Floresta Amazônica I

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Floresta Amazônica I
N
Mauricio Ferreira Magalhães*
esta aula estudaremos a maior floresta tropical do planeta. Identificaremos suas características geográficas gerais e sua diversidade biológica,
destacando o fato de que a Floresta Amazônica possui tanto a maior bacia
hidrográfica como também a maior biodiversidade do planeta.
Características geográficas
A Floresta Amazônica sempre encantou a todos devido à sua exuberância e Hiléia
a pujança de suas matas. É conhecida como hiléia (palavra que significa bosque) Amazônica
e classificada como floresta tropical pluvial úmida. Essa classificação se deve a – O maior
alguns fatores.
bosque do
Tropical – localizada na região próxima ao equador, com grande estabi- planeta
lidade climática.
Pluvial – regime de chuvas intensas e regulares durante todo o ano.
Úmida – grande emissão de água para atmosfera devido à intensa atividade de sua vegetação.
Quanto aos números, existe uma grande variedade de informações, porém
o Ministério do Meio Ambiente estima que essa floresta possua uma área, atualmente, de quatro milhões de quilômetros quadrados, ocupando nove países da
América do Sul: Brasil, Bolívia, Chile, Colômbia, Guiana Francesa, Peru, Suriname e Venezuela. Corresponde a 31% de todas as florestas tropicais do planeta.
O Brasil detém cerca de 3,2 milhões de quilômetros quadrados da Floresta
Amazônica, o que corresponde a 40% de todo o território nacional distribuída por
oito estados da federação: Acre, Amazonas, Amapá, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins. Este fato só aumenta a responsabilidade do nosso país
sobre a Floresta.
A pororoca
Representa o fenômeno da entrada de águas oceânicas no leito dos
rios. Devido à superfície irregular e aos obstáculos encontrados nestes
rios, formam-se ondas de grande amplitude, características do evento. Este
fenômeno ocorre em épocas de sigizia, ou seja, momentos em que temos
marés de lua nova e lua cheia.
Mest re em Gestão A mbient al e Educação A mb i e n t a l . P r ofe s s o r t i t u l a r
d a U n i ve r s i d a d e C a s t e l o
Branco/ R J – das discipl i n a s d e M e i o A m b i e n t e e D e s e n vol v i m e n t o
Hu m a n o , e L e g i s l a ç ã o e
Gest ão A mbient al. Co ordena o Cu rso de Ciênc i a s Bi ol ó g i c a s e o N ú cl e o d e M e i o A m b i e n t e
d a m e s m a u n i ve r sid a d e.
P r e sid e nt e d o I n s t i t u t o
A mbient al Goianá.
Ecossistemas Brasileiros e Gestão Ambiental
Características gerais
O clima
A Floresta Amazônica apresenta um clima quente e úmido, com temperaturas variando entre 20º C e 32º C e média anual de 27º C. Esta estabilidade
climática é fundamental para a manutenção do seu equilíbrio.
As chuvas
1
Fenômeno realizado pelos vegetais que consiste
em eliminar, por meio de seus
estômatos (aberturas existentes nas folhas), parte da água
absorvida pelas raízes. Como
conseqüência temos o interior das matas com elevada
umidade.
10
A atividade da mata promove uma constante evapotranspiração1. Devido a
esse fato, a umidade na região apresenta índices de 80 a 100%. Como conseqüência temos um regime de chuvas intenso, constante, com 12 trilhões de m3/ano.
Cerca de 45% deste volume é drenado para o Oceano Atlântico.
Os índices médios de chuvas giram em torno de 2.200 mm/ano, com precipitações diárias de uma hora, conhecidas como aguaceiros. O volume de água
pode ser bem identificado no maior rio do mundo, o Amazonas, que lança em um
só dia no Oceano Atlântico o equivalente a um ano do rio Tâmisa (Inglaterra), a
12 dias do rio Mississipi (Estados Unidos) e a 5 dias do rio Congo (África).
Floresta Amazônica I
O solo
O solo amazônico apresenta uma avançada idade geológica, o que pode
justificar sua pobreza em nutrientes. Outro fato que identifica essa baixa fertilidade é o fato deste solo ser constantemente lavado pelas chuvas, que dissolvem e
removem a camada de nutrientes do mesmo.
Como explicar a exuberância
da floresta com um solo tão pobre?
A Floresta Amazônica desenvolve uma intensa reciclagem natural da matéria orgânica superficial, fenômeno denominado turnover2. Esta característica
permite a formação de uma serrapilheira3 densa que retém grande quantidade
de água e sais, garantindo assim a manutenção da exuberância da Floresta.
O ar
Existe um conceito de que a Floresta Amazônica representaria o “pulmão
do mundo”. Esta idéia predominou, inclusive em comunidades científicas, durante
muito tempo, pela densidade da mata amazônica.
Hoje, porém, sabemos que o pulmão do mundo está nos oceanos, devido à
atividade das algas planctônicas, e que as florestas continentais contribuem apenas com 10% do oxigênio presente na atmosfera.
Mesmo sem ter grande importância na recomposição do oxigênio atmosférico, a Floresta Amazônica é fundamental para a manutenção do clima planetário.
Este fato refere-se à grande quantidade de água que a floresta lança na atmosfera,
e também na barreira geográfica natural para os ventos, o que a caracteriza como
“condicionador de ar do planeta”.
Características biológicas
Estudos sobre a diversidade biológica da floresta indicam que ela representa
o ambiente mais pluralizado do planeta. Detém cerca de 20% de toda a variedade
de espécies do mundo, o que gera interesses internacionais na região.
A flora
A Floresta Amazônica tem suas matas classificadas em três grupos:
1. Matas de terra firme – localizadas em terras altas, estão permanentemente livres de inundações. Abrigam as árvores de grande porte (50m de
altura) com raízes tabulares4 extremamente importantes para sua sustentação.
Ex.: guaraná, castanha-do-pará, maçaranduba, sapucaia.
2
Fenômeno ecológico no
qual os fungos e bactérias, presentes no solo, promovem a decom-posição da
matéria orgâni-ca, retornando à sua forma inorgânica e
enriquecendo o solo com nutrientes que serão reaproveitados pe-los vegetais.
3
Camada superficial do
solo que abriga restos de
folhas, galhos, animais mortos, fungos e bactérias, e na
qual onde ocorre o fenômeno
do turnover.
4
Raízes que se desenvolvem próximas ao solo
e que se espalham sobre a
superfície, com isso apresentam uma grande capacidade
de sustentação para as árvores de grande porte.
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2. Matas de igapó – localizadas em terrenos baixos, permanecem inundadas na maior parte do tempo. Sua vegetação apresenta adaptações ao
alagamento contínuo como caules impregnados por suberina e lignina
(proteínas que os impermeabilizam).
Ex.: arbustos, cipós, epífitas, musgos, bromélias, vitórias-régias.
3. Matas de várzea – representam uma espécie de mata de transição entre
as duas anteriores. Sofrem inundação temporária e dependendo de sua
localização podem se assemelhar mais com matas de terra firme (regiões
mais altas) ou com matas de igapó (regiões mais baixas).
Ex.: cedro, cerejeira, mogno, virola, açaí, seringueira e plantas medicinais.
A fauna
A fauna amazônica também é bastante diversificada. Pesquisadores estimam que 70% das espécies de invertebrados presentes nela ainda não foram catalogadas. Segundo dados publicados pela National Academy of Science em um
único hectare de floresta tropical há mais de 42 mil espécies diferentes de insetos.
Alguns dados revelam esta extrema diversidade:
peixes – 1.400 espécies (ex.: pirarucu, pintado);
anfíbios – 518 espécies;
répteis – 550 espécies (ex.: jacaré-da-amazônia, jacaré-açu);
aves – 1.000 espécies (ex.: araçari, mutum-pinina);
mamíferos – 311 espécies (ex.: guariba, jaguatirica).
Conclusões
Nesta aula apresentamos parte do Ecossistema da Floresta Amazônica. Em
nosso estudo destacamos a sua localização abrangendo nove países da América
do Sul e oito estados brasileiros.
Enfatizamos sua importância para a manutenção do clima planetário, a pobreza do seu solo e a grande quantidade de água que drena para o oceano (12
trilhões de m 3/ano).
Por fim, caracterizamos sua diversidade biológica por exemplares da fauna
e da flora, bem como sua importância para pesquisas científicas, uma vez que
ainda desconhecemos a maior parte das espécies ali existentes.
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Floresta Amazônica: uma comunidade clímax
(LOPES, 2004)
A Amazônia, que é a maior floresta tropical do mundo e tem sua maior porção em território
brasileiro, apresenta-se como um ecossistema extremamente complexo e delicado.
Sua incrível diversidade biológica, abrigando cerca de 20% de todas as espécies vivas do
planeta confere-lhe uma infinidade de inter-relações ecológicas. Todos os elementos – clima, solo,
fauna e flora – estão tão estreitamente relacionados que não se pode considerar nenhum deles
como principal. Todos contribuem para a manutenção do equilíbrio, de modo que a ausência de
qualquer um deles é suficiente para desarranjar o ecossistema.
O que acontece, então, quando se cortam as árvores, arrancam-se ou queimam-se os troncos?
Cortada a vegetação nativa, a fina camada de húmus pode se esgotar em dois ou três anos,
pois não haverá a reposição de matéria orgânica. Além disso, com a retirada da vegetação nativa,
as chuvas quase contínuas lavam o solo, retirando e desagregando os poucos nutrientes que o
compõe.
Pouco a pouco, o solo se tornará nu e cada vez mais arenoso. Não haverá uma sucessão secundária levando o restabelecimento da mesma comunidade clímax anterior. Dificilmente a região
se transformaria em um deserto total, pois os ventos alísios, oriundos do oceano são capazes de
garantir uma umidade necessária para algumas formas de vegetação. Mas de qualquer maneira o
ecossistema estaria destruído.
1.
Faça um levantamento da fauna amazônica, incluindo três variedades de vertebrados.
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2.
Justifique o fato do bioma amazônico apresentar tanta disponibilidade de água.
3.
Comente os fenômenos do turnover e da evapotranspiração.
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Sugiro que aprofundem seus estudos navegando pelos sites abaixo que permitirão uma maior
visualização da Floresta Amazônica:
www.ambientebrasil.com.br
www.amazonia.org.br
www.mma.gov.br
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