194-948-1-SP

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ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM À MULHER PORTADORA DE CÂNCER
DE MAMA COM BASE NA TEORIA DO RELACIONAMENTO
INTERPESSOAL
Moniqui Soares de Sá Freire*
Inez Sampaio Nery**
Grazielle Roberta Freitas da Silva***
Maria Helena Barros Araújo Luz****
Iellen Dantas Campos Verde Rodrigues*****
RESUMO
O câncer de mama tem sido responsável pelos maiores índices de mortalidade
no Brasil, representando uma das grandes questões de saúde pública. A
mulher acometida não tem apenas seu corpo modificado, com reflexo na
identidade feminina, mas também suas relações interpessoais e afetivas
fragilizadas por uma enfermidade que trás consigo estigmas e preconceitos os
quais terá que confrontar-se. Objetivo: Este estudo objetivou refletir sobre a
pertinência da Teoria do Relacionamento Interpessoal em Enfermagem nos
cuidados a mulher portadora de neoplasias mamária. Metodologia: Para o
alcance do objetivo utilizou-se as bases conceituais da referida teoria, capítulos
de livros e artigos que abordassem a temática do câncer de mama, além da
percepção das autoras sobre o assunto. O período de publicação analisada foi
de 2000 a 2010 sendo o buscador principal as bases de dados da Biblioteca
Virtual em Saúde – Enfermagem. Resultados: Verifica-se que, apesar de ser
uma teoria da década de 50, ela trás para discussão questões atuais, ao
enfatizar a necessidade de uma relação empática entre enfermeiro e paciente;
ao valorizar à escuta dos clientes e o estabelecimento de uma relação dialógica
entre os sujeitos envolvidos no cuidado; ao considerar fundamental a
compreensão do contexto sócio cultural dos indivíduos; ao reconhecer que
cada ser é particular necessitando de cuidados individuais e, por discutir a
importância de tornar os sujeitos co-participativos no seu tratamento.
Conclusão: Considera-se que as questões retomadas pela teórica são
essenciais no cuidado à mulher com câncer de mama por suas repercussões
nas esferas físicas e psicossociais.
Palavras-chave: Neoplasias da mama. Mulheres. Teoria de enfermagem.
Relações interpessoais.
*
Enfermeira pela Universidade Federal do Vale do São Francisco - UNIVASF. Mestranda do Programa de PósGraduação da Universidade Federal do Piauí - UFPI. E-mail: [email protected]
**
Enfermeira. Doutora em Enfermagem. Docente da Graduação em Enfermagem, da Pós-Graduação Stricto Senso do
Programa de Mestrado em Enfermagem e de Políticas Públicas da Universidade Federal do Piauí – UFPI. E-mail:
[email protected]
***
Enfermeira. Doutora em Enfermagem. Professora Adjunto I da Universidade Federal do Piauí – UFPI. E-mail:
[email protected]
****
Enfermeira. Doutora em Enfermagem. Docente da Graduação em Enfermagem, da Pós-Graduação Stricto Senso do
Programa de Mestrado em Enfermagem da Universidade Federal do Piauí – UFPI. E-mail: [email protected]
*****
Enfermeira pela Universidade Federal do Piauí – UFPI. Mestranda do Programa de Pós-Graduação da Universidade
Federal do Piauí - UFPI. E-mail: [email protected]
1 INTRODUÇÃO
O câncer de mama vem ganhando lugar de destaque entre as doenças
que acometem a população feminina, se configurando como um grande
problema de saúde pública. No Brasil, as estimativas apontam que, para o ano
de 2012 e final de 2013, ocorrerão cerca de 52.680 casos novos de câncer de
mama, sendo este tipo o mais incidente nas mulheres de quase todas as
regiões brasileira exceto na região norte, onde o tumor de colo uterino é o mais
frequente (BRASIL, 2011).
Além de ser a neoplasia maligna que mais incide nas mulheres
brasileiras, é também a primeira causa de morte por câncer no sexo feminino.
Em 2010 foram registradas 12.852 óbitos por esta doença no país e as
estimativas indicam que a taxa de mortalidade tende a permanecer elevada
principalmente porque, em 60% dos casos, os tumores mamários são
diagnosticados em estágio avançado, o que os torna intratáveis (INCA, 2012).
A preocupação em torno do câncer de mama não se dá, apenas, pelo
seu perfil epidemiológico, mas, principalmente, pelos efeitos e repercussões
negativas que esta doença provoca na vida das mulheres acometidas. Viver
com uma doença ligada a estigmas, conviver constantemente com incertezas
em relação a sua qualidade de vida futura e com relação a sua própria vida,
bem como com a possibilidade de recorrência da doença constituem-se em
algumas das várias dificuldades que a mulher acometida por esta enfermidade
terá de enfrentar em seu cotidiano.
Estudiosos da área apontam que o diagnóstico de câncer de mama, com
frequência, provoca efeitos devastadores na vida das mulheres que o recebem,
seja pelo temor às mutilações e desfigurações que os tratamentos podem
acarretar, seja pelo medo da morte, ou pelas muitas perdas, nas esferas
emocionais, sociais e materiais que quase sempre ocorrem (SILVA, 2008).
Há que se considerar que, as imagens que identificam o câncer com a
morte ainda se fazem presente em nosso cotidiano, pois até bem pouco tempo,
o diagnóstico de neoplasia mamária era visto por muitas mulheres como uma
sentença de morte inevitável. Além disso, ao perceber-se com esta doença, a
mulher depara-se com a possibilidade de perder um órgão altamente imbuído
de representações e significados, já que as mamas simbolizam a feminilidade e
acumulam funções estéticas, eróticas e de trocas de afetividade e de alimento
através da amamentação. A mastectomia, enquanto modalidade terapêutica,
provoca alterações nessa feminilidade, se constituindo na mutilação de um
órgão que para as mulheres guardam funções importantes; Além de distanciálas dos padrões estéticos tão valorizados atualmente (PINHO et al., 2007).
Assim, a experiência do câncer de mama transcende o sofrimento
provocado pela doença em si. Trata-se de um sofrimento que comporta
representações e significados atribuídos à enfermidade e seu tratamento que
penetra nas dimensões do ser feminino, interfere nas relações interpessoais e
principalmente nas relações mais íntimas e básicas das mulheres acometidas
(SILVA, 2008).
Neste contexto, para uma assistência de enfermagem eficaz e
satisfatória é necessário que o enfermeiro, enquanto membro da equipe
multiprofissional, considere todos estes aspectos nos cuidados com a saúde
dessa clientela, o que demandará, entre várias outras coisas, habilidades em
técnicas interpessoais, de comunicação, e relacionamento terapêutico.
Nesse sentido, este trabalho propõe refletir sobre a Teoria do
Relacionamento Interpessoal de Hildegard Elizabeth Peplau e sua pertinência
no cuidado a saúde da mulher portadora de câncer de mama. A opção por
essa teoria se deve a importância que confere ao relacionamento entre
enfermeiro e cliente, entendido como um instrumento essencial no cuidado a
pessoas enfermas.
2 METODOLOGIA
Trata-se
de
uma
reflexão
sobre
a
pertinência
da
Teoria
do
Relacionamento Interpessoal na assistência de enfermagem à mulher
portadora de câncer de mama. Para tal, realizou-se revisão da literatura, sendo
o buscador principal as bases de dados da Biblioteca Virtual em Saúde –
Enfermagem, de forma assistemática. O período de publicação analisada foi de
2000 a 2010. Além de artigos indexados, foi analisada, na íntegra, a Teoria do
Relacionamento Interpessoal elaborada por Hildegard Elizabeth Peplau,
publicada em 1952 no livro Relação Interpessoal na Enfermagem: um conceito
de referência para a enfermagem psicodinâmica. Com base nos conteúdos das
mensagens contidas no escrito, extraíram-se os conceitos mais pertinentes à
realidade de cuidados à mulher com câncer de mama. Além da referida obra,
foram utilizados capítulos de livros da área de enfermagem que abordassem a
teoria e a temática do câncer de mama feminina, sendo estes os critérios para
inclusão.
3 TEORIA DO RELACIONAMENTO INTERPESSOAL NO CUIDADO À
MULHER COM CÂNCER DE MAMA
A Teoria do Relacionamento Interpessoal é considerada um marco para
a prática da enfermagem, sobretudo, pela importância conferida ao
relacionamento entre enfermeiro e paciente no processo terapêutico, questão
poucamente
discutida
e
valorizada
no
cotidiano
de
trabalho
destes
profissionais. Foi desenvolvida por Hildegard Elizabeth Peplau, uma enfermeira
americana que viveu entre 1909 e 1999, cuja trajetória profissional voltou-se,
principalmente, para o cuidado à clientela psiquiátrica (BACCO, 2007).
Para a teórica a Enfermagem é um processo significativo, terapêutico e
interpessoal por envolver a interação entre duas ou mais pessoas com uma
meta em comum, a obtenção da saúde. Essa meta constitui um estímulo para o
processo terapêutico, no qual a enfermeira e o paciente respeitam um ao outro
como indivíduos, ambos crescendo e aprendendo juntos como resultado dessa
interação (PEPLAU, 1990).
Assim, no contexto de cuidados à mulher com câncer de mama, esta e
sua família devem aliar-se ao enfermeiro para o alcance dos mesmos objetivos.
A interação entre os sujeitos envolvidos neste processo deverá ter como meta
o restabelecimento e manutenção da saúde da mulher com câncer, tanto nos
seus aspectos biológicos como psicológicos que se encontram fragilizados pela
doença.
No tocante ao processo de aprendizagem, cabe ao enfermeiro usar sua
habilidade para fazer dos seus contatos com essas mulheres momentos
oportunos para o amadurecimento de ambos, enfermeiro e cliente, em especial
para a pessoa com câncer de mama que, durante o seu tratamento convive
com a oportunidade de aprender com as situações conflitantes e ameaçadoras
imposta por esta enfermidade.
A relação interpessoal é o ponto central do livro Interpersonal Relations
in nursing, publicado em 1952. Em sua obra, Peplau trás conceitos que dão
sustentação a este relacionamento, entendido como um processo dinâmico
capaz de provocar mudanças positivas na vida dos sujeitos envolvidos.
O processo de adoecimento por câncer de mama trás consigo estigmas
e sofrimentos que imprime nas mulheres a necessidade de rever a sua
condição dando-lhes a oportunidade de aprender sobre si mesmo e adaptar-se
nova realidade. Assim, o enfermeiro pode ajudá-las a canalizar suas
capacidades para a produção de mudanças que influenciarão as suas vidas de
forma positiva, bem como na elaboração de estratégias que auxiliem no
enfrentamento da doença.
Segundo Peplau (1990), três elementos são essenciais para que a
relação interpessoal aconteça: o paciente, o enfermeiro e seus respectivos
contextos de vida. É preciso que o enfermeiro, para a sua prática assistencial,
conheça a si mesmo e seus papéis profissionais e sociais, conheçam o cliente
e o seu ambiente, que diz respeito a tudo aquilo que está em volta e
contextualiza o indivíduo, a exemplo de suas relações sociais, cultura, crenças
e valores.
Desse modo, a teórica traz à luz das discussões a noção de que cada
paciente é um ser individual e dotado de particularidades e, para que o
enfermeiro entenda melhor com quais particularidades está lidando, é
necessário que se debruce sobre o ambiente interpessoal do cliente, sua
família e comunidade, elementos importantes para um cuidado efetivo.
Considera-se que a mulher acometida por câncer de mama não só terá
que enfrentar a doença em si e o seu tratamento, más também irá confrontarse com os aspectos culturais, valores e crenças atribuídos ao processo de
adoecimento por câncer, e de mama em específico já que, culturalmente, há
todo um investimento simbólico em torno desse órgão. Assim, os significados
atribuídos ao câncer de mama afetam profundamente a maneira como a
mulher percebe a sua doença e as respostas de outras pessoas do seu
convívio, se constituindo em aspectos dificultadores da adaptabilidade e
aceitação da mulher que se vê portadora dessa patologia.
Neste contexto, busca-se no relacionamento interpessoal um caminho
para o enfrentamento dessa problemática. Através de uma relação cuidadosa e
imbuída de respeito com o outro, o enfermeiro pode incluir, no repertório de
suas ações, a desconstrução dessas representações mostrando para a mulher
o que é verdadeiramente importante para a sua vida.
Para Peplau (1990), há necessidade dessa compreensão ampliada do
cliente, visto que os indivíduos têm reações diferentes frente ao seu processo
de adoecimento. Portanto, a teórica ressalta que, no relacionamento
interpessoal, é importante o reconhecimento da individualidade do paciente,
trabalhar com o problema ou dificuldades apresentadas por ele, de modo a
torná-lo sujeito ativo no seu tratamento.
A compreensão dessa teoria e de seus princípios aponta para a
necessidade de dar voz aos sujeitos. Peplau (1990) enfatiza que é preciso
escutar o que os pacientes têm a dizer, tendo em vista que as suas
necessidades não se restringem às concretas de respirar, dormir e comer, mas
há também necessidades subjetivas e, frequentemente, pouco valorizadas e
reconhecidas.
A atenção às necessidades subjetivas das mulheres acometidas pelo
câncer de mama é imprescindível para uma assistência de enfermagem
satisfatória, uma vez que essas mulheres experienciam desconfortos
psicológicos, físicos, emocionais e afetivos durante toda a sua trajetória com a
doença. Espera-se que o enfermeiro, no cuidado a essas mulheres, se mostre
disponível para escutar seus medos e preocupações trazendo-lhes conforto e
palavras de encorajamento para que não venham desistir do tratamento. Para
tanto, é inegável que haja, antes de tudo, uma boa relação entre os sujeitos.
A teórica enfatiza que, para um bom relacionamento interpessoal, além
da escuta do cliente, é fundamental a comunicação terapêutica. Pois segundo
ela, a comunicação permitirá a interação enfermeira e paciente, favorecerá a
troca de informações entre ambos criando um ambiente propício à identificação
dos problemas a serem resolvidos, além de proporcionar um relacionamento
humano que atinja os objetivos da assistência (PEPLAU, 1990).
Os objetivos da assistência são alcançados através de quatro fases
sequenciais e dinâmicas, em que uma não deve sobrepor-se a outra. Estas
fases são: orientação, identificação, exploração e resolução.
Na fase de orientação a enfermeira e o cliente/família estabelecem o
primeiro contato, que só ocorre quando estes últimos percebem a necessidade
de ajuda buscando a assistência profissional. Neste primeiro encontro, os
sujeitos envolvidos interrelacionam-se passando a identificar e compreender
melhor as necessidades existentes (PEPLAU, 1990).
Essa fase mostra-se relevante para os cuidados às mulheres com
câncer de mama, pois nesta ocasião a mulher depare-se com a oportunidade
de expressar suas dificuldades individuais e mais íntimas. Por outro lado, a
apreensão das dificuldades apresentadas, sob o enfoque das próprias
mulheres que as vivenciam, permite, ao enfermeiro, maior familiarização com
realidade vivida, a qual este profissional por si só, dificilmente conseguiria
compreender. Tal fato pode colaborar para uma assistência de enfermagem
que atenda as reais situações impostas pela doença traduzindo-se em um
trabalho mais satisfatório.
Após a identificação e compreensão dos problemas, os sujeitos
envolvidos no processo terapêutico caminham para a segunda fase, a de
identificação. Esta etapa ocorre quando as primeiras impressões, as dúvidas e
medos acerca da doença e do relacionamento profissional/cliente, são
superados. Agora, o cliente responde seletivamente às pessoas que possam
satisfazer as suas necessidades, adotando uma das seguintes posturas: de
independente ou de autonomia, dependente, ou parcialmente dependente do
profissional para a resolução de seus problemas de vida diária (PEPLAU,
1990).
Consciente do seu problema de saúde, das implicações dele
decorrentes, bem como do apoio dos profissionais para enfrentá-las, na fase de
identificação, a mulher com câncer de mama poderá sentir-se mais segura e
capacitada para lidar com as situações colocadas pela doença e seu
tratamento, colaborando para a diminuição de sentimentos como medo,
ansiedade, insegurança, e desamparo que quase sempre estão presentes
nesta situação de adoecimento.
A fase de exploração tem início quando o cliente identifica o enfermeiro
como um dos profissionais capazes de satisfazer as suas necessidades. Nesta
etapa o enfermeiro expõe para o cliente e sua família todos possíveis caminhos
para o alcance da saúde e enfrentamento das dificuldades apresentadas
(PEPLAU, 1990).
Ao enfermeiro, espera-se um conhecimento ampliado de todas as
formas de tratamento que visam controlar o câncer de mama, bem como dos
tratamentos
adjuvantes
disponíveis
no
mercado
para
lidar
com
os
desequilíbrios psicológicos e emocionais trazidos pela doença. Dito de outra
forma, o enfermeiro deverá ter um olhar atento às todas as formas de ajuda e
de informações que possam contribuir para a superação das necessidades da
mulher com este tipo câncer e, para melhor responder as indagações que
podem surgir no transcorrer do processo terapêutico.
Na fase de resolução espera-se que todas as necessidades do cliente
tenham sido satisfeita, para que seja desfeito o elo entre enfermeiro e cliente.
Nesta etapa o cliente, antes dependente do profissional, mostra-se fortalecido e
capacitado para agir por si só, devendo, portanto, voltar para o seu ambiente
domiciliar e comunitário (PEPLAU, 1990).
Ao longo do processo interpessoal, que compreende todas essas fases,
a enfermeira e o paciente, tornam-se mais capacitados e maduros, pois à
medida que a enfermeira colabora com o paciente para a resolução dos seus
problemas de vida diária, a sua prática torna-se consideravelmente mais eficaz
e a enfermeira mais habilidosa para o estabelecimento da relação terapêutica
interpessoal (GEORGE, 1993).
Assim, o enfermeiro é considerado habilidoso e capacitado quando
consegue estabelecer um bom relacionamento com o paciente, reconhecer as
suas dificuldades ajudando-os a resolvê-las de forma a despertar no cliente
novas competências para o enfrentamento dos problemas recorrentes. Ao
chegar nesse ponto, Peplau considera o paciente maduro e hábito a
compreender a sua situação de saúde e adoecimento.
4 CONCLUSÃO
Ao trazer a Teoria do Relacionamento Interpessoal para o contexto de
cuidados à mulher com câncer de mama, verifica-se que, apesar da mesma ter
sido elaborada na década de 50, sob outra conjuntura histórica, ela traz à tona
questões atuais e, um olhar mais ampliado para a assistência a essa clientela,
ao abordar aspectos relacionados à necessidade de uma relação de
proximidade e mais empática entre enfermeiro e paciente, sua família e
comunidade;
ao
conferir
importância
à
escuta
dos
clientes
e
do
estabelecimento de uma relação dialógica entre os sujeitos envolvidos no
cuidado; ao considerar fundamental para a assistência a compreensão do
contexto de vida dos indivíduos, em seus aspectos sócio-culturais; ao
reconhecer que os indivíduos são dotados de particularidades e por isso
necessitam de cuidados individuas e, ainda, por discutir a importância de tornar
os sujeitos co-participativos no seu tratamento e no cuidado com a própria
saúde.
Considera-se que todas essas questões retomadas por Peplau, em sua
teoria, são pertinentes na atenção à mulher acometida por câncer de mama
dada à complexidade da doença e suas repercussões nas esferas físicas e
psicossociais da mulher. Ao passar pelas circunstancias de ser acometida por
câncer de mama a mulher não só terá que suportar o sofrimento psicológico de
ser portadora de uma patologia, que socialmente está aliada a dor intensa e
com desfecho fatal, terá de enfrentar também o sofrimento provocado pela
possibilidade de ter sua mama amputada, fragilizando ainda mais os seus
sentimentos. Por suas características, devemos nos ater que o adoecer por
câncer de mama é uma experiência única e inigualável, que imprime um
sentido específico no momento vivenciado pela mulher.
Sugere-se que os estudos sobre teorias de enfermagem, em especial a
Teoria da Relação Interpessoal, seja ampliado e efetivado em diversos
cenários e contextos vividos pelos clientes. E que os profissionais de
enfermagem, principalmente aqueles que oferecem cuidados diretos ao
paciente oncológico, conscientizem-se quanto à importância da inserção das
teorias no cotidiano de seu trabalho a fim de prover uma assistência mais
humanizada e cientificamente fundamentada.
REFERÊNCIAS
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na amamentação: contradições no cuidado da enfermeira frente à mulher
que escolhe desmamar precocemente. 2007. 98 f. Dissertação (Mestrado em
Enfermagem) – Faculdade de Enfermagem, Universidade do Estado do Rio de
Janeiro, Rio de Janeiro, 2007.
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118 p. Disponível em: <
http://www.inca.gov.br/estimativa/2012/estimativa20122111.pdf >. Acessado
em: 05 de mai. de 2012.
GEORGE, Julia B. Teorias de Enfermagem: os fundamentos para a prática
profissional. Porto Alegre: Artes Médicas, 1993. 338p.
INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER (INCA). Tipos de câncer: mama. Brasil:
INCA, 2012.
PEPLAU, Hildegard Elizabeth. Relaciones Interpersonales en Enfermeria.
Barcelona (Espanã): Ediciones Científicas y Técnicas, S.A., 1990.
PINHO, Luana de Souza et al. Câncer de mama: da descoberta à recorrência
da doença. Revista Eletrônica de Enfermagem, v. 9, n. 1, p. 154-165, jan/abr
2007.
SCORSOLINI-COMIN, Fabio; SANTOS, Manoel Antônio dos; SOUZA, Laura
Vilela e. Vivências e discursos de mulheres mastectomizadas: negociações e
desafios de câncer de mama. Estudos de Psicologia - UFRN, Natal, v. 14,
n.1, p. 41-50, jan/abr 2009. Disponível em:
<http://www.scielo.br/pdf/epsic/v14n1/a06v14n1.pdf>. Acessado em: 07 de jun.
de 2012.
SILVA, Lúcia Cecília da. Câncer de mama e sofrimento psicológico: aspectos
relacionados ao feminino.Psicologia em Estudo, Maringá, v. 13, n. 2, p. 231-7,
abr/jun 2008. Disponível em: < http://www.scielo.br/pdf/pe/v13n2/a05v13n2.pdf
>. Acessado em: 31 de mai. de 2012.
_____________________________________________________________
CUIDADOS DE ENFERMERÍA DEL PORTADOR DE CÁNCER DE MAMA LA
MUJER BASADO EN LA TEORÍA DE LAS RELACIONES
INTERPERSONALES
RESUMEN
El cáncer de mama ha sido responsable de las tasas de mortalidad más altas
en Brasil, lo que representa una serie de cuestiones importantes de salud
pública. La mujer no sólo ha afectado a su cuerpo cambió, al reflexionar sobre
la identidad femenina, sino también sus relaciones interpersonales y afectivas
debilitado por una enfermedad que trae consigo los estigmas y prejuicios que
se tienen que enfrentar. Objetivo: El presente estudio tuvo como objetivo
reflexionar sobre la relevancia de la Teoría de las Relaciones Interpersonales
en Enfermería en la atención de mujeres con cáncer de mama. Metodología:
Para lograr el objetivo se utilizó la base conceptual de la teoría de que los
capítulos de libros y artículos que abordan el tema de cáncer de mama, más
allá de la percepción de los autores sobre el tema. El período analizado fue la
publicación desde 2000 hasta 2010 siendo el principal motor de búsqueda las
bases de datos Biblioteca Virtual en Salud - Enfermería. Resultados: Se
encontró que, a pesar de ser una teoría de los años 50, trae temas de
actualidad para el debate, haciendo hincapié en la necesidad de una relación
empática entre enfermera y paciente, escuchando, valorando el cliente y
establecer una relación dialógica entre las personas involucradas en la
atención; consideramos fundamental para comprender el contexto sociocultural de los individuos, reconociendo que cada ser un particular que necesita
cuidado, y discutir la importancia de que el sujeto co-participación en su
tratamiento. Conclusión: Se considera que los temas abordados por la teoría
son esenciales en el cuidado de las mujeres con cáncer de mama por sus
efectos en los ámbitos físicos y psicosociales.
Palabras clave: Cáncer de mama. Mujer. Teoría de enfermería. Las relaciones
interpersonales.
NURSING CARE OF CARRIER TO WOMAN BREAST CANCER BASED ON
THE THEORY OF INTERPERSONAL RELATIONSHIPS
ABSTRACT
Breast cancer has been responsible for the higher mortality rates in Brazil,
representing a major public health issues. The woman has not only affected his
body changed, reflecting on female identity, but also their interpersonal and
affective weakened by a disease that brings with stigmas and prejudices which
have to be faced. Objective: This study aimed to reflect on the relevance of the
Theory of Interpersonal Relations in Nursing in the care of women with breast
cancer. Methodology: To achieve the goal we used the conceptual basis of that
theory, book chapters and articles that addressed the topic of breast cancer,
beyond the perception of the authors on the subject. The publication period
analyzed was from 2000 to 2010 being the main search engine databases
Virtual Health Library - Nursing. Results: We found that, despite being a theory
of the 50s, it brings current issues for discussion by emphasizing the need for
an empathetic relationship between nurse and patient, listening, valuing the
customer and establishing a dialogic relationship between those involved in
care; consider fundamental to understanding the socio-cultural context of
individuals, recognizing that each be a private individual needing care, and
discuss the importance of making the subject co-participatory in their treatment.
Conclusion: It is considered that the issues taken up by the theory are essential
in the care of women with breast cancer for its effects on physical and
psychosocial spheres.
Keywords: Breast
relationships.
neoplasms.
Women.
Nursing
theory.
Interpersonal
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