ORIENTAÇÃO PRÉ-OPERATÓRIA 1. Custos hospitalares Serão informados pela empresa hospitalar selecionada e correrão por conta do convênio/seguro-saúde do cliente. Se não houver um convênio/seguro-saúde responsável pelo cliente, ou não lhe der cobertura completa, o cliente se responsabilizará pelo pagamento e entrará em entendimentos com a empresa hospitalar. Por mais incrível que possa parecer, este ponto é crucial, pois os materiais utilizados em cirurgia da coluna (MATERIAIS ESPECIAIS), principalmente, são muito caros para os nossos padrões de rendimentos brasileiros e podem inviabilizar um tratamento cirúrgico, se o paciente não estiver consciente do que deseja. 2. Como internar No caso de cliente sem seguro-saúde (o assim chamado cliente particular), dirija-se ao hospital com seus documentos pessoais, bancários e nossa requisição de internação. No caso de cliente conveniado/segurado, dirija-se ao hospital, onde apresentará as suas responsabilidades de pagamento cumpridas (recibo do mês e carteira de validade do plano), a nossa requisição de internação com relatório especificado, códigos TUSS, CBHPM ou da NEUROCOLUNA, CID (Código Internacional de Doenças) com o papel específico de seu convênio/seguro-saúde e os laudos de exames especializados (comprobatórios de seu problema ou doença), os seus documentos pessoais (documento de identificação e CPF), sem o que não conseguirá a guia do seguro. Esta guia terá um prazo de validade, em torno de um mês, e significa que a empresa seguradora pagará o procedimento básico a ser realizado, SEM O USO DE MATERIAIS ESPECIAIS. No hospital selecionado, o setor de internação, fará a sua PRÉINTERNAÇÃO. Esta consiste na sua apresentação ao hospital, definindo o que se pretende fazer, para que o hospital entre em contato com a fonte pagadora, pois, se a cirurgia necessitar de materiais especializados, o hospital aceitará a internação somente depois que o convênio/seguro-saúde liberar o pagamento de tais materiais especiais (materiais de síntese, órteses, próteses, etc.). Nesta discussão, cabe averiguar se os materiais que forem liberados sejam os solicitados pelo seu médico, de acordo com a orientação que lhe deu quando da discussão da cirurgia. Parece complicado, mas é um jogo necessário, pois envolve altas somas em dinheiro, e que deverá ser conduzido com paciência e elegância, já que o paciente sempre terá os seus direitos prevalecendo. Note que este item trata de uma relação fria, de negócios, onde prevalece o ter direito e o não ter, em que o válido é o que está escrito no contrato assinado com a empresa convênio/seguro-saúde, em uma situação que envolve dinheiro com somas, às vezes, muito altas. O paciente tem deveres, mas também tem direitos que estarão garantidos por lei. 3. Quando internar Na tentativa de economizar, as empresas seguradoras estão conduzindo a internação para o mesmo dia, imediatamente antes da operação. Se a operação for pela manhã, chegar ao hospital em torno de 6:00 h da manhã da cirurgia lembrando-se do jejum. Se a cirurgia for à tarde, 13:30h, poderá internar na manhã do dia da operação, por volta de 10:30h lembrando-se do jejum. Aconselhamos a entrar em contato telefônico ou pessoal com o hospital, alguns dias antes, para evitar contratempos, fazendo uma préinternação e certificando-se da vaga. 4. Tipos de acomodação O cliente poderá ser acomodado nas enfermarias ou nos apartamentos. Isto se dará conforme as características de seu plano junto à empresa convênio/seguro-saúde (excepcionalmente haverá alguma acomodação superior ao apartamento, como a suíte). Quando o cliente desejar aposentos superiores aos que lhe são oferecidos pelo plano, ele deverá cobrir a diferença de custo hospitalar assim que manifestar seu interesse pela mudança e saber que sofrerá, também, um acréscimo nos honorários da equipe médica, acréscimo este que correrá por sua conta e que deverá ser discutido com a equipe e não terá relação de dependência com as tabelas CBHPM, TUSS, NEUROCOLUNA ou qualquer outra coisa que inventem. 5. Acompanhantes Serão permitidos quando o cliente estiver no quarto. Quando na UTI, o quarto ficará à disposição do hospital e os acompanhantes terão que deixá-lo. Na UTI não pode haver acompanhantes, porque a estrutura atual de tais unidades não alcança tal complexidade, a ponto de cobrir as necessidades orgânicas dos pacientes e atender aos acompanhantes. Nos apartamentos pode ficar um acompanhante, mas nas enfermarias o acompanhante não pode pousar, embora durante o dia, poderá ficar, salvo se a enfermidade de outro cliente não permitir. Isto ficará a cargo da equipe de saúde do hospital. Embora seja permitida a presença de acompanhantes nos quartos, lembramos que o hospital não é um hotel e o bem-estar do acamado é primordial. Solicita-se a obediência às normas hospitalares. 6. Como se relacionar no hospital Quando no hospital, o contato imediato e imprescindível será através do serviço de enfermagem, composto pela(o) enfermeira(o), que é a(o) profissional responsável e com formação acadêmica e a(o) técnica(o)de enfermagem, que é o profissional ajudante da(o) enfermeira(o) e tem preparo técnico para tanto, ajudando nas medidas de rotina. Além destes profissionais existe uma equipe de higiene trabalhando com a limpeza das instalações e o preparo dos aposentos para receber os clientes, além da manutenção diária. Temos também a equipe da nutrição, orientada pelas nutricionistas e que envolve um grupo bem grande de pessoas com funções que começam e terminam na cozinha, passando por uma procissão que envolve a avaliação da dieta prescrita, sua discussão com o médico e o cliente, nas partes que permitem variações pessoais, a entrega da dieta que foi acondicionada segundo normas rígidas de higiene e a retirada das baixelas após a refeição. As exigências pessoais são muito variadas e o hospital não tem como finalidade a hospedagem de lazer ou de trabalho como é feita nos hotéis. O alvo final é a condução no tratamento da saúde, existindo a parte de hotelaria como complemento. Temos os profissionais fisioterapeutas, presentes quando solicitados pela equipe médica ou pela enfermagem. Desempenham um papel de recuperação funcional dos movimentos com a sua atuação nos músculos, ligamentos e articulações, além do trabalho ventilatório que melhora a respiração. É importante lembrar que o melhor da fisioterapia hospitalar está na prevenção dos problemas, tanto ventilatórios como motores. 7. Acesso do cliente às anotações médicas Sempre que necessitar de informações o cliente deverá se dirigir ao médico. Tem todo o direito a laudos, relatórios e informações sobre o seu estado. Um paciente que não possa conversar com o seu médico ou um porta-voz por ele delegado, deve trocar urgentemente de médico! O acesso direto ao assim chamado “prontuário” é permitido legalmente, mas se torna extremamente petulante e indelicado por parte de quem o faz (minha opinião!), pois o prontuário é material de trabalho do hospital e do médico, onde este, a enfermagem, a nutrição e a fisioterapia fazem suas anotações para se orientarem no caso. A linguagem e a forma utilizadas seguirão padrões profissionais definidos, mas com o cunho próprio de cada um, de maneira que se possa entender. Portanto, em condições normais, tais anotações não serão interessantes ao cliente. Em algumas situações, existem parentes ou amigos que sejam médicos ou profissionais de outras áreas da saúde e queiram ver as anotações e/ou exames subsidiários. Mesmo para tais pessoas é preferível, por questão de educação, solicitar as informações dirigindo-se ao médico assistente. Em situações distintas, a família tem o direito de solicitar o concurso de outro profissional médico para opinar no caso. Quando isto acontecer, o médico assistente deverá ser avisado pelos familiares para que o outro médico entre em contato com ele para se inteirar dos acontecimentos e assumir a condução profissional. 8. Possibilidades de adiamento da operação Pode acontecer por falta de vaga no hospital, por incongruência com o seguro-saúde, por outra enfermidade do cliente que o impossibilite, por enfermidade de algum componente da equipe cirúrgica ou acidentes, por incompatibilidade do centro cirúrgico, tipo falta súbita de material, salas ocupadas por emergência, contaminação ou, ainda, muitos motivos de força maior, como manobras judiciais, que serão esclarecidos, caso aconteçam. 9. Alergias Informar ao médico e à equipe de saúde se há alergia a antibióticos, antinflamatórios, analgésicos, anti-sépticos, anestésicos, esparadrapos, fitas adesivas, etc., pois o interesse maior é do próprio cliente, que deve participar ativamente do seu processo de saúde. 10. Experiências cirúrgicas Quais foram, em que época e se houve alguma anormalidade que pudesse alterar a cirurgia atual, visto que tais vivências podem significar a diferença entre o sucesso ou não. Nada poderá ser ocultado. 11. Drogas pré-anestésicas São utilizadas na noite de véspera ou logo cedo, na manhã da operação, para relaxar, diminuir a preocupação, evitar a liberação de drogas endógenas (produzidas pelo organismo do cliente) que podem perturbar a indução anestésica (começo da anestesia). São drogas calmantes, sedativas ou hipnóticas, à escolha do anestesiologista, que poderá oferecer melhores esclarecimentos na consulta préanestésica. 12. Medicamentos em utilização Na dependência de sua necessidade serão suspensos, mantidos ou trocados, sempre com a supervisão do médico clínico assistente. A equipe cirúrgica deve ser informada a respeito de tudo, pois indivíduos com cardiopatias ou diabéticos, p.e., podem ser operados, contanto que estejam controlados pelos seus tratamentos, podendo se beneficiar das vantagens cirúrgicas. Medicações necessárias, como anti-hipertensivos, p.e., deverão ser ingeridas com um mínimo de água nos horários normais (siga as orientações do médico na consulta pré-anestésica). 13. Jejum pré-operatório Existem normas de alimentação pré-operatória que visam à proteção do paciente e que não o matam de fome ou alteram o seu metabolismo ao ponto de resultar em danos físicos. Em pacientes até seis meses de idade o jejum de líquidos será de duas horas e o de sólidos de quatro horas. Em pacientes de seis meses a três anos de idade o jejum de líquidos será de três horas e o de sólidos de seis horas. Em pacientes acima de três anos, inclusive os adultos, o jejum de líquidos será de três horas e o de sólidos de seis horas para torradas e biscoitos “cream craker” e de oito horas para proteínas e gorduras (leite e derivados, frituras, etc.). Leite e iogurte comportam-se como sólidos. Entenda-se por líquidos: água, refrigerante, água de coco e sucos de frutas sem resíduos. Exemplo de uma dieta pré-operatória para as 7h30min: Até às 23h30min (11 e meia da noite) da véspera, pode e deve comer bem (ex.: ponha o despertador e faça uma ceia às 22h30min (11 e meia da noite)!! mesmo se for diabético). (A) Das 23h30min até à 1h30min (ex.: ponha o despertador e faça uma merenda à 1h), tomar água, chá, refrigerante, água de coco ou sucos de lima, laranja, limão, mas coados e adoçados (limite-se a um copo–250 ml) e comer torradas, biscoitos de água, água e sal ou “cream craker” com muito pouco de geléia (mesmo se for diabético). (B) Da 1h30min até às 4h30min (ex.: ponha o despertador e tome líquido às 4h), tomar água, chá, refrigerante, água de coco ou sucos de lima, laranja, limão, mas coados e adoçados (limite-se a um copo–250 ml) (mesmo se for diabético). (C) Das 4h30min em diante, não deve ingerir nada! Exemplo de uma dieta pré-operatória para as 13h30min: Até às 5h30min do dia da cirurgia, pode e deve comer bem (ex.: ponha o despertador e “almoce” às 4h30min!! mesmo se for diabético). (A) Das 5h30min até às 7h30min (ex.: ponha o despertador e faça uma merenda às 7h), tomar água, chá, refrigerante, água de coco ou sucos de lima, laranja, limão, mas coados e adoçados (limite-se a um copo–250 ml) e comer torradas, biscoitos de água, água e sal ou “cream craker” com muito pouco de geléia (mesmo se for diabético). (B) Das 7h30min até às 10h30min (ex.: ponha o despertador e tome líquido às 10h), tomar água, chá, refrigerante, água de coco ou sucos de lima, laranja, limão, mas coados e adoçados (limite-se a um copo–250 ml) (mesmo se for diabético). (C) Das 10h30min em diante, não deve ingerir nada! O jejum tem como finalidade esvaziar o tubo digestivo alto, para evitar vômitos com o perigo de aspiração traqueal (vômito que vai para dentro dos pulmões) e pneumonite química e bacteriana (inflamação ou infecção da parte interna dos pulmões por secreções digestivas ou bactérias) ou, ainda, insuficiência respiratória aguda (incapacidade de aproveitar o oxigênio inspirado), além da possibilidade de contaminação operatória com infecção no local da cirurgia. As necessidades energéticas basais do cliente serão mantidas à custa de solução esterilizada parenteral (na veia) de acordo com os critérios clínicos que a ele melhor se adaptem. Desta forma ele estará protegido dos riscos acima e também das alterações metabólicas derivadas do jejum prolongado. Especial atenção deve ser dada aos pacientes obesos, diabéticos, com problemas da tireoide ou com refluxo gastro-esofágico que devem discutir o jejum com o anestesiologista, na consulta pré-operatória, e, possivelmente, com o endocrinologista. 14. Lavagem intestinal Deve ser feita como preparo para evitar a dejeção em sala operatória, o que causaria sérios riscos de infecção para o cliente e outros que venham a utilizar o centro cirúrgico. Em várias situações, como em cirurgias de pequeno porte, ou em clientes bastante regulados no seu ritmo intestinal ou, ainda, por uma questão de emergência, podemos prescindir da lavagem intestinal, mas tal fato deverá ser discutido com o médico, porque o cliente pode não desejar a lavagem e ser muito necessária, como em cirurgias abdominais. 15. Tricotomia Não utilizamos a tricotomia perineal (raspagem dos pelos íntimos) para sondagem vesical. Também não utilizamos como rotina a tricotomia da área operatória, mesmo que seja a cabeça. A região operatória, como os cabelos e o couro cabeludo, são lavados, preferentemente, com solução degermante de cloroexidina e depois com cloroexidina em solução tópica, ou ainda, quando não houver cloroexidina, com os equivalentes em polivinilpirrolidona iodada a 10% com 1% de iodo ativo (PVPI 10%) e depois com PVPI em solução tópica. Penteamos os cabelos e delineamos a incisão ou fazemos uma trilha de 0,5 cm de largura, muito raramente, quando necessário. Não aceite a tricotomia sem contra-ordem expressa do cirurgião. 16. Acessos periféricos e centrais, cateterismos e venóclises (pegar uma veia com agulha ou tubo-cateter e correr uma solução) Utiliza-se a corrente sangüínea para se injetar remédios, drogas de controle e anestésicos, além de se retirar amostras de sangue para exames laboratoriais. Por este acesso o sangue perdido é reposto e líquidos são administrados para correção de volume, eletrólitos, energia, etc.. Tais vias de acesso podem ser conseguidas à custa de agulhas, tubos curtos ou tubos longos que alcancem o coração, permitindo outras vantagens técnicas para o controle do cliente. Os tubos longos são colocados, geralmente, no pescoço, na veia jugular interna, ou sob a clavícula, na veia subclávia, sempre através da punção percutânea (agulhada na pele) e, geralmente, após a anestesia. Ato executado, via de regra, pelo anestesiologista. Raramente, poderá ser necessário um pequeno procedimento cirúrgico para se expor uma veia, geralmente no braço, mais comumente em situações em que as punções percutâneas forem ineficazes. Os riscos do acesso periférico são poucos, como perfuração da veia utilizada com derramamento do líquido oferecido no tecido em torno, provocando sua tumefação e dor local. É reversível com cuidados. Há possibilidades de flebite (inflamação da veia) que, ao acontecer, deverá ser tratada de acordo com a causa. A passagem de tubos longos pode trazer dor, pela punção de nervos ou componentes de plexos nervosos. Podem ocorrer, embora muito raramente, hematomas, até mesmo importantes, por punção inadvertida de artérias, como a artéria Carótida, no pescoço, ou, raramente, a perfuração da pleura, causando um pneumo ou hidrotórax (ar ou líquido comprimindo os pulmões) que necessitem de drenagem torácica (colocação de tubos, lateralmente, entre as costelas para retirar o ar ou o líquido e tirar a pressão sobre os pulmões). São situações raras, mas em caso de complicações importantes a operação será adiada. Venóclise significa lavar a veia, portanto injetar algum líquido. 17. Sondagem vesical Será feita depois que o cliente estiver anestesiado e, preferentemente, pela enfermeira do centro cirúrgico ou, pelo anestesiologista, pois a ele interessa a presença ou não da sonda vesical. Sua finalidade será de controlar a saída de líquidos do corpo e o balanço hídrico (líquidos que entram e saem). Constitui-se na introdução de uma sonda (canudo macio) na uretra (canal por onde sai a urina) que ficará conectada a um sistema coletor. Tudo isto é fechado e esterilizado. Permanecerá no pós-operatório pelo tempo que for necessário para a melhor assistência ao cliente. Uma cirurgia pode ser feita sem a passagem de uma sonda vesical, pois os líquidos saem naturalmente pela uretra depois de uma certa repleção, mas sempre que possível, optamos pela sonda vesical pois o dispositivo urinário que se presta a isto pode vazar e a sujeira servir como fonte de contaminação ou de queimaduras para o paciente, mas, sem a sonda vesical, o ato cirúrgico pode ser feito com segurança. Ninguém fica com insuficiência renal porque deixou de ter uma sonda passada na uretra. Pode ficar se não foi bem controlado durante o ato ou se ficou antes do ato operatório. 18. Sondagem gástrica ou enteral Utilizada para drenagem de secreção gástrica ou alimentação. Consiste na introdução nasal de tubos plásticos, geralmente de silicone, chamados de sonda de Levine, chegando até o estômago, ou sonda de Dobbhoff, chegando até o estômago ou intestino. Utilizamos, geralmente, nos pós-operatórios em que o cliente está impossibilitado de ingerir os alimentos. Esta sondagem não é danosa para o paciente, pois o material é de silicone, não tóxico e pode ficar instalado até seis meses, como a de Dobbhoff. 19. Transporte ao centro cirúrgico O cliente estará vestindo uma camisola de papel ou pano e será transportado por meio da cama ou de uma maca munida de rodas, que o levará pelos corredores e elevadores e será acompanhado por um funcionário do transporte e outro da enfermagem, se for necessário. Os frascos de soluções, que estiver recebendo, poderão continuar a correr se houver um suporte para eles ou, então, serão desligados e colocados ao lado de seu corpo ou entre suas pernas, sobre a maca ou cama, assim como possíveis itens de controle. 20. Espera no centro cirúrgico Ao chegar ao centro cirúrgico, pode acontecer de sua sala não estar preparada. Então ficará na maca em uma sala ou corredor, com a orientação do pessoal de enfermagem e médico. Poderá notar o movimento das pessoas, que estarão vestindo uniformes de mangas curtas, sem golas ou botões, usando gorros e máscaras. Lembre-se que, para a equipe de saúde, o centro cirúrgico é um local de trabalho e estamos desenvoltos nele, o que não acontece com o cliente, para quem tudo é assustador. Não tenha medo, pergunte e peça ajuda se julgar necessário. 21. Contato com a sala de operações Como vem acontecendo até o momento, será na horizontal. Poder-se-ão distinguir os holofotes de iluminação, a mesa operatória, as mesas de instrumentação, bancos de metal, armários com gavetas, pacotes de pano ou papel, caixas de fios, negatoscópio, o carro de anestesia com suas conexões na parede ou no teto, seus foles, seus remédios e aparelhos luminosos ou digitais, o microscópio operatório, o cheiro característico de anti-sépticos e anestésicos. Pode ser um aparato impressionante, mas tudo que lá existe é voltado para o paciente que vai entrar em contato com o anestesiologista, as circulantes de sala, o pessoal de mobilização e a equipe cirúrgica. Nada começa antes que o cirurgião se apresente e se faça reconhecer. Tornou-se comum utilizar uma droga, chamada midazolan, no pré-anestésico. Além dos seus efeitos benéficos provoca uma amnésia lacunar e os pacientes podem não se lembrar que conversaram com o cirurgião antes da operação!!! Muitos ficaram zangados comigo, no pós-operatório, por não se lembrarem de nossa conversa antes de começar a operação. 22.Utilização de raios-X no intra-operatório Extremamente freqüente e necessário para que a equipe cirúrgica se oriente na operação. Atualmente, com as técnicas minimamente invasoras vigentes, somos dependentes da fluoroscopia (emissão curta ou contínua de raio-x que aparece em um monitor de televisão para o controle imediato e concomitante com as atitudes médicas no corpo). Torna-se importante em clientes do sexo feminino, pois há o perigo de carga de raios X em gestação inicial, com a possibilidade de comprometimento do concepto. Lembrar-se, com segurança, de sua DUM (data da última menstruação) e, em casos mais duvidosos, proceder a exames laboratoriais para confirmar a suspeita de gravidez ou, então, adiar o procedimento cirúrgico. O maior interesse é o do próprio cliente que participa consciente de seu processo de tratamento. A carga de Raio-X durante o ato operatório não é pequena, mas é necessária para o bom desenvolvimento do ato operatório. Cada vez mais estamos desenvolvendo as técnicas para diminuir a exposição radiológica e estamos conseguindo níveis seguros tanto para o paciente como para a equipe de saúde. Pense que o paciente fica exposto uma vez e a equipe de saúde tem frequência quase diária. 23. Posição na mesa operatória Dependerá do tipo de operação. Em alguns casos, a posição é muito específica e, se houver mudança no posicionamento durante a operação, pode acontecer compressão de artérias e nervos, levando a deficiências funcionais, até mesmo importantes. A armação do circo operatório é um momento neurótico para o anestesiologista e para o cirurgião que procuram a melhor posição e a menor possibilidade de riscos para o paciente, como a compressão dos olhos com a possibilidade de se perder a visão. Todo cuidado é pouco e os carinho e profissionalismo são muito grandes. Em se tratando de hérnia de disco intervertebral lombar, podemos utilizar a posição de prece maometana ou genupeitoral, em outras situações, a posição pode ser em decúbito ventral sobre coxins ou, ainda, lateral como na moderna técnica extremolateral. Nas hérnias discais cervicais, utilizamos a via anterior do pescoço e o cliente ficará em decúbito dorsal com o pescoço estendido e, muitas vezes com os ombros tracionados. Nas cirurgias de crânio do andar supra-tentorial, comumente a posição é o decúbito dorsal ou semilateral com a cabeça rodada ou não, dependendo do acesso operatório. No andar infra-tentorial podemos operar com o cliente sentado. Nas cirurgias de crânio e algumas da coluna, a cabeça fica presa com um aparelho fixador metálico que prende o crânio com três pinos, com a finalidade de não permitir movimento algum que possa atrapalhar o ato operatório e prejudicar o paciente. Não é um procedimento danoso para o cliente, mas em casos raríssimos pode haver a perfuração do crânio com a possibilidade de hematoma intracraniano e/ou infecção. 24. Tipo de anestesia Normalmente é uma droga ou mistura de drogas de aplicação venosa e/ou inalatória. As explicações a respeito serão feitas pelo médico anestesiologista na consulta préoperatória, cuja finalidade será conhecer o cliente e seu quadro clínico e esclarecê-lo sobre as suas dúvidas. 25. Tempos de anestesia e de operação A anestesia começa antes e é programada para acabar depois da operação. Portanto o tempo de anestesia sempre será maior que o operatório. Após o cliente entrar na sala, até que se verifique o material do médico anestesiologista, decorre um curto período de meia hora em média para se começar a anestesia. Depois de um tempo variável de 30 minutos até 1 hora, o cliente é liberado para a equipe operatória posicioná-lo e se preparar para entrar em operação, lavando as mãos, vestindo os aventais esterilizados e luvas, cobrindo o cliente e delimitando o local operatório com panos esterilizados. Quando a operação se acaba, a anestesia continua até que o cliente seja liberado pelo médico anestesiologista, o que pode acontecer na sala cirúrgica, na de recuperação pós-anestésica (que fica dentro do centro cirúrgico) ou na Unidade de Terapia Intensiva. De acordo com a particularidade de cada caso, a equipe cirúrgica poderá ter a necessidade de poucos minutos ou de algumas horas. Durante o ato cirúrgico serão fornecidas informações para os acompanhantes, porque o tempo que decorre para o cliente é de frações de segundo (fechar e abrir as pálpebras), mas o acompanhante convive com a expectativa desde que o cliente sai do quarto, até o seu retorno. Para o acompanhante a “cirurgia” pode demorar oito ou nove horas ou mais, pois se o paciente sair do quarto às 13 horas este será o horário de início. Chegará ao centro cirúrgico e, por vezes, aguardará até duas ou três horas para a liberação de uma sala, dependendo da finalização da cirurgia anterior e higienização do ambiente. Poderá entrar na sala de operações por volta de 15 horas e será recebido pelo anestesiologista que demandará um tempo relativo de uma ou duas horas para prepará-lo. Desta maneira a “cirurgia” começará com o cirurgião, por volta de 16 ou 17 horas!!! Suponhamos um ato cirúrgico de três horas de duração que terminará por volta de 19 ou 20 horas!!! O cirurgião sairá cansado para mais uma batalha, agora contra o convênio/seguro-saúde responsável pelo cliente que exigirá um bom tempo frente ao computador para escrever tudo o que foi feito, como se estivesse contando para um juiz de direito que utilizou um determinado fio de sutura ou um certo parafuso e tudo tem que constar de uma lista previamente autorizada, senão o valor será glosado. Com todas as responsabilidades do paciente e do hospital na sua cabeça o cirurgião pode se esquecer do acompanhante desesperado fora do centro cirúrgico... Portanto ligue para solicitar informações, pois será bem vindo!!! 26. Pudor do cliente Na cirurgia o cliente estará em situação de dependência, pois sofrerá anestesia que lhe tirará os movimentos, ficará sem respirar espontaneamente e isto causa, previamente, certa apreensão. A possibilidade de estar desnudo e à mercê de olhares estranhos pode causar apreensão e insatisfação para algumas pessoas. Gostaríamos de esclarecer que tomamos o máximo de cuidado com o corpo do cliente, da mesma maneira como se estivesse acordado, pois o respeito deve prevalecer acima de tudo. Cobrimos os seios femininos e suas partes pudendas com panos e esparadrapos imitando sutiã e calcinha ou uma cueca para os homens. Podem pensar que o costume rotineiro de lidar com as pessoas para cortá-las e suturá-las faça dos elementos da equipe um bando de carniceiros frios e desrespeitosos. Este é um conceito errôneo. Tratamos cada cliente como se fosse um parente querido, tendo o cuidado de cobrir suas partes íntimas, não deixando seu corpo exposto a olhares indiscretos e preservando-o de possíveis ferimentos a que pudesse ficar sujeito enquanto sob narcose. Não há brincadeiras ou comentários desrespeitosos e, se no início do processo, quando o cliente está acordado, predomina um tom alegre e descontraído, isto cessa por completo ao se iniciar a operação, dando lugar ao procedimento sério e profissional que se espera da situação. Sinta-se confiante. 27.Procedimento operatório preliminar Algumas vezes poderá ser necessário retirar um fragmento de osso do quadril ou de outro lugar para ser usado como enxerto ou, ainda, um retalho de aponeurose para cobrir uma falha da dura-máter durante a operação. Note-se que estes eventos são cada vez mais raros. Em certos casos será importante termos uma drenagem ventricular prévia ou uma cirurgia estereotáxica para biópsia e colocação de cateter indicador. Estas situações serão discutidas com o cliente ou seu responsável antes da operação. 28.Implantes radioativos Determinadas operações de processos neoplásicos podem trazer melhora no prognóstico quando associamos o implante de sementes radioativas, no leito tumoral, que ficarão irradiando o tumor em sua intimidade. Tal fato será decidido previamente à operação. 29.Implantes, próteses, enxertos ou materiais de fixação Implantes são peças sintéticas colocadas no organismo para substituir uma parte de um órgão ou peça anatômica. Próteses são implantes pré-fabricados tentando copiar a forma e a função anatômicas. Enxertos são partes anatômicas do próprio indivíduo (autólogo), de outro ser humano (homólogo) ou, ainda de outro ser vivo (heterólogo). Com a evolução espantosa da bioengenharia, deparamo-nos, freqüentemente, com a imposição de utilizarmos materiais acrílicos ou de silicone para o reparo de lesões ósseas ou para a comunicação de cavidades dentro do corpo, como no caso das hidrocefalias. Nestas se faz a interposição de válvula e cateteres entre o cérebro e a cavidade abdominal, ou nas fraturas de crânio e coluna vertebral, onde placas metálicas, parafusos e hastes com arames transformam a mesa operatória em banca de ferramenteiro ou de artista plástico. As moldagens em polimetilmetacrilato, usadas na síntese de corpos e discos intervertebrais ou na reconstrução do crânio e da face. Tornou-se muito comum a utilização de substâncias que auxiliam no controle do sangramento, como a esponja de gelatina, a celulose regenerada oxidada, a celulose oxidada e o colágeno hemostático microfibrilar ou de microesferas. Tais substâncias ficam embebidas com o sangue do ato cirúrgico e são reconhecidas nos exames de imagem, mesmo quando são feitos muitos dias após a operação e, portanto, não deverão ser confundidas com hemorragias. 30.Transfusão de sangue Baseia-se, principalmente, na diminuição dos glóbulos vermelhos circulantes, as hemácias, que são as únicas estruturas fisiologicamente interessantes e comercialmente viáveis, capazes de transportar e oferecer às células o oxigênio necessário para o seu trabalho, a sua vida. Isto pode ocorrer em hemorragias durante o ato operatório ou, em alguns casos, antes e, até mesmo, depois. Para tentar evitar a perda sangüínea, a técnica operatória ficou refinada, criaram-se aparelhos que permitem coagular vasos pequenos e médios, poupando o cliente, mas há situações inesperadas ou, até mesmo, esperadas, mas inevitáveis, em que o sangramento ocorre e o cliente fica espoliado. Com menos sangue, existirá menos oxigênio para alimentar os tecidos e órgãos e toda a economia corporal sofrerá. Os substitutos para o sangue na sua função de carregar e distribuir o oxigênio, estão com as pesquisas muito avançadas e, alguns deles, cerca de meia dúzia, estão sendo usados experimentalmente. Seu uso é restrito a situações de emergência, porque sua sobrevida é muito curta, prestando-se, p.e., a manter a vida de uma pessoa que tenha perdido muito sangue até que chegue a um hospital próximo, onde poderá receber transfusão sangüínea. Assim, não adianta repor o sangue perdido apenas com “substitutos do plasma“ ou soluções outras, porque, após um curto período de tempo, o corpo continuará fraco e sem condições de aproveitar o oxigênio necessário para a vida. Portanto, caso a equipe médica julgue necessário, deverá ser feita a reposição das hemácias ou de todo o sangue perdido (transfusão sangüínea), conforme os critérios técnicos mundialmente aceitos, mesmo em clientes que tenham impedimentos religiosos (p.e. Testemunhas de Jeová) ou de outra natureza que não a da saúde. Podemos preparar o paciente, algumas semanas antes da operação, com eritropoetina e ferro, acelerando a formação sangüínea e colocando a sua hemoglobina a valores altos. Isto minimiza uma perda intraoperatória. Outra maneira seria a hemodiluição, onde se retira uma parte do sangue que é substituída por uma solução fisiológica. No final da cirurgia se reintroduz o sangue original. Existe um sistema de aspiração do sangue que se derrama nas cavidades do corpo. Este sangue aspirado passa por uma filtragem e pode retornar para a circulação do paciente. Nesta situação temos fatores importantes a considerar: 1- pode ser reaproveitado cerca de 50% do sangue perdido, 2- este sangue pode se contaminar durante a exposição na cavidade e levar uma infecção para o organismo, 3- pode haver algum tipo de resíduo que não fique preso na filtragem e provoque uma isquemia em algum órgão importante, 4- as hemácias e plaquetas podem se romper e, ao serem transfundidas, provocarem distúrbios na coagulação. Em outra visão, de conteúdo não médico, mas de preceitos legais, o paciente tem o direito de não querer receber sangue, mesmo que seja o seu próprio!! Neste caso, pelos preceitos legais, devemos conduzir a operação até o ponto em que tenhamos controle. Se a perda de sangue não se mostrar controlável, devemos suspender a cirurgia para não oferecer o sangue que o paciente tem o direito de não querer!!! O ato cirúrgico poderá ser reiniciado em outra ocasião, sempre com as mesmas características legais, mas devemos orientar o cliente e sua família que a discussão maior será com a fonte pagadora que terá que desembolsar dinheiro para uma nova intervenção. Também devemos orientar o cliente e sua família que há casos em que não é tão simples se tomar uma decisão, como a de suspender a operação. Nestes casos o cirurgião se obriga a tomar condutas que podem conduzí-lo ao tribunal como réu. Pedimos a compreensão se, em cirurgias eletivas, o cirurgião se recusar a operar tais pacientes, no bom senso de não prejudicar a sua própria família!!! Às vezes, o problema começa na indicação de uma emergência, antes mesmo da operação, como a de uma gestação ectópica com hemorragia franca e com muito sangue seqüestrado no peritônio. Neste caso só a ajuda divina pode salvar a nós, cirurgiões, porque se não operarmos ou se suspendermos no meio, o nosso Conselho de Medicina não nos perdoará. Se levarmos adiante e ministrarmos o sangue, a OAB não nos perdoará!!!!... Uma boa conversa antes da cirurgia sempre esclarece ambas as partes e colabora para um final de sucesso. 31. Local e tamanho da incisão Desde que não aumente a morbidade do ato cirúrgico, optamos por incisões cujo tamanho permita o trabalho cirúrgico e sejam pequenas, principalmente nas operações de hérnias discais, sejam elas cervicais ou lombares. No crânio temos a preferência por usar incisões retilíneas, que oferecem boa abordagem das estruturas internas pelo fato de operarmos com lentes de aumento. Para as hérnias de disco na coluna lombar a incisão costumava ser mediana, retilínea e de cerca de quinze centímetros de comprimento. Atualmente, com as técnicas mais modernas extremolaterais, fazemos uma ou mais incisões na lateral do abdomem, transversais, de cerca de cinco centímetros. Para a complementação com a fixação pedicular, utilizamos a técnica percutânea com incisões de dois centímetros para cada parafuso pedicular. Se a técnica escolhida for a transpedicular, será feita uma incisão de cerca de cinco centímetros do lado a ser tratado e as menores para os parafusos. Nas hérnias discais cervicais é transversal, na face antero-lateral esquerda do pescoço, medindo cerca de cinco centímetros de comprimento. Para as abordagens medianas da fossa posterior (região posterior da cabeça, logo acima da nuca) utilizamos uma incisão mediana que abrange parte da área do cabelo e avança pela nuca por alguns centímetros. Quando a abordagem da fossa posterior é lateral, a incisão também é lateral, ficando na região atrás da orelha. Para os aneurismas, em sua maioria, utilizamos a via pterional que necessita de incisão arciforme que acompanha as entradas do cabelo masculino, alguns centímetros para trás. Além destas há muitas outras que esclareceremos conforme sejam utilizáveis nos diversos tipos de abordagens neurocirúrgicas. Lembramos que não optamos pela tricotomia do local operatório. O mais importante é que, atualmente, optamos pelas cirurgias minimamente invasoras. Técnica cirúrgica que possibilita reduzir o tempo operatório, o tempo de recuperação, tem melhor efeito moral e cosmético. São utilizados aparelhos modernos que invadem o seu corpo por incisões muito pequenas e associamos ópticas de microcameras e fibras de vidro que magnificam os músculos e vértebras em telas atuais de LCD. A orientação de aparelhos de neuronavegação se torna fundamental para várias etapas, afinal de contas temos que evoluir, independente das mordaças sociais. Parece uma viagem de exploradores minúsculos ao corpo humano! Com isto esperam-se menos lesões aos músculos e ligamentos (que se responsabilizam pela maior parte das dores do pós-operatório), com recuperação mais rápida, ao ponto de ser possível a alta no mesmo dia da operação, em muitos casos. Sem falar nas incisões que se tornam pequenas e esteticamente aceitáveis. Deixo claro que cirurgia minimamente invasora é aquela que permite o mesmo resultado conseguido com uma “maximamente” invasora, mas causando muito menos “dano” ao paciente. Fazer um “furinho” na pele e mexer um pouquinho na lesão pode ser uma invasão mínima e completamente desnecessária. Tudo depende do objetivo esperado e de uma discussão profunda e transparente com o paciente e sua família. 32. Tempos principais da operação Este item, para ser explicado, precisa do objetivo cirúrgico, que é muito variável. Portanto preferimos colocá-lo de maneira especial ao cliente. De uma maneira geral começamos pela abertura da pele e estruturas moles como a musculatura. Nesta fase cuidamos para que não se perca muito sangue. Abrimos passagem através dos ossos para alcançar as estruturas neurológicas onde procederemos ao tempo principal da operação. Na continuidade fazemos o fechamento das estruturas abertas até a pele. 33. Retirada de estruturas e seu destino Nas cirurgias de tumores ou quando o material retirado é de características incomuns, encaminhamo-lo para o exame anatomopatológico, onde receberá uma definição histológica e celular, quando poderemos dizer se um tumor é benigno ou maligno, de onde se originou, se o processo é inflamatório e qual a natureza da inflamação, ou, simplesmente reconhecer uma estrutura normal como um disco intervertebral, embora na imensa maioria das vezes não enviemos peças de discos intervertebrais para tais exames. Quase sempre, por motivo de não termos banco de ossos ou por serem os ossos retirados muito pequenos ou inapropriados, eles são desprezados, juntamente com pequenas sobras de tecidos moles como pele, gordura, músculo ou aponeurose. 34.Destruição de tecidos nobres Certas abordagens de lesões intracerebrais ou intramedulares necessitam de acessos que passam, obrigatoriamente por estruturas nobres que ainda não estão lesadas, como nos tumores intraventriculares que, para serem alcançados é preciso atravessar a cortiça cerebral ou cerebelar lesando estruturas. Ou a situação de um grande tumor de hipófise em que toda a glândula é extirpada junto com a massa exigindo reposição hormonal contínua. Cirurgias estereotáxicas, embora sejam milimetradas, podem machucar estruturas vizinhas à lesão alvo, assim como nas coagulações para doenças extrapiramidais, estruturas próximas podem ser envolvidas na área de destruição e o cliente melhora de um certo tremor, mas pode ficar com uma fraqueza de um lado do corpo. Estas situações podem ser obras do acaso ou inevitáveis e sempre que houver a possibilidade de acontecer algo semelhante o cliente será orientado. 35. Tipos de fios Juntamos os tecidos cortados com fios especiais, alguns absorvíveis pelo organismo, outros não, dependendo do tipo de tecido a ser suturado ou do nosso interesse na permanência do fio. Temos uma tendência para usar fio absorvível sintético em todas as estruturas (Polivicryl, Monocryl, PDS) e, às vezes, deixando a pele sem suturar, apenas aproximada pelos pontos do subcutâneo ou utilizando os pontos falsos de fita adesiva. Em outras situações, fazemos a sutura intradérmica com fio de nylon monofilamentar bem fino (Mononylon). 36. Drenagem A drenagem é utilizada para o espaço entre a dura-máter (a capa do cérebro) e o osso da calota craniana, com a finalidade de evitar a coleção de sangue que poderia causar um hematoma (coágulo) e comprimir o cérebro. Também utilizamos no couro cabeludo, logo acima do osso, para diminuir ou evitar a coleção sangüínea que poderia levar à infecções ou à deiscência de sutura (separação das bordas de uma ferida com dificuldade de cicatrização). Com a mesma finalidade utilizamos nas cirurgias da coluna vertebral. As drenagens também são utilizadas para aliviar a pressão elevada nos ventrículos encefálicos ou retirar o sangue extravasado para eles em acidente hemorrágico intracraniano (ruptura de aneurisma, por exemplo.). 37. Local e duração da recuperação pós-anestésica Normalmente, é feita no recinto do centro cirúrgico, em sala destinada para isto e o cliente ficará sob a responsabilidade do anestesiologista. Sua duração pode ser de algumas horas. Em casos especiais, por quantidade de anestésico, tempo operatório, idade do cliente ou fatores de dificuldade cirúrgica, o local de recuperação poderá ser a unidade de terapia semi-intensiva ou a intensiva, o que será comunicado aos familiares e acompanhantes. Neste caso poderá durar até 24 horas ou mais. Quando na RPA, semi-intensiva e UTI, a responsabilidade na condução das intercorrências fica por conta da equipe de anestesiologia ou da medicina intensiva, sob a orientação dos médicos plantonista e coordenador geral, à qual caberá a eficiência no acompanhamento do cliente, seguindo as normas deliberadas pela equipe cirúrgica nos eventos próprios da operação. 38. Necessidade de terapia intensiva É reservada para os clientes de cirurgias intracranianas ou os que apresentam risco cirúrgico mais elevado, mesmo que submetidos a operações simples. Também irão para a unidade de terapia intensiva (UTI) aqueles que tiverem o per-operatório mais preocupante. Nem sempre a necessidade de UTI implica em evolução ruim. Na maioria das vezes opta-se pela UTI para se prevenir uma evolução ruim. Na oportunidade daremos os esclarecimentos a respeito. Quando na UTI, a responsabilidade na condução das intercorrências fica por conta da equipe de medicina intensiva, sob a orientação dos médicos plantonista e coordenador geral, à qual caberá a eficiência no acompanhamento do cliente, seguindo as normas deliberadas pela equipe cirúrgica nos eventos próprios da operação. 39. Tipo e freqüência dos curativos Os curativos das operações intracranianas diferem dos outros porque são fixados com faixas de crepom e não por esparadrapos. As incisões são limpas com anti-sépticos compatíveis com o cliente e cobertas com gaze ou, então, lavadas no banho com água e sabão e deixadas sem cobrir (esta é a nossa preferência, mas que necessita da colaboração do cliente). Os drenos quando utilizados, permanecem, em média, de 24 a 72 horas. Servem para deixar o local operatório livre de coleções, que poderiam causar deiscência de sutura ou compressões do tecido nervoso. A troca dos curativos, normalmente, é feita após 24 horas da operação e sua freqüência dependerá de ser um curativo coberto ou não, infectado ou limpo, com ou sem coleções, etc.. Via de regra, optamos por trocar o mínimo possível os curativos ou deixando a região descoberta e lavando-a com água e sabão. 40. Medicamentos utilizados no pós-operatório Em condições normais, são mantidos os remédios de uso prévio, como hipoglicemiantes, antiarrítmicos, antiepilépticos e anti-hipertensivos. Utilizamos remédios sintomáticos contra dor, febre e vômitos, protetores de mucosa gástrica, antiinflamatórios não hormonais e esteróides, que poderão necessitar de via endovenosa, além de aplicações subcutâneas de heparinóides com a função de evitar trombose venosa. Em alguns casos opta-se por medicações antiepilépticas, geralmente, a difenil-hidantoína, porque tem pouco efeito de sonolência e por permitir, rapidamente, o nível plasmático de ação. Fazemos o uso de antibióticos profiláticos de rotina, quando serão usados desde o início da cirurgia, com as drogas e dosagens estipuladas pelas equipes de controle de infecção, até o primeiro pósoperatório, de acordo com as normas da CCIH (Comissão de Controle de Infecção Hospitalar). As medicações utilizadas para cada caso serão informadas ao cliente ou seus responsáveis. 41. Necessidade de fisioterapia Poderá ser motora ou respiratória. No primeiro caso, para quem apresentar alguma deficiência motora ou para prevenção de trombose venosa, por exemplo. No segundo, para auxiliar na excreção de secreções e melhorar a ventilação. Tais atividades são desenvolvidas por profissionais de nível superior com especialização na área. Verificar se o seguro saúde cobre os honorários da fisioterapia neurológica. 42. Visitas médicas Terão a freqüência mínima de uma vez ao dia e o horário preferencial é o início da manhã. Como nem sempre isto será possível, então a visita ocorrerá ao final da tarde ou início da noite, podendo ser feita por qualquer dos membros da equipe, não necessariamente o operador. 43. Posição no leito Dependerá do tipo de operação a que será submetido o cliente e de como transcorrerá esta operação. De qualquer forma, as orientações médicas deverão ser acatadas no intuito de beneficiar o operado. Caso seu estado de consciência ou contato com o meio estejam prejudicados e, se for necessário, reservamo-nos o direito de sedação, após comunicarmos à família, se houver tempo hábil. Nos casos de hérnias discais lombares ou cervicais, a posição será da escolha do cliente, ou seja, a que promova alívio ou cause menos dor. Nas cirurgias de fossa posterior que sejam executadas com o cliente sentado, este permanecerá sentado em posição semelhante à operatória cerca de 48 a 72 horas, com a finalidade de evitar hemorragias da pressão negativa, quando se está sentado, para positiva, quando se está deitado. 44. Cuidados com o local de operação Por nossa orientação a incisão deverá ficar arejada, seca e descoberta, após a primeira troca de curativo, e o local poderá ser lavado com água e sabão que consideramos um excelente método anti-séptico. Depois de lavada, uma ou mais vezes ao dia, deverá ser seca com toalha limpa e aparelho secador-de-cabelos, para que fique bem seca e lustrosa, podendo ficar descoberta, quando muito, coberta com gazes esterilizadas e tratada com anti-sépticos do tipo cloroexidina ou polivinilpirrolidona com iodo a 10% (PVPI). Não é necessário frisar que o local da operação não necessita do calor de bolsas de água ou da adição de quaisquer substâncias que não sejam indicadas pela equipe cirúrgica ou de enfermagem. Principalmente nas áreas cranianas de retirada de osso, devem-se evitar compressões contra estruturas firmes (como a cabeceira do leito ou a borda do criado-mudo ou, ainda, toques pesados com os dedos ou objetos), pois há o risco de irritação do cérebro com crise convulsiva. Também na coluna, onde se faz retirada de lâminas (a porção posterior do canal das vértebras), o sistema nervoso fica exposto às partes moles sem a proteção do osso e pode ser comprimido se houver apoio desta área sobre objetos resistentes. 45. Dieta Seguirá as necessidades do cliente em seus gastos energéticos, utilização de gorduras, proteínas, e açúcares, tendências laxantes e obstipantes. Será preparada pelo serviço de nutrição do hospital, sob a orientação de profissionais nutricionistas com formação acadêmica. Dentro das limitações médicas e de administração hospitalar, a dieta poderá ser discutida com tais profissionais, pelo cliente ou acompanhante, inclusive para orientação domiciliar. 46. Momento de levantar do leito Precoce para o benefício do organismo, sem prejudicar o bom andamento cirúrgico. Portanto é variável de pessoa a pessoa e com o tipo de operação a que foi submetido. Discutiremos o caso de cada cliente. 47. Tempo previsto para a alta hospitalar Será o que permita tranqüilidade à equipe de saúde e segurança ao cliente. Também é variável de pessoa a pessoa, como se pode imaginar, mas será o menor possível dentro do quadro de saúde vigente. Um paciente com hérnia de disco cervical poderá receber alta, até mesmo, no dia seguinte da cirurgia. Discutiremos o caso específico de cada cliente. 48. Tempo previsto para a alta médica É quando o paciente se desliga mais do médico, pois o desligamento definitivo jamais acontece na verdade, podendo sempre existir uma ou outra dúvida que exija o parecer profissional. Os fatores que influem dependerão do tipo de acometimento básico, do tipo de operação, das intercorrências e da atividade pessoal. Discutiremos o caso específico de cada cliente. 49. Limitações que advirão da operação Quando interferimos na dinâmica do corpo, não temos a capacidade de restaurá-lo à sua normalidade, na compreensão holística, visto nossa condição muito pequena dentro de uma escala evolutiva, mas tentamos reparar o problema existente, da melhor maneira que a ciência e a filosofia nos permitem. A previsão exata das limitações não é possível, mas uma avaliação aproximada poderá ser feita conforme a delicadeza do procedimento e a abordagem do objetivo cirúrgico. Isto deverá ser esclarecido com o médico assistente para que se conheçam as possibilidades negativas de paralisias, fraquezas, dormências, anestesias, formigamentos, dificuldades para falar, confusão mental, convulsões, alterações hormonais graves que podem levar ao coma ou obrigar a reposições para toda a vida, distúrbios visuais, paradas no desenvolvimento físico e mental, além de outras situações importantes. 50. Consultas após a alta Servirão para acompanhar o restabelecimento ou controlar o acometimento básico. Não deverão ser entendidas como continuação do tratamento cirúrgico se acontecerem além de 30 dias da operação ou, ainda, se acontecerem por outros problemas. Sua freqüência será discutida na alta hospitalar. 51. Continuação do tratamento no pós-operatório A operação não é o ponto final do tratamento cirúrgico do cliente. Poderão ser necessários, desde o uso de medicamentos simples até quimioterapia ou radioterapia. A fisioterapia também deverá ser incluída, assim como o acompanhamento psicológico para alguns casos específicos. O cliente receberá orientação. 52. Exames subsidiários pós-operatórios Mesmo depois da operação o processo de tratamento do cliente se mantém e, por vezes, necessitamos de exames subsidiários como radiografias, tomografias computadorizadas, ressonâncias magnéticas, outros exames de imagem ou mesmo exames laboratoriais, com o que daremos continuidade às observações ou realizaremos comparações dos eventos pré e pós-operatórios, com a finalidade de avaliar o fator causal e a recuperação do paciente. 53. Dados de esclarecimento fundamentais para que a cirurgia possa ser aceita pelo paciente: Sobre o diagnóstico da doença: p.e.:O sofrimento continuado do disco intervertebral e que no caso em questão existem: L4-L5 com prolapso mediano e L5S1 com extrusão médio-lateral esquerda, o que se resume a dizer dois discos estragados em sua função e com “hérnias discais”. Sobre o prognóstico esperado para os pacientes portadores desta doença ou acometimento, sem o tratamento cirúrgico: p.e.: Raramente chegará a ficar recluso a uma cadeira de rodas com a sua evolução natural da doença. Ficará mais susceptível deste final infeliz se sofrer pequenos acidentes que levem a compressão da medula nervosa com a perda dos movimentos, tais como quedas de escada, cadeiras, camas, no banheiro, cozinha e outros lugares lisos, acidentes automobilísticos, mesmo que leves, etc.. O que se espera é a perda da qualidade de vida, com piora lenta e progressiva das funções intestinal, urinária, sexual e da movimentação dos membros, como se estivesse em uma rampa de descida que em determinados momentos está mais íngreme e em outros menos, mas sempre uma rampa de descida que pode ser chamada, enganosamente, de “idade”, apresentando, com uma freqüência variável, crises de dor e diminuição funcional. Terá uma tendência maior a preferir a poltrona às atividades. Ficará mais susceptível de lesar completamente uma raiz nervosa pela compressão, fato este muito raro, o que lhe trará a perda parcial ou total da movimentação dos músculos dependentes daquela raiz nervosa e a sua perda de sensibilidade, como o que ocorre na raiz L5 que leva ao “pé caído”. O que se espera é a perda lenta da estrutura muscular, com diminuição da massa e da força (atrofia), apresentando, com uma freqüência variável, crises de dor e diminuição funcional. Sobre a técnica escolhida para a cirurgia: p.e.:Será realizado um corte atravessado, na frente da barriga, entre o umbigo e os pêlos pubianos. Este corte, na maior parte das vezes, não terá costura na pele por fora, apenas por dentro. Faremos o afastamento dos intestinos, em bloco com o peritônio que os envolve e exporemos os grandes vasos abdominais e a coluna. Faremos a retirada do disco liberando o canal por onde passam os nervos e a restauração da altura entre as vértebras para abrir o buraco de saída do nervo, a colocação de espaçadores diâmicos que substituirão os discos estragados, tornando o conjunto “vértebra-disco-vértebra” uma unidade móvel e sem compressão sobre o tecido nervoso. p.e.:Será realizado um corte atravessado, na frente do pescoço à esquerda, em cima da coluna na curva do lombo até um pouco acima do “reguinho” entre as nádegas. Este corte, na maior parte das vezes, não terá costura na pele por fora, apenas por dentro. Faremos a retirada do disco liberando o canal por onde passam os nervos e a restauração da altura entre as vértebras para abrir o buraco de saída do nervo, a colocação de substitutos ósseos ou o próprio osso e tornar o conjunto “vértebra-disco-vértebra” um bloco único ossificado. Para esta cirurgia contaremos com uma equipe auxiliar composta por cirurgiões gerais que farão o acesso cirúrgico nos entregando a coluna exposta e, depois que terminarmos, farão o fechamento, responsabilizando-se por estes atos. Sobre a justificativa em que este método se apoia: p.e.:Na sua capacidade em unir a descompressão com a proteção dos nervos e a prevenção de se repetirem hérnias no mesmo lugar ou de aparecimento de bicos de papagaio. Escolhemos esta técnica por ser a mais indicada de acordo com a evolução da história natural da doença em questão e pela idade do(a) paciente. Na sua capacidade em unir a descompressão com a proteção dos nervos e a prevenção de se repetirem hérnias no mesmo lugar, retornando a função de movimento dos níveis operados. Escolhemos esta técnica por ser a mais indicada de acordo com o estágio evolutivo da história natural da doença em questão e pela idade do paciente. Sobre o objetivo da cirurgia: p.e.:Retirar o aperto que o nervo esta sofrendo, retirar o disco alterado que causa dor e evitar os movimentos dolorosos da coluna. Para tanto será necessária a fixação das vértebras com espaçadores discais dinâmicos espaçadores e parafusos nelas colocados e que serão unidos por hastes ou placas contando com o auxílio do raio X que será utilizado em vários momentos da operação. p.e.:Retirar o aperto que o nervo esta sofrendo, retirar o disco alterado que também causa dor, evitar os movimentos dolorosos da coluna e manter a relação anatômica considerada normal. Para tanto será necessária a utilização de espaçadores discais dinâmicos, contando com o auxílio do raio X que será utilizado em vários momentos da operação. Sobre os benefícios esperados com este tratamento operatório: p.e.: a)a diminuição ou o desaparecimento da dor b)a diminuição ou a parada do sofrimento do tecido nervoso, o que levaria a reestruturação das células nervosas que não estivessem destruídas, permitindo uma recuperação funcional proporcional à recuperação destas células. c)a imobilização ou a mobilização vertebral, semelhante ao normal, que dá repouso para as articulações doentes e maior apoio na postura. d)a retirada total do disco intervertebral evitando a repetição da hérnia no mesmo nível. e)poderá levantar do leito no dia seguinte a cirurgia e tomar banho de chuveiro e, se estiver se sentindo bem, poderá, até mesmo receber alta. Esta situação deverá ser alterada se houver intercorrências. Sobre o desconforto pós-operatório: p.e.: a)dores na região da cirurgia, b)espasmos musculares que o corpo promove para se defender e com isto poderá apresentar torcicolo ou travamento das costas com dificuldades na mobilização no leito ou fora dele, c)inchaço na região operatória, causado pela agressão cirúrgica, d) dificuldades para urinar ou defecar por causa da sonda vesical ou do uso de drogas opióides contra a dor e o manuseio intestinal durante a cirurgia, podendo notar sangue na urina por causa do manuseio dos ureteres (canudos que levam a urina dos rins até a bexiga). e)ser obrigado a permanecer deitado em posição desconfortável se houver a presença de fístula liqüórica, f)ser puncionado ou sofrer uma pequena sutura à beira do leito ou no centro cirúrgico, em situações de fístula, colecionamento de líquidos ou abertura da ferida operatória. g)diminuição da movimentação da coluna por fixação dos seus elementos, sendo uma perda de 10% a 15% para cada nível fixado. Isto trará algum incomodo, mas é necessário saber que esta perda se compara a uma coluna perfeita e não a uma coluna doente, onde a perda será menor. Sobre os riscos que podem advir, em função da cirurgia, deixando o estado físico alterado por uma certa margem incontrolável de complicações: p.e.: ANESTÉSICO: Sob a responsabilidade do médico anestesiologista, com quem deverão ser discutidos. MORTE: Existe em qualquer operação e é maior nas mais complexas. Geralmente, está relacionada com o fator hemorragia, se for muito intensa e incontrolável ou a fatores anestésicos, incompatibilidade a drogas, distúrbios metabólicos e eletrolíticos, reações anafiláticas a elementos de sangue ou de soluções transfundidas. Nas cirurgias em que se aborda o tronco cerebral, pode haver disfunção dos centros cardíaco e respiratório causando paradas funcionais ou, ainda, quando se opera com o cliente sentado ou, mesmo, com a cabeça elevada, pode haver embolia aérea maciça. AS CHANCES EXISTEM, MAS EM TERMOS REAIS A OCORRÊNCIA DE ÓBITO NA OPERAÇÃO É UMA RARIDADE. A morte por complicações posteriores decorrentes da operação pode não ser tão infreqüente, mas dependerá da evolução negativa de algum desequilíbrio que fuja ao controle da equipe médica de cuidadores, como vasoespasmo encefálico, tumefação ou edema cerebral intensos ou diabetes insipidus ou, ainda, a produção inapropriada de hormônio antidiurético ou vários fatores metabólicos, químicos e disfuncionais no pós-operatório. A vigilância constante, na UTI, existe com a finalidade de reconhecer, precocemente, tais complicações. REOPERAÇÃO: É possível em algumas situações, sendo mais freqüente do que imaginamos. Ocorre com a dificuldade em alcançar o objetivo na primeira vez, seja por risco de vida ou deficiência importante para o cliente ou, ainda, acometimento inesperado, tipo infecção, recidiva de hematoma ou coleção ou esperado, mas de freqüência baixa, como recidiva de dor em cirurgia de hérnia de disco intervertebral (em torno de 5 a 10%) ou recidivas tumorais, por exemplo. De qualquer forma, as situações que venham a ocorrer, sempre serão discutidas. INFECÇÃO AGUDA OU TARDIA: Nunca poderíamos garantir a ausência de infecção, mas damos ao cliente, pelo menos, a opção de hospitais de baixo nível infeccioso e a garantia do acompanhamento técnico e humano que ele merece e o contínuo interesse pelo seu bem estar. HEMATOMAS: são escapes de sangue que se exteriorizam entre as estruturas da área operatória, causando a diminuição de hemoglobina circulante com piora da oxigenação dos tecidos do corpo, além de agirem como ocupantes de espaço, empurrando estruturas, às vezes, muito importantes que podem piorar a evolução do paciente. Tais hematomas podem ser causados por perda da ligadura de vasos arteriais ou venosos, aberturas da coagulação dos cotos de tais vasos, como em crises de tosse ou vômito ou por aumento súbito de pressão arterial ou, ainda, por uso de substâncias anticoagulantes aplicados na veia ou embaixo da pele. Em pacientes que utilizem antiagregantes plaquetários, como o ácido acetil salicílico e outros, ou antinflamatórios por longo tempo, o sangue fica com muita dificuldade para se coagular e o hematoma se desenvolve sem que exista um único vaso isolado aberto, mas as estruturas sangram como se as paredes porejassem sangue. Em qualquer das causas os eventos poderão ser importantes. DEISCÊNCIAS DA SUTURA: abertura da incisão porque as bordas não colaram direito. Os motivos são vários, como a baixa quantidade de proteínas ou de hemoglobina no organismo do paciente, problemas metabólicos como diabetes descontrolado, doenças de baixa imunidade associadas, infecções no local da sutura, presença de fístula de líquor, que fica lavando a área de sutura impedindo a cicatrização, dificuldades de irrigação arterial na região operada, etc.. Se ocorrer haverá a necessidade de uma nova operação para ressuturar ou o tratamento conservador, para que se feche aos poucos com os curativos. REAÇÃO À PRESENÇA DO IMPLANTE (REJEIÇÃO): muito difícil, pois os materiais foram testados a longo prazo e, mesmo, utilizados em outros implantes, há mais de vinte anos, sem que isto acontecesse de maneira significativa. AFROUXAMENTO (SOLTURA) OU QUEBRA DO IMPLANTE: esta possibilidade é mais freqüente e a estatística mundial fica em torno de 5% dos casos. São as falhas de materiais e/ou de sua instalação. PSEUDARTROSE: nas fixações, é a falta de integração entre as peças ósseas que são mantidas juntas pelas peças metálicas. Decorre uma movimentação entre as peças ósseas que pode ser dolorosa ou não e a fixação fica excluivamente dependente das peças metálicas que, por sua vez, podem entortar ou quebrar com o tempo. Imagina-se que a conduta, na maioria destes casos, seja a reoperação. FÍSTULA LIQUÓRICA: É o escape de liquido cefalorraquidiano por uma solução de continuidade (buraco) na meninge. O líqüido poderá ficar retido sob a pele formando uma tumefação ou exteriorizar-se pelas bordas da ferida operatória. Causará cefaléia e, talvez, síndrome vestibular (sintomas semelhantes aos da labirintite). O risco mais importante é o de contaminação, com a possibilidade de meningite e os riscos decorrentes da lesão do sistema nervoso. A ocorrência de fístula pode ser devido à hipertensão intracraniana (por falta de escoamento ou aumento da produção de líqüor) no pós-operatório, o que será uma complicação, até certo ponto, calculada. Ainda poderá ocorrer por lesão acidental da meninge, em situações em que não se espera o ocorrido, por exemplo, em operações de hérnia de disco intervertebral. A ocorrência de fístula liquórica é um dos fatores que levará a posições obrigatórias no leito, sempre no intuito de diminuir a pressão ao nível do orifício fistuloso. ESTÉTICO: Pode se desenvolver em função de seqüelas neurológicas de origem central ou, mesmo, de alguma retração muscular ou deficiência de nervo periférico em incisões. Os padrões técnicos que utilizamos sofreram extensa crítica pela literatura mundial e são aceitos nos melhores centros. Riscos assim podem acontecer, mas estão longe de serem preocupantes. GASTRITE: é a inflamação do forramento do estômago (mucosa) que causa dor e pode sofrer hemorragia. As causas mais comuns são a reativação de processo antigo, a tensão emocional peri-operatória em indivíduos predisponentes, a tensão emocional aguda causada por intercorrências graves, o uso contínuo e intenso de medicamentos antinflamatórios não esteróides ou esteróides, determinadas drogas de ação vasoativa levando a fechamento de pequenos vasos ou drogas que aumentem a ação do nervo vago, etc.. QUEIMADURAS: Podem acontecer pelo uso de bisturi elétrico. Todos os cuidados são tomados, seja com o cliente, o aparelho ou a sala, mas o risco existe. Em nossa experiência ocorreu muito pouco. Tais queimaduras restringem-se a pequenos locais do corpo que entram em contato com superfícies molhadas ou metálicas, como a mesa de operações. Portanto, entendem-se os motivos, entre outros, da retirada de próteses dentárias, brincos, anéis e colares. Também podem ocorrer necroses semelhantes a queimaduras pelo uso de drogas vasoativas em veias periféricas, fato este muito raro e, dentro do possível, evitável. INSTABILIDADE VERTEBRAL PÓS-OPERATÓRIA: quando as fixações devidas não conseguem segurar os movimentos indesejáveis da coluna. Torna-se necessária uma nova abordagem ou o tratamento conservador em casos selecionados. PLEGIA PÓS-OPERATÓRIA, IMEDIATA OU TARDIA: paralisia de parte ou da totalidade dos membros e/ou das funções do corpo como pilificação, secreções, movimentos intestinais e vesicais, afinamento da pele e dos ossos, etc. São decorrências de machucados sobre o tecido nervoso: raízes, plexos, nervos,medula ou encéfalo, que poderão ser causados por abordagens para tratar problemas (como algumas lesões causadas no caminho para retirar um tumor do cérebro ou da medula), por inchaço ou estufamento do sistema nervoso ao ser descomprimido, por alterações vasculares de diminuição da alimentação sangüínea do tecido nervoso, por aperto de tais estruturas causado por parafusos e peças utilizadas para tratar problemas da coluna ou do cérebro ou mobilizações do tecido nervoso de maneira inadvertida. FIBROSE OU ADERÊNCIA DO(S) NERVO(S) LOMBAR(ES): que podem existir durante compressões prolongadas de raízes em hérnias discais mais antigas, em que se opta por um tratamento conservador exaustivo. Nestes casos a retirada da compressão não consegue desfazer a aderência entre as radículase a dor pode persistir. Também nas dificuldades em se mobilizar as raízes para a retirada de hérnias discais ou tumores, as raízes podem se machucar e ficar com aderências internas. Também nas infecções isto pode acontecer. RADICULITE CRÔNICA: Processo inflamatório doloroso que simula um sofrimento por compressão de hérnia de disco. Pode ser traumática ou inflamatória sem traumatismo (mais difícil). O traumatismo pode ser pelo médico tentando a liberação de um problema ou pelo próprio problema ou, ainda, por fraturas e deslocamentos de parafusos ou peças metálicas. DEFICIÊNCIAS FUNCIONAIS MOTORA, SENSITIVA E DE COGNIÇÃO: As diversas operações neurológicas lidam com tecidos nobres como são os tecidos nervosos central e periférico. Quando nos dispomos a atuar neles, o risco é evidente. Algumas operações têm risco maior, outras menor. Gostaríamos de discutir caso a caso, lembrando que o cliente e sua família não estão à mercê da equipe de saúde, mas participam das responsabilidades e devem conhecer as possibilidades de paralisias, fraquezas, dormências, anestesias, formigamentos, dificuldades para falar, confusão mental, convulsões, alterações hormonais graves que podem levar ao coma ou obrigar a reposições para toda a vida, distúrbios visuais, paradas no desenvolvimento físico e mental, além de outras situações importantes, tudo dependendo da evolução da própria doença e das reações pessoais do cliente. INTERCORRÊNCIAS OU SITUAÇÕES ADICIONAIS INESPERADAS: São situações que fogem do esperado, como quedas de cama; crises de vômito com abertura de incisões ou aspiração de conteúdo gástrico; crises convulsivas em operações de nervos periféricos; coincidência de acidente vascular encefálico isquêmico, hemorrágico, intraparenquimatoso ou ruptura de aneurisma, no desenvolvimento de outro tratamento ou durante a operação; infecção em cirurgia limpa e protegida; hemorragia digestiva, infarto do miocárdio, embolia pulmonar ou, também, a ocorrência de choque durante a operação, para citar algumas. A incidência de tais riscos é muito baixa, mas lembremos que existem. TROMBOFLEBITE E TROMBOSE VENOSA: uma é a inflamação das veias e a outra o entupimento por coágulos. A injeção venosa de determinados fármacos pode irritar a parede interna das veias com reação inflamatória levando aos cordões doloridos que se notam sob a pele. Os trombos dentro das tubulações venosas, geralmente, acontecem nas grandes veias. Podem acontecer por excesso de jejum com desidratação e facilitação por doenças como proteínas C e S, antitrombina III, fator V de Leiden, hemocisteína e cardiolipina IgM e IgG, ou por compressões dos membros contra alguma superfície dura da mesa cirúrgica, interrompendo o fluxo de sangue ou por problemas com transfusões de sangue. Ainda teríamos as causas traumáticas com lesões vasculares interrompendo o fluxo sangüíneo e causando tromboses. EMBOLIA PULMONAR: Quando o sangue fica mais espesso, por jejum, desidratação, ou problemas metabólicos ou traumáticos como explicado no item anterior, os trombos formados dentro das artérias ou veias podem se mobilizar. No caso de tromboses nas veias das pernas pode acontecer de um pedaço de trombo se descolar do restante e caminhar pelo fluxo sangüíneo alcançando os pulmões e entupindo artérias, o que poderá causar problemas metabólicos intensos com gravidade muito alta. DOR: É uma sensação desconfortável e sem nenhum prazer, nunca desejada. Se não havia e aparece no pós-operatório, deverá ser avaliada buscando-se a causa e aliviando-se os sintomas. Se existia no pré-operatório e não cessa com a operação é indício de que não houve sucesso imediato e, talvez, seja necessária, até mesmo, outra intervenção. É importante manter-se calmo para evitar o aumento do problema dor por causa de um desequilíbrio emocional. O controle pós-operatório periódico com exames radiográficos (quando necessário), tomográficos e/ou de ressonância magnética é indispensável para acompanharmos o resultado da cirurgia e evitarmos possíveis complicações. Estamos a sua disposição para o esclarecimento de dúvidas que tenham restado.