Ferramentas e opções estratégicas para aumentar a produtividade

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Ferramentas e opções estratégicas para aumentar a
produtividade de projetos no Revit.
Antonio Ivo Mainardi – Metrô de São Paulo
O objetivo desta seção é apresentar processos e ferramentas no software Autodesk Revit para
aumentar a produtividade e durante o projeto. A produtividade abordará questões de famílias, grupos,
folhas, detalhamento entre outros.
Objetivo de aprendizado
Ao final desta palestra você terá condições de:

Melhorar a produtividade no Revit

Entender mais profundidade famílias

O que deve ter mais atenção e cuidado no processo de projeto no Revit

Estratégias para grupos e worksets
Sobre o Palestrante
Ao trabalhar com o processo tradicional de projeto, buscou melhores soluções para o seu
desenvolvimento, sobretudo, no que diz respeito ao uso de novos processos, em especial, o
BIM. O primeiro contato com o Revit ocorreu em 2007, quando ainda estagiário no Escritório
Itamar Berezin Arquitetura. Em 2010 com a oportunidade de fazer parte de uma equipe para
estudos e implementação de novas tecnologias, transferiu-se para Aflalo & Gasperini
Arquitetos, onde, em conjunto com outros arquitetos, implementou o Revit em todas as etapas
do processo projetual, bem como em todas as equipes. Entre o período de 2011 a 2012 foi
nomeado, responsável BIM no escritório. Em 2013, a convite da Companhia do Metropolitano
de São Paulo, Metrô de São Paulo, integrou-se à equipe de estudos sobre BIM, onde hoje é
Supervisor e responsável BIM na Gerência de Concepção de Projetos Civis.
[email protected] / [email protected]
Ferramentas e opções estratégicas para aumentar a produtividade de projetos no Revit
Caminhos a seguir: estratégia e produtividade
O BIM (Building Information Modeling) ou MIC (Modelagem da Informação da
Construção) tem diversas definições, em resumo é um novo processo que atende a todo o ciclo
de vida de uma construção, e para que isso seja possível é necessário incluir diversas
informações em seu conteúdo. O Autodesk Revit é um dos softwares que alimentam este
processo, produzindo a informação necessária para o produto Projeto. A quantidade de
informações que um simples edifício pode carregar é enorme, por isso organização, estratégia
e tratamento são de grande importância, inúmeros caminhos podem ser seguidos e levarem a
mais ou menos horas de sono.
A modelagem
A modelagem como parte de um projeto deve ser produzida por arquitetos e
engenheiros, até então boa parte destes profissionais acostumados ao seu estilo de desenho,
seu tipo de representar o que está em mente. Entendendo o BIM como um único modelo (por
mais que possa ser dividido em arquivos, porém ainda sim como um único arquivo carregando
diversas informações), logo há uma única maneira de representar, já que são elementos da
construção e não mais representações. Portanto é necessário entender que todos são
responsáveis por aquele projeto, por aquele resultado e não mais o “meu desenho” ou “seu
desenho”.
O modelo é a base para grande parte dos usos BIM, a partir dele será extraído o
quantitativo, a simulação do canteiro, a compatibilização, os desenhos técnicos e outros.
Portanto o compromisso de uma boa modelagem deve ser de todos que estão no projeto,
dividindo a responsabilidade de acertos e erros devido ao tamanho da responsabilidade que
essa informação criada irá gerar.
A estratégia
A estratégia, que pode ser entendido também como caminhos, pode levar ao sucesso e
ao fracasso, logicamente o interesse aqui é citar alguns caminhos que não são únicos e
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servirão para abrir novas possibilidades. Um processo de sucesso vem acompanhado de uma
boa estratégia, que com o BIM é essencial.
Colocando-se no papel de projetista este caminho a seguir deve ser determinado logo
no início do projeto, pois dependendo do que for necessário, as alterações causam um grande
retrabalho e consequentemente em horas “perdidas”. A estratégia pode ser alterada por alguns
pontos como etapa do projeto, onde, por exemplo, em um estudo de viabilidade não temos
muitas informações e não estão determinados os usos, apenas os prazos iniciais e a partir
deles será traçado o processo inicial. Este mesmo projeto seguindo a um projeto executivo já
temos informações como tipologia e extensões, o que nos permite uma nova estratégia que
pode ser adotada no período de mudança de etapas, essa nova estratégia entende-se em
como organizar grupos, worksets e até os detalhes do projeto.
A produtividade
Produtividade não pode ser confundida com produção, mas sim a eficiência de
utilização dos recursos, palavras do Prof. Dr. Ubiraci Espinelli. Com isto posto e com diversos
softwares disponíveis, a criatividade ganha grande importância quando falamos em
produtividade. Muitas vezes a ferramenta está na nossa frente e disponível há anos e por falta
de curiosidade ou criatividade não aplicou. A utilização de softwares e suas ferramentas têm
que servir não apenas a aplicação direta, mas aos usos que a criatividade venha a aplicá-la.
Com criatividade e aplicações de ferramentas disponíveis há uma grande chance de
aumentar a produtividade, e o que se pretende é demonstrar algumas ferramentas com opções
para melhoria desta produtividade, com o simples uso do que já está disponível.
O início do projeto
Reunião inicial
Em grande parte dos escritórios que pude conhecer e verificar seu processo de projeto
pode-se verificar que o processo em AutoCAD já havia um padrão a se seguir, todos já
estavam acostumados com as etapas e caminhos que o projeto teria. Com o BIM este
processo sofre alterações, para cada projeto é recomendado uma reunião onde os envolvidos
na produção do projeto apontam características que ajudam a montar uma estratégia para este
modelo.
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Template
Produzir e utilizar um ou mais template para projetos é considerado de extrema
importância para projetos no Revit, configurações básicas e essenciais já estão presentes nele,
como peso de linhas, configurações de exportações, representações e tabelas, sendo possível
e indicado ter um template para cada necessidade, como por exemplo, considerar que as
necessidades para a produção de um estudo são diferentes das de um projeto executivo. E
recomenda-se que um arquivo de projeto não seja reutilizado o arquivo de um projeto para o
outro, sempre utilize um template para começar seu projeto, se necessário utilize a ferramenta
Transfer Project Standards para transferir configurações entre os arquivos.
Para um template para um projeto de viabilidade ou um estudo recomenda-se que
tenha uma maior quantidade de componentes carregados, portanto um arquivo maior,
facilitando o acesso aos elementos que são usados comumente, além de já pré-configuradas
as tabelas e configurações gráficas. O template para um projeto executivo é mais enxuto, com
menos componentes carregados, deixando assim só o essencial e sendo um arquivo menor.
Organização
Um dos pontos levantados na reunião inicial é a organização do modelo. Assuntos
como nomenclatura, número de arquivos e como dividi-los, aproveitamento de grupos e suas
repetições são alguns dos que necessitam atenção, já que alguns podem ser complicados se
necessitar atualização em um momento com o modelo mais avançado.
Auditoria
O processo de auditoria é necessário não só pela preocupação da entrega do arquivo
ao cliente, mas também para que internamente a produção não sofra problemas e atrasos por
falta de padrões e comprometimento. É produzida uma lista de checagem com os itens que
precisam de atenção para o bom andamento do projeto, como atendimento as nomenclaturas,
posicionamento de componentes, organização do modelo, exclusão de grupos e componentes
que não serão mais utilizados, entre outros.
A auditoria deve ser aplicada com certa frequência, para que não acumule problemas,
como warnings e níveis deslocados no mesmo plano, além de antes da entrega do projeto ao
cliente.
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Grupos
A ferramenta para criação de grupos é muito utilizada principalmente em projetos de
grande escala onde há muita repetição, mas também em projetos menores com o intuito de
ganhar tempo no projeto, mesmo que seja pouco. O Revit possui dois tipos de grupos, o grupo
de modelo (Model Group) e o grupo com componentes 2D (Detail Group), e junto a isso é
possível que o grupo de elementos 2D esteja atrelado ao grupo de modelo.
Model
O grupo de modelo (Model Group) é a junção de componentes de modelo, entendo que
tudo que é modelo significa que está em 3D, logo todos os componentes de construções como
paredes, viga, lajes e etc. A utilização do grupo de modelo não deve ser comparada a blocos
do AutoCAD, existem opções e estratégias com usos diferentes.
Inicialmente o uso do grupo de modelo pode ser feito de duas maneiras, selecionando
os componentes e clicando no botão CREATE GROUP
, ou clicar no botão e adicionar os
componentes que pertencem a este grupo, nomeando corretamente conforme uma convenção
determinada. Este grupo pode-se repetir tanto horizontalmente como verticalmente, lembrando
que se alterar qualquer uma das instâncias do grupo, os outros também sofrerão essa
alteração. Com o mesmo conceito de tipo e instância, os grupos de modelos podem sofrer
algumas alterações em suas instâncias como a colocação de uma porta na parede que não
esta nos outros grupos, e esta parede altera-se recebendo o furo necessário para a porta, e
também é possível apagar a porta presente no grupo, deixando somente esta instância do
grupo sem esta porta.
Portanto é possível apagar elementos de um grupo, com o mouse em cima do
componente clicando uma vez no botão TAB e clicando com o botão esquerdo, com a porta
selecionada surgirá o botão
, clicando nele o componente será apagado apenas naquela
instância. Para retornar o grupo como original, pois esta porta ainda pertence ao grupo, apenas
selecione o grupo que aparecerá o botão RESTORE ALL EXCLUDED, clique nele e o grupo
volta a ser como era com todos os seus componentes, ou com o botão direito no componente
apagado, clique em RESTORE EXCLUDED MEMBER fazendo com que apenas aquele
componente retorne.
Attached Detail Group
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Quando elementos em 2D (linhas, cotas, textos, etc.) estão selecionados e clicar em
CREATE NEW GROUP, o Revit criará um grupo de detalhe. Há uma opção onde podemos
vincular um ou mais grupos de detalhe a um grupo de modelo, permitindo que ao selecionar o
grupo de modelo e clicar em ATTACHED DETAIL GROUPS apareça a lista de grupos de
detalhe para que o usuário selecione quais elementos 2D quer que apareça nesta vista e
reaproveitando estes grupos em outras vistas, além de manter possíveis alterações vinculadas.
Lembrando que todos os elementos 2D que exigem algum vínculo como por exemplo cotas e
tags, só podem estar no mesmo grupo de detalhe se as referências do modelo participarem do
mesmo grupo.
Estratégia
Um bom planejamento inicial de como organizar e montar os grupos é o ponto principal
de uma boa estratégia de modelagem, já que há a possibilidade de reaproveitamento das
anotações através do ATTACHED DETAIL GROUP. Portanto na reunião inicial é necessário
traçar os planos dos grupos, como repeti-los e o que vale a pena agrupar, nem sempre todos
os conjuntos de elementos que se repetem devem ser agrupados, há uma balança sobre o
tempo gasto no projeto, se decidir por agrupar tudo que se repete talvez não consiga utilizar em
grande escala o grupo de detalhe vinculado, e talvez valha a pena fazer um grande grupo, por
mais que alterações precisem ser repetidas, a fim de reaproveitar os grupos de detalhes já que
esses devem estar com os vínculos no modelo no mesmo grupo.
Lembrete: por mais que o usuário apague todos os grupos do projeto, ele permanece com a
informação do grupo no arquivo. Recomenda-se utilizar o Purge Unused ou ir pelo Project
Browser e apagar os grupos que não estão mais sendo utilizados.
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Worksets
Worksets são utilizados para organizar o trabalho em equipe, sendo ele o responsável
por habilitar o trabalho em equipe, sendo que cada componente e grupo pertence a um
workset, elementos 2D por estarem na vista onde foram criados já pertencem ao workset da
vista.
Worksharing
O Worksharing é o compartilhamento de trabalho, já que no Revit um único arquivo
pode conter o projeto inteiro, desta maneira possibilita o trabalho em equipe. É necessário criar
pelo menos um Workset para que seja habilitado o worksharing, criando assim o arquivo
central, de onde os arquivos locais se sincronizarão.
Worksets e Links
Os Worksets têm a habilidade de “travar” componentes para edição, sendo permitidos
através de uma autorização concedida. Para a divisão e organização de Worksets e seus
componentes, o ideal é que seja feito principalmente por setores e não por temas como pisos e
paredes, assim evita que o projetista tenha que pedir autorização toda vez que alterar algo no
projeto devido à aproximação dos trabalhos.
É possível também utilizar os worksets para deixar o trabalho mais fluído, desligando o
que não tem interferência no trabalho naquele momento, deixando apenas o que será utilizado,
desta maneira o trabalho de memória e processamento é menor. A organização dos worksets
deve ser pensada também com relação aos links, ao linkar um RVT é possível ligar e desligar
os worksets aumentando as possibilidades e nível de gerenciamento dessas informações.
Estratégia
Alguns pontos merecem maior cuidado com relação aos worksets. Há a possibilidade
de ser o “dono” do Workset, fazendo com que os outros projetistas tenham que pedir permissão
toda vez que necessitar alterar algo que esteja neste Workset, porém isto pode se tornar em
atraso de projeto já que nem sempre o dono está disponível a liberar este workset, recomendase deixar a maior parte dos worksets livres e confiar na equipe. Tente deixar no máximo 4
projetistas por arquivo, pois muitos projetistas trabalhando no mesmo arquivo resulta em
colisão de trabalho, tendo que pedir permissão ou aumentando a frequência de sincronização
sem necessidade.
Em infraestrutura, lembrando que teremos um arquivo central no servidor e todos
acessando este arquivo a cada sincronização, é preciso ter um sistema de comunicação rápida
entre os computadores e o servidor, diminuindo o tempo “perdido”.
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Famílias
Família é o componente utilizado pelo Revit para inúmeros casos, elementos como
portas, mobiliário, janelas, mas também pode ser o carimbo de folhas, o elemento de um
detalhe. Com o uso da parametrização o trabalho diário fica facilitado, comandadas por valores
informados pelo usuário, por fórmulas matemáticas resultante das informações oferecidas pelo
usuário. Alguns cuidados e caminhos são necessários para a produção das famílias.
Tamanho
Existem vários profissionais com conhecimento em Revit que definem qual o tamanho
ideal para uma família, na minha visão isso depende de alguns pontos como praticidade, tempo
de processamento, aplicação e necessidades, mas sempre tente diminuir e criar famílias com o
menor tamanho possível, com menor quantidade de cálculos possíveis, essas ações fazem
com que no processo do projeto as alterações dos componentes aconteçam em menor tempo.
Em um processo de estudos onde é necessário criar mais de uma solução, a
parametrização e o tamanho do arquivo podem se justificar pela facilidade e agilidade das
alterações, portanto aqui se permita criar algo mais complexo. Este mesmo componente
provavelmente será substituído em um processo mais avançado onde já está definido detalhe,
fabricante e modelo, além de outros usos como análise energética, renderização e
detalhamento, tendo assim um componente mais definido necessitando de menos informações
e possivelmente um arquivo menor. Dizem que o ideal é estar abaixo de 500kb, o que
realmente vai acontecer na maioria dos casos, mas não trave nenhum processo de projeto por
isso, e utilize o seu conhecimento e percepção para definir isto.
Fórmulas
Com as fórmulas, as famílias são capazes de se transformar, e fazer com que a
produtividade do projeto seja melhorada. Estas são relacionadas a parâmetros nas famílias do
Revit, abaixo cito quais condições mais comumente são utilizadas nas fórmulas:
Operações Aritméticas
Adição
+
Logaritimo
Subtração
-
Raiz Quadrada
Multiplicação
*
Seno
Divisão
/
Cosseno
Log
Arco seno
Asin
sqrt:
sqrt(16)
Arcos seno
Acos
Sin
Arco tangente
Atan
Cos
e
elevado
potência x
a
Exp
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Exponenciação
^: x^y
Tangente
Tan
Valor absoluto
Abs
Condições:
IF (<condição>, <resultado verdadeiro>, <resultado falso>)
IF: =IF (Length < 3000mm, 200mm, 300mm)
IF com parâmetro de texto: =IF (Length > 35', “String1”, “String2”)
IF com condição AND: =IF ( AND (x = 1 , y = 2), 8 , 3 )
IF com condição OR: =IF ( OR ( A = 1 , B = 3 ) , 8 , 3 )
Condição com outra condição:
=IF ( Length < 35 , 2.6 , IF ( Length < 45 , 3 , IF ( Length < 55 , 5 , 8 ) ) )
IF com Yes/No na condição: =Length > 40 (Marca o “Checkbox” em caso positivo).
Para marcar em resultado falso na fórmula anterior utilize: =NOT(Lenght>40)
Parametrização
A capacidade das famílias sofrerem alterações rápidas e a produção disto através de
condições simples é uma das grandes vantagens do Revit, isso permite a adaptação e
personalização que agregam a produtividade do projeto. Não apenas em fórmulas, mas caixas
de “sim” e “não”, visibilidade, textos e outros elementos que não necessariamente estão ligados
a fórmulas matemáticas podem ser utilizadas, sempre a condição colocada acima para não
exagerar, como por exemplo, utilizar em um projeto executivo uma família chamada de All-inone, onde se tem todas as possibilidades em uma única família, deixando o arquivo grande
devido a vários elementos que não serão utilizados.
Estratégia
Para obter uma boa biblioteca com boas famílias é preciso unir outros itens além
desses três citados acima como categorias e subcategorias, relações com o object styles e etc.
Porém a união do que foi comentado nos três itens tamanho, fórmulas e parametrização são o
que faz uma família ser útil, com ganho de produtividade e sema necessidade de refazê-la a
cada projeto.
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