A DETEORIZAÇÃO DO MEIO AMBIENTE EM TEMPOS DE SUSTENTABILIDADE Paulo Sergio Tavares1 Alpha Fausta Nascimento2 RESUMO A questão Ambiental é um tema que na atualidade vem sendo discutido localmente, no município de Vitória, quanto em todo mundo. Autoridades, entidades ambientais e empresas públicas ou privadas têm se preocupado com a degradação do meio ambiente que afeta as condições de vida da população e interferindo diretamente na dinâmica da natureza, seja ela local, regional ou global. Problemas observados nos centros urbanos como carências de áreas verdes, poluição sonora, visual, do ar, enchentes, ocupação desordenada (principalmente de áreas remanescentes de vegetação, como no caso do Morro da Fonte Grande em Vitória) causam diversos prejuízos para o meio em que vive a população, afetando a sua qualidade de vida. Palavras-Chaves: Meio Ambiente; População; Degradação; Educação Ambiental. INTRODUÇÃO A sobrevivência da Biosfera depende do equilíbrio com a Sociosfera e Tecnosfera. Sendo que, {...} a atual problemática ambiental é conseqüência do desajuste entre elas: A Sociosfera pressiona a Biosfera com uma enorme população, ávida de recursos a qual, depois de utilizá-los, devolvem dejetos não assimiláveis a esta, que assim se vê ameaçada. O mesmo faz a Tecnosfera, enquanto braço articulável da Sociosfera (DÍAZ, 2002, p.17). 1 Mestrando em Ciências da Educação pela Universidade Del Salvador – USAL. Especialista em História do Brasil pela Faculdade Integradas Simosen. Licenciatura em História pela Fundação Educacional Presidente Castelo Branco. Atualmente é coordenador do Núcleo Pós-Graduação e Extensão e docente no Centro de Ensino Superior Fabra. Contato: coordenaçã[email protected]. 2 Especialista em Docência do Ensino Superior e Gestão Educacional pela FABRA. Licenciada em Pedagogia pela FASE. Coordenadora pedagógica do Núcleo de Pós-Graduação e Extensão da FABRA. E-mail: [email protected] @soufabra.com.br Conhecimento em Destaque, Serra, ES, v. 4, n. 8, jan./fev. 2015. 1 Para articularmos uma possível mudança neste quadro atual deste paradigma, deve-se atuar com a sustentabilidade ambiental, porém isso requer uma disseminação de questões ecológicas em todas as classes da sociedade adotando uma forma crítica de pensar, agir e comunicar para que haja respeito aos processos naturais e dinâmicas ambientais. Isto deve se feito principalmente no Brasil, na qual a Educação Ambiental é coerente no discurso técnico mais há uma submissão da sociedade ás barbáries das regras do mercado, tornando sua prática confusa quanto aplicada. Ramos (1996) traz a discussão de que a questão da educação ambiental é antes de tudo a questão da educação. Sabemos que a Educação Ambiental não tem sido trabalhada em grande parte da maioria das escolas públicas, ou até mesmo nas particulares, apesar de serem os principais agentes de transformação e disseminação culturais, prioritárias para uma melhor relação entre o homem e a natureza. A importância da problemática ambiental foi inserida pelo Ministério da Educação e Desporto (MEC, 1998) ao inserir em seus Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) o tema transversal intitulado Meio Ambiente, tema este indispensável para a construção da cidadania de todos os estudantes brasileiros. Foi a partir deste pensamento que se pretende avaliar como está sendo trabalhada a educação ambiental em escolas no entorno do Parque da Fonte Grande, enfatizando a preservação de espécies remanescente de Mata Atlântica no local. Uma vez que o Parque da Fonte Grande é uma área de grande porte remanescente de Mata Atlântica no meio urbano e que freqüentemente sofre com os impactos ambientais, principalmente com o aumento da aglomeração urbana, resolveu-se utiliza-lo como exemplo para melhor compreensão dos alunos sobre as necessidades de preservação e reflorestamento desse tipo de vegetação. A intenção é, através das aulas das diversas disciplinas, formar cidadãos conscientes e críticos com relação a questões ambientais, mostrando a interação do homem com a natureza e suas conseqüências, contribuindo na elaboração/reflexão Conhecimento em Destaque, Serra, ES, v. 4, n. 8, jan./fev. 2015. 2 de instrumentos que possam auxiliar as aulas a questões relacionadas à Educação Ambiental nas regiões próximas ao parque. Informações do Instituto Terra mostram que a Mata Atlântica original chegou a ocupar cerca de 1.100.000 Km² do território brasileiro e atualmente está reduzida em menos de 8% de sua área original, presente em apenas alguns trechos no qual persiste uma parte da flora original. Apesar de sua grande devastação ela é considerada com um dos maiores repositórios de biodiversidade do planeta e, por isso, um dos mais importantes e ameaçados biomas do mundo. Essa drástica redução de sua área deveu-se, principalmente, aos inúmeros ciclos de reprodução e exploração no decorrer da história brasileira, desde a colonização até as formações das grandes concentrações urbanas e dos núcleos industriais do país. A intenção é trabalhar a Educação Ambiental no meio urbano do município de Vitória, em escolas públicas e particulares utilizando o Parque da Fonte Grande (localizado no Maciço Central da ilha) como exemplo, na qual se configura como a ultima área de grande porte com vegetação característica de encosta da Mata Atlântica na cidade. A metodologia utilizada foi uma pesquisa em três escolas públicas municipais e três privadas do entorno do Parque. Esta escolha foi feita pela proximidade ao Parque, já que ele é um dos objetos a ser pesquisado. As escolas selecionadas foram as EMEF Eliane Rodrigues dos Santos, no bairro Santo André, EMEF Francisco Lacerda de Aguiar, no bairro São Pedro I e a EMEF Anacleta Schineider Lucas, no bairro da Fonte Grande. E as escolas particulares foram a Escola Contec, localizada no bairro Santa Lúcia, Colégio Faesa localizado no bairro Jucutuquara e Colégio Americano localizado no Centro de Vitória. É preciso observar que houve impossibilidade de selecionar escolas privadas localizadas no entorno do Parque, pelas suas próprias distribuições geográficas. Conhecimento em Destaque, Serra, ES, v. 4, n. 8, jan./fev. 2015. 3 Para o recorte da população de alunos foram abordados 20 alunos de 8ª série para cada escola, escolhidas aleatoriamente, e os seus professores da disciplina de Geografia. MEIO AMBIENTE URBANO - AS CIDADES E AS POPULAÇÕES Dentro do conceito de meio ambiente urbano existe o uso do espaço público, ou seja, a utilização do espaço (solo), que deve ser disciplinado por leis claras e principalmente aplicáveis. O espaço em questão é onde se movimentam as pessoas: calçadas, prédios, praças, ruas, avenidas, parques, etc. Frequentemente somos bombardeados com placas de propaganda nas calçadas e prédios, luminosos de todos os tamanhos, paredes e muros expondo os mais diversos anúncios. Pode não parecer, mas certamente cansam nossa visão. Pouco sobra para apreciar uma árvore ou pássaros, se é que uma cidade grande ainda os tem. O poder público tem o dever de regulamentar o uso desse espaço utilizando critérios que protejam esteticamente o ambiente, além da saúde das pessoas. Os municípios, através dos poderes Executivo e Legislativo, deveriam ter uma preocupação maior quanto ao Direito Ambiental Urbano. As cidades, especialmente as mais antigas, são pouco ou nada projetadas. Assim, suas regiões centrais são os piores lugares para as pessoas transitarem, pois as ruas são apertadas, escuras, os prédios antigos em sua maioria estão em péssimo estado de conservação, e para piorar, existe uma imensa quantidade de propaganda e poluição (sonora, do ar, etc.). Conhecimento em Destaque, Serra, ES, v. 4, n. 8, jan./fev. 2015. 4 "Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para os presentes e futuras gerações." (CF art. 225) As cidades antigas cujas regiões centrais são semelhantes ao relato acima, deveriam ser modificadas radicalmente. As Prefeituras deveriam aos poucos transferir o centro dessas cidades para outras regiões, realizando previamente o devido planejamento, o que provocaria a valorização de outros bairros, ocorreria à abertura de frentes de trabalho, e o centro antigo poderia se tornar uma região cultural, com teatros, cinemas, etc. Outra alternativa seria as Prefeituras exigirem judicialmente que todos os proprietários de imóveis urbanos em condições precárias realizassem as reformas necessárias. Frise-se que, para uma cidade poder dizer que zela pelo Direito Ambiental Urbano, não é simplesmente tombar os prédios “históricos” do centro da cidade. A maioria das pessoas confunde o que é construção histórica com construção velha. Construção histórica é aquela que tem um verdadeiro valor cultural, por sua linha arquitetônica; pela forma ou época que foi construída; ou ainda se naquele local ocorreu um fato importante para a história. Construção velha é aquela que está desgastada pelo tempo e pelo uso, e não tendo conteúdo cultural. Assim para que uma cidade respeite o Direito Ambiental Urbano, deve antes pensar no bem estar de sua população. Imaginem cidades do tamanho de São Paulo, Rio de Janeiro, ou até mesmo Vitória, estando limpas, havendo o respeito do poder público para com o cidadão, disciplinando a mídia (placas, luminosos, etc.), exigindo a restauração de todos os prédios históricos, e a reforma de todos os prédios velhos, e ainda, plantando em toda cidade, ou, em lugares pré-determinados como praças, parques, bosques, etc., árvores frutíferas onde os pássaros e pequenos mamíferos pudessem viver. Com certeza a qualidade de vida seria muito superior a atual. Conhecimento em Destaque, Serra, ES, v. 4, n. 8, jan./fev. 2015. 5 Está comprovado que a poluição diminui anos de nossa vida. Quanto mais poluição existe em uma cidade, menos os respectivos moradores irão viver. E a saída não é a população dos grandes centros se mudarem para cidades menores. A saída é cada cidadão aprender a respeitar o meio onde vive interagindo e utilizando-o de forma racional, para o bem estar da população. Uma cidade preocupada com o Direito Ambiental irá por certo atrair empresas que precisam “aparecer” perante a sociedade como “empresas amigas do meio ambiente”. Assim, é fácil observar que basta apenas um pouco de visão para que qualquer cidade possa melhorar a condição de vida de sua população. A GEOGRAFIA E MEIO AMBIENTE A geografia é a única ciência que desde a sua formação se propôs o estudo da relação entre os homens e o meio natural do planeta, o meio ambiente muito discutido atualmente envolve o meio natural e o social. Outras ciências ligadas ao estudo da natureza como Biologia e Ecologia desenvolveram seus estudos de maneira diferenciada do que hoje se entende por meio ambiente. A Biologia produz inúmeros e valiosos conhecimentos para a compreensão do meio natural, porém jamais envolveu o homem enquanto ser social em sua análise, a Ecologia está muito mais próxima do estudo da natureza dissociada do homem. Objetiva-se com esta pesquisa ressaltar e resgatar, a responsabilidade e a profundidade do conhecimento que tem cada ciência, sobretudo a ciência geográfica, em toda a sua evolução histórica com a temática ambiental, uma vez que o que se compreende hoje como meio ambiente, elementos naturais e sociais conjuntamente, faz parte da origem da Geografia. Conhecimento em Destaque, Serra, ES, v. 4, n. 8, jan./fev. 2015. 6 Os precursores da geografia Friedrich Heinrich Alexander, conhecido como Alexander von Humboldt e Carl Ritter lançaram a ciência geográfica tendo como objetivo a compreensão dos diferentes lugares através da relação dos homens com a natureza, sendo necessário o conhecimento dos aspectos físico-naturais das paisagens, assim como dos humanos-sociais, ou seja, o meio ambiente. A MATA ATLÂNTICA NO ESPÍRITO SANTO Mesmo com toda a degradação afetada à Mata Atlântica, os remanescentes florestais do estado do Espírito Santo apresentam uma das maiores biodiversidades do mundo. Desta forma, é de extrema importância a conservação destes recursos florestais, que se apresentam, em sua maioria, fragmentados em pequenas áreas localizadas em propriedades particulares. A outra parte é representada pelas unidades de conservação – áreas protegidas pelo poder público, como por exemplo, o Parque da Fonte Grande em Vitória – tendo como função principal a preservação da biodiversidade dos diferentes ecossistemas. A reversão deste quadro de fragmentação e estabelecimento de conexão entre as Unidades de Conservação, através da implantação de Corredores Ecológicos, é condição essencial para a manutenção dos atuais índices de biodiversidade. A proteção dos remanescentes florestais atualmente existentes, através de um processo de fiscalização integrada, executada pelos diferentes órgãos e entidades envolvidas, e a administração eficaz das unidades de conservação, representa talvez a mais importante ação pública no âmbito da preservação de recursos naturais, haja vista que possibilita a preservação de amostras escassas de diferentes ecossistemas da Mata Atlântica e o cumprimento de uma seleta função reservada a essas unidades, seja no campo ambiental, científico, cultural e recreativo, ou, ainda, como elo com o ecoturismo e a conscientização da sociedade. Conhecimento em Destaque, Serra, ES, v. 4, n. 8, jan./fev. 2015. 7 A situação vivenciada no Estado é a de que boa parcela das unidades de conservação apresenta problemas fundiários, visto que o Estado ainda não detém plenamente a posse das terras. Outras, entretanto, apesar de pertencerem ao Estado, ainda não possuem planos de manejo e não foram devidamente estruturadas para melhor servir à coletividade. Ainda nas áreas rurais, a recuperação do solo com florestas de proteção, prioritariamente nas áreas de contribuição hídrica (nascentes, encostas íngremes, topos de morros e margens de rios), constitui-se numa importante ação com vistas à regularização do fluxo hídrico e melhoria da qualidade d‟água, entre outros benefícios. A proteção e a recuperação florestal de encostas dos centros urbanos também se fazem necessárias, não somente pela recuperação paisagística – que favorece o incremento do turismo e melhora o bem-estar das pessoas – como também pela redução dos desmoronamentos (normalmente catastróficos), das enchentes e dos prejuízos decorrentes da deposição de sedimentos nas galerias pluviais e fluxos d‟água nos perímetros urbanos das cidades. Outros aspectos ambientais significativos para análise da situação florestal do estado são as questões relativas às mudanças climáticas, aquecimento global e efeito estufa, uma vez que estudos científicos demonstram que crescentes volumes de emissões de CO2 vêm se acumulando na atmosfera terrestre. Esse problema ambiental global tem repercussões a nível local, uma vez que grande parte dessa concentração de CO2 é decorrente do modelo de produção e consumo energético vigente, baseado no uso intensivo de recursos fósseis não renováveis, a exemplo do petróleo e o carvão mineral, conciliado com a destruição de florestas e ecossistemas que atuam reservatórios naturais de dióxido de carbono. Conhecimento em Destaque, Serra, ES, v. 4, n. 8, jan./fev. 2015. 8 O PARQUE DA FONTE GRANDE O Parque da Fonte Grande abrange uma área de 21.800 m² compreendida entre os bairros Fradinhos, Centro e Grande Vitória, e foi regulamentado pela Lei Estadual n.º 3.875, de 31 de julho de 1986 é administrado pela Prefeitura de Vitória por convênio com o IDAF – Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Espírito Santo [...] O Parque, bastante degradado em sua área central, onde era praticada agricultura e pecuária de subsistência, tem espécies da Mata Atlântica, como angico, sapucainha, louro, pau-d'alho, juazeiro, jacarandá, embaúba e unha de vaca. Bromélias e orquídeas podem ser vistas no local. Cobras como a jararaca, coral e jibóia, e mamíferos como gambás fazem parte das espécies que ainda sobrevivem na região. Ela tem ainda macacos, como o sagüi-da-cara-branca, e pássaros, como a jacupemba, araponga, melro, juriti e pica-pau (REVISTA SÉCULO DIÁRIO, 2005). Com relevo acidentado e ondulado formando vales e pontões, o ponto culminante do Parque tem aproximadamente 308m onde estão localizadas as torres de rádio e televisão. No centro do parque, forma-se um vale de fundo chato e solos úmidos além de apresentar-se atualmente sob domínio de estágios sucessórios de Mata Secundária, restando como remanescente primitiva apenas a vegetação rupestre. Nota-se que além de Educação Ambiental é uma área propícia para diversos estudos científicos em diversas áreas, podendo uma visita com alunos ser aproveitada por várias disciplinas curriculares. Conhecimento em Destaque, Serra, ES, v. 4, n. 8, jan./fev. 2015. 9 A EDUCAÇÃO AMBIENTAL NAS ESCOLAS A TRANSVERSALIDADE DO TEMA MEIO AMBIENTE O texto dos Parâmetros Curriculares Nacionais sobre os temas transversais coloca que: […] nas várias áreas do currículo escolar existem, implícita ou explicitamente, ensinamentos a respeito dos temas transversais, isto é, todas educam em relação a questões sociais por meio de suas concepções e dos valores que veiculam nos conteúdos, no que elegem como critério de avaliação, na metodologia de trabalho que dotam, nas situações didáticas que propõem aos alunos. Por outro lado, sua complexidade faz com que nenhuma das áreas, isoladamente, seja suficiente para explicá-los; ao contrário, a problemática dos temas transversais atravessa os diferentes campos do conhecimento. Por exemplo, ainda que a programação desenvolvida não se refira diretamente à questão ambiental e que a escola não tenha nenhum trabalho nesse sentido, a Literatura, a Geografia, a História e as Ciências Naturais sempre veiculam alguma concepção de ambiente, valorizam ou desvalorizam determinadas idéias e ações, explicitam ou não determinadas questões, tratam de determinados conteúdos; e, nesse sentido, efetivam uma „certa‟ educação ambiental. A questão ambiental não é compreensível apenas a partir das contribuições da Geografia. Necessita de conhecimentos históricos, das Ciências Naturais, da Sociologia, da Demografia, da Economia, entre outras (BRASIL, 1998, p.26-27). Isso significa que a transversalidade do tema Meio Ambiente tem duas expressões. A primeira diz que é algo fora do universo escolar, sem haver alguma área específica do saber, estando diluído nos conteúdos escolares. A outra é que está presente nas disciplinas escolares e no próprio convívio escolar, tratando diretamente da realidade social e precisando interagir com outras disciplinas para poder ser compreendida. A chave dos temas transversais é aproximar o que se aprende na escola a realidade. O papel da Geografia neste caminho é, tendo como objeto o espaço geográfico, relacionar a interferência do homem no meio em que vive. Mas esta ênfase não esta sendo dada em algumas escolas. Pois em pergunta feita a alunos de 8ª série do ensino fundamental, mostra que a maioria dos estudantes Das escolas privadas Conhecimento em Destaque, Serra, ES, v. 4, n. 8, jan./fev. 2015. 10 acha que a Geografia não tem um papel importante na Educação Ambiental. Veja o gráfico: A Geografia tem papel importante na Educação Ambiental? ESCOLAS PÚBLICAS ESCOLAS PARTICULARES N/C 0% Não N/C 3% 3% Sim 3% Sim 94% Não 97% Este dado mostra que nas escolas de ensino privado que as questões ambientais, principalmente em Geografia, não estão sendo abordadas de maneira eficaz para o aprendizado do aluno ou não está sendo trabalhado a lado prático. Isto é, provavelmente pelo fato de que essas escolas preparam os alunos para vestibulares e “bolsões” de escolas do Ensino Médio e estas provas, em maioria dos casos, não enfatizam questões do cotidiano de vivência do aluno, como é colocado na passagem do Parâmetro Curricular Nacional descrita acima. O PCN assinala também, o trabalho de vínculo de identidades com o entorno socioeconômico da escola, colaborando para um enraizamento da escola na comunidade: […] outro ponto importante a ser considerado é a relação da escola com o ambiente em que está inserida. Por ser uma instituição social que exerce intervenção na realidade, ela deve estar conectada com as questões mais amplas da sociedade, e com os movimentos amplos de defesa da qualidade do ambiente, incorporando-os às suas práticas, relacionando-os aos seus objetivos. É também desejável a saída dos alunos para passeios e visitas a locais de interesse dos trabalhos em Educação Ambiental. Assim, é importante que se faça um levantamento de locais como parques, Conhecimento em Destaque, Serra, ES, v. 4, n. 8, jan./fev. 2015. 11 empresas, unidades de conservação, serviços públicos, lugares históricos e centros culturais, e se estabeleça um contato para fins educativos. (BRASIL, 1998, p192) Levando em consideração as escolas pesquisadas no entorno do Parque Estadual da Fonte Grande e analisado se os alunos já haviam ido ao Parque da Fonte Grande, vejamos os gráficos a seguir: Alunos que haviam visitado o Parque da Fonte Grande ESCOLAS PÚBLICAS Sim 25% Sim. Com a escola 50% Não 25% ESCOLAS PARTICULARES ESCOLAS PARTICULARES SIM.Com SIM.Com a escola a escola 19% 19% Não Não 27% 27% Sim Sim 54% 54% Nas escolas públicas, metade dos alunos pesquisados já havia interagido com o Parque junto à escola, o que achamos pouco por situarem bem próximas à entrada principal do Parque e os alunos serem da 8ª série, o que leva a supor que a maioria estuda na escola já há algum tempo. Já nas escolas privadas, a porcentagem de alunos que foram ao Parque com a escola foi menor do que nas escolas públicas e os que nunca visitaram o parque foi, também, bem menor que as escolas públicas novamente. Uma das principais dificuldades de interação da escola-parque é o acesso, que apesar das escolas públicas se localizarem próximas a entrada, seria necessário transporte para os alunos chegarem até a sede, dificultando a ida, já que grande parte dos estudantes desta região serem carentes e, na maioria das vezes não disporem de recursos para pagar um transporte, que facilitaria a subida. Enquanto nas escolas privadas, este Conhecimento em Destaque, Serra, ES, v. 4, n. 8, jan./fev. 2015. 12 problema é de bem menor dimensão, já que há uma nulidade de alunos carentes, porém as escolas, pelo visto, não priorizam este tipo de aula que poderia ser trabalhado praticamente com todas as disciplinas. ANALISE DA PESQUISA REALIZADA NAS ESCOLAS A pesquisa foi realizada nas escolas com o intuito de saber como está o conhecimento da Educação Ambiental e se ela está sendo enfocada na disciplina de Geografia. Assim foram extraídas da pesquisa as seguintes tabelas: TABELA 1 - ESCOLAS PÚBLICAS PERGUNTAS Sim Não N/C Alunos que gostam de Geografia 50% 50% 0% Se alguma disciplina que trata de Educação ambiental 57% 43% 0% Se a Geografia tem papel importante na Educação Ambiental 94% Se já foram trabalhadas questões ambientais na Geografia 55% 42% 3% 63% 28% 3% 3% 3% Se o tema MEIO AMBIENTE poderia ser agregado entre a Geografia e outras disciplinas TABELA 2 - ESCOLAS PRIVADAS PERGUNTAS Sim Não N/C Alunos que gostam de Geografia 34% 66% 0% Se alguma disciplina que trata de Educação ambiental 28% 72% 0% 3% 97% 0% 21% 73% 0% 13% 87% 0% Se a Geografia tem papel importante na Educação Ambiental Se já foram trabalhadas questões ambientais na Geografia Se o tema MEIO AMBIENTE poderia ser agregado entre a Geografia e outras disciplinas Analisando estas tabelas numa macro-visão, percebe-se claramente a diferença entre as opiniões sobre a disciplina de Geografia entre as redes pública e privada de ensino. Enquanto que o questionário aplicado nas escolas públicas nos revelou que 50% dos alunos entrevistados gostam de se envolver com a Geografia e a maioria destes Conhecimento em Destaque, Serra, ES, v. 4, n. 8, jan./fev. 2015. 13 entrevistados acham que esta disciplina tem papel importante na educação ambiental. O mesmo questionário aplicado na mesma série de ensino fundamental da rede privada nos revelou o oposto; - Em torno de 66% dos entrevistados não gostam da Geografia e foi quase unânime, praticamente acham que a Geografia não tem papel tão importante assim no que tange a educação ambiental. Isto nos leva a deduzir que, em se tratando de educação ambiental, muito se diferem as práticas dos professores de geografia entre as redes pública e privada. Nota-se claramente um maior envolvimento e consciência do tema entre os alunos da escola pública, prova disso é a resposta categórica dos alunos da rede privada em afirmar que poucas vezes foram trabalhadas questões ambientais dentro da disciplina de Geografia, 72% destes entrevistados acham que não tiveram estas questões trabalhadas em sala de aula. Com relação ao número de visitas ao parque, há certo consenso nas afirmações; A grande maioria dos entrevistados, tanto da rede pública quanto da rede privada, já esteve pelo menos uma vez no Parque da Fonte Grande, porém a incidência é muito pouco se levarmos em consideração que são escolas próximas a Fonte Grande. Daí a percepção de que este parque ainda pode render bons frutos na conscientização dos alunos da rede fundamental do município de Vitória. Com relação ao tema MEIO AMBIENTE aplicado não só na Geografia, mas também em outras disciplinas, percebe-se: - Na rede privada; a maioria dos alunos entrevistados acha que o meio ambiente não é coisa de se estudar na Geografia. Já na rede pública, a maioria dos alunos entrevistados acha que MEIO AMBIENTE se estuda também em outras disciplinas. Ora, apesar da profundidade do comprometimento e a responsabilidade que tem a ciência geográfica em toda a sua evolução histórica com a temática ambiental, a geografia não é a única ciência que sozinha consegue dar conta de toda a problemática que envolve o conhecimento do meio ambiente. Isto serve para pensarmos que os alunos da rede privada entrevistados, precisam não só se envolver mais com o tema em questão, mas Conhecimento em Destaque, Serra, ES, v. 4, n. 8, jan./fev. 2015. 14 também entenderem com mais clareza as causas do estudo deste tema em sala de aula. Na rede de ensino privada, constata-se certa falta de preocupação por parte dos professores em relação à educação ambiental. Talvez exista certo comodismo por parte desses profissionais em relação a quem deveria abordar o assunto. Não que isto só exista no ensino privado, no ensino publico também há. O professor de Geografia espera que o professor de Biologia o faça, o professor de Biologia espera que o de Química o faça, e acaba surgindo um círculo vicioso onde a conseqüência maior é que a educação ambiental não é lecionada. O que acaba acontecendo é que o aluno não se aprofunda no assunto e acaba não sabendo da sua importância dentro desse ecossistema urbano além de achar que é relevante estudar o conteúdo dentro da geografia ou em outra matéria qualquer. CONSIDERAÇÕES FINAIS As ações educativas envolvendo o ambiente hoje se tornam prementes, à medida que a degradação ambiental vem avançando em passos largos nas diferentes escalas espaciais do planeta. A Geografia é a ciência que, por todo o conhecimento agregado e a extrema identidade que possui com as questões ambientais, deveria através dos profissionais, ser conduzida em todo o seu potencial para práticas efetivas que torne coerente o “saber geográfico” e a educação ambiental, neste caso em particular para o ensino fundamental. Procuramos mostrar as deficiências do ensino da Educação Ambiental na Geografia e Constatamos que a deficiência não é só desta disciplina, já que maioria dos alunos acha que não são trabalhadas questões ambientais em outras disciplinas. Tentamos mostrar com este trabalho que a interação com o meio ambiente precisa ser através de experiências de campo, que podem e devem ser aproveitadas, além da Geografia, em todas as outras disciplinas. Já que a Educação Ambiental é um Conhecimento em Destaque, Serra, ES, v. 4, n. 8, jan./fev. 2015. 15 tema Transversal porque uma visita ao Parque não poderia ser aproveitada por todos os professores? Poderia começar até mesmo por uma caminhada ecológica na Educação Física. Este é um tema que gera bastante discussão e em momento nenhum estamos tentando esgotar o assunto, pelo contrario, queremos iniciar uma reflexão a todos nós educadores. REFERÊNCIAS BRASIL. Ministério da Educação. A implantação da educação ambiental no Brasil. Coordenação Geral de Educação Ambiental. Brasília, 1998. BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais: terceiro e quarto ciclos: apresentação dos temas transversais. Brasília: MEC/SEF, 1998. BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais: geografia. Brasília: MEC/SEF, 1998. DÍAZ, Alberto Pardo. Educação Ambiental como Projeto.Tradução de Fátima Mura. 2. ed. Rio Grande do Sul:Ed. Artmed,2002. GUEVARA, J. H. et al. Conhecimento e Cidadania. Vol 2. São Paulo: Ed. Fundação Petrópolis, 1998. LEONARD, H. Jeffrey. Meio Ambiente e Pobreza: Estratégias de Desenvolvimento para uma agenda comum. 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