em fantasias místicas do passado (textos de
magia politeísta). Já as crenças mítico-religiosas do judaísmo e do cristianismo
procedem da interpretação literal da Bíblia, um texto com 3.600 anos de idade (ou
2.000 anos, no caso do Novo Testamento), revelado por Deus através dos profetas
judeus e de Jesus para homens de mentalidade agro-pastoril da antiguidade. A
Bíblia contém a verdade do Deus-Pai da Bíblia, mas a verdade revelada em termos
mítico-poéticos, ajustada ao nível da mentalidade da época em que foi revelada.
Hoje, a Bíblia precisa ser interpretado com base em todo o conhecimento revelado
por Deus aos religiosos, aos filósofos e aos cientistas de fé ao longo de toda a era
cristã.
d) A mentalidade mítica e a desmitologização do cristianismo —
Anteriormente, afirmamos que a esfera cultural afro-indiana se fundamenta na
fantasia (“explicações” mítico-mágicas imaginárias: politeísmo com deuses azuis,
deuses com cabeça de elefante, gnomos, duendes, bruxas, magos, reinos de
fantasia, etc). Do outro lado, dissemos que a esfera cultural judaico-cristã se
fundamenta na realidade, explicações fundamentadas na realidade dos fatos
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históricos: a Queda do homem ocorreu, Lúcifer é o verdadeiro inimigo de Deus e
da humanidade, o mal e o pecado — ação antinatural — existem e o homem
precisa de salvação e de um salvador. Por isso, o Cristo apareceu na Terra no
passado e reaparecerá em nossos dias, etc.
Outrossim, convém observar ainda que muitas das crenças cristãs atuais
têm origem na mitologia grega e foram introduzidas no cristianismo pela influência
dos imperadores romanos convertidos ao cristianismo, e que o controlavam na
época. Como se sabe, os líderes políticos sempre usaram o poder da religião como
suporte de seus governos no passado e no presente. São notórios os exemplos dos
faraós egípcios e dos imperadores romanos pré-cristãos (que se declararam deuses)
e o exemplo do rei Henrique VIII, que expulsou a Igreja Católica da Inglaterra e
fundou a igreja anglicana apenas por que queria se divorciar e casar novamente.
Estudemos alguns exemplos de crenças da mitologia grega introduzidos no
cristianismo: a) Zeus, o deus dos deuses; b) o Monte Olimpo; c) Os domínios do
deus Vulcano; d) O Mito de Perseu; e) Os sátiros; e f) Os titãs.
Zeus, o deus dos deuses — O Deus-Pai da Bíblia é um ser invisível e
onipresente em Sua criação (como Sua imagem simbólica) e no homem, como Sua
imagem e semelhança direta:
“Desde a criação do universo as perfeições invisíveis de Deus se tornaram
visíveis por meio das coisas criadas...”. (Rm 1.20).
“N’Ele nos movemos, n’Ele vivemos e n’Ele existimos”. (At 17.28).
Assim, a imagem do Deus bíblico como um ser dotado de um corpo físico
com aparência humana corresponde à imagem de Zeus, o deus dos deuses da
mitologia grega, um deus vingativo e imoral que amaldiçoava seus inimigos, fazia
sexo com muitas mulheres, traindo sua esposa Hera, e passava a vida perseguindo
as nereidas (jovens virgens nuas) pelos bosques da antiga Grécia. Zeus, o velhinho
de barbas brancas pintado por Michelângelo no teto da Capela Sixtina, nada tem a
ver, portanto, com o Deus-Pai justo, amoroso e bondoso da Bíblia, que sofre com a
dor de Seus filhos e trabalha sem descanso para salvá-los da influência de Lúcifer.
O Monte Olimpo, a morada de Zeus — Na mitologia grega o Monte
Olimpo é a morada dos deuses sob o comando de Zeus. Fica situado no cume do
monte Olimpo, uma montanha existente na Grécia, cujo pico ficava sempre envolto
em nuvens. Ali, Zeus, os deuses, os imortais (seres humanos que se imortalizaram)
e os titãs (espécie de anjos, nem homens nem deuses) viviam se banqueteando e
entregues aos prazeres do sexo, da vingança e das tramóias políticas afim de se
conservarem no poder. A imagem que os cristãos atuais têm do céu — uma espécie
de cidade de ouro com 12 portas, situada acima das nuvens da atmosfera terrestre
—, corresponde à imagem do Monte Olimpo da mitologia grega. Na verdade, o céu
a que a Bíblia se refere não é uma cidade, um espaço limitado, pois o mundo
espiritual é um ambiente não-dimensional infinito, onde os conceitos terrestres de
tempo e espaço não se aplicam. O céu bíblico é uma referência ao nível do mundo
espiritual de mais alto nível no qual Deus reside (um ambiente de paz, bem, pureza
e santidade). Além disso, o mundo espiritual está como que “dividido” em doze
níveis — do céu ao inferno —, dos quais a Bíblia faz referência a apenas três:
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mundo dos espíritos de forma (ambiente dos espíritos de forma; azulados), Paraíso
(mundo dos espíritos de luz; prateados: Mt 17.3) e Céu (mundo dos espíritos
divinos; dourados): “Conheço um homem em Cristo que foi arrebatado até o
terceiro céu. Se foi no corpo não sei; se fora do corpo também não sei. Deus o
sabe”. (II Coríntios 12.2).
Segundo o poeta-místico italiano Dante Alighiere, autor do livro A Divina
Comédia (que não é um simples poema imaginário, mas o registro de suas
experiências no mundo espiritual), segundo o místico alemão Emmanuel
Swendenborg (que registrou em vários livros suas experiências com o mundo
espiritual, especialmente no livro Céu e Inferno) e segundo alguns espiritualistas
atuais, com os quais concordam os cristãos unificacionistas, abaixo destes três
níveis estão outros ambientes determinados pelo nível espiritual das pessoas que ali
habitam. À medida em que o nível espiritual decresce, também diminui a
luminosidade do espírito e a claridade do ambiente, até chegar ao mais profundo
inferno, onde as pessoas espirituais e o ambiente são totalmente escuros. Assim,
Deus não julga nem condena ninguém ao inferno, mas é o próprio indivíduo quem
determina seu lugar no mundo espiritual com base em suas ações na Terra.
Originalmente, Deus jamais imaginou tal coisa como os infernos, como também
jamais imaginou que a Queda do homem pudesse acontecer, originando o inferno.
A vontade original de Deus, e a Sua vontade na Providência da Restauração — que
será totalmente realizada: Is 46.11; Apoc —, era/é que todos os seres humanos,
Seus filhos, vivessem com Ele em um ambiente celeste totalmente santo, puro e
luminoso (Ez 33.14-15; IIPe 3.9). É por isso que as religiões vieram a existir: para
destruir o inferno completamente e construir o céu na Terra e no mundo espiritual
para toda a eternidade.
Dessa forma, o conceito que o cristianismo tradicional cultiva sobre o céu
— um ambiente limitado semelhante a uma cidade onde Deus, um velhinho de
barbas brancas, está sentado em um trono de ouro, de onde determina o andamento
de todas as coisas na Terra — corresponde, na verdade, ao conceito de Zeus e do
Monte Olimpo da mitologia grega.
Os domínios do deus Vulcano — Na mitologia grega os domínios de
Vulcano são as regiões subterrâneas da Grécia antiga, nas quais há calor e fogo por
todo lado. No orfismo, uma “religião” nativa da Grécia, cujas idéias se assemelham
muito às idéias do cristianismo, quando as pessoas desagradam aos deuses perde o
direito à imortalidade e ao convívio com os deuses do Olimpo e é enviada para os
domínios de Vulcano, onde arderá em chamas eternas. Sem dúvida, o conceito do
inferno cristão corresponde aos domínios de Vulcano. O catolicismo afirma a
existência do purgatório (uma ante-sala do Paraíso) e do fogo eterno; os
evangélicos, afirmam a existência do lago de fogo eterno. Em ambos os lugares as
pessoas espirituais arderão nas chamas eternas, embora a idéia de que fogo possa
queimar espíritos seja meio absurda. Ambas as idéias me parecem referir-se ao
mesmo ambiente: o inferno de fogo. Uma idéia que me parece ter vindo inteira da
mitologia grega. Um estudo comparativo entre o orfismo e o cristianismo seria
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muito interessante, pois poderia revelar muitas outras idéias gregas introduzidas no
cristianismo.
Os sátiros — Os sátiros, na mitologia grega, são classificados como
semideuses; são seres híbridos, com corpo humano, pernas de bode, orelhas
alongadas e pontiagudas, chifres e cauda. Os sátiros são criaturas más e devassas
que vivem envolvidos em orgias, farras e bebedeiras, cuja diversão predileta é
perseguir as nereidas nuas pelos bosques da Grécia. A imagem mítica dos sátiros
veio inteira da mitologia grega para o cristianismo onde foi identificada com o
diabo, ou o satanás. É muito comum ver o diabo retratado como um bode com
rosto humano nas pinturas católicas antigas e medievais. Durante os últimos dois
milênios, o arcanjo Lúcifer se escondeu por trás dessa imagem mitológica, fazendo
com que bilhões de seres humanos negassem sua existência. Certa ocasião o Papa
João Paulo II escreveu que a maior astúcia de satanás era negar sua própria
existência. A figura mítica dos sátiros gregos foi um excelente artifício para esse
propósito, comotambém o foram os muitos deuses do politeísmo.
Os titãs — São seres da mitologia grega semelhantes aos anjos
(intermediários entre Deus e homem), mas anjos decaídos, pois são anarquistas e
vingativos. Os titãs são semideuses, nem homens nem deuses, que foram
destronados do Olimpo e, convertidos em servos, vivem arquitetando planos para
derrubar Zeus. O mais famoso dos titãs é Prometeu (um dos milhares de
pseudônimos adotado por Lúcifer na literatura). Certa ocasião, Prometeu comeu
toda a carne de um banquete, deixando apenas os ossos para Zeus. Pandora, a irmã
de Prometeu, abriu a sua “caixa” e deixou sair todos os males do mundo. Prometeu
foi o titã que roubo o fogo proibido de Zeus e o deu aos homens, libertando-os do
domínio de Zeus. Por isso, passou a ser visto como o criador do homem. Irado,
Zeus mandou acorrentá-lo a um rochedo e ordenou que uma águia viesse comer
seus rins à noite, os quais voltavam a crescer durante o dia seguinte, e assim
sucessivamente pela eternidade. Desse modo, Prometeu aparece como vítima do
cruel Zeus. Exatamente como os ateus pensam acerca do Deus-Pai da Bíblia.
A analogia é claríssima. A história de Prometeu é uma cópia da história do
arcanjo Lúcifer, que roubou o fruto proibido de Deus (o amor) e o deu para os
homens, iniciando a rebelião humana contra Deus e toda a tragédia humana até os
dias atuais. Com a identificação dos titãs com os anjos, fica demonstrada, mais uma
vez, a presença de idéias, personagens e conceitos oriundos da mitologia grega
dentro do cristianismo.32
32
Historiagrafia hebraica e mitologia grega — Em meu trabalho A Natureza Mística do Marxismo
(editora Il Rung, l986), realizei um estudo em paralelo da historiagrafia hebraica e da mitologia grega,
demonstrando que são cosmovisões paralelas, mas de índole moral opostas. Assim como a religião
judaico-cristã é a religião central da história das religiões, também a mitologia grega é a mitologia
central e mais influente da história da mitologia universal. A mitologia grega é a “bíblia” inspirada
por Lúcifer para inspirar, “educar” e formar a cultura helênico-pagã, através da qual ele pretendeu
influenciar o pensamento e o comportamento da humanidade e dominar o mundo. O que, não fosse o
cristianismo, teria conseguido totalmente. É por isso que, ao lado da Bíblia e do cristianismo, a
mitologia grega e a cultura helênico-pagã têm exercido a mais poderosa influência cultural no mundo
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O Mito de Perseu, o filho de Zeus — Perseu é um herói da mitologia
grega, filho de Zeus. Segundo o mito, Perseu foi gerado por Zeus, que se
transformou em um pó de ouro e fecundou uma nereida enquanto esta dormia.
Assim, Perseu não tinha um pai visível, mas nasceu pelo poder milagroso de Zeus,
seu pai.
Como se sabe, o nascimento de Jesus foi muito mal visto pela sociedade
judaica moralmente conservadora de sua época. Maria era uma jovem virgem que
estava prometida a José. De repente, depois de uma viagem para visitar sua prima
Isabel, esposa do sumo sacerdote Zacarias, retonou grávida, e antes de se casar ou
coabitar com José. Para José, para seus parentes e para todos os seus vizinhos ela
havia traído José. Isto fazia de Jesus um filho bastardo. O próprio José a repudiou
inicialmente. Porém, recebeu uma revelação de Deus para que aceitasse Maria e o
seu filho. Foi obediente e salvou a vida de Maria e de Jesus, pois segundo a lei
judaica da época a mulher que traísse o esposo seria apedrejada até a morte.
Para complicar ainda mais as coisas, Jesus nasceu em Belém, mas foi
criado em Nazaré, uma aldeia de pescadores, bebedores de vinho e baixa reputação
moral, como está registrado na Bíblia:
“Felipe encontrou Natanael e disse-lhe: Achamos aquele de quem Moisés
escreveu na Lei, e a quem se referiram os profetas: Jesus de Nazaré, filho de José.
Perguntou-lhe então Natanael: Pode sair alguma coisa boa de Nazaré?”. (João
1.45-46).
Quando Jesus começou sua missão pública, dizendo-se o Cristo que desceu
do céu, seu nascimento suspeito, que era de conhecimento público, gerou a
descrença entre os judeus, como a Bíblia registrou:
“Disseram-lhe pois: Nós não nascemos da prostituição. Temos um pai, que
é Deus”. (João 8.41).
Desse modo, acreditar em Jesus era uma tarefa difícil, de forma que,
segundo o próprio Jesus, somente Deus poderia levar alguém a ter fé nele. Alguns
historiadores da sociedade judaica antiga dizem que os líderes do judaísmo da
época de Jesus, a fim de escaparem da ira e da revolta dos milhares de judeus que
acreditavam em Jesus, escreveram e divulgaram um livreto difamatório sobre o
nascimento suspeito de Jesus.
desde a antiguidade, gerando movimentos místicos, filosofias, pinturas, sinfonias, poesias, livros,
esculturas, festas (o carnaval, por exemplo), filmes, etc, etc. Somente a Bíblia e o cristianismo
exerceram influência cultural semelhante. Como a mitologia grega foi forjada com base na Bíblia,
coisas, eventos e personagens bíblicos reaparecem na mitologia grega com nomes diferentes. Por
exemplos: Sansão = Hércules; Deucalião = Noé; Lúcifer = Prometeu; fogo proibido = fruto proibido;
Zeus = Deus; Vulcano = diabo; domínio de Vulcano = inferno; titãs = anjos; Eva = Pandora; caixa de
Pandora = amor de Eva, e assim por diante, muitos outros eventos e personagens paralelos poderão
ser identificados na historiagrafia hebraica e na mitologia grega, fato que fortalece a minha tese de
que a mitologia grega é a mitologia universal central e foi inspirada por Lúcifer com base na Bíblia.
Todavia, a moral dos personagens foi invertida. Essa é também a razão pela qual vários pensadores
ateus e materialistas, tais como Marx e Freud, se inspiraram nos personagens e eventos da mitologia
grega.
299
Depois que o imperador romano Constantino se converteu e oficializou o
cristianismo como religião oficial do Império Romano, havia entre os cidadãos
romanos uma forte aversão pelo cristianismo, resquício dos 400 anos em que o
cristianismo fora perseguido por dez imperadores contíguos no Império Romano.
Quando Jesus estava vivo os líderes do judaísmo o acusaram de ser um
discípulo de Belzebu, o chefe dos demônios (João 1.33). Depois de sua morte, seus
apóstolos e seus seguidores foram perseguidos, presos e mortos, e o movimento
cristão foi considerado uma seita satânica que atentava contra a fé judaica (Mateus
5.17), a família (Mateus 10.37; Lucas 8.2-3) e a ordem social estabelecida (Mateus
10.34-36; Mateus 5.17). A Bíblia registrou o modo como o movimento cristão
primitivo era visto na sociedade judaica e, por extensão, também na sociedade
romana, por ocasião da prisão do apóstolo Pedro:
“Encontramos este homem; uma peste. Um indivíduo que fomenta
discórdia. É um dos líderes da seita dos nazarenos”.
O cristianismo dos primeiros tempos era visto como uma seita satânica.
Seu líder fora considerado um mentiroso anarquista, anti-religioso e antifamiliar,
preso e crucificado junto com outros criminosos, e seus seguidores tinham o
costume assustador de se reunirem à noite nas catacumbas romanas para praticarem
um ritual macabro, no qual bebiam o sangue e comiam a carne de seu líder morto.
Devia ser mais ou menos assim que os romanos viam os cristãos. Portanto, nenhum
pai ou mãe de família gostaria de ver seus filhos envolvidos com uma seita destas.
O que os imperadores Constantino e Teodósio poderiam fazer para que os cidadãos
romanos aceitassem o cristianismo sem contestação? Fazer o que a umbanda está
fazendo no Brasil: identificando seus orixás africanos com osantuário católico:
Jesus com Oxalá, Maria com Iansâ, São Jorge com Ogum, etc. Foi assim,
provavelmente, que os imperadores romanos que dominavam o catolicismo
nascente identificaram alguns fatos, eventos e personagens da mitologia grecoromana com fatos, eventos e personagens do cristianismo. Assim, Zeus foi
identificado com Deus, o Monte Olimpo com o céu, os sátiros com o diabo, os titãs
com os anjos, os domínios de Vulcano com o inferno, etc.
Jesus e Perseu: personagens sem pais visíveis — O maior problema era
fazer os cidadãos romanos aceitarem Jesus, uma vez que ele era o fundador da
religião cristã, e era considerado um filho bastardo e fruto da fornicação, pois
ninguém conheceu seu pai. A saída, provavelmente, foi identificar Jesus com
Perseu, o herói grego que não teve um pai visível, e era perfeitamente aceito pelos
cidadãos romanos. Pronto. Estava resolvida a questão. O passo seguinte foi
absorver as festas pagãs, identificando suas datas com as festividades cristãs.
Assim, o natal, o nascimento de Jesus que aconteceu no dia 3 de janeiro, passou a
ser comemorado no dia 25 de dezembro, data em que se comemorava a festa da
colheita do solstício de inverno. E assim ocorreu com outras festas e outras datas.
Até mesmo as idéias filosóficas helênicas de Sócrates e Platão foram incorporadas
ao cristianismo por Santo Agostinho, enquanto as idéias de Aristóteles foram
incorporadas por Tomás de Aquino, entre outros. O tempo se encarregou de
completar o processo de absorção da cultura pagã pelo cristianismo. Hoje, a fusão
300
está concluída. Todavia, ao invés de ajudar a humanidade a identificar e a aceitar o
novo Cristo, essa fusão esdrúxula, necessária no passado, poderá prejudicar
enormemente no presente. Por isso, a desmitologização do cristianismo é uma
necessidade urgente dos nossos dias. E por isso também considerei necessário
abordar o problema aqui, ainda que suscintamente.
Não há qualquer perfeição ou justiça na ignorância. A ignorância foi uma
das armas utilizadas por Lúcifer para jogar o povo judeu contra Jesus, levando-o à
morte prematura e injusta, como foi registrado na Bíblia:
“Nenhum dos príncipes deste mundo conheceu esta verdade, pois se a
tivessem conhecido nunca teriam crucificado o Senhor da Glória”. (ICo 2.8).
“Homens de dura cerviz e de corações e ouvidos impuros! Vós sempre
resistis ao Espírito Santo. Como procederam os vossos antepassados, assim
procedeis vós também... Eles mataram os que prediziam a vinda do justo, do qual
vós agora tendes sido traidores e assassinos”. (At 7.51-53).
Hoje, as pessoas religiosas devem aprender com os erros dos religiosos do
passado, especialmente dos líderes do judaísmo do tempo de Jesus. Hoje, as
pessoas religiosas devem pesquisar e pensar profundamente sobre a natureza da
missão do Cristo. Não devem agir precipitamente movidos pela mera fé ou
emoção, pois foi precisamente a fé cega do judaísmo no Torá e a defesa cega das
tradições judaicas que levou Jesus à morte, provocando a necesidade da segunda
vinda do Cristo.
As razões por que a trágica rejeição de Jesus ocorreu são muitas, amplas e
profundas. E não são objeto de estudo deste livro. O que nos interessa destacar aqui
é o fato de que o Velho Testamento e o Novo Testamento registraram dois tipos de
profecias quanto ao modo como o Cristo reaparecerá: sobre as nuvens da atmosfera
terrestre ou por seu nascimento na Terra. Este livro é um estudo sério, baseado na
Bíblia, nas profecias da humanidade e na história, que também alerta o homem
atual para o fato de que, para que haja a redenção total, o novo Cristo precisa
nascer na Terra. De outro lado, chama a atenção para a profecia de Jesus sobre a
possibilidade de, assim como o povo judeu, o povo cristão também falhar e perder
a posição de nação eleita, depois de tropeçar em um Cristo nascido como um
homem, vivendo, pregando e agindo físicamente na Terra:
“Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor! Não profetizamos nós em
vosso nome? E em teu nome não expulsamos demônios? E em teu nome não
fizemos muitas maravilhas? E então lhes direi: apartai-vos de mim vós que
praticais a iniqüidade”. (Mt 7.22-23).
Noutro trecho, a Bíblia registrou que o novo Cristo não encontrará fé na
Terra e será rejeitado e perseguido por sua geração; acrescentando que “Muitos
desejarão ver um dos dias do filho do homem na Terra e não verão”. Ou seja: O
Cristo nascerá, ensinará, trabalhará, vencerá, será coroado rei e irá para o mundo
espiritual, enquanto os cristãos permaneceram olhando para as nuvens da atmosfera
terrestre à espera de Jesus, o primeiro Cristo e II Adão, para arrebatá-los para o
espaço e levá-los para morar no céu.
301
Na história conhecida da humanidade o Cristo apareceu na Terra uma
única vez. E nasceu como um homem, viveu como um homem e morreu como um
homem. O próprio Jesus referiu-se a si próprio muitas vezes como “o filho do
homem” (ser humano), como que indicando para a posteridade que o Cristo é um
ser humano; mas um ser humano original, um novo Adão sem a mácula do pecado
original. Por isso é chamado de filho unigênito (filho único).
e) Decodificando a palavra bíblica “nuvem” — Para finalizar este tópico
importa ainda decodificar a palavra nuvem a fim de dissipar alguma dúvida quanto
à segunda vindo do Cristo através de seu nascimento na Terra. Como já dissemos a
Bíblia se auto-esclarece-se a si mesma. E ela própria nos fornece o significado
simbólico da palavra nuvem:
“E disse-me: as águas que vistes, sobre as quais se assenta a prostituta,
são povos, nações, línguas e reis”. (Apoc 17.15).
Em muitos trechos a Bíblia utiliza as palavras água e mar como símbolos
do mundo decaído (da humanidade decaída). Elias dividiu o rio Jordão com a sua
vara e Moisés dividiu o mar vermelho com o seu bastão. Vara e bastão simbolizam
a palavra de Deus (o verbo encarnado), com a qual o novo Cristo-rei separará os
cabritos das ovelhas, derrotará e julgará satanás e o mundo mau. Assim, a palavra
água é o símbolo da humanidade decaída: homens impuros. Sabemos que quando a
água evapora se purifica, transformando-se em nuvens de águas puras. Portanto, se
águas = homens impuros, nuvens = homens purificados. Geralmente, quando as
pessoas pensam em céu visualizam um lugar elevado e branco, o qual simboliza
alto nível espiritual, pureza, higiene, saúde e paz, etc.
Noutro trecho a Bíblia registra: “Portanto, nós também, cercados como
estamos de tal nuvem de testemunhas...”. (Hb 12.1).
Aqui a Bíblia utiliza a palavra nuvem no sentido de multidão. Um sentido,
aliás, bastante comum entre todos os povos que se referem a nuvens de gafanhotos,
nuvens de poeira, etc. É por isso que a Bíblia profetizou: “Eis que é vindo o Senhor
entre milhares de seus santos para fazer justiça contra todos e para convencer o
ímpio de seus pecados...”. (Judas 14 e 15).
De posse destes dois significados simbólicos bíblicos da palavra nuvem
(homens purificados e multidão) podemos entender o que a Bíblia quis dizer ao
registrar que o Cristo virá com as nuvens do céu e sobre as nuvens do céu. Ele virá
com as nuvens do céu (com milhares de seus santos) e sobre as nuvens do céu (a
bordo de um avião). 33 Além disso, é preciso notar que Jesus sabia que o novo
Cristo não voltaria imediatamente, pois havia a necessidade de indenizar o tempo
histórico perdido de 2.000 anos. Assim, ele disse que viria com e sobre as nuvens a
33
Literalmente sobre as nuvens do céu — Por outro lado, podemos dizer que a profecia de que o
novo Cristo-rei virá sobre as nuvens também poderá se cumprir literalmente, pois nos dias atuais é
possível viajar sobre as nuvens do céu — no interior de um avião. Como o novo Cristo-rei será um
homem, um grande líder espiritualista mundial, ele deverá percorrer o mundo inteiro voando sobre as
nuvens, como profetizou Nostradamus.
302
fim de evitar o oportunismo dos falsos cristos (que também já existiam em sua
época).
Até aqui já podemos perceber que o novo Cristo-rei reaparecerá rodeado de
“nuvens”, a multidão formada pelos santos dos últimos dias arrebatados da Terra
(mundo do mau) para o céu (mundo do bem). E aqui cabe lembrar o significado
simbólico e bíblico das palavras terra (= mundo mau) e céu (mundo do bem), as
quais foram estudadas no capítulo VII, página 234, onde se demonstrou que céu
(bem, verdade, santidade, mundo do bem de Deus) é o oposto de Terra e inferno
(mal, mentira, mundo do mau de satanás). Assim, “Terra” e inferno são sinônimos
(foi essa “Terra” simbólica que foi “destruída” no tempo de Noé, “queimada” no
tempo de Jesus e que será novamente “julgada” pela espada de dois gumes que
sairá da boca do novo Cristo = a palavra de Deus).
Por fim, resta ainda citar o fato de que os cristãos foram orientados a não
ficarem olhando para o céu à espera de Jesus:
“Os anjos disseram: varões galileus, por que estais olhando para o céu?
Esse Jesus, que dentre vós foi recebido em cima, no céu, há de vir assim como
para o céu o vistes ir”. (Atos 1.11).
Ora, se o Cristo fosse vir do céu físico os cristãos teriam sido orientados a
continuarem olhando para o céu. Jesus disse que Deus está no céu, mas Deus é
onipresente. Jesus disse que desceu do céu, mas nasceu na Terra. Estes textos
demonstram que o céu a que a Bíblia se refere não é o espaço físico, mas um estado
de santidade, verdade, paz e bem. Descer do céu é uma expressão simbólica que
significa descer do alto, vir de Deus. Este é o céu do qual Jesus desceu. E este é
também o céu do qual o novo Cristo descerá novamente. Todavia, com a
tecnologia atual o Cristo e os seus santos poderão efetivamente vir sobre as nuvens
do céu a bordo de um avião.
E mais, a Bíblia diz que todas as pessoas da Terra verão o novo Cristo
simultaneamente.
“Ei-lo que vem com as nuvens e todo olho o verá, até mesmo os que o
transpassaram, e todas as tribos da Terra se lamentarão”. (Apoc 1.7).
Ora, como esta profecia poderia se cumprir se o Cristo viesse sobre as
nuvens em um ponto específico da atmosfera terrestre? Mesmo que o Cristo viesse
das nuvens, a esfericidade da Terra impediria que todos o vissem simultaneamente.
Assim, somente por meio de uma transmissão de TV via satélite toda a humanidade
poderá ver o Cristo simultaneamente. Para isso, Deus inspirou a tecnologia das
comunicações atuais.
1.2. Evidências lógicas e bíblicas de que o Cristo nascerá na Terra
Jesus foi o primeiro Cristo enviado por Deus à Terra para salvar a humanidade e o
próprio planeta. Se Deus não amasse e não necesitasse da humanidade não a teria
criado nem inspirado as religiões e enviado tantos profetas para preparar o caminho
do Cristo, o novo Adão, que recomeçaria tudo de novo a partir de uma nova família
divina. Por que Deus, sendo onipotente e todo-poderoso, não destruiu
303
simplesmente o planeta e o homem e reconstruiu um novo planeta e um novo
homem? A resposta é simples: porque o universo é o corpo substancial de Deus.
Segundo as duas tradições místicas históricas, a judaico-cristã (tipo Abel) e a afroindiana (tipo Caim), Deus se tornou visível através do universo físico. A natureza
(criada para o homem) é a imagem simbólica de Deus, e o homem é a imagem
direta de Deus. Por isso, todo o universo é dual (positivo-negativo, internoexterno). É através do homem que Deus usufrui de sua criação. Deus é um Pai de
amor verdadeiro que faz da alegria de Seu filho a Sua própria alegria. Se Deus ama
o universo e este é o Seu corpo substancial (visível e finito), e se Deus criou o
homem como um ser espiritual eterno e ama a Sua criação, Deus não pode destruílos, pois isto seria uma espécie de teocídio impossível de acontecer, uma vez que
Deus e o homem são eternos. Assim, a única alternativa de Deus é a restauração da
ordem universal (derrubar Lúcifer e elevar Adão para a posição de comando no
planeta e no universo). Em termos mais religiosos: salvar o mundo.
a) Jesus veio à Terra como um homem original para restaurar a falha de
Adão — Como registrou a Bíblia:
“Porque, assim pela desobediência de um só homem, todos foram
constituídos pecadores, também pela obediência de um só homem — Jesus —
muitos tornar-se-ão justos”. (Rm 5.19).
“Assim também está escrito: o primeiro homem, Adão, foi feito em alma
vivente; o último Adão (Jesus), em espírito vivificante”. (I Co 15.45).
O Cristo vem à terra para realizar o que o I Adão não conseguiu:
estabelecer a família divina como raiz para povoar a Terra. Como o Cristo fará isto
sem possuir um corpo físico na Terra?
b) O homem deve alcançar a perfeição, realizando a finalidade da
Criação de Deus na Terra — Por que Deus criou o homem? Qual a finalidade da
existência humana? A Bíblia registrou a finalidade da Criação de Deus e a
finalidade da vida humana nos seguintes termos:
“E Deus os abençoou e lhes disse: crescei, multiplicai-vos e dominai a
Terra; e dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre todos os
animais que se movem sobre a Terra”. (Gn 1.28).
Deus criou o universo e o homem em busca de um objeto de amor com o
qual Ele pudesse se relacionar a fim de gerar alegria. Sem uma relação dual (com
um ser humano, um animal ou um objeto) não existe alegria. Como a alegria de
Deus provém da alegria do homem, Deus estabeleceu o caminho através do qual o
homem pode ser plenamente feliz: as 3 grandes bênçãos: Crescei (educação),
multiplicai (família) e subjugai a natureza (prosperidade). Estas 3 grandes bênçãos
correspondem aos 3 desejos básicos da humanidade — educação, família e
prosperidade — no tempo e no espaço. Satisfazer estes 3 desejos é tudo o que o
homem busca e deseja. E isto está inscrito em sua própria natureza. A Bíblia
(demonstrando a sua cientificidade; sua fundamentação na realidade) apenas
registrou o fato. Como o Cristo, que é um novo Adão, poderá realizar as 3 grandes
bênçãos de Deus na Terra (a finalidade da criação) se não possuir um corpo físico?
304
c) A perfeição do homem somente pode ser alcançada na Terra — Tudo
no universo nasce imaturo, imperfeito, e desenvolve-se até a maturidade ou
perfeição. O homem também. Contudo, diferentemente dos vegetais e animais, o
homem é um ser bicorpóreo, possui um corpo espiritual e um corpo físico. A
maturidade e perfeição de seu corpo físico é atingida automaticamente pelas forças
da natureza, mas a perfeição de seu ser espiritual — mente e corpo espirituais —
depende de Deus (amor, verdade, beleza e bondade) e dele próprio. O homem foi
criado para ser a imagem e a semelhança de Deus e para ser o senhor e regente do
universo inteiro. Por isso, herdou a criatividade, a liberdade e a responsabilidade de
Deus. Assim, o próprio homem teria que se qualificar para ocupar tal posição.
Cumprindo sua parcela de responsabilidade em seu próprio aperfeiçoamento, o
homem se qualificaria para herdar e reger o universo. Foi assim com o I Adão. É
assim ainda hoje com todos os seres humanos. Um animal apenas come, dorme, faz
sexo e trabalha inconscientemente. Um ser humano, além de comer, dormir e fazer
sexo precisa de educação integral, interna (espiritual, moral e ética) e externa
(escolar, técnica, artística e esportiva). E o homem somente adquire essa educação
mediante seus esforços conscientes e pelo cumprimento de sua parcela de
responsabilidade, a qual define sua vitória ou o seu fracasso. Adão fracassou ao se
deixar dominar por seu desejo sexual por Eva (que o seduziu, exibindo
sensualmente seu corpo nu). O Cristo é um filho de homem; um ser humano, um
novo Adão que vem à Terra para restaurar o fracasso do I Adão. Assim, como
homem, o Cristo deve atingir a perfeição; como homem o Cristo também precisa se
qualificar para reger o universo.
d) O pecado de Adão aconteceu na Terra e deve ser restaurado na Terra
— O pecado de Adão aconteceu no Jardim do Éden (antiga Mesopotâmia, atual
Iraque, entre os rios Tigre e Eufrates, no Oriente Médio). Assim, o problema
começou na Terra, e a causa e a raiz do problema ainda estão na Terra. É por isso
que Deus inspira e envia profetas e religiões para atuarem e resolver o problema na
Terra. O Cristo é um novo Adão enviado à Terra com a missão de destruir o
inferno implantado por Lúcifer e para implantar o Reino de Deus na Terra. Como
ele fará isso se não nascer na Terra?
e) Os cristãos foram orientados a não ficarem olhando para o céu: “Os
anjos disseram: varões galileus, por que estais olhando para o céu? Esse Jesus,
que dentre vós foi recebido em cima, no céu, há de vir assim como para o céu o
vistes ir”. (Atos 1.11).
Jesus disse que Deus está no céu, mas Deus é invisível e onipresente. Disse
também que ele próprio desceu do céu, mas nasceu na Terra. Logo, dizer que Deus
está no céu significa que Deus existe no mais alto bem, o céu do qual Jesus desceu.
Logo, ele descerá novamente do mesmo lugar e do modo como “desceu” da
primeira vez: nascerá na Terra, vindo do altíssimo, diretamente de Deus.
f) O Cristo da segunda vinda será rejeitado pelos cristãos:
“Porque, como o relâmpago ilumina de uma extremidade à outra do céu,
assim também seráo Filho do homem no seu dia. Mas primeiro convém que ele
padeça muito e seja rejeitado por essa geração”. (Lc 17.24-25).
305
Jesus está falando sobre o futuro, sobre a segunda vinda do Cristo. Se o
novo Cristo viesse sobre as nuvens da atmosfera e todos os olhos o vissem, como
ele seria rejeitado e sofreria perseguição sob a geração que o recebeu? Assim, a
expressão “essa geração” é uma referência à geração atual, a geração que receberá
o novo Cristo.
g) O Reino de Deus não virá com aparências exteriores:
“Interrogado pelos fariseus sobre quando havia de vir o Reino de Deus,
Jesus respondeu: O Reino de Deus não virá com aparências exteriores. Nem
dirão: ei-lo aqui, ou ei-lo ali; pois o Reino de Deus está entre vós”. (Lc 17.20-21).
Ora, se o novo Cristo viesse sobre as nuvens da atmosfera terrestre, isto
não seria apenas uma aparência exterior, mas o maior espetáculo da história
humana, o qual, seguramente, mobilizaria toda a mídia internacional.
h) Muitos cristãos não acreditarão no Cristo que virá:
“Digo-vos que depressa lhes fará justiça. Quando, porém, vier o Filho do
homem porventura achará fé na Terra?”. (Lc 18.8).
Novamente, Jesus está falando sobre o futuro, sobre a segunda vinda do
Cristo. Se o novo Cristo viesse sobre as nuvens da atmosfera e todos os olhos o
vissem, todos os seres humanos creriam nele instantaneamente.
i) Muitos cristãos rejeitarão o Cristo, tentando salvar suas vidas:
“Aquele que procurar salvar sua vida, perde-la-á, e aquele que a perder,
salva-la-á. Digo-vos que naquela noite estarão dois numa cama; um será tomado e
outro será deixado; duas estarão juntas moendo; uma será tomada e outra será
deixada”. (Lc 17.33-35).
Baseados numa interpretaçao literal da Bíblia — a vinda sobre as nuvens
— e na força dos costumes, das tradições e das crenças tradicionais, muitos cristãos
que acreditam já possuir um trono no céu, rejeitará o novo Cristo na tentativa de
preservar a sua salvação. Todavia, agindo assim (com base na ignorância e no préjulgamento injusto), perderão as bênçãos prometidas por Deus.
j) Muitos cristãos perderão as bênçãos prometidas por Jesus:
“Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor! Não profetizamos nós em
teu nome? E em teu nome não expulsamos demônios? Em teu nome não fizemos
muitos milagres? E, então, lhes direi: Apartai-vos de mim; nunca vos conheci”.
(Mt 10.23).
Se o novo Cristo fosse o próprio Jesus e viesse sobre as nuvens da
atmosfera terrestre por que desconheceria e rejeitaria cristãos tão fiéis? A rejeição
ocorrerá porque muitos líderes cristãos, presos à velhice da letra (baseados na
interpretação literal da Bíblia e nas tradições e costumes do cristianismo
tradicional), não reconhecerão o novo Cristo, pois sua origem, seu nome e sua
imagem não combinarão com a tradição cristã preconcebida.
k) Todas as pessoas da Terra verão o Cristo simultaneamente:
“Ei-lo que vem com as nuvens e todo olho o verá, até mesmo os que o
transpassaram, e todas as tribos da Terra se lamentarão”. (Apoc 1.7).
Mesmo que o Cristo viesse sobre as nuvens da atmosfera terrestre a
esfericidade da Terra impediria que todos o vissem simultaneamente, a menos que
306
o Cristo se dividisse em infinitos clones espirituais e aparecesse simultânea e
esfericamente em todos os lugares da Terra, ou Deus fizesse o planeta executar um
giro esférico superveloz a fim de que todos os olhos o vissem. Neste caso, a
supervelocidade poderia impedir que todos os vissem, ou arremessar as pessoas
para fora da Terra. Assim sendo, somente por meio de uma transmissão simultânea
de TV via satélite toda a humanidade poderá ver e ouvir o Cristo simultaneamente.
Seguramente, isto deverá acontecer, segundo as profecias da humanidade, até o ano
2012 (ou 2014, no máximo).
Como vimos, a partir do estudo destes 11 tópicos, a idéia de que o novo
Cristo deve nascer na Terra fica ainda mais evidente.
Concluindo: quanto à pergunta: Como voltará o novo Cristo? Creio que, de
acordo com a Bíblia (Apoc 12.1-5), de acordo com as profecias da humanidade e
de acordo com as razões e as necesidades pelas quais a humanidade precisa de um
salvador fisicamente na Terra (a purificação da linhagem de sangue e o
estabelecimento da família divina pura, como raiz da nova humanidade), podemos
responder: pelo seu nascimento na Terra.
2. Quando reaparecerá o Cristo?
Apenas Deus sabe, ou Deus revelará ao mundo no tempo certo?
Jesus faou claramente que o Cristo voltará à Terra:
“O que dá testemunho destas coisas diz: Certamente eu venho em breve”.
(Apoc 22.20);
“Porque o Filho do homem virá na glória de Seu pai, com os seus anjos; e
então, dará a cada um segundo as suas obras”. (Mt 16.27).
Todavia, Jesus não deixou muito claro quanto à época em que o Cristo
voltaria. Muitas das palavras de Jesus sobre o tempo da segunda vinda foram
figuradas e obscuras e, hoje, chegam a confundir os cristãos, como podemos ver
nos seguintes trechos:
“Em verdade vos digo que não acabareis de percorrer as cidades de
Israel, sem que venha o Filho do homem”. (Mt 10.23).
“Alguns dos que aqui estão não provarão a morte até que vejam vir o
Filho do homem no seu Reino”. (Mt 16.28).
Nestes dois trechos Jesus parecia dizer aos primeiros cristãos que ele
voltaria ainda durante o tempo de suas vidas. Na verdade, ele se referia a Israel
como o novo povo eleito, os cristãos, e não mais aos judeus. Por isso, disse
também que o fim somente viria depois que o evangelho fosse pregado em toda a
terra habitada.
Quando o Cristo voltará? Segundo as profecias da humanidade, da Bíblia e
do Apocalipse e os fatos históricos atuais estudados neste livro ele já voltou, pois
todos os sinais profetizados para os últimos dias (a Parusia: a época do retorno do
Cristo) já aconteceram, inclusive a presença de muitos cristos fazendo milagres e
prodígios e enganando a muitos. Do mesmo modo, de acordo com os grandes
307
profetas cristãos da história, tais como São Malaquias, Nostradamus e Gerolamo
Tovazzo, entre outros, bem como de acordo com os grandes profetas não-cristãos
da humanidade, o tempo do reaparecimento do Cristo é a época atual. Além disso,
conforme demonstraram os cristãos unificacionistas em sua teoria Deusista da
história, na lei dos Paralelos Históricos, o período de 2000 anos (a era judaica) de
preparação para receber Jesus, perdido com a sua morte, foi indenizado pelo
período de 2000 anos (a era cristã) de preparação para receber o novo Cristo. Logo,
de acordo com os paralelos históricos (um argumento bíblico, histórico e
matemático) o novo Cristo nasceu na Terra entre 1917 e 1930. Todos os sinais
místicos e históricos apontam nosso tempo como o tempo do reaparecimento do
novo Cristo. Considerando a importância histórica do Cristo, este livro pode ser
visto como uma tentativa de auxiliar na identificação do verdadeiro Cristo entre os
muitos cristos existentes no mundo hoje.
a) Ninguém sabe nem jamais saberá? — O que dizem os cristãos
tradicionais, e o que diz a Bíblia quanto à época do reaparecimento do Cristo? Os
cristãos tradicionais, baseados na interpretação literal de alguns trechos bíblicos,
dizem que ninguém sabe quando o Cristo — Jesus, para eles — voltará à Terra,
descendo sobre as nuvens da atmosfera terrestre:
“Porém, daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos do céu, nem o
Filho (Jesus), mas unicamente O Pai”. (Mateus 24.36)
“Mas o Dia do Senhor virá como o ladrão de noite”. (II Pedro 3.10).
“Lembra-te, pois, do que tens recebido e ouvido e guarda-o, e arrependete. E, se não vigiares, virei sobre ti como um ladrão, e não saberás a que hora
virei sobre ti”. (Apoc 3.3).
b) Deus é justo e nos revelará — A crença cristã tradicional de que
ninguém sabe nem jamais saberá é contestada pelos fatos históricos contidos na
própria Bíblia, os quais demonstram que Deus sempre revelou seus planos aos seus
servos, os profetas, e aos homens de consciência, como está registrado em Amós
3.7:
“Certamente, o Senhor Deus não fará coisa alguma sem antes revelar Seus
segredos, aos Seus servos, os profetas”. (Amós 3.7).
“Mas, vós irmãos, já não estais em trevas, para que aquele dia vos
surpreenda como um ladrão. Porque todos vós sois filhos da luz e filhos do dia;
nós não somos da noite nem das trevas. Não durmamos como os demais, mais
vigiemos e sejamos sóbrios”. (ITess 4.5-6).
Assim, Deus sempre revelou Seus segredos através de Seus profetas aos
Seus escolhidos, os quais não serão surpreendidos, pois não vivem nas trevas. Deus
revelou o dilúvo a Noé e a destruição de Sodoma e Gomorra a Ló, os quais
comunicaram aos povos daquela época, que não lhes deram qualquer atenção. A
arqueologia bíblica e científica provou que uma inundação universal efetivamete
ocorreu em um período aproximado ao citado na Bíblia, e uma erupção vulcânica
semelhante à do Vesúvio, que destruiu Pompéia subitamente, pode ter se abatido
sobre Sodoma e Gomorra, soterrando-as completamente, tese defendida por
Werner Keller, em seu livro ...e a Bíblia tinha razão (Editora Melhoramentos).
308
c) Deus revelou o nascimento do primeiro Cristo a 8 grupos diferentes —
Com relação ao nascimento de Jesus, Deus revelou seu nascimento na Terra ao
profeta Miquéias (Mq 2.1) antes e depois de sua chegada. Quado Jesus nasceu
Deus revelou seu nascimento na Terra a nada menos do que a 8 grupos e pessoas
diferentes da época: Maria (Lc 1.30-33), Isabel (Lc 1.41-42), os reis magos (Mt
2.2), Semeão (Lc 2.25-32), Ana (Lc 2.38), José (Mt 1.20-21), os pastores (Lc 2.1011) e a João Batista (Lc 3.21-22).
E com relação ao nascimento do novo Cristo? Será que Deus não revelará
seu nascimento a ninguém? Ora, Deus é um ser de amor e justiça que ama toda a
Sua Criação e a todos os seres humanos como Seus filhos. A Bíblia é um registro
da aflição, do sofrimento e do perdão infinito de Deus para com os Seus filhos
(veja a parábola do filho pródigo). Deus é também um ser eterno e imutável.
Portanto, Seus sentimentos, Suas idéias e Suas ações são perfeitas e, por isso,
eternas. Se Deus avisou a tantas pessoas e grupos diferentes sobre o nascimento de
Jesus, por que não avisaria novamente hoje, se o Seu interesse é precisamente que
as pessoas da Terra hoje aceitem e apóiem o novo Cristo? Certamente, Deus
revelou novamente o nascimento do novo Cristo na Terra a muitos profetas do
passado e do presente, os quais foram fartamente estudados no capítulo 1 deste
livro, com um destaque especial para João (no Apocalipse), Nostradamus e
GerolamoTovazzo, todos profetas cristãos.
No capítulo 2, estudamos os sinais bíblicos da vinda do Cristo, os quais já
se cumpriram todos. Recordemos alguns deles: 1. O Espírito de Deus será
derramado sobre a Terra (Atos 2.17); 2. Sinais nos astros e declínio das virtudes
morais (Lucas 21.25-26); 3. Haverá guerras, fome, pestes e tragédias naturais
(Lucas 21. 9-10); 4. Coisas espantosas e grandes sinais no céu (Lucas 21.11); 5. A
ciência e o êxodo humano se multiplicarão (Daniel 12.4); 6. O Evangelho será
pregado em todo o mundo (Mateus 24.14); 7. A abominação invadirá o lugar santo
(Mateus 24.15); e 8. Surgirão muitos falsos cristos e falsos profetas realizando
milagres e prodígios e enganando a muitos (Mateus 24.3-5). Todos estes sinais já
aconteceram. Portanto, somos constrangidos a admitir que o tempo em que estamos
vivendo é mesmo o tempo da segunda vinda.
Desde l945, o Rev. Moon está anunciando o nascimento físico do novo
Cristo na Terra. Desde 1954, os cristãos unificacionistas estão anunciando na
Coréia do Sul e no Japão a presença do novo Cristo (oriundo do cristianismo, da
Igreja Presbiteriana) na Terra. A partir de 1975, os cristãos unificacionistas já
estavam anunciando a presença do novo Cristo na Terra em 120 países do mundo.
Hoje, estão anunciando em todas as nações do mundo. Simultaneamente, muitos
místicos afro-indianos começaram a aparecer no mundo, anunciando o nascimento
físico do novo Cristo. Infelizmente, porém, eles acabaram confundindo a si
mesmos com o novo Cristo, tornando-se falsos cristos e anticristos, uma vez que
passaram a negar toda a esfera cultural judaico-cristã.
Paralelamente, o Movimento Nova Era começou sua expansão
contemporânea em l945, a partir do livro O Reaparecimento do Cristo, da escritora
Alice Bailey, no qual a autora anuncia o reaparecimento do novo Cristo na Terra
309
como o avatar da Era de Aquário. Hoje, segundo algumas estimativas, existem
cerca de 130 candidatos a cristo sendo anunciados em todos os países do mundo.
Neste livro, estudamos os 26 mais expressivos (22 dos quais já estão mortos).
Como já dissemos anteriormente, mesmo os maus espíritos testemunharam
que Jesus era o Cristo prometido aos judeus. Hoje, o Movimento Nova Era, um
movimento tipo Caim mundial (composto por milhares de organizações místicas
mítico-mágicas) de inspiração afro-indiana, está anunciando ao mundo o
nascimento físico do novo Cristo, embora de uma forma um tanto confusa e
distorcida (o Cristo não é um novo Adão sem pecado, mas apenas um novo sábio).
O fato é que o Movimento Nova Era, mesmo se opondo à Bíblia e à tradição
judaico-cristã, está contribuindo para desatrelar a mentalidade judaico-cristã da
interpretação literal quanto à vinda do Cristo sobre as nuvens da atmosfera
terrestre, e levando o cristianismo a pensar na possibilidade do nascimento físico
do novo Cristo. Além disso, uma vez que difundem o ensino da não-violência e a
prática da fraternidade, acabam contribuindo com o ideal supremo do Deus-Pai da
Bíblia — a paz mundial através da formação de uma família humana global.
Ora, o que é tudo isso, senão uma onda de revelações mundiais que Deus
está derramando sobre a Terra, anunciando o nascimento físico do Cristo? A Bíblia
chegou a profetizar todo esse movimento “profético” global:
“Nos últimos dias, diz o Senhor, derramarei do meu espírito sobre toda a
carne. Os vossos jovens pofetizarão e os vossos velhos terão sonhos e visões”. (At
2.17).
O que é este livro que o leitor tem nas mãos, senão mais uma contribuição
“profética” para auxiliar a humanidade atual a entender a importância do Cristo e o
modo como ele retornará à Terra?
Conclusão — Respondendo à pergunta: Quando voltará o Cristo?
Podemos dizer, com base nas profecias do Novo Testamento, nas profecias do
Apocalipse, nas profecias da humanidade e na lei dos Paralelos históricos dos
cristãos unificacionistas que o Cristo já voltou à Terra entre 1917 e 1930. Assim, os
interessados no tema devem procurar na Terra um homem oriental nascido entre
1917 e 1930, que seja oriundo da esfera cultural judaico-cristã, que esteja
revelando ao mundo uma nova mensagem bíblica, que tenha fundado um
movimento religioso polêmico, que defenda a família divina como a base da paz
mundial, que tenha uma esposa, que tenha 12 filhos, que tenha a palavra Lua no
nome, que tenha sido coroado rei da paz, que se autoproclame Verdadeiro Pai, que
tenha realizado o matrimônio de centenas de milhões de pessoas de todos os países
do mundo e que tenha sofrido a mais pesada perseguição religiosa do século XX.
Ao estudar a vida, o pensamento e a obra dos 26 mais expressivos candidatos a
Cristo surgidos e atuantes nos séculos XIX, XX e XXI, pareceu-me que o
candidato que mais se encaixa nesse perfil é o Rev. Moon, aquele que, segundo os
cristãos unificacionistas, revelou ao mundo o Completo Testamento (a III parte da
mensagem bíblica) e fundou o unificacionismo (a terceira etapa do trabalho
providencial de Deus centrado na esfera cultural judaico-cristã: judaísmocristianismo-unificacionismo). Se isto é ou não verdadeiro, o leitor é quem decide.
310
3. Onde reaparecerá o Cristo?
Entre os judeus ou entre os cristãos? No Oriente ou no ocidente?
a) O povo judeu perdeu a posição de nação eleita — Como vimos
anteriormente, o povo judeu da época de Jesus fracassou em acreditar nele como o
Cristo prometido e perdeu a posição de povo eleito (Israel = vencedor) para o povo
cristão (o II Israel), conforme as palavras de Jesus:
“Portanto, eu vos digo que o Reino de Deus vos será tirado e será dado a
uma outra nação que, a seu tempo, dê os devidos frutos”. (Mt 21.43).
“Teus inimigos destruir-te-ão a ti a teus filhos que estiverem dentro de ti,
porque não conhecestes o tempo em que Deus te visitou”. (Lc 19.44).
“Disse o Senhor aos servos: as bodas estão preparadas, mas os
convidados (os judeus da época) não se acharam dignos. Ide, pois, às saídas dos
caminhos e convidai para as bodas a todos os que encontrardes (os cristãos)”. (Mt
28.8-10).
Apesar da clareza destas palavras de Jesus, o povo cristão ainda hoje
desconhece a falha do povo judeu, bem como o significado simbólico da palavra
Israel (= vencedor: Gn 32.28). E, ignorando a palavra de Jesus em Mt 21.43,
destituindo o povo judeu da posição de Israel, ignorando a sua própria posição
como II Israel (herdeiros da missão do I Israel) e baseando-se na visão
preconcebida do cristianismo tradicional, continua acreditando no povo judeu
como o povo eleito. E crêem nisto com base no seguinte trecho bíblico:
“E ouvi, então, o número dos assinalados, e eram 144 mil de todas as
tribos dos filhos de Israel”. (Apoc 7.4).
Já sabemos que a palavra israel significa vencedor e foi o título
conquistado por Jacó na luta com o anjo no Vau de Jaboc. O título de Israel foi
legado para todos os descendentes de Jacó, dando nome à nação. Todavia, a
rejeição de Jesus os fez perderem o título de vencedor, o qual foi herdado por todas
as pessoas do mundo que se uniram e acreditaram em Jesus e no Espírito Santo
como os Verdadeiros Pais Espirituais da humanidade 34 — os cristãos.
O Novo Testamento menospreza o fato de alguém considerar-se ou não um
israelita, alegando que os verdadeiros israelitas são aqueles que o são de coração, e
não de sangue:
34
Os Verdadeiros Pais espirituais da humanidade — Para os cristãos unificacionistas Deus, Adão e
Eva formariam a Trindade Original, onde Adão e Eva ocupariam a posição de Verdadeiros Pais da
humanidade. Com a Queda, a humanidade ficou órfã, necessitando de Verdadeiros Pais. Jesus
espiritual (o II Adão) e o Espírito Santo (a projeção da feminilidade de Deus), ocuparam a posição de
Verdadeiros Pais Espirituais da humanidade a fim de dar renascimento aos filhos espirituais: os
cristãos. Segundo as leis naturais de Deus não pode ocorrer nascimento (ou renascimento) sem um pai
e uma mãe. Por isso, o Novo Testamento afirma que todos os cristãos devem ser batizados na água e
no fogo. Jesus, como o pai espiritual, atua no céu e é representado pelo fogo (positivo); o Espírito
Santo, como a mãe espititual consoladora, atua na Terra e é representada pela água (negativo).
311
“Nem todos os que descendem de Israel são israelitas”. (Rm 9.6).
“E não presumais, entre vós, dizendo: Temos por pai a Abraão; porque eu
vos digo que mesmo destas pedras Deus pode suscitar filhos a Abraão”. (Mt 3.9).
“Porque não é judeu aquele que o é exteriormente... Mas é judeu o que o é
no interior, de coração, no espírito...”. (Rm 2.28-29).
Com estas palavras, São Paulo condenou o orgulho nacionalista dos judeus
da época, afirmando que o verdadeiro israelita é aquele que o é de coração e que a
designação de locais de nascimento (nomes de locais, tais como Israel, Coréia ou
Brasil) são convenções humanas exteriores ao homem. O que importa para Deus é
o cumprimento da responsabilidade do homem na missão que lhe foi designada.
b) A evidência da história do judaísmo e do cristianismo — A história do
judaísmo depois de Jesus e a história do cristianismo representam uma evidência
incontestável (porque científica) de que a Providência da Salvação foi transferida
do judaísmo para o cristianismo. Alguns fatos da história do judaísmo, depois de
Jesus, confirmam esta tese: a) o trágico destino do povo judeu (a destruição de
Jerusalém, a Diáspora do imperador Adriano, a perseguição histórica, o holocausto
nazista e o ataque dos mulçumanos (os descendentes de Ismael, o irmão Caim de
Isaque, os filhos de Abraão). Na verdade, boa parte das tragédias da história do
judaísmo depois de Jesus foram profetizadas pelo próprio Jesus, como temos
demonstrado. Contudo, penso que as palavras que atraíram o fardo mais pesado
sobre os descendentes do povo judeu foram proferidas pelos próprios líderes judeus
da época, junto com todo o povo:
“E perguntou Pilatos: Qual dos dois quereis que vos solte?E eles
disseram: Barrabás! Disse-lhes Pilatos: Que farei então de Jesus, que é chamado
o Cristo? Disseram-lhe: Seja crucificado! E Pilatos disse: Mas, que mal fez ele? E
eles gritavam: Seja crucificado! Vendo Pilatos que não conseguia salvá-lo mandou
vir água e lavou as mãos perante o povo, dizendo: Eu estou inocente do sangue
desse justo. Considerai isto. E, respondendo, todo o povo disse: que o seu sangue
caia sobre nós e sobre os nossos filhos”. (Mt 27.21-25).
Estas palavras parecem ter sido ouvidas no céu e se transformaram em uma
autocondenação. Desde aquele dia o povo judeu não soube mais o que era paz..
Mesmo depois de 1948, quando a ONU fundou o Estado de Israel, a paz não
brilhou entre os judeus. Afinal, porque Deus trabalharia 4000 anos (de Adão a
Jesus), educando espiritualmente um povo para que traíssem e matassem Seu
próprio filho?
Eu, pessoalmente, penso que a paz somente chegará para o povo judeu
quando seus líderes religiosos atuais, assim como fez o Papa João Paulo II,
reconhecerem o erro cometido pelos seus antepassados e se pedirem perdão perante
toda a humanidade, pois a morte prematura e injusta de Jesus protelou a salvação
do mundo e prolongou o sofrimento da humanidade por mais de 20 séculos!
Quanto á história do cristianismo é evidente que os cristãos herdaram a
missão do povo judeu, pois, após a morte de Jesus, o cristianismo se tornou o alvo
de satanás, passando a sofrer pesada perseguição sob o Império Romano. Todavia,
depois de 400 anos de perseguição, o cristianismo triunfou e acabou conquistando
312
o próprio Império Romano, a partir do qual unificou e conquistou toda a Europa,
através de Carlos Magno. Dos dias de Jesus aos nossos dias, enquanto o judaísmo
murchava e se disperssava, o cristianismo se fortalecia e se expandia para todos os
continentes da Terra, cumprindo a profecia de Jesus: “Primeiro, este evangelho do
Reino será pregado em toda a terra habitada, e só então virá o fim”.
c) O povo cristão herdou a posição de nação eleita — Assim, quando o
Apocalipse fala dos 144 mil arrebatados de todas as tribos de israel, o termo israel
não é uma referência ao povo judeu do passado ou atual, mas uma referência ao II
Israel, o povo cristão, que é uma “nação” mundial. Do mesmo modo, a expressão
de todas as tribos de israel significa de todas as nações da Terra, ou dentre todas
as pessoas cristãs (inclusive os judeus convertidos ao cristianismo). Recordemos
que o conceito de Estado-nação não existia no tempo de Moisés nem no ano 96
d.C., quando João escreveu o Apocalipse. Por isso, ele utilizou o termo tribos.
d) Decodificando o número 144 — Decodificado o significado simbólico
da palavra Israel (= vencedor), a decodificação do número 144 ficará mais clara. O
número 144 é um número simbólico cujo signficado está relacionado como o
número 12, pois 144 é o múltiplo de 12 (12 x 12 = 144). O número 12 é um dos
números de Deus, o qual aparece constantemente na Bíblia e na natureza. Segundo
a numerologia dos cristãos unificacionistas, o número 12 representa os doze tipos
de personalidades humanas e as 12 relações existentes no seio da família, que é
formado por 4 elementos: Deus+Adão+Eva+filhos. Quando a família é
estabelecida estes 4 elementos se relacionam e 12 tipos de relacionamentos
interfamiliares são estabelecidos: 1.Deus-Adão, 2. Adão-Deus, 3. Deus-Eva, 4.
Eva-Deus; 5. Adão-Eva, 6. Eva-Adão; 7. Adão-Filhos, 8. Filhos-Adão; 9. EvaFilhos, 10. Filhos-Eva, 11. Deus-Filhos e 12. Filhos-Deus. Como a Queda impediu
o estabelecimento da família divina, Adão e Eva não realizaram o fundamento de 4
posições, nem o número 12. Por isso, as figuras centrais da histópria providencial
(substitutas de Adão) têm que estabelecer um fundamento relacionado como
número 12. Esse é o motivo pelo qual Jacó teve 12 filhos, Moisés teve 12 tribos e
Jesus teve 12 apóstolos. Esse é também o motivo por que o Apocalipse profetizou
que o III Adão, o novo Cristo, terá 12 filhos. O número 144 é o número do homem
e o número da mulher arrebatados do mundo do mau (a Terra = inferno) para o
mundo do bem (o Céu), libertados do pecado original e abençoados pelo Senhor do
Segundo Advento como primícias para Deus. Todos os homens e todasas mulheres
devem, individualmente, realizar o número 12, o que Adão e Eva não fizeram.
Assim, 12 x 12 = 144). Portanto, o número 144 é o número-símbolo da família
abençoada (restaurada) dos últimos dias. Logo, o número 144 mil não tem
significado quantitativo, mas qualitativo. É, por exemplo, como o número de um
jogador: o número do Pelé é 10, não porque existam 10 pelés (sentido
quantitativo), mas porque 10 é o número de sua camisa, o símbolo que o identifica
(sentido qualitativo).
O número 144 e a Primeira Ressurreição — Pesquisando sobre o número
144, os cristãos unificacionistas me informaram que em 2004, o Rev. Moon
realizou 3 grandes encontros na cidade de Il Sung, Coréia do Sul. O primeiro
313
encontro com 50.000 pessoas, o segundo com 70.000 pessoas e o terceiro com
24.000 pessoas (12 mil da tribo Moon e 12 mil da tribo Han, sobrenome de sua
esposa), totalizando 144.000 pessoas libertadas do pecado original e abençoadas
em matrimônio por ele próprio. Posteriormente, o Rev. Moon realizou 120
encontros ao redor do mundo, declarando que aqueles 144 mil participantes dos 3
encontros realizados na Coréia e os participantes dos 120 encontros realizados ao
redor mundo eram os escolhidos que participaram da Primeira Ressurreição (Apoc
7.4; 7.9 e 20.6). Crer ou não crer é decisão do leitor.
4. Evidências bíblicas e históricas de que o Cristo nascerá no Oriente
Se o novo Cristo não será Jesus, nem nascerá entre os judeus, onde nascerá? Um
conjunto de evidências confirmam que o novo Cristo nascerá no Oriente.
a) A evidência bíblica do nascimento no Oriente — Para os cristãos a
Bíblia é a palavra de Deus e a base fundamental e absoluta de suas crenças. O que a
Bíblia afirma, para os cristãos, é a verdade. Pois bem, a Bíblia afirma que o novo
Cristo nascerá no Oriente:
“Uma Luz partirá do Oriente e iluminará até o ocidente — Porque, assim
como o relâmpago sai do Oriente e se mostra até a o ocidente, assim será também
a vinda do Filho do homem”. (Mt 24.27).
“Um anjo partirá do Oriente, trazendo o Selo do Deus vivo — E vi outro
anjo subir da banda do Oriente, e trazia o Selo do Deus vivo”. (Apoc 7.2).
Estes trechos bíblicos não deixam dúvidas. O novo Cristo nascerá no
Oriente. Como a luz de um relâmpago brilhará no Oriente e iluminará até o
ocidente, rapidamente.
b) A evidência das tradições culturais do Oriente e do Ocidente — Um
terceiro conunto de evidências confirmam que o novo Cristo nascerá no Oriente.
Trata-se das tradições culturais do Oriente e do Ocidente. Como se sabe, o
Ocidente é o berço da civilização helênico-pagã, enquanto o Oriente é o berço da
civilização judaico-cristã, e o messianismo originou-se na tradição judaico-cristã.
Um diagrama evidenciará com maior clareza este tópico:
Jesus nasceu no Oriente, que é o berço da civilização e da tradição judaicocristã, bem como da maioria das religiões-raiz. Como o Cristo virá à Terra com a
missão de libertar espiritualmente a humanidade do domínio de Lúcifer, ele virá
como um líder religioso. Por isso, necessariamente, nasceu no Oriente, o lado
espiritualista do mundo. Assim, as características históricas das culturas do
Ocidente e do Oriente representa mais uma evidência de que o novo Cristo nascerá
no Oriente.
c) A evidência das profecias da humanidade — Um último conjunto de
evidências de que o novo Cristo nascerá no Oriente provém das profecias da
314
humanidade, dos muitos profetas cristãos e não-cristãos estudados no capítulo 1
deste livro. Como não iremos repetir aqueles estudos, destacaremos apenas dois
grandes profetas que previram claramente o nascimento do novo Cristo no Oriente:
Nostradamus e Gerolamo Tovazzo:
“Ele aparecerá na Ásia e se sentirá em casa na Europa... O homem do
Oriente deixará seu trono, cruzando os apeninos... Ele voará pelo céu, pelas
chuvas e neves... E golpeará o mundo com o seu bastão”.
Nostradamus (1503-1566).
Fonte: Nostradamus e o Milênio. Nova Fronteira, 1988. Pp. 174-177.
“Um arado profundo passará sobre as terras do mundo. E o sinal mais
amplo virá do Oriente, onde nascerá o Grande Sábio.
Quando o milênio estiver no fim, os cristãos serão substancialmente
pagãos. A única fé estará no dinheiro e no poder... E a fé ressurgida não partirá de
Roma putrefata, mas da cidade solar do Oriente”.
Gerolano Tovazzo. (Itália — 1686-1769).
Fonte: Os Grandes Profetas. Nova Cultural, 1985. p. 246.
Para a finalidade deste tópico — indicar que os grandes profetas da
humanidade anunciaram o nascimento do novo Cristo no Oriente — estes dois
exemplos são suficientes. Todavia, muitos outros exemplos poderão ser
encontrados no capítulo 1 deste livro.
d) Os 5 Critérios para a identificação da nação oriental eleita — Segundo
a Bíblia, as profecias da humanidade e a história das tradições culturais o novo
Cristo nascerá no Oriente, mas em qual nação oriental? Obviamente, assim como o
povo judeu e o povo cristão foram preparados por Deus, a nação oriental na qual o
novo Cristo nasceu deve também ter sido preparada por Deus. Deverá apresentar
em em suas características e em sua história os sinais da preparação de Deus, que
são os seguintes: 1. Possuir profecias messiânicas nativas; 2. Ser alinhada com a
esfera cultural judaico-cristã; 3. Sofrer uma divisão Norte-Sul (separação bemmal); 4. Sofrer por um período de indenização histórica de número 40; 5. Ter
tolerância religiosa; e 6. Ser uma nação mansa e sofrida.
Descartado o Oriente Médio, hoje dominado pelo islamismo (caracterizado
pela intolerância religiosa máxima) e pelo hinduísmo e o budismo (alinhados com a
esfera cultural afro-indiana, que rejeita a Bíblia e o conceito do Cristo salvador),
restam as nações do extremo Oriente: China, Japão e Coréia.
A China tem um longo passado de violência, e o cristianismo não
prosperou naquela nação. Em l959, o comunismo ateu invadiu e arrastou a nação
para o bloco satânico, tipo Caim. Durante a chamada Revoluição Cultural o povo
chinês se envolveu no massacre de cerca de 90 milhões de inocentes, acusados de
serem “inimigos do povo”. Em l951, a China se aliou à Coréia do Norte e invadiu a
Coréia do Sul, provocando a morte de milhões de coreanos. Tais eventos jamais
poderiam ter acontecido com a nação escolhida, pois Deus nunca ataca, apenas se
defende (e vence sempre). Além disso, a China foi totalmente tomada pelo
315
comunismo e Lúcifer tem direito a apenas metade de tudo, inclusive da nação
escolhida (Lei da Separação, uma das leis da história bíblica). Porque o
cristianismo não prosperou ali, porque tem um passado violento e porque se tornou
uma nação comunista, a China não apresenta os sinais da preparação divina.
O Japão, assim como a China, tem um passado extremamente violento,
tendo provocado massacres até mesmo na China (o Massacre de Nanking), suas
crenças são ainda hoje fortemente enrraizadas no xintoísmo (magia nativa) e na
esfera cultural afro-indiana, o que impediu a prosperidade do cristianismo no
Japão. Além disso, durante a II Guerra Mundial, até l945, o Japão era aliado da
Alemanha de Hitler e da Áustria-Turquia (nações ateístas e islâmicas), com as
quais estava completamente comprometido, lutando contra os Estados Unidos, a
Inglaterra e a França, nações do bloco cristão. Assim, porque era uma nação tipo
Caim (violenta) alinhada com a esfera cultural afro-indiana, o que impediu o
progresso do cristianismo, e porque foi aliada das nações não-cristãs na II Guerra
Mundial, o Japão não apresenta os sinais da preparação divina.
A Coréia é a mais extremo-oriental das nações extremo-orientais. E,
surpreendentemente, os sinais da preparação divina estão todos presentes na
história e nas características do povo coreano. Senão, vejamos.
1. Possuir profecias messiânicas nativas — O povo judeu trouxe 16
grandes profetas, alguns dois quais profetizaram amplamente sobre a vinda do
Cristo. Entre o povo cristão, como temos destacado neste livro, apareceram
dezenas de profetas cristãos, alguns dos quais — como Nostradamus e Gerolamo
Tovazzo — profetizaram claramente acerca do aparecimento do novo Cristo no
Oriente. Entre o povo coreano também apareceram profetas nativos — tais como
Chung Gam Nok que, 4 séculos antes da chegada do cristianismo à Coréia
profetizou:
“Chung Do Ryang, o homem das palavras verdadeiras, nascerá na Coréia,
será o Rei da Justiça, estabelecerá o Milênio e receberá tributos de todo o
mundo”.
Na Coréia do século XX surgiu a A Igreja de Dentro do Ventre, fundada
pela religiosa coreana Ho Ho Bin, que recebeu revelações de que o novo Cristo
nasceria na Coréia do ventre de uma mulher e que ela deveria preparar tudo para
recebê-lo (mais detalhes sobre o profeta Chung Gam Nok e a profetisa Ho Ho Bin
podem ser encontrados no livro A Vida do Pai. Depoimentos biográficos. Editora Il
Rung, 1986). Portanto, a nação coreana preenche a exigência do sinal de possuir
profecias messiânicas nativas.
2. Ser alinhada com a esfera cultural judaico-cristã — A chegada do
cristianismo na Coréia tem cerca de 100 anos. O cristianismo foi tão bem recebido
pelo povo coreano que a Coréia do Norte recebeu o título de Jerusalém do Leste.
Os cultos cristãos na Coréia começam por volta das 6 horas da manhã, e mesmo em
dia de neve, as igrejas ficam lotadas. A força do cristianismo coreano impressionou
o pregador Billy Grahan, que declarou que a Coréia iria recristianizar o mundo.
Assim, embora o cristianismo coreano tenha pouco mais de 100 anos, floresceu
abundamente naquele país, o que o aloca no grupo das nações cristãs do mundo.
316
Portanto, a Coréia preenche a exigência de ser uma nação alinhada com a esfera
cultural judaico-cristã.
3. Sofrer uma divisão Norte-Sul — De acordo com a Bíblia, desde a
Queda de Adão e Eva, Lúcifer adquiriu o direito à metade de tudo no universo. A
nação judaica foi dividida em Norte (reino de Israel) e Sul (reino de Judá). O
mundo cristão foi dividido em bloco católico e bloco evangélico; bloco comunista
e bloco democrata-cristão, e a Coréia foi dividida em Coréia do Norte (comunista =
Caim) e Coréia do Sul (democrata-cristã = Abel). Assim, a Coréia preenche
também a exigência de ter sofrido uma divisão Norte-Sul.
4. Sofrer um período de indenização histórica de número 40 — O povo
judeu sofreu 400 anos de escravidão sob o Império Egípcio. O povo cristão sofreu
400 anos de perseguição sob o Império Romano e o povo coreano sofreu 40 anos
de escravidão sob o Império Japonês (1905-1945). Assim, a Coréia preenche mais
essa exigência de ter sofrido um período de indenização histórica de número 40.
5. Ter tolerância religiosa — Assim como acontece nos Estados Unidos e
no Brasil, na Coréia todas as religiões coexistem e convivem pacificamente. Assim
como no Brasil, a índole do povo coreano é pacífica e naturalmente religiosa. O
que preenche mais uma exigência: a de ter tolerância religiosa.
6. Ser uma nação mansa e sofrida — Uma das características de Deus é
nunca atacar primeiro. Apenas se defender depois do ataque. Em toda a história o
lado Caim sempre atacou primeriro, provocando a legítima defesa de Abel, que
sempre triunfou sobre Caim. Foi assim com o nazismo e com o comunismo. O
povo judeu antes de Jesus teve uma história de muito sofrimento, tendo sido
invadido e escravizado diversas vezes. O povo cristão, ao longo de toda a era
cristã, sempre foi atacado pelos imperadores romanos (Caim) pelos árabes (Ismael,
o 2º filho de Abraão = Caim), que invadiram Jerusalém na Idade Média. Foi
atacado pelos cientistas materialistas do século XVI, pelos iluministas, pelos
nazistas e pelos comunistas. Um historiador imparcial e justo verá que o
cristianismo sempre se defendeu, usando seu direito de legítima defesa. A última
grande vitória do cristianismo foi a vitória da democracia cristã sobre o comunismo
ateu. Assim como o povo judeu e o povo cristão, a Coréia já sofreu 82 invasões em
seus 4.300 anos de história, mas nunca invadiu país algum. Este fato demonstra que
a Coréia atende a mais esta exigência de ser uma nação mansa e sofrida.
Como vimos, a Coréia atende às 6 exigências históricas que correspondem
aos 6 sinais providenciais da preparação da nação escolhida.35
35
Brasil: a terra da chegada — Segundo os cristãos unificacionistas, o Rev. Moon anunciou em l995
que a Coréia como nação escolhida e III Israel fracassou ao perseguir e ao não reconhecer o novo
Cristo no tempo certo estabelecido por Deus (embora, individualmente, milhares de coreanos tenham
vencido). Assim, estamos vivendo na era do IV Israel, que são todas as pessoas do mundo que se
uniram ao Rev. Moon e apoiaram sua missão mundial. O Rev. Moon disse ainda que a Coréia foi a
terra da partida e que o Brasil era a terra da chegada. Um estudo mais amplo e profundo sobre a
dimensão providencial (mística) da história do Brasil está em andamento e deverá constar do livro
Brasil — A Terra da Chegada.
317
5. Os critérios para a identificação do novo Cristo
Para finalizar este capítulo, considerei importante estudar o que seria um critério
absoluto para a identificação do novo Cristo. Nessa busca, cheguei a algumas
conclusões importantes fundamentadas na lógica e na Bíblia, concluindo que o
próprio Jesus nos deixou uma orientação segura para nos ajudar a identificar o
verdadeiro Cristo. Com base nestes estudos elaborei o Diagrama dos Critérios
para a Identificação do Novo Cristo (exposto mais adiante). Algumas explicações
preliminares auxiliarão na leitura do Diagrama.
a) O nome e a imagem: critérios externos e relativos — Quais os critérios
que geralmente são utilizados para se identificar uma pessoa? Comumente, utilizase o nome e a imagem (constantes do documento de identidade). Estes critérios,
porém, são externos. O nome Jesus é um conjunto de sinais gráficos e sons que não
se repetem histórica e universalmente. O nome Jesus é escrito em centenas de
línguas com sinais gráficos e sons diferentes. No Oriente e no Ocidente, as
diferenças são enormes. Além disso, milhares de pessoas no mundo também foram
registradas/batizadas com o nome Jesus. Assim, quando você pronuncia o nome
Jesus, na verdade, está pronunciando o nome de milhares de pessoas (homônimos)
de todo o planeta, utilizando sinais gráficos e sons diferentes. Se um homem
chamado Jesus disser para você que é o novo Cristo, será que o fato de ele se
chamar Jesus é suficiente para que você acredite nele? Não. Você vai exigir um
critério mais seguro do que um simples nome homônimo.
O próprio Jesus nos informou que o seu nome não é condição suficiente
para a salvação de ninguém:
“Nem todo aquele que diz: Senhor, Senhor! Entrará no reino dos céus”.
(Mt 7.21).
“Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor! Não pregamos nós em
vosso nome? E não foi em vosso nome que expulsamos demônios e fizemos
milagres? E no entanto, eu lhes direi: Nunca vos conheci. Apartai-vos de mim”.
(Mt 7.22-23).
Assim, o nome é um critério externo (sinais gráficos e sons) variável no
tempo e no espaço, e, por isso, não pode ser tomado como critério seguro para a
identificação do novo Cristo.
E quanto à imagem? Sabemos que o cristianismo não dispõe de uma
imagem real de Jesus. Nem mesmo de uma descrição aproximada. Assim, cada
pintor inventou um retrato imaginário de Jesus de acordo com seus gostos e com
suas culturas. A relatividade do critério da imagem pode ser percebida no mero fato
de que os judeus escolheram Barrabás ao invés de Jesus, que devia ter uma
aparência mais mansa e agradável do que a aparência do criminoso Barrabás.
Anos atrás decidi empreender uma pesquisa em busca de retratos de Jesus.
Encontrei mais de 30 imagens diferentes: gordo, magro, alto, baixo, loiro, moreno,
318
barbas e cabelos crespos, lisos, longos e curtos, e até um Jesus negro (como no
filme O Auto da Compadecida). A imagem do Jesus das Testemunhas de Jeová é
tipicamente portuguesa: um homem branco de barbas e cabelos negros, curtos e
bem cuidados; a imagem de um homem português. Já o Jesus da LBV é uma cópia
inferior do Jesus da Santa Ceia de Michelangelo: loiro, de barbas e cabelos loiros,
longos, de olhos azuis e feições delicadas. Como se especula que Michelangelo era
homossexual, muitos dizem que ele pintou seu Jesus com feições tipicamente
femininas. Recentemente, um grupo de pesquisadores israelenses decidiu
reconstruir o rosto de um homem do século I da era cristã a partir de um crânio
encontrado em Jerusalém e com base nas características étnicas dos povos do
Oriente médio. O resultado foi um rosto relativamente feio, de feições rudes e
barbas e cabelos negros e crespos. Acostumados com as imagens fictícias do Jesus
loiro de olhos azuis (as preferidas), as pessoas viram no suposto rosto de Jesus
reconstruído a imagem do próprio Judas.
O que é uma imagem? Em se tratando da imagem de um ser humano, uma
imagem é um retrato cultural de uma pessoa de determinada época e lugar (feições,
cor, altura, peso, estatura e vestuário). Como não dispomos de nenhuma imagem
real ou aproximada de Jesus, todas as imagens que temos dele são fictícias,
imaginárias. Vejamos o exempo do Inri Christo. Depois de perambular pelo mundo
como um hyppie nos anos 60, usando drogas e praticando sexo livre, o homem
percebeu que tinha uma certa semelhança com o Jesus de Michelangelo (loiro de
olhos azuis). Deixou o cabelo crescer, confeccionou e vestiu um roupão branco,
jogou uma manta vermelha sobre o ombro, calçou um chinelo de tiras de couro,
confeccionou uma coroa de espinhos falsos (alcochoada por dentro) e a pôs na
cabeça. Em seguido adotou o pseudônimo de Inri Christo e começou a anunciar
que era a reencarnação de Jesus. Tornou-se um ator cujo palco era o mundo.
Olhando para sua imagem, tendo em mente a imagem fictícia do Jesus de
Michelangelo, você pensará que o Inri se parece com Jesus. Contudo, será que esta
suposta “semelhança” é suficiente para você acreditar nele? Não. Você exigirá
algo mais verdadeiro e profundo. Logo, a imagem é também um critério externo
inseguro para a identificação do novo Cristo.
b) Milagres e prodígios: critério externo e relativo — E quanto aos
milagres e prodígios, uma vez que Jesus também realizou muitos milgares e
prodígios? É certo que Jesus realizou milhares de milagres e prodígios, mas esta
não era a sua missão central. Jesus realizou milagres e prodígios a fim de
conquistar a fé dos judeus, uma vez que eles não acreditaram em suas palavras. No
entanto, ao invés de acreditarem nele com base em suas curas milagrosas, os judeus
se assustaram e atribuíram os poderes de Jesus a Belzebu, o chefe dos demônios
(Mt 12.24). Até mesmo os parentes de Jesus se escandalizaram com os seus
poderes e queriam prendê-lo, julgando que estivesse louco; possesso (Mc 3.21). A
Bíblia nos informa que a tentativa de Jesus de recuperar a fé dos judeus através das
curas fracassou completamente. Além disso, pouquíssimas das pessoas curadas por
ele tornaram-se seus seguidores. Todavia, mesmo não obtendo resultado algum em
sua tentativa, Jesus teve que pagar o preço espiritual — em seu corpo físico — por
319
cada cura realizada (cura = libertação espiritual). É provável que o preço tenha sido
demasiado alto, e tenha contribuído para a perda de sua própria vida física.
Os milagres e prodígios (curas, levitação, mentalismo, materializações, etc)
são critérios externos, visíveis, realizados com base na força do mundo espiritual, a
qual pode ser manipulada por bons e maus espíritos (os espiritualistas dizem que
mais de 90% das doenças são causadas por maus espíritos). Jesus curou milhares
de pessoas em seu tempo, mas apenas algumas se tornaram seus seguidores, uma
vez que o que elas queriam era apenas a cura de seus males. Nenhuma delas estava
buscando a Deus nem à Sua verdade; muito menos desejavam se sacrificar pelo
bem dos outros. Todos os falsos cristos do mundo atual têm realizado milagres e
prodígios extraordinários, atraindo milhões de seguidores. Todavia, Jesus nos
alertou para esse fato:
“Porque hão de surgir muitos falsos cristos que farão milagres e
prodígios que, se fosse possível, enganariam até os escolhidos”. (Mt 24.24).
Portanto, o verdadeiro Cristo não fará milagres nem prodígios. E este é
mais um critério seguro para a sua identificação. O Novo Testamento e o
Apocalipse afirmam que o verdadeiro Cristo salvará o mundo usando “a vara e a
espada de sua boca; o sopro de seus lábios e o sopro de sua boca”. Ou seja: a
palavra do Deus-Pai da Bíblia.
c) Palavras e ações: critérios internos absolutos — Em minhas pesquisas
concluí que as palavras e as ações são os critérios absolutos e seguros para a
identificação do novo Cristo. Por quê? Porque são internos e foram indicados pelo
próprio Jesus, o primeiro Cristo verdadeiro que o mundo conheceu. Vejamos as
palavras de Jesus:
“Mas se não quiserdes crer nas minhas palavras, crede então em minhas
obras (ações) para que saibais e reconheçais que o Pai está em mim e eu estou n’O
Pai”. (Jo 10.24-38).
“Ou fazei a árvore boa e o seu fruto bom, ou fazei a árvore má e o seu
fruto mau, porque pelo fruto se conhece a árvore”. (Mt 12.33).
Portanto, Jesus nos forneceu os critérios absolutos para a identificação do
novo Cristo: suas palavras e suas obras, pois pelos frutos se conhecem as árvores.
Note-se que as palavras e as ações são oriundas do interior do homem;
brotam de seu coração, do íntimo de seu ser. Por isso, Jesus disse: “Não é o que
entra pela boca que mancha o homem, mas o que sai dele. Eis o que mancha o
homem”. (Mt 15.11). E também que “O fruto do justo é uma árvore da vida”. (Pv
11.30). Na Bíblia, o termo árvore simboliza homem. Assim, uma árvore da vida é
alguém que gera obras do bem, as quais produzem vida. Podemos, portanto, dizer
que o que rebaixa ou eleva um homem são os elementos transmateriais que brotam
de seu interior, de seu espírito, de seu coração; ou seja, suas palavras e suas obras,
as quais expressam seus sentimentos mais íntimos e verdadeiros. Assim, para
conhecer o caráter de uma pessoa devemos observar suas palavras e suas ações,
pois ambas devem coincidir como se fossem uma e a mesma coisa. Palavra e ação
são causa e efeito. Por isso, Jesus dizia que os judeus deveriam fazer tudo os que os
líderes do judaísmo mandassem, mas não agissem como eles, pois eles atavam
320
fardos pesados nas costas dos outros, deixando as suas livres. Suas palavras e suas
obras não coincidiam. Portanto, eles apenas usavam as palavras de Deus em seu
benefício pessoal; não as praticavam, o que demonstrava o baixo nível de sua fé e
de sua espiritualidade.
Atualmente, dezenas de candidatos a cristo têm expressado belísimas
palavras, atraindo milhões de seguidores. Todavia, ajem como os materialistas
ateus, que falam em igualdade, liberdade, fraternidade, paz e prosperidade, mas
negam o valor fundamental do Deus-Pai de amor, da Bíblia e da família como base
da paz mundial, e produzem apenas rebelião e anarquia. Dos 26 candidatos a cristo
estudados neste livro, 25 são inspirados pelo pensamento afro-indiano, o qual nega
o valor da Bíblia, nega a realidade do Deus-Pai bíblico (um Deus pessoal), a Queda
do homem (a origem do mal), a existência de satanás (o arcanjo Lúcifer), a
existência do pecado, a necessidade de salvação/ressurreição e a necesidade de um
salvador (o Cristo, um novo Adão), e não valoriza a família (a pureza sexual e a
fidelidade conjugal). Por isso, a quase totalidade daqueles 25 candidatos a novo
Cristo não construíram famílias, levando uma vida sexual devassa orientada pelo
sexo livre, o veneno letal das sociedades.
d) Palavras-verdade, ações-bondade — As palavras do verdadeiro Cristo
devem ser explicações da realidade e orientações para a solução eficaz dos
problemas humanos, e devem ser baseadas na verdade dos fatos, reconhecida pela
inteligência e sentida pelo coração humano em todos os tempos e lugares. A
verdade é uma explicação ou uma orientação imutável no tempo e no espaço. Já as
ações do Cristo devem ser a substancialização da verdade; é a capacidade de autosacrifício (amor sacrifical) por Deus e pela humanidade.
Conclusão — Concluímos, portanto, que fazer milagres e prodígios não
era a missão primordial de Jesus e são critérios externos relativos, inadequados
para ajudar na identificação do novo Cristo, uma vez que o verdadeiro Cristo não
fará milagres nem prodígios, e todos os falsos cristos têm feito muitos milagres e
prodígios assombrosos. Vimos ainda que o nome e a imagem também não são
critérios seguros para a identificação do novo Cristo; especialmente se já sabemos
que ele terá um novo nome (Apoc 2.17 e 3.12). Por fim, vimos que as palavras
(fundamentadas na verdade dos fatos) e as ações (amor sacrifical) são critérios
mais seguros para a identificação do novo Cristo, uma vez que foram indicados
pelo próprio Jesus, o primeiro Cristo que a história conheceu.
321
PARTE III
O CRISTO, OS “CRISTOS”
E OS ANTICRISTOS
DOS SÉCULOS XX E XXI
322
323
Capítulo V
O Cristo, os “cristos” e os
Anticristos do século XX e XXI
Algumas pesquisas falam de 130 candidatos nacionais e internacionais.
Estudaremos neste capítulo a identidade do anticristo e um grupo dos 26 candidatos
a novo Cristo mais expressivos surgidos no final do século XIX e ao longo do
século XX,
22 deles já estão mortos, mas todos possuem milhões de seguidores em todo o
mundo e ainda estão mundialmente “presentes” através dos movimentos místicos
324
que criaram e que se mantêm fortemente atuantes em nosso século. Ao final deste
estudo resumiremos todos eles em um diagrama (1 e 2) a fim de fornecer ao leitor
um quadro referencial completo de todos eles com o objetivo de contribuir para a
identificação do verdadeiro Cristo presente entre eles.
1. Decodificando o símbolo do Anticristo
A Bíblia e muitos dos grandes profetas cristãos profetizaram claramente sobre o
aparecimento do anticristo:
a) Nostradamus e o anticristo — “A criança nascerá com dois dentes na
garganta, pedras cairão na Toscana como chuva: alguns anos depois, não haverá
trigo nem cevada para satisfazer os que morrem de fome”. (Centúria III-42).
“Entre os muitos deportados para as ilhas haverá um com dois dentes na
garganta...”. (Centúria II-7).
“No ano de 1999 e sete meses, do céu virá o grande rei do terror: Ele fará
reviver o grande conquistador da Algoumois, antes e depois da guerra reinará a
felicidade”. (Centúria X-72).
b) O monge Aranha Negra e o anticristo — “Ei-lo. Está chegando pela
estrada do sol sobre um carro puxado por quatro cavalos negros. O seu manto tem
a cor da neve; a sua voz tem a força do trovão. A sua mão é firme e o seu gesto é
de comando. Lá longe, entre as pedras do último anfiteatro escorre sangue. As
tábuas da lei serão lançadas ao pó e pisadas pelos ferros dos cavalos.
Homens, desventuradas criaturas escorregadias, o Príncipe vos traz a lei.
Gozai até a embriaguez e sereis felizes. Adorai a César e sereis exaltados. Roubai
e sereis honrados. O Príncipe Negro dará banquete no saguão da grande cúpula
(o Vaticano) e mil pescadores (pescadores de homens = padres e freiras)
perfumarão com incenso a sua mão; uma mão que empunha o poder da vida e da
morte, uma mão que desfaz o que cria, uma mão que abençoa o que destrói... O
homem já não nascerá da mulher (bebê de proveta), pois ele chegou, o último filho
de Osíris (deus egípcio = símbolo da opressão do povo eleito). Dessa forma, fechase a janela que dá para o vinhedo do Pai. Chegou a hora de fechar os olhos.
Porque a videira não dará mais uva e vinho. Assim será até a chegada do novo
dia, que será procurado no infinito”. (Os Grande Profetas. p.79-80).
Os intérpretes do Aranha Negra interpretaram essa profecia nos seguintes
termos:
“Chegou aquele que prenuncia o fim do milênio. Chegou o anticristo...
Quem será o anticristo? O que virá pregar esse misterioso personagem? Segundo
o Aranha Negra, será um homem capaz de exercer uma espécie de poder esotérico.
Será um condutor de massas que pregará novas teorias, o novo evangelho social
(e não o evengelho espiritual) que não promete mais a recompensa na vida eterna,
mas aqui na Terra. Esse será um tempo de promessas não-cumpridas... A capa do
Príncipe Negro se estenderá sobre a aldeia dos pescadores e o peixe se
transformará em serpente e a serpente será estraçalhada aos pés de São Nicolau...
A palavra do Príncipe Negro é uma onda que engole o navio; é um raio que parte
325
o carvalho. Por onde passar seu calcanhar, as flores quebram e a grama fica
amarela. Os filhos levantarão suas facas contra os pais. Povos bárbaros se
apossarão das cidades e os povos civilizados fugirão para as florestas. As terras
dos profetas serão estéreis por numerosas gerações. Mas o trigo já não serve para
matar a fome dos flhos de Eva”.
Para estes intérpretes, o anticristo será um homem (ou um grupo de
homens, um governo) ateu e absolutamente mau que perseguirá Deus e as religiões
e trará o terror, a guerra, a fome e a desgraça para todo o mundo. A princípio, a
profecia do Aranha Negra já nos permite antever uma descrição do comunismo
como a personificação do anticristo.
As quase totalidades dos grandes profetas previu o aparecimento do
anticristo. Todavia, para o propósito deste tópico, os dois exemplos citados acima
são suficientes para confirmar a profecia do anticristo no contexto das grandes
profecias da humanidade. Os mais interessados poderão pesquisar no livro Os
Grandes Profetas, onde encontrarão dezenas de outras profecias sobre o anticristo.
c) O Apocalipse e o anticristo — Os pesquisadores atribuem ao apóstolo
João o quarto evangelho, 3 epístolas e o Apocalipse. Surpreendentemente, João não
utilizou o termo anticristo no Apocalipse, mas utilizou-o em sua II Epístola, no
seguinte trecho:
“Porque já muitos enganadores entraram no mundo, os quais não
confessam que Jesus veio em carne. Estes são os enganadores e anticristos”. (II Jo
1.7-8).
Neste trecho, João chama de anticristos àqueles que se opuseram a Jesus, o
primeiro Cristo nascido de uma mulher na Terra e com um corpo físico. Conforme
as crenças do cristianismo tradicional Ppode-se dizer que ocorrerá coisa semelhante
ao novo Cristo que aparecerá na Terra, o qual, muito provavelmente (de acordo
com as profecias da humanidade e da Bíblia), será rejeitado e pereseguido por
muitos pelo simples fato de ser um homem e possuir um corpo físico.
Em minhas pesquisas, descobri que o termo anticristo aparece novamente
no Apocalipse de Tomé, um texto apócrifo que se tornou conhecido na Europa no
início do século V:
“Os céus se moverão, as estrelas cairão sobre a Terra, o sol e a lua serão
cortados ao meio; e a lua não luzirá mais. Em todas as regiões haverá carestia,
grande peste e muita angústia. Haverá sinais e prodígios excepcionais nos dias
que antecedem a chegada do anticristo. Estes serão os sete sinais que aparecerão
antes do fim deste mundo”. (Apocalipse de Tomé. Apud Os Grandes Profetas. p.
139).
Embora conheça o termo anticristo, João utiliza no Apocalipse o termo
Besta (no sentido de fera selvagem), comparando-a à pantera, ao urso e ao leão a
fim de expressar a extrema maldade de alguns homens que aparecerão na Terra nos
últimos dias, os quais trarão descrença, blasfêmia, terror, guerras, fome e grandes
desgraças sobre toda a Terra. Por suas características perversas e pelas
conseqüências de suas ações, podemos identificar a figura da Besta do Apocalipse
com a figura do anticristo citado no II Epístola, nas profecias da humanidade e no
326
Apocalipse apócrifo de Tomé. Eis como João registrou o aparecimento da Besta e
como a descreveu:
“Vi então uma besta que subia do mar. Tinha 10 chifres e 7 cabeças; (uma
comparação com a hidra de lerna com 7 cabeças, da mitologia grega,) sobre os
chifres havia 10 diademas, e sobre as cabeças um nome blasfemo. A besta que vi
parecia uma pantera; seus pés, contudo, eram como os de um urso (símbolo do
comunismo) e sua boca como a mandíbula de um leão. E o dragão (a antiga
serpente = satanás = Lúcifer) lhe entregou seu poder, seu trono e uma grande
autoridade”. (Apoc 13.1-2).
d) Decodificando a Besta do Apocalipse — Vamos decodificar os
símbolos costantes deste trecho bíblico. O termo mar simboliza a humanidade
decaída, o mundo decaído — a Terra = inferno — sob o domínio de Lúcifer. O
Apocalipse diz que “as águas que vistes, sobre as quais está assentada a
prostituta, são povos, multidões, nações e línguas”. (Apoc 19.15). Noutro trecho
está registrado: “E vi um novo céu e uma nova Terra. Porque o primeiro céu e a
primeira Terra passa‘ram, e o mar já não existe”. (Apoc 21.1). Portanto: águas =
mar = humanidade decaída. Logo, a besta que saiu do mar simboliza um ser
humano decaído (ou um grupo) que se sobressaiu da multidão (saiu do mar),
tornando-se um poderoso líder (ou um grupo de líderes). As 7 cabeças são 7 líderes
(“reis”). Os 10 chifres e os 10 diademas simbolizam o poder dos 7 líderes, os quais
são representantes da Besta, que transferiu a eles seu trono, seu poder e sua
autoridade. O comunismo russo teve sete líderes: Lênin, Trotsky, Stálin, Kruschev,
Brejniev, Andropov e Gorbatchev.
e) Adão-cristo e anti-Adão-anticristo — Já dissemos que o Cristo é um
novo Adão, um homem nascido na Terra sem pecado e em estado de plena união
com Deus. Como o I Adão foi assassinado espiritualmente por Lúcifer (através de
Eva), e o II Adão foi assassinado fisicamente por Lúcifer (através dos líderes e do
povo judeu do passado), Deus precisou fundar uma nova igreja (igreja = nação
eleita: os cristãos) através da qual pudesse divulgar o Novo Testamento (a nova
mensagem e a nova promessa) e preparar o mundo para receber o novo Cristo — o
III Adão. Sem a antiga serpente, o Grande Dragão, nada disso teria sido necessário.
Por isso, antes de iniciarmos a decodificação dos sinais e símbolos referentes ao
novo Cristo, no Apocalipse, decodificamos o símbolo do Grande Dragão. A
decodificação deste símbolo nos fornece a chave para decodificarmos os símbolos
da besta e do anticristo simultaneamente. Vejamos.
O Grande Dragão é a antiga serpente, o arcanjo Lúcifer. Jesus declarou que
Lúcifer se tornou o “deus deste mundo” (porque adão e Eva o aceitaram como
senhor ao acatar suas ordens, rejeitando as ordens de Deus). Portanto, assim como
Deus trabalha através de homens na Terra, Lúcifer também faz o mesmo. E assim
como Deus trabalha para enviar Seu Cristo ao mundo (fazer nascer um novo Adão,
um personagem absolutamente bom para destruir o inferno e implantar o céu na
Terra), Lúcifer trabalha para fazer nascer seu anticristo (um anti-Adão; um
personagem absolutamente mau para preservar o inferno). Deus já trabalhou na
Terra através de 2 Cristos (Adão e Jesus), e, segundos os cristãos unificacionistas,
327
já está trabalhando através de um terceiro Cristo — o Rev. Moon. Lúcifer já
trabalhou através de dezenas de anticristos (anti-Adãos): Cambises (o cruel rei dos
assírios), Gengis Khan, Átila, Nero, Calígula, Alexandre da Macedônia,
Maquiavel, Robespierre, Napoleão, Karl Marx, Guilherme II, Lênin, Stálin,
Kruschev, Hitler, Mão Tsé Tung, Pol Pot, Saddan Hussein, Bin Laden, entre
centenas de outros líderes políticos materialistas ou pseudo-religiosos que
provocaram grandes massacres de vidas humanas (sem esquecer Don Juan, Sade,
Masoch, Bocage, Freud, entre outros pensadores ateus e amorais). Dentre estes
anticristos, grandes criminosos, alguns se sobressaíram em função de sua crueldade
e frieza ilimitadas (porque inspirados e manipulados diretamente por Lúcifer). A
estes tiranos anti-Deus e anti-humanos o Apocalipse atribuiu o símbolo de bestas,
pois demonstraram possuir a selvageria própria de uma besta selvagem (pantera,
urso, leão), uma fera irracional: Robespierre (o líder da Revolução Francesa), Marx
(o pai do comunismo, a mais perfeita teoria ateísta e a mais perfeita defesa teórica
da violência da história do pensamento humano), Stálin (o líder da Revolução
Comunista que massacrou 35 milhões de pessoas, criou e exportou o terrorismo
revolucionário para o mundo e originou a Guerra Fria, uma III Guerra Mundial
não-declarada), Hitler (o líder da Revolução Nazista que massacrou 6 milhões de
judeus, milhões de ciganos e provocou a II Guerra Mundial, que matou e mutilou
cerca de 50 milhões de pessoas de todo o mundo). Mão Tsé Tung (líder da
Revolução Comunista chinesa que massacrou cerca de 90 milhões de inocentes na
China durante a famigerada Revolução Cultural), Pol Pot (líder do Khmer
Vermelho cambojano que massacrou 3.5 milhões de pessoas, metade da população
do Cambodja na época com pauladas na cabeça a fim de poupar balas), e o mais
recente dos anticristos-bestiais: Osama Bin Laden (o líder do terrorismo
apocalíptico). Bin Ladem declarou guerra contra a civilização judaico-cristão —
trata-se de uma guerra contra o mundo, uma III Guerra Mundial —, mas é um
adversário traiçoeiro e covarde que não enfrenta os exércitos militares de frente,
preferindo assassinar crianças e pessoas inocentes a fim de ferir os sentimentos de
seus inimigos. A guerra terrorista é a mais traiçoeira e covarde de todas as guerras,
pois visa exatamente a população civil pacífica.
f) Vladimir Jirinovski: a última besta do Apocalipse? — Quando falamos
de anticristos e bestas não podemos esquecer o nome de Vladimir Jirinovski, o
mais perfeito candidato a besta do Apocalipse do século XX, e ainda vivo; um
russo que defende abertamente uma nova Guerra Mundial, dizendo: “Um dia a
Rússia e a Alemanha formarão uma aliança; e juntos neutralizaremos a Europa”.
Vladimir Wolférisch Jirinovski é o líder do LDPR, Partido Liberal
Democrático, de tendência ultranacionalista e fascista. Fundado em 1990 por
Jirinovski, o LDPR não tem nada de liberal nem de democrático. Em 1991,
Jirinovski concorreu à presidência da Rússia com Boris Yeltsin e conquistou 6
milhões de votos, 7,8% do total, prometendo baixar o preço da vodca (estimular o
alcoolismo) e estimular o racismo, substituindo todos os locutores da TV estatal de
cabelos negros por loiros de olhos azuis. Como Hitler, Jirinovski defende o “tipo
ariano puro”, acusando os morenos (transcaucasianos) de “cometerem mais crimes
328
na Rússia que todos as outras pessoas juntas”. Para ele, “toda a transcaucásia é um
covil de bandidos e vigaristas sem nenhum interesse para a Rússia. Aí haverá uma
guerra de todos contra todos” (que ele pretende começar). O mesmo destino ele
reserva aos povos da Ásia Central: “Os uzbeques, os tadjiques, os cazaques, etc.
vão se matar entre si”. Esse ódio aos “não-arianos” culmina nos judeus, acusados
por Jirinovski de “liderar uma conspiração internacional contra a Rússia”. Muitos
vêem Jirinovski como um bufão falador (como Hitler era visto antes de chegar ao
poder). No entanto, 33% dos militares votaram Jirinovski nas eleições presidenciais
de 1995, e 1 em cada 4 russos votou nele para presidente.
Jirinovski é amigo dos neonazistas alemães e austríacos, e era amigo de
Saddam Hussein, a quem visitou em solidariedade durante a Guerra do Golfo, em
1991. Suas idéias chegam ao absurdo: ele defende a expansão das fronteiras russas
e alemãs até o encontro das duas (o que implicaria na supressão de países inteiros
como a Polônia), a reanexação dos países Bálticos, a aplicação do conceito de raça
pura para os eslavos russos, o fuzilamento sumário de criminosos e o uso da bomba
atômica contra os inimigos da Rússia. Além disso, Jirinovski é um anti-semita
confesso que veiculou farta propaganda paga na TV durante a campanha
presidencial de 1995, onde prometia afastar o capital ocidental da Rússia, recuperar
a dignidade dos russos e restaurar o antigo império dos czares (incluindo o Alasca,
o que significaria uma declaração de guerra aos Estados Unidos), além de liquidar
a corrupção. O dinheiro de sua campanha teria vindo de Saddam Hussein.
Assim como Hitler expôs suas idéias insanas no Mein Kampf (Minha Luta),
um livro que se tornou a bíblia do nazismo, Jirinovski também escreveu um livro
onde expôs suas idéias megalomaníacas, e no qual podem ser encontradas idéias
muitos semelhantes às idéias de Hitler. Os estudiosos alertam que se Jirinovski
chegar ao poder não hesitará em concretizar suas idéias genocidas nazifacistas. Por
defender a guerra, Jirinovski tem sido visto como o garoto-propaganda da indústria
bélica russa, que provavelmente, o patrocina.
Egocêntrico como Hitler, Jirinovski quer remodelar o mapa político da
Europa — “A minha Europa”, como diz ele —, ainda que para isso tenha que
recorrer à guerra total e ceder os territórios antes pertencentes à Alemanha tomados
pelo III Reich no fim da II Guerra Mundial. Aliás, é com a Alemanha que ele sonha
fazer uma aliança para remodelar a “sua” Europa. Mutos neonazistas têm visitado
Jirinovski (que tem retribuído as visitas), os quais pretendem reviver o conceito de
raça pura de Hitler e estendê-lo aos eslavos. Jirinovski odeia os judeus, mas
descobriu que tem sangue judeu. Na Alemanha nazista Hitler mandou eliminar
todos os partidários que tinham alguma consangüinidade judaica. O que fará
Jirinovski se chegar no poder? Se suicidará?
O nome de Jirinovski e o número 666 — A gematria cabalística judaica
sugere formas de decodificação do número 666, o número bíblico do anticristo.
Surpreendentemente, no nome de Jirinovski o número 666 aparece duas vezes.
329
“Aqui está a sabedoria. Aquele que tem inteligência calcule o número da
besta. Pois este é o número de homem, e seu número é 666”. (Apoc 13). 36
Muitos estudos foram apresentados para decodificar esse número
simbólico. Por exemplo: 666 x 3 = 1998, ano em que, supostamente, ocorreria a III
Guerra Mundial. O método mais usado, porém, é o de se atribuir valores às letras
do nome do candidato à besta apocalíptica. Com base nesse método, os protestantes
“provam” que o anticristo é — ou será — o papa. Atribuindo valores numéricos às
letras romanas (numerais romanos) que aparecem nos três títulos que o papa usa
em sua tiara (DVX CLERI — VICARIVS FILLI DEI — VICARIVS
GENERALIS DEI IN TERRIS), a soma dará sempre 666, em qualquer um dos 3
títulos.
As letras A, R, S, F e E não têm representação em algarismos romanos, por
conseguinte, têm valor nulo). Vejamos a aplicação desse método no título
VICARIVS FILII DEI.
V = 5, I = 1, C = 100, A = 0, R = 0, I = 1, V = 5, S = 0, F = 0, I = 1, L= 50, I = 1, I
= 1, D = 500, E = 0, I = 1. Realizando a soma, obtém-se 666:
500 + 100 + 50 + 5 + 5 + 1 + 1 + 1 + 1 + 1 + 1 = 666.
(some e comprove os resultados). A Igreja Católica, obviamente, refuta esse
método protestante. Todavia, seria bom os católicos botarem as barbas de molho,
pois é concidência matemática demais.
O catolicismo prefere um terceiro método, considerado mais coerente: o
cálculo da gematria cabalística judaica.
Assim como fizeram os protestantes com o alfabeto latino, os católicos
atribuem ao alfabeto hebreu (composto de 22 letras) valores numéricos a algumas
letras: as 9 primeiras recebem valores unitários de 1 a 9, as 9 seguintes letras
36
O número 666 à luz do Completo Testamento — Os cristãos unificacionistas confirmam que o
número 666 é mesmo o número de satanás, da besta. E, com base na numerologia bíblicounificacionista, explicam que este número foi atribuído a Lúcifer porque o número 6 representa o
número da Queda. O número 3 é o número de Deus (o número 3 é onipresente na Bíblia, na natureza
e na sociedade). Assim, o homem deveria atingir a perfeição em três estágios (formação, crescimento
e aperfeiçoamento). Cada uma destes estágios está divididao em 3 níveis. Se você traçar um gráfico
com três retângulos e dividir cada um dos retângulos em três, verá que a 6ª parte do segundo
retângulo coincide com o alto do estágio de crescimento. Segundo a Teologia da Unificação, Adão e
Eva caíram na adolescência, no 6º nível do estágio de crescimento. Portanto, a Queda somente foi
possível porque o casal primário ainda era imperfeito e Deus ainda não podia habitar neles. Como a
Queda aconteceu no 6º nível do estágio de crescimento, o número 6 passou a simbolizar satanás, o
arcanjo Lúcifer. Desde então, o número 6 tem sido utilizado como um número místico pela magia
negra e tem sido associado a grandes tragédias históricas. Um exemplo desse número na cultura
brasileira está na sexta-feira, 13 de agosto, o dia nacional da umbanda, quimbanda, candomblé,
bruxaria, etc. Assim, o número 666 é o resultado de 6 x 3 = 666; é o número 6 elevado à perfeição
(multiplicado pelo número 3 = número da perfeição) e simboliza a maldade perfeita. A mais recente
interpretação do número 666 inverteu o número, obtendo 999, interpretado como o número de um
novo início = 1. Assim, obteve-se o número 1999, ano interpretado como “ano em que a força
satânica se desencadearia sobre a Terra”. O tema é bem mais amplo e profundo, mas, por ora, este
comentário é o suficiente.
330
valores em dezenas e as 4 últimas letras valores em centenas. Esse cálculo revela
que o nome que a Igreja reconhece como o primeiro anticristo, Nero, coincide com
o número 666. Pois em hebreu CÉSAR NERO se escreve com as seguintes letras:
CÉSAR se decompõe em: kof + samekh + rech (100 + 60 + 200) = 360, e NERO
em: noun + rech + vav + noun (50 + 200 + 6 + 50) = 306. Logo: 360 + 306 = 666.
Com Vladimir Jirinovski ocorre a mesma coisa. Se seu nome for transcrito
em hebraico, segundo seu valor na gematria, coincide com o número 666. Esta
transposição, porém, não é tão evidente como a do nome de NERO em função de
que na Rússia se usa o alfabeto cirílico, e as letras utilizadas nesse alfabeto são
mais numerosas que as do alfabeto hebreu. A primeira letra de Jirinovski, que
latinizado se transcreve como um J, é uma espécie de estrela no alfabeto russo,
dificilmente transportável (escreve-se também, no ocidente, Schirinowiski). Pelo
contrário, a letra ov se pode legitimamente escrever simplesmente pela letra
hebraica vav que faz não somente a função da consoante (v), mas igualmente da
vogal o, u e ou. Aliás, em Jehovah, que parece a consonância mais exata do termo
Deus em hebreu, se escreve:
yod + hé + vav + hé = 10 + 5 + 6 + 5 = 26
j
eh
ov
ah
Contrabalançando esse pequeno obstáculo do alfabeto russo, no que
concerne a Vladimir Jirinovski, há estranhamente não uma, mas duas maneiras de
se chegar ao número 666. Uma só pelo prenome, e outra pelo prenome e pelo
sobrenome. É na primeira letra de Jirinovski (onde se situa uma escolha de letra em
hebreu que poderia ser traduzida por guimel ou por chin) que, por uma curiosa
coincidência, se dá esta igualdade. A maneira mais correta de escrever Vladimir
Jirinovski seria assim:
Vet + lamed + Alef + Dalet + Yod + Mem + Yod + Rech
(2 + 30 + 1 + 4 + 10 + 40 + 10 + 200) = 297.
Guimel + Yod + Rech + Yod + Noun + Vav + Samekh + Kaf + Yod
(3 + 10 + 200 + 10 + 50 + 6 + 60 + 20 + 10) = 369.
Ou seja: 297 + 369 = 666.
Curiosamente, se lhe subtrairmos a consoante inicial em ch chin, o nome
simples Jirinovski resulta no seguinte:
Chin + Yod + Rech + Yod + Noun + Vav + Samekh + Kaf + Yod
(300 + 10 + 200 + 10 + 50 + 6 + 60 + 20 + 10) = 666.
Explicando: chin vale 300 e guimel vale 3, o que dá 297 de diferença.
Vladimir vale exatamente 297.
Ainda que se possa contestar esse cálculo como manipulação de valores, há
que se ressaltar que este é o verdadeiro método da gematria, transcrevendo-se este
nome o mais fiel possível segundo a valência do alfabeto hebraico.
Existe uma profecia do Papa João XXIII que indica que o anticristo
abominará sua própria raça. Muitas profecias informam que o anticristo será
331
originário da tribo israelita de Dan. O mais impressionante é que os russos são
realmente descendentes da tribo de Dan. E Jirinovski é russo.
No livro do Gênesis Jacó abençoou seus doze filhos, dizendo-lhes:
“Anunciar-vos-ei o que vos há de acontecer nos derradeiros dias...”. Ao chegar a
Dan, o 7º filho, Jacó disse: “Dan julgará o seu povo; Dan será a serpente junto ao
caminho; uma cerasta junto à vereda, que morde os calcanhares do cavalo e faz
cair o cavaleiro por detrás. A tua salvação espero, ó Senhor!”. (Gn 49. 16-18).
A cerasta é uma serpente ruiva com dois chifres (mais um adendo à
simbologia apocalíptica dos chifres e da serpente). Sua cor é um misto de
vermelho, amarelo e preto — as cores da bruxaria e dos comunistas. A cerasta é o
símbolo da astúcia e da traição, pois morde o calcanhar do cavalo para derrubar o
cavaleiro. Muitos vêem na cerasta o símbolo do anticristo apocalíptico, ou um
símbolo do lado norte da Europa, onde há muitos povos ruivos (bárbaros cruéis
como os vikings do passado), devido à mistura da raça morena hebraica de Dan e a
raça eslava morena com a raça ariana.
No capítulo 48 de Ezequiel, ao marcar as regiões onde se estabeleceriam as
doze tribos, diz que “Dan teria a porção, desde o fim do norte ao termo de
Damasco; teria a banda do Oriente e do Ocidente”. Foi daí que eles migraram
para o Oriente e o norte da Europa. A tribo de Dan se estabeleceu em todo o
Oriente da Europa., conquistando a Dinamarca à força (Danemark = a marca de
Dan), entreoutras, batizando rios e regiões com o nome de Dan.
Na Bíblia, a tribo de Dan sempre foi a tribo rebelde. Quando a Palestina foi
dividida em dois reinos (norte e sul), a tribo de Dan ficou no reino de Israel, o reino
dos rebeldes, cuja capital era Samaria (dos samaritanos). A tribo de Dan foi a
primeira que caiu na idolatria, revoltando-se contra Moisés e a lei de Deus. João,
no Apocalipse 7.4-8, ao assinalar os israelitas fiéis cita apenas onze tribos,
excluindo a tribo de Dan como infiel. Amós, no capítulo 8, ao falar do fim dos
tempos, diz que haverá muitas desgraças para “Os que juram pelo delito de
Samaria (capital do reino rebelde de israel) e dizem: Viva o teu deus, ó Dan!”. (o
deus de Dan era um bezerro de ouro). A raiz da palavra Dan, em diversas línguas,
tem um sentido negativo ou destrutivo: No latim: Dannum (dano, prejuízo); no
português: dano, daninha, danoso, danado, etc; no espanhol: daño (prejuízo); no
italiano: danno (prejeuizo); no francês antigo: dam (prejuízo); no francês atual:
danger (perigoso); no inglês: to dam (destruir), danger (perigo), dangerous
(perigoso), etc. 37
Por tudo isso, Jirinovski pode ser visto, efetivamente, como a maior
ameaça política do mundo atual e o candidato número 1 a anticristo e besta
apocalíptica do século XXI. Se Jirinovski for eleito presidente da Rússia a paz
mundial estará seriamente ameaçada.
37
Mais sobre Dan e a Rússia — Para maiores informaões sobre Dan como a origem dos povos
orientais, veja o meu livro A Natureza Mística do Marxismo (Editora IL Rung, l986. São Paulo,ou
escreva para [email protected])
332
Estudado o significado simbólico do anticristo, passemos ao estudo dos
candidatos a Cristo surgidos nos séculos XIX e XX, fortemente atuantes no século
XX e ainda atuantes no século XXI.
2. Os candidatos a Cristo dos séculos XX e XXI
— Os 25 Candidatos de origem e inspiração judaico-cristã
2.1. Alziro Zarur e a Legião da Boa Vontade
“Que templo é esse do versículo 15? (do capítulo 7 do Apocalipse). Tudo indica,
pelo seu papel altamente solidário, que se trata do Templo do Ecumenismo
Irrestrito, que a Legião da Boa Vontade levantou em Brasília”. (Cf. As Profecias
sem Mistério, Paiva Neto, p.193). “Quando Jesus voltar encontrará erguido o
Templo da Boa Vontade”.
Alziro Elias Davi Abraão Zarur nasceu no dia 25 de dezembro de 1914, de pais
sírios, católicos ortodoxos. Zarur considerava a si mesmo a reencarnação de
Allan Kardec, como declarou no livro Jesus — A Saga de Alziro Zarur II. O
cientista francês Denizard Rivail declarou-se a reencarnação de Alan Kardec,
adotando esse nome. Kardec tentou fundir o pensamento judaico-cristão com o
pensamento afro-indiano, usando a Bíblia, o nome de Jesus e dos apóstolos, mas
todo o pensamento kardecista está fundamentado no pensamento afro-indiano e na
hipótese da reencarnação. Por isso, o kardecismo nega a Queda do homem, a
realidade do mal, de satanás e do pecado; acredita em discos voadores e planetas
habitados por ETS e ensina que a humanidade veio do planeta Capela (veja o livro
Os Exilados de Capela), e que Jesus é simplesmente um capelino, um ET enviado
do planeta Capela para fazer a humanidade evoluir. Por tudo isso, o kardecismo
está alinhado com o esoterismo e o Movimento Nova Era. Ao se declarar a
reencarnação de Allan Kardec Zarur estava assumindo todas as crenças kardecistas
pseudocristãs, inclusive a crença de que Kardec era o avatar do novo tempo que se
iniciava com o movimento espiritista.
Zarur se casou com Iracy de Abreu, criou o Partido Trabalhista Nacional
— PTN — e se candidatou à presidência da república, mas perdeu as eleições. Em
4 de março de 1949, lançou o programa Hora da Boa Vontade, na rádio Globo do
Rio. Lá criou a Prece do copo d’água (gesto imitado hoje por algumas
denominações evangélicas). Alziro Zarur citava textos bíblicos na rádio, dentre os
quais Lc 2:14: “Paz na Terra aos homens de boa vontade”. A LBV foi fundada
oficialmente por Zarur em 7 de setembro de 1959, declarando-se uma organização
criada pelo próprio Jesus (Cf. Religião do III milênio, p. 95) como uma religião
santíssima (idem p.115). Atualmente, José de Paiva Neto, o sucessor de Zarur,
declara que a Legião da Boa Vontade é “a religião de Deus”.
O Templo da Boa Vontade — Embora pareça evitar ser chamada de
religião (no sentido sectário), a LBV se declara a Religião de Deus por ser forte
defensora do ecumenismo. O Templo da Boa Vontade, inaugurado por Paiva Neto
333
em 21 de outubro de 1989, em Brasília, é o monumento mais visitado da capital
federal (Cf. o livro As Profecias Sem Mistério, de Paiva Neto. p. 215).
O ParlaMundi — O Parlamento Mundial da Fraternidade Ecumênica, da
LBV foi inaugurado por Paiva Neto em 25 de dezembro de 1994, em Brasília. O
ParlaMundi da LBV é chamado pela imprensa brasileira de Parlamento dos
Espíritos porque Paiva Neto assim o definiu: “O Parlamento Mundial da
Fraternidade Ecumênica, que erguemos com o indispensável auxílio do povo, ao
lado do Templo da Boa Vontade manterá suas portas abertas a todos os seres de
boa vontade, na matéria ou fora dela. Ele propõe a conciliação universal de todo o
conhecimento humano e espiritual, numa poderosa força a serviço dos povos”.
Alziro Zarur como candidato a novo Cristo e o Templo do Ecumenismo
Irrestrito — Se a LBV se declara a “religião de Deus”, seus adeptos são os
escolhidos, os santos dos últimos dias. Nesse contexto, Alziro Zarur é visto por
eles, não apenas como a reencarnação de Allan Kardec, mas como o mensageiro da
verdade última e perfeita enviada por Deus à humanidade. Logo, Zarur podeser
visto como mais um candidato a cristo. Um dos sinais de sua “messianidade”
estaria nas letras iniciais de seu próprio nome: A e Z (primeira e última letra do
alfabeto latino), o alfa e o ômega, como a Bíblia designa o próprio Cristo. Seu
nome também contém os nomes de Elias, Davi e Abraão (um profeta, um rei e um
patriarca). Nesse contexto, Paiva Neto aparece como uma espécie de João Batista
(preparador do caminho) de Zarur. Confirmando tais crenças (não declaradas
publicamente), e referindo-se ao Templo do Ecumenismo Irrestrito, Paiva Neto
escreveu:
“Que templo é esse do versículo 15? (do capítulo 7 do Apocalipse). Tudo
indica, pelo seu papel altamente solidário, que se trata do Templo do Ecumenismo
Irrestrito, que a Legião da Boa Vontade levantou em Brasília”. (Cf. As Profecias
sem Mistério, Paiva Neto, p.193).
O Apocalipse 7.15 diz: “E o templo encheu-se com o incenso da glória de
Deus e do Seu poder; e ninguém podia entrar no templo, até que se consumassem
as sete pragas dos sete anjos”. Portanto, o templo referido no Apocalipse é a
morada de Deus. Assim, para Paiva Neto, Deus enviou Alziro Zarur para revelar a
verdade última à humanidade e para ensinar-lhe a prática do amor (boa vontade).
Para isso, Deus fundou, através de Zarur, a sua religião verdadeira — a “religião de
Deus” —, e ordenou-lhe, assim como fez com Saul, Davi e Salomão, que
construísse na Terra o Seu templo, a sua morada — o Templo do Ecumenismo
Irrestrito! Logo, Zarur não é um simples mensageiro; é alguém com o status de um
rei Davi (que herdou de Saul a tarefa de construir o Templo da nação eleita, no
caso, o Brasil). Como o Cristo vem à Terra como rei para ocupar o trono de Davi,
sendo Zarur comparado a um rei, com a missão de construir o Templo da nação
eleita (o Brasil), Zarur só pode ser visto como um enviado muito especial (o maior
dos profetas), ou o próprio Cristo.
Jesus voltará no Templo da Boa Vontade, em Brasília — A LBV sugere,
nas entrelinhas de seus textos, que o Cristo voltará diretamente sobre Brasília:
“Quando Jesus voltar encontrará erguido o Templo da Boa Vontade”. (Cf. As
334
Profecias sem Mistério. Paiva Neto, p.193). Logo, o Templo da Boa Vontade foi
erguido para receber o Cristo no Brasil, em Brasília.
Muitos cristãos rejeitam essa “profecia” de Paiva Neto que enaltece o
Brasil como uma nação eleita, em detrimento do povo judeu. Todavia, se
pesquisassem mais acerca da dimensão providencial da história do Brasil e sobre as
profecias sobre o Brasil certamente teriam uma visão mais favorável ao Brasil.
Afinal, o Brasil não é o país mais cristão do mundo (católicos e protestantes) e um
país tão especial étnica, ecológica e geopoliticamente por mero acaso.
A LBV e a Bíblia — Em seu livro Mensagem de Jesus para os
sobreviventes, Alziro Zarur escreveu um poema, onde diz:
“Por que odiarmos a satanás se ele também é criação divina? Por que não
transformá-lo num bom amigo em vez de combatê-lo? Amigos meus, oremos por
satã, amemo-lo de todo ocoração e respondamos sempre com o perdão aos males
que nos faça hoje e amanhã. E, um dia, todos nós iremos ver satanás redimido a
trabalhar por aqueles que veio tresmalhar dos rebanhos de Cristo, e reviver!
Porque se assim, amigos, não quiserem aqueles que se chamam cristãos, lavemos
desde já as nossas mãos ante a iniqüidade que fizeram. Por mim, com honra, eu
amo satanás, meu pobre irmão perdido no inferno, com este amor dos sentimentos
ternos, para que ele também receba a paz”. (Mensagem de Jesus para os
sobreviventes, Poema completo: p.130 a 133).
Muitos grupos evangélicos condenam Zarur por pregar o amor ao grande
inimigo da humanidade, satanás, o arcanjo Lúcifer. Todavia, não foi o próprio
Jesus quem ordenou que amássemos nossos inimigos? O que ganha um cristão ao
odiar seja lá quem for? Sendo assim, o problema da LBV não está no fato de ela
pregar o amor aos inimigos. No mesmo livro, Zarur também escreveu:
“...a fé dos cristãos míopes refuta fatos concretos e justifica contradições
na Bíblia dos hebreus? Senhor, não creio que este Livro Santo tenha, todo ele,
inspiração divina porque Tua santíssima doutrina não pode rebaixar-se tanto e
tanto!”. (Mensagem de Jesus para os sobreviventes, páginas 179,180).
Isto significa que a LBV admite erros e contradições na Bíblia (erros são
invasões satânicas) que teriam deturpado o entendimento dos escritores da Bíblia,
os profetas, os apóstolos e os escritores primitivos da Bíblia. Essa posição da LBV
assemelha-se à posição de alguns clérigos católicos. Os cristãos evangélicos
retrucam, dizendo: Se você crê na Bíblia como a palavra de Deus, ela é confiável e
tudo nela está certo. Por outro lado, se você admite erros e contradições na Bíblia
é porque você não a vê como a palavra de Deus. Ou seja, você não acredita na
Bíblia! Por sua vez, os cristãos unificacionistas concordam em parte com a posição
dos cristãos evangélicos. Todavia, acrescentam que alguns elementos alheios ao
genuíno pensamento bíblico foram introduzidos na Bíblia nos primeiros séculos da
era cristã por intelectuais pagãos recém-convertidos. Estudos especializados
identificam na Bíblia elementos míticos oriundos da mitologia grega e romana,
exigindo estudos voltados para a desmitologização da Bíblia. De outro lado,
observam que as divisões ocorridas dentro do cristianismo decorreram dos limites
da visão (grau de instrução, bagagem cultural e capacidade intelectual e espiritual)
335
de alguns indivíduos sobre a Bíblia. Sem o pleno conhecimento da vontade de
Deus expressa na Bíblia, alguns líderes religiosos discordam entre si e decidem
criar sua própria igreja, dividindo, confundindo e enfraquecendo o “exército” de
Deus, e permitindo o avanço das forças do mal sobre o mundo. Se os cristãos
tivessem permanecido unidos e centralizados em Jesus facilmente teriam dominado
o mundo. Hoje, a realidade do mundo seria bem outra. Assim, a divisão confunde e
enfraquece, mas a união harmoniza e fortalece. Onde está a vontade de Deus? Na
divisão ou na união? Por outro lado, um cristianismo unificado aguardando a volta
de Jesus sobre as nuvens da atmosfera terrestre seria altamente perigoso (mortal,
talvez) para o novo Cristo que,segundo o Apocalipse, será um outro homem, terá
um corpo físico, nascerá na Terra, terá um novo nome, uma esposa e 12 filhos.
Assim, a divisão do cristianismo (assim como a democracia, devido à liberdade
religiosa) pode ter sido providencialmente necessária.
A LBV nega que Jesus seja o próprio Deus, Criador do universo — No
livro da LBV Jesus — A Saga de Alziro Zarur II, pág. 112), está escrito: “Jesus, o
Cristo de Deus, não é Deus nem jamais afirmou que fosse Deus”. Os cristãos em
geral acreditam que Jesus é o próprio Deus-Criador que se fez carne e habitou entre
os homens. Todavia, esquecem de observar que os homens decaídos (sob o
comando de Lúcifer) não se atreveriam a atacar e a assassinar o próprio Deus.
Além disso, Deus não pode ser assassinado. Na verdade, essa querela remonta ao
Concílio de Nicéia, em 325 d.C., nas origens do cristianismo. O patriarca Ario
defendia que 1. Jesus é um homem divino; 2. Quando Jesus nasceu o universo já
existia; e 3. Jesus nunca declarou ser o próprio Deus-Criador, sempre se
apresentando como o Filho do Deus-Criador ou o Filho do homem (um ser
humano). Por sua vez, o patriarca Atanásio se opunha a Ario, afirmando: 1. Jesus é
o próprio Deus feito homem; 2. Se Jesus não é Deus não pode nos salvar; e 3. Se
Jesus não é homem não pode nos entender. O imperador Constantino, que presidiu
o Concílio de Nicéia, se decidiu por Atanásio e baniu Ario, fazendo predominar no
cristianismo a crença de que Jesus é o próprio Deus feito homem. Todavia, em
diversos trechos bíblicos Jesus declarou que não era o próprio Deus-Criador,
apresentando a si mesmo como filho de Deus, Filho do homem e até como um
novo Adão (Rm 5.19; ICo 15.45; ITm 2.5; Mt 27.46; ICo 15.21; Rm 8.34; At
17.31; Jo 17.1; Mt 4.1; Rm 5.19). Portanto, mais uma vez, o problema da LBV não
está em sua crença de que Jesus não é o próprio Deus-Criador.38 Tampouco seu
problema está na prática do amor cristão através da caridade, que é um
mandamento de Jesus e um dever moral de todo ser humano. Onde está, pois, o
grande problema da LBV?
A crença na reencarnação: o grande problema da LBV — Alziro Zarur
declarou: “Só a reencarnação e os séculos — expiação, reparação e progresso —
poderiam preparar as inteligências e os corações...”. (Jesus — A Saga de Alziro
38
A Teologia da Unificação — Um estudo mais completo e profundo dessa questão pode ser
encontrado no livro A Teologia da Unificação, no Capítulo Cristologia. Drª Young Oon Kim. Editora
Il Rung, l986. Outras informações podem ser obtidas no site www.familias.org.br.
336
Zarur II, pág. 259). Isto deixa claro que a LBV acredita na hipótese afro-indiana da
reencarnação. Alziro Zarur declarou ser ele próprio a reencarnação de Allan
Kardec, o avatar da era do espírito. Ora, já estudamos anteriormente acerca das
duas principais esferas culturais nas quais o mundo está dividido hoje: a esfera
cultural afro-indiana (tipo Caim) e a esfera cultural judaico-cristã (tipo Abel).
Para a esfera cultural afro-indiana Deus é um ser impessoal (não tem sentimentos;
não é um Pai de amor), nunca ocorreu a Queda do homem (separação homemDeus). Portanto, não existe satanás, nem mal, nem pecado, nem necessidade de
salvação e nem, obviamente, necessidade de um salvador. Todo o mal humano
decorre unicamente do estágio evolutivo da humanidade e, à medida em que o
homem evoluir, o mal desaparecerá. Esse conjunto de crenças é exatamente o
oposto do conjunto de crenças básicas da esfera cultural judaico-cristã, do
cristianismo. São crenças opostas e excludentes. Uma não se funde com a outra,
pois não existem duas verdades. A Bíblia refuta a hipótese da reencarnação nos
seguintes termos: “Aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo depois
o juízo”. (Hebreus 9.27).39 Ignorando, ou desprezando, a teoria da ressurreição
cristã,40 o espiritismo kardecista tentou fundir as crenças básicas do cristianismo
com a hipótese afro-indiana da reencarnação. Essa, sem dúvida, é uma fusão
esdrúxula e absurda, uma vez que a simples crença na reencarnação nega todas as
crenças básicas do cristianismo. Alziro Zarur foi um espírita kardecista que
pregava a caridade (a boa vontade) em seu programa de rádio. Em certo momento,
intuiu (alguém lhe “soprou”) que tinha uma missão messiânica, ou pró-messiânica,
no Brasil. Todavia, parece ter ido muito além quando declarou ser a reencarnação
de Allan Kardec (Inri Christo declara ser a reencarnação de Adão, Noé, Abraão,
Moisés e Jesus, apresentando-se por isso como a volta de Jesus). Provavelmente,
Zarur (enganado por espíritos enganadores) chegou a uma conclusão semelhante à
do Inri Christo, declarando ser a reencarnação de Allan Kardec e passando a ver-se
a si mesmo como um novo enviado de Deus — um novo messias, o avatar da era
39
Reencarnação e ressurreição — Segundo o Dicionário da Língua Portuguesa de F. S. Bueno:
“Reencarnação é o ato ou efeito de reencarnar, a pluralidade de existência com um único espírito;
enquanto que a palavra ressurreição é: levantar, erguer, surgir, sair de um local ou de uma situação
para outra. No latim, ressurreição é o ato de ressurgir, voltar à vida, reanimar-se. Biblicamente, o
termo ressurreição significa ressurgir dos mortos (Dicionário da Bíblia — Davis). Isto nada tem a ver
com nascer novamente em um novo corpo físico.
40
A ressurreição espiritual — Segundo os cristãos unificacionistas, ressurreição é mesmo o ato de
ressurgir dos mortos, mas espiritualmente. A ressurreição é um fenômeno espiritual, pois a morte de
Adão e Eva não foi física, mas espiritual. Na Bíblia estes dois tipos de morte são mencionados (Ec
12.7; Rm 8.6; Mt 8.21; Apoc 3.1). Morrer espiritualmente é apartar-se da palavra de vida e do amor
verdadeiro que provém de Deus. Ressuscitar é aproximar-se da palavra de vida e do amor verdadeiro
que provém de Deus, o que se faz gradativamente pela crença e prática da palavra de Deus expressa,
mais clara e plenamente, na Bíblia. Ressuscitar é readquirir a fé, o amor e a verdade perdidas; é
“iluminar-se” internamente, enriquecer-se espititualmente e unir-se a Deus gradativamente, pois o
espírito é eterno e nunca morre. Aquele que ama a Deus e ao próximo está vivo espiritualmente.
337
do espírito. No meu entender, o alinhamento de Zarur com a esfera cultural afroindiana (com o esoterismo e o Movimento Nova Era) foi o seu erro fundamental, e
é o que identifica Alziro Zarur como um falso candidato a cristo (e todos os demais
candidatos a novo cristo alinhados com a esfera cultural afro-indiana). Zarur
também não preenche os 14 requisitos/sinais do Diagrama dos candidatos a novo
Cristo, que, segundo Nostradamus, a Bíblia e a história, identificarão o verdadeiro
Cristo.
2.2. Ahmad e o movimento Ahmadista
Alguém como cristo voltará para a Terra como o messias prometido para purificar
a religião num tempo de trevas e restabelecer a pureza do Islã! Para os
ahmadistas esse homem prometido é Ahmad, e o caminho da restauração hoje é o
ahmadismo, a sua versão da religião islâmica.
O Paquistão é um país islâmico com forte fundamentalismo religioso. Por isso, foi
surpreendente que ali surgisse um candidato a cristo islâmico: seu nome é Ahmad,
fundador do Movimento Ahmadista. Ahamad nasceu em 1838, na aldeia de
Qadian, agora Índia, junto à fronteira com o Paquistão. Mesmo sem nenhuma
instrução formal, aprendeu o árabe, a língua sagrada do Alcorão. Sabe-se que ele
sofria de vertigens, diabetes e era levemente cego. Ahamad afirmou que recebeu
sua primeira revelação aos 52 anos, em1890, ano em que anunciou sua missão. Na
década de l980, o movimento Ahmadi já contava com 10 milhões de seguidores
entre os muçulmanos do mundo todo.
O pensamento dos Ahmadistas — No geral, a doutrina dos Ahmadi
conserva o teor do islamismo tradicional (de outro modo, seria rejeitada), mas
difere em alguns pontos que a tornaram exótica aos olhos do próprio Islã, sendo
por isso considerada uma heresia islâmica e os Ahmadi, uma seita dissidente do
islamismo (segundo sua doutrina, eles podem se disfarçar de muçulmanos
tradicionais).
Os muçulmanos ortodoxos crêem que Jesus é apenas mais um profeta que
antecedeu Maomé. Portanto, Maomé é o último e o maior dos profetas de Deus.
Muitos crêem ainda que Maomé voltará (para concluir sua missão?). Dizem ainda
que Jesus não foi crucificado, pois Alá enganou os carrascos colocando outra
pessoa na cruz e fazendo com que parecesse com o Cristo aos olhos das pessoas
presentes. Vemos, portanto, que o islamismo respeita Jesus e aguarda o seu retorno,
ou o reaparecimento de um novo Cristo à Terra. Ahmad se aproveitou dessa crença
tradicional islâmica para se apresentar como o novo Cristo prometido.
Os Ahmadi concordam com o islamismo tradicional quanto à volta do
Cristo, porém, vêem essa volta de um modo diferente da visão do islamismo e do
cristianismo tradicionais. Os Ahmadi dizem que a profecia foi mal interpretada
pelo seguinte motivo: Cristo não está vivo em algum lugar do céu, esperando voltar
à Terra; Cristo está morto. Está morto porque não foi levado para o céu. Ele foi
tirado da cruz, curado e continuou seu trabalho de pregação até a idade de 120
338
anos, levando com sua mensagem até a região da Caxemira, na Índia. Ele viveu
sua longa vida como um homem. Assim, ele não pode voltar à Terra uma
segunda vez. A verdadeira interpretação da profecia, de acordo com os ahmadi,
era que alguém como Cristo voltaria para a Terra como o messias prometido para
purificar a religião num tempo de trevas e restabelecer a pureza do Islã! Esse
homem prometido é Ahmad e o caminho da restauração hoje é a sua
religião/islâmica.
Como vemos, os Ahmadi acreditam que Ahmad é o novo
Cristo que voltou à Terra para salvar toda a humanidade através de sua visão
islâmica renovada.
O islamismo tradicional repudia duramente essa doutrina, pois os Ahmadi
vêem Ahmad como o maior e último profeta; o cristo prometido a todos os povos
do mundo, enquanto no islamismo ortodoxo Maomé é visto como o maior e último
dos profetas de Deus.
Críticas a Ahmad como candidato a novo Cristo — Toda a visão
ahmadista sobre Jesus é pura ficção, pois quanto à morte de Jesus na cruz, a Bíblia
e a história secular fornecem fartas evidências. O Novo Testamento registrou
“Quando eles O crucificaram”. (Mt 27.35); “Com um alto brado, Jesus deu seu
último suspiro na cruz”. (Mc 15.37); “Quando eles chegaram a Jesus e viram que
já estava morto, não lhe quebraram as pernas”. (Jo 19.33); “O anjo disse às
mulheres: Não tenham medo, porque eu sei que vocês estão procurando por Jesus
que foi crucificado. Ele não está mais aqui... Ressuscitou da morte”. (Mt 28.5-7).
As evidências históricas da crucificação de Jesus incluem ainda os
escritos do pagão Tácito: “Cristo sofreu a pena máxima durante o reinado de
Tibério”; de Luciano, o grego: “Os cristãos adoram o sábio crucificado”. O
apologista cristão Justino Mártir faz referência aos “Atos de Pôncio Pilatos” (agora
perdido), que escreveu uma crônica referente à morte de Jesus na cruz. O escritor
judeu Flávio Josepho escreveu: “Pilatos condenou-o à morte, por crucificação...”.
Até o Talmud babilônico registrou a crucificação de Jesus: “Ele foi crucificado na
véspera da Páscoa”. A tradição cristã também nos fornece forte evidência de que
Jesus foi mesmo crucificado, uma vez que desde o início do cristianismo os
cristãos usam uma cruz como símbolo do sacrifício de seu Mestre (ICor 11.23) e
nunca tiveram quaisquer dúvidas quanto ao fato da crucificação. Portanto, a
afirmação de Ahmad de que Jesus nunca foi crucificado é falsa.
De outro lado, o simples fato de Ahmad ser muçulmano já o desqualifica
como candidato a novo Cristo, uma vez que o islamismo não é uma religião
messiânica e não aceita a promessa do retorno do Cristo como salvador da
humanidade.
Ahmad também não preenche os 14 requisitos que, segundo Nostradamus,
a Bíblia e a história, identificarão o verdadeiro Cristo.
2.3. Bahá Ulláh e a Fé Bahaí
339
Para os bahaistas Bahá'u'lláh (= a glória de Deus) é a reencarnação de Jesus, o
espírito da verdade e a última e maior das manifestações de Deus na Terra. Para
um homem alcançar a salvação e ir para o céu deve crer em Bahá'u'lláh, conhecer
e praticar seus ensinamentos.
A fé Bahá'i — ou bahaismo — foi fundada em 1844 no Irã por Mirzá Husayn Ali
que, após receber a inspiração “divina” adotou o nome de Bahá'u'lláh, o senhor da
glória. Sua sede mundial se encontra em Haifa, Israel. Originou-se como uma seita
islâmica e é severamente perseguida no Irã. Sua crença é que todas as religiões têm
a mesma origem, princípios e aspirações. Enfatiza a unidade e a unificação do
mundo. Suas reuniões são denominadas assembléias espirituais. Numa época em
que o obscurantismo islâmico predominava no Irã, tratando a mulher como um ser
inferior pertencente ao homem, repudiava o cristianismo e os valores ocidentais,
entre os quais as descobertas científicas e tecnolócicas, Bahá'u'lláh se atreveu a
defender a igualdade de valores direitos do homem e da mulher, bem como a
ciência e a unificação de todas as religiões. Com isto, conquistou o coração e a
mente de milhares mulheres islamitas e de milhares de pessoas ocidentais,
especialmente mulheres, as quais viram no bahaismo uma força pró-feminismo. O
bahaismo atual pode ser alinhado com o Movimento Nova Era que defende todos
os ideais de justiça do cristianismo, mas excluiu a Bíblia de seu caldeirão de
crenças mítico-mágicas pagãs. Por outro lado, defender os ideais históricos e
universais da humanidade (que, por serem inatos, emanam da consciência moral
do homem em todos os tempos e lugares; são os imperativos categóticos de Kant)
não significa acreditar neles. O comunismo também defendeu teoricamente todos
os ideais históricos e universais da humanidade mas nunca pôs em prática
nenhum deles. Um fato curioso foi o modo como Ghandi ajudou a expandir o
pensamento afro-indiano por todo o mundo, ao utilizar a doutrina da hainsa, ou
não-violência e a desobediência civil, para libertar a Índia do domínio colonial
britânico. Ghandi defendia Jesus, mas condenava o cristianismo, mas o princípio da
não-violência foi também enfatizado por Jesus e pelos cristãos ao longo de toda a
história do cristianismo.
Ghandi foi um hinduísta até o fim da vida, quando
foi assassinado por um outro hindu (que esqueceu o princípio da não-violência e as
supostas conseqüências espirituais da reencarnação). Além disso, o princípio da
não-violência foi utilizado pelos comunistas na África, durante o Aparthaid (não
comprar nada dos ingleses), no Chile (fazer tudo lentamente), na Argentina
(panelaço) e também pelos anticomunistas na ex-União Soviética (operação
tartaruga), não sendo, portanto, uma exclusividade do hinduísmo. Além disso, a
Índia atual, apesar da crença na não-violência, possui um forte arsenal atômico e
está em guerra com o Paquistão.
O bahaísmo, assim como o cristianismo, afirma que antes do nascimento
de Bahá'u'lláh, Deus enviou o Bab, Mirzá Alí Muhammad, uma espécie de João
Batista para lhe preparar o caminho. Seus textos sagrados foram escritos por Bahá
'u'lláh e Abdu'-I-Bahá. São os livros Kitabi-i-Aqdas e Kitab-i-Lqan. Para os baháis,
Deus não é um pai de amor, mas um ser incognoscível e impessoal que se
340
manifesta no mundo e na história através de líderes religiosos eminentes, entre os
quais Moisés, Buda, Confúcio, Jesus, Maomé e Bahá'u'lláh, o último e a maior das
manifestações divinas na Terra. Jesus, portanto, é apenas mais uma das muitas
manifestações de Deus. Trata-se do conceito afro-indiano dos avatares. Cada
manifestação substitui a anterior, dando novas revelações acerca de Deus. Moisés,
que foi substituído por Jesus, que foi substituído por Maomé e mais recentemente
pelo maior de todos: Bahá'u 'lláh, a glória de Deus. Jesus não é o próprio DeusCriador, não ressuscitou de entre os mortos nem é o único caminho para a
humanidade chegar a Deus. Na verdade, dizem os baháis, Jesus já voltou ao mundo
na forma de Bahá'u'lláh. Portanto, Bahá'u'lláh é a reencarnação de Jesus. Trata-se
de uma doutrina semelhante à doutrina do Inri Christo e do kardecismo.
O Espírito Santo, elemento fundamental da fé cristã, para os baháis é tão
somente a energia de Deus que infunde poder em cada uma de Suas manifestações.
Bahá'u'lla'h é o espírito da verdade. O homem é um ser imortal e suas obras na
Terra determinam seu lugar no mundo espiritual, que pode ser o céu ou o inferno.
Para um homem alcançar a salvação deve crer em Bahá'u'lláh como a última e
maior das manifestações de Deus, conhecer e praticar seus ensinamentos.
Bahá'u'lláh também não preenche os 14 requisitos que, segundo
Nostradamus, a Bíblia e a história, identificarão o verdadeiro Cristo.
2.4. Rajneesh e o Movimento Sannyasin 41
“A ênfase primordial da vida da comuna era construir a cidade de
Rajneeshpuram, um oásis no deserto”. (para Rajneesh: um paraíso dentro do
inferno).
Nove meses antes morrer Rajneesh ditou a seguinte inscrição para a cripta
de mármore e espelho que contém suas cinzas: “Osho nunca nasceu, nunca
morreu. Apenas visitou este planeta Terra entre 11 de dezembro de 1931 e 19 de
janeiro de 1990”.
Rajneesh Chandra Mohan (1931-1990), Bhagwan Shree Rajneesh (Bhagwan =
abençoado) e, por fim, Osho, nasceu em Kuchwada, Madhya Pradesh, Índia, em 11
de dezembro de 1931. Filho mais velho de um modesto mercador de tecidos passou
os 7 primeiros anos de sua infância com seus avós, que lhe davam liberdade para
fazer o que bem quisesse. Graduou-se em filosofia na Universidade de Sagar com
as honras de primeiro lugar (ganhou uma medalha de ouro). Em 1957 lecionou no
Sanskrit College e um ano depois tornou-se professor de filosofia na Universidade
de Jabalpur, onde lecionou por 9 anos. Durante seu tempo de estudante, Rajneesh
41
Além de livros (da biblioteca do autor) e de entrevistas e artigos pesquisados na internet, as
pesquisas para este tópico foram extraídas principalmente de Osho times on line
http://www.formaweb.com.br/oton/ e Osho delight: http://www.oshodelight.com
341
dizia ter sido campeão nacional de debates na Índia. Em 1966, depois de 9 anos
limitado pela função de professor de filosofia na Universidade de Jabalpur, decidiu
abandonar o cargo e viajar por toda a Índia, realizando palestras, desafiando todos
os líderes religiosos ortodoxos, políticos e pensadores em geral em debates
públicos, numa clara busca de visibilidade na mídia com o objetivo de adquirir
fama e difundir suas idéias anarco-espiritualistas, pois negava tudo, inclusive as
crenças e as tradições afro-indianas. A reação da sociedade indiana foi imediata, o
que lhe possibilitou alcançar seus objetivos.
A má educação recebida de seus avós (que não se importavam com ele, e
não lhe ensinaram que a responsabilidade, o dever, precede a liberdade, o direito),
aliada à sua tendência pró-ateísta e pró-materialista (absorvida de seus longos
estudos de filosofia), infundiu nele um ultracomplexo de superioridade, presunção,
desrespeito e rebeldia radical contra tudo e contra todos, inclusive contra Deus,
Jesus, o cristianismo e contra todas as religiões, inclusive o hinduísmo, sua raiz
mística, atraindo a rejeição dos próprios indianos. Eu não tenho qualquer dúvida de
que Rajneesh absorveu por inteiro as filosofias de Descartes (rebelião e negação
contra tudo e contra todos), de Nietsche (teoria do Super Homem ateu) e de Marx
(teoria do proletário rebelde e revolucionário) e de Mikhail Bakhounin (o
anarquismo radical), mesclando-a com algumas técnicas de meditação indianas.
Assim, sua teomania e seu ultracomplexo de superioridade o levou a desafiar e a
negar todas as idéias e todos os valores religiosos, sociais e políticos das
civilizações ocidental e oriental. Não se sabe se Rajneesh queria apenas fama e
fortuna, ou se pretendia, realmente, destruir todos os vestígios de civilização da
Terra e levar a humanidade de volta às cavernas e ao estilo de vida anarquista dos
selvagens e dos bárbaros. Novamente, sua rejeição total pela civilização foi
absorvida de Marx e Freud, entre outros. Freud teve sobre ele uma influência bem
mais marcante, uma vez que foi o defensor mais radical do sexo livre, da destruição
da família, do ateísmo e do fim da civilização. Rajneesh absorveu as idéias
ultraliberais de Freud sobre sexo e mesclou-as com o tantra, a visão liberal da
sexualidade originária dos Vedas indianos, forjando sua proposta de sexo
permissivo e antifamiliar. Em seu livro Do Sexo à Supraconsciência Rajneesh
defendeu a prática do sexo livre como o caminho para o homem atingir a
supraconsciência — Deus, para ele.
Aos 21 anos de idade, e depois de estudar filosofia e religiões, no dia 21 de
março de 1953 Rajneesh declarou ter atingido a “iluminação” e que sua biografia
externa terminara:
“Não estou mais buscando, procurando por alguma coisa. A existência
abriu todas as suas portas para mim. Nem ao menos posso dizer que pertenço à
existência, porque sou simplesmente uma parte dela... Quando uma flor
desabrocha, desabrocho com ela. Quando o Sol se levanta, levanto-me com ele. O
ego em mim, o qual mantém as pessoas separadas, não está mais presente. Meu
corpo é parte da natureza, meu ser é parte do todo. Não sou uma entidade
separada”. (acreditava ser onipresente, como Deus).
342
Em outros termos: Rajneesh declarou ter aprendido tudo o que havia para
aprender; tornara-se um com o universo e onisciente como Deus — tornara-se um
deus!
Durante os anos 60 viajou por toda a Índia como Acharya Rajneesh
(professor), criticando tudo e a todos, provocando a ira do establismment. Passou a
ser chamado de Bhagwan, o abençoado.
Como Marx e Freud, Rajneesh foi um estudioso esforçado e um escritor
prolixo. Leu Sigmund Freud, Chuang Tzu, George Gurdjieff, Buda, Jesus e
Rabindranath Tagorem, entre outros. De tudo o que leu extraiu a essência do que
considerou útil para compor seu projeto teórico: o anarco-espiritualismo. Seus
esforços afetaram sua saúde a ponto de seus pais e amigos temerem por sua morte
ainda cedo. Após a morte do avô, ele foi viver com seus pais em Gadawara. Sua
avó mudou-se para a mesma cidade, permanecendo como sua mais dedicada amiga
até falecer em 1970, tendo se declarado discípula do neto. Por essa época, Rajneesh
começou a viajar por toda a Índia, realizando palestras e fundando campos de
meditação. Durante mais de 35 anos disseminou sua falsa cosmovisão materialista
e ateísta, e sua proposta do Novo Homem (o rebelde anarquista). Mas fazia isso,
camuflando-a com uma capa de meditação. Sua Meditação Dinâmica 42 foi o
resultado da fusão de técnicas de meditação indiana e de técnicas de psicoterapias
ocidentais, especialmente da psicanálise freudiana e reichniana (Reich foi um
discípulo de Freud que morreu louco em um hospício. Escreveu o livro O
Assassinato de Cristo, para ele, o orgasmo, chegando a inventar uma máquina para
ampliar a duração do orgasmo).
Em 1968, ainda com seu primeiro nome espiritual — Bhagwan Shree
Rajneesh —, se estabeleceu em Bombaim, na Índia, onde residiu e ensinou por
vários anos. Organizou regularmente campos de meditação onde introduziu a sua
Meditação Dinâmica. Em 1974 inaugurou o ashram de Poona. Por essa época, seu
nome já era conhecido em muitos países e ele já contava com 250 mil seguidores.
Rajneesh também era odiado na Índia, onde o Primeiro Ministro indiano
Morarji Desai impediu todas as suas tentativas de transferir seu ashram para uma
região remota da Índia, onde ele pretendia aplicar seus ensinamentos na construção
de “uma comunidade auto-suficiente, onde todos viveriam em meditação, amor,
criatividade e alegria”. Em 1980, um membro de uma tradicional seita hindu tentou
assassinar Rajneesh durante uma palestra.
Ao mesmo tempo, sua saúde se fragilizava seriamente e ele se recolhia
cada vez mais à privacidade de seus aposentos, aparecendo apenas duas vezes por
dia, nas palestras matinais e à noite, em sessões de aconselhamento e iniciação. Em
42
Meditação Dinâmica — técnica que, supostamente, ajuda a paralisar a mente, permitindo que ela
tenha primeiramente uma catarse. Segundo Rajneesh, o homem moderno está tão sobrecarregado das
antiquadas tradições do passado e das ansiedades da vida moderna, que precisa passar por um
profundo processo de limpeza antes de poder descobrir a ausência de pensamento no relaxamento da
meditação.
343
maio de 1981, Rajneesh não conseguia mais falar. Seu corpo seriamente enfermo
com graves problemas de coluna o impedia de andar, obrigando-o a passar os dias
deitado. Tendo em vista a necessidade de uma cirurgia de emergência (agora,
doente e quase paralítico, Rajneesh precisava da ciência do mundo-problema que
ele tanto odiou e atacou). Levado aos Estados Unidos, realizou a cirurgia. Seus
seguidores norte-americanos compraram um rancho de 64 mil acres no deserto do
Oregon e o levaram para lá, onde se recuperou rapidamente sob os cuidados da
“maldita” medicina norte-americana que ele tanto atacou. Recuperado, Rajneesh
transformou o rancho de Oregon em uma comuna, à qual denominou de cidade de
Rajneeshpuram, o “oásis no deserto” o paraíso de seus sonhos. Em outubro de
1984, voltou a falar para pequenos grupos e, em julho de 1985, reiniciou suas
palestras matinais públicas.
Em novembro, após uma enfermidade de sete semanas, foi diagnosticada
uma deterioração geral de sua condição física devido a um envenenamento por
tálio. Num discurso público, Rajneesh declarou acreditar que o governo dos EUA o
havia envenenado durante os 12 dias em que esteve sob sua custódia, em setembro
de 1985. Rajneesh morreu no dia 19 de janeiro de 1990, na Índia.
Milhares de discursos foram publicados em mais de 650 livros, incluindo
traduções em mais de 30 línguas, grande parte dos quais está disponível em
gravações originais de áudio e vídeo. A cada ano, cerca de 10.000 pessoas viajam à
Osho Commune International para participar do Buddhafield (“o campo de energia
de um Buda”), para meditar e aprender como ser um homo novus — um rebelde
anarquista e radical, inimigo de Deus, de Jesus, das religiões e de todos os valores
da civilização mundial. O rebelde anarquista de Rajneesh tem muito dos jovens
guerrilheiros comunistas (os “nobres selvagens” de Francoise Revel), e dos jovens
hyppies vagabundos, promíscuos, roqueiros e drogados dos anos 60.
A descrença e a corrupção invadem o “paraíso” — Em setembro de 1985,
repentinamente, a secretária pessoal de Rajneesh abandonou a comuna —
abandonou Rajneeshpuram, o “oásis no deserto” —, juntamente com vários altos
membros da administração, escandalizados com as atitudes de Rajneesh. O fato
virou um escândalo internacional, pois trouxe à luz todo um conjunto de atos
ilegais cometidos pelos “rebeldes puros” de Rajneesh. As autoridades norteamericanas, que já procuravam uma forma de fechar o “paraíso” do sexo livre e da
rebelião-sem- causa de Rajneesh, aproveitaram a oportunidade e prenderam
Rajneesh no dia 29 de outubro de 1985, em Charlotte, Carolina do Norte. Seus
seguidores dizem que sua viagem de volta ao estado do Oregon, onde seria julgado
— normalmente um vôo de 5 horas — demorou 8 dias. Por alguns dias ninguém
soube do paradeiro de Rajneesh. Durante a audiência de sua fiança foi algemado e
acorrentado. Depois de libertado, revelou que na penitenciária de Oklahoma foi
registrado como David Washington e colocado numa cela com um prisioneiro que
sofria de herpes. Uma hora antes de ser libertado, uma bomba foi descoberta na
cadeia de Portland, presídio de segurança máxima de Oregon, onde Rajneesh
estava detido. Todos saíram, menos ele, que foi mantido mais uma hora dentro da
cadeia. Em meados de novembro seus advogados o aconselharam a declarar-se
344
culpado por duas das trinta e quatro violações das leis de imigração dos Estados
Unidos das quais era acusado a fim de evitar maiores riscos para a sua vida dentro
do sistema jurídico norte-americano. Rajneesh concordou. Foi multado em U$ 400
mil dólares, deportado dos Estados Unidos e impedido de retornar por 5 anos.
Deixando o país no mesmo dia, Rajneesh foi para a Índia, onde permaneceu em
repouso nos Himalaias. Uma semana mais tarde, a comuna do Oregon — o
“paraíso” do “cristo” Rajneesh — resolveu dispersar-se, para grande
desapontamento de Rajneesh. Nessa época, 21 países o expulsaram ou lhe negaram
visto de entrada, não porque fosse um homem puro, justo e inocente, mas devido
ao teor destrutivo — anarquista e anticivilização — de suas idéias.
Em julho de 1986, Rajneesh voltou a Bombaim, na Índia, onde ficou
hospedado na casa de um amigo indiano e retornou aos seus discursos diários. Em
janeiro de 1987, mudou-se para o seu ashram em Poona, onde vivera a maior parte
dos anos 70. Ao saber de sua chegada, o chefe de polícia de Poona tentou expulsálo da cidade, mas não conseguiu.
Em seus livros, Rajneesh criticou as civilizações oriental e ocidental,
propondo sua destruição total, enquanto defendia uma única idéia: o rebelde
anarquista radical, como solução para todos os problemas da civilização atual. Ou
seja: propunha resolver todos os problemas da civilização, destruindo-a
completamente e implantando o anarquismo radical. Copiando Marx, que dizia que
sua doutrina “messiânica” não era uma filosofia, mas uma ciência para transformar
o mundo, Rajneesh — como um falso cristo — resumiu sua mensagem “salvadora”
nos seguintes termos:
“Minha mensagem não é uma doutrina, não é uma filosofia. Minha
mensagem é uma certa alquimia, uma ciência da transformação; Ouvindo-a você
dá o primeiro passo em direção ao renascimento. Por isso, a minha mensagem não
é uma simples comunicação verbal. Ela é muito mais perigosa. Ela é nada menos
do que a morte e o renascimento”.
O pensamento de Rajneesh — O grande ideal de Rajneesh era criar o novo
homem, o rebelde anarquista, eis como ele definiu o seu homem do futuro:
“Os dias do velho homem terminaram. Ele já viveu demais — quase
postumamente. Ele deveria ter morrido há muito tempo; ele tem arrastado o seu
cadáver. Mas seu tempo terminou. Ele mesmo criou a situação na qual somente o
novo homem, o homem rebelde, rebelando-se contra todas as religiões, todos os
governos, todas as instituições, todos os interesses do sistema, rebelando-se contra
tudo... O rebelde terá uma nova moralidade, não de acordo com algum
mandamento, mas de acordo com sua consciência. Ele terá uma nova
religiosidade; ele não pertencerá a religião alguma, porque isso é absolutamente
estúpido. A religiosidade é um fenômeno privado e pessoal. É exatamente como o
amor, não pode ser organizada. No momento em que você organiza a verdade ou o
amor, você os mata. A organização funciona quase como um veneno. O novo
homem não será um cristão, ou um hindu, ou um muçulmano, ou um budista. Ele
simplesmente será religioso.
345
A religiosidade será tomada não como uma crença, mas como uma
maneira de viver — uma maneira graciosa, uma maneira bonita, uma maneira
responsável, uma maneira repleta de consciência e repleta de amor, repleta de
partilha e amizade, e uma maneira de se criar um mundo sem qualquer fronteira.
Nenhum exército é necessário, nenhuma arma é necessária, nenhuma nação é
necessária, nenhuma religião é necessária. Tudo o que é necessário é um pouco de
meditação, um pouco de silêncio, um pouco de amor, um pouco mais de
humanidade... Apenas um pouco mais e a existência terá uma fragrância de algo
tão totalmente único e novo que você terá que encontrar uma nova categoria para
ela”. (extraído do livro O Rebelde).
Isto é, o homem do futuro será um rebelde anarquista no sentido mais
radical da palavra. Rajneesh, na verdade, pode ser classificado como um
anarquista-marxista. O seu conceito de rebelde é idêntico ao conceito de proletário
de Marx. O livro de Rajneesh O Rebelde é quase uma total repetição dos textos de
Marx (e dos líderes comunistas) sobre o proletariado, o novo homem comunista
que negaria todas as idéias e todos os valores do capitalismo (da sociedade cristã,
na verdade) e construiria o céu na Terra (sem Deus e por meio da revolução
sanguinária). PAreceu-me que Rajneesh apenas substituiu o termo proletário pelo
termo rebelde. Todavia, assim como o céu na Terra dos comunistas nunca apareceu
— pelo contrário, o mundo comunista foi o mais terrível inferno que a humanidade
conheceu —, o Rajneeshpuram, o céu terrestre de Rajneesh, o “oásis no deserto”,
também nunca apareceu. Ainda em vida, Rajneesh viu seu séquito se dividir e
debandar, como que dividindo o espólio em escandalosas brigas judiciais em
público.
Rajneesh leu tudo o que lhe chegou às mãos. Estudou filosofia antiga,
medieval, moderna e contemporânea. Leu Mikhail Bakhunin (o pai do anarquismo,
sistema social sem Estado e sem qualquer hierarquia), Albert Camus (escritor
francês que escreveu o livro O Rebelde, onde explorou o mito grego de Prometeu,
o titã que se rebelou e zombou de Zeus), Karl Marx (que escreveu contra o sistema
político-econômico ocidental), Engels (que escreveu contra a família, a
propriedade e o Estado), Lênin (fundador do partido comunista para gerar o
proletário consciente), Mão Tse Tung e até o comunista italiano Antonio Gramsci,
que defendeu o uso revolucionário da religião, etc. Em minhas análises constatei
que o pensamento de Rajneesh é um sistema de pensamento voltado para a
destruição da ordem mundial (oriental e ocidental); é uma mescla das idéias dos
revolucionários ocidentais e de algumas idéias do hinduísmo tradicional,
travestidas sob o disfarce de um movimento de meditação. Rajneesh atraía os
jovens para praticar meditação indiana, mas os transformava em rebeldes
anarquistas radicais contrários a Deus, às religiões, à família e a todas as idéias e
valores do mundo. Rajneesh tentou fundir todas as idéias materialistas, ateístas e
anticristãs (revolucionárias) produzidas no ocidente e no Oriente, e atacou todas as
idéias e todos os valores da civilização cristã ocidental e da civilização oriental.
Esse foi seu “grande” e malévolo feito: forjou uma teoria anarquista radical
fundamentada na filosofia materialista e ateísta ocidental, e envernizou seu
346
anarquismo ateísta com práticas de meditação e algumas idéias do hinduísmo e do
budismo. Rajneesh é um anarquista no sentido mais radical do termo; porém —
esta é a novidade — é um anarquista supostamente espiritualista.
Assim como Freud, que partiu do conflito intrapsíquico e da culpa sexual,
verdades básicas, para atacar os valores espirituais e morais da civilização cristã; e
Marx, que partiu da injustiça política e da exploração econômica — ambas
verdades básicas — para atacar o sistema político e econômico da civilização
cristã, Rajneesh também parte de uma verdade básica, a maldade humana herdada
de satanás, para atacar o próprio homem, todos os valores, todas as idéias e todas as
instituições cristãs ocidentais, como se pode ver no seguinte texto:
“Este século deu nascimento a apenas uma escola filosófica, o
existencialismo. No existencialismo, o tédio é o tema central; não é Deus nem é se
a existência consiste de matéria ou consciência; não é céu ou inferno, não é
reencarnação ou renascimento. O tema principal é o tédio. É significativo que os
melhores pensadores desta era acreditem que a necessidade mais fundamental do
homem, atualmente, seja a de como sair desse tédio, o qual está se tomando mais e
mais pesado, como uma nuvem negra, e está destruindo toda a alegria, tornando a
vida sem sentido, criando uma situação na qual parece que nascer é uma
maldição, não uma bênção. Os filósofos estão dizendo que a vida é uma maldição,
um tédio sem sentido, uma angústia sem fim que não serve a nenhum propósito,
absolutamente. Você sofre tanto, você se sacrifica tanto, e o resultado final é
simplesmente nada.
Os políticos levaram as nações a um estado de guerra contínua — algumas
vezes fria, algumas vezes quente — mas a guerra continua; e os cientistas
forneceram os meios de destruir esta Terra pelo menos sete vezes... Os filósofos
estão dando a idéia do suicídio como a única saída dessa confusão, e os políticos
estão criando o comunismo, a democracia, o socialismo, o fascismo, todos os tipos
de ideologias, não para o homem, mas o homem deve ser sacrificado por essas
ideologias. E os cientistas criaram as armas certas na época certa, de tal forma
que a qualquer momento toda a vida deste planeta pode desaparecer”.
Uma crítica correta. Mas, o que Rajneesh propunha como alternativa?
Nada. Apenas a rebelião total contra tudo e contra todos, meramente pelo rebelarse por motivo nenhum. A rebelião era a fonte da felicidade total. Ser rebelde era o
caminho da salvação. Se o devaneio de Rajneesh triunfasse na Terra nós teríamos
um mundo inteiramente formado por rebeldes sem causa. Pensando bem, parece
que, difundindo suas idéias (afins com a maioria das idéias materialistas,
anarquistas e ateístas do século XX), Rajneesh conseguiu arrebanhar um bom
rebanho.
Rajneesh não acredita na Bíblia, nem no Deus-Pai, nem em Jesus como o
Cristo salvador, nem no cristianismo e nem em religião alguma. Não acredita em
nada nem valoriza nada no mundo. Portanto, não acredita no reaparecimento do
Cristo, como um enviado de Deus livre do pecado original:
“O novo homem (o rebelde) tem toda a chance de ser o salvador. Jesus
não virá salvar a humanidade, nem Buda, nem Krishna, mas uma juventude
347
rebelde ao redor do mundo será a salvadora... Minha certeza a respeito do
rebelde como o salvador do homem e deste planeta é absoluta, categoricamente
absoluta”.
Como Marx, para quem o proletário era o salvador do mundo, Rajneesh via
o salvador nos seus jovens rebeldes. Todavia, Rajneesh não parece amar a
humanidade, pois a chama de massas retardadas:
“As massas retardadas sempre estiveram contra qualquer revolução,
contra qualquer rebelião. As massas condenam qualquer mudança... As massas
estão nas garras dos líderes religiosos, dos líderes políticos, e essas pessoas não
querem que nenhuma mudança aconteça, porque cada mudança significa um
perigo para o status quo, um perigo para o sistema”.
Para que, então, salvar as massas retardadas? Rajnessh orientava seus
seguidores a ignorarem quaisquer argumentos contrários à negação e à rebelião
total. Como Freud, que, através do conceito de resistência, buscava neutralizar
todos aqueles que discordavam de sua visão pervertida da sexualidade infantil.
Anticristão e anticivilização, Rajneesh sempre incluía em seus livros piadas e
críticas depreciativas contra o cristianismo e os cristãos em geral.
Em sua confusa rebelião total — assim como agiu o arcanjo Lúcifer —,
Rajneesh atacava a família e até mesmo o Deus-Pai da Bíblia:
“Parece que mesmo Deus, o Pai, não teve muito respeito por Adão e Eva;
não teve respeito bastante. É por isso que, desde o início, Ele começou a comandálos: ‘Faça isso’ e ‘não faça aquilo’. E Deus começou a fazer todas as bobagens
que todos os pais fazem. ‘Não coma a fruta desta árvore’. E quando Adão comeu a
fruta, o Pai, Deus, ficou tão bravo que expulsou Adão e Eva do paraíso. Essa
expulsão está sempre aí, e todo pai (todo pai?) ameaça expulsar seu filho, jogá-la
fora, dizendo: ‘Se você não escutar, se não se comportar, será expulso’...”.
Mesmo com um discurso tão corrosivo, Rajneesh também fala de amor, ao
mesmo tempo em que ataca violentamente a família e o amor familiar, orientando
os filhos a se livrarem de seus pais:
“Eu não posso definir o amor, porque não há nenhuma definição de
amor... Mas eu posso lhe mostrar o caminho para experimentar o amor. O
primeiro passo é: livre-se de seus pais. Livre-se das vozes paternas interiormente,
o seu programa interior, suas fitas interiores. Apague-os... E você ficará surpreso
ao constatar que se se livrar de seus pais no seu ser interior, você se tornará
livre... Toda pessoa é ressentida em relação a seus pais. Como você pode não ser
ressentido se eles causaram tanto dano a você? Eles são bem intencionados, isso é
verdade. Todo pai quer que a criança tenha todas as alegrias da vida. Mas o que
ele pode fazer? Ele é um robô e, consciente ou inconscientemente,
deliberadamente ou não, ele criará uma atmosfera na qual a criança mais cedo ou
mais tarde, será transformada num robô. Se você quiser tornar-se um homem, não
uma máquina, livre-se de seus pais...”.
Ora, o homem é uma parte biológica da natureza. E como todo ser vivo,
animais e homens, é dotado de umimpulso inato a perpetuar sua espécie. Por isso,
todos constroem tocas, covis e ninhos. O lar é o ninho humano. É o espaço físico e
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emocional para a multiplicação e proteção da prole. Sem o lar não há perpetuação
da espécie. Assim, a família, o lar, é como a colméia para as abelhas. Por isso,
enquanto exisitrem seres humanos, a família e o lar existirão porque são elementos
naturais e vitais à existência humana. Desse modo, Rajneesh, além de ignorante
quanto à importância e a necessidade vital da família na vida humana, é um louco
criminoso, pois atenta contra toda a humanidade, inclusive ele próprio.
Rajneesh também defende a volta da humanidade para a vida comunal
primitiva anterior à civilização, sem quaisquer normas, leis ou princípios morais:
“O Rebelde não tem caminho algum para seguir; aqueles que seguem
algum caminho não são rebeldes. O próprio espírito de rebeldia não necessita de
qualquer orientação. Ele é uma luz em si mesmo... O rebelde está em um estado de
tremendo amor pela liberdade — liberdade total, nada menos do que isso. Daí ele
não ter salvador, mensageiro de Deus, messias ou guia algum; ele simplesmente
vive de acordo com sua própria natureza. Ele não segue ninguém, não imita
ninguém... Ele falha muitas vezes, comete erros, mas nunca se arrepende de
nada... A peregrinação do rebelde está repleta de surpresas. Ele não tem mapa,
nem guia. Assim, a cada momento ele está entrando em um novo espaço, em uma
nova experiência — em direção à sua própria experiência, à sua própria verdade,
ao seu próprio êxtase, ao seu próprio amor... Encontre a direção que lhe dê
alegria. Mova-se para a estrela que toque sinos em seu coração. Você deve ser o
fator decisivo, ninguém mais”.
Isto é: Não ouça nem respeite nada nem ninguém! Nem mesmo Deus, seus
benfeitores ou os seus pais, que se auto-sacrificaram para lhe trazer à existência. É
o enaltecimento da rebelião, do egoísmo e do individualismo extremos.
Extremamente arrogante e presunçoso, Rajneesh falava como se a sua mentira
fosse a última e mais suprema verdade do universo. Moisés, Jesus, Buda, Confúcio,
Lao Tsé e todos os líderes religiosos, filósofos e cientistas para ele, representavam
a enganação:
“Lembre-se: seu caminho não vai ser o caminho de ninguém. Se um
indivíduo seguir o caminho de outro ele perde a sua própria identidade e sua
individualidade... Perdendo a si mesmo você se tornará simplesmente um
hipócrita. É por isso que todas as pessoas religiosas são os maiores hipócritas do
mundo; elas estão seguindo Jesus Cristo, o Buda ou Mahavira... Todas as religiões
tentaram deixar o mundo mais e mais pobre”.
Ao contrário do que a maioria das pessoas pensa — que meditação é
naturalmente espiritual — a meditação de Rajneesh é anti-religiosa e ateísta, como
prova o seguinte texto:
“Essas religiões não têm ensinado a verdade. Essas religiões têm apenas
escravizado a humanidade... E os covardes estavam prontos para seguir o
rebanho, a multidão... O rebelde é o ser espiritual real. Ele não pertence a
rebanho algum, não pertence a sistema algum, não pertence a organização
alguma, não pertence a filosofia alguma... O que guia o rebelde? Ele não necessita
de um guia. Ele é seu próprio guia, é seu próprio caminho, é sua própria filosofia,
é seu próprio futuro. Ele é uma declaração de que “Sou tudo o que preciso’...
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“Não há nenhum caminho, nenhum lugar para ir, nenhum conselheiro, nenhum
professor, nenhum mestre...”.
De algum modo, tudo o que Rajneesh dizia era referente ao conceito
central de seu pensamento: o rebelde anarquista (que chamou de homo novus), o
qual nada mais era do que o conceito de proletário de Marx, porém, com outro
nome. Ele quase cita Marx quando diz que “o rebelde é um pensador
revolucionário, é um filósofo”. Todavia, Rajneesh também despreza e zomba dos
filósofos, dizendo:
“No passado houve muitos filósofos que foram aceitos como rebeldes,
grandes rebeldes, mas nada surgiu deles, exceto alguns belos fragmentos de
idéias... Você já deve ter ouvido a definição de filósofo: um homem cego, em uma
noite escura, em uma casa sem luz, procurando por um gato preto que não está lá.
Mas o problema não termina aqui — houve muitos que encontraram o gato! E
deram descrições do gato preto, mas, porque ninguém mais o viu, você tampouco
os pode desmentir. Eles não têm qualquer evidência, mas você também não as tem!
Assim, tudo o que esses cegos filósofos dizem é aceito sem ser contestado. Não é
contestado também por outras razões: porque o sistema não está preocupado com
esses rebeldes e seus pensamentos rebeldes. Eles sabem perfeitamente bem que
seus pensamentos nada mais são do que bolhas de sabão; em seus sonos profundos
eles estiveram tagarelando... O meu rebelde não será somente um filósofo, ele será
um ser experiente e acordado. Sua simples presença ameaçará todos os sistemas
do mundo”.
Os jovens rebeldes de Rajneesh são os cristos, os salvadores deles mesmos
e de toda a humanidade: “Eu posso ver não apenas um Jesus na cruz, mas milhares
de Jesuses na cruz. Mas a morte deles será a ressurreição de uma nova
humanidade, de uma nova consciência por todo o mundo... Um rebelde é um ser
iluminado... Sua rebeldia é uma reação, é negativa. Ele está lu
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