(OTs) NO BRASIL

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XII Congresso Brasileiro de Ecotoxicologia
25 a 28 de setembro de 2012
Porto de Galinhas – PE
MONITORAMENTO BIOLÓGICO DA CONTAMINAÇÃO POR ORGANOESTÂNICOS
(OTs) NO BRASIL
Mercia Barcellos da Costa
[email protected] (Universidade Federal do Espírito Santo, Vitória, Espírito Santo)
Moluscos gastrópodes apresentam grande potencial de bioacumulação dos compostos organoestânicos
(OTs), especialmente Tributilestanho (TBT), o qual ainda é usado em tintas anti-incrustantes aplicadas nos
cascos de navios e outras embarcações para evitar que organismos marinhos como algas, cracas, moluscos,
dentre outros, se fixem. Esse composto, entretanto, tem sido considerado umas das mais tóxicas substâncias e
um dos mais potentes compostos androgênicos deliberadamente introduzidos no ambiente marinho e tem
recebido considerável atenção desde os anos 80. Essa toxicidade também afeta organismos não-alvos,
causando problemas indesejáveis à vida marinha. TBT pode acumular-se nas cadeias alimentares sendo
armazenado em tecidos de moluscos, crustáceos, equinodermos, peixes e mamíferos marinhos. Assim, os
efeitos tóxicos desse poluente resultam em impactos que podem afetar um ou mais níveis de organização
biológica em um ecossistema, incluindo seres humanos, uma vez que o consumo de alimentos de origem
marinha é parte de sua dieta ao redor do mundo e essa é uma importante rota de contaminação. Por
apresentarem baixa capacidade metabólica para eliminar estes compostos, gastrópodes são excelentes
bioindicadores da presença de TBT. Em gastrópodes, esses compostos atuam como desreguladores
endócrinos, fazendo com que nesses se desenvolvam características sexuais masculinas como pênis e vaso
deferente, em indivíduos do sexo feminino. Essa síndrome é denominada imposex e compromete a
capacidade de reprodução dos indivíduos afetados. O imposex vem sendo estudado em vários países,
inclusive no Brasil, e vem sendo utilizado como ferramenta de bioindicação desde a década de 90. Para
tanto, diversas espécies tem sido utilizadas, dentre elas: Stramonita haemastoma (Linnaeus, 1767),
Stramonita rustica (Lamarck, 1822), Thais deltoidea (Lamarck, 1822) Cymatium parthenopeum
parthenopeum (Von Salis, 1793), Leucozonia nassa (Gmelin, 1791) e L. ocellata (Gmelin, 1791) e
observações de impactos por TBT vem sendo reportados ao longo do litoral brasileiro. A intensidade de
masculinização em fêmeas de gastrópodes é concentração-dependente e pode levar à esterilidade nas
diferentes espécies. Esse efeito tem consequências para a capacidade reprodutiva da população uma vez que
limita o número de juvenis e seu recrutamento para populações adultas. Espécies de gastrópodes com baixa
taxa de fecundidade mostram uma redução ou eliminação de populações em áreas severamente impactadas
por TBT. Além do imposex, o intersex é outro importante bioindicador para TBT. Essa síndrome foi descrita
primeiramente para Littorina littorea (Linnaeus, 1758) e foi observada, até o momento, em algumas espécies
de gastrópodes, especialmente da família Littorinidae. Nessa síndrome, ocorre a transformação gradual de
órgãos reprodutivos paliais femininos em estruturas morfologicamente masculinas. Assim, o oviduto palial
de fêmeas se transforma em uma próstata, podendo também haver formação de um canal deferente e pênis
nas fêmeas afetadas pela síndrome. Indivíduos que se apresentam na fase inicial do desenvolvimento de
intersex já são considerados estéreis, uma vez que as alterações no oviduto comprometem a capacidade
dessas produzirem as cápsulas que envolvem os ovos. Uma vez que o imposex é conhecido em cerca de 220
espécies de Neogastrópodes encontrados no ambiente marinho, e os impactos causados pela presença de OTs
nesse ambiente vêm sendo monitorado há algumas décadas, faz-se necessário verificar a ocorrência dessa
contaminação em outros ecossistemas, por exemplo, manguezal. Dessa forma, o desenvolvimento de intersex
em Littoraria angulifera (Lamarck, 1822), gastrópode típico de manguezal, foi verificado e a ocorrência
dessa síndrome nessa espécie foi confirmada pela primeira vez. Os resultados obtidos indicam que essa
espécie pode ser considerada uma boa indicadora da contaminação por TBT nesse ecossistema. Devido aos
riscos ambientais causados pelo uso de tintas antifouling à base de TBT, o uso e a produção dessas tintas
estão controlados em diversos países. Entretanto, em países em desenvolvimento, tais como Brasil, essas
tintas ainda estão sendo produzidas e usadas e seus efeitos podem ser verificados pelo monitoramento de
imposex ou intersex em gastrópodes.
Sociedade Brasileira de Ecotoxicologia (SBE)
Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)
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