A origem das constelações e a evolução da cartografia celeste

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Primeiras observações e questionamentos sobre as estrelas do Almanaque Náutico
Gil Alves Silva
Faixa de declinação (º)
Norte
Sul
0­10
6
3
11­20
6
6
21­30
5
4
31­40
1
4
41­50
4
3
51­60
3
6
61­70
1
4
71­80
1
0
81­90
0
0
Total
27
30
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as estrelas náuticas estão bem distribuídas em declinação (vão de 74º N até 69º S); significa que em qualquer latitude do planeta teremos a oportunidade (salvo condições meteorológicas adversas) de utilizar pelo menos uma delas. •
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90º ­ 60º: polar (6) 60º ­ 30º: intermediária (21) 30º ­ 0º: equatorial (30) •
tirando as declinações polares temos 51 estrelas (25 N e 26 S), um equilíbrio demonstrado também no valor total das estrelas (57 = 27 N + 30 S), ou seja, não há hemisfério privilegiado.
• para cada hora em ascensão reta há pelo menos uma destas estrelas. • provavelmente o zodíaco não foi referência para a criação da lista: não existem estrelas de Peixes, Aquário, Capricórnio e Caranguejo.
• A Via­Láctea também não foi referência (basta ver Ursa Maior, Andrômeda, Fênix, Baleia, Erídano, Carneiro, Cão Menor, Hidra Fêmea, Leão, Virgem, Boieiro, Libra, Ursa Menor, Coroa Boreal, Dragão, Lira, Pavão, Pégaso, Grou e Peixe Austral). • Acamar (teta Eri) tem magnitude 2.91 (a mais fraca da lista), mas entre as estrelas mais brilhantes do céu (mag aparente) ela é apenas a 151ª, ou seja, não foi apenas a magnitude o critério para a escolha. • é intrigante (e desafiador) a ausência de estrelas como Castor (alfa Gem), Mimosa (beta Cru), Algol (beta Per), Alnitak (zeta Ori) e Mintaka (delta Ori), utilizadas em alinhamentos para identificar outras estrelas no céu. •
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tirando o Sol nas duas imagens, chama a atenção que a lista de março tem uma estrela a mais (alfa Arietis) que a de abril.
todas as estrelas das duas listas ficam próximas à eclíptica – caminho aparente do Sol no céu; a exceção fica por conta de Altair (alfa aquilae, última das listas)
se ficam perto da eclíptica é porque pertencem à constelações zodiacais (novamente exceção para Altair).
das estrelas das listas, todas são brilhantes e famosas, exceto beta capricórnio (mag 3.08, 185ª em “brilho”). A constelação de Capricórnio não tem objetos brilhantes ou interessantes (é a menor constelação zodiacal). Mesmo assim, essa estrela fica próxima à eclíptica, e o grande truque para encontrá­la é justamente Altair, na constelação da Águia, a mais brilhante próxima a beta capricórnio. Embora não pertença à uma constelação zodiacal, Altair fica no meio de uma espécie de “Três Marias” na constelação da Águia, e prolongar este alinhamento para o sul cai justamente em beta capricórnio.
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parece que há um começo de padrão: eclíptica, constelações zodiacais e estrelas brilhantes (de reconhecida notoriedade), estas últimas auxiliando na localização das menos brilhantes das constelações zodiacais (as não­
zodiacais entrariam na lista “de favor”). dessa forma, estes truques tipo “identificação do céu” parecem ter utilidade não somente para amadores, mas também para astrônomos profissionais.
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